Poupar Água Prevenir o Futuro

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Índice
Introdução ..................................................................................................... 3 Declaração Universal dos Direitos da Água ................................................. 4 A molécula da água ...................................................................................... 5 A importância da água .................................................................................. 7 A água nos seres vivos ............................................................................. 8 A origem da água e sua disponibilidade ...................................................... 9 A água doce no mundo .......................................................................... 11 Consumo de água....................................................................................... 12 Categorização de consumidores............................................................ 14 Perdas nos sistemas de abastecimento público de água ..................... 16 Usos e consumos da água ......................................................................... 18 Ciclo Hidrológico......................................................................................... 19 Tratamento de água para abastecimento............................................... 20 Tratamento de águas residuais............................................................... 23 Poluição da água......................................................................................... 24 Poluição subterrânea .............................................................................. 25 Eutrofização ............................................................................................ 26 Escassez de água ....................................................................................... 27 Evite o desperdício de água ....................................................................... 29 Actividades .................................................................................................. 31 Para que uso a água? ............................................................................. 33 Arghh! Se fosse água, vomitava!............................................................ 34 Vamos conhecer o rio_________________!............................................. 35 Para onde foge a água da escola?......................................................... 36 O que polui o nosso rio?......................................................................... 37 Análise do ciclo da água......................................................................... 38 O que podemos fazer para ajudar o rio? ............................................... 39 Vamos organizar um debate?................................................................. 40 Não sou peixe, mas vivo na água… ....................................................... 41 Água: nós comemos? ............................................................................. 42 Bibliografia................................................................................................... 44

Sugestões para o desenvolvimento de actividades com os alunos e preparação de projectos de abordagem pedagógica das questões relacionadas com as questões da poupança de água.

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Introdução
Este guia surge como uma necessidade da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza de mobilizar a comunidade escolar para os problemas da água. Face à degradação, desperdício e escassez que se tem vindo a verificar, nomeadamente ao longo dos últimos 50 anos, de um recurso natural aparentemente inesgotável e ilimitado, a água, este guia aponta algumas actividades sobre este elemento conducentes à mudança de hábitos e comportamentos enraizados, por forma a poder alargar estas mudanças à sociedade em que se insere a escola. Pretende-se apresentar as questões teóricas da Água e enunciar algumas actividades práticas que se podem desenvolver na Escola. A concepção deste guia não seria possível sem a colaboração da VEOLIA ÁGUA, empresa líder mundial na gestão de sistemas de abastecimento de água que presta serviços para entidades públicas e privadas em 55 países. Em Portugal está representada pela Compagnie Générale des Eaux (Portugal), S.A., (CGEP). Este grupo estabeleceu-se no nosso país há cerca de 15 anos, servindo cerca de 300 000 habitantes. Neste momento, a CGEP opera em quatro concelhos: * em Mafra, CGEP - Mafra; * em Ourém, CGEP - Ourém; * em Valongo, Águas de Valongo; * em Paredes, Águas de Paredes.

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Declaração Universal dos Direitos da Água
A 22 de Março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o “Dia Mundial da Água”, publicando um documento intitulado “Declaração Universal dos Direitos da Água”. 1. A água faz parte do património do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo o ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Artº 30º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser utilizada com racionalidade, preocupação e parcimónia. 4. O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam. 5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. A sua protecção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.

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6. A água não é uma doação gratuita da natureza, tem um valor eco-

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nómico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, a sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas actualmente disponíveis. 8. A utilização da água implica o respeito da lei. A sua protecção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado. 9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos da sua protecção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social. 10. O planeamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em função da sua distribuição desigual sobre a Terra.

A molécula da água
A água é um líquido incolor e inodoro; a sua molécula é formada por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio - H2O. A água é a única substância que existe na natureza, simultaneamente, nos três estados físicos: * sólido – neve, gelo; * líquido – lagos, rios, mares, oceanos, lençóis freáticos; * gasoso – nuvens (constituídas por vapor de água).

Cada molécula de água estabelece quatro ligações de hidrogénio

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com as moléculas vizinhas, sendo, portanto, muito intensas as forças que as mantêm unidas. A estrutura das moléculas de água e o tipo de ligações intermoleculares que estabelecem (predominantemente ligações de hidrogénio) são responsáveis pelas propriedades únicas que a água apresenta.

Propriedades da água • solubilidade - atendendo essencialmente ao valor da constante dieléctrica relativa da água – r e ao facto da água ser constituída por moléculas polares, este líquido dissolve uma grande variedade de compostos iónicos e moleculares. Esta propriedade permite, por exemplo, que a água transporte nutrientes dissolvidos através de organismos vivos e retire os desperdícios dos mesmos tecidos, servindo como agente de limpeza. O superior poder solvente da água também permite que seja altamente poluída por desperdícios solúveis, tornando-se assim um meio de transporte de bactérias e vírus causadores de graves doenças. • tensão superficial - quando um líquido está em repouso e em contacto com o ar, as forças de atracção que se exercem entre as moléculas do líquido são diferentes para as que estão à superfície e para as que estão no interior do líquido. No interior do líquido, cada molécula liga-se às restantes por forças iguais em todas as direcções. À superfície, as moléculas são apenas puxadas para o interior líquido, pois não existem moléculas na parte exterior do líquido para exercerem qualquer força, formando-se assim uma espécie de película elástica.

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A água líquida tem uma tensão superficial extremamente ele-

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vada, explicada pelas ligações por pontes de hidrogénio que mantêm as moléculas fortemente unidas. • densidade - a água líquida é a única substância comum que se expande quando congela. A explicação deste fenómeno advém do tipo de estrutura que a molécula de água apresenta. No gelo, cada molécula de água está rodeada por outras quatro, formando uma rede cristalina característica. A rede cristalina apresenta grandes espaços hexagonais, que explicam a baixa densidade do gelo. Aquecendo a água acima do seu ponto de fusão, a referida rede cristalina começa a ser destruída, sendo os espaços anteriormente vazios ocupados por algumas moléculas. Por isso se verifica a contracção de volume, que atinge um ponto máximo para a temperatura de 4º C.

A importância da água
Todos os seres vivos necessitam de água para sobreviver. O homem pode sobreviver até 30 dias sem alimento, mas apenas 4 dias sem beber. Por este motivo é que desde os primórdios da Humanidade as comunidades nómadas se tornaram sedentárias em redor de zonas com água: ao longo das margens dos rios ou do mar. Muitas das grandes metrópoles mundiais, como Londres, Paris, Barcelona ou Nova Iorque cresceram nas margens de rios, o mesmo acontecendo em Portugal, onde Lisboa, Porto, Aveiro ou Coimbra são disso exemplo.

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A fixação do homem primitivo nestes locais deveu-se à sua grande dependência da água: inicialmente apenas para beber, e mais tarde para irrigar as suas culturas, para manufacturar utensílios e ferramentas, bem como para se deslocar e transportar bens.

