APLICAÇÃO DO BAMBU NA CONSTRUÇÃO EM AREA RURAL – VIVEIRO DE MUDAS EXPERIMENTAL BAMBOO CONSTRUCTION IN RURAL AREA – EXPERIMENTAL NURSERY

Maiara da Silva de Moura Leite, Marco Antônio dos Reis Pereira, Rodrigo Lopes Bessa, Henrique Bragato Carrara.
Campus de Bauru – Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação, Faculdade de Engenharia de Bauru – Arquitetura e Urbanismo – mamouraleite@gmail.com – Premio Santander/Unisol. Palavras-chave: arquitetura sustentável; bambu; viveiro de mudas. Keywords: architecture Sustainable; bamboo; nursery.

1. INTRODUÇÃO Com diminuição acentuada dos recursos florestais naturais, a construção civil se vê na busca de novas alternativas de práticas e usos de materiais. O resgate de técnicas vernaculares desenvolvida por povos e culturas antigas vem sendo um campo de estudo bem explorado para a busca de soluções sustentáveis. É nesse cenário que o bambu vem se firmando como alternativa de material renovável. Utilizado no Oriente a milênios, o bambu é um material explorado largamente na construção, possuindo qualidades peculiares que o deixa em vantagem em diversos aspectos em relação a madeira. No Brasil o bambu não recebe a devida atenção pela indústria da construção civil, em parte devido ao desconhecimento das principais espécies e suas características físicas, de resistência mecânica, e em parte devido a falta de tradição cultural no seu uso. Hoje em dia a busca por materiais renováveis tem se tornado uma necessidade e, atualmente estudos são desenvolvidos na busca de uma tecnologia e de materiais como uma alternativa para a construção, principalmente para produtores rurais com baixo recurso. Este trabalho prevê o desenvolvimento de ações ligadas a experimentações em arquitetura sustentável utilizando a matéria prima bambu existente no campus da Unesp, de modo que os resultados possam ser utilizados como atividade de extensão para o meio rural. Um viveiro de mudas foi desenvolvido dentro do campus da UNESP de forma interdisciplinar na parceria entre alunos de arquitetura e urbanismo, envolvidos no projeto bambu, junto a professores e alunos de biologia, na busca de suprir as necessidades entre ambas às partes, para uma área de pesquisa e estudos dos vegetais e de um espaço de experimentações construtivas. O projeto do viveiro ocorreu de forma a inserir o bambu na construção, explorando suas características físicas e mecânicas, como alternativa mais ecológica, rápida e barata de construir. 2. OBJETIVOS 2.1 Gerais: - Explorar, através de práticas simples, a viabilidade do bambu na construção. - Promover a sustentabilidade na construção civil. - Criar, através do bambu, soluções acessíveis para a infra-estrutura de pequenos produtores rurais.

6887

MATERIAIS E MÉTODOS 4. em construções rurais. comenta ser o bambu o recurso natural que menos tempo leva para ser renovado. existe no Laboratório de Experimentação com Bambu/Unesp campus de Bauru. A escolha do formato em arco deuse pelas características do bambu por ser flexível e para melhor aproveitamento do espaço interno e da incidência da luz. pincel. no Brasil. 2001). Após curvas todas as peças. renovável e produzir colmos anualmente sem a necessidade de replantio. pode vir a se constituir em solução adequada para aqueles produtores rurais que não disponham de recursos financeiros ou de acesso as novas tecnologias. com exceção das regiões norte e sul. perene. martelo. 4. com diâmetro externo não maior que cinco centímetros e com uma boa flexibilidade.2 Método Estudos preliminares foram feitos para a elaboração do Viveiro de mudas partindo das diretrizes dadas pelos alunos da biologia e pelo emprego do bambu na construção. botijão de gás. fita adesiva. Para vergar os bambus no formato desejado foi necessário um gabarito feito no chão com a utilização de estacas e um maçarico para aquecer as peças aos poucos. é um excelente seqüestrador de carbono. cimento Portland . observa-se. apud PEREIRA. (FREIRE & BERALDO. garrafa pet – 2 Litros.2. As fundações foram confeccionadas em moldes feitos de garrafa pet. algumas formas foram discutidas até chegar à presente forma em arcos que se cruzam criando um trançado estrutural resistente. protetor solar tipo sombrite 75%. uma predominância de construções em alvenaria. os alunos de Arquitetura e Biologia iniciaram a construção na área destinada ao cultivo de mudas localizada atrás do departamento de biologia da Unesp. arame. podendo ser utilizado em reflorestamentos. além de poder ser empregado como matéria-prima em diversas aplicações. ou a composição dos mesmos como materiais convencionais. enterradas a cinqüenta centímetros de profundidade no solo. verniz marítimo.Construção de um viveiro de mudas com bambu. onde a madeira tem sido o material mais utilizado em construções rurais. maçarico. As bases das peças de bambu arqueadas foram colocadas no centro das garrafas pet e preenchidas com solo 6888 . mata ciliar e como protetor e regenerador ambiental. garantido que a peça de bambu permaneça na forma desejada. O uso de materiais alternativos. 3.2 Específicos: . pois a alta temperatura permite uma melhor deformidade das fibras.Criar espaço favorável à produção de mudas e alimentos orgânicos. braçadeira de plástico. o que facilita o vergamento do bambu na forma desejada sem que sofra maiores danos estruturais. Os bambus escolhidos são os da espécie Bambusa tuldoides. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O agricultor brasileiro pode ser considerado conservador em relação a escolha dos materiais empregados em construções ou da técnica construtiva adotada devido a influência da colonização ibérica. lixa de madeira.1 Materiais Para a construção da estrutura foi utilizado o bambu da espécie Bambuza tuldoide e diversos materiais como corda. 2003) Jaramillo (1992. 4. Após colhido o bambu foi tratado através da imersão das pontas em solução de Octoborato e sal marinho. Possui grande potencial agrícola por ser uma cultura tropical. não havendo nenhuma espécie florestal que possa competir em velocidade de crescimento e aproveitamento por área. .

