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Fórum Central Civel João Mendes Júnior - Processo nº: 583.00.2007.221688-4

Processo

Comarca/Fórum Fórum Central Civel João Mendes Júnior

CÍVEL

Processo Nº

583.00.2007.221688-4

Cartório/Vara

34ª. Vara Cível

Competência

Cível

Nº de Ordem/Controle 1994/2007

Grupo Ação Tipo de Distribuição Distribuído em Moeda Valor da Causa Qtde. Autor(s) Qtde. Réu(s)

Cível Medida Cautelar (em geral)

Dependência

05/09/2007 às 14h 09m 38s Real

100.000,00

1

2

PARTE(S) DO PROCESSO

Requerente

ASSOCIAÇÃO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO EMPREENDIMENTOS MORADA INGLESA

Requerido

COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS DE SAO PAULO - BANCOOP

Requerido

COOPERATIVA HABITACIONAL DOS TRABALHADORES DE SAO PAULO - CHT

São Paulo, 28 de setembro de 2007. Adriana Sachsida Garcia Juíza de Direito

Vistos, ASSOCIAÇÃO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO EMPREENDIMENTO MORADA INGLESA promoveu a presente ação cautelar, com pedido de liminar, em face da COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP, visando prestação jurisdicional que liminarmente impedisse a ré de realizar atos que tenham por objetivo a retomada dos imóveis por conta de débito inerente ao “rateio final”, que é objeto da demanda principal. Também pediu liminar para o fim de obrigar a ré a entregar as chaves dos imóveis aos adquirentes que já tenham quitado o preço expressamente pactuado em contrato. Pediu arbitramento de multa diária no valor de R$ 5.000,00. Fundamentou a pretensão na alegação de que promoveu a ação principal com o fito de obter prestação jurisdicional que anulasse a cobrança do “rateio final” instituído pela ré. Afirma ser ilegítima referida cobrança, ressaltando que os preços contratados estão, em sua maioria, integralmente quitados pelos cooperados, não havendo razão de direito que sustente a exigência de termo de confissão de dívida para obtenção das chaves

e imissão na posse do imóvel. Relata a existência de ameaça dos

dirigentes da cooperativa de tomar medidas legais para retomar as unidades dos adquirentes que não efetivarem os pagamentos exigidos. Com a inicial vieram os documentos de fls. 17/99. O Ilustre Representante do Ministério Público manifestou desinteresse no acompanhamento do feito (fls. 101). É o relatório. Decido. A petição inicial é de ser indeferida, por manifesta carência de ação decorrente da falta de interesse. Não vislumbro adequação da prestação jurisdicional postulada, na medida em que houve postulação com o mesmo desiderato nos autos da ação principal, com entrega da prestação jurisdicional. Nos autos da ação principal a autora pediu a antecipação dos efeitos da tutela para o fim de que fosse desde logo determinada a imissão dos cooperados na posse dos respectivos imóveis, determinando-se à ré que se abstivesse de realizar qualquer tipo de cobrança, negativação, protesto ou interpelação análoga. Também, manutenção da posse para os cooperados que já residissem nos imóveis. Naqueles autos foi indeferida a medida de antecipação

dos efeitos da tutela, dando ensejo à interposição de recurso de agravo de instrumento que pende de julgamento. Patente a inadequação da via processual eleita como sucedâneo de recurso ou mesmo da própria medida de antecipação dos efeitos da tutela. Repetindo as lições de LIEBMAN: “Interesse processual ou interesse de agir quando há para

o autor utilidade e necessidade de conseguir o recebimento do pedido,

para obter, por esse meio, a satisfação do interesse (material) que ficou insatisfeito pela atitude de outra pessoa. É, pois, um interesse de

segundo grau, porque consiste no interesse de propor o pedido, tal como foi proposto, para a tutela do interesse que encontrou resistência em outra pessoa, ou que, pelo menos, está ameaçado de encontrar esta resistência. Por isso, brota diretamente do conflito de interesses surto entre as partes, quando uma delas procura vencer a resistência encontrada, apresentando ao juiz um pedido adequado. A existência do conflito de interesses fora do processo é a situação de fato que faz nascer no autor interesse de pedir ao juiz uma providência capaz de resolver. Se não existe o conflito ou se o pedido do autor não é adequado a resolvê-lo, o juiz deve recusar o exame do pedido inútil, antieconômico e dispersivo”. A via processual eleita é inadequada para a finalidade de reverter a decisão proferida sobre este tema nos autos da ação principal. Não é legítimo que a autora, negada a antecipação dos efeitos da tutela, faça uso da ação cautelar para obtenção da mesma providência em termos práticos. Ressalto que nos autos da principal foi pedida a imissão ou manutenção na posse e aqui se pede seja a ré impedida de realizar atos que tenham por objetivo a retomada dos imóveis o que, na prática, resulta no mesmo. Ante o exposto, e o mais que dos autos consta, INDEFIRO A PETIÇÃO INICIAL, e julgo extinto o processo sem análise de mérito, o que faço nos termos do artigo 295, incisos I e III c.c. 267, inciso I, ambos do Código de Processo Civil. Deixo de condenar no pagamento de honorários advocatícios por não ter havido citação. Inaplicável na espécie a regra do artigo 87 do Código de Defesa do Consumidor, custas pela autora. P.R.I. São Paulo, 28 de setembro de 2007. Adriana Sachsida Garcia Juíza de Direito