PROGRAMAÇÃO E CADERNO DE RESUMOS

BELO HORIZONTE, 18, 19 e 20 de OUTUBRO DE 2011

Comissão organizadora
Coordenação Geral: Audemaro Taranto Goulart (PUC Minas)
Isabella Ligia Moraes (PUC Minas) Jane Quintiliano G. Silva (PUC Minas) Márcia Marques Morais ( PUC Minas) Juliana Salvadori (PUC Minas) Rafael Loche (PUC Minas)

Comissão científica Audemaro Taranto Goulart (PUC Minas) Isabella Ligia Moraes (PUC Minas) Jane Quintiliano G. Silva (PUC Minas) Márcia Marques Morais ( PUC Minas) Juliana Salvadori (PUC Minas) Rafael Loche (PUC Minas)

Secretaria Executiva Rosária Helena Andrade ( CESPUC) cespuc @pucminas.br Tel: 31. 3319 4368

1º SEMINÁRIO EDUCAÇÃO ESTÉTICA: ARTES E SABERES
1º SEMINÁRIO A EDUCAÇÃO ESTÉTICA: ARTES E SABERES é uma iniciativa do Grupo de pesquisa Estética e Humanismo, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Letras, da PUC MINAS, em parceria com o Centro de Estudos luso-afrobrasileiros (CESPUC). O evento, a ser realizado nos dias 18, 19 e 20 de outubro de 2011, na PUC MINAS campus Coração Eucarístico, pretende constituir-se um fórum para a discussão de questões, como a prática do texto literário, a partir do diálogo entre estética e demais saberes. Com esse propósito, estudiosos e pesquisadores de universidades brasileiras estarão reunidos não só para divulgarem e socializarem as pesquisas realizadas no país, nessa área de conhecimento, mas também estimularem o interesse acerca da problemática em pauta. Este Seminário, o primeiro do que esperamos vir a se tornar uma série, surge de reflexões acerca das Cartas de Schiller. Seu título, aliás – A educação estética: artes e saberes – expressa não somente a importância deste pensador assim como a preocupação do grupo de pesquisa em pôr a dialogar poiesis e theoría. Os estudos desse autor afiguram-se relevante referência para reflexões sobre a estética como filosofia da arte, como o pensar sobre a arte. Sua proposta volta-se para o homem moderno e seu mal-estar, tensionado entre exigências igualmente poderosas e conflitantes: a razão e a natureza. Para Schiller, o homem precisa ser (re)educado de modo a se tornar um homem moral/ético no qual o instinto alçou-se ao ético, tornou-se “um belo instinto”. A utópica visão de Schiller, por vários motivos, foi relegada ao rol das ingenuidades românticas. Mas, de fato, o mal-estar permanece. Não seria hora de repensar essa perspectiva pedagógica da arte, que Antonio Candido tão belamente explora em seu texto “O direito a literatura” (1995), ao nos dizer que a arte, e a literatura em específico, é tudo menos inócua, pois esta “não corrompe nem edifica, mas humaniza em sentido profundo porque faz viver”? A esse exercício dialógico somam-se reflexões acerca do lugar da estética em relação à ética, à política e demais saberes nas práxis de sociedade contemporânea.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO Credenciamento 18 de outubro de 2011
Horário: 13h a 14h30 Local: Prédio 20, Saguão, Acesso/Portaria: 9. Av. 31 de Março, Campus Coração Eucarístico

Terça-Feira

Conferência de Abertura 18 de outubro de 2011
Horário:19h a 22h 30h Local: Prédio 30. Teatro 1 19h a 19h15: Abertura do evento 19h15 a 20h15: Apresentação do grupo de teatro Filhos da Puc

Terça-feira

20h15 a 22h30: conferência Estética e Literatura Prof. Dr. José Miguel Wisnik (USP)

MESAS-REDONDAS 19 de outubro de 2011
Horário: 19h30 a 21h 30 Local: Prédio 20 – Auditório Mesa-redonda: Estética e Psicanálise Cultura, Estética e Psicanálise: Schiller e Freud Prof. Dr. Guilherme Massara (UFMG) Estética e Psicanálise Prof. Dr. Wagner S. Bernardes (PUC Minas)

Quarta -feira

20 de outubro de 2011
Horário: 19h30 a 21h 30 Local: Prédio 20 – Auditório Mesa-redonda Experiências Estéticas Usos e abusos do romance Prof. Dr. Jacyntho Lins Brandão (UFMG) Estética e religião: paralelos entre experiência do belo e do sagrado Prof. Dr. Antônio Cantarela (PUC Minas)

Quinta-feira

MINICURSOS
18 de outubro de 2011
Horário: 14h30 a 18h Local: Prédio 20 SALA 306: Minicurso - “Estéticas e Diaspóricas”: arte e literatura Maria Nazareth Fonseca (PUC Minas) SALA 307: Minicurso - Estética e linguagem: uma redundância na literatura de Guimarães Rosa Márcia M. de Morais (PUC Minas) SALA 308: Minicurso - Arquivos literários: imagens saberes, estética Reinaldo Martiniano Marques (UFMG)

Terça-feira

19 de outubro de 2011
Horário: 14h30 a 18h Local: Prédio 20 SALA 305: Minicurso - Pequenas memórias, Saramago Maria Luiza Scher (UFJF)

Quarta -feira

SALA 307: Minicurso- O romance português pós-império: memória e construção do sujeito nacional Gerson Luiz Roani (UFV)

WORKSHOP 20 de outubro de 2011
Horário: 14h30 a 17h Local: Prédio 20 - Auditório A Educação Estética: vivências e diálogos Participantes Profª. Maria Antonieta Cunha (UFMG) Profª. Elzira Divina Perpétua (UFOP) Profª. Graça Paulino (UFMG) Prof. Luciano Cortez (PUC Minas)

Quinta-feira

Sessões de Comunicações Coordenadas 19 de outubro de 2011
Horário: 9h a 12h Intervalo: 10h30 – 11h Local: Prédio 20

Quarta -feira

Área temática: Estética: literatura infanto-juvenil em diálogo Sala: 305 Horário

Apresentadores

9h00–9h20

Do destoante ao destoado: os deslocados. A literatura infantil de Clarice Lispector

Flávia Alves Figueirêdo Souza (UNIMONTES) Kenia Brant (CEFET – MG) Avani Souza Silva (USP)

Os cinco sentidos: a provocação estética do imaginário infanto-juvenil na poética de Bartolomeu Campos de Queirós 9h40–10h00 Comandante Hussi: a modernidade na Literatura Infantil e Juvenil caboverdiana 10h00-10h30 Debate 10h 30 – 11h Intervalo Área temática: Estética: a tradição em diálogo Sala: 305 Horário 11h00–11h20 Reflexões sobre o Poema XX Sonetos, de Maria Lúcia Alvim A voz da liturgia católica nas Cantigas de Santa Maria, de D. Afonxo X (séc. XIII):um diálogo musical argumentativo, proselitista e político

9h20–9h40

Apresentadores Sandra Araujo de Lima (PUC Minas) Vanda de Oliveira Bittencourt (UFMG)

11h20–11h40

11h40–12h00 Área temática: Artes e mídias: diálogos Sala:306 Mesa coordenada Horário 9h00–9h20 9h20–9h40 Reciclagem: uma proposta estética de diálogos e transgressões Reciclagem: estética e releituras A pintura do poema “Castigo pro comboio do malandro”, de António Jacinto: domínio musical e da linguagem como forma de encenar a construção da nacionalidade Anatomia de um relógio

Debate

Apresentadores Roberta Maria Ferreira Alves (PUC Minas) Emanuela F. Ferreira Silva (PUC Minas)

9h40-10h00

Wellington M. de Carvalho (PUC Minas) Renato Hermeto (PUC Minas) Apresentadores Maria C. G. de Carvalho (UNIMONTES) Antón Castro Míguez (Mackenzie / Cásper Líbero)

10h00-10h20

Joga fora no lixo

10h30 – 11h00 Intervalo Horário 11h00–11h20 Música e sonoridade em A cidade ilhada O elefante luminescente no cubo branco

11h20–11h40

11h40–12h00

“Pra inglês vê”: introdução a uma estética da dissimulação

Natalino da Silva de Oliveira (PUC Minas)

Área temática: Estética: Literatura e outros saberes em diálogo Sala: 307 Horário

Apresentadores

9h00–9h20

9h20–9h40

Os signos do afeto: subjetividade e formas de vida na obra Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar Círculo azul-celeste: a estética de Chico Buarque em Leite derramado A narrativa estilhaçada em Assim na terra, de Luiz Sérgio Metz Diálogo de Saramago com a Bíblia

Alex Fabiano Correia Jardim (UNIMONTES)

Alexsandra Loiola Sarmento (PUC Minas / UNIMONTES) Claudia L. Vouto da Fonseca (UFPel) Maria Luíza Leão (UFV / PUC Minas) Apresentadores Patrícia Ribeiro (UFJF) Webert Guiduci de Melo (UFJF) Cristina Vasconcelos Machado (UFJF)

9h40–10h00

10h00–10h20

10h30 – 11h00 Intervalo Horário 11h00–11h20 “I was always going somewhere else”: múltiplos deslocamentos na poesia de Dionne Brand A escrita de si através do outro: análise de O Lugar, de Ernaux, pela ótica sociológica de Bourdieu O fantástico em Mia Couto: discursividade reveladora da tradição

11h20–11h40

11h40–12h00

Área temática: Estética e Educação Sala:308 Estética e ensino transdiciplinar: Horário revendo pressupostos teóricometodológicos em Educação 9h00–9h20 O diálogo das artes com outras áreas do conhecimento: um elemento motivador no processo de ensino/aprendizagem 9h20–9h40 Literatura erótica: estéticas para feminizar o mundo 9h40-10h00

