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CONVERSÃO ELETROMECÂNICA DE ENERGIA





GERADOR SÍNCRONO

















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1. INTRODUÇÃO

Três tipos de máquinas síncronas são utilizados em sistemas de energia
elétrica: geradores, motores e compensadores síncronos. Praticamente toda a
potência ativa consumida no Sistema Elétrico de Potência é gerada por meio de
geradores síncronos. A utilização de motores síncronos é menos difundida. Já
os compensadores síncronos são utilizados na compensação de potência
reativa, pois essas máquinas operam com potência ativa nula, ou seja, não são
geradores nem motores.
Máquinas síncronas são utilizadas, primariamente, como geradores de potência
elétrica; neste caso elas são denominadas de “geradores síncronos” ou
“alternadores”. Elas são usualmente grandes máquinas geradoras de potência
elétrica instaladas em plantas (usinas) hidrelétricas, nucleares ou termelétricas.
Os geradores síncronos são acionados por turbinas hidráulicas ou a vapor. No
caso das turbinas hidráulicas, a fonte primária de energia é a energia potencial
armazenada nos reservatórios. No caso das turbinas a vapor, a fonte primária
de energia é utilizada na produção do vapor, o que pode ser feito por queima
de combustível (carvão, óleo, gás, renovável ou nuclear).
As usinas hidráulicas utilizam barragens para elevar o nível da água e garantir a
pressão necessária para mover as turbinas. As barragens podem também ter o
papel de formar reservatório de acumulação e podem ter longos períodos de
operação (ciclos multianuais de captação e de depleção, como é o caso do
reservatório de ilha solteira, por exemplo). Existem também as chamadas
usinas tipo “fio d’água”, nas quais a capacidade de armazenagem de água é
limitada (ciclos diários de operação, por exemplo). Não existe, entretanto,
relação direta entre a capacidade de geração instalada em uma usina e a
capacidade de armazenagem de energia em seu reservatório: Itaipu, por
exemplo, uma das maiores usinas em operação, tem um reservatório tipo “fio
d’água”.
O custo de operação de usinas hidráulicas é relativamente barato quando
comparados com a maioria dos outros tipos de usinas que queimam algum tipo
de combustível. Já os investimentos necessários são relativamente elevados, e
considerando-se que capital é um bem escasso e de custo elevado, pode-se
avaliar as dificuldades de se desenvolver um sistema nesse tipo de
aproveitamento. Os geradores síncronos acionados por turbinas hidráulicas
usualmente são de pólos salientes e funcionam em rotações relativamente
baixas quando comparados com turbinas a vapor, o que reflete num elevado
número de pólos em alguns geradores de pólos salientes.
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As usinas térmicas utilizam vapor produzido em caldeiras que queimam algum
tipo de combustível. No caso do carvão, por exemplo, a energia primária está
originalmente na forma de energia potencial química e é transformada, pela
queima, em energia térmica do vapor aquecido e em alta pressão que, por sua
vez, produz energia mecânica de rotação ao passar pelas aletas da turbina.
Desse ponto de vista, não existe grande diferença entre os vários tipos de fonte
primária utilizados na produção de vapor, pois, até mesmo no caso das usinas
nucleares, esse mecanismo básico continua válido. Os geradores síncronos
acionados por turbinas a vapor normalmente têm pólos lisos e funcionam em
rotações relativamente altas quando comparados com turbinas hidráulicas, e
conseqüentemente fazendo-se com que o número de pólos seja relativamente
menor que no caso de turbinas hidráulicas.
O torque mecânico no eixo de uma máquina síncrona se deve à interação de
dois campos magnéticos girantes. Um desses campos é produzido pela
corrente no enrolamento de campo que se move a uma velocidade constante
(localizado no rotor da máquina síncrona), e o outro campo girante é produzido
pelas correntes trifásicas nos enrolamentos da armadura (fixos no estator).
A potência no eixo é medida pelo produto da velocidade angular do rotor
pelo torque [P = ω. T]. No caso do gerador, o torque mecânico é fornecido
pela turbina. No caso do motor, o eixo da máquina é que fornece um torque a
uma carga mecânica ligada ao seu eixo.
A geração de energia elétrica em grandes blocos processa-se pela ação de
máquinas rotativas que acionadas mecanicamente por uma máquina primária
(turbina hidráulica, a vapor, a gás, ou máquina de combustão interna, ou
turbina eólica) produzem através de campos de indução eletromagnéticos,
uma onda senoidal de tensão com freqüência fixa e amplitude definida pela
classe de tensão do gerador. Uma máquina síncrona gira numa velocidade
constante em condições de regime permanente. Diferentemente das máquinas
assíncronas, o campo girante no entreferro e no rotor giram na mesma
velocidade, e é denominada “velocidade síncrona”.
A palavra “síncrona” significa que o campo girante no entreferro tem a mesma
velocidade angular que a do rotor. A freqüência da tensão induzida é
diretamente proporcional ao número de pólos e a velocidade de rotação do
rotor.
A freqüência é determinada por:

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Onde:
f: freqüência elétrica [Hz]
n: velocidade síncrona [RPM]
p: número de pólos da máquina.


2. ASPECTOS CONSTRUTIVOS

Basicamente, uma máquina síncrona é composta de duas partes: estator, ou
armadura e rotor. O estator de uma máquina síncrona trifásica tem um
enrolamento trifásico distribuído, similar a uma máquina de indução trifásica.
O enrolamento do estator, o qual é conectado a um sistema de suprimento AC,
é denominado de “enrolamento de armadura” ou “enrolamento de estator”, e
é designado para tensões e correntes alternadas elevadas.
O rotor é equipado com um enrolamento excitado com corrente contínua DC,
denominado “enrolamento de campo”, que age como um eletroímã, ou seja,
produz um fluxo magnético constante por pólo. Quando o rotor gira e o
enrolamento de campo é excitado com corrente contínua, por meio de anéis
deslizantes e escovas, um campo magnético girante aparece no entreferro da
máquina, entre o rotor e a armadura. Como a armadura é constituída por um
enrolamento trifásico uma força eletromotriz (FEM) variável no tempo é gerada
pelo campo magnético, com base nos princípios da Lei de Faraday.
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A estrutura básica de uma máquina síncrona está ilustrada a seguir:

Figura 01 - estrutura básica de uma máquina síncrona trifásica.

Os enrolamentos de armadura de um gerador trifásico podem ser associados em estrela ou
triângulo. A ligação “estrela” é utilizada na maioria dos geradores dos sistemas de energia elétrica.
Geralmente, o neutro é aterrado neste tipo de ligação sendo este aterramento feito através de uma
resistência ou reatância cuja finalidade é a de reduzir a corrente de curto circuito.
Com relação a seu rotor, as máquinas síncronas são construídas com dois tipos de rotores: “rotor
cilíndrico” ou de “pólos lisos” que são acionados por turbinas a vapor com velocidade de 3.000 rpm
ou 3.600 rpm (50 ou 60Hz, respectivamente), e o “rotor de pólos salientes” que são usualmente
acionados por turbinas hidráulicas, em baixa velocidade, poucas centenas de RPM, conforme
mostrados na figura 02 a seguir:

Figura 02 - gerador trifásico elementar a) rotor cilíndrico de dois pólos, e b) rotor de pólos salientes de quatro
pólos. O ponto preto indica que o sentido positivo da corrente está dirigido para fora do plano do papel. A cruz
indica que o sentido positivo da corrente está dirigido para dentro do plano do papel.
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Os “rotores cilíndricos”, ou de “pólos lisos”, têm um enrolamento de campo
distribuído em ranhuras construídas axialmente ao longo do comprimento do
rotor, e um entreferro essencialmente uniforme.
Esses rotores, construídos com dois ou quatro pólos, são usados em geradores
de grande potência (várias centenas de MW) e são geralmente acionados por
turbinas a vapor de alta velocidade (turbo-geradores). São rotores longos e têm
um pequeno diâmetro, usualmente entre 1 e 1,5 metros, e isso torna a
máquina adequada para operar com velocidade de 3.000 rpm (50 Hz) ou 3.600
rpm (60 Hz), conforme figura 03.

Figura 03 - geradores síncronos com rotor de pólos lisos de alta velocidade.

A alta velocidade de rotação do rotor produz alta força centrífuga, a qual impõe
um limite superior ao diâmetro do rotor. No caso de um rotor girando a 3600
rpm, o limite elástico do aço impõe um diâmetro máximo de 1,2m. Por outro
lado, para construir geradores de elevada potência (1.000MVA a 1.500MVA) o
volume do rotor tem de ser grande. Para isso os rotores de alta potência, alta
velocidade são bastante longos.
Já os rotores de “pólos salientes” têm enrolamentos concentrados nos pólos e
um entreferro não uniforme. Pelo fato de operarem com baixa velocidade
rotacional possuem um grande número de pólos, geralmente com mais de 50
para garantir uma freqüência de 60 Hz, o que implica num grande diâmetro
para prover o espaço necessário ao acondicionamento dos pólos, conforme
figura 04.

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Figura 04 - geradores síncronos com rotor de pólos salientes de baixa velocidade (estator e rotor).

Os rotores de pólos salientes são em geral acionados por turbinas hidráulicas
(hidro-geradores) de baixa velocidade (entre 50 e 300 rpm) a fim de extrair a
máxima potência de uma queda d’água.

Dados do Gerador Síncrono da Usina Xingó-CHESF:
Tipo: ..................................................................Síncrono Vertical.
Quantidade: ......................................................6
Fabricante; ........................................................Siemens
Potência instalada de cada unidade: ................527 MW
Classe de isolamento rotor: ..............................F
Classe de isolamento do estator: ......................F
Corrente nominal: ............................................16.679 A
Fator de potência: ............................................0,95
Freqüência: ......................................................60 Hz
Tensão entre fases:...........................................18.000 V
Velocidade nominal:........................................109,1 rpm
Número de pólos:.............................................66

A eficiência dos geradores é muito importante. Geradores síncronos em plantas
de potência podem atingir 99% de eficiência. Isto significa que para uma
máquina de 600 MW que possui essa eficiência, produz 6 MW de calor,
portanto, essa máquina precisa ser refrigerada.
Grandes turbo-geradores em plantas térmicas são refrigerados por meio de
hidrogênio ou água. O hidrogênio tem sete vezes a capacidade de calor em
relação ao ar, e a água doze vezes. O hidrogênio ou a água fluem através de
cavidades específicas no interior dos enrolamentos do estator. A refrigeração
equaliza a distribuição da temperatura no gerador, porque pontos quentes de
temperatura afetam o ciclo de vida da isolação elétrica. A evolução dos grandes
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turbo-geradores tem sido determinada por melhores materiais e técnicas de
refrigeração sofisticadas.
Já os geradores de baixa velocidade em plantas hidráulicas são sempre maiores
que máquinas de alta velocidade de igual potência em plantas de térmicas, e
um bom sistema de ar refrigerado com trocadores de calor, usualmente é
empregado em geradores de baixa velocidade.


3. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DOS GERADORES SÍNCRONOS

Conforme a figura 05a, e assumindo que uma corrente de campo (I
f
) flua
através do enrolamento de campo do rotor, e que o rotor seja acionado por
uma máquina primária (turbina ou motor diesel ou DC, ou motor de indução),
será estabelecido um fluxo senoidal distribuído no entreferro, ou seja, um
campo girante estabelecido por um fluxo é produzido no entreferro. Este
campo é denominado “campo de excitação”, porque ele é produzido por uma
corrente de excitação contínua (I
f
). O fluxo girando, produziria, então,
variações pelos enrolamentos do estator aa’, bb’ e cc’, e como conseqüência,
haveria a indução de tensões em seus terminais. Estas tensões induzidas,
conforme figura 05b, tem a mesma magnitude, mas estão defasadas de 120°
elétricos, e são denominadas de “tensão de excitação (E
g
)”.

Figura 05 – tensão de excitação em máquinas síncronas.

Conforme já comentado, a velocidade do rotor e a freqüência da tensão
induzida são relacionadas por:

; onde: “n” é a velocidade do rotor
[rpm], “p” é o número de pólos e “f” é a freqüência *Hz+.


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O valor eficaz da tensão de excitação é dado por:

Onde: “Ø
f
” é o fluxo por pólo para uma corrente de excitação; “N” é o número
de espiras do enrolamento para cada fase, e “K
w
ӎ o fator de enrolamento.

