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Noções da NR-10 Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade

Aula 5 – Dimensões Legais da NR-10; Controle de Energia; Área Classificada; Riscos Adicionais.
5.1. CONCEITOS BÁSICOS DA ÁREA JURÍDICA RESPONSABILIDADE CIVIL: É a obrigação imposta por lei às pessoas, físicas ou jurídicas, de reparar perdas, danos ou prejuízos por elas imputados a outrem por ação ou omissão. ATO ILÍCITO: é o praticado em desacordo com a ordem jurídica, violando direito subjetivo individual; causa dano a outrem, criando o dever de reparar tal prejuízo; produz efeito jurídico imposto pela lei; para sua caracterização é necessário que haja uma ação ou omissão voluntária, que viole um direito subjetivo individual; é preciso que o infrator tenha conhecimento da ilicitude de seu ato, agindo com dolo, se intencionalmente procura lesar outrem, ou culpa, se, consciente dos prejuízos que advêm de seu ato, assume o risco de provocar o evento danoso. 5.1.1. MODALIDADES DE CRIMES CULPOSOS Entre as modalidades de crimes culposos há aqueles em que o agente deu causa ao resultado por IMPRUDÊNCIA (prática de ato perigoso), NEGLIGÊNCIA (falta de precaução), ou IMPERÍCIA (falta de aptidão técnica teórica ou prática).  IMPRUDÊNCIA é a ausência do devido cuidado numa ação; é, pois, a realização de um ato sem a devida previdência.  NEGLIGÊNCIA é a ausência do cuidado razoável exigido. Trata-se do abandono da conduta esperada e recomendável.  IMPERÍCIA é a falta da competente análise e da observação das normas existentes para o desempenho da atividade. É o despreparo profissional, o desconhecimento técnico da profissão. 5.2. RESPONSABILIDADES LEGAIS. Na ocorrência de acidente de trabalho (Lei 8213/91):  O empregado deve levá-lo ao conhecimento da empresa. À empresa cabe comunicá-lo à Previdência Social através da CAT (Comunicação de Acidente no Trabalho), até o primeiro dia útil após a ocorrência.  O acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria receberão cópia fiel desta comunicação.  Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública (nestes casos não prevalecerá o prazo previsto de um dia útil). Mesmo não sendo a empresa a comunicante do ocorrido esta não fica eximida de responsabilidade pela falta do cumprimento da comunicação.  Cabe à empresa elaborar relatório de investigação e análise do acidente, conduzido e assistido pelo SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) e pela CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes), com todo detalhamento necessário à compreensão integral da ocorrência. Responsabilidades da Empresa (Artigo 157 da CLT)  Cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;  Instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais;  Adotar as medidas que lhe sejam determinadas pelo órgão regional competente;

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cujo objetivo é promover e preservar a saúde do conjunto dos seus trabalhadores. A legislação de segurança do trabalho brasileira considera como riscos ambientais: AGENTES FÍSICOS [vibrações.Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional A Sétima Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação. tem o objetivo de prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho. A atividade do SESMT visa reduzir os riscos a saúde do trabalhador. verificando o uso dos EPIs. O SESMT tem como finalidade promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador em seu local de trabalho. desde que presentes no ambiente de trabalho em determinadas concentrações ou intensidade. É fundamental que o PCMSO seja elaborado e planejado anualmente. A exigência quanto a sua implantação obedece a um roteiro segundo a quantidade do número de funcionários. PCMAT Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Com o objetivo de reduzir os acidentes e a incidência de doenças ocupacionais na atividade da construção civil. substancias químicas] ou BIOLÓGICOS [Bactérias. NR 5 . do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). incluindo-se terceiros e o meio ambiente. empregado ou consultor. enfermeiro. públicas e órgãos governamentais que possuam empregados regidos pela CLT ficam obrigados a organizar e manter em funcionamento uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). NR 7 . de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. fungos. ruídos. radiações. gases.Comissão Interna de Prevenção de Acidentes A Quinta Norma Regulamentadora estabelece que as empresas privadas. vapores. em conformidade com os riscos levantados e avaliados no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e no Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT).  Colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos referentes à segurança e medicina do trabalho. A CIPA. composta por representantes do empregador e representantes dos empregados. técnico e engenheiro de segurança do trabalho. Facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. orientando quanto ao cumprimento das Normas. por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados. ou o SESI] PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais: é estabelecido pela NR 9. parasitas].Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho A Quarta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da existência Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) – de acordo com o grau de risco das suas atividades e o número de empregados. NR 4 . Para isto o SESMT deve compreender os seguintes profissionais: auxiliar de enfermagem. temperaturas]. etc. Tem por objetivo definir uma metodologia de ação que garanta a preservação da saúde e integridade dos trabalhadores face aos riscos existentes nos ambientes de trabalho. o tempo máximo de exposição do trabalhador a estes é determinado por limites pré-estabelecidos. 2 . [quem conduz o PCMAT é o médico do trabalho. pressões anormais. QUÍMICOS [poeiras. o MTE publicou a NR 18 que estabelece um conjunto de ações que visa à preservação da saúde e da integridade física de todos os trabalhadores de um canteiro de obras. Responsabilidades do Empregado (Artigo 158 da CLT)  Observar as normas de segurança e medicina do trabalho. É também de responsabilidade do SESMT o registro dos acidentes. médico.

