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UNIVERSIDADE TIRADENTES ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS CURSO DE HISTÓRIA DISCIPLINA: BRASIL IMPERIAL PROF.: MSC.

PEDRO ABELARDO ALUNO: JORGE LAERTE PINTO DOS SANTOS

RESUMOS DOS TEXTOS

Aspectos da formação do Estado brasileiro
A CORTE NO EXÍLIO

O fato que precipitou a formação do Estado brasileiro foi a guerra estabelecida na Europa sob o comando de Napoleão. Em um extremo da luta estava a França, com seu avanço sobre o continente, e no outro a Inglaterra, a grande potência da época. Oprimido entre ambas estava Portugal que ora se mostrava a favor de uma, ora da outra e o resultado dessa imparcialidade culminou na vinda da corte portuguesa para sua principal colônia, o Brasil. Com a instalação da realeza em terras tupiniquins era necessário elevar a condição da colônia, e para isso foi preciso erguer um Estado à imagem e semelhança do Estado português juntando a nobreza migrada com a elite local, medidas estas que viriam a desencadear o processo de independência.

Há quem afirme que retirada da corte portuguesa foi um ato de covardia, porém há quem assegure que foi um ato sábio. Essa ou aquela, o fato é que com o rei vieram ao Brasil os importantes da corte e toda a máquina administrativa, garantido a legitimidade do reino de Portugal e a coroa sobre a cabeça do reis. Outras dúvidas cercam o caráter de D. João e levantam questões se a empresa da saída da corte partiu dele ou foi influenciada por agentes externos. Covarde ou heróico, fujão ou político o que importa são os fatos e seus desdobramentos. A multidão de 15 mil pessoas que vieram de Portugal transformou radicalmente a vida na colônia, pois era necessário instalar a nobreza e para isso nada melhor do que as casas e comodidades dos brasileiros. O príncipe usou o melhor artifício para conquistar a amizade dos colonos, a distribuição de títulos de honra, D. João utilizou fartamente esse dispositivo e através do poder real concedeu honras e privilégios por meios de graças e mercês. D. João criou a nobreza

viver e morrer como rei. A elevação a reino unido a Portugal e Algarves. o retorno do rei a Portugal. a primeira era composta de nobres decadentes e burgueses recentemente ascendidos ao poder já a segunda era composta por uma aristocracia rural e negociantes “de grosso trato”. com a elite econômica fluminense subsidiando monetariamente a instalação da corte. A formação do Estado brasileiro se deu. conforme seu prestígio e seu lugar em relação ao príncipe”¹. em oito anos. a liberalidade. São Paulo: Companhia das Letras. antes tão restritas.brasileira erguendo em si a figura e a autoridade de um pater famílias e conseguiu. de Portugal para o Brasil. Com a larga distribuição de mercês as ordenações. A corte no exílio: civilização e poder no Brasil às vésperas da independência (1808 . Os príncipes eram tidos como seres iluminados e legitimado pelo poder divino sendo responsáveis por preservar os pilares que garantiam a integridade e a independência do reino. com a presença do rei fez despertar sentimentos de emancipação na população local. E “foram os homens de “grosso trato” o suporte da coroa portuguesa no Brasil e que não ficaram de fora da estruturação do Estado brasileiro. Jurandir. D. mais condes. João criou. A nobreza portuguesa era muito diferente da elite brasileira. 2000. recebendo seu quinhão em títulos e cargos. proporcionaram a criação de uma nova característica da monarquia lusa. a abertura dos portos.1821). viscondes. ainda que com os poucos recursos que tinha à sua disposição. o enraizamento daqueles que vieram junto com a corte. INDEPEDÊNCIA E INDEPENDÊNCIAS O processo de independência do Brasil foi desencadeado pela vinda da família real portuguesa e sua corte para a sua colônia na América. barões e marqueses do que o que foi criado no reino de Portugal desde sua independência até o fim do terceiro quartel do século XVIII. ¹MALERBA. As transformações na . A monarquia lusa tinha o caráter que qualquer outra monarquia absolutista possuía. principalmente. “enquanto a maioria das cabeças coroadas da Europa sucumbiu sob Napoleão”¹. o fortalecimento dos princípios liberais tudo isso contribuiu para a formação do estado Brasileiro. e com o deslocamento do eixo do poder. recebendo com isso títulos de nobreza.

