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As bibliotecas importam?

O surgimento da Biblioteca 2.0

Por Ken Chad e Paul Miller


Tradução de Moreno Barros

O reinado da biblioteca como fornecedora de informação está decadente. Por justiça ou


não, as bibliotecas atuais estão cada vez mais sendo vistas como ultrapassadas, comparadas
com serviços modernos baseados na internet, como Google e Amazon, desejosos por
assumir o trono. Mesmo assim, em Talis [fornecedora de produtos e serviços para
bibliotecas públicas e acadêmicas no Reino Unido e Irlanda] nós acreditamos que ainda
existe muita vida na biblioteca. Entretanto, essa sobrevivência demanda mudanças.
Inevitavelmente, com o mundo avançando, a biblioteca precisa evoluir e começar a
disponibilizar seus serviços na maneira como os usuários modernos esperam. A Biblioteca
2.0 é o conceito de um serviço de biblioteca bem diferente que opera de acordo com as
expectativas dos usuários das bibliotecas de hoje. Nessa visão, a biblioteca torna a
informação disponível quando e onde quer que o usuário requisite. Em alguns momentos,
essa visão será difícil de ser alcançada. Mas nós achamos que também trará euforia e
preenchimento. No final, nós esperamos que seja uma prova de que a biblioteca continua
importando.

Parte 1: O contexto da Biblioteca 2.0

1.1 As bibliotecas importam?

A questão da relevância talvez seja o maior desafio enfrentado pelas bibliotecas atualmente.
Apesar de não haver dúvidas quanto ao valor que as pessoas agregam aos serviços
tradicionais das bibliotecas, será que o crescimento de serviços na internet, como Google,
Amazon e similares, representa um grande desafio? Vamos enfrentá-lo. Esses serviços com
base na internet oferecem métodos para encontrar informação que são de alta qualidade e
fáceis de usar. Uma pessoa pode ser facilmente perdoada por acreditar que encomendar um
livro do conforto de sua casa, e tê-lo entregue direto na sua porta dentro de poucos dias, é
muito mais cômodo do que uma visita à biblioteca local. Com a informação agora tão
livremente disponível, particularmente na internet, será que as bibliotecas importam de
verdade? Em Talis nós argumentamos que a resposta é um sonoro sim. As bibliotecas
fornecem um valor único. Nós acreditamos que uma lista de links em uma máquina de
busca, ainda que útil, não possui o mesmo valor que o conhecimento que uma biblioteca
pode fornecer. Isso mostra que os reportes sobre o fim das bibliotecas são exagerados.
Porém, o vertiginoso sucesso de sites como Amazon e Google mostram que, para ir de
acordo com as expectativas do mundo moderno, as bibliotecas devem mudar
dramaticamente.

O que significa “expectativas do mundo moderno”?

Internet integrada ao cotidiano


A internet contribuiu profundamente para a vida moderna. Hoje, a Web possui centenas de
milhares de usuários. Para muitos, ela é onipresente. Ela nunca “morre”, e quanto mais
usuários de banda larga surgirem, mais “viva” ela permanecerá.

A internet mostrou as limitações de um serviço oferecido em um espaço físico, com


limitadas horas de funcionamento. Mais fundamentalmente, os usuários da internet
simplesmente esperam ser capazes de acessar qualquer informação que quiserem, de
qualquer parte do mundo, em qualquer momento. Na verdade, eles apenas se dão conta
quando as coisas não acontecem dessa maneira.

A “necessidade da gratuidade”

Mais significante talvez é o fato de que, para muitos, a Web parece ser totalmente gratuita.
Muito do que existe nela é de livre acesso e não requer pagamentos tradicionais. Mesmo
serviços comerciais como Google e Amazon oferecem acesso e buscas gratuitas.

Qual é o impacto?