Apresentadores

Adriana Maria Abreu Barbosa (UESB); Simiana Ribeiro Leal (CELVF – Jequié-BA); Velta Valesk (CELVF – Jequié-BA); Benildes Novaes Santana (CELVF – Jequié -BA) Adriana M. de Abreu Barbosa (UESB) Candido Requião Ferreira (UESB)

O ensino de física: entre a ciência e a estética 10h00-10h20 Debate 10h30 – 11h00 Intervalo Horário 11h00-11h20 11h20-11h40 A educação através da arte: o teatro a partir de uma perspectiva pedagógica O professor e os desafios do processo de ensino / aprendizagem da leitura em escolas de baixa renda

Apresentadores Luciene Gomes da Silva (UESB) Andreza Barroso Gonçalves (PUC Minas)

Sessões de Comunicações Coordenadas
Dia: 20/10/2011
Horário: 9h a 12h Intervalo: 10h30 – 11h Local: Prédio 20

Quinta-Feira

Área temática: Estética, literatura e educação
Sala: 306

“A educação estética do homem”: o texto literário na formação humanística O mito de evolução da linguagem no poema “Isso é aquilo”, de Carlos Drummond de Andrade 9h20–9h40 Palavras são coisas: uma leitura de "Isso é aquilo" 9h40–10h00 Porque, na literatura, isso não é isso, mas aquilo 10h00-10h20 Leituras do poema “Isso é Aquilo”, de Carlos Drumond de Andrade 10h30 – 11h00 Intervalo Horário Horário 9h00-9h20 11h00-11h20 11h20-11h40 Leitura e Literatura: forças humanizadoras Representações da Rua Ouvidor no conto “Tempo de crise”, de Machado de Assis Debate

Apresentadores Isabella Lígia Moraes (PUC Minas) Luís Campos (PUC Minas) Juliana C. Salvadori (PUC Minas) Viviane Maia (PUC Minas) Apresentadores Adriano Eysen Rego (UNEB / PUC Minas) Viviane de C. Maia Trindade (PUC Minas)

11h40-12h00

Área temática: Estética: Literatura e outros saberes em diálogo Sala: 307 Horário Apresentadores 9h00–9h20 Fábrica de alegria: o mel do Flávio L. T. de S. Boaventura melhor de Waly Salomão (CEFET/MG) 9h20–9h40 Efeitos de borboletas: epifania e Ivana Ferrante Rebello estética em Guimarães Rosa (UNIMONTES) 9h40–10h00 Ler Pessoa à luz de Pessoa: uma Karina Bersan Rocha interpretação das Odes de Álvaro (PUC Minas) de Campos 10h00–10h20 A janela da palavra: uma leitura Edson Santos de Famigerado, de Guimarães (UFMG) Rosa, à luz do conceito de “limiar”, de Walter Benjamin 10h30 – 11h00 Intervalo Horário 11h00-11h20 11h20-11h40 Cinema e Literatura: representações autobiográficas Giramundo identidade, memória e o mito em Cobra Norato Apresentadores Luciana Brandão Leal (UFV / PUC Minas) Fabíola G. P. Mourthé Jean Américo Cardoso Marlon Nunes Silva Nelson N. dos Santos Júnior (CEFET-MG) Debate

11h40-12h00

Área temática: Estética, artes e filosofia: diálogos ontem e hoje Sala: 308 Horário Apresentadores 9h00–9h20 Prof. Sérgio Murilo Rodrigues Amy Winehouse e a casa dos mortos: a noção de genialidade no (PUC Minas) Romantismo Alemão

9h20–9h40

Nietzsche: um olhar estético sobre a vida

Henrique Fernandes de Castro (PUC Minas) Carlos Vinícius Teixeira Palhares (PUC Minas) Sérgio Roberto Gomide Filho (UFMG) Apresentadores

A mimese e seu processo estético na Poética de Aristóteles 10h00–10h20 Educação estética: subjetividade, política e poesia 10h30 – 11h00 Intervalo Horário

9h40–10h00

11h00-12h30

Para uma filosofia responsável: gestações

do

Jorge L. G. Vieira (UFAL/PUC Minas); ato Manoel L. H Santana (UFAL/PUC Minas); Rita Gabrielli (PUC Minas); Rodrigo Moreno (PUC Minas); Roger V. S. Costa (PUC Minas)

CADERNO DE RESUMOS
MINICURSOS
Estéticas e Diaspóricas”: arte e literatura FONSECA, Maria Nazareth Soares (Profª. Drª. da PUC Minas) O minicurso propõe considerar a expressão “estéticas diaspóricas”, a partir de propostas híbridas, “impuras” ou “contaminadas” que, no campo das artes visuais e da literatura, provocam um permanente deslizamento de significados e de formas de percepção.

Arquivos Literários: Imagens, Saberes, Estética MARQUES, Reinaldo (Prof. Dr. da UFMG/CNPq) A partir da experiência de trabalho com o Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, com o minicurso pretendemos explorar o arquivo literário como figura epistemológica, apreendida a partir de teorias do arquivo e marcada pelo cruzamento das fronteiras literárias e culturais, pelo trânsito interdisciplinar. Nessa direção, busca-se considerar: a) o caráter híbrido dos arquivos literários – mescla de biblioteca, arquivo, museu –; b) certas figuras desse arquivo (o museu, a biblioteca, a coleção etc.); c) imagens e representações dos escritores construídas e potencializadas por seus arquivos; d) a dimensão estética dos arquivos dos escritores; e) os saberes e discursos críticos mobilizados pelos arquivos literários; e, por fim, f) alguns deslocamentos teóricos operados por pesquisas com fontes primárias nos discursos críticos sobre o literário. Estética e Linguagem: uma redundância na literatura de Guimarães Rosa MORAIS, Márcia Marques de (Profª. Drª. da PUC Minas) Pretende-se discutir contos de Guimarães Rosa (Primeiras estórias) e excertos de Grande sertão: veredas para dar realce à reescrita do mito com ênfase em sua reapresentação através do trabalho estético com a linguagem.

Pequenas memórias, Saramago SCHER, Maria Luiza Scher (Profª. Drª. da UFJF) A partir dos relatos de memória de José Saramago e Jorge Luis Borges (As pequenas memórias e Borges por Borges) pretende-se refletir sobre a relação entre a vivência da criança, expressa por meio da perspectiva do lugar e da paisagem (física, humana, cultural), e a formação do escritor em que os autores se transformariam na idade adulta. Tanto Saramago como Borges privilegiam, em suas memórias, aspectos importantes para o preparo intelectual, iniciado na infância, como o exercício da leitura, a experiência da escola, e a descoberta da literatura. Ambos escrevem seus relatos de infância na idade madura, tendo já, ambos também, alcançado o reconhecimento internacional de suas obras literárias.

MESAS-REDONDAS / CONFERÊNCIAS
A arte para além do belo: considerações psicanalíticas BERNARDES, Wagner (Prof. Dr. da PUC Minas) Neste trabalho serão abordadas algumas formulações de Sigmund Freud sobre a estética e a arte. A partir da estética, concebida como ciência do belo e doutrina das qualidades de nosso sentir, Freud envereda por uma trilha marginal destacada por ele como “o estranho”. Este tema, devido a seu caráter sinistro, provoca medo, repulsa e, até mesmo, horror. Entretanto, pode ser um recurso utilizado pelo artista para despertar sentimentos contrários. A encenação trágica assim o demonstra pois, ao induzir no espectador as mais dolorosas impressões, proporciona-lhe, ao mesmo tempo, a fruição de emoções altamente prazerosas. Se, em princípio, o ser humano é regido pela busca do prazer e evitação do desprazer resta compreender como a dor pode se tornar veículo e condição de deleite.

Estética e religião: paralelos entre as experiências do belo e do sagrado CANTARELA, Antonio Geraldo (Prof. Dr. da PUC Minas) Desde seu sentido mais reduzido (de reflexão sobre a arte e o belo) ao mais amplo (de modo de percepção do mundo), a estética estabelece com o fenômeno religioso variadas e complexas relações. Sob um foco mais estrito, pode-se considerar a religião como espaço privilegiado de expressões artísticas (a arte e a beleza das e nas religiões). Em perspectiva mais básica e ampla, pode-se afirmar a dimensão estética da religião, enquanto modo “não racional” de leitura do mundo. Cultura, Estética e Psicanálise: Schiller e Freud MASSARA, Guilherme (Prof. Dr. da UFMG) Quase ao final de seu ensaio Sobre o sublime, Schiller afirma que ″o supremo ideal, pelo qual nos esforçamos, é o de permanecermos em boa relação com o mundo físico, guardião de nossa felicidade, sem por isso sermos obrigados a romper com o mundo moral, que determina a nossa dignidade. No entanto, como se sabe, nem sempre se poderá servir a dois senhores. Ainda que o dever nunca entrasse em litígio com os impulsos (caso quase impossível), nem assim a necessidade natural conclui acordos com o homem, de maneira que nem a sua força nem a sua habilidade podem pô-lo a salvo da perfídia da fatalidade. Feliz dele, pois, se aprendeu a suportar o que não pode modificar e a abandonar com dignidade o que não pode salvar!″ [SCHILLER: 1991 (1801), p. 66]. Motivado pelos ideais ilustrados, Schiller é um dos pensadores modernos que mais Insistiria em tematizar os fundamentos de uma cultura estética. O homem, imerso numa tensão permanente e algo irreconciliável entre as exigências de felicidade e dignidade, tem sua condição ontológica inexoravelmente marcada por um equilíbrio

sempre instável entre natureza e liberdade. Freud, por seu turno, redefinindo a seu modo os dilemas éticos do pensamento iluminista, neles insere elementos inéditos e fundamentais, tais como os que se referem ao tema da disposição pulsional humana e da teoria do inconsciente. E isso numa démarche eivada de empréstimos às obras de seus predecessores, dentre as quais a de Schiller figura em destaque. Apresentar os principais elementos de convergência e divergência entre os dois pensadores no que tange à miragem de uma cultura estética, eis a que se pretende esse trabalho.

