CELANI, M. A. A. A Relevância da Linguística Aplicada na Formulação de uma Política Educacional Brasileira. In: FORTKAMP. M. B. M. & TOMITCH, L. M. B.

(Orgs) Aspectos da Linguística Aplicada: Estudos em Homenagem ao Professor Hilário Inácio Bohn. Florianópolis: Insular, 2000. Daiane da Costa Barbosa Universidade Federal de Alagoas – UFAL

O presente texto traz uma reflexão sobre alguns aspectos da Linguística Aplicada LA1- e sua relação e contribuição para as políticas educacionais brasileiras. Na primeira parte, Celani ressalta a importância de políticas educacionais sólidas e delineia aspectos importantes na elaboração destas, tais como: medidas concretas claramente explicitadas para se atingir as metas e objetivos relevantes para os sujeitos envolvidos, colocados em escala de prioridade. Uma crítica pertinente que a autora faz sobre as políticas educacionais é que as decisões a elas concernentes são tomadas por políticos. Para ela, embora eles sejam os responsáveis legais para a fixação destas, não se pode deixar que questões importantes a esse respeito sejam discutidas e direcionadas apenas por esse setor da sociedade. Além disso, a comunidade não participa desse processo, embora a autora considere que a comunidade tem percepção dos problemas que permeiam a educação e reconhecem seu valor na formação de seus filhos, sendo, portanto, uma contribuição válida. No segundo item, em que se propõe a discutir a contribuição da LA para as políticas educacionais, Celani destaca o aspecto mestiço2 dessa área de conhecimento, vista como articuladora de múltiplos domínios do saber em diálogo constante com vários campos que têm preocupação com a linguagem (p. 19). Desse modo, como a linguagem permeia todos os setores da vida em sociedade, está implícita a importância da LA no equacionamento de problemas de ordem educacional, social, políticos e até econômica (p. 20). Ainda nesse item, a autora menciona o percurso da LA, que inicialmente preocupava-se com questões de aquisição de linguagem, metodologia de ensino de línguas e descrição lingüística. Recentemente, essa disciplina começa a examinar o impacto das forças
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Doravante, LA Termo utilizado por Moita Lopes, 2006.

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25). está preocupada em desenvolver um senso linguístico que considere a linguagem como algo que está intimamente inserido na sua vida de cidadão. 22). Desse modo. que o ensino de LE deve. primeiramente. elegendo a sua prioridade. Sobre esse tópico. Dessa forma. seu papel e sua construção sociais deve acompanhar a formação do graduando desde o início (p. para Celani. destaca-se o ponto em que se discute a necessidade de se produzir materiais segundo as necessidades específicas de aprendizagem de diferentes alunos. São duas áreas fundamentais: a alfabetização e o letramento. 22). destacando a função social da aprendizagem de LE.em que a LA sempre teve forte atuação.LE3 . de ser humano (p. ser pensado com vistas a viabilizar a contribuição brasileira nas diversas áreas de conhecimento. Há. pois. 20). a LA está preocupada não apenas em ‘ensinar’ língua(s).sociais. No terceiro item. Celani aponta que as políticas de educação devem promover uma base para desenvolvimento futuro. A parte desse item que discute as práticas pedagógicas trata de três aspectos advindos dessa área: interação em sala de aula. Dentre esses tópicos. Para ela. A segunda traz conseqüências que atestam a urgência de habilidades lingüísticas mais específicas. produção de programas ou materiais de ensino de línguas e avaliação da aprendizagem. É necessário. . a autora toma como crucial (p. 27). que se divide em quatro partes – Ensino/aprendizagem de línguas. Outro destaque é que a avaliação não tem sido muito focalizada no âmbito das políticas educacionais em virtude de se terem problemas mais 3 A partir de então. desenvolver junto aos professores uma conscientização política e uma sensibilidade em relação aos problemas inerentes à linguagem e sua estreita vinculação com o contexto social (p. Ressalta. o processo reflexivo relacionado a questões de linguagem. LE. 24). Nesse mesmo item. ainda. mas acima de tudo. a autora propõe-se a discutir as possíveis áreas de atuação da LA em uma política educacional brasileira. 22). A primeira. econômicas e políticas na teoria/prática de ensino/aprendizagem de línguas (p.a autora discorre sobre a importância de investimento das políticas educacionais em formação docente. Formação de docentes e Práticas Pedagógicas . a área de línguas estrangeiras . mantendo-se uma posição crítica em relação à hegemonia de determinadas línguas em determinados momentos históricos (p. o seu principal objetivo é a convívio internacional. ainda. pensando a relação linguagem/trabalho (p. Distúrbios da comunicação.

PCN’s . como falta de professores ou de espaço físico para as aulas. a autora ressalta que há muitas pesquisas desenvolvidas em LA. 31-32). é preciso ações mais concretas. de seu papel nas relações humanas. Em todos esses três aspectos. Uma conclusão pertinente da autora é sua afirmação de que essas ações giram sempre na questão da formação docente.emergentes. O último item intitula-se “Ações que se fazem necessárias”. Esse parece ser o ponto mais crítico e que mais pode contribuir para a melhoria da educação. na sua aquisição/aprendizagem e no seu ensino (p. que essa formação deve contar com a contribuição dos linguistas aplicados. uma vez que é na esfera de atuação destes que se dá a intersecção dos vários saberes na visão de linguagem. Nele a autora discute que apesar de todo o apoio dado pelos documentos oficiais . ainda.LDB 9397/96.no sentido de se investir numa educação de qualidade. . Celani aponta.

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