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O Prêmio Darwin

WENDY NORTHCUTT

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Sumário

O que são os Prêmios Darwin?


CAPÍTULO 1
Seleção natural: atribulações animais
CAPITULO 2
Relativamente perigoso: assunto familiar
CAPÍTULO 3
Contra a lei: a estupidez criminosa
CAPÍTULO 4
Virando fumaça: fogo e explosões
CAPÍTULO 5
Saltos no escuro: quedas fatais
CAPÍTULO 6
Inteligência militar: uniformizados desinformados
CAPÍTULO 7
Intoxicados de testosterona: os machões
CAPÍTULO 8
Ligações perigosas: sexo inseguro
CAPÍTULO 9
O armário de Daveyjones: destino molhado
CAPÍTULO 10
O brinquedo favorito do homem
CAPÍTULO 11
Ingenuidade fatal: o fim da linha
O que são os Prêmios Darwin?
"0 homem é o único animal que cora de vergonha — e tem motivo
para isso".
Os Prêmios Darwin são uma ilustração da frase de Mark twain

A SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS APTOS

A maioria das pessoas sabe instintivamente que frases como "pode


confiar em mim, acende esse pavio" é uma receita de desastre. Mas não os
ganhadores dos Prêmios Darwin. A maioria das pessoas tem um senso
comum básico que elimina a necessidade de avisos públicos como "Cuidado:
o café está quente!" Mas não os ganhadores dos Prêmios Darwin. Os casos
relatados neste livro mostram que o senso comum não é tão comum assim.
Tem gente que pensa que é uma boa idéia acender um isqueiro
para iluminar um tanque de gasolina. Tem gente que dá festas na praia para
festejar a aproximação de um furacão. Nós aplaudimos a extinção previsível
dessa gente ousada com os Prêmios Darwin, criados em homenagem a
Charles Darwin, o pai da evolução. Nenhum aviso poderia ter impedido a
evolução de progredir quando o homem que eletrocutou peixes com a
corrente elétrica de casa entrou na água da banheira para pegar a pesca,
sem tirar o fio.
Os Prêmios Darwin mostram o que acontece com gente
espantosamente incapaz de evitar perigos óbvios do mundo moderno. O
terrorista que põe no correio uma carta-bomba com selos a menos, ganha
um Prêmio Darwin quando abre a encomenda que lhe é devolvida pelo
correio. O que também acontece com o pescador que acende o pavio de uma
banana de dinamite e a atira ao longe no gelo, somente para ver seu fiel cão
pegar o explosivo e trazê-lo de volta.
Os vencedores dos Prêmios Darwin planejam e põem em prática
esquemas desastrosos que qualquer criança diria que não são uma boa
idéia. Eles dão um jeito de eliminarem os seus genes da herança da
humanidade de maneira tão extraordinariamente idiota que sua ação
assegura a sobrevivência da nossa espécie, que agora tem menos um idiota.
Este nobre propósito e o auto-sacrifício dos vencedores, assim como a
maneira espetacular pela qual eles dão sumiço em si próprios, os qualifica
para a honra de receber um Prêmio Darwin.

REGRAS E QUALIFICAÇÃO

Para ganhar, os candidatos devem melhorar de maneira


significativa a herança genética da humanidade, eliminando-se da raça
humana de maneira assombrosamente estúpida. Todas as raças, culturas e
grupos socioeconômicos podem competir. Os concorrentes são avaliados de
acordo com os cinco critérios seguintes:
0 candidato deve remover a si próprio da herança genética da
humanidade.
A premissa fundamental dos Prêmios Darwin é que estamos
celebrando a auto-remoção de material genético incompetente da raça
humana. O ganhador em potencial deve, portanto, liquidar-se, ou pelo
menos se tornar incapaz de reproduzir. Se alguém consegue sobreviver a
uma façanha incrivelmente estúpida, então seus genes devem ter algo a
oferecer, seja em matéria de sorte, de agilidade ou de resistência. Ele,
portanto, não pode ser candidato a um Prêmio Darwin, embora, às vezes, a
história seja divertida demais para ser posta de lado, e ele ganha uma
Menção Honrosa. Acaloradas discussões filosóficas têm sido travadas em
torno da regra da reprodução. Se uma pessoa ou um grupo abandona o sexo,
qualifica-se para o prêmio, já que não é mais capaz de procriar? O candidato
deve ser inteiramente incapaz de reproduzir? E os mais idosos, que já não
podem mais ter impacto sobre a herança genética? E os que já têm filhos,
não podem mais ser candidatos a receber o prêmio?
QUESTÕES FILOSÓFICAS ENIGMÁTICAS:

Se um gêmeo idêntico morre de tal maneira que se qualifica para


ganhar um Prêmio Darwin, ele continua sendo candidato, apesar da
sobrevivência da réplica de seus genes? Devemos conceder um Prêmio
Darwin aos que acidentalmente matam seus próprios filhos? Supondo que
um vencedor do Darwin volte em outra encarnação, ele pode ganhar o
prêmio de novo?
São questões complicadas. Por exemplo, espermatozóides e óvulos
congelados são viáveis décadas depois da morte dos doadores, ovelhas e
seres humanos podem ser clonados a partir de uma única célula. É quase
impossível eliminar completamente os genes de um indivíduo. E seria
necessária uma equipe de pesquisadores para determinar todas as
implicações reprodutivas, o que os Prêmios Darwin não podem se dar ao luxo
de ter. Portanto, não se faz qualquer tentativa de determinar o status
reprodutivo real ou potencial do indicado. Se ele não tiver mais condições
físicas de acasalar com uma fêmea numa ilha deserta, então está qualificado
para ganhar um Darwin.
O candidato deve exibir um espantoso mau uso do seu juízo.
Não estamos falando de burrices comuns, como dormir com um
cigarro aceso ou tomar banho ouvindo rádio. O ato fatal deve ser de uma
idiotice de tal magnitude, que nos faça balançar as cabeças e agradecer aos
céus porque nossos descendentes não terão de enfrentar ou — Deus proíba!
— se acasalar com descendentes do imbecil que pôs em prática essa idéia de
jerico.
Raramente o vencedor de um Darwin repete o comportamento de
outro. A morte em questão deve refletir uma manifestação singular da
gigantesca falta de senso e juízo equivocado que indicam uma real limpeza
genética. Usar balas de revólver como fusíveis, repetir a façanha de
Guilherme Tell, saltar de pontes preso em elásticos de prender papel — essas
são atividades merecedoras de um Darwin.
Oscar Wilde disse que "perder um pai pode ser considerado má
sorte... perder os dois já parece relaxamento". Se você se fritar junto com
seus pais enquanto estiver consertando a eletricidade da banheira durante
uma tempestade cheia de relâmpagos, pode se qualificar para ganhar um
Darwin.
0 candidato deve ser o causador de sua própria morte.
A estupidez do próprio candidato deve ser a causa do incidente que
lhe fez merecer a candidatura ao prêmio. Um passante indefeso que é
liquidado por uma bigorna que cai de um arranha-céu é uma tragédia; mas
se você é amassado por uma bigorna que você mesmo pendurou em sua
varanda como armadilha para matar aqueles pombos chatos, então passa a
concorrer a um Darwin.
Um turista pisoteado até a morte por um touro bravio em um
estacionamento é apenas vítima da má sorte. Mas se você é chifrado até a
morte durante uma corrida de touros, enquanto está nu em um carrinho de
compras dirigido por um amigo bêbado, então é candidato a um Darwin.
Alguns acham que uma pessoa que deliberadamente tenta ganhar
um Prêmio Darwin, e consegue, é por definição um candidato perfeito. Mas
os leitores devem lembrar-se de que o Prêmio Darwin é uma honraria
extremamente duvidosa, e não incentivamos ninguém a tentar ingressar de
propósito nessas fileiras ilustres.
0 candidato deve ser capaz de pensar racionalmente.
Os seres humanos geralmente são capazes de exibir pensamento
racional, exceto os que têm problemas mentais, químicos ou cronológicos
que os impeça de compreender plenamente as ramificações de suas ações.
Isto significa que ficam excluídos: crianças, vítimas do mal de Alzheimer ou
da Síndrome de Down. A candidatura de crianças é uma questão
controvertida. Uma maioria feroz é contra permitir que elas ganhem Prêmios
Darwin, e cita o abismo entre a ignorância e a estupidez. Uma minoria,
igualmente barulhenta, sustenta que elas são os melhores candidatos ao
prêmio "cromossomo enferrujado", já que obviamente não se reproduziram.
Para complicar ainda mais a discussão de ética, algumas crianças dizem que
impedir que elas disputem esse ambicionado laurel é infringir suas
liberdades civis. Nós consideramos que os pais são responsáveis por ensinar
sua prole a tomar decisões responsáveis. Portanto, as crianças não podem se
candidatar aos Prêmios Darwin. Entretanto, algumas serão incluídas como
indicadas ao prêmio, quando suas ações puderem ser consideradas
estúpidas até por suas colegas.
0 evento deve ser comprovado.
Artigos publicados em jornais de prestígio, reportagens de televisão
confirmadas e testemunhas confiáveis são consideradas fontes validas. O
patrão da mãe de um amigo, um e-mail anônimo ou uma fotografia retocada
não são.

Este livro contém quatro categorias de histórias:


• Candidatos aos Prêmios Darwin são aqueles que perderam sua
capacidade de reprodução por terem se matado ou esterilizado, e somente
estes podem se candidatar ao prêmio.
• Menções honrosas são concedidas àqueles que cometeram
imbecilidades sem terem chegado ao sacrifício final, mas de tal forma que
ainda ilustram o espírito inovador dos candidatos ao Darwin.
• Lendas urbanas são histórias que mostram a evolução em ação, e
são tão populares que se tornaram parte da cultura da Internet. Muitas
versões circulam amplamente, mas sua origem é geralmente desconhecida.
Devem ser entendidas como as fábulas que são. Qualquer semelhança com
acontecimentos reais ou pessoas vivas ou mortas é pura coincidência.
• Relatos pessoais foram comunicados por leitores fiéis que
gostam de denunciar a estupidez, e são narrativas plausíveis mas não
confirmadas. Em alguns casos, os leitores que comunicam relatos pessoais
foram identificados, com sua permissão, mas isso não significa
necessariamente que as fontes estejam diretamente associadas a seus
relatos pessoais.
Os Prêmios Darwin e as menções honrosas são histórias
sabidamente verdadeiras, ou que se acredita serem verdadeiras. Procure as
palavras Confirmado por Darwin sob o título, que geralmente indicam que a
veracidade da história foi reforçada por múltiplas indicações e por mais de
uma fonte confiável da imprensa.
Não-confirmado por Darwin significa menos indicações confiáveis
e indisponibilidade de confirmação direta por fontes da mídia. Nos Prêmios
Darwin ou menções honrosas não-confirmados, os nomes foram com
freqüência alterados, assim como detalhes das ocorrências, para proteger os
inocentes (e aliás, também os culpados).

A TEORIA DA EVOLUÇÃO DE DARWIN

Os Prêmios Darwin representam realmente exemplos da evolução


em ação? Em 1859, Charles Darwin reviveu a teoria da evolução em A
Origem das Espécies, que apresentou provas de que as espécies evoluem
com o tempo, para se adaptar melhor a seus ambientes. Naquela época, a
teoria da evolução já não estava mais em voga. Tinha sido concedida,
discutida e abandonada.
Acreditava-se que a Terra tinha apenas seis mil anos de idade,
jovem demais para apresentar provas do lento ritmo da evolução, e além
disso não havia uma explicação plausível para a forma como a evolução
poderia ocorrer. Além do mais, muita gente tinha repulsa à idéia de que o
homem descendia dos macacos. Mas as cuidadosas observações biológicas
de Darwin, e o mecanismo que ele propôs para a evolução lançaram a teoria
de novo no cenário da ciência.
Darwin chamou o mecanismo da evolução de "seleção natural", e
descreveu quatro exigências que deviam ser atendidas para que isto
ocorresse.
O QUE VEIO PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?
De acordo com a teoria da evolução, o ovo. Novas espécies
aparecem quando mutações nas células reprodutivas dos pais resultam em
filhos com características singulares. 0 ovo fertilizado é o primeiro membro
de uma nova espécie, de forma que o ovo veio antes da galinha.
Primeiro, a espécie deve mostrar variações.
Os seres humanos exibem essa qualidade abundantemente. Ha
variações em todas as características que se possa imaginar: altura, cor dos
olhos, equilíbrio emocional, comprimento dos dedos dos pés, inteligência.
Somos também muito diferentes por dentro. Por exemplo, a principal artéria
do coração pode se subdividir antes ou depois de sair do ventrículo esquerdo.
Ambas as variações são normais. Seu fígado pode ser grande ou pequeno,
seu apêndice pode ter estado presente ou ausente no nascimento. Existem
inúmeras diferenças mesmo entre os indivíduos mais estreitamente
aparentados.
Segundo, as variações devem poder ser herdadas.
Os filhos parecem com os pais. Um imenso número de traços é
herdado por meio da infinidade de genes que nós temos armazenados em
nossos cromossomos. Para pior ou melhor, os pais transmitem seus pontos
genéticos fortes e fracos a seus filhos. Características complexas como
inteligência e personalidade são influenciadas pelo ambiente, mas também
têm importantes componentes genéticos.
Terceiro, nem todos os indivíduos de uma população
sobrevivem para reproduzir.
Charles Darwin calculou que um único par de elefantes se
multiplicaria para atingir 19 milhões em 750 anos, se cada descendente
vivesse cem anos e tivesse seis filhos. Mas a população de elefantes tem
ficado bastante estável ao longo do tempo. Por que não estamos abarrotados
de elefantes? Porque a maioria deles morre sem se reproduzir. Como atesta o
nosso boom populacional, esse critério já não é satisfeito igualmente pelos
seres humanos; mesmo assim, um número significativo de pessoas morre
sem se reproduzir, como mostram as histórias neste livro.
Quarto, alguns indivíduos enfrentam as pressões seletivas
melhor do que outros.
Devido a atributos herdados, alguns membros de uma espécie têm
maior probabilidade de sobreviver a predadores e invernos frios vencer a
competição pelo acasalamento e deixar mais descendentes. As características
bem-sucedidas passam a predominar na população, e as menos exitosas
declinam e eventualmente extinguem-se. Os casos que você vai ler mostram
claramente as diferenças em nossa capacidade de enfrentar as pressões
seletivas que nos cercam.
Tendo em mente esses quatro critérios, sigamos o exemplo de um
grupo hipotético de seres humanos com uma única característica variável:
alguns são mais altos do que os outros. Como a altura é hereditária, as
pessoas baixas têm filhos mais baixos do que as pessoas altas, em média.
Imagine essa gente vivendo em um belo ambiente, entre árvores florescentes
e altas montanhas. Nesse ambiente, os altos batem com as cabeças em
galhos e caem das montanhas mais freqüentemente do que os baixos.
Portanto, os baixos têm vantagem em matéria de sobrevivência, e dentro de
uma dúzia de gerações, a população terá ficado mais baixa. Também terá
aprendido melhor a evitar os galhos baixos.
As histórias neste livro ilustram vividamente a evolução em toda a
sua glória seletiva, desde o sublimemente irônico até o pateticamente
estúpido. Achamos que o próprio Charles Darwin se divertiria com esses
exemplos de ensaio e erro fatal.

SENSO COMUM INCOMUM

Por que há tantos casos de fracasso do senso comum no mundo


moderno? O mundo que habitamos hoje é muito diferente do mundo de
nossos ancestrais. Evoluímos para sobreviver num mundo em que nada é
mais rápido do que os tigres e nada mais tóxico do que brócolis. Nada de
produtos químicos sintéticos carcinogênicos, nada de combustíveis
explosivos ou eletricidade, nada de radioatividade, nada de termômetros de
mercúrio, nada de tinta feita à base de chumbo.
Imagine uma mulher de pé ao sol, olhando esquilos brincando nas
árvores. Imagine que ela vive no passado, quando só havia mil pessoas na
Terra e nenhuma delas tinha pensado em fumar tabaco. Subitamente, com a
velocidade da luz, um fóton de radiação ultravioleta viaja do sol para a Terra,
acerta um dos cromossomos no ovário dela e muda a seqüência de um gene.
Quando aquele óvulo se tornar um embrião, o resultado é uma criança que
pega no sono enquanto fuma na cama. Ele tem o gene do Fumante
Dorminhoco.
É claro que isso é uma simplificação exagerada. Procedimentos
complexos geralmente não se originam de uma única mutação. Mas, de
qualquer forma, vamos pensar nas conseqüências de nosso cenário
hipotético.
Os cigarros ainda são desconhecidos no mundo, de forma que essa
criança cresce e tem seus próprios filhos, que também têm o gene do
Fumante Dorminhoco. Os séculos vão passando e uma pessoa em cada mil,
em nossa crescente população, tem a tendência perigosa, mas por enquanto
latente, de pegar no sono enquanto fuma na cama, tudo porque o ovário de
uma mulher foi atingido por uma radiação perdida.
Finalmente acontece de os índios descobrirem o tabaco, os
cachimbos da paz tornarem-se populares em círculos diplomáticos e,
ocasionalmente, uma figura religiosa ou política morre tragicamente na
cama, de um efeito colateral do uso do tabaco. Mesmo assim, ainda não há
gente bastante fumando no mundo para tornar significativas as
conseqüências. O gene do Fumante Dorminhoco continua a proliferar.
Então, na década de 1920, os cigarros são popularizados pelos
filmes de Hollywood. Nas décadas seguintes o fumo ganha mais
popularidade. Subitamente, torna-se muito mais provável que aquela pessoa
em mil esteja numa situação em que sua tendência de dormir enquanto
fuma tenha um papel na evolução. Agora há pressão seletiva contra esse
gene em particular, e a incidência da doença do Fumante Dorminhoco
começa a declinar.
Não leve esse cenário muito a sério, esperando ver mudanças
enquanto você estiver vivo. A evolução opera numa grande escala de tempo.
Pode levar centenas de milhares de anos para que seja erradicada uma
tendência indesejável. E se aprendemos a vencer nosso vício e parar de
fumar, as pressões seletivas contra o gene do Fumante Dorminhoco vão se
abrandar, e os fumantes dorminhocos continuarão a proliferar
despercebidos, ocultos por uma cultura mais progressista.
HISTÓRIA E CULTURA DA INTERNET

A filosofia dos Prêmios Darwin são um modo de vida. A origem dos


prêmios está na própria Internet. Os Prêmios Darwin foram uma das
primeiras correntes de e-mail. Aparecia uma história sempre que alguém
com instinto jornalístico notava um exemplo da seleção natural em seu
próprio quintal, o transformava em uma história divertida e a enviava aos
amigos. Estes mandavam e-mails a outros amigos, e esses e-mails originais
continuam circulando até hoje. São os fósseis da aurora da Internet. Alguns
Prêmios Darwin são relatos breves baseados em um recorte de jornal, como a
história do homem que dormiu com uma arma (INGENUIDADE IMBECIL:
"Especial da Meia-Noite"). Uns poucos revelaram-se ficção criada por
escritores sardônicos, que não se satisfazem com os meros fatos. Escondidos
entre Prêmios Darwin autênticos, essas lendas são conhecidas e amadas por
uma microgeração de fãs. Por isso são registradas, embora desmascaradas,
como se indica no texto.
Os vencedores dos Darwin são determinados por um processo
demorado e subjetivo. Os indicados são escolhidos entre as propostas,
usando-se as cinco regras de morte: excelência, auto — seleção, maturidade
e veracidade. São escritos com o foco no aspecto evolucionário, e postos à
disposição do público para votação e comentários. Questões espinhosas são
debatidas no Fórum de Filosofia, um processo que é ilustrado pelo debate
sobre John F. Kennedy Jr. (SALTOS NO ESCURO).
As indicações desacreditadas são retiradas, e aquelas que recebem
poucos votos são reavaliadas quanto a sua adequação. Membros da
comunidade que acreditam que uma determinada história está mal contada
são estimulados a apresentar uma versão mais precisa dos acontecimentos,
e as histórias que não são aprovadas por membros da família ou da
comunidade podem ser reavaliadas e descartadas. O contínuo processo de
avaliação e revisão é, talvez, único na cultura da Internet, e só é possível
graças à constante troca de informação entre os milhares de leitores do
Darwin. Assim foram eliminados erros, e as histórias aqui publicadas foram
beneficiadas por este processo corretivo. Ao mesmo tempo, os leitores devem
compreender que os Prêmios Darwin e as histórias a eles relacionadas foram
montados por este processo de troca de informação na comunidade e não
são o resultado de investigação oficial. Embora o Darwin esteja
constantemente se esforçando para eliminar erros, os leitores não estarão
nem de longe pegando o espírito da coisa se tratassem esses casos como
documentos históricos e não como humor.

RECOMENDAÇÃO SOBRE A LEITURA DAS HISTÓRIAS

Essas histórias não devem ser lidas todas de uma vez. Como
quitutes preparados por um gourmet, elas são mais saborosas se
consumidas aos poucos. Uma história que faz você gargalhar, se é a primeira
que você lê, pode provocar um bocejo depois que você já se satisfez com
outras 12 histórias. Para o máximo prazer, contente-se em ler umas poucas
por dia.
Lembre-se que uma história que faz você rir pode horrorizar outra
pessoa, e vice-versa. Pesquisas entre os leitores mostram que, na minha
busca por esclarecer o processo evolucionário, eu geralmente tenho sucesso
em me equilibrar entre o humor e o horror. Se você, em algum momento,
achar que eu errei, por favor vire a página e se divirta com a história
seguinte.
Enquanto você estiver saboreando essas pérolas, espero que
também sinta alegria com o conceito de evolução como ele se aplica ao nosso
próximo.
Capítulo 1

Seleção natural: atribulações animais


"Somente duas coisas são infinitas - o universo e a estupidez
humana, e eu não estou muito seguro quanto ao universo."
Albert Einstein, consultor científico dos Prêmios Darwin.

OS ANIMAIS PODEM GANHAR PRÊMIOS DARWIN?

A resposta simples é não. Os Prêmios Darwin homenageiam


indivíduos cujas mortes melhoram a genética humana, não a genética
animal. Mas esta insignificante objeção poderia ser evitada se o credo dos
Prêmios Darwin fosse alterado para "Os Prêmios Darwin celebram os
indivíduos que melhoram a genética de sua espécie." Neste caso, seria
possível um animal ganhar um Darwin?
Para ganhar o prêmio, é preciso primeiro proceder de maneira
estúpida. E o pré-requisito para o procedimento estúpido é ter inteligência.
Os animais certamente podem exibir inteligência. Lassie, aquela
cadela lendária, ensinou-nos que os cães têm percepção suficiente para
discar e pedir ajuda em uma emergência. E uma raposa
impressionantemente esperta foi vista recentemente em uma reportagem na
Inglaterra. Perseguida por caçadores e cães, ela correu por uma linha férrea
eletrificada. Quatro dos cães foram eletrocutados, e outros dez foram mortos
quando um trem passou por sobre a matilha confusa. A raposa escapou.
É visível, portanto, que os animais têm um certo grau de
inteligência.
Mas os animais não têm a capacidade mental de comparar
alternativas. O que é burrice para um ser humano não é burrice para um
cachorro. Se um homem morre sufocado por enfiar a cabeça num saco de
batatas fritas para lamber a última migalha, podemos rir disso, mas se for
um cachorro, a morte será apenas triste.
Se os animais pudessem ganhar os Prêmios Darwin de suas
respectivas espécies, os acontecimentos originadores da premiação deveriam
ser apropriados. Por exemplo, quando pássaros dão de cara com uma janela
"invisível", o engano não é de nível darwiniano. Mas um pássaro que se
destaca por tentar, repetidamente, catar pulgas de um gato é um alvo de
primeira para a seleção natural.
Os animais podem ser estúpidos de verdade, mesmo dentro de
suas perspectivas limitadas. Galinhas são pisoteadas por outras até a morte
na corrida para beber a água que está pingando do teto, enquanto há água
disponível em abundância por toda parte. Uma dúzia de ovelhas seguem
umas às outras, cada uma parando para dar uma olhada no abismo e ver os
corpos de suas colegas, antes de dar mais um passo no espaço. Podemos
imaginar algumas ovelhas e galinhas afastando-se da cena do desastre,
abanando as cabeças e murmurando seu espanto diante da estupidez de
suas colegas.
Em sua defesa, é antropomórfico de nossa parte classificar
galinhas e ovelhas como estúpidas por sua falta de percepção. Talvez seja
mesmo hipocrisia. Selecionamos os animais domésticos por sua docilidade,
não por sua inteligência. Há indicações de que somos a espécie mais
inteligente da Terra porque eliminamos sistematicamente a competição de
nossos primos inteligentes. Além disto, os animais domésticos vivem num
ambiente artificial, e não em seu habitat natural. Bichos de estimação e gado
estão sujeitos a perigos que não existem na natureza.
Nós, animais, estamos todos no mesmo processo de evolução.
Portanto, cada espécie é candidata a um Prêmio Darwin a partir de sua
própria perspectiva. Mas a versão humana dos Prêmios Darwin tem o
objetivo de fazer rir o ser humano. Como não entendemos direito o processo
de pensamento dos animais, não achamos graça em suas mortes estúpidas.
Portanto, os animais não podem ganhar Prêmios Darwin.
Mas o animal humano pode e ganha, como mostram as histórias a
seguir.
Prêmio Darwin: espírito de porco
Confirmado por Darwin 4 de julho de 1991

Três homens de Eaton morrem em virtude de um plano, com


alguns erros fatais, na noite de 4 de julho. James, Billy e Ashley foram
mortos quando sua picape Ford azul capotou na Country Road 24. Fatores
que contribuíram para o acidente foram porcos e álcool. "Encontramos várias
latas de cerveja na cena e por perto", disse o xerife Andrew Watson. O teor
alcoólico no sangue do motorista era o dobro do limite legal.
A coisa aconteceu assim:
Os três homens passaram o feriado nacional americano bebendo.
Mais tarde, à noite, sentiram uma súbita vontade de comer costeletas de
porco. "Estavam acendendo morteiros quando Jimmy disse que eles deviam
arranjar alguma coisa para comer", contou a namorada de Billy, Emma. Às
11 da noite, andaram 15 quilômetros de carro até uma fazenda de criação de
porcos, com o objetivo de roubar um suíno e satisfazer seu anseio por
costeletas.
Um dos homens pulou a cerca e amarrou a extremidade de uma
corda em um quadrúpede rechonchudo. Os outros dois começaram a puxar
o animal de 200 quilos. O peso do porco foi demais para a cerca de dois
metros de altura, e parte dela desabou ruidosamente, provocando um
estouro entre os outros porcos.
"Eu estava dormindo quando ouvi aquela barulheira", explicou o
dono da fazenda. "Saí correndo de casa com meu rifle, atirei para o alto e
gritei para que eles fossem embora."
Às pressas, os amigos enfiaram o porco roubado na picape e
partiram pela estrada a mais de 140 quilômetros por hora. Infelizmente,
esqueceram de pôr os cintos de segurança. O porco, por sua vez, estava
preso pela corda.
Depois de uns cinco quilômetros, o animal começou a se agitar,
fazendo com que a picape balançasse loucamente. O porco acabou caindo
para fora e foi arrastado cerca de um quilômetro pela estrada de terra.
Perturbado pela comoção e atrapalhado com a fricção do porco na
estrada, o motorista atingiu uma parte alta do acostamento e o caminhão
capotou, jogando os três para longe e matando a todos. As vítimas foram
descobertas às S da manhã por um motorista que passava por ali.
A polícia adverte os motoristas a guiarem com cuidado em estradas
de terra, usarem cintos de segurança e evitarem beber quando dirigirem.
O porco sobreviveu.
Referência: Eaton Express Weekly.

Prêmio Darwin: o rodeio da baleia assassina


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1999
Confirmado por Darwin
6 de julho de 1999, Flórida

Um homem nu foi encontrado morto sobre as costas de uma baleia


assassina no Sea World de Orlando, vítima de afogamento ou hipotermia na
água de 12°C. "Não havia sinais óbvios de trauma. Ele não estava mordido
ou desmembrado", explicou o escritório do xerife. O corpo tinha arranhões, o
que possivelmente significa que o homem foi arrastado pelo fundo do tanque.
Um homem que nada com orcas é digno de um Prêmio Darwin? Os
detalhes desta história bizarra podem nos ajudar a decidir.
Ele foi identificado como um vagabundo fumante de maconha
chamado Daniel.
O sacerdote Hare Krishna Paul Seaur contou suas percepções da
personalidade de Daniel, com que conviveu durante um mês na comunidade
de seis cultuadores. Ele amava muito a natureza, gostava de escrever seu
diário e dar comida aos pássaros no jardim do templo. Mas Daniel teve
dificuldade de se ajustar ao horário de acordar da religião, 4 da manhã, às
restrições alimentares e à abstenção de bebida, drogas, sexo e jogo. Ele
preferia também evitar o trabalho e meditar na capela, ouvindo música de
metaleiros.
Inesperadamente, Daniel, um dia anunciou que ia fazer um voto de
silêncio, o que espantou os Hare Krishnas, já que sua religião não exorta os
membros a ficarem em silêncio. Ele partiu abruptamente na primavera,
rompendo seu voto o suficiente para dizer: "Quero ser livre. Quero viajar por
aí.".
Em suas viagens, Daniel cometeu uma série de contravenções pela
Carolina do Sul, Washington, Texas e Flórida. Poucos dias antes de morrer,
ele tinha cumprido uma pena de três dias na cadeia de Indian River, por
roubar uma guloseima da loja 7-Eleven. No tribunal voltou a seu voto de
silêncio. "O suspeito não podia falar", informou um funcionário do tribunal,
"então ele usou caneta e papel para se declarar inocente.".
Três dias depois de ser libertado, nosso intrépido maconheiro
entrou no SeaWorld e ficou rondando os tanques das baleias até a hora do
fechamento, 10 da noite, escondendo-se da segurança. Depois de tirar o
resto da roupa e ficar de shorts, ele escalou uma barreira de 90 centímetros
de Plexiglás, pulou um muro de pedra baixo e subiu no recipiente onde
ficava Tillikum, usando os deus que rodeiam o tanque de 24 por 30 metros.
Um empregado viu o corpo nu de Daniel, logo abaixo da barbatana
dorsal de Tillikum, às 7h3Sm da manhã seguinte. Os shorts foram
encontrados em outra parte no tanque. Tillikum aparentemente tentou tirar
os shorts com seus dentes afiados como navalhas, disse o médico legista.
O amante da natureza deixou poucas pistas sobre seu estado
mental quando decidiu entrar em comunhão com um carnívoro do tamanho
de um ônibus. Foi achado um cigarro de maconha em sua pilha de roupas,
mas nenhuma entrada para ao SeaWorld. Empregados anônimos do parque
fizeram o surpreendente anúncio de que essa não tinha sido a primeira vez
que Daniel entrara em comunhão com mamíferos marinhos. Dois anos
antes, lembraram, ele tinha pulado para dentro do tanque dos peixes-boi, no
qual a água é mais quente e as criaturas menos agressivas.

Notas sobre Tillikum, a baleia assassina

Esse mamífero de oito anos é a maior baleia assassina em cativeiro.


Tem mais de seis metros e pesa mais de cinco toneladas, Foi avaliada em 1,5
milhão de dólares quando comprado pelo Sea World, em 1991, onde se
juntou a outras 13 baleias assassinas. Era considerada perigosa, já que
nunca foi treinada para contato com seres humanos. Os biólogos dizem que
ela provavelmente brincou com Daniel como se fosse um brinquedo, sem
perceber que era um frágil ser humano.
Este não foi o primeiro encontro de Tillikum com a morte. Ela e
duas outras baleias estiveram envolvidas no afogamento de uma treinadora
em Victoria, British Columbia, em 1991. Ela caiu no tanque das baleias no
parque marinho SeaLand, foi arrastada para baixo da água e assim morreu.
Tillikum é um fecundo predador marinho, pai de quatro filhotes
que nasceram quando ele foi levado para a Flórida para reproduzir. A
comparação entre Tillikum e Daniel deixa claro quem está em posição mais
elevada na escala evolucionária.
Referência: Sarasota Herald-Tribune, St. Petersburg Times,
Chicago
Tribune, Orlando Sentinel, CNN.

Prêmio Darwin: brincando com gatos


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1996
Confirmado por Darwin
2 de janeiro de 1996, Índia

Um homem foi morto e outro mutilado no zôo de Calcutá, quando


os dois atravessaram um fosso em volta da jaula do tigre para pôr grinaldas
de flores no pescoço do felino. O ataque provocou pânico e quase uma
correria geral no zôo.
Prakesh e Suresh, devotos da deusa Durga, estavam bebendo
quando decidiram cultuar o tigre com sua inovadora adaptação de uma
saudação do Ano Novo. Shiva, uma tigresa de Bengala de 13 anos, não
gostou da idéia. Atacou Suresh quando o homem pôs o tributo floral em seu
pescoço. Alarmado, Prakesh deu um pontapé na cara do animal para distraí-
lo. A tigresa largou Suresh e matou Prakesh.
'Fiquei chocado ao ver dois jovens se saracoteando em frente do
tigre com grinaldas nas mãos", disse a testemunha Rakesh Banerjee. "Eu vi
tudo. O tigre virou e atacou o jovem, e em instantes a cabeça do homem
estava pendendo do pescoço."
Referência: Kunal Sen Gupta, Calcutá, Índia.