Nós podemos ver a “necessidade da gratuidade” em muitas indústrias hoje. As gravadoras


de música combatem a onda do compartilhamento de músicas. O Google e o movimento de
Open Access enfrentam o modelo editorial para livros e revistas. As pessoas até mesmo
esperam que os telefones celulares, que são equipamentos razoavelmente caros, sejam
fornecidos de graça (apesar dos contratos com as operadoras). Essencialmente, existe uma
real expectativa entre os usuários mais jovens da internet que argumentam que eles
possuem um direito de usar, modificar e compartilhar conteúdo que encontram.

Também exista um outro impacto da “necessidade da gratuidade”. Os fornecedores de


serviços estão agora sob crescente pressão para encontrar novas maneiras de ganhar valor
monetário com suas concessões. Na industria da telefonia celular, por exemplo, um telefone
grátis parece ser um pequeno preço a pagar em retorno ao relacionamento que o usuário
estabelece com a operadora a qual ele paga por chamadas e mensagens de texto (sem
mencionar produtos lucrativos como ringtones e fotografias) [No Brasil os celulares ainda
não chegaram ao patamar de serem oferecidos de graça em troca de contratos de uso, apesar
de muito próximo disso. Um exemplo recente é o preço de venda atribuído aos consoles de
vídeo-game Xbox, da Microsoft, considerado menor do que o seu custo de produção. A
empresa afirma que os lucros são gerados através da venda dos jogos propriamente, as
“fitas”].

As bibliotecas parecem estar livres dessa pressão. Afinal, os catálogos disponíveis na rede
já oferecem acesso e uso livre, não é? Mas esse não é caso. Os usuários de biblioteca
podem possuir acesso livre a esse serviço, mas as bibliotecas têm que pagar pelos dados. As
bibliotecas pagam pela assinatura de muitas fontes e sistemas de compartilhamento como o
WorldCat da OCLC, e LinkUK ou UnityWeb da Talis. [Como a Bireme, no Brasil] Esses
serviços agregam dados bibliográficos e conteúdo de muitas bibliotecas diferentes, cada
uma fornecendo seus dados de graça, e cobrando dessas mesmas bibliotecas pela utilização
do serviço. Algumas organizações atribuem restrições aos “seus” registros bibliográficos.
Quando o Google é atualizado ou melhorado, nós simplesmente nos beneficiamos desses
aprimoramentos de acordo quando acontecem. Não existe a necessidade dos fornecedores
de distribuir atualizações para nós. Não é necessário que nós instalemos algo novo. Na
verdade, a maneira como nós acessamos esses serviços é completamente transparente sem
nenhuma noção de lançamentos formais ou “novas versões”. Alguém alguma vez
perguntou: qual versão do Google ou do Amazon você usa? Ao contrário de aplicações
como o Microsoft Office, o qual as pessoas devem comprar, instalar, e manter e atualizar
localmente, nós agora esperamos simplesmente acessar e utilizar essa nova geração de
serviços sem interferências.

O que essas experiências do mundo moderno significam para as bibliotecas?

A pressão sobre as bibliotecas para que modernizem a maneira que oferecem serviços agora
é menos intensa e isso se deve às experiências que as pessoas estão desfrutando com esses
fornecedores de serviços na internet. Os usuários da Amazon ou do Google vêem esses
serviços fornecendo essencialmente ricos catálogos, para que possam acessa-los em
qualquer momento, livremente. Não é surpresa que a expectativa de que as bibliotecas
forneçam catálogos (e outros serviços) de qualidade, compreensíveis, fáceis de usar e
disponíveis vem crescendo cada vez mais.

1.2 O mercado de software

Em essência, o que nós estamos testemunhando com o crescimento da Amazon e do Google


é uma completa transformação no mercado de softwares. Esse mercado hoje está voltado
cada vez mais na direção dessa nova geração de serviços de softwares baseados na internet
“em tempo real”. Até a Microsoft está considerando oferecer aplicações dessa maneira e,
como conseqüência, causar uma mudança radical no modelo de negócios tradicional.