A água nos seres vivos
O teor de água no corpo humano varia consoante a idade: • nos bebés, atinge cerca de 75% do peso; • numa criança, a água representa em média 70% do peso do corpo; • no adulto 60%; • num idoso não ultrapassa os 50%. A maior parte da água do nosso corpo está contida nas células que compõem os nossos órgãos e tecidos, e o restante está repartido pelos diferentes líquidos (sangue, líquido linfócito, …). O sangue contém mais de 60% de água. Assim, 5 litros de sangue contêm 3 a 4 litros de água. Em actividade normal, o corpo humano elimina diariamente cerca de 2,5 litros de água, sob a forma de transpiração e urina. Por isso, é necessário hidratar o corpo, restituindo-lhe essa água todos os dias e ainda mais durante o verão, sobretudo durante uma actividade desportiva ou física. Os alimentos que ingerimos, principalmente legumes e frutos frescos, fornecem ao organismo cerca de 1 litro por dia. Os alimentos mais ricos em água são: • os legumes e os derivados do leite, com 80 a 90% de água; • as carnes, os peixes, os ovos e as batatas, depois de cozidos, bem como os queijos, contêm entre 50 a 80% de água;

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• os alimentos mais pobres em água são todos os frutos e legu-

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mes secos, os produtos oleaginosos (amendoins), o pão e os doces, com menos de 50%; • quanto ao óleo e ao açúcar, não contêm água nenhuma. Para completar o fornecimento de água, dever-se-á beber 1,5 litros de água por dia, o que corresponde a cerca de 9 copos, para hidratar o corpo e para ajudá-lo a filtrar os resíduos do organismo.

A origem da água e sua disponibilidade
Durante a sua formação, há 4,5 mil milhões de anos, a Terra era seca e rodeada de gases quentes que foram arrefecendo. Dois destes gases, o hidrogénio e o oxigénio, misturaram-se e deram origem à água que apareceu sob a forma de grandes nuvens. Em seguida, choveu ininterruptamente durante milhões e milhões de anos e esta chuva encheu o relevo da crosta terrestre, criando a paisagem que hoje conhecemos. A água na superfície terrestre ocupa quase 70% do território, o que levou os primeiros astronautas, ao avistarem a Terra, a comentarem que deveria chamar-se “Planeta Azul”, tamanha a quantidade de água visível. Com 70% de água à superfície, poder-se-ia assumir que não existem problemas de escassez deste recurso. No entanto, a sua distribuição é a seguinte: • 97% água salgada, logo, não potável; • 3% água doce (Gráfico 1).

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Distribuição da água na Terra (%)

água doce

água salgada Gráfico 1

Os 3% de água doce que existem não estão disponíveis na sua totalidade, uma vez que se encontram em diferentes reservatórios: • 68,9% em glaciares; • 29,9% em camadas subterrâneas; • 0,9% distribuída por outros reservatórios; • 0,3% em rios e lagos (Gráfico 2).
Distribuição da água doce (%)

glaciares

água subterrânea

outros reservatórios

rios e lagos

Gráfico 2

Como se pode constatar, apenas uma pequena parcela de água se

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encontra disponível para consumo humano, e mesmo esta parcela tem,

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em muitos casos, de ser tratada antes de ser consumida, uma vez que se encontra frequentemente poluída.

A água doce no mundo
A ONU - Organização das Nações Unidas - considera que o volume de água suficiente para a vida em comunidade e exercício das actividades humanas, sociais e económicas, é de 2.500 metros cúbicos de água/habitante/ano. Lembramos que um metro cúbico é equivalente a 1.000 litros. Em regiões onde a disponibilidade de água/habitante/ano se situe abaixo de 1.500 metros cúbicos, a situação é considerada crítica (Tabelas 1. e 2.).
População (milhões) 498 3 108 648 426 297 Disponibilidade (m3/dia/pessoa) 18 13 19 53 108 252

Continente Europa Ásia África América do Norte América do Sul Oceânia

Área (103 km2) 10 500 43 475 30 120 24 200 17 800

8 950 26 Tabela 1. Disponibilidade de água no mundo (m3/ dia/pessoa) (fonte: UNESCO/WWAP 2003) ,

Continente Europa Ásia África América do Norte América do Sul Oceânia

População (%) 13 60 13 8 6

Recursos Hídricos (%) 8 35 11 15 26

<1 5 Tabela 2. População vs Recursos hídricos (%) (fonte: UNESCO/WWAP 2003) ,

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Consumo de água
Em virtude da desigualdade social e da falta de sistemas de gestão de abastecimento de água e de saneamento básico bem como de usos sustentáveis dos recursos naturais, agrava-se a escassez de água no mundo. De acordo com os números apresentados pela ONU fica claro que controlar o uso da água significa deter poder. As diferenças registadas entre os países desenvolvidos e os países em via de desenvolvimento evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está directamente ligada às desigualdades sociais. Em regiões onde a situação de falta de água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, a média de consumo de água é de 10 a 15 l/dia/habitante. Já em Nova Iorque, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar 2 000 l/dia/habitante. Em Portugal o consumo de água por habitante situa-se nos 161 l/dia (Fonte INAG, Inventário Nacional dos Sistemas de Água e de Águas Residuais - INSAAR). Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A agricultura consome 73% dos recursos de água, 21% referem-se a consumos industriais e apenas 6% é destinado ao consumo doméstico. Um bilião e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada; Um bilião e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não dispõem de serviços adequados de saneamento básico.

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A confrontação com estes valores explica a morte de dez milhões

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de pessoas por ano, em virtude de doenças intestinais e outras transmitidas pela falta de tratamento da água, ou causadas pela sua escassez. Em África Não têm acesso a água potável: • 44 milhões de pessoas residentes em áreas urbanas; • 53% (256 milhões) de pessoas residentes em áreas rurais. No total, 62% dos africanos não têm acesso a água. Não têm acesso ao saneamento: • 46 milhões de pessoas residentes em áreas urbanas; • 267 milhões de pessoas residentes em áreas rurais. No total 313 milhões de africanos não têm ao seu dispôr infra-estruturas de saneamento. Na Ásia Não têm acesso a água potável: • 98 milhões de pessoas residentes em áreas urbanas; • 595 milhões de pessoas residentes em áreas rurais (cerca de 25% da população rural). No total são 693 milhões de pessoas, ou seja 19% dos asiáticos sem acesso a serviços de abastecimento de água para consumo público. Não têm acesso ao saneamento: • 1,6 bilião de pessoas residentes em áreas rurais; • 297 milhões de pessoas residentes em áreas urbanas. Mais de 1,9 bilião de pessoas, ou seja, cerca de 52% da população, não tem acesso a infra-estruturas de saneamento básico.

