HISTÓRIA DE PORTUGAL A história de Portugal tem a sua génese com a chegada dos primeiros hominídeos à Península Ibérica há cerca

de 1.2 milhões de anos atrás. O território entrou no domínio da história escrita com o início das guerras Púnicas. Em 29 a.C. era habitado por vários povos, como os Lusitanos, quando foi integrado no Império Romano como a província da Lusitânia, influenciando fortemente a cultura, nomeadamente a língua portuguesa, na maior parte originada no latim. Após a queda doImpério Romano, estabeleceram-se aí povos germânicos como os Visigodos e Suevos, e no século VIII seria ocupado por árabes. Durante a reconquista cristã foi formado o Condado Portucalense, primeiro como parte do Reino da Galiza e depois integrado no Reino de Leão. Com o estabelecimento do Reino de Portugal em 1139, cuja independência foi reconhecida em 1143, e a estabilização das fronteiras em 1249, Portugal reclama o título de mais antigo estado-nação europeu.[1] Durante os séculos XV e XVI, os portugueses foram pioneiros na exploração marítima, estabelecendo o primeiro império colonial de amplitude global, com possessões em África, na Ásia e na América do Sul, tornando-se uma potência mundial económica, política e militar.[2] Em 1580, após uma crise de sucessão, foi unido a Espanha na chamada União Ibérica que duraria até 1640. Após a Guerra da Restauração foi restabelecida a independência sob a nova dinastia de Bragança, com a separação das duas coroas e impérios. O terramoto de 1755 em Lisboa, as invasões espanhola e francesas que antecederam a perda da sua maior possessão territorial ultramarina, o Brasil, resultaram no desmembramento da estabilidade política e económica, reduzindo o estatuto de Portugal como potência global no século XIX. Após a queda da monarquia, em 1910 foi a proclamada a República, iniciando o actual sistema de governo. A instável Primeira República foi sucedida por umaditadura sob o nome de Estado Novo. Na segunda metade do século XX, na sequência da guerra colonial portuguesa e do golpe de estado da revolução dos cravosem 1974, a ditadura foi deposta e estabelecida a democracia parlamentar, com todos os territórios ultramarinos a obter a sua independência,

nomeadamenteAngola e Moçambique em África; o último território ultramarino, Macau, seria entregue à China em 1999. Portugal entrou, após um conturbado período revolucionário, no caminho da Democracia Parlamentar, ao mesmo tempo que procedia à descolonização de todas as suas colónias. Membro fundador da NATO, o Portugal democrático reforçou a sua modernização e a sua inserção no espaço europeu com a sua adesão, em 1986, à Comunidade Económica Europeia (CEE). Historiografia A compreensão de Portugal e da sua História é uma constante da Historiografia portuguesas pelo menos desde o início do século XIX. As condições que tornaram possível a autonomização de Portugal de Leão e Castela e, depois, lhe permitiram construir e manter uma identidade na Península e no mundo são temas que estiveram no cerne da análise e da reflexão de historiadores e pensadores como Herculano, Oliveira Martins, Antero, Sampaio Bruno, Jaime Cortesão, António Sérgio e Joel Serrão, para citar apenas alguns nomes. Portugal tem, pelas sua posição geográfica, acentuada ainda pelas características geomorfológicas do seu território, uma posição excêntrica relativamente à Europa. A posição atlântica de Portugal, prolongada, desde o início do século XV, pelos dois arquipélagos descobertos e povoados por portugueses, o dos Açorese o da Madeira, foi a chave da sua história e da sua identidade nacional: encravado entre um poderoso vizinho e o mar, os Portugueses souberam tirar partido da sua situação estratégica, quer construindo no mar um poderio militar, quer aliando-se à potência naval dominante (aliança inglesa), assegurando a sua sobrevivência face às pretensões hegemónicas das potências europeias. Escreve Veríssimo Serrão (História de Portugal, vol. 1) : «em face de uma Espanha superior em dimensão cinco vezes, não houve milagre no caso português, mas somente a adequada integração dos seus naturais num quadro político que lhe assegurou a existência autónoma que qualquer periferia marítima amplamente favorece.»

A leitura da História de Portugal em termos de um ciclo de apogeu e queda, de potência mundial à irrelevância geopolítica, é uma leitura marcadamente oitocentista, nascida no contexto da reflexão política de finais do século XIX. Pré-história

Mapa Étnico-Linguístico da Península Ibérica cerca de 200 AC. A região que corresponde actualmente a Portugal começou a ser habitada há cerca de quinhentos mil anos, primeiro pelos Neandertais e, mais tarde, pelo Homem moderno. Entre 20 000 a.C. e 10 000 a.C., a Península Ibérica começou a ser colonizada por grupos humanos Cro-Magnon e, milénios mais tarde, passou a abrigar outros povos, autóctones e sem parentesco aparente com quaisquer outros povos conhecidos. Entre eles, estavam os iberos, na costa mediterrânica de Espanha, os tartessos (relacionados aos turdetanos, túrdulos e cónios), no extremo sul de Portugal (regiões do Algarve e Alentejo) e osaquitanos e vascones (prováveis antepassados dos actuais bascos), na região dos Pireneus. A hipótese de todos serem de origem berbere, do norte daÁfrica (citada na teoria do Vascoiberismo), hoje é amplamente desacreditada, embora o parentesco entre iberos e bascos ainda continue a ser investigado. Porém, segue-se a crença de que todos eram povos distintos etnicamente entre si. No século VII a.C., a região passou a ser habitada por povos indo-europeus, sendo estes tribos proto-célticas e celtas. As tribos iberas e algumas vagas celtas misturaram-se, dando origem aos celtiberos, em partes de Espanha. Outras populações proto-célticas e celtas acomodaram-se em território português, como os lusitanos, os vetões (ou Vettones) e os galaicos (ou

tapo ros... Romanização As províncias romanas Lusitânia eGalécia. A Citerior foi subjugada e ocupada com relativa facilidade. pésures. narbasos. que terá iniciado no tempo de Augusto (27 a.[3] A exploração mineira. quaquernos. o líder lusitano. Erigindo-se em chefe dos Lusitanos após . os Romanos penetraram na Península Ibérica no contexto da Segunda Guerra Púnica que mantiveram contra Cartago.14 d. equesos. o exercito romano levou para Roma cerca de 4 toneladas de ouro e 800 toneladas de prata que obtiveram como espólio de guerra retirado dos tesouros das tribos nativas. A conquista total da península pelos Romanos só ocorreu no tempo do imperador Augusto. leunos. reorganização da Hispânia deDiocleciano. turodos). tais como os brácaros.). luancos. fazendo com que fosse dos últimos territórios a resistir à ocupação romana da Península Ibérica.coelernos.C.Gallaeci). Entre 209 e 169 a. seurbos.ou das minas do campo de Jales ou da Gralheira[4] era um dos principais factores económicos para o interesse romano na região. entre outras menos significativas.C..C. conseguiu conter a expansão romana durante alguns anos.C. nemetatos.C. 298 d. tamagani.das maiores do mundo romano. Foram anexadas duas regiões da Península Ibérica por Roma como províncias das Hispânias (a Citerior e a Ulterior). como a das Três Minas . gróvios. mas a anexação da Ulterior) só se tornou efectiva muito depois. límicos. Influências menores foram os gregos e os fenícioscartagineses. célticos. zoelas. No século III a. Viriato. interamici.

derrotou mais uma vez todos os generais enviados contra ele. Desprovidos de chefe. o . já que as terras a norte do rio Dourointegravam a Tarraconense. uniu à sua volta um número crescente de tribos e travou uma guerra incansável contra os invasores. um outro general romano que se lhe juntou. Ponte de Trajano sobre o rio Tâmega. No fim do século I a. seria morto à traição (140 a.) por três companheiros de armas comprados pelos romanos. nos costumes. incluindo o célebre Pompeu. Uma variante do Latim (Latim Vulgar) passou a ser o idioma dominante da região. algumas das quais servem até aos nossos dias. Na sequência das guerras civis. da facção derrotada. Perpena. Sertório era um hábil e carismático político. Em 74 D. Os Romanos deixaram um importante legado cultural naquilo que é hoje Portugal. A partir daí. veio a assassiná-lo traiçoeiramente. os Lusitanos sujeitaram-se ao jugo romano. o general romano Sertório. o imperador Augusto criou a província da Lusitânia. na arquitectura.escapar a uma matança perpetrada à traição pelo romano Galba. Não obstante.C. segundo o modelo habitual de colonização romana. No auge da sua carreira. na rede viária e nas pontes. Perito em tácticas de guerrilha e em iludir o adversário.C. Surgiram novas cidades e desenvolveram-se outras. o Senado reconheceu-o e declarou-o "amigo do povo romano". a romanização do território que viria a ser português prosseguiu sem dificuldades de maior para Roma. mas pouco terão contribuido para a composição étnica portuguesa actual. foi convidado pelos Lusitanos a chefiá-los contra Roma. mas por pouco tempo. Excelente general. derrotou sucessivamente os vários generais romanos enviados contra ele.C. que correspondia a grande parte do actual território português. embora não à sua totalidade. na arte. como a de Trajano sobre o rio Tâmega em Chaves (Aquae Flaviae) ou a de Vila Formosa (Alter do Chão). Chaves (Portugal).

.C. Difundiu-se também a cidadania romana.C. e os Vândalos Silingos. compostos principalmente por Suevos (Quados e Marcomanos). datando dessa época um importante surto urbano. entre as quais se achava a Callaecia. os Suevos dominam o território da Galécia e chegam a dominar a parte norte e ocidental da Lusitânia. o . que integrava o norte do actual Portugal. o imperador Diocleciano subdividiu a Tarraconense em outras províncias.C. Vândalos (Silingos e Asdingos) e Visigodos. que viria a ser atribuída a todos os súbditos (livres) do império pela chamada Constituição Antoniniana.imperador Vespasiano concedeu o "direito latino" (equiparação aos municípios da Itália) a grande parte dos municípios da Lusitânia.. pelo menos a partir do século III. todos de origem germânica. os chamados povos bárbaros. Em finais do século III d. Algum tempo depois. Invasões bárbaras Visigodos e Suevos(Galécia) na Península Ibérica de 560 d. De todos estes povos.). de origem persa. os Suevos e os Visigodos seriam aqueles que teriam uma presença mais duradoura no território que é hoje Portugal. a Galiza e as Astúrias. além dos Alanos. Em 409 d. a Bética. Em 411 estes povos dividem entre si o território: os Vândalos Asdingos e os Suevos ocuparam a Galécia. Estabelecidos na condição de federados do Império Romano. Durante o Império Romano o Cristianismo difundiu-se em toda a Hispânia. ocorre a entrada dos Visigodos na península ao serviço do Império Romano e com o objectivo de subjugar os anteriores invasores. fixam-se na Hispânia. Estabelecendo a capital do seu reino em Braga. ou édito de Caracala (212 D. enquanto os Alanos ocuparam as províncias da Lusitânia e a Cartaginense.C.

Recaredo I. enquanto a maioria da população era católica. nas Astúrias. Ocupação Muçulmana Antiga mesquita de Mértola. Estes dominaram partes da península por mais de cinco séculos: inicialmente sobre o controlo do Califado de Damasco. devido ao colapso deste. Em 711 a Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos do Norte de África (basicamente Berberes com alguma componente de Árabes). pois os visigodos eram adeptos do arianismo. Muitas cidades foram destruídas durante este período e verificou-se uma ruralização da vida económica. A partir daqui toda a Península Ibérica fica unificada sob o reino visigodo (com excepção de algumas zonas do litoral sul e levantino. evangelizados finalmente por S. tendo sido convertidos ao catolicismo no ano 449. hoje Igreja de Santa Maria da Assunção. Durante estes séculos. Os povos bárbaros eram numericamente inferiores à população hispanoromana. mais tarde sob a forma de um emirado e califado e. pelo que foram obrigados à miscigenação étnica e cultural com esta. como uma província do império omíada. oAl-Andalus. no sul de Portugal. a única região que resistiu à invasão árabe. em pequenos reinos (taifas) com autonomias características. convertendo-se ao catolicismo. mas questões dinásticas reacenderam os conflitos e vieram a estar na origem do colapso final. controladas pelo Império Bizantino) e zonas do norte controladas pelos vascões) até à queda deste reino em 711. A estabilidade interna deste reino foi sempre difícil.reino suevo foi o primeiro reino da Europa a cunhar moeda própria. desenvolvia-se um movimento . Em 585 o rei visigodo Leovigildo toma Braga e anexa a Galécia sueva. A partir de 470 crescem os problemas do reino suevo com o vizinho reino visigodo. Martinho de Dume. facilitou a união das duas populações.

grosso modo entre os rios Minho e Douro e o Condado de Coimbra. mas há um consenso de que esta mescla existe. mais tarde. ao seu genro D. o governo dos territórios meridionais. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a Reconquista era bem sucedida. de Navarra e Aragão e Castela. Destes condados. o Condado Portucalense. Formação do Reino de Portugal Evolução das fronteiras linguísticas dos territórios na Península Ibérica ao longo da Idade Media e Moderna. Henrique de Borgonha. talvez por isso. soberano e completo e. a reconquista cristã foi francamente mais lenta. entre os rios Douro e Mondego. A esta altura. Os muçulmanos que não foram expulsos ou mortos durante o processo de reconquista. o país explorava o além-mar. Se rápida foi a invasão árabe. tiveram de aderir aos costumes locais (incluindo o Cristianismo). já o reino de Portugal estava formado.de reconquista da Península. . culminando no fim do poder político islâmico nesta com a tomada de Granada pelos Reis Católicos (1492). por mérito. que faziam ainda parte do reino de Leão. entregou. nasceria o reino de Portugal. mas que dele tinha grande independência. o Reino das Astúrias. Primeiro. Mais tarde Afonso VI de Leão e Castela (autodenominado Imperador de toda a Espanha). que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III das Astúrias quando morreu. para difundir o Cristianismo. Assim nasciam os reinos de Leão e. Não se sabe ao certo o grau existente de mescla com estes berberes na população portuguesa actual. em parte sob o pretexto do espírito das Cruzadas.

Só em 1143 é reconhecida independência de Portugal pelo rei de Castela. o jovem Afonso Henriques arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. no entanto. assinando-se a paz definitiva. Teresa. Teresa começou (1121) a intitular-se «Rainha». sucede-lhe a viúva deste. Durante o período que se segue. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário da Santa Sé. declarando-o principado independente. Em1139. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante quinze anos. Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. O pensamento de D. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. D. conseguir a independência para o condado. no Tratado de Zamora. Aos catorze anos de idade (1125). o Reino de Portugal e sua primeira dinastia. e a cidade de Coimbra como a primeira capital. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses originou a revolta destes. a lutar contra as forças de Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas). D. Uma vez vencida. com o Rei Afonso I de Portugal (D. sempre que possível. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. sob chefia do seu filho. até que em 1128 se trava a Batalha de São Mamede (Guimarães) e D. Afonso Henriques). D. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia. D.D. pois. A luta entre Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. Por morte de D. as atenções seguiam. enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. Afonso Henriques. em . D. Continuou. que o aclamaram como soberano. Henrique (1112). em 1139. Nascia. tendo declarado a independência com o apoio dos chefes portugueses. e passando a viver em Coimbra a partir de 1130. Afonso Henriques toma conta do condado.

inicia o planeamento de um projecto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. até à Índia. E seria a curiosidade de Pedro Álvares Cabral que traria. como Ceuta e Tânger. os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais território. Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe. principais rotas no Oceano Índico(azul). O Império Português . o gosto por descobrir. Angola e a Guiné até que D. para o novo Império Português. Manuel I. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro. redescobrindo a Madeira. Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana. João III (verde). já no tempo de D. tornando a Península Ibérica a maior potência mundial da altura. portanto. Cabo Verde. Entretanto tomava-se conhecimento. baseado em boatos que procurou esclarecer. e eis queVasco da Gama. as Américas. na conquista de praças em África. O projecto passa a empreendimento. as mais tarde chamadas Índias Ocidentais. Vendo a riqueza com que se vivia na região. João II. de novo território a Oeste. territórios portugueses no reinado deD. A partir da conquista de Ceuta em 1415 iniciaram-se várias campanhas além-mar.assegurar essa soberania (que ficou dificultada durante a crise dinástica de 1383) e prolongar o território para Sul. Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial. através de Cristóvão Colombo. vê a luz ao Oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana. o Brasil. Os descobrimentos Descobrimentos portugueses de 1415-1543. Com todas as suas colónias estabelecidas.

Portugal enfrenta uma crise dinástica cuja análise se mostrou complexa. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. a situação manteve-se relativamente controlada até que. Portugal foi envolvido no conflito por . Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboaa Nagasaki. trazendo para o país grandes riquezas. exploravam-se outras alternativas rumo às especiarias. Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Ocidentais e Ocidentais.dois reinos. cidade fundada no Japão pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. No entanto. Os confrontos foram iniciados a pretexto daGuerra dos Oitenta Anos. Após a descoberta da costa Africana. escravos da áfrica ocidental e açúcar do Brasil. António. Dinastia Filipina Em 1580. a que Portugal não escapou. muitas vezes em prejuízo das colónias. logo após a Segunda Guerra Mundial começou a ruptura das dominações coloniais. em 1961. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir. e Portugal foi uma dessas nações. A intensidade desta procura.Mapa anacrónico do Império Português(1415-1999). Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Inglaterra. iria permiti-las estabelecer vastas colónias em todo o mundo. Apesar dos esforços de D. enquanto se avançava por terra para o centro do continente. Desde a América do Sul à Ásia. a que se sucederiam intensos combates. o trono caiu nas mãos dos reis de Espanha. O Império Português foi o primeiro e o mais duradouro dos Impérios coloniais (1415-1999) da Era dos Descobrimentos. sob a forma de monarquia dual . Após a perda do Estado Português da Índia. estalavam os primeiros confrontos armados em Angola. com a morte do rei D. por várias nações. o Prior do Crato. a França e a Holanda. um rei. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas. Portugal espalhava a língua e os costumes.

o Marquês considerava-o uma colónia estritamente dependente de . expressa os conceitos urbanos e estéticos do Iluminismo. com o objetivo de superar a situação económica enfrentada pela Metrópole. Após 1640 (fim da dinastia filipina). No princípio do século XVIII. após o Terramoto de 1755. D. estimulou-se a busca pelo ouro e pedras preciosas. Era Pombalina e Iluminismo Marquês de Pombal e a reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755. Portugal vive um período de guerra interna pela restauração da Independência. Face ao ocorrido. como a maior e a mais rica das colónias. evidente no processo dos Távora. procurou-se reduzir os poderes das Câmaras Municipais. até conseguir aPaz que elevaria D. o Marquês de Pombal assume o cargo de primeiro-ministro. foi alvo de um arrocho económico e administrativo. caracterizados no localismo político dos “Homens Bons” da Colónia. encarregado de uma nova política colonial. o Brasil. Foi muito contestado pela sua crueldade e rigidez. foram naturalmente expulsos. A reconstrução da baixa de Lisboa. e à instabilidade social provocada pela quebra de promessas pelos reis castelhanos. Introduziu em Portugal a doutrina do "direito divino dos reis". Neste contexto. João IV ao trono português. Assim. Os jesuítas. As Cortes nunca reuniram. Sebastião José de Carvalho e Melo. e ao mesmo tempo. a Coroa Portuguesa criou o Conselho Ultramarino. revelando-se um déspota esclarecido ao serviço de um apagado rei absoluto.estar unificado sob a coroa dos Habsburgos. mas os confrontos perduraram vinte anos após a Restauração da Independência em 1640. defensores do pacto de sujeição do rei à República. e torna-se responsável por reformas em várias áreas. José I. Relativamente ao Brasil.

A família Real Portuguesa. pretende substituir pela dinastia Bonaparte. com a invasão de Portugal por um exército comandado pelo general Junot. conseguiria debelar. o que gerou a instabilidade local suficiente para que a colónia se revoltasse e se viesse a tornar independente. com as suas tropas e o seu saque. toda a Corte e o Governo. Junot não tem outra alternativa senão assinar um armistício (Convenção de Sintra. de 30 de Agosto de 1808). ao mesmo tempo que. Napoleão celebra com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de Outubro de 1807). aliado da Inglaterra e. Com a rebelião popular espanhola. Para conseguir os seus intentos. Napoleão planeava já apoderar-se do Brasil e das colónias espanholas. partiram para o Brasil. num total de cerca de 15 mil pessoas. Na invasão as tropas francesas foram reforçadas por três corpos do exército espanhol. à semelhança do que fizera noutros Estados. O plano é executado logo no Outono de 1807. de onde foi prosseguida. Derrotado em Roliça e Vimeiro (21 de Agosto). Napoleão Bonaparte orienta a sua política para a Espanha. em todo o território português alastra um movimento de resistência popular que nem a feroz repressão das forças francesas. [carece de fontes] As Invasões Francesas Com a derrota da Prússia em 1806 e a aliança franco-russa de 1807 (Tratado de Tilsit). lhe permitirá abandonar Portugal em navios britânicos. O desembarque de uma força expedicionária britânica comandada por Arthur Wellesley. futuro duque de Wellington.Lisboa e ao serviço do enriquecimento do Reino de Portugal. as tropas espanholas abandonam Portugal. com inegável êxito. todos os planos de Napoleão fracassaram. Porém. formalmente um país aliado. . que atingiria a fronteira portuguesa da Beira Baixa no final de Novembro. o povo brasileiro sentiu-se desprezado. deixando margem para a revolta do Porto (7 de Junho de 1808) e para a constituição da Junta Provisional. que. É neste contexto que se deve situar a invasão de Portugal. portanto. em que se destacou especialmente o general Loison (o famigerado «maneta»). sob protesto português. não aderente ao sistema do Bloqueio Continental decretado em 1806 (Decreto de Berlim). Ao mesmo tempo. mas cuja dinastia Napoleão. no qual previa a divisão de Portugal em três reinos sob a influência da França. a política internacional portuguesa. perto da Figueira da Foz (1 de Agosto) deitará por terra os planos de ocupação e dissolução de Portugal.

dependências da África e Ásia) formaram as Cortes Constituintes. o que tinha provocado a ruína de muitos comerciantes portugueses. regente do reino do Brasil. O rei D. o que desagradou às Cortes Constituintes que entendiam que a soberania só . ao mesmo tempo que a guerra alastrava a toda a Península.Estava concluído o fruste domínio de Napoleão Bonaparte sobre Portugal. Pedro.1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva. Os deputados eleitos. obtinha da Inglaterra o cumprimento do Tratado de Londres de 1807. o Governo português. D. Gravura feita porFrancisco Bartolozzi (1725 . A Revolução Liberal de 1820 Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal. Madeira. Nos inícios do século XIX Portugal vivia uma crise motivada pela partida da família real para o Brasil. Rodrigo de Sousa Coutinho. Ao mesmo tempo. a ideologia liberal implantava-se em pequenos grupos da burguesia. que culminou nas batalhas do Buçaco (27 de Setembro de 1810) e das Linhas de Torres Vedras. a resistência lusobritânica. no cais de Belém. pelo domínio dos ingleses sobre Portugal e pela abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial. Antes de voltar nomeia o seu filho. Esta revolução não encontrou oposição. e de toda a família real. quebrou as asas à política imperial e aos sonhos de domínio sobre a Península Ibérica. Tendo a cidade de Lisboa aderido ao movimento. No dia 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto uma revolução cujo objectivo imediato era convocar Cortes que dotassem Portugal de um texto constitucional. João VI. Açores. Nas duas invasões subsequentes. Conde de Linhares. acabando por comprometer toda a política imperial da França. em 27 de novembro de 1807. a de Soult (1809) e a de Massena (1810). o príncipe D. João VI foi intimado pelas Cortes a regressar a Portugal. só restituída à França após o Congresso de Viena. ao mesmo tempo que mandava tomar a Guiana Francesa. oriundos de todo o território controlado por Portugal (Brasil. formou-se uma Junta Provisória cujo objectivo era organizar as eleições para eleger as Cortes. pelas consequências destrutivas das Invasões Napoleónicas. No Rio de Janeiro. chefiado por D.