Então como é o novo modelo de aplicação? Bem, pra começar, imagine as aplicações do
Amazon e do Google. Estas são aplicações da nova geração que não são mais construídas
sobre a “four layer stack” [?] e acessada ou conectada a outras aplicações via rede. Ao
contrário, elas são na verdade construídas no topo da internet. Isso significa que as
aplicações são feitas de uma série de componentes de base na web, que podem rodar em
qualquer máquina, em qualquer lugar. Isso é possível porque os padrões tecnológicos sobre
os quais estão baseados são especificações web como o XML (ao invés de padrões
dominantes complexos, como o Z39.50 ou o MARC no mundo das bibliotecas). A
implicação mais importante disso é que a web conecta os componentes e, diferente de
aplicações tradicionais instaladas em máquinas individuais, não existe necessidade de
compra ou instalação de hardware, sistemas operacionais, bases de dados e servidores de
aplicação. Uma aplicação complexa pode ser construída e executada em um browser ativo
em um PC simples conectado à internet. Graças a isso, a maneira como as aplicações da
nova geração são construídas se modificou completamente. Estas aplicações são flexíveis e
modulares, com cada componente criado para lidar com uma área específica de
complexidade (por exemplo, informação geoespacial no caso do Google Maps). As
capacidades desse componente são então disponibilizadas para qualquer outro componente
através de uma Interface de Aplicação de Programação (Application Programming Interface
– API). Isso significa que os componentes podem ser reutilizados em diferentes
combinações para se construir novas e diferentes aplicações. Os desenvolvedores das
aplicações podem alavancar os dados, interface e poder por trás do (por exemplo)
mapeamento do Google, ao invés de ter que construir sua própria versão dele. Então o que
isso significa na verdade? O que as aplicações da nova geração permitem é a criação de
uma “plataforma” participativa que emprega tanto os usuários como os desenvolvedores de
aplicações. No mundo da web, o crescente interesse nessa idéia tem sido chamado de Web
2.0.

1.3 Aplicações participativas

Existe um ditado que diz que o conjunto é maior do que a soma das partes individuais. As
aplicações da Web 2.0 compram essa idéia por completo. Componentes individuais são
disponibilizados para todos os desenvolvedores de aplicações para “mexer e combinar” e
criar novas aplicações com valor acrescido. Na verdade, um indivíduo meramente
experiente pode combinar (mash-up) esses diferentes componentes para criar rápida e
facilmente aplicações sofisticadas. Em uma recente entrevista para a BBC, Tim O`Reilly
coloca essa idéia em um contexto mais amplo: “Toda essa idéia de mash-ups é como uma
idéia central da Web 2.0. A idéia que você pode construir serviços – você pode construir
novos sites pegando coisas de outros sites, e também os blogs e a tecnologia associada de
RSS, que é uma tecnologia de sindicância, que significa que você pode publicar algo em
seu site e então enviá-la para seus assinantes”. Significa que pessoas e organizações que
anteriormente competiam entre si agora podem trabalho em conjunto em prol de um ganho
maior e compartilhado. Também indica que a expectativa do usuário de possuir informação
disponível em qualquer aplicação (em qualquer lugar, em qualquer momento) se torna
alcançável. O uso de padrões abertos permite que essas aplicações atinjam proporções
globais, tomando vantagem das arquiteturas distribuídas e uma grande gama de
desenvolvedores apropriadamente qualificados.

Aplicações de baixo custo

Tornar componentes disponíveis para reuso em qualquer aplicação destrava o potencial da


indústria de software de fornecer aplicações de baixo custo. Removendo a barreira dos
custos básicos, você também remove o efeito sufocante do acesso e da inovação. As
tecnologias podem ser licensiadas para exploração e reuso, através de licensas Open
Source, amplamente conhecidas. E o fato de aplicações não terem que começar a ser
desenvolvidas sempre do zero significa que a habilidade de oferecer acesso a elas pode ser
grátis, ou a custos muito baixos. Os fornecedores de informação podem então ir de encontro
à “necessidade da gratuidade” dos usuários.

