Redu para Educadoras(es

)
“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.” (Jean Piaget, 1896-1980).

Apresentação

Gostaríamos de apresentar o primeiro manual de métodos e técnicas de ensino com a REDU – Rede Social Educativa - um ambiente virtual de ensino. Por meio desta, podemos promover novas formas de colaboração e comunicação no ensino para que você possa criar e desenvolver criativas formas de interação com seus alunos. Na primeira parte do texto falaremos sobre como a Redu pode ser inserida na prática docente, em particular nas fases de planejamento, execução e avaliação. Na descrição da fase de execução destacaremos os processos de mediação da aprendizagem e de coordenação. Em seguida apresentaremos algumas formas de interação que são possibilitadas pelo uso da Redu em sala de aula. Veremos como o professor pode beneficiar-se das funções de: (i) compartilhar; (ii) colaborar; (iii) acompanhar e mediar os alunos; (iv) perceber as atividades dos alunos; (v) comunicar-se por meio de mensagens; (vi) comunicar-se por meio de bate papo; (vii) promover o aprendizado em rede; e (viii) ajudar os alunos a administrarem o tempo de estudo, ou autorregular seu aprendizado. Na terceira seção discutiremos alguns aspectos que mudam na relação didática entre professor e aluno com a adoção da Redu na prática docente. Desejamos que você aprecie a leitura e que o uso da Redu torne suas atividades de ensino mais eficientes, divertidas e que te aproxime ainda mais de teus alunos.

Redes
sociais
no
ensino

Na última década acompanhamos o surgimento e adoção massiva de plataformas colaborativas nas práticas de convívio e comunicação educativas. Em particular, as redes sociais virtuais permitem criar uma estrutura onde pessoas, objetos e seus vínculos mútuos são interligados. Essas têm sido desenvolvidas para diferentes propósitos - como o compartilhamento de vídeos,

referências bibliográficas, códigos, dicas de filmes, entre outros. Uma vantagem das redes sociais digitais é que elas permitem formas de interações ricas, não lineares e plurais, visando promover a colaboração e disseminação de conteúdo em círculos sociais motivados. Dos mais de 200 milhões de habitantes que compõem o cenário brasileiro em sua atualidade, apenas 7 milhões de brasileiros buscam formação pela internet (CGI, 2010). As soluções existentes de plataformas de ensino são muitas, mas apresentam limitações ao uso. Como alternativa, o uso de redes sociais na educação vem sendo apontado como uma tendência para impulsionar transformações nos paradigmas educacionais e na prática da formação a distância ao longo da vida. Ainda são escassas as soluções que refletem um ganho transformador no aprendizado em relação às estratégias existentes. Há indícios na literatura sobre ensino e aprendizagem mediado por tecnologia de que grande parte das necessidades de um ambiente educacional eficiente ainda esperam ser atendidas. No entanto, acreditamos que um sistema que disponibilize, coordene, monitore e ajude a perceber o comportamento de alunos de forma flexível e em múltiplas atividades, e ainda de forma transparente, poderá facilitar a inclusão de nosso alunos e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino no Brasil.

Introdução
da
REDU
para
Educadoras(es)

A rede social educativa Redu, ou apenas Redu, foi motivada pela necessidade de se conceber um ambiente virtual de aprendizagem de fácil uso e maior aceitação para coordenadores, professores, pais e alunos. As características desse ambiente foram pensadas para corresponder a um bom número de fenômenos que ocorrem nos processos de ensino e aprendizagem.

A proposição de valor da Redu é a de possibilitar novas modalidades que tornem mais eficazes a prática docente; e sobretudo de contribuir para o desenvolvimento de competências relacionadas a prática da aprendizagem. Um dos cuidados no projeto da Redu, por exemplo, é fazer com que novas possibilidade de ensino sejam possíveis e acessíveis por meio de interfaces de uso fácil e intuitivas.

