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Curso de Nivelamento de Língua Portuguesa Centro Universitário Leonardo da Vinci Organização Cláudia Suéli Weiss Luciana Fiamoncini Patricia Maria Matedi Reitor da UNIASSELVI Prof. Malcon Anderson Tafner Pró-Reitor de Ensino de Graduação a Distância Prof. Janes Fidélis Tomelin Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância Prof. Hermínio Kloch Diagramação e Capa Davi Schaefer Pasold Revisão: Diógenes Schweigert José Rodrigues Marina Luciani Garcia
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O ESTUDO DO TEXTO
Nesta unidade conheceremos um pouco mais sobre a construção textual. Por ser um aprendizado demorado, muitos apresentam dificuldades para redigir um bom texto. Alguns escrevem com facilidade, porém têm dificuldade de atingir seus objetivos ou não conseguem ser claros.

FONTE: Disponível em: <http://desespreuniversitaria.blog.com/tag/ redacao/>. Acesso em: 10 jan. 2011.

Além disso, a língua falada é a mais utilizada no nosso dia a dia, portanto, poucos são os que efetivamente praticam a escrita. Pensando nas dificuldades apresentadas pela maioria das pessoas, sejam escritores ou não, elaboramos este material de forma clara para que você conheça e
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compreenda os principais métodos para redigir um bom texto. O texto escrito, quanto mais claro e coeso for, mais fácil será de compreendê-lo, sem deixarmos o leitor confuso com o que realmente queremos dizer. O ato de escrever é mais complexo do que a fala, pois quando falamos, podemos fazer inferências, como os gestos, podemos ratificar a fala, especificar melhor caso o interlocutor não compreenda o que queremos dizer, há a entonação e diversos outros fatores que facilitam a intermediação. Para que, então, devemos escrever bem? A escrita tem funções sociais muito importantes. Transferir e preservar informações, por exemplo, é uma das principais funções da escrita. O que seria de nós se Camões não tivesse escrito seu poema “Os Lusíadas”? E se Pero Vaz de Caminha não tivesse escrito sua carta ao rei D. Manuel? Nós nem saberíamos que estas obras algum dia existiram. Sabemos que hoje em dia há os computadores, as gravações e diversas outras formas de se registrar este tipo de informação, mas a escrita ainda continua sendo a principal delas. Bem, agora que sabemos por que a escrita é importante, vamos adiante. Falamos de texto o tempo todo, mas afinal, caro leitor, o que é um texto? Vejamos:

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De acordo com Maia (2009, p. 35), texto é
“uma mensagem: uma passagem falada ou escrita que forma um todo significativo independentemente de sua extensão. Os textos variam de acordo conforme as intenções do autor, podendo ser narrativos, descritivos, informativos, argumentativos, apelativos ou poéticos. Raramente um texto é construído com as características de um só tipo. O mais comum é encontrarmos os vários tipos em um só texto, por isso devemos observar qual a característica predominante. Um texto predominantemente narrativo pode ter passagens descritivas, informativas, argumentativas etc.”

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NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO E DISSERTAÇÃO Muito bem, companheiro de estudos, agora que já sabemos o que é um texto, vamos conhecer os três principais tipos. Começaremos pela descrição. A descrição nada mais é do que apresentar características de algo ou de alguém. Estas características podem ser, no caso de pessoas, físicas (alto, magro, baixo, gordo, loiro, moreno) ou psicológicas (feliz, triste, angustiado, estressado etc.). Pode-se também descrever o tipo de vestimenta que a pessoa se encontra, enfim, tudo o que apresenta características é descrição. Veja o exemplo, retirado da obra O Primo Basílio, de Eça de Queiroz:
Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio. (Disponível em: <http://lportuguesa.malha.net/content/ view/30/1/>. Acesso em: 10 jan. 2011)

