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DIREITO ECONÔMICO COMO INSTRUMENTO DE POLÍTICA PÚBLICA EM UM ESTADO DEMOCRÁTICO

RESUMO Nesse artigo, através de uma interpretação da Constituição Federal de 1988 e de sua aplicação à sociedade brasileira, tem-se por objetivo principal, apresentar uma visão diferenciada ao direito econômico, retirando o viés de regulamentação do mercado e inserindo uma finalidade social. Isto é, o presente estudo tem a finalidade principal de estudar o direito econômico como meio para atingir a justiça social, a qual é tão almejada em um Estado Democrático.

Palavras-chave: 1. Estado Democrático. 2. Políticas Públicas. 3. Direito Econômico como fim para atingir um Estado Democrático.

1 INTRODUÇÃO O presente estudo intitulado de “Direito Econômico como Instrumento de Política Pública em um Estado Democrático” é observado como um tema bastante atual e expressivo, uma vez que visa qualificar o direito econômico como um direito existente para que a justiça social, a equidade de rendas e o desenvolvimento sustentável sejam alcançados, e não somente um direito com o intuito de regulamentação do mercado, o qual, por diversas vezes, mostra-se injusto e volta do à minoria da população de uma sociedade. Sendo assim, para a elaboração do artigo em questão, foram observados os dispositivos constitucionais referentes aos elementos que compõem um Estado Democrático, assim como aqueles que regulamentam o chamado direito econômico. Não obstante a explicitação referente ao que, de fato, consiste a democracia e como o direito econômico pode ser um instrumento útil para alcançá-la, tornou-se imprescindível abordar a questão da atuação do Estado na ordem econômica e social.

3º. (SILVA.1 DO ESTADO DEMOCRÁTICO A Constituição Federal de 1988. 120) Dessa forma. não basta saber que o Estado Brasileiro deve ser regido pela democracia. relevante se faz mencionar as palavras de José Afonso da Silva sobre a democracia e sua real aplicação no Estado Brasileiro: “A democracia que o Estado Democrático de Direito realiza há de ser um processo de convivência social numa sociedade livre. há de ser um processo de liberação da pessoa humana das formas de opressão que não depende apenas do reconhecimento formal de certos direitos individuais. há a necessidade de que haja uma sociedade livre. pg. justa e solidária. políticos e sociais. expressamente. a cidadania. 2008. faz-se importante observar os fundamentos do Estado Democrático de Direito. trouxe. porque envolve a participação crescente do povo no processo decisório e na formação dos atos do governo. Diante do exposto. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. e deve ser exercido em proveito do povo. I). participativa. em que o poder emana do povo. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. pluralista. no decorrer desse artigo. observa-se que para que haja a aplicação dos preceitos da democracia. sendo eles: a soberania. constitui-se em Estado Democrático de Direito”. porque respeita a pluralidade de idéias. 2 DESENVOLVIMENTO 2. uma vez que é imprescindível entender o que a referida democracia abrange e qual a sua finalidade perante toda uma sociedade. culturas e etnias e pressupões assim o diálogo entre opiniões e pensamentos divergentes e a possibilidade de convivência de formas de organização e interesses diferentes da sociedade. poder-se-á observar a inter-relação existente entre democracia e as diretrizes do direito econômico para fins de atingir uma sociedade justa. em seu art. o regime de democracia ao afirmar que “A República Federativa do Brasil. Entretanto. parágrafo único). 1º. os quais estão elencados nos incisos do artigo constitucional supra mencionado. justa e solidária (art.Dessa forma. diretamente ou por representantes eleitos (art. Dessa forma. mas especialmente da vigência de condições econômicas suscetíveis de favorecer seu pleno exercício”. a dignidade da pessoa humana. . 1.

conota inclusive atuação na esfera do público”. 2. (BARROSO. com a equalização de renda.3 DIREITO ECONÔMICO COMO FIM PARA ATINGIR UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA . a fim de que seja ultrapassado o antagonismo de interesses. expressa significado mais amplo. Atua. no contexto. portanto. quando não qualificada. no caso. 2005. 2. imprescindível observar as políticas econômicas aplicadas à sociedade. através de suas políticas públicas. ainda. Por isso mesmo dir-se-á que o vocábulo intervenção é. Dessa forma. em área de sua própria titularidade. sociais e econômicas de uma sociedade. simplesmente.2 DAS POLÍTICAS PÚBLICAS Para que o Estado possa intervir nas relações jurídicas. pg. necessário ressaltar que o Estado. Pois é certo que essa expressão. o que pode ser devidamente distinguido através dos ensinamentos de Luis Roberto Barroso: “Daí se verifica que o Estado não pratica intervenção quando presta serviço público ou regula a prestação de serviço público. atuação estatal. independente da atuação do Estado na forma intervencionista. 93) Diante do exposto.sendo que. importante salientar a diferença entre atuação estatal e intervenção do Estado. mais correto do que a expressão atuação estatal: intervenção expressa atuação estatal em área de titularidade do setor privado. há a necessidade de ser apresentada a política pública através da qual o Estado pretende atuar. principalmente no que tange a uma sociedade mais livre e igualitária. na esfera pública. progresso e. deve fixar políticas de direito econômico para que se possa alcançar os preceitos de democracia. para que possamos alcançar a referida sociedade. uma sociedade com um desenvolvimento sustentável. visando.