3 . Divide-se em duas categorias: Geral (abrange a todos os equipamentos e sistemas) e Especifico (direcionado a determinado equipamento ou sistema). Cada equipe coloca e retira apenas as suas sinalizações e travamentos. PROGRAMA DE CONTROLE DA ENERGIA PERIGOSA. a qual deverá ser facilmente identificada e isolada. 5.2.  Todo profissional que vai trabalhar em circuito desenergizado ou em suas proximidades deve ser instruído a nunca tentar operar um disjuntor ou chave que esteja garantindo a desenergização de um circuito no qual existam pessoas trabalhando. O PCEP . visando que a não repetição da falta.Programa de Controle de Energias Perigosas enfatiza o bloqueio em segurança.  A desenergização e a intervenção no equipamento não devem criar um perigo para os demais trabalhadores. não apenas alertando. travamentos e sinalização industrial adequada. analisando as causas dessa energização.5.  Não é permitido o serviço no equipamento ou sistema ou em suas proximidades até o seu impedimento (travamento) e sinalização. equipotencialização.  O equipamento ou sistema deve ser desenergizado de tal modo que nenhum potencial possa ser liberado em decorrência de energia residual ou armazenada que venha a se apresentar após o desligamento [banco de capacitores se descarrega SOZINHO após alguns minutos].  O impedimento e a sinalização devem ser removidos apenas por quem instalou. sinalização. PROGRAMA GERAL DE CONTROLE DA ENERGIA PERIGOSA. o disjuntor ou chave impedido e sinalizado para prevenir a operação inadvertida destes.4.  Antes de o profissional ser autorizado a intervir no circuito desenergizado ou em suas proximidades. delimitação da área].1.  A existência de mais de uma manutenção no mesmo circuito irá requer o respectivo número de travamentos e sinalizações. mas impedindo física e logicamente os acidentes através da utilização de bloqueios. [só destrava o equipamento quem fez o travamento!]  Apenas ao pessoal qualificado.  O equipamento ou sistema deve ser. completamente desenergizado e desativado pela isolação e pelos procedimentos de impedimento e bloqueio [seccionamento. treinado e autorizado deve ser permitido operar equipamentos elétricos. travamentos.4.  Deve-se verificar se naquela atividade ou empresa já existe algum histórico de energização acidental de equipamentos ou sistemas. REGRAS BÁSICAS DE CONTROLE DE ENERGIA PERIGOSA  O método que assegura maior proteção do pessoal contra os perigos da eletricidade é a desenergização dos condutores do circuito a sofrer intervenção ou do qual se trabalha em suas proximidades. constatação da ausência de tensão. 5.  O equipamento ou sistema deve ser suprido por uma única fonte de energia.  O isolamento do disjuntor ou chave deve estar sob exclusivo controle do empregado ou equipe que instalou o travamento e sinalização de impedimento.4. portanto.