Prêmio Darwin: jibóia faminta mata o dono


Confirmado por Darwin 11 de outubro de 1996, Nova Iorque

Se você deixar uma jibóia de 3 metros solta na sua casa, você terá
uma boa chance de ganhar um Prêmio Darwin.
Um homem foi esmagado até a morte por sua jibóia de estimação,
que não manteve adequadamente saciada de comida. Grant, de 19 anos, foi
encontrado inconsciente em uma pequena poça de sangue, envolto por uma
jibóia de Burma (Molorus bivattatus) chamada Damien. A cobra faminta só
tinha recebido de alimento uma galinha morta, uma semana antes da
ocorrência.
Na época do ataque, Grant estava se preparando para dar de comer
a Damien uma galinha viva. Herpetologistas especulam que o jovem
esqueceu-se de lavar as mãos para tirar o cheiro da galinha. Também é
possível que a zangada jibóia simplesmente tenha preferido um alimento
maior. Quando caça, a jibóia de Burma pode mover-se com uma rapidez
mortal, e poucas criaturas conseguem escapar do seu abraço.
Envolto pela jibóia, Grant foi se arrastando até o corredor para
pedir socorro, e ali caiu. Paramédicos fizeram um grande esforço para
desenrolar o réptil de 25 quilos, com uma espessura de 12 centímetros, e o
lançaram em um cômodo adjacente. Levaram a vítima às pressas para o
hospital, onde morreu.
Grant e seu irmão tinham várias cobras, muitas soltas, em seu
apartamento no Bronx. A mãe deles, Carmelita, tentara convencer seu filho a
abandonar o hobby, mas em vão. "Pedi para ele se livrar da jibóia. Até
ameacei chamar a polícia."
O capitão da polícia Thomas Kelly disse: "Parece ter sido acidental.
Grant pode ter achado que sua familiaridade com Damien o punha a salvo
do perigo, mas uma jibóia faminta não escolhe muito.".
Damien foi alimentada e enjaulada num centro de controle de
animais, para esperar um destino incerto.
Referência: Times de Londres, New York Times,
Los Angeles Times.

Os répteis têm sangue frio e metabolismo lento. Uma rejeição de


uma galinha por semana é suficiente para uma cobra deste tamanho. As
jibóias matam suas presas sufocando-as, e quanto mais a presa se debate,
mais é esmagada. Em instituições para animais, um especialista é
considerado suficiente para cada metro de cobra. A cobra em questão deveria
ter sido cuidada por três pessoas e mantida em local adequado.
As cobras têm músculos poderosos. Uma serpente grande pode
apertar um homem com tanta força que ele não consegue se livrar. Assim
que ela começa a se enrolar numa parte do corpo, o dono deve usar uma
alavanca ou faca afiada para dissuadi-la da idéia. Os donos de cobras
grandes geralmente tem instrumentos assim sempre a mão. As cobras
podem ser repelidas pelo álcool. Borrifar álcool na cara delas é um método
eficaz de fazê-las abandonar a presa. Como a maioria dos idiotas que são
mordidos por suas cobras de cinco metros costuma beber, esta informação
poderia ter salvo suas vidas.

Prêmio Darwin: mascotes venenosas


Confirmado por Darwin Junho de 1999, Delaware

Quinze cobras venenosas foram encontradas próximas a um corpo


em decomposição em Stanton. Um vizinho denunciou o cheiro, o que levou à
descoberta de dez cobras, sendo oito corais, e um cadáver de três dias.
O dono dos répteis, de 4S anos, foi encontrado a três metros da
jaula aberta de uma cascavel. Aparentemente, ele estava alimentando a
cobra quando foi fatalmente mordido. Moradores dos apartamentos
adjacentes foram evacuados pela equipe de resgate de animais de Delaware,
enquanto eram procuradas outras cobras.
Os vizinhos disseram não ter idéia de que o estranho solitário tinha
em casa cobras venenosas. As autoridades informam que é legal ter cobras
venenosas, desde que seja solicitada uma permissão.
Referência: MSNBC.com, Channel 10 News.

A anaconda é a maior cobra do mundo. Chega a ter sete metros de


comprimento e pesar 150 a 200 quilos. As instruções abaixo são
supostamente tiradas do manual do Peace Corps dado aos voluntários que
trabalham na Floresta Amazônica. Explica o que fazer em caso de ataque de
uma anaconda.

1. Se for atacado por uma anaconda, não corra. Ela é mais rápida
do que você.
2. Deite-se no chão. Aperte os braços contra seus lados e as pernas
uma contra a outra.
3. Abaixe o queixo.
4. A cobra vai se esfregar e subir em seu corpo.
5. Não entre em pânico.
6. Depois que ela o examinar, ela vai começar a engoli-lo a partir
dos pés, sempre. Deixe que ela engula seus pés e canelas. Não entre em
pânico.
7. A cobra vai começar a sugar suas pernas. Fique perfeitamente
imóvel. Isso leva tempo.
8. Quando a cobra tiver chegado aos seus joelhos, lentamente,
mexendo-se o menos possível, abaixe-se, pegue a faca e, suavemente,
deslize-a para o lado da boca da cobra entre o canto da boca e a sua perna, e
subitamente puxe para cima, cortando fora a cabeça da cobra.
9. Tenha sempre sua faca à mão.
10. Mantenha sua faca afiada.
Na verdade, não é bem assim. As anacondas engolem as vitimas a
partir da cabeça em 99% dos casos, quase sempre depois de esmagá-las até
a morte. Mesmo quando uma cobra encontra um animal morto, ela costuma
esmagá-lo antes de comer, para garantir que ele está morto mesmo.

Prêmio Darwin: encantador de serpentes?


Não-confirmado por Darwin Maio de 1999, Tailândia

Um homem conhecido por sua habilidade de capturar e encantar


serpentes foi chamado à casa de um vizinho para fazer o exorcismo urgente
de uma jibóia, que tinha invadido a residência.
O homem de meia-idade, correu para o local, na província
setentrional de Uttaradit, e apareceu logo depois trazendo a cobra,
vitoriosamente enfiada num saco de juta.
Ele estava voltando para sua casa, a pé, com a cobra, quando
Outros moradores da aldeia a quem encontrou ouviram sua história e
pediram para vê-la. Ele a tirou do saco e ousadamente envolveu seu próprio
pescoço com ela. O animal, um metro e meio de músculos sólidos, começou
a apertar-lhe o pescoço e estrangulá-lo.
O homem gritou por socorro, mas em vão, pois os outros,
petrificados, não tiveram coragem de chegar perto. Em minutos ele caiu,
morto. Policiais arrancaram a cobra do seu pescoço e a levaram para o
cativeiro.
Referência: Reuters.

Prêmio Darwin: a jibóia de Burma


Não-confirmado por Darwin 1999, Nevada

Um homem foi encontrado morto em sua casa em Nevada, vítima


de estrangulamento por sua jibóia de Burma de quatro metros e meio. Ele
estava segurando o animal quando a cobra confundiu sua mão com o jantar,
abocanhou-a e começou a apertar o braço e o corpo do homem, numa
tentativa de fazer parar os espasmos da presa desesperada. Quando a cobra
começou a engolir a mão e o braço, o homem disse a sua esposa histérica,
que estava apavorada demais para chegar perto, que ligasse para a
emergência. Mas as autoridades chegaram tarde demais. A cobra já tinha
comprimido tanto o peito dele que o homem não podia mais respirar. É de se
perguntar se o dono da cobra usou a mão livre para fazer um gesto obsceno
para sua mulher, antes de morrer.

Prêmio Darwin: bichanos fofinhos


Confirmado por Darwin Maio de 1999, Espanha

Dois turistas alemães estavam passando seu último dia de férias


no Safari Park, um parque de animais selvagens em Alicante. O Safari Park é
uma reserva controlada, que abriga uma variedade de animais selvagens
vivendo em seu habitat natural. Os visitantes que passam de carro pelo
parque recebem o conselho de não abrirem as janelas e ficarem o tempo todo
dentro dos veículos. Há muitos cartazes com a advertência em várias
línguas, inclusive alemão.
Na área dos tigres, Willhelm e sua companheira estacionaram seu
carro, saíram dele por motivos desconhecidos e trancaram as portas. Foram
logo atacados por três tigres de Bengala que estavam à espreita em uma
moita próxima. Os grandes felinos, dois machos e uma fêmea de dez a 12
anos de idade, saltaram sobre o infeliz casal, quebrando seus pescoços e
rapidamente silenciando seus gritos.
Referência: imprensa européia.
Prêmio Darwin: esperteza animal

Confirmado por Darwin 16 de agosto de 1999, Alemanha


Melhor amigo do homem?
Um caçador de Bad Urach foi fuzilado pelo seu próprio cão, a quem
deixou cuidando de uma arma carregada. O homem, de 51 anos, foi
encontrado estirado junto a seu carro na Floresta Negra. O cano de uma
espingarda estava na janela do carro, e o cachorro uivava tristemente dentro
do automóvel. Presumivelmente, o animal apertou o gatilho com a pata. A
polícia descartou a hipótese de homicídio doloso. Como o incidente
aconteceu em uma área onde é permitido caçar, o cão pode decidir pôr a
cabeça do homem, como troféu, em uma parede de sua casa de cachorro.
1991, Nicósia, Chipre

Em circunstâncias semelhantes, um caçador iraniano chamado Ali,


foi morto pelo tiro dado por uma cobra que se enroscou no fuzil com que ele
a apertou contra o chão. Outro caçador informou que a vítima tentou
capturar a cobra viva, pressionando o cabo da arma contra a cabeça do
animal. A cobra se enrolou no cabo e puxou o gatilho, acertando-o na
cabeça.
Referência: Agência de Notícias da República Islâmica, Norfolk
News (Virgínia), ABC News, imprensa da Áustria, imprensa da Alemanha,
Reuters, Bloomberg News, DPA.

Prêmio Darwin: a corrida do touro


Confirmado por Darwin 14 de maio de 2000, França

Uma berlinense tentando tirar uma foto da corrida de touros na


cidade francesa de Nímes pagou com a vida pela sua burrice. A mulher, de
68 anos, removeu uma barricada metálica de segurança e foi até o meio da
rua, com a câmera preparada, procurando o melhor ângulo. Foi derrubada
por um cavalo que não pôde ser brecado a tempo pelo cavaleiro, depois
atropelada por ele e por mais seis touros em disparada. Levada para o
hospital, a mulher acabou morrendo.
Referência: Hamburger Morgenpost.

Menção honrosa: a vingança da marmota

Confirmado por Darwin 3 de abril de 1994, Califórnia


Na primavera de 1995, três funcionários da escola elementar
Carroll Fowler, em Ceres, receberam uma marmota em boas condições. O
comportamento dos três mostra que eles não tinham idéia da resistência
daquele animal. Um faxineiro e dois empregados da manutenção puseram a
marmota num pequeno armário da faxina e, ao que parece, decidiram matá-
la. Pois não há outra razão plausível para o que fizeram — borrifar solvente
de limpeza no animal.
O solvente remove goma de mascar congelando-a para que seja
raspada. É uma coisa muito útil em escolas. Mas uma marmota é mais forte
do que uma goma de mascar. Três latas depois, ela ainda estava
perfeitamente viva.
Os três pararam um momento para descansar e o faxineiro
acendeu um cigarro no quarto cheio de vapor de solvente. O resultado foi
uma explosão que feriu os três e provocou arranhões nos joelhos de 16
crianças. Posteriormente, a marmota foi encontrada ilesa, agarrada a uma
parede. Foi devolvida para o mato, onde provavelmente está agora bebendo
em bares de marmotas e contando às outras a sua aventura.
Referência: Sacramento Bee, Hartford Courant.

Menção honrosa: não aborreça a mamãe urso


Confirmado por Darwin 15 de julho de 1999, Tennessee

Um homem do Alabama desobedeceu a uma regra fundamental da


natureza quando filmava um filhote de urso brincando perto da estrada no
Parque Nacional de Great Smoky Mountains. Quando o urso voltou para o
mato, o cineasta amador foi atrás dele, para dar de cara com a mamãe urso e
mais dois filhotes.
Ela naturalmente pôs o intruso para correr, dando-lhe umas
patadas, mas, na verdade, sem atingi-lo. Em pânico, o homem saiu em
disparada e chocou-se contra uma árvore com alguns galhos partidos, que o
feriram no abdome. Ele conseguiu escapar sem mais ferimentos e foi levado
a um hospital local.
A administração do parque tem por regra retirar dali animais
perigosos, mas, neste caso, chegou à conclusão de que a ursa só queria
proteger os filhotes, e decidiu deixá-la em paz. Temos a impressão de que o
cineasta é que deveria ser posto em alguma área remota.
Referência: Knoxville News-Sentinel.
Lenda urbana: colado na bunda do rinoceronte
Rússia
Um nativo de Vermont encontrou-se numa situação difícil quando
visitava o zôo Eagle Rock African Safari, com um grupo de turistas de São
Petersburgo. Ronald exagerou para demonstrar o poder da Crazy Glue, uma
cola americana do tipo superbonder, aos russos.
Ele passou uma grande quantidade de cola nas palmas das mãos
e, de brincadeira, colocou-as contra as nádegas de um rinoceronte que
estava passando por ali.
O animal, que estava no zôo há 13 anos, de início não ficou muito
impressionado, pois desde bebê estava acostumado a receber carícias dos
visitantes. Mas, assim que compreendeu que estava colado em Ronald,
entrou em pânico e começou a correr loucamente, levando o americano como
passageiro.
"Sally, a rinoceronte, não estava se sentindo bem", confidenciou o
empregado do zôo James Douglass. "Estava com prisão de ventre, e tinha
acabado de tomar um laxante quando o americano fez a sua brincadeira."
Em sua correria, Sally derrubou rolos de palha de proteção e
destruiu duas cercas, permitindo que vários animais pequenos escapassem.
Três bodes anões e um pato foram pisoteados até a morte. Antes de ser
capturada, Sally começou a sentir os efeitos do laxante e teve um ataque de
diarréia, encharcando Ronald repetidamente com mais de cem litros de cocô
de rinoceronte. Foi necessária toda uma equipe de médicos e funcionários do
zôo para despregar as mãos dele das nádegas do animal. "Não foi fácil.
Tínhamos de acalmá-la ao mesmo tempo que protegíamos nossos rostos das
fezes. Já o Ronald estava mergulhado até o pescoço."
Com a aplicação de um solvente, as mãos de Ronald foram soltas.
Os russos ficaram muito impressionados com a força da cola. "Vou comprar
para meus filhos", comentou Vladimir Zolnikov. "Mas não vou deixar que eles
levem para o jardim zoológico."
Apresentação de "Quadrúpedes com Prisão de Ventre" em
RealAudio: www.DarwinAwards.com /book/realaudio1.html
Ronald não morreu nem teve qualquer ferimento em seu aparelho
reprodutivo, mas mesmo assim, pode se candidatar a um Prêmio Darwin,
levando em conta que nenhuma mulher toparia sair com um homem com
cheiro de cocô de rinoceronte.

Relato pessoal: porque os filhos deixam a fazenda


1974, Michigan

No Norte de Michigan, a temperatura no inverno fica bem abaixo de


zero, e o congelamento da água faz com que alguns materiais se tornem
blocos sólidos. As vacas comem uma ração composta de alfafa e espigas de
milho, que é guardada em grande silos. Em uma época particularmente fria,
a parte de cima da ração ficou congelada no silo de um fazendeiro polonês,
porque o topo do silo fica mais exposto ao frio do que a parte de baixo.
Ele deu às vacas a parte de baixo, mas a de cima ficou suspensa,
congelada e agarrada ao teto. O fazendeiro tinha algumas opções. Podia
deixar um pequeno aquecedor no silo durante a noite, para descongelar a
ração, ou podia subir por uma escada até o topo e empurrar a ração para
baixo. Em vez disso, entrou no silo e ficou cutucando as toneladas de ração
congelada com um ancinho.
Foi preciso usar um trator para extrair o fazendeiro de baixo da
ração, para enterrá-lo devidamente. No obituário, a causa da morte foi
registrada como "acidente na fazenda".
Referência: relato pessoal de Brian Bixby.

Capítulo 2
Relativamente perigoso: assunto familiar
"A inteligência não está aumentando aí fora. Você tem que se
entender com a burrice e fazer com que ela trabalhe para você."
Observação de Frank Zappa

AS CRIANÇAS E A EVOLUÇÃO

Histórias sobre crianças que são sugeridas para os Prêmios Darwin


provocam de imediato um clamor de indignação. Por mais divertidas que as
histórias sejam de maneira geral, os exemplos específicos sobre crianças
nunca ganham aprovação. O que será que as crianças têm que fazem com
que os leitores fiquem tão furiosos?
Afinal de contas, a evolução já moldou nossos filhos.
Por exemplo, as crianças geralmente ficam com medo de estranhos
por volta da idade em que aprendem a andar. Nesta fase ficam muito
agarradas a seus pais, e ficam muito assustadas quando ninguém da família
está por perto. Os psicólogos acham que se trata de uma adaptação
evolucionária para proteger as crianças numa idade particularmente
perigosa. Pense como é útil esse comportamento para uma criança que
acabou de aprender a andar e de outra forma poderia facilmente correr
riscos. Muitas crianças devem ter sucumbido antes que se desenvolvesse
esse comportamento.
Outro exemplo é o hábito de rejeitar comida que as crianças
passam a apresentar numa certa idade. O menino que antes comia tudo,
agora tem absoluta preferência por comida que já conhece e rejeita de
imediato o que não é familiar. Até a diferença aparentemente inócua entre
comida amassada e comida fatiada pode lhe ser importante.
Como é que você sabe que não gosta de beterraba se nunca
provou?
Esse tipo de atitude é um mecanismo que serve para impedir que
crianças curiosas ponham na boca plantas tóxicas ou venenosas antes de
aprender quais são as seguras e quais não são.
Um comportamento assim tão complexo deve ter se desenvolvido
depois de muito tempo de seleção natural. E impossível negar os efeitos da
evolução passada nas nossas crianças de hoje. A evolução moldou quase
todas as características físicas e psicológicas que possuímos.
Contudo, o comportamento dos adultos também foi sujeito a
pressões evolucionárias. Especificamente, desenvolvemos um imperativo
biológico de proteger as crianças durante sua longa infância. A maioria das
pessoas acredita firmemente que é nossa responsabilidade social proteger
nossos filhos do perigo. E este sentimento de responsabilidade provém, em
parte, da programação genética.
O que acontece com a espécie animal que não cuida zelosamente
de seus filhos? Nada, se estes conseguem se virar sozinhos. Os peixes não
dão a mínima a sua prole, e há uma abundância de peixes no mar. Mas uma
espécie que requer cuidado dos pais na infância tem esse imperativo
biológico de proteção dos filhos. É bom que sejamos tão protetores de nossos
filhos, e os Prêmios Darwin não vão prejudicar essa programação fazendo rir
de acidentes com crianças.
Mas vamos nos divertir com os acidentes sofridos por outros
membros da família, como você vai ver nas histórias que se seguem.

RELATIVAMENTE PERIGOSO: ASSUNTO FAMILIAR


Prêmio Darwin: mamãe sabe o que faz
Não-confirmado por Darwin 1999, Illinois
A carteira de motorista da velha mãe de Jim estava quase vencida.
Ela queria continuar dirigindo, embora seus reflexos fossem tão lentos que
toda a família sabia que era melhor parar. Jim decidiu parar de discutir com
a mãe e simplesmente levou-a para um campo de teste de motoristas, onde
seguramente ela seria reprovada, e a história acabaria ali.
Quando chegou a vez dela, assim que o avaliador entrou no
assento do carona, Jim fez uma coisa incrivelmente estúpida. Foi bem para
trás do carro, a três metros de distância de um muro de tijolos. Ficar atrás
de um carro é uma coisa que não se deve fazer nem quando o motorista é
bom. E a motorista daquele carro era sabidamente ruim.
A velhinha ligou o motor, pisou no acelerador e, acidentalmente,
engrenou a mudança.
Marcha a ré.
O avaliador apenas quebrou um braço. pobre Jim não teve a
mesma sorte: morreu alguns dias depois, devido às lesões internas que
resultaram do acidente. O Prêmio Darwin vai não apenas para Jim, mas
também para a sua mãe, que evitou transmitir seus lamentáveis genes
matando o filho. Mamãe sabe das coisas.
Referência: relato pessoal de Stephen L. Wall, Chicago Tribune,
Daily Herald de Chicago.

Pesquisa entre os leitores:


Sua mãe sabe que você lê os Prêmios Darwin?
Não! 67%
Sim! 33%
Quantos membros de sua família poderão ganhar um Prêmio
Darwin nos próximos dez anos?
Ninguém, somos todos normais. 33%
Um pode ganhar. 34%
Dois ou três que têm problemas genéticos. 14%
Um número considerável. 8%
Eu vou ganhar! 11%
Os membros da família que ganharem um Darwin se aborreceriam
por você tornar a história pública?
Que nada, gostariam de estar aqui. 39%
Aceitariam relutantes. 20%
Acho que sim. 20%
Ficariam zangados. 21%
Os espantosos 11% de nossos fãs que esperam ganhar um Prêmio
Darwin devem estar lendo este livro em busca de inspiração, e não por
entretenimento. É melhor não repetir os truques descritos aqui em casa, ou
em qualquer lugar!

Prêmio Darwin: lançamento de esposa


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1988
Confirmado por Darwin
Fevereiro de 1998, Buenos Aires '

Em meio a uma feroz discussão conjugal no bairro pobre de Boedo,


um homem de 25 anos atirou sua esposa de 20 anos da varanda do seu
apartamento no oitavo andar. Para sua decepção, ela ficou presa aos fios de
corrente elétrica lá embaixo. Imediatamente, ele saltou da varanda em
direção à esposa. Só podemos imaginar os motivos. Ele estava tentando
acabar o serviço ou, arrependido, tentando salvá-la? Seja qual for o objetivo,
não o alcançou. Caiu longe dela e morreu espatifado no solo.
A mulher conseguiu chegar a outra varanda ali perto e foi salva.
Referência: Reuters.
Prêmio Darwin: o salvamento da galinha
GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1996
Confirmado por Darwin
31 de agosto de 1995, Egito

Seis pessoas morreram afogadas tentando salvar uma galinha que


caíra num poço, no Sul do Egito. Um fazendeiro de 18 anos foi o primeiro a
descer no poço de 20 metros. Afogou-se, aparentemente preso por uma
corrente submarina. Segundo a polícia, sua irmã e dois irmãos, nenhum
deles bom nadador, desceram um a um para ajudá-lo, e também se
afogaram. Dois fazendeiros mais velhos vieram ajudar; ao que parece, foram
puxados pela mesma corrente. Os seis corpos acabaram sendo resgatados na
aldeia de Nazlat Imara, a 380 quilômetros do Cairo.
A galinha também foi resgatada. Melhor nadadora, ela sobreviveu.
Referência: Associated Press.
Apresentação de "O Salvamento da Galinha" em RealAudio: www.
DarwinAwards. com /book /realaudio4. html

Prêmio Darwin: papai sabe tudo


Confirmado por Darwin 13 de março de 1999, New Jersey
Começou como uma cena de comédia de situações. Andrew e sua
namorada viviam juntos com os três filhos dele e os três dela em Dover
Township quando estourou uma discussão feroz sobre calda de chocolate
para sorvetes.
Andrew acusou seu filho de dez anos de ter pego o vasilhame que
tinha desaparecido, e os dois ficaram discutindo. Andrew levou o menino
para a garagem para discutir em particular, e ali a conversa ficou ainda mais
emocional. Então o homem cometeu o engano fatal.
Ele entregou uma faca de cozinha de 1 2 centímetros para o filho
zangado e desafiou-o a esfaqueá-lo, se o odiava tanto assim. O menino
largou a faca, mas Andrew pegou-a de novo e a pôs novamente na mão do
filho. Na emoção do momento, o menino aceitou a oferta e enfiou a faca no
peito do pai. Foi tudo tão rápido que não havia como interromper o
movimento.
Andrew foi declarado morto no Centro Médico Comunitário. Suas
últimas palavras foram: "Dá para acreditar que o garoto fez uma coisa
dessas?".
O menino, acusado de homicídio e posse ilegal de arma, pode ser
condenado a até três anos de prisão. Mas o promotor E. David Millard
acredita ser improvável que ele cumpra sentença, já que foi provocado.
Referência: Associated Press, New York Times, Philadelphia Daily
News, Asbury Park Press.
Este é um caso Darwin clássico. 0 homem não poderá reproduzir e
seu filho, obviamente, tem melhores genes para a sobrevivência do que seu
pai — a contribuição da mãe mais a metade mais robusta dos genes do pai.
Embora um homem que provoque tal ira em uma criança não seja uma
figura simpática, é pena que seu filho fique traumatizado. Um leitor sugere,
cinicamente, que convidemos o filho para receber o troféu ganho pelo pai.
Cada pessoa que ganha um Darwin deixa amigos e família entristecidos pela
perda, mas isto não diminui sua contribuição para a evolução humana.

Prêmio Darwin: gás hilariante


Confirmado por Darwin 16 de abril de 1999, Washington, D.C.
Considerando a maneira como morreram, só podemos agradecer
aos céus por haver dois paramédicos a menos neste mundo. Carol e Mark
foram encontrados mortos em sua casa no subúrbio pelo filho de Mark, de
14 anos. Os dois estavam usando máscaras de respiração ligadas a um
tanque de oxido nitroso vazio.
O óxido nitroso, conhecido comumente como "gás hilariante",
produz um barato de curta duração, e costuma ser usado como relaxante
por dentistas ou em clínicas médicas. Como todo gás puro, deve ser
misturado com ar ou oxigênio, ou vai causar asfixia. Não é preciso dizer que
Carol e Mark não misturaram o óxido nitroso com ar.
O que torna esta história um verdadeiro Darwin é que os dois
tinham treinamento médico. Mark era um paramédico veterano, com dez
anos no Departamento de Bombeiros do Distrito de Colúmbia, e Carol estava
estudando para se tornar técnica de emergências médicas num
departamento de bombeiros do subúrbio.
Segundo um assessor do Departamento de Bombeiros de
Washington, Mark era "uma das pessoas mais educadas e altamente
treinadas que tínhamos". Será que isso tranqüiliza os moradores da cidade?
Referência: Washington Post.

Prêmio Darwin: um caso assassino


Confirmado por Darwin
A respeito de William Padgett: o primeiro artigo mostra o cenário, o
segundo apresenta sua forma inovadora de se matar.
31 de julho de 1878, Inglaterra

William Padgett, mais conhecido como "velho Bill", apresentou-se


perante o juiz Brown acusado de tentar descarregar uma arma em Charles
Marshman, para quem ele trabalhava numa fazenda. A investigação mostrou
que, na quinta-feira, Bill ficou zangado com Marshman, apontou um rifle
para ele e puxou o gatilho; mas a arma falhou. Marshman acertou Bill com
um pedaço de pau e os punhos e o expulsou até o celeiro, onde outros
tiraram a arma das mãos dele. Bill fugiu, mas foi encontrado pela polícia. Ele
já não era um homem bonito ou agradável de olhar quando estava bem, e a
surra que levou não aprimorou seu charme pessoal. Ele tinha o aspecto de
quem tinha andado fazendo cócegas na pata traseira de uma mula. Ficou
provado que Bill não sabia que a arma estava carregada, e que Marshman a
tinha carregado sem que ele tivesse tomado conhecimento. Ele foi detido sob
a acusação de agressão, mas no julgamento, o júri concluiu que ele era
inocente.
James e William Padgett estavam entre os primeiros habitantes da
sua cidade e votaram na primeira eleição. Moravam a alguns quilômetros da
aldeia, perto de um riacho que ganhou o nome deles. No mesmo riacho havia
uma queda d'água com o nome de Cachoeira da Armadilha do Urso, porque,
ali, alguns de seus vizinhos construíram uma armadilha primitiva, na forma
de um quatro, com um pesado tronco em cima, que caía e prendia o animal
que passasse embaixo. Uma manhã, William Padgett foi sozinho examinar a
armadilha, para ver se ela estava ajustada corretamente. Estava. O tronco
caiu e prendeu o infeliz, que ficou muitas horas ali até que alguém viesse
salvá-lo. Então ele pediu um pouco d'água, que lhe trouxeram num chapéu.
Bebeu a água e a seguir morreu.
Referência: Oxford Times de 31 de julho de 1878, Oxford Times de
1" de fevereiro de 1887.

Prêmio Darwin: como acabar com uma briga


Confirmado por Darwin 19 de dezembro de 1999, Nova Iorque

Um homem morreu depois de cair do teto de um carro em


movimento. Ele tinha discutido com sua namorada na viagem para passar o
Natal em casa, na estrada interestadual 88. Embora o carro estivesse a mais
de 100 quilômetros por hora, em meio a uma ventania muito forte, ele
decidiu subir ao teto do carro, presumivelmente para acabar com a briga. O
coitado caiu e ficou prostrado no solo, até que paramédicos o levassem para
um hospital, onde morreu no dia seguinte devido a ferimentos na cabeça. A
mulher foi acusada de dirigir embriagada.
Referência: Press & Sun de Binghamton (Nova Iorque).

Uma carícia leva à produção de substâncias neuroquímicas que


acalmam a pessoa. Da mesma forma, um grito irado com voz áspera produz
um estado cerebral doloroso. O homem em questão pode ter tentado escapar
de uma dor tão real quanto a que é produzida por um ferimento físico. Se
suas ações foram uma reação irracional sob efeito de dor psíquica, ele pode
ser candidato a um Prêmio Darwin? A dor e os Prêmios Darwin:
www.DarwinAwards.com/book/pain.html
Prêmio Darwin: o romance da serra elétrica
Confirmado por Darwin 5 de julho de 1999, Maine
Um romance pela Internet floresceu, mas acabou se esvaindo
depois que o homem, de Missouri, viajou para o Maine para se encontrar
com seu destino. Numa espécie de bizarra mescla dos filmes Mensagem para
você com 0 massacre da serra elétrica, James cortou seu próprio pescoço
num esforço fútil por provar seu amor pela mulher que se recusara a aceitar
o romance face a face.
Sua relação com Leigh (não é o nome verdadeiro) começou pela
Internet em 1998, e James mudou-se de Missouri para o Maine em 23 de
junho, para levar adiante o caso, que já durava um ano. Mas Leigh insistiu
em acabar com o relacionamento.
Desesperado, James foi até a casa dela em Topsham, bateu na
porta e pediu ao filho dela, adulto, que chamasse a mãe. Ele se recusou e
fechou todas as portas. James pegou a serra elétrica na mala do carro, foi
até o gramado da casa e executou seu louco ato na tentativa de impressionar
a mulher com a profundidade de seus sentimentos. A polícia o encontrou
semimorto.
“Havia sangue por toda parte. Eu nem podia ver onde era o
ferimento", disse William Robbins, do Departamento de Polícia de
Sagadahoc. James morreu logo depois no hospital.
Uma amiga do falecido, Debra, acha que Leigh abusou dele. “Ele
gastou milhares de dólares em telefonemas, e-mails, computadores", diz ela,
“e também ajudou a mulher a pagar suas contas”. Debra recebeu um
telefonema desesperado algumas horas antes de ele se matar. Ela informa
que ele pediu: "Diga que você me perdoa.". Ela o perdoou e ele desligou. Ela
tentou alertar as autoridades, mas não tinha informações adequadas sobre a
localização dele.
James tentara o suicídio cinco anos antes, mas, aparentemente,
recuperara o equilíbrio. Tinha comprado a serra elétrica no Maine uma
semana antes de sua morte sensacional.
Referência: San José Mercury News, Infobeat.com,
CNN, Portland Press.
Menção honrosa: o compactador de lixo
Não-confirmado por Darwin 14 de abril de 2000, Utah
Um homem, cuja tranqüilidade doméstica tinha sido perturbada
por uma discussão com a mulher, decidiu dormir na relativa paz de um
depósito de lixo atrás de uma igreja. Mas seu sono foi interrompido na
manhã do dia seguinte, quando ele foi jogado num caminhão de lixo e preso
em seu compactador hidráulico. Ele foi coletado às 6 da manhã, e o
motorista tinha acabado de ligar o compactador quando ouviu pancadas
frenéticas nas paredes do caminhão. O chefe dos bombeiros Brad Wardle
comentou: "Parece que ele discutiu com a mulher. Mas por que não foi
dormir num hotel?".
Referência: Salt Lake Tribune.