COMUNICAÇÕES
Por uma filosofia do ato responsável: gestações ABREU, Alexandre Veloso de (PUC Minas) COSTA, Roger V. S. (PUC Minas) GABRIELLI, Rita (PUC Minas) MORENO, Rodrigo (PUC Minas) SANTANA, Manoel L. H. (UFAL) VIEIRA, Jorge Luiz Gonzaga (UFAL; PUC Minas) Nesta mesa, pretendemos apresentar e estender a discussão em torno da desconhecida obra bakhtiniana Para uma filosofia do ato (responsável). Pressupondo haver, nesta, insinuações de teoria estéticoliterária, ensaios de arquitetônica dialógica e de nuances de teologia cristã católica, entre outras dicções, o foco serão as possíveis primeiras gestações epistemológicas do sistema de pensamento bakhtiniano, recuperadas pela leitura desse manuscrito, assim como as possíveis interlocuções entre o jovem Bakhtin e alguns teóricos dos estudos linguísticos e literários, da teologia cristã, da filosofia, da sociologia e da antropologia. Após exposição acerca de pressupostos filosóficos, necessários a uma introdução ao manuscrito (de Platão a Sartre), buscaremos ilustrar a problemática apresentando trechos de obras literárias (Pushkin e Dostoiévski), textos religiosos (Salve Rainha e Antigo Testamento), obras cinematográficas (Matrix e Fúria de Titãs) e trabalhos fotográficos (retratos de tatuagens). Palavras-chave: Literatura; Filosofia; Bakhtin.

Reciclagem: uma proposta estética de diálogos e transgressões ALVES, Roberta Maria Ferreira (PUC Minas) Os teóricos Jean Klucinskas e Walter Moser, no texto A estética à prova da reciclagem cultural (2007), consideram ser a reciclagem uma das características do mundo em que vivemos, bem como uma tentativa de atualização de diversos campos de conhecimento. É a partir dessa “atualização” que os trabalhos que compõem a mesa procuram discutir deslocamentos e reapropriações construídos por arranjos entre a literatura e a música, pela retomada literária de eventos históricos e culturais, e por expressões da arte de rua. O intuito é demonstrar como esses eventos instigam novas formas de percepção e, também, releem a própria noção de reciclagem cultural.

Reciclagem estética e releituras ALVES, Roberta Maria Ferreira (PUC Minas) O discurso estético, ao longo dos tempos, sofre transformações que não admitem mais que ele seja percebido como estável nesse novo espaço, a cidade. Relegitimar esse lugarr em circunstâncias históricas mutáveis, gera a urgência de repensar a estética, seu conceito, sua função. O presente trabalho pretende discutir os processos de releitura e de transformação que se mostram em vários campos das artes plásticas, da música, da cultura de massa e da literatura, a partir de transformações que indicam ser a reciclagem um dos grandes impulsos da cultura contemporânea, relacionando-a à

transformação da própria experiência estética: o papel do espectador e a recepção de massa. É a partir da necessidade de se pensar a maneira pela qual as novas mídias determinam nossa experiência que serão considerados conceitos e técnicas que se estabelecem nessa relação. As discussões propostas se baseiam no texto A estética à prova da reciclagem cultural, de Jean Klucinskas e Walter Moser (2007), e consideram alguns dos conceitos básicos, por eles elaborados, como pontos de articulação dos diversos diálogos apresentados nesta mesa. Palavras-chave: Estética; Reciclagem; Deslocamento; Mídias; Artes; Literatura.

Literatura erótica: estéticas para feminizar o mundo BARBOSA, Adriana Maria de Abreu (UESB) Partindo do conceito de feminização do mundo, proposto pelo feminismo da diferença (DarcyOliveira, 1983), entendemos que há textos na literatura brasileira que pontuam as desigualdades de gênero e, desse modo, possibilitam a discussão e revisão dos papéis sociais de gênero, relevantes para uma educação para sexualidades. No município de Jequié a disciplina educação para sexualidade insiste apenas em métodos contraceptivos, tratando o tema na perspectiva meramente biológica. Com intuito de ampliar essa discussão, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) conta com um projeto de extensão intitulado “Formação Continuada de Educadoras e Educadores nas temáticas relativas às identidades de gênero e identidades sexuais”. Neste projeto, minha participação (como docente colaboradora) tem sido levar a contribuição da literatura no repensar das identidades de gênero. Recentemente, o texto “Obscenidades de uma dona de casa”, de Ignácio Loyola, foi motivo de demissão de professora em escola pública do nordeste. O texto, considerado inapropriado pelos próprios adolescentes (embora estivesse no livro didático da escola), causou a exoneração da professora. Tal fato evidencia a urgente formação de professores para lidar com o texto literário de forma a superar preconceitos. Nesta comunicação proponho uma didática da leitura do referido texto como mote para desenvolvimento do tema transversal: sexualidade. E, a partir dele, uma problematização do conceito de feminização do mundo na perspectiva de uma educação para autonomia e libertação (Freire, 2010). Palavras-chave: Literatura; Estética; Feminização.

A voz da liturgia católica nas Cantigas de Santa Maria, de D. Afonxo X (séc. XIII): um diálogo musical argumentativo, proselitista e político BITTENCOURT, Vanda de Oliveira (UFMG) Em seu cancioneiro mariano, datado do século XIII, o rei D. Afonso X, o Sábio não se contentou em escrever boa parte dos quatrocentos e vinte poemas (sete dos quais, repetidos) dedicados à Virgem Maria, de Quem se fez trovador. Recolhidos, em sua maioria, da tradição escrita e oral europeia, foram eles musicados pelo rei poeta, num diálogo intersemiótico, complementado por ilustrações pictóricas, formando, assim, a coletânea lírico-religiosa mais vultosa e rica do medievo ocidental: as Cantigas de Santa Maria. Distribuindo-as em dois gêneros básicos, de loor e de miragre, o monarca acresceu ao último, de caráter narrativo, cantos litúrgicos da Igreja Católica, quer fazendo menção a eles, quer reproduzindo algum(ns) de seus versos, quer fazendo-os ser entoados por algum dos personagens envolvidos na ação miraculosa de Nossa Senhora. Essa última situação nos é mostrada, por exemplo, na Cantiga de milagre nº 6. Nela se conta como a Virgem ressuscitou um menino que, por cantar, em Sua homenagem, “Gaudeo Virgo Maria”, atraiu de tal maneira a ira de um judeu que acabou sendo morto por ele. Inserido nesse contexto de polifonia melódica, o trabalho aqui proposto é movido pelos seguintes objetivos: examinar e descrever o modo como é construído o diálogo intermusical entre os dois estratos de canto explorados pelo autor; demonstrar as suas implicações argumentativas, proselitistas e políticas, num tempo e num contexto em que a própria Igreja Católica, senhora do Ocidente, não via com bons olhos a música cantada;

mostrar o quanto o concerto organizado por D. Afonso pode concorrer para um maior conhecimento da música religiosa medieval. Para a concretização da tarefa ora pretendida, trabalharemos com um cor pus constituído das cantigas que contam com a incorporação dessa “segunda voz” da liturgia católica. Quanto à edição utilizada para a seleção desse material, foi escolhida a do filólogo alemão Walter Mettmann, datada de 1986-1989 e publicada, em três volumes, pela Editora Clásicos Castalia, de Madri.
Fábrica de alegria: o mel do melhor de Waly Salomão BOAVENTURA, Flávio L. T. de S. (CEFET-MG) O poeta Waly Salomão (1943-2003) manteve, sabidamente, forte ligação com o que há de mais essencial do pensamento trágico nietzschiano. Poeta de múltiplas polinizações e linguagens, além de demolidor incansável de fronteiras, Waly adorava baralhar antigas categorias estéticas. Impulsionada por câmara de ecos e algaravias, sua poesia transitou por vários léxicos como se estivesse palmilhando diferentes estratégias de fundir a escrita com a plasticidade da vida, e vice-versa. Portadora de um “espírito dionisíaco”, sua produção mescla metáforas, sentenças, parábolas, chistes, aforismos e não cede espaço para nenhuma verdade dogmática. Ao contrário. Afeito ao pensamento enviesado, de cunho antimetafísico, Salomão sempre foi um poeta entusiasmado pela multilinguagem e combateu ferozmente a monotonia do cânone. Amante da algazarra e gigolô de bibelôs, sua obra demonstra ser, a um só tempo, repulsa do espírito fatigado e paixão incondicional pela alegria. Palavras-chave:Waly Salomão; Trágico; Nietzsche.

Os cinco sentidos: a provocação estética do imaginário infanto-juvenil na poética de Bartolomeu Campos de Queirós BRANT, Kenia (CEFET-MG) Na obra literária Os Cinco Sentidos, Bartolomeu Campos de Queirós aguça os sentidos de jovens e adultos e encena, abertamente, um diálogo entre o belo e a imagem na criação do imaginário aqui proposto: ilustração e literatura. A imagem é o ponto de partida na provocação do imaginário e é explícita a intenção do autor pela acuidade de um olhar sensível, capz de capturar a atenção do jovem leitor. Buscando priorizar a visibilidade da poiesis, Bartolomeu desvela aspectos estéticos e contextuais, que possibilitam novos caminhos a percorrer, sinalizando uma trilha cheia de alegorias que retratam a trajetória do pequeno corpo humano e suas grandes transformações. Ou seja, o sentido da obra está no leitor. Ele é o ser que dá o halo vital (em tempo real) no processo de forma e formatividade, pois tanto a obra e o leitor estão em constante (trans) formação. O mundo imagético de Bartolomeu apresenta uma valoração estética dada pela experiência a partir de processos de sensibilização do mundo infanto-juvenil, dirigindo-o tanto às crianças quanto aos adultos. O objetivo deste trabalho é revelar a experiência estética na literatura infanto-juvenil pela provocação da imaginação mediante procedimentos que desencadeiam a criatividade no uso da linguagem, conferindo liberdade nas diferentes maneiras de utilização do discurso verbal e não-verbal. Na esteira platônica, Bartolomeu apropria o olhar para as coisas que são verdadeiras. É o salto do mundo sensível para o mundo de análise e reflexão que, apesar da dor pela perda do doce imaginário, libertase para uma realidade outra. Palavras-chave: Imagem; Literatura infanto-juvenil; Bartolomeu Campos de Queirós.

