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Foreign Policy Decision Making (FPDM) é um subcampo das Relações Internacionais.

Ele toma como ponto de partida a Variável Dependente – que é uma determinada opção de política externa escolhida por um ator internacional – e a partir dela procura explicar como essa escolha foi alcançada pelos agentes (indivíduos, grupos, organizações) envolvidos no processo decisório. É o subcampo mais ambicioso e multifacetado da disciplina devido ao seu foco no imprevisível comportamento humano. É também um dos mais populares pelos seguintes motivos: 1Os estudantes têm interesse em saber como e por que as grandes decisões são ou foram tomadas. O fato de os tomadores de decisão serem em vários casos indivíduos fascinantes também exerce atração sobre os estudantes. Por ser amplamente interdisciplinar, a FPDM enriquece e é enriquecida por outras ciências sociais, sobretudo as Ciências Políticas, a Administração Pública, a Psicologia e a Sociologia. O estudo da FPDM costuma levar os pesquisadores a desenvolverem as chamadas teorias de médio alcance (Theories of the middle range), o que significa que os resultados de seus estudos não são nem muito abstratos nem excessivamente empíricos. A disciplina é bastante adaptável a mudanças no sistema internacional e nas Relações Internacionais. Se no início ela era ideal para o estudo nos três níveis de análise de Waltz, com o tempo e o aumento da complexidade da política mundial e a eventual perda de importância do modelo de estudos centrado no Estado, a FPDM não passa por uma crise de identidade, pois o conceito de decisão elaborado por ela é universal e poderia ser adaptado e aplicado no estudo de atores nãoestatais, subnacionais e transnacionais sem ter que abandonar seu interesse tradicional nos Estados. Por fim, o estudo da FPDM proporciona aos estudiosos muitas oportunidades para aproximar a Academia dos Policy-makers. Ao contrário de outros campos das Relações Internacionais, ela tem suas raízes tanto na comunidade política quanto na acadêmica, o que promove o diálogo entre as duas. empecilhos ao

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Existem também problemas que podem representar desenvolvimento de pesquisas na FPDM. São elas:

1- Exatamente pelas previamente citadas razões de sua popularidade, FPDM é um dos mais incompletos subcampos das Relações Internacionais e o mais desafiador em termos de pesquisa. A complexidade e as rápidas mudanças na disciplina fazem com que os estudantes se sintam perdidos e com a impressão de que o campo é difícil de ser explorado. Por isso, é aconselhável que os estudantes de FPDM comecem com suposições claras e articuladas quanto à potência relativa das variáveis em sua pesquisa. 2- Existe também um problema com as fontes que o estudante de FPDM tem de enfrentar. Ele deve ser criterioso ao discernir uma fonte segura de outra manipulada. Para tanto, sugere-se que o estudante possua certo grau de ceticismo ao analisá-las.

