UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE TECNOLOGIA E RECURSOS NATURAIS
UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA



TESE DE DOUTORADO



SIMULAÇÕES NUMÉRICA DAS INTERAÇÕES BIOSFERA-ATMOSFERA EM
ÁREA DE CAATINGA: UMA ANÁLISE DA EXPANSÃO AGRÍCOLA EM
AMBIENTE SEMIÁRIDO


EWERTON CLEUDSON DE SOUSA MELO


ORIENTADORAS: MAGALY DE FATIMA CORREIA
MARIA REGINA DA SILVA ARAGÃO



Campina Grande – PB
Junho de 2011



EWERTON CLEUDSON DE SOUSA MELO


SIMULAÇÕES NUMÉRICAS DAS INTERAÇÕES BIOSFERA-ATMOSFERA EM
ÁREA DE CAATINGA: UMA ANÁLISE DA EXPANSÃO AGRÍCOLA EM
AMBIENTE SEMIÁRIDO



Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Meteorologia da Universidade Federal de Campina
Grande em cumprimento às exigências para a
obtenção do Grau de Doutor.



Área de Concentração: Meteorologia de Meso e Grande Escalas
Sub-Área: Sinótica-Dinâmica da Atmosfera Tropical


Orientadoras: Magaly de Fatima Correia
Maria Regina da Silva Aragão



Campina Grande – PB
Junho de 2011




















A todos aqueles que me ofereceram
companheirismo, carinho, apoio e
incentivo, principalmente nas horas mais
difíceis, e por ter mostrado que um sonho
que sonhamos só, é só um sonho, mas um
sonho que sonhamos juntos fatalmente
tornar-se-á realidade.

Dedico




HOMENAGEM








Ao meus avós Alzira Domingos e Horácio
(in memoriam).



Aos meus pais, José Ferreira (in
memorium) e Dulcinéia Otaviano (em
especial), que mostraram que para
vencermos não basta conhecermos os
caminhos na vida, temos que trilhá-los.
Meu muito obrigado!


As minhas irmãs, pelo apoio e incentivo.
Aos meus sobrinhos Dário e Lilian que me
fizeram ver que quanto mais velhos formos
mais temos que nos aproximarmos do novo,
e assim termos uma reciclagem espontânea
de nossos conhecimentos e experiências.


AGRADECIMENTOS

À Deus, por dar-me saúde e força para superar as dificuldades e vencer os obstáculos da
vida, em busca de novas conquistas.
Ao Programa de Pós-Graduação em Meteorologia do Centro de Ciências e Tecnologia da
Universidade Federal de Campina Grande, pela estrutura didático-científica.
À Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES) pela
concessão de bolsa de estudo.
Às orientadoras Magaly de Fátima Correia e Maria Regina da Silva Aragão pela dedicação,
paciência, ajuda, incentivo e fundamental orientação na elaboração do projeto de pesquisa
até a revisão final deste trabalho.
A Anailton e família pela ajuda nesta empreitada
Aos amigos Thiago, Fernanda e Jonathan pela colaboração e apoio no final desta jornada e
Ednéia Alves pelo auxílio e encorajamento na realização deste trabalho.
Aos funcionários Eng
a
. Eyres Diana Ventura Silva, Miriam Carmen Costa e, em especial, a
Divanete Cruz Rocha, pela atenção, assistência e gratificante colaboração.
Não é possível deixar de agradecer a Romilson, Lindenberg (Bega), Pollyanna Kelly,
Samira Azevedo, Everson Mariano, Edvânia Santos, Ailton Liberato, Alexsandra e
Washington Correia pelos momentos de descontração e incentivo.
Aos professores e amigos Ênio Pereira de Souza (UFCG) pelas discussões sobre os
resultados no modelo BRAMS, Enilson Palmeira Cavalcanti (UFCG) pela ajuda na
inicialização heterogênea do modelo e Emerson Mariano (UECE) pelo fornecimento dos
executáveis e código fonte do VISU.
Ao Eng. Cartógrafo Miguel José da Silva e Rose Mendonça pela ajuda na construção dos
arquivos de vegetação utilizados no modelo.
A Dona Inês, Tibério, Priscila, Larissa e todos que fazem parte da cantina de dona Inês
pelo apoio na alimentação e pelos momentos de descontração.





LISTA DE SÍMBOLOS E VARIÁVEIS

b Parâmetro tabelado (adimensional)
C Um escalar
C

Média de um escalar
CAPE Energia potencial convectiva disponível
C
ì

Flutuação ou desvio da média de um escalar
c
pd
Capacidade térmica do ar seco
C
d
Capacidade volumétrica de calor do solo
C
g
Calor específico do solo seco Jkg
-1
K
-1

C
i
Calor específico do gelo Jkg
-1
K
-1

C
l
Calor específico da água líquida Jkg
-1
K
-1

C
p
Calor específico do ar
c
p
Calor especifico do ar a pressão constante
e Pressão parcial do vapor d’água
e
s
Pressão de vapor a saturação
F
c
Densidade do fluxo de carbono
F
hca
Fluxo de calor sensível para os níveis mais inferiores do modelo
F
hgc
Fluxo de calor sensível do solo para o ar do dossel
F
hvc
Fluxo de calor sensível entre a vegetação e o ar do dossel
f
i
Fração do gelo (por massa)
f
l
Fração de água líquida (por massa)
F
rgv
Troca de radiação de onda longa entre o solo e a vegetação
Frva Troca de radiação de onda longa entre a vegetação e atmosfera
F
wca
Fluxo de umidade para os níveis mais inferiores do modelo
F
wgc
Fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel
F
wgc
Fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel
IAF Índice de área foliar
K
s
Condutividade hidráulica do solo à saturação
L
il
Calor latente de fusão Jkg
-1

M
g
Massa do solo seco por metro cúbico do volume total kgm
-3

NCL Nível de condensação por levantamento


p Pressão atmosférica do ar
p
L
Pressão atmosférica no nível de condensação por levantamento
q Umidade específica do ar
Qg Energia interna do solo
r Razão de mistura
r
b
Resistência entre o ar do dossel e a superfície da vegetação m
-1

R
L↓
Radiação de onda longa descendente na base da atmosfera em Wm
-2

r
d
Resistência entre o solo e o ar do dossel sm
-1

r
s
Razão de mistura saturada
R
s↓
Radiação solar chegando na base da atmosfera Wm
-2
S
v
Radiação solar absorvida pela vegetação
T Temperatura do ar
T
c
Temperatura do ar do dossel
T
g
Temperatura do solo
T
L
Temperatura do ar no nível de condensação por levantamento
T
v
Temperatura de vegetação
u Componente zonal do vento
UR Umidade relativa do ar
uwnd Nome da componente zonal considerada nas reanálises do NCEP
v Componente meridional do vento
vwnd Nome da componente meridional considerada nas reanálises do NCEP
W
g
Conteúdo de água no solo kgm
-3
w Velocidade vertical do vento
w

C

Transporte turbulento do escoamento
w

I

Covariância entre o vetor vertical do vento (W) e a temperatura do ar (T)
w

Velocidade vertical média do vento
wC

Transporte pelo escoamento médio
w
ì

Flutuação ou desvio da média da velocidade do vento
αs Albedo da neve
αv Albedo da vegetação
γ
s
Índice de área foliar corrigido para profundidade de neve
ρ
a
Densidade do ar kgm
-3

e
v
Emissividade da vegetação


e
gs
Emissividade do solo ou da neve
o Constante de Stephan – Boltzmann
Γ
s
Fração de vegetação
θ Temperatura potencial
θ
e
Temperatura potencial equivalente
θ
es
Temperatura potencial equivalente saturada
p Densidade do ar média
ε Razão entre as massas moleculares do vapor d’água e do ar seco
η
s
Conteúdo de umidade volumétrico à saturação
ψ
s
Umidade potencial de saturação
_
c
Razão de mistura do vapor d’água na superfície do ar do dossel kgkg
-1

_
g
Razão de mistura do vapor d’água na superfície do solo kgkg
-1

e
g
Emissividade do solo




LISTA DE ABREVIATURAS

A Coluna Atmosférica
AMJ Abril, Maio e Junho
ASAS Alta Subtropical do Atlântico Sul
ASO Agosto, Setembro e Outubro
AVHRR Advanced Very High Resolution Radiometer
BATS Biosphere-Atmosphere Transfer Scheme
BL Brisa Lacustre
BL Brisa Lacustre
BV Brisa de Vegetação
BVM Brisa Vale Montanha
BVM Vento de Vale Montanha
CAPE Energia Potencial Convectiva Disponível
CLC Camada Limite Convectiva
CLP Balanço de Energia da Atmosfera Inferior
CLP Camada Limite Planetária
CO
2
Dióxido de Carbono
CODEVASF Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (e do
Parnaíba)
CPATSA Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semiárido
ctg.irg.cl Simulação com Caatinga, área irrigada e com lago
ctg.irg.pl Simulação com Caatinga, área irrigada e plantações
ctg.sl Simulação com Caatinga sem lago
CV/CP Simulação com vento e com parametrizações
DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral
E Direção do vento de Leste


EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
ESE Este/Sudeste
ETA Modelo de Mesoescala com coordenadas
FAO Food and Agriculture Organization
FM Fevereiro, Março
FNE Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste
GRADS Grid Analysis and Display System
HL Hora Local
INMET Instituto Nacional de Meteorologia
INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
ITEP Instituto Tecnológico de Pernambuco
LAMEP Laboratório de Meteorologia de Pernambuco
LDAS Land Data Assimilation System
LEAF Land Ecosystem Atmospheric Feedback
LS Lago de Sobradinho
MCGA Modelo de Circulação Geral Atmosférico
MUCS Mudança no Uso e Cobertura do Solo
NC Perímetro Público Irrigado Senador Nilo Coelho
NDVI Normalized Difference Vegetation Index
NE Nordeste
NEB Nordeste do Brasil
OND Outubro, Novembro e Dezembro
PCD Plataforma de Coleta de Dados
RAMS Regional Atmospheric Modeling System
RASPA Relação-Água-Solo-Atmosfera
S Camada de Cobertura de Neve


SC Sistemas Convectivos
SE Direção do vento de Sudeste
SF Sistema Frontal
SSiB Simplified Simple Biosphere
SUDENE Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
SV/SP Sem vento e Sem parametrizações
SV/SP Simulação sem vento e sem parametrizações
SW Direção do vento de Sudoeste
TOPMODEL
TSM Temperatura da Superfície do Mar
UACA Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas
UFCG Universidade Federal de Campina Grande
V Cobertura Vegetal
VCAN Vórtice Ciclônico dos Altos Níveis
VSF Vale do São Francisco
WNW Oeste/Noroeste
WSW Oeste/Sudoeste
ZCAS Zona de Convergência do Atlântico Sul
ZCIT Zona de Convergência Intertropical


LISTA DE QUADROS

Quadro 4.1: Classes de uso do solo e parâmetros biofísicos usados no LEAF 3 (Fonte:
WALKO e TREMBACK, 2005).

39
Quadro 4.2: Definição das características principais usadas nas simulações numéricas
do impacto ambiental em áreas de Caatinga com e sem o escoamento
sinótico.


43
Quadro 4.3: Tipos de vegetação e respectivas propriedades físicas. (Fonte: Adaptado
de leaf3_init.f90).

48
Quadro 4.4: Propriedades do tipo de solo franco-arenoso-argiloso usado nas
simulações. ψ
s
é a umidade potencial de saturação; η
s
é o conteúdo de
umidade volumétrico à saturação; b um parâmetro tabelado
(adimensional); K
s
é a condutividade hidráulica do solo à saturação e C
d
é
a capacidade volumétrica de calor do solo. (Fonte: CLAPP e
HORNBERGER, 1978; McCUMBER e PIELKE, 1981; PIELKE, 1984;
TREMBACK e KESSLER, 1985).






48



LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1: Mapa do relevo e bacias hidrográficas do Nordeste do Brasil. (Fonte: Adaptado
de Simielli, 1991).

4
Figura 2.2: Mapa do Nordeste do Brasil com delimitação da região semiárida. (Fonte:
Amargosa, 2011).

5
Figura 2.3: Divisão fisiográfica do Rio São Francisco e localização do Vale no Brasil 6
Figura 4.1: Domínio das simulações numéricas realizadas com as grades 1 (resolução de 8
km) e 2 (resolução de 2 km). A cruz em cor preta indica a localização
geográfica de Petrolina (9,4ºS – 40,5ºW) e a cruz em azul mostra a posição da
torre micrometeorológica da EMBRAPA semiárido.



41
Figura 4.2: Distribuição das matrizes com dados de cobertura e uso do solo disponível para
o modelo RAMS cobrindo todo o Nordeste do Brasil. O nome do arquivo
escrito abaixo de cada bloco indica a posição inicial (latitude/longitude)
correspondente ao extremo sudoeste da matriz de dados.



45
Figura 4.3: Matriz com todos os blocos com dados de cobertura e uso de solo, o nome do
arquivo indica o extremo sudoeste.

46
Figura 4.4: Tipos de vegetação no domínio da grade 2 (resolução de 2 km). A escala de cores
indica as categorias de vegetação disponíveis no modelo.

49
Figura 4.5: (a) Mapa de Recursos Hídricos da região com uma visão parcial do lago de
Sobradinho e dos perímetros públicos de irrigação no Submédio do Rio São
Francisco; (b) Domínio numérico coberto pela grade 2 com a distribuição das
áreas irrigadas no domínio numérico conforme assimilado pelo modelo.
(Fonte: Correia, 2001)




50
Figura 4.6: Ocupação do solo no domínio da grade 2; tipos de vegetação padrão do RAMS
(a); tipos de vegetação no cenário atual (ctg.irg.pl) (b). A escala de cores indica
as classes de vegetação disponíveis no modelo.


51
Figura 4.7: Ocupação do solo no domínio da grade 2 no experimento: (a) Caatinga sem
influência antrópica “ctg.sl”; (b) cenário atual “ctg.irg.pl.cl” e (c)cenário da
expansão agrícola máxima “ctg.irg.cl ”. A escala de cores indica as classes de
vegetação disponíveis no modelo.



52
Figura 5.1: Perfis verticais de θ, θe e θes obtidos da sondagem realizada em Petrolina: (a)
no dia 14 de março de 2005 às 12:00 UTC. (b) no dia 15 de março de 2005 às
12:00 UTC e (c) no dia 16 de março de 2005 às 12:00 UTC. A linha tracejada
indica a altura da base da inversão dos alísios (INV); a linha contínua indica a
altura do topo da camada de mistura (CM).




57
Figura 5.2: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16
de março (a), (c) e (e); e do calor latente LE(w/m2): nos dias: 14, 15 e 16 de
março (b), (d) e (f) obtida da diferença entre as simulações Caatinga, Culturas
Irrigadas e Plantações com lago (ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as
15:00 HL.




60

Figura 5.3: Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água DPV para os dias 14, 15 e
16 de março de 2005. Os valores das pressões parciais do vapor d’água de
saturação e do ar foram obtidos para Petrolina com base na simulação com o
cenário atual (ctg.irg.pl.cl).



61
Figura 5.4: Topografia (m) no domínio numérico da grade 2 (resolução de 2 km). A escala


em cores mostra a altura em metros. As isolinhas indicam contornos da
topografia a cada 30 metros: (a); ocupação do solo no cenário ctg.irg.pl.cl. A
escala em cores mostra os códigos correspondentes ao tipo de vegetação: (b).


62
Figura 5.5: Distribuição espacial da temperatura do ar T(°C), e razão de mistura r(g/kg)
obtida da diferença entre às simulações Caatinga, culturas irrigadas e
plantações, com lago (ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL
nos dias: (a,b) 14, (c,d) 15 e (e,f) 16 de março de 2005.



64
Figura 5.6: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2
(resolução de 2km) às 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações
ctg.irg.pl.cl e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de
março e (e) 16 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15
de março e (f) 16 de março.




65
Figura 5.7: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9,4ºS, às
15:00 HL, resultante da diferença entre às simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o
vento sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo
das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho
(cor cinza).




71
Figura 5.8: Corte transversal da temperatura potencial (ºC) na latitude de 9,4ºS, às 15:00
HL, resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o vento
sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das
abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor
cinza).




73
Figura 5.9: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9,4ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o vento
sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das
abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor
cinza).




74
Figura 5.10: Evolução temporal: (a) fluxos de calor sensível, H(W/m²), (b) calor latente LE
(W/m²), (c) radiação liquida Rn(W/m2) e (d) temperatura do ar T(°C)
simulados (em vermelho) e calculados (em preto) na localização da torre
micrometeorológica de Petrolina (9,0585°S; 40,3292°W).



75
Figura 5.11: Perfis verticais de θ, θ
e
e θ
es
, obtidos com dados extraídos da simulação
Caatinga, áreas irrigadas, plantações com lago (ctg.irg.pl.cl) realizada com o
modelo RAMS: (a) dia 14; (b) dia 15 e (c) dia 16 de março de 2005.


77
Figura 5.12: Localidades selecionadas para o cálculo da energia potencial convectiva
disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico
do cenário ctg.irg.pl.cl. A posição geográfica de cada localidade é indicada
pelos pontos P1, P2, P3, P4 e P5.



78
Figura 5.13: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e
precipitação convectiva acumulada nas localidades P1, P2, P3, P4 e P5 no
domínio numérico do cenário ctg.irg.pl.cl.: (b).


79
Figura 5.14: Evolução temporal da temperatura potencial equivalente e da CAPE obtida
com as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl nas localidades P1(9ºS;40,6ºW) e
P5(9,54ºS;40,9ºW) situadas no domínio numérico.


81
Figura 5.15: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16
de março obtida da diferença entre às simulações Caatinga, Culturas Irrigadas
e Plantações com lago (ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL.
Com vento sinótico (a), (c) e (e); e sem vento sinótico (b), (d) e (f).



84
Figura 5.16: Distribuição espacial do fluxo de calor latente LE (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16
de março obtida da diferença entre às simulações Caatinga, Culturas Irrigadas
e Plantações com lago (ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL.
Com vento sinótico (a), (c) e (e); e sem vento sinótico (b), (d) e (f).



85


Figura 5.17: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2
(resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações
ctg.irg.cl . e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de
março e (e) 16 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15
de março e (f) 16 de março.




87
Figura 5.18: Distribuição espacial da temperatura do ar (ºC) a 15 m da superfície no
domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença
entre às simulações ctg.irg.cl . e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de
março; (c) 15 de março e (e) 16 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14
de março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.




89
Figura 5.19: Configuração espacial da razão de mistura (g/kg) a 15 m da superfície no
domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença
entre às simulações ctg.irg.cl . e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de
março; (c) 15 de março e (e) 16 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14
de março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.




90
Figura 5.20: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9,0ºS, às
15:00 HL, resultante da diferença entre às simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o
vento sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo
das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação
irrigada (cor cinza).




92
Figura 5.21: Seção transversal da topografia no domínio numérico na latitude de 9ºS e
esquema ilustrativo da circulação de encosta e escoamento convergente
centrado em 41,25ºW: (a) cenário ctg.irg.pl.cl e (b) cenário ctg.irg.cl .


93
Figura 5.22: Corte transversal da temperatura potencial (ºK) na latitude de 9,0ºS, às 15:00
HL, resultante da diferença entre às simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o vento
sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das
abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação
irrigada (cor cinza).




95
Figura 5.23: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre às simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o vento
sinótico: (a) (c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das
abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação
irrigada (cor cinza).




96
Figura 5.24: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s), temperatura potencial
(ºK) na latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL, resultante da diferença entre as
simulações ctg.irg.cl e ctg.sl com o vento sinótico: (a) (c) e (e), e sem o vento
sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a área do lago de
Sobradinho (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).




98
Figura 5.25: Seção transversal da topografia no domínio numérico para latitude de 9,4ºS e
esquema ilustrativo da circulação de encosta, brisa lacustre (BL), brisa de
vegetação (BV) e escoamento convergente centrado na área do lago de
Sobradinho. A seta azul na parte superior da Figura indica a direção do
escoamento sinótico.




99
Figura 5.26: Configuração espacial da precipitação convectiva acumulada (mm) no domínio
da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às
simulações ctg.irg.cl . e ctg.sl. Áreas com aumento no total de precipitação
convectiva: (a) 14 de março; (c) 15 de março e (e) 16 de março. Áreas com
redução no total da chuva convectiva: (b) 14 de março; (d) 15 de março e (f) 16
de março.





100




Figura 5.27: Perfis verticais das temperaturas potencial, potencial equivalente e potencial
equivalente de saturação obtidos com as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl para os
dia 14, 15 e 16 de março de 2005: (a), (c) e (e) simulação ctg.sl e (b), (d) e (f)
simulação ctg.irg.cl .



102
Figura 5.28: Localidades selecionadas para o cálculo da energia potencial convectiva
disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico
do cenário ctg.irg.cl . A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos
pontos P1, P2, P3, P4 e P5.



103
Figura 5.29: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e
precipitação convectiva acumulada nas localidades P1, P2, P3, P4 e P5 no
domínio numérico do cenário ctg.irg.cl .: (b).


104



RESUMO


Neste trabalho a versão 6.0 do modelo numérico RAMS (Regional Atmospheric
Modeling System) é usada com o objetivo principal de simular a influência da expansão
agrícola nas trocas de água e energia em áreas de Caatinga, e quantificar os efeitos das
mudanças na cobertura e uso da terra na geração de circulações termicamente induzidas e
na atividade convectiva.
Os cenários de uso da terra investigados neste estudo foram construídos para
representar condições ambientais nativas (sem influências antrópicas), e com alterações
decorrentes da construção da represa de Sobradinho, e da expansão de atividades agrícolas
e irrigação em região de clima semiárido. O ambiente atmosférico de grande escala é
caracterizado pela estrutura dinâmica e termodinâmica típica da área central de um vórtice
ciclônico de altos níveis (VCAN). A escolha do período de estudo teve como objetivo
garantir condições ambientais com ampla diversidade agrícola em áreas de Caatinga
(culturas de sequeiro e agricultura irrigada), e pouca nebulosidade.
A evolução temporal da precipitação convectiva acumulada nas simulações da
expansão agrícola mostra diferenças marcantes nos efeitos da agricultura de sequeiro e
vegetação irrigada. O aumento na taxa da evapotranspiração nas áreas irrigadas eleva
consideravelmente o teor de umidade nos baixos níveis da troposfera, reduz a temperatura
do ar e diminui a precipitação convectiva. A descontinuidade na umidade e tipo de
cobertura vegetal modifica a intensidade e distribuição dos fluxos turbulentos que são
importantes na formação dos gradientes de pressão que geram circulações de brisa (brisa
lacustre e de vegetação), de forma que o domínio nos transportes verticais de calor e água
passa a ser da mesoescala;
Verificou-se que as principais forçantes locais na determinação da distribuição
espacial dos fluxos turbulentos e da chuva convectiva foram a topografia e a
descontinuidade no teor de umidade do solo.
Com relação a estabilidade atmosférica percebeu-se a existência de uma relação
quase linear entre a Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE) e a temperatura
potencial equivalente.




ABSTRACT

In this work the version 6.0 of the numerical model RAMS (Regional Atmospheric
Modeling System) is used with the main objective of simulating the influence of
agricultural expansion on the water and energy exchange in Caatinga vegetation areas, and
to quantify the effects that changes on soil use and coverage have on the generation of
thermally induced circulations and convective activity.
The scenarios of soil use investigated are designed to represent native environmental
conditions (without anthropogenic influences) and with alterations due to the
implementation of the Sobradinho reservoir, and the expansion of agricultural activities
and irrigation in a semiarid climate area. The large scale atmospheric ambient is
characterized by the dynamic and thermodynamic structure typical of the central area of an
upper level cyclonic vortex. The period of study was chosen aiming at environmental
conditions with largely diversified agricultural use in Caatinga vegetation areas
(agriculture with and without irrigation), and almost cloudless skies.
The temporal evolution of the accumulated convective precipitation in the numerical
simulations of the agricultural expansion shows large differences in the effects of
agriculture with and without irrigation. The irrigated areas higher evapotranspiration rate
causes a substantial increase in the moisture content in the lower troposphere, and lower
the air temperature and convective precipitation.

















SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1
1.1 OBJETIVOS ................................................................................................................ 2
1.1.1 Objetivo Geral ............................................................................................................ 2
1.1.2 Objetivos específicos .................................................................................................. 3
2 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DE ESTUDO ............................................... 4
2.1 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS ................................................................................... 4
2.1.1 Hipsometria e hidrografia ......................................................................................... 4
2.1.2 Vegetação..................................................................................................................... 6
2.1.3 Solos ............................................................................................................................. 8
2.2 ASPECTOS DE TEMPO E CLIMA .......................................................................... 10
2.2.1 Sistemas atmosféricos de grande escala ................................................................. 10
2.2.2 Sistemas convectivos de pequena e mesoescalas .................................................... 13
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 16
3.1 EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE SUPERFÍCIE ................................................................... 16
3.2 MODELAGEM NUMÉRICA DE MUDANÇAS NA COBERTURA E USO DO
SOLO E SEUS IMPACTOS NA ATMOSFERA ................................................................... 19
3.2.1 Estudos com modelos de circulação geral da atmosfera ....................................... 19
3.2.2 Estudos com modelos regionais ............................................................................... 23
3.2.2.1  Impacto do desmatamento e/ou da implantação de agricultura sem irrigação ... 23 
3.2.2.2  Impacto da implantação de agricultura com irrigação ........................................ 29 
4 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 32
4.1 O MODELO NUMÉRICO RAMS ................................................................................... 32
4.1.1 O esquema de superfície LEAF-3 ........................................................................... 33
4.1.1.1  Solo ..................................................................................................................... 34 
4.1.1.2  Vegetação ............................................................................................................ 35 
4.1.1.3  Ar do dossel ........................................................................................................ 37 
4.2 ARQUIVOS DE VEGETAÇÃO DO RAMS ........................................................................ 38
4.3 DESCRIÇÃO DOS EXPERIMENTOS ................................................................................. 40
4.3.1 Condições iniciais ..................................................................................................... 40
4.3.2 Condições de Contorno ............................................................................................ 42
4.3.2.1  Elaboração dos arquivos de ocupação do solo .................................................... 44 
4.3.2.2  Ajuste de parâmetros biofísicos da vegetação .................................................... 46 
4.3.2.3  Escolha do tipo de solo ....................................................................................... 48 
4.4 CONSTRUÇÃO E DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS ................................................................ 49


4.5 ANÁLISE DA ESTRUTURA TERMODINÂMICA E ESTABILIDADE ATMOSFÉRICA............... 53
4.6 DADOS MICROMETEOROLÓGICOS ............................................................................... 55
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 56
5.1 CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS E ESTRUTURA TERMODINÂMICA NA REGIÃO DE ESTUDO ... 56
5.2 ANÁLISES NUMÉRICAS ........................................................................................ 58
5.2.1 Simulação dos impactos da construção da represa de Sobradinho, e da
degradação ambiental associada às atividades agrícolas em áreas de Caatinga 58
5.2.1.1  Variabilidade nos fluxos turbulentos ................................................................... 58 
5.2.1.2  Mudanças no uso da terra e variabilidade no vento, temperatura e umidade
atmosférica .......................................................................................................... 63 
5.2.1.2.1 Temperatura e umidade .................................................................................... 63
5.2.1.2.2 Vento horizontal e circulações induzidas termicamente ................................... 66
5.2.1.2.3 Validação dos resultados ................................................................................... 75
5.2.1.3  Mudanças no uso da terra e variabilidade na atividade convectiva local ........... 76 
5.2.2 Expansão da agricultura irrigada e efeitos na interação superfície-atmosfera . 82
5.2.2.1  Considerações ..................................................................................................... 82 
5.2.2.2  Variabilidade nos fluxos turbulentos ................................................................... 82 
5.2.2.3  Temperatura e umidade ....................................................................................... 88 
5.2.2.4  Circulações termicamente induzidas e estrutura da camada limite atmosférica
(CLA) .................................................................................................................. 91 
5.2.2.5  Camada de mistura .............................................................................................. 94 
5.2.2.6  Expansão da agricultura irrigada e variabilidade na atividade convectiva local  99 
5.2.2.7  Influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE ....... 102 
6 CONCLUSÕES ...................................................................................................... 105
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 107

Capítulo 1 - Introdução

1

1 INTRODUÇÃO

O principal ecossistema do Nordeste é a Caatinga, único bioma exclusivamente
brasileiro, que ocupa 11% do território nacional, onde vivem aproximadamente 27 milhões
de pessoas. Atualmente, cerca de 80% da área deste ecossistema está alterada, tanto por
processos que tiveram início na época da colonização do Brasil, como o desmatamento,
quanto por outros mais recentes como a implantação de perímetros de irrigação e a
urbanização (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2004).
No decorrer das últimas cinco décadas o submédio do Vale do São Francisco tem
recebido grandes investimentos públicos e privados em agricultura irrigada, tornando-se
uma área de grande dinamismo econômico (PAES, 2009). Atualmente existem sete
perímetros públicos em funcionamento no Pólo Petrolina/PE-Juazeiro/BA: Bebedouro,
Senador Nilo Coelho e sua extensão Maria Tereza, em Petrolina, Curaçá, Maniçoba,
Tourão e Mandacaru, em Juazeiro. Eles foram implantados em períodos diferentes e, em
alguns casos, através de distintas concepções como Bebedouro e Nilo Coelho, por
exemplo. Bebedouro (PE) foi o primeiro perímetro irrigado a ser construído no Polo, junto
ao perímetro de Mandacaru (BA), em 1968, como um projeto piloto para verificar a
viabilidade econômica de tais investimentos no semiárido. O Nilo Coelho começou a
funcionar em 1984, quando uma elevada taxa de crescimento já era observada nos
municípios do Polo, e a represa de Sobradinho era um incentivo para o aumento da área
irrigada.
O Polo Petrolina-Juazeiro foi escolhido como foco deste trabalho por ser o mais
dinâmico dos polos de fruticultura irrigada do Nordeste, contribuindo de forma
significativa para o desenvolvimento sócio-econômico da região. O crescimento da área
irrigada, que tem sido acelerado pelos investimentos da iniciativa privada, amplia a questão
sobre o impacto que as mudanças antrópicas têm sobre os processos atmosféricos no
submédio São Francisco. Alguns estudos na área de ciências atmosféricas têm abordado o
tema da antropização no Nordeste, mas poucos têm usado o recurso da modelagem
numérica para simular impactos na escala de microrregiões.
Neste estudo o modelo numérico Regional Atmospheric Modeling System
(RAMS) é utilizado para realizar integrações de alta resolução visando simular a ampliação
da área irrigada e seu impacto na atmosfera na área do Polo Petrolina-Juazeiro. Um vórtice
Capítulo 1 - Introdução

2

ciclônico de altos níveis (VCAN) condiciona o ambiente de grande escala nos dias de
integração. As análises realizadas se concentram nas circulações locais geradas por
contrastes nos fluxos turbulentos de superfície e na precipitação a elas associadas. A
interação entre as circulações locais e o VCAN também é investigada.
Este trabalho está dividido em 6 capítulos. As principais características físicas e
meteorológicas da região de estudo são apresentadas no Capítulo 2. A revisão bibliográfica
de estudos que utilizam a modelagem numérica para investigar os impactos causados por
mudanças antrópicas é apresentada no Capítulo 3. Uma descrição do modelo, do programa
desenvolvido para gerar mapas de vegetação e características da simulação do modelo são
apresentadas no Capítulo 4. O estudo sobre o efeito da implantação das áreas irrigadas e
expansão destas áreas é apresentado no Capítulo 5 e no Capítulo 6 se encontram as
conclusões.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral

Realizar experimentos numéricos controlados que permitam determinar o grau de
influência das mudanças de uso da terra em áreas de Caatinga nos processos
meteorológicos no Submédio da bacia hidrográfica do São Francisco. Pretendeu-se avaliar
o papel das modificações da cobertura vegetal no desenvolvimento e intensificação de
circulações locais, bem como a influência destes contrastes na atividade convectiva da
região. Na realização do trabalho a utilização do modelo regional RAMS (Regional
Modeling System) representa a principal ferramenta de análise. Esse modelo vem sendo
utilizado e validado mundialmente em simulações de processos meteorológicos em várias
escalas de tempo e espaço, tendo sua principal aplicação em fenômenos de mesoescala.


Capítulo 1 - Introdução

3


1.1.2 Objetivos específicos

• Simular a influência da degradação do bioma Caatinga pela expansão das
atividades agrícolas e de irrigação nos fluxos de energia, temperatura e umidade do
ar, e precipitação convectiva;
• Detectar mudanças no padrão de vento regional, associados a fontes antropogênicas
e sua interação com sistemas de circulações locais tais como: brisa lacustre e de
encostas;
• Verificar como essas mudanças no padrão de circulação regional afetam o ambiente
de grande escala e o grau de atividade convectiva na região;
• Contribuir para um conhecimento sobre mecanismos dinâmicos e termodinâmicos
responsáveis por mudanças a nível regional na atmosfera.
  
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

4

2 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DE ESTUDO

2.1 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS

2.1.1 Hipsometria e hidrografia

A Região Nordeste do Brasil (NEB) ocupa uma área de 1,5 milhões de km
2
(18%
da área do país). Situa-se entre as latitudes de 1º e 18º sul e as longitudes de 34º e 48º oeste
(Figura 2.1). Limita-se com a Floresta Amazônica (a oeste), com o Oceano Atlântico (a
leste e ao norte) e com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo (ao sul). O clima
predominante é semiárido. Essa característica faz da região uma área anômala quando
comparada com outras regiões na mesma faixa latitudinal.

Figura 2.1: Mapa do relevo e bacias hidrográficas do Nordeste do Brasil.
(Fonte: Adaptado de Simielli, 1991)

O NEB pode ser subdividido em três áreas morfologicamente distintas segundo a
classificação do relevo brasileiro de AB’SÁBER (1993):
(a) Planalto Maranhão-Piauí, que abrange quase toda a área desses estados, com
exceção da região litorânea;
(b) Planalto Nordestino, bastante extenso, mas com modestas altitudes, onde
sobressaem as serras e chapadas (Borborema, Araripe, Diamantina);
(c) Planícies e terras costeiras que se estendem no litoral nordestino em faixas mais
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

5

largas ou mais estreitas e até interrompidas.
As áreas semiáridas do NEB se destacam pela ocorrência de secas, pela relativa
escassez de precipitação pluviométrica e por ser um espaço densamente povoado, com
elevado grau de pobreza. Segundo AB’SÁBER (1987), são consideradas como um dos
espaços semiáridos mais povoados do mundo (30% da população). Os espaços semiáridos
do NEB apresentam, além disso, a maior abrangência físico-territorial, em comparação
com os outros espaços naturais que conformam e estruturam o Nordeste brasileiro. A
região Semiárida do Nordeste Brasileiro (Figura 2.2) tem uma superfície de 895.254,40
km², sendo integrado por 1.031 municípios (BRASIL, 2004), com precipitação
pluviométrica média anual igual ou inferior a 800 mm.


Figura 2.2: Mapa do Nordeste do Brasil com delimitação da região semi-árida. (Fonte: Amargosa,
2011)

A bacia do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra, no Estado de
Minas Gerais, domina a hidrografia de superfície de grande parte do NEB. A bacia do São
Francisco é tradicionalmente dividido em quatro sub-bacias: Alto, Médio, Submédio e
Baixo São Francisco. A maior parte do Médio São Francisco está situada em solo
nordestino, estendendo-se desde a fronteira da Bahia com Minas Gerais até Remanso-BA
(9º39’S, 42º3’W), entre o Espigão Mestre e a Chapada Diamantina. O Submédio está

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Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

7

estendida, por relação de equivalência, às áreas de Estepe do Brasil (BRASIL, 1983).
A Caatinga ocupa uma área em torno de 735.000 km² que abrange a maior parte
do NEB e parte do nordeste de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha (LEAL et al.,
2005). Ela faz limites com a Floresta Amazônica (a oeste), a Mata Atlântica (a leste), o
Cerrado (ao sul) e o Oceano Atlântico (ao norte). É caracterizada por um fitoclima
generalizado de acentuada semiaridez (acima de 6 meses secos) a aridez (acima de 9 meses
secos). As temperaturas são elevadas, notadamente no período seco.
A Caatinga tem como formas biológicas dominantes as caméfitas espinhosas e
umas poucas fenerófitas raquíticas deciduais no período seco. Muitas plantas herbáceas
geófitas e terófitas completam ainda as mais importantes formas de vida que integram este
“tipo xerófito de vegetação”, onde a coexistência de espécies perenifólias e deciduais é
determinada pela disponibilidade de água no solo durante a estação seca (MEDINA, 1995).
Dentre as características da Caatinga, o sistema radicular é uma das menos
conhecidas. A distribuição vertical das raízes influencia parcialmente a aquisição de
recursos; raízes rasas facilitam a aquisição de nutrientes e raízes profundas ajudam a obter
água durante a seca (GRAINGER e BECKER, 2001).
Dentre os poucos estudos que buscam caracterizar a distribuição das raízes para
diversos tipos de vegetação para todo o globo pode-se destacar Jackson et al. (1996). Eles
mostram que a distribuição de raízes, na média global, para todos os ecossistemas,
apresentou 30%, 50% e 75% de raízes nos 10 cm, 20 cm e 40 cm da superfície,
respectivamente. A distribuição relativa das raízes entre os biomas difere, em parte, devido
às barreiras físicas para o crescimento. Pode-se encontrar forte resistência mecânica à
penetração das raízes em ecossistemas áridos e semiáridos. Leitos rochosos rasos inibem o
crescimento das raízes. Outro fator que pode limitar a profundidade de enraizamento é a
temperatura do ar elevada.
Os arbustos tendem a ter raízes rasas (≤0,5 m), mas se estiverem sujeitos a forte
seca podem tender a enraizamentos profundos, dependendo da frequência de luz e da não
penetração de chuvas (≥1 m). Lima (1994) estudou o sistema radicular de cinco espécies
arbóreas decíduas da Caatinga de Alagoinha (PE) observando que todas as espécies
apresentaram sistema radicular pouco profundo, em torno de 40 cm. Correia (2001) relata
que a vegetação da Caatinga tem raízes bem desenvolvidas que, em muitas áreas, possuem
ramificações nas camadas superficiais do solo para captar o máximo de água durante as
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

8

chuvas. No entanto, também é comum encontrar áreas nas quais as raízes se aprofundam à
procura de água, como uma Licania rigida Benth (Chrysobalanaceae) “oiticica”, com raiz
principal de 18 metros de profundidade, encontrada nas margens de um açude no sertão da
Paraíba (BARBOSA et al., 2003).
No levantamento das características da vegetação da Caatinga encontrou-se um
número bastante reduzido de experimentos de campo que contemplem a obtenção dos
principais parâmetros biofísicos normalmente utilizados em modelos numéricos.
Recentemente, Cunha (2007), objetivando fazer a calibração mensal do modelo Simplified
Simple Biosphere (SSiB) em área de Caatinga no NEB, determinou médias mensais para o
Índice de Área Foliar (IAF), a Fração de Cobertura Vegetal (FCV), dentre outros, no
período de julho de 2004 a setembro de 2005. O autor assinala que não obteve bons
resultados no uso das medidas com o RAMS.

2.1.3 Solos

No semiárido predominam solos com maior teor de areia na parte sedimentar do
Arenito Paleozóico e na feição argilosa associada com silte e areia, no Cristalino do Pré-
Cambriano. Estes podem ser pedregosos, pobres em matéria orgânica, mas com regular
teor de cálcio e potássio (PACHÊCO e FREIRE, 2006). Os solos rasos e pedregosos são
derivados principalmente de rochas cristalinas, praticamente impermeáveis, nas quais a
possibilidade de acumulação de água no subsolo se restringe às zonas fraturadas,
dependendo, na maior parte, do relevo.
Os solos Arenosolos são de areia de quartzo de dois a cinco metros de
profundidade. São cobertos por arbustos e árvores pequenas que algumas vezes se tornam
bastante densas. Plantas rasteiras são esparsas ou quase inexistentes. Estes solos têm
pequena capacidade de retenção de água e uma fertilidade inerente muito baixa. Eles
aparecem em áreas de tamanho pequeno e médio por toda a Caatinga, chegando
possivelmente a 10 % de sua área (BRASIL, 1977). Latossolos apresentam uma
consistência que vai desde leve até pesada. São friáveis, profundos, bem drenados e com
poucos nutrientes minerais. Alguns têm um pH muito baixo. É o tipo de solo mais
comumente observado na Caatinga ocupando cerca de 150.000 km² (BRASIL, 1977).
Os Grumossolos são argilosos que se dilatam e quebram, geralmente variando
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

9

entre 1,5 e 2 ou mais metros de profundidade, logo acima de uma camada de pedra calcária
ou de latossolos endurecidos. Eles apresentam um pH que varia de ácido a neutro na
superfície, até alcalino nas camadas mais profundas do solo. Sua drenagem interna é muito
fraca, seu grau de infiltração é baixo e, quando saturados de água, apresentam uma
“degradação” ou perda de estrutura, se tornando areia movediça. A dilatação, a quebra e a
movimentação são alteradas em relação à quantidade de água no solo. A fertilidade
inerente dos grumossolos é relativamente favorável quando comparada com aquela do
latossolo. A vegetação dos grumossolos é peculiar. É possível encontrar em algumas áreas
grupos de árvores ou arbustos com espaços relativamente amplos e vazios entre eles; em
outras, encontra-se um solo quase que totalmente despojado de vegetação. Os Grumossolos
ocupam uma área de cerca de 700 km² que se estende desde o sul até o leste de Juazeiro
(BRASIL, 1977).
Os solos marrons não-cálcicos apresentam diferentes formas, que variam entre
uma maior semelhança com os grumossolos até uma mais próxima dos latossolos. Sua
fertilidade é também intermediária. A maior parte destes solos é composta por argila, areia
e algumas substâncias orgânicas depositadas sobre subsolos mais pesados com um
conteúdo de argila crescente. As camadas superiores deste solo variam em profundidade de
meio metro até mais de um metro. Estas camadas são geralmente levemente ácidas, mas se
tornam alcalinas no horizonte-B. A consistência, que varia de média-leve até média neste
tipo de solo, é coberta com uma Caatinga mais ou menos densa, tal qual aquela dos
latossolos. Nenhuma estimativa quanto à extensão destes solos foi possível, mas eles e
alguns outros similares parecem ocupar áreas relativamente grandes e contíguas (BRASIL,
1977).
Muitos dos solos do submédio São Francisco variam em textura, indo desde areias
argilosas até aquelas de pouca penetrabilidade. Eles vão de muito ácidos até pouco ácidos,
mas solos sódicos existem em algumas áreas.
No que diz respeito à textura, aproveitamento e adaptabilidade para mecanização,
muitos dos solos são considerados excelentes para a agricultura. Sendo geralmente ácidos
de um baixo grau de fertilidade natural, eles requerem fertilizantes de modo a colocar
nutrientes à disposição das plantas.
Os grumossolos, que ocorrem perto de Juazeiro, são exceções. Eles têm textura fina
e são difíceis de lidar. O conteúdo de umidade é um fator crítico nestes solos uma vez que
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

10

afeta a praticabilidade e o potencial para mecanização. Estes solos têm geralmente uma
fertilidade natural maior do que todos os outros solos do Vale do São Francisco.

2.2 ASPECTOS DE TEMPO E CLIMA

O Submédio São Francisco se caracteriza por apresentar clima semiárido e árido,
com precipitação média anual entre 800 e 350 mm, temperatura média de 27°C, insolação
média anual de 2800 horas e evapotranspiração média anual de 1550 mm (BRASIL, 2004).
A estação chuvosa começa em novembro/dezembro e termina em março/abril
(RAMOS, 1975, SILVA ARAGÃO et al., 1997). Seu início está associado à atuação dos
vórtices ciclônicos de altos níveis (KOUSKY e GAN, 1981) e à penetração de sistemas
frontais austrais, e o final à migração para norte da Zona de Convergência Intertropical.
Ramos (1975) estabelece que as condições atmosféricas em Petrolina são caracterizadas
pela presença de ventos de sudeste e de uma inversão de subsidência na baixa troposfera
devido ao domínio da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), cuja intensificação tem
início no final do outono e finda na primavera. A inversão parece inibir a formação de
chuvas isoladas mantendo baixa a quantidade de precipitação. Os cúmulos de convecção
profunda existem apenas na presença de outros sistemas atmosféricos organizados que
causam enfraquecimento ou interrupção no regime dos ventos alísios de sudeste, e o
enfraquecimento ou eliminação da inversão, favorecendo as condições para convecção
profunda e a precipitação pluvial (SILVA ARAGÃO et al., 2007).

2.2.1 Sistemas atmosféricos de grande escala

As condições atmosféricas no período chuvoso do semiárido são, em grande parte,
dominadas pela atuação de distúrbios atmosféricos de grande escala que alteram as
condições locais, tornando-as favoráveis para o desenvolvimento de sistemas convectivos
(SC).
Um dos principais sistemas responsáveis pelas chuvas no norte do semiárido é a
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que está associada ao gradiente de temperatura
da superfície do mar (TSM) entre o Atlântico Tropical norte e sul. Os padrões de anomalias
de TSM sobre o Atlântico Tropical são associados com anos secos ou úmidos sobre o
Nordeste (NOBRE e SHUKLA, 1996).
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

11

No período Março-Abril-Maio (MAM), quando o gradiente meridional de
anomalias de TSM aponta para o norte, a ZCIT começa a se deslocar para norte (se desloca
para sul quando o gradiente de anomalias de TSM aponta para o sul). A principal razão
para a deficiência (excesso) de chuva sobre o norte do NEB é o deslocamento antecipado
(tardio) da ZCIT para norte, que tem início em março (abril) quando o Atlântico Tropical
Norte (Sul) está mais quente do que o normal.
Aparentemente, na estação chuvosa acima/abaixo da média o movimento
ascendente da circulação de Hadley e a convecção na ZCIT aumentam/diminuem e o eixo
de máxima convecção é deslocado para sul/norte. Além disso, reduções nas chuvas estão
relacionadas com um deslocamento da célula de Walker e uma célula menos ativa no
Atlântico, que induz um ramo ascendente localizado sobre o Pacífico Leste e um ramo
descendente centrado sobre o NEB (ROUCOU et al., 1996).
Um sistema de grande escala com precipitação associada no sul do semiárido
durante o verão é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A ZCAS se
caracteriza, principalmente, pela persistência de uma faixa de nebulosidade convectiva
alongada na direção noroeste-sudeste (NW-SE), com origem na bacia Amazônica e que se
estende sobre o Centro-oeste e o Sudeste do Brasil, atingindo o sudoeste do Atlântico
Subtropical Sul (FERREIRA et al., 2004).
Outro sistema de escala sinótica que influencia o regime pluviométrico do
semiárido são os ciclones de latitudes médias oriundos do Pacífico Sul. Eles cruzam a
Cordilheira dos Andes e a Argentina, ao sul de 35ºS, descrevendo uma trajetória no sentido
leste-sudeste sobre o Atlântico, enquanto a frente fria associada ao centro de baixa pressão
se move para nordeste. À medida que a frente fria avança sobre o continente, a atividade
convectiva tem início sobre a Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Brasil e leste do Peru
(SATYAMURTY et al., 1998). Esses sistemas atingem o NEB de novembro a fevereiro,
sendo responsáveis pelo início da estação chuvosa. Sua atuação também já foi observada
em junho, causando forte atividade convectiva e sistemas precipitantes profundos no
semiárido (SOUZA, 2003; BARBOSA e CORREIA, 2005). Nesse evento houve mudanças
acentuadas na estrutura termodinâmica da atmosfera, redução da pressão média diária e
interrupção dos ventos alísios de sudeste predominantes na região.
Os vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAN) são sistemas de grande escala que
também condicionam os totais de chuva no NEB. Eles são sistemas confinados na
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

12

troposfera média e superior para os quais Paixão (1999) identificou quatro tipos de
mecanismos de formação: Formação Clássica, Formação Alta e Formação Africana I e II.
Na Formação Clássica, proposta por Kousky e Gan (1981), o VCAN se forma ou
intensifica corrente abaixo de sistemas frontais fortemente amplificados que penetram
profundamente nos subtrópicos. Em geral, forte advecção quente, especialmente em baixos
e médios níveis, precede uma frente fria ativa. Essa advecção quente amplifica a crista
corrente abaixo nos níveis superiores, o que favorece a amplificação do cavado corrente
abaixo, havendo uma relação entre o VCAN e a presença da circulação anticiclônica nos
altos níveis, denominada Alta da Bolívia (VIRJI, 1981).
Na Formação Alta a intensificação da ZCAS forma o VCAN, causando a
formação da Alta de Ar Superior do Atlântico Sul, que resulta na formação de um cavado a
norte/noroeste desse anticiclone (RAMIREZ et al., 1999).
Na Formação Africana I o VCAN se forma em consequência da intensificação da
convecção na África, que induz o surgimento de um par de anticiclones em altos níveis.
Esses anticiclones causam um aprofundamento do cavado a oeste dos mesmos e, assim, o
VCAN se forma a sudoeste da bifurcação inter-hemisférica. Na Formação Africana II a
formação do VCAN está associada ao desacoplamento em altos níveis de um cavado
proveniente da área sudoeste do Saara.
Além desses quatro tipos, Paixão (1999) observou casos em que, no início, há um
determinado mecanismo de formação, que é suplantado por outro posteriormente. Devido à
dificuldade em estabelecer quem predominou, o autor atribuiu-lhes a denominação
Formação Mista.
Os VCAN ocorrem de novembro a abril e são mais frequentes nos meses de
verão, principalmente em janeiro. Eles se deslocam para leste ou para oeste e podem ser
estacionários por alguns dias (3-4 dias) durante o seu ciclo de vida (KOUSKY e GAN,
1981; RAMIREZ et al., 1999). Geralmente apresentam nebulosidade na sua periferia (com
exceção do quadrante sudeste), que aumenta em área e profundidade no lado para o qual o
VCAN estiver se movendo. Os VCAN têm núcleo frio cuja manutenção é favorecida pela
energia potencial disponível gerada pela liberação de calor latente de condensação na
periferia do sistema. Tal mecanismo também pode contribuir para sua intensificação (RAO
e BONATTI, 1987). O campo do movimento vertical na área do VCAN mostra subsidência
no centro (ar frio) e ascendência na periferia (ar quente). Considerados isoladamente, esses
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

13

movimentos verticais tendem a dissipar o sistema pelos processos adiabáticos de
aquecimento na área central e esfriamento na periferia. Essa configuração do movimento
vertical inibe a precipitação nas áreas que estão diretamente sob o centro do vórtice,
enquanto que o oposto ocorre na periferia, área convectiva do VCAN (SILVA, 2007).
Nas situações em que o VCAN se desloca sobre o continente, o aquecimento da
superfície no período diurno pode levar ao desenvolvimento de nuvens cúmulos de grande
desenvolvimento vertical no seu centro (KOUSKY e GAN, 1981). A consequente liberação
de calor latente de condensação contribui para aquecer o núcleo frio e, assim, pode causar
a dissipação do sistema.
Costa (2009), estudando o balanço de vorticidade e energia dos VCAN, verificou
que a periferia tem maior influência na fase de desenvolvimento, enquanto que o núcleo é
o ponto de origem do processo de dissipação. Ao analisar a estrutura vertical confirmou a
existência de movimento vertical médio descendente no centro e movimentos ascendentes
em áreas dispersas na periferia, dependendo de vários fatores, dentre os quais estão fase do
ciclo de vida e interação com outros sistemas. Uma tendência de destruição da circulação
característica dos VCAN foi observada na fase final do ciclo de vida. O tempo de duração
foi maior para os vórtices que tiveram entrada de ar frio no seu centro. Não foi encontrada
nebulosidade significativa nos casos de VCAN isolados. Grande parte da nebulosidade
associada aos vórtices mostrou-se dependente da presença de outros sistemas. Segundo o
autor, essa característica indica que os VCAN têm como propriedade redistribuir ou
reorganizar uma nebulosidade pré-existente.