Giramundo: identidade, memória e o mito em Cobra Norato CARDOSO, Jean Américo MOURTHÉ, Fabíola G. P. SANTOS Jr., Nelson N. dos SILVA, Marlon Nunes (CEFET-MG) Visa-se, com esta pesquisa, a discussão dos elementos que compõem a identidade artística do grupo de teatro de bonecos Giramundo. Para se estabelecer essa identidade tomaremos como referência depoimentos que remetem à presença da memória, tal como entendida por Paul Ricoeur, na construção do imaginário do criador do grupo, Álvaro Apocalypse. Dessa forma, as imagens originadas pela lembrança dos sonhos e das estórias, ouvidas por Apocalypse em sua infância, serão tomadas como princípio para a análise da transposição de linguagens, tão peculiar à estética do Giramundo. A peça Cobra Norato expressa essas transposições de linguagens ao transitar da linguagem verbal para a linguagem do teatro de bonecos. Nesse sentido, a função de mito, original à estória/história de Cobra Norato, aparece na peça sob a forma dos objetos-bonecos, visualmente mostrados de modo a representar as idéias que concatenam o enredo, assim como acontece com os simulacros enquanto objetos que permitem a interpretação do mundo no pensamento mítico. Sob uma perspectiva geral, como as das teorias de Joseph Campbell e Mircea Eliade, por exemplo, entende-se que o mito seja uma forma de apreensão da realidade pela lembrança, como forma de rememoração, executada nos ritos, que se sustenta nas trocas provocadas entre o simbólico e o real, entre o mundo do sonho e o da vida prática, entre o inconsciente e o consciente. A adaptação do poema de Bopp por Apocalypse acaba por devolver a ele sua expressão mítica, tão cara ao poeta modernista. A investigação do campo de confronto teórico entre a concepção mítica e a artística da história de Cobra Norato no processo de criação de Apocalypse possibilita a comparação das imagens formadas pela função do objeto no rito e do objeto apropriado pela cena teatral. Tal objeto, ao atingir o estatuto de objeto artístico, pode contribuir para com a educação estética, pois esta tem na imagem um apoio intuitivo para a constituição de seus saberes. Assim também acontece no pensamento mítico, mas, ao contrário deste tipo de pensamento, que reforça a memória como afecção, a educação estética pode fazer do imaginário, oriundo deste mundo dos objetos, uma forma ativa de memória, uma maneira de ressignificar o meio. Palavras-chave: Mito; Memória; Girmamundo; Cobra Norato.

Música e sonoridade em A Cidade Ilhada CARVALHO, Maria Cecília Gonçalves de (UNIMONTES) Este artigo faz parte da pesquisa de mestrado “Música e sonoridade em A cidade ilhada” e aborda a musicalidade e a sonoridade como recursos estéticos e estilísticos recorrentes no livro de Milton Hatoum. Percebemos que o livro de contos de Hatoum pode ser analisado pela perspectiva das vozes harmônicas ou linhas melódicas relacionadas às vozes da consonância, do contraponto e da dissonância dentro da construção narrativa. Observou-se que A cidade ilhada possui nove contos em primeira pessoa e cinco em terceira. Presume-se que doze são narradores e apenas duas narradoras. Para a análise dos conjuntos de narradores, são aplicadas terminologias da teoria musical. Neste sentido, é importante esclarecer que os termos serão usados de forma livre e mais abrangente, visto que são vários os teóricos e linhas de pesquisa na área e esta dissertação tem seu foco nas teorias literárias com apropriação de termos da música. Portanto, a música tão somente será um apoio para a análise literária. Os contos podem ser divididos em três grupos ou conjuntos: a) os narrados em primeira pessoa, por uma personagem masculina jovem ou intelectual; b) os narrados em terceira pessoa; c) os narrados em primeira pessoa, por uma voz feminina. Ao primeiro grupo, aplicaremos a concepção de consonância interna do livro; ao segundo, a concepção de contraponto; e, ao terceiro, a concepção de dissonância. Neste artigo, desenvolveremos a presença da música e da sonoridade na escrita de Milton Hatoum, principalmente aproveitando o conceito de paisagem sonora, criados por R. Murray Schafer, e os estudos sobre Melopoética, de Solange Ribeiro de Oliveira. Assim, serão analisados os contos do conjunto denominado por nós de contraponto, ou vozes em terceira pessoa,

seguindo a perspectiva de que estes são, no conjunto, linhas melódicas ou vozes sobrepostas que, embora mantenham sua independência, podem ser agrupados por possuírem uma relação direta com outras artes. Nota-se a natureza compositiva dos textos amalgamados pela presença onipresente da música em todos e a presença operante das outras artes segundo a seguinte sequência: em “Bárbara no inverno”, a música; em “A ninfa do teatro Amazonas”, a dramaturgia; em “Dançarinos da última noite, a dança”; e, por último, em “Dois poetas da província” e “O adeus do comandante”. Palavras-chave: Literatura; Estética; Musicalidade; Sonoridade; Milton Hatoum.

Anatomia de um relógio CARVALHO, Wellington Marçal de (PUC Minas) Pretende-se resgatar fragmentos do fato histórico da partilha do continente africano por meio de excertos do conto “O relógio”, do escritor angolano Manuel Rui, publicado na obra Sim Camarada!. A leitura do conto visará demonstrar que o conceito de reciclagem estética, de Klucinskas e Moser (2007), mostra-se excelente chave de leitura do texto e das estratégias de encaixe construídas pelo escritor para compor uma narrativa que, dialogando com recursos da oralidade, opera deslocamentos sígnicos, rasura os limites entre realidade e ficcionalidade, e recicla elementos de outras formas de manifestação artística. Palavras-chave: Literatura angolana; Crítica e interpretação; Tradição oral; Reciclagem estética.

O ensino de Física: entre a ciência e a estética FERREIRA, Candido Requião (UESB) A estética pode ser aplicada à física? Essa é uma pergunta que procuramos discutir neste texto. Na construção da física como filosofia, a estética esteve presente ao se buscar as respostas através de uma concepção de mundo baseada em duas estéticas: uma perfeita, com leis imutáveis e divinamente estabelecidas; a outra, baseada numa estética da imperfeição, mas com leis bastante claras, que explicariam o mundo à luz das imperfeições associadas ao homem. Essas duas estéticas foram abaladas no século XVI, por Galileu Galilei, ao contradizer a estética aristotélica. Mais tarde, Isaac Newton tratou de unificar essas duas estéticas e romper com a filosofia vigente, estabelecendo uma nova estética baseada na harmonia com a matemática e o empirismo, o elogio ao método, como alicerce da nova identidade entre a natureza e o homem, que passa a vê-la com outras lentes. Firmando definitivamente relações com o cálculo e a matemática, a física contemporânea respira novos ares dentro da nova mecânica. A mecânica quântica surge em um momento de crise da estética estabelecida por Newton e propõe uma concepção de mundo totalmente nova, assombrando a comunidade científica, restabelecendo os laços antes rompidos com a filosofia, realimentando-se com novos paradigmas. Assim, entre rompimentos e novas concepções, desconstruções e novas bases, a física experimenta, a cada momento, uma nova estética, sempre tentando estabelecer novas relações entre o homem e a natureza. Portanto, ao propor a inserção do estudo da história da ciência no ensino fundamental e médio, propicia-se aos alunos uma metodologia baseada na estética vigente. Palavras-chave: Física; Estética; Educação.

A narrativa estilhaçada em Assim na terra, de Luiz Sérgio Metz FONSECA, Claudia Lorena Vouto (UFPel) Este estudo analisa como se dá a relação entre textos, isto é, o jogo intertextual, em Assim na terra, do sul-rio-grandense Luiz Sérgio Metz, e como essas relações estruturam a narrativa, constituída a partir do fragmento, da referência e da citação, em suma, da Biblioteca. Inserindo o autor na linhagem dos autorescríticos, explicitamos as relações por ele estabelecidas com seus modelos, em especial Jorge Luis Borges, Vicente Huidobro, Octávio Paz e Aureliano de Figueiredo Pinto. Referimo-nos, aqui, ao diálogo que se estabelece entre autores latino-americanos, especialmente entre aqueles que, ao mesmo tempo em que produziram literatura, pensaram o fazer literário e, consequentemente, seu próprio lugar no mundo.

Próximos, além de uma determinada atividade criadora, esses autores compartilham uma história, uma cultura e um determinado espaço – o mesmo locus de enunciação, o qual não considera, necessariamente, limites políticos ou fronteiras. Palavras-chave: Autores críticos; Intertextualidade; Luiz Sérgio Metz; Literatura latino-americana.

Educação estética: subjetividade, política e poesia GOMIDE Filho, Sérgio Roberto (UFMG) O presente trabalho propõe uma discussão acerca das relações entre a noção de estética, o ensino/aprendizagem da literatura e a constituição da subjetividade. A perspectiva adotada é fundamentalmente política, na medida em que envolve uma reflexão sobre operações constitutivas do sujeito-leitor em seu poder de dizer e de agir. Não obstante, a perspectiva é política, na medida em que envolve também a consideração do estatuto problemático da literatura na contemporaneidade, o que, em maior ou menor grau, acaba por incidir sobre os “métodos de ensino” da disciplina. Nesse cenário, cumpre pontuar, por um lado, as implicações políticas inerentes aos usos da língua tornados possíveis pelo texto literário; por outro, o panorama histórico-cultural da literatura na modernidade, incluindo-se aí o próprio discurso da crítica, subjacente ao tratamento do texto literário na escola e na academia, particularmente no que diz respeito à legitimação de concepções que ora buscam justificar o ensino de literatura a partir do “prazer estético”, ora fazem com que a negatividade e a reflexividade atuem como verdadeiros índices de literariedade. Palavras-chave: Literatura; Ensino/aprendizagem; Subjetividade; Estética; Política.