Maria II subia ao trono por legitimidade. Pedro recebe mais uma mensagem das Cortes. consagra a divisão tripartida dos poderes (legislativo. D. e impõe-se. Na tentativa de impor o seu regime absolutista. Maria II. Após D.poderia residir em Portugal continental. Miguel iriam forçá-lo a desistir da luta no [Convenção de Évora Monte]. Para resolver a situação. colocando o poder no governo e num parlamento unicamaral eleito por sufrágio directo. D. executivo e judicial). As derrotas sucessivas de D. Inspirada na Constituição francesa de 1791 e na Constituição de Cádis de 1812 . que já se revoltara pelo menos duas vezes e estava exilado. conhecido como o grito de Ipiranga. Entretanto. depôs o regime monárquico-constitucional de D. As cortes ordenaram também que D. Pedro deixasse o Brasil para se educar na Europa. Pedro IV ter sido forçado a abdicar do trono de Portugal em favor do trono do Brasil. Miguel. pela força. Pedro abdica do trono para o seu filho Pedro II do Brasil. limitava o papel do rei a uma mera função simbólica. foi nomeado regente do Reino. Primeira República . e permitir a restauração da Carta Constitucional de 1826 e do trono de D. D. João VI. No dia 7 de Setembro de 1822 o princípe D. No mesmo ano as Cortes aprovaram a Constituição. Maria seria arranjado. levantava-se um problema de sucessão. Este acto. Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) Com a morte de D. e o casamento com D. Maria dando início a seis anos de conflitos armados com intervenções da política internacional. exclamando: "Independência ou morte!". Isso mostrava a forte influencia iluminista na época. Estas atitudes geraram o descontentamento dos 65 deputados brasileiros nas Cortes Constituintes. que deixam o país em direcção ao Brasil. marcaria a data da independência do Brasil. que rasga diante dos seus companheiros.

mas também as tradições do liberalismo político e económico. naquele que ficou conhecido como o primeiro momento do período das Três Repúblicas. encabeçado por Teófilo Braga. em Lisboa. O seu pensamento político rejeitava o comunismo. o Rei D. Por volta de 1928 tornara-se premente a situação financeira do Estado português. Nesse ano foi chamado ao governo um professor de Finanças da Universidade de Coimbra. Quando regressavam de Vila Viçosa. A ditadura e o Estado Novo António de Oliveira Salazar. Luis Filipe. alimentava uma nostalgia pelo meio rural. . Manuel II e a criação da República Portuguesa. António de Oliveira Salazar. Constituía-se o primeiro Governo Provisório. que teria os destinos de Portugal nas suas mãos durante as próximas quatro décadas. por um sistema económico regulador da economia (condicionalismo industrial) e pelo antiparlamentarismo. Carlos e o seu filho mais velho. com o de presidente do Conselho de Ministros para o qual é nomeado. Profundamente conservador e nacionalista. o príncipe herdeiro D. A 3 de Outubro de 1910 estalava uma revolta que provocaria a deposição de D. considerado ideal.O Republicanismo acentuou-se de tal forma na primeira década do século XX que em 1 de Fevereiro de 1908 se dá o regicídio. foram assassinados no Terreiro do Paço (Praça do Comércio). Em 1932 Salazar passa a acumular o cargo de ministro das Finanças. caracterizado pela existência de um único partido (a União Nacional). A partir daqui dedica-se a montar as estruturas do novo regime político.

foi consolidada e todas as greves proibidas. admitia a existência de uma Assembleia Nacional e de uma Câmara Corporativa composta por elementos ligados às profissões. A censura. cujo propósito era incutir à juventude do país as ideias do regime.Em 1933. entrou em vigor a nova Constituição Portuguesa. tendo beneficiado com a venda de volfrâmio. Os antigos partidos políticos portugueses desaparecem. Na prática. Damão e Diu. motivados pelo desejo por melhores condições de vida. No mesmo ano estala a guerra de indepedência em Angola. Nos anos sessenta Portugal registou um forte fenómeno de emigração. Foi a primeira acção do género no Mundo e serviu para distribuir panfletos anti-salazaristas.1950). Os destinos principais dos portugueses. Em 1949 Portugal ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e em 1955 na Organização das Nações Unidas. Guerra do Ultramar . De cariz presidencialista. a Assembleia Nacional foi ocupada por apoiantes do regime e o poder concentrou-se na figura de Salazar. No dia 19 de Dezembro de 1961 tropas da Índia invadem os territórios portugueses de Goa. foram a França e a Alemanha Ocidental. o presidente da República foi uma figura apagada. restabelecida em 1926. na 10 de Novembro de 1961. PIDE). cujos dirigentes foram duramente perseguidos pela polícia política (PVDE e depois. usado para o fábrico de material bélico. Durante a Segunda Guerra Mundial Portugal manteve-se neutro no conflito. com excepção do Partido Comunista Português (fundado em 1921). Em 1936 o regime cria aMocidade Portuguesa. Agricultores beirões (c. A Operação Vagô envolveu o desvio de um avião entre Casablanca e Lisboa.

aliado a um contexto político-social ditatorial. A insustentabilidade de uma guerra de três frentes (desprezando Timor Português. e entre 1961 e 1964 estalam uma série de tumultos violentos contra as forças coloniais portuguesas exigindo a libertação dos povos. depois na Guiné Portuguesa e Cabo Verde. Primeiro em Angola. exigindo a independência. as colónias em todo o Mundo revoltavam-se contra os colonizadores. e na historiografia das antigas colónias como Guerra de Libertação. No contexto político-social do pós-Segunda Guerra Mundial. libertava-se o país do regime opressor que se vivia. em que subsistiam os princípios de autodeterminação e independência.Embarque de tropas portuguesas. dava-se início ao um conflito armado que ficou conhecido na historiografia portuguesa como Guerra do Ultramar. fariam o país revoltar-se contra o governo e. Revolução dos Cravos Manifestação do 25 de Abril de 1983 na cidade do Porto. cuja distância tornou inviável a intervenção portuguesa). num movimento apoiado pelas Forças Armadas. e em 1964 em Moçambique. com a designada Revolução dos Cravos. As possessões portuguesas. ou uma forma de governo equiparável à metrópole. . agora designadas províncias ultramarinas não foram excepção.

Foi elaborada uma nova constituição. assumiram como prioridades o fim da polícia política. No dia 11 de Março de 1975 o país viveu a ameaça de um golpe de estado direitista encabeçado por militares próximos a Spínola. por não ser violento. III República A Terceira República Portuguesa é o período da história de Portugal que corresponde ao actual regime democrático implantado após a Revolução dos Cravos do dia 25 de Abril de 1974. que entretanto. tendo entrado em funcionamento o primeiro de uma série de governos provisórios. a censura foi proibida. No dia 25 de Abril de 1975. decretando a nacionalização da banca e dos seguros. No mesmo dia o governo provisório tomou medidas socialistas na economia. o restabelecimento da liberdade de expressão e pensamento. se tratou de designar historiograficamente de Revolução dos Cravos e que ocorreu no dia 25 de Abril de 1974. presidido porPalma Carlos.António de Spínola foi designado Presidente da República. realizaram-se as primeiras eleições democráticas. cujo objectivo era formar uma Assembleia Constituinte que elaborasse uma constituição para o país. os prisioneiros políticos libertos e as maiores . a liberdade de expressão garantida. apesar de ter sido revista em várias ocasiões. descontente com aquilo que consideravam ser uma deriva esquerdista na vida política nacional tinha partido para Espanha. o Exército Português consegue ser bem sucedido num golpe de estado que. Os dirigentes do movimento (os "Capitães de Abril"). O poder seria assumido pela Junta de Salvação Nacional.Numa conspiração militar. Essa constituição seria promulgada no dia 2 de Abril de 1976 e é a constituição que rege Portugal até hoje. o reconhecimento dos partidos políticos existentes ou a criar e a negociação com os movimentos de independência das colónias. Foi caracterizado inicialmente por constante instabilidade e possibilidade de guerra civil durante os primeiros anos pós-revolucionários. órgão que seria substituído pelo Conselho da Revolução (19751982). constituída por militares. passado justamente um ano sobre a revolução. que pôs um fim ao regime autoritário do Estado Novo.

Houve. Para aderir à União Europeia Portugal saiu de EFTA em 1986. entregou a soberania de Macau à República Popular da China. constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza). dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro. Subsequentemente foi concedida às colónias africanas a independência. derivada do pendão do condeHenrique da Borgonha. Um segundo. um dos oficiais do Grupo dos Nove. recebendo a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa. ao longo do processo de reconquista. fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071. sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho). a última das quais em 2007. sob a chefia de Mário Soares.[7] Desde a sua adesão à União Europeia. As primeiras eleições democráticas para a presidência da República foram realizadas por sufrágio directo. o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes.[5] Em 1999. .instituições do Estado Novo foram extintas. Venceu Ramalho Eanes. O I Governo Constitucional de Portugal teve o seu início a 23 de Setembro de 1976. iniciando o processo de abertura do país que levou à adesão de Portugal à CEE (actual União Europeia) em 1986. Portugal entra para o Conselho da Europa.[6] e ainda nesse ano. Portugal aderiu à Zona Euro. A 12 de Novembro do mesmo ano realizaram-se as primeiras eleições autárquicas.[8] CONDADO PORTUCALENSE Presumível bandeira do condado portucalense. após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia. Passam a funcionar todas as instituições democráticas. no actual território de Portugal.

e ao sul pelo rio Vouga. 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha.os Callaeci. um burguinhão que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros. De notar que Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense. kalós. dado serem essas as expressões mais consagradas.constituído c. aludir-se-á ao longo deste artigo ao primeiro condado portucalense como Condado de Portucale. partes deTrás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (mormente da diocese de Tui). suprimido em 1091. História O nome do condado vem do topónimo Portucale.[1] Ainda outra teoria propõe que Cale deriva de Caladunum. seria celta e significava "porto". "porto") e outro grego (καλός. Outra explicação é de que o nome deriva dos povos de cultura castreja que habitariam a área de Cale nos tempos pré-romanos . "Porto de Cale". "belo"). já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra. e ao segundo como Condado Portucalense. Este último condado era muito maior em extensão. e tinha por centro e cabeça a povoação de Portucale. na Irlanda.[2] Data assim desse período a expressão terra portucalense ou província portucalense para designar um território distinto que era limitado ao norte pela terra bracarense. com o qual desde o século IX se designava uma cidade situada perto da foz do Douro. Uma outra teoria afirma que a palavra cale ou cala. que se julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (Portus. tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão. Dux (duque) ou Princeps (Príncipe). . designada de Portus Cale. Por uma questão de comodidade. já que os seus chefes eram alternativamente intitulados Comite (conde). transl. Uma explicação alternativa é a de que o nome deriva da deusa venerada pela tribo e que poderia historicamente relacionar-se com a palavra Cailleach (definida como "deusa ancestral"). e implicava a existência de um porto celta mais antigo. numa invasão celta proveniente da Galécia e que teria nesses primórdios invadido a actual Irlanda. donde qualquer coisa como "Porto Belo". uma "enseada" ou "abrigo".

[4] refere-se. Portucale era já. Após a invasão. tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto. séculos depois. o Portucale Castrum Novum. e outro. último rei suevo. Cale teria também sido conquistada por Perpena. fala-se de uma povoação chamada de Cale ou Calem. Condado de Portucale . oParoquial Suévico de São Martinho de Dume. no século V. um dos nomes mais importantes da diplomática portuguesa. desde a segunda metade do século VI. situada na província da Galécia. contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão deTeodorico (457). Portucale foi palco de vários acontecimentos. em 868. a revolta do seu governador Agiulfo. Quando do domínio dos Suevos. o mesmo não acontece para a sua localização exacta.[3] Portucale Embora a existência da povoação na foz do Douro durante o período romano se encontre confirmada.C. Quando da invasão muçulmana da península Ibérica. as "Histórias de Salústio" referem uma "Cales civitas" localizada na Gallaecia. vencido por Leovigildo. e a última batalha (585) de Andeca. no século IV. na margem esquerda. que pretendia ser aclamado rei e foi executado. a sede da diocese Portucalense. na direita.No século I a. Idácio de Chaves escreve sobre um "Portucale castrum". a um povoado que designava como Portucale Castrum Antiquum. e tendo por metropolita o bispo de Braga. no "Itinerário de Antonino". a diocese não sobreviveu. estudado pelo cônego Pierre David após a sua identificação pelo também cônego Avelino de Jesus da Costa.

no concelho de Lousada). em finais do século X. para além dos limites da antiga diocese nela sediada. bem sucedida. tendo os bispos de Portucale sido instalados numa pequena povoação chamada Magneto (a qual os especialistas fazem corresponder com a actual Meinedo. neste sentido. Pouco a pouco são alargadas as fronteiras do território que. Terras da Feira e Coimbra). Por esta altura. porém. sendo entregue ao conde (ou alvazil. em 868. Lamego. Viseu eFeira). Viseu. quer ao norte do rio Ave. a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho. Na segunda metade do século XI.A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificouse após a presúria de Vímara Peres. reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra (que incluía não só a cidade do Mondego. um moçárabe valido do . o território designava-se já de Terra Portugalense. vivendo. quer ao sul do rio Douro. Apenas dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos deHermenegildo Guterres. um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização. a partir de então. A reconquista permitiu também a restauração diocesana. fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro. segundo outros documentos coevos) Sesnando Davides. confinava com outros territórios (Braga. As campanhas do Almançor. como ainda as terras de Lamego. e nalguns casos de repovoamento.

rei Fernando I de Leão e Castela. Paulo Merêa refere a existência de documentos comprovadamente encontrados na província de Ourense. ou seja. no âmbito da organização eclesiástica deTui. . mas recorrendo às vezes à sucessão congnática): Início Fim do do govern governo o # Nome Notas 1 Vímara Peres 868 873 2 Lucídio Vimaranes 873 ? Filho de Vímara Peres. Governa conjuntamente com o esposo. O repovoamento da Terra Portugalense ocorreria no tempo de Afonso Magno. na Galiza. Onega Lucides 3 (com Diogo Fernandes) 4 Mumadona Dias (com Mendo ? antes de 924 Filha de Lucídio Vimaranes. nos quais surge a referência expressa a terras situadas em Portugal. Governa conjuntamente com o esposo. repovoada durante o reinado de Ordonho I. Diogo Fernandes. sob o governo de Vímara Peres e seus descendentes. 924 950 Filha de Onega Lucides e Diogo Fernandes. ao sul do rio Lima. e vieram ainda a pertencer durante algum tempo. e que então pertenciam. Condes de Portucale: a casa de Vímara Peres Foram condes da casa de Vímara Peres (nem sempre em linha recta. que conquistara definitivamente a cidade em 1064 (este condado viria mais tarde a ser incorporado no Portucalense).

No entanto. Na primavera seguinte.I Gonçalves) Mendo I Gonçalves. expulsando Garcia. na Batalha de Pedroso. filho de Alvito Nunes. 9 1028 1050 1 Nuno II 0 Mendes 1050 1065 Último conde da família de Vímara Peres. o Condado de Portucale e a Galiza fizeram parte do território atribuído por Fernando I para o seu filho mais novo Garcia II. Sancho. Em 997 intitula-semagnus dux portucalensium. Mais tarde. Com a sua vitória em 1071. os seus irmãos Afonso VI e Sancho II tomaram o reino de Portugal e Galiza. Filho de Mumadona Dias e Mendo I. ele lutava por controlar os seus nobres irascíveis. onde derrota Nuno II Mendes. Filho (ou neto?) de Gonçalo I Mendes. derrotado pelo rei Garcia da Galiza na batalha de Pedroso. em 1071. Nuno I Alvites. Governa conjuntamente com o esposo. que se tornou o primeiro monarca a usar o título de "Rei de Portugal e Galiza". por . Gonçalo I 5 Mendes 950 999 6 Mendo II Gonçalves Alvito Nunes 999 1008 7 1008 1015 Ilduara Mendes 8 (com Nuno I Alvites) Mendo III Nunes 1015 1028 Filha de Mendo II Gonçalves. Em 1065. o Condado de Portucale é extinto.

790-1300. Sancho aparece identificado como rei num documento português de 1072.sua vez. Condado Portucalense Evolução das fronteiras dos territórios na Peninsula Ibérica ao longo da reconquista. os territórios na sua posse passaram para . permitiu a supremacia nortenha. Com o assassinato de Sancho. mas suprimido com a conquista da cidade por Almançor no final do século X. depois de preso. em 1092 — pôde impedir. voltando a juntar os três reinos. em 1064. Porém. em 1071. a ambição de Afonso VI de Leão e Castela reconstituiu novamente a unidade dos Estados paternos e. Fernando Magno. Henrique — com o condado de Portucale. o de Portugal e Galiza e o de Castela. na batalha de Pedroso. que tentava conseguir maior autonomia face a Garcia II da Galiza. que nem mesmo a reconstituição de uma autoridade equivalente à do conde — em benefício de Sesnando Davides. mais tarde. que começou a existir desde a presúria de Vímara Peres. criado em 878. D. no mesmo ano. e prolongada até à sua morte. quando Garcia acabou por morrer. Afonso VI sucedeu na coroa de Leão (que abrangia os três reinos). Entretanto. prolongada pelos seus descendentes — embora nem sempre segundo uma linhagem perfeita — até à morte do último conde. em 1091. Não se deve confundir o Condado Portucalense — concessão dos dois territórios de Coimbra e de Portucale ao conde D. que governava o Reino da Galiza e Portugal de seu pai. o de Leão. a atrofia do condado de Coimbra. expulsou Afonso.

e o terceiro a ocidente. e o seu pensamento orientava-se. conquistando poder junto das cortes. O conde D. D. na qual fez vila de burgueses. Henrique. Teresa começa (1121) a intitular-se «Rainha». Falecido o conde D. introduz-se ambiciosamente na política do Reino. Em Guimarães fixou D. entre elas Guimarães. muitos francos seus compatriotas. da gerência dos negócios públicos. que estava também prestes a cair nas mãos dos Almorávidas — e essa será uma das razões que atribuem alguns historiadores modernos à decisão tomada por Afonso VI[5] de reforçar ainda mais a defesa militar ocidental. entregando a mais exposta a Henrique de Borgonha. fidalgo galego a quem entregara o governo dos distritos do Porto eCoimbra. Urraca. dividindo em duas a zona atribuída inicialmente a Raimundo. juntamente com Santarém. os condes ou governadores tinham amplos poderes administrativos. passa a viúva deste D. entregue ao próprio rei Afonso VI. naturalmente. exercido por El Cid em Valência. Teresa.as mãos de Raimundo de Borgonha. outro. com várias regalias. mas os conflitos com o alto clero e sobretudo a intimidade com Fernão Peres. Henrique deu foral e fez vila (fundou uma povoação nova) em várias terras. A esta altura. o vigor das investidas Almorávidas recomendava a distribuição dos poderes militares. para a aquisição de uma completa autonomia quando. casado com D. A fim de aumentar a população e valorizar o seu território. Vendo-se na condição de subordinados ao rei. não oficial. atraindo ali. trouxeram-lhe a revolta dos Portucalenses e do próprio filho. a governar o condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. judiciais e militares. sistematicamente afastados. este último não conseguiu defender eficazmente a linha do Tejo — tendo já perdido Lisboa. em paços próprios. dentro do castelo que ali fora edificado no século anterior. que fora cedida aos Leoneses pelo rei taifa de Badajoz. por estranhos. Henrique a sua habitação. entregue a Raimundo. apoiado pelos interesses políticos clunicenses. no caso português. para melhor reforçar o território: um comando na zona central. D. as condições lhe eram propícias. Henrique (1112). .

Afonso Henriques. Henrique 1096 1112 Pai de D. Afonso Henriques. Mãe de D.Aos catorze anos de idade (1125). Afonso Henrique s 1128 27 de O Conde de Portucale e Julho de 11 Conquista depois primeiro Rei de 39 dor Portugal O Fundador .1128). 3 D. com o rei Afonso I de Borgonha (Afonso Henriques). e declarou a independência. o reino de Portugal e sua primeira dinastia. Lutando contra os cristãos de Leão e Castela e os muçulmanos. Esta é vencida. D. pois. 2 D. [editar]Condes Portucalenses: Casa de Borgonha Início do govern o # Nome Fim do Cognome governo (s) Notas 1 D. Nascia. Teresa 1112 1128 Regente na menoridade do filho (r. Afonso Henriques toma conta do condado e dele vai fazer o reino de Portugal. em 1139. 1112 . o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. em 1139. Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. trava-se a Batalha de São Mamede (Guimarães) entre os partidários do infante Afonso e os de sua mãe. Em 1128. com o título de regina(«rainha»).

Teresa.C. Portugal e de Castela. Teresa. com o apoio da nobreza portuguesa da época. Teresa começou (1121) a intitular-se rainha. originou a revolta destes. sob chefia do seu filho. de Navarra e Aragão. . descontente com as políticas bélicas do conde Raimundo de Borgonha. o pensamento de D. Assim nasciam os reinos de Leão e. conseguir a independência para o condado. nasceria o reino de Portugal. Henrique de Borgonha. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera.O Grande INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL Foi rápida a ocupação muçulmana da Península Ibérica no ano 711 d. D. Aquando a morte de D. a infanta D. sucede-lhe a viúva deste. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a reconquista era bem sucedida.. Deste condado. o jovem Afonso Henriques. Afonso Henriques. D. em 1096. o rei Afonso VI de Leão e Castela entrega o governo do Condado Portucalense a um primo de Raimundo. Aos catorze anos de idade (1125). Inicialmente. Henrique (1112). o Reino da Galiza. e mudar de política. Alguns anos mais tarde. D. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço de tal maneira a que D. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques de Borgonha. que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III da Galiza quando morreu. Primeiro. juntamente com a sua outra filha. e a reconquista pelos visigodos foi francamente mais lenta. passando Henrique a ser conde de Portucale. Teresa foi obrigada a abdicar das suas pretensões. D. o conde D. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses por parte de sua mãe. mais tarde. Teresa. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. D.

A luta entre D. o Reino de Portugal e a sua primeira dinastia e Casa Real: os Borgonha. enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. o rei Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas. pois. dado que ele era neto de Afonso VI. data em que o rei Afonso VII assinou o Tratado de Zamora. declarando-o reino independente. após conquistar Santarém no dia 15 de março com o auxílio de uma poderosa esquadra com 160 navios. RECONQUISTA . torna-se rei. e com o apoio dos nobres portugueses. Uma vez vencida. o rei Afonso I de Portugal. mas sim como rei. através da Bula Manifestis Probatum. D. feito que só conseguiu realizar em 24 de Outubro do mesmo ano. Em 1139. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia. a lutar contra as forças do seu primo. no entanto. em 1139. Imperador de toda a Hispânia. Continuou. Nascia. D. depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro. D. Em 1179 o papa Alexandre III. até então. Afonso VI. Dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário daSanta Sé. Afonso Henriques afirma-se como rei de Portugal. Na continuação das conquistas procurou também terreno ao sul. ele também se intitulava como Imperador). D. Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se. por Mouros e. Contudo. Desde então. após ver malograda a primeira tentativa de conquistar Lisboaem 1142. e um contingente de 12 a 13 mil cruzados que se dirigiam para a Terra Santa. Afonso Henriques (Afonso I) procurou consolidar a independência por si declarada. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante 15 anos. povoado. Afonso Henriques. o qual só foi feito por parte do Reino de Leão e Castela a 5 de Outubro de 1143. confirma e reconhece a Portugal como país independente e soberano protegido pela Igreja Católica. pois à semelhança de seu pai. passando a assinar todos os documentos oficiais não como conde. o estatuto de independência carecia de reconhecimento. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos. Afonso Henriques toma conta do condado. que assinalaria a separação entre os reinos. até que a 24 de Junho de 1128 se trava a batalha de São Mamede (em Guimarães) e D. é aclamado como rei soberano.