estudiosos como Woodrow Wilson passaram a advogar o estudo da FPDM como uma maneira de lidar com os desafios da modernidade. O subcampo dos estudos estratégicos. Conforme a Guerra Fria evoluiu. Teóricos como Bernard Brodie. as circunstâncias em que a tomada racional de decisões levaria à escolha de políticas e a resultados de conflitos nucleares previsíveis. que floresceu devido a sua abordagem elegante e aparentemente racional do cenário mundial. aqueles devem resistir à tentação de aconselhar estes como se fossem especialistas. no entanto. se mostra disposto a ignorar o perigo de ações mutuamente agressivas para obrigar o adversário a conceder a suas demandas – uma guerra nuclear. visando preparar os policy-makers americanos para confrontos futuros. sendo um cenário em que cada lado. devido ao patrocínio governamental e à evolução nos campos da comunicação e do processamento automático de informações que possibilitaram a análise de cenários de Brinkmanship (OBS: Brinkmanship está relacionado à Guerra Fria e à teoria dos jogos – em especial ao “Chicken Game”. durante a Guerra Fria. esses estrategistas nucleares foram duramente criticados por estudiosos das Relações Internacionais. Os pesquisadores. conforme o mundo se adequava à realidade das armas atômicas e dos mísseis. devidamente supridos pelo conhecimento advindo das ciências sociais e de diversas áreas da psicologia e psiquiatria. No fim do século XIX. no contexto da Guerra Fria) cada vez mais complexos e o gerenciamento de conflitos nucleares e convencionais. continuou a se expandir. estudavam.Como a FPDM por vezes leva os acadêmicos a entrarem em contato com os policy-makers. as simulações e a escolha racional. desenvolveram perfis aprofundados de chefes de estado. em uma situação de conflito. ao controle e à previsibilidade associadas a essa literatura contribuíram para o desenvolvimento de outras formas de estudo da FPDM. que escolhiam estudar as decisões dos líderes políticos precisamente porque se tratavam de figuras idiossincráticas e particulares. a comunidade política e a comunidade think-tank. como a teoria dos jogos.3. Conforme a necessidade de gerenciamento de crise e controle se tornou mais e mais evidente. com base na concepção de que estavam de tal forma distantes da realidade dos confrontos nucleares que suas teorias eram enganosas e moralmente falidas. estimulou também pesquisas sobre as características psicológicas e a personalidade de líderes estrangeiros. já em 1946. Também as suposições quanto à racionalidade. Todavia. A tomada racional de decisões e o controle sobre o comportamento da política externa tornaram-se indispensáveis nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. no entanto. o governo norte-americano. com ênfase especial em suas prováveis decisões durante negociações internacionais e situações de crise. Também devem tomar cuidado com a assimilação: não confundir os papéis ao mudarem constantemente entre a comunidade acadêmica. Relação entre a Academia e a política FPDM era originalmente o domínio de historiadores diplomáticos e biógrafos políticos. . os estrategistas nucleares passaram a ser vistos como intelectualmente ultrapassados. Esse período também assistiu à ascensão de um tipo de estudo de FPDM: a literatura sobre a dissuasão nuclear (nuclear deterrence).

Esses autores articulam várias premissas que tem sido muito importantes nessas últimas cinco décadas. as mais influentes são: 2. Roseneau argumenta que na falta de teorias amplamente aceitas sobre política externa. Logo. mas também classificá-las quanto à sua “potência relativa” (“relative potency”) em situações particulares. que está em busca de um objetivo específico. em especial as suposições que afirmavam que a tomada de decisões na política externa era gerenciada por atores unitários e racionais. Orienting Statements O estudo de tomada de decisão na política externa é tão complexo e multifacetado que depende de algumas afirmações gerais de orientação para guiar os estudantes. os pesquisadores norte-americanos dos anos 60 e 70 mostraram-se interessados em realmente questionar esse modelo. Isso significa não só listá-las. uma vez que agora buscavam alguém ou algo em que jogar a culpa. H. Com o Vietnã provando-se como um verdadeiro atoleiro. A state action é um ação feita por aqueles que agem em nome do Estado. Bruck e Burton Sapin.Enquanto isso. Esses argumentos de Roseneau serviram como base para uma nova abordagem do estudo de tomada de decisão na política externa. chamada Política Externa Comparativa (CFP). como as incertezas. os acadêmicos deveriam pelo menos ser explícitos sobre as suas premissas iniciais quando se comprometem com o estudo de uma situação decisional. e os objetivos e motivações dos Estados que se rivalizam entre si. O autor destaca nesse sentido os trabalhos de Richard Snyder. Os pesquisadores passaram então a se focar em conceitos como a política burocrática e a cultura organizacional como fatores determinantes da FPDM. e que as teorias de “middle-range” em que todas essas variáveis são baseadas poderiam (e . Ela determina que essas variáveis poderiam (e deveriam) ser testadas. na década de 60. a literatura acadêmica desafiava as suposições fundamentais de Bernard Brodie. dependendo do tipo de situação decisional. Essa abordagem acredita que as decisões em política externa seriam produtos da intereção de grande número de variáveis. Bruck e Sapin foram seguidos .Os vários fatores que limitam a tomada de decisão.A tomada de decisão é um processo que sofre influência tanto do cenário interno quanto do externo. 4. pelo conceito de “pré-teoria” desenvolvido por James Roseneau. 2.A necessidade de focar a “Unidade Decisional” (“Decisional Unity”). 1. Ele diz que a maior contribuição que esse subcampo recebeu nos últimos tempos foi o argumento de desviar o foco das pesquisas de RI do Estado para a state action. olhando por esse ponto de vista. e da forma como eles são percebidos e avaliados pelos tomadores de decisão. Os trabalhos de Snyder. W. e o grau com que a nação em estudo foi “penetrada” por influências externas. o Estado seria constituído pelos seus tomadores de decisão. Roseneau aprensenta uma série de circunstâncias onde supostamente uma variável em particular iria assumir uma potência relativa maior que outra. Dentre elas. 3.

