You are on page 1of 4

Ética na Administração em face dos Princípios

Constitucionais de Administração Pública


LEGALIDADE
Representa um princípio-ícone no direito brasileiro, constituindo-se pilar de toda ordem
jurídica nacional.
Para o Direito Administrativo brasileiro o princípio da legalidade assume um significado
muito especial, visto que ora traduz-se numa expressão de direito, ora revela-se elemento
de garantia e segurança jurídicas.
Em função dessa dupla função atribuída ao princípio da legalidade na seara pública é que se
sustenta que o famoso adágio "o que não é juridicamente proibido, é juridicamente
permitido", denominado princípio da autonomia da vontade, não encontra acolhimento
neste campo do Direito, pois nele os bens tutelados interessam a toda coletividade. Assim,
no Direito Administrativo não se admite que o administrador público dê azo à sua
imaginação sem que sua conduta esteja previamente definida e aparada por lei. Não bastam
o talento e perspicácia do administrador público, pois não são apanágios jurídicos, mas
qualidades essencialmente administrativas. A regulação estrita pela ordem jurídica da
atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que
subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Por mais criativo e habilidoso
que seja o administrador público, este deve conscientizar-se de que não age em nome
próprio, mas sim em nome do Estado (e reflexamente, em nome da coletividade). Por isso,
no campo público afirma-se que "o que não é juridicamente proibido, não é juridicamente
permitido".
Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na
administração pública só é permitido fazer o que a lei determina. Daí que o princípio da
autonomia da vontade não encontra amparo no direito administrativo. Nesse sentido,
encontramos o magistério de Diógenes Gasparinni.
Embora seja um princípio a ser observado por toda a malha da Administração Pública, o
princípio da legalidade enunciado pelo caput do art. 37 encontra identidade de conteúdo
material com aquele declarado pelo inciso II do artigo 5o.("ninguém será obrigado a fazer
ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"). A aplicação do princípio da
legalidade no âmbito do Direito Público requer adaptações que visam a adequar a sua
funcionalidade neste setor do Direito, não aviltando a sua essência ontológica. Plasmado na
mesma substância, até porque declarado pelo mesmo documento jurídico, o princípio da
legalidade observado pelo Direito Administrativo traduz o sentido de que toda a atividade
funcional do Estado encontra-se adstrita ao disposto em lei, pois que em última instância
"todo poder emana do povo e em seu nome é exercido". Conforme lições de Hely Lopes
Meirelles, "sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, deles não pode
se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade
disciplinar, civil e criminal, conforme o caso."
IMPESSOALIDADE
A doutrina administrativa afirma que o princípio da impessoalidade representa, hoje, uma
nova versão do clássico princípio da finalidade.
A impessoalidade associada ao princípio da finalidade faz ressaltar a questão do interesse
público. Eis que a conduta da Administração deve ser impessoal, seja quanto ao agente, seja
quanto ao destinatário, pois em qualquer hipótese o que se objetiva como finalidade última
é atender o interesse público. Todo ato que se aparta desse objetivo sujeita-se à invalidação
por desvio de finalidade.
Honrada a finalidade pública pela atividade administrativa, logra a Administração a
condição moral de eficácia e validade para os seus atos.
MORALIDADE
A moralidade da qual trata o Direito Administrativo não se confunde com a moral comum,
pois que nesta o conceito oscila segundo fatores de tempo e espaço, dificultando a sua
aplicação segura e uniforme. A atividade administrativa, porém, não dispensa a importante
presença da moral comum na realização de seus atos.
A moral jurídica tem conteúdo próprio e se vê substanciada pelos princípios da legalidade e
da impessoalidade (finalidade).
O agente administrativo, evidentemente, não pode desprezar o elemento ético de sua
conduta, de modo que ele deve adicionar ao seu comportamento funcional o agir padrão da
coletividade, considerando os valores e princípios da vida secular.
Fato é que a moral comum, pelo seu teor de subjetividade, não satisfaz às exigências da
ordem jurídica, que requer objetividade em seus mandamentos. Daí dizer-se no Direito que