Em Portugal. que. precedida pela conquista das praças africanas foi considerada. uma região no Norte da Península.Reconquista (também referenciada como Conquista cristã) é a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que visava à recuperação dos Visigodos cristãos das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica. aí surgiria Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados. na Península Ibérica. como uma continuação da Reconquista. Precedentes Por volta do ano 711 toda a Península Ibérica seria invadida por hordas berberes. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: cum cornu et albende de rege. obrigando os visigodos a recolher-se principalmente nas Astúrias. os muçulmanos estavam mais interessados em atravessar osPirenéus e derrotar os Francos. pelas suas características naturais. o que acabou por não acontecer. colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. A guerra tinha um objectivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. onde resistiram muitos refugiados. A reconquista de todo o território peninsular vai durar cerca de oito séculos. Os muçulmanos não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias. visto terem como objectivos conquistar todos os territórios à volta do Mediterrâneo. . pois foram derrotados pelos Francos. com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada. só ficando concluída em 1492 com a tomada do reino muçulmano de Granada pelos Reis Católicos. em 1253. A ideia de «cruzada» só veio a surgir na época das Cruzadas (1096). entre outros fatos. a reconquista terminou com a conquista definitiva deSilves pelas forças de D. isto é. Afonso III. pela presença de governantes muçulmanos. em parte. O período compreendido entre 711 e 1492 foi marcado. Em nome da recristianização da região. iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido. comandadas por Tarik ibn-Ziyad. a expansão marítima portuguesa. ocorreu um longo processo de lutas. considerado por alguns como parte do movimento de cruzadas. Mais tarde. Além disso. resultando finalmente na completa reconquista do território por parte dos cristãos.

segundo a tradição. a unificação da Espanha deu-se de forma gradual. O domínio muçulmano na Península levava os guerreiros cristãos a porfiadas pelejas. refugiados nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias. até hoje ainda existem movimentos separatistas. um outro considera-o um nativo das Astúrias. para estabelecerem uma relação entre os guerrilheiros montanheses e a «restauração» do Cristianismo em Espanha. aproveita a desorganização muçulmana e dá início a um processo de reconquista dos territórios hispânicos. Um escritor árabe coevo diz que se tratava de umgalego. Não se sabe muito sobre Pelágio: o nome não é gótico: os autores de pequenas crónicas escritas pelo fim do século IX e no X procuram relacionálo com os antigos reis visigodos. que se acantonavam nas terras mais ao norte. Um historiador moderno supõe que seria um servo que se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que seguiu a queda da monarquia. do rei Rodrigo. que iria durar cerca de oito séculos.Durante esta fase. . revoltaram-se contra os árabes: estes eram pouco numerosos e chamaram tropas sírias. os soldados berberes. Enquanto Portugal já em 1250 tinha seus limites muito próximos dos atuais. que dominaram a revolta. cada um querendo «gizar» um reino para si. A revolta Estátua dePelágio das Astúrias Antes de 750. parente. dá-se o nascimento do Reino de Portugal e de diversos outros reinos na Península Ibérica. Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de montanheses (ástures e cántabros) que escaparam à dominação árabe da Península. Em 718 Pelágio. outros autores consideram que Pelágio era duque da Cantábria. chefe dos Visigodos.

capitaneados por Pelágio. o duque da Cantábria atraiu-os para a entrada da gruta de Covadonga. Aquando da aproximação dos árabes. que lá estavam. Ao som da trombeta de Pelágio. cerca de novecentos anos antes: ainda que muito a custo. Das Astúrias desceu um dia um grupo de godos. fez recuar o Corão para as praias de África e restituiu a Península ao Cristianismo. ou quase livres. prolongando-se através de quase oito séculos. precipitaram-se em sua direcção. do cimo dos rochedos surgiram guerreiros que dizimaram os africanos e os renegados godos com tiros e lançando rochedos. dá-se assim a derrota dos muçulmanos. A oportunidade Os cristãos esperavam esses combates na esperança de um avanço na reconquistas cristã. em consequência da qual as terras para o norte do Douro ficaram livres. marcharam para o sul para . atribuindo ao temor esta fuga simulada. na Batalha de Covadonga. puderam chegar aí sem serem sentidos pelos árabes. e que seria o primeiro elo dessa cadeia de combates que. Na batalha de Auseba foram vingados os valentes que pereceram nas margens do Chrysus. pela morte de vinte mil sarracenos. Seguiu-se uma prolongada guerra civil. e encontravam nas montanhas das Astúrias um campo propício.É em 722 que ocorre a primeira grande vitória dos Cristãos contra os mouros. os cavaleiros enviados em cilada para a floresta à esquerda das gargantas de Covadonga. os cristãos recuaram e os primeiros. Pouco a pouco. dos invasores. Alexandre Herculano considera que o ardil de guerra que deu a vitória a Pelágio tem muito de comum com aquele que Viriato pusera por vezes em prática. porque os berberes. a cerca de 740. que infligiria aos sarracenos uma formidável derrota na batalha de Cangas de Onís (cerca de722).

passando os mouros a fio de espada e levando consigo. a Península Ibérica tinha duas zonas. entre os mortos e os feridos. À aproximação dos soldados(umas vezes mouros. Alguns historiadores. Os ataques As razias eram feitas nos lugares onde os saques podiam ser compensadores. As populações não estavam submetidas a nenhuma organização definida permanente. A Galiza foi uma zona onde essa luta foi mais renhida e devastadora. cujo limite passava. entre eles Alexandre Herculano. então. que incluía toda a Galiza. tomaram à letra algumas frases dos cronicões da reconquista. há indicações de conflitos sociais violentos entre os servos e os senhores. Antes de terminar o século VIII. em especial o atribuído a Sebastião. Toledo. os aldeões faziam como em Coimbra: refugiavam-se nos montes e voltavam depois para construir novas choupanas e continuar as sementeiras. bispo de Salamanca. por Coimbra. Este ponto de vista foi depois corrigido. outras vezes cristãos). aproximadamente. . e o facto de se repetirem várias vezes mostra que as populações estavam enraizadas. É essa a origem da teoria do ermamento: se todos os mouros foram mortos e todos os cristãos levados. Os cristãos levados para o norte pode explicar-se pela necessidade de mão-deobra. por efeito do recuo dos mouros. levantar cabeça e colocaram-se do lado dos cristãos contra os mouros. a não ser ao clero. Apesar disso. mas o culto cristão nunca foi interrompido. As populações hispano-góticas dessas regiões puderam. a terra transformou-se num grande deserto. E estas dificuldades iam fortalecendo o poder popular.fazer guerra aos árabes. divididos por guerras internas. onde a vida social parou e só veio a renascer a partir da sua incorporação nos novos reinos cristãos. E. todos os cristãos que encontrou no território. há sempre alguns que escapam. para norte. As condições sociais desta época são pouco conhecidas. o Minho. o Douro e parte da actual Beira Alta. Algumas sés (entre elas as do Porto e Braga) foram abandonadas pelos bispos. seguia o curso do Mondego por Talavera. Rezam as crónicas que foi Afonso I (um chefe asturiano) quem reconquistou uma enorme região. Tudela e Pamplona.

Sebastião de Salamanca e o cronicão Albeldense falam-nos de uma revolta de libertinos. sendo a partir de então apelidado de Matamoros (Mata-Mouros). altura em que o seu brado foi substituído pelo de São Jorge. isto é. Santiago Mata-Mouros De acordo com outras tradições.Os Cristãos consideravam que o seu protector era Santiago (ainda hoje patrono da Espanha). Mas os «reconquistadores» não aceitavam as organizações dos vizinhos que. Diz que se revoltaram contra os senhores mas foram vencidos e «reconduzidos à escravidão». Essas revoltas não eram de carácter religioso: não existem indícios de uma profunda adesão dos povos ao credo islâmico. Em alguns casos. Santiago y cierra España foi desde então o grito de guerra dos exércitos espanhóis. entretanto. as populações revoltavam-se após a incorporação dos territórios em que habitavam no domínio cristão. se tinham enraizado. descendentes de antigos escravos. Santiago teria aparecido miraculosamente em vários combates travados em Espanha durante a Reconquista Cristã. Os reinos cristãos . apelidado deSantiago Matamouros. Santiago foi também protector doexército português até à crise de 1383-1385.

A verde. os territórios sob domínio muçulmano. outros tons para os reinos cristãos da Península (Leão. Aragão.900 .Mapa da evolução da conquista cristã. ao mesmo tempo. Os reis ásturo-leoneses foram alargando os domínios cristãos que atingiram o rio Mondego (Afonso III de Leão. iam repovoando terras e reconstruindo igrejas e mosteiros.1150 1300). formando o Reino de Navarra. fundado por Pelágio. O primeiro reino cristão foi o das Astúrias. Castela. e. Cronologia da reconquista cristã da Península Ibérica (790 . ficando célebre na parte ocidental . e mais tarde de Reino de Leão. a amarelo a formação do território português. Nos princípios do século X a provínciade Navarra tornou-se independente. Navarra).

o Mosteiro de Guimarães – com grandes muitos castelos por todo o norte do país. e reduzindo o reino cristão ao último extremo. a capital. aproveitando as lutas entre os principados muçulmanos após a desagregação do califado de Córdova (1031). anexou o condado de Castela e. No século XI. o Magno. Santarém permanece então . de Castela e de Galiza. Porém. Sancho de Navarra. Fernando. alargando assim definitivamente os limites da reconquista até ao Mondego. com magistrados próprios. Afonso VI de Castela reúne novamente todos os estados de seu pai. Afonso com Leão e Astúrias. a oeste. vindo à Península. as discórdias entre os chefes cristãos enfraqueceram o reino. estendendo assim a reconquista até ao Tejo. derrotam os exércitos cristãos na Batalha de Zalaca (1086). morto Sancho e destronado Garcia. separadamente dos outros territórios da Galiza. Depois de varias lutas entre os irmãos. ao falecer (1065). diminuindo de extensão o poder dos leoneses. repartiu os seus domínios pelos filhos: Sancho ficou com Castela. os nobres galegos e do condado portucalense. entre as quais Coimbra(1064). Este monarca desenvolveu o território entre o Douroe Mondego. rei de Leão e Castela. e Garciacom a Galiza (e portanto com o condado de Portugal). por sua morte. onde fixou a capital. tomam Santarém e a seguirLisboa e Sintra (1093). e Almançor tomou a ofensiva destruindo Leão. com dois distritos ou condados – Portugal e Coimbra – gozando de autonomia administrativa. rei de Navarra. notabilizou-se na luta contra os muçulmanos recuperando muitas terras. Afonso VI. propriedades rústicas e Porém. tornando-se assim rei de Leão. os seus estados foram divididos pelos três filhos. já no século X. transformado em reino independente. e estes. Contudo. sendo nessa altura os condados de Aragão e de Castela elevados à categoria de reinos. o qual aparece designado por Portucale. uma reacção mais forte dos Sarracenos trouxe-os de novo até junto de Santarém e após um longo assédio a cidade rendeu-se. prosseguiu a guerra contra os infiéis e conquistou Toledo. Face ás vitórias cristãs. mas este em breve se apoderou também do reino de Leão. O reino de Castela coube aFernando I. Fernando I. os emires pedem auxilio aos Almorávidas da Mauritânia. em 1110.

Aragão e peloscondes de Barcelona. filha ilegítima de Afonso VI e recebe. No ano seguinte chega à PenínsulaD. Afonso VI de Leão. a reconquista contra os Almóadas foi prosseguida pelos reis de Portugal. depois. conquistando a Independência de Portugal e iniciando a reconquista portuguesa autonomamente. irmão do Duque de Borgonha e primo de Raimundo. filho do conde de Borgonha. filha do rei de Leão e recebe deste (1093) o governo de toda a Galiza até ao Tejo. ficando. o último grande reconquistador espanhol até aos reis católicos. Henrique. Teresa. Acudindo aos apelos de Afonso VI. entre os cavaleiros de além-Pirenéus. iria revoltar-se contra a sua mãe. que casaria com D. O reino da Galiza passou a ser unicamente aquele ao norte do rio Minho. que recebe a mão de D.terra que seu filho Afonso Henriques (revoltandose contra ela e o seu padrasto Fernão Peres de Trava) alargou e tornou em reino independente. com o tempo.no poder dos mouros até ser reconquistada definitivamente por D. Desde o início do seu reinado. filho do conde de Portucale. Portugal na Reconquista D. o governo da província portucalense que fazia parte do Reino da Galiza . vem Raimundo. Afonso Henriques em 1147. Assim. Depois de D. conseguimos documentar as seguintes batalhas: Reinado Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Acontecimento Local Ano 113 5 113 9 114 Fundação do Castelo Leiria Batalha de Ourique Ourique Tomada do Castelo Santarém . mais dependente do poder do Reino de Castela — limitada por Leão a Este e por Portugal a Sul. a Galiza assumia assim a sua fronteira e Portugal seria o único a constituir um estado independente do poder castelhano. Urraca. Castela. a formação do reino de Portugalfoi uma frutuosa consequência das cruzadas do Ocidente. Afonso Henriques.

Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques 7 114 7 114 7 114 7 114 7 do 115 8 115 9 115 9 115 9 116 2 116 5 Conquista de Lisboa Lisboa Batalha de Sacavém * Sacavém Tomada do Castelo Almada Tomada do Castelo Palmela Conquista Alcácer Sal Conquista do Castelo Tomar de Cera Conquista Évoramonte de Évoramonte Conquista de Beja Beja Reconquista de Beja Beja Conquista de Évora Évora .

tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e subsequente expansão. uma Ordem militar e religiosa instituída com o propósito da cristianização. O fim do domínio árabe .Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Tomada de Serpa Serpa 116 6 116 6 116 9 118 9 de 121 2 134 0 Tomada de Moura Moura Batalha de Badajoz Badajoz D. especialmente. Afonso II Batalha Tolosa Navas de Navas Tolosa D. bem como na fundação do próprio Reino de Portugal. das quais se destaca a Ordem dos Templários. viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o Médio Oriente.Considerada lendária pela historiografia moderna Cronologia da Reconquista Ordens religiosas e Cruzadas Todos os reinos ibéricos puderam beneficiar do apoio de várias Ordens Militares. Sancho I Rendição da Cidade Silves D. Afonso IV Batalha do Salado Salado * . Portugal.

Granada — entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela. cartografia e astronomia. Ainda com o apoio da Igreja. Leão. Os descobrimentos resultaram na expansão portuguesa e deram um contributo essencial para delinear o mapa do mundo. Navarra e Aragão iniciavam uma relativa unificação ao possuir um único rei (embora mantendo a autonomia económica. Castela. debatiam-se estes dois Estados pelas conquistas marítimas. que posteriormente recebeu o nome de reino de Espanha. DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de viagens e explorações marítimas realizadas pelos portugueses entre 1415 e 1543 que começaram com a conquista de Ceuta na África. Em 1492. . desenvolvendo os primeiros navios capazes de navegar em segurança em mar aberto no Atlântico. como Ceuta e Tânger. sob o pretexto da cristianização. ambos os reis estavam agora de olhos postos no Norte de África. impulsionados pela Reconquista e pela procura de alternativas às rotas do comércio no Mediterrâneo. Com estas descobertas os portugueses iniciaram a Era dos Descobrimentos europeus que durou do século XV até ao XVII e foram responsáveis por importantes avanços da tecnologia e ciência náutica. administrativa e comercial). para a fase inicial dosDescobrimentos. Já os reinos da Galiza. Caminhava-se. com a conquista do reino de Granada. a Reconquista chegava ao fim. Juntamente com o reino independente de Portugal. nas praças comerciais de renome. paralelamente.

Antecedentes Com a Reconquista concluída.Embora com antecedentes no reinado de D. culminando no reinado de D. instituiu um fundo de seguro marítimo para os comerciantes portugueses que viviam no Condado da Flandres. Dinis fez um acordo com o navegador e mercador genovês Manuel Pessanha (Emanuele Pessagno).Dinis interessou-se pelo comércio externo. roupas finas e diversos produtos fabricados da Flandres e da Itália. Chegaram à índia em 1498. João III. além de couro e Kermes. um corante escarlate. de onde tinham vindo os mouros que se haviam estabelecido na Península Ibérica. até ao projecto da descoberta de um caminho marítimo para a Índia de D. o espírito de conquista e Cristianização dos povos muçulmanos subsistia. Os portugueses dirigiram-se então para oNorte de África. passaram o Cabo da Boa Esperança e entraram no Oceano Índico movidos pela procura de rotas alternativas ao comércio Mediterrânico. Em 10 de Maio de 1293. que pagavam determinadas quantias em função da tonelagem. é a partir da conquista de Ceuta em 1415. altura em o Império Português ficou estabelecido. navegando no extremo da Ásia chegaram à China em 1513 e ao Japão em 1543. sal das regiões de Lisboa. que Portugal inicia o projecto nacional de navegações oceânicas sistemáticas[1] que ficou conhecido como "descobrimentos portugueses". Dinis (1279) e nas expedições às Ilhas Canárias do tempo de D. Afonso IV. As expedições prolongaram-se por vários reinados. que revertiam em seu benefício se necessário. nomeando-o primeiro almirante da frota real com privilégios comerciais com seu país. desde as explorações na costa africana impulsionadas pelo Infante D. Setúbal e Aveiro eram exportações rentáveis para o Norte da Europa. Terminada a Reconquista. organizando a exportação para países europeus. simultaneamente exploraram o Atlântico Sul e aportaram nas costas do Brasil em 1500. D. João I. Os portugueses importavam armaduras e munições. filho de D. Vinho e frutos secos doAlgarve eram vendidos na Flandres e na Inglaterra. Avançando progressivamente pelo Atlântico ao longo das costas do continente africano. Henrique.[2] Em 1317 D. em troca de vinte navios e suas tripulações. João II. com o objetivo de defender as .

Genoveses e florentinos estabeleceram-se então em Portugal. com a maioria da população fixada nas zonas costeiras de pesca e comércio. que lucrou com a iniciativa e experiência financeira destes rivais da República de Veneza. [5] Entre 1325 e 1357 D. foram oficialmente descobertas sob o patrocínio do rei Português. Afonso IV de Portugal concedeu o financiamento público para levantar uma frota comercial e ordenou as primeiras explorações marítimas. os mercadores da República de Génova tinham-se voltado para o comércionorte Africano de trigo. azeite (também fonte de energia) e ouro . personifica a gesta dos descobrimentos[4] Na segunda metade do século XIV.[6] A sua exploração foi concedida em 1338 a mercadores estrangeiros. Só o mar oferecia alternativas.[3] Obrigados a reduzir suas atividades no Mar Negro.costas do país contra ataques de pirataria (muçulmana). . mas em 1344 Castela disputou-as. lançando as bases da Marinha Portuguesa e para o estabelecimento de uma comunidade mercante genovesa em Portugal.navegando até aos portos de Bruges (Flandres) e Inglaterra. já conhecidas dos genoveses. com apoio de genoveses. Henrique. concedendo-as ao castelhano D. o Navegador. O Infante D. sob o comando de Manuel Pessanha. Luís de la Cerda. surtos de peste bubónica levaram a um grave despovoamento: a economia era extremamente localizada em poucas cidadese a migração do campo levou ao abandono da agricultura e ao aumento do desemprego nas povoações. Em 1341 as ilhas Canárias.

nem o faria em boa verdade.No ano seguinte. por uma expedição organizada por D. D. Luís de Camões. os letrados as suas. abrindo assim caminho para o futuro Tratado de Windsor em 1386. sobrepondo-se a todos os outros. em 1415. Gil Vicente. sucessivamente renovadas pelos dois povos. entre outros. João I emite uma lei para regular o comércio dos mercadores estrangeiros. O cronista Gomes Eanes de Zurara refere que os Infantes tinham as suas razões. João I: “Eu não o teria por vitória. [editar]Motivações Até ao século XIX. João I. no final. Em 1370 é criada a Bolsa de Seguros Marítimos e em 1387 há notícia do estabelecimento de mercadores do Algarveem Bruges. Henrique reconhecido internacionalmente como o seu grande impulsionador. prevaleceu. foi como tal apontado. Afonso IV enviou uma carta ao Papa Clemente VI referindose às viagens do portugueses às Canárias e protestando contra essa concessão. . A aventura ultramarina ganharia grande impulso através da acção do Infante D.[7] O motivo religioso. mas a decisão cabia ao rei D. se não sentisse que em alguma maneira era serviço de Deus”. a vontade do rei de Castelasobre estas ilhas. Nas reivindicações de posse. considerava-se que a principal motivação para as conquistas africanas em Marrocos tinha sido de ordem religiosa. Há unanimidade dos historiadores em considerar a conquista de Ceuta como o início da expansão portuguesa. Foi uma praça conquistada com relativa facilidade. Em 1353 é assinado um tratado comercial com a Inglaterra para que os pescadores portugueses pudessem pescar nas costas inglesas. tipicamente referida como os Descobrimentos. Em 1395. por João de Barros. ainda que soubesse cobrar todo o mundo por meu.

(3ª) saber até onde chegava o poder dos muçulmanos. mais de um século depois resumidas pelo carmelita Frei Amador Arrais. vieram a dar lugar aos descobrimentos. considerando a primazia do interesse económico: procurar acesso directo a fontes de fornecimento de trigo. houve historiadores que julgaram o passado com as preocupações do presente. & Chave de toda Hespanha. No século XX. Porta do comércio do poente para levante. rebatendo essa tese: "Ainda que Ceuta tivesse importância como centro de comércio. a sua conquista por cristãos desviaria dela o tráfico muçulmano" [8] As conquistas de Marrocos. Baluarte da Cristandade. as expedições organizadas pelo Infante tinham cinco motivações: (1ª) conhecer a terra além das Canárias e do cabo Bojador. Segundo Gomes Eanes de Zurara." O inimigo muçulmano dominava o Estreito e era poderoso em Granada. naCrónica do descobrimento e conquista da Guiné (Capítulo VII). tomãdo Septa. de ouro ou de escravos no norte de África. Mas houve também historiadores. (2ª) trazer ao reino mercadorias. sob o impulso do Infante D. Afonso IV na Batalha do Salado . começou a conquista de África.As importantes rotas comerciais da sedae das especiarias. Henrique. permitindo também reprimir ou tolher a pirataria dos mouros nas costas do Atlântico.“El-Rei Dom João o primeiro. porém. ligando-as à acção deD. Ceuta era uma base naval que podia servir de apoio à navegação entre a península itálica e Portugal. foi o que motivou a procura de um caminho marítimo pelo Atlântico. como David Lopes. contornando a África Mapa das rotas comerciais portuguesas de Lisboa à Nagasaki em 1580-1640 Mas havia também outras razões para a conquista de Ceuta. bloqueadas pelo Império Otomano em 1453 com a queda de Constantinopla. Pela sua posição geográfica. (4ª) encontrar aliados que o pudessem ajudar numa guerra que durava há trinta .