Aplicações disponíveis gratuitamente

A mudança do modelo de software que precisa ser instalada em todas as máquinas significa
que qualquer aplicação poderia, como o Google e o Amazon fazem, fornecer atualizações
transparentes para os seus serviços. Os usuários realizam suas expectativas de possuir
acesso à melhor tecnologia disponível sem ter que manter seus sistemas locais sob
manutenção.
1.4 E o que tudo isso significa para a biblioteca?

Simplesmente, as bibliotecas precisam começar a utilizar essas aplicações Web 2.0 se elas
quiserem provar a si próprias que são tão relevantes quanto outros fornecedores de
informação, e começar a fornecer experiências que vão de encontro com as expectativas
dos usuários.

Introduzindo Biblioteca 2.0

Em Talis, nós acreditamos que esse amplo movimento está ajudando a dar forma as
maneiras em que o mundo da biblioteca pode descrever e fornecer um conjunto de serviços
de biblioteca facilitados na/pela Web (tanto físicos como virtuais) nos parâmetros do Século
XXI. Uma Biblioteca 2.0, em que as bibliotecas trabalham em conjunto, para e com suas
comunidades. A Biblioteca 2.0 requer uma mudança evolucionária em torno de uma
variedade grande de sistemas, processos e atitudes. Talis está trabalhando para entende-los,
e expressar os requisitos de maneira clara e explícita.

Parte 2: Nossa visão dos princípios da Biblioteca 2.0

2.1 A biblioteca está em todos os lugares

A Biblioteca 2.0 está disponível quando necessária, visível em uma larga gama de artifícios,
e integrada com serviços que vão além da biblioteca, como portais, aplicações de
Ambientes de Aprendizagem Virtual e comércio eletrônico. Com a Biblioteca 2.0, as
bibliotecas vão além da noção de “bibliotecas sem paredes”, na qual elas ofereciam um
website de destino que tentava reproduzir online a experiência total da biblioteca. Ao
contrário, aspectos relevantes dessa experiência da biblioteca deveriam ser reproduzidos em
qualquer lugar, em qualquer momento que os usuários requisitarem, sem a necessidade de
visitar um site separado da biblioteca. Informações sobre empréstimos, por exemplo,
deveriam estar disponíveis dentro de um portal autoridade local ou em um Ambiente de
Aprendizagem Virtual (Virtual Learning Environment - VLE) de uma universidade ou
Sistema de Gerenciamento de Curso (Course Management System – CMS). Entretanto, a
biblioteca penetrante não é apenas sobre assegurar que uma biblioteca é capaz de oferecer
seus serviços para você em maneiras e locais que são de seu interesse e se integram com o
seu fluxo de trabalho. O conceito também reconhece como avanços tecnológicos nos
permite mover além do altamente fragmentado oferecimento disponível atualmente para os
cidadãos britânicos em comparação com as noções do oferecimento de uma verdadeira
biblioteca nacional [?].

A biblioteca penetrante

Hoje em dia, se um usuário mora em Essex e descobre que um livro está na estante de uma
biblioteca na Escócia, não existe um mecanismo eficiente promovido pela biblioteca para
atuar nesse caso. Os atuais mecanismos de empréstimo entre/nas bibliotecas (Inter Library-
Loan) são falhos, na melhor das hipóteses. Certamente, a grosseria dos ILLs contrastam
ferozmente com as facilidades que o usuário pode obter um livro novo ou usado no
Amazon. Será que existe valor na integração das bibliotecas com mecanismos totalmente
diferentes, como os oferecidos pelo Amazon ou eBay? Por que as informações sobre livros
e outros recursos disponíveis para empréstimo não podem aparecer em livrarias online
como uma alternativa à compra? Da mesma maneira, por que informação sobre livros e
outros recursos disponíveis não podem aparecer em sistemas de bibliotecas como uma
alternativa à espera por um item que já foi emprestado ou apenas disponível através do
ILL? Qual papel terá a biblioteca na mediação dessas escolhas com ou em favor do
usuário? O diagrama 1 mostra um demonstrador de prova de conceito da Talis que engloba
um componente web em uma página do Amazon para mostrar se um livro se encontra em
alguma biblioteca do Reino Unido. A disponibilidade é apresentada, diretamente, através do
serviço UnityWeb da Talis. Uma biblioteca penetrante é uma biblioteca visível. E quando
uma biblioteca está em todos os lugares, pode auxiliar os usuários a fazer escolhas da
melhor maneira. Esses usuários se beneficiam da biblioteca em muitas maneiras, e
adquirem valiosas habilidades transferíveis, na manipulação de recursos online.