realistas Neoclássicos. e os vários fatores envolvidos nas decisões em política externa ( ou seja. será deteminado por uma realidade objetiva. chamada meio operacional. E o resultado do processo decisional (o seu sucesso ou a sua falha). A partir daí houve um número muito grande de estudiosos que focaram o meio operacional (procurando analisar eventos precedentes). e o grau com que os tomadores de decisão envolvidos na situação foram surpreendidos pelo evento internacional. A decisão política será determinada pelo meio psicológico – a forma como a situação derá definida pelos tomadores de decisão.) E por fim. . David Braybrooke e Charles Lindbloom (1963). por exemplo. e o grau de incerteza associado com a decisão. as variáveis independentes – que seriam as causas da situação decisional). Charles Hermann (1969) baseou sua tipologia no nível alto ou baixo de ameaça aos valores nacionais. .e circunstâncias em que uma sociedade nacional inteira poderia estar predisposta a definir e a responder a um evento internacional de maneira particular. também houve um grande número que focou o meio psicológico (desenvolvendo orientações sobre as circunstâncias em que um policy-maker é predisposto a interpretar um evento internacional de forma particular – relacionado a psicologia cognitiva. curto ou longo tempo de decisão. Variáveis independentes: Agência .Vamos começar falando sobre os “decision makers” de forma individual e depois discutir o modo como as agências foram ficando mais complexas pela incorporação de grupos e variáveis organizacionais. A CFP abre precedentes para novas abordagens no estudo de RI que procuram combinar todos os três níveis de análise (e não tratá-los como distintos e competitivos) no estudo de tomada de decisão na política externa. diferenciaram as situações decisionais de acordo com o grau de importância delas (chamado “change”). de acordo com a decisão em si. A partir daí houve uma série de pesquisadores que começaram a empregar o conceito de ideologia para explicar as prioridades e as predisposições das sociedades nacionais. tendeu a reconciliar os meios dos Sprouts e foram chamados por Gideon Rose. Vale o lembrete do ponto de distinção desenvolvido por Harold e Margaret Sprout entre o meio psicológico (psychological milieu) e o operacional (operational milieu). e o processo pelo qual a decisão é tomada (a variável interveniente) vão diferir de acordo com o tipo de situação decisional. um pequeno mas influente grupo de pesquisadores. O autor termina esse item com uma citação de Gideon Rose em que ele diz que os trbalhos futuros desse subcampo deveriam especificar as formas com que as variáveis intervenientes podem desviar a política externa daquilo que os teóricos estruturalistas tinham previsto.Valerie Hudson argumenta que o sub-campo da política externa é baseado em tomadores de decisão que agem de forma individual ou coletiva. A potência relativa.deveriam) contribuir para o desenvolvimento de uma teoria geral sobre política externa.

