You are on page 1of 13

FILOSOFIA

O conhecimento. Tradicionalmente, o conhecimento implicava a dicotomia da relação sujeitoobjeto, em que o homem, como cognoscente, é algo dentro de um ambiente que ele confronta. Para Heidegger, esta relação deve ser transposta. O Saber mais profundo, ao contrário, é matéria do phainesthai (grego: "mostrar-se" ou "estar na luz"), a palavra da qual fenomenologia, como um método, é derivada. Algo está exatamente "lá" na luz. Assim, neste conhecimento profundo, a distinção entre o sujeito e o objeto não é imediata mas vem somente depois com a conceitualização, como nas ciências. Então o homem existe segundo certos fenômenos, que são os modos como ele está lá, na luz (Dasein, o "o ser" em alemão é, etimologicamente, a palavra da, que significa "lá" com a palavra sein, que significa "estar")

Terminologia. Heidegger evita termos das ciências sociais ou da psicologia tanto quanto possível, em favor de uma terminologia ontológica. Viu-se então na necessidade de criar uma terminologia nova, palavras novas para exprimir seu pensamento. Foi criticado por desenvolver seu próprio alemão, seu próprio grego, e seu próprio tipo de etimologias. Inventa, por exemplo, aproximadamente 100 palavras complexas novas que terminam com "- sendo." Ao ler seus trabalhos se deve, assim, traduzir muitos de seus termos chaves de volta em palavras gregas a fim de entender suas interpretações e etimologias. Isto faz um risco que, ao "interpretar" a filosofia de Heidegger, alguém esteja na verdade, criando, pelo menos em parte, "uma filosofia de Heidegger"

Os existenciais. Heidegger divide a existência em três "estruturas existenciais": afetividade, fala e entendimento. São três fenômenos existenciais que caracterizam como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestem para o homem e a unidade desses três fenômenos constitui a estrutura temporal que faz a existência inteligível, compreensível..

1) a afetividade: as coisas do passado chegam ao homem como valores, afetando-lhe os sentimentos, que podem ser públicos, compartilhados, e transmissíveis.

2) a fala: no presente, as coisas se traduzem em palavras da linguagem na articulação dos seus significados

3) o entendimento: as coisas do futuro, onde o projeto que define o homem encontrará a morte, são as coisas não garantidas, que lhe são devolvidas para gerar nele o sentimento de que não está em casa neste mundo, mesmo estando entre as coisas que lhe são mais familiares.

" sem interesse ou capacidade de maravilhar. afundando em um "nada e em nenhum lugar. o qual o homem não pode controlar e onde esse projeto será sempre incompleto. A característica do das Man é a conversa inócua (Gerede) e curiosidade (Neugier). conduz a superficialidade. Não é então ninguém em particular. e uma estrutura que Heidegger chama das Man ("o eles ") é revelada. Na angústia. No Gerede. nestes três fenômenos. até o fim. . diz Heidegger em "O ser e o tempo". Enfrenta o vazio. O homem encobre aqueles condicionantes existenciais. como uma tendência da alienação de si mesmo que leva o homem à tendência de se conhecer apenas através da comparação que faz de si mesmo com os outros indivíduos seus pares. O homem vive. e em nenhuma parte se acha em casa (Un-heimlichkeit. Sendo algo jogado em meio às coisas. Na angústia. em um mundo no qual ele foi jogado. A "existência" é uma suspensão temporária entre o nascimento e a morte O projeto de vida do homem tem origem no seu passado (em suas experiências) e continuam para o futuro." uma necessidade para algo "diferente. É continuamente um projeto (ent-wurf).existe -. é experimentada então como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte (das Freisein für den Tod). e toda a "rotinidade" . Ela enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo. Mas uma coisa pode acontecer que desperta o homem dessa alienação. constitui algo à parte (Verfall) mas está no ponto de ser submergido nas coisas. mas não obstante não sendo nada. nestes três "existenciais". mas ocasionalmente. limitado pela morte que não pode evitar. Porém. Un-zuhause).Portanto. a relevância do tempo. A alienação. estando-lá (Da-sein). A angústia funciona para revelar o ser autêntico. todas as coisas. a "nenhum-coisa-idade" (das Nichts). da finitude da existência humana. uma necessidade para o "novo. ou mesmo normalmente. o ser está relacionado ao tempo e está dado. no homem. à parte delas. entregando-se a uma rotina de superficialidades "públicas" na vida cotidiana. o que. todas as entidades (Seiendes) em que o homem estava mergulhado se afastam.. Ela resulta da falta de base da existência humana. A angústia. portanto. e a liberdade (Frei-sein) como uma potencialidade. A curiosidade é uma forma de distração. um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte (Sein zum Tode). a angústia (Angst).. pode ser submergido nas coisas a tal ponto que é absorvido nelas temporariamente (Aufgehen in). o que fala e o ouvinte não estão em nenhuma relação pessoal genuína ou em qualquer relação intima com aquilo sobre o que falam. nunca sendo completamente absorvido por elas." e o homem então em meio às coisas paira isolado. O homem está fora das coisas. aquilo que ele de fato é -.

