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MARTIN HEIDEGGER

(Vida e Obra)

Pós-Graduação lato sensu – FILOSOFIA (Turma I) - Fenomenologia PUCMINAS – Poços de Caldas/MG GUILHERME DO COUTO DE ALMEIDA/EDSON LUIZ SILVEIRA Prof. Ronny Francy Ramos

HEIDEGGER ESSENCIAL
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A metafísica era a de Platão. em 1913. assumiu a reitoria desta Universidade. Nomeado Privadozent na Universidade de Friburgo. a busca de uma filosofia que pudesse “desvelar o ser” – o que é. Porém. Heidegger retornou às aulas em 1951. onde sucedeu ao antigo mestre. mas foi dispensado por razões de saúde. onde fixou residência até ao final de seus dias. Heidegger a concluiu na sua própria terra natal. após dois meses de vida militar. Em 1914. nos tempos modernos. parece querer deixar clara sua adesão. Husserl (1928). e tipicamente a de Descartes. em Brisgam de l903 a l909. onde sua família já estava radicada há vários séculos. Criticando essas escolas de filosofia. há ligações visíveis entre esta filosofia e o movimento geral da ideias e dos acontecimentos que geraram o nazismo. alistou-se nas forças armadas. na sua edição do dia 03 de maio de 1933. Depois da escola primária (Volksshule). que desgostava Heidegger? 2 . No que diz respeito a sua formação Universitária. Alemanha. Em 1933. Outros textos. fez os estudos secundários em Constança Friburgo. Porém existe algo na história da vida desse filósofo que deixou espaço para questionamentos tais como: Foi Heidegger nazista? E a segunda: Qual a relação entre a filosofia de Heidegger e a ideologia nazista? O jornal Der Lemanhe. mas também e principalmente o positivismo lógico. Essa filosofia deveria nos tirar da experiência envolvida com o pensamento de características dualistas da metafísica e do positivismo. como o serviço do trabalho (20/06/1933). o apelo em favor de Hitler de 12/11/1933. após a destruição do Reich. Embora a filosofia de Heidegger não fosse o nazismo. mesmo em países pouco inclinados a acolhê-lo em virtude de suas origens. foi nomeado professor honorário e trabalhou até a sua morte.(Vida) Martim Heidegger nasceu no dia 26/09/l889 em Messkinch. HEIDEGGER ESSENCIAL (Obra) A fenomenologia de Martin Heidegger (1889-1976) nasceu como uma alternativa ao que parecia ao filósofo enclausurar o pensamento ocidental: a metafísica tradicional e o positivismo. em 1976. o pensamento de Heidegger conheceu um sucesso prodigioso. isto é. sendo que no último ano citado ele entrou na Universidade de Friburgo. a interrogar e a criticar a nossa própria existência. seguindo os cursos de filosofia e teologia e obteve. interno à escola da filosofia analítica e exposto pelo Círculo de Viena. em 1915. diz provar sua adesão ao partido nazista. na Antiguidade. entre 1945 e 1951. Heidegger retomou o que seria o pensamento ontológico. Não mais deixou Friburgo. Mas o que era o dualismo no pensamento. O conhecimento do pensamento de Heidegger deve ajudar-nos a compreender. O positivismo era não só o de cunho filosófico-sociológico. Proibido de ensinar pelos aliados. o grau de doutor em filosofia.