2.2.2 Sistemas convectivos de pequena e mesoescalas

Os sistemas convectivos (SC) estão inseridos entre as escalas meso-α e meso-γ na
classificação das escalas dos fenômenos atmosféricos proposta por Orlanski (1975). Nela,
a escala meso-α representa os eventos entre 200 e 2000 km, com período que varia de um a
três dias. A meso-β representa fenômenos entre 20 e 200 km e períodos da ordem de um
dia. Já a meso-γ representa fenômenos entre 2 e 20 km, com períodos de 30 minutos a
algumas horas.
Na escala meso-γ encontram-se desde células individuais de cumulonimbos a
pequenos agrupamentos deste tipo de célula, enquanto que dentro das escalas meso-α e
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

14

meso-β são observados os Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM). Houze (1993)
define os SCM como um sistema de nuvens associado a um grupo de tempestades, e que
produz uma área contínua de precipitação com aproximadamente 100 km ou mais de
extensão em, pelo menos, uma direção.
A evolução dos SCM está frequentemente associada à convecção profunda, cuja
formação depende da ação conjunta de vários fatores ambientais tais como instabilidade
atmosférica, convergência em baixos níveis, alto teor de umidade e relevo acidentado. O
aquecimento radiativo também é um fator importante já que favorece a formação e
intensificação da convecção. Um determinado número desses fatores, atuando em
conjunto, pode dar origem a diferentes tipos de Sistemas Precipitantes (SP). O
desenvolvimento das células convectivas se dá pela fusão entre células menores.
Geralmente, a célula resultante da fusão é maior em dimensão horizontal e mais intensa
(SILVA et al., 2008; BARBOSA e CORREIA, 2005; DINIZ et al., 2004). Dentre as formas
comuns de convecção estão células simples, tempestades unicelulares, tempestades
multicelulares, supercélulas, e os SCM que incluem as linhas de instabilidade e outros
agrupamentos, de todas as formas e tamanhos (JIRAK e COTTON, 2007).
Tomando como base as observações via radar realizadas no semiárido na estação
chuvosa de 1985 (único período de observações), Silva Aragão et al. (2000) determinaram
que ecos dispersos com área ≤ 400 km
2
representavam 89% do número total de ecos. A
predominância de ecos dispersos indica que a chuva é de natureza convectiva e que ocorre
em áreas isoladas. Por outro lado, os grandes eventos de chuva dessa estação chuvosa
estiveram associados a SCM formados na presença: (a) de um cavado de ar superior ou
VCAN em janeiro (DAMIÃO, 1999; SILVA ARAGÃO et al., 2007), (b) da ZCIT em abril
(BARBOSA e CORREIA, 2005) e (c) de um sistema de origem frontal em junho (SOUZA,
2003; BARBOSA e CORREIA, 2005). Silva Aragão et al. (2007) e Barbosa e Correia
(2005) diagnosticaram que o ambiente sinótico foi determinante na evolução da convecção
profunda nos sistemas precipitantes através da convergência de umidade nos baixos níveis.
Também observaram que valores altos da Energia Potencial Convectiva Disponível
(CAPE) representam uma condição necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento
de SC intensos nessa região (DINIZ et al., 2004; BARBOSA e CORREIA, 2005).
Os sistemas de ventos locais são importantes para o desenvolvimento de sistemas
convectivos no semiárido. Ramos (1975) sugere que o máximo de precipitação observado
em Petrolina (PE) pela manhã está associado à interação entre o escoamento sinótico
Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo

15

(ventos alísios) e os ventos locais descendentes das encostas naquela região. Por outro
lado, ventos locais ascendentes nas encostas favorecem a precipitação no período da tarde
sobre os terrenos elevados situados a oeste de Petrolina. Essa característica é evidenciada
em SILVA et al. (2008) através de ecos de radar meteorológico que mostram o
desenvolvimento de convecção linearmente organizada sobre áreas elevadas na região de
Petrolina no decorrer do período diurno. Os autores também mostram em um dos dias
analisados que o ambiente sinótico favorável propiciado pela periferia de um VCAN
resultou no desenvolvimento de nuvens convectivas profundas em toda a região, sem área
preferencial de ocorrência.


Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
16

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Este capítulo tem como objetivo apresentar o estado da arte da modelagem
numérica do impacto que a alteração ambiental causada por ações antrópicas tem sobre a
atmosfera. Aqui a degradação ambiental é entendida como a substituição da vegetação
nativa por qualquer outro tipo de cobertura ou uso do solo (áreas irrigadas, pastagem,
reflorestamento com espécies exóticas, desmatamento, superfícies de água, entre outros).
Esta discussão tem como objetivo fornecer subsídios para o entendimento dos
resultados deste trabalho que enfoca os impactos nos processos atmosféricos de mudanças
na cobertura e uso do solo em áreas de Caatinga.

3.1 EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE SUPERFÍCIE

Os modelos de superfície são desenvolvidos a partir de um conjunto de equações
numéricas que representam os processos físicos que ocorrem na superfície e na interface
superfície-atmosfera. O uso desses modelos tem duas vantagens principais: (a) possibilita
suprir a grande deficiência de dados observacionais com alta resolução espacial e temporal,
e (b) permite simular, a priori e a posteriori, os impactos que mudanças antrópicas na
superfície terrestre provocam na atmosfera (e vice-versa).
O primeiro modelo da superfície terrestre foi implantado por Manabe (1969) em
um modelo climático com uma distribuição idealizada simples dos oceanos e continentes,
sem a representação do ciclo sazonal ou diário. Este modelo utiliza uma equação simples
de balanço energético e a condução de calor no solo não é considerada. No modelo de
Manabe, no nível global, a capacidade de retenção de água e a profundidade do solo são
constantes; o conteúdo de água no solo controla a evapotranspiração, e a precipitação gera
escoamento superficial quando a umidade do solo ultrapassa um certo limite. Esta
parametrização é comumente denominada modelo “bucket” de Manabe porque ele
representa a superfície como um reservatório cuja função é manter a água.
Estudos mostram que, a despeito de diferenças na parametrização da umidade do
solo, os valores simulados pelo modelo de Manabe são comparáveis àqueles obtidos por
modelos mais complexos (HENDERSON-SELLERS et al., 1995; SHAO e
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
17

HENDERSON-SELLERS, 1996). Segundo Desborough (1999), em escalas de tempo mais
longas o modelo de Manabe é comparável a esquemas mais complexos considerando que a
evapotranspiração (ET) é calculada adequadamente. Dessa forma, a fragilidade desses
modelos de primeira geração está em considerar apenas uma camada de solo e manter sua
umidade uniforme, a ausência de resistência explícita no cálculo da ET e o uso da mesma
resistência aerodinâmica para calor, água e momento. A estrutura dos modelos de primeira
geração não permite simular os impactos das mudanças na cobertura da superfície bem
como as trocas de gás carbônico (CO
2
).
Um passo importante para o avanço da modelagem de superfície foi dado por
Deardorff (1978) que desenvolveu um método para simular a temperatura e a umidade do
solo em duas camadas e introduzir a vegetação como uma camada “bulk”. A partir de
então, foi possível tratar os processos da superfície terrestre de forma explícita (sem
parametrizações), possibilitando o desenvolvimento de esquemas de superfície como o
Biosphere Atmosphere Transfer Scheme (BATS) (DICKINSON et al., 1986) e o Simple
Biosphere Model (SiB) (SELLERS et al., 1986, 1996).
Esses modelos de segunda geração possibilitaram diferenciar o solo da vegetação
na superfície. Assim, o albedo pode variar espacialmente numa célula de grade, bem como
variar dependendo do comprimento de onda da radiação solar incidente. Os modelos de
superfície de segunda geração também representam explicitamente o impacto da vegetação
na transferência de momento. Os dosséis são rugosos e geram turbulência, que acentua as
trocas dos fluxos de calor sensível, calor latente e de momentum. Outra característica
desses modelos é que eles incluem alguma forma de controle biofísico explícito sobre a
evapotranspiração, o que só é possível graças à arquitetura de dossel do tipo Deardorff
(1978). As plantas regulam o uso da água para maximizar a eficiência na fixação do
carbono através dos estômatos na superfície das folhas. A abertura dos estômatos para a
entrada de CO
2
nas plantas possibilita que as moléculas de vapor d’água passem para a
atmosfera.
Nos modelos de segunda geração, apesar da condutância do dossel ser modelada
empiricamente considerando as condições da planta e do ambiente, ela é usada para
modelar a transpiração apenas. Por outro lado, a inclusão explícita da condutância do
dossel possibilita melhorar a simulação da evapotranspiração, como também tratar da
fixação do carbono nas plantas.
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
18

A inclusão nos modelos de superfície dos processos de troca de carbono entre a
atmosfera e as plantas marca o início da terceira geração desses modelos. Nesse
desenvolvimento foi necessário utilizar conhecimentos dos fisiologistas vegetais. Assim, a
assimilação do carbono na folha é limitada pela eficiência do sistema enzimático
fotossintético (limitação Rubisco), pelo total de radiação fotossinteticamente ativa
capturada pela clorofila na folha e pela capacidade da folha de utilizar os produtos da
fotossíntese.
Além de considerar a presença de carbono nas folhas, Dickinson et al. (1998) o
convertem em assimilação de carbono por unidade de área da folha e, dessa forma,
possibilitam que as folhas cresçam. Eles também incluem raízes e galhos e usam um
modelo simples de carbono no solo baseado em Parton et al. (1987). Dessa forma, os
modelos de superfície podem responder de duas outras maneiras à mudança climática:
fisiologicamente, já que um aumento de CO
2
influencia a condutância do dossel, e
estruturalmente, através do crescimento diferenciado das folhas ou de árvores mais altas. A
inclusão desses processos representa um avanço fundamental nos modelos de superfície
para a representação realista de processos de realimentação que não fazem parte de
simulações climáticas de aumento de CO
2
: a resposta da biosfera (HENDERSON-
SELLERS e McGUFFIE, 1995; POLLARD e THOMPSON, 1995; BETTS et al., 1997;
LEVIS et al., 2000; BERGENGREM et al., 2001).
O desenvolvimento dos modelos de superfície ocorreu paralelamente ao de um
conjunto de modelos ecológicos. Esses últimos tendem a focar no carbono e em outros
ciclos biogeoquímicos, usando relações funcionais das plantas para categorizar a vegetação
(BONAN et al., 2002) e passos de tempo que dificultam a sua interligação com modelos
climáticos (MARTIN, 1993). Esses modelos ecológicos tendem a focar na resposta da
biosfera à atmosfera (em escalas de tempo de meses a anos) ao invés de focar na partição
de energia e água na superfície terrestre como condição de contorno para a atmosfera.
O modelo de solo e vegetação utilizado nesta pesquisa é de terceira geração já que
os de primeira e segunda geração não são capazes de representar adequadamente o impacto
da mudança da vegetação sobre os processos meteorológicos, a exemplo da alteração nos
fluxos turbulentos e na temperatura.


Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
19

3.2 MODELAGEM NUMÉRICA DE MUDANÇAS NA COBERTURA E USO DO
SOLO E SEUS IMPACTOS NA ATMOSFERA

O impacto sobre o clima de mudanças na cobertura e uso do solo é um assunto
que tem desafiado os cientistas desde os anos setenta (CHARNEY et al., 1977). Os
primeiros estudos, realizados com modelos que não incorporavam representações
explícitas da vegetação, tratavam basicamente de mudanças no albedo. O desenvolvimento
de modelos de superfície e o seu acoplamento com modelos atmosféricos permitiram à
comunidade científica enfocar o problema do impacto sobre a atmosfera de mudanças na
cobertura da superfície terrestre. Vários estudos sobre o tema têm sido desenvolvidos para
a área do Sahel na África (XUE e SHUKLA, 1993; ZHENG e ELTAHIR, 1997; TAYLOR
et al., 1997; CLARK et al., 2001), para a Amazônia (DICKINSON e HENDERSON-
SELLERS, 1986; LEAN e WARRILOW, 1989; DICKINSON e KENNEDY, 1992;
GANDU et al., 2004) e para outras regiões (XUE e SHUKLA, 1993; FU, 2003;
CORREIA, 2006b). Os primeiros estudos já mostravam que a degradação ambiental em
grande escala pode alterar os totais pluviométricos e a amplitude térmica.
A cobertura da superfície terrestre tem efeitos significativos sobre o tempo e o
clima porque características da vegetação, tais como: albedo, rugosidade, área foliar e
fração de cobertura que afetam a temperatura, umidade do ar, velocidade do vento e
precipitação (PIELKE e AVISSAR, 1990; PIELKE et al., 1998; COPELAND et al., 1996).
As mudanças nos elementos meteorológicos resultam das interações entre a superfície
terrestre e a atmosfera que podem ser assim resumidas: absorção de radiação solar,
evaporação direta do solo descoberto e da água retida nas folhas; transpiração e difusão
vertical de água no solo (MIHAILOVIC et al., 1993). A determinação dessas interações
não é simples, principalmente devido a ausência de dados observacionais com resolução
espacial e temporal adequada. Consequentemente, elas são parametrizadas, o que envolve
como questão principal a quantificação precisa do papel da vegetação.

3.2.1 Estudos com modelos de circulação geral da atmosfera

No estudo do impacto da degradação ambiental a grande escala e a mesoescala
deve ser considerada. Em particular, é necessário determinar quais elementos
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
20

meteorológicos são mais afetados por esta degração e como a estrutura da atmosfera
responde a essas mudanças em mesoescala.
A estrutura vertical da camada limite atmosférica (CLA) diurna depende
substancialmente da distribuição do saldo de radiação em fluxos turbulentos de calor
sensível e calor latente, e da condução de calor na superfície (PIELKE et al., 1998). Uma
camada limite mais profunda, por exemplo, é resultante de um maior aporte da energia
radiativa como fluxo de calor sensível devido a geração de empuxo na superfície terrestre,
o que aumenta a energia cinética turbulenta da CLA, permitindo seu crescimento pelo
entranhamento da turbulência contra a estabilidade estática no topo desta camada.
A existência de heterogeneidade na superfície devido a diferentes tipos de
vegetação e de uso do solo tem efeitos importantes na estrutura da CLA (HONG et al.,
1995). Desigualdades na rugosidade, temperatura e umidade da superfície tornam a CLA
heterogênea e produzem gradientes horizontais significativos nas características da camada
limite, tais como: fluxo de calor à superfície, turbulência, vento entre outros. Diferenças
significativas no balanço térmico em superfície induzem circulações de mesoescala.
Diferenças na umidade do solo e na cobertura vegetal têm influência preponderante no
balanço de energia em superfície. O aquecimento desigual associado com variações na
umidade do solo pode produzir circulações tipo brisa (OOKOUCHI et al., 1984). A
geração de escoamento termicamente induzido por áreas cobertas com vegetação próximas
a áreas de solo descoberto tem sido investigada com diferentes esquemas de vegetação
(MAHFOUF et al., 1987; SEGAL et al., 1988) através da redução nos gradientes térmicos
e, portanto, na intensidade das circulações induzidas.
Mudanças no balanço de energia podem alterar outras caracterísitcas da atmosfera
além do regime de vento de mesoescala. Pielke (2001) mostra que mudanças no uso do
solo alteram os fluxos de calor e umidade em escala local e regional de duas formas.
Primeiro, a energia potencial convectiva disponível (CAPE) local e regional é modificada,
já que a razão de Bowen muda porque os balanços de calor e umidade são alterados. Além
disso, convergência de calor e umidade em grande escala e circulações associadas podem
ser modificadas em consequência de mudanças que alterações na paisagem causam no
campo da pressão atmosférica de grande escala. As características da superfície e
vegetação afetadas pelas mudanças apontadas por Pielke incluem: albedo, rugosidade, área
foliar e distribuição de biomassa na raiz (ASNER e HEIDRECHT, 2005).
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
21

As alterações nos fluxos de calor latente (LE) e calor sensível (H) causadas por
modificações na cobertura e uso do solo podem afetar o tempo e o clima, com reflexos na
vegetação, num processo de reação em cadeia (BELTRÁN, 2005). Stolhgren et al. (1998)
destacam que o aumento da biomassa de folhas causa aumento da transpiração, da perda de
água no solo e da interceptação da precipitação, o que contribui para a diminuição do
escoamento superficial. Uma maior biomassa de folhas também resulta em diminuição do
albedo e aumento da absorção de radiação solar à superfície, o que potencialmente leva ao
aumento da temperatura do ar e à queda na pressão de vapor. A ação conjunta desses
fatores pode aumentar a vantagem competitiva de sobrevivência de algumas espécies de
árvores, o que pode mudar os padrões de vegetação locais ou, através de mudanças nos
padrões de circulação em mesoescala, afetar áreas de vegetação nativa situadas a vários
quilômetros ou mesmo centenas de quilômetros de distância (STOLHGREN et al., 1998).
Li et al. (2007) investigaram os impactos climáticos do índice de área foliar (IAF)
e da fração de cobertura vegetal (FCV) na monção do verão no oeste da África em 1987 e
1988. Usando produtos de satélite, fizeram uma série de experimentos numéricos com o
modelo da superfície terrestre Simplified Simple Biosphere (SSiB). O SSiB foi integrado
de forma independente e também acoplado com o modelo de circulação geral (MCG) dos
National Centers for Environmental Predictions (NCEP). Valores mensais do IAF e da
FCV obtidos através de pesquisas de campo e por sensoriamento remoto foram utilizados
nos experimentos de controle e nos experimentos de teste, respectivamente. Comparados
com os experimentos de controle, os experimentos de teste, tanto com o MCG quanto os
independentes, resultaram em umidade do solo mais alta e temperatura da superfície mais
baixa no oeste da África tropical, ao sul de 15 graus norte aproximadamente, com desvios
máximos em torno de 12 graus norte. Isso leva ao deslocamento para norte do máximo do
gradiente de temperatura positivo. O cisalhamento de leste associado na baixa troposfera
resulta no deslocamento para norte, tanto do jato de leste da África quanto da banda de
precipitação de verão no oeste da África, o que corrige parcialmente a tendência para
condições secas nos experimentos de controle com o MCG. Além disso, o experimento de
teste com o MCG simula um jato de leste tropical relativamente mais forte, e mais chuva
do que em 1987, consistentemente com as observações. Entretanto, devido às pequenas
diferenças no IAF/FCV obtidos por satélite entre 1987 e 1988, o modelo falha em produzir
variações interanuais de precipitação tão grandes quanto às observadas. Um balanço
hídrico também foi realizado para investigar os processos dominantes que afetam as
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
22

mudanças na precipitação. As contribuições relativas da convergência do fluxo de umidade
e da evapotranspiração são identificadas.
Os impactos causados pela degradação ambiental em grande escala são muito
diversos e dependem da extensão, das características climáticas do local, tipo de mudança
na cobertura do solo, entre outros, que resultam em diferentes efeitos físicos. Por exemplo,
Bounoua et al. (2002) investigaram os efeitos das modificações antropogênicas de grande
escala na cobertura do solo sobre o clima regional e global. Os autores utilizaram o MCG
da Colorado State University com acoplamento a um modelo da superfície terrestre e a um
modelo biofísico (SiB2) para realizar duas simulações climáticas de 15 anos. Nas latitudes
médias da América do Norte, Europa e leste da China extensas áreas de floresta têm sido
transformadas em áreas de cultivo. Esta mudança aumenta o albedo e, consequentemente,
reduz a quantidade de radiação de onda curta absorvida na superfície causando
esfriamento, na ausência de outros fatores. Nos trópicos, as áreas de floresta e de savana
têm sido transformadas em áreas de cultivo ou de pastagem. Além disso, as florestas têm
sido transformadas em savana devido à degradação ou corte. Os resultados indicam
aquecimento na área tropical, em contraste com o esfriamento em latitudes médias. Além
disso, as simulações indicam que a mudança na cobertura do solo também afeta a
hidrologia da superfície. Entretanto, o campo da precipitação é altamente variável,
particularmente nas latitudes médias e altas, no inverno. Os resultados mostram que a
precipitação total geralmente decresce no inverno (30 mm/mês) e aumenta no verão (10
mm/mês), nas latitudes médias. Nos trópicos, a precipitação diminui com a mudança de
floresta tropical para culturas e aumenta para a maioria dos outros tipos. A mudança
também afeta o regime de precipitação através da taxa na qual a água é reciclada do solo
para a atmosfera.
Os impactos climáticos de mudanças na cobertura do solo em grande escala no
Nordeste do Brasil foram avaliados por Oyama e Nobre (2004) utilizando o MCG CPTEC-
COLA ao qual foi acoplado o SSiB. Três experimentos numéricos forma realizados:
controle, desertificação e reflorestamento. No experimento de controle o Nordeste do
Brasil está coberto por vegetação natural (Caatinga), no experimento de desertificação o
solo está descoberto, e no experimento de reflorestamento a região está coberta por floresta
tropical. Os resultados para a estação chuvosa (março-maio) são analisados. A
desertificação resulta num enfraquecimento do ciclo hidrológico: precipitação,
evapotranspiração, convergência de umidade e escoamento superficial decrescem. A
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
23

radiação líquida à superfície decresce e essa redução ocorre na mesma proporção para o
calor latente e o calor sensível. O aquecimento diabático da atmosfera decresce e há
anomalias de subsidência na baixa troposfera. Os impactos climáticos resultam da ação
conjunta de processos de realimentação relacionados com o aumento do albedo, eliminação
da transpiração das plantas e diminuição do comprimento de rugosidade. Numa escala
maior, a desertificação leva ao aumento da precipitação na faixa litorânea próxima da área
norte do Nordeste (NNEB). No dipolo NEB-NNEB as anomalias do movimento vertical e
circulação estão confinadas nos níveis mais baixos da atmosfera, isto é, 850-700 hPa.
Nesses níveis as anomalias de circulação se assemelham à resposta linear baroclínica de
uma camada atmosférica pouco espessa (850-700 hPa) a um sumidouro de calor tropical
situado sobre o Nordeste em níveis médios. Os autores assinalam que os experimentos
mostram que o clima do Nordeste é modificado pela desertificação.
Os estudos realizados com os MCG, com ou sem acoplamento com modelos
biofísicos, mostram alterações nos processos meteorológicos em consequência de
mudanças em características da superfície tais como albedo, índice de área foliar, fração de
cobertura vegetal, entre outros. Entretanto, é preciso considerar que as parametrizações e a
resolução espacial utilizadas não são as mais adequadas para simular mudanças e
investigar impactos em escala regional, o que requer o uso de modelos numéricos de
mesoescala.

3.2.2 Estudos com modelos regionais

Diversos modelos numéricos de mesoescala têm sido utilizados, com ou sem
acoplamento com modelos biofísicos, para estudar os impactos de mudanças na cobertura e
uso do solo. A seguir são discutidos trabalhos realizados para áreas com características
climáticas distintas nas quais as alterações antrópicas da paisagem consistiram em
desmatamento e/ou implantação de agricultura sem irrigação.

3.2.2.1 Impacto do desmatamento e/ou da implantação de agricultura sem irrigação

O GEMRAMS, modelo resultante do acoplamento entre o Regional Atmospheric
Modeling System (RAMS) e o General Mass Transport Model (GEMTM), foi utilizado por
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
24

Beltrán (2005) para estudar impactos ambientais em uma área no sul da América do Sul.
Nesse modelo a atmosfera e a biosfera interagem dinamicamente através da superfície e
balanço de energia do dossel. O modelo foi integrado em escalas regional e sazonal usando
reanálises do National Center Environmental NCEP e ECMWF. A sensibilidade do RAMS
às condições de contorno laterais, e à cobertura e umidade do solo foi investigada. Várias
simulações foram realizadas para o início da primavera e do verão visando simular os
impactos na atmosfera próxima à superfície devido a mudanças na cobertura do solo.
Diferentes cenários foram considerados: cobertura atual, cobertura de vegetação nativa e
reflorestamento. O GEMRAMS reproduz temperatura e a precipitação mensal observadas.
As mudanças na temperatura e nos fluxos próximo à superfície dependem do tipo de
mudança na vegetação e da estação do ano. A substituição de bosques ou florestas por
plantações resulta em temperaturas mais elevadas, enquanto que o reflorestamento e a
mudança de grama para plantações ocasiona uma atmosfera mais fria e úmida. Também
foram utilizados experimentos numéricos para avaliar a contribuição relativa da cobertura
do solo e do dobro da concentração atual de CO
2
nas mudanças simuladas em variáveis
meteorológicas e biológicas.
O GEMRAMS também foi integrado em escalas local e diária para simular os
efeitos da mudança na vegetação que ocorreu no deserto de Chihuahua: de pastagem na
metade do século XIX para arbustos no final do século XX. As simulações foram
realizadas usando mapas detalhados de vegetação para 1958 e 1998. As mudanças nos
fluxos de superfície e na temperatura próximo à superfície são espacialmente heterogêneas;
diferentes mudanças na vegetação causam diferentes efeitos, mas o albedo é o fator
dominante no balanço de energia. Beltrán (2005) conclui que as mudanças simuladas na
vegetação levam a complexas interações entre as características biofísicas e os fluxos do
solo e da superfície. Consequentemente, a vegetação é por si só, uma variável de tempo e
clima com significativa influência na temperatura, na umidade e nos fluxos de superfície.
Gandu et al. (2004) desenvolveram um estudo de impacto ambiental em áreas da
Floresta Amazônica no Brasil utilizando o BRAMS, versão brasileira do RAMS. A partir
de simulações de alta resolução do desmatamento no leste da Amazônia, obtiveram
anomalias positivas e negativas para os fluxos de calor sensível e de calor latente na região
amazônica. A magnitude das anomalias foi maior durante a estação seca. A velocidade do
vento próximo à superfície foi a variável meteorológica que apresentou mudanças mais
significativas devido ao desmatamento. A redução no coeficiente de rugosidade produziu
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
25

aumento na velocidade do vento próximo à costa do Atlântico, diminuindo a convergência
de umidade e reduzindo os totais pluviométricos em regiões próximas. Os autores
concluíram que a topografia, o perfil da linha costeira e os grandes rios são importantes na
definição dos padrões de anomalia da precipitação, do vento e da troca de energia na
região. O desmatamento levou à redução na cobertura de nuvens e na precipitação,
próximo às zonas costeiras e ao longo dos rios, o contrário do que foi encontrado sobre
áreas elevadas, especialmente nas encostas próximas aos vales dos rios.
O BRAMS foi utilizado por França (2006) para avaliar as implicações climáticas
das mudanças na cobertura e uso do solo nos municípios da região de São José dos
Campos-SP e áreas adjacentes, principalmente devido ao crescimento urbano e industrial.
Técnicas de sensoriamento remoto foram utilizadas para dois anos distintos: 1970 e 2004.
Modificações foram incorporadas ao modelo BRAMS para a realização de simulações em
alta resolução sobre a região, que abrange parte do Vale do Paraíba. Foram realizadas duas
simulações considerando as características da superfície no presente e trinta anos atrás. As
simulações reproduziram bem as circulações locais termicamente induzidas, além de
permitir a observação de características climáticas particulares a cada um dos cenários
distintos apresentados, com a cobertura vegetal de 1970 e 2004. Os resultados mostraram
que as áreas com cobertura de floresta, ocupação urbana e corpos d’água são capazes de
modificar a circulação da atmosfera em escala local. Em particular, as alterações climáticas
nas áreas em que houve a construção de represas, como o aumento nos valores de
temperatura do ar e de umidade específica do ar, de calor latente e na magnitude dos
ventos, indicam a contribuição importante da implantação de reservatórios na geração de
microclimas.
Nesse mesmo contexto, Oliveira (2006) utilizou o BRAMS para estudar as
circulações atmosféricas e as variáveis climáticas e fluxos de energia e CO
2
à superfície na
área de uma torre micrometeorológica instalada em área de várzea com vegetação de
cerrado na Ilha do Bananal, no estado do Tocantins, considerando o período de outubro de
2003 a fevereiro de 2006. Nessa área o clima apresenta sazonalidade bem definida, com
período chuvoso de outubro a abril, e período seco de maio a setembro. Durante a
inundação sazonal há menor incidência de radiação solar devido ao controle predominante
da nebulosidade, e o domínio do fluxo de calor latente no balanço de energia. A inundação
aparentemente induz estresse por anóxia na vegetação tomando por base a redução da
produtividade, observando-se ainda a redução dos fluxos noturnos turbulentos de CO
2
,
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
26

provavelmente pela redução da emissão para a atmosfera na forma de fluxos de CO
2
da
superfície aquática. No período seco, o regime de ventos mostrou-se dominante de sul,
enquanto que no período chuvoso predominou o quadrante noroeste-nordeste, sendo que
em ambos os casos há um giro do vento em parte do período diurno, com componente de
leste, no período seco, e de sul, no período chuvoso. As simulações numéricas com o
modelo BRAMS indicam que os padrões de divergência podem dar suporte aos sistemas
de precipitação antes que atinjam a região. De certa forma, o sistema lacustre pode induzir
a redução da chuva no interior da ilha, até mesmo por uma pequena alteração de sua
trajetória.
Tendo como objetivo avaliar impactos no ciclo hidrológico decorrentes do
desmatamento regional na região da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), Rosolem (2005)
realizou um experimento numérico de alta resolução (16 km x 16 km) utilizando um
cenário de desmatamento obtido por modelos empíricos de desmatamento, para o ano de
2026. De maneira geral, há modificação substancial no padrão de chuva da região após o
desmatamento, com redução de até 7% da precipitação média na área desmatada. Porém, a
distribuição heterogênea do uso da terra induz a formação de uma célula térmica sobre a
região desmatada, o que resulta em certa variabilidade espacial da chuva. A circulação de
grande escala que é, em geral, perpendicular à faixa de desmatamento situada ao longo da
rodovia BR-163, ajuda a compor alguns aspectos particulares das circulações secundárias
geradas.
Rosolem (2005) observou que a célula térmica gerada, transportando vapor d'água
proveniente das áreas de floresta nas adjacências, provoca levantamento de massa (por
convergência) aproximadamente acima da região desmatada, induzindo a formação de
nuvens e a chuva convectiva. A extensão da célula, entre os dois ramos descendentes, é
aproximadamente o dobro da extensão da faixa de desmatamento, mostrando que os efeitos
vão além das áreas desmatadas. Neste caso da BR-163, a célula é levemente deslocada para
oeste, onde ocorre aumento da precipitação. A leste e sobre o setor central do
desmatamento, há redução na precipitação. O autor notou uma pequena mudança na
distribuição da chuva ao longo do dia no caso do desmatamento, sem horário de máxima
precipitação bem definido, e com pequeno aumento da chuva no período noturno. As
respostas ao desmatamento dependem da faixa de topografia analisada. Nas áreas além das
fronteiras do desmatamento, houve um pequeno sinal de redução da chuva nas áreas com
altitude superior a 500 m.
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
27

Os trabalhos discutidos até aqui tratam de áreas distintas daquela que é o objeto
deste estudo. O semiárido brasileiro tem vegetação esparsa e de pequeno porte e apresenta
baixo teor de umidade no solo, exceto após eventos de precipitação. Estes eventos são
normalmente de curta duração; geralmente apenas as camadas mais rasas do solo são
afetadas. Uma precipitação acima da média pode resultar em um cenário com umidade em
maiores profundidades do solo. As condições de umidade no solo podem influenciar
fortemente os fluxos de superfície, mudando a forma da distribuição da energia disponível
em calor sensível (H) e calor latente (LE), afetando potencialmente a temperatura do ar, a
intensidade do vento e a umidade atmosférica próximo à superfície (CORREIA, 2001). Os
processos de troca dependem das características da superfície e do tipo de solo, que variam
com a cobertura e a interceptação da água, que são influenciadas pelas chuvas
antecedentes.
Diversos modelos regionais têm sido utilizados no estudo do impacto ambiental
em regiões áridas e semiáridas localizadas em diferentes áreas do globo. Sogalla et al.
(2006) exploraram o potencial de redução da chuva pelas mudanças na superfície na área
de captação da bacia Haute Vallée de l'Oéme em Benim, oeste da África, utilizando o
modelo regional de mesoescala FOOT3DK. Esta região tem sistemas pluviométricos com
características semelhantes às condições semiáridas do NEB, pois os sistemas convectivos
são a principal fonte de chuva, que é substancialmente influenciada pelas trocas de água e
energia entre a superfície e a atmosfera. Os autores destacam que a contribuição da
cobertura vegetal é muito importante para solos inicialmente mais secos, enquanto que a
vegetação não é importante quando o solo é úmido o bastante para evaporar a taxas
potenciais. Nesse último caso as variações na evaporação são dominadas pelas mudanças
na intensidade dos movimentos turbulentos, de modo que a influência do comprimento de
rugosidade é maior para solos mais úmidos. O mesmo efeito é evidente para o albedo.
Entretanto, ele tem influência significativa para solos inicialmente mais secos através do
confinamento da energia radiativa ganha à superfície e sua consequente capacidade de
desestabilizar a atmosfera. Sogalla et al. (2006 ainda observam que, de maneira geral, tanto
a influência do índice de área foliar quanto a da saturação da água no solo são menos
importantes do que as dos outros fatores. A resposta da chuva a uma sucessiva degradação
ambiental é uma redução monotônica da chuva média na área de captação da bacia.
Perlin e Alpert (2001) avaliaram quantitativamente os efeitos sobre a convecção e
precipitação convectiva de diferentes condições da superfície terrestre no semiárido e árido
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
28

do centro-sul de Israel. A principal ferramenta de estudo foi o sistema de modelagem de
mesoescala MM5 versão 2 acoplado a um modelo da superfície terrestre. Três condições de
superfície foram consideradas visando examinar a influência relativa das mudanças no uso
do solo: estágio atual, estágio pré-irrigação (anos 30) e estágio hipotético com áreas
agrícolas altamente desenvolvidas. A conclusão principal do estudo é que as
transformações antropogênicas nas condições da superfície devido a mudança de condições
semiáridas para as de área cultivada aumentam o potencial para convecção úmida durante
o período de aquecimento pela radiação solar. Sob condições de tempo favoráveis, isso
leva a um aumento da precipitação convectiva no período diurno (08:00-17:00 HL), com
máximo no intervalo em que o aquecimento da superfície é maior (14:00-17:00 HL).
Souza (2006) utilizou o modelo regional ETA/SSiB do CPTEC/INPE, modificado
para operar em modo climático com resolução de 20 km, para avaliar o impacto sobre o
clima regional causado por mudanças na vegetação do NEB. Os resultados obtidos em
simulações numéricas de longo prazo mostram para os cenários de desertificação e
semidesertificação do semiárido nordestino que, na média espacial, a precipitação e a
evapotranspiração diminuem. Há redução da convergência de umidade na estação úmida, e
aumento na estação seca; o escoamento de leste intensifica devido à redução no
comprimento de rugosidade, o que induz subsidência na área do NEB e ascendência a
oeste do mesmo. Os resultados para o cenário de floresta mostram que, na média anual e
em ambas as estações, a precipitação e a evapotranspiração aumentam, enquanto que a
convergência de umidade diminui. O saldo de radiação à superfície aumenta e a
distribuição dos fluxos turbulentos é modificada. Na média anual e na estação úmida, o
aumento do fluxo de calor latente supera o aumento do saldo, o que implica na redução do
fluxo de calor sensível; na estação seca os dois fluxos aumentam. O escoamento de leste
enfraquece devido ao aumento do comprimento de rugosidade, o que induz ascendência no
leste e subsidência no centro do NEB.
Noutra etapa da pesquisa de Sousa (2006) foram usados mapas de vegetação mais
realistas elaborados pelo Projeto PROVEG. Os resultados mostram que a substituição da
vegetação natural do NEB por, principalmente, áreas de atividades agropecuárias, causa
aumento na precipitação durante a pré-estação chuvosa, em consonância com a relação
encontrada entre a forçante solar e os impactos no clima causados por mudanças na
cobertura vegetal. Assim, as anomalias de precipitação tendem a se localizar na área norte
do NEB durante o inverno (estação seca), e em latitudes maiores durante a primavera
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
29

(estação de transição), o que sugere dependência do clima tropical com a forçante solar,
mesmo na escala de clima regional.
Mais recentemente, Souza (2009) utilizou o sistema de modelagem de mesoescala
MM5 para avaliar os impactos climáticos de três cenários de cobertura vegetal no
semiárido do NEB: desertificação total (substituição de toda a vegetação nativa por
deserto), desertificação parcial (com base em cenários de degradação futura) e
desertificação aleatória (áreas desertificadas espalhadas aleatoriamente). Na desertificação
total há redução da precipitação e da evaporação, e aumento do albedo e do fluxo de calor
sensível. Anomalias positivas (negativas) de temperatura do ar (pressão à superfície)
caracterizam uma baixa térmica. Na desertificação parcial os impactos climáticos ocorrem
nas áreas desertificadas e em seu entorno. O campo das anomalias da maior parte das
variáveis analisadas apresenta um padrão de “dipolo” entre as áreas desertificadas e a área
ao sul delas. Na desertificação aleatória não há um padrão espacial definido de anomalias.

3.2.2.2 Impacto da implantação de agricultura com irrigação

As alterações da paisagem natural pela implantação de áreas irrigadas causam
importantes mudanças físicas como mudanças no albedo e na rugosidade da superfície, e
aumento da umidade do solo. Essas mudanças são capazes de provocar modificações
complexas no balanço de energia da atmosfera inferior, a CLP, a exemplo do aumento da
energia total disponível, com maior contribuição do fluxo de calor latente como resultado
do aumento da transpiração e evapotranspiração (ADEGOKE et al., 2007).
Na mesoescala a irrigação parece aumentar a precipitação apenas quando as
condições sinóticas favorecem convergência nos baixos níveis e movimentos ascendentes,
possibilitando que a umidade proporcionada pela irrigação chegue à base das nuvens.
Geralmente, o efeito da irrigação é mais evidente na época chuvosa porque há
convergência nos baixos níveis sobre a superfície irrigada, uma condição que favorece a
ocorrência de chuva.
Barnston e Schickedanz (1984), que estudaram o efeito da irrigação na
precipitação durante o período quente nas grandes planícies do sul dos Estados Unidos,
sugerem que a explicação envolve a estabilidade. Nas situações em que a taxa de variação
vertical da temperatura do ar é estável, o excesso de umidade geralmente não ascende mais
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
30

do que 10 a 20 m acima da superfície. Nos períodos em que há uma sequência de dias
quentes e secos, a umidade adicional oriunda da evaporação não atinge o nível de
condensação. Grande parte dela é dispersada horizontalmente por ventos sinóticos
persistentes à superfície, de forma que não está próximo de sua posição original quando
ocorre um dia instável. Por outro lado, quando a atmosfera é instável (taxa de variação
vertical da temperatura do ar maior do que a taxa adiabática seca), qualquer parcela de ar
que ascenda na atmosfera continuará a subir até que sua taxa de variação vertical da
temperatura se estabilize o suficiente. Nessas situações, qualquer umidade adicional nos
baixos níveis tem o potencial para produzir maior conteúdo de água nas nuvens e maiores
volumes de chuva.
Stohlgren et al. (1998) relatam que o resfriamento à superfície produzido pela
irrigação é acompanhado por um aumento no fluxo de calor latente à superfície e um
aumento significativo no fluxo de vapor d’água numa camada de 500 m acima da
superfície, com uma correspondente redução no fluxo de calor sensível e aumento na
temperatura do ponto de orvalho. A temperatura do ponto de orvalho elevada e os fluxos de
umidade dentro da camada limite planetária podem aumentar a energia potencial
convectiva disponível, aumentando a instabilidade atmosférica e a cobertura de nuvens no
período diurno.
Logo, o impacto termodinâmico da irrigação é a redistribuição dos fluxos de calor
sensível e calor latente nos locais afetados (ADEGOKE et al., 2003). Assim, um aumento
na umidade da superfície reduz o fluxo de calor sensível, enquanto aumenta a evaporação e
a transpiração (PIELKE, 2001). O fluxo de umidade adicional resultante pode aumentar a
umidade dentro da CLA e, dessa forma, torná-la termodinamicamente mais favorável a um
aumento na chuva. Mas essa possibilidade não é única, já que também é observado em
certos casos que o uso excessivo do solo pode levar a um aumento do albedo, o que
ocasiona redução da atividade convectiva e da chuva (ALPERT e MANDEL, 1986).
A partir da década de 70, a cobertura do solo e o uso da terra tem sofrido grandes
mudanças no semiárido do NEB, notadamente no eixo Petrolina-Juazeiro. O enchimento
do lago de Sobradinho e a crescente expansão da agricultura irrigada tem mudado
substancialmente a paisagem da região. Esse fato motivou Correia (2001), Correia e Silva
Dias (2003) e Correia et al. (2006a,b) a investigar o impacto causado na atmosfera pelo
espelho d’água de Sobradinho e por áreas agrícolas com e sem irrigação, através de dados
observacionais e simulações numéricas de alta resolução realizadas com o RAMS. A
Capítulo 3 - Revisão Bibliográfica
31

análise dos dados observacionais mostra que os elementos climáticos que sofrem variações
mais significativas são o vento, a temperatura e a umidade do ar. As simulações numéricas
evidenciam que a presença do Lago de Sobradinho altera o escoamento em sua
circunvizinhança através da brisa lacustre, que é modificada pela vegetação em suas
adjacências. A brisa lacustre reduz a temperatura do ar e aumenta a umidade do ar nas
áreas em que atua. A atmosfera também é impactada pelo tipo de vegetação; a implantação
de culturas irrigadas em áreas de Caatinga próximo ao Lago faz com que a brisa lacustre
influencie uma área maior no seu entorno. As simulações também mostram que a
topografia é um fator importante na geração de circulações locais na região. Foi possível
verificar, através de diferentes simulações, que a interação entre circulações induzidas pela
topografia e pelo lago, aliada à presença ou ausência do vento sinótico, pode gerar
mecanismos dinâmicos que afetam o tempo local.
Os resultados evidenciam a alta sensibilidade do RAMS aos diferentes elementos
presentes na paisagem e, portanto, às mudanças na cobertura do solo. As simulações
mostram a dinâmica das brisas geradas por superfícies de água, por superfícies vegetadas e
por áreas de vale e de montanha, pois a resposta da atmosfera aos vários tipos de superfície
é simulada. Os resultados mostram, ainda, a grande versatilidade do modelo no estudo do
impacto que mudanças no uso e cobertura da superfície causam na atmosfera do semiárido.
O mecanismo principal pelo qual as modificações e mudanças na superfície
terrestre influenciam o clima é pelo controle da transferência de calor e umidade dentro da
CLA. Os contrastes na vegetação e estágios fenológicos, condições superficiais e de
umidade do solo e evapotranspiração (ET) entre áreas agrícolas, particularmente as
irrigadas, e áreas vizinhas, podem afetar os processos da CLA, como ocorre com a
distribuição de energia disponível. Numa situação em que o solo está úmido de chuvas
recentes, a troca de energia entre a superfície e a atmosfera adjacente geralmente é na
forma de calor latente. Em contrapartida, sob condições de solo seco a transferência de
energia será principalmente na forma de calor sensível. Estes processos biofísicos alteram
os padrões de temperatura da superfície através de mudanças no gradiente horizontal de
temperatura e, dessa forma, podem impactar a circulação e também a CAPE ou outras
medidas de atividade cúmulos como a radiação de onda longa observada por satélite
(ADEGOKE et al., 2007). Considerando os resultados discutidos e a área de estudo deste
trabalho, o RAMS foi escolhido como ferramenta para avaliar o impacto da expansão
agrícola sobre a precipitação e outras variáveis atmosféricas no semiárido brasileiro.
Capítulo 4 – Material e Métodos
32

4 MATERIAL E MÉTODOS

Um estudo numérico de impacto ambiental pressupõe a realização de várias
etapas, e exige uma série de intervenções no código do modelo. Os aspectos mais
relevantes das alterações que serviram de base para a construção dos experimentos
numéricos e posteriormente para realização das simulações dos efeitos da expansão
agrícola e mudanças no uso da terra na CLA (camada limite atmosférica) são descritos
neste capítulo.

4.1 O MODELO NUMÉRICO RAMS

O uso de modelos numéricos regionais elimina substancialmente as limitações
impostas pela carência de redes de coleta de dados observacionais. Mesmo com o
avanço na instalação de plataformas de coleta de dados em muitas localidades do
Nordeste brasileiro os registros ainda não têm a resolução espacial e temporal adequada
para análises meteorológicas e hidrológicas a nível local e regional.
A realização de experimentos controlados permite avaliar a resposta da
atmosfera ao conjunto de fatores que causam alterações no tempo e clima, bem como a
influência isolada de cada um deles. Uma síntese das principais características do
modelo numérico usado neste estudo é descrita com enfoque especial no esquema de
superfície para o melhor entendimento do trabalho realizado.
O modelo RAMS (Regional Atmospheric Modeling System) na versão 6.0 é a
principal ferramenta de análise utilizada. É um modelo de área limitada construído a
partir de um modelo de mesoescala (PIELKE, 1974; COTTON et al., 2003) e de um
modelo de nuvens (TRIPOLI e COTTON, 1982). É usado amplamente para simular
circulações atmosféricas em diversas escalas espaciais e temporais. Trata-se de um
código numérico versátil, cuja estrutura permite simulações com diferentes graus de
complexidade. Foi escolhido para ser usado neste trabalho por possibilitar informações
detalhadas sobre sistemas atmosféricos de micro e mesoescala.
O uso de grades aninhadas aumenta a resolução na região de interesse o que
influencia diretamente no grau de precisão das análises. Essa alternativa permite
resolver as equações do modelo simultaneamente sobre um conjunto de malhas
Capítulo 4 – Material e Métodos
33

computacionais, que interagem em diferentes resoluções espaciais.
O modelo inclui processos físicos em superfície, através de uma camada de
solo e uma camada superficial com vegetação, processos turbulentos, parametrização da
convecção cúmulos e dos processos de microfísica das nuvens, radiação de ondas curtas
e ondas longas.

4.1.1 O esquema de superfície LEAF-3

O RAMS tem sido utilizado extensivamente para estudar efeitos de mudanças no
uso da terra em escala regional. Para possibilitar esse tipo de análise o modelo inclui um
esquema de transferência solo-vegetação-atmosfera denominado de LEAF (Land
Ecosystem-Atmosphere Feedback Model) que representa o armazenamento de calor e
umidade associado à vegetação e ar do dossel e do solo.
O LEAF na terceira versão (LEAF-3) usado como condição de fronteira inferior
nas simulações realizadas neste trabalho é uma representação dos aspectos da superfície,
incluindo vegetação, solos, lagos e oceanos e a interação entre as superfícies e a
atmosfera. Inclui equações prognósticas para: temperatura e umidade em múltiplas
camadas do solo; temperatura da vegetação e da água na superfície (incluindo orvalho e
precipitação interceptada e energia termal para múltiplas camadas), temperatura e razão
de mistura do vapor d’água do ar do dossel. Os termos de transferência nas equações
prognósticas incluem trocas turbulentas, condução de calor, difusão de água e
percolação nas camadas do solo, transferências radiativas de onda curta e onda longa,
transpiração e precipitação.
Uma clara vantagem do LEAF-3 é possibilitar que múltiplos tipos de superfície
coexistam dentro de uma única célula de grade, resolvida numa coluna de ar, através da
definição de “patches”. Com essa aproximação é possível representar vários tipos de
superfície (floresta, pastagem, áreas agrícolas, solo descoberto) dentro de uma mesma
célula, sendo que cada um deles ocupa uma fração da grade e é tratado separadamente
(GUERRERO, 2010).
Recentes avanços na representação dos parâmetros de vegetação
implementadas do modelo biofísico SiB2 (SELLERS et al,. 1996), foram adotados no
LEAF-3. Estas melhorias são baseadas em observações de satélite da vegetação verde,
representado pelo Normalized Difference Vegetation Index (NDVI). O valor do NDVI
Capítulo 4 – Material e Métodos
34

fornece informações valiosas sobre a variabilidade espacial e temporal da vegetação
verde, que não é representada na versão anterior, LEAF-2 (WALKO et al. 2001;
WALKO e TREMBACK, 2005).
Na definição dos parâmetros da vegetação no LEAF-2 é feita uma associação
entre o esquema BATS (Biosphere-Atmosphere Transfer Scheme, DICKINSON et
al.,1986) e os parâmetros fornecidos pelo NASA/Land Data Assimilation Systems
(NASA/LDAS). Na versão LEAF-3, de forma semelhante ao que é feito no modelo
SIB2 (SELLERS et al., 1996), o NDVI é utilizado para o cálculo de alguns parâmetros
relacionados à vegetação, tais como, fração da radiação fotossinteticamente ativa
(FPAR), índice de área de folhas verdes (GLAI, green leaf area index), índice de área
total (TAI, total area index) e comprimento de rugosidade (z
0
).
A representação da dependência do albedo e da transmissividade da vegetação
com o GLAI e TAI no SIB2, é combinada com a formulação anteriormente utilizada no
LEAF-2 para a obtenção de expressões para o albedo e a fração de cobertura da
vegetação em função de GLAI, TAI e das classes de vegetação do LEAF-3. Dessa
forma, o conjunto de classes existentes (BATS, LDAS e SIB2) foi reduzido para formar
21 tipos que combinam classes aparentemente repetidas ou similares.

4.1.1.1 Solo

O solo no LEAF-3 é dividido em camadas, com número e espessura definidos
pelo o usuário. A quantidade de umidade do solo na camada superficial é determinada
pela percolação de água liquida da camada superficial para camada abaixo seguinte,
evaporação para o ar do dossel, e a água removida pela transpiração das plantas.
A temperatura do solo no LEAF-3 não é prognosticada diretamente, mas
diagnosticada pela taxa da energia interna do solo. A energia interna do solo é definida
como 0 quando o solo apresenta sua umidade completamente congelada em 0°C. A
equação para energia interna do solo, em unidades de Jm
-3
, é:
µ
g
= w
g
¡
ì
C
ì
I
g
+w
g
¡
I
(C
I
I
g
+I
ìI
) +C
g
H
g
I
g
(4.1)
Em que
C
g
= calor específico do solo seco Jkg
-1
K
-1

C
i
= calor específico do gelo Jkg
-1
K
-1

C
l
= calor específico da água líquida Jkg
-1
K
-1

Capítulo 4 – Material e Métodos
35

f
i
= fração do gelo (por massa)
f
l
= fração de água líquida (por massa)
L
il
= Calor latente de fusão Jkg
-1

M
g
= massa do solo seco por metro cúbico do volume total kgm
-3

W
g
= conteúdo de água no solo kgm
-3

A temperatura do solo, T
g
, é dada em °C, e f
i
e f
l
são as frações de gelo e de
água com relação à massa total de água no solo, respectivamente. Na inicialização do
tempo de cada camada de solo é atribuída uma temperatura inicial da qual Q
g
é
calculada com a equação 4.1. A energia interna do solo é atualizada em cada passo de
tempo usando o saldo de radiação, condução da camada de solo seguinte abaixo, o fluxo
turbulento de calor sensível para o ar do dossel, calor latente devido à evaporação da
superfície, e o saldo do fluxo de divergência da energia conduzida pela água percolante.
Nas camadas de solo abaixo da superfície a energia interna é atualizada baseada na
condução entre as camadas e a energia conduzida pela divergência do saldo do fluxo de
umidade percolante na camada. Após Q
g
é atualizada a nova temperatura do solo e
frações de água líquida/gelo são diagnosticadas de 4.1.
Devido à inexistência de neve na Região Nordeste do Brasil, será
desconsiderado o esquema de tratamento dessa variável no modelo.

4.1.1.2 Vegetação

Os parâmetros físicos usados pelo LEAF-3 são albedo, índice de área foliar
(IAF), fração de cobertura vegetal (FRACVEG), emissividade, comprimento de
rugosidade, deslocamento da altura, e profundidade das raízes. O IAF e a FRACVEG
são permitidos variar sazonalmente. A fração de vegetação representa a fração da
superfície do solo que está coberto pela vegetação. O resto da superfície é considerado
sendo o solo nu.
A temperatura da vegetação é prognosticada pela troca da quantidade de
energia entre o saldo de radiação, fluxo de calor sensível turbulento, fluxo de calor
latente de evaporação de precipitação interceptada, fluxo de calor latente dos processos
de transpiração e energia conduzida pela precipitação interceptada. O saldo de radiação
é a soma da radiação solar e onda longa absorvida da atmosfera e o solo. As equações
das trocas de radiação também como o fluxo de calor sensível são dados em seguida.
Capítulo 4 – Material e Métodos
36


A radiação solar absorvida pela vegetação é dada por:
S
¡
= R
sl
Γ
s
|1 -o
¡
+o
s
(1 -Γ
s
)] (4.2)
em que,
R
s↓
= a radiação solar chegando na base da atmosfera Wm
-2

Γ
s
= a fração de vegetação
αs = albedo da neve
αv = albedo da vegetação

A troca de radiação de onda longa entre a vegetação e atmosfera é dada por:

F
¡¡u
= e
¡
oI
¡
4
Γ
s
|1 + (1 -Γ
s
)(1 -e
gs
)] -R
Ll
Γ
s
|e
v
+(1 -Γ
s
)(1 -e
gs
)] (4.3)

R
Ll
= a radiação de onda longa descendente na base da atmosfera em Wm
-2

T
v
= temperatura de vegetação K
e
v
= emissividade da vegetação
e
gs
= emissividade do solo ou da neve
o = constante de Stephan – Boltzmann
Finalmente, a troca de radiação de onda longa entre o solo e a vegetação é dada por:

F
¡g¡
= e
¡
e
g
oΓ|I
g
4
-I
¡
4
] (4.4)

T
g
= temperatura do solo K
e
g
= emissividade do solo
O fluxo de calor sensível entre a vegetação e o ar do dossel é dado por (LEE, 1992):
F
h¡c
= 2.2Υ
s
C
p
p
c
(1
¡
-1
c
)
¡
b
(4.5)

C
p
= calor específico do ar Jkg
-1
K
-1

T
c
= temperatura do ar do dossel K
r
b
= resistência entre o ar do dossel e a superfície da vegetação m
-1

Υ
s
= índice de área foliar corrigido para profundidade de neve
ρ
a
= densidade do ar kgm
-3

Capítulo 4 – Material e Métodos
37


O índice de área foliar tende linearmente a zero quando a profundidade da neve
aproxima-se da altura da vegetação, apenas como no caso da fração da vegetação. O
fator 2.2 vem da necessidade de incluir ambos os lados das folhas e a consideração que
a área do caule é igual à cerca de 10% de um lado da área da folha. A equação 4.5 é
usada para todos os tipos de vegetação neste caso exceto os arbustos temporários. O
LEAF-3 em seu estado presente não pode precisamente produzir fluxos de calor
sensível da vegetação que é completamente nu ou folhas, desde que este é baseado no
IAF. Em princípio o caso do fluxo de calor sensível dos arbustos é modelado como
sendo igual ao saldo de radiação absorvido pelos ramos como em Otterman et al.(1993).
O resfriamento dos arbustos por calor latente de evaporação é desprezado quando estão
dormentes e secos.

4.1.1.3 Ar do dossel

O ar do dossel é considerado o ar em contato imediato com a vegetação e a
superfície. A temperatura do ar do dossel é prognosticada do fluxo de calor sensível
turbulento da vegetação e solo, e o fluxo de calor sensível para o nível mais inferior do
modelo atmosférico. O conteúdo da umidade do ar do dossel é prognosticada da taxa da
troca de umidade entre o solo, a precipitação interceptada sobre a vegetação,
transpiração, e o nível mais inferior do modelo atmosférico. As equações para as trocas
de calor e umidade envolvendo o ar do dossel (baseado em Lee 1992) são os mais
relevantes para este estudo.
Abaixo estão as equações para o fluxo de calor sensível do solo para o ar do
dossel respectivamente.

F
hgc
=
C
p
p
s
(1
g
-1
c
)
¡
d
(4.6)
r
d
= resistência entre o solo e o ar do dossel sm
-1


O fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel é
respectivamente:
F
wgc
=
ρ
c
(¿
g
-¿
c
)
¡
d
(4.7)
Capítulo 4 – Material e Métodos
38

_
g
= razão de mistura do vapor d’água na superfície do solo kgkg
-1

_
c
= razão de mistura do vapor d’água na superfície do ar do dossel kgkg
-1


Finalmente, o calor sensível e fluxos de umidade do ar do dossel para os níveis
mais inferiores do modelo são dados abaixo:
F
hcu
= -C
p
p
u
u
-
I
-
(4.8)
F
wcu
= -p
u
u
-
_
-
(4.9)
Os fluxos dos parâmetros para momento, temperatura, e razão de mistura do
vapor d’água, (u
-
, I
-
e _
-
respectivamente), são baseados na teoria da similaridade
como descrito em Louis (1981)

4.2 ARQUIVOS DE VEGETAÇÃO DO RAMS

As classes de uso do solo e os parâmetros biofísicos usados no LEAF-3 são
descritos no Quadro 4.1 e podem ser vistas em Walko e Tremback (2005) ou no arquivo
RAMSIN (namelist para execução do RAMS).
A especificação tanto da topografia quanto da vegetação foi feita com base em
arquivos de dados (resolução de 1 km) obtidos por meio de radiômetros de altíssima
resolução (Advanced Very High Resolution Radiometer–AVHRR) disponíveis para o
modelo.

Capítulo 4 – Material e Métodos
39

Quadro 4.1: Classes de uso do solo e parâmetros biofísicos usados no LEAF 3 (Fonte: WALKO e TREMBACK, 2005).
Classe Tipo de Cobertura
a
l
b
v
_
g
r
e
e
n

a
l
b
v
_
b
r
o
w
n

e
m
i
s
v

s
r
_
m
a
x

t
a
i
_
m
a
x

s
a
i

v
e
g
_
c
l
u
m
p

v
e
g
_
f
r
a
c

v
e
g
_
h
t

r
o
o
t
d
e
p

d
e
a
d
_
f
r
a
c

r
c
m
i
n

0 Oceano 0,00 0,00 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0
1 Lagos, rios, riachos (água continental) 0,00 0,00 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0
2 Neve, geleiras 0,00 0,00 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0
3 Deserto, Solo Nu 0,00 0,00 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0 0,00 0,0 0,0 0,0 0,0
4 Coníferas sempre verdes 0,14 0,24 0,97 5,4 8,0 1,0 1,0 0,80 20,0 1,5 0,0 500
5 Coníferas Deciduais 0,14 0,24 0,95 5,4 8,0 1,0 1,0 0,80 22,0 1,5 0,0 500
6 Latifoliadas Deciduais 0,20 0,24 0,95 6,2 7,0 1,0 0,0 0,80 22,0 1,5 0,0 500
7 Latifoliadas sempre-verde 0,17 0,24 0,95 4,1 7,0 1,0 0,0 0,90 32,0 1,5 0,0 500
8 Gramas Curtas 0,21 0,43 0,96 5,1 4,0 1,0 0,0 0,75 0,30 0,7 0,7 100
9 Gramas Altas 0,24 0,43 0,96 5,1 5,0 1,0 0,0 0,80 1,2 1,0 0,7 100
10 Semi Deserto 0,24 0,24 0,96 5,1 1,0 0,2 1,0 0,20 0,7 1,0 0,0 500
11 Tundra 0,20 0,24 0,95 5,1 4,5 0,5 1,0 0,60 0,2 1,0 0,0 50
12 Arbustos sempre verdes 0,14 0,24 0,97 5,1 5,5 1,0 1,0 0,70 1,0 1,0 0,0 500
13 Arbustos Deciduais (Arbustos Temporários) 0,20 0,28 0,97 5,1 5,5 1,0 1,0 0,70 1,0 1,0 0,0 500
14 Floresta mista 0,16 0,24 0,96 6,2 7,0 1,0 0,5 0,80 22,0 1,5 0,0 500
15 Culturas/ Plantações mistas C3, pastagens 0,22 0,40 0,95 5,1 5,0 0,5 0,0 0,85 1,0 1,0 0,0 100
16 Cultura Irrigada 0,18 0,40 0,95 5,1 5,0 0,5 0,0 0,80 1,1 1,0 0,0 500
17 Pântano ou mangue 0,12 0,43 0,98 5,1 7,0 1,0 0,0 0,80 1,6 1,0 0,0 500
18 Savana/Cerrado 0,20 0,36 0,96 5,1 6,0 1,0 0,0 0,80 7,0 1,0 0,0 100
19 Urbanização e altas construções 0,20 0,36 0,90 5,1 3,6 1,0 0,0 0,74 6,0 0,8 0,0 500
20 Árvore Latifóliada sempreverde hidrófilas 0,17 0,24 0,95 4,1 7,0 1,0 0,0 0,90 32,0 1,5 0,0 500
21 Muito Urbanizado 0,16 0,24 0,96 5,1 2,0 1,5 1,0 0,10 20,0 1,5 0,0 500

Capítulo 4 - Materiais e Métodos

40

4.3 DESCRIÇÃO DOS EXPERIMENTOS

4.3.1 Condições iniciais

Os experimentos numéricos realizados com o modelo RAMS foram inicializados
com condições de contorno lateral e iniciais provenientes das reanálises do NCEP
(National Centers for Environmental Predictions). Os dados de Reanálise do NCEP são
disponibilizados de 6 em 6 horas (00Z, 06Z, 12Z e 18Z), tem resolução espacial de 2,5
graus em latitude e em longitude e com 17 níveis de pressão na vertical e abrangem todo o
globo.
As simulações foram configuradas com duas grades aninhadas com resolução
espacial de 8km x 2km, grades 1 e 2, respectivamente, ambas centradas em Petrolina-PE
(9,4ºS – 40,5ºW). A grade vertical é constituída por 50 níveis com Δz inicial de 30 metros,
aumentando para cima na razão de 1,1 até atingir 1 km de espessura. A partir desse nível, o
Δz é constante até o topo do modelo (22000 m). O posicionamento das grades foi decidido
em função da existência da estação de radiossondagem do INMET situada na região com
observações diárias de dados de ar superior usada como fonte de dados observados, da
localização do lago de Sobradinho e dos principais perímetros de irrigação em áreas de
Caatinga. Uma visão geral da região de estudo é apresentada na Figura 4.1.
A posição geográfica de uma torre micrometeorológica situada em área de Caatinga
preservada em campos experimentais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA) cujas medições em alta e baixa frequência foram usadas na validação do
modelo é indicada com uma cruz na cor azul.
Para avaliar os impactos das mudanças na superfície e no uso da terra relacionada
com a expansão agrícola e degradação do bioma Caatinga, foi escolhido um período de 72
horas (14 a 16 de março de 2005) e condições atmosféricas definidas pela atuação de um
vórtice ciclônico de altos níveis (VCAN). Este período corresponde a um episodio de
inibição das chuvas causada por movimentos verticais descendentes nas áreas sob a
influência do centro do VCAN.

Capítulo 4 - Materiais e Métodos

41


Figura 4.1: Domínio das simulações numéricas realizadas com as grades 1 (resolução de 8 km) e 2
(resolução de 2 km). A cruz em cor preta indica à localização geográfica de Petrolina
(9,4ºS – 40,5ºW) e a cruz em azul mostra a posição da torre micrometeorológica da
EMBRAPA semiárido.

Sob o ponto de vista climatológico março é o mês com maior índice de precipitação
na região. A escolha de um período cuja estrutura termodinâmica e dinâmica é típica de
uma atmosfera sob a influência do centro do VCAN teve como objetivo garantir condições
ambientais com ampla diversificação agrícola em áreas de Caatinga (culturas de sequeiro e
agricultura irrigada), porém com pouca nebulosidade. Atividade convectiva intensa com
desenvolvimento de nuvens profundas típicas do período chuvoso da região dificultaria a
análise dos processos de troca de energia e água entre a superfície e a atmosfera e,
consequentemente, prejudicaria uma avaliação mais precisa dos efeitos da degradação
ambiental.
Neste contexto, com o objetivo de isolar os efeitos das mudanças na cobertura e no
uso do solo foram realizados experimentos numéricos com e sem a influência do
escoamento de grande escala. Nestes últimos visando eliminar o efeito do escoamento
básico e simular as circulações desenvolvidas localmente, a atmosfera foi considerada em
repouso no instante inicial, ou seja, as componentes do vento (zonal e meridional) foram
consideradas nulas (u = v = 0).
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

42

Para atingir esse objetivo foi necessário intervir no processo de geração dos
arquivos denominados DPs que contem informações no formato de entrada do modelo.
Para simulações mais realistas em análises de processos atmosféricos em mesoescala o
RAMS necessita de condições iniciais e de contorno de um modelo de escala maior. Nos
dados do NCEP os arquivos estão no formato GRIB (GRIddedBinary) e devem ser
convertidos para o formato padrão de entrada do RAMS (RALPH na versão 2). O
aplicativo ISAN (ISentropicANalysis), parte importante do código do modelo, usa o
formato RALPH2 nos dados de entrada para a geração das análises híbridas
isentrópicas/sigmaz nos arquivos de inicialização das variáveis (varfiles) que são usadas
como condições iniciais e de fronteira para integração do modelo.
No processo da geração dos DPs utilizou-se o script geraBIN.gs e o programa
geraDP.f90 em linguagem FORTRAN para conversão dos dados do formato binário GRIB
para RALPH2. Estes programas estão disponíveis no cluster de computadores adquirido
através do projeto CLIMUD (CT_HIDRO - CNPq - Nº. 504189/2003-4) instalado no
Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina
Grande (UFCG).
Concluída essa etapa, para eliminar a influência do escoamento de grande escala foi
necessário tornar o componente zonal (u) e meridional (v) igual a zero.

4.3.2 Condições de Contorno

Os experimentos numéricos elaborados neste estudo foram divididos em duas
etapas com objetivos distintos. Nas simulações feitas para avaliar o desenvolvimento de
circulações locais sem a influência do escoamento básico, levando em consideração apenas
os efeitos dos contrastes solo-água, topografia e diferentes tipos de vegetação, a
parametrização de convecção do modelo foi mantida desativada e a parametrização de
microfísica ativada com o nível 1.
A parametrização de microfísica de nuvens presente no modelo RAMS determina a
complexidade dos processos de mudança de fase que serão utilizados nos cálculos
explícitos em cada ponto de grade, para simular as mudanças de fase da água nos três
estados (sólido, líquido e gasoso). As trocas de calor envolvidas nas mudanças de fase são
incluídas nestes cálculos. O nível 1, significa que os processos de advecção, difusão e
fluxo de água na superfície são ativados, mas toda a água contida na atmosfera é
considerada como vapor d’água, mesmo que ocorra supersaturação.
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

43

Nas simulações do impacto ambiental sob a influência dos mecanismos dinâmicos e
termodinâmicos associados às condições atmosféricas do VCAN (efeitos incluindo
interações entre a escala local e a grande escala) as parametrizações da microfísica foram
ativadas com o nível 3. Nos casos da ativação no nível máximo (nível 3) os diversos tipos
de hidrometeoros são considerados e o processo de precipitação é incluído. Uma síntese
das principais características usadas nas simulações numéricas pode ser vista no Quadro
4.2.

Quadro 4.2: Definição das características principais usadas nas simulações numéricas do impacto
ambiental em áreas de Caatinga com e sem o escoamento sinótico
Variável Atributo
Características da Grade
Resolução Grade 1 8km x 8km
Resolução Grade 2 2km x 2km
Número de pontos: Grade 1 65x65
Número de pontos: Grade 2 106x106
Níveis de Camada na Vertical 55
Níveis de camada no solo 9
Polo da grade (9,4°S, 40,5°W)
Centro da grade (9,4°S, 40,5°W)
Parametrizações do modelo
Com Vento Sinótico Sem Vento Sinótico
Parametrização de convecção
Kuo modificado por
Molinari (1985)
Desativada
Microfísica Nível 3 Nível 1
Tipo de esquema de vegetação LEAF-3
Parametrização de Radiação Chen e Cotton (1983)
Limites Laterais Klemp e Wilhelmson (1978)
Parâmetros de estímulo dos campos atmosféricos (nudging)
Pontos na fronteira lateral 5 pontos
Escala de tempo – lateral 1800 s
Escala de tempo – central 21600 s
Escala de tempo – topo 10800 s
Limite inferior no topo 22000 m


Capítulo 4 - Materiais e Métodos

44

4.3.2.1 Elaboração dos arquivos de ocupação do solo

Em estudos de degradação ambiental e modelagem da interação biosfera-atmosfera
a vegetação representa o elemento mais importante da cobertura do solo e a distribuição
correta dos principais tipos existentes no domínio numérico desempenha um papel decisivo
para alcançar os objetivos desta pesquisa. Cada classe de vegetação tem peculiaridades
hidrológicas significantes e a avaliação de mudanças no tipo da vegetação ou no uso do
solo requer a elaboração de cenários específicos para condições ambientais antes e depois
de interferências antrópicas.
No processo de geração dos arquivos de ocupação do solo foi desenvolvido um
programa escrito em linguagem FORTRAN que permite alterar as informações existentes
nos arquivos padrão do modelo RAMS e construir cenários representativos das mudanças
numa região com vegetação predominante do tipo Caatinga. O programa construído com
essa finalidade e denominado de MUDVEG permite substituir classes de vegetação
existentes no default (padrão) do modelo por outros tipos selecionados conforme os
objetivos de cada experimento numérico.
O MUDVEG foi elaborado para executar, entre outros comandos, a substituição de
apenas uma ou de um conjunto de classes de vegetação, bem como reorganizar os arquivos
modificados no decorrer do trabalho e retornar a distribuição original dos dados do
modelo.
No processo de criação dos arquivos, foi necessário acessar informações referentes
à resolução e dimensão dos blocos que formam o conjunto de dados de vegetação do
RAMS, e o formato em que foram gerados. Estes arquivos têm resolução de 1/120° (~1
km), compreendendo uma matriz de 601 linhas por 601 colunas com a posição inicial
correspondendo ao extremo sudoeste, identificada pelo nome do arquivo (prefixo GE
seguido das coordenadas latitude/longitude do local). A extensão da área (domínio
numérico) em que se pretende substituir a cobertura vegetal define quais os arquivos
necessários para geração de cenários. Na análise dos dados que abrange a área
correspondente ao Nordeste brasileiro foram usados 16 blocos de arquivos (16 matrizes)
vistos no esquema mostrado na Figura 4.2.
Para que fosse possível manipular os dados contidos nos arquivos originais do
RAMS foi necessário inicialmente armazenar os blocos que abrangem a região de interesse
em uma única matriz, com a finalidade de facilitar a inserção e tratamento de áreas que
compreendem mais de um bloco.
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

45


Figura 4.2: Distribuição das matrizes com dados de cobertura e uso do solo disponível para o modelo
RAMS cobrindo todo o Nordeste do Brasil. O nome do arquivo escrito abaixo de cada
bloco indica a posição inicial (latitude/longitude) correspondente ao extremo sudoeste da
matriz de dados.

A dimensão da matriz é determinada pelo produto do número de blocos pelo número
de linhas e colunas existente em cada arquivo, no caso 601. Assim, para armazenar a região
Nordeste foi necessária uma matriz de 2404 X 2404 (Figura 4.3). Uma vez armazenados os
blocos de cobertura do solo do modelo, foi possível alterar facilmente o conteúdo
considerando a relação entre as classes do LEAF3 e as do OLSON (OLSON, 1994-a,b).



Capítulo 4 - Materiais e Métodos

46


Figura 4.3: Matriz com todos os blocos com dados de cobertura e uso de solo, o nome do arquivo
indica o extremo sudoeste.

Concluída a etapa da geração dos arquivos de ocupação do solo pela mudança do
tipo de vegetação ou inserção de uma área com características diferentes, o programa
disponível no site http://bridge.atmet.org/users/software/peripherals.php e denominado
mklanduse.f, foi usado para converter a matriz única para o formato utilizado no RAMS
(blocos).
Concluída esta fase os arquivos originais com a distribuição de vegetação padrão do
modelo são substituídos pelos que foram criados de acordo com o objetivo da simulação
numérica (nova cobertura da superfície).

4.3.2.2 Ajuste de parâmetros biofísicos da vegetação

No LEAF-3 a representação da camada de superfície requer uma descrição realista
da biosfera quando considerados os processos biológicos e físicos. Para isso é necessário
prescrever estes parâmetros representativos do tipo de vegetação e solo para cada ponto de
grade no domínio numérico.
Na elaboração dos experimentos e ajustes numéricos para análise da influência dos
tipos de vegetação e mudanças no uso da terra no domínio coberto pelas grades 1 e 2,
foram considerados quatro tipos de cobertura da superfície conforme a ocupação do solo
existente nos arquivos do modelo: água (Lago de Sobradinho), arbustos temporários
(Caatinga), plantações (cultura de sequeiro e pastagem) e agricultura irrigada.
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

47

(a) A vegetação nativa (Caatinga)

Os parâmetros biofísicos da vegetação classificada no RAMS como arbustos
temporários foram modificados de forma a representar melhor as propriedades típicas da
Caatinga. Embora os arbustos temporários (classe de vegetação dominante na área de
vegetação nativa da região) apresentem algumas características semelhantes às das plantas
encontradas no bioma Caatinga muitas das propriedades físicas importantes do
comportamento fisiológico das espécies existentes são substancialmente diferentes.
A Caatinga abrange aproximadamente 50% da área coberta pelo domínio numérico
da grade 2 (região foco deste trabalho) e representa um elemento chave para as análises
dos efeitos da degradação ambiental abordada neste estudo. Portanto, o ajuste nas
características da vegetação é imprescindível para realização de simulações mais realistas
dos processos de interação entre a superfície e a atmosfera.

(b) A agricultura irrigada

Com objetivos semelhantes verificou-se a necessidade de intervir no valor da
resistência estomática mínima (rs
min
) da vegetação irrigada encontrado nos arquivos do
RAMS. No processo de ajuste desse parâmetro utilizou-se como referência principal um
trabalho sobre diretrizes para fins de irrigação da cultura da banana no Vale do São
Francisco desenvolvido na região de Petrolina (BASSOI et al., 2009).
Os resultados apresentados pelos autores mostram diferenças significativas entre o
valor padrão usado no LEAF-3 e os dados obtidos em experimentos de campo. O valor de
500sm
-1
armazenado no modelo é considerado extremamente alto e é responsável por
valores excessivamente baixos do calor latente. Dependendo do tempo de integração esses
valores tendem a zero inviabilizando as simulações. Os testes indicaram que 70sm
-1
é o
valor mais adequado para a resistência estomática mínima no período e condições em
análise.
Os valores dos parâmetros biofísicos modificados e usados nas simulações
numéricas deste trabalho são mostrados no Quadro 4.3. Vários autores foram consultados
na definição destes parâmetros (CUNHA, 2007; CORREIA et al., 2006; LIMA, 2004;
JACKSON et al., 1996)

Capítulo 4 - Materiais e Métodos

48

Quadro 4.3: Tipos de vegetação e respectivas propriedades físicas
Características
Caatinga
(classe 13)
Plantações
(classe 15)
Culturas Irrigadas
(classe 16)
Altura (m) 5 1,0 1,1
Fração de cobertura de solo 0,3 0,9 0,8
Profundidade da Raiz (m) 0,4 1,0 1,0
Resistência Estomática Mínima (sm
-1
) 500,0 100,0 70,0
Fonte: Adaptado de leaf3_init.f90.

4.3.2.3 Escolha do tipo de solo

O solo usado nas simulações é do tipo franco-arenoso-argiloso, e é simulado para
uma profundidade de 1,0 m abaixo da superfície, representado por 9 níveis. Na definição
da estrutura das camadas do solo utilizou-se maior resolução próxima à superfície e
gradualmente reduzida com a profundidade. As propriedades hidráulicas desse solo
constam no Quadro 4.4 (CLAPP e HORNBERGER, 1978; McCUMBER e PIELKE, 1981;
PIELKE, 1984; TREMBACK e KESSLER, 1985).

Quadro 4.4: Propriedades do tipo de solo franco-arenoso-argiloso usado nas simulações. ψ
s
é a
umidade potencial de saturação; η
s
é o conteúdo de umidade volumétrico à saturação; b
um parâmetro tabelado (adimensional); K
s
é a condutividade hidráulica do solo à
saturação e C
d
é a capacidade volumétrica de calor do solo.
Propriedades hidráulicas do solo Valor
ψ
s
(m) -0,299
η
s
(m³/m³) 0,420
b (adimensional) 7,12
K
s
(m/s) 0,63e
-5

C
d
(J/m³/K) 1177,0e
3

Fonte: CLAPP e HORNBERGER, 1978; McCUMBER e PIELKE, 1981; PIELKE, 1984; TREMBACK
e KESSLER, 1985

A umidade do solo foi inicializada de forma heterogênea na horizontal e
homogênea na vertical. Utilizou-se o valor de 0,336 m³/m³ (80% da saturação do solo) nas
áreas cobertas com culturas irrigadas e de 0,2 m³/m³ (47% da saturação do solo) nas áreas
com outro tipo de vegetação. Essa mudança no perfil de umidade do solo foi feita por meio
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

49

de uma intervenção numa sub-rotina do arquivo ruser.f90, disponível no RAMS que
possibilita modificações pelo usuário, quando necessário. Efetivamente, foi criada uma
estrutura condicional na sub-rotina sfcinit_file_user do ruser para testar o tipo de
vegetação e alterar os valores de forma diferenciada para áreas com agricultura irrigada e
outro tipo de vegetação como descrito anteriormente.

4.4 CONSTRUÇÃO E DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS

Os cenários de uso da terra investigados neste estudo foram construídos para
representar condições ambientais nativas (sem influências antrópicas) e com alterações
decorrentes da construção da represa de Sobradinho e da expansão agrícola em áreas de
Caatinga. O crescimento da agricultura irrigada no Submédio São Francisco reflete
simultaneamente o desenvolvimento econômico da região e a degradação do bioma
Caatinga naquela área. Neste contexto, os termos degradação ambiental e desmatamento
foram usados neste trabalho tanto para representar a retirada da vegetação nativa (lenha)
para abastecimento dos fornos de carvoarias, como para a formação de áreas agrícolas pela
substituição da Caatinga por culturas irrigadas ou de sequeiro (plantações).
A ocupação do solo existente nos arquivos de vegetação do RAMS foi usada como
base na geração dos cenários. Os tipos de vegetação existentes no domínio numérico da
grade 2 podem ser vistos na Figura 4.4. Observa-se que a vegetação dominante é do tipo
arbustos temporários. No setor noroeste e sudoeste do domínio, próximo ao lago de
Sobradinho, há extensas áreas cobertas com plantações, porém não há indicativo de regiões
com culturas irrigadas.

Figura 4.4: Tipos de vegetação no domínio da grade 2 (resolução de 2 km). A escala de cores indica as
categorias de vegetação disponíveis no modelo.
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

50

É também objetivo desta pesquisa avaliar o impacto ambiental de condições
extremas de desmatamento. Para atingir esta meta é necessário simular antes os processos
de troca de energia e água entre a superfície e a atmosfera nas condições atuais de
ocupação do solo. Na construção deste cenário foi necessária a inclusão de perímetros
irrigados inexistentes na área de estudo (arquivos de vegetação padrão do RAMS).
No processo de inclusão e posicionamento dos perímetros irrigados utilizou-se
inicialmente um mapa da distribuição espacial da vegetação proveniente de saídas
numéricas com o RAMS na versão 4a (resolução espacial de 2 km) geradas num estudo de
impacto ambiental no entorno da represa de Sobradinho desenvolvido por Correia (2001).
Segundo a autora, as informações geográficas das áreas agrícolas usadas como dados de
entrada foram extraídas de um mapa de recursos hídricos da região semiárida
confeccionado pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) no ano de
1989 (Figura 4.5a). A distribuição dos perímetros públicos de irrigação no domínio
numérico conforme assimilado pelo modelo é mostrado na Figura 4.5b.

Figura 4.5: (a) Mapa de Recursos Hídricos da região com uma visão parcial do lago de Sobradinho e
dos perímetros públicos de irrigação no Submédio do Rio São Francisco; (b) Domínio
numérico coberto pela grade 2 com a distribuição das áreas irrigadas no domínio
numérico conforme assimilado pelo modelo. (Fonte: Correia, 2001).

Para inserir os dados das áreas com agricultura irrigada nos arquivos padrão do
modelo foi feita a digitalização destas áreas usando o programa Surfer na versão 7. Os
contornos dos principais perímetros públicos de irrigação (Nilo Coelho, Bebedouro,
Curaça, Maniçoba, Mandacaru e Tourão) foram copiados e inseridos como mapa base
(através do comando Load Base Map, da função Map) e digitalizados (geosreferenciados)
usando a função digitize da função Map e finalmente armazenados em arquivos no formato
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

51

TXT. Concluída esta etapa, as informações dos contornos dos perímetros são facilmente
acessadas pelo programa MUDVEG, preenchidas com a classe de vegetação
correspondente a culturas irrigadas e posteriormente inseridas no arquivo padrão do
RAMS.
Uma visão conjunta do mapa de vegetação padrão do RAMS (Figura 4.6a) e do
mapa gerado com a inclusão dos perímetros irrigados (classe de vegetação 16 no RAMS) é
mostrada na Figura 4.6b. Neste trabalho, o cenário que representa as condições atuais de
cobertura do solo no domínio numérico constituído pelo lago de Sobradinho (classe nº 1), e
classes de vegetação do tipo plantações (classe nº 15), Caatinga (arbustos temporários –
classe nº 13), irrigação (classe nº 16) e cerrado (classe nº 18) será referenciado neste texto
como cenário “ctg.irg.pl.cl”.


(a) (b)
Figura 4.6: (a) Ocupação do solo no domínio da grade 2; tipos de vegetação padrão do RAMS; (b)
tipos de vegetação no cenário atual (ctg.irg.pl.cl). A escala de cores indica as classes de
vegetação disponíveis no modelo.

Sob o ponto de vista do grau de conservação do bioma Caatinga construiu-se um
cenário de condição extrema de degradação ambiental, para simular os efeitos de
mudanças extremas no uso da terra na estrutura da camada limite atmosférica (CLA). Uma
situação crítica foi definida como cenário futuro. A hipótese considerou a possibilidade de
que toda a área com solo fértil fosse transformada em agricultura irrigada. Assim, as
plantações (classe 15) existentes no domínio numérico são convertidas em culturas
irrigadas (classe nº16) que é referenciado no texto como “cenário ctg.irg.cl ”. A
distribuição da vegetação neste caso é mostrada na Figura 4.7c.
Finalmente, para completar o conjunto de cenários necessários para a realização do
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

52

estudo proposto foi necessário construir também um cenário para representar as condições
ambientais sem qualquer influência antrópica. Neste cenário a ocupação do solo é definida
basicamente por uma cobertura vegetal do tipo Caatinga e sem o Lago de Sobradinho. No
processo de conversão dos tipos de vegetação existentes no domínio numérico, apenas as
regiões cobertas com vegetação do tipo cerrado (classe nº 18) foram mantidas sem
mudanças. Este cenário foi usado nos experimentos de controle e é referenciado dentro do
texto como cenário “ctg.sl”. Sua ilustração é vista na Figura 4.7a.
O conjunto de cenários elaborados para simular um ambiente sem influências
antrópicas (“ctg.sl”), com alterações na cobertura e uso da terra para representar a
ocupação atual do solo (“ctg.irg.pl.cl”) e condições de máxima expansão da agricultura
irrigada (“ctg.irg.cl ”).


(a) (b)

(c)
Figura 4.7: Ocupação do solo no domínio da grade 2 no experimento: (a) Caatinga sem influência
antrópica “ctg.sl”; (b) cenário atual “ctg.irg.pl.cl” e (c) cenário da expansão agrícola
máxima “ctg.irg.cl ”. A escala de cores indica as classes de vegetação disponíveis no
modelo.

Capítulo 4 - Materiais e Métodos

53

4.5 ANÁLISE DA ESTRUTURA TERMODINÂMICA E ESTABILIDADE
ATMOSFÉRICA

Com o objetivo de avaliar possíveis mudanças na estrutura vertical e estabilidade da
atmosfera associadas com alterações na cobertura e uso do solo as variáveis pressão,
temperatura do ar e umidade atmosférica obtidas das simulações com o RAMS e de
sondagens realizadas em Petrolina (PE) foram utilizadas como fonte de dados para
construção de perfis verticais das temperaturas potencial (θ), potencial equivalente (θ
e
) e
potencial equivalente de saturação (θ
es
) e do índice de instabilidade CAPE.
A elaboração dos perfis verticais a partir das saídas numéricas foi imprescindível
nas análises dos efeitos da degradação ambiental devido à ausência de radiossondagens em
locais com diferente cobertura do solo dentro do domínio numérico. Um dos objetivos
deste trabalho é avaliar a estrutura vertical da CLA em condições extremas de
evapotranspiração. As sondagens realizadas em Petrolina são feitas apenas no horário das
12 UTC.
Os cálculos de θ, θ
e
e θ
es
foram feitos segundo equações propostas por Betts e
Dugan (1973) e posteriormente modificadas por Bolton (1980), descritas abaixo:

) 10 28 , 0 1 ( 2854 , 0
3
1000
r
k
P
T

× −






= θ (4.9)
( )






× + ×








− =

r r
T
L
e
3
10 81 , 0 1 00254 , 0
376 , 3
exp θ θ (4.10)








=
k
s
es
T
r 625 , 2
exp θ θ (4.11)
( ) e P
e
r

=
622 , 0
(4.12)
( )
55
2840
100 ln
55
1
1
+


=
UR
T
T
k
L
(4.13)
100
s
e UR
e
×
= (4.14)






+
=
5 , 243
67 , 17
exp 11 , 6 ) (
T
T
T e
s
(4.15)
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

54

( )
s
s
s
e P
e
r

=
622 , 0
(4.16)

em que:

θ = temperatura potencial (K);
θ
e
= temperatura potencial equivalente (K);
θ
es
= temperatura potencial equivalente de saturação (K);
T
k
= T+273,15 é a temperatura absoluta (K);
T = temperatura do ar (ºC);
T
L
= temperatura no nível de condensação por levantamento (NCL) (K);
P = pressão atmosférica (hPa);
r = razão de mistura (g/kg);
r
s
= razão de mistura de saturação (g/kg);
UR = umidade relativa do ar (%);
e = pressão de vapor (hPa);
e
s
= pressão de vapor de saturação (hPa).

Alterações na cobertura e uso do solo causam mudanças na estrutura da CLA e
afetam a estabilidade atmosférica. Para avaliar o grau de impacto destas mudanças na
estabilidade atmosférica utilizou-se o índice de instabilidade denominado de Energia
Potencial Convectiva Disponível (CAPE).
Na obtenção da CAPE foi feita uma adaptação no script plotskew.gs e disponível
no endereço: http://moe.met.fsu.edu/~rhart/software/plotskew.gs e desenvolvido para
utilização no GRADS. Os cálculos são feitos segundo a metodologia proposta por
Zawadzki e Ro (1978) e descrita pela equação abaixo:

− =
NCE
NE
d va vp
P d R T T CAPE ln ) (
max
(4.17)
em que:

NE = nível de equilíbrio (T
va
=T
vp
);
NCE = nível de convecção espontânea;
T
va
= (T+0,61q), a temperatura virtual do ambiente (ºC);
T
vp
= (T
p
+0,61q), a temperatura virtual da parcela (ºC);
Capítulo 4 - Materiais e Métodos

55

T = temperatura do ambiente (ºC);
T
p
= temperatura da parcela (ºC) obtida através do diagrama termodinâmico a partir do
valor mais alto da temperatura potencial do bulbo úmido (θ
wmax
), com base nos dados
de superfície;
q = a umidade específica do ar (g/kg);
R
d
= a constante dos gases para o ar seco (Jkg
-1
K
-1
) e,
P = pressão atmosférica (Pa).

4.6 DADOS MICROMETEOROLÓGICOS

Um conjunto de dados composto por medidas feitas numa torre
micrometeorológica situada em campo experimental da EMBRAPA/PETROLINA no
período de março de 2005 foi utilizado para validação das simulações numéricas realizadas
neste trabalho. A torre é equipada com sensores instalados em dois sistemas de
observações, sendo um em alta frequência (fluxos de CO
2
, vapor d’água e calor sensível) e
outro em baixa frequência (medidas de temperatura, umidade relativa do ar, precipitação,
umidade e temperatura do solo).
O processamento dos dados para obtenção dos fluxos de calor latente e sensível
foi feito com o sistema de covariância dos vórtices turbulentos utilizando um programa
escrito em linguagem FORTRAN (programa ‘Eddyinpe’), que foi desenvolvido no Alterra,
Holanda, e adaptado no CPTEC/INPE para o sistema instalado na Caatinga. O programa
calcula as flutuações turbulentas em intervalos de 30 minutos, realizando uma série de
correções necessárias para a estimativa dos fluxos, conforme a metodologia sugerida por
Aubinet et al. (2000). Uma descrição detalhada do processamento pode ser encontrada em
Oliveira et al. (2006).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
56

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS E ESTRUTURA TERMODINÂMICA NA
REGIÃO DE ESTUDO

Os resultados da construção e análise dos perfis verticais da temperatura potencial
(θ), potencial equivalente (θ
e
) e potencial equivalente de saturação (θ
es
) apresentados nesta
seção têm o propósito de ressaltar aspectos termodinâmicos da estrutura vertical da
atmosfera no período de 14 a 16 de março de 2005 relevantes para o estudo em questão.
De maneira geral, a base física para o entendimento das trocas turbulentas entre a
superfície e a atmosfera (tema foco deste trabalho) reside na compreensão dos mecanismos
que controlam a evolução da camada limite atmosférica. Neste contexto, enfoque especial
foi dado na determinação da espessura das camadas de inversão térmica (camadas estáveis)
pelo papel crucial no controle dos transportes verticais de energia e umidade na baixa
atmosfera e da profundidade da camada de mistura.
Os perfis de (θ), (θ
e
) e (θ
es
) mostrados na Figura 5.1 foram construídos com base
em dados de ar superior obtidos de sondagens atmosféricas realizadas em Petrolina-PE
(9,4S; 40,5W). Observa-se nitidamente a presença de uma inversão de subsidência
(indicada na figura pela abreviatura INV) nos três dias analisados. A INV é caracterizada
por uma forte secagem na atmosfera definida pelo afastamento brusco entre os perfis de θ
e

e θ
es
. Também é evidente que a altura da base desta camada diminui ao longo dos dias
variando de 3017 mgp no dia 14 para 2591 mgp no dia 16 de março de 2005.
Uma camada condicionalmente instável logo abaixo da camada de inversão (INV)
é vista nos três dias analisados (Figuras 5.1a, b e c). É possível observar em que θ
es
aumenta e θ
e
diminui substancialmente com a altura. O topo da INV representa a interface
com a atmosfera livre e é determinado respectivamente pelos valores máximo e mínimo de
θ
es
e θ
e
(BETTS e ALBRECHT, 1987).



Capítulo 5 – Resultados e Discussões
57


Figura 5.1: Perfis verticais de θ, θe e θes obtidos da sondagem realizada em Petrolina: (a) no dia 14 de
março de 2005 às 12:00 UTC; (b) no dia 15 de março de 2005 às 12:00 UTC e (c) no dia
16 de março de 2005 às 12:00 UTC. A linha tracejada indica a altura da base da inversão
dos alísios (INV); a linha contínua indica a altura do topo da camada de mistura (CM).

A diminuição gradual da altura da base da camada de inversão dos alísios indica a
predominância de movimentos subsidentes. Por outro lado, os fluxos em superfície tendem
a “empurrar” a camada de mistura (CM) para cima. O equilíbrio entre os dois mecanismos
define o topo da camada de mistura. Surpreendentemente, verifica-se que a CM com maior
profundidade ocorre no dia 16 de março quando a altura da base da INV se encontra mais
próxima da superfície (Figura 5.1c).
O efeito conjunto da inversão dos alísios e das condições atmosféricas definidas
pela atuação do centro do VCAN intensifica a subsidência e desloca a base da camada
estável (INV) na direção da superfície. No processo de subsidência tem-se uma maior
secagem da atmosfera pelo transporte do ar seco, existente nos altos níveis, para baixo. A
secagem é mais evidente nos dias 15 e 16 de março. A base da inversão de subsidência
atinge o nível de aproximadamente 2400 m no dia 16 de março. Em contrapartida com o
aumento no déficit de vapor da atmosfera os processos convectivos em superfície são mais
intensos e leva ao aprofundamento da camada de mistura.
Outro mecanismo importante é detectado no dia 14 de março. Observa-se que a
temperatura potencial equivalente praticamente não varia com a altura entre o topo da
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
58

camada de mistura (CM) e o nível de 3017 mgp. Atividade convectiva mais forte no dia 14
de março representa a principal causa da mudança na estrutura termodinâmica da
atmosfera. Neste dia a região está sob a influência de uma área de transição caracterizada
pela mudança nas condições atmosféricas com movimentos verticais intensos geralmente
observados no setor oeste do vórtice para condições mais estáveis sob a influência do
centro do VCAN.
Em síntese, independentemente do dia os perfis mostram condições atmosféricas
convectivamente e condicionalmente instáveis nos níveis mais baixos da atmosfera. A
presença da inversão de subsidência e camadas estáveis na média troposfera indica o forte
controle da escala sinótica com movimentos subsidentes e secagem da atmosfera. Estas
características representam um ambiente típico da diminuição na atividade convectiva,
formação de nuvens rasas e redução das chuvas.

5.2 ANÁLISES NUMÉRICAS

5.2.1 Simulação dos impactos da construção da represa de Sobradinho, e da
degradação ambiental associada às atividades agrícolas em áreas de Caatinga

5.2.1.1 Variabilidade nos fluxos turbulentos

A variabilidade espacial dos fluxos turbulentos é normalmente determinada pelas
características da superfície, topografia, disponibilidade de umidade no solo e resistência
estomática das plantas. No entanto, a redução no teor de umidade da atmosfera
normalmente referenciado como déficit de vapor da atmosfera, ou simplesmente como
déficit de pressão de vapor (DPV) representa um forte controle sobre a taxa da
evapotranspiração e pode afetar consideravelmente o balanço de energia em superfície e
consequentemente a distribuição espacial dos fluxos de calor sensível (H) e latente (LE).
Particularmente numa atmosfera sob a influência do VCAN a quantidade de
umidade presente na baixa e média atmosfera sofre variações acentuadas. A estrutura
termodinâmica na retaguarda do sistema é completamente diferente da área de intensa
nebulosidade e forte atividade convectiva nas regiões sob a influência do setor oeste do
VCAN. A atividade convectiva local afeta substancialmente a estratificação vertical do
vapor ao longo dos dias.
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
59


A Figura 5.2 mostra os campos da distribuição espacial dos fluxos de calor
sensível (H) e latente (LE) resultante da diferença entre as simulações ctg.pl.irg.cl
(experimento com cenário atual cujas mudanças no bioma Caatinga são determinadas pelas
alterações decorrentes da construção do lago de Sobradinho e inclusão de culturas de
sequeiro e dos perímetros públicos de irrigação) e ctg.sl (experimento de controle com o
cenário da cobertura vegetal nativa sem influências antrópicas) no horário das 15:00 HL
para os dias 14, 15 e 16 de março de 2005, respectivamente, no domínio da grade 2
(resolução de 2 km).
O horário das 15:00HL foi escolhido para ilustração dos resultados por representar
o período de máximo desenvolvimento das circulações forçadas termicamente (observado
geralmente entre 14:00 e 16:00HL).
Os efeitos das mudanças na cobertura do solo são visíveis em toda a área coberta
pelo domínio numérico. Nos dias 15 e 16 de março o impacto é mais nítido na região da
represa de Sobradinho, e nas áreas agrícolas. Valores extremamente baixos resultantes da
diferença entre as simulações mostram que na região inundada para formação do lago a
redução no H foi de 200 W/m
2
no dia 15 e de 250 W/m
2
no dia 16 de março.
A diminuição no fluxo de calor sensível (H) também foi substancial nas regiões
onde as plantas da Caatinga foram substituídas por agricultura irrigada atingindo valores da
ordem 180 W/m
2
no dia 15 e de 250 W/m
2
no dia 16 de março (Figuras 5.2c,e).
Especificamente na região do lago a queda nos valores de H é observada nos três dias (14,
15 e 16 de março) e pode ser explicada pelo aumento na disponibilidade de água na
superfície (área inundada). Neste caso a maior parte da energia em superfície é usada
para evaporar a água, reduzindo o fluxo de calor sensível.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
60


(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.2: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16 de março
(a), (c) e (e); e do calor latente LE(w/m
2
): nos dias: 14, 15 e 16 de março (b), (d) e (f)
obtida da diferença entre as simulações Caatinga, Culturas Irrigadas e Plantações com
lago (ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL.



Capítulo 5 – Resultados e Discussões
61

O controle exercido pelo DPV (Figura 5.3) explica a grande diferença na
configuração dos fluxos observada no dia 14 de março (Fig. 5.2a e b) quando comparada
com a distribuição horizontal de H e LE observada nos dias 15 e 16 de março (Fig.
5.2c,d,e,f). A alta concentração de vapor na atmosfera no dia 14 de março reduz
substancialmente a taxa de transpiração pelas plantas.
A configuração dos fluxos observada neste dia reflete basicamente os efeitos
resultantes da interação entre a forçante atmosférica (escoamento sinótico) e a
variabilidade na topografia local. A área de estudo está inserida no vale do São Francisco
com relevo complexo formado por áreas planas rodeadas de morros com diferentes
elevações. A topografia no domínio numérico coberto pela grade 2 é mostrada na Figura
5.4a.
Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água (DPV) para os dias 14, 15 e
16 de março construídos com base nos dados de pressões parciais do vapor d’água de
saturação e do ar extraídos da simulação ctg.pl.irg.cl para Petrolina PE (9,4S; 40,5W) são
mostrados na Figura 5.3. Observa-se que no dia 16 de março a atmosfera apresenta um
déficit de pressão de vapor bastante elevado, atingindo 18 hPa em superfície.


Figura 5.3: Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água DPV para os dias 14, 15 e 16 de
março de 2005. Os valores das pressões parciais do vapor d’água de saturação e do ar
foram obtidos para Petrolina com base na simulação com o cenário atual (ctg.irg.pl.cl).

A aparente organização dos fluxos H e LE, em faixas direcionadas no sentido
SE/NW é um indicativo de que a topografia é um dos fatores que influenciam fortemente a
distribuição horizontal e vertical dos fluxos de energia e água. A influência do terreno
também é observada na região do Lago de Sobradinho (LS). A área inundada para
formação do lago encontra-se rodeada de terrenos elevados.
14/MAR
15/MAR
16/MAR
16
516
1016
1516
2016
2516
3016
3516
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
A
l
t
u
r
a

(
m
g
p
)
DPV (hPa)
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
62

Valores nitidamente mais altos de LE de aproximadamente 340 W/m
2
são
observados a nordeste e ao sul do LS. Efetivamente nestes setores tem-se o efeito conjunto
do transporte de vapor pela brisa lacustre (BL) e pelos ventos de encosta, mecanismos
discutidos mais detalhadamente na próxima seção.


(a) (b)
Figura 5.4: Topografia (m) no domínio numérico da grade 2 (resolução de 2 km). A escala em cores
mostra a altura em metros. As isolinhas indicam contornos da topografia a cada 30
metros: (a); ocupação do solo no cenário ctg.irg.pl.cl. A escala em cores mostra os códigos
correspondentes ao tipo de vegetação: (b).

Esse mecanismo de transporte de vapor não é tão visível nas áreas de plantações
provavelmente decorrente do enfraquecimento dos gradientes térmicos entre a área
inundada e a vegetação. A mudança na configuração espacial dos fluxos nos dias 15 e 16
de março é um indicativo da redução no impacto da topografia em relação ao efeito de
outros processos físicos decorrentes da variabilidade nas condições atmosféricas. Com o
aumento no déficit de vapor da atmosfera o controle pelos estômatos no processo de
evapotranspiração passa a ser dominante, modificando a partição da energia líquida
disponível em H e LE.
Nos dias 15 e 16 de março, o impacto da substituição da vegetação nativa
(Caatinga) por plantações e culturas irrigadas é mais evidente nos campos de H e LE. A
queda nos valores de H resultante da diferença entre as simulações é bem acentuada, da
ordem de 50 W/m
2
nas áreas de plantações e de 250 W/m
2
nas regiões dos perímetros
irrigados e na área do Lago de Sobradinho.
Nos campos de LE o resultado da diferença entre as simulações (ctg.irg.pl.cl-
ctg.sl) mostra um aumento da evapotranspiração da ordem de 180 W/m
2
no dia 15 de
março onde a vegetação nativa foi substituída por plantações (vegetação de sequeiro e
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
63

pastagens) e de aproximadamente 380 W/m
2
no dia 16 de março nas regiões modificadas
pela implantação dos perímetros irrigados.
Os resultados obtidos para LE nos dias 15 e 16 de março mostram o efeito
conjunto do teor de umidade no solo e do déficit de vapor na atmosfera nos processos de
evapotranspiração. No dia 15 de março a diferença nos valores de LE pela substituição da
Caatinga por vegetação irrigada e plantações não é tão evidente quanto no dia 16 (maior
DPV) em que o efeito conjunto da grande quantidade de água no solo da região irrigada e
da redução no teor de vapor da atmosfera aumenta consideravelmente a taxa de
transpiração pelas plantas.
Esse resultado mostra também que a influência da mudança no uso da terra é
determinante quando comparada com o impacto do tipo de vegetação na distribuição dos
fluxos turbulentos. O impacto é maior nas regiões de vegetação irrigada decorrente da
mudança no uso da terra (mudança no teor de umidade do solo).

