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ALGUNS SINAIS HEBRAICOS IMPORTANTES

Por Jones F. Mendonça
Professor de hebraico bíblico
Seminário Teológico Batista Carioca

1. Acentos disjuntivos fortes

No nosso idioma há uma série de sinais que indicam que deve ser feita uma pausa na leitura
do texto (p. ex. vírgula, ponto, dois pontos, etc.). No hebraico a indicação de pausa é feita
pelos sinais disjuntivos fortes. Há 21 sinais disjuntivos no texto massorético
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, mas os
principais são o atnah (marca o fim da primeira metade do versículo) e o siluq (colocado
abaixo da sílaba tônica da última palavra do versículo). Abaixo os dois acentos empregados
nas palavras hebraicas ’elohim (Deus) e ha’aretz (a terra) em Gn 1,1:


Palavras marcadas com um atnah ou siluq são consideradas “em pausa”. As sílabas marcadas
com esses acentos poderão ter suas vogais alongadas. Observe os dois acentos no texto de
Gn 1,1:



·¦·s¬ -s· :·: :¬ -s :·¬· s s·: -·: s·:




 Tradução: No princípio criou Deus [‘atnah] os céus e a terra.


O ‘atnah também pode funcionar como dois pontos:

··:.s :¬ ·: s ::. ·: s·· Gn 24,34

 Tradução: E disse: [‘atnah] sou servo de Abraão

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Cf. COWLEY, A. E. (edit). Gesenius' hebrew grammar. Oxford University Press, 1909.
Nome Siluq ‘atnah
Representação ɪ ^
Exemplo
¦·s¬ :·¬· s
O siluq marca a sílaba tônica da última
palavra do versículo. Sílabas acentuadas
com um siluq pedem uma vogal longa.
siluq
‘atnah
1 2
1
2
1 2
1 2
S
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O ‘atnah aparece uma única vez no
versículo, dividindo-o em duas
unidades sintáticas.

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2. O maqqef

Na língua portuguesa, quando desejamos unir dois substantivos para designar um só objeto
(p. ex. pedra-pomes) ou fazemos uso de prefixos (p. ex. pré-sal), empregamos o hífen. O
hífen é um sinal gráfico que indica a existência de uma estreita ligação entre duas ou mais
palavras. No hebraico existe um sinal que desempenha uma função semelhante: o maqqef.
Como o nosso hífen, ele dá unidade de fala a duas palavras diferentes.


Gn 2,3

I¦RI¦A¥y¢D MI¦D«Lª@ `£X¡A¥I¢ E
vayivarekh elohim hasheviy‘iy

Uma particularidade importante do maqqef é que ele abrevia a vogal longa (mas nunca a
invariavelmente longa) da palavra que o precede. No exemplo acima a partícula do objeto
direto que no dicionário aparece assim: Z¤ @ (álef com tsere e tav), teve seu tsere abreviado,
por isso aparece no texto assim: Z£ @ (álef com segol e tav). Conhecer esta regra é
importante na hora de consultar no dicionário uma palavra modificada pela ação do maqqef.

Outro exemplo muito comum ocorre quando a palavra L«m (tudo, todo), aparece antes do
maqqef. Sua forma original será modificada e ela aparecerá assim: L¡m (o holem torna-se
qamets-hatuf, uma vogal classe “o” breve). Abaixo um exemplo:


Gn 1,29

¦.¬ ·: -s · ¦·s ¬ ·:

Toda a terra e toda a árvore


Na maioria das vezes o maqqef aparece após palavras monossilábicas, tais como as listadas
abaixo:

1) L£@ - para 5) @«L - não 9) X¢R – até 2) M¦@ - se
6) D¡N – quê? 10) L¢R – sobre 3) M¢e – também 7) I¦N – quem?
11) M¦R – com 4) L«m – todo 8) O¦N – de 12) O£s – para que não



Lido como ’etyom.
No dicionário
hebraico português
ela aparecerá na
sua forma original:

L«m
Antes do maqqef,
esta palavra
aparecerá como no
texto:

L¡m

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3. O mappiq

Caso você tenha acompanhado atentamente as primeiras lições saberá que as consoantes
guturais não recebem daguesh. Mas então o que faz este ponto dentro do “he” no texto
abaixo?

g¡m¥L¢N ]GI¦XI¦L ¡ZI¦ \¡R X£[©@¢m Js 8,2

 Tradução: Como fizeste a Jericó e a seu rei.