Prática
docente

Para propor o uso de tecnologias no ensino, devemos iniciar pensando o que muda na prática do professor. Devemos sempre exigir que as tecnologias sejam acessíveis de serem apreendidas e usadas, mas que tragam benefícios substanciais ao trabalho do professor. Nas seções a seguir vamos ilustrar como a Redu aparece como alternativa simples para realizar bons planejamentos de aulas, proporcionar resultados acessíveis ao professor ao longo de seu uso, melhorar a relação dos professores com os alunos em termos de comunicação e colaboração, e tornar mais simples o processo de avaliação formativa. Planejamento
 Um aspecto de grande importância no uso de um ambiente, como a REDU, no processo de ensino-aprendizagem é a facilidade de planejar aulas ou módulos, mediar o processo e avaliar os alunos. Durante a realização de um estudo recente sobre o uso da Redu procuramos identificar como o docente iria planejar, ensinar e avaliar utilizando a REDU (Gomes et al., 2011). Para atingir esse objetivo buscamos adequar as interfaces da Redu à prática docente nas redes sociais educacionais, aumentando assim a possível contribuição que a intermediação via REDU pode trazer ao processo de planejamento, coordenação e mediação. O professor poderá planejar o conteúdo da disciplina ou cursos que ministra em vários módulos com conteúdos. Cada módulo específico contém seus assuntos. Estes módulos podem ser planejados com antecedência. Assim, o professor estrutura sua ação educativa e inicia-se o processo de mediação. Os módulos organizados ficam guardados e podem ser utilizados várias vezes, proporcionando uma economia de tempo para os professores. Nas páginas a seguir, guiaremos você pelas principais telas do ambiente educacional da Redu, explicando como você pode: cadastrar-se, criar um ambiente de ensino, organizar disciplinas, administrar recursos, convidar seus alunos e interagir. Cadastrando‐se
na
REDU
 Para iniciar-se na Redu é necessário fazer seu cadastro, criar uma conta. Este é simples, tem poucos passos e você não paga nada por isso. Basta acessar, na página inicial da Redu o campo [Criar nova conta] e você iniciará um novo cadastro na Redu.

Figura 1 - Criar Nova Conta.

Para o cadastro, basta digitar seu nome (1) e sobrenome (2), selecionar sua data de nascimento (3), criar o seu nome de usuário (4) e digitar um endereço de correio eletrônico (5) válido.

Figura 2 - Inserindo dados para o cadastro.

Após preencher esse campos, você será levado à página de ativação de sua conta na Redu, como mostrada na figura abaixo.

Figura 3 - Iniciando a Redu.

Uma mensagem foi enviada para sua caixa do correio eletrônico. Será necessário, no prazo de 30 dias, seguir as instruções enviadas na mensagem. Por hora, vocês poderá usar a Redu selecionando a opção indicada na figura acima pela seta.

Criar ambientes de ensino

Para montar um ambiente de ensino na Redu é suficiente ir à opção [Ensine] na barra superior, como indicado na figura abaixo.

Figura 4 - Criando um ambiente de ensino.

A Redu organiza o espaço de aprendizagem em quatro níveis: ambientes de ensino, cursos, disciplinas e módulos. Tudo para dar ao usuário grande flexibilidade no uso. A seguir descrevemos como organizar cada um desses níveis. Um ambiente de ensino é a área mais externa e ampla da Rede. Ela pode corresponder a organização dos cursos oferecidos por uma escola, uma instituição ou uma pessoa. Para facilitar sua visualização, vamos usar aqui uma entidade. Nessa área serão organizados os cursos. Em apenas três passos você criará o seu primeiro ambiente de ensino na Redu. Digite o nome de seu ambiente de ensino (curso, concurso, curso universitário, etc.) e logo abaixo o nome do seu primeiro curso. Em seguida clique em [Avançar].

Figura 5 - Os três passos para a criação.

Ao criar um ambiente, você preenche os dados da entidade (1), define uma abreviação (2) e informa seu endereço na internet (domínio) (3). Digitará também o nome do seu primeiro curso (4) e logo em seguida pode alterar o endereço eletrônico deste curso (5), que será utilizado na Redu.

Figura 6 - Dados de sua entidade.

Finalmente, você verá um resumo dos dados correspondente ao ambiente de ensino a distância que foi por você criado. Se tudo estiver correto, clique em [Finalizar].

Figura 7 – Exemplo de finalização da criação do ambiente.

Neste ponto, você criou um ambiente de ensino e um primeiro curso. Agora você poderá criar as disciplinas do curso, seus módulos, e adicionar seus materiais, enfim, personalizar o ambiente de ensino.

