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CURSO DE FORMAÇÃO ECOLÓGICA

Tema: Sistema Nacional do Meio Ambiente, Legislação Ambiental e


Impunidade Ambiental
Palestrante: Dr. Fernando Walcacer

Roteiro da Palestra:

- A crise ambiental e o surgimento do Direito Ambiental na segunda metade


do século XX.

- A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Habitat


(Estocolmo, 1972) e a sua Declaração de Princípios.

- Princípios fundamentais do Direito Ambiental: o princípio da prevenção do


dano, o princípio poluidor-pagador, o princípio da publicidade, o princípio da
participação.

- Constituição Federal e Política Nacional do Meio Ambiente: Sistema


Nacional do Meio Ambiente, licenciamento ambiental, estudo de impacto
ambiental, espaços territoriais protegidos.

- Cidadania e Meio Ambiente: ação civil pública, ação popular.

RESUMO:

O direito vai privilegiar as liberdades individuais e a propriedade.


Na relação entre homem e os bens, aí incluindo a natureza, prevaleceu o
direito da propriedade individual e é aí exatamente que tem origem um dos
problemas maiores que provocam a destruição dos recursos naturais.

As preocupações com a natureza e a finitude dos recursos naturais e o


surgimento do Direito Ambiental, começaram sobretudo após a Conferência
de Estocolmo (1972). Nessa Conferência da ONU, que foi lá realizada
porque estavam ocorrendo várias mortandades de peixes em vários rios e
lagos devido a chuva ácida, provocada pelas usinas a carvão da Alemanha.
Essa poluição do ar era transfronteiriça, e os efeitos eram sentidos em outro
país diverso da origem.
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Foi aí que se viu a necessidade de se elaborarem novas leis que


contemplassem a soberania dos países, mas de uma forma mais ampla, e
responsabilizassem as agressões indiretas e outras. A partir de 1972, o
Brasil começa a desenvolver uma legislação ambiental, que é considerada
uma das mais avançadas do mundo, e que se propõe a permitir a sociedade
uma participação bem maior na defesa e preservação do meio ambiente. A
principal dessas lei é a Constituição Federal de 1988, com todo um capítulo
reservado ao Meio Ambiente.

Para que se consiga elaborar uma boa legislação sobre o assunto, tem de
contemplar uma estrutura metodológica e conceitual baseada no seguinte
tripé:

Informação Ambiental

Participação Pública e Prevenção do Dano Ambiental


Educação Ambiental

A idéia de proteção do meio ambiente, é um divisor de águas no Direito


como um todo, provocando até uma mudança cultural na visão da
administração pública, que começa a se preocupar com o bem coletivo que
pertence a sociedade.

Assim como se tratam de bens que dizem respeito a sociedade, é preciso


criar mecanismos de participação, discussão e controle dos projetos que
afetam o meio ambiente.

Para isso criou-se a EIA – Estudos e Avaliação de Impacto Ambiental – e


Relatório de Impacto Ambiental – RIMA.

O Direito Ambiental privilegia a prevenção do dano, porque parte do


princípio de que é sempre mais fácil prevenir do que recuperar.

O Ministério Público tem tido uma enorme importância no crescimento do


direito ambiental, na medida em que se preocupa em fazer cumprir a
legislação.

Sobre a hierarquia das leis:

A lei maior sempre é aquela contida na Constituição Federal sobre o


assunto. É claro, que existem fortes conflitos decorrentes das leis poderem
ser imanadas do poder legislativo estadual e municipal, além do federal.

Os municípios podem legislar sempre que há problemas de interesse local.


→ Lei 6938 de 1981, Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.
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O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) foi criado sobretudo para


estabelecer padrões de referência sobre várias questões ambientais.

Direito ambiental
- A questão ambiental passa a ter importância muito grande a partir da 2º
metade deste século, quando as sociedades descobrem a finitude dos
recursos naturais.
Na área do direito a preocupação com o meio ambiente, vai ter um papel
revolucionário, pois até então os juristas não se preocupavam com esses
aspectos.
A razão disso é porque em princípio a água, o ar, os rios, etc, não tinham
um valor jurídico, associado um custo.
Trata-se de um ramo novo do Direito, foi-se consolidando através de toda
uma legislação, e de núcleos de estudo a ele associado.
O direito ambiental brasileiro, com as suas normas ambientais não fica nada
atrás das normas ambientais de outros países mais evoluídos.
O problema maior incide na questão de se fazer cumprir e aplicar a lei. Ele é
muito importante enquanto instrumento de ação.
A constituição brasileira em vigor tem todo um capítulo sobre o direito
ambiental, e vários dispositivos importantes sobre a questão ambiental.
Ela fala sobre a meio ambiente quando trata da ordem econômica.
Na parte do direito à informação também aparece a preocupação com o
direito.
Todas as normas jurídicas devem-se basear e obedecer ao que está escrito
na constituição.
O que diz a constituição sobre o direito ambiental:
- Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (art.
225).
- bem de uso comum do povo - mostrando que o que era considerado de
ninguém agora é um bem de todos; não pertence a União Federal, nem a
nenhuma outra instância governamental pelo o que diz a atual constituição
brasileira, sempre que a sociedade sentir que uma autoridade pública está
tomando uma atitude contrária e danosa para o povo, porque está
agredindo um patrimônio que é de todos, existem mecanismos legais que
devem ser usados pela sociedade.
Sempre que uma autoridade está tomando uma atitude que compromete o
patrimônio ambiental das gerações futuras, a sociedade deve agir.
Para que se possa melhor exercer a proteção e defesa do meio ambiente, a
constituição estabelece mecanismos que criam meios para exercer esses
direitos.
O Direito Ambiental é sempre revolucionário; como é que a sociedade deve
de reagir: através de ações civis públicas e outros instrumentos, como por
exemplo as audiências públicas.
- Ação popular: o autor é um ou mais cidadãos, que entra contra qualquer
ato danoso ao patrimônio público. O escopo da ação foi ampliado, tendo-se
entendido que o patrimônio público deve incluir a visão e preocupação
ambiental. Este tipo de ação pode ser extremamente valiosa.
- Ação Civil Pública (criada em 1985) - O Ministério Público pode entrar com
a ação, as autarquias federais, as pessoas jurídicas e as entidades da
sociedade civil criadas para defender os interesses difusos, dá-se uma
ampla legitimação a sociedade para defender os seus interesses em juízo,
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para obter a reparação de um dano ambiental ou prevenção de um dano


