Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA

Veja e IstoÉ: escolha de co-enunciadores para legitimar o poder1 Fernanda Daniele Dino Soares e Michelly Santos de Carvalho2 Prof. Dr. Francisco Laerte Juvêncio Magalhães – UFPI 3

Resumo

Neste artigo analisamos os discursos das revistas Veja e IstoÉ relativos a cobertura do caso que ficou conhecido como “máfia dos sanguessugas”. Tentamos aqui compreender as estratégias discursivas empregadas pelos referidos semanários na disputa pela hegemonia discursiva. Utilizamos o método da análise de discurso, tendo em vista as possibilidades de se considerar a multiplicidade dos elementos constitutivos da materialidade discursiva e os investimentos de sentido daí decorrentes. Assim, tomamos as categorias e conceitos apresentados por autores como Benveniste, Bakhtin e Magalhães, entre outros. Consideramos como uma das principais estratégias enunciativas observadas na pesquisa a escolha e o acionamento de determinados co-enunciadores, em detrimento de outros, constituindo interlocuções que demarcam lugares discursivos de poder. Palavras-chave

Co-enunciadores; denominação; designação; legitimidade.

1- Introdução Neste trabalho nos propomos a analisar o discurso da revistas Veja e Istoé, buscando estratégias discursivas nessas revistas semanais de informação e, especialmente, detectar os co-enunciadores mais recorrentes nas edições em questão. Para tal tarefa, utilizamos um método da Teoria dos Discursos Sociais, a Análise de Discursos, que considera importante confrontar os textos a fim de identificar as diferenças, definindo assim, os lugares sociais. Esta corrente se opõe ao imanentismo do texto, ou seja, opõe-se à déia de que o sentido está exclusivamente naquilo que se vê escrito. O corpus utilizado consiste em reportagens, notas, imagens, artigos de opinião e editoriais publicados nos semanários que vão do dia 10 de maio de 2006 a 1º de novembro do

Trabalho apresentado ao GT de Iniciação Científica do IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste. 2 Estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí, membros do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Estratégias de Comunicação – NEPEC. 3 Professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), subchefe do departamento de comunicação da UFPI, coordenador do NEPEC e orientador deste trabalho 1

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o da enunciação e o do enunciado. Ducrot (1987) denomina como locutor (sujeito da enunciação) e enunciador (sujeito do enunciado) esses sujeitos presentes no discurso. 2 . que ocorre quando aquele a quem é endereçado o enunciado aceita a imagem do Tu elaborada discursivamente pelo Eu. co-enunciador e enunciatário para referir-se aos sujeitos participantes da relação discursiva. proposta dentro e através do discurso. mas o lugar idealizado do Eu. os de Bakhtin (1992). eventualmente. Recorremos. pois o enunciado só ocorre com a enunciação e viceversa. Magalhães (2003) trabalha com os termos enunciador. Já o sujeito do enunciado é aquele que se manifesta como personagem do texto.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA mesmo ano. Enunciação difere de enunciado: a primeira é o ato de dizer (pronunciar). No entanto. constroem o dispositivo de enunciação que é constituído por: 1) a imagem de quem fala (o lugar que aquele que fala atribui a si mesmo). a outros autores. através dos conceitos de polifonia e dialogismo. com o conceito de invariante referencial e Charadeau (2006).A enunciação e os sujeitos A enunciação é apontada por Benveniste (1989) como “colocar em funcionamento a língua por um ato individual de utilização”. como Verón (2004). o material empírico. as concepções de sujeito utilizadas por Magalhães (2003). enquanto o segundo corresponde ao que foi dito. totalizando um número de vinte e quatro revistas analisadas (catorze exemplares de IstoÉ e dez de Veja). Pinto (1999) acrescenta ainda a essa classificação de sujeitos o sujeito falado (também podendo ser denominado co-enunciador). empregam-se recursos da língua (pronomes pessoais e demonstrativos. a imagem do Eu. 2) a imagem daquele a quem se endereça o discurso (Verón o chama de destinatário). O primeiro não se refere ao sujeito real. 3) a relação entre ambos. Através do aparelho formal da enunciação do mesmo autor. Ao que foi mencionado acrescentamos as categorias tempo (agora) e lugar (aqui). São importantes os estudos de Benveniste (1989). com sua teoria da enunciação. interrogação.) para indicar a subjetividade no enunciado. advérbio de modo. 2. Verón (2004) propõe que as modalidades do dizer. Benveniste (1989) sugere a existência de dois sujeitos. palpável. que trabalha a temática do discurso político. a forma pela qual o Eu se define no próprio discurso. Verón (2004) afirma que "convém não separar o conceito de "enunciação" do par do qual ele é um dos termos: enunciado/enunciação". formas de intimação etc.

