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VEREADORES DO PS APRESENTAM PROPOSTA PARA O ORDENAMENTO DAS ÁREAS DE ALTO COLARIDE/AGUALVA E DAS ANTAS DE BELAS/MONTE ABRAÃO

A actividade de gestão do território exige um conjunto de instrumentos que não se podem limitar à apreciação casuística, individualizada e sujeita ao mero impulso dos particulares. A realidade urbanística das principiais cidades do concelho foi resultado de muitos anos, décadas, em que era prática corrente a apreciação casuística, individual, das pretensões dos particulares. Reconhece-se hoje, sem opositores e com consagração legal, que o modelo de construção das cidades não pode mais ser esse, defendendo-se o recurso a mecanismos integrados de planeamento, em que o governo municipal determina, não só a parametrização de uso e ocupação do solo, mas, e sobretudo, determina a organização dessa ocupação, consensualizando assim a construção da cidade. Só através de operações integradas, planeadas, ponderadas e equilibradas – urbanística e financeiramente – podemos desejar alcançar uma cidade qualificada e sustentável. O Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT), estabelecido pelo Decreto-lei nº380/99 de 22 de Setembro com a redacção dada pelo Decreto-lei nº46/2009 de 20 de Fevereiro, trouxe, em especial aos municípios, um conjunto de instrumentos e ferramentas que permitem gerir o território de forma pró-activa, assegurando-se o desenvolvimento de áreas urbanas devidamente dimensionadas, equipadas e financiadas. A execução sistemática dos planos, em especial do plano director, é a única que permite alcançar os fins estabelecidos pela Lei de Bases da Política do Ordenamento do Território e Urbanismo (LBPOTU), consubstanciada pela Lei nº48/98 de 11 de Agosto, que impõe o dever de ordenar o território ao Estado, Regiões Autónomas e Autarquias, e os princípios gerais das políticas de ordenamento do território e urbanismo, no seu art.5º, nomeadamente: − o princípio da sustentabilidade e solidariedade intergeracional, “assegurando a transmissão às gerações futuras de um território e de espaços edificados correctamente ordenados”, − o princípio da equidade “assegurando a justa repartição dos encargos e benefícios decorrentes da aplicação dos instrumentos de gestão territorial”, − e o princípio da contratualização “incentivando modelos de actuação baseados na concertação entre iniciativa pública e privada na concretização dos instrumentos de gestão territorial” (sublinhado nosso). Considerando as operações urbanísticas que, tendo sido sujeitas a procedimento de impacto ambiental, foram trazidas ao conhecimento público, por via do referido procedimento e, por esse facto, disponibilizada informação na página da internet da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, essas operações urbanísticas apenas deverão poder ser concretizadas se a satisfação dos princípios gerais constantes da LBPOTU, em especial da sustentabilidade e solidariedade, e da equidade, estiver assegurada. Considerando que: − Foi proposta por Pimenta e Rendeiro S.A. uma operação de loteamento designada Quinta das Flores Residence, localizada nas freguesias de Agualva e de Massamá, numa área de intervenção de 12,1ha no total de uma propriedade com 16ha, prevendo a constituição de 16 lotes residenciais, para cerca de 1.815 habitantes em 604 fogos, e 18 unidades de comércio local; − Foi proposta por Pimenta e Rendeiro S.A. uma operação de loteamento designada Conjunto Residencial Monte Abraão, localizada na freguesia de Belas, numa área de intervenção de 11,4ha no total de uma propriedade com 17,8ha, prevendo a constituição de 21 lotes residenciais, para cerca de 1.829 habitantes em 522 fogos, e 26 unidades de comércio local;