do contrário caímos no sem-sentido. Embora esse pensador alemão seja sistemático. Por isso. e todos seus escritos. porém muito questionado por estar preocupado com uma . porque é esta projeção para o advir e o golpe da devolução no embate com a morte que lá está que o leva a pensar e à autoconscientização. exigem uma constante atenção no sentido de desvelar os termos que Heidegger utilizou – foi também um grande inventor da linguagem. Entre as estruturas reveladas estão as potencialidades do homem para ser alegremente ativo (". Para Essa visão existencial do homem.e isto é bom. não mais um ente sem raízes. Ser e Tempo de Heidegger: pontuações Tão poucos filósofos são possíveis de se deparar como sendo de tão difícil compreensão como Heidegger. Assim. A ansiedade abre o homem para o ser. É ao lado de Sartre um dos maiores filósofos do existencialismo moderno. conhecer a alegria [die wissende Heiterkeit] é uma porta para o eterno"). com influências sobretudo de Hölderlin. da angústia. dos três existenciais. O homem pode então introduzir esse conhecimento existencial no projeto de sua vida. os termos encontrados em sua complexa obra capital. o Ser é associado com a " luz " e com " a alegria " (das Heitere). uma vez que então encontra a potencialidade de ser de modo autêntico. Isto não quer dizer que o Ser participa do lado negro do desespero. Boss e Ronald Laing. 2001]).desaparece -. o poeta que ao seu ver exercia a comunicação mais íntima com o ser -. tornando-se autêntico. Ser e Tempo (o próprio Heidegger definia como confusa [Safranski. Heidegger privilegia o futuro.. surgindo ai proeminentes terapeutas existencialistas como Binswanger. e assim se apropriar da existência fazendo-a efetivamente sua. em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos tornou-se sedutora para a psiquiatria. têm importância metodológica: certos fundamentos são revelados. Pensar o ser é chegar ao verdadeiro lar. a angustia "sóbria" (nüchtern) e a confrontação implicada com morte são para Heidegger primeiramente ferramentas.

Diante da impossibilidade de um conhecimento do Ser como objeto. mas aquilo que ele pode ser. mas um “existencial” que fundamenta e cria o conhecimento. atravessa. contudo. a meu ver. sem descaracterizá-las. congelada. Nesse sentido. . O dasein não pode ser apreendido como essência. estática. Lembrando que o próprio Heidegger recusava o termo existencialista para si. com determinados princípios característicos. Assim. revelamse as múltiplas possibilidades do pensamento heideggeriano enquanto contribuições fundamentais para o existencialismo. Mas é lógico que o dasein não é mais do que um modo de ser. é sem dúvidas um grande nome que também permite a apreensão do homem singular. seu ser. uma estado de “espírito” que se percebe como existente em sua facticidade. o Dasein. embora tenha o realce pautado no sentido ontológico do Ser. literalmente. portanto. é na compreensão. A questão fundamental é saber usar as determinadas contribuições de Heidegger. Para o serno-mundo. e que a sua vasta obra é fonte inesgotável para estudos. pois nele reside a existência e existir é estar aí. necessariamente. não pode ser constituído como isolado senão como ser- no-mundo que já é o seu próprio aí. onde aí. Aqui está presente um conceito que Heidegger chama de projeto (não enquanto um planejamento de se ser!). os demais entes são ônticos. O homem não é um ente. possui caráter aberto. não é uma coisa aí. os caracteres ônticos. mas no sentido de “estar diante de [alguma coisa]“. em seu ser está em jogo o seu próprio ser. Sua abertura não significa conhecimento. Podemos buscar uma “compreensão existencial”. mas nunca um fechamento do dasein como sendo algo da ordem do é. há 3 elementos fundamentais: a) situação original: o sentimento. o que apresento abaixo é um breviário do conceito central de Heidegger. Heidegger cria o conceito de dasein para buscar apreender o “ente”. Sua obra. lançado no mundo com todos os seus possíveis e impossíveis. é ontológico como sendo um ente para o qual. O dasein já está no mundo. e não simplesmente recusá-las somente porque podem apresentar pressupostos que soam contrários a um determinado modo de pensamento – fadado ao fracasso se a hermenêutica for um dos princípios desse “modo” de pensar. o ser. que diz respeito à forma existenciária de poder-ser. nas múltiplas interpretações que reside o dasein como nunca sendo algo dado para sempre. o que descaracterizaria a corrente filosófica dos existentes singulares. Chama-se abandono esse fato de estar lançado no mundo: jogado e abandonado no mundo para existir – o que não significa que o foi jogado por uma entidade divina para poder existir b) compreensão: não enquanto conhecimento.ontologia do Ser. de estar aí. mas o dasein só pode ser o “meu” quando penso em compreendê-lo.

