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Introdução

pesquisas. onde os insetos e roedores disputavam o alimento com os pacientes. ajudou a mudar a realidade dos hospitais da sua época. quando as técnicas de anti-sepsia não eram conhecidas e inexistia o desenvolvimento das comunicações. A Infecção hospitalar é a própria história dos hospitais. Nesta galeria ilustre. neste momento. fungos e vírus. Na história das infecções hospitalares. Como toda história.refletindo sobre os conhecimentos que nos legaram os profissionais da saúde com suas observações. médico húngaro. onde os mortos e vivos permaneciam no mesmo leito. As mãos que levam a cura não podem transmitir a morte.História da Infecção Hospitalar A história dos hospitais é a própria história da Medicina. que sobrevive ao desenvolvimento tecnológico dos nossos dias. longe de ser um ritual é uma atitude inerente ao processo educativo do ser humano.casa de repouso. Ambos. nos voltarmos à figura de IGNAZ SEMMELWEISS. fungos e vírus.um pequeno gesto uma grande atitude. São duas realidades: o hospital antes da FLORENCE . Na galeria dos nossos heróis. onde a morte é um visitante fortuito e indesejável e onde a melhoria da qualidade de vida é uma busca constante. ressaltavam o mesmo gesto simples como poderoso antídoto para as infecções hospitalares. detentora de uma vontade férrea e de uma obstinação sem precedentes. Após LISTER e PASTEUR. ao implantar a prática da Lavagem das Mãos no controle das Infecções Cruzadas nos hospitais. precursora dos conhecimentos que hoje detemos na Administração Hospitalar. onde a saúde é o maior bem produzido. na Enfermagem como profissão. tem seu início marcado por uma série de fatos que de uma maneira ou de outra mudaram as vidas das pessoas. implantando as medidas de higiene e limpeza no hospital que assistia os militares feridos na Guerra da Criméia. dedicação e sacrifício da própria vida. da sociedade e do mundo.como não podia deixar de ser. O ambiente hospitalar tem na FLORENCE NIGHTINGALE um divisor. que instituiu no ato de "LAVAR AS MÃOS" a medida de eleição no controle das infecções hospitalares. surge a figura da FLORENCE NIGHTINGALE. foi e sempre será realizado com água. afirmando que a "Febre Puerperal não era um infortúnio e sim um crime". nos Estados Unidos. na Universidade de Havard. Este ato simples.fatos marcaram o início deste presente que estamos vivendo agora. duas vozes em continentes diferentes e à mesma época. frágil na aparência. Isto se dava na 2º metade do século XIX quando o desconhecimento era total no tocante às bactérias. LAVAR AS MÃOS . com o desenvolvimento da MICROBIOLOGIA como ciência de apoio no combate ás infecções. Esta figura de mulher. Torna-se imperioso. surgiram . surge HOLMES. onde a Morte convivia confortavelmente com a Vida. já no final do século XIX e no início do século XX. como medida mais eficaz na prevenção deste mal. O hospital depois da FLORENCE. sabão e bom senso. enfermeira inglesa. com o conhecimento sobre as bactérias.

