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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SOCIAS APLICADAS DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL: ESTATUTO DE ROMA E RECEPÇÃO PELA LEI BRASILEIRA
Ramon Costa de Araújo1

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Graduando em Relação Internacionais (UEPB) e Graduando em Jornalismo (UFPB).

na Holanda. com poder para julgar indivíduos dos países signatários de seu tratado. Juliana Pinheiro. Ricardo Lewandowski. O tratado foi aprovado em 17 de julho de 1998. Filipinas. ed. trata-se de um tribunal permanente e não de um tribunal criado a posteriori pelas nações vencedoras ou por nações mais poderosas mediante a imposição de suas vontades.. ao contrário dos outros tribunais criados anteriormente. por crimes que tinham efeito sobre toda a humanidade.. 2002. Manual de direito internacional público. 2002 apud CARVALHO. In:_____. salvo raras exceções. no âmbito das nações unidas.. por uma corte internacional permanente. depois da segunda guerra mundial e como consequência do esfacelamento da Iugoslávia. p. O único 2 ACCIOLY. ultrapassando as 60 exigidas para sua entrada em vigor. depois de aprovado pelo Congresso Nacional. Posição corroborada por Accioly (2002)2: A criação do TPI representa um importante avanço no campo do direito internacional. 2009. 187). Israel. SILVA. 558. A sede do Tribunal foi estabelecida na cidade de Haia. que até agora. especialmente em razão do princípio da soberania. chefes militares e mesmo pessoas comuns pela prática de delitos da mais alta gravidade.) esta é a primeira vez na história das relações entre Estados que se consegue obter o necessário consenso para levar a julgamento. por uma maioria de 120 votos a favor. vinculado (mas não parte) à Organização das Nações Unidas. Sri Lanka e Turquia) e 21 abstenções. LEWANDOWSKI (2002. De acordo com o Ministro do Supremo Tribunal Federal. têm ficado impunes. São Paulo: Saraiva. Terminação da guerra. políticos. O Brasil assinou o pacto em 12 de fevereiro de 2000. O ano de 2002 é emblemático porque o Estatuto alcançou 66 ratificações. a criação da “nova” Corte constitui um avanço importante: (. sete em contrário (da China. Pela primeira vez na história da humanidade se instituía um Tribunal permanente. . Apud CARVALHO. 15. Estados Unidos. Hildebrando. entrou em vigor o Estatuto de Roma que prevê a criação do Tribunal Penal Internacional (TPI). pois. Efetivadade Da Jurisdição Do Tribunal Penal Internacional. Geraldo Eulálio do Nascimento e. 2009) O presente artigo não tem a pretensão de esgotar a discussão sobre os vários temas que rondam o Tribunal Penal Internacional e sua legitimidade no mundo. (ACCIOLY. Índia. que escreveu sobre o TPI quando ainda era desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. depositando a ratificação em 12 de junho de 2002. p.INTRODUÇÃO No dia 11 de abril de 2002.