Das equações anteriores, tem-se:

E como p, N e K
w
são constantes, logo:

A tensão de excitação é proporcional à velocidade da máquina e ao fluxo de
excitação, o qual depende da corrente de excitação (I
f
). A variação da tensão
de excitação com a corrente de campo é mostrada na figura 06. A tensão
induzida para I
f
=0A é decorrente do magnetismo residual. Inicialmente, a
tensão aumenta linearmente com a corrente de campo, mas caso a corrente de
campo continuar a ser incrementada chegará um ponto em que o fluxo Ø
f
deixará de aumentar linearmente com a corrente de campo (I
f
) por causa da
saturação do circuito magnético.
Se o terminal da máquina for mantido aberto, a tensão de excitação é a mesma
que a tensão do terminal, e pode ser medida usando um voltímetro. A curva
mostrada na figura 06 é conhecida como “curva característica de circuito
aberto – CCA” ou “característica de magnetização” da máquina síncrona.

Figura 06 - característica de circuito aberto (CCA) ou de magnetização de uma máquina síncrona.

Se os terminais do estator da máquina (figura 01c) estão conectados a uma
carga trifásica, fluirá uma corrente I
a
pelo estator. A freqüência de I
a
será a
mesma que a da tensão de excitação E
g
. As correntes estatóricas fluirão nos
enrolamentos trifásicos, as quais estabelecerão um campo magnético girante
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no entreferro. O fluxo no entreferro é resultante dos fluxos produzidos pela
corrente rotórica I
f
e pela corrente estatórica I
a
.
Sendo Ø
f
o fluxo decorrente de I
f
e Ø
a
o fluxo decorrente de I
a
, conhecido
como “fluxo de reação de armadura”, então:
Ø
r
=

Ø
f
+ Ø
a
= fluxo resultante no entreferro (em condição de não saturação do
núcleo).
Pode-se notar que a resultante e a componente dos fluxos no entreferro giram
na mesma velocidade dada por n = 120.f/p. O diagrama fasorial para estes
fluxos é mostrada na figura 07. A fmm do campo do rotor F
f
(decorrente de I
f
)
e o fluxo Ø
f
produzido pela fmm F
f
estão representadas ao longo da mesma
linha. A tensão induzida E
g
está atrasada de 90° em relação ao fluxo Ø
f
e a


corrente estatórica I
a
está atrasada θ graus em relação à tensão E
g
. A fmm F
a

(decorrente de I
a
) e o fluxo Ø
a
produzido pela fmm F
a
estão ao longo do
mesmo eixo, assim como a corrente I
a
. Considerando-se que o núcleo não irá
saturar o fluxo resultante

Ø
r
é a soma vetorial dos fluxos F
f
e F
a
.

Figura 07 - diagrama fasorial


4. REGIMES DE OPERAÇÃO – PARÂMETROS
Uma máquina como tal, conforme citado, possui uma série de parâmetros a
serem especificados, durante o seu projeto construtivo. Entre os vários que
acompanham tal procedimento, podemos mencionar aqui alguns dos
principais, tais como:
 Potência nominal [ kVA ].
 Tensão nominal [ kV].
 Classe de Isolação [kV].
 Freqüência nominal [Hz].
 Corrente nominal [A].
 Fator de potência nominal.
 Corrente de excitação nominal [A].
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 Tensão nominal de excitação [V].
 Reatância síncrona nominal para os diferentes regimes de trabalho
(Permanente - RP, Transitório - RT e Sub-transitória - ST).
 Limites operacionais: estatórico (térmico), rotórico (excitação),
mecânico (turbina), etc.

Assim sendo, esta máquina síncrona pode estar operando em condições tais
que, a carga por ela atendida, seja definida em Regime Permanente (RP), em
concordância com os seus valores nominais e, portanto a reatância que a
representará nesse caso será a reatância síncrona nominal (X
s
). Esse
procedimento será adotado na representação da máquina síncrona durante os
estudos de Fluxo de Potência em Regime Permanente (RP).
Se eventualmente, esta máquina síncrona estiver operando interconectada
com outras num barramento comum (usinas), portanto, mesmo nível de
tensão, ou então, interligadas através de uma barra de sincronismo com outras
fontes externas (concessionárias indústrias) estabelecendo situações de
paralelismo remoto, onde podem ocorrer entradas e saídas de cargas de
valores expressivos, isso pode induzir a pequenas oscilações na operação da
máquina síncrona e nesse caso, a reatância que a representa, não é mais a
síncrona e sim, um valor transitório, denominado de reatância transitória (X’
s
),
ligeiramente inferior à anterior X
s
e que será usada nas simulações dinâmicas
de sistemas envolvendo oscilações transitórias em redes.
Porém, se durante tal operação, ocorrer um curto-circuito próximo aos
terminais da máquina síncrona haverá então, um corte brusco da carga
atendida e, a corrente instantaneamente se elevará a valores muito maiores
que a nominal justificada por uma variação brusca do fluxo interno da máquina
síncrona e conseqüente uma mudança do comportamento interno da mesma,
reduzindo o nível de permeabilidade magnética do ferro e conseqüente queda
no valor da indutância acarretando, portanto, também uma redução no valor
da reatância que a representa nessas condições. Essa reatância é denominada
de reatância sub-transitória (X”
s
) e é a que representa a máquina síncrona nas
condições críticas de curto-circuito.
Assim, durante os estudos de representações de máquinas para efeitos de
cálculos de estabilidade, fluxo de carga, de curto-circuitos, sejam eles terminais
ou não, os parâmetros representativos da máquina síncrona são diferentes.
Existem vários modelos que permitem se fazer tais representações, como as
clássicas modelagens por componentes de fases, para as máquina síncrona de
pólos lisos ou pela modelagem das duas reatâncias X
d
e X
q
para as máquina
síncrona de pólos salientes, ou ainda, pelas relações estabelecidas pela teoria
das componentes simétricas (positivo, negativo, zero), largamente usadas em
estudos de operação desequilibrada da máquina síncrona.
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De forma mais simplificada, pode-se resumir essa modelagem conforme
mostrado na Figura 08, abaixo:


Figura 08 - diagrama esquemático de uma máquina síncrona – gerador.


5. CIRCUITO EQUIVALENTE DA MÁQUINA SÍNCRONA

Se o circuito de armadura for fechado por meio de uma carga, vai circular por
ele uma corrente que será responsável por perdas por efeito Joule na
resistência do próprio enrolamento, e também pela existência de fugas
magnéticas em torno dos condutores. Estes efeitos, semelhantes aos que se
verificavam para outros tipos de máquinas, levam-nos ao modelo de circuito
equivalente.

Figura 09 - o circuito equivalente por fase de um gerador síncrono sob condição de regime permanente.
Este modelo é usado para analisar o funcionamento em regime permanente
tanto em motor, como em gerador. Como se trata de regime permanente os
transitórios ocorridos tanto no circuito de excitação como no enrolamento
amortecedor são desprezados. Trata-se como em outros casos de um modelo
fase-neutro (monofásico).
A tensão E
g
induzida pelo fluxo do enrolamento de campo (freqüentemente
referida como tensão gerada ou tensão interna) pode ser obtida da derivada
do fluxo em relação ao tempo, multiplicada pelo número de espiras do
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enrolamento, lembrando-se que o fluxo magnético tem um comportamento
senoidal [Ø
(t)

máx
senet]:

Conseqüentemente, conforme já abordado, o valor eficaz da tensão induzida é
dado por:

onde: “Ø
f
” é o fluxo por pólo para uma corrente de excitação; “N” é o número
de espiras do enrolamento para cada fase, e “K
w
ӎ o fator de enrolamento.
Assim, um circuito equivalente em notação complexa está mostrado na figura a
seguir, com seu respectivo diagrama fasorial. Deve-se observar que a figura e a
equação abaixo foram escritas com o sentido de referência de I
a
tomado como
positivo quando a corrente está entrando nos terminais da máquina. Isso é
conhecido como sentido de referência do tipo motor para a corrente.
Conforme figura 10.

Figura 10 - circuito equivalente de máquina síncrona com o sentido de referência do tipo motor e respectivo
diagrama fasorial.

Alternativamente, o sentido de referência do tipo gerador é definido como
sendo o sentido de referência do fasor corrente (I
a
), tomado como positivo,
quando a corrente está saindo dos terminais da máquina, conforme figura 11, a
seguir. Com essa escolha de sentidos de correntes de referência para a
corrente do estator a equação torna-se:

Figura 11 - circuito equivalente de máquina síncrona com o sentido de referência do tipo gerador e respectivo
diagrama fasorial.
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Observe que essas duas representações são equivalentes, pois, quando se
analisa uma dada condição de operação em particular de uma máquina
síncrona, a corrente real é a mesma. O sinal de I
a
será determinado simplesmente pela
escolha do sentido de referência. Ambas as operações são aceitáveis, não
dependendo se a máquina síncrona sob análise está operando como motor ou
como gerador.
No entanto, na análise do funcionamento de um motor, como a potência tende
a fluir para dentro dele, intuitivamente talvez seja mais satisfatório escolher o
sentido de referência em que a corrente flui para dentro da máquina. O
oposto, também é verdadeiro quando se analisa a máquina operando como
gerador. Nesse caso, a potência tende a fluir para fora da máquina.
Em sua maioria, as técnicas de análise de máquinas síncronas apresentadas
foram desenvolvidas inicialmente para analisar o desempenho dos geradores
síncronos em sistemas elétricos de potência. Como resultado, o sentido de
referência do tipo “gerador” é mais comum, e a partir deste ponto do texto, é o
que em geral será usado.
Para efeito de facilidade de cálculo, normalmente se despreza a resistência do
próprio enrolamento (R
a
) sem que alterações significativas sejam inseridas no
resultado da análise, conforme figura 12.






Figura 12. Circuito equivalente simplificado por fase de Gerador Síncrono para R
a
= 0O.


6. O BARRAMENTO INFINITO

Geradores síncronos são raramente usados como fonte de suprimento de carga
individual. Estes geradores, em geral, são conectados a um sistema de
suprimento de potência conhecido como Barramento Infinito. Pelo fato de um
grande número de geradores síncronos estarem conectados juntos a tensão e a
freqüência do barramento infinito raramente mudam.
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Cargas são derivadas do barramento infinito para vários centros de cargas. Um
barramento infinito típico é mostrado na figura 13.

Figura 13 - parte de um barramento infinito

A transferência da energia produzida nas plantas de potência (usinas
hidrelétrica, por exemplo) até o consumidor final é realizada por meio de linhas
de transmissão a um nível de tensão elevado, geralmente da ordem de
centenas de kV, de forma a obter maior eficiência no processo de transmissão.
No entanto, a geração de energia elétrica em potência elevada é efetuada por
meio de geradores síncronos a um nível de tensão relativamente baixo, da
ordem de 15 kV. Um transformador de potência elevada é utilizado para elevar
o nível de tensão de saída do gerador de forma a compatibilizá-la ao nível de
tensão do barramento infinito, para que a energia possa ser transmitida aos
centros de consumo, onde haveria a redução deste nível de tensão para níveis
compatíveis com o consumo residencial, comercial e industrial.
Nas plantas de potência os geradores síncronos são conectados ou
desconectados do barramento infinito dependendo da demanda de potência
solicitada pelo sistema (consumo). A operação de conexão de um gerador
síncrono ao barramento infinito é conhecida como “paralelismo com o
barramento infinito”. Antes que se estabeleça o paralelismo do gerador
síncrono com o barramento infinito, é necessário que ambos estejam com o
mesmo nível de tensão e ângulo de fase, bem como, com a mesma freqüência
e seqüência de fase.
15


Nas plantas de potência estas condições são verificadas por um instrumento
conhecido como “sincronoscópio”, conforme figura 14 a seguir:

Figura 14 – sincronoscópio


Figura 15 – diagrama esquemático para paralelismo de um gerador síncrono
com um barramento infinito usando lâmpadas de sincronismo

A posição do ponteiro do instrumento mostra a diferença entre o ângulo de
fase da tensão do gerador a ser conectado e do barramento infinito. O sentido
do movimento do ponteiro indica se o rotor do gerador síncrono a ser
conectado está girando numa velocidade rápida ou lenta, isto é, se a sua
freqüência é maior ou menor que a do barramento infinito.
A correta seqüência de fase é predeterminada, pois caso não ocorra a correta
conexão, poderia produzir uma situação desastrosa. Quando o ponteiro do
indicador move lentamente (isto é, quase a mesma freqüência) e passa pelo
ponto de fase zero (posição superior vertical) o disjuntor é fechado e o gerador
síncrono é conectado ao barramento infinito.
Um quadro de lâmpadas adequadamente conectadas pode ser usado para
verificar se a condição de paralelismo do gerador com o barramento infinito é
satisfeitas. Num laboratório tal quadro de lâmpadas pode ser usado para
demonstrar o que acontece se essas condições não são plenamente satisfeitas.
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A figura 15 mostra o diagrama de ligação montado em laboratório para esse
propósito. A máquina primária pode ser um motor DC, ou um motor de
indução. Ela pode ser ajustada para uma velocidade tal que a freqüência do
gerador síncrono seja a mesma que a do barramento infinito. Por exemplo, se o
gerador síncrono tem 4 pólos, a máquina primária deve ser ajustada para 1.800
rpm para que a freqüência seja de 60 Hz, a mesma que a do barramento
infinito. A corrente de campo I
f
poderá, então, ser ajustada para que os dois
voltímetro (V
1
e V
2
) mostrem o mesmo nível de tensão.
Se a seqüência de fase estiver correta todas as lâmpadas terão o mesmo brilho,
e se as freqüências não são exatamente a mesma as lâmpadas se acenderão e
se apagarão em degraus.
Examinando-se o efeito das lâmpadas quando as condições adequadas não são
satisfeitas é possível efetuar uma análise do comportamento dos parâmetros
do gerador síncrono frente ao barramento infinito. O fenômeno pode ser
explanado por meio dos diagramas fasoriais das tensões do gerador a ser
conectado e do barramento infinito, a seguir:
E
A
, E
B
, E
C
: representam a tensão fasorial do barramento infinito.
E
a
, E
b
, E
c
: representam a tensão fasorial do gerador síncrono a ser conectado.
E
Aa
, E
Bb
, E
Cc
: representam a tensão fasorial das lâmpadas de sincronização. A
magnitude destas tensões representa o brilho das correspondentes lâmpadas.
Conforme diagrama da figura 6.9. pode-se analisar diferentes situações entre a
máquina síncrona a ser conectada e o barramento infinito, com efeitos sobre as
lâmpadas de sincronismo, as quais serão descritas a seguir:

a) Tensões diferentes, mas freqüências e seqüências de fases iguais:
Referente à figura abaixo, ambos fasores tensão (E
A
, E
B
, E
C
e E
a
, E
b
, E
c
) giram
com a mesma velocidade. As tensões nas lâmpadas (E
Aa
, E
Bb
, E
Cc
) têm a mesma
magnitude e, conseqüentemente as três lâmpadas brilham com a mesma
intensidade. Para fazer as tensões iguais, a corrente de campo I
f
deve ser
ajustada.


