MODELAGEM NUMÉRICA DE UMA ESCAVAÇÃO PROFUNDA

ESCORADA COM PAREDE DIAFRAGMA
Roberta Alves Mendes do Vale
TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM
ENGENHARIA CIVIL.
Aprovada por:
___________________________________________________
Prof. Francisco de Rezende Lopes, Ph.D.
___________________________________________________
Prof. Marcus Peigas Pacheco, Ph.D.
___________________________________________________
Prof. Maria Cristina Moreira Alves, D.Sc.
___________________________________________________
Prof. Fernando Artur Brasil Danziger, D.Sc.
___________________________________________________
Prof. Dirceu de Alencar Velloso, L.D.
RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL
ABRIL DE 2002
ii
DO VALE, ROBERTA ALVES MENDES
Modelagem Numérica de uma Escavação
Profunda Escorada com Parede Diafragma
[Rio de Janeiro] 2002
VIII, 142 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc.,
Engenharia Civil, 2002)
Tese - Universidade Federal do Rio de
Janeiro, COPPE
1 - Modelagem Numérica
2 - Escavação Escorada
I - COPPE/UFRJ II - Título (série)
iii
DEDICATÓRIA
A Deus acima de tudo por ter me dado a
vida, aos meus pais Roberto e Irinéa e ao meu
irmão Sergio pelas palavras e gestos de incentivo.
Ao amor, carinho e compreensão do meu esposo
Eric. Aos meus sogros Joeber e Rosa. E em
especial a memória dos meus tios: Joel, Penha e
Syrlene.
iv
AGRADECIMENTOS
Ao professor e orientador Francisco R. Lopes pelo apoio, amizade e dedicação a
esta tese. A Digna Maria F. Mariz, engenheira fiscal da obra do Tanque Oceânico, pela
ajuda no acompanhamento das instrumentações de campo e ensaios in situ e por seu
companheirismo.
Ao engenheiro Ronaldo L. Lima pelos esclarecimentos relacionados à obra e ao
técnico Jomar D. Rodrigues pela amizade e incentivo. A todo o pessoal da Terrae
Engenharia, e em especial aos engenheiros Marcos B. Mendonça e ao Jairo pela ajuda
nos desenhos de CAD, ao desenhista Cláudio e ao estagiário Flávio. Aos bolsistas de
Iniciação Científica Rodrigo D. Fernandes e Katharine S. Klein, pelo auxílio nos
ensaios de laboratório, de campo, e na elaboração de planilhas, gráficos e desenhos.
A todos os funcionários do Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ, em
especial ao Carlinhos, pela amizade, ao Ricardo Gil e ao Edu. Ao doutorando Marcos
M. Futai, pela atenção dispensada nos ensaios de laboratório.
Ao engenheiro Guilherme Leone pelo esclarecimento do programa SEEPW. Aos
bolsistas de Iniciação Científica Rosane e em especial ao Alexandre Pacheco pelo
auxílio na realização dos ensaios triaxiais. Ao Daniel pela ajuda nos desenhos.
A todos os professores da Área de Geotecnia da COPPE-UFRJ e, finalmente, à
CAPES pelo apoio financeiro oferecido para elaboração desta tese.
v
Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários
para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)
MODELAGEM NUMÉRICA DE UMA ESCAVAÇÃO PROFUNDA
ESCORADA COM PAREDE DIAFRAGMA
Roberta Alves Mendes do Vale
Abril/2002
Orientador: Francisco de Rezende Lopes
Programa: Engenharia Civil
A presente tese apresenta a modelagem numérica através do Método dos
Elementos Finitos da escavação escorada do Tanque Oceânico, parte do Laboratório de
Tecnologia Oceânica (Lab Oceano) da COPPE-UFRJ. A escavação apresenta uma área
de 30 m × 50 m e 11 m de profundidade, que foi contida através de paredes diafragmas
escoradas por meio de vigas tirante ligadas a cavaletes de estacas. O subsolo escavado
apresentou, inicialmente, uma espessa camada de aterro, seguida de um depósito de lixo
e argila mole e, finalmente, solo residual. Os parâmetros adotados na análise numérica
foram estimados através de correlações obtidas na literatura e a partir de ensaios de
campo e de laboratório. A simulação da escavação levou em consideração as etapas
executivas do Tanque Oceânico. Foram feitas duas modelagens numéricas: uma análise
de percolação através do programa SEEPW e uma análise tensão-deformação elástica
linear e não linear, usando o programa PROGEO. Os resultados obtidos na modelagem
numérica foram compatíveis com os observados no campo, em especial os resultados da
modelagem de percolação. Na modelagem tensão-deformação os recalques obtidos ao
redor do tanque foram compatíveis com os de campo, enquanto os deslocamentos
horizontais da parede diafragma foram inferiores aos obtidos nas medições de campo,
em virtude do efeito tridimensional.
vi
Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Science (M.Sc.)
NUMERICAL MODELLING OF A DEEP EXCAVATION
SUPPORTED BY DIAPHRAGM WALL
Roberta Alves Mendes do Vale
April/2002
Advisor: Francisco de Rezende Lopes
Department: Civil Engineering
This thesis presents a numerical modelling through the Finite Element Method
of a deep excavation for the Ocean Basin, part of the Ocean Engineering Laboratory of
COPPE-UFRJ. The excavation dimensions are 30x50 m in area and 10 m in depth. The
excavation was supported by diaphagm walls by means of strut beams connected to
batter piles. The local subsoil shows a thick layer of the fill followed by a rubish
deposit, soft clay and residual soil. The paramters used in the numerical modelling were
chosen through correlations published in the literature and from field and laboratory
tests. The excavation simulation in finite elements considerated the construction stages
of the Ocean Basin. Two numerical modelling were carried out: a seepage analysis, with
the program SEEPW and a stress-strain analysis (elastic linear and no linear), with the
program PROGEO. The results obtained in the numerical modelling were compatible
with field observations; for example, the results of the seepage simulation matched the
settlements of the stress-strain analysis. The horizontal displacements of the diaphragm
wall was preticted in a plane-strain analysis were less than the field measurements, due
to tridimensional efects.
vii
ÍNDICE
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO .....................................................................................1
CAPÍTULO 2 – INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS DE CAMPO, ENSAIOS DE
LABORATÓRIO E PROVA DE CARGA ......................................................................4
2.1 – SONDAGENS À PERCUSSÃO – SPT ......................................................4
2.2 – ENSAIO DE PIEZOCONE – CPT ............................................................11
2.3 – LEVANTAMENTO GEOFÍSICO ............................................................12
2.4 – ENSAIOS DE LABORATÓRIO ...............................................................17
2.4.1 – Ensaios de Caracterização ...........................................................17
2.4.2 - Ensaios Triaxiais na Argila Orgânica ..........................................20
2.5 - PROVA DE CARGA EM ESTACA RAIZ ...............................................25
CAPÍTULO 3 - ESTIMATIVA DE PARÂMETROS PARA AS ANÁLISES .............29
3.1 - CORRELAÇÕES DISPONÍVEIS NA LITERATURA .............................29
3.1.1 - Ângulo de Atrito ..........................................................................29
3.1.2 - Resistência Não-drenada (S
u
) de Solos Argilosos .......................35
3.1.3 - Coeficiente de Poisson .................................................................41
3.1.4 - Módulo de Young (E) ..................................................................41
3.2 - RESULTADOS DAS CORRELAÇÕES APLICADAS AOS SOLOS DA
OBRA E DO ENSAIO DE LABORATÓRIO ...................................................44
3.2.1 - Ângulo de Atrito dos Solos Granulares .......................................44
3.2.2 - Resistência Não-drenada da Argila Orgânica Mole ....................46
3.2.3 - Coeficiente de Poisson .................................................................47
3.2.4 - Módulo de Young ........................................................................47
3.3 - RESUMO DOS PARÂMETROS DE REISTÊNCIA E
DEFORMABILIDADE USADOS NAS ANÁLISES PELO MEF ...................48
CAPÍTULO 4 - FASES DE EXECUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO .......................49
4.1 - 1
a
FASE DE EXECUÇÃO .........................................................................49
4.2 - 2
a
FASE DE EXECUÇÃO .........................................................................50
4.3 - 3
a
FASE DE EXECUÇÃO .........................................................................52
4.4 - 4
a
FASE DE EXECUÇÃO .........................................................................53
4.5 - 5
a
FASE DE EXECUÇÃO .........................................................................53
CAPÍTULO 5 - MODELAGEM DA CONSTRUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO POR
MÉTODO NUMÉRICO .................................................................................................70
viii
5.1 - MODELO DE ANÁLISE EM ELEMENTOS FINITOS ..........................70
5.1.1 - Introdução ....................................................................................70
5.1.2 - Análise Tensão-deformação pelo MEF .......................................71
5.1.3 - Modelos de Comportamento ........................................................76
5.1.4 - Algoritmos Utilizados ..................................................................81
5.1.5 - Simulação pelo MEF de eventos em Geotecnia ..........................85
5.2 - ANÁLISE DE PERCOLAÇÃO .................................................................88
5.2.1 - Introdução ....................................................................................88
5.2.2 - Formulação de Fluxo Estacionário ..............................................88
5.2.3 - Analogia do Problema de Percolação com Problemas Tensão-
deformação ..............................................................................................90
5.3 - MODELAGEM NUMÉRICA DA PERCOLAÇÃO DO TANQUE
OCEÂNICO ........................................................................................................91
5.4 - MODELAGEM NUMÉRICA DO COMPORTAMENTO TENSÃO-
DEFORMAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO ...................................................95
5.4.1 - Rede de Elementos Finitos e Etapas da Simulação .....................95
5.4.2 - Modelagem Elástica Linear .........................................................97
5.4.3 - Modelagem Não-Linear ...............................................................99
CAPÍTULO 6 - COMPARAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO DE CAMPO COM A
MODELAGEM NUMÉRICA EM ELEMENTOS FINITOS ......................................125
6.1 - INSTRUMENTAÇÕES DE CAMPO ......................................................125
6.2 - COMPARAÇÃO COM AS ANÁLISES NUMÉRICAS .........................126
CAPÍTULO 7 - CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ..135
7.1 - CONCLUSÕES ........................................................................................135
7.2 - SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ......................................136
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................137
1
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
Escavações profundas escoradas são freqüentemente utilizadas na engenharia,
como, por exemplo, em subsolos de edifícios, metrôs, etc. A análise deste tipo de
solução é complexa, exigindo dos projetistas conhecimentos abrangentes a respeito do
aspecto construtivo de cada etapa de execução da obra, além das características de
deformabilidade e resistência dos materiais existentes no subsolo.
Uma modelagem numérica em elementos finitos de escavações escoradas deverá
ser capaz de simular os seguintes aspectos do sistema de escavação:
a) a heterogeneidade e a não linearidade do comportamento dos solos;
b) o comportamento estrutural do sistema de escoramento;
c) o processo construtivo de escavação e do sistema de escoramento;
d) a ação da água subterrânea, cujo regime é alterado pela escavação (como por
exemplo, rebaixamento do lençol freático).
Nesta tese foi feita a modelagem numérica em elementos finitos (plano-
deformação) de uma escavação escorada envolvendo argila mole, buscando conhecer
seu comportamento nas diferentes etapas construtivas, verificando a segurança do
sistema de escoramento e do solo à sua volta. O objetivo foi verificar a capacidade de
métodos numéricos de uso corrente, como o Método dos Elementos Finitos, por meio de
programas comerciais e de suporte de projeto (e não programas mais sofisticados para
pesquisa) a fim de prever o comportamento de uma obra que apresenta alguns aspectos
arrojados.
A escavação estudada refere-se ao Tanque Oceânico, parte do Laboratório de
Tecnologia Oceânica (Lab Oceano) da COPPE-UFRJ, situado no Parque Tecnológico,
Cidade Universitária, Ilha do Fundão. A escavação foi suportada por paredes
diafragmas escoradas por vigas-tirantes ligadas a cavaletes de estacas raiz (inclinadas,
funcionando à tração e à compressão). A profundidade de escavação foi de 11 m e as
dimensões aproximadas do tanque são de: 30 m x 50 m. Foram encontradas no subsolo
duas camadas de solo pouco resistente: turfa com lixo e argila mole cinza escura com
2
conchas. Estas camadas são precedidas por uma camada de aterro de entulho e de areia
fina. Abaixo das camadas de solos fracos é encontrado solo residual silto-argilo-
arenoso, e a cerca de 17 m é encontrada alteração de rocha (gnaisse).
Inicialmente, no Capítulo 2, são apresentadas as investigações geotécnicas
realizadas no campo (sondagens a percussão, ensaio de piezocone e levantamento
geofísico) para determinação dos materiais existentes. Além disso, são apresentados os
ensaios de laboratório realizados e os resultados da prova de carga de uma estaca raiz
piloto.
O Capítulo 3 apresenta a estimativa dos parâmetros de resistência e
deformabilidade dos solos existentes no subsolo para a modelagem numérica. Esta
determinação de parâmetros foi feita através de correlações existentes na literatura
técnica, dos resultados das investigações geotécnicas de campo e dos ensaios de
laboratório.
O Capítulo 4 apresenta as fases construtivas do Tanque Oceânico com os
aspectos mais relevantes da obra, referentes às etapas simuladas na modelagem
numérica.
A modelagem numérica em elementos finitos é apresentada no Capítulo 5, onde,
inicialmente, é feita uma pequena revisão das análises tensão-deformação e de
percolação. A modelagem numérica em elementos finitos foi dividida em 2 partes
principais: uma modelagem de percolação em torno do Tanque Oceânico, devida ao
rebaixamento do lençol freático, através do programa SEEPW, e uma modelagem
tensão-deformação com análise elástica linear e não linear utilizando o programa
PROGEO.
A comparação das medidas de campo com os resultados da modelagem
numérica em elementos finitos é feita no Capítulo 6, onde há a apresentação dos
resultados dos piezômetros, do medidor de nível d’água, dos recalques e dos
deslocamentos horizontais da parede diafragma. São apresentados, ainda, os
deslocamentos horizontais da parede diafragma do Tanque Oceânico, através da análise
axissimétrica, que leva em consideração o efeito tridimensional do problema.
3
E finalmente, no Capítulo 7 são apresentadas as conclusões e sugestões para
pesquisas futuras.
4
CAPÍTULO 2
INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS DE CAMPO, ENSAIOS DE
LABORATÓRIO E PROVA DE CARGA
Este capítulo apresenta as investigações geotécnicas de campo realizadas no
local de construção do Tanque Oceânico, que consistiram de sondagens a percussão
(SPT) e de um ensaio de piezocone (CPTU), além de um levantamento geofísico.
Apresenta, ainda, os ensaios de laboratório e uma prova de carga em estaca raiz.
2.1 – SONDAGENS À PERCUSSÃO - SPT
Os ensaios de SPT (Standard Penetration Test) foram realizados em duas
campanhas de sondagens. A primeira campanha de sondagens consistiu de 9 furos como
pode ser observado na Figura 2.1. A segunda campanha de sondagens, com a disposição
dos furos, pode ser vista na Figura 2.2.
Figura 2.1 - Planta de localização da primeira campanha de sondagens.
5
Figura 2.2 - Croqui de localização da segunda campanha de sondagens.
Nas Figuras 2.3 a 2.5 encontram-se a planta do Tanque Oceânico e os perfis
geotécnicos com a indicação da estrutura do tanque, bem como os resultados dos SPT's
das duas campanhas de sondagens. Com a observação dos perfis das Figuras 2.4 e 2.5,
nota-se certa homogeneidade horizontal do subsolo, o que permite apresentar um perfil
geotécnico aproximado, que será usado no desenvolvimento deste trabalho, como
mostrado na Figura 2.6.
O perfil da Figura 2.6 mostra uma camada de aterro de entulho lançada nos
últimos 2 anos e a seguir uma camada de areia fina. A terceira camada, inicialmente
classificada como turfa, se revelou ser um antigo aterro sanitário, conforme documentos
da época da criação da Cidade Universitária (Fotos 2.1 e 2.2). A camada de areia fina
marinha é muito provavelmente um aterro hidráulico, destinado a cobrir o lixo. A seguir
observa-se uma camada de argila orgânica cinza com conchas, que é a primeira camada
de solo natural, seguida de solo residual. A primeira camada de solo residual maduro é
argilo-arenoso e a segunda camada de solo residual jovem é um silte argilo-arenoso.
6
Figura 2.3 - Planta com a localização do Tanque Oceânico e com o sistema de escoramento
(SP*: 2
a
campanha de sondagens e SP**: 1
a
campanha de sondagens).
7
Figura 2.4 - Perfil do subsolo do Tanque Oceânico referente ao Corte AA da Figura 2.3.
8
Figura 2.5 - Perfil do subsolo do Tanque Oceânico referente ao Corte BB da Figura 2.3.
9
Figura 2.6 - Perfil do subsolo no local do Tanque Oceânico utilizado neste trabalho,
com a espessura das camadas e o peso específico (natural ou saturado) de cada solo.
Como se sabe, o SPT é muito utilizado para investigação do subsolo em nosso
país. Como principal vantagem e característica deste ensaio, destaca-se a possibilidade
de penetração em solos resistentes, como é o caso dos solos residuais encontrados no
perfil geotécnico da obra em questão. Além disso, o índice N do SPT serve, através de
correlações, para determinar parâmetros de resistência e de deformabilidade dos solos.
N.A.
(-2,50m)
aterro de entulho
areia fina
argila orgânica cinza escuro com conchas
argila – arenosa
Solo residual maduro
silte argilo – arenoso
Solo residual jovem
rocha
3,00m
2,00m
4,00m
2,00m
10,00m
6,00m
turfa /lixo
γ = 16 kN/m
3
γ = 18 kN/m
3
γ = 15 kN/m
3
γ = 16 kN/m
3
γ = 18 kN/m
3
γ = 18 kN/m
3
10
Foto 2.1 - Vista aérea da Ilha do Fundão, Cidade Universitária, na década de 50.
Foto 2.2 - Vista com o Centro de Tecnologia da Cidade Universitária no primeiro plano
e o local das futuras instalações do Tanque Oceânico ao fundo.
11
2.2 – ENSAIO DE PIEZOCONE - CPTU
O ensaio de piezocone (CPTU – Cone Penetration Test com medida de poro-
pressão) foi realizado pelo Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ próximo ao furo
SPT 02 da primeira campanha de sondagens. O objetivo deste ensaio foi caracterizar
com maior precisão as primeiras camadas, mais fracas, do subsolo do Tanque Oceânico.
A Figura 2.7 mostra o resultado do ensaio realizado; cabe ressaltar que o ensaio
de piezocone, não foi iniciado na cota 0,00 como mostrado na Fig. 2.6 e sim na cota -
2,00 m. Ou seja, na ocasião do ensaio, a camada de entulho indicado na Fig. 2.6 já havia
sido retirada. Observa-se na Fig.2.7 que nos primeiros 2 metros de ensaio (profundidade
de 1 a 3 m, ou melhor cota -3,00 m a -5,00 m) a resistência de ponta foi grande e o atrito
lateral também foi considerável, indicando se tratar de um solo resistente como, por
exemplo a areia, com sua existência já indicada no ensaio SPT. Já nas profundidades
entre 3 m e 7 m foi encontrada a turfa/lixo, pois este material não ofereceu resistência
de ponta, nem aumento considerável das poro-pressões. Nas profundidades entre 7 m e
9 m observa-se valores de resistência de ponta e de atrito lateral bem pequenos, em
contrapartida com o aumento das poro-pressões revelando assim a argila mole.
Finalmente, a partir da profundidade de 9 m (ou cota -11,00 m), é observado o solo
residual argilo arenoso, com aumento da resistência de ponta, atrito lateral e poro-
pressões.
O ensaio de piezocone, além de fornecer com maior precisão a passagem de uma
camada para outra, serve para a estimativa de parâmetros geotécnicos. A Figura 2.8
apresenta os três ensaios de dissipação realizados, onde se interrompeu a cravação do
piezocone em profundidades pré-estabelecidas e monitorou-se a variação das poro-
pressões ao longo do tempo. Vale ressaltar, entretanto, que as dissipações deveriam ter
sido feitas a profundidades menores, como 3 a 8 m, pois foram nestas profundidades
que se observou a presença das camadas menos resistentes.
Um dos parâmetros que podem ser obtidos através do ensaio de dissipação é o c
h
(coeficiente de adensamento horizontal), através da seguinte equação (DANZIGER e
SCHNAID, 2000):
12
t
I T R
c
r
h
* 2
· (2.1)
em que: R é o raio do piezocone
T* é o fator tempo
I
r
é o índice de rigidez (=G/S
u
)
t é o tempo de dissipação do adensamento
Aplicando a Equação 2.1, nos três ensaios de dissipação realizados, com a poro-
pressão medida na base do cone (u
2
) e com R = 1,78 cm, T* = 0,245 (posição do filtro
na base do cone, DANZIGER e SCHNAID, 2000) e I
r
= 80 (ORTIGÃO, 1980), tem-se:
Tabela 2.1 - Resultado dos ensaios de dissipação realizados através da
cravação do piezocone no subsolo do Lab Oceano.
Ensaios de dissipação (profundidade) t
50%
(s) c
h
(cm
2
/s)
8,04 m 20 3 x 10
-1
9,20 m 900 8 x 10
-3
12,37 m 3000 2 x 10
-3
2.3 – LEVANTAMENTO GEOFÍSICO
Um levantamento geofísico foi realizado a fim de verificar sua contribuição para
a construção de perfis e para caracterização da rocha sã, pois na parte central do tanque
a escavação atinge 20 m de profundidade devido a presença de um poço com 5 m de
diâmetro e 10 m de profundidade.
O método usado no levantamento geofísico foi o da eletroresistividade, tendo
sido feito um Caminhamento Elétrico e uma Sondagem Elétrica Vertical. Os resultados
das investigações executadas encontram-se nas Figuras 2.9 e 2.10.
13
Figura 2.7 - Gráficos da resistência de ponta, do atrito lateral, da poro-pressão na base do cone,
da poro-pressão na ponta do cone e da inclinação do tubo, respectivamente, sendo uo a poro-pressão hidrostática.
14
Figura 2.8 - Gráficos de dissipação a diversas profundidades
(u1 é a poro-pressão medida na ponta do cone e u2 é a poro-pressão medida na base do cone).
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
1 10 100 1000 10000
tempo (s)
u

(
k
P
a
)
u2 (profundidade 8,04 m)
u1 (profundidade 8,04 m)
u2 (profundidade 9,20 m)
u1 (profundidade 9,20 m)
u2 (profundidade 12,37 m)
u1 (profundidade 12,37 m)
15
Figura 2.9 - Interpretação do Perfil Geológico e Geofísico do Caminhamento Elétrico
16
Figura 2.10 - Perfil Geológico obtido pelo Caminhamento Elétrico
17
2.4 - ENSAIOS DE LABORATÓRIO
Para melhor determinação das propriedades dos materiais que compõem o
subsolo do Tanque Oceânico foram realizados ensaios de caracterização e ensaios
triaxiais na argila orgânica mole.
2.4.1 - Ensaios de Caracterização
Foram realizados três ensaios de caracterização completa dos materiais
encontrados no subsolo do Tanque Oceânico. Os ensaios foram realizados no
Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ e as curvas granulométricas da argila
orgânica, da areia fina e do solo residual podem ser vistas nas Figuras 2.11, 2.12 e 2.13,
respectivamente. Além disso, na Figura 2.14 observa-se o resultado do Limite de
Liquidez bem como os valores do Limite de Plasticidade e do Índice de Plasticidade da
argila orgânica, cuja amostra foi retirada a 9 m de profundidade, com amostragem do
tipo bloco indeformado, parafinado. Após a coleta, a amostra foi levada à câmara úmida
do Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ, para realização dos ensaios.
A Tabela 2.2 mostra os valores encontrados para a densidade real dos grãos dos
solos ensaiados.
Tabela 2.2 - Densidade real dos grãos dos solos do Tanque Oceânico
TIPO DE SOLO DENSIDADE REAL DOS GRÃOS (G
S
)
Argila orgânica cinza escura com conchas 2,48
Areia fina 2,65
Solo residual jovem amarelado 2,71
18
Figura 2.11 - Granulometria da argila orgânica do Tanque Oceânico.
Figura 2.12 - Granulometria da areia fina do Tanque Oceânico.
0.001 0.01 0.1 1 10 100
DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

P
A
S
S
A
N
D
O
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

R
E
T
I
D
A
270 200 100 60 40 30 20 10 4 3/8 1/2 3/4 1 11/2 2 3
FINA MÉDIA GROSSA
SILTE
PEDREGULHO
AREIA
FINO MÉDIO GROSSO
ARGILA
ABNT
PENEIRAS:
0.001 0.01 0.1 1 10 100
DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

P
A
S
S
A
N
D
O
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

R
E
T
I
D
A
270 200 100 60 40 30 20 10 4 3/81/2 3/4 1 11/2 2 3
FINA MÉDIA GROSSA
SILTE
PEDREGULHO
AREIA
FINO MÉDIO GROSSO
ARGILA
ABNT
PENEIRAS:
19
Figura 13 - Granulometria do solo residual jovem do Tanque Oceânico
Figura 2.14 - Limite de Liquidez da argila orgânica do Tanque Oceânico
10
100
130,0 135,0 140,0 145,0 150,0 155,0 160,0
Umidade, %
N
ú
m
e
r
o

d
e

G
o
l
p
e
s
LL=147,0%
LP= 45,3%
IP=101,7%
0.001 0.01 0.1 1 10 100
DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

P
A
S
S
A
N
D
O
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
P
O
R
C
E
N
T
A
G
E
M

R
E
T
I
D
A
270 200 100 60 40 30 20 10 4 3/8 1/2 3/4 1 11/2 2 3
FINA MÉDIA GROSSA
SILTE
PEDREGULHO
AREIA
FINO MÉDIO GROSSO
ARGILA ABNT
PENEIRAS:
20
2.4.2 - Ensaios Triaxiais na Argila Orgânica
Além dos ensaios de caracterização, houve a necessidade da realização de
ensaios triaxiais na argila orgânica cinza escura com presença de conchas. Estes ensaios
foram feitos quando do início da escavação no interior do Tanque Oceânico, a fim de se
determinar a resistência não drenada (S
u
) deste material, parâmetro importante no
projeto da escavação. Para tanto, foram realizados dois ensaios triaxiais: um ensaio
triaxial CIU - Consolidated Isotropic Undrained (ensaio adensado e não drenado) e um
ensaio triaxial UU - Unconsolidated Undrained (ensaio rápido).
Ensaio Triaxial CIU
Neste ensaio foi utilizada uma tensão de adensamento de 65 kPa, tensão
estimada na amostra de solo no campo, ver Fig. 2.6, ou seja, o ensaio foi realizado nas
condições de tensão in situ. As Figuras 2.15 a 2.18 mostram os gráficos obtidos neste
ensaio. A descontinuidade do gráfico nas Figuras 2.17 e 2.18 está associado a leituras
que deixaram de ser realizadas no fim de semana quando da execução do ensaio.
A Tabela 2.3 traz as informações do corpo de prova utilizado neste ensaio, em
que se observa o Grau de Saturação de 54%, não representando a condição de saturação
completa da amostra in situ. A perda de umidade da amostra está associada ao fato da
escavação ter ficado exposta quando da retirada da mesma
Na Figura 2.15, mais precisamente nos valores de deformações específicas 6% e
7,5%, observa-se certa anomalia, provavelmente causada pelas engrenagens da prensa
do ensaio triaxial; isso também se reflete na Figura 2.16, em que se percebe um "laço"
na trajetória de tensões p × q. A resistência não-drenada (S
u
) observada na Fig. 2.16 é de
aproximadamente 35 kPa.
21
Tabela 2.3 - Dados do corpo de prova usado no ensaio triaxial CIU da argila orgânica
Diâmetro do corpo de prova (cm) 5,08
Altura do corpo de prova (cm) 9,10
Índice de vazios inicial (e
o
) 4,66
Grau de Saturação (S
o
, %) 54
Umidade natural média (%) 102,3
Peso específico aparente seco (γ
s
, kN/m
3
) 6,65
Figura 2.15 - Gráfico tensão desvio × deformação específica do ensaio triaxial CIU
Além do valor da resistência não-drenada (S
u
), o ensaio triaxial CIU, a partir dos
gráficos de tempo versus deformação, fornece o valor de c
v
(coeficiente de adensamento
vertical) através da Equação:

% 90
% 90
2
t
T H
c
d
v
· (2.2)
em que: H
d
é a distância de drenagem no ensaio de adensamento
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
50,0
55,0
60,0
65,0
70,0
75,0
80,0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
deformação específica ( % )
t
e
n
s
ã
o

d
e
s
v
i
o


(

k
P
a

)
22
T
90%
é o fator tempo a 90%
t
90%
é o tempo correspondente a 90 % de adensamento
Usando o processo de Taylor para obtenção do t
90%
(Figura 2.17) e aplicando a
Equação 2.2, tem-se:

( )
min / 10 8 , 5
min 55
848 , 0
2
10 , 9
2 3
2
2
cm
cm
c
v

× ·
×

,
_

¸
¸
·
(2.3)
Figura 2.16 - Gráfico p × q do ensaio triaxial CIU
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
50,0
55,0
60,0
65,0
70,0
75,0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100
p (kPa)
q

(
k
P
a
)
23
Figura 2.17 - Gráfico raiz quadrada do tempo × deformação do ensaio triaxial CIU
Figura 2.18 - Gráfico logaritmo do tempo × deformação do ensaio triaxial CIU.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0
Raiz T (minutos)
D
e
f
o
r
m
a
ç
ã
o

(
%
)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
0,1 1 10 100 1000 10000
Log t (minutos)
D
e
f
o
r
m
a
ç
ã
o

(
%
)
24
Ensaio Triaxial UU
O ensaio triaxial UU foi realizado a uma tensão confinante de 50 kPa. A Figura
2.19 mostra que a resistência obtida foi de, aproximadamente, 35 kPa, confirmando,
portanto o mesmo valor encontrado para a resistência não-drenada (S
u
) do ensaio
triaxial CIU. O aumento de resistência observado no gráfico após o valor de 5% de
deformação específica é devido à presença de grande quantidade de conchas no interior
do corpo de prova ensaiado. A Tabela 2.4 mostra as informações do corpo de prova
utilizado neste ensaio. O Grau de Saturação de 56% é explicado pelo fato da amostra ter
perdido umidade quando da sua extração em campo.
Tabela 2.4 - Dados do corpo de prova do ensaio triaxial UU
Diâmetro do corpo de prova (cm) 5,04
Altura do corpo de prova (cm) 9,10
Índice de vazios inicial (e
o
) 4,34
Grau de Saturação (S
o
, %) 56
Umidade natural média (%) 97,3
Peso específico aparente seco (γ
s
, kN/m
3
) 7,29
Figura 2.19 - Gráfico de tensão desvio × deformação específica do ensaio triaxial UU.
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
50,0
55,0
60,0
65,0
0 5 10 15 20 25 30 35
deformação específica ( % )
t
e
n
s
ã
o

d
e
s
v
i
o


(

k
P
a

)
25
2.5 - PROVA DE CARGA EM ESTACA RAIZ
Uma prova de carga foi realizada nos dias 05 e 06 de fevereiro de 2001. Foi
ensaiada uma estaca raiz vertical piloto, ou seja, não pertencente ao estaqueamento da
obra, com as seguintes dimensões: φ = 400 mm e 24 m de comprimento. A sondagem à
percussão mais próxima à estaca piloto foi a correspondente ao furo SP 08 da primeira
campanha de sondagens.
Resultados da Prova de Carga
A prova de carga realizada foi estática à tração, com carregamento lento, até
uma carga máxima de tração de 150 tf, seguida de descarregamento e recarregamento
rápido até 165 tf. Esta carga máxima foi determinada como limite de segurança para que
não houvesse ruptura das cordoalhas. A carga de trabalho à tração das estacas era de 85
tf. O resultado da prova de carga se encontra na Tabela 2.4.
A fim de se determinar a carga de ruptura, a curva carga-recalque foi extrapolada
pelo método de Van der Veen, usado quando a prova de carga não é levada até a ruptura
ou a um nível de recalque que caracterize a ruptura. A extrapolação por Van der Veen é
confiável se o recalque máximo atingido na prova de carga for de pelo menos, 1% do
diâmetro da estaca (VELLOSO E LOPES, 1997).
Foi feita uma extrapolação da curva carga-recalque utilizando-se os resultados
da prova de carga com carregamento lento até 150 tf e dois pontos do segundo
carregamento, correspondentes a 160 tf e 165 tf. Como pode ser observado na Figura
2.20, a assíntota da função de Van der Veen corresponde à carga de ruptura (Q
ult
) de
202 tf. As Fotos 2.3 a 2.6 mostram a realização da prova de carga.
26
Tabela 2.4: Resultados da prova de carga da estaca raiz piloto do Tanque Oceânico.
Carga (tf) Tempo (h) Deslocamento
(mm)
0 09:45 0,00
20 09:46 0,40
10:01 0,44
40 10:18 0,93
10:48 0,96
60 10:51 1,78
10:21 1,89
80 11:27 3,03
11:57 3,25
100 12:03 4,90
12:33 5,10
120 12:48 6,48
12:18 6,64
140 13:22 7,94
13:52 8,04
150 13:55 8,80
1
o
carregamento
07:55 9,36
160 11,73
2
o
carregamento
165 12,28
Figura 2.20 - Curva carga × deslocamento ascendente
27
Foto 2.3 - Estaca raiz piloto e viga de coroamento das estacas de reação
para a prova de carga.
Foto 2.4 - Macaco colocado no topo da estaca piloto para realização da prova de carga.
28
Foto 2.5 - Equipamento da prova de carga de estaca piloto,
mostrando o esquema de reação.
Foto 2.6 - Extensômetros fixados no topo da estaca piloto.
29
CAPÍTULO 3
ESTIMATIVA DE PARÂMETROS PARA AS ANÁLISES
Este capítulo apresenta uma revisão de correlações disponíveis na literatura
técnica e a estimativa de parâmetros para as análises realizadas nesta tese.
3.1 - CORRELAÇÕES DISPONÍVEIS NA LITERATURA
Os parâmetros utilizados na análise pelo MEF (Método dos Elementos Finitos)
foram obtidos a partir de ensaios in situ e de ensaios de laboratório. Inicialmente serão
apresentadas as correlações entre ensaios in situ e parâmetros de resistência e
deformabilidade de solos. Estas correlações foram tiradas, principalmente, dos trabalhos
de KULHAWY E MAYNE (1990) e de VELLOSO E LOPES (1997).
3.1.1 – Ângulo de Atrito
Ângulo de Atrito de Solos Granulares
Alguns valores típicos de ângulos de atrito de solos granulares obtidos em
ensaios de compressão triaxial (φ'
tc
) estão indicados na Tabela 3.1.
Tabela 3.1 - Valores carterísticos de ângulo de atrito de Solos Granulares
(TERZAGHI E PECK, 1967)
φ’
tc
(graus)
Tipo de Solo
Fofa Compacta
Areia, grãos arredondados, uniformes 27.5 34
Areia, grãos angulares, bem graduada 33 45
Mistura pedregulho-areia 35 50
Areia siltosa 27 a 33 30 a 34
Silte inorgânico 27 a 30 30 a 35
30
Os ensaios in situ que dão correlações mais satisfatórias são o CPTU, seguido do
SPT (KULHAWY E MAYNE , 1990).
(a) Correlações do ângulo de atrito de solos granulares a partir do SPT
Essas correlações são comumente feitas diretamente através da Tabela 3.2, ou
através das Figuras 3.1 e 3.2.
Tabela 3.2 - Correlação do ângulo de atrito com o índice N do SPT
(a) PECK, HANSON E THORNBURN (1974) e (b) MEYERHOF (1956)
φ’
tc
aproximado (graus)
Valor N Densidade Relativa
(a) (b)
0 a 4 Muito fofa < 28 < 30
4 a 10 Fofa 28 a 30 30 a 35
10 a 30 Média 30 a 36 35 a 40
30 a 50 Compacta 36 a 41 40 a 45
> 50 Muito compacta > 41 > 45
Figura 3.1 - Gráfico que relaciona ângulo de atrito com a densidade relativa
e o índice N do SPT (PECK, HANSON E THORNBURN, 1974)
31
Figura 3.2 - Gráfico que relaciona ângulo de atrito e o índice N do SPT
(DE MELLO, 1971)
As correlações ainda podem ser feitas através de equação aproximada que
correlaciona o índice N do SPT e φ’
tc
como uma função no nível da tensão efetiva
geostática vertical, como segue (KULHAWY E MAYNE, 1990):