Figura 8 – Tela do ambiente com um curso criado.

Para a criação de outros espaços de cursos, basta ir até a tela principal do ambiente de ensino e selecionar [Criar novo curso] como na imagem abaixo. Neste exemplo, uma entidade correspondeu a uma escola e um curso ficou associado ao primeiro ano do ensino médio.

Criar disciplinas

Na tela principal de um curso você pode criar espaços para as disciplinas que serão ministradas nele. Como exemplo, usaremos um curso de redes de computadores. Então, na tela do curso, clique em [Criar nova disciplina], como na imagem abaixo.

Figura 9 - Criar nova disciplina.

Em seguida digite o nome de uma disciplina, sua descrição e palavras-chave a ser usada em uma busca futura realizadas pelos participantes até chegarem a seu curso.

Figura 10 - Descrição da disciplina.

Apos o preenchimento dessas informações, o ambiente de um curso está criado. Nos próximos passos mostraremos a criação de módulos e como colocar recursos nesses.

Criar módulos

Os módulos são usados para estruturar seqüências de ensino. Módulos podem corresponde a aulas presenciais ou a tópicos que serão abordados ao longo do tempo do ensino. Podem representar ainda unidades de conhecimento a serem tratadas. Na tela da figura abaixo vemos módulos criados para a disciplina Português.

Figura 11 - Inserindo módulos.

A estrutura dos módulos promovem nos alunos o tipo de consciência que um cronograma ou calendário de atividades provoca nos alunos. O grupo percebe a seqüência dos assuntos, sua evolução. A vantagem aqui é que a cada passo, eles vão poder deixar suas marcas, comentários e colaborações em associação com elementos que representam o conteúdo tratado.

Criar recursos

Os recursos que serão utilizados pelos participantes na sua disciplina podem ser os mais diversos; desde um arquivo em formato .pdf, slides, textos, até um link de vídeo externo que retrate do assunto tratado na disciplina.

Figura 12 - Opções de recursos a serem disponibilizados.

Neste último nível de organização do ambiente você pode adicionar recursos adicionais que serão utilizados pelos participantes. Para fazê-lo, basta clicar em [Material de apoio].

Figura 13 - Inserindo recursos.

Mediação
 Existem muitos meios na Redu para o professor exercer sua prática mediadora da aprendizagem. Uma delas é a própria possibilidade de ordenar a seqüência dos materiais que vão ser manipulados com a finalidade de serem apreendidos pelos alunos. Durante a realização dos cursos é possível deixar recados nos murais de texto. Estes murais são gêneros textuais digital que permitem estabelecer uma comunicação assíncrona entre professores, alunos e dos alunos entre si. Na figura abaixo mostramos a estrutura desse gênero digital. Ao deixar expressões escritas no mural ou ao responder as expressões, o grupo estabelece uma forma de comunicação.

Figura 14 - Opções de recursos a serem disponibilizados.

Quando o mural é usado associado a um material, ocorre um dialogo com estímulo, em torno desse material. Na figura abaixo mostramos a indicação de uma Duvida na interface do mural.

Figura 15 – Sinalização de uma dúvida no mural de um recurso.

Dessa forma, os murais tornam-se em importante ferramentas de mediação. Por um lado, constituem-se em um canal de comunicação eficiente para os participantes do grupo. Por outro lado, com o passar do tempo e do uso, constituem como algum tipo de memória das trocas do grupo, podendo ser revisitado e reinterpretado sempre que alguém desejar. Ele insere na prática educativa o registro escrito como gênero mediador e isso tem várias implicações positivas para a prática do ensino e para a aprendizagem.

Coordenação

Durante a realização das atividades propostas aos alunos, os docentes realizarão tarefas de coordenação e mediação que consistiram em sugerir aos alunos sobre novas atividades, apresentar o curso, responder os questionamentos dos alunos relativos ao conteúdo e a

estrutura do curso. Além disso, eles podem controlar o acesso de cada um dos participantes a áreas específicas da Redu como mostra a figura abaixo.

Figura 16 – Coordenação de permissões para os participantes de um ambiente de ensino.