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Na América Latina Não têm acesso a água potável 78 milhões de pessoas, o que corresponde a 15% da população. Em saneamento, a carência de serviço atinge 22% da população e 51% dos residentes em áreas rurais. No total 117 milhões de latino-americanos e habitantes do Caribe não têm acesso a serviços de saneamento. Na Oceânia A totalidade dos habitantes das zonas urbanas têm acesso à água potável e apenas 3 milhões de habitantes das áreas rurais, não dispõem de abastecimento de água para consumo público. Dois milhões de pessoas estão ainda sem acesso a saneamento básico. Na Europa Apenas 0,5% dos habitantes das zonas urbanas não têm acesso a serviços de abastecimento de água para consumo público. Em zonas rurais existem 23 milhões de pessoas sem esse abastecimento, o que corresponde a 13% da população. 8% dos europeus (55 milhões) ainda não dispõem de serviços de saneamento básico.

Categorização de consumidores
A aferição dos consumos de água por sector de actividade económica é muito importante, pois permite, não apenas determinar os grupos que mais consomem, como também orientar políticas e campanhas de sensibilização para a necessidade de poupança de água e de redução dos gastos (Gráfico 3).

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Categorização de consumo de água (%)

Portugal Europa Mundo

comércio/indústria

residencial

agricultura

energia

turismo

Gráfico 3 (fonte: Relatório do Estado do Ambiente, 2002; Os recursos hídricos da Europa, AEA, 2003; UNESCO/WWAP 2003) ,

Conforme se pode verificar no Gráfico 3, Portugal tem um consumo agrícola próximo do nível mundial, em relação aos outros consumos situamse todos abaixo dos verificados na Europa e no mundo. Efectuar esta categorização é tanto ou mais importante quando nem toda a água consumida chega de facto a cumprir o seu objectivo. Para exemplificar, estima-se que cerca de 70% da água doce disponível seja utilizada para fins agrícolas. No entanto, devido a factores como sistemas de irrigação deficientes ou rega em horas não aconselhadas, especialmente nos países em via de desenvolvimento, 60% dessa água é perdida por evaporação ou por devolução aos rios e aquíferos, sem ter servido o seu propósito (Fonte: UNESCO/WWAP 2003). , Este valor é de tal forma elevado que uma das medidas a tomar a curto prazo será investigar todo um conjunto de situações relacionadas com a rega agrícola e de espaços verdes urbanos, com vista a adopção de sistemas de regas mais eficazes e eficientes, e à sua utilização em horários mais adequados tendo em vista a poupança dos recursos hídricos.

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Perdas nos sistemas de abastecimento público de água
Os sistemas de abastecimento de água pública deparam-se com uma enorme ineficiência, que são as perdas de água. Este conceito engloba o volume de água captada não facturada e as fugas de água ao longo dos sistemas de distribuição e adução, mas também os volumes de água contabilizados mas não facturados, por falta de contagem dos contadores e por usos clandestinos e indevidos. Entre a captação e a distribuição de água ao consumidor final podem ocorrer inúmeras perdas, por razões que vão desde falhas da rede, até água que é efectivamente distribuída mas não é facturada. Não se sabendo quantificar este valor, a taxa de eficiência de um sistema de abastecimento público de água é calculada pela diferença entre o volume de água captada e o volume de água distribuída. O problema das perdas torna-se mais evidente e urgente de solucionar se recordarmos as situações de seca severa como aquela que Portugal tem vindo a registar. Os motivos que se podem atribuir a elevadas taxas de perdas nos sistemas são: • falta de manutenção dos sistemas; • redes antiquadas, ultrapassadas ou mal dimensionadas; • inexistência ou ineficiência nos sistemas de gestão de fugas; • ligações clandestinas às bocas de incêndio; • consumos não facturados (regas de espaços verdes urbanos, lavagem de arruamentos, consumos próprios dos municípios, entre outras); • existência de contadores avariados ou parados; • sistemas pouco eficientes de leitura e cobrança.

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Como o volume de água perdido representa uma parte bastante signifi-

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cativa das despesas que as entidades gestoras dos sistemas têm de assumir, o problema das elevadas taxas de perda de água torna-se visível e de urgente resolução, até porque os gastos com o volume de água adquirido podem significar a impossibilidade de investimento noutras vertentes, como a substituição, reparação ou modernização das redes de abastecimento existentes. A redução do volume de perdas de água constitui um objectivo para uma eficiente gestão dos recursos hídricos. De acordo com a AdP (Águas de ,( Portugal, SGPS) e o PEAASAR (Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais), assume--se como objectivo para o ano de 2015 que a percentagem de perdas do sistema de distribuição seja de 20%. O valor estimado da média nacional para o volume de água por perdas entre a captação e o consumidor é de 35%, (mas encontram--se sistemas com taxas de perdas na ordem dos 50% e outros com menos de 20% representando o esforço que algumas entidades têm desenvolvido nesta área, Mafra é um dos exemplos positivos em Portugal), enquanto que nos países da União Europeia este valor está compreendido entre 15 e 20%, estando este valor na ordem dos 10% na Áustria e na Dinamarca, baixando para os 4 a 5% na Holanda (Gráfico 4).
Ineficiência dos sistemas de abastecimento de água (%)

Holanda

Dinamarca

UE

PEAASAR

Média Nacional

Rep. Checa

Alguns sistemas em Portugal

Gráfico 4 (fonte: Relatório do Estado do Ambiente, 2002; Os recursos hídricos da Europa, AEA, 2003)

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Algumas das medidas para fazer baixar este valor são: • implementação de sistemas de telemedida; • monitorização das rupturas e escorrências; • aferição periódica de contadores; • diminuição da taxa de leituras por estimativa.

Usos e consumos da água
A utilização da água pelo homem depende da sua disponibilidade, da realidade sócio-económica e cultural, das formas de captação, tratamento e distribuição. Os principais usos da água são: • abastecimento público - subdividido em uso doméstico (bebida, preparação de alimentos, higiene pessoal, limpeza da habitação, rega de jardins e pequenas hortas particulares, criação de animais domésticos) e uso público (escolas, hospitais e demais estabelecimentos públicos, rega de espaços verdes urbanos, limpeza de arruamentos, paisagismo, combate a incêndios, navegação); • industrial - como matéria-prima, na produção de alimentos e produtos farmacêuticos, em actividades industriais onde a água seja utilizada para refrigeração, como na metalurgia, para lavagem nas áreas de produção de papel, tecido, em matadouros e em actividades em que é utilizada para produção de vapor; • comercial - em escritórios, oficinas, centros comerciais e lojas, estabelecimentos de restauração;

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• agrícola e pecuário - na rega para produção de alimentos,

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para tratamento de animais, lavagem de instalações, máquinas e ferramentas; • recreio - actividades de lazer, turismo e sócio-económicas, piscinas, lagos, parques, rios; • produção de energia eléctrica - produção de energia através do desvio das linhas de água do seu leito natural (barragens); • saneamento - tratamento de águas usadas. Estes usos podem dividir-se em: • usos consumptivos - aqueles em que não há retorno total da água consumida aos mananciais. Um uso pode ser totalmente consumptivo, como a produção de vapor, ou parcialmente consumptivo, como o abastecimento urbano; • usos não-consumptivos – em que se observa o total retorno da água consumida aos mananciais de água, como a produção hidro-eléctrica.

