Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Frutas Nativas da Região Centro-Oste do Brasil
Editores Técnicos
Roberto Fontes Vieira Tânia da Silveira Agostini Costa Dijalma Barbosa da Silva Francisco Ricardo Ferreira Sueli Matiko Sano

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Brasília, DF 2006

Exemplares desta edição podem ser adquiridos na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Serviço de Atendimento ao Cidadão Parque Estação Biológica, Av. W/5 Norte (Final) – Brasília, DF CEP 70770-900 – Caixa Postal 02372 PABX: (61) 448-4600 Fax: (61) 340-3624 http://www.cenargen.embrapa.br e.mail:sac@cenargen.embrapa.br Comitê de Publicações Presidente: Sergio Mauro Folle Secretário-Executivo: Maria da Graça Simões Pires Negrão Membros: Arthur da Silva Mariante Maria de Fátima Batista Maurício Machain Franco Regina Maria Dechechi Carneiro Sueli Correa Marques de Mello Vera Tavares de Campos Carneiro Supervisor editorial: Maria da Graça Simões Pires Negrão Normalização Bibliográfica: Maria Iara Pereira Machado Editoração eletrônica: Maria da Graça Simões Pires Negrão Capa: Andressa Vargas Ermel 1ª edição 1ª impressão (2006): 300 Todos os direitos reservados A reprodução não autorizada desta pulicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei n° 9.160). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP). Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia F 945 Frutas nativas da região Centro-Oeste / Roberto Fontes Vieira ... [et al.] (editores). -- Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2006. 320 p. ISBN 978-85-87697-44-8 1. Frutas nativas - Centro-Oeste – Brasil. I. Vieira, Roberto Fontes. 581.464817 – CDD 21.

Autores
Ailton Vitor Pereira - Embrapa Transferência de Tecnologia – Escritório de Negócios de Goiânia, Km 4, BR 153, Goiânia, GO, Caixa postal 714, CEP 74.001-970, E-mail: ailton.pereira@embrapa.br Alessandra Pereira Fávero - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, CP 02372, 70770-900, Brasília-DF. E-mail: favero@cenargen.embrapa.br Amanda Caldas Porto - CNPq/IBAMA/ Laboratório de Conservação de Plantas Medicinais e Aromáticas/ E-mail: amanda_caldas@hotmail.com, Orientação Suelma Ribeiro Silva; Ana Paula Soares Machado Gulias - CNPq- PROBIO / E-mail: anasmg@uol.com. br Antonieta Nassif Salomão - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Parque Estação Biológica – PqEB s/n°, Av. W5 Norte (final), Caixa postal 02372, Brasília, DF, CEP 70.770-900, E-mail: antoniet@cenargen.embrapa.br Camila Lopes Jorge - Mestre em Fitopatologia / Email: cmljorge@hotmail.com Carolyn Elinore Barnes Proença - Fundação Universidade de Brasília, Departamento de Botânica, C.P. 4457. CEP 70919-970 – Brasília – DF. E-mail: cproenca@unb.br Dijalma Barbosa da Silva - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Parque Estação Biológica – PqEB s/n°, Av. W5 Norte (final), Caixa postal 02372, Brasília, DF, CEP 70.770-900, E-mail: dijalma@cenargen.embrapa.br Elainy Botelho Carvalho Pereira - Agência Goiana de Desenvolvimento Rural e Fundiário – AGENCIARURAL, Rua Jornalista Geral Vale, 331, Caixa postal 331, Setor Leste Universitário, Goiânia, GO, CEP 74.610-060, E-mail: ebcp@brturbo. com.br Ernane Ronie Martins - Universidade Federal de Minas Gerais – Campus Montes Claros. CP: 135. Montes Claros, MG. CEP: 39404-006. E-mail: ernane-martins@ ufmg.br Fabio Gellape Faleiro - Embrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73310-970, Planaltina, DF; E-mail: fideles@cpac.embrapa.br, junqueir@cpac.embrapa.br

Fernanda Vidigal Duarte Souza - Embrapa Mandioca e Fruticultura, CP 007, 44380-000, Cruz das Almas- BA. E-mail: fernanda@cnpmf.embrapa.br Francisco Ricardo Ferreira - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, CP 02372, 70770-900, Brasília-DF. E-mail: fricardo@cenargen.embrapa.br Graziella Garritano - CNPq-PROBIO/ Email: grazigarri@hotmail.com Ildo Eliezer Lederman - Embrapa/IPA. E-mail: ildo@ipa.br João Emmanoel Fernandes Bezerra - Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA, Av. San Martin, 1371, Bonji. CEP 50761-000 – Recife – PE. E-mail: emmanoel@ipa.br José Felipe Ribeiro - Embrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73310-970, Planaltina, DF E-mail: felipe@cpac.embrapa.br José Renato Santos Cabral - Embrapa Mandioca e Fruticultura, CP 007, 44380000, Cruz das Almas- BA. E-mail: jrenato@cnpmf.embrapa.br José Teodoro de Melo - Embrapa Cerrados, km 18 BR 020 – Rodovia/BSB/ Fortaleza CEP 73310-970 - Planaltina-DF, Caixa Postal 08223, E-mail: teodoro@ cpac.embrapa.br Josué Francisco da Silva Junior - Embrapa Tabuleiros Costeiros, Av. Beira Mar, 3250, Praia 13 de Julho. CEP 49025-040 – Aracaju – SE. E-mail: josue@cpatc. embrapa.br Juliana Pereira Faria - CNPq/PROBIO, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Caixa Postal 02372, CEP 70770-900, Brasília, DF. E-mail: juliana@ cenargen.embrapa.br Lázaro José Chaves - Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, Campus Samambaia, Caixa Postal 131, Goiânia, GO. CEP 74001-970. E-mail: lchaves@agro.ufg.br Luis Carlos Bernacci - Instituto Agronômico de Campinas, Caixa Postal Campinas, SP Marcelo Fideles Braga - Embrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73310-970, Planaltina, DF; E-mail: fideles@cpac.embrapa.br, junqueir@cpac.embrapa.br

Márcia Aparecida de Brito - CNPq, Brasília, DF, E-mail: mabrito@cnpq.br Maria Magaly V. da Silva Wetzel - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Caixa Postal 02372, CEP 70770-900, Brasília, DF Mariana Pires de Campos Telles - Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, Campus Samambaia, Caixa Postal 131, Goiânia, GO. CEP 74001-970. E-mail: lchaves@agro.ufg.br Nilton T. V. Junqueira - Embrapa Cerrados Caixa Postal 08223, CEP 73301-970, Planaltina, DF. E-mail: junqueir@cpac.embrapa.br Paulo Cezar Lemos de Carvalho - Universidade Federal da Bahia Paulo Santelli - Departamento de Botânica, UnB Paulo Sérgio Nascimento Lopes - Universidade Federal de Minas Gerais – Campus Montes Claros. CP: 135. Montes Claros, MG. CEP: 39404-006.E-mail: psnlopes@ ufmg.br Renata C. Martins - Departamento de Botânica, UnB. C. Postal 4457, CEP 70.919970. E-mail: recmart18@yahoo.com.br Roberto Fontes Vieira - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Caixa Postal 02372, CEP 70770-900, Brasília, DF, E-mail: rfvieira@cenargen.embrapa.br Rogério Carvalho Fernandes - Universidade Federal de Minas Gerais - Campus Montes Claros. CP: 135. Montes Claros, MG. CEP: 39404-006 Ronaldo Veloso Naves - Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás, Caixa Postal 131, CEP 74001.970, Goiânia-Go. E-mail: ronaldo@agro.ufg.br Sueli Matiko Sano - Embrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73301-970, Planaltina, DF. E-mail: sueli@cpac.embrapa.br Tânia da Silveira Agostini Costa - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Caixa Postal 02372, CEP 70770-900, Brasília, DF. E-mail: tania@cenargen. embrapa.br Tarciso S. Filgueiras - Reserva Ecológica do IBGE

...............................120 CAJUS DO CERRADO...................................................................................................................................................12 ABACAXI DO CERRADO................................................102 CAGAITA.................................................................188 MARACUJÁ-DO-CERRADO...........................................................................................................................................................................................................248 PÊRA-DO-CERRADO....................................................................................................SUMÁRIO ESPÉCIES DE MAIOR RELEVÂNCIA PARA A REGIÃO CENTRO-OESTE................................................42 ARATICUM...................26 ARAÇÁ.................................................................................................................................................136 COCO-CABEÇUDO......................................................................................................164 JATOBÁ-DO-CERRADO....................................216 MURICI.........................................................................................................................................174 MANGABA....304 .......................................................................154 GABIROBA...............................................290 JENIPAPO.................................................................................236 PEQUI........................64 BARU.......................................................................................................................................................................................................................................76 BURITI...............................................................................................................

.

.

1975) e várias outras espécies comestíveis (FERREIRA. uma pequena atividade agrícola de subsistência com predominância da criação extensiva de gado. Com a ocupação das terras do Cerrado por agricultores. o baru (FILGUEIRAS e SILVA. A partir dos anos 60. que já naquele período destacavam a riqueza de espécies frutíferas do cerrado. esta região foi inserida no contexto de produção de alimentos e energia do país. considerada como uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. como o pequi (HERINGER. no que se refere ao fornecimento de vitaminas e de alguns minerais essenciais à saúde. visando sua possível inserção no sistema de produção agrícola da região.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 ESPÉCIES DE MAIOR RELEVÂNCIA PARA A REGIÃO CENTRO-OESTE Tânia da Silveira Agostini-Costa Dijalma Barbosa da Silva Roberto Fontes Vieira Sueli Matiko Sano Francisco Ricardo Ferreira HISTÓRICO As frutas nativas brasileiras e. foi implementado um programa de pesquisa na área de recursos naturais. Até meados do século XX. a região Centro-Oeste possuía baixa densidade demográfica. foram feitos diversos relatos sobre utilização de plantas do cerrado. Com a criação do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados. Paralelo à construção de Brasília. principalmente. Publicações como “Aproveitamento alimentar de espécies nativas 12 . entre outros. no qual foi contemplado um levantamento botânico e de uso das plantas mais importantes já utilizadas pela população local. foram iniciadas pesquisas para avaliar o potencial de produção e as possibilidades de cultivo destas espécies nativas. 1970). A partir de então. com a adoção de uma política de interiorização e de integração nacional. Mitzi Brandão. Embrapa Cerrados. surgiu a necessidade de desenvolver pesquisas para buscar soluções para os principais problemas que limitavam as atividades agrícolas na região. já eram usadas pelos povos indígenas desde épocas remotas. Essas espécies desempenharam um papel fundamental na alimentação dos desbravadores e colonizadores da região. pelo Professor Ezequias Heringer e pela Dra. especialmente as de ocorrência na região Centro-Oeste. 1972 e 1973).

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 dos cerrados: araticum. é conhecida por ter produzido os mais variados doces de frutas da região. graças ao desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que viabilizaram a sua utilização em bases econômicas. GO. MG e em Brasília.. O Ministério do Desenvolvimento Agrário. cores e aromas de frutas nacionais.8% foram consideradas áreas de cerrado não antropizado. através da Feira da Pequena Agricultura Familiar. em Uberlândia. cagaita e jatobá” (ALMEIDA et al. podemos citar algumas iniciativas de processamentos. GO.. O destaque para o potencial latente destas frutas foi observado após a convenção da biodiversidade realizada no Brasil em 1992. que acontece em Brasília. informações botânicas. “Cozinha goiana” (ORTENCIO. como as sorveterias de polpas de frutas nativas estabelecidas em Goiânia. Em 1994. o Pantanal e parte de Floresta Amazônica (Figura 1). 13 . agronômicas e nutricionais sobre 35 espécies das frutas mais importantes para esta região foram reunidas em um livro (SILVA et al. Recentemente. produzidas em Pirinópolis. onde esforços pontuais aprimoram o conhecimento e possibilitam o avanço deste novo mercado. tradicionalmente utilizadas pela população local ainda não foram inseridas no contexto do agronegócio brasileiro. 1988) destacam a importância das espécies nativas e descrevem receitas sobre o aproveitamento de frutas nativas da região Centro-Oeste.. predominantes na região Centro-Oeste. DF. MG. na cidade de Goiás. conferindo um valor agregado maior a espécies até então relegadas ao segundo plano pelos melhoristas genéticos e agricultores. 1994). desde 2004.. tem trazido oportunidade para a comercialização e a divulgação de produtos regionais brasileiros. 2000). apenas 16. Cora Coralina. e as barras de cereais. muitos produtos agrícolas. como as frutas nativas. onde se verifica o grande potencial existente quanto aos sabores. A mais conhecida divulgadora da cultura e dos costumes goianos. Até então. falta de tecnologia para a produção em escala ou mesmo pelo desconhecimento do seu potencial de aproveitamento. o baru e o araticum. seja por aspectos sócio-culturais. cuja primeira edição foi publicada em 1967. A descrição botânica de várias espécies foi publicada em “Cerrado: espécies vegetais úteis” (ALMEIDA et al. posteriormente ampliado e re-editado com 57 espécies (SILVA et al. as polpas congeladas de frutas nativas. produzidas em Montes Claros. forma de exploração extrativista. DF. Da área total dos biomas cerrado e pantanal. e “Cerrado: aproveitamento alimentar” (ALMEIDA. 1987). quando foi dada ênfase aos recursos genéticos autóctones e ao seu uso. com seu valor nutritivo desconhecido. GO. o buriti. as informações sobre as frutas nativas na região Centro-Oeste foram publicadas de forma dispersa. A região Centro-Oeste do Brasil abrange 3 biomas: o Cerrado. com grande ênfase para o pequi. O grande desafio das espécies autóctones envolve a produção e a comercialização. Entretanto. a região se transformou em um importante pólo de produção de alimentos no país. Atualmente. 2001). 1998). baru. através do uso de imagens de satélite.

1997). IBGE. 2002. 2004. O Cerrado ocorre. destaque para a região Centro-Oeste. estimando-se um número entre 4 mil e 10 mil espécies de plantas vasculares (SOUZA et al. predominantemente. A 14 . PEREIRA.000.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 Figura 1. constituindo o segundo maior bioma do País. Confecção: Sérgio Eustáquio de Noronha.. no Planalto Central do Brasil e ocupa cerca de 23% do território nacional (206 milhões de hectares). que é considerada a mais rica dentre as savanas do mundo.Primeira Aproximação – escala 1:5. Fonte: Mapa dos Biomas do Brasil . Ocorrência dos biomas Cerrado e Pantanal nos estados do Brasil.000. Apresenta uma flora.