gerando a dicotomia sujeito-objeto.Heidegger viu na metafísica. Na filosofia. são transformados em objetos – em algo manipulável. Em Platão. O mundo. O fruto dessa união teria provocado um enfraquecimento da filosofia – o desvio de seu caminho autêntico. e o próprio homem nele. O mundo todo teria se transformado. Tudo que se faz no mundo se faria para o homem enquanto sujeito. tudo se comporta. mas apenas para o homemsujeito e no homem-sujeito. No âmbito da vida cotidiana. a verdade. o que subjaz a tudo. E Heidegger não parou nisso. isto é. seria o próprio mundo. Esse tipo de pensamento teria se casado com o Humanismo. o legitimador de tudo que efetivamente existe. O que isso implicou? Simples: se tudo ganha a propriedade de existência na medida em que é re-apresentado pelo homem. Com essa aliança. o sujeito passou a ser o homem. O mundo todo teria passado a ser não mais o que se faz presente. teria se transformado no afazer par excellence do homem moderno. Pela educação. a de ser recurso – o que “rende” e que “não rende”. seria o fundamento de tudo. que é então o homem. enfim. Eis no que desembocaria o Humanismo. Nos modernos. cultural e da vida cotidiana. emconcepção do mundo ou imagem do mundo – aquilo que o homem produz para si mesmo. junto. por definição. Na cultura. enquanto o que é passível de manipulação – em todos os níveis – pelo homem. nada é a não ser objeto. a dicotomia real-aparente ganhou uma cobertura epistemológica. Isto é. O problema mais desagradável teria sido a aliança disso tudo ao Humanismo. Heidegger chamou a metafísica moderna de “metafísica da subjetividade”. tipicamente epistemológica. expresso sempre por dicotomias. O objeto. a situação denunciada por Heidegger teria produzido a hegemonia da epistemologia: a pretensão de se estabelecer uma teoria para descrever como que o homem descobre ou produz o saber. Até aí. Todas as coisas que nos cercam teriam assumido uma única característica. A noção de representação não poderia deixar de trazer. imaginando terem se libertado da metafísica – e este era o ideal positivista – teriam sucumbido a uma nova forma de metafísica. aquela em que o projeto cartesiano seria o modelo par excellence. Ele viu a noção de representação exata – a verdade correspondencial – como o que é produto do homem ou como o que é encontrado pelo homem. três conseqüências emergem sem dificuldades. ou melhor dizendo: o homem seria o palco do mundo e. A tecnologia. Segundo Heidegger. meio problema. isso teria produzido o domínio da ciência sobre outras manifestações. O sujeito representa para si e em si o objeto – ou como algo que é descoberto ou como algo que é criado pelo sujeito. ontologicamente. o que nada seria senão a manipulação em pensamento do meio ambiente. Os modernos. a idéia de representação exata. estaríamos sempre procurando sermos transformados em elementos mais habilidosos para nos mostrar como 3 . O resultado: a preponderância do tipo de saber exclusivamente metodológico sobre qualquer outro tipo de saber. ao mesmo tempo. o nascimento do pensamento dualista. Ao seguirmos este raciocínio. o sujeito. e o objeto o mundo. tudo no mundo. especificamente nos campos filósofo. então. Nós mesmos nos veríamos assim. Isto é: o desvio de toda a reflexão ocidental. a dicotomia privilegiada foi a de real-aparente. enfim. o sujeito foi definido como o substrato. entre sujeito e objeto. se é para o sujeito. A modernidade teria reduzido a filosofia a uma discussão sobre a relação. capaz então de gerar ele próprio o objeto. a tecnologia teria se tornado comandante de tudo o mais. só é objeto para um sujeito. Assim. mas o que é re-presentado no palco chamado homem. O que existe não existiria por si. não tem outra função que não se relacionar com o objeto. Este. O homem é o manipulador do homem. em seu palco que. segundo o modelo platônico-cartesiano. principalmente. o sujeito.