R. É na angústia que o dasein se revela como uma facticidade em seu ser-no-mundo. creio que talvez possa ser útil para aqueles que se interessam pelos pensamentos de um dos espíritos mais férteis da modernidade e diferenciado na história da filosofia. Ed. Esses elementos aqui colocados foram os que utilizei como primeiras reflexões antes de partir para a obra do próprio Heidegger. Em torno desse conceito está presente uma série de elementos a ser conhecidos como características do dasein. etc. mas não somente. que não aborda outros elementos centrais na obra de Heidegger que são o tempo e a morte (o dasein é também ser-para-a- morte). pois não se encontra em lugar algum. sua fonte é o mundo como tal. A discursividade diz respeito à linguagem. Como não estando em parte alguma. a angústia é a própria possibilidade-de-ser-no-mundo. que diz respeito ao dasein estar sempre transcendendo a si mesmo. A angústia não é medo. Ela é a articulação do ser-no-mundo com a sua inteligibilidade de ser. O dasein se revela na angústia.: Geração Editorial. tais como todo o seu fazer. Com muitas ressalvas do caráter resumido do exposto acima. Outro elemento que utilizo como “fechamento” para esse resumo inicial é o de cuidado.c) discursividade: Heidegger foi um grande estudioso da linguagem. desejar. “O homem habita a linguagem”. diante da complexidade do assunto. na medida em que nunca se fixará em um é como sendo algo pronto e acabado. não ficará preso a um só resumo. que estou longe de ser um profundo conhecedor. A angústia na obra de Heidegger é ontológica. a enciclopédia livre. Safranski. não está em um objeto embora eu possa nomear ou representar algo como sendo uma fonte de angústia. explicar. teorizar. . Heidegger: um mestre da Alemanha entre o bem e o mal. 2001. Hannah Arendt Origem: Wikipédia. Certamente que o leitor interessado.

uma das mais influentes [1] do século XX. o que lhe tornou apátrida até conseguir a nacionalidade estadunidense em 1951. entre outras atividades. em grande parte devido a suas discussões críticas de filósofos como Sócrates. Entretanto.Estados Unidos. 14 de outubro de 1906 – Nova Iorque. a teoria do totalitarismo (Theorie der totalen Herrschaft). Esses textos são interpretados de forma literal e confrontados com o pensamento de Arendt. Seu sistema de análise . nascida como Johanna Arendt. Martin Heidegger e Karl Jaspers. preferia que suas publicações fossem classificadas dentro da "teoria política". rechaçava ser classificada como "filósofa" e também se distanciava do termo "filosofia política". o potencial de uma liberdade e igualdade política seria gerado entre as pessoas. O regime nacional-socialista retirou a nacionalidade dela em 1937.a converte em uma pensadora original situada entre diferentes campos de . Immanuel Kant.Hannah Arendt em uma ilustração de Aretz para o selo da série Mulheres da História Alemã. além de representantes importantes da filosofia moderna como Maquiavel eMontesquieu. ela continua sendo estudada como filósofa. Importante é a perspectiva da inclusão do Outro. Graças ao pluralismo. devem trabalhar em níveis práticos pessoas adequadas e dispostas.parcialmente influenciado por Heidegger . fizeram-na decidir emigrar. políticos e históricos. hoje bairro de Hanôver. 4 de dezembro de 1975) foi uma filósofa política alemã de origem judaica. Hannah Arendt. Contudo. (Linden-Limmer. Trabalhou. assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano. Platão. Justamente graças ao seu pensamento independente. como jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre filosofia política.Aristóteles. Em acordos políticos. Arendt se situava de forma crítica ante a democracia representativae preferia um sistema de conselhos ou formas de democracia direta. Arendt defendia um conceito de "pluralismo" no âmbito político. além de documentos filosóficos. Como fontes de suas investigações Arendt usa. convênios e leis. Alemanha. Como frutos desses pensamentos. Arendt tem um papel central nos debates contemporâneos. seus trabalhos sobre filosofia existencial e sua reivindicação da discussão política livre. A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933. biografias e obras literárias.