Ciclo Hidrológico
A água renova-se num ciclo permanente e inalterável. A água dos oceanos e das plantas, aquecida pelo sol, evapora-se. O vapor da água, condensa-se em altitude formando nuvens. Empurradas pelo vento e arrefecidas pelo contacto das massas de ar frio, as nuvens descarregam na Terra a água que contêm sob a forma de precipitações (chuva, neve, granizo). Quando o solo é impermeável, a água escorre à sua superfície, formando rios e ribeiras que desaguam no mar, ao contrário e quando o solo é permeável, a água infiltra-se e forma então os lençóis freáticos (Esquema 1.).

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Esquema 1. Representação do ciclo hidrológico

A água não é um recurso inesgotável. Os homens e as suas actividades estão a poluir cada vez mais a água. A água dos oceanos, dos mares, dos lagos e dos rios evapora-se constantemente antes de voltar a cair sobre a Terra, sob a forma de chuva. Este ciclo contínuo permite renovar a massa de água utilizável, mas não a aumenta. Com a poluição a agravar-se, é necessário tratar cada vez mais a água, com técnicas sofisticadas, para a tornar potável, o que por sua vez significa um custo acrescido.

Tratamento de água para abastecimento
Não existe praticamente água potável na Natureza e uma água transparente não é necessariamente potável. Quando a água é captada num rio, num lago ou num lençol freá-

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tico, é necessário torná-la potável antes de a distribuir, porque contém

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matérias em suspensão (por exemplo: poeiras, folhas mortas, paus…) e, por vezes, bactérias e vírus que devem ser eliminados. Antes de ser armazenada e mais tarde distribuída, a água é primeiro filtrada e esterilizada, em Estações de Tratamento de Águas (ETA). A água que se utiliza nos sistemas de abastecimento para consumo público é captada nos rios ou nos lagos, ou ainda, nos lençóis freáticos. A zona onde a água é extraída designa-se “zona de captação”, a qual é vigiada e protegida para evitar e prevenir problemas de poluição. A água é potável, depois de tratada na ETA, sendo de seguida encaminhada através de condutas para reservatórios onde é armazenada até ser distribuída na rede pública (Esquema 2.).

Esquema 2. Representação de Estação de Tratamento de Águas

Os primeiros sistemas de transporte, depuração e distribuição de água são os aquedutos romanos, sendo um dos mais antigos o de

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Segóvia, em Espanha, que foi construído pelo imperador Trajano, há cerca de 2 mil anos e continua a transportar água para a cidade, numa distância aproximada de 16Km. Os aquedutos traziam água de pontos distantes da cidade e eram dotados de pequenos tanques constituídos de areia e cascalho, onde partículas mais pesadas se depositavam no fundo e a água depurada era conduzida para cisternas, fontes públicas e algumas residências particulares; as populações podiam-se abastecer de água mediante o pagamento de taxas. A água de Lisboa era encaminhada através do Aqueduto das Águas Livres, que parte de Caneças, segue pela zona de Belas, passa pela Amadora e termina no Largo das Amoreiras, em Lisboa, atravessando quatro concelhos: Loures, Sintra, Amadora e Lisboa, num percurso de 18,6 Km. Obra monumental do século XVIII, em 12 de Maio de 1731, foi assinado o decreto para a construção do Aqueduto das Águas Livres, pelo rei D. João V. Em 1748 já circulava água no aqueduto, mas só em 1799, ou seja 67 anos depois do início da sua construção, é que a obra foi considerada totalmente acabada. Completam o Aqueduto duas outras construções muito importantes: a Mãe-de-Água das Amoreiras e o Reservatório da Patriarcal. A Mãe-de-Água foi o primeiro grande depósito de água de Lisboa, acabado de construir em 1834 precisamente para receber as águas do Aqueduto. No seu interior encontra-se a cascata e a Arca de Água, de sete metros de profundidade e com uma capacidade próxima dos 5.500 metros cúbicos (ou seja, cinco milhões e meio de litros), capacidade esta suficiente para abastecer uma população de 250 mil pessoas no século XVIII, mas, actualmente só chegaria para abastecer três ou quatro bairros

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da cidade de Lisboa.

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Tratamento de águas residuais
Depois de ter sido utilizada e independentemente da sua finalidade (uso doméstico, industrial ou em serviços) a água usada é designada água residual. As estações de tratamento que tornam a água potável são diferentes das que tratam as águas usadas. Estas são drenadas para uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais), onde a água é filtrada e os poluentes são digeridos por bactérias. Todas as águas residuais, sejam elas de proveniência doméstica ou industrial, acabam por voltar ao seu meio natural, pelo que é fundamental despoluí-las numa ETAR, de modo a preservar a natureza e garantir a saúde das pessoas e das espécies (Esquema 3.).

Esquema 3. Representação de Estação de Tratamento de Águas Residuais

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Poluição da água
A água nunca é pura na Natureza, pois nela estão dissolvidos gases, sais sólidos e iões. Dentro dessa complexa mistura, há uma colecção variada de vida vegetal e animal, desde o fitoplâncton e o zooplâncton até à baleia azul, maior mamífero do planeta. Dentro dessa gama de variadas formas de vida, há organismos que dependem dela inclusivé para completar seu ciclo de vida (como é o caso dos insectos). Enfim, a água é componente vital no sistema de sustentação da vida na Terra e por isso deve ser preservada, mas nem sempre isso acontece. A sua poluição impede a sobrevivência daqueles seres, causando também graves consequências aos seres humanos. A poluição da água indica que um ou mais dos seus usos foram indevidamente realizados, podendo atingir o homem de forma directa, pois é usada para múltiplos fins, e, principalmente, para a preparação dos alimentos e criação de animais e plantas. Além disso, é usada no abastecimento das nossas cidades, sendo também utilizada nas indústrias e na irrigação de plantações. Por isso, a água deve ser inodora, insípida e incolor, e estar isenta de microorganismos patogénicos, o que é conseguido através do seu tratamento, desde a captação nas origens até à sua entrada nos sistemas de distribuição, e de seguida nas habitações. A água de um rio é considerada de boa qualidade quando apresenta menos de 1.000 coliformes fecais/l (resíduos de excrementos) e menos de 10 microorganismos patogênicos/l (como aqueles causadores de verminoses, cólera, esquistossomose, febre tifóide, hepatite, leptospirose,

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poliomielite, etc.).