1558. (5ª) e trazer para a fé de Cristo todas as almas que se quisessem salvar.Museu Britânico A conquista de Ceuta em 1415 é geralmente referida como o início dos "descobrimentos Portugueses". acabará por levar a expansão portuguesa até ao Oriente em busca das especiarias. As primeiras navegações estão associadas à sua figura a partir da base que estabeleceu em Lagos e na Sagres. Diogo Homem. Quando se firma o projecto da descoberta do caminho marítimo para a Índia. que a partir de então dirigiu e impulsionou as primeiras expedições no Atlântico. Além dos interesses materiais. parece haver sobretudo a intenção de envolver pela rectaguarda o grande poderio islâmico. Portugal iria ligar directamente as regiões produtoras das especiariasaos seus mercados na Europa. mapa da África oriental no Queen Mary's Atlas. João II. onde foi acompanhado por um grupo de cartógrafos. ao avançar pela costa de África na direcção do sul. Nela participou o Infante D. O proveito de uma rota comercial alternativa mostrava-se recompensador. Afonso V e D.e um anos. Henrique. o príncipe ambicionava estabelecer . [editar]Primeiras expedições no Atlântico Imagem de Preste João no trono. com o Infante. as trocas comerciais no Mediterrâneo de Veneza e de Génova ficaram muito reduzidas. como investimento do seu património pessoal. Em 1453. a expansão portuguesa está já dominada pelo interesse comercial. com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos. adversário da Cristandade (uma estratégia militar e diplomática tributária do espírito das Cruzadas). astrónomos e pilotos. a crescente intervenção dos "cavaleirosmercadores" (Magalhães Godinho) nos reinados de D. Se.

o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. Pico e Faial). e sob comando do Infante D. Graças a essa aliança. D. mas numa escala planetária. ainda no reinado de D. Tratava-se de ilhas desabitadas que. [editar]A ilha da Madeira Em 1418. navegando com Afonso Gonçalves Baldaia descobriram Angra de Ruivos e este último chegou ao Rio de Ouro. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que só terminou com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. após a derrota portuguesa . dissipando o terror que este promontório inspirava. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira noséculo XIV. São Miguel e Santa Maria. interessados e participantes nas navegações e. São Jorge. Henrique pensava expulsar os Muçulmanos da Terra Santa e recomeçar as Cruzadas. como dirigente governativo. principalmente em mapas italianos e catalães. pelo seu clima. Os arquipélagos da Madeira e das Canárias despertaram. desde cedo. representavam fortes potencialidades económicas e estratégicas. Segue-se o descobrimento do grupo central -Terceira. Em 1452 o grupo ocidental (Flores e Corvo) é descoberto por Diogo de Teive. o infante D. ofereciam possibilidades de povoamento aos Portugueses e reuniam condições para a exploração agrícola. No ano seguinte. dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves.uma aliança com o Preste João das Índias. Por trás deste movimento estava um grupo vasto de mercadores e armadores profissionais. Graciosa. por serem vizinhos da costa africana. João I. Entretanto. [editar]Os Açores Em 1427. um príncipe cristão que governaria as terras da Etiópia. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. no Saara Ocidental. responsáveis por uma série importante de iniciativas a que o Navegador aderiu. [editar]A costa oeste de África Em 1434 Gil Eanes contornou o Cabo Bojador. Pedro. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. segundo revela a cartografia da mesma época.

Nesse ano faleceu o Infante D. da costa oeste africana Golfo da Guiné e "A mina" . em Portugal.Duarte). independentemente de novos avanços. Em 1456. Após a sua morte. Juntamente com Antão Gonçalves fizeram incursões ao Rio do Ouro. Afonso V. sustentar uma actividade comercial capaz de responder às necessidades denumerário que. Em 1460. como em toda a Europa. de onde foi obtido ouro em pó. o Infante D. Henrique.de Tânger em 1437. que poderá cobrar impostos sobre a navegação e comércio. em 1441 Nuno Tristão chegou ao Cabo Branco. os portugueses adiaram o projecto de conquistar Marrocos no Norte de África.[10] Em 1455 é emitida a bula Romanus Pontifex do Papa Nicolau V confirmando as explorações portuguesas e declarando que todas as terras e mares descobertos a sul do Bojador e do cabo são pertença dos reis de Portugal.Pêro de Sintra atinge a Serra Leoa. Mapa do século XVI. No ano seguinte chegava a Bristol o primeiro carregamento de açúcar provindo da ilha da Madeira.[9] Já na regência de D. Diogo Gomes descobre Cabo Verde e segue-se o povoamento das ilhas ainda no século XV. A partir de então ficou generalizada a convicção de que essa área da costa africana poderia. se fazia sentir. a missão é atribuída temporariamente ao seu sobrinho. Fernando (filho de D.

Com o seu patrocínio.000 réis.[13] Quando as expedições chegaram a Elmina na Costa do Ouro em 1471. teria começado a partir da Serra Leoa. Fernão do Pó (que descobriu a ilha Formosa (em África). a costa da Mina. contra uma renda anual de 200. D. ficava aquele «honrado cidadão de Lisboa» com a obrigação de continuar as explorações. pois o exclusivo era garantido com «condição que em cada um destes xinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas.[14]encontraram um florescente comércio de ouro. de maneira que ao cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas[12]». [11] Segundo João de Barros. João de Santarém e Pêro Escobar exploraram a costa setentrional do Golfo da Guiné. Afonso V. Assim que lhe foi entregue a política de expansão ultramarina. João organizou a primeira viagem de Diogo Cão. que em 1472 descobriu a Terra Nova. per si.». que ficou conhecida posteriormente pelo seu nome). Mais tarde. e per seus oficiais. a organização das explorações por terras africanas. Pedro Escobar. Fernão Gomes fêlo mesmo para além do contratado.Em 1469. Rei de Portugal dadas as poucas receitas da exploração. Afonso V entregou ao seu filho. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. Em 1485. já no Hemisfério Sul. Diogo Cão levou a . a do Calabar e a do Gabão e as ilhas de São Tomé e Príncipe e de Ano Bom. concedeu o monopólio do comércio no Golfo da Guiné ao mercador de LisboaFernão Gomes. Este fez o reconhecimento de toda a costa até à região do Padrão de Santo Agostinho. Em 1474. Seguiram-se outros navegadores como Soeiro da Costa (que deu nome ao rio Soeiro). e em 1473 Lopo Gonçalves (cujo nome se transmitiu ao Cabo Lopo Gonçalves. com apenas dezanove anos. os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina. João II. do qual não há grandes pormenores. em 1481. D. hoje conhecido por Cabo Lopez) ultrapassou o Equador. futuro D. onde haviam já chegado Pedro Sintra e Soeiro da Costa. mui boa ordem à navegação destes trautos e os governa mui bem. a de Benin. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. o rei confirmou a missão do príncipe em novo diploma: «…sabemos certo que ele dá. Lopo Gonçalves. o príncipe D. Este avanço. João Vaz Corte-Real. atingindo a «minha de ouro» de Sama (actualmente Sama Bay).. João.

os dois ciclos da expansão: o chamado ciclo oriental. para a Coroa de Castela. A Fortaleza de São Jorge da Mina e a cidade foram construídos em 1482 em redor da indústria do ouro.[15] Com os lucros deste comércio. Além da aquisição do ouro e malagueta.cabo uma segunda viagem até à Serra Parda. a partir de então. do Paralelo 27 no qual se encontravam. definindo-se.[16] [editar]A ligação do Atlântico com o Índico . O tratado dividia as terras descobertas e a descobrir por umparalelo na altura das Canárias. Alcácer Ceguer e Tânger. o comércio escravagista oferecia boas perspectivas de lucro. estabelecendo a paz e concertando a política externa Atlântica dos dois reinos rivais: Portugal obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira. desse modo. Portugal negociou com Castela o Tratado das Alcáçovas-Toledo. e o que se denominou posteriormente de ciclo ocidental. pelo qual a Coroa portuguesa garantia o seu progresso para o sul e o Oriente. Fernão Gomes auxiliou o monarca na conquista de Arzila. contornando a costa africana (o chamado "périplo africano"). e a sul. o Arquipélago dos Açores. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador. dividindo o mundo em dois hemisférios: a norte. Preservavam-se. no ano seguinte. o de Cabo Verde e a costa da Guiné. buscando proteger o investimento resultante das descobertas. Há notícias de carregamentos de açúcar da Madeira serem entregues em Rouen (1473) e Dieppe (1479). Diogo Cão chega ao rio Zaire. A pedra de Dighton na Terra Nova. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias. os interesses de ambas as Coroas. evidência da descoberta por João Vaz Corte-Real Em 1479. pelo qual Castela se aventurou no oceano Atlântico. ou seja. Em 1482 dá-se a construção da Fortaleza de São Jorge da Mina e. para oeste até ao Novo Mundo. para a Coroa de Portugal.

Porém. D. D. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias. pelo custo implicado na expedição e manutenção das rotas marítimas que daí adviessem. Contentavam-se com o comércio da Guiné e do Norte de África e temia-se pela manutenção dos eventuais territórios além-mar. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa. Esta posição é personificada na personagem do Velho do Restelo que aparece. n'Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões. este empreendimento não era bem visto pelas altas classes. a opor-se ao embarque da armada.Viagem de Bartolomeu Dias (1487–88) Em 1487. comandando uma expedição com três Caravelas. D. Estabelecia-se assim a ligação náutica entre o Atlântico e o Oceano Índico. João II tão esforçadamente havia preparado. Bartolomeu Dias. embora mantendo o plano original. Porém. Nesse mesmo ano. o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. Seria o seu sucessor. O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição. João II envia Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã em busca do Preste João e de informações sobre a navegação e comércio no Oceano Índico. . Nas Cortes de Montemor-o-Novo de 1495 era bem patente a opinião contrária quanto à viagem que D. atinge o Cabo da Boa Esperança.

propondo estabelecer um paralelo das Ilhas Canárias. o tratado resolvia os conflitos que seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo e garantia a Portugal o domínio das águas do Atlântico Sul. Abraão Zacuto é expulso da Espanha por ser judeu. Cientes da descoberta de Colombo. sem a intervenção do Papa.Em 1492. Como resultado das negociações. mas só entre os dois Estados. foi assinado em 7 de Junho de 1494 o Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Castela. Os castelhanos recusaram a proposta inicial.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde.[17] Em princípio.que concediam ao reino de Espanha o domínio dessas terras. Este tratado estabelecia a divisão do Mundo em duas áreas de exploração: a portuguesa e a castelhana. trazendo consigo as tábuas astronómicas que ajudariam os navegadores portugueses no mar. os cosmógrafos portugueses argumentaram que a descoberta se encontrava em terras portuguesas. Reuniram-se então os diplomatas em Tordesillas. e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. segue-se a promulgação de três bulas papais . vindo viver para Portugal. mas prestaram-se a discutir o caso.as Bulas Alexandrinas . cabendo a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1. [editar]Tratado de Tordesilhas e o domínio do Atlântico Sul Ver artigo principal: Tratado de Tordesilhas Meridiano de Tordesilhas demarcando os territórios a explorar por Portugal e por Castela Face à chegada de Cristóvão Colombo à América no mesmo ano 1492. João II consegue uma renegociação. D. essencial para a manobra náutica então conhecida .

permitindo a ultrapassagem do cabo da Boa Esperança. D. o que foi finalmente alcançado pela frota de Vasco da Gama. para chefiar a armada. para capitão desta armada. empregada para evitar as correntes marítimas que empurravam para norte as embarcações que navegassem junto à costa sudoeste africana.como volta do mar. Segundo o plano original. João II. [editar]A chegada à Índia Ver artigo principal: Descoberta do caminho marítimo para a Índia Vasco da Gama chega à Índia. trazendo a boa-nova. Neste dia parte do Restelo a armada chefiada por Vasco da Gama. Manuel I mandou aparelhar as naus e escolheu Vasco da Gama. Tratava-se de uma expedição comportando três embarcações. Nos anos que se seguiram à assinatura do Tratado de Tordesilhas (1494) Portugal prosseguiu no seu projecto de alcançar a Índia. A 20 de . o rei D. Estêvão da Gama. A 8 de Junho de 1497 iniciou-se a expedição semi-planetária que terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio rio Tejo adentro. É a partir da viagem de Vasco da Gama que se introduzem as naus. na sua primeira viagem de 14971499. Mantendo o plano de D. mas a esta altura já ambos tinham falecido. João II teria designado seu pai. cavaleiro da sua casa. a 20 de Maio de 1498.

houve o contato inicial com os indígenas. Tendo-se afastado da costa africana. retornando com o máximo de mercadorias. após missa solene na ermida do Restelo. Mas Pedro Álvares Cabral. transportando de 1. integrada por dez naus e três caravelas. à qual compareceu o Rei e toda a Corte. tendo partido de Lisboa a 9 de março de 1500. por alturas de Cabo Verde.Maio de 1498 Vasco da Gama chega a Calecute. promovendo a imagem de Portugal e instalando um entreposto comercial ou feitoria. soldados e religiosos.500 homens. após o retorno de Vasco da Gama. fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália. nos arredores de Porto Seguro. onde permaneceu até 2 de maio. A sua foi a mais bem equipada armada do século XV. Em 1499. avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. [editar]Chegada ao Brasil Ver artigo principal: Descobrimento do Brasil Carta a El Rei D. seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo. após quarenta e três dias de viagem. entre funcionários. No dia seguinte. A 24 de abril. desvia-se da rota. Pedro Álvares Cabral foi nomeado capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia. como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho. Manuelescrita por Pero Vaz de Caminha descrevendo as terras brasileiras achadas na expedição de Pedro Álvares Cabral. A sua missão era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim. Estabelecia-se assim o caminho marítimo para a Índia. . Era integrada por navegadores experientes.200 a 1. a 22 de abril de 1500.

e acabou sendo o primeiro capitão português a viajar pelo mar Vermelho. navegador que o descobrira em1488.face à abundante existência de madeira pau-brasil). Sua embarcação se perdeu durante a tormenta. e enviou uma das embarcações menores com a notícia. Incapaz de prosseguir rumo à Índia. após ter dobrado o cabo da Boa Esperança. e descobriu uma ilha a que deu o nome de São Lourenço. Assim. inclusive a Carta de Pero Vaz de Caminha. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. mais tarde designada Madagáscar. onde chegou com apenas sete homens. actualmente na Biblioteca Nacional de França. Cabral tomou posse.Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller. onde ocorrem confrontos com o Samorim. A armada de Pedro Álvares Cabral chega a Calecute em 1501. [editar]Explorações secretas e Duarte Pacheco Pereira Ver artigo principal: Duarte Pacheco Pereira . 1519). entre os quais o de Bartolomeu Dias. com o qual acaba por romper relações. de volta ao reino. perderam-se quatro dos navios. A 10 de Agosto de 1500. Diogo Dias contava entre os navegadores experientes da frota de Pedro Álvares Cabral na segunda armada à Índia. dirige-se para Sul e estabelece uma feitoria em Cochim. a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz" (mais tarde Terra de Santa Cruz e finalmente Brasil . em nome da Coroa portuguesa. separou-se do resto da expedição devido aos ventos. É citado na Carta do Achamento do Brasil de Caminha como «homem gracioso e de prazer». da nova terra. retornou a Portugal.

Painel japonês do período Nanban. onde foi o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à China. Simultaneamente investiu esforços diplomáticos com os mercadores do sudeste asiático. ordenou a partida dos primeiros navios portugueses para o sudeste asiático. guiados por pilotos malaios. comandado pelo seu homens de confiança António de Abreu e por Francisco Serrão. na Malásia. [editar]A chegada às Molucas. Note-se que uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas por Portugal foi Duarte Pacheco Pereira. estabelecendo relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião. ao tomar conhecimento da localização secreta das chamadas "ilhas das especiarias". China e ao Japão Carraca Portuguesa em Nagasaki. na Índia e pouco depois. Malaca. como os chineses. o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas. cidade fundada pelos portugueses no Japão em 1570. século XVII Em 1510 Afonso de Albuquerque conquistou Goa. em 1511. um dos nomes ligados a um suposto descobrimento do Brasil pré-Cabralino. na esperança de que estes fizessem eco das boas relações com os portugueses. Embora não existam evidências concretas a sustentar qualquer das hipóteses. Estes são os primeiros europeus a chegar às Ilhas . imediatamente enviou Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (actual Tailândia).[18] Ainda em Novembro desse ano. na Europa.A expedição de Pedro Álvares Cabral viria a abrir uma polémica historiográfica acerca do "acaso" ou da "intencionalidade" da descoberta. certo é que por esta data já se tinha. Conhecendo as ambições siamesas sobre Malaca.

Banda nas Molucas. A nau de Serrão encalhou próximo a Ceram e o sultão de Ternate, Abu Lais, entrevendo uma oportunidade de aliar-se com uma poderosa nação estrangeira, trouxe os tripulantes para Ternate em 1512. A partir de então os portugueses foram autorizados a erguer uma fortificaçãofeitoria na ilha, na passagem para o oceano Pacífico: o Forte de São João Baptista de Ternate. Em 1513, partindo de Malaca (actual Malásia) Jorge Álvares atinge o Sul da China. A esta visita seguiu-se o estabelecimento de algumas feitoriasportuguesas na província de Cantão, onde mais tarde se viria a estabelecer o entreposto de Macau. De acordo com os registos disponíveis, foi o primeiroeuropeu a alcançar e visitar o território que actualmente é Hong Kong. Em 1543, Francisco Zeimoto, António Mota e António Peixoto são os primeiros portugueses a atingir o Japão. Terão aportado ao Japão a 23 de Setembro, tendo sido este primeiro contacto de europeus com o Japão, relatado pelo cronista Fernão Mendes Pinto. Segundo este, a ilha de Tanegashima teria sido o primeiro lugar visitado pelos portugueses, que espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes que tinham visto como com a novidade das armas de fogo, visto que o conhecimento da pirobalística ainda não tinha chegado ao Japão. A chegada dos portugueses deu origem ao período de comércio Nanban (sendo Nabanjin, a denominação que atribuiam aos bárbaros do sul), durante o qual uma intensa interação com os poderes europeus ocorreu tanto a nível econômico como religioso. [editar]Descobrimentos e explorações portuguesas

Descobrimentos, viagens e explorações portuguesas: datas e primeiros locais de chegada de 1415-1543, principais rotas no Oceano Índico (azul), territórios portugueses no reinado de D. João III (verde) [editar]Países actuais Os descobrimentos Portugueses marcaram a primeira presença dos europeus, chegando pelos Oceanos, entre os primórdios do Século XV e a primeira metade do Século XVI, em muitos dos actuais países. Os portugueses foram os pioneiros nos países:
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América do Norte - Canadá (Terra Nova e Labrador) América do Sul - Brasil Oceania - Austrália, Papua-Nova Guiné, Vanuatu África (litoral atlântico e ilhas) - Marrocos (e Saara Ocidental), Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Cabo Verde, GuinéBissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Benim, Nigéria,Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe, Angola, Namíbia, África do Sul. África (Litoral índico e ilhas) - Moçambique, Madagascar, Tanzânia, Maurícia, Comoros, Quênia, Som ália

Ásia - Iêmem (Kamaran, Socotra), Omã, Bahrein, Irão (Ormuz), Índia (G oa, Damão e Diu, Dadrá e Nagar-Aveli, Calicute, etc.), SriLanka (antigo Ceilão), Maldivas, Tailândia (Sião), Malásia,Indonésia, Ti mor-Leste, Ilha Formosa (Taiwan), China, Japão. Ilhas diversas pertencentes a países europeus - Canárias (ESP); Açores e Madeira (POR); Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha (RU)

As Filipinas, as possessões Marianas Setentrionais (EUA) e a Polinésia Francesa (FRA) foram descobertas por um português a serviço da Espanha, Fernão de Magalhães, durante a sua viagem de circumnavegação. [editar]A ciência náutica portuguesa Ver artigo principal: Ciência Náutica Portuguesa

A Caravela Vera Cruz nos 150 Anos da A.N.L. As sucessivas navegações e a experiência acumulada dos pilotos levaram a uma evolução bastante rápida da ciência náutica portuguesa, tendo a investigação criado uma elite de astrónomos, navegadores, matemáticos e cartógrafos, entre os quais se destacaram Pedro Nunes com os estudos sobre a forma de determinar as latitudes por meio dos astros e D. João de Castro.

com uma tonelagem entre 50 a 160 toneladas e 1 a 3 mastros com velas latinas triangulares que permitiam bolinar. sendo substituídas pelas caravelas. "Nau" era o sinónimo arcaico de navio de grande porte. À medida . Madeira e Açores. Livro de Lisuarte de Abreu Com a passagem das navegações costeiras às oceânicas também as naus se desenvolveram de forma assinalável em Portugal. Mas que não conseguiam dar resposta às dificuldades no avanço para Sul.Navios Até ao século XV os portugueses praticavam a navegação de cabotagem utilizando a barca e o barinel. A caravela foi o navio que marcou os descobrimentos portugueses. Era e ágil e de navegação mais fácil. resultando do aperfeicoamento de embarcações já usadas na faina da pesca. Foram introduzidas as bocas-de-fogo. usadas nas primeiras viagens às ilhas Canárias. passaram a ser utilizadas na marinha de guerra. mas que não obstaram ao seu sucesso. na actual Mauritânia. que levaram à classificação das naus segundo o poder de artilharia. como os baixios. destinado essencialmente a transportar mercadorias. A pouca capacidade de carga e tripulação eram os seus principais inconvenientes. embarcações pequenas e frágeis de um mastro com velaquadrangular fixa. Armada portuguesa de 1507. os ventos fortes e as correntes marítimas desfavoráveis. e no litoral africano até Arguim. Entre as caravelas famosas estão a Bérrio e a Caravela Anunciação. Devido à pirataria que assolava a costa.

Navegação astronómica Padrão dos Descobrimentosrepresentando muitos dos seus intervenientes. naus de velas redondas e borda alta com três mastros que atingiam 2000 toneladas.que se foi desenvolvendo o comércio marítimo. castelos de proa e depopa. As naus eram imponentes e tinham.Belém. duas cobertas. Henrique. Lisboa . inaugurado em 1960 nos 500 anos da morte do Infante D. Na carreira da Índia no século XVI foram também usadas as carracas. A capacidade aumentou das duzentas toneladasno século XV até às quinhentas. em geral. dois a quatro mastros e velas sobrepostas. foram sendo modificadas as suas características.

como outros europeus. Mas os resultados variavam conforme longo do ano. recorreu-se às tábuas Almanach Perpetuum. Quando se introduziram na náutica as observações astronómicas que a revolucionaram. Para isso os portugueses utilizaram tabelas de inclinação do Sol. como a balestilha. publicadas em Leiria em 1496. para obter no mar a altura do sol e outros astros. O conhecimento do regime de ventos e correntes do Atlântico e a determinação da latitude por observações astronómicas a bordo. permitiu a descoberta da melhor rota oceânica de regresso de África: cruzando o Atlântico Central até à latitude dos Açores. Inventaram outros. 1496. que conheceram uma notável difusão no século XV. que foram utilizadas. as Tábuas astronómicas. em particular a observação de alturameridiana do Sol para com o conhecimento da declinação solar. como o Cruzeiro do Sul descoberto após a chegada ao hemisfério Sul por João de Santarém e Pêro Escobar em 1471. o Mar dos Sargaços). do astrónomo Abraão Zacuto.Tábua astronómica do Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto. que aligeiraram e simplificaram. o que obrigava a correcções. por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral. aproveitando os . que iniciaram a navegação guiada por esta constelação. preciosos instrumentos de navegação em alto-mar. Para a navegação astronómica os portugueses. juntamente com o seu astrolábio melhorado. recorriam a instrumentos de navegação árabes. Técnicas de navegação Mapa mostrando a localização das principais correntes e ventos oceânicos giratórios Além da exploração do litoral foram feitas também viagens para o mar largo em busca de informações meteorológicas eoceanográficas (foi nestes trajectos que se descobriram os arquipélagos da Madeira e dos Açores. como o astrolábio e o quadrante. se poder calcular a latitude do lugar. No século XIII era já conhecida a navegação astronómica através da posição solar.

ventos e correntes permanentes favoráveis, que giram no sentido dos ponteiros do relógio no hemisfério norte devido à circulação atmosférica e ao efeito de Coriolis, facilitando o rumo directo para Lisboa e possibilitando assim que os portugueses se aventurassem cada vez para mais longe da costa, manobra que ficou conhecida como "volta da Mina", ou "Volta do mar". Cartografia Pensa-se que Jehuda Cresques, filho do cartógrafo catalão Abraão Cresques terá sido um dos notáveis cartógrafos ao serviço do Infante D. Henrique. Contudo a mais antiga carta de marear portuguesa assinada é um portulano de Pedro Reinel de 1485 representando a Europa Ocidental e parte de África, que reflecte as explorações efectuadas pelo navegador Diogo Cão ao longo da costa africana. Reinel foi também autor da primeira carta náutica conhecida com uma indicação de latitudes em 1504 bem como da primeira representação da rosa-dos-ventos. Com o seu filho, Jorge Reinel e o cartógrafo Lopo Homem, participou na elaboração do atlas conhecido por Atlas de Lopo Homem-Reinés ou Atlas de Miller, de1519. Foram considerados dos melhores cartógrafos do seu tempo, a ponto do imperador Carlos V os desejar a trabalhar para si. Em 1517 o rei D. Manuel I de Portugal passou a Lopo Homem, cartógrafo e cosmógrafo português, um alvará que lhe dava o privilégio de fazer e emendar todas as agulhas (bússolas) dos navios. Na terceira fase da antiga cartografia náutica portuguesa, caracterizada pelo abandono da influência de Ptolemeu na representação do Oriente e por uma melhor precisão na representação das terras e continentes, destacase Fernão Vaz Dourado (Goa ~1520 — ~ 1580), cuja obra apresenta extraordinária qualidade e beleza, conferindo-lhe a reputação de um dos melhores cartógrafos de seu tempo. Muitas de suas cartas são de grande escala.