Os administradores dos cursos podem coordenar as atividades dos professores, como também acompanhar suas atividades em todas as disciplinas de cada curso. Dessa forma, é possível saber e modificar o papel desempenhado por cada professor, gerenciar os membros do ambiente virtual de aprendizagem, como também acompanhar as atividades dos alunos em cada disciplina.

Avaliação

A REDU foi concebida para que estudantes e profissionais de ensino disponham de ambientes de armazenamento e resolução colaborativa de provas e visualização do desempenho (MELO, 2010). Nela é possível criar provas e exames na Redu e aplicar aos alunos. Esses tem a aparência mostrada na figura abaixo.

Figura 17. Tela de auto-avaliação na Rede Social Educativa REDU.

Apos a resolução dos exames, os alunos podem ver seu desempenho e comparar esse com os resultado médio da turma, como mostra na figura abaixo.

Figura 18. Tela com o resumo dos resultados em uma avaliação.

Essa possibilidade de auto-avaliação permite o surgimento de dois fenômenos muito importantes. Em primeiro lugar, os alunos tomam consciência de seu desempenho individual e relativo ao desempenho da turma. Em segundo lugar, eles podem comparar seus desempenhos com os valores médios da turma e assim perceber sua posição relativa.

Proposta ainda mais avançada de monitoramento e avaliação, as redes sociais educativas ampliam significativamente as dimensões da atividade humana que pode ser capturada por meio de sistemas de informação. Veremos essa forma de usar a Redu mais adiante quando estivermos descrevem o processo de acompanhamento. Conclusão
 Nesta seção apresentamos a forma como a Redu pode ser incorporada na prática docente nas fases de planejamento, execução (mediação e coordenação) e avaliação. Agora, vamos apresentar como a Redu pode promover o surgimento de novos métodos e técnicas de ensino e como ela pode transforma positivamente as relações entre professores e aluno.

Métodos
e
Técnicas
de
Ensino:
criando
condições
para
um
melhor
 ensino
e
aprendizagem
com
a
Redu

Vimos acima algumas abordagens tradicionais do ensino, como: planejamento, execução e avaliação. Ocorre que o uso da Redu no contexto do ensino pode fazer surgir novas maneiras de métodos e técnicas de ensino. Nas seções a seguir vamos apresentar fenômenos conhecidos de ensino e aprendizagem e destacaremos aqueles que recentemente vêem ganhando importância pelo uso no ensino. Narraremos os fenômenos sociais e cognitivos que ocorrem mediados pela Redu e quais são as condições para que os mesmo ocorram de forma deliberada.

Compartilhamento

A Redu oferece suporte à disseminação de conteúdo educacional. Neste sentido especificamos as características de um novo conceito de plataforma de ensino que estende a experiência do usuário em mídia social e com seus pares num contexto de rede social para aprendizagem. A figura abaixo mostra um vídeo sendo compartilha dentro de um ambiente de curso.

Figura 19. Telas de compartilhamento de vídeo na Redu.

Os professores podem disponibilizar aos alunos, vídeo-aula, documentários e reportagens. Após o professor inserir todo esse conteúdo, ele poderá utilizar esses recursos em todas suas disciplinas nos mais variados cursos.

De outra forma, os alunos podem também compartilhar links de materiais pertinentes comunicação o endereço na Internet no qual eles encontram-se.

Colaboração

A colaboração encerra um dos mais recentes capítulos da evolução dos métodos e das técnicas de ensino, inclusive vislumbrando a transcendência da prática educativa dos muros da escola e do tempo da sala de aula. A rede social com propósitos específicos Redu surge como recurso de TI que pode enriquecer a experiência de ensino. Na Redu a colaboração ocorre em diferentes partes da rede. Em maior grau, as interações ocorrem em torno de materiais específicos. Nessa situação, as discussões, ajudas e debates ocorrem a partir do estímulo de um material multimídia, como mostrado na figura abaixo.

Figura 20. Mural de um curso com informações sobre as ações realizadas por alunos e professores.