2.2 A biblioteca não possui barreiras

A Biblioteca 2.0 garante que recursos de informação gerenciados pela biblioteca estejam
disponíveis sempre que necessário, e suas barreiras de uso, minimizadas. Na Biblioteca 2.0,
existe uma presunção ativa de que o uso e reuso de recursos é tanto permitido como
ativamente encorajado. Em acordo com a legislação recente e a melhor prática emergente,
existe uma expectativa que os recursos de informação gerenciados pela biblioteca em favor
de seus usuários estejam disponíveis para eles utilizarem e reutilizarem sempre, em
qualquer lugar e de qualquer forma que lhes for cabível. Ao invés de estarem escondidos
em catálogos com uma única interface web, armazenados em bases de dados proprietárias
visíveis apenas através do web site de um projeto, ou acessíveis apenas para usuários com
certas máquinas fisicamente conectadas a redes particulares, os recursos da Biblioteca 2.0
devem ser mais expostos quanto possível. Eles devem estar disponíveis na web em ampla
escala, visíveis para máquinas de busca como o Google, e recuperáveis em novas
aplicações e serviços construídos pela biblioteca, e por terceiros.

A democratização da informação

A Biblioteca 2.0 é sobre trabalhar com parceiros e fornecedores para aumentar a


disponibilidade de informação, desafiando presunções sobre as restrições vigentes
relacionadas ao uso e reuso. Uma grande questão para as bibliotecas deveria ser por que
não existe um único catálogo bibliográfico global (e grátis), não como um fim em si
mesmo, mas como base para a hospedagem de um melhor e totalmente novo conjunto de
serviços. Existe uma imensa gama de sistemas locais, regionais, nacionais e até
internacionais funcionando em uma variedade de diferentes plataformas. Isso é um grande
custo por duplicação, e nenhum deles é suficientemente ubíquo para oferecer qualquer
serviço relevante para uma população de usuários finais. Porém, utilizando o tipo de
tecnologia distribuída em escala que o Google, Amazon e outros aplicam, nós podemos
criar um catálogo mundial genuíno com muitas vertentes; locais, regionais, nacionais e
lingüísticas. As bibliotecas devem se posicionar no centro da “democratização da
informação” – ajudando a derrubar os muros que as cercam e permitir uma participação
maior. Um grande passo adiante e a base para uma construção, que deverá derrubar os
muros em volta de nossos próprios sistemas e nossa própria informação.

2.3 A biblioteca convida para participação

A Biblioteca 2.0 facilita e encoraja a cultura da participação, apresentando as perspectivas e


contribuições da equipe de funcionários da biblioteca, parceiros de tecnologia e a ampla
comunidade. Blogs, wikis e RSS geralmente são expostos como manifestações exemplares
da Web 2.0. Ao leitor de um blog ou um wiki são oferecidas ferramentas que permitem
adicionar um comentário ou mesmo, no caso do wiki, editar o conteúdo. Isso é o que
chamamos de rede ler/escrever. Talis acredita que a Biblioteca 2.0 significa arrear esse tipo
de participação de forma que as bibliotecas se beneficiem de um crescente esforço de
catalogação colaborativa, como a inclusão de contribuições de bibliotecas parceiras e a
adição de ricos produtos, como capas protetoras de livros ou arquivos de filmes, até
registros de editores e outros. A Biblioteca 2.0 é sobre encorajar e permitir que uma
comunidade de usuários de uma biblioteca participe, contribuindo com suas próprias visões
sobre recursos que ele utilizam e novos que eles desejam acessar. Com a Biblioteca 2.0,
uma biblioteca continuará a se desenvolver e estabelecer os padrões descritivos ricos do
domínio, ao mesmo tempo que abraça mais iniciativas participativas que estimulam a
interação entre e a formação de comunidades de interesse.

