Anais da Segunda Semana de Aqüicultura do CEFET-Bambuí 07 a 11 de Abril 2008

Ivan Vieira Daniel Pereira da Costa

2008©Semanaqua - CEFET-Bambuí

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE BAMBUÍ Núcleo de Zootecnia Núcleo de desenvolvimento da aqüicultura

ANAIS DA SEGUNDA SEMANA DE AQÜICULTURA DO CEFET-BAMBUÍ 07 a 11 de Abril 2008.

ORGANIZADORES Ivan Vieira Daniel Pereira da Costa

Bambuí –MG Abril de 2008

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Ficha Catalográfica preparada pelo Setor de Processamentos Técnicos da Biblioteca do CEFET-Bambuí-MG.

Semanáqua 2008: semana de Aqüicultura do CEFET-Bambuí: (2. : 2008 : Bambuí, MG.) Anais da 2ª semana de aqüicultura do CEFET-Bambuí, 07 a 11 de abril de 2008, Bambuí, MG / Organizadores: Ivan Vieira; Daniel Pereira da Costa ... [et al.] -Bambuí: CEFET-Bambuí, 2008. 51p.: il.

1. Piscicultura. 2. Aqüicultura. 3. Nutrição animal. 4. Biosseguridade. I.Vieira, Ivan. II. Costa, Daniel Pereira da. III. Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. IV. Título.

CDD 639.2

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Apresentação Apresentamos os artigos selecionados para a Segunda Semana de Aqüicultura do CEFET-Bambuí bem como os textos das palestras que serão proferidas no referido encontro. As informações aqui contidas abrangem diferentes aspectos ligados a Aqüicultura sendo de grande valia para estudantes e piscicultores já iniciados ou novatos na atividade. Tem como objetivo fornecer informações que estimulem o crescimento da Aqüicultura em nossa região.

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Conteúdo
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Parte 1 - Artigos apresentados
Alimentação Suplementar de Peixes Onívoros com Frutíferas ............................................6 Farelo de Feijão Rosinha (P.Vulgaris L) na Alimentação de Peixes .....................................10 Métodos de Controle de Odonatas na Piscicultura.............................................................14 O Papel dos Filtros e demais Equipamentos de um Aquário ...............................................18 Qualificação Profissional na Aqüicultura ...........................................................................23 Uso de Corretivos em Tanques de Piscicultura .................................................................30

Parte 2 – Textos das palestras Biosseguridade em Piscicultura.......................................................................................35 Metodologias de Avaliação de Alimentos para Peixes ........................................................37

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Parte 1 - Artigos apresentados

ALIMENTAÇÃO SUPLEMENTAR DE PEIXES ONÍVOROS COM FRUTÍFERAS
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Noronha , Cássio Roberto Silva; Silva , Pedro Paulo da; Medeiros , Lucas Alves RESUMO A nutrição de peixes, muito pouco tempo atrás, baseava-se em parâmetros de nutrição não adequados a estes animais. Com a evolução das técnicas e pesquisas realizadas nesta área, hoje podemos afirmar que conhecemos intimamente as necessidades nutricionais dos peixes. Para se atingir estas necessidades nutricionais desenvolveram-se técnicas de aproveitamento de várias fontes alimentares e muitas suplementares. O objetivo deste trabalho é discutir e apresentar uma forma alternativa de suplementação nutricional para peixes onívoros como o consórcio da piscicultura com a produção de plantas frutíferas. PALAVRAS-CHAVE Suplementação alimentar, nutrição de peixes, frutíferas.
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Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agricultura e Zootecnia – Concomitantes do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 34314900 INTRODUÇÃO A dieta de organismos aquáticos é calculada levando-se em consideração suas exigências nutricionais. A composição básica dos alimentos utilizados na elaboração das rações, assim como sua qualidade, é evidenciada (SOUSA & TEIXEIRA FILHO, 1985). Os alimentos são utilizados pelos organismos aquáticos com diversas finalidades, entre elas estão: formação de novos tecidos orgânicos, como fonte de energia, como reguladores das funções vitais, para manter o equilíbrio psíquico e funções nervosas, para completar o ciclo biológico e outros (ANZUATENGUI & VALVERDE, 1998). A suplementação das dietas alimentares é realizada com produtos que são necessários para compô-la, mas não se encontram, ou estão presentes em quantidades muito pequenas, nos produtos básicos usados na sua elaboração. Os chamados premix possuem esta função e são usados para suprir a necessidade das dietas básicas de todas as rações produzidas comercialmente (LIMA, ET ALL., 1992). Verifica-se a utilização de frutas, insetos, vegetais, resíduos de agroindústria, os premix minerais e outros, para complementar as dietas alimentares de peixes.

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A deficiência nutricional de peixes se expressa nitidamente no comportamento e susceptibilidade dos peixes a doenças e injurias o que deve ser evitado afim de maiores índices de produtividade na piscicultura (ROCHA & CECCARELLI, sem data).

O Objetivo deste trabalho é avaliar a possibilidade da utilização de frutas para essa complementação das exigências nutricionais dos peixes nas suas dietas. DESENVOLVIMENTO

A alimentação dos peixes em ambiente natural ocorre de duas fontes. Alimentam-se de plânctons e bentons. Este tipo de alimentação também ocorre em viveiros, lagoas e açudes (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2004). Com base nesta alimentação é possível obter ganho peso dos peixes, mas a adubação dos viveiros se torna necessária nesse processo. Os peixes possuem diversas formas e hábitos alimentares diferentes. Farinhas, tubérculos e frutos, sendo estes alimentos devem estar em ótimo estado de conservação. Pois se houver neles alguma alteração significativa de qualidade, mofo, fermentação, poderá ocorrer a intoxicação e a morte dos peixes. A ração é um dos principais alimentos para os peixes, pois possuem em sua composição, diversos nutrientes, como vitaminas, proteínas, aminoácidos, ácidos graxos, além de macro e micro minerais. São muitos os aspectos que podem ser observados na nutrição dos peixes, pois cada peixe tem uma exigência nutricional específica para sua espécie. O fornecimento de alimentos de uma maneira geral supõe uma série de informações sobre a espécie considerada (CASTAGNOLLI & CYRINO, 1992). O reaproveitamento de resíduos não é um tema atual, e merece cada vez mais ser destacado e incentivado. Na piscicultura também se pode reaproveitar resíduos. As frutas, por exemplo, podem vir a se tornar uma fonte alternativa de muitos componentes nutricionais da dieta de peixes. A plantação de árvores frutíferas como o figo, goiaba, jenipapo, ingá, araçá, seringueira, amora, jambolão, jambo, pinha, fruta pão e muitas outras que se adaptam a cada região podem fornecer uma boa alternativa para complementar a dieta nutricional dos peixes em cativeiro (CASTAGNOLLI, 1992). Os resíduos vegetais oriundos de produtos hortifrutigranjeiros foram utilizados com sucesso na engorda de Pacu Piaratus mesopotamicus Holmberg, 1887, em gaiolas, onde os animais ganharam peso e se desenvolveram muito bem. Este experimento realizado no CEPTA – Centro de Pesquisa em aqüicultura, em Pirassununga, São Paulo, demonstrou que sua utilização é possível e que pode se tornar uma alternativa importante para pequenos produtores (LIMA, ET ALL., 1992).

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Na natureza as sementes e frutos se tornam disponíveis segundo a ocorrência de enchentes e vazantes. Na estação de enchentes muitas árvores e arbustos estão assegurando a presença de frutos e sementes, já quando as águas marginais retraem-se na época da vazante o plâncton passa a seu o alimento mais abundante (HONDA, 1974). A composição nutricional das frutas deve ser levada em consideração. Outro aspecto importante é o volume de resíduos orgânicos produzidos pelo excesso na alimentação de peixes. Este excesso vai super-adubar o tanque provocando a eutrofização da água. A comparação do potencial produtivo e do potencial poluente dos diferentes tipos de alimentos utilizados na piscicultura foi estudado por Kubitza, et all., (1996), e chegou-se a conclusão que quanto pior a qualidade nutricional e estabilidade do alimento na água maior o potencial poluente e menor a produção de peixes em um sistema de produção. Características como época de florada e formação dos frutos também são pontos importantes para se escolher quais as espécies a serem plantadas (HONDA, 1974). As frutíferas poderão ainda, ser plantadas em volta dos tanques ou em áreas específicas para produção de frutas. Quando plantadas as margens dos tanques, deve-se verificar o hábito de crescimento do sistema radicular das mesmas para que as raízes não danifiquem a estrutura do tanque. Quando plantadas em área própria para a fruticultura deve-se lembrar dos custos de colheita e transporte das mesmas até os tanques de piscicultura. CONCLUSÕES

A qualidade e o fácil acesso a rações industrializadas são um grande atrativo aos piscicultores e desestimulam a procura de formas alternativas de alimentação. A utilização de frutas na suplementação alimentar de peixes onívoros se mostra um excelente forma de minimizar os custos de produção de peixes, principalmente na piscicultura de subsistência ou de mão-deobra familiar. É importante salientar que é uma fonte suplementar de alimentação e nunca a única fonte de alimento dos peixes em uma piscicultura. BIBLIOGRAFIA CITADA ANZUATENGUI, Ivan A.; VALVERDE, Cláudio Cid. Rações pré-calculadas para organismos aquáticos: peixes tropicais, trutas, rãs e camarões de água doce. Guaíba: Editora Agropecuária, 1998. 135p. CASTAGNOLLI, Newton. Criação de peixes de água doce. Editora FUNEP: Jaboticabal, 1992. 189p. CASTAGNOLLI, Newton; CYRINO, José Eurico P. Piscicultura nos trópicos. 1º edição. Editora Manole LTDA: Pirassununga, 1986. 180p.

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HONDA, E. M. S. Contribuição ao conhecimento da biologia de peixes da Amazônia. Alimentação de Tambaqui Colossoma bidens (Spix). Act. Amazônia 4 (2) : 47–53. KUBITZA, Fernando, et ali. Qualidade da água na produção de peixes. Brasmetano Ind. E Com Ltda e Água Viva Alimentos. Piracicaba, 1996. 42p. Apostila didática. LIMA, J. A. et all. Utilização de resíduos de produtos hortifrutigranjeiros para a criação de Pacu Piaratus mesopotamicus Holmberg, 1887, em gaiolas. Boletim Técnico: CEPTA, Pirassununga, v5, n.único, 1992. p.1-9. Ministério da Ciência e Tecnologia. Piscicultura. CENTEC - Instituto Centro de Ensino Tecnológico. 2º ed. ver. Forteleza: Editora Demócrita Rocha. 2004. 72p. ROCHA, Rita de Cássia G. A.; CECCARELLI, Paulo Sérgio. Sanidade, patologia e controle de enfermidades de peixes. Apostila didática. CEPTA – Centro de Pesquisa e Treinamento em Aqüicultura. Pirassununga, sem data. 48p. SOUZA, E. Ceci P. M. de; TEIXEIRA FILHO, Alcides R. Piscicultura fundamental. 3º edição. Editora NOBEL: São Paulo, 1985. 696p.

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FARELO DE FEIJÃO ROSINHA (P.VULGARIS L) NA ALIMENTAÇÃO DE PEIXES Costa , Daniel Pereira da 2 ; Machado , Luiz Carlos 1; Alvarenga , Renato José2 ; Quadros , Artur Moreira 2; Ferreira, Fernanda Cândido 2 Resumo – O farelo de feijão rosinha, produto do descarte de grãos não aproveitáveis para alimentação humana, pode servir como alimento alternativo para composição de rações comerciais para peixes, baixando assim o custo com a alimentação. Geralmente é um produto barato, muitas vezes jogado fora possuindo características nutricionais consideráveis em termos de proteína e energia. Neste estudo são abordadas características nutricionais do farelo de feijão através de análises bromatológicas, revisões bibliográficas e determinação da energia digestível estimada. Contudo alguns fatores como qualidade da proteína (conteúdo de aminoácidos) devem ser estudados para se poder formular rações com esse material.