Além do Gabinete do Procurador e a Secretaria. De acordo com o tratado. imparcialidade e integridade. eleitos pelos Estados parte do Estatuto de Roma. logo que uma pessoa seja entregue ao Tribunal ou nele compareça voluntariamente em cumprimento de uma notificação para comparecimento. à liberdade provisória ou às condições desta. Já as funções e poderes atribuídos à Seção de Julgamento em Primeira Instância são descritas pelo Art. que reúnam os requisitos para o exercício das mais altas funções judiciais nos seus respectivos países. o Juízo poderá modificar a sua decisão quanto à detenção. Se necessário. podendo fazê-lo a todo o momento. incluindo o direito de solicitar autorização para aguardar o julgamento em liberdade. (Art. sem prejuízo das funções e atribuições do Procurador. essa seção é responsável pelo julgamento de fato. Ao tempo da revisão. Estatuto de Roma). A seção deverá consultar as partes e adotar as . 60. dentre pessoas de elevada idoneidade moral. Não poderá haver mais de um juiz do mesmo Estado e o mandato é de nove anos. a pedido do Procurador. o Juízo de Instrução deverá assegurar-se de que essa pessoa foi informada dos crimes que lhe são imputados e dos direitos que o Estatuto lhe confere. como também autorizar o Procurador a adotar medidas específicas no âmbito de um inquérito. uma Seção de Recursos. O Juízo de Instrução poderá reexaminar periodicamente a sua decisão quanto à liberdade provisória ou à detenção. 64 do Estatuto de Roma. O Tribunal é composto por 18 juízes.objetivo do trabalho é apresentar a instituição com sua estrutura de funcionamento e a sua base jurídica do Estatuto de Roma. ESTRUTURA DO TRIBUNAL Foi definido pelo Estatuto de Roma que a Corte fosse constituída pelos seguintes órgãos: a Presidência. o Juízo de Instrução poderá emitir um mandado de detenção para garantir o comparecimento de uma pessoa que tenha sido posta em liberdade. se considerar que a alteração das circunstâncias o justifica. uma Seção de Julgamento em Primeira Instância e uma Seção de Instrução. As funções e poderes da Seção de Instrução são descritos no artigo 57 do Estatuto de Roma. Além de apresentar a recepção de tal Estatuto na Lei brasileira. a seção pode proferir os despachos e emitir os mandados que se revelem necessários para um inquérito. Dado início a fase instrutória. A Secretaria é responsável pelos aspectos não judiciais da administração e do funcionamento do Tribunal. a pedido do Procurador ou do interessado. Como o próprio nome diz.

em Haia. Além disso. pelo menos. direito aplicado e penas Como já foi dito. pois fixa normas gerais de Direito Internacional Público. Não são obrigatórios senão para os Estados que os celebraram como Lei em sentido estrito. o Estatuto de Roma que criou o Tribunal Penal Internacional foi assinado em 17 de julho de 1998. De acordo com o artigo 39 do Estatuto de Roma. possibilita a adesão posterior de Estados soberanos. A Seção de Recursos será composta pelo Presidente e quatro juízes. Tais atribuições. 3 3 Classificação feita por Celso Albuquerque Mello e encontrada em: BATISTA. PIRES. ou seja. com suficiente antecedência relativamente ao início do julgamento. deverá determinar qual a língua. De maneira que permita a sua preparação adequada para o julgamento. é um tratado multilateral que não concebe divisão em sua execução. seis juízes. ESTATUTO DE ROMA: tipificação delitiva. Luciana Boiteux de Figueiredo. estão sob reserva de qualquer outra disposição que seja pertinente ao Estatuto. pelo menos. além de decidir sobre o orçamento. seis juízes e a Seção de Instrução por.medidas necessárias para que um desenvolvimento processual equânime e rápido. entretanto. Vanessa Oliveira. Dentre suas atribuições. Um importante órgão que também compõe a Corte é a Assembleia dos Estadosparte que deve fixar diretrizes para manter todo o sistema do TPI atualizado à realidade internacional. com base na vontade convergente das partes. alteração no número de juízes e outras matérias administrativas. Também é considerado um tratado-lei.º . RODRIGUES. por forma a que cada Seção disponha de um conjunto adequado de especialistas em direito penal e processual penal e em direito internacional. Thula Rafaela. A Seção de Julgamento em Primeira Instância e a Seção de Instrução serão predominantemente compostas por juízes com experiência em processo penal. A reunião da Assembleia é realizada uma vez por ano na sede das Nações Unidas ou na sede do próprio Tribunal. O órgão é composto por representantes dos Estados que ratificaram o Estatuto de Roma. a Seção de Julgamento em Primeira Instância por. A Emenda Constitucional n. ou quais as línguas serão utilizadas no julgamento e providenciar a revelação de quaisquer documentos ou da informação que não tenha sido divulgada anteriormente. Os juízes serão restritos às Seções de acordo com a natureza das funções que corresponderem a cada um e com as respectivas qualificações e experiência. O tratado é considerado não mutalizável.