ambiental.
Deve-se privilegiar a prevenção dos danos ambientais.
Recentemente um juiz federal deu uma liminar proibindo o plantio da soja
transgênica no Brasil, a pedido de uma civil pública do instituto de defesa
do consumidos “IDEC”. Enquanto não ficar provado que a soja transgênica
não faz mal a saúde e ao meio ambiente, fica proibido esse plantio.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) - também está previsto na
constituição (ver art. 225, parág. 1º, inciso 4), mais um instrumento legal
que deve ser usado com o objetivo de prevenir o dano, sendo obrigatória a
publicidade desse estudo.
O EIA é regulamentado pela resolução nº 001 do CONAMA e pela resolução
nº 009 também do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
Lei 6938 - define o que é a Política Nacional do Meio Ambiente e órgãos do
Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Em 1975 aconteceu um
marco no direito ambiental brasileiro, em Belo Horizonte, onde o prefeito
resolveu fechar uma fábrica de cimento por causa dos efeitos danosos ao
meio ambiente e a saúde humana.
A responsabilidade do dano ambiental não se baseia na questão da
imputação da culpa, só se precisa provar o nexo causal. Ex: uma fábrica
situada a beira do rio os peixes estão morrendo, é por si só a responsável
por esse crime, sem ser preciso provar a culpa.
Lei 9605 - Lei de Crimes Ambientais de 1998: um dos dispositivos mais
interessantes dessa lei é a responsabilização criminal do funcionário que
torna a decisão danosa ao meio ambiente.
Principais Leis Ambientais:
- Constituição Federal

Lei 6938 (1981)


Lei 7347 (1985)
Lei 8078/90 Código de Defesa do Consumidor
Lei 9605 - Lei de Crimes Ambientais
Decreto de Lei 3179/99
Lei 4771 (1965) Código Florestal
Autores (livros):
Dr. Edis Milaré - “Direito do Ambiente”- Ed. Revista dos Tribunais - Ano
2000
“Direito Ambiental Brasileiro”- Paulo Afonso Leme Machado - Ed Malheiros
1º edição de 1981, já está na 8º edição. (a melhor).
Sites na Internet:
- Instituto Ambiental - Socioambiental
- Instituto Brasileiro Advocacia Pública - Ibap.org
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Lei 9605/98 - Crimes Ambientais


Os animais
Matar, perseguir, caçar, apanhar e utilizar "animais silvestres, nativos ou em
rota migratória"(Art.29).
Pena: prisão, de 6 a 12 meses, e multa .
Animais silvestres, nativos ou em rota migratória" são animais normalmente
encontrados em ambientes naturais, típicos da fauna brasileira ou os que
utilizam regiões do território brasileiro para se locomoverem entre
diferentes áreas, fugindo do inverno rigoroso ou para fins de reprodução da
espécie.
Ex.: Boto, macaco, papagaio, periquito, tartaruga, tatu, sagui, veado e etc.
Vender, adquirir, aprisionar ou transportar animais silvestres, nativos ou em
rota migratória sem permissão da autoridade competente. Art. (29 §1º, III)
Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano, e multa.
Praticar maus tratos e ferir animais. (Art. 32)
Pena: prisão, de três meses a 1 ano, e multa
Matar animais da fauna silvestre continua sendo crime, entretanto a Lei não
pune quem matar animais para saciar sua fome ou de sua família.
Pescar em período de defeso ou em lugares proibidos por órgãos
competentes. (Art. 34)
Pena: prisão de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas.
A pesca, em período de defeso (desova), por arrasto, ou com equipamentos
proibidos, como também em quantidade e tamanho não permitido por Lei, é
considerada predatória por ser irregular e afetar a cadeia alimentar
aquática.
Provocar poluição ou derramamento de produtos tóxicos nos lagos, rios e
açudes que causem a mortalidade dos peixes e outros animais da fauna
aquática. (Art. 33).
Pena: prisão, de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas
É também considerado crime a pesca utilizando produtos explosivos ou
substâncias tóxicas. (Ex.: tinguí-cipó, assacu e outros).