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b) Freqüências diferentes, mas tensões e seqüências de fases iguais:
Os dois diagramas de tensões fasoriais giram com diferentes velocidades, pois
as freqüências são diferentes. Assumindo que no instante t=t
1
as tensões estão
em fase, logo as tensões nas lâmpadas correspondem a zero volts, e como
conseqüência, elas estão apagadas. Se f
1
> f
2
, no instante seguinte, ou seja,
t=t
2
, os fasores E
A
, E
B
e E
C
estarão adiantados em relação aos fasores E
a
, E
b
e E
c ,
implicando-se no aparecimento de tensões iguais sobre as três lâmpadas, as
quais brilharão com a mesma intensidade. Portanto, é evidente que se as
freqüências são diferentes, as lâmpadas brilharão e apagarão em step (degrau).
Para fazer as freqüências iguais, a velocidade do rotor da máquina síncrona a
ser conectada ao barramento infinito tem que ser ajustada até que as
lâmpadas acendam e apagam muito lentamente, em step. Isso pode ser notado
à medida que a velocidade da máquina é ajustada, a sua tensão mudará
simultaneamente. Portanto, ajustes simultâneos da corrente de campo I
f

também serão necessários de forma que as tensões sejam iguais.


c) Seqüências de fases diferentes, mas tensões e freqüências iguais:
As seqüências de fases das tensões do barramento infinito (E
A
, E
B
e E
C
) e da
máquina síncrona a ser conectada (E
a
, E
b
e E
c
) estão mostradas na figura a
seguir. As tensões sobre as lâmpadas são diferentes e, portanto, brilharão com
intensidades diferentes. Se as freqüências são ligeiramente diferentes, um
conjunto de tensões fasoriais passará o outro conjunto de tensões fasoriais, e
as lâmpadas acenderão e apagarão em step.
Para fazer as seqüências de fases iguais, é necessário permutar dois terminais
de conexão; por exemplo, fazer a seqüência de fase A-B-C (seqüência direta ou
positiva) tanto na máquina quanto no barramento infinito (figura 15).
18




d) Fases diferentes, mas tensões, freqüências e seqüências de fases iguais:
Nos dois conjuntos de tensões fasoriais serão mantidas constantes as
diferenças de fases, e as lâmpadas brilharão com a mesma intensidade. Para
igualar as fases das tensões, ou seja, fazer a diferença igual a 0°, a freqüência
da máquina que será conectada deverá ser ligeiramente ajustada até que a
diferença de fase seja nula. Isso poderá ser observado quando todas as
lâmpadas estirem apagadas, e se o disjuntor for fechado a máquina será
conectada ao barramento de forma segura.

“... uma vez que a máquina síncrona é conectada ao barramento infinito, sua
velocidade não poderá ser alterada novamente. Contudo, a transferência da
potência ativa da máquina ao barramento infinito poderá ser controlada por
meio do ajuste da potência da máquina primária (turbina – controle do fluxo
de água ou vapor, por exemplo). A potência reativa (e por conseqüência o
fator de potência do gerador) poderá ser controlado por meio do ajuste da
corrente de campo I
f
”.






19


7. CONEXÃO DO GERADOR SÍNCRONO AO BARRAMENTO INFINITO

Conforme já comentado, antes de um gerador síncrono ser conectado ao
barramento (sistema), quatro condições devem ser satisfeitas. A tensão do
gerador deve:
a) ter a mesma seqüência de fases que a tensão do barramento;
b) ter a mesma freqüência que a do barramento;
c) ter a mesma amplitude em seus terminais que a tensão do barramento;
d) estar em fase com a tensão do barramento.
Quando o gerador é conectado em grandes sistemas sua tensão de saída e sua
freqüência são “amarradas” aos valores do sistema e não pode ser alteradas
por qualquer ação no gerador. Diz-se, então, que o gerador está conectado a
um “barramento infinito”, ou seja, uma fonte de tensão ideal com amplitude
de tensão e freqüência fixa.
O circuito equivalente de um gerador sincronizado é representado na figura a
seguir. A reatância “Xs” é denominada de “reatância síncrona”, e no caso dos
geradores com rotores de pólos cilíndricos (lisos) este parâmetro é constante
na condição normal de funcionamento da máquina (regime permanente). A
resistência do enrolamento do estator é eliminada no circuito equivalente.
Imediatamente após a sincronização e acoplamento (conexão ao barramento
infinito), o gerador não fornece, nem mesmo absorve potência do barramento
infinito (sistemas). O vapor que entra na turbina é o mesmo existente
anteriormente à ação de acoplamento, e é exatamente a quantidade
necessária para acionar o rotor e suprir as perdas da turbina e do gerador.

Figura 16 - circuito equivalente de um gerador síncrono conectado a um barramento infinito (sistema) com o
correspondente diagrama fasorial; o gerador está acoplado ao sistema, mas não fornece potência.
20


Se mais vapor é fornecido à turbina poderia se esperar que o gerador
acelerasse, mas isso não é possível porque o gerador está conectado a um
barramento infinito. É como se dois objetos estivessem presos, um ao outro,
por meio de uma mola elástica. O barramento infinito está numa extremidade
da mola e se move com uma velocidade constante, e o gerador síncrono está
conectado à outra extremidade da mola, conforme figura a seguir, na qual para
a situação “a” não há potência trocada entre gerador e sistema. O que
aconteceria se mais vapor fosse fornecido à turbina, como mostra a situação
“b” da figura.

Figura 17 - gerador e sistema (barramento infinito) representado por dois objetos atados por uma mola
elástica; a) nenhuma potência trocada entre gerador e sistema (situação da figura 16), e b) o gerador injeta
potência à sistema (situação da figura 18).

O torque mecânico suprido ao eixo do gerador pela turbina tenta acelerar o
gerador, mas somente estende sensivelmente a mola que está presa ao
barramento infinito, e toda a energia extra é transformada em energia elétrica
e absorvida pela carga, ou seja, a máquina fornece potência à sistema. Análogo
à extensão da mola, a força eletromotriz interna do gerador (Eg) adianta-se à
tensão terminal (V
t
).

Figura 18 - circuito equivalente de um gerador síncrono conectado a um barramento infinito (sistema) com o
correspondente diagrama fasorial; o gerador fornece potência ao sistema.
21


A amplitude da tensão interna do gerador E
g
é função da corrente de campo I
f
,
a qual é controlada pelo regulador de tensão do gerador. Na figura anterior, E
g

está adiantada em relação à tensão terminal (V
t
) por um ângulo o, denominado
“ângulo de potência”. Como conseqüência, corrente e potência são fornecidas
ao sistema. Pela Lei de Kircchoff, a expressão da corrente, é dada por:

; e V
t
está na referência (0°)
onde:
I
a
: corrente ¬

[A]
E
g
: tensão interna do gerador ¬

[V]
V
t
: tensão terminal (sistema) ¬

[V]
X
s
: reatância da máquina ¬

[Ω]

A potência trifásica complexa fornecida à sistema é dada por:

Partindo desta expressão pode-se obter a expressão da potência ativa e
reativa, por meio da eliminação da variável V
t
, conforme segue:

A parte real da potência complexa (S) é a potência ativa:

ou

A parte imaginária da potência complexa (S) é a potência reativa:

22


Por outro lado, partindo da mesma expressão pode obter a expressão da
potência ativa e reativa, por meio da eliminação da variável I
a
, conforme segue:

A parte real da potência complexa (S) é a potência ativa:

ou

onde:

A parte imaginária da potência complexa (S) é a potência reativa:

ou

Uma breve análise na equação da potência ativa observa-se que o seu sinal é
determinado somente pelo ângulo de potência (o ):
a) se o > 0 ¬ P > 0, a máquina fornece potência ativa ao sistema, portanto é
um GERADOR;
b) se o = 0 ¬ P = 0, a máquina não fornece potência ativa ao sistema, portanto
é um COMPENSADOR; e
c) se o < 0 ¬ P < 0, a máquina absorve potência ativa do sistema, portanto é
um MOTOR;

Do ponto de vista do Torque, como se trata de um comportamento senoidal,
dependendo do ângulo de potência pode-se ter a máquina síncrona operando
como gerador (o = positivo) ou como motor (o = negativo), conforme figura a
seguir:
23



Figura 19 - comportamento do Torque em função do ângulo de potência para motor e gerador síncrono

Por outro lado, e de forma similar uma análise aproximada na equação da
potência reativa mostra que o seu sinal é determinado pela seguinte relação:
a) se

o

; a máquina fornece potência reativa, e está
“sobre-excitada”;
b) se

o

; a máquina não troca potência reativa com
o sistema; e
c) se

o

; a máquina absorve potência reativa, e está
“sub-excitada”.

Assim, com base nessas análises é possível construir um diagrama fasorial de
tensão projetado em eixos de potência ativa e reativa, conforme figura a
seguir:

Figura 20 - diagrama fasorial projetado em eixos de potência ativa e reativa.

Na figura observa-se que o ponto de trabalho da máquina síncrona está
indicado pelo ponto de cor preta. Portanto, esta máquina injeta ambas
potências (ativa e reativa) no sistema, e é, portanto, um gerador sobre-
excitado.
24


Para converter este diagrama fasorial de tensão em um sistema de
coordenadas de potência ativa e reativa, os fasores de tensão necessitam ser
multiplicados por

, conforme equações da potência ativa e reativa.

Figura 21 - diagrama fasorial projetado num sistema de coordenadas de potência ativa e reativa trifásica

O ponto de trabalho da máquina síncrona é indicado pelo ponto preto, e a
quantidade de potência ativa e reativa que a máquina injeta no sistema pode
ser lida facilmente no diagrama.
O gerador está limitado em sua saída e é conveniente para operação segura da
máquina no diagrama, dada uma tensão terminal constante (V
t
). A região de
operação do gerador síncrono está limitada pelo máximo aquecimento
permitido no estator (perdas joule I
a
2
.r
a
) e no enrolamento de campo (perdas
joule I
f
2
.r
f
). Estes dois limites podem ser construídos para o diagrama fasorial
conforme figura a seguir.












Figura 22 - limite de aquecimento do gerador síncrono

Onde: r
a
e r
f
são resistências do
condutor da bobina de armadura e
campo, respectivamente.
I
a
e I
f
são correntes na bobina de
armadura e na bobina de campo,
respectivamente.
25


O comprimento dos dois fasores que indicam o ponto de trabalho corresponde
à máxima corrente permitida no enrolamento de estator (I
a
) e à máxima
corrente permitida no enrolamento de campo (I
f
), pois I
f
÷

.
Assim, pode-se encontrar o limite de aquecimento girando os dois fasores ao
redor do seu respectivo ponto de origem, tal como os círculos descritos no
diagrama, conforme ilustrado na figura anterior. Na área confinada pelo
semicírculo, o máximo aquecimento permitido no estator e no enrolamento de
campo, não poderá ser excedido.
Ademais, a região de operação do gerador síncrono não está somente restrita
pelo máximo aquecimento no estator e no enrolamento de campo, mas
também por diversos outros fatores, como por exemplo, pelo limite de
estabilidade em regime permanente de funcionamento.
Como a potência ativa varia senoidalmente com o ângulo o, logo, o gerador
poderá ser carregado até o valor limite (P
max
), conhecido como o “limite de
estabilidade em regime permanente”. Quando o ângulo o torna-se maior que
90° o gerador perderia o sincronismo.