2) 3 . ponto final da remissão. eventualmente. enquanto enunciatário sugere a imagem idealizada de um interlocutor que. Acerca deste conceito Barros (2003) afirma: O dialogismo decorre da interação verbal que se estabelece entre o enunciador e o enunciatário. Este termo serve para referir-se à relação que há entre o Eu e o Outro. p. só se pode entender o dialogismo interacional pelo deslocamento do conceito de sujeito. utilizar o termo emissor para fazer referência a esta mesma imagem). (BARROS. Outro conceito caro a Bakhtin (1992) é o de dialogismo. aquele que participa da produção discursiva com expectativa de resposta. a imagem idealizada daquele para quem se fala.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Em nossa visão. presentes apenas como atravessamento. no espaço do texto. em si. que faz pensar em subjetivismo. como as personagens que atravessam os discursos explicita ou implicitamente. para com eles tecerem malha significante da rede de produção do sentido. deve-se observar não ser esse o modo de ver de Bakhtin. como em Benveniste e sua correlação de subjetividade. a imagem daquele que se apresenta como emissor e responsável pelo discurso de enunciador (seguindo a terminologia de Verón).45) Tal qual o autor ora citado utilizamos o conceito de enunciador como correspondente à imagem de quem fala ou o lugar atribuído por aquele que fala a si mesmo (podemos. coenunciadores. enunciatário. apresentado por Bakhtin (1992). que é proveniente do campo da música. sujeito responsivo. interpondo-se entre enunciador e respectivo enunciatário. A presença de vários sujeitos remete ao conceito de polifonia. destinatário (receptor idealizado). implicitamente ou explicitamente. há o que podemos chamar de dialogismo. Quando num enunciado verifica-se uma disputa interna entre as vozes. denominamos de enunciatário e de co-enunciadores. que fazem dele um sujeito histórico e ideológico. quando as mesmas remetem a enunciados anteriores. que se refere ao fato de os enunciados serem sempre atravessados por uma multiplicidade de vozes. Por isso mesmo. Para o autor. o sujeito falado. (MAGALHÃES. não remetendo a outras vozes. pressupõe a condição responsiva ativa. Isso porque a palavra destinatário remete a um lugar. p. O pensador russo atribuiu um valor e um sentido novos ao vocábulo polifonia. no lugar de destinatário é mais adequado usar enunciatário. respondendo-os ou suscitando novas questões aos que virão. manifestam-se na cena discursiva. Se nessa concepção de dialogismo aparece a relação eu-tu. 2000. é que chamamos sujeito da enunciação. O sujeito perde o papel de centro e é substituído por diferentes (ainda que duas) vozes sociais. referindo-se à imagem do sujeito a quem se endereça o enunciado ou como designa Verón (2004). aqueles que. 2003. em que o Eu só se constitui na presença do Outro e em diálogo com este.