34 , 0
0
'
1 '
8 , 20 2 , 12
tan
1
1
1
1
1
]
1

¸

,
_

¸
¸
+


A
v
tc
p
N
σ
φ
(3.1)
onde: N é o número obtido do ensaio SPT
σ’
vo
é a tensão efetiva geostática vertical
p
a
é a pressão atmosférica, cujo valor é: 101,3 kN/m
2
KULHAWY E MAYNE (1990) dizem que esses resultados são conservativos e
não devem ser usados em pequenas profundidades (como de 1 a 2 m).
Nas correlações utilizadas neste trabalho não foi considerada a correção de
energia do ensaio SPT.
(b) Correlações do ângulo de atrito de solos granulares a partir do CPT
32
As correlações para obtenção do ângulo de atrito a partir de resultados do ensaio
de CPT podem ser feitas pela Tabela 3.3.
Tabela 3.3 - Correlação entre o ângulo de atrito e o ensaio CPT
(MEYERHOF, 1956)
Resistência de ponta normalizada (q
c
/p
a
) Compacidade relativa φ’
tc
aprox. (graus)
< 20 Muito fofa < 30
20 a 40 Fofa 30 a 35
40 a 120 Média 35 a 40
120 a 200 Compacta 40 a 45
> 200 Muito compacta > 45
As correlações também podem ser feitas pela Figura 3.3 ou pela Equação 3.2.
1
]
1

¸

,
_

¸
¸
+ ≅

vo
c
tc
q
'
log 38 , 0 1 , 0 tan '
1
σ
φ (3.2)
Figura 3.3 - Correlação entre ângulo de atrito de areias, resistência de ponta do cone e
tensão efetiva: (a) vertical (ROBERTSON E CAMPANELLA, 1983) e
(b) horizontal (HOULSBY E WROTH, 1989)
33
Pode-se, ainda, correlacionar q
c
(resistência de ponta do cone) com nível de
tensão, fatores de forma e história de tensão para descobrir φ’
tc
, como mostra a Figura
3.4. MARCHETTI (1985) propôs a Figura 3.5, onde correlaciona q
c
/σ’
vo
e K
o
com φ’
tc
a
partir dos resultados da Figura 3.4.
Figura 3.4 - Correlação do ângulo de atrito com a resistência de ponta do cone do ensaio
CPT, com nível de tensão, fatores de forma e história de tensão
(VILLET E MITCHELL, 1981)
Figura 3.5 - Correlação do ângulo de atrito com K
o
e a figura 3.4 (MARCHETTI, 1985)
34
Por meio de uma grande quantidade de dados, levando-se em consideração a
mineralogia, a forma da partícula, a compressibilidade e a percentagem de finos
KULHAWY E MAYNE (1990) chegaram à Figura 3.6 com a Equação 3.3:
1
1
1
1
1
]
1

¸

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸
+ ·
5 , 0
'
log 0 , 11 6 , 17 '
a
vo
a
c
tc
p
p
q
σ
φ
(3.3)
Figura 3.6 - Relação do ângulo de atrito com o ensaio do CPT
(KULHAWY E MAYNE, 1990)
Ângulo de atrito de solos argilosos
As correlações do ângulo de atrito de solos argilosos são estimadas de duas
maneiras:
35
- ângulo de atrito para solos normalmente adensados (OCR – overconsolidation ratio
igual a 1): φ’
tc (traixial compression)
≈ φ’
cv (critical void ratio)
- ângulo de atrito residual: φ’
r (residual)
Não há nenhuma correlação satisfatória para estimar o ângulo de atrito de pico
de argilas sobreadensadas (OCR > 1) como função do OCR ou de outros parâmetros.
Nem existe correlação com ensaios in situ, como no caso dos solos granulares.
Pesquisas têm mostrado que a fração de argila e a mineralogia são importantes
para determinação de φ’
r
, como se segue (KULHAWY E MAYNE, 1990):
− Se a percentagem de argila for menor que 15%, o solo tem comportamento não
plástico, φ’
r
> 25
0
e não difere muito de φ’
cv
− Se a percentagem de argila for maior que 50%, o solo é argiloso e φ’
r
< φ’
cv
− Se a percentagem de argila estiver entre 15% e 50%, o solo tem comportamento de
transição, como na Figura 3.7.
Figura 3.7 - Correlação do ângulo de atrito com solos argilosos
que contenham certa fração de areia (SKEMPTON, 1985)
3.1.2 – Resistência não drenada (S
u
) de solos argilosos
A resistência não drenada (S
u
- undrained shear strength) é uma propriedade
típica de solos argilosos. O S
u
mede a resposta do solo mediante um carregamento não
36
drenado em que se admite não haver variação de volume. Em laboratório, o ensaio
utilizado para medida do S
u
é o ensaio de compressão trixial do tipo UU (unconsolidated
undrained). A resistência não drenada depende de alguns fatores, entre eles a velocidade
de carregamento, não levado em consideração neste trabalho.
JAMIOLKOWSKI ET AL. (1985) propuseram a relação de S
u
com OCR pela
Equação:

8 , 0
0
) 04 , 0 23 , 0 (
'
OCR
S
v
u
t ·
σ
(3.4)
Para solos normalmente adensados tem-se a seguinte relação, baseada na Teoria
dos Estados Críticos:
0
' 25 , 0
v u
S σ ≅ (3.5)
Correlação de S
u
a partir do SPT
Essas correlações são fracas e podem ser observadas na Tabela 3.4, na Figura
3.8 e na Equação 3.6 (KULHAWY E MAYNE, 1990):

N
p
S
a
u
06 , 0 ·
(3.6)
Tabela 3.4 - Correlação de S
u
com o índice N do SPT e a consistência de solos argilosos
(TERZAGHI E PECK, 1967)
Valor de N Consistência
Valor aproximado de
a
u
p
S
0 a 2 Muito mole < 1/8
2 a 4 Mole 1/8 a 1/4
4 a 8 Média 1/4 a 1/2
8 a 15 Rija 1/2 a 1
15 a 30 Muito rija 1 a 2
> 30 dura > 2
37
Na Figura 3.9 observa-se que não há nenhuma relação clara entre S
u
e N, a partir
de muitos resultados. Uma das razões pode ser devido aos ensaios não obedecerem o
mesmo nível de energia, ou seja, não há uma energia padronizada. A sensibilidade
também varia com o SPT. Além disso, a penetração durante o ensaio do SPT causa um
excesso de poro-pressão temporária que reduz a tensão efetiva nas proximidades da
amostra, resultando num valor aparentemente menor de N (KULHAWY E MAYNE,
1990).
Figura 3.8 - Relação de S
u
com o índice N do SPT e consistência de solos argilosos
(U.S. NAVY, 1986)
A Figura 3.10 dá uma Equação melhor pois, neste caso, o equipamento de
sondagem, o procedimento do SPT e a resistência de referência (ensaio triaxial – UU)
empregados são os mesmos, logo
72 , 0
29 , 0 N
p
S
a
u
·
(3.7)
38
Figura 3.9 - Relação de S
u
com o índice N do SPT (DJOENAIDI, 1985)
Figura 3.10 - Relação de S
u
com o índice N do SPT (HARA ET AL., 1974)
39
Correlações de S
u
a partir do CPT
O S
u
está correlacionado com q
c
através da Equação 3.8 (KULHAWY E
MAYNE, 1990):
q
c
= N
k
S
u
+ σ
vo
(3.8)
em que N
k
é o fator de capacidade de carga do cone. A aplicação da teoria clássica da
plasticidade para problemas de capacidade de carga sugere N
k
da ordem de 9 para
modelo geral de cisalhamento. A teoria de expansão de cavidade dá N
k
crescente na
faixa de 7 a 13 para valores crescentes do índice de rigidez (I
r
).
I
r
= G/Su (3.9)
em que G é o módulo de elasticidade transversal. A teoria prevê uma faixa estreita de
N
k
entre 14 e 18 para uma larga faixa de I
r
, a teoria de expansão de cavidade de VESIC
(1977) propõe:
N
k
= 2,57 + 1,33 (ln I
r
+ 1) (3.10)
BOWLES (1988) sugere que:
2
50
5 , 5
13 t + · Ip N
k
(3.11)
em que Ip é o índice de plasticidade. RAD E LUNNE (1988) ainda propõem que N
k
seja
relacionado com OCR.
O valor de N
k
deveria ser determinado experimentalmente por comparação com
uma resistência de referência. Muitas vezes o ensaio de palheta é usado como
referência.
Para as argilas moles brasileiras N
KT
(fator que emprega a resistência de ponta
corrigida q
T
, em substituição `a resistência de ponta q
c
medida no CPT) varia de 10 a 16
(DANZIGER e SCHNAID, 2000).
40
Corrrelações de S
u
a partir do CPTU (ensaio de piezocone)
O ensaio de piezocone permite corrigir a resistência de ponta q
c
, para q
t
, através
da Equação 3.12 (VELLOSO E LOPES, 1997):
q
t
= q
c
+ u
b
(1-a) (3.12)
em que u
b
é a poro-pressão medida na base do cone e a é a razão entre a área da base do
cone e a área da seção da célula de carga após o anel de vedação:

8 , 0 5 , 0 ;
2 2
2
2
< < · · a
R
r
R
r
a
π
π
(3.13)
Para o ensaio de piezocone o valor de S
u
pode ser determinada por:
u
u
N
u
S


·
(3.14)
em que ∆u = (u
m
– u
0
) (3.15)
u
m
é a poro-pressão medida e u
0
é a poro-pressão hidrostática, N
∆u
é o fator de cone
quanto à poro-pressão, estimada de A
f
, I
r
e PI como mostrado na Figura 3.11
(KULHAWY E MAYNE , 1990).
Figura 3.11 - Correlação de S
u
com o ensaio CPTU (ROBERTSON, ET AL., 1986)
41
3.1.3 – Coeficiente de Poisson
Para condições em que o carregamento é drenado alguns valores típicos do
coeficiente de Poisson (ν) podem ser obtidos através da Tabela 3.5, ou através da
Equação 3.16 (KULHAWY E MAYNE , 1990):
ν
d
≈ 0,1 + 0,3 φ
rel
(3.16)
em que
0 0
0
25 45
25 '


·
tc
rel
φ
φ (3.17)
com (0 ≤ φ
rel
≤ 1), φ
rel
é o ângulo de atrito usado na aproximação do estado de densidade
do solo. Já para condições de carregamento não drenado, ν
u
= 0,5.
Tabela 3.5 - Correlação do coeficiente de Poisson com diferentes tipos de solos
(KULHAWY E MAYNE, 1990)
Solo Coeficiente de Poisson drenado (ν
d
)
Argila 0,2 a 0,4
Areia compacta 0,3 a 0,4
Areia fofa 0,1 a 0,3
3.1.4 – Módulo de Young
O módulo de Young ou Módulo de Elasticidade Longitudinal (E) pode ser
obtido através de correlações com ensaios in situ como mostrado a seguir.
Módulo de Young para solos granulares
A condição de carregamento não drenado em solos granulares, se existente, é
bastante breve, pois devido à alta permeabilidade o excesso de poro-pressão gerada é
42
rapidamente dissipado. A Tabela 3.6 mostra alguns valores de E
d
secante (módulo de
Young drenado) para solos granulares.
Tabela 3.6 - Valores típicos de E
d
para solos granulares (POULOS, 1975)
E
d
/p
a
(normalizado)
Compacidade
Típico Dado de estacas
Fofa 100 a 200 275 a 550
Média 200 a 500 550 a 700
compacta 500 a 1000 700 a 1100
Para o modelo hiperbólico (DUNCAN E CHANG, 1970) o módulo tangente
drenado é dado por:

( )( )
( )
2
3
3 1
' sen ' 2
' ' ' sen 1
1
1
]
1

¸
− −
− ·
tc
tc
f i t
R E E
φ σ
σ σ φ
(3.18a)
e
n
a
a i
p
Kp E

,
_

¸
¸
·
3
' σ
(3.18b)
em que:
- σ’
1
e σ’
3
são as tensões efetivas principais maior e menor;
- K, n e R
f
são os módulos hiperbólicos drenados. Segundo KULHAWY E MAYNE
(1990) esses parâmetros podem ser estimados a partir da Tabela 3.7.
Tabela 3.7 - Valores de parâmetros hiperbólicos para solos granulares
(KULHAWY ET AL., 1983)
Classificação unificada de solo K n R
f
GW 300 a 1200 1/3 0,7
GP 500 a 1800 1/3 0,8
SW 300 a 1200 1/2 0,7
SP 300 a 1200 1/2 0,8
ML 300 a 1200 2/3 0,8
43
TRAUTMANN E KULHAWY (1987) sugerem ainda que K seja obtido como:
K ≈ 300 + 900 φ
rel
(3.19)
Módulo de Young para solos argilosos
Sabe-se que (KULHAWY E MAYNE, 1990):

) 1 ( 2 ν +
·
E
G (3.20)
em que G é o módulo de elasticidade transversal, E o módulo de elasticidade
longitudinal e ν o coeficiente de Poisson . Na condição não drenada,
E
u
= 3G (3.21)
Como I
r
= G/Su (3.22)
tem-se E
u
= 3SuI
r
(3.23)
É comum adotar para argilas sedimentares, a Equação 3.24
E
u
= 500Su (3.24)
A Tabela 3.8 dá alguns os valores do módulo de Young não drenado secante.
Tabela 3.8 - Valores típicos de E
u
para solos argilosos (KULHAWY E MAYNE, 1990)
Consistência E
u
/p
a
(normalizado)
mole 15 a 40
média 40 a 80
rija 80 a 200
Para o modelo hiperbólico, KULHAWY ET AL. (1969) sugerem um módulo de
Young não drenado tangente de:
44
( )
2
3 1
2
1
1
]
1

¸


,
_

¸
¸
·
Su
R
p
Kp E
f
n
a
c
a ut
σ σ σ
(3.25)
em que: σ
c
é a tensão de confinamento isotrópica (para ensaios UU, σ
c
= σ
3
)
K, n e R
f
são os módulos parâmetros hiperbólicos não drenados, dados na
Tabela 3.9.
Módulo de Young para solos residuais
SANDRONI (1991) usou resultados de provas de carga em solos residuais de
gnaisse com a finalidade de obter E para estes solos, como mostrado na Figura 3.12.
Mais simplificadamente, o módulo de elasticidade para solos residuais pode ser dado
através da Equação 3.26
E = 2,5N (MPa) (3.26)
em que N é o índice do ensaio SPT.
Tabela 3.9 - Valores de parâmetros hiperbólicos para solos argilosos
(KULHAWY ET AL., 1983)
Classificação unificada de solo K n R
f
CL 100 a 200 1 0,9
CH 100 a 300 1 0,9
3.2 – RESULTADOS DAS CORRELAÇÕES APLICADAS AOS SOLOS DA
OBRA E DO ENSAIO DE LABORATÓRIO
3.2.1 – Ângulo de Atrito dos Solos Granulares
Ângulo de Atrito a partir do SPT
(a) Areia fina
45
Com o valor do índice N igual a 22, obtido nas Figuras 2.4 e 2.5, referente à
camada de areia fina, foram obtidos os seguintes valores para o ângulo de atrito (φ’): a
partir da Figura 3.1, φ’=33,7
o
e pela Figura 3.2 tem-se φ’=43
o
. Utilizando a Equação
3.1, (com o valor de σ’
vo
calculado no meio da camada de areia, Fig. 2.6) encontra-se
para φ’ um valor de 44,1
o
. Foi adotado neste trabalho o valor de 35
o
para o ângulo de
atrito da areia fina, valor intermediário dos obtidos, já que é necessário não superestimar
o valor de φ’, visto se tratar de um importante parâmetro de resistência.
Figura 3.12 - Relações de E para solos residuais (SANDRONI, 1991)
(b) Solo residual
Neste trabalho não foi feita distinção entre os dois tipos de solo residual como
visto na Figura 2.6, porque, apesar de estarem em processos de formação diferentes,
apresentam características de resistência e deformabilidade parecidas. Logo, foi
considerado para o índice N do SPT um valor de 20, obtendo-se valores de φ’ para o
solo residual pela Figura 3.1 de φ’=33,4
o
e pela Figura 3.2 de φ’=40
o
. A partir da
Equação 3.1, foi encontrado φ’=27.1. O valor considerado para o ângulo de atrito do
solo residual foi de 30
o
.
46
Ângulo de Atrito a partir do CPT
(a) Areia fina
Além do índice N do SPT, foi utilizado neste trabalho o ensaio de piezocone
para obtenção do ângulo de atrito da areia fina. O valor médio da resistência de ponta
obtido no meio da camada de areia fina foi de 20.000 kPa (Figura 2.6). Com este valor,
tem-se pela Figura 3.3(a), φ’=45,5
o
, pela Figura (b), φ’=49,5
o
e pela Fig. 3.5 (com
K
o
=0,5), φ’=43,7
o
. A partir da Equação 3.2, φ’=46,3
o
e pela Equação 3.3, φ’=43,9
o
.
Entretanto, como estes valores obtidos foram superiores aos valores encontrados através
do SPT, como já mencionado, foi considerado para o ângulo de atrito da areia fina um
valor de 35
o
, valor um pouco a favor da segurança.
3.2.2 - Resistência não-drenada da Argila Orgânica Mole
O valor da resistência não-drenada (S
u
) de argilas normalmente adensadas é
obtido através da Equação 3.5. Com o valor de σ’
vo
obtido no meio da camada de argila
mole, o valor de S
u
foi de 21 kPa.
S
u
a partir do SPT
Utilizando um valor de N=2 para a argila (Figuras 2.4 e 2.5), foram obtidos
através da Equação 3.6, S
u
=12 kPa, pela Figura 3.8, S
u
=25 kPa e pela Equação 3.7,
S
u
=48 kPa. Observa-se, portanto, uma grande dispersão.
S
u
a partir do CPT
Utilizando-se a Equação 3.8 e os valores de N
kT
=13, σ
vo
=160 kPa (Figura 2.6) e
q
T
(Figura 2.7), obtém-se para S
u
um valor aproximado de 23 kPa.
S
u
a partir dos Ensaios Triaxiais
47
Conforme o item 2.4.2, o valor obtido para a resistência não-drenada (S
u
) da
argila orgânica cinza escura com conchas do Tanque Oceânico nos ensaios triaxiais foi
de 35 kPa. Como houve perda de umidade da amostra no campo, foi tomado o valor de
S
u
=30 kPa para ser utilizado neste trabalho.
3.2.3 - Coeficiente de Poisson
Os valores adotados para uso no MEF (Método de Elementos Finitos) se
situaram na faixa de 0,2 a 0,5 e serão detalhados no item 3.3.
3.2.4 - Módulo de Young
Módulo de Young de Solos Granulares
(a) Areia fina
A partir da Classificação Unificada na Tabela 3.7, a areia fina pode ser
classificada como SP (poorly graded sands). Tomando-se para K o valor de 500 e para n
o valor de 0,5, o valor obtido para E
i
através da Equação 3.18b é de 36.000 kPa, com o
valor de σ’
vo
tomado no meio da camada de areia fina (Figura 2.6). O valor do módulo
de Young da areia fina utilizado neste trabalho foi de 30.000 kPa, considerando que
haverá alguma redução da tensão confinante em relação ao valor inicial por causa da
escavação.
(b) Solo residual
De acordo com a Tabela 3.7, o solo residual pode ser classificado como ML
(silty or clayey fine sands with slight plasticity).Tomando-se K=500 e n=0,7, tem-se
pela Equação 3.18b, E
i
=60.000 kPa, com σ’
vo
calculado no meio da camada do solo
residual (Figura 2.6) . Para este trabalho, foi considerado um valor para o módulo de
Young do solo residual de 50.000 kPa, considerando que haverá alguma redução da
tensão confinante em relação ao valor inicial por causa da escavação.
Módulo de Young para a Argila Orgânica
48
Através da Equação 3.24, o valor de E
u
encontrado foi de 17.500 kPa. A melhor
classificação para a argila orgânica do Tanque Oceânico é OH (organic clays of medium
to high plasticity). Utilizando os valores da Tabela 3.9, tem-se, para K=200 e n=1,
E
ui
=17.000 kPa, com o valor de σ’
vo
calculado no meio da camada de argila orgânica
(Figura 2.6). Foi tomado neste trabalho o valor do módulo de Young para a argila
orgânica igual a 15.000 kPa, considerando que haverá alguma redução da tensão
confinante em relação ao valor inicial por causa da escavação.
3.3 - RESUMO DOS PARÂMETROS DE RESISTÊNCIA E
DEFORMABILIDADE USADOS NAS ANÁLISES PELO MEF
Além dos solos analisados no item 3.2 (areia fina, argila orgânica e solo
residual) foram estimados os parâmetros do aterro de entulho (com características mais
próximas às da areia fina) e da turfa/lixo (com características semelhantes a da argila
orgânica). A coesão das camadas granulares (aterro de entulho e areia fina) foi estimada
em 5 kPa devido a sucção. Para o solo residual foi estimada uma coesão de 20 kPa
devido a cimentação. Os parâmetros utilizados na análise no Método de Elementos
Finitos neste trabalho estão presentes nas Tabela 3.10 e 3.11.
Tabela 3.10 - Valores dos parâmetros de resistência e deformabilidade usado no MEF
Parâmetro Aterro Areia fina Turfa Argila orgânica Solo residual
E
i
(kPa) 25.000 30.000 15.000 15.000 50.000
ν
0,3 0,3 0,2 0,49 0,45
φ' (graus)
c' (kPa)
30
5
35
5
25
1
0
30
30
20
Tabela 3.11 - Parâmetros hiperbólicos usados no MEF
Parâmetro Aterro Areia fina Turfa Argila orgânica Solo residual
K 100 750 100 100 750
n 0,5 0,5 1 1 0,7
R
f
0,8 0,8 0,8 0,8 0,8
49
CAPÍTULO 4
FASES DE EXECUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO
A obra do Tanque Oceânico teve início em novembro de 2000 e ainda se
encontra em andamento, com previsão de conclusão para abril de 2002. A execução do
Tanque Oceânico pode ser dividida em cinco etapas ou fases principais, as quais serão
descritas a seguir.
4.1 - 1
a
FASE DE EXECUÇÃO
A 1
a
fase consistiu na realização das seguintes atividades:
(a) Montagem do canteiro de obras e limpeza da área.
(b) Seis sondagens à percussão complementares realizadas em novembro de 2000, uma
para cada parede do tanque, uma furo no centro e outra para o Bench Mark (Foto 4.1).
(c) Execução de jet-grouting, com a finalidade de facilitar a escavação do poço central.
Esta técnica consiste em melhorar o solo por meio de jet-grout, cujo esquema da
disposição das colunas de consolidação se encontra na Figura 4.1.
(d) Execução da parede diafragma, que teve início com a execução das muretas guias.
Durante as escavações foram encontradas e retiradas peças de concreto armado e estacas
de madeira. As paredes diafragmas foram executadas pelas empresas Franki e Fundesp.
A execução das paredes diafragma teve início em janeiro de 2001, e seguiu as seguintes
etapas: 1) montagem da "gaiola" de armação do painel, 2) escavação da lamela por meio
de clamshell, com preenchimento de lama bentonítica, 3) ensaios com a lama
bentonítica para aferição da qualidade da mesma dentro da lamela com a realização dos
seguintes testes: teor de areia na lama, viscosidade, pH e espessura do cake, 4)
colocação da chapa espelho (face interna do tanque) e chapas juntas, 5) colocação da
gaiola de armadura na lamela, 6) inserção do tubo tremonha e lançamento do concreto,
7) retirada da chapa espelho e chapas junta (Fotos 4.2 a 4.5). As alturas das lamelas
variaram de 15,20 m a 16,30 m.
50
(e) Escavação geral interna e externa até -2,50 m (cota de arrasamento prevista para as
paredes) para execução das estacas-raízes, das vigas-tirantes, dos blocos de coroamento
das estacas e da viga moldura e para instalação do sistema de rebaixamento do lençol
d'água, com retirada de material impróprio. Foi feito o arrasamento da parede através
de rompedores manuais e chegou-se até o nível de -2,50 m para que o topo de concreto
da parede diafragma ficasse na mesma cota da viga moldura.
A Figura 4.2 apresenta as atividades realizadas na 1
a
etapa de execução do
Tanque Oceânico.
4.2 - 2
a
FASE DE EXECUÇÃO
A 2
a
fase de execução da obra consistiu nas seguintes atividades:
(a) Execução das estacas de fundação, do tipo raiz. As estacas raízes foram dos
seguintes tipos: inclinadas com φ = 400 mm e verticais de φ = 400 mm e de φ = 250 mm
(Fotos 4.6 e 4.7). A partir dos resultados da prova de carga e dos perfis de sondagens
geotécnicas foram definidos os comprimentos para as estacas de acordo com a Tabela
4.1. Em fevereiro de 2001 foi iniciada a execução das estacas raiz. As empresas
responsáveis foram a Fundesp e a Franki. A execução das estacas raiz segue as
seguintes etapas: 1) perfuração da estaca por meio de ponta cortante unida a uma
sucessão de tubos de revestimento até atingir a cota pré-determinada, com auxílio de
água, 2) colocação da armadura, 3) injeção, de baixo para cima, de calda de cimento no
interior do tubo de revestimento até uma determinada altura, com expulsão da água
contida neste trecho, para garantir o cobrimento de todo o fuste com argamassa, 4)
preenchimento do tubo com argamassa de cimento-areia, 5) retirada dos segmentos dos
tubos, um a um, com a complementação de argamassa, caso necessário, 6) aplicação de
ar comprimido.
(b) Execução dos blocos de coroamento, das vigas tirante e da viga moldura da parede
diafragma e aterro destas estruturas de escoramento da escavação do Tanque Oceânico
(Fotos 4.8 a 4.9).
51
Tabela 4.1 - Comprimento das estacas inclinadas de acordo com a localização
Localização das
estacas
Comprimento das
estacas
Inclinação das
estacas
Esforço determinante
para o comprimento
Externa: 24 m 25
o
Compressão
Lado leste (SP2)
Interna: 22 m 25
o
Tração
Lado sul (SP3) 20 m 25
o
Tração
Externa: 22 m 25
o
Compressão
Lado norte (SP4)
Interna: 21 m 25
o
Tração
Lado oeste (SP5) 22 m 17
o
Tração
(c) Rebaixamento do lençol freático, iniciado em fevereiro de 2001, com 28 poços de
20 m de profundidade, 18 m a partir da cota -2,00m e com φ = 400 mm. Os poços foram
executados de acordo com a sequência: 1) abertura do poço com perfuratriz rotativa e
lavagem do furo, 2) retirada da perfuratriz e inserção do tubo do poço, que é ranhurado
e envolto com tela de nylon nos 16m inferiores e liso nos 2m superiores, com φ =
150mm, 3) preenchimento com areia lavada, entre o furo do poço e o tubo ranhurado,
com a função de servir como elemento de filtração, 4) instalação de bicos injetores e
ligação dos poços com os tubos coletores e com o sistema de bombas, como pode ser
visto na Figura 6.1. Os injetores dos poços foram regularmente trocados e os tubos
lavados para retirada de finos da argila (referente à camada do solo residual), que
colmatavam os bicos e impediam a passagem de água (Fotos 6.4 a 6.8).
(d) Instalação de 4 piezômetros tipo Casagrande com 18 m de comprimento (1 em cada
lado da parede diafragma) e 1 medidor de nível d'água com 6 m de comprimento, para
acompanhamento do rebaixamento do lençol d'água, instalados conforme Figura 6.1.
Posteriormente, 4 novos piezômetros com 8,50 m de profundidade (com filtro abaixo da
cota -6,00 m) foram instalados, para verificação do nível do lençol d'água suspenso
sobre a camada de argila orgânica, que confirmou a presença deste. Com a confirmação
do lençol suspenso, foi decidido instalar um sistema de rebaixamento complementar em
ponteiras alcançando a cota -7,00 m. Devido à limitação do sistema de ponteiras quanto
à altura do rebaixamento, as mesmas foram instaladas no fundo de uma trincheira de
52
forma a alcançar uma cota mais baixa. O sistema de ponteiras foi instalado na lateral
norte, pelo fato de estar mais próxima do mar, fonte principal de recarga do aqüífero.
Foram instaladas 15 ponteiras espaçadas de 2,00 m entre si. Foram instalados, ainda,
drenos nas paredes internas do Tanque Oceânico, a fim de diminuir a pressão de água.
Entretanto, a abertura destes drenos provocou o carreamento de uma quantidade de solo,
principalmente no canto nordeste, onde foi observada maior presença de água.
A Figura 4.3 apresenta as atividades realizadas na 2
a
etapa de execução do
Tanque Oceânico.
4.3 - 3
a
FASE DE EXECUÇÃO
A 3
a
fase de construção consistiu na realização de:
(a) Escavação interna do tanque até a cota -10,70 m. Nesta etapa, devido à presença do
lençol suspenso, que implicava em solicitações de empuxo maiores do que as adotadas
em projeto, tomou-se o cuidado de realizar a escavação deixando junto à parede bermas,
que foram retiradas quando da execução da laje de fundo em trechos (Fotos 4.10 a
4.12).
(b) Estacas-raízes de tração com φ = 400mm e comprimentos de 12m e 13m, a fim de
combater a sub-pressão na laje de fundo. Foram executadas 138 estacas-raízes nesta
fase e a empresa executora foi a Fundesp (Fotos 4.13 e 4.14). Antes do início da
execução dessas estacas, foi feita a concretagem de regularização do fundo da
escavação (concreto magro com espessura de 10 cm) até a cota -10,60 m .
(c) Início de execução do poço central, com escavação manual até a cota -15,50 m. A
concretagem foi feita em etapas de aproximadamente 2 m em 2 m.
(d) Tratamento das juntas da parede diafragma nos locais onde foi encontrado concreto
de má qualidade, consistindo de: retirada do concreto ruim com rompedores manuais;
colocação de uma armação de reforço "costurada" à armação já existente no local e
concretagem dos trechos tratados.
53
A Figura 4.4 apresenta as atividades realizadas na 3
a
etapa de execução do
Tanque Oceânico.
4.4 - 4
a
FASE DE EXECUÇÃO
A 4
a
fase de execução da obra compreendeu as seguintes etapas:
(a) Ligação da parede diafragma com a laje de fundo, mediante os seguintes
procedimentos: escarificação da parede diafragma junto ao fundo com rompedores
manuais até alcançar a armadura da parede; execução de furos transversais na parede;
colocação de adesivo estrutural "Compound" da Otto Baumgart no interior do furo e,
finalmente, colocação das barras de aço de ligação da laje de fundo com a parede
diafragma (Foto 4.15).
(b) Execução da laje de fundo em quatro etapas. Para a ligação das estacas à laje de
fundo foi feito o arrasamento da cabeça das estacas e colocação de uma armação
complementar de ancoragem (emendada com luva) no topo da armação das estacas
(Fotos 4.16 e 4.17).
(c) Desligamento do rebaixamento do lençol d'água em dezembro de 2001. No item 6.1
encontra-se a Figura 6.3 com os gráficos dos níveis d'água obtidos por meio de
medições realizadas em campo em 8 piezômetros e um medidor de nível d'água entre os
meses de junho e dezembro de 2001.
A Figura 4.5 apresenta as atividades realizadas na 4
a
etapa de execução do
Tanque Oceânico.
5
a
FASE DE EXECUÇÃO
A 5
a
fase de execução constou de:
(a) Execução do restante das lajes internas para geração do sistema de ondas e
correnteza.
54
(b) Terraplenagem final para atender às cotas de arquitetura.
(c) Execução do restante do prédio.
(d) Enchimento do tanque.
A Figura 4.6 apresenta as atividades realizadas na 5
a
etapa de execução do
Tanque Oceânico.
55
Figura 4.1 - Colunas de jet-grounting para melhorar o solo na região do poço central.
56
Figura 4.2 - Primeira etapa de execução do Tanque Oceânico: execução de paredes diafragma e
arrasamento até a cota -2,50 m com substituição de material impróprio.
57
Figura 4.3 - Segunda fase de execução do Tanque Oceânico: instalação do sistema de rebaixamento e acompanhamento do NA; execução
de estacas de fundação, de blocos de coroamento, vigas tirantes e parte da parede do tanque moldada convencionalmente.
58
Figura 4.4 - Terceira fase de execução do Tanque Oceânico: escavação interna até a cota -10,70 m (execução de concreto
magro de 10 cm de espessura); execução de estacas de tração para combate à sub-pressão e execução do poço central.
59
Figura 4.5 - Quarta fase de execução do Tanque Oceânico: desligamento do rebaixamento e execução da laje de fundo.
60
Figura 4.6 - Quinta fase de execução do Tanque Oceânico: execução do restante da estrutura do tanque e enchimento do tanque.
61
Foto 4.1 - Topo do Bench Mark instalado na área do Lab Oceano.
Foto 4.2 - Escavação do painel da parede diafragma com clamshell.
62
Foto 4.3 - Colocação da armação num painel da parede diafragma.
Foto 4.4 - Concretagem com tubo tremonha de um painel da parede diafragma.
63
Foto 4.5 - Topo do painel da parede diafragma concretada.
Foto 4.6 - Execução de estaca raiz inclinada.
64
Foto 4.7 - Topo das estacas raiz inclinadas e escavação
para execução dos blocos de coroamento.
Foto 4.8 - Vigas tirante concretadas.
65
Foto 4.9 - Compactação com rolo liso do aterro até a cota 0,0 das estruturas
de escoramento do Tanque Oceânico.
Foto 4.10 - Vista interna do Tanque Oceânico pouco antes do início
da escavação até a cota -10,70 m.
66
Foto 4.11 - Escavação interna do Tanque Oceânico, acima parte da parede
do tanque moldada convencionalmente (cota 0,00).
Foto 4.12 - Vista superior do Tanque Oceânico com a quase finalização da escavação.
67
Foto 4.13 - Execução da estaca raiz de tração para combate
à sub-pressão na laje de fundo.
Foto 4.14 - Vista do concreto magro com a locação das estacas.
68
Foto 4.15 - "Pé" da parede diafragma sendo ligado à laje de fundo através
das barras de aço de ligação com o adesivo "Compound".
Foto 4.16 - Início da primeira etapa de armação da laje de fundo.
69
Foto 4.17 - Concretagem da primeira etapa de execução da laje de fundo.
70
CAPÍTULO 5
MODELAGEM DA CONSTRUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO
POR MÉTODO NUMÉRICO
Este capítulo, inicialmente, faz uma revisão do Método dos Elementos Finitos
aplicado à Geotecnia. Em seguida, traz a modelagem da percolação da água junto ao
Tanque Oceânico, utilizando o programa SEEPW. Finalmente, apresenta a modelagem
numérica tensão-deformação do Tanque Oceânico mediante duas análises: elástica
linear e não-linear, utilizando o programa PROGEO.
5.1 - MODELO DE ANÁLISE EM ELEMENTOS FINITOS
5.1.1 - Introdução
Os métodos numéricos utilizados em engenharia são: Método das Diferenças
Finitas (MDF), Método dos Elementos Finitos (MEF) e Métodos dos Elementos de
Contorno (MEC). O Método dos Elementos Finitos é o mais usado em Geotecnia pela
facilidade com que pode tratar problemas heterogêneos e não lineares (Lopes, 1995).
Na solução de um problema pelo MEF divide-se o domínio do problema em
elementos, que possuem comportamento facilmente definido em função da sua
geometria e propriedades. Os elementos são conectados apenas em alguns pontos
(pontos nodais) através dos quais interagem entre si. Com este método, pode-se analisar
uma geometria complexa e, além disso, cada elemento pode ter propriedades próprias
(caso de meios heterogêneos). O MEF é utilizado em problemas não lineares
(elasticidade não linear e plasticidade) e dependentes do tempo (viscosidade e
adensamento) (LOPES, 1995).
Resolução de um problema pelo MEF
Resumidamente, o procedimento para solução de problemas pelo MEF é:
71
1) divisão do domínio do problema em um número finito de elementos ligados entre si
através de "pontos nodais" ou "nós";
2) a distribuição da variável a qual se deseja conhecer no interior do elemento é
aproximada por uma função particular, "função de interpolação";
3) a partir da função de interpolação relaciona-se o valor da variável nos nós de cada
elemento, dando como resultado o sistema de equações do elemento, que pode ser
representado de forma matricial, com a matriz dos coeficientes denominada "matriz
de comportamento do elemento";
4) através dos nós associam-se as equações dos elementos, gerando um sistema global
de equações para solução do problema;
5) introdução das condições de contorno (valores conhecidos da variável do problema);
6) resolução do sistema de equação global com a obtenção dos valores da variável do
problema nos nós;
7) determinação de variáveis secundárias por meio de cálculo complementar.
ENTRADA DE DADOS
MONTAGEM DAS MATRIZES ELEMENTARES
MONTAGEM DA MATRIZ GLOBAL
MONTAGEM DO VETOR DE CARGAS
INTRODUÇÃO DAS CONDIÇÕES DE CONTORNO
RESOLUÇÃO DO SISTEMA DE EQUAÇÕES
OBTENÇÃO DAS VARIÁVEIS SECUNDÁRIAS
Figura 5.1 - Operações principais realizadas em um programa de MEF (LOPES, 1995).
5.1.2 - Análise tensão-deformação pelo MEF
Para a solução de um problema tensão-deformação, devem ser satisfeitas duas
condições: equilíbrio das forças (e de suas derivadas, as tensões) e compatibilidade dos
72
deslocamentos (e de suas derivadas, as deformações), além de obedecer as leis tensão-
deformação. Pelo enfoque variacional, dois princípios devem ser satisfeitos: Princípio
da Energia Complementar Mínima e Princípio da Energia Potencial Mínima.
Matriz de Rigidez de um Elemento Finito
A seguir são mostrados os passos a serem seguidos para determinação da matriz
de rigidez de um elemento finito para o problema tensão-deformação, em que as
variáveis nodais são os deslocamentos e as forças (LOPES, 1995):
{ }
δ
e