Figura 23 - potência ativa do gerador síncrono em função do ângulo o

Para uma operação num determinado ponto de trabalho, conforme figura 24 a
seguir, o ângulo de potência (o) e o ângulo do fator de potência (u) são
determinados. Os vários círculos mostrados correspondem aos diversos valores
de tensão de excitação (E
g
). O ponto de máxima potência representando o
limite de estabilidade em regime permanente é uma linha horizontal, na qual
o=90°.
26



Figura 24 – potência complexa por fase

O atual limite de estabilidade é, contudo, mais difícil de determinar em
decorrência da dinâmica do sistema de potência envolvido.
Restrição adicional na região de operação do gerador síncrono é o “limite de
potência da turbina (máquina primária)”, que se trata do valor máximo de
potência ativa gerada pela máquina, bem como o denominado “limite de sub-
exitação”, o qual fornece o limite para o menor nível de excitação quando
potência reativa é absorvida pelo sistema.
Assim, com base nos limites de operação estabelecidos para a máquina
síncrona, pode-se obter uma curva, denominada de “Curva de Capacidade”, a
qual define as regiões limites de operação da máquina síncrona (no caso como
“gerador”), conforme mostrado na figura a seguir.
27



Figura 25 - curva de capacidade de um gerador síncrono
Em resumo, a máquina síncrona não pode funcionar em todos os pontos do
interior do círculo sem ultrapassar os seus limites estabelecidos. As restrições
devem-se ao:
 aquecimento do enrolamento de campo, provocado pela corrente de
campo (I
f
);
 aquecimento do enrolamento do armadura, provocado pela corrente de
armadura (I
a
);
 limite de potência da máquina primária;
 limite de sub-excitação; e
 limite de estabilidade estático.
A parte superior do eixo vertical na Figura 25 (I quadrante) indica a potência
reativa (MVAr) suprida ao sistema, enquanto a parte inferior (IV quadrante)
indica a potência reativa (MVAr) absorvida pelo gerador. Portanto, a curva da
Figura 25 mostra três zonas de aquecimento que afetam a capacidade de
geração do equipamento. Entre os pontos:
 A-B - Curva de limite de campo: indica a capacidade do gerador quando
a corrente de campo está a um valor máximo permissível devido às
limitações térmicas dos enrolamentos de campo (r
f
).

 B-C e D–E - Curva de limite de armadura: indica a máxima corrente de
armadura permitida devido às limitações térmicas dos condutores de
armadura; a geração é limitada pelo aquecimento nos enrolamentos do
estator (r
a
).

28


 C-D - Curva de limite de potência da turbina (máquina primária), que
está relacionada à potência mecânica que o gerador poderá receber em
seu eixo por meio da turbina. O limite da fonte primária somente afeta a
potência ativa, motivo pelo qual se trata uma reta paralela ao eixo da
potência reativa.
 E-F - Curva de sub-excitação: corresponde ao menor valor de nível de
excitação (I
f(mínimo)
e conseqüentemente, E
g(mínimo)
), quando a máquina
absorve potência reativa do sistema.
 Reta horizontal passando pelos pontos (0; -3V
t
2
/X
s
) - Curva de limite de
estabilidade: indica a máxima capacidade de absorção de potência
reativa do gerador quando operando a fator de potência adiantado.

A determinação da curva de capacidade mostrada na Figura 25 é obtida para a
condição simultânea de:
(a) A-B operação sob tensão terminal constante (V
t
=c
te
) e corrente de
campo (portanto E
g
) em seu limite térmico máximo;
(b) B-C e D-E operação sob tensão terminal constante (V
t
=c
te
) e corrente
de armadura no máximo valor permitido pela limitação térmica.
A segunda condição (b) corresponde a um valor constante de potência
aparente de saída dada por:


a t
I . V . 3 Q P S
2 2
= + =

Uma potência aparente constante corresponde a um círculo centrado na
origem de um plano P=f
(Q)
, como o da Figura 25, cujo raio é 3.V
t
.I
a
. Como V
t
é
mantido constante e I
a
é considerado em seu valor limite térmico, tem-se que
a curva B-C e D-E define o limite de operação da máquina, além do qual
resultaria em sobre-aquecimento do estator.
Consideração semelhante pode ser feita para a primeira condição (a) de
operação. Um círculo centrado em P = 0 e Q = -3.V
t
2
/X
S
, e com raio igual a
3.V
t
. E
g
/X
s
determina o limite de aquecimento do enrolamento de campo na
operação da máquina.
“...é comum especificar o valor nominal (potência aparente e fator de
potência) da máquina como sendo o ponto de interseção das curvas limites de
aquecimento de armadura e campo”.
29


Se uma unidade opera além de sua capacidade especificada, o excesso de calor
no estator e no rotor fará com que o isolamento dos enrolamentos se deteriore
com rapidez. Isolamento exposto ao calor intenso torna-se quebradiço,
apresenta fissuras e pode eventualmente transformar-se em material
condutor.
Um Regulador Automático de Tensão monitora a tensão terminal do gerador e
controla sua excitação para manter a tensão nos terminais dentro de uma faixa
especificada de tensão. O gerador é protegido de gerar e absorver potência
reativa além de sua capacidade através da proteção de super e subexcitação.


8. O CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO - CAG

Um Controle Automático de Geração - CAG regula a velocidade e potência de
saída do gerador para garantir uma freqüência do sistema constante sob
condições normais de operação.

Figura 26 - sistema de Controle da Geração Hidráulica.

O regulador de velocidade (RV) controla a “velocidade do gerador” para que
seja mantida constante, atuando sobre o registro (válvula) para controle do
fluxo de entrada de água.
De acordo com a Figura 11 a equação do gerador síncrono operando em estado
permanente é dada para qualquer corrente de carga por:

30


Dependendo da impedância da carga, a corrente I
a
em cada fase de um
gerador síncrono pode ser atrasada, em fase, ou adiantada da tensão terminal
V
t
.
Considerando um gerador ligado a um “barramento infinito” em que V
t
é
mantida constante, a magnitude da tensão gerada E
g
é controlada regulando a
excitação do campo CC. À medida que a magnitude do campo de excitação CC
aumenta, a tensão gerada E
g
e a potência reativa de saída aumentam. Um
limite na capacidade de potência reativa de saída é alcançado quando a
corrente de campo CC (I
f
) atinge seu valor máximo permissível. Quando o
gerador está suprindo potência reativa ao sistema, o gerador está operando a
um fator de potência atrasado – o gerador vê o sistema como se fosse uma
carga indutiva. Se a magnitude da f.e.m. gerada excede a tensão terminal, o
gerador é dito estar operando no modo obre-excitado. Ainda, pode ocorrer um
sobreaquecimento do rotor quando operando a um fator de potência atrasado.
À medida que o campo de excitação CC (I
f
) diminui a magnitude da f.e.m
gerada diminui até igualar-se à tensão terminal. Sob estas circunstâncias, o
gerador é dito estar operando a uma excitação normal aproximadamente a um
fator de potência unitário.
Se a excitação de campo CC (I
f
) é diminuída ainda mais, o gerador iniciará a
absorver potência reativa do sistema. O gerador estará operando com um fator
de potência adiantado. Nestas circunstâncias, a magnitude da f.e.m gerada é
inferior à da tensão terminal, e o gerador estará operando no modo
subexcitado. A capacidade do gerador em manter sincronismo sob estas
condições é enfraquecida dada que a corrente de excitação é pequena.
Portanto, a capacidade de produzir ou absorver reativos é controlado pelo nível
de excitação. Aumentando-se a excitação, aumentam os reativos produzidos.
Reduzindo-se a excitação, diminuem os reativos produzidos e o gerador
passará a absorver reativo do sistema. Por convenção, os reativos supridos pelo
gerador recebem sinal positivo, ao passo que os reativos absorvidos recebem
sinal negativo.
As condições acima expostas podem ser representadas graficamente na Figura
27.
31



Figura 27 - gerador síncrono conectado a barramento infinito operando
Sobre-excitado, normal e subexcitado, respectivamente.

Tem-se, portanto, a seguinte regra de grande importância:
- uma máquina síncrona sobre-excitada (funcionando como motor ou
como gerador) produz potência reativa e age como se o sistema fosse
uma carga indutiva (absorvedor); sob o ponto de vista do sistema, o
gerador é como um capacitor em paralelo; e
- uma máquina subexcitada, ao contrário, consome potência reativa do
sistema e, conseqüentemente, age como se o sistema fosse um
capacitor; sob o ponto de vista do sistema, o gerador é como uma
bobina em paralelo.
Todos os equipamentos apresentam um limite de capacidade de transporte de
energia. Na determinação das limitações de potência de um equipamento é
necessário levar em conta tanto a produção de potência ativa (MW) quanto a
potência reativa (MVAr), pois os geradores possuem curvas de capacidade que
delimitam sua região de operação.
Por outro lado, conforme já foi mencionado, uma máquina pode operar como
um gerador síncrono ou como motor síncrono, dependo das condições de
alimentação e acionamento da mesma, isto é, se acionada por uma turbina,
então ela será um gerador, enquanto que, se alimentada por um sistema
elétrica, ela disponibilizará um torque no eixo e será, portanto, uma operação
como a de um motor.


32



Figura 28 - diagrama de Potências “P-Q” para máquinas síncronas.

Essas considerações realçam e se prendem apenas à parte de Potência Ativa
que envolve a operação dessas máquinas. Entretanto, o fluxo magnético criado
no campo está diretamente vinculado ao valor da Potência Reativa fornecida
pela máquina, e a relação entre essas duas potências é fundamental para efeito
de análise e determinação de níveis limítrofes que orientam os ajustes dos
relés de proteção da mesma.
Para que esses procedimentos possam esclarecer e auxiliar a interpretação das
condições operativas dessas máquinas, recorre-se então aos diagramas P-Q
(figura 28), bem como, às curvas de capacidade da máquina síncrona. Observe
que nos quadrantes I e IV tem-se a máquina síncrona operando como gerador,
sobre e sub-excitado respectivamente, enquanto que no II e III quadrante
tem-se a máquina síncrona operando como motor sobre-excitado e sub-
excitado, respectivamente.
Portanto, a passagem de operação do I para o II quadrante, pode representar
um processo de motorização de um gerador, colocando-o em operação como
um motor sobre-excitado (situação análoga a de um capacitor – gerador de
reativo capacitivo para o sistema), enquanto que, uma passagem do I para o IV
quadrante, pode representar uma perda de excitação dessa máquina síncrona,
por exemplo, um curto-circuito no campo, uma abertura do disjuntor de
campo, um problema na excitatriz (regulador de tensão), etc.
Observa-se ainda que nessa condição representada pelo quadrante IV, a
máquina síncrona ainda continua operando como gerador, porém a natureza
operativa agora é capacitiva, uma vez que com a perda de seu próprio campo,
33


há a necessidade de se buscar o reativo no sistema; outras implicações
decorrem com a perda de campo da máquina, tais como o aumento de
corrente estatórica e conseqüente aumento de sua temperatura, e ainda,
observa-se que a máquina tem tendência a se disparar, através da abertura do
ângulo do rotor, isto é, a máquina síncrona perde o sincronismo com o sistema
e como conseqüência, se transforma em um gerador de indução, até que a
proteção de velocidade comande o seu desligamento do sistema.