para pagar o apoio inglês.sociedade e no sistema colonial foram enormes. não houvesse aparecido José Bonifácio com seu movimento constitucionalista brasileiro. deixou D. Foi preciso. Esses “projetos alternativos” aconteceram no seio das elites regionais que não resolviam sobre qual projeto deveriam seguir. Pedro I como príncipe regente do Brasil junto com pessoas de segmentos importantes que vieram com ele de Lisboa. Contudo. Além dos desmandos de D.”¹ A Revolução do Porto forçou o retorno do rei para Portugal que. Pedro I nega-se a retornar e faz pública sua vontade de permanecer no Brasil em 9 de janeiro de 1822. Pedro I viveu o processo de independência. foi de efeito contrário para a economia do Brasil e “por essas razões. Pedro I e da elite carioca ou. se costuma afirmar que nossa independência teria ocorrido em 1808 e que 1822 teria representado apenas sua consolidação. D. para evitar que o Rio de Janeiro voltasse à condição de sede do Império depois que D. se o de D. abrir os portos do Brasil para seus produtos dando-lhes. Pedro I as divisões entre as tropas fiéis à corte portuguesa e as fiéis à elite carioca acabaram acarretando em seguidas guerras dentro das províncias. existe outro aspecto que deve ser considerado. pois dizia: “a constituição deve ser digna do meu poder”. Mas. se entregar ao caráter liberal da Revolução do Porto que por ter a participação de representantes coloniais que ofereciam medidas de controle às elites regionais “superando dessa maneira a antiga condição colonial”¹. Em 21 de setembro de 1821 a metrópole exigia o retorno do príncipe a Portugal. “ele conviveu com outros projetos alternativos”¹ e alguns desses projetos foram a Inconfidência Mineira e a Revolução Pernambucana. Como retaliação a metrópole portuguesa rebaixa o Rio de Janeiro às mesmas condições das demais províncias desencadeando a ira do regente. por sua vez. era grande a possibilidade da adesão dessas elites ao governo português se. João VI morresse. ainda. que ordena a expulsão das tropas portuguesas e no dia 7 de setembro de 1822 rompe definitivamente com Portugal. O veneno absolutista ainda corria nas veias do Imperador. nem só do heroísmo de D. benefícios alfandegários que dariam fim ao “pacto colonial”. o comportamento de D. tanto que um ano após convocar a assembléia ele a dissolveu e outorgou outra constituição que lha dava poderes parecidos com os dos reis absolutistas. Pedro I fez com que surgissem discordâncias entre as elites regionais. Portanto. O que foi de extremo prejuízo para a metrópole. .

homens simples e. Entre 1825 e 1828. Os gastos dessa guerra abrem um rombo nos cofres públicos. ¹DEL PRIORE. Movimentos desse tipo forçaram D. DA MONARQUIA À REPÚBLICA Apesar de terem sido influenciados pelos princípios liberais os movimentos que determinaram a independência e. aumentava a impopularidade do imperador e o conflito entre as diversas camadas sociais. sendo uma das causas da falência do Banco do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro. é que se articula entre 1837 e 1840 o retorno dos mecanismos centralizadores do Primeiro Império”¹. elitista ou não. Independência e independências. dando origem ao Uruguai. dessa forma o governo brasileiro foi entregue às regências. VENÂNCIO. 2001. reproduzindo em grande escala o ocorrido no Haiti em fins do século XVIII. enfrenta o imperador outro movimento separatista na província da Cisplatina. Assim. Ocorreram movimentos como a Confederação do Equador que contou com o apoio de fazendeiros. Miguel arquitetava um golpe de Estado obrigando D. a Farroupilha e até foram descobertos planos de uma espécie de jihad. que seria praticada na Bahia e “nesse contexto o risco de os pobres e escravos assumirem o controle do poder. e perde. Mary. D. IN: O Livro de ouro da História do Brasil. “No início da década de 1830. posteriormente. que aconteceu a Independência e as Independências do Brasil.Descontentes com a política do imperador as elites provinciais voltam seus olhos para os ideais liberais buscando a independência local e a proclamação da república. Esse modo de governar transferiu o poder para as elites regionais. Renato P. em Portugal. a Balaiada. Pedro I a recuar e convocar a primeira assembléia legislativa em 1826 afastando assim o fantasma do federalismo. O infante não tinha idade suficiente para assumir a coroa. a proclamação da república do Brasil não possuíam as mesmas características dos movimentos europeus. que buscavam o benefício próprio e não o do Estado. o clima era de guerra civil”¹ enquanto isso. até religiosos. a guerra santa islâmica. essa descentralização causou o aumento das correntes separatistas. O Brasil não . Pedro I a renunciar o trono brasileiro em favor de seu filho D. Pedro II. foi com o “grito do Ipiranga” e com os “gritos” de revolta da população. primeiro à regência trina e em seguida na forma de um único regente. Ocorreu a Sabinada. Sendo assim.