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Para manter a água nessas condições, deve-se evitar a sua contaminação por resíduos, sejam eles agrícolas – de natureza química ou orgânica –, esgotos, resíduos industriais, lixo ou sedimentos provenientes da erosão. A poluição das águas pode aparecer de vários modos, incluindo a: • poluição subterrânea – descarga de poluentes nas origens de água subterrâneas; • térmica – descarga de efluentes a altas temperaturas; • poluição física – descarga de material em suspensão; • poluição biológica – descarga de bactérias patogénicas e vírus; • poluição química – por deficiência de oxigénio, toxidez e eutrofização.

Poluição subterrânea
A poluição das águas subterrâneas pode ser causada por: • uso intensivo de adubos e pesticidas nas actividades agrícolas; • deposição de resíduos industriais líquídos e/ou sólidos ou de produtos que podem ser dissolvidos e arrastados por águas de infiltração em terrenos vulneráveis; • deposição de resíduos urbanos em aterros; • deposição de dejectos de animais resultantes de actividades pecuárias; • construção incorrecta de fossas sépticas; • intrusão salina pelo avanço da água salgada devido a exploração excessiva dos aquíferos costeiros. Sobre a contaminação agrícola temos, no primeiro caso, os resíduos do uso de agrotóxicos (comum na agropecuária), que provêm de uma prá-

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tica muitas vezes desnecessária ou intensiva nos campos, enviando grandes quantidades de substâncias tóxicas para os rios através das chuvas, o mesmo ocorrendo com a eliminação dos dejectos ou chorume do gado criado em explorações extensivas. Verifica-se em muitos casos o uso exagerado de adubos químicos que acabam por ser transportados pelas chuvas e escorrências naturais para as linhas de água, ou atingindo os lençóis freáticos, o que implica o aumento de nutrientes nessas zonas. Este aporte de nutrientes propicia a ocorrência de uma explosão de bactérias decompositoras que consomem oxigénio, contribuindo ainda mais para diminuir a sua concentração na água, produzindo sulfeto de hidrogénio, um gás de cheiro muito forte que, em grandes quantidades, é tóxico, o que também afectaria as formas superiores de vida animal e vegetal, que utilizam o oxigénio na respiração, além das bactérias aeróbicas, que seriam impedidas de decompor a matéria orgânica sem libertar odores nocivos através do consumo de oxigénio. Os resíduos gerados pelas indústrias, cidades e actividades agrícolas são sólidos ou líquidos, tendo um potencial de poluição muito grande. Os resíduos gerados pelas cidades, como o lixo, entulhos e produtos tóxicos também podem ser conduzidos até às linhas de água através de escoamentos provocados pelas chuvas.

Eutrofização
A eutrofização é causada por processos de erosão e decomposição que fazem aumentar o conteúdo de nutrientes, incrementando a produtividade biológica, permitindo periódicas proliferações de algas, que tornam

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a água turva e com isso podem causar deficiência de oxigénio pelo seu

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apodrecimento, aumentando a sua toxicidade para os organismos que nela vivem (como os peixes, que podem mesmo morrer). Nos países desenvolvidos, a poluição de águas resulta da forma como a sociedade está organizada para produzir e usufruir da sua riqueza, progresso material e bem-estar. Já nos países em via de desenvolvimento, a poluição resulta da pobreza e da falta de educação dos seus habitantes, que, não têm como exigir os seus direitos de cidadãos, o que tende a prejudicá-los, pois a omissão na reivindicação dos seus direitos leva à impunidade das indústrias, que poluem cada vez mais, e dos governantes, que também se aproveitam da ausência da educação e poder de reinvidicação das populações.

Escassez de água
No século XX, a população mundial cresceu três vezes e o consumo seis vezes, com a agravante da distribuição de água no planeta não ser equilibrada. Em Março de 2003, a ONU apresentou uma listagem dos países com maior e menor quantidade de água (tabelas 3 e 4) e previa que em 2050 mais de 2 biliões de pessoas iriam sofrer de falta de água.

1º 2º 3º 4º 5º

Guiana Francesa Islândia Guiana Suriname Congo

Tabela 3. Lista de países com maior quantidade de água (fonte ONU, 2003)

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1º 2º 3º 4º 5º

Kuweit Faixa de Gaza Emirados Árabes Unidos Bahamas Quatar

Tabela 4. Lista de países com menor quantidade de água (fonte ONU, 2003)

O desenvolvimento desordenado das cidades, aliado à ocupação de áreas de mananciais e ao crescimento populacional, provoca o esgotamento das reservas naturais de água e obriga as populações a ir à procura de fontes de captação cada vez mais longe. A escassez é resultado do consumo cada vez maior, do mau uso dos recursos naturais, do desmatamento, da poluição, do desperdício, da falta de políticas públicas insentivando o uso sustentável, a participação da sociedade e a educação ambiental. Em Setembro de 2000, na Cimeira do Milénio das Nações Unidas, os líderes mundiais prometeram reduzir para metade, até 2015, a percentagem de pessoas que não têm acesso a água potável ou não dispõem de meios para a pagar. E, na Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2002 em Joanesburgo, foi aprovada a redução para metade da percentagem de pessoas sem acesso a serviços de saneamento básico, a concretizar até 2015. Alcançar essas metas requer uma acção coordenada não só dos governos mas também dos consumidores e daqueles que investem na água. São também necessários recursos substanciais. Actualmente, estima-se que as despesas mundiais com o abastecimento de água potável e os ser-

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viços de saneamento sejam da ordem dos 30 mil milhões de dólares por

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ano. Para se realizar o objectivo de desenvolvimento do milénio em matéria de água e de saneamento, as despesas suplementares seriam da ordem dos 14 a 30 mil milhões de dólares por ano, segundo as estimativas. A escassez de água representa também um problema grave para o desenvolvimento futuro. No século XX, o consumo da água aumentou a um ritmo duas vezes mais rápido do que o do crescimento demográfico. Devido à exploração excessiva das águas subterrâneas, as camadas freáticas estão a diminuir e alguns rios, como o Colorado, nos Estados Unidos, e o Amarelo, na China, têm frequentemente troços secos, antes de desaguarem no mar. Várias regiões, como o Médio Oriente, o Norte de África e o Sul da Ásia, sofrem de escassez crónica de água. Neste momento, já quatro em cada dez pessoas no mundo vivem em zonas onde a água escasseia. Até 2025, estima-se que dois terços da população do planeta, ou seja, cerca de 5.500 milhões de pessoas, vivam em países com escassez grave de água. Assim, a distribuição de água potável para todos é o grande desafio da humanidade para os próximos anos.