O professor e os desafios do processo de ensino/aprendizagem da leitura em escolas de baixa renda GONÇALVES, Andreza Barroso (PUC Minas) O presente trabalho discorre sobre os desafios do professor frente à imagem que a sociedade tem dos docentes, das crianças e dos adolescentes que convivem em escolas de baixa renda. A base para este trabalho é o livro Ofício de mestre (2000), do autor Miguel G. Arroyo. Nele, destacam-se as reações que emergem da interação entre os alunos e mestres as quais, através da proximidade entre suas trajetórias humanas e escolares, processos de formação e socialização, provocam uma mudança no olhar sobre os educandos e educandas e o reconhecimento dos mesmos como sujeitos de direitos. A pedagogia atual não açambarca a realidade das crianças, adolescentes e adultos que frequentam a sala de aula. Como consequência, o presente momento torna-se um desafio ao sistema educacional vigente. De acordo com Arroyo, redefinir os imaginários dos alunos exige redefinir os imaginários da docência e da pedagogia, uma tarefa interrompida pela barbárie existente na sociedade. Em decorrência dessa situação, surge um conflito entre as imagens antigas e as atuais, em relação à infância e à juventude. Qual será o papel dos educadores nas escolas? Questões como essa servem de base para discussões acerca das mudanças no trato pedagógico, bem como na elaboração de atividades de ensino/aprendizagem da leitura. Palavras-chave: Pedagogia; Leitura; Sistema Educacional.

Joga fora no lixo HERMETO, Renato (PUC Minas) No presente texto pretendemos abordar o conceito de reciclagem cultural, sugerido por Klucinskas e Moser (2007), a partir da análise de intervenções no espaço urbano, mais especificamente na cidade de Belo Horizonte, feitas por grafiteiros, artistas cênicos, músicos e agentes de movimentos da sociedade civil, com a intenção de transformar a cidade em um ambiente propício ao diálogo estético. Palavras-chave: Reciclagem Cultural; Performance; Diálogo Estético; Espaços Urbanos.

Os signos do afeto: subjetividade e formas de vida na obra Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar JARDIM, Alex Fabiano Correia (UNIMONTES) A proposta do trabalho é problematizar os signos de afeto no romance Lavoura Arcaica e suas implicações na produção de uma des-natureza e de paradoxos. Para isso, as passagens se darão do discurso litúrgico-moral (sermões, normas, leis) até uma heterogeneidade que recusa o antigo mundo, o antigo pertencimento. Uma potência sem identidade, explodindo os sentidos e o desejo. Anárquica mistura física, social, biológica e lingüística. A esse movimento denominamos arte de viver ou de existir. No texto/romance, razão, paixão e fé são representadas a todo instante nos diálogos da trama, misturando-se constantemente e servindo como justificativa dos discursos sejam eles expressos pelo pai ou pelo filho. Raduan Nassar nos apresenta elementos da culpa, da redenção, da lei, do castigo, do trágico, da morte e da alegria. Todos eles, apresentados sob a forma de um fluxo narrativo descontínuo e visceral, no qual as relações humanas são estabelecidas não unicamente pelo dever e pelo respeito, mas também por uma violência física e psíquica, sendo que o corpo e o desejo “gritam”, às vezes, muito mais alto que a racionalidade e os dogmas religiosos que edificam a instituição chamada família. Entre a afirmação da vida e sua negação, o problema que cruzará o nosso texto será: que pode a criação literária enquanto obra de arte (criação estética) nos ensinar sobre as relações humanas? Que tipo de exigência se anuncia ao ponto de não poder ser compreendida em função do jogo entre culpados ou inocentes? Escrever não estaria vinculado a uma “rachadura” do eu em lugar de recompôlo? Diferente de povoar a consciência de objetos ou dar a ela um estatuto de organizadora do mundo, uma das exigências da literatura em Raduan Nassar seria “traçar um plano no caos” sob a forma de uma “outra” sensibilidade. O fio condutor será a questão: que significa pensar ou dizer o mundo (as relações e práticas) através da criação literária enquanto uma estética ou arte da escrita? Nesse caso, a literatura de Raduan Nassar constrói uma estética, seja pelo estilo da escrita, seja pelo ser de sensações que ela cria ou pelos mundos que ela inventa e fabula. Palavras-chave: Raduan Nassar; Estética; Filosofia.

Cinema e Literatura: representações autobiográficas LEAL, Luciana Brandão (UFV / PUC Minas) Rememorar é a arte de ler cicatrizes. As reminiscências buscam reavivar o passado trazendo-o à tona, misturando-o às sensações e percepções imediatas, modificando-as profundamente. Quando revisitadas pela consciência, as lembranças retornam latentes: pois essas lá estavam, no inconsciente, vivas. A definição de autobiografia está relacionada à intenção manifestada pelo autor/artista que, velada ou explicitamente, pretende contar sua vida, expor seus sentimentos e pensamentos. O entusiasmo por esse conceito, assim como suas manifestações, pode ser verificado tanto na Literatura quanto no Cinema, além de se estender a outras formas artísticas de representação. Em sentido estrito, pressupõe um compromisso explícito entre o “eu” enunciador e seus interlocutores, um “pacto” de verdade que, na maioria das vezes é também sua fronteira. Nesta proposta didática, direcionada às três séries do Ensino Médio, buscar-se-á discutir a importância da Literatura e do Cinema sob o foco autobiográfico, além de oferecer subsídios práticos para diálogos multidisciplinares. É fundamental considerar que a autorrepresentação permite a dupla presença do artista: como criador e criatura. Para o espectador, uma vez terminada a magia do olhar reflexivo, pode ser difícil determinar o elo entre esees dois aspectos. Entretanto, observar um autorretrato abre novo espaço para leitura ou releitura do indivíduo ali exposto. Através da manifestação artística em flashbacks aprimora-se o olhar e as técnicas de composição imagética, trazendo à discussão novas percepções sobre o meio circundante. O enredo, concebido e estruturado por cada aprendiz, por representar as experiências estéticas individuais, possibilita a esses jovens produtores de arte reconhecer a realidade, particular e plural, refletindo criticamente sobre ela. Palavras-Chave: Autorrepresentação; Cinema; Literatura; Memória; Multidisciplinaridade.

O diálogo das artes com outras áreas do conhecimento: um elemento motivador no processo de ensino/aprendizagem LEAL, Simiana Ribeiro NOVAES, Benildes Santana VALESK, Velta (CELVF) Este trabalho tem como objetivo analisar e discutir como a arte tem contribuído de forma relevante para o processo de ensino/aprendizagem dos alunos da educação básica da Escola Estadual Luiz Viana Filho, no interior da Bahia. Ele busca mostrar como foi possível, através da educação estética, construir interfaces com algumas áreas do conhecimento. Pode-se afirmar que, ao trabalhar a arte de forma articulada com outras disciplinas, tornou-se possível construir um novo modelo de aprendizagem mais lúdico no contexto escolar, rompendo o velho paradigma de que arte é uma disciplina sem identidade sem função, sem importância na construção do conhecimento na escola. A partir de aulas articuladas e planejadas, que tomavam como ponto de partida a concepção estética como instrumento de grande potencial para o desenvolvimento de uma prática educativa eficaz, o aluno pôde experimentar cor, sabor, som e formas, nas variadas disciplinas do currículo. Relatamos experiências nas quais o foco do ensino da matemática, das ciências da linguagem e suas tecnologias ganhou novos significados e como os alunos interagiram com essa proposta, passando a frequentar a escola no contra-turno para realizar oficinas de leitura, teatro, artes, matemática e cinema, dentre outras. Através dos nossos relatos de experiência, podemos verificar de forma prática se há ou não contribuição efetiva do ensino estético no processo de formação do sujeito, o que torna relevante a discussão sobre a função da educação estética em nosso currículo. Nosso embasamento se fundamenta em Barbosa (2002), Pimentel (2003) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (2003). Palavras-chave: Ensino/aprendizagem; Educação estética; Formação do sujeito. Diálogo de Saramago com a Bíblia LEÃO, Maria Luíza (PUC Minas) Em um trabalho ficcional de grande ousadia, Saramago se propõe a fazer uma releitura da Bíblia, criando, desse modo, um novo evangelho, no qual, através da voz onisciente de um narrador, mantém como autor o próprio Jesus Cristo. O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, transcontextualiza a mensagem bíblica, introduzindo elementos outros não contidos nos registros dos evangelistas. A utilização da intertextualidade nesse romance justifica-se como dado interpretativo quando se relaciona essa utilização ao projeto artístico no qual o autor está interessado. Dessa forma, percebe-se que o texto envolve uma perspectiva crítica, realizada por meio de um discurso bastante questionador e irreverente. Ao privilegiar o ficcional sobre o histórico, Saramago livra-se de qualquer compromisso com as versões e fatos do passado e, ao transgredi-las, investe na recriação ficcional, estilizando um tom narrativo, possivelmente, na leitura de obras anteriores à sua época. Do ponto de vista estético, a grande vantagem desse procedimento foi ter proporcionado que o inevitável influxo histórico sofresse a mediação do texto e se materializasse não como fato histórico, mas como fato integrante da trama. A ficcionalização da História não se dá, portanto, como no romance histórico, em que, geralmente, a ficção vem para adornar o fato histórico e subordinar-se a ele, mas suporia, ao contrário, uma contextualização entre o texto que recria ficcionalmente uma época histórica e a interpretação que a História construiu sobre ela. Tem-se, assim, que a tensão apontada no nível do discurso é responsável pela estruturação do texto. Dessa forma, se a priori o objeto definido de confrontação é relacionado com a tradição literária, em um segundo momento, esse objeto é a própria História. Nas narrativas literárias, o tempo jamais se separa do mundo imaginário, acompanhando, desse modo, o estatuto irreal dos personagens e situações. Evidenciam-se registros peculiares, que decorrem de sua apresentação na linguagem, principalmente o tempo vivido. Como a apresentação

está condicionada pela linguagem, o tempo jamais se reveste da continuidade do tempo real, que transita do passado ao presente e do presente ao passado. Como no plano narrativo do mundo ficcional qualquer modalidade temporal existe em função da linguagem, podemos dizer que tanto o tempo como o espaço são correlatos do discurso. Em se tratando de literatura contemporânea, de conformidade com a conceituação teórica de Linda Hutcheon, é perfeitamente natural que o escritor parodie, revendo criticamente, um acontecimento pretérito, seja ele político, social, histórico ou até mesmo religioso. Dentro dessa linha de pensamento, faremos o nosso percurso de leitor crítico, associando O evangelho segundo Jesus Cristo com a Bíblia Sagrada. Palavras-chave: Intertextualidade; Tempo; Bíblia; Saramago.