que são posteriormente definidas como Zonas 0.Local onde a atmosfera explosiva em forma de nuvem de pó existe apenas em condições anormais de operação e. Um exemplo de fonte de risco de grau contínuo é o interior de um tanque de armazenamento de inflamáveis do tipo atmosférico. está presente de forma permanente. drenos. não sendo. No mesmo exemplo. Em geral.Local em que a atmosfera explosiva. onde teremos permanentemente a presença da mistura explosiva enquanto houver produto no tanque. Zona 21 .1. existindo. são geradas por fontes de risco de grau secundário). são considerados fontes de risco pela possibilidade de vazamento de produtos para os ambientes onde estão instalados. sendo normalmente geradas por fontes de risco de grau primário. são geradas por fontes de risco de grau contínuo). 1 ou 2. etc. portanto. No mesmo tanque. Zona 2 – Local onde a atmosfera explosiva está presente somente em condições anormais de operação e persiste somente por curtos períodos de tempo. por termos a saída de vapores do produto toda vez que o nível do mesmo aumentar. 5. será somente por curto período de tempo (igual à 2 de gases e vapores. Zona 1 – Local onde a atmosfera explosiva está presente de forma ocasional e em condições normais de operação. O desenvolvimento de um trabalho de classificação de áreas de uma unidade industrial começa com a análise da probabilidade da existência ou aparição de atmosferas explosivas nos diferentes locais da unidade. poderemos ter fontes de risco de grau secundário representadas por flanges [junções de tubulação] (que. são geradas por fontes de risco de grau primário). respiros.5. podem vazar).2. em forma de nuvem de poeira.5. aquelas que geram risco de forma periódica ou ocasional durante condições normais de operação. tais como tampas. por envelhecimento da junta ou desaperto de parafusos.5. As fontes de risco são classificadas em graus. 5. DEFINIÇÕES DE ZONEAMENTO PARA GASES E VAPORES Zona 0 – Local onde a ocorrência de mistura inflamável/explosiva por gases ou vapores é continua ou existe por longos períodos. Equipamentos projetados para uso em áreas explosivas trazem o símbolo abaixo: 4 .Local em que a atmosfera explosiva em forma de nuvem de pó está ocasionalmente presente.5. tomadas de amostras. em condições normais de operação da unidade (igual à 1 de gases e vapores. de acordo com a duração e frequência das atmosferas explosivas geradas por elas. Esta situação representa uma condição anormal. parte dos equipamentos do processo. frequentes nem de longa duração. ÁREAS CLASSIFICADAS. e FONTES DE GRAU SECUNDÁRIO as que geram risco somente em condições anormais de operação e sempre por curtos períodos. por longos períodos ou frequentemente (igual à 0 de gases e vapores. sendo geradas normalmente por fontes de risco de grau secundário. FONTES DE GRAU CONTÍNUO são aquelas fontes que geram risco de forma contínua ou durante longos períodos. válvulas. Local ou ambiente sujeito à probabilidade da formação (ou existência) de uma atmosfera explosiva pela presença normal ou eventual de gases/vapores inflamáveis ou poeiras/fibras combustíveis. uma fonte de risco de grau primário será o respiro dele. Zona 22 . DEFINIÇÕES DE ZONEAMENTO PARA POEIRAS E FIBRAS Zona 20 . FONTES DE GRAU PRIMÁRIO.

gases (o metano. uso de dispositivos de interrupção automática (DR de alta sensibilidade – 30mA). Entretanto. a ela indiretamente ligados. No caso dos serviços em eletricidade os principais riscos adicionais são:  Espaços Confinados: Conforme a NR 33. cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. gerando uma diferença de potencial entre solo e nuvens. A umidade se relaciona a diversos fatores que devem ser considerados na concepção e na execução de das instalações elétricas. deficiência de oxigênio. etc. RISCOS ADICIONAIS. Tempo úmido requer cuidados especiais para que os profissionais mantenham suas condições de isolação e segurança.  Umidade: A água pura é não é boa condutora de eletricidade. por exemplo. Todo projeto elétrico deve levar em conta a umidade que pode ali se fazer presente em determinados momentos. espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua.  Áreas Classificadas: local ou ambiente sujeito à probabilidade da formação (ou existência) de uma atmosfera explosiva pela presença normal ou eventual de gases/vapores inflamáveis ou poeiras/fibras combustíveis.6. que vai. dos lagos ou da chuva carrega sais que a tornam condutora de eletricidade. Isto reforça a necessidade da equipotencialização dos condutores e do aterramento temporário. é um gás explosivo).  Estar treinado e orientado acerca do dos riscos envolvidos.  Condições Atmosféricas: O atrito de partículas acarreta numa separação de cargas elétricas. 5 . que possua meios limitados de entrada e saída. [Antes de se entrar num espaço confinado deve-se avaliar: a presença de animais vivos ou mortos. na natureza não encontramos água pura.  Estar em perfeitas condições psicológicas. Uma descarga que acontece distante do local onde o profissional está trabalhando pode atingir a rede e através desta atingir o ponto onde está o profissional. Chega um momento em que a rigidez dielétrica do ar se rompe e ocorre o fenômeno da descarga atmosférica.]  Desnivelamento (altura): Em serviços realizados em locais cujo desnível em relação ao solo seja superior a 2m é obrigatório o uso de EPIs.5. A chuva é condição impeditiva para o trabalho com rede energizada. Para realizar trabalhos em altura o trabalhador deve:  Possuir os exames específicos da função (Atestado de Saúde Ocupacional). Por exemplo. A água dos rios. gradativamente. Trabalho em altura é qualquer atividade onde o trabalhador atue acima do nível do solo ou desníveis de piso. Toda atividade profissional possui seus riscos implícitos e outros.