Observa-se que a participação das pessoas aumenta, tendo em vista que elas podem participar em horário e local distintos; seguindo suas conveniências. Esse tipo de colaboração viabilizada pela REDU facilita a participação de todas e todos, trazendo como conseqüência um grande número de contribuições e também uma melhora qualitativa na interação devido ao tempo que os participantes empreendem para pensar e refletir antes de enviar suas contribuições. Um outro tipo de ganho na qualidade da experiência de ensino é fato de os murais guardarem uma memória dos diálogos passados

Acompanhamento
e
mediação

O acompanhamento no contexto de uso da Redu significa também permitir aos alunos acompanharem seu desempenho e esforços. As atividades dos usuários do sistema são acompanhadas ao longo do tempo por meio de um sistema de histórico de suas atividades no

ambiente. Estas compreendem comunicações, aproximações, ajudas mútuas, resolução de problemas e participação em fóruns e seções de aula pela Internet. A partir da participação dos usuários neste sistema, é possível fornecer informações sobre a evolução do mesmo e sua posição relativa em uma base de dados que contém informações detalhadas sobre candidatos integrantes de sua rede social e dados de exames nos quais eles participam. São sugeridas e estimuladas as interações por meio de recomendações e mútuas apresentações entre participantes da rede social orientadas pela similaridade de interesses, perfil ou possibilidade de mútua colaboração. As atividades dos usuários do sistema são acompanhadas ao longo do tempo por meio de um sistema de histórico de suas atividades no ambiente. Estas compreendem comunicações, aproximações, ajudas mútuas, resolução de problemas e participação nos murais. Sua proposta é utilizar a tecnologia de análise da interação em redes sociais para permitir a criação de comunidades com diferentes níveis de acesso que potencializem a interação entre pares e ajuda mútua para criar um ambiente favorável à aprendizagem. A participação na rede social é avaliada para destacar os usuários que mais ajudarem seus pares. Assim, são incentivadas as interações entre pares da rede ao mesmo tempo em que se constrói um histórico de desempenho abrangente e de fácil interpretação. A Redu permite ainda monitorar as atividades de participação dos alunos. Essas funcionalidades permitem construir históricos para aferição de desempenho, simulações e indicativos precisos da classificação de um aluno em uma avaliação criada na Redu. Num futuro próximo, a Redu estará dispondo de gráficos por meio dos quais serão apresentadas informações sobre a interação entre os participantes, como mostra a figura abaixo.

Figura 21. Tela da constelação de colaboração e recomendação na rede social educativa REDU.

Este desenho trata os dados relativos ao comportamento dos usuários e suas interações no sistema. A partir das análises os professores podem gerar recomendações de conteúdos e de pessoas com os quais os alunos deveriam interagir para melhorar sua performance geral nos estudos.

Percepção
da
atividade
social

A percepção social corresponde a um conjunto de elementos que figuram nas telas de ambientes de aprendizagem e que representam as dinâmicas de troca e ações realizadas pelos usuários da rede. O fato de saber o que os outros colegas fazem contribui para diminuir a sensação de isolamento dos alunos, promove um maior engajamento e torna os encontros em sala de aula motivadores e mais produtivos. A figura abaixo mostra como no mural ocorre a comunicação da atividade das pessoas para promover a percepção desejada.

Figura 22. Informações sobre as atividades de colegas na Redu.

Os participantes sentem a necessidade de manterem-se sempre atualizados em relação ao que estava acontecendo no ambiente (Gomes et al., 2011). Nesse caso, a percepção das novas amizades da sua rede de contatos, como também da rede dos amigos, é de extrema importância para se perceber enquanto membro de um grupo social que tem objetivos de ensino e aprendizagem em comum.

Comunicação
assíncrona

Para descrever o que vem a ser um gênero digital de comunicação assíncrona, vejamos o seguinte exemplo. Imaginem o seguinte cenário:
Ana Maria divide um apartamento com uma colega de trabalho, Ângela. Ambas são professores de matemática da rede estadual de ensino de sua cidade. Ana não conseguiu entender a resolução de um problema que ela encontrou em um manual antigo de matemática o qual usaria em sua aula no turno da noite. Ela precisou sair e não encontraria com Ângela à tarde para resolverem juntas o problema. Ana deixa sobre a mesa um recado, pedindo ajuda da amiga para resolver o problema, que se encontra abaixo com o enunciado. Ao chegar em casa, no início da tarde, Ângela encontra o pedido de sua amiga, resolve o problema e deixa a solução sobre a mesa. Deixa ainda uma explicação. Ana encontra a resolução sobre a mesa... Ufa! Sua aula está completa.