9. MECANISMO CARGA FREQÜÊNCIA

Aqui se pretende examinar as razões pela qual a freqüência de um sistema
tende a variar. A freqüência está intimamente relacionada com o balanço de
potência ativa no sistema inteiro. Sob condições normais de funcionamento, os
geradores do sistema giram em sincronismo, e, juntos geram a potência que, a
cada instante está sendo consumida por todas as cargas, mais as perdas ativas
de transmissão. Estas consistem em perdas ôhmicas nos vários componentes
de transmissão, em perdas por efeito corona nas linhas, e em perdas nos
núcleos dos transformadores e geradores.
Deve-se lembrar que a energia está sendo transmitida com a velocidade da luz,
e, uma vez que ela não está sendo armazenada em nenhuma parte do sistema,
concluímos que a taxa de produção de energia deve ser igual à taxa de
consumo mais as perdas do sistema.
Deve-se ressaltar que o funcionamento sincronizado dos geradores representa
um estado estável do sistema. Com a velocidade do gerador “amarrada” com a
do restante do sistema pode-se controlar a geração de potência ativa,
controlando o conjugado aplicado ao gerador, pela máquina motriz (turbina).
Abrindo as entradas de água (caso de geração hidráulica) e, portanto,
aumentando a pressão sob as lâminas da turbina, aplica-se um conjugado
maior ao gerador, tendendo a acelerá-lo. No entanto, a sua velocidade está
pressa a do resto do sistema e o que ocorre é que o rotor avança seu ângulo de
rotação de uns poucos graus. Isso resulta no aumento na corrente e na
potência fornecidas e, ao mesmo tempo, a corrente cria um conjugado de
34


desaceleração no interior da máquina, que é exatamente oposto ao aumento
do conjugado de aceleração.
No interior de cada gerador tem-se, assim, um delicado mecanismo automático
de balanceamento de conjugado. Se esse balanceamento fosse perfeito em
todos os geradores, suas velocidades e, portanto, a freqüência permaneceria
constante. A maneira ideal de operar o sistema seria a regulagem de todas as
entradas de água, em valores que correspondam exatamente à demanda da
carga.
Mas todavia, a carga do sistema pode ser prevista apenas dentro de certos
limites. Suas flutuações são tais que se torna realmente impossível conseguir
um perfeito equilíbrio instantâneo entre a geração e demanda, e esse
constante desequilíbrio causará flutuações de freqüência.

1

1. INTRODUÇÃO Três tipos de máquinas síncronas são utilizados em sistemas de energia elétrica: geradores, motores e compensadores síncronos. Praticamente toda a potência ativa consumida no Sistema Elétrico de Potência é gerada por meio de geradores síncronos. A utilização de motores síncronos é menos difundida. Já os compensadores síncronos são utilizados na compensação de potência reativa, pois essas máquinas operam com potência ativa nula, ou seja, não são geradores nem motores. Máquinas síncronas são utilizadas, primariamente, como geradores de potência elétrica; neste caso elas são denominadas de “geradores síncronos” ou “alternadores”. Elas são usualmente grandes máquinas geradoras de potência elétrica instaladas em plantas (usinas) hidrelétricas, nucleares ou termelétricas. Os geradores síncronos são acionados por turbinas hidráulicas ou a vapor. No caso das turbinas hidráulicas, a fonte primária de energia é a energia potencial armazenada nos reservatórios. No caso das turbinas a vapor, a fonte primária de energia é utilizada na produção do vapor, o que pode ser feito por queima de combustível (carvão, óleo, gás, renovável ou nuclear). As usinas hidráulicas utilizam barragens para elevar o nível da água e garantir a pressão necessária para mover as turbinas. As barragens podem também ter o papel de formar reservatório de acumulação e podem ter longos períodos de operação (ciclos multianuais de captação e de depleção, como é o caso do reservatório de ilha solteira, por exemplo). Existem também as chamadas usinas tipo “fio d’água”, nas quais a capacidade de armazenagem de água é limitada (ciclos diários de operação, por exemplo). Não existe, entretanto, relação direta entre a capacidade de geração instalada em uma usina e a capacidade de armazenagem de energia em seu reservatório: Itaipu, por exemplo, uma das maiores usinas em operação, tem um reservatório tipo “fio d’água”. O custo de operação de usinas hidráulicas é relativamente barato quando comparados com a maioria dos outros tipos de usinas que queimam algum tipo de combustível. Já os investimentos necessários são relativamente elevados, e considerando-se que capital é um bem escasso e de custo elevado, pode-se avaliar as dificuldades de se desenvolver um sistema nesse tipo de aproveitamento. Os geradores síncronos acionados por turbinas hidráulicas usualmente são de pólos salientes e funcionam em rotações relativamente baixas quando comparados com turbinas a vapor, o que reflete num elevado número de pólos em alguns geradores de pólos salientes.

2

As usinas térmicas utilizam vapor produzido em caldeiras que queimam algum tipo de combustível. No caso do carvão, por exemplo, a energia primária está originalmente na forma de energia potencial química e é transformada, pela queima, em energia térmica do vapor aquecido e em alta pressão que, por sua vez, produz energia mecânica de rotação ao passar pelas aletas da turbina. Desse ponto de vista, não existe grande diferença entre os vários tipos de fonte primária utilizados na produção de vapor, pois, até mesmo no caso das usinas nucleares, esse mecanismo básico continua válido. Os geradores síncronos acionados por turbinas a vapor normalmente têm pólos lisos e funcionam em rotações relativamente altas quando comparados com turbinas hidráulicas, e conseqüentemente fazendo-se com que o número de pólos seja relativamente menor que no caso de turbinas hidráulicas. O torque mecânico no eixo de uma máquina síncrona se deve à interação de dois campos magnéticos girantes. Um desses campos é produzido pela corrente no enrolamento de campo que se move a uma velocidade constante (localizado no rotor da máquina síncrona), e o outro campo girante é produzido pelas correntes trifásicas nos enrolamentos da armadura (fixos no estator). A potência no eixo é medida pelo produto da velocidade angular do rotor pelo torque [P = ω. T]. No caso do gerador, o torque mecânico é fornecido pela turbina. No caso do motor, o eixo da máquina é que fornece um torque a uma carga mecânica ligada ao seu eixo. A geração de energia elétrica em grandes blocos processa-se pela ação de máquinas rotativas que acionadas mecanicamente por uma máquina primária (turbina hidráulica, a vapor, a gás, ou máquina de combustão interna, ou turbina eólica) produzem através de campos de indução eletromagnéticos, uma onda senoidal de tensão com freqüência fixa e amplitude definida pela classe de tensão do gerador. Uma máquina síncrona gira numa velocidade constante em condições de regime permanente. Diferentemente das máquinas assíncronas, o campo girante no entreferro e no rotor giram na mesma velocidade, e é denominada “velocidade síncrona”. A palavra “síncrona” significa que o campo girante no entreferro tem a mesma velocidade angular que a do rotor. A freqüência da tensão induzida é diretamente proporcional ao número de pólos e a velocidade de rotação do rotor. A freqüência é determinada por:

similar a uma máquina de indução trifásica. 2.3 Onde: f: freqüência elétrica [Hz] n: velocidade síncrona [RPM] p: número de pólos da máquina. Como a armadura é constituída por um enrolamento trifásico uma força eletromotriz (FEM) variável no tempo é gerada pelo campo magnético. é denominado de “enrolamento de armadura” ou “enrolamento de estator”. denominado “enrolamento de campo”. produz um fluxo magnético constante por pólo. e é designado para tensões e correntes alternadas elevadas. um campo magnético girante aparece no entreferro da máquina. que age como um eletroímã. ou armadura e rotor. O rotor é equipado com um enrolamento excitado com corrente contínua DC. entre o rotor e a armadura. o qual é conectado a um sistema de suprimento AC. uma máquina síncrona é composta de duas partes: estator. ASPECTOS CONSTRUTIVOS Basicamente. com base nos princípios da Lei de Faraday. O enrolamento do estator. O estator de uma máquina síncrona trifásica tem um enrolamento trifásico distribuído. . ou seja. por meio de anéis deslizantes e escovas. Quando o rotor gira e o enrolamento de campo é excitado com corrente contínua.

. poucas centenas de RPM. Com relação a seu rotor. respectivamente).estrutura básica de uma máquina síncrona trifásica. as máquinas síncronas são construídas com dois tipos de rotores: “rotor cilíndrico” ou de “pólos lisos” que são acionados por turbinas a vapor com velocidade de 3. O ponto preto indica que o sentido positivo da corrente está dirigido para fora do plano do papel. o neutro é aterrado neste tipo de ligação sendo este aterramento feito através de uma resistência ou reatância cuja finalidade é a de reduzir a corrente de curto circuito.gerador trifásico elementar a) rotor cilíndrico de dois pólos. e b) rotor de pólos salientes de quatro pólos.4 A estrutura básica de uma máquina síncrona está ilustrada a seguir: Figura 01 . A cruz indica que o sentido positivo da corrente está dirigido para dentro do plano do papel. em baixa velocidade. e o “rotor de pólos salientes” que são usualmente acionados por turbinas hidráulicas. conforme mostrados na figura 02 a seguir: Figura 02 .000 rpm ou 3. Geralmente. A ligação “estrela” é utilizada na maioria dos geradores dos sistemas de energia elétrica.600 rpm (50 ou 60Hz. Os enrolamentos de armadura de um gerador trifásico podem ser associados em estrela ou triângulo.

são usados em geradores de grande potência (várias centenas de MW) e são geralmente acionados por turbinas a vapor de alta velocidade (turbo-geradores). geralmente com mais de 50 para garantir uma freqüência de 60 Hz. . Já os rotores de “pólos salientes” têm enrolamentos concentrados nos pólos e um entreferro não uniforme. e um entreferro essencialmente uniforme. São rotores longos e têm um pequeno diâmetro. Figura 03 .5 Os “rotores cilíndricos”.geradores síncronos com rotor de pólos lisos de alta velocidade. e isso torna a máquina adequada para operar com velocidade de 3.2m. No caso de um rotor girando a 3600 rpm.000MVA a 1. Pelo fato de operarem com baixa velocidade rotacional possuem um grande número de pólos.000 rpm (50 Hz) ou 3. a qual impõe um limite superior ao diâmetro do rotor. Para isso os rotores de alta potência.600 rpm (60 Hz). o que implica num grande diâmetro para prover o espaço necessário ao acondicionamento dos pólos. construídos com dois ou quatro pólos.5 metros. conforme figura 03. usualmente entre 1 e 1. A alta velocidade de rotação do rotor produz alta força centrífuga. ou de “pólos lisos”. têm um enrolamento de campo distribuído em ranhuras construídas axialmente ao longo do comprimento do rotor. Por outro lado. alta velocidade são bastante longos. o limite elástico do aço impõe um diâmetro máximo de 1.500MVA) o volume do rotor tem de ser grande. Esses rotores. para construir geradores de elevada potência (1. conforme figura 04.

.................... ..........................000 V Velocidade nominal:..F Corrente nominal: ......... porque pontos quentes de temperatura afetam o ciclo de vida da isolação elétrica......... A evolução dos grandes ............ A refrigeração equaliza a distribuição da temperatura no gerador. essa máquina precisa ser refrigerada...........95 Freqüência: ........ produz 6 MW de calor.......Síncrono Vertical....................679 A Fator de potência: .............109........ Isto significa que para uma máquina de 600 MW que possui essa eficiência........... O hidrogênio ou a água fluem através de cavidades específicas no interior dos enrolamentos do estator.............................6 Fabricante...............18.....66 A eficiência dos geradores é muito importante.......1 rpm Número de pólos:..........................................16......... O hidrogênio tem sete vezes a capacidade de calor em relação ao ar...... Os rotores de pólos salientes são em geral acionados por turbinas hidráulicas (hidro-geradores) de baixa velocidade (entre 50 e 300 rpm) a fim de extrair a máxima potência de uma queda d’água............. Dados do Gerador Síncrono da Usina Xingó-CHESF: Tipo: ..................... portanto.........60 Hz Tensão entre fases:......... Geradores síncronos em plantas de potência podem atingir 99% de eficiência............. Quantidade: ......... e a água doze vezes...............geradores síncronos com rotor de pólos salientes de baixa velocidade (estator e rotor).............................................Siemens Potência instalada de cada unidade: .................................0.......527 MW Classe de isolamento rotor: ...........................6 Figura 04 ...........................F Classe de isolamento do estator: ............. Grandes turbo-geradores em plantas térmicas são refrigerados por meio de hidrogênio ou água.........................

ou motor de indução). e são denominadas de “tensão de excitação (Eg)”. . Conforme já comentado.7 turbo-geradores tem sido determinada por melhores materiais e técnicas de refrigeração sofisticadas. bb’ e cc’. e que o rotor seja acionado por uma máquina primária (turbina ou motor diesel ou DC. produziria. então. conforme figura 05b. tem a mesma magnitude. Figura 05 – tensão de excitação em máquinas síncronas. e um bom sistema de ar refrigerado com trocadores de calor. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DOS GERADORES SÍNCRONOS Conforme a figura 05a. onde: “n” é a velocidade do rotor [rpm]. usualmente é empregado em geradores de baixa velocidade. variações pelos enrolamentos do estator aa’. haveria a indução de tensões em seus terminais. será estabelecido um fluxo senoidal distribuído no entreferro. O fluxo girando. a velocidade do rotor e a freqüência da tensão induzida são relacionadas por: . e como conseqüência. um campo girante estabelecido por um fluxo é produzido no entreferro. Já os geradores de baixa velocidade em plantas hidráulicas são sempre maiores que máquinas de alta velocidade de igual potência em plantas de térmicas. “p” é o número de pólos e “f” é a freqüência *Hz+. mas estão defasadas de 120° elétricos. porque ele é produzido por uma corrente de excitação contínua (If). Estas tensões induzidas. Este campo é denominado “campo de excitação”. ou seja. 3. e assumindo que uma corrente de campo (If) flua através do enrolamento de campo do rotor.

logo: A tensão de excitação é proporcional à velocidade da máquina e ao fluxo de excitação. e pode ser medida usando um voltímetro. A freqüência de Ia será a mesma que a da tensão de excitação Eg . A curva mostrada na figura 06 é conhecida como “curva característica de circuito aberto – CCA” ou “característica de magnetização” da máquina síncrona. a tensão de excitação é a mesma que a tensão do terminal. fluirá uma corrente Ia pelo estator.característica de circuito aberto (CCA) ou de magnetização de uma máquina síncrona. mas caso a corrente de campo continuar a ser incrementada chegará um ponto em que o fluxo Øf deixará de aumentar linearmente com a corrente de campo (If) por causa da saturação do circuito magnético. As correntes estatóricas fluirão nos enrolamentos trifásicos. Inicialmente. N e Kw são constantes. as quais estabelecerão um campo magnético girante . Se o terminal da máquina for mantido aberto. tem-se: E como p. A variação da tensão de excitação com a corrente de campo é mostrada na figura 06. “N” é o número de espiras do enrolamento para cada fase. o qual depende da corrente de excitação (If). Figura 06 . e “Kw”é o fator de enrolamento.8 O valor eficaz da tensão de excitação é dado por: Onde: “Øf” é o fluxo por pólo para uma corrente de excitação. Se os terminais do estator da máquina (figura 01c) estão conectados a uma carga trifásica. a tensão aumenta linearmente com a corrente de campo. A tensão induzida para If =0A é decorrente do magnetismo residual. Das equações anteriores.

Corrente de excitação nominal [A]. Freqüência nominal [Hz]. O diagrama fasorial para estes fluxos é mostrada na figura 07. Sendo Øf o fluxo decorrente de If e Øa o fluxo decorrente de Ia . Tensão nominal [ kV]. Figura 07 . conforme citado. possui uma série de parâmetros a serem especificados. A fmm Fa (decorrente de Ia ) e o fluxo Øa produzido pela fmm Fa estão ao longo do mesmo eixo. O fluxo no entreferro é resultante dos fluxos produzidos pela corrente rotórica If e pela corrente estatórica Ia. REGIMES DE OPERAÇÃO – PARÂMETROS Uma máquina como tal. Considerando-se que o núcleo não irá saturar o fluxo resultante Ør é a soma vetorial dos fluxos Ff e Fa . então: Ør = Øf + Øa = fluxo resultante no entreferro (em condição de não saturação do núcleo). conhecido como “fluxo de reação de armadura”. Fator de potência nominal. A fmm do campo do rotor Ff (decorrente de If ) e o fluxo Øf produzido pela fmm Ff estão representadas ao longo da mesma linha. assim como a corrente Ia . Entre os vários que acompanham tal procedimento. Classe de Isolação [kV].f/p. A tensão induzida Eg está atrasada de 90° em relação ao fluxo Øf e a corrente estatórica Ia está atrasada θ graus em relação à tensão Eg .9 no entreferro.diagrama fasorial 4. . podemos mencionar aqui alguns dos principais. durante o seu projeto construtivo. tais como:        Potência nominal [ kVA ]. Pode-se notar que a resultante e a componente dos fluxos no entreferro giram na mesma velocidade dada por n = 120. Corrente nominal [A].

Se eventualmente. a carga por ela atendida. a corrente instantaneamente se elevará a valores muito maiores que a nominal justificada por uma variação brusca do fluxo interno da máquina síncrona e conseqüente uma mudança do comportamento interno da mesma.RP. sejam eles terminais ou não. de curto-circuitos. um valor transitório.10    Tensão nominal de excitação [V]. onde podem ocorrer entradas e saídas de cargas de valores expressivos. Assim. portanto. ocorrer um curto-circuito próximo aos terminais da máquina síncrona haverá então. também uma redução no valor da reatância que a representa nessas condições. os parâmetros representativos da máquina síncrona são diferentes. Reatância síncrona nominal para os diferentes regimes de trabalho (Permanente . fluxo de carga. isso pode induzir a pequenas oscilações na operação da máquina síncrona e nesse caso. ou ainda. Assim sendo. Existem vários modelos que permitem se fazer tais representações. Porém. um corte brusco da carga atendida e. para as máquina síncrona de pólos lisos ou pela modelagem das duas reatâncias Xd e Xq para as máquina síncrona de pólos salientes. rotórico (excitação). durante os estudos de representações de máquinas para efeitos de cálculos de estabilidade. reduzindo o nível de permeabilidade magnética do ferro e conseqüente queda no valor da indutância acarretando. ou então. etc. portanto a reatância que a representará nesse caso será a reatância síncrona nominal (Xs). . Esse procedimento será adotado na representação da máquina síncrona durante os estudos de Fluxo de Potência em Regime Permanente (RP). esta máquina síncrona estiver operando interconectada com outras num barramento comum (usinas). ligeiramente inferior à anterior Xs e que será usada nas simulações dinâmicas de sistemas envolvendo oscilações transitórias em redes. mecânico (turbina). interligadas através de uma barra de sincronismo com outras fontes externas (concessionárias indústrias) estabelecendo situações de paralelismo remoto. Limites operacionais: estatórico (térmico). negativo. pelas relações estabelecidas pela teoria das componentes simétricas (positivo. esta máquina síncrona pode estar operando em condições tais que. Transitório .RT e Sub-transitória . se durante tal operação. seja definida em Regime Permanente (RP). a reatância que a representa. mesmo nível de tensão. em concordância com os seus valores nominais e. Essa reatância é denominada de reatância sub-transitória (X”s) e é a que representa a máquina síncrona nas condições críticas de curto-circuito. largamente usadas em estudos de operação desequilibrada da máquina síncrona. não é mais a síncrona e sim.ST). portanto. denominado de reatância transitória (X’s). zero). como as clássicas modelagens por componentes de fases.

Como se trata de regime permanente os transitórios ocorridos tanto no circuito de excitação como no enrolamento amortecedor são desprezados. Trata-se como em outros casos de um modelo fase-neutro (monofásico). Este modelo é usado para analisar o funcionamento em regime permanente tanto em motor. vai circular por ele uma corrente que será responsável por perdas por efeito Joule na resistência do próprio enrolamento.diagrama esquemático de uma máquina síncrona – gerador. e também pela existência de fugas magnéticas em torno dos condutores. 5.o circuito equivalente por fase de um gerador síncrono sob condição de regime permanente. abaixo: Figura 08 . A tensão Eg induzida pelo fluxo do enrolamento de campo (freqüentemente referida como tensão gerada ou tensão interna) pode ser obtida da derivada do fluxo em relação ao tempo. pode-se resumir essa modelagem conforme mostrado na Figura 08. Estes efeitos. levam-nos ao modelo de circuito equivalente.11 De forma mais simplificada. semelhantes aos que se verificavam para outros tipos de máquinas. Figura 09 . CIRCUITO EQUIVALENTE DA MÁQUINA SÍNCRONA Se o circuito de armadura for fechado por meio de uma carga. multiplicada pelo número de espiras do . como em gerador.

12 enrolamento. Com essa escolha de sentidos de correntes de referência para a corrente do estator a equação torna-se: Figura 11 . Assim. e “Kw”é o fator de enrolamento. Conforme figura 10. lembrando-se que o fluxo magnético tem um comportamento senoidal [Ø(t)=Ømáx sent]: Conseqüentemente. o sentido de referência do tipo gerador é definido como sendo o sentido de referência do fasor corrente (Ia). conforme já abordado.circuito equivalente de máquina síncrona com o sentido de referência do tipo gerador e respectivo diagrama fasorial. o valor eficaz da tensão induzida é dado por: onde: “Øf” é o fluxo por pólo para uma corrente de excitação. com seu respectivo diagrama fasorial.circuito equivalente de máquina síncrona com o sentido de referência do tipo motor e respectivo diagrama fasorial. “N” é o número de espiras do enrolamento para cada fase. Deve-se observar que a figura e a equação abaixo foram escritas com o sentido de referência de Ia tomado como positivo quando a corrente está entrando nos terminais da máquina. conforme figura 11. tomado como positivo. quando a corrente está saindo dos terminais da máquina. a seguir. Isso é conhecido como sentido de referência do tipo motor para a corrente. Figura 10 . Alternativamente. . um circuito equivalente em notação complexa está mostrado na figura a seguir.

intuitivamente talvez seja mais satisfatório escolher o sentido de referência em que a corrente flui para dentro da máquina. a corrente real é a mesma. normalmente se despreza a resistência do próprio enrolamento (Ra) sem que alterações significativas sejam inseridas no resultado da análise.13 Observe que essas duas representações são equivalentes. O sinal de Ia será determinado simplesmente pela escolha do sentido de referência. na análise do funcionamento de um motor. não dependendo se a máquina síncrona sob análise está operando como motor ou como gerador. e a partir deste ponto do texto. O BARRAMENTO INFINITO Geradores síncronos são raramente usados como fonte de suprimento de carga individual. Nesse caso. . Como resultado. quando se analisa uma dada condição de operação em particular de uma máquina síncrona. Em sua maioria. como a potência tende a fluir para dentro dele. também é verdadeiro quando se analisa a máquina operando como gerador. conforme figura 12. Ambas as operações são aceitáveis. é o que em geral será usado. Circuito equivalente simplificado por fase de Gerador Síncrono para Ra = 0. são conectados a um sistema de suprimento de potência conhecido como Barramento Infinito. o sentido de referência do tipo “gerador” é mais comum. Estes geradores. a potência tende a fluir para fora da máquina. Pelo fato de um grande número de geradores síncronos estarem conectados juntos a tensão e a freqüência do barramento infinito raramente mudam. 6. em geral. Figura 12. pois. O oposto. No entanto. Para efeito de facilidade de cálculo. as técnicas de análise de máquinas síncronas apresentadas foram desenvolvidas inicialmente para analisar o desempenho dos geradores síncronos em sistemas elétricos de potência.

No entanto. geralmente da ordem de centenas de kV. comercial e industrial.parte de um barramento infinito A transferência da energia produzida nas plantas de potência (usinas hidrelétrica. A operação de conexão de um gerador síncrono ao barramento infinito é conhecida como “paralelismo com o barramento infinito”. a geração de energia elétrica em potência elevada é efetuada por meio de geradores síncronos a um nível de tensão relativamente baixo. com a mesma freqüência e seqüência de fase. para que a energia possa ser transmitida aos centros de consumo. da ordem de 15 kV.14 Cargas são derivadas do barramento infinito para vários centros de cargas. Antes que se estabeleça o paralelismo do gerador síncrono com o barramento infinito. por exemplo) até o consumidor final é realizada por meio de linhas de transmissão a um nível de tensão elevado. Nas plantas de potência os geradores síncronos são conectados ou desconectados do barramento infinito dependendo da demanda de potência solicitada pelo sistema (consumo). onde haveria a redução deste nível de tensão para níveis compatíveis com o consumo residencial. bem como. . de forma a obter maior eficiência no processo de transmissão. Um barramento infinito típico é mostrado na figura 13. Figura 13 . é necessário que ambos estejam com o mesmo nível de tensão e ângulo de fase. Um transformador de potência elevada é utilizado para elevar o nível de tensão de saída do gerador de forma a compatibilizá-la ao nível de tensão do barramento infinito.

15 Nas plantas de potência estas condições são verificadas por um instrumento conhecido como “sincronoscópio”. isto é. quase a mesma freqüência) e passa pelo ponto de fase zero (posição superior vertical) o disjuntor é fechado e o gerador síncrono é conectado ao barramento infinito. conforme figura 14 a seguir: Figura 14 – sincronoscópio Figura 15 – diagrama esquemático para paralelismo de um gerador síncrono com um barramento infinito usando lâmpadas de sincronismo A posição do ponteiro do instrumento mostra a diferença entre o ângulo de fase da tensão do gerador a ser conectado e do barramento infinito. se a sua freqüência é maior ou menor que a do barramento infinito. Num laboratório tal quadro de lâmpadas pode ser usado para demonstrar o que acontece se essas condições não são plenamente satisfeitas. A correta seqüência de fase é predeterminada. poderia produzir uma situação desastrosa. Quando o ponteiro do indicador move lentamente (isto é. . pois caso não ocorra a correta conexão. Um quadro de lâmpadas adequadamente conectadas pode ser usado para verificar se a condição de paralelismo do gerador com o barramento infinito é satisfeitas. O sentido do movimento do ponteiro indica se o rotor do gerador síncrono a ser conectado está girando numa velocidade rápida ou lenta.

