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COMISSÃO DO LIVRO BRANCO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO
Livro branco dos serviços de prevenção das empresas/Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção. - Lisboa: IDICT, 2001. - 99 p. (Segurança e saúde no trabalho. Estudos; 1) Serviços de prevenção na empresa/Livro branco/IDICT/Portugal

Autor: Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção Design e Produção Gráfica Miuxa Carvalhal Fotocomposição, Fotolitos e Impressão Seleprinter – Sociedade Gráfica, Ldª Editor IDICT Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho Tiragem: 2.500 exemplares 2ª Edição Lisboa, Maio 2001 Depósito legal: 142542/99 ISBN: 972-8321-28-7

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O Livro Branco dos Serviços de Prevenção teve em conta o Livro Verde, divulgado pelo IDICT em 1997, e um largo conjunto de colaborações provindas do debate público que se produziu em seu torno. A sua elaboração foi da responsabilidade da Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção, constituída por: Presidente: Dr. Fernando António Cabral Peritos: Prof. Doutor Alberto Sérgio Miguel Prof. Doutor Salvador Massano Cardoso Prof. Doutor Luís Alves Dias Prof. Doutor Alexandre Sousa Pinto Dr. Carlos Silva Santos Dr. José Henrique Costa Tavares Drª. Alexandra Costa Artur Dr. Luís Conceição Freitas Engº. António Neto Simões Dr. Armando Tavares Drª. Josefina Marvão Dr. Luis Filipe Nascimento Lopes Dr. Joaquim Arenga

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quer no âmbito dos sistemas envolventes dos serviços de prevenção dos locais de trabalho. de 14 de Setembro de 1998. experiências e tempo. constituiu esta Comissão com o objectivo de reflectir sobre o debate produzido em torno do Livro Verde dos Serviços de Prevenção e formular recomendações sobre as diversas medidas a implementar quer no plano normativo. em particular. que considerando a necessidade de se imprimir uma dinâmica política forte ao desenvolvimento da segurança e saúde do trabalho nos locais de trabalho. mas.NOTA DE APRESENTAÇÃO • Este Livro Branco pretende dar cumprimento ao Despacho do Senhor Ministro do Trabalho e da Solidariedade. na recolha e tratamento da informação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos e na redacção final do Livro Branco pelos meus colegas do Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT). Cabral 5 . • Realço o empenhamento dos membros da Comissão na missão de que foram incumbidos. Abril de 1999 O Presidente da Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção Fernando A. • Evidencio ainda a extraordinária colaboração que foi prestada à Comissão e a mim próprio em todos os momentos. Manuel Maduro Roxo e Engª. Dr. Maria Leonor Figueira. quer na permanente procura de consensos em torno doquadro de medidas fundamentais ao desenvolvimento da segurança e saúde nos locais de trabalho. o qual foi bem demonstrado quer na disponibilização de conhecimentos.

Considerando. de 12 de Junho. Série . Dr. Doutor Luís Alves Dias. Considerando que urge dar sequência à dinâmica que neste contexto foi criada com o Livro Verde sobre os Serviços de Prevenção. particularmente visível nos elevados índices de acidentes de trabalho e de doenças profissionais. quer no plano normativo quer no âmbito dos sistemas envolventes dos serviços de prevenção dos locais de trabalho. de 14 de Novembro. Prof.2ª. Considerando que se encontra concluído o tratamento daquelas respostas. desde que tal se justifique para o bom e célere andamento dos trabalhos. se reconhece a necessidade de imprimir a este processo uma dinâmica política forte que conte com o envolvimento de personalidades que conheçam profundamente a natureza das problemáticas em causa: Determino: 1 — É constituída a Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção. com vista à recomendação final de medidas a adoptar nos domínios relevantes. 6 — A Comissão poderá directamente suscitar a colaboração dos serviços ou técnicos da Administração do Estado ou obter a colaboração de peritos externos. Dr. editado em 1997 pelo IDICT (Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho). por fim. Joaquim Arenga.1/10/98) 7 . higiene e saúde do trabalho nos locais de trabalho constitui o elemento fulcral da implementação dos princípios da Directiva n. — Considerando que a organização das actividades de segurança. Fernando António Rodrigues da Silva Cabral. Luís Filipe Nascimento Lopes. Dr.ª Josefina Marvão. 4 — A Comissão do Livro Branco dos Serviços de Prevenção é integrada pelos seguintes elementos: Dr. Carlos Silva Santos. Higiene e Saúde do Trabalho e no Acordo de Concertação Estratégica. 2 — Compete a esta Comissão reflectir sobre toda a problemática relativa à organização das actividades de segurança. — O Ministro do Trabalho e da Solidariedade. subscritos pelo Governo e pelos parceiros sociais respectivamente em Julho de 1991 e Dezembro de 1996. Considrando que a divulgação daquele Livro Verde foi acompanhada de um inquérito que permitiu a recolha de um número muito significativo de contributos dos mais diversos sectores da sociedade implicados na problemática da segurança. Doutor Salvador Massano Cardoso.ª Alexandra Costa Artur. Prof. e do desenvolvimento da estratégia preconizada no Acordo de Segurança. Prof.º 89/39/CEE. Doutor Alberto Sérgio Miguel. por incumbência do Governo. (Publicado no Diário da República . presidente do IDICT. Considerando que importa aprofundar prospectivamente tais resultados através do concurso de peritos de competência firmada e visões plurais complementares. Armando Tavares. em face do atraso que ainda se verifica no nosso país no domínio da segurança. que. Prof. Dr. Luís Conceição Freitas. Considerando que a efectiva implementação de tais princípios e estratégia exige a definição de um quadro harmonizado de medidas que garanta a adequabilidade do regime às especificidades dos sectores e das empresas do País e a existência de recursos nacionais necessários ao desenvolvimento efectivo da prevenção de riscos profissionais nos locais de trabalho. Engenheiro António Neto Simões.º 17 118/98 (2. 5 — A Comissão será presidida pelo Dr. Dr. Dr.DESPACHO DO MINISTRO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE Despacho n. 3 — Em resultado desta reflexão. 7 — A Comissão deverá apresentar o livro branco até ao final do ano em curso. Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues. José Henrique da Costa Tavares. higiene e saúde do trabalho. Doutor Alexandre Sousa Pinto. Dr.ª série). Fernando António Cabral. Dr. higiene e saúde do trabalho nos locais de trabalho e seus sistemas envolventes a partir das perspectivas traçadas no Livro Verde sobre os Serviços de Prevenção e dos contributos recolhidos através da sua divulgação. 14 de Setembro de 1998. tendo sido já disponibilizados ao Governo os respectivos resultados.º 441/91. 8 — O IDICT assegurará o apoio logístico ao funcionamento da Comissão e ao financiamento da sua actividade através das verbas afectas aos Programas da Segurança e Saúde do Trabalho. que foi objecto de transposição pelo DecretoLei n. higiene e saúde do trabalho. a Comissão deverá elaborar um livro branco onde sejam perspectivadas e sistematizadas as diversas medidas a implementar.

A FORMAÇÃO DOS EMPREGADORES E SEUS REPRESENTANTES 2. A FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES E SEUS REPRESENTANTES 2.11. QUALIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SHST 2.10.2. SERVIÇOS EXTERNOS 2. O SISTEMA DE QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2. SERVIÇOS INTEREMPRESAS 2. SERVIÇOS ASSOCIATIVOS 2.5.6.3.2.1.5.9.4.1. FUNÇÕES E ACTIVIDADES DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2. A QUALIFICAÇÃO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO 2. ACTIVIDADES DE RISCO ELEVADO 2. SERVIÇOS ASSEGURADOS PELO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE 2. SECTORES E GRUPOS ESPECIAIS 2.4. SERVIÇOS ASSEGURADOS PELO EMPREGADOR 2.8.4. A NOVA ABORDAGEM DA PREVENÇÃO 2.9. A PROBLEMÁTICA DOS ACIDENTES DE TRABALHO E DAS DOENÇAS PROFISSIONAIS 1.10.12. MISSÃO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2.8.2.3.10.9. SERVIÇOS INTERNOS 2.12.5.12.1.4.9.3.3. A ESTRATÉGIA DA UNIÃO EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO 1.10. QUALIDADE DA FORMAÇÃO QUALIFICANTE 2. A ESTRUTURA EMPRESARIAL 1. AS ESTRATÉGIAS DE VALORIZAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS 1.1.4.12. O ACORDO DE CONCERTAÇÃO ESTRATÉGICA (1996) 2.2. O ACORDO SOCIAL DA SEGURANÇA. A QUALIFICAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DO TRABALHO 2.2. CONCLUSÕES 4.11. CERTIFICAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SHST 2. A FORMAÇÃO DOS ACTORES DO SISTEMA DE PREVENÇÃO DAS EMPRESAS 2.11.2.11. ESTRUTURAÇÃO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2.5. PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS DIAGNOSTICADOS 2. HIGIENE E SAÚDE DO TRABALHO (1991) 1. RECURSOS INTERNOS DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2.7.6.11. RECURSOS EXTERNOS 2.10.3. OS MODELOS DA GESTÃO DA PREVENÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS NA EUROPA 1.7. O CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO 1.1. NOTA FINAL RESUMO RÉSUMÉ SUMMARY 12 13 13 17 18 19 20 21 27 34 36 39 42 45 45 47 48 49 50 51 52 54 57 57 58 60 60 60 61 61 62 64 65 66 67 68 70 71 73 74 75 75 77 79 93 95 97 99 9 . SERVIÇOS ASSEGURADOS POR TRABALHADOR DESIGNADO PELO EMPREGADOR 2.10.1. OS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO COMO OBJECTIVO ESTRATÉGICO 2.11. A DINÂMICA DO LIVRO VERDE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2. AS ESTRATÉGIAS DA QUALIDADE E DO AMBIENTE 1. AVALIAÇÃO DAS ACTIVIDADES DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 3.9.12.ÍNDICE A MISSÃO DA COMISSÃO E A ABORDAGEM PROPOSTA NO LIVRO BRANCO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 1.3.12. O SISTEMA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS 1. QUALIDADE DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS 2. A FORMAÇÃO QUALIFICANTE DE PROFISSIONAIS DE SHST 2. O TRABALHO E A PREVENÇÃO: BREVE REFLEXÃO HISTÓRICA 1.11. A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO E AS ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO 1.

Directiva-Quadro . QUER NO PLANO NORMATIVO. Tais medidas configuram uma nova abordagem da prevenção de riscos profissionais. que assume a forma de LIVRO BRANCO. nos locais de trabalho. UM CONJUNTO DE PERSPECTIVAS SOBRE AS DIVERSAS MEDIDAS FUNDAMENTAIS A IMPLEMENTAR.veio estabelecer para todo o espaço da União Europeia um conjunto de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores. 11 . no trabalho. QUER NO ÂMBITO DOS SISTEMAS ENVOLVENTES DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO DOS LOCAIS DE TRABALHO. o Governo. como elemento fulcral da implementação dos seus princípios.A MISSÃO DA COMISSÃO DO LIVRO BRANCO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • A Directiva 89/391/CEE. o LIVRO VERDE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO. veio a constituir a COMISSÃO DO LIVRO BRANCO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO. à qual assinalou como missão. • A promoção de tais princípios estratégicos exige a definição de um quadro harmonizado de medidas que garanta a adequabilidade do respectivo regime às especificidades dos sectores económicos e do tecido empresarial do nosso País. saúde e bem-estar dos trabalhadores. de 12 de Junho . considerando-se a organização das actividades de segurança. organizado e divulgado em 1997 pelo IDICT (Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho). Em tal sentido. REFLECTIR SOBRE TODA A PROBLEMÁTICA RELATIVA À ORGANIZAÇÃO DAS ACTIVIDADES DE SEGURANÇA. por Despacho do Ministro do Trabalho e da Solidariedade. de 14 de Setembro de 1998. bem como a criação de recursos nacionais necessários ao desenvolvimento efectivo da prevenção de riscos profissionais nos locais de trabalho. higiene e saúde do trabalho. • Tendo analisado o conteúdo do Livro Verde e dos contributos recolhidos no debate público que se desenvolveu em seu torno. Os princípios desta Directiva apontam para a necessidade do desenvolvimento de estratégias que potenciem a integração dos vectores da prevenção de riscos profissionais na gestão empresarial. a par da melhoria da capacidade competitiva das empresas. tendo em vista a obtenção de níveis elevados de segurança. HIGIENE E SAÚDE DO TRABALHO NOS LOCAIS DE TRABALHO E SEUS SISTEMAS ENVOLVENTES. por incumbência do Governo. • Assim. esta Comissão apresenta no seu relatório. veio suscitar um debate público profícuo de que importa retirar as conclusões fundamentais.

também. chegar. sendo. 12 . – Por fim. dizendo respeito. apresenta-se nas CONCLUSÕES uma síntese das medidas fundamentais propostas neste Livro Branco. sem esquecer o papel fundamental que o diálogo social e a participação nos locais de trabalho desempenha neste contexto. analisa-se o quadro estratégico em que as actividades de segurança e saúde no trabalho devem ser contextualizadas e apresenta-se todo um conjunto de reflexões e propostas tendo em vista o desenvolvimento dos recursos e dos modelos da sua organização no âmbito das empresas. higiene e saúde do trabalho não se circunscreve ao território das organizações produtivas. cenário de políticas públicas de grande dimensão. E. trata-se de uma área cuja gestão influencia decisivamente a vida das organizações e que é determinante no desenvolvimento da sua principal fonte de energia: As pessoas. a dinâmica da segurança. à própria organização social. Por outro lado. assim. Com efeito. que este Livro Branco deveria começar por problematizar as próprias envolventes da segurança e saúde do trabalho para. identificando o seu contributo para o desenvolvimento económico-social do país. – A propósito do LIVRO VERDE dos SERVIÇOS DE PREVENÇÃO. à identificação de um conjunto de medidas relativas à organização da prevenção nos locais de trabalho. a sua estrutura conhece o desenvolvimento seguinte: – A propósito da SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO e DAS ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO. higiene e saúde do trabalho não se configura como um mero conjunto de actividades de natureza técnica e organizativa em torno da prevenção dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais. • Entendeu-se. por isso. no seu final. por isso.A ABORDAGEM PROPOSTA NESTE LIVRO BRANCO • A segurança. recordam-se as origens da prevenção de riscos profissionais e procura-se situar a prevenção no quadro dos novos desafios do mundo do trabalho. sustentadamente.

nos países subscritores. é ainda no princípio do século que emergem os primeiros afloramentos do Direito de Reparação da sinistralidade laboral. por exemplo. particularmente nas situações de trabalho mais penosas (p. muito particularmente.ex. Com efeito. pelo que se verificou neste período histórico um retrocesso ao nível das condições do ambiente de trabalho que foi potenciado pelas novas condições que passaram a caracterizar os processos industriais (revolução industrial). dirigidos.ex. precisamente. As “regras de cada arte”. daqueles serviços de inspecção.1. no mesmo ano. com o advento do taylorismo. Entretanto. • Em 1919 é criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT). em cuja Carta constitutiva se prevê a obrigação da constituição. consubstanciavam esta integração. Em meados do século XIX. Duração do Trabalho e Trabalho Feminino). ao controlo das condições de higiene e segurança do trabalho. A aprendizagem profissional compreendia a aprendizagem da segurança. Na sua primeira Sessão. decorrente da Revolução Francesa. até à Revolução Francesa a organização do trabalho ligava de forma intrínseca o Trabalho e a Prevenção. • A visão civilista das relações entre os indivíduos. verificou-se uma tomada de consciência sobre os efeitos mais nefastos deste retrocesso e adoptaram-se medidas de protecção sobre situações de trabalho mais penosas ou mais sujeitas a riscos graves. O TRABALHO E A PREVENÇÃO: BREVE REFLEXÃO HISTÓRICA • A segurança no trabalho preocupa a humanidade desde longa data. No final do século XIX / princípio do século XX. realizada em Washington. Em 1925. Os primeiros desenvolvimentos no sentido da criação destes corpos de inspectores do trabalho poderão ser encontrados na Inglaterra (1833).1. na Alemanha (1870). apareceram as noções de Higiene e Segurança do Trabalho e desenvolveu-se a criação de corpos de Inspecção do Trabalho. que pagava a força de trabalho. é adoptada a 5ª Recomendação que versa. sobre a inspecção do trabalho para questões de higiene e segurança do trabalho. com destaque para o trabalho infantil e a duração de jornada de trabalho. na linha da defesa das “corporações das artes e ofícios”. A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO E AS ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO 1. o dever principal do empregador na relação jurídico-laboral. a OIT adoptou 13 . trabalho em Minas) e em áreas de maior repercussão na vida dos trabalhadores (p. fez incidir no salário. em França (1850). em Itália (1870) e em Espanha (1880).

aquela organização internacional formula o conjunto de princípios que passa a constituir a arquitectura fundamental da Prevenção de Riscos Profissionais. Em finais deste mesmo século verificam-se. com um correspondente serviço de inspecção. a Convenção 81 que versa sobre a Inspecção do Trabalho na Indústria e Comércio. no início do século XIX foi instituída uma legislação. – A publicação de legislação relativa à segurança no trabalho da construção civil (1958). acompanhado da criação do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios e da Previdência Geral. Na primeira metade do século XX surge legislação e um sistema de inspecção dirigidos à segurança no trabalho das instalações eléctricas (1901) e ao regime de duração do trabalho (1919 e 1934). Após a 2ª Guerra Mundial. 14 . • Nas décadas de 40 e 50 é possível identificar alguns desenvolvimentos interessantes no plano de SHST. centrando a sua acção nas condições de trabalho. Em 1981. Por outro lado. desenvolvimentos legislativos e inspectivos quanto ao trabalho de mulheres e menores nas fábricas e oficinas (1891). bem como o regulamento de higiene. finalmente. nomeadamente: – O surgimento por influência francesa e inglesa das primeiras experiências de serviços médicos de empresa em algumas grandes organizações empresariais. com particular destaque para as condições de higiene e segurança do trabalho. adopta a Convenção 129 que. acompanhada da realização de uma campanha nacional de prevenção de acidentes de trabalho nesta actividade. com a definição da responsabilidade patronal pelos acidentes de trabalho e com a instituição do seguro social obrigatório (1919). ainda. a OIT adopta. à reparação de acidentes de trabalho e à reparação de doenças profissionais. bem como quanto ao trabalho na construção civil (1895) e nas padarias (1899). salubridade e segurança nos estabelecimentos industriais (1922). Em 1969. ao adoptar a Convenção 155. • Em Portugal. substituído pelo Instituto Nacional de Trabalho e Previdência (1933). dentro do mesmo espírito.as Convenções 17 e 18 relativas. sobre a segurança no trabalho em geradores e recipientes a vapor. numa lógica de servir os trabalhadores dos respectivos grupos económicos. respectivamente. verifica-se o aparecimento do sistema de reparação (em 1913). em 1947. versa sobre a Inspecção do Trabalho na Agricultura. mais tarde. que foi.

15 .– A atribuição à negociação colectiva do papel de regular a constituição de comissões de higiene e segurança do trabalho nas empresas com o objectivo de enquadrar a intervenção dos trabalhadores neste domínio (1959). em 1984. particularmente no que respeita ao trabalho nas minas e pedreiras e. os regimes relativos às radiações ionizantes. na revisão de 1982. da Convenção 155 da OIT que constitui o grande quadro de referência internacional em matéria de políticas nacionais e acções a nível nacional e a nível de empresa no âmbito da segurança. • Na década de 70 desenvolve-se a criação de Serviços de Medicina do Trabalho em algumas grandes empresas industriais e. em resultado da transposição da primeira geração de Directivas comunitárias que precedeu a Directiva-Quadro de 1989. ainda. por resolução do Conselho de Ministros de 1982. – A publicação de legislação relativa à prevenção médica da silicose (1962). quanto aos riscos associados aos agentes físicos e químicos. nomeadamente. ao amianto. ao ruído. Nesta década verifica-se. publicado em 1971. sendo de destacar: – A consagração constitucional. • Na década de 60 evidenciam-se quatro momentos importantes: – A criação de estruturas (1961) no âmbito do Ministério das Corporações (Gabinete de Higiene e Segurança do Trabalho e Caixa Nacional de Seguros e Doenças Profissionais). – A ratificação. Em tal caso estão. segurança e saúde. particularmente nos sectores das indústrias química e metalomecânica. – A aprovação de legislação relativa à medicina do trabalho (1967). a publicação de alguns diplomas legais relativos à prevenção de riscos profissionais. do direito à prestação do trabalho em condições de higiene. de Escritório e Serviços. – A publicação. ao chumbo e ao cloreto de vinilo monómero. em 1986. do Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho nos Estabelecimentos Comerciais. por influência do Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho para a Indústria. – A adopção do regime de reparação dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais (1965). também. – A criação do Conselho Nacional de Higiene e Segurança do Trabalho. surgem as primeiras experiências no desenvolvimento de actividades de segurança e higiene do trabalho nas empresas. • Na década de 80 assistimos a alguns factores de desenvolvimento da prevenção de riscos profissionais. saúde dos trabalhadores e ambiente de trabalho.