foi educada de forma bastante liberal por sua mãe. quando Hannah tinha somente três [2] anos. R. mas sempre se considerou judia. Não pertencia a nenhuma comunidade religiosa. p. naPrússia (a cidade atual russa de Kaliningrado). Através de seus avós. Safranski afirma porém que Arendt havia lido a obra citada de Kant aos dezessete (cf. Johanna Arendt nasceu em 1906 no seio de uma família de judeus secularizados. Nos círculos intelectuais de Königsberg nos quais se criou. Índice [esconder]  1 Vida e obra o o     1. 170). já havia lido a Crítica da razão pura de Kant Na biografia de Heidegger. Tusquets. sua mãe Martha (de nome de solteira Cohn) e ela.1 Infância e juventude 1. Aos quatorze anos. inclusive participando do movimento sionista. Depois da morte de seu pai. o engenheiro Paul Arendt. atualKaliningrado. 1997 {ISBN 84-8310-032-0}. Prússia. Um mestre da Alemanha. Martin Heidegger e o seu tempo. que sofria de sífilis.conhecimento e especialidades universitárias. perto de Hanôver. que tinha tendências social-democratas. Seus antepassados vieram de Königsberg. conheceu o judaísmo reformado. a educação das meninas era algo que certamente ocorria.2 Estudos 2 Livros 3 Referências 4 Bibliografia 5 Ligações externas [editar]Vida e obra e juventude [editar]Infância A Königsberg. Barcelona.</ref> e a Psicologia das concepções do [3] . O seu devenir pessoal e o de seu pensamento mostram um importante grau de coincidência. para onde voltaram seu pai. em 1913.

Ela também estudou filosofia na universidade de Heidelberg e se formou em 1928 sob a tutoria de Karl Jaspers. diretor e porta-voz do movimento sionista alemão. De volta a Königsberg em 1924. e Arendt. Hannah Arendt [7] agradeceu-lhe em uma carta de 1951 o seu próprio entendimento da situação dos judeus. indo para a universidade Albert Ludwig deFreiburg. além de c grego. e com seus amigos de Königsberg. Trabalhou nos Estados Unidos em diversas editoras e organizações judaicas. a que pertenceram Karl Frankenstein. a educação. foi [4] aprovada no exame de maturidade (Abitur). a autoridade. o operário e "marxista crítico" Heinrich Blutcher. a condição laboral. e Erwin Loewenson. foram amantes. e as de teologia protestante de Rudolf Bultmann. [editar]Livros O primeiro livro "As origens do totalitarismo" (1951) consolida o seu prestígio como uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. [editar]Estudos Em 1924. pai de família de 35 anos. com a tese O conceito de amor em Santo Agostinho. com a ajuda do jornalista americano Varian Fry. ampliou seu círculo de amigos. que em 1928 apresentou uma dissertação históricofilosófica. Em 1963 é contratada como professora da Universidade de Chicago onde ensina até 1967. No começo de 1926. Foi presa (uma segunda vez) na França conjuntamente com o marido. o totalitarismo. como Hans Jonas. mantinha amizade apenas com outros alunos. ano em que se muda para Nova York e passa a lecionar na New School of Social Research. estudante dezessete anos mais jovem que ele. Sua amizade com Kurt Blumenfeld.mundo de Jaspers. O seu crescente envolvimento com o sionismo levá-la-ia a colidir com o antisemitismo do Terceiro Reich . Aos 17 anos teve de abandonar a escola por problemas disciplinares. O trabalho filosófico de Hannah Arendt abarca temas como a política. seguramente. Em Heidelberg. um ensaísta expressionista. cujos estudos tratavam a chamada questão judaica e a assimilação cultural também foi importante. que lhe havia recomendado Jaspers. seguidor de Jung. à prisão. onde trabalhou pelos 6 anos seguintes com crianças judias expatriadas e conheceu e tornou-se amiga do crítico literário e filósofo marxista Walter Benjamin. Arendt assemelha de forma polémica . e acabaria em 1941 por partir para os Estados Unidos. tendo escrito para o "Weekly Aufba". ela não aguentava mais a situação e decidir trocar de universidade. Em 1933 (ano da tomada do poder de Hitler) Arendt foi proibida de escrever uma segunda dissertação que lhe daria o acesso ao ensino nas universidades alemãs por causa da sua condição de judia. Outro círculo de amigos se abriu graças a sua amizade com Benno von Wiese e seus estudos com Friedrich Gundolf.o que a conduziria. Erich Neumann. sem haver concluído sua formação. Heidegger. Conseguiu escapar da Alemanha e passou por Praga e Genebra antes de se mudar para Paris. A amizade com Jaspers duraria até a morte do filósofo. onde. teve aulas de teologia cristã e estudou pela primeira vez a obra de Søren Kierkegaard. instituição onde se manterá até à sua morte em 1975. indo então sozinha a Berlim. a violência. ainda que tivessem de manter em segredo a relação por causa das [5][6] aparências. Arendt havia levado uma vida muito recatada em Marburg como consequência do segredo de sua relação com Heidegger. Jonas também se mudou para Heidelberg e realizou alguns trabalhos sobre Santo Agostinho. começou seus estudos na universidade de Marburg e durante um ano assistiu às aulas de filosofia de Martin Heidegger e de Nicolai Hartmann. para aprender com Edmund Husserl. e a condição de mulher.