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Já a narração é o ato de contar histórias com personagens e acontecimentos. Constantemente em nossa vida narramos fatos, sejam eles fictícios ou reais. O simples fato de contarmos ao nosso amigo como foi nosso dia é um exemplo de narração. Para que haja narração, é necessário que haja um narrador. Em uma narração, o narrador pode ou não fazer parte da história. Ele pode contar a história como se fosse uma terceira pessoa, ou seja, como se ele apenas observasse o que acontece, ou fazer parte dela, contando fatos que o incluem e tendo falas. Veja um exemplo de narração retirada do livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll (2002). Neste caso, o narrador não participa da história, apenas conta o que se passa:
Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não havia figuras ou diálogos nele e “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?” Então, ela pensava consigo mesma (tão bem quanto era possível naquele dia quente que a deixava sonolenta e estúpida) se o prazer de fazer um colar de margaridas era mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas, quando subitamente um Coelho Branco com olhos cor-de-rosa passou correndo perto dela. [...]
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Já sabemos o que é uma narração e uma descrição. Vamos à dissertação. Dissertar, segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, é o ato de “expor um assunto de modo sistemático, abrangente e profundo, oralmente ou por escrito” (HOUAISS, 2004). Em uma dissertação, você deve escrever suas ideias sobre um assunto argumentando sobre elas, ou seja, defendendo seu ponto de vista acerca do tema. Geralmente a dissertação é o gênero textual solicitado em concursos e vestibulares. Encerramos mais uma pequena etapa da nossa jornada.

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CONCORDÂNCIA NOMINAL
A partir daqui falaremos um pouco sobre concordância. O nome concordância já nos remete ao ato de concordar, certo? Então, a concordância nominal é o ato de fazer com que toda palavra variável se adapte ao substantivo ao qual se refere. Parece difícil, não? Na realidade é bem simples. Observe: As meninas compraram dois pirulitos. As – artigo feminino plural Meninas – substantivo feminino plural (Neste caso, o artigo concorda com seu substantivo). Dois – numeral masculino plural Pirulitos: substantivo masculino plural. (Neste caso, o artigo concorda com seu substantivo também). Os carro foram roubados. Os – artigo masculino plural. Carro – substantivo masculino singular. (Neste caso, o artigo deve concordar com seu substantivo também). Observe a forma correta: Os carros foram roubados. No entanto, você deve estar se perguntando: “e quando
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o adjetivo deve concordar com mais de um substantivo?” Quando isso ocorre, há várias formas de concordar. a. Quando o adjetivo aparece depois de substantivos do mesmo gênero: Pode-se fazer da seguinte forma: Ele comprou um carro e um caminhão novo. (concorda com o último) Ou Ele comprou um carro e um caminhão novos. (concorda com os dois, formando, assim, plural) b. Quando o adjetivo aparece depois de substantivos de gêneros diferentes: Pode-se fazer da seguinte forma: Ele comprou um caminhão e moto nova. (concorda com o último, no feminino) Ou Ele comprou um caminhão e moto novos. (concorda com os dois, no plural masculino).
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Muitas palavras ou expressões podem causar certa dúvida na hora de concordá-las dentro de um texto. É o caso das palavras que apresentaremos, uma a uma, a você, para tentar auxiliá-lo a resolver essas dúvidas que normalmente nos assolam na hora de escrever. Vamos lá? a. Bastante, meio e mesmo. Antes de iniciar a explicação, você deve prestar atenção à função que a palavra exerce dentro da frase. Quando elas estão se referindo ao substantivo, concordam com ele. EXEMPLOS: Ela tem bastantes bonecas. Bebi meia xícara de café. As meninas mesmas compraram os sorvetes para a festa. (Bonecas, xícara e meninas = substantivos) Já quando estão se referindo ao adjetivo ou ao verbo, tomam função de advérbio, Por este motivo não variam. EXEMPLOS: O salão estava bastante vazio. A mulher anda meio preocupada com o marido. Ele chorou mesmo. (Vazio e preocupada = adjetivos; chorou = verbo) b. Anexo, obrigado e só.
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As palavras anexo e obrigado concordam sempre com o pronome ou substantivo no qual se referem. EXEMPLO: A menina disse obrigada. (menina – obrigada) O menino disse obrigado. (menino – obrigado) O extrato segue anexo. (extrato – anexo) A cópia segue anexa. (cópia – anexa) A palavra só, quando quer dizer sozinhos, flexiona para o plural. Ex.: Eles querem ficar sós na sala, pois brigaram esta tarde. Já quando quer dizer somente, fica no singular. Ex.: Eles querem ficar só na sala, não na cozinha. c. Expressões: é proibido, é bom, é necessário. Se antes do substantivo vier um artigo ou pronome, o adjetivo concordará com o substantivo. EXEMPLOS: É proibida a entrada de animais. A água é boa para a saúde. É necessária muita força para abrir este portão. Se não houver artigo nem pronome antes do substantivo, o adjetivo não varia.
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EXEMPLOS: É proibido entrada de animais. Água é bom para a saúde. É necessário força para abrir este portão.

