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A/c

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Sindicato dos Estivadores de Cabo Frio e Arraial


do Cabo, Macaé e Campos, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas
sob o número , localizado na Praça Tiradentes, n. 8, bairro
Centro, Cabo Frio – RJ, órgão de classe com existência legal há mais de 80 anos,
vem, na qualidade de substituto processual, por seu presidente em exercício,
expor para finalmente requerer o que se segue:

(1). Os trabalhadores portuários avulsos – TPAs são


regidos pela Lei n. 8.630, de 25 de fevereiro de 2003, onde preceitua em seu
artigo 26 que “o trabalhador portuário de capatazia, estiva,
conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de
embarcações, nos portos organizados, será realizado por
trabalhadores portuários com vínculo empregatício a prazo
indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos.” E em seu
parágrafo único determina que “a contratação de trabalhadores
portuários de estiva, conferência de carga, conserto de carga e
vigilância de embarcações com vínculo empregatício a prazo
determinado será feita, exclusivamente, dentre os trabalhadores
portuários avulsos registrados.”

(2). Contudo, é mister ressaltar que o trabalhador


portuário, de acordo com o que preceitua a Lei n. 8.630/2003, tem como
exclusivo o desempenho de suas funções junto ao Porto Organizado dentro de sua
base de atuação, em preferência aos demais trabalhadores, sob a dependência de
requisição do Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO pelo Operador Portuário.
Suas funções estão, assim, intrinsecamente vinculadas à competência do
Operador Portuário nas operações no Porto Organizado.

(3). Assim, de acordo com a lei em comento, a operação


portuária é toda movimentação de mercadorias dentro do porto
organizado, realizada por operador portuário pré-qualificado, sendo um complexo
de tarefas interrelacionadas, resumindo-se em movimentação de mercadorias,
içamento, conferência, arrumação, etc.
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(4). Contudo, é de conhecimento de todos que aportou
no Porto do Forno, no dia / / , plataforma da empresa Petrobrás S.A, para
efetivar reparos, ocupando uma área de aproximadamente 75 metros, impedindo,
com isso, em razão de suas dimensões, que outros navios lá aportem e,
consequentemente, que outros serviços sejam executados, estes de competência
exclusiva dos trabalhadores portuários.

(5). Não bastasse, é público e notório por toda


comunidade, que precedeu a aportagem da plataforma em questão, o pagamento
de valores compensatórios à associação de pescadores de Arraial do Cabo, sendo
mantidos até a presente data com o propósito único e exclusivo de evitar conflitos
com os associados que diretamente estão sendo prejudicados.

(6). Entrementes, é de salutar importância ressaltar que


desde a aportagem da plataforma em questão que os Sindicatos representativos
das Classes de Estivadores, Arrumadores e Conferentes vêm tentando manter
acordo com o impetrado para que como “Porto Organizado” interceda junto ao
responsável direto da plataforma aludida para que desaporte, haja vista não
ser o Porto do Forno de Arraial do Cabo estaleiro, o qual seria competente
para efetivar reparos, mas sim constituído e aparelhado somente para atender a
movimentação e armazenagem de mercadorias e que sua paralisação, mesmo que
breve, gera vultuoso prejuízo ao trabalhador portuário, ao responsáveis
pelas cargas e, principalmente, à sociedade como um todo, pelo relevo que a
movimentação de mercadorias nos portos representa para as economias local,
regional e nacional.

(7). Assim, não é de competência do Porto do Forno,


como porto organizado, manter espaço para reparo em plataformas petrolíferas,
tampouco em navios de qualquer espécie, e, que em razão desta utilização
arbitrária e ilegal, prejuízos incomensuráveis estão sendo suportados pela classe
que, atualmente, está sendo a maior prejudicada, pois, não bastasse à diminuição
da movimentação de cargas no porto, pelo fechamento de empresa de grande
porte da região, está deixando de auferir seus baixos salários pelo
redirecionamento de embarcações de carga.

(8). Sendo assim, haja vista a inércia da autoridade


portuária quanto à efetivação e aplicação de medidas que insurjam contra esses
desvios praticados, mesmo tendo sido por várias vezes notificada pelos sindicatos
classistas, mister se faz recorrer a este órgão para que aplique os meios coercitivos
legais com o intuito de restabelecer os trabalhadores portuários avulsos – TPAs ao
status quo como medida de justiça.

(9). Entende assim o sindicato representativo tendo em


vista que a autoridade portuária, de acordo com a Resolução n. 858, de 23 de
agosto de 2007, da Agência Nacional de Transporte Aquaviário – ANTAQ, está
reiteradamente descumprindo com suas obrigações, senão, vejamos:
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“Art. 10. São obrigações da Administração Portuária:

(...)

XVI. delimitar, sob coordenação da Autoridade Marítima, as áreas


de fundeadouro para carga e descarga, de inspeção sanitária e de
polícia marítima, bem assim as destinadas a plataformas e demais
embarcações especiais, navios de guerra e submarinos, navios em
reparo ou aguardando atracação, e navios de cargas inflamáveis ou
explosivas;

(...)

XVIII. estabelecer e divulgar, sob coordenação da Autoridade


Marítima, o porte bruto máximo e as dimensões máximas das
embarcações que irão trafegar, em função das limitações e
características físicas do cais do porto;

(...)

XXI. fiscalizar a prestação dos serviços portuários, garantindo


condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança,
atualidade, generalidade, cortesia, modicidade nas tarifas e
isonomia no seu acesso e uso, assegurando os direitos dos usuários
e fomentando a competição entre os operadores;

(...)

XXVI. cumprir e fazer cumprir as determinações da ANTAQ;

(...)

XXXVIII. cumprir e fazer cumprir as leis, as normas e


regulamentos, e as cláusulas do contrato de concessão, do convênio
de delegação, de ato ou instrumento, mediante o qual o porto
público esteja sendo explorado;

XXXIX. cumprir e fazer cumprir o regulamento de exploração do


porto baixado pelo CAP;

(...)

XLII. cumprir e fazer cumprir o plano de desenvolvimento e


zoneamento do porto, aprovado pelo CAP;

XLIII. cumprir e fazer cumprir as normas do CAP, visando ao


aumento da produtividade e à redução dos custos das operações
portuárias;
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(...)

XLVI. promover a remoção de embarcações ou cascos de


embarcações que possam prejudicar a navegação das embarcações
que acessam o porto;

(...)

XLVIII. suspender operações portuárias que prejudiquem o bom


funcionamento do porto, ressalvados os aspectos de interesse da
autoridade marítima responsável pela segurança do tráfego
aquaviário;

(...)”

(10). Como visto, os representados do sindicato em


questão têm direito líquido e certo a liberação do espaço ocupado pela plataforma
em comento por três razões distintas e sucessivas: a perda de serviços pelo desvio
de embarcações que poderiam atracar no porto; a redução de seus salários; a
baixa movimentação do porto.

(11). Em face de tudo o que foi exposto, presentes os


fundamentos legais, requer-se o seguinte:

(a). Medidas inexoravelmente críveis para que os abusos


sejam efetivamente rechaçados e, consequentemente, pelos já praticados, a
interposição de multa pecuniária devida, tudo isso como medida de extrema
JUSTIÇA;

Termos em que,

espera deferimento.

Arraial do Cabo, de de 2007.

Sindicato dos Estivadores de Cabo Frio e Arraial do Cabo


(Presidente em exercício)