AGRADECIMENTOS No final deste trabalho desejamos expressar os meus sinceros agradecimentos a todas as pessoas que de algum modo contribuíram

para a concretização deste trabalho: Ao Professor Doutor Adrião José Batista pelo empenho e cuidado com que orientou este trabalho e, pela disponibilidade demonstrada a cada momento, fundamental ao desenvolvimento e à elaboração deste seminário. Ao Professor Clemente Martins Pinto pela disponibilidade e oportunas sugestões e ideias que nos possibilitaram a obtenção de resultados bem como a sua interpretação.

INDICE GERAL
1. 2. 3. OBJECTIVO ______________________________________________________________ 4 METODOLOGIA DE TRABALHO _______________________________________________ 5 INTRODUÇÃO ____________________________________________________________ 6 3.1 3.2 4. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO, POLÍTICO E DEMOGRÁFICO ___________________ 6 PANTEÃO DE ROMA ___________________________________________________ 7

DESCRIÇÃO DA OBRA ______________________________________________________ 9 4.1 ARQUITECTURA ______________________________________________________ 9 4.1.1 FUNDAÇÃO _______________________________________________________ 10 4.1.2 PAREDES LATERAIS _________________________________________________ 11 4.1.3 CÚPULA__________________________________________________________ 14 4.1.4 ENTRADA PRINCIPAL _______________________________________________ 18 4.1.5 PAVIMENTO ______________________________________________________ 19 4.2 MATERIAIS UTILIZADOS _______________________________________________ 21 4.2.1 FUNDAÇÃO _______________________________________________________ 22 4.2.2 PAREDES _________________________________________________________ 23 4.2.3 CÚPULA__________________________________________________________ 23

5.

METÓDOS CONSTRUTIVOS ________________________________________________ 25 5.1 5.2 5.3 FUNDAÇÕES ________________________________________________________ 25 PAREDES ___________________________________________________________ 25 CÚPULA ___________________________________________________________ 26

6.

ANÁLISE ESTRUTURAL ____________________________________________________ 27 6.1 6.2 6.3 FUNDAÇÕES ________________________________________________________ 27 PAREDES ___________________________________________________________ 28 CÚPULA ___________________________________________________________ 29

7. 8. 9.

RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA _____________________________ 32 MODELAÇÃO DA CUPULA NO ROBOT ________________________________________ 35 CONCLUSÕES ___________________________________________________________ 39

10. BIBLIOGRAFIA ___________________________________________________________ 41 11. CYBERGRAFIA ___________________________________________________________ 42

INDICE DE FIGURAS
FIGURA 1 – ENTRADA PRINCIPAL DO PANTEÃO ........................................................................... 7 FIGURA 2 – ESCULTURA DE ADRIANA ........................................................................................... 8 FIGURA 3 – ESQUEMA REPRESENTATIVO DAS FUNDAÇÕES....................................................... 10 FIGURA 4 – VISTA AÉREA DO PANTEÃO ...................................................................................... 11 FIGURA 5 – ALÇADO LATERAL DO PANTEÃO............................................................................... 11 FIGURA 6 – CORTE TRANSVERSAL ............................................................................................... 12 FIGURA 7 – INTERIOR DO PANTEÃO............................................................................................ 12 FIGURA 8 – POSIÇÃO SOLAR ....................................................................................................... 13 FIGURA 9 - NICHOS ...................................................................................................................... 13 FIGURA 10 – DEGRAUS NO EXTERIOR DA CÚPULA ..................................................................... 14 FIGURA 11 - COFRES .................................................................................................................... 15 FIGURA 12 – CHAPA DE BRONZE NO ÓCULO .............................................................................. 15 FIGURA 13 – VISTA INTERIOR DA CÚPULA .................................................................................. 16 FIGURA 14 – ESQUEMA GEOMÉTRICO ........................................................................................ 16 FIGURA 15 – COFRE TRAPEZOIDAL.............................................................................................. 17 FIGURA 16 – ESQUEMA GEOMÉTRICO DOS COFRES .................................................................. 17 FIGURA 17 – ENTRADA PRINCIPAL .............................................................................................. 18 FIGURA 18 - ALPENDRE ............................................................................................................... 19 FIGURA 19 – PAVIMENTO INTERIOR ........................................................................................... 19 FIGURA 20 – MAPA DO IMPÉRIO ROMANO ................................................................................ 20 FIGURA 21 – TIPOS DE MÁRMORES ............................................................................................ 21 FIGURA 22 – VISTA LATERAL DO PANTEÃO................................................................................. 22 FIGURA 23 – AMOSTRA DE TRAVERTINO .................................................................................... 23 FIGURA 24 - CÚPULA ................................................................................................................... 24 FIGURA 25 – ESQUEMA REPRESENTATIVO DOS ANDAIMES ....................................................... 26 FIGURA 26 – ESQUEMA DO APARECIMENTO DAS FISSURAS ...................................................... 27 FIGURA 27 – ESQUEMA DE FORÇAS ............................................................................................ 29 FIGURA 28 – DEGRAUS EXISTENTES NA PARTE EXTERIOR DA CÚPULA ...................................... 30 FIGURA 29 – INTERIOR DA CÚPULA FISSURADO ......................................................................... 31 FIGURA 30 – PRIMEIRA OBRA EM BETÃO ARMADO ................................................................... 33 FIGURA 31 – MODELO PROPOSTO DA CÚPULA .......................................................................... 35 FIGURA 32 – FORÇAS NOS NÓS ................................................................................................... 36

Seminário

Panteão de Roma

1. OBJECTIVO

A análise do comportamento de edifícios no contexto da avaliação estrutural, constitui um domínio de investigação de grande interesse e actualidade. O tema assume maior importância no âmbito das construções de elevado interesse histórico e cultural, como é o caso dos monumentos, em que a complexidade da análise estrutural é, em geral o factor dominante. Numa análise visual efectuada ao edifício, os materiais aplicados, os processos construtivos e o comportamento estrutural e funcional da cúpula, tomam uma relevância importante, sendo por isso, os pontos principais deste estudo. O trabalho apresenta uma breve introdução histórica do monumento, bem como da actividade da construção e do desenvolvimento do processo construtivo.