Nesse cenário, Ana coloca um desafio e cria para si uma situação na qual ela e a colega resolvem um problema, mesmo sem se encontrar. Elas usam uma forma de tecnologia simples: um sistema de códigos gráficos que lhes permitem dividir a tarefa de resolver o problema. O significado dos códigos é compartilhado por ambas, e esses são instrumentos adequados e suficientes para a resolução do problema. A figura abaixo mostra um trecho de comunicação assíncrona entre professores e alunos.

Figura 23. As perguntas e respostas que são deixadas nos murais permitem uma comunicação assíncrona.

A Redu permite ainda uma segunda forma de comunicação assíncrona: a troca de mensagens internas. Estas são como mensagens de correio eletrônico e permitem uma comunicação provada mesmo dentro da rede social. A figura abaixo mostra uma imagem do serviço de mensagens interno.

Figura 24. Mensagens de correio eletrônico internas a Redu.

Em um estudo recente, percebemos que as ferramentas de comunicação assíncrona providas pela REDU passam a idéia de ser uma interação eficiente, segundo os participantes (Gomes et al. 2011). Este aspecto de eficiência da interação no REDU em comparação com episódios presenciais, pode ter por base nas opiniões dos participantes a uma maior flexibilidade que os mesmos acreditam ter na rede social. Nessa direção, quando questionados em relação a inibição, todos os participantes afirmaram que na REDU eles participaram de maneira mais efetiva das aulas e sem acanhamento.

Comunicação
síncrona


A percepção dos colegas e das atividades desses outros participantes de ambientes virtuais de ensino despertam a necessidade por utilizar formas de comunicação síncrona. Estas são conhecidas fora da Redu. São mensagens trocadas instantaneamente em ambientes de bate papo. Para tornar mais produtivo o uso da Redu, um sistema de bate papo aparece com a lista dos contato dos alunos e professores quando eles estão dentro de um ambiente de ensino. A figura abaixo mostra uma imagem desse bate papo.

Figura 25. Tela da constelação de colaboração e recomendação na Rede Social Educativa REDU.

Na REDU os alunos disseram que era necessário que a postagem chegasse mais rapidamente quando estes estivessem “on-line”, evitando uma atualização manual de suas mensagens recebidas. A necessidade de indicação de quem está presente numa seção da rede no momento que o aluno ou o professor está usando a mesma também é identificada como sendo uma necessidade dos usuários (Gomes et al. 2011). Mesmo participando de várias formas de comunicação assíncrona, eles destacaram a dificuldade de interagir com quem está presente na seção e a disposição de um bate papo beneficia a interação.

Aprendizado
em
rede

Segundo Dillenbourg (2003) para que ocorra um aprendizado colaborativo é necessário que exista interação entre todos os envolvidos. Percebemos com o uso da REDU que os

participantes sentiram-se à vontade para expressar suas opiniões, perguntarem, responderem aos questionamentos dos outros colegas e dos professores. Também foi observado uma mudança na forma como os alunos percebiam o papel dos professores (Gomes et al., 2011). Parece haver uma relação de igualdade entre os envolvidos.

Autorregulação
da
aprendizagem

Segundo Zimmerman (2000) a auto-regulação da aprendizagem pode ser definida como qualquer pensamento, sentimento ou ação criada e orientada pelos próprios alunos para a realização dos seus objetivos. A metacognição refere-se ao nível do pensamento que envolve ativar o controle sobre os processos de pensar. Planejar a forma de aprender: definindo tarefas, monitorando e avaliando o seu progresso: estas são habilidades referentes a metacognição. Algumas das estratégias metacognitivas utilizadas pelos alunos seriam: planejar seu processo de aprendizagem, checar e monitorar o seu progresso, selecionar, revisar, avaliar, dentre outras estratégias. Outra estratégia que auxilia nesse processo é o acompanhamento do que os colegas estão fazendo. Outra forma de realizar a autorregulação da aprendizagem é por meio da auto-avaliação. Os participantes da Redu podem avaliar seu desempenho em exames e os resultados são analisados e ajudam no processo de regulação. Na figura que aparece na seção ‘Avaliação’ acima vemos um tela na qual aparece um exame sendo realizado. Ela é concebida para que estudantes e profissionais de ensino disponham de ambientes de armazenamento, resolução colaborativa de provas, visualização do desempenho e autoregulação da aprendizagem. Assim, o participante sabe o que acertou e visualiza a justificativa da resposta, ou seja, ele regula na própria rede a aprendizagem do conteúdo exposto. Nesse caso, o exame trouxe ao aluno uma avaliação formativa do que está sendo aprendido.