A região Centro-Oeste. com 65% de seu território no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. é berço de diversas etnias indígenas e comunidades tradicionais. O Pantanal Matogrossense é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. a sustentabilidade e causando desequilíbrios ecológicos neste ecossistema (SILVA et al. sucos e licores sendo. no ano 2000. destaca-se. muitas espécies fazem parte da flora apícola 15 . uma população que vive entre as maiores áreas inundáveis do planeta. no plantio intercalado com reflorestas. Atualmente. O Cerrado e o Pantanal apresentam uma grande riqueza de espécies que podem ser consideradas “Plantas do Futuro”. exuberância e importância das reservas naturais. a remoção da vegetação nativa através dos desmatamentos realizados. Sua área é de 138. Cerca de duas mil espécies de plantas foram classificadas de acordo com seu potencial como forrageiras. As frutas nativas são muito utilizadas para o consumo in natura ou para a produção de doces. 1999). Além destas. caipiras. apícolas. ainda subutilizadas por comunidades locais. quer por desconhecimento científico ou pela falta de incentivos para sua comercialização. apesar de ter experimentado um rápido processo de urbanização nos últimos anos. em sua maioria. esta área foi reconhecida pela UNESCO.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 acelerada exploração agropecuária desenvolvida no cerrado. onde se desenvolve uma fauna e flora de rara beleza e abundância. para controle de erosão e no plantio de áreas de proteção ambiental. A substituição da vegetação natural e o manejo inadequado de muitas culturas têm levado à perda de oportunidades que poderiam beneficiar os agricultores familiares e as comunidades tradicionais que habitam a região CentroOeste. as frutas nativas do cerrado podem ser utilizadas com sucesso na recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. apresentando baixo custo de implantação e manutenção do pomar.. sem planejamento e fiscalização. é a ausência de segurança alimentar. subsistindo à base de atividades agropastoris nas fazendas da região ou em pequenas propriedades à beira dos rios. no plantio em parques e jardins. Além destas características. durante as últimas décadas. frutíferas e madeireiras. potencial para famílias que se favorecem com o eco-turismo regional. prejudicando a biodiversidade. além do desenvolvimento sócio-econômico da região. no plantio em áreas acidentadas. Estas frutas estão adaptadas aos solos locais e praticamente não necessitam de insumos químicos. 2001. reforçada pela falta de mecanismos que promovam a geração de renda. geléias. Além de serem usadas na formação de pomares domésticos e comerciais. quilombolas. assim. um dos grandes problemas das comunidades tradicionais do Centro-Oeste. como Reserva da Biosfera. entre outras. em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. MENDONÇA. no enriquecimento da flora.183 km2. A região é uma planície aluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai. prática em crescente ascensão na região Centro-Oeste. a população pantaneira. Pela elevada diversidade. teve como conseqüência.

que incluem distúrbios cardiovasculares. cabeça-de-negro. TABELA 1. O aumento do fluxo de informações disponíveis nos meios de comunicação aliado ao crescimento das influências multiculturais. Tendo em vista a baixa remuneração e o baixo poder aquisitivo dos pequenos agricultores instalados nesta região. podendo ser utilizadas em maiores escalas. Na Tabela 1 estão listadas 71 frutas nativas que ocorrem no cerrado e no pantanal da região Centro-Oeste do Brasil. Uma grande variedade destas frutas nativas está sendo comercializada em feiras da região Centro-Oeste.. tornase necessário identificar alternativas que permitam. Fitoquímicos especiais desempenham um importante potencial protetor e preventivo de doenças causadas pelo estresse oxidativo. com preços competitivos e com grande aceitação pelo consumidor. coriacea Attalea brasiliensis Salacia crassiflora Peritassa campestris Platonia insignis Swartzia langdorfii Dipteryx alata Mauritia flexuosa Família Bromeliaceae Rosaceae Olacaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Arecaceae (Palmae) Hippocrateaceae Hippocrateaceae Clusiaceae Leguminosae Leguminosae Arecaceae (Palmae) 16 . reumatismos e muitas outras doenças auto-imunes (SLOAN. Principais frutas nativas na região Centro-Oeste do Brasil Nome popular Abacaxi do cerrado Amora preta Amora-do-mato Araçá Araçá-branco. 2001). em função da demanda apresentada pelo mercado. nas Centrais de Abastecimento (CEASAs) e. Fibras.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 do cerrado e suas folhas e cascas são empregadas na medicina popular (SILVA et al. minerais e antioxidantes caracterizam a função diferenciada que as frutas exercem sobre o adequado desenvolvimento e funcionamento do organismo. A. As frutas nativas identificam-se perfeitamente com o perfil da pequena propriedade rural. até mesmo. O crescente aumento no consumo de frutas constitui uma importante tendência da década. Psidium pohlianum Psidium myrsinoides Annona crassiflora. catarata. em redes de hipermercados. araçá Araticum. marolo Babaçu Bacupari Bacupari. vitaminas. ao mesmo tempo. 1999. melhorar o padrão de qualidade de vida dos agricultores e gerar emprego e renda para as comunidades rurais. está provocando uma mudança nos hábitos alimentares da população. nas margens das rodovias. à busca por uma dieta mais saudável e às grandes variedades de sabores e cores que as frutas tropicais conferem as refeições. cânceres. KAUR e KAPOOR. saputá Bacuri Banha de galinha Baru Buriti Nome científico Ananas ananassoides Rubus brasiliensis Ximenia americana Psidium firmum. 2001).

B. Marmeladade-cachorro. umbelata. B. macrophylla Melacium campestre Byrsonima coccolobifolia. B. muricizão Murta Mutamba. guardneriana Inga alba Jacaratia heptaphylla Hymenaea stigonocarpa. C. piaçaba Chichá Coco-guariroba Coco-indaiá Coquinho Curriola. H. crassa. H. coubaril Genipa americana Syagrus romanzoffiana Solanum lycocarpum Acrocomia aculeata Brosimum gaudichaudii Carica glandulosa Hancornia speciosa Passiflora spp.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Nome popular Buritirana. lutea Anacardium othonianum Anacardium pumilum Anacardium occidentale Attalea barreirensis Attalea exigua Sterculia striata Syagrus oleracea Attalea geraensis Syagrus flexuosa Pouteria ramiflora. variabilis Byrsonima verbascifolia Eugenia punicifolia Guazuma ulmifolia Capítulo 1 Família Arecaceae (Palmae) Myrtaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Sterculiaceae Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Sapotaceae Chrysobalanaceae Myrtaceae Bromeliaceae Sapotaceae Leguminosae Caricaceae Leguminosae Rubiaceae Arecaceae (Palmae) Solanaceae Arecaceae (Palmae) Moraceae Caricaceae Sapotaceae Passifloraceae Rubiaceae Rubiaceae Rubiaceae Cucurbitaceae Malpighiaceae Malpighiaceae Myrtaceae Sterculiaceae 17 . cambessedeana Bromelia balansae Pouteria cf. Grão-de-galo Fruta-de-ema Gabiroba Gravatá Guapeva Ingá Jacaratiá Jatobá Jenipapo Jeriva Lobeira Macaúba Mama cadela Mamãozinho-do-mato Mangaba Maracujá do cerrado Marmelada de bezerro. embira Nome científico Mauritiella armata Eugenia dysenterica Spondias cf. B. goiaba preta Marmelada-de-cachorro Marmelada Melancia do cerrado Murici Murici. Alibertia edulis Alibertia sessilis Alibertia concolor. xiriri Cagaita Cajazinho do cerrado Caju-de-árvore-do-cerrado Caju rasteiro Caju Catolé Catolé. pachyphylla. A. torta Parinari obtusifolia Campomanesia pubescens. stilbocarpa. P.

A seleção de espécies proposta neste trabalho visou destacar as frutas que apresentam maior potencial para a exploração sustentada a médio e a curto prazo. coriaceum Eugenia klostzchiana Eugenia lutescens Eugenia calycina Eugenia uniflora Talisia esculenta Manilkara spp. que não é mecanizada. e conservação pós-colheita. em 2005. associados ao desenvolvimento sustentável e às características da cultura regional. agora de uma forma empresarial. Bacupari Nome científico Diospyros burchelli Euterpe edulis Caryocar brasiliense. com perspectiva de fomentar seu uso pelo pequeno agricultor e por comunidades rurais. com especialistas nos grupos de espécies medicinais. ornamentais e forrageiras. da disponibilidade das frutas. fruteiras. que ainda não apresentam plantios comerciais. caqui-do-cerrado Palmito-da-mata Pequi Pêra do cerrado Perinha Pitanga vermelha Pitanga-roxa Pitomba da mata Pitomba-de-Leite Pitomba-do-cerrado Puça Sapucaia Saputá.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 Nome popular Olho-de-boi. do valor nutricional agregado. da facilidade ou dificuldade de colheita. de maior relevância para a região Centro-Oeste. com atividades como o eco-turismo associadas aos produtos locais. Desta forma. com base no seu potencial econômico. onde se procura agregar valor à propriedade agrícola. C. O projeto Plantas do Futuro1 teve como um de seus objetivos selecionar as espécies de frutas nativas da região Centro-Oeste que apresentam maior potencial 1 O projeto Plantas do Futuro foi realizado com apoio do PROBIO/MMA e coordenado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. As diferentes frutas nativas apresentam valores diferenciados em função do sabor e do aroma peculiar. nutricional. Eugenia luschnathiana Mouriri puça Lecythis pisonis Salacia elliptica Família Ebenaceae Arecaceae (Palmae) Caryocaraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapotaceae Myrtaceae Memecilaceae Lecythidaceae Hippocrateaceae SELEÇÃO DE FRUTAS NATIVAS A experiência demonstrada em países desenvolvidos. O projeto promoveu um seminário regional. torna-se evidente a abertura de um mercado de produtos locais. social e ambiental. A identificação das espécies de maior prioridade para pesquisa e desenvolvimento foi feita através de consulta participativa. aromáticas. tem levado a redescoberta destes produtos. 18 .

). para os seguintes impactos: • Impacto agronômico: viabilidade de sementes e/ou mudas. • Impacto econômico: capacidade atual ou potencial para geração de renda. 2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 para a exploração sustentada. protocolos e equipamentos para processamento pós-colheita.). minerais.). com notas variando entre 0 e 10. Araticum (Annona crassiflora Mart. A identificação das espécies de maior prioridade para pesquisa e desenvolvimento foi feita através de consulta participativa a profissionais de diferentes áreas técnicas e de diferentes instituições (privadas. Buriti (Mauritia flexuosa L. governamentais e não governamentais). Cagaita (Eugenia dysenterica DC. A consulta visou avaliar o grau de impacto exercido pelas frutas nativas conhecidas por cada um dos consultores.).). social e ambiental. • Impacto ambiental: potencial para exploração sustentada.f. etc. Caju (Anacardium othonianum Rizzini). resistência a pragas e doenças.). O resultado da avaliação foi discutido pelos participantes e as espécies de frutas nativas pré-selecionadas foram classificadas em dois grupos. nutricional. Maracujá do cerrado (Passiflora setacea). • Impacto nutricional: potencial alimentar e valor nutricional da fruta (teor e biodisponibilidade de vitaminas. ex Hayne). • • • • • • • • Mangaba (Hancornia speciosa Gomes).). Frutas de elevado potencial de exploração sustentada a curto prazo: • Pequi (Caryocar brasiliense Camb. com perspectiva de fomentar seu uso pelo pequeno agricultor e por comunidades rurais. antioxidantes. Frutas com potencial de exploração sustentada a médio prazo: • Jatobá (Hymenaea stigonocarpa Mart. Baru (Dipteryx alata Vog. • Impacto tecnológico: disponibilidade atual de técnicas. de acordo com a perspectiva de fomentar seu uso pelo pequeno agricultor e por comunidades rurais. produtividade no campo. 19 . favorecendo a preservação da espécie nativa considerada. Berg. Gabiroba (Campomanesia cambessedeana O. 1. tanto no campo quanto na indústria. com base em seu potencial econômico. etc. • Impacto social: potencial para enriquecimento da alimentação regional e/ ou geração de emprego e renda na agricultura familiar.

originando os próximos capítulos desta publicação. pesquisas participativas com as comunidades devem ser iniciadas como forma de garantir a sustentabilidade ecológica deste sistema e a sobrevivência destas comunidades.). complementadas e compiladas. Devido à forma de exploração atual. PRINCIPAIS AÇÕES E NECESSIDADES DE PESQUISA Nos últimos anos. onde ocupa um nicho nas encostas. foi constatado. caracterização da variabilidade genética destas fruteiras e sua conservação in situ e ex situ. Araçá (Psidiumguianeense Swartz). Coquinho (Butia capitata (Mart. destacando-se dois eventos exclusivos: o Simpósio sobre a Cultura da Mangaba. em Montes Claros. ensino. melhoramento. Na área de tecnologia pós-colheita. não adequado para a mecanização ou ocupação agrícola. em bancos de germoplasma e coleções devem ser priorizadas como forma de preservar estas espécies. em Aracaju. extrativista e predatória. mas esta espécie pode se tornar de grande importância para o extrativismo na primeira região. Abacaxi do cerrado (Annanas ananassoides (Baker) L. Em relação ao cultivo. muitos estudos ainda precisam ser realizados nas áreas de propagação e plantio. Pêra do cerrado (Eugenia klotzchiana Berg. órgãos de pesquisa. além de investir na conscientização dos agricultores quanto à importância de preservá-las e utilizá-las de forma racional e sustentável. em novembro de 2005. e o Fórum Nacional de Pesquisadores e Extrativistas do Cerrado.B. em dezembro de 2003. As informações sobre cada uma destas 16 espécies foram discutidas (Tabela 2). que se dispõem na forma de uma revisão técnico-científica. práticas culturais. fitossanidade. MG.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil • • • • • • Capítulo 1 Jenipapo (Genipa americana L. Smith). sistemas de produção e colheita. Murici (Byrsonima verbascifolia (L) DC. pesquisas sobre a melhor forma de processamento.). que inúmeras questões básicas ainda precisam ser respondidas.). durante o Seminário Plantas do Futuro/2005. é de fundamental importância a realização de pesquisas nas áreas de conservação de recursos genéticos.). Atividades como coleta. A mangaba e o pequi são as espécies com maior volume de informações disponíveis na literatura. ora ameaçadas pela expansão da agricultura na região. Apesar do esforço de vários grupos de cientistas no estudo das fruteiras nativas da região do cerrado nos últimos 30 anos. sobre o pequi. A importância econômica e social da mangaba na região Centro-Oeste não se compara à importância da mesma fruta no Nordeste brasileiro.) Becc. proteção ambiental e extensão rural da região têm estudado e divulgado o potencial de utilização das espécies do cerrado. SE. Desta forma. conservação eficiente e obtenção de padrões de qualidade precisam 20 .