Evite o desperdício de água
Com o objectivo de minimizar a quantidade de água consumida, a nível doméstico, eis alguns conselhos a seguir e a transmitir: • quando escovar os dentes ou fazer a barba, não deixe a torneira a correr; só a abra quando for enxaguar a boca ou o rosto; • prefira um banho de chuveiro ao de banheira, mas feche a torneira enquanto se ensaboa;

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• evite fazer descargas desnecessárias de autoclismo; se puder, instale um autoclismo de dupla descarga; • não utilize a sanita como caixote do lixo: não deposite beatas de cigarros, restos de comida, cabelos, cotonetes ou outros; • fique atento às fugas de água em sua casa; um orifício de 2 mm deitará fora 3.200 litros de água por dia; • use a quantidade mínima de detergente necessário para uma lavagem eficaz; evitará a poluição da água por detergentes; • não lave a louça com água corrente, nem em pequenas quantidades: prefira juntar a louça e lavá-la apenas em 1 ou 2 vezes por dia; • antes de lavar a louça, remova todos os restos de comida, em vez de os despejar no lava-louça; • use a máquina de lavar-louça e roupa apenas quando completamente carregadas; • aproveite a água de lavar legumes, ou do aquário para regar as plantas; • regue as suas plantas de manhã cedo; • quando for lavar o carro utilize baldes de água em vez da mangueira; • quando lavar os pátios de casa, opte pelo balde de água e vassoura, em vez da mangueira; • cubra a sua piscina, evitando perdas de água por evaporação; as coberturas das piscinas permitem poupar cerca de 30% de água;

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Actividades
As actividades de Educação Ambiental devem ser tratadas no contexto das interacções que se estabelecem no ambiente e das quais a água é elemento fundamental – compõe o corpo dos seres vivos, constitui a atmosfera, os mares e os rios, faz parte do solo – circulando por esses lugares, num vaivém que não tem fim. Qualquer que seja a disciplina que esteja a trabalhar com esta temática, não se pode deixar de situá-la no seu âmbito cultural e social, mostrando que é necessária a formação de atitudes compatíveis com os princípios do conservacionismo, da sustentabilidade e que seja tratada dentro da complexidade e seriedade que envolve. Os alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico já são capazes de interpretar a noção de ciclo da água. Pela observação de diferentes ambientes, podem perceber que a água está presente em todos eles, em maior ou menor quantidade. Por meio de experiências envolvendo mudanças de estado físico da água podem compreender que a água se apresenta em vários estados (líquido, sólido e gasoso), que a mudança de um estado para outro depende de ganho ou perda de calor e que, seja qual for o estado em que ela se apresente, é sempre a mesma substância. Com a ajuda do professor, os alunos podem chegar à conclusão de que a água que compõe as calotes polares é também componente dos rios, do solo e do corpo dos seres vivos. Também com a intervenção do professor, os alunos podem perceber que a água faz parte de um ciclo que garante a manutenção da vida e que não é um recurso inesgotável, como se pensou por muito tempo. Que a

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água não deve ser desperdiçada nem poluída, pois a sua disponibilidade já está comprometida devido a acções humanas. Nos outros ciclos do Ensino Básico (5º a 9º anos), já é possível aprofundar os estudos sobre o fluxo da água no contexto da dinâmica ambiental, trazendo elementos que permitam elaborar a noção de equilíbrio ambiental e as interferências humanas que concorrem para o desequilíbrio, especialmente em relação aos usos feitos da água. Disciplinas como Geografia e História têm muito a contribuir: os processos de ocupação humana das diferentes regiões, o fenómeno da industrialização, da agricultura extensiva e intensiva ou da urbanização sempre dependeram da água. Pode-se mostrar como o acesso à água é determinante para todas as populações e os efeitos nocivos que as acções humanas trazem, comprometendo a sua qualidade e disponibilidade. No Ensino Secundário já são possíveis algumas formulações conceituais na compreensão da estrutura e da dinâmica dos ecossistemas, tais como o fluxo unidirecional de energia, ciclos da matéria, dinâmica populacional, ampliando-se a gama de relações que neles se estabelecem e das quais participa a água. Um estudo de caso, por exemplo, permitirá a análise da ocupação humana numa área previamente delimitada para estudo. A Matemática pode incluir estudos a partir da conta de água, calculando-se o consumo mensal por pessoa, verificando o consumo com a conta do saneamento, ou utilizando tabelas de gasto de água para actividades do quotidiano, criando experiências para verificar, por exemplo, a quantidade de água utilizada para lavar a cara, escovar os dentes, lavar a louça, lavar as mãos etc. A partir desse estudo, ver que comportamentos é possível adoptar para reduzir efectivamente o consumo de água.

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Pode-se, ainda, fazer estudos comparativos entre países, verificando

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como a água é distribuída, se é facturada ou não, se há recursos disponíveis para todos ou se é necessário importá-la. Introduzir a discussão sobre se a água é um bem de toda a humanidade ou se é património de uma região ou país, se pode ser comercializada e quem deve fazê-lo.

Para que uso a água?
Objectivo Com esta actividade propõe-se que a turma desencadeie o debate relativamente à poupança ou desperdício do recurso e que aponte algumas metas a atingir por forma a diminuir, ou mesmo eliminar, esse desperdício. Material Papel, lápis de carvão preto, papel de cenário e lápis de cor e de cera para o poster. Duração da actividade Uma aula inicial e uma outra em cada mês do trimestre, acrescida de duas outras perto do fim do ano escolar para a última recolha e tratamento de resultados e elaboração do poster/painel. Desenvolvimento 1. Identificar todos os destinos que cada aluno e professor dão à água em todas as actividades desenvolvidas ao longo de 24 horas (em casa, na escola, nas actividades extra-curriculares). 2. Em qual destes usos e consumos poderia ter havido poupança? O que poderá mudar, nos meus hábitos e nas leis para diminuir o desperdício de água? 3. Estabelecer um prazo (não muito alargado, um mês, por exemplo) para voltar a analisar os destinos dados à água e trocar impressões sobre

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as estratégias adoptadas por cada um nesta tarefa. 4. Repetir mensalmente ao longo de um trimestre e fazê-lo novamente no fim do ano escolar, anotando as mudanças comportamentais. Elaborar um poster/painel com a análise e resultados obtidos.

Arghh! Se fosse água, vomitava!
Objectivo Esta actividade tem por objectivo observar que desperdícios domésticos são despejados ralo abaixo e analisar qual a implicação de cada indivíduo na contaminação da água. Material Papel, lápis. Duração da actividade Uma ou duas aulas (mais algum tempo para a pesquisa e eventualmente mais algum para a deslocação a uma ETAR). Desenvolvimento 1. Em casa, o que é que despeja no lavatório, na sanita e no lava-louça, para além da água? 2. Depois de utilizada a água, seria possível utilizá-la novamente para uma outra finalidade? 3. Precisava mesmo de ir tudo pelo cano abaixo? Não há algumas coisas que poderiam ser geridas de outra maneira (restos de comida), ou substituídas por versões biodegradáveis (cotonetes de papel em vez de plástico), ou simplesmente eliminadas do consumo (perfumadores de sanitas)? 4. Para onde são encaminhadas as águas residuais? Para uma

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Estação de Tratamento de Águas Residuais ou para fossas sépticas? Ou

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directamente para as linhas de água? 5. Para onde são encaminhados os resíduos finais das ETAR e das fossas sépticas? Poderiam ter outros destinos? Quais eram os costumes dos habitantes de há 100 ou 200 anos? (Aconselha-se uma pesquisa bibliográfica nas bibliotecas locais e na Internet, podendo esta ser acompanhada de uma visita a uma ETAR).