– Indústria Extractiva. tendo-se avaliado o estado de subdesenvolvimento da implementação dos princípios da Convenção 155 da OIT. todavia. na década de 90 que se verifica uma repentina e abundante produção normativa. como sejam as relativas a: – Locais de Trabalho. à adopção de novos regimes relativos ao licenciamento industrial. higiene e saúde do trabalho.• É. – Agentes Biológicos. É. ao mesmo tempo que se equacionavam os novos desafios trazidos pela Directiva-Quadro da União Europeia. – 1994: Regime Jurídico de Organização e Funcionamento das Actividades de Segurança. o Acordo de Concertação Estratégica celebrado entre o Governo e Parceiros Sociais. Os marcos fundamentais deste período podem encontrar-se nos seguintes momentos: – Julho/91: Acordo Social de Segurança. Higiene e Saúde do Trabalho. – Navios de Pesca. – 1992: Ano Europeu para a Segurança e Saúde no Local deTrabalho. também. higiene e saúde do trabalho nos serviços e organismos da Administração Pública. de 1989 (Directiva 89/391/CEE). – Estaleiros Temporários ou Móveis (Construção). Higiene e Saúde do Trabalho. no início da década de 90 que se vai verificar o grande salto na perspectivação de uma política nacional global para a segurança. Em todo este quadro de produção normativa assistimos. aos acidentes industriais graves e à organização das actividades de segurança. • Entretanto. – Novembro/91: Regime Jurídico de Enquadramento da Segurança. ainda. – Movimentação Manual de Cargas. – Écrans de Visualização. Higiene e Saúde do Trabalho. – 1993: Reestruturação da Administração do Trabalho e criação do IDICT. em Dezembro de 1996. identifica um conjunto de medidas 16 . – Equipamentos de Trabalho. – Equipamentos de Protecção Individual. no mesmo período. – Sinalização de Segurança. tendo em vista a transposição de diversas Directivas Comunitárias.

Todas estas abordagens perspectivavam-se no âmbito de uma filosofia de protecção do trabalhador e tinham em vista uma prevenção correctiva que fizesse diminuir os efeitos dos riscos de acidentes de trabalho ou de doença profissional. foi aumentando a dificuldade de se lhe acrescentarem dispositivos ou sistemas de protecção. diversas abordagens centradas. Com efeito. O nível de resultados. fundamentalmente. desta forma obtido na empresa. todas as propriedades das novas matérias primas. entretanto. a sociedade industrial. tornou-se mais difícil acompanhar.2. através da percepção da influência dos agentes físicos. nem sempre sendo fácil obter a informação relativa à sua composição. já. além de que. em grupos de trabalhadores expostos a trabalhos de maior penosidade e insalubridade. num primeiro momento. em: – Intervenções sobre o homem. em termos de conhecimento. foram-se desenvolvendo. químicos e biológicos na segurança e saúde. começaram a substituir os anteriores. traduziam-se. • A aceleração da introdução das novas tecnologias nos processos produtivos veio. através da vigilância médica. Estes novos componentes passaram a ser. natureza e modo de utilização. é divulgado o Livro Verde sobre os Serviços de Prevenção das empresas. num momento posterior e já no pós-guerra.necessárias para o desenvolvimento efectivo da prevenção nos locais de trabalho e é. durante quase um século. a que nos referimos. em Julho de 1997. nesse contexto que. adquiridos em outros países. quer nos EUA. nomeadamente locais de trabalho e equipamentos de trabalho. 1. 17 . cada vez mais. As abordagens de segurança e saúde no trabalho. conhecia os seus efeitos repercutidos nas condições de trabalho do trabalhador e no nível da sua produtividade. se passar a equacionar a problemática dos riscos profissionais ao nível dos factores produtivos. bem como dos novos equipamentos de trabalho que. pôr em causa o nível de eficácia de tais abordagens. Em tal contexto. para. com grande rapidez. – Intervenções correctivas sobre os componentes materiais do trabalho. – Intervenções ao nível de equipamentos de protecção individual do trabalhador. quer na Europa. O CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO • A influência das condições de trabalho na vida dos trabalhadores e na capacidade competitiva das empresas foi sempre reconhecida como importante no quadro da produção em massa que caracterizou. editado pelo IDICT. muitas vezes. materiais e produtos.

das matérias primas. dando lugar a alterações radicais dos métodos e processos de trabalho. mas como necessidade de se promover um ambiente de bem estar. de se apoiarem numa atitude constante de avaliação de todos os riscos e de se traduzirem em intervenções preventivas sempre enquadradas pela informação. ao mesmo tempo. suscitar a necessidade da prevenção se moldar em novas metodologias. evoluiu. vindo este a ser entendido já não como um mero estado de ausência de doença. como dimensão estratégica dessa mesma gestão. Tais realidades vieram. também. Estes desenvolvimentos foram introduzindo nas empresas diversos factores de mudança. o que permitiu verificar a enorme influência dos modos operatórios no nível do ambiente de segurança e saúde do trabalho. assim. não teve só a ver com o desenvolvimento dos factores de produção. o próprio conceito de “saúde no trabalho”. estes componentes passaram a interferir fortemente na estrutura dos processos produtivos. dos métodos de trabalho e. pela formação e por formas de participação. Com efeito. pela acessibilidade que as oportunidades de negócio passaram a ter no domínio da informação dos agentes económicos. não só no âmbito dos seus processos produtivos. compreender todo o desenvolvimento que ultimamente se tem verificado nas estratégias de prevenção. daqui resultando um aumento crescente da competitividade entre as empresas. Esta perspectiva não é estranha. tais tecnologias ampliaram a dimensão das relações do mercado. gerador dos factores motivacionais dos colaboradores da empresa. particularmente notórios no âmbito dos equipamentos de trabalho. à maior atenção que passou a ser dada ao domínio da gestão. Todo este cenário foi sendo cada vez mais marcado pela evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC) que passaram a influenciar a empresa. • A evolução da perspectiva sobre a prevenção. Aliás. no que se refere à relação com o mercado. aliás. factor sem o qual a empresa deixa de ser capaz de integrar toda a variabilidade destes elementos. tendo em vista 18 . A função da prevenção de riscos profissionais surge.Por outro lado. afinal. assim. todavia. a abrangência deste conceito de “saúde no trabalho” veio a integrar novas preocupações no âmbito dos factores associados ao ritmo de trabalho e aos factores psicossociais. na organização do trabalho. mas. capazes de gerarem uma percepção global do quadro de interacção entre todos estes riscos profissionais. capaz de responder eficazmente a todo este ambiente de variabilidade ao nível dos factores produtivos. reais e potenciais. os quais passaram a evidenciar a necessidade de se apostar na gestão de uma nova abordagem preventiva sobre os riscos profissionais. • Este quadro de evolução permite. em geral. Com efeito.

a prevenção de riscos profissionais cruza-se com tais estratégias da qualidade. a evolução que caracterizou a sociedade industrial. Hoje em dia. mesmo. igualmente. AS ESTRATÉGIAS DE VALORIZAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS • O papel dos recursos humanos numa organização empresarial é.: sistemas de exaustão e evacuação..: siderurgias. os processos produtivos clássicos da indústria revelaram-se altamente poluidores (ex. à gestão das empresas a preocupação em torno da “qualidade”. níveis aceitáveis de bem-estar de quem os produz. já não é possível classificar como “bom” o produto ou o processo que não garanta. . organização e gestão dos locais de trabalho frequentemente repercutem-se no ambiente externo (ex.3. a gestão da imprevisibilidade do mercado. 1. Na verdade. por outro lado. a gestão das novas tecnologias. 1. sobretudo. De facto. para a auto-satisfação do empresário. na medida em que não só se dirige à eliminação das mesmas disfunções. as disfunções no âmbito da concepção. faz com que as práticas de gestão empresarial se flexibilizem. cada vez mais. hoje. para acabar por se assumir.. mas. Ora. tem feito com que as empresas desenvolvam competências neste âmbito. como absorve algumas das suas metodologias. celuloses. Com efeito. ainda. ruído. AS ESTRATÉGIAS DA QUALIDADE E DO AMBIENTE • O desenvolvimento do mercado trouxe. indústrias químicas) e.. • Por outro lado. solventes.objectivos económicos (aumento da produtividade do trabalho e diminuição das disfunções na organização empresarial) e sociais (nova consciência em torno do valor da saúde). por exemplo. Em tal contexto. como requisito de credibilidade do agente económico. também. comercializa ou consome. de grande impacte ambiental (ex. Começando tal conceito por se reportar às características de cada produto. o que se pretende dos recursos 19 . cedo se transformou numa abordagem centrada nos processos (produtivos e organizacionais) desenvolvidos pela empresa. concorrendo.4. visto de uma forma diferente daquela que caracterizou o paradigma da sociedade industrial.. algumas das novas tecnologias de grande difusão revelaram-se. A responsabilização crescente que as sociedades atribuem aos agentes económicos em torno do impacte ambiental de tais processos. verificando-se aí um cruzamento flagrante com as abordagens da prevenção de riscos profissionais.). plásticos.. trabalhador e cliente.: pesticidas agrícolas. no sentido da procura da adaptação dos factores produtivos a um elevado nível de eficácia na satisfação das necessidades e expectativas do consumidor..). também. produziu consequências de grande envergadura ao nível das interferências no ambiente.

seja por parte das empresas.humanos de uma organização empresarial já não se fica no domínio da eficiência da execução de tarefas pré-determinadas. na inserção dos recursos humanos na organização. e a valorização dos seus saberes individuais. Desta diferente perspectiva resultou que nos primeiros países se tivesse desenvolvido mais a intervenção nos domínios da engenharia de segurança (no trabalho). desempenhando um papel muito significativo no desenvolvimento da organização do trabalho e da motivação dos colaboradores da empresa e dando sentido a intervenções abrangentes que potenciam a melhoria das condições de trabalho e de vida. os seus objectivos e prioridades. da higiene industrial e da ergonomia. OS MODELOS DA GESTÃO DA PREVENÇÃO DOS RISCOS PROFISSIONAIS NA EUROPA • Os desenvolvimentos operados no pós-guerra nos países actualmente englobados na União Europeia. inseridos numa estratégia de valorização do trabalho. no alargamento das formas de participação e. que sobre elas se desenvolvam intervenções que garantam a sua preservação física e psíquica e que potenciem a sua energia criadora. evidenciaram modelos de gestão da prevenção de riscos profissionais. 1. cada vez mais. Os recursos humanos. vistos com toda esta abrangência. a prevenção de riscos profissionais constitui um domínio de consenso. presentemente. objecto de investimentos (directos e indirectos) cada vez mais elevados.5. enfim. • Ora. pois. • As pessoas são. ainda. constituem a verdadeira diferença da identidade de cada organização e. da sua identificação com a empresa. entendido este como fonte de valor e não como mero custo. o desenvolvimento do espírito de iniciativa. na redefinição de perfis profissionais. a melhoria da produtividade. individualmente considerado. nos locais de trabalho. centrados mais no ambiente de trabalho (caso do norte da Europa) ou mais no trabalhador (caso do sul da Europa). exigindo-se. portanto. Sintomas notórios destas estratégias podem ser reconhecidos na dinamização da formação profissional. no desenvolvimento da cultura da empresa. no desenvolvimento dos sistemas de informação e de comunicação. como tal. constituem. 20 . a qualidade dos processos e a imagem dos agentes económicos. enquanto que nos segundos países se desenvolveu mais a medicina do trabalho. seja por parte dos Estados. o vector fundamental da sua gestão estratégica. também. evoluindo no sentido da sua compreensão dos processos desenvolvidos e. Tudo isto pressupõe o desenvolvimento da organização do trabalho e dos factores motivacionais do trabalhador. em todo este contexto. a optimização e racionalização da cadeia produtiva e da organização da empresa e.

CEE .Comunidade Económica Europeia (1957) e CEEA -Comunidade Europeia de Energia Atómica (1957). sendo que os tratados originários das Comunidades Europeias. 1. os artºs nºs 117 e 118 que contemplavam matérias inerentes à saúde e segurança. Esta perspectiva supõe. o desenvolvimento das metodologias próprias das abordagens complementares. visando facilitar as livres trocas comerciais. visavam objectivos de natureza económica e comercial. A ESTRATÉGIA DA UNIÃO EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO • A segurança e saúde do trabalho inscreve-se no âmbito das políticas sociais. um acelerado aumento do nível de vida. a psico-sociologia do trabalho e o recurso sistemático à formação e à informação.Na actualidade. Paralelamente. É. Assim. o ambiente de trabalho e a vigilância médica dos trabalhadores –. CECA Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951). acabavam por inviabilizar a livre circulação pretendida. em si mesma. como sejam a ergonomia. todos os sectores da empresa e todas as dimensões da empresa. – Por outro lado. Contudo. não se mostraram suficientes para desencadear o enquadramento normativo e garantir o suporte jurídico adequado para o desenvolvimento destas questões. a partir do Tratado CEE que surge uma dinâmica no âmbito da segurança e saúde do trabalho. • O Tratado CEE explicitava no seu artº 2º a necessidade de se promover um desenvolvimento harmonioso das actividades económicas e.6. além dos domínios tradicionais da segurança e saúde do trabalho – os componentes materiais do trabalho. pois deram lugar a normas nacionais que. como abordagem integradora na empresa. mas. a higiene do trabalho e a medicina do trabalho). esta intervenção não foi. – Por fim. a prevenção deve ainda englobar a própria organização do trabalho e as relações sociais da empresa. suficiente para garantir o desenvolvimento social que era entendido como consequência natural do crescimento económico. o desenvolvimento das metodologias específicas inerentes às principais valências implicadas (a segurança do trabalho. As Directivas que apareceram sobre a segurança dos produtos eram fundamentadas no artº 100. assim: – Por um lado. contudo. o desenvolvimento da própria gestão da prevenção. envolvendo todos os trabalhadores. também. na prática. tiveram um efeito perverso. de facto. 21 . entende-se que a promoção da saúde no trabalho deve traduzirse numa intervenção global e integrada.

passa. • O desenvolvimento normativo comunitário processa-se a partir desta época. afectando trabalhadores da indústria dos plásticos. na Conferência de Chefes de Estado e de Governo. ainda na época de pré-adesão. de 27 de Junho de 1974. higiene e saúde do trabalho surge quando. – Eliminação progressiva dos riscos físicos e psíquicos nos locais de trabalho. uma Directiva do Conselho sobre Sinalização de Segurança. em 1979. uma estratégia que veio a evidenciar aspectos tão importantes como a necessidade de se explicitar valores-limite de exposição e metodologias de actuação. definiu-se. com a aprovação da Directiva sobre Cloreto de Vinilo Monómero que surgiu por se ter detectado um número anormal de casos de cancro de fígado com características pouco frequentes. em 1972. higiene e saúde no trabalho. Higiene e Protecção da Saúde no Local de Trabalho. pela primeira vez. – Uma acção vigorosa no domínio social tem a mesma importância que a realização da união económica e monetária. ambas transpostas para o direito interno português. foi criado o Comité Consultivo para a Segurança. assim. 22 .• Por estas razões a “oportunidade” para a segurança. realizada em Paris. cujas funções se circunscrevem ao âmbito do Tratado CEE e que serve de orgão de consulta destinado a apoiar a acção da Comissão na matéria em causa. em 1977. A orientação base para este Programa apontou para “a melhoria das condições de vida e trabalho que permitam a sua igualização no progresso”. a humanização das condições de vida e de trabalho. aliás complementada por uma Directiva da Comissão. uma resolução do Conselho. E. • Na sequência deste desenvolvimento. aparecendo. nomeadamente pela: – Melhoria da higiene e segurança do trabalho. apontava para o estabelecimento de um programa de segurança. mas deve traduzir-se por uma melhoria da qualidade do nível de vida. pelo que se convidavam as instituições comunitárias a empreenderem um programa de acção social. Embora seja matéria importante para a prevenção de riscos profissionais. a sinalização de segurança foi abordada nestas Directivas de uma forma restrita e uma das suas justificações era a de que ajudaria a eliminar as dificuldades linguísticas para a livre circulação dos trabalhadores. se formularam alguns considerandos e princípios destinados ao estabelecimento de um programa de acção social. onde se indicava que: – A expansão económica não é um fim em si mesmo. por Decisão do mesmo Conselho. de 21 de Janeiro de 1974. E. Em 1978.

Em 1984. também denominada 1ª Directiva-Quadro. ao Ruído. para se garantir a harmonização plena. à “Interdição” e. Dois artigos do Acto Único Europeu. aparecendo. Para além disso. como na protecção contra as susbtâncias perigosas. por esta via. sendo. • Em 1980 o Conselho adopta uma Directiva mais geral (80/1107/CEE) que define a estratégia a seguir em relação a todos os agentes físicos. • Em suma. ela previa a sua própria regulamentação através de Directivas específicas. • Em 1985 foi publicado um Livro Branco que tinha por objectivo equacionar as medidas preparatórias para o Mercado Interno. químicos e biológicos existentes. A formulação deste Programa pela Comissão Europeia beneficiou da assistência do Comité Consultivo e tinha um objectivo muito amplo que consistia tanto no estudo das causas das doenças e acidentes. na inspecção das condições de higiene e de segurança nos locais de trabalho e na formação neste domínio. de 1977 a 1987. à Europa económica. as Directivas relativas ao Chumbo. que tinham por base jurídica o artº nº 100 do Tratado CEE que estatuía a regra de unanimidade. a Comissão preparou 10 Directivas. as propostas de Directivas relativas aos Agentes Cancerígenos e aos Agentes Biológicos. pois. exigindo o desenvolvimento da harmonização desta regulamentação a nível de todos os Estados Membros. progressivamente mais exigentes. 23 . foi lançado o 2º Programa de Acção que reorientava os objectivos e tinha um horizonte temporal até 1987. a partir de 1987. aparece o primeiro programa de acção para o horizonte temporal de 1978/1982. simultaneamente. ao Amianto. Dado o desequilíbrio europeu provocado neste domínio pelas normas mais exigentes dos países da Europa do Norte e para não prejudicar a protecção dos seus trabalhadores. e como é norma nas Directivas-Quadro. um mecanismo de pré-harmonização da regulamentação nacional. materializam este objectivo: O artigo nº 100-A relativo à segurança dos produtos e o artigo nº 118-A relativo à segurança e saúde dos trabalhadores. Esta Directiva. 7 das quais aprovadas pelo Conselho de Ministros. na prevenção dos acidentes devido a máquinas. sem colocar em causa os países mais atrasados. são estabelecidas prescrições mínimas. tendo por objectivo a harmonização no progresso das condições existentes nesse âmbito. • Através do Acto Único Europeu passou-se. aditados ao Tratado CEE. a uma segunda etapa destinada a criar um grande mercado sem fronteiras a partir de 1993. tornando óbvia a necessidade de dar consistência à Europa social e.Ainda em 1978. ainda. definia um conjunto de regras que todos os Estados Membros deviam seguir.

onde se evidenciam obrigações fundamentais para os Estados. tendo como grandes objectivos: – Melhorar a segurança e saúde dos trabalhadores nos locais de trabalho. – Instrumentos de planeamento e avaliação da actividade dos serviços de prevenção da empresa. – Constituir o quadro jurídico de referência a ser respeitado pelas Directivas especiais que são normas jurídicas de conteúdo acentuadamente técnico. indiferenciadamente. • Em 1988 foi adoptado o 3º Programa de Acção. a todos os sectores e ramos da actividade económica.É de salientar que estas Directivas passam a ser adoptadas por maioria qualificada. • Conforme reflexão já desenvolvida no Livro Verde dos Serviços de Prevenção. regulamentares e administrativas. com um significativo impacte nas legislações nacionais dos Estados Membros. E. como se compreende. necessárias ao efectivo cumprimento dos princípios daquela Directiva e entre elas destacam-se as que se referem à definição de: – Capacidades dos profissionais (e outros intervenientes relevantes) de segurança e saúde do trabalho. a nova Directiva-Quadro (Directiva 89/391/CEE). constituindo o primeiro acto de grande alcance social no âmbito do Acto Único e que passa a ser a pedra angular de nova política. Esta Directiva é de carácter horizontal e aplica-se. – Estabelecer critérios gerais da política comunitária. Empregadores e Trabalhadores. em 12 de Junho. em 1989 foi adoptada (com excepção do Reino Unido) a Carta Comunitária dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores. com base nas alterações introduzidas no artº nº 100-A. – Aptidões dos serviços externos de prevenção. veio tornar o respectivo processo de adopção muito mais rápido. o que. a Directiva-Quadro estabelece uma plataforma comum e inovadora quanto à gestão da prevenção de riscos profissionais nos locais de trabalho. a qual contém uma vertente consagrada à segurança e saúde no local de trabalho. – Constituir uma componente social do mercado interno. • Igualmente em 1989 foi adoptada. estabelecendo os grandes princípios que devem reger a política de segurança e saúde no trabalho. 24 . explicitando áreas prioritárias de actuação e dando uma atenção particular à problemática das PME’s. pública ou privada. sendo referência obrigatória para a interpretação das restantes Directivas e das normas nacionais de harmonização. Quanto aos Estados será de realçar a obrigação de adoptarem medidas legislativas.