Essas disputas de sentido ocorrem no campo do simbólico e se dão pela busca da hegemonia. Para Bourdieu (1998). 2006. uma “capacidade do sujeito de dizer ou de fazer”. O poder simbólico. Esse poder simbólico pode ser adquirido quando outros sujeitos reconhecem o discurso do enunciador. designado como um lugar de poder. detentor. a legitimidade consiste no reconhecimento dos enunciatários a alguém que ocupa um lugar social. legitimidade e credibilidade: a primeira determina um “direito do sujeito de dizer ou de fazer”. também de poder simbólico. o dialogismo é o princípio constitutivo da linguagem. Questionar a legitimidade é questionar o próprio direito não a pessoa. sendo dependente do capital simbólico dos agentes e das instituições envolvidas. p. como relações de poder. conceito no qual capital simbólico está no cerne. por meio de um valor que é aceito por todos (legitimidade). Capital simbólico diz respeito a algo que depende fundamentalmente da credibilidade socialmente difundida na sua validade. desta forma. 3. 4 .67) Para Charadeau (2006). apresentado por Bourdieu (1989). Ele surge como todo o poder que consegue impor significações e impô-las como legítimas. Não se confundirá. questionar a credibilidade é questionar a pessoa. algo que consideramos um dos determinantes para o reconhecimento do capital simbólico do emissor. por exemplo.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Para Bakhtin (1992). portanto. a segunda. Pode-se dizer que um agente é dotado de capital simbólico quando possui reconhecidos seus capitais econômico e cultural. é constituído pela “crença na legitimidade das palavras e daqueles que as pronunciam”. aquele que consegue acumular capital simbólico por ter a capacidade ou especialidade de versar sobre algo (credibilidade) é dotado de poder simbólico. uma vez que ela não apresenta provas de seu poder de dizer ou de fazer.Poder simbólico Existem muitas formas de se tratar das relações entre discurso e poder. sendo. pelos outros. Determinado suporte de imprensa pode dispor de poder simbólico ou não. A legitimidade é realmente o resultado de um reconhecimento. Além disso. daquilo que dá poder a alguém de fazer ou dizer em nome de um estatuto (ser reconhecido em função de um cargo institucional). Sua eficácia depende da universalidade do reconhecimento que ele recebe. em nome de um saber-fazer (ser reconhecido como especialista). em nome de um saber (ser reconhecido como sábio). os processos de comunicação constituem-se de maneira indissolúvel. a condição do sentido do discurso. (CHARADEAU. sendo assim.

Isso se dá em 5 . nome dado à intervenção feita pela Polícia Federal. circulam e são consumidos. os acontecimentos sociais inserem-se de maneira regular nos meios de comunicação de massa e em períodos temporais fixos. 2005. o termo mercado simbólico também pode ser evocado por assemelhar-se ao processo que ocorre no campo econômico: da mesma forma. p. aproximadamente 600 prefeituras e funcionários públicos. uma das condições de produção dos textos que vamos analisar. a “Operação Sanguessuga”. 4. a invariante referencial levantada neste trabalho refere-se ao que será narrado a seguir. em primeiro lugar. a Controladoria Geral da União (CGU) encaminha ao então ministro da saúde. contudo simbolicamente. Este primeiro critério pode parecer vago demais. Humberto Costa. que aquilo que chamamos invariante referencial constitui. Em 4 de maio de 2006. a Polícia Federal organiza-se numa investigação sigilosa sobre o possível caso. obedecendo também a outros critérios. que envolve cerca de um quinto do Congresso Nacional.91) Com base no que é proposto por Verón (2004). Na verdade.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Enquanto a credibilidade corresponde à capacidade de dizer ou de fazer já inerente ao enunciador a partir de experiências e conhecimentos deste sobre determinado assunto. (VERÓN. ou seja. não parece trazer problemas insolúveis para a prática da pesquisa. A partir de então. Em novembro de 2004. Embora sendo indiscutivelmente intuitivo. basicamente.Caso sanguessugas Verón (2004) apresenta o conceito de invariante referencial como sendo um fator importante para a análise discursiva de um corpus. um ofício alertando sobre a existência de uma “quadrilha operando em âmbito nacional” especializada em desviar dinheiro público destinado à compra de ambulâncias. O esquema consiste na atuação de deputados que apresentam emendas ao Orçamento da União para a compra de ambulâncias superfaturadas com dinheiro federal. assessores de parlamentares. na verdade. Sobre esse aspecto Verón (2004) concebe: É preciso destacar. os sentidos são produzidos. trata-se de textos que devem "falar a mesma coisa". Dentro deste processo existe a disputa pela imposição de formas de visualização da realidade e de maneiras de se fazer prevalecer um discurso. deflagra-se para sobrepujar o tal esquema. O material a ser estudado deve. No domínio do campo simbólico. versar sobre o mesmo tema. fato ou acontecimento.