p./maio. o que inclui a possibilidade de celebrar tratados com outras organizações internacionais ou com Estados”.8).Assembleia dos Estadospartes.388. Acesso em: 23 nov 2010 .planalto.planalto. 2008.htm>. V – inquérito e procedimento criminal. Acesso em: 23 nov 2010 6 De acordo com o DECRETO Nº 4. de 25 de setembro de 2002. A competência do Tribunal restringir-se-á aos crimes mais graves.br/ccivil/decreto/2002/D4388. 2009. o Tribunal terá competência para julgar os seguintes crimes: a) o crime de genocídio. que afetam a comunidade internacional no seu conjunto.388.01-44. n.. 5º Crimes da competência do Tribunal.. Acesso em: 23 nov 2010 5 De acordo com o DECRETO Nº 4. p.7). Nos termos do presente Estatuto. como afirma Carvalho. 45/2004 e a constitucionalização dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil. o caráter não intervencionista do Tribunal: “Salientando. Rev. de 25 de setembro de 2002. II – competência. VI – o julgamento. 4 De acordo com o DECRETO Nº 4.gov. p. Do texto.br/ccivil/decreto/2002/D4388. VII – as penas.O Estatuto deu ao Tribunal personalidade jurídica internacional. Esp. X – execução de pena.gov. a este propósito. Disponível em: <http://www.4 É importante verificar o preâmbulo que. a organização “pode exercer sua capacidade jurídica para o exercício de suas funções e para a manutenção de suas finalidade (art. de 25 de setembro de 2002.planalto. sendo esses divididos em 13 capítulos: I – criação do Tribunal. abr. III – princípios gerais de direito penal. O Estatuto traz em seu artigo 5° os crimes que são da competência do Tribunal: Art. “estabelece os principais valores que serão adotados pela Corte” (CARVALHO. Disponível em: <http://www. 2008. que nada no presente Estatuto deverá ser entendido como autorizando qualquer Estado Parte a intervir em um conflito armado ou nos assuntos internos de qualquer Estado”6. IX – cooperação internacional e auxílio judiciário. (SANTOS e AMARAL. Brasília. IV – composição e administração do Tribunal. 10. O documento é composto por um preâmbulo e 128 artigos.htm>.pdf> Acesso em: 29 nov 2010.br/ccivil/decreto/2002/D4388. ainda. Disponível em: < http://www. VIII – recursos e revisão. XI . Jur. O Trecho “Relembrando que é dever de cada Estado exercer a respectiva jurisdição penal sobre os responsáveis por crimes internacionais”5 já dá sinais do caráter complementar da Corte e lembra da responsabilidade dos Estados em relação aos crimes cometidos em seus territórios.htm>. Ed. e XIII – cláusulas finais. admissibilidade e direito aplicável.br/ccivil_03/revista/Rev_90/Artigos/PDF/VanessaOliveira_Rev90.gov. 90. desejos e até as limitações que os Estados-parte impõem a organização.388. 1.planalto. XII – financiamento. O preâmbulo reforça. v. Disponível em: <http://www. 4º do Estatuto de Roma). podem-se depreender as motivações.gov. ou seja.