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− Foi proposta por Pimenta e Rendeiro S.A. uma operação de loteamento designada Conjunto Residencial Massamá Nascente A, localizada na freguesia de Belas, prevendo, numa área de intervenção de 19,5ha no total de uma propriedade com 26,7ha, a constituição de 42 lotes residenciais, prevendo cerca de 3.290 habitantes em 790 fogos, 20 unidades de comércio local e 12 unidades de armazém/serviços/comércio; − Essas propostas localizam-se nos limites dos aglomerados de Agualva, Massamá e Monte Abraão, em locais territorialmente próximos; − Se consubstancia a vontade de uma entidade privada para a concretização de um total de 1.916 fogos habitacionais, destinados a cerca de 6.934 habitantes, para além da concretização de 76 unidades comerciais. − Que tais desenvolvimentos se situam em locais de elevada sensibilidade paisagística e arqueológica, constituindo áreas de descompressão no sistema urbano municipal; − Os monumentos megalíticos da Anta de Belas (Monte Abraão) constituem Monumentos Nacionais, assim classificados por Decreto de 1910, e se encontram também sujeitos às normas de protecção do património municipal estabelecidas pelo Plano Director Municipal de Sintra, no art.9º, nº3, do seu regulamento. Considerando ainda que: − A concretização de uma unidade de execução é o instrumento que melhor satisfaz os objectivos de desenvolvimento harmonioso e de justa repartição de benefícios e encargos, de modo flexível e operativo; − Os investimentos privados propostos para a envolvente dos aglomerados de Agualva, Massamá e Monte Abraão, justificam, pela sua dimensão, localização e extensão, a adopção de instrumentos operativos que garantam a melhor e mais eficaz gestão territorial e o cumprimento dos princípios consagrados na Lei de Bases das Políticas do Ordenamento do Território e Urbanismo, desenvolvidas pelo Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial; − Existem necessidades de constituição de infra-estruturas, em especial viárias e a sua reorganização, e de espaços lazer, de serviço aos aglomerados e decorrentes destas áreas urbanas a desenvolver; Só através de uma gestão eficaz do território se poderá alcançar o desenvolvimento urbano equilibrado e harmonioso, permitindo a realização, para os aglomerados envolventes (Massamá, Agualva e Monte Abraão), de áreas de descompressão urbana, onde se permita a concretização de espaços de lazer desafogados e qualificados, e ainda, se permita a preservação do património arqueológico presente. Assim, os Vereadores do PS da Câmara Municipal de Sintra propõem: 1. A delimitação da Unidade de Execução das Antas de Agualva e Belas/Monte Abraão nos termos do artigo 119º do RJIGT, e de acordo com o seguinte mapa;

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2. Constituem objectivos da Unidade de Execução das Antas de Agualva e Belas/Monte Abraão, os seguintes: a) O desenvolvimento harmonioso das áreas de expansão dos aglomerados de Massamá, Agualva e Monte Abraão, na área delimitada; b) Constituição de uma estrutura verde de descompressão urbana; c) Distribuição equitativa de benefícios e encargos pelos proprietários abrangidos pela unidade de execução; d) Concretização de equipamentos públicos de apoio às populações dos aglomerados envolventes; e) A salvaguarda e valorização do património arqueológico, e a criação de espaços activos da sua promoção. 3. O inicio dos trabalhos, a estarem concluídos num período máximo de 90 dias, para a definição do ProgramaBase da Unidade de Execução das Antas de Agualva e Belas/Monte Abraão, satisfazendo os objectivos estabelecidos, e com vista à abertura da discussão pública nos termos do RJIGT; 4. A execução da Unidade de Execução das Antas de Agualva e Belas/Monte Abraão será promovida no sistema de cooperação, nos termos do art.123º e conexos do RJIGT; 5. As operações urbanísticas serão concretizadas através de operações de loteamento e instrumentos contratuais de urbanização, envolvendo todos os proprietários da área de intervenção, e, eventualmente, o município de Sintra, nos termos que o Programa-Base venha a estabelecer, e utilizando os instrumentos de execução previstos nos artigos 118º e seguintes do RJIGT; 6. As ocupações a definir no programa base deverão cumprir o determinado pelo Plano Director Municipal, em especial os parâmetros estabelecidos pelo seu regulamento, ainda que com a devida ponderação da necessidade de se alcançar ou não os limites máximos aí previstos e da adequação destes à área de intervenção e aos elementos territoriais, sociais, económicos, paisagísticos e patrimoniais em presença. OS VEREADORES DO PARTIDO SOCIALISTA Ana Gomes Domingos Linhares Quintas Ana Queiroz do Vale Eduardo Quinta Nova 28 de Setembro de 2011 3