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CONCORDÂNCIA VERBAL Agora que você já sabe o que é a concordância nominal, não fica difícil saber o que é a concordância verbal. Apenas observe estas frases: Um gato caiu do telhado. Neste caso, o verbo está no singular, concordando com seu sujeito, no caso, gato. Dois gatos caíram do telhado. Neste caso, o verbo está no plural, concordando com seu sujeito, no caso, gatos. Assim, podemos concluir que a concordância verbal é o ato de fazer com que o verbo se flexione de acordo com o sujeito. Há, no entanto, algumas regras de concordância que você deve saber. Vamos mais uma vez juntos a esta caminhada? • Principais regras para a concordância verbal com sujeito simples, ou seja, aquele que apresenta somente um núcleo.

• Regra geral: O verbo deve concordar em número e pessoa com seu sujeito. Exemplo: Eles sempre viajam no Natal.
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• Verbo + se: se conseguimos transformar a frase em locução verbal, ou seja, usá-la com dois verbos, devemos fazer com que o verbo concorde com o sujeito. Exemplo: Atiraram-se as pedras. = As pedras foram atiradas. • Quando usamos grande número de, uma porção de, a maior parte de + um nome no plural, podemos usar o verbo tanto no singular quanto no plural, e ele estará correto. Exemplo: Uma porção de cães fugiram do canil OU Uma porção de cães fugiu do canil. (ambas estão corretas). • Quando usamos perto de, cerca de, mais de, menos de + numeral, o verbo deve concordar sempre com o numeral que aparece. • Exemplo: Mais de uma pessoa desistiu. / Mais de dez pessoas desistiram. • Quando aparece, em uma frase, um nome próprio que somente apresenta forma no plural, como é o caso de Estados Unidos, por exemplo, e este estiver acompanhado de artigo, o verbo acompanha o artigo. Caso não apareça artigo na frase, o verbo permanece no singular. Exemplo: Os Estados Unidos são uma grande potência. / O Amazonas é um grande estado.
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Estados Unidos é um país. Amazonas é um estado. • Principais regras para a concordância verbal com sujeito composto, ou seja, aquele que apresenta mais de um núcleo. • Quando o sujeito composto aparece antes do verbo, devemos sempre colocar o verbo no plural. Exemplo: O pai e a mãe brigaram com os filhos. Quando o sujeito composto aparece depois do verbo, podemos colocar o verbo no plural ou concordá-lo apenas com o primeiro verbo que estiver no sujeito.

Exemplo: Brigou com os filhos o pai e a mãe OU Brigaram com os filhos o pai e a mãe. • Quando os núcleos do sujeito, ou seja, os componentes principais forem ligados pela palavra OU indicando exclusão, o verbo fica no singular. Se a palavra OU não indicar exclusão, o verbo vai para o plural. Exemplo: Eu ou meu pai buscará minha irmã no colégio. (nesta frase, OU indica exclusão) / Flores ou chocolate sempre agradam. (nesta frase, OU não indica exclusão).

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REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL Agora que já estudamos a concordância, que é imprescindível na hora de redigir um texto, vamos a mais um passo importante na nossa caminhada: a regência. A regência é o estabelecimento de relação entre o termo principal da oração e seu complemento. A regência nominal é quando um nome faz papel de termo regente. EXEMPLO: A menina era parecida com a mãe. Neste caso, parecida vem a ser o nome (termo regente) e com a mãe é o complemento (termo regido). Já a regência verbal, é quando quem faz papel de termo regente é um verbo. EXEMPLO: Muitas pessoas gostam de teatro. Neste caso, gostam é o verbo (termo regente) e de teatro é o complemento (termo regido). A regência verbal estuda também qual a relação sintática que se estabelece dependendo da transitividade do verbo. Para tal, é necessário que você relembre o que são os verbos transitivo direto e indireto.

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Os verbos transitivos diretos não possuem sentido completo, necessitando de um complemento, que chamamos de objeto direto. EXEMPLO: A menina comprou um doce. Comprou o quê? Um doce. A palavra doce é o complemento (objeto direto) do verbo. O verbo transitivo indireto da mesma forma precisa de um complemento, mas desta vez este complemento recebe, antes dele, uma preposição. Estes complementos, neste caso, são os objetos indiretos. EXEMPLO: Ele obedece ao pai. Obedece a quem? Ao pai. As palavras ao pai, neste caso, são o complemento (objeto indireto) do verbo.

Muito bem. Agora que já relembramos o que é um verbo transitivo direto e indireto, vamos ver uma lista de verbos usados no nosso dia a dia com seus sentidos e a regência correta: • Agradar:

ο Quando tem sentido de satisfazer, é transitivo indireto. Exemplo: Os alunos agradaram ao professor. ο Quando tem sentido de fazer carinho, é transitivo direto. Exemplo: Meu filho agradou o cachorro.
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Agradecer:

ο Quando se agradece por alguma coisa, usamos como transitivo direto. Exemplo: Eu agradeci o bolo. ο Quando se agradece alguém, usamos como transitivo indireto. Exemplo: Eu agradeço aos meus amigos. • Aspirar:

ο Quando tem sentido de inalar ou respirar, usamos como transitivo direto. Exemplo: Eu aspirei água quando caí na piscina. ο Quando tem sentido de almejar, desejar, usamos como transitivo indireto. Exemplo: Eu aspirei ao cargo de supervisor. • Assistir

ο Quando usado no sentido de prestar assistência, usamos como transitivo direto. Exemplo: O médico assiste o paciente com paciência. ο Quando usado no sentido de ver, presenciar, usamos como transitivo indireto. Exemplo: O médico assistiu ao jogo de futebol no fim de
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semana. • Lembrar e esquecer:

ο Quando não são acompanhados de pronome, usamos como transitivo direto. Exemplo: Esqueci o nome do rapaz. / Lembrei o seu endereço. ο Quando são acompanhados de pronome, usamos como transitivo indireto. Exemplo: Esqueci-me do nome do rapaz. / Lembrei-me do seu endereço. • Obedecer e desobedecer.

ο Sempre serão transitivos indiretos. Exemplo: Ele obedeceu às ordens./ A criança desobedeceu ao professor. • Precisar:

ο Quando usado no sentido de informar com precisão, usamos como transitivo direto. Exemplo: Ele precisou a hora e o local do crime. ο Quando usado no sentido de necessitar, usamos como transitivo indireto. Exemplo: Ela precisou de uma explicação mais clara.
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COESÃO E COERÊNCIA
A partir de agora entraremos em mais uma fase importante para a compreensão textual. Coesão e coerência são fatores importantes para uma melhor compreensão durante a leitura e escrita do texto. Sabemos que, para distinguir um texto de um amontoado de palavras ou frases é necessário que haja harmonia entre os elementos, certo? Você certamente já leu algo do qual não tenha entendido ao certo o que queria dizer. Certamente a este texto faltavam elementos de coesão e coerência. São os elementos de coesão que determinam a relação das palavras a fim de formar uma frase. Note o exemplo a seguir:
Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país, porque consideram injusta a atual distribuição de terras. Porém, o ministro da Agricultura considerou a manifestação um ato de rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra”. (JORDÃO, R; BELLEZI, C. Linguagens. São Paulo: Escala Educacional, 2007, p. 566).