Durante o uso do ambiente REDU pelos participantes, buscamos identificar situações que mostrassem como o ambiente pode ajudar os alunos no processo de autorregulação da aprendizagem. Nesse processo, os alunos demonstraram interesse em perceber as transformações que ocorrem no ambiente REDU, bem como a necessidade de perceber o que os colegas fazem. Os alunos também destacaram a importância do acesso ao material

disponibilizado pelos professores. Chegaram, inclusive, a fazerem sugestões relacionadas a disponibilização do material anteceder as aulas. A auto-avaliação também foi comumente associada, a partir de comparações com atividades, aos demais colegas. Foi importante para auxiliar os alunos a terem possibilidade de poder acompanhar todas as atividades que estavam sendo desenvolvidas pelos colegas que tinham objetivos comuns de aprendizagem. A forma como o ambiente REDU tem de mostrar sempre tudo o que os colegas que o sujeito é seguidor é importante nesse processo de auto-regulação. Conclusão
 Apresentamos nessa seção algumas formas de criar situações de ensino que são envolventes e motivadoras, o mesmo tempo que não exigem muito esforços dos professores. Essas situações são apenas alguns formas que podem ser criadas. O professor pode criar muitos e novos métodos e técnicas de ensino. Consideramos que o objetivo central do projeto da Redu é conceber um conjunto de estilos de interação, formas de comunicação e colaboração que possam oportunizar o acesso a educação formal e informal (MARSICK e WATKINS, 1997). Todas as formas de comunicação possíveis aproximam os professores dos alunos e tornam Possível um atendimento mais próximo e humano de cada um dos alunos pois lhes dá a possibilidade de expressar suas dúvidas e ter suas perguntas respondidas a tempo e pelos vários colegas e professor.

O
que
muda
na
relação
professor
aluno

A adoção da Redu como ambiente de trocas e mediação tem conseqüências positivas para a relação entre professores e alunos. Por um lado o professor tem a possibilidade de aproximar da cultura das gerações mais jovens. Abre-se em canal divertido e produtivo de comunicação. O tempo de interação com cada aluno pode ser maior, a depender da necessidade de cada um. As relação um-para-um entre professores e alunos para a ser um-para-muitos entre professores e alunos e entre os alunos. A comunicação que ocorre entre eles muda para melhor, pois o registro das perguntas e respostas vão, ao longo do tempo, criando uma memória coletiva. Alem disso, o fato de socializar a expressão escrita, eleva o cuidado de cada um dos alunos ao expor suas idéias e isso pode ter impactos positivos na aprendizagem. A seguir aprofundamos cada um desses temas.

Professor
percebido
para
parte
do
grupo

Os alunos sentem-se como integrantes de um grupo de estudo. Na REDU o professor era visto pelos alunos como alguém que estava no ambiente para auxiliá-los no processo de aprendizagem, passando a assumir um papel de facilitador do processo de aprendizagem. Verifica-se ainda que durante o uso da Rede REDU os alunos sentiam-se mais a vontade em questionar o professor e ao mesmo tempo mais motivados em participar das discussões, inclusive propondo alterações nas atividades propostas pelos docentes. Os docentes, por sua vez, assumiram papel de mediador. Esta mudança no papel dos docentes levou a uma efetiva colaboração entre todos os participantes (docentes e alunos). A figura abaixo captura um momento de interação entre professor e aluno no qual a relação de poder é diminuído e a comunicação flui com muita naturalidade.

Figure 1. Professor participando da rede social com os alunos.