se você ouvir a linguagem. o rumo. Perceba que cada coisa que enuncia – prédio. Perceba que cada palavra enunciada já estava dadaantes. A filosofia poderia se voltar para a linguagem. e não você que fala com ela. que fala. Nenhuma análise da linguagem daria bom fruto. carro. ou seja. isto é. Essa experiência fenomenológica pode ocorrer. pudesse ser colocada em paralelo com o que seriam a sensações. dominadores e dominados ao mesmo tempo. o conteúdo e tudo o mais do que pode fazer ao falar do que fala. ouviremos o que é – o ser que se manifesta em sua 4 . escuta apenas a você mesmo falando. na linguagem. A manipulação e a dominação implicariam em violência – violência física inclusive. olhe você para determinada paisagem na sua janela e comece a descrever o que vê. o seu coração seria a ciência e. tais como os objetos ao nosso redor. Todo nosso propósito seria o de nos fazermos passíveis de troca. o melhor é prestar atenção nela e. criada e estabelecida junto de toda uma rede de outras palavras. Então. enfim. Um exercício pode levar ao entendimento do que Heidegger planejou para escapar da condição moderna e deteriorada em que estaríamos vivendo. Heidegger quis escapar desse mundo em que nosso encontro com as coisas e conosco mesmo nos faria imediatamente manipuladores e. Efetivamente. então. Não é a experiência autêntica se você.recurso. Não teríamos de reduzir a linguagem para que ela ficasse como que um código simples e. árvore. na sua versão positivista. Por exemplo. e não o que é representado. há a experiência originária – mas não é a sua experiência se você não a escuta. Que caminho seguir para realizar algo assim? A filosofia que retoma a linguagem e dá a devida atenção a ela deveria apontar um de nossos caminhos. a paisagem e tudo nela podem deixar de serem percebidos como nomes dados por você. na linguagem. Nela. poderia ser violentado sem grandes reclamações. E tudo que é recurso. e não o que é falado segundo nosso comando de pretensos sujeitos. Deveríamos deixar a linguagem se mostrar como ela é – como o que fala para nós e por nós. Como a fenomenologia tiraria seu adepto dessa condição? Heidegger propôs que viéssemos a perceber o quanto a filosofia como epistemologia. por sua deliberação. coisa. uma que tudo teria se transformado em peça. em vez de escutar a linguagem. o projeto inimigo de Heidegger. então. cachorro – não indica uma experiência sua com o que é enunciado. e podem aparecer como efetivamente são. Um propósito que pudesse ser chamado de essencial. pois o que efetivamente ocorre é a linguagem falando. É ela. imanente às entidades do mundo. teria desaparecido na medida em que nós e todas as coisas do mundo simplesmente teríamos passado a pertencer ao campo da circulação dos objetos imposta pela tecnologia. Não enxergamos nada do que pensamos que estamos enumerando e falando em uma descrição. com sorte. a linguagem. Todavia. segundo o fenômeno da linguagem. e a linguagem é essa rede anterior a você. Isso tudo é o que a linguagem diz. a experiência fenomenológica mostra que caímos nela. de modo a deixar aquilo que é – o ser – se manifestar em sua morada. em coisas que rendem ou não rendem. em recurso. Teríamos de voltar a experienciar a linguagem segundo o que aparece. para nos dar o que seria chamado de “contato real com o mundo” – este seria o projeto da filosofia analítica. A violência não seria ilegítima. mas de um modo completamente diferente do que estaria sendo ensinado pelos filósofos analíticos. Com a fenomenologia. Essa violência teria um corpo bem determinado: a cabeça seria formada pela filosofia enquanto epistemologia ou como “metafísica da subjetividade”. tudo que você aprendeu como sendo uma semântica e uma sintaxe que dão o norte. as mãos seriam a tecnologia. e ela fala por nossa boca. a cultura como Humanismo e a ciência como tecnologia poderiam ser deixadas de lado para que pudéssemos voltar a conviver com o que teríamos perdido: o ser – aquilo que é e que se mostra.

a linguagem.morada. E a coisa que vemos só se delimita. ele propôs como filosofia. Olhamos para a janela. então. Não vemos a luz ou ondas. em sua rede. 5 . nessa dimensão profunda que escapa do modo moderno de conversar (este que implica no sujeito-objeto e na representação) foi o método Heidegger. atinge a coisa e. ela própria. Mas que coisa? A ciência diz que é a luz. há o significado e. o som se faz som. para além do que a ciência ensina que é a experiência. palavra. Em uma experiência autêntica. ou seja. pega nossa retina – e assim vemos a coisa que está diante de nós e emitimos um som com o qual damos nome àquela coisa. nos fala e fala para todos – nela. então. só ganha contorno. É isso? Nada disso. em boa medida. só recebe algum significado por já estar prenhe de significado na teia da linguagem. a linguagem. Vemos a luz? Não! Vemos uma coisa. Foi isso que. mas não vemos o que a ciência diz que vemos e o que imaginamos que seria uma experiência. usando nossa boca. e de modo algum fomos nós os autores do significado. Temos a capacidade de ouvi-la? Essa capacidade de ver o fenômeno da linguagem. vemos coisas que são o que são por estarem se manifestando como som emitido pelas palavras da linguagem. por meio de ondas.