mas que devido aos novos direcionamentos adotados na sua utilização. um hospital deve constituir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). merece de nossa parte uma análise acurada quanto ao uso de luvas na substituição da Lavagem das Mãos. asilos. ventilação mecânica.) adquirida dentro de um ambiente relacionado à saúde (hospitais. enfatizando a aplicação de medidas realmente eficazes no controle da qualidade do ambiente hospitalar. unidades básicas. As LUVAS passaram a funcionar.). nas décadas de 70 e 80: a procura desordenada dos microrganismos no ambiente hospitalar. A maioria das infecções hospitalares são de origem endógena. Mas não podemos nos esquecer que o mundo bacteriano também segue de perto. Ainda no início século XX. a utilização de luvas pelas equipes do Serviço de Limpeza Hospitalar sem orientação.) ou pelo fato de. cirurgião americano. na Coleta de Material dos ralos de pias através do uso de Swabs. contribuindo para aumentar a contaminação e a disseminação dos processos infecciosos. Conceito Infecção hospitalar ou Infecção Nosocomial é toda infecção (pneumonia. o paciente ser submetido a procedimentos invasivos diagnósticos ou terapêuticos (cateteres vasculares. tabagismo.). nestas situações. . esclarecendo a comunidade hospitalar da inocuidade destas práticas desordenadas que oneram o atendimento hospitalar sem resultados satisfatórios. Nos últimos dez anos. são causadas por microrganismos do próprio paciente. na prática. para reduzir os riscos de ocorrência de infecção hospitalar.. imunossupressão.. No Brasil. os profissionais de controle de infecção hospitalar vêm realizando todo um trabalho para mudar estes conceitos. que é responsável por uma série de medidas . mais precisamente em nosso País.. conduzindo os germes hospitalares. etc. infecção cirúrgica. Prática esta sem duvida que contribuiu na redução das infecções nosocomiais.procedimentos hospitalares que se acentuaram especialmente na 2º metade de século XX. o reprocessamento de luvas estéreis permitindo o reuso em procedimentos cirúrgicos. obesidade. durante a hospitalização. houve sobrecarga de trabalho nos laboratórios de Microbiologia e elevação dos custos hospitalares. exteriotipada com a distribuição de Placas de Cultura nos diversos setores dos hospitais. etc. De prático em tudo isto. num processo ritualístico sem fundamentação científica para provar o óbvio : os micróbios convivem conosco nos hospitais. como verdadeiros vetores. As infecções hospitalares de origem exógena geralmente são transmitidas pelas mãos dos profissionais de saúde ou outras pessoas que entrem em contato com o paciente. infecção urinária. isto é. sondas vesicais. sem trocas e sem limites de situações. orientando os profissionais de saúde nas utilização das medidas de higiene e limpeza. introduziu o uso de Luvas nos procedimentos hospitalares. muitas vezes paralelamente. outras vezes correndo por fora. as medidas inovadoras na técnica operatória implementadas por HALSTED .. levando consigo o troféu da Resistência Bacteriana. pelos profissionais de saúde. Necessário se faz citar a grande descoberta do século XX:a PENICILINA seguida pelos demais antibióticos numa corrida vertiginosa da potente indústria farmacêutica. Isto pode ocorrer por fatores inerentes ao próprio paciente (ex: diabetes. desinfecção e esterilização.

o Simpósio Sobre Epidemiologia e Controle das Infecções Hospitalares. Logo em seguida. Já.. Teve início então. da Associação Americana de Hospitais e da Associação Americana de Saúde Pública. com a representação da OMS. à função das imunoglobulinas. rápidos ou automatizados de diagnóstico. à imunidade local adquirida. para expor os problemas e os tipos de investigações que estavam sendo conduzidos para o controle das IHs hospitalares nos vários países daquele continente. em 1958. os organismos internacionais de saúde tomaram o assunto em suas pautas. Dentre os de maior repercussão. Este Grupo considerou que as infecções hospitalares.D.D. o reconhecimento das IH como problema de saúde pública e do C.o microrganismo: necessitando de uma melhor avaliação epidemiológica dos sistemas de classificação. na Inglaterra.como o incentivo da correta higienização das mãos dos profissioanis de saúde. Em 1976. a fiscalização da limpeza e desinfecção de artigos e superfícies. Esta sugestão foi reiterada em 59. passaram a ser obrigatórias para se obter o certificado da Comissão Conjunta de Credenciamento de Hospitais (JCAH . etc. em 1970. as publicações científicas disponíveis mostram meados da década de 40. Núcleo de Contrle de Infecção Hospitalar Até onde é possível registrar a origem desse movimento. o controle do uso de antimicrobianos. A partir daí. em 1962. com a participação do Centro de Controle de Doenças (C. às medidas de proteção. regulamentos e manuais para o controle de infecções hospitalares. dos fatores de virulência. durante a pandemia de infecções hospitalares por Staphylococcus aureus nos hospitais ingleses. deflagraram-se os eventos nacionais e internacionais especificamente relacionados às infecções hospitalares e ao seu controle. dos Estados Unidos. através da sugestão de organização de comissões multiprofissionais para investigar e adotar medidas preventivas contra essas infecções. ao mesmo tempo em que foram adotadas normas. da UNESCO e do Conselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas. em seguida. das modalidades de resistência. tanto endêmicas como epidêmicas figuram entre as principais causas de morbidade e mortalidade dos doentes hospitalizados e que os trabalhos de investigação das mesmas versam sobre quatro temas principais: . a Conferência Internacional de Infecções Hospitalares. a Associação Americana de Hospitais também recomendou a criação de comissões de controle de infecção hospitalar nos Estados Unidos que. destacaram-se a Conferência Nacional Sobre Doenças Estafilocócicas de Aquisição Hospitalar. um Grupo de Trabalho organizado pela Oficina Regional da OMS para a Europa reuniu-se em Bucareste. de preparação de métodos simplificados. . como um dos principais centros de referência para estudos e estabelecimento de estratégias e ações de controle.Joint Comission on Accreditation of Hospitals). .C.) de Atlanta. realizada em Atlanta nos Estados Unidos.C.o paciente: no que se refere à necessidade de reconhecimento de grupos ou serviços especificamente expostos. em 1958.

