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Sistemas de corpos rígidos. Treliças

6.2 Estruturas Articuladas
Definição: Estruturas reticuladas cujas barras estão ligadas entre si nas suas extremidades por rotulas ou articulações (nós articulados) e com o exterior por apoios, designam-se por treliças. As treliças são sistemas práticos e económicos de sustenção, por isso são muito correntes em engenharia civil: suporte de uma cobertura, pontes, sistemas de transporte para energia eléctrica, etc. Componentes: linha de asna, perna da asna, pendural, montante, diagonal e nó.
perna da asna diagonal montante no

linha da asna

pendural

Asna de 2 águas para suporte de uma cobertura

de via inferior

de via superior

Exemplos de treliças para pontes e coberturas. As treliças podem ser vistas como: 1. um conjunto de partículas (nós) ligados entre si por barras e com o exterior por apoios; 2. um conjunto de barras (corpos rígidos) ligados entre si nas suas extremidades por articulações (nós) e com o exterior por apoios. As treliças transmitem acções (representadas por forças) para os apoios (paredes, pilares, etc...), portanto é necessário que elas sejam geometricamente indeformáveis e de ter uma posição fixa relativamente aos apoios. Para garantir que a estrutura é geometricamente indeformável tem que existir uma relação para entre o numero dos nós,n, barras, b, e apoios, re.

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treliça Inglesa

treliça em K

treliça Howe

pois não englobam informação relativamente o posicionamento das ligações. cujo estudo se baseia em três hipóteses simplificativas: 1. Estatia e estabilidade geométrica das treliças 2 n ? b + re Ligações Estatia Estabilidade Geom. As treliças são solicitadas por cagas concentradas aplicadas nos nós.1 Hipóteses simplificativas A análise das treliças têm o objectivo de cálculo das reacções externas e as reacções internas ou forças nas barras. O peso próprio das barras é geralmente desprezável quando comparado com as acções exteriores. 2.6. 2 n = b + re Suficientes isostática Indeformáveis 2 n > b + re Insuficientes hipostática Deformáveis 2 n < b + re Em excesso hiperstática Indeformáveis As relações acima definidas são apenas condições necessárias mas não suficientes. geometricamente indeformaveis B=3 Nos= 3 R = 3 B=5 Nos= 4 R = 3 geometricamente deformaveis B = 13 Nos= 8 R = 3 B=9 Nos= 6 R = 3 B = 13 Nos= 8 R = 3 6.2.2 Estruturas Articuladas 85 A condição necessária para que uma treliças seja geometricamente estável é verificar a seguinte relação: 2 × n = b + re A condição da estabilidade geométrica é satisfeita por um triângulo (estruturas trianguladas). Os nós das treliças são articulações perfeitas portanto não impedem a rotação e por isto não existe reacção de momento (Na realidade os nós não . barras e apoios 2 n = b + re. As barras são consideradas rígidas e as dimensões da secção transversal são reduzidas em relação ao seus comprimentos. por isto as barras podem ser representadas pelos seus eixos. Tabela 6. 3.2: Relação nós.

para determinar as reacções internas constroem-se os diagramas de corpo livre para as barras.2 Análise das treliças Exemplos de nós. esquematização e diagramas de corpo livre. Considerando a representação das treliças como um conjunto de barras ligadas entre elas nas suas extremidades por articulações. mas têm sentido contrário: R A = V A + HA = HA . No entanto numa primeira aproximação os efeitos secundários são des presáveis por serem geralmente pequenas as relações relativas dos nós. formando um sistema de corpos rígidos. A B HA A VA B HB VB C Os resultados obtidos permitem concluir que as reacções na extremidade A e B de uma barra bi-rotulada sem carregamento tem valor constante e a direcção coincide com a direcção da barra. A B Escrevendo as equações de equilíbrio na base do DCL da barra AB temos:   MB = 0   −VA lAB = 0 V = VB = 0 Fy = 0 ⇒ VA + V B = 0 ⇒ A HA = H B   Fx = 0 HA − H B = 0 e RA = − RB NAC A C C NCA Considerando a representação das treliças como um conjunto de nós ligados entre si por barras bi-rotuladas. Treliças são perfeitamente articuladas e se desenvolvem esforços de flexão.86 Sistemas de corpos rígidos.2. . o equivalente mecânico das ligações entre os nós (reacções internas) são forças de reacção com linhas de acção que coincide com a direcção das barras.) 6.

