João Fazenda

João Fazenda

Panorama da BD/Ilustração em Portugal
Ano lectivo 2010-2011 Docente: Pedro Moura Aluna: Diana Carvalho

Animação Entrevista .Ilustrações .Índice Introdução Percurco Artístico de João Fazenda Método de Trabalho Perspectiva sobre a Ilustração Análise de Alguma Obras .Loverboy (1) .

continuando pelo descrição do seu método de trabalho e terminando na análise de algumas das suas obras na categoria da Animação. . da BD e da Ilustração. Segue-se uma estrutura de texto dividida em vários parâmetros de observação do trabalho do artista começando pela sua biografia.Introdução O presente trabalho destina-se a retratar uma das mais importantes figuras portuguesas ao nível da Ilustração.

de 1998 a 2001). a participação em Movimentos Perpétuos . capas de disco (dos Deolinda). Fez o curso de pintura nas Belas Artes de Lisboa. ela a mulher dos meus sonhos” (escrita por Pedro Brito. No campo da ilustração o seu trabalho desenvolve-se na imprensa (jornal Público. cartazes de cinema (Tens a cara que mereces. publicada por Nocturne/Corda Seca: 2003. Polvo: 2000. Combo (Assírio & Alvim: 2009). uma família composta por ilustradores. Ao Norte: 2009). essa sua linguagem teria continuidade em “Tu és a mulher da minha vida.Percurso Artístico de João Fazenda João Fazenda nasceu em Lisboa em 1979 e actualmente realiza o seu percurso artístico entre Lisboa e Londres. tendo sido distinguido com o Grandre Prémio Stuart (El Corte Inglés de Desenho de Imprensa em 2007. Pode supor-se que o desejo de uma linha fluída e . que recebiam os recém-chegados da faculdade e que com eles os levavam para edições conjuntas ou tertúlias de aprendizagem comum. havia um agrupamento de artistas nessa época. A propósito da sua ligação com Jorge Silva foi também o começo da sua integração artística no “Independente”.Bd para Carlos Paredes (Público/Movimentos Perpétuos: 2004. banda-desenhistas. e sido alvo da monografia de João Paulo Cotrim. Relativamente à Banda Desenhada começou com alguns projectos comerciais. No que diz respeito à animação é com um argumento de Cotrim que realizou Algo Importante (Animanostra: 2009). quando fez o “Rapaz de Papel” em parceria com Jorge Silva aproximou-se da Ilustração e que a sua orientação foi fundamental para aprender sobre o tema.”. Algo que também impulsionou a sua carreira na Ilustração foi a fase em que a descobriu: “Acabou por ser bom porque vivíamos uma fase digamos dourada. Tavares) e na colecção O Filme da Minha Vida com Ângulo Morto (baseado em Vertigo. João Fazenda. em colaboração com Marte (pseudónimo de Marcos Farrajota) criou a trilogia Loverboy (editada pela Polvo. animadores. na literatura infantil. com argumento de Gonçalo M. Chet Baker (da colecção BD Jazz. com argumento de Cotrim). de Miguel Gomes). no final dos anos 90. de Hitchcock. mas como uma apredizagem paralela ao que realmente lhe interessava fazer. por exemplo). Começa por ser um participante de Fanzines mas segundo as suas próprias palavras. da ilustração portuguesa recente. incluído em Tinta nos Nervos como extensão do seu trabalho em desenhos narrativos. com edições francesa e polaca).