e. da saúde e do bem estar dos trabalhadores. – Avaliar os riscos que não podem ser evitados. – Combater os riscos na origem. 25 . – Desenvolver as actividades preventivas de acordo com uma ordem fundamental de princípios gerais de prevenção. – Colaborar com o empregador. Quanto aos Empregadores o núcleo central das suas obrigações reside em: – Assegurar a prevenção relativamente a todos os trabalhadores e a todos os riscos profissionais. de forma integrada no processo produtivo e na gestão da empresa. ter como horizonte a promoção da melhoria da segurança. toda a actividade de prevenção passou a ter uma matriz de referência. devendo ser assumida globalmente quanto “a todos os aspectos relacionados com o trabalho”. – Promover um quadro de participação na empresa para potenciar a acção preventiva.– Critérios de dimensionamento dos recursos afectos ao desenvolvimento das actividades daqueles serviços. • Por outro lado. • Desta nova filosofia resulta que a problemática da prevenção na empresa já não se pode confinar a determinados riscos específicos ou determinados trabalhadores. – Disponibilizar a organização de meios adequados à implementação das medidas de prevenção e protecção. – Promover no âmbito daqueles princípios a avaliação dos riscos que não puderam ser eliminados. Quanto aos Trabalhadores a Directiva indica como obrigações fundamentais: – Utilizar correctamente os meios que lhes são colocados à disposição na empresa. – Comunicar situações de perigo grave e iminente. incluindo a interacção dos riscos e o conjunto dos factores psico-sociais. os profissionais da prevenção e as autoridades públicas na melhoria das condições de segurança e saúde nos locais de trabalho. baseada num conjunto de princípios fundamentais (princípios gerais de prevenção): – Evitar os riscos.

na organização da empresa e no seu processo de desenvolvimento. agindo sobre a concepção. • A Directiva-Quadro aponta. a organização e os métodos de trabalho e de produção. para que seja garantida a adequabilidade e a eficácia das medidas. – As necessidades de informação e de formação. tendo em conta: – As prioridades de intervenção. substituir tudo o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso. todo este conjunto de princípios enformadores da filosofia de gestão da prevenção. nela integrando a prevenção dos riscos profissionais. é neste contexto que surge o conceito de Serviços de Prevenção. enquanto sistema de gestão que dê qualidade e coerência às actividades a desenvolver e obtenha a sua perfeita integração no processo produtivo. a par dos seus bons resultados ao nível da gestão empresarial. 26 . – O grau de exposição dos trabalhadores aos riscos. A Directiva-Quadro acentua. pois. – As necessidades da vigilância da saúde dos trabalhadores. – O controlo periódico das condições de trabalho. – Realizar estes objectivos tendo em conta o estádio da evolução da técnica. a avaliação dos riscos assume um papel fundamental. saúde e bem estar elevados. – Adoptar prioritariamente as medidas de protecção colectiva. – Formar e informar os trabalhadores e demais intervenientes na prevenção. – As medidas técnicas e organizativas. • Em todo aquele contexto.– Adaptar o trabalho ao homem. – De uma maneira geral. naturalmente. assim. organizar e rendibilizar um conjunto de meios suficientes e adequados à promoção de níveis de segurança. a organização. porque é a partir deste processo que se devem determinar as abordagens preventivas. Ora. – Integrar a prevenção dos riscos num sistema coerente que abranja a produção. a necessidade das empresas desenvolverem a capacidade de gestão. as condições de trabalho e o diálogo social. como forma do empregador reunir. o planeamento. recorrendo às medidas de protecção individual unicamente no caso de a situação impossibilitar qualquer outra alternativa. deixando aos Estados membros a liberdade de definirem em concreto os sistemas de organização dos serviços de prevenção na empresa. A conjugação de todas estas abordagens supõe.

em cada ano. 1. – Custos do sistema de saúde. há. – Reparação dos equipamentos danificados. sim. a informação e a formação. De facto. – Mais de 10 milhões de vítimas de acidentes de trabalho e de doenças profisssionais.7. – 27 mil milhões de ecus de custos directos com esta sinistralidade. mas. Quanto aos custos indirectos. a ideia de que atingem proporções extraordinárias. o 4º Programa de Acção. apesar da sua difícil quantificação. como sejam: – Custos associados à substituição do trabalhador acidentado. que esta Directiva considera como fundamental o papel que deve ser desempenhado pelos próprios trabalhadores. em 1992.• Refira-se. Já para a composição da UE no início da década de 90 e para um universo de 120 milhões de trabalhadores. importa referir que após a realização do Ano Europeu para a Segurança e Saúde no Local de Trabalho. e já no âmbito desta Directiva e das Directivas especiais dela decorrentes. adoptado pela Comissão em 1996 com um horizonte temporal até ao ano 2000. actores da prevenção. – Custos administrativos. • Por fim. pois que eles repartem-se por um elevado número de factores. as estatísticas europeias. ainda. 27 . vítima de um acidente de trabalho ou de uma doença profissional. – Perdas de produção e redução da produtividade. são preocupantes. no apoio às PME’s.000 acidentes de trabalho mortais por ano. A PROBLEMÁTICA DOS ACIDENTES DE TRABALHO E DAS DOENÇAS PROFISSIONAIS • O Livro Verde refere que a estimativa dos custos dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais na União Europeia representa cerca de 12% do custo da produção bruta global. no reforço da protecção dos trabalhadores a par do desenvolvimento da capacidade competitiva das empresas e no papel do diálogo social na promoção das políticas de segurança e saúde. se falava de: – Mais de 8. o que significava que 1 em cada 12 trabalhadores era. Partindo da consideração de que os trabalhadores não são o objecto da prevenção. no entanto. vem colocar o acento tónico na informação. apesar de ficarem aquém da realidade em resultado das dificuldades de harmonização dos sistemas estatísticos dos Estados-Membros. define como dimensões fundamentais do seu envolvimento. devendo o campo da sua participação estender-se à consulta e à cooperação em diversos domínios das actividades preventivas.

de algum modo dá uma ideia da expressão e da evolução dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais no nosso país. ele próprio. Apenas se dispõe de um pequeno e muito imperfeito conjunto de informações reportadas à quantificação de acidentes de trabalho e de doenças profissionais que está consideravelmente subdimensionado. indicadores de incidência.000 acidentes de trabalho por ano. como é o caso português. é reconhecido no Acordo de Concertação Estratégica de 1996.000 pessoas. o sistema de declaração dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais está.). desde já. aliás. – Custos sociais diversos. referir que não existe no nosso país. Por outro lado. – Uma oscilação entre 250 e 370 acidentes de trabalho mortais por ano. • Em Portugal. temos nos últimos anos: – Uma oscilação entre 200. neste domínio. um peso muito forte nestes indicadores do sector da Construção e uma expressão já significativa nos sectores do Comércio e Serviços. – Há ainda uma realidade “escondida” – o sector da Agricultura –.000 e 300. para uma população activa empregada de cerca de 4. se a debilidade da estrutura empresarial das explorações agrícolas não prejudicasse profundamente o próprio sistema de declaração dos acidentes e das doenças relacionadas com o trabalho. – Perdas associadas à imagem. longe de representar o universo desta realidade e o tratamento da informação não se desenvolve de acordo com uma grelha de indicadores que permitam a sua análise na óptica da prevenção (agentes causais. um sistema de informação estruturado com base num conjunto de indicadores que permitam uma análise fundamentada das condições de segurança e saúde nos locais de trabalho. são ainda mais preocupantes. – Para além da indústria. Assim. como. quando comparados com os da União Europeia. • A informação que de seguida se apresenta.– Perdas de competitividade.250. que não se reporta a indicadores relevantes da prevenção de riscos profissionais e que nem sequer é disponibilizado atempadamente. etc. até pela maior dimensão do impacto que essas realidades têm em sociedades e economias que revelam algumas vulnerabilidades. 28 . os indicadores. • Importa. apesar de conter toda aquela imperfeição. cujos indicadores seriam preocupantes.

A informação que se disponibiliza nos quadros que se seguem reporta-se às doenças profissionais e aos acidentes de trabalho declarados ao sistema estatístico na presente década de noventa.250.Refira-se desde logo que para uma população activa empregada actual de cerca de 4. QUADRO I . a Administração Pública contribui com cerca de 700. reportando-se.EVOLUÇÃO DOS ACIDENTES DE TRABALHO (1990-1996) 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 199 Anos 29 .500 pessoas. o qual.000 e o sector do trabalho independente com perto de 900. assim. por isso.1996) ANO Nº acidentes Nº vítimas mortais2 Custo (milhões de contos)3 População activa empregada4 1 1990 305 512 294 40 700 4 497 300 1991 293 886 185 49 500 4 631 900 1992 278 455 313 56 600 4 340 200 1993 251 577 253 57 700 4 255 300 1994 234 070 321 66 400 4 251 450 1995 204 273 353 59 400 4 225 125 1996 215 854 373 – 4 250 500 (1) Fonte: INE (2) Fonte: IGT: (3) Fonte: Instituto de Seguros de Portugal (custos directos com a reparação) (4) Anuário de Estatísticas Sociais (1983-1993) GRÁFICO I .000.ACIDENTES DE TRABALHO (1990 . um terço daquela população. como se sabe. apenas a dois terços da população activa empregada. representando estes conjuntos. não compreende os grupos de trabalhadores acabados de referir.

• Importa ainda verificar a distribuição sectorial desta sinistralidade no mesmo período de referência (1990-1996): GRÁFICO III . 16% Serviços e outros 3% Agri. o que significa que.DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS ACIDENTES POR SECTOR DE ACTIVIDADE (1990 ./Rest.4% 30 . imóveis 4% Elec.EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE VÍTIMAS MORTAIS (1990-1996) 400 350 300 250 200 150 100 50 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Anos Na informação contida no quadro I e gráficos I e II será de realçar as seguintes conclusões: – A diminuição dos acidentes de trabalho é acompanhado do decréscimo da população activa empregada. em termos relativos. e pesca 6% Transp. 4% Banco/Seg. a partir de 1993.GRÁFICO II . por sua vez./Gás/Água 0. – Os acidentes de trabalho mortais./Hot.1996) Indústria 44% Construção 23% Comér. após uma oscilação entre 1990 e 1992. revelam uma tendência de crescimento contínuo. não se tem verificado uma efectiva redução da sinistralidade./Comu./Op.

/Comu. 11% Serviços e outros 7% Agri. no período de 1990 a 1996: 31 . • Os quadros e gráficos que se seguem reportam-se àquele contexto e representam as situações relativas aos pensionistas com incapacidade permanente devida a doença profissional. – A dificuldade de comprovação da exposição aos factores de risco de doença profissional em resultado da reduzida dimensões da avaliação de riscos que ainda subsiste nos locais de trabalho.GRÁFICO IV . a informação relativa às doenças profissionais conhece no nosso país um conjunto substancial de limitações que advêm dos seguintes factores: – O campo reduzido das situações configuradas na lista codificada de doenças profissionais. em particular no que respeita aos acidentes de trabalho mortais (cerca de 40%)./Rest./Op./Gás/Água 1% Dos gráficos precedentes é visível que: – O conjunto dos sectores industriais representa cerca de metade do total dos acidentes de trabalho. imóveis 3% Elec. • Por sua vez. em resultado da sua desactualização face à evolução técnica e tecnológica associada ao trabalho e ao conhecimento científico das patologias. – A subdeclaração de doenças profissionais em resultado da insuficiente cobertura da vigilância da saúde nos locais de trabalho. – Os sectores da construção e da agricultura evidenciam-se no conjunto dos dois gráficos. 7% Banco/Seg.DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS ACIDENTES MORTAIS POR SECTOR DE ACTIVIDADE (1990 .1996) Indústria 26% Construção 29% Comér./Hot. e pesca 16% Transp.

4% Outras 3% Intoxicações 1% Não codific.000 16. 22% Dermatoses 8% Ac. Trab.000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Anos GRÁFICO VI .PENSIONISTAS COM INCAPACIDADE PERMANENTE POR TIPO DE DOENÇA PROFISSIONAL (1990-1996) Incapacidades Pneumatoses Surdez prof. Dermatoses Ac.EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PENSIONISTAS COM INCAPACIDADE PERMANENTE (1990-1996) Nº total de incapacidades permanentes 20.000 8.000 12. 2% 32 .000 4. Total 1990 10 460 3 402 957 470 296 184 176 15 936 1991 10 460 3 557 1 079 540 240 199 264 16 339 1992 10 346 3 634 1 239 596 280 207 283 16 558 1993 10 354 3 793 1 374 610 462 219 311 17 123 1994 10 350 3 920 1 485 667 796 226 372 17 816 1995 10 316 4 157 1 640 739 1 152 242 403 18 649 1996 10 492 4 329 1 768 739 405 253 – 19 202 Fonte: Anuário Estatístico da Segurança Social GRÁFICO V .DISTRIBUIÇÃO DOS PENSIONISTAS COM INCAPACIDADE PERMANENTE POR TIPO DE DOENÇA PROFISSIONAL (1990-1996) Pneumatoses 60% Surdez prof. Outras Intoxicações Não/codific.QUADRO II . Trab.

tais encargos poderão ascender a 600 milhões de contos anuais. em Portugal. Todo este panorama de custos económicos. mas que. seja na perspectiva do desenvolvimento das condições de trabalho 33 . • O Livro Verde refere que. determina a necessidade de se agir com determinação. incluindo as situações de sub-registo. – É particularmente notória a expressão do número de pensionistas com incapacidades devidas a surdez profissional e a dermatoses.EVOLUÇÃO DOS CUSTOS TOTAIS COM INCAPACIDADES (1990-1996) 4500000 4000000 3500000 Custos (contos) 3000000 2500000 2000000 1500000 1000000 500000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Anos • Da informação dos quadros e gráficos precedentes pode-se concluir que: – Se verifica uma clara tendência de crescimento dos custos com as incapacidades devidas a doença profissional. a que acrescem os custos sociais e humanos.QUADRO III . se formos considerar os custos totais (directos e indirectos).CUSTOS DEVIDOS A INCAPACIDADES (1990-1996) Custos Custos/incapacidade temporária (contos) Custos/incapacidade permanente (contos) 1990 103 853 1991 104 152 1992 141 591 1993 152 138 1994 179 343 1995 83 022 1996 101 508 2 009 000 2 327 000 2 610 000 3 095 000 3 448 000 3 789 000 3 932 712 Fonte: Anuário Estatístico da Segurança Social GRÁFICO VII . os encargos das companhias seguradoras e da Segurança Social com esta realidade ultrapassam os 60 milhões de contos anuais.

8 759 0.0 3 544 2. vejam-se os quadros seguintes: QUADRO IV-EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA EMPRESARIAL PORTUGUESA (1988-1994) Dimensão das emp.MESS 34 .6 1 512 1.2 142 540 116 898 76.1 3 112 2. 10-19 N.4 273 0.6 347 0.4 11 084 7.1 862 0.5 303 0. (n.6 1 564 1.) Até 9 microemp.6 3 656 2.0 883 0. De facto. Para uma melhor compreensão da clara e rápida tendência de evolução do tecido empresarial português no sentido das PME’s e da sua expressão crescente ao nível do emprego.6 352 0.2 152 627 123 618 77.8 3 359 2.2 1 563 1.º empresas % N.4 1 600 1.0 796 0.2 176 882 20-49 50-99 100-199 200-499 500 e mais Total Fonte: Anuário Estatísticas Sociais .º empresas % N. 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 87 366 74.6 326 0. o tecido empresarial nacional é fortemente marcado pelas PME’s. 1.3 131 720 101 138 75.º emp.2 761 0.º empresas % N.6 11 138 6.6 1 555 1.6 350 0.6 17 941 11.6 319 0.5 14 966 12.º empresas % N. seja.º empresas % N. seja na perspectiva do desenvolvimento da capacidade competitiva das nossas empresas.1 16 595 12.8. relaciona-se com a estrutura empresarial nacional.º empresas % N. na perspectiva da gestão dos investimentos públicos nos sistemas envolventes da segurança social e da saúde.6 1 462 1.3 10 650 7.3 3 377 1.0 10 899 7.2 159 047 141 094 79.2 16 229 12.8 18 753 10.º empresas % N.9 1 488 0.1 867 0. como muito oportunamente evidencia o Livro Verde.3 134 681 108 089 75.1 853 0.e de vida dos trabalhadores.º trab.7 9 488 8. por fim. A ESTRUTURA EMPRESARIAL • Uma outra realidade cujo conhecimento é de extrema importância para a definição de estratégias de gestão da prevenção de riscos profissionais.8 17 113 12.3 10 308 7.4 3 651 2.7 18 139 11.3 117 474 99 109 75.9 3 534 2.8 11 238 7.

4 10.4 14.9 11.3 10.000 60.5 11.7 10.0 17. EM PERCENTAGEM (1988-1994) Dimensão das emp.) Até 9 10-19 20-49 50-99 100-199 200-499 500 e mais 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 16.0 25.1 11.9 9.8 15.9 Fonte: Anuário Estatísticas Sociais – MESS GRÁFICO IX-EVOLUÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES NAS MICRO-EMPRESAS EM PERCENTAGEM (1988-1994) 25 20 15 10 5 0 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Anos 35 .7 17.3 15.000 140.5 9.6 10.3 10.9 10.0 20.GRÁFICO VIII .3 11.0 11.1 10.7 20.000 120. (n.7 24.5 15.EVOLUÇÃO DAS MICRO-EMPRESAS (1988-1994) 160.3 14.6 22.5 11.6 15.7 18.4 9.9 21.0 10.0 11.9 10.000 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Anos QUADRO V-DISTRIBUIÇÃO DAS PESSOAS AO SERVIÇO NAS EMPRESAS.9 11.000 40. POR DIMENSÃO DA EMPRESA.1 18.8 9.000 100.8 11.0 12.000 20.8 12.3 15.0 23.9 18.4 10.8 23.000 80.6 10.º trab.8 11.4 11.

parceiros sociais.• A constatação da clara evolução no sentido da predominância das PME’s na economia nacional. – Acção ao nível da formação e da qualificação profissional. 1. determina a necessidade de se identificarem sistemas flexíveis de gestão da prevenção que se adaptem à realidade empresarial do nosso país.faz apelo a duas metodologias fundamentais: 36 . – Actuação ao nível das relações homem / componentes materiais de trabalho.L. tendo em vista a adaptação do trabalho às capacidades físicas e mentais dos trabalhadores. de 14 de Novembro). de 16 de Janeiro e desenvolvida pelo D. físicos e biológicos • processos produtivos.9. O SISTEMA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS • A Convenção 155 da OIT (ratificada pelo Decreto nº 1/85. estabelece a necessidade de definição de uma política coerente em segurança e saúde no trabalho. 441/91. no sentido da complementaridade e convergência das diversas abordagens preventivas daí decorrentes. bem como a avaliação sistemática dos resultados obtidos. – Desenvolvimento da circulação de informação adequada à construção de redes de prevenção de riscos profissionais. comunidades científica e técnica).e particularmente neste da Prevenção de Riscos Profissionais . – A definição de estratégias de acção sectorial que visem identificar os grandes problemas. • Importa acrescentar que a OIT em todos os domínios . necessárias à obtenção de bons níveis de segurança e saúde no trabalho. centrada em quatro eixos fundamentais: – Actuação sobre os componentes materiais do trabalho: • locais e ambiente de trabalho • máquinas e ferramentas • materiais • agentes químicos. implementar os meios de resolução de acordo com a ordem de prioridades. – A articulação dessas funções e responsabilidades. desde o local de trabalho até ao plano nacional. a Convenção 155 estabelece três linhas de rumo fundamentais: – A definição de funções e responsabilidades de todos os agentes dinamizadores (administração. • Para o desenvolvimento desta política.

pôr em prática e reexaminar periodicamente uma política nacional coerente em matéria de segurança. 441/91. Higiene e Saúde no Trabalho. os Parceiros Sociais e demais organizações sociais. – “A coordenação da aplicação das medidas de política e da avaliação de resultados cabe ao Ministério responsável pela área das condições de trabalho” (artº 6º do D. Higiene e Saúde no Trabalho haverá de desenvolver-se segundo os seguintes eixos (artº 5º do D.L. de 14 de Novembro): – Regulamentação – Licenciamento – Certificação – Normalização – Investigação – Educação – Formação e qualificação – Informação – Consulta e participação – Serviços de prevenção – Inspecção 37 . Higiene e Saúde no Trabalho não permitem que se possa desenvolver uma acção consequente a partir exclusivamente das referências legais existentes sobre Segurança. – Tais políticas deverão ser definidas pelos “Ministérios responsáveis pelas áreas das condições de trabalho e da saúde”(artº 6º do D. • A complexidade e o valor estratégico da Segurança. • É o correcto desenvolvimento de toda esta arquitectura que dará sentido àquilo que é preconizado pela OIT como indispensável a uma política eficiente e eficaz de Segurança e Saúde do Trabalho: O SISTEMA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS. – As acções de Prevenção de Riscos Profissionais devem ser partilhadas entre os Governos. de 14 de Novembro). – A política nacional de Segurança. 441/91. saúde dos trabalhadores e ambiente de trabalho” (Artº 4º da Convenção 155).L. de 14 de Novembro). Por isso.L. há que: – “ Definir.– As políticas de segurança e saúde do trabalho devem ser concertadas entre os Governos e os Parceiros Sociais. 441/91.