Universidade da Beira Interior 2007/2008

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irá proceder-se a uma modelação aproximada da cúpula de forma a formular uma hipótese para este facto. O estudo será conduzido com recurso a métodos e modelos computacionais na tentativa de explicar a existência do lanternim. a análise estrutural e comportamental do edifício. METODOLOGIA DE TRABALHO É universalmente aceite que o Panteão de Roma é o mais impressionante edifício monumental romano a sobreviver no mundo. irá proceder-se a uma pormenorizada descrição dos materiais e da estrutura. tem de se proceder primeiramente a um estudo prévio sobre a sua contextualização histórica. Para se conseguir interpretar a forma como este monumento sobreviveu.Seminário Panteão de Roma 2. bem como as influências arquitectónicas. em função das acções e esforços internos existentes na mesma. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 5 . praticamente completo. visto não existirem os meios hoje utilizados. De forma a se atingir o objectivo principal. com o intuito de justificar todas as opções estruturais e construtivas aplicadas na altura. ou seja. Um enquadramento dos materiais e a interpretação da sua evolução são também pontos de estudo para um melhor esclarecimento acerca dos métodos construtivos aplicados na altura.

uma estrutura arquitectónica dedicada ao serviço religioso. Conserva inúmeras ruínas e monumentos na parte antiga da cidade. tendo uma densidade populacional de 1. A área tem cerca de 2. que impregnava a sua vida pelo numen. Com o crescimento do Cristianismo na cidade. É uma das cidades com maior importância na história mundial. Roma foi fundada em meados de 753 a. POLÍTICO E DEMOGRÁFICO Roma é a cidade capital de Itália. A pedra. segundo a lenda por Rómulo e Remo.804 habitantes1. Considerada a Cidade Eterna pela sua história milenar. simboliza pela sua durabilidade precisamente essa união.285 Km2. e sendo este o ponto onde se encontram o terrestre e o celeste. o movimento cultural que nasceu na Itália. sendo um dos símbolos da civilização europeia.C.546. o Bispo de Roma (actualmente Papa) tornou-se a maior autoridade religiosa na Europa Ocidental. habitação de Deus sobre a terra. um vasto império em volta do Mar Mediterrâneo. no século III d. Na mitologia Romana.1 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO. reflexo do mundo divino. especialmente da época do Império Romano. Pensa-se que foi no local de implantação deste edifício que Roma teve o seu início O estado do Vaticano encontra-se no seio da cidade. Designa-se por Templo. possuindo ainda..981 hab/Km2. INTRODUÇÃO 3. símbolos da cidade actual.Seminário Panteão de Roma 3. uma força divina indefinida presente em todas as coisas. o romano. assim se justifica a existência de templos na cidade. local onde se insere o monumento em estudo.C. e estende-se por uma área de 1. o que a torna na maior cidade da Itália e também na capital europeia de maiores dimensões. e do Renascimento. como sendo. Destes Templos destacamos o Panteão de Roma pela sua grandiosidade. material fundamental na construção do templo. sede da Igreja católica. estabeleceu com os deuses 1 Dados referentes ao ano de 2001 Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 6 . o lugar da Presença Real. quer a nível arquitectónico quer a nível estrutural e por ser a construção mais antiga que sobreviveu praticamente intacta até aos nossos dias.

o milénios. meados de 27 a. foi construído por Agrippa. literalmente. o templo dedicado a todos os deuses. A palavra Panteão. pode ler se o nome do seu fundador. com o monoteísmo.Seminário Panteão de Roma romanos um respeito escrupuloso. e estadistas. 3. sobre a entrada principal. Poucos edifícios desta dimensão têm uma história paralela ao Panteão. como Dionísio. Este representa o génio da arquitectura romana romana. etimologicamente deriva de pan (todo) e théos( deus).). Panteão traduz a grandiosidade da integridade estrutural de Roma e a sua harmonia filosófica. pois é o único que conhecido. O panteão de Roma. O primeiro templo conhecido a constitui se sob este ponto de vista constituir-se situava-se em Pérgamo. onde grande parte da sua decoração exterior foi u desvanecendo ao longo dos milénios devido essencialmente às acções climatéricas. em Agrippa. Mais tarde. ler-se Figura 1 – Entrada principal do Panteão [1] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 7 . adaptação para o panteão romano do seu deus do comércio e da eloquência sob as feições de Hermes e o deus do vinho.C. que. No entanto o de Roma é o mais conhecido. a influência grega inseria uma eito grega. esculpida em pedra. chegou até nós em bom estado de conservaçã conservação. Mais tarde.2 PANTEÃO DE ROMA Mesmo com o seu estado alterado. e é dedicado a todos os deuses da mitologia roman Na inscrição romana. significa. artistas etc. os panteões foram reformulados para servir de última morada àqueles que através dos seus feitos engrandeceram a sua pátria (intelectuais. filho do imperador Augusto.

reis etc. americanos etc. A construção foi concluída pelo imperador Pio em meados de 140 d. A maior perda. fazendo hoje parte de Itália. filosofia de vida. durante o período de 118 a 128 d.C. Figura 2 – Escultura de Adriana [7] Considerado como o maior exemplar de arquitectura monumental romana. caracterizava-se seu cosmopolitismo2.. Mais tarde. arquitectos. 2 Pensamento filosófico que despreza as fronteiras geográficas imposta pela sociedade considerando que a humanidade segue as leis do Universo. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 8 . registou se nas esculturas que adornavam o registou-se tímpano do frontão. como pintores. este primeiro Panteão foi severamente danificado por um incêndio no ano 80 depois de Cristo. Desde que foi construído que se mantev sempre em uso como última morada de manteve ltima personalidades italianas ilustres. o Panteão foi reconstruído pelo Cristo. sendo também um admirador da cultura grega vendo por isso no Panteão a expressão da sua grega.. A consagração do edifício como igreja defendeu o dos actos de vandalismo e da defendeu-o destruição deliberada que as antigas construções da antiga Roma sofreram durante o início do período medieval.C.C. acima da inscrição relativa a Agrippa. viajou bastante pelas regiões orientais do império. influenciou várias gerações de arquitectos europeus. imperador Adriano. Adriano caracterizava pelo d.Seminário Panteão de Roma Como as tragédias acontecem.

o cilindro e a esfera. DESCRIÇÃO DA OBRA 4.1 ARQUITECTURA Os romanos uniram todas as formas artísticas dos povos por si conquistados adaptando-as às suas necessidades reais. A fachada principal costuma ser decorada com arabescos geométricos. O conjunto é formado por paredes de grande espessura que suportam a maior parte das vezes uma cobertura semi-esférica. no entanto não existe informação referente ao tempo de execução da cúpula.Seminário Panteão de Roma 4. A aliança do arco com a coluna é precisamente o que caracteriza a arte romana no seu aspecto monumental e decorativo. pelo seu aspecto maciço. O período de construção das paredes durou aproximadamente 4 a 5 anos. de formas que encontram ao seu alcance. Os romanos foram buscar aos Etruscos3 o arco pleno e através destes e com a sua marca pessoal incorporaram na sua riqueza artística os estilos gregos. uma estrutura cilíndrica constituindo o corpo principal do edifício encimada por uma cúpula4 de forma esférica com uma abertura ou lanternim que serve de cobertura. por grandes quantidades de pedra distribuídas segundo planos horizontais ou verticais. uma mistura de elementos mutuamente implicados. A arquitectura do edifício baseia-se em três formas geométricas principais. ou seja. 4 Marca de um palácio ambicioso Universidade da Beira Interior 2007/2008 3 Página 9 . Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na actual Itália na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre. O que caracteriza a arte romana é precisamente a combinação. então denominada Etrúria. tendo a construção da cúpula exigido mais tempo. o paralelepípedo. Exteriormente. sem preconceitos de qualquer tipo. as paredes são lisas constituindo assim a sua única decoração. Um pórtico rectangular sob um alpendre com as respectivas asnas em madeira. A arquitectura romana caracteriza-se também. devido à sua altura e às escassos meios utilizadas pelos romanos.

A profundidade desde o nível térreo até à face inferior da fundação é de 4. Mais à frente será apresentada uma justificação plausível para a existência desta estrutura.1 FUNDAÇÃO A sua fundação apresenta uma forma em coroa circular na zona do cilindro e uma forma rectangular na zona do pronaos5 e na transição deste para o corpo principal. 5 Antecâmara no templo grego que antecedia o naos . Esta não apresenta qualquer tipo de funcionalidade no seu interior nem é conhecida qualquer ligação ao corpo principal.2 metros. A sua forma simples acompanha a arquitectura do edifico.Seminário Panteão de Roma 4. tendo sido aumentada para 8. sendo ignorada na maior parte delas.1. facto que irá ser justificado mais à frente neste trabalho. Inicialmente a largura da fundação era de 7. Esta. apenas se encontra em algumas figuras.espaço do templo reservado à estátua Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 10 .7 metros.1 metros. Figura 3 – Esquema representativo das fundações [A] A observação detalhada do edifício mostra a existência de uma estrutura na parte de trás deste aparentemente sem serventia.

não coincide com a altura da parede interior. sendo visível no seu exterior.1. Figura 5 – Alçado lateral do Panteão [A] A parede encontra-se dividida em t se três partes. do Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 11 .2 PAREDES LATERAIS As paredes exteriores são de alvenaria. arcos formados de tijolos maciços espaçados de 1.2 metro A altura das paredes é de 31. que não possibilitam o acesso ao interior d edifício.7 metros. É de salientar que esta altura. Na parte superior e inferior da parede existem aberturas de acesso pelo exterior.Seminário Panteão de Roma Figura 4 – Vista aérea do Panteão [G] 4. através de cornijas. que corresponde aproximadamente a um edifício de 12 pisos. em todo o seu contorno. metros.

A espessura da parede é de 6.7 encontra-se metros.10 metros. A primeira encontra se a 12.Seminário Panteão de Roma Figura 6 – Corte transversal [8] A parede interior encontra-se dividida por duas cornijas6 em mármore com uma saliência de se 1. idades encontram-se no nível superior da parede interior e projectam projectam-se para o exterior do edifício. O nicho é uma reentrância curva. A grande parede cilindrica apresenta na sua face interior. ma Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 12 .8 metros do pavimento. sendo reduzida na zona dos nichos para 6 Uma faixa horizontal que se destaca da parede. de cavidades e nichos.20 metros. estando a segunda a 21. em todo o seu contorno. sem ligação a este. colocação de estátuas. Figura 7 – Interior do Panteão [4] pequenas dimensões e que não se projecta para o exterior do edifício utilizado para edifício. imagens e adorações. de . a fim de acentuar as nervuras nela empregadas. As cavidades encontram .

característicos da arquitectura romana. foi feita. Esta distribuição. com excepção daquele que se encontra na cepção porta principal que apresenta uma forma rectangular.Seminário Panteão de Roma 2. com a imagem representativa dos vários deuses por eles idolatrados. Apresentando estes um arco no enta topo.20 metros. estão presentes em todo o perímetro da parede. os nichos são 8 e encontram localizados estrategicamente ao encontram-se calizados longo do perímetro interno da parede. salientes da parede. Aqueles que se encontram nos pontos colaterais apresentam uma geometria rectangular. Figura 9 – Nichos [A] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 13 . Os nichos que se encontram nos pontos cardeais principais apresentam uma geometria semi semi-circular. No total. tendo por base os pontos cardeais. Entre os nichos encontram encontram-se pequenos altares em pórtico. om Figura 8 – Posição solar [2] Os pilares utilizados.

as suas medidas escalam a forma da cúpula.7 metros. Os pilares circulares encontram-se no centro dos nichos e os rectangulares nas extremidades dos mesmos.1. O seu raio é de 21. A sua espessura varia entre 5. Figura 10 – Degraus no exterior da cúpula [3] Os anéis seguintes foram colocados uns sobre os outros apenas diferenciando o seu diâmetro. e a distância exterior entre anéis é de 1. se Durante a descrição arquitectónica de toda a parede.5 metros no topo. No exterior existe uma série de sete anéis que acompanham a cúpula até éis metade da sua altura Estes anéis não se apresentam de uma forma uniforme. O primeiro anel com uma largura e altura de 2. 4.8 metros.Seminário Panteão de Roma São observados dois tipos de secções. circular e rectangular. verifica-se a perfeita combinação se do arco com as colunas.20 metros. A altura destes é em média 0. tem o seu bordo exterior assente sobre o eixo médio da parede. até 1. Ainda existe uma escada que conduz por estes anéis ao óculo. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 14 . junto à base.9 metros.3 metros.3 CÚPULA A cúpula é uma característica interessante e difícil de se descrever devido à sua configuração tão incomum e constitui o corpo principal do edifício.

segundo os meridiano e os paralelos.Seminário Panteão de Roma O interior da cúpula é constituído por 5 níveis de vazados ou cofres. A divisória entre os cofres. Dando um aspecto agradável ao observador observador. que por sua vez são cobertos por um anel de bronze que data da construção original. o exacto ponto acima de sua cabeça) Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 15 . 7 Ponto superior da esfera celeste. o formato de “waffle”. se encontra (isto é. segundo a perspectiva de um observador na superfície do astro onde celeste. O anel de compressão que existe no óculo é constituído por 3 camadas sobrepostas. Figura 12 – Chapa de bronze no óculo [8] A cúpula que apresenta alvéolos n face interior. meridianos Figura 11 – Cofres [A] No centro da cúpula encontra se um óculo com um diâmetro de 8.5 metros. constituem nervuras estruturais com orientação semiesférica. apresentando estes.2 metros e uma encontra-se espessura de 1. em direcção a um óculo que se abre na para Zenite7.

indicando a concentração de forças celestes ou sobrenaturais na direcção da terra.7m de raio. todas outras se baseiam no arco em ogiva. tecto e o chão. para baixo. Em todo este edifício está presente a geometria. o circulo como símbolo do centro do mundo. É de notar que no interior do panteão este forma uma esfera plena entre o panteão. formando uma esfera perfeita tangente ao pavimento. Apresentando por isso uma cúpula com 21. Esta cúpula foi a maior que chegou até nós da antiguidade e foi considerada durante muito tempo a maior de toda a Europa Ocidental até ter aparecido a cúpula de Florença. é a única que tem a forma esférica enquanto que. a dimensão é incomum. O círculo e o triângulo são as formas geométricas mais presente nesta presentes construção. base elementar de qualquer stá mentar construção. no entanto. e o triângulo com a ponta rução.Seminário Panteão de Roma Figura 13 – Vista interior da cúpula [6] O desenho deste monumento não é totalmente original. Figura 14 – Esquema geométrico [2] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 16 . No entanto.

se este for obtido através do comprimento da base mais longa com o comprimento da base mais curta. permitir que os vários níveis não permaneçam escondidos ao observador assim como s possibilitar uma estética agradável. Porém este longa Figura 16 – Esquema geométrico dos cofres [9] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 17 . ou seja. A primeira e talvez na nossa perspectiva a mais credível. pequena inclinação que se observa do cofre deve assegurar a estabilidade do betão. A segunda explicação que sugere a intenção deliberada de uma aparência formal. um dos pontos mais notáveis é o efeito visual perspectiva. Todos os cofres apresentam um esboço trapezoidal que pode ser obtido através de um quadrado. Figura 15 – Cofre trapezoidal [A] Actualmente existem duas explicações aceitáveis para a forma dos cofres. produzido pela composição geométrica dos cofres.Seminário Panteão de Roma Do ponto de vista da perspectiva. devido ao facto de a cúpula ter sido construída de baixo para cima. visa a redução do peso da cobertura A cobertura.

Seminário Panteão de Roma Na mesma figura. Isto sugere que algum tipo de molde mestre foi utilizado para a construção. assumir que os cofres surgem de um quadrado cuja base é determinada pela divisão se em 28 meridianos é que a posição dos cofres corresponde a um esboço radial s progressivo. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 18 . pode ser observado que o esboço do nível superior se inclina do teto para o chão seguindo a referência das di diagonais superiores do trapézio A razão por se trapézio. impressiona p la sua dimensão e pelo cuidado posto no seu pela tratamento decorativo pois apresenta grandes portas de bronze esculpido que resistiram ao passar do tempo mesmo que restauradas por várias vezes.1. s origem toscana que é uma simplificação da coluna dórica. Figura 17 – Entrada principal [A] Estas portas encontram-se protegidas por um alto e amplo alpendre. cuja estrutura se comporta 16 colunas de granit As colunas existentes neste alpendre são colunas de granito. simplesmente foi ajustado às dimensões de cada curso meridiano. 4.4 ENTRADA PRINCIPAL A entrada principal.