” Utiliza principalmente a linha associada á cor como forma e ideia em simultâneo. sem criar demasiado ruído no desenho. todas as Artes pertencem a uma mesma essência de produção artística e todas são passiveis de se interligarem. com essa potencialidade do desenho em movimento criar narrativa. ou seja. o texto. Ou seja. só quando as partes se juntam é que ela ganha forma. cuja origem não seja a palavra mas a expressão original primitiva de uma ideia.” Diz ainda que um desenho não deve tornar-se “nominável”. no sentido literal. a perspectiva do ilustrador sobre as Artes é que nada é independente de nada. dando ênfase à crítica ou à ideia que está a ser expressa: “Uma ilustração é tanto melhor quanto menos se ilustra. .expressiva podendo adquirir movimento seria a concretização de um objectivo de Fazenda. mas contudo tornando-o carregado de conceito. que deve encontrar a sua força expressiva no símbolo de uma ideia (talvez um pouco como os hieroglifos?). Ver as partes de uma animação a constituirem o todo em movimento e não o contrário como vulgarmente vemos um filme: “A animação passa pelo movimento.” Relativamente à Ilustração parece agradar-lhe a ideia de abstracção para o desenho e a figuração para a mensagem. utiliza técnicas de impressão pré-digitais (serigrafia) e digitais tratando a imagem por planos e obtendo uma imagem faseada mas cuja aparência final è una e consistente. está tudo misturado e é isso que me interessa.” Método de Trabalho João Fazenda utiliza a cor como elemento narrativo principal de uma ilustração. Perspectiva sobre a Ilustração Segundo o “Combo João Fazenda” de João Paulo Cotrim. “Não há artes maiores nem menores. mais interessante e conseguida se torna. serve-se dos conceitos do Design para elaborar elementos da Ilustração cuja visibilidade é maior (capas de livros e discos) e o teatro é uma fonte de inspiração para os cenários e para a expressão corporal dos seus personagens: “De certa maneira a imagem que aparece aos nossos olhos não existe na realidade. de forma a que a imagem não sendo literal se torna clara e concreta na mente do espectador. quando menos ilustrativa for.

dos autores. João Fazenda assume o desenho de Loverboy. Em 1996. que originou este álbum. a preto e branco. capa ligeiramente dura. lombada magra. Esta ilustração ocupa metade (sensivelmente) e a outra parte contém os carimbos de identificação do livro. passando depois pelos traços de Miguel Falcato (um episódio) e de Yip Sou (que só faria um poster). em 1993. contém uma ilustração transversal à contracapa onde estão representados alguns “figurantes” da história assim como as personagens principais. O conteúdo do livro é composto por ilustrações de página completa e narração em Banda Desenhada. num projecto mais longo. na 17º temos uma mudança de capítulo feita por uma ilustração de três personagens. embora estejam unidas pelo mesmo cenário.Análise de Algumas Obras “Loverboy” – número 1 “Criado por Marte. na última página são descritas duas ligeiras biografias sobre cada um dos autores. uma na capa e outra na contracapa. de cartão. Editado pelas Edições Polvo. é um livro de formato A5. assim como uma pequena (re)introdução ao projecto “Loverboy” que se . Na página que antecede o começo da história temos uma ilustração do personagem principal. da história e um apontamento dos autores (na contracapa) sobre o projecto. da editora. A capa é colorida. neste mesmo capítulo reeinicia-se a contagem da numeração das páginas e igualmente na 17º encontramos uma ilustração fictícia sobre a capa de uma revista de música alternativa onde aparece a banda do personagem principal. Inicialmente foi desenhado . No último capítulo o gracejo tem continuidade e encontram-se pequenas ilustrações acompanhadas de texto (supostas entrevistas ou artigos acerca da banda). contrariamente ao interior. pelo próprio. em três pequenos episódios. folhas opacas e de textura seca. para as páginas do fanzine “Mesinha de Cabeceira”. vertical. Como forma de encerramento do livro. A ilustração é composta por duas situações da história.

penso que não é um acaso haver um tipo gordo e baixo. na quarta página. em certos “defeitos” do desenho que existe espontaneidade na sua concretização. recorrendo-se a algumas figuras de estilo no que toca re-invenção dos nomes de determinadas bandas: “Toy Division” (Joy Division). Existem bastantes apontamentos de humor subtis. pelo seu íntimo. “Nick Cavern” (Nick Cave). ou então as . alternando-se entre vinhetas quadradas. a preto e branco. o personagem obeso.encontra transcrita acima. bem destacada. sem gradações de sombra (situação apenas empregue nas ilustrações). A estrutura da banda-desenhada é comum. as personagens não prezam pela beleza mas antes pelo confronto do seu diálogo com o seu pensamento (ambos colocados na mesma vinheta). títulos de capítulos e subcapítulos é essencialmente aquilo que contribui para a presença do texto. menos harmonisosa com o traço utilizado na anterior. de cabelos longos. “Canibal Feast” (Canibal Corpse). e em oposição. rectangulares e circulares (pontualmente). apela à atenção do leitor para os pormenores. mas isto é um factor que permite expressões acentuadas nas personagens. como no segundo capítulo. Diálogos. ou seja. visto que na verdade se encontram mesmo estas pessoas na rua. na quinta vinheta em que aparece o Leonardo. no que respeita à BD. O desenho é bastante expressivo. Utiliza-se uma linguagem banal. umas maiores outras menores. Acerca do tipo de letra utilizado é nítido que os títulos dos capítulos foram desenhadas manualmente o que não acontece com o tipo de letras utilizado nos diálogos. adaptada ao contexto dos personagens. consoante a exigência da acção. irregular e detalhado. Há que mencionar a forte componente caricatural sobre o tema retratado nesta história (a música “alternativa”). à excepção das tais entrevistas e artigos fictícios sobre elementos da história. tentando definir-se pelo que veste e pelo que ouve. Nota-se. algumas vinhetas livres de enquadramentos ou por vezes sobrepostas e nunca havendo splash pages. temos a personagem Astarot. com uma camisola estampada com a palavra “Belly”. com orientações pouco ou nada saudáveis associado à questão do black metal e do satãnismo. É uma história desenhada através da linha e da mancha. refiro-me à forma de desenhar uma personagem numa vinheta e que na vinheta seguinte já aparece deformada. desinteressante para as mulheres não só por culpa da aparência mas também pelo seu grau de infantilidade ligado à obcessão das estampas das T-Shirts. barba cerrada.

que por sua vez envolvem sacrificios sangrentos. em que é feita uma exibição macabra sobre as orientações satânicas do personagem.contradições próprias da juventude como o caso de Astarot. na página quinze do segundo capítulo. . e depois o vemos numa cena de sexo com a (talvez) namorada e ele descobre que ela está com a menstruação entra em pânico de nojo pela descontração da personagem feminina relativamente a isso. a breve história “Uma Questão de Sangue”. tanto que uma das vinhetas não tem molduras e é o grito dele numa pose épica de traição! É pertinente dizer que o argumento tem um alcance crítico e cómico bastante verídico.

cor que por norma é abandonada no percurso académico por não ser considerada uma cor pura ou sequer uma cor existente na natureza. utilizam-se cores planas com diferentes intensidades de luz de modo a produzir volume (lombada do livro. Contudo. É um desenho bastante recto. Por outro lado. oferecem a esta ilustração uma sensação de confronto. Na sua totalidade é uma ilustração que utiliza meios mais directos para que a mensagem também o seja: cores planas e simplificação por nivelamento. poderá também supor-se que isto é que o acontece quando lemos um bom livro. O homem pequeno com ideias pequenas. a quem não for dado a conhcer o título desta ilustração. . confronto esse entre o nosso sentido de justiça e o do plagiador. sombra da perna reflectida nas folhas) e inclusivamente o preto. Trata-se de uma constatação crítica. parte do corpo do homem que sai do livro. retiramos dele conhecimento que nos é útil e que nos complementa. interior do livro. a utilização de duas cores com o mesmo grau lumínico e que no entanto se afastam na sua temperatura.Ilustrações do artista “Plágio Literário” Esta ilustração é referente a uma situação comum entre indíviduos de baixo intelecto mas de grande inveja e ambição pelo reconhecimento fácil.

. A tonalidade do bordeaux no fato do personagem que melhor se destaca é cor de riqueza e prosperidade. já antigamente usada para imperadores ou regentes. mas a verdade é que a pontaria é tão certa como a de uma escarradela: cola e não cai. visto que ambas tentam mostrar a projecção de alguém na vida profissional de uma forma fácil e barata. É cómico ver que o homem de poder lança o homem que mal se vê por uma fisga.“As Cunhas” O assunto aqui retratado é também muito próximo com a ilustração “Plágio Literário”. enquanto que o azul é uma cor comum usada nos fatos dos recem-chegados ao mundo dos negócios. através de meios pouco honestos e diria até pouco eficientes para o andamento da prosperidade social.

a presença constante dos orçamentos. primeiros ministros. dos subsídios. facto é que o nosso pequeno país se tenta aproximar à imagem e sistema político da grande potência americana! Por isso.“O Jornal do Presidente” Esta crítica compila vários factos da política portuguesa. dos bancos e respectivas falências. das birras dos bancos privados e tudo o mais que envolva dinheiro. que um Presidente se tente “aculturar” em matéria de economia e tudo aquilo que o seu conhecimento contempla são as exurbitâncias e benefício próprio. É facto nos discursos dos líderes parlamentares. entre outros associados à política (não só económica). É também facto que muitos deputados e líderes fizeram desvios de grandes montantes a próprio favor para pagamento de dívidas pessoais ou mero enriquecimento pessoal. presidentes. dos gastos. É ainda. da crise. . assim como compra de bens que tocam a excentricidade sob a desculpa da sua contribuição para o país. das exportações e das importações. das acções das empresas. não me admira.

Animação “Algo Importante” .

Sente necessidade de um público? Ou prefere ser parte de um público crítico? 15.Entrevista 1.O que diz do seu relacionamento profissional com outras entidades? 7. albuns especiais? 5. se sente mais à vontade e porquê? 9.Prefere trabalhar para o mercado mais comercial ou para edições limitadas. Quais foram os seus heróis e como é que pensa que o influenciaram na vida adulta? 16.Qual tem sido a evolução dos seus sentimentos pela Arte? É uma ferramenta útil para alertar a sociedade? Uma mera expressão pessoal? 12. “Combo João Fazenda”. do cinema e da BD”.O que gostou mais no Loverboy? 8. por explorar.De que forma foi influenciado por Londres? 10.Técnicas que gostaria de experimentar? 2. a animação era algo de novo.Planos para o futuro? 4.Revê-se em alguma das suas histórias? Qual? 3. E hoje? 11.Tem alguma questão sobre o seu trabalho? . de todas as artes que pratica.Qual. ao fim de um ano de trabalho.Sei pelo livro de João Paulo Cotrim.Qual é a sensação. que no ínicio da sua carreira.É sabido que em criança se interessava pela “bonecada.Prefere trabalhar em equipa ou individualmente? Porquê? 6. ver a grande quantidade de arte produzida? 13-Pondera mudar de rumo? 14.

Porquê a constante do vermelho e do azul? 22.Que autores admira? 19. nem como auxílio criativo.De toda a sua obra.O seu percurso pela Banda Desenhada foi sempre em equipa? Tem ou gostaria de desenvolver um projecto seu? 28.É você que escolhe os argumentistas. 33. Tavares. Porquê? (Gonçalo M.O que lhe dá mais prazer quando expõe? 25.O que aprecia mais numa Banda Desenhada? 31. Porquê? 29. ou é o contrário? . O que pensa de escrever e desenhar uma BD sua? 32. você diz que o Teatro é uma constante na sua aprendizagem e cultura.Algum projecto em curso? Qual? 26.17. qual foi a que mais lhe deu prazer até hoje e a que considera ter sido a mais importante na sua projecção? 27. nem como forma de expressão. no seu trabalho.Acha que a presença da cor no seu trabalho será sempre uma constante? Não se sente tentado pelo preto e branco? 21. Pedro Brito. O que pensa de si como professor? 24. da sua biografia.Não costuma utilizar o mesmo registo para as Bandas Desenhadas quando faz parcerias diferentes.Sei que deu aulas no AR.Que comentários costuma tecer sobre o seu trabalho? 30. Marcos Farrajota).“Café Frio” é uma página de banda desenhada totalmente elaborada por si.co.Na entrevista de João Paulo Cotrim feita no “Combo”.O que retirou da sua contribuição para a “Boca do Inferno”? 23.Reparei que quase não existem elementos da sua vida íntima. Há alguma razão especial para não acontecer? 18.Porquê a Arquitectura? 20.

Qual foi o seu relacionamento com “Marte” quando fizeram o Loverboy? .34.

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