quais sejam: soberania social. torna-se nítido que há uma inter-relação entre as políticas econômicas adotadas por um Estado e suas diretrizes sociais. os quais foram inseridos a fim de assegurar uma sociedade mais justa e igualitária. a justiça social fulcrada na liberdade econômica e social. tem por fim assegurar a todos a existência dignam conforme os ditames da justiça social. com a retórica constitucional. em essência. deverá definir políticas internas para que o Estado possa organizar a vida econômica e social de um país. princípios estes que. observa-se que o Estado deve delimitar um dever-ser para as atividades econômicas. da modernização e progresso de todos os setores da sociedade e. 170. observados os princípios indicados no art. já que a análise dos princípios que informam essa mesma ordem não garante a efetividade daquele fim”. do qual retiram-se os princípios econômicos e sociais. atingindo. Não nos enganemos. A declaração de que a ordem econômica tem por fim assegurar a todos a existência digna. 788) Diante de todo o exposto. CF. 170. propriedade privada. em relação à constituição econômica. possuam plena eficácia no contexto da sociedade brasileira. contudo. assim como da igualdade de rendas e possibilidades de crescimento. . Ou seja. uma vez que tem como finalidade a tentativa de que os direitos sociais. a busca da equidade social através de uma diminuição das diferenças de renda. 2008.Diante dos argumentos expostos nos tópicos anteriores. através de diretrizes que pretendam. consubstanciam uma ordem capitalista. pg. segundo a Constituição. deve-se observar o art. função social da propriedade e livre concorrência. ainda. só por si. a viabilização de um crescimento econômico sustentável. culturais e econômicos. importante ressaltar que a existência de tais princípios não significa a eficácia dos mesmos. torna-se perceptível que as diretrizes das políticas econômicas têm uma função muito mais ampla do que aquela apenas de regulamentação do mercado. em conjunto. Não obstante a existência de tais princípios. assim como assevera José Afonso da Silva: “A ordem econômica. Sendo assim. como dissemos. (SILVA. portanto. sobre tudo. Para tanto. não tem significado substancial.

Malheiros. na equalização de renda. de pôr ordem tanto na vida econômica como social. em especial. SILVA. Rio de Janeiro: Ed. 2005. qual seja. não é um instrumento de caráter apenas regulamentário e que dispõe sobre diretrizes aptas a privilegiar somente uma parcela da sociedade. assim como um instrumento para atingir o real sentido do princípio da isonomia. o qual está previsto constitucionalmente e que visa. qual seja. REFERÊNCIAS MARTINS. Renovar. através de políticas econômicas de intervenção/atuação do Estado voltados diretamente para a eficácia da justiça social e diminuição das desigualdades sociais. aquela que detêm o poder econômico. a viabilização de atividades econômicas com fulcro em um desenvolvimento sustentável. Luis Roberto. acima de tudo. Fernando Barbalho. .Rio de Janeiro: Ed. ao contrário do consenso da sociedade em geral. Do direito à democracia – neoconstitucionalismo. na verdade. Lumen Juris. princípio democrático e a crise do sistema representativo. um ramo do direito. BARROSO. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Ed. José Afonso da. O direito econômico é. Dessa forma. o direito econômico demonstra-se como um verdadeiro instrumento de direito público apto a atingir a democracia.3 CONCLUSÃO Diante do presente estudo apresentado. 2007. pôde-se observar que o direito econômico. Temas de Direito Constitucional. o de tratar desigualmente os desiguais. 2008. no crescimento de um país e.

 705708039. ..  :784 /0 7094 43899:.E.43.9:.8 /0 7094 43899:.7    ./0884.4  $4 !.43.:4 /  .9. .8/08:.  304./48 /709.8   ## $  #%$  073./.3074 /  #034.3/4 .7E9.20390 5.7-. 01./.J54 /024.43899:..4 0 .824  573.49..:89.  #4 /0 .7./4 .4 #4 /0 ..3074 /  :203:78     $'  48F 14384 /.84. !489...780 /4 88902.7.4 /4 89.43.4  4 /7094  /024.0748     ## $  :8 #4-0794  %02.0/23:4/..