2.4 A biblioteca utiliza os melhores e flexíveis sistemas

A Biblioteca 2.0 requer uma nova relação entre as bibliotecas e uma ampla gama de
parceiros tecnológicos; um relacionamento em que todas as partes trabalhem juntas em
forçar ao limite do que é possível enquanto assegura que serviços centrais continuem a
trabalhar com confiabilidade. Uma biblioteca engrandecida com a Biblioteca 2.0 desafia o
paradigma tradicional. O modelo antigo, onde um processo formal que tipicamente inclui
uma especificação detalhada de requisitos de um contrato complexo é concedido a um
único fornecedor que constrói e entrega a aplicação ao longo de muitos meses ou até anos,
é substituída. Ao contrário, os componentes são misturados – eles não são subordinados por
contrato a um ou outro. A solução é flexível e estimulante. Ela se adapta a tecnológicas e
requisitos em mudança, e a biblioteca está livre para trocar componentes mais novos e mais
apropriados de acordo com sua entrada no mercado. Conseqüentemente, essas bibliotecas
não podem pensar em termos de um “ILS” monolítica, mas muitas utilizam os melhores
componentes que aderem aos padrões, permitindo que os módulos interoperem. Essa
biblioteca precisa engajar e participar ativamente com uma ampla gama de parceiros
tecnológicos, assegurando que um conjunto de sistemas centrais modulares e interoperantes
permaneça confiável e robusto. Ao mesmo tempo, a biblioteca deve procurar
continuamente por oportunidades para direcionar serviços da biblioteca existentes através
de canais aos novos usuários, e se engajar com usuários existentes e potenciais em
diferentes maneiras que faça sentido para eles. Através do programa “Connexions”, a Talis
já tomou alguns passos iniciais estabelecendo acordos colaborativos com aqueles que no
passado seriam vistos simplesmente como nossos concorrentes.

A biblioteca importa
As bibliotecas importam. Nós, em Talis, acreditamos nisso. Muitos membros da
comunidade das bibliotecas lendo esse texto acreditam nisso. Mas e o grande público?
Aqueles que tomam as decisões que afetam as bibliotecas, acreditam nisso? Um grande
número de bibliotecas atualmente pode ser considerado como servente a um segmento em
envelhecimento e em redução da sociedade. Elas são gastas, sem brilho: a casa de livros
empoeirados. Apesar de certamente não justificado, no mundo do Google e do Amazon, as
bibliotecas podem parecer ser irrelevantes. O conceito de Biblioteca 2.0 se constrói sobre o
que há de melhor em relação as bibliotecas até hoje, subordina potencial tecnológico e
capacidade comunitária em ordem para fornecer serviços valiosos e com qualidade global
diretamente para aqueles que se beneficiam deles, quer estejam (ou alguma vez seque
entrem) em um prédio de biblioteca ou não. A Biblioteca 2.0 coloca a biblioteca de volta no
coração do negócio da informação; fornecendo conteúdo e serviços de acordo com que
requisitados, onde, quando e de qualquer forma que seja. Em recompensa, os sistemas da
Biblioteca 2.0 fornecem acesso para um força de trabalho valiosa, dedicada e talentosa,
capaz de auxiliar novos e antigos usuários em perceber seu completo potencial. Nós
receberemos seus comentários sobre a Biblioteca 2.0, e convidamos para se unir a nós na
caminhada em direção ao fornecimento de serviços de biblioteca eficientes, relevantes,
efetivos e engajados.

Texto original disponível em


http://www.talis.com/downloads/white_papers/DoLibrariesMatter.pdf