Menção honrosa: dando um jeito nas crianças


Confirmado por Darwin Maio de 1999, Utah
Uma mulher, que pôs duas crianças em uma frágil balsa e as
lançou em um tumultuoso rio em Salt Lake City, quase eliminou a sua
contribuição à genética humana. Felizmente os meninos, que não tinham
remos nem bóias salva-vidas, foram salvos pelo subxerife Taylor West.
A mulher pediu ajuda 45 minutos depois de ter lançado os garotos
no riacho Big Cottonwood, agitado e cheio de pedras. O tenente Steve Sharp,
da polícia do Condado de Salt Lake, disse que eles estavam apenas se
divertindo: "Não perceberam o perigo que corriam.". A balsa de vinil amarelo
foi resgatada a apenas seis metros de distância de um estreitamento do rio,
onde certamente a embarcação teria virado e lançado as crianças na água
gelada sem salva-vidas.
A mulher, que quase perdeu os filhos, disse que não queria pô-los
em perigo. Mas não conseguiu explicar como os tiraria do rio. Se burrice
fosse crime, ela certamente seria culpada.
Referência: Desert News Online, Associated Press.
Lenda urbana: erro de cálculo
1999, Nova Guiné
O reverendo Upton Down, sacerdote auto-ordenado de sua própria
Igreja da Jovem Sabedoria, partiu da Austrália com a esposa e as ninas em
uma excursão missionária. Ele estava decidido a trazer a religião a uma tribo
de canibais adoradores do demônio. Levou a mulher e as crianças para a
selva da Nova Guiné para cumprir sua missão.
Sua irmã pediu-lhe para não arriscar a vida das filhas. "Mas ele
disse que os canibais adorariam as meninas, e isso facilitaria o trabalho." Foi
um erro de cálculo. Os nativos Tuoari comeram o reverendo Down, sua
esposa e as três filhas.
Habitantes locais disseram que tentaram explicar ao pastor que os
Tuoaris não gostam de missionários. "Eles gostam mesmo é de adorar o
demônio e comer os homens brancos suculentos que de vez em quando
aparecem por ali." O detetive Odoka informou que, segundo tribos vizinhas, o
pregador e sua família estavam na panela antes que ele pudesse tirar a
Bíblia de sua mala. "Os Tuoaris comeram como reis e dançaram a noite
toda."
Referência: Ghana Mirror.

Relato pessoal: sexo seguro por engano


1998, Maryland
O comandante-chefe de um batalhão de estudantes no campo de
treinamento de Aberdeen estava aborrecido com o problema doméstico de
um dos estudantes. O homem à sua frente era um dos muitos alunos que
vinham do Oriente Médio. Ele estava tentando engravidar sua esposa de 15
anos, mas sem sucesso.
O comandante arranjou uma consulta com um especialista em
fertilidade do Hospital Universitário Johns Hopkins. Depois de examinar o
casal, o médico constatou que ambos eram férteis. Intrigado, começou a
fazer perguntas aos dois.
Ele descobriu que o casal fazia sexo de uma forma que não leva à
procriação. Explicou cuidadosamente que o negócio entrava no outro buraco
e eles acabaram tendo filhos. Os dois certamente merecem uma menção
honrosa por sua espantosa ignorância.
Referência: relato pessoal, supostamente do comandante-chefe.

Relato pessoal: mulher com clorofórmio


27 de abril de 1999, West Virgínia
Meu tataravô era o médico da cidade de Blackwater Falls, no século
XVIII. Ele vivia com a esposa e era conhecido por todos como doutor Bob.
Quando tinha insônia, o que era freqüente, ele recorria ao expediente de
deixar sobre o rosto um lenço empapado de clorofórmio. Sua esposa estava
instruída a tirar o lenço assim que ele dormisse, o que ela sempre fazia.
Sem que a mulher soubesse, ele tinha casos com várias outras
mulheres. Um dia, uma adolescente deixou um bebê à sua porta, dizendo
que era dele e que ela não tinha condições de criá-lo e de suportar a
vergonha de ser mãe solteira. A esposa, que lamentava nunca ter tido filhos,
concordou em criar o bebê.
Esses acontecimentos perturbadores fizeram com que o médico
tivesse dificuldade de pegar no sono. Como de hábito, ele pôs o lenço com
clorofórmio no rosto. Mas desta vez sua mulher... se esqueceu de tirar o
lenço. O dr. Bob se foi. Se uma maneira tão darwmiana de conciliar o sono
fosse crime, ele teria ido em cana.
Referência: Janet K.. Behnin, relato pessoal.
Capítulo 3
Contra a lei: a estupidez criminosa
"Não aprovo nada que possa afetar a ignorância natural. A
ignorância é como uma delicada fruta exótica. Basta tocá-la e sua fragrância
se perde."
Lady Bracknell, Padroeira Real dos Prêmios Darwin, na peça de
Oscar Wilde "A Importância de Ser Ernesto"

SE A EVOLUÇÃO FUNCIONA, POR QUE HÁ TANTOS


IDIOTAS?

Veja como somos espertos! Temos a inteligência para dominar por


completo nosso ambiente. Evoluímos a partir de criaturas unicelulares, mas
agora estamos no topo da cadeia alimentar. Ninguém nos come, todos podem
ter filhos e, raramente, esses filhos são comidos por tigres-de-dentes-de-
sabre. Estamos obviamente no pico da evolução, e não precisamos evoluir
mais. Este é um argumento típico dos que aceitam a teoria da evolução, mas
duvidam que haja evolução humana.
Se os seres humanos já não estão mais evoluindo, a premissa dos
Prêmios Darwin é equivocada. E mesmo se essa premissa for válida, as
histórias relatadas neste livro representam de fato exemplos da evolução em
ação?
A maior dificuldade é imaginar os genes ligados a todas as asneiras
concebidas por nós humanos. Ninguém faz muita fé na idéia de que há um
gene para fumar na cama. Mas fumar na cama pode estar associado a uma
variedade de características herdáveis, como a sensibilidade ao vício da
nicotina. Se a idéia torta que leva a um Prêmio Darwin tem um componente
genético, por menor que seja, é um comportamento que potencialmente pode
ser erradicado da genética humana.
Uma segunda razão para duvidar de que estas histórias sejam
ilustrações da evolução é o fato de que nosso ambiente apresenta perigos
novos a cada poucas décadas. Já não temos mais que nos preocupar em não
sermos atirados de um cavalo ou comidos por um urso, mas precisamos
olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Daqui a 5OO anos talvez
tenhamos de nos preocupar em não comer o venenoso inseto zsumsu, mas
não precisaremos nos preocupar em sermos atropelados pelos arcaicos
automóveis, que há tanto tempo foram substituídos pelo teletransporte.
A evolução trabalha numa grande escala de tempo, e o impacto da
seleção natural sobre algumas gerações, geralmente não é detectável.
Uma exceção a esta regra é quando a presença ou ausência do
gene significa morte certa. Em tais circunstâncias, uma geração é suficiente
para eliminar todos os que possuem o conjunto desfavorável de
cromossomos. Circunstâncias assim são extremamente raras, mas uma
doença fatal tem mesmo o poder de criar uma transformação rápida. É a
Aids. A taxa de infecção na África subsaariana chega a tais níveis epidêmicos
que é concebível que em algumas poucas gerações o subcontinente será
habitado por aqueles poucos que são geneticamente mais resistentes à Aids.
A mão implacável da evolução não é desviada pela tragédia humana.
As doenças que afetam os idosos levam mais tempo para serem
eliminadas pela seleção natural do que aquelas que afetam gente que ainda
tem muitos anos fecundos à frente.
Nosso próprio intelecto desempenha um papel na evolução, agora
que muitas pressões evolucionárias são resultado de nossa própria
capacidade inventiva. Morremos em desastres de carro porque inventamos o
carro. Somos feridos em explosões porque inventamos os explosivos;
inventamos explosivos porque alguém andou brincando com fagulhas;
alguém brincou com fagulhas porque somos fascinados pelo fogo. Em
resumo, sofremos ferimentos em explosões porque nossa própria natureza
levou ao desenvolvimento de explosivos.
Que tipo de característica herdada pode segurar esta espiral?
Menos curiosidade, certamente seria um começo.
Enquanto você mergulha neste capítulo, reflita sobre uma idéia
perturbadora: a evolução pode estar eliminando características às quais nos
afeiçoamos muito, como a curiosidade!
Prêmio Darwin: fanático por refrigerante
Ganhador do Prêmio Darwin de 1994
Não-confirmado por Darwin 1994

O Prêmio Darwin de 1994 foi para o sujeito que foi morto por uma
máquina de Coca-Cola, que caiu em cima dele enquanto ele tentava arrancar
dela um refrigerante, sem pagar.
Referência: Reuters, Morgunbladid da Islândia, Kenya Times.

Prêmio Darwin: carga pesada


Confirmado por Darwin 1999, Inglaterra

Wayne queria arrumar uns trocados vendendo metal para o ferro-


velho. Entrou numa área de demolição e logo notou o que parecia ser um
tubo de cobre de uns 10 centímetros de diâmetro. Uma boa grana! Mas era
pesado demais, e ele não conseguiu levar o tubo. Voltou com um alicate
cortador de metal e só então, quando começou a cortar o tubo, é que ele
sofreu o choque de descobrir que por ali passavam 11 mil volts de
eletricidade. Os paramédicos que tentaram revivê-lo não puderam trabalhar
rápido por causa da corrente. Ele não sobreviveu para ser indiciado pelo
crime.
Referência: Derbyshire Times.

Prêmio Darwin: vitória do bem sobre o mal


Confirmado por Darwin 8 de março de 1999, Quênia

Um ladrão de meia-idade estava sentado quieto durante a missa de


domingo na catedral de Todos os Santos, em Nairóbi. Mas quando o ofertório
passou, as outras pessoas viram espantadas que ele pegou bolos de dinheiro
e pôs nos bolsos. Ao perceber que tinha sido visto, o ladrão saiu correndo da
igreja e foi atravessar uma rua de grande tráfego, onde um ônibus em alta
velocidade o matou. Causa da morte? Um ato de Deus. Moral? Não aborreça
o Criador do Universo ou você pode ganhar um Prêmio Darwin.

Pesquisa entre os leitores: Você acredita em Deus?


Sim 55%
Talvez 24%
Não 21%

Prêmio Darwin: moedinhas da sorte


Não-confirmado por Darwin Março de 2000, Arizona

O Grand Canyon tem uma cerca nos mirantes mais perigosos, para
evitar que visitantes estabanados caiam no abismo. Alguns desses mirantes
têm pequenos platôs a pouca distância da cerca. Os turistas jogam moedas
ali, como se fossem fontes (secas) da sorte. Algumas moedas vão se
empilhando ali, e outras, caem no precipício.
Um homem temerário pulou a cerca levando um saco e subiu em
um desses poleiros precários, cobertos de moedas. Encheu o saco e tentou
pular a cerca de volta. Mas o saco estava pesado, ele não conseguiu pular, se
desequilibrou e proporcionou aos turistas a visão de seu vôo até o fundo do
Grand Canyon, onde ficou cercado pelas moedinhas que tanto queria.

Prêmio Darwin: vida cansativa


Confirmado por Darwin 16 de agosto de 1999

Daniel ficou morto de cansaço - literalmente — na revendedora


Buckeye Ford, em Londres. Ele penetrou no local de madrugada, com a
intenção de roubar. Seu modus operandi era levantar a traseira de um
caminhão com um macaco, retirar as rodas, colocá-las em uma picape e
passar para o próximo alvo. Daniel tinha o que a polícia local chamava de
"longa carreira no crime" e, aparentemente, tinha passado anos
aperfeiçoando sua técnica. Mas desta vez, as coisas deram errado. A picape
estava cheia pela metade quando o caminhão seguinte escorregou do macaco
e esmagou o peito do ladrão de 47 anos.
Referência: Columbus Dispatch, Associated Press.

Prêmio Darwin: o ladrão de restaurantes


Não-confirmado por Darwin 1992, Tennessee

Um restaurante em Nashville é bem conhecido no mundo da


música não apenas pela ótima comida que serve, mas por sua clientela
famosa. Às vezes, na calçada em frente, forma-se longas filas de clientes
esperando por uma chance de entrar e ver uma estrela da música country,
jantando.
Aconteceu que um dos empregados, ao que parece pensando em
como o grande sucesso do restaurante o tornaria um lugar perfeito para um
roubo, subiu de madrugada no telhado e andou até a saída do exaustor que
fica sobre a grande grelha. Verificou então que não podia entrar naquela
passagem vestido como estava. Ah, se ele não tivesse comido tantas refeições
de graça! Se fosse só alguns milímetros mais magro! Ele decidiu reduzir seu
diâmetro tirando a roupa, e foi escorregando pelo tubo de exaustão.
Foi a última coisa que fez. Imagine a surpresa dos empregados do
restaurante aquela manhã! Quando se preparavam para o café da manhã,
ficaram horrorizados em ver um par de pernas pendurado a centímetros da
grelha. O que aconteceu com o candidato a ladrão? Parece que o tubo era
estreito demais: quando ele foi descendo, seu braço ficou preso e acabou
pressionando o queixo, e ele ficou preso ali. Morreu sufocado.
Referência: WMSV TV.
Prêmio Darwin: a boutique Dum Dum
Confirmado por Darwin 10 de abril de 1999, Nova Iorque

Algumas pessoas, quando ficam mais velhas, devem se aposentar e


desistir de suas carreiras. Pelo menos é o caso do ladrão de 55 anos,
Terrence. Ele arrombou a janela do teto da boutique Dum Dum entortando
as barras de ferro, e pulou para dentro da loja. Infelizmente, seu suéter se
assustou ao ver tanta roupa da moda e não quis entrar com ele: ficou preso
numa das barras entortadas e o matou por estrangulamento. Ele foi
encontrado na manhã seguinte.
Referência: Reuters, NewsRadio88.com.

Prêmio Darwin: ladrões de ferro-velho


Confirmado por Darwin 31 de julho de 1997
Dois adolescentes estavam desmontando uma torre de eletricidade
de 50 metros de altura com alicates, quando ela desabou. Eles
aparentemente queriam vender os apoios de alumínio, mas não entenderam
bem o que quer dizer a palavra "apoio". Um dos rapazes foi esmagado e o
outro conseguiu escapar se arrastando debaixo da torre, ficando mais
experiente depois de ter passado raspando por um Prêmio Darwin.
Referência: The Associated Press.

Prêmio Darwin: lugar errado, hora errada


Não-confirmado por Darwin 3 de fevereiro de 1990, Washington

Um homem tentou cometer um assalto em Renton, Washington.


Foi provavelmente sua primeira tentativa, como indica o fato de que ele não
tinha ficha criminal, e por suas decisões fantasticamente estúpidas:
1. O alvo foi a loja H&J Leather and Firearms, que vende armas.
2. A loja estava cheia de clientes — compradores de armas de fogo
— em um estado dos EUA onde grande parte da população adulta tem
licença para porte de armas.
3. Para entrar na loja, ele teve de se desviar de um carro da polícia
estacionado em frente à porta principal.
4. Um policial de uniforme estava de pé junto ao balcão, tomando
um cafezinho.
Ao ver o policial, o assaltante anunciou seu propósito e deu uns
tiros ao acaso. O policial e um atendente dispararam de volta, com a
cobertura de vários clientes que também sacaram suas armas, retirando
assim o confuso criminoso da herança genética humana. Ninguém mais se
feriu.

Prêmio Darwin: o ladrão assustado


Confirmado por Darwin Junho de 1997

Um ladrão morreu ao cair da varanda de uma cobertura ao ser


surpreendido pelos moradores, na cidade de Calgary, Canadá. Os moradores,
chocados com o incidente, não sabem como ele conseguiu chegar até lá.
Marido e mulher estavam em casa, às 12h30m, quando ouviram
um barulho lá fora. "Ficamos surpresos, mas não tanto quanto ele", disse o
marido, que deu um grito que fez o intruso cair quando tentava fugir. O
corpo foi encontrado no pátio do andar térreo.
Referência: Calgary Sun.

Prêmio Darwin: fuga da prisão


Não-confirmado por Darwin Dezembro de 1997, Pennsylvania

Um prisioneiro da nova cadeia do Condado de Allegheny, em


Pittsburgh, tentou fugir amarrando lençóis, com os quais fez uma corda de
30 metros de comprimento. Ele quebrou o vidro supostamente inquebrável
da janela e foi-se pendurando nos lençóis.
Não se sabe se na fuga ele levou em consideração os motoristas na
movimentada rua abaixo, assim como na Ponte Liberty. O que ele certamente
não levou em conta, foi que o vidro quebrado poderia rasgar os lençóis. Foi o
que aconteceu, com o resultado de que ele caiu e morreu quando ainda
estava a uns 25 metros do chão.

Prêmio Darwin: rouba teu vizinho


Confirmado por Darwin 25 de abril de 1999, Austrália

Darren estava tentando arrombar uma casa do bairro de Craigie da


maneira mais silenciosa possível, tendo embrulhado o casaco no braço para
quebrar o vidro da janela. Mas os cacos de vidro rasgaram o pano e cortaram
uma artéria do braço dele. O homem, de 32 anos, foi cambaleando até um
parque próximo e ali desmaiou, a 800 metros da cena do crime.
O dono da casa voltou de uma boate de madrugada, tendo
encontrado uma janela arrombada, um casaco ensangüentado e um rastro
de sangue. Revistando o casaco, constatou que pertencia a um conhecido
que ele lembrava ter visto em uma taverna na sexta-feira. Telefonou a um
amigo e os dois foram à casa do sujeito, para lhe aplicar uma reprimenda.
Ao chegarem, viram o homem dormindo no parque próximo. Ao se
aproximarem, repararam que havia uma trilha de sangue e então,
compreenderam que era tarde demais para lhe darem um sermão. O homem
tinha sangrado até a morte.
Da próxima vez tente embrulhar o braço num tecido mais
resistente, Darren!

Esta história originalmente tinha o título "Da próxima vez tente


kevlar", até que surgiu um acirrado debate sobre os méritos dos coletes à prova
de bala de kevlar. Aparentemente, o tecido não protege contra um golpe direto
e vigoroso com uma Jaca. A ponta da Jaca concentra toda a força em uma área
muito pequena. Mas uma Jaca penetra da mesma forma em outros materiais
resistentes, até mesmo uma porta de carro. 0 kevlar oferece considerável
proteção contra golpes laterais de Jaca. Apoiar-se contra cacos de vidro
dificilmente vai ferir alguém protegido com kevlar.

Referência: West Austrália Sunday Times.

Menção honrosa: escolha bem seu alvo


Confirmado por Darwin 19 de agosto de 1999, Espanha

Um batedor de carteiras profissional francês tomou uma péssima


decisão ao escolher sua vítima no aeroporto de Sevilha. Especializado em
eventos internacionais que atraem multidões, o ladrão achou que estava em
seu habitat, quando se aproximou de um grupo de jovens e escolheu sua
vítima. O que ele não sabia é que era Larry Wade, o campeão dos 110 metros
com barreiras da equipe atlética americana. O ladrão foi visto também por
Maurice Green, o maior corredor do mundo, capaz de fazer 100 metros em
9,79 segundos. Os dois atletas partiram em perseguição do ladrão e o
alcançaram com a maior facilidade. Ao ser capturado, o batedor de carteiras
tentou se passar por um inocente turista francês, mas toda a cena foi
gravada por uma equipe de televisão espanhola, que estava na ocasião
entrevistando Maurice Green. "Ele escolheu o homem errado", resumiu um
porta-voz da polícia.
Referência: Times, Times de Londres.

Menção honrosa: armado e perigoso?


Confirmado por Darwin 20 de março de 2000, Alemanha

Quando o homem mascarado irrompeu no Volksbank de


Nieiersachsen e exigiu dinheiro, o caixa obedeceu. O assaltante abriu sua
sacola com ambas as mãos e esperou o dinheiro. Mas, como qualquer um
sabe, não é possível segurar uma sacola pesada e uma arma ao mesmo
tempo, de modo que ele pôs o revólver sobre o balcão. O caixa pegou a arma
e a situação mudou. Confuso, o ladrão levantou o braço e, aparentemente
esquecendo que estava sem o revólver, ameaçou o caixa com o dedo
indicador. Finalmente, percebeu que sua posição já não era tão boa assim e
saiu correndo, fugindo numa bicicleta. A polícia está procurando o
assaltante. Mas é bom tomar cuidado, pois ele está armado — com o dedo
indicador.
Referência: Bild am Sonntag.

Menção honrosa: sem senso de direção


Não-confirmado por Darwin
3 de dezembro de 1997, Connecticut

Maurice foi preso ao cometer um pequeno engano, fugindo para


entro de uma prisão. O marginal confuso estava em seu carro, sendo
perseguido pela polícia quando, subitamente, entrou no estacionamento da
MacDougall Correctional Institution, uma prisão Estadual de segurança
máxima em Suffield. Maurice saltou do carro e entrou correndo no lobby do
prédio, onde ficou preso quando as portas automáticas se fecharam.
Segundo a polícia, ele parece ter pensado que o prédio era um shopping
center.

Menção honrosa: airbag perigoso


Confirmado por Darwin Abril de 1999, África do Sul

O roubo de carros tornou-se muito freqüente na África do Sul, nos


últimos anos, e a lei local permite "ação letal" na autodefesa, se a
propriedade pessoal estiver em risco. Os cidadãos são inventivos na criação
de sistemas de segurança, que incluem gás venenoso, ácidos, lança-chamas
e armas de fogo automáticas.
Um desses sistemas de segurança consistia em um airbag
instalado no teto do carro. Se o motorista se sentasse sem primeiro desligar o
mecanismo, o airbag se inflaria e acertaria a vítima na cabeça com força
suficiente para pô-lo inconsciente.
E foi exatamente isso que aconteceu com Pieter, que armado com
uma pistola tentou roubar o veículo. Quando o airbag explodiu, ele pensou
que alguém estava atirando nele, e instintivamente disparou a pistola duas
vezes. Infelizmente, a arma ainda estava no seu bolso. Uma bala acertou-lhe
o joelho e a outra, alojou-se na base do pênis.
Referência: Der Spiegel.

Menção honrosa: filé duro, cabeça mais dura


Confirmado por Darwin 18 de julho de 1999, Virgínia

Este amante de filés promete ser, um dia desses, um suculento


candidato ao Prêmio Darwin. A história começou com a vontade de comer
um bom filé e terminou atrás das grades.
Cornelius meteu-se numa discussão com um empregado de um
restaurante por causa da qualidade do prato de waffle com filé. A polícia foi
até o Waffle Hut de Fredericksburg, Virgínia, em resposta ao grito de
Cornelius ao telefone: "Eles estão roubando meu dinheiro!".
Às 13h30m, o sargento John Barham chegou ao lugar e encontrou
o homem andando de um lado para o outro, fora do restaurante. Ele disse
que o filé que pedira não tinha sido preparado direito e que o gerente se
recusava a devolver o dinheiro. O policial falou com o gerente e este
concordou em devolver os 21 dólares a Cornelius.
A vitória não durou muito. O sargento foi conferir a identidade de
Cornelius e descobriu que ele estava sendo procurado, por violar uma
liberdade condicional. Cornelius foi levado para a cadeia regional de
Rappahannock, onde está detido, inafiançável, espera de extradição para a
Flórida.
Moral da história: as vitórias morais, às vezes, podem não ser nada
satisfatórias.
Referência: Free-Lance Star de Fredericksburg (Virgínia).

Menção honrosa: ladrão pateta


Confirmado por Darwin 1º de agosto de 1999, Califórnia

Myner que tem 22 anos de idade, invadiu uma casa de Los Angeles
às 3h da madrugada, e deu de cara com o dono da casa, um policial que
estava armado e atirou quando viu que o intruso tinha uma faca na mão.
Myner viu que estava em apuros e tentou fugir, mas tropeçou em uma
plantação de cacto, onde perdeu a faca. Depois de se livrar das plantas que o
espetavam, ele correu para a cerca, de ferro batido decorativo, que o espetou
cruelmente no ventre enquanto ele passava por cima, para cair na calçada
do outro lado. Apesar de tudo, ele conseguiu escapar, mas foi preso mais
tarde, quando procurava tratar seus ferimentos no hospital Memorial
Anaheim. O sargento Joe Vargas resumiu suas aventuras: "Ele não estava
numa boa noite.".
Referência: USA Today, Contra Costa Times.

Menção honrosa: assalto de luxo


Confirmado por Darwin 1999, Washington

O gosto pelo conforto custou caro a um ladrão atrapalhado. Em


Seattle, ele alugou uma limusine e instruiu o motorista a deixá-lo no Bank of
America, que ele pretendia assaltar, e voltar depois, ao ser chamado pelo
telefone.
O ladrão entregou a um caixa uma nota escrita exigindo dinheiro.
Juntou as cédulas e moedas e saiu correndo do banco, dirigindo-se a uma
lanchonete vizinha. Enquanto estava pagando pela refeição com o dinheiro
roubado, um cliente atento telefonou para polícia e a avisou.
Enquanto esperava pela comida, o assaltante ligou de um telefone
público para o seu motorista, para que o pegasse ali fora. Antes que a
limusine chegasse, a polícia cercou o prédio e prendeu o ladrão. O motorista
confirmou que tinha levado o homem até o Bank of America.
Referência: Seattle Times.

Menção honrosa: tem um trocado, doutor?


Não-confirmado vor Darwin 1996, Rhode Island

A polícia de Portsmouth deteve Garfield, de 25 anos, sob a


acusação de ter roubado máquinas de venda automática. Ele foi preso por
ter fugido quando policiais o viram rondando uma máquina. Suas suspeitas
foram confirmadas quando ele tentou pagar a fiança de 400 dólares com
moedas.

Menção honrosa: três vezes perdedor


Confirmado por Darwin
31 de março de 2000, Novo México

Edward teve sérias dificuldades para roubar um trailer da loja


Depot, de Albuquerque. Ele entrou com sua picape Toyota, à qual prendeu
um trailer, e foi-se embora rapidamente — mas sofreu um acidente da
estrada Griegos. Voltou para a loja e pegou um segundo trailer, que se soltou
da picape e bateu a uns 75 metros de distância do primeiro trailer.
O subxerife Scott Baird notou os dois trailers caídos no
acostamento e parou para investigar. Justamente naquela hora, contou o
detetive Bill Webb, Edward "vem trazendo o terceiro trailer roubado, e o
pára-choque do trailer bate no carro do subxerife.". Começou, então, uma
perseguição a 40 quilômetros por hora. Edward não corria mais do que isso
porque "provavelmente ele sabe que em alta velocidade os trailers não têm
muita estabilidade", comentou Webb.
Finalmente, o ladrão foi capturado e acusado de três roubos.
Ele deve ser homenageado. Afinal, se todos os criminosos tivessem
um modus operandi tão ineficaz, a espécie seria extinta por excesso de
prisões.
Referência: Albuquerque Journal.

Menção honrosa: lindo bronzeado


Confirmado por Darwin 1999, Inglaterra

Um gatuno que entrou num hospital ficou marcado para toda a


vida quando decidiu conseguir um bronzeado artificial. Depois de despistar o
pessoal da segurança no hospital Odstock, em Salisbury, e roubar bipes de
médicos, ele viu um leito de bronzeamento. Tirou a roupa e se deitou ali
durante 45 minutos. Mas o aparelho de ultravioleta de alta voltagem tem
como tempo máximo de aplicação recomendado 10 segundos. Depois de ficar
deitado no leito durante quase 300 vezes o limite máximo, o homem ficou
cheio de bolhas. De inicio, ele agüentou heroicamente a dor, não querendo
voltar para o hospital que acabara de roubar. Quando a dor das
queimaduras ficou insuportável, ele foi para o Southampton General
Hospital, a 35 quilômetros de distância. Lá, os funcionários ficaram
desconfiados porque ele estava usando um paletó de médico, e depois de
tratar as feridas, chamaram a polícia.
Os policiais de Southampton comentaram que ele queria um
bronzeado rápido. Os médicos dizem que ele vai ficar com marcas de
queimadura para sempre.
Referência: Times de Londres.

Menção honrosa: defesa do consumidor


Não-confirmado por Darwin 1997, Canadá

Uma mulher chamou a polícia queixando-se de ter sido enganada


em uma transação com drogas. Ela disse que um homem tinha lhe vendido
uma pedra de cocaína para crack, mas ao chegar em casa ficou com a
impressão de que se tratava de farinha. A polícia mandou um agente de
narcóticos para a casa dela, que testou a pedra e verificou que, apesar da
aparência, era mesmo cocaína. A mulher foi imediatamente presa por posse
de drogas. A polícia montada do Canadá está encorajando as pessoas que
acham que foram enganadas em negócios de droga a se queixarem também.

Relato pessoal: ladrão resfriado


Não-confirmado por Darwin Fevereiro de 1998

Os caixas eletrônicos são um alvo popular entre os ladrões. Mas de


vez em quando, algumas tentativas de roubo são malsucedidas. O nosso
herói sabia que, para pegar o dinheiro, teria que abrir a parte de trás da
máquina; arrancou o aparelho da parede, com dificuldade, e puxou-o até
arranjar espaço suficiente para se meter atrás dela. Ali começou a trabalhar
na tentativa de retirar o painel traseiro. Mas a esta altura começaram a se
revelar alguns defeitos na sua estratégia.
Ele não levou em conta que havia uma câmera de vídeo gravando
tudo e, aparentemente, não sabia que soa um alarme na delegacia mais
próxima quando alguém mexe num caixa eletrônico. E o pior é que a
delegacia mais próxima estava a apenas três minutos dali.
Ao ouvir a sirene do carro de polícia, o criminoso decidiu se
esconder. Quando os policiais chegaram, viram apenas que alguém tinha
mexido na máquina e presumiram que o ladrão tinha fugido. Cercaram a
área e chamaram uma equipe de técnicos. Os peritos estavam procurando
impressões digitais quando ouviram um ruidoso espirro vindo de trás do
caixa eletrônico.
Não foi difícil condenar o suspeito, que tinha sido registrado em
vídeo, tinha deixado impressões digitais e optara por esconder-se bem atrás
da máquina.
Referência: Sean Barr, relato pessoal, e Rádio VOCM.
Relato pessoal: ignorância compactada
Maio de 2000, Indiana

As enfermeiras na prisão de Wabash Valley estão encarregadas de


examinar e tratar quaisquer ferimentos dos prisioneiros. Um dia soou o
alarme. Um detento tinha desaparecido, e acreditava-se que ele fugira. As
enfermeiras tomaram café e esperaram pela inevitável captura. Uma hora
depois foram chamadas para uma unidade onde o fujão estava precisando de
tratamento.
Encontraram o homem deitado numa mesa, gemendo, em posição
fetal.
Ele tinha bolado o que parecia ser a fuga perfeita. Trabalhava na
remoção de lixo e recrutara dois outros coletores de lixo para ajudá-lo a
escapar no caminhão. Caminhão de lixo! Ninguém pensaria em procurá-lo
ali!
Ele pediu aos dois colaboradores que o pusessem num saco de lixo,
o carregassem no compactador de lixo e o jogassem no caminhão.
Imagine que você está numa prisão de segurança máxima com
assassinos e estupradores. Imagine também que você vai querer que dois
daqueles prisioneiros o ponham em um saco plástico e coloquem este saco
em um poderoso compactador de lixo. Isso faz sentido?
P fujão não morreu, mas ficou um bocado amassado. Suas costas
nunca se recuperaram por completo. Se o lixo no saco não servisse de
proteção, ele poderia ter ganho um Prêmio Darwin, ao invés de uma simples
menção honrosa.
Referência: relato pessoal anônimo.

Relato pessoal: pequeno engano


1999, Brasil
Uma perseguição de carros em São Paulo foi tão parecida com um
desenho animado, que os passantes riram às gargalhadas. Um carro de
polícia estava perseguindo outro com bandidos, e os dois grupos trocavam
tiros. De repente, um dos marginais teve a grande idéia de jogar uma
granada nos policiais. Tirou o pino, mirou bem e, na confusão, atirou o pino
em vez da granada. Os policiais perceberam o que ele tinha feito e pararam
de atirar para ficar observando. A granada de mão explodiu no carro do
bandido, matando-o instantaneamente e ferindo os outros. O riso dos
cidadãos, os policiais e o noticiário da televisão foram uma homenagem à
justiça divina.
Referência: relato pessoal anônimo.

Capítulo 4
Virando fumaça: fogo e explosões
"A vida do homem é solitária, pobre, cruel, brutal e curta."
Thomas Hobbes

PRÊMIOS PARA SACERDOTES E GAYS!