Ainda. Do relacionamento secreto entre ambos ao longo de décadas (inclusive no exílio nos Estados Unidos) seria publicado um livro marcante. mostrando o que têm de comum e de diferente. Hannah Arendt alerta: condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. 1925-1975. “A condição humana” de Hannah Arendt Ao começar sua obra. sem capacidade de separar o bem do mal. Lembraria os seus concidadãos americanos (entretanto adquiriria a nacionalidade americana) que se se distanciassem dos ideais que tinham inspirado a revolução americana perderiam o seu sentido de pertencer e identidade. A condição humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo para sobreviver. Arendt apontara. e mostra como a via totalitária depende da banalização do terror. e examina a revolução francesa e a revolução americana. Sendo assim. pessoalmente. Arendt regressaria depois à Alemanha e manteria contato com o seu antigo mentor Martin Heidegger. e defendendo que a preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens. São condições que tendem a suprir a existência do homem. dirigida à conquista da liberdade. Nova Iorque. isto é. Publica depois "Sobre a Revolução" (1963).onazismo e o socialismo. até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de outros tornam-se condicionados pelo próprio movimento de condicionar. “A condição humana”. do acriticismo face à mensagem do poder. com zelo. e está sepultada em Bard College. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda tendo alcançado o poder por terem explorado a solidão organizada das massas. Nesse sentido todos os homens são condicionados. Martin Heidegger. Envolver-se-ia. EUA. que se encontrava afastado do ensino. Hannah Arendt. Esta perspectiva valer-lhe-ia a crítica virulenta das organizações judaicas que a considerariam falsa e abjurariam a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. dadas as suas simpatias nazis. somos condicionados por duas maneiras: . ou de ter mesmo contrição. da manipulação das massas. a tortura e a própria prática do mal. depois da libertação da Alemanha. Sete anos depois publica "A condição humana" e enfatiza a importância da política como acção e como processo. Nesse livro impressionante revela que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade (como o criam os activistas judeus) mas alguëm terrível e horrivelmente normal. para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se compadece com o sofrimento. Annandale-on-Hudson. na reabilitação do filósofo alemão. para a complexidade da natureza humana. o que lhe valeria novas críticas das associações judaicas americanas. com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard. escreveria "Eichmann em Jerusalém" a partir da cobertura jornalística que faria do julgamento do exterminador dos judeus e arquitecto da Solução Final para a The New Yorker. com uma explicação compreensiva da sociedade mas também da vida individual. como ideologias totalitárias. "Lettres et autres documents". talvez o seu maior tributo para o pensamento liberal contemporâneo. As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o homem é parte. em 1963. Hannah Arendt faleceu em 1975. apenas.

na era moderna a escravidão é um meio de baratear a mão-de-obra.salva o homem de sua própria animalidade. da espécie humana. o trabalho não é a essência do homem. ou seja. Um animal necessário para à formação de “homens”. reflexiva: uma vida sem compromisso com fins pragmáticos. fazer sexo. Portanto. dentro dessa lógica só é homem aquele que tem tempo para pensar. no sentido dado pelos gregos antigos. 2.ainda que sedo-. é destituído do conceito grego de homem. É justamente nessa visão de mundo grega que os escravos não são considerados homens. Para os antigos. e vulgariza a dignidade humana. a cultura. os filósofos. A qualidade da ação supõe seu caráter social ou como escreve Hannah. Agora qualquer indivíduo pode. sem ajuda. sistematiza. a condição humana em três aspectos:    Labor Trabalho Ação O “labor” é processo biológico necessário para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana. Tanto ação. a temperança. contemplar. a família. no cristianismo ela é destinada . são os elementos externos do condicionamento.. em suma os aspectos internos do condicionamento. Na antiguidade a escravidão é um meio de permitir que alguns. labor e trabalho estão relacionados com o conceito de “Vita Activa”.os próprios filósofos da época . Por último a “ação”. o trabalho não é intrínseco. por exemplo. tivessem o controle do corpo. Por isso dizemos que assim como outros animais o homem é um animal doméstico. a escravidão. inquietude. O homem quando nasce precisa de cuidados. os amigos. constitutivo. Qualquer criança recém nascida abandonada no mato morrerá em questão de horas. Para os gregos. dormir. É pertinente dizer. então. O “trabalho” é atividade de transformar coisas naturais em coisas artificias. é um animal. conseguir maior lucro. armários. desassossego. refletir. O escravo ao ocupar a maior parte de seu tempo em tarefas que visam somente à sobrevivência de si e de outros. Pelo contexto histórico que vivemos. A mesma coisa não acontece com aqueles animais que ao nascer já conseguem sobreviver por conta própria. sua natureza é eminentemente social. e não lhe prende às tarefas pragmáticas. em outras palavras. ¾ do dia para si é um escravo. porque precisa aprender e apreender para sobreviver.1. só é capaz de tornar-se homem quando se distancia da “vida activa” e se aproxima da vida reflexiva. O trabalho não é ontológico como imaginado por Marx. precisa aprender e apreender. objetos em geral. É muito importante salientar que a escravidão da Grécia antiga é bem diferente da escravidão dos tempos modernos. do ponto de vista de quem se beneficia dela. O trabalho é uma atividade que o homem impôs à sua própria espécie. nossos sentimentos. para sobreviver. Enquanto na Grécia antiga a vida contemplativa era destinada aos filósofos. ele não é homem. e deve viver. A base disso encontramos em Sócrates: se é apenas para comer. desmasiado humano”que. sua pluralidade. aquele que não reserva. Pelos nossos próprios atos. retiramos madeira da árvore para construir casas. e assim. uma vida contemplativa. camas. mas por outro lado ele não deixa de ser humano. . por exemplos. Hannah Arendt organiza. que o homem existe. A dignidade humana só é conquistada através da vida contemplativa. A religião cristã toma emprestado a concepção de mundo grega. Nietzsche afirma em seu “Humano. das necessidades biológicas. O homem. a “Vita Activa” é ocupação. é o resultado de um processo cultural. Pois. para a autora. aquilo que pensamos. A ação é a necessidade do homem em viver entre seus semelhantes. Pois assim era visto o escravo: um animal. contemplativa. pelo menos.