é inerente a todo este desenho que a formulação de políticas nacionais de Segurança. no âmbito de um processo permanente (definição. de 16 de Novembro). 441/91. o papel do Conselho Nacional de Higiene e Segurança no Trabalho que. – Por outro lado. 38 . 6º e 7º do D. designadamente: • Administração do Trabalho • Administração da Saúde • Sistema Educativo • Sistema da Formação Profissional • Sistema Nacional de Certificação Profissional • Entidades licenciadoras das actividades económicas • Entidades do sistema de controlo público (inspecção) • Sistema Português da Qualidade – Para a preparação e activação das medidas de política. seja ao nível da implementação das medidas) ao estabelecimento de uma Rede Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais (artº 6º da Convenção 155 e artº 5º do D. Higiene e Saúde no Trabalho terá que ser gerada num ambiente de concertação estratégica.(artºs. Higiene e Saúde no Trabalho obriga (seja ao nível da definição das políticas. naturalmente reservada à Administração do Trabalho (artºs. encontra-se inactivo desde o início da década de noventa. a complexidade e a complementaridade de todas estas vertentes da política de Segurança. há que garantir a coordenação da execução de políticas. 5º e 7º do D. implementação. claramente.L. partilhado por um vasto conjunto de parceiros sociais (condição de implementação destas políticas nos locais de trabalho) e institucionais (condição de funcionamento da Rede de Prevenção) . 441/91. de 14 de Novembro e artº 15º da Convenção 155). – A consistência da implementação de medidas requer um conjunto de articulações da intervenção dos diversos actores públicos que desenvolvem competências ao nível dos eixos referidos. aqui. pois. para a dinamização da Rede de Prevenção e para a conjugação de todas as abordagens preventivas daí decorrentes.L. 4º e 6º da Convenção 155 e artºs. de 14 de Novembro).– A diversidade. 441/91.L. isto é. 441/91. – Situa-se. apesar de ter sido criado em 1982 (Resolução do Conselho de Ministros nº 204/82. avaliação e redefinição). de 14 de Novembro).L. e ter sido legalmente prevista a sua reformulação posterior (artº 7º do D. de 14 de Novembro).

da normalização. dessa forma. Só na base de uma política coerente de desenvolvimento do sistema nacional de prevenção de riscos profissionais será possível criar um conjunto de condições necessárias a que os empregadores possam cumprir integralmente e tirar benefício da obrigação legal de estabelecerem uma política de prevenção de riscos profissionais nas suas empresas e de se dotarem com o instrumento de execução dessa política nos locais de trabalho: Os serviços de prevenção. imperioso estruturar tal acção de forma que se crie uma cultura nacional de prevenção de riscos profissionais. – A garantia dos níveis mínimos de segurança e saúde a atingir nos locais de trabalho supõe. 441/91. concertação estratégica. • Reportando a acção dos vectores do Sistema Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais ao desenvolvimento de prevenção nos locais de trabalho. importa. seja ao nível da empresa. que nos permita desenvolver confiada e convictamente uma política consequente e. concluir que: – A aquisição das competências necessárias aos serviços de prevenção carece. CGTP e UGT). HIGIENE E SAÚDE DO TRABALHO (1991) • Em 30 de Julho de 1991. seja ao nível nacional ou sectorial. 39 . inverter a actual situação de atraso flagrante. supõe o desenvolvimento de formas adequadas de participação. fundamentalmente. de 14 de Novembro). CCP. Higiene e Saúde do Trabalho que constitui um verdadeiro Programa Nacional que visa a estruturação do sistema nacional de prevenção de riscos profissionais e a dinamização de um conjunto de políticas fundamentais de segurança e saúde no trabalho. da formação. assim.– Só da conjugação de todos estes factores (definição de políticas. do licenciamento e da inspecção. – A motivação dos trabalhadores e a co-responsabilização de trabalhadores e empregadores na acção preventiva. assim. exercício da coordenação) é possível chegar-se ao patamar da constituição e funcionamento permanente de um Sistema Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais (artº 5º do D. 1. pois. desenvolver-se com base em medidas avulsas e segundo uma lógica alicerçada na casuística.L. em particular. • A Prevenção de Riscos Profissionais não poderá. o Governo e todos os Parceiros Sociais com assento no então designado Conselho Permanente de Concertação Social (CIP. rede de prevenção. o desenvolvimento da regulamentação. celebraram um Acordo Social para a Segurança.10. do desenvolvimento dos eixos de informação. articulação dos actores públicos com competências específicas. O ACORDO SOCIAL DA SEGURANÇA. Torna-se. CAP. da normalização e da investigação.

gestores e quadros superiores. pelo que de seguida se recordam os seus principais objectivos e medidas: ACORDO SOCIAL PARA A SHST (1991) Objectivos gerais Objectivos específicos e medidas – Desenvolver o conhecimento sobre os ris.– Desenvolver um sistema de informação sobre prevenção de riscos profissionais. – Desenvolver a organização da prevenção de – Desenvolver uma rede de prevenção de riscos profissionais. higiene e saúde no trabalho. riscos profissionais – Reforçar a capacidade técnica da Administração do Estado na perspectiva da dinamização e coordenação do sistema de prevenção. – Apoiar a informação de empresários. – Promover a divulgação em formas adequadas das normas jurídicas de segurança. – Desenvolver a cooperação institucional no âmbito do licenciamento industrial.– Divulgar as normas (jurídicas e técnicas) de segurança. higiene e saúde do trabalho. ção de riscos profissionais. – Desenvolver (aprofundar/ajustar) o quadro – Promover a superação das deficiências e insuficiências de normas jurídicas e técnicas no âmbito da do quadro normativo da segurança. – Desenvolver aplicações técnicas inovadoras de que resulte melhor segurança e saúde no trabalho. tendo em vista a sua preparação para a entrada na vida activa. – Promover a consciencialização dos jovens sobre a sua responsabilidade na prevenção. cos profissionais e as formas de os prevenir. – Promover a investigação sobre os componentes materiais do trabalho e o ambiente do trabalho.Importa considerar que este Acordo continua a ser o grande referencial estratégico para toda a política de Segurança e Saúde do Trabalho no nosso país. higiene e saúde no trabalho. 40 . – Fomentar a qualificação de profissionais de segurança. formar e qualificar para a preven. – Apoiar a formação de representantes de empregadores e de trabalhadores para a segurança. – Fomentar a criação de cursos na área da segurança. – Dinamizar condições para a criação de serviços de prevenção nas empresas. higiene e saúde no trabalho. – Estimular hábitos de prevenção na idade escolar. – Integrar o conhecimento da prevenção na formação profissional. higiene e saúde do segurança e saúde do trabalho. – Informar. – Reforçar a capacidade técnica de intervenção da Inspecção do Trabalho no domínio da segurança. higiene e saúde do trabalho. trabalho. higiene e saúde no trabalho.

dos equipamentos e das matérias-primas. ao nível da localização das unidades industriais. dados da gestão dos Programas Operacionais de Prevenção de Riscos Profissionais. higiene e saúde do trabalho em Portugal. nem sequer havendo um sistema de avaliação. fornecidos pelo IDICT. – Desenvolver as condições de prestação do – Promover a integração da segurança no âmbito do licentrabalho.(continuação) Objectivos gerais Objectivos específicos e medidas – Desenvolver (aprofundar/ajustar) o quadro – Apoiar o desenvolvimento e a divulgação de normas de normas jurídicas e técnicas no âmbito da técnicas de segurança. podem. • Importa concluir que o estado de execução deste Acordo encontra-se com um atraso flagrante. planos e programas de prevençao no âmbito das empresas). relativos ao período 1994/1998. assim. desde já. físicos e biológicos) em casos que determinem a preservação de postos de trabalho em risco de extinção por tais factores. higiene e saúde do trabalho segurança e saúde do trabalho. gerada: PROJECTOS APOIADOS POR TIPO DE ACÇÃO (1994/1998) Acção Estudos e investigação Formação Sensibilização / Divulgação Totais Fonte: IDICT N. das condições dos edifícios. que permitisse a consciencialização do estado de desenvolvimento da segurança. (tendo em vista a sua aplicação ao nível de medidas. dar-nos uma ideia da dinâmica. – Apoiar a concepção de projectos para a recuperação da segurança e saúde do trabalho nas PME’s. apesar de tudo.º de projectos 44 62 366 472 41 . – Dotar os serviços operacionais da Administração do Trabalho dos meios técnicos necessários à sua intervenção no âmbito da prevenção dos riscos profissionais. A este propósito. política e socialmente consensualizado. que a curto prazo se fizesse um diagnóstico de avaliação. Importaria. por inactividade do Conselho Nacional de Higiene e Segurança do Trabalho que deveria constituir o centro de referência para tal efeito. – Promover a segurança intrínseca (equipamentos e ferramentas) e apoiar projectos que visem a integração da segurança e saúde nos processos produtivos (substituição ou alteração ao nível dos agentes químicos. ciamento industrial.

– Estruturação de linhas de produção de instrumentos de divulgação. – Inclusão progressiva de matérias de SHST nos curricula escolares e de formação profissional. de finais de 1996. centrando as suas preocupação nos seguintes objectivos e medidas: – Constituição das bases de uma Rede Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais. de acordo com as necessidades nacionais. – Dinamização da acção das organizações identificadas no âmbito daquela rede. as prioridades e as metodologias definidas para os Programas de acção de curto e médio prazo. – Envolvimento da comunidade técnica e científica no âmbito da prevenção de riscos profissionais. 42 . patronais e empresariais Assoc. O ACORDO DE CONCERTAÇÃO ESTRATÉGICA (1996) • A Concertação Social. informação e formação de acordo com os cronogramas. em especial nos domínios da Formação e da Informação Técnica. mediante o levantamento e articulação da capacidade técnica disponível.º de projectos 42 129 91 57 28 66 36 23 472 1. seja ao nível daquela rede. informação técnica e formação em SHST – Desenvolvimento destas linhas de divulgação.11. sindicais Assoc. – Apoio à formação de técnicos de prevenção dos vários níveis.PROJECTOS APOIADOS POR TIPO DE PROMOTOR (1994/1998) Promotor Administração pública Assoc. seja ao nível de acções complementares. profissionais Comunidade técnica e científica Estabelecimentos do ensino superior Estabelecimentos do ensino secundário Outros Total Fonte: IDICT N. retomou estas matérias no Acordo de Concertação Estratégica. – Desenvolvimento de Programas Sectoriais no âmbito de actividades de maior sinistralidade com riscos de maior gravidade.

• À semelhança do que se referiu quanto ao Acordo Social para a SHST. de 1996. – Estabelecimento do sistema de qualificação e certificação dos técnicos de prevenção em exercício. simplificado e actual. periódicos. as seguintes acções impulsionadas pelo IDICT: 43 . seja como forma de conferir visibilidade aos objectivos e resultados alcançados. • Sem prejuízo da necessidade de tal avaliação. identificar como projectos mais relevantes. desenvolvendo projectos de investigação. parcial e absoluta. seja como forma de se desenvolver uma política nacional coerente de gestão do sistema de prevenção de riscos profissionais. a respectiva capacidade e a eficiência da legislação no domínio da prevenção de riscos profissionais. suportes audiovisuais e outros. Regional e Local. que cubra todos os sectores de actividade. importaria proceder-se à avaliação da execução deste Programa do Acordo de Concertação Estratégica. nomeadamente no âmbito da formação de representantes dos trabalhadores e dos empregadores para o desenvolvimento da SHST nos locais de trabalho. formação e sensibilização sobre os riscos profissionais. evidencia a necessidade de ser reactivado o Conselho Nacional de Higiene e Segurança no Trabalho. como forma de centrar todos os actores (públicos e privados) na mesma estratégia e nos mesmos objectivos prioritários. preveja a promoção do trabalho a tempo parcial para trabalhadores acidentados que fiquem numa situação de incapacidade e preveja o estímulo pelo Estado de bolsas para formação profissional dos acidentados. – Reforço da capacidade técnica e da participação dos Parceiros Sociais.– Criação e consolidação dos instrumentos operativos necessários e adequados à certificação de empresas e técnicos prestadores de serviços de SHST. – Desenvolvimento de programas de prevenção de riscos profissionais para os trabalhadores da Administração Central. desde já. em particular através das suas estruturas associativas. – Levantamento e adaptação da legislação existente. desenvolvidos no contexto deste Acordo. por fim. – Adopção de regulamentação na área da reabilitação que contemple a incapacidade permanente. edição de monografias. – Elaboração da regulamentação geral em falta. seja. de campanhas de informação. de 1991. é possível. cujos anteprojectos serão consensualizados no âmbito da Concertação Social. o que. mais uma vez. – Desenvolvimento de um sistema estatístico claro. – Implementação junto dos trabalhadores e empregadores portugueses. tendo em vista a avaliação do seu impacte nas empresas. para o trabalho habitual.

Agricultura . – Edição e divulgação do Livro Verde sobre os Serviços de Prevenção.1997/1998. – Apoio ao desenvolvimento da formação de representantes dos trabalhadores para a SHST.– Levantamento de organismos de competência especializada no âmbito da SHST que consta do Livro Verde dos Serviços de Prevenção. com realização de inquérito de opinião. – Dinamização de experiências-piloto de formação de técnicos na área da Segurança e Higiene do Trabalho. – Estruturação e lançamento de uma linha editorial específica para a Prevenção. particularmente no âmbito do sistema público do ensino superior. incluindo os técnicos em exercício. – Estruturação do sistema de certificação profissional e do perfil de formação dos técnicos de segurança e higiene do trabalho. – Elaboração de estudos e propostas relativas à acreditação das empresas prestadoras de serviços de SHST. 44 . – Desenvolvimento de Campanhas Sectoriais de Prevenção (Construção 1994/1996. PME . – Promoção do desenvolvimento do diálogo social sectorial e da participação dos parceiros sociais em torno de prioridades de intervenção (campanhas sectoriais. – Apoio ao desenvolvimento da formação de profissionais na área da Saúde do Trabalho. promovida pelo IDICT.1996/1997. com várias dezenas de títulos já publicados ao longo dos anos de 1997 e 1998 em três séries (Divulgação. – Elaboração de estudos relativos à estruturação do sistema de coordenação de segurança da Construção e ao perfil funcional e de formação dos coordenadores de segurança. – Dinamização de vários projectos de estudo e investigação junto da comunidade científica. – Adesão à Rede Europeia de Informação em Segurança e Saúde no Trabalho. e Têxtil/Vestuário em preparação e com lançamento previsto para meados de 1999). Formação e Informação Técnica). projectos de estruturação do sistema de certificação dos técnicos de segurança e higiene do trabalho e estudos relativos à estruturação do sistema de coordenação de segurança da Construção).

por exemplo. assim. marcado por um conjunto. a Directiva Quadro. a ser integrar. Deste modo. Sem prejuízo de se destacar o papel que tal metodologia desempenhou e continuará a desempenhar. capazes de polarizar a gestão da prevenção de riscos profissionais na empresa. mesmo. de normas tendentes à fixação de regras de conformidade técnica dos locais e equipamentos de trabalho. Com efeito. mais ou menos sistematizado. 45 . justificam-se.os Princípios Gerais de Prevenção . veio. a tendência geral dirigia-se para uma gestão dos riscos “a posteriori” sempre que se evidenciavam os seus efeitos nocivos ou a sua perigosidade. tendo em vista a adequada protecção da segurança e da saúde dos trabalhadores. assistiu-se a um processo de deslocalização do conjunto de normas de conformidade de equipamentos e produtos para os sistemas de controlo de qualidade aos níveis da concepção. afinal. Os serviços de prevenção devem. porque a jusante (corrigir os riscos declarados) bastaria um conjunto de intervenções pontuais. de forma dominante. trazida pela Directiva-Quadro de 1989. mesmo.1. obedecendo a uma configuração de âmbito sectorial ou por domínio de risco específico. quando não. tendo. também. no essencial. A NOVA ABORDAGEM DA PREVENÇÃO • Poder-se-á dizer que o quadro normativo pré-existente à designada “nova-abordagem” da prevenção de riscos profissionais. em síntese. estabelecer um conjunto de princípios . os fenómenos de precarização do emprego). • Para modificar esta situação. à identificação de novos factores de risco profissional. Como consequência. à evolução do próprio Direito do Trabalho (tenham-se presentes. corrigir. ser um conjunto de meios humanos. prevenir era. nomeadamente. Prevenir passou. eliminar. através da organização dos serviços de prevenção. influenciado decisivamente a linha da “prevenção”. o caso das cadeias de subcontratação que operam no mesmo local de trabalho) e. na óptica da gestão por antecipação (intervenção sobre os procedimentos). materiais e organizacionais.balizadores da prevenção de riscos profissionais e definir uma metodologia de materialização da actividade de prevenção na empresa. então. era.2. fabrico e comercialização. Esta evolução metodológica atravessou a linha da “qualidade”. OS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO COMO OBJECTIVO ESTRATÉGICO 2. o facto é que tal abordagem demonstrou alguma dificuldade de adaptação à rapidez da evolução tecnológica. às novas formas de organização da gestão empresarial (veja-se. Os serviços de prevenção nas empresas.

– Garantia de qualidade (certificação de profissionais e acreditação de serviços). Com efeito. tendo em vista.• A estratégia envolvente dos Serviços de Prevenção não pode. – Conhecimento científico e técnico (investigação fundamental e aplicada). • É ainda obrigação fundamental do Estado. da sua acção decorrem efeitos estruturantes para a configuração produtiva Trabalho Configuração Produtiva Técnica Organização e efeitos potenciadores para os factores da “performance” da empresa Rendabilidade ‘‘PERFORMANCE’’ Produtividade Competitividade • Por outro lado. Será. nomeadamente: – Profissionais qualificados (formação). por outro lado. ser perspectivada fora do quadro do desenvolvimento da organização empresarial e do desenvolvimento do próprio país. importa considerar que estes cenários de desenvolvimento empresarial determinam a obrigação do Estado configurar e desenvolver as infra-estruturas nacionais que permitam a disponibilização das competências necessárias às empresas. assim. neste contexto. a consistência e a permanência dos padrões de qualidade pré-definidos (controlo inicial e periódico sobre aqueles sistemas) e. a sua eficácia nos locais de trabalho (controlo continuado sobre os níveis de segurança e saúde dos trabalhadores). desenvolver todo um sistema adequado de controlo público. assim. – Informação (sistema estatístico e divulgação do conhecimento). de se terem aqui presentes os papéis fundamentais das enti- 46 . por um lado.

por fim. de 14 de Novembro). necessárias ao desenvolvimento das competências. no mesmo período. importa valorizar de forma adequada a participação dos trabalhadores no âmbito da gestão da prevenção na empresa. se desenvolveu um conjunto de acções significativas no domínio da sensibilização. da investigação. em particular. Sem aquela dinâmica polí- 47 . um período de intensa produção legislativa. divulgação e fiscalização). o ano de 1991) no que respeita à primeira grande definição estratégica nacional. • Todavia. há que evidenciar o início da década de noventa (e. Por outro lado. da qualidade e da participação. ainda. o panorama dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais não registou uma evolução positiva correspondente àqueles esforços. nomeadamente. 2.441/91.2. PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS DIAGNOSTICADOS • Iniciou-se no nosso país. ocorreu em 1992 com o Ano Europeu para a Segurança e Saúde no Local de Trabalho. sem ser enquadrada por uma dinâmica política dirigida à implementação de medidas não legislativas. Pode. da celebração do Acordo Social para a SHST e da publicação do Regime de Enquadramento da SHST (D. particularmente forte no início da década de noventa. desde a pré-adesão à União Europeia. • O desenvolvimento organizacional das empresas supõe. De facto. de que veio a resultar uma arquitectura normativa sintonizada com a nova abordagem comunitária da prevenção.L.dades certificadoras e licenciadoras dos recursos nacionais da prevenção e das entidades de inspecção. pela segurança e saúde no trabalho. Ora. reconhecer-se que data do mesmo período um processo gradual de maior presença da Inspecção do Trabalho nos locais de trabalho. através. a sua acção pode potenciar os “saberes” individuais dos trabalhadores e favorecer a adequação das abordagens dos serviços de prevenção a situações concretas de trabalho. nomeadamente nos domínios da formação. É em tal contexto que deve ser situado o papel dos representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho de contribuir para o desenvolvimento de sinergias entre os trabalhadores e os serviços de prevenção. cujo momento determinante. pela força mobilizadora que gerou. centrada no controlo dos normativos de segurança e saúde do trabalho. também. recordar que. necessariamente. como tais objectivos e processos deverão passar. Importa. o envolvimento dos trabalhadores nos objectivos e processos de modernização. na medida em que esta actividade tem sido centrada quase exclusivamente na legislação (produção. da informação.

actualmente. na realização de um diagnóstico prospectivo sobre o ambiente de segurança e saúde do trabalho actualmente existente nos locais de trabalho e suas envolventes. considerar que alguns projectos recentes podem ser analisados como casos de desenvolvimento de boas metodologias. A DINÂMICA DO LIVRO VERDE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • Em face de tudo quanto antecede. sistematizando as principais questões suscitadas no Livro Verde. em virtude da ausência de outras abordagens mais estruturantes ao nível da intervenção dos representantes dos trabalhadores e da criação de competências necessárias ao desenvolvimento da prevenção nas empresas. assim. geradora de debate e de expressão de opinião. 2. apesar de tudo. A estratégia do Livro Verde consistiu. aliás.tica. em virtude de. possível incrementar. fazendo um levantamento da capacidade nacional ao nível das necessárias abordagens estruturantes e perspectivando um conjunto de soluções no âmbito da gestão dos recursos nacionais e da organização da prevenção nos locais de trabalho. a iniciativa do Livro Verde dos Serviços de Prevenção revelou um interesse estratégico assinalável. o efeito multiplicador de tais projectos é ainda reduzido. situou-se no âmbito do seguinte universo: 48 . identificando os principais constrangimentos em presença. bem como a metodologia seguida. aos parceiros sociais e às próprias empresas (Rede de Prevenção). articulada e consistente de combate à sinistralidade laboral (Sistema Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais). logrou o desenvolvimento da consciencialização e o estabelecimento de uma linha geral de consenso ao nível dos diversos aspectos fundamentais de todo este sistema. clara e frontalmente. fundamental evidenciar a importância estratégica que assume a estruturação da certificação destes profissionais que se encontra. Todavia. como sejam as Campanhas de Prevenção Sectoriais. acompanhou a sua divulgação. • O INQUÉRITO que.3. a necessidade de se problematizarem os reduzidos resultados obtidos nos últimos anos no âmbito do desenvolvimento da prevenção nos locais de trabalho. de forma sustentada. por essa forma. Importa. não se logrará uma intervenção sistematizada. não será. sem uma estratégia conducente à criação desta rede. em fase de conclusão. como seja a formação qualificante dos profissionais de segurança e higiene do trabalho. um conjunto de organismos de competências especializadas que funcione como sistema de apoio técnico aos profissionais e aos prestadores de serviços de SHST. E. a formação dirigida a representantes dos trabalhadores e o aumento da disponibilização da informação técnica. A divulgação de que foi objecto o Livro Verde. assim. se ter assumido. É.

Grupo / classificação Administração pública Organizações patronais Associações profissionais Organizações sindicais Centros de formação Centros tecnológicos Empresas Empresas prestadoras de serviços Escolas profissionais Estabelecimentos de ensino superior Pessoas singulares Total Fonte: IDICT Enviados 109 250 29 105 59 14 213 340 20 85 56 1280 Recebidos 36 65 6 15 17 4 99 103 4 15 52 416 A percentagem das respostas recebidas situou-se na ordem dos 32. ao introduzir este tema. intervenção em ferrovias e em rodovias sem interrupção de tráfego. devem ser tidos em conta um conjunto de riscos potenciais que. de movimentação de terras e de túneis. 49 . bem como trabalhos de demolição. como tal. não deverão fundamentar-se exclusivamente no critério do número de trabalhadores. como sejam: • Trabalhos em obras de construção.5%. bem como ao nível do sistema de gestão da prevenção na empresa.4. ACTIVIDADES DE RISCO ELEVADO • O Livro Verde. com riscos de quedas de altura ou de soterramento. teve em vista promover uma reflexão sobre o conjunto dos sectores e actividades de risco elevado que. de escavação. pela sua frequência ou potencial gravidade. Com efeito. deve ser objecto do reforço do sistema de prevenção. daqui resultando ainda que em tais actividades de risco elevado se deverão interditar as formas simplificadas de organização dos serviços de prevenção (serviços assegurados pelo empregador e por trabalhador por si designado). são inerentes a sectores e actividades. os modelos de organização da prevenção. com expressão ao nível da capacidade técnica que deve ser exigida aos prestadores de serviços de prevenção. Tal reforço deverá conhecer desenvolvimento ao nível do sistema de acreditação das empresas prestadoras de serviços de prevenção e ao nível da formação contínua dos profissionais de SHST. 2. sendo a avaliação de riscos um instrumento de prevenção aplicável às diferentes fases da vida das empresas e à diversidade dos processos produtivos. Assim sendo. a nível da empresa.

• Indústrias extractivas (minas, pedreiras e sondagens); • Trabalho hiperbárico; • Actividades que envolvam utilização ou armazenagem de quantidades significativas de produtos químicos perigosos susceptíveis de provocar acidentes graves; • Fabrico, transporte e utilização de explosivos e pirotecnia; • Actividades na industria siderúrgica e na construção naval; • Actividades que envolvam o contacto com correntes eléctricas de média e alta tensão; • Produção e transporte de gases comprimidos, liquefeitos ou dissolvidos, ou utilização significativa dos mesmos; • Actividades que impliquem a exposição a radiações ionizantes; • Actividades que impliquem a exposição a agentes cancerígenos, mutagénicos ou tóxicos para a reprodução; • Trabalhos que envolvam risco de silicose; • Actividades que impliquem a exposição a agentes biológicos particularmente nocivos (grupos 3 e 4); • Prestação de cuidados de saúde. 2.5. SECTORES E GRUPOS ESPECIAIS • Neste âmbito, o Livro Verde coloca a questão da previsão dos sectores ou grupos especiais que carecem de um regime especial de organização dos serviços de prevenção, referenciando: – Em atenção à especificidade da actividade desenvolvida; • Pescas • Marinha de Comércio • Construção Civil e Obras Públicas (estaleiros temporários ou móveis) • Trabalho rural • Minas e pedreiras • Serviços de limpeza • Serviços de “segurança de pessoas e bens” • Transportes

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– Em atenção à natureza e forma de prestação do trabalho e, ainda, à dimensão das empresas: • Trabalho domiciliário • Serviço doméstico • Trabalho independente • Micro-empresas do comércio retalhista, serviços de restauração e hotelaria. • No caso da Administração Pública, importaria perspectivar um sistema que equacione os seguintes aspectos: – No que respeita à administração indirecta do Estado, dada a sua lógica de funcionamento, não se justifica que as respectivas organizações fiquem fora do regime geral; – Quanto à generalidade dos serviços e organismos da administração directa do Estado, julga-se que não há razão para a sua exclusão do regime geral, bastando um sistema de adaptação que contemple as especificidades das suas formas de organização e de regime de emprego; – Relativamente às actividades cujo exercício seja condicionada por critérios de segurança ou emergência, afigura-se necessário estabelecer todo um regime especial. • A particularidade de todos estes sectores e grupos especiais relaciona-se, fundamentalmente, com o desenvolvimento das actividades de segurança e higiene do trabalho, onde facilmente se reconhece a necessidade de flexibilizar o sistema de gestão da prevenção nos locais de trabalho, como forma de se encontrarem sistemas adequados e eficazes face à diversidade e especificidade destas situações. No que respeita às actividades da saúde do trabalho, evidencia-se a necessidade de se problematizar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde, na medida em que as estimativas deste universo apontam para um terço da população activa empregada. • Considera-se, ainda, que a regulação destes sectores nos referidos domínios se deve desenvolver em simultâneo com o regime geral, sob pena de uma parte muito significativo dos trabalhadores ficarem, de facto, excluídos de qualquer regime legal de organização da prevenção de riscos profissionais. 2.6. MISSÃO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • A prevenção de riscos profissionais exige uma actuação, ao nível da empresa, que ultrapasse o mero cumprimento formal de um conjunto de prescrições e verificações estabelecido por via regulamentar ou a correcção de situações que

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originaram lesões profissionais. O planeamento da prevenção deve desenvolverse desde a fase de projecto e fundamentar-se na avaliação de riscos que, por sua vez, deve ser objecto de actualização periódica. Tais funções, complementadas com a adopção de medidas (organizativas e técnicas) preventivas e de protecção, conjugadas com os sistemas de informação, formação e consulta dos trabalhadores, constituem a nova filosofia da acção preventiva que, de forma alguma, pode estar desinserida do processo produtivo. A missão dos serviços de prevenção consiste, assim, em desenvolver sistemas e metodologias de prevenção e protecção no âmbito da gestão global da empresa, com vista à obtenção de níveis adequados de segurança e saúde no trabalho, tendo em atenção todos os factores de risco e todos os trabalhadores. 2.7. FUNÇÕES E ACTIVIDADES DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • Da reflexão feita em torno da problematização estabelecida no Livro Verde, será de concluir que a gestão da prevenção na empresa percorre, assim, os domínios fundamentais seguintes: – Avaliação e planeamento; – Organização; – Medidas de prevenção e de protecção. Deste enquadramento decorre, pois, um conjunto de funções, de que se destacam: – O planeamento e a implementação de um sistema de gestão da prevenção; – A coordenação da intervenção dos diversos sectores da empresa na melhoria das condições de segurança, higiene e saúde do trabalho; – A avaliação de riscos profissionais; – A concepção, programação e implementação de medidas de prevenção e de protecção; – A promoção e a vigilância da saúde dos trabalhadores; – O desenvolvimento da informação e da formação dos trabalhadores em segurança, higiene e saúde do trabalho; – A motivação para uma participação qualificada dos representantes dos trabalhadores para a área da segurança e saúde no trabalho; – O relacionamento com os organismos da rede de prevenção de riscos profissionais; – A avaliação dos resultados.

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o trabalho a termo. – Analisar as condições de trabalho de grupos de trabalhadores especialmente sensíveis em função da exposição a determinados riscos e em função do seu vínculo contratual. aos contaminantes químicos. – Elaborar relatórios e fichas de exames de vigilância da saúde. – Coordenar as medidas a adoptar em caso de perigo grave e iminente. supõe o desenvolvimento de um vasto conjunto de actividades. – Pronunciar-se sobre a planificação. – Avaliar os riscos a partir de metodologias e técnicas adequadas aos perigos identificados. através da estruturação dos planos específicos de combate ao sinistro.). físicos e biológicos e à organização e carga de trabalho (física e mental).. onde se poderão destacar como fundamentais. – Realizar exames de vigilância da saúde (admissão. periódicos e ocasionais). – Identificar perigos associados às condições de segurança. exposição a radiações ionizantes. o trabalho sazonal e o trabalho intermitente (ocasional). – Promover a elaboração ou desenvolvimento de planos detalhados de prevenção e protecção quando exigidos por legislação específica (por exemplo. de evacuação e de primeiros socorros. a aquisição e a manutenção dos equipamentos de trabalho e a selecção de matérias primas e produtos. trabalhos em minas e pedreiras. – Definir e implementar procedimentos de integração da prevenção nos sistemas de informação e comunicação da empresa. – Elaborar o plano de prevenção de riscos profissionais.. estruturar e propor medidas de prevenção e de protecção. próprias dos serviços de prevenção. – Conceber. – Participar na concepção de locais e processos de trabalho. 53 . como seja o trabalho temporário. os métodos e a organização do trabalho. as seguintes: – Desenvolver a estruturação do sistema de prevenção na empresa. – Implementar e acompanhar a execução de medidas de prevenção e de protecção.• A concretização daquele quadro de funções. – Participar na elaboração do plano de emergência. através da elaboração de diagnósticos que permitam caracterizar a organização da empresa nos seus domínios fundamentais.

– Realizar inquéritos de acidentes de trabalho e analisar as doenças profissionais.8.– Assegurar a eficiência dos sistemas necessários à operacionalidade das medidas de prevenção e de protecção implementadas. indicadores estatísticos relativos à segurança. – Realizar as participações obrigatórias em caso de acidente de trabalho ou de doença profissional. – Apoiar as actividades de consulta e o funcionamento dos órgãos de participação na empresa no âmbito da prevenção. bem como a instalação e manutenção da sinalização de segurança. – Organizar e actualizar documentação. registos dos resultados das avaliações de risco. – Gerir o aprovisionamento e conservação dos equipamentos de protecção individual. propor a sua contratação e acompanhar a sua actividade. – Coordenar ou acompanhar o desenvolvimento de auditorias e inspecções. – Identificar os recursos externos. através do tratamento e arquivo regular da informação contida nos registos. higiene e saúde do trabalho. higiene e saúde do trabalho deverão estar dotados de meios físicos. – Elaborar relatórios de avaliação de riscos. técnicos e humanos adequados às seguintes circunstâncias: 54 . ESTRUTURAÇÃO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • Nos termos da Directiva-Quadro. os serviços de segurança. propostas e recomendações formuladas. – Promover a elaboração de registos (listas de acidentes de trabalho. – Elaborar listagens de medidas. – Conceber e desenvolver o programa de informação sobre prevenção de riscos profissionais. – Organizar os elementos necessários à obtenção de apoio técnico dos organismos da rede de prevenção. 2. – Conceber e desenvolver o programa de formação sobre prevenção de riscos profissionais. listas de baixas por doença. etc). – Organizar os elementos necessários às notificações obrigatórias.

higiene e saúde do trabalho.– Tipos de risco a que os trabalhadores estão expostos (incluindo os factores de risco potenciais resultantes. Deverá. informação e formação dos trabalhado- 55 . deve ser considerado como princípio fundamental que todas as empresas devem desenvolver um sistema de gestão da segurança. pois. na sua dimensão ao nível do número de trabalhadores. face ao critério correntemente utilizado que tende a sustentar-se. da inovação tecnológica e da flexibilidade). – Distribuição dos riscos na empresa ou no estabelecimento. Será este sistema interno de gestão que possibilitará. resulta um vasto leque de modalidades a explorar para a organização dos serviços de prevenção nas empresas: MODALIDADES DE SERVIÇOS DE PREVENÇÃO SERVIÇOS INTERNOS RECURSOS INTERNOS TRABALHADORES DESIGNADOS O EMPREGADOR SEGURANÇA E HIGIENE CONSULTORES (TÉCNICOS EXTERNOS COMPLEMENTARES) SERVIÇOSEXTERNOS (ALTERNATIVOS OU COMPLEMENTARES) SERVIÇOS ASSOCIATIVOS RECURSOS EXTERNOS SERVIÇOS INTERNOS VIGILÂNCIA DA SAÚDE SERVIÇOS EXTERNOS SERVIÇOS ASSOCIATIVOS SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE • Independentemente da modalidade de serviço adoptada. • Dentro daqueles princípios. – Dimensão da empresa. quer a observância dos grandes princípios da nova abordagem trazida pela Directiva-Quadro (responsabilidade do empregador. avaliação e controlo dos riscos. unicamente. acentuar-se a probabilidade e a gravidade dos riscos como elementos que terão de prevalecer na organização da prevenção na empresa. nomeadamente.

envolvendo. além de se enquadrar nas normas da União Europeia é particularmente importante num quadro empresarial constituído predominantemente por PMEs. na realidade. refira-se que além do centro da gestão da prevenção. Tal sistema pressupõe. quer a gestão dos recursos (internos ou externos) necessários àquela observância. a clara tendência que se verifica no nosso país de desenvolvimento da utilização de recursos externos. garantido. o sistema de comunicação. considera-se que a gestão da prevenção nas empresas levá-las-á a conjugar. independentemente da sua natureza e dimensão. os recursos afectos a todo o sistema produtivo da empresa (como sejam a gestão dos recursos humanos. deverá ser. higiene e saúde do trabalho (como. pelo que não fará muito sentido a recondução da organização dos serviços de prevenção ao paradigma da lei actual. Neste contexto.. • Ao nível dos recursos internos que em todo e qualquer caso a empresa deverá reunir..). • Se no contexto de serviços (internos) privativos de uma empresa tal sistema de gestão estará. a existência de alguns recursos privativos da empresa. a gestão do sistema de prevenção deverá equacionar toda esta realidade para poder potenciar a prevenção dos riscos profissionais ao nível de todos os departamentos e todas as dimensões da empresa. sempre que se justifique. Este interveniente. por exemplo.. Ora. um conjunto de recursos internos com um conjunto de recursos externos. já referido... Assim sendo. deverá existir uma estrutura mínima que assegure as respostas adequadas às situações de perigo grave e iminente e às relacionadas com primeiros socorros. o sistema de aprovisionamento . • A propósito dos recursos (internos e externos) que deverão ser objecto da gestão da prevenção na empresa.. deve orientar-se mais pela observância deste princípio do que por uma obrigatoriedade pré-determinada na lei ao nível da dimensão dos recursos e ao nível de determinada modalidade de organização dos serviços. sustentado na dicotomia “serviços internos/serviços externos”.). a adequação da gestão da prevenção à flexibilidade da gestão empresarial que. luta contra incêndios e evacuação dos trabalhadores. sempre. naturalmente. obriga a clarificar-se e a aprofundar-se o papel daquele interveniente que o regime actual configura como “trabalhador designado para acompanhar a actividade dos serviços externos”. 56 .res. mais do que um mero “trabalhador designado” pelo empregador. os técnicos de segurança e higiene do trabalho. importa ter presente que eles não se restringem aos meios específicos da segurança. no desenvolvimento das actividades de prevenção. um efectivo “representante do empregador” que disponha de capacidade suficiente para desenvolver o sistema de gestão da prevenção na empresa.). presumivelmente. também.

há que concluir que esta solução não se justifica.9. no domínio próprio da sua responsabilidade. por 57 . no âmbito da flexibilidade da organização dos serviços de prevenção na empresa. é particularmente pertinente quando se aborda a problemática dos serviços internos. por fim. situar-se entre os objectivos projectados para a prevenção e as capacidades necessárias à obtenção dos resultados. à Segurança e Higiene do Trabalho e à Saúde do Trabalho. SERVIÇOS INTERNOS • A prevenção dos riscos profissionais. adaptado ao modelo de gestão da sua empresa e capaz de articular as valências consideradas.9. assim. fundamentalmente. • Aquele princípio. hoje em dia. importa referir que as actividades nucleares destes serviços. Em face de todas as considerações antecedentes. a necessidade de se privilegiar a dimensão qualitativa (as competências e as responsabilidades) face à dimensão quantitativa (os recursos). respeitantes. 2. associam recursos internos e recursos externos. Aos recursos “internos” é. podem conhecer na empresa diferente modelo organizativo ao nível da predominância dos recursos externos ou internos. mesmo à luz dos normativos comunitários. A estratégia a desenvolver pela empresa deverá. que a conveniente articulação de intervenções. o empregador deve instituir um sistema de coordenação. aliás. pois. torna-se difícil classificar os recursos de uma empresa como recursos “internos” ou recursos “externos”. deverá desenvolver-se em função de uma lógica de resultados e não segundo uma lógica de meios. De resto. por não se vislumbrar qualquer outra necessidade suplementar que pudesse ser preenchida por tal direcção dos serviços. referira-se. RECURSOS INTERNOS DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO 2. Há.1. necessariamente.• Ainda. finalmente. ainda que diga respeito a todas as modalidades de organização dos serviços de prevenção. as empresas. embora tal solução não resulte de imperativo da Directiva-Quadro. • Quanto àquelas actividades nucleares dos serviços de prevenção (Segurança e Higiene do Trabalho/Saúde do Trabalho). como forma de se garantirem as correctas metodologias de abordagem. na medida em que é à coordenação do respectivo sistema de gestão de prevenção que competirá potenciar a complementaridade e a convergência daquelas intervenções. É o dimensionamento destas capacidades que irá determinar a política de recursos. supõe. a solução do actual regime legal que obriga à existência de um Director de Serviços com um perfil determinado. Com efeito. Cada vez mais. em qualquer função da sua gestão. a preservação de orientações técnicas específicas. • O Livro Verde problematiza.

reconhece-se que sem tais competências não lhe será possível. neste caso. identificar necessidades. Neste âmbito. Assim sendo. por parte do empregador. não se afigura determinante a estipulação de modelos rígidos de organização (ex: serviços internos) e. • No âmbito de um serviço de prevenção é praticamente impossível conseguir a plenitude das capacidades necessárias ao desenvolvimento das actividades de prevenção num “serviço interno”. SERVIÇOS ASSEGURADOS PELO EMPREGADOR • Considerada que foi. no plano normativo. será antes de considerar. sem recurso à consultoria “externa”. ou na base de recursos internos ou na base de recursos externos. da obrigação (intransferível) de assegurar condições de segurança e saúde nos locais de trabalho. uma função de gestão e controlo da subcontratação. ainda. considerando que a resposta necessária será encontrada. em si mesma. 2. a existência da estrutura interna mínima que assegure a coordenação do sistema de prevenção e as actividades relacionadas com situações de perigo grave e iminente e com acções de emergência (primeiros socorros. já.norma.9. um conjunto de princípios indutores do reforço da capacidade (qualitativa) de prevenir riscos profissionais nas empresas face a situações que comportem risco elevado. para cada caso real. constituindo um dos pilares fundamentais da assumpção. a necessidade do empregador desenvolver competências na sua empresa que lhe permitam gerir a prevenção. 58 . salvaguardando. se tais modelos são relacionados com critérios aferidos pela dimensão das empresas (ex: mais que 800 trabalhadores) e pelo exercício de actividades regulamentadas por legislação específica de risco de doença profissional. os critérios do regime actual ou não são suficientemente abrangentes (quando excluem o risco de acidente) ou não são claramente demarcados (que legislação específica?).2. nomeadamente. luta contra incêndios e evacuação de trabalhadores). muito menos. leva-nos a concluir que a rigidez do modelo organizativo não é. por outro lado. recrutar recursos externos e potenciar o seu desempenho. assinalada uma função de garantia do “know-how” específico da empresa e. este princípio é absolutamente obrigatório para todas as empresas (independentemente da sua dimensão) e em todos os sectores de actividade. • A reflexão produzida no âmbito da problematização estabelecida a este propósito no Livro Verde. enquanto que aos recursos “externos” é assinalada uma actividade de consultoria ou de fornecimento de serviços especializados. Segundo o espírito e a letra da Directiva Quadro. E o único critério possível dever-se-á balizar no poder de eficácia da resposta concreta face a cada situação concreta. garantia de capacidade suficiente à prevenção dos riscos e.

seria de considerar que: – Não se trataria de uma configuração em termos de “profissão”. poderiam ser equacionados três aspectos: 59 . – Perfil do empregador (actividades que pode desenvolver. – A formação inicial deveria ser baseada em cursos de formação reconhecidos por referência a um quadro pedagógico mínimo pré-determinado. de prevenção e protecção que. • No âmbito da dimensão da empresa. Considerando a problemática das pequenas (e. – A formação contínua deveria assumir um carácter obrigatório e condicionar a renovação da autorização. tais como: – Sectores/actividades a interditar (designadamente as actividades de risco elevado). propriamente à empresa). Todavia. • No âmbito dos sectores/actividades a interditar. aliás. se por um lado se deve reconhecer a vantagem de se introduzir nestas empresas uma maior flexibilidade organizativa. sobretudo das micro) empresas.• De natureza diferente será a questão que é suscitada no Livro Verde e que se relaciona com a possibilidade do empregador vir a assumir actividades. competências. • No domínio dos constrangimentos ao exercício das actividades de prevenção. seria de reportar o critério da admissibilidade ao estabelecimento (e não. conjugada com a actual escassez de recursos no domínio de profissionais qualificados. – Dimensão da empresa/estabelecimento. já referidos. ser considerados os sectores/actividades de risco elevado. – Constrangimentos ao exercício das actividades de prevenção. – Sistema de autorização. formação inicial e formação contínua). estabelecendo-se um limite máximo de 9 trabalhadores. embora traduzida como uma modalidade residual limitada à inviabilidade de outro modelo organizativo. de natureza técnica. – Avaliação do desempenho (que poderia ser efectuado através de auditorias periódicas desenvolvidas por um serviço acreditado). desde logo. poder-se-ia reconhecer a conveniência de tal possibilidade. importa aprofundar e enunciar os principais factores a ter em conta nesta situação. • Relativamente ao perfil do empregador que opte por assegurar actividades de segurança e higiene no trabalho. – Utilização de recursos externos complementares. já se configura no regime actual. poderiam. por outro lado.

por se tratar de uma missão que não configura uma profissão na área da segurança e higiene no trabalho. ainda. a sua intervenção viria a pressupor a utilização de recursos externos (ainda que sem carácter contínuo). importa considerar o sentido empresarial desta 60 .3. com a especificação da competência para realizar tais auditorias). através da obrigatoriedade de auditorias a realizar por serviços externos autorizados (empresas autorizadas a prestar serviços de segurança e higiene do trabalho. sistema de autorização e avaliação do desempenho).9. 2. 2. • A avaliação das condições de trabalho. A figura do “trabalhador designado” que neste contexto não tem expressão no regime actual.1. pode assumir-se como um “serviço interno simplificado” e apresenta a mesma vulnerabilidade que a prestação de actividades por parte do empregador. – Fazer depender a autorização do exercício ao compromisso de permanência habitual no estabelecimento. perfil do trabalhador designado. SERVIÇOS EXTERNOS • Desenvolvendo-se a prestação de serviços externos predominantemente fora do quadro de um serviço público. dimensão da empresa/estabelecimento. impulsionadas pelo desempenho deste empregador.– Limitar o exercício à própria empresa do empregador. Do resultado de tais auditorias poderiam resultar recomendações ou até a própria suspensão desta modalidade organizativa. • A permissão deste exercício deveria. • Tratando-se de uma figura com um papel mais determinante num modelo organizativo de gestão do que de prestação de serviços. a determinar pela autoridade pública competente. Assim sendo. a figura do “trabalhador designado” que é prevista na Directiva-Quadro e que consiste no exercício de actividades de prevenção assegurado por um ou mais trabalhadores designados pelo empregador. SERVIÇOS ASSEGURADOS POR TRABALHADOR DESIGNADO PELO EMPREGADOR • O Livro Verde suscita. deveria ser objecto de avaliação periódica. – Limitar o exercício à área da segurança e higiene do trabalho. constrangimentos ao exercício das actividades de prevenção. são de considerar as mesmas limitações e constrangimentos que naquele caso foram reflectidos (sectores/actividades a interditar.10. utilização de recursos externos complementares. RECURSOS EXTERNOS 2. portanto. limitar-se à própria empresa.10.

assegurado por um corpo de auditores acreditados especificamente para o efeito.10. 61 . considera-se. não evidenciam procura e não se adequam muito às actuais dinâmicas de gestão empresarial. na perspectiva de que eles poderiam constituir uma resposta interessante em alguns sectores económicos. consoante as áreas de actividade (segurança e higiene do trabalho/saúde do trabalho). higiene e saúde do trabalho. seja para garantia da qualidade dos serviços prestados. necessário um sistema de acreditação dos “serviços externos” que garanta a idoneidade e a capacidade técnica destas organizações. se afigura como particularmente importante o desenvolvimento deste sistema de acreditação para credibilizar a própria actividade de prevenção nos locais de trabalho e para estimular o funcionamento do mercado nesta área. Esta acreditação. que terá de integrar uma autorização de funcionamento e um sistema de acompanhamento.actividade. naturalmente. de considerar que. • Quanto a estes serviços associativos.2. seja para garantia da leal concorrência no mercado. está. SERVIÇOS INTEREMPRESAS • Os serviços interempresas não têm entre nós tradição significativa. no que respeita aos requisitos de constituição e funcionamento. designadamente ao nível dos princípios da gestão e ao nível da adequação dos recursos (humanos.10. pois. deverá desenvolver-se no âmbito da Administração do Estado. • Seria. em função dos fins prosseguidos (a segurança e a saúde dos trabalhadores). subordinada a uma tutela pública. também. equipamentos e procedimentos de avaliação de riscos) necessários à sua materialização. Todavia e. a sua natureza jurídica. SERVIÇOS ASSOCIATIVOS • Reconhece-se que os serviços associativos conquistaram espaço no quadro da concertação social que gerou o Acordo de 1991. caracterizados por uma grande pulverização empresarial. no momento actual. deverão subordinar-se à lógica das organizações privadas de prestação de serviços. podendo o sistema de acompanhamento ser. a qual. • Na linha defendida no Livro Verde. identifica-se como uma única especificidade.3. 2. nomeadamente. os sectores de actividade económica e a natureza mais ou menos elevada dos riscos inerentes às actividades para que se posicionem no mercado como prestadores de serviços. ainda. por alguma debilidade económica das empresas e por algum isolamento face aos grandes centros onde se concentram os recursos na área da segurança. face aos serviços externos. Neste contexto. o funcionamento destes serviços tem de ser avaliado com base nos grandes referenciais do regime de enquadramento da prevenção de riscos profissionais. 2.

nomeadamente nos casos de explorações agrícolas familiares. de 1 de Fevereiro).26/94. refere que: “Aos trabalhadores independentes.L. de pesca em regime de “companha”.Sem prejuízo do disposto no artigo 3º.10. de 14 de Novembro). de serviço doméstico. – A prestação de cuidados de saúde. refere no seu artº. que estes serviços não preenchem qualquer segmento do mercado que não possa. • Considera-se. postas ao dispôr do empregador. por fim. o actual regime legal de organização das actividades de SHST (D. Por sua vez. as actividades de promoção e vigilância da saúde podem ser asseguradas através das instituições e serviços integrados no Serviço Nacional de Saúde nos seguintes casos: a) Trabalhadores independentes. no seu artº 13º. 2. o direito às actividades de promoção e vigilância da saúde no trabalho será assegurado pelo Serviço Nacional de Saúde”. b) Vendedores ambulantes. na perspectiva da identificação de um sistema adequado e eficaz de desenvolvimento dos serviços de medicina do trabalho no âmbito de determinadas organizações produtivas. de trabalho no domicílio. 62 . • O regime de enquadramento da SHST (DL 441/91. revelam um défice intrínseco ao nível da definição de responsabilidades que é susceptível. aos trabalhadores na situação prevista na parte final do nº 2 do presente artigo (empresas onde seja inviável a adopção de outra forma de organização das actividades de medicina do trabalho) e a outros cuja especificidade da actividade torne praticamente impossível a integração no serviço previsto no nº 1. clarificar as vertentes fundamentais em que se desdobra a sua acção: – O controlo da qualidade da saúde.4. de prejudicar significativamente o princípio basilar da responsabilidade do empregador de assegurar a prevenção e o princípio da responsabilidade dos serviços de prevenção face às autoridades públicas. até com vantagem. mesmo. SERVIÇOS ASSEGURADOS PELO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE • Ao equacionar-se o papel a desempenhar pela Administração da Saúde importa. ser preenchido por qualquer uma das outras modalidades organizativas da prevenção no local de trabalho. 9º que: “1 .Por outro lado. de artesãos em instalações próprias. desde logo. É sobre este último vector que importa aqui reflectir. nº 6.

• Considera-se. 441/91. e) Trabalhadores no domicílio. a estratégia em perspectiva no Ministério da Saúde. difícil será promover a implementação de serviços de saúde do trabalho em muitas pequenas e micro empresas. como forma de se garantir a cobertura de todas as actividades económicas e de toda a população activa empregada. entre estes últimos. salvo no que respeita ao trabalho marítimo. h) Pesca de companha. Com efeito. particularmente em regiões do país mais periféricas e em sectores de actividade tradicionais. assim. f) Trabalhadores do serviço doméstico. d) Artesãos e respectivos aprendizes. i) Situações previstas no nº 4 do artigo 4º (empresas onde seja inviável a adopção de outra forma de organização das actividades de medicina do trabalho) 2 . Importa. apesar da promoção da saúde no local de trabalho integrar os objectivos estratégicos do SNS. teremos pela frente um espectro potencial que poderá situar-se entre trinta e quarenta por cento da população activa empregada. Se a tais sectores acrescentarmos os trabalhadores independentes. que sem a cobertura da rede do SNS. 63 . todavia. na linha do disposto na Directiva-Quadro e no D. as funções de investimento e de financiamento da saúde virão a ter maior dimensão que a função de prestação de cuidados de saúde e. o domicílio e o sistema escolar terão prioridade. no âmbito daquela rede.L. como se indica na legislação acabada de referir. g) Explorações agrícolas familiares. ainda que tenha uma grande acentuação na saúde pública. que seja assumida politicamente uma posição nesta matéria. sazonais e eventuais. de 14 de Novembro. pelo que se tornará problemática a disponibilidade de recursos para a saúde do trabalho. Por outro lado. no âmbito do presente artigo.Os trabalhadores abrangidos pelas situações previstas no número anterior devem fazer prova da situação que lhes confere o direito a ser assistidos através das instituições e serviços integrados no Serviço Nacional de Saúde. não se verificou até hoje qualquer desenvolvimento efectivo de execução da previsão legal por parte do SNS.c) Trabalhadores agrícolas. não evidencia qualquer destaque para o desenvolvimento da prestação de cuidados de saúde por parte da rede do SNS no âmbito da medicina do trabalho.” • Apesar da lei prever daquela forma a prestação de cuidados de saúde (do trabalho) pelo SNS.

– A formação estimulada pelo Estado que se deve reportar a referenciais estratégicos de desenvolvimento da gestão da prevenção na empresa (caso dos representantes dos empregadores) e da participação (caso dos representantes dos trabalhadores). – A formação qualificante dos profissionais de segurança e higiene do trabalho e dos profissionais de medicina do trabalho. • A dimensão da formação necessária a todos estes intervenientes pressupõe. • De medicina do trabalho. • No âmbito da formação habilitante é de considerar que o seu desenvolvimento deverá relacionar-se de forma estreita com os referenciais dos processos de reconhecimento daqueles intervenientes. da parte do Estado. os seguintes tipos de formação: – A formação habilitante. enquanto que as formações qualificantes dos profissionais devem articular-se fortemente com os respectivos sistemas de certificação profissional. designadamente: • Empregadores. • Representantes de empregadores. de uma forma muito particular. A FORMAÇÃO DOS ACTORES DO SISTEMA DE PREVENÇÃO DAS EMPRESAS • O sistema de gestão da prevenção das empresas envolve. Tais sistemas (de reconhecimento e de certificação profissional) devem. como pressuposto do exercício da actividade por parte de alguns destes intervenientes (casos do empregador que assuma o exercício de actividades de prevenção ou do trabalhador designado para o exercício de determinadas actividades de prevenção e protecção). encontrar nas formações (homologadas) respectivas a sua base fundamental de credibilização. Em tal âmbito será de destacar. 64 . desde já.2.11. actores de dois níveis: – Intervenientes diversos. assim. A natureza das intervenções de todos estes actores pressupõe um processo de aquisição de competências adequadas às exigências das suas funções e actividades nucleares. • Trabalhadores. uma estratégia capaz de gerar os recursos necessários e de estruturar todo um sistema que garanta a qualidade e a adequabilidade das acções a desenvolver. • Representantes de trabalhadores – Profissionais: • De segurança e higiene do trabalho.

bem como dos trabalhadores por si designados com tal finalidade. • Identificar domínios e conteúdos de notificações obrigatórias simples. – No domínio do “saber-fazer”: • Identificar momentos de avaliação de riscos. como. ajustados à natureza da actividade desenvolvida pela empresa. • Todavia. objecto de estruturação a partir de um perfil funcional baseado mais no “fazer-fazer” e no “fazer com” do que no “fazer”. importa salientar a necessidade de se desenvolver um sistema de formação dirigido à criação de competências de integração da gestão da prevenção no processo de desenvolvimento da sua organização empresarial. • Elaborar registos simples e organizar documentação. • Agir em situações de perigo grave e iminente. essencialmente: – No domínio do “saber”: • Noções básicas de um número (reduzido) de descritores. mesmo. as capacidades a desenvolver por estes intervenientes deverão incidir. Tal formação deverá ser alimentada com uma considerável diversidade de produtos pedagógicos e de acções de informação que se compatibilizem com os perfis e a disponibilidade destes destinatários. 2.• Só deste modo se conseguirá desenvolver uma dinâmica de qualidade que é inerente a um sistema de reconhecimento ou de certificação profissional. • Aplicar técnicas e medidas simples de controlo de riscos. Em função deste perfil. deverá ser. • Identificar necessidades de informação e de formação. A FORMAÇÃO DOS EMPREGADORES E SEUS REPRESENTANTES • No que se refere aos empregadores e seus representantes. • Apoiar auditorias e inspecções externas. 65 . a referenciais das profissões e da gestão empresarial. • Identificar os principais organismos da Rede de Prevenção. a formação dos empregadores que assumam o exercício de actividades de prevenção. bem como imprimir à formação uma credibilidade inquestionável por se reportar não só a critérios científicos.1.11. • Aplicar técnicas simples de avaliação de riscos. • Identificar recursos externos. também.

em que seria de destacar: – O reconhecimento da função “representante dos trabalhadores” no quadro da participação no sistema de prevenção na empresa. O desenvolvimento de tais capacidades faz supôr uma formação “habilitante”.2. seria de considerar que estes sistemas de organização de serviços deveriam ser acautelados com a obrigação de reciclagem periódica. tendo em vista a adopção de medidas técnicas e organizativas. Por outro lado. 66 .11. Deste modo. contudo. mas. identificam-se duas dimensões fundamentais no papel dos representantes dos trabalhadores: – Assegurar a participação e o diálogo. – A identificação de diversos tipos de informação e o conhecimento de técnicas da sua utilização no contexto de situações concretas do exercício da função “representante dos trabalhadores”. – O conhecimento do processo produtivo da sua empresa para identificar e hierarquizar os riscos profissionais. objecto de homologação. A FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES E SEUS REPRESENTANTES • A formação dos trabalhadores no domínio da prevenção dos riscos profissionais assume uma importância fundamental. que não deverá conferir. também. 2. dar aqui destaque à formação dos representantes dos trabalhadores para a SHST.– No domínio do “saber-ser”: • Tomar iniciativa na resolução de situações de perigo grave e iminente. • Importa. todavia. a formação visa não só prevenir os riscos associados ao gesto profissional. do “saber-fazer” e do “saber-ser” que deve configurar todo um quadro de objectivos gerais de formação. • O exercício das funções e actividades inerentes aos representantes dos trabalhadores pressupõe a existência de um conjunto de capacidades nos domínios do “saber”. Com efeito. certificação profissional. conforme se defende no Livro Verde. – Pronunciar-se e propôr medidas para prevenir os riscos profissionais. garantida através de formação contínua. em obediência aos princípios gerais de prevenção. na medida em que visa criar competências e interiorizar comportamentos adequados. garantir a eficácia da implementação das demais medidas de prevenção. tendo em vista o desenvolvimento da segurança e saúde no trabalho. • Comunicar com interlocutores internos e externos.

até.. do “saber-fazer” e do “saber-ser”. Sem prejuízo da autonomia que no plano científico as organizações de formação tenham. a promoção da capacidade nacional formativa e o incremento da oferta de profissionais qualificados desta área. 2. importa. Por outro lado. aquelas estratégias devem ter em conta a natureza profissionalizante desta formação e. ergonomia. o conhecimento das actividades de formação e a avaliação da sua eficácia. situam-se em dois planos fundamentais: – O plano das actividades nucleares de prevenção e de protecção. para desenvolver os seus factores cognitivos. corresponder a todo o campo de competências integrantes dos perfis profissionais destes técnicos. enquanto que no domínio das actividades específicas complementares teremos diversas abordagens próprias da consultoria (psicologia.). dado serem eles o factor determinante do próprio desenvolvimento da prevenção nos locais de trabalho e. no âmbito dos quais estes profissionais vão desenvolver os seus desempenhos profissionais. orientar-se no sentido do seu reconhecimento para efeitos de certificação profissional.3. a sua estruturação deve dirigir-se à criação de capacidades necessárias aos respectivos desempenhos profissionais ao nível do “saber”. assim. deste modo. privilegiar a que se dirige aos profissionais de SHST.– A identificação das necessidades de formação. formação. sociologia do trabalho. higiene e saúde do trabalho. higiene e saúde do trabalho que se desenvolvem no contexto dos serviços de prevenção. 67 .. desde logo. as estratégias de desenvolvimento destas formações devem. Com efeito. necessários à sua capacitação. O perfil de formação deve. importa ter presente. em particular. neste momento. em simultâneo. tendo em vista a integração da prevenção na dinâmica da empresa. as actividades de segurança. conforme se recomenda no Livro Verde. – O conhecimento da organização da empresa e. da organização dos serviços de segurança. • No âmbito da formação qualificante. No domínio das actividades nucleares. como forma de se operar. A FORMAÇÃO QUALIFICANTE DE PROFISSIONAIS DE SHST • No quadro da reflexão sobre a formação qualificante dos profissionais de SHST. – O plano das actividades específicas complementares. psico-motores e afectivos. avaliação de determinados riscos . da própria actividade dos consultores. a missão e as actividades fundamentais dos serviços de prevenção. teremos o concurso de profissionais de segurança e higiene do trabalho e de profissionais de medicina do trabalho.11.

• Assim. realçar a necessidade de se estruturar a sua formação contínua. A QUALIFICAÇÃO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO • O desempenho profissional necessário à área da segurança e higiene do trabalho supõe a existência de dois níveis de qualificação: Nível superior e nível médio. seja no âmbito dos processos produtivos. – Gerir o processo de utilização de recursos externos nas actividades de prevenção e de protecção. assegurando o enquadramento e a orientação técnica dos profissionais de segurança e higiene do trabalho. assim. o carácter polivalente destas profissões na área da segurança e higiene do trabalho. – Coordenar tecnicamente as actividades de segurança e higiene do trabalho. caberá ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho: – Colaborar na definição da política geral da empresa relativa à prevenção de riscos e planear e implementar o correspondente sistema de gestão. A formação contínua deve. bem como as competências de operacionalização de medidas preventivas.11. – Desenvolver processos de avaliação de riscos profissionais. – Por outro lado. importa. os respectivos objectivos globais da actividade deverão marcar dois aspectos fundamentais: – Por um lado. programar e desenvolver medidas de prevenção e de protecção.4. seja no âmbito das metodologias preventivas. bem como a permanente actualização face a todo o quadro de desenvolvimento tecnológico. constituindo um referencial obrigatório para as renovações dos certificados de aptidão profissional. – Desenvolver a integração da prevenção nos sistemas de informação e de comunicação da empresa. sem a qual não lhes será possível desenvolver competências em domínios específicos (como.• Se bem que a qualificação destes profissionais seja obtida a partir de uma formação inicial. 68 . as competências de coordenação e controlo das actividades de prevenção e de protecção. por exemplo. – Conceber. – Assegurar a organização da documentação necessária à gestão da prevenção na empresa. integrar o próprio processo de certificação profissional. – Promover a informação e a formação dos trabalhadores e demais intervenientes nos locais de trabalho. o campo das actividades de risco elevado). 2. Assim. contudo.

no trabalho. – Colaborar no desenvolvimento das relações da empresa com os organismos da rede de prevenção. – Colaborar no desenvolvimento de processos de consulta e de participação dos trabalhadores. postos e processos de trabalho.– Dinamizar processos de consulta e participação dos trabalhadores. estimando que ele venha a constituir um factor determinante da boa dinamização da formação destes profissionais. – Colaborar no processo de avaliação de riscos profissionais. – Colaborar na integração da prevenção no sistema de comunicação da empresa. – Colaborar no processo de utilização de recursos externos nas actividades de prevenção e de protecção. a Comissão do Livro Branco tomou em boa conta os desenvolvimentos entretanto operados no Sistema Nacional de Certificação Profissional. – Desenvolver e implementar medidas de prevenção e de protecção. o técnico (de nível médio) de segurança e higiene do trabalho deverá: – Colaborar no planeamento e na implementação do sistema de gestão da prevenção da empresa. Por sua vez. • No âmbito da “certificação por equiparação” dos técnicos que se encontram em exercício nesta área. • Em todo o quadro de estruturação do sistema de qualificação dos técnicos de segurança e higiene do trabalho em curso. importa acelerar o processo da sua qualificação. 69 . – Colaborar na concepção de locais. – Assegurar a organização da documentação necessária ao desenvolvimento da prevenção na empresa. – Desenvolver as relações da empresa com os organismos da rede de prevenção. a qual deverá ser alicerçada na criteriosa valoração da sua experiência profissional. – Colaborar em processos de informação e de formação dos trabalhadores e demais intervenientes nos locais de trabalho. com o apoio técnico do IDICT e a participação de peritos dos Parceiros Sociais. sem prejuízo da formação complementar específica que se venha a revelar necessária para se garantirem os níveis de qualidade do desempenho indispensáveis aos serviços que visam promover a segurança e a higiene dos trabalhadores.

sem prejuízo de objectivos relacionados com a investigação nos domínios em causa. desenvolvimentos recentes quanto aos enfermeiros do trabalho. exercidas por factores de natureza profissional sobre a saúde dos trabalhadores. É através desta associação estreita entre os objectivos de formação e as capacidades necessárias ao desempenho profissional dos médicos do trabalho no âmbito das actividades nucleares dos serviços de prevenção. • A formação em medicina do trabalho deve configurar-se como formação complementar especializada. positivas ou negativas. “doenças relacionadas com o trabalho” e acidentes de trabalho. segurança e bem estar dos trabalhadores. – Contribuir para a concepção. – Participar no planeamento. fundamentalmente. ainda. com especial incidência nos aspectos especificamente relacionados com os riscos profissionais e concretizar as decorrentes medidas de prevenção. – Participar em processos de inovação tecnológica e mudança organizacional na empresa. em particular com os de Produção e de Recursos Humanos. ao nível dos médicos do trabalho. da mera protecção da saúde e das 70 . – Planear. Higiene e Saúde no Trabalho e cooperar com os restantes sectores empresariais. verificando-se. – Contribuir para a caracterização das influências.11. execução e avaliação de acções e programas de promoção da saúde nos locais de trabalho. de capacidades e de atitudes necessárias ao desempenho profissional no âmbito das actividades de saúde do trabalho dos serviços de prevenção. Assim. A QUALIFICAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DO TRABALHO • As intervenções específicas dos profissionais da saúde desenvolvem-se. designadamente as que conduzem à ocorrência de doenças profissionais. que visa estimular a aquisição de conhecimentos. execução e avaliação de acções e programas de vigilância ambiental. intervindo numa perspectiva de concepção de situações de trabalho favoráveis à saúde. que se deverá fazer evoluir a abordagem da medicina do trabalho.2.5. – Trabalhar em equipa com os demais profissionais da área da Segurança. executar e avaliar acções e programas de vigilância médica da saúde dos trabalhadores. de natureza profissionalizante. bem como para a concretização das decorrentes medidas de prevenção. os objectivos de formação destes cursos devem ser centrados em: – Identificar os principais problemas do âmbito da Saúde do Trabalho e participar na definição de estratégias globais tendentes à protecção e promoção da saúde dos trabalhadores.

De facto. – Reconhecimento da formação qualificante. O SISTEMA DE QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • Toda a actividade relacionada com os serviços de prevenção está. sem o desenvolvimento adequado deste sistema de qualidade. • Assim. – Desenvolver acções no sentido da promoção da saúde no local de trabalho e de estilos de vida mais seguros e saudáveis.condições físicas dos trabalhadores. muitas vezes. os seguintes: – Certificação de profissionais. na medida em que as suas finalidades situam-se no âmbito de valores essenciais da vida humana (a integridade física e psíquica dos trabalhadores). a sua energia física e psíquica e. de forma integrada. sujeita a um sistema de qualidade. que a prevenção de riscos profissionais se resolve nos locais de trabalho. de acordo com a própria evolução do conceito de saúde do trabalho. julgando-se. também. • Por sua vez. por outro lado. • Este sistema de qualidade não tem sido suficientemente compreendido no nosso país quanto à área da SHST. cada vez mais. a vivência do trabalho assume-se como uma dimensão crescente da própria organização social. – Desenvolver acções de sensibilização e formação tendo em vista aumentar o potencial de saúde (incluindo a formação em primeiros socorros). para uma intervenção que equacione. – Autorização de prestação de serviços. – Normalização de procedimentos.12. as leis continuarão a ter um grau de efectivo cumprimento reduzido e as Inspecções não conseguirão ser muito eficazes nas suas actuações. objecto de controlo público. é possível identificar na área da SHST como principais vectores deste sistema de qualidade. os factores psico-sociais. – Avaliação da actividade dos serviços de prevenção. a formação dos enfermeiros de trabalho deverá reportar-se ao domínio próprio da sua intervenção. apenas. através da produção de leis e da fiscalização do seu cumprimento. De facto. 2. em que se poderão evidenciar as seguintes funções: – Colaborar com o médico do trabalho na realização de exames de saúde. • O desenvolvimento integral do sistema de qualidade na área da SHST não só corresponde a uma parte muito significativa dos vectores do sistema nacional de pre- 71 . necessariamente. os cidadãos investem no trabalho.

como. • Estas intervenções deverão materializar-se em actos de controlo inicial e de controlo continuado (acompanhamento) da actividade dos profissionais e dos serviços de SHST. para desenvolver a qualidade da actividade dos serviços de prevenção. 72 . – Qualidade dos procedimentos técnicos utilizados na avaliação de riscos. dotados de competência especializada. confundir tal sistema com o Sistema Nacional da Qualidade.. Com efeito. quando tais normativos obrigam a este sistema. • A acção principal de tais organismos reguladores da qualidade deve. higiene e saúde do trabalho. clarificar que os sistemas de inspecção (seja a Inspecção do Trabalho. comerciais. conforme o previsto no DL 441/91. – Qualidade da formação que qualifica aqueles profissionais. no universo dos vectores deste sistema de qualidade. num sistema regulador da: – Qualidade da actividade dos profissionais de segurança e higiene do trabalho e dos profissionais de saúde do trabalho. E. acreditação e auditoria. de serviços. seja a Inspecção da Saúde) agem directamente no universo das empresas (industriais. de 14 de Novembro.) ao nível das suas condições de trabalho e não. reconhecidos na lei. o qual supõe a adesão voluntária e aponta para objectivos de qualidade que estão para além de níveis mínimos. no âmbito dos procedimentos de avaliação de riscos profissionais. inclusivé. – Reconhecimento da formação qualificante daqueles profissionais. • Importa.venção de riscos profissionais. não se devendo. • O sistema de qualidade em SHST traduz-se.. – Certificação de profissionais de SHST. – Normalização técnica. assim. aquela actividade inspectiva só será eficaz na medida em que se possa apoiar na acção de outros Organismos. visam garantir níveis mínimos obrigatórios de qualidade. consequentemente. a transparência do mercado de profissionais e de serviços de SHST. directamente. a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais desta área e. – Qualidade dos serviços prestados pelas empresas de segurança. centrar-se nas seguintes intervenções fundamentais: – Licenciamento de empresas de prestação de serviços de SHST. constitui um pressuposto fundamental da nova abordagem trazida pela Directiva-Quadro. afinal. através de metodologias próprias dos processos de certificação. por isso. – Qualidade das actividades fundamentais desenvolvidas pelos serviços de prevenção das empresas. por isso.

sujeita a certificação dos respectivos profissionais. mais próprios da subcontratação. Tal actualização deveria pressupor um sistema de formação contínua. conforme tradição da própria legislação desta área. ainda. • A sua certificação deverá desenvolver-se ao nível de um processo inicial. obrigatoriamente. 73 . • O sistema de certificação dos profissionais de segurança. – Níveis de qualificação.Na medida em que tais processos terão de ser coordenados pela Administração do Estado. julga-se que nesta fase não é premente desenvolver o processo da acreditação dos consultores. de resto.12. CERTIFICAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SHST • A actividade profissional na área da SHST deve ser. como decorre das considerações já feitas a propósito do sistema de qualidade e. desenvolver-se no contexto da responsabilidade destes profissionais. importa que junto dos respectivos organismos (nomeadamente. que a gestão do recurso à consultoria deverá. conjugado com o exercício efectivo da profissão. Assim. 2. contará com o enquadramento dos profissionais de SHST (técnicos de segurança e higiene no trabalho ou médicos do trabalho) que estejam responsáveis pelo desenvolvimento dos serviços de prevenção na empresa. IDICT e DGS) sejam rapidamente desenvolvidas competências e recursos no âmbito destas metodologias e que toda a produção normativa no âmbito da SHST passe a equacionar adequadamente tais abordagens. para garantia da permanente actualização científica e técnica dos profissionais.1. – Perfis profissionais. – Normas de certificação. No âmbito desta actividade profissional será de considerar as profissões correspondentes às actividades nucleares dos serviços de prevenção (técnicos de segurança e higiene do trabalho e médicos do trabalho). – Perfis de formação. e de um processo continuado de renovação periódica daquele certificado. higiene e saúde do trabalho deverá equacionar como fundamentais os referenciais seguintes: – Princípios deontológicos. em face da necessidade de se concentrarem esforços no incremento da qualificação dos profissionais de segurança. No que respeita aos consultores. sempre. higiene e saúde do trabalho e considerando. a ser concretizado na emissão de um certificado de aptidão profissional. julga-se que a sua intervenção por se reportar a domínios especializados.

• No domínio da qualificação dos formadores há que perspectivar políticas públicas de investimento. nomeadamente. – Reconhecimento académico: – Reconhecimento do sistema de certificação profissional. • No âmbito do reconhecimento de cursos de formação qualificante deverão ter-se presentes os seguintes referências fundamentais: – Conteúdos fundamentais de formação. – Sistema de avaliação dos formandos. seja em termos quantitativos. da Administração do Trabalho e da Administração da Saúde e a liderança da sua execução deve ser adjudicada a organismos detentores de competências abrangentes nas áreas em causa (segurança e higiene do trabalho/saúde do trabalho). – A acreditação das formações. por se reconhecer a necessidade do seu quadro ser rápida e substancialmente desenvolvido. considera-se conveniente um sistema de auditorias aos cursos reconhecidos. QUALIDADE DA FORMAÇÃO QUALIFICANTE • No âmbito da qualidade da formação serão de salientar dois aspectos fundamentais: – A qualificação de formadores. 2. – Reconhecimento das tutelas (Ministérios). através de apoios a pós-graduações e à investigação que permita a constituição de uma bolsa de formadores a disponibilizar para o mercado da formação. 74 . a quem deverá competir o reconhecimento das formações qualificantes. a qual prejudica a conjugação entre os sistemas seguintes: – Reconhecimento do sistema educativo. • A perspectiva a traçar no domínio da acreditação da formação. – Reconhecimento das Ordens. como forma de garantir em permanência a qualidade da própria formação. – Organização da formação. seja em termos qualitativos.12.• A estruturação destes processos de certificação profissional devem ser centrados no âmbito dos sistemas da Certificação Profissional. Por outro lado.2. deverá diagnosticar a desarticulação actualmente existente. – Duração da formação. – Acreditação de empresas/organizações de formação.

2.12.3. QUALIDADE DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS • A problemática da qualidade dos procedimentos técnicos conhece uma considerável acuidade no âmbito das actividades de prevenção de riscos profissionais, particularmente no que respeita à avaliação de riscos. O enquadramento normativo, actualmente existente neste âmbito, reporta-se ao papel dos “organismos de referência”, os quais estariam integrados no Sistema Português da Qualidade e teriam por função “assegurar, sempre que necessário, a validação técnica de resultados”. Sucede, todavia que este enquadramento legal não se afigura adequado, quando põe a tónica no controlo de resultados e não no controlo dos procedimentos, além de que a definição dada a “organismos de referência” não tem correspondência com a realidade nacional que se verifica no quadro da comunidade técnico-científica. De facto, não existem organismos desta natureza com vocação abrangente para as áreas da segurança e higiene do trabalho e da saúde do trabalho e, muito menos, com reconhecimento no âmbito do Sistema Português da Qualidade. Aliás, ainda que a aproximação do Sistema Nacional da Qualidade face aos procedimentos da prevenção de riscos profissionais seja algo que deva figurar no horizonte, todavia, não deve ser consignado normativamente no plano jurídico. • Julga-se, assim que a qualidade dos procedimentos técnicos, a prever no plano jurídico, poderia ser garantida e desenvolvida a partir dos pilares seguintes: – Sistema de autorização (funcionamento e acompanhamento) de empresas prestadoras de serviços de segurança, higiene e saúde do trabalho; – Normas-guia (directrizes) a desenvolver pelos Departamentos gestores do sistema de segurança e higiene do trabalho (IDICT) e do sistema de saúde do trabalho (DGS), os quais, para o desenvolvimento desta actividade, deveriam suscitar a colaboração da comunidade técnico-científica e promover processos da sua consensualização no plano da concertação social. 2.12.4. QUALIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SHST • É previsível, e desejável, um considerável desenvolvimento do mercado de prestação de serviços de SHST que configure a emergência de uma nova actividade económica, na área dos serviços, até pela circunstância da estrutura empresarial nacional, mesmo no sector industrial, estar a evoluir, muito rapidamente, para empresas de pequena e média dimensão. Importa, contudo, estabelecer um adequado sistema regulador desta prestação de serviços, como forma de se garantir a sua qualidade mínima, a par de um adequado desenvolvimento da sua concorrência no mercado e da própria transparência dos procedimentos licenciadores da Administração do Estado.

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• Este sistema de qualidade passa por um regime de autorização de funcionamento das empresas prestadoras de serviços que deverá equacionar referenciais de avaliação nos planos seguintes: – Regularidade jurídico-administrativa; – Qualidade dos procedimentos técnicos; – Recursos tecnológicos; – Suficiência e qualidade dos recursos humanos. • Tal regime deverá ser configurado como um processo de licenciamento, gerido por uma entidade coordenadora (o IDICT) com a cooperação de outras entidades do sistema de controlo público da área da SHST (a DGS e a IGT). Este processo deve incluir procedimentos de autorização inicial e de acompanhamento. • A autorização inicial deverá passar pela análise do projecto de constituição da empresa prestadora de serviços, pela avaliação da sua capacidade face às áreas de intervenção e aos sectores de actividade económica em que se propõe actuar e pela verificação da conformidade do projecto com os recursos efectivamente existentes, o que deve implicar, da parte da entidade licenciadora, o desenvolvimento de metodologias de vistoria, sem o que aquele procedimento assumirá uma natureza meramente formal e burocrática sem conferir ao mercado as necessárias expectativas de confiança. • Afigura-se, ainda, necessário que esta autorização inicial seja sequenciada por um sistema de acompanhamento que garanta a manutenção dos necessários padrões de qualidade. Este acompanhamento deverá incluir procedimentos de relação duradoura entre o prestador de serviços e a entidade licenciadora, através de um sistema de informação (registos, comunicações e averbamentos) e de auditorias periódicas que determine nas empresas prestadoras de serviços a necessidade de envolvimento destas organizações num sistema permanente de informação (técnica), de actualização (quanto a equipamentos e a procedimentos) e de desenvolvimento de competências (recursos humanos). O conceito de “controlo”, subjacente às acções de acompanhamento, assume aqui uma significação de “qualidade”, com diferente natureza do controlo inspectivo (assegurado pela Inspecção do Trabalho e pela Inspecção da Saúde) no qual estará em causa uma continuada avaliação dos resultados (nos locais de trabalho, ao nível das condições de segurança e saúde no trabalho). Sendo diferentes no objecto e na metodologia, o controlo de qualidade e o controlo inspectivo não se opõem, devendo, aliás, serem desenvolvidos numa linha de crescente complementaridade.

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2.12.5. AVALIAÇÃO DA ACTIVIDADE DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO • No âmbito dos serviços de prevenção, constituídos na empresa, importa prever todo um sistema de avaliação da sua actividade, com base nos seguintes referenciais fundamentais: – Qualificação dos profissionais afectos; – Suficiência dos recursos disponibilizados; – Qualidade dos procedimentos técnicos utilizados; – Qualidade da subcontratação de serviços realizada; – Indicadores relativos às condições de segurança e de saúde dos trabalhadores. Neste contexto todas as empresas deverão elaborar anualmente um relatório de actividades de segurança, higiene e saúde no trabalho que se reporte ao planeamento efectuado, à actividade desenvolvida pelos serviços de prevenção e aos resultados obtidos. A importância deste documento leva-nos ainda a considerar que: – Deverá conhecer uma estrutura simples para se constituir, efectivamente, como instrumento de trabalho de finalidades diversas; – Deverá reunir a informação necessária para que seja utilizado como instrumento de auto-avaliação da empresa; – Deverá permitir à Administração do Estado fazer a avaliação da qualidade dos serviços de prevenção (internos e externos) e intervir, se necessário, no sentido de induzir o serviço de prevenção a recuperar os adequados níveis de qualidade; – Deverá ainda permitir a alimentação do sistema de informação nacional sobre as condições de trabalho nos locais de trabalho. • No que respeita às pequenas e micro-empresas, onde as actividades de prevenção e de protecção sejam asseguradas pelo próprio “empregador” ou por “trabalhador designado”, este sistema de avaliação deverá ser, conforme já se referiu, objecto de reforço, através da obrigatoriedade de realização de auditorias periódicas a desenvolver por empresas prestadoras de serviços de segurança, higiene e saúde do trabalho, devidamente acreditadas. Estas auditorias devem perspectivar-se mais em termos de diagnóstico de orientação do que em termos de verificação de mera conformidade, no sentido de potenciarem o desenvolvimento efectivo das actividades de prevenção e a correcta gestão dos recursos humanos (internos e externos) a elas afectos.

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em última análise. 78 . tais auditorias constituiriam um instrumento de ponderação no sistema de autorização a prever na adopção destas modalidades (“serviços internos simplificados”). a própria suspensão destas modalidades organizativas. na medida em que dos seus resultados poderia resultar quer a prescrição de medidas a observar pelas empresas. quer.Por outro lado.

Entende esta Comissão que a dinamização dos Serviços de Prevenção nas empresas supõe o desenvolvimento articulado de um conjunto de medidas fundamentais com a natureza seguinte: – Medidas legislativas – Medidas não legislativas Entre as medidas não legislativas. decorrente da Directiva-Quadro da União Europeia.1. CONCLUSÕES • Chegados ao fim desta reflexão sobre os Serviços de Prevenção. Actividades dos serviços de prevenção – Definição das actividades nucleares dos serviços de prevenção referidas neste Livro Branco. evidenciam-se: – As medidas estratégicas – As medidas operacionias Por fim. julgou-se ainda conveniente dar uma indicação sobre o carácter temporal que deve marcar a adopção de tais medidas: – Urgentes – Curto prazo – Médio prazo Medida 1 Âmbito Regime de organização e funcionamento dos serviços de prevenção Natureza Legislativa Carácter Curto prazo 1. Missão dos Serviços de Prevenção – Enquadramento da acção dos serviços de prevenção. apresentam-se de seguida as respectivas conclusões. 1.3. para que o seu papel se torne claro junto dos actores da prevenção e para que a sua filosofia de funcionamento fique em sintonia com a nova abordagem da prevenção integrada. em função dos seguintes domínios fundamentais da gestão da prevenção: – Planeamento e avaliação. – Organização.2. 79 . – Medidas de prevenção e de protecção. assinalando de forma programática e concisa a sua missão.

tendo em conta a sua estrutura e dimensão. – Recursos internos mínimos que assegurem respostas adequadas às situações de perigo grave e iminente e ao desenvolvimento de acções de emergência (primeiros socorros.1). Sistema de gestão da segurança. higiene e saúde do trabalho na empresa – Consideração no plano normativo do princípio fundamental de que todas as empresas devem estruturar um sistema de gestão da segurança. – Clarificação do papel do “trabalhador designado para acompanhar a actividade dos serviços externos”. conforme reflexão efectuada neste Livro Branco. – Consideração no âmbito de tal sistema de gestão dos seguintes elementos fundamentais: – Uma coordenação que garanta a complementaridade e a convergência dos recursos utilizados (internos e externos).vd. prevista no regime actual. com tradução nos seguintes níveis: – Reconhecimento da capacidade suficiente dos serviços externos susceptíveis de serem contratados. prevista no regime actual. medidas 12. combate a incêndios e evacuação de trabalhadores). à probabilidade e à gravidade dos riscos potenciais associados às actividades de risco elevado. higiene e saúde do trabalho enquadrador de todos os recursos afectos ao sistema produtivo. Sectores e actividades de risco elevado – Definição dos sectores e actividades de risco elevado. – Sistema de formação contínua específica dos profissionais de SHST afectos a estas actividades. medida 3.4.1 e 18. – Eliminação da figura do “Director de Serviços”. 1. especificada na respectiva licença de autorização (classe de acreditação .1).3. – Consideração do dimensionamento e da qualificação destes recursos em atenção à natureza.1. 80 . – Previsão do reforço da estruturação dos serviços de prevenção nas empresas destes sectores ou que desenvolvam estas actividades. no sentido de lhe ser conferido um estatuto de representante do empregador que disponha de capacidade suficiente para desenvolver o sistema de gestão da prevenção na empresa (vd.

vd. – Condicionamento do exercício à própria empresa e sob compromisso de permanência habitual do empregador no estabelecimento em causa.7 e 1.9. 3 e 4.7.12). – Interdição à área da medicina do trabalho. da probabilidade e da gravidade dos riscos (de acidente de trabalho e doença profissional) e da sua distribuição na empresa ou no estabelecimento. medida 4).6. 1.3). medida 1. medidas 1. com base nos factores seguintes: – Qualificação dos profissionais afectos (vd. – Interdição em estabelecimentos com mais de 9 trabalhadores. medidas 1. – Estabelecimento de princípios orientadores da selecção da modalidade de serviços de prevenção na base da natureza.3). Modalidades dos serviços de prevenção – Consagração do princípio da flexibilização na escolha dos modelos organizativos em função de estratégias de obtenção de resultados. sempre que necessários. 81 . equacionando os seguintes constrangimentos: – Interdição em sectores e actividades de risco elevado (vd. – Obrigação de utilização de recursos externos complementares.4).8).– Interdição de formas simplificadas de organização dos serviços de prevenção (actividades asseguradas pelo empregador e por trabalhador designado . medida 1. Serviços assegurados pelo empregador – Regulação desta modalidade.5. – Previsão do conjunto de modalidades de organização dos serviços de prevenção que é equacionado neste Livro Branco. 1. medida 1. – Qualidade da subcontratação de serviços realizada (vd. – Condicionamento a um sistema de autorização administrativa. sem prejuízo da existência de uma estrutura de coordenação interna e de alguns recursos privativos (vd. medida 1. – Qualidade dos procedimentos técnicos utilizados (vd. Serviços internos – Definição dos requisitos mínimos de constituição dos serviços internos. – Suficiência dos recursos disponibilizados (vd.2). 1.