2.planalto. étnicos. praticado com intenção de destruir. Disponível em: <http://www. qualquer um dos atos que a seguir se enumeram. d) Deportação ou transferência forçada de uma população.b) crimes contra a humanidade. O Tribunal poderá exercer sua competência em relação ao crime de agressão desde que.gov. por motivos políticos. no todo ou em parte.8 Seguido por crimes contra a humanidade: Art.br/ccivil/decreto/2002/D4388.388. 7º e 8º) são tipificados os crimes descritos anteriormente. h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado. 9 7 De acordo com o DECRETO Nº 4.planalto.br/ccivil/decreto/2002/D4388. de 25 de setembro de 2002. Para os efeitos do presente Estatuto. ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional. um grupo nacional. religiosos ou de gênero.htm>. Acesso em: 23 nov 2010 .388. total ou parcial. ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. racial ou religioso. Acesso em: 23 nov 2010 8 De acordo com o DECRETO Nº 4. Disponível em: <http://www. culturais. b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo. escravatura sexual. j) Crime de apartheid. contra qualquer população civil. em violação das normas fundamentais de direito internacional. prostituição forçada. gravidez forçada. nacionais. entende-se por "genocídio". c) crimes de guerra. sendo o primeiro genocídio: Art. que causem intencionalmente grande sofrimento. de 25 de setembro de 2002.br/ccivil/decreto/2002/D4388. qualquer um dos atos seguintes. esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável.gov. b) Extermínio. 7° Crimes Contra a Humanidade 1. f) Tortura.gov. g) Agressão sexual. étnico. c) Escravidão. i) Desaparecimento forçado de pessoas. quando cometido no quadro de um ataque. e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave. generalizado ou sistemático. 6º Crime de Genocídio Para os efeitos do presente Estatuto.planalto. seja aprovada uma disposição em que se defina o crime e se enunciem as condições em que o Tribunal terá competência relativamente a este crime. raciais. havendo conhecimento desse ataque: a) Homicídio. entende-se por "crime contra a humanidade".htm>. k) Outros atos desumanos de caráter semelhante. Disponível em: <http://www. enquanto tal: a) Homicídio de membros do grupo.388. Nos artigos posteriores (6º. c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física. d) o crime de agressão. Acesso em: 23 nov 2010 9 De acordo com o DECRETO Nº 4. nos termos dos artigos 121 e 123. de 25 de setembro de 2002.htm>. tal como definido no parágrafo 3º. relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal. Tal disposição deve ser compatível com as disposições pertinentes da Carta das Nações Unidas 7.

5-6) Há também o crime de agressão.8) A forma como o Tribunal pode exercer a jurisdição sobre esses crimes está disposta no artigo 13 do Estatuto. Se. 2. o Procurador apresentará um pedido de autorização nesse sentido ao Juízo de Instrução. à luz de novos fatos ou provas. Um objetivo não militar compreende civis. (MARTINS e REZENDE. o Procurador concluir que a informação apresentada não constitui fundamento suficiente para um inquérito.E os crimes de guerra. poderá recolher informações suplementares junto aos Estados. 10 Artigo 15 – O Procurador: 1. 3. a doutrina tem definido em dois casos: “quando um líder se envolve num conflito armado e fere a integridade territorial de outro Estado e quando uma pessoa que está em posição de comando ou liderança e ordena que seus militares invadam um outro Estado”. para efeitos de maior celeridade. 6. As vítimas poderão apresentar representações no Juízo de Instrução. sem prejuízo das decisões que o Tribunal vier a tomar posteriormente em matéria de competência e de admissibilidade. acompanhado da documentação de apoio que tiver reunido. ou o Procurador tiver dado início a um inquérito sobre tal crime. ao invés de transcrever todo o artigo aqui. nos termos do disposto no artigo 1510. abrir um inquérito com base em informações sobre a prática de crimes da competência do Tribunal. de acordo com o Regulamento Processual. e sim subjetivo. depois da análise preliminar a que se referem os parágrafos 1° e 2°. 2008. Se concluir que existe fundamento suficiente para abrir um inquérito. p. O Conselho de Segurança denunciar ao Procurador qualquer situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática de um ou vários desses crimes. prisioneiros de guerra e feridos. claro. 4. Para tal. por sua própria iniciativa. aos órgãos da Organização das Nações Unidas. Tal não impede que o Procurador examine. como as Convenções de Genebra. bem como recolher depoimentos escritos ou orais na sede do Tribunal. O não respeito aos Tratados Internacionais. é igualmente considerado como crime de guerra. A recusa do Juízo de Instrução em autorizar a abertura do inquérito não impedirá o Procurador de formular ulteriormente outro pedido com base em novos fatos ou provas respeitantes à mesma situação. após examinar o pedido e a documentação que o acompanha. que um estudo mais aprofundado do artigo ampliará o conhecimento sobre tais crimes: Um ato é definido como um crime de guerra a partir do momento em que uma das parte em conflito ataca voluntariamente objetivos (tanto humanos como materiais) não militares. autorizará a abertura do inquérito. que são caracterizados no artigo 8º. mas que não aprece definido por nenhum artigo por não possuir um significado concreto. utilizamos a explicação de Martina e Rezende (2010). Se. (SANTOS e AMARAL. qualquer outra informação que lhe venha a ser comunicada sobre . O Procurador apreciará a seriedade da informação recebida. O Procurador poderá. p. o Procurador informará quem a tiver apresentado de tal entendimento. Lembrando. No caso de um Estado-parte denunciar ao Procurador qualquer situação em que houve indícios de ter ocorrido a prática de um ou vários dos crimes descritos no artigo 5º. mas . o Juízo de Instrução considerar que há fundamento suficiente para abrir um Inquérito e que o caso parece caber na jurisdição do Tribunal. às Organizações Intergovernamentais ou Não Governamentais ou outras fontes fidedignas que considere apropriadas. Como há várias maneiras de agressão. 2010.5.

a menos que esta decisão resulte do fato de esse Estado não ter vontade de proceder criminalmente ou da sua incapacidade real para o fazer.388. sem discriminação alguma baseada em motivos tais como o gênero.planalto. o Tribunal deverá realizar um juízo de admissibilidade.htm>. incluindo. 2) o mesmo caso. c) A pessoa em causa já tiver sido julgada pela conduta a que se refere a denúncia. o artigo 21 dá um tom mais generalista em relação às fontes do direito que devem ser usadas11.br/ccivil/decreto/2002/D4388. nem com as normas e padrões internacionalmente reconhecidos. c) Na falta destes. erro de fato ou erro de direito.388. Já os artigos 20 e do 22 ao 33 s4ao mais específicos em relação aos princípios seguidos pelo Tribunal: O Tribunal Penal Internacional é regido por diversos princípios: legalidade. como previsto no artigo 17 do Estatuto de Roma: a) O caso for objeto de inquérito ou de procedimento criminal por parte de um Estado que tenha jurisdição sobre o mesmo. a opinião política ou outra. não tenha capacidade para o fazer. incluindo os princípios estabelecidos no direito internacional dos conflitos armados.gov. De acordo com o DECRETO Nº 4.htm>. Disponível em: <http://www.gov.gov. b) O caso tiver sido objeto de inquérito por um Estado com jurisdição sobre ele e tal Estado tenha decidido não dar seguimento ao procedimento criminal contra a pessoa em causa. imprescritibilidade. b) Em segundo lugar. a religião ou o credo. o nascimento ou outra condição. (CARVALHO.htm>. responsabilidade penal internacional individual. de 25 de setembro de 2002. deverá ser compatível com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos.br/ccivil/decreto/2002/D4388. os tratados e os princípios e normas de direito internacional aplicáveis. 3. se for o caso. os princípios gerais do direito que o Tribunal retire do direito interno dos diferentes sistemas jurídicos existentes.planalto. O Tribunal poderá aplicar princípios e normas de direito tal como já tenham sido por si interpretados em decisões anteriores. responsabilidade de comandantes e outros superiores.br/ccivil/decreto/2002/D4388. irrelevância da função oficial. elementos intencionalidade. exclusão da jurisdição relativamente a menores de 18 anos. de 25 de setembro de 2002. Acesso em: 23 nov 2010 11 Artigo 21 – 1. De acordo com o DECRETO Nº 4. sempre que esses princípios não sejam incompatíveis com o presente Estatuto. ordens superiores. Disponível em: <http://www. irretroatividade. responsabilidade internacional individual. se for o caso. a cor. O Tribunal aplicará: a) Em primeiro lugar. o presente Estatuto. Disponível em: <http://www. Acesso em: 23 nov 2010 .Após a solicitação do Procurador. com o direito internacional. o direito interno dos Estados que exerceriam normalmente a sua jurisdição relativamente ao crime. circunstâncias que excluem a responsabilidade penal. nos termos do presente artigo. complementariedade e princípio do juiz natural”. d) O caso não for suficientemente grave para justificar a ulterior intervenção do Tribunal. definido no parágrafo 3° do artigo 7°. e não puder ser julgada pelo Tribunal em virtude do disposto no parágrafo 3o do artigo 20. nulla poena sine lege. a origem nacional. de 25 de setembro de 2002.planalto. Acesso em: 23 nov 2010 Em relação ao direito aplicado. étnica ou social. a raça. 2009. A aplicação e interpretação do direito. a idade. a situação econômica. p. De acordo com o DECRETO Nº 4. os Elementos Constitutivos do Crime e o Regulamento Processual.388. salvo se este não tiver vontade de levar a cabo o inquérito ou o procedimento ou.