5 PAVIMENTO Todo o pavimento quer inte interior quer exterior. sua grandiosidade através dos 11. As asnas de madeira existentes neste alpendre formam uma cobertura de duas águas que se encontram assentes sobre a arcada de pedra.8 metros de altura por 1. Figura 19 – Pavimento Interior [2] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 19 .5 metros de diâmetro. apresenta formas geométrica das quais geométricas se destacam o círculo e o quadrado representando assim as formas existentes em quadrado. toda a construção do edifício.1. Sobre as colunas apoiam vigas em mármore que por sua vez suportam uma arcada em pedra. Nesta entrada está presente a forma geométrica do paralelepípedo paralelepípedo. 4. As colunas presentes neste edifício transmitem a simples. o fuste sem estrias e o capitel com uma moldura simples.Seminário Panteão de Roma Figura 18 – Alpendre [6] A ordem toscana apresenta a coluna com uma pequena base.

círculo. as quatro partes do mediterrâneo pertencentes ao presenta império romano. Ptolemeu8. o nordeste da Ásia (Docimian Pavonazzeta) e o dos Alpes (granito cinzento). O círculo no interior do quadrado. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 20 . representa a envolvente. como forma de simbolizar as suas conquistas. Figura 20 – Mapa do Império Romano [2] 8 Cientista grego com conhecimento na área da geografia. O material provém de diversos locais tais como. Egipto (Imperial Porfiry).Seminário Panteão de Roma Como explicado anteriormente o círculo representa o centro do mundo já o quadrado mundo. representa a geografia de . o Imperial sudoeste da região de Numidian Carthage ( (Giallo Numidiana). que determinou coordenadas de latitude e longitude para os lugares mais importantes segundo círculos quadrados. ou seja.

4. permitiu a construção deste edifício complexo. possibilitando assim o escoamento e drenagem das águas provenientes do olho da cúpula. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 21 . todo ele revestido por mármore com embutidos decorativos apresenta um contorno convexo.Seminário Panteão de Roma a) Docimian Pavonazzeta b) Docimian Pavonazzeta c) Imperial Porfiry d) Giallo Numidiana Figura 21 – Tipos de mármores [2] O pavimento.2 MATERIAIS UTILIZADOS A capacidade dos Romanos para seleccionar técnicas de construção mais eficazes.

2. Estes colorido. bronze e chumbo. tanto calcários como também vulcânicos rosos. daí o nome da ao betão. provinham de vários pontos do império romano como explicado anteriormente. aragonite e limonite calcária. Figura 22 – Vista lateral do Panteão [2] O material do anel de fundação é constituído por blocos de grandes dimensões de travertino ligados por uma argamassa de cal e cinzas vulcânicas proveniente da cidade de Pozzuoli. teão pedra – pomes. O travertino é uma rocha calcária composta por de calcite. mais propriamente um terreno terreno argiloso. vulcânicos. dado A utilização do travertino foi uma escolha acertada do ponto de vista de resistência. betão.Seminário Panteão de Roma A construção do panteão inclui materiais como o tijolo. com algumas partes do edifício folheadas com mármore multi-colorido nomeadamente todo o interior da zona cilíndrica. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 22 . granito. travertino. travertino10.1 FUNDAÇÃO Panteão foi construído sob um terreno instável. tufa9. pois é um material resistente á compressão (apresenta valores da mesma ordem de grandeza de uma rocha granítica). . 4. As fundações são bem concebidas pois são construídas com materiais pesados como o cebidas. que deu origem a sérios problemas do ponto de vista da fundação fundação. 9 10 Descreve materiais porosos.

A zona superior. passando. com agregados de tufa e pedra-pomes pomes.2.Seminário Panteão de Roma Figura 23 – Amostra de Travertino [10] 4. actualmente. é constituída por betão pozolâ pozolâmico. apresentando uma mistura de fragmentos de tijolo quebrados num almofariz. a ser empregado apenas para depósitos carbonáticos .2. originados em águas continentais sob temper temperatura ambiente. tufa. é um material poroso. estes são manufacturados e apresentam se uma dimensão de 60 cm x 60 cm x 4 cm. Na zona inferior é constituída por betão pozolâmico cujo agregado é o tijolo e a tufa. A tufa. ão No interior do edifício existem colunas em granito que servem de apoio à parede. observam-se arcos em tijolo. nterior 4. argamassa de cal e cinzas vulcânicas. A secção superior é constituída por betão. A secção da parede mais próxima do nível térreo é constituída por camadas alternadas de fragmentos de travertino e tufa cuja ligação é feita com argamassa de cal e cinzas vulcânicas.2 PAREDES As paredes são constituídas por traver travertino. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 23 . tanto calcário como também vulcânico vulcânico. Nas paredes.3 CÚPULA A cúpula apresenta duas constituições diferentes de materiais.

é constituído por três camadas de tijolos sobrepostos. Figura 24 – Cúpula [A] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 24 .Seminário Panteão de Roma O anel de compressão existente no topo da cúpula. manufacturados.

Numa breve comparação com os dias actuais.2 PAREDES Devido é escassa informação sobre o método construtivo das paredes. é de referir que os romanos criaram a forma da fundação do panteão recorrendo a terraplanagens e cofragens de madeira. Já no local. hoje é possível fazer o mesmo de uma forma mais rápida e menos árdua. METÓDOS CONSTRUTIVOS 5. Os pilares existentes no interior do edifício apresentam-se espaçados de uma forma uniforme radial e têm como objectivo principal suportar as cargas provenientes da parede na zona das cavidades e nichos. 5. as trincheiras foram preenchidas com blocos de travertino juntamente com betão pozolâmico. através de utilização de maquinaria especializada. Como é possível imaginar. o transporte destas não foi tarefa fácil. obtendo-se uma mistura com um baixo teor em água. permitindo assim o seu transporte através de caixas até ao local de aplicação. permitindo ao mesmo tempo o fortalecimento da ligação.1 FUNDAÇÕES A fundação foi executada com recurso a uma trincheira de forma circular com 8 metros de largura e 4. paralelos entre si com uma placa bastante resistente a cobrir estes troncos de forma a aguentar com Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 25 . Assim os romanos transportaram-nas através de um mecanismo inventado por eles. esta mistura era depositada sobre os grandes blocos de travertino sendo posteriormente comprimida de forma a reduzir a quantidade de água existente.Seminário Panteão de Roma 5. Após a colocação da cofragem em madeira. As colunas em granito foram extraídas das montanhas de Mons Claudianus no Egipto. processo árduo e demorado. que consistia na colocação de troncos de madeira. Este betão constituído por cal e cinzas vulcânicas era preparado fora do local de aplicação. tendo sido efectuada a restante fundação utilizando o mesmo método. pois cada uma pesava 60 toneladas. pressupõem-se que estas tenham sido erguidas através de andaimes de madeira.5 metros de profundidade.