Vamos conhecer o rio _________________ !
Objectivo Aproximar os alunos das linhas de água que atravessam o concelho. Material Papel, lápis, guias de campo. Duração da actividade Três aulas mais uma manhã/tarde para aula de campo. Desenvolvimento 1. Traça-se num mapa local, com uma escala suficientemente grande, o percurso do rio _____________________________________________. 2. Identifica-se o troço a visitar de modo a incluir um troço descoberto e outro coberto. 3. Agenda-se um dia para aula de campo em que não esteja nem muito calor, nem muito frio (a Primavera e o Outono são as alturas aconselhadas, e o início da manhã é a altura certa para se dar início à caminhada). Nesta deslocação os participantes deverão levar roupa e calçado adequado (confortável e leve, sem ser novo, de preferência botas de sola de borracha, um agasalho, um impermeável leve, um chapéu).

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4. No decorrer da aula de campo, os alunos deverão tirar notas sobre o que vêm: que seres vivos encontram nas margens do(s) troço(s) descoberto(s) e o que está construído sobre o(s) troço(s) da linha de água. 5. Com a ajuda de guias de campo podem identificar-se alguns seres vivos que habitam as margens dos rios (arbustos, árvores, insectos, répteis, anfíbios e mamíferos); poder-se-ão até identificar alguns fungos. 6. Os alunos deverão analisar as vantagens das localidades serem atravessadas por linhas de água (biodiversidade que se mantém, possibilidade de usufruto de um local de lazer e descanso), as implicações de se regularizarem as margens dos rios ou destes serem cobertos (entubados) na íntegra ou parte. Poderão também pesar se os benefícios de se cobrirem as linhas de água justificam ou não esses procedimentos, no médio e no longo prazo.

Para onde foge a água da escola?
Objectivo Inventariar, na escola, as fugas de água e combater o desperdício. Material Papel, lápis, escola. Duração das actividades Duas aulas. Desenvolvimento 1. Os alunos percorrem os pontos de água da escola (torneiras, autoclismos, bebedouros, fontes, lagos) e verificam se há fugas.

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2. Nos casos em que tal se verifique, deverá ser medido o volu-

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me de água perdido ao longo de uma hora. 3. De volta à sala, os alunos deverão expor os seus resultados e opinar sobre os procedimentos a implementar por forma eliminar e evitar o desperdício.

O que polui o nosso rio?
Objectivo Inventariar os poluentes que são lançados ao longo do rio. Material Papel, lápis, mapa(s), lista telefónica Duração das actividades Duas aulas (acrescido de tempo para a pesquisa e eventualmente mais algum para deslocações a indústrias). Desenvolvimento 1. Escolher o troço de rio a analisar. 2. Pesquisar quais os potenciais focos de poluição e os possíveis poluentes e localizar no mapa os serviços, indústrias, habitações e equipamentos que rodeiam o rio. 3. Contactar, por carta, a Câmara Municipal ou os Serviços Municipalizados ou ainda a Empresa Concessionária dos Serviços de Água e as indústrias mais importantes solicitando informação detalhada sobre as descargas poluentes e compostos presentes na água do rio. 4. Analisar quais as implicações dessa poluição, quer directamente na água e nos organismos que lá vivem, quer indirectamente, nas margens do rio e terrenos irrigados directamente com a água e demais organismos que dela dependem.

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Análise do ciclo da água
Objectivo A finalidade desta actividade é dar a conhecer aos alunos a evaporação da água. Material Papel, lápis, 4 frascos fundos e largos (de 1⁄2 l até 3⁄4 l) e 4 pratos fundos (por exemplo, de sopa), plástico transparente (de preferência incolor, podendo ser reaproveitados sacos plásticos de uso doméstico), elásticos, copo medidor de líquidos. Duração das actividades Duas aulas Desenvolvimento 1. Colocar um pouco de água, previamente medida, até meio dos pratos e até 1/4 dos frascos. 2. Tapar dois pratos e dois frascos com um saco plástico transparente e vedar com um elástico. 3. Colocar um prato e um frasco tapados ao sol (num local abrigado do vento) e o outro prato e frasco cobertos à sombra (mas sem ser num local frio). 4. Colocar um prato e um frasco descobertos nos mesmos locais com e sem sol. 5. Passadas 12 a 24 horas registar os resultados medindo a água que ficou nos recipientes, incluindo as gotas/gotículas que se encontram na face plástica voltada para o interior dos pratos e frascos tapados. Construir um gráfico com os resultados e analisar as variáveis em jogo.

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O que podemos fazer para ajudar o rio?
Objectivo Promover a mobilização da comunidade escolar e a limpeza do rio. Material Papel, lápis, materiais para a elaboração de cartazes e/ou folhetos, materiais para a recolha de resíduos (sacos plásticos e luvas), ferramentas para o abate da vegetação infestante, máquina fotográfica (se possível). Duração das actividades Cinco aulas. Desenvolvimento 1. Visitar o rio por forma a identificar a zona mais necessitada de uma intervenção. 2. Delimitar o troço do rio a limpar e estabelecer uma data para levar a cabo esta tarefa em que esteja disponível um número considerável de elementos da comunidade escolar. 3. Definir o tipo de intervenção a realizar: limpeza dos resíduos das margens e leito do rio (com a ajuda de redes camaroeiras), abate de vegetação ripícola infestante, colocação de sinais, arranjo de caminhos, etc. 4. Redigir uma proposta por escrito (eventualmente com fotografias) a enviar a técnicos/entendidos nesta matéria: botânicos, zoólogos, técnicos responsáveis pelos resíduos com o pedido de comentários e sugestões. 5. Concertar com a autarquia a possibilidade de colaboração: - recolhendo os resíduos após terem sido apanhados e acumulados em 2 ou 3 pontos de recolha; - reprodução dos cartazes e /ou folhetos; - disponibilização de sacos plásticos e/ou luvas para a recolha de resíduos;

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- empréstimo de ferramentas para o abate de alguma vegetação; 6. Identificar de que forma se poderão inscrever interessados na iniciativa, e quem ficará encarregue desta tarefa (na inscrição deverá ser solicitado o nome do interessado e um contacto telefónico). 7. Fazer os cartazes e/ou folhetos relativos à iniciativa, escolhendo onde vão ser colocados estes materiais e quem os vai distribuir; 8. Escolher monitores que coordenarão cada tipo de actividade a desenvolver. 9. Dividir os participantes, em pequenos grupos e atribuir uma responsabilidade a cada grupo. 10. Verificar que cada participante está adequadamente vestido e caçado para a actividade a desempenhar. No final dos trabalhos pesar o lixo recolhido e fotografar todas as alterações conseguidas.