÷→ ÷
1
{δ} ÷→ ÷
2
{ε} ÷→ ÷
3
{σ} ÷→ ÷
4

{ }
F
e
condições cinemáticas condições físicas condições estáticas
em que:
{ }
δ
e
: vetor de deslocamento nodal do elemento
{δ}: vetor de deslocamento de um ponto genérico no interior do elemento
{ε}: vetor das deformações no interior do elemento
{σ}: vetor das tensões no interior do elemento
{ }
F
e
: vetor de forças nodais do elemento
O 1
o
passo relaciona o deslocamento de um ponto qualquer no interior do
elemento com os deslocamentos nodais por meio de:
{ } [ ]{ }
e
N δ δ · (5.1)
em que [N] é a matriz das funções de deslocamento ou de forma.
No 2
o
passo, sendo a deformação a derivada dos deslocamentos, tem-se:
{ } [ ]{ }
e
B δ ε · (5.2)
em que [B] é a matriz das primeiras derivadas das funções de deslocamento.
73
No 3
o
passo a relação entre tensão e deformação é dada por:

{ } [ ]{ }
σ ε · D (5.3)
em que [D] é a matriz de propriedades do material.
Então:

{ } [ ][ ] { }
σ δ · D B
e
(5.4)
O 4
o
passo estabelece uma relação entre as forças externas (nós) e as tensões no
interior por meio do Teorema dos Trabalhos Virtuais:

{ } { } { } { }
δ ε σ
*
*
int
T
e
e
v
T
F dv
trabalho externo trabalho erno
· ∫
(5.5)
Como
{ } { } [ ] ε δ
*
*
T
e
T
T
B · (5.6)
então,
{ } { } { } [ ] { } δ δ σ
e
T
e e
v
T
T
F B
* *
·

dv (5.7)
{ } { } { } [ ] { } δ δ σ
e
T
e e
T
T
v
F B dv
* *
·

(5.8)
{ } [ ] [ ] [ ]{ } F B D B dv
e
T
e
v
·

δ (5.9)
O vetor { } δ
e
pode ser passado para fora da integral, ficando
{ } [ ] [ ] [ ] { } F B D B
e
T
v
e
·

dv δ (5.10)
ou

{ } [ ] { }
F K
e e e
· δ (5.11)
em que [K] é a matriz de rigidez do elemento.
74
Elementos Isoparamétricos
Quando os problemas apresentam geometria curva, devem ser utilizados
elementos mapeados, dos quais os mais utilizados são os elementos isoparamétricos
(visto que elementos triangulares e retangulares não acompanham bem o problema
proposto).
O elemento mapeado é aquele que num dado sistema de coordenadas apresenta
forma simples, mas que pode ser transformado (maneado) para uma forma distorcida
em outro sistema de coordenadas.
O elemento isoparamétrico utiliza a mesma função de interpolação (usada para
representar os deslocamentos no interior do elemento em função dos deslocamentos
nodais) para representar a geometria do elemento em função das coordenadas nodais.
Existem elementos isoparamétricos unidimensionais (barras), planos (2-D) e sólidos (3-
D). Quanto à função de interpolação, existem a linear, a quadrática e a cúbica.
A Figura 5.2 tem como sistema de coordenadas locais:

a
x
· ξ e
b
y
· η (5.12)
Figura 5.2 – Mapeamento de um elemento (LOPES, 1995)
(-1,1)
(-1,-1) (1,-1)
(1,1)
η
ξ
ξ
η
y
x
b
a
75
Como pode ser observado, um elemento de forma distorcida pode ser mapeado
como um elemento retangular. A função de interpolação de deslocamento pode ser:
{ }{ }
e
n
N N
v
u
δ ...
1
·
¹
;
¹
¹
'
¹
(5.13)
e as coordenadas de um ponto genérico se relacionam com as coordenadas dos nós pelas
mesmas funções de interpolação:

{ }
u
v
N N
x
y
n
e
¹
'
¹
¹
;
¹
·
¹
'
¹
¹
;
¹
1
... (5.14)
As funções de forma serão, neste caso, funções de ξ e η. Para se obter derivadas
em relação ao sistema x e y é necessário estabelecer uma relação entre as derivadas dos
dois sistemas:


∂ξ



∂ξ



∂ξ

∂η



∂η



∂η
N N
x
x N
y
y
N N
x
x N
y
y
· +
· +
(5.15)
ou
[ ]

∂ξ

∂η

∂ξ

∂ξ

∂η

∂η








N
N
x y
x y
N
x
N
y
J
N
x
N
y
¹
'
¹
¹
¹
¹
¹
¹
;
¹
¹
¹
¹
¹
·

¸

1
]
1
1
1
1
¹
'
¹
¹
¹
¹
¹
¹
;
¹
¹
¹
¹
¹
·
¹
'
¹
¹
¹
¹
¹
¹
;
¹
¹
¹
¹
¹
(5.16)
em que a matriz [J], chamada Jacobiano, relaciona as derivadas dos dois sistemas.
Quando [J] for conhecida, as derivadas das funções de interpolação em relação a x e y
serão obtidas por:
[ ]





∂ξ

∂η
N
x
N
y
J
N
N
i
i
i
i
¹
'
¹
¹
¹
¹
¹
¹
;
¹
¹
¹
¹
¹
·
¹
'
¹
¹
¹
¹
¹
¹
;
¹
¹
¹
¹
¹
−1
(5.17)
Para a transformação da região de integração utiliza-se
[ ] η ξd d J dxdy det · (5.18)
Assim,
76
[ ] [ ] [ ][ ] [ ] [ ][ ] [ ] K B D B t B D B J
e
v
T
T
· · ∫ ∫ ∫
− −
dv d d
1
1
1
1
det ξ η (5.19)
Isto porque, devido aos elementos serem irregulares, a integração numérica
torna-se necessária. Dentre os processos de integração numérica mais utilizados está o
de Gauss-Legendre, que para o caso bidimensional é:
f d w w f
i j i i
j
n
j
n
( , ) ( , ) ξ η ξ η ξ η d

· ·

∫ ∑ ∑ ∫ ·
1
1
1 1
1
1
(5.20)
Neste processo são adotados pontos no interior do elemento, como mostra a
Figura 5.3, cujas coordenadas locais (ξ
i
, η
i
) e fatores de ponderação (w
i
) estão na
Tabela 5.1.
Figura 5.3 – Elementos quadrilaterais com a) 2×2, b) 3×3 e c) 5×5
pontos de integração (LOPES, 1995)
5.1.3 - Modelos de Comportamento
Os modelos estudados podem ser classificados em:
1) Modelos Lineares ou Modelos Elásticos Lineares
a) Modelo com Módulo de Young (E) e Coeficiente de Poisson (ν), usado nas análises
preliminares deste trabalho.
77
Este modelo é baseado na Lei de Hooke para 3 dimensões. No caso de material
isotrópico os parâmetros são:

1
1
ε
σ
· E e
1
ε
ε
ν
r
· (5.21)
Tabela 5.1 – Valores de coordenadas locais e de fatores de ponderação
para integração numérica de Gauss-Legendre (LOPES, 1995)
b) Modelo octaédrico, Módulo Cisalhante (G) e Módulo Volumétrico (K)
A relação tensão deformação é

σ
τ
ε
γ
oct
oct
oct
oct
K
G
¹
'
¹
¹
;
¹
·

¸

1
]
1
¹
'
¹
¹
;
¹
0
0
(5.22)
onde
( ) v
E
G
v
E
K
+
·

·
1 2 2 1
, (5.23)
c) Modelo de Lamé com G
Lamé
,
Lamé.
Neste modelo os parâmetros são:
78

v
E
G G
Lamé
+
· ·
1
2 e
( ) v
G
Lamé
Lamé
2 1 −
· λ (5.24)
2) Modelos Não-lineares
Nesta categoria estão os modelos pseudo-elásticos ou elásticos não-lineares e
os modelos elasto-plásticos. No primeiro grupo estão:
(a) Modelo Elástico bilinear ou linear com condição limite.
(b) Modelo Elástico multilinear.
(c) Modelos que adotam uma função matemática para a relação tensão-deformação.
Este último foi utilizado na análise definitiva do Tanque Oceânico. Os modelos
elásticos não-lineares com função matemática podem adotar:
(c1) Não-linearidade do Módulo de Young
Neste modelo, o Módulo de Young varia com o nível de tensão cisalhante e
com o nível de tensão confinante. Usa-se com freqüência o Modelo Hiperbólico de
KONDNER (1963) para relacionar o Módulo de Young com o nível de tensão
cisalhante, como pode ser observado na Figura 5.4, por meio da Equação 5.25:

( )
E E
t i
ult
· −

¸

1
]
1
1
1
1 3
1 3
2
σ σ
σ σ
(5.25)
em que E
t
e E
i
são, respectivamente, os Módulos de Elasticidade Tangencial e Inicial.
79
DUNCAN E CHANG (1970) modificaram a equação acima fazendo com que a
assíntota da hipérbole não coincidisse com o patamar limite da curva tensão-deformação
(Figura 5.4 c):

( )
E E R
t i f
f
· −

¸

1
]
1
1
1
1 3
1 3
2
σ σ
σ σ
(5.26)
em que R
f
é a razão entre o patamar da curva (resistência) e a assíntota da hipérbole
(determinada experimentalmente) (Figura 5.4 b).
Para a dependência do nível de tensão confinante (Figura 5.4 d), DUNCAN E
CHANG (1970) utilizaram a seguinte equação de JAMBU (1963):
E K p
p
i atm
atm
n
·
¸
¸

_
,

σ
3
'
(5.27)
em que: σ
3
' é a tensão confinante
K e n são parâmetros determinados experimentalmente (Figura 5.4 e)
p
atm
é a pressão atmosférica
Descarregamento e recarregamento
Para o caso de descarregamento e recarregamento, DUNCAN E CHANG
(1970) consideraram o comportamento elástico e adotaram E
ur
, como o módulo de
descarregamento-recarregamento, ao invés de E
t
(Figura 5.4 c), dado por,
E F
ur ur i
· E (5.28)
em que F
ur
é um fator de descarregamento-recarregamento (próximo de 1,0), uma vez
que E
ur
é próximo de E
i
, ou
E K
p
ur ur atm
atm
n
·
¸
¸

_
,
p
σ
3
'
(5.29)
80
em que K
ur
é o fator K da equação de Jambu, porém tirado em descarregamento-
recarregamento. Assim, é possível introduzir a irreversibilidade de deformações num
modelo elástico não-linear.
Figura 5.4 - Modelos Elásticos Não-lineares (LOPES, 1995)
81
(c2) Não Linearidade do Coeficiente de Poisson
CLOUGH E WOODWARD (1967) propuseram para a não-linearidade do
Coeficiente de Poisson:

4
1
2
8 1 1

,
_

¸
¸
− − + −
·
B
E
v
t
t
(5.30)
em que

( )( ) ν ν 2 1 1 2
E
B
− +
· (5.31)
KULHAWY, DUNCAN E SEED (1969) utilizaram o Coeficiente de Poisson
como dependente da tensão confinante, como pode ser observado por meio da Equação
5.32 e da Figura 5.4 f).

,
_

¸
¸
− ·
atm
i
p
f g
'
3
log
σ
ν
(5.32)
em que: g = ν
i
a p
atm
(Figura 5.4 g)
f = decréscimo de ν
i
para cada acréscimo de 10 vezes em σ'
3
e propuseram o Coeficiente de Poisson dependente do nível de deformação por meio da
relação hiperbólica, Equação 5.33 (Figura 5.4 h).

( )
ν
ν
ε
t
i
d
·
− 1
1
2
(5.33)
5.1.4 - Algoritmo Utilizado
Os principais tipos de algoritmos utilizados numa modelagem em elementos
finitos são (LOPES, 1995):
82
1) Incremental
- Rigidez tangente (ou Euller-Cauchy)
- 2 (dois) passos por incremento (Runge-Kutta)
2) Iterativo
- Rigidez constante
- Rigidez variável
3) Misto ou incremental-iterativo
O algoritmo incremental divide a carga em parcelas ou incrementos, aplicados
um de cada vez e os resultados de cada incremento são somados. Após aplicado cada
incremento, há modificação da matriz [D] para que haja acompanhamento do modelo.
O algoritmo iterativo, também chamado de algoritmo de "forças ou cargas
equivalentes", aplica a carga de uma só vez e iterações são feitas para satisfazer o
modelo em cada ponto. Nas iterações são aplicadas forças equivalentes às tensões não
equilibradas - “resíduos” - decorrentes da violação do modelo. Neste algoritmo o
processo termina após o desaparecimento dos resíduos a menos de uma tolerância
especificada.
O algoritmo misto aplica a carga em incrementos, fazendo iterações a cada
incremento (Figura 5.5).
Nas análises realizadas neste trabalho foram utilizados algoritmos
incrementais, que são de dois tipos:
(a) Algoritmo Incremental de Rigidez Tangente (ou Euller-Cauchy)
83
Neste algoritmo as propriedades de deformação para um incremento são tiradas
pela tangente à curva no nível de tensões existentes no final do incremento anterior
(Figura 5.6 a).
Figura 5.5 – Principais algoritmos (LOPES, 1995)
(b) Runge-Kutta de 2
a
ordem (2 passos)
Neste tipo de algoritmo incremental, têm-se as seguintes operações:
(i) o incremento de carga é aplicado com as propriedades tiradas da reta tangente à
curva no nível de tensões ao final do incremento anterior, obtendo-se ∆δ e ∆σ (a 1
a
aplicação de carga é chamada de “passo piloto”), (Figura 5.6 b);
(ii) soma-se, provisioriamente, a metade da variação das tensões às tensões ao final
do incremento anterior;
(iii) as propriedades de deformação são tiradas pela reta tangente à curva para as
tensões assim acumuladas;
(iv) a variação das tensões do passo piloto são apagadas (∆σ não tinham sido
somadas);
84
(v) é aplicado novamente o incremento com as propriedades calculadas em (iii).
O Runge-Kutta é melhor que o Euller-Cauchy pois, como pode ser visto na
Figura 5.6c, acompanha mais de perto a curva tensão-deformação e também viola
menos o limite de tensão que o solo pode suportar, ou seja, sua resistência (evita o
“over-shooting”). Este algoritmo foi usado nas análises não lineares deste trabalho.
Figura 5.6 – Acompanhamento da curva tensão-deformação em algoritmos
incrementais; (a) Euller-Cauchy e (b) Runge-Kutta (LOPES, 1995)
85
5.1.5 – Simulação pelo MEF de eventos em Geotecnia
Simulação de Escavações
A simulação é feita, basicamente, retirando-se da rede de EF os elementos que
correspondem ao material escavado, e pela aplicação na face exposta de tensões iguais
às que estavam antes da escavação, mas com sinal contrário (Figura 5.7).
Figura 5.7 – Simulação de escavação em etapas (LOPES, 1995)
DUNLOP ET AL. (1968), DUNCAN e DUNLOP (1969) e WONG (1971)
efetuaram as primeiras simulações de escavações, sendo, que nestes estudos, as tensões
a serem aplicadas na face exposta eram calculadas pela interpolação entre tensões no
interior dos elementos dos dois lados da face exposta. Mas esta técnica não atende ao
requisito de unicidade de ISHIHARA (1970), pelo qual se demonstra que o resultado da
análise de uma escavação em material elástico não depende do número de etapas em
que é feita a simulação da escavação.
CHANDRASEKARAN E KING (1974) propuseram a seguinte técnica:
(i) inicialmente todas as forças nodais de escavações são calculadas (e guardadas) a
partir do estado de tensões inicial
86
{ } [ ] { } ν σ
ν
d B F
o
T
exc

· (5.34)
(ii) após a aplicação das forças de cada estágio, os deslocamentos daí decorrentes
são multiplicados pelas matrizes de rigidez dos elementos adjacentes às faces ainda por
expor para alterar as forças de estágios ainda por simular
{ } { } [ ]{ }
i i i exc
K Fexc F δ + ·
−1
(5.35)
Esta técnica foi utilizada na COPPE-UFRJ por TSUTSUMI (1975) e FUJII
(1976).
MANA (1978) formulou uma técnica mais simples, a qual produz solução única
independente do número de etapas em que é simulada a escavação, em que se calculam
diretamente as forças nodais de escavação usando as tensões nos elementos
(isoparamétricos) adjacentes à escavação. MANA (1978) calcula em todos os estágios
da escavação as forças nodais equivalentes às tensões segundo:

{ } [ ] { }

·
ν
ν σ d B F
T
exc
(5.36)
utilizada por CHANDRASEKARAN E KING (1974) no estágio inicial. Antes de uma
nova etapa, as forças nos nós expostos são calculados com as tensões existentes após a
etapa anterior nos elementos logo abaixo da superfície de escavação (com os sinais
contrários).
No item 2 do processo geral de simulação de escavações, MANA (1978) utiliza
rigidez nula nos elementos removidos, quando anteriormente reduzia-se o módulo de
elasticidade até próximo de zero. Assim, os graus de liberdade associados aos pontos
nodais na parte removida saem do sistema de equações, evitando, assim, uma rigidez
desnecessária e diminuindo o número de equações a ser resolvido. Como exemplo de
utilização desta técnica na COPPE-UFRJ tem-se ALVES (1982) e SARAMAGO
(1994).
Carregamento por Forças de Percolação
Existem duas maneiras de se introduzir a ação da água numa análise tensão-
deformação-equilíbrio num maciço, seja esta análise feita por meio de métodos de
87
equilíbrio limite em que se analisam elementos de solo (fatias - em equilíbrio limite - ou
elementos finitos) com peso total e pressões de água na fronteira ou pelo MEF,
analisando-se elementos de solo com peso aparente (submerso) e sob a ação de forças
de percolação (LOPES , 1995).
O primeiro procedimento é aplicado em métodos de equilíbrio limite pela
simplicidade, já o segundo procedimento é o utilizado pelo MEF.
Para efeito de simulação de eventos envolvendo mudanças no regime de água
subterrânea nas obras de terra sugere-se o seguinte procedimento (em análise de
pressões efetivas) (LOPES, 1995):
(i) fornecer ao programa o regime de água inicial (inexistência de água ou
submersão estática, por exemplo);
(ii) fornecer o novo regime de água (submersão estática ou fluxo estacionário, por
exemplo);
(iii) calcular no programa as mudanças na carga hidráulica total nos pontos nodais;
(iv) calcular no interior dos elementos os gradientes hidráulicos decorrentes das
mudanças obtidas em (iii). Isto é conseguido com a primeira derivada das funções de
forma:

[ ]
{ } H
x
N
x
H
i
x



− ·


− · (5.37)

[ ]
{ } H
y
N
y
H
i
y



− ·


− ·
(5.38)
em que: i
x
e i
y
são gradientes hidráulicos segundo x e y
∂[N]/∂x e ∂[N]/∂y são as primeiras derivadas das funções de forma no ponto
(de integração numérica, por exemplo) no interior do elemento.
{ H} é o vetor das mudanças na carga hidráulica nos pontos nodais.
(v) calcular forças nodais equivalentes a estes gradientes pelo mesmo procedimento
de potenciais de forças de massa descrito no item anterior:
{ } [ ] ν
γ
γ
ν
d
i
i
N F
w y
w x
T
¹
;
¹
¹
'
¹
·

(5.39)
Esta técnica foi utilizada, por exemplo, por VERTAMATTI (1980), LOPES e
VERTAMATTI (1984) e ÁGUAS (1999).
88
5.2 - ANÁLISE DE PERCOLAÇÃO
5.2.1 - Introdução
As primeiras formulações do problema de percolação foram devidas a
ZIENKIEWICS, MAYER e CHEUNG (1966) e TAYLOR e BROWN (1967).
NEWMAN e WITHERSPOON (1970) e BATHE e KHOSHGOFTAAR (1979)
estudaram com mais rigor a superfície livre. DESAI e SHERMAN (1971) e NEWMAN
(1973) foram responsáveis pelos primeiros estudos de fluxos transientes e não
saturados.
5.2.2 - Formulação de Fluxo Estacionário
A formulação de percolação é análoga à realizada no item 5.1.2 e apresenta os
seguintes passos:
{ } H
e

÷→ ÷
1
{Η} ÷→ ÷
2
{i} ÷→ ÷
3
{v} ÷→ ÷
4
{ }
e
Q
condições de compatibilidade condições físicas condições de continuidade
em que:
{ }
Η
e
: vetor de cargas hidráulicas nodais
{H}: vetor de cargas de um ponto genérico no interior do elemento
{i}: vetor de gradientes hidráulicos no interior do elemento
{v}: vetor de velocidades no interior do elemento
{ }
e
Q : vetor de vazões nodais
O 1
o
passo relaciona a carga hidráulica de um ponto qualquer no interior do
elemento com as cargas hidráulicas nodais por meio de:
{ } [ ]{ }
e
H N H · (5.40)
em que [N] é a matriz das funções de carga hidráulica.
89
No 2
o
passo, diferenciando H em relação a x e y obtém-se o gradiente da carga
hidráulica
{} [ ]{ }
e
H B i · (5.41)
em que [B] é a matriz análoga àquela apresentada na Equação 5.2
No 3
o
passo, a velocidade no interior do elemento se relaciona com o gradiente
hidráulico pela Lei de Darcy (no caso 2-D):
¹
;
¹
¹
'
¹
1
]
1

¸

·
¹
;
¹
¹
'
¹
y
x
y
x
i
i
k
k
v
v
2
1
0
0
(5.42)
Isto no caso de a permeabilidade principal maior k
1
coincidir com o eixo x.
Caso não coincida, deve-se introduzir a matriz de rotação.
{ } [ ][ ][ ] {} i R k R v
1 −
· (5.43)
Daí, tem-se
{ } [ ][ ]{ }
e
H B k v · (5.44)
O 4
o
passo estabelece a equação de continuidade, por meio de:
{ } [ ] { }dv v B Q
v
T
e

· (5.45)
Combinando as Equações 5.44 e 5.45 obtém-se finalmente
{ } [ ] [ ][ ] { }
e
v
T
e
H dv B k B Q

· (5.46)
ou
{ } [ ]{ }
e e
H K Q · (5.47)
em que [K] é a matriz de fluxo.
90
5.2.3 - Analogia do problema de percolação com problemas tensão-deformação
O problema de fluxo pode ser comparado ao problema tensão-deformação
(elástico) conforme a Tabela 5.2.
Tabela 5.2 - Analogia entre os problemas tensão-deformação e de fluxo (LOPES, 1995)
Tensão-deformação Fluxo
Equação geral:
F = Kδ
Q = KH
Matriz de rigidez/fluxo K:

v
T
DBdv B

v
T
kBdv B
1
a
incógnita (nodal): δ (deslocamento) H (carga hidráulica)
2
a
e 3
a
incógnitas: ε (deformação)
σ(tensão)
i (gradiente de H)
v (velocidade aparente)
Lei de comportamento:
Hooke (σ = Eε)
Darcy (v = ki)
Como há analogia entre o problema tensão-deformação e o problema de fluxo, é
possível utilizar um programa desenvolvido para o primeiro numa análise do segundo.
Para isto, basta que as propriedades elásticas sejam fornecidas em função do coeficiente
de permeabilidade, como propôs ZAGOTIS (1971)
1
. A análise estará restrita a materiais
isotrópicos e se estará resolvendo o dobro do número de equações necessárias caso se
dispusesse de um programa específico para fluxo.
Algumas teses da COPPE-UFRJ incluíram análises de percolação pelo MEF,
como: LOPES (1974), AMORIM (1976), NOGUEIRA (1986) e GONÇALVES (1990).

1
ZAGOTIS, D.L., 1971, "Aplicação do Método dos Elementos Finitos a problemas de percolação", 3
as
.
Jornadas Luso-Brasileiras de Engenharia CiviL.
91
5.3 – MODELAGEM NUMÉRICA DA PERCOLAÇÃO DO TANQUE
OCEÂNICO
A determinação da rede de percolação no subsolo onde se localiza o Tanque
Oceânico foi realizada por meio de modelagem numérica utilizando o programa
SEEPW da GEOSLOPE.
A rede de elementos finitos utilizada neste estudo encontra-se na Figura 5.8.
Cabe ressaltar que foi usada uma rede de elementos finitos semelhante àquela usada na
modelagem numérica do PROGEO, somente sem a presença da camada de aterro de
entulho (acima do NA). O problema de percolação foi tratado como axissimétrico, com
uma alimentação lateral a 50 m, devido à proximidade do mar.
A permeabilidade dos materiais granulares do subsolo do Tanque Oceânico foi
baseada na análise das curvas granulométricas (Figuras 2.12 e 2.13, da areia fina e do
solo residual, respectivamente) por meio da equação:
2
10
100D k · (5.48)
em que:
k é a permeabilidade em cm/s
D
10
é o diâmetro da peneira onde fica retido 10% do material na curva granulométrica
Os valores de permeabilidade da argila orgânica e da turfa/lixo foram arbitrados
levando-se em conta valores típicos destes materiais. O conjunto de valores de
permeabilidade utilizados na modelagem numérica de percolação se encontra na Tabela
5.3.
A rede de percolação estacionária obtida na modelagem numérica encontra-se na
Figura 5.9, em que observa-se a presença de dois aquíferos: um superficial, na camada
de areia fina, e outro no final da camada de argila mole e no topo do solo residual. A
existência destes dois lençóis freáticos foi confirmada pelas instrumentações de campo,
com oito piezômetros e um medidor de nível d'água (Figuras 6.1 a 6.3 do próximo
capítulo).
92
Tabela 5.3 - Valores de permeabilidade usados neste trabalho.
MATERIAL k (cm/s) k (m/s)
Areia fina 10
-2
10
-4
Turfa/lixo 10
-5
10
-7
Argila orgânica 10
-7
10
-9
Solo residual 10
-6
10
-8
Além da rede de percolação, o programa SEEPW fornece os valores de poro-
pressão (u) em cada nó da malha. Assim, obtém-se a variação de poro-pressão para
efeito do cálculo dos efeitos do rebaixamento, com:
∆u = u
o
- u (5.49)
em que:
∆u é a variação de poro-pressão
u
o
é poro-pressão inicial (hidrostática)
u é a poro-pressão de regime estacionário obtida do SEEPW
Valores de ∆u precisaram ser fornecidos nas 2
a
e 4
a
etapas (rebaixamento do
nível d'água e desligamento do rebaixamento, respectivamente) na modelagem
numérica pelo PROGEO. Para tanto, no cálculo de ∆u, uma rede de fluxo (para o
regime estacionário) simplificada foi adotada.
A condição estacionária foi adotada, mesmo para a camada de argila, por ser
mais desfavorável. Observou-se que uma condição estacionária foi atingida nos
materiais granulares e mesmo na turfa em cerca de 2 meses. Pode-se constatar uma
evolução das poro-pressões na argila ao longo de todo o tempo em que funcionou o
rebaixamento (cerca de 10 meses, Figura 6.3) pelo recalque do solo em volta do tanque.
93
areia
argila orgânica
solo residual maduro
turfa
solo residual jovem
10-4 m/s
10-7 m/s
10-9 m/s
10-8 m/s
10-8 m/s
Distância (m)
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85
E
l
e
v
a
ç
ã
o

(
m
)
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
26
Figura 5.8 - Rede de elementos finitos utilizada na modelagem numérica do SEEPW.
94


1
1




1
2




1
3




1
4




1
5




1
6




1
7




1
8




1
9


Distância (m)
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85
E
l
e
v
a
ç
ã
o

(
m
)
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
26
Figura 5.9 - Resultado da modelagem numérica no SEEPW, com a rede de percolação do Tanque Oceânico
e os valores de carga hidráulica (m) indicados nas linhas equipotenciais.
95
5.4 - MODELAGEM NUMÉRICA DO COMPORTAMENTO TENSÃO-
DEFORMAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO
A modelagem numérica em elementos finitos do comportamento tensão-
deformação deste trabalho, foi realizada por meio de duas análises:
(i) uma modelagem elástica linear com o subsolo do Tanque Oceânico considerado
homogêneo;
(ii) uma modelagem não linear considerando a heterogeneidade do subsolo.
A primeira análise teve como objetivo verificar se as etapas de obra simuladas
produziam campos de deslocamentos e variações de tensões esperadas para o caso
homogêneo. Por exemplo, se as forças de percolação devidas ao rebaixamento do lençol
d'água (2
a
etapa) produziam deslocamentos que seriam, depois, anulados quando do
desligamento do rebaixamento (4
a
etapa). A segunda análise buscou representar as
condições reais da obra.
A modelagem do problema foi feita como sendo um caso simétrico e
bidimensional plano-deformação. As dimensões adotadas para a espessura das camadas
de solo, para a parede diafragma (inclusive sua ficha) e laje de fundo corresponderam
àquelas do projeto do Tanque Oceânico.
5.4.1 - Rede de Elementos Finitos e Etapas da Simulação
Rede de Elementos Finitos
A rede de elementos finitos utilizada nesta modelagem encontra-se na Figura
5.10.
Etapas da Simulação
Nas duas modelagens realizadas: elástica linear e não-linear, as análises foram
feitas por meio de 5 etapas que representavam as principais fases executivas da obra do
Tanque Oceânico, como descrito no Capítulo 4. As etapas analisadas foram:
• 1
a
etapa: Escavação parcial até a cota -2,50 m.
96
• 2
a
etapa: Implantação do nível de apoio e rebaixamento do nível d'água.
• 3
a
etapa: Escavação interna até -10,70 m.
• 4
a
etapa: Execução da laje de fundo e desligamento do rebaixamento do nível
d'água.
• 5
a
etapa: Enchimento do Tanque Oceânico.
Rigidez da Estronca Equivalente
Como o programa usado não permite a utilização de outros tipos de elementos, a
ação da viga tirante ligada aos cavaletes de estacas foi representada por uma estronca
fictícia, interna ao tanque, com a mesma rigidez.
A rigidez da estronca equivalente foi obtida através da simulação de um cavalete
no programa SALT, como mostrado na Figura 5.11, ao qual foi aplicada uma força
unitária de valor 1 kN para obtenção do deslocamento. Com o deslocamento calculado
de 0,00401376 mm, a rigidez obtida foi de:

m kN mm kN
mm
kN F
K / 10 14 , 249 / 14 , 249
00401376 , 0
1
3
× · · · ·
δ
(5.50)
Figura 5.11 – Modelo do cavalete usado no programa SALT
O escoramento do Tanque Oceânico, como pode ser observado pela Figura 2.3, é
composto de uma viga tirante ligando a parede diafragma a um cavalete com quatro
estacas raiz inclinadas, sendo duas estacas trabalhando à tração e duas trabalhando à
K
K
F = 1 kN
A = 1,00 m
2
E
concreto
= 2,10 x 10
7
kN/m
2
L
cavalete
= 20 m
97
compressão (Fotos 4.9 e 4.10). Como entre as vigas tirante existe uma distância de 5,40
m, tem-se para a rigidez da estronca equivalente:
m kN
m
m K
K / 10 27 , 92
40 , 5
1 2
'
3
× ·
×
·
(5.51)
Assim, o Módulo de Young (E) da estronca fictícia (com 25 m de altura),
utilizado na análise em elementos finitos foi de:

2 6
2
3
/ 10 2
1
25 / 10 27 , 92 '
m kN
m
m m kN
A
L K
E
estronca
× ≅
× ×
· ·
(5.52)
5.4.2 - Modelagem Elástica Linear
Nesta modelagem, o subsolo do Tanque Oceânico foi suposto homogêneo, com
as propriedades obtidas da Tabela 5.4., a partir de valores "médios" da areia fina e do
solo residual apresentados na Tabela 3.10.
Tabela 5.4 - Propriedades do solo homogêneo utilizado na modelagem elástica linear.
E (módulo de elasticidade longitudinal, em kPa) 30.000
ν (coeficiente de Poisson) 0,4
c' (coesão, em kPa) 5
φ' (ângulo de atrito) 30
o
Os deslocamentos observados na modelagem elástica linear foram os esperados.
Na 1
a
etapa, Figura 5.12, como há escavação somente até a cota -2,50 m, pode ser
observado um movimento vertical ascendente do solo, bem como o movimento da
parede diafragma no sentido de "alívio" do solo escavado. Na Figura 5.16, como há o
rebaixamento do nível d'água, nota-se que os movimentos de solo são no sentido
vertical para baixo. A Figura 5.19 mostra no lado interno do Tanque Oceânico que há
uma movimentação forte do fundo, devida à escavação até a cota -10,70 m; no lado
externo do tanque, observam-se, ainda, os efeitos dos deslocamentos do rebaixamento,
98
por serem muito acentuados. A Figura 5.22 mostra os deslocamentos da 4
a
etapa da
modelagem, que representa o desligamento do rebaixamento, portanto com movimentos
verticais para cima, e os deslocamentos finais praticamente nulos, já que as 2
a
e 4
a
etapas representam ações opostas da água. Cabe ressaltar que os deslocamentos
observados em cada etapa da modelagem são cumulativos, ou seja, os deslocamentos
são somados a cada etapa. Finalmente, a Figura 5.25, que representa a etapa de
enchimento do reservatório, não apresentou deslocamentos importantes, predominando
os deslocamentos obtidos na 4
a
etapa.
A modelagem numérica referente ao inverso do fator de segurança (1/FS = razão
de tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento) é mais sensível às etapas de escavação,
como mostram as Figuras 5.13 e 5.20, em que se nota a ruptura logo abaixo da
escavação. Observa-se que o rebaixamento (2
a
etapa, Figura 5.17), pouco é alterado em
relação à etapa anterior, o mesmo ocorrendo nas 4
a
e 5
a
etapas (Figuras 5.23 e 5.26) em
que há predominância da modelagem da 3
a
etapa.
A Figura 5.14 mostra as tensões verticais da etapa referente à escavação interna
até a cota -2,50 m, em que se nota os contornos de tensão descendo no interior do
tanque, em função da redução de tensão vertical dentro da escavação.
A Figura 5.15 apresenta o gráfico das tensões principais da 1
a
etapa da
simulação em que se verifica o crescimento das cruzes de cima para baixo
(correspondendo ao crescimento das tensões geostáticas do solo); observa-se, ainda, que
há uma pequena tendência de rotação das tensões principais abaixo da escavação. A
Figura 5.18 mostra que há uma pequena rotação nos elementos próximo a superfície do
solo correspondente ao rebaixamento do nível d'água da 2
a
etapa. As Figuras 5.21, 5.24
e 5.27 mostram as tensões principais crescendo ao longo da profundidade
(principalmente do lado direito das Figuras) e uma maior rotação das tensões principais
abaixo da escavação e próximo à parede do tanque.
A Figura 5.28 mostra os deslocamentos horizontais de cada etapa da parede
diafragma do Tanque Oceânico. Pode-se observar que o maior deslocamento horizontal
interno do tanque foi referente à 3
a
etapa, já esperado, devido ser a etapa mais crítica da
obra (onde a escavação atinge a cota -10,70 m). Na 1
a
etapa houve um deslocamento
99
geral da parede no sentido da escavação, pequeno, de cerca de 1 cm. Os deslocamentos
horizontais do tanque das 2
a
, 3
a
, 4
a
e 5
a
etapas mostram um pivoteamento no nível de
apoio. Nota-se que as 4
a
e 5
a
etapas têm deslocamento horizontal na ficha praticamente
nulo.
Na ocasião do Projeto Básico do Tanque Oceânico, sob a responsabilidade do
Escritório Técnico Costa Santos, foi realizada uma modelagem da parede do tanque,
com o apoio do solo feito por meio de molas (processo de Winkler). Este estudo
considerou três situações da construção do tanque: final da escavação, tanque vazio e
tanque cheio. Os deslocamentos horizontais da parede do tanque obtidos nesta
modelagem estão na Tabela 5.5.
Tabela 5.5 - Deslocamentos horizontais da parede do tanque
com modelagem pelo processo de Winkler.
Situação construtiva Deslocamentos horizontais máximos
Final da escavação do tanque 1 cm (no nível de apoio, cota -2,00 m, sentido para
dentro do tanque)
Tanque vazio 1 cm (no topo da parede, cota +5,00 m, sentido para
dentro do tanque)
Tanque cheio 3 cm (no topo da parede, cota +5,00 m, sentido para
fora do tanque)
5.4.3 - Modelagem Não-linear
Nesta modelagem, a heterogeneidade do subsolo do Tanque Oceânico foi
considerada, com as propriedades do solo mostradas nas Tabelas 3.10 e 3.11. As etapas
foram analisadas com algoritmo incremental (20 incrementos por etapa) e modelo
hiperbólico, como descrito no Capítulo 3.
A Figura 5.29 apresenta os deslocamentos da 1
a
etapa, e notam-se deslocamentos
verticais para cima referentes à escavação nas primeiras duas camadas e deslocamentos
grandes também na camada da turfa/lixo, material de pouca resistência. A Figura 5.33
100
mostra o rebaixamento do nível d'água, com os deslocamentos para baixo da camada de
turfa; nota-se que com a heterogeneidade do solo os deslocamentos não são
proporcionais aos obtidos na modelagem elástica linear. A Figura 5.37 refere-se à
escavação até a cota -10,70 m, mas, como os deslocamentos da etapa anterior foram
grandes, não se pode notar os deslocamentos referentes à escavação. As Figuras 5.41 e
5.45, como na modelagem elástica linear, apresentaram deslocamentos acumulados da
parte externa ao tanque praticamente nulos.
A Figura 5.30 mostra o gráfico do inverso do fator de segurança (1/FS = tensão
cisalhante/resistência ao cisalhamento) da modelagem não linear, em que se observa a
ruptura na turfa, material de menor resistência. A Figura 5.34 mostra a ruptura do solo
na superfície atrás da parede. Já a Figura 5.38 mostra a ruptura do lado externo do
tanque, com maior intensidade na camada da turfa/lixo. As Figuras 5.42 e 5.46
apresentam os contornos da razão tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento com
rupturas localizadas abaixo do nível de escoramento na camada de areia e da turfa/lixo,
abaixo da laje de fundo próximo à parede diafragma e na superfície do aterro.
As Figuras 5.31, 5.35, 5.39, 5,43 e 5.47 apresenta os contornos das tensões
verticais, com alívio das tensões abaixo da escavação e perturbações próximo à parede
diafragma.
As Figuras 5.32 e 5.36 apresentam as tensões principais do solo, com aumento
de tensões ao longo da profundidade e rotação das tensões principais abaixo da
escavação. As Figuras 5.40, 5.44 e 5.48 apresentam maiores rotações das tensões
principais abaixo da escavação e nos elementos próximos à parede do tanque.
Além dos gráficos mostrados, foram traçadas as trajetórias de tensões (com as
tensões calculadas no centróide do elemento) de quatro elementos, conforme Figura
5.49. O elemento 128 se refere à camada de areia do lado do empuxo ativo da
escavação, abaixo do nível do escoramento. O elemento 56 está localizado abaixo da
laje de fundo na camada de solo residual. Os elementos 60 e 62 estão dos lados passivo
e ativo, respectivamente, do solo residual.
101
A Figura 5.50 mostra a trajetória de tensões do elemento 128, em que a partir do
estado de tensões inicial, na 1
a
etapa da modelagem, há uma diminuição do estado de
tensões, como era de se esperar, já que esta etapa corresponde à escavação até a cota -
2,50m. A 2
a
etapa apresenta um aumento do estado de tensões, visto haver o
rebaixamento do nível d'água. Na 3
a
etapa, há novamente um alívio das tensões
(descarregamento), pois há escavação até a cota -10,70m. Na 4
a
etapa, como há
simulação do desligamento do rebaixamento, também há diminuição do estado de
tensões, apresentando comportamento inverso do obtido na 2
a
etapa. Na 5
a
etapa, como
há o enchimento do tanque, há um pequeno aumento do estado de tensões.
Pode-se observar, comparando as Figuras 5.50 a 5.53, que o único elemento que
viola a linha de ruptura é o elemento 128, visto este elemento estar situado acima das
camadas de solo de menor resistência, o que pode ser confirmado pelos gráficos razão:
tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) das 2
a
, 3
a
, 4
a
e 5
a
etapas (Figuras
5.34, 5.38, 5.42 e 4.46, respectivamente). As trajetórias de tensões dos elementos 56, 60
e 62 são bastante semelhantes às do elemento 128, com as etapas da modelagem
representadas através do aumento ou diminuição do estado de tensões.
A Figura 5.54 mostra os deslocamentos horizontais da parede diafragma. Como
na modelagem elástica linear, a 3
a
etapa apresentou os maiores deslocamentos, tanto do
lado interno quanto do lado externo do tanque. Acima da cota +8,00 m, as 2
a
e 5
a
etapas
apresentam os mesmos deslocamentos (referentes ao rebaixamento e implantação do
nível de apoio; e enchimento do reservatório, respectivamente). A 4
a
etapa apresentou
os mesmos deslocamentos que a 3
a
etapa, acima do nível de apoio.
102
Figura 5.10 - Rede de elementos finitos utilizada na modelagem numérica deste trabalho.
103
Figura 5.12 - Deslocamentos da modelagem elástica linear, 1
a
etapa.
Figura 5.13 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem elástica linear, 1
a
etapa.
104
Figura 5.14 - Tensões verticais (em kPa) da modelagem elástica linear, 1
a
etapa.
Figura 5.15 - Tensões principais da modelagem elástica linear, 1
a
etapa.
105
Figura 5.16 - Deslocamentos da modelagem elástica linear, 2
a
etapa.
Figura 5.17 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem elástica linear, 2
a
etapa.
106
Figura 5.18 - Tensões principais da modelagem elástica linear, 2
a
etapa.
Figura 5.19 - Deslocamentos da modelagem elástica linear, 3
a
etapa.
107
Figura 5.20 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem elástica linear, 3
a
etapa.
Figura 5.21 - Tensões principais da modelagem elástica linear, 3
a
etapa.
108
Figura 5.22 - Deslocamentos da modelagem elástica linear, 4
a
etapa.
Figura 5.23 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem elástica linear, 4
a
etapa.
109
Figura 5.24 - Tensões principais da modelagem elástica linear, 4
a
etapa.
Figura 5.25 - Deslocamentos da modelagem elástica linear, 5
a
etapa.
110
Figura 5.26 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem elástica linear, 5
a
etapa.
Figura 5.27 - Tensões principais da modelagem elástica linear, 5
a
etapa.
111
Figura 5.28 - Deslocamento da parede do Tanque Oceânico referente
à modelagem elástica linear.
Figura 5.29 - Deslocamentos da modelagem não linear, 1
a
etapa.
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
-20 -18 -16 -14 -12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22
Deslocamento horizontal (cm)
E
l
e
v
a
ç
ã
o

(
m
)
3a
1a
4a
5a
2a
Nível de apoio (cota -2,00 m)
cota -10,00 m
cota +0,00 m
laje de fundo
112
Figura 5.30 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem não linear, 1
a
etapa.
Figura 5.31 - Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear,
1
a
etapa.
113
Figura 5.32 - Tensões principais da modelagem não linear, 1
a
etapa.
Figura 5.33 - Deslocamentos da modelagem não linear, 2
a
etapa
114
Figura 5.34 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem não linear, 2
a
etapa.
Figura 5.35 - Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear,
2
a
etapa
115
Figura 5.36 - Tensões principais da modelagem não linear, 2
a
etapa
Figura 5.37 - Deslocamentos da modelagem não linear, 3
a
etapa
116
Figura 5.38 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem não linear, 3
a
etapa.
Figura 5.39 - Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear,
3
a
etapa.
117
Figura 5.40 - Tensões principais da modelagem não linear, 3
a
etapa
Figura 5.41 - Deslocamentos da modelagem não linear, 4
a
etapa
118
Figura 5.42 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem não linear, 4
a
etapa.
Figura 5.43 - Contornos das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear,
4
a
etapa.
119
Figura 5.44 - Tensões principais da modelagem não linear, 4
a
etapa
Figura 5.45 - Deslocamentos da modelagem não linear, 5
a
etapa.
120
Figura 5.46 - Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da
modelagem não linear, 5
a
etapa.
Figura 5.47 - Contornos das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear,
5
a
etapa.
121
Figura 5.48 - Tensões principais da modelagem não linear, 5
a
etapa
Figura 5.49 - Localização dos elementos utilizados
nos gráficos das trajetórias de tensões.
122
Figura 5.50 - Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear, elemento 128.
Figura 5.51 - Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear, elemento 56.
123
Figura 5.52 - Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear, elemento 60.
Figura 5.53 - Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear, elemento 62.
124
Figura 5.54 - Deslocamento da parede do Tanque Oceânico na
modelagem não linear.
- 6
- 5
- 4
- 3
- 2
- 1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
1 0
1 1
1 2
1 3
1 4
1 5
- 2 0 - 1 8 - 1 6 - 1 4 - 1 2 - 1 0 - 8 - 6 - 4 - 2 0 2 4 6 8 1 0 1 2 1 4 1 6 1 8 2 0 2 2
Deslocamento horizontal (cm)
E
l
e
v
a
ç
ã
o

(
m
)
1a
2a
5a
3a
4a
laje de fundo
nível de apoio (cota -2,00 m)
cota -10,00 m
cota +0,00 m
125
CAPÍTULO 6
COMPARAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO DE CAMPO COM A
MODELAGEM NUMÉRICA EM ELEMENTOS FINITOS
Este capítulo faz uma descrição das instrumentações de campo e apresenta
resultados destas instrumentações e da modelagem numérica.
6.1 - INSTRUMENTAÇÕES DE CAMPO
As medições de deslocamentos da estrutura do tanque foram realizadas
topograficamente. Foram instalados 8 pinos nas paredes do tanque, sendo 6 pinos nas
laterais leste e oeste (3 pinos em cada uma destas paredes) e 1 pino em cada parede
norte e sul. Estes pinos foram instalados na face interna do tanque a 20 cm abaixo da
base da viga gola, cota -2,30m. Inicialmente, estas medições foram realizadas por meio
de estação total (Fotos 6.1 e 6.2) e trena metálica e teodolito. Entretanto, à medida em
que a escavação ia avançando, alguns pinos foram danificados não permitindo, assim,
uma continuidade das leituras. Além disso, houve dificuldade, a partir de determinado
momento da escavação, em se continuar com as leituras da estação total, pois não havia
como apoiar o bastão com o cristal para efetuar a leitura (Foto 6.3).
Posteriormente, abandonou-se por completo o uso dos pinos, devido à
impossibilidade de leituras com trena e teodolito. A solução encontrada foi marcar
pontos fixos na parede e efetuar as leituras com trena e teodolito; cada marcação
determinava uma coluna de 3 níveis ao longo da altura da parede: um nível superior, um
nível médio e um nível inferior.
Mais tarde foram instalados pinos de recalque por fora das paredes, a fim de
medir os deslocamentos horizontais e verticais da parede. Pinos foram fixados também
nos pilares do prédio ao redor do Tanque Oceânico. Ao todo foram instalados 22 pinos,
dos quais 8, foram instalados nas paredes externas do tanque (um na metade de cada
lateral da parede e um em cada quina). Em nenhuma das fases e com nenhum dos
métodos usados na medição de deslocamentos horizontais da parede diafragma do
Tanque Oceânico foram encontrados valores que justificassem a sua apresentação neste
126
trabalho, visto que as medidas realizadas não passaram de alguns poucos milímetros,
que por serem tão pequenos, podem estar associados a erros de leitura e/ou imprecisão
do instrumento de medida.
Além das medições de deslocamentos horizontais e recalques da parede
diafragma, houve o acompanhamento dos níveis d'água em torno das paredes do tanque,
como observado nas Figuras 6.1 e 6.2, com a instalação de piezômetros e de um
medidor de nível d'água.
Inicialmente, foram instalados 4 piezômetros (um em cada lado das paredes do
tanque) e um medidor de nível d'água; com as leituras deste último, foi observado um
lençol suspenso na cota -5,50m, acima da camada de argila orgânica. Por causa da
presença deste lençol, foram instaladas ponteiras para auxiliar o rebaixamento e mais 4
piezômetros, sendo estes últimos com 8,50 m de profundidade, com os últimos 1,50m
perfurados para verificação do lençol suspenso. A Figura 6.3 mostra as leituras do
medidor de nível d'água e dos piezômetros entre os meses de julho a dezembro de 2001.
Ao observar a Figura 6.3, percebe-se a presença de dois níveis d'água, confirmando os
resultados obtidos com o programa SEEPW (Figura 5.9). Na rede de fluxo, nota-se a
presença de um lençol suspenso acima da camada de argila orgânica. Em meados do
mês de outubro, observa-se que o lençol mais profundo tende a se aproximar do lençol
superior (mais raso), e no final das medições há apenas a existência de um único lençol
freático (Fotos 6.4 a 6.8).
6.2 - COMPARAÇÃO COM AS ANÁLISE NUMÉRICAS
A modelagem de percolação obtida no SEEPW indicou a existência de dois
lençóis freáticos: um suspenso na argila mole e outro no solo residual, conforme
medições dos piezômetros obtidas em campo.
Na modelagem numérica tensão-deformação foram obtidos recalques na
superfície do aterro, como os observados do lado externo do tanque, provocados pelo
rebaixamento do lençol dá água.
Os deslocamentos horizontais da parede do tanque observados em campo foram
de alguns poucos milímetros, enquanto que os deslocamentos obtidos na modelagem
127
numérica foram de alguns centímetros; essa diferença encontrada pode ser explicada
pelo fato da análise realizada ser bidimensional plano-deformação, enquanto a
escavação real tinha 30m x 50m com uma ligação considerável entre as paredes, dada
pela viga-gola.
Para se avaliar o efeito tridimensional, procedeu-se a uma análise axissimétrica
do problema. Esta análise, como era de se esperar, conduziu a deslocamentos da parede
do tanque muito inferiores aos obtidos na análise plano-deformação. Os deslocamentos
desta modelagem estão na Figura 6.4.
Foto 6.1 - Aparelho de estação total instalado no interior do Tanque Oceânico.
128
Foto 6.2 - Bastão com cristal instalado em um dos pinos de leitura de deslocamentos da
parede do tanque.
Foto 6.3 - Pino de deslocamentos horizontais instalados na face interna
do Tanque Oceânico.
129
Figura 6.1 - Esquema com a disposição do sistema de rebaixamento, bem como a localização dos piezômetros e do medidor de nível d'água
130
Figura 6.2 - Perfil geotécnico do Tanque Oceânico com a localização
dos 4 primeiros piezômetros instalados e do medidor de nível d'água.
131
Figura 6.3 - Leitura do Medidor de Nível d'água e dos Piezômetros instalados em volta das paredes do Tanque Oceânico.
-14,00
-12,00
-10,00
-8,00
-6,00
-4,00
-2,00
0,00
24/7 30/7 5/8 12/8 18/8 24/8 31/8 6/9 13/9 19/9 25/9 2/10 8/10
15/1
0
21/1
0
27/1
0 3/11 9/11
16/1
1
22/1
1
28/1
1 5/12
11/1
2
18/1
2
Data da leitura - Ano 2001
A
l
t
u
r
a

d
o

N
A

(
m
)


























Pz1(Norte): cota -20,0m
Pz1A (Norte):cota -8,5m
Pz2 (Leste): cota -18,0m
Pz2A (Leste): cota -8,5m
Pz3 (Sul): cota -18,0m
Pz3A (Sul): cota -18,0m
Pz4 (Oeste): cota -18,0m
Pz4A (Oeste): cota -8,5m
MNA (Norte): cota -6,0m
132
Foto 6.4 - Colocação dos tubos (injetor e retorno) nos poços de rebaixamento.
Foto 6.5 - Vista do sistema de rebaixamento do nível d'água.
133
Foto 6.6 - Reservatório e bombas de um dos trechos do sistema de rebaixamento do
nível d'água.
Foto 6.7 - Instalação do piezômetro Pz1.
134
Foto 6.8 - Sistema de rebaixamento, por poços, à esquerda (tubos amarelos) ,
e sistema de rebaixamento, por ponteiras, à direita.
Figura 6.4 - Deslocamentos horizontais da parede do tanque, considerando a
modelagem axissimétrica.
-6
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
-20 -18 -16 -14 -12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22
Deslocamento horizontal (mm)
E
l
e
v
a
ç
ã
o

(
m
)
1a
5a
4a
3a
2a
laje de fundo
cota -10,00 m
nível de apoio (cota -2,00 m)
cota +0,00 m
135
CAPÍTULO 7
CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
7.1 - CONCLUSÕES
As análises numéricas realizadas nesta tese podem ser consideradas bem
sucedidas. Os resultados de uma maneira geral foram coerentes com as observações de
campo. A consideração de todas etapas construtivas da obra do Tanque Oceânico foi um
fator importante.
A rede de percolação do Tanque Oceânico foi bem definido na modelagem
realizada com o programa SEEPW, que revelou a existência de dois aqüíferos, como
nas medições de campo.
As tensões obtidas ao final de cada estágio podem ser consideradas
representativas das condições de campo. As plastificações foram sempre localizadas ou
confinadas às camadas de solo mais fracas. Os deslocamentos horizontais da parede do
tanque obtidos com o PROGEO (da ordem de poucos centímetros) foram bastante
superiores aos encontrados nas medições de campo (da ordem de alguns milímetros), o
que é atribuído à modelagem ter sido feita como um problema plano-deformação
(bidimensional). Os deslocamentos verticais foram devidos, principalmente, ao
rebaixamento do nível d'água e foram coerentes com os recalques da área externa do
tanque.
Na modelagem axissimétrica, em que se considera o efeito tridimensional, foram
obtidos deslocamentos horizontais da parede do tanque muito reduzidos (da ordem de
milímetros), como os observados em instrumentações de campo. Esses pequenos
deslocamentos são explicados pelo fato das paredes do tanque funcionarem como um
cilindro (ou anel), com carregamento axissimétrico.
Os resultados da modelagem não-linear foram considerados representativos das
condições de campo, devido a escolha dos parâmetros dos solos ter sido realizada
136
criteriosamente, através de ensaios de ensaios de laboratório e correlações com ensaios
de campo.
Análises pelo Método dos Elementos Finitos podem fazer parte de estudos de
projetos rotineiros, principalmente por meio de programas convencionais e comerciais,
sempre lembrando a necessidade de treinamento do engenheiro com este tipo de
ferramenta.
7.2 – SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
As sugestões indicadas para pesquisas futuras a respeito da modelagem
numérica em elementos finitos de escavações escoradas são as seguintes:
1) Melhorar a modelagem do sistema de escoramento para a simulação numérica.
2) Estudar o caso apresentado através de modelagem numérica tridimensional, a fim de
comparar com os resultados de campo encontrados nesta tese.
137
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Águas, M.F.F., 1999, Avaliação da Barragem de Serra da Mesa nas Fases Construtivas
e de Enchimento do Reservatório com Auxílio de Modelagem Numérica, Tese de
Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Alves, M.C.M., 1982, Estudo de Valas Escavadas por Equilíbrio Limite e pelo Método
dos Elementos Finitos, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Amorim, P.C., 1976, Análise da Percolação na Barragem de Curuá-Una pelo Método
dos Elementos Finitos, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Bathe, K.J., and Khoshgoftaar, M.R., 1979, "Finite element free surface seepage
analysis without mesh iteration", Int. Journal Numer. And Anal. Methods in Geomech.,
vol. 3, n
o
13.
Bowles, J.E., 1988, Foundation Analysis and Design, 4
th
Edition, Mac Graw-Hill Book
Co., New York.
Chandrasekaran, V.S., and King, G.J.W., 1974, “Simulation of Excavation using Finit
Elements”, Journal of The Geotechnical Engineering Division, ASCE, vol. 100, n
o
GT9
(September), pp 1086-1089.
Danziger, F.A.B, e Schnaid, F., 2000, "Ensaios de Piezocone: Procedimentos,
Recomendações e Interpretação", SEFE IV (Seminário de Engenharia de Fundações
Especiais e Geotecnia), Anais 3, São Paulo, pp. 1-51.
De Mello, V.F.B., 1971, "The Standard Penetration Test - State of the Art Report",
Proceedings, 4
th
PanAmerican CSMFE, Puerto Rico, vol. 1, pp 1-86.
Desai, C.S., and Sherman, W.C., Jr., 1971, "Unconfined Transient Seepage in Sloping
Banks", Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division (J.S.M.D.F.), ASCE,
February.
138
Djoenaidi, W.J., 1985, A Compedium of Soil Properties and Correlations, M.Sc. thesis,
University of Sidney, Sidney, 836 p.
Duncan, J.M., and Chang, C.Y., 1970, “Nonlinear Analysis of Stress and Strain in
Soils", J.S.M.F.D., ASCE, vol. 96, n
o
SM5 (September), pp 1629-1653.
Duncan, J.M., and Dunlop, P., 1969, “Slopes in Stiff-fissured Clays and Shales”,
J.S.M.F.D., ASCE, vol. 95, n
o
SM2 (March), pp 467-492.
Dunlop, P., Duncan, J.M., and Seed, H.B., 1968, Finite Element Analysis of Slopes in
Soils, Report n
o
TE 68-3, University of California, Berkeley.
Fujii, J., 1976, Métodos dos Elementos Finitos Aplicado ao Problema de Escavação,
Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Gonçalves, A.J.M., 1990, Estudo da Rotura de Fundo de uma Escavação Escorada,
Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Hara, A., Otha, T., Niwa, M., Tanaka, S., and Banno, T., 1974, "Shear Modulus and
Shear Strength of Cohesive Soils", Soils and Foundations, vol. 14, n
o
3, September, pp
1-12.
Houlsby, G.T. and Holtz, W.G., 1957, "The inflenece of soil stiffness and lateral stress
on the results of in situ soil tests", Proceedings, 12
th
ICSMFE, Rio de Janeiro, vol. 1, pp
227-232.
Ishihara, K., 1970, “Relations between Process of Cutting and Uniqueness of
Solutions”, Soils and Foundations, vol. 10, n
o
3.
Jambu, N., 1963, “Soil Compressibility as Determined by Oedometer and Triaxial
Tests”, Proceedings, European C.S.M.F.E., Wiesbaden, vol. 1, pp 19-25.
139
Jamiolkowski, M., Ladd, G.C., Germaine, J.T., et al., 1985, "New Developments in
Field and Laboratory Testing of Soils", Proceedings, 11
th
International Conference on
Soils Mechanics and Foundation Engineering, vol. 1, San Francisco, pp 57-153.
Kondner, R.L., 1963, “Hyperbolic Stress-Strain Response: Cohesive Soils”, J.S.M.F.D.,
ASCE, vol. 89, n
o
SM1 (February), pp 115-143.
Kulhawy, F.H., and Mayne, P.W., 1990, Manual on Estimating Soil Properties for
Foundation Design, Report-Research Project 1493-6, Conell University, Ithaca, New
York (tb. Eletricity Power Research Institute, Palo Alto, California).
Kulhawy, F.H., Duncan, J.M., and Seed, H.B., 1969, Finite Element Analysis of Stress
and Movements in Embankments During Construction, Report n
o
TE 69-4, Office of
Research Services, University of California, Berkeley.
Kulhawy, F.H., Trautmann, G.H., Beech, J.F., O'Rourke, T.D., McGuire, W., Wood,
W.A., and Capano, C., 1983, "Transmission Line Structure Foundations for Uplift-
Compression Loading", Report EL-2870, Electric Power Research Institute, palo Alto,
February, 412 p.
Lade, P. 1972, The Drained Stress-Strain and Strenght Characteristics of Cohesionless
Soils, Ph.D. thesis, University of California, Berkeley.
Lopes, F.R., 1974, Análise do Controle de Água em Escavações pelo Método dos
Elementos Finitos, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Lopes, F.R., 1995, “Métodos Numériocs em Geotecnia”, Notas de aula, COPPE-UFRJ,
Rio de Janeiro.
Lopes, F.R., 1996, “Progeo 4: A Finit Element Solution for Static and Time-Dependent
Analysis of geotechinical Problems”, Manual de Programa, COPPE-UFRJ, Rio de
Janeiro.
140
Lopes, F.R., e Vartamatti, E., 1984, “Estudo por Elementos Finitos do Rebaixamento do
Lençol d’água e seus Efeitos em Escavações”, Solos e Rochas, vol. 7, n
o
único.
Mana, A.I., 1978, Fimite Element Analysis of Deep Excavation Behavior in Soft Clay,
Ph.D. thesis, Satanford University.
Marchetti, S., 1985, "On the Field Determination of K
o
in Sand", Proceedings, 11
th
International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, vol. 5, San
Francisco, pp 2667-2672.
Meyerhof, G.G., 1956, "Penetration Tests and Bearing Capacity of Cohesionless Soils",
Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division, ASCE, vol. 82, no SM1,
January, pp 1-19.
Newman, S.P., 1973, "Saturated-unsaturated seepage by finite elements", Journal of the
Hydraulics Division, ASCE, December.
Newman, S.P., and Witherspoon, P.A., 1970, Finite Element of Analysing Steady
Seepage with a Free Surface, Water Resources Research, June.
Nogueira, M.S., 1986, Estabilidade de Taludes em Regimes Tropicais, Tese de
Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Ortigão, J.A.R., 1980, Aterro experimental levado à ruptura sobre argila cinza do Rio
de Janeiro, Tese de Doutorado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Peck, R.B., Hanson, W.E., and Thornburn, T.H., 1974, Foundation Engineering, 2
nd
Ed., Jonh Wiley and Sons, New York, 514 p.
Poulos, H.G., 1975, "Settlement of Isolated Foundations", in Soil Mechanics - Recent
Developments, Eds. S. Valliappan, S. Hain, and I. K. Lee, William H. Sellen Pty.,
Zetland, pp 181-212.
141
Rad, N.S. and Lunne, T., 1988, "Direct Correlations between Piezocone Test Results
and Undrained Strength", Proceedings, ISOPT-1: Int. Sym. on Penetration Testing,
Orlando, pp 911-917.
Robertson, P.K., Campanella, R.G., Gillespie, D., and Greig, J., 1986, "Use of
Piezometer Cone Data", Use of In-Situ Tests in Geotechnical Engineering (GSP 6), Ed..
S. P. Clemence, ASCE, New York, pp 1263-1280.
Robertson, P.K., Campanella, R.G. and Wightman, A., 1983, "SPT-CPT correlations",
JGED, ASCE, vol. 109, n
o
11, pp 1449-1459.
Roscoe, K.H., and Burland, J.B., 1968, “On the Generalized Stress-Strain Behavior of
Wet Clay”, Engineering Plasticity, Cambridge University Press, pp. 535-609.
Roscoe, K.H., Schofield, A.N., and Wroth, C.P., 1958, “On the Yielding of Soils”,
Geotechnique, vol. 2, pp 22-53.
Sandroni, S.S., 1991, "Young Metamorphic Residual Soils", General Report,
Proceedings, 9
th
Panamerican CSMFE, Viña del Mar, vol. 4, pp 1771-1788.
Saramago, R.P., 1994, Análise Numérica do Comportamento de Escavações Escoradas
em Argilas Moles e Médias, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
Skempton, A.W., 1985, "Residual Strength of Clays in Landslides, Folded Strata, and
the Laboratory", Geotechnique, vol. 35, n
o
1, March, pp 3-18.
Taylor, R.L., and Brown, C.B., 1967, "Darcy Flow Solutions with a Free Suurface",
Journal of the Hydraulics Division, ASCE, vol. 96, n
o
HY2, March.
Terzaghi, K. and Peck, R.B., 1967, Soil Mechanics in Engineering Practice, 2
nd
Ed.,
Jonh Wiley and Sons, New York, 729 p.
142
Trautmann, C.H., and Kulhawy, F.H., Oct. 1987, CUFAD - A Computer Program for
Compression and Uplift Foundation Analysis and Design, Report EL-4540-CCM, Vol.
16, Electric Power Research Institute, Palo Alto, 148 p.
Tsutsumi, M., 1975, Simulação de Escavação Escorada por meio de Elementos
Isoparamétricos, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.
U.S. Navy, 1986, Design Manual NAVFAC 7, Naval Facilities Engineering Command,
U.S., Government Printing Office, Washington.
Velloso, D.A. e Lopes, F.R., 1997, Fundações, Volume 1: Critérios de Projeto,
Investigação do Subsolo, Fundações Superficiais, 2
a
Edição COPPE-UFRJ, Rio de
Janeiro.
Vertamatti, E., 1980, Estudo da Percolação de água e seus Efeitos em Valas Escoradas,
Tese de Mestrado, ITA, São José dos Campos.
Vesic, A.S., 1977, Design of Pile Foundations, Synthesis of Highway Practice 42,
Transportation Research Board, Washington, 68 p.
Villet, W.C.B, and Mitchell, J.K., 1981, "Cone Resistance, Relative Density, and
Friction Angle", Cone Penetration Testing and Experience, Eds. G. M. Norris and R. D.
Holtz, ASCE, New York, pp 178-208.
Wong, I.H., 1971, Analysis of Braced Exacavations, D.Sc. thesis, Massachusets
Institute of Technology, Cambridge.
Zienkiewicz, O.C., Mayer, P., and Cheung, Y.K., 1966, "Solution of Anisotropic
Seepage by Finite Elements", Journal of the Engeneering Mechanics Division, ASCE,
vol. 92, n
o
EM1, February.

ii

DO VALE, ROBERTA ALVES MENDES Modelagem Numérica de uma Escavação Profunda Escorada com Parede Diafragma [Rio de Janeiro] 2002 VIII, 142 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc., Engenharia Civil, 2002) Tese - Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE 1 - Modelagem Numérica 2 - Escavação Escorada I - COPPE/UFRJ II - Título (série)

iii DEDICATÓRIA

A Deus acima de tudo por ter me dado a vida, aos meus pais Roberto e Irinéa e ao meu irmão Sergio pelas palavras e gestos de incentivo. Ao amor, carinho e compreensão do meu esposo Eric. Aos meus sogros Joeber e Rosa. E em especial a memória dos meus tios: Joel, Penha e Syrlene.