Devemos oferecer Prêmios Darwin a grupos que optaram não


influir na genética da humanidade, recusando-se a se reproduzir? Há várias
razões religiosas e filosóficas para evitar o sexo, e já houve grupos que
desapareceram em resultado de tais crenças.
O movimento dos Shakers, uma comunidade cujos membros
praticavam tremer e sacudir-se para se livrarem do mal, atingiu o pico de
cinco mil membros nos Estados Unidos por volta de 1850. Mas seu firme
comprometimento com o celibato, condenou-os a irem diminuindo de
número. Orfanatos dirigidos pelos Shakers produziram conversões durante
umas poucas gerações, mas hoje, só resta uma comunidade Shaker nos
Estados Unidos.
Membros do desaparecido culto Heaven's Gate faziam votos
explícitos de celibato. O livro deles afirma: "O indivíduo que realmente
reconhece o Pai Celestial não tem sequer o desejo de partilhar coração, alma
e mente com outra pessoa... ele é celibatário em todos os sentidos, não
apenas em sua natureza sensual.". Eles fizeram um breve e improdutivo
esforço para recrutar viciados em sexo para a "Igreja Celibatária dos
Sexólicos Anônimos", baseados na premissa de que os que reconheciam seu
vício estavam um passo mais perto do Pai Celestial. Todo o culto
desapareceu em 26 de março de 1997, quando o cometa Hale-Bopp cruzou o
céu. Mas mesmo sem o suicídio em massa daquele dia, as restrições do
grupo ao sexo garantiam que mais cedo ou mais tarde ele seria extinto.
O Movimento Voluntário de Extinção Humana tem como lema
"Vivamos muito e morramos". Eles propõem uma alternativa radical a
extinção de plantas e animais pela qual somos responsáveis. "Cada vez que
um de nós decide não acrescentar outro de nós aos bilhões que já
sobrecarregam este planeta devastado, outro raio de esperança brilha na
escuridão."
O sacerdócio católico é uma questão distinta. É verdade que os
padres católicos não se reproduzem. "Nos primeiros anos da Igreja, devido à
escassez de homens solteiros disponíveis para se ordenarem padres, eram
aceitos homens já casados. À medida que aumentou a disponibilidade de
solteiros, somente eles passaram a ser aceitos para ordenação, de acordo
com o desejo de Paulo de que todos sejam 'como eu sou'." (1 Cor. 7.7)
E no entanto, a Igreja Católica está por aí há muitos anos, sem
falta de padres. Os sacerdotes católicos existem e florescem porque
disseminam "memes", em vez de genes. Em certo sentido, eles se reproduzem
assexualmente através da doutrinação, que ao se difundir vai recrutando
continuamente novos membros para suas fileiras. Os católicos são muito
diferentes dos Shakers porque suas crenças religiosas só limitam uma
minoria dos devo-:os ao celibato. Além dos padres, os outros membros são
estimulados a se reproduzirem e a não usarem anticoncepcionais. Qualquer
religião tão bem-sucedida quanto a católica, dificilmente terá falta de
sacerdotes.
Mais informações sobre esses grupos:
www.DarwinAwards.com/book/group.html

Pode-se argumentar que os homossexuais são candidatos a um


Prêmio Darwin em grupo, já que eles preferem o sexo não-reprodutivo. Mas
como demonstram muitas famílias gays, eles são capazes de procriar —
usando métodos científicos, quando necessário — e portanto, de passar seus
genes para as gerações futuras.
Resumindo, grupos que insistem no celibato desaparecerão se não
tiverem um método eficaz de recrutar novos convertidos. E mesmo os que
conseguirem se expandir, vão acabar se eliminando assim que chegarem ao
clímax do sucesso — a conversão de toda a espécie humana. Esses grupos
são, portanto, elegíveis para um Prêmio Darwin. Padres católicos,
homossexuais que conseguem se reproduzir a despeito de suas preferências
sexuais e grupos semelhantes teoricamente podem existir para sempre,
portanto são inelegíveis.
Suponha que haja uma comunidade de piromaníacos. Durante
quanto tempo um grupo assim sobreviveria? As histórias neste capítulo
tratam de fogo e explosões, e poderão ajudar a responder esta pergunta.
Prêmio Darwin: vivendo no horário sionista

GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1999


Confirmado por Darwin
5 de setembro de 1999, Jerusalém
A passagem do horário de verão para o horário normal fez um
estrago em grupos terroristas em 1999.
Precisamente às 5h30m, dois carros-bomba coordenados
explodiram em duas cidades diferentes de Israel, matando três terroristas
que estavam transportando as bombas. Acreditou-se de inicio que foram
detonações prematuras, resultado de um trabalho amadorístico. Mas um
exame mais cuidadoso mostrou a verdade sardônica.
Três dias antes, Israel tinha feito uma mudança antecipada do
horário de verão para o horário normal, devido a um problema com feriados
religiosos. Alguns palestinos recusaram-se a aceitar o "'horário sionista" e
deixaram seus relógios no horário de verão. O resultado foram duas semanas
de muita confusão com horários.
As bombas foram preparadas nesse período. Foram armadas numa
área controlada por palestinos, de acordo com o horário de verão. Os
confusos motoristas, entretanto, já tinham feito a conversão para o horário
padrão. Resultado: os carros ainda estavam a caminho de seus alvos quando
houve as explosões.
Referência: Jerusalém Post, Associated Press.
Prêmio Darwin: soldados do fogo

GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1999


Confirmado por Darwin
26 de junho de 1999, Tennessee
Sete bombeiros do Departamento de Bombeiros Voluntários de
Sequoyah, uma cidadezinha a norte de Chattanooga, decidiram impressionar
seu chefe ateando fogo a uma casa e depois, heroicamente, apagando as
chamas. Ao que parece, o plano foi concebido para ajudar o ex-bombeiro
Daniel a voltar ao serviço.
Infelizmente, os planos para ajudar a carreira de Daniel deram
muito errado. Ele ficou preso enquanto espalhava gasolina dentro da casa.
Cercado por fumaça e chamas, não pôde escapar e morreu.
Observa um leitor: "O que me faz crer que este é um candidato
genuíno é que ele não apenas se matou com um ato de estupidez, mas já não
é mais capaz de evitar que outros piromaníacos ganhem o Prêmio Darwin. Se
tivesse tido sucesso na sua tentativa de recuperar o posto, poderia ter um
pequenino efeito sobre a genética humana.".
Referências: Infobeat.com, Associated Press, Albuquerque Journal,
KIRO Radio News.
Prêmio Darwin: como acender fogos de artifício
Confirmado por Darwin Janeiro de 1998, Indonésia

Há métodos seguros de acender fogos de artifício. Há métodos


perigosos de acender fogos de artifício. Dois moradores de aldeias do leste de
Java morreram por terem escolhido a segunda alternativa.
Os fogos de artifício são ilegais na Indonésia, mas podem ser
comprados no mercado negro, durante celebrações como o Eid Al-Fitr, a
festa que marca o fim do jejum do Ramadã. E os rapazes são sempre
encrenqueiros.
Prasad, um residente de Kenongo, e Anan, de Telasih, ambos com
28 anos de idade, arranjaram uma grande quantidade de fogos de artifício e
ligaram os detonadores a uma bateria de motocicleta. A explosão pôde ser
ouvida de uma distância de dois quilômetros.
Passantes tentaram salvar Prasad e Anan, mas as queimaduras
foram graves demais. Ambos morreram ali mesmo. Oito pessoas que estavam
por perto ficaram feridas e foram tratadas num hospital local.

Prêmio Darwin: feita justiça


Confirmado por Darwin 8 de abril de 1999, Geórgia

William tinha 45 anos de idade e uma longa lista de prisões e


condenações. Não era apenas um homem habituado a transgredir a lei, mas
também um marido abusivo. Já tinha sido acusado de espancar sua mulher
e mantê-la em cárcere privado, amarrada na cama com um fio de telefone,
em 1997.
Segundo o relatório da polícia, ele disse a ela que não ia "deixá-la
sair, alimentá-la ou deixar que ela fosse trabalhar". Rosemary conseguiu
livrar-se e arrastar-se até uma janela, de onde chamou a polícia. William
ficou preso durante dois meses, os quais passou escrevendo poemas e
desenhando o casal em roupa de casamento, até que Rosemary pediu a um
juiz que o mandasse de volta para casa, porque ela não conseguia dar conta
do aluguel sozinha.
Um dia, em abril, William banhou Rosemary de gasolina e ateou
fogo nela. Então arrancou um encanamento de gás da parede,
aparentemente para fazer a morte dela parecer um acidente. Mas o plano
imbecil deu errado quando o gás explodiu e pôs um fim definitivo à
boçalidade dele.
Referência: Associated Press, News Tribune Company.

Prêmio Darwin: nada como um bom cigarrinho


Não-confirmado por Darwin 20 de maio de 1998, Louisiana

Um paciente com problemas respiratórios estava numa tenda de


oxigênio num hospital de Nova Orleans, mas conseguiu contrabandear um
maço de cigarros para o seu quarto. Uma madrugada, o paciente, de 61 anos
de idade, ignorou os sermões das enfermeiras e os sinais de advertência e, às
escondidas, acendeu um cigarro. O último.
Na presença de oxigênio extra, mesmo uma fagulha mínima pode
provocar fogo. Antes que ele pudesse dar a primeira tragada, o cigarro ateou
fogo em suas roupas e as chamas começaram a se espalhar. Temendo ser
descoberto, o homem tentou extinguir o fogo sem pedir socorro. Um
empregado do hospital passou pelo quarto e viu o homem de pé em meio a
um incêndio, silenciosamente agitando os braços na tentativa de apagar as
chamas.
O paciente foi levado para o corredor e o fogo foi apagado com um
cobertor, enquanto enfermeiras usaram extintores de incêndio no quarto
para atingir a válvula e desligar o suprimento de oxigênio. Evacuaram 21
pacientes, e outros sete foram tratados por terem inalado fumaça.
E preciso oxigênio para a combustão. Um exemplo usado por
muitos escolares é queimar metano, que está presente em puns, na presença
de oxigênio, resultando dióxido de carbono e água:
CH4 + 202 => C02 + 2H20 + calor
Quanto maior a concentração de oxigênio, mais fácil ocorrerá a
combustão. Nossa atmosfera tem 21% de oxigênio, e os cientistas acreditam
que este nível permaneceu mais ou menos constante a despeito da
abundância de plantas que produzem oxigênio, pois uma percentagem maior
faria com que incêndios em florestas fossem mais devastadores, consumindo
oxigênio no processo.
O causador do incêndio foi levado por via aérea para a unidade de
tratamento de queimados de Baton Rouge, com queimaduras de terceiro
grau em mais de 40% do corpo, e morreu cinco dias depois. E não se curou
do vício: na unidade de queimados encontraram um maço de cigarros Kool e
um isqueiro escondidos em sua meia.
Referência: New Orleans Times-Picayune.

Prêmio Darwin: dinamite e barcos não combinam


Confirmado por Darwin 16 de junho de 1998, Illinois

Um homem se afogou no lago Fox depois que ele e um amigo,


inadvertidamente, fizeram um rombo no fundo de seu barco com uma
banana de dinamite. Daniel, de 29 anos, e seu amigo não-identificado
estavam relaxando no domingo, num barco de quatro metros de alumínio,
quando decidiram lançar na água o explosivo M-250. Pretendiam matar
peixes, não a si mesmos, com a explosão, explicou o médico legista Jim
Hopper. Mas uma súbita rajada de vento empurrou o barco para perto da
dinamite, e ele afundou a cerca de cem metros da costa. Daniel afogou-se. O
amigo conseguiu nadar até terra firme.
Referência: Associated Press, San Francisco Examiner.

Prêmio Darwin: mandando brasa


Confirmado por Darwin 5 de março de 1999, Inglaterra
Christopher chegou a sua casa em Fleet, Hampshire, com uma
caixa de cerveja. "Bebeu um bocado de cerveja", contou sua esposa,
Jacqueline, "e começou a fumar.".
A bebedeira foi piorando. A certa altura, Jacqueline viu-o
desajeitadamente tentando encher seu isqueiro de butano, derramando o
líquido inflamável no suéter. Ela avisou-o de que ele estava fazendo
bobagem, mas ele não deu muita atenção.
O homem, de 35 anos, acendeu o isqueiro e, num acesso de
piromania, começou a tentar queimar as próprias calças. O efeito colateral
foi que ele incendiou seu suéter encharcado de combustível, transformando-
se numa bola de fogo em sua própria casa!
Quando isso acontece, o que se deve fazer é rolar pelo chão, para
abafar as chamas. Não foi o que Christopher fez. Ele saiu correndo,
aterrorizado, e atirou-se pela janela, ateando fogo às cortinas e a um BMW
estacionado por ali, enquanto tentava combater as chamas com as mãos.
Seus esforços forneceram mais oxigênio à combustão e as chamas ficaram
maiores.
Um vizinho pensou que fosse uma fogueira, mas logo percebeu que
era um homem em chamas. Veio correndo de casa e tentou apagar o fogo,
em vão, com toalhas de banho.
O fogo foi tão intenso que queimou praticamente cada centímetro
do corpo de Christopher, escapando apenas as solas dos pés. Ele morreu
logo depois de ser levado para o hospital Frimley Park, em Surrey. O
veredicto da investigação foi: morte acidental.
Referência: Times de Londres.
Alguns leitores reclamaram, dizendo que esta história é pouco
plausível. O butano é um gás liquefeito, que se evapora rapidamente a
pressão normal, e se não é impossível incendiar-se com butano, é mais
provável provocar uma explosão. Provavelmente o fluido de isqueiro em
questão era outro, semelhante ao usado no Zippo.

Prêmio Darwin: no escuro


Confirmado por Darwin 13 de agosto de 1999, Califórnia

Na sexta-feira 1 3, Scott teve uma experiência eletrizante. Estava


tentando ver uma chuva de meteoritos com um telescópio. Ele não pensou
bem sobre a desvantagem de usar um telescópio para ver meteoritos. A olho
nu tem-se um campo de visão muito maior, especialmente fora das luzes de
uma cidade.
Mostrando-se já um mau astrônomo, Scott, a seguir, demonstrou
que também não era grande coisa como eletricista. Incomodado com a
claridade de um poste de luz próximo, usou um alicate para abrir uma janela
de inspeção na base do poste, depois serrou o fio de força de quatro mil volts.
Sua irmã, Kimberly, viu quando ele foi lançado de costas em meio a um
clarão. Foi levado para o Hoag Memorial Hospital, onde morreu logo ao
chegar.
Scott tinha o know-how técnico até para construir um computador,
mas "não usou a cabeça e fez uma bobagem", lamentou seu pai.
Referência: Fresno Bee, Los Angeles Times, CBS News,
Orange County Register, Channel2000.com,
Press-Telegram de Los Angeles.

Menção honrosa: calorzinho gostoso


Confirmado por Darwin 1999, Washington

Um casal decidiu esquentar sua casa de Granite Falls instalando


um aquecedor a lenha. Acharam que seria um trabalho fácil, e em vez de
contratar um profissional, compraram o aparelho e o instalaram eles
mesmos. Até lembraram de fazer um buraco no teto para a chaminé.
Infelizmente, não estenderam a chaminé até o telhado, de modo que, quando
se sentaram em frente ao fogo para desfrutar daquele calorzinho gostoso, o
inevitável aconteceu: o calor e as fagulhas no sótão incendiaram a casa,
proporcionando uma fonte extra de aquecimento para o casal.
Os bombeiros extinguiram o fogo e o casal voltou para casa para se
lamentar do prejuízo. Mas o fogo não tinha sido extinto completamente e
ganhou força novamente, destruindo a casa por completo. Marido e mulher
sobreviveram.
Referência: Daily Herald Company, Everett, Washington.

Menção honrosa: homem ao ar


Confirmado por Darwin 28 de fevereiro de 2000, Delaware

Um homem de Dover encheu uma garrafa com gás propano, num


posto de gasolina, colocou a garrafa no chão, no lado do carona, e foi para
casa. Súbito, teve vontade de fumar um cigarrinho. Infelizmente, não tinha
fechado direito a garrafa de propano e, quando acendeu o isqueiro, foi
ejetado pelo teto solar. O astronauta não chegou a entrar em órbita, mas fez
uma viagem de helicóptero com destino ao hospital, onde foi tratado com
rosto e mãos queimados.
Referência: Dover Post.

Lenda urbana: mergulhador no fogo


1998, Califórnia

Isso é que é azar.


Na Califórnia, os incêndios florestais são cíclicos. São causados por
raios, por incendiários, por atos de Deus. Os bombeiros vivem enfrentando
as chamas na floresta.
Recentemente, foi encontrado um cadáver numa área rural da
Califórnia, por bombeiros que estavam avaliando o estrago causado por um
incêndio recente. Era um homem vestido de mergulhador, com tanque de ar,
máscara no rosto e pés-de-pato.
A autópsia revelou que ele tinha morrido não de queimaduras, mas
de lesões internas. Em seu estômago foi encontrada água salgada. Ele foi
identificado pelos dentes: era um homem que desaparecera uma semana
antes, e seus parentes foram notificados. Os investigadores dedicaram-se
então, à tarefa de descobrir o que um mergulhador estava fazendo no meio
de um incêndio florestal.
Descobriram que, no dia do incêndio, o falecido estava
mergulhando no Pacífico. Seu terceiro mergulho tinha sido a 20 quilometros
de distância do incêndio, que estava ameaçando uma cidadezinha próxima.
Os bombeiros, no esforço de dominar o fogo mais rápido possível, pediram
ajuda a uma frota de helicópteros, para que jogassem água. Os helicópteros
transportavam grandes baldes, que eram lançados na água e depois içados,
levados até o incêndio e ali esvaziados.
Pois é. Em um minuto o mergulhador estava se maravilhando com
os peixes do Oceano Pacífico, no minuto seguinte estava dentro de um balde
a 300 metros de altura. Sofreu descompressão rápida e foi então lançado
sobre árvores em chamas. Como consolo para os parentes, os investigadores
calculam que ele extinguiu cerca de 1 78 metro quadrado de fogo.
Os mergulhadores estão sendo advertidos a permanecerem calmos
se forem tirados da água por grandes baldes, e a se agarrarem a eles se
forem lançados no fogo. Câmeras de descompressão estarão disponíveis
assim que o helicóptero aterrissar.

Lenda urbana: bomba bovina


1999, Califórnia

Um empregado de uma fábrica de laticínios ouviu dizer que a


flatulência bovina era composta principalmente de metano, e portanto,
potencialmente explosiva. Ele decidiu aplicar o método científico a essa
teoria. Quando uma das vacas de que cuidava estava sendo levada para a
máquina de ordenha, ele ficou atento ao levantar da cauda que indica uma
iminente expulsão de gases, algo que normalmente, todo mundo evita. Então
ele acendeu um fósforo.
Essa história não passa de lenda. Corno o metano entra em
combustão de acordo com a equação CH + 20 => CO2 + 2H20, teria de haver
dentro da vaca duas vezes mais oxigênio do que metano para que ela
explodisse — o que é muito improvável, pois os processos digestivos não
criam oxigênio. Ocasionalmente aparece em hospitais gente com
queimaduras retais devido a trapalhadas desse tipo, mas nada de grandes
explosões. Além do mais, se a história fosse verdadeira, imagine o que
aconteceria se os pecuaristas ficassem zangados com o governo. As
manchetes diriam "Receita Federal destruída por bomba bovina".
Sua satisfação de ver a chama azul de 30 centímetros durou
poucos segundos, pois a chama foi sugada por uma contração retal. A pobre
vaca explodiu, matando o trabalhador, que foi atingido por um fêmur em alta
velocidade.

Lenda urbana: foguete humano


1997, Pennsylvania

Um grupo de homens estava bebendo cerveja na zona rural do


condado de Carbon, e dando tiros de fuzil no quintal da casa de propriedade
de um deles, Leon, de 27 anos. Estavam atirando numa cutia que deu o azar
de passar por ali, mas a cerveja deve ter atrapalhado sua pontaria. O animal
escapou entrando num cano de drenagem de 90 centímetros de diâmetro, a
uns cem metros de distância.
Decidido a liquidar o animal, Leon arranjou uma lata de gasolina e
despejou um pouco no cano, para atear fogo e expulsar a cutia. Depois de
algumas tentativas de atear fogo à gasolina, sem sucesso, esvaziou toda a
lata de cinco galões no cano e jogou outro fósforo aceso, em vão. Decidido a
não desistir, o teimoso Leon entrou no cano, pelos pés, para incendiar a
gasolina. Desta vez teve sucesso. Uma bola de fogo em expansão ejetou Leon
em alta velocidade. Ele saiu do cano "como um míssil Polaris disparado por
um submarino", de acordo com uma testemunha.
Leon foi lançado diretamente por cima de sua própria casa, caindo
no jardim da frente. Ao todo, viajou 60 metros pelo ar. "Ele gritava como uma
sirene enquanto passava por cima da gente", comentou outra testemunha.
Por sorte, Leon teve apenas ferimentos leves.
"Na verdade, foi até legal", disse a bala de canhão humana. Foi
como quando eles disparam um homem do canhão, no circo. Eu até faria de
novo, se tivesse certeza de que não me machucaria."

Lenda urbana: a catástrofe da cerveja de hidrogênio


1999, Tóquio

A recente moda da cerveja de hidrogênio foi o pivô de uma disputa '


jurídica envolvendo o corretor de bolsa desempregado Toshiro Otoma, o bar
de karaokê Tike-Take e a fábrica de cerveja Asaka. O Sr. Otoma está
processando o bar e a cervejaria por venderem substâncias tóxicas, e
reivindica indenização por lesões físicas que levaram á perda de seu
emprego. O bar está processando o Sr. Otoma por difamação e provocar a
perda de clientes.
A fábrica Asaka produz a cerveja Suiso, em que o dióxido de
carbono, geralmente adicionado, foi substituído pelo gás hidrogênio, menos
poluidor. Dois efeitos colaterais do hidrogênio tornaram essa cerveja muito
popular em bares e discotecas de karaokê.
Primeiro, como as moléculas do hidrogênio são mais leves do que o
ar, as ondas sonoras são transmitidas mais rapidamente, e por isto,
indivíduos com os pulmões cheios do gás podem falar com uma voz
anormalmente aguda. Explorando este fenômeno físico, as mulheres podem
cantar como sopranos depois de um gole de cerveja Suiso.
Em segundo lugar, como o hidrogênio é inflamável, a cerveja
permite soprar chamas usando um cigarro como fonte de ignição. Muitos
cantores de videokê sopram chamas azuis que são exibidas em câmera lenta,
e há concursos de sopradores de chamas em muitos bares.
"O Sr. Otoma só pode culpar a si próprio. Se não tivesse se
embriagado e criado confusão, nada disto teria acontecido", disse o SR.
Takashi Nomura, gerente do bar Tike-Take. “O SR. Otoma bebeu 15 garrafas
de cerveja de hidrogênio para soprar chamas bem grandes no concurso”.
Soprou bolas de fogo tão grandes que parecia o Godzilla, mas nem assim
ganhou o primeiro prêmio, porque o que vale é a qualidade das chamas e do
canto, e depois de beber tanto ele estava muito desafinado.
“Ele não gostou dos resultados do concurso e soprou bolas de fogo
azuis nos juizes, queimando o cabelo de uma mulher e arruinando suas
sobrancelhas e cílios, e queimando as roupas de dois clientes”. Nenhuma
dessas pessoas voltou para o meu bar. Quando nossos seguranças tentaram
tirar o SR. Otoma do bar, ele começou a soprar fogo neles. O chefe dos
seguranças foi obrigado a se atirar contra as pernas do SR. Otoma,
derrubando-o.

Lenda urbana: celular destrói posto de gasolina


1999

Finalmente, uma solução para o problema do sujeito que fala ao


celular enquanto dirige! Um motorista sofreu sérias queimaduras
recentemente, quando seu telefone celular fez com que pegasse fogo o vapor
de gasolina num posto de abastecimento. "Leia o manual", advertem os
fabricantes. Motorola, Ericsson e Nokia alertam em seus manuais sobre o
risco do uso de celulares perto de postos de gasolina, locais de
armazenamento de combustível, reinadas químicas e reatores nucleares.
Dispositivos eletrônicos em uso em postos de gasolina são
protegidos por mecanismos antiexplosão, o que os torna seguros para uso
perto de hidrocarbonetos voláteis. Já celulares e outros equipamentos que
usam bateria de alta voltagem não têm essa proteção, e arriscam produzir
pequenas centelhas.
A Exxon já começou a afixar adesivos de advertência nos seus
postos.
Alguns leitores observam que o mito da explosão causada por um
celular foi rigorosamente investigado e demolido em novembro de 1999. As
companhias de petróleo, segundo se informa, pretendem continuar afixando
avisos nos postos. Um consultor sobre assuntos de segurança que foi
contratado em particular para estudar o perigo concluiu: “Não há indicações
de que isto tenha acontecido, possa acontecer ou mesmo seja fisicamente
possível”. A probabilidade de que um celular provoque uma explosão de
gases e de 4,01 x 10'18. É pura lenda urbana. Seu celular vai explodir?
Conheça os Jatos: www. DarwinAwards. com /book/cellphone. html

Relato pessoal: engano elementar


13 de julho de 1999

Ponha um pedacinho de sódio, em forma de elemento, num tanque


de água. A reação é tão violenta que há uma pequena erupção de fogo. Por
sinal, o sódio é armazenado submergido em óleo, para impedir que o vapor
d'água provoque um incêndio. Professores de química do ensino médio, às
vezes, fazem uma demonstração assim, sem se dar conta de que pode haver
um piromaníaco na sala de aula.
0 sódio e a água reagem dando lugar a hidrogênio inflamável, o que
produz o Jogo e o hidróxido de sódio, um alcalino poderoso que pode causar
severas queimaduras na pele.
Um estudante de química ficou particularmente impressionado
com essa demonstração, e conseguiu arranjar um pedaço de sódio para seu
próprio uso. Tirou um pedacinho da lata de óleo, embrulhou-o numa toalha
de papel e o escondeu no bolso da calça, para se divertir com ele depois.
Mas assim que o óleo secou, o sódio começou a reagir com as
fontes de água próximas. Os seres humanos são formados de água em 60% a
70%, de forma que, neste caso, a fonte de água mais próxima era a perna do
estudante, que ganhou uma queimadura feia.
Referência: Reece R. Pollack, relato pessoal.

Relato pessoal: demonstração convincente


Década de 1970, Indonésia
Um missionário na Indonésia, há duas décadas, era não apenas
pregador como professor. A Indonésia, como muitos outros países que foram
colônias, tinha nacionalizado sua indústria de petróleo para manter os
lucros em seu território. Foram contratados trabalhadores locais para as
usinas, mas a maior parte do equipamento tinha instruções em inglês,
porque os supervisores antigos eram dos Estados Unidos. Foram contratados
missionários para ensinar inglês aos novos trabalhadores.
Um dia, houve uma grande comoção e os estudantes ficaram muito
abalados, comentando a impressionante demonstração do inspetor de
segurança.
Impressionante é pouco.
Depois de falar por uma hora, o inspetor tinha levado 20
trabalhadores para campo aberto, para demonstrar o que não fazer perto de
um cilindro de oxigênio. Disse aos seus alunos para recuarem, pois ia
mostrar como algo que eles não podiam ver nem cheirar podia ser perigoso.
O instrutor tirou do bolso um isqueiro Bic, abriu a válvula do
tanque de oxigênio e acendeu o isqueiro. Foi uma demonstração muito
convincente: o maior pedaço do instrutor que se pôde encontrar depois era
do tamanho de um selo.
Os estudantes explicaram o que aconteceu no seu inglês
rudimentar: "O tanque fez bum e o inspetor não ficou muito bem depois."
Referência: relato pessoal anônimo.

Dúvidas científicas: o oxigênio é armazenado comprimido em


tanques, e não liquefeito, a 2.200 psi. Dificilmente um tanque de oxigênio
explodirá em presença de fogo. 0 oxigênio não pega fogo, apenas promove
oxidação rápida, acelerando a combustão. Segurar um isqueiro aceso junto a
válvula aberta pode, no máximo, aumentar a chama. Mais provável ainda é
que a chama se apague, já que o oxigênio sai em altíssima velocidade, quase
a velocidade do som. A história, portanto, é duvidosa. Mas é possível que o
tanque contivesse algum gás inflamável, em vez de oxigênio.

Capítulo 5
Saltos no escuro: quedas fatais
Todos os homens podem voar, mas infelizmente, só numa direção.
JOHN F. KENNEDY JR.

Os seres humanos parecem ter uma paixão inata pelo vôo, mas
repetidas vezes nossos corpos têm-se mostrado inadequados para isso. As
histórias a seguir mostram o que acontece quando um lamentável erro de
cálculo, combinado com uma certa falta de respeito pela gravidade, leva à
conclusão inevitável de que o homem não foi feito para voar.
Uma das discussões mais acirradas na história dos Prêmios
Darwin seguiu-se à morte de John F. Kennedy Jr., que caiu de avião no mar
perto de Martha's Vineyard, em 16 de julho de 1999, matando a si próprio
mais dois passageiros. Logo surgiu um espontâneo debate sobre os méritos
de conceder-lhe um Prêmio Darwin, no Fórum de Filosofia.
O Fórum é um ponto focai da cultura dos Prêmios Darwin. Leitores
se reúnem ali para manifestar sua opinião sobre os indicados, discutir o
papel da seleção natural na biologia humana e abordar questões éticas
levantadas pela teoria da evolução. O acalorado debate que se seguiu ao
desastre de avião é um exemplo interessante desta comunidade em ação, e
ilustra o processo de seleção dos candidatos ao prêmio.

Charrell6170
Depois de cuidadosa consideração, decidi indicar JFK Jr. para um
Prêmio Darwin. Este era um homem que tinha tirado o brevê de piloto há
apenas 14 meses, e não tinha obtido licença para vôo por instrumentos.
Mesmo assim, estava voando de noite, num avião de alto desempenho, com o
qual ele não estava familiarizado. Não tinha plano de vôo, o que não é ilegal
mas não é recomendado, e enfrentava condições de baixa visibilidade.
Baseado nesses méritos, acho que ele tem direito a um Prêmio Darwin.
PsychotiK
Ele não seria indicado se fosse um acidente de carro, então por que
sendo um acidente de avião? Não há nada de darwiniano na forma como ele
se liquidou, e nem foi divertido. O ganhador do Prêmio Darwin tem de fazer
mais do que tomar uma má decisão. Esse não leva meu voto.
Hugo
Se JFK Jr. for indicado, então indico Amélia Earhart*,
retroativamente, para um Prêmio Darwin histórico.
* N.T.: Amélia Earhart, a primeira mulher (e segunda pessoa,
depois de Charles Lindbergh) a atravessar o Atlântico num vôo solo, em
1932,a primeira a atravessar o Pacifico, cm 1935, desapareceu em 1937
quando estava sobrevoando o Pacifico, em más condições de vôo, na
tentativa de completar a volta ao mundo sobre a linha do equador.
UK Yank
É claro que ele deve ser candidato! Deixe-me explicar isso para os
não-pilotos. É a noite da véspera do casamento de um parente seu e você
quer ir para o casamento. Seu único carro é um Porsche 911 Turbo,
alucinadamente rápido, um acidente à beira de acontecer nas mãos de
motoristas inexperientes como você. Você não tem correntes para neve, seu
pé está machucado e está ficando escuro. Seus amigos lhe avisam que vem
aí uma neblina espessa e vai cair tanta neve que não vai dar para ver a
estrada. Eles nem sonhariam em sair numa noite assim. O que você faz?
a) Contrata um piloto de corridas profissional para dirigir o
Porsche.
b) Espera amanhecer e melhorar o tempo.
c) Salta dentro do Porsche e manda bala.
Pelo amor de Deus! Quando você sabe que as probabilidades estão
contra você, mas mesmo assim arrisca a vida, você não está bebendo da
fonte da sabedoria, está só gargarejando. Dêem o prêmio ao homem!
Trevorg
Eu investiguei acidentes aéreos para os militares, e este caso nem
precisa de investigação. A resposta é óbvia. Saiu da página "maneiras
previsíveis para pilotos imbecis morrerem". Cometer um erro tão absurdo em
face de tal montanha de informações faz de JFK Jr. um forte candidato ao
Prêmio Darwin.
SReddy 17dyl7
Ele não cometeu burrice. A torre de controle sabia quanta
experiência ele tinha. Se achassem que ele era incapaz de voar, não o teriam
deixado decolar. Além disso, se ele tivesse a menor dúvida sobre sua
capacidade, não teria posto em perigo sua mulher e sua cunhada.
Sidecar
Quem tem experiência de vôo sabe que o piloto é senhor do ;eu
destino. Quando ele aquece o avião e taxia até a pista, a torre de controle lhe
dá informações, inclusive sobre velocidade e direção do vento. Quando ele
está pronto para decolar, a torre usa as seguintes palavras: "Você pode
decolar, a seu critério.". Isto absolve a torre da responsabilidade pelo piloto
ou pelo avião. Todo o contato com agências de controle aéreo refere-se
apenas a informações. Você é que tem de agir com responsabilidade, baseado
nessas informações.
SReddy17
O cara está morto, tenham um pouco de respeito. Talvez tenha
acontecido algo totalmente fora de controle e estranho, quem abe? Mesmo
pilotos com anos de experiência têm acidentes em noites exatamente como
esta, vamos parar com isso.
1 Voice in the Wilderness
As provas estão contra você, SReddy17. Você mesmo disse, m
defesa de JFK Jr.: "Pilotos com anos de experiência têm acidentes em noites
exatamente como esta.". Exatamente por isto ele não devia ter decolado.
Harwin
A controvérsia sobre prós e contras da indicação de John F.
Kennedy Jr. para um Prêmio Darwin torna a decisão difícil. Ponderei os
comentários, ignorei a repercussão na imprensa e decidi não fazer a
indicação. "Há pilotos velhos e há pilotos ousados, mas não há pilotos velhos
e ousados." Este ditado ilustra que o erro dele é comum, portanto JFK Jr.
não está qualificado para ganhar um Prêmio Darwin.

Prêmio Darwin: não voe se beber


Confirmado por Darwin 25 de abril de 1998, Massachusetts
Um dia fatídico em abril, um piloto privado pousou seu Piper no
aeroporto de New Bedford. Para protegê-lo dos ladrões, ele prendeu uma
tranca na coluna de controle do co-piloto. Este procedimento é bastante
comum, ainda que seja mais comum prender o cadeado na coluna do piloto,
o que torna mais difícil esquecer de tirá-lo na preparação para a decolagem.
Muitas dessas trancas têm uma grande placa vermelha que fica pendurada
sobre as chaves de ignição e a chave-mestra. Nunca saberemos por que
nosso amigo preferiu prender a tranca na coluna do co-piloto.
O piloto saiu para tomar uns drinques e voltou para seu avião, um
tanto tocado, às 22h30m. Entrou com 155mg/dl de álcool etílico no sangue,
quase quatro vezes o limite legal, e partiu sem verificar se os controles de vôo
estavam desobstruídos. Uma testemunha do acidente contou que ele
levantou vôo num ângulo muito fechado, o que é coerente com o fato de ter
uma tranca instalada.
A esta altura nosso amigo percebeu que tinha se esquecido de tirar
a tranca, e que o motor logo pararia. O problema é que a chave do cadeado
estava no mesmo chaveiro da chave da ignição. Portanto, ele tinha duas
alternativas: tentar tirar a chave do cadeado do chaveiro enquanto mantinha
o motor ligado, o que ia levar tempo demais, ou desligar o motor, o que faria
o avião começar a cair, então tirar o cadeado correndo e ligar o motor de
novo. Ele escolheu a segunda opção.
Mas não conseguiu religar o motor a tempo. O avião, com o curso
fixado pela tranca, "subiu direto como um acrobata", depois pareceu nivelar-
se, virou para noroeste, depois nordeste e completou o balé com uma queda
em parafuso.

Quando os investigadores chegaram ao local, viram a tranca ainda


instalada e o chaveiro com as duas chaves no chão da cabine.
Referência: National Transportation Safety Board.

Prêmio Darwin: o advogado voador


Confirmado por Darwin 1996, Toronto
A polícia informou que um advogado que estava demonstrando a
segurança de uma janela num arranha-céu de Toronto, destruiu o vidro de
uma janela contra a qual se atirou de ombro, caindo do 24º andar. Um
porta-voz da polícia disse que Garry, de 39 anos, caiu no pátio da Torre
Toronto Dominion Bank quando explicava a resistência das janelas do prédio
a estudantes de advocacia. Ele já tinha feito a exibição anteriormente, sem
problemas. O sócio-gerente da firma de advocacia onde o falecido trabalhava
disse ao jornal Toronto Sun que Garry era um dos "melhores e mais
brilhantes" membros.
Referência: IPI.

Prêmio Darwin: sono pesado


Confirmado por Darwin 26 de março de-2000, Carolina do Sul
Uma mulher de Carolina do Norte, aprendeu uma lição dura sobre
drogas quando decidiu dormir no telhado. Registros da polícia dão conta de
que Patrícia e seu namorado, depois de beber e fumar maconha, decidiu
desfrutar o ar fresco no telhado do hotel King Charles Inn. Foram lá para
cima com travesseiros e cobertores e pegaram no sono sob as estrelas.
Aparentemente profundamente adormecida, Patrícia escorregou do teto e
caiu para a morte na Rua Hasell. Quando a polícia chegou, o namorado
ainda estava dormindo no teto. O diagnóstico foi de morte acidental.
Referência: News and Observer Publishing Company, Associated
Press, Charleston.net.

Prêmio Darwin: faça seu próprio pára-quedas


Confirmado por Darwin 25 de maio de 2000, Filipinas

É sempre bom aprender com o passado. Em 24 de novembro de


1971, um cavalheiro de terno escuro, com uma pastinha, embarcou num
avião da Northwest Orient Airlines, em Portland. Sentou-se no assento 1 8F e
entregou a comissária um bilhete que dizia para ela se sentar do lado dele
porque ele tinha uma bomba. A comissária, Flo Schaffner, pensou que o
homem estava lhe dando o número do telefone e enfiou a nota num bolso do
uniforme. Só mais tarde ela leu a nota do seqüestro.
A partir daí, ela e outras aeromoças foram recebendo notas do
homem, que tinha comprado a passagem sob o nome de Dan Cooper, e as
levando para a cabine do piloto. Cooper exigia 200 mil dólares em dinheiro e
quatro pára-quedas. O avião pousou no aeroporto de Seattle-Tacoma para
atender às exigências e a maioria da tripulação e os passageiros puderam
desembarcar. Ficaram apenas uma aeromoça e os pilotos.
Cooper mandou que o levassem para o México e concordou parar
para reabastecimento em Reno. Quando estava em rota para Reno, disse à
aeromoça que baixasse a escada da cauda do Boeing 727. Então mandou
que ela se juntasse aos pilotos na cabine e fechasse as cortinas.
Quando o avião aterrissou em Reno, a escada da cauda estava
aberta e Cooper e o dinheiro tinham desaparecido. Ele foi chamado de D. B.
Cooper, por engano, e seu nome tornou-se lenda. Cooper nunca foi
encontrado, mas em 1980 um menino brincando num riacho em Washington
encontrou 5 mil e 800 dólares do dinheiro que ele pegou.
Com toda sua frieza, Cooper realmente era um prejuízo para a
evolução humana. Quando decidiu saltar, estava caindo uma chuva de
congelar lá fora, e ele não tinha comida nem equipamento algum de
sobrevivência quando pulou sobre uma floresta densa no inverno, à noite.
Os amendoins que pegara no avião não seriam suficientes para a
sua sobrevivência. Portanto, acreditava-se que ele tinha morrido nas
montanhas ou então caído no Rio Colúmbia e se afogado. Deveria ser uma
boa lição para outros seqüestradores, mas...
Vamos agora para a cidade de Davao, nas Filipinas, em 23 de maio
de 2000. Augusto era um homem com uma missão. Ele embarcou num avião
da Philippine Air com destino a Manila, pôs uma máscara de esquiador e
óculos de mergulhador. Então sacou de uma arma e uma granada e
anunciou que estava seqüestrando o avião. Ao que parece, a segurança não é
muito rigorosa no aeroporto de Davao.
Ele exigiu que o avião voltasse para Davao, mas os pilotos
convenceram-no de que não havia combustível suficiente, e eles continuaram
rumo a Manila. Augusto, nada perturbado, roubou cerca de 25 mil dólares
dos passageiros e ordenou ao piloto que baixasse o avião para 6.500 pés.
Quando um lunático armado manda você baixar o avião, você baixa
o avião. Enquanto isso, Augusto prendeu um pára-quedas feito em casa nas
costas e forçou os comissários de bordo a abrirem a porta e
despressurizarem o avião. Provavelmente ele pretendia saltar, mas o vento
era tão forte que ele não conseguia sair do avião. Finalmente um dos
comissários deu uma ajuda, empurrando-o para fora, enquanto ele tirava o
pino da granada. Atirou o pino (opa, me enganei) na cabine e caiu segurando
a granada.
Ele chegou ao solo com tamanha velocidade que se enterrou,
somente as mãos ficaram de fora.
A história, portanto, se repetiu. Ficaram duas lições:
Lição 1: Não se atire de um avião que está voando direitinho.
Lição 2: Se estiver decidido a saltar, use um pára-quedas
profissional, não um feito em casa.
Referência: Associated Press, Austrália Age, Reuters, National
Enquirer.

Prêmio Darwin: queda chocante


Confirmado por Darwin 1º de janeiro de 2Q00, Nevada

Tod entrou para a história por ser a primeira pessoa a morrer em


Las Vegas enquanto celebrava o novo milênio. Minutos antes da meia-noite,
um homem, de 26 anos, formado em Stanford, subiu em um poste em frente
ao hotel Paris Las Vegas e acenou para a multidão entusiástica. Quando
chegou a meia-noite, ele escorregou e, em pânico, agarrou os fios de
eletricidade.
Uma câmera de TV registrou a subida e a queda para o concreto.
Não ficou claro se ele morreu eletrocutado ou da queda, mas seja como for,
ele ganhou o primeiro Prêmio Darwin do milênio.
Vê-se que um diploma universitário não é atestado de bom senso.
Antes de partir para Las Vegas, Tod recebera um conselho de um amigo: "As
pessoas vão fazer maluquices. Tome cuidado.". Ele respondeu: "Você sabe
que eu não vou fazer maluquice.".
Referência:Las Vegas Sun, Yahoo! News, KCBS, Associated Press,
San José Mercury News.

Prêmio Darwin: bungee jump


PRÊMIO DARWIN DE 1997
Confirmado por Darwin
13 de julho de 1997, Virgínia

Eric, um rapaz de 22 anos, de Reston, foi encontrado morto deis de


ter feito bungee jump com uma corda elástica saltando de uma ponte
ferroviária. Ele prendeu a corda elástica no pé, depois de ter medido o
comprimento para se assegurar de que era mais curta do que a distância até
o solo, de 20 metros. Pulou de cabeça e se arrebentou no chão alguns
segundos depois.
A polícia do condado de Fairfax informou que o comprimento da
corda elástica, esticada, era maior do que a distância entre a ponte e o solo.
Referência: Washington Post.

Prêmio Darwin: é melhor cair fora


Não-confirmado por Darwin Setembro de 1998, Arizona
Numa noite de terça-feira, em Phoenix, um motorista embriagado e
seu passageiro estavam indo para casa depois de uma farra, quando seu
carro bateu em outro. Os dois motoristas foram para o acostamento. Deveria
haver então, a costumeira discussão e a troca de informações sobre
seguradoras, etc. Mas não foi bem assim.
O motorista culpado voltou-se para seu passageiro e gritou:
"Vamos fugir!".
O outro, em estado de choque devido à batida, ficou onde estava.
Mas o motorista saiu correndo meio cambaleante, cheio de álcool no sangue.
Chegou até a uma ponte próxima, debruçou-se sobre a mureta, passou os
pés para o outro lado e caiu para a morte no leito seco do rio Salt, a 16
metros abaixo. Ninguém mais se feriu.
Referência: Arizona Republic.

Prêmio Darwin: voar é com os pássaros


Confirmado por Darwin 1996, Canadá

Um homem que estava limpando uma casa de pássaros na varanda


de seu apartamento em Toronto, escorregou e caiu do 23" andar, informou a
polícia. Stefan, de 55 anos, estava de pé sobre uma cadeira de rodas quando
aconteceu o acidente, disse o inspetor D'Arcy Honer. Cadeiras de rodas são
obviamente instáveis como apoio. "Parece que a cadeira se moveu e ele caiu
da varanda", disse Honer. "Foi um desses acidentes malucos. Uma pena."

Relato pessoal: salto no escuro


Março de 1966, Geórgia
Os alunos de pára-quedismo na escola de salto de Fort Benning
são repetidamente advertidos de que, quando estiverem caindo devem evitar
cruzar sobre o pára-quedas de outro. Isso pode ser fatal.
Um dia, um grupo de alunos estava vendo outros saltarem e
justamente um dos pára-quedistas passou sobre outro. É como se fosse um
vídeo de treinamento ao vivo!
O pára-quedas de baixo tirou o ar do pára-quedas de cima, que
entrou em colapso, e o pára-quedista de cima caiu sobre o velame do outro.
Durante um instante ficou sentado ali, e então seu próprio pára-quedas caiu
e envolveu o pára-quedista de baixo. O pára-quedas do coitado se deformou e
cuspiu o pára-quedista de cima para longe. Este, apavorado, agarrou os fios
do pára-quedas de baixo, escorregou por eles até dar de cara com o outro
pára-quedista, que tentou expulsá-lo, dando-lhe socos no rosto. O outro
reagiu e os dois ficaram se atacando até caírem embolados no chão.
Foi uma boa lição de pára-quedismo, e também a demonstração de
que uma tragédia, às vezes, pode ser muito engraçada.
Referência: Mike Fewell, relato pessoal sobre sua terceira semana
de treinamento na escola de salto de Fort Benning.
Um membro da Associação de Pára-Quedistas dos Estados Unidos
adverte: "Um velame inflado não é capaz de suportar o peso de um ser
humano. As pessoas com os pés sobre um velame que se vêem em fotos, na
verdade, estão pendendo de um pára-quedas. E este que está sustentando
seu peso, e não o que está embaixo.".

Relato pessoal: um, dois, três, jogue!


Janeiro de 2000, Texas

Eu trabalho na indústria petroquímica, uma das profissões mais


perigosas do mundo. O resultado é que todos os profissionais da área são
obcecados com segurança. Foi o que aprendi deste, que era estagiário:
segurança é palavra de ordem em todas as entrevistas de emprego.
Fui entrevistado pela Union Carbide, em Sea Drift, Texas, e almocei
com o gerente da fábrica. Para impressioná-lo com minha preocupação com
a segurança, fiz perguntas sobre o programa de segurança da companhia.
Ele disse que só tinham tido um acidente fatal desde que a fábrica foi
instalada, e contou a história.
Na década de 1980, fizeram uma grande limpeza na fábrica. Duas
pessoas foram encarregadas de tirar todo o lixo de um tanque de
armazenamento, que era grande e cilíndrico e tinha 10 metros de altura.
Cônscios quanto à segurança, os trabalhadores cuidadosamente se
prenderam com correias antes de começar a tirar o lixo. Era só pegar as
coisas e jogar no chão, lá embaixo.
Completaram quase toda a tarefa, só faltando um pedaço muito
pesado de entulho. Ficou para o fim justamente porque era muito grande.
Era um trabalho para duas pessoas. Seguraram o objeto e combinaram
contar até 3 para jogá-lo. Depois da palavra três, ouviu-se uma voz: "Merda,
eu me amarrei nisso.".
Referência: relato pessoal anônimo.

Lenda urbana: morte grotesca no concerto de rock


1996, Washington

A polícia de George, Washington, divulgou a seguinte nota sobre os


acontecimentos que levaram a morte de Robert Uhlenake, de 24 anos, e seu
amigo Ormond D. Young, de 27, em um concerto do Metallica.
Uhlenake e Young foram encontrados mortos no Anfiteatro Gorge,
logo depois do show. Uhlenake estava em uma picape que estava sobre
Young, no fundo de um poço de oito metros de profundidade. Young tinha
sérios ferimentos, numerosas fraturas e um galho na cavidade anal. Tinha
sido também esfaqueado e suas calças estavam numa árvore acima dele, a
cerca de cinco metros do solo, complicando ainda mais o mistério da cena.
Segundo o comissário Inoye Appleton, Uhlenake e Young tentaram
obter entradas para o concerto, mas tudo estava vendido. Decidiram então
ficar no estacionamento e beber. Assim que começou o show, e depois que os
dois já tinham consumido 18 cervejas, tiveram a idéia de escalar a cerca de
segurança de 2,10 metros e entrar.
Levaram a picape para junto da cerca e decidiram que Young iria
primeiro e depois ajudaria Uhlenake. Não se deram conta de que a cerca
tinha 2,10 m do lado do estacionamento, mas sete metros do outro lado.
Young, que pesava 120 quilos e estava completamente bêbado,
pulou a cerca e caiu do outro lado, ficando preso pelas calças num galho de
árvore que lhe quebrou o braço esquerdo. Sentindo grande dor e sem
conseguir soltar as calças do galho, decidiu cortá-las com a faca que tinha
no bolso e cair na moita abaixo. Foi o que fez. Mas a moita era um arbusto
cheios de espinhos, que o arranharam um bocado — e para piorar, ele caiu
sentado sobre um galho na vertical, empalando-se. A faca, que ele tinha
largado, caiu sobre ele com a ponta para baixo, acertando-o na coxa
esquerda. Ele estava sentindo muita dor.
Entra em ação o amigo Robert Uhlenake.
Este tinha ouvido toda a confusão e compreendeu que Young
estava encrencado. Decidiu jogar uma corda para o amigo para puxá-lo de
volta. Ia ser difícil, pois Young tinha uns 50 quilos a mais do que ele. No
entanto, mesmo bêbado, ele percebeu que a caminhonete podia puxar
Young. Pôs a mudança em ré e meteu o pé no acelerador. A picape
arrebentou a cerca e caiu em cima de Young, matando-o. Uhlenake foi
jogado para fora do veículo e acabou morrendo de lesões internas.
"Foi assim que encontramos um homem morto de 120 quilos sem
as calças, com uma caminhonete em cima e um galho enfiado no cu",
comentou o comissário Appleton.
Essa história foi classificada de lenda urbana porque nenhum jornal
da época noticiou o caso. A nota policial é obviamente falsa, porque a polícia
não brinca com mortes e nunca usa a palavra cu para se referir ao reto. E o
escritório do xerife do estado de Washington negou ter conhecimento da
história.

Lenda urbana: entrando em forma na usina


Fevereiro de 2000
O caso foi relatado durante um seminário sobre segurança em uma
usina de energia no Sul dos Estados Unidos. Era uma usina a carvão, e um
empregado chamado Jack tinha a responsabilidade de supervisionar a
rápida esteira de carvão. Jack simplesmente cuidava para que nada de
anormal acontecesse, e nada de inadequado fosse queimado.
Um dia, os colegas de Jack voltaram do intervalo para descanso e
não o encontraram. Só estavam lá a marmita e as botas dele. Ninguém podia
explicar o que tinha acontecido. Depois de alguns dias, a companhia fez uma
investigação que acabou por revelar a verdade.
O médico de Jack tinha-o avisado recentemente de que ele estava
com o colesterol e a pressão sangüínea altos demais, e sugerira exercício
leve. Jack tinha pouco tempo sobrando para isto, mas achou que podia dar
um jeito na hora do almoço. Passou a comer rápido para depois calçar tênis
e saltar sobre a esteira, para fazer jogging até a hora de voltar ao trabalho.
Como tinha vergonha de estar acima do peso, só fazia isso quando ninguém
estava olhando.
O corpo de Jack nunca foi encontrado. Felizmente, ele tinha
contado a algumas pessoas sobre o regime de exercícios que adotara, caso
contrário nunca saberíamos o que aconteceu. Ele deve ter caído e se
convertido em energia para centenas de lares. Um substituto ecologicamente
mais seguro aos combustíveis fósseis: candidatos ao Prêmio Darwin.

Relato pessoal: sanduíche de pedra


Década de 1930, Ohio

Um artigo no Cleveland Plain Dealer descreveu uma morte


espantosa. Um operário da construção civil estava trabalhando numa obra,
quando constatou que precisava de um bloco de pedra de 15O quilos que
estava suspenso acima dele. Como era o único homem naquele pavimento, e
geralmente são necessários dois homens para fazer descer o bloco, ele achou
que seria mais fácil simplesmente cortar a corda e deixar o bloco cair no
chão.
O bloco arrebentou o chão e matou um sujeito lá embaixo. Ele se
curvou para ver pelo buraco o que tinha acontecido, e perdeu o equilíbrio.
Caiu 13 metros e quebrou o pescoço. Assim, tinha um cara morto com uma
pedra em cima e um cara morto em cima da pedra.
Referência: relato pessoal anônimo e o Cleveland Plain Dealer.

Capítulo 6
Inteligência militar:
uniformizados desinformados

"As glórias de nosso sangue e do estudo são sombras, não coisas


substanciais; não ha armadura que proteja contra o destino. A morte também
põe seus dedos gelados sobre os reis."
James Shirley

PRÊMIOS DARWIN HISTÓRICOS

As histórias neste capítulo tratam de policiais e militares. As forças


armadas têm um conjunto de histórias tradicionais que passam de geração a
geração de homens de farda. São contos que evocam a idéia de Darwins
históricos. Eis alguns famosos ganhadores:

• Átila, o huno, foi um dos vilões mais notórios da História.


Conquistou toda a Ásia em 450 a.C, destruindo aldeias e saqueando o
campo. Este homem sanguinolento morreu de hemorragia no nariz, na noite
do casamento. Depois de se banquetear e brindar à sua própria sorte, ele
ficou bêbado demais para reparar que o nariz estava sangrando e acabou se
afogando com seu próprio sangue.
• Tycho Brahe, o astrônomo do século XVI, cuja pesquisa ajudou
Isaac Newton a criar sua teoria da gravidade, morreu porque não conseguiu
chegar ao banheiro a tempo. Naqueles dias, era considerado um insulto sair
da mesa antes que o banquete tivesse terminado. Brahe esqueceu-se de ir ao
banheiro antes e complicou as coisas bebendo demais.
Muito educado, ficou ali até que sua bexiga estourasse, o que o
matou lenta e dolorosamente nos 11 dias seguintes.
• Francis Bacon foi um influente estadista, filósofo, escritor e
cientista do século XVI. Morreu quando estava recheando uma galinha com
neve. Ele meteu na cabeça a idéia de que neve, em vez de sal, poderia ser
usada para preservar a carne. Para testar a teoria, ficou ao ar livre, na neve,
e tentou rechear a ave. A galinha não ficou congelada: quem ficou foi Bacon,
o que faz pensar: quem congela primeiro, bacon ou ovos?
• Jean-Baptiste Lully, um compositor do século XVII que escreveu
música para o rei da França, morreu de uma overdose de "entusiasmo
musical". Quando ensaiava para um concerto, ele ficou muito excitado e
enfiou a batuta no pé. Morreu de infecção no sangue.
Alguns famosos Darwins históricos não são verdadeiros. Por
exemplo, as circunstâncias lendárias que cercaram a morte de uma famosa
governante:
• Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia no século XVIII,
supostamente tinha um apetite prodigioso por sexo. Diz a lenda que ela
morreu devido a suas práticas bestiais. Durante um visita conjugal a um
cavalo, a corda que segurava o animal se rompeu, o cavalo caiu em cima dela
e a esmagou. Mas a verdade é que, embora Catarina gostasse de sexo, não
queria nada com cavalos. O boato pode ter sido criado para difamá-la.
As histórias a seguir, um dia, serão Darwins históricos, mas você
não precisa esperar: pode desfrutá-las enquanto ainda estão fresquinhas.
Prêmio Darwin: auto-atentado
Confirmado por Darwin 13 de agosto de 1999, Manila

Uma explosão fatal no Departamento Nacional de Investigação das


Filipinas foi considerada inicialmente um ato terrorista. Mas a investigação
revelou que a causa da explosão não foi um ato criminoso, mas negligência
de agentes do departamento que estavam fumando perto de um pacote de
TNT. A explosão matou sete pessoas, inclusive o perpetrador, e demoliu a
Divisão de Investigação Especial do departamento. Granadas e outros
explosivos também estouraram. As autoridades estão pensando em
processar o chefe da divisão por não manter a segurança adequada. Mas é o
principal responsável, o homem que apagou um cigarro amassando-o num
depósito de explosivos, ganha um Prêmio Darwin.
Referência: Associated Press.

Prêmio Darwin: fuga da cadeia


Confirmado por Darwin , 2 de abril de 1998, Wisconsin

As prisões sempre têm "advogados enjaulados", que buscam saídas


legais para melhorar sua situação. Joseph, um detento de 22 anos da cadeia
Stevens Point, bolou um jeito de fugir. Fingiria ser maluco, para ser
transferido para as instalações para doentes mentais, de segurança mínima,
de onde seria mais fácil escapar.
O que faria um maluco se estivesse preso na cadeia? Joseph
pensou a respeito e decidiu que se enforcaria com um lençol até ficar
inconsciente, e seu colega de cela chamaria os guardas.
A fuga funcionou melhor do que ele esperava. Joseph morreu
enforcado e foi levado para a liberdade do túmulo no dia seguinte.
Referência: Louisville Eccentric Observer.
Prêmio Darwin: espionando e caindo
Confirmado por Darwin 9 de novembro de 1999, México

Um guarda mexicano morreu por excesso de zelo, quando


supervisionava a visita íntima de um preso. Raul estava atentamente
vigiando o detento lá do teto da prisão quando tropeçou, caiu pela clarabóia
e despencou sete metros até o lado da cama onde estavam o preso e sua
esposa.
Os prisioneiros da penitenciária de Tapachula informaram que o
carcereiro tinha o hábito de ficar rondando o teto da prisão em busca de
visitas íntimas para supervisionar. Segundo informaram as autoridades, o
guarda estava segurando uma revista pornográfica e binóculos, que foram
entregues a sua família.
Referência: La Crônica, Reuters, Le Journal de Montreal, News
(Cidade do México), InfoRed Radio.

Prêmio Darwin: cuspe à distância


Confirmado por Darwin 15 de julho de 1999, Alabama

Um soldado de 25 anos morreu de ferimentos provocados por uma


queda do terceiro andar, resultado de sua tentativa de ganhar um
campeonato de cuspe à distância. Ele estava tão decidido a vencer, e tão
bêbado, que tentou empregar uma técnica nova e perigosa. Afastou-se da
janela e depois se jogou contra ela, agarrando-se à esquadria de metal
enquanto cuspia, para dar mais velocidade à saliva.
Por um engano trágico, ele não se agarrou direito e caiu de uma
altura de oito metros. O soldado tinha um teor alcoólico de 0,14% no sangue,
o que prejudicou seu julgamento e sua coordenação motora, mas abriu
caminho para a conquista de um Prêmio Darwin.
Não se sabe se ele venceu o campeonato.
Referência: Fort Hood Sentinel.
Prêmio Darwin: como impressionar as mulheres
Confirmado por Darwin 30 de dezembro de 1997, México

Um segurança, tentando impressionar algumas mulheres tomou


uma decisão fatal e perdeu a vida fazendo roleta-russa em uma lanchonete
de La Paz. Segundo a polícia, Victor Alba, de 21 anos, morreu
instantaneamente quando apontou seu revólver calibre 38 contra a cabeça e
puxou o gatilho. Segundo consta, ele estava tentando impressionar algumas
mulheres. Sem dúvida, deve ter provocado uma impressão duradoura.
Referência: Hoy de La Paz, jornal diário de La Paz, México.

Relato pessoal:
5 soldados, 6 policiais, zero cérebro
Década de 1970, Irlanda do Norte

Uma equipe de militares à paisana estava patrulhando uma área


notória de Belfast. Depois de uma longa jornada, chegaram a uma rua de
York, pararam para abastecer o carro e fumar uns cigarros. Um dos soldados
perguntou ao frentista se havia por ali um telefone público, e o frentista
indicou os fundos da loja do posto.
Quando o soldado se encaminhava para o telefone, o frentista
percebeu que ele tinha uma arma escondida. Alarmado e temendo uma ação
terrorista, ele foi para o quarto dos fundos do posto, de onde telefonou para a
delegacia de polícia, que ficava a uns cem metros de distância. Mas em vez
de ligar para os atendentes habituais, que sabiam quais era as patrulhas
militares que estavam rondando a cidade, ele ligou para um amigo no
Departamento de Investigações Criminais.
Os policiais do departamento ficaram tão excitados que não
consultaram ninguém: saíram da delegacia dispostos a salvar o amigo dos
terroristas.
Os soldados estavam se preparando para deixar o posto de
gasolina, quando veio um carro cantando pneus e dele saíram seis policiais à
paisana brandindo armas. Achando que estavam sendo atacados por
terroristas, os soldados sacaram de suas armas, jogaram-se para trás do seu
carro e começou a troca de fogo. Um outro policial que estava perto da
esquina sacou também da arma e deu quatro tiros para o alto.
O tiroteio todo durou muitos minutos, até que uma voz gritou:
"Parem! Polícia!". Outra voz respondeu: "Cessar fogo! Exército!".
Mais de cem tiros foram disparados durante o tiroteio. Ninguém foi
ferido, e a história foi escondida da imprensa para proteger as identidades
dos envolvidos.
Referência: relato pessoal de um tenente que conheceu bem os
participantes.

Relato pessoal: jóquei de jet ski


1999, Califórnia

Era um dia calmo nas águas do Sul da Califórnia. Num navio a 50


quilômetros da costa, um oficial subalterno estava no convés olhando para
as ondas, quando subitamente ouviu uma voz gritar: "Qual a direção de
Cataliiiiiiiiina?"
Surpreso, ele procurou a fonte da voz, e viu um jet ski correndo
paralelamente ao navio. Nele estava sentado um civil, dirigindo com os
joelhos, com as mãos fazendo de megafone, enquanto ele pedia
desesperadamente que lhe informassem a direção de Catalina.
O marinheiro achou aquilo muito engraçado e chamou outros
colegas para mostrar o maluco no jet ski. Quando apontava para ele, o pobre
coitado pensou que ele estava apontando a direção de Catalina, e partiu
naquele rumo — direto para Pearl Harbor, Havaí, a centenas de quilômetros
de distância.
A história chegou aos ouvidos do capitão do navio, que mandou
zarpar na direção do sujeito do jet ski. Conseguiram alcançá-lo, e quando o
trouxeram a bordo, ele tinha uma surpresa para contar: tinha deixado um
amigo no meio do oceano, flutuando numa balsa que estava sem
combustível. Levou a noite toda, mas o navio finalmente encontrou o infeliz.
Quando lhe perguntaram como estava se sentindo, ele disse: "Sou um sujeito
de sorte.". É, muita sorte. Ele e seu amigo são prova evidente de que a
genética humana anda precisando de uns aperfeiçoamentos.
Referência: relato pessoal anônimo.

Relato pessoal: Teste de colete à prova de balas


1999
Há anos, os recrutas da polícia assistiam sempre a um vídeo de
treinamento chamado "Um idiota testa um colete à prova de balas". O astro
do filme era um sujeito rindo e dizendo às pessoas que atirassem no colete
que ele estava vestindo.
Levou um bocado de tiros, de um 22 a um magnum 357. O final foi
de um rifle AR-15, primo do M-16. A bala passou uns poucos milímetros
abaixo da borda inferior do colete de kevlar. Entrou na parte baixa do
estômago do homem, passou pelo cólon e atingiu a espinha, provocando
danos duradouros. Ele, que pensava. com dificuldades, agora também anda
com dificuldade.
Referência: relato pessoal anônimo.

Capítulo 7
Intoxicados de testosterona: os machões
"Se nada mais der certo, o jeito é se assegurar da imortalidade
fazendo alguma besteira espetacular."
Observação do economista John Kenneth Galbraith

A QUESTÃO DA PROLE
Neste capítulo reuni uma coleção de histórias que têm como
elemento comum a testosterona. O comportamento dos candidatos ao prêmio
é tão míope, tão contrário ao bom senso, que só pode ser explicado pela
aparente necessidade de mostrar uma capacidade superior de assumir
riscos. Estes casos com inspiração em testosterona fazem pensar: e se estes
homens já tiveram procriado?
Um candidato é automaticamente desclassificado se tiver filhos?
Tanto os fatores genéticos como os ambientais desempenham um papel na
determinação de nossas escolhas e nosso comportamento, assim, precisamos
discutir cada qual como fonte de potenciais candidatos ao Prêmio Darwin,
para depois tentar responder a pergunta acima.
Um exemplo concreto esclarece melhor a questão. Imagine que o
único motivo para um homem ganhar um Darwin é que ele tem o gene da
Estupidez Explosiva, que faz com que ele ignore o risco de brincar com
bombas.
O homem que tem esse gene imaginário tende a desprezar o perigo
dizendo que ele entende de explosivos e não se machucará. Por mais que ele
veja filmes mostrando corpos despedaçados, e por mais que conheça gente
que se feriu em explosões, ele estará sempre convencido de que o perigo não
pode alcançá-lo.
Assim, um dia ele estoura os miolos brincando de roleta-russa com
uma mina, como o sujeito a respeito do qual você vai ler abaixo.
O filho do sujeito que tinha o gene da Estupidez Explosiva, herdou
metade dos genes do pai e metade da mãe. Pode dar graças a Deus por só ter
50% de chance de possuir o gene da Estupidez Explosiva. Como os filhos têm
uma boa chance de não terem herdado um determinado gene, a presença de
filhos não desclassifica o homem da Estupidez Explosiva de concorrer a um
Prêmio Darwin.
As contribuições genéticas são apenas parte da história. O
ambiente também desempenha o seu papel. Se um filho herda o gene da
Estupidez Explosiva, ele vai aprender com o pai que brincar com explosivos é
ótimo. Mesmo se não tiver herdado o gene, ele terá uma boa chance de
ganhar um Darwin, porque aprendeu a se sentir onipotente perto de
explosivos. Enquanto o pai estiver Dor perto para estimular o
comportamento perigoso, o ambiente social do filho tornará mais provável
que ele assuma os mesmos riscos.
Mas suponha que o pai jogue um cigarro em um recipiente com
TNT e se faça em pedacinhos. Neste caso, dificilmente o filho seguirá o rumo
do pai. O ato que leva a ganhar um Prêmio Darwin acaba influindo o
ambiente de maneira a evitar que o filho também ganhe. Portanto, mais uma
vez somos levados à conclusão de que os homens que tiveram filhos podem
ganhar o Darwin. E a criança que herdou um gene azarado, por sua vez, terá
sua chance de concorrer algum dia.
O papel da testosterona na reprodução está bem documentado,
mas ela também participa da manifestação ocasional de estupidez, como
mostram os casos a seguir.