porém quando a revolta foi contida negaram a sua participação. no Brasil. até mesmo dentro dos movimentos. um grande exemplo foi o Frei Caneca. Para a elite dominante a independência representava o rompimento com a metrópole e manutenção de seus privilégios. enquanto a classe menos favorecida sonhava com o rompimento das barreiras sociais. das universidades e do clero. As bases sociais das revoluções eram das mais diversificadas. como a “Conjuração Baiana” havia a preocupação de uma insurreição dos escravos que reproduzisse no Brasil o ocorrido no Haiti. então na prática não se pretendia reformar a estrutura social e econômica. enquanto na Europa a liberalismo era uma luta da burguesia contra a monarquia absolutista. e alguns escravos e mulatos livres. estavam desde grandes proprietários e altos funcionários até os que ocupavam funções menores. a grande massa de escravos e mestiços encarava a Independência e sua liberalidade como uma luta contra os brancos e seus privilégios. O rompimento do monopólio colonial e a abertura dos portos foram os golpes mais duros aplicados na . como Tiradentes. somente liquidar os laços coloniais. por exemplo.possuía uma burguesia. O medo de uma revolta dos negros impedia que os princípios de igualdade de direitos fossem aplicados. Como a maioria dos movimentos revolucionários de independência tinha a característica de serem regionais. As relações entre os “branquinhos do Reino” e os “mestiços” era caracterizada por um “antiportuguesismo”¹ e por hostilidades entre os grupos. Na Revolução Pernambucana o processo foi liderado pela elite local. era freqüente a atuação de padres insatisfeitos com a submissão da igreja à coroa nesses movimentos. dessa forma seus ideais liberais eram regidos pela mentalidade de sua aristocracia rural e de uma elite revolucionária. entre os inconfidentes. O grande entrave do liberalismo no Brasil era a escravidão. Se não fosse a transferência da Corte portuguesa para o Brasil o processo desencadeado pelas revoluções liberais tardaria a surtir efeito. Outro fator que diferenciou o liberalismo no Brasil do europeu foi a participação da igreja. ou seja. tornavam muito difícil a implantação da idéia de unidade nacional e de nacionalismo no Brasil. A população nativa e mestiça enxergava nesses movimentos a possibilidade de conseguirem derrubar os bloqueios que existiam e os afastavam de cargos.