5.2.1.2 Mudanças no uso da terra e variabilidade no vento, temperatura e umidade
atmosférica

5.2.1.2.1 Temperatura e umidade

Os campos da distribuição espacial da temperatura T(ºC) e razão de mistura
r(g/kg) resultantes da diferença entre as simulações ctg.pl.irg.cl e ctg.sl no horário das
15:00 HL para os dias 14, 15 e 16 de março de 2005 são mostrados na Figura 5.5.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
64



(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.5: Distribuição espacial da temperatura do ar T(°C), e razão de mistura r(g/kg) obtida da
diferença entre as simulações Caatinga, culturas irrigadas e plantações, com lago
(ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL nos dias: (a,b) 14, (c,d) 15 e (e,f) 16
de março de 2005.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
65

Os valores indicam que as mudanças na cobertura do solo levam a uma queda na
temperatura e um aumento no teor de vapor da atmosfera independente do dia analisado. A
redução da temperatura na área de Sobradinho atinge valores da ordem de 3ºC. Este
resultado está em acordo com os obtidos por Correia e Silva Dias (2003) em um estudo
desenvolvido para avaliar os efeitos ambientais da propagação da brisa lacustre em
situações de cotas extremas do reservatório da usina de Sobradinho.
Nas superfícies vegetadas os efeitos da resistência estomática e o índice de área
foliar são características fundamentais na transferência de vapor para a atmosfera. No
entanto, em áreas com vegetação esparsa a umidade na camada superficial do solo tem
forte influência sobre a taxa de evaporação devido à grande fração de solo descoberto
(CORREIA, 2001; WALLACE et al., 1990).
A queda na temperatura do ar na região do perímetro irrigado Nilo Coelho atinge
valores da ordem de 1,5ºC. Esse valor é praticamente o dobro do encontrado por Correia et
al. (2006), para mesma região em condições ambientais semelhantes. A divergência nos
resultados pode ser atribuída às diferenças na representação dos processos biofísicos do
esquema de vegetação LEAF-3 usada nas simulações deste trabalho. Por outro lado, os
valores encontrados estão na mesma ordem de grandeza dos obtidos em estudos
semelhantes desenvolvidos em outras regiões (DOUGLAS et al., 2009).
Em síntese, observa-se que as áreas com maior concentração arbórea (perímetros
irrigados) no meio da Caatinga formam verdadeiras ilhas frias, também conhecidas como
“efeito oásis” por apresentar temperaturas inferiores às das áreas com vegetação esparsa. É
possível observar também que existe uma relação positiva entre a dimensão das áreas
irrigadas e a intensidade da circulação formada.
Nas áreas onde a vegetação nativa foi substituída por plantações os resultados da
simulação com o cenário atual mostram que a redução máxima na temperatura é da ordem
de 1ºC. A diferença na fração de cobertura da superfície e no albedo do tipo de vegetação
explica os valores encontrados. A influência da topografia na variabilidade espacial da
temperatura e umidade também é visível nos campos de T e r mostrados na Figura 5.5.
É importante ressaltar que a vegetação denominada de plantações, no LEAF-3,
usada para representar a agricultura de sequeiro dentro do domínio numérico é
caracterizada pela presença de culturas, plantações mistas do tipo C3 e pastagens (Quadro
4.1).
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
66

Analogamente à temperatura do ar, o aumento da umidade atmosférica observado
nos campos da razão de mistura é evidente nas áreas com plantações. O impacto na
umidade resultante da diferença entre as simulações é da ordem de 0,8 g/kg.

5.2.1.2.2 Vento horizontal e circulações induzidas termicamente

As circulações atmosféricas em escala local (meso-β e meso-γ) são controladas
por duas forçantes principais: o escoamento sinótico incluindo os mecanismos de interação
com a topografia e as circulações termicamente induzidas pela heterogeneidade na
cobertura vegetal e pelos contrates terra/água.
Os campos de vento resultantes da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e
ctg.sl mostrados juntamente com as configurações espaciais da temperatura e umidade para
os dias 14, 15 e 16 de março na Figura 5.6, indicam claramente uma alteração no padrão da
circulação local, no entanto, aparentemente restrita às áreas ao sul do Lago de Sobradinho
nos três dias de integração e ao sul do perímetro Nilo Coelho, nos dias 15 e 16 de março. O
acoplamento entre a brisa lacustre e os ventos de encosta explica a maior intensidade na
região do lago. Este resultado corrobora em parte com os encontrados por outros autores
em estudos desenvolvidos em áreas de represas (SHEN, 1998; CORREIA, 2001; STIVARI
et al., 2003; CORREIA et al., 2006). As diferenças são atribuídas às condições
atmosféricas vigentes em cada situação.
Trabalhos desenvolvidos em regiões diversas comprovam que em áreas de lagos
artificiais a brisa lacustre tem influência determinante na redução da temperatura e
aumento da umidade atmosférica no entorno do reservatório. Correia et al. (2006),
verificaram que a brisa lacustre formada pelo lago de Sobradinho atingiu a intensidade de
aproximadamente 4,5 m/s e alcançou o meridiano de 40,5º W, onde está localizada a
cidade de Petrolina situada a jusante do reservatório. As autoras observaram ainda uma
queda nos valores da temperatura em toda a área afetada pela brisa lacustre.
A circulação do tipo brisa observada ao sul do perímetro irrigado Nilo Coelho é
geralmente referenciada como circulação não clássica e é gerada pelo contraste de
temperatura entre as áreas com diferentes tipos de vegetação (Figura 5.6). O aumento no
déficit atmosférico de vapor DPV e o maior teor de umidade do solo na área irrigada
explicam a maior intensidade da circulação no dia 16 de março.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
67

Em síntese, os resultados mostram que o escoamento sinótico tem papel
fundamental na distribuição espacial das variáveis analisadas. No entanto, as circulações
induzidas pelas forçantes locais (terreno acidentado, contrastes terra-água, contraste entre
tipos de vegetação) de intensidades relativamente mais fracas representam condicionantes
locais importantes e modulam o escoamento de grande escala. Esse efeito pode ser visto
nos campos do escoamento no domínio numérico com e sem o vento sinótico resultantes
da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl mostrados na Figura 5.6.
A configuração espacial do escoamento sinótico sob a influência do VCAN
(Figuras 5.6a,c, e) mostra que o vento horizontal tem direção variável sendo relativamente
mais fraco e praticamente de leste no dia 14, mudando gradualmente de intensidade e
direção ao longo do período de integração. No dia 16 de março o vento é mais forte e de
sudeste.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
68



(a)


(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.6: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de
2km) as 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl.
Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de março e (e) 16 de março.
Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.

A configuração espacial do vento horizontal (sem o escoamento sinótico)
resultante das simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl para os dias 14, 15 e 16 de março mostrada
nas Figuras 5.6b,d,f indica que a brisa lacustre e os ventos de encosta nas regiões com
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
69

topografia mais pronunciada alteram o padrão de vento associado com a grande escala.
Este resultado mostra que o lago e a topografia representam forçantes de superfície
importantes no domínio analisado.
O grau de influência das forçantes locais e de grande escala na estrutura dinâmica
e termodinâmica da camada limite atmosférica (CLA) pode ser avaliado com base nas
seções verticais da componente zonal do vento u(m/s), temperatura potencial θ(ºC) e da
razão de mistura r(g/kg) obtidas da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl para
os casos com e sem o vento sinótico mostradas nas Figuras 5.7, 5.8 e 5.9.
Nas simulações sem o escoamento sinótico (Figuras 5.7a, c, e) verifica-se que
independente do dia analisado, a estrutura vertical da componente zonal no horário da
15:00 HL mostra claramente o efeito da mudança no padrão de vento local com a formação
da brisa lacustre na região do lago de sobradinho. A intensidade máxima da circulação
varia de 1,8 m/s no dia 14 a 3 m/s, no dia 16 de março.
A queda no DPV ao longo dos dias é um dos fatores responsáveis pela elevação
nas taxas de evapotranspiração provocando a redução da temperatura em superfície e
consequentemente o aumento nos gradientes de umidade e temperatura do ar acima das
superfícies com propriedades diferentes (terra, água e vegetação). Quanto maior a
diferença de temperatura entre as superfícies maior é a intensidade das circulações
desenvolvidas localmente.
Como pode ser visto na Figura 5.7 a brisa lacustre aparece como uma célula
fechada com movimentos descendentes sobre o lago (mais frio) e ascendentes nas áreas
circunvizinhas. Por continuidade de massa nota-se que em níveis mais altos há uma
circulação de retorno, no sentido terra/água. A brisa lacustre é, portanto, responsável por
movimentos convectivos e transporte de umidade da área do lago para as regiões situadas
no entorno da represa.
Embora com intensidade bem menos intensa que a da BL é possível detectar a
existência de uma circulação do tipo não clássica nos dias 15 e 16 de março, na região do
perímetro Nilo Coelho. O escoamento de retorno no dia 16 de março em aproximadamente
600 metros de altura associado com a brisa vegetação (BV) é bastante nítido. Essa
circulação atinge intensidades da ordem de 0,8 m/s (Figura 5.7e).

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
70

Nos dia 15 e 16 de março verifica-se um aumento na intensidade da componente
zonal do vento na área irrigada. Três fatores são determinantes para esse resultado: as
diferenças na umidade do solo e fração de cobertura vegetada em áreas de Caatinga e de
culturas irrigadas e a direção do escoamento de grande escala.
As seções transversais da componente zonal incluindo o vento sinótico são
mostradas nas Figuras 5.7 b, d, f. Verifica-se que embora o escoamento de grande escala
seja claramente dominante nos três dias analisados, o efeito das circulações induzidas pelas
mudanças em superfície principalmente na área do lago de Sobradinho afeta toda a
estrutura da CLA. A intensidade desse efeito varia com a direção do escoamento sinótico.
Um aspecto interessante observado nas seções transversais da componente zonal
incluindo a influência do escoamento de grande escala e principalmente detectado no dia
15 de março é o vento predominantemente de leste na camada entre 900 e 1200 metros
com intensidade de até 1,2 m/s. Abaixo desta camada o vento é de oeste, com exceção da
camada acima do lago de Sobradinho. Neste horário, o nível de 900 metros coincide com a
base de uma camada atmosférica seca e convectivamente estável associada com a inversão
de subsidência e que limita (“impede”) a transferência de calor e umidade para os níveis
mais altos e desenvolvimento vertical das nuvens. Este nível também determina o topo da
camada de mistura como pode ser visto no perfil da temperatura potencial mostrado na
Figura 5.7b.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
71

(a) (b)
(c) (d)
(e)

(f)
Figura 5.7: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9,4ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a)
(c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a
posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza).



Capítulo 5 – Resultados e Discussões
72

Seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura obtidas da
diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl às 15:00 HL, com e sem a influência do
vento sinótico são mostradas nas Figuras 5.8 e 5.9. O efeito de Sobradinho é visivelmente
mais intenso no dia 16 de março de 2005. Quando considerados apenas os efeitos das
forçantes em superfície (Figura 5.8e) a queda da temperatura do ar na área do lago atinge
valores da ordem de 2,5º C. A redução máxima da umidade atmosférica é de 3,6g/kg.
A redução na razão de mistura resultante da diferença entre as simulações
ctg.irg.pl.cl e ctg.sl de 3,6 no nível de 1200 m para 0,4 na superfície na área do LS e de 1,2
em 1200 m para 0,4 em torno de 600 m sobre a área irrigada indica o efeito de movimentos
descendentes e transporte do ar mais seco associados com movimentos divergentes, em
superfície, gerados pelas brisas lacustre e de vegetação.
As seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura com a
inclusão do escoamento sinótico mostram que as mudanças na cobertura da superfície
foram responsáveis pelo resfriamento e umedecimento na CLA. O aumento do DPV ao
longo dos dias e a intensificação dos processos turbulentos e movimentos convectivos
foram responsáveis pelo aprofundamento da camada de mistura no dia 16 de março de
2005 e pelo rompimento da camada estável transportando ar mais úmido e mais frio da
superfície para níveis mais altos. O efeito do transporte de umidade resultante da interação
entre o escoamento de grande escala e as circulações termicamente induzidas é visível no
nível de 1500 m na Figura 5.9f. É possível detectar um núcleo com valores da ordem de
1,2g/kg na longitude de aproximadamente 40,2°W resultante da diferença entre as
simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl.
Verifica-se que nas simulações com a inclusão do vento sinótico, independente do
dia analisado, os resultados mostram valores negativos da temperatura potencial e positivos
da razão de mistura em toda a camada abaixo de 1200m indicando o umedecimento e
resfriamento da CLA nas áreas do lago de Sobradinho e do perímetro Nilo Coelho.
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
73

(a) (b)
(c)

(d)
(e) (f)
Figura 5.8: Corte transversal da temperatura potencial (ºC) na latitude de 9,4ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a)
(c) e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a
posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza).
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
74

(a) (b)
(c) (d)
(e) (f)
Figura 5.9: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9,4ºS, às 15:00 HL, resultante
da diferença entre as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e), e
com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago
(cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
75

Os resultados mostram, portanto, que a estrutura da CLA foi substancialmente
afetada pelas forçantes locais, porém, o controle da grande escala foi determinante nos
processos convectivos e transporte vertical de água e energia. Os processos convectivos
têm influência direta na formação de nuvens e precipitação.

5.2.1.2.3 Validação dos resultados

A evolução diária da temperatura do ar, do saldo de radiação e dos fluxos
turbulentos simulados com o modelo RAMS para o cenário ctg.irg.pl.cl e calculados pelo
método da correlação turbulenta com dados coletados na estação micrometeorológica de
Petrolina é mostrada na Figura 5.10. A semelhança entre as curvas indica que os resultados
numéricos são aceitáveis e que o uso do esquema de superfície LEAF-3 do RAMS
representa uma boa ferramenta de análise dentro dos objetivos propostos nesta pesquisa.
As discrepâncias entre os valores observados/calculados e simulados são esperadas em
função de limitações intrínsecas das configurações dos experimentos numéricos (resolução,
condições de contorno) ou da técnica de correlação turbulenta (falhas frequentes nas
medições são observadas em dias chuvosos).

(a)

(b)

(c)

(d)
Figura 5.10: Evolução temporal: (a) fluxos de calor sensível, H(W/m²), (b) calor latente LE (W/m²), (c)
radiação liquida Rn(W/m2) e (d) temperatura do ar T(°C) simulados (em vermelho) e
calculados (em preto) na localização da torre micrometeorológica de Petrolina (9,0585°S;
40,3292°W).
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
76

5.2.1.3 Mudanças no uso da terra e variabilidade na atividade convectiva local

A estrutura termodinâmica da atmosfera tem relação direta com o tipo de
convecção úmida desenvolvida numa região. O transporte vertical de energia aumenta a
instabilidade e contribui com a formação de nuvens e chuva. Neste contexto, as análises
apresentadas nesta seção foram feitas com o objetivo de avaliar a influência de mudanças
no uso da terra no grau de instabilidade da atmosfera e na precipitação de origem
convectiva.
Valores da temperatura, pressão e umidade atmosférica obtidos com a simulação
ctg.irg.pl.cl as 15:00 HL foram usados na construção de perfis verticais das temperaturas
potencial, potencial equivalente e potencial equivalente de saturação mostrados na Figura
5.11.
Os perfis verticais do dia 14 de março mostram uma atmosfera úmida e bastante
misturada entre a superfície e o nível de 1014 mgp. As temperaturas potencial e potencial
equivalente entre a superfície e o nível de 900 hPa são praticamente constantes com a
altura (∂θ/∂z=0 e (∂θ
e
/∂z=0) determinando a profundidade da camada de mistura (CM). O
topo da CM coincide com base da camada de inversão de subsidência caracterizada pelo
afastamento brusco entre as curvas de θ
e
e θ
es.
. Conforme mencionado anteriormente o ar
nesta camada é menos úmido e convectivamente estável (secagem atmosférica). A
atmosfera também se encontra convectivamente instável (∂θ
e
/∂z<0) e condicionalmente
instável (∂θ
es
/∂z<0) na camada entre a superfície e o nível de 900 hPa.
Nitidamente a subsidência torna-se mais intensa e acentua a inversão de
temperatura (maior estabilidade nos níveis médios) ao longo do período tornando a
atmosfera mais seca nos dias 15 e 16 de março (maior afastamento entre as curvas de θ
e
e
θ
es.
). Dois mecanismos podem contribuir com essa intensificação: se considerada a escala
local, normalmente após a passagem de sistemas convectivos precipitantes ocorre um
resfriamento nos baixos níveis, estabiliza a atmosfera e provoca uma queda na temperatura
potencial equivalente. No ambiente da grande escala sob influência do centro do VCAN o
movimento descendente contribui com o aprofundamento da base da inversão de
subsidência.
A queda brusca da temperatura potencial equivalente com a altura entre a
superfície e o nível de aproximadamente 1290 mgp observada no dia 15 de março indica
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
77

que a atmosfera é potencialmente instável e, portanto, favorável a ocorrência de atividade
convectiva.
A análise das circulações atmosféricas de mesosescala tem papel relevante em
estudos para determinação de mecanismos dinâmicos favoráveis ou inibidores da chuva
convectiva. Áreas com fluxo de ar predominantemente convergente são particularmente
propícias ao desenvolvimento da convecção. Nestas áreas, a intensidade da energia
convectiva disponível (CAPE) e de outras medidas do potencial para convecção aumenta
em resposta à convergência dos ventos associados com a circulação desenvolvida
localmente. O movimento vertical nestas regiões representa um mecanismo importante na
liberação da instabilidade potencial e atua como um gatilho para o início da convecção e
desenvolvimento de sistemas precipitantes.
Em síntese, a estrutura espacial do aquecimento em superfície determinada pela
heterogeneidade da cobertura do solo tem influência direta na intensidade da atividade
convectiva local.
(a) (b)

(c)
Figura 5.11: Perfis verticais de θ, θ
e
e θ
es
, obtidos com dados extraídos da simulação Caatinga, áreas
irrigadas, plantações com lago (ctg.irg.pl.cl) realizada com o modelo RAMS: (a) dia 14;
(b) dia 15 e (c) dia 16 de março de 2005.

A influência das circulações atmosféricas induzidas termicamente na geração ou
dissipação da CAPE e formação de chuva convectiva no domínio numérico foi avaliada
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
78

para localidades estrategicamente selecionadas no cenário ctg.irg.pl.cl. A posição
geográfica destas localidades é indicada pelos pontos P1, P2, P3, P4 e P5 mostrados na
Figura 5.12.



Figura 5.12: Localidades selecionadas para o cálculo da Energia potencial convectiva disponível
(CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário
ctg.irg.pl.cl. A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1, P2, P3,
P4 e P5.

Energia potencial convectiva disponível (CAPE) é um parâmetro que depende
simultaneamente da estrutura vertical da atmosfera e das condições em superfície. A
evolução temporal da CAPE nas localidades P1, P2, P3, P4 e P5 e da precipitação
convectiva acumulada nos dias 14, 15 e 16 de março é mostrada na Figura 5.13. Os valores
mais elevados da CAPE são observados no dia 14 de março atingindo aproximadamente
2250 J/kg às 15:00 HL. Verifica-se que passado o período de atividade convectiva mais
intensa a CAPE é “consumida” e a instabilidade é reduzida rapidamente. Durante ou
depois da chuva valores da CAPE normalmente são mais baixos confirmando a hipótese de
quase equilíbrio de Arakawa-Schubert (1974). A precipitação convectiva gera correntes
descendentes que estabilizam o ambiente e reduz a energia potencial disponível para
convecção.
A influência de forçantes locais na variabilidade da CAPE e da precipitação
convectiva acumulada é mais visível nos dias 15 e 16 de março. O ciclo diurno de
aquecimento da superfície é facilmente detectado nas curvas da CAPE com valores mais
elevados entre 09:00 e 16:00 HL para as cinco localidades P1, P2, P3, P4 e P5 como pode
ser visto na Figura 5.13a.
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
79



(a)


(b)
Figura 5.13: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação
convectiva acumulada nas localidades P1, P2, P3, P4 e P5 no domínio numérico do
cenário ctg.irg.pl.cl.: (b).

Os valores mais altos da CAPE são observados na região P1 representados pela
linha preta e os mais baixos na localidade P5 indicados pela linha rósea. É interessante
notar a relação inversa entre CAPE e a precipitação convectiva acumulada (PCONV).
Enquanto a CAPE atinge os valores mais altos na região P1, a PCONV é mínima. Os
valores menores da CAPE são observados na região P5 onde a PCONV é máxima.
As análises até o momento mostram que os mecanismos dinâmicos e
termodinâmicos em grande escala determinaram a distribuição vertical do vapor de água
observada na atmosfera, variabilidade na CAPE e o desenvolvimento da precipitação
convectiva no dia 14 de março. Por outro lado, os resultados também indicam que
0
250
500
750
1000
1250
1500
1750
2000
2250
2500
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E

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J
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k
g
)
Hora (HL)
ctg.irg.pl_P1 irg.pl_P2 irg.pl_P3 irg.pl_P4 irg.pl_P5
0,0
2,5
5,0
7,5
10,0
12,5
15,0
17,5
20,0
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h
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A
c
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m
u
l
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d
a

(
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m
)
Hora (HL)
ctg.irg.pl_P4 ctg.irg.pl_P3 ctg.irg.pl_P2 ctg.irg.pl_P1 ctg.irg.pl_P5
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
80

forçantes em superfície têm influência na CAPE da região. Variáveis termodinâmicas
obtidas com as simulações ctg.sl e ctg.irg.pl.cl mostram uma relação praticamente linear
entre a CAPE e a temperatura potencial equivalente em superfície. Esta correlação também
foi encontrada por outros autores (SILVA et al., 2008; MACHADO e LAURENT, 2000).
A Figura 5.14 mostra a evolução temporal da temperatura potencial equivalente e
da CAPE obtida com as simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl. Os efeitos da topografia e
heterogeneidade da cobertura do solo na variação destes parâmetros são mais evidentes nos
valores obtidos para dias 15 e 16 de março nas regiões P1 e P5.
Na região P1 o valor da temperatura potencial equivalente aumentou de 344,1
(ctg.sl) para 345,2 (ctg.irg.pl.cl) no dias 15 e de 347,6 (ctg.sl) para 348,4 (ctg.irg.pl.cl) no
dia 16 de março as 15:00 HL. No mesmo período a elevação na CAPE na região P1 foi de
471,5 (ctg.sl) para 685,5 (ctg.irg.pl.cl) no dia 15 as 15 HL e de 342,4 para 447,7 no dia 15
e de 366,8 para 413,6 as 15 HL do dia 16 de março.
O valor da CAPE foi de aproximadamente 700 J/kg no dia 15 e de 1000 J/kg no
dia 16 março. O aumento nas taxas de evapotranspiração decorrente da substituição da
Caatinga por plantações explica esse resultado. Entretanto, apenas a mudança no teor de
umidade da atmosfera não é suficiente para liberar a instabilidade potencial e gerar
precipitação convectiva.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
81



Figura 5.14: Evolução temporal da temperatura potencial equivalente e da CAPE obtida com as
simulações ctg.irg.pl.cl e ctg.sl nas localidades P1(9ºS;40,6ºW) e P5(9,54ºS;40,9ºW)
situadas no domínio numérico.

A curva da evolução da CAPE para localidade P5(9,54ºS; 40,9ºW) mostra que
apesar das semelhanças com comportamento da energia potencial convectiva observado
em P1(9ºS; 40,6ºW) os valores foram substancialmente mais baixos como pode ser visto
na Figura 5.14. No entanto, o valor máximo da precipitação convectiva acumulada foi
observado nesta área. A convergência associada com circulações termicamente induzidas
(brisa lacustre e vento de encosta) e a interação com o escoamento de grande escala foi
determinante na geração de correntes ascendentes, liberação da instabilidade convectiva e
desenvolvimento da chuva. O efeito e localização dos centros de convergência variam com
a direção e intensidade do escoamento de grande escala.

335
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q
.

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)
Hora (HL)
ctg.irg.pl.cl ctg.sl
P1 (9,0 S; 40,6 W)
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Hora (HL)
ctg.irg.pl_P1 ctg_P1
P1 (9,0 S; 40,6 W)
335
340
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P
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t
.

E
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.

(
K
)
Hora (HL)
ctg.irg.pl.cl ctg.sl
P5 (9,53 S; 40,9 W)
0
250
500
750
1000
1250
1500
1750
2000
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J
/
k
g
)
Hora (HL)
ctg.irg.pl.cl ctg.sl
P5 (9,53 S; 40,9 W)
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
82

5.2.2 Expansão da agricultura irrigada e efeitos na interação superfície-atmosfera

5.2.2.1 Considerações

O pólo Juazeiro/Petrolina (área foco deste estudo) apresenta a maior concentração
de projetos de irrigação, polarizado pelas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) no
Submédio do rio São Francisco. Os sete projetos públicos em operação compreendem
36,38 % da área irrigada de todo o Vale (44.378 ha). O impacto da implantação destes
perímetros nas trocas de energia e água entre a superfície e a atmosfera foi analisado no
capítulo anterior. Sabe-se, no entanto, que os investimentos privados são ainda bem mais
intensos na região e que efetivamente há cerca de 100 mil hectares irrigados, com
capacidade de expansão para chegar a 200 mil hectares (SOBEL, 2006).
Neste contexto, as análises apresentadas neste capítulo foram feitas a partir de
simulações numéricas para um cenário de mudanças extremas no uso do solo pela
expansão da agricultura irrigada (ctg.irg.cl ). Com esse objetivo as áreas cobertas com
plantações, no domínio numérico, foram transformadas em vegetação irrigada. Nesta
simulação não são considerados os efeitos da vegetação de sequeiro (plantações).

5.2.2.2 Variabilidade nos fluxos turbulentos

A distribuição horizontal dos fluxos turbulentos de calor sensível e latente obtida
com a diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl, com e sem o vento sinótico, para os
dias 14, 15 e 16 de março as 15 HL é mostrada nas Figuras 5.15 e 5.16.
Visivelmente a queda no fluxo de calor sensível aumenta ao longo dos dias. No
dia 14 a redução no H é da ordem de 200 W/m
2
, semelhantes aos valores observados na
região da represa de Sobradinho (detectada como a área de maior impacto ambiental na
simulação ctg.irg.pl.cl).
O aumento no fluxo de calor latente atinge valores da ordem de 310 W/m
2
. A
elevação do LE na simulação dos efeitos da substituição da Caatinga por agricultura de
sequeiro/pastagens (plantações) foi de aproximadamente 220 W/m
2
para a mesma região. A
intensificação nas circulações do tipo brisa pelo aumento no contraste térmico entre a
vegetação irrigada e a Caatinga é um dos fatores que contribui para esse resultado.
A mudança também é perceptível na distribuição espacial do calor latente.
Semelhante ao que foi observado na análise com o cenário anterior (ctg.irg.pl.cl) o controle
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
83

pela grande escala nos processos de evapotranspiração é dominante no dia 14 de março.
No entanto, os resultados também indicam que circulações desenvolvidas localmente têm
papel importante e que a topografia destaca-se como a forçante local de maior impacto na
distribuição espacial dos fluxos turbulentos. Os efeitos locais são realçados e, portanto,
mais claramente observados nas simulações sem a inclusão do escoamento sinótico (Figura
5.16b).
Valores mais altos dos fluxos turbulentos são observados no entorno da extensa
área coberta com vegetação irrigada no centro do domínio numérico. Dois mecanismos
contribuem para este resultado, a brisa de vegetação (BV) e os ventos de encosta
(anabáticos). Grande parte da região com agricultura irrigada está situada nos terrenos mais
baixos do Vale.
Nos dias 15 e 16 de março os campos da distribuição horizontal de LE (Figuras
5.16c e e) indicam uma elevação na taxa de evaporação do solo e transpiração pelas plantas
com o aumento do DPV (secagem da atmosfera). Nas áreas irrigadas a maior parte da
energia absorvida pela superfície é transformada em calor latente. Com a expansão da área
com irrigação a queda no fluxo de calor sensível foi da ordem de 180 W/m
2
no dia 15 e de
230 W/m
2
no dia 16 de março.
Vale ressaltar que os dias analisados neste trabalho estão contidos no período
úmido da região e, portanto, com alta disponibilidade de umidade no solo independente da
cobertura vegetal. A quantidade de energia que atinge a superfície (radiação de onda curta e
onda longa) é fortemente determinada pela estratificação de vapor na atmosfera e
representa o fator limitante de maior impacto na evapotranspiração.


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
84


(a) (b)
(c) (d)
(e) (f)
Figura 5.15: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16 de março
obtida da diferença entre as simulações Caatinga, Culturas Irrigadas com lago
(ctg.irg.pl.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) às 15:00 HL. Com vento sinótico (a), (c) e (e); e
sem vento sinótico (b), (d) e (f).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
85




(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.16: Distribuição espacial do fluxo de calor latente LE (W/m²) nos dias: 14, 15 e 16 de março
obtida da diferença entre as simulações Caatinga, Culturas Irrigadas com lago (ctg.irg.
cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) às 15:00 HL. Com vento sinótico (a), (c) e (e); e sem vento
sinótico (b), (d) e (f).

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
86

Condições atmosféricas definidas pela atuação do VCAN tendem a reter grandes
quantidades de umidade na baixa atmosfera. Dado que as condições de contorno da grande
escala são idênticas nas duas simulações (ctg.irg.cl e ctg.sl) as alterações verificadas nos
resultados obtidos com a diferenças entre os campos das variáveis além de ressaltar o
efeito das forçantes em superfície indicam que as circulações induzidas termicamente
podem modular os processos climáticos de escala maior. Resultados semelhantes foram
obtidos em estudos para outras regiões (CHASE et al., 2000; ZHAO et al., 2001).
A distribuição horizontal do fluxo de calor latente é mais homogênea nas
simulações com o vento sinótico. Com a geração das circulações do tipo brisa pelo
contraste entre Caatinga e vegetação irrigada tem-se um transporte de vapor no sentido
centro-periferia mais nitidamente observado nas simulações sem o escoamento sinótico.
Esse mecanismo explica a variabilidade no LE com valores mínimos no centro da região
vegetada (Figura 5.16 b,d,f).
As circulações geradas pela diferenças no teor de umidade do solo e das
propriedades biofísicas dos diferentes tipos de vegetação são nitidamente observadas nos
campos do vento horizontal resultantes da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl
para os dias 14, 15 e 16 de março as 15:00 HL, com e sem o vento sinótico mostrados na
Figura 5.17. A dinâmica de grande escala condicionada pela atuação do VCAN associada
com o relevo complexo do Vale gera zonas de confluência dos ventos e movimentos
convectivos (Figuras 5.17a,c,e).











Capítulo 5 – Resultados e Discussões
87


(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.17: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução
de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl . e ctg.sl.
Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de março e (e) 16 de março.
Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.




Capítulo 5 – Resultados e Discussões
88

5.2.2.3 Temperatura e umidade

Os campos da distribuição espacial da temperatura T(ºC) e razão de mistura
r(g/kg) resultantes da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl às 15:00 HL nos dias
14, 15 e 16 de março de 2005 são mostrados nas Figuras 5.18 e 5.19. Semelhante ao que
foi observado nos resultados da simulação com plantações (ctg.irg.pl.cl) mostrados no
capítulo anterior, o impacto do aumento no DPV é nítido na configuração espacial da
temperatura. Em ambos os casos, com e sem o escoamento sinótico, tem-se uma
intensificação na queda da temperatura do ar em superfície ao longo dos dias.
Por outro lado, observa-se que na região de Sobradinho, a redução na T é de 3,5ºC
na simulação incluindo a influência da grande escala, visivelmente mais baixa quando
comparada com a simulação sem a influência da grande escala. Na simulação sem o vento
sinótico a redução foi de 4,3ºC. No entanto, os valores observados na área irrigada
mostram comportamento inverso. A temperatura do ar atinge valores bem mais baixos nas
simulações com a influência da grande escala. A explicação está na influência do controle
estomático pela vegetação. O transporte de ar pelo escoamento de grande escala na área
vegetada aumenta a taxa de evapotranspiração causando uma maior redução na
temperatura do ar.
Outro aspecto importante que deve ser considerado nas simulações incluindo as
condições atmosféricas de grande escala é o efeito dos processos de microfísica. A
formação de nuvens e precipitação aumenta a umidade em superfície, as taxas de
evapotranspiração e a queda na temperatura.
Estes mecanismos são mais evidentes nos campos da razão de mistura obtidos
com a diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl, com e sem o escoamento sinótico,
mostrados na Figura 5.19.
Nos dias 15 e 16 de março, observa-se visivelmente que o aumento no teor de
umidade do ar é maior na simulação com a inclusão dos mecanismos de grande escala.
Essa elevação, entretanto, não é observada no campo da razão de mistura para o dia 14 de
março. Possivelmente, grande parte do vapor existente na atmosfera foi condensada e
precipitada na forma de chuva.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
89

(a) (b)
(c) (d)
(e) (f)
Figura 5.18: Distribuição espacial da temperatura do ar (ºC) a 15 m da superfície no domínio da grade
2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl .
e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de março e (e) 16 de
março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
90

(a) (b)
(c) (d)
(e) (f)
Figura 5.19: Configuração espacial da razão de mistura (g/kg) a 15 m da superfície no domínio da
grade 2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações
ctg.irg.cl . e ctg.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março; (c) 15 de março e (e) 16
de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março; (d) 15 de março e (f) 16 de
março.


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
91

5.2.2.4 Circulações termicamente induzidas e estrutura da camada limite atmosférica
(CLA)

Seções transversais da componente zonal do vento com e sem a influência do
escoamento sinótico nas latitudes de 9ºS (área com maior extensão coberta com vegetação
irrigada) e obtidas com a diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl são mostradas na
Figura 20.
A variabilidade no cisalhamento vertical do vento zonal na CLA decorrente das
mudanças na cobertura vegetal é praticamente restrita a camada entre a superfície e topo da
inversão de subsidência (INV). No dia 14 o vento é predominantemente de leste (valores
negativos) na camada entre 900 e 1500 metros e de oeste (valores positivos) na camada
abaixo de 900 metros. A atividade convectiva ainda presente na região pela atuação do
VCAN é dominante nos processos de distribuição vertical de vapor na atmosfera, formação
de nuvens e quantidade de da radiação que atinge a superfície. O alto teor de vapor e
nuvens reduz os gradientes de temperatura entre as áreas irrigada e coberta com Caatinga
enfraquecendo as circulações termicamente induzidas. As brisas desenvolvidas pela
descontinuidade na superfície são mais claramente observadas na simulação sem a
influência do vento sinótico (Figura 20b, d, f).
Nos dias 15 e 16 de março a influência das forçantes em superfície na estrutura da
CLA é nítida nas simulações com e sem o vento sinótico. O escoamento é de oeste entre a
superfície e o nível de 900 metros na região onde as plantações (cultivos de sequeiro e
pastagens) foram substituídas por vegetação irrigada. Acima deste nível verifica-se um
aumento na intensidade da componente zonal resultante interação entre o escoamento
básico e a circulação de retorno.
Em síntese, a expansão da agricultura irrigada modificou o padrão de vento local
gerando uma circulação no sentido leste (da área irrigada para região de Caatinga). A
convergência na frente da brisa na longitude de 40,2ºW é facilmente detectada nos campos
da simulação sem o vento sinótico onde a componente zonal atinge a intensidade de
aproximadamente 2m/s. O contraste térmico gerado pelos diferentes tipos de vegetação
explica a intensificação da componente zonal. A circulação local é mais intensa no dia 16
de março (maior DPV).

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
92


(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.20: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a) (c)
e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a área
coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
93

Outro aspecto interessante observado nos resultados da simulação da expansão da
agricultura irrigada é o desenvolvimento de uma célula de circulação convergente em
superfície centrada em 9,0ºS e 41,25ºW. Efetivamente, a formação desta célula é resultado
da atuação de dois sistemas de vento local ilustrados no esquema da Figura 5.21.


(a)

(b)
Figura 5.21 Seção transversal da topografia no domínio numérico na latitude de 9ºS e esquema
ilustrativo da circulação de encosta e escoamento convergente centrado em 41,25ºW: (a)
cenário ctg.irg.pl.cl e (b) cenário ctg.irg.cl .

O primeiro denominado de vento de encosta (anabático) é gerado pelo efeito
térmico da topografia (aquecimento diferenciado) e tem circulação predominantemente de
leste. O segundo é forçado pelo contraste na cobertura vegetal entre as áreas cobertas com
cerrado e vegetação irrigada denominado de brisa de vegetação BV.
A circulação resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl gera um
escoamento convergente na direção do cerrado em superfície e divergente no nível de 1200
metros (circulação de retorno).
A substituição de plantações por vegetação irrigada aumenta a diferença na
temperatura do ar na fronteira entre os dois tipos de vegetação (gradiente de temperatura) e
intensifica a convergência. O impacto dessa circulação é perceptível também nos campos
da razão de mistura mostrados na Figura 5.19. Nos dias 15 e 16 de março observa-se
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
94

claramente um núcleo de valores mais elevados de r(g/kg) centrado em 9,0ºS e 41,25ºW,
resultante do transporte de ar mais úmido na região do.

5.2.2.5 Camada de mistura

Seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura na latitude de
9ºS obtidas da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl às 15:00 HL, com e sem a
influência do vento sinótico são mostradas nas Figuras 5.22 e 5.23. A barra no eixo das
abscissas indica a extensão da área coberta com vegetação irrigada (cor cinza) e por
cerrado (cor preta).
Semelhantemente ao observado nas seções transversais da componente zonal do
vento verifica-se que os impactos da expansão da agricultura irrigada na temperatura
potencial são praticamente restritos à camada entre a superfície e o topo da inversão de
subsidência (INV).
Mecanismos físicos associados com a formação de nuvens têm influência direta
no desenvolvimento e manutenção da CLA bem misturada. Fluxos turbulentos e entrada de
ar seco no topo da CLA determinam o crescimento da CLC (camada limite convectiva). O
cisalhamento do vento em superfície e a camada de inversão intensificam estes processos.
O alto teor de umidade da atmosfera no dia 14 reduz a taxa de evapotranspiração e
diminui o efeito das forçantes locais. A brisa de vegetação é observada apenas na
simulação sem o vento sinótico (Figura 5.20b). No entanto, nos dias 15 e 16 de março, a
BV é facilmente detectada nos resultados da simulação com e sem a influência do vento
sinótico. A interação entre a BV e o escoamento básico gera zonas de convergência
próxima a superfície e transfere ar úmido para níveis mais elevados.
Em síntese, os gradientes de temperatura geram gradientes de pressão entre a
Caatinga e a vegetação irrigada. Em resposta aos gradientes de pressão as circulações se
desenvolvem no final da manhã. Convergência em superfície nas vizinhanças das áreas
irrigadas intensificada pelo escoamento sinótico gera correntes ascendentes e transporte de
ar mais frio e úmido para níveis acima da camada de mistura (Figuras 5.22c, e e 5.23c, e).
A dinâmica da CLA, portanto, passa do regime de transporte turbulento para um regime
cujo transporte de calor e água é dominado pelos fluxos de mesoescala.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
95



(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.22: Corte transversal da temperatura potencial (ºK) na latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL,
resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a) (c)
e (e), e com o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a área
coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
96


(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.23. Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL, resultante
da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e), e com
o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com
cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).



Capítulo 5 – Resultados e Discussões
97

O efeito das circulações de mesoescala induzidas é ainda mais intenso na região
do lago de Sobradinho. A Figura 5.24 mostra seções transversais da componente zonal do
vento, temperatura potencial e razão de mistura na latitude de 9,4ºS (o setor engloba
diferentes cobertura do solo, incluindo água (lago Sobradinho), irrigação (Nilo Coelho) e
Caatinga). Os resultados foram obtidos com a diferença entre as simulações ctg.irg.cl e
ctg.sl, com e sem o vento sinótico, para o dia 15 de março as 15:00 HL.
Na simulação sem a inclusão do vento sinótico verifica-se que com a substituição
das plantações por vegetação irrigada dois mecanismos atuam sobre o efeito da brisa
lacustre além dos ventos anabáticos. O primeiro associado ao efeito térmico gera uma
circulação no sentido oposto ao da brisa lacustre (a taxa de resfriamento do ar pela
evapotranspiração da irrigação no entorno da represa é mais baixa do que a queda na
temperatura pelo efeito da substituição da Caatinga por uma superfície de água na região
do lago). O segundo mecanismo também atua no sentido oposto impedindo a propagação
da brisa lacustre (BL). Efetivamente trata-se do efeito da fricção produzida pela rugosidade
da vegetação. A Figura 5.25 mostra um esquema com a topografia do modelo a
descontinuidade na cobertura vegetal na latitude de 9,4ºS e os principais sistemas de vento
local.
Os campos resultantes da interação entre as forçantes locais e o escoamento de
grande escala mostram que as circulações de mesoescala geradas pela descontinuidade na
superfície são dominantes nos processos de advecção e transporte vertical de energia e
vapor para o topo da CLA.
Valores mais altos e positivos da componente zonal resultante da diferença entre
as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl mostram a intensificação do escoamento de oeste entre os
níveis de 1500 e 1800 metros. Nesta camada também se observam valores negativos da
temperatura potencial e valores positivos da razão de mistura. Este resultado indica o
umedecimento e resfriamento nos níveis mais altos da CLA resultante do transporte de
pelos fluxos de mesoescala do ar mais úmido e mais frio próximo da superfície.




Capítulo 5 – Resultados e Discussões
98


(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)
Figura 5.24: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s), temperatura potencial (ºK) na
latitude de 9,0ºS, às 15:00 HL, resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e
ctg.sl com o vento sinótico: (a) (c) e (e), e sem o vento sinótico: (b), (d) e (f). A barra no
eixo das abscissas indica a área do lago de Sobradinho (cor preta) e com vegetação
irrigada (cor cinza).


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
99


Figura 5.25: Seção transversal da topografia no domínio numérico para latitude de 9,4ºS e esquema
ilustrativo da circulação de encosta, brisa lacustre (BL), brisa de vegetação (BV) e
escoamento convergente centrado na área do lago de Sobradinho. A seta azul na parte
superior da Figura indica a direção do escoamento sinótico.

5.2.2.6 Expansão da agricultura irrigada e variabilidade na atividade convectiva local

Campos da configuração espacial da precipitação convectiva acumulada para os
dias 14, 15 e 16 de março de 2005 resultantes da diferença entre as simulações ctg.irg.cl e
ctg.sl são apresentados na Figura 5.26. A distribuição espacial das áreas com redução na
precipitação é mostrada separadamente das ilustrações com indicativo de aumento na
chuva com o objetivo de detectar os efeitos das forçantes locais.
Verifica-se uma redução substancial da chuva convectiva no dia 14 de março, nas
regiões onde as plantações foram substituídas por vegetação. No entanto, o aumento mais
significativo da chuva convectiva é observado ao sul do Lago de Sobradinho
possivelmente associado com a liberação da instabilidade convectiva pela atuação conjunta
da BL e ventos de encosta.
A vegetação irrigada aumenta a quantidade de vapor próxima da superfície, mas,
também tem o efeito de reduzir a temperatura e diminuir a atividade convectiva na região.




Capítulo 5 – Resultados e Discussões
100


(a)

(b)

(c)


(d)

(e)

(f)
Figura 5.26: Configuração espacial da precipitação convectiva acumulada (mm) no domínio da grade
2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.cl .
e ctg.sl. Áreas com aumento no total de precipitação convectiva: (a) 14 de março; (c) 15
de março e (e) 16 de março. Áreas com redução no total da chuva convectiva: (b) 14 de
março; (d) 15 de março e (f) 16 de março.


Capítulo 5 – Resultados e Discussões
101


Por outro lado, observa-se também que com o aumento no DPV a expansão da
agricultura irrigada contribuiu com a intensificação da precipitação convectiva em todo
domínio numérico no dia 15 de março. Os valores mais baixos da chuva convectiva são
observados exatamente nas áreas cobertas com vegetação irrigada. O aumento na taxa de
evapotranspiração eleva o teor de vapor na atmosfera, mas também contribui com a queda
na temperatura do ar.
Perfis verticais das temperaturas potencial, potencial equivalente e potencial
equivalente de saturação obtidos com as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl para os dia 14, 15 e
16 de março de 2005 são mostrados na Figura 5.27.
Observa-se que no dia 14 de março o topo da camada de mistura (camada com
∂θ/∂z=0) encontra-se em aproximadamente 1250 m, independente do cenário. Este
resultado indica que neste dia a profundidade da CLA é determinada pela forçante de
grande escala. Por outro lado, verifica-se que a expansão da agricultura irrigada foi
responsável por duas mudanças importantes no perfil da temperatura potencial equivalente.
Em superfície o valor de θ
e
aumentou de 350,8ºC para 352,0ºC e produziu uma redução na
profundidade da camada convectivamente neutra com (∂θ
e
/∂z=0). Em síntese, a atmosfera
tornou-se mais úmida próxima da superfície, porém, sem alteração na atividade convectiva.

As mudanças mais significativas observadas nos perfis verticais de θ, θ
e
, e θ
es

entre os dois cenários são observadas no dia 15 de março. Verifica-se um aumento no teor
de umidade da atmosfera nos baixos níveis e uma camada de mistura mais profunda na
simulação ctg.irg.cl. A temperatura potencial equivalente em superfície aumentou de
344,7ºC para 348,9ºC. Este resultado indica atividade convectiva mais intensa na CLA.




Capítulo 5 – Resultados e Discussões
102



(a) (b)

(c) (d)

(e) (f)
Figura 5.27: Perfis verticais das temperaturas potencial, potencial equivalente e potencial equivalente
de saturação obtidos com as simulações ctg.irg.cl e ctg.sl para os dia 14, 15 e 16 de março
de 2005: (a), (c) e (e) simulação ctg.sl e (b), (d) e (f) simulação ctg.irg.cl .

5.2.2.7 Influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE

De forma semelhante ao que foi desenvolvido no capítulo anterior na simulação
ctg.pl.irg.cl, a influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE e
atividade convectiva no domínio numérico foi analisada para as localidades P1, P2, P3, P4
Capítulo 5 – Resultados e Discussões
103

e P5 indicadas na Figura 5.28.

Figura 5.28: Localidades selecionadas para o cálculo da Energia potencial convectiva disponível
(CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário ctg.irg.cl .
A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1, P2, P3, P4 e P5.

Os valores mais elevados da CAPE, semelhantemente aos encontrados na análise
da simulação com plantações (ctg.pl.irg.cl), são observados no dia 14 de março. A grande
diferença com relação à simulação da expansão da agricultura irrigada está nos valores
substancialmente mais altos. A CAPE atingiu o valor de 1657 J/Kg as 10:00 HL do dia 15
de março no ponto P4 são os valores da CAPE obtidos para o dia 15 de março nos pontos
P2, P3, P4 e P5. No cenário com plantações os valores foram todos abaixo de 1000 J/Kg.
As curvas da precipitação convectiva acumulada mostradas na Figura 5.29b
indicam um crescimento nos totais acumulados da chuva em torno das 14:00 HL do dia 15
nas localidades P2, P3 e P4 não observados com o cenário com plantações.
O valor máximo da precipitação convectiva acumulada foi observado na área do
P5. Resultado semelhante, porém com um total relativamente mais baixo, foi observado na
simulação da expansão agrícola com plantações.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões
104


(a)

(b)
Figura 5.29: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação
convectiva acumulada nas localidades P1, P2, P3, P4 e P5 no domínio numérico do
cenário ctg.irg.cl .: (b).

Um aspecto interessante observado na simulação da expansão da agricultura
irrigada é o aumento no total da precipitação convectiva acumulada para a maioria das
localidades analisadas. No entanto, valores extremamente baixos foram observados na
região de P1 independente do dia. Este resultado mostra que valores elevados de CAPE é
uma condição necessária, mas não suficiente para ocorrência da precipitação convectiva.
Considerando que as condições de grande escala nos dias 15 e 16 de março são
desfavoráveis ao desenvolvimento de nuvens de grande desenvolvimento vertical, as
circulações termicamente induzidas representam o mecanismo mais importante para
liberação da instabilidade convectiva e ocorrência de chuva na região.
-250
0
250
500
750
1000
1250
1500
1750
2000
2250
2500
0
3
:
0
0
0
9
:
0
0
1
5
:
0
0
2
1
:
0
0
0
3
:
0
0
0
9
:
0
0
1
5
:
0
0
2
1
:
0
0
0
3
:
0
0
0
9
:
0
0
1
5
:
0
0
2
1
:
0
0
0
3
:
0
0
C
A
P
E

(
J
/
k
g
)
Hora (HL)
ctg.irg_P1 ctg.irg_P2 ctg.irg_P3 ctg.irg_P4 ctg.irg_P5
0,0
2,5
5,0
7,5
10,0
12,5
15,0
17,5
20,0
22,5
25,0
0
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0
0
0
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0
C
h
u
v
a

C
o
n
v
.

A
c
u
m
u
l
a
d
a

(
m
m
)
Hora (HL)
ctg.irg_P5 ctg.irg_P2 ctg.irg_P1 ctg.irg_P3 ctg.irg_P4
Capítulo 6 - Conclusões
105

6 CONCLUSÕES

Os resultados obtidos neste estudo permitiram concluir que:
• Mudanças na cobertura e uso da terra afetam as trocas de energia e água entre a
superfície e a atmosfera. Estas mudanças afetam a atividade convectiva, formação
de nuvens e chuva;
• A intensidade e distribuição dos fluxos turbulentos são importantes na geração
dos gradientes de pressão que geram circulações termicamente induzidas. Com o
desenvolvimento das circulações de brisa (brisa lacustre e de vegetação) o
domínio nos transportes verticais de calor e água passa a ser da mesoescala;
• A evolução temporal da precipitação convectiva acumulada nas simulações da
expansão agrícola em áreas de Caatinga mostra diferenças marcantes nos efeitos
da agricultura de sequeiro e vegetação irrigada. O aumento na taxa da
evapotranspiração nas áreas irrigadas eleva consideravelmente o teor de umidade
nos baixos níveis da atmosfera, reduz a temperatura e diminui a precipitação
convectiva;
• O efeito do tipo de agricultura é importante na alteração dos fluxos turbulentos e
estrutura da CLA;
• A influência do tipo de vegetação na modificação e geração de circulações
termicamente induzidas, e atividade convectiva da região são importantes. Porém,
esse efeito é secundário quando comparado ao impacto produzido pela mudança
na umidade do solo. Esta conclusão, no entanto, não exclui a influência dos
fatores de escala maior;
• Duas forçantes locais são determinantes na distribuição espacial dos fluxos
turbulentos e da chuva convectiva: a topografia e a descontinuidade no teor de
umidade do solo;
• O tipo de vegetação no entorno do Lago modifica a intensidade da brisa lacustre e
consequentemente a extensão da área afetada pela queda de temperatura e
aumento no teor de umidade associado com a circulação gerada pela presença do
lago;
Capítulo 6 - Conclusões
106

• O aumento no DPV eleva a temperatura em superfície e contribui com o aumento
na profundidade da CLA e grau de instabilidade da atmosfera;
• Existe uma relação quase linear entre CAPE e temperatura potencial equivalente;
• Valores elevados da CAPE (energia potencial convectiva disponível) é uma
condição necessária, mas não suficiente para ocorrência da chuva convectiva.