Examinando-se o efeito das lâmpadas quando as condições adequadas não são satisfeitas é possível efetuar uma análise do comportamento dos parâmetros do gerador síncrono frente ao barramento infinito. mas freqüências e seqüências de fases iguais: Referente à figura abaixo. EAa. e se as freqüências não são exatamente a mesma as lâmpadas se acenderão e se apagarão em degraus. EB . a máquina primária deve ser ajustada para 1. com efeitos sobre as lâmpadas de sincronismo. Ec : representam a tensão fasorial do gerador síncrono a ser conectado. As tensões nas lâmpadas (EAa . Para fazer as tensões iguais. a mesma que a do barramento infinito. Eb. Ec) giram com a mesma velocidade. ECc : representam a tensão fasorial das lâmpadas de sincronização. EC : representam a tensão fasorial do barramento infinito.800 rpm para que a freqüência seja de 60 Hz. . O fenômeno pode ser explanado por meio dos diagramas fasoriais das tensões do gerador a ser conectado e do barramento infinito.9. EB. Se a seqüência de fase estiver correta todas as lâmpadas terão o mesmo brilho. A máquina primária pode ser um motor DC. ou um motor de indução. Ea.16 A figura 15 mostra o diagrama de ligação montado em laboratório para esse propósito. EC e Ea . Eb . A corrente de campo If poderá. Conforme diagrama da figura 6. EBb. a corrente de campo If deve ser ajustada. então. as quais serão descritas a seguir: a) Tensões diferentes. conseqüentemente as três lâmpadas brilham com a mesma intensidade. a seguir: EA. ambos fasores tensão (EA . EBb . ECc) têm a mesma magnitude e. ser ajustada para que os dois voltímetro (V1 e V2) mostrem o mesmo nível de tensão. A magnitude destas tensões representa o brilho das correspondentes lâmpadas. se o gerador síncrono tem 4 pólos. Ela pode ser ajustada para uma velocidade tal que a freqüência do gerador síncrono seja a mesma que a do barramento infinito. Por exemplo. pode-se analisar diferentes situações entre a máquina síncrona a ser conectada e o barramento infinito.

ajustes simultâneos da corrente de campo If também serão necessários de forma que as tensões sejam iguais. EB e EC estarão adiantados em relação aos fasores Ea. as quais brilharão com a mesma intensidade. mas tensões e freqüências iguais: As seqüências de fases das tensões do barramento infinito (EA. Assumindo que no instante t=t1 as tensões estão em fase. é necessário permutar dois terminais de conexão. Isso pode ser notado à medida que a velocidade da máquina é ajustada. Para fazer as freqüências iguais. as lâmpadas brilharão e apagarão em step (degrau). Portanto. fazer a seqüência de fase A-B-C (seqüência direta ou positiva) tanto na máquina quanto no barramento infinito (figura 15). Eb e Ec) estão mostradas na figura a seguir. a sua tensão mudará simultaneamente. Se f1 > f2 . logo as tensões nas lâmpadas correspondem a zero volts. pois as freqüências são diferentes. Eb e Ec . um conjunto de tensões fasoriais passará o outro conjunto de tensões fasoriais. mas tensões e seqüências de fases iguais: Os dois diagramas de tensões fasoriais giram com diferentes velocidades. a velocidade do rotor da máquina síncrona a ser conectada ao barramento infinito tem que ser ajustada até que as lâmpadas acendam e apagam muito lentamente. brilharão com intensidades diferentes. e como conseqüência. ou seja. portanto. em step. elas estão apagadas. As tensões sobre as lâmpadas são diferentes e. Para fazer as seqüências de fases iguais. os fasores EA. c) Seqüências de fases diferentes. e as lâmpadas acenderão e apagarão em step. é evidente que se as freqüências são diferentes.17 b) Freqüências diferentes. Se as freqüências são ligeiramente diferentes. EB e EC) e da máquina síncrona a ser conectada (Ea. t=t2. implicando-se no aparecimento de tensões iguais sobre as três lâmpadas. Portanto. no instante seguinte. por exemplo. .

Para igualar as fases das tensões. e as lâmpadas brilharão com a mesma intensidade. freqüências e seqüências de fases iguais: Nos dois conjuntos de tensões fasoriais serão mantidas constantes as diferenças de fases. por exemplo). uma vez que a máquina síncrona é conectada ao barramento infinito. a transferência da potência ativa da máquina ao barramento infinito poderá ser controlada por meio do ajuste da potência da máquina primária (turbina – controle do fluxo de água ou vapor.18 d) Fases diferentes.. sua velocidade não poderá ser alterada novamente. mas tensões. A potência reativa (e por conseqüência o fator de potência do gerador) poderá ser controlado por meio do ajuste da corrente de campo If ”. .. ou seja. Contudo. Isso poderá ser observado quando todas as lâmpadas estirem apagadas. e se o disjuntor for fechado a máquina será conectada ao barramento de forma segura. “. a freqüência da máquina que será conectada deverá ser ligeiramente ajustada até que a diferença de fase seja nula. fazer a diferença igual a 0°.

ter a mesma amplitude em seus terminais que a tensão do barramento. A tensão do gerador deve: a) b) c) d) ter a mesma seqüência de fases que a tensão do barramento. nem mesmo absorve potência do barramento infinito (sistemas). estar em fase com a tensão do barramento. então. A resistência do enrolamento do estator é eliminada no circuito equivalente. antes de um gerador síncrono ser conectado ao barramento (sistema). Imediatamente após a sincronização e acoplamento (conexão ao barramento infinito). que o gerador está conectado a um “barramento infinito”.19 7. . e no caso dos geradores com rotores de pólos cilíndricos (lisos) este parâmetro é constante na condição normal de funcionamento da máquina (regime permanente). quatro condições devem ser satisfeitas. ou seja. mas não fornece potência. ter a mesma freqüência que a do barramento. Diz-se. e é exatamente a quantidade necessária para acionar o rotor e suprir as perdas da turbina e do gerador. uma fonte de tensão ideal com amplitude de tensão e freqüência fixa. o gerador não fornece. A reatância “Xs” é denominada de “reatância síncrona”.circuito equivalente de um gerador síncrono conectado a um barramento infinito (sistema) com o correspondente diagrama fasorial. CONEXÃO DO GERADOR SÍNCRONO AO BARRAMENTO INFINITO Conforme já comentado. O vapor que entra na turbina é o mesmo existente anteriormente à ação de acoplamento. o gerador está acoplado ao sistema. O circuito equivalente de um gerador sincronizado é representado na figura a seguir. Quando o gerador é conectado em grandes sistemas sua tensão de saída e sua freqüência são “amarradas” aos valores do sistema e não pode ser alteradas por qualquer ação no gerador. Figura 16 .

mas somente estende sensivelmente a mola que está presa ao barramento infinito. e b) o gerador injeta potência à sistema (situação da figura 18). O torque mecânico suprido ao eixo do gerador pela turbina tenta acelerar o gerador. a força eletromotriz interna do gerador (Eg) adianta-se à tensão terminal (Vt). ou seja. Análogo à extensão da mola. e o gerador síncrono está conectado à outra extremidade da mola. o gerador fornece potência ao sistema. a máquina fornece potência à sistema. um ao outro. como mostra a situação “b” da figura. a) nenhuma potência trocada entre gerador e sistema (situação da figura 16). e toda a energia extra é transformada em energia elétrica e absorvida pela carga. mas isso não é possível porque o gerador está conectado a um barramento infinito.circuito equivalente de um gerador síncrono conectado a um barramento infinito (sistema) com o correspondente diagrama fasorial. . Figura 17 . conforme figura a seguir. O que aconteceria se mais vapor fosse fornecido à turbina. O barramento infinito está numa extremidade da mola e se move com uma velocidade constante.gerador e sistema (barramento infinito) representado por dois objetos atados por uma mola elástica. Figura 18 . É como se dois objetos estivessem presos.20 Se mais vapor é fornecido à turbina poderia se esperar que o gerador acelerasse. por meio de uma mola elástica. na qual para a situação “a” não há potência trocada entre gerador e sistema.

Como conseqüência. Eg está adiantada em relação à tensão terminal (Vt) por um ângulo . é dada por: . Pela Lei de Kircchoff. Na figura anterior. corrente e potência são fornecidas ao sistema.21 A amplitude da tensão interna do gerador Eg é função da corrente de campo If . por meio da eliminação da variável Vt. a expressão da corrente. denominado “ângulo de potência”. a qual é controlada pelo regulador de tensão do gerador. e Vt está na referência (0°) onde: Ia : corrente  [A] [V] [V] [Ω] Eg : tensão interna do gerador  Vt : tensão terminal (sistema)  Xs: reatância da máquina  A potência trifásica complexa fornecida à sistema é dada por: Partindo desta expressão pode-se obter a expressão da potência ativa e reativa. conforme segue: A parte real da potência complexa (S) é a potência ativa: ou A parte imaginária da potência complexa (S) é a potência reativa: .

conforme segue: A parte real da potência complexa (S) é a potência ativa: ou onde: A parte imaginária da potência complexa (S) é a potência reativa: ou Uma breve análise na equação da potência ativa observa-se que o seu sinal é determinado somente pelo ângulo de potência ( ): a) se  > 0  P > 0. a máquina não fornece potência ativa ao sistema. e c) se  < 0  P < 0. por meio da eliminação da variável Ia. b) se  = 0  P = 0. portanto é um GERADOR. dependendo do ângulo de potência pode-se ter a máquina síncrona operando como gerador ( = positivo) ou como motor ( = negativo). portanto é um MOTOR. Do ponto de vista do Torque. conforme figura a seguir: . partindo da mesma expressão pode obter a expressão da potência ativa e reativa. portanto é um COMPENSADOR.22 Por outro lado. a máquina fornece potência ativa ao sistema. como se trata de um comportamento senoidal. a máquina absorve potência ativa do sistema.

comportamento do Torque em função do ângulo de potência para motor e gerador síncrono Por outro lado. . a máquina não troca potência reativa com . e está Assim. Na figura observa-se que o ponto de trabalho da máquina síncrona está indicado pelo ponto de cor preta. e c) se  “sub-excitada”. a máquina fornece potência reativa. conforme figura a seguir: Figura 20 . e é. com base nessas análises é possível construir um diagrama fasorial de tensão projetado em eixos de potência ativa e reativa. .23 Figura 19 . portanto. Portanto. e está . e de forma similar uma análise aproximada na equação da potência reativa mostra que o seu sinal é determinado pela seguinte relação: a) se  “sobre-excitada”.diagrama fasorial projetado em eixos de potência ativa e reativa. esta máquina injeta ambas potências (ativa e reativa) no sistema. um gerador sobreexcitado. a máquina absorve potência reativa. b) se  o sistema.

conforme equações da potência ativa e reativa. Estes dois limites podem ser construídos para o diagrama fasorial conforme figura a seguir. e a quantidade de potência ativa e reativa que a máquina injeta no sistema pode ser lida facilmente no diagrama. Figura 21 . Ia e If são correntes na bobina de armadura e na bobina de campo. Figura 22 .24 Para converter este diagrama fasorial de tensão em um sistema de coordenadas de potência ativa e reativa. dada uma tensão terminal constante (Vt). respectivamente. os fasores de tensão necessitam ser multiplicados por .ra ) e no enrolamento de campo (perdas joule If2.limite de aquecimento do gerador síncrono . Onde: ra e rf são resistências do condutor da bobina de armadura e campo.rf ).diagrama fasorial projetado num sistema de coordenadas de potência ativa e reativa trifásica O ponto de trabalho da máquina síncrona é indicado pelo ponto preto. O gerador está limitado em sua saída e é conveniente para operação segura da máquina no diagrama. respectivamente. A região de operação do gerador síncrono está limitada pelo máximo aquecimento permitido no estator (perdas joule Ia2.

conforme ilustrado na figura anterior. o máximo aquecimento permitido no estator e no enrolamento de campo. conforme figura 24 a seguir. Quando o ângulo  torna-se maior que 90° o gerador perderia o sincronismo. Na área confinada pelo semicírculo. pode-se encontrar o limite de aquecimento girando os dois fasores ao redor do seu respectivo ponto de origem.25 O comprimento dos dois fasores que indicam o ponto de trabalho corresponde à máxima corrente permitida no enrolamento de estator (Ia) e à máxima corrente permitida no enrolamento de campo (If). Como a potência ativa varia senoidalmente com o ângulo . tal como os círculos descritos no diagrama. Os vários círculos mostrados correspondem aos diversos valores de tensão de excitação (Eg). pelo limite de estabilidade em regime permanente de funcionamento. mas também por diversos outros fatores. pois If  .potência ativa do gerador síncrono em função do ângulo  Para uma operação num determinado ponto de trabalho. conhecido como o “limite de estabilidade em regime permanente”. Figura 23 . . como por exemplo. o gerador poderá ser carregado até o valor limite (Pmax). logo. Assim. a região de operação do gerador síncrono não está somente restrita pelo máximo aquecimento no estator e no enrolamento de campo. na qual =90°. Ademais. O ponto de máxima potência representando o limite de estabilidade em regime permanente é uma linha horizontal. não poderá ser excedido. o ângulo de potência () e o ângulo do fator de potência () são determinados.