por um lado os portugueses condenavam a extinção do pacto colonial por julgarem ser prejudicial à economia luso-brasileira. O português metropolitano descontente. foi realizar a independência do Brasil pelas mãos de D. como resultado aumentavam os conflitos entre os “branquinhos do reino” e os “mestiços” e acentuavam-se os ideais de independência. Ninguém se entendia. o “dia do fico. com a situação que se encontrava. João VI. na redução do Rio de Janeiro à mesma condição das demais províncias e no envio de . por outro o nativo do Brasil se mostrava a favor da manutenção do fim desse acordo enaltecendo as vantagens do livre comércio e o fim dos limites impostos pela metrópole. mas o receio de instalar no Brasil uma forma de governo popular e da ocorrência de uma revolta de escravos afastava ainda mais a possibilidade de instituição de uma república democrática. Mais tarde. Sabendo desses fatos a Corte. O número de adeptos à independência crescia cada vez mais. mas “não era ainda uma proclamação formal da independência”¹. A solução para conseguir dar autonomia ao Brasil e manter a estrutura social e econômica. não obedeceu. da forma que estava. retirando das terras brasileiras todos os órgãos administrativos instalados por D. Pedro I a Portugal. Os brasileiros encararam como uma declaração de guerra as decisões da Corte. José Bonifácio. Pedro I que tinha sido deixado como príncipe regente. D. Pedro I. definitiva do Brasil. Nesse contexto. no entanto representava uma grande afronta à Corte de Portugal. o articulador do projeto da independência. Antes de proclamar a independência. Quando essa mesma corte ordenou o retorno de D. a idéia de manter as duas coroas unidas por uma monarquia dual era fortemente defendida pelos deputados brasileiros junto a Corte portuguesa. buscava o apoio das potências européias para consolidar o Brasil como independente de Portugal. este em 9 de janeiro de 1822. nos ultimo dias de agosto de 1822. convocou uma assembléia constituinte. aplicaram medidas intervencionistas que implicaram na redução dos poderes do príncipe.metrópole. apontava como a causa da crise que atravessava o fato da família real continuar instalada no Brasil e através da Revolução do Porto exigiu a promulgação de uma constituição aos moldes da espanhola e o retorno imediato do rei e da corte. As Cortes portuguesas fizeram prevalecer suas medidas de intervenção no Brasil.

Nesse texto trataremos da influência do índio e da escravidão para a formação do Estado brasileiro e consolidação do território nacional. Emília Viotti da. Tomando conhecimento das notícias. 9 ed. ¹COSTA. angariando para si mais privilégios e a garantia de manter a estrutura social e econômica sob seu controle. O índio selvagem representava um obstáculo para a consolidação . CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO E ESCRAVIDÃO NO PENSAMENTO DE JOSÉ BONIFÁCIO José Bonifácio mereceu grande destaque no processo de independência do Brasil. às margens do rio Ipiranga.tropas ao Brasil. quanto antes e decidase porque irresoluções e medida d’água morna à vista desse contrário que não nos poupa para nada servem e um momento perdido é uma desgraça”¹. comerciantes e pessoas que ocupavam altos cargos na administração e no governo. 2010. D. Venha V. Essa corrente romancista tornava o índio o símbolo nacional. Foram eles que sustentaram o projeto de independência de D.B era preciso torná-lo “civilizado”. a Independência do Brasil. mas para J. para realizar o projeto que eliminaria o vínculo colonial com Portugal. além dos dois já citados. Contudo. O sentimento nacionalista coincidiu com a emergência do romantismo e a população indígena serviu como imagem para a formação de uma consciência nacional. A. segundo o pensamento andradino. Pedro I. Todos os nomes. foi preciso que ele adequasse seus ideais à situação socioeconômica vigente no Brasil do século XIX. Pedro I e José Bonifácio. que mereceram destaque e ficaram com o governo da nação eram oriundos da poderosa elite brasileira formada por fazendeiros. proclamou oficialmente em 7 de setembro. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Editora UNESP. a independência do Brasil não foi feita com a participação das camadas populares. diferente dos outros Estados independentes da America e da Revolução Francesa. mas de cima para baixo pela classe dominante. O Andrada escreveu ao príncipe: “o dardo está lançado e de Portugal não temos a esperar senão a escravidão e horrores. Fato é que. Um grupo específico é o responsável pela independência do Brasil: a elite.

religiosos. mantendo a escravidão. O nacionalismo andradino esbarrava na escravidão. Os modos de catequização jesuítas eram vistos como os mais adequados para civilizar o índio. Para ele a escravização do negro representava um pecado contra a humanidade. econômicos e nacionalistas. mas naquele momento os princípios liberais do texto chocavam-se com o modo de produção da aristocracia escravocrata. Em 1823 Bonifácio elaborou sua “Representação sobre a escravatura” onde tentava inserir nas discussões da Assembléia Constituinte a necessidade de cessar a escravatura. Além disso. produzido por escravos. civilizá-los e integrá-los à sociedade como mão-de-obra era a alternativa mais sensata. o objetivo desse era despertar o conceito de propriedade privada no indígena tornando-o sedentário. como Bonifácio. no entanto. produzido por homens livres. sustentado por aqueles que tentavam compatibilizar cristianismo e escravidão. a escravidão impedia o surgimento de uma população homogênea. Na sua tentativa de convencer os donos de escravos. seria possível consolidar o território brasileiro e inserir o índio na sociedade como mão-de-obra e consumidor. o Brasil corria o risco de não ter sua independência reconhecida pelas outras nações independentes. Dessa forma. enfrentando uma concorrência desleal. e a formação de um exército nacional. Outro grande fato que ameaçava a consolidação do Estado brasileiro era que. já para os estadistas. Fundar um estado liberal e manter a escravidão tinha um caráter antagônico e o primeiro passo era acabar com o tráfico negreiro. A maior pressão para o fim da escravidão vinha da Inglaterra. valeu-se de argumentos morais. A tarefa de José . Havia o temor de que no Brasil acontecesse o mesmo que em São Domingos e o fim do tráfico representaria interromper o fluxo de escravos reduzindo o risco de uma revolta dos negros cativos e libertos. era mais caro que o brasileiro. Para os colonos a solução mais eficaz era o extermínio. O açúcar inglês.do território brasileiro e havia um grande debate sobre a forma de tratar a questão do indígena. o Andrada. física e civilmente. Sem essas duas instituições a manutenção do território nacional estava ameaçada.

estava mais interessado em garantir a independência e a integridade do território. por isso sugeriu que processo gradativo. Ana R. Para o Andrada a escravidão ainda dificultava o desenvolvimento da indústria. indústria. o índio e o negro livre até passariam a ser vistos como homens. dificultando a consolidação do território brasileiro. A escravidão alimentava a indolência do brasileiro. disse. Outra questão era que a escravidão estava diretamente ligada ao latifúndio que limitava a ocupação de outras áreas do país. Campinas: Editora UNICAMP. 1999. entre outras. junto com essa questão outra acabaria ganhando destaque nas discussões da Assembléia Legislativa: Quem eram os cidadãos brasileiros? O deputado baiano Antonio Pereira Rebouças que defendia a formação da Guarda Nacional viu seus argumentos esbarrarem no impedimento de nomear oficiais para a Guarda aqueles que não fossem reconhecidos como eleitores. No entanto. tal acontecimento traria consigo grandes males”¹.Bonifácio era convencer os donos de escravos de que era necessário por um fim ao tráfico e ao mesmo tempo provar aos ingleses que o Brasil caminhava rumo à abolição. “Torno a dizer. José Bonifácio. que tendo renda líquida anual superior a duzentos mil réis em bens de raiz. porém que eu não desejo ver abolida de repente a escravidão. ESCRAVIDÃO E DIREITO Após a independência do Brasil surgiu. não . C. No tabuleiro emancipacionista de Bonifácio. Conclui-se que antes de se preocupar com índios e escravos. IN: Construção da nação e escravidão no pensamento de José Bonifácio. afinal com o trabalho escravo não havia possibilidade ou interesse de aprimorar as técnicas de cultivo e produção. 1783-1823. Uma unidade militar que trataria das questões internas e externas que ameaçassem a ordem e a integridade nacional. Na lógica Andradina acabar imediatamente com a escravidão era inviável. O FIADOR DOS BRASILEIROS: CIDADANIA. mas não como cidadãos. ¹SILVA. Os negros livres e índios continuariam fora da política e integrados à sociedade apenas como mão-de-obra e consumidores. a questão da necessidade de criar uma Guarda Nacional. comércio ou emprego. "Eleitores eram aqueles cidadãos que brasileiros maiores de vinte e cinco anos. A fase nacional.