Vamos organizar um debate?
Objectivo Promover a interacção escola/comunidade envolvente e a discussão entre os vários intervenientes nas questões dos recursos hídricos. Material Sala para realização do debate, papel, material de escrita, equipamento audiovisual necessário ao debate. Duração das actividades Cinco aulas mais o tempo necessário para a realização do debate. Desenvolvimento 1. Proceder ao levantamento das questões que, em casa e na escola, mais preocupam as pessoas sobre o tema da água. Que informação falta?

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Que problemas existem? A água vai acabar? Existem substâncias na água

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que se bebe? O preço da água estará ajustado? Que água irão beber as próximas gerações? 2. Escrever um documento no computador com as perguntas mais frequentes e respectivas respostas simples. Enviá-lo para diferentes entidades e personalidades (Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território, Professores da Universidade, etc.) com o pedido de correcções e comentários. 3. Discutir respostas recebidas e, de entre elas escolher oradores possíveis e convidá-los para um debate na escola subordinado à questão que se tiver revelado mais difícil ou interessante. 4. Assegurar uma sala e equipamento audiovisual adequados, produzir posters e panfletos e distribui-los, garantir a divulgação adequada pela comunicação social. 5. Escolher o moderador e estruturar o debate por forma a assegurar amplo período de discussão com a assistência. 6. Após o debate escrever as conclusões sob a forma de versão actualizada da lista de questões (“FAQs”), que depois também pode ser divulgada na Internet e por correio electrónico.

Não sou peixe, mas vivo na água…
Objectivo Com esta actividade prevê-se que a turma tome consciência sobre as formas de vida que habitam as massas de água (lagos, rios, charcos), incluindo os dos espaços verdes urbanos (parques públicos). Poderão utilizar lupas e microscópios, para observar amostras de água recolhidas nestes locais, esta observação contribuirá para os

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alunos compreenderem a importância destes organismos no funcionamento dos ecossistemas. Material necessário Sala de aula, papel, lápis de carvão, lupas, microscópios, placas de Petri, guias de identificação, baldes e galochas (para a recolha de água). Duração das actividades Duas aulas - uma para a recolha de amostras de água e uma outra para a observação das amostras. Desenvolvimento 1. identificação do local onde foi recolhida a amostra de água; 2. com o auxílio dos guias identificar os organismos encontrados; 3. relacionar os organismos identificados com a restante fauna e flora do local onde foi recolhida a amostra.

Água: nós comemos?
Objectivo Identificar alimentos provenientes do meio aquático, suas origens geográficas (localização), bem como descrever a importância do ambiente aquático como fonte de alimento. Material necessário Sala de aula, papel, lápis de carvão preto, mapa-mundi, revistas e jornais (se não for possível sair para o campo). Desenvolvimento na sala de aula 1. solicitar aos alunos uma lista de alimentos provenientes do ambiente aquático que esperam encontrar no supermercado. Eles podem precisar de ajuda para a definição de ambiente aquático;

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2. estipular como deverão ser feitos os registos. Quando possível,

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devem identificar os produtos, os seus usos e origens (localidades das fábricas ou embaladoras, por exemplo). 3. obter autorização da gerência do supermercado para levar toda a turma. Separá-la em grupos de 3 alunos. Destinar um corredor do supermercado para cada grupo. Orientá-los para recolocarem os produtos nas prateleiras cuidadosamente, evitando assim maiores constrangimentos; Desenvolvimento na deslocação ao local 1. no supermercado ou armazém, os grupos deverão percorrer os corredores e fazer os registos previamente definidos. Alternativa Caso a saída não seja possível, poderão usar os folhetos de anúncios de supermercados. As despensas de casa podem ser outra fonte de dados., os alunos poderiam fazer uma listagem dos produtos (derivados da água) existentes nas suas casas. Desenvolvimento na sala de aula 1. recolher as listagens dos alunos referentes a produtos derivados da água. Se necessário, trabalhar os seguintes aspectos: De onde vêm? Como são obtidos? Como são processados? Como são usados? 2. no mapa-mundi, identificar e indicar as localidades de origem de alguns itens. 3. desenhar ou fazer uma colagem representando os alimentos provenientes da água mais consumidos. Construir um painel/poster de figuras e anúncios para expor os alimentos provenientes do ambiente aquático. Caso tenham listado alimentos que não são provenientes de ambiente aquático, deverão encontrar o habitat e as formas de vida de tais alimentos. Os alunos mais velhos, poderão promover uma discussão sobre os impactos naturais e antrópicos que podem inviabilizar o consumo de tais alimentos.

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Bibliografia
Para mais informação consultar: • “A Água, a Terra e o Homem” – Lisboa, Novembro de 2003, INAG • Associação Portuguesa de Recursos Hídricos: www.aprh.pt • Departamento de Informação Pública da ONU, Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal: www.un.org/works • Garcia, R; “Sobre a terra: Um guia para quem lê e escreve sobre ambiente”, Lisboa, Março de 2004, Público – Comunicação Social, S.A. • Instituto da Água: www.inag.pt • Instituto do Ambiente, Relatório de Estado do Ambiente 2003: www.iambiente.pt • IRAR, Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano 2002, Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Instituto Regulador de Águas e Resíduos, 2004 • Núncio, T.; Palma, F. et al; “Utilização da Água em Portugal”: Lisboa, 1992, Elo, Publicidade e Artes Gráficas, Lda. • PEAASAR - Plano Estratégico de Abastecimento e Saneamento de Águas Residuais (2000-2006), Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território • Relatório do World Water Assessment Programme for development, capacity building and the environment: http://www.unesco.org/water/wwap/wwdr/index.shtml • SARAIVA, J. H., “História Concisa de Portugal”: Lisboa, 1978, Publicações Europa-América • Schmidt, L.; Gil Nave, J.; Pato, J.; “Água e Ambiente: Usos e Desperdícios: As Vivências Comunitárias da Água” Relatório Final, Lisboa, Março de 2004, ISCTE • Veolia Water: http://www.veoliawater.com http://www.aquajunior.com

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Ficha Técnica Texto: Ana Albuquerque Barata Ilustrações: Ana Albuquerque Barata Concepção Gráfica: António Gomes / Liliana Fernandes Foto capa: Liliana Fernandes Impressão: Indugráfica, Lda. (Fátima) Depósito Legal: Edição/Divulgação: Quercus ANCN Apoio: Veolia Água Portugal

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