Capítulo 7 - Referências Bibliográficas
107

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EWERTON CLEUDSON DE SOUSA MELO

SIMULAÇÕES NUMÉRICAS DAS INTERAÇÕES BIOSFERA-ATMOSFERA EM ÁREA DE CAATINGA: UMA ANÁLISE DA EXPANSÃO AGRÍCOLA EM AMBIENTE SEMIÁRIDO

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da Universidade Federal de Campina Grande em cumprimento às exigências para a obtenção do Grau de Doutor.

Área de Concentração: Meteorologia de Meso e Grande Escalas Sub-Área: Sinótica-Dinâmica da Atmosfera Tropical

Orientadoras: Magaly de Fatima Correia Maria Regina da Silva Aragão

Campina Grande – PB Junho de 2011

A todos aqueles que me ofereceram companheirismo, carinho, apoio e incentivo, principalmente nas horas mais difíceis, e por ter mostrado que um sonho que sonhamos só, é só um sonho, mas um sonho que sonhamos juntos fatalmente tornar-se-á realidade.

Dedico

Meu muito obrigado! As minhas irmãs. mostraram vencermos não basta conhecermos os caminhos na vida. Aos meus sobrinhos Dário e Lilian que me fizeram ver que quanto mais velhos formos mais temos que nos aproximarmos do novo. que José Ferreira que (in para memorium) e Dulcinéia Otaviano (em especial).HOMENAGEM Ao meus avós Alzira Domingos e Horácio (in memoriam). pelo apoio e incentivo. . temos que trilhá-los. e assim termos uma reciclagem espontânea de nossos conhecimentos e experiências. Aos meus pais.

A Dona Inês. Às orientadoras Magaly de Fátima Correia e Maria Regina da Silva Aragão pela dedicação. Ailton Liberato.AGRADECIMENTOS À Deus. Ao Eng. Alexsandra e Washington Correia pelos momentos de descontração e incentivo. a Divanete Cruz Rocha. por dar-me saúde e força para superar as dificuldades e vencer os obstáculos da vida. Aos funcionários Enga. pela estrutura didático-científica. Eyres Diana Ventura Silva. Lindenberg (Bega). em especial. Ao Programa de Pós-Graduação em Meteorologia do Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Campina Grande. À Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES) pela concessão de bolsa de estudo. Fernanda e Jonathan pela colaboração e apoio no final desta jornada e Ednéia Alves pelo auxílio e encorajamento na realização deste trabalho. incentivo e fundamental orientação na elaboração do projeto de pesquisa até a revisão final deste trabalho. Aos professores e amigos Ênio Pereira de Souza (UFCG) pelas discussões sobre os resultados no modelo BRAMS. Priscila. Edvânia Santos. pela atenção. Larissa e todos que fazem parte da cantina de dona Inês pelo apoio na alimentação e pelos momentos de descontração. em busca de novas conquistas. paciência. Everson Mariano. Miriam Carmen Costa e. Pollyanna Kelly. Não é possível deixar de agradecer a Romilson. . Cartógrafo Miguel José da Silva e Rose Mendonça pela ajuda na construção dos arquivos de vegetação utilizados no modelo. Tibério. ajuda. Enilson Palmeira Cavalcanti (UFCG) pela ajuda na inicialização heterogênea do modelo e Emerson Mariano (UECE) pelo fornecimento dos executáveis e código fonte do VISU. assistência e gratificante colaboração. Samira Azevedo. A Anailton e família pela ajuda nesta empreitada Aos amigos Thiago.

LISTA DE SÍMBOLOS E VARIÁVEIS b C CAPE ′ Parâmetro tabelado (adimensional) Um escalar Média de um escalar Energia potencial convectiva disponível Flutuação ou desvio da média de um escalar Capacidade térmica do ar seco Cd Cg Ci Cl Cp cp e es Fc Fhca Fhgc Fhvc fi fl Frgv Frva Fwca Fwgc Fwgc IAF Ks Lil Mg NCL Capacidade volumétrica de calor do solo Calor específico do solo seco Jkg-1K-1 Calor específico do gelo Jkg-1K-1 Calor específico da água líquida Jkg-1K-1 Calor específico do ar Calor especifico do ar a pressão constante Pressão parcial do vapor d’água Pressão de vapor a saturação Densidade do fluxo de carbono Fluxo de calor sensível para os níveis mais inferiores do modelo Fluxo de calor sensível do solo para o ar do dossel Fluxo de calor sensível entre a vegetação e o ar do dossel Fração do gelo (por massa) Fração de água líquida (por massa) Troca de radiação de onda longa entre o solo e a vegetação Troca de radiação de onda longa entre a vegetação e atmosfera Fluxo de umidade para os níveis mais inferiores do modelo Fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel Fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel Índice de área foliar Condutividade hidráulica do solo à saturação Calor latente de fusão Jkg-1 Massa do solo seco por metro cúbico do volume total kgm-3 Nível de condensação por levantamento .

p pL q Qg r rb RL↓ rd rs Rs↓ Sv T Tc Tg TL Tv u UR uwnd v vwnd Wg ′ ′ ′ ′ Pressão atmosférica do ar Pressão atmosférica no nível de condensação por levantamento Umidade específica do ar Energia interna do solo Razão de mistura Resistência entre o ar do dossel e a superfície da vegetação m-1 Radiação de onda longa descendente na base da atmosfera em Wm-2 Resistência entre o solo e o ar do dossel sm-1 Razão de mistura saturada Radiação solar chegando na base da atmosfera Wm-2 Radiação solar absorvida pela vegetação Temperatura do ar Temperatura do ar do dossel Temperatura do solo Temperatura do ar no nível de condensação por levantamento Temperatura de vegetação Componente zonal do vento Umidade relativa do ar Nome da componente zonal considerada nas reanálises do NCEP Componente meridional do vento Nome da componente meridional considerada nas reanálises do NCEP Conteúdo de água no solo kgm-3 Velocidade vertical do vento Transporte turbulento do escoamento Covariância entre o vetor vertical do vento (W) e a temperatura do ar (T) Velocidade vertical média do vento Transporte pelo escoamento médio ′ Flutuação ou desvio da média da velocidade do vento Albedo da neve Albedo da vegetação Índice de área foliar corrigido para profundidade de neve Densidade do ar kgm-3 Emissividade da vegetação αs αv γs ρa .

Emissividade do solo ou da neve Constante de Stephan – Boltzmann Γs θ θe θes ε ηs ψs Fração de vegetação Temperatura potencial Temperatura potencial equivalente Temperatura potencial equivalente saturada Densidade do ar média Razão entre as massas moleculares do vapor d’água e do ar seco Conteúdo de umidade volumétrico à saturação Umidade potencial de saturação Razão de mistura do vapor d’água na superfície do ar do dossel kgkg-1 Razão de mistura do vapor d’água na superfície do solo kgkg-1 Emissividade do solo .

área irrigada e com lago Simulação com Caatinga.irg.sl CV/CP DNPM E Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semiárido Simulação com Caatinga.cl ctg. Maio e Junho Alta Subtropical do Atlântico Sul Agosto. Setembro e Outubro Advanced Very High Resolution Radiometer Biosphere-Atmosphere Transfer Scheme Brisa Lacustre Brisa Lacustre Brisa de Vegetação Brisa Vale Montanha Vento de Vale Montanha Energia Potencial Convectiva Disponível Camada Limite Convectiva Balanço de Energia da Atmosfera Inferior Camada Limite Planetária Dióxido de Carbono Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (e do Parnaíba) CPATSA ctg.LISTA DE ABREVIATURAS A AMJ ASAS ASO AVHRR BATS BL BL BV BVM BVM CAPE CLC CLP CLP CO2 CODEVASF Coluna Atmosférica Abril.irg. área irrigada e plantações Simulação com Caatinga sem lago Simulação com vento e com parametrizações Departamento Nacional de Produção Mineral Direção do vento de Leste .pl ctg.

Novembro e Dezembro Plataforma de Coleta de Dados Regional Atmospheric Modeling System Relação-Água-Solo-Atmosfera Camada de Cobertura de Neve . Março Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste Grid Analysis and Display System Hora Local Instituto Nacional de Meteorologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Instituto Tecnológico de Pernambuco Laboratório de Meteorologia de Pernambuco Land Data Assimilation System Land Ecosystem Atmospheric Feedback Lago de Sobradinho Modelo de Circulação Geral Atmosférico Mudança no Uso e Cobertura do Solo Perímetro Público Irrigado Senador Nilo Coelho Normalized Difference Vegetation Index Nordeste Nordeste do Brasil Outubro.EMBRAPA ESE ETA FAO FM FNE GRADS HL INMET INPE ITEP LAMEP LDAS LEAF LS MCGA MUCS NC NDVI NE NEB OND PCD RAMS RASPA S Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Este/Sudeste Modelo de Mesoescala com coordenadas Food and Agriculture Organization Fevereiro.

SC SE SF SSiB SUDENE SV/SP SV/SP SW TOPMODEL TSM UACA UFCG V VCAN VSF WNW WSW ZCAS ZCIT Sistemas Convectivos Direção do vento de Sudeste Sistema Frontal Simplified Simple Biosphere Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste Sem vento e Sem parametrizações Simulação sem vento e sem parametrizações Direção do vento de Sudoeste Temperatura da Superfície do Mar Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas Universidade Federal de Campina Grande Cobertura Vegetal Vórtice Ciclônico dos Altos Níveis Vale do São Francisco Oeste/Noroeste Oeste/Sudoeste Zona de Convergência do Atlântico Sul Zona de Convergência Intertropical .

McCUMBER e PIELKE.f90).3: Quadro 4. TREMBACK e KESSLER. Ks é a condutividade hidráulica do solo à saturação e Cd é a capacidade volumétrica de calor do solo. b um parâmetro tabelado (adimensional). 2005). 1984. 1978. ψs é a umidade potencial de saturação.LISTA DE QUADROS Quadro 4.4: Classes de uso do solo e parâmetros biofísicos usados no LEAF 3 (Fonte: WALKO e TREMBACK. Propriedades do tipo de solo franco-arenoso-argiloso usado nas simulações. PIELKE. 1981. (Fonte: CLAPP e HORNBERGER. ηs é o conteúdo de umidade volumétrico à saturação. Tipos de vegetação e respectivas propriedades físicas. 39 43 48 48 . 1985).2: Quadro 4. Definição das características principais usadas nas simulações numéricas do impacto ambiental em áreas de Caatinga com e sem o escoamento sinótico.1: Quadro 4. (Fonte: Adaptado de leaf3_init.

2011). A escala de cores indica as classes de vegetação disponíveis no modelo.4: Tipos de vegetação no domínio da grade 2 (resolução de 2 km). 15 e 16 de março de 2005. 15 e 16 de março (a). Figura 5. Figura 4.1: Perfis verticais de θ. (b) cenário atual “ctg.cl).5ºW) e a cruz em azul mostra a posição da torre micrometeorológica da EMBRAPA semiárido. (Fonte: Amargosa.1: Domínio das simulações numéricas realizadas com as grades 1 (resolução de 8 km) e 2 (resolução de 2 km). A escala 4 5 6 41 45 46 49 50 51 52 57 60 61 . 2001) Figura 4. Os valores das pressões parciais do vapor d’água de saturação e do ar foram obtidos para Petrolina com base na simulação com o cenário atual (ctg. Figura 2.irg. Figura 5. (b) no dia 15 de março de 2005 às 12:00 UTC e (c) no dia 16 de março de 2005 às 12:00 UTC.7: Ocupação do solo no domínio da grade 2 no experimento: (a) Caatinga sem influência antrópica “ctg.irg. 1991). tipos de vegetação padrão do RAMS (a).LISTA DE FIGURAS Figura 2. 15 e 16 de março (b).sl) as 15:00 HL. (b) Domínio numérico coberto pela grade 2 com a distribuição das áreas irrigadas no domínio numérico conforme assimilado pelo modelo. e do calor latente LE(w/m2): nos dias: 14. Figura 4.cl) e Caatinga sem Lago (ctg. Figura 5.sl”. A escala de cores indica as classes de vegetação disponíveis no modelo. Culturas Irrigadas e Plantações com lago (ctg.5: (a) Mapa de Recursos Hídricos da região com uma visão parcial do lago de Sobradinho e dos perímetros públicos de irrigação no Submédio do Rio São Francisco.pl.irg.4ºS – 40.pl. (Fonte: Adaptado de Simielli. Figura 2. A linha tracejada indica a altura da base da inversão dos alísios (INV). A escala de cores indica as categorias de vegetação disponíveis no modelo.pl) (b). a linha contínua indica a altura do topo da camada de mistura (CM). A cruz em cor preta indica a localização geográfica de Petrolina (9. (Fonte: Correia. o nome do arquivo indica o extremo sudoeste.2: Distribuição das matrizes com dados de cobertura e uso do solo disponível para o modelo RAMS cobrindo todo o Nordeste do Brasil. Figura 4.6: Ocupação do solo no domínio da grade 2. (d) e (f) obtida da diferença entre as simulações Caatinga.3: Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água DPV para os dias 14. O nome do arquivo escrito abaixo de cada bloco indica a posição inicial (latitude/longitude) correspondente ao extremo sudoeste da matriz de dados.irg.irg.2: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14. θe e θes obtidos da sondagem realizada em Petrolina: (a) no dia 14 de março de 2005 às 12:00 UTC.cl ”.1: Mapa do relevo e bacias hidrográficas do Nordeste do Brasil.3: Matriz com todos os blocos com dados de cobertura e uso de solo.3: Divisão fisiográfica do Rio São Francisco e localização do Vale no Brasil Figura 4.cl” e (c)cenário da expansão agrícola máxima “ctg.2: Mapa do Nordeste do Brasil com delimitação da região semiárida. (c) e (e).pl. Figura 4. Figura 4. tipos de vegetação no cenário atual (ctg.4: Topografia (m) no domínio numérico da grade 2 (resolução de 2 km). Figura 5.

6: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2km) às 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações ctg. 40.pl.8: Corte transversal da temperatura potencial (ºC) na latitude de 9.irg.54ºS. Figura 5.pl. P3.cl e ctg. 15 e 16 de março obtida da diferença entre às simulações Caatinga. (c) radiação liquida Rn(W/m2) e (d) temperatura do ar T(°C) simulados (em vermelho) e calculados (em preto) na localização da torre micrometeorológica de Petrolina (9. Figura 5.d) 15 e (e.irg.pl. Com vento sinótico (a). e com o vento sinótico: (b).cl e ctg.14: Evolução temporal da temperatura potencial equivalente e da CAPE obtida com as simulações ctg.irg. com lago (ctg. Figura 5.10: Evolução temporal: (a) fluxos de calor sensível.cl e ctg. (d) e (f). Figura 5. áreas irrigadas. Figura 5.16: Distribuição espacial do fluxo de calor latente LE (W/m²) nos dias: 14.irg.pl. e sem vento sinótico (b). Figura 5. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza). (d) e (f). às 15:00 HL. Figura 5. 15 e 16 de março obtida da diferença entre às simulações Caatinga. P4 e P5 no domínio numérico do cenário ctg. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza).irg. (d) e (f). P4 e P5. P2.4ºS.pl.pl.4ºS. (d) e (f). Culturas Irrigadas e Plantações com lago (ctg. Com vento sinótico (a).cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl nas localidades P1(9ºS.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.sl) as 15:00 HL.irg. (c) 15 de março e (e) 16 de março.irg. Figura 5.cl.pl. e sem vento sinótico (b).b) 14. (b) calor latente LE (W/m²).sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). culturas irrigadas e plantações.irg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). Figura 5. (c) e (e).pl.irg.pl.sl) as 15:00 HL. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza). ocupação do solo no cenário ctg. (b) dia 15 e (c) dia 16 de março de 2005.irg. às 15:00 HL.em cores mostra a altura em metros. A escala em cores mostra os códigos correspondentes ao tipo de vegetação: (b). resultante da diferença entre as simulações ctg. obtidos com dados extraídos da simulação Caatinga.cl) realizada com o modelo RAMS: (a) dia 14.0585°S. às 15:00 HL.irg. H(W/m²).pl.11: Perfis verticais de θ.pl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.6ºW) e P5(9. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março. resultante da diferença entre às simulações ctg. 62 64 65 71 73 74 75 77 78 79 81 84 85 .cl. P3.sl) as 15:00 HL nos dias: (a.cl e ctg.7: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9.15: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14. As isolinhas indicam contornos da topografia a cada 30 metros: (a). e com o vento sinótico: (b).40.4ºS. Figura 5.f) 16 de março de 2005. P2. resultante da diferença entre as simulações ctg.irg. Culturas Irrigadas e Plantações com lago (ctg.40.cl e ctg. (d) e (f). θe e θes.cl) e Caatinga sem Lago (ctg. (d) 15 de março e (f) 16 de março. plantações com lago (ctg.13: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação convectiva acumulada nas localidades P1.cl.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). e razão de mistura r(g/kg) obtida da diferença entre às simulações Caatinga.12: Localidades selecionadas para o cálculo da energia potencial convectiva disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário ctg. (c.9ºW) situadas no domínio numérico.3292°W). Figura 5.9: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9. A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1.: (b).5: Distribuição espacial da temperatura do ar T(°C). Figura 5.sl.pl. e com o vento sinótico: (b). (c) e (e).

(d) e (f). (c) 15 de março e (e) 16 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.4ºS e esquema ilustrativo da circulação de encosta. às 15:00 HL. Figura 5. e ctg.irg. Figura 5. e com o vento sinótico: (b).irg. e com o vento sinótico: (b). A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).0ºS. às 15:00 HL.sl.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). (d) e (f). Figura 5. (c) 15 de março e (e) 16 de março.22: Corte transversal da temperatura potencial (ºK) na latitude de 9. Figura 5.irg.irg. e sem o vento sinótico: (b).cl e (b) cenário ctg. (c) 15 de março e (e) 16 de março.cl e ctg. brisa lacustre (BL). 87 89 90 92 93 95 96 98 99 100 . (d) 15 de março e (f) 16 de março.irg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e).25ºW: (a) cenário ctg.cl e ctg. Figura 5.sl. (d) 15 de março e (f) 16 de março.25: Seção transversal da topografia no domínio numérico para latitude de 9. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março. (d) e (f). Áreas com redução no total da chuva convectiva: (b) 14 de março.cl .17: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações ctg. resultante da diferença entre as simulações ctg. A seta azul na parte superior da Figura indica a direção do escoamento sinótico. A barra no eixo das abscissas indica a área do lago de Sobradinho (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza). e com o vento sinótico: (b). às 15:00 HL.sl. Figura 5. A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).20: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9.26: Configuração espacial da precipitação convectiva acumulada (mm) no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações ctg.irg.Figura 5. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.18: Distribuição espacial da temperatura do ar (ºC) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações ctg.cl . Figura 5.irg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). resultante da diferença entre às simulações ctg. brisa de vegetação (BV) e escoamento convergente centrado na área do lago de Sobradinho.cl e ctg. Figura 5.cl .23: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9. Figura 5.irg.cl e ctg.0ºS.cl . e ctg.sl.irg. A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza). Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março. (c) 15 de março e (e) 16 de março. resultante da diferença entre às simulações ctg.24: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s).cl .pl.sl com o vento sinótico: (a) (c) e (e).0ºS.19: Configuração espacial da razão de mistura (g/kg) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) as 15:00 HL resultante da diferença entre às simulações ctg. (d) 15 de março e (f) 16 de março.0ºS. temperatura potencial (ºK) na latitude de 9. (d) 15 de março e (f) 16 de março. resultante da diferença entre às simulações ctg. Áreas com aumento no total de precipitação convectiva: (a) 14 de março. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março.21: Seção transversal da topografia no domínio numérico na latitude de 9ºS e esquema ilustrativo da circulação de encosta e escoamento convergente centrado em 41. e ctg. e ctg. às 15:00 HL. (d) e (f).irg.

irg. potencial equivalente e potencial equivalente de saturação obtidos com as simulações ctg. P2.sl e (b). P2.29: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação convectiva acumulada nas localidades P1. (d) e (f) simulação ctg.irg.cl .sl para os dia 14. Figura 5.cl e ctg. P3.Figura 5.27: Perfis verticais das temperaturas potencial.cl . P3. P4 e P5. P4 e P5 no domínio numérico do cenário ctg.cl .irg.28: Localidades selecionadas para o cálculo da energia potencial convectiva disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário ctg. (c) e (e) simulação ctg. A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1.irg. 102 103 104 .: (b). 15 e 16 de março de 2005: (a). Figura 5.

A evolução temporal da precipitação convectiva acumulada nas simulações da expansão agrícola mostra diferenças marcantes nos efeitos da agricultura de sequeiro e vegetação irrigada.RESUMO Neste trabalho a versão 6. O ambiente atmosférico de grande escala é caracterizado pela estrutura dinâmica e termodinâmica típica da área central de um vórtice ciclônico de altos níveis (VCAN). e com alterações decorrentes da construção da represa de Sobradinho. Verificou-se que as principais forçantes locais na determinação da distribuição espacial dos fluxos turbulentos e da chuva convectiva foram a topografia e a descontinuidade no teor de umidade do solo. e pouca nebulosidade. Com relação a estabilidade atmosférica percebeu-se a existência de uma relação quase linear entre a Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE) e a temperatura potencial equivalente. reduz a temperatura do ar e diminui a precipitação convectiva. de forma que o domínio nos transportes verticais de calor e água passa a ser da mesoescala. A escolha do período de estudo teve como objetivo garantir condições ambientais com ampla diversidade agrícola em áreas de Caatinga (culturas de sequeiro e agricultura irrigada). e quantificar os efeitos das mudanças na cobertura e uso da terra na geração de circulações termicamente induzidas e na atividade convectiva. Os cenários de uso da terra investigados neste estudo foram construídos para representar condições ambientais nativas (sem influências antrópicas). A descontinuidade na umidade e tipo de cobertura vegetal modifica a intensidade e distribuição dos fluxos turbulentos que são importantes na formação dos gradientes de pressão que geram circulações de brisa (brisa lacustre e de vegetação). . O aumento na taxa da evapotranspiração nas áreas irrigadas eleva consideravelmente o teor de umidade nos baixos níveis da troposfera. e da expansão de atividades agrícolas e irrigação em região de clima semiárido.0 do modelo numérico RAMS (Regional Atmospheric Modeling System) é usada com o objetivo principal de simular a influência da expansão agrícola nas trocas de água e energia em áreas de Caatinga.

The large scale atmospheric ambient is characterized by the dynamic and thermodynamic structure typical of the central area of an upper level cyclonic vortex. and the expansion of agricultural activities and irrigation in a semiarid climate area.ABSTRACT In this work the version 6. The scenarios of soil use investigated are designed to represent native environmental conditions (without anthropogenic influences) and with alterations due to the implementation of the Sobradinho reservoir. and almost cloudless skies. The irrigated areas higher evapotranspiration rate causes a substantial increase in the moisture content in the lower troposphere. . and to quantify the effects that changes on soil use and coverage have on the generation of thermally induced circulations and convective activity. and lower the air temperature and convective precipitation. The period of study was chosen aiming at environmental conditions with largely diversified agricultural use in Caatinga vegetation areas (agriculture with and without irrigation).0 of the numerical model RAMS (Regional Atmospheric Modeling System) is used with the main objective of simulating the influence of agricultural expansion on the water and energy exchange in Caatinga vegetation areas. The temporal evolution of the accumulated convective precipitation in the numerical simulations of the agricultural expansion shows large differences in the effects of agriculture with and without irrigation.

.................................................. 46  Escolha do tipo de solo ..............................................3 DESCRIÇÃO DOS EXPERIMENTOS .1........................................................ 23 3..............2 Estudos com modelos regionais.....2  4.....................................1 OBJETIVOS ......................................................................................................................................3........................2  4 Impacto do desmatamento e/ou da implantação de agricultura sem irrigação ..................................................... 38 4............................4 Elaboração dos arquivos de ocupação do solo ..1 O esquema de superfície LEAF-3 .....1 EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE SUPERFÍCIE ........................1 Objetivo Geral ...................................................................................................2 MODELAGEM NUMÉRICA DE MUDANÇAS NA COBERTURA E USO DO SOLO E SEUS IMPACTOS NA ATMOSFERA ...........2...........................................................................2 ASPECTOS DE TEMPO E CLIMA ......................................................................2  4.............................................. 23  Impacto da implantação de agricultura com irrigação ...... 16 3....1  4............................... 29  MATERIAL E MÉTODOS ....................1....................... 34  Vegetação .........................................................1. 1 1..........................................................................................................................................1 Estudos com modelos de circulação geral da atmosfera.......................... 16 3.........................................1 Sistemas atmosféricos de grande escala .............2 Vegetação................................................................................................ 37  4........................................................2 ARQUIVOS DE VEGETAÇÃO DO RAMS ................................................3........................1.......................3.......3  4...................1  4............................1..............1..........2.......................1.........1 Condições iniciais ...........................2 Sistemas convectivos de pequena e mesoescalas..................1  3...............................................................1.................................................... 33 4...................1.........3. 10 2.......1 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS ... 35  Ar do dossel ............................................1....2.....................3 Solos ... 19 3.......................... 44  Ajuste de parâmetros biofísicos da vegetação ...............................................2................1.......... 32 4...................................................................... 40 4.....................2.................. 6 2........2 Condições de Contorno ...............................1.........................................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............. 48  CONSTRUÇÃO E DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS .........................................................2.........3..................... 42 4..1 O MODELO NUMÉRICO RAMS ...... 2 1........................... 2 1......... 4 2..........1 Hipsometria e hidrografia .......................... 19 3...................................................................................................................... 49 ........................................... 8 2..... 4 2. 10 2.........3  Solo ...................................2...................................................2.........................................2 Objetivos específicos ....................... 40 4............2........... 3 2 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DE ESTUDO ................. 4 2.....................2......2.. 32 4...................... 13 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.............

..................................2......1....................... 91  Camada de mistura .................. temperatura e umidade atmosférica ............1..2...........................................................2 Expansão da agricultura irrigada e efeitos na interação superfície-atmosfera ....................... 56 5............1................2.....5  5.................................. 88  Circulações termicamente induzidas e estrutura da camada limite atmosférica (CLA) ............ 58 5....1..................2........3  5........2....................2.........................................................1  5.......2....2........... 82  Temperatura e umidade ................ 56 5..........2.............1....................2.............2.......................................................... 82  Variabilidade nos fluxos turbulentos .2........... 102  ....2...........2........................................... 76  Considerações ...........................1...............2.............2.........6  5.... 94  Expansão da agricultura irrigada e variabilidade na atividade convectiva local  99  Influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE  ........................5 4............ 63  Temperatura e umidade ........1  5...............1 CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS E ESTRUTURA TERMODINÂMICA NA REGIÃO DE ESTUDO..................2..................1 5...............................................................................2..........2  5...............2 5..................... 82 CONCLUSÕES ..................6 5 ANÁLISE DA ESTRUTURA TERMODINÂMICA E ESTABILIDADE ATMOSFÉRICA................... 75 Mudanças no uso da terra e variabilidade na atividade convectiva local ........................ 55 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................4.....2....2 ANÁLISES NUMÉRICAS ........................2..................2.7  6 7 Variabilidade nos fluxos turbulentos .................2  5.....2................3 5.....2.........4  5................... 5............................................................................. 66 Validação dos resultados ......................2......................................2.. 63 Vento horizontal e circulações induzidas termicamente ...... 53 DADOS MICROMETEOROLÓGICOS ...... 105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...3  5............................. 107 .......1 Simulação dos impactos da construção da represa de Sobradinho................ e da degradação ambiental associada às atividades agrícolas em áreas de Caatinga 58 5......... 58  Mudanças no uso da terra e variabilidade no vento............................................

Curaçá. em Juazeiro. junto ao perímetro de Mandacaru (BA). tornando-se uma área de grande dinamismo econômico (PAES. Neste estudo o modelo numérico Regional Atmospheric Modeling System (RAMS) é utilizado para realizar integrações de alta resolução visando simular a ampliação da área irrigada e seu impacto na atmosfera na área do Polo Petrolina-Juazeiro. mas poucos têm usado o recurso da modelagem numérica para simular impactos na escala de microrregiões. Senador Nilo Coelho e sua extensão Maria Tereza. O Polo Petrolina-Juazeiro foi escolhido como foco deste trabalho por ser o mais dinâmico dos polos de fruticultura irrigada do Nordeste. Alguns estudos na área de ciências atmosféricas têm abordado o tema da antropização no Nordeste. Atualmente existem sete perímetros públicos em funcionamento no Pólo Petrolina/PE-Juazeiro/BA: Bebedouro. Maniçoba. que tem sido acelerado pelos investimentos da iniciativa privada. em 1968. quando uma elevada taxa de crescimento já era observada nos municípios do Polo. No decorrer das últimas cinco décadas o submédio do Vale do São Francisco tem recebido grandes investimentos públicos e privados em agricultura irrigada. O crescimento da área irrigada.Introdução 1 INTRODUÇÃO O principal ecossistema do Nordeste é a Caatinga.Capítulo 1 . por exemplo. Atualmente. como um projeto piloto para verificar a viabilidade econômica de tais investimentos no semiárido. Tourão e Mandacaru. único bioma exclusivamente brasileiro. através de distintas concepções como Bebedouro e Nilo Coelho. Eles foram implantados em períodos diferentes e. como o desmatamento. em alguns casos. onde vivem aproximadamente 27 milhões de pessoas. e a represa de Sobradinho era um incentivo para o aumento da área irrigada. quanto por outros mais recentes como a implantação de perímetros de irrigação e a urbanização (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Bebedouro (PE) foi o primeiro perímetro irrigado a ser construído no Polo. amplia a questão sobre o impacto que as mudanças antrópicas têm sobre os processos atmosféricos no submédio São Francisco. que ocupa 11% do território nacional. contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento sócio-econômico da região. Um vórtice 1 . tanto por processos que tiveram início na época da colonização do Brasil. em Petrolina. O Nilo Coelho começou a funcionar em 1984. cerca de 80% da área deste ecossistema está alterada. 2009). 2004).

As principais características físicas e meteorológicas da região de estudo são apresentadas no Capítulo 2. 1.Introdução ciclônico de altos níveis (VCAN) condiciona o ambiente de grande escala nos dias de integração. As análises realizadas se concentram nas circulações locais geradas por contrastes nos fluxos turbulentos de superfície e na precipitação a elas associadas.1 1. Uma descrição do modelo. do programa desenvolvido para gerar mapas de vegetação e características da simulação do modelo são apresentadas no Capítulo 4.Capítulo 1 . Pretendeu-se avaliar o papel das modificações da cobertura vegetal no desenvolvimento e intensificação de circulações locais. bem como a influência destes contrastes na atividade convectiva da região. O estudo sobre o efeito da implantação das áreas irrigadas e expansão destas áreas é apresentado no Capítulo 5 e no Capítulo 6 se encontram as conclusões. Este trabalho está dividido em 6 capítulos. A revisão bibliográfica de estudos que utilizam a modelagem numérica para investigar os impactos causados por mudanças antrópicas é apresentada no Capítulo 3. Esse modelo vem sendo utilizado e validado mundialmente em simulações de processos meteorológicos em várias escalas de tempo e espaço. tendo sua principal aplicação em fenômenos de mesoescala.1 OBJETIVOS Objetivo Geral Realizar experimentos numéricos controlados que permitam determinar o grau de influência das mudanças de uso da terra em áreas de Caatinga nos processos meteorológicos no Submédio da bacia hidrográfica do São Francisco. Na realização do trabalho a utilização do modelo regional RAMS (Regional Modeling System) representa a principal ferramenta de análise. 2 .1. A interação entre as circulações locais e o VCAN também é investigada.

Introdução 1.2 • Objetivos específicos Simular a influência da degradação do bioma Caatinga pela expansão das atividades agrícolas e de irrigação nos fluxos de energia.    3 . associados a fontes antropogênicas e sua interação com sistemas de circulações locais tais como: brisa lacustre e de encostas. • Detectar mudanças no padrão de vento regional. Contribuir para um conhecimento sobre mecanismos dinâmicos e termodinâmicos responsáveis por mudanças a nível regional na atmosfera.1. temperatura e umidade do ar. • • Verificar como essas mudanças no padrão de circulação regional afetam o ambiente de grande escala e o grau de atividade convectiva na região.Capítulo 1 . e precipitação convectiva.

(Fonte: Adaptado de Simielli. onde sobressaem as serras e chapadas (Borborema. mas com modestas altitudes. Essa característica faz da região uma área anômala quando comparada com outras regiões na mesma faixa latitudinal. 1991) O NEB pode ser subdividido em três áreas morfologicamente distintas segundo a classificação do relevo brasileiro de AB’SÁBER (1993): (a) Planalto Maranhão-Piauí.1: Mapa do relevo e bacias hidrográficas do Nordeste do Brasil.1. com o Oceano Atlântico (a leste e ao norte) e com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo (ao sul).1). Araripe. que abrange quase toda a área desses estados. Limita-se com a Floresta Amazônica (a oeste).1 2. Diamantina). (b) Planalto Nordestino. Figura 2. Situa-se entre as latitudes de 1º e 18º sul e as longitudes de 34º e 48º oeste (Figura 2. O clima predominante é semiárido. bastante extenso. (c) Planícies e terras costeiras que se estendem no litoral nordestino em faixas mais 4 .Capítulo 2 .5 milhões de km2 (18% da área do país).Caracterização da Região de Estudo 2 2. com exceção da região litorânea.1 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DE ESTUDO ASPECTOS FISIOGRÁFICOS Hipsometria e hidrografia A Região Nordeste do Brasil (NEB) ocupa uma área de 1.

40 km². Submédio e Baixo São Francisco. com precipitação pluviométrica média anual igual ou inferior a 800 mm.Caracterização da Região de Estudo largas ou mais estreitas e até interrompidas. que nasce na Serra da Canastra.2: Mapa do Nordeste do Brasil com delimitação da região semi-árida. sendo integrado por 1. Figura 2. além disso. no Estado de Minas Gerais. 42º3’W). As áreas semiáridas do NEB se destacam pela ocorrência de secas. 2004). a maior abrangência físico-territorial. 2011) A bacia do Rio São Francisco. Segundo AB’SÁBER (1987). A maior parte do Médio São Francisco está situada em solo nordestino. estendendo-se desde a fronteira da Bahia com Minas Gerais até Remanso-BA (9º39’S. domina a hidrografia de superfície de grande parte do NEB. Médio. em comparação com os outros espaços naturais que conformam e estruturam o Nordeste brasileiro. (Fonte: Amargosa.031 municípios (BRASIL. com elevado grau de pobreza. A bacia do São Francisco é tradicionalmente dividido em quatro sub-bacias: Alto. O Submédio está 5 .2) tem uma superfície de 895. são consideradas como um dos espaços semiáridos mais povoados do mundo (30% da população).254. pela relativa escassez de precipitação pluviométrica e por ser um espaço densamente povoado.Capítulo 2 . Os espaços semiáridos do NEB apresentam. A região Semiárida do Nordeste Brasileiro (Figura 2. entre o Espigão Mestre e a Chapada Diamantina.

Capítulo 2 - Carac cterização d Região de Estudo da e situa entre Re ado emanso e Paulo Afonso o-BA (9º21’S, 38º15’W onde co W), omeça o Ba aixo, que se es stende até a foz, no Oce eano Atlânti ico. O sub-médio são Francisco (Figura 2.3), compre o eende o tre echo do Rio entre R Rem manso e Paul Afonso, ocupando a área de 11 lo 10.446km2, (17% da ár total do Vale do rea São F Francisco). Sua topogr rafia é forma por mon ada ntanhas ond duladas com altitude qu oscila m ue de 20 a 800m, contém ter 00 rraços; ventos aluviais e planícies de inundaç recente por toda ção a por rção central l.

Figur 2.3 Divisão fisiográfica do Rio São F ra o Francisco e lo ocalização do Vale no Bras sil

as is s as tura de subs sistência, Uma da principai atividades econômica do NEB é a agricult torna ando a econ nomia local bastante v l vulnerável a eventos c climáticos e extremos. A grande varia abilidade no regime pluviométric do Nord o co deste do Br rasil é em p parte explic cada em funçã dos diver ão rsos fenôme enos que influenciam a região.

2.1.2 2

Vegetaç ção

Caating na língu dos índio Tupi, sig ga, ua os gnifica mata branca (L a LEAL et al. 2005). ., Ela p pode ser d descrita com o tipo de vegetação lenhosa raquítica decidual, em geral mo a e espin nhosa, com plantas su uculentas e com sinúsi (conjunto de espéci pertence ia o ies entes ao mesm tipo de f mo forma de vida e com ex xigências ec cológicas un niformes) g graminosa, das áreas d tropi icais. Foi co onsiderada h homóloga p pelos fitogeo ográficos af fricanos, sen esta ho ndo omologia 6

Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo estendida, por relação de equivalência, às áreas de Estepe do Brasil (BRASIL, 1983). A Caatinga ocupa uma área em torno de 735.000 km² que abrange a maior parte do NEB e parte do nordeste de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha (LEAL et al., 2005). Ela faz limites com a Floresta Amazônica (a oeste), a Mata Atlântica (a leste), o Cerrado (ao sul) e o Oceano Atlântico (ao norte). É caracterizada por um fitoclima generalizado de acentuada semiaridez (acima de 6 meses secos) a aridez (acima de 9 meses secos). As temperaturas são elevadas, notadamente no período seco. A Caatinga tem como formas biológicas dominantes as caméfitas espinhosas e umas poucas fenerófitas raquíticas deciduais no período seco. Muitas plantas herbáceas geófitas e terófitas completam ainda as mais importantes formas de vida que integram este “tipo xerófito de vegetação”, onde a coexistência de espécies perenifólias e deciduais é determinada pela disponibilidade de água no solo durante a estação seca (MEDINA, 1995). Dentre as características da Caatinga, o sistema radicular é uma das menos conhecidas. A distribuição vertical das raízes influencia parcialmente a aquisição de recursos; raízes rasas facilitam a aquisição de nutrientes e raízes profundas ajudam a obter água durante a seca (GRAINGER e BECKER, 2001). Dentre os poucos estudos que buscam caracterizar a distribuição das raízes para diversos tipos de vegetação para todo o globo pode-se destacar Jackson et al. (1996). Eles mostram que a distribuição de raízes, na média global, para todos os ecossistemas, apresentou 30%, 50% e 75% de raízes nos 10 cm, 20 cm e 40 cm da superfície, respectivamente. A distribuição relativa das raízes entre os biomas difere, em parte, devido às barreiras físicas para o crescimento. Pode-se encontrar forte resistência mecânica à penetração das raízes em ecossistemas áridos e semiáridos. Leitos rochosos rasos inibem o crescimento das raízes. Outro fator que pode limitar a profundidade de enraizamento é a temperatura do ar elevada. Os arbustos tendem a ter raízes rasas (≤0,5 m), mas se estiverem sujeitos a forte seca podem tender a enraizamentos profundos, dependendo da frequência de luz e da não penetração de chuvas (≥1 m). Lima (1994) estudou o sistema radicular de cinco espécies arbóreas decíduas da Caatinga de Alagoinha (PE) observando que todas as espécies apresentaram sistema radicular pouco profundo, em torno de 40 cm. Correia (2001) relata que a vegetação da Caatinga tem raízes bem desenvolvidas que, em muitas áreas, possuem ramificações nas camadas superficiais do solo para captar o máximo de água durante as 7

Capítulo 2 - Caracterização da Região de Estudo chuvas. No entanto, também é comum encontrar áreas nas quais as raízes se aprofundam à procura de água, como uma Licania rigida Benth (Chrysobalanaceae) “oiticica”, com raiz principal de 18 metros de profundidade, encontrada nas margens de um açude no sertão da Paraíba (BARBOSA et al., 2003). No levantamento das características da vegetação da Caatinga encontrou-se um número bastante reduzido de experimentos de campo que contemplem a obtenção dos principais parâmetros biofísicos normalmente utilizados em modelos numéricos. Recentemente, Cunha (2007), objetivando fazer a calibração mensal do modelo Simplified Simple Biosphere (SSiB) em área de Caatinga no NEB, determinou médias mensais para o Índice de Área Foliar (IAF), a Fração de Cobertura Vegetal (FCV), dentre outros, no período de julho de 2004 a setembro de 2005. O autor assinala que não obteve bons resultados no uso das medidas com o RAMS.

2.1.3

Solos

No semiárido predominam solos com maior teor de areia na parte sedimentar do Arenito Paleozóico e na feição argilosa associada com silte e areia, no Cristalino do PréCambriano. Estes podem ser pedregosos, pobres em matéria orgânica, mas com regular teor de cálcio e potássio (PACHÊCO e FREIRE, 2006). Os solos rasos e pedregosos são derivados principalmente de rochas cristalinas, praticamente impermeáveis, nas quais a possibilidade de acumulação de água no subsolo se restringe às zonas fraturadas, dependendo, na maior parte, do relevo. Os solos Arenosolos são de areia de quartzo de dois a cinco metros de profundidade. São cobertos por arbustos e árvores pequenas que algumas vezes se tornam bastante densas. Plantas rasteiras são esparsas ou quase inexistentes. Estes solos têm pequena capacidade de retenção de água e uma fertilidade inerente muito baixa. Eles aparecem em áreas de tamanho pequeno e médio por toda a Caatinga, chegando possivelmente a 10 % de sua área (BRASIL, 1977). Latossolos apresentam uma consistência que vai desde leve até pesada. São friáveis, profundos, bem drenados e com poucos nutrientes minerais. Alguns têm um pH muito baixo. É o tipo de solo mais comumente observado na Caatinga ocupando cerca de 150.000 km² (BRASIL, 1977). Os Grumossolos são argilosos que se dilatam e quebram, geralmente variando 8

muitos dos solos são considerados excelentes para a agricultura. As camadas superiores deste solo variam em profundidade de meio metro até mais de um metro. 1977).Capítulo 2 . encontra-se um solo quase que totalmente despojado de vegetação. apresentam uma “degradação” ou perda de estrutura. indo desde areias argilosas até aquelas de pouca penetrabilidade. seu grau de infiltração é baixo e. mas eles e alguns outros similares parecem ocupar áreas relativamente grandes e contíguas (BRASIL. 1977). Sua fertilidade é também intermediária. mas se tornam alcalinas no horizonte-B. que variam entre uma maior semelhança com os grumossolos até uma mais próxima dos latossolos. Eles vão de muito ácidos até pouco ácidos. Eles têm textura fina e são difíceis de lidar. A consistência. Muitos dos solos do submédio São Francisco variam em textura. que ocorrem perto de Juazeiro. Nenhuma estimativa quanto à extensão destes solos foi possível. areia e algumas substâncias orgânicas depositadas sobre subsolos mais pesados com um conteúdo de argila crescente. Sendo geralmente ácidos de um baixo grau de fertilidade natural. A fertilidade inerente dos grumossolos é relativamente favorável quando comparada com aquela do latossolo. aproveitamento e adaptabilidade para mecanização. A dilatação. que varia de média-leve até média neste tipo de solo. Estas camadas são geralmente levemente ácidas. são exceções. A maior parte destes solos é composta por argila. É possível encontrar em algumas áreas grupos de árvores ou arbustos com espaços relativamente amplos e vazios entre eles. Sua drenagem interna é muito fraca. mas solos sódicos existem em algumas áreas. até alcalino nas camadas mais profundas do solo. a quebra e a movimentação são alteradas em relação à quantidade de água no solo. tal qual aquela dos latossolos. logo acima de uma camada de pedra calcária ou de latossolos endurecidos. Os Grumossolos ocupam uma área de cerca de 700 km² que se estende desde o sul até o leste de Juazeiro (BRASIL. A vegetação dos grumossolos é peculiar. Eles apresentam um pH que varia de ácido a neutro na superfície.5 e 2 ou mais metros de profundidade. eles requerem fertilizantes de modo a colocar nutrientes à disposição das plantas. No que diz respeito à textura. se tornando areia movediça. Os solos marrons não-cálcicos apresentam diferentes formas. quando saturados de água. em outras. é coberta com uma Caatinga mais ou menos densa. Os grumossolos. O conteúdo de umidade é um fator crítico nestes solos uma vez que 9 .Caracterização da Região de Estudo entre 1.

2. Um dos principais sistemas responsáveis pelas chuvas no norte do semiárido é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). temperatura média de 27°C. 1997). SILVA ARAGÃO et al. 1981) e à penetração de sistemas frontais austrais. cuja intensificação tem início no final do outono e finda na primavera. Os cúmulos de convecção profunda existem apenas na presença de outros sistemas atmosféricos organizados que causam enfraquecimento ou interrupção no regime dos ventos alísios de sudeste. 10 . Estes solos têm geralmente uma fertilidade natural maior do que todos os outros solos do Vale do São Francisco. A estação chuvosa começa em novembro/dezembro e termina em março/abril (RAMOS. insolação média anual de 2800 horas e evapotranspiração média anual de 1550 mm (BRASIL..2.Capítulo 2 . dominadas pela atuação de distúrbios atmosféricos de grande escala que alteram as condições locais. Ramos (1975) estabelece que as condições atmosféricas em Petrolina são caracterizadas pela presença de ventos de sudeste e de uma inversão de subsidência na baixa troposfera devido ao domínio da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). e o enfraquecimento ou eliminação da inversão. A inversão parece inibir a formação de chuvas isoladas mantendo baixa a quantidade de precipitação. 2007). em grande parte.1 Sistemas atmosféricos de grande escala As condições atmosféricas no período chuvoso do semiárido são. 2.Caracterização da Região de Estudo afeta a praticabilidade e o potencial para mecanização. favorecendo as condições para convecção profunda e a precipitação pluvial (SILVA ARAGÃO et al.2 ASPECTOS DE TEMPO E CLIMA O Submédio São Francisco se caracteriza por apresentar clima semiárido e árido. tornando-as favoráveis para o desenvolvimento de sistemas convectivos (SC).. com precipitação média anual entre 800 e 350 mm. Seu início está associado à atuação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (KOUSKY e GAN. 1996). 2004). que está associada ao gradiente de temperatura da superfície do mar (TSM) entre o Atlântico Tropical norte e sul. Os padrões de anomalias de TSM sobre o Atlântico Tropical são associados com anos secos ou úmidos sobre o Nordeste (NOBRE e SHUKLA. e o final à migração para norte da Zona de Convergência Intertropical. 1975.

À medida que a frente fria avança sobre o continente.Caracterização da Região de Estudo No período Março-Abril-Maio (MAM). Brasil e leste do Peru (SATYAMURTY et al. Aparentemente.Capítulo 2 . quando o gradiente meridional de anomalias de TSM aponta para o norte. atingindo o sudoeste do Atlântico Subtropical Sul (FERREIRA et al.. Eles são sistemas confinados na 11 . com origem na bacia Amazônica e que se estende sobre o Centro-oeste e o Sudeste do Brasil. Além disso. reduções nas chuvas estão relacionadas com um deslocamento da célula de Walker e uma célula menos ativa no Atlântico. Eles cruzam a Cordilheira dos Andes e a Argentina. Uruguai.. Outro sistema de escala sinótica que influencia o regime pluviométrico do semiárido são os ciclones de latitudes médias oriundos do Pacífico Sul. 2005). a atividade convectiva tem início sobre a Argentina. BARBOSA e CORREIA. Paraguai. Bolívia. causando forte atividade convectiva e sistemas precipitantes profundos no semiárido (SOUZA. que induz um ramo ascendente localizado sobre o Pacífico Leste e um ramo descendente centrado sobre o NEB (ROUCOU et al. a ZCIT começa a se deslocar para norte (se desloca para sul quando o gradiente de anomalias de TSM aponta para o sul). Nesse evento houve mudanças acentuadas na estrutura termodinâmica da atmosfera. 2004). na estação chuvosa acima/abaixo da média o movimento ascendente da circulação de Hadley e a convecção na ZCIT aumentam/diminuem e o eixo de máxima convecção é deslocado para sul/norte. ao sul de 35ºS. enquanto a frente fria associada ao centro de baixa pressão se move para nordeste. pela persistência de uma faixa de nebulosidade convectiva alongada na direção noroeste-sudeste (NW-SE). Os vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAN) são sistemas de grande escala que também condicionam os totais de chuva no NEB. 1998). Sua atuação também já foi observada em junho. descrevendo uma trajetória no sentido leste-sudeste sobre o Atlântico. que tem início em março (abril) quando o Atlântico Tropical Norte (Sul) está mais quente do que o normal. Esses sistemas atingem o NEB de novembro a fevereiro. Um sistema de grande escala com precipitação associada no sul do semiárido durante o verão é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). sendo responsáveis pelo início da estação chuvosa. principalmente.. redução da pressão média diária e interrupção dos ventos alísios de sudeste predominantes na região. A principal razão para a deficiência (excesso) de chuva sobre o norte do NEB é o deslocamento antecipado (tardio) da ZCIT para norte. 2003. 1996). A ZCAS se caracteriza.

Tal mecanismo também pode contribuir para sua intensificação (RAO e BONATTI. principalmente em janeiro. Essa advecção quente amplifica a crista corrente abaixo nos níveis superiores. O campo do movimento vertical na área do VCAN mostra subsidência no centro (ar frio) e ascendência na periferia (ar quente). o autor atribuiu-lhes a denominação Formação Mista. 1999). 1987). Formação Alta e Formação Africana I e II. Devido à dificuldade em estabelecer quem predominou. Considerados isoladamente. Na Formação Clássica. Na Formação Africana I o VCAN se forma em consequência da intensificação da convecção na África. forte advecção quente. Além desses quatro tipos. Paixão (1999) observou casos em que. Os VCAN têm núcleo frio cuja manutenção é favorecida pela energia potencial disponível gerada pela liberação de calor latente de condensação na periferia do sistema. Eles se deslocam para leste ou para oeste e podem ser estacionários por alguns dias (3-4 dias) durante o seu ciclo de vida (KOUSKY e GAN. 1999). no início. RAMIREZ et al. que resulta na formação de um cavado a norte/noroeste desse anticiclone (RAMIREZ et al. Geralmente apresentam nebulosidade na sua periferia (com exceção do quadrante sudeste). o VCAN se forma ou intensifica corrente abaixo de sistemas frontais fortemente amplificados que penetram profundamente nos subtrópicos. 1981). o VCAN se forma a sudoeste da bifurcação inter-hemisférica.. denominada Alta da Bolívia (VIRJI. Na Formação Africana II a formação do VCAN está associada ao desacoplamento em altos níveis de um cavado proveniente da área sudoeste do Saara. há um determinado mecanismo de formação. causando a formação da Alta de Ar Superior do Atlântico Sul. assim.Capítulo 2 . esses 12 . o que favorece a amplificação do cavado corrente abaixo. precede uma frente fria ativa. proposta por Kousky e Gan (1981). Os VCAN ocorrem de novembro a abril e são mais frequentes nos meses de verão. especialmente em baixos e médios níveis.. que é suplantado por outro posteriormente. Em geral. que aumenta em área e profundidade no lado para o qual o VCAN estiver se movendo. Esses anticiclones causam um aprofundamento do cavado a oeste dos mesmos e. 1981.Caracterização da Região de Estudo troposfera média e superior para os quais Paixão (1999) identificou quatro tipos de mecanismos de formação: Formação Clássica. Na Formação Alta a intensificação da ZCAS forma o VCAN. que induz o surgimento de um par de anticiclones em altos níveis. havendo uma relação entre o VCAN e a presença da circulação anticiclônica nos altos níveis.