O fantástico em Mia Couto: discursividade reveladora da tradição MACHADO, Cristina Vasconcelos (UFJF) O presente trabalho objetiva analisar a construção literária de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), de Mia Couto, centrando-se nos acontecimentos tidos como fantásticos. Procurar-se-á demonstrar que esses acontecimentos se constituem como um modo discursivo na articulação estética do autor, capaz de revelar situações, muitas vezes, pertencentes ao universo mítico tradicional da cultura moçambicana. Palavras-chave: Literatura; Estética; Fantástico; Mia Couto.

A escrita de si através do outro: análise de O Lugar, de Ernaux, pela ótica sociológica de Bourdieu MELO, Webert Guiduci de (UFJF) O trabalho visa analisar como o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu se encontra na produção literária de Annie Ernaux, mais espeficamente em O lugar. O estudo busca discutir como a influência desse sociólogo molda a escrita da autora, produzindo uma estética que se relaciona com a tentativa de recuperar um mundo, do qual Ernaux não faz mais parte, representado pela figura de seu pai. O ato de escrita de suas memórias torna-se, assim, um conflito aparente entre o mundo intelectualizado e burguês, de um lado, e o mundo de sua infância, campestre e popular. A luta em sua escrita é a aparente tentativa de retomar esse antigo mundo, ao qual pertencia, e produzir um texto esteticamente vinculado a esse mundo da infância, menosprezado pela elite intelectual. Por fim, buscamos analisar como a questão da educação é apresentada através de suas lembranças mediante o seguinte paradoxo: se, por um lado, a escola lhe possibilita conquistar bens simbólicos, por outro, leva ao distanciamento de sua cultura de infância. O que, para Ernaux, soará como uma verdadeira traição a sua família, é, por outro, a aquisição desses novos bens simbólicos e intelectuais, que lhe possibilitarão perceber a verdadeira relação de poder estabelecida entre o seu novo mundo burguês e o antigo mundo campestre. A literatura passa a ser, assim, um meio de refletir sobre sua vida e denunciar essas relações conflitantes. Palavras-chave: Perda do sujeito; Conflito de classes; Pierre Bourdieu; violência simbólica; escrita de si.

O elefante luminescente no cubo branco MÍGUEZ, Antón Castro (Mackenzie / Cásper Líbero) O mal-estar e os questionamentos de Ferreira Gullar, publicados na Folha de S. Paulo por conta da abertura da 29ª Bienal Internacional de São Paulo (2010), põem em discussão algumas questões sobre a arte contemporânea: O que é arte contemporânea? Qual é seu espaço? Quais são suas materialidades? Que experiências estéticas produz? Não se trata aqui de buscar respostas a essas questões, inclusive pela própria dificuldade em se discutir e conceituar arte contemporânea. Trata-se, mais que nada, de trazer a debate algumas reflexões, motivadas neste texto pela pretensa análise da obra de Douglas Gordon – Praticamente todos os trabalhos em filme e vídeo desde mais ou menos

1992 em diante, para serem vistos em monitores, alguns com fones de ouvido, outros sem som e todos simultaneamente – exposta na Bienal. Mas o que nos revela essa obra? O lugar privilegiado dado à visão? O prazer voyeurístico que nos move a colocarmo-nos diante de uma instalação com setenta aparelhos de televisão? A familiaridade, o estranhamento, o desconforto e o prazer que essas imagens nos proporcionam? Uma reflexão crítica (ou política, talvez) sobre a ditadura da imagem, das câmeras, do controle exercido por elas, sobre novas fronteiras entre o público e o privado, voyeurismo e narcisismo? Poderíamos reduzir a questão à discussão sobre as relações entre a arte e os meios, ou sobre arte e novas tecnologias, ou sobre a materialidade da arte contemporânea, seus objetos? A proposta de nossa fala é, como alertado anteriormente, trazer essas questões a debate; promover uma discussão na qual confluam as várias “vozes” que trazemos de nossas leituras, nossas próprias dúvidas e inquietudes. Ou, na pior das hipóteses, promover uma discussão que não nos leve a outro lugar que não seja o de espectadores diante de setenta telas de televisores presentes na instalação de Douglas Gordon, protegida pelo “cubo branco”. Palavras-chave: Estética; Arte contemporânea; Crítica.

A janela da palavra: uma leitura de “Famigerado”, de Guimarães Rosa, à luz do conceito de “limiar”, de Walter Benjamin OLIVEIRA, Edson Santos de (UFMG) Meu objetivo é fazer uma leitura do conto “Famigerado”, de Guimarães Rosa, a partir do conceito de “limiar”, de Walter Benjamin. Pretendo articular esse conceito com uma das categorias estéticas mais estudadas na obra rosiana: a ambigüidade. Assim, o espaço de “transição” em que se dá a narrativa se integra ao corpo ambíguo da linguagem, possibilitando a emergência, não só de chistes por parte do jagunço Damásio, como também propiciando uma oportunidade para o personagem narrador se equilibrar no “limiar” da significação. Palavras-chave:Famigerado; Guimarães Rosa; Limar; Walter Benjamin.

“Pra inglês vê”: introdução a uma estética da dissimulação OLIVEIRA, Natalino da Silva de (PUC Minas) O objetivo primário deste trabalho é apresentar a estética da dissimulação. Essa variedade estética se apresenta como posição alternativa à estética hegemônica e imposta por expressões artísticas valorizadas pela elite (cânone europeu). A estética da dissimulação é um recurso ideológico e estratégico utilizado por sujeitos “subalternos” para propiciar a divulgação de suas vozes. Como exemplos de estéticas dissimuladoras serão apresentadas e discutidas três expressões: a capoeira, o candomblé e a literatura de Machado de Assis. Como recurso teórico serão questionados os conceitos aplicados por Fredric Jameson, Ella Shohat e Robert Stam quando estes tentam abordar as expressões artísticas “terceiromundistas” ou as caracterizadas como de “oposição”, “subversão” ou “resistência”. Também será problematizado o conceito de “sincretismo” que é apresentado como uma solução apaziguadora por Ella Shohat e Robert Stam. Palavras-chave: Estética da dissimulação; Estética hegemônica; Sincretismo.

A mimese e seu processo estético na Poética de Aristóteles PALHARES, Carlos Vinícius Teixeira (PUC Minas) A Poética de Aristóteles tem importância capital na história do pensamento humano e da crítica literária. Nesse sentido, o termo mimese é constantemente utilizado para designar o processo estético de composição do mito que não é cópia nem reprodução de acontecimentos ou coisas prédeterminadas. Neste artigo faremos uma análise em que a mimese não é dada como simples e pura duplicação do real, mas algo capaz de criar o existente através de novas correlações, proporcionando bases para possíveis interpretações do mesmo. O modelo da estética mimética por excelência será

buscado na tragédia e, portanto, não podemos deixar de apontar para o mito trágico como base necessária para o estudo da mimese enquanto uma ação correspondente a um todo, de certa extensão, e uno. Após essas considerações, resultaremos na observação de que a mimese acaba por reunir duas exigências estéticas, a de reprodução reconhecível do modelo original e a de sua elevação, sobretudo ética. Nesse sentido, a tragédia, através de uma maneira natural e verossímil/plausível de compor os fatos, tornar-se-ia educativa pela imitação de personagens e ações importantes, além de ser um objeto capaz de suscitar prazeres específicos com efeitos voltados para obtenção de sentimentos de compaixão e terror, surpresa e admiração, divertimento e indignação. Como objeto da imitação, a tragédia também se diferencia nas artes poéticas, na medida em que, ao imitar os homens em ação, melhores, piores ou iguais a nós, e em função de seu caráter criador, a mimese é capaz de unir o ser humano às coisas, concedendo à arte uma consequente capacidade de gerar uma experiência interior. Palavras-Chave: Mimese; Processo estético; Aristóteles; Trágico.

Efeitos de borboletas: epifania e estética em Guimarães Rosa REBELLO, Ivana Ferrante (UNIMONTES) O presente estudo propõe uma leitura da linguagem poética de Guimarães Rosa a partir da imagem de uma borboleta, retirada de Grande sertão: veredas. Tal imagem, analisada comparativamente à conhecida figura da borboleta preta, de Machado de Assis, propicia uma aproximação entre esses dois grandes nomes da literatura brasileira, na qual se ressaltam as diferenças de tom, de escolhas linguísticas e de concepção de mundo. A partir da recuperação de conceitos como o de arte literária e de epifania, pretende-se refletir sobre o lugar de Guimarães Rosa nos estudos literários do século XXI. Usando como chave de leitura a metáfora da borboleta, propõe-se um entendimento da escrita ficcional do autor mineiro à luz de seu traçado estético. A forma como Rosa compõe imagens e sobrepõe figuras, utilizando um invulgar senso de correspondências, concorre sobremaneira para o traço de permanente modernidade da sua literatura. Palavras-chave: Estética; Epifania; Guimarães Rosa; Machado de Assis.