– A exploração de alternativas ao regime vigente face à actual dimensão do universo da intervenção do SNS.9. em alguns casos. 1.12. Serviços externos – Regulação da configuração contratual (forma e termos) do recursos a serviços externos. medida 3.8.10. – Definição do perfil funcional deste interveniente. ao nível do alargamento da periodicidade dos exames de saúde. Sistema de qualidade dos serviços de prevenção – Estruturação do sistema de qualidade dos serviços de prevenção com base nos seguintes vectores: 82 .– Sujeição a uma avaliação periódica anual do desempenho (obrigatoriedade de realização de auditorias a desenvolver por empresas prestadoras de serviços de segurança e higiene do trabalho. devidamente acreditadas para o efeito .7). bem como do respectivo sistema de formação habilitante e processo do seu reconhecimento (vd.11. 1. 1. medida 3). Serviços assegurados por trabalhador designado pelo empregador – Previsão desta modalidade e regulação nos mesmos termos da modalidade de serviços assegurados pelo empregador (vd. seja ao nível da redução do campo dos grupos especiais a quem é possibilitado o recurso ao SNS. – Previsão de um sistema de acreditação (regime de autorização) dos serviços externos susceptíveis de serem contratados (vd. medida12).1).vd. seja. medida 1. – A real capacidade actual dos recursos do SNS. Serviços de medicina do trabalho prestados pelo Serviço Nacional de Saúde – Perspectivação de um regime de acesso ao SNS que tenha em conta a conjugação dos seguintes factores: – A necessidade de fortalecer a capacidade de resposta do SNS. 1. Serviços interempresas – Exclusão desta modalidade. 1.

conforme reflexão efectuada neste Livro Branco. dado ele situar-se no domínio de níveis mínimos obrigatórios. Medida 2 Âmbito Regimes especiais de organização dos serviços de prevenção Natureza Legislativa Carácter Curto prazo 2.8. – Homologação da formação qualificante daqueles profissionais e da formação habilitante de outros intervenientes relevantes (trabalhador designado e empregador que assuma actividades de segurança e higiene do trabalho) . medida 6). – Consagração daquela flexibilização ao nível das actividades de segurança e higiene do trabalho. 4. – Avaliação das actividades desenvolvidas pelos serviços de prevenção das empresas (vd. conhecer a respectiva definição normativa específica. conferindo-lhe força jurídica.7. 1.4 e 12). higiene e saúde do trabalho (vd. o qual deverá. Sectores e grupos especiais – Definição dos sectores e grupos especiais. – Atribuição de competências para o desenvolvimento dos processos deste sistema de qualidade através de metodologias próprias de certificação. através de regimes especiais de serviços de prevenção adequados às suas especificidades. ser desenvolvido no âmbito da segurança e saúde dos trabalhadores e ser objecto de controlo público. Tal sistema não deverá ser confundido com o controlo inspectivo que se dirige à avaliação das condições de trabalho nos locais de trabalho. medida 4). medida 5). naturalmente. – Normalização dos procedimentos técnicos utilizados na avaliação de riscos (vd. – Previsão e enquadramento em forma adequada do funcionamento deste sistema de qualidade. acreditação e auditoria.– Qualificação dos profissionais de segurança e higiene do trabalho e dos médicos do trabalho (vd. – Ponderação para alguns destes sectores e grupos sobre: 83 . – Acreditação de empresas prestadoras de serviços de segurança. – Flexibilização do sistema de gestão da prevenção nos locais de trabalho destes sectores. medida 3).1. medidas 1.(vd.

– Sistema de registos. medida 1. – Emissão de licenças (provisórias e definitivas) de funcionamento. – O eventual alargamento da periodicidade dos exames de saúde (vd. – Classes de acreditação: • Competência geral. – Sistema de acompanhamento (auditorias periódicas). – Subordinação dos serviços (externos) de natureza associativa a este sistema de acreditação. – Definição da entidade coordenadora do processo de acreditação (IDICT) e das entidades a consultar (DGS e IGT). Medida 3 Âmbito Regime de acreditação de serviços externos Natureza Legislativa Carácter Urgente 3. – Parâmetros de apreciação. tendo em conta a relevância das suas especificidades para as actividades de prevenção. – Inclusão em tal sistema dos seguintes vectores: – Requisitos jurídico-administrativos.8). higiene e saúde do trabalho. – Previsão das seguintes especificações relativas à acreditação: – Áreas de actividade (segurança e higiene do trabalho e saúde do trabalho) do prestador de serviços.– A capacidade efectiva do SNS para a prestação de serviços de medicina do trabalho (vd. medidas 1. • Competência para sectores e actividades de risco elevado. Estruturação de um sistema de acreditação de serviços externos de segurança. medida 1.11).7 e 1. – Sistema de apreciação baseado em análise de documentos e vistoria. – Sectores de actividade económica em que o prestador se propõe exercer actividade.1.11). 84 . comunicações obrigatórias e averbamentos. • Competência para auditar as empresas que estejam no regime de serviços de prevenção simplificados (vd.

3. 4.(vd. sempre que necessário. – Estruturação deste processo no âmbito do sistema nacional de certificação profissional com a orientação técnica do organismo detentor de competências abrangentes na área em causa (o IDICT). Certificação dos médicos do trabalho – Uniformização do sistema de certificação profissional dos médicos do trabalho. – Estruturação do sistema de certificação por equiparação dos técnicos em exercício. a um processo de certificação profissional específico. complementada. – Perfis de formação (reportados às competências nos domínios do saber. – Não se afigura necessário. – Normas de certificação (conducentes à emissão do certificado de aptidão profissional e sua renovação periódica). do saber-fazer e do saber-ser) .Medida 4 Âmbito Regime de qualificação dos profissionais de segurança. medida 1.1. – Perfis profissionais (reportados às actividades nucleares a desenvolver no âmbito da segurança e higiene do trabalho) . – Referenciação deste sistema de certificação aos seguintes vectores: – Princípios deontológicos (reportados ao domínio próprio da segurança e saúde dos trabalhadores). com formação específica. 4.2. na fase actual. medida 4. com base na valoração da experiência profissional.(vd. a estruturação de um sistema de acreditação para estes consultores.4).2). – Níveis de qualificação (superior e médio). higiene e saúde do trabalho Natureza Legislativa Carácter Urgente 4. Certificação dos técnicos de segurança e higiene do trabalho – Condicionamento legal do exercício da actividade profissional. no âmbito das actividades nucleares de segurança e higiene do trabalho. 85 . Actividade dos consultores – Enquadramento da actividade dos consultores em domínios específicos e no âmbito da responsabilidade técnica dos profissionais certificados ou das empresas de SHST acreditadas que hajam sido contratadas.

1). – Duração da formação. medida 4. deste sistema de organização dos serviços de prevenção. O enquadramento legal deste sistema deverá atribuir competências àqueles Departamentos e estabelecer o modo da elaboração e a natureza das Normas-Guia a emitir por aqueles Departamentos (vd.4. a ser desenvolvido pelos Departamentos gestores do sistema de segurança e higiene do trabalho (IDICT) e do sistema de medicina do trabalho (DGS).4. medida 18. Qualidade dos procedimentos técnicos – Exclusão dos “organismos de referência”.1. Medida 5 Âmbito Regime enquadrador dos procedimentos técnicos de avaliação de riscos Natureza Legislativa Carácter Curto prazo 5. Formação qualificante dos profissionais de segurança e higiene do trabalho e dos médicos do trabalho – Estruturação da formação qualificante destes profissionais através de formação inicial e de formação contínua (vd. com base no seguinte painel de referenciais: – Conteúdos fundamentais de formação. – Criação de um sistema de Normas-Guia neste domínio. – Previsão de um sistema de acompanhamento dos cursos reconhecidos (auditorias periódicas). – Sistema de avaliação dos formandos. aferidos pelos referenciais dos respectivos perfis profissionais (vd. 86 .2). – Organização da formação. – Configuração da formação qualificante em medicina do trabalho como formação complementar especializada. – Estruturação do sistema de reconhecimento de cursos de formação qualificante destes profissionais. – Atribuição de competências de gestão deste sistema ao IDICT (quanto à formação de técnicos de segurança e higiene do trabalho) e à DGS (quanto à formação de médicos do trabalho). medida 12). previstos na legislação actual.

– Qualidade dos procedimentos técnicos utilizados. se necessário. – Permitir. Estruturação de um sistema de avaliação da actividade dos serviços de prevenção – Ter em conta nesse sistema. – Qualidade da subcontratação de serviços realizada. 87 . ainda. – Indicadores relativos às condições de segurança e saúde no trabalho. 6. – Suficiência dos recursos disponibilizados.1. os referenciais seguintes: – Qualificação dos profissionais afectos. Representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde do trabalho – Regulamentação do processo de eleição dos representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho e do respectivo regime de protecção.2. Medida 7 Âmbito Participação Natureza Legislativa Carácter Urgente 7. no sentido de induzir o serviço de prevenção a recuperar os adequados níveis de qualidade. efectivamente. – Permitir à Administração do Estado fazer a avaliação da qualidade dos serviços de prevenção (externos e internos) e intervir. como instrumento de trabalho de finalidades diversas. Estruturação de um modelo de relatório anual de actividades de prevenção – Ter em conta na estrutura desse relatório. – Reunir informação necessária à sua utilização como instrumento de auto-avaliação da empresa. a alimentação do sistema de informação nacional sobre as condições de trabalho nos locais de trabalho (vd.2).1. medida 9.Medida 6 Âmbito Regime dos instrumentos de informação e avaliação da actividade dos serviços Natureza Legislativa Carácter Urgente 6. as características seguintes: – Ter uma estrutura simples para se constituir.

Redefinição do Conselho Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho – Reformulação da missão do Conselho à luz das novas estratégias da Prevenção (Directiva-Quadro da UE e Convenção 155 da OIT). Reactivação do Conselho Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho 9. tendo em vista o estabelecimento de um ambiente de concertação.1. Avaliação de políticas de segurança e saúde no trabalho – Realização periódica de diagnósticos de avaliação da execução dos Acordos e outros instrumentos de definição de políticas e medidas concertadas para a segurança e saúde no trabalho. com um particular envolvimento do Ministério da Saúde.1. Organismos da Administração do Estado com intervenção relevante nos eixos do Sistema Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais e Regiões Autónomas. 88 . medida 9). – Perspectivação da constituição do Conselho na base dos Parceiros Sociais. – Perspectivação do funcionamento do Conselho na base de reuniões plenárias e comissões temáticas que contemplem as seguintes áreas fundamentais: – Educação e Formação – Qualidade – Informação – Investigação – Administração Pública – Licenciamento e Inspecção Medida 9 Âmbito Definição e avaliação de políticas de segurança e saúde no trabalho Natureza Estratégica Carácter Urgente/ Curto prazo 9. – Enquadramento do Conselho no âmbito da esfera de acção do Ministério do Trabalho.Medida 8 Âmbito Conselho Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho Natureza Legislativa Carácter Urgente 8. – Atribuição da presidência do Conselho ao Membro do Governo responsável pela área das condições de trabalho e da vice-presidência e do secretariado do Conselho ao IDICT.2. coordenação e avaliação de políticas nacionais e de programas de acção (vd.

– Fornecer indicadores relevantes para a prevenção de riscos profissionais (sector de actividade económica. tendo em vista o desenvolvimento sustentado dos eixos do Sistema Nacional de Prevenção de Riscos Profissionais. indicadores relativos a acidentes de trabalho e doenças profissionais). Sistema estatístico de acidentes de trabalho e de doenças profissionais – Reestruturação deste sistema. – Sistema de inquéritos periódicos. – Estruturação de um sistema de tratamento da informação dos sistemas de licenciamento e dos sistemas inspectivos relevantes. 89 . em particular: – A formação. – Sistema de tratamento da informação dos relatórios da actividade dos Serviços de Prevenção das empresas e das notificações obrigatórias.1.1. – Disponibilizar dados em tempo oportuno. Medida 11 Âmbito Apoios públicos às medidas de política de segurança e saúde no trabalho Natureza Estratégica Carácter Urgente 11. – A investigação. – Estruturação de um sistema específico de avaliação da efectivação das Directivas Comunitárias sobre segurança e saúde no trabalho. – A informação. Programas operacionais – Reformulação dos programas operacionais de apoio à segurança e saúde no trabalho. causas.– Estruturação de um sistema nacional de informação sobre as condições de trabalho nos locais de trabalho: – Elaboração de painel de indicadores relevantes. tendo em vista: – Abranger todos os sectores de actividade. Medida 10 Âmbito Estatísticas de acidentes de trabalho e de doenças profissionais Natureza Operacional Carácter Urgente 10. – Contemplar toda a população activa empregada.

medida 1.7) – Formação habilitante (inicial e contínua) de trabalhadores designados pelo empregador para assegurar actividades de segurança e higiene do trabalho (vd. medida 1.1).2.– Configuração em programas enquadradores das prioridades que em cada momento sejam equacionadas no âmbito do Conselho Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.1.8). 12. Medida 13 Âmbito Educação Natureza Estratégica Carácter Médio prazo 13. medida 1.4) – Formação habilitante (inicial e contínua) de empregadores que assumam o exercício de actividades de segurança e higiene do trabalho (vd. – Promoção pelo Estado da disponibilização de instrumentos pedagógicos de apoio à formação daqueles actores. Estruturação do sistema de formação específica de actores da prevenção – Vectores fundamentais a ter em conta: – Formação qualificante (inicial e contínua) de profissionais de SHST (vd. através do enriquecimento dos “curricula” escolares dos diversos níveis de ensino.3). Dinamização do sistema de formação – Desenvolvimento de medidas de apoio público à formação daqueles actores.1. – Formação de representantes dos trabalhadores para a área da segurança e higiene do trabalho (vd. – Formação de representantes dos empregadores que assumam funções de gestão da prevenção na empresa (vd. – Desenvolvimento de medidas de apoio público à formação de formadores. Medida 12 Âmbito Formação de actores do sistema de gestão da prevenção nas empresas Natureza Estratégica Carácter Urgente/ Curto prazo 12. 90 . medida 7. medida 4. Integração da cultura da prevenção no sistema da educação – Adopção de medidas visando a integração da cultura de prevenção no sistema da educação.

1. – Definição de conteúdos de formação relativos à segurança e saúde no trabalho. Medida 14 Âmbito Formação profissional Natureza Estratégica Carácter Curto prazo 14. Medida 15 Âmbito Parceiros sociais Natureza Estratégica Carácter Curto prazo 15.– Adopção de medidas visando o desenvolvimento das competências dos professores no domínio da prevenção.1.1. Reforço da capacidade da Administração – Adopção de medidas dirigidas ao desenvolvimento de competências no plano organizacional e no plano dos recursos humanos que permitam aos organismos-chave (IDICT e DGS) dispôr de capacidade suficiente para assegurarem a dinamização e a coordenação dos recursos nacionais do Sistema de Prevenção dos Riscos Profissionais (vd. Medida 16 Âmbito Gestão do sistema nacional de prevenção de riscos profissionais Natureza Estratégica Carácter Urgente 16. no âmbito da sua formação inicial e contínua. 91 . 4 e 5). adequados às especificidades das capacidades a adquirir pelos formandos. Desenvolvimento da cultura da prevenção no sistema de formação profissional – Adopção de medidas visando o desenvolvimento das competências dos formadores no domínio da prevenção. Reforço da capacidade dos Parceiros Sociais – Adopção de medidas de apoio público ao desenvolvimento de competências dos Parceiros Sociais no âmbito da prevenção. medidas 3.

1. Melhoria da acção inspectiva – Adopção de medidas que garantam um efectivo controlo continuado e coerente sobre os níveis de segurança e saúde nos locais de trabalho.1. 18. particularmente as PME.3. Sistema de gestão da prevenção nas empresas – Elaboração e disponibilização junto dos actores da prevenção de informação técnica específica sobre este domínio. 92 .).1. – Desenvolvimento da cooperação com as entidades licenciadoras das actividades económicas e com as entidades gestoras dos recursos nacionais do Sistema de Prevenção de Riscos Profissionais e do sistema de informação das condições de trabalho. – Elaboração e disponibilização de Normas-Guia no âmbito da qualidade dos procedimentos técnicos (vd.2.Medida 17 Âmbito Inspecção das condições de trabalho Natureza Estratégica Carácter Curto prazo 17. os temas associados ao sistema de gestão da prevenção nas empresas (vd. adaptada à realidade das empresas nacionais. nomeadamente através de: – Envolvimento do Conselho Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho nos processos de planeamento estratégico e avaliação dos resultados da acção inspectiva. Medida 18 Âmbito Informação técnica Natureza Estratégica/ operacional Carácter Curto prazo 18. nomeadamente. medida 1.). medida 5. desenvolvendo. – Desenvolvimento de competências dos seus recursos humanos no âmbito da segurança e saúde do trabalho. Avaliação de riscos profissionais – Elaboração e disponibilização de informação técnica neste domínio.

NOTA FINAL • Conforme mandato conferido à Comissão pelo Senhor Ministro do Trabalho e da Solidariedade. (como sejam os Acordos Sociais de 1991 e 1996). assim. Assim sendo. quer nos referenciais da União Europeia e da OIT (em particular. a Directiva-Quadro e a Convenção 155). por fim. a formular sob a forma de recomendações um conjunto de perspectivas sobre as medidas fundamentais a implementar nos planos legislativo. Procurámos apoiar as nossas reflexões e recomendações quer nas definições estratégicas nacionais já existentes para a segurança e saúde do trabalho. • A Comissão assume.4. com consequências negativas para as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e para a competitividade das nossas empresas. procurou-se ao longo do Livro Branco reflectir sobre os principais vectores da problemática relativa à organização das actividades de segurança. 93 . estratégico e operacional. assim. quer. Tal reflexão levou-nos. na avaliação do estado de desenvolvimento efectivo da prevenção de riscos profissionais nos locais de trabalho. higiene e saúde do trabalho nos locais de trabalho. espera-se que o Livro Branco dos Serviços de Prevenção contribua para a dinamização das medidas de uma política de segurança e saúde do trabalho que se traduza em desenvolvimento efectivo do sistema nacional de prevenção de riscos profissionais e da organização da prevenção nos locais de trabalho. o Livro Branco como oportunidade dos actores políticos e sociais reflectirem sobre a necessidade de ser dada à segurança e saúde do trabalho toda a dinâmica que tem vindo a ser sistematicamente adiada.

RESUMO O LIVRO BRANCO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO recorda as origens da prevenção de riscos profissionais e procura situar a prevenção no quadro dos novos desafios do mundo do trabalho. Em tal conteúdo é analisado o quadro estratégico em que as actividades de segurança e saúde no trabalho devem ser desenvolvidas nas empresas. identificando o seu contributo para o desenvolvimento económico-social do país. a propósito. apresentando-se. 95 . todo um conjunto de reflexões e propostas tendo em vista o desenvolvimento dos recursos e dos modelos da sua organização.

tout un ensemble de réflexions et de propositions en vue du développement des ressources et des modèles de leur organisation. Il analyse le cadre stratégique dans lequel les activités de sécurité et de santé sur le lieu de travail doivent être mises en oeuvre au sein des entreprises et présente. en mettant l’accent sur sa contribution au développement économique et social du pays. 97 .RÉSUMÉ LE LIVRE BLANC DES SERVICES DE PRÉVENTION rapelle les origines de la prévention des risques professionnels et s’efforce de situer la prévention dans le cadre des nouveaux défis du monde du travail. à ce propos.

places prevention within the framework of new challenges in the work world and portrays its contribution to the country’s economic and social development. 99 . Within this context it analyses the ideal strategic framework for developing work safety and health at companies and outlines a series of considerations and proposals for developing companies safety resources and models.SUMMARY THE PREVENTION SYSTEM’S WHITE BOOK recalls the origins of professional risk prevention.

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