O tempo de duração foi maior para os vórtices que tiveram entrada de ar frio no seu centro. essa característica indica que os VCAN têm como propriedade redistribuir ou reorganizar uma nebulosidade pré-existente. Segundo o autor. Já a meso-γ representa fenômenos entre 2 e 20 km. área convectiva do VCAN (SILVA. Essa configuração do movimento vertical inibe a precipitação nas áreas que estão diretamente sob o centro do vórtice. Costa (2009). Nas situações em que o VCAN se desloca sobre o continente. Não foi encontrada nebulosidade significativa nos casos de VCAN isolados. Na escala meso-γ encontram-se desde células individuais de cumulonimbos a pequenos agrupamentos deste tipo de célula.Caracterização da Região de Estudo movimentos verticais tendem a dissipar o sistema pelos processos adiabáticos de aquecimento na área central e esfriamento na periferia. 2. verificou que a periferia tem maior influência na fase de desenvolvimento. Ao analisar a estrutura vertical confirmou a existência de movimento vertical médio descendente no centro e movimentos ascendentes em áreas dispersas na periferia. enquanto que o oposto ocorre na periferia. com períodos de 30 minutos a algumas horas. dependendo de vários fatores.2. o aquecimento da superfície no período diurno pode levar ao desenvolvimento de nuvens cúmulos de grande desenvolvimento vertical no seu centro (KOUSKY e GAN. a escala meso-α representa os eventos entre 200 e 2000 km.Capítulo 2 . enquanto que o núcleo é o ponto de origem do processo de dissipação. Uma tendência de destruição da circulação característica dos VCAN foi observada na fase final do ciclo de vida. 1981). Grande parte da nebulosidade associada aos vórtices mostrou-se dependente da presença de outros sistemas. dentre os quais estão fase do ciclo de vida e interação com outros sistemas. assim. estudando o balanço de vorticidade e energia dos VCAN. Nela. A consequente liberação de calor latente de condensação contribui para aquecer o núcleo frio e. 2007). A meso-β representa fenômenos entre 20 e 200 km e períodos da ordem de um dia. enquanto que dentro das escalas meso-α e 13 .2 Sistemas convectivos de pequena e mesoescalas Os sistemas convectivos (SC) estão inseridos entre as escalas meso-α e meso-γ na classificação das escalas dos fenômenos atmosféricos proposta por Orlanski (1975). com período que varia de um a três dias. pode causar a dissipação do sistema.

O desenvolvimento das células convectivas se dá pela fusão entre células menores. Silva Aragão et al. tempestades multicelulares.Capítulo 2 .. (b) da ZCIT em abril (BARBOSA e CORREIA. BARBOSA e CORREIA. 2004. os grandes eventos de chuva dessa estação chuvosa estiveram associados a SCM formados na presença: (a) de um cavado de ar superior ou VCAN em janeiro (DAMIÃO. Os sistemas de ventos locais são importantes para o desenvolvimento de sistemas convectivos no semiárido. mas não suficiente para o desenvolvimento de SC intensos nessa região (DINIZ et al.. SILVA ARAGÃO et al.. Por outro lado. 2005) e (c) de um sistema de origem frontal em junho (SOUZA. 2007). atuando em conjunto. pelo menos. A predominância de ecos dispersos indica que a chuva é de natureza convectiva e que ocorre em áreas isoladas. e que produz uma área contínua de precipitação com aproximadamente 100 km ou mais de extensão em. cuja formação depende da ação conjunta de vários fatores ambientais tais como instabilidade atmosférica. tempestades unicelulares. Silva Aragão et al. BARBOSA e CORREIA. (2000) determinaram que ecos dispersos com área ≤ 400 km2 representavam 89% do número total de ecos. pode dar origem a diferentes tipos de Sistemas Precipitantes (SP). supercélulas. Ramos (1975) sugere que o máximo de precipitação observado em Petrolina (PE) pela manhã está associado à interação entre o escoamento sinótico 14 . a célula resultante da fusão é maior em dimensão horizontal e mais intensa (SILVA et al. 2007). convergência em baixos níveis. Um determinado número desses fatores. Houze (1993) define os SCM como um sistema de nuvens associado a um grupo de tempestades.. 2005). 2003. 2004). uma direção. 2008. A evolução dos SCM está frequentemente associada à convecção profunda. Geralmente. Também observaram que valores altos da Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE) representam uma condição necessária. alto teor de umidade e relevo acidentado.Caracterização da Região de Estudo meso-β são observados os Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM). 2005). 2005. de todas as formas e tamanhos (JIRAK e COTTON. BARBOSA e CORREIA. O aquecimento radiativo também é um fator importante já que favorece a formação e intensificação da convecção. Tomando como base as observações via radar realizadas no semiárido na estação chuvosa de 1985 (único período de observações). (2007) e Barbosa e Correia (2005) diagnosticaram que o ambiente sinótico foi determinante na evolução da convecção profunda nos sistemas precipitantes através da convergência de umidade nos baixos níveis. DINIZ et al. 1999. Dentre as formas comuns de convecção estão células simples. e os SCM que incluem as linhas de instabilidade e outros agrupamentos.

15 .Caracterização da Região de Estudo (ventos alísios) e os ventos locais descendentes das encostas naquela região.Capítulo 2 . Por outro lado. (2008) através de ecos de radar meteorológico que mostram o desenvolvimento de convecção linearmente organizada sobre áreas elevadas na região de Petrolina no decorrer do período diurno. Os autores também mostram em um dos dias analisados que o ambiente sinótico favorável propiciado pela periferia de um VCAN resultou no desenvolvimento de nuvens convectivas profundas em toda a região. ventos locais ascendentes nas encostas favorecem a precipitação no período da tarde sobre os terrenos elevados situados a oeste de Petrolina. Essa característica é evidenciada em SILVA et al. sem área preferencial de ocorrência.

os impactos que mudanças antrópicas na superfície terrestre provocam na atmosfera (e vice-versa). desmatamento. a priori e a posteriori. e (b) permite simular.. SHAO e 16 . sem a representação do ciclo sazonal ou diário. 3. Aqui a degradação ambiental é entendida como a substituição da vegetação nativa por qualquer outro tipo de cobertura ou uso do solo (áreas irrigadas. a capacidade de retenção de água e a profundidade do solo são constantes. reflorestamento com espécies exóticas. Estudos mostram que. e a precipitação gera escoamento superficial quando a umidade do solo ultrapassa um certo limite.Revisão Bibliográfica 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este capítulo tem como objetivo apresentar o estado da arte da modelagem numérica do impacto que a alteração ambiental causada por ações antrópicas tem sobre a atmosfera. pastagem. No modelo de Manabe.Capítulo 3 .1 EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE SUPERFÍCIE Os modelos de superfície são desenvolvidos a partir de um conjunto de equações numéricas que representam os processos físicos que ocorrem na superfície e na interface superfície-atmosfera. O uso desses modelos tem duas vantagens principais: (a) possibilita suprir a grande deficiência de dados observacionais com alta resolução espacial e temporal. entre outros). superfícies de água. no nível global. Esta discussão tem como objetivo fornecer subsídios para o entendimento dos resultados deste trabalho que enfoca os impactos nos processos atmosféricos de mudanças na cobertura e uso do solo em áreas de Caatinga. Este modelo utiliza uma equação simples de balanço energético e a condução de calor no solo não é considerada. O primeiro modelo da superfície terrestre foi implantado por Manabe (1969) em um modelo climático com uma distribuição idealizada simples dos oceanos e continentes. os valores simulados pelo modelo de Manabe são comparáveis àqueles obtidos por modelos mais complexos (HENDERSON-SELLERS et al. a despeito de diferenças na parametrização da umidade do solo. Esta parametrização é comumente denominada modelo “bucket” de Manabe porque ele representa a superfície como um reservatório cuja função é manter a água. 1995. o conteúdo de água no solo controla a evapotranspiração.

que acentua as trocas dos fluxos de calor sensível. calor latente e de momentum. apesar da condutância do dossel ser modelada empiricamente considerando as condições da planta e do ambiente. possibilitando o desenvolvimento de esquemas de superfície como o Biosphere Atmosphere Transfer Scheme (BATS) (DICKINSON et al. Por outro lado. a fragilidade desses modelos de primeira geração está em considerar apenas uma camada de solo e manter sua umidade uniforme. 1996). 1996). ela é usada para modelar a transpiração apenas. Outra característica desses modelos é que eles incluem alguma forma de controle biofísico explícito sobre a evapotranspiração. Esses modelos de segunda geração possibilitaram diferenciar o solo da vegetação na superfície. Segundo Desborough (1999). como também tratar da fixação do carbono nas plantas. Um passo importante para o avanço da modelagem de superfície foi dado por Deardorff (1978) que desenvolveu um método para simular a temperatura e a umidade do solo em duas camadas e introduzir a vegetação como uma camada “bulk”. A estrutura dos modelos de primeira geração não permite simular os impactos das mudanças na cobertura da superfície bem como as trocas de gás carbônico (CO2). 1986. a ausência de resistência explícita no cálculo da ET e o uso da mesma resistência aerodinâmica para calor.Capítulo 3 . A abertura dos estômatos para a entrada de CO2 nas plantas possibilita que as moléculas de vapor d’água passem para a atmosfera. bem como variar dependendo do comprimento de onda da radiação solar incidente. foi possível tratar os processos da superfície terrestre de forma explícita (sem parametrizações). Dessa forma. Os modelos de superfície de segunda geração também representam explicitamente o impacto da vegetação na transferência de momento. em escalas de tempo mais longas o modelo de Manabe é comparável a esquemas mais complexos considerando que a evapotranspiração (ET) é calculada adequadamente.. As plantas regulam o uso da água para maximizar a eficiência na fixação do carbono através dos estômatos na superfície das folhas. 1986) e o Simple Biosphere Model (SiB) (SELLERS et al. Os dosséis são rugosos e geram turbulência. o albedo pode variar espacialmente numa célula de grade.. 17 . a inclusão explícita da condutância do dossel possibilita melhorar a simulação da evapotranspiração.Revisão Bibliográfica HENDERSON-SELLERS. Nos modelos de segunda geração. água e momento. Assim. o que só é possível graças à arquitetura de dossel do tipo Deardorff (1978). A partir de então.

usando relações funcionais das plantas para categorizar a vegetação (BONAN et al. a exemplo da alteração nos fluxos turbulentos e na temperatura. 1993). 2001). 2000. Além de considerar a presença de carbono nas folhas. 2002) e passos de tempo que dificultam a sua interligação com modelos climáticos (MARTIN. a assimilação do carbono na folha é limitada pela eficiência do sistema enzimático fotossintético (limitação Rubisco). possibilitam que as folhas cresçam. 18 . Assim. já que um aumento de CO2 influencia a condutância do dossel. pelo total de radiação fotossinteticamente ativa capturada pela clorofila na folha e pela capacidade da folha de utilizar os produtos da fotossíntese. Eles também incluem raízes e galhos e usam um modelo simples de carbono no solo baseado em Parton et al.Capítulo 3 . 1995. dessa forma. 1997. através do crescimento diferenciado das folhas ou de árvores mais altas. Esses modelos ecológicos tendem a focar na resposta da biosfera à atmosfera (em escalas de tempo de meses a anos) ao invés de focar na partição de energia e água na superfície terrestre como condição de contorno para a atmosfera.. os modelos de superfície podem responder de duas outras maneiras à mudança climática: fisiologicamente. BERGENGREM et al.Revisão Bibliográfica A inclusão nos modelos de superfície dos processos de troca de carbono entre a atmosfera e as plantas marca o início da terceira geração desses modelos.. LEVIS et al. e estruturalmente. Esses últimos tendem a focar no carbono e em outros ciclos biogeoquímicos. (1987). O modelo de solo e vegetação utilizado nesta pesquisa é de terceira geração já que os de primeira e segunda geração não são capazes de representar adequadamente o impacto da mudança da vegetação sobre os processos meteorológicos. 1995.. Dessa forma. (1998) o convertem em assimilação de carbono por unidade de área da folha e. Dickinson et al. Nesse desenvolvimento foi necessário utilizar conhecimentos dos fisiologistas vegetais.. POLLARD e THOMPSON. BETTS et al. A inclusão desses processos representa um avanço fundamental nos modelos de superfície para a representação realista de processos de realimentação que não fazem parte de simulações climáticas de aumento de CO2: a resposta da biosfera (HENDERSONSELLERS e McGUFFIE. O desenvolvimento dos modelos de superfície ocorreu paralelamente ao de um conjunto de modelos ecológicos.

o que envolve como questão principal a quantificação precisa do papel da vegetação. 1992. Vários estudos sobre o tema têm sido desenvolvidos para a área do Sahel na África (XUE e SHUKLA. As mudanças nos elementos meteorológicos resultam das interações entre a superfície terrestre e a atmosfera que podem ser assim resumidas: absorção de radiação solar. velocidade do vento e precipitação (PIELKE e AVISSAR. Os primeiros estudos. 1993). é necessário determinar quais elementos 19 . 1977)... Os primeiros estudos já mostravam que a degradação ambiental em grande escala pode alterar os totais pluviométricos e a amplitude térmica. GANDU et al. LEAN e WARRILOW. PIELKE et al. ZHENG e ELTAHIR. realizados com modelos que não incorporavam representações explícitas da vegetação. principalmente devido a ausência de dados observacionais com resolução espacial e temporal adequada. 3. TAYLOR et al.2 MODELAGEM NUMÉRICA DE MUDANÇAS NA COBERTURA E USO DO SOLO E SEUS IMPACTOS NA ATMOSFERA O impacto sobre o clima de mudanças na cobertura e uso do solo é um assunto que tem desafiado os cientistas desde os anos setenta (CHARNEY et al. 1997. CLARK et al. tratavam basicamente de mudanças no albedo. 2003.Capítulo 3 . evaporação direta do solo descoberto e da água retida nas folhas.Revisão Bibliográfica 3. umidade do ar. O desenvolvimento de modelos de superfície e o seu acoplamento com modelos atmosféricos permitiram à comunidade científica enfocar o problema do impacto sobre a atmosfera de mudanças na cobertura da superfície terrestre. FU. 1993.1 Estudos com modelos de circulação geral da atmosfera No estudo do impacto da degradação ambiental a grande escala e a mesoescala deve ser considerada. CORREIA.. tais como: albedo.. 1996). transpiração e difusão vertical de água no solo (MIHAILOVIC et al. 1986. 2006b). 1997. COPELAND et al. 1993. A cobertura da superfície terrestre tem efeitos significativos sobre o tempo e o clima porque características da vegetação. 1989. área foliar e fração de cobertura que afetam a temperatura. rugosidade. Consequentemente. Em particular. elas são parametrizadas.2. para a Amazônia (DICKINSON e HENDERSONSELLERS.. DICKINSON e KENNEDY. 1990. 2001).. 2004) e para outras regiões (XUE e SHUKLA. A determinação dessas interações não é simples. 1998..

Pielke (2001) mostra que mudanças no uso do solo alteram os fluxos de calor e umidade em escala local e regional de duas formas. Além disso. rugosidade. já que a razão de Bowen muda porque os balanços de calor e umidade são alterados. por exemplo. na intensidade das circulações induzidas. convergência de calor e umidade em grande escala e circulações associadas podem ser modificadas em consequência de mudanças que alterações na paisagem causam no campo da pressão atmosférica de grande escala. é resultante de um maior aporte da energia radiativa como fluxo de calor sensível devido a geração de empuxo na superfície terrestre. SEGAL et al. vento entre outros.. o que aumenta a energia cinética turbulenta da CLA. As características da superfície e vegetação afetadas pelas mudanças apontadas por Pielke incluem: albedo. 1987. A existência de heterogeneidade na superfície devido a diferentes tipos de vegetação e de uso do solo tem efeitos importantes na estrutura da CLA (HONG et al. 1998). Diferenças na umidade do solo e na cobertura vegetal têm influência preponderante no balanço de energia em superfície. portanto. Uma camada limite mais profunda. Mudanças no balanço de energia podem alterar outras caracterísitcas da atmosfera além do regime de vento de mesoescala. 1984)...Capítulo 3 . Diferenças significativas no balanço térmico em superfície induzem circulações de mesoescala. temperatura e umidade da superfície tornam a CLA heterogênea e produzem gradientes horizontais significativos nas características da camada limite. tais como: fluxo de calor à superfície. Desigualdades na rugosidade. permitindo seu crescimento pelo entranhamento da turbulência contra a estabilidade estática no topo desta camada.Revisão Bibliográfica meteorológicos são mais afetados por esta degração e como a estrutura da atmosfera responde a essas mudanças em mesoescala. área foliar e distribuição de biomassa na raiz (ASNER e HEIDRECHT. A geração de escoamento termicamente induzido por áreas cobertas com vegetação próximas a áreas de solo descoberto tem sido investigada com diferentes esquemas de vegetação (MAHFOUF et al. a energia potencial convectiva disponível (CAPE) local e regional é modificada. O aquecimento desigual associado com variações na umidade do solo pode produzir circulações tipo brisa (OOKOUCHI et al. 20 ... A estrutura vertical da camada limite atmosférica (CLA) diurna depende substancialmente da distribuição do saldo de radiação em fluxos turbulentos de calor sensível e calor latente. 2005). 1995). 1988) através da redução nos gradientes térmicos e. e da condução de calor na superfície (PIELKE et al. Primeiro. turbulência.

através de mudanças nos padrões de circulação em mesoescala. Valores mensais do IAF e da FCV obtidos através de pesquisas de campo e por sensoriamento remoto foram utilizados nos experimentos de controle e nos experimentos de teste. devido às pequenas diferenças no IAF/FCV obtidos por satélite entre 1987 e 1988. resultaram em umidade do solo mais alta e temperatura da superfície mais baixa no oeste da África tropical. 2005). Stolhgren et al. o experimento de teste com o MCG simula um jato de leste tropical relativamente mais forte. Comparados com os experimentos de controle. com desvios máximos em torno de 12 graus norte. Isso leva ao deslocamento para norte do máximo do gradiente de temperatura positivo. (1998) destacam que o aumento da biomassa de folhas causa aumento da transpiração. o que potencialmente leva ao aumento da temperatura do ar e à queda na pressão de vapor.Capítulo 3 . O cisalhamento de leste associado na baixa troposfera resulta no deslocamento para norte. fizeram uma série de experimentos numéricos com o modelo da superfície terrestre Simplified Simple Biosphere (SSiB). num processo de reação em cadeia (BELTRÁN. o que corrige parcialmente a tendência para condições secas nos experimentos de controle com o MCG.Revisão Bibliográfica As alterações nos fluxos de calor latente (LE) e calor sensível (H) causadas por modificações na cobertura e uso do solo podem afetar o tempo e o clima. os experimentos de teste. consistentemente com as observações. o que contribui para a diminuição do escoamento superficial. Um balanço hídrico também foi realizado para investigar os processos dominantes que afetam as 21 . Além disso. e mais chuva do que em 1987. respectivamente. O SSiB foi integrado de forma independente e também acoplado com o modelo de circulação geral (MCG) dos National Centers for Environmental Predictions (NCEP). com reflexos na vegetação. 1998).. afetar áreas de vegetação nativa situadas a vários quilômetros ou mesmo centenas de quilômetros de distância (STOLHGREN et al. tanto do jato de leste da África quanto da banda de precipitação de verão no oeste da África. (2007) investigaram os impactos climáticos do índice de área foliar (IAF) e da fração de cobertura vegetal (FCV) na monção do verão no oeste da África em 1987 e 1988. Uma maior biomassa de folhas também resulta em diminuição do albedo e aumento da absorção de radiação solar à superfície. Li et al. da perda de água no solo e da interceptação da precipitação. tanto com o MCG quanto os independentes. Usando produtos de satélite. ao sul de 15 graus norte aproximadamente. o modelo falha em produzir variações interanuais de precipitação tão grandes quanto às observadas. Entretanto. A ação conjunta desses fatores pode aumentar a vantagem competitiva de sobrevivência de algumas espécies de árvores. o que pode mudar os padrões de vegetação locais ou.

A desertificação resulta num enfraquecimento do ciclo hidrológico: precipitação. a precipitação diminui com a mudança de floresta tropical para culturas e aumenta para a maioria dos outros tipos. A mudança também afeta o regime de precipitação através da taxa na qual a água é reciclada do solo para a atmosfera. Por exemplo. as florestas têm sido transformadas em savana devido à degradação ou corte. As contribuições relativas da convergência do fluxo de umidade e da evapotranspiração são identificadas. evapotranspiração. no experimento de desertificação o solo está descoberto. consequentemente. as áreas de floresta e de savana têm sido transformadas em áreas de cultivo ou de pastagem. Os impactos climáticos de mudanças na cobertura do solo em grande escala no Nordeste do Brasil foram avaliados por Oyama e Nobre (2004) utilizando o MCG CPTECCOLA ao qual foi acoplado o SSiB. Três experimentos numéricos forma realizados: controle. Os autores utilizaram o MCG da Colorado State University com acoplamento a um modelo da superfície terrestre e a um modelo biofísico (SiB2) para realizar duas simulações climáticas de 15 anos. Esta mudança aumenta o albedo e. que resultam em diferentes efeitos físicos. Bounoua et al. A 22 . Além disso. das características climáticas do local. Os resultados indicam aquecimento na área tropical. convergência de umidade e escoamento superficial decrescem.Revisão Bibliográfica mudanças na precipitação. entre outros.Capítulo 3 . Europa e leste da China extensas áreas de floresta têm sido transformadas em áreas de cultivo. particularmente nas latitudes médias e altas. tipo de mudança na cobertura do solo. Nas latitudes médias da América do Norte. No experimento de controle o Nordeste do Brasil está coberto por vegetação natural (Caatinga). desertificação e reflorestamento. o campo da precipitação é altamente variável. nas latitudes médias. e no experimento de reflorestamento a região está coberta por floresta tropical. as simulações indicam que a mudança na cobertura do solo também afeta a hidrologia da superfície. (2002) investigaram os efeitos das modificações antropogênicas de grande escala na cobertura do solo sobre o clima regional e global. no inverno. Os impactos causados pela degradação ambiental em grande escala são muito diversos e dependem da extensão. Nos trópicos. Os resultados mostram que a precipitação total geralmente decresce no inverno (30 mm/mês) e aumenta no verão (10 mm/mês). Os resultados para a estação chuvosa (março-maio) são analisados. reduz a quantidade de radiação de onda curta absorvida na superfície causando esfriamento. Nos trópicos. em contraste com o esfriamento em latitudes médias. na ausência de outros fatores. Entretanto. Além disso.

3. Nesses níveis as anomalias de circulação se assemelham à resposta linear baroclínica de uma camada atmosférica pouco espessa (850-700 hPa) a um sumidouro de calor tropical situado sobre o Nordeste em níveis médios. fração de cobertura vegetal. Os impactos climáticos resultam da ação conjunta de processos de realimentação relacionados com o aumento do albedo. 850-700 hPa. eliminação da transpiração das plantas e diminuição do comprimento de rugosidade. com ou sem acoplamento com modelos biofísicos.Revisão Bibliográfica radiação líquida à superfície decresce e essa redução ocorre na mesma proporção para o calor latente e o calor sensível. isto é. 3.2. modelo resultante do acoplamento entre o Regional Atmospheric Modeling System (RAMS) e o General Mass Transport Model (GEMTM). para estudar os impactos de mudanças na cobertura e uso do solo. foi utilizado por 23 . Os estudos realizados com os MCG.1 Impacto do desmatamento e/ou da implantação de agricultura sem irrigação O GEMRAMS. com ou sem acoplamento com modelos biofísicos.2. Entretanto. Numa escala maior. A seguir são discutidos trabalhos realizados para áreas com características climáticas distintas nas quais as alterações antrópicas da paisagem consistiram em desmatamento e/ou implantação de agricultura sem irrigação. índice de área foliar. é preciso considerar que as parametrizações e a resolução espacial utilizadas não são as mais adequadas para simular mudanças e investigar impactos em escala regional.2. Os autores assinalam que os experimentos mostram que o clima do Nordeste é modificado pela desertificação. O aquecimento diabático da atmosfera decresce e há anomalias de subsidência na baixa troposfera. entre outros. mostram alterações nos processos meteorológicos em consequência de mudanças em características da superfície tais como albedo.Capítulo 3 .2 Estudos com modelos regionais Diversos modelos numéricos de mesoescala têm sido utilizados. o que requer o uso de modelos numéricos de mesoescala. a desertificação leva ao aumento da precipitação na faixa litorânea próxima da área norte do Nordeste (NNEB). No dipolo NEB-NNEB as anomalias do movimento vertical e circulação estão confinadas nos níveis mais baixos da atmosfera.

A substituição de bosques ou florestas por plantações resulta em temperaturas mais elevadas. Gandu et al. Nesse modelo a atmosfera e a biosfera interagem dinamicamente através da superfície e balanço de energia do dossel. As mudanças nos fluxos de superfície e na temperatura próximo à superfície são espacialmente heterogêneas. A partir de simulações de alta resolução do desmatamento no leste da Amazônia. As simulações foram realizadas usando mapas detalhados de vegetação para 1958 e 1998. enquanto que o reflorestamento e a mudança de grama para plantações ocasiona uma atmosfera mais fria e úmida. obtiveram anomalias positivas e negativas para os fluxos de calor sensível e de calor latente na região amazônica. O modelo foi integrado em escalas regional e sazonal usando reanálises do National Center Environmental NCEP e ECMWF. Diferentes cenários foram considerados: cobertura atual.Revisão Bibliográfica Beltrán (2005) para estudar impactos ambientais em uma área no sul da América do Sul. versão brasileira do RAMS. O GEMRAMS reproduz temperatura e a precipitação mensal observadas. A magnitude das anomalias foi maior durante a estação seca. A velocidade do vento próximo à superfície foi a variável meteorológica que apresentou mudanças mais significativas devido ao desmatamento. Também foram utilizados experimentos numéricos para avaliar a contribuição relativa da cobertura do solo e do dobro da concentração atual de CO2 nas mudanças simuladas em variáveis meteorológicas e biológicas. As mudanças na temperatura e nos fluxos próximo à superfície dependem do tipo de mudança na vegetação e da estação do ano. e à cobertura e umidade do solo foi investigada. A redução no coeficiente de rugosidade produziu 24 . (2004) desenvolveram um estudo de impacto ambiental em áreas da Floresta Amazônica no Brasil utilizando o BRAMS. A sensibilidade do RAMS às condições de contorno laterais.Capítulo 3 . Consequentemente. na umidade e nos fluxos de superfície. uma variável de tempo e clima com significativa influência na temperatura. cobertura de vegetação nativa e reflorestamento. diferentes mudanças na vegetação causam diferentes efeitos. Várias simulações foram realizadas para o início da primavera e do verão visando simular os impactos na atmosfera próxima à superfície devido a mudanças na cobertura do solo. Beltrán (2005) conclui que as mudanças simuladas na vegetação levam a complexas interações entre as características biofísicas e os fluxos do solo e da superfície. mas o albedo é o fator dominante no balanço de energia. a vegetação é por si só. O GEMRAMS também foi integrado em escalas local e diária para simular os efeitos da mudança na vegetação que ocorreu no deserto de Chihuahua: de pastagem na metade do século XIX para arbustos no final do século XX.

Nessa área o clima apresenta sazonalidade bem definida. Os autores concluíram que a topografia. com a cobertura vegetal de 1970 e 2004. próximo às zonas costeiras e ao longo dos rios. que abrange parte do Vale do Paraíba. O desmatamento levou à redução na cobertura de nuvens e na precipitação. O BRAMS foi utilizado por França (2006) para avaliar as implicações climáticas das mudanças na cobertura e uso do solo nos municípios da região de São José dos Campos-SP e áreas adjacentes. além de permitir a observação de características climáticas particulares a cada um dos cenários distintos apresentados. como o aumento nos valores de temperatura do ar e de umidade específica do ar. e o domínio do fluxo de calor latente no balanço de energia. principalmente devido ao crescimento urbano e industrial. observando-se ainda a redução dos fluxos noturnos turbulentos de CO2. Técnicas de sensoriamento remoto foram utilizadas para dois anos distintos: 1970 e 2004. no estado do Tocantins. Em particular. do vento e da troca de energia na região. Durante a inundação sazonal há menor incidência de radiação solar devido ao controle predominante da nebulosidade. Foram realizadas duas simulações considerando as características da superfície no presente e trinta anos atrás. A inundação aparentemente induz estresse por anóxia na vegetação tomando por base a redução da produtividade. o perfil da linha costeira e os grandes rios são importantes na definição dos padrões de anomalia da precipitação. de calor latente e na magnitude dos ventos. Os resultados mostraram que as áreas com cobertura de floresta. o contrário do que foi encontrado sobre áreas elevadas. ocupação urbana e corpos d’água são capazes de modificar a circulação da atmosfera em escala local. com período chuvoso de outubro a abril. diminuindo a convergência de umidade e reduzindo os totais pluviométricos em regiões próximas. considerando o período de outubro de 2003 a fevereiro de 2006. as alterações climáticas nas áreas em que houve a construção de represas. Oliveira (2006) utilizou o BRAMS para estudar as circulações atmosféricas e as variáveis climáticas e fluxos de energia e CO2 à superfície na área de uma torre micrometeorológica instalada em área de várzea com vegetação de cerrado na Ilha do Bananal. especialmente nas encostas próximas aos vales dos rios. indicam a contribuição importante da implantação de reservatórios na geração de microclimas. 25 . Nesse mesmo contexto. e período seco de maio a setembro. Modificações foram incorporadas ao modelo BRAMS para a realização de simulações em alta resolução sobre a região.Revisão Bibliográfica aumento na velocidade do vento próximo à costa do Atlântico. As simulações reproduziram bem as circulações locais termicamente induzidas.Capítulo 3 .

sendo que em ambos os casos há um giro do vento em parte do período diurno. a distribuição heterogênea do uso da terra induz a formação de uma célula térmica sobre a região desmatada. provoca levantamento de massa (por convergência) aproximadamente acima da região desmatada. De certa forma. perpendicular à faixa de desmatamento situada ao longo da rodovia BR-163. enquanto que no período chuvoso predominou o quadrante noroeste-nordeste. Rosolem (2005) realizou um experimento numérico de alta resolução (16 km x 16 km) utilizando um cenário de desmatamento obtido por modelos empíricos de desmatamento. há redução na precipitação. Porém. transportando vapor d'água proveniente das áreas de floresta nas adjacências. e de sul. houve um pequeno sinal de redução da chuva nas áreas com altitude superior a 500 m. De maneira geral. 26 . a célula é levemente deslocada para oeste.Capítulo 3 . em geral. no período seco. ajuda a compor alguns aspectos particulares das circulações secundárias geradas. o regime de ventos mostrou-se dominante de sul. induzindo a formação de nuvens e a chuva convectiva. Tendo como objetivo avaliar impactos no ciclo hidrológico decorrentes do desmatamento regional na região da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163). com redução de até 7% da precipitação média na área desmatada. com componente de leste. As simulações numéricas com o modelo BRAMS indicam que os padrões de divergência podem dar suporte aos sistemas de precipitação antes que atinjam a região. A circulação de grande escala que é. Rosolem (2005) observou que a célula térmica gerada. e com pequeno aumento da chuva no período noturno. é aproximadamente o dobro da extensão da faixa de desmatamento. há modificação substancial no padrão de chuva da região após o desmatamento. As respostas ao desmatamento dependem da faixa de topografia analisada. sem horário de máxima precipitação bem definido. entre os dois ramos descendentes. o que resulta em certa variabilidade espacial da chuva. onde ocorre aumento da precipitação. até mesmo por uma pequena alteração de sua trajetória. mostrando que os efeitos vão além das áreas desmatadas. O autor notou uma pequena mudança na distribuição da chuva ao longo do dia no caso do desmatamento.Revisão Bibliográfica provavelmente pela redução da emissão para a atmosfera na forma de fluxos de CO2 da superfície aquática. Neste caso da BR-163. Nas áreas além das fronteiras do desmatamento. A extensão da célula. no período chuvoso. para o ano de 2026. o sistema lacustre pode induzir a redução da chuva no interior da ilha. No período seco. A leste e sobre o setor central do desmatamento.

mudando a forma da distribuição da energia disponível em calor sensível (H) e calor latente (LE). tanto a influência do índice de área foliar quanto a da saturação da água no solo são menos importantes do que as dos outros fatores. 2001).Capítulo 3 .Revisão Bibliográfica Os trabalhos discutidos até aqui tratam de áreas distintas daquela que é o objeto deste estudo. de maneira geral. ele tem influência significativa para solos inicialmente mais secos através do confinamento da energia radiativa ganha à superfície e sua consequente capacidade de desestabilizar a atmosfera. Entretanto. Diversos modelos regionais têm sido utilizados no estudo do impacto ambiental em regiões áridas e semiáridas localizadas em diferentes áreas do globo. (2006) exploraram o potencial de redução da chuva pelas mudanças na superfície na área de captação da bacia Haute Vallée de l'Oéme em Benim. O semiárido brasileiro tem vegetação esparsa e de pequeno porte e apresenta baixo teor de umidade no solo. enquanto que a vegetação não é importante quando o solo é úmido o bastante para evaporar a taxas potenciais. de modo que a influência do comprimento de rugosidade é maior para solos mais úmidos. Sogalla et al. As condições de umidade no solo podem influenciar fortemente os fluxos de superfície. (2006 ainda observam que. Perlin e Alpert (2001) avaliaram quantitativamente os efeitos sobre a convecção e precipitação convectiva de diferentes condições da superfície terrestre no semiárido e árido 27 . que é substancialmente influenciada pelas trocas de água e energia entre a superfície e a atmosfera. que são influenciadas pelas chuvas antecedentes. a intensidade do vento e a umidade atmosférica próximo à superfície (CORREIA. Esta região tem sistemas pluviométricos com características semelhantes às condições semiáridas do NEB. afetando potencialmente a temperatura do ar. O mesmo efeito é evidente para o albedo. geralmente apenas as camadas mais rasas do solo são afetadas. Sogalla et al. Estes eventos são normalmente de curta duração. utilizando o modelo regional de mesoescala FOOT3DK. oeste da África. Nesse último caso as variações na evaporação são dominadas pelas mudanças na intensidade dos movimentos turbulentos. Os processos de troca dependem das características da superfície e do tipo de solo. exceto após eventos de precipitação. pois os sistemas convectivos são a principal fonte de chuva. Os autores destacam que a contribuição da cobertura vegetal é muito importante para solos inicialmente mais secos. Uma precipitação acima da média pode resultar em um cenário com umidade em maiores profundidades do solo. que variam com a cobertura e a interceptação da água. A resposta da chuva a uma sucessiva degradação ambiental é uma redução monotônica da chuva média na área de captação da bacia.

na média espacial. em consonância com a relação encontrada entre a forçante solar e os impactos no clima causados por mudanças na cobertura vegetal. O saldo de radiação à superfície aumenta e a distribuição dos fluxos turbulentos é modificada. estágio pré-irrigação (anos 30) e estágio hipotético com áreas agrícolas altamente desenvolvidas. Os resultados obtidos em simulações numéricas de longo prazo mostram para os cenários de desertificação e semidesertificação do semiárido nordestino que. a precipitação e a evapotranspiração diminuem. A conclusão principal do estudo é que as transformações antropogênicas nas condições da superfície devido a mudança de condições semiáridas para as de área cultivada aumentam o potencial para convecção úmida durante o período de aquecimento pela radiação solar.Capítulo 3 . com máximo no intervalo em que o aquecimento da superfície é maior (14:00-17:00 HL). e aumento na estação seca. o que induz ascendência no leste e subsidência no centro do NEB. A principal ferramenta de estudo foi o sistema de modelagem de mesoescala MM5 versão 2 acoplado a um modelo da superfície terrestre. o que implica na redução do fluxo de calor sensível. o escoamento de leste intensifica devido à redução no comprimento de rugosidade. e em latitudes maiores durante a primavera 28 . enquanto que a convergência de umidade diminui. Noutra etapa da pesquisa de Sousa (2006) foram usados mapas de vegetação mais realistas elaborados pelo Projeto PROVEG. Assim. na média anual e em ambas as estações. causa aumento na precipitação durante a pré-estação chuvosa. Souza (2006) utilizou o modelo regional ETA/SSiB do CPTEC/INPE. Na média anual e na estação úmida. para avaliar o impacto sobre o clima regional causado por mudanças na vegetação do NEB. principalmente.Revisão Bibliográfica do centro-sul de Israel. as anomalias de precipitação tendem a se localizar na área norte do NEB durante o inverno (estação seca). o que induz subsidência na área do NEB e ascendência a oeste do mesmo. na estação seca os dois fluxos aumentam. o aumento do fluxo de calor latente supera o aumento do saldo. a precipitação e a evapotranspiração aumentam. Há redução da convergência de umidade na estação úmida. Os resultados mostram que a substituição da vegetação natural do NEB por. áreas de atividades agropecuárias. modificado para operar em modo climático com resolução de 20 km. Três condições de superfície foram consideradas visando examinar a influência relativa das mudanças no uso do solo: estágio atual. isso leva a um aumento da precipitação convectiva no período diurno (08:00-17:00 HL). Os resultados para o cenário de floresta mostram que. Sob condições de tempo favoráveis. O escoamento de leste enfraquece devido ao aumento do comprimento de rugosidade.

desertificação parcial (com base em cenários de degradação futura) e desertificação aleatória (áreas desertificadas espalhadas aleatoriamente).2 Impacto da implantação de agricultura com irrigação As alterações da paisagem natural pela implantação de áreas irrigadas causam importantes mudanças físicas como mudanças no albedo e na rugosidade da superfície. 2007). e aumento da umidade do solo. mesmo na escala de clima regional. Essas mudanças são capazes de provocar modificações complexas no balanço de energia da atmosfera inferior. Na desertificação total há redução da precipitação e da evaporação. Nas situações em que a taxa de variação vertical da temperatura do ar é estável.. a exemplo do aumento da energia total disponível. Na desertificação aleatória não há um padrão espacial definido de anomalias.Revisão Bibliográfica (estação de transição).2.2. Mais recentemente. Na desertificação parcial os impactos climáticos ocorrem nas áreas desertificadas e em seu entorno. 3.Capítulo 3 . e aumento do albedo e do fluxo de calor sensível. com maior contribuição do fluxo de calor latente como resultado do aumento da transpiração e evapotranspiração (ADEGOKE et al. sugerem que a explicação envolve a estabilidade. Souza (2009) utilizou o sistema de modelagem de mesoescala MM5 para avaliar os impactos climáticos de três cenários de cobertura vegetal no semiárido do NEB: desertificação total (substituição de toda a vegetação nativa por deserto). Anomalias positivas (negativas) de temperatura do ar (pressão à superfície) caracterizam uma baixa térmica. O campo das anomalias da maior parte das variáveis analisadas apresenta um padrão de “dipolo” entre as áreas desertificadas e a área ao sul delas. o excesso de umidade geralmente não ascende mais 29 . possibilitando que a umidade proporcionada pela irrigação chegue à base das nuvens. o efeito da irrigação é mais evidente na época chuvosa porque há convergência nos baixos níveis sobre a superfície irrigada. o que sugere dependência do clima tropical com a forçante solar. Na mesoescala a irrigação parece aumentar a precipitação apenas quando as condições sinóticas favorecem convergência nos baixos níveis e movimentos ascendentes. uma condição que favorece a ocorrência de chuva. a CLP. que estudaram o efeito da irrigação na precipitação durante o período quente nas grandes planícies do sul dos Estados Unidos. Barnston e Schickedanz (1984). Geralmente.

através de dados observacionais e simulações numéricas de alta resolução realizadas com o RAMS. 2003). Assim. quando a atmosfera é instável (taxa de variação vertical da temperatura do ar maior do que a taxa adiabática seca). Mas essa possibilidade não é única. o que ocasiona redução da atividade convectiva e da chuva (ALPERT e MANDEL.Capítulo 3 . O fluxo de umidade adicional resultante pode aumentar a umidade dentro da CLA e.b) a investigar o impacto causado na atmosfera pelo espelho d’água de Sobradinho e por áreas agrícolas com e sem irrigação. O enchimento do lago de Sobradinho e a crescente expansão da agricultura irrigada tem mudado substancialmente a paisagem da região. 1986). a cobertura do solo e o uso da terra tem sofrido grandes mudanças no semiárido do NEB. já que também é observado em certos casos que o uso excessivo do solo pode levar a um aumento do albedo. A 30 . A partir da década de 70. aumentando a instabilidade atmosférica e a cobertura de nuvens no período diurno. (1998) relatam que o resfriamento à superfície produzido pela irrigação é acompanhado por um aumento no fluxo de calor latente à superfície e um aumento significativo no fluxo de vapor d’água numa camada de 500 m acima da superfície. dessa forma. qualquer parcela de ar que ascenda na atmosfera continuará a subir até que sua taxa de variação vertical da temperatura se estabilize o suficiente.. Stohlgren et al. Por outro lado. A temperatura do ponto de orvalho elevada e os fluxos de umidade dentro da camada limite planetária podem aumentar a energia potencial convectiva disponível.Revisão Bibliográfica do que 10 a 20 m acima da superfície. de forma que não está próximo de sua posição original quando ocorre um dia instável. Esse fato motivou Correia (2001). 2001). notadamente no eixo Petrolina-Juazeiro. enquanto aumenta a evaporação e a transpiração (PIELKE. Correia e Silva Dias (2003) e Correia et al. com uma correspondente redução no fluxo de calor sensível e aumento na temperatura do ponto de orvalho. qualquer umidade adicional nos baixos níveis tem o potencial para produzir maior conteúdo de água nas nuvens e maiores volumes de chuva. Nessas situações. (2006a. um aumento na umidade da superfície reduz o fluxo de calor sensível. a umidade adicional oriunda da evaporação não atinge o nível de condensação. Nos períodos em que há uma sequência de dias quentes e secos. Logo. torná-la termodinamicamente mais favorável a um aumento na chuva. o impacto termodinâmico da irrigação é a redistribuição dos fluxos de calor sensível e calor latente nos locais afetados (ADEGOKE et al. Grande parte dela é dispersada horizontalmente por ventos sinóticos persistentes à superfície.

Os resultados mostram.Revisão Bibliográfica análise dos dados observacionais mostra que os elementos climáticos que sofrem variações mais significativas são o vento. As simulações numéricas evidenciam que a presença do Lago de Sobradinho altera o escoamento em sua circunvizinhança através da brisa lacustre. o RAMS foi escolhido como ferramenta para avaliar o impacto da expansão agrícola sobre a precipitação e outras variáveis atmosféricas no semiárido brasileiro. através de diferentes simulações. Os contrastes na vegetação e estágios fenológicos.. Numa situação em que o solo está úmido de chuvas recentes. O mecanismo principal pelo qual as modificações e mudanças na superfície terrestre influenciam o clima é pelo controle da transferência de calor e umidade dentro da CLA. por superfícies vegetadas e por áreas de vale e de montanha. As simulações mostram a dinâmica das brisas geradas por superfícies de água. dessa forma. podem afetar os processos da CLA. Em contrapartida. particularmente as irrigadas. 2007). a grande versatilidade do modelo no estudo do impacto que mudanças no uso e cobertura da superfície causam na atmosfera do semiárido. a implantação de culturas irrigadas em áreas de Caatinga próximo ao Lago faz com que a brisa lacustre influencie uma área maior no seu entorno. às mudanças na cobertura do solo. aliada à presença ou ausência do vento sinótico. 31 . portanto. pois a resposta da atmosfera aos vários tipos de superfície é simulada. podem impactar a circulação e também a CAPE ou outras medidas de atividade cúmulos como a radiação de onda longa observada por satélite (ADEGOKE et al. que é modificada pela vegetação em suas adjacências. sob condições de solo seco a transferência de energia será principalmente na forma de calor sensível. Considerando os resultados discutidos e a área de estudo deste trabalho. a temperatura e a umidade do ar. Os resultados evidenciam a alta sensibilidade do RAMS aos diferentes elementos presentes na paisagem e. condições superficiais e de umidade do solo e evapotranspiração (ET) entre áreas agrícolas.Capítulo 3 . que a interação entre circulações induzidas pela topografia e pelo lago. Estes processos biofísicos alteram os padrões de temperatura da superfície através de mudanças no gradiente horizontal de temperatura e. Foi possível verificar. pode gerar mecanismos dinâmicos que afetam o tempo local. A atmosfera também é impactada pelo tipo de vegetação. A brisa lacustre reduz a temperatura do ar e aumenta a umidade do ar nas áreas em que atua. como ocorre com a distribuição de energia disponível. a troca de energia entre a superfície e a atmosfera adjacente geralmente é na forma de calor latente. ainda. As simulações também mostram que a topografia é um fator importante na geração de circulações locais na região. e áreas vizinhas.

O modelo RAMS (Regional Atmospheric Modeling System) na versão 6.. Uma síntese das principais características do modelo numérico usado neste estudo é descrita com enfoque especial no esquema de superfície para o melhor entendimento do trabalho realizado. Trata-se de um código numérico versátil. cuja estrutura permite simulações com diferentes graus de complexidade. O uso de grades aninhadas aumenta a resolução na região de interesse o que influencia diretamente no grau de precisão das análises. 1982). 1974. Os aspectos mais relevantes das alterações que serviram de base para a construção dos experimentos numéricos e posteriormente para realização das simulações dos efeitos da expansão agrícola e mudanças no uso da terra na CLA (camada limite atmosférica) são descritos neste capítulo. Mesmo com o avanço na instalação de plataformas de coleta de dados em muitas localidades do Nordeste brasileiro os registros ainda não têm a resolução espacial e temporal adequada para análises meteorológicas e hidrológicas a nível local e regional. Foi escolhido para ser usado neste trabalho por possibilitar informações detalhadas sobre sistemas atmosféricos de micro e mesoescala. É um modelo de área limitada construído a partir de um modelo de mesoescala (PIELKE. É usado amplamente para simular circulações atmosféricas em diversas escalas espaciais e temporais. COTTON et al. 4.0 é a principal ferramenta de análise utilizada. bem como a influência isolada de cada um deles. Essa alternativa permite resolver as equações do modelo simultaneamente sobre um conjunto de malhas 32 . e exige uma série de intervenções no código do modelo. 2003) e de um modelo de nuvens (TRIPOLI e COTTON. A realização de experimentos controlados permite avaliar a resposta da atmosfera ao conjunto de fatores que causam alterações no tempo e clima.1 O MODELO NUMÉRICO RAMS O uso de modelos numéricos regionais elimina substancialmente as limitações impostas pela carência de redes de coleta de dados observacionais.Capítulo 4 – Material e Métodos 4 MATERIAL E MÉTODOS Um estudo numérico de impacto ambiental pressupõe a realização de várias etapas.

parametrização da convecção cúmulos e dos processos de microfísica das nuvens. áreas agrícolas. Estas melhorias são baseadas em observações de satélite da vegetação verde. solos. Para possibilitar esse tipo de análise o modelo inclui um esquema de transferência solo-vegetação-atmosfera denominado de LEAF (Land Ecosystem-Atmosphere Feedback Model) que representa o armazenamento de calor e umidade associado à vegetação e ar do dossel e do solo. processos turbulentos. Uma clara vantagem do LEAF-3 é possibilitar que múltiplos tipos de superfície coexistam dentro de uma única célula de grade. Recentes avanços na representação dos parâmetros de vegetação implementadas do modelo biofísico SiB2 (SELLERS et al. 2010). O valor do NDVI 33 . Com essa aproximação é possível representar vários tipos de superfície (floresta. solo descoberto) dentro de uma mesma célula. temperatura e razão de mistura do vapor d’água do ar do dossel. radiação de ondas curtas e ondas longas. O LEAF na terceira versão (LEAF-3) usado como condição de fronteira inferior nas simulações realizadas neste trabalho é uma representação dos aspectos da superfície. representado pelo Normalized Difference Vegetation Index (NDVI). foram adotados no LEAF-3. temperatura da vegetação e da água na superfície (incluindo orvalho e precipitação interceptada e energia termal para múltiplas camadas). transpiração e precipitação. através de uma camada de solo e uma camada superficial com vegetação. 4. pastagem. difusão de água e percolação nas camadas do solo. 1996). condução de calor. através da definição de “patches”. incluindo vegetação. Inclui equações prognósticas para: temperatura e umidade em múltiplas camadas do solo.. Os termos de transferência nas equações prognósticas incluem trocas turbulentas. transferências radiativas de onda curta e onda longa. sendo que cada um deles ocupa uma fração da grade e é tratado separadamente (GUERRERO.1 O esquema de superfície LEAF-3 O RAMS tem sido utilizado extensivamente para estudar efeitos de mudanças no uso da terra em escala regional. que interagem em diferentes resoluções espaciais. lagos e oceanos e a interação entre as superfícies e a atmosfera. O modelo inclui processos físicos em superfície. resolvida numa coluna de ar.Capítulo 4 – Material e Métodos computacionais.1.

mas diagnosticada pela taxa da energia interna do solo.Capítulo 4 – Material e Métodos fornece informações valiosas sobre a variabilidade espacial e temporal da vegetação verde. o NDVI é utilizado para o cálculo de alguns parâmetros relacionados à vegetação. é: (4. Na versão LEAF-3.1. tais como. de forma semelhante ao que é feito no modelo SIB2 (SELLERS et al. A energia interna do solo é definida como 0 quando o solo apresenta sua umidade completamente congelada em 0°C. o conjunto de classes existentes (BATS. 2001. A equação para energia interna do solo.. que não é representada na versão anterior.1. A quantidade de umidade do solo na camada superficial é determinada pela percolação de água liquida da camada superficial para camada abaixo seguinte.1 Solo O solo no LEAF-3 é dividido em camadas. TAI e das classes de vegetação do LEAF-3. é combinada com a formulação anteriormente utilizada no LEAF-2 para a obtenção de expressões para o albedo e a fração de cobertura da vegetação em função de GLAI. índice de área total (TAI. em unidades de Jm-3. LEAF-2 (WALKO et al.1986) e os parâmetros fornecidos pelo NASA/Land Data Assimilation Systems (NASA/LDAS). WALKO e TREMBACK. índice de área de folhas verdes (GLAI. green leaf area index). A temperatura do solo no LEAF-3 não é prognosticada diretamente. 2005).1) Em que Cg= calor específico do solo seco Jkg-1K-1 Ci= calor específico do gelo Jkg-1K-1 Cl = calor específico da água líquida Jkg-1K-1 34 . evaporação para o ar do dossel. LDAS e SIB2) foi reduzido para formar 21 tipos que combinam classes aparentemente repetidas ou similares. fração da radiação fotossinteticamente ativa (FPAR). DICKINSON et al. total area index) e comprimento de rugosidade (z0).. 1996). e a água removida pela transpiração das plantas. Na definição dos parâmetros da vegetação no LEAF-2 é feita uma associação entre o esquema BATS (Biosphere-Atmosphere Transfer Scheme. com número e espessura definidos pelo o usuário. 4. Dessa forma. A representação da dependência do albedo e da transmissividade da vegetação com o GLAI e TAI no SIB2.

emissividade. fluxo de calor sensível turbulento. O IAF e a FRACVEG são permitidos variar sazonalmente. Após Qg é atualizada a nova temperatura do solo e frações de água líquida/gelo são diagnosticadas de 4. respectivamente. será desconsiderado o esquema de tratamento dessa variável no modelo. 4. A energia interna do solo é atualizada em cada passo de tempo usando o saldo de radiação. fração de cobertura vegetal (FRACVEG). e fi e fl são as frações de gelo e de água com relação à massa total de água no solo. O saldo de radiação é a soma da radiação solar e onda longa absorvida da atmosfera e o solo. fluxo de calor latente de evaporação de precipitação interceptada. e o saldo do fluxo de divergência da energia conduzida pela água percolante. condução da camada de solo seguinte abaixo. índice de área foliar (IAF). 35 . A fração de vegetação representa a fração da superfície do solo que está coberto pela vegetação. As equações das trocas de radiação também como o fluxo de calor sensível são dados em seguida.1. A temperatura da vegetação é prognosticada pela troca da quantidade de energia entre o saldo de radiação.Capítulo 4 – Material e Métodos fi = fração do gelo (por massa) fl = fração de água líquida (por massa) Lil = Calor latente de fusão Jkg-1 Mg = massa do solo seco por metro cúbico do volume total kgm-3 Wg = conteúdo de água no solo kgm-3 A temperatura do solo. comprimento de rugosidade. Nas camadas de solo abaixo da superfície a energia interna é atualizada baseada na condução entre as camadas e a energia conduzida pela divergência do saldo do fluxo de umidade percolante na camada. Na inicialização do tempo de cada camada de solo é atribuída uma temperatura inicial da qual Qg é calculada com a equação 4. o fluxo turbulento de calor sensível para o ar do dossel. é dada em °C. O resto da superfície é considerado sendo o solo nu. Tg.1. e profundidade das raízes.1. fluxo de calor latente dos processos de transpiração e energia conduzida pela precipitação interceptada. deslocamento da altura.1. Devido à inexistência de neve na Região Nordeste do Brasil. calor latente devido à evaporação da superfície.2 Vegetação Os parâmetros físicos usados pelo LEAF-3 são albedo.