Era injusta porque os libertos lutaram na guerra de independência como todos os outros. nem primeiros caixeiros das casas de comércio. pois incitava a revolta ao negar direitos de cidadania a um segmento social que já o possuía. Por isso a elegibilidade de cidadão era tratada como questão de segurança pública. O tratamento dado a esses ultimos era o que mais decepcionada o deputado Rebouças. era incendiária. Outro ponto era que havia habitantes no Brasil que. nenhum direito civil. impolítica.fossem criados de servir. e de qualificar a cidadania. era “injusta. criminosos ou libertos”¹. para uns. não eram considerados cidadãos e ainda. Na ocasião era difícil imaginar quais seriam as ações de escravos e libertos. A dualidade no tratamento dos direitos do escravo girava em torno de dois eixos. mulheres e negros não exerciam direito de voto apenas os franceses brancos maiores de trinta anos. Grande era o medo de armar libertos e escravos temendo que essas classes promovessem uma revolta. nem criados da Casa Imperial. na França. Aos libertos seriam dados direitos civis. aqueles que não podiam ser. porém em um sistema de governo liberal parecia impensável tornar a situação deles pior do que estavam em um regime despótico. nem administradores de fazendas rurais e fábricas. com domicílio e que pagassem 300 francos por mês de impostos diretos. Dentro da Assembléia Constituinte a discussão sobre a extensão da cidadania aos libertos estabelecia um claro limite. para outros. no primeiro eles tinham o direito equivalente ao de qualquer propriedade. nem “filhos famílias” que estivessem na companhia de seus pais. o berço do liberalismo. mas no segundo eram submetidos às mesmas penas pelos crimes que cometessem como qualquer outro cidadão. na Inglaterra somente poderia votar quem . pois eram propriedade de alguém. mas negando-lhes os direitos políticos. Essa prática era comum inclusive nos países modelos. impolítica quando negava o status antes já conquistado e inconstitucional porque “a constituição somente excetuou os cidadãos brasileiros que nasceram ingênuos de serem eleitor”¹. por não serem parte da sociedade. e Para Rebouças a emenda inconstitucional”¹. nem religiosos enclausurados. ou seja. incendiária.

escravidão e direito. mulheres. com a proposta de “dar conta de uma gênese da Nação brasileira. O desenvolvimento do trabalho do IHGB girava em torno de duas diretrizes: a coleta e publicação de documentos importantes para a história do Brasil e o ensino público. além de produzir a historiografia do Brasil. em 1º de dezembro de 1838. O IHGB. apesar da luta dos que defendiam a extensão da cidadania a todos ou a maioria. contudo. “Ser cidadão era uma distinção almejada. Brasileira. em 1838. Diferente da Europa onde a produção historiográfica era feita dentro das universidades por aqueles que se especializavam nas áreas da história. nasceu dentro da SAIN.. Ainda que o instituto não fosse . idéias tão caras ao iluminismo”¹. menores e despossuídos. ele foi colocado sob a proteção do imperador D. No século XIX. Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. responsáveis por produzir a história do Brasil e seus heróis. inserindo-a. Keila.. IN: O fiador dos brasileiros: cidadania. de estudos de natureza histórica. e que. NAÇÃO E CIVILIZAÇÃO NOS TRÓPICOS: O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO E O PROJETO DE UMA HISTÓRIA NACIONAL A consolidação do Estado Nacional foi desde a independência uma das prioridades da Monarquia do Brasil por isso. o IHGB buscaria contribuir para a consolidação da Nação quando. foi criado o instrumento que ajudaria a definir a Nação brasileira através da produção historiográfica. A qualidade do cidadão brasileiro. alguns brasileiros sofriam com as restrições impostas ao acesso aos seus direitos de cidadãos. numa tradição de civilização e progresso. no Brasil o espaço da historiografia era o de uma academia de elitistas escolhidos a partir de relações sociais. ela não significasse a garantia de direitos básico”¹. os quais eram.possuísse renda ou propriedade e nos Estados Unidos excluíam-se negros. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 2002. mesmo que ela não trouxesse consigo direitos políticos. Pedro II. Ficou claro que. na prática. Rio de Janeiro: C. ¹GRINBERG.