Aos bolsistas de Iniciação Científica Rosane e em especial ao Alexandre Pacheco pelo auxílio na realização dos ensaios triaxiais. A Digna Maria F. Aos bolsistas de Iniciação Científica Rodrigo D. ao Ricardo Gil e ao Edu.iv AGRADECIMENTOS Ao professor e orientador Francisco R. Lopes pelo apoio. Ao engenheiro Ronaldo L. pela ajuda no acompanhamento das instrumentações de campo e ensaios in situ e por seu companheirismo. Futai. e na elaboração de planilhas. e em especial aos engenheiros Marcos B. em especial ao Carlinhos. Ao Daniel pela ajuda nos desenhos. Rodrigues pela amizade e incentivo. pela atenção dispensada nos ensaios de laboratório. A todos os funcionários do Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ. Mendonça e ao Jairo pela ajuda nos desenhos de CAD. Ao engenheiro Guilherme Leone pelo esclarecimento do programa SEEPW. Ao doutorando Marcos M. finalmente. Fernandes e Katharine S. pelo auxílio nos ensaios de laboratório. amizade e dedicação a esta tese. Mariz. Lima pelos esclarecimentos relacionados à obra e ao técnico Jomar D. gráficos e desenhos. ao desenhista Cláudio e ao estagiário Flávio. A todo o pessoal da Terrae Engenharia. pela amizade. A todos os professores da Área de Geotecnia da COPPE-UFRJ e. Klein. de campo. engenheira fiscal da obra do Tanque Oceânico. à CAPES pelo apoio financeiro oferecido para elaboração desta tese. .

uma espessa camada de aterro. A escavação apresenta uma área de 30 m × 50 m e 11 m de profundidade. inicialmente. que foi contida através de paredes diafragmas escoradas por meio de vigas tirante ligadas a cavaletes de estacas. Os resultados obtidos na modelagem numérica foram compatíveis com os observados no campo. O subsolo escavado apresentou.Sc. . Na modelagem tensão-deformação os recalques obtidos ao redor do tanque foram compatíveis com os de campo. usando o programa PROGEO. em virtude do efeito tridimensional.) MODELAGEM NUMÉRICA DE UMA ESCAVAÇÃO PROFUNDA ESCORADA COM PAREDE DIAFRAGMA Roberta Alves Mendes do Vale Abril/2002 Orientador: Francisco de Rezende Lopes Programa: Engenharia Civil A presente tese apresenta a modelagem numérica através do Método dos Elementos Finitos da escavação escorada do Tanque Oceânico. seguida de um depósito de lixo e argila mole e. A simulação da escavação levou em consideração as etapas executivas do Tanque Oceânico. enquanto os deslocamentos horizontais da parede diafragma foram inferiores aos obtidos nas medições de campo. parte do Laboratório de Tecnologia Oceânica (Lab Oceano) da COPPE-UFRJ.v Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M. solo residual. Os parâmetros adotados na análise numérica foram estimados através de correlações obtidas na literatura e a partir de ensaios de campo e de laboratório. em especial os resultados da modelagem de percolação. Foram feitas duas modelagens numéricas: uma análise de percolação através do programa SEEPW e uma análise tensão-deformação elástica linear e não linear. finalmente.

vi Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Science (M. The results obtained in the numerical modelling were compatible with field observations.Sc. soft clay and residual soil. Two numerical modelling were carried out: a seepage analysis. due to tridimensional efects. with the program SEEPW and a stress-strain analysis (elastic linear and no linear). The local subsoil shows a thick layer of the fill followed by a rubish deposit. The excavation was supported by diaphagm walls by means of strut beams connected to batter piles.) NUMERICAL MODELLING OF A DEEP EXCAVATION SUPPORTED BY DIAPHRAGM WALL Roberta Alves Mendes do Vale April/2002 Advisor: Francisco de Rezende Lopes Department: Civil Engineering This thesis presents a numerical modelling through the Finite Element Method of a deep excavation for the Ocean Basin. with the program PROGEO. The excavation simulation in finite elements considerated the construction stages of the Ocean Basin. The paramters used in the numerical modelling were chosen through correlations published in the literature and from field and laboratory tests. . part of the Ocean Engineering Laboratory of COPPE-UFRJ. the results of the seepage simulation matched the settlements of the stress-strain analysis. The horizontal displacements of the diaphragm wall was preticted in a plane-strain analysis were less than the field measurements. for example. The excavation dimensions are 30x50 m in area and 10 m in depth.

................3 ....................2............3 ..46 3..1....4 .2........1............44 3.......................................................................................ESTIMATIVA DE PARÂMETROS PARA AS ANÁLISES ..............1..........................47 3........2 ..........................49 4...................CORRELAÇÕES DISPONÍVEIS NA LITERATURA ...............4 ............................Ângulo de Atrito ...49 4..........................................3 – LEVANTAMENTO GEOFÍSICO ........2.............................................Coeficiente de Poisson .........................Ensaios Triaxiais na Argila Orgânica ........3 ...2 .........RESULTADOS DAS CORRELAÇÕES APLICADAS AOS SOLOS DA OBRA E DO ENSAIO DE LABORATÓRIO .............4 ..................PROVA DE CARGA EM ESTACA RAIZ ...................2 ................11 2......2 – ENSAIO DE PIEZOCONE – CPT ..........1............................Módulo de Young (E) ................25 CAPÍTULO 3 ..........................................................29 3........................1 – SONDAGENS À PERCUSSÃO – SPT ........50 4.................................3 ...2...20 2.........4 2..............29 3.... ENSAIOS DE LABORATÓRIO E PROVA DE CARGA ..................44 3..17 2.........Módulo de Young .............5 .......................................FASES DE EXECUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO ..41 3..4 2.......................................................................................2 ...4....12 2.........4.....3a FASE DE EXECUÇÃO .................1 CAPÍTULO 2 – INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS DE CAMPO........................................2a FASE DE EXECUÇÃO ....................RESUMO DOS PARÂMETROS DE REISTÊNCIA E DEFORMABILIDADE USADOS NAS ANÁLISES PELO MEF ........Resistência Não-drenada (Su) de Solos Argilosos ...5 ..2 ....................................52 4.........70 ........................vii ÍNDICE CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ..........4a FASE DE EXECUÇÃO .................Resistência Não-drenada da Argila Orgânica Mole ..................................Ângulo de Atrito dos Solos Granulares ........................................29 3....4 – ENSAIOS DE LABORATÓRIO .............................MODELAGEM DA CONSTRUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO POR MÉTODO NUMÉRICO ........1 ...........................................5a FASE DE EXECUÇÃO .....1 ....53 4......................Coeficiente de Poisson .................48 CAPÍTULO 4 ......................................................................17 2.................................1 – Ensaios de Caracterização ............................1 .53 CAPÍTULO 5 ........................47 3..1a FASE DE EXECUÇÃO .........41 3................................35 3..........................1 ..................................................................................

.................88 5............................90 5...................1 ..1 ....................136 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ...81 5........Formulação de Fluxo Estacionário ......4............137 .....................Simulação pelo MEF de eventos em Geotecnia .......................1...................COMPARAÇÃO COM AS ANÁLISES NUMÉRICAS .....1 ...........2 ..........MODELO DE ANÁLISE EM ELEMENTOS FINITOS ....................125 6.................95 5...........1......................................................................................1 ..............99 CAPÍTULO 6 .....................1.....1..................................COMPARAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO DE CAMPO COM A MODELAGEM NUMÉRICA EM ELEMENTOS FINITOS ...........................2 ...............................Algoritmos Utilizados ...4.71 5.................126 CAPÍTULO 7 ....3 ..............MODELAGEM NUMÉRICA DO COMPORTAMENTO TENSÃODEFORMAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO ..Análise Tensão-deformação pelo MEF .......2 ...MODELAGEM NUMÉRICA DA PERCOLAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO .....88 5...........1 ................76 5...............................................INSTRUMENTAÇÕES DE CAMPO ......................2......................................................................................Introdução .......3 .........Modelos de Comportamento ........................................................2 ..................3 .....................Analogia do Problema de Percolação com Problemas Tensãodeformação ........2..............2 .70 5...........viii 5..............................................5 ...................................88 5............3 ....................Modelagem Elástica Linear ......125 6.......91 5......4.............CONCLUSÕES ........4 ..........2 ..ANÁLISE DE PERCOLAÇÃO .......97 5...85 5..................................2..........135 7..................70 5.......................CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ....................................1 ............4 .Rede de Elementos Finitos e Etapas da Simulação .....Introdução ......1......................................................135 7....Modelagem Não-Linear .95 5...............

metrôs. Nesta tese foi feita a modelagem numérica em elementos finitos (planodeformação) de uma escavação escorada envolvendo argila mole. etc. por meio de programas comerciais e de suporte de projeto (e não programas mais sofisticados para pesquisa) a fim de prever o comportamento de uma obra que apresenta alguns aspectos arrojados. exigindo dos projetistas conhecimentos abrangentes a respeito do aspecto construtivo de cada etapa de execução da obra. como o Método dos Elementos Finitos. Ilha do Fundão. situado no Parque Tecnológico.1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Escavações profundas escoradas são freqüentemente utilizadas na engenharia. cujo regime é alterado pela escavação (como por exemplo. verificando a segurança do sistema de escoramento e do solo à sua volta. A análise deste tipo de solução é complexa. como. em subsolos de edifícios. A profundidade de escavação foi de 11 m e as dimensões aproximadas do tanque são de: 30 m x 50 m. Foram encontradas no subsolo duas camadas de solo pouco resistente: turfa com lixo e argila mole cinza escura com . Uma modelagem numérica em elementos finitos de escavações escoradas deverá ser capaz de simular os seguintes aspectos do sistema de escavação: a) a heterogeneidade e a não linearidade do comportamento dos solos. buscando conhecer seu comportamento nas diferentes etapas construtivas. A escavação foi suportada por paredes diafragmas escoradas por vigas-tirantes ligadas a cavaletes de estacas raiz (inclinadas. A escavação estudada refere-se ao Tanque Oceânico. d) a ação da água subterrânea. rebaixamento do lençol freático). funcionando à tração e à compressão). parte do Laboratório de Tecnologia Oceânica (Lab Oceano) da COPPE-UFRJ. Cidade Universitária. b) o comportamento estrutural do sistema de escoramento. O objetivo foi verificar a capacidade de métodos numéricos de uso corrente. c) o processo construtivo de escavação e do sistema de escoramento. além das características de deformabilidade e resistência dos materiais existentes no subsolo. por exemplo.

os deslocamentos horizontais da parede diafragma do Tanque Oceânico. O Capítulo 4 apresenta as fases construtivas do Tanque Oceânico com os aspectos mais relevantes da obra. A modelagem numérica em elementos finitos foi dividida em 2 partes principais: uma modelagem de percolação em torno do Tanque Oceânico. Esta determinação de parâmetros foi feita através de correlações existentes na literatura técnica. . ensaio de piezocone e levantamento geofísico) para determinação dos materiais existentes. inicialmente. dos resultados das investigações geotécnicas de campo e dos ensaios de laboratório. e uma modelagem tensão-deformação com análise elástica linear e não linear utilizando o programa PROGEO. O Capítulo 3 apresenta a estimativa dos parâmetros de resistência e deformabilidade dos solos existentes no subsolo para a modelagem numérica. A modelagem numérica em elementos finitos é apresentada no Capítulo 5.2 conchas. ainda. dos recalques e dos deslocamentos horizontais da parede diafragma. que leva em consideração o efeito tridimensional do problema. Inicialmente. são apresentadas as investigações geotécnicas realizadas no campo (sondagens a percussão. Abaixo das camadas de solos fracos é encontrado solo residual silto-argiloarenoso. São apresentados. A comparação das medidas de campo com os resultados da modelagem numérica em elementos finitos é feita no Capítulo 6. onde. através da análise axissimétrica. no Capítulo 2. onde há a apresentação dos resultados dos piezômetros. e a cerca de 17 m é encontrada alteração de rocha (gnaisse). devida ao rebaixamento do lençol freático. através do programa SEEPW. Além disso. Estas camadas são precedidas por uma camada de aterro de entulho e de areia fina. do medidor de nível d’água. referentes às etapas simuladas na modelagem numérica. é feita uma pequena revisão das análises tensão-deformação e de percolação. são apresentados os ensaios de laboratório realizados e os resultados da prova de carga de uma estaca raiz piloto.

3 E finalmente. . no Capítulo 7 são apresentadas as conclusões e sugestões para pesquisas futuras.

1 . .SPT Os ensaios de SPT (Standard Penetration Test) foram realizados em duas campanhas de sondagens. ENSAIOS DE LABORATÓRIO E PROVA DE CARGA Este capítulo apresenta as investigações geotécnicas de campo realizadas no local de construção do Tanque Oceânico. Figura 2.1.Planta de localização da primeira campanha de sondagens. Apresenta. ainda. com a disposição dos furos. A segunda campanha de sondagens.1 – SONDAGENS À PERCUSSÃO . que consistiram de sondagens a percussão (SPT) e de um ensaio de piezocone (CPTU). pode ser vista na Figura 2. 2.4 CAPÍTULO 2 INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS DE CAMPO. os ensaios de laboratório e uma prova de carga em estaca raiz. além de um levantamento geofísico. A primeira campanha de sondagens consistiu de 9 furos como pode ser observado na Figura 2.2.

se revelou ser um antigo aterro sanitário. conforme documentos da época da criação da Cidade Universitária (Fotos 2. Com a observação dos perfis das Figuras 2.5. A camada de areia fina marinha é muito provavelmente um aterro hidráulico. que é a primeira camada de solo natural.5 encontram-se a planta do Tanque Oceânico e os perfis geotécnicos com a indicação da estrutura do tanque.6 mostra uma camada de aterro de entulho lançada nos últimos 2 anos e a seguir uma camada de areia fina.2 . nota-se certa homogeneidade horizontal do subsolo. destinado a cobrir o lixo.5 Figura 2. seguida de solo residual. o que permite apresentar um perfil geotécnico aproximado.2). inicialmente classificada como turfa.6.Croqui de localização da segunda campanha de sondagens. A primeira camada de solo residual maduro é argilo-arenoso e a segunda camada de solo residual jovem é um silte argilo-arenoso.4 e 2. que será usado no desenvolvimento deste trabalho. A seguir observa-se uma camada de argila orgânica cinza com conchas.1 e 2. . O perfil da Figura 2. como mostrado na Figura 2. bem como os resultados dos SPT's das duas campanhas de sondagens. Nas Figuras 2.3 a 2. A terceira camada.

6 Figura 2. .Planta com a localização do Tanque Oceânico e com o sistema de escoramento (SP*: 2a campanha de sondagens e SP**: 1a campanha de sondagens).3 .

.4 .Perfil do subsolo do Tanque Oceânico referente ao Corte AA da Figura 2.7 Figura 2.3.

5 . .3.Perfil do subsolo do Tanque Oceânico referente ao Corte BB da Figura 2.8 Figura 2.

como é o caso dos solos residuais encontrados no perfil geotécnico da obra em questão. o SPT é muito utilizado para investigação do subsolo em nosso país. através de correlações.00m γ = 16 kN/m3 2. Além disso. Como principal vantagem e característica deste ensaio.Perfil do subsolo no local do Tanque Oceânico utilizado neste trabalho.00m turfa /lixo argila orgânica cinza escuro com conchas 4. (-2. o índice N do SPT serve.6 . .00m rocha Figura 2. para determinar parâmetros de resistência e de deformabilidade dos solos.00m argila – arenosa Solo residual maduro γ = 18 kN/m3 10.9 aterro de entulho areia fina N. Como se sabe. destaca-se a possibilidade de penetração em solos resistentes.00m 2.50m) γ = 16 kN/m3 γ = 18 kN/m3 γ = 15 kN/m3 3. com a espessura das camadas e o peso específico (natural ou saturado) de cada solo.00m silte argilo – arenoso Solo residual jovem γ = 18 kN/m3 6.A.

Foto 2. . na década de 50.Vista aérea da Ilha do Fundão. Cidade Universitária.1 .2 .Vista com o Centro de Tecnologia da Cidade Universitária no primeiro plano e o local das futuras instalações do Tanque Oceânico ao fundo.10 Foto 2.

O ensaio de piezocone. não foi iniciado na cota 0.00 m a -5.00 m). entretanto. Observa-se na Fig. atrito lateral e poropressões.2 – ENSAIO DE PIEZOCONE .7 mostra o resultado do ensaio realizado. 2. serve para a estimativa de parâmetros geotécnicos. Ou seja. Vale ressaltar. do subsolo do Tanque Oceânico. pois foram nestas profundidades que se observou a presença das camadas menos resistentes. indicando se tratar de um solo resistente como. pois este material não ofereceu resistência de ponta. com aumento da resistência de ponta. nem aumento considerável das poro-pressões. por exemplo a areia. na ocasião do ensaio.00 m) a resistência de ponta foi grande e o atrito lateral também foi considerável.00 m. mais fracas.6 já havia sido retirada. que as dissipações deveriam ter sido feitas a profundidades menores. Nas profundidades entre 7 m e 9 m observa-se valores de resistência de ponta e de atrito lateral bem pequenos. Finalmente. com sua existência já indicada no ensaio SPT.CPTU O ensaio de piezocone (CPTU – Cone Penetration Test com medida de poropressão) foi realizado pelo Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ próximo ao furo SPT 02 da primeira campanha de sondagens.8 apresenta os três ensaios de dissipação realizados. onde se interrompeu a cravação do piezocone em profundidades pré-estabelecidas e monitorou-se a variação das poropressões ao longo do tempo. como 3 a 8 m. 2000): .2. A Figura 2.11 2. além de fornecer com maior precisão a passagem de uma camada para outra. em contrapartida com o aumento das poro-pressões revelando assim a argila mole.00 como mostrado na Fig. O objetivo deste ensaio foi caracterizar com maior precisão as primeiras camadas. é observado o solo residual argilo arenoso.6 e sim na cota 2. Um dos parâmetros que podem ser obtidos através do ensaio de dissipação é o ch (coeficiente de adensamento horizontal). Já nas profundidades entre 3 m e 7 m foi encontrada a turfa/lixo. cabe ressaltar que o ensaio de piezocone. através da seguinte equação (DANZIGER e SCHNAID. 2.7 que nos primeiros 2 metros de ensaio (profundidade de 1 a 3 m. a camada de entulho indicado na Fig. A Figura 2. a partir da profundidade de 9 m (ou cota -11. ou melhor cota -3.

9 e 2.3 – LEVANTAMENTO GEOFÍSICO Um levantamento geofísico foi realizado a fim de verificar sua contribuição para a construção de perfis e para caracterização da rocha sã.20 m 12. O método usado no levantamento geofísico foi o da eletroresistividade. 2000) e Ir = 80 (ORTIGÃO.1.1 . 1980). Os resultados das investigações executadas encontram-se nas Figuras 2.78 cm.245 (posição do filtro na base do cone.Resultado dos ensaios de dissipação realizados através da cravação do piezocone no subsolo do Lab Oceano.10.04 m 9. nos três ensaios de dissipação realizados. tendo sido feito um Caminhamento Elétrico e uma Sondagem Elétrica Vertical. ch (cm2/s) 3 x 10-1 8 x 10-3 2 x 10-3 Ensaios de dissipação (profundidade) 8. tem-se: Tabela 2. pois na parte central do tanque a escavação atinge 20 m de profundidade devido a presença de um poço com 5 m de diâmetro e 10 m de profundidade.37 m t50% (s) 20 900 3000 2. . DANZIGER e SCHNAID.12 ch = R 2T * I r t (2. com a poropressão medida na base do cone (u2) e com R = 1. T* = 0.1) em que: R é o raio do piezocone T* é o fator tempo Ir é o índice de rigidez (=G/Su) t é o tempo de dissipação do adensamento Aplicando a Equação 2.

7 . da poro-pressão na base do cone.Gráficos da resistência de ponta. do atrito lateral. sendo uo a poro-pressão hidrostática. . da poro-pressão na ponta do cone e da inclinação do tubo. respectivamente.13 Figura 2.

37 m) 2000 u (kPa) u1 (profundidade 12.20 m) u2 (profundidade 12.04 m) 2500 u2 (profundidade 9.20 m) u1 (profundidade 9.Gráficos de dissipação a diversas profundidades (u1 é a poro-pressão medida na ponta do cone e u2 é a poro-pressão medida na base do cone).37 m) 1500 1000 500 0 1 10 100 tempo (s) 1000 10000 Figura 2. .8 .04 m) u1 (profundidade 8.14 3000 u2 (profundidade 8.

9 .Interpretação do Perfil Geológico e Geofísico do Caminhamento Elétrico .15 Figura 2.

16 Figura 2.Perfil Geológico obtido pelo Caminhamento Elétrico .10 .

14 observa-se o resultado do Limite de Liquidez bem como os valores do Limite de Plasticidade e do Índice de Plasticidade da argila orgânica. parafinado. na Figura 2. Tabela 2. 2.Densidade real dos grãos dos solos do Tanque Oceânico TIPO DE SOLO Argila orgânica cinza escura com conchas Areia fina Solo residual jovem amarelado DENSIDADE REAL DOS GRÃOS (GS) 2. com amostragem do tipo bloco indeformado.17 2.12 e 2.2 . da areia fina e do solo residual podem ser vistas nas Figuras 2. Os ensaios foram realizados no Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ e as curvas granulométricas da argila orgânica.2 mostra os valores encontrados para a densidade real dos grãos dos solos ensaiados. 2. respectivamente. cuja amostra foi retirada a 9 m de profundidade.ENSAIOS DE LABORATÓRIO Para melhor determinação das propriedades dos materiais que compõem o subsolo do Tanque Oceânico foram realizados ensaios de caracterização e ensaios triaxiais na argila orgânica mole.65 2.11.4 . A Tabela 2.1 .48 2. a amostra foi levada à câmara úmida do Laboratório de Geotecnia da COPPE-UFRJ. para realização dos ensaios.4.Ensaios de Caracterização Foram realizados três ensaios de caracterização completa dos materiais encontrados no subsolo do Tanque Oceânico.71 .13. Após a coleta. Além disso.

ABNT 100 ARGILA SILTE PENEIRAS: 270 AREIA FINA 200 100 MÉDIA 60 40 GROSSA 30 20 10 P DR E EG LH U O FINO 4 MÉDIO 3/8 1/2 GROSSO 3/4 1 11/2 2 3 0 90 10 80 20 PORCENTAGEM PASSANDO 60 40 50 50 40 60 30 70 20 80 10 90 0 0.11 .18 ABNT 100 A RGIL A SILTE PENEIRAS: 270 AREIA FINA 200 100 MÉDIA 60 40 GR OSSA 30 20 10 PEDREGULHO FINO 4 M IO ÉD 3/8 1/2 GROSSO 3/4 1 11/2 2 3 0 90 10 80 20 PORCENTAGEM PASSANDO 60 40 50 50 40 60 30 70 20 80 10 90 0 0.1 1 10 100 100 DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm) Figura 2.01 0.1 1 10 100 100 DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm) Figura 2. PORCENTAGEM RETIDA 70 30 PORCENTAGEM RETIDA 70 30 .Granulometria da argila orgânica do Tanque Oceânico.001 0.12 .001 0.Granulometria da areia fina do Tanque Oceânico.01 0.

1 1 10 100 100 DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS (mm) Figura 13 .0 145.01 0. % 150.0 160.0 Umidade.0 Figura 2.0 155.Granulometria do solo residual jovem do Tanque Oceânico 100 Número de Golpes LL=147.0 135.Limite de Liquidez da argila orgânica do Tanque Oceânico PORCENTAGEM RETIDA 70 30 .001 0.19 ABNT 100 ARGILA SILTE PENEIRAS: 270 AREIA FIN A 200 100 MÉDIA 60 40 GROSSA 30 20 10 PEDRE GULHO FINO 4 M ÉDIO 3/8 1/2 GR OSSO 3/4 1 11/2 2 3 0 90 10 80 20 PORCENTAGEM PASSANDO 60 40 50 50 40 60 30 70 20 80 10 90 0 0.0 140.14 .7% 10 130.3% IP=101.0% LP= 45.

Ensaios Triaxiais na Argila Orgânica Além dos ensaios de caracterização. houve a necessidade da realização de ensaios triaxiais na argila orgânica cinza escura com presença de conchas. não representando a condição de saturação completa da amostra in situ. tensão estimada na amostra de solo no campo.3 traz as informações do corpo de prova utilizado neste ensaio. Para tanto. A perda de umidade da amostra está associada ao fato da escavação ter ficado exposta quando da retirada da mesma Na Figura 2.6. . provavelmente causada pelas engrenagens da prensa do ensaio triaxial.15 a 2. A descontinuidade do gráfico nas Figuras 2. ou seja.Unconsolidated Undrained (ensaio rápido).16 é de aproximadamente 35 kPa. Estes ensaios foram feitos quando do início da escavação no interior do Tanque Oceânico.2 . em que se percebe um "laço" na trajetória de tensões p × q.4. A resistência não-drenada (Su) observada na Fig. Ensaio Triaxial CIU Neste ensaio foi utilizada uma tensão de adensamento de 65 kPa.18 mostram os gráficos obtidos neste ensaio.16. mais precisamente nos valores de deformações específicas 6% e 7.15.5%. As Figuras 2. parâmetro importante no projeto da escavação.18 está associado a leituras que deixaram de ser realizadas no fim de semana quando da execução do ensaio. ver Fig.17 e 2. a fim de se determinar a resistência não drenada (Su) deste material. 2. observa-se certa anomalia.Consolidated Isotropic Undrained (ensaio adensado e não drenado) e um ensaio triaxial UU .20 2. em que se observa o Grau de Saturação de 54%. 2. isso também se reflete na Figura 2. foram realizados dois ensaios triaxiais: um ensaio triaxial CIU . o ensaio foi realizado nas condições de tensão in situ. A Tabela 2.

21 Tabela 2.3 - Dados do corpo de prova usado no ensaio triaxial CIU da argila orgânica

Diâmetro do corpo de prova (cm) Altura do corpo de prova (cm) Índice de vazios inicial (eo) Grau de Saturação (So, %) Umidade natural média (%) Peso específico aparente seco (γs , kN/m3)

5,08 9,10 4,66 54 102,3 6,65

80,0 75,0 70,0 65,0 60,0 55,0 tensão desvio ( kPa ) 50,0 45,0 40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20

deformação específica ( % )

Figura 2.15 - Gráfico tensão desvio × deformação específica do ensaio triaxial CIU

Além do valor da resistência não-drenada (Su), o ensaio triaxial CIU, a partir dos gráficos de tempo versus deformação, fornece o valor de cv (coeficiente de adensamento vertical) através da Equação:

H d 2T90% cv = t90%
em que: Hd é a distância de drenagem no ensaio de adensamento

(2.2)

22 T90% é o fator tempo a 90% t90% é o tempo correspondente a 90 % de adensamento Usando o processo de Taylor para obtenção do t90% (Figura 2.17) e aplicando a Equação 2.2, tem-se:
2

 9,10cm    × 0,848  2  cv = = 5,8 × 10 −3 cm 2 / min 2 55 min

( )

(2.3)

75,0 70,0 65,0 60,0 55,0 50,0 45,0 q (kPa) 40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 p (kPa)

Figura 2.16 - Gráfico p × q do ensaio triaxial CIU

23
Raiz T (minutos) 0,0 0 1 2 3 Deformação (%) 4 5 6 7 8 9 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0

Figura 2.17 - Gráfico raiz quadrada do tempo × deformação do ensaio triaxial CIU

Log t (minutos) 0,1 1 10 100 1000 10000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Deformação (%)

Figura 2.18 - Gráfico logaritmo do tempo × deformação do ensaio triaxial CIU.

Gráfico de tensão desvio × deformação específica do ensaio triaxial UU. %) Umidade natural média (%) Peso específico aparente seco (γs .0 0. Tabela 2.0 50. .04 9.3 7.0 55. A Figura 2.0 15. O aumento de resistência observado no gráfico após o valor de 5% de deformação específica é devido à presença de grande quantidade de conchas no interior do corpo de prova ensaiado.0 tensão desvio ( kPa ) 40.10 4.24 Ensaio Triaxial UU O ensaio triaxial UU foi realizado a uma tensão confinante de 50 kPa.29 65.0 60.0 30.0 0 5 10 15 20 25 30 35 deformação específica ( % ) Figura 2. O Grau de Saturação de 56% é explicado pelo fato da amostra ter perdido umidade quando da sua extração em campo.19 mostra que a resistência obtida foi de.0 35.0 20. kN/m3) 5.4 . confirmando.0 5. A Tabela 2.19 .0 45.34 56 97. aproximadamente.4 mostra as informações do corpo de prova utilizado neste ensaio.0 25.Dados do corpo de prova do ensaio triaxial UU Diâmetro do corpo de prova (cm) Altura do corpo de prova (cm) Índice de vazios inicial (eo) Grau de Saturação (So.0 10. portanto o mesmo valor encontrado para a resistência não-drenada (Su) do ensaio triaxial CIU. 35 kPa.