Palavras-chave Piscicultura, nutrição de peixes, alimentos alternativos
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Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Curso Superior de Zootecnia – do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 3431-4900 INTRODUÇÃO

A piscicultura pode ser dividida em Intensiva, Semi - intensiva e Extensiva (VAN EER, 2004). O método intensivo, o mais complexo, necessita de maior controle e a alimentação deve ser balanceada, para suprir as necessidades dos peixes. Nesse modelo de cultivo, a alimentação poderá representar até 80% dos custos de produção, logo uma das alternativas para baratear esses custos seria o uso de ingredientes regionais introduzidos nas formulações das rações (PASCOAL, 2006). Em pesquisas realizadas por Bastos (1988) testou-se a viabilidade econômica da utilização de diferentes tipos de rações não convencionais na alimentação de Tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus, em cativeiro no estado do Ceará. Esse autor constatou que comparando os diferentes tipos de ração não convencionais com ração comercial, esta obteve melhor desempenho em função de um maior número de ingredientes em sua composição (melhor balanceamento) e a presença de concentrados vitamínicos e minerais. No entanto dado o elevado custo da ração

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comercial é provável que o cultivo da tilápia, alimentada com rações não convencionais ofereça melhores resultados econômicos aos piscicultores da região. Em pesquisas realizadas por Boscolo (2005), pode-se constatar que a farinha de vísceras de aves sem penas foi um bom substituto da farinha de peixe o que proporcionou excelente desempenho às tilápias na fase inicial. Outro fator que deve ser destacado é que não há necessidade da inclusão da lisina sintética nas rações com inclusão de farinha de vísceras. O subproduto do feijão processado para consumo humano tem potencial para utilização na formulação de dietas para animais. Este material é composto por grãos amassados, quebrados ou fora do tamanho padrão para comercialização. Muitas vezes ele é descartado a acaba virando lixo ou adubo o que se caracteriza como desperdício de uma matéria prima rica em nutrientes. Neste trabalho o feijão rosinha (Phaseolos vulgaris L.), comumente cultivado por produtores na região Centro-Oeste de Minas Gerais e outras partes do Brasil, é estudado como possível alternativa para composição de rações para peixes tropicais. MATERIAL E MÉTODOS

O material analisado compõe-se de grãos puros sem qualquer tipo de matéria inerte ou restos culturais. Para determinação dos níveis de nutrientes no farelo de feijão (0,8 mm), foi coletado uma amostra, triturada em moinho analítico e enviada ao laboratório de nutrição animal da UFV (Universidade Federal de Viçosa). Foram avaliados os teores de proteína bruta, matéria seca, extrato etéreo, matéria mineral, fibra bruta, cálcio e fósforo. Para cálculo da energia digestível realizou-se a predição segundo Meyer, Fracalossi e de Borba (2004), considerando-se 5640 Kcal/Kg de proteína, 4110 Kcal/Kg de carboidrato, 9440 Kcal/Kg de Gordura. O teor de extrativos não nitrogenados foi determinado por diferença. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise bromatológica do farelo de feijão se apresenta na tabela abaixo: Tabela 1 – Análise Bromatológica do farelo de feijão ITEM Matéria seca (MS) Proteína Bruta (PB) Fibra bruta (FB) Extrato etéreo (EE) Matéria mineral (MM) Cálcio Fósforo TEORES % 87,07 22,46 5,79 1,41 4,56 0,23 0,25

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Através da equação: ENN = (porção que contém os carboidratos) 100% - (PB% + FB% + EE% + MM%) na MS. Pode-se afirmar que o farelo de feijão possui 65.78% de ENN. Segundo Meyer, Fracalossi e de Borba (2004), considerando-se 5640 Kcal/Kg de proteína, 4110 Kcal/Kg de carboidrato, 9440 Kcal/Kg de Gordura, pode estimar a ED (energia digestível) para peixes onívoros pela equação: PB X 0,83 X 5640 Kcal + EE X 0,88 9440 Kcal + ENN X 0,65 X 4110 Kcal, resultando assim em 1051,40 + 1757,31 + 117,13 = 2925,84 Kcal/Kg de ED para o farelo de feijão. Para os peixes carnívoros temos a equação: PB X 0,88 X 5640 Kcal + EE X 0,90 9440 Kcal + ENN X 0,50 X 4110 Kcal, tem-se então 1114,73 + 1351,78 + 119,79 = 2586,30 Kcal de ED por Kg, resultados na tabela 2. Tabela 2 – ENN e ED estimada para peixes do farelo de feijão rosinha ITEM TEORES ENN (carboidratos digestíveis) 65.78% ED para peixes onívoros ED para peixes carnívoros 2925,84 Kcal/Kg 2586,30 Kcal/Kg

Fatores anti-nutricionais Os fatores anti-nutricionais presentes no feijão podem provocar efeitos fisiológicos adversos ou diminuir a biodisponibilidade de nutrientes. Alguns efeitos nocivos são causados pela presença de inibidores de proteases em leguminosas cruas utilizadas na alimentação de animais. Alguns estudos em animais monogásticos têm atribuído problemas metabólicos e de crescimento à alimentação a base dessas leguminosas, (AlWesale et al.,1995 apud Silva e Silva, 2000). Contudo quando se processa o cozimento dos grãos os efeitos nocivos são eliminados, (Al-Wesali et al., 1995 apud Silva e Silva, 2000). No caso das lectinas que causam problemas semelhantes o tratamento térmico também é a solução para mitigar esse problema nutricional, (Antunes,1979 apud Antunes et al, 1995). O farelo de feijão rosinha tem proteína bruta e energia digestível em quantidades consideráveis se comparado com outros alimentos de origem vegetal. Superando os farelos de milho, sorgo, arroz e trigo, (NRC, 1993 e Kubitza, 1997). Entretanto ainda faltam dados para determinação dos aminoácidos presentes nesse alimento para uma formulação mais precisa das dietas para peixes. O nível de cálcio analisado tem utilidade para limitação das quantidades desse mineral na dieta uma vez que seu excesso pode causar problemas na absorção de Fósforo e Zinco, (Kubitza, 1997). O fósforo está presente no farelo de feijão em quantidade significativa, quase na proporção 1 para 1 com o cálcio, sendo ligeiramente maior sua quantidade. Porém ainda não se conhece sua real disponibilidade para os peixes por falta de um estudo que a determine. Caso a maior parte desse P esteja na forma indisponível, existe a possibilidade de utilização da enzima fitase para aumentar sua disponibilidade e a de outros minerais complexados com o fitato, (Pezzato e Barros, 2005).

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CONCLUSÃO

O farelo de feijão rosinha tem potencial para ser um ingrediente alternativo na formulação de dietas para peixes onívoros ou carnívoros se considerarmos seus níveis de PB e ED. A proporção de P (fósforo) em relação ao Ca (Cálcio) desse alimento é alta, próxima de 1:1, podendo ser uma fonte interessante de fósforo. Outros estudos se fazem necessários para determinar um nível de inclusão seguro desse alimento nas rações de peixes. BIBLIOGRAFIA CITADA ANTUNES, Pedro L.; BILHALVA, Aldonir B.; ELIAS, Moacir C. & SOARES, Germano J.D. VALOR NUTRICIONAL DE FEIJÃO (Phaseolus vulgaris, L.), CULTIVARES RICO 23, CARIOCA, PIRATÃ-1 E ROSINHA-G2. Pelotas: Rev. Brás. De AGROCIÊNCIA, V.1, Nº 1, 1995. BASTOS, José Raimundo; SILVA, José William Bezerra e; FREITAS, Wilson Caliope de. Alimentação de peixes com rações não convencionais em ambientes confinados. Ciên. Agron, Fortaleza, 19(2): pág. 39-44, Dezembro. 1988 BOSCOLO, Wilson Rogério; MEUER, Fábio; FEIDEN, Aldi; HAYASHI, Carmino; REIDEL, Adilson. Farinha de Vísceras de aves em rações para a Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus L.) durante a fase de reversão sexual. Revista Brasileira Zootecnia, v.34, n.2, p.373-377, 2005 KUBITZA, Fernando. Nutrição e alimentação dos peixes. Piracicaba: 1997. 74 p. MEYER, G. ; FRACALOSSI, D.M.; dE BORBA, M. R. A importância da quantidade de energia na ração de peixes. Rio de Janeiro: Panorama da Aqüicultura, 2004, p. 53 – 57. NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrients requirements of fish. Washington: National Academy Press, 1993. 114 p. PASCOAL, Leonardo Augusto Fonseca; EDMA, Carvalho de Miranda; FILHO, Florisval Protásio da Silva. O uso de ingredientes alternativos em dietas para peixes. Revista Eletrônica Nutritime, v.3, nº1, p.292-303, janeiro/fevereiro 2006. PEZZATO, Luis Edivaldo; BARROS, Margarida Maria. Novos enfoques da nutrição de peixes. In Anais dos simpósios da 42ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Goiânia: SBZ, UFG, 2005. p. 403 – 415. SILVA1 Mara Reis & SILVA2 Maria Aparecida Azevedo Pereira da. Fatores antinutricionais: inibidores de proteases e lectinas.Campinas: Rev. Nutr, 2000. VAN EER, Assiah; VAN SCHIE Ton; HILBRANDIS Aldin. Piscicultura feita em pequena escala na água doce. Fundação Agromisa, Wageningen, 2004.

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MÉTODOS DE CONTROLE DE ODONATAS NA PISCICULTURA
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Noronha , Cássio Roberto Silva; Barbosa , Janaina Flávia; Quadros , Artur Moreira; RESUMO A piscicultura se divide em vários estágios de desenvolvimento dos peixes entre eles estão a reprodução, alevinagem, recria e a engorda. É na alevinagem que se encontra a maior importância e auto grau de dificuldade da atividade piscicultura. Existem paramentos que restringem esta atividade como as condições climáticas, endáficas e antrópicas, e presença de predadores naturais e outros. O objetivo deste trabalho é estudar um dos gargalos da alevinocultura que é a presença constante de predadores naturais neste estágio. Para tal é necessário se destacar o controle de Odonata, a conhecida libélula. PALAVRAS-CHAVE Odonata, piscicultura, libélula.
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Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Curso Superior de Zootecnia – do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Técnico Agrícola com Habilitação em Agricultura e Zootecnia – Pós médio – do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 3431-4900

INTRODUÇÃO Piscicultura, que é a produção racional de peixes, é uma atividade que data de antes de Cristo. Está difundida em quase todos os países do mundo e é considerada uma das atividades de maior expansão devido à constante procura por este alimento. A qualidade nutricional e menores teores de gordura são atrativos para esta fonte de proteína animal (PROENÇA & BITTENCOURT, 1994), (MENEZES & YANCEY, 1998) e (OETTERER, 2002). Um dos gargalos da produção é a ocorrência de predadores. Os mais comuns na piscicultura são algumas espécies de peixes, os insetos e alguns outros animais como as aves, cobras, tartarugas e jacarés (MENEZES & YANCEY, 1998). Os métodos de controle mais utilizados nos diferentes sistemas de produção não se diferenciam muito. O que varia é sua aplicação ou não. Na criação extensiva, por exemplo, não se aplica método de controle algum, convive-se com os predadores presentes no ambiente. Na piscicultura super-intensiva, também não se aplica porque não há a ocorrência de predadores, trata-se de um sistema totalmente fechado e alto nível tecnológico (KUBITZA, 2004). Entre estes dois extremos encontra-se a maiorias dos sistemas de produção onde é necessária a aplicação de métodos de controle de Odonatas (KUBITZA, 2004).

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A Odonata conhecida vulgarmente como libélula é da classe dos insetos. Seu ciclo de vida é divido por diversas fases, sendo a fase jovem aquática e a fase adulta alada (CARVALHO, 1992). Os prejuízos causados pelas libélulas na piscicultura podem ir desde uma pequena taxa de diminuição da população de alevinos no tanque até a perda quase total da produção (KUBITZA, 2004). Este trabalho tem como objetivo analisar os prejuízos causados ao piscicultor pela presença de Odonatas e estudar seus possíveis métodos de controle em sistemas de produção de alevinos. DESENVOLVIMENTO

A ordem Odonata Os insetos desta Ordem são chamados de libélulas, possuem corpo longo, que pode ir de 20 mm a 160 mm de comprimento. A cabeça é grande o que facilita o movimento para todos os lados. Quase que toda recoberta por olhos, possui antenas muito curtas e apresentam aparelho bucal mastigador com mandíbulas fortes e robustas. O corpo se divide em cabeça, tórax e abdômen. As pernas são longas e asas translúcidas. Após a postura, dos ovos nascem as odonáides (as predadoras de alevinos de peixes). O seu desenvolvimento é muito lento e pode demorar até 05 anos. Existem aproximadamente 5000 espécies conhecidas de Odonatas (GALLO ET ALI, 1988). Reprodução das Odonatas As odonatas se reproduzem por fecundação direta. Machos e fêmeas se aglomeram perto de áreas que possuem uma fonte de água. É na água ou em vegetação aquática que ocorre a ovoposição. A fase jovem das odonatas são os principais predadores dos alevinos na piscicultura (DELGADO et ali, 1995); (GALLO, 1988); (LACERDA, 2007). Métodos de controle Os principais métodos de controle de Odonatas são baseados em ações mecânicas, químicas e biológicas. Tais métodos foram desenvolvidos todos com o mesmo propósito, diminuir e/ou apenas controlar os níveis de predação de alevinos na fase jovem das Odonatas. Método de controle mecânico Os principais métodos de postura de Odonatas na água são: um indireto no qual se utiliza a vegetação como substrato de postura e outro direto no qual a fêmea bate o abdomem na superfície da água liberando os ovos. No primeiro caso o controle da vegetação aquática que se faz existente no tanque de piscicultura auxilia no controle populacional da Odonata. Já nas espécies de postura direta a utilização de redes ou malhas sobre a superfície da água diminui significativamente a ocorrência da fase jovem da odonata nos tanques. Segundo Delgado et ali, 1995, estes

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Anais da Segunda Semana de Aqüicultura do CEFET-Bambuí – 07 a 11 de Abril métodos de controle diminuem a presença de odonatas de 80 larvas por m2 para 04 larvas por m2, Reduzindo assim os prejuízos causados pelas mesmas. A turbidez da água também é um método de controle eficaz para ninfas de odonatas. Para tal, utiliza-se de consórcio da larvicultura com a produção de peixes de hábitos alimentares iliófagos, comedores de limo, como a carpa comum. Este hábito de revolver o fundo do tanque a procura de alimento, aumenta a turbidez da água, dificultando a predação por parte das ninfas de Odonata (LACERDA, 2007). Método de controle químico Os autores Menezes e Yancey, 1998, recomendam despejar no tanque 50 litros de óleo queimado por hectare de lâmina d`água, até se verificar a não ocorrência de mais libélulas na fase jovens na água. Entretanto este método não é recomendado devido a seu impacto negativo. Existem agrotóxicos específicos para controle de insetos na piscicultura. Mas estes trazem conseqüências graves como o risco de intoxicação dos peixes e sua inespecificidade. Esta última ocasiona a morte de outros insetos presentes na água, ocasionando sérios prejuízos ao ecossistema aquático (MATAQUEIRO, 2002). Método de controle biológico Processo também utilizado no controle de predação de alevinos por aves como o Biguá, a Garça e o Martim pescador, na produção do peixe Jundiá (BALDISSEROTTO; RADUNZ NETO, 2004). Esporadicamente, as aves também podem predar as fases jovens das Odonatas, assim como peixes maiores. Mas mesmo assim o controle por aves não pode ser considerado um método eficiente. Os prejuízos causados pelas aves na criação de alevinos, são maiores dos que o impacto na população de Odonatas (BALDISSEROTTO; RADUNZ NETO, 2004). Prejuízos causados Segundo Lacerda, 2007, ainda são necessários muitos estudos sobre os danos reais causados pela presença de Odonatas na piscicultura. Os estudos mais recentes discutem os métodos de controle e até determinam sua eficiência. Mas não quantificam os prejuízos ambientais e financeiros relacionados ao tema. CONCLUSÕES Existem métodos eficazes de controle de Odonatas na piscicultura, mas ainda não se conhece seu impacto econômico e ecológico. O ideal seria encontrar um método de controlar o inseto sem afetar o ecossistema no qual a libélula está inserida. Este é um campo aberto para novas pesquisas sobre o controle de Odonatas na piscicultura.

