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A REFORMA DO ESTADO E A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: O QUE DE FATO MUDOU.

Maria Paula de Carvalho Delmaestro1

Na década de 1990 a Reforma do Estado, se caracteriza como movimento global, onde o Estado é visto como objeto e sujeito da reforma não no sentido de eliminá-lo, mas de torna-lo governável em uma economia global capitalista, buscando resgatar sua autonomia financeira e sua capacidade de implementar políticas públicas. No que tange ao Brasil, no ano de 1995 foi apresentado pelo extinto Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado – MARE um “Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado” que, muito embora não tenha sido implementado, serviu de orientação para a política educacional da década de 1990. Como desdobramento, temos a criação de leis e decretos, dentre os quais destacaremos as que se referem à Educação Profissional. A criação das instituições de educação profissional se deu no início do século XIX com o objetivo de retirar das ruas e dar capacitação aos “desvalidos da sorte”. Com o passar dos anos, com o desenvolvimento socioeconômico brasileiro e suas novas demandas, a educação profissional foi ganhando novos contornos perante a sociedade e em torno de sua própria existência e concepção. Já nas décadas de 1980 e 1990 a educação profissional já não era vista simplesmente como uma educação para aqueles desprovidos de condições financeiras para arcar com uma educação privada e necessitados de entrar no mercado de trabalho de forma mais rápida e eficaz, mas pelo contrário, se tornou uma educação de qualidade procurada por alunos oriundos de todas as classes sociais e utilizada não somente para adentrar mais cedo no mercado de trabalho, mas para preparar o aluno dando-lhe uma sólida base para o curso superior. Neste contexto surge então o Decreto 2.208/97 regulamentando a Lei 9.424/96 – A Lei de Diretrizes e Bases/LDB no concernente a educação profissional, e a Resolução CNE/CEB nº 03/98 que desvincula o ensino profissional do ensino médio. Neste período constatou-se uma evasão das instituições federais de educação profissional e
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Mesmo com o empenho de toda a comunidade interna e com a construção de novos currículos. Uma reforma que começou na década de 1990 e que continua até os dias atuais e que deve buscar trilhar caminhos no sentido de melhorar a cada dia mais não somente os currículos de formação da educação profissional. a nova forma de educação profissional não se igualou a do passado.154/2004 revogando o Decreto 2. Em seu governo aprova-se o Decreto 5. os egressos dos cursos técnicos. ainda são aceitos e requisitados pelo mercado de trabalho. Com todas as intempéries políticas e econômicas. Confirmação deste pressuposto é a abertura de instituições privadas de ensino profissional que tentam com afinco se igualar ao ensino ofertado pelo governo federal. já que era obrigada a oferecer ensino médio como qualquer outra instituição de ensino pública ou privada. sem contudo alcançar seu objetivo a longo prazo. Os egressos do “sistema antigo”. Contudo ainda que houvesse uma reintegração do ensino médio com o ensino profissional este não foi mais o mesmo. conforme relato de alguns servidores dos recursos humanos das maiores empresas do estado do Espírito Santo. mas também buscar formar um cidadão preparado para o mercado e para a vida. Poucos anos depois uma nova eleição e sobe ao poder um operário sem curso superior e originário do chamado chão de fábrica da metalurgia. Neste mesmo período o então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso anuncia que não serão mais construídas escolas técnicas federais. embora tenha ocorrido a reintegração das modalidades de ensino. em qualquer um de seus níveis. bem como os servidores das instituições federais de ensino profissional consideram que. anterior decreto de 1997.uma “crise” em sua identidade que foi descaracterizada. o produto final não é mais o mesmo que oferecido anteriormente. .208/97. principalmente nas áreas de exatas. com toda a evolução e globalização da educação.