em seguida. . . refeitórios. assim como utilizar seus conhecimentos para melhorar a qualidade de atenção ao paciente e organizar um bom sistema de informação de doenças de notificação compulsória. desde que tenha relação com a internação ou com o procedimento hospitalar realizado. desenvolve uma infecção. . inspeção dos diversos setores (cozinhas.o meio ambiente: através de controle dos métodos de esterilização e desinfecção.intercâmbio com os serviços de saúde comunitária para permitir um melhor conhecimento das condições de saúde da comunidade.. roupas e máscaras protetoras. as infecções hospitalares. lavanderia e transportes).a administração: referente aos aspectos econômicos e aos estudos sobre a relação custo/benefício. .condições adequadas de atenção ao doente. .implantação de programas de saúde do trabalhador.educação e treinamento de pessoal. . que se desequilibra pelo estado de saúde. nesse caso. . de acordo com as vias de transmissão das doenças.vigilância do meio ambiente. estabelecimento de normas e questões jurídicas. Os participantes desse encontro recomendaram adotar a incorporação de programas adequados de luta contra essas infecções no maior número de hospitais. cujo mecanismo de defesa contra infecções fica . de estudos sobre a planta física das salas e do ar condicionado nos hospitais. A infecção hospitalar exclui as infecções que estavam incubadas no momento da internação.manutenção de um sistema de vigilância epidemiológica que informe sobre a incidência dessas infecções para prover informações imediatas que permitam avaliar os problemas e determinar as atividades de prevenção e controle. assistência de enfermagem. desinfecção de superfícies. Esse grupo considerou também que um programa adequado para atingir esses objetivos deveria levar em conta: . . A IH é geralmente provocada pela própria flora bacteriana do paciente. .estabelecimento de técnicas de isolamento ou precauções.elaboração de métodos de qualidade nos laboratórios de microbiologia para a análise dos dados. com o propósito de permitir o cumprimento do Plano Decenal de Saúde para as Américas. de diminuir em 50%. de serviços de isolamento. Principais Agentes Causadores de Infecção Infecção Hospitalar (IH) é toda infecção adquirida pelo paciente após 48 horas de sua entrada no hospital ou quando o paciente recebe “alta” e.criação de comissões de controle de infecções hospitalares nos hospitais.