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BIBLIOGRAFIA CITADA BALDISSEROTTO, Bernardo & RADUNZ NETO, João. Criação de Jundiá. Santa Maria. Editora UFSM, 2004. 232p. CARVALHO, A.L. Aspectos da biologia de Coryphaeschna perrensi (McLachlan, 1887) (Odonata, Aeshnidae). Revista Brasileira de Entomologia, 1992. 36(4): 791-802. DELGADO, Cesar; ALCANTARA, Fernando; Couturier, Guy. Densidad de larvas de Odonatos (Insecta) en un estanque de piscicultura en Iquito. Revista Peruana de Entomologia, 1995. 37: 101-102. GALLO, et ali. Manual de entomologia agrícola. São Paulo. 2º edição: Ed. Agronômica CERES, 1998. 649p. KUBITZA, Fernando. Reprodução, larvicultura e produção de alevinos de peixes nativos. Jundiaí, SP: F. Kubitza, 2004. 78 p. LACERDA, Carlos Henrique Figueiredo. Influência da turbidez, macrófitas aquáticas e tamanho das ninfas na predação de larvas de piaractus mesopotamicus e oreochromis niloticus por odonata pantala flavescens. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em “Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais” da Universidade Estadual de Maringá, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais. Maringá, Paraná, 2007. 52p. MATAQUEIRO, Maria Isabel. Toxicidade aguda e subaguda do inseticida methyl parathion no pacu (Piaractus mesopotamicus HOLMBERG, 1887). Dissertação apresentada ao Programa de Pós – Graduação em Aqüicultura, área de Concentração: Aqüicultura em Águas Continentais como parte das exigências para obtenção do título de mestre. UFLA, MG, 2002. 47p. MENEZES, José Roberto Rezende de; YANCEY, Dean Romayn. Manual de criação de peixes. Campinas-SP: Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, 1998. 117 p. OTTERER, M. Indústria do pescado cultivado. Ed. Agropecuária Ltda. Guaíba, RS. 2002. 200p. PROENÇA, Carlos Eduardo Martins de. Manual de piscicultura tropical. Brasília: Ibama, 1994. 195 p.

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O PAPEL DOS FILTROS E DEMAIS EQUIPAMENTOS DE UM AQUÁRIO Noronha , Cássio Roberto Silva; Moreira , Gláucia Lucia; Murilo , Juliana Garcia; Duarte Neto , Jaime Pacheco; Borges2, Wiliam Olimpio. RESUMO O aquarísmo se caracteriza pela formação de habitat dentro de um recipiente chamado de aquário, onde crescem, desenvolvem e se reproduzem peixes ornamentais. Uma das grandes causas do insucesso do aquarista amador é a não compreensão da complexibilidade deste ecossistema. O Objetivo deste trabalho é estudar os sistemas de filtragem, sejam mecânicos, químicos e/ou biológicos e evidenciar sua importância para o equilíbrio deste habitat. PALAVRAS-CHAVE Aquário, peixes ornamentais, filtros, ecossistema.
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Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Curso Técnico Agrícola com Habilitação em Agricultura e Zootecnia – Concomitantes do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 34314900
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Alunos do Técnico Agrícola com Habilitação em Agricultura e Zootecnia – Pós médio – do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 3431-4900 INTRODUÇÃO A filtragem tem por objetivo a purificação da água, visando a qualidade física e química da mesma para melhor condicionamento de seus habitantes (BOTELHO FILHO; OLIVEIRA, 1989). A filtragem é um processo que retêm substâncias dissolvidas e suspensas na água, e por conseqüência aumenta a oxigenação da mesma e evita a estratificação devido a seu movimento (BOTELHO FILHO; OLIVEIRA, 1989). Existem dois tipos básicos de filtros. O filtro de funcionamento mecânico, mais indicado para aquários de grande porte, onde a água é impulsionada por um motor de ação centrífuga e o filtro de funcionamento a ar. Neste último, o ar, forma bolhas na água e ao subir leva a água formando uma corrente ascendente. É mais indicado para aquários de pequeno porte (COLEÇÃO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, 1986). O aquário é formado por um conjunto de equipamentos que funcionam interligados entre si com a finalidade de compor um sistema fechado que imita fielmente um ambiente natural. Este ecossistema sofre a interferência direta de fatores internos e externos ao aquário. Fazem parte de seus componentes: aerizador; aquecedor, termostato, filtro, termômetro, tubo plástico, tampa, pinça, raspador, comedores, ninheira e a rede (FABICHAK & FABICHAK, 1985); (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989).

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DESENVOLVIMENTO

Aquarismo Todos nós ficamos impressionados diante da harmonia e beleza de um aquário ornamental que é um quadro vivo mais belo da terra. Ele representa o lago ou mar em miniatura onde podemos observar a vida associada dos peixes e plantas aquáticas, seres secundários (BOTELHO, 1997). Aquariofilia constitui mais do que um “hobby”, pois várias ciências estão integradas a ela. A zoologia, fisiologia, bioquímica, botânica, higiene, a química e a nutrição, se interligam na construção e manutenção de um aquário (BOTELHO, 1997). Sendo assim, é uma ciência que esta condicionada a seis princípios fundamentais. A oxigenação suficiente, a temperatura correta, a alimentação racional, o solo adequado, a vegetação aquática e a luz dosada. Lembrando-se que a qualidade da água é um fator intrínseco a toda atividade aquícola (BOTELHO, 1997). Tipos de aquário Os aquários são divididos em diversas categorias. Estas categorias se diferenciam pelo tipo de aquário, a finalidade do mesmo, o material de construção entre outras. Quanto ao tipo são classificados como aquários de água doce ou água salgada (marinhos) (BOTELHO, 1997). Outra classificação correlaciona sua função. Nestes se enquadram os aquários de ornamentação, criação, isolamento, hospital, desenvolvimento, depósito e reprodução (BOTELHO, 1997). Quanto ao material de construção podemos classificar os aquários como os modernos, confeccionados com vidros e estruturas metálicas de vários tamanhos, e os mais antigos, confeccionados com vidros, normalmente sem estrutura metálica de suporte, de menores tamanhos e às vezes conjugados com cimento, pedra ou outros materiais onde foram construídos (BOTELHO, 1997). Importância e papel dos filtros Para se escolher um filtro devemos levar em consideração o tamanho e tipo de aquário e a quantidade e tamanho dos peixes que serão nele acondicionados. Preferencialmente tentar conciliar os três tipos de filtragem, em um ou mais tipos de filtros (ALCON, 2000). É importante a constante manutenção dos aparelhos por terem alta concentração de resíduos obtidos pela passagem da água do aquário. Existem três formas de filtros. Os filtros mecânicos, químicos e biológicos (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989).

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Tipos de filtros Os filtros mecânicos são filtros que retêm as partículas submersas com um material de pouco poder de retenção. O Perlon ou Lã de vidro conseguem esta ação (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Os filtros químicos retêm o material dissolvido na água pela ação do carvão ativado por ser um material poroso e conter alto índice de absorção, mas o carvão elimina substâncias importantes como os medicamentos esporadicamente utilizados no aquário. Por isso não se recomenda o uso de carvão ativado em aquários “hospitais”. É importante dizer que depois de algum tempo, o carvão ativado satura-se, tornando-se impróprio para tal finalidade tendo assim de ser substituído. Para saber o ponto de saturação pinga-se uma gota de azul de metileno na boca do filtro, se depois de passar pelo filtro a coloração azul aparecer, significa que o carvão está saturado (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). O filtro biológico trabalha com um excelente processo em que há uso de bactérias para a decomposição das substâncias. Estas bactérias oxidam a amônia os fosfatos e outros compostos nitrogenados transformando-os em substâncias não prejudiciais (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Vidal Júnior (2006), recomenda a utilização de substratos alternativos como base para fixação das bactérias como rolinhos de tela de mosquiteiro ou mesmos “bob`s” de cabelo. Outros Equipamentos de aquário Alguns equipamentos são indispensáveis na composição de um aquário tendo em vista que alguns não são utilizados freqüentemente e sim em determinados momentos. Porém todos os equipamentos descritos neste trabalho são de muita importância para que a vida de todos os seres existentes no aquário seja saudável e duradoura (FABICHAK & FABICHAK, 1985). Os principais componentes do aquário são: Aerizador - Também chamados de vibrador ou bomba, possui a função de oxigenação e filtração da água do aquário, sendo o mais utilizado o vibrador (FABICHAK & FABICHAK, 1985). Aquecedor - Serve para manter a boa temperatura da água, que deve estar entre 20ºC e 28 ºC, dependendo da espécie de peixe presente no aquário e q quantidade de água do mesmo. A resistência do aquecedor é semelhante a de um chuveiro elétrico (FABICHAK & FABICHAK, 1985) Termostato - Geralmente é conjugado com o aquecedor. Tem a função de controlar a temperatura da água sem a necessidade da intervenção humana (FABICHAK & FABICHAK, 1985) Filtro - Faz a filtragem da água retirando as impurezas. Existem vários tipos de filtros de acordo com a dimensão do aquário (FABICHAK & FABICHAK, 1985)

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Termômetro - Serve para verificar a temperatura da água que deve estar na faixa de 20º C a 26ºC (FABICHAK & FABICHAK, 1985) Tubo Plástico - Serve para retirar a sujeira acumulada no fundo do aquário (FABICHAK & FABICHAK, 1985). Tampa - Serve para tampar o aquário e como suporte para a lâmpada. É essencial que seja feita de madeira, para ficar leve mas resistente (FABICHAK & FABICHAK, 1985). Pinça - Serve para plantio para as espécies de plantas aquáticas (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Raspador - Serve para raspar as algas aderidas no vidro do aquário para mantê-los com características transparentes (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Comedores - Servem para colocação da alimentação (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Ninheira - Utilizado para a desova das fêmeas. Nem todas as espécies de peixes ornamentais necessitam de ninheiras (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989).. Rede - Para apanhar os peixes sem machuca-los (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989). Os microrganismos no aquário A associação dos aquários com os microrganismos é uma relação de simbiose única. Neste recipiente forma-se um ecossistema onde as bactérias possuem papel fundamental. A colônia de bactérias fixa-se na superfície do cascalho e posteriormente multiplicam-se e colonizam as camadas inferiores caso haja um bom teor de oxigênio. Quando a amônia encontra as bactérias começa um processo de reações químicas em dois estágios distintos. No primeiro estágio as bactérias nitrossomas, convertem a amônia em nitrito. O nitrito por sua vez é transformado em nitrato pelas bactérias nitrobacter, no segundo estágio (BOTELHO FILHO & OLIVEIRA, 1989; FABICHAK & FABICHAK, 1985). CONCLUSÕES Existem vários tipos de filtros que podem ser usados com a mesma finalidade em um aquário. A qualidade da água sempre será o objetivo, e fator limitante na condução de um aquário. Sem dúvida alguma, a integração dos diferentes tipos de filtros existentes resultará em uma água de melhor qualidade final. Esse ecossistema depende não só dos filtros e sim de um bom funcionamento de todos os equipamentos do aquário. E principalmente do bom senso do aquarista quanto sua condução e manejo. BIBLIOGRAFIA CITADA ALCON – Indústria e Comércio de Alimentos Desidratados Alcon Ltda. Seu novo aquário. Camboriú, SC. 2000, 55p. Panfleto de distribuição gratuita.

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BOTELHO, Gastão. Aquários. São Paulo: Editora NOBEL, 1997. 85p. BOTELHO FILHO, Gastão da Fonsceca; OLIVEIRA, Nilson Araújo. A vida no aquário. 10º ed. Ampliada, São Paulo: Editora NOBEL, 1989, 241p. Coleção Animais de estimação. Peixes. Editora JB Indústria gráfica LTDA. Rio de Janeiro, 1986. 292p. FABICHAK, Douglas; FABICHAK, Walter. Peixes de Aquário: criação, alimentação, doenças e espécies. 8º Edição. São Paulo: Editora NOBEL, 1985, 71p. VIDAL JUNIOR, Manuel Vazquez. Sistemas de produção de peixes ornamentais. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, Editora FEP-MVZ, Belo Horizonte, 2006. nº 51, p.62-74.