5) Cp = calor específico do ar Jkg-1K-1 Tc = temperatura do ar do dossel K rb = resistência entre o ar do dossel e a superfície da vegetação m-1 Υ = índice de área foliar corrigido para profundidade de neve ρa = densidade do ar kgm-3 36 . 1992): 2.Capítulo 4 – Material e Métodos A radiação solar absorvida pela vegetação é dada por: Γ 1 em que. a troca de radiação de onda longa entre o solo e a vegetação é dada por: Γ Tg = temperatura do solo K = emissividade do solo (4. Rs↓ = a radiação solar chegando na base da atmosfera Wm-2 Γs = a fração de vegetação 1 Γ (4.4) O fluxo de calor sensível entre a vegetação e o ar do dossel é dado por (LEE.3) R L = a radiação de onda longa descendente na base da atmosfera em Wm-2 Tv = temperatura de vegetação K = emissividade da vegetação = emissividade do solo ou da neve = constante de Stephan – Boltzmann Finalmente.2) αs = albedo da neve αv = albedo da vegetação A troca de radiação de onda longa entre a vegetação e atmosfera é dada por: Γ 1 1 Γ 1 RL Γ 1 Γ 1 (4.2Υ (4.

A equação 4.5 é usada para todos os tipos de vegetação neste caso exceto os arbustos temporários.6) = resistência entre o solo e o ar do dossel sm-1 O fluxo de umidade devido à evaporação do solo para o ar do dossel é respectivamente: ρ (4. e o nível mais inferior do modelo atmosférico.Capítulo 4 – Material e Métodos O índice de área foliar tende linearmente a zero quando a profundidade da neve aproxima-se da altura da vegetação. O fator 2.2 vem da necessidade de incluir ambos os lados das folhas e a consideração que a área do caule é igual à cerca de 10% de um lado da área da folha. desde que este é baseado no IAF.(1993). Em princípio o caso do fluxo de calor sensível dos arbustos é modelado como sendo igual ao saldo de radiação absorvido pelos ramos como em Otterman et al. 4. O conteúdo da umidade do ar do dossel é prognosticada da taxa da troca de umidade entre o solo. Abaixo estão as equações para o fluxo de calor sensível do solo para o ar do dossel respectivamente. A temperatura do ar do dossel é prognosticada do fluxo de calor sensível turbulento da vegetação e solo.1. (4. apenas como no caso da fração da vegetação. e o fluxo de calor sensível para o nível mais inferior do modelo atmosférico. a precipitação interceptada sobre a vegetação. O LEAF-3 em seu estado presente não pode precisamente produzir fluxos de calor sensível da vegetação que é completamente nu ou folhas.7) 37 . O resfriamento dos arbustos por calor latente de evaporação é desprezado quando estão dormentes e secos.3 Ar do dossel O ar do dossel é considerado o ar em contato imediato com a vegetação e a superfície.1. transpiração. As equações para as trocas de calor e umidade envolvendo o ar do dossel (baseado em Lee 1992) são os mais relevantes para este estudo.

2 ARQUIVOS DE VEGETAÇÃO DO RAMS As classes de uso do solo e os parâmetros biofísicos usados no LEAF-3 são descritos no Quadro 4. A especificação tanto da topografia quanto da vegetação foi feita com base em arquivos de dados (resolução de 1 km) obtidos por meio de radiômetros de altíssima resolução (Advanced Very High Resolution Radiometer–AVHRR) disponíveis para o modelo. e respectivamente).Capítulo 4 – Material e Métodos = razão de mistura do vapor d’água na superfície do solo kgkg-1 = razão de mistura do vapor d’água na superfície do ar do dossel kgkg-1 Finalmente.8) (4. e razão de mistura do vapor d’água. ( . temperatura.9) Os fluxos dos parâmetros para momento. 38 . o calor sensível e fluxos de umidade do ar do dossel para os níveis mais inferiores do modelo são dados abaixo: (4. são baseados na teoria da similaridade como descrito em Louis (1981) 4.1 e podem ser vistas em Walko e Tremback (2005) ou no arquivo RAMSIN (namelist para execução do RAMS).

Capítulo 4 – Material e Métodos Quadro 4.0 0.0 1.1 5.20 0.95 0.5 7.00 0.0 0.00 0.17 0.2 0.5 1.0 0.0 0.24 0.00 0.0 6.96 0.5 1.00 0.16 0.24 0.5 5.80 0.5 1.0 4.0 5.0 0.22 0.0 0.0 22.0 0.30 1.0 1.1 5.0 1.0 1.96 0.0 0.90 0.0 0.0 32.0 1.95 0.24 0.0 1.00 0.0 5.6 7.0 1.28 0.0 0.0 5.0 1.1 6.1 4.0 1.0 7.5 0.1 5.0 32.00 0. rios.18 0.0 0.0 22.0 1.0 0.36 0. pastagens Cultura Irrigada Pântano ou mangue Savana/Cerrado Urbanização e altas construções Árvore Latifóliada sempreverde hidrófilas Muito Urbanizado 0.0 0.96 0.0 500 500 500 500 100 100 500 50 500 500 500 100 500 500 100 500 500 500 rcmin emisv sai 39 .96 0.5 0.0 1.40 0.0 veg_frac tai_max rootdep sr_max veg_ht Classe Tipo de Cobertura 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Oceano Lagos.4 6. Solo Nu Coníferas sempre verdes Coníferas Deciduais Latifoliadas Deciduais Latifoliadas sempre-verde Gramas Curtas Gramas Altas Semi Deserto Tundra Arbustos sempre verdes Arbustos Deciduais (Arbustos Temporários) Floresta mista Culturas/ Plantações mistas C3.0 0.5 1.24 0.0 0.2 4.00 0.98 0.0 0.95 0.70 0.0 0.0 1.0 0.7 0.75 0.0 0.80 0.00 0. 2005).70 0.24 0.0 20.7 0.20 0.80 0.0 1.2 0.0 0.40 0.5 0.0 0.0 1.0 0.24 0.96 0.1 5.0 7.0 5.00 0.0 6.90 0.0 0.0 1.0 1.0 1.6 7.0 0.1 1.0 0.17 0.0 7.00 0.0 0.1: Classes de uso do solo e parâmetros biofísicos usados no LEAF 3 (Fonte: WALKO e TREMBACK.20 0. albv_brown albv_green veg_clump dead_frac 0.80 0.7 1.00 0.24 0.1 5.0 0.60 0.5 0.0 0.0 0.4 5.95 0.0 0.0 0.20 0.74 0.90 0.00 0.0 0.0 1.0 0.0 1.0 0.14 0.0 1.1 5.20 0.80 0.95 0.43 0.24 0.0 22.24 0.7 0.43 0.0 0.0 0.0 3.80 0.43 0.80 0.0 0.24 0.21 0.0 0.1 5.00 0.2 5.0 0.95 0. riachos (água continental) Neve.12 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1.00 0.0 0.80 0.0 0.95 0.97 0.1 5.97 0.2 1.96 0. geleiras Deserto.5 5.0 1.10 0.0 1.0 0.0 0.14 0.0 20.0 8.0 4.20 0.5 1.0 1.0 1.97 0.0 2.0 0.0 0.36 0.16 0.00 0.0 0.0 1.1 0.0 0.1 5.5 1.1 5.0 0.14 0.0 0.0 1.0 1.5 0.0 8.0 1.0 0.1 5.8 1.0 0.24 0.0 1.0 1.85 0.00 0.5 1.24 0.0 1.

A grade vertical é constituída por 50 níveis com Δz inicial de 30 metros. Uma visão geral da região de estudo é apresentada na Figura 4. grades 1 e 2. foi escolhido um período de 72 horas (14 a 16 de março de 2005) e condições atmosféricas definidas pela atuação de um vórtice ciclônico de altos níveis (VCAN).Materiais e Métodos 4.1 DESCRIÇÃO DOS EXPERIMENTOS Condições iniciais Os experimentos numéricos realizados com o modelo RAMS foram inicializados com condições de contorno lateral e iniciais provenientes das reanálises do NCEP (National Centers for Environmental Predictions). A partir desse nível. tem resolução espacial de 2. 06Z.4ºS – 40.3.1 até atingir 1 km de espessura. 12Z e 18Z).5ºW). o Δz é constante até o topo do modelo (22000 m). ambas centradas em Petrolina-PE (9.3 4.5 graus em latitude e em longitude e com 17 níveis de pressão na vertical e abrangem todo o globo. Este período corresponde a um episodio de inibição das chuvas causada por movimentos verticais descendentes nas áreas sob a influência do centro do VCAN. aumentando para cima na razão de 1. Os dados de Reanálise do NCEP são disponibilizados de 6 em 6 horas (00Z. A posição geográfica de uma torre micrometeorológica situada em área de Caatinga preservada em campos experimentais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) cujas medições em alta e baixa frequência foram usadas na validação do modelo é indicada com uma cruz na cor azul. Para avaliar os impactos das mudanças na superfície e no uso da terra relacionada com a expansão agrícola e degradação do bioma Caatinga. respectivamente. da localização do lago de Sobradinho e dos principais perímetros de irrigação em áreas de Caatinga. O posicionamento das grades foi decidido em função da existência da estação de radiossondagem do INMET situada na região com observações diárias de dados de ar superior usada como fonte de dados observados. As simulações foram configuradas com duas grades aninhadas com resolução espacial de 8km x 2km. 40 .Capítulo 4 .1.

Atividade convectiva intensa com desenvolvimento de nuvens profundas típicas do período chuvoso da região dificultaria a análise dos processos de troca de energia e água entre a superfície e a atmosfera e.5ºW) e a cruz em azul mostra a posição da torre micrometeorológica da EMBRAPA semiárido.1: Domínio das simulações numéricas realizadas com as grades 1 (resolução de 8 km) e 2 (resolução de 2 km). Nestes últimos visando eliminar o efeito do escoamento básico e simular as circulações desenvolvidas localmente. porém com pouca nebulosidade.Capítulo 4 . ou seja. com o objetivo de isolar os efeitos das mudanças na cobertura e no uso do solo foram realizados experimentos numéricos com e sem a influência do escoamento de grande escala. Neste contexto. a atmosfera foi considerada em repouso no instante inicial. A escolha de um período cuja estrutura termodinâmica e dinâmica é típica de uma atmosfera sob a influência do centro do VCAN teve como objetivo garantir condições ambientais com ampla diversificação agrícola em áreas de Caatinga (culturas de sequeiro e agricultura irrigada). as componentes do vento (zonal e meridional) foram consideradas nulas (u = v = 0).4ºS – 40. Sob o ponto de vista climatológico março é o mês com maior índice de precipitação na região.Materiais e Métodos Figura 4. A cruz em cor preta indica à localização geográfica de Petrolina (9. consequentemente. 41 . prejudicaria uma avaliação mais precisa dos efeitos da degradação ambiental.

Nos dados do NCEP os arquivos estão no formato GRIB (GRIddedBinary) e devem ser convertidos para o formato padrão de entrada do RAMS (RALPH na versão 2). topografia e diferentes tipos de vegetação.CNPq . 42 . a parametrização de convecção do modelo foi mantida desativada e a parametrização de microfísica ativada com o nível 1.Nº. Concluída essa etapa. significa que os processos de advecção. parte importante do código do modelo. líquido e gasoso).f90 em linguagem FORTRAN para conversão dos dados do formato binário GRIB para RALPH2. mesmo que ocorra supersaturação.2 Condições de Contorno Os experimentos numéricos elaborados neste estudo foram divididos em duas etapas com objetivos distintos.3.Materiais e Métodos Para atingir esse objetivo foi necessário intervir no processo de geração dos arquivos denominados DPs que contem informações no formato de entrada do modelo. O nível 1. 504189/2003-4) instalado no Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). As trocas de calor envolvidas nas mudanças de fase são incluídas nestes cálculos. Para simulações mais realistas em análises de processos atmosféricos em mesoescala o RAMS necessita de condições iniciais e de contorno de um modelo de escala maior. 4. No processo da geração dos DPs utilizou-se o script geraBIN. para simular as mudanças de fase da água nos três estados (sólido.Capítulo 4 .gs e o programa geraDP. A parametrização de microfísica de nuvens presente no modelo RAMS determina a complexidade dos processos de mudança de fase que serão utilizados nos cálculos explícitos em cada ponto de grade. mas toda a água contida na atmosfera é considerada como vapor d’água. Nas simulações feitas para avaliar o desenvolvimento de circulações locais sem a influência do escoamento básico. difusão e fluxo de água na superfície são ativados. O aplicativo ISAN (ISentropicANalysis). para eliminar a influência do escoamento de grande escala foi necessário tornar o componente zonal (u) e meridional (v) igual a zero. Estes programas estão disponíveis no cluster de computadores adquirido através do projeto CLIMUD (CT_HIDRO . levando em consideração apenas os efeitos dos contrastes solo-água. usa o formato RALPH2 nos dados de entrada para a geração das análises híbridas isentrópicas/sigmaz nos arquivos de inicialização das variáveis (varfiles) que são usadas como condições iniciais e de fronteira para integração do modelo.

2. Nos casos da ativação no nível máximo (nível 3) os diversos tipos de hidrometeoros são considerados e o processo de precipitação é incluído.4°S.2: Definição das características principais usadas nas simulações numéricas do impacto ambiental em áreas de Caatinga com e sem o escoamento sinótico Variável Características da Grade Atributo Resolução Grade 1 8km x 8km Resolução Grade 2 2km x 2km Número de pontos: Grade 1 65x65 Número de pontos: Grade 2 106x106 Níveis de Camada na Vertical 55 Níveis de camada no solo 9 Polo da grade (9.Capítulo 4 .4°S. Quadro 4.5°W) Centro da grade (9.Materiais e Métodos Nas simulações do impacto ambiental sob a influência dos mecanismos dinâmicos e termodinâmicos associados às condições atmosféricas do VCAN (efeitos incluindo interações entre a escala local e a grande escala) as parametrizações da microfísica foram ativadas com o nível 3.5°W) Parametrizações do modelo Com Vento Sinótico Parametrização de convecção Microfísica Tipo de esquema de vegetação Parametrização de Radiação Limites Laterais Kuo modificado por Molinari (1985) Nível 3 LEAF-3 Chen e Cotton (1983) Klemp e Wilhelmson (1978) Sem Vento Sinótico Desativada Nível 1 Parâmetros de estímulo dos campos atmosféricos (nudging) Pontos na fronteira lateral Escala de tempo – lateral Escala de tempo – central Escala de tempo – topo Limite inferior no topo 5 pontos 1800 s 21600 s 10800 s 22000 m 43 . 40. 40. Uma síntese das principais características usadas nas simulações numéricas pode ser vista no Quadro 4.

Estes arquivos têm resolução de 1/120° (~1 km). O MUDVEG foi elaborado para executar. No processo de geração dos arquivos de ocupação do solo foi desenvolvido um programa escrito em linguagem FORTRAN que permite alterar as informações existentes nos arquivos padrão do modelo RAMS e construir cenários representativos das mudanças numa região com vegetação predominante do tipo Caatinga. foi necessário acessar informações referentes à resolução e dimensão dos blocos que formam o conjunto de dados de vegetação do RAMS.Capítulo 4 . compreendendo uma matriz de 601 linhas por 601 colunas com a posição inicial correspondendo ao extremo sudoeste. com a finalidade de facilitar a inserção e tratamento de áreas que compreendem mais de um bloco. a substituição de apenas uma ou de um conjunto de classes de vegetação. e o formato em que foram gerados. bem como reorganizar os arquivos modificados no decorrer do trabalho e retornar a distribuição original dos dados do modelo. Na análise dos dados que abrange a área correspondente ao Nordeste brasileiro foram usados 16 blocos de arquivos (16 matrizes) vistos no esquema mostrado na Figura 4. Cada classe de vegetação tem peculiaridades hidrológicas significantes e a avaliação de mudanças no tipo da vegetação ou no uso do solo requer a elaboração de cenários específicos para condições ambientais antes e depois de interferências antrópicas. Para que fosse possível manipular os dados contidos nos arquivos originais do RAMS foi necessário inicialmente armazenar os blocos que abrangem a região de interesse em uma única matriz. entre outros comandos.2. 44 .2. No processo de criação dos arquivos. identificada pelo nome do arquivo (prefixo GE seguido das coordenadas latitude/longitude do local).1 Elaboração dos arquivos de ocupação do solo Em estudos de degradação ambiental e modelagem da interação biosfera-atmosfera a vegetação representa o elemento mais importante da cobertura do solo e a distribuição correta dos principais tipos existentes no domínio numérico desempenha um papel decisivo para alcançar os objetivos desta pesquisa. A extensão da área (domínio numérico) em que se pretende substituir a cobertura vegetal define quais os arquivos necessários para geração de cenários.Materiais e Métodos 4. O programa construído com essa finalidade e denominado de MUDVEG permite substituir classes de vegetação existentes no default (padrão) do modelo por outros tipos selecionados conforme os objetivos de cada experimento numérico.3.

O nome do arquivo escrito abaixo de cada bloco indica a posição inicial (latitude/longitude) correspondente ao extremo sudoeste da matriz de dados.Capítulo 4 . no caso 601. 45 .Materiais e Métodos Figura 4. 1994-a. A dimensão da matriz é determinada pelo produto do número de blocos pelo número de linhas e colunas existente em cada arquivo.3). foi possível alterar facilmente o conteúdo considerando a relação entre as classes do LEAF3 e as do OLSON (OLSON. para armazenar a região Nordeste foi necessária uma matriz de 2404 X 2404 (Figura 4. Assim. Uma vez armazenados os blocos de cobertura do solo do modelo.b).2: Distribuição das matrizes com dados de cobertura e uso do solo disponível para o modelo RAMS cobrindo todo o Nordeste do Brasil.

Capítulo 4 - Materiais e Métodos

Figura 4.3: Matriz com todos os blocos com dados de cobertura e uso de solo, o nome do arquivo indica o extremo sudoeste.

Concluída a etapa da geração dos arquivos de ocupação do solo pela mudança do tipo de vegetação ou inserção de uma área com características diferentes, o programa disponível no site http://bridge.atmet.org/users/software/peripherals.php e denominado mklanduse.f, foi usado para converter a matriz única para o formato utilizado no RAMS (blocos). Concluída esta fase os arquivos originais com a distribuição de vegetação padrão do modelo são substituídos pelos que foram criados de acordo com o objetivo da simulação numérica (nova cobertura da superfície).

4.3.2.2 Ajuste de parâmetros biofísicos da vegetação No LEAF-3 a representação da camada de superfície requer uma descrição realista da biosfera quando considerados os processos biológicos e físicos. Para isso é necessário prescrever estes parâmetros representativos do tipo de vegetação e solo para cada ponto de grade no domínio numérico. Na elaboração dos experimentos e ajustes numéricos para análise da influência dos tipos de vegetação e mudanças no uso da terra no domínio coberto pelas grades 1 e 2, foram considerados quatro tipos de cobertura da superfície conforme a ocupação do solo existente nos arquivos do modelo: água (Lago de Sobradinho), arbustos temporários (Caatinga), plantações (cultura de sequeiro e pastagem) e agricultura irrigada. 46

Capítulo 4 - Materiais e Métodos (a) A vegetação nativa (Caatinga)

Os parâmetros biofísicos da vegetação classificada no RAMS como arbustos temporários foram modificados de forma a representar melhor as propriedades típicas da Caatinga. Embora os arbustos temporários (classe de vegetação dominante na área de vegetação nativa da região) apresentem algumas características semelhantes às das plantas encontradas no bioma Caatinga muitas das propriedades físicas importantes do comportamento fisiológico das espécies existentes são substancialmente diferentes. A Caatinga abrange aproximadamente 50% da área coberta pelo domínio numérico da grade 2 (região foco deste trabalho) e representa um elemento chave para as análises dos efeitos da degradação ambiental abordada neste estudo. Portanto, o ajuste nas características da vegetação é imprescindível para realização de simulações mais realistas dos processos de interação entre a superfície e a atmosfera. (b) A agricultura irrigada Com objetivos semelhantes verificou-se a necessidade de intervir no valor da resistência estomática mínima (rsmin) da vegetação irrigada encontrado nos arquivos do RAMS. No processo de ajuste desse parâmetro utilizou-se como referência principal um trabalho sobre diretrizes para fins de irrigação da cultura da banana no Vale do São Francisco desenvolvido na região de Petrolina (BASSOI et al., 2009). Os resultados apresentados pelos autores mostram diferenças significativas entre o valor padrão usado no LEAF-3 e os dados obtidos em experimentos de campo. O valor de 500sm-1 armazenado no modelo é considerado extremamente alto e é responsável por valores excessivamente baixos do calor latente. Dependendo do tempo de integração esses valores tendem a zero inviabilizando as simulações. Os testes indicaram que 70sm-1 é o valor mais adequado para a resistência estomática mínima no período e condições em análise. Os valores dos parâmetros biofísicos modificados e usados nas simulações numéricas deste trabalho são mostrados no Quadro 4.3. Vários autores foram consultados na definição destes parâmetros (CUNHA, 2007; CORREIA et al., 2006; LIMA, 2004; JACKSON et al., 1996)

47

Capítulo 4 - Materiais e Métodos
Quadro 4.3: Tipos de vegetação e respectivas propriedades físicas

Características Altura (m) Fração de cobertura de solo Profundidade da Raiz (m) Resistência Estomática Mínima (sm )
-1

Caatinga (classe 13)

Plantações (classe 15)

Culturas Irrigadas (classe 16)

5 0,3 0,4 500,0
Fonte: Adaptado de leaf3_init.f90.

1,0 0,9 1,0 100,0

1,1 0,8 1,0 70,0

4.3.2.3 Escolha do tipo de solo

O solo usado nas simulações é do tipo franco-arenoso-argiloso, e é simulado para uma profundidade de 1,0 m abaixo da superfície, representado por 9 níveis. Na definição da estrutura das camadas do solo utilizou-se maior resolução próxima à superfície e gradualmente reduzida com a profundidade. As propriedades hidráulicas desse solo constam no Quadro 4.4 (CLAPP e HORNBERGER, 1978; McCUMBER e PIELKE, 1981; PIELKE, 1984; TREMBACK e KESSLER, 1985).

Quadro 4.4: Propriedades do tipo de solo franco-arenoso-argiloso usado nas simulações. ψs é a umidade potencial de saturação; ηs é o conteúdo de umidade volumétrico à saturação; b um parâmetro tabelado (adimensional); Ks é a condutividade hidráulica do solo à saturação e Cd é a capacidade volumétrica de calor do solo.

Propriedades hidráulicas do solo ψs (m) ηs (m³/m³) b (adimensional) Ks (m/s) Cd (J/m³/K)

Valor -0,299 0,420 7,12 0,63e-5 1177,0e3

Fonte: CLAPP e HORNBERGER, 1978; McCUMBER e PIELKE, 1981; PIELKE, 1984; TREMBACK e KESSLER, 1985

A umidade do solo foi inicializada de forma heterogênea na horizontal e homogênea na vertical. Utilizou-se o valor de 0,336 m³/m³ (80% da saturação do solo) nas áreas cobertas com culturas irrigadas e de 0,2 m³/m³ (47% da saturação do solo) nas áreas com outro tipo de vegetação. Essa mudança no perfil de umidade do solo foi feita por meio 48

Figura 4.Capítulo 4 . O crescimento da agricultura irrigada no Submédio São Francisco reflete simultaneamente o desenvolvimento econômico da região e a degradação do bioma Caatinga naquela área.f90.4 CONSTRUÇÃO E DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS Os cenários de uso da terra investigados neste estudo foram construídos para representar condições ambientais nativas (sem influências antrópicas) e com alterações decorrentes da construção da represa de Sobradinho e da expansão agrícola em áreas de Caatinga. Efetivamente.4: Tipos de vegetação no domínio da grade 2 (resolução de 2 km). Os tipos de vegetação existentes no domínio numérico da grade 2 podem ser vistos na Figura 4.Materiais e Métodos de uma intervenção numa sub-rotina do arquivo ruser.4. há extensas áreas cobertas com plantações. 49 . Neste contexto. os termos degradação ambiental e desmatamento foram usados neste trabalho tanto para representar a retirada da vegetação nativa (lenha) para abastecimento dos fornos de carvoarias. como para a formação de áreas agrícolas pela substituição da Caatinga por culturas irrigadas ou de sequeiro (plantações). foi criada uma estrutura condicional na sub-rotina sfcinit_file_user do ruser para testar o tipo de vegetação e alterar os valores de forma diferenciada para áreas com agricultura irrigada e outro tipo de vegetação como descrito anteriormente. disponível no RAMS que possibilita modificações pelo usuário. A escala de cores indica as categorias de vegetação disponíveis no modelo. próximo ao lago de Sobradinho. Observa-se que a vegetação dominante é do tipo arbustos temporários. No setor noroeste e sudoeste do domínio. A ocupação do solo existente nos arquivos de vegetação do RAMS foi usada como base na geração dos cenários. quando necessário. 4. porém não há indicativo de regiões com culturas irrigadas.

Os contornos dos principais perímetros públicos de irrigação (Nilo Coelho. Segundo a autora. Para atingir esta meta é necessário simular antes os processos de troca de energia e água entre a superfície e a atmosfera nas condições atuais de ocupação do solo. Na construção deste cenário foi necessária a inclusão de perímetros irrigados inexistentes na área de estudo (arquivos de vegetação padrão do RAMS).5a).5b.Capítulo 4 . A distribuição dos perímetros públicos de irrigação no domínio numérico conforme assimilado pelo modelo é mostrado na Figura 4. Mandacaru e Tourão) foram copiados e inseridos como mapa base (através do comando Load Base Map.Materiais e Métodos É também objetivo desta pesquisa avaliar o impacto ambiental de condições extremas de desmatamento.5: (a) Mapa de Recursos Hídricos da região com uma visão parcial do lago de Sobradinho e dos perímetros públicos de irrigação no Submédio do Rio São Francisco. Curaça. No processo de inclusão e posicionamento dos perímetros irrigados utilizou-se inicialmente um mapa da distribuição espacial da vegetação proveniente de saídas numéricas com o RAMS na versão 4a (resolução espacial de 2 km) geradas num estudo de impacto ambiental no entorno da represa de Sobradinho desenvolvido por Correia (2001). (b) Domínio numérico coberto pela grade 2 com a distribuição das áreas irrigadas no domínio numérico conforme assimilado pelo modelo. Maniçoba. Figura 4. Bebedouro. 2001). (Fonte: Correia. as informações geográficas das áreas agrícolas usadas como dados de entrada foram extraídas de um mapa de recursos hídricos da região semiárida confeccionado pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) no ano de 1989 (Figura 4. da função Map) e digitalizados (geosreferenciados) usando a função digitize da função Map e finalmente armazenados em arquivos no formato 50 . Para inserir os dados das áreas com agricultura irrigada nos arquivos padrão do modelo foi feita a digitalização destas áreas usando o programa Surfer na versão 7.

pl.pl. Sob o ponto de vista do grau de conservação do bioma Caatinga construiu-se um cenário de condição extrema de degradação ambiental. (b) tipos de vegetação no cenário atual (ctg. (a) (b) Figura 4.7c. para simular os efeitos de mudanças extremas no uso da terra na estrutura da camada limite atmosférica (CLA).irg. Finalmente. A hipótese considerou a possibilidade de que toda a área com solo fértil fosse transformada em agricultura irrigada. Caatinga (arbustos temporários – classe nº 13). Assim. Neste trabalho. Concluída esta etapa. Uma visão conjunta do mapa de vegetação padrão do RAMS (Figura 4.Capítulo 4 . A escala de cores indica as classes de vegetação disponíveis no modelo.cl ”. o cenário que representa as condições atuais de cobertura do solo no domínio numérico constituído pelo lago de Sobradinho (classe nº 1).irg. preenchidas com a classe de vegetação correspondente a culturas irrigadas e posteriormente inseridas no arquivo padrão do RAMS.6a) e do mapa gerado com a inclusão dos perímetros irrigados (classe de vegetação 16 no RAMS) é mostrada na Figura 4. e classes de vegetação do tipo plantações (classe nº 15). as plantações (classe 15) existentes no domínio numérico são convertidas em culturas irrigadas (classe nº16) que é referenciado no texto como “cenário ctg. as informações dos contornos dos perímetros são facilmente acessadas pelo programa MUDVEG. para completar o conjunto de cenários necessários para a realização do 51 . A distribuição da vegetação neste caso é mostrada na Figura 4. tipos de vegetação padrão do RAMS.Materiais e Métodos TXT.cl).6: (a) Ocupação do solo no domínio da grade 2. Uma situação crítica foi definida como cenário futuro.6b. irrigação (classe nº 16) e cerrado (classe nº 18) será referenciado neste texto como cenário “ctg.irg.cl”.

Este cenário foi usado nos experimentos de controle e é referenciado dentro do texto como cenário “ctg.cl” e (c) cenário da expansão agrícola máxima “ctg.irg.cl ”.cl ”). A escala de cores indica as classes de vegetação disponíveis no modelo.sl”.irg.Materiais e Métodos estudo proposto foi necessário construir também um cenário para representar as condições ambientais sem qualquer influência antrópica.irg. 52 .sl”.irg.Capítulo 4 . Neste cenário a ocupação do solo é definida basicamente por uma cobertura vegetal do tipo Caatinga e sem o Lago de Sobradinho. (a) (b) (c) Figura 4. O conjunto de cenários elaborados para simular um ambiente sem influências antrópicas (“ctg.cl”) e condições de máxima expansão da agricultura irrigada (“ctg. apenas as regiões cobertas com vegetação do tipo cerrado (classe nº 18) foram mantidas sem mudanças. No processo de conversão dos tipos de vegetação existentes no domínio numérico.sl”).7: Ocupação do solo no domínio da grade 2 no experimento: (a) Caatinga sem influência antrópica “ctg. (b) cenário atual “ctg.pl. com alterações na cobertura e uso da terra para representar a ocupação atual do solo (“ctg.pl. Sua ilustração é vista na Figura 4.7a.

descritas abaixo: −3 ⎛ 1000 ⎞ θ = Tk ⎜ ⎟ ⎝ P ⎠ 0 . temperatura do ar e umidade atmosférica obtidas das simulações com o RAMS e de sondagens realizadas em Petrolina (PE) foram utilizadas como fonte de dados para construção de perfis verticais das temperaturas potencial (θ).12) (4. A elaboração dos perfis verticais a partir das saídas numéricas foi imprescindível nas análises dos efeitos da degradação ambiental devido à ausência de radiossondagens em locais com diferente cobertura do solo dentro do domínio numérico.67T ⎞ es (T ) = 6.9) θ e = θ exp ⎢⎜ ⎜ θ es = θ exp⎜ ⎜ ⎤ ⎡⎛ 3.11 exp⎜ ⎟ ⎝ T + 243. As sondagens realizadas em Petrolina são feitas apenas no horário das 12 UTC.11) (4.625 rs ⎝ Tk ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ ( ) (4. 2854 (1−0 .5 ANÁLISE DA ESTRUTURA TERMODINÂMICA E ESTABILIDADE ATMOSFÉRICA Com o objetivo de avaliar possíveis mudanças na estrutura vertical e estabilidade da atmosfera associadas com alterações na cobertura e uso do solo as variáveis pressão.622e (P − e ) 1 + 55 1 ln (UR 100 ) − Tk − 55 2840 TL = e= UR × es 100 (4.13) r= 0.81 × 10 − 3 r ⎥ ⎟ ⎠ ⎦ ⎣⎝ TL ⎛ 2. Um dos objetivos deste trabalho é avaliar a estrutura vertical da CLA em condições extremas de evapotranspiração.14) (4.00254 ⎟ × r 1 + 0. potencial equivalente (θe) e potencial equivalente de saturação (θes) e do índice de instabilidade CAPE.10) (4. Os cálculos de θ.Capítulo 4 .376 ⎞ − 0.15) ⎛ 17. 28×10 r) (4.5 ⎠ 53 . θe e θes foram feitos segundo equações propostas por Betts e Dugan (1973) e posteriormente modificadas por Bolton (1980).Materiais e Métodos 4.

met. rs = razão de mistura de saturação (g/kg). Os cálculos são feitos segundo a metodologia proposta por Zawadzki e Ro (1978) e descrita pela equação abaixo: NCE CAPEmax = em que: NE ∫ (Tvp − Tva )Rd d ln P (4.15 é a temperatura absoluta (K). 54 . P = pressão atmosférica (hPa).Capítulo 4 . Para avaliar o grau de impacto destas mudanças na estabilidade atmosférica utilizou-se o índice de instabilidade denominado de Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE). a temperatura virtual da parcela (ºC). TL = temperatura no nível de condensação por levantamento (NCL) (K). e = pressão de vapor (hPa). Alterações na cobertura e uso do solo causam mudanças na estrutura da CLA e afetam a estabilidade atmosférica.17) NE = nível de equilíbrio (Tva=Tvp).fsu.61q). r = razão de mistura (g/kg).622es ( P − es ) (4.61q). a temperatura virtual do ambiente (ºC).gs e disponível no endereço: http://moe. Na obtenção da CAPE foi feita uma adaptação no script plotskew. UR = umidade relativa do ar (%). Tk = T+273. NCE = nível de convecção espontânea. θe = temperatura potencial equivalente (K). es = pressão de vapor de saturação (hPa).gs e desenvolvido para utilização no GRADS. Tva = (T+0.edu/~rhart/software/plotskew. T = temperatura do ar (ºC).16) em que: θ = temperatura potencial (K). Tvp = (Tp+0. θes = temperatura potencial equivalente de saturação (K).Materiais e Métodos rs = 0.

6 DADOS MICROMETEOROLÓGICOS Um conjunto de dados composto por medidas feitas numa torre micrometeorológica situada em campo experimental da EMBRAPA/PETROLINA no período de março de 2005 foi utilizado para validação das simulações numéricas realizadas neste trabalho. q = a umidade específica do ar (g/kg). e adaptado no CPTEC/INPE para o sistema instalado na Caatinga. Holanda.Materiais e Métodos T = temperatura do ambiente (ºC). com base nos dados de superfície. O programa calcula as flutuações turbulentas em intervalos de 30 minutos. umidade e temperatura do solo). A torre é equipada com sensores instalados em dois sistemas de observações. Tp = temperatura da parcela (ºC) obtida através do diagrama termodinâmico a partir do valor mais alto da temperatura potencial do bulbo úmido (θwmax). que foi desenvolvido no Alterra. realizando uma série de correções necessárias para a estimativa dos fluxos. precipitação. (2006). Rd = a constante dos gases para o ar seco (Jkg-1K-1) e. (2000). Uma descrição detalhada do processamento pode ser encontrada em Oliveira et al. conforme a metodologia sugerida por Aubinet et al. P = pressão atmosférica (Pa). 4. umidade relativa do ar. sendo um em alta frequência (fluxos de CO2. O processamento dos dados para obtenção dos fluxos de calor latente e sensível foi feito com o sistema de covariância dos vórtices turbulentos utilizando um programa escrito em linguagem FORTRAN (programa ‘Eddyinpe’). vapor d’água e calor sensível) e outro em baixa frequência (medidas de temperatura.Capítulo 4 . 55 .

40. b e c). Observa-se nitidamente a presença de uma inversão de subsidência (indicada na figura pela abreviatura INV) nos três dias analisados. a base física para o entendimento das trocas turbulentas entre a superfície e a atmosfera (tema foco deste trabalho) reside na compreensão dos mecanismos que controlam a evolução da camada limite atmosférica. 56 .4S. potencial equivalente (θe) e potencial equivalente de saturação (θes) apresentados nesta seção têm o propósito de ressaltar aspectos termodinâmicos da estrutura vertical da atmosfera no período de 14 a 16 de março de 2005 relevantes para o estudo em questão.5W). É possível observar em que θes aumenta e θe diminui substancialmente com a altura. (θe) e (θes) mostrados na Figura 5. enfoque especial foi dado na determinação da espessura das camadas de inversão térmica (camadas estáveis) pelo papel crucial no controle dos transportes verticais de energia e umidade na baixa atmosfera e da profundidade da camada de mistura.1a. Uma camada condicionalmente instável logo abaixo da camada de inversão (INV) é vista nos três dias analisados (Figuras 5. A INV é caracterizada por uma forte secagem na atmosfera definida pelo afastamento brusco entre os perfis de θe e θes. O topo da INV representa a interface com a atmosfera livre e é determinado respectivamente pelos valores máximo e mínimo de θes e θe (BETTS e ALBRECHT.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5. Neste contexto. Também é evidente que a altura da base desta camada diminui ao longo dos dias variando de 3017 mgp no dia 14 para 2591 mgp no dia 16 de março de 2005. De maneira geral. 1987).1 CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS E ESTRUTURA TERMODINÂMICA NA REGIÃO DE ESTUDO Os resultados da construção e análise dos perfis verticais da temperatura potencial (θ). Os perfis de (θ).1 foram construídos com base em dados de ar superior obtidos de sondagens atmosféricas realizadas em Petrolina-PE (9.

os fluxos em superfície tendem a “empurrar” a camada de mistura (CM) para cima. Por outro lado. Outro mecanismo importante é detectado no dia 14 de março. verifica-se que a CM com maior profundidade ocorre no dia 16 de março quando a altura da base da INV se encontra mais próxima da superfície (Figura 5.1: Perfis verticais de θ. O equilíbrio entre os dois mecanismos define o topo da camada de mistura. A diminuição gradual da altura da base da camada de inversão dos alísios indica a predominância de movimentos subsidentes. O efeito conjunto da inversão dos alísios e das condições atmosféricas definidas pela atuação do centro do VCAN intensifica a subsidência e desloca a base da camada estável (INV) na direção da superfície. existente nos altos níveis. a linha contínua indica a altura do topo da camada de mistura (CM). para baixo. A linha tracejada indica a altura da base da inversão dos alísios (INV). Em contrapartida com o aumento no déficit de vapor da atmosfera os processos convectivos em superfície são mais intensos e leva ao aprofundamento da camada de mistura. A secagem é mais evidente nos dias 15 e 16 de março. Surpreendentemente. Observa-se que a temperatura potencial equivalente praticamente não varia com a altura entre o topo da 57 . θe e θes obtidos da sondagem realizada em Petrolina: (a) no dia 14 de março de 2005 às 12:00 UTC. A base da inversão de subsidência atinge o nível de aproximadamente 2400 m no dia 16 de março.1c). (b) no dia 15 de março de 2005 às 12:00 UTC e (c) no dia 16 de março de 2005 às 12:00 UTC. No processo de subsidência tem-se uma maior secagem da atmosfera pelo transporte do ar seco.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Figura 5.

A presença da inversão de subsidência e camadas estáveis na média troposfera indica o forte controle da escala sinótica com movimentos subsidentes e secagem da atmosfera. 5. 58 . A estrutura termodinâmica na retaguarda do sistema é completamente diferente da área de intensa nebulosidade e forte atividade convectiva nas regiões sob a influência do setor oeste do VCAN. topografia.Capítulo 5 – Resultados e Discussões camada de mistura (CM) e o nível de 3017 mgp. e da degradação ambiental associada às atividades agrícolas em áreas de Caatinga 5.1 ANÁLISES NUMÉRICAS Simulação dos impactos da construção da represa de Sobradinho. ou simplesmente como déficit de pressão de vapor (DPV) representa um forte controle sobre a taxa da evapotranspiração e pode afetar consideravelmente o balanço de energia em superfície e consequentemente a distribuição espacial dos fluxos de calor sensível (H) e latente (LE). Estas características representam um ambiente típico da diminuição na atividade convectiva.1. formação de nuvens rasas e redução das chuvas. Particularmente numa atmosfera sob a influência do VCAN a quantidade de umidade presente na baixa e média atmosfera sofre variações acentuadas.2 5.2.1 Variabilidade nos fluxos turbulentos A variabilidade espacial dos fluxos turbulentos é normalmente determinada pelas características da superfície.2. Neste dia a região está sob a influência de uma área de transição caracterizada pela mudança nas condições atmosféricas com movimentos verticais intensos geralmente observados no setor oeste do vórtice para condições mais estáveis sob a influência do centro do VCAN. Em síntese. independentemente do dia os perfis mostram condições atmosféricas convectivamente e condicionalmente instáveis nos níveis mais baixos da atmosfera. disponibilidade de umidade no solo e resistência estomática das plantas. No entanto. Atividade convectiva mais forte no dia 14 de março representa a principal causa da mudança na estrutura termodinâmica da atmosfera. a redução no teor de umidade da atmosfera normalmente referenciado como déficit de vapor da atmosfera. A atividade convectiva local afeta substancialmente a estratificação vertical do vapor ao longo dos dias.

O horário das 15:00HL foi escolhido para ilustração dos resultados por representar o período de máximo desenvolvimento das circulações forçadas termicamente (observado geralmente entre 14:00 e 16:00HL).irg.pl. Os efeitos das mudanças na cobertura do solo são visíveis em toda a área coberta pelo domínio numérico.2c.sl (experimento de controle com o cenário da cobertura vegetal nativa sem influências antrópicas) no horário das 15:00 HL para os dias 14. Nos dias 15 e 16 de março o impacto é mais nítido na região da represa de Sobradinho. no domínio da grade 2 (resolução de 2 km). reduzindo o fluxo de calor sensível.e). e nas áreas agrícolas. A diminuição no fluxo de calor sensível (H) também foi substancial nas regiões onde as plantas da Caatinga foram substituídas por agricultura irrigada atingindo valores da ordem 180 W/m2 no dia 15 e de 250 W/m2 no dia 16 de março (Figuras 5. 15 e 16 de março) e pode ser explicada pelo aumento na disponibilidade de água na superfície (área inundada). Neste caso a maior parte da energia em superfície é usada para evaporar a água. 15 e 16 de março de 2005. respectivamente. Valores extremamente baixos resultantes da diferença entre as simulações mostram que na região inundada para formação do lago a redução no H foi de 200 W/m2 no dia 15 e de 250 W/m2 no dia 16 de março.cl (experimento com cenário atual cujas mudanças no bioma Caatinga são determinadas pelas alterações decorrentes da construção do lago de Sobradinho e inclusão de culturas de sequeiro e dos perímetros públicos de irrigação) e ctg. 59 .2 mostra os campos da distribuição espacial dos fluxos de calor sensível (H) e latente (LE) resultante da diferença entre as simulações ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões A Figura 5. Especificamente na região do lago a queda nos valores de H é observada nos três dias (14.

e do calor latente LE(w/m2): nos dias: 14.irg. (d) e (f) obtida da diferença entre as simulações Caatinga. 15 e 16 de março (b). Culturas Irrigadas e Plantações com lago (ctg. 60 . 15 e 16 de março (a).Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5.cl) e Caatinga sem Lago (ctg.2: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14.sl) as 15:00 HL.pl. (c) e (e).

2a e b) quando comparada com a distribuição horizontal de H e LE observada nos dias 15 e 16 de março (Fig.2c. 5.irg. Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água (DPV) para os dias 14. 5. 3516 3016 14/MAR 16/MAR Altura (mgp) 2516 2016 1516 1016 516 16 0 2 4 6 8 10 DPV (hPa) 12 14 16 18 15/MAR Figura 5. A influência do terreno também é observada na região do Lago de Sobradinho (LS). 40.3) explica a grande diferença na configuração dos fluxos observada no dia 14 de março (Fig.cl).e.pl. Os valores das pressões parciais do vapor d’água de saturação e do ar foram obtidos para Petrolina com base na simulação com o cenário atual (ctg. atingindo 18 hPa em superfície. A aparente organização dos fluxos H e LE. Observa-se que no dia 16 de março a atmosfera apresenta um déficit de pressão de vapor bastante elevado.cl para Petrolina PE (9. em faixas direcionadas no sentido SE/NW é um indicativo de que a topografia é um dos fatores que influenciam fortemente a distribuição horizontal e vertical dos fluxos de energia e água.3: Perfis verticais do déficit de pressão do vapor d’água DPV para os dias 14.Capítulo 5 – Resultados e Discussões O controle exercido pelo DPV (Figura 5.d. 15 e 16 de março construídos com base nos dados de pressões parciais do vapor d’água de saturação e do ar extraídos da simulação ctg. A área inundada para formação do lago encontra-se rodeada de terrenos elevados.irg.f). A configuração dos fluxos observada neste dia reflete basicamente os efeitos resultantes da interação entre a forçante atmosférica (escoamento sinótico) e a variabilidade na topografia local. 61 .pl.5W) são mostrados na Figura 5.4a. A topografia no domínio numérico coberto pela grade 2 é mostrada na Figura 5.3. A área de estudo está inserida no vale do São Francisco com relevo complexo formado por áreas planas rodeadas de morros com diferentes elevações.4S. A alta concentração de vapor na atmosfera no dia 14 de março reduz substancialmente a taxa de transpiração pelas plantas. 15 e 16 de março de 2005.

ocupação do solo no cenário ctg. o impacto da substituição da vegetação nativa (Caatinga) por plantações e culturas irrigadas é mais evidente nos campos de H e LE. As isolinhas indicam contornos da topografia a cada 30 metros: (a). (a) (b) Figura 5. da ordem de 50 W/m2 nas áreas de plantações e de 250 W/m2 nas regiões dos perímetros irrigados e na área do Lago de Sobradinho. Com o aumento no déficit de vapor da atmosfera o controle pelos estômatos no processo de evapotranspiração passa a ser dominante.cl.pl. Nos campos de LE o resultado da diferença entre as simulações (ctg.clctg. A mudança na configuração espacial dos fluxos nos dias 15 e 16 de março é um indicativo da redução no impacto da topografia em relação ao efeito de outros processos físicos decorrentes da variabilidade nas condições atmosféricas.irg. Efetivamente nestes setores tem-se o efeito conjunto do transporte de vapor pela brisa lacustre (BL) e pelos ventos de encosta. Nos dias 15 e 16 de março.4: Topografia (m) no domínio numérico da grade 2 (resolução de 2 km).sl) mostra um aumento da evapotranspiração da ordem de 180 W/m2 no dia 15 de março onde a vegetação nativa foi substituída por plantações (vegetação de sequeiro e 62 . modificando a partição da energia líquida disponível em H e LE. A escala em cores mostra os códigos correspondentes ao tipo de vegetação: (b). A escala em cores mostra a altura em metros. A queda nos valores de H resultante da diferença entre as simulações é bem acentuada. mecanismos discutidos mais detalhadamente na próxima seção.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Valores nitidamente mais altos de LE de aproximadamente 340 W/m2 são observados a nordeste e ao sul do LS.pl. Esse mecanismo de transporte de vapor não é tão visível nas áreas de plantações provavelmente decorrente do enfraquecimento dos gradientes térmicos entre a área inundada e a vegetação.irg.