6 mostram a realização da prova de carga. A carga de trabalho à tração das estacas era de 85 tf. até uma carga máxima de tração de 150 tf. A sondagem à percussão mais próxima à estaca piloto foi a correspondente ao furo SP 08 da primeira campanha de sondagens. não pertencente ao estaqueamento da obra. a assíntota da função de Van der Veen corresponde à carga de ruptura (Qult ) de 202 tf. Resultados da Prova de Carga A prova de carga realizada foi estática à tração. Foi feita uma extrapolação da curva carga-recalque utilizando-se os resultados da prova de carga com carregamento lento até 150 tf e dois pontos do segundo carregamento. . A fim de se determinar a carga de ruptura. ou seja.25 2. Como pode ser observado na Figura 2. O resultado da prova de carga se encontra na Tabela 2.20.PROVA DE CARGA EM ESTACA RAIZ Uma prova de carga foi realizada nos dias 05 e 06 de fevereiro de 2001. Esta carga máxima foi determinada como limite de segurança para que não houvesse ruptura das cordoalhas. com carregamento lento. 1997).4. com as seguintes dimensões: φ = 400 mm e 24 m de comprimento. A extrapolação por Van der Veen é confiável se o recalque máximo atingido na prova de carga for de pelo menos. a curva carga-recalque foi extrapolada pelo método de Van der Veen.3 a 2. usado quando a prova de carga não é levada até a ruptura ou a um nível de recalque que caracterize a ruptura. Foi ensaiada uma estaca raiz vertical piloto. correspondentes a 160 tf e 165 tf.5 . As Fotos 2. seguida de descarregamento e recarregamento rápido até 165 tf. 1% do diâmetro da estaca (VELLOSO E LOPES.

36 11.10 6.80 9.03 3.44 0.20 .89 3.48 6.28 2o carregamento Figura 2. Carga (tf) 0 20 40 60 80 1 carregamento 100 120 140 150 160 165 o Tempo (h) 09:45 09:46 10:01 10:18 10:48 10:51 10:21 11:27 11:57 12:03 12:33 12:48 12:18 13:22 13:52 13:55 07:55 Deslocamento (mm) 0.00 0.73 12.Curva carga × deslocamento ascendente .78 1.04 8.26 Tabela 2.64 7.40 0.94 8.96 1.93 0.90 5.25 4.4: Resultados da prova de carga da estaca raiz piloto do Tanque Oceânico.

Foto 2.3 .27 Foto 2.4 .Estaca raiz piloto e viga de coroamento das estacas de reação para a prova de carga. .Macaco colocado no topo da estaca piloto para realização da prova de carga.

Foto 2. .Extensômetros fixados no topo da estaca piloto.Equipamento da prova de carga de estaca piloto. mostrando o esquema de reação.6 .5 .28 Foto 2.

5 33 35 27 a 33 27 a 30 Compacta 34 45 50 30 a 34 30 a 35 .29 CAPÍTULO 3 ESTIMATIVA DE PARÂMETROS PARA AS ANÁLISES Este capítulo apresenta uma revisão de correlações disponíveis na literatura técnica e a estimativa de parâmetros para as análises realizadas nesta tese.1 – Ângulo de Atrito Ângulo de Atrito de Solos Granulares Alguns valores típicos de ângulos de atrito de solos granulares obtidos em ensaios de compressão triaxial (φ'tc) estão indicados na Tabela 3. 1967) φ’tc (graus) Tipo de Solo Areia.CORRELAÇÕES DISPONÍVEIS NA LITERATURA Os parâmetros utilizados na análise pelo MEF (Método dos Elementos Finitos) foram obtidos a partir de ensaios in situ e de ensaios de laboratório. 3. Inicialmente serão apresentadas as correlações entre ensaios in situ e parâmetros de resistência e deformabilidade de solos.Valores carterísticos de ângulo de atrito de Solos Granulares (TERZAGHI E PECK.1 . dos trabalhos de KULHAWY E MAYNE (1990) e de VELLOSO E LOPES (1997).1. grãos angulares.1. grãos arredondados. uniformes Areia. Tabela 3. principalmente. Estas correlações foram tiradas. bem graduada Mistura pedregulho-areia Areia siltosa Silte inorgânico Fofa 27.1 . 3.

1 e 3. seguido do SPT (KULHAWY E MAYNE . 1990).2.Correlação do ângulo de atrito com o índice N do SPT (a) PECK.2 . HANSON E THORNBURN (1974) e (b) MEYERHOF (1956) φ’tc aproximado (graus) Valor N 0a4 4 a 10 10 a 30 30 a 50 > 50 Densidade Relativa Muito fofa Fofa Média Compacta Muito compacta (a) < 28 28 a 30 30 a 36 36 a 41 > 41 (b) < 30 30 a 35 35 a 40 40 a 45 > 45 Figura 3.Gráfico que relaciona ângulo de atrito com a densidade relativa e o índice N do SPT (PECK.30 Os ensaios in situ que dão correlações mais satisfatórias são o CPTU. (a) Correlações do ângulo de atrito de solos granulares a partir do SPT Essas correlações são comumente feitas diretamente através da Tabela 3.1 .2. ou através das Figuras 3. 1974) . HANSON E THORNBURN. Tabela 3.

1990): φ ' tc     N  ≅ tan −1   '  σ   12.Gráfico que relaciona ângulo de atrito e o índice N do SPT (DE MELLO. 1971) As correlações ainda podem ser feitas através de equação aproximada que correlaciona o índice N do SPT e φ’tc como uma função no nível da tensão efetiva geostática vertical.1) onde: N é o número obtido do ensaio SPT σ’vo é a tensão efetiva geostática vertical pa é a pressão atmosférica.2 . (b) Correlações do ângulo de atrito de solos granulares a partir do CPT . Nas correlações utilizadas neste trabalho não foi considerada a correção de energia do ensaio SPT. como segue (KULHAWY E MAYNE.31 Figura 3. cujo valor é: 101.3 kN/m2 KULHAWY E MAYNE (1990) dizem que esses resultados são conservativos e não devem ser usados em pequenas profundidades (como de 1 a 2 m).34 (3.8 v 0    pA     0 .2 + 20.

Correlação entre ângulo de atrito de areias.2) Figura 3. (graus) < 30 30 a 35 35 a 40 40 a 45 > 45 Resistência de ponta normalizada (qc/pa) Compacidade relativa < 20 20 a 40 40 a 120 120 a 200 > 200 Muito fofa Fofa Média Compacta Muito compacta As correlações também podem ser feitas pela Figura 3. 1989) .Correlação entre o ângulo de atrito e o ensaio CPT (MEYERHOF.3 .   q  φ'tc ≅ tan −1 0. 1956) φ’tc aprox. resistência de ponta do cone e tensão efetiva: (a) vertical (ROBERTSON E CAMPANELLA.3 .32 As correlações para obtenção do ângulo de atrito a partir de resultados do ensaio de CPT podem ser feitas pela Tabela 3.2.38 log c   σ'   vo   (3.3 ou pela Equação 3. 1983) e (b) horizontal (HOULSBY E WROTH.1 + 0.3. Tabela 3.

fatores de forma e história de tensão para descobrir φ’tc. onde correlaciona qc/σ’vo e Ko com φ’tc a partir dos resultados da Figura 3.4 (MARCHETTI. Figura 3.33 Pode-se. ainda.5 .4.Correlação do ângulo de atrito com a resistência de ponta do cone do ensaio CPT. MARCHETTI (1985) propôs a Figura 3. com nível de tensão.5. fatores de forma e história de tensão (VILLET E MITCHELL. 1985) .4 . 1981) Figura 3.4.Correlação do ângulo de atrito com Ko e a figura 3. correlacionar qc (resistência de ponta do cone) com nível de tensão. como mostra a Figura 3.

6 + 11. a compressibilidade e a percentagem de finos KULHAWY E MAYNE (1990) chegaram à Figura 3. a forma da partícula.5    σ ' vo       pa      (3. 1990) Ângulo de atrito de solos argilosos As correlações do ângulo de atrito de solos argilosos são estimadas de duas maneiras: .34 Por meio de uma grande quantidade de dados.0 log 0 .6 com a Equação 3.3) Figura 3. levando-se em consideração a mineralogia.Relação do ângulo de atrito com o ensaio do CPT (KULHAWY E MAYNE.6 .3:  q     c      pa   φ ' tc = 17.

o solo é argiloso e φ’r < φ’cv − Se a percentagem de argila estiver entre 15% e 50%. φ’r > 250 e não difere muito de φ’cv − Se a percentagem de argila for maior que 50%. O Su mede a resposta do solo mediante um carregamento não .undrained shear strength) é uma propriedade típica de solos argilosos.7. Pesquisas têm mostrado que a fração de argila e a mineralogia são importantes para determinação de φ’r.7 . Figura 3.35 ângulo de atrito para solos normalmente adensados (OCR – overconsolidation ratio igual a 1): φ’tc (traixial compression) ≈ φ’cv (critical void ratio) ângulo de atrito residual: φ’r (residual) Não há nenhuma correlação satisfatória para estimar o ângulo de atrito de pico de argilas sobreadensadas (OCR > 1) como função do OCR ou de outros parâmetros.1. 1985) 3. como se segue (KULHAWY E MAYNE. como na Figura 3. 1990): − Se a percentagem de argila for menor que 15%. Nem existe correlação com ensaios in situ.Correlação do ângulo de atrito com solos argilosos que contenham certa fração de areia (SKEMPTON.2 – Resistência não drenada (Su) de solos argilosos A resistência não drenada (Su . o solo tem comportamento de transição. como no caso dos solos granulares. o solo tem comportamento não plástico.

o ensaio utilizado para medida do Su é o ensaio de compressão trixial do tipo UU (unconsolidated undrained).04 )OCR 0. JAMIOLKOWSKI ET AL.25σ ' v 0 (3. A resistência não drenada depende de alguns fatores.23 ± 0.4) Para solos normalmente adensados tem-se a seguinte relação.6 (KULHAWY E MAYNE.36 drenado em que se admite não haver variação de volume.6) Tabela 3.8 σ ' v0 (3.8 e na Equação 3. 1967) Valor de N 0a2 2a4 4a8 8 a 15 15 a 30 > 30 Consistência Valor aproximado de Muito mole Mole Média Rija Muito rija dura < 1/8 1/8 a 1/4 1/4 a 1/2 1/2 a 1 1a2 >2 Su pa .4.06 N pa (3. na Figura 3. entre eles a velocidade de carregamento.Correlação de Su com o índice N do SPT e a consistência de solos argilosos (TERZAGHI E PECK.5) Correlação de Su a partir do SPT Essas correlações são fracas e podem ser observadas na Tabela 3. (1985) propuseram a relação de Su com OCR pela Equação: Su = (0. Em laboratório. baseada na Teoria dos Estados Críticos: S u ≅ 0. não levado em consideração neste trabalho. 1990): Su = 0.4 .

10 dá uma Equação melhor pois.Relação de Su com o índice N do SPT e consistência de solos argilosos (U.72 pa (3. o procedimento do SPT e a resistência de referência (ensaio triaxial – UU) empregados são os mesmos. 1990).7) . Uma das razões pode ser devido aos ensaios não obedecerem o mesmo nível de energia.37 Na Figura 3.9 observa-se que não há nenhuma relação clara entre Su e N. a penetração durante o ensaio do SPT causa um excesso de poro-pressão temporária que reduz a tensão efetiva nas proximidades da amostra. logo Su = 0. ou seja. NAVY.8 . Figura 3. Além disso. o equipamento de sondagem.29N 0. não há uma energia padronizada. neste caso.S. A sensibilidade também varia com o SPT. a partir de muitos resultados. 1986) A Figura 3. resultando num valor aparentemente menor de N (KULHAWY E MAYNE.

1985) Figura 3.Relação de Su com o índice N do SPT (DJOENAIDI.38 Figura 3.Relação de Su com o índice N do SPT (HARA ET AL.9 . 1974) .10 ..

2000). Para as argilas moles brasileiras NKT (fator que emprega a resistência de ponta corrigida qT.39 Correlações de Su a partir do CPT O Su está correlacionado com qc através da Equação 3. Muitas vezes o ensaio de palheta é usado como referência. 1990): qc = NkSu + σ vo (3.57 + 1.5 Ip ± 2 50 (3.8 (KULHAWY E MAYNE. em substituição `a resistência de ponta qc medida no CPT) varia de 10 a 16 (DANZIGER e SCHNAID.11) em que Ip é o índice de plasticidade. . A aplicação da teoria clássica da plasticidade para problemas de capacidade de carga sugere Nk da ordem de 9 para modelo geral de cisalhamento.33 (ln Ir + 1) BOWLES (1988) sugere que: (3. O valor de Nk deveria ser determinado experimentalmente por comparação com uma resistência de referência.9) em que G é o módulo de elasticidade transversal. RAD E LUNNE (1988) ainda propõem que Nk seja relacionado com OCR. a teoria de expansão de cavidade de VESIC (1977) propõe: Nk = 2. A teoria prevê uma faixa estreita de Nk entre 14 e 18 para uma larga faixa de Ir. A teoria de expansão de cavidade dá Nk crescente na faixa de 7 a 13 para valores crescentes do índice de rigidez (Ir). Ir = G/Su (3.8) em que Nk é o fator de capacidade de carga do cone.10) N k = 13 + 5.

11 (KULHAWY E MAYNE . N∆u é o fator de cone quanto à poro-pressão.13) Para o ensaio de piezocone o valor de Su pode ser determinada por: Su = em que ∆u N ∆u (3.40 Corrrelações de Su a partir do CPTU (ensaio de piezocone) O ensaio de piezocone permite corrigir a resistência de ponta qc.5 < a < 0. para qt.8 2 πR R 2 (3. através da Equação 3.0. Ir e PI como mostrado na Figura 3. 1990).15) ∆u = (um – u0) um é a poro-pressão medida e u0 é a poro-pressão hidrostática.Correlação de Su com o ensaio CPTU (ROBERTSON.14) (3.12) em que ub é a poro-pressão medida na base do cone e a é a razão entre a área da base do a= (3.12 (VELLOSO E LOPES. ET AL.11 . estimada de Af. 1986) .. Figura 3. 1997): qt = qc + ub(1-a) cone e a área da seção da célula de carga após o anel de vedação: πr 2 r = 2 .

1 + 0.41 3.3 a 0.5.Correlação do coeficiente de Poisson com diferentes tipos de solos (KULHAWY E MAYNE.3 – Coeficiente de Poisson Para condições em que o carregamento é drenado alguns valores típicos do coeficiente de Poisson (ν) podem ser obtidos através da Tabela 3.5.4 – Módulo de Young O módulo de Young ou Módulo de Elasticidade Longitudinal (E) pode ser obtido através de correlações com ensaios in situ como mostrado a seguir. 1990): νd ≈ 0.4 0. é bastante breve.3 φrel (3. pois devido à alta permeabilidade o excesso de poro-pressão gerada é . se existente.5 .1 a 0.3 3.1.2 a 0. Já para condições de carregamento não drenado.1.17) com (0 ≤ φrel ≤ 1).16 (KULHAWY E MAYNE . Tabela 3. φrel é o ângulo de atrito usado na aproximação do estado de densidade do solo. ou através da Equação 3. 1990) Solo Argila Areia compacta Areia fofa Coeficiente de Poisson drenado (νd) 0. Módulo de Young para solos granulares A condição de carregamento não drenado em solos granulares.4 0. νu = 0.16) em que φrel = φ'tc −25 0 450 − 250 (3.

A Tabela 3.7 . K.8 .6 mostra alguns valores de Ed secante (módulo de Young drenado) para solos granulares.18b) σ’1 e σ’3 são as tensões efetivas principais maior e menor.Valores de parâmetros hiperbólicos para solos granulares (KULHAWY ET AL. n e Rf são os módulos hiperbólicos drenados. 1983) Classificação unificada de solo GW GP SW SP ML K 300 a 1200 500 a 1800 300 a 1200 300 a 1200 300 a 1200 n 1/3 1/3 1/2 1/2 2/3 Rf 0.8 0.. 1970) o módulo tangente drenado é dado por:  (1 − sen φ 'tc )(σ '1 −σ ' 3 ) E t = Ei 1 − R f (2σ ' 3 sen φ ' tc )    e n 2 (3. 1975) Compacidade Fofa Média compacta Ed/pa (normalizado) Típico 100 a 200 200 a 500 500 a 1000 Dado de estacas 275 a 550 550 a 700 700 a 1100 Para o modelo hiperbólico (DUNCAN E CHANG.Valores típicos de Ed para solos granulares (POULOS.18a) σ '  E i = Kp a  3   p   a  em que: - (3. Segundo KULHAWY E MAYNE (1990) esses parâmetros podem ser estimados a partir da Tabela 3.42 rapidamente dissipado.6 .7 0.7. Tabela 3. Tabela 3.8 0.7 0.

1990) Consistência mole média rija Eu/pa (normalizado) 15 a 40 40 a 80 80 a 200 Para o modelo hiperbólico. KULHAWY ET AL.Valores típicos de Eu para solos argilosos (KULHAWY E MAYNE.23) Eu = 500Su (3. E o módulo de elasticidade longitudinal e ν o coeficiente de Poisson .20) em que G é o módulo de elasticidade transversal. Eu = 3G Como Ir = G/Su Eu = 3SuIr É comum adotar para argilas sedimentares.21) (3.22) tem-se (3.24) A Tabela 3. Na condição não drenada. a Equação 3.19) Módulo de Young para solos argilosos Sabe-se que (KULHAWY E MAYNE. Tabela 3.8 dá alguns os valores do módulo de Young não drenado secante. (1969) sugerem um módulo de Young não drenado tangente de: .8 .24 (3.43 TRAUTMANN E KULHAWY (1987) sugerem ainda que K seja obtido como: K ≈ 300 + 900 φrel (3. 1990): G= E 2(1 + ν ) (3.

9. como mostrado na Figura 3.. Tabela 3.1 – Ângulo de Atrito dos Solos Granulares Ângulo de Atrito a partir do SPT (a) Areia fina .2. σ c = σ 3) K.12.26) em que N é o índice do ensaio SPT.2 – RESULTADOS DAS CORRELAÇÕES APLICADAS AOS SOLOS DA OBRA E DO ENSAIO DE LABORATÓRIO 3. n e Rf são os módulos parâmetros hiperbólicos não drenados. o módulo de elasticidade para solos residuais pode ser dado através da Equação 3.Valores de parâmetros hiperbólicos para solos argilosos (KULHAWY ET AL.9 .26 E = 2. dados na Tabela 3.9 3.9 0. Módulo de Young para solos residuais SANDRONI (1991) usou resultados de provas de carga em solos residuais de gnaisse com a finalidade de obter E para estes solos.5N (MPa) (3. 1983) Classificação unificada de solo CL CH K 100 a 200 100 a 300 n 1 1 Rf 0.25) em que: σ c é a tensão de confinamento isotrópica (para ensaios UU. Mais simplificadamente.44 E ut σ = Kp a  c p  a     n (σ 1 − σ 3 )  1 − R f 2 Su    2 (3.

obtendo-se valores de φ’ para o solo residual pela Figura 3.2 de φ’=40o.2 tem-se φ’=43o. 2. porque. valor intermediário dos obtidos.4 e 2.1. apesar de estarem em processos de formação diferentes. foram obtidos os seguintes valores para o ângulo de atrito (φ’): a partir da Figura 3.1. 1991) (b) Solo residual Neste trabalho não foi feita distinção entre os dois tipos de solo residual como visto na Figura 2. já que é necessário não superestimar o valor de φ’. foi considerado para o índice N do SPT um valor de 20.45 Com o valor do índice N igual a 22.6) encontra-se para φ’ um valor de 44. Figura 3. Fig. apresentam características de resistência e deformabilidade parecidas.1o. (com o valor de σ’vo calculado no meio da camada de areia.1. Foi adotado neste trabalho o valor de 35o para o ângulo de atrito da areia fina. φ’=33. A partir da Equação 3. visto se tratar de um importante parâmetro de resistência.1. . O valor considerado para o ângulo de atrito do solo residual foi de 30o. foi encontrado φ’=27. referente à camada de areia fina.4o e pela Figura 3.1 de φ’=33. obtido nas Figuras 2.7o e pela Figura 3.6. Utilizando a Equação 3. Logo.Relações de E para solos residuais (SANDRONI.5.12 .

46 Ângulo de Atrito a partir do CPT

(a) Areia fina

Além do índice N do SPT, foi utilizado neste trabalho o ensaio de piezocone para obtenção do ângulo de atrito da areia fina. O valor médio da resistência de ponta obtido no meio da camada de areia fina foi de 20.000 kPa (Figura 2.6). Com este valor, tem-se pela Figura 3.3(a), φ’=45,5o, pela Figura (b), φ’=49,5o e pela Fig. 3.5 (com Ko=0,5), φ’=43,7o. A partir da Equação 3.2, φ’=46,3o e pela Equação 3.3, φ’=43,9o. Entretanto, como estes valores obtidos foram superiores aos valores encontrados através do SPT, como já mencionado, foi considerado para o ângulo de atrito da areia fina um valor de 35o, valor um pouco a favor da segurança.

3.2.2 - Resistência não-drenada da Argila Orgânica Mole

O valor da resistência não-drenada (Su) de argilas normalmente adensadas é obtido através da Equação 3.5. Com o valor de σ’vo obtido no meio da camada de argila mole, o valor de Su foi de 21 kPa. Su a partir do SPT Utilizando um valor de N=2 para a argila (Figuras 2.4 e 2.5), foram obtidos através da Equação 3.6, Su=12 kPa, pela Figura 3.8, Su=25 kPa e pela Equação 3.7, Su=48 kPa. Observa-se, portanto, uma grande dispersão. Su a partir do CPT Utilizando-se a Equação 3.8 e os valores de NkT=13, σ vo=160 kPa (Figura 2.6) e qT (Figura 2.7), obtém-se para Su um valor aproximado de 23 kPa. Su a partir dos Ensaios Triaxiais

47 Conforme o item 2.4.2, o valor obtido para a resistência não-drenada (Su) da argila orgânica cinza escura com conchas do Tanque Oceânico nos ensaios triaxiais foi de 35 kPa. Como houve perda de umidade da amostra no campo, foi tomado o valor de Su=30 kPa para ser utilizado neste trabalho. 3.2.3 - Coeficiente de Poisson

Os valores adotados para uso no MEF (Método de Elementos Finitos) se situaram na faixa de 0,2 a 0,5 e serão detalhados no item 3.3.

3.2.4 - Módulo de Young

Módulo de Young de Solos Granulares

(a) Areia fina

A partir da Classificação Unificada na Tabela 3.7, a areia fina pode ser classificada como SP (poorly graded sands). Tomando-se para K o valor de 500 e para n o valor de 0,5, o valor obtido para Ei através da Equação 3.18b é de 36.000 kPa, com o valor de σ’vo tomado no meio da camada de areia fina (Figura 2.6). O valor do módulo de Young da areia fina utilizado neste trabalho foi de 30.000 kPa, considerando que haverá alguma redução da tensão confinante em relação ao valor inicial por causa da escavação.

(b) Solo residual

De acordo com a Tabela 3.7, o solo residual pode ser classificado como ML (silty or clayey fine sands with slight plasticity).Tomando-se K=500 e n=0,7, tem-se pela Equação 3.18b, Ei=60.000 kPa, com σ’vo calculado no meio da camada do solo residual (Figura 2.6) . Para este trabalho, foi considerado um valor para o módulo de Young do solo residual de 50.000 kPa, considerando que haverá alguma redução da tensão confinante em relação ao valor inicial por causa da escavação.

Módulo de Young para a Argila Orgânica

48 Através da Equação 3.24, o valor de Eu encontrado foi de 17.500 kPa. A melhor classificação para a argila orgânica do Tanque Oceânico é OH (organic clays of medium to high plasticity). Utilizando os valores da Tabela 3.9, tem-se, para K=200 e n=1, Eui=17.000 kPa, com o valor de σ’vo calculado no meio da camada de argila orgânica (Figura 2.6). Foi tomado neste trabalho o valor do módulo de Young para a argila orgânica igual a 15.000 kPa, considerando que haverá alguma redução da tensão confinante em relação ao valor inicial por causa da escavação.

3.3 - RESUMO DOS PARÂMETROS DE RESISTÊNCIA E DEFORMABILIDADE USADOS NAS ANÁLISES PELO MEF

Além dos solos analisados no item 3.2 (areia fina, argila orgânica e solo residual) foram estimados os parâmetros do aterro de entulho (com características mais próximas às da areia fina) e da turfa/lixo (com características semelhantes a da argila orgânica). A coesão das camadas granulares (aterro de entulho e areia fina) foi estimada em 5 kPa devido a sucção. Para o solo residual foi estimada uma coesão de 20 kPa devido a cimentação. Os parâmetros utilizados na análise no Método de Elementos Finitos neste trabalho estão presentes nas Tabela 3.10 e 3.11.

Tabela 3.10 - Valores dos parâmetros de resistência e deformabilidade usado no MEF

Parâmetro Ei (kPa) ν φ' (graus) c' (kPa)

Aterro 25.000 0,3 30 5

Areia fina 30.000 0,3 35 5

Turfa 15.000 0,2 25 1

Argila orgânica Solo residual 15.000 0,49 0 30 50.000 0,45 30 20

Tabela 3.11 - Parâmetros hiperbólicos usados no MEF

Parâmetro K n Rf

Aterro 100 0,5 0,8

Areia fina 750 0,5 0,8

Turfa 100 1 0,8

Argila orgânica Solo residual 100 1 0,8 750 0,7 0,8

Durante as escavações foram encontradas e retiradas peças de concreto armado e estacas de madeira. 4. pH e espessura do cake.30 m.1a FASE DE EXECUÇÃO A 1a fase consistiu na realização das seguintes atividades: (a) Montagem do canteiro de obras e limpeza da área.5). uma furo no centro e outra para o Bench Mark (Foto 4. com preenchimento de lama bentonítica. 2) escavação da lamela por meio de clamshell. 7) retirada da chapa espelho e chapas junta (Fotos 4. que teve início com a execução das muretas guias. viscosidade. Esta técnica consiste em melhorar o solo por meio de jet-grout. (c) Execução de jet-grouting. 4) colocação da chapa espelho (face interna do tanque) e chapas juntas. 3) ensaios com a lama bentonítica para aferição da qualidade da mesma dentro da lamela com a realização dos seguintes testes: teor de areia na lama. (b) Seis sondagens à percussão complementares realizadas em novembro de 2000. com previsão de conclusão para abril de 2002. e seguiu as seguintes etapas: 1) montagem da "gaiola" de armação do painel.2 a 4. com a finalidade de facilitar a escavação do poço central. 5) colocação da gaiola de armadura na lamela.49 CAPÍTULO 4 FASES DE EXECUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO A obra do Tanque Oceânico teve início em novembro de 2000 e ainda se encontra em andamento.20 m a 16.1. . As alturas das lamelas variaram de 15. uma para cada parede do tanque. A execução do Tanque Oceânico pode ser dividida em cinco etapas ou fases principais. 6) inserção do tubo tremonha e lançamento do concreto. cujo esquema da disposição das colunas de consolidação se encontra na Figura 4. as quais serão descritas a seguir. (d) Execução da parede diafragma.1). As paredes diafragmas foram executadas pelas empresas Franki e Fundesp.1 . A execução das paredes diafragma teve início em janeiro de 2001.

caso necessário. de baixo para cima. 2) colocação da armadura. com retirada de material impróprio.8 a 4. A partir dos resultados da prova de carga e dos perfis de sondagens geotécnicas foram definidos os comprimentos para as estacas de acordo com a Tabela 4.2 apresenta as atividades realizadas na 1a etapa de execução do Tanque Oceânico.2a FASE DE EXECUÇÃO A 2a fase de execução da obra consistiu nas seguintes atividades: (a) Execução das estacas de fundação.50 m para que o topo de concreto da parede diafragma ficasse na mesma cota da viga moldura. 4) preenchimento do tubo com argamassa de cimento-areia.50 m (cota de arrasamento prevista para as paredes) para execução das estacas-raízes. 5) retirada dos segmentos dos tubos. com auxílio de água. . Foi feito o arrasamento da parede através de rompedores manuais e chegou-se até o nível de -2. 4. das vigas tirante e da viga moldura da parede diafragma e aterro destas estruturas de escoramento da escavação do Tanque Oceânico (Fotos 4. A execução das estacas raiz segue as seguintes etapas: 1) perfuração da estaca por meio de ponta cortante unida a uma sucessão de tubos de revestimento até atingir a cota pré-determinada. para garantir o cobrimento de todo o fuste com argamassa. do tipo raiz. dos blocos de coroamento das estacas e da viga moldura e para instalação do sistema de rebaixamento do lençol d'água. A Figura 4. com expulsão da água contida neste trecho.9). com a complementação de argamassa. das vigas-tirantes. um a um.50 (e) Escavação geral interna e externa até -2.1.2 . Em fevereiro de 2001 foi iniciada a execução das estacas raiz. de calda de cimento no interior do tubo de revestimento até uma determinada altura. As empresas responsáveis foram a Fundesp e a Franki.6 e 4.7). 3) injeção. (b) Execução dos blocos de coroamento. As estacas raízes foram dos seguintes tipos: inclinadas com φ = 400 mm e verticais de φ = 400 mm e de φ = 250 mm (Fotos 4. 6) aplicação de ar comprimido.

Devido à limitação do sistema de ponteiras quanto à altura do rebaixamento.00 m.Comprimento das estacas inclinadas de acordo com a localização Localização das estacas Lado leste (SP2) Lado sul (SP3) Lado norte (SP4) Comprimento das estacas Externa: 24 m Interna: 22 m 20 m Externa: 22 m Interna: 21 m Inclinação das estacas 25o 25o 25 o Esforço determinante para o comprimento Compressão Tração Tração Compressão Tração Tração 25o 25o 17o Lado oeste (SP5) 22 m (c) Rebaixamento do lençol freático. Com a confirmação do lençol suspenso. (d) Instalação de 4 piezômetros tipo Casagrande com 18 m de comprimento (1 em cada lado da parede diafragma) e 1 medidor de nível d'água com 6 m de comprimento. Posteriormente.50 m de profundidade (com filtro abaixo da cota -6. que confirmou a presença deste. 18 m a partir da cota -2. Os poços foram executados de acordo com a sequência: 1) abertura do poço com perfuratriz rotativa e lavagem do furo. 4) instalação de bicos injetores e ligação dos poços com os tubos coletores e com o sistema de bombas. as mesmas foram instaladas no fundo de uma trincheira de .00 m) foram instalados.51 Tabela 4. 3) preenchimento com areia lavada.00m e com φ = 400 mm.1 . que é ranhurado e envolto com tela de nylon nos 16m inferiores e liso nos 2m superiores. para verificação do nível do lençol d'água suspenso sobre a camada de argila orgânica. 4 novos piezômetros com 8.8). entre o furo do poço e o tubo ranhurado. com 28 poços de 20 m de profundidade. Os injetores dos poços foram regularmente trocados e os tubos lavados para retirada de finos da argila (referente à camada do solo residual). com φ = 150mm. como pode ser visto na Figura 6.1.1. que colmatavam os bicos e impediam a passagem de água (Fotos 6. instalados conforme Figura 6.4 a 6. com a função de servir como elemento de filtração. 2) retirada da perfuratriz e inserção do tubo do poço. foi decidido instalar um sistema de rebaixamento complementar em ponteiras alcançando a cota -7. iniciado em fevereiro de 2001. para acompanhamento do rebaixamento do lençol d'água.

Foram instalados. Entretanto. a fim de combater a sub-pressão na laje de fundo.60 m .70 m. colocação de uma armação de reforço "costurada" à armação já existente no local e concretagem dos trechos tratados. devido à presença do lençol suspenso.52 forma a alcançar uma cota mais baixa. com escavação manual até a cota -15.10 a 4. Nesta etapa. ainda.13 e 4. Foram instaladas 15 ponteiras espaçadas de 2. tomou-se o cuidado de realizar a escavação deixando junto à parede bermas. (b) Estacas-raízes de tração com φ = 400mm e comprimentos de 12m e 13m. drenos nas paredes internas do Tanque Oceânico. . a fim de diminuir a pressão de água. (d) Tratamento das juntas da parede diafragma nos locais onde foi encontrado concreto de má qualidade.50 m. foi feita a concretagem de regularização do fundo da escavação (concreto magro com espessura de 10 cm) até a cota -10. pelo fato de estar mais próxima do mar.3 apresenta as atividades realizadas na 2a etapa de execução do Tanque Oceânico. que foram retiradas quando da execução da laje de fundo em trechos (Fotos 4. que implicava em solicitações de empuxo maiores do que as adotadas em projeto. a abertura destes drenos provocou o carreamento de uma quantidade de solo. principalmente no canto nordeste. consistindo de: retirada do concreto ruim com rompedores manuais. A Figura 4. O sistema de ponteiras foi instalado na lateral norte. fonte principal de recarga do aqüífero.3 .3a FASE DE EXECUÇÃO A 3a fase de construção consistiu na realização de: (a) Escavação interna do tanque até a cota -10. onde foi observada maior presença de água.12). 4.14). Foram executadas 138 estacas-raízes nesta fase e a empresa executora foi a Fundesp (Fotos 4. Antes do início da execução dessas estacas. A concretagem foi feita em etapas de aproximadamente 2 m em 2 m.00 m entre si. (c) Início de execução do poço central.

finalmente. . No item 6.4a FASE DE EXECUÇÃO A 4a fase de execução da obra compreendeu as seguintes etapas: (a) Ligação da parede diafragma com a laje de fundo.3 com os gráficos dos níveis d'água obtidos por meio de medições realizadas em campo em 8 piezômetros e um medidor de nível d'água entre os meses de junho e dezembro de 2001. Para a ligação das estacas à laje de fundo foi feito o arrasamento da cabeça das estacas e colocação de uma armação complementar de ancoragem (emendada com luva) no topo da armação das estacas (Fotos 4.1 encontra-se a Figura 6. colocação de adesivo estrutural "Compound" da Otto Baumgart no interior do furo e. (b) Execução da laje de fundo em quatro etapas.17). execução de furos transversais na parede. 4. mediante os seguintes procedimentos: escarificação da parede diafragma junto ao fundo com rompedores manuais até alcançar a armadura da parede.16 e 4.4 .4 apresenta as atividades realizadas na 3a etapa de execução do Tanque Oceânico. A Figura 4. colocação das barras de aço de ligação da laje de fundo com a parede diafragma (Foto 4. (c) Desligamento do rebaixamento do lençol d'água em dezembro de 2001. 5a FASE DE EXECUÇÃO A 5a fase de execução constou de: (a) Execução do restante das lajes internas para geração do sistema de ondas e correnteza.15).53 A Figura 4.5 apresenta as atividades realizadas na 4a etapa de execução do Tanque Oceânico.