Para favorecer a comercialização do produto. Considerando a relevância das espécies frutíferas nativas da região Centro-Oeste e o atual estado da arte da pesquisa. o mercado e a agregação de valor se faz importante. a condução de trabalhos em redes. as estratégias para divulgação dos resultados de pesquisa e treinamento de pessoal devem ser especialmente planejadas e implementadas. com a participação de equipes multidisciplinares e multi-institucionais. visando priorização em pesquisa e desenvolvimento Categorias Abacaxi-do-cerrado Pêra-do-cerrado Coquinho Mangaba Gabiroba Maracujá Jenipapo Araticum CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Cagaita Jatobá Murici Araçá Conhecimentos disponíveis Importância Social Importância ambiental Conservação Necessidade de conservação de germoplasma Melhoramento realizado Variabilidade genética Uso e Manejo Uso múltiplo da espécie Uso Consorciado com pastagem Alternância de produção de frutos** Densidade no ambiente de ocorrência Freqüência ou distribuição Necessidade de manejo no cerrado 2 1 3 3 2 3 2 1 3 1 1 2 1 1 3 3 1 3 2 1 3 3 2 2 1 2 3 3 1 3 2 2 1 2 2 3 2 2 3 3 1 3 2 3 1 2 1 2 1 3 3 3 1 2 3 1 3 3 3 3 2 1 3 3 1 3 2 2 3 3 1 2 2 3 3 3 1 3 2 3 3 3 2 2 1 3 3 3 1 3 3 1 3 3 2 2 2 3 3 3 1 3 2 1 2 3 3 2 1 1 3 3 1 2 2 3 3 2 3 2 2 1 3 3 1 2 2 3 3 1 2 2 3 2 3 3 1 3 2 1 1 2 1 3 1 1 3 3 1 3 2 1 3 1 2 3 1 2 3 3 1 3 2 1 2 3 3 1 Pequi Buriti Baru Caju 3 3 3 3 1 3 3 2 2 1 3 3 2 1 3 3 1 3 1 1 1 1 1 3 21 . Em se tratando de frutas nativas. que geralmente são produzidas e comercializadas pelo pequeno agricultor e pelas comunidades locais. Visando ainda. Critérios e conhecimento disponível para cada fruta nativa. maximizar o uso dos recursos financeiros e econômicos. sugere-se também. a implementação de avaliações sobre a cadeia produtiva. sugere-se aos órgãos de fomento à pesquisa direcionarem recursos financeiros e incentivos a projetos que proponham o aprimoramento do conhecimento técnico-científico sobre as espécies de fruteiras nativas ora selecionadas. Tabela 2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 1 ser estimuladas e desenvolvidas.

*Com quebra de dormência.média.alta. Brasília. 3. 2005: 1.baixa. ** variação de produção em função do ano.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Categorias Abacaxi-do-cerrado Capítulo 1 Coquinho Mangaba Gabiroba Maracujá Jenipapo Araticum CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Potencial para Cultivo Facilidade de obtenção de sementes Facilidade de propagação por semente Facilidade de propagação assexuada Presença de mudas no campo Taxa de estabelecimento pósplantio Potencial de produção de frutos por planta Tolerância a pragas e doenças Conhecimento sobre práticas culturais Potencial de adaptação ao cultivo Período juvenil curto Comercialização Facilidade de transporte e armazenamento Extensão da safra Freqüência de adultos produtivos Porcentagem de fruto aproveitável Tecnologia de processamento Padrões de qualidade para processamento Valor nutricional Importância comercial e mercado Aceitação do fruto (sabor e aroma) 2 1 3 2 3 3 2 1 3 3 3 3 1 3 3 3 1 1 3 3 2 2* 2 1 2 1 1 1 1 3 3 3 2 3 3 3 3 1 1 2 3 2* 1 3 3 3 3 1 1 1 3 3 1 3 3 3 3 1 1 2 3 3 3 2 3 2 1 2 3 3 3 1 1 1 3 3 3 1 3 2 3 3 1 3 2 3 1 1 2 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 3 3 3 2 3 3 3 2 3 2 3 3 3 1 1 2 2 1 3 3 2 2* 3 1 3 1 1 2 3 3 3 1 1 1 2 3 2 1 1 2 2 1* 2 1 2 3 1 1 1 1 2 2 3 3 1 1 1 1 1 1 3 3 2 1 1 2 2 2 2 2 1 1 2 1 2 2 2 3 2 3 3 2 2 2 3 2 3 3 3 3 2 1 3 1 2 1 1 3 2 2 1 1 1 1 2 1 2 2 3 2 2 3 2 3 2 3 3 2 1 2 2 2 1 1 3 2 2 1 2 2 2 3 1 3 1 2 1 2 1 1 3 2 2 3 3 2 2 2 1 1 2 2 2 2 2 2 3 3 3 2 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 2 2 2 2 3 2 2 2 2 3 3 2 Critérios e categorias estabelecidas no Seminário Plantas do Futuro. 22 Pêra-do-cerrado Cagaita Jatobá Murici Araçá Pequi Buriti Baru Caju 1 3 1 2 3 3 2 1 3 3 1 1 1 2 1 1 1 1 2 . 2.

II. 33-39. Caracterização de sub-populações de cagaita (Eugenia dysenterica DC) da região sudeste do estado de Goiás. MENDONÇA. S. 5. Rio de Janeiro: IBDF. Documentos. DF. F. 747 p. M. O pequizeiro (Caryocar brasiliense. Gabirobas.. M. Cambess. 759-763. p. L. v. n. v. 1. ALMEIDA. Cozinha goiana. 7. mangaba. 2. J. cagaita e jatobá.. ed. de. Frutos comestíveis do Distrito Federal. S. Brasília. B. Brasília. MOREIRA. 2001. S. Brasil Florestal. 1999. Frutos comestíveis nativos do Distrito Federal. 464 p. DF. W. p. de. S. 26). S. 1926. FERREIRA. 188 p. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 170 f. P. pitangas e aracas. p. M. J. C. p. v. E. C. 1997. Brasília. BEZERRA. 1978. ed.. AGUIAR. E. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Piqui. 2000. 2. C. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos cerrados: araticum. Brasilia. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. L. 5. 11-15. SILVA... de. M. A. 4. 1975. P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. 20. v. International Journal of Food Science and Technology. (EMBRAPA-CPAC. Estudo preliminar do baru (Leg. FERREIRA. Cerrado: aproveitamento alimentar.. 6.). Universidade 23 . FILGUEIRAS. Brasil Florestal. R. RIBEIRO. 28-31. 1970. RIBEIRO. KAUR. de. 22. v. Tese (Mestrado) . 1988. P. S. Rio de Janeiro: Kelps Editora. H.. 1972. 1998. p. Cerrado. marolo e mamãozinho. KAPOOR. 1973. n. p. Cerrado. P. J. G. v.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Capítulo 1 ALMEIDA. P. I. 507p. P. CORRÊA. J. M. B. HERINGER. n. 83 p. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. F. n. 687 p. 36. Rio de janeiro: Ministério da Agricultura: Imprensa Oficial. T. 5. B. barú. B. v. Oxford. SILVA. ALMEIDA. Brasilia. 18. GB. 703725. Área e população do Cerrado. P. Review – antioxidants in fruits and vegetables: the millennium’s health. da S. CORRÊA. n. PEREIRA.Faculdade de Agronomia. PROENÇA. 32. 1. ORTÊNCIO. SANO. da. 1987. 22-25. v. E. Faboideae). Pesquisa Agropecuária Brasileira. H.

491-495. n. v.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Federal de Goiás. D. Goiânia.. Planaltina. 24 . p. SILVA. Crescimento e sobrevivência de mudas de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC) nas condições do cerrado. BORGES. da. US. v. I. A.. A. R. J. A. N. 2. L.. D. Chicago.. Capítulo 1 SILVA. E. 2001. SILVA.. n. SOUZA. de. LEANDRO. J. D. 1999. 178 p. R. Frutas do cerrado. 1994. R. JUNQUEIRA. Top trends to watch and work on for the millennium. Revista Brasileira de Fruticultura. T. CARNEIRO. JUNQUEIRA. 53. ANDRADE. Food Technology.. BA. L. Frutas nativas dos cerrados. T. 166 p. M. SILVA. B. B.. J. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. F. 2002. E. SLOAN. ANDRADE. N. DF: EMBRAPA CPAC: EMBRAPA SPI. Cruz Das Almas. M. V. V.. 24.. 8. M. W. B. V. NAVES. R.

.

Smith. Ananas ananassoides (Baker) L. NOME CIENTÍFICO: Ananas ananassoides (Baker) L. maya piñon. ananás-de-raposa (Brasil. Sinonímia: Ananas comosus var. Smith. piñuela.B. ananás-do-índio (Figura 1).B. Pará). Figura 1.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 ABACAXI DO CERRADO Francisco Ricardo Ferreira Alessandra Pereira Fávero José Renato Santos Cabral Fernanda Vidigal Duarte Souza NOMES COMUNS: ananaí ou nanaí. 26 . curibijul. ananassoides (Baker) Coppens e Leal.

Distribuem-se por ampla área geográfica. Essas espécies abrem os estômatos a noite. com exceção da Pitcairnia feliciana (Aug. desde o centro dos Estados Unidos até as regiões norte da Argentina e do Chile (SMITH.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 2 O abacaxi do cerrado pertence à ordem Bromeliales. seis estames. As bromeliáceas possuem um grande poder adaptativo.Chev. o qual é transformado em glicose pelo efeito da luz solar durante o dia (FERREIRA et al. flores geralmente hipógenas. A maioria das espécies é epífita. uma roseta de folhas estreitas e rijas. família Bromeliaceae. uma via metabólica para síntese de carboidratos. 1934). flores hipógenas e epígenas. adaptadas à dispersão eólica. nuas. sob umidade elevada a condições extremamente áridas. (vii) metabolismo CAM (crassulacean acid metabolism). (ii) habilidade de absorver água e nutrientes através das folhas e raízes aéreas. período em que absorvem o dióxido de carbono. nativa da Guiné. armazenamento e economia de água e nutrientes. Estão dispersas desde o leste brasileiro até a bacia amazônica. como é o caso das bromeliáceas. Desenvolveram estruturas e mecanismos particularmente adaptados para absorção. (v) espessa cutícula.. ovário súpero a ínfero. As Pitcarnioideae são geralmente terrestres. são as mais numerosas. esta é a maior família de distribuição natural restrita ao Novo Mundo.) Harms e Mildbr. trímeras. trilocular. O sistema radicular não é bem desenvolvido e sua função é principalmente voltada para a fixação da planta. com a margem das folhas lisas. desde ambientes com sombreamento total àqueles expostos a pleno sol. foco de maior atenção neste trabalho. actinomórficas. (iii) tecido aqüífero especializado das folhas com habilidade de armazenar água. outras são rupícolas ou terrestres. (vi) localização dos estômatos em sulcos limitando a evapotranspiração e. visto que o hábito de comportamento pode variar de terrestre a epífita. Com aproximadamente 50 gêneros e cerca de 2000 espécies. flores hermafroditas. que é o metabolismo ácido das crassuláceas. com as margens das folhas armadas. armazenando-o sob a forma de ácido málico. sementes pequenas. (iv) tricomas multicelulares que refletem a radiação. inflorescências terminais racemosas ou paniculadas. que são: (i) estrutura da roseta foliar. 2005). vegetam em vários tipos de habitat. e a Bromelioideae. As Tillandsioideae incluem mais espécies epífitas. e cápsulas deiscentes e secas contendo muitas sementes plumosas. As bromeliáceas são divididas em três subfamílias: a Pitcarnioideae. com boa diferenciação entre cálice e corola. aladas ou pilosas. cápsulas secas e deiscentes contendo sementes nuas ou com apêndice. a Tillandsioideae. subfamília Bromelioideae. principalmente plantas de folhas suculentas. As Bromelioideae. que algumas espécies apresentam. frutos tipo cápsulas ou bagas. São preferencialmente 27 . com endosperma reduzido e um pequeno embrião. com placenta axilar e numerosos óvulos. e em clima quente e tropical úmido a frio e subtropical seco. adaptadas à dispersão eólica. desde o nível do mar até altitudes elevadas. As bromeliáceas caracterizamse pelo talo curto.

Posteriormente. Smith e M.) Merril] é a espécie mais importante da família Bromeliaceae. Mostram a tendência de fusão de algumas partes da flor. 1998). Escapo alongado. B. longifolia (Rudge) L. nidus-puellae (André) André ex. Morren) L. subfoliáceas. A.B. nudicaulis (L. 1990. Smith. A. originando a formação de frutos indeiscentes e fusão em diferentes níveis de sépalas. 1998. fusão entre carpelos. englobando diversas regiões brasileiras e alguns países circunvizinhos. O abacaxi cultivado [Ananas comosus (L. Atualmente a classificação taxonômica dos gêneros Ananas e Pseudananas. 1998).) Grisebach. balansae Mez. contendo sementes nuas e adaptadas à dispersão por pássaros ou mamíferos. ou karatas. o centro de origem do gênero Ananas. justificando que a flora desta região é endêmica e contém o maior número de espécies do gênero Ananas. algumas espécies de Aechmea e Bromelia produzem frutos comestíveis. Atualmente sabe-se que o centro de diversidade do gênero Ananas é muito mais amplo.. DUVAL et al. brácteas escapulares largas. 1952.A. baseada em observações morfológicas e estudos com marcadores moleculares (LEAL. pinguin L.. 2005). karatas L. 2005). chrysantha Jacquin. hemisphaerica Lamarck. piñuelas (abacaxi pequeno). que inclui Ananas comosus (L. na formação de frutos sincárpicos devido à fusão dos ovários (Ferreira et al.B. espécie à qual pertencem todas as cultivares de abacaxi de interesse frutícola. para extração de fibras ou usadas na medicina tradicional (CORRÊA. Leal e Antoni (1981) propõem nova área. B. B. foi definido como a região compreendida entre 15ºS e 30ºS de latitude e 40ºW e 60ºW de longitude. B.) Merril. subdensamente serrilhadas. notadamente da região Amazônica (FERREIRA et al. pétalas e filamentos. PURSEGLOVE. estreitas. A. particularmente. geralmente de largura inferior a 4 cm. No entanto.. 1960). gravatá e croatá. na mesma subfamília Bromelioideae. delgado. B. DESCRIÇÃO O Ananas ananassoides (Baker) L. nas espécies do gênero Ananas. Outras bromeliáceas são cultivadas como plantas ornamentais. B. RIOS e KHAN. lâminas lineares. área que engloba o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil e Nordeste do Paraguai (COLLINS. diâmetro geralmente inferior a 15 mm. por exemplo. está passando por modificações.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 epífitas apresentando folhas freqüentemente espinhosas. 2005) Inicialmente. Esta tendência pode ser observada. plumieri (E. 1983. kuntzeana Mez. Bromelia antiacantha Bertoloni. como. 28 . B. e B. Smith apresenta folhas com até 2m de comprimento..Spencer. Mez. espinhos ascendentes.. derivados de nomes indígenas e atribuídos às bromeliáceas terrestres. 1972. flores epígenas e frutos do tipo baga coriácea. longas. trianae Mez (RIOS e KHAN. REITZ. como Aechmea bracteata (Swartz) Grisebach.B. LEAL e COPPENS d’EECKENBRUGGE. na região localizada entre 10ºN e 10ºS de latitude e 55ºW e 75ºW de longitude. Os mais comuns são localmente consumidos e conhecidos através de nomes vulgares como cardo ou bananado-mato.

nas Guianas. globular a cilíndrico. Portanto. O Ananas ananassoides pode ser propagado de forma sexuada. Segundo Fávero et al. inferior a 15 cm de comprimento. onde formam populações de densidades variáveis. ocorre uma ampla variabilidade genética desses dois gêneros nas condições brasileiras. Devido a sua adaptação a diferentes tipos de condições climáticas. (2006). Na natureza. planaltos ou planícies. de Norte a Sul do Brasil. com a capacidade de retenção de água limitada. alguns genótipos têm sido observados em florestas tropicais densas. ananassoides têm como principais características sua ocorrência em latossolos. No entanto. roseta de brácteas foliáceas apical (coroa). arenosos e pedregosos. ao Leste dos Andes. Adaptou-se aos solos pobres. ananassoides tem comportamento cosmopolita. portanto. Centro-Oeste e parte do Nordeste do Brasil. no Paraguai e Norte da Argentina. O Ananas ananassoides tem ocorrência generalizada em varias regiões do Brasil. relativamente bem desenvolvida na maturação. o que confere maior alento 29 . Fruto com pouco desenvolvimento após a antese. altitude entre 0 a 800m e temperatura média de 23 a 27˚C ( Fávero et al. o Ananas ananassoides está amplamente distribuído na natureza. através de sementes ou de forma assexuada. ananassoides é nativo principalmente nas condições de vegetação de cerrado. firme e fibrosa. com altos teores de açúcar e ácido. apresentando grandes variações morfológicas atribuídas principalmente à origem sexual (DUVAL et al. também. sendo. 1993) ou em florestas pouco sombreadas. a maior parte das populações é monoclonal. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Ananas ananassoides é a espécie do gênero com maior variabilidade morfológica e ampla distribuição geográfica.. 1997). geralmente com muitas sementes. de ocorrência na região Norte. O Brasil é um dos principais centros de diversidade genética de Ananas e Pseudananas. as populações de origem seminífera. Distribui-se por toda a América do Sul tropical. em depressões.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 Inflorescência pequena a média com 15 cm de comprimento no máximo. porém algumas são policlonais e existem. 2006). tamanho de pequeno a médio. geralmente menor. As regiões de coleta de A. ASPECTOS ECOLÓGICOS O A. fixado a um pedúnculo longo e fino. através de mudas. A. Vegeta em savanas (cerrados) e em campinas amazônicas (LEME e MARIGO. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade e erosão genética. Ocorre da Colômbia à Guiana Francesa. argissolos ou neossolos. assim como em outros paises circunvizinhos. polpa branca. a espécie com maior diversidade do gênero Ananas. globosa a cilíndrica.

projetos de coleta. que conta atualmente com 734 acessos. dentre outros países e também em outras instituições brasileiras. Os principais bancos de germoplasma de Ananas são: o da Embrapa Mandioca e Fruticultura. a ação antrópica. principalmente para características que visam o melhoramento do abacaxi para a produção do fruto (SANTOS et al. 1998).. Austrália. SOUZA et al. no Havaí. 1999. Para minimizar os efeitos da erosão genética. Taiwan. DUVAL et al. Okinawa. BA (Figura 2). 30 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 para a sua preservação. pela expansão da fronteira agrícola. 2005). ananassoides. Outros bancos menores são mantidos em instituições públicas na Venezuela. em Cruz das Almas. O material do BAG está parcialmente caracterizado e avaliado. a conservação. 2001. intercâmbio e conservação de germoplasma de abacaxi. a caracterização e a avaliação de germoplasma de abacaxi. na Martinica.. pela ampliação dos centros urbanos. a erosão genética devido. QUEIROZ et al.. CABRAL et al. principalmente. desenvolvem há mais de duas décadas. dentre outros.. e o do USDA (United States Department of Agriculture). o do CIRAD (Centre de Coopération Internationale em Recherche Agronomique pour le Développement). têm sido desenvolvidos projetos de coleta.. Malásia. A coleta. 2000.. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Mandioca e Fruticultura. 2003. 2002). Costa do Marfim. tem reduzido populações causando perda de material genético. EUA. 2003. Não obstante.1998. pela construção de barragens. podem indicar genótipos que apresentem características para uso direto por parte dos produtores e/ou que tenham interesse imediato ou potencial para a utilização em programas de melhoramento genético (Ferreira e Cabral. Conservação de germoplasma. conservação e uso de germoplasma de A. incluindo Ananas ananassoides. FERREIRA e CABRAL. 2004. QUEIROZ et al. através dos quais foi possível montar um Banco Ativo de Germoplasma (BAG). sendo cerca de 15% (112 acessos) de Ananas ananassoides (CABRAL et al. FERREIRA e CABRAL.

‘Amarelo x Rondon’. 1939). que permitiram coletar mais de 400 acessos. O CIRAD-FLHOR iniciou a formação de um banco de germoplasma de 31 . Posteriormente. dentre outros. foram incrementados intercâmbios com bancos nacionais e internacionais. Embrapa Mandioca e Fruticultura. Também foram organizadas várias expedições de coleta.. iniciando-se. de folhas completamente inermes. Em 1938 foram obtidos os primeiros híbridos de ‘Branco x Rondon’. foi enriquecida com novas coletas e introduções. que na década de 30. deste então. em Cruz das Almas. O primeiro banco de germoplasma de abacaxi foi constituído no Havaí para sustentar o programa de melhoramento do “Pineapple Research Institute” daquele estado americano. organizaram expedições de coleta na América do Sul e reuniram representantes de várias espécies e cultivares tradicionais (BAKER e COLLINS. a importação de acessos de diversos países. Banco de germoplasma de Ananas ananassoides (Baker) L. Smith.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 Figura 2. a partir de 1914.B. Naquela época. Em 1977 a EMBRAPA iniciou seu programa de melhoramento e conservação de germoplasma de abacaxi e. característica conferida pela cultivar Rondon. conscientes da variabilidade genética limitada dos materiais disponíveis. ‘Viridis x Rondon’. Em 1929 foi iniciada uma coleção de espécies e variedades de Ananas no Instituto Agronômico do Estado de São Paulo (IAC). 1939). BA. a coleção do IAC era composta por cerca de 20 acessos (CAMARGO. os melhoristas Baker e Collins (1939).

houve a conscientização por parte dos melhoristas para a necessidade de se ampliar a diversidade genética para que se aumentasse a eficiência dos programas de melhoramento. várias parcerias permitiram uma ampliação importante dos recursos genéticos disponíveis. foi possível resgatar e conservar. Esse banco foi transferido inicialmente para Costa do Marfim. Amazonas (Rio Negro em julho-agosto/1993. em Cruz das Almas – BA. Além das parcerias estabelecidas e voltadas para a coleta de germoplasma. propiciou a execução de quatro expedições de coleta na Venezuela. a EMBRAPA iniciou uma parceria com o CIRAD-FLHOR. o FONAIAP (Venezuela). mais de uma centena de acessos de Ananas ananassoides. composto por cultivares importadas. Em 1989. em 1958. no BAG da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. muitos dos quais foram coletados em condições de cerrado. Nas últimas décadas. e posteriormente. Este projeto teve como objetivo em curto prazo a caracterização morfológica. Surgiu também a necessidade do estabelecimento de parcerias no trabalho de pesquisa. outras formas de enriquecimento das coleções vêm sendo conduzidas. Desde 1997. Acre e Norte do Mato Grosso (setembro-outubro/1992). Seis expedições de coleta foram organizadas: no Amapá (junho-julho/1992). de coleta e de conservação dos recursos genéticos. com apoio da União Européia. 1986). Todo esse material vem sendo mantido em campo. dentre elas. o intercâmbio bilateral entre países tem proporcionado a ampliação da variabilidade genética disponível para os diferentes programas de melhoramentos desenvolvidos ao redor do mundo. Graças a esse esforço que foi empreendido para alavancar os programas de melhoramento de abacaxi. visando à obtenção a médio prazo de variedades melhoradas. na Guiné. dentro de um projeto financiado pela Comunidade Européia. Guiana Francesa (março-abril/1993). em 1985. Uma primeira parceria entre a Universidade Central de Venezuela e o CIRAD-FLHOR. uma nova parceria reúne a EMBRAPA. como a fusariose. Rio Solimões em novembro-dezembro/1993) e Sul e Sudeste do Brasil (maio-junho/1994). o CIRAD-FLHOR e a Universidade do Algarve (Portugal) em um projeto comum de avaliação de germoplasma de abacaxi. 32 . Essa conscientização surgiu em vários países. Foram coletados 413 acessos de espécies silvestres e clones de cultivares tradicionais. com a colaboração do IPGRI (International Plant Genetic Resources Institute). a mancha negra.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 abacaxi em 1940. uma duplicata do banco foi instalada na Martinica. agronômica e molecular do material vegetal coletado recentemente. com destaque para a pesquisa que visa à identificação de fontes de resistência às doenças e pragas importantes. a broca Strymon basilides (Geyer) e vários nematóides. Ao longo do tempo. resultando em uma centena de clones silvestres e cultivares tradicionais que foram mantidos na Venezuela e na Martinica (LEAL et al.

como pedúnculo longo e firme. com alto teor de açucares e também com alta acidez. infrutescência e coroa colorida. refrescos e sorvetes. através de seleção. Foto: Marie France Duval. com a inserção fruto–pedúnculo resistente. pois suas flores e frutos possuem pedúnculo longo permitindo o corte e o uso em arranjos. entre outras. com durabilidade de até 40 dias. chegar-se a frutos mais próximos dos padrões de consumo. ou em pequenos plantios em quintais. geralmente são usadas pelas populações locais e raramente são comercializadas. muito fibrosos. a espécie pode ser utilizada como planta produtora de fibra. de forma extrativa. A planta e o fruto são utilizados.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO Capítulo 2 O fruto de Ananas ananassoides apresenta características muito rústicas. o fruto pode ser consumido ao natural. Figura 3. Ananas ananassoides tem um grande potencial no ramo do agro-negócio de planta ornamental (Figura 3). relação coroa-fruto próximo a um. como medicinal. ou como ornamental. Não obstante esses aspectos. Arranjo feito com infrutescências e folhas de Ananas ananassoides. via de regra. De maneira geral os frutos são pequenos. mas principalmente pode ser utilizado na confecção de sucos. Alem disso. Atividades de prémelhoramento têm sido realizadas com essa espécie no intuito de buscar diversas características de interesse em um só material. o que confere um sabor pouco agradável. industrial (produção de bromelina). 33 . evidenciando uma espécie que necessita ser domesticada e.

quando consumido in natura. mantendo o genótipo igual ao do genitor. Cunha et al. e pode ser hibridizada com diversas outras espécies em condições naturais ou artificiais. como a maioria das espécies de Ananas. floração artificial. o fruto é conservado na planta até o momento de sua utilização. (2000) apresentam detalhes do cultivo de abacaxi. para consumo familiar. rica em vitamina C e em elementos minerais. (1978) dão mais detalhes da composição do fruto de abacaxi. os produtos são confeccionados de forma artesanal e em condições caseiras. mas para propagação comercial. com alta acidez e.. confirmando que é um fruto rico em vitaminas. onde ocorre segregação. A propagação por sementes é utilizada nos trabalhos de melhoramento. é de fácil cultivo. 34 . preparo e correção do solo. de ampla adaptação em vários ambientes. principalmente por ser rústica. tendo em vista a similaridade que deve ocorrer em ambas as espécies. tratamento fitossanitário. é considerada uma espécie alógama. 2003). tais como. especialmente vitamina C e também muito rico em potássio. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Esta espécie. colheita. Os dados de caracterização e avaliação de germoplasma têm mostrado que se trata de uma planta com frutos com altos teores de açucares. Os tratos culturais. etc. não se dispõe de muita informação sobre tecnologia e processamento pós-colheita. Como o Ananas ananassoides é geneticamente muito próximo do abacaxi cultivado (Ananas comusus). VALOR NUTRICIONAL São poucos os estudos de composição nutricional de Ananas ananassoides. Sementes foram estudadas para a conservação in vitro da espécie e seu uso no melhoramento (FIGUEIREDO et al. O fruto. Pode ser propagada por sementes e por mudas. recomenda-se a utilização da muda. de uso imediato e de grande potencial para a exploração sustentada por pequenos agricultores da região do cerrado.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Capítulo 2 Como a produção é consumida logo após a colheita. plantio. (1999) e Reinhardt et al. é colhido e imediatamente utilizado. De maneira geral. Medina et al. por exemplo. Neste particular. ananassoides. provavelmente. Tendo em vista o aspecto peculiar de extrativismo ou cultivo caseiro. A. podem ser adaptados do abacaxi (Ananas comusus). adubação. pode-se supor que os dados da composição química de ambos possam ter alguma semelhança.

em função da sua beleza. Já do ponto de vista social. o que favorece as espécies de clima tropical e. A produção de abacaxi ornamental é ainda muito pequena. é uma atividade pouco expressiva. exuberância e durabilidade das suas flores. quando comparadas com as flores comumente utilizadas. como as rosas. esta atividade. mas o mercado é crescente. é uma espécie 35 . dentre outros fatores. pela maior longevidade das inflorescências. Atualmente. de protocolos para a propagação in vitro tanto do Ananas lucidus como da variedade porteanus (CORRÊA. tem importância relevante. principalmente o mercado exportador. em pequenas áreas de agricultura familiar.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Capítulo 2 A exploração de Ananas ananassoides para obtenção de fruto é ainda incipiente. no país.2 bilhões. Para a exploração de Ananas ananassoides como planta ornamental. podese trabalhar com ótimas perspectivas. Há espaço no mercado mundial para maior participação de flores não tradicionais. Atualmente. encontram-se microrregiões excepcionalmente favoráveis (LAMAS. CONSIDERAÇÕES FINAIS O abacaxi do cerrado. do ponto de vista econômico. tendo em vista que o Produto Interno Bruto do negócio envolvendo flores e plantas ornamentais. apresenta um grande potencial. A produção de mudas de qualidade foi possível graças ao desenvolvimento. ambos parentes silvestres de Ananas ananassoides. alem de prover uma fonte alternativa de alimentação saudável. retorno financeiro mais rápido e é praticada. pelo fato de ser a atividade agrícola que pode proporcionar maior rentabilidade por área cultivada. Dentre as plantas tropicais utilizadas como ornamentais. está estimado em US$ 1. tendo em vista a sua enorme diversidade genética. Ananas ananassoides. a espécie Ananas bracteatus apresenta grande potencial pela beleza da inflorescência e da coroa. a espécie Ananas lucidus está sendo cultivada no Estado do Ceará e suas inflorescências exportadas para a Europa. portanto. 1999). 1952. CAVALCANTE et al. o abacaxi vem se destacando. tendo em vista a sua peculiaridade de fixar o homem no campo e oferecer formas alternativas de emprego e renda. 2002). principalmente as tropicais vem se expandindo na região Nordeste.. realizado pela Embrapa. O Ananas ananassoides objeto deste estudo. essencialmente. quer seja extrativista quer seja através de pequenos plantios. ainda pouco explorado para o agro-negócio ornamental. Este mercado vem crescendo cerca de 20% ao ano no Brasil. a única espécie do gênero Ananas nativo nas condições de vegetação de cerrado. no Brasil. com destaque para os Estados de Pernambuco. Ceará e Bahia. O mercado de flores e plantas ornamentais representa um importante papel social e na geração de empregos. o cultivo e a comercialização de plantas ornamentais.