As plantas
Destruir, danificar ou cortar árvores da floresta consideradas de preservação
permanente sem a permissão da autoridade competente. (Art. 38)
Pena: prisão, de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas.
Extrair pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais das áreas de
florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente,
sem prévia autorização do órgão competente. (Art. 44).
Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano,e multa.
Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha,
carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de
licença do vendedor, autorizada pela autoridade competente, e sem munir-
se da via que deverá acompanhar o produto até beneficiamento final. (Art.
46)
Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano, e multa
Vender, expor à venda, manter em depósito, transportar ou guardar
madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença
válida para todo o período de viagem ou o armazenamento, autorizada pela
autoridade competente, incorre nas mesmas penas. (Art. 36 Parágrafo
Único).
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Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano, e multa.


Causar danos às Unidades de Conservação, independente de sua
localização. (Art. 40)
Pena: prisão, de 1 a 5 anos.
Entrar em Unidades de Conservação portando materiais para caça ou para
exploração de produtos florestais,sem licença da autoridade
competente.(Art.52)
Pena: prisão, de 3 meses a 1 ano, e multa.
São consideradas Unidades de Conservação as Florestas Nacionais,
Estaduais e Municipais, Reservas Biológicas, Reservas Ecológicas, Estações
Ecológicas, Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, Áreas de Proteção
Ambiental, Reservas Extrativistas, entre outras.
Provocar incêndio na mata ou floresta. (Art. 41)
Pena: prisão, de 2 a 4 anos, e multa.
Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndio.
(Art. 42)
Pena: prisão, de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas
Destruir, danificar e maltratar plantas em locais públicos ou privados.(Art.
49)
Pena: prisão, de 3 meses a 1 ano, e multa, ou ambas.
Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas. (Art. 50)
Pena: prisão de 3 meses a 1 ano, e multa.
Vender, comprar e utilizar motoserra sem licença ou registro da autoridade
competente. (Art.51)
Pena: prisão, de 3 meses a 1 ano, e multa.
Poluição e outros crimes ambientais
Causar poluição que possa provocar danos à saúde das pessoas, morte de
animais e destruição de plantas. (Art. 54)
Pena: prisão, de 1 a 4 anos, e multa.
Causar poluição de qualquer natureza que torne a área imprópria para a
ocupação urbana, ou que provoque a retirada dos habitantes das áreas
afetadas, ou que torne necessária a paralisação do fornecimento público de
água de uma comunidade. (Art 54§.2)
Pena: prisão, de 1 a 5 anos.
Retirar pedra, areia e barro sem a autorização da autoridade competente ou
em acordo com a mesma. (Art. 55)
Pena: detenção, de 1 mês a 1 ano, e multa
Comercializar, fornecer, transportar, guardar ou usar substâncias tóxicas
prejudiciais à saúde das pessoas ou ao meio ambiente. (Art.56)
Pena: prisão, de 1 a 4 anos, e multa.
São consideradas substâncias tóxicas os produtos sólidos, líquidos ou
gasosos que, pelas suas características, representam risco à vida das
pessoas, à segurança pública e ao meio ambiente. Estão divididas em oito
classes de risco, representadas pelos explosivos, gases líquidos inflamáveis,
sólidos inflamáveis, oxidantes tóxicos, radioativos e corrosivos, identificados
individualmente através de números código.

Ordenamento urbano e patrimônio cultural


Destruir ou inutilizar museus, bibliotecas, exposições de quadros, arquivos e
registros. (Art. 62)
Pena: prisão, de 1 a 3 anos, e multa.
Pichar prédios, casas, muros e monumentos. (Art. 65)
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Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.


Modificar a construção ou local protegido por lei, por ato administrativo ou
por decisão judicial,em razão do seu valor paisagístico, ecológico, turístico,
artístico,histórico, cultural, religioso, arqueológico ou monumental, sem a
autorização da autoridade competente ou de forma diferente da autorização
concedida.(Art. 63)
Pena: prisão, de 1 a 3 anos, e multa.
Construir em solo não edificável, ou no seu entorno, caso o local seja
considerado de valor paisagístico, turístico, artístico histórico, cultural,
religioso, arqueológico ou monumental, sem a autorização da autoridade
competente ou de forma diferente da autorização concedida. (Art. 64)
Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano, e multa.
Solo não edificável - são terrenos com restrições quanto ao direito de
construir.
Entorno - espaço físico necessário ao acesso do público ao local e a sua
conservação, manutenção, valorização, e, o espaço físico necessário à
harmonização do local com a paisagem em que se situar.

Os crimes contra a administração ambiental


Impedir ou dificultar a fiscalização ambiental pelos órgãos competentes.
(Art. 69)
Pena: detenção, de 1 a 3 anos, e multa.

Participe, seja cidadão denunciando


aos órgãos de fiscalização ou
à promotoria de sua cidade