quais os fatores de risco preexistentes. A infecção pode ser desencadeada pelo uso de procedimentos invasivos (soros. Outras populações vulneráveis são aquelas com implante de corpos estranhos (tais como cateteres) ou os que recentemente se submeteram a transplante de órgão. O que chamamos de pressão seletiva dessas drogas sobre as bactérias faz com que as chamadas bactérias resistentes acabem predominando e determinando as infecções nos pacientes. por medicamentos ou alimentos contaminados. de maneira geral. Existem fatores de risco inerentes à saúde de cada indivíduo que isoladamente elevam suas chances de complicações infecciosas. que costumam causar infecção na comunidade. geralmente pelas mãos da equipe de saúde. São denominadas infecções hospitalares e apresentam mais dificuldade ao tratamento por causa dessa resistência. nebulização.debilitado. As bactérias envolvidas nas infecções hospitalares são frequentemente transmitidas a partir do ambiente ou de paciente para paciente. Para se definir e classificar a origem do processo infeccioso hospitalar. e que corresponde a aproximadamente 2/3 das infecções hospitalares. As infecções hospitalares tendem a afetar pacientes que são imunocomprometidos devido à idade. sendo veiculada pelas mãos da equipe de saúde. Toda uma . cateteres e cirurgias) ou pelo contato da flora do paciente com a flora bacteriana do hospital. Na realidade. exógenas. Infecção inter-hospitalar é um conceito que foi criado para definir as infecções hospitalares que são levadas de um hospital para outro com a alta e subseqüente internação do mesmo paciente em diferentes hospitais. Este tipo de infecção diz-se ocupacional. uso de respiradores. quais os procedimentos realizados e se houve intercorrências e qual o tipo de ferida cirúrgica. complicações infecciosas relacionadas à assistência prestada ao paciente e à diminuição de sua capacidade de defesa antiinfecciosa e podem ser endógenas. Infecção exógena é a que se verifica a partir de microrganismos estranhos ao paciente. quais os sintomas e quando se iniciaram. doença de base ou tratamento. geralmente imunodeprimido. o termo “infecção adquirida durante os cuidados de saúde” foi proposto para abranger as infecções adquiridas nos cuidados de longo prazo e nas instalações de reabilitação. Um dos principais fatores é o uso maciço e muitas vezes indiscriminado de antibióticos no ambiente hospitalar. Infecções hospitalares são. pois. é necessário identificar em cada paciente o que o levou a adquirir a infecção. vetores. diferentes das bactérias comuns. Infecção cruzada é a que se transmite de paciente a paciente. as bactérias que causam a infecção hospitalar são. desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital. A diferença reside no grau de resistência dessas bactérias aos antibióticos e isso decorre de uma série de fatores. Mais recentemente. cruzadas e inter-hospitalares. Indivíduos que trabalham em hospitais estão potencialmente expostos a uma diversidade de doenças infecto-contagiosas e podem adquirir infecção hospitalar. A infecção comunitária é aquela constatada ou em incubação na admissão do paciente. Infecção endógena é a que se verifica a partir de microrganismos do próprio paciente.

Os principais mecanismos que determinam a destruição da barreira cutânea são: o trauma produzido pela introdução de agulhas ou catéteres intravasculares. . Serratia e Enterobacter. reduz significativamente a incidência de infecções. Um número que assusta não só os pacientes. Em geral.. centros de saúde. endoscopia. E. servindo como barreiras e assumindo importância ainda maior quando as defesas secundárias estão alteradas. o país apresenta o porcentual de 15. circuitos de respiradores.5% entre os pacientes internados. conforme dados do Ministério da Saúde. independente de sua constituição (clínicas. são pouco exigentes do ponto de vista nutricional. Os germes Gram-negativos (Klebsiella sp. por conseqüência. Serratia sp. Estatísticas da Infecção Hospitalar O núcleo de pesquisa em Prevenção da Infecção Hospitalar surgiu da necessidade de se ampliar as discussões sobre um tema tão importante na atualidade como a prevenção e controle das Infecções Hospitalares (IH). A pele e as mucosas representam a primeira linha de defesa do corpo contra o meio externo. coli.. Bactérias Gram-negativas resistentes a drogas de primeira linha (aminoglicosídeos e cefalosporinas) têm sido observadas no ambiente hospitalar e. Pseudomonadacea (principalmente P.. ambulatórios. anticorpos e métodos de visualização realizados. são freqüentes causadores de infecções hospitalares e. alimentos e dietas enterais). têm suas despesas elevadas. pouco nutritivos (líquidos de infusão. resultados de exames de laboratório. Enterobacter sp.. nebulizadores. eventualmente.conjuntura deve ser analisada para identificar o processo e sua causas. a utilização de curativos oclusivos com materiais impermeáveis que aumentam a hidratação da pele. ressaltando-se os exames microbiológicos. a pesquisa de antígenos. A infecção hospitalar é causa de grande preocupação das instituições de saúde do Brasil. O diagnóstico das infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de evidência clínica derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário. que. sendo veiculadas pelas mãos. Acinetobacter). O risco de contaminação por esta via é maior mesmo para pacientes com defesas secundárias preservadas. evidências de estudos com métodos de imagem. como também as instituições de saúde. O hábito de lavar as mãos antes e após cada procedimento. especialmente os gêneros Klebisiella. são adquiridos por meios de mãos contaminadas. Enquanto a média mundial de índice de infecção é 5%. alterando a composição da biota bacteriana residente e o uso de agentes microbianos e corticosteróides tópicos e/ou sistêmicos. A rica vascularização da pele facilita a disseminação de microrganismos para outros locais e também sua contaminação a partir de infecções sistêmicas. podendo contaminar e proliferar em ambientes úmidos. Proteus sp. e entre os cuidados de um paciente e outro. Aeruginosa. geralmente. São bactérias que colonizam o trato gastrointestinal e a pele dos pacientes. biópsia e outros. hoje de ocorrência não mais restrita ao ambiente hospitalar mas a todos os estabelecimentos de saúde. que servem de reservatório e vetor destas bactérias. em infecções comunitárias. etc) passando a focar o controle de infecção associado ao cuidar em saúde.

a higiene correta das mãos.624 pacientes com mais de 24 horas de internação. Em hospitais gerais.4%. o Ministério da Saúde elaborou um projeto de estudo. 10. a conjuntiva ou o trato geniturinário.8 dias. cujo tempo médio de permanência foi 11. os politraumatizados e os grandes queimados. foram medidos os níveis basais de infecção da corrente sanguínea associadas ao uso de cateteres venosos centrais. Foram avaliados 8. Fatores que Facilitam o Paciente Adquirir Infecção Hospitalar Os agentes etiológicos mais comumente encontrados nos processos infecciosos são as bactérias. os submetidos a cirurgia. o estado do paciente e o tipo de assistência que recebe. Em seguida. houve a substituição do sistema aberto de infusão utilizado nos hospitais. aquele que não necessita da entrada de ar para seu funcionamento e escoamento total da solução. foi introduzido um programa educacional com toda a equipe de profissionais médicos e de enfermagem a fim de colocar em prática as diretrizes de prevenção estabelecidas pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) como. após a promulgação da portaria 196/83. No Brasil.4%. As infecções urinárias e respiratórias são as mais freqüentes em hospitais gerais. os internados em UTI. As infecções hospitalares podem localizar-se em qualquer sítio do organismo. elas são várias: alguns cocos gran positivos como o Estafilococos aureus e o coagulase negativos. A suscetibilidade à infecção está relacionada ao patrimônio genético. Os maiores índices de paciente com infecção foram obtidos nos hospitais públicos. na dependência da infecção. ao sexo.O objetivo é avaliar a incidência de infecções da corrente sangüínea nos centros estudados e como medidas de prevenção podem reduzir o tempo de internação.1%. os pacientes com maior risco de contrair IH são os neutropênicos. E por fim.0% e a taxa de infecção hospitalar de 15. incluídos no estudo. por sistema fechado com bolsas flexíveis. à integridade anatômica dos tecidos e. a pele. Primeiramente. norte 11. foram seguidos alguns critérios nos centros estudados. que foi realizado entre maio e agosto de 1994.129. Por região. fungos. à inibição dos mecanismos de defesa naturais e/ou adquiridos. e os menores nos hospitais privados sem fins lucrativos. A porta de entrada pode ser a via digestiva. podem ser igualmente freqüentes e graves.5%. seguida do nordeste com 13. assim como dos antibióticos usados previamente e do tempo de hospitalização.0%. à idade. com taxa de pacientes com infecção hospitalar de 13. vírus ou protozoários.2%. 18. Nos últimos anos. O número de pacientes com infecção hospitalar encontrado foi 1. a mortalidade e conseqüentemente os custos hospitalares. denominado "Estudo Brasileiro da Magnitude das Infecções Hospitalares e Avaliação da Qualidade das Ações de Controle de Infecção Hospitalar". estes mesmos índices mostraram a região sudeste com 16. ou seja. por exemplo. A freqüência das complicações infecciosas hospitalares varia de acordo com a causa da internação. em alguns casos. Para avaliar alternativas eficazes no combate à infecção hospitalar.5%. que hoje são patógenos (agentes infecciosos) muito . tipo e gravidade da doença de base do paciente. dependendo dos fatores que precipitaram ou facilitaram a infecção. Essa diferença se dá em parte porque os hospitais publicos normalmente atendem casos de maior complexidade enquanto que os privados são responsáveis por casos mais seletivos e de menor complexidade. sul 9.0% e centro oeste 7. Entretanto.

constituindo um problema grave de tratamento. temos os Enterococos. vêm apresentando um padrão de resistência progressivamente maior a esse medicamento. isoladamente. também. Temos. ao uso de cateteres de monitorização para diurese. Nos Estados Unidos e na Europa constituem. A implementação da sistematização revela-se consideravelmente útil. é relevante enfatizar a contribuição da sistematização da assistência de enfermagem (SAE). sempre associadas. temos os bacilos gran negativos: as enterobactérias representadas pela Klebsiella. E. Enterobacter. Serratia. Atuação de enfermagem no controle das infecções Hospitalares Considerando-se o contexto atual. que realizará a prescrição de enfermagem com especial enfoque nessa questão. durante a assistência a um único paciente. pois há riscos intrínsecos. No segundo grupo. que obterá as informações mais rápida e precisamente. a lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária. o Enterococcus. agentes causadores das pneumonias e de outras infecções das vias aéreas superiores. Providencia. os casos de resistência dos Enterococos são mais recentes. A SAE torna possível uma avaliação mais completa acerca dos problemas e necessidades dos pacientes. entre outras. também. mas conseguem reduzi-las em cerca de 30%. a ação mais importante para a prevenção e controle das infecções hospitalares. Além deles. dessa forma. conhecendo. Um pouco menos prevalentes temos as infecções urinárias. um grande problema. sempre que envolver contato com diversos sítios corporais. As infecções mais freqüentes em UTIs são aquelas causadas por bacilos Gramnegativos. Além dos cocos gran positivos. necessariamente. em especial pneumonias associadas à ventilação mecânica.importantes como causadores de infecção hospitalar e que vêm se tornando resistentes progressivamente a um número cada vez maior de antibióticos. possibilitando. que o hospital ou sua equipe tenham cometido erro na assistência ao paciente. muitas infecções na corrente sangüínea. Os registros de enfermagem. que são também muito importantes como causadoras de infecção hospitalar. devem ser . principalmente se os enfermeiros forem capacitados a incluir em sua prática uma perspectiva de controle de infecção. embora fossem sensíveis à penicilina. têm a capacidade de desenvolver resistência produzindo enzimas que inativam os antibióticos. O conhecimento precoce dessas complicações. podem melhorar significativamente a evolução do doente. causadas por agentes como os Staphylococcus aureus e os Staphylococcus coagulase-negativa multirresistentes. há alguns anos. Medidas de prevenção não conseguem evitar muitas infecções. No Brasil. as mais importantes são as pseudomonas e Acinetobacter. fornecem informações fidedignas que permitem a identificação dos indivíduos com IH e daqueles em alto risco. intervenções efetivas tanto por parte do enfermeiro assistencial. A ocorrência de infecções não indica. entre cada uma das atividades. Além destes agentes etiológicos comuns nas UTIs. Essas bactérias. A lavagem das mãos é. Além disso. quanto por parte do enfermeiro da CCIH. coli. assim. temos. se bem direcionados. auxiliando no controle das IH. o perfil epidemiológico de cada setor do hospital. Citrobacter. ligadas ao uso de cateteres vasculares. também. como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter. o das não fermentadoras. os Pneumococos.

empregadas medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática da lavagem das mãos em todos os níveis de assistência hospitalar: a distribuição e a localização de unidades ou pias para lavagem das mãos de forma a atender à necessidade nas diversas áreas hospitalares. é fundamental para a obrigatoriedade da prática. Desta forma. além da presença de produtos. estratégias adequadas podem ser traçadas juntamente aos demais membros da comissão. .

Assim. ambas em constante transformação. mas. tecnológicos e humanos para a incorporação de medidas de prevenção e controle. . sem perder de vista a qualidade do cuidado prestado pela enfermagem. A IH transcende seus aspectos perceptíveis e conhecidos. requerendo investimentos científicos. evoluindo e se evidenciando como um fenômeno que não se restringe apenas ao meio hospitalar.Conclusão O controle de infecção hospitalar foi. a todos os estabelecimentos da área de saúde. situando-se em dimensões complexas do cuidado à saúde na sociedade moderna. também. ao longo dos anos. social e não apenas biológico. nos quais se desenvolvem ações consideradas de risco para o aparecimento das infecções. a IH é um evento histórico.