Leitura e Literatura: forças humanizadoras REGO, Adriano Eysen (UNEB / PUC Minas) O trabalho propõe discutir a respeito da literatura e da sua intrínseca potencialidade de (re)significar a vida. Nesta perspectiva, a obra literária possibilita ao ser humano ver o mundo de várias formas a fim de (re)construir seus sentidos envoltos por um conjunto ilimitado de signos. Com efeito, a realização da leitura, antes de tudo, nos apresenta como capacidade, inerente ao leitor, de colher imagens e sensações emaranhadas na teia complexa da existência. Na esteira desse pensamento, a palavra leitura, de origem latina – legere, (re)colher, captar com os olhos – sagra-se no âmbito das experiências do indivíduo na sociedade, nas interrelações múltiplas com seus pares e nas sensações que pululam do tecido complexo do ser planetário. Palavras-chave: Estética; Humanidade; Literatura; Leitura.

“I was always going somewhere else”: múltiplos deslocamentos na poesia de Dionne Brand RIBEIRO, Patrícia (UFJF) O presente trabalho propõe a análise da poética da escritora contemporânea canadense, Dionne Brand, a fim de investigar como a experiência da mobilidade física e do trânsito cultural configuram a estética de seus poemas e o posicionamento da voz poética que neles se expressa. A poesia de Dionne Brand exprime a tentativa de compreensão dos movimentos diaspóricos contemporâneos e a reflexão sobre a forma como eles possibilitam a rasura das noções de origem, assim como de pertencimento e nãopertencimento a um único lugar e a uma única cultura. Diante disso, a poesia da autora propõe múltiplas afiliações, instaura a percepção de uma identidade fragmentada do sujeito e instiga à investigação de como os sujeitos diaspóricos lidam com o deslocamento, muitas vezes refletido na

experiência do corpo apresentado nos poemas ou no modo como a linguagem se manifesta em decorrência do constante deslocamento do indivíduo. Para tal investigação este trabalho recorre aos pressupostos de Hall (2006 e 2009), Spivak (1996), Friedman (2004) e Almeida (2006). Palavras-chave: Poesia; Estética; Movimentos diaspóricos; Dionne Brand.

Ler Pessoa à luz de Pessoa: uma interpretação das Odes de Álvaro de Campos ROCHA, Karina Bersan (PUC Minas) A imensa obra de Fernando Pessoa converge em um ponto: a busca angustiada pelo conhecimento de si, do mundo e de Deus, em um universo em acelerada transformação. Sua inquietação metafísica, a investigação da Verdade, leva a uma extensa produção sobre filosofia e estética, além de vasta produção poética; pois, mais do que desejar conhecer e apreender os “modos de conhecer”, Pessoa busca alcançar a forma mais adequada à expressão desse conhecer; afinal, declara: “Eu era um poeta impulsionado pela filosofia, não um filósofo dotado de faculdades poéticas”. Ancorado nesse desejo, Pessoa produz sua obra ortônima e cria os heterônimos, dentre esses, Álvaro de Campos. Sujeito marcado pelos caracteres da modernidade, fascinado pela civilização industrial e pela técnica, engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, sempre com a sensação de ser estrangeiro em qualquer parte do mundo, Campos admira a energia e a força e deseja “sentir tudo de todas as maneiras”. Para tanto, experimenta uma ânsia de expansão e fusão com todos os elementos do universo. Discípulo do mestre Caeiro criador do Sensacionismo, consciente de que “nada existe, só existe a realidade, só existe a sensação”, Campos intensifica as sensações até o delírio e o paroxismo, e deseja ser um “cantor lúcido do mundo moderno”, usando para isto poemas longos, permeados de uma linguagem eufórica cheia de onomatopeias, interjeições, metáforas arrojadas em versos livres e muitas vezes longos. Este trabalho propõe analisar os poemas “Ode triunfal” e “Ode marítima”, à luz dos textos filosóficos e estéticos de Fernando Pessoa, especialmente os “Apontamentos para uma estética não-aristotélica”, assinados por Álvaro de Campos, observando, sobretudo, sua premissa básica de que “a arte, para mim, é, como toda a actividade, um indício de força, ou energia [...]. Ora, a força vital é dupla, de integração e desintegração”. Serão utilizados, portanto, textos em prosa e poemas do heterônimo, com o objetivo de tentar esclarecer o que vem a ser, para Campos, a sensibilidade, a arte, a vida enfim. Palavras-chave: Literatura; Estética; Álvaro de Campos.

Amy Winehouse e a casa dos mortos: a noção de genealidade no Romantismo Alemão RODRIGUES, Sérgio Murilo (PUC Minas) Criar significa destruir também. A genealidade cobra um preço alto: a angústia, a vida dilacerada. A chama que ilumina mais, dura menos. Winehouse não foi a primeira e provavelmente não será a última artista genial a entrar em um processo autodestrutivo. Um processo de total perda de esperança, resultando na busca deliberada pela morte. No Romantismo Alemão vários escritores e filósofos falaram sobre o peso da genialidade. Schelling coloca que o gênio é capaz da mesma intuição criadora do Espírito Absoluto. Schopenhauer nos fala da dor de ser gênio. Nietzsche, como Schiller, defende a genialidade artística como o único objetivo digno da vida humana. A vida é arte e cabe a nós desenvolvermos essa arte. Os poetas malditos, as estrelas do rock e do jazz celebraram esta festa, a vida, mesmo que, ao final, não haja mais vida alguma. Diante de um fenômeno midiático como Amy Winehouse, como podemos compreender toda essa reflexão filosófica sobre arte, vida, genialidade e morte? Palavras-chave: Filosofia; Amy Whinehouse, Genialidade; Romantismo Alemão.

Círculo azul-celeste: a estética de Chico Buarque em Leite Derramado SARMENTO, Alexsandra Loiola (PUC Minas / UNIMONTES)

Utilizado como estratégia literária de composição estética, o estranhamento possui um significado maior, pois aciona o imaginário e a reflexão. No romance Leite Derramado o leitor é lançado nas encruzilhadas do estranho e vê-se, curiosamente, chamado a decifrar seus enigmas. Assim, o presente trabalho tem como objetivo discutir a estética da criação poética do romance de Chico Buarque de Holanda. Na parte inicial da análise são mostrados os jogos de associação de imagens e a organização figurativa das palavras em alguns excertos textuais. Em seguida, procura-se identificar, na construção da linguagem, a expressão de uma realidade psicológica camuflada pelo narrador. Ainda que o narrador busque controlar os impulsos emocionais, as manifestações de ciúme, egoísmo, violência, desejo de vingança aparecem de forma implícita na artesania literária. A análise apoia-se no pensamento de Sigmund Freud de que, na estética, a teoria da beleza está aliada às qualidades do sentir. Por desconforto ou temor, o ser humano tenta reprimir os conteúdos negativos de sua alma, mas eis que eles lhe escapam, a sua própria revelia, pelo discurso, por vezes desconexo, incompreensível e estranho. Nota-se, porém, que elementos vistos como estranhos não se afastam do que é familiar, mas dizem respeito a sentimentos que o indivíduo não consegue assimilar ou propriamente aceitar. Por serem desagradáveis, a consciência lança mão de meios para mascará-los sob forma de figuras e imagens enigmáticas. O trabalho de Chico Buarque, ao lidar com as paixões humanas, não deixa de envolver o leitor, pois utiliza das estruturas intrínsecas à psicologia humana para com elas construir as estruturas literárias do texto. Na obra desse escritor, as figurações literárias de maior estranhamento podem ser consideradas também as de maior qualidade artística, despertando, assim, o interesse em investigar o papel da estética no romance Leite Derramado, objeto desta pesquisa. Palavras-chave: Leite Derramado; Chico Buarque; Estranhamento.

Comandante Hussi: a modernidade na Literatura infantil e juvenil caboverdiana SILVA, Avani Souza (USP) O escritor Jorge Araújo, ao escrever Comandante Hussi, imprime modernidade à jovem Literatura Infantil e Juvenil de seu país. Ao promover diálogos com outros espaços africanos de língua portuguesa, por intermédio da intertextualidade com textos da literatura moçambicana e da utilização do contexto guineense como matéria literária, constrói uma novela com elementos do maravilhoso, seguindo o modelo propriano na contemporaneidade: ilustrações em desenho a lápis, pintura em aquarela e com rolo de tinta, às vezes fora da tela. Enfocaremos como esse escritor encarna o narrador benjaminiano em sua poética. Palavras-chave: Estética; Literatura caboverdiana; Jorge Araújo.

A pintura do poema “Castigo pro comboio do malandro”, de António Jacinto: domínio musical e da linguagem como forma de encenar a construção da nacionalidade SILVA, Emanuela Francisca Ferreira (PUC Minas) Antonio Jacinto e outros escritores angolanos criaram em Luanda, em 1948, o Movimento dos Novos Intelectuais Angolanos (MNIA), que teve como lema o brado “Vamos descobrir Angola”. O MNIA defendia o fortalecimento das relações entre literatura e sociedade e o debruçar-se sobre Angola e sua cultura para romper com a tradição cultural imposta pelo colonialismo. O poema “Castigo pro comboio do malandro”, de António Jacinto, seguindo os objetivos do movimento, foi apresentado em forma escrita, como também declamado e musicado para melhor alcançar os habitantes das zonas rurais. Essa diversidade de suportes é considerada neste trabalho que analisa, além do poema citado, a interpretação musical feita por Fausto Bordalo Dias (1988) no disco “A Preto e Branco”, tentando perceber como a pintura feita pela música no texto do poema consegue, através de analogias, estruturar nossa compreensão de maneira mais abrangente em relação a ambos os domínios: o da linguagem escrita e o da musical. Pretende-se ressaltar, no poema e na interpretação musical, os recursos utilizados para, metaforicamente, sugerir o trem percorrendo a estrada de ferro e os caminhos do país, em ritmo lento, em alguns momentos, e mais veloz, em outros. Na versão de Fausto Bordalo Dias, os instrumentos e a voz acompanham o trem com os recursos vocais dos instrumentos musicais. Nas duas versões do poema, a linguagem verbal e a musical se estruturam, trabalham juntas, como

forma de transmitir os ideais do Movimento dos Novos Intelectuais Angolanos e, esteticamente, garantir as relações metafóricas que distendem as funções do trem e a dos sujeitos que se mostram nas diferentes versões de um mesmo poema. Palavras-chave: Literatura Angolana; Música; Diálogo; Estética; Reciclagem.