IMPÉRIO PORTUGUÊS Império Português é a designação comum dada ao conjunto dos territórios ultramarinos ocupados e administrados por Portugal a partir do início século

XV até ao século XX. O termo "Império Português", no entanto, nunca foi usado oficialmente. A designação oficial mais utilizada para o conjunto dos territórios ultramarinos portugueses foi simplesmente "Ultramar Português". Já a designação "Império Colonial Português" foi oficial, mas apenas durante um breve período, de 1930 a 1951. O Império Português foi o primeiro império global[1] da história, com um conjunto de territórios repartidos por cinco continentes sob soberania portuguesa, resultado das explorações realizadas na Era dos descobrimentos. Foi o mais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, já que a presença portuguesa fora da Europa abrangeu quase seis séculos. Foi governado pela Casa de Avis por cerca de cento e cinquenta anos, depois por sessenta anos, pelaCasa de Habsburgo, posteriormente pela Casa de Bragança por trezentos anos, e a partir de 1910 foi governado pelaRepública Portuguesa. Convenciona-se o início do Império como sendo a conquista de Ceuta em 1415. Já o final do Império, consoante o critério utilizado, pode ser considerado o ano de 1975 - independência da maior parte dos territórios -, o ano 1999 - fim da administração portuguesa de Macau, o último território ultramarino ainda administrado de facto por Portugal - ou o ano de 2002 data da independência de Timor-Leste, último território ultramarino considerado de jure sob soberania portuguesa.[2] História

Infante Dom Henrique, o Navegador, (1394-1460), impulsionador das primeiras explorações[3] O expansionismo português foi movido inicialmente pelo espírito militar e evangelizador, de continuação da reconquista no Norte de

África e, depois, pelo interesse comercial, primeiro nas prósperas capitanias das ilhas da Madeira e dos Açores, seguindo-se a busca de um caminho marítimo para a Ásia, alternativo ao Mediterrâneodominado pelas repúblicas marítimas italianas, pelos otomanos, pelos mouros e por piratas, no lucrativo comércio de especiarias. Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante D. Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contacto com oReino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico. A chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492 precipitou uma negociação entre D. João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meriadiano, e à Espanha as terras que ficassem a oeste dessa linha. Pouco depois, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia, inaugurando a Rota do cabo. Em 1500, na segunda viagem para a Índia, Pedro Álvares Cabral desviou-se da rota na costa Africana e aportou no Brasil. [4] Em Lisboa foi então estabelecida a Casa da Índia para administrar todos os aspectos do monopólio régio do comércio e da navegação além-mar. Seis anos após a viagem de Gama foi nomeado o primeiro vice-rei sediado em Cochim e a sua vitória na Batalha de Diu afastou mamelucos e árabes, facilitando o domínio português do comércio no Índico. Em 1510 é constituído o Estado Português da Índia com capital em Goa, primeira conquista territorial na Índia. Malaca foi conquistada em 1511 e os portugueses continuaram a exploração e conquistas de portos nas costas e

Em 1557 as autoridades chinesas autorizaram os portugueses a estabelecerem-se em Macau. três anos após regressar do Oriente. João III (verde) Durante a expansão. um acordo da coroa portuguesa com a Santa Sé. o Japão e a Europa via Malaca e Goa. incluindo com o Reino do Sião.[6][7] abrangendo os oceanos Atlântico e Índico. e a China um ano depois. Reino de Bisnaga e Etiópia. data em que foi ordenada a colonização do interior nas capitanias do Brasil[5] por D. Luís Vaz de Camões publicaria a epopeia "Os Lusíadas". Em 1572. era completado pela acção das missões religiosas em terra ao abrigo do Padroado. o império português foi uma talassocracia. Em 1529 o Tratado de Saragoça demarcou as explorações portuguesas e espanholas no oriente: as Molucas são atribuídas a Portugal e as Filipinas a Espanha.ilhas da Ásia oriental. defendida por uma cadeia de fortificaçõescosteiras protegendo uma rede de Feitorias. império sob D. cidade então fundada pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. alcançando as ambicionadas "ilhas das especiarias" (as ilhas Molucas) em 1512. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. de 1415 até 1534. os cartazes. João III. estabelecendo-se na ilha deSanchoão. que depressa se tornou a base de um próspero comércio triangular entre a China. com o apoio de numerosas relações diplomáticas e alianças. cuja acção central é . reforçada por um sistema de licenças de navegação. Em 1543 comerciantes portugueses aportam no Japão estabelecendo-se inicialmente em Hirado. Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboa a Nagasaki. Safávidas da Pérsia. Descobrimentos e viagens portuguesas entre 1415-1543: principais rotas (azul).

Cabo Verde. o que terminou na derrota em Alcácer-Quibir. Durante o Estado Novo. Cabinda.a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Após a perda de numerosos territórios. Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Holanda. Portugal acentuou a expansão territorial no interior da África. [8] Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Orientais (VOC) e Ocidentais (WIC). Angola. Na esperança de preservar um Portugal intercontinental. Com o reconhecimento da declaração de independência do Brasil em 1825. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias ultramarinas. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas deespeciarias asiáticas. imortalizando os feitos dos portugueses. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil[9].[11] sendo então composto pelas colónias africanas de São Tomé e Príncipe. Apesar dos formidáveis ganhos no Oriente. embora tendo perdido para sempre a proeminência na Ásia. Com a chegada da Corte portuguesa em 1808. protegendo-se dos exércitos de Napoleão I.1951). o Ultramar Português teve a designação oficial de "Império Colonial Português". Moçambique e São João Baptista de Ajudá. em que esteve em vigor o Acto Colonial (1930 . pelas colóniasasiáticas de Macau. e a partir de 1870 teria que enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado Império. como política para evitar ser considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. Sebastião procurou conquistar os territórios interiores. O Brasil ganhou assim importância no império. Em 1654 conseguiu recuperar o Brasil e Angola. Em 1951. com a designação de Reino Unido de Portugal. a França e a Inglaterra. . Brasil e Algarves. o interesse pelo Marrocos manteve-se. seguindo-se uma crise sucessória que resultou na união com a coroa espanhola em 1580. Guiné Portuguesa. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. Em 1578 o rei D. do Estado Português da Índia e de Timor Português.[10] Portugal restaurou a independência em 1640. a designação "Império Colonial Português" foi abolida. reforçada pela descoberta de grandes quantidades de ouro no fim do século XVII. passou a ser considerado um associado ao Reino.

[12]   Presença portuguesa em África . Pode-se ainda considerar que este ocorreu em 2002. libertada da ocupação indonésia em 1999. A resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia. quando Portugal reconheceu a independência de Timor-Leste. resultando na independência das colónias em 1975. Pode dividir-se a história do império português em períodos distintos:  "Primeiro Império" (1415-1580): Descobrimentos e expansão em África e no Oriente. quando Macau. que terminaria com a ocupação espanhola.considerando que esses territórios não eram colónias. Em 1961 iniciam-se também os confrontos da Guerra Colonial Portuguesa em África. e em 1961 iniciam-se confrontos generalizados no Oriente e em África: a Índia independente conquistou Goa. "Segundo Império" (1580-1822): Com a perda de influência no Oriente. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". foi devolvido à República Popular da China. último território sob a sua administração. "Terceiro Império" (1822-1975): Após a independência do Brasil. O "fim" de jure do Império Português terá sido em 1999. a África domina as atenções no Império Colonial Português. o Brasil ganha importância. que duraria até à Revolução dos Cravos em (1974). mas sim parte integrante e inseparável de Portugal. Em 1954. numa acção armada com pouca resistência e pouco depois a Ilha de Angediva. a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli.

. "o Navegador". À medida que os resultados se mostravam mais compensadores. cada vez mais para sul.as viagens prosseguiram pela costa africana. Os navios passam a ser licenciados por Portugal em troca de parte dos lucros obtidos. territórios de colonização e exploração agropecuária. na costa da Mauritânia. como os genoveses e venezianos. Impulsionado pelo Infante Dom Henrique. fortalezas (azul). A tomada de Ceuta em 1415 e a descoberta das ilhas da Madeira em 1418 e dos Açores em 1427. construída sob as instruções do próprio Infante: visava atrair as rotas percorridas por mercadores muçulmanos no norte de África: tentava-se implantar um mercado para monopolizar a actividade comercial da zona.[13] [editar]África Ocidental As expedições passaram o cabo Bojador em 1434. foram tomadas medidas para proteger os interesses de Portugal. como governador do Algarve. marcam o início da expansão territorial marítima portuguesa. Movidas de início pela busca de privilégios de fidalguia conquistados em batalha e. pela iniciativa privada que buscava riqueza fora do território conseguindo-a nas prósperas capitanias dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. E em 1445 é criada a primeira feitoria comercial da ilha de Arguim.Possessões portuguesas em Marrocos entre 1415-1769: cidades (vermelho).[13] Em 1444. o que motivou o investimento em viagens de exploração por portugueses e estrangeiros. depois. é decretado o monopólio da navegação na costa oeste Africana em 1443. o Infante estabelece um consórcio de navegação em Lagos.

e autorizando o comércio e as conquistas contra muçulmanos e pagãos. declarando que as terras e mares descobertos além do Cabo Bojador são pertença dos reis de Portugal. foram pontoschave de apoio logístico e material às navegações portuguesas e um entrave à pirataria praticada pelos mouros.[15] Neste comércio prosperou o florentino Bartolomeu Marchionni. Marrocos Em 1453 dá-se a queda de Constantinopla.Cisterna Manuelina da Fortaleza de Mazagãoconstruída entre 1513-1541.[17] .[16] foilhe também concedido por 100 000 reais anuais. a pimenta-daguiné (Aframomum melegueta) popular substituto da pimenta preta. O exclusivo do comércio da então chamada "malagueta". Gomes tinha que explorar 100 léguas da costa da África por ano durante cinco anos. com as suas guarnições militares. em 1469 o Rei Afonso V concedeu o monopólio do comércio na parte do Golfo da Guiné ao mercador Fernão Gomes contra uma renda anual de 200 000 reais. um golpe para o cristianismo e para as relações comerciais estabelecidas no Mediterrâneo. mas o problema era a necessidade de mão de obra e o trabalho pesado: a solução foi trazer escravos da África. tomada pelos Otomanos. que viria a investir em numerosas viagens portuguesas. A partir de 1458. Ceuta e Arguim. legitimando a política portuguesa de mare clausum no Atlântico e a ainda incipente escravatura. A acessibilidade das ilhas atraiu comerciantes genoveses e flamengos interessados em contornar o monopólio Veneziano. reforçando a anteriorDum Diversas de 1452. e dados os magros proveitos da exploração. O Golfo da Guiné e o ouro da Mina Após a morte do infante. Em 1455 iniciara-se na Madeira uma florescente indústria de açúcar. Pouco depois o Papa Nicolau V emite a bula Romanus Pontifex[14] a favor do rei Afonso V de Portugal.

incluindo São Tomé e Príncipe e Elmina em 1471. tecidos. determinando a construção de uma feitoria para o comércio do ouro. e encontraram também as ilhas do Golfo da Guiné. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. fê-lo mesmo para além do contratado. O tratado reconhecia o domínio português das descobertas a Sul das Canárias. Aquele trecho do litoral passou a ser designado Costa do Ouro. já no Hemisfério Sul. Sob o comando de Diogo de Azambuja foi rapidamente construído o "Castelo de São Jorge da Mina" [19] com pedra previamente talhada e numerada em Portugal. Com o seu patrocínio. Pouco depois de subir ao trono. incluindo os direitos sobre a costa da Mina e o Golfo da Guiné e o prosseguimento da exploração na costa. despertando a cobiça dos Reis Católicos. actual Gana. Alcácer Ceguer e Tânger. Afonso V na conquista de Arzila. por ouro (até 400 kg/ano) e escravos. sistema de construção depois adoptado para numerosas fortificações. Lopo Gonçalves.Fortaleza de São Jorge da Minaconstruída em 1482 em redor da indústria de ouro da então chamada Costa do Ouro. Com os lucros deste comércio Fernão Gomes auxiliou D. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se a povoação de São Jorge da Mina que recebeu Carta de Foral em 1486. estes com intensidade crescente a partir do século XVI. João II centralizou na coroa a exploração e comércio. Ali passaram a ser trocados trigo. que só cessaram as pressões para se apossarem da região após a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. enviada como lastro nos navios. D. [18] onde encontrou uma florescente indústria de ouro de aluvião. desempenhando um papel de enorme influência na economia do reino. em 1482. cavalos e conchas ("zimbo"). O reino do Congo e a fundação de Angola . os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina. Pedro Escobar.

em particular os escravos. A penetração para o interior era limitada. Diogo Cão. o de Ndongo e o de Matamba. João II nestas patrulhas. O primeirogovernador de Angola. e enviou uma embaixada portuguesa ao Reino do Congo. que em 1491 se converteu ao cristianismo e foi baptizado.Audiência do rei do Congo. ou "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ) a navegadores portugueses e súditos africanos. Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos.[21] Os primeiros sacerdotes católicos e soldados descrevem a capital M'Banza Kongo como uma grande cidade do tamanho de Évora. A sul deste reino existiam dois outros. iniciando os primeiros contactos europeus[20] É a partir daqui que se inicia conquista da região que se tornaráAngola. que fora investido por D. substituindo as habituais cruzes de madeira. procurou delimitar o vasto território e explorar os seus recursos naturais. na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. que estabeleceu o cristianismo como religião oficial do reino. Paulo Dias de Novais. Entre 1482 e 1486. João I" em honra do rei português. que dominava toda a região: Diogo Cão levou alguns nobres de visita a Portugal e ao retornar em 1485 faz um acordo com o rei Nzinga a Nkuwu. bem como vários nobres. partiu de S. data desconhecida Desde a assinatura do Tratado das Alcáçovas que as costas da Guiné eram cuidadosamente patrulhadas. assumindo o nome "D. para dar origem ao reino de Angola (c. Em 1576 fundam São . 1559). Jorge da Mina para explorar o estuário do Rio Congo e terá subido 150 km a montante até às cataratas de Ielala. João I do Congo governou até cerca de 1506 e foi sucedido pelo filho Afonso I Mvemba um Nzinga. sendo vedadas a castelhanos e outros europeus. os quais acabariam por fundir-se. O primeiro passo foi o estabelecer de uma aliança com o influente "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ). Aí ergueu o primeiro padrão de pedra.

Paulo da Assunção de Luanda. passando a efectuar-se sob iniciativa da Coroa. Vasco da Gama usou as cartas marítimas até então traçadas para estabelecer uma rota marítima para a Índia. saísse uma armada para a Índia. partiu no início de 1505 a armada de D.[22] . na Tanzânia. Foi então estabelecido o Forte de São Caetano de Sofala. com D. mediante um acordo com um chefe local e progressivamente reforçado. Angola tornar-sehá mais tarde o principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil. nomeado primeiro de Vice-rei da Índia Portuguesa. ao proselitismo da Reconquista adicionam-se a curiosidade científica e omercantilismo. a actual cidade de Luanda. África Austral e Oriental A ilha de Moçambique foi uma importante escala de navegação da carreira da Indiainiciada em 1498: mapa do percurso seguido pelas naus na ida (vermelho) e rota de regresso (verde) Com a passagem do cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias em 1488. Francisco de Almeida. Para impor o monopólio do comércio de especiarias no Índico. Após esta descoberta oséculo XVI tornar-se-ia o "século de ouro" para Portugal e o seu apogeu como nova potência europeia. e fez também o reconhecimento de Sofala em Moçambique. A partir de então as explorações perderam o carácter privado. entre Fevereiro e Março. Na sua segunda viagem em 1502. Manuel I a determinar que todos os anos. Vasco da Gama tornou tributário de Portugal o porto árabe da ilha de Quíloa (actual Kilwa Kisiwani).

foi conquistada. Património Mundial da UNESCO Em 1507 os portugueses ocuparam a ilha de Moçambique. Tristão da Cunha enviou uma expedição para a Etiópia. enviando armas e quatrocentos homens. Manuel I de Portugal e ao Papa. facto que complicou os contactos com o imperador etíope. na entrada do Mar Vermelho. Sem conseguir atravessar por Melinde. Ilha de Moçambique. a Fortaleza de São Sebastião (1558) e um hospital. em busca de uma aliança para fazer face ao crescente poder otomano na região. Como escala de navegação era o ponto de encontro das embarcações desgarradas na viagem de ida e das que aguardavam a monção. Visto como o muito esperado contacto com o lendário Preste João e com Pêro da Covilhã. Afonso de Albuquerque conseguiu desembarcá-los em Filuk. enviado pela rainha regente Eleni da Etiópia ao rei D. a ilha de Socotra.[24] Na sequência desta expedição. após a morte de Mateus. perto do Cabo Guardafui. a Armada das ilhas protegia as naus carregadas a caminho de Lisboa dos ataques de piratas e corsárioseuropeus. Aí foi construída mais tarde uma poderosa fortificação. o rei informou o Papa Leão X em 1513 e Mateus viajou para Portugal em 1514.[25] de onde regressou com uma embaixada portuguesa. que então se pensava ser mais próxima. Nos Açores. Confrontos com os holandeses em África (1597-1663) . juntamente com Francisco Álvares.[23] Aí. chegou a Goa em 1512 o embaixador Mateus. Os portugueses só compreenderam a natureza da sua missão ao chegarem à Etiópia em 1520.[26] Contudo iniciou as primeiras relações contínuas de um país europeu com a Etiópia[27] e em 1517 Portugal ajudou o imperador Lebna Dengel. que ajudaram a restabelecer o governo[28] na guerra Etíope-Adal.Igreja de Santo António. Em Agosto de 1507. porto estratégico de apoio à carreira da Índia que ligavaLisboa a Goa.

sem verbas e sem capacidade para enviar exércitos para as regiões atacadas por forças bem preparadas. O século XVI é uma sucessão de conquistas e de abandonos de fortalezas costeiras até que o rei D. [8] Portugal seria arrastado.Mapa do Império Espanhol-Português em 1598. O império português. No contexto da Dinastia Filipina. Sebastião(1557-1578) investiu na conquista dos territórios interiores. constituído sobretudo de assentamentos costeiros. envolvidos na Guerra dos Oitenta Anos com Espanha desde 1568. atacavam por mar colónias e navios. começaram os .[30] Após vários confrontos no oriente e no Brasil. o interesse da coroa por Marrocos não enfraqueceu.[29] A Guerra Luso-Holandesa começou com um ataque a São Tomé e Príncipe em 1597. ██ Territórios administrados pelo Conselho de Castela ██ Territórios administrados pelo Conselho de Aragão ██ Territórios administrados pelo Conselho de Portugal ██ Territórios administrados pelo Conselho da Itália ██ Territórios administrados pelo Conselho das Índias Apesar dos formidáveis benefícios gerados pelo império colonial no Oriente. Os holandeses. vulneráveis a ser tomados um a um. o que resultou na derrota em Alcácer-Quibir em 1578 seguindo-se uma crise sucessória que acabou na união com a coroa espanhola em 1580. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. tornou-se um alvo fácil. o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos que a Espanha travava com a Inglaterra. a França e a Holanda. Foi travada pelas CompanhiasHolandesas das Índias Orientais e Ocidentais. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil. com o objectivo de tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas.

é tomado o Forte Jesus de Mombaça em 1698 [31] (Quénia). permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. uma força anglo-persa tomou o forte de Ormuz. a frota de Salvador Correia de Sá e Benevides conseguiu recuperar o Brasil e Luanda. O mapa cor-de-rosa (1822-1890) . Portugal restaurou a independência. cuja guarnição foi enviada para Mascate (Omã). Os Holandeses. que invadiam tribos guerreiras e vendiam os prisioneiros aos prazeiros. defendidos por grandes exércitos de escravos conhecidos como “chicundas”. restabelecendo a aliança com a Inglaterra que pouco depois viria a desafiar os Holandeses. Contudo através de casamentos mistos estas propriedades tornaram-se verdadeiros “estados” afroportugueses ou afro-indianos. Em 1638 os holandeses tomaram o Forte de São Jorge da Mina. mas. Na tentativa de consolidar as posições na África Oriental. forçando a recuar para o sul até Moçambique. Portugal perdeu para sempre a proeminência na Ásia. e Luanda em 1641. determinou-se que as terras pertenciam à coroa e eram arrendadas pelos chamados prazos. prosseguiu o combate aos portugueses na costa oriental africana.[10] Em 1640. Em 1622. seguindo-se Axim (1642) no golfo da Guiné. após um cerco de dois anos. visando assegurar escravos para a produção de açúcar em territórios conquistados no Brasil. Em 6 de Abril de 1652. de comércio para o oriente. por 3 gerações transmitidos por via feminina. temendo perder os territórios já conquistados. A escravidão era realizada entre chefes tribais. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabelece perto do Cabo da Boa Esperança um posto de reabastecimento que se tornaria na Cidade do Cabo. em 1654.ataques nos postos comerciais da costa oeste africana. acabariam por selar definitivamente a paz do Tratado de Haia em 1663. vencendoos em Zanzibar e Pemba até que. Com a vitória omani sobre Mascate em 1650.

onde vigoravam acordos de protecção com governantes locais e cujo interior não fora ocupado.[33] Em 1875 setenta e quatro subscritores fundaram a Sociedade de Geografia de Lisboa para apoiar a exploração. Entre 1840 e 1872 David Livingstone explorou a África central. A crescente presença inglesa. que em 1876 criou uma associação para colonizar o Congo. concluindo a carta da África centro-austral (o famoso Mapa cor-de-rosa) para manter "estações civilizadoras" portuguesas no interior. Em 1874 Henry Morton Stanley explorou a bacia do rio Congo e foi financiado pelo rei Leopoldo II da Bélgica. c. Esta decisão seria rapidamente contrabalançada por uma legislação trabalhista insistindo na necessidade do trabalho indígena nos campos de algodão ou nas obras públicas. como testemunhou Silva Porto. ignorando os interesses portugueses na região. comerciante sedeado no planalto do Bié. tal como as congéneres europeias. Durante a chamada "partilha de África". financiadas por subscrição nacional. Pretendiam fazer o reconhecimento dos rios Cuango. alicerçado na primazia da ocupação. com a independência em 1822. que entre 1877 e 1885 mapearam o território. Portugal reclamou vastas áreas do continente africano baseado no "direito histórico". Após a perda do Brasil. . de Hermenegildo Capelo. Em 1842Portugal pôs fim ao tráfico negreiro no Império e em 1869 aboliu a escravidão sob pressão da Grã-Bretanha. as costas da África Ocidental (depois Angola e Guiné) e Oriental portuguesas (depois Moçambique). Macau e Timor-Leste. francesa e alemã no continente ameaçavam a hegemonia portuguesa. onde se instalaria a Companhia Britânica da África do Sul.[34] Prepararam então as primeiras expedições científico-geográficas. as ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.[32] A partir da década de 1870 ficou claro que o direito histórico não bastava: à intensa exploração científica e geográfica europeia seguia-se muitas vezes o interesse comercial. Roberto Ivens e Serpa Pinto.Mapa Cor-de-Rosa reclamando a soberania de Portugal nos territórios entreAngola e Moçambique. entrando em colisão com as principais potências europeias.1886. Congo eZambeze. Portugal teve de enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado império: as possessões nas Índias.