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QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL NA AQÜICULTURA Costa, Daniel Pereira da 2; Vieira, Ivan 1; Evangelista, Wemerton Luis 1; Apolinário, Danielle Damasceno 2; Pereira, Ralf José 2; Santos , Michel Arnesen Dos 2 RESUMO Com o constante crescimento da aqüicultura, e conseqüente aumento da demanda por profissionais aptos a exercer as funções relacionadas a produção de organismos aquáticos, o treinamento desses profissionais é necessário para obter-se melhor desempenho na atividade.Conhecer os tipos de cargos e suas atribuições, bem como sua formação e possibilidades de preparação acadêmica, pode proporcionar a formação de trabalhadores dentro do contexto aqüícola. Discute-se neste trabalho as atividades desempenhadas e as perspectivas de futuros empreendimentos que irão absorver novos empregados. Bem como o perfil do profissional e os tipos e características de sua qualificação. Num ultimo momento faz-se um referencial sobre exemplos do que se tem feito a nível institucional. No trabalho apresentam-se propostas e opiniões que podem auxiliar no treinamento e dinamização do processo produtivo. Tendo como foco principal o papel dos recursos humanos devidamente capacitados para a Aqüicultura e mostrando algumas das vantagens de se treinar mão de obra. PALAVRAS-CHAVE Aqüicultura, qualificação profissional, treinamento.

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Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900
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Alunos do Curso Superior de Zootecnia – do CEFET- BAMBUÍ - Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí. Fone: (037) 3431-4900

INTRODUÇÃO

A Aqüicultura ou cultivo de organismos aquáticos é considerada como atividade que auxilia o desenvolvimento social das comunidades rurais e a preservação ambiental, (ANDRADE 2006). No Brasil esta atividade tem sido estimulada visando aumentar a produção nacional através de incentivos diversos. Com a criação da SEAP/PR (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca) em 2004, vinculada a Presidência da República, estão sendo implementados vários projetos no país para beneficiar a atividade, como a criação de centros de formação de profissionais com habilidades para gerir e implantar tecnologias de produção de organismos aquáticos. A demanda por profissionais dessa área faz-se evidente quando se observa o crescimento da atividade que segundo Andrade (2006) é de cerca de 20% ao ano no Brasil. Segundo a SEAP/PR(2006) sua meta é no futuro poder aproveitar todo o potencial aqüícola nacional nos

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lugares onde está sub-explorado ou inexplorado e atenta para a falta de mão de obra qualificada na atividade. Isto aponta para um grande mercado potencial para os futuros profissionais direcionados a Aqüicultura. Segundo Kubitza (2007) o maior problema operacional da Piscicultura é a falta de funcionários com capacidade de realizar o manejo produtivo. O suporte técnico é imprescindível para orientar tanto esses funcionários como os gerentes da empresa. ATIVIDADES DA AQÜICULTURA

Para Ribeiro et al (2000) a Aqüicultura pode ser uma grande empregadora de mão de obra, pois em 1966 a cada 45000 Kg de produtos aqüícolas processados gerou-se 1200 empregos. Ainda segundo os autores esta atividade tem potencial para se tornar o segundo maior meio de produção de alimentos. Tornando-se então num futuro próximo um grande mercado de trabalho. Segundo Valle & Martins de Proença (2000) os organismos mais estudados e que estão sendo utilizados na aqüicultura brasileira estão no contexto das seguintes atividades: Piscicultura (produção de peixes), Carcinicultura (camarões), Malacocultura (moluscos), Ranicultura (rãs). Existem também outros ramos de menor expressão na aqüicultura desenvolvidos no país como Algocultura (algas) e Liminocultura (organismos planctônicos e outros). Outra atividade que trabalha em paralelo com a produção destes animais é a fabricação de rações comerciais para a Aqüicultura. A fabricação de equipamentos e insumos para a Aqüicultura sejam eles de uso direto ou indireto também são decisivos para determinar o resultado final do processo produtivo. Assim o profissional deve ter habilidades que o insiram em uma ou várias destas atividades que tenham como objetivo principal a produção de pescado e ou outros produtos diversos oriundos de formas de vida aquática. Para Castgnolli (2000), a aqüicultura pode ser também integrada a atividades agrícolas nas formas de aproveitamentos de resíduos de seus efluentes na fertilização de lavouras e pastagens. Pode então o profissional da área ser responsável por essa integração, desde que tenha conhecimento do funcionamento de ambas as atividades. A assistência técnica á aqüicultores também é mais um nicho de mercado. Em Bressan (2006), é estudado o caso do estado do Espírito Santo, onde 57,3% dos produtores procuram técnicos especializados antes de iniciarem na atividade. Os sistemas de produção podem ser classificados em extensivo, semi-intensivo, intensivo, super-intensivo. Estes diferem entre si segundo o nível de utilização de insumos, mão de obra e tecnologia de forma crescente (ANDRADE, 2006). A atuação do funcionário é então diferenciada conforme o sistema de produção adaptando-se a realidade local. Segundo a SEAP (2006) as tendências futuras da Aqüicultura nacional são:

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  

aumento substancial na produção de camarões marinhos; aumento na produção de moluscos, especialmente ostras e vieiras; aumento significativo na produção de peixes de água doce, especialmente das tilápias e de

algumas espécies nativas;   rápido desenvolvimento do cultivo em gaiolas ou tanques-redes nos reservatórios; aumento do uso de rações comerciais e diminuição dos cultivos realizados à base de

estercos de animais terrestres;  priorização de espécies autóctones nas bacias hidrográficas mais preservadas, tais como a

Amazônica e a do Paraguai;       maior atenção ao controle sanitário dos organismos aquáticos; maiores restrições relativas ao uso e contaminação das águas doces; maior uso de equipamentos utilizados em sistemas intensivos; maior dificuldade de introdução de novas espécies exóticas no país; mais atenção aos mercados externos e à exportação; aumento no número de produtos aqüícolas processados e com valor agregado. Portanto os

profissionais que pretendem acompanhar esta evolução têm de adaptar-se as tecnologias que proporcionem seu desenvolvimento. PERFIL DO PROFISSIONAL

A mão de obra na aqüicultura pode ser familiar e ou contratada, ambas passíveis ou não de treinamento. Bressan (2006), diz que no Espírito Santo atualmente 51,5% das atividades aqüícolas são desenvolvidas por familiares, 24,2% por mão de obra contratada, 21,6% por ambos e 2,6% dos produtores não responderam a pesquisa. Sendo importante ressaltar que um profissional que tem treinamento apresenta melhores condições para atuar no seu trabalho (CHIAVENATTO,2004). Os profissionais da aqüicultura, como os de outras atividades rurais, podem ter diferentes níveis de conhecimento e estes determinarem sua função ou hierarquia dentro de uma empresa. Más também o seu desempenho pessoal pode ser decisivo para que os seus superiores decidam dá-lo uma posição melhor ou mais lucrativa no quadro funcional. Considerando a qualificação e o treinamento como instrumentos que auxiliam no desempenho e qualidade do serviço de um funcionário, pode-se classificar tipos mais recomendáveis de perfis para preenchimentos de cargos distintos na atividade. Na base da cadeia de produção aqüícola estão os funcionários que realizam atividades de manejo, arraçoamento, despesca, análise de temperatura e transparência, transporte de animais, vegetais e insumos, limpeza de instalações, cultivo de zooplâncton, adubação de tanques, confecção de tanques rede e espinhéis, conserto e manutenção de equipamentos, beneficiamento de pescado, embalagem de alevinos, larvas ou sementes, e outras atividades afins. Estes

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profissionais tem geralmente baixa remuneração e também pouca carga de responsabilidade sobre a atividade. O treinamento ideal destes pode ser feito através de cursos profissionalizantes realizados por instituições de ensino, ou por meio de práticas orientadas por técnicos da área. Em posição intermediária temos os técnicos de nível médio, que gerenciam, orientam, fiscalizam, fazem projetos, implementam, e auxiliam nos manejos mais complexos das atividades produtivas de organismos aquáticos. Sua remuneração é melhor que a dos anteriores e sua responsabilidade e bem maior. Seu treinamento é realizado somente em instituições de ensino. Por último citamos os profissionais de nível superior, que podem desempenhar as atividades dos técnicos com maiores graus de complexidade, administrar e projetar grandes

empreendimentos aqüícolas e treinar técnicos e outros funcionários de nível inferior ao seu. Seu salário é geralmente o maior entre os funcionários. A avaliação do tipo de profissional que se necessita na empresa aqüícola é importante para não se ter casos de qualificação insuficiente nem de funcionários sub-aproveitados. Teixeira Filho (1991) afirma que a economia de mão de obra e ou capital é fundamental para se avaliar o progresso tecnológico de um sistema produtivo e não apenas a aparente produtividade do mesmo. Então pode ocorrer grande produtividade num sistema e ao mesmo tempo haver mão de obra desnecessária e prejudicar a renda da empresa, o que no futuro pode vir a se refletir num prejuízo a todos os funcionários, causado pela desestabilização financeira e conseqüentes cortes de cargos, de benefícios extras e redução de salários. A atividade como um todo visa o lucro e bem estar de todos os participantes do processo. Más, não se pode esquecer do respeito à ética profissional, ao meio ambiente e a cultura dos cidadãos. Prestando-se assistência técnica ou trabalhando junto a pessoas do meio rural que tem baixa renda, está se usando de tecnologia para melhorar tanto a produtividade como o nível de vida dos campesinos. Este, de certa forma, é um conceito de extensão rural se abordado pela ótica de Novaes (1988). QUALIFICAÇÃO

Os caracteres culturais de um indivíduo podem influenciar no seu desempenho profissional. Castro (2003) afirma que a cultura pode refletir-se no comportamento profissional. Por isso o treinamento de pessoas de um nível de informação baixo pode ter que tirar-lhes vícios de trabalho e conscientizá-los da sua importância e responsabilidade no processo. Comunidades de pescadores ou de trabalhadores rurais podem ser nichos de mão de obra, desde que os seus habitantes que lidam com Aqüicultura tenham discernimento das singularidades da atividade e não tragam prejuízos advindos de atitudes inspiradas em empirismos pouco úteis. Para, McCornik (1975) apud Lakatos & Oliveira, (1997), os propósitos do treinamento são o aperfeiçoamento do conhecimento e das habilidades do trabalho, transmissão de informações,

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modificações de atitudes. Estes devem ser adaptados para atender os propostos da Aqüicultura e dar subsídio às melhorias nas empresas do setor. As informações que proporcionam a aprendizagem não precisam necessariamente vir do profissional com maior nível de conhecimento acadêmico, mas, podem decorrer de experiências de trabalho, (LAKATOS & OLIVEIRA, 1997). Deste modo a troca de informações entre superiores e subordinados pode ocorrer proporcionado ganho para ambos. A gestão do conhecimento na empresa é importante para proporcionar a criação, identificação, integração, recuperação, compartilhamento e utilização do conhecimento dentro dela, (CHIAVENATO, 2004).Com isso a produção não fica totalmente dependente de poucos e diminuem-se os riscos de se prejudicá-la. Além disso, não se cria a dependência de contratação de funcionários já experientes ou treinados. A preparação acadêmica do profissional da Aqüicultura é feita através de cursos profissionalizantes de nível básico, técnicos de nível médio e tecnológicos ou bacharelados de nível superior. Tendo estes cursos disciplinas voltadas a área com práticas supervisionadas, estágios, pesquisa e desenvolvimento segundo seus parâmetros curriculares publicados no Diário Oficial da União (DOU) ou especificamente determinados pelas instituições que os oferecem e os supervisores do Ministério da Educação. Infere-se então que os profissionais formados com habilidades zootécnicas, ou voltados especificamente para Aqüicultura, são os mais preparados para exercer funções dentro dos sistemas de produção aquícola. Estes são preparados sistematicamente para enfrentar as situações impares da atividade usando seus conhecimentos adquiridos durante seus respectivos cursos. INSTITUIÇÕES E ATIVIDADES ACADÊMICAS

Algumas das instituições de ensino brasileiras já tem ou estão implantando disciplinas ou cursos ligados a Aqüicultura. Órgãos governamentais como a SEAP/PR atualmente tem fomentado a implantação de novos centros voltados exclusivamente ao ensino e a tecnologia aqüícola como o Centro Tecnológico do Camarão (CTC), em implantação em Extremoz, no Rio Grande do Norte e o do Centro de Formação em Pesca e Cultura de Cabedelo na Paraíba, SEAP (2006). No caso do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí,(CEFET-Bambuí) em Minas Gerais, esta instituição oferece duas disciplinas ligadas a produção de peixes (ver tabela 1). E possui um Setor de produção de peixes funcional (ver tabela 2) que serve para atividades práticas com estudantes.