Podemos dizer que as palavras destacadas são responsáveis pela coesão do texto, pois são elas que garantem uma boa sequência de eventos.
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A coerência textual, por sua vez, é a relação entre as ideias, sendo que essas devem complementar-se. Em outras palavras, é o resultado da não contradição entre as partes do texto. Um texto tornar-se-á incoerente para determinada situação quando o autor não conseguir inferir um sentido a ele. Para garantir a coerência de um texto, o conhecimento que o produtor e o receptor têm do assunto abordado é muito importante, como o conhecimento de mundo, a intertextualidade, o conhecimento que esses têm da língua que usam. Pode-se dizer que o conceito de coerência está ligado ao conteúdo, ou seja, está no sentido constituído pelo leitor.

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DISCURSO DIRETO E INDIRETO
Vimos anteriormente alguns tipos de texto, não é mesmo? Agora conheceremos os tipos de discurso dos quais se vale o narrador para relatar a fala das personagens. São eles o discurso direto e discurso indireto. Formalmente, um enunciado em discurso direto é marcado, geralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar, sugerir, perguntar, indagar ou responder. Na falta de um desses verbos declarativos, cabe ao contexto e a recursos gráficos a função de indicar a fala da personagem. Em outras palavras, podemos dizer que o discurso direto caracteriza-se pela reprodução fiel da fala da personagem. Para clarear as ideias sobre o tema, reafirmamos o exposto através do exemplo a seguir: “O amigo abraçou-o. E logo recuou com certo espanto: - O seu chapéu, Zé Maria? - Ah, não uso mais. - Felizardo! (A. M. Machado) Podemos chamar de discurso indireto, segundo Celso Cunha (2008), o processo de reproduzir enunciados. Note um exemplo na seguinte frase de Machado de Assis:
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“José Dias deixou-se estar calado, suspirou e acabou confessando que não era médico.” Nela, o narrador incorpora ao seu falar uma informação da personagem (José Dias), transmitindo ao leitor apenas o conteúdo sem preocupação com a forma linguística realmente empregada. Em outras palavras, podemos dizer que no discurso indireto não há diálogo, o narrador faz-se intérprete das personagens, transmitindo ao leitor o que disseram ou pensaram. Para analisar, na prática, as diferenças entre os tipos de discurso, observe o quadro a seguir:
Discurso Direto 1. O aluno disse-lhe: - Eu o conheço. 2. Apontou para o prédio e falou: - Isto que é uma construção forte. 3. Clarice olhou-o severamente pedindo: - Pare com estas brincadeiras. Discurso Indireto 1. O aluno disse-lhe que o conhecia. 2. Apontou para o prédio e falou que aquilo ali era uma construção forte. 3. Clarice olhou-o severamente pedindo que parasse com aquelas brincadeiras.

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AMBIGUIDADE
Este é certamente, um dos maiores problemas na hora de redigir um texto. A transmissão errada do que se quer dizer pode causar sérias consequências, portanto, é bom tomar alguns cuidados para não cometê-los. Observe os seguintes casos: “O médico falou com o enfermeiro nervoso.” Esta frase pode ser interpretada de duas maneiras: quem estava nervoso, o médico ou o enfermeiro? Para consertá-la, bastaria reescrevê-la da seguinte forma: “O médico, nervoso, falou com o enfermeiro.” (se quem estava nervoso era o médico). Ou “O médico falou com o enfermeiro, que estava nervoso.” (se quem estava nervoso era o enfermeiro). “Pessoas que fumam com frequência apresentam dificuldade respiratória e fadiga.” Neste caso, a má colocação da palavra frequência nos confunde. Pessoas que fumam com frequência ou com frequência apresentam dificuldade respiratória e fadiga? Para consertá-la, bastaria reescrevê-la da seguinte forma: “Pessoas que fumam apresentam dificuldade respiratória e fadiga com frequência.” Ou “Pessoas que com frequência
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fumam apresentam dificuldade respiratória e fadiga.” Em alguns casos, a ambiguidade é utilizada propositalmente. Isto ocorre em piadas e textos humorísticos. Veja: - Qual o seu maior sonho de consumo? - Quero morar um dia na praia. - Mas só um? - Doutor, já quebrei o braço em vários lugares. - Se eu fosse o senhor, não voltava mais para esses lugares. - Não deixe sua cadela entrar na minha casa de novo. Ela está cheia de pulgas. - Diana, não entre nessa casa de novo. Ela está cheia de pulgas. O bêbado está no consultório e o médico diz: - Eu não atendo bêbado. - Quando o senhor estiver bom eu volto. - disse o bêbado.
FONTE: Disponível em: <http://www.escreverbem.com.br/index.php?lingua=1&p agina=escreva_01>. Acesso em: 5 dez. 2010.