O acordo foi de imediato denunciado pelas restantes potências. e à Alemanha no Sul de Angola. Enquanto os britânicos criavam a Rodésia do Sul. Nascia assim o Mapa Cor-de-Rosa. Para sustentar esta reclamação foram feitas campanhas de exploração e avassalamento dos povos do interior. a caminho do Barotze para tentar obter a "avassalamento" do soba Levanica. Contudo a aliança decepcionou: sob pressão da Alemanha e da França. junto ao Lago Niassa. em troca do reconhecimento às terras interiores. a Moçambique. o primeiro-ministro britânico Lord Salisbury avisou que não reconheceria territórios "não ocupados com forças suficientes para manter a ordem. cuja resistência era combatida pelas Campanhas de Conquista e Pacificação conduzidas pelas forças armadas. [41] Simultaneamente.Entretanto. Em 1883 Portugal ocupou o norte do rio Congo e no ano seguinte firmou um acordo com os ingleses reconhecendo o direito a ambas as margens. [35] mantendo apenas Cabinda. tornado público em 1886. . propondo abrir Moçambique e Goa ao comércio e navegação britânicos[35] em troca do reconhecimento no Congo.[37] A exigência de uma ocupação efectiva determinada pela Conferência de Berlim[38] obrigou Portugal a agir. pelo qual aceitavam ser um protectorado da coroa portuguesa. cedendo à França na Guiné. Portugal tentou fechar o Rio Zambeze à navegação e reclamou o vale do Niassa. levando à convocação da Conferência de Berlim (1884– 1885) [36] por Bismarck.[40] Em Janeiro de 1890 Paiva Couceiro estacionou com 40 soldados no Bié. cujos notáveis assinaram o Tratado de Simulambuco em Fevereiro de 1885. O estado português diversificou então os contactos internacionais. o ministro dos negócios estrangeiros João de Andrade Corvo reafirmou a tradicional aliança Luso-Britânica. numa faixa que isolava as colónias britânicas. em Angola. proteger estrangeiros e controlar nativos". as forças de Serpa Pinto arreavam as bandeiras inglesas. Portugal perdeu o controlo da foz do Congo.[39] que então nomeou colónia. Em 1887. em Moçambique. reclamando uma faixa de território de Angola à contra-costa ou seja. para dirimir os conflitos . num espaço monitorizado pelo Reino Unido.incluindo a oposição LusoBritânica à expansão de Leopoldo II. ao saber dos planos portugueses.

investindo em "campanhas armadas de pacificação" e no derrube dos régulos menos cooperantes. então. Em 1890 António Enes decretou uma revisão do Código de Trabalho Rural de 1875 . A província de Gaza e o porto de Lourenço Marques (actual Maputo) eram cobiçados pelos britânicos da British South Africa Company e Cecil Rhodes para escoar as matérias-primas do Transvaal. imperador do Império de Gaza na África oriental. fica sem resposta: os governos tinham acordado a delimitação dos territórios em Junho de 1891. de imediato a expansão colonial africana que Lord Salisbury considerara baseada em "argumentos arqueológicos" de ocupação[40]. britânicas e a ameaça dos pretendentes ao trono. o Ultimato britânico exigiu a retirada imediata das forças militares portuguesas no território entre Moçambique e Angola (actuaisZimbabwe e Zâmbia). Um ano depois a Questão do Barotze. que aceitara o acordo num balanço precário entre forças portuguesas. O Império Colonial Português em África (1890-1975) Na sequência do ultimato britânico de 1890 a administração colonial portuguesa endureceu a actuação. mas ao jogar no conflito entre Londres e Lisboa Gungunhana é surpreendido quando. referente ao estabelecimento das fronteiras de Angola foi resolvida entre Portugal e a Grã-Bretanha com a arbitragem de Vítor Emanuel III da Itália. pelo menos metade da capitação de 800 réis". Após o ultimato foram autorizadas três grandes concessionárias para explorar imensos territórios em Moçambique: a Companhia do Niassa (1890). O ultimatum causou sérios danos à imagem do governo monárquico português. Portugal terminou. Em Outubro de 1890 Cecil Rhodes obtém uma aliança[42] para concessão de exploração e acesso ao mar ao arrepio do acordo de 1885. É intimado assumir-se como súbdito de Portugal. entre os rios Zambeze e Limpopo. Entre 1891-1892 Mouzinho de . a pretexto do incidente Serpa Pinto. Em 1885 aliara-se a Gungunhana.. ao pedir a protecção britânica.que o camponês já não tem a opção de pagar o "mussoco" em géneros: ".O arrendatário [dos Prazos] fica obrigado a cobrar dos colonos em trabalho rural.que estabelecia a obrigação "moral" dos colonos [camponeses indígenas] de produzirem bens para comercialização. a Companhia de Moçambique (1891) e a Companhia da Zambézia (1892): todos procuravam atrair Gungunhana para os seus interesses.A 11 de Janeiro de 1890.. e Gaza fica no interior de Moçambique.

O trabalho forçado. obtendo o controlo da desembocadura no oceano Índico. Em 1911. emprestando dos britânicos um método de administração indirecta. o pagamento de impostos. na fronteira entre a África Oriental Alemã (atual Tanzânia) e Moçambique. restringindo a já limitada autonomia financeira e administrativa. até 1961. que definiu novamente a fronteira ao longo do rio Rovuma. O Triângulo de Quionga foi reocupado em 1916. mas também influenciados pelos franceses. o alarme foi grande.Albuquerque. sendo a queda impedida por navios de guerra. que o modificou e integrou no texto da Constituição. Em Lisboa a rebelião era atribuída a Gungunhana e a interesses britânicos. uma rebelião reúne milhares de guerreiros e cerca Lourenço Marques (Maputo) durante mais de dois meses. Conhecido da imprensa europeia. em Junho de 1894 uma força naval alemã ocupou o triângulo de Quionga na foz do rio Rovuma. foi condenado ao exílio nos Açores. A 28 de Dezembro de 1895 Gungunhana foi preso por Mouzinho de Albuquerque. O Acto Colonial centralizador aprovado em 1930. Entre os cada vez mais frequentes incidentes. governador do distrito de Lourenço Marques (Maputo) endureceu as relações com os povos circundantes. durante a Ditadura Militar (1926-1933) que antecedeu o Estado Novo. por forças portuguesas e foi reintegrado oficialmente em Moçambique em 1919 pelo Tratado de Versalhes. . e até 1895. re-definiu as formas de relacionamento entre a metrópole e as colónia. O conjunto dos territórios administrados passou a então a denominarse Império Colonial Português. O governo reagiu energicamente reforçando a presença militar em Moçambique. após o fim da monarquia. em Agosto. durante a Primeira Guerra Mundial. Desde 1926 as pessoas afectadas pelo Estatuto do indígena estiveram excluídas da categoria de cidadãos ao qual pertenciam os africanos integrados e os colonos europeus. Este Acto definiu durante muito tempo o conceito ultramarino português tendo sido revogado na revisão da Constituição feita em 1951. A cidade foi saqueada. e a violência contra as populações levaram à revolta. os republicanos deram às possessões d'além-mar o nome de colónia às quais atribuem uma certa autonomia financeira e administrativa. como o Imposto de palhota.

Vasco da Gama conseguiu uma carta de concessão ambigua para as trocas comerciais com o samorim de Calecute. foi criada em Lisboa a Casa da Índia para administrar o monopólio régio da navegação e comércio com o Oriente. comandada por Pedro Álvares Cabral. construída em1503. mas sim parte integrante e inseparável de Portugal. Jogando continuamente da rivalidade que opunha hindus e muçulmanos.[46] foi ponto de partida da implantação portuguesa na costa oriental africana e na Índia. mais tarde designada Madagáscar. falecido em 1524 foi aqui sepultado inicialmente. várias fortalezas e feitorias comerciais. [44][45] Vasco da Gama. onde . O primeiro contacto deu-se a 20 de Maio de 1498. a mais antiga da Índia. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias d'além-mar ou províncias ultramarinas. os portugueses estabeleceram. considerando que esses territórios não eram colónias. O objectivo de Portugal no Oceano Índico foi o de assegurar o monopólio do comércio de especiarias.. Esta armada. Pouco depois. chegou a Calecute em Setembro. Em 1500 a segunda armada à Índia que vinha de descobrir o Brasil explorou a costa oriental africana. A viagem comandada por Vasco da Gama até Calecute. Após alguns conflitos com mercadores árabes que detinham o monopólio das rotas de especiarias. aí deixando alguns portugueses para estabelecerem uma feitoria. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". como forma política de evitar que Portugal fosse considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. onde Diogo Dias descobriu a ilha a que deu o nome de São Lourenço.A partir de 1946. e na esperança de preservar um Portugal intercontinental. Francisco emCochim. entre 1500 e 1510.[43] [editar]Presença portuguesa no Oriente Igreja de S.

sob o comando de Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque.[50] Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz. explorando as rivalidades internas. Francisco de Almeida[48] primeiro Vicerei da Índia[49] por um triénio.actual Sri Lanka. onde descobre a origem da canela. Em 1505 o rei D. Em 1506 os portugueses. estabelece um pacto de defesa com o reino de Kotte e. os portugueses foram bem recebidos e vistos como aliados na defesa. em .assinou o primeiro acordo comercial na Índia. na costa da Tanzânia. entre os quais o escrivão Pero Vaz de Caminha. onde em 1517 seria fundada a fortaleza de Colombo. Aí construiram em 1503 a Igreja de São Francisco. conquistam Socotorá na entrada do Mar Vermelho. erguido entre 15071515.[47] Em 1502 Vasco da Gama tomou a ilha de Quíloa. Nesse ano os portugueses tomaram Cananor onde fundaram a fortaleza de Santo Angelo e Lourenço de Almeida chega a Ceilãoa lendária Taprobana. Cabral seguiu para Cochim. fundando em Cochim o forte (Forte Manuel) e posto comercial que seria a primeira colónia europeia na Índia. Sedeada em Cochim iniciou-se a governação portuguesa no oriente. nela pereceram vários portugueses. A feitoria portuguesa aí instalada teve contudo efémera duração: atacada pelos muçulmanos em 16 de dezembro. O Estado Português da Índia Beneficiando da rivalidade entre o marajá de Cochim e o samorim de Calecute. Manuel I nomeou D. Irão. Após bombardear Calecute. Encontrando-o dividido em sete reinos rivais. onde em 1505 foi construída a primeira fortificação portuguesa da África Oriental para proteger as naus da carreira da Índia. estende o controlo nas áreas costeiras.

no arquipélago das Molucas. Já sob o governo de Albuquerque Goa foi tomada aos árabes em 1510 com o auxílio do corsário hindu Timoja. os Portugueses conquistaram rapidamente localidades costeiras. Goa tornou-se a sede da presença portuguesa. onde Albuquerque inicia a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória. sob nome de Estado Português da Índia. com o apoio naval da República de Veneza e da República de Ragusa. do samorin de Calecute e do Sultão de Gujarat. mostrando a feitoria-Forte de São João Baptista de Ternate iniciada em 1522. permitia cumprir a vontade do Reino de não permanecer eterno hóspede de Cochim. Com o poder dos otomanos seriamente abalado. entreposto de cavalos árabes para os sultanatos do Decão. na costa queniana. Apesar de ataques constantes. aproveitando a oportunidade para anunciar a conquista.1507Mascate e temporariamente Ormuz. Em 1509 é travada a batalha de Diu contra uma frota conjunta do Sultanato Burji do Cairo. marcando o início do domínio europeu no Índico. Nesse mesmo ano foram construidas fortalezas na Ilha de Moçambique e em Mombaça. do Sultão Otomano Beyazid II. Desenho holandês de 1720 . com a conquista a desencadear o respeito dos reinos vizinhos: Guzerate e Calecute enviaram embaixadas.[52][53] [editar]Malaca e o Sudeste Asiático Ternate. Cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. concessões e locais para fortificar. oferecendo alianças. Albuquerque iniciou nesse ano em Goa a primeira cunhagem de moeda portuguesa fora do reino. seguindo a estratégia que pretendia fechar as entradas para o Índico.[51] A vitória portuguesa foi determinante.

depois. denominada a "A Famosa". Para defender a cidade foi erguido um forte cuja porta. chegando a Timor em 1514. as Pequenas Ilhas da Sonda e da ilha de Amboíno até Banda.[58] Abreu partiu por Ambão enquando o seu vice-comandante Francisco Serrão se adiantou para Ternate. criando três áreas de jurisdição no Índico: Albuquerque seguira com a missão de tomar Hormuz. Afonso de Albuquerque envia imediatamente Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (Tailândia). Inicialmente bem sucedida. na Malásia. na frota de Fernão Peres de Andrade. Em Abril de 1511 Albuquerque zarpou para Malaca. e assim permaneceram.[54] Contudo estes cargos foram centralizados por Afonso de Albuquerque. que conseguiu negociar com as autoridades de Cantão o seu envio a Pequim e uma feitoria em Tamau. partindo de Malaca. aportando na foz do Rio das Pérolas na Ilha de Lintin. a península de Malaca tornou-se então a base estratégica para a expansão portuguesa na Índia Oriental. enchendo os seus navios com noz moscada e cravinho. como primeiros europeus a chegar às ilhas. ficando a saber a localização das chamadas "ilhas das especiarias" nas Molucas. [57] Aí permaneceram. na Indonésia. Jorge de Aguiar e. Pilotos malaios guiaram-nos viaJava.Inicialmente D. as ilhas Banda. Manuel I e o conselho do reino tentaram distribuir o poder a partir de Lisboa.[55] Placa contornante do comércio com a China e com o sudeste asiático.[56] Em Novembro desse ano.[61] Seguiu-se a chegada a Cantão e Sanchoão por Rafael Perestrelo. os portugueses tomam Macáçar. enviou uma expedição comandada por António de Abreu para as encontrar. Jorge Álvares chegou ao Sul da China. onde chegaram no início de 1512. onde é o primeiro europeu a chegar. Diogo Lopes de Sequeira fora enviado para o sudoeste asiático. sob o Estado Português da Índia cuja capital era Goa. Nesse mesmo ano. a embaixada ficou retida. com a missão de tentar um acordo com o sultão de Malaca. Vencido o sultanato de Malaca. Em1517 Tomé Pires foi enviado como embaixador de D. dadas as pretensões siamesas em Malaca.[62] Comerciantes portugueses sedearam-se então na ilha de . Duarte de Lemos presidiam à área entre o Cabo da Boa Esperança eGuzerate. Manuel I à China. com uma força de cerca de 1 200 homens e 17 ou 18 navios.[59][60] Em 1513. Aden e Calecute assegurando o domínio no mar Vermelho. ainda subsiste. que se tornou plenipotenciário.

Guzerate. disputando as valiosas Molucas "berço de todas as especiarias" e as Filipinas com os portugueses. [64] Em 1533 Portugal conquista Baçaim. que definia a continuação do meridiano de Tordesilhas no hemisfério oposto. subornando mandarins locais. é enviado sob prisão para o reino e substituído por Vasco da Gama. os castelhanos contestaram o limite Este do Tratado de Tordesilhas. Entre 1522 e 1529. Índia. mas os portugueses não conseguiriam cumprir a promessa de voltar no ano seguinte: nesse ano torna-se governador da Índia Duarte de Meneses que.000 ducados de ouro. na sequência da viagem de circumnavegação de Fernão de Magalhães. o Bahrein em 1521. mais tarde em Liam Póque seria destruída. Guzerate foi ocupada pelos mogóis e o sultão Bádur Xá de Guzerate foi forçado a firmar o tratado de Baçaim. João III e Carlos I de Espanha selaram o Tratado de Saragoça. Em 1522 o rei hindu de Sondana Indonésia procurou selar uma aliança com os Portugueses em Malaca para se defender do aumento de poder muçulmano no centro de Java. uma pequena ilha na baía de Guangzhou (Cantão). convidando-os a construir uma fortaleza no porto de Kalapa (actual Jacarta).[63]. Tamau onde em 1521 e 22 foram combatidos pelas forças chinesas e Lampacau. Fortaleza de Diu. cedendo em . O Tratado de Sunda Kalapa (1522) foi selado com um padrão. onde estabelecia uma aliança para recuperar o seu país. Em 1529 D. No Golfo Pérsico os portugueses conquistam Ormuz em 1515 e. após uma administração desastrosa. a mais importante fortificação da Índia Portuguesa (15351536). que veio a falecer em Cochim em 1524. Em 1534. devido à posição estratégica na região.Sanchoão. cedidas pela Espanha mediante o pagamento de 350. a leste das ilhas Molucas. a cerca de 50 km de Bombaim.

[68] foi sucessora de instituições semelhantes. Bombaim e Baçaim.[65] Em 1535 o capitão António de Faria. Em Lisboa a "Casa da Índia" administrava o monopólio da navegação e do comércio com o oriente. tentou estabelecer um posto comercial em Faifo. Lisboa era o "empório" da Europa. o desembarque de mercadorias orientais e a sua venda em Lisboa. O monopólio régio incidia sobre as principais especiarias . com grande procura na Índia.troca Damão. A vasta rede de feitorias e fortalezas facilmente abastecíveis por mar.Civitates Orbis Terrarum .[66] Em 1538 a fortaleza de Diu é novamente cercada por 54 navios otomanos. O empório comercial A Casa da Índia situada noPaço da Ribeira frente ao rio Tejo. Desenho de Braun e Hogenberg . mantendo a Coroa como reguladora.cobrando uma taxa de 30% no lucro dos restantes produtos.[67] reforçadas pela acção das missões religiosas em terra. A distribuição na Europa era feita através daFeitoria Portuguesa de Antuérpia. centro do império oriental. . onde os portugueses tinham aportado em 1516. partindo de Da Nang. permitiram aos portugueses controlar e dominar o comércio de especiarias. para acompanhar a expansão comercial no oriente. de pedras preciosas. na então chamada Cochinchina (actual Vietname). localizado em regiões costeiras. Criada entre 1500 e 1503. cravinho e canela e exportação de cobre. Diu. o que falhou. Um outro cerco falhado em 1547 poria fim às ambições otomanas.pimenta. A Casa da Índia administrava as exportações para Goa. como a Casa da Guiné e a Casa da Mina. da seda e da porcelana. vendo-se o estaleiro naval (Ribeira das Naus).1572 O Império Português em África e no Oriente foi essencialmente marítimo e comercial. confirmando a hegemonia portuguesa.

de 1503 a 1535. fazendo com que grande parte da receita se dissipasse no processo. Manuel I e iniciado em 1502. [71] projectando Antuérpiacomo grande centro comercial da Europa.[70] o que levaria Francisco I de França a apelidar D. Portugal não desenvolvera as infraestruturas domésticas para acompanhar a actividade. o chamado galeão de Manila(branco) A receita começou a declinar em meados do século.Em 1506 cerca de 65% dos proveitos do reino vinham de taxas sobre as actividades além-mar. a Feitoria Real de Antuérpia faliu e foi encerrada. os portugueses conseguiram ultrapassar o comércio de especiarias veneziano do Mediterrâneo. devido aos custos da presença em Marrocos e a gastos perdulários. grande parte da sua construção seria realizada até 1540. ou seja. O estilo Manuelino atesta ainda hoje prosperidade do reino em obras como o Mosteiro dos Jerónimos. pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da Índia. Ao longo de cerca de 30 anos. (A política portuguesa de monopólio . confiando em serviços exteriores para suportar as suas actividades comerciais. permitindo o aparecimento de uma comunidade euroasiática em Goa. Rotas comerciais portuguesas de Lisboa a Nagasaki entre 1580-1640 (azul). "o rei merceeiro". Financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias.[72] O trono confiava crescentemente no financiamento externo e em 1560 a receita da Casa da Índia não era suficiente para cobrir as suas despesas: a monarquia tinha entrado em ruptura. João III. Manuel I de Portugal "le roi épicier". que por sua vez apoiava a administração e as actividades comerciais e de construção naval. a política do governador-geral Afonso de Albuquerque encorajou os casamentos mistos. No oriente desde 1510. Em 1549. após um pico especulativo. Em 1518 só o lucro das especiarias[69]representava 39% da receita da Coroa. encomendado pelo reiD. no reinado de D. E a rota comercial espanhola estabelecida em 1565.

que terá participado nesta viagem. o açúcar refinado e o cristianismo seriam outras das novidades de grande aceitação. passando a Casa da Índia a ter um carácter de alfândega). o missionário Francisco Xavier co-fundador da ordem jesuíta chegou a Goa para ocupar o cargo de Núncio Apostólico. com a crise sucessória e após dinastia filipina. Nesse mesmo ano. chegaram à ilha deTanegashima. João III após sucessivos apelos ao Papa pedindo missionários para espalhar a fé e ajudar a manter a ordem na Ásia portuguesa. na sequência de um naufrágio.[73] Desde 1535. e recomendado entusiasticamente por Diogo de Gouveia. iniciando de imediato uma intensa interação tanto a nível económico como religioso. Segundo Fernão Mendes Pinto. entre os quais Francisco Zeimoto aportou no Japão pela primeira vez.real seria atenuada em1570 e abandonada em 1642. Francisco Xavier viajaria no Japão em 1549. que aconselhou o rei a chamar os jovens cultos da recém-formada Companhia de Jesus. Fora enviado por D. ao abrigo do Padroado português. (japonês:南蛮貿易. [74][75] Em 1542 um grupo de comerciantes. "Comércio com os bárbaros do sul"). tinham sido autorizados a aportar na península de Macau e a exercer as suas actividades comerciais. onde espantaram os autóctones as armas de fogo e o relógio. No Japão os portugueses estabeleceram-se no porto de Hirado. O arcabuz foi fabricado pelos japoneses em grande escala[76] e teria um papel determinante no curso das batalhas do período Sengoku que então travavam entre daimyos. no que ficou conhecido como período de "Comércio Nanban". fazendo numerosos convertidos. nanban-bōeki. . viajando com o novo vice-rei. Chegada ao Japão e fixação em Macau Os portugueses encontraram também uma lucrativa fonte de rendimento no comércio triangular China-Macau-Japão. embora sem permanecer em terra.