os romanos não tiveram essa opção. Em cima desta.Seminário Panteão de Roma as 60 toneladas de peso d colunas. a construção das paredes foi realizado através de andaimes de madeira. Num batelão pelo mediterrâneo. foram elevados andaimes de madeira até á altura do óculo e aplicada uma espécie de cofragem em madeira com a forma da cúpula. o que leva a pressupor que este mesmo método de construção foi utilizado para a construção da cúpula. foram aplicadas as várias camadas de material que constitui a cúpula. fazendo os troncos rolarem e assim transportar oneladas das . 5. batelão. foram transportad até . Figura 25 – Esquema representativo dos andaimes [A] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 26 . Assim construíram paredes extremamente grossas para poder suportar o peso da cúpula. Assim. Para reforçar o betão aplicamos aço. seguindo Todos sabemos que o betão é fraco á tracção. as colunas até ao rio Nilo. seguindo o rio Tiber até ao local do panteão.3 CÚPULA Como foi referido anteriormente. lo transportadas ao porto romano de Ostia. usando cordas de porcelana vítrea como reforço. caso contrário este peso esmagaria as paredes.

vai evitar que o anel de fundação abra mais evitando assim o aparecimento de fissuras. Além desta solução. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 27 . a colocação deste contraforte. os “engenheiros” resolveram construir uma parede de contrafortes do lado sul. este fissurou em ambas as extremidades segundo o eixo norte-sul.2 metros. no final da construção. De forma a resolver o problema. os “engenheiros” romanos decidiram construir um segundo anel com cerca de 3 metros de largura em torno do primeiro perfazendo um total de 10.1 FUNDAÇÕES O anel de fundação inicial apresentava cerca de 7. Um solo argiloso é mais propício a sofrer assentamentos diferenciais. ANÁLISE ESTRUTURAL 6. que pode ser explicado pelo tipo de solo que se encontra na zona de implantação do edifício. Este alargamento da fundação tinha o objectivo de aumentar a área de contacto da fundação com o solo.2 metros de largura. embora pareça uma sala anexa ao edifício. quando. Como inicialmente o terreno sofreu assentamentos diferenciais. provocando abertura de fissuras. Figura 26 – Esquema do aparecimento das fissuras [A] Facto este. permitindo assim uma diminuição das tensões de contacto. Este corpo serviu apenas para estabilização do anel de fundação.Seminário Panteão de Roma 6.

caso contrário. devido á carga que esta suporta vindo da cúpula. Assim. tornando-se mais leves á medida que a construção evolui em altura. Outro pormenor relevante é a variação da espessura da parede em determinados locais. Este método levanos a concluir que já naquela época existia a preocupação com a funcionalidade da estrutura. criando cavidades e nos nichos. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 28 . reduz o peso da estrutura aliviando as tensões no solo.2 PAREDES Dos materiais aplicados na construção das paredes.Seminário Panteão de Roma Mesmo sem os conhecimentos e os meios que hoje a engenharia possui. Para uma estrutura ser funcional tem de ter o material essencial para assegurar a segurança da mesma. é da máxima importância verificar que os materiais mais pesados foram aplicados na camada inferior das mesmas. A elevada largura da parede torna-se aceitável. os esforços de compressão que a mesma provoca sobre as paredes. é um exemplo notável da progressão ascendente dos romanos na engenharia. 6. ou seja. aumentaram e espessura da parede na zona superior fazendo com que a resultante caísse dentro da base da parede. considera-se uma estrutura com má funcionalidade. O facto das paredes construídas serem leves. a solução adoptada funcionou pois o edifício ainda se encontra em bom estado de conservação. Os “engenheiros” da época tinham a noção de que era necessário aumentar o peso das paredes. Esta redução de espessura do ponto de vista da engenharia terá como objectivo a redução do uso de materiais que implicitamente. para que a componente vertical fosse suficientemente forte para resistir aos esforços vindos da cúpula.

No exterior da cúpula.7 .9 metros na base até 1. é sem dúvida. Era característico das paredes romanas serem contraventadas através de destes arcos. Tem um raio de 21. Têm como principal função o travamento da parede.3 CÚPULA A cúpula. existe até meio da sua altura. Durante a construção estes arcos também resistiam aos esforços enquanto o betão pozolâmico curava. a parte mais impressionante do edifício. uma serie de sete anéis em escada. metros e uma espessura variável desde os 5. 6. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 29 . No edifício em estudo estes arcos apresentavam se espaçados de 1. Uma forma de transmissão de esforços muito corrente nos dias actuais.5 metros junto ao óculo.2 metros estendendo apresentavam-se estendendose ao longo de toda a parede.Seminário Panteão de Roma Figura 27 – Esquema de forças [A] Os arcos construídos no interi das paredes não foram colocados ao acaso mas sim interior com o intuito de distribuir os esforços e conduzi los directamente para os pilares que conduzi-los se encontram nos extremos dos nichos. passando depois a fazer parte integrante da estrutura. Esta variação de espessura torna torna-se importante ao nível da evolução dos materiais. pois existe uma optimização do material bem como uma optimização do seu peso.

Na superfície interior da cúpula existem cinco camadas de cofres com forma cúpula. que fazendo a analogia com o arco romano tem a função de uma pedra de fecho garantindo que a cúpula funcione á fecho.Seminário Panteão de Roma Figura 28 – Degraus existentes na parte exterior da cúpula [5] Na nossa perspectiva e existência destes anéis. pois não tinham conhecimentos ou forma de fazer com que a estrutura resistisse á flexão. Esta foi a solução que os romanos encontraram para conseguirem manter o. serve de contrabalanço para a cúpula. junto ao óculo existe um anel de bronze que na nossa perspec perspectiva tem como função a protecção do anel de compressão em tijolo. ou seja. a estrutura estável. foi realizada uma inspecção ao interior do panteão. contra a erosão. no qual se observam diversas fissuras na cúpula e nas paredes. compressão. As fissuras na cúpula pressupõem que datem do inicio da construção e que tiveram como origem as tensões excessivas existentes na cúpula. trapezoidal. Junto ao óculo existe um anel de compressão. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 30 . Em meados de 1930. que servem de aligeiramento da estrutura. além de servir para reduzir o rvem material ali empregue. criar um peso estabilizador de forma a evitar o seu derrubamento derrubamento. compressão. No exterior.

Seminário Panteão de Roma Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 31 .

toda a arquitectura do panteão bem como de outras estruturas da altura. baseadas essencialmente no desenvolvimento e utilização de novos materiais. Regressando à época do panteão. os romanos exploraram estes materiais com Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 32 . O betão e as argamassas são utilizados como materiais de construção há milhares de anos. uma equidade em relação ao estatuto dos engenheiros mas sobretudo que as obras de arquitectura fossem executadas por arquitectos. muitas das obras feitas nesta época. acabando por fazer parte da arquitectura. Assim impuseram novos sistemas estruturais na que foi denominada mais tarde de modo eufemista como arquitectura de engenheiro. Podemo-nos atrever a dizer que nesta época a engenharia dominava a arquitectura. o aumento da largura das paredes. nomeadamente o ferro. A maior inovação ao nível da estrutura e que veio realmente revolucionar o modo de construir deve-se numa primeira fase ao desenvolvimento de um cimento de grande resistência (portland) e posteriormente à sua aplicação com inertes formando o que chamamos hoje de betão. Muitas vezes a arquitectura presente no edifício provem da estrutura. A utilização dos arcos. RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA No inicio do século. este facto era até bastante evidente nas preocupações da sociedade dos arquitectos portugueses numa carta dirigida ao rei D. Se até então o conceito arquitectónico se baseava essencialmente na adaptação de um estilo e na composição. as colunas. todos estes elementos tem unicamente.Seminário Panteão de Roma 7. assegura a estrutura do edifício. Assim. De facto foram dos engenheiros. etc. Nas antigas civilizações estes materiais eram utilizados essencialmente em pavimentos paredes e fundações. temos o exemplo do Panteão de Roma. é determinada pela estrutura em si. aquilo que se observa é o sistema estrutural básico do edifício. como objectivo. a engenharia tomou vantagem sobre a arquitectura. passou desde aí a ser gradualmente substituída pela concepção estrutural. sendo produzidos pela mistura de vários materiais. Carlos onde reclamam para a sua profissão.

que muitos dos quais ainda hoje sobrevivem. Existem registos que os Romanos fizeram tentativas para armarem o betão com cabos de bronze. casas e tubagens em 1867 e pontes em arco em 1873 1873. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 33 .que os dois. Assim. tendo em 1897 sido criada a primeira disciplina de Betão Armado na ENPC – École National de Ponts et ido Chaussées (Paris) de que foi primeiro professor Rabut. Pois a característica principal desta . Hyatt. pontes e aquedutos. concluindo. -se combinados. nasce o betão armado. As patentes tornam também tornam-se numerosas (Cottancin. experiências estas. Em 1852 Francois Coignet e em 1854 William Wilkinsen iniciaram a realização de pavimentos de betão armado (lajes e vigas) os quais se tornaram na maior aplicação armado deste material até à época actual. No final do século XIX são já vários os estudos publicados sobre o betão armado (Coignet. que não tiveram muito sucesso devido aos diferentes coeficientes de dilatação térmica que ambos os materiais possuem. Considère. possuem uma maior eficácia. templos. Mesnager) teorizando o comportamento à flexão. Monnoyer.Seminário Panteão de Roma mestria em diversas obras – casas. A tent tentativa de unir estes dois materiais provém de várias experimentações. Figura 30 – Primeira obra em betão armado [1] Joseph Monier é um dos principais pioneiros do betão armado com as suas patentes com de 1849 para caixas (floreiras). Coignet). As primeiras referências ao betão armado d datam de 1830 com o barco em ferrocimento realizado pelo francês Jean Louis em 1848 é reconhecido como a obra mais antiga construída neste material. combinação é a resistência à flexão.

uma maior solidez construtiva e maior liberdade formal. tenham sido reservadas a edifícios ou estruturas de carácter utilitário ou público como pontes. substituindo muito rapidamente os materiais tradicionais. gares e fabricas. traduzidas e publicadas em 1907 pela Revista de Obras Públicas e Minas da Associação Portuguesa dos Engenheiros Civis. Assim. Ainda que inicialmente as aplicações de quaisquer novos materiais e tecnologias. veio permitir uma maior amplitude de vãos. A aplicação do betão armado. as primeiras construções não respeitariam a verdade dos novos materiais escondendo-o quase sempre debaixo de uma "cobertura "de feições românticas ou de carácter "neo" em divulgação nesta época. com o título “As Instruções Francesas para o Formigão Armado”.Seminário Panteão de Roma Em 1906 são publicadas as primeiras instruções francesas (Regulamento). rapidamente se difundiram e chegaram às habitações em geral mas porque ainda vivíamos um período de exploração revivalista e se procurasse apurar um estilo ou identidade pela plástica de fachada. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 34 . a construção foi encarada como uma composição em partes separadas e aparentemente autónomas que caracterizou o ecletismo de final de oitocentos não sendo apenas característico da "grande" arquitectura porque as próprias construções ditas "utilitárias" integraram igualmente essa dicotomia.

admitindo algumas simplificações resultantes admitindo da falta de informação. Através do conhecimento dos materiais aplicados na cúpula e sabendo os respectivos valores do peso volúmico. se Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 35 . sendo os esforços conduzidos por estas nervuras. Após uma análise visual da cúpula. algumas medidas foram estimadas a partir de imagens.Seminário Panteão de Roma 8. Reproduziu . modelou a mesma modelou-se num programa de cálculo de estruturas. concluí-se que a base estrutural é formada por nervuras verticais e se horizontais. Figura 31 – Modelo proposto da cúpula [A] Devido à escassa informação sobre o edifício. Reproduziu-se esta estrutura no programa como il ilustrado na figura seguinte. O programa usado para esta modelação foi o Robot Millenium. ponderou se o peso dos cofres. ponderou-se Posteriormente aplicou-se a força exercida pelo peso dos cofres em cada nó. MODELAÇÃO DA CUPULA NO ROBOT Na tentativa de interpretar o modo de funcionamento da cúpula.