Prêmio Darwin: voando baixo


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1995 D
Desclassificado por Darwin
Os patrulheiros rodoviários do Arizona ficaram espantados quando
se depararam com uma pilha de destroços fumegantes enterrados na parede
do acostamento de uma curva na estrada. Pareciam os restos de um avião
que tinha caído, mas verificou-se que era um automóvel, de marca
inidentificável.
Os técnicos do laboratório acabaram descobrindo o que tinha
acontecido.
Um ex-sargento da força aérea tinha conseguido arranjar um
foguete de combustível sólido usado para dar aos aviões militares de
transporte um impulso adicional para decolar em pistas curtas.
O sargento levou o equipamento para o deserto do Arizona, muito
indicado para se bater o recorde terrestre de velocidade, encontrou uma
longa reta na estrada e acoplou o foguete ao seu carro. Entrou, acelerou e
disparou o foguete.
Ao que se pode determinar, o que aconteceu foi o seguinte: ele
estava dirigindo um Chevrolet Impala 1967. Ligou o foguete a
aproximadamente cinco quilômetros do local do desastre, como indicou um
trecho do asfalto queimado e fundido. O veículo atingiu rapidamente uma
velocidade entre 400 e 500 quilômetros por hora e continuou nesta
velocidade durante 20 a 25 segundos. O piloto sofreu uma força de
aceleração igual à que sofrem os pilotos de F-14 logo na decolagem.
O carro ficou na reta por cerca de quatro quilômetros (15 a 20
segundos) antes que o motorista pisasse no freio, que ficaram
completamente fundidos, estourando os pneus e deixando grossas marcas de
borracha na estrada. O veículo então levantou vôo e percorreu no ar mais
uns dois quilômetros, acertou o lado da colina à altura de quatro metros e
deixou ali uma cratera escura de um metro de profundidade.
Não se conseguiu recuperar a maior parte dos restos mortais do
motorista, mas foram extraídos pequenos fragmentos de ossos, dentes e
cabelos, assim como unhas e pedaços de ossos agarrados ao que se supõe
ser um pedaço do volante.
Ironicamente, encontrou-se um adesivo ainda legível: "Como estou
dirigindo? Ligue 1-800-COMA-POEIRA".
Este é o mais popular de todos os Prêmios Darwin. Considerada
verdadeira durante anos, a história mais tarde foi desmascarada como lenda
urbana pelo Departamento de Segurança Pública do Arizona. 0 caso enganou
os juizes de 1995, que concederam um Prêmio Darwin ao ex-sargento. Bob
Stein, alto funcionário do departamento, explica: "Eu recebo perguntas sobre
acidentes, prisões e investigações. Há uns dois anos peguei o telefone e
pesquisei o que já se tornou um mito no Arizona. Até hoje recebo uns cinco
telefonemas por mês de gente querendo saber se isso aconteceu mesmo." Leia
a história em detalhes: www.DarwinAwards.com/book/jato.html

Relato pessoal: sapateado catastrófico


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1999
Confirmado por Darwin
22 de março de 1999, Phnom Penh
Décadas de conflito armado encheram o terreno do Camboja de
munições e explosivos perigosos. As autoridades regularmente avisam os
cidadãos de que devem tomar cuidado com este material.
Três amigos recentemente passaram uma noite bebendo e
trocando insultos de brincadeira, num café na província de Svay Rieng, no
Sudeste do país. Ficaram horas nisso, até que um deles tirou do bolso uma
mina antitanque que tinha encontrado no quintal.
Ele jogou a mina embaixo da mesa e os três começaram a jogar
roleta-russa, cada qual tomando um gole de pisando na mina. Os outros
fregueses do café, percebendo o que ia acontecer, saíram correndo. Minutos
depois, o perigo foi confirmado, quando o explosivo detonou e matou os três.
"As esposas nem puderam encontrar os corpos, porque a explosão
destruiu tudo", informou o jornal Rasmei Kampuchea.
Referência: Rasmei Kampuchea, Reuters, Electronic Telegraph,
Daily Telegraph de Londres.

Prêmio Darwin: engolidor de peixes


PRÊMIO DARWIN DE 1998
Não-confirmado por Darwin
29 de janeiro de 1998, Ohio

Faminto ou só burro?
Quarta-feira foi um dia fatídico para Michael. Ele estava fazendo
hora com um grupo de amigos, olhando um deles limpar o tanque de peixes.
O amigo queixou-se então de que um certo espécime tinha se tornado um
problema. Tinha crescido demais, e estava comendo os outros peixes.
Michael propôs-se a ajudar. Pegou o peixe, de oito centímetros, e
tentou engoli-lo. Infelizmente, o peixe não concordou e se agarrou a sua
garganta com uma mordida. Michael tentou respirar em vão, ficou azul e
caiu de joelhos. Seus três amigos compreenderam que algo estava errado e
pediram socorro discando para a emergência.
Rapidamente chegaram os paramédicos, que viram a cauda do
peixe ainda saindo da boca da vítima. Mas, por mais que fizesse, não
conseguiram salvar o homem nem o peixe.
"Se eu te digo que duvido que você pule da ponte e você pula, é
burrice", comentou o major da polícia Mike Matulavich. Pelo visto, Michael
não foi uma vítima, ele queria apenas ganhar um Prêmio Darwin.
Prêmio Darwin: falta d'água
Confirmado por Darwin 26 de julho de 1991

Patrick viveu o bastante para lamentar o dia em que planejou bater


um recorde mundial, atravessando a pé os 35 quilômetros da planície de
Badwater, o lugar mais quente da terra. Ele completou 34 quilômetros antes
de cair em colapso no chão, para nunca mais se levantar. Junto a seu corpo
foram encontrados uma câmera de vídeo e um cantil vazio.
O corpo queimado de Patrick foi encontrado quase duas semanas
depois que ele partiu em sua jornada. Estava a menos de um quilômetro de
seu Toyota vermelho, que tinha litros de água fresca no assento traseiro.
Patrick, um esportista sadio de 90 quilos, tinha sido desidratado até o peso
de 50 quilos pelo calor. O que tinha provocado tudo isto?
Badwater costuma atrair extremistas que metem na cabeça a idéia
de percorrer o trajeto de 230 quilômetros do ponto mais baixo da América do
Norte para o mais alto, no Monte Whitney. Ocasionalmente, alguns valentes
tentam fazer a jornada a pé, mas levando bastante água. Somente Patrick,
nosso candidato ao Darwin, tentou fazer a viagem levando apenas 3 litros de
água.
Segundo o policial Mark Maciha, Badwater costuma ser uns cinco
graus mais quente do que a vizinha Furnace Creek, que em 1913 teve a
temperatura recorde de 57 graus centígrados. No verão, o solo chega a
atingir quase 100 graus, e a umidade do ar fica perto de zero. Não se pode
encontrar uma explicação racional para que esse fanático pela forma física
tivesse deixado de levar água suficiente num clima assim. Estima-se que ele
precisaria de 12 litros de água para sobreviver.
A autópsia descartou a hipótese de assassinato, e suicídio parece
igualmente improvável, já que era a terceira vez que ele tentava completar a
travessia. A teoria mais convincente é que Patrick queria bater o recorde de
ser o primeiro homem a atravessar Badwater a pé, sem qualquer ajuda. Um
amigo contou que ele, de propósito, evitava dizer quais eram suas intenções,
para que ninguém soubesse onde estava. E água extra é uma coisa tão
pesada!
Antes de partir, ele se gabara a amigos de ter calculado a
quantidade precisa de água de que necessitaria, e para poupar peso, não
levaria uma gota a mais. O cálculo estava lamentavelmente errado.
Depois da autópsia, o dr. Milton Jones especulou que Patrick pode
ter-se sentado para descansar já com o Toyota à vista, mas tinha perdido
tanto líquido que o coração não pode bombear o sangue, muito viscoso, para
o cérebro. Ele caiu inconsciente e morreu.
Patrick tinha grande conhecimento do deserto. Segundo seu pai,
"ele só gastava dinheiro em duas coisas: equipamento eletrônico e viagens ao
deserto".
A câmera de vídeo que foi encontrada revela o que aconteceu com
Patrick até que as baterias se descarregaram. E a fita termina com a
observação "...uma bobagem e você está morto."
Referência: Revista Los Angeles.

Prêmio Darwin: adesivo fatal


Não-confirmado por Darwin 1998, New Jersey

Os clubes de strip-tease já não são mais o que eram. Um homem


de 29 anos, não identificado, morreu asfixiado com a garganta obstruída por
um adesivo coberto por lantejoulas, que cobria o mamilo de uma dançarina.
Ele tirou o adesivo com os dentes e se engasgou. "Não acho que ele queria
comer", disse a dançarina, que se identificou apenas como Ginger. "Ele
estava bêbado de verdade." Se Ginger escondesse o seio com um adesivo
mais forte, este ganhador do Darwin ainda estaria vivo.

Prêmio Darwin: o conhecedor de armas


Confirmado por Darwin 28 de fevereiro de 2000, Texas

Um homem de Houston aprendeu uma lição importante sobre


segurança com armas quando fez roleta-russa com uma pistola semi-
automática de calibre 45. Rashaad, de 19 anos, estava visitando amigos
quando anunciou sua intenção de fazer aquela brincadeira fatal. Ao que
parece ele não sabia que uma semi-automática, ao contrário de um revólver,
automaticamente põe a bala na câmara para ser disparada, quando se
aperta o gatilho. Assim, ele logo constatou que sua probabilidade de ganhar
o jogo era zero.
Referência: Houston Chronicle.

Prêmio Darwin: conservado em álcool


Confirmado por Darwin Agosto de 1999, Austrália

Beber até a morte pode ser um processo rápido. Allan, um técnico


de computadores de 33 anos, mostrou seu espírito competitivo morrendo de
tanto beber na competição do bar de um hotel de Sydney, conhecida como
Sexta-Feira das Feras. O bar estabelecia um limite de cem minutos para o
consumo de álcool, e dava pontos aos bebedores de acordo com uma escala.
Uma cerveja valia um ponto; bebidas mais fortes, oito.
Depois de um hora e 40 minutos de beber, Allan ganhou o prêmio,
com o total de 236 pontos. O teor de álcool no seu sangue chegara ao
espantoso nível de 353 miligramas por cada 100 mililitros de sangue, sete
vezes mais do que o limite legal para se dirigir na Austrália.
Depois de várias idas ao banheiro, Allan foi para o seu local de
trabalho, com ajuda, para dormir até que a bebedeira passasse. Mas não
acordou.
Um farmacologista explicou que, depois de beber 34 cervejas,
quatro bombons e 17 doses de tequila, o teor de álcool no sangue de Allan
devia estar entre 0,41 e 0,43 por cento. Mas como ele tinha vomitado várias
vezes antes de acabar a competição, o nível devia estar um pouco mais baixo
quando ele morreu.
Foi um preço bem mais alto que o pago pelo hotel, que foi multado
em 1 3 mil dólares por não intervir. Não se sabe se o corpo de Allan precisou
ser embalsamado.
Referência: Sydney Morning Herald, Reuters.

Prêmio Darwin: homem de verdade agüenta


Não-confirmado por Darwin Novembro de 1997, Pennsylvania

Ken, de 38 anos, foi mordido por uma cobra que era propriedade de
um amigo, depois de enfiar a mão, por brincadeira, dentro do tanque onde
ela estava. Recusou-se então a ir a um hospital, dizendo: "Eu sou é homem,
eu agüento isto.".
Bobagem maior é difícil imaginar.
Em vez de hospital, Ken foi a um bar. Acontece que o veneno de
cobra é uma toxina de ação lenta, que ataca o sistema nervoso central. Age
tão lentamente que ele conseguiu beber três drinques enquanto se gabava de
ter sido mordido por uma cobra. Acabou sucumbindo ao veneno e morreu
em questão de poucas horas.

Prêmio Darwin: dando uma de Guilherme Tell


Não-confirmado por Darwin Abril de 2000, Kentucky

Barry e seu amigo Joseph decidiram reencenar a famosa cena em


que o arqueiro Guilherme Tell é obrigado a atirar em uma maçã sobre a
cabeça de seu filho. Em vez de uma maçã, usaram uma lata cerveja, que
estava mais à mão. Dá para pensar que eram adolescentes, mas na verdade,
ambos tinham 47 anos. Larry pôs a lata de cerveja na cabeça e disse a
Joseph para atirar. Joseph atirou, mas como não era o Guilherme Tell, errou
a lata e feriu fatalmente seu amigo Larry. As autoridades disseram que os
dois estavam bêbados e que o episódio não teve relação com uma discussão
anterior que tiveram no estacionamento.
Diz a lenda que o arqueiro suíço Guilherme Tell foi forçado pelo
oficial de justiça Gessler a atirar uma flecha em uma maçã sobre a cabeça do
seu filho, por ter-se recusado a homenagear o símbolo do Rei dos Habsburgos.
Quando a flecha atingiu a maçã, Guilherme já tinha uma apontada contra o
coração do oficial, caso a primeira não fosse certeira.

Prêmio Darwin: a bola errada


Confirmado por Darwin Escócia

Um pintor de 23 anos era conhecido pelos amigos como "vontade


de morrer", devido ao seu comportamento temerário, que incluía quebrar
copos na testa e engolir chaves e vidro. A polícia o descreveu como tendo boa
saúde, fisicamente, mas com "um fraco intelecto". Era, em resumo,
considerado um idiota, e provavelmente fazia esses truques para se sentir
mais importante.
Ele freqüentemente "engolia" uma bola de sinuca e depois a
regurgitava. O truque era manter a bola na parte de trás de sua faringe. O
tamanho da bola de sinuca é adequado para isto.
Um dia, ele foi visto consumindo uma grande quantidade de
cerveja em um bar. Depois da hora do fechamento, o dono do bar permitiu
que ele e seus amigos continuassem bebendo, ilegalmente. Mais tarde, ele foi
visto pondo uma bola de sinuca na boca. Tinha feito isso tantas vezes que
ninguém se preocupou. Mas desta vez, ficou encrencado. Seus amigos
tentaram intervir, mas ele fez sinal para que se afastassem, saiu correndo do
bar, caiu na rua e começou a ficar azul. Nem seus amigos nem a ambulância
que chegou foram capazes de salvar sua vida.
O que deu errado?
É que dessa vez ele engoliu a bola branca, que é ligeiramente
menor do que as outras bolas de sinuca, o que ele não sabia: tem 4,75
centímetros de diâmetro, enquanto as demais têm 5,03 centímetros. A
diferença é muito pequena, mas o suficiente para a bola se alojar na faringe
e não sair mais dali.
Referência: "Um Caso de Sufocação Fatal durante a Tentativa de
Engolir uma Bola de Sinuca", por Gyan C. A. Fernado, MB, BAS, MRCPath,
DMJ, Forensic Medicine Unit,Department of Pathology, University of
Edinburgh. De Medicine, Science and Law, jornal oficial da British
Academy of Forensic Scientists (1989), v. 29, n- 4, p. 308.

Prêmio Darwin: conserto na estrada


Confirmado por Darwin Março de 1995, Michigan

James morreu em março, no Álamo, quando tentava consertar o


que a polícia descreveu como "caminhão do tipo de fazenda". O homem, de
34 anos, pediu a um amigo para dirigir o caminhão enquanto ele se
pendurava embaixo, para tentar descobrir a origem de um ruído. Mas ele não
se vestiu adequadamente para a ocasião. Sua roupa larga foi presa por uma
engrenagem e o amigo encontrou James "vestindo um pistão".
Referência: Kalamazoo Gazette.

Menção honrosa: a arma certa para o trabalho certo


Não-confirmado por Darwin Flórida

Carl Wayne, de 20 anos, feriu-se na perna com fragmentos da bala


que disparou contra o cano de descarga de seu carro. Aparentemente,
quando estava consertando o carro, ele concluiu que era preciso fazer um
furo no cano. Não encontrando uma perfuratriz, ele recorreu ao revólver.
Menção honrosa: beijinho beijinho, quase tchau,
tchau
Confirmado por Darwin 30 de julho de 1999, Austrália

Ken, de Carlsbad, aceitou a aposta e beijou uma cobra, e quase


morreu por causa disto. A aventura começou quando ele se gabou aos
amigos de que tinha capturado uma cascavel, uma semana antes. Os amigos
ficaram brincando com ele, chamando-o de "amante de cobras", e ficaram
dizendo para ele beijar a amiguinha.
Foi o que ele fez. A cobra de um metro de comprimento mordeu-o
então no lábio inferior e esvaziou seu veneno no rosto dele. A cabeça e a
garganta de Ken incharam até o dobro do tamanho normal, e o pessoal da
sala de emergência do hospital esvaziou muitas ampolas de soro em sua
corrente sangüínea, lutando para salvar sua vida. Depois de três horas de
intubação e 25 doses de soro, Ken foi salvo no Tri-City Medical Center.
A inchação provocada por mordida de cobra pode causar necrose
do tecido afetado, e Ken poderia ter perdido parte do rosto. Por sorte, teve
apenas lesões superficiais. Mas vai sofrer as conseqüências de seu ato idiota
durante semanas, enquanto o organismo deflagra uma reação imunológica.
O dr. Neil Joebchen, médico da sala de emergência, disse: "Em 26
anos, este é o pior caso que eu já vi. Os músculos dele tremiam como se ele
tivesse vermes sob a pele."
Referência: San Diego Union-Tribune.

Lenda urbana: o cachorro e o jipe


Uma lenda urbana clássica, umas das mais famosas de todos os
tempos
Um sujeito de Michigan compra para si mesmo, no Natal, um Jeed
Grand Cherokee de 30 mil dólares. Vai para seu bar favorito e comemora a
compra bebendo um pouco demais com seus colegas. Em uma dessas
brincadeiras da rapaziada, cinco deles decidem levar o carro novo para um
test drive numa expedição de caça a patos. Carregam o jipe com o cachorro,
as armas, o pato de plástico e a cerveja, e vão em direção a um lago próximo.
É inverno e o lago está congelado, portanto eles precisam fazer um
buraco no gelo para atrair os patos. No Michigan é comum dirigir sobre o
lago congelado, e também se costuma (o que é ligeiramente ilegal) fazer um
buraco no gelo usando dinamite. Nossos rapazes não têm com que se
preocupar: um deles trabalha numa construtora e trouxe alguma dinamite. A
banana tem um pavio curto, de 20 segundos.
O grupo está preparado. Os rifles estão carregados e eles
trouxeram cerveja, roupa quente e um cão perdigueiro. Discutem então onde
botar a dinamite. Um deles observa que é conveniente que a explosão tenha
lugar bem longe deles. Outro observa que quando se corre de um pavio
queimando pode-se escorregar no ge1o. De modo que eles acabam
concordando em acender o pavio jogar a dinamite o mais longe possível.
Depois de discutir a respeito de quem tem mais força no braço, o
dono do jipe acaba ganhando a honra e é encarregado de jogar a banana de
dinamite bem longe. Ele segura o explosivo enquanto um colega acende o
pavio, e então atira-o com toda a força e sai correndo na direção contrária.
Infelizmente, um membro de outra espécie animal viu o que seu
dono estava fazendo e toma uma decisão instintiva. O cão, um labrador
negro treinado para pegar as coisas jogadas pelo seu dono, sai correndo a
toda a velocidade e pega a banana de dinamite na boca.
Os cinco sujeitos, em pânico, começam a gritar para o cão para que
ele largue a dinamite. Mas não adianta. O cachorro vem vindo, trazendo
orgulhosamente o explosivo com o pavio diminuindo. Desesperado, o dono
pega do rifle e começa a atirar contra seu próprio cão. Confuso, o animal
acha que o dono ficou louco e corre para se abrigar — debaixo do Grand
Cherokee.
Bum! Cachorro e jipe são feitos em pedacinhos e afundam no lago,
deixando um grande buraco no gelo. Os homens entreolham-se, e o dono do
jipe tem uma história complicada para contar para a companhia de seguros.
Não é preciso dizer que, afundar um veículo num lago por meio do
uso ilegal de dinamite, não está previsto na apólice de seguro. O infeliz ainda
está pagando 400 dólares por mês pelo seu jipe novo lá no fundo do lago.

Relato pessoal
Trecho da carta enviada por um estudante de física a seus amigos,
descrevendo seu ano de pós-graduação na faculdade
Junho de 1998

Meu primeiro ano começou de maneira normal, mas tudo mudou


há dois meses. Talvez vocês tenham ouvido falar de um acidente estranho
em que eu estive envolvido. Aqui está a verdade, completa.
Na segunda semana de aulas, a sociedade dos alunos de física deu
uma festa de boas-vindas. Como manda a tradição, fizemos nosso próprio
sorvete usando nitrogênio líquido, a 77 graus Kelvin para baixar a
temperatura. Derramamos um pouquinho de nitrogênio líquido numa mesa e
ficamos olhando as gotinhas dançando. Alguém perguntou: "Por que ele faz
isso?". E aí começou o problema.
Como eu sempre faço, respondi que o nitrogênio se evapora
rapidamente na superfície da mesa, o que cria um colchão de ar onde a gota
repousa e é termicamente isolada, demorando mais para evaporar. Por isso a
gota fica dançando sem tocar a mesa e sem se espalhar.
Mencionei que o mesmo princípio torna possível pôr a mão
molhada em chumbo derretido, ou beber nitrogênio líquido sem problemas.
Eu já tinha feito isso.
Naturalmente, as pessoas ficaram céticas. "Você vai ficar todo
congelado, feito o "'Exterminador do Futuro'." Mas eu estava seguro, já tinha
feito antes e tinha funcionado. Sem hesitar, enchi um copo e tomei um gole.
É simples: engulo nitrogênio e sopro fumaça pelo nariz, impressiono todo
mundo.
Dois segundos depois eu estava estirado no chão, incapaz de
respirar ou de fazer qualquer coisa exceto sentir uma intensa dor. Chegou a
ambulância, chegou a polícia, fui levado para o hospital, onde tentaram
explicar ao pessoal da sala de emergência o que tinha acontecido. Então eu
desmaiei. Acordei no dia seguinte ligado a máquinas. O que acontece, como
aprendi então, é que as pessoas estão certas quando acham que não se deve
engolir nitrogênio líquido.
Pode-se deixar o nitrogênio líquido na boca e soltar fumaça, mas
não engoli-lo. Nunca. A epiglote fechada impede que o gás escape, e ele é
forçado para dentro do seu corpo. Seu esôfago naturalmente se contrai em
torno de qualquer coisa que esteja dentro, de forma que mesmo havendo
uma fina camada protetora de gás, o esôfago vai conseguir fazer contato com
o nitrogênio líquido.
Aprendi também que minha memória me enganou. Quando eu
tinha feito o truque, seis anos antes, tinha posto o nitrogênio líquido na boca
sem engoli-lo. Com o passar do tempo, acabei achando que tinha engolido.
Fiquei gravemente queimado desde a epiglote até o fundo do
estômago. O gás se expandiu para preencher a cavidade do peito, e a pressão
provocou colapso de um pulmão. Numa operação que durou toda a noite,
retiraram parte do meu estômago e puseram todo meu sistema digestivo a
cargo de uma máquina. Houve outros detalhes desagradáveis sobre os quais
prefiro não falar. Os médicos ficaram impressionados com minha
recuperação. Após uns poucos dias, eu já conseguia respirar sem ajuda.
Depois de uma semana consegui me sentar na cama, e outra semana mais
tarde já conseguia caminhar e comer. Agora, oito semanas depois, estou
praticamente curado, exceto por algumas cicatrizes feias.
E tem uma boa notícia! Sou o primeiro caso documentado de
ingestão criogênica. Leia o New England Journal of Medicine. Três artigos
sobre o caso estão em exame, e serão publicados em breve.

Referência: relato pessoal anônimo.


Relato pessoal: descabeçados
1997, Holanda
Um grupo de empregados foi levado por sua empresa para um
passeio de ônibus. Era um dia de sol, e alguns dos mais animados ficavam
esticando a cabeça para fora de uma janela no teto. Eram como crianças
rindo do vento na cara.
O motorista do ônibus avisou-os várias vezes para parar com
aquela bobagem, mas em vão. O inevitável aconteceu.
Dois homens estavam com a cabeça para fora, cantando, enquanto
o ônibus passou por um viaduto. O barulho dos crânios sendo rachados foi
ouvido em todo o ônibus. As cabeças não rolaram para fora, mas os homens
caíram mortos com cabeças e pescoços quebrados.
Perguntado a respeito das normas de segurança, o motorista
comentou: "Eu sempre fecho aquilo quando há crianças no ônibus, porque
as crianças não obedecem. Mas, pelo amor de Deus, esses eram adultos!".
Referência: relato pessoal anônimo e The Tonight Show com Jay
Leno, na NBC.

Relato pessoal: tobogã de lixo


Confirmado por Darwin 14 de julho de 2000, Canadá

Foi um risco que Sheldon, de 25 anos, nunca mais vai assumir de


novo. Ele e um grupo de amigos estavam num apartamento de Calgary,
depois de uma noitada em um bar. Foi ali que ele fez um desafio de
brincadeira, algo como "Quem vai querer dar um passeio no tobogã de água
do prédio?". O tobogã, na verdade, era a coluna de lixo. Sheldon se jogou por
ali e caiu 12 andares de cabeça para baixo. Os amigos aplicaram
ressuscitação cardiorrespiratória até que chegou socorro, mas era tarde
demais. A queda tinha liquidado Sheldon.
Referência: nota da polícia de Calgary, Ottawa Citizen, Calgary
Herald.
Capítulo 9
Ligações perigosas: sexo inseguro
"Descendemos dos macacos! Meu caro, espero que não seja
verdade, mas se for, rezemos para que isto não se torne do conhecimento
geral."
Exclamou alarmada, a esposa do Bispo de Worcester, ao ouvir falar
do livro de Darwin "Origem das Espécies".

EVOLUÇÃO VERGONHOSA

Os Prêmios Darwin deste capítulo foram concedidos a gente


encontrada em situações surpreendentemente embaraçosas. A obsessão de
nossa espécie com o sexo é particularmente visível quando leva a uma
exposição pública deste tipo. E essa nossa paixão pelo sexo, leva-nos a
outras atividades que têm impacto negativo sobre a genética humana.
Por exemplo, tome-se o caso do Prêmio Vergonha dado a uma mãe
e um filho, na Califórnia que, segundo se alega, tinham uma relação
incestuosa. Recentemente o casal teve uma filha, e a mulher estava grávida
do segundo filho.
A consangüinidade tem repercussões sérias. Quando há uma
relação genética muito próxima entre os pais, os filhos têm maior incidência
de defeitos congênitos.
As autoridades tomaram conhecimento da relação peculiar entre a
mulher e seu filho quando a filha dela disse na escola que não queria mais
morar em casa, porque sua mãe queria que ela chamasse o irmão de papai.
A mulher, de 43 anos, e seu filho de 23, aparentemente tinham uma relação
romântica há anos. A mulher assegurou para a polícia que o amante não era
seu filho, mas os certificados de nascimento comprovam a relação.
As autoridades estão empenhadas no caso por causa do potencial
de desordens genéticas nos filhos. "Eles estão tendo filhos e parece que tão
cedo não vão parar", disse um subpromotor. "Isso me deixa maluco."
Muitas desordens genéticas são recessivas, o que significa que um
gene sadio herdado de um pai mascara o outro gene, doente. Estima-se que
cada um de nós tenha sete mutações recessivas potencialmente letais. Nós
sobrevivemos porque nossos pais têm mutações recessivas distintas, e o gene
"bom" nos protege do gene "mau".
Uma criança filha de mãe e filho, no entanto, tem muito maior
probabilidade de ter duas cópias de genes recessivos e sofrer de sérias
doenças genéticas. É por isso que os casamentos entre membros da mesma
família são considerados tabus na maioria das culturas humanas.
Os autores das façanhas descritas a seguir teriam se saído melhor,
se tivessem também considerado tabu as atividades em que se meteram.
Referência: San Francisco Chronicle, San José Mercury News,
Contra Costa Times.

Prêmio Darwin: paixão esmagadora


Confirmado por Darwin Junho de 1999, Flórida
A polícia do condado de Okeechobee acredita que a morte de
Bryan, de 28 anos, teve relação com o hábito de sua esposa de esmagar
coelhos e camundongos para obter prazer sexual. Stephanie, de 29 anos, foi
condenada a dois anos em liberdade condicional e serviços comunitários pela
morte do marido, que foi encontrado num poço com uma tábua sobre o
corpo, sobre a qual passou as rodas traseira de seu carro esporte.
Stephanie não negou que tivesse passado com o carro sobre o
marido, mas em sua própria defesa entregou fitas que a mostravam
pisoteando até a morte pequenos animais. Nos filmes, ela foi identificada por
uma tatuagem misteriosa na perna.
Filmes deste tipo são vendidos a gente que sente prazer sexual com
a morte, especialmente causada por uma mulher. "Era repulsivo e cruel",
disse o promotor assistente Bernard Romero. "Meu primeiro instinto foi pedir
a pena de morte."
Mas Stephanie alegou ter sido participante involuntária nos vídeos
e ter sido espancada muitas vezes por seu marido. Ela foi objeto de duas
acusações por crueldade contra animais, mais tarde abrandadas a acusações
de contravenção.
Quanto ao marido, sua morte sob a roda do carro foi
presumivelmente um ato de amor entre adultos. Mas um homem que se
deita enquanto uma mulher se prepara para esmagá-lo com um carro não
deve ficar surpreso se acabar ganhando um Prêmio Darwin.
Referência: Fort Lauderdale Sun-Sentinel, CNN.

Prêmio Darwin: sexo acelerado


Confirmado por Darwin 7 de maio de 2000, Itália

Pé na tábua! Um jovem casal morreu num estranho acidente de


carro em Chieti. Germano e Francesca foram descobertos quase
completamente nus, e os investigadores presumem que eles estavam fazendo
sexo em seu carrinho italiano, enquanto corriam por estradas de Abruzzo a
mais de 1 30 quilômetros por hora. Os jovens italianos costumam usar seus
carros para escapadas românticas, mas é um mistério que este casal tenha
decidido fazer isto a alta velocidade. Germano perdeu controle do carro numa
curva, e os dois morreram no desastre.
Referência: Basler Zeitung, Corriere del Ticino.

Prêmio Darwin: sexo sufocante


Confirmado por Darwin 21 de março de 1999, Bucareste

O jogador de futebol romeno Mario, de 24 anos, e sua amiga Mirela


não podiam esperar para fazer amor. Assim que estacionaram o carro
consumaram sua paixão. E logo morreram de envenenamento por monóxido
de carbono, dentro do veículo que deixaram com o motor ligado na garagem.
O casal foi descoberto pelo pai de Mario, no dia seguinte. "Pareciam não
saber do perigo do monóxido de carbono", comentou o coronel da polícia
Dimitru Secrieru.
9 de maio de 1999, México

Um jovem casal mexicano foi encontrado morto dentro de um carro


fúnebre. José, de 23 anos, empregado da funerária Pérez Diaz, em
Campeche, encontrou-se com Ana Maria para uma escapada amorosa no
coche fúnebre. Parou em um estacionamento e deixou o motor ligado, para
aquecer o ar. O monóxido de carbono foi penetrando no veículo e envenenou
os dois. Os corpos foram encontrados quando a mãe de Ana Maria foi
procurar sua filha desaparecida.
Referência: Notimex, Reuters, Fox News.

Relato pessoal: exibicionismo de risco


Confirmado por Harwin 16 de dezembro de 1997, Texas

Um homem de Dallas que costumava se exibir para o tráfego que


passava, morreu durante uma dessas performances. A polícia foi chamada
por um motorista que tinha visto Richard, de 47 anos, de pé, nu, sobre um
viaduto de uma ferrovia. Quando os policiais chegaram, ele estava
descansando sentando, ainda nu. Quando viu a polícia, agarrou a roupa e
saiu correndo pelo viaduto, do qual pulou, aparentemente tentando cair
sobre um suporte de concreto. Mas errou o alvo e caiu de uma altura de 12
metros. Morreu uma hora depois, no hospital Parkland.
Referência: Dallas Morning News.

Menção honrosa: Papai Noel chegou


Confirmado por Darwin 9 de maio de 2000, Califórnia

Shaun violou uma ordem judicial quando entrou na chaminé de


sua ex-amante, de S0 anos. Mas ele não podia violar as leis da física. Seu
corpo ficou entalado na chaminé, e o homem de 30 anos ficou algumas horas
em solidão forçada, meditando sobre sua situação. Algum tempo depois,
uma vizinha que ouviu uma voz aguda misteriosa, descobriu que a fonte era
Shaun, enfiado como Papai Noel na chaminé estreita. "Era incrível que
alguém coubesse ali", disse ela. Mas lá estava ele, a três metros e meio do
topo da chaminé, com os braços acima da cabeça.
Bombeiros de Los Angeles tentaram puxar o homem com uma
corda, sem sucesso. Então chamaram uma equipe de pedreiros, que fizeram
um buraco na parede de tijolos com uma perfuratriz enquanto o Papai Noel
gritava de medo. Finalmente libertaram o homem, que se viu cercado por
repórteres.
Triunfante, ele anunciou: "Sou tão burro que provavelmente vou
ganhar um Prêmio Darwin!". Foi então preso sob suspeita de tentativa de
furto, e voltou a perder a liberdade. Como ele ainda está vivo, não tem direito
a ganhar um Prêmio Darwin, mas sem dúvida ficará orgulhoso de saber que
ganhou uma menção honrosa. E é bom ficar de olho nele!
Referência: San Diego Union Tribune.