e dois de construção. que foram unidos com braçadeiras plásticas. Figura 1:moita do Bambusa tuldoides. pois este. mas isso ainda carece de maiores estudos. acabou por dificultar a colocação do telado. a estrutura recebeu duas camadas de verniz marítimo para proteger o bambu do sol e da chuva. A figura 2 mostra o processo da fundação e amarração da estrutura já locada. curvam das peças. 6889 . sendo necessário cortes que geraram resíduos. sem contar o custo do bambu. já que estes foram colhidos na área agrícola da Unesp. Todas as etapas foram realizadas de forma empírica. possibilitou o entrelaçamento entre os arcos. bem como o processo de curvamento dos colmos. No cruzamento entre as peças. numa segunda etapa depois da secagem do solo cimento e do verniz. um de colheita. não possui características elásticas para se adequar a forma. é possível que com a utilização de outros materiais mais adequados e de mão de obra capacitada esse tempo se reduza. portanto. cada peça levou entorno de uma hora para ficar pronta. apesar de se mostrar uma boa solução construtiva. pois o custo do bambu ainda é discutível. já locadas. Figura 2: preenchimento da fundação. O processo de curvatura das peças de bambu com o maçarico demanda muito cuidado para evitar o fendilhamento. Depois de montada. O telado foi posto seguindo a forma arredondada da estrutura. A Figura 3 mostra a estrutura finalizada e o processo de cobertura. quatro de tratamento e verga. estrutura montada. amarração. Sua realização também indicou que a estrutura pode ser construída com baixo orçamento. de modo a evitar o contato do bambu diretamente com o solo e para manter as peças nas posições definidas. RESULTADOS E DISCUSSÕES A Figura 1 mostra a moita do bambu escolhido e o desenvolvimento do projeto através de maquete eletrônica.cimento. apesar de levar a maior parte do tempo. A forma arredondada resultante do envergamento. O tempo desde a colheita até a construção foi de sete dias. maquete digital. tornando a estrutura mais rígida e eliminando dessa forma encaixes metálicos que acarretariam no aumento do custo final da estrutura. 5. O custo total dos materiais utilizados na construção ficou em torno de R$ 400. O envergamento do bambu. form feitas as amarrações com braçadeiras plásticas.00.

colocação do telado. J. pois houve a preocupação de serem empregadas apenas ferramentas acessíveis a qualquer produtor rural. Referências Bibliográficas PEREIRA. portanto o presente projeto mostrou a importância de um canteiro experimental dentro da universidade. como no caso do assentamento Horto de Aimorés. de (organizador). 6. 1995. mas já é possível averiguar sua viabilidade na construção em áreas rurais. D.. BERALDO A.Figura 3: equipe de alunos. 239p. L. S. dos R. para o conhecimento ser passado para a comunidade por meio da extensão universitária de modo mais consistente. SALAME. BERALDO. 193p. de (organizadora) . Brasília. 2007. Apostila. Bauru.DF. Faria. Anais. Tucuman. não sendo necessária numerosa mão de obra. Foi empregado o bambu por ser um material renovável e de baixo impacto ambiental. de. A. L. M. A. In: Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural. – Brasília: Universidade de Brasília. tornando possível o cultivo da planta. O viveiro de mudas é uma construção de baixo custo e simples execução. Tecnologias e Materiais Alternativos de Construção – Campinas. Tucuman – Argentina. 2006. 2001. SP: Editora da UNICAMP. Bambu: Espécies.. um espaço que permite o aluno experimentar o exercício projetual na prática. PEREIRA. 2001. C. Construção conceitual da extensão universitária na América Latina. Características e Aplicações. 1995. combinados em uma mistura denominada solocimento. Departamento de Engenharia Mecânica/Unesp. A busca de alternativas construtivas e desenvolvimento de novas técnicas vêm se difundindo dentro da universidade através dos estudantes que buscam fugir do modelo convencional que é encontrado hoje no mercado. H. S. CONCLUSÕES Este projeto possibilitará o estudo do comportamento do material durante o tempo decorrente. buscando o aprimoramento das técnicas construtivas em paralelo com o desenvolvimento de uma consciência sócio-ambiental. M. Bauru: Canal 6. Almeida.. 6890 . 27.G. pois lá os moradores já possuem a terra. 2003. Bambu de corpo e alma. DOS R. que reduz o impacto no canteiro de obras e valoriza os recursos naturais locais. Estructuras de bambu em la arquitetura moderna. FREIRE. J. em conjunto com outros materiais como o cimento e a terra. W.. Seminário Nacional do Bambu – Estruturação da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento . VIRUEL.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful