Cap´ ıtulo 7 Ondas electromagn´ticas e

7.1 Equa¸˜o de onda ca

Antes de iniciarmos o estudo espec´ ıfico das ondas electromagn´ticas, conv´m recordar os e e aspectos gerais da descri¸˜o do movimento ondulat´rio. Recorde-se que uma onda correca o sponde a um processo f´ ısico em que h´ transmiss˜o de um sinal atrav´s de um determinado a a e processo (de natureza mecˆnica, ac´ stica, electromagn´tica). O exemplo paradigma´tico a u e a (embora n˜o constitua o exemplo mais simples) ´ o das ondas superficiais em alto mar, a e em que a eleva¸˜o momentˆnea da superf´ da ´gua (tipicamente suscitada pelo vento) ´ ca a ıcie a e transmitida a toda a superf´ ıcie: cada elemento da superf´ realiza apenas um movimento ıcie vertical, mas as interac¸˜es existentes entre as mol´culas de ´gua implicam a propaga¸˜o co e a ca deste movimento aos elementos de superf´ cont´ ıcie ıguos com uma certa velocidade caracteR´ ıstica ao longo da superf´ ıcie. A um elemento de superf´ numa dada posi¸˜o x ıcie ca podemos associar ent˜o um dado deslocamento vertical num instante t, caracterizado por a uma fun¸˜o de x e de t, f (x, t). Se considerarmos um observador a mover-se solidariaca mente com a onda, do ponto de vista deste observador o deslocamento de cada elemento ca de superf´ ser´ apenas fun¸˜o da posi¸˜o x do elemento em rela¸˜o ao observador, ıcie a ca ca sendo caracterizado por uma fun¸˜o f (x ), em que: ca x = x +vt ⇐ x = x−vt (7.1)

onde estamos a assumir que o observador estava em x = 0 no instante t = 0, deslocando-se posteriormente na direc¸˜o positiva do eixo dos XX, solidariamente com a ca onda, com velocidade v (se se deslocasse no sentido negativo, ter´ ıamos x = x − v t). Obviamente, o deslocamento de cada elemento de superf´ ´ o mesmo independentemente ıcie e do observador, pelo que : f(x, t) = f (x ) = f (x − v t) 135 (7.2)

usando a regra de co deriva¸˜o da fun¸˜o composta: ca ca ∂f df ∂x df = = −v ∂t dx ∂t dx (7. facilmente se obt´m a generaliza¸˜o: e o e ca ∂ 2f ∂ 2f ∂ 2f 1 ∂2f + 2+ 2 = 2 2 ⇔ ∂x2 ∂y ∂z v ∂t 2 f (r.˜ R. Vilao Electromagnetismo Ondas Esta rela¸˜o constitui a assinatura caracter´ ca ıstica de uma onda (n˜o ´ espec´ a e ıfica das ondas de superf´ do mar.7) Esta rela¸˜o ´ justamente conhecida por equa¸˜o de onda. De facto.4) e.8) 136 . temos: ca a ∂f df ∂x df = = ∂x dx ∂x dx (7.5) d ∂ 2f = 2 ∂x dx df dx ∂x d2 f = ∂x d(x )2 (7. embora tenhamos come¸ado por esse exemplo) e da´ decorrem ıcie c ı imediatamente algumas rela¸˜es bastante gerais. No caso de uma onda a ca e ca propagar-se nas trˆs dimens˜es espaciais.6) Obtemos assim uma rela¸˜o bastante geral entre as segundas derivadas em ordem ca ao tempo e ao espa¸o.3) ∂ 2f d = −v 2 ∂t dx df dx d2 f ∂x = v2 ∂t d(x )2 (7. temos. em rela¸˜o ` derivada em ordem a x. a que tem de obedecer toda a fun¸˜o que descreva o movimento c ca ondulat´rio: o ∂2f 1 ∂ 2f = 2 2 ∂x2 v ∂t (7. t) = 1 ∂2f v 2 ∂t2 (7.

a sobreposi¸˜o de duas solu¸˜es ´ ainda uma solu¸˜o da equa¸˜o de onda.10) Uma onda deste tipo diz-se uma onda longitudinal. o movimento de ca cada elemento de superf´ ser´ sempre perpendicular ` direc¸˜o de propaga¸˜o. Tal acontece por ca a e a ca ca exemplo nas ondas sonoras no ar.2 Ondas sinusoidais. o movimento de um elemento de ar ser´ ca a descrito por: r(x. podendo a direc¸˜o da ca a ca ca ca perturba¸˜o ir-se alterarando no decurso do tempo. que a garante que um largu´ ıssimo conjunto de fun¸˜es pode ser representada em s´rie de Fourier. em que a perturba¸˜o pode tomar ca uma direc¸˜o qualquer perpendicular ` direc¸˜o de propaga¸˜o.1 Ondas transversais e ondas longitudinais. Tal n˜o ca c˜ ca a acontece necessariamente com as ondas transversais. t) = f (x. A situa¸˜o expressa pela equa¸˜o ca ca ca (7. em que a direc¸˜o da ca ca perturba¸˜o se mant´m fixa.9) Uma onda deste tipo. em que a direc¸˜o de propaga¸˜o da onda ocorre na ca ca mesma direc¸˜o do movimento das mol´culas de ar.1. t)ˆx e (7. No caso das ondas longitudinais. Sendo uma equa¸˜o co ca linear. em que a perturba¸˜o associada ` onda ´ perpendicular ` dica a e a rec¸˜o de propaga¸˜o . planas e monocrom´ticas a A equa¸˜o de onda admite um ampl´ ca ıssimo conjunto de solu¸˜es. co e como uma soma de fun¸˜es sinusoidais. juntamente com um resultado matem´tico conhecida por teorema de Fourier. coincidente com a direc¸ao de propaga¸˜o. t) = A cos (k x ± ω t + φ0 ) 137 (7. Uma onda transversa deste tipo diz-se polarizada. t) = f (x. Caso os ıcie a a ca ca elementos se desloquem. Vilao Electromagnetismo Ondas 7. a ca ıcie se a onda se propagar por exemplo na direc¸˜o positiva do eixo dos xx. por exemplo. Pode no entanto acontecer que a ca ca perturba¸˜o associada ` onda ´ seja paralela ` direc¸˜o de propaga¸˜o. a perturba¸˜o associada ` onda ocorre assim semca a pre numa direc¸˜o bem definida. no caso de uma onda ca e sonora a propagar-se na direc¸˜o do eixo dos xx. Por exemplo.1. conduz-nos ao estudo das solu¸˜es sinusoidais da co co equa¸˜o de onda. ca e 7. Consideramos assim solu¸˜es da forma: ca co f (x.9) corresponde assim a uma importante situa¸˜o particular. diz-se uma onda transversal.11) .˜ R. na direc¸˜o dos yy. t)ˆy e (7. Polariza¸˜o ca No caso que tom´mos como exemplo da propaga¸˜o de uma onda na superf´ do mar. Este ca co e ca ca facto. poderemos escrever a fun¸˜o ca ca que descreve a onda como: r(x.

a frequˆncia f . t) = f (x. pois as frentes de onda (o conjunto dos pontos que em cada instante se encontra em fase) formam planos perpendiculares ` direc¸˜o de propaga¸˜o. t) ⇔ T = ω em que ω se designa frequˆncia angular.14) f(x + λ. Note-se que a fun¸˜o (7.12) f (x. O n´ mero de ciclos contido na unidade de u u comprimento ´ pois 1/λ. temos tamb´m um per´ e ıodo espacial λ ap´s o qual a perturba¸˜o volta o ca a repetir-se num dado instante t: 2π (7. correspondente ao n´ mero e e u de ciclos por unidade de tempo.13) T 2π • analogamente. que caracteriza o valor m´ximo da perturba¸˜o.17). Vilao Electromagnetismo Ondas Note-se que esta fun¸˜o corresponde ou a uma onda unidimensional que se desloca na ca direc¸˜o dos xx. t) ⇔ λ = k em que k se designa n´mero de onda. ou a uma onda tridimensional em que todos os pontos do plano x = x ca se deslocam em fase. De facto.11) obedece pois ` equa¸˜o de onda. sendo caracterizada por uma unica frequˆncia e.17) k T Esta onda.˜ R.16) ω λ =± (7. que indica o ponto do ciclo em que se encontra a perturba¸˜o ca em x = 0 e t = 0. e • a fase na origem φ0 . a ca ca Esta onda ´ descrita por um conjunto de parˆmetros caracter´ e a ısticos: • a amplitude A.15) (7. com a condi¸˜o: ca a ca ca ω 2 = v2 k2 ⇔ v = ± (7. diz-se ainda uma onda monocrom´tica. a ca • sendo as fun¸˜es sinusoidais peri´dicas.11) obedece ` equa¸˜o de onda. por via da equa¸˜o (7. Uma tal onda tridimensional designa-se uma onda plana. ´: e 1 ω f= = (7. temos um per´ co o ıodo temporal T ap´s o qual o a perturba¸˜o volta a repetir-se numa dada posi¸˜o x: ca ca 2π (7. t + T ) = f (x. ´ a 138 . ´ e ca por um unico comprimento de onda. temos ca a ca ∂ 2f = −ω 2 A cos (k x ± ω t + φ) = −ω 2 f ∂t2 ∂2f = −k 2 A cos (k x ± ω t + φ) = −k 2 f 2 ∂x E a fun¸˜o (7.

t) = k x ± ω t + φ0 .11) com a parte real ca ıvel ca de um n´mero complexo de norma A e argumento φ(x. A soma de ondas reduz-se assim ` soma de vectores. Esta representa¸˜o. em particular a sua ´ a co e soma e produto. No entanto. mas ca a tamb´m rapidamente se torna impratic´vel.11) com a projec¸˜o no eixo dos e ca ca xx de um vector de comprimento A que faz um ˆngulo φ(x. t) = k x ± ω t + φ0 com o semia eixo positivo dos x. a 139 . e a Representa¸˜o complexa ca Um outra representa¸˜o poss´ consiste em identificar a fun¸˜o (7. uma forma particularmente ima portante e util. Vilao Electromagnetismo Ondas Representa¸oes alternativas de ondas sinusoidais c˜ As ondas sinusoidais representam. ca Esta representa¸˜o traz assim algumas vantagens para o c´lculo da soma de ondas. a c o que permite transformar fun¸˜es trigonom´tricas computacionalmente complicadas em co e exponenciais de ´lgebra bem mais simples). devido ` possibilidade ca a e a de utilizar todo o arsenal da an´lise complexa (a come¸ar pelo pr´prio teorema de Euler. ´ extremamente poderosa. torna-se frequentemente pesada e dif´ de manobrar. a ´lgebra das fun¸˜es trigonom´tricas. Vectores girantes Uma forma geom´trica consiste em identificar a fun¸˜o (7. ao contr´rio das anteriores. o que justifica que ıcil se procurem e usem formas alternativas mais expeditas. conforme indic´mos. t) = A cos (k x ± ω t + φ0 ) = Re Aej(k x±ω t+φ0 ) (7.˜ R.18) √ em que j = −1 e se fez uso do teorema de Euler ejθ = cos θ + j sin θ. interessando a no final apenas o resultado da projec¸˜o do vector soma no semi-eixo positivo dos x. isto ´: u e f(x.

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