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Tabela – 1 Estudantes das disciplinas de Piscicultura 2006 CURSOS CARGA HORÁRIA NÚMERO ESTUDANTES MATRICULADOS Zootecnia (superior) Zootecnia (técnico) Fonte: VIEIRA I. informação pessoal.(2006) CEFET-Bambuí. 120 horas 225 120 horas 40

DE

AULAS PRÁTICAS

15 a 20 (horas)

60 (horas)

Tabela – 2 – Produção do setor educacional Zootécnico Piscicultura CEFET Bambuí – média anual 2006. PRODUTO QUANTIDADE Alevinos peixes terminados rações 36000 unidades 4500 kg 72 Kg - inversão sexual, triturada 4800 Kg - peletizada Fonte: VIEIRA I. informação pessoal.(2006) CEFET-Bambuí. Obs. Para a engorda dos peixes parte da ração é adquirida de terceiros CONSIDERAÇÕES FINAIS

A formação dos profissionais da Aqüicultura tem um papel relevante na qualidade do produto e na eficiência da sua produção. Pois se o objetivo é gerar recursos humanos para a atividade, eles devem estar preparados para proporcionar lucro e crescimento aos seus empregadores. Quando a iniciativa de se qualificar vem do próprio profissional, este pode definir seu curso ou especialidade segundo seus princípios, condições financeiras, de mercado ou preferências pessoais. No caso do trabalhador já em exercício é interessante um consenso entre as necessidades da empresa e sua disposição de ser treinado. Cabe aos responsáveis pelo empreendimento demonstrar as vantagens do treinamento para ambas as partes. A Aqüicultura pode atrair estudantes para um ou outro dos seus ramos de atividades conforme as perspectivas do setor ou também por tradição familiar. Mas independente do mercado de inserção ser empresarial ou familiar, o ensino deve ser completo, imparcial e fomentar a sustentabilidade do sistema produtivo.

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USO DE CORRETIVOS EM TANQUES DE PISCICULTURA Freitas1, Fernanda Mara Cunha; Noronha1, Cássio Roberto Silva, Noronha1, Cássia Maria Silva RESUMO O uso de corretivos em tanques de piscicultura tem a finalidade de alterar os valores do pH da água do tanque. Assim como na agricultura, a água da piscicultura deve possuir valores de pH ótimos para o desenvolvimento dos organismos aquáticos (fitoplancton e zooplancton) nela presentes e dos próprios peixes. Esta correção também pode assumir funções de expurgo, desinfecção ou mesmo de correção do solo do tanque para o desenvolvimento adequado de vegetação aquática submersa. Os produtos recomendados nesta operação são o calcário agrícola (dolomítico ou calcítico), a cal virgem e a cal hidratada. Sendo os dois últimos apenas recomendados para tanques ainda sem peixes. PALAVRAS-CHAVE Calagem, calcário, cal virgem, cal hidratada, piscicultura.
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Professores do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí – CEFET- BAMBUÍ, Rodovia Bambuí/Medeiros, km 37, Zona Rural. CEP: 39.800.000. CAIXA POSTAL 05, Bambuí – Minas Gerais. Fone: (037) 3431-4900 INTRODUÇÃO

Os organismos aquáticos, sejam vegetais e animais, vivem em simbiose. As plantas têm importante função de absorção de gás carbônico dissolvido na água que é tóxico aos peixes e na alimentação e proteção das larvas, alevinos, sombreamento e diminuição da evaporação e sustentação aos ovos de algumas espécies de peixes (MACHADO, 1917). Segundo Teixeira Filho (1991) a cobertura vegetal flutuante, tem que ter área mínima de 1/10 e no máximo de 1/4 da superfície total do tanque. A produção de plâncton, principalmente o fitoplâncton depende dos nutrientes orgânicos e inorgânicos que podem ser aumentados ou diminuídos através de técnicas de fertilização (FURTADO, 1995) e calagem (CASTAGNOLLI, 1992). Uma economia no fornecimento da ração é a principal motivação para o aumento da produção primária nos tanques, providenciando para isso a calagem e adubação (TEIXEIRA FILHO, 1991). CALAGEM Segundo Castagnolli (1992), a calagem é uma prática tão necessária para a piscicultura como para agricultura. Em tanques de piscicultura, também tem a finalidade de corrigir a acidez do meio de cultivo, a água. Para isso, necessita-se de uma análise para se obter o pH da água e do solo do viveiro (TEIXEIRA FILHO & SOUSA, 1985). A aplicação de um corretivo, além de elevar o pH, aumenta também o teor de alcalinidade e a dureza da água, tornado-a mais propícia ao desenvolvimento de microorganismos e dos

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peixes (CASTAGNOLLI, 1992) e aumenta à eficiência da adubação. Em tanques alcalinos a produção de plâncton e mais abundante (TEIXEIRA FILHO, 1991). Boyd, em 1976, citado por Castagnolli, 1992, realizou um estudo, em solos do Estado de Alabama – USA, classificando-os em quatro grupos em função da dureza total antes da calagem (que equivale a meq g de CaCO3 dissolvido em água) e de sua textura (arenoso até argiloso) e após estimar as necessidades de calagem para o solo ao fundo dos tanques e de sua efetiva aplicação, observou os teores de dureza, aos seis meses após a calagem. E observou que com efeito de uma simples calagem, já é suficiente para melhorar a produtividade primária dos viveiros e permitiu a elaboração de uma tabela de necessidade de calagem de viveiros de criação de peixes do Estado do Alabama (CASTAGNOLLI, 1992).

Tabela 01: Dureza antes e após a calagem de tanques do Estado do Alabama (U.S.A.) DUREZA DOSES DE CALCÁRIO (kg) DUREZA TANQUE ANTES (meq g DEPOIS GRUPO ESTIMADA APLICADA CaCO3) (meq g CaCO3) 14,6 1.210 1.120 20,4 I 10,6 1.210 1.120 19,0 11,8 600 1.120 27,8 11,4 2.720 2.800 21,4 II 11,8 2.690 2.800 26,2 --2.420 2.420 32,8 11,6 4.540 4.480 41,0 III 13,2 4.540 4.480 32,0 11,2 5.060 5.600 32,4 8,8 8.330 7.840 39,8 IV 11,8 8.330 7.840 41,4 --8.330 7.840 37,8 Fonte: Boyd, 1976 citado por Castagnolli, 1992. Para aumentar a dureza da água, utiliza-se calcário calcítico (CaCO3) ou dolomítico [CaMg (CO3)2], mas indicado por possuir tanto cálcio como magnésio (BALDISSEROTTO & RADÜNZ NETO, 2004). Segundo Castagnolli, 1992, a orientação geral para o Estado de São Paulo está entre 500 a 1.000 kg de calcário em solos areno-argilosos, para que o pH no fundo dos viveiros variar entre 6,0 e 5,0, respectivamente. Já Baldisserotto & Radünz Neto, 2004, indicam que a calagem depende do pH da água e do tipo de solo da região, sendo para solos argilosos com pH em torno de 6,1 – 6,5 devem adicionar 1.790 kg CaCO3 e quando o pH for de 5,6 – 6,0 adiciona-se 3.580kg CaCO3/ha, aumentando o pH em torno de 7,0 – 8,0. Teixeira Filho & Sousa (1985), indicam vários compostos, chamados de cálcicos como o pó calcário e terra calcária, utilizados para neutralizar a acidez da água ou quando utilizar a cal virgem, que pode ser prejudicial aos peixes. A cal hidratada, usada na calagem de viveiros lamacentos, tem como segunda finalidade a desinfecção de tanques, eliminando parasitas ou enfermidades dos peixes (TEIXEIRA FILHO

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& SOUSA, 1985). Segundo Kubitza (1997), deve-se evitar a aplicação de doses elevadas em viveiros com peixes, devido a sua alta solubilidade e rápido efeito na elevação do pH da água, recomendado para utilização no fundo de tanques e viveiros deve-se esperar de uma a duas semanas após aplicação, para estocar os peixes. Teixeira Filho & Sousa (1985) relatam que a cal virgem ou cal viva que pode ser moída, utilizada para a produção de cal hidratada e em torrões que precipita o excesso de matéria orgânica em suspensão na água e Kubitza (1997), alerta que todos os cuidados com a cal hidratada devem ser recolocados a cal virgem, pois este composto tem ação cáustica, sendo tóxico até para a pessoa que irá distribuí-lo no tanque. Já o próprio Teixeira Filho, 1991, em obra mais recente, indica o uso de calcário dolomítico para a correção de tanques vazios ou em construção e no caso de tanques cheios, faz-se necessário à medição do pH da água e a correção pode ocorrer de acordo com a tabela 02. Os calcários agrícolas, são os mais utilizados devido ao preço e à boa disponibilidade no mercado, apresenta também lenta reação na água, com suave elevação do pH, sendo então seguro para aplicação em tanques e viveiros com peixes (KUBITZA, 1997). Tabela 02: Correção do pH da água. pH 3,0 a 4,0 4,0 a 5,0 5,0 a 6,0 6,0 a 7,0 Fonte: Teixeira Filho, 1991 Cal hidratada (kg/ha) 8.000 5.000 2.000 1.000

Já Kubitza, 1997, indica que a quantidade de corretivo a ser aplicada, depende do tipo do material, suas características físicas como pureza, textura e também da acidez a ser neutralizada. Recomenda-se retirar uma mistura de solo do fundo do tanque e mistura-la a água destilada na proporção 1:1 (100 g de solo em 100 g de água) e avaliar o pH desta, indicando as seguintes doses (tabela 03). Tabela 03: Dose de corretivo pelo valor de pH da mistura solo : água destilada. pH da mistura Dose Inicial (kg/1.000m2) solo : água Calcário Agrícola Cal Hidratada Cal Virgem (1:1) Menor que 5 300 220 170 5a6 200 150 110 6a7 100 75 55 Fonte:Kubitza,1997.

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MÉTODOS DE CALAGEM Calagem da massa de água do tanque Utilizada com a finalidade de fazer uma desinfecção do tanque, tratando possíveis enfermidades e precipitando substancias orgânicas excessivas (TEIXEIRA FILHO & SOUSA, 1985). Doses de 200 kg/1.000 m2 de cal virgem, foram recomendadas por fabricantes e distribuidores, preconizando o controle de parasitas com Lernaea, causando aumento na mortandade dos peixes e agravando a toxidez dos peixes por amônia. A calagem da massa de água pode ocorrer em tanques povoados ou não, em tanques em que irá introduzir o estoque de peixes, segundo Proença & Bittencourt (1994), deve ser feita de duas a três semanas antes da introdução dos peixes ou da adição de fertilizantes químicos ou orgânicos. Quando utilizamos águas pobres em cálcio, devemos acompanhar as variações do pH, ao observar pH da água entre 3,0 a 4,0, deve–se fazer uma calagem com cal hidratada que elevará o pH rapidamente, caso no pH esteja entre 4,0 a 6,5 é indicado fazer uma calagem com calcário agrícola e adubos acidificantes e com pH entre 8,5 e 10,0, empregar adubos acidificantes, sendo que a fonte de nitrogênio é o sulfato de amônia (TEIXEIRA FILHO & SOUSA, 1985) Em tanques com a população de peixes pré-existente, a calagem deve ser segundo Kubitza, 1997, conforme tabela 03, e em função do pH do lodo, verificando duas semanas após a aplicação os níveis de alcalinidade total da água. O autor ainda indica que para alcalinidade inferior a 30mg de CaCO3/L, aplica-se novamente mais 50 a 100 kg/1.000m 2 de calcário agrícola. Deve-se evitar o uso de cal virgem e hidratada em tanques com peixes, devido à rápida elevação do pH, mas na falta do calcário agrícola, a cal virgem e a cal hidratada poderão ser utilizadas na dose máxima de 10 kg/1.000m2/dia, doses de 20 kg/1.000m2/dia ainda são recomendadas para controle de Lernaea, mas sendo pouco provável o controle deste parasita com essa dosagem de produto (KUBITZA, 1997). Calagem do fundo do tanque ou do viveiro: Utilizada para corrigir a fertilidade do solo no fundo do tanque, suas reservas alcalinas e controle dos parasitos da piscicultura (TEIXEIRA FILHO & SOUSA, 1985). Esta correção pode ocorrer na construção do viveiro ou tanque ou quando este for esvaziado. Proença & Bittencourt, 1994, destacam a necessidade de se averiguar a qualidade e o pH da água que abastece a piscicultura. Normalmente os valores de pH da água que abastece a piscicultura são superiores as do solo dos tanques. Para tal é necessário se realizar uma média ponderada entre os valores do solo e da água na medida de 3:1, para se realizar os

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cálculos do pH final da água. Sendo este resultado usado no cálculo da necessidade de correção. CONCLUSÃO O uso de corretivos em tanques de piscicultura é fundamental para alterar os valores do pH da água do tanque. Funções como a de expurgo, desinfecção ou mesmo de correção do solo do tanque para o desenvolvimento adequado de vegetação aquática submersa não são apenas funções secundárias e sim de extrema importância na atividade. BIBLIOGRAFIA CITADA BALDISSEROTTO, Bernardo & RADÜNZ NETO, João. Criação de Jundiá. Santa Maria, RS: Ed. UFSM, 2004. 233p. Ilustrado. CASTAGNOLLI, Newton. Criação de peixes de água doce. Jaboticabal, SP: FUNEP, 1992. 189p. FURTADO, José Francisco Rodrigues. Piscicultura: uma alternativa rentável. Guaíba, RS: Livr. Ed. Agropecuária Ltda., 1995. 180p. KUBITZA, Fernando. Sistemas de pesca recreativa. 2ª ed. Cuiabá, MT: SEBRAE, 1997. 79p. Coleção Agroindústria; v.9. MACHADO, Cirilo Eduardo de Mafra. Criação prática de peixes: Carpa, Apaiari, Tucunaré, Peixe-Rei, “Black-Bass” e Tilápia. São Paulo, SP: Livr. Nobel, 1917. 120p. ilustrado. PROENÇA, Carlos Eduardo Martins de & BITTENCOURT, Paulo Roberto Leal. Manual de piscicultura tropical. Brasília, DF: IBAMA, 1994. 196p., Ilustrado TEIXEIRA FILHO, Alcides Ribeiro. Piscicultura ao alcance de todos. 2ª edição. São Paulo, SP: Livr. Nobel, 1991. 212p. TEIXEIRA FILHO, Alcides Ribeiro & SOUSA, Eduinetty Ceci Pereira Moreira de. Piscicultura fundamental. 3ª edição. São Paulo, SP: Ed. Nobel, 1985. 88p.

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Parte 2 – Textos das palestras
BIOSSEGURIDADE EM PISCICULTURA Lima, Luciene C.1 Resumo No processo de produção de peixes, o controle da qualidade de água, dos manejos e da ação de agentes patogênicos permite evitar enfermidades que causam impactos econômicos e ambientais negativos. Peixes saudáveis alcançam ótimo desempenho zootécnico e transformam-se em produtos de boa qualidade, rentabilidade e proteção do consumidor. A biosseguridade é, portanto, determinante ao sucesso da piscicultura comercial. Palavras chave Sanidade, peixes, impacto ambiental
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Médica Veterinária, pesquisadora e consultora em Aquacultura /Ictiossanidade

Biosseguridade é o conjunto de medidas essenciais à prevenção, controle e erradicação de doenças infecciosas, bem como à preservação da saúde humana, animal, e do ambiente. A importância da biosseguridade aumenta em piscicultura à medida que a atividade se expande mundialmente e torna-se cada vez mais intensiva. Para que um programa de biosseguridade seja efetivo, seus procedimentos precisam ser bem entendidos e executados por todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva, isto é, os produtores, técnicos, tratadores, processadores, comerciantes e até mesmo os consumidores. Já que a sanidade dos animais aquáticos é uma preocupação comum, a adoção da biosseguridade por cada um desses individuos significa ganhos coletivos. O programa de biosseguridade de uma piscicultura deve ser orientado por um técnico habilitado, com base no Programa Nacional e de acordo com os órgãos oficiais regionais. À cada propriedade cabe a tarefa de informar-se sobre as leis que regulamentam a atividade, a necessidade de certificações e testes sanitários, bem como de outras obrigações que objetivam manter as populações saudáveis, em escala nacional. Em sistemas de produção de peixes enfermidades é assunto complexo, por isso programas de prevenção e controle constituem-se na melhor profilaxia. Não há como desvincular a saúde do peixe do ambiente em que é produzido, especialmente das características físico-químicas da água. Assim, a manutenção da qualidade da água é um dos aspectos mais importantes em piscicultura, condição fundamental para obtenção de peixes saudáveis. Alimentação de qualidade e bem dosada também tem papel importante na conservação da qualidade da água. Sobras de ração transformam-se em resíduos tóxicos, com conseqüências trágicas para peixes. O tratamento de efluentes é igualmente relevante, já que resíduos de piscicultura são fontes potenciais de poluição e de transmissão de patógenos entre corpos d´agua. Para que agentes infecciosos não sejam introduzidos nas propriedades com a aquisição de novos estoques, é importante comprar alevinos de boa qualidade, de procedência conhecida. A quarentena deve não só constar como item obrigatório no programa de biosseguridade, mas deve tornar-se um hábito na rotina das pisciculturas. A condição sanitária dos peixes deve ser monitorada não somente no período de quarentena mas a intervalos regulares ao longo do ciclo de produção. A vacinação é outro importante método de prevenção em piscicultura, o qual considera características fisiológicas da espécie-alvo e aspectos epidemiológicos de cada região.

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Limpeza e desinfecção, controle de tráfego e restrição de acesso à propriedade são, adicionalmente, medidas importantes de biosseguridade e precisam ser consistentes. Anotações completas sobre qualidade da água, densidades de estocagem, histórico de enfermidades, diagnósticos e tratamentos dos lotes auxiliam na avaliação da condição sanitária dos estoques e na tomada de decisões. É quase impossível determinar os benefícios de um programa de biosseguridade quando produtores relutam em adotar medidas que julgam ser um “rombo” para seu bolso. No entanto, o surto de doença, além de causar conseqüências econômico-ambientais desastrosas localmente, pode também levar a impactos em outras partes do mundo. Biosseguridade é assunto sério em piscicultura. É importante pensar globalmente, sobretudo porque padrões internacionais para prevenção, diagnóstico e relatórios de ocorrência de doenças estão sendo paulatinamente adotados por aqueles que se dispõem a produzir peixes comercial e sustentavelmente

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METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE ALIMENTOS PARA PEIXES
Teixeira , Edgar de Alencar
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Médico Veterinário, Doutor em Zootecnia / Nutrição Animal, Prof. Substituto de Aquacultura da Escola de Veterinária da UFMG

INTRODUÇÃO O Brasil apresenta um grande potencial para o desenvolvimento da aqüicultura. Formado por 8.400 km de costa marítima e 5.500.000 hectares em reservatórios de águas doces, o país comporta aproximadamente 12% da água doce disponível no planeta (SECRETARIA ESPECIAL DE AQÜICULTURA E PESCA - SEAP, 2007). A disponibilidade de recursos hídricos, o clima extremamente favorável, a mão-de-obra abundante e a crescente demanda por pescado no mercado interno têm contribuído para impulsionar a atividade. Nesse contexto, a produção pesqueira nacional, em 2005, foi em torno de 1,1 milhão de toneladas, sendo 750 mil provenientes da pesca e 260 mil da aquacultura (KUBITZA, 2007). O Brasil já ocupa posição de destaque na produção de algumas “commodities” da aquacultura mundial. Dentre os países latino-americanos, o Brasil foi o segundo maior produtor de pescado cultivado em 2005, atrás do Chile que produziu 714 mil toneladas. Foi o maior produtor de tilápias, à frente de Honduras e Colômbia, ambos com cerca de 28 mil toneladas, e do Equador com 22 mil toneladas; e o segundo maior produtor de camarão marinho, atrás do México que produziu 72 mil toneladas em 2005 (KUBITZA, 2007). A aqüicultura brasileira cresce a passos largos, beneficiada por todas as características naturais, geração e difusão de tecnologia, disponibilidade de insumos e oportunidades de mercado (KUBITZA, 2007). Na última década, essa atividade cresceu em média 23,8% ao ano, enquanto a aqüicultura mundial 10,2% (Food and Agriculture Organization - FAO, 2007). Alguns setores, como o da carcinicultura marinha e o da ostreicultura, chegaram a ampliar suas produções em mais de 50 % de 2000 para 2001 (SEAP, 2007). Segundo os dados da FAO, que são baseados nos dados oficiais providos pelo governo dos países (no caso do Brasil, as estimativas da pesca e aqüicultura têm sido elaboradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais - IBAMA), entre 2000 e 2005, a produção nacional de tilápias dobrou e a de camarão marinho praticamente triplicou. A tilápia, o camarão marinho, os caracídeos (em particular, os peixes redondos) e as carpas somaram 87% da produção da aqüicultura nacional em 2005 (KUBITZA, 2007). Esse crescimento deve-se, principalmente à organização do setor produtivo tornando-o profissional. Encarar a piscicultura como atividade zootécnica, a qual visa primordialmente o lucro, exige que a atividade seja economicamente atrativa. Além disso, hoje para qualquer atividade produtiva é essencial que se possa produzir com menor impacto ambiental possível. Nesse cenário, a nutrição e alimentação assumem importante papel na aquacultura, uma vez que o principal componente dos custos de produção está relacionado a este ponto. Outrossim, é a participação decisiva da alimentação no aporte de nutrientes às coleções de água, visto que são as dietas utilizadas que determinam a quantidade de matéria orgânica e nutrientes, principalmente compostos nitrogenados e fósforo, lançados ao ambiente. Portanto a avaliação de alimentos com o objetivo de se conhecer o real potencial de utilização destes para cada peixe e o real conhecimento das exigências nutricionais das diferentes espécies e fases de produção, são informações fundamentais para que se produzir comercialmente uma espécie.

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REVISÃO DA LITERATURA A avaliação de alimentos para peixes, assim como para outros animais, passa, inicialmente, pela determinação da composição químico-bromatológica destes. Nessa etapa preliminar são utilizadas as metodologias tradicionais para a determinação da energia e dos nutrientes segundo (AOAC, 2005), além das determinações de vitaminas e aminoácidos por cromatografia. Ainda preliminarmente, é fundamental conhecer o potencial de toxidez e a presença de fatores antinutricionais nos alimentos para a espécie e fase de vida a serem trabalhadas. É importante considerar, também, a espécie alvo da investigação bem como seu hábito alimentar (carnívoro, onívoro e herbívoro) e suas particularidades morfofisiológicas; por exemplo: posicionamento da boca, capacidade de apreensão do alimento e funcionalidade dos cecos. Após estas etapas preliminares pode-se passar à determinação da digestibilidade dos nutrientes e da energia do alimento. Para Hiquera (1987), (citado por SALLUN et al., 2002), o valor nutritivo de um alimento depende não somente de seu conteúdo em nutrientes, mas também da capacidade do animal para digerir e absorver esses nutrientes, a qual varia em função da espécie, condições ambientais, quantidade e qualidade do nutriente, proporção relativa a outros nutrientes, processos tecnológicos, entre outros. Assim, a digestibilidade descreve a fração do nutriente ou da energia do alimento ingerido, a qual não é excretada nas fezes (NRC, 1993). A determinação da digestibilidade dos nutrientes presentes em alimentos comumente utilizados na elaboração de dietas para peixes é de fundamental importância para a melhoria da sua eficiência alimentar. Em peixes, esses estudos são relativamente recentes, tendo adquirido maior volume a partir da década de 1960 (SALLUN et al., 2002). Recentemente, destacam-se os trabalhos de Hajen et al. (1993b), Yamamoto et al. (1997) e Sugiura et al. (1998) com salmonídeos, Wilson e Poe (1985) e Khan (1994) com bagres, Degani et al. (1997) e Erfanullah-Jafri (1998) com carpas, e Hanley (1987) e Fagbenro (1998) com tilápias. De maneira geral, os trabalhos têm demonstrado baixa eficiência no uso da energia dos alimentos de origem vegetal (FURUYA et al., 2001). Embora exista bastante conhecimento no campo da nutrição para algumas espécies exóticas, no Brasil, são poucos os trabalhos com as espécies nativas. Conseqüentemente, inexistem tabelas para confecção de rações para peixes como encontram-se para outro animais de produção, como aves e suínos (SALLUN et al., 2002). . Métodos “In vitro” Devido à facilidade e rapidez na determinação da digestibilidade dos diferentes alimentos por métodos in vitro, estes tem recebido considerável atenção nas investigações (DIMES e HAARD, 1994). Eid e Matty (1989) ressaltaram que, em métodos in vitro, a combinação e quantidade correta de enzimas proteolíticas, pH ótimo, tempo e temperatura de incubação adequados são necessários para o sucesso da determinação. Enzimas comerciais como pepsina, tripsina e quimiotripsina têm sido utilizadas em ensaios desta natureza (HSU et al., 1977; SATERLEE et al., 1979; LAZO et al., 1998). Do mesmo modo, diferentes trabalhos relatam o uso de enzimas digestivas extraídas da espécie estudada (GRABNER,1985; DONG et al., 1993; DIMES et al., 1994a,b; CARTER et al., 1999). Devido à grande dificuldade de padronização destas técnicas, elas não são rotineiramente utilizadas em peixes e os trabalhos disponíveis na literatura são inconsistentes e de difícil repetibilidade. Segundo Chong et al. (2002), as diferentes metodologias de determinação in vitro são variáveis quanto à eficiência na determinação da digestibilidade. Métodos “In vivo” Os métodos para determinação de digestibilidade em animais aquáticos diferem daqueles aplicados para aves e suínos, principalmente em relação à coleta de fezes (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). Em peixes, os métodos in vivo usando indicadores inertes são os mais utilizados (AUSTRENG, 1978; HAJEN et al., 1993b) e a técnica comumente escolhida é a de substituição do alimento testado numa ração referência descrita por Matterson et al. (1965).