(d) Enchimento do tanque. (c) Execução do restante do prédio. A Figura 4.6 apresenta as atividades realizadas na 5a etapa de execução do Tanque Oceânico. .54 (b) Terraplenagem final para atender às cotas de arquitetura.

.55 Figura 4.Colunas de jet-grounting para melhorar o solo na região do poço central.1 .

50 m com substituição de material impróprio. .56 Figura 4.2 .Primeira etapa de execução do Tanque Oceânico: execução de paredes diafragma e arrasamento até a cota -2.

vigas tirantes e parte da parede do tanque moldada convencionalmente. .3 .57 Figura 4.Segunda fase de execução do Tanque Oceânico: instalação do sistema de rebaixamento e acompanhamento do NA. de blocos de coroamento. execução de estacas de fundação.

70 m (execução de concreto magro de 10 cm de espessura). .4 . execução de estacas de tração para combate à sub-pressão e execução do poço central.Terceira fase de execução do Tanque Oceânico: escavação interna até a cota -10.58 Figura 4.

59 Figura 4.5 . .Quarta fase de execução do Tanque Oceânico: desligamento do rebaixamento e execução da laje de fundo.

Quinta fase de execução do Tanque Oceânico: execução do restante da estrutura do tanque e enchimento do tanque. .60 Figura 4.6 .

.1 .2 . Foto 4.61 Foto 4.Escavação do painel da parede diafragma com clamshell.Topo do Bench Mark instalado na área do Lab Oceano.

62 Foto 4.3 . .4 .Colocação da armação num painel da parede diafragma. Foto 4.Concretagem com tubo tremonha de um painel da parede diafragma.

.5 . Foto 4.Topo do painel da parede diafragma concretada.Execução de estaca raiz inclinada.6 .63 Foto 4.

Foto 4.7 .Vigas tirante concretadas.64 Foto 4. .8 .Topo das estacas raiz inclinadas e escavação para execução dos blocos de coroamento.

10 .9 . Foto 4.65 Foto 4.0 das estruturas de escoramento do Tanque Oceânico.70 m. .Compactação com rolo liso do aterro até a cota 0.Vista interna do Tanque Oceânico pouco antes do início da escavação até a cota -10.

Foto 4.Vista superior do Tanque Oceânico com a quase finalização da escavação.11 . . acima parte da parede do tanque moldada convencionalmente (cota 0.12 .Escavação interna do Tanque Oceânico.66 Foto 4.00).

14 .Vista do concreto magro com a locação das estacas. Foto 4.Execução da estaca raiz de tração para combate à sub-pressão na laje de fundo. .13 .67 Foto 4.

16 ."Pé" da parede diafragma sendo ligado à laje de fundo através das barras de aço de ligação com o adesivo "Compound".15 .Início da primeira etapa de armação da laje de fundo.68 Foto 4. . Foto 4.

69 Foto 4. .Concretagem da primeira etapa de execução da laje de fundo.17 .

1995). Na solução de um problema pelo MEF divide-se o domínio do problema em elementos. utilizando o programa SEEPW. 5. Método dos Elementos Finitos (MEF) e Métodos dos Elementos de Contorno (MEC). Em seguida. 1995). cada elemento pode ter propriedades próprias (caso de meios heterogêneos). pode-se analisar uma geometria complexa e. traz a modelagem da percolação da água junto ao Tanque Oceânico.1 .1 .Introdução Os métodos numéricos utilizados em engenharia são: Método das Diferenças Finitas (MDF). utilizando o programa PROGEO. faz uma revisão do Método dos Elementos Finitos aplicado à Geotecnia.1.70 CAPÍTULO 5 MODELAGEM DA CONSTRUÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO POR MÉTODO NUMÉRICO Este capítulo. inicialmente. que possuem comportamento facilmente definido em função da sua geometria e propriedades. Com este método. apresenta a modelagem numérica tensão-deformação do Tanque Oceânico mediante duas análises: elástica linear e não-linear. além disso. Resolução de um problema pelo MEF Resumidamente. O Método dos Elementos Finitos é o mais usado em Geotecnia pela facilidade com que pode tratar problemas heterogêneos e não lineares (Lopes. Os elementos são conectados apenas em alguns pontos (pontos nodais) através dos quais interagem entre si. o procedimento para solução de problemas pelo MEF é: . O MEF é utilizado em problemas não lineares (elasticidade não linear e plasticidade) e dependentes do tempo (viscosidade e adensamento) (LOPES.MODELO DE ANÁLISE EM ELEMENTOS FINITOS 5. Finalmente.

que pode ser representado de forma matricial. com a matriz dos coeficientes denominada "matriz de comportamento do elemento". "função de interpolação". ENTRADA DE DADOS MONTAGEM DAS MATRIZES ELEMENTARES MONTAGEM DA MATRIZ GLOBAL MONTAGEM DO VETOR DE CARGAS INTRODUÇÃO DAS CONDIÇÕES DE CONTORNO RESOLUÇÃO DO SISTEMA DE EQUAÇÕES OBTENÇÃO DAS VARIÁVEIS SECUNDÁRIAS Figura 5.2 . 3) a partir da função de interpolação relaciona-se o valor da variável nos nós de cada elemento.1 .71 1) divisão do domínio do problema em um número finito de elementos ligados entre si através de "pontos nodais" ou "nós". 2) a distribuição da variável a qual se deseja conhecer no interior do elemento é aproximada por uma função particular. gerando um sistema global de equações para solução do problema. dando como resultado o sistema de equações do elemento. 5) introdução das condições de contorno (valores conhecidos da variável do problema).Operações principais realizadas em um programa de MEF (LOPES. as tensões) e compatibilidade dos . 6) resolução do sistema de equação global com a obtenção dos valores da variável do problema nos nós. devem ser satisfeitas duas condições: equilíbrio das forças (e de suas derivadas.1. 5. 1995). 7) determinação de variáveis secundárias por meio de cálculo complementar. 4) através dos nós associam-se as equações dos elementos.Análise tensão-deformação pelo MEF Para a solução de um problema tensão-deformação.

2) . e (5. e (5. dois princípios devem ser satisfeitos: Princípio da Energia Complementar Mínima e Princípio da Energia Potencial Mínima. Pelo enfoque variacional.72 deslocamentos (e de suas derivadas. sendo a deformação a derivada dos deslocamentos. tem-se: {ε}= [B ]{δ} em que [B] é a matriz das primeiras derivadas das funções de deslocamento. além de obedecer as leis tensãodeformação.1) No 2o passo. 1995): {δ } 1 → {δ} 2 → {ε}  e e 3 → {σ} 4 → { F} e condições cinemáticas  condições físicas  condições estáticas  em que: {δ } : vetor de deslocamento nodal do elemento {δ}: vetor de deslocamento de um ponto genérico no interior do elemento {ε}: vetor das deformações no interior do elemento {σ}: vetor das tensões no interior do elemento { F } : vetor de forças nodais do elemento O 1o passo relaciona o deslocamento de um ponto qualquer no interior do elemento com os deslocamentos nodais por meio de: e {δ }= [N ]{δ } em que [N] é a matriz das funções de deslocamento ou de forma. em que as variáveis nodais são os deslocamentos e as forças (LOPES. as deformações). Matriz de Rigidez de um Elemento Finito A seguir são mostrados os passos a serem seguidos para determinação da matriz de rigidez de um elemento finito para o problema tensão-deformação.

3) {σ} = [ D][ B] {δ } e (5.4) O 4o passo estabelece uma relação entre as forças externas (nós) e as tensões no interior por meio do Teorema dos Trabalhos Virtuais: {δ }*T { F } trabalho externo Como e e = ∫ {ε }*T {σ} dv v (5.11) .5) trabalho int erno {ε} então. ficando {F} = ∫ [ B]T [ D] [ B] dv {δ} v e e (5.10) ou { F } = [ K ] {δ } em que [K] é a matriz de rigidez do elemento. Então: (5.6) {δ} {F} = ∫ {δ} [ B]T {σ} dv v e *T e e *T (5.8) {F } = ∫ [ B ] v e e T [ D] [ B]{δ} dv e (5.9) O vetor {δ} pode ser passado para fora da integral. e e e (5. *T = {δ} e *T [ B]T (5.7) {δ} {F} = {δ} ∫ [ B]T {σ}dv v e *T e e *T (5.73 No 3o passo a relação entre tensão e deformação é dada por: {σ} = [ D] {ε } em que [D] é a matriz de propriedades do material.

2 – Mapeamento de um elemento (LOPES.2 tem como sistema de coordenadas locais: ξ= x a e η= y b (5. a quadrática e a cúbica.-1) Figura 5.-1) (1.12) y a x b η ξ (-1.1) ξ (-1. devem ser utilizados elementos mapeados. A Figura 5. mas que pode ser transformado (maneado) para uma forma distorcida em outro sistema de coordenadas.1) η (1. planos (2-D) e sólidos (3D). O elemento mapeado é aquele que num dado sistema de coordenadas apresenta forma simples. O elemento isoparamétrico utiliza a mesma função de interpolação (usada para representar os deslocamentos no interior do elemento em função dos deslocamentos nodais) para representar a geometria do elemento em função das coordenadas nodais.74 Elementos Isoparamétricos Quando os problemas apresentam geometria curva. dos quais os mais utilizados são os elementos isoparamétricos (visto que elementos triangulares e retangulares não acompanham bem o problema proposto). Quanto à função de interpolação. existem a linear. Existem elementos isoparamétricos unidimensionais (barras). 1995) .

Quando [J] for conhecida. chamada Jacobiano. um elemento de forma distorcida pode ser mapeado como um elemento retangular..18) .. Para se obter derivadas em relação ao sistema x e y é necessário estabelecer uma relação entre as derivadas dos dois sistemas: ∂N ∂N ∂x ∂N = + ∂ξ ∂x ∂ξ ∂y ∂N ∂N ∂x ∂N = + ∂η ∂x ∂η ∂y ou  ∂N   ∂ξ     ∂N  =    ∂η     ∂x  ∂ξ  ∂x    ∂η ∂y  ∂N   ∂N   ∂x   ∂x  ∂ξ  ∂N  = [ J ] ∂N  ∂y       ∂y  ∂η ∂y      ∂y ∂ξ ∂y ∂η (5. A função de interpolação de deslocamento pode ser: u  e   = {N1 .15) (5. N n }  y e (5.16) em que a matriz [J]. (5..75 Como pode ser observado. neste caso.. as derivadas das funções de interpolação em relação a x e y serão obtidas por:  ∂N i   ∂N i     ∂x  −1  ∂ξ     ∂N  = [ J ]  ∂N   i  i  ∂y   ∂η      Para a transformação da região de integração utiliza-se (5. N n }{δ } v (5.17) dxdy = det[J ]dξdη Assim. funções de ξ e η.13) e as coordenadas de um ponto genérico se relacionam com as coordenadas dos nós pelas mesmas funções de interpolação: u    = {N1 v  x . relaciona as derivadas dos dois sistemas.14) As funções de forma serão.

19) Isto porque. usado nas análises preliminares deste trabalho. a integração numérica torna-se necessária. Figura 5.η )dξ dη = ∑ ∑ wi w j f ( ξi .1. .20) Neste processo são adotados pontos no interior do elemento. ηi) e fatores de ponderação (wi) estão na Tabela 5.1.3 .3 – Elementos quadrilaterais com a) 2×2. como mostra a Figura 5.ηi ) j= 1 j= 1 n n (5. Dentre os processos de integração numérica mais utilizados está o de Gauss-Legendre.3.76 [ K ] = ∫ [ B ] [ D][ B] dv = t T v e 1 1 −1 −1 ∫ ∫ [ B] T [ D][ B] det[ J ] dξ dη (5. que para o caso bidimensional é: 1 1 −1 −1 ∫ ∫ f ( ξ . devido aos elementos serem irregulares. 1995) 5. cujas coordenadas locais (ξi . b) 3×3 e c) 5×5 pontos de integração (LOPES.Modelos de Comportamento Os modelos estudados podem ser classificados em: 1) Modelos Lineares ou Modelos Elásticos Lineares a) Modelo com Módulo de Young (E) e Coeficiente de Poisson (ν).

21) Tabela 5.23) c) Modelo de Lamé com GLamé. Módulo Cisalhante (G) e Módulo Volumétrico (K) A relação tensão deformação é σ oct   K 0  ε oct    =   τ oct   0 G γ oct  onde K= E E . Lamé.22) (5.G = 1 − 2v 2(1 + v ) (5.1 – Valores de coordenadas locais e de fatores de ponderação para integração numérica de Gauss-Legendre (LOPES.77 Este modelo é baseado na Lei de Hooke para 3 dimensões. 1995) b) Modelo octaédrico. Neste modelo os parâmetros são: . No caso de material isotrópico os parâmetros são: E= σ1 ε1 e ν= εr ε1 (5.

24) 2) Modelos Não-lineares Nesta categoria estão os modelos pseudo-elásticos ou elásticos não-lineares e os modelos elasto-plásticos. como pode ser observado na Figura 5.4. por meio da Equação 5. (b) Modelo Elástico multilinear. . os Módulos de Elasticidade Tangencial e Inicial. Usa-se com freqüência o Modelo Hiperbólico de KONDNER (1963) para relacionar o Módulo de Young com o nível de tensão cisalhante. o Módulo de Young varia com o nível de tensão cisalhante e com o nível de tensão confinante. Este último foi utilizado na análise definitiva do Tanque Oceânico. respectivamente.78 G Lamé = 2G = E 1+ v e λ Lamé = G Lamé (1 − 2v ) (5.25:  σ1 − σ3 E t = E i 1 −  ( σ1 − σ3 ) ult  2    (5. Os modelos elásticos não-lineares com função matemática podem adotar: (c1) Não-linearidade do Módulo de Young Neste modelo. No primeiro grupo estão: (a) Modelo Elástico bilinear ou linear com condição limite. (c) Modelos que adotam uma função matemática para a relação tensão-deformação.25) em que Et e E i são.

uma vez que Eur é próximo de Ei .0). Para a dependência do nível de tensão confinante (Figura 5.4 e) patm é a pressão atmosférica Descarregamento e recarregamento (5.79 DUNCAN E CHANG (1970) modificaram a equação acima fazendo com que a assíntota da hipérbole não coincidisse com o patamar limite da curva tensão-deformação (Figura 5.29) . E ur = Fur Ei (5.4 c):  σ1 − σ3 E t = E i 1 − R f  (σ1 − σ3 ) f  2    (5. dado por.4 b). DUNCAN E CHANG (1970) utilizaram a seguinte equação de JAMBU (1963):  σ' n E i = K p atm 3   p atm  em que: σ3' é a tensão confinante K e n são parâmetros determinados experimentalmente (Figura 5.26) em que Rf é a razão entre o patamar da curva (resistência) e a assíntota da hipérbole (determinada experimentalmente) (Figura 5. ou  σ' n E ur = K ur patm 3   patm  (5. como o módulo de descarregamento-recarregamento.4 d).28) em que Fur é um fator de descarregamento-recarregamento (próximo de 1. DUNCAN E CHANG (1970) consideraram o comportamento elástico e adotaram Eur.27) Para o caso de descarregamento e recarregamento.4 c). ao invés de Et (Figura 5.

Assim. porém tirado em descarregamentorecarregamento.80 em que Kur é o fator K da equação de Jambu. 1995) . Figura 5. é possível introduzir a irreversibilidade de deformações num modelo elástico não-linear.Modelos Elásticos Não-lineares (LOPES.4 .

1.Algoritmo Utilizado Os principais tipos de algoritmos utilizados numa modelagem em elementos finitos são (LOPES.4 .4 g) f = decréscimo de νi para cada acréscimo de 10 vezes em σ' 3 e propuseram o Coeficiente de Poisson dependente do nível de deformação por meio da relação hiperbólica.  σ'   ν = g − f log p    3 i atm (5.33 (Figura 5. como pode ser observado por meio da Equação 5.4 f).31) KULHAWY.81 (c2) Não Linearidade do Coeficiente de Poisson CLOUGH E WOODWARD (1967) propuseram para a não-linearidade do Coeficiente de Poisson: E  − 1 + 1 − 8 t − 1  2B  vt = 4 em que B= E 2 (1 + ν )(1 − 2ν ) (5.32 e da Figura 5. 1995): .30) (5. Equação 5.4 h). DUNCAN E SEED (1969) utilizaram o Coeficiente de Poisson como dependente da tensão confinante. νt = (1 − dε1 ) 2 νi (5.32) em que: g = νi a patm (Figura 5.33) 5.

aplica a carga de uma só vez e iterações são feitas para satisfazer o modelo em cada ponto. O algoritmo iterativo.“resíduos” . também chamado de algoritmo de "forças ou cargas equivalentes". Nas iterações são aplicadas forças equivalentes às tensões não equilibradas . Nas análises realizadas neste trabalho foram utilizados algoritmos incrementais.decorrentes da violação do modelo. há modificação da matriz [D] para que haja acompanhamento do modelo.82 1) Incremental Rigidez tangente (ou Euller-Cauchy) 2 (dois) passos por incremento (Runge-Kutta) 2) Iterativo Rigidez constante Rigidez variável 3) Misto ou incremental-iterativo O algoritmo incremental divide a carga em parcelas ou incrementos. Após aplicado cada incremento. aplicados um de cada vez e os resultados de cada incremento são somados. O algoritmo misto aplica a carga em incrementos. que são de dois tipos: (a) Algoritmo Incremental de Rigidez Tangente (ou Euller-Cauchy) . fazendo iterações a cada incremento (Figura 5.5). Neste algoritmo o processo termina após o desaparecimento dos resíduos a menos de uma tolerância especificada.

(Figura 5.5 – Principais algoritmos (LOPES.83 Neste algoritmo as propriedades de deformação para um incremento são tiradas pela tangente à curva no nível de tensões existentes no final do incremento anterior (Figura 5. (ii) soma-se. a metade da variação das tensões às tensões ao final do incremento anterior. .6 a). (iii) as propriedades de deformação são tiradas pela reta tangente à curva para as tensões assim acumuladas. provisioriamente. 1995) (b) Runge-Kutta de 2a ordem (2 passos) Neste tipo de algoritmo incremental.6 b). (iv) a variação das tensões do passo piloto são apagadas (∆σ não tinham sido somadas). têm-se as seguintes operações: (i) o incremento de carga é aplicado com as propriedades tiradas da reta tangente à curva no nível de tensões ao final do incremento anterior. obtendo-se ∆δ e ∆σ (a 1a aplicação de carga é chamada de “passo piloto”). Figura 5.

ou seja. como pode ser visto na Figura 5. O Runge-Kutta é melhor que o Euller-Cauchy pois. Figura 5. sua resistência (evita o “over-shooting”). (a) Euller-Cauchy e (b) Runge-Kutta (LOPES.6c.6 – Acompanhamento da curva tensão-deformação em algoritmos incrementais.84 (v) é aplicado novamente o incremento com as propriedades calculadas em (iii). 1995) . acompanha mais de perto a curva tensão-deformação e também viola menos o limite de tensão que o solo pode suportar. Este algoritmo foi usado nas análises não lineares deste trabalho.

Figura 5. sendo. DUNCAN e DUNLOP (1969) e WONG (1971) efetuaram as primeiras simulações de escavações. 1995) DUNLOP ET AL.7 – Simulação de escavação em etapas (LOPES. mas com sinal contrário (Figura 5.5 – Simulação pelo MEF de eventos em Geotecnia Simulação de Escavações A simulação é feita. retirando-se da rede de EF os elementos que correspondem ao material escavado.1. (1968). basicamente. pelo qual se demonstra que o resultado da análise de uma escavação em material elástico não depende do número de etapas em que é feita a simulação da escavação. as tensões a serem aplicadas na face exposta eram calculadas pela interpolação entre tensões no interior dos elementos dos dois lados da face exposta. e pela aplicação na face exposta de tensões iguais às que estavam antes da escavação.7). CHANDRASEKARAN E KING (1974) propuseram a seguinte técnica: (i) inicialmente todas as forças nodais de escavações são calculadas (e guardadas) a partir do estado de tensões inicial .85 5. Mas esta técnica não atende ao requisito de unicidade de ISHIHARA (1970). que nestes estudos.

os graus de liberdade associados aos pontos nodais na parte removida saem do sistema de equações. MANA (1978) formulou uma técnica mais simples. quando anteriormente reduzia-se o módulo de elasticidade até próximo de zero.34) (ii) após a aplicação das forças de cada estágio. os deslocamentos daí decorrentes são multiplicados pelas matrizes de rigidez dos elementos adjacentes às faces ainda por expor para alterar as forças de estágios ainda por simular {Fexc }i = {Fexc}i−1 + [K ]{δ }i (5.36) utilizada por CHANDRASEKARAN E KING (1974) no estágio inicial. MANA (1978) utiliza rigidez nula nos elementos removidos. Como exemplo de utilização desta técnica na COPPE-UFRJ tem-se ALVES (1982) e SARAMAGO (1994). MANA (1978) calcula em todos os estágios da escavação as forças nodais equivalentes às tensões segundo: {Fexc }= ∫ [B ]T {σ }dν ν (5. em que se calculam diretamente as forças nodais de escavação usando as tensões nos elementos (isoparamétricos) adjacentes à escavação. No item 2 do processo geral de simulação de escavações. assim. as forças nos nós expostos são calculados com as tensões existentes após a etapa anterior nos elementos logo abaixo da superfície de escavação (com os sinais contrários).86 {Fexc } = ∫ [B] {σ o }dν T ν (5. uma rigidez desnecessária e diminuindo o número de equações a ser resolvido. seja esta análise feita por meio de métodos de .35) Esta técnica foi utilizada na COPPE-UFRJ por TSUTSUMI (1975) e FUJII (1976). Carregamento por Forças de Percolação Existem duas maneiras de se introduzir a ação da água numa análise tensãodeformação-equilíbrio num maciço. evitando. Antes de uma nova etapa. a qual produz solução única independente do número de etapas em que é simulada a escavação. Assim.

já o segundo procedimento é o utilizado pelo MEF. O primeiro procedimento é aplicado em métodos de equilíbrio limite pela simplicidade. por exemplo) no interior do elemento. (v) calcular forças nodais equivalentes a estes gradientes pelo mesmo procedimento i x i y γw dν γw  de potenciais de forças de massa descrito no item anterior: {F} = ∫ [N ] ν T (5.37) (5. 1995). por exemplo. LOPES e VERTAMATTI (1984) e ÁGUAS (1999). por VERTAMATTI (1980). 1995): (i) fornecer ao programa o regime de água inicial (inexistência de água ou submersão estática. por exemplo). { H} é o vetor das mudanças na carga hidráulica nos pontos nodais. analisando-se elementos de solo com peso aparente (submerso) e sob a ação de forças de percolação (LOPES .38) em que: i x e iy são gradientes hidráulicos segundo x e y ∂[N]/∂x e ∂[N]/∂y são as primeiras derivadas das funções de forma no ponto (de integração numérica.ou elementos finitos) com peso total e pressões de água na fronteira ou pelo MEF. por exemplo).em equilíbrio limite .87 equilíbrio limite em que se analisam elementos de solo (fatias . calcular no interior dos elementos os gradientes hidráulicos decorrentes das mudanças obtidas em (iii). Para efeito de simulação de eventos envolvendo mudanças no regime de água subterrânea nas obras de terra sugere-se o seguinte procedimento (em análise de pressões efetivas) (LOPES. (iii) (iv) calcular no programa as mudanças na carga hidráulica total nos pontos nodais. (ii) fornecer o novo regime de água (submersão estática ou fluxo estacionário.39) Esta técnica foi utilizada. Isto é conseguido com a primeira derivada das funções de forma: ix = − iy = − ∂H ∂[N ] =− {∆H } ∂x ∂x ∂H ∂[N ] =− {∆H } ∂y ∂y (5. .

Introdução As primeiras formulações do problema de percolação foram devidas a ZIENKIEWICS.1.Formulação de Fluxo Estacionário A formulação de percolação é análoga à realizada no item 5.2.2. NEWMAN e WITHERSPOON (1970) e BATHE e KHOSHGOFTAAR (1979) estudaram com mais rigor a superfície livre. e (5.88 5. DESAI e SHERMAN (1971) e NEWMAN (1973) foram responsáveis pelos primeiros estudos de fluxos transientes e não saturados. 5.2 .40) . MAYER e CHEUNG (1966) e TAYLOR e BROWN (1967).2 .ANÁLISE DE PERCOLAÇÃO 5.2 e apresenta os seguintes passos: e {H} 1 → {Η} 2 → {i}  → 3 {v}  → 4 {Q} e  condições de compatibilidade  condições físicas  condições de continuidade  em que: e {Η : vetor de cargas hidráulicas nodais } {H}: vetor de cargas de um ponto genérico no interior do elemento {i}: vetor de gradientes hidráulicos no interior do elemento {v}: vetor de velocidades no interior do elemento {Q}: vetor de vazões nodais O 1o passo relaciona a carga hidráulica de um ponto qualquer no interior do elemento com as cargas hidráulicas nodais por meio de: e {H } = [N ]{H } em que [N] é a matriz das funções de carga hidráulica.1 .

diferenciando H em relação a x e y obtém-se o gradiente da carga hidráulica {} = [B]{H } i em que [B] é a matriz análoga àquela apresentada na Equação 5. Caso não coincida.47) .43) {v} = [k ][B]{H } O 4o passo estabelece a equação de continuidade. a velocidade no interior do elemento se relaciona com o gradiente hidráulico pela Lei de Darcy (no caso 2-D):  v x  k 1 0   i x  v  =     y   0 k 2  i y  (5. {v} = [R ][k ][R]−1{} i Daí. tem-se (5.42) Isto no caso de a permeabilidade principal maior k1 coincidir com o eixo x. e e (5.46) ou {Q} = [K ]{H } em que [K] é a matriz de fluxo.41) No 3o passo.45 obtém-se finalmente {Q }= ∫ [B ] [k ][B ] dv {H } T v e e (5.44 e 5.89 No 2o passo. deve-se introduzir a matriz de rotação.2 e (5.45) Combinando as Equações 5.44) {Q } = ∫ [B ]T {v}dv v e (5. por meio de: e (5.

2. como: LOPES (1974). 1995) Tensão-deformação Equação geral: Matriz de rigidez/fluxo K: F = Kδ Fluxo Q = KH ∫B v T DBdv ∫B v T kBdv 1a incógnita (nodal): 2a e 3a incógnitas: δ (deslocamento) ε (deformação) σ(tensão) H (carga hidráulica) i (gradiente de H) v (velocidade aparente) Darcy (v = ki) Lei de comportamento: Hooke (σ = Eε) Como há analogia entre o problema tensão-deformação e o problema de fluxo. AMORIM (1976). basta que as propriedades elásticas sejam fornecidas em função do coeficiente de permeabilidade.Analogia entre os problemas tensão-deformação e de fluxo (LOPES.90 5. ZAGOTIS.Analogia do problema de percolação com problemas tensão-deformação O problema de fluxo pode ser comparado ao problema tensão-deformação (elástico) conforme a Tabela 5. como propôs ZAGOTIS (1971) 1. A análise estará restrita a materiais isotrópicos e se estará resolvendo o dobro do número de equações necessárias caso se dispusesse de um programa específico para fluxo. Jornadas Luso-Brasileiras de Engenharia CiviL.2. NOGUEIRA (1986) e GONÇALVES (1990). Algumas teses da COPPE-UFRJ incluíram análises de percolação pelo MEF.2 . 1 .L. 1971. é possível utilizar um programa desenvolvido para o primeiro numa análise do segundo.3 . "Aplicação do Método dos Elementos Finitos a problemas de percolação".. 3as. Para isto. D. Tabela 5.

respectivamente) por meio da equação: 2 k = 100D10 (5. . e outro no final da camada de argila mole e no topo do solo residual. em que observa-se a presença de dois aquíferos: um superficial.48) em que: k é a permeabilidade em cm/s D10 é o diâmetro da peneira onde fica retido 10% do material na curva granulométrica Os valores de permeabilidade da argila orgânica e da turfa/lixo foram arbitrados levando-se em conta valores típicos destes materiais.1 a 6.3.9. com oito piezômetros e um medidor de nível d'água (Figuras 6. na camada de areia fina.12 e 2. da areia fina e do solo residual.3 – MODELAGEM NUMÉRICA DA PERCOLAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO A determinação da rede de percolação no subsolo onde se localiza o Tanque Oceânico foi realizada por meio de modelagem numérica utilizando o programa SEEPW da GEOSLOPE.8. A permeabilidade dos materiais granulares do subsolo do Tanque Oceânico foi baseada na análise das curvas granulométricas (Figuras 2.13. O conjunto de valores de permeabilidade utilizados na modelagem numérica de percolação se encontra na Tabela 5.3 do próximo capítulo). A existência destes dois lençóis freáticos foi confirmada pelas instrumentações de campo.91 5. Cabe ressaltar que foi usada uma rede de elementos finitos semelhante àquela usada na modelagem numérica do PROGEO. O problema de percolação foi tratado como axissimétrico. devido à proximidade do mar. A rede de elementos finitos utilizada neste estudo encontra-se na Figura 5. somente sem a presença da camada de aterro de entulho (acima do NA). A rede de percolação estacionária obtida na modelagem numérica encontra-se na Figura 5. com uma alimentação lateral a 50 m.

Observou-se que uma condição estacionária foi atingida nos materiais granulares e mesmo na turfa em cerca de 2 meses. Figura 6.3) pelo recalque do solo em volta do tanque. Assim. MATERIAL Areia fina Turfa/lixo Argila orgânica Solo residual k (cm/s) 10-2 10-5 10-7 10-6 k (m/s) 10-4 10-7 10-9 10-8 Além da rede de percolação. mesmo para a camada de argila. por ser mais desfavorável. no cálculo de ∆u.Valores de permeabilidade usados neste trabalho. com: ∆u = uo . Pode-se constatar uma evolução das poro-pressões na argila ao longo de todo o tempo em que funcionou o rebaixamento (cerca de 10 meses. (5.49) A condição estacionária foi adotada. obtém-se a variação de poro-pressão para efeito do cálculo dos efeitos do rebaixamento. o programa SEEPW fornece os valores de poropressão (u) em cada nó da malha.u em que: ∆u é a variação de poro-pressão uo é poro-pressão inicial (hidrostática) u é a poro-pressão de regime estacionário obtida do SEEPW Valores de ∆u precisaram ser fornecidos nas 2a e 4a etapas (rebaixamento do nível d'água e desligamento do rebaixamento.92 Tabela 5. Para tanto.3 . uma rede de fluxo (para o regime estacionário) simplificada foi adotada. respectivamente) na modelagem numérica pelo PROGEO. .

93 26 24 22 20 Elevação (m) 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 5 10 15 20 25 30 35 areia turfa argila orgânica 10-4 m/s 10-7 m/s 10-9 m/s solo residual maduro 10-8 m/s solo residual jovem 40 45 50 55 60 65 70 10-8 m/s 75 80 85 Distância (m) Figura 5. .Rede de elementos finitos utilizada na modelagem numérica do SEEPW.8 .

9 . . com a rede de percolação do Tanque Oceânico e os valores de carga hidráulica (m) indicados nas linhas equipotenciais.94 26 24 22 20 Elevação (m) 18 16 14 12 10 18 19 16 17 15 8 14 12 13 6 4 11 2 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Distância (m) Figura 5.Resultado da modelagem numérica no SEEPW.

depois. A segunda análise buscou representar as condições reais da obra.Rede de Elementos Finitos e Etapas da Simulação Rede de Elementos Finitos A rede de elementos finitos utilizada nesta modelagem encontra-se na Figura 5. .50 m. As etapas analisadas foram: • 1a etapa: Escavação parcial até a cota -2.10.95 5. se as forças de percolação devidas ao rebaixamento do lençol d'água (2a etapa) produziam deslocamentos que seriam.4 . para a parede diafragma (inclusive sua ficha) e laje de fundo corresponderam àquelas do projeto do Tanque Oceânico. as análises foram feitas por meio de 5 etapas que representavam as principais fases executivas da obra do Tanque Oceânico. Etapas da Simulação Nas duas modelagens realizadas: elástica linear e não-linear. como descrito no Capítulo 4. A primeira análise teve como objetivo verificar se as etapas de obra simuladas produziam campos de deslocamentos e variações de tensões esperadas para o caso homogêneo.MODELAGEM NUMÉRICA DO COMPORTAMENTO TENSÃODEFORMAÇÃO DO TANQUE OCEÂNICO A modelagem numérica em elementos finitos do comportamento tensãodeformação deste trabalho. foi realizada por meio de duas análises: (i) uma modelagem elástica linear com o subsolo do Tanque Oceânico considerado homogêneo. A modelagem do problema foi feita como sendo um caso simétrico e bidimensional plano-deformação. Por exemplo. 5.1 . (ii) uma modelagem não linear considerando a heterogeneidade do subsolo.4. As dimensões adotadas para a espessura das camadas de solo. anulados quando do desligamento do rebaixamento (4a etapa).

96 • • • • 2a etapa: Implantação do nível de apoio e rebaixamento do nível d'água. 3a etapa: Escavação interna até -10,70 m. 4a etapa: Execução da laje de fundo e desligamento do rebaixamento do nível d'água. 5a etapa: Enchimento do Tanque Oceânico.

Rigidez da Estronca Equivalente

Como o programa usado não permite a utilização de outros tipos de elementos, a ação da viga tirante ligada aos cavaletes de estacas foi representada por uma estronca fictícia, interna ao tanque, com a mesma rigidez.