A educação através da Arte: o teatro a partir de uma perspectiva pedagógica SILVA, Luciene Gomes (UESB) Os jogos dramáticos favorecem o exercício da percepção, da sensibilidade e da imaginação, auxiliando nos processos de integração e formação de grupos, no desenvolvimento da linguagem, tanto oral quanto escrita, além de diversas outras possibilidades que poderiam ser aproveitadas na educação. No entanto, para serem utilizados como instrumento pedagógico, exigem uma abordagem específica. Não se trata de arte com finalidade em si mesma, mas de arte com o objetivo fomentar situações de integração, ampliando a visão da realidade e favorecendo o pensamento crítico. Quanto ao tema, as seguinte questões se colocam: a arte é oferecida na grade curricular ou extracurricular das instituições públicas? A escola tem se aproveitado adequadamente dos recursos por ela oferecidos, especificamente do teatro, para auxiliar nos processos educativos? A disciplina Educação Artística, como está posta, tem contemplado as demandas e as necessidades de Arte na Educação? Este estudo tem como objetivo geral apontar as possíveis contribuições que a educação através da arte pode oferecer aos processos educativos, quando adequadamente utilizada, demonstrando as perdas que podem ocorrer no desenvolvimento do educando quando essa área do conhecimento é negligenciada. Dentre os objetivos específicos estão: definir Arteducação; levantar experiências refentes ao uso, ou não uso, dos recursos artísticos nos espaços escolares ou ligados a ele; buscar os motivos pelos quais a disciplina Educação Artística dá um enfoque tão limitado e equivocado a arte; apontar, a partir do material bibliográfico e de campo levantados, o verdadeiro papel da arte na educação; promover, nos espaços escolares, discussões sobre a importância da arte teatral e de suas implicações para o desenvolvimento das múltiplas inteligências do aluno; comparar o desempenho escolar extra-escolar de alunos que possuem experiências com arte com o desempenho daqueles que não o possuem; propor estudos e práticas que apontem as formas adequadas da utilização das artes como recurso didático nos espaços escolares; propor metodologias que propiciem o resgate das potencialidades artísticas de professores e alunos. Palavras-chave: Arteducação; Teatro; Educação Artística. Reflexões sobre Poema XX Sonetos, de Maria Lúcia Alvim SILVA, Sandra Araújo de Lima da (PUC Minas) Este artigo propõe uma reflexão sobre a construção do texto poético do livro XX Sonetos, de Maria Lúcia Alvim. Nesta obra, a autora apresenta um sujeito lírico reflexivo e questionador de uma nova forma de elaboração da poesia. O livro é composto de três poemas: “Narciso”, “Onde o tempo que me date” e “Proximidade”. Ao relacionar os temas presentes nos três poemas, percebe-se uma tentativa do eu lírico, enquanto poeta, de olhar para a própria poesia, procurando encontrar novos caminhos, novas formas de criação. Nesta trajetória, ele transita entre a tradição clássica e a modernidade. Verifica-se também a proximidade da obra de Maria Lúcia Alvim com a dos poetas simbolistas, os quais privilegiam a “sugestão”, aquilo que fica nas estrelinhas do texto, que não é dito claramente e que requer um leitor experiente e perspicaz para preencher os espaços. Outro elemento de destaque nesta obra da autora é a inovação na forma tradicional do soneto. Ela utiliza os quatorze versos tradicionais unidos em um só conjunto, uma única estrofe, sem construir as estrofes nos tradicionais quartetos e tercetos. A poeta também explora o aspecto visual da poesia. Além da construção de poemas curtos, como os dos escritores modernistas, ela aproveita o papel em branco e brinca com as palavras, muitas vezes espalhando-as de forma criativa sobre os espaços e até mesmo incluindo ilustrações em seus livros. O leitor, por sua vez, para compreender a poesia desta sensível escritora precisa estar disposto a desvendar o mistério que envolve as palavras, procurando vê-las além da aparência. A preocupação com a arte da palavra, com o fazer poético, é um elemento presente na poesia de Maria Lúcia Alvim.

Ela consegue utilizar o processo de construção do poema a favor dos temas que deseja abordar. No caso de XX Sonetos, ela retrata uma busca de identidade de sua poesia, enquanto a constrói por meio de novas experiências formais. Apesar disso, sua poesia não deixa de lado o caráter reflexivo e intimista, pelo qual o eu lírico faz uma auto-análise, considerando o corpo, a memória e os sentimentos. Palavras-chave: Poesia; Modernidade; Palavra; Contemporaneidade; Tradição.

Do destoante ao destoado: os deslocados. A literatura infantil de Clarice Lispector SOUZA, Flávia Alves Figueirêdo (UNIMONTES) Esta pesquisa trata das especificidades da literatura infantil brasileira escrita por Clarice Lispector - a saber: Quase de verdade (1978), A vida íntima de Laura (1974), A mulher que matou os peixes (1968) e O mistério do coelho pensante (1967) - à luz de uma série de diálogos estabelecidos entre o discurso literário e os discursos de ordem histórica, filosófica, psicanalítica e pedagógica. A respeito da discussão sobre as atribuições da dita literatura infantil, parece-me que o gênero atuar como um só corpo em que vivem as mais profundas controvérsias e diversidades; definí-la (a literatura infantil) depende da singularidade do olhar a lhe ser lançado e da comunicação que estabelece com outras instâncias discursivas. Se, em linhas gerais, a produção literária infantil soa por demasiado diversa, parece-me que, paradoxalmente, afunilam-se os nomes em suas especificidades e, por isso, mais necessário soa esmiuçá-la, desdobrá-la. Nesse sentido, a análise dos textos de Clarice Lispector traz uma literatura infantil que se alicerça em um espaço de tensão, de deslocamento e de harmonização entre duas instâncias e as que lhes forem conseqüentes. Trata-se de um ponto movediço que acontece sobre a travessia, entre o tradicional e o moderno, entre a renovação e a permanência dos aspectos instaurados pela tradição europeia com a qual dialoga. À luz dessa percepção, a estética da literatura infantil de Lispector é redirecionada a partir de um receptor infante específico, a ser considerado, quando redimensiona a relação entre emissor e receptor, entre o que narra e o que recebe o narrado. Reavalia a lida dada à fantasia, ao happy end, ao maniqueísmo e ao moralismo, por meio de uma literatura híbrida, intra e intertextual, que flexibiliza o código moral e a dimensão vocabular de seus textos em favor do recebedor infante e da aporia a que se permitem os livros. Palavras-chave: Estética; Literatura infantil; Clarice Lispector.

Leituras do poema “Isso é Aquilo”, de Carlos Drummond de Andrade TRINDADE, Viviane de C. Maia (PUC Minas) Refletir sobre o valor e a função da estética na produção da obra de arte faz parte das atividades do grupo de pesquisa Estética e Humanismo, da pós-graduação em Letras da PUC Minas. Assim, o presente trabalho pretende apresentar diferentes perspectivas de leituras do poema “Isso é aquilo”, de Carlos Drummond de Andrade, realizadas pelos integrantes do referido grupo. Para tanto, quatro leitores tratarão dos aspectos estéticos do poema considerando a relação entre o significante e o significado, nos contextos de cada uma das análises. Dessa maneira, buscar-se-á evidenciar como a estrutura textual ganha sentido nas diferentes abordagens do poema. Tal dinâmica visa discutir as estratégias estéticas do poeta, o contexto histórico da obra e seus efeitos de sentido sobre o leitor. Palavras-chave: Formação estética; Textualidade; Carlos Drummond de Andrade.

Representações da Rua do Ouvidor no conto “Tempo de crise”, de Machado de Assis TRINDADE, Viviane de C. Maia (PUC Minas) A obra de Machado de Assis tem sido excluída do contexto escolar sob a alegação de que possui uma linguagem difícil e ultrapassada e, por esses mesmos motivos, acaba sendo recusada pelos estudantes do ensino médio. Tais argumentos têm sido endossados pelos próprios professores que alegam dificuldade em mediar a leitura de textos do referido autor. De igual modo, alguns pesquisadores veem nos obstáculos aqui expostos uma justificativa para substituição de cânones como Machado de Assis

por uma literatura mais próxima da realidade do aluno. Assim, alguns discursos têm destituído, de maneira equivocada, critérios estéticos de valorização da literatura em benefício de critérios decorrentes da legitimidade ou representatividade cultural de manifestação de pluralidade, sendo que as dimensões crítica e estética podem muito bem ser conciliadas no texto literário. Por tudo isso, o intuito do artigo aqui apresentado será o de evidenciar que o texto do referido autor pode ser bastante oportuno para apresentar ao leitor questões relacionadas à alteridade. Toma-se como exemplo o conto Tempo de crise, do qual será feita uma análise apresentando as estratégias narrativas comprometidas com o uso estético da linguagem. Para encenar os tipos comuns da sociedade carioca, a narrativa é estruturada por um narrador que, tal como os personagens que mostra, é um oportunista que tenta se beneficiar de privilégios políticos. Ao explorar os efeitos de sentido da linguagem irônica apresentada pelo/no texto, portanto, a partir do valor estético da obra, o leitor terá a oportunidade de desenvolver sua competência de leitura de maneira crítica. Palavras-chave: Formação de leitor; Machado de Assis; Literatura brasileira; Educação estética.

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