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Alguns autores se destacam na avaliação do método de substituição em peixes como: Aksnes et al. (1996), Aksnes e Opstvedt (1998) e Sales e Britz (2002). Esses autores apontam o referido método como adequado para peixes. Tipos de dietas Podem ser utilizadas dietas purificadas, nas quais se escolhem ingredientes bem conhecidos e padronizados como a albumina, caseína, amido, sacarina, óleos, minerais e vitaminas como compostos puros (MAYNARD e LOOSLI, 1974). Tais dietas possibilitam a inclusão ou retirada de um dado nutriente com interferência mínima nos outros nutrientes (MAYNARD e LOOSLI, 1974). Esta é a opção mais comum quando o objetivo é avaliar a digestibilidade dos aminoácidos para peixes. As críticas às dietas purificadas estão relacionadas ao fato de que, em dietas comerciais, com seus diferentes ingredientes, existe efeito associativo entre os nutrientes dos alimentos e, nas purificadas, esse efeito é perdido. Tal fato levaria a uma mudança, mesmo que discreta, na digestibilidade dos nutrientes assim determinadas. Além disso, os ingredientes destas dietas não podem ser considerados absolutamente puros (MAYNARD e LOOSLI,1974). Para se obter dietas purificadas realmente eficazes para cada espécie diferente, é preciso conhecer todas as exigências nutricionais da espécie alvo – o que não é ainda uma realidade para diversas espécies (MAYNARD e LOOSLI, 1974), principalmente as nativas. Também são usadas dietas semi-purificadas, as quais são formuladas com ingredientes purificados e ingredientes sabidamente deficientes em algum nutriente. O exemplo clássico são os glutens, que são conhecidamente deficientes em lisina. No entanto, a maioria das investigações é feita com dietas referência formuladas com ingredientes comumente empregados na alimentação de peixes. Confecção das dietas experimentais As dietas referência devem atender às exigências nutricionais para a espécie estudada (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007) e as teste devem conter os mesmos níveis de micro-nutrientes que a referência. Portanto, seja qual for o nível de inclusão do alimento testado, esse deve substituir a fração macro-ingrediente da ração. A incorporação de indicadores externos deve ser efetuada de forma a garantir sua estabilidade na água. Por isso, o mais indicado é que se incorpore o indicador aos micro-ingredientes ou às misturas vitamínico-minerais e depois misture aos outros ingredientes antes da peletização ou extrusão. Furuya et al. (2001) e Pezato et al. (2004) descrevem em seus trabalhos a incorporação de óxido crômico nas dietas experimentais dando detalhes, inclusive, do processamento. O tipo de processamento deve ser definido em função da espécie estudada, considerando o hábito alimentar (fundo, coluna d’água ou superfície) ou treinamento prévio dos animais. Felizmente, a maioria das espécies é facilmente condicionada à alimentação na superfície. Entretanto, a extrusão facilita o acompanhamento experimental por ser mais prático e rápido verificar o consumo e coletar as sobras na superfície da água. Sempre que for possível (disponibilidade de extrusora), deve-se fazer a opção por dietas extrusadas, pois, no Brasil, a maioria das rações comerciais para peixes passa por esse tipo de processamento. Como a extrusão interfere consideravelmente na digestibilidade dos nutrientes e da energia, os dados obtidos em pesquisas serão mais aplicáveis se esse tipo de processo for aplicado. Sobretudo, a forma de confecção escolhida deve proporcionar uma boa estabilidade física ao grânulo para que não ocorram perdas dos indicadores, nutrientes e energia por lixiviação na água. . Níveis de substituição O ideal seria avaliar cada alimento em diferentes níveis de substituição na dieta referência de forma a abranger desde quantidades sub ótimas até super ótimas. Assim, seria possível obter equações que pudessem predizer a digestibilidade da energia e dos nutrientes em qualquer porcentagem de inclusão. Quando isso não é possível faz-se necessário estabelecer qual nível de inclusão deve ser adotado para cada situação. Essa determinação deve ser feita em função de diferentes fatores, tais como:

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- porcentagem de proteína da dieta referência e a natureza do alimento (protéico ou energético). As dietas teste, se possível, devem manter os níveis de proteína e energia não muito distantes dos encontrados na dieta referência. Entretanto, variações dessa natureza são inevitáveis; - quantidade de amido e o hábito alimentar do peixe (em animais carnívoros, o amido em excesso pode causar lesões à mucosa intestinal, reduzir a digestibilidade de outros nutrientes ou, simplesmente, reduzir a palatabilidade da dieta); - toxidez do alimento; - fatores anti-nutricionais; - níveis práticos de inclusão, considerados a partir da disponibilidade e custo; - palatabilidade (alimentos pouco palatáveis ou que possam causar repulsa devem ser incluídos em quantidades pequenas para não deprimir o consumo); A porcentagem de substituição do alimento na dieta referência também afeta a precisão dos valores de digestibilidade determinados (SIBBALD e PRICE, 1975). Segundo Leeson e Summers (2001), o erro de determinação da dieta-teste é multiplicado por um fator dividido pela porcentagem de substituição no cálculo da digestibilidade do alimento. À medida que se reduz o nível de inclusão do alimento teste na ração referência ocorre aumento dos desvios padrão. Geralmente, a porcentagem de substituição é de 30 ou 40%. No caso de testes de óleos, substitui-se 7 a 12 % e, para compensar, deve-se aumentar o número de repetições (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). Colheita total de fezes x utilização de indicadores fecais O método de colheita total baseia-se no princípio de mensurar o total de alimento consumido e o total de fezes produzidas durante um certo período de tempo (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). Vários critérios têm sido utilizados em animais terrestres para definir o início e o término das coletas. O estabelecimento do mesmo horário para iniciar e terminar as coletas baseia-se no fato de que parte das excretas que estavam no trato digestivo, no início, são compensados pelas perdas no final da coleta. Outra maneira é o uso de marcador, por exemplo, 1% de óxido férrico (vermelho) nas dietas no primeiro e no último dia de coleta para marcar o início e o final do período de coleta. A colheita total de fezes em peixes se torna mais complicada do que em animais terrestres devido ao ambiente aquático. Poucos são os trabalhos publicados que descrevem esse método para peixes. O método direto é descrito por alguns autores, como sendo trabalhoso e impreciso (NOSE, 1960; DE SILVA, 1985; NUNES, 1996). Mais recentemente, Vidal Jr. et al. (2004) compararam o método direto ao uso de diferentes indicadores em tambaquis (Colossoma macropomum) e concluíram que a técnica de colheita total foi eficiente para estimar os coeficientes de digestibilidade dos alimentos. A determinação precisa do consumo também é dificultada, sobretudo, quando as dietas experimentais não são extrusadas e, por isso, afundam. Como alternativa faz-se o uso de indicadores, sejam eles internos ou externos. Indicadores são compostos usados para monitorar aspectos químicos (como hidrólise e síntese de compostos) e físicos da digestão (como a taxa de passagem) (SILVA e LEÃO, 1979), promovendo estimativas quantitativas da fisiologia animal (SALIBA, 1998). Entre as principais vantagens da utilização de indicadores pode-se citar que não é necessário a mensuração do consumo de ração e do total de excretas produzidas. Entretanto, para que se obtenha bons resultados com a utilização de indicadores, é necessário que estes estejam uniformemente misturados à ração e sejam padronizadas as análises químicas para determinar a sua concentração nas rações e fezes em diferentes laboratórios (SIBBALD, 1987). A escolha adequada do indicador é o ponto de partida para o sucesso de sua utilização. Considera-se que um bom indicador deve: ser inerte e atóxico; de preferência, ocorrer naturalmente no alimento; ser absolutamente indigerível e inabsorvível; não apresentar função fisiológica; poder ser processado com o alimento; misturar-se bem ao alimento e permanecer uniformemente distribuído na digesta; ter total recuperação nas fezes; não influenciar ou ser influenciado pelas secreções intestinais, absorção, motilidade, nem pela microbiota intestinal; possuir método específico e sensível de determinação (SILVA e LEÃO, 1979; SALIBA, 1998).

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Nenhum dos indicadores propostos até hoje pode ser considerado ideal, pois não atendem a todos os critérios. Entretanto, o grau tolerável de erro difere de acordo com a variável medida (OWENS e HANSON, 1992). Existem diversos artigos comparando diferentes indicadores na determinação dos coeficientes de digestibilidade aparente de alimentos para peixes. Vidal Jr. et al. (2004) compararam óxido crômico, carbonato de bário (indicadores externos), cinzas insolúveis em ácido clorídrico, cinzas insolúveis em detergente ácido, fibra bruta e fibra em detergente ácido (indicadores internos) como indicadores na determinação da digestibilidade de alimentos para tambaqui. Esses autores concluíram que o óxido crômico e o carbonato de bário foram efetivos como indicadores externos, que a fibra brota e a fibra em detergente ácido não estimaram de forma consistente a digestibilidade dos alimentos e que as cinzas insolúveis em ácido clorídrico e em detergente ácido foram eficientes quando presentes no alimento acima de 3,8 e 3,1%, respectivamente. Outros autores como Vandenberg e La Noüe (2001) e Storebakken, et al. (1998) compararam diferentes indicadores como cinzas insolúveis e dióxido de titanium com o óxido crômico em trutas e não apontaram diferenças nos resultados. O óxido crômico tem sido o indicador externo mais utilizado; entretanto, existem algumas críticas ao seu uso. Segundo Curran et al. (1967), esse indicador proporciona baixa recuperação em função da variabilidade dos resultados ocasionados pela metodologia de análise. Urbinati et al. (1998) apontam aumento na eficiência da utilização dos carboidratos quando se usa esse indicador. Segundo Liang e Shiau (1995), o óxido crômico pode ser absorvido em pequenas concentrações e, em casos mais raros, pode causar intoxicações com lesões branquiais e testiculares, produção excessiva de muco e aumento de lactato no sangue (NATH e KUMAR, 1987, 1988). Além disso, o fato de ser carcinogênico também é uma desvantagem do uso do óxido crômico como indicador (PEDDIE et al., 1982). Outros indicadores externos, principalmente óxidos de metais trivalentes, têm sido utilizados em ensaios de digestibilidade com peixes, destacando-se o itrio (Y), o itérbio (Yb), o disprósio (DY) e o lantânio (La) (AUSTRENG et al., 2000; NORDRUM et al., 2000). Outros compostos também foram usados como ferrito de magnésio (ELLIS e SMITH, 1984) e carbonato de bário (RICHE et al., 1995). Lopes et al. (2007) compararam o LIPE® (lignina purificada e enriquecida) com o óxido cômico na determinação da digestibilidade de alimentos para tilápia (Oreochromis spp). O LIPE® mostrouse eficiente como indicador quando comparado ao óxido crômico. Normalmente, o fornecimento desses indicadores aos peixes é através da incorporação deste na dieta em níveis que podem variar de 0,01 a 1% da dieta (o mais comum é de 0,1 a 0,5%) em função do consumo esperado. . Métodos para colheita de fezes Para todas as formas de coleta discutidas a seguir, é necessário garantir que o consumo de alimento seja normal e conhecer a taxa de passagem da dieta para o peixe trabalhado nas condições experimentais impostas a ele, principalmente a temperatura da água. Diferentes estratégias podem ser adotadas; as mais comuns são: - alimentação fracionada em curtos intervalos (2 em 2 ou 4 em 4 horas) com coletas de fezes realizadas alguns minutos após a alimentação, aproveitando-se do estímulo mecânico à defecação. - alimentação fracionada ao longo de um período estabelecido, por exemplo: às 08:00 e às 18:00 horas, com as coletas realizadas após o término da alimentação com intervalos curtos entre colheitas. - alimentação apenas uma vez ao dia, quando os animais terão maior voracidade com conseqüente aumento momentâneo do consumo. Essa estratégia proporciona maior produção fecal num período mais curto, podendo em alguns casos facilitar o trabalho de coleta. A escolha da estratégia alimentar deve ser norteada pela espécie estudada (docilidade, estresse ao manejo, adaptação e hábito alimentar) e, principalmente, pela metodologia eleita para a coleta de fezes. As fezes podem ser coletadas na água de diferentes maneiras: por sifonagem dos tanques, mecanizada (separação por peneiras de forma contínua) e em tanques de metabolismo com fundo

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inclinado e coletor de fezes por decantação (ex.: modelo de Guelf e Guelf modificado descritos por Sakomura e Rostagno, 2007; e modelo de Guelf descrito por Hajen et al, 1993a). O maior problema desses métodos de colheita na água está relacionado com o tempo de permanência das fezes dentro d’água. Um tempo demasiadamente excessivo leva a perdas de nutrientes e indicadores por lixiviação. Esse tempo pode ser variável em função das características das fezes de cada espécie (presença de muco encapsulando as fezes), pela movimentação da água no tanque, pela utilização de agregantes indigestíveis na dieta e pela temperatura da água. Alguns trabalhos relatam que até 4 horas as perdas são insignificantes; entretanto para algumas espécies esse tempo pode ser menor, até 30 minutos. Abimorad e Carneiro (2004) avaliaram o melhor intervalo de coleta de fezes na água nos sistemas de decantação e verificaram que em intervalos superiores a 60 minutos promoveram maiores coeficientes de digestibilidade da proteína em relação a 30 minutos de intervalo, indicando perda de nutrientes por lixiviação. A colheita contínua mecanizada é a que melhor resolve tal problema, contudo, é necessário usar equipamentos e instalações de alto custo, o que inviabiliza sua utilização na maioria das vezes. A colheita de fezes na água se torna muito complexa na medida que se trabalha com espécies e tanques maiores. Para esses casos, pode-se optar por métodos que envolvam a manipulação dos peixes, por massagem na parede celomática no sentido crânio-caudal de forma a expulsar o conteúdo intestinal ou através de sucção, utilizando-se uma seringa acoplada ao poro urogenital do peixe. Os maiores problemas dessas metodologias são: - estresse à manipulação: pode ser minimizado com o uso de anestésicos; - da influência do manipulador devido a diferente emprego de força e técnica; - do momento, de quanto tempo após a alimentação; - do risco de expulsar conteúdo ainda não digerido. Esse tipo de técnica pode proporcionar uma subestimação da digestibilidade dos nutrientes, principalmente da proteína, pela contaminação das fezes com material endógeno (CHO e SLINGER, 1979; citados por SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007; HAJEN et al., 1993a). Como se pode notar, ambos métodos (colheita na água e por manipulação) têm falhas e problemas. O primeiro acaba superestimando os coeficientes de digestibilidade em função das perdas por lixiviação; o segundo pode subestimar esses coeficientes pela possível expulsão de conteúdo ainda não digerido (WEATHERUP e MCCRACKEN, 1998; STOREBAKKEN et al., 1998; VANDENBERG e LA NOÜE, 2001). Portanto, cabe aos pesquisadores minimizar as interferências desses problemas adotando critérios bem definidos para a experimentação em qualquer método utilizado. Existe, ainda, uma terceira possibilidade para obtenção das fezes. O abate e dissecação intestinal, colhendo-se o conteúdo da porção final do trato digestivo (ampola retal). No entanto, esse método também apresenta problemas como a determinação exata do local da coleta, do volume de fezes coletado e da perda do animal, uma vez que envolve seu sacrifício (STOREBAKKEN, et al., 1998; VANDENBERG e LA NOÜE, 2001). No trabalho de Storebakken, et al. (1998), os autores observam não haver diferenças nos resultados obtidos através do método de extrusão e dissecação, entretanto, chamam atenção para que a extrusão seja realizada de forma delicada para garantir que somente o conteúdo da porção final do intestino seja coletado. Storebakken, et al. (1998) também alertam que é preciso ter cuidado nas comparações de digestibilidades obtidas por diferentes métodos. Esse último método é também utilizado para estudos de digestibilidade ileal, porém o material colhido é obtido na porção do íleo no intestino delgado. Um problema comum a todos os métodos já mencionados é o pequeno volume de fezes obtidos por colheita, o que leva ao prolongamento do tempo experimental e ao aumento do número de peixes por unidade experimental. . Digestibilidade de aminoácidos Os peixes não possuem exigência de proteína, mas sim de aminoácidos, os quais devem estar presentes em adequadas proporções (FURUYA et al., 2001). Ainda que exista elevada correlação entre os valores médios de digestibilidade da proteína e aminoácidos (HOSSAIN e JAUNCEY, 1989), é importante determinar a digestibilidade individual dos aminoácidos, pois a digestibilidade