No sistema tradicional de ensino, o papel do professor é visto como aquele que vai passar o conhecimento, com o arquétipo daquele que sabe o que é certo e o que errado. Nas aulas presenciais os alunos podem se sentir coagidos para tirar dúvidas, por exemplo. Numa estrutura

de rede, como é a REDU, o papel do professor é redefinido e ele passa também a mediar o grupo para que todos se sintam parte constituinte do conhecimento que está sendo produzido.

Mais
tempo
de
interação
com
professores
e
colegas

Os alunos também acharam positivo a ampliação do tempo de interação para além daquele regular em sala de aula (Gomes et al., 2011). Com o uso do REDU eles tiveram a possibilidade de ampliar o tempo de debate, não ficando limitado apenas ao tempo da aula presencial. Esse tempo representou uma oportunidade para tirar dúvidas que surgiam sobre o assunto a qualquer momento.

Interação
com
comunidades
com
outras
turmas

Apesar de os espaços das turmas ser controlado e reservado, os alunos de distintas turmas podem ser colegas. Por definição, colegas na Redu podem acompanhar as atividades de outros. Assim, é possível promover uma consciência de ritmo de estudo e investimento que os colegas empreendem nos alunos. Para perceber o que outros colegas fazem, os usuários precisam adicionar participantes da Redu como seus contatos. Na figura abaixo vemos a visão de um momento de moderação de novos contatos na Redu.

Figura 26. Tela de moderação de novos contados na Redu.

Os alunos destacam a importância da interação com outras comunidades (Gomes et al., 2011). Para eles seria interessante que a Redu permita ampliar o seu acesso a outros alunos de outras redes. Essa interação pode ser ampliada a partir de contatos que tem amigos em comum,

interesses em comum no perfil do indivíduo, como também pela participação em redes abertas criadas na Redu.

Conclusão

Neste texto apresentamos como a rede social educativa Redu pode ser inserida na prática docente de professores. Discutimos as mudanças nas etapas de planejamento, execução e mediação. Mostramos como o professor pode inovar em sua ação educativa criando novas formas de interação, inclusive promovendo a interação com os alunos fora da sala de aula (Vygotsky, 2000). Nas últimas décadas, com o surgimento e a adoção massiva de plataformas colaborativas como prática de convívio e comunicação. Em particular, as redes sociais virtuais fornecem uma estrutura de pessoas, objetos e seus vínculos mútuos e têm sido desenvolvidas para diferentes propósitos, como o compartilhamento de vídeos, referências bibliográficas, código, dicas de filme. A Redu mostra-se transparente para realização de práticas de comunicação, aprendizagem colaborativa e mediação didática para prática docente. Ela pode ajudar a promover a reflexão sobre a prática docente e mudanças na relação professor e aluno.

Usar a Redu para mediar o ensino faz de você um Professor em dia com as tendências mundiais de comunicação e educação com um espaço intuitivo, de fácil configuração, produtivo, divertido e na moda das redes sociais. Seus alunos farão parte de um ambiente novo, divertido e interativo. Um espaço voltado a aprendizagem, sem esquecer que esses momentos ocorrem nas redes sociais. Uma rede social voltada para o futuro. Sejam bem vindos à Redu. Bom proveito! Boa experiência!

Referências

CGI. Comitê Gestor da Internet no Brasil. Censo 2010. Disponível em < http://www.cgi.br>. Acesso em 15 de dezembro de 2010.

Gomes A. S., Souza, F.V.C., Abreu J. A. B., Lima, L.C. C., Melo C. A., Paiva G. L., Duarte, A. P., Colaboração, Comunicação e Aprendizagem em Rede Social Educativa, In Xavier A. C. (Ed.) Hipertexto e Cibercultura: links com a literatura, a publicidade, o plágio e as redes sociais educacionais, 2011. MARSICK, V. J.; WATKINS, K. E. Lessons from Incidental and Informal Learning. In Management Learning: Integrating Perspectives in Theory and Practice, edited by J. Burgoyne and M. Reynolds, chapter 17. Thousand Oaks, CA: Sage, 1997. MELO, Cássio de Albuquerque. Scaffolding of Self-Regulated Learning in Social Networks, Dissertação (Mestrado em Ciências da Computação) – Universidade Federal de Pernambuco. Orientador: Alex Sandro Gomes. 2010. VIGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente - O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Tradução de José Cipolla Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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