J. Recife. F. M. 76. FERREIRA. COPPENS D’EECKENBRUGGE. The pineapple: Botany. SP. F. C. 1999. D. Florianópolis. 321-338. p. MATOS. v. 1999. Using chloroplast DNA markers to 36 . P. Columbus.. 80) CAMARGO. 1999. F. V. R.. J. Banco ativo de germoplasma de abacaxi da Embrapa Mandioca e Fruticultura. 2004. L. planta industrial para produção de bromelina. Expressão da variegação nas fases de estabelecimento de gemas e de multiplicação de brotos in vitro de Ananas bracteatus var. LEDO. SOUZA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. J. N. BUSO. R. 1 CD-ROM.. R.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 semidomesticada. 30 p. CAVALCANTE. com produção de frutos de qualidades muito inferiores ao abacaxi cultivado (Ananas comosus). A. R. CORRÊA. BA: Embrapa-CNPMF. DUVAL.. sendo que uma amostra representativa dessa variabilidade tem sido resgatada e está sendo conservada em bancos de germoplasma.. agroindústria e economia. v. L. FERREIRA. J. Cruz das Almas.. S. American Journal of Botany.).. 4 p. A. COLLINS.. SOUZA.. CALDA. S. Piracicaba. O. G. (Org. C. p. 1960. CUNHA.. apresentando plantas muito rústicas. Notes on the distribution and ecology of Ananas and Pseudananas in South America. CORREIA. como planta produtora de fibras. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. L. New York: Interscience Publishers. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS BAKER.. PAIVA. F. 3.. variegatus. HAMON. p. F. FERREIRA. 2004. In: ENCONTRO DE GENÉTICA DO NORDESTE. 1939. M. [Anais…].. e com grande e imediata perspectiva de planta ornamental. Ananas e abacaxi.l: s. 18.. Florianópolis. Revista De Agricultura (Piracicaba). [S. F. P. S.n]. 480 p.. 697-702. L. A. E.. J. CABRAL. J. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. S. v. US.. NOYER. J. F.. K. 1952. R. S. D. W. SANCHES. Análise multivariada na caracterização de germoplasma de abacaxi. (EMBRAPA-CNPMF. C. Documentos. M. 14. R. Brasília: Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia. sendo consumida localmente na forma extrativista ou através de pequenos plantios. cultivation and utilization. 1998. R. CABRAL. Anais. CABRAL.. 294p. A.. 1939. o Ananas ananassoides pode ser considerado uma espécie com múltiplas aptidões. P. B. G. FERREIRA. 26. M. P. Existe uma enorme variabilidade genética desta espécie dispersa na natureza. F.. SC: EPAGRI. Alem da produção de frutos. COLLINS. O abacaxizeiro: cultivo. 14.

CABRAL. DF. 24-28. Acesso em: 17 jun. Acta Horticulturae. J. Conservation and use of pineapple genetic resources in Brazil. J. Melhoramento genético do abacaxizeiro. F. IBGE . G. M. R.org/faostat/servlet/XteServlet3?Areas=862&Items=574&Ele ments=51&Years=2004&Frmat=Table&Xaxis=Years&Yaxis=Countries&Aggregate= &Calculate=&Domain=SUA&ItemTypes=Prodution. R. 1998.. A. R. In: INTERNATIONAL PINEAPPLE SYMPOSIUM. 93-107. 425. NUNES.. Acta Horticulturae.Sm.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 understand Ananas and Pseudananas genetic diversity. B.. R. 2003. NL. J.. F.sidra. S. A. R. Veracruz. p. R. J. F. HORTICULTURA TROPICAL EM REGIÕES SEMI-ÁRIDAS. L. 334. NORONHA. 2002. 34. FAO. CABRAL. 23-26. F. L. 2003. DUVAL.. 1997. M. p.Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. First results from joint EMBRAPA-CIRAD Ananas germplasm collecting in Brazil and French Guyana. S. The Hague.B. R.Primary&language=EN>. In: ENCONTRO DO TALENTO ESTUDANTIL DA EMBRAPA RECURSOS GENETICOS E BIOTECNOLOGIA. Pineapple germplasm in Brazil. R. p. Floricultura tropical: técnicas de cultivo. FERREIRA. IBGE. F. Germinação de sementes de Ananas ananassoides (Baker L. Programa e Resumos. n. Caracterização e avaliação de germoplasma de abacaxi nas condições do Distrito Federal. FERREIRA. The Hague.. 58. 67). E.. S. 137-144. FERREIRA. Acta Horticulturae. F. 37 . Identifying and mapping the area of occurrence of five species of Ananas in Brazil.. FERREIRA.. S. p. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE INTERAMERICANA DE HORTICULTURA TROPICAL. R. Fortaleza-CE.... CARDOSO. 2005. COPPENS D’EECKENBRUGGE. FÁVERO.gov. P. Acta Horticulturae (no prelo). p. 666.. Informe Agropecuario (Belo Horizonte). Food And Agriculture Organization Of The United Nations: 2005. 2002. FERREIRA. Belo Horizonte. Veracruz: International Society for Horticultural Science. MENDES. 8... 2005. Brasília. CABRAL.ibge. n.. FIGUEIREDO.br/bda/tabela/protabl>.) (Bromeliaceae) in vitro. S. FERREIRA. 19. R. Proceedings. 2005. 4. S.fao. R.Crops. Documentos. [Recife]: SEBRAE-PE. R. NL. NL. (Embrapa Agroindustria Tropical. 61. S. p. J. R. CABRAL. The Hague.. v. G. n. 49. Disponível em: <URL: http://faostat. 2003. G. LAMAS. D. Fortaleza: Embrapa Agroindustria Tropical. Resumos. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. F. Acesso em: 17 jun.. CABRAL. F. Disponível em: <http://www. CABRAL. S. BIANCHETTI. J.. 1993. México. A. p. C. A. 2003...

n. 1986. S. p. R. Rome. C. v. S. 80). 77 p. 2003. F. Londrina: IAPAR. C. 183 p.. p. FERREIRA. F. F. E. 3. Abacaxi. QUEIROZ. COPPENS D’EECKENBRUGGE.. Botany and physiology. R. (Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia. 1990. LEAL. Maracay. 515-557. J. Plant Genetic Resources Newsletter. GARCIA. 66. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.. J. Z. I3. 379-381. 1. Anais. [S. (Org. ANTONI.l. J. 1978. C. L. Documento... n. F. MARTIN.. TEISSON.. F. P. PY.. p. Maisonneuve et Larose. BLEINROTH... (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. MOORE. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. C. 5-12.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil 2002. A. Londrina. LACOEUILHE. G. R. 16. 2001. J. CABRAL. 1993. p. M. Pineapple. 29. Tropical crops. 16-19. Campinas: Instituto de Tecnologia de Alimentos. C. LARA.. p. J.. L. 2000. Monocotyledons. Abacaxi – da cultura ao processamento e comercialização.. V. Capítulo 2 LEAL. Revista de la Facultad de Agronomia.. M. W. C. R. J. (Ed. J. In: JANICK. p. CABRAL. T. Caracterização e avaliação de germoplasma de abacaxi nas condições de Brasília.. da S. MARIGO. (Série frutas tropicais. SOUZA. 2001. LEAL... Catálogo de caracterização e avaliação de germoplasma de abacaxi. C. SOUZA JUNIOR. Frutas do Brasil. Fruit breeding tree and tropical fruits. J. LEAL. R. MARQUES. J. C. J. New York: John Willey. CABRAL. 9. v. CABOT. C. J. 1981.]: G. N. F. M. cap. MORETTI.. LORENZONI. Revista de la Facultad de Agronomia. P. DF: Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia.. Brasília. LORENZONI. P. LEME.SIRGEALC. REINHARDT. F.. 7) 38 . cap. J. W. 1996. Rio de Janeiro: Marigo Comunicação Visual. 200 p. In: SIMPOSIO DE RECURSOS GENÉTICOS PARA A AMÉRICA LATINA E CARIBE . 52 p. M. London: Longman. M. Complementos a la clave para identificación de las variedades comerciales de piña Ananas comosus (L. The Pineapple cultivation and uses. 1-12...75-91. Prospección y recolección de Ananas y sus congéneres en Venezuela. S. H.. 1987. R. L. D. MEDINA. 2). FERREIRA.). Bromeliads in the Brazilian wilderness. PR.). M. E. R. Espécies del género Ananas: origen y distribución geográfica. HASHIZUME. PURSEGLOVE. F. G. produção: aspectos técnicos. QUEIROZ. 1972... J. M. C. A.) Merril. Maracay..

Bromeliáceas e a malária: Bromélia endêmica. DE. B. v.com. J. Stuttgart.. J.. 1999. C. S. 2005. BA. p. R. Caracterização e avaliação de germoplasma de abacaxi: inflorescência e flor. F. p. F. RURALNET. B. (Flora Ilustrada Catarinense) RIOS. p. R.]. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia . SMITH. 98-103. R.asp>. M.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 2 REITZ. CABRAL. R. 75. 2. Brasília. 808 p. DUVAL. S. FERREIRA.n. L. J. 4. Anais: Resumo dos trabalhos. SANTOS. 446-448. 1983. 1998.. em:<http://www. 75-87. p.. 2000. 1934. n. v.. Geographical evidence on the lines of evolution in the Bromeliaceae. CABRAL. v.. Cruz Das Almas. FERREIRA. 21. B. Journal of the Bromeliad Society. Revista Brasileira de Fruticultura. KHAN. F. Santa Catarina: [s.. F.ruralnet. W. Botanische Jahrbucher Fur Systematik. R. L. DF. Pflanzengeschichte und Pflanzengeographie. In: WORKSHOP DO TALENTO ESTUDANTIL DA EMBRAPA RECURSOS GENÉTICOS E BIOTECNOLOGIA. R. 48. List of ethnobotanical use of Bromeliaceae. SOUZA. Disponível Acesso em: 26 jun.br/frutiferas/abacaxi. 1999. 66. 39 . Caracterização de germoplasma de abacaxi.

.

.

Berg. araca Raddi. araçá-verdadeiro. P. P.. P. Berg. rotundifolium Standl.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 ARAÇÁ João Emmanoel Fernandes Bezerra Ildo Eliezer Lederman Josué Francisco da Silva Junior Carolyn Elinore Barnes Proença NOMES COMUNS: Araçá. Sinonímias: P. P. P. sprucei O. araçá-comum. molle Bertol. araçá-mirim Figura 1. 42 .. P. laurifolium O. schiedeanum O. P. Berg. umbrosum O. P. P.. Berg.. Frutos maduros de Araçá (Psidium guineense Swartz) nativo na região Centro-Oeste do Brasil. polycarpon Lamb. NOME CIENTÍFICO: Psidium guineense Swartz.. ooideum O. P. sericiflorum Benth. schippii Standl. costa-ricense O. araçá-azedo. P. Berg. Berg.

aliada às ameaças de extinção em áreas remanescentes. Eugenia. madeireiras e ornamentais. Entre as várias utilizações dos araçazeiros destacam-se o aproveitamento doméstico dos frutos e da madeira.. não existindo. 1993. especialmente devido a algumas características específicas de seus frutos. os araçazeiros são merecedores de maior atenção. MEDINA.. Apesar dos vários tipos de aproveitamento que podem ser oferecidos pelas diversas espécies. O gênero Psidium é originário das Américas Tropical e Subtropical e é constituído de cerca de 100 espécies de árvores e arbustos (Landrum e Kawasaki. juntamente com a produção artesanal e agroindustrial de alimentos poderão beneficiar muitas comunidades locais. pomares comerciais. THE UNIVERSITY OF MELBOURNE. Acredita-se que o incentivo ao consumo in natura e o cultivo dessas frutas. foram estudadas apenas através de material botânico herborizado (ramos e flores). Entre essas espécies.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil INTRODUÇÃO Capítulo 3 As plantas conhecidas popularmente por “Araçá” ou “Araçazeiro” são mirtáceas de ampla disseminação no território nacional. casca e folhas na medicina popular. 2000. teor elevado de vitamina C e boa aceitação pelos consumidores (MANICA et al. 1978. segundo Mattos (1993). práticas culturais e processamento industrial. distribuídas e cultivadas em diversos países de climas tropical e subtropical. inclusive. torna necessária a sua conservação. IPNI. PIRES et al. nutrição mineral e adubação. das quais a mais importante é a goiabeira (P. no entanto quatro gêneros se destacam como os mais importantes entre as fruteiras de interesse econômico – Feijoa. 2002). 2004. como sabor exótico. 2005). propagação vegetativa. 2005. MATTOS.024 espécies. LANDRUM. O gênero engloba também inúmeras outras espécies produtoras de frutos comestíveis. além do uso da raiz. A ausência de informações agronômicas. com algumas espécies necessitando de confirmação sobre a sua utilização pois.. 1988. USDA-ARS-GRIN. mas também para grande parte do Brasil. guajava L. 2000). 43 . As espécies que ocorrem na Região Centro-Oeste podem ser visualizadas na Tabela 1. Myrciaria e Psidium (MANICA et al. com grande potencial para exploração comercial. TAXONOMIA A família Myrtaceae reúne cerca de 102 gêneros e 3. MISSOURI BOTANICAL GARDEN. Ainda existe grande confusão quanto à nomenclatura científica das espécies de Psidium (CORRÊA. os araçazeiros ainda não possuem expressão econômica no contexto da fruticultura nacional. Por essas denominações são encontradas inúmeras espécies do gênero Psidium produtoras de frutos comestíveis. 1997).). Psidium guineense Swartz apresenta importância destacada não somente para a Região Centro-Oeste. bem como o desenvolvimento de pesquisa em recursos genéticos e melhoramento. 2004. 2005.

laruotteanum Cambess. e P. (2001). podendo ser também elipsoidal com 1 a 3 cm de comprimento. os pecíolos medem de 4 a 12 cm de espessura.0 a 1. P firmum. cinereum Mart. com 4 a 11. Berg. medem 3 a 4 mm 44 . O fruto subgloboso. geralmente com polpa amarela e sementes na quantidade de 22 a 100 podendo chegar até 250 sementes por fruto. casca amarelada e polpa branca. também muito utilizada no México. que produz de 30 a 80 frutos de 4 a 14 g. como P. podendo chegar até 30 mm de comprimento e 1 a 2 mm de espessura. Também ocorre em mata seca P. as espécies mais comuns. elíptico-oblongo ou obovado. As nervuras laterais são em número de 1 a 10. Seus frutos são considerados dos melhores entre as espécies de araçás. australe Cambess. árvore de grande porte com fruto pequenos. cujas inflorescências durante o crescimento inicial são cobertas com pêlos marrom-avermelhados. acutangulum DC. O cálice no estado inicial é fechado completamente e repartido longitudinalmente em cinco pequenas partes. as quais. As pétalas têm um comprimento em torno de 7 a 11 mm. Os botões fechados medem 10 a 13 mm de comprimento com pedúnculos medindo entre 5 e 25 mm.5 cm de comprimento e 1 a 2 cm de largura. Os brotos são aveludados. variando para cinza-amarelados. sartorianum (O.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 Atualmente.. com cerca de 0. os estames são em número de 160 a 300 medindo entre 7 e 10 mm de comprimento. normalmente aveludadas na parte inferior. chamada em Goiás de “pelada” por causa da casca lisa.5 m de altura. e P. geralmente pubescentes e raramente glabros. sendo a primeira e a última muito consumidas in natura. e base também arredondada ou aguda. além de P. A nervura principal é plana na parte superior e proeminente na parte inferior. sendo esta última originária do Sul do Brasil e distribuída do Rio Grande do Sul até a Bahia. ex DC. P. com algumas glândulas no conetivo. guineense Swartz e P. estiletes medindo 8 a 10 mm de comprimento e o ovário tri. As folhas são coriáceas de cor marrom-amarelada ou marrom-avermelhada de formato elíptico. myrsinites DC. As anteras medem 1 a 3 mm de comprimento mais ou menos deiscentes. cattleyanum Sabine.. e que ocorre por todas as matas secas da America do Sul. a casca mais antiga é geralmente polida e muitas vezes escamosa e resistente. às vezes glabros. tetra ou pentalocular com 50 a 100 óvulos por lóculo.. MANICA et al.. P. firmum O. as espécies com maior interesse para exploração comercial dos seus frutos são P. DESCRIÇÃO Psidium guineense Swartz é um arbusto ou árvore pequena de 6 m de altura. Na região Centro-Oeste. segundo Silva et al. Outras também são utilizadas para a produção de frutos no Brasil. guineense. longipetiolatum Legrand (DEMATTÊ.5 mm de comprimento (Figuras 2 e 3). arredondado ou agudo. 2000). é um arbusto de 1.3 a 0. são P. P. sendo muito usado no preparo de doces e geléias. com ápice obtuso. no Brasil. Berg) Nied. 1997. canelados.

1999). Tabela 2: Espécies de Araçazeiro de ocorrência na região Centro-Oeste do Brasil. DF e GO e CE 45 . ooideum O. “Guinea guava”. P. Berg. Berg P s i d i u m P. “pichiche”. microphyllum s a r t o r i a n u m Britton.5 a 11. schiedeanum O. 1995. “guayabillo” México. solisii Standl. “ a r r a y á n ” .Sul do México comum. P. umbrosum O.. P. P. quinquedentatum Amshoff.8 g (Bezerra e Lederman. SP) Goiaba-do-campo Cerrados de MG.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 de comprimento (LANDRUM et al. Cuba. Espécie Sinonímia Nome vulgar Área de ocorrência P s i d i u m P. molle Bertol. rotundifolium Standl. m i n u t i f l o r u m Amsh.. P. guineense Swartz Berg. (O.. araçá.. P. dados não publicados). schippii Standl. yucatanense L u n d e l l Psidium bergianum (Nied. araca Raddi. “Brazilian guava”. Berg) Nied. Berg. Argentina e Brasil araçá-azedo.ao Norte da v e r d a d e i r o . citados por SILVA. P. P.. Brasil (MG.. Frutos da coleção de germoplasma da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA têm apresentado pesos que variam de 5. P.) Burret Araçá.. podendo atingir até 17. P. P.7 g. Norte da América do Sul. P. DF. P. polycarpon Lamb. GO. molinae Amshoff. “goyavier du Brésil” Araçá. laurifolium O. sprucei O. P.. costa-ricense O. sericiflorum Benth. Berg. pelada. araçá-mirim. América Central. P. araçá. Berg. P.

SP. RS.. Psidium nigrum Mattos e Legrand Araçá. gentlei Lundell. MG. (Spreng) Burret Berg) Burret. M DF.c a g ã o . Bacias dos rios a r a ç á . MG. l a r u o t t e a n u m Berg. Norte da Argentina e Paraguai) Psidium luridum P. P. Berg P. e Argentina var. Brasil (GO.a z e d o Uruguai e Paraná (PR. ciliatum Benth. Berg Mart. Berg Psidium hians Mart. araçá-do-campo. araçá-felpudo Araçá. lanceolatum O. araçá. “guayabo a r r a y a n ” . Psidium australe C a m b e s s . Berg in Mart. e a var. r a s t e i r o GO. SC. aerugineum O.. sericeum O.Paraguai. SC. (Kunth) O.MG. incanescens (Mart. Berg. BA ao RJ e MG e DF araçá-perinha Araçá-do-campo. Berg) Burret 46 .) M a t t o s ) Psidium salutare P.c a s c u d o MG. a r a ç á .f u m a ç a . Araçá-da-caatinga TO. RS. “ m a n a g u á ” ( R e p ú b l i c a Dominicana). araçá. BA P s i d i u m P. P. da-pedra. C a m b e s s O. P. acutatum (O. pauciflora (Cambess.c i n z e n t o . RS. A r a ç á . Araçá. grandifolium O. ex DC. “guayabita” (Cuba) México a Venezuela. pohlianum MS. Uruguai (Apresenta a alattum O. DF A r a ç á . DF).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Espécie Sinonímia Nome vulgar Capítulo 3 Área de ocorrência Psidium cinereum P. (Apresenta a var. PR.MG. DF e MS. A r a ç á . rigidum (O. GO. RS. ex DC) P s i d i u m firmum O.Berg P s i d i u m basanthum O. Berg d o . Berg Psidium rufum DC. SC. Ampla distribuição na América do Sul SP. GO. DF GO T SP. P. Araçá. MG. DF.c a m p o .

Psidium E. 2005 47 . Amazônia (Brasil). parviflorum Benth.. PA. 2004.. araçá-de-veado. TO. P s i d i u m maranhense O. O. P. The University of Melbourne. persicifolium O.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 Espécie Psidium kennedyanum Morong Sinonímia P. 2004. Berg GO Psidium riparium P. DF.m a t a sieberianum O. lourteigii Legrand macedoi Kausel A r a ç á . P.m a t a DF. Berg. Schum. aquaticum Benth. MT Psidium myrsinites P. P. Medina. Berg Nome vulgar Goiabinha Araçá-bravo. TO. thyrsodeum (Kuntze) K. turbiniflorum DC. PR. MG.. araçá-liso Área de ocorrência MS. myrsinoides O. 2005. DC Berg Psidium striatulum DC. a r a ç á . MA. GO Mart. BA. 1988. 1993. aquaticum Benth. Mattos. Argentina e Paraguai CE. PI Guyana. P s i d i u m canum Mattos Psidium D. P. P. IPNI. 2005. Berg.d a . 1978. Missouri Botanical Garden. paraense Goiaba-da-praia. ex DC. Landrum. GO GO GO (endêmico de Niquelândia) GO P s i d i u m turbinatum Mattos Fontes: Pio-Corrêa. USDA-ARS-GRIN. GO.d a . P.

Psidium guineense Swartz. A. Frutos. 48 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 FIGURA 2. na Coleção de Germoplasma de Araçá da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA. B. Planta.

flor e fruto maduro de Psidium guineense Swartz 49 . Botões florais.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 FIGURA 3.

myrtoides. onde predomina a espécie P. com pico nos meses de março a abril (Bezerra e Lederman. DEMATTÊ. no Sul do Brasil. australis. 2002) Em condições naturais. os araçazeiros estão distribuídos em quase todos os estados do Brasil. nas condições da Zona da Mata de Pernambuco. A maturação de frutos ocorre dois a três meses após a floração. principalmente nas áreas dos tabuleiros costeiros. inclusive P. CORRÊA. matas de altitude e também nas restingas do Sul do Brasil (BRANDÃO et al. onde predomina a espécie P. de fruto vermelho. centro de Santa Catarina. caracterizados por possuírem solos pobres. Nos Estados do Nordeste. a Tramandaí... cattleyanum. Mato Grosso do Sul e Tocantins. guineense. Neste centro já foram indicadas por Mattos (1993) 18 espécies nativas. guineense floresce praticamente durante todo o ano. dados não publicados). no Rio Grande do Sul. é encontrada nas regiões do Litoral e Zona da Mata. que vai do Cabo de São Tomé. 1997. No cerrado de Minas Gerais. assim como o Centro Nordeste/Caatinga e o setor do Centro Mata Atlântica. Paraná e São Paulo até o sul de Minas Gerais. P. alcançando ainda a Guatemala. Em plantas cultivadas. com picos coincidindo com a época de menor pluviosidade. conforme Raseira e Raseira (1996). sendo que P. tabuleiros. atualmente depositadas no Herbário da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. cattleyanum de fruto amarelo. guineense ocorre nas restingas. ácidos e arenosos. matas ciliares. Na região do Brasil Central. foram coletadas amostras em Goiás. existindo relatos de espécies que ocorrem do Rio Grande do Sul até a Amazônia. observou-se 50 . em Brasília. cattleyanum floresce de outubro a novembro. 1993. o qual se estende desde o nordeste do Rio Grande do Sul. P. cattleyanum ocorre na floresta latifoliada semi-decídua. em sua maior parte no Planalto Meridional Brasileiro. 2006). mas também no Sul do Piauí e região da Chapada Diamantina. MATTOS. Giacometti (1993) também cita o setor do centro Mata Atlântica. Essas plantas vegetam nos mais diferentes ecossistemas. o gênero Psidium. Com relação aos centros de diversidade de fruteiras do Brasil. No Brasil. encontrase predominantemente as Mirtáceas e entre essas. (ANDRADE LIMA.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Capítulo 3 De uma maneira geral. Distrito Federal. Caribe e o Peru. ASPECTOS ECOLÓGICOS Segundo Silva (1999). que vai do Rio Real ao Sul de Vitória no Espírito Santo (Zona da Mata e áreas de transição). e P. Psidium guineense é de origem sul-americana e apresenta uma ampla área de distribuição. 1978. Mato Grosso. Plantas da coleção de germoplasma do IPA têm apresentado frutificação no período de janeiro a julho. em São Paulo. EMBRAPA. Ainda citam-se como 2regiões de ocorrência a Argentina e o México. floresce de agosto a setembro (BRANDÃO et al. no Rio de Janeiro. Giacometti (1993) cita que no centro de diversidade Sul-Sudeste. 1957. de porte anão. enquanto P. ocorre desde a Região Norte até a ilha de São Sebastião. cerradões e capoeiras. 2002). P.

SILVA JUNIOR et al. O germoplasma foi coletado principalmente nos arredores de Pelotas e Rio Grande. 1999). O acesso IPA-9. a de P. em março. em Pelotas. Brandão et al. muito tem sido perdido em função da destruição desses ecossistemas. no entanto presume-se que essas espécies estão com acentuada perda de genes. o que faz com que o seu germoplasma ex situ seja obrigatoriamente conservado a campo. com 108 acessos propagados por semente e mantidos sob condições de campo. exceção se faz a poucas coleções ativas mantidas em instituições de pesquisa do país e coleções didáticas em algumas universidades e organizações estaduais de pesquisa agropecuária. 1999. em função da devastação dos ecossistemas nos quais as populações ocorrem de forma nativa. Em alguns anos. uma vez que. 2003). sendo este e o IPA-6. temperatura foliar. guineense — temperatura e umidade do ar. resistência difusiva e transpiração. A primeira foi implantada na Estação Experimental de Itapirema. Os recursos conservados ex situ são praticamente inexistentes.4 mais adaptados do que o IPA-9.1.4. guineense não devem ser armazenadas. a partir de 1985. em dezembro.. IPA-9. observaram que as plantas de todos os acessos não restringem as trocas gasosas nas horas mais quentes do dia. na sede da Embrapa Clima Temperado. RS. e apenas quatro têm como procedência a UNESP-FCAV de Jaboticabal. (2002) relatam que a floração se dá de julho a dezembro e a frutificação é iniciada no ano seguinte. Informações sobre a erosão genética em araçazeiros em todo o Brasil são indisponíveis.4 mostrou-se mais sensível à baixa luminosidade que os demais. a radiação fotossintética ativa foi o fator ambiental de maior influência sobre as trocas gasosas do araçazeiro. uma vez que têm sua qualidade fisiológica reduzida. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade e erosão genética. A grande maioria desses genótipos (104 acessos) é proveniente da Ilha de Itamaracá. em Goiana. PE. A coleta de germoplasma faz-se necessária. Correia et al. Nesse sentido. Em condições de disponibilidade hídrica adequadas. verifica-se uma terceira época de floração.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 duas épocas principais de florescimento. radiação fotossintética ativa. Conservação de germoplasma. PE. com perdas significativas no vigor e germinação (Cisneiros et al. (2000). A segunda coleção é constituída de oito acessos (Raseira.1 e IPA-9. 1999) implantados também em campo. em três acessos promissores da coleção de germoplasma do IPA (IPA-6. Nos cerrados de Minas Gerais. As sementes de P. 11h e 15h). seguramente.4) e em três horários (8h. apenas duas coleções de germoplasma são conhecidas no país. cattleyanum. no Planalto Central do Rio Grande do Sul (Ijuí e Passo Fundo) e no Sul 51 . guineense. na Embrapa Clima Temperado. a partir de 1989. SP (SILVA. sendo a primeira de setembro a outubro e a segunda. estudando as características fisiológicas de P. no IPA e a de P.

4 e IPA-16. na Estação Experimental de Macaé. A raiz é diurética e anti-diarréica. A madeira é própria para vigas. polpas congeladas e geléias...). sítios e quintais (CORREA. Psidium friedrichsthalianum pode ser usada como porta-enxerto para goiabeira visando à resistência aos nematóides (DÍAZ-SILVEIRA. a da UNESP-FCAV. mourões.1. IPA-9. 1999). altitude. BRANDÃO et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 do Paraná. BA (quatro acessos de Psidium sp.4. há material oriundo das zonas litorânea e colonial (RASEIRA e RASEIRA. sendo empregados para controle de diarréia. e a da Universidade Federal da Bahia.. Psidium cattleyanum pode ser utilizada em reflorestamento para recuperação ambiental de áreas degradadas (Brandão et al. clima e solo das regiões de colheita (CALDEIRA et al. e a casca é usada em cortumes. a da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA. 1997). 1999. a da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio de Janeiro – Pesagro-Rio. cattleyanum). Com relação à coleção do IPA. RJ (cinco acessos de P. 1999.. A folha também fornece material tintorial. localizada na Escola de Agronomia. 2003). VIEIRA et al. Ambas as coleções apresentam boa manutenção. BA (cinco acessos de Psidium sp. 2002). IPA-6. foram selecionadas por meio de seleção massal cinco genótipos promissores (IPA6. 1996). Outros fatores. RASEIRA e RASEIRA. os brotos são adstringentes. 1999. 1997. A planta pode ainda ser utilizada para fins ornamentais em jardins. 2002). IPA-9. compotas. lenha e carvão. VALOR NUTRICIONAL A composição centesimal e os teores de minerais de P.2) (LEDERMAN et al. cercas..IAC (dois acessos de P. as folhas e. O nível de utilização da coleção da Embrapa Clima Temperado é bom e a partir da mesma foi possível disponibilizar para os produtores duas cultivares de araçazeiro: a ‘Ya-Cy’ (frutos de película amarela) e a ‘Irapuã’ (frutos de película vermelho-escuro) (RASEIRA e RASEIRA. tais como a origem do material genético. 1978. DEMATTÊ. em Cruz das Almas. citado por MOREIRA et al. LUNA.. Do germoplasma coletado nos municípios de Pelotas e Rio Grande. SP (um acesso de P. DONADIO. conhecido popularmente como araçá-cagão) (CARVALHO. em Jaboticabal. cattleyanum). VEIGA. 1999. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO Os araçás são consumidos in natura e são utilizados para preparo de doces (a popular “araçazada”). como a do Instituto Agronômico de Campinas . Outras coleções de fruteiras no Brasil mantêm alguns exemplares de araçazeiro. móveis finos. cabos de ferramentas e instrumentos agrícolas. 1975. na Estação Experimental de Fruticultura de Conceição do Almeida. A exploração do araçazeiro dá-se por extrativismo em áreas naturais e pomares domésticos.3. guineense e um acesso de P. 2000b). sobretudo. guineense variam em função dos índices pluviométricos. sucos. 2000a.. 2004). a 52 . acutangulum).

85 ± 0.38 0.189 44.259 0.86 17. também exercem influência na composição e valor nutricional do araçá. Fonte: Caldeira et al. a pêra e o abacaxi. TABELA 3. Composição (% ou g/100 g) 85. como a maçã. o araçá pode ser considerado uma boa fonte de minerais quando comparados com frutos mais comumente consumidos pela população. em glicose Glicídeos não redutores. (2004).138 2.00 ± 0.02 ± 0.214 4. (2004) 53 . TABELA 2. Os teores de minerais do araçá coletado em Mato Grosso do Sul encontram-se na Tabela 3.049 1.413 0.86 212.36 0. Determinações* Umidade Resíduo mineral fixo Lipídeos Glicídeos redutores.12 Fonte: Caldeira et al.241 1. pois apresentam valor energético de apenas 44.78 17. em sacarose Glicideos não redutores.29 ± 0. Segundo Caldeira et al. Com base nesses dados.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 época de produção e o estádio de maturação do fruto.30 0.74 ± 0.16 0. os frutos de araçá não podem ser considerados alimentos calóricos. Composição centesimal do fruto de araçazeiro (Psidium guineense Swartz) coletado em Mato Grosso do Sul.80 ± 0.245 4.12 ± 1.50 Nutrientes Macroelementos Cálcio Magnésio Fósforo Potássio Sódio Microelementos Ferro Manganês Zinco Cobre Teor (mg/100 g) 26. em amido Proteína bruta Fibra Valor calórico total (kcal/100 g) * Resultado médio e desvio-padrão de 20 frutos de cada lote analisado.28 ± 1. (2004).78 0.5 kcal/100 g. Teores de minerais presentes no fruto de araçazeiro (Psidium guineense Swartz) coletado em Mato Grosso do Sul. A composição centesimal e o valor calórico total dos frutos de araçá coletados no Mato Grosso do Sul podem ser visualizados na Tabela 2.

9 a 17. Não se dispõem. porém baixa porcentagem de cinzas (2. Estudos efetuados por Raseira e Raseira (1996) em frutos maduros de cinco populações de P. com frutos de P. o teor de sólidos solúveis totais variam de 11. haja vista que não existem plantios ordenados e. variando de 2. todos esses derivados são. licores e sorvetes são também confeccionados a partir da sua polpa.0°Brix e a acidez é um tanto elevada. Além desses. (2000) sobre a composição química das diferentes partes do araçazeiro da espécie P. na coleção de germoplasma de Araçazeiro do IPA. baixa oferta da matéria prima. contribuem significativamente para uma maior depreciação do fruto. dada à sua similaridade com outras espécies do gênero Psidium. em diferentes estádios de maturação.67 mg/100 g.6 %).0°Brix. (1997).) e o gorgulho [Conotrachelus psidii Marshall. Todavia.31 %. as mesmas técnicas e processos utilizados na fabricação dos derivados da goiaba (HAMINIUK e VIDAL.95 a 1. Também há carência de estudos sobre a conservação e armazenamento pós-colheita dos frutos e as técnicas mais apropriadas para o prolongamento da sua vida de prateleira.4 a 2. Essa diminuta produção artesanal é uma das razões pela qual os doces. 2000). sob refrigeração. o araçá tem na fabricação de doces e geléias a sua principal forma de aproveitamento.29 a 1. é bem provável que. propriamente. revelaram que a polpa contém menor quantidade de óleo que a casca. Contudo. Já as sementes têm elevado teor de óleo (9. basicamente. específicos para o araçá. revelou um conteúdo de sólidos solúveis totais que variou entre 14. geléias e licores de araçá são conhecidos e comercializados apenas nas localidades próximas das regiões produtoras. na sua maioria.8 %).52%. de protocolos contendo procedimentos e informações sobre os métodos e técnicas de processamento pós-colheita. contudo. cattleyanum.0 a 2. TECNOLOGIA PÓS-COLHEITA Embora seja consumido in natura.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 Os frutos do araçazeiro são ricos em vitamina C (três vezes maior do que a laranja). enquanto que a acidez teve uma variação de 0. análises realizadas por Pinto et al. que o elevado teor de umidade encontrado nos frutos concorre para sua rápida deteriorização e. sob temperatura ambiente. Além disso. ocorre. Por outro lado. a fabricação dos diferentes derivados da polpa do araçá segue. 2002). guineense colhidos durante a estação seca da Zona da Mata de Pernambuco.. o período de conservação do fruto possa ser estendido. sucos. mostraram variação no teor de vitamina C de 41.19 a 111.1 %) e de proteína (2. produzidos artesanalmente em pequenas unidades fabris de base familiar. regularmente. 54 . cattleyanum. a sua conservação é de apenas 2 a 3 dias (GALHO et al. Sabe-se.5 a 13. Um estudo realizado por Lederman et al.5 e 17. Todavia. como conseqüência. como a mosca-das-frutas (Anastrepha spp. a alta incidência de frutos atacados por insetos. particularmente a goiaba. 1922 (Coleoptera: Curculionidae)].

4 a 14 kg de frutos/planta/ano na idade adulta e frutos com tamanho de médio a grande.. a propagação por sementes é a preferida. FACHINELLO et al. para P. (1996). Segundo Fachinello et al. por ser uma espécie em fase inicial de cultivo e pela ausência de acentuada segregação genética. Após a secagem.. que possui frutos de película roxo-avermelhada e sabor mais ácido com leve adstringência. (2000). baixa acidez e produção total de 4 kg de frutos/planta/ano em até três colheitas (dezembro a fevereiro/março a abril/maio). Apresenta produções crescentes que vão de 3. fato que leva ao desconhecimento das técnicas de propagação vegetativa. nas proporções de 1:1 e 3:1 v/v. A propagação vegetativa de P. As sementes devem ser despolpadas a partir de frutos maduros colhidos das plantas e não daqueles caídos no solo. necessitando-se mais estudos sobre o assunto. mesmo utilizando-se o ácido indolbutírico . cattleyanum.. A propagação do araçazeiro pode ser feita por sementes (mais usual) e por métodos vegetativos (estaquia e enxertia).6 %. cattleyanum por estaquia e enxertia. 1993). No entanto. por 30–40 dias. as informações existentes sobre o seu cultivo. aumentou o porcentual de enraizamento das estacas 55 . com destaque para o vermicomposto. a adição de materiais orgânicos no substrato favorece o crescimento das mudas de P. não estão disponíveis. Nachtigal et al. Para o processo por estaquia. que produz frutos de película amarela. Mais de 30 mil mudas dessa espécie já foram distribuídas com produtores (RASEIRA e RASEIRA. 1991.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO Em razão da maioria das espécies de araçazeiro encontrar-se em fase de domesticação. segundo alguns autores. cattleyanum são conhecidas: a ‘Yacy’. O inicio de produção se dá em fevereiro. nutrição mineral e adubação. e a ‘Irapuã’. embaladas em sacos plásticos. (1994). quando utilizaram estacas semilenhosas com 12 cm de comprimento. quando colocadas em substratos apropriados (DONADIO. Segundo Casagrande Junior et al. não tem funcionado bem. cattleyanum. 2002). sendo mais adequada à confecção de doce em pasta do que ao consumo como fruta fresca. as sementes podem ser armazenadas a frio. apenas duas cultivares de P. um par de folhas cortadas ao meio e sem meristema apical. (1994) encontraram taxas de enraizamento de 69. cattleyanum. com exceção daquelas para a espécie P. onde foram obtidos porcentuais inferiores a 3 %. com peso de 15 a 20 g. a combinação do AIB a 200 ppm com 70 % de sombreamento das plantas matrizes. A germinação é obtida no intervalo de 10 a 15 dias. 2001). 2000a. os primeiros resultados sugeriram tratar-se de uma espécie de difícil enraizamento. Segundo Mendez et al. No Brasil. Em seguida são lavados e peneirados e as sementes extraídas são secas à sombra. de sabor doce. práticas culturais.AIB (COUTINHO et al. variedades definidas. e tratadas com AIB na concentração de 200 ppm. em geladeira. RASEIRA et al. b. pela facilidade de germinação (até 95%).

IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Em razão do cultivo do araçazeiro se constituir numa atividade agrícola pouco expressiva. no entanto até o momento não proporcionaram resultados que permitam indicar essa prática como viável na propagação do araçazeiro (RASEIRA e RASEIRA. 1996). mercados públicos. guineense). os dados e informações relativas aos custos de produção são. assim como o beneficiamento da sua polpa pela indústria. guineense e P.. sororcula a espécie predominante. Recentemente. cattleyanum. (2002) realizaram levantamento das moscas-das-frutas associadas aos frutos de P. australe no Cerrado do Brasil Central. O autor encontrou variabilidade entre as duas espécies. Geralmente. P. Parte da produção. sendo A. Geralmente. incipientes. em sua coleção de germoplasma de araçá (P. em certas ocasiões. guineense mostrou-se mais infestado do que P. Pires et al. principalmente do gênero Anastrepha. cattleyanum têm sido os de garfagem de topo e de borbulhia. cinco têm se destacado em 14 anos de observações: IPA-6. Este resultado equivaleu a uma produção média por número de frutos de 1605 a 2045/planta/ano. contudo. não ocorrem doenças. quando utilizados isoladamente. os processos mais utilizados de enxertia em P. o fruto in natura tem sido comercializado nas lojas das grandes redes de supermercado do Nordeste. é 56 . não existem pomares comerciais ou domésticos dessa espécie. Esporadicamente.1.6 kg de frutos/planta/ano (colheitas de janeiro a junho). e observou que elas são repositórios naturais de moscas-das-frutas. acondicionado em bandejas de poliuretano revestidas com filmes poliméricos. enquanto que Voltoline e Fachinello (1997) citam que o sombreamento (70 %) e o AIB a 200 ppm aumentaram a taxa de enraizamento. LEDERMAN et al. cujos pesos médios variaram de 8.3 g (LEDERMAN et al.2. Geralmente. IPA-6.1 a 16.4. causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides (Glomerella cingulata) (RASEIRA e RASEIRA.. Entre os genótipos selecionados. a mosca-das-frutas da espécie Anastrepha fraterculus Wied 1830) tem sido relatada como a principal praga da cultura. centrais de abastecimentos (Ceasa) e sorveterias dos grandes centros urbanos. Até o momento.8 a 11. guajava). entretanto. o araçá é atacado por uma espécie de mosca da família Cecidomydae. Em P. pode ocorrer ataque de antracnose. durante o período da safra. 1996). os frutos coletados são acondicionados em caixas de madeira de 20 kg e enviados para comercialização em feiras. IPA-9. O IPA.67 %).37 %) em relação às mantidas em pleno sol (5.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 semilenhosas (34.4 e IPA16. 1997). australe.3. de uma maneira geral. Os plantios existentes geralmente são espontâneos e as informações existentes na literatura são muito escassas e isoladas. 1993. IPA-9. quanto ao tamanho e peso dos frutos. com produções médias que variaram de 15. vem adotando um sistema de produção baseado em algumas das práticas utilizadas para a cultura da goiabeira (P.