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da proteína nem sempre reflete a digestibilidade de alguns aminoácidos essenciais (WILSON et al., 1981; citado por FURUYA et al., 2001; MASUMOTO et al., 1996) O coeficiente de digestibilidade aparente dos aminoácidos de fontes protéicas tem sido mais determinado para peixes carnívoros. Para essas espécies, a baixa eficiência de utilização dos aminoácidos do farelo de soja é associada ao elevado teor de carboidratos e inibidores de proteases (KROGDAHL et al., 1994, citados por FURUYA et al., 2001), que são negativamente relacionados com o CDA (ARNESEN et al., 1989; YAMAMOTO et al., 1997; citados por FURUYA et al., 2001), enquanto as diferenças obtidas entre produtos de origem animal são relacionadas com a qualidade da matéria prima e o processo empregado para sua obtenção (ALLAN et al., 2000). Em estudos de digestibilidade de aminoácidos para peixes é adotada a metodologia de substituição em detrimento ao fornecimento do alimento puro. Isso ocorre, principalmente, devido à dificuldade de se obter níveis de consumo mínimo para muitos ingredientes. A palatabilidade e aceitação são problemas para muitas espécies, sobretudo para os peixes carnívoros. Outra particularidade dos trabalhos realizados com peixes é a determinação apenas da digestibilidade fecal, não considerando a funcionalidade dos cecos, quando presentes. Para as espécies com cecos funcionais seria importante estudar a digestibilidade ideal dos aminoácidos. O maior desafio é a colheita de conteúdo ideal, sobretudo em espécies pequenas. . Planejamento experimental Devido à grande variação individual existente entre peixes de uma mesma espécie, linhagem e, até mesmo ninhada, é aconselhável que se trabalhe com vários animais por unidade experimental. A quantidade deve ser a maior possível, respeitando-se as limitações das instalações e do tamanho dos peixes. O aumento no número de animais por unidade experimental reduz os desvios padrão das respostas (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). O número de repetições também deve ser grande; mesmo se a análise de variância apontar uma necessidade de três ou quatro repetições, é aconselhável utilizar pelo menos seis. As condições experimentais devem ser equalizadas entre os tratamentos e estas devem envolver: - densidade de estocagem; - peso e idade dos peixes; - qualidade de água (oxigênio dissolvido, pH, temperatura, série nitrogenada, fósforo, matéria orgânica, salinidade, etc.); - fluxo de água; - luminosidade. Para peixes filtradores, como as tilápias, é fundamental que a água utilizada nos ensaios de digestibilidade não contenha plâncton para evitar interferências nos resultados. Normalmente, as metodologias de determinação de digestibilidade para peixes enfocam a digestibilidade fecal aparente. Entretanto, é possível obter a digestibilidade verdadeira da proteína e aminoácidos empregando dietas livres de proteína para determinação da excreção endógena, como descrevem Vidal Jr. et al. (2004). É possível que para algumas espécies, principalmente carnívoras, a determinação deste fator de correção seja dificultada pela não ingestão das dietas livre de proteínas em função da palatabilidade. Em estudos de digestibilidade de alimentos em peixes, de modo geral, deve-se levar em conta as particularidades da excreção do nitrogênio. Estes organismos aminotélicos eliminam amônia por via fecal, urinária e por difusão através das brânquias. A mensuração deste nitrogênio eliminado pela urina e brânquias se torna metodologicamente difícil, o que deixa os dados de digestibilidade da fração nitrogenada ainda mais distantes dos coeficientes de metabolização desta fração. Assim, nutricionistas de peixes que precisam atribuir valores energéticos a diferentes ingredientes para a formulação de dietas balanceadas devem empregar os valores de ED, devendo evitar os valores de EM, pois estes têm sido obtidos por métodos suscetíveis a erros grosseiros (CHO et al., 1982). Avaliação de alimentos através de provas de desempenho Após o conhecimento da composição químico-bromatológica e coeficientes de digestibilidade para o alimento avaliado, é necessário verificar o comportamento dos peixes ao se alimentarem de

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dietas contendo diferentes níveis de inclusão desse alimento. Para tal deve-se montar ensaios com dietas isonutritivas com níveis crescentes do alimento em questão. É importante fazer a análise dos resultados em função de diferentes respostas, por exemplo: - ganho de peso; - conversão alimentar; - % de gordura na carcaça; - deposição de proteína; - sobrevivência; - condição (“status”) imunológica; - características organolépticas da carne; - coloração / aspecto; - custo; - potencial poluidor da dieta. É comum este tipo de avaliação, buscando alternativas de ingredientes protéicos para a substituição da farinha de peixes na formulação de dietas ou na busca por potenciais usos para diferentes subprodutos da indústria agropecuária. As metodologias de avaliação de alimentos para peixes, mesmo com suas limitações particulares, são ferramentas imprescindíveis para a melhoria na eficiência alimentar e, conseqüentemente, econômica dos sistemas de produção de peixes. Exigências nutricionais A identificação das exigências nutricionais no cultivo de organismos aquáticos é fundamental (CASTAGNOLLI e TACHIBANA, 2003). A proteína bruta é o principal nutriente, pois dela são extraídos os aminoácidos para a formação das proteínas musculares (PIEDRAS et al., 2006). A alta exigência de proteínas dos peixes pode ser atribuída ao hábito alimentar, carnívoro ou onívoro, e principalmente, à utilização preferencial dos aminoácidos em detrimento aos carboidratos como fonte de energia (COWEY, 1975; citado por TACON, 1987). Ao contrario dos outros animais domésticos, peixes conseguem obter mais energia metabolizável através do catabolismo das proteínas do que dos carboidratos (TACON, 1987). A necessidade de proteína na dieta envolve dois componentes: exigência de aminoácidos essenciais, os quais não podem ser sintetizados a partir de outros aminoácidos ou são sintetizados em quantidades insuficientes e que são fundamentais para a deposição de proteínas e produção de diversos compostos com funções metabólicas; e o suprimento dos aminoácidos não essenciais ou de nitrogênio suficiente para que estes possam ser sintetizados pelo peixe. Vale lembrar que a síntese de aminoácidos não essenciais requer gasto de energia e que o fornecimento de aminoácidos essenciais e não essenciais em proporções adequadas proporciona maior eficiência na utilização da proteína e energia contidas na dieta (NRC,1993). O balanço ou a relação de aminoácidos e a adequada relação proteína/energia digestíveis são a base do requisito protéico para peixes, uma vez que quando há excesso de algum aminoácido e/ou deficiência de energia disponíveis para a síntese de proteínas este é catabolisado para a geração de energia ou eliminado na forma de amônia. Em peixes, o excesso de proteína ou aminoácido não pode ser estocado, uma vez que estes são utilizados preferencialmente como fonte de energia ao invés de lipídeos e carboidratos (WILSON, 1989; citado pelo NRC, 1993). Quando comparados aos demais vertebrados, os peixes possuem um sistema digestivo simples e pouco desenvolvido. Como conseqüência, têm pouca habilidade em utilizar carboidratos como fonte de energia exigindo dietas com altos níveis de proteína (MILLWARD,1989). Existem diferentes estratégias para se determinar exigências nutricionais de monogástricos, sendo os métodos mais empregados: o de dose-resposta, que determina as necessidades de um nutriente ou energia através do desempenho de animais alimentados com dietas com níveis crescentes do nutriente avaliado; e o fatorial, baseado no princípio que o animal precisa de nutrientes para a manutenção dos processos vitais e atividades, crescimento e produção (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). As exigências de um animal podem ser interpretadas como sendo as quantidades de um nutriente para atender um determinado nível de produção (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). Segundo a definição de Larbier e Leclercq (1992), citados por Sakomura e Rostagno (2007), a necessidade mínima de um nutriente é a quantidade deste a partir da qual não haverá resposta no

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desempenho do animal, pois, segundo esses autores, a resposta no desempenho é uma função linear do consumo de nutriente. A adição de um nutriente limitante na ração, mantendo os níveis adequados dos demais nutrientes, promove crescimento do animal até que sua exigência seja atendida (EUCLYDES e ROSTAGNO, 2001). A definição dos níveis dos nutrientes a serem avaliados é fundamental para obter a resposta no desempenho animal. As dietas experimentais devem ser formuladas conforme critérios que permitam isolar apenas o efeito do nutriente avaliado. Uma dieta basal é formulada para atender às necessidade de todos os nutrientes, com exceção daquele estudado. Então, de forma crescente, o nutriente é suplementado à dieta basal. Os níveis do nutriente estudado devem ser definidos para promover resposta crescente até atingir um platô, podendo alcançar níveis que proporcionem queda do desempenho (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). Já o método fatorial tem sido a base para a elaboração de modelos que estimam as exigências nutricionais, levando em conta as diferenças de peso, composição corporal, potencial de crescimento e de produção dos animais, assim como do ambiente na definição das exigências (SAKOMURA e ROSTAGNO, 2007). O estudo das necessidades energéticas e protéicas dos peixes é um assunto ainda bastante polêmico na aquacultura. A dificuldade de determinar e de chegar a um consenso sobre as exigências protéicas e energéticas está ligada, principalmente, às diferenças entre as diversas espécies de peixes de importância comercial e às distintas fases de produção. Além disso, os peixes, quando comparados com espécies terrestres, possuem características peculiares quanto às necessidades e utilização dos nutrientes, que estão diretamente relacionadas com o meio em que vivem (ROTTA, 2002). Segundo vários autores (LEE e PUTNAM, 1973; GARLING JR. e WILSON, 1976; PEZZATO, 1997), existe uma série de fatores que podem alterar as exigências de proteína e energia, podendo afetar a digestão, absorção e utilização metabólica dos alimentos. São citados como promotores dessas diferenças a espécie, a fase de produção, o estado fisiológico dos animais, a temperatura da água, a salinidade da água, a interação com outros nutrientes, os processos tecnológicos de preparação de dietas e as metodologias empregadas nos testes, entre outros (ROTTA, 2002). As exigências de proteína para uma espécie são influenciadas por fatores como tamanho do peixe, hábito alimentar e função fisiológica. Já o nível de proteína de uma dieta depende do desempenho desejado, da qualidade da proteína, da quantidade de energia e de fatores econômicos. Porém, não há nenhuma evidência de que essa exigência seja influenciada pela temperatura da água (SAMPAIO et al., 2000). O nutriente mais caro de uma dieta é a proteína (LI e ROBSON, 1997). Se uma dieta apresentar níveis insuficientes de energia ou a proteína for de baixa qualidade, a proteína será desaminada para ser utilizada como fonte de energia para o metabolismo. Uma baixa relação energia/proteína pode reduzir a taxa de crescimento, devido o aumento da demanda metabólica para a excreção do nitrogênio. Já o excesso de energia pode causar deposição excessiva de gordura nos peixes, reduzir o consumo de alimento e inibir a utilização de outros nutrientes (CHO, 1990). A relação energia/proteína exigida pelos peixes é menor que aquela exigida por animais de sangue quente, porque os peixes não têm que manter a temperatura corporal constante, despendendo menos energia para a atividade muscular e para manter a posição na água do que os animais terrestres, além de gastarem menos energia do que os animais homeotérmicos para a excreção nitrogenada (LOVEL, 1984; citado por SAMPAIO, 2000). Entretanto, a eficiência da utilização da proteína é inversamente proporcional ao seu nível na dieta (BOWEN, 1987), fato observado por Britz (1996) e Al-Hafedh (1999), com alevinos de “abalone” (Haliotis midae) e de tilápia do Nilo, respectivamente. Segundo Winfree e Stickney (1981), os peixes carnívoros, principalmente, parecem exigir menores relações de energia/proteína que os peixes onívoros e herbívoros. Essas diferenças entre espécies estão diretamente relacionadas com os hábitos alimentares em seus ambientes silvestres, como o tipo de alimento e freqüência de alimentação, e com as suas diferenças fisiológicas, como tamanho e funcionalidade do aparelho digestivo. Resultados de estudos em laboratório conduzidos com diversas espécies de peixes carnívoros, como os salmonídeos, os percídeos e alguns peixes

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marinhos, indicaram que, para um ótimo crescimento ser alcançado, metade da energia da dieta deve ser suprida pela proteína. Assim, é geralmente reconhecido que a proteína deve fornecer de 40% a 55% da energia dietética para estas espécies (ROTTA, 2002).

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