Menção honrosa: tara ardente


Confirmado por Darwin 30 de abril de 1999, Califórnia
Uma noite, bombeiros salvaram um bilionário alemão de um
incêndio que ameaçava sua suíte no Hyatt Regency Hotel, na cidade de
Colônia. "E daí?", você pode perguntar. "É isso que os bombeiros fazem." Mas
neste caso, eles também salvaram o sujeito de uma situação de
sadomasoquismo que parece ter saído de um livro de receitas do marquês de
Sade.
O caso começou logo depois da meia-noite, quando o magnata
contratou uma "dominatrix" de 28 anos conhecida como Ramona para
amarrá-lo, amordaçá-lo, chicoteá-lo e humilhá-lo de todas as formas em sua
suíte de 400 dólares. Ramona era igual a qualquer prostituta, com meias
pretas, sutiã de renda e salto alto. E tinha levado um chicote e outros
equipamentos. Era uma sessão normal de sexo "sadomasô", até que começou
um incêndio no quarto adjacente, onde um empresário de computadores
estava na sauna.
Sem saber o que acontecia no outro quarto, o empresário correu
para o corredor e começou a gritar para avisar aos outros hóspedes. Ramona
ouviu os gritos, largou o chicote e saiu correndo. Demonstrou uma
alarmante falta de ética profissional ao deixar o cliente amarrado à cama e
amordaçado. Igualmente alarmante é a imprudência do homem que se deixa
amarrar em uma cama e amordaçar por uma estranha!
Quando os empregados do hotel e os bombeiros fizeram uma busca
de quarto em quarto, encontram o magnata alemão naquele estado bizarro, e
tiveram de fazer um esforço para parar de rir e libertar o sujeito, cuja roupa
tinha sido destruída. Ele correu nu como um bebê pelo lobby do hotel e na
rua, envolto num lençol. "As pessoas o aclamaram, o que certamente o fez
ficar ainda mais constrangido", comentou um porta-voz dos bombeiros.
As autoridades identificaram o homem como um "importante
executivo", com esposa (por enquanto) e dois filhos. Acrescentaram que sua
perversão poderia facilmente ter-lhe custado a vida.
Referência: New York Post,

Lenda urbana: encontro relâmpago


1998, Arizona

Um estudante de medicina da Universidade do Arizona marcou um


encontro numa noite de sexta-feira, e levou a mulher para um lugar isolado
no Monte Lemmon, de onde se avista a cidade de Tucson. Eles ficaram num
mirante, admirando as luzes da cidade.
Tomada pelo romantismo do local, ela sucumbiu às juras de amor
dele. Os dois tiraram a roupa, com a qual improvisaram uma cama, e
começaram a fazer amor, sem dar importância às nuvens escuras e aos
trovões. Nem perceberam os esqueletos de árvores atingidas por raios.
O local onde estavam tornou-se foco de uma tremenda atividade
elétrica. De súbito, um clarão: um raio atingiu o ponto mais alto da área, que
era o traseiro do estudante, e atravessou seu corpo. Incrivelmente, ele
sobreviveu, mas sofrendo uma tremenda dor.
O calor do raio fundiu carne e látex, de modo que os dois
amantes ficaram presos um ao outro pelas partes mais íntimas. A mulher,
infelizmente, não sobreviveu à descarga elétrica. Quando o estudante
reparou nos olhos dela e percebeu que estava morta, automaticamente
tentou afastar-se. Quando viu que não podia fazê-lo, uma onda de dor e
náusea fez com que ele vomitasse no rosto e na boca aberta da mulher. O
horror e a dor da situação fizeram com que ele desmaiasse.
Atraído pelo cheiro, um urso foi até os amantes e começou a
lamber a pizza semidigerida do rosto da mulher morta. O estudante acordou
de seu estupor. Ao ver o urso, compreendeu que não podia fazer nada a não
ser permanecer em silêncio, petrificado de medo.
Para seu horror, o urso não se satisfez em lamber e começou a
comer a moça, mastigando ruidosamente seus ossos do rosto a centímetros
do ouvido dele. O urso também experimentou uma amostra do rapaz,
arranhando a sua nuca com os dentes antes de ir embora.
“As 1 lh35m, um grupo de bandeirantes chegou ao local, e três
meninas descobriram o estudante, que tinha recuperado a consciência e
conseguira se arrastar, e à mulher parcialmente devorada, alguns metros em
direção à estrada”. Médicos conseguiram separar o estudante do cadáver.
Uma fonte do hospital informou que o pênis dele parecia "um
pedacinho de couve-flor", no estado flácido. E o menor princípio de excitação
provocava tanta dor que o estudante não era capaz nem queria ter uma
ereção. Como seu órgão traumatizado não vai mais funcionar no sentido
reprodutivo, ele tem condições de ganhar um Prêmio Darwin.

Lenda urbana: bombeando ar


16 de abril de 1997

"O governo precisa acabar com essa moda infame de bombear",


disse aos repórteres um porta-voz do hospital Nakhon Ratchasima. "Se essa
perversão se difundir, vai destruir nossos melhores jovens." Ele estava
falando em uma entrevista coletiva depois que os restos mortais de
Charnchai Puanmuangpak foram levados para a sala de emergência do
hospital.
"Esses 'bombeadores' usam uma bomba comum de bicicleta,
enfiando o tubo dentro do reto e lançando ar, o que cria uma sensação
agradável momentânea. Este é um ato contra Deus." Mas Charnchai foi
ainda mais longe. Passou a usar uma bomba-de-pé de dois cilindros, e nem
isto bastou. Anunciou para os amigos que ia tentar uma bomba de ar
comprimido num posto de gasolina.
Os amigos não acreditaram e ele decidiu seguir em frente. Foi à
noite ao posto, enfiou o tubo no reto e pôs uma moeda na máquina. Em
resultado, morreu quase instantaneamente. Os passantes ainda estão em
choque. Uma mulher pensou que estava assistindo a fogos de artifício e
bateu palmas.
A história é falsa, mas a prática existe! Veja
www.DarwinAwards.com/book/pump.html
Há várias indicações da implausibilidade do caso. 0 metano no reto
de uma pessoa não explode quando exposto ao ar. A pressão do ar pode
provocar ruptura do cólon, mas não explosão. E um leitor ligado em questões
teológicas observa que o porta-voz de um hospital na Tailândia, dificilmente
fora referências a Deus e a satã, que não são relevantes para a população
budista, na maior parte não-teísta.
As autoridades informaram que ainda não tinham localizado todos
os restos mortais. "Quando o ar interagiu com o gás em seu sistema
digestivo, ele praticamente explodiu. Foi como uma bomba atômica."
"Bombear é passatempo do demônio e todos devemos dizer não a
satã", concluiu o porta-voz do hospital. "Sim, encha seus pneus, mas
esconda a bomba onde ela não possa tentá-lo."
Lenda urbana: Romeu e Julieta?
Abril de 1999

Dois estudantes estavam apaixonados, mas os pais de ambos


desaprovavam o casamento, e ameaçaram tomar medidas duras se eles e
fato se casassem. Tendo que escolher entre seu amor e suas famílias, os
estudantes decidiram que, como Romeu e Julieta, deixariam o mundo
juntos.
Nossa Julieta contou a um amigo farmacêutico e pediu algum
remédio para dormir. Ele arranjou um vidro de comprimidos cheio de
advertências: "Perigo! Use estritamente de acordo com a bula! não dirija se
tiver ingerido!".
Os dois amantes se fecharam no dormitório de um amigo e jogaram
a chave pela janela. Dividiram uma garrafa de vinho, fizeram amor, depois
tomaram os comprimidos e deram-se adeus, meia hora depois começaram a
sentir certos grunhidos nos intestinos, e logo compreenderam que o amigo de
Julieta tinha-lhe dado um laxante, não um remédio para dormir!
Ali estavam eles, num quarto trancado com a chave a dez dares
abaixo, e nenhum banheiro por perto!
O cheiro se espalhou pelo prédio todo, alertando outros moradores.
Foi chamado um segurança, que arrombou a porta e quase desmaiou com o
odor. O casal teve de ser salvo por uma equipe SWAT usando máscaras de
gases. Os dois foram levados para o hospital e tratados de grave
desidratação.
O que aconteceu é que o amigo da farmácia ficara preocupado com
o pedido de pílulas de dormir sem receita, entrara em contato com os pais e
ficara decidido que alguma coisa tinha que ser feita. Como resultado final,
eles ficaram tão "aliviados" quanto os filhos.
Diz um leitor que o livro "O envenenamento", do autor russo Michail
Weller, tem forte semelhança com esta história, exceto que, no fim, o rapaz
entra para o exército e a moça fica íntima do médico que lhe deu os
comprimidos. Se você lê russo, a história está aqui:
www.DarwinAwards.com/book/russian.html.
Capítulo 9
O armário de Daveyjones*: destino molhado
"0 problema é que a genética humana é como uma piscina sem
guarda-vidas."
Stephen Wright

Você tem a impressão de que os idiotas estão se reproduzindo mais


rapidamente e mais precocemente do que a média? Você tem a impressão de
que os gênios estão se reproduzindo menos e mais tardiamente do que a
média? Nesse caso, o que aconteceria com a nossa população?
Vamos imaginar que nos dois lados da equação estão coelhos (que
se reproduzem muito rapidamente) e ursos panda (que se reproduzem
devagar e têm dificuldade em procriar no cativeiro). Imagine que estão nos
dois extremos de um cabo-de-guerra.
Se um casal de coelhos tem cinco filhos em 25 anos e um casal de
pandas tem três filhos em 45 anos, o que acontecerá em umas poucas
gerações? Se a gente começa com um casal de cada um, como na Arca de
Noé, em 225 anos os pandas serão 15; os coelhos, nada menos de 7.629
Anos Pandas Anos Coelhos
0 2 0 2
45 3 25 5
90 5 50 13
135 7 75 31
180 10 100 78
225 15 125 195
150 488
175 1.221
200 3.052
225 7.629
Os descendentes dos dois pandas vão ter muita dificuldade de
puxar a corda que tantos coelhos estão segurando. Como a diferença pode
ser tão espantosa? Será que deixamos escapar alguma coisa?
É um alívio constatar que de fato alguma coisa está faltando.
Lembre-se que nós dissemos que os coelhos representam a população de
gente estúpida, mas que se reproduz rápido. Se são tão estúpidos, devem
estar morrendo mais depressa. Talvez morram tanto que um em cada cinco
coelhos desaparece antes de poder se reproduzir. Mesmo assim, em 225 anos
ainda haveria mil coelhos, é claro que a natureza tem uma forte tendência de
favorecer os que se reproduzem rápido.

Anos Coelhos sobreviventes


0 2
25 4
50 8
75 16
100 32
125 64
150 128
175 256
200 512
225 1.024
Se este modelo se aplica aos seres humanos, então o contingente
estúpido e de rápida reprodução certamente dominou a espécie há muitas
gerações. Talvez por isso, haja tantos ganhadores do Prêmio Darwin
navegando em direção a seus túmulos de água, como mostram as histórias a
seguir.
* 'Davcy Jones' é o diabo no antigo jargão dos marinheiros ingleses, c seu
armário por vezes é o inferno, por vezes o purgatório; está sempre associado a um fim
trágico.

Prêmio Darwin: festa de arromba


Confirmado por Darwin 15 de agosto de 1969, Alabama

Em 1969, o Furacão Camille fez 143 vítimas ao longo da costa do


Golfo do Mississippi. A maior parte só deu o azar de estar no lugar errado na
hora errada, mas 20 se deram mal porque celebraram uma "festa do furacão"
em um apartamento que dava para a praia, com cerveja e churrasco.
A despeito das recomendações de evacuação das equipes de
emergência, não pararam com a festança. Os participantes desafiadoramente
declararam que a fundação de concreto e a localização no segundo andar
eram perfeitas proteções contra o furacão iminente.
A confiança mostrou-se tragicamente equivocada quando uma
onda de oito metros atingiu o apartamento, destruiu o prédio e sujeitou os
20 a ventos devastadores e ondas furiosas. A maioria morreu. Uns poucos
sobreviventes foram arrastados a quilômetros de distância, deixando de
ganhar um Prêmio Darwin por puro azar.
Referência: Press Register de Mobile (Alabama).

Prêmio Darwin: peixe frito


Confirmado por Darwin 25 de maio de 1999, Ucrânia

Um pescador de Kiev eletrocutou-se enquanto pescava no Rio


Tereblya. O homem, de 43 anos, ligou fios à fonte de energia de sua casa e
pôs as extremidades no rio, produzindo um choque elétrico que matou os
peixes, que ficaram flutuando de barriga para ma. Ele mostrou assim que
sabia dos efeitos fatais da eletricidade, mas ao ver tantos peixes boiando,
entrou no rio para pegá-los sem tirar os fios. Resultado, sofreu o mesmo
destino dos peixes.
Referência: Deutsche Press-Agentur, Bloomberg News Source.

Prêmio Darwin: mergulho refrescante


Confirmado por Darwin 10 de janeiro de 2000, Canadá

Deve ser difícil de acreditar, mas tem gente que mergulha no


oceano em locais gelados, para dar uma nadada refrescante no primeiro dia
do ano. É chamado de Mergulho do Urso Polar, e para nós parece apenas um
ritual maluco. Quem viu o filme "Titanic" ou leu algum livro sobre os
esquimós, sabe que a água gelada provoca rapidamente hipotermia e morte.
Mas nosso herói Adrian, de 38 anos, que estudava para completar seu
doutorado em estudos florestais, não estava preocupado com essas
bobagens.
Ele estava jogando hóquei com alguns amigos no Lago Kingsmere,
quando decidiu dar um Mergulho de Urso Polar, entrando em um buraco no
gelo e voltando por outro a dois metros de distancia. Mergulhou à lh30m e
não voltou.
É sabido que é praticamente impossível encontrar um buraco no
gelo quando você está abaixo da superfície. Especialmente se você está
sofrendo os efeitos da hipotermia.
Um leitor da Escandinávia diz: "A prática de nadar em buracos no
gelo é comum na Finlândia, e às vezes acontecem tragédias, sem que por isso
se questione a alegria geral e os bons efeitos para a saúde. É divertido
mesmo, e é uma maneira excelente de melhorar a circulação do sangue e
fortalecer o coração. Mas recomenda-se com insistência nunca mergulhar
num buraco, porque facilmente a pessoa pode perder-se e não achar o
caminho de volta. Recomenda-se também evitar pôr a cabeça sob a água,
porque o couro cabeludo tem a pele mais sensível à temperatura, e dói!".
Os amigos, em desespero, saltaram na água, mas não conseguiram
encontrá-lo. Ligaram os faróis de um carro apontados contra o buraco, para
ajudar Adrian a encontrar o caminho de volta, mas em vão. "A água era rasa,
só batia na cintura", disse o irmão dele. "Ele deve ter ficado desorientado."
O corpo gelado de Adrian foi recuperado por bombeiros, não muito
longe do buraco no gelo que o levou à morte.
Referência: Toronto Sun, Ottawa Citizen, Montreal Gazette.

Prêmio Darwin: caçadores de pato sabem nadar?


Não-confirmado por Darwin 18 de março de 2000, Austrália

O inicio da estação de caça aos patos na região de Victoria costuma


inaugurar um rápido processo de redução do número de caçadores de patos
australianos — e sem assistência do lobby anticaça aos patos.
Na reserva Cairn Curran, em Victoria Central, um grupo de
caçadores se meteu em uma aventura em um pequeno barco de alumínio,
chamado de "dinghy", de três metros de comprimento. Esse "dinghy" em
particular, tinha capacidade para transportar três adultos, mas estava
levando Ringo, John e mais três amigos, todos de Melbourne. E também o
filho de Ringo, seis rifles e três caixas de munição pesando 25 quilos cada.
Ao todo, eram mais de quinhentos quilos de carga.
Com tudo isso, não havia espaço para os salva-vidas, que foram
deixados no carro. A trezentos metros da costa, o barco virou e foi tudo para
a água. Três homens foram salvos por barqueiros. John e Ringo tiveram
menos sorte. Foram mais tarde encontrados mortos. Infelizmente, o menino,
que não tinha culpa de nada, também morreu.
Referência: Tora Croft, relato pessoal, e o Herald Sun de
Melbourne.

Prêmio Darwin: água, boa condutora


Confirmado por Darwin 23 de agosto de 1999, Washington

Rodney estava passeando de jet ski no Lago Washington quando


reparou que a bateria estava começando a perder força. Foi até uma doca
perto do parque Juanita Beach, prendeu a embarcação e foi ao carro buscar
um carregador de bateria. Ao voltar, plugou o carregador em uma tomada de
11 0 vo1ts e pulou para o jet ski, segurando o cabo.
Pffffffffff! Foi encontrado à tarde, flutuando de bruços.
Referência: Seattle Times.

Menção honrosa: o monstro do lago Ness


Não-confirmado por Darwin Junho de 1999, Califórnia

No Lago Isabella, a leste de Bakersfield, uma mulher estava tendo


problemas com seu barco. Por mais que tentasse, não conseguia fazer o
motor puxar direito. Ia muito devagar o tempo todo, mesmo com o acelerador
até o fim. Depois de uma hora de esforços, ela desistiu e foi se arrastando até
uma marina, para pedir ajuda.
Uma verificação no motor mostrou que tudo estava certo. Um dos
empregados da marina saltou então na água para dar uma olhada embaixo
do barco. E quase se afogou de tanto que riu: constatou que ainda estava
firmemente preso no lugar o trailer que transportava o barco.
Referência: Big Pig mailing list, Desert News Online, Associated
Press.

Lenda urbana: afogada no raso


11 de outubro de 1998, Austrália

Um mulher de 25 anos morreu afogada na praia de Darwin quando


fazia sexo oral com um homem de 34 anos. Depois de ter relações sexuais
com o Sr. Payne "numa série de posições", conforme foi informado à
Suprema Corte do Território do Norte da Austrália, ela, voluntariamente,
submergiu para o sexo oral.
O promotor Michael Carey disse ao tribunal que "o SR. Payne ficou
excitado e pôs as mãos sobre a cabeça dela, mantendo-a debaixo da água".
Acrescentou que Payne reparou que algo estava errado quando ela parou de
fazer sexo. Deixou que ela subisse.
"Ele disse que ela nem tentou sair da água, não se debateu nem fez
nada", prosseguiu Carey. Ao perceber que ela tinha morrido, explicou, Payne
perdeu a cabeça, vestiu-se e foi embora.
Payne declarou-se culpado de um ato de negligência criminosa.
Sua advogada disse ao juiz Sir William Kearney que seu cliente tinha
"pesadelos constantes" com o afogamento: "Ele continua vendo aquela cena
quando tenta dormir.". Ela informou que um psiquiatra constatou que Payne
tinha um grande sentimento de vergonha por causa do incidente, e precisou
de tratamento 12 vezes em um ano para problemas de pele de fundo
emocional.
Um leitor australiano comentou: "As mulheres na Austrália não se
levantam até completar o serviço.". Mesmo assim, a história é classificada de
lenda urbana devido a suas características implausíveis. Uma pessoa
mantida debaixo da água não se afoga rapidamente, nem sem resistir. Além
disso, o mar nas praias da área de Darwin é considerado bravio demais para
qualquer atividade desse tipo dentro da água.
A advogada disse que Payne e a mulher tinham bebido 11 garrafas
de cerveja de 750 mililitros, e a autópsia revelou que ela tinha um teor de
álcool no sangue de 0,287 — quase seis vezes o limite legal australiano para
dirigir. "Ela bem pode ter desmaiado dentro da água", disse a advogada. "Isso
pode explicar por que ela não se debateu."
Ela acrescentou que, embora Payne tivesse problemas com a
bebida, era considerado um homem calmo, tímido, de boa natureza e gentil
por seus empregadores e amigos. A advogada disse que a natureza incomum
do caso significava que o juiz Kearney não precisaria impor uma punição
severa, que servisse de exemplo para outros.
Payne foi condenado a quatro anos e meio de prisão. "Esse caso
estranho exigiu muita deliberação", disse o juiz.
Referência: AAP Darwin Austrália, World Weekly News.

Relato pessoal: emplacados


Junho de 1988, Virgínia

Lou, aluno do segundo grau na escola Christianburg, no condado


de Montgomery, ganhou as manchetes ao se afogar junto a uma pedreira.
Aparentemente nada de muito anormal, exceto quanto a algumas
circunstâncias cercando a sua morte, que só mais tarde foram reveladas.
O que acontece é que Lou e três amigos, por brincadeira, passaram
uma noite visitando as casas dos colegas de escola e roubando as placas dos
carros. Um deles estima que foram roubadas umas 50 placas.
No dia seguinte, dúzias de estudantes telefonaram para a escola
para explicar que não podiam ir porque as placas de seus carros tinham sido
roubadas. A escola chamou a polícia e esta reuniu os estudantes e disse a
eles que o que estava havendo era um crime muito sério. Começou então
uma grande busca.
Lou e os três amigos logo compreenderam que tinham se metido
em uma séria encrenca. Aquela noite pegaram as placas, escondidas em uma
sacola, levaram para uma pedreira próxima e jogaram, uma por uma, no
mar.
Dois dias depois, os garotos decidiram dar uma nova olhada na
cena do crime. Para seu horror, viram que o lugar brilhava com os reflexos
da parte de trás de dúzias de placas no fundo da água. Lou rapidamente
bolou um plano.
Os quatro foram para casa buscar uma caixa de sacos de lixo e
uma bóia, e voltaram para a pedreira. Lou pegou duas pedras de 20 quilos
cada, botou na bóia, e foi até onde as placas estavam mais densas e mais
visíveis. O plano era pegar a pedra e o saco de lixo, cair na água e descer
rapidamente até o fundo, enquanto isso respirando o ar do saco. Aí largaria a
pedra e voltaria, com ajuda do saco cheio de ar, para a superfície, para
depois fazer o mesmo mais uma vez.
Mas ele só desceu uma vez. Como a água era muito transparente,
ele tinha se enganado quanto à profundidade, que era muito maior do que
imaginava: cerca de 25 metros. Afundou agarrado à pedra até que a pressão
da água estourou o saco de lixo, e aí já estava fundo demais.
Quando os mergulhadores e as autoridades chegaram, o sol estava
se pondo. O corpo de Lou foi resgatado e a morte registrada como
afogamento.
Ninguém reparou nas placas.
Referência: Trey Howell, relato pessoal, e o Roanoke Times de
Virgínia.

Relato pessoal: afundando no gelo


1º de abril de 1999, Wisconsin

È prática comum no Wisconsin, como em outros lugares que têm


invernos frios e bares quentes, pôr um carro velho sobre a superfície de um
lago congelado e fazer apostas sobre quando o carro vai afundar. O degelo já
tinha começado quando Clinton, de 75 anos, decidiu testar o gelo com um
trator International 861.
Ele tinha sido fazendeiro durante 58 anos, tendo se aposentado
recentemente. Talvez quisesse morrer como viveu, num trator, ou tinha
sucumbido a ilusões de grandeza; nunca saberemos.
Estava tudo correndo bem para ele: Clinton conseguiu levar o
veículo sobre o gelo até perto de sua casa-barco, ficou de pé sobre o trator de
começou a pintar o barco. Então o gelo cedeu. Homem e trator afundaram, e
Clinton só foi encontrado na manhã seguinte, por uma equipe de
mergulhadores.
A manchete do jornal local dizia "Lago faz primeira vítima", o que é
divertido, considerando o papel passivo do lago nesse drama. É um exemplo
de seleção natural baseada em mudança de habitat. Charles Darwin diria
que Clinton era membro de uma espécie mais adaptada para a vida em um
campo de milho do que em um lago congelado.
Referência: relato pessoal anônimo e o Ladysmith News, de
Wisconsin.

Relato pessoal: viajando de banheira


Dezembro de 1997

Uma década atrás, dois amigos de 17 anos, Ronnie e Steve, não


tinham o que fazer. Lembraram que o pai de Steve tinha jogado fora sua
banheira antiquada, porque comprara uma nova, e inventaram de navegar
na banheira por um canal próximo, que tem uma forte corrente submarina e
por onde passam navios. O canal tem pelo menos 200 metros de largura.
Ronnie e Steve chegaram ao canal, puseram a banheira ali e
constataram, satisfeitos, que ela boiava. Entraram e conseguiram remar um
quarto da largura do canal, mas tinha entrado muita água, que eles
decidiram tirar.
Raciocinaram assim: "Como a água está vindo pelos lados, se gente
tirar a tampa do ralo, a água vai embora." Tiraram a tampa, o que aconteceu
depois é fácil de imaginar. Por sorte, era um dia tranqüilo no canal. A guarda
costeira resgatou-os em uma hora, tremendo de frio, mas ilesos.
Referência: relato pessoal anônimo.

Relato pessoal: surpresa no banheiro


1998, Londres

Uma escola da Zona Leste de Londres estava sendo convertida em


um conjunto de apartamentos. A primeira fase da obra estava pronta, e um
terço da escola já era formado por apartamentos, que estavam ocupados.
Os construtores precisaram remover uma grande laje de concreto
que formava a parte de cima da grande escadaria central da escola.
Decidiram que o melhor seria tirar todos os suportes da laje, esperar que
todos os ocupantes dos apartamentos fossem trabalhar, tirar todo mundo de
perto e deixar que a laje caísse diretamente no chão.
Foi o que fizeram no dia marcado. Verificaram que todos os carros
tinham saído e tiraram as tampas de esgoto no térreo, para que a poeira que
resultaria da queda da laje se dissipasse pelo esgoto.
Todo mundo foi instruído a se afastar. Os trabalhadores bateram
em todas as portas dos apartamentos para garantir que ninguém tinha
ficado em casa. Então, deram a ordem para tirar os suportes, e a laje caiu
com grande ruído. O mestre-de-obras ficou feliz com o êxito da operação.
Poucos momentos depois, apareceu um cavalheiro vestindo um
pijama encharcado, e começou a reclamar amargamente. Ele tinha ficado em
casa devido a um caso agudo de diarréia, e estava sentado no banheiro, que
ficava exatamente do outro lado da parede. Como as tampas de esgoto
estavam abertas, a laje tinha funcionado como uma gigantesca bomba de ar,
bombeando o esgoto quando caía. A água e seu conteúdo tinham sido
expelidos para cima no que o homem classificou de "jato de merda".
Referência: relato pessoal anônimo de um trabalhador da
construção civil.
Capítulo 10
O brinquedo favorito do homem
"A estupidez, não tem cura. É o único crime capital universal; a
sentença é a morte. Não há apelo e a execução é automática e sem piedade."
Declaração de Lazarus Long no livro "Time Enough for Love", de
Robert A. Heinlein

PERDENDO AS JÓIAS DA FAMÍLIA

Aqui estão algumas histórias sobre aquela espécie rara de


ganhador do Prêmio Darwin, o sobrevivente. Lembre-se que a morte não é o
único caminho para ganhar um Darwin: perder a possibilidade de se
reproduzir também é qualificação para esta vitória duvidosa. E acontece que
os homens são espantosamente capazes de desativar seu brinquedo favorito
de muitas maneiras diferentes. É claro que sem o aparelho genital, um
homem não pode transmitir seus genes defeituosos para a próxima geração.
Há objeções à concessão de um Darwin em casos assim. Se o
homem só perde o pênis, ainda pode produzir esperma capaz de fertilizar um
óvulo in vitro. Se perde também os testículos, técnicas de clonagem logo
serão capazes de lhe dar descendentes. E quem sabe se o homem já não fez
uma doação a um banco de esperma?
Este capítulo trata de homens que perderam a capacidade de
procriar. Mas pode ser bom imaginar o inverso: gente que ganha o Prêmio
Anti-Darwin por ter aumentado sua taxa de reprodução.
Recentemente, um médico especialista em fertilidade foi condenado
por ter doado secretamente seu esperma. Que mal há nisto? E que o
comportamento é visto como antiético. Segundo o Comitê de Estudo dos
Aspectos Éticos da Reprodução Humana, "membros da equipe médica
envolvida no tratamento de um receptor, não devem ser doadores.". A
desculpa do médico foi que seu esperma, fresco, era particularmente eficaz
na penetração dos óvulos, e seu método resultava na taxa de sucesso mais
alta na sua clínica.
Por que tão poucas mulheres ganham Prêmios Darwin? Será
conseqüência dos níveis de testosterona? Será algo causado por algum dos
genes singulares do cromossomo Y? Ou as mulheres são mais prudentes?
Seja qual for a razão, o predomínio dos homens é absoluto.
A despeito da falta de ética médica, um sujeito empreendedor como
este tem mais chances de garantir que seus genes oportunistas estejam
representados na próxima geração. Portanto, o nosso médico ganha o
primeiro Prêmio Anti-Darwin.
Os ganhadores do Prêmio Darwin a seguir, por sua vez, reduziram
drasticamente sua capacidade de contribuir para a próxima geração.

Menção honrosa: concurso maluco


Confirmado por Darwin 7 de junho de 1999, Nova Zelândia

Um técnico em computadores estagiário ateou fogo ao seu próprio


pênis, em uma tentativa bem sucedida de ganhar 5OO dólares neozelandeses
(cerca de 250 dólares) e um vale para despesas do mesmo valor em um bar.
Thomas grampeou o pênis em um crucifixo branco, derramou fluido de
isqueiro sobre ele e o incendiou, na tentativa de vencer o controvertido
concurso "Até onde você vai?", promovido pela taverna Trader McKendry, em
Christchurch, e patrocinado pela cervejaria New Zealand.
Thomas levou o primeiro prêmio e um tratamento médico grátis
para seu pênis machucado e queimado. Ele diz que no dia seguinte o
membro "estava um pouquinho sensível", mas depois de duas semanas
praticamente se recuperou, e não se arrepende do que fez.
Fotos da façanha de Thomas:
www.DarwmAwards.com/book/penis.html
Thomas afirma que não é masoquista. "Sou estudante, de forma
que qualquer dinheiro ajuda. Valeu a pena, e agora já estou melhor. Achei
que ninguém faria alguma coisa semelhante." Ele pretende usar o vale para
comer hambúrgueres e tortas todo dia no almoço.
Referência: Sunshine Coast Daily, em Queensland, Austrália, e a
NZPA.

Menção honrosa: aspirando ao prazer


Confirmado por Darwin 1 3 de maio de 1998, New Jersey

Um homem, de 51 anos, decidiu satisfazer sua fantasia de amor


robótico buscando satisfação sexual com seu aspirador de pó. A maioria dos
homens hesitaria em enfiar seu órgão mais valioso dentro de um aspirador,
mas esse sujeito otimista não teve medo. O que ele não sabia é que a sucção
no seu Singer A-6 manual era criada por uma lâmina que girava logo abaixo
da conexão do tubo. Sua busca de prazer terminou rapidamente quando a
lâmina cortou fora parte da glande. Ele foi cambaleando até o telefone e
chamou a polícia, à qual disse ter sido esfaqueado enquanto dormia.
Os policiais apontaram muitos indícios de que a história não tinha
sido bem assim, e então ele disse que não se lembrava do que acontecera.
Casos deste tipo são comuns na Alemanha. Uma tese de graduação
na Universidade de Munique relata em detalhes muitos ferimentos
semelhantes, e inclui estudos de casos e entrevistas com voluntários. Os
interessados podem ler Penisverletzung bei Masturbation mit Staubsaugern,
de Michael Alschibajy Theimuras, da Universidade de Munique.
Os cirurgiões no centro médico Monmouth pararam a hemorragia,
mas não puderam reimplantar a parte cortada. O homem ainda está vivo,
mas sua capacidade de se reproduzir diminuiu radicalmente.
Referência: Associated Press, USA Today, UPI, Wausau Daily
Herald, KROG Los Angeles, The Star-Ledger (New Jersey).