26 Figura 24 – potência complexa por fase O atual limite de estabilidade é. Assim. bem como o denominado “limite de subexitação”. pode-se obter uma curva. conforme mostrado na figura a seguir. que se trata do valor máximo de potência ativa gerada pela máquina. Restrição adicional na região de operação do gerador síncrono é o “limite de potência da turbina (máquina primária)”. com base nos limites de operação estabelecidos para a máquina síncrona. denominada de “Curva de Capacidade”. a qual define as regiões limites de operação da máquina síncrona (no caso como “gerador”). contudo. . o qual fornece o limite para o menor nível de excitação quando potência reativa é absorvida pelo sistema. mais difícil de determinar em decorrência da dinâmica do sistema de potência envolvido.

e limite de estabilidade estático. A parte superior do eixo vertical na Figura 25 (I quadrante) indica a potência reativa (MVAr) suprida ao sistema. . limite de potência da máquina primária.Curva de limite de campo: indica a capacidade do gerador quando a corrente de campo está a um valor máximo permissível devido às limitações térmicas dos enrolamentos de campo (rf). As restrições devem-se ao:      aquecimento do enrolamento de campo. Portanto. a máquina síncrona não pode funcionar em todos os pontos do interior do círculo sem ultrapassar os seus limites estabelecidos. a geração é limitada pelo aquecimento nos enrolamentos do estator (ra). Entre os pontos:  A-B .Curva de limite de armadura: indica a máxima corrente de armadura permitida devido às limitações térmicas dos condutores de armadura.curva de capacidade de um gerador síncrono Em resumo. enquanto a parte inferior (IV quadrante) indica a potência reativa (MVAr) absorvida pelo gerador. provocado pela corrente de campo (If). a curva da Figura 25 mostra três zonas de aquecimento que afetam a capacidade de geração do equipamento. limite de sub-excitação.27 Figura 25 . provocado pela corrente de armadura (Ia).  B-C e D–E . aquecimento do enrolamento do armadura.

-3Vt2/Xs) . A segunda condição (b) corresponde a um valor constante de potência aparente de saída dada por: S  P 2  Q 2  3.Ia.Vt .Curva de limite de potência da turbina (máquina primária).Vt2/XS . que está relacionada à potência mecânica que o gerador poderá receber em seu eixo por meio da turbina. (b) B-C e D-E operação sob tensão terminal constante (Vt=cte) e corrente de armadura no máximo valor permitido pela limitação térmica.Curva de limite de estabilidade: indica a máxima capacidade de absorção de potência reativa do gerador quando operando a fator de potência adiantado.28  C-D .Vt . “. motivo pelo qual se trata uma reta paralela ao eixo da potência reativa.   A determinação da curva de capacidade mostrada na Figura 25 é obtida para a condição simultânea de: (a) A-B operação sob tensão terminal constante (Vt=cte) e corrente de campo (portanto Eg ) em seu limite térmico máximo. tem-se que a curva B-C e D-E define o limite de operação da máquina. Um círculo centrado em P = 0 e Q = -3. cujo raio é 3. além do qual resultaria em sobre-aquecimento do estator.Curva de sub-excitação: corresponde ao menor valor de nível de excitação (If(mínimo) e conseqüentemente. Consideração semelhante pode ser feita para a primeira condição (a) de operação. Eg(mínimo)). Reta horizontal passando pelos pontos (0. Eg/Xs determina o limite de aquecimento do enrolamento de campo na operação da máquina. Como Vt é mantido constante e Ia é considerado em seu valor limite térmico. e com raio igual a 3. quando a máquina absorve potência reativa do sistema.I a Uma potência aparente constante corresponde a um círculo centrado na origem de um plano P=f(Q).é comum especificar o valor nominal (potência aparente e fator de potência) da máquina como sendo o ponto de interseção das curvas limites de aquecimento de armadura e campo”.Vt .. E-F . O limite da fonte primária somente afeta a potência ativa.. . como o da Figura 25.

o excesso de calor no estator e no rotor fará com que o isolamento dos enrolamentos se deteriore com rapidez.CAG Um Controle Automático de Geração . O regulador de velocidade (RV) controla a “velocidade do gerador” para que seja mantida constante. atuando sobre o registro (válvula) para controle do fluxo de entrada de água. apresenta fissuras e pode eventualmente transformar-se em material condutor.sistema de Controle da Geração Hidráulica.29 Se uma unidade opera além de sua capacidade especificada. O CONTROLE AUTOMÁTICO DE GERAÇÃO . De acordo com a Figura 11 a equação do gerador síncrono operando em estado permanente é dada para qualquer corrente de carga por: . O gerador é protegido de gerar e absorver potência reativa além de sua capacidade através da proteção de super e subexcitação. Um Regulador Automático de Tensão monitora a tensão terminal do gerador e controla sua excitação para manter a tensão nos terminais dentro de uma faixa especificada de tensão. 8.CAG regula a velocidade e potência de saída do gerador para garantir uma freqüência do sistema constante sob condições normais de operação. Isolamento exposto ao calor intenso torna-se quebradiço. Figura 26 .

Portanto.e. Por convenção. aumentam os reativos produzidos. o gerador iniciará a absorver potência reativa do sistema. À medida que o campo de excitação CC (If) diminui a magnitude da f. Se a magnitude da f. a magnitude da f. ao passo que os reativos absorvidos recebem sinal negativo. . Um limite na capacidade de potência reativa de saída é alcançado quando a corrente de campo CC (If) atinge seu valor máximo permissível.e. ou adiantada da tensão terminal Vt. e o gerador estará operando no modo subexcitado. As condições acima expostas podem ser representadas graficamente na Figura 27. gerada excede a tensão terminal.30 Dependendo da impedância da carga. Considerando um gerador ligado a um “barramento infinito” em que Vt é mantida constante. À medida que a magnitude do campo de excitação CC aumenta. em fase.m gerada diminui até igualar-se à tensão terminal.m gerada é inferior à da tensão terminal.e. a capacidade de produzir ou absorver reativos é controlado pelo nível de excitação.m. Reduzindo-se a excitação. a tensão gerada Eg e a potência reativa de saída aumentam. Nestas circunstâncias. o gerador está operando a um fator de potência atrasado – o gerador vê o sistema como se fosse uma carga indutiva. Sob estas circunstâncias. Quando o gerador está suprindo potência reativa ao sistema. a magnitude da tensão gerada Eg é controlada regulando a excitação do campo CC. O gerador estará operando com um fator de potência adiantado. os reativos supridos pelo gerador recebem sinal positivo. Aumentando-se a excitação. Se a excitação de campo CC (If) é diminuída ainda mais. o gerador é dito estar operando a uma excitação normal aproximadamente a um fator de potência unitário. A capacidade do gerador em manter sincronismo sob estas condições é enfraquecida dada que a corrente de excitação é pequena. a corrente Ia em cada fase de um gerador síncrono pode ser atrasada. diminuem os reativos produzidos e o gerador passará a absorver reativo do sistema. pode ocorrer um sobreaquecimento do rotor quando operando a um fator de potência atrasado. o gerador é dito estar operando no modo obre-excitado. Ainda.

consome potência reativa do sistema e. então ela será um gerador. normal e subexcitado. Por outro lado. sob o ponto de vista do sistema. ao contrário. portanto.31 Figura 27 . Na determinação das limitações de potência de um equipamento é necessário levar em conta tanto a produção de potência ativa (MW) quanto a potência reativa (MVAr). sob o ponto de vista do sistema. Tem-se. a seguinte regra de grande importância:  uma máquina síncrona sobre-excitada (funcionando como motor ou como gerador) produz potência reativa e age como se o sistema fosse uma carga indutiva (absorvedor). age como se o sistema fosse um capacitor. se acionada por uma turbina. pois os geradores possuem curvas de capacidade que delimitam sua região de operação.gerador síncrono conectado a barramento infinito operando Sobre-excitado. conseqüentemente. conforme já foi mencionado. uma operação como a de um motor. ela disponibilizará um torque no eixo e será. isto é. portanto. respectivamente. uma máquina pode operar como um gerador síncrono ou como motor síncrono. enquanto que. . dependo das condições de alimentação e acionamento da mesma. e  uma máquina subexcitada. o gerador é como um capacitor em paralelo. o gerador é como uma bobina em paralelo. se alimentada por um sistema elétrica. Todos os equipamentos apresentam um limite de capacidade de transporte de energia.

Entretanto. uma passagem do I para o IV quadrante. por exemplo. um curto-circuito no campo. . Observa-se ainda que nessa condição representada pelo quadrante IV. e a relação entre essas duas potências é fundamental para efeito de análise e determinação de níveis limítrofes que orientam os ajustes dos relés de proteção da mesma. porém a natureza operativa agora é capacitiva. às curvas de capacidade da máquina síncrona.diagrama de Potências “P-Q” para máquinas síncronas. etc. o fluxo magnético criado no campo está diretamente vinculado ao valor da Potência Reativa fornecida pela máquina. recorre-se então aos diagramas P-Q (figura 28). respectivamente. pode representar uma perda de excitação dessa máquina síncrona. bem como. a passagem de operação do I para o II quadrante. sobre e sub-excitado respectivamente. uma vez que com a perda de seu próprio campo. pode representar um processo de motorização de um gerador. Portanto. colocando-o em operação como um motor sobre-excitado (situação análoga a de um capacitor – gerador de reativo capacitivo para o sistema). Para que esses procedimentos possam esclarecer e auxiliar a interpretação das condições operativas dessas máquinas. Essas considerações realçam e se prendem apenas à parte de Potência Ativa que envolve a operação dessas máquinas. uma abertura do disjuntor de campo. um problema na excitatriz (regulador de tensão). enquanto que no II e III quadrante tem-se a máquina síncrona operando como motor sobre-excitado e subexcitado. enquanto que.32 Figura 28 . a máquina síncrona ainda continua operando como gerador. Observe que nos quadrantes I e IV tem-se a máquina síncrona operando como gerador.

a sua velocidade está pressa a do resto do sistema e o que ocorre é que o rotor avança seu ângulo de rotação de uns poucos graus. controlando o conjugado aplicado ao gerador. Deve-se ressaltar que o funcionamento sincronizado dos geradores representa um estado estável do sistema. Isso resulta no aumento na corrente e na potência fornecidas e. mais as perdas ativas de transmissão. até que a proteção de velocidade comande o seu desligamento do sistema.33 há a necessidade de se buscar o reativo no sistema. isto é. Estas consistem em perdas ôhmicas nos vários componentes de transmissão. a máquina síncrona perde o sincronismo com o sistema e como conseqüência. Abrindo as entradas de água (caso de geração hidráulica) e. se transforma em um gerador de indução. aumentando a pressão sob as lâminas da turbina. através da abertura do ângulo do rotor. 9. a corrente cria um conjugado de . juntos geram a potência que. pela máquina motriz (turbina). em perdas por efeito corona nas linhas. observa-se que a máquina tem tendência a se disparar. A freqüência está intimamente relacionada com o balanço de potência ativa no sistema inteiro. aplica-se um conjugado maior ao gerador. No entanto. e. ao mesmo tempo. tais como o aumento de corrente estatórica e conseqüente aumento de sua temperatura. portanto. e ainda. a cada instante está sendo consumida por todas as cargas. os geradores do sistema giram em sincronismo. e em perdas nos núcleos dos transformadores e geradores. Sob condições normais de funcionamento. Deve-se lembrar que a energia está sendo transmitida com a velocidade da luz. Com a velocidade do gerador “amarrada” com a do restante do sistema pode-se controlar a geração de potência ativa. concluímos que a taxa de produção de energia deve ser igual à taxa de consumo mais as perdas do sistema. tendendo a acelerá-lo. outras implicações decorrem com a perda de campo da máquina. MECANISMO CARGA FREQÜÊNCIA Aqui se pretende examinar as razões pela qual a freqüência de um sistema tende a variar. e. uma vez que ela não está sendo armazenada em nenhuma parte do sistema.

34 desaceleração no interior da máquina. a freqüência permaneceria constante. que é exatamente oposto ao aumento do conjugado de aceleração. Mas todavia. Suas flutuações são tais que se torna realmente impossível conseguir um perfeito equilíbrio instantâneo entre a geração e demanda. Se esse balanceamento fosse perfeito em todos os geradores. e esse constante desequilíbrio causará flutuações de freqüência. assim. um delicado mecanismo automático de balanceamento de conjugado. portanto. . em valores que correspondam exatamente à demanda da carga. No interior de cada gerador tem-se. a carga do sistema pode ser prevista apenas dentro de certos limites. A maneira ideal de operar o sistema seria a regulagem de todas as entradas de água. suas velocidades e.

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