a moral comum é um plus à moralidade jurídico-administrativa.
A moral administrativa age em dois sentidos para orientar a conduta do administrador
público, a saber, interno e externo. Assim, sob o ângulo interno, quando da tomada de
providências administrativas o administrador deverá consultar sua consciência profissional,
orientado pelos valores e princípios do direito público, e aquilatar qual deva ser a postura
mais adequada a seguir diante da ocorrência administrativa. Por outro lado, a moralidade
administrativa tem, também, sua dimensão externa, na medida em que pode ser avaliada
sob critérios objetivos, conforme aqueles esculpidos na lei disciplinadora da ação
administrativa.
PUBLICIDADE
A publicidade é princípio de natureza republicana, que consagra a noção de que a
Administração cuida da coisa pública.
A Administração Pública não se legitima por si mesma. Sua existência está condicionada a
efetiva prestação de serviços úteis à comunidade, zelando pelos bens e valores e interesses
gerais da sociedade.
Para honrar com o seu dever, cumpre a Administração dar conhecimento aos administrados
sobre sua gerência e condução dos negócios públicos.
A publicidade, assim, coroa a atividade da Administração Pública como corolário da
moralidade pública. Torna-se, mesmo, condição de validade jurídica para a verificação de
efeitos de toda a atividade administrativa.
Por força do princípio da publicidade, devem ser abertos todos os canais de acesso à
informação para que os clientes e usuários da Administração Pública possam dela se servir
da melhor forma, ressalvados os casos e hipóteses em que a própria Constituição confere o
caráter sigiloso.
Da obediência ao princípio da publicidade deriva a noção de oficialidade da divulgação.
Assim, somente por intermédio de meios oficiais é que se opera a plena observância ao
princípio, pois que associados ao princípio da publicidade estão os conceitos de vigência e
eficácia dos atos da Administração. Daí que não tem poder jurídico de demarcar prazos e
impelir obrigatoriedade em face da coisa divulgada a anunciação realizada por meios não-
oficiais (rádio, televisão, internet, jornais de notícias, etc). As leis, atos e contratos
administrativos, que produzem conseqüências jurídicas; fora dos órgãos que os emitem,
exigem publicação oficial para adquirem validade universal, isto é, perante as partes e
terceiros.
Adequada à realidade do ato praticado, na medida em que podem ser atos de efeitos
externos ou internos, o meio de divulgação também seguirá o seu alcance. Eis que, para
tanto, ora a publicidade vê-se respeitada pela publicação realizada por diários oficias, ora
por boletins internos.
Ensina o eminente Prof. Hely Lopes Meirelles: "Em princípio, todo ato administrativo deve
ser publicado, porque pública é a Administração que o realiza, só se admitindo sigilo nos
casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior da Administração
a ser preservado em processo previamente declarado sigiloso".
Afinal, o art. 5º da Lei Maior afirma com letras garrafais que "é assegurado a todos o
acesso à informação", que aplicada a atividade administrativa e associada com o princípio
da moralidade, resulta em inexorável compromisso da Administração Pública informar ao
administrado o que esteja sendo feito da coisa pública.
EFICIÊNCIA
Princípio acrescido ao conjunto da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade
pela EC.19/98.
Traduz-se num conceito moderno de administração pública, rompendo, em definitivo, com
a arcaica noção de que o Estado provê por generosidade.
O princípio da eficiência vincula o Estado a prestação de serviços públicos adequados e que
correspondam aos padrões de satisfação do usuário como destinatário final.
Inspirado neste princípio o constituinte derivado trouxe as novidades da avaliação periódica
de desempenho para o servidor estável (art. 41, § 1º, III); da aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas correntes na qualificação,
reciclagem e treinamento de pessoal (art. 39, § 7º); a co-participação do usuário no controle
da máquina pública por meio do direito de representação contra ilegalidade, omissão ou
abuso de poder (art. 37, 3º); escolas de formação e aperfeiçoamento de pessoal, nos termos
do art. 39, § 2º, entre outras medidas inovadoras. Todas elas de cunho essencialmente
administrativo, mas visando a efetivação do cumprimento do dever jurídico de eficiência.