Em 1557. Em apenas uma década. Em 1549 foram autorizadas missões comerciais anuais de Sanchoão e em 1554 Leonel de Sousa obteve um acordo para negociar em Cantão.[75] concedendo-lhes um considerável grau de autogovernação mediante um pagamento anual (cerca de 500 taéis de prata). Painel japonês do período Nanban do Japão. os portugueses tornaram-se os intermediários naturais. Tornarse-ia rapidamente um nó importante no desenvolvimento do comércio ao . Nestas circunstâncias. retomando a política isolacionista Hai Jin (literalmente "proibição marítima"). quando as autoridades chinesas proibiram o comércio directo entre a China e o Japão devido à pirataria. precisava de acesso às reservas do Japão.[77] Por volta de 1555 Macau tornara-se já um importante centro do comércio entre a China e o Japão e entre estes e a Europa. tornou-se o intermediário-chave no comércio entre a China e o Japão. ganhando o monopólio de um comércio que atingiria o seu auge entre o final do século XVI e o início do século XVII.Carraca Portuguesa em Nagasaki. O comércio português local tornou-se particularmente lucrativo a partir de 1547. com os portugueses a embolsar enormes lucros. carente da prata. as autoridades chinesas deram finalmente autorização para os portugueses se estabelecerem permanentemente. mas deixando os portugueses como únicos intermediários: apesar da proibição. Macau cresceu à custa do lucrativo comércio baseado na troca de sedas chinesas por prata japonesa. que levaria a avançar para Macau. Para tal instalaram-se em Macau. a China. Desde a sua fundação. os japoneses eram grandes consumidores de sedas e porcelana chinesa. Por sua vez.

pouco antes do início da união Ibérica. no Japão [78] e criando assim um centro comercial que durante muitos anos seria a porta do Japão para o mundo. após um acordo com o daimyo cristão Omura Sumitada (baptizado "Dom Bartolomeu") os portugueses mudar-se-iam fundando a cidade portuária de Nagasaki. noz-moscada. e desmantelando o monopólio comercial português na Ásia. o império do Oriente viu-se envolvido nas guerras que a Espanha travava com os ingleses e os holandeses. fez passar a coroa em 1580 para os Habsburgos da Espanha. Com 1600 toneladas (das quais 900 de mercadorias) tinha 3 vezes o tamanho do maior navio inglês e uma tripulação de 600 a 700 homens. Em 1592. ouro e prata. tecido de ouro. Ao longo do século XVII. âmbar. sedas. benjamim. cochonilha. porcelana chinesa e presas de elefante entre outros. uma frota inglesa interceptou ao largo dos Açores uma frota vinda da Índia. Dinastia Filipina e guerra luso-holandesa (1580-1663) A captura de Cochim e victória da V. Atlas van der Hagen A morte de Dom Sebastião em Alcácer Quibir. 1682.longo de três eixos principais: Macau-Malaca-Goa/Lisboa. Durante este período. holandesa sobre os portugueses em 1656. considerando suspenso a aliança Luso-Britânica de 1373 e em plena guerra com Espanha. cravo da Índia. rolos de tecido e tapeçaria. E o maior tesouro: um documento impresso em Macau em 1590.C. sem descendência. na guerra LusoHolandesaos holandeses tomaram sistematicamente possessões portuguesas. Entre as riquezas estavam jóias. O valor estimado da carga equivalia a metade do tesouro inglês na altura. canela. Guangzhou-MacauNagasaki e mais tarde Macau-Manila-México. contendo informação sobre o comércio português na China e no Japão. damasco. Havia ainda incenso. Em 1580. Richard Hakluyt relatou-o tratado como a mais preciosa das jóias. 425 toneladas de pimenta. Em 1571.O. Quando Raleigh restaurou a ordem já só . ébano. Quando Isabel I de Inglaterra foi informada do sucedido enviou Sir Walter Raleigh para reclamar o seu quinhão. aliando-se por sua vez com os dirigentes locais. capturando a Nau portuguesa Madre de Deus de grande tonelagem. Omura Sumitada cedeu a jurisdição sobre Nagasaki aos Jesuitas.

um saque que duplicava o capital inical da VOC. O interesse despertado nos Países Baixos e na Inglaterra por estas informações esteve na origem do movimento de expansão comercial que levou à fundação da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais em 1602 da Companhia Britânica das Índias Orientais em 1600.sobrava cerca de um quarto. utilizando a sua potência naval para estabelecer o seu próprio monopólio. carregada de valiosas mercadorias. após ter viajado extensamente na Ásia ao serviço dos portugueses. Francisco Xavier. Goa Velha. Em 1619. nas ilhas Molucas. Em 1605 mercadores da VOC capturaram o forte português de Amboina. Os confrontos com os Holandeses no oriente iniciaram-se em 1603. O feito. A Madre de Deus seria um dos maiores saques da História. fundaram Batávia (actual . construída entre 1594-1605 onde se encontra o túmulo de S. com a missão de recolher tanta informação sobre as Ilhas das Especiarias. A obra continha cartas e indicações sobre como navegar entre Portugal e as Índias Orientais até ao Japão. ou VOC. Em 1595 o mercador e explorador holandês Linschoten. permitindo a entrada dos seus compatriotas nas então denominadas Índias Orientais. Basílica do Bom Jesus. foi capturada ao largo deSingapura pela recém criada Companhia Holandesa das Índias Orientais. gerou protestos internacionais mas serviu de pretexto para contestar a política ibérica de Mare Clausum. Património Mundial da UNESCO Nesse mesmo ano Cornelis de Houtman fora enviado por mercadores de Amesterdão para Lisboa. seguindo-se Ternate. quanto pudesse. advogando o "Mare Liberum". quando a carraca portuguesa "Santa Catarina". publicou em Amsterdão o relato "Reys-gheschrift vande navigatien der Portugaloysers in Orienten" ("Relato de uma viagem pelas navegações dos portugueses no Oriente"). uma sustentação ideológica para que os holandeses quebrassem os monopólios comerciais. galvanizando o interesse inglês na região.

tornando-a capital do seu império no Oriente. Devido à crescente prosperidade foi elevada a cidade em 1586 por Filipe II. Além da exclusividade portuguesa do comércio com o Japão. de 1595 a 1602. No médio oriente os Persas. com a ajuda dos ingleses. . chegaram a pedir a destruição de Macau e transferência do comércio de prata e de seda entre o Japão e a China para Manila. a sua posição estratégica permitia beneficiar das rotas comerciais portuguesas e espanholas.Jacarta) na Indonésia. sob cercos desde 1603. como capitais rivais dosEstado Português da Índia e da VOC. como o Galeão de Manila. (Mais tarde. Os espanhóis sedeados em Manila tentaram sem sucesso acabar com a posição privilegiada portuguesa: em 1589. Macau Os portugueses de Macau viram com preocupação a subida de Filipe II ao trono. Macau atingiu a sua "idade de ouro" durante a união espanhola. a primeira universidade ocidental no Oriente. e Batávia batalharam incessantemente entre si. expulsaram os portugueses do Bahrein em 1602 e de Ormuz em 1622. igreja construída em 1565 e Colégio Jesuíta de São Paulo de 1594. passando esta cidade a ser designada por Cidade do Santo Nome de Deus de Macau. a Europa e o Japão. Não Há Outra Mais Leal). Nos vinte anos seguintes Goa. D. temendo perder o monopólio no comércio ou a expulsão do território pelos chineses. Fulcral no comércio entre a China. e tornarase fulcral quando os Holandeses começaram a perturbar as rotas de Goa e Malaca. com a criação de uma rota comercial Macau-Acapulco. João IV recompensaria a lealdade de Macau com o título Não Há Outra Mais Leal. a rota alternativa que ligara Manila a Acapulco e a Espanha desde 1565. Em 1583 criaram o Senado para garantir a autonomia e mantiveram a bandeira portuguesa. Apogeu e queda do comércio Macau-China-Japão Ruínas de São Paulo.

Na prática. ao privar o império português do controlo do estreito. que se haviam estabelecido em Hirado. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabeleceu um posto de reabastecimento próximo do Cabo da Boa Esperança que evoluiu . Reprimida com o auxílio dos holandeses. afectando seriamente a economia de Macau. sendo ignorada por ambas as partes no resto do mundo: Malaca foi conquistada pelos holandeses da VOC em 1641. Restauração e declínio do Estado Português da Índia Em 1640 começou a Guerra da Restauração em Portugal. Foi um Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva entre ambas as partes. visando formar parcerias na luta contra a Espanha. constituindo o maior golpe. Com o fim do dominio Habsburgo João IV de Portugal ascendeu ao trono. a trégua firmada para todos os territórios de ambos impérios. O comércio com o Japão terminaria abruptamente: confinados à ilha de Dejima no porto deNagasaki desde 1636. estabelecendo uma trégua de dez anos entre o Reino de Portugal e a Holanda. único ponto de comércio externo do Japão após decretado o sakoku. prejudicando seriamente a economia de Macau. 1820. construida em 1634 para confinar os portugueses e sede Holandesa desde 1641. O rei enviou embaixadores a França. no culminar da guerra. Dejima passou para os holandeses da VOC. sendo expulsos do Japão em 1639. British Museum Macau sofreu ataques holandeses desde 1603 a 1622. Em 6 de Abril de 1652. que ganharam o exclusivo do comércio. ao mesmo tempo que o cristianismo no Japão passou à clandestinidade (os Kakure Kirishitan). Foi firmado o Tratado de Haia (1641). ano em que resistiu a uma tentativa de conquista após dois dias de combate.A ilha de Dejima na baía de Nagasaki. limitou-se ao continente europeu.a rebelião reforçou as políticas de isolamento Sakoku do xogum Tokugawa Iemitsu. Inglaterra e à holanda. os portugueses e o catolicismo foram vistos como uma das causas da rebelião de Shimabara de 1638. que entrou rapidamente em declínio.

que foram acrescentados ao Estado Português da Índia. fazendo a navegação directa desde o Cabo da Boa Esperança até ao estreito de Sunda.para se tornar na Cidade do Cabo. perdidos para os maratas até 1739. Do seu império fragmentado. Mapa mostrando a posição possessões europeias na Índia e Sri Lanka (Ceilão). e. quatro concelhos de Goaincorporados no Estado Português da Índia desde o início do domínio português. num grupo de sete concelhos. Damão. Entre 1713 e 1788. quebrando um segundo acordo de paz. ao sul. na Indonésia. entre 1501 e 1739. A desactualizada administração do império. ditaram do monopólio Português no Oriente. militar e naval de potências europeias como a Inglaterra e a Holanda. a superfície de Goa triplica com a incorporação dasNovas Conquistas: Portugal apoderou-se de Dadrá e Nagar-Haveli. sobretudo o aumento da capacidade económica. mantendo-se as designadas "Velhas Conquistas". entretanto. Cochim em 1662 e a costa de Malabar em 1663. uma tentativa de derrubar o regime . que estabelecera o seu império sobre os territórios conquistados aos portugueses com vastas rotas comerciais. Ceilão foi perdida em 1658. permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. a falta de recursos humanos. Em 1787 dá-se a chamada "Conjuração dos Pintos". Portugal só conseguiu conservar não muito mais do que Goa. a reorganização do comércio por parte dos Turcos e dos Árabes. com novas rotas de transporte dos produtos orientais (as "Rotas do Levante"). o Tratado de Haia de 1661. Na Índia vários territórios foram. económicos e militares para uma efectiva ocupação. Diu.[79] Ano em que Bombaim e Tânger foram cedidas à Inglaterra como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. a pirataria e o corso. ao norte e a leste. Macau e Timor Português.

nem alguma coisa de metal nem de ferro lho vimos. adotando uma política de concessões de três anos: os concessionários deveriam descobrir 300 léguas de terra por ano. e incluía o nome de José Custódio Faria.[82] . Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-1798 e 18021813) e poucas outras ameaças externas após este período. por motivos raciais. Denunciada. de que "Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata. quando D. pero a terra em si é de muitos bons ares. Manuel I decide entregar a exploração a particulares. João II firmou o Tratado de Tordesilhas em 1494. que os tupis chamavam ibirapitanga e a que foi dado o nome paubrasil. valiosa para a tinturaria europeia. A 22 de abril de 1500 avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. instalar aí uma fortaleza e produzir 20. Até 1501. com vários clérigos e militares. Nesse mesmo ano o rei D. Presença portuguesa no Brasil Em 1499 na segunda armada à Índia. que movia mais para oeste o meridiano que separava as terras de Portugal e de Castela.[80] O território conseguira fazer parte dos domínios portugueses renegociando a demarcação inicial da Bula Inter Coetera de 1493. Pedro Álvares Cabral afastou-se da costa africana. O padre Divar conseguiu escapar e viria a morrer emBengala. a mais bem equipada do século XV.português em Goa. Oficialmente tida como acidental. O grupo dos conspiradores era liderado pelo padre José António Gonçalves de Divar. a descoberta do Brasil originou a especulação de ter sido preparada secretamente. naturais da região. assi frios e temperados como os d'antre Doiro e Minho".. onde alcançaria a fama. encontrou-se como principal recurso explorável uma madeira avermelhada.000 quintais de pau-brasil. a conspiração foi reprimida pelas autoridades portuguesas. sentiam-se discriminados nas promoções de suas carreiras. conhecido como "Abade Faria". a Coroa portuguesa enviou duas expedições de reconhecimento. O Abade Faria escapou para a França. [81] Confirmando a descrição de Pero Vaz de Caminha.

em especial a Baía de Todos-os-Santos onde as frotas se abasteciam de água e lenha. como reconhecimento. Manuel I doou a Fernão de Noronha a primeira capitania hereditáriano litoral brasileiro: a ilha de São João da Quaresma.5 metro de comprimento e 30 quilogramas de peso. Em 1504. Nas três primeiras décadas o Brasil teria um papel secundário na expansão portuguesa. então centrada no comércio com a Índia e para o Oriente. No Rio de Janeiro. Em 1506 produzia cerca de 20 mil quintais de pau-brasil. o rei D. casa dos brancos. jardim botânico de São Paulo. que seria representante do banqueiro Jakob Fugger. que terá sido comandada por Gonçalo Coelho. atual Fernando de Noronha. junto à foz do rio foi erguida uma construção inspirou o nome que os índios deram ao local: "cari-oca". Em 1502 um consórcio de comerciantes financiou uma expedição. Em 1503. cujo preço elevado tornava a viagem lucrativa.[80] O litoral servia fundamentalmente como apoio à carreira da Índia. O arrendamento foi renovado duas vezes. com crescente demanda na Europa.Pau-brasil (Caesalpinia echinata) florido. que vinha financiando viagens portuguesas à Índia. em 1505 e em 1513. entre eles Fernão de Noronha. estabelecer contactos com os ameríndios e principalmente fazer o mapeamento da parte situada aquém do Meridiano de Tordesilhas. colares e espelhos (prática chamada "escambo"). Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa para contrabandearem pau-brasil.[83] Os navios ancoravam na costa e recrutavam índios para trabalhar no corte e carregamento. aves de plumagem colorida . todo o território foi arrendado pela coroa para exploração do paubrasil aos comerciantes que financiaram a expedição. aproveitando para fazer pequenos reparos. por isso pertencente à coroa portuguesa. em troca de pequenas mercadorias como roupas. Cada nau carregava em média cinco mil toras de 1. para aprofundar o conhecimento sobre os recursos da terra.

assim. Entre 1534-36 D. João III instituiu o regime de capitanias hereditárias. que incentivava a prática do corso. araras). Este sistema .[84] A partir de 1520. Surgiram.. dada a contestação do Tratado de Tordesilhas por Francisco I de França. Foram criadas quinze faixas longitudinais que iam do litoral até o Meridiano das Tordesilhas. promovendo o povoamento através das sesmarias. raízes medicinais e índios para escravizar. do Benim e da Angola. Desde as expedições de Gonçalo Coelho que se assinalavam incursões de franceses no litoral brasileiro.(papagaios. desencadearam um esforço de colonização efectiva do território. as primeiras feitorias. A cultura da cana-de-açúcar foi introduzida a partir de 1516 e as grandes plantações na Bahia e em Pernambuco exigiriam um número crescente de escravos negros da Guiné. os portugueses apercebem-se que a região corria o risco ser disputada. como se fizera com sucesso nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde. 1574) com a divisão do Brasil em 12 capitanias e a linha de Tordesilhasdeslocada dez graus para oeste. peles. As Capitanias hereditárias e o primeiro Governo Geral (1532-1580) Mapa de Luís Teixeira (c. O aumento do contrabando de pau-brasil e outros géneros por corsários.

sede do Governo Geral. a Coroa decidiu centralizar a organização da Colónia.envolvia terras vastíssimas. enviando como primeiro governador-geral Tomé de Sousa. doadas a capitães-donatários que possuíssem condições financeiras para custear a colonização. Resgatou dos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a Capitania da Baía de Todos os Santos. apesar dos problemas comuns às demais. Cada capitão-donatário e governador deveria fundar povoamentos. Percebendo o risco que corria o projeto de colonização. mas não vendê-la. . altos funcionários da corte. Com a finalidade de "dar favor e ajuda" aos donatários. O governador-geral passou a assumir muitas funções antes desempenhadas pelos donatários. os donatários Duarte Coelho e os representantes de Martim Afonso de Sousa. transformando-a na primeira capitania real. 1567). Salvador (Bahia). Ambas se dedicaram à lavoura de cana-de-açúcar e. conceder sesmarias e administrar a justiça. Esta medida não implicou a extinção das capitanias hereditárias. como João de Barros e Martim Afonso de Sousa. Tomé de Sousa fundou a primeira cidade. Os doze beneficiários eram elementos da pequena nobreza de Portugal que haviam se destacado nas campanhas da África e na Índia. o rei criou em 1548 o Governo Geral. embora não fosse proprietário: podia transmiti-la aos filhos. conseguiram manter os colonos e estabelecer alianças com os indígenas. Das quinze capitanias originais (a dois meses de viagem de Portugal) apenas as capitanias de Pernambuco e de São Vicenteprosperaram. Esquema do ataque de Mem de Sá aos franceses na baía de Guanabara em 1560 (autoria desconhecida. ficando responsável pelo seu desenvolvimento e arcando com as despesas de colonização.

1557) e Mem de Sá (1557 . Surgiram ainda conflitos com o bispo. com o engenho de açúcarcomo peça principal especialmente na Bahia. a França Antártica. que em 1555 trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon ocuparam o território o Rio de Janeiro. fizeram explorações de reconhecimento e tomaram medidas no sentido de reafirmar a colonização. terminaram os limites do meridiano de Tordesilhas. na instalação de engenhos na região. ano em que foram definitivamente derrotados. da justiça e da defesa do litoral. Os governadores seguintes. resultante da crise de sucessão de 1580 em Portugal. Inicia-se então um grande desenvolvimento da agricultura. Sob o governo de Tomé de Sousa que chegou ao Brasil um considerável número de artesãos. e com os próprios jesuítas que se opunham à escravidão indígena. compostas pelos "homens bons": donos de terras. em busca de riquezas minerais. Esta união colocou contudo o império português em conflito com potências europeias rivais de Espanha. Com . Foram então realizadas expedições ao interior tanto por ordem da Coroa.1572). divisão e invasões holandesas (1580-1663) Com a união ibérica sob o domínio Habsburgo. De início trabalharam na construção da cidade de Salvador e. enfrentando choques com índios e com invasores. Estas expedições exploratórias duravam anos. para catequese dos indígenas. especialmente os franceses. Domínio Habsburgo. Pernambuco. Vieram também padres jesuítas. permitindo expandir o território do Brasil para oeste. os "bandeirantes". onde tentaram estabelecer uma colónia. e mais tarde no Rio de Janeiro. reforçaram a defesa das capitanias. as "entradas". Foram também instaladas as Câmaras Municipais. A economia da colónia gradualmente passara à produção da cana-de-açúcar e do cacau em grandes propriedades. Duarte da Costa (1553 . membros das milícias e do clero. como a Holanda. Em 1551. estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa. e entre antigos e novos colonos. foi criado o 1º Bispado do Brasil. depois.capital do estado. Em 1595 iniciou-se a guerra Guerra Luso-Holandesa. Trouxe três ajudantes para ocupar os cargos das finanças. como por particulares. A ocupação francesa perduraria até 1567. sobretudo a prata abundante na América espanhola e indígenas para escravização.

Capturados entre tribos em África. Em 1625 a Coroa espanhola envia uma poderosa armada luso-espanhola. enfraquecendo a participação portuguesa. Em 1621 o Brasil é dividido em dois estados independentes: o Estado do Brasil. O Governador é capturado e o governo passa para as mãos de Johan van Dorth. Gabriel Soares de Sousa comentava o luxo reinante na Bahia. que servia de lastro nos navios. por vezes com a conivência de chefes rivais. Esta bloqueia . o açúcar brasileiro supria quase toda a Europa e no início do século XVII era exportado para Lisboa. atravessavam o Atlântico em navios negreiros. ou WIC. Para sustentar a produção a partir de meados do século XVI.uma produção muito superior à das ilhas Atlânticas. 1631). Em 1624 a recentemente criada Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Amsterdão. conhecida como Jornada dos Vassalos. em péssimas condições. mas com o crescimento das suas colónias franceses. conquista a cidade de Salvador (Bahia). Roterdão. Hamburgo. Antuérpia. com capelas magníficas e refeições emlouça da Índia. resultado do destacado papel como ponto de apoio para a colonização do norte e nordeste. do atual Ceará à Amazônia. os chamados de "portugueses do Brasil" estavam sujeitos às mesmas leis que regiam os residentes em Portugal: as Ordenações manuelinas e as Ordenações filipinas. Até então os portugueses possuíram o monopólio do tráfico de escravos. capital do Estado do Brasil. "Planta da restituição da Bahia" (João Teixeira Albernaz. Em ambos os estados. A resistência portuguesa reorganiza-se a partir do Arraial do rio Vermelho. de Pernambuco à atual Santa Catarina. holandeses e ingleses entraram no negócio. e o Estado do Maranhão. perpetuando a situação. Nas senzalas os seus filhos também eram escravizados. começaram a importar-se africanos como escravos. o velho.

A primeira batalha ocorreu em 19 de Abril de 1648. embora a guerra continuasse noutras partes do império. Este "submundo" foi destruído por bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho. . pelo africano Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão. de Arguim (1638) e de São Tomé (1641). No mesmo ano começou a Guerra da Restauração. os colonos recifenses(também chamados leões do norte) luso-brasileiros. Os holandeses apoderaram-se sucessivamente do Recife (1630). expulsaram-nos do Brasil e recuperaram Recife. terminando assim o período do domínio Habsburgo [85] e D. Portugal concedeu à Inglaterra a posição de "nação mais favorecida" no comércio colonial. Em 1630 a capitania de Pernambuco é conquistada pela WIC. Restauração e capitulação holandesa (1640-1663) Em 1640 uma armada luso-espanhola falhou o desembarque em Pernambuco. comandados por Salvador Correia de Sá. vencidas pelos luso-brasileiros no Estado de Pernambuco. Nessa época foram fundados os quilombos. e a segunda em 19 de Fevereiro de 1649. O avanço holandês nas duas costas do Atlântico Sul a partir do fim doséculo XVI ameaçou fortemente as possessões portuguesas. liderado por Zumbi. Em 1642. O território ocupado é renomeado Nova Holanda. Nesse ano o Brasil foi elevado a Principado. As forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira. a maior parte do Brasil permaneceu em mãos portuguesas. No entanto. Entre 1645 e 1654. de São Jorge da Mina (1637). sendo destruída perto de Itamaracá. abrangendo sete das dezenove capitanias do Brasil à época. 1645 eclode a Insurreição Pernambucana de luso-brasileiros descontentes com a administração da WIC. terminam as invasões holandesas do Brasil. como o Quilombo dos Palmares. que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do Nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. consegue a rendição holandesa e a recuperação da Bahia. Entre 1648-1649 são travadas as Batalhas dos Guararapes. A guerra recomeçou. João Maurício de Nassau-Siegen foi nomeado Governador da colônia. que foram uma constante ameaça ao domínio holandês.o porto de Salvador. João IV de Portugal ascende ao trono.

escravos africanos para a região nordeste do Brasil e garantir o transporte do açúcar em segurança para a Europa. como compensação pelo reconhecimento da soberania portuguesa do Nordeste brasileiro. Partiu do Rio de Janeiro a 12 de Maio e.[86] D. exNova Holanda. A campanha prolongou-se de 1648 a 1652. Em meados do século. equivalente a sessenta e três toneladas de ouro. Salvador Correia de Sá e Benevides preparou uma frota de 15 navios sob o pretexto de levar ajuda aos portugueses sitiados pelos guerreiros da rainha Nzinga em Angola. João IV autoriza a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasilpara fomentar a recuperação da agromanufatura açucareira. ao longo de quarenta anos e sob a ameaça de invasão da Marinha de Guerra. no Rio de Janeiro. em carácter de exclusivo. Nesse ano é assinado o segundo Tratado de paz de Haia com os holandeses: Portugal aceitou as perdas na Ásia. Em 1661 a Inglaterra comprometeu-se a defender Portugal e colônias em troca de dois milhões de cruzados. obtendo ainda as possessões de Tânger e Bombaim. o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas começou a concorrer fortemente com o açúcar do Brasil. Os holandeses tinham aperfeiçoado a técnica no Brasil. de onde partiram os últimos navios holandeses. no Recife. que poderiam negociar diretamente vários produtos do Brasil com Portugal e vice-versa. Em 26 de Janeiro de 1654 é assinada a capitulação holandesa no Brasil. para coadjuvar a resistência ao invasor. a Capitulação do Campo do Taborda. e dominavam o transporte e distribuição em toda a Europa. através de contactos com Jesuitas. Este valor foi pago em prestações. Portugal foi obrigado a recorrer à Inglaterra e nesse ano aumentou os direitos ingleses. dando seguimento a uma ideia já avançada por padre António Vieira.Em 1648. O Ciclo do Ouro (1693-1800) . Em 1649. cedidas como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. conseguiram reconquistar Luanda em 15 de Agosto. comprometendo-se a pagar oito milhões de Florins. A sua principal função era a de fornecer. recuperando Angola e ailha de São Tomé para os portugueses.

embora conseguindo recuperar o Brasil e territórios em África.Mato Grosso e Goiás) provocaram uma verdadeira "corrida do ouro". Assim. . Património Mundialda UNESCO.[87] As primeiras descobertas importantes na serra de Sabarabuçu e o início da exploração nas regiões auríferas (Minas Gerais. Brasil. No fim dos confrontos com os holandeses. na região que ficaria conhecida como Minas Gerais. o Brasil começou a ganhar uma importância crescente no império. ao longo do século XVII. Minas Gerais. para o qual exportava pau-brasil e açúcar. Igreja e Convento de São Francisco (Salvador) (17081752).Cidade de Ouro Preto. Talha dourada barroca. onde bandeirantes paulistas haviam descoberto ouro. A partir de 1693 as atenções centraram-se na Capitania do Espírito Santo. Portugal perdeu para sempre a proeminência no Oriente.