mas também na escolha de seus co-enunciadores. começa a atuação sanguessuga no gabinete de Rossi. Após esse fato. 1984 apud CHARADEAU. MAINGUENAU. A cada dia surgem mais novidades sobre o escândalo. logo se remete ao objeto referenciado. 2004). A história dos sanguessugas tem início. As revistas Veja e IstoÉ publicam diversas matérias relacionadas ao assunto. que vão desde a divulgação de nomes de envolvidos à exposição de depoimentos impactantes de sanguessugas. um dos donos da Planam. O caso é veiculado durante muito tempo pela mídia em geral. seja a fornecedora dos veículos. O dinheiro resultante das falcatruas é dividido entre os envolvidos. empregados do Ministério da Saúde disponibilizam o dinheiro desde que a Planam. num outro encontro. marca um encontro com o deputado no escritório do mesmo para desfazer a troca. quando seu pai troca acidentalmente de mala o então deputado Lino Rossi (PP-MT) no aeroporto de Cuiabá. há um encontro entre os empresários e Lino Rossi num restaurante. João Caldas (PT-MS). segundo depoimento prestado à Polícia Federal por Luiz Antônio Vedoin. apesar de não terem a autoridade real de estabelecer designações. características que são atribuídas num determinado momento. É o que tentamos evidenciar através deste estudo. que nos ajudam a compreender melhor as questões com as quais lidamos. Diferentemente acontece com a designação: as designações consistem em associações ocasionais. em 1999. 5. pois quando se evoca uma determinada denominação. Após a aprovação da emenda. Em seguida. sendo que nas mesmas percebe-se a diferença não apenas na forma de abordagem. considerada a empresa chefe da máfia. Pastor Valdeci (PSL) e Matos Nascimento (PRTB). pai de Luiz. É o que acontece muitas vezes nas revistas Veja e IstoÉ: evoca-se uma denominação já existente de um objeto ou co-enunciador e.Denominação e designação Utilizamos também aqui os conceitos de denominação e designação (KLEIBER. utilizam-se de designações já existentes para os mesmos destacando-as a fim de corroborar com seu 6 . verifica-se a ocorrência deste fato em algumas das matérias jornalísticas analisadas ou. Pastor Amarildo (PSC). quando são apresentados aos donos da Planam alguns dos deputados que fariam parte do esquema: Nilton Capixaba (PTB). se não atribuem qualificações aos sujeitos. O termo denominação serve para referir-se à nomeação que se dá aos objetos de forma durável. Darci.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA função de prefeituras envolvidas que solicitam aos parlamentares a execução das propostas. Paulo Baltazar (PSB-RJ).

“na época do Serra era mais fácil” Antecessor e padrinho de Barjas no Ministério 20/09/2006 1/11/2006 1926 1932 Tabela 1 7 .Nilton Capixaba PMDB PTB ___ PFL Vice-presidente da Câmara PARTIDO DESIGNAÇÃO DATA / EDIÇÃO 17/05/2006 1908 ___ Ex-assessora do ministro da Saúde Líder do PMDB na Câmara.José Serra PSDB O ex-ministro.Lino Rossi PP 14/06/2006 1912 20/09/2006 4/10/2006 18/10/2006 1/11/2006 18/10/2006 1926 1928 1930 1932 1930 10 . Por exemplo.Wilson Santiago 4 . pode-se tomar o caso do senador Ney Suassuna (PMDB) citado em Veja: sua denominação é seu próprio nome. conterrâneo do líder do PMDB no Senado Líder do PFL Os donos da Planam. que pilotaram a máfia das ambulâncias Líder do PMDB no Senado Deputado empresário.Barjas Negri PSDB Ex-secretário executivo de Serra no Ministério da Saúde e seu sucessor. propomos as tabelas a seguir com as denominações e designações de alguns dos co-enunciadores mais recorrentes nas matérias.Rodrigo Maia 5 – Os Vedoin (Luiz Antônio Vedoin e Darci Vedoin) 6 . A fim de explanar melhor os exemplos verificados no corpus.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA discurso. Revista IstoÉ DENOMINAÇÃO DO COENUNCIADOR 1 .Jose Thomaz Nono 2 .Ney Suassuna 7 . segundo secretário da câmara Outro que pegava dinheiro diretamente com a máfia Um empresário da construção civil sediado em Piracicaba.Maria da Penha Lino 3 . sua designação pode variar de acordo com as intenções de cada matéria.Abel Pereira ___ O discreto empresário de Piracicaba Empresário paulista Acusado de ligar os tucanos à máfia dos sanguessugas Então ministro da saúde 11 . 17/05/2006 1908 PMDB PFL 17/05/2006 17/05/2006 1908 1908 20/09/2006 1926 17/05/2006 14/06/2006 1908 1912 9 . atual prefeito de Piracicaba 27/09/2006 1927 12 . algo que não foi estabelecido pelo semanário.

Ronivon Santiago PP Cassado por comprar votos na eleição de 2003 Assessora do gabinete do ex-ministro da saúde 10/05/2006 10/052006 1955 1955 4 . que há cinco anos integra Mesa Diretora da Câmara Petista 9 .Nilton Capixaba PMDB PTB Ex-ministro da Saúde do PMDB Deputado.Humberto Costa PT Ex-ministro da Saúde. ocupou um dos postos de direção da ANTT Quem levava à frente o esquema de tráfico de influência 23/08/2006 10/05/2006 10/05/2006 26/07/2006 23/08/2006 20/09/2006 1970 1955 1955 1966 1970 1974 14 . ligado ao petista Carlos Abicalil O alvo 20/09/2006 1974 20/09/2006 1974 Tabela 2 8 .Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Revista Veja DENOMINAÇÃO DO CO-ENUNCIADOR DATA / EDIÇÃO 10/05/2006 1955 PARTIDO DESIGNAÇÃO Ex-líder do PL na Câmara.Ney Suassuna PMDB Ex-ministro de Fernando Henrique. integrante do Diretório Nacional do PT.Saraiva Felipe 8 .José Serra PSDB ___ Empreiteiro de Mato Grosso. renunciou depois de 1 . mais poderoso politicamente entre os 72 emparedados na CPI. hoje candidato a governador de Pernambuco pelo PT 10 .Darci Vedoin ___ Líder da quadrilha Filho de Darci 15 .Valdebran Carlos Padilha da Silva 18 .Maria da Penha Lino ___ do PMDB Peça-chave para que o esquema alcançasse essa direção 26/07/2006 10/05/2006 10/05/2006 10/05/2006 26/07/2006 1966 1955 1955 1955 1966 5 . dono da Planam ___ O corruptor Acusado de participar com petistas de uma armação contra o candidato tucano 16 . tesoureiro informal nas campanhas do PT no estado. manda-chuva do PMDB. foi presidente do partido no Ceará por indicação do presidente Lula. também 17/05/2006 1956 11 . assíduo interlocutor do presidente Lula 6/09/2006 1972 3 .José Airton Cirilo 26/07/2006 1966 PT participou do Governo Federal.Luiz Antonio Vedoin Um dos donos da Planam.Integrantes do PT ___ Quadrilheiros Dirigente petista.Bispo Rodrigues (Carlos Rodrigues) PL ter sido pego no esquema do mensalão Velho freqüentador do noticiário de escândalos de Brasília Líder do PMDB no Senado Recomendou Maria da Penha para o cargo de assessora 17/05/2006 10/05/2006 26/07/2006 1956 1955 1966 2 . ex-líder do partido no Senado.

o semanário destaca o fato de que Barjas Negri Esteve com Serra no Ministério do Planejamento. verifica-se algo recorrente em outras edições de Veja: a contínua tentativa de estabelecer uma ligação de integrantes do PT a casos de corrupção e. ocupou o cargo de secretário de Habitação do estado de São Paulo. ex-ministros integrantes do PSDB. No interior da revista. Valdebran e Carlos Padilha da Silva Em 20 de setembro de 2006. Como exemplo podemos citar as personagens Ney Suassuna. antes de se eleger prefeito de Piracicaba. No interior da revista a matéria vem com o mesmo título. que continha somente uma tarja na região superior evocando um outro assunto. validando o discurso de que José Serra e Barjas Negri. Bispo Rodrigues (Carlos Rodrigues). estão envolvidos no caso sanguessuga. Em negrito. José Serra. Nesta revista. com uma foto do deputado ocupando quase todo o espaço da capa. No entanto. Na capa. Abel Pereira é citado como sendo um intermediador entre os Vedoin e Barjas Negri nas negociações de propinas. José Airton Cirilo. IstoÉ leva às bancas uma edição cuja matéria principal é “Exclusivo: os Vedoin acusam Serra”. Saraiva Felipe. (ISTOÉ. foi secretário executivo no Ministério da Saúde. Integrantes do PT. acrescentam-se os coenunciadores José Thomaz Nonô. verificamos também a presença de co-enunciadores diferentes nas duas revistas. durante as eleições de 2006. Geraldo Alckmin. Em IstoÉ. na qual menciona uma possível armação arquitetada por membros do Partido dos Trabalhadores – PT.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Podemos verificar que alguns co-enunciadores repetem-se em ambas as revistas. intercedendo em defesa de políticos filiados ao PSDB. Darci Vedoin. trazendo uma série de declarações dos Vedoin.31) 9 . Rodrigo Maia. Luiz Antonio Vedoin e José Serra. Veja publica uma edição cuja matéria principal era “A utopia possível de Fernando Gabeira”. Ronivon Santiago. Darci Vedoin. por vezes. Nilton Capixaba. em 2004. Na mesma data. há uma foto de Luiz Antônio Vedoin e seu pai. Abel Pereira e Barjas Negri. p. acusada de liderar o esquema dos sanguessugas. publica uma matéria com o título “O alvo era Serra”. A revista afirma que “as relações de Serra e Barjas Negri são estreitas” e que “o atual prefeito de Piracicaba tem enorme trânsito junto à cúpula tucana”. Lino Rossi. Maria da Penha Lino. e prejudicar sua campanha a governador de São Paulo e a do candidato a presidente do Brasil. Wilson Santiago. Em Veja acrescentam-se Humberto Costa. que objetivavam incriminar o ex-ministro da Saúde. ministro da Saúde e. donos da empresa Planam. edição 1926.