Necessário para quem? Para todos. ele. os objetos de uso são para o mundo do homem”. daí nasceu o trabalho intelectual em contraposição ao trabalho manual. Marx consegue formar o conceito de “valor de troca”. visto que durante a digestão o pão é transformado em energia do corpo. eclodiu das mãos dos fisiocratas. é um conceito comum de sua época: trabalho é trabalho produtivo. “O que os bens de consumo são para a vida humana. até mesmo aqueles que são fisicamente mais fracos. que cria. Portanto. como muito. Arendt) Arendt dá alguns exemplos que nos pode ajudar entender o conceito de labor. Assim. o tempo social? Portanto. pressupõe que todos devem ter a mesma força de trabalho. Se o tempo médio da produção de um sapato é 6 horas. Marx pensava que todos devem ter a capacidade de produzir um mesmo objeto num tanto “x” de horas. É obvio que uma criança não tem a mesma força de trabalho de um adulto. ela diz que o conceito de trabalho usado por Marx. isto é. A escolha de Marx pelo uso do termo trabalho como trabalho que produz. Tanto um como outro. tudo deve ser transformado em mercadoria. Como a intenção da autora é mostrar a fraqueza do pensamento de Karl Marx. O intelectual precisa das mãos para escrever seu pensamento. O trabalho é força gasta para produzir a mesa. Com o avanço do processo de industrialização haveria de designar algum nome para todo aquele trabalho que não estava ligado ao trabalho industrial. ( 101. faz uso das mãos.(Arendt) O bem de consumo é o pão e o objeto de uso é a mesa. a força de trabalho é aquilo que Hannah Arendt entende por “labor”. E é isso que será exigido pelos proprietários dos meios de produção. o segundo é necessário aos relacionamentos humanos. que gera. Nesse sentido o trabalho intelectual também é trabalho manual. Segundo a autora esse conceito de trabalho produtivo. Em suma. Qual é a diferença entre um pão e uma mesa? A mesa pode durar anos e o pão dura. a força de trabalho não acaba quando o produto termina de ser produzido. “O labor não deixa atrás de si vestígio permanente”. sem falar nas diferenças mais minuciosas. trabalho que produz objetos. Mesa: objeto material produzido para o uso cotidiano e ocupa lugar no espaço. É dessa forma que o trabalho intelectual é integrado dentro do conceito “trabalho” da revolução industrial. nem o deficiente físico terá a mesma força. O labor é a força dispendida para produzir o pão.a todos. dois dias. Essa é única forma que o cristianismo encontra para convencer os homens a rezar. Pão: elemento material produzido para à sobrevivência de seres vivos e não ocupa lugar no espaço. O primeiro permite a vida. todos os trabalhadores devem se adequar. Qual é o caráter objetivo implícito do conceito “força de trabalho” em Marx? Compreende que todos tem a mesma força de trabalho. e desconsidera as diferenças subjetivas. estava em moda na época. tempo de trabalho necessário dispendido para produzir um objeto. o valor de troca tem a última palavra. Marx não explica como ele consegue calcular o tempo médio abstrato. quando colocados em prática. Em suma. só cessa com a morte. matéria. A força de trabalho é aquilo que o homem possui por natureza. A ideologia que atravessa os tempos modernos é a seguinte: Qualquer coisa que se faça tem que ser necessariamente produtivo. o homem se torna . Hannah Arendt identifica três forma dicotômicas de trabalho:    improdutivo e produtivo qualificado e não qualificado intelectual e manual. ou seja. Diferente do produto.

é produzido para atender ao tipo de objeto desejado. Daí encontramos a justificativa do nome do livro: “A condição humana”. Estamos num ponto delicado do nosso trabalho. A palavra trabalho é um termo. irá trabalhar. Se acrescentamos o valor de troca. é importante entender isso. Mas não podemos esquecer que o nosso fim neste trabalho é perscrutar alguns aspectos e vertentes que o trabalho tem na obra da escritora alemã. isto é. temos a distinção entre objeto e instrumento. Uma vez acabada a produção do automóvel. sabe para que será usado.”(Arendt. como entender uma realidade que tem como pedra de toque o que chamamos trabalho? Para que o mundo dê curso à vida é preciso transformar o abstrato em matéria. O homem imagina e depois faz. na segunda. Um ponto que é ignorado por grande parte de estudiosos das ciências. instrumento e objeto. Sociedades ocidentais e não-ocidentais( tribais) realizam esse processo de maneiras diferentes. porque esse foi o lugar onde ele foi mais mal interpretado. ele não está usando como pressuposto o conceito valor de troca. O que realmente importa ao empregador é o objeto final acabado. Na primeira. ocidental que é constitutivo do capitalismo. é um meio em relação ao homem. O trabalhador da fábrica sabe de antemão qual objeto irá produzir. aquilo que Freud chama de controle do superego sobre o id. e num segundo momento temos o automóvel como meio. O instrumento é usado para produzir o objeto. em que todo fim se torna meio e todo meio se torna fim. E este conceito não pode ser aplicado nas sociedades não ocidentalizadas. imagina um barco. não quer dizer que eles são preguiçosos. o alicate é usado na produção de automóveis. Peço que esqueçam do conceito valor de troca por um momento. o instrumento é . apenas realizam atividades. para viver em coletividade? Se fossemos analisar essa questão mais pormenorizadamente teriamos necessariamente de falar sobre auto-repressão do prazer. torna-se dependente é torna-se condicionado. para depois construí-lo. em relação ao homem temos um instrumento. É nesse sentido que Arendt fala que existe um processo circular entre meio e fim. Eles não trabalham. não faz sentido dizer que os índios trabalham. Nesse aspecto entre o meio(recurso usado para obter um fim) e o fim. Se em relação ao alicate temos um objeto. A construção do barco dependente necessariamente do conceito barco. não há valor de troca. das sociedades ocidentalizadas. Ele é um fim em relação ao alicate. este serve como meio de transporte. sua utilidade. cria a imagem na mente. onde o capitalismo não existe. não realizam trabalho. temos o trabalho capitalista. conceito. A princípio temos o automóvel como fim. 167) Nenhum instrumento é produzido a bel-prazer. Esse exercício de imaginar e depois construir é próprio do ser humano. ele forma o conceito de barco. Isso é uma necessidade humana. Ao ver um barco pela primeira vez. o impalpável no papável. ele já viu um barco pelo contato direto. por exemplo. e. E para isso ele deverá construir um barco. E. Portanto. Sendo assim. Antes de construir o barco o homem tem a idéia do que seja um barco. Quando Marx pensa que o trabalho pode ser constitutivo do homem. Quais são as condições que o homem se impõe e se submete para permanecer em sociedade.dependente daquilo que que produz. Então. A afirmação: os índios não trabalham. quer dizer que eles não produzem valor de troca. E para a autora. todos os fins tendem a ser de curta duração e a transformar-se em meios para outros fins. Vamos imaginar aquela velha estória do homem que se encontra isolado. é nesse sentido que Marx diz que o homem é o único animal que trabalha. e depois. existe o valor de troca. sozinho numa ilha. Ele quer encontrar alguma forma para sair da ilha. Assim nos explica Hannah Arendt: “Num mundo estritamente utilitário. Todo objeto antes de ser construído tem sua finalidade. portanto.

O que quer dizer isso? Não é possível. Atualmente se preocupa em entender a ideologia da literatura ocidental.apenas o meio. Só assim ele poderá trabalhar. Arendt imaginara um trabalho industrial. Quando o assalariado não percebe que o uso que ele faz do instrumento. Seu maior interese atravessa a antropologia. o trabalho a produz para que esta seja usada na produção de outros objetos e na materialização do abstrato( exemplo. 174).-troca intermediada pelo valor de troca-. nem uma das afirmações anteriores se sustentam. gera mais.br/a-condicao-humana-hannaharendtt. Uma outra distinção entre trabalho e labor consiste em que. Portanto. -seu trabalho-. “Somente quando pára de trabalhar e quando o produto está acabado é que o trabalhador pode sair do isolamento”(Arendt. dizemos que ele se encontra num estado de alienação. (dentro dos termos de Arendt). Nesse sentido de trabalho. enquanto o labor exige o consumo rápido ou imediato. visto que. Nesse aspecto o labor é pré-requisito do trabalho. durante a produção os hom@ns encontram-se isolados uns dos outros. Por isso dizemos que os meios de produção são instrumentos usados para gerar mais-valia.valia. Ao passo que o labor produz a matéria para incorporá-la ao organismo. existir trabalho sem labor. Vamos voltar um pouco na distinção entre trabalho e labor.com. Usados por quem? Pelo trabalhador assalariado. “Sem isolamento nenhum trabalho pode ser produzido”(Arendt. **************** É por meio da troca de produtos. Já foi dito que o labor é trabalho gasto para produção de alimentos. filosofia e literatura. ainda que seja possível o inverso.htm#ixzz1dofKQuur . Se incluímos os serviços. é o que mantem a saúde do indivíduo. A lógica do trabalho é a durabilidade dos objetos. Tendo em vista que muitos serviços são realizados no contato direto entre os hom@ns. Por que toda a literatura ocidental é centrada nos autores europeus e norte-americanos enquanto os latino-americanos e africanos permanecem marginalizados? Qual a razão que explica tal negligência? Leia mais: http://www. 174). colocar no papel uma idéia). que se dá as relações humanas. * Sobre o autor Thiago Rodrigues Braga é estudante de Ciências humanas da Universidade Federal de Goiás.mundodosfilosofos. Sua durabilidade permite a acumulação e estoque dos objetos. o trabalho não.