A rigidez da estronca equivalente foi obtida através da simulação de um cavalete no programa SALT, como mostrado na Figura 5.11, ao qual foi aplicada uma força unitária de valor 1 kN para obtenção do deslocamento. Com o deslocamento calculado de 0,00401376 mm, a rigidez obtida foi de:

K=

F 1kN = = 249,14kN / mm = 249,14 × 103 kN / m mm δ 0,00401376
F = 1 kN

(5.50)

A = 1,00 m2 Econcreto = 2,10 x 107 kN/m2 Lcavalete = 20 m

K

K

Figura 5.11 – Modelo do cavalete usado no programa SALT

O escoramento do Tanque Oceânico, como pode ser observado pela Figura 2.3, é composto de uma viga tirante ligando a parede diafragma a um cavalete com quatro estacas raiz inclinadas, sendo duas estacas trabalhando à tração e duas trabalhando à

97 compressão (Fotos 4.9 e 4.10). Como entre as vigas tirante existe uma distância de 5,40 m, tem-se para a rigidez da estronca equivalente:

K' =

2 K × 1m = 92,27 × 103 kN / m 5,40m

(5.51)

Assim, o Módulo de Young (E) da estronca fictícia (com 25 m de altura), utilizado na análise em elementos finitos foi de:

E estronca

K ' L 92,27 × 103 kN / m × 25m = = ≅ 2 × 106 kN / m 2 2 A 1m

(5.52)

5.4.2 - Modelagem Elástica Linear

Nesta modelagem, o subsolo do Tanque Oceânico foi suposto homogêneo, com as propriedades obtidas da Tabela 5.4., a partir de valores "médios" da areia fina e do solo residual apresentados na Tabela 3.10.

Tabela 5.4 - Propriedades do solo homogêneo utilizado na modelagem elástica linear.

E (módulo de elasticidade longitudinal, em kPa) ν (coeficiente de Poisson) c' (coesão, em kPa) φ' (ângulo de atrito)

30.000 0,4 5 30o

Os deslocamentos observados na modelagem elástica linear foram os esperados. Na 1 etapa, Figura 5.12, como há escavação somente até a cota -2,50 m, pode ser observado um movimento vertical ascendente do solo, bem como o movimento da parede diafragma no sentido de "alívio" do solo escavado. Na Figura 5.16, como há o rebaixamento do nível d'água, nota-se que os movimentos de solo são no sentido vertical para baixo. A Figura 5.19 mostra no lado interno do Tanque Oceânico que há uma movimentação forte do fundo, devida à escavação até a cota -10,70 m; no lado externo do tanque, observam-se, ainda, os efeitos dos deslocamentos do rebaixamento,
a

98 por serem muito acentuados. A Figura 5.22 mostra os deslocamentos da 4a etapa da modelagem, que representa o desligamento do rebaixamento, portanto com movimentos verticais para cima, e os deslocamentos finais praticamente nulos, já que as 2a e 4a etapas representam ações opostas da água. Cabe ressaltar que os deslocamentos observados em cada etapa da modelagem são cumulativos, ou seja, os deslocamentos são somados a cada etapa. Finalmente, a Figura 5.25, que representa a etapa de enchimento do reservatório, não apresentou deslocamentos importantes, predominando os deslocamentos obtidos na 4a etapa.

A modelagem numérica referente ao inverso do fator de segurança (1/FS = razão de tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento) é mais sensível às etapas de escavação, como mostram as Figuras 5.13 e 5.20, em que se nota a ruptura logo abaixo da escavação. Observa-se que o rebaixamento (2a etapa, Figura 5.17), pouco é alterado em relação à etapa anterior, o mesmo ocorrendo nas 4a e 5a etapas (Figuras 5.23 e 5.26) em que há predominância da modelagem da 3a etapa.

A Figura 5.14 mostra as tensões verticais da etapa referente à escavação interna até a cota -2,50 m, em que se nota os contornos de tensão descendo no interior do tanque, em função da redução de tensão vertical dentro da escavação. A Figura 5.15 apresenta o gráfico das tensões principais da 1a etapa da simulação em que se verifica o crescimento das cruzes de cima para baixo (correspondendo ao crescimento das tensões geostáticas do solo); observa-se, ainda, que há uma pequena tendência de rotação das tensões principais abaixo da escavação. A Figura 5.18 mostra que há uma pequena rotação nos elementos próximo a superfície do solo correspondente ao rebaixamento do nível d'água da 2a etapa. As Figuras 5.21, 5.24 e 5.27 mostram as tensões principais crescendo ao longo da profundidade (principalmente do lado direito das Figuras) e uma maior rotação das tensões principais abaixo da escavação e próximo à parede do tanque.

A Figura 5.28 mostra os deslocamentos horizontais de cada etapa da parede diafragma do Tanque Oceânico. Pode-se observar que o maior deslocamento horizontal interno do tanque foi referente à 3a etapa, já esperado, devido ser a etapa mais crítica da obra (onde a escavação atinge a cota -10,70 m). Na 1a etapa houve um deslocamento

Nota-se que as 4a e 5a etapas têm deslocamento horizontal na ficha praticamente nulo.5.Modelagem Não-linear Nesta modelagem. cota +5.00 m. pequeno.29 apresenta os deslocamentos da 1a etapa.00 m. Situação construtiva Final da escavação do tanque Deslocamentos horizontais máximos 1 cm (no nível de apoio.5 .11. e notam-se deslocamentos verticais para cima referentes à escavação nas primeiras duas camadas e deslocamentos grandes também na camada da turfa/lixo. com as propriedades do solo mostradas nas Tabelas 3.00 m. material de pouca resistência. de cerca de 1 cm. com o apoio do solo feito por meio de molas (processo de Winkler). Os deslocamentos horizontais da parede do tanque obtidos nesta modelagem estão na Tabela 5. sentido para fora do tanque) 5. a heterogeneidade do subsolo do Tanque Oceânico foi considerada. Este estudo considerou três situações da construção do tanque: final da escavação. como descrito no Capítulo 3.99 geral da parede no sentido da escavação. cota -2. A Figura 5. Na ocasião do Projeto Básico do Tanque Oceânico. 3a. sentido para dentro do tanque) Tanque cheio 3 cm (no topo da parede.3 . sob a responsabilidade do Escritório Técnico Costa Santos. cota +5.Deslocamentos horizontais da parede do tanque com modelagem pelo processo de Winkler. 4a e 5a etapas mostram um pivoteamento no nível de apoio. foi realizada uma modelagem da parede do tanque.33 .4. A Figura 5.10 e 3. sentido para dentro do tanque) Tanque vazio 1 cm (no topo da parede. Tabela 5. Os deslocamentos horizontais do tanque das 2a. As etapas foram analisadas com algoritmo incremental (20 incrementos por etapa) e modelo hiperbólico. tanque vazio e tanque cheio.

As Figuras 5.48 apresentam maiores rotações das tensões principais abaixo da escavação e nos elementos próximos à parede do tanque.35. abaixo do nível do escoramento. como os deslocamentos da etapa anterior foram grandes.49. respectivamente. O elemento 128 se refere à camada de areia do lado do empuxo ativo da escavação. 5. As Figuras 5.70 m.42 e 5. foram traçadas as trajetórias de tensões (com as tensões calculadas no centróide do elemento) de quatro elementos. 5. . A Figura 5. mas. abaixo da laje de fundo próximo à parede diafragma e na superfície do aterro.43 e 5. Os elementos 60 e 62 estão dos lados passivo e ativo. nota-se que com a heterogeneidade do solo os deslocamentos não são proporcionais aos obtidos na modelagem elástica linear. como na modelagem elástica linear. do solo residual. Além dos gráficos mostrados. As Figuras 5.47 apresenta os contornos das tensões verticais. Já a Figura 5.41 e 5.37 refere-se à escavação até a cota -10. A Figura 5. com maior intensidade na camada da turfa/lixo. com os deslocamentos para baixo da camada de turfa.45. em que se observa a ruptura na turfa.36 apresentam as tensões principais do solo. A Figura 5.39. não se pode notar os deslocamentos referentes à escavação.44 e 5. material de menor resistência. As Figuras 5.31. apresentaram deslocamentos acumulados da parte externa ao tanque praticamente nulos.40.46 apresentam os contornos da razão tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento com rupturas localizadas abaixo do nível de escoramento na camada de areia e da turfa/lixo. O elemento 56 está localizado abaixo da laje de fundo na camada de solo residual. com aumento de tensões ao longo da profundidade e rotação das tensões principais abaixo da escavação.38 mostra a ruptura do lado externo do tanque. conforme Figura 5. com alívio das tensões abaixo da escavação e perturbações próximo à parede diafragma. As Figuras 5. 5.34 mostra a ruptura do solo na superfície atrás da parede.32 e 5. 5.30 mostra o gráfico do inverso do fator de segurança (1/FS = tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento) da modelagem não linear.100 mostra o rebaixamento do nível d'água.

a 3a etapa apresentou os maiores deslocamentos. há uma diminuição do estado de tensões. Na 4a etapa.46. pois há escavação até a cota -10. respectivamente). já que esta etapa corresponde à escavação até a cota 2. em que a partir do estado de tensões inicial. há novamente um alívio das tensões (descarregamento). 60 e 62 são bastante semelhantes às do elemento 128. como era de se esperar. acima do nível de apoio. que o único elemento que viola a linha de ruptura é o elemento 128. Acima da cota +8.42 e 4. como há o enchimento do tanque. como há simulação do desligamento do rebaixamento. e enchimento do reservatório.101 A Figura 5. na 1a etapa da modelagem. Como na modelagem elástica linear. A 2a etapa apresenta um aumento do estado de tensões.38. o que pode ser confirmado pelos gráficos razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) das 2a. visto haver o rebaixamento do nível d'água. visto este elemento estar situado acima das camadas de solo de menor resistência. As trajetórias de tensões dos elementos 56. Na 5a etapa.34. 4a e 5a etapas (Figuras 5.50m.54 mostra os deslocamentos horizontais da parede diafragma.00 m.53. com as etapas da modelagem representadas através do aumento ou diminuição do estado de tensões. . há um pequeno aumento do estado de tensões. 5. apresentando comportamento inverso do obtido na 2a etapa. 3a . A Figura 5. as 2a e 5a etapas apresentam os mesmos deslocamentos (referentes ao rebaixamento e implantação do nível de apoio. Na 3a etapa. comparando as Figuras 5. 5. Pode-se observar. também há diminuição do estado de tensões.70m. respectivamente). A 4a etapa apresentou os mesmos deslocamentos que a 3a etapa.50 a 5.50 mostra a trajetória de tensões do elemento 128. tanto do lado interno quanto do lado externo do tanque.

102 Figura 5. .10 .Rede de elementos finitos utilizada na modelagem numérica deste trabalho.

Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem elástica linear.Deslocamentos da modelagem elástica linear.13 . 1a etapa.103 Figura 5.12 . Figura 5. . 1a etapa.

104 Figura 5. 1a etapa. Figura 5.Tensões principais da modelagem elástica linear.15 . 1a etapa. .Tensões verticais (em kPa) da modelagem elástica linear.14 .

. Figura 5.17 . 2a etapa.Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem elástica linear.Deslocamentos da modelagem elástica linear.16 . 2a etapa.105 Figura 5.

106 Figura 5. Figura 5. 3a etapa. .Deslocamentos da modelagem elástica linear.18 .19 .Tensões principais da modelagem elástica linear. 2a etapa.

21 .20 .107 Figura 5. Figura 5. 3a etapa.Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem elástica linear. . 3a etapa.Tensões principais da modelagem elástica linear.

.Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem elástica linear.108 Figura 5.Deslocamentos da modelagem elástica linear. 4a etapa. Figura 5. 4a etapa.22 .23 .

Figura 5. .Deslocamentos da modelagem elástica linear.24 . 5a etapa.109 Figura 5. 4a etapa.25 .Tensões principais da modelagem elástica linear.

Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem elástica linear. .27 . 5a etapa.26 .110 Figura 5.Tensões principais da modelagem elástica linear. Figura 5. 5a etapa.

28 .Deslocamento da parede do Tanque Oceânico referente à modelagem elástica linear.00 m 10 9 8 Nível de apoio (cota -2. .Deslocamentos da modelagem não linear. 1a etapa.00 m) Elevação (m) 7 6 5 4 3a 3 2 cota -10.29 .00 m laje de fundo -20 -18 -16 -14 -12 -10 -8 -6 -4 1 0 -2 -1 0 -2 -3 -4 -5 -6 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Deslocamento horizontal (cm) Figura 5. Figura 5.111 15 14 2a 5a 4a 1a 13 12 11 cota +0.

112 Figura 5. 1a etapa.Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear.31 . 1a etapa. Figura 5.30 . .Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem não linear.

113 Figura 5. 1a etapa. 2a etapa .Deslocamentos da modelagem não linear.33 .Tensões principais da modelagem não linear. Figura 5.32 .

2a etapa.Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear. Figura 5.Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem não linear.35 . 2a etapa .114 Figura 5.34 .

Deslocamentos da modelagem não linear.37 . 2a etapa Figura 5.Tensões principais da modelagem não linear.115 Figura 5.36 . 3a etapa .

39 .Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem não linear.Contorno das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear. 3a etapa.38 . 3a etapa. .116 Figura 5. Figura 5.

41 . 3a etapa Figura 5.117 Figura 5.Tensões principais da modelagem não linear.40 .Deslocamentos da modelagem não linear. 4a etapa .

Contornos das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear. Figura 5. . 4a etapa.118 Figura 5. 4a etapa.43 .42 .Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem não linear.

119 Figura 5. . 5a etapa.44 . 4a etapa Figura 5.Tensões principais da modelagem não linear.Deslocamentos da modelagem não linear.45 .

Contornos das tensões verticais (em kPa) da modelagem não linear. 5a etapa. .46 .47 .Razão: tensão cisalhante/resistência ao cisalhamento (1/FS) da modelagem não linear. Figura 5. 5a etapa.120 Figura 5.

48 . .Tensões principais da modelagem não linear.121 Figura 5.49 .Localização dos elementos utilizados nos gráficos das trajetórias de tensões. 5a etapa Figura 5.

50 . elemento 56. .51 .Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear.Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear. elemento 128. Figura 5.122 Figura 5.

Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear.52 .53 . Figura 5. elemento 62. . elemento 60.Trajetórias de tensões (em kPa) da modelagem não linear.123 Figura 5.

3 .8 .00 m) Elevação (m) 7 6 5 4 5a 3a 3 2 cota -10.124 15 14 1a 1 3 12 11 4a cota +0.54 .2 1 .2 .6 .6 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Deslocamento horizontal (cm) Figura 5.4 .5 .00 m laje de fundo -20 -18 -16 -14 -12 -10 .00 m 10 9 8 nível de apoio (cota -2.Deslocamento da parede do Tanque Oceânico na modelagem não linear. .4 2a 1 0 .

cota -2. Estes pinos foram instalados na face interna do tanque a 20 cm abaixo da base da viga gola. em se continuar com as leituras da estação total.2) e trena metálica e teodolito. cada marcação determinava uma coluna de 3 níveis ao longo da altura da parede: um nível superior. Inicialmente.1 e 6.1 . Foram instalados 8 pinos nas paredes do tanque. à medida em que a escavação ia avançando. Pinos foram fixados também nos pilares do prédio ao redor do Tanque Oceânico. dos quais 8. Mais tarde foram instalados pinos de recalque por fora das paredes.3). Posteriormente. sendo 6 pinos nas laterais leste e oeste (3 pinos em cada uma destas paredes) e 1 pino em cada parede norte e sul. Ao todo foram instalados 22 pinos. a fim de medir os deslocamentos horizontais e verticais da parede. Entretanto. devido à impossibilidade de leituras com trena e teodolito.INSTRUMENTAÇÕES DE CAMPO As medições de deslocamentos da estrutura do tanque foram realizadas topograficamente. A solução encontrada foi marcar pontos fixos na parede e efetuar as leituras com trena e teodolito.125 CAPÍTULO 6 COMPARAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO DE CAMPO COM A MODELAGEM NUMÉRICA EM ELEMENTOS FINITOS Este capítulo faz uma descrição das instrumentações de campo e apresenta resultados destas instrumentações e da modelagem numérica. Além disso. houve dificuldade. alguns pinos foram danificados não permitindo. foram instalados nas paredes externas do tanque (um na metade de cada lateral da parede e um em cada quina).30m. abandonou-se por completo o uso dos pinos. pois não havia como apoiar o bastão com o cristal para efetuar a leitura (Foto 6. estas medições foram realizadas por meio de estação total (Fotos 6. uma continuidade das leituras. 6. assim. Em nenhuma das fases e com nenhum dos métodos usados na medição de deslocamentos horizontais da parede diafragma do Tanque Oceânico foram encontrados valores que justificassem a sua apresentação neste . a partir de determinado momento da escavação. um nível médio e um nível inferior.

COMPARAÇÃO COM AS ANÁLISE NUMÉRICAS A modelagem de percolação obtida no SEEPW indicou a existência de dois lençóis freáticos: um suspenso na argila mole e outro no solo residual. conforme medições dos piezômetros obtidas em campo.50m perfurados para verificação do lençol suspenso. observa-se que o lençol mais profundo tende a se aproximar do lençol superior (mais raso). com as leituras deste último. 6. Os deslocamentos horizontais da parede do tanque observados em campo foram de alguns poucos milímetros. Por causa da presença deste lençol.9). e no final das medições há apenas a existência de um único lençol freático (Fotos 6. A Figura 6.3. Na modelagem numérica tensão-deformação foram obtidos recalques na superfície do aterro.126 trabalho.1 e 6. enquanto que os deslocamentos obtidos na modelagem . foram instalados 4 piezômetros (um em cada lado das paredes do tanque) e um medidor de nível d'água. nota-se a presença de um lençol suspenso acima da camada de argila orgânica. com os últimos 1.3 mostra as leituras do medidor de nível d'água e dos piezômetros entre os meses de julho a dezembro de 2001. foram instaladas ponteiras para auxiliar o rebaixamento e mais 4 piezômetros. houve o acompanhamento dos níveis d'água em torno das paredes do tanque. que por serem tão pequenos.8). percebe-se a presença de dois níveis d'água.2. Ao observar a Figura 6. como os observados do lado externo do tanque.4 a 6. Na rede de fluxo.50 m de profundidade.50m. provocados pelo rebaixamento do lençol dá água. acima da camada de argila orgânica. Além das medições de deslocamentos horizontais e recalques da parede diafragma. sendo estes últimos com 8. visto que as medidas realizadas não passaram de alguns poucos milímetros. com a instalação de piezômetros e de um medidor de nível d'água. confirmando os resultados obtidos com o programa SEEPW (Figura 5. podem estar associados a erros de leitura e/ou imprecisão do instrumento de medida. foi observado um lençol suspenso na cota -5. Inicialmente.2 . Em meados do mês de outubro. como observado nas Figuras 6.

1 .127 numérica foram de alguns centímetros. Os deslocamentos desta modelagem estão na Figura 6. como era de se esperar. essa diferença encontrada pode ser explicada pelo fato da análise realizada ser bidimensional plano-deformação.Aparelho de estação total instalado no interior do Tanque Oceânico. Foto 6. procedeu-se a uma análise axissimétrica do problema. dada pela viga-gola.4. Para se avaliar o efeito tridimensional. conduziu a deslocamentos da parede do tanque muito inferiores aos obtidos na análise plano-deformação. Esta análise. . enquanto a escavação real tinha 30m x 50m com uma ligação considerável entre as paredes.

Pino de deslocamentos horizontais instalados na face interna do Tanque Oceânico.Bastão com cristal instalado em um dos pinos de leitura de deslocamentos da parede do tanque. . Foto 6.2 .128 Foto 6.3 .

Esquema com a disposição do sistema de rebaixamento. bem como a localização dos piezômetros e do medidor de nível d'água .129 Figura 6.1 .

2 .130 Figura 6. .Perfil geotécnico do Tanque Oceânico com a localização dos 4 primeiros piezômetros instalados e do medidor de nível d'água.

00 Pz3 (Sul): cota -18.131 Data da leitura .00 Altura do NA (m) -6.0m Pz2A (Leste): cota -8.00 Pz1A (Norte):cota -8.00 Pz1(Norte): cota -20.5m Pz2 (Leste): cota -18.0m -10.00 -8.5m -12.00 Pz4A (Oeste): cota -8.00 6/9 13/9 19/9 25/9 2/10 8/10 15/1 21/1 27/1 16/1 22/1 28/1 11/1 18/1 0 0 0 3/11 9/11 1 1 1 5/12 2 2 -2.0m Pz3A (Sul): cota -18. .Leitura do Medidor de Nível d'água e dos Piezômetros instalados em volta das paredes do Tanque Oceânico.5m MNA (Norte): cota -6.0m -14.0m Pz4 (Oeste): cota -18.00 -4.Ano 2001 24/7 30/7 5/8 12/8 18/8 24/8 31/8 0.0m Figura 6.3 .

5 . .4 .Vista do sistema de rebaixamento do nível d'água. Foto 6.Colocação dos tubos (injetor e retorno) nos poços de rebaixamento.132 Foto 6.

Foto 6.7 . .Instalação do piezômetro Pz1.6 .Reservatório e bombas de um dos trechos do sistema de rebaixamento do nível d'água.133 Foto 6.

8 .00 m 10 9 8 7 4a nível de apoio (cota -2. à direita.Sistema de rebaixamento.Deslocamentos horizontais da parede do tanque.134 Foto 6.4 . à esquerda (tubos amarelos) . considerando a modelagem axissimétrica. por poços. 15 14 13 12 11 cota +0.00 m laje de fundo -20 -18 -16 -14 -12 -10 -8 -6 -4 -2 -1 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 2a -2 -3 -4 -5 -6 Deslocamento horizontal (mm) Figura 6. e sistema de rebaixamento.00 m) 1a Elevação (m) 6 5 4 3 3a 2 1 0 5a cota -10. . por ponteiras.

As plastificações foram sempre localizadas ou confinadas às camadas de solo mais fracas. que revelou a existência de dois aqüíferos.1 . A rede de percolação do Tanque Oceânico foi bem definido na modelagem realizada com o programa SEEPW. Os resultados de uma maneira geral foram coerentes com as observações de campo. Esses pequenos deslocamentos são explicados pelo fato das paredes do tanque funcionarem como um cilindro (ou anel). principalmente.135 CAPÍTULO 7 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS 7. A consideração de todas etapas construtivas da obra do Tanque Oceânico foi um fator importante. Os deslocamentos horizontais da parede do tanque obtidos com o PROGEO (da ordem de poucos centímetros) foram bastante superiores aos encontrados nas medições de campo (da ordem de alguns milímetros).CONCLUSÕES As análises numéricas realizadas nesta tese podem ser consideradas bem sucedidas. Os resultados da modelagem não-linear foram considerados representativos das condições de campo. devido a escolha dos parâmetros dos solos ter sido realizada . Os deslocamentos verticais foram devidos. com carregamento axissimétrico. foram obtidos deslocamentos horizontais da parede do tanque muito reduzidos (da ordem de milímetros). Na modelagem axissimétrica. em que se considera o efeito tridimensional. como nas medições de campo. o que é atribuído à modelagem ter sido feita como um problema plano-deformação (bidimensional). como os observados em instrumentações de campo. As tensões obtidas ao final de cada estágio podem ser consideradas representativas das condições de campo. ao rebaixamento do nível d'água e foram coerentes com os recalques da área externa do tanque.

7. principalmente por meio de programas convencionais e comerciais. através de ensaios de ensaios de laboratório e correlações com ensaios de campo. .136 criteriosamente. a fim de comparar com os resultados de campo encontrados nesta tese. Análises pelo Método dos Elementos Finitos podem fazer parte de estudos de projetos rotineiros. sempre lembrando a necessidade de treinamento do engenheiro com este tipo de ferramenta.2 – SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS As sugestões indicadas para pesquisas futuras a respeito da modelagem numérica em elementos finitos de escavações escoradas são as seguintes: 1) Melhorar a modelagem do sistema de escoramento para a simulação numérica. 2) Estudar o caso apresentado através de modelagem numérica tridimensional.

1.). 1976. Análise da Percolação na Barragem de Curuá-Una pelo Método dos Elementos Finitos.137 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Águas..R. "The Standard Penetration Test . 1971. and King. and Khoshgoftaar. V. 2000. no 13.. São Paulo.E.B.. “Simulation of Excavation using Finit Elements”. COPPE-UFRJ. P.S.W.C.. M. 4th Edition. pp 1086-1089. Anais 3. Tese de Mestrado.. Jr. 1979. Journal of The Geotechnical Engineering Division. Avaliação da Barragem de Serra da Mesa nas Fases Construtivas e de Enchimento do Reservatório com Auxílio de Modelagem Numérica. K.M.. Bathe. 100. Estudo de Valas Escavadas por Equilíbrio Limite e pelo Método dos Elementos Finitos... M. pp. Chandrasekaran. De Mello.J. J. 1999. pp 1-86. "Ensaios de Piezocone: Procedimentos. Alves. C. 1988. G.F. February. Journal Numer. Bowles. COPPE-UFRJ. 1-51. F. vol. V. Tese de Mestrado. 4th PanAmerican CSMFE.. Methods in Geomech. vol. Rio de Janeiro. 1982. e Schnaid. M. and Sherman..M. SEFE IV (Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia).. 1971.. And Anal. vol. ASCE. COPPE-UFRJ. "Unconfined Transient Seepage in Sloping Banks". "Finite element free surface seepage analysis without mesh iteration". Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division (J. 1974. Rio de Janeiro. Foundation Analysis and Design. Amorim. Mac Graw-Hill Book Co.S..B..A. Rio de Janeiro. Int. Desai. ASCE. no GT9 (September).F. F.C..C. Puerto Rico.F. New York.D. . W.State of the Art Report".F.S. Danziger. 3. Tese de Mestrado. Proceedings. Recomendações e Interpretação".J.

138 Djoenaidi, W.J., 1985, A Compedium of Soil Properties and Correlations, M.Sc. thesis, University of Sidney, Sidney, 836 p.

Duncan, J.M., and Chang, C.Y., 1970, “Nonlinear Analysis of Stress and Strain in Soils", J.S.M.F.D., ASCE, vol. 96, no SM5 (September), pp 1629-1653.

Duncan, J.M., and Dunlop, P., 1969, “Slopes in Stiff-fissured Clays and Shales”, J.S.M.F.D., ASCE, vol. 95, no SM2 (March), pp 467-492.

Dunlop, P., Duncan, J.M., and Seed, H.B., 1968, Finite Element Analysis of Slopes in Soils, Report no TE 68-3, University of California, Berkeley.

Fujii, J., 1976, Métodos dos Elementos Finitos Aplicado ao Problema de Escavação, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

Gonçalves, A.J.M., 1990, Estudo da Rotura de Fundo de uma Escavação Escorada, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

Hara, A., Otha, T., Niwa, M., Tanaka, S., and Banno, T., 1974, "Shear Modulus and Shear Strength of Cohesive Soils", Soils and Foundations, vol. 14, no 3, September, pp 1-12.

Houlsby, G.T. and Holtz, W.G., 1957, "The inflenece of soil stiffness and lateral stress on the results of in situ soil tests", Proceedings, 12th ICSMFE, Rio de Janeiro, vol. 1, pp 227-232.

Ishihara, K., 1970, “Relations between Process of Cutting and Uniqueness of Solutions”, Soils and Foundations, vol. 10, no 3.

Jambu, N., 1963, “Soil Compressibility as Determined by Oedometer and Triaxial Tests”, Proceedings, European C.S.M.F.E., Wiesbaden, vol. 1, pp 19-25.

139 Jamiolkowski, M., Ladd, G.C., Germaine, J.T., et al., 1985, "New Developments in Field and Laboratory Testing of Soils", Proceedings, 11th International Conference on Soils Mechanics and Foundation Engineering, vol. 1, San Francisco, pp 57-153.

Kondner, R.L., 1963, “Hyperbolic Stress-Strain Response: Cohesive Soils”, J.S.M.F.D., ASCE, vol. 89, no SM1 (February), pp 115-143.

Kulhawy, F.H., and Mayne, P.W., 1990, Manual on Estimating Soil Properties for Foundation Design, Report-Research Project 1493-6, Conell University, Ithaca, New York (tb. Eletricity Power Research Institute, Palo Alto, California).

Kulhawy, F.H., Duncan, J.M., and Seed, H.B., 1969, Finite Element Analysis of Stress and Movements in Embankments During Construction, Report no TE 69-4, Office of Research Services, University of California, Berkeley.

Kulhawy, F.H., Trautmann, G.H., Beech, J.F., O'Rourke, T.D., McGuire, W., Wood, W.A., and Capano, C., 1983, "Transmission Line Structure Foundations for UpliftCompression Loading", Report EL-2870, Electric Power Research Institute, palo Alto, February, 412 p.

Lade, P. 1972, The Drained Stress-Strain and Strenght Characteristics of Cohesionless Soils, Ph.D. thesis, University of California, Berkeley.

Lopes, F.R., 1974, Análise do Controle de Água em Escavações pelo Método dos Elementos Finitos, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

Lopes, F.R., 1995, “Métodos Numériocs em Geotecnia”, Notas de aula, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

Lopes, F.R., 1996, “Progeo 4: A Finit Element Solution for Static and Time-Dependent Analysis of geotechinical Problems”, Manual de Programa, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

140 Lopes, F.R., e Vartamatti, E., 1984, “Estudo por Elementos Finitos do Rebaixamento do Lençol d’água e seus Efeitos em Escavações”, Solos e Rochas, vol. 7, no único.

Mana, A.I., 1978, Fimite Element Analysis of Deep Excavation Behavior in Soft Clay, Ph.D. thesis, Satanford University. Marchetti, S., 1985, "On the Field Determination of Ko in Sand", Proceedings, 11th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, vol. 5, San Francisco, pp 2667-2672.

Meyerhof, G.G., 1956, "Penetration Tests and Bearing Capacity of Cohesionless Soils", Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division, ASCE, vol. 82, no SM1, January, pp 1-19.

Newman, S.P., 1973, "Saturated-unsaturated seepage by finite elements", Journal of the Hydraulics Division, ASCE, December.

Newman, S.P., and Witherspoon, P.A., 1970, Finite Element of Analysing Steady Seepage with a Free Surface, Water Resources Research, June.

Nogueira, M.S., 1986, Estabilidade de Taludes em Regimes Tropicais, Tese de Mestrado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro.

Ortigão, J.A.R., 1980, Aterro experimental levado à ruptura sobre argila cinza do Rio de Janeiro, Tese de Doutorado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro. Peck, R.B., Hanson, W.E., and Thornburn, T.H., 1974, Foundation Engineering, 2nd Ed., Jonh Wiley and Sons, New York, 514 p.

Poulos, H.G., 1975, "Settlement of Isolated Foundations", in Soil Mechanics - Recent Developments, Eds. S. Valliappan, S. Hain, and I. K. Lee, William H. Sellen Pty., Zetland, pp 181-212.

. J.L. 1986. A...K. pp 911-917..S. Jonh Wiley and Sons. Análise Numérica do Comportamento de Escavações Escoradas em Argilas Moles e Médias. "SPT-CPT correlations". 1994. and Greig. R.W.B. and Wightman. "Darcy Flow Solutions with a Free Suurface". 1988. and Burland.B.P. Journal of the Hydraulics Division. pp 1263-1280. 729 p. Robertson. 1967. Engineering Plasticity. vol. K. 4. "Use of Piezometer Cone Data". "Residual Strength of Clays in Landslides.. New York. Gillespie. vol. 96. pp 1449-1459. R. S. Campanella. .. vol.. K. P. “On the Yielding of Soils”. C. no 11. J. March. 1983. Terzaghi. and Brown. Use of In-Situ Tests in Geotechnical Engineering (GSP 6).S. Cambridge University Press. and Lunne. Skempton. P. ASCE.P. Proceedings.. T.H. 35. C. and Peck. 9th Panamerican CSMFE. Taylor. 109.. Roscoe. Schofield. pp 1771-1788. R.. ASCE. and the Laboratory". K.. P. Sandroni. 1991. “On the Generalized Stress-Strain Behavior of Wet Clay”. pp..H.G.G. General Report. 1958. A. Saramago. Orlando. and Wroth. R.141 Rad... "Direct Correlations between Piezocone Test Results and Undrained Strength". ASCE.. Geotechnique.B. A. vol. D. Folded Strata. March. Rio de Janeiro. vol. Campanella. JGED. Clemence.. Viña del Mar.N. Ed. S.K. 535-609. Robertson. ISOPT-1: Int. pp 22-53. N. Geotechnique.. no 1. 2nd Ed. Roscoe. 1985. R. on Penetration Testing.. 1968. Sym. 1967.. Proceedings. pp 3-18. COPPE-UFRJ. no HY2.. Tese de Mestrado. 2. "Young Metamorphic Residual Soils". New York. Soil Mechanics in Engineering Practice.

1971. Washington. Volume 1: Critérios de Projeto.S. Cone Penetration Testing and Experience. 92. and Kulhawy. Vesic. Government Printing Office. Villet. Y. 1986. Investigação do Subsolo. 1975..K. F. U. Vol. February. Tese de Mestrado. 1977. P. E. and Cheung. Norris and R.142 Trautmann. Eds. 1997.H. D. Electric Power Research Institute.S. 1981. Oct. Naval Facilities Engineering Command. Cambridge. Fundações Superficiais.Sc. Wong. 68 p. CUFAD . O. 2a Edição COPPE-UFRJ.C. no EM1. ASCE. Tese de Mestrado. thesis. D.. Relative Density. 1987. and Friction Angle". Rio de Janeiro. New York. Palo Alto.S... 148 p. W.B. Transportation Research Board.A Computer Program for Compression and Uplift Foundation Analysis and Design.H. "Solution of Anisotropic Seepage by Finite Elements".. D. Design Manual NAVFAC 7. Fundações. and Mitchell.A.C. Massachusets Institute of Technology. Analysis of Braced Exacavations. 1980. Navy. C. Vertamatti. São José dos Campos. ... vol. 1966. 16. G. Velloso. COPPE-UFRJ.. Zienkiewicz. Tsutsumi.. Estudo da Percolação de água e seus Efeitos em Valas Escoradas.R. Washington. "Cone Resistance. Synthesis of Highway Practice 42. Rio de Janeiro.H. e Lopes. Journal of the Engeneering Mechanics Division. M.K. pp 178-208. Mayer. U. ASCE. J.. M. F. Simulação de Escavação Escorada por meio de Elementos Isoparamétricos.. Report EL-4540-CCM. Holtz. A. ITA. I. Design of Pile Foundations..

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful