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Administração De Materiais E Logística

3. NÍVEIS DE ESTOQUE
3.1- Curva Dente de Serra:
A representação da movimentação (entrada e saída) de peças dentro de um estoque pode ser
feita graficamente: em abscissa o tempo decorrido (T) para o consumo em meses, em ordenada a
quantidade em unidades desta peça em estoque no intervalo de tempo T.

Quantidade
3000

2500

2000

1500

1000

500

Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jun Ago Set Out Nov Dez

Dente de serra com ruptura:


Quantidade
3000

2500

2000

1500

1000

500

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Análise: Durante os meses de julho e agosto o estoque esteve "zerado" e deixou de atender 1000
unidades. Se quando tivéssemos em estoque 1000 unidades ocorresse a reposição, essas 1000
unidades serviriam como segurança ou proteção para eventualidades. Essas 1000 unidades
constituem um estoque morto, inoperante, porem necessário para enfrentar eventualidades. Por
isso deve-se ter bastante critério ao dimensionar esse Estoque de Segurança, já que ele representa
capital empatado e inoperante.

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3.2. Tempo De Reposição / Ponto De Pedido / Sistema Máximo-Mínimo

Uma das informações básicas de que se necessita para cálculo do estoque mínimo é o tempo de
reposição, que representa o tempo gasto desde a verificação de que o estoque precisa ser reposto até
a chegada efetiva do material do almoxarifado da empresa. Este tempo pode ser desmembrado em
3 partes: 1. emissão do pedido, 2. preparação do pedido e 3. transporte. Podemos representar esse
tempo graficamente.

A empresa repõe estoques quando um determinado item de estoque necessita de ressuprimento, ou


seja, quando atingiu o PNE ou PP. Nesse caso o saldo disponível está igual ou abaixo de
determinada quantidade (o PNE)

Fórmula: PP ou PNE = E.Min. + (T.E. x T.C.) onde

TE = Tempo de espera ou tempo de reposição (expresso em meses)


TC = Taxa de Consumo ou Consumo Médio Mensal

2.1. Sistema Máximo Mínimo

Assim para resolver os possíveis problemas de ruptura da curva a empresa especifica, para dado
material, peça ou produto, três decisões:

1- O menor estoque que deseja manter (estoque mínimo – EM ou de segurança - ES);


2- O ponto em que unidades adicionais devam ser encomendadas - PNE;
3- A quantidade da nova encomenda ou tamanho do lote – Lote de Compra.

Se a taxa de utilização do artigo é constante e se o lote é entregue de uma só vez, este sistema pode
ser assim definido na Curva:

E MAX. .
S
T
O
Q PNE .
U
E MIN. .

._______________________________ TEMPO

EXEMPLOS:
1) EM = 300
Consumo Mensal = 600
LC = 1500 und
TE ou TR = 1 mês.

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2) Uma peça é consumida à razão de 30 peças por mês, e seu tempo de reposição é de dois meses.
Qual deve ser o PNE, uma vez que o estoque mínimo deve ser de 1 mês de consumo e o lote de
compra é de 150 unidades.

3) Estoque mínimo = 100 unidades


Lote de compra = 500 unidades
Tempo de espera = 1 mês
Consumo = 200 unidades ao mês (utilizar a mesma unidade de tempo do tempo de espera)

Pede-se: 1- calcular o PNE (ponto de nova encomenda ou ponto de reposição);


2- calcular o estoque máximo;
3- calcular o estoque médio.
4 – representação gráfica

- PNE = est. mínimo + (tempo de espera x taxa de consumo)


• tempo de espera = espaço de tempo decorrido desde a emissão do pedido de compra até o
recebimento da mercadoria - TR.

1) PNE =
- ESTOQUE MÁXIMO = est. minimo + lote de compra

2) ESTOQUE MÁXIMO =

- ESTOQUE MÉDIO = estoque mínimo + estoque máximo


2

3) ESTOQUE MÉDIO =

4) Representação gráfica.

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3.3. Estoque Mínimo ou de Segurança:

Se o artigo armazenado fosse usado a uma taxa constante e previsível, e o tempo de espera
para uma encomenda destinada a completar o estoque fosse fixa, a empresa poderia adotar um
estoque mínimo igual a zero. Faz-se necessário considerar os custos decorrentes da falta de
estoques.

Outros fatores que justificam a necessidade do estoque mínimo:

- Variação na qualidade - Controle de qualidade rejeita lote(s);


- Remessas (fornecedor) divergentes do solicitado (quantidade, qualidade ou diferenças
com relação às especificações).

Alguns Modelos Para Cálculo De Estoque Mínimo:

1- Estoque mínimo = C x K . Onde:

C = consumo médio mensal


K = fator de segurança arbitrário para garantir um risco de ruptura.

EXEMPLO: - Grau de atendimento de uma determinada peça = 90 % ; garantia de que apenas 10 %


das vezes o estoque desta peça poderá "zerar", sabendo que o consumo médio mensal é igual a 600
unidades.

Estoque mínimo = 600 x 0,9 = 540 unidades

2- Método da Raiz Quadrada:

Este método somente poderá ser usado se:


a) O consumo durante o tempo de reposição for pequeno, menor que 20 unid.;
b) O consumo do material for irregular;
c) A quantidades requisitadas ao almoxarifado sejam igual a 1.

EXEMPLO: - Consumo do produto AT = 18 unid. mês


- Tempo de reposição = 3 dias
_______ _____
Est. mínimo = \/ C x TR = \/ 18 x 3 = 7,5 = 8 unids.

_
3- Fórmula simples: EM = C x Fa onde
_
C = Consumo médio mensal
Fa = Fator arbitrário: estoque para um mês

Estoque mínimo (M) = 50 unidades

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4- Fórmula inglesa: (adotada por uma Cia. Aérea Inglesa)


______
M = K . \/ C . T onde:
_
C = Consumo médio mensal
T = Prazo de entrega em meses
K=Constante dependente do atendimento real dado as requisições pedidas
(fator de serviço = Fs fornecido pelo almoxarifado).

Fs = Nº. de requisições atendidas


Nº. de requisições apresentadas

TABELA: Valores de K correspondentes a Fs.


K Fs (fator de serviço) K Fs (fator de serviço)
0,5 70 % 2,0 98,00%
0,8 80 % 2,4 99,00%
1,0 85 % 2,8 99,72%
1,3 90 % 3,0 99,96%
1,7 95 % 3,2 100 %

Aplicando: sendo C = 50 unidades


T = 6 meses
K = 3,0

5. Estoque Mínimo com Grau de Atendimento Definido


Os modelos apresentados anteriormente determinavam um estoque
mínimo que suportasse uma alteração de consumo futuro e impedisse o estoque chegar a zero e, em
conseqüência, não atendesse o usuário. Vamos estudar agora um modelo que admite o estoque zero
e o não-atendimento do material ao requisitante. Para isso temos que determinar a probabilidade
de ruptura ou definir o grau de atendimento desejado. A curva de Gauss considera o risco que se
pretende assumir usando uma quantidade de estoque a fim de suportar um maior consumo durante o
tempo de reposição. Só nos interessa, entretanto quantidades de consumo maiores que o consumo
médio.
σ= ∑( X − X
n −1
Vamos supor determinada peça com o seguinte consumo mensal durante um período de 8 meses e
com grau de atendimento de 5%:
Mes Consumo
1 400
2 350
3 620
4 380
5 490
6 530
7 582
8 440
Total

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Consumo médio = Σx / n =
Então ,

σ=

Valores de K em função do risco assumido:


K Risco K Risco E.Min = K . σ
3,090 0,001 0,842 0,200 C.Max = C + (K . σ )
2,576 0,005 0,674 0,250 R = 1- %
2,326 0,010 0,524 0,300
1,960 0,025 0,385 0,350
1,645 0,050 0,253 0,400
1,282 0,100 0,126 0,450
1,036 0,150 0,000 0,500

Para 95% Para 90%


Estoque Mínimo Estoque Mínimo
Consumo Consumo
Máximo Máximo

6. Método da Percentagem de Consumo


(Método aplicável quando o Tempo de Reposição não é variável)

Este método considera os consumos passados, que são medidos em um gráfico de


distribuição cumulativa da seguinte maneira: suponhamos que o consumo diário do ano anterior do
item ATM-841 tenha sido o indicado na Coluna 1 da tabela abaixo, e que o número de dias em que
ocorreu esse consumo seja o da Coluna 2. Um consumo máximo de ____ unidades só ocorrerá
______ % das vezes. Considerando este indicador como consumo máximo e um tempo de reposição
de 10 dias, o estoque poderia ser:

Consumo Diário Nº de dias em que o 1x2 Acumulado %


consumo ocorreu da Acumulação
90 4
80 8
70 12
65 28
60 49
50 80
40 110
30 44
20 30

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3.4. ARTIGO: Estoque- cuidados para não perder dinheiro.