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Encontramos uma lista de dicas divertidas e úteis para que D ICAS você possa construir seu texto evitando cometer alguns erros muito comuns. Veja: 1. Vc. deve evitar abrev. etc. 2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico. 3. Anule aliterações altamente abusivas. [aliteração: repetição sequenciada dos mesmos sons, neste caso a letra “a” inicial] 4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga. 5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz. 6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário. 7. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado? 8. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro. 9. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a
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palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida. 10. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem ideias próprias”. 11. Frases incompletas podem causar 12. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma ideia. 13. Seja mais ou menos específico. 14. Frases com apenas uma palavra? Jamais! 15. A voz passiva deve ser evitada. 16. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação 17. Quem precisa de perguntas retóricas? 18. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas. 19. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
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20. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evita-las-ei!” [mesóclise: quando utilizamos o pronome no meio do verbo no futuro do presente ou futuro do pretérito]. 21. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha. [Analogia: é uma relação de equivalência entre duas ou mais relações]. 22. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível! 23. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas. 24. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza. 25. Seja incisivo e coerente, ou não.” FONTE: Adaptado de: <http://objetivandodisponibilizar. wordpress.com/2009/07/02/como-escrever-bem/>. Acesso em: 9 dez. 2010.

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S ITES, ATUALIDADES, FILMES
Neste site você encontra 10 dicas muito interessantes de redação. Acesse: <http://falabonito.wordpress. com/2006/12/04/dez-dicas-rapidas-para-fazer-uma-boaredacao/>.

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A UTOATIVIDADE
Agora chegou a sua vez! Baseando-se no que já aprendeu até aqui, relacione o conceito ao seu exemplo: I- Ambiguidade. II- Discurso direto. III- Internetês. IV- Discurso indireto. a. ( b. ( c. ( d. ( ) A menina disse que tinha fome. ) A mãe falou com a filha assustada. ) Ele disse: - Vamos em cinco minutos. ) Vc tem q me ver hj.

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R EFERÊNCIAS
AMARAL, Emília F; FERREIRA, Mauro; LEITE, Ricardo; ANTÔNIO, Severino. Português. São Paulo: FTD, 2000. BATTISTI, Julio. Regência. Disponível em: <http://www. juliobattisti.com.br/tutoriais/josebferraz/regencia001.asp>. Acesso em: 8 dez. 2010. CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Disponível em: <http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/alicep. html>. Acesso em: 5 dez. 2010. CUNHA, Celso. Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: L&PM, 2008. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. GUIMARÃES, Nilma. Ambiguidade. Disponível em: <http:// educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u74.htm>. Acesso em: 5 dez. 2010. HOUAISS, Antônio. Mini Houaiss – Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. MAIA, João Domingues. Português. São Paulo: Ática, 2009.

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MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português instrumental. São Paulo: Editora Atlas, 2004. NERY, Alfredina. Texto. Disponível em: <http://educacao.uol. com.br/portugues/ult1693u10.htm>. Acesso em: 5 dez. 2010.

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G ABARITO
Página 26 a – IV; b - I; c - II; d – III.

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