o que não ocorre em IstoÉ. Em 26 de julho de 2006. verifica-se o fato de o ex-ministro Humberto Costa (PT) ser recorrentemente citado em Veja. em azul. Nesta edição. com a legenda “Abel e Barjas no gabinete do ministro em 2002: a imagem desmente a versão”. Em 1° de novembro de 2006. Assim. que tenta negar uma possível participação no esquema de corrupção ao lado do PSDB. A revista coloca o seguinte: tendo sido procurado pelos 10 . investigado pela Polícia Federal por envolvimento na máfia dos sanguessugas. Veja tenta estabelecer uma participação de Humberto Costa (PT) no esquema sanguessuga. e os ex-ministros da Saúde José Serra e Barjas Negri. exibe José Serra como um político de relações estreitas com um acusado de participar do esquema sanguessuga. IstoÉ lança uma edição cuja capa contém do lado esquerdo. O título da capa é “Precisamos unir o Brasil” e apenas no canto superior direito faz-se referência a um outro tema através de um splash. Nesta. destacando trechos dos enunciados considerados pelo semanário como de grande relevância. diferente das outras palavras. pode-se entender que a ligação entre a empresa e o ex-ministro confirma-se através de documentos que comprovam o fato. É o caso do trecho “Donos da Planam afirmam que ex-ministro José Serra está envolvido com a máfia das ambulâncias e entregam novos documentos sobre a distribuição de propinas”. Levando em consideração um possível viés partidário nas revistas. motivada a encontrar ligações de integrantes do PSDB em casos de corrupção. a foto de Geraldo Alckmin. possivelmente determinada a advogar em favor do PSDB. em que tenta estabelecer mais uma vez uma conexão entre o empresário de Piracicaba. IstoÉ. candidatos a presidente do Brasil pelo PSDB e pelo PT. publicado na edição 1926. e do lado direito. respectivamente. que aparecem em branco. José Serra e documentos aparecem em amarelo. IstoÉ expõe uma reportagem cujo título é “Abel não se explica”. ambos do PSDB. Fazendo uma comparação entre essas duas edições citadas acima é possível inferir as diferenças quanto à forma de se remeter a um determinado co-enunciador de acordo com os interesses do emissor: Veja. a foto de Luís Inácio Lula da Silva. remete-se com mais freqüência ao ex-ministro Barjas Negri (PSDB) como foi citado no exemplo anterior. Outro recurso bastante empregado é o de destacar algumas palavras de parte de um enunciado através do emprego de cores diferenciadas. A revista exibe imagens de cópias das declarações de Abel Pereira ao Ministério da Justiça e uma foto do empresário ao lado de Barjas Negri em 2002. A versão a que a revista se refere é a de Abel. em vermelho.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA IstoÉ costuma utilizar o recurso do negrito em suas matérias. coloca Serra como sendo o alvo (vítima) de ações de membros do PT. no qual as palavras Planam.

que tentavam receber um dinheiro de uma dívida contraída pelo governo anterior. (. o advogado Otto de Azevedo Junior. as revistas utilizam alguns co-enunciadores iguais. Como tentamos mostrar anteriormente. na qual se estabelece. IstoÉ veicula uma matéria de capa cujo título é “Exclusivo: os Vedoin acusam Serra”. Vedoin foi uma das peças de uma chantagem. p. uma ligação entre Barjas Negri e José Serra. a revista Istoé publicou uma reportagem de capa na qual Vedoin e seu pai. respondendo-os. no qual enunciados remetem a enunciados anteriores. Diniz afirmou poder solucionar o problema com a ajuda de José Airton Cirilo (PT).) antes de a reportagem de Istoé vir a público. questionando-os. que teria grande influência junto a Humberto Costa. ambos do PSDB. Ao empreender uma análise desses discursos. (. como já citado... Assim. a fim de legitimar o seu discurso e sua ideologia. Vedoin negou peremptoriamente. ou a enunciados que virão.. ao caso sanguessuga. Darci Vedoin. mais o que se viu no dia seguinte é que ele havia mentido.. Outra categoria verificada nesta análise é a do dialogismo (como mencionamos anteriormente). percebemos a eleição ou escolha de determinados co-enunciadores e suas vozes em detrimento de outros.67) Em 20 de setembro de 2006. No trecho acima. VEJA perguntou ao dono da Planam se na entrevista a Istoé ele havia citado o nome de José Serra. 6 – Múltiplas vozes As matérias de Veja e IstoÉ apresentam um nível elevado de polifonia. com designações semelhantes ou não. verifica-se um dialogismo: Veja faz referência e tenta desqualificar o discurso da revista 11 . e evocam outros co-enunciadores não citados pela concorrente. dessa vez com o próprio Luiz Antônio Vedoin. entrou em contato com a redação de VEJA para avisar que havia protocolado uma petição na Justiça Federal com novas acusações de Vedoin. acusam Serra de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. ele os teria apresentado ao seu chefe-de-gabinete. podemos citar o trecho a seguir: Na semana em que a Polícia Federal estourou as negociações clandestinas de Vedoin para incriminar os tucanos.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA Vedoin. a enunciados dentro do mesmo texto. que defende Vedoin. Como exemplo. designados em matéria do dia 17 de maio de 2006 (edição 1956) como “quadrilheiros” que estão fazendo escola. Veja tenta estabelecer constantemente ligações entre a máfia sanguessuga e integrantes do PT. edição 1974. evocam várias vozes implícita ou explicitamente.) em novo contato telefônico. (VEJA. Ao que tudo indica. que informou a um certo José Caubi Diniz sobre o problema por qual passavam os empresários.

os autores utilizados e também do analista de discursos. não teria revelado o nome de todos os envolvidos no esquema sanguessuga. pois uma legitimidade é atribuída pelos enunciatários ao lugar social que esses suportes ocupam. 12 . que variam de acordo com o direcionamento tomado na pesquisa. Podemos inferir que a partir do enunciado de Veja que IstoÉ teria sido ingênua ao publicar com tanta ênfase as declarações dos Vedoin. ideologias ou possíveis ligações com partidos políticos. as revistas Veja e IstoÉ se envolvem nas disputas de sentido. percebemos que a revista Veja apresenta. quando recorre a co-enunciadores pertencentes ao Partido dos Trabalhadores – PT. 7 – Conclusão Objetivando o acúmulo de capital simbólico e. A designação de alguns co-enunciadores em detrimento de outros é uma estratégia para legitimar o poder simbólico das revistas. parece defendê-lo. enquanto que. por esse motivo. ao referir-se a integrantes do PT. conseqüentemente. Veja. IstoÉ. do PSDB. geralmente os utiliza a fim de criticar o partido. a conquista da hegemonia. tendo mencionado apenas Barjas Negri e José Serra. emprega nomes de integrantes do PSDB para estabelecer conexões entre este e a máfia dos sanguessugas. possivelmente. o faz muitas vezes para enaltecer o mesmo. Os suportes de imprensa analisados conquistam do público a credibilidade para dizer ou fazer sobre os acontecimentos. ao recorrer a nomes de integrantes do Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB. os semanários Veja e IstoÉ podem conduzir a narração dos fatos de acordo com seus interesses. Esta é uma análise passível de outras conclusões. IstoÉ apresenta uma aversão ao PSDB e uma afeição ao PT. um viés partidário ligado ao PSDB e uma confessa rejeição ao PT. Assim.Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação IX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Nordeste – Salvador – BA concorrente quando evoca o fato de que Vedoin estava sendo vítima de uma chantagem e. ao contrário. que expõe no trabalho sua interpretação diante do corpus analisado. Através desse recurso.

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