o que significa dizer que as esferas de jurisdição são diferentes da corte nacional em relação ao TPI”. Entrou em vigor internacional em 1º de julho de 2002. 126. apesar do artigo 5º. XLVII. RECEPÇÃO PELA LEI BRASILEIRA O Estatuto de Roma foi recepcionado. como explica Carvalho (2009). 5º da Constituição Federal. DE 25 DE SETEMBRO DE 2002 – Promulga o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Acesso em: 30 nov 2010 .. para o Brasil. Além das penas privativas de liberdade. de 6 de junho de 2002. bens e haveres que tenham sido provenientes do crime.” (Constituição Federal de 1988). multas. Até novembro de 2010. perdas de produtos. pelo DECRETO Nº 4. O Congresso Nacional aprovou o texto do Estatuto por meio do Decreto Legislativo nº 112. Situação em Uganda (investigação). 12 SITUATIONS and cases. Situação na República Centro Africana (investigação). também. diante de crimes de maior gravidade.) as previsões sobre pena no Estatuto de Roma não se relacionam com a aplicação destas na jurisdição interna. Devido à possibilidade de prisão perpétua. O tribunal poderá impor pena de prisão. em 1º de setembro de 2002. Situação em Darfur. o próprio Estatuto prevê que. por um número determinado de anos. A Emenda Constitucional nº45/2004 adicionou o §4º ao art. e passou a vigorar.int/Menus/ICC/Situations+and+Cases/>. no Brasil. Entretanto. vedar a prisão perpétua.icc- cpi. desde que justificado por elevado grau de ilicitude.As penas que serão aplicadas aos julgados culpados estão definidas no artigo 77. a maioria está em fase de investigação e um em fase de instrução: Situação na República Democrática do Congo (investigação).388. b. a Corte poderá aplicar. nenhum indivíduo foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional. “§ 4º O Brasil se submete à jurisdição do Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. no Sudão (investigação) e Situação no Quênia (instrução)12. alguns doutrinadores ventilaram a possibilidade de haver incompatibilidade entro o Estatuto de Roma e a Constituição Brasileira. Disponível em: <http://www. pode-se impor a prisão perpétua. com o limite máximo de 30 anos. nos termos de seu art. onde há expressamente a submissão brasileira ao Tribunal Penal Internacional. “(. Os membros da Corte trabalham em 5 casos. Entretanto..

II. as instituições internacionais têm a função de dar transparência às relações internacionais e. 2009. p. da Constituição “prepondera” sobre as normas. já que seu dever estatutário envolve delicadas gestões junto à soberania dos países.24). Como defendia o teórico das Relações Internacionais. p. dessa maneira.(CARVALHO. CONCLUSÃO A instituição de uma organização jurídica internacional com capacidade para julgar indivíduos que tenham cometido crimes contra a humanidade é de fato um avança muito significativo tanto no âmbito dos direitos humanos como em termos de cooperação. 2009. com uma punição justa e célere para os responsáveis pelas mais variadas atrocidades. sendo eles membros do TPI ou não. não existe na prática a incompatibilidade entre a Carta Magna brasileira e o Estatuto do TPI. encontrado no artigo 4º. É evidente que uma organização internacional dessa natureza enfrenta e enfrentará desafios para o cumprimento de suas funções. assim. 2005. Keohane. 13 CF.11). International Institutions and State Power: Essays in International Relations Theory. nada prejudicará a aplicação pelos Estados das penas previstas nos respectivos direitos internos. Conforme dispõe o Artigo 80 do Estatuto. p. tendo em vista que a pena de prisão perpétua não será aplicada pelos tribunais nacionais”. o entendimento de que não há incompatibilidade entre o Estatuto de Roma e o ordenamento jurídico brasileiro.25). Ela explica ainda que o princípio da “prevalência” dos Direitos humanos. Destarte. (CARVALHO. garantir resultados relativamente mais úteis e proveitosos do que aqueles que seriam obtidos sem a sua existência13. Westview. Posição reforçada por Japiassú e Adriano (2005): (. “Assim. no que tange à pena de prisão perpétua. (JAPIASSÚ e ADRIANO. . não foi necessária a adoção interna da pena de prisão perpétua pelo Brasil para adequar-se ao Estatuto de Roma. sua ratificação pelo Brasil não implica na adoção desta pena pelo ordenamento jurídico interno. 1989. Entretanto.. Corrobora-se. A criação do Tribunal Penal Internacional demonstrou a intenção dos Estados-parte em preservar a garantia do respeito aos direitos humanos universais. ou a aplicação da legislação de Estados que não preveja as penas referidas no Estatuto..) a despeito da previsão da pena de prisão perpétua pelo Estatuto de Roma. independente do território em que se encontra. é preciso perceber que esse primeiro esforço de cooperação é importante para um futuro de cumprimento dos direitos humanos em sua plenitude.

Efetivadade Da Jurisdição Do Tribunal Penal Internacional.htm>. Sérgio Tibiriçá. Revistas Eletrônicas da Toledo Presidente Prudente. 2008. ADRIANO. 10. LEWANDOWSKI. de 25 de setembro de 2002. Acesso em: 29 nov 2010. RODRIGUES. Ed.unibrasil. PRE-TRIAL division. Revistas . CARVALHO.php?script=sci_arttext&pid=S010340142002000200012&l ng=pt&nrm=iso> Acesso em: 20 nov 2010.br/scielo. Juliana Pinheiro. Vol. 107-128. Brasília.br/arquivos/direito/20092/julianapinheirocarvalho.br/ccivil_03/revista/Rev_90/Artigos/PDF/VanessaOliveira_Re v90. Esp. Disponível em: <http://www. 6. abr. Alexandra Rosa. 2009 Disponível em: <http://www. 90. Carlos Eduardo Adriano.388.planalto. Rev./maio. 10. p. v. REZENDE. O Tribunal Penal Internacional: de uma cultura de impunidade para uma cultura de responsabilidade.planalto..com. Luciana Boiteux de Figueiredo. Aug 2002. Disponível em <http://www. Felipe do Prado.icccpi. A Tutela Dos Direitos Humanos no Âmbito Mundial e o Tribunal Penal Internacional.pdf> Acesso em: 29 nov 2010. JAPIASSÚ.gov. PIRES. Rio de Janeiro – 2005. Tribunal Penal Internacional: Impunidade X Responsabilidade.. av. Jur. São Paulo. Thula Rafaela. n. Acesso em: 23 nov 2010 MARTINS. DECRETO Nº 4. O Tribunal Penal Internacional: Dificuldades para sua Implementação no Brasil. Disponível em: < http://www.º 45/2004 e a constitucionalização dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil.html>.int/chambers/pretrial.REFERÊNCIAS ON-LINE BATISTA. no 6 (2010): ETIC – Encontro de Iniciação Científica.16. Disponível em: <http://www. n. AMARAL. Revista da Faculdade de Direito Candido Mendes. Estud. Rayana Vichieti..scielo. v. SANTOS. Pp. vol.01-44.pdf> Acesso: 29 nov 2010. A Emenda Constitucional n. 45.br/ccivil/decreto/2002/D4388. Lucas Silveira. Vanessa Oliveira. Enrique Ricardo.gov.

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