Prêmio Darwin: corta fora


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1997
Confirmado por Darwin
5 de dezembro de 1997, Califórnia
Alan, de 48 anos, foi encontrado desmaiado no jardim da casa de
seu irmão, em Fairfield, oito horas depois de ter tido o pênis cortado fora.
Paramédicos o levaram ao centro médico North Bay, onde os cirurgiões
tentaram, sem sucesso, reimplantar o órgão.
Alan inicialmente culpou uma mulher chamada Brenda, que ele
tinha encontrado na noite do dia anterior em um posto de gasolina. Ele disse
que levara Brenda ao trailer dele, estacionado na entrada da casa do irmão, e
ali fizera sexo com ela. Lá pelas 3 da manhã, ele acordou ouvindo a mulher
falar de vingança, e então ela cortou o pênis dele com uma faca afiada como
uma navalha e saiu correndo do trailer.
Os detalhes eram confusos e a polícia não entendeu ao certo por
que Alan não se defendeu.
Começou uma caçada a Brenda. Enquanto isso, depois de receber
alta do hospital, Alan prendeu um trailer na sua picape e foi-se embora. Os
detetives queriam interrogá-lo de novo, mas não conseguiram achá-lo.
Começaram a surgir mais detalhes intrigantes.
Alan tinha sido preso na década de 1970 por posse de drogas e por
dirigir embriagado. Em 1982, foi preso por levar a filha para fora do estado.
Sua ex-esposa descreveu-o como um vagabundo que gostava de ficar
viajando sem rumo em seu trailer.
Em 1983, Alan foi sentenciado pelo assassinato de uma mulher de
23 anos, na cidade de Suisun, encontrada estrangulada em um carro
estacionado em um restaurante. Alan confessou o assassinato, alegando que
ela fizera pouco dele por causa de sua incapacidade de ter uma ereção
quando tentou fazer sexo. A confissão foi considerada inaceitável devido a
técnicas impróprias de interrogatório usadas pela polícia, e Alan foi
considerado culpado de homicídio culposo. Serviu metade de sua sentença
de seis anos.
A polícia especulou que a mulher que cortou seu pênis poderia
estar se vingando, 14 anos depois, do assassinato da amiga. Mas a verdade
era ainda mais estranha.
Quando Alan foi finalmente localizado e interrogado, ele admitiu
que tinha cortado seu próprio pênis! Um analisador de estresse vocal
confirmou que ele estava dizendo a verdade. "A esta altura não havia
indicações de que ocorrera um crime", disse o tenente da polícia William
Gresham. "O caso está sendo reclassificado como registro de ferimento." Alan
ainda pode ser acusado de contravenção, por ter apresentado queixa falsa.
Ironicamente, ele trabalha agora como encanador. Agora tem um
cano a menos.
Referência: San Francisco Chronicle, San José Mercury News,
Contra Costa Times.

Prêmio Darwin: amor no coração


Não-confirmado por Darwin Março de 1998, Tennessee

Um adolescente de Knoxville leu em uma revista para adultos que


pode-se acoplar ao coração de uma vaca uma bateria, e criar com isto um
brinquedo sexual orgânico. Tentando aperfeiçoar a idéia, ele ligou o coração
a uma tomada, eletrocutando a si próprio e ateando fogo a sua casa.
1997, Itália
Um homem foi encontrado nu, morto, com uma massa
inidentificável presa ao pênis. O médico legista, realizando um trabalho
brilhante, descobriu que ele tinha ligado um coração de vaca a fios elétricos
que conectou a uma tomada normal de 220 volts. Tentou fazer sexo com
aquele negócio que saltava e foi eletrocutado pelo objeto do seu desejo.
Referência: Revista X-Factor, Revista Hobby & Work, Fortean
Times.

Menção honrosa: dose cavalar


Não-confirmado por Darwin 1999, Guiana

A condição de ereção por um período anormalmente longo é


chamada de priapismo. É o que ocorre quando o sangue não é drenado
normalmente, como faz num pênis flácido. Ereções priápicas podem ser
causadas por distúrbios no sangue, como anemia falciforme ou leucemia,
mas às vezes, são o resultado de um inexplicável surto de estupidez.
Um jornal da Guiana publicou a história de um imbecil que,
desejando prolongar o prazer que ia ter com uma namorada, tomou uma
overdose de Cantarden, uma droga usada para provocar cio em cavalos. A
droga teve o efeito esperado, e o homem descobriu que seu pênis ereto
recusava-se a abaixar.
Depois de dias de agonia, ele buscou assistência médica,
esperando manter tudo em segredo. Mas estava sem sorte. Quando a história
se espalhou, ele virou objeto de galhofa da cidade e ainda ganhou o apelido
de tripé.
Depois de três semanas de humilhação e sofrimento, ele foi
submetido a uma cirurgia. O problema dele agora é o contrário: já não
levanta mais. A moral da história é que é melhor deixar as experiências
médicas para os profissionais.

Lenda urbana: caçadores de rãs


25 de julho de 1996, Arkansas

Dois homens feriram-se seriamente quando seu caminhão saiu da


estrada e bateu em uma árvore perto de Cotton Patch, na rodovia estadual
38, na manhã de sexta-feira. Thurston Poole, de Des Arc, e Billy Ray Wallis,
de Little Rock, estão internados em estado grave no centro médico Batista. O
acidente ocorreu quando os dois homens estavam de volta de uma caçada a
rãs.
Em uma noite de um domingo nublado, os faróis do caminhão de
Poole deixaram de funcionar. Os homens constataram que era um fusível
queimado. Não tinham fusível extra, mas Wallis reparou que a bala calibre
22 de sua pistola se encaixava perfeitamente no lugar do fusível, perto da
barra de direção. Enfiaram a bala ali, os faróis voltaram a funcionar e os dois
seguiram em frente.
Depois de aproximadamente 30 quilômetros de viagem, pouco
antes de atravessar um rio, a bala aparentemente esquentou demais e a
pólvora explodiu. A bala acertou o testículo direito de Poole. O caminhão
virou para a direita e acertou uma árvore. Poole só sofreu escoriações, mas
terá de ser operado por causa do ferimento a bala. Wallis teve fratura da
clavícula, foi tratado e liberado.
"Graças a Deus ainda não estávamos na ponte quando Thurston
levou o tiro, ou poderíamos ter morrido", disse Wallis.
"Sou policial há dez anos e nunca vi uma coisa assim", disse o
tenente Snyder. "Me admira que eles tenham contado a bobagem que
fizeram."
Ao saber do acidente, a esposa de Poole perguntou quantas rãs eles
tinham caçado.
Esta história foi incorretamente atribuída ao jornal Arkansas
Democrat Gazette, que negou jamais tê-la publicado. Em 17 de outubro de
1996, o jornal publicou um desmentido decisivo: "Tudo indica que nada
disso aconteceu. Não há uma cidade chamada Cotton Patch na região,
nenhum tenente Snyder jamais trabalhou na policial local e as tentativas de
determinar a existência de Wallis e Poole não deram em nada.".
Leia o desmentido completo em:
www.DarwinAwards.com/book/arkansas.html

Relato pessoal: fiasco


1999
Quando trabalhava na sala de cirurgia como técnico, eu vi uma
operação em um sujeito que estava sofrendo de dores intensas no baixo
abdome. Quando tiramos a roupa dele para prepará-lo para a cirurgia, vimos
a ponta de um objeto azul redondo saindo da uretra. O médico apalpou sua
bexiga e verificou que havia algo de estranho ali, de modo que abrimos a
pelve e vimos que a bexiga estava inchada com uma massa de alguma coisa
azul. Quando abrimos a bexiga, extraímos uns dois metros de fio de náilon
cheio de nós.
O cara, evidentemente, enfiou o fio na uretra. Depois que uns 30
ou 50 centímetros entraram, o fio começou a se enrolar e acabou fazendo
uns nós lá dentro; quando ele tentou puxar, o fio se embolou mais ainda e
fez uma massa que não saía de jeito nenhum. Não é preciso dizer que ele
pagou caro por esse experimento em auto-erotismo.
Referência: relato pessoal anônimo.

Relato pessoal: tamanho é documento?


Junho de 1999, Utah

Paramédicos foram chamados a uma discoteca em Salt Lake City,


onde um jovem tinha perdido a consciência no salão de dança. Testemunhas
informaram que em um instante ele estava dançando, no outro estava caído
no chão, ficando azul. Sua pele estava branca por falta de oxigênio. Os
paramédicos concluíram que ele tinha sofrido um ataque do coração e
levaram-no para a ambulância. Ele morreu a caminho do hospital.
Na sala de emergência, a verdadeira causa da morte foi descoberta
quando sua roupa foi tirada. Ele tinha prendido um cilindro de moedas no
baixo ventre, na esperança de fazer seu equipamento parecer maior. As
moedas estavam presas com fio cirúrgico, que cortaram a circulação da
perna. Aparentemente, a ausência do fluxo de sangue, combinada com o
esforço de dançar, provocaram o infarto.
Moral da história: tamanho é documento, sim. Se o cérebro dele
fosse um pouquinho maior, ele ainda estaria vivo.
Referência: Copyright © 1999-2000 Gary K. Sloane, relato pessoal.
Usado com permissão.

Relato pessoal: boliche na passarela


Outubro de 1999

Há gente de uma idiotice fenomenal, como aquele que acha que é


engraçado ficar em um viaduto jogando objetos pesados nos caras. Héctor,
nosso herói e concorrente a um Darwin, é um desses.
Certa vez, tarde da noite, ele encontrou um local perfeito para o
seu hobby. Uma velha passarela tinha sido demolida e a nova ;tava quase
pronta. Héctor encontrou um pedaço de concreto que fazia parte da
passarela velha, a julgar pelas barras de ferro enferrujadas que saíam dele.
Usando as barras como alças, ele levou o pedaço de concreto para a beira da
nova passarela. Levantou-a e colocou-a sobre a cerca, em uma posição tão
precária que era difícil mantê-la ali, e ficou à espera de uma vitima.
Héctor não percebeu que uma barra de ferro em forma de gancho
estava perigosamente perto de suas partes íntimas.
Quando veio o carro, ele deixou o concreto cair. A barra prendeu
em seu jeans e na carne dele, e antes que nosso herói pudesse reagir, o
concreto o puxou para baixo.

Em pânico, ele conseguiu agarrar-se à cerca. Infelizmente, nem as


calças nem a carne foram capazes de suportar o peso da pedra. O ferro
rasgou a carne, o tecido e arrancou as calças de seu corpo, baixando-as até
que elas ficaram presas aos pés. Neste momento, as mãos dele escaparam e
ele caiu na estrada, machucando-se ainda mais e perdendo os sentidos ao
cair sobre a massa de concreto.
A motorista de um carro que estava vindo freou e tentou desviar-se
do homem e da pedra. Ela conseguiu evitar o homem caído na estrada, mas
não a pedra, que pegou no pára-choque. O homem ainda estava preso ao
concreto e foi arrastado 30 metros, até que o carro finalmente parou.
Depois desta experiência, a contribuição do nosso herói à genética
humana tornou-se muito problemática, como se pode imaginar. Com grande
esforço, os médicos conseguiram salvar um bom pedaço dele, quase fazendo-
o perder a chance de ganhar um Darwin. Mas uma infecção causada pela
ferrugem no ferimento completou o serviço, levando à perda de seu
equipamento.
Como bônus para a sociedade, assim que ele deixou o hospital, foi
para a cadeia. Daqui para a frente, ele não apenas deixa de contribuir para a
herança genética da humanidade, como já não perturbará a sobrevivência
dos mais aptos jogando objetos pesados sobre eles.
Referência: relato pessoal anônimo.
Relato pessoal: urinando na chuva
1998, Arizona

Um homem de Tucson estava visitando o Windy Point, um mirante


sobre um despenhadeiro no monte Lemmon. Como muitos turistas visitam o
local, foi instalada ali uma cerca de ferro, para evitar acidentes.
No verão são comuns os temporais, e o homem de Tucson estava
sozinho ali. Decidiu aproveitar que ninguém estava olhando e urinar no
despenhadeiro.
Quando estava urinando, um raio acertou a cerca, que era um
perfeito pára raios devido ao tamanho, localização e composição. A carga
elétrica atravessou o metal e subiu pela urina, fazendo explodir o pênis do
homem.
Referência: relato pessoal anônimo.

Capítulo 11
Ingenuidade fatal: o fim da linha
"Pense nisso como a evolução em ação." Cartaz afixado num ponto
de onde os suicidas costumam pular, no livro de Larry Niven e Jerry
Pournelle "Oath of Fealty".

A EVOLUÇÃO EM AÇÃO

A fartura de Prêmios Darwin faz pensar que o processo de evolução


parece ter sido suspenso nos últimos 20 mil anos. Senão, por que ainda
existe gente que acha divertido beijar uma cobra? Ou voar em uma
espreguiçadeira suspensa por balões de hélio, sobre estradas movimentadas?
Não repudie a evolução, nem duvide de sua eficiência! Há uma boa
razão pela qual, às vezes, ela parece não estar funcionando. Alguns genes
continuam por aí porque têm um efeito colateral benéfico que compensa o
mau efeito.
È o caso da anemia falciforme. Ela é causada por uma mutação da
molécula que transporta oxigênio em nossa corrente sangüínea. A
hemoglobina, na anemia falciforme, tem uma parte grudenta. Se uma
criança herda a anemia do pai e da mãe, toda a sua hemoglobina é grudenta.
Sempre que falta oxigênio no sangue, por exemplo durante exercícios
intensos, as moléculas aderem umas às outras, criando longas cadeias.
Essas cadeias podem se espalhar por toda a célula do sangue, fazendo com
que ela ganhe a forma de uma "foice", o que dá o nome à doença. São células
frágeis danificadas, que transportam menos oxigênio e bloqueiam os vasos
sangüíneos. A anemia falciforme é uma doença dolorosa.
No entanto, a incidência deste mal em países onde há muita
malária continua alta. Como pode ser isso? A resposta é que ela protege as
pessoas da malária. Quem herda a anemia falciforme só de um pai é
portador com poucos sintomas adversos, e menos suscetível ao parasita da
malária.
Essa gente é protegida porque suas células do sangue só tomam a
forma de foice quando o nível de oxigênio é extremamente baixo. E acontece
que uma célula infectada com malária tem um nível de oxigênio
excepcionalmente baixo, porque os parasitas consomem o oxigênio quando
se multiplicam. Isso significa que somente as células infectadas pela malária
são prejudicadas, e quando a célula morre, junto com ela vai-se a malária.
Esse efeito protetor mostra que um gene prejudicial pode também ser um
instrumento para salvar a sua vida, e ajuda a explicar porque gente com
defeitos aparentemente fatais continuam por aí. Talvez a imprudência, uma
característica aparentemente letal, tenha dado a nossos ancestrais a
coragem de que precisavam para enfiar uma lança em um bisão.
Pode ser que o mau juízo incrível dos protagonistas das histórias a
seguir seja causado por um gene com algum efeito colateral benéfico que
ainda não foi percebido. E o que podemos esperar.
PESQUISA ENTRE OS LEITORES
Quando tempo vai levar até que os seres humanos evoluam tanto
que não haja mais candidatos ao Darwin?

Já chegamos a esse ponto 1%


Mais uma ou duas gerações 1%
Pelo menos mil anos2%
Mais de dez mil,anos 2%
Mais de cem mil anos 1%
Milhões e milhões de anos 8%
Isso nunca vai acontecer! 84%

Menção honrosa: o homem da espreguiçadeira


Confirmado por Darwin 2 de julho de 1982, Califórnia

Larry Walters, de Los Angeles, é um dos poucos concorrentes a um


Prêmio Darwin que viveram para contar a história. "Realizei meu sonho de
20 anos", disse ele, que é ex-motorista de caminhão. "Agora posso ficar no
chão. Provei que funciona."
O sonho da juventude de Larry era voar. Mas o destino não deixava
que ele realizasse seu sonho. Ele ingressou na força aérea, mas sua vista
fraca não permitiu que se tornasse piloto. Depois que teve baixa, adquiriu o
hábito de ficar no quintal olhando os aviões passando no céu.
Enquanto estava sentado em sua confortável espreguiçadeira
Sears, ele bolou seu esquema. Comprou 45 balões meteorológicos de uma
loja de excedentes militares, amarrou-os a sua espreguiçadeira, a qual
batizou de Inspiration 1, e encheu os balões, de 1,20 metro de diâmetro, de
hélio. Então amarrou-se à espreguiçadeira com alguns sanduíches, cerveja e
uma espingarda de chumbinho.
O plano de Larry era cortar a âncora e flutuar suavemente até uns
30 metros acima de seu quintal, onde ficaria algumas horas antes de descer.
Ele imaginou que tomaria umas cervejas e depois estouraria alguns dos
balões para gradualmente perder altitude. Mas as coisas não funcionaram
exatamente como ele planejou.
Quando os amigos cortaram a corda que prendia a espreguiçadeira
a seu jipe, ele não foi flutuando suavemente até 30 metros. Em vez disso,
disparou como uma bala de canhão, puxado por 45 balões cheios de hélio.
Não parou a 30 metros, nem 300. Subiu, subiu e só parou de subir quando
estava a uns 500 metros.
Naquela altura ele achou que não podia estourar balões, para não
se desequilibrar, e foi ficando por ali vagando com a cerveja e os sanduíches
durante horas, enquanto ponderava sua situação. A certa altura, cruzou o
rumo de aproximação do aeroporto de Los Angeles, e pilotos das empresas
Delta e Trans-World comunicaram pelo rádio ter visto uma cena aérea
estranhíssima.
Finalmente, ele tomou coragem e estourou alguns balões com a
espingarda, e lentamente foi descendo pelo céu noturno. Os fios ficaram
presos em uma linha de força, provocando um blecaute de 20 minutos em
uma área de Long Beach. Larry desceu para chão firme e foi preso pela
polícia de Los Angeles. Quando estava sendo levado, algemado, um repórter
perguntou-lhe por que ele tinha feito aquilo. Tranqüilo, Larry respondeu: "A
gente não pode ficar só sentado por aí.".
A Agência Federal de Aviação não achou graça. O inspetor Neal
Savoy disse que "sabemos que ele transgrediu o regulamento, e assim que
decidirmos quais foram as normas, vamos processá-lo."
Referência: Associated Press, Los Angeles Times, New York Times,
UPI, Crest REACT (um rádio-clube), "Stabbed with a Wedge of Cheese", por
Charles Downey, "All I Really Need to Know I Learned in Kindergarten", por
dr. Robert Fulghum.
Fotografias do homem da espreguiçadeira:
www. DarwinAwards.com/book larry html
Os esforços de Larry valeram-lhe uma multa de 1.500 dólares, um
prêmio do clube Cabeça de Vento de Dallas, Texas, um recorde de altitude
para vôo em balões e uma menção honrosa dos Prêmios Darwin. Ele deu a
espreguiçadeira para as crianças da vizinhança, abandonou seu emprego de
motorista de caminhão e passou a fazer palestras, que tiveram uma
demanda razoável. Nunca fez muito dinheiro com isso, nunca se casou nem
teve filhos. Larry se matou em uma floresta em 6 de outubro de 1993, aos 44
anos.

Prêmio Darwin: a última ceia


GANHADOR DO PRÊMIO DARWIN DE 1993
Não-confirmado por Darwin
25 de março de 1993

Uma dieta horrível e um quarto sem ventilação estão sendo


culpados pela morte de um homem que foi intoxicado pelo seu próprio gás.
Nenhuma marca foi encontrada em seu corpo, mas a autópsia revelou a
presença de uma grande quantidade de metano dissolvido no sangue.
Sua dieta consistiu basicamente de feijão e repolho, a combinação
perfeita de alimentos para produzir um sério ataque de gases. Parece que o
homem morreu no sono, ao respirar a nuvem tóxica que flutuava sobre sua
cama.
Se a janela estivesse aberta, a flatulência não teria sido fatal. Mas
ela estava firmemente vedada, criando um ambiente completamente fechado.
Ela era um homem obeso, com imensa capacidade de criar metano e muito
negligente quanto à necessidade de ar fresco.

Prêmio Darwin: cheirar bem pode sair caro


Não-confirmado vor Darwin 29 de julho de 1998, Inglaterra

Marcus, de 17 anos, foi encontrado morto por sua irmã Natalie, em


Manchester, cercado de latas de desodorante em aerossol na sua cama.
Foram inúteis as tentativas de revivê-lo. O que matou o jovem?
Aparentemente, ele tinha obsessão pela limpeza, e tomava banho quatro
vezes por dia. Seu pai disse que Marcus banhava o corpo todo com vários
tipos de desodorante, pelo menos duas vezes por dia, uma rotina a que tinha
dado início seis meses antes de morrer.
Os pais freqüentemente queixavam-se de que quase podiam sentir
o gosto do desodorante na sala embaixo. Mas Marcus não se preocupava
com aquele vapor todo ou com as advertências. "Quando a gente dizia que
ele estava usando demais, ele dizia que só queria cheirar bem", lembrou o
pai. "Que preço por cheirar bem!"
Propano e butano, os principais ingredientes de sprays de aerossol,
foram-se acumulando no corpo de Marcus. Seu sangue continha 0,37mg por
litro de cada toxina, quase dez vezes a dosagem letal, quando ele teve parada
cardíaca. O médico legista registrou morte acidental, citando a ausência de
indicações de abuso de substâncias: "Foi apenas o uso excessivo de
desodorantes em um espaço confinado.". A mãe de Marcus reclama avisos
mais enfáticos nos rótulos de desodorantes: "Ele não abusava de nada.
Apenas tinha muita mania de limpeza.".
A Associação Britânica de Fabricantes de Aerossol disse em nota
que considerava a morte trágica, mas reiterava que os desodorantes em
aerossol são perfeitamente seguros se usados de acordo com as instruções.

Prêmio Darwin: vivendo de ar


Confirmado por Darwin 22 de setembro de 1999, Escócia

Uma escocesa seguidora do "breatharianismo" exibiu um amplo


desconhecimento de biologia quando morreu na tentativa de "viver de luz".
Verity, de 48 anos, deixou um diário com referências à guru Jasmuheen,
uma australiana antes conhecida como Ellen Greve, que diz ter cinco mil
seguidores em todo o mundo.
O diário de Verity revela que ela estava tentando aderir ao curso de
limpeza espiritual de 21 dias, durante o qual os seguidores evitam comer e
beber durante sete dias e depois só tomam goles de água durante 14 dias.
Tentam atingir a "alimentação prânica" usando o carbono, o nitrogênio e o
oxigênio do ar. Depois disso, diz Jasmuheen, os "breatharianos" não
precisam mais comer ou beber, o que seria a cura perfeita para a anorexia e
a fome no mundo, segundo ela.
Os nutricionistas dizem que o corpo humano pode sobreviver sem
fluidos por não mais de seis dias. Mas isso não impediu que a mulher fosse
para o campo levando apenas uma barraca e sua firme determinação. Uma
fonte da polícia revelou que ela tinha morrido de hipotermia e desidratação,
agravados pela falta de alimento.
Jasmuheen afirma estar vivendo de ar desde 1993, embora admita
tomar, de vez em quando, xícaras de chá de ervas e comer biscoitos de
chocolate. Em resposta a algumas perguntas, a fundadora do culto afirmou
que a morte da escocesa nada teve a ver com a necessidade de alimento; foi,
na verdade, resultado da incapacidade de satisfazer necessidades espirituais
que resultou de uma batalha com seu próprio ego.
Referência: The Scotsman, Independent, Guardian de Londres,
Times de Londres, Sun Herald da Austrália.

Prêmio Darwin: eclipse mental


Confirmado vor Darwin 11 de agosto de 1999, Alemanha

Um homem, de 42 anos, matou-se enquanto observava o eclipse


total do sol, dirigindo seu carro perto de Kaiserslautern. Segundo uma
testemunha, ele estava fazendo ziguezague com o carro enquanto tentava ver
o sol semicoberto. De repente, acelerou e bateu no muro de uma ponte.
Parece que tinha acabado de pôr os óculos escuros, que não permitem ver
coisa alguma exceto o sol.
Referência: SWR-Online.de, CNN, Der Spiegel, WordlOnline.nl.

Prêmio Darwin: avião x bicicleta


Não-confirmado por Darwin Dezembro de 1997, Brasil

Um ciclista que estava atravessando uma pista de aeroporto em


Sorocaba, São Paulo, morreu quando foi atingido por um avião que estava
aterrissando. Gabriel, de 25 anos, não ouviu o barulho do avião porque
estava usando um walkman, segundo informou a polícia.
Referência: Reuters.
Prêmio Darwin: chove dentro?
Não-confirmado por Darwin 18 de abril de 1999, Alemanha
Um engolidor de espadas morreu em Bonn quando enfiou um
guarda-chuva automático na garganta - e acidentalmente apertou o botão
que o abria.
Referência: News of the World, KCBS News Radio.

Prêmio Darwin: um atrás do outro


Confirmado por Darwin 20 de maio de 1999, Índia

Cinco pessoas morreram sufocadas, uma após a outra, numa


absurda seqüência de acidentes em uma aldeia em Talaskar. Uma bomba de
óleo diesel estava sendo usada para esvaziar um poço, e monóxido de
carbono e outros gases produzidos pela bomba encheram o poço. A bomba
ficou sem oxigênio e acabou parando.
Um jovem entrou no poço para ver o que tinha acontecido, e
sucumbiu aos gases tóxicos e à falta de oxigênio. Como ele não voltava, outro
homem entrou no poço, e também morreu sufocado. Como ele também não
voltava, um terceiro entrou. E assim por diante.
A fumaça de diesel obviamente não faz bem ao organismo humano,
mas ninguém pensou em prender o fôlego enquanto investigava.
Depois que cinco morreram, os dois restantes entenderam o que
estava acontecendo e pularam fora do poço antes de morrerem também.
Avisaram a polícia e os bombeiros, que foram para a aldeia recuperar os
corpos dos candidatos ao Prêmio Darwin.
Referência: Indian Express.
Prêmio Darwin: cabeleira gostosa
Confirmado por Darwin Janeiro de 1999, Inglaterra

Algumas pessoas têm estranhos hábitos nervosos. Em janeiro, uma


adolescente inglesa foi levada a um hospital queixando-se de fortes dores no
estômago. Os cirurgiões que a operaram, na tentativa malsucedida de salvar-
lhe a vida, ficaram espantados ao encontrar uma massa de cabelo humano
do tamanho de uma bola de futebol no abdome dela.
Rachel, uma aprendiz de cabeleireira de 17 anos, tinha o hábito de
mastigar as pontas de suas tranças desde pequena. O dr. Andrew Stearman,
do hospital Geral Poole, de Dorset, disse que "a composição bioquímica do
cabelo torna-o impossível de ser digerido pelos sucos gástricos no estômago.
Ele portanto vai-se acumulando, da mesma maneira que se acumula no ralo
de ama banheira.".
O médico legista Alan Craze, que registrou a morte como acidental,
comentou: "Rachel poderia pensar que o cabelo estava entrando e saindo,
mas infelizmente não estava. Foi-se juntando e formando uma imensa
massa.".
A patologista Nera Patel mediu a massa de cabelo, que tinha 30
centímetros de comprimento, 25 de largura e quatro de espessura. Disse ela:
"Tinha a forma de uma bola de futebol americano. Ninguém na nossa equipe
médica jamais tinha visto coisa semelhante.".
A mãe de Rachel, ao ver uma foto da obstrução fatal, limitou-se a
dizer: "Parece um rato morto.".
Referência: Globandmail.com, Reuters, Wired News, Mirror (Reino
Unido), Sun (Reino Unido), "The Mammoth Book of Tasteless Lists".

Prêmio Darwin: a morte de drácula


Não-confirmado por Darwin

Um estudante universitário vestiu-se de Drácula para o Halloween.


Como toque final, pôs uma tábua sob o peito da camisa para que pudesse
enfiar uma faca ali e se fazer de vampiro ferido, fatalmente por uma estaca
no coração. Não levou em conta que a tábua era muito fina quando enfiou a
faca com uma martelada, atingindo o oração. Saiu do quarto cambaleante e
dizendo: "Eu acertei mesmo!", antes de cair morto.
Referência: "Dead Men do Tell Tales", por William R. Maples, PhD,
1994.

Lenda urbana: morrer é trabalhoso


Uma história em duas parte, a primeira não confirmada
e a segunda verdadeira
1999, França

Pierre Murard tomou todas as precauções possíveis quando decidiu


cometer suicídio. Foi até a beira de um barranco e amarrou uma corda no
pescoço, com a outra extremidade presa a uma grande pedra. Bebeu veneno
e ateou fogo à roupa. Para culminar, tentou dar um tiro em si próprio,
disparando a pistola enquanto pulava do barranco.
Errou o tiro, e a bala cortou a corda. Livre da pedra, ele caiu no
mar, que apagou o fogo e fez com que ele vomitasse o veneno. Ele foi tirado
da água por um pescador e levado para um hospital, onde morreu de
hipotermia.
Confirmado por Darwin 28 de julho de 1999, Madri
Um espanhol que tentou infrutiferamente ganhar um Darwin,
estava se recuperando no hospital depois de duas tentativas fracassadas de
suicídio. Da primeira vez, o homem pulou da janela de seu apartamento no
terceiro andar, sequer chegando a desmaiar. Voltou para o apartamento e
cortou a garganta, mas a polícia arrombou a porta e o levou para um
hospital na cidade de Mérida. Trataram do ferimento e ele teve alta depois de
receber aconselhamento psicológico para depressão.
Referência: Reuters, imprensa européia, Houston Chronicle.
Lenda Urbana: roupa limpa
1998

Um homem, de 39 anos, de Charlottesville, morreu em um


estranho acidente envolvendo sua máquina de lavar. Segundo informou a
polícia, Ned Hurt estava lavando a roupa quando decidiu acelerar o processo.
Ao que parece, ele tentou enfiar 25 quilos de roupa suja na
lavadora, subindo em cima do monte e forçando a roupa para dentro.
Acidentalmente, ele chutou o botão de ligar e a máquina começou a se
encher de água. Ned perdeu o equilíbrio e os pés caíram dentro da máquina,
onde ficaram presos.
A máquina começou a girar e Ned, incapaz de se livrar, foi girando
junto, com o corpo dobrado quase na horizontal. Sua cabeça bateu contra
uma prateleira próxima, derrubando uma garrafa de água sanitária que se
derramou no seu rosto, cegando-o. Ele também engoliu parte do líquido e
vomitou.
O cheiro do vômito atraiu o cachorro de Ned. Uma caixa de soda
cáustica caiu da prateleira, assustando o cão, que urinou. A urina é ácida, e
a reação química com a soda cáustica provocou uma pequena explosão",
segundo a polícia.
Ned continuou preso na lavadora, que entrou no ciclo de
centrifugação, fazendo Ned girar a 110 quilômetros por hora. A cabeça dele
bateu contra uma viga de metal atrás da máquina. Um vizinho ouviu o
barulho e chamou a polícia, mas já era tarde demais. Ned estava morto.
O cão ficou ileso.

Lenda urbana: marido infeliz


Esta lenda vem em duas partes, uma a um ano de distância da
outra
1996, Califórnia

Um marido de Los Angeles tinha pavor de altura. Quando achou


necessário subir no telhado para ajustar a antena de televisão, amarrou uma
corda no corpo e a outra no pára-choque do carro. Infelizmente, esqueceu-se
de avisar a esposa.
Ela tinha acabado de preparar uma lista de compras. Entrou no
carro e saiu em direção ao supermercado, derrubando o marido do telhado e
o arrastando por meio quilômetro, antes que fosse avisada por um vizinho. O
homem foi levado para o hospital, onde ficou muitos dias se recuperando,
com costelas quebradas e múltiplas escoriações.
A história não acaba aqui. Para compensar, a esposa decidiu
preparar uma festa-surpresa para o marido quando ele voltasse para casa.
Convidou muitos amigos, e maioria dos quais fumava. Ela decidiu deixar
vários isqueiros pela casa, enchendo-os todos de fluido, operação que fez
sobre o vaso sanitário do banheiro, no qual derramou uma boa quantidade
de fluido.
Quando o marido chegou em casa, foi direto para o banheiro.
Sentou-se, pegou uma revista e jogou o cigarro aceso no vaso...
BUUUUUUUM!
1997, Califórnia
Um morador de São Francisco levou sua motocicleta para o quarto
de dormir, para limpar o motor com alguns panos velhos e uma lata de
gasolina. Melhor assim, pensou, do que lá fora, naquele frio. Quando
acabou, sentou-se na motocicleta e ligou o motor, para ver se estava
funcionando direito. Infelizmente, a moto estava engrenada, e saiu
arrebentando o vidro da porta da varanda, com o motoqueiro sobre ela.
Sua esposa estava trabalhando na cozinha. Veio correndo quando
ouviu o barulho e encontrou o homem caído no pátio, cheio de cortes
causados pelos cacos de vidro. Chamou a ambulância, que levou o homem.
Mais tarde, depois de muitos pontos, o marido voltou para casa.
Ela limpou a sujeira no quarto, derramou a gasolina no vaso sanitário e
levou o homem para casa.
Pouco tempo depois o homem acordou, acendeu um cigarro e foi
para o banheiro. Sentou-se e jogou o cigarro no vaso, que explodiu. O
homem foi lançado através da porta do banheiro.
A história não acaba aqui. A esposa ouviu a explosão e os gritos do
marido. Encontrou-o caído no chão do corredor com as calças rasgadas e
queimaduras nas nádegas. Novamente, ela chamou a ambulância. Os
mesmos dois paramédicos apareceram.
Levaram o marido na maca e estavam na rua quando um deles
perguntou à mulher o que tinha acontecido. Quando ela contou, os dois
começaram a rir tanto que deixaram a maca cair, fraturando a clavícula do
homem.

Relato pessoal: lá vem o trem


1998, Flórida

Poucos dias antes de um importante jogo do time de baseball


Marlins, dois torcedores fizeram uma gigantesca bandeira de papel, que
decidiram pôr sobre um viaduto do trem urbano, sobre uma importante rua
central.
O plano não foi bem traçado. Nenhum dos dois se preocupou em
saber a que horas passava o trem, e estavam pendurando a bandeira
justamente quando a composição passou, matando um deles e ferindo o
outro.
A bandeira não foi atingida.
Referência: relato pessoal anônimo.