2 Estruturas Articuladas A A B B 87 C C forças de ligaçao As forças NAB e −NAB ( NBA e −NBA ) asseguram equilíbrio nas secções em que actuam. Dependendo do sinal das forças de reacção internas (esforços) são de compressão (entram no nó) ou de tracção (saem de nó).2. Tracção Compressão 6.2. para qual se considera que sobre o nó actuam as forças aplicadas . dos nós – pelo método dos nós. As hipóteses simplificativas consideradas e as duas representações possíveis para as treliças permitem concluir que as reacções internas. respectivamente os esforços nas barras podem ser determinadas considerando o equilíbrio da partícula (nó) ou o equilíbrio do corpo rígido. 2.3 Calculo das reacções externas e dos esforços nas barras Nos casos em que a treliça é isostática. de um conjunto de barras – pelo método das secções. chamam-se esforços.4 Método dos nós As equações de equilíbrio escrevem-se na base de diagrama de corpo livre (DCL) da cada nó (i).6. 6. considerando a treliças como um único corpo rígido sob acção das forças aplicadas e as reacções externas. a partir do diagrama do corpo livre: 1. as reacções externas determinam-se escrevendo as equações de equilíbrio global a partir do DCL da treliça. As forças de reacção internas quando actuam nas barras. A NAB A −N AB B −N BA NBA B Como os nós estão em equilíbrio as barras sob acção das internas actuantes também têm que estar em equilíbrio portanto NAB = NBA .

. O numero das equações possíveis para o conjunto total dos nós é de 2 × N RN os ( 3 × N RN os para o caso 3D). Pi + R i + Nij = 0 e Moi = 0 (6. as reacções internas(Nij ) e reacções externas (Ri ). Mo = 0). Observação: Para maior eficiência do método convêm começar com os nós em que incidem apenas duas barras de esforços desconhecidos. formando um sistema de forças concorrentes.88 Sistemas de corpos rígidos.4) A equação de equilíbrio vectorial se traduz em duas equações analíticas para o caso plano e três equações de projecção para o espaço. A equivalência do sistema de forças a zero é garantido desde que R = 0. i.5 Método das secções Nos casos em que é preciso determinar o esforço em apenas algumas barras é conveniente utilizar um método mais eficaz.6) Metodologia de resolução dos problemas pelo método das secções Para determinar as reacções externas e internas nos nós e esforços nas barras consideram-se os seguintes passos: • determinar as reacções externas do equilíbrio global da estrutura (corpo rígido). desenhando os DCLs correspondentes. 6. O sentido do vector das reacções internas arbitra-se e no final o resultado é corrigido. Fy = 0 . que se baseia no equilíbrio de um sistema de forças não concorrentes ou seja ( R = 0 . representando as forças actuantes.2. 3D : Fz = 0 (6. podendo determinar as N Rbarras incógnitas. • isolar sucessivamente todos os nós.5) Metodologia de resolução dos problemas pelo método dos nós Para determinar as reacções externas e internas nos nós respectivamente esforços nas barras os passos a percorrer são: • determinar as reacções externas do equilíbrio global da estrutura (corpo rígido). o método das secções. Escrevem-se as equações de equilíbrio da partícula e determinam-se as incógnitas. ou seja: Pi + R i + Nij = 0 (6. Fx = 0 .e. Treliças (Pi ).

. Ao fazer o corte e preciso ter em conta que as barrar cortadas não podem ser paralelas entre elas ou concorrentes num ponto que não seja o nó. as equações de equilíbrio não serão suficientes para determinar os esforços nas barras cortadas. nestes condições a estrutura não é correctamente constituída. • de num nó sem carregamento concorrem quatro barras. (Figura b). o esforço nesta barra é igual ao valor do carregamento.2 Estruturas Articuladas 89 • fazer corte na treliça de modo a abrir um numero máximo de três barras e introduzir os esforços nas barras cortadas.6. Os reforços nulos podem ser determinadas apenas aplicando algumas regras: • se num nó sem carregamento concorrem apenas duas barras com direcções diferentes os esforços nas respectivas barras são nulos. sendo os esforços nas barras colineares iguais. (No caso em que existe carregamento no nó na direcção da terceira barra. Observação Para obter equações com uma incógnita podem usar-se as equações de momento nulos em relação aos pontos de convergência de cada duas barras (não co-lineares). Se o numero das barras abertas pelo corte for maior de três. 6. P N =0 N =0 a) N1 N =0 b) N2 N1 N1 N1 N2 d) N1 N =P c) N1 A aplicação destas regras não exclui a possibilidade da existência de outras barras sem esforço. dos quais duas a duas são co-lineares. o esforço na terceira barra é nulo e nas barras co-lineares os esforços são iguais. (Figura a). • de num nó sem carregamento concorrem apenas três barras.6 Método combinado O método combinado consta em aplicar uma vez ou várias vezes o método das secções em combinação com o método dos nós. o esforço nas barras directamente opostas são iguais. Os DCLs obtidos para cada parte após o corte ficará em equilíbrio.7 Nós sujeitas a condições especiais de carregamento Algumas barras podem ter esforços nulos perante alguns casos de carregamento. Escolha-se uma das partes e escrevem-se as respectivas equações de equilíbrio (três para o caso plano e seis para o caso 3D) para determinar as reacções internas nós que foram ligadas pelas barras cortadas. (Figura d). dos quais duas são co-lineares. 6.2. Figura c).2.

P l A l C B x DCL B P y B 45 DCL C NCB NBC NAB DCL A NCA=0 NAC=0 VA 45 NBA C HC VC Resolução Desenham-se os DCLs dos nós e começando com o nó B.36 Aplicando o método das secções. aplicando o método dos nós. determinamse os esforços nas barras e as reacções externas. Do equilíbrio do nó C obtêm-se as reacções HC e VC : As equações de equilíbrio para o nó B são: √ 2/2 Fx = 0 NCB √ − HC = 0 HC = P ← ⇒ ⇒ Fy = 0 VC = P ↑ −NCB 2/2 + VC = 0 Problema 6.35 Exemplos: Determine os esforços em todas as barras da treliça. Treliças 6.90 Sistemas de corpos rígidos. DCL G I A C E P C A E P corte G I l B J F H l B J F H l D l l DCL l P/2 l D l l l P/2 N GE N HE N HF G I J H l P/2 . Do DCL do nó A resulta que o esforço na barra AC é nulo (caso particular) e a reacção VA = P ↓.8 Exemplos de cálculo das treliças Problema 6. determine os esforços nas barras HE.2. F H e EG da treliça. As equações de equilíbrio para o nó B são: √ √ Fx = 0 P + NBC 2/2 = 0 NBC = −2P/ 2 (C) √ ⇒ ⇒ Fy = 0 NBA = P (T ) −NBA − NBC 2/2 = 0 O esforço NBC têm a direcção contrária do arbitrado.

8 D C 2. As equações de equilíbrio para a parte II (a direita do corte) são:    P P MH = 0  NGE l + 2 l = 0   NGE = − 2 (C) √ √ 2 NHE √ + P = √ Fy = 0 ⇒ 0 ⇒ NHE = −P 22 (C) 2 2    Fx = 0 NHF = P (T ) NGE 22 + NHE 22 + NHF = 0 NDF = NHF = P √ ) (T NDE = NHE = P 2/2 (C) NCE = NGE = P/2 (C) NCA = NGI = P/2 (C). As barras de esforço nulo podem ser identificadas a partir do DCL da treliça inteira aplicando as regras da Secção 6.8 z B O RBy 2. Fz = 0 ⇒ RBz = 0 Observa-se a simetria do problema (treliça e carregamento simétricos) relativamente a um eixo y (que passa pelo ponto A) e por consequência: RDx = RBx ⇒ RDx = RBx = 0 RDy = RBy .1 RCy x B NBA NBD NBC 780 N 160.2. Determine o esforço instalado em cada barras.7 N 160. Problema 6.37 A treliça é composta por seis barras e está suportada por um apoio fixo em B .0 [m] Resolução As equações de equilíbrio global permitem determinar as reacções externas. respectivamente GE e GI.2 Estruturas Articuladas 91 Resolução As equações de equilíbrio global permitem determinar as reacções externas. os esforços são da mesma intensidade.1 2. Segundo as mesmas regras. nas barras CE e CA.7: barras BD e HJ.6.7 N NBC C 624 N RBx RBz 0. Observa-se a simetria do problema (treliça e carregamento simétricos). y 2184N A DCLs: B e C A Pela simetria do problema o esforço nas seguintes barras é conhecido: RDx D RDy 4. DF e F H. CD e GH. uma biela curta em C e duas bielas curtas em D.

15 NBA + 0.8 ex − 0.91 ey − 0.923 NCA + 624 = 0 ⇒ NCA = −676 N (C) O esforço nas barras CD e AD é: .4 NBA + 0.15 ex + 0.91 NBA + 780 = 0 ⇒ NBA = −857.2 Equações de equilíbrio escalares: Fy = 0 ⇒ 0.5 NBA = NBA λBA = NBA (0.6 NBC + NBD = 0 NBD = 246.8 NBC = 0  NBC = 160.6 ez ) 3.82 + 2.8 ex + 4.71 N (T ) NAD = NAB = 857. tendo em conta a simetria do problema.385 ex + 0. Treliças As restantes equações de equilíbrio. são: MBD = 0 ⇒ Fy = 0 RCy × 2. respectivamente nas barras CB e CD são iguais.92 Sistemas de corpos rígidos.82 = 5.4 ez ) 5.82 = 3.71 N (T ) Fy = 0 ⇒ 0. NAD = NAB e NCB = NCD Utilizando o Método dos nós. Equilíbrio do nó B: NBC + NBD + NBA + 780ey = 0 Expressão analítica dos vectores: √ √ lBC = 2.43 N (T ) NCD = NCB = 160.14 N (C)    Fz = 0 0.14 N (C) Equilíbrio do nó C: NCB + NCD + NCA + 624 ey = 0 Expressão analítica do vector NCA : √ lCA = 22 + 4.12 + 4.8 − 2184 × 0.3 m NBC = NBC λBC = NBC (2.1 ez ) = NBA (0.8 = 0 ⇒ RCy + 2 RDy − 2184 = 0 RCy = 624 N ↑ RDy = RBy = 780 N ↑ Pela simetria do problema os esforços nas barras AD e AB.3 NBD = NBD λBD = −NBD ez Equações de equilíbrio escalares:    Fx = 0   0.82 = 5. podemos calcular os esforços nas barras.8 ey − 2.923 ey ) 5.8 ex − 2.1 ez ) = NBC (0.5 m . lBA = 0.2 m NCA = NCA λCA = NCA (−2 ex + 4.12 + 2.8 ey ) = NCA (−0.