Os resultados obtidos para LE nos dias 15 e 16 de março mostram o efeito conjunto do teor de umidade no solo e do déficit de vapor na atmosfera nos processos de evapotranspiração. Esse resultado mostra também que a influência da mudança no uso da terra é determinante quando comparada com o impacto do tipo de vegetação na distribuição dos fluxos turbulentos. temperatura e umidade atmosférica 5.2.sl no horário das 15:00 HL para os dias 14.2 Mudanças no uso da terra e variabilidade no vento.irg.5.pl.1.cl e ctg. 15 e 16 de março de 2005 são mostrados na Figura 5.2. 5.1 Temperatura e umidade Os campos da distribuição espacial da temperatura T(ºC) e razão de mistura r(g/kg) resultantes da diferença entre as simulações ctg. No dia 15 de março a diferença nos valores de LE pela substituição da Caatinga por vegetação irrigada e plantações não é tão evidente quanto no dia 16 (maior DPV) em que o efeito conjunto da grande quantidade de água no solo da região irrigada e da redução no teor de vapor da atmosfera aumenta consideravelmente a taxa de transpiração pelas plantas.2. O impacto é maior nas regiões de vegetação irrigada decorrente da mudança no uso da terra (mudança no teor de umidade do solo). 63 .1.Capítulo 5 – Resultados e Discussões pastagens) e de aproximadamente 380 W/m2 no dia 16 de março nas regiões modificadas pela implantação dos perímetros irrigados.

f) 16 de março de 2005.irg.d) 15 e (e.b) 14. culturas irrigadas e plantações.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5.5: Distribuição espacial da temperatura do ar T(°C). (c. 64 .cl) e Caatinga sem Lago (ctg. com lago (ctg. e razão de mistura r(g/kg) obtida da diferença entre as simulações Caatinga.sl) as 15:00 HL nos dias: (a.pl.

os valores encontrados estão na mesma ordem de grandeza dos obtidos em estudos semelhantes desenvolvidos em outras regiões (DOUGLAS et al. Nas áreas onde a vegetação nativa foi substituída por plantações os resultados da simulação com o cenário atual mostram que a redução máxima na temperatura é da ordem de 1ºC. Esse valor é praticamente o dobro do encontrado por Correia et al. Em síntese.5.1). É possível observar também que existe uma relação positiva entre a dimensão das áreas irrigadas e a intensidade da circulação formada. 2009). plantações mistas do tipo C3 e pastagens (Quadro 4. No entanto. A diferença na fração de cobertura da superfície e no albedo do tipo de vegetação explica os valores encontrados. A influência da topografia na variabilidade espacial da temperatura e umidade também é visível nos campos de T e r mostrados na Figura 5. para mesma região em condições ambientais semelhantes.. Nas superfícies vegetadas os efeitos da resistência estomática e o índice de área foliar são características fundamentais na transferência de vapor para a atmosfera. Por outro lado. 1990). no LEAF-3. Este resultado está em acordo com os obtidos por Correia e Silva Dias (2003) em um estudo desenvolvido para avaliar os efeitos ambientais da propagação da brisa lacustre em situações de cotas extremas do reservatório da usina de Sobradinho.5ºC.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Os valores indicam que as mudanças na cobertura do solo levam a uma queda na temperatura e um aumento no teor de vapor da atmosfera independente do dia analisado. WALLACE et al. A redução da temperatura na área de Sobradinho atinge valores da ordem de 3ºC. A divergência nos resultados pode ser atribuída às diferenças na representação dos processos biofísicos do esquema de vegetação LEAF-3 usada nas simulações deste trabalho. usada para representar a agricultura de sequeiro dentro do domínio numérico é caracterizada pela presença de culturas. A queda na temperatura do ar na região do perímetro irrigado Nilo Coelho atinge valores da ordem de 1. 65 .. 2001. É importante ressaltar que a vegetação denominada de plantações. (2006). em áreas com vegetação esparsa a umidade na camada superficial do solo tem forte influência sobre a taxa de evaporação devido à grande fração de solo descoberto (CORREIA. observa-se que as áreas com maior concentração arbórea (perímetros irrigados) no meio da Caatinga formam verdadeiras ilhas frias. também conhecidas como “efeito oásis” por apresentar temperaturas inferiores às das áreas com vegetação esparsa.

aparentemente restrita às áreas ao sul do Lago de Sobradinho nos três dias de integração e ao sul do perímetro Nilo Coelho. indicam claramente uma alteração no padrão da circulação local. nos dias 15 e 16 de março. 15 e 16 de março na Figura 5. O impacto na umidade resultante da diferença entre as simulações é da ordem de 0. As autoras observaram ainda uma queda nos valores da temperatura em toda a área afetada pela brisa lacustre. Correia et al. As diferenças são atribuídas às condições atmosféricas vigentes em cada situação.sl mostrados juntamente com as configurações espaciais da temperatura e umidade para os dias 14.6. CORREIA.2. verificaram que a brisa lacustre formada pelo lago de Sobradinho atingiu a intensidade de aproximadamente 4.5 m/s e alcançou o meridiano de 40..2 Vento horizontal e circulações induzidas termicamente As circulações atmosféricas em escala local (meso-β e meso-γ) são controladas por duas forçantes principais: o escoamento sinótico incluindo os mecanismos de interação com a topografia e as circulações termicamente induzidas pela heterogeneidade na cobertura vegetal e pelos contrates terra/água.6).pl. 2003. O acoplamento entre a brisa lacustre e os ventos de encosta explica a maior intensidade na região do lago. O aumento no déficit atmosférico de vapor DPV e o maior teor de umidade do solo na área irrigada explicam a maior intensidade da circulação no dia 16 de março.irg. 66 . no entanto. (2006). A circulação do tipo brisa observada ao sul do perímetro irrigado Nilo Coelho é geralmente referenciada como circulação não clássica e é gerada pelo contraste de temperatura entre as áreas com diferentes tipos de vegetação (Figura 5. 1998. o aumento da umidade atmosférica observado nos campos da razão de mistura é evidente nas áreas com plantações. 2001. CORREIA et al. onde está localizada a cidade de Petrolina situada a jusante do reservatório. Trabalhos desenvolvidos em regiões diversas comprovam que em áreas de lagos artificiais a brisa lacustre tem influência determinante na redução da temperatura e aumento da umidade atmosférica no entorno do reservatório.8 g/kg.cl e ctg.5º W. Este resultado corrobora em parte com os encontrados por outros autores em estudos desenvolvidos em áreas de represas (SHEN.2. STIVARI et al..Capítulo 5 – Resultados e Discussões Analogamente à temperatura do ar.1. 2006). 5. Os campos de vento resultantes da diferença entre as simulações ctg.

67 .c. contrastes terra-água. Esse efeito pode ser visto nos campos do escoamento no domínio numérico com e sem o vento sinótico resultantes da diferença entre as simulações ctg. as circulações induzidas pelas forçantes locais (terreno acidentado. e) mostra que o vento horizontal tem direção variável sendo relativamente mais fraco e praticamente de leste no dia 14. contraste entre tipos de vegetação) de intensidades relativamente mais fracas representam condicionantes locais importantes e modulam o escoamento de grande escala.pl.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Em síntese.sl mostrados na Figura 5. No dia 16 de março o vento é mais forte e de sudeste.cl e ctg.6a. A configuração espacial do escoamento sinótico sob a influência do VCAN (Figuras 5. mudando gradualmente de intensidade e direção ao longo do período de integração.6. No entanto. os resultados mostram que o escoamento sinótico tem papel fundamental na distribuição espacial das variáveis analisadas.irg.

(d) 15 de março e (f) 16 de março. 15 e 16 de março mostrada nas Figuras 5.irg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5.irg.cl e ctg.d.cl e ctg. (c) 15 de março e (e) 16 de março. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.6b.sl.pl.pl. A configuração espacial do vento horizontal (sem o escoamento sinótico) resultante das simulações ctg. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março.f indica que a brisa lacustre e os ventos de encosta nas regiões com 68 .sl para os dias 14.6: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2km) as 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.

8 e 5.7a. A queda no DPV ao longo dos dias é um dos fatores responsáveis pela elevação nas taxas de evapotranspiração provocando a redução da temperatura em superfície e consequentemente o aumento nos gradientes de umidade e temperatura do ar acima das superfícies com propriedades diferentes (terra. Como pode ser visto na Figura 5. portanto. na região do perímetro Nilo Coelho. O escoamento de retorno no dia 16 de março em aproximadamente 600 metros de altura associado com a brisa vegetação (BV) é bastante nítido. temperatura potencial θ(ºC) e da razão de mistura r(g/kg) obtidas da diferença entre as simulações ctg.9. 69 . Embora com intensidade bem menos intensa que a da BL é possível detectar a existência de uma circulação do tipo não clássica nos dias 15 e 16 de março. Este resultado mostra que o lago e a topografia representam forçantes de superfície importantes no domínio analisado.8 m/s no dia 14 a 3 m/s.7. Quanto maior a diferença de temperatura entre as superfícies maior é a intensidade das circulações desenvolvidas localmente.cl e ctg. c. e) verifica-se que independente do dia analisado. 5. água e vegetação).sl para os casos com e sem o vento sinótico mostradas nas Figuras 5. A brisa lacustre é.7 a brisa lacustre aparece como uma célula fechada com movimentos descendentes sobre o lago (mais frio) e ascendentes nas áreas circunvizinhas. no dia 16 de março. O grau de influência das forçantes locais e de grande escala na estrutura dinâmica e termodinâmica da camada limite atmosférica (CLA) pode ser avaliado com base nas seções verticais da componente zonal do vento u(m/s).irg. no sentido terra/água. Nas simulações sem o escoamento sinótico (Figuras 5.Capítulo 5 – Resultados e Discussões topografia mais pronunciada alteram o padrão de vento associado com a grande escala. Essa circulação atinge intensidades da ordem de 0. a estrutura vertical da componente zonal no horário da 15:00 HL mostra claramente o efeito da mudança no padrão de vento local com a formação da brisa lacustre na região do lago de sobradinho.7e). Por continuidade de massa nota-se que em níveis mais altos há uma circulação de retorno.8 m/s (Figura 5. A intensidade máxima da circulação varia de 1. responsável por movimentos convectivos e transporte de umidade da área do lago para as regiões situadas no entorno da represa.pl.

Três fatores são determinantes para esse resultado: as diferenças na umidade do solo e fração de cobertura vegetada em áreas de Caatinga e de culturas irrigadas e a direção do escoamento de grande escala. Este nível também determina o topo da camada de mistura como pode ser visto no perfil da temperatura potencial mostrado na Figura 5. o nível de 900 metros coincide com a base de uma camada atmosférica seca e convectivamente estável associada com a inversão de subsidência e que limita (“impede”) a transferência de calor e umidade para os níveis mais altos e desenvolvimento vertical das nuvens. Um aspecto interessante observado nas seções transversais da componente zonal incluindo a influência do escoamento de grande escala e principalmente detectado no dia 15 de março é o vento predominantemente de leste na camada entre 900 e 1200 metros com intensidade de até 1.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Nos dia 15 e 16 de março verifica-se um aumento na intensidade da componente zonal do vento na área irrigada. A intensidade desse efeito varia com a direção do escoamento sinótico. o efeito das circulações induzidas pelas mudanças em superfície principalmente na área do lago de Sobradinho afeta toda a estrutura da CLA.7 b. 70 .7b. As seções transversais da componente zonal incluindo o vento sinótico são mostradas nas Figuras 5. Abaixo desta camada o vento é de oeste. Neste horário. d. f.2 m/s. com exceção da camada acima do lago de Sobradinho. Verifica-se que embora o escoamento de grande escala seja claramente dominante nos três dias analisados.

sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). e com o vento sinótico: (b).cl e ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5.pl.irg. (d) e (f). resultante da diferença entre as simulações ctg. 71 .4ºS.7: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza). às 15:00 HL.

O aumento do DPV ao longo dos dias e a intensificação dos processos turbulentos e movimentos convectivos foram responsáveis pelo aprofundamento da camada de mistura no dia 16 de março de 2005 e pelo rompimento da camada estável transportando ar mais úmido e mais frio da superfície para níveis mais altos.9. gerados pelas brisas lacustre e de vegetação.pl.pl.5º C.cl e ctg. A redução máxima da umidade atmosférica é de 3.irg.sl às 15:00 HL. independente do dia analisado.pl.cl e ctg.6g/kg.irg.4 na superfície na área do LS e de 1.8 e 5.9f. Verifica-se que nas simulações com a inclusão do vento sinótico. O efeito do transporte de umidade resultante da interação entre o escoamento de grande escala e as circulações termicamente induzidas é visível no nível de 1500 m na Figura 5. Quando considerados apenas os efeitos das forçantes em superfície (Figura 5. em superfície.2g/kg na longitude de aproximadamente 40.2°W resultante da diferença entre as simulações ctg. O efeito de Sobradinho é visivelmente mais intenso no dia 16 de março de 2005. com e sem a influência do vento sinótico são mostradas nas Figuras 5. os resultados mostram valores negativos da temperatura potencial e positivos da razão de mistura em toda a camada abaixo de 1200m indicando o umedecimento e resfriamento da CLA nas áreas do lago de Sobradinho e do perímetro Nilo Coelho. As seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura com a inclusão do escoamento sinótico mostram que as mudanças na cobertura da superfície foram responsáveis pelo resfriamento e umedecimento na CLA.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura obtidas da diferença entre as simulações ctg.8e) a queda da temperatura do ar na área do lago atinge valores da ordem de 2.4 em torno de 600 m sobre a área irrigada indica o efeito de movimentos descendentes e transporte do ar mais seco associados com movimentos divergentes.cl e ctg.irg. É possível detectar um núcleo com valores da ordem de 1. A redução na razão de mistura resultante da diferença entre as simulações ctg.6 no nível de 1200 m para 0.sl.sl de 3.2 em 1200 m para 0. 72 .

(d) e (f).4ºS.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5. às 15:00 HL. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza).cl e ctg.pl.irg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e).8: Corte transversal da temperatura potencial (ºC) na latitude de 9. e com o vento sinótico: (b). resultante da diferença entre as simulações ctg. 73 .

e com o vento sinótico: (b).pl.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5. às 15:00 HL.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e).irg.9: Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9. A barra no eixo das abscissas indica a posição do lago (cor preta) e do perímetro Nilo Coelho (cor cinza). (d) e (f).4ºS. 74 .cl e ctg. resultante da diferença entre as simulações ctg.

2. do saldo de radiação e dos fluxos turbulentos simulados com o modelo RAMS para o cenário ctg.10.0585°S.2.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Os resultados mostram. 40. H(W/m²). Os processos convectivos têm influência direta na formação de nuvens e precipitação.irg. (b) calor latente LE (W/m²).1.3292°W). (a) (b) (c) (d) Figura 5. porém. 75 . portanto. 5.pl.10: Evolução temporal: (a) fluxos de calor sensível. A semelhança entre as curvas indica que os resultados numéricos são aceitáveis e que o uso do esquema de superfície LEAF-3 do RAMS representa uma boa ferramenta de análise dentro dos objetivos propostos nesta pesquisa.cl e calculados pelo método da correlação turbulenta com dados coletados na estação micrometeorológica de Petrolina é mostrada na Figura 5. (c) radiação liquida Rn(W/m2) e (d) temperatura do ar T(°C) simulados (em vermelho) e calculados (em preto) na localização da torre micrometeorológica de Petrolina (9. As discrepâncias entre os valores observados/calculados e simulados são esperadas em função de limitações intrínsecas das configurações dos experimentos numéricos (resolução. o controle da grande escala foi determinante nos processos convectivos e transporte vertical de água e energia. que a estrutura da CLA foi substancialmente afetada pelas forçantes locais.3 Validação dos resultados A evolução diária da temperatura do ar. condições de contorno) ou da técnica de correlação turbulenta (falhas frequentes nas medições são observadas em dias chuvosos).

1. O topo da CM coincide com base da camada de inversão de subsidência caracterizada pelo afastamento brusco entre as curvas de θe e θes. estabiliza a atmosfera e provoca uma queda na temperatura potencial equivalente. A queda brusca da temperatura potencial equivalente com a altura entre a superfície e o nível de aproximadamente 1290 mgp observada no dia 15 de março indica 76 . as análises apresentadas nesta seção foram feitas com o objetivo de avaliar a influência de mudanças no uso da terra no grau de instabilidade da atmosfera e na precipitação de origem convectiva. Neste contexto. potencial equivalente e potencial equivalente de saturação mostrados na Figura 5.cl as 15:00 HL foram usados na construção de perfis verticais das temperaturas potencial. As temperaturas potencial e potencial equivalente entre a superfície e o nível de 900 hPa são praticamente constantes com a altura (∂θ/∂z=0 e (∂θe/∂z=0) determinando a profundidade da camada de mistura (CM). Conforme mencionado anteriormente o ar nesta camada é menos úmido e convectivamente estável (secagem atmosférica). pressão e umidade atmosférica obtidos com a simulação ctg. Os perfis verticais do dia 14 de março mostram uma atmosfera úmida e bastante misturada entre a superfície e o nível de 1014 mgp.3 Mudanças no uso da terra e variabilidade na atividade convectiva local A estrutura termodinâmica da atmosfera tem relação direta com o tipo de convecção úmida desenvolvida numa região. Dois mecanismos podem contribuir com essa intensificação: se considerada a escala local.).Capítulo 5 – Resultados e Discussões 5. No ambiente da grande escala sob influência do centro do VCAN o movimento descendente contribui com o aprofundamento da base da inversão de subsidência. Valores da temperatura.irg.2.. A atmosfera também se encontra convectivamente instável (∂θe/∂z<0) e condicionalmente instável (∂θes/∂z<0) na camada entre a superfície e o nível de 900 hPa.pl. Nitidamente a subsidência torna-se mais intensa e acentua a inversão de temperatura (maior estabilidade nos níveis médios) ao longo do período tornando a atmosfera mais seca nos dias 15 e 16 de março (maior afastamento entre as curvas de θe e θes.11. normalmente após a passagem de sistemas convectivos precipitantes ocorre um resfriamento nos baixos níveis. O transporte vertical de energia aumenta a instabilidade e contribui com a formação de nuvens e chuva.

Em síntese. favorável a ocorrência de atividade convectiva.cl) realizada com o modelo RAMS: (a) dia 14.Capítulo 5 – Resultados e Discussões que a atmosfera é potencialmente instável e. áreas irrigadas.irg. Nestas áreas. a estrutura espacial do aquecimento em superfície determinada pela heterogeneidade da cobertura do solo tem influência direta na intensidade da atividade convectiva local. plantações com lago (ctg. Áreas com fluxo de ar predominantemente convergente são particularmente propícias ao desenvolvimento da convecção. obtidos com dados extraídos da simulação Caatinga. θe e θes.11: Perfis verticais de θ. (b) dia 15 e (c) dia 16 de março de 2005. a intensidade da energia convectiva disponível (CAPE) e de outras medidas do potencial para convecção aumenta em resposta à convergência dos ventos associados com a circulação desenvolvida localmente. (a) (b) (c) Figura 5. portanto. A análise das circulações atmosféricas de mesosescala tem papel relevante em estudos para determinação de mecanismos dinâmicos favoráveis ou inibidores da chuva convectiva. O movimento vertical nestas regiões representa um mecanismo importante na liberação da instabilidade potencial e atua como um gatilho para o início da convecção e desenvolvimento de sistemas precipitantes. A influência das circulações atmosféricas induzidas termicamente na geração ou dissipação da CAPE e formação de chuva convectiva no domínio numérico foi avaliada 77 .pl.

A evolução temporal da CAPE nas localidades P1.12. A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1. Durante ou depois da chuva valores da CAPE normalmente são mais baixos confirmando a hipótese de quase equilíbrio de Arakawa-Schubert (1974). P4 e P5.cl. A precipitação convectiva gera correntes descendentes que estabilizam o ambiente e reduz a energia potencial disponível para convecção.pl.irg. 15 e 16 de março é mostrada na Figura 5.Capítulo 5 – Resultados e Discussões para localidades estrategicamente selecionadas no cenário ctg. P2. P3.12: Localidades selecionadas para o cálculo da Energia potencial convectiva disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário ctg. Verifica-se que passado o período de atividade convectiva mais intensa a CAPE é “consumida” e a instabilidade é reduzida rapidamente.pl.cl. P4 e P5 como pode ser visto na Figura 5. P2. P3. Os valores mais elevados da CAPE são observados no dia 14 de março atingindo aproximadamente 2250 J/kg às 15:00 HL. P2.13a. Energia potencial convectiva disponível (CAPE) é um parâmetro que depende simultaneamente da estrutura vertical da atmosfera e das condições em superfície. O ciclo diurno de aquecimento da superfície é facilmente detectado nas curvas da CAPE com valores mais elevados entre 09:00 e 16:00 HL para as cinco localidades P1. P2. P4 e P5 e da precipitação convectiva acumulada nos dias 14. Figura 5.irg.13. A posição geográfica destas localidades é indicada pelos pontos P1. P4 e P5 mostrados na Figura 5. P3. P3. A influência de forçantes locais na variabilidade da CAPE e da precipitação convectiva acumulada é mais visível nos dias 15 e 16 de março. 78 .

irg.pl_P5 (a) 20.irg. É interessante notar a relação inversa entre CAPE e a precipitação convectiva acumulada (PCONV). Acumulada (mm) 17.5 15.: (b).pl_P3 irg.0 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 Hora (HL) ctg. Enquanto a CAPE atinge os valores mais altos na região P1.0 2. Os valores mais altos da CAPE são observados na região P1 representados pela linha preta e os mais baixos na localidade P5 indicados pela linha rósea.irg.13: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação convectiva acumulada nas localidades P1. os resultados também indicam que 79 03:00 03:00 . variabilidade na CAPE e o desenvolvimento da precipitação convectiva no dia 14 de março.0 Chuva Conv.irg.pl. As análises até o momento mostram que os mecanismos dinâmicos e termodinâmicos em grande escala determinaram a distribuição vertical do vapor de água observada na atmosfera.pl_P2 ctg.pl_P5 (b) Figura 5.irg. P4 e P5 no domínio numérico do cenário ctg. P2.pl_P4 ctg.0 7.pl_P1 irg.irg.0 12.pl_P1 ctg.pl_P3 ctg. a PCONV é mínima.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 2500 2250 2000 1750 CAPE (J/kg) 1500 1250 1000 750 500 250 0 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 ctg. Por outro lado.5 5. Os valores menores da CAPE são observados na região P5 onde a PCONV é máxima.5 0.irg.cl.5 10.pl_P4 irg.pl_P2 Hora (HL) irg. P3.

cl e ctg.cl) no dias 15 e de 347.4 para 447.sl) para 685.sl) para 348.sl.4 (ctg.5 (ctg.5 (ctg.cl) no dia 15 as 15 HL e de 342. Variáveis termodinâmicas obtidas com as simulações ctg.irg. apenas a mudança no teor de umidade da atmosfera não é suficiente para liberar a instabilidade potencial e gerar precipitação convectiva. Na região P1 o valor da temperatura potencial equivalente aumentou de 344. 2000). 2008.Capítulo 5 – Resultados e Discussões forçantes em superfície têm influência na CAPE da região. MACHADO e LAURENT.cl mostram uma relação praticamente linear entre a CAPE e a temperatura potencial equivalente em superfície. O valor da CAPE foi de aproximadamente 700 J/kg no dia 15 e de 1000 J/kg no dia 16 março.sl) para 345.pl.pl. Esta correlação também foi encontrada por outros autores (SILVA et al.irg.cl) no dia 16 de março as 15:00 HL.14 mostra a evolução temporal da temperatura potencial equivalente e da CAPE obtida com as simulações ctg.2 (ctg.irg. 80 .pl.1 (ctg.pl. Os efeitos da topografia e heterogeneidade da cobertura do solo na variação destes parâmetros são mais evidentes nos valores obtidos para dias 15 e 16 de março nas regiões P1 e P5.7 no dia 15 e de 366.8 para 413.. No mesmo período a elevação na CAPE na região P1 foi de 471. O aumento nas taxas de evapotranspiração decorrente da substituição da Caatinga por plantações explica esse resultado.irg. A Figura 5.sl e ctg.6 (ctg.pl.6 as 15 HL do dia 16 de março. Entretanto.irg.

14. No entanto.14: Evolução temporal da temperatura potencial equivalente e da CAPE obtida com as simulações ctg. (K) CAPE (J/kg) 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 1500 1250 1000 750 500 250 0 345 340 335 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 21:00 Hora (HL) ctg.6 W) Temp. 40. 40.40.6ºW) e P5(9.9 W) Temp.sl 355 350 2250 2000 1750 Hora (HL) ctg.sl Hora (HL) ctg. (K) CAPE (J/kg) 1500 1250 1000 750 500 250 0 345 340 335 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 Hora (HL) ctg.irg.6ºW) os valores foram substancialmente mais baixos como pode ser visto na Figura 5.pl. O efeito e localização dos centros de convergência variam com a direção e intensidade do escoamento de grande escala.cl e ctg.53 S. 40.0 S. Eq.6 W) 2250 2000 1750 P1 (9. 40. o valor máximo da precipitação convectiva acumulada foi observado nesta área.irg. liberação da instabilidade convectiva e desenvolvimento da chuva.40.pl. Pot.irg.irg.cl ctg.sl nas localidades P1(9ºS. A convergência associada com circulações termicamente induzidas (brisa lacustre e vento de encosta) e a interação com o escoamento de grande escala foi determinante na geração de correntes ascendentes.pl. Pot.pl. 40.53 S. 03:00 03:00 81 .sl Figura 5.9 W) P5 (9.pl_P1 ctg_P1 P5 (9. 40.9ºW) situadas no domínio numérico.54ºS.0 S.irg. Eq.54ºS.cl ctg. A curva da evolução da CAPE para localidade P5(9.9ºW) mostra que apesar das semelhanças com comportamento da energia potencial convectiva observado em P1(9ºS.cl ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 355 350 P1 (9.

Com esse objetivo as áreas cobertas com plantações. com capacidade de expansão para chegar a 200 mil hectares (SOBEL. com e sem o vento sinótico.2.378 ha). No dia 14 a redução no H é da ordem de 200 W/m2. 5.2.cl) o controle 82 . 15 e 16 de março as 15 HL é mostrada nas Figuras 5. O impacto da implantação destes perímetros nas trocas de energia e água entre a superfície e a atmosfera foi analisado no capítulo anterior. no domínio numérico.cl e ctg.2 Expansão da agricultura irrigada e efeitos na interação superfície-atmosfera 5.1 Considerações O pólo Juazeiro/Petrolina (área foco deste estudo) apresenta a maior concentração de projetos de irrigação.2. Sabe-se.cl ).38 % da área irrigada de todo o Vale (44. Neste contexto. Nesta simulação não são considerados os efeitos da vegetação de sequeiro (plantações).irg.irg. 2006).cl). semelhantes aos valores observados na região da represa de Sobradinho (detectada como a área de maior impacto ambiental na simulação ctg.irg. foram transformadas em vegetação irrigada. polarizado pelas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) no Submédio do rio São Francisco. no entanto. para os dias 14.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 5. Visivelmente a queda no fluxo de calor sensível aumenta ao longo dos dias.2. Semelhante ao que foi observado na análise com o cenário anterior (ctg. A mudança também é perceptível na distribuição espacial do calor latente.2. que os investimentos privados são ainda bem mais intensos na região e que efetivamente há cerca de 100 mil hectares irrigados.irg.pl.15 e 5. A elevação do LE na simulação dos efeitos da substituição da Caatinga por agricultura de sequeiro/pastagens (plantações) foi de aproximadamente 220 W/m2 para a mesma região. A intensificação nas circulações do tipo brisa pelo aumento no contraste térmico entre a vegetação irrigada e a Caatinga é um dos fatores que contribui para esse resultado. Os sete projetos públicos em operação compreendem 36. as análises apresentadas neste capítulo foram feitas a partir de simulações numéricas para um cenário de mudanças extremas no uso do solo pela expansão da agricultura irrigada (ctg.16. O aumento no fluxo de calor latente atinge valores da ordem de 310 W/m2.sl.2 Variabilidade nos fluxos turbulentos A distribuição horizontal dos fluxos turbulentos de calor sensível e latente obtida com a diferença entre as simulações ctg.pl.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões pela grande escala nos processos de evapotranspiração é dominante no dia 14 de março. A quantidade de energia que atinge a superfície (radiação de onda curta e onda longa) é fortemente determinada pela estratificação de vapor na atmosfera e representa o fator limitante de maior impacto na evapotranspiração. a brisa de vegetação (BV) e os ventos de encosta (anabáticos). mais claramente observados nas simulações sem a inclusão do escoamento sinótico (Figura 5. Nas áreas irrigadas a maior parte da energia absorvida pela superfície é transformada em calor latente. os resultados também indicam que circulações desenvolvidas localmente têm papel importante e que a topografia destaca-se como a forçante local de maior impacto na distribuição espacial dos fluxos turbulentos. portanto. Grande parte da região com agricultura irrigada está situada nos terrenos mais baixos do Vale. Vale ressaltar que os dias analisados neste trabalho estão contidos no período úmido da região e. 83 .16c e e) indicam uma elevação na taxa de evaporação do solo e transpiração pelas plantas com o aumento do DPV (secagem da atmosfera). portanto. Com a expansão da área com irrigação a queda no fluxo de calor sensível foi da ordem de 180 W/m2 no dia 15 e de 230 W/m2 no dia 16 de março. No entanto. com alta disponibilidade de umidade no solo independente da cobertura vegetal. Dois mecanismos contribuem para este resultado.16b). Nos dias 15 e 16 de março os campos da distribuição horizontal de LE (Figuras 5. Os efeitos locais são realçados e. Valores mais altos dos fluxos turbulentos são observados no entorno da extensa área coberta com vegetação irrigada no centro do domínio numérico.

15: Distribuição espacial do fluxo de calor sensível H (W/m²) nos dias: 14.cl) e Caatinga sem Lago (ctg. 15 e 16 de março obtida da diferença entre as simulações Caatinga.irg. e sem vento sinótico (b).sl) às 15:00 HL.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5.pl. Com vento sinótico (a). 84 . (d) e (f). Culturas Irrigadas com lago (ctg. (c) e (e).

(d) e (f). Culturas Irrigadas com lago (ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) Figura 5. Com vento sinótico (a).sl) às 15:00 HL. 15 e 16 de março obtida da diferença entre as simulações Caatinga. cl) e Caatinga sem Lago (ctg.16: Distribuição espacial do fluxo de calor latente LE (W/m²) nos dias: 14. (e) 85 . (c) e (e). e sem vento sinótico (b).irg.

ZHAO et al. A dinâmica de grande escala condicionada pela atuação do VCAN associada com o relevo complexo do Vale gera zonas de confluência dos ventos e movimentos convectivos (Figuras 5. Esse mecanismo explica a variabilidade no LE com valores mínimos no centro da região vegetada (Figura 5.sl) as alterações verificadas nos resultados obtidos com a diferenças entre os campos das variáveis além de ressaltar o efeito das forçantes em superfície indicam que as circulações induzidas termicamente podem modular os processos climáticos de escala maior.irg.cl e ctg.cl e ctg.sl para os dias 14. 2000.17a. Dado que as condições de contorno da grande escala são idênticas nas duas simulações (ctg. Com a geração das circulações do tipo brisa pelo contraste entre Caatinga e vegetação irrigada tem-se um transporte de vapor no sentido centro-periferia mais nitidamente observado nas simulações sem o escoamento sinótico. 15 e 16 de março as 15:00 HL.e).. As circulações geradas pela diferenças no teor de umidade do solo e das propriedades biofísicas dos diferentes tipos de vegetação são nitidamente observadas nos campos do vento horizontal resultantes da diferença entre as simulações ctg.17. 2001). A distribuição horizontal do fluxo de calor latente é mais homogênea nas simulações com o vento sinótico. com e sem o vento sinótico mostrados na Figura 5. Resultados semelhantes foram obtidos em estudos para outras regiões (CHASE et al.irg.d. 86 .f).Capítulo 5 – Resultados e Discussões Condições atmosféricas definidas pela atuação do VCAN tendem a reter grandes quantidades de umidade na baixa atmosfera.c..16 b.

(d) 15 de março e (f) 16 de março. e ctg. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março.sl. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5.cl . (c) 15 de março e (e) 16 de março. 87 .17: Campo do vento horizontal (m/s) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.irg.

com e sem o escoamento sinótico. mostrados na Figura 5. a redução na T é de 3. grande parte do vapor existente na atmosfera foi condensada e precipitada na forma de chuva.5ºC na simulação incluindo a influência da grande escala. visivelmente mais baixa quando comparada com a simulação sem a influência da grande escala.19.sl às 15:00 HL nos dias 14.19. O transporte de ar pelo escoamento de grande escala na área vegetada aumenta a taxa de evapotranspiração causando uma maior redução na temperatura do ar. A explicação está na influência do controle estomático pela vegetação. observa-se visivelmente que o aumento no teor de umidade do ar é maior na simulação com a inclusão dos mecanismos de grande escala.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 5.3ºC. entretanto. Por outro lado.2. Semelhante ao que foi observado nos resultados da simulação com plantações (ctg. com e sem o escoamento sinótico. Essa elevação. o impacto do aumento no DPV é nítido na configuração espacial da temperatura. Outro aspecto importante que deve ser considerado nas simulações incluindo as condições atmosféricas de grande escala é o efeito dos processos de microfísica.pl.2. Possivelmente.irg. tem-se uma intensificação na queda da temperatura do ar em superfície ao longo dos dias. Em ambos os casos.cl e ctg.sl.18 e 5.irg. No entanto.irg.cl e ctg. Estes mecanismos são mais evidentes nos campos da razão de mistura obtidos com a diferença entre as simulações ctg. não é observada no campo da razão de mistura para o dia 14 de março. as taxas de evapotranspiração e a queda na temperatura.cl) mostrados no capítulo anterior. A temperatura do ar atinge valores bem mais baixos nas simulações com a influência da grande escala.3 Temperatura e umidade Os campos da distribuição espacial da temperatura T(ºC) e razão de mistura r(g/kg) resultantes da diferença entre as simulações ctg. A formação de nuvens e precipitação aumenta a umidade em superfície. observa-se que na região de Sobradinho. 15 e 16 de março de 2005 são mostrados nas Figuras 5. os valores observados na área irrigada mostram comportamento inverso. Na simulação sem o vento sinótico a redução foi de 4. Nos dias 15 e 16 de março. 88 .

89 .cl .Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março. (c) 15 de março e (e) 16 de março. Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março.irg. (d) 15 de março e (f) 16 de março.18: Distribuição espacial da temperatura do ar (ºC) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.sl. e ctg.

cl .sl. Simulação sem vento sinótico: (b) 14 de março.19: Configuração espacial da razão de mistura (g/kg) a 15 m da superfície no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg. (c) 15 de março e (e) 16 de março. e ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (f) (e) Figura 5.irg. 90 . Simulação com vento sinótico: (a) 14 de março. (d) 15 de março e (f) 16 de março.

A circulação local é mais intensa no dia 16 de março (maior DPV).2ºW é facilmente detectada nos campos da simulação sem o vento sinótico onde a componente zonal atinge a intensidade de aproximadamente 2m/s. a expansão da agricultura irrigada modificou o padrão de vento local gerando uma circulação no sentido leste (da área irrigada para região de Caatinga).4 Circulações termicamente induzidas e estrutura da camada limite atmosférica (CLA) Seções transversais da componente zonal do vento com e sem a influência do escoamento sinótico nas latitudes de 9ºS (área com maior extensão coberta com vegetação irrigada) e obtidas com a diferença entre as simulações ctg. d. Nos dias 15 e 16 de março a influência das forçantes em superfície na estrutura da CLA é nítida nas simulações com e sem o vento sinótico. No dia 14 o vento é predominantemente de leste (valores negativos) na camada entre 900 e 1500 metros e de oeste (valores positivos) na camada abaixo de 900 metros. As brisas desenvolvidas pela descontinuidade na superfície são mais claramente observadas na simulação sem a influência do vento sinótico (Figura 20b. A variabilidade no cisalhamento vertical do vento zonal na CLA decorrente das mudanças na cobertura vegetal é praticamente restrita a camada entre a superfície e topo da inversão de subsidência (INV). O alto teor de vapor e nuvens reduz os gradientes de temperatura entre as áreas irrigada e coberta com Caatinga enfraquecendo as circulações termicamente induzidas. 91 . O escoamento é de oeste entre a superfície e o nível de 900 metros na região onde as plantações (cultivos de sequeiro e pastagens) foram substituídas por vegetação irrigada. Acima deste nível verifica-se um aumento na intensidade da componente zonal resultante interação entre o escoamento básico e a circulação de retorno. O contraste térmico gerado pelos diferentes tipos de vegetação explica a intensificação da componente zonal. formação de nuvens e quantidade de da radiação que atinge a superfície.2.irg. A convergência na frente da brisa na longitude de 40. A atividade convectiva ainda presente na região pela atuação do VCAN é dominante nos processos de distribuição vertical de vapor na atmosfera.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 5. Em síntese.cl e ctg. f).sl são mostradas na Figura 20.2.

às 15:00 HL. resultante da diferença entre as simulações ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5. e com o vento sinótico: (b). 92 . A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e).cl e ctg. (d) e (f).0ºS.20: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s) na latitude de 9.irg.

Nos dias 15 e 16 de março observa-se 93 .cl e (b) cenário ctg. O segundo é forçado pelo contraste na cobertura vegetal entre as áreas cobertas com cerrado e vegetação irrigada denominado de brisa de vegetação BV.19.irg. A circulação resultante da diferença entre as simulações ctg. O impacto dessa circulação é perceptível também nos campos da razão de mistura mostrados na Figura 5. a formação desta célula é resultado da atuação de dois sistemas de vento local ilustrados no esquema da Figura 5.21 Seção transversal da topografia no domínio numérico na latitude de 9ºS e esquema ilustrativo da circulação de encosta e escoamento convergente centrado em 41.25ºW.25ºW: (a) cenário ctg. (a) (b) Figura 5. O primeiro denominado de vento de encosta (anabático) é gerado pelo efeito térmico da topografia (aquecimento diferenciado) e tem circulação predominantemente de leste.irg.cl e ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Outro aspecto interessante observado nos resultados da simulação da expansão da agricultura irrigada é o desenvolvimento de uma célula de circulação convergente em superfície centrada em 9. A substituição de plantações por vegetação irrigada aumenta a diferença na temperatura do ar na fronteira entre os dois tipos de vegetação (gradiente de temperatura) e intensifica a convergência.pl.cl .sl gera um escoamento convergente na direção do cerrado em superfície e divergente no nível de 1200 metros (circulação de retorno).0ºS e 41.21. Efetivamente.irg.

Mecanismos físicos associados com a formação de nuvens têm influência direta no desenvolvimento e manutenção da CLA bem misturada. No entanto. A barra no eixo das abscissas indica a extensão da área coberta com vegetação irrigada (cor cinza) e por cerrado (cor preta). Semelhantemente ao observado nas seções transversais da componente zonal do vento verifica-se que os impactos da expansão da agricultura irrigada na temperatura potencial são praticamente restritos à camada entre a superfície e o topo da inversão de subsidência (INV). Convergência em superfície nas vizinhanças das áreas irrigadas intensificada pelo escoamento sinótico gera correntes ascendentes e transporte de ar mais frio e úmido para níveis acima da camada de mistura (Figuras 5. O cisalhamento do vento em superfície e a camada de inversão intensificam estes processos.20b).23c. e e 5. A interação entre a BV e o escoamento básico gera zonas de convergência próxima a superfície e transfere ar úmido para níveis mais elevados. resultante do transporte de ar mais úmido na região do.2. Em resposta aos gradientes de pressão as circulações se desenvolvem no final da manhã.irg. com e sem a influência do vento sinótico são mostradas nas Figuras 5.22 e 5. 5.sl às 15:00 HL. a BV é facilmente detectada nos resultados da simulação com e sem a influência do vento sinótico. portanto.cl e ctg.0ºS e 41.2. Em síntese. 94 . nos dias 15 e 16 de março.Capítulo 5 – Resultados e Discussões claramente um núcleo de valores mais elevados de r(g/kg) centrado em 9. passa do regime de transporte turbulento para um regime cujo transporte de calor e água é dominado pelos fluxos de mesoescala.22c. O alto teor de umidade da atmosfera no dia 14 reduz a taxa de evapotranspiração e diminui o efeito das forçantes locais.25ºW. Fluxos turbulentos e entrada de ar seco no topo da CLA determinam o crescimento da CLC (camada limite convectiva). A dinâmica da CLA.5 Camada de mistura Seções transversais da temperatura potencial e da razão de mistura na latitude de 9ºS obtidas da diferença entre as simulações ctg. e).23. os gradientes de temperatura geram gradientes de pressão entre a Caatinga e a vegetação irrigada. A brisa de vegetação é observada apenas na simulação sem o vento sinótico (Figura 5.

22: Corte transversal da temperatura potencial (ºK) na latitude de 9. (d) e (f).cl e ctg.0ºS. resultante da diferença entre as simulações ctg.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza). às 15:00 HL.irg. 95 .Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5. e com o vento sinótico: (b).

cl e ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5.sl sem o vento sinótico: (a) (c) e (e). Corte transversal da razão de mistura (g/kg) na latitude de 9.0ºS.irg. (d) e (f). A barra no eixo das abscissas indica a área coberta com cerrado (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).23. às 15:00 HL. e com o vento sinótico: (b). 96 . resultante da diferença entre as simulações ctg.

temperatura potencial e razão de mistura na latitude de 9.24 mostra seções transversais da componente zonal do vento. com e sem o vento sinótico. A Figura 5.cl e ctg. 97 .4ºS e os principais sistemas de vento local. Nesta camada também se observam valores negativos da temperatura potencial e valores positivos da razão de mistura. para o dia 15 de março as 15:00 HL. O primeiro associado ao efeito térmico gera uma circulação no sentido oposto ao da brisa lacustre (a taxa de resfriamento do ar pela evapotranspiração da irrigação no entorno da represa é mais baixa do que a queda na temperatura pelo efeito da substituição da Caatinga por uma superfície de água na região do lago).4ºS (o setor engloba diferentes cobertura do solo. incluindo água (lago Sobradinho). A Figura 5.irg. Este resultado indica o umedecimento e resfriamento nos níveis mais altos da CLA resultante do transporte de pelos fluxos de mesoescala do ar mais úmido e mais frio próximo da superfície. Na simulação sem a inclusão do vento sinótico verifica-se que com a substituição das plantações por vegetação irrigada dois mecanismos atuam sobre o efeito da brisa lacustre além dos ventos anabáticos.irg.sl.cl e ctg. Os campos resultantes da interação entre as forçantes locais e o escoamento de grande escala mostram que as circulações de mesoescala geradas pela descontinuidade na superfície são dominantes nos processos de advecção e transporte vertical de energia e vapor para o topo da CLA. irrigação (Nilo Coelho) e Caatinga). Efetivamente trata-se do efeito da fricção produzida pela rugosidade da vegetação.Capítulo 5 – Resultados e Discussões O efeito das circulações de mesoescala induzidas é ainda mais intenso na região do lago de Sobradinho.sl mostram a intensificação do escoamento de oeste entre os níveis de 1500 e 1800 metros. Valores mais altos e positivos da componente zonal resultante da diferença entre as simulações ctg.25 mostra um esquema com a topografia do modelo a descontinuidade na cobertura vegetal na latitude de 9. Os resultados foram obtidos com a diferença entre as simulações ctg. O segundo mecanismo também atua no sentido oposto impedindo a propagação da brisa lacustre (BL).

24: Corte transversal da componente zonal do vento (m/s).irg. A barra no eixo das abscissas indica a área do lago de Sobradinho (cor preta) e com vegetação irrigada (cor cinza).Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5. (d) e (f).0ºS.cl e ctg. 98 .sl com o vento sinótico: (a) (c) e (e). resultante da diferença entre as simulações ctg. às 15:00 HL. e sem o vento sinótico: (b). temperatura potencial (ºK) na latitude de 9.

6 Expansão da agricultura irrigada e variabilidade na atividade convectiva local Campos da configuração espacial da precipitação convectiva acumulada para os dias 14.cl e ctg. A seta azul na parte superior da Figura indica a direção do escoamento sinótico.2. Verifica-se uma redução substancial da chuva convectiva no dia 14 de março. 15 e 16 de março de 2005 resultantes da diferença entre as simulações ctg. também tem o efeito de reduzir a temperatura e diminuir a atividade convectiva na região. brisa lacustre (BL).4ºS e esquema ilustrativo da circulação de encosta. 99 . mas. A distribuição espacial das áreas com redução na precipitação é mostrada separadamente das ilustrações com indicativo de aumento na chuva com o objetivo de detectar os efeitos das forçantes locais.26.Capítulo 5 – Resultados e Discussões Figura 5.2. No entanto. brisa de vegetação (BV) e escoamento convergente centrado na área do lago de Sobradinho.25: Seção transversal da topografia no domínio numérico para latitude de 9. A vegetação irrigada aumenta a quantidade de vapor próxima da superfície.irg. 5.sl são apresentados na Figura 5. o aumento mais significativo da chuva convectiva é observado ao sul do Lago de Sobradinho possivelmente associado com a liberação da instabilidade convectiva pela atuação conjunta da BL e ventos de encosta. nas regiões onde as plantações foram substituídas por vegetação.

sl. Áreas com redução no total da chuva convectiva: (b) 14 de março. 100 .26: Configuração espacial da precipitação convectiva acumulada (mm) no domínio da grade 2 (resolução de 2 km) às 15:00 HL resultante da diferença entre as simulações ctg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5. (d) 15 de março e (f) 16 de março. (c) 15 de março e (e) 16 de março. e ctg.irg.cl . Áreas com aumento no total de precipitação convectiva: (a) 14 de março.

Capítulo 5 – Resultados e Discussões Por outro lado.cl e ctg.7ºC para 348. sem alteração na atividade convectiva. Observa-se que no dia 14 de março o topo da camada de mistura (camada com ∂θ/∂z=0) encontra-se em aproximadamente 1250 m. e θes entre os dois cenários são observadas no dia 15 de março. Em síntese. Este resultado indica que neste dia a profundidade da CLA é determinada pela forçante de grande escala. A temperatura potencial equivalente em superfície aumentou de 344. 101 . observa-se também que com o aumento no DPV a expansão da agricultura irrigada contribuiu com a intensificação da precipitação convectiva em todo domínio numérico no dia 15 de março.9ºC. θe. verifica-se que a expansão da agricultura irrigada foi responsável por duas mudanças importantes no perfil da temperatura potencial equivalente. a atmosfera tornou-se mais úmida próxima da superfície.8ºC para 352. potencial equivalente e potencial equivalente de saturação obtidos com as simulações ctg.0ºC e produziu uma redução na profundidade da camada convectivamente neutra com (∂θe/∂z=0). independente do cenário.sl para os dia 14. Em superfície o valor de θe aumentou de 350. mas também contribui com a queda na temperatura do ar. Os valores mais baixos da chuva convectiva são observados exatamente nas áreas cobertas com vegetação irrigada. Por outro lado. Este resultado indica atividade convectiva mais intensa na CLA.cl. 15 e 16 de março de 2005 são mostrados na Figura 5. Verifica-se um aumento no teor de umidade da atmosfera nos baixos níveis e uma camada de mistura mais profunda na simulação ctg. porém. Perfis verticais das temperaturas potencial. As mudanças mais significativas observadas nos perfis verticais de θ.irg.irg. O aumento na taxa de evapotranspiração eleva o teor de vapor na atmosfera.27.

5. P3.sl para os dia 14. P2.cl e ctg.sl e (b). P4 102 . a influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE e atividade convectiva no domínio numérico foi analisada para as localidades P1. potencial equivalente e potencial equivalente de saturação obtidos com as simulações ctg.cl .pl. 15 e 16 de março de 2005: (a). (c) e (e) simulação ctg. (d) e (f) simulação ctg.7 Influência da expansão da agricultura irrigada na variabilidade da CAPE De forma semelhante ao que foi desenvolvido no capítulo anterior na simulação ctg.irg.Capítulo 5 – Resultados e Discussões (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 5.27: Perfis verticais das temperaturas potencial.irg.irg.2.cl.2.

28. P3 e P4 não observados com o cenário com plantações. Figura 5. Os valores mais elevados da CAPE. 103 .Capítulo 5 – Resultados e Discussões e P5 indicadas na Figura 5. As curvas da precipitação convectiva acumulada mostradas na Figura 5. foi observado na simulação da expansão agrícola com plantações. P4 e P5.29b indicam um crescimento nos totais acumulados da chuva em torno das 14:00 HL do dia 15 nas localidades P2. No cenário com plantações os valores foram todos abaixo de 1000 J/Kg. P3.cl). P4 e P5. A grande diferença com relação à simulação da expansão da agricultura irrigada está nos valores substancialmente mais altos. porém com um total relativamente mais baixo. semelhantemente aos encontrados na análise da simulação com plantações (ctg. A posição geográfica de cada localidade é indicada pelos pontos P1.28: Localidades selecionadas para o cálculo da Energia potencial convectiva disponível (CAPE) e precipitação convectiva acumulada no domínio numérico do cenário ctg.irg.pl. A CAPE atingiu o valor de 1657 J/Kg as 10:00 HL do dia 15 de março no ponto P4 são os valores da CAPE obtidos para o dia 15 de março nos pontos P2. O valor máximo da precipitação convectiva acumulada foi observado na área do P5.irg. Resultado semelhante. P2.cl . P3. são observados no dia 14 de março.

0 7. P4 e P5 no domínio numérico do cenário ctg. Um aspecto interessante observado na simulação da expansão da agricultura irrigada é o aumento no total da precipitação convectiva acumulada para a maioria das localidades analisadas. 104 03:00 03:00 .irg.0 2.0 12.irg_P4 ctg.: (b).0 17.Capítulo 5 – Resultados e Discussões 2500 2250 2000 1750 CAPE (J/kg) 1500 1250 1000 750 500 250 0 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 21:00 -250 Hora (HL) ctg.irg_P4 (b) Figura 5. as circulações termicamente induzidas representam o mecanismo mais importante para liberação da instabilidade convectiva e ocorrência de chuva na região.irg_P1 ctg. Este resultado mostra que valores elevados de CAPE é uma condição necessária. P2.irg_P2 ctg. Acumulada (mm) 20.irg_P3 ctg.29: Evolução temporal da energia potencial convectiva disponível (CAPE): (a) e precipitação convectiva acumulada nas localidades P1. valores extremamente baixos foram observados na região de P1 independente do dia. Considerando que as condições de grande escala nos dias 15 e 16 de março são desfavoráveis ao desenvolvimento de nuvens de grande desenvolvimento vertical.5 Chuva Conv.0 22.irg_P2 Hora (HL) ctg. mas não suficiente para ocorrência da precipitação convectiva.irg_P5 ctg.0 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 21:00 03:00 09:00 15:00 ctg. P3.5 0.irg_P3 ctg.irg_P1 ctg.5 5.cl .irg_P5 (a) 25. No entanto.5 15.5 10.

105 . formação de nuvens e chuva. • O efeito do tipo de agricultura é importante na alteração dos fluxos turbulentos e estrutura da CLA. • O tipo de vegetação no entorno do Lago modifica a intensidade da brisa lacustre e consequentemente a extensão da área afetada pela queda de temperatura e aumento no teor de umidade associado com a circulação gerada pela presença do lago. Com o desenvolvimento das circulações de brisa (brisa lacustre e de vegetação) o domínio nos transportes verticais de calor e água passa a ser da mesoescala. reduz a temperatura e diminui a precipitação convectiva. e atividade convectiva da região são importantes.Conclusões 6 CONCLUSÕES Os resultados obtidos neste estudo permitiram concluir que: • Mudanças na cobertura e uso da terra afetam as trocas de energia e água entre a superfície e a atmosfera. Esta conclusão. não exclui a influência dos fatores de escala maior. Porém. O aumento na taxa da evapotranspiração nas áreas irrigadas eleva consideravelmente o teor de umidade nos baixos níveis da atmosfera. • A evolução temporal da precipitação convectiva acumulada nas simulações da expansão agrícola em áreas de Caatinga mostra diferenças marcantes nos efeitos da agricultura de sequeiro e vegetação irrigada. no entanto. Estas mudanças afetam a atividade convectiva. esse efeito é secundário quando comparado ao impacto produzido pela mudança na umidade do solo.Capítulo 6 . • Duas forçantes locais são determinantes na distribuição espacial dos fluxos turbulentos e da chuva convectiva: a topografia e a descontinuidade no teor de umidade do solo. • A intensidade e distribuição dos fluxos turbulentos são importantes na geração dos gradientes de pressão que geram circulações termicamente induzidas. • A influência do tipo de vegetação na modificação e geração de circulações termicamente induzidas.

mas não suficiente para ocorrência da chuva convectiva.Conclusões • O aumento no DPV eleva a temperatura em superfície e contribui com o aumento na profundidade da CLA e grau de instabilidade da atmosfera. Valores elevados da CAPE (energia potencial convectiva disponível) é uma condição necessária. 106 . • • Existe uma relação quase linear entre CAPE e temperatura potencial equivalente.Capítulo 6 .

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