Através do ntra modelo de cálculo proposto irá comprovar se a veracidade desta percepção. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 36 . comprovar-se Numa primeira análise aos resultados apresentados pelo programa. tal não foi conseguido. P Pôde-se observar uma redução pouco significativa nos esforços de tracção. estando todas as horizontal outras comprimidas. o que nos leva a concluir que o aumento do peso naquela zona implica uma diminuição dos esforços de tracção. Se o objectivo da colocação destes anéis era eliminar os esforços de tracção. pois seria necessário um aumento de peso muito grande grande. tentou tentou-se com esta modelação formular uma hipótese credível sobre a origem do seu aparecimento. Um observador sensível ao comportamento de estruturas tem a . uma força adicional provocada pelo peso destes anéis sobre cada nó. percepção imediata que esta se encontra essencialmente à compressão. Na tentativa de explicar a existência dos vários anéis no exterior da cúpula colocou-se cúpula. No entanto os esforços de tracção existentes apresentam valores baixos. verificou nálise verificou-se a existência de esforços de tracção na nervura horizontal inferior.Seminário Panteão de Roma Figura 32 – Forças nos nós [A] Tendo conhecimento sobre a existência de fissuras no interior da cúpula.

5x0. Assim. nos resultados finais deste modelo de cálculo. apresentam-se em anexo I.36 1 5.8 13. Como era de esperar. Esta hipótese surgiu.84 Como é possível observar o diagrama das tensões mantém-se quase constante ao longo de toda a nervura Os resultados que permitiram a interpretação do modo de funcionalidade de toda a estrutura. bem como a colocação de algumas hipóteses.09 +1.2 m 4 1126 27.8 1. a cúpula apresenta apenas esforços de compressão. Momento Área da secção Secção [m2] de inércia [m4] [KN] [KN/m] +2. podendo funcionar como um contraforte.36 -0.69 m 4 Momento Esforço axial flector [MPa] Tensão 10500 630 -2.02 2 1.Seminário Panteão de Roma De forma a eliminar as tracções existentes na cúpula. propôs-se a alteração do modelo de cálculo usado inicialmente. [11] De forma a se conhecer a variação do diagrama das tensões efectuou-se o cálculo das tensões para a secção inferior e superior.9x0. e porque a cúpula se encontra restringida lateralmente. colocaram-se apoios duplos ao longo de toda a nervura horizontal traccionada. Universidade da Beira Interior 2007/2008 11 Página 37 . depois de se ter verificado que a parede se prolonga acima do nível onde nasce a cúpula.

Seminário Panteão de Roma Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 38 .

É impressionante. lhes permitia solucionar todos os imprevistos que surgiram durante a construção do panteão.Seminário Panteão de Roma 9. na construção dos cofres de forma a aligeirar o peso da cúpula. O engenho desta construção está na sua estrutura base e nas soluções encontradas pelos romanos de forma a erguer este edifício. bem como a utilização de fibras de vidro para substituir o nosso aço aplicado hoje no betão. que foi a sua construção para aquela época. Na nossa perspectiva a cúpula teria uma forma inicial diferente. facto este que não se verifica através da primeira modelação apresentada neste trabalho. é a existência de uma tensão de tracção muito baixa que não seria suficiente para provocar aquelas fissuras. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 39 . Identifica-se esta sensibilidade. o que não aconteceu. como a sensibilidade que os “engenheiros romanos “ possuíam. Alguns dos imprevistos que surgiram na altura da sua construção são idênticos aos que hoje surgem numa obra comum. CONCLUSÕES Após o estudo da estrutura do Panteão de Roma. etc. na construção da parede cilíndrica com uma espessura elevada de forma a resistir ao peso proveniente da cúpula. um facto que confirma a nossa teoria de que a forma inicial da cúpula seria diferente. pois os anéis e o aumento da parede acima da cúpula terão sido construídos posteriormente de forma a solucionar os problemas de fissuração. na colocação de um peso adicional na cúpula de forma a tentar evitar o aparecimento de fissuras. Por outro lado. com a diferença que hoje possuímos um conhecimento de engenharia e ferramentas de cálculo que nos permite prever e evitar alguns desses problemas. Pensa-se que o grande objectivo dos “engenheiros romanos” para a construção da cúpula era que esta funcionasse somente à compressão. quando por exemplo: decidiram aumentar a área de contacto da fundação com o solo de forma a diminuir as tensões. bem como na realidade.. pois no final da construção surgiram fissuras verticais. ficou-se com a noção do grande feito. além de que a colocação das fibras de vidro absorveriam estas tensões.

subentende-se que aquele aumento de parede sirva de contrafortes. Daí a solução ter sido abrir aquela zona e criar um anel de compressão que recebe os esforços das nervuras verticais. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 40 . que não poderiam ser absorvidas apenas com as fibras de vidro. Acredita-se que toda esta estrutura foi projectada com a verdadeira percepção da estática.Seminário Panteão de Roma A forma que se encontrou para justificar o aumento da parede acima da cúpula. colocando apoios na zona traccionada. Inicialmente pensava-se que este facto pudesse estar relacionado com questões filosóficas e arquitectónicas. Uma dúvida que até aos dias de hoje ainda não foi oficialmente esclarecida é “o porquê do óculo existir com aquele diâmetro?”. no entanto ao longo deste trabalho foi possível verificar-se a necessidade estrutural do óculo na medida em que este se elimina numa zona das nervuras verticais. onde apareceriam momentos flectores positivos que provocariam tensões de tracção na face inferior das nervuras. restringindo a cúpula de uma forma radial. Assim. consistiu em fazer um modelo de cálculo diferente.

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