a produção de um saber sobre o Brasil era mais importante do que fatos de natureza política. O índio ocupava o maior destaque na revista.encarado como uma instituição oficial por seus membros. “Escrever a história brasileira enquanto palco de um Estado iluminado. outra função era desempenhada por essas expedições a de identificar o Brasil integrando novas áreas para a agricultura. principalmente material que fornecesse informações sobre os indígenas. pois além do registro das atividades do IHGB e de divulgar cerimônias e atos comemorativos. promovendo a “interiorização da civilização”¹. O Estado era decisivo para a sustentação do instituto e este. também. A ligação política entre o IHGB e o Estado era muito clara. A relação do IHGB com o Estado ficou mais estreita quando os novos estatutos definiram o imperador como seu protetor. reconhecendo as fronteiras. por sua vez. para a construção da galeria de heróis nacionais”¹. A Revista do IHGB abriu espaço para as biografias que serviriam como exemplos para as futuras gerações “contribuindo desta forma. A partir da sua sede no Rio de Janeiro outras instituições seriam criadas nas demais províncias para concentrarem os conhecimentos sobre o Brasil e enviarem todos os documentos publicados à capital do império. pois buscava- . pois o conhecimento histórico legitimaria e garantiria as decisões políticas. Entretanto. biografias e resenhas de obras. eis o empenho para o qual se concentram os esforços do Instituto Histórico”¹. Além da coleta de documentos o imperador passou a incentivar a produção histórica. descobrindo riquezas minerais. ela abriu espaço para a publicação de fontes primárias como artigos. Os três temas de maior abordagem no periódico do instituto eram: a problemática do indígena. Contudo. as expedições e viagens científicas e o debate da história regional. função antes desempenhada pelo SAIN. a contradição surgia quando esses mesmos desempenhavam funções no Estado. O imperador financiava expedições pelo interior do Brasil com a função de coletar dados que pudessem ser usados para escrever a história da nação. esclarecido e civilizador. seria fundamental aos interesses do Estado. ou seja. A revista trimestral do instituto foi de fundamental importância para as ambições da instituição.

Percebe-se que o IHGB foi um instrumento de fundamental importância para a construção de um projeto nacional. Nesse contexto a solução para os problemas estava exatamente em um deles. Manoel Luiz Salgado. ¹ GUIMARÃES. Outro tema discutido era a questão do trabalho no Brasil. Nação e civilização nos trópicos: o Instituto . suas publicações serviam tanto para o registro da história do Brasil. por atender tanto aos interesses históricos quanto políticos mereciam destaque nas publicações da revista. Pedro I que de defensor perpétuo do Brasil só tinha o nome. como já foi dito. o índio que. É preciso incentivar o trabalho dos novos historiadores e promover uma reforma na historiografia brasileira. mais uma vez. Dessa forma era função do Estado civilizar o índio já que “assegurar o controle sobre as populações indígenas fronteiriças significava garantir o poder do Estado Nacional sobre esse espaço”¹. as publicações enfatizavam regiões como a colônia de Sacramento. pois apesar de definir todas as regiões como igualmente importantes. nas discussões culpava-se a escravidão como responsável pelo atraso na civilização e apontava como solução para esse problema. depois de civilizado. As ameaças à soberania do Estado estavam identificadas pelos “outros” (índios e negros) e pelas repúblicas vizinhas. quanto para fomentar o crescimento do nacionalismo. o índio. e aí fica fácil de identificar o porquê de no ensino básico e fundamental se ensinar uma história que ou esconde ou não revela a totalidade dos fatos nos dando “heróis” como um Duque de Caxias que quase acabou com a população do Paraguai. O grande interesse na história regional estava atrelado ao problema das fronteiras. Mas. o mais importante é perceber que a nossa história foi produzida pela mesma elite que hoje mantém uma educação pública de má qualidade. A viabilidade de a nacionalidade brasileira ser representada pelo indígena era um tema de forte discussão no IHGB.se nele um símbolo que representasse a nacionalidade brasileira a fim de propagar nas demais províncias um forte conceito de nação. a fronteira com a Guiana Francesa e a fronteira do Mato Grosso devido à necessidade de integrá-las ao poder Nacional de forma mais contundente. Em relação às expedições. poderia substituir a mão de obra escrava. ou um D.

1988. Estudos Históricos. .Histórico e Geográfico e o projeto de uma história nacional. nº 1.