o que faz com que o pesquisador encare uma decisão como uma série de estágios específicos. A decisão final deve ser tomada depois que a reunião for adiada ou mesmo antes de a reunião ser iniciada. A mídia exerce grande influência na tomada de decisões já que ela é a responsável pela formadora da opinião pública e ainda pode através da divulgação ou omissão de fatos. Esse tipo de decisão era tomado em um grupo de político interno. Henry Kissinger e etc. . O processo decisório é dinâmico por definição. o estudo dos grupos tomadores de decisão foram entrando em cena. Isso ocorre quando os “decision makers” representam alguma organização ou instituição e acaba envolvendo outros interesses. e é formada pela mídia. o que levou muitos estudiosos a pesquisarem a personalidade dos líderes para aconselhar um outro líder para tomar uma decisão (Exemplo: governo dos EUA na Guerra Fria e a psicobiografia de Woodrow Wlson feita por Alexander e Juliette George).A opinião pública também pode ser considerada uma variável independente.Os Georges elaboraram uma espécie de “Código Operacional” onde o perfil psicológico dos tomadores de decisão e seu reflexo decisões que foram de fato tomadas. Mover-se da variável independente para a variável de intervenção força o pesquisador a confrontar de forma mais direta problemas de tempo e outras mudanças. .Ao longo do tempo. Em casos de pequenos grupos. Segundo eles. É aí que eles devem usar os métodos apropriados para obtenção de informações sobre quem disse ou fez determinada ação.Morton Halperin’s e Richard Johnsen chamam atenção para o fato de como as organizações podem influenciar na tomada de decisões. quando e quais seus possíveis efeitos. . O silêncio por parte de um líder pode ser interpretado como consentimento por um membro de uma unidade de tomada de decisões ou como falta de apoio. é muitas vezes a comunicação não-verbal de indivíduoschave que guiam as discussões. depois eles analisam as possíveis alternativas usando cálculos analíticos. raramente contam a história toda. O “Código” foi utilizado posteriormente com outros líderes como Bill Clinton Truman. o que é confirmado por estudiosos posteriores. Uma abordagem interessante (poliheuristic theory) trata o processo decisório como sendo realizado em dois níveis: no primeiro nível simplifica-se o problema através do uso de atalhos cognitivos. É raro encontrar transcrições de tomadas de decisão de altos níveis. No entanto. e quando estão disponíveis. .Carlyle destaca o papel central do líder na política externa. . ter influência direta nas decisões a serem tomadas.. depois de identificar os agentes envolvidos numa situação de decisão e ordená-los de acordo com suas potências encontram seus maiores problemas com relação às suas pesquisas. os líderes agem de acordo com sua personalidade. alguns estudiosos de FPDM questionam abordagens cumulativas ou lineares. A variável de Intervenção: Processo Pesquisadores de FPDM.

destaca a importancia de como a falta de comunicação pode levar à perda de controle em situações de crises internacionais. Os especialistas em relações internacionais mostram grande interesse no modo como os líderes e seus conselheiros tomam decisões nos momentos de crise. Lebow. a maior parte da literatura que se encontra sobre estes casos se deve aos problemas que envolvem questões nucleares.Em "Victims of Groupthink". o sucesso se dá em função de aspectos culturais. Depois dele. Ainda com relação aos momentos de crise. que são fatores estabelecidos em momentos muito anteriores aos momentos de crise. Como grande exemplo podemos citar a análise pioneira de Glenn Paige sobre decisão sobre a entrada dos EUA na Guerra da Coréia. sobretudo em relação às diferenças que este tipo de pensamento apresenta se comparado ao processo individual de tomada de decisões. . Irvin James analisa o quanto pode ser difícil um processo de tomada de decisão tomada em grupo e o quanto isso pode ser prejudicial mesmo num grupo pequeno e coeso. O "groupthink" é ainda alvo de muitos estudos por parte dos especialistas da área. diversos especialistas estudaram o assunto. de organização e até mesmo comportamento pessoal. entre eles Richard Ned Lebow que concluiu através de seus estudos que diante de uma crise. tomada pro Truman. como citado acima.