A população cresceu 750% entre 1650 a 1770. 78% desta população era formada por negros e mestiços. João IV a referir-se ao Brasil como a "vaca leiteira do Reino".115.[88] Este Ciclo do Ouro permitiu a criação de um mercado interno e atraiu uma grande quantidade de imigrantes. com as condições de vida dos escravizados na região mineira particularmente difíceis. com rápido povoamento e alguns conflitos. 1. Os desvios e o tráfico eram frequentes. O ouro abundante nos ribeirões esgotou-se e passou a ser mais penosamente buscado em veios dentro da terra. o que passou a ser conhecido como "o quinto". importantes no comércio colonial nos povoados em volta de Ouro Preto e Mariana. que cobrava um quinto de todo o minério extraído. A corrida ao ouro aumentou consideravelmente as receitas da coroa.2 quilos. Em 1696 foi fundada a povoação se tornou a vila de Minas Gerais em 1711. mas Godinho sem citar a fonte menciona.[90] No final da década de 1720. mas os conflitos continuam frequentes ao respeito dacolónia do Sacramento. Apareceram metais preciosos em Goiás e no Mato Grosso.com grande afluxo migratório para estas regiões. Faltam elementos para julgar o ouro entrado no Reino de 1698 a 1703. no século XVIII. até que Portugal a renunciou no Tratado de Santo Ildefonso (1777). A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil. Rouillé. descobriram-se também diamante e outras gemas preciosas. novo centro económico da colónia. mas depois começou a declinar fortemente até se esgotar antes do fim do século. A importância económica do Brasil para Portugal. em 1701. em 1699. O século XVIII foi marcado por uma maior centralização e .[89] Na correspondência do embaixador francês em Lisboa. destacando-se também os cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas dos Açores e Madeira. teria levado D. pelo que instituiu toda uma burocracia de controlo. contribuindo para o povoamento do interior. A produção aurífera terá passado de 2 toneladas por ano em 1701 para 14 toneladas nos anos 1750. O tratado de Madrid (1750) definiu as fronteiras entre o Brasil e o resto dos territórios espanhóis. há a primeira menção ao ouro chegado na frota em 1697 . 725 quilos e. O ouro ultrapassou em lucro os outros produtos do comércio e permitiu a prosperidade do Rio de Janeiro.785 quilos.

aumento do poder real por todo o Império Português. Em 1789. Estes dois movimentos manifestavam já a intenção de proclamar a independência. que pregavam a libertação dos escravos. com oDecreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. inspirados nos ideais iluministas da França e na recente independência norte-americana. refugiando-se das tropas de Napoleão Bonaparte. com grande participação de negros. . a coroa portuguesa mudou-se para o Brasil. que seria detida em 12 de Agosto de 1798. eclodiu em Ouro Preto a Inconfidência Mineira. quando se anunciava a derrama. Em Novembro de 1807. que acordou pôr a salvo a família real e o governo português. residência dos governadores desde 1743.000 pessoas. um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia. a instauração de um governo igualitário com a instalação de uma República na Bahia. foi brutalmente suprimido porMarquês de Pombal com a dissolução desta ordem religiosa católica sob solo português em 1759. de 1808. um imposto de 20% do valor doouro retirado. então protectores dos Índios ante a escravidão. um dos seus líderes. Dom João VI chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com uma comitiva de 15. escoltando os navios no caminho. foi enforcado. Em 1774. os dois Estados do Brasil e do Grão-Pará e Maranhão fundiram-se numa só entidade administrativa. Mudança da Corte e Independência do Brasil (1807-1825) Primeira Carta Régia. o poder dos jesuítas.Tiradentes. mulatos e alfaiates. A decadência da mineração tornou difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa. após uma aliança secreta com a Inglaterra.[92] Instalaram-se no Paço da Cidade. Os colonos começam a manifestar uma certa insatisfação face às autoridades de Lisboa.[91] Dez anos mais tarde seguiu-se a Conjuração Baiana em Salvador. em 1792. por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. A revolta que partiu da elite de Minas Gerais fracassou e.

o Príncipe assinou a primeira carta régia com o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. ainda na Bahia.Quatro dias após a chegada. Os portos brasileiros foram então abertos às nações amigas . Deu ao Brasil como brasão-de-armas a esfera manuelina com as quinas. João VI foi coroado rei. o Brasil foi elevado à condição de Reino dentro do Estado português. foram instauradas em Portugal as "Cortes Gerais.como a Inglaterra). D. mas o Uruguai foi mantido sob o nome de Província Cisplatina. João ordenou a invasão e anexação da Guiana Francesa.[95]Em 12 de outubro foi fundado o Banco do Brasil para financiar as novas iniciativas e empreitadas. Brasil e Algarves Em 16 de dezembro de 1815. a criação da Imprensa Nacional e de uma Fábrica de Pólvora. no contexto das negociações do Congresso de Viena. Como represália à França. Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa" encarregadas de elaborar uma constituição. Esta abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos. O Rio de Janeiro tornou-se Corte e capital e as antigas capitanias passaram a ser denominadas províncias. após a (revolução liberal portuguesa de 1820). e da banda oriental do rio Uruguai. abrindo os portos. a total dependência de Portugal da Inglaterra. numa tentativa de diminuir. Brasil e Algarves". Bandeira do Reino Unido de Portugal. O primeiro território seria devolvido à soberania francesa em 1817. acabando com o Pacto colonial. Em Janeiro de 1821. Nesse ano morreu a rainha Maria I e D. no extremo norte. já presente em moedas da África portuguesa (1770). decretados por carta régia: depois do comércio. que estabelecia o monopólio de comércio do Brasil com Portugal. fazendas e mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios portugueses.[93][94] que desde 1540 era fabricada na Fábrica da Pólvora de Barcarena. chegou "a liberdade para a indústria".[92] Foi permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros. com a designação "Reino Unido de Portugal. no extremo sul. Em .

Esta .[96] em vivo debate. Agora só tenho a recomendar-vos união e tranquilidade. bem como dos Açores. contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a incômoda presença da numerosa guarnição militar portuguesa na província. deixando seu primogénito Pedro de Alcântara como Príncipe-Regente do Brasil. No Rio. os primeiros brasileiros a discursar oficialmente na Assembleia. Madeira e Cabo Verde participassem na assembleia.Fevereiro. Em Janeiro de 1822. cariocas afixaram à porta do Paço um cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança". Em Abril chegaram a Lisboa Maciel Parente e Francisco Moniz Tavares. referindo-se ao Rei como carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois. deputados da Junta do Pará e de Pernambuco. João VI ordenou que deputados do Brasil. com tropas portuguesas a dissolveram a manifestação. com os deputados portugueses Borges Carneiro e Ferreira Borges e Moura. Império Português em 1822. No dia seguinte. estou pronto: diga ao povo que fico. um decreto comunicou o retorno do rei a Portugal e ordenou que. Em Agosto de 1821 as Cortes apresentaram três projetos para o Brasil com medidas que estes se recusavam a aceitar. O Brasil elegeu 81 representantes para as Constituintes em Lisboa. fossem realizadas eleições dos deputados para representarem o Brasil nas "Cortes Gerais" convocadas em Lisboa. «sem perda de tempo». a secessão do Brasil seria impulsionada e anunciada informalmente pelo príncipe herdeiro D. a primeira assembléia de eleitores do Brasil resultou em confronto com mortos. Pedro.[96] No Rio. com as seguintes palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. no "Dia do Fico". D. com a declaração de de que iria permanecer no Brasil. em 16 de abril de 1821.

Os arquipélagos da Madeira e das ilhas Canáriasdespertaram. Dom Pedro II. em especial as Canárias. Além de formalizar a paz entre Afonso V de Portugal e os Reis Católicos. Dom Pedro II teve sua maioridade declarada. o regime estabilizou-se. As províncias foram pacificadas e a última grande insurreição. pelo seu clima. Portugal fica obrigado a acentuar a sua expansão territorial no interior da África a fim de manter-se a par com as outras potências. o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. quando foi sucedido por seu herdeiro. segundo revela a cartografia da época. foi derrotada em 1849. ofereciam possibilidades de povoamento e reuniam condições para a exploração agrícola. No final da primeira década do Segundo Reinado. símbolo de orgulho nacional. como D. representavam fortes potencialidades económicas. principalmente em mapas italianose catalães. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco em 1418 e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. que tinham uma grande importância estratégica. que competiam pelo domínio do Oceano Atlântico e das terras até então descobertas na costa africana: Portugal . mediante pagamento. porém. João I. A independência do Brasil. pois era o baluarte do Império. Em 7 de setembro de 1822 Dom Pedro proclamou a independência e reinou até 1831.[97] Aos catorze anos em 1840. criou uma imensa onda de choque emocional e material em Portugal. continha cláusulas concernentes à política externa de dos dois reinos. por serem vizinhos da costa africana. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira no século XIV. que tinha apenas cinco anos. Portugal Insular Durante o reinado de D. desde cedo. em 1825. a Revolta Praieira. Com o reconhecimento por Portugal da declaração de independência do Brasil. sob comando do Infante D.seria declarada no dia 7 de setembro a data do romantizado "grito do Ipiranga". Eram então ilhas desabitadas que. Pedro I. sendo coroado imperador no ano seguinte. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que terminaria com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479.

da soca da primeira planta e dos técnicos especializados. Em 1490 a Madeira tinha ultrapassado Chiprecomo um produtor de açúcar. A Madeira Para tentar evitar uma situação idêntica à das Canárias. Regulamentava também as áreas de influência e de expansão de ambas as coroas pelo Reino Oatácida de Fez. ou seja. o Arquipélago dos Açores. A produção cresceu de tal forma que exigiu uma grande necessidade de mão-de-obra. A acessibilidade da Madeira atraiu comerciantes genoveses e flamengosinteressados em contornar o monopólio Veneziano. logo em 1424 iniciou-se a colonização da Madeira adoptando um sistema de capitanias. o infante D. Para satisfazer esta carência foram levados para a ilha escravos originários das Canárias. Inicialmente a Madeira exportava cedro. de outras zonas de África. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias. a vinda. para isso."[15] Mais tarde.[15] entres os quais pontuou o florentino Bartolomeu Marchionni. mais tarde. "Em 1480 havia cerca de setenta navios envolvidos no comércio de açúcar da Madeira. de Marrocos e.passando a Madeira a investir na produção dovinho. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador.rara na Europa e já tentada no Algarve . a partir de 1450 tornou-se um centro produtor de cereais. Henrique mandou plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar . A partir de 1455 inicia-se uma florescente indústria de açúcar. do Paralelo 27 no qual se encontravam.promovendo. da Sicília. o de Cabo Verde e a costa da Guiné. perdidas para Castela. anil e outros materiais tintureiros. com a refinação e distribuição concentrada em Antuérpia. no Norte de África. cerca do século XVII.obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira. Os Açores . teixo. sangue-de-dragão.inicialmente comercializado como "açúcar da Madeira" . Com a queda na produção cerealifera. a cultura da cana-do-açúcar iria ser promovida no Brasil .

São Jorge. (São Miguel e Santa Maria). 1596). de que Portugal era cronicamente carente. territórios desabitados até à altura do seu descobrimento. Para além do trigo. maioritariamente flamengos e italianos. A presença de grande número deflamengos nas ilhas do Grupo Central levou a que aquelas ilhas fossem durante muitos anos conhecidas por "ilhas flamengas" (em inglês "Flemish islands") na cartografia oriunda do norte europeu. cedo canalizado para as então praças portuguesas das conquistas do norte de África. foram colonizados desde o início do século XV.. em especial Mazagão e Ceuta.". atingindo o seu auge quando a produção de cana-de-açúcar.. e de trigo entraram em decadência. entre os quais o cosmógrafo Martin Behaim. A exportação de madeiras para produção escultórica e construção naval. porto de abrigo daarmada das ilhas (Jan Huygen van Linschoten. Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário desbastar densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação. Graciosa. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira. tentada sem grandes resultados. embora também com alguns estrangeiros europeus. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. A presença nas ilhas de flamengos e alemães. Em 1452 o grupo ocidental (Flores eCorvo) é descoberto por João de Teive. Segue-se o descobrimento do grupo central (Terceira. o cedro-do-mato e o teixo."A Cidade de Angra na Ilha de Jesus Cristo da Terceira. em especial com Portugal e a Flandres. Pico e Faial). com o trigo. tal como o sul do Continente Português. maioritariamente por portugueses. Em 1427. contribuiu para algum . dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves. a cultura do pastel e a apanha da urzela para tinturaria deram origem a um activo comércio com os portos da costa europeia. o cultivo de cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes.

que tanto aliás ajudaram a colonizar. as Ilhas foram integradas na estrutura centralizada do Reino pelo Marquês de Pombal. Em 1641. XVIII. Sujeitas desde o início ao regime senhorial. Entre os povos que vieram para os Açores estavam os cristãosnovos. Descolonização (séc. no sc. numa rota que se estendia de Cartagena das Índias. passava por Porto Rico e por Angra. de 5 de Agosto de1580 a 6 de Agosto de 1582. e alcançava Sevilha. Estado unitário. oriundos das "Índias Ocidentais". No porto de Angra do Heroísmo eram reabastecidas e reaparelhadas as embarcações carregadas de mercadorias. não podendo ser consideradas partes do Império. com sede em Angra. ficando a autoridade do Governo centralizada no capitão-general.cosmopolitismo da vivência insular de então. Com efeito. no contexto da Dinastia Filipina. A cidade teve parte activa à época da Crise de sucessão de 1580 resistindo ao domínio Castelhano. A 26 de Janeiro de 1771 os Açores foram oficialmente declarados província de Portugal. O progresso das ilhas deveu-se à importância como escala da chamada Carreira da Índia. regiões autónomas de Portugal. quando extinguiu esse regime senhorial e instituiu as capitanias-gerais. As ilhas portuguesas tornaram-se constitucionalmente. outorgado por João IV de Portugal. serviu de porto aos galeões espanhóis carregados de ouro e prata. o modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade". apoiando as naus que regressavam na "volta do mar". anterioremente ao dos restantes senhorios do Continente. Posteriormente. XX) . judeus convertidos forçadamente ao catolicismo que emigraram do continente europeu para adquirirem terras e escaparem da perseguição religiosa. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas. tal como o resto do país. nos Açores as capitanias donatárias haviam sido extintas em 1766. para apoiar a chamada Armada das ilhas. antecessoras dos distritos autónomos do liberalismo oitocentista. em particular no Grupo Central. em 1976. apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo.

a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli. E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. ar e mar. numa acção armada . Em 1954. Em Dezembro de 1961. A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa. no entanto.000 soldados a Índia independente conquistou Goa. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40. Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. as datas representam a perda do território.feita por terra. que desde 1779 faziam parte doEstado Português da Índia. Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia. acabando por anexar formalmente os enclaves. A partir de então. A maioria das nações reconheceram a acção da Índia. e integrou o Estado Português da Índia no seu território. após a descolonização francesa Pondicherry.acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência. Após a independência indiana concedida pelos britânicos. Damão e Diu.Colônias portuguesas no século XX. mantendo-os representados naAssembleia Nacional até 1974. Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios. começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado . com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. a União Indiana invadia os territórios de Goa. A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia. o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. que durou cerca de 36 horas . após vários protestos pacíficos. No Oriente. o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão. em 1947. a resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia. altura em que se deu a Revolução dos Cravos. À época.

enquanto a guerra civil angolana. Em Moçambique. onde os portugueses se mostram incapazes de travar o aumento das hostilidades e reconheceram rapidamente a independência da Guiné-Bissau(1974) e de Cabo Verde (1975). em 1972.[98] Cerimónia da Transferência da Soberania de Macau para a República Popular da China. iniciando a Guerra Colonial Portuguesa. Consequentemente. conduzem rapidamente ao despedaçamento e à ruína dum país em pleno desenvolvimento e rico em petróleo. O processo de descolonização é próximo na Guiné. mas foi anexado no mesmo ano pela Indonésia. Em 1961. diamantes. Portugal aceitou conceder. a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) toma o comando do país. a situação colonial dos dois países degradou-se rapidamente e os portugueses concordaram em conceder aindependência às suas colónias em 1975. a autonomia à Angola e a Moçambique. Timor-Leste proclamou unilateralmente a sua independência em 1975. Em Moçambique. Após a Revolução dos Cravos na metrópole (1974). ferro e café. decorrida nos primeiros momentos da madrugada do dia 20 de Dezembro de 1999. as operações de guerrilha começaram em 1964. No entanto. esteve sob administração indonésia até ao referendo de 1999. No mesmo ano. um movimento antiportuguês manifestou-se em Angola com o surgimento de dois partidos de luta armada.Português da Índia. seguida da administração . o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União dos Povos de Angola (UPA). que divide as forças de libertação. as ilhas de São Tomé e Príncipe acederam igualmente à independência. aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa. Após a morte de Salazar.

. A descolonização de Macau foi feita de um modo diferente e especial e teve começo após a Revolução dos Cravos. da soberania sobre Macau. é a data de 1 de dezembro de1822 .provisória da ONU até 2002. quando foi proposta o seu retorno imediato à República Popular da China. No estado da Bahia é comemorado o dia 2 de julho de 1823. Em 1987. data em o príncipe real D. existem pelo menos três datas referentes à independência do Brasil. na declaração conjunta sinoportuguesa Portugal aceitou a recuperação pela China. No entanto. retorno esse rejeitado por aquele grande país comunista. dois sistemas". quando Portugal reconheceu a sua independência. também se pode considerar a data de 29 de agosto de 1825.e o fim de facto . A título de exemplo. a maior possessão colonial portuguesa de sempre. oficialmente. reconheceram a independência do Brasil. No Brasil. Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial. após intensas negociações. incluindo o seu sistema económico de carácter capitalista. como aIndependência da Bahia. Pedro deu o Grito do Ipiranga. Em contrapartida. a China prometeu conservar as especificidades de Macau. Por fim. Após o retorno à China. seguindo o princípio de "um país. e conceder um elevado grau de autonomia para a população de Macau. dando por isso uma Fim do Império Existem várias datas que podem ser consideradas como as do fim do Império Português.marcado pelo reconhecimento do mesmo . formalmente.que sela a independência política unilateral do novo Império do Brasil. quando as últimas tropas portuguesas são retiradas do território brasileiro. esta colónia passou oficialmente a ter o estatuto especial de "território chinês sob administração portuguesa".marcado pela independência das possessões coloniais. no dia 20 de Dezembro de 1999. administrada por suas gentes. Em 1976. é comemorado o 7 de Setembro de 1822 como o dia da independência. uma vez que foi então quePortugal e a comunidade internacional. Pode considerar-se o fim de jure . Pedro I como Imperador . mas mais concretamente dirigida por um Chefe do Executivo (entretanto eleito por sufrágio indirecto) e uma Assembleia Legislativa (somente menos de metade dos seus membros entretanto são eleitos pelo sufrágio directo.dia da coroação de D.

mais precisamente no dia 20 de Dezembro de 1999. Pode-se ainda afirmar que o verdadeiro "fim" oficial ocorreu em 2002. um território inalienável da China. Juntamente com Portugal. encravada em terras chinesas. e seguindo esta lógica. e portanto. têm hoje o português como sua língua oficial.Assim sendo. a soberania de Timor-Leste. mas ocupado gradualmente por Portugal desde o século XVI. o seu caso deve ser analisado de uma maneira diferente e especial. também se pode considerar o "fim" oficial ou de jure do Império Português em 1999. ou ainda quando Timor-Leste. num acto simbólico. foi imediatamente invadido e ocupado pelaIndonésia. que proclamou unilateralmente nesse mesmo ano a sua independência. quando Portugal. foi finalmente devolvido na sequência da declaração conjunta de 1987 e passou para a soberania da República Popular da China como região administrativa especial. que foi libertada da ocupação indonésia em 1999. desde os tempos mais remotos. hoje países independentes. o último território sob a sua administração. são agora . reconheceu a independência. pode-se afirmar que o "fim" de facto do Império Português ocorreu em 1975. mas esta possessão colonial. quando Macau. quando as suas colónias proclamaram em massa a sua independência e/ou viram a sua independência reconhecida por Portugal. que sempre defendeu que Macau era. Macau foi o único que não proclamou a sua independência em 1975.[99] Mas. Sete das ex-colónias de Portugal. Legado Mapa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). possui uma situação colonial peculiar e única no Império Português e por isso.

Além disso. Portugal e Brasil estão liderando um movimento para incluir o português como uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas. junto com Maurícia e Senegal. cultural e arquitectónica em vários continentes. sabendo-se que o total da população portuguesa era em 1527 de apenas 1. como muitos outros povos.[102] É também a língua-franca em muitas antigas possessões coloniais em África e a língua oficial em 8 países. com diversas palavras de origem portuguesa no léxico japonês.[104] . a nona maior quantidade de artigos publicados. incluindo o utilizado pela população da Comunidade Cristang em Malaca. No Sri Lanka. existem inúmeras línguas crioulas de base portuguesa. aos chamados Burghers portugueses que. um legado extraordinário. o português é uma das principais línguas do mundo.[103] A presença portuguesa deixou também uma vasta herança humana. principalmente devido ao Brasil. Deixou a sua influência no Japão.2 milhão de habitantes.[101] É a terceira língua mais falada nas Américas. totaliza de 10 742 000 km². mantêm vivo um de várioscrioulos de base portuguesa.membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. [100] A Guiné Equatorial. A presença em Malaca. na Malásia. que adoptou o português como seu terceiro idioma oficial. doze países ou regiões candidatas solicitaram a adesão à CPLP e estão aguardando aprovação. antigo Ceilão. ou 7. No ciberespaço.2% do território da Terra. embora haja também comunidades significativas de lusófonos em países como Canadá. Estados Unidos e Venezuela. que. sendo também a língua co-oficial junto com o cantonês na região administrativa de Macau. sendo o 6º idioma mais falado.[101] Em função da sua importância internacional. estima-se que o português seja a sétima língua mais utilizada da Internet e na Wikipedia. é atualmente um observador associado da CPLP. deu origem à comunidade Cristang. gastronómica. Além disso. tem actualmente. com cerca de 240 milhões de falantes em todo o mundo. quando combinada. Hoje.