Na pequena e média empresa, bem como na maior parte das empresas industriais e comerciais, é nos estoques que se
encontra uma participação significativa dos investimentos totais.
Muitas vezes, volumosas quantidades de recursos são imobilizados nos estoques em produtos que possuem baixa
rotação, o que contribui por uma exigência cada vez maior de capital de giro, bem como afeta significativamente a
rentabilidade da empresa. Esses investimentos em grande quantia nos estoques geralmente se dão em função de não
existir dados históricos (controles) que determinem a real demanda dos diversos itens que compõem o estoque. E certo
que as empresas precisam manter um estoque máximo de alguns itens, porem alguns cuidados devem ser tomados para
não se ter um estoque demasiado grande.
Como cuidados podemos citar: a importância do item para a empresa e previsão de vendas, a imposição do fornecedor, a
evolução do preço do produto comparativamente ao custo do capital, facilidade ou dificuldade no fornecimento e, o
primordial, a situação financeira da empresa. Outro fator determinante de elevados estoque e a segurança: O empresário
com receio de ser pego de surpresa pela falta do produto acaba comprando mais do que necessita para o seu consumo,
ficando portanto sempre uma quantidade estocada a titulo de margem de segurança; não que isso não seja importante, e
fundamental existir essa margem de segurança, porem se faz necessário tomar alguns cuidados. Para falarmos dos
cuidados a serem tomados vamos definir o que vem a ser o estoque de segurança: e aquela parcela de estoque calculada
para suprir o atendimento de eventuais desequilíbrios no tempo de espera ocasionados em geral por atrasos na emissão ou
colocação do pedido, venda em ritmo mais acentuado no período compreendido pelo tempo de espera e/ou atraso na
entrega da parte do fornecedor. E importante salientar que o estoque de segurança e calculado em função de sua
experiência anterior conjugada com os fatores acima expostos e também, e claro, a importância do item.
Uma das técnicas mais utilizadas para auxiliar na decisão do nível de controle que poderá ser empregado e o que
exatamente controlar e a técnica ABC. Este método baseia-se em que mesmo havendo igual importância dos materiais ou
produtos para uma loja ou empresa, sempre existirão itens de maior relevância, que merecerão um tratamento
diferenciado. Normalmente os itens classificados em "A" se constituem em menor quantidade física mas representam
grandes volumes em investimentos monetários, por volta de 60 a 80%. Portanto e fundamental concentrar esforços no
controle desses itens, visando uma redução ou contenção dos desembolsos dos mesmos, pois implicara uma maior
rentabilidade para a empresa: primeiro por serem os que mais consomem recursos e segundo por constituírem um elevado
custo variável.
Fazem parte da classe "B" os itens que não se situam na classe "A" nem na classe "C": estes representam parcela
reduzida de aplicação de capital, convém aumentar as quantidades de estoques com o objetivo de liberar os responsáveis
por compras para atividades mais importantes, concentrando todos os esforços nos produtos da classe "A" e "B".
Normalmente, os itens da classe "C" apresentam duas características bem marcantes: na área de compras se constituem
efetivamente em pequenos desencaixes de capital de giro; e na parte das vendas os produtos são marcados com uma taxa
superior em comparação com itens das classes "A e "B".
Em busca da eficiência no controle dos estoques, e condição sine qua non, tomar alguns cuidados básicos, os quais
enumeramos a seguir: evitar perda de tempo na comercialização, colocando o produto a venda a partir do momento em
que o mesmo tenha chegado do fornecedor ou da produção como produto acabado; ao comprar determinado produto faca
uma analise a fim de verificar se o mesmo e vendável ou não (cuidado com a formação do composto de produtos).
Lembre-se que e tão prejudicial recusar uma mercadoria vendável como adquirir outra que não seja. Para atender esta
necessidade se faz necessária acompanhar rigorosamente o comportamento das vendas; não procure montar um
sofisticado controle de estoques; lembre-se de que a simplicidade e tudo, quem vai determinar o seu grau de controle de
estoque e o volume de vendas do seu negocio; aprenda a dizer não as ofertas que levam a mercadoria a vendas difíceis;
nunca se esqueça que os vendedores estão sempre preocupados em satisfazer os fornecedores, de modo que, seja o que for
que disserem, estarão pensando nos fabricantes, não em você; nunca se esqueça que as compras de sua empresa estão
condicionadas ao seu volume de vendas: não adianta estocar a mais partindo para remarcações constantes, pois alem de
isto lhe ocasionar problemas de capital de giro, o seu produto sofrera desgastes pela ação do tempo e provavelmente pelo
manuseio também.
A empresa que possuir um sistema de informação que demonstre a real posição dos seus estoques estará sempre
tomando decisões importantes, as quais afetarão diretamente o resultado, bem como o futuro de sua empresa não apenas
por "feeling", ou seja, praticando a técnica do advinho, mas sim em bases sólidas, com segurança, com os pés no chão.
Ao controlar os estoques, toda a estrutura da empresa será beneficiada, pois a atividade de compras deixara de ser uma
atividade dolorosa para ser uma saudável atividade comercial; será possível identificar quais os produtos que possuem
maior giro, bem como qual a necessidade do cliente; portanto fica fácil verificar que produto produzir ou comprar; o setor
de vendas não sofrera por necessitar de alguns produtos que não constam no estoque, pois lá estarão; isso não acarretara
perda de vendas e tampouco de clientes; o setor de contas a pagar não terá problemas em liquidar os títulos vencidos, pois
o volume de compra estará condizente com o fluxo de caixa; outro grande benefício e que, com certeza, se evitarão os
desvios de mercadorias que por vezes ocorrem.

Valter Rodrigues Viana - Professor universitário e diretor da Ledger & WBA Assoc.