O que você vê dentro do “he” não é um daguesh, mas um mappiq. Ele faz com que o D seja
vocalizado como se fosse uma gutural forte (G e R). No texto acima ele serve para
indicar o pronome possessivo da terceira pessoa do singular feminino (“seu rei”, ou seja, rei
de Jericó, um substantivo feminino). Os pronomes possessivos serão estudados mais
adiante, por hora o importante é saber diferenciar um mappiq de um daguesh.

Para que você compreenda melhor a função do mappiq, compare as duas palavras hebraicas
abaixo. Uma está sinalizada com mappiq e a outra não. Veja como possuem significados
diferentes:


m¥L¢N (seu rei ou rei dela) m¥L¢N (rainha)
4. O méteg

Apesar do meteg e do siluq serem graficamente iguais é possível distingui-los facilmente. O
primeiro, um acento retórico, pode aparecer em qualquer palavra do versículo. O segundo,
um acento gramático, apenas na sílaba tônica da última palavra do versículo. Dentre as
várias funções que o méteg exerce, a mais importante é diferenciar uma vogal longa de uma
breve. Essa diferenciação se torna importante na distinção entre um qamets gadol (¡ ), som
de “a”, e um gamets-hatuf (¡ ), som de “o”, que são graficamente iguais.

A presença do méteg indica que a vogal é longa (som de “a”) e que o shva é vocálico:

¬·:s - (’akhlah – ela comeu, consumiu).
A ausência do méteg indica que a vogal é breve (som de “o”) e que o shva é mudo:

¬: :: - (hokhmah – sabedoria)
g¡m Indica o pronome
possessivo da 3ª p. sing. fem.
D¡m Indica um substantivo
feminino.
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Abaixo você pode observar as duas palavras no texto hebraico:


¬: :: :·· ··-s~: ·: s Ex 28,3

 Tradução: a quem enchi do espírito de sabedoria.

ba'ê Am r[" å ‘hl'k.a' ( Nm 21,28

 Tradução: consumiu Ar, de Moabe.


5. O sof passuq

Representado por dois pontos dispostos verticalmente, indica o fim de um versículo ou
oração. Equivale ao ponto final em outros idiomas.

:U£X¡@¡D Z¤@¥E M¦I¢N¡y¢D Z¤@ MI¦D«Lª@ @¡X¡d ZI¦[@¤X¥d Gn 1,1


6. O patah furtivo

Quando as guturais fortes R , G e g estiverem no fim de uma palavra e forem
precedidas por uma vogal longa invariável que não seja da classe “a”, um patah (conhecido
como patah furtivo) é inserido entre a vogal longa e a gutural. O patah furtivo é pronunciado
rapidamente e geralmente é representado por um “a” elevado (
a
).

Exemplos:
GhX¥E- v
e
ru
a
H (Gn 1,2) RI¦W¡X - raqiy
a
‘ (Gn 1,6)




7. O daguesh forte

Como já vimos as letras BeGaD KePaT (B, G, D, K, P, T) levam um daguesh (daguesh
lene) quando iniciam sílaba e não são precedidas de vogal. Isso acontece quando iniciam
uma palavra ou aparecem depois de um shva mudo no meio de uma palavra. Mas além do
daguesh lene existe o daguesh forte, que pode aparecer nas demais consoantes do alfabeto
Sem méteg,
som de “o” =
“hokhmah”.
Com méteg,
som de “a” =
“’akhlah”.
Observe que o patah furtivo fica um pouco mais à direita que
um patah comum. Ele é considerado uma semivogal.
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hebraico, exceto nas guturais, que o rejeitam. Há duas regras básicas para identificar um
daguesh forte:

a) Quando o daguesh aparece numa consoante que não seja uma BeGaD KePaT.
Observe que o daguesh forte reduplica a consoante (na transliteração ela aparece
dobrada):
Exemplo: I¢f¢[ L¤@ (transliteração: ’el shaDDay, Gn 35,11)
b) Quando o daguesh aparece numa BeGaD KePaT precedida de vogal.
]d¦L - seu coração (liBBo, Gn 6,5)