dessa forma. alguns pontos limitantes necessitam ser melhores conhecidos na busca de soluções para os problemas. nestas áreas. duas safras do araçazeiro (P. propagação vegetativa e práticas culturais para as espécies Psidium cattleyanum. necessitando-se. no Sul do Brasil. e P. em condições naturais. seja necessário o aproveitamento mais racional dos fatores positivos que as espécies apresentam. Já a maturação dos frutos do araçazeiro (P. dependendo da população. guineense. a ampla faixa de distribuição geográfica. dos cultivos da cana de açúcar e do coqueiro. o conhecimento do status de conservação das 57 . onde a exploração sistemática de uma agricultura empresarial intensiva tem colocado em risco a existência e manutenção dessa espécie. Na Zona da Mata de Pernambuco e nos tabuleiros costeiros. guineense): a primeira. 2004). podem-se citar a facilidade da propagação por sementes. Trabalhos de incentivo ao desenvolvimento da cultura junto aos agricultores nas áreas de ocorrência natural também poderiam ser colocados em prática. Por outro lado. ocorrem. é bem provável que. cuja precipitação pluviométrica atinge em média 2. em fevereiro – março e uma outra em agosto – setembro (LEDERMAN et al. também. para o desenvolvimento e a expansão da cultura. cattleyanum).. A disponibilidade de germoplasma in situ é desconhecida e poucas são as coleções de germoplasma existentes no país.000 mm anuais e estão concentradas entre os meses de maio a agosto. a geração de emprego e renda na agricultura familiar ainda é pouco representativa e. basicamente. principalmente. bem como a adoção de estratégias de “marketing” que possibilitem uma maior difusão. a subsistência desta atividade está. através do uso múltiplo da planta para diferentes fins (aproveitamento dos frutos e da madeira. a adaptação a diferentes habitats e o grande potencial de exploração econômica. Nas áreas de ocorrência natural e dispersão do araçazeiro. Entre esses. se inicia em fevereiro e pode estender-se até a chegada do inverno (FRANZOM. beneficiamento da polpa e comercialização dos seus produtos e derivados.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 beneficiada na forma de doces e geléias pelas comunidades rurais nas áreas de dispersão e ocorrência natural do araçazeiro. ameaçada. Sob as condições climáticas da Zona da Mata de Pernambuco. é fundamental o desenvolvimento de tecnologias de produção e de novos processos tecnológicos de aproveitamento industrial da polpa. haja vista o constante avanço. Diante dessas ameaças e levando em consideração o grande potencial de exploração econômica que o araçá oferece. uma fonte adicional de renda. CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar dos avanços verificados em algumas áreas do melhoramento genético. inclusive. poucas são as comunidades rurais nestas áreas que obtêm na coleta do fruto. além da ocupação desses solos com pastagens e com pecuária. 1997). com os araçazeiros nativos existentes nos Cerrados da região CentroOeste. além dos usos na medicina popular e no reflorestamento de áreas degradadas). Situação semelhante pode ser observada. tornando-o mais conhecido do público consumidor.

555 p.. RS. Curso diário da transpiração. (IPA. Pelotas. MIELKE. Dicionário de plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas..) do Estado do Mato Grosso do Sul. P.. CRONQUIST. RAMOS. MACEDO. D. HIANE. J.. G. p. C. 16. NOGUEIRA. 187-191. D.. O. 3. CARVALHO. CORREIA. resistência difusiva e temperatura foliar em plantas jovens de três acessos de Psidium guineense Swartz (araçá). informações comerciais e importâncias social e alimentar —. também tem contribuído para a desvalorização da atividade. 2.. 44 p. 1997. de. A. 1991. HOFFMANN. p. Belo Horizonte: EPAMIG. Revista Brasileira de Agrociência. Brasília. S. 2002. devido. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDADE LIMA. C. Bronx: The New York Botanical Garden. 528 p. Anais. E. da. Cruz das Almas. Fortaleza: SBF: Embrapa Agroindústria Tropical. sobretudo.. ROCHA. The evolution and classification of flowering plants. A. D. de.) e do tarumã (Vitex cymosa Bert. CORREA.. DUARTE. 139-142. Boletim CEPPA. à devastação dos ecossistemas nos quais as populações ocorrem de forma nativa. A. 1978. Publicação. AZEVEDO NETO. n. Caracterização físico-química do araçá (Psidium guineense SW.. M. CASAGRANDE JUNIOR. 2000. de. 2000. 65. F. 1988. M. Efeito de materiais orgânicos no crescimento de mudas de araçazeiro (Psidium cattleyanum Sabine). P. LACA-BUENDÍA. 1957.. Rio de Janeiro: IBDF. S.13. Fortaleza. C. 1. M. CE. L. CALDEIRA. 2004. Enraizamento de estacas semi-lenhosas de fruteiras nativas da família Mirtaceae com o uso do ácido indolbutírico. em sua forma mais ampla — utilização. 167-171. p. VOLTOLINE. A. Estudos fitogeográficos de Pernambuco. SILVA. 2). RAMOS FILHO. K. G.. R. J..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 espécies e de coletas urgentes. p. cultivado em casa de vegetação. M. P. M. A. L. Resumos. Banco Ativo de Germoplasma de Fruteiras Tropicais.1. Árvores nativas e exóticas do Estado de Minas Gerais. J. v. COUTINHO. Recife: Instituto de Pesquisas Agronômicas.. S. ed.. I. Curitiba. Revista Brasileira de Fruticultura. 2. R. Disponível em CD-ROM. p. n. 1996. A carência de conhecimento sobre as espécies.. BRANDÃO. CORREIA. G. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS. M. M. FACHINELLO.. J. 144-154. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. v. 58 . C.. E. G. v. F. M. J. 1999.. P. J. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.. valor nutricional.

NACHTIGAL. 1997.. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE RECURSOS GENÉTICOS DE FRUTEIRAS NATIVAS. 1993. Pelotas. L. L. p. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. C. DONADIO.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 DEMATTÊ. MENEZES. M. KERSTEN. 2005.. HAMINIUK. v. 11-27. DONADIO. Acta Horticulturae. E.. 2004. BA. S. RS. Porto Alegre: CBCTA.. [Tempe]: Arizona State University.FORTES. LOPES. Estudo tecnológico dos processos de extração da polpa e do néctar do araçá (Psidium cattleyanum). LANDRUM. L. J.org>. GIACOMETTI. ENCONTRO DE PEQUENAS FRUTAS E FRUTAS NATIVAS DO MERCOSUL. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS. 223-225. NL. VIDAL. p.la. p. 49. 122-124. v.. M. Brittonia. Pelotas: Ed. FACHINELLO. E. HOFFMANN. p.. F. Frutas brasileiras. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. 1. Disponível em: <http://ls. 1997. L.. M.. v. p. US. 124). n. RASEIRA. Myrtaceae types. R. p.html>. LANDRUM.. v. 452.. Cruz Das Almas. IPNI..... Universitária. C. Disponível em: <http://www. 2. 2002. 1. n. The genera of Myrtaceae in Brazil: an illustrated synoptic treatment and identification keys. Ornamental use of Brazilian Myrtaceae. FACHINELLO.. C. 2002. A. Acesso em: 01 jun. 1992. Cruz das Almas. 143-179. N.edu/herbarium/landrum/myrttypes. 508-536. 2. 1997. Anais. 252-265. C. R. 1. J. R. HOFFMAN. C. 1993. In: SIMPÓSIO NACIONAL DO MORANGO. Crescimento do fruto do araçá (Psidium cattleyanum Sabine). P. 2005. BA: EMBRAPA-CNPMF.. Anais.asu. A. J. Porto Alegre. R. Acesso em: 01 jun. A. 18. 2004. M. C. Brasília. J. L. L. 179 p. A. Documentos. C..ipni. 5. Recursos genéticos de fruteiras do Brasil.. p.. Bronx. A. The Hague. Londrina. FRANZOM.. Banco Ativo de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. Anais. 2075-2078. (Embrapa Clima Temperado. Cruz das Almas.. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS. B. A. L. R. 1994. KAWASAKI. Interntional Plant Names Index. D. NACHTIGAL. n. J. 2002. [2005?]. Frutíferas nativas do Sul do Brasil. Efeito do ácido Indolbutírico e PVP no enraizamento de estacas de araçazeiro (Psidium cattleyanum Sabine) em diferentes substratos. C. 22. 2004. GALHO. 59 . Revista Brasileira de Fruticultura. 1999. G. BA. 2000. p. BACARIN. 288 p. Propagação de plantas frutíferas de clima temperado. R. W. 90. I. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal. Jaboticabal: Novos Talentos.

229-235.. G. Cruz das Almas. PEREIRA.. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.. C. F.. I.. D. v... J. 374 p. 16. cattleyanum Sabine). Campinas: ITAL. U. LEDERMAN. BA: EMBRAPA-CNPMF. F. I – Plantas juvenis. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS. n.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 LEDERMAN.. ácido indolbutírico e floroglucinol no enraizamento de estacas de araçazeiro (P. Subsídios ao manejo integrado de nematóides-dasgalhas em goiabeira no Submédio do Vale do São Francisco. 67. M. J.. Fortaleza. 2003. R. 1999. 35-50. L. A. BEZERRA. A. I. Vascular Tropicos Database: 2005.. E. S. p. 1997. 1988. C.. de.. C. In: Goiaba: cultura. E. 1-120. 452. Aguascalientes: Comeguayaba. p. F. 1. MOREIRA. ICUMA. T. KLUGE. J. 2005. Disponível em: <http://mobot. p. R. O.. Revista Brasileira de Fruticultura. Memória. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE RECURSOS GENÉTICOS DE FRUTEIRAS NATIVAS. J.. BA. Brasília. A. N. J. BEZERRA.. 60 . Acesso em: 01 jun. BA. J. E. v. SILVA. MENDEZ. 1993. Cruz das Almas. KERSTEN.. 1993. LUNA. A. n.mobot. Acta Horticulturae. de A. 15... Fortaleza: SBF: Embrapa Agroindústria Tropical. NL. Mexico. MANICA. 16.. Cultura. MEDINA. Aguascalientes. Revista Brasileira de Fruticultura. p. R. p. 1. MALAVOLTA. p. E. 2000. processamento e aspectos econômicos. JUNQUEIRA. W. L. REYES M. matéria-prima. MOREIRA. DANTAS. 2000. V. E. 1992. p.. E. Banco Ativo de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. BARBOSA..org/cgi-bin/search_vast>. MAGALHÃES. E. A. SIMPOSIO INTERNACIONAL DE LA GUAYABA. In: PADILLA. CARNEIRO. 2003.. E. M.. NACHTIGAL. C. J. Avaliação de seedlings de araçazeiro-comum (Psidium guineense Swartz) em Pernambuco. Cruz das Almas. p. n. S. V. P. M. FACHINELLO.). 1997. 1. 233-243. CE. The Hague. G. F da. Anais. A. 121-122. J. ed. SALVADOR. Resumos. Cruz das Almas. (Ed. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.. M.. C. A. Enraizamento de estacas semilenhosas de araçazeiro (Psidium cattleyanum Sabine) com o uso do ácido indolbutírico. M. I.. BA. PEREIRA.. C. Swartz) in the Coastal Wood Forest Region of Northeast Brazil.. F... MATTOS. GONZÁLEZ. SCHWENGBER. HOFFMAN. DUTRA. de A. 95-100. E. R. G. Disponível em CD-ROM. A. Fruticultura Tropical 6: Goiaba. Influência do sombreamento. R. PERALES. V. Porto Alegre: Cinco Continentes.. I. F. J. Anais. MAZZINE. PEDROSA. A. MISSOURI BOTANICAL GARDEN. R. Selection of superior genotypes of Brazilian guava (Psidium guineense. R. 2. E. 1994. Fruteiras nativas do Sul do Brasil.. E. 15-19. A. M.... 2000. ALVES. J. Brasil.

F. B. E. VELOSO.edu. Psidium cattleyanum. A. C. C. da. 40-41. Petrolina. C. RASEIRA. R. Disponível em: <http://www. 95 p. L. A. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.. 16. RASEIRA. 61 .. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. C... de. CE. Belém: Embrapa: SBF. A. 2001. p. RASEIRA.. V.. Fortaleza. SILVA. Pelotas: EMBRAPA-CPACT. 42-43. Características químicas do araçá (Psidium cattleyanum. S. 2000b. 1999. F.W. DURIGAN.. Jaboticabal: SBF. Conservação e caracterização de germoplasma de fruteiras nativas da Região Sul do Brasil. M. 2001. Moscasdas-frutas associadas aos frutos de araçá. RASEIRA. THE UNIVERSITY OF MELBOURNE. Anais. 2002. F. CHOER. 2000a. (Ed. F... 1997.au/Sorting/ Psidium... In: DONADIO. Recife. p. Caracterização e avaliação do Banco Ativo de Germoplasma do Araçazeiro (Psidium guineense Swartz). A.). FERREIRA. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. E.). B. A.. Banco Ativo de Germoplasma de Fruteiras Nativas do Sul. RASEIRA. da. (Ed. do C. L. O. A. SILVA. V. cpatsa. PR. RASEIRA.html>. 2000. M. GOEDERT. 56 p. Acesso em: 07 fev.. E. Fortaleza: SBF: Embrapa Agroindústria Tropical. Disponível em CD-ROM. I. J. Araçá Yrapuã.. da R. B.unimelb. RASEIRA..br>. In: SIMPÓSIO DE RECURSOS GENÉTICOS PARA A AMÉRICA LATINA E CARIBE.. Recursos genéticos e melhoramento de plantas para o Nordeste Brasileiro. Novas variedades brasileiras de frutas. M. Multilingual plant name database. M.. Acesso em: 01 jun. SILVA JUNIOR. Botânica. L. J. Resumos.plantnames. 1999. L. RASEIRA. LEDERMAN. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS. 3. Brasília. Araçá Ya-cy. 2000. M... do C. Novas variedades brasileiras de frutas. Contribuição ao estudo do araçazeiro. M. 17. do C. G. Belém. (Ed. AUGUSTIM. p. 2004. RASEIRA. In: QUEIRÓZ. J... 1996. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. E. Londrina. R. 387-388.embrapa. F.).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 PINTO. A. Disponível em CD ROM. Recursos genéticos e melhoramento de fruteiras nativas e exóticas em Pernambuco. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Rural de Pernambuco.. Sorting Psidium names. BIANCA. Anais. e Psidium australe Camb. Psidium guineense S.. nos Cerrados do Brasil Central. PE: Embrapa Semi-Árido. S. B. 138-139. S. NAVES. RAMOS. PIRES. R. B. A. A. 1999. 2005. Anais. Sabine) em diferentes estádios de maturação. Jaboticabal: SBF. BEZERRA. p.. PA. Londrina: IAPAR: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. In: DONADIO. 2002.. 2002. Disponível em: <www. C. M. S.

National Genetic Resources Program. Germplasm Resources Information Network (GRIN). Coleções de fruteiras nativas e exóticas da Estação Experimental de Macaé. R. 1997.. Brasília. 1997. Beltsville. Acesso em: 01 jun. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS.ars-grin. VEIGA. A. J. FACHINELLO. A. 116-120. 59-62.gov/cgi-bin/ npgs/html/splist. Disponível em: <http://www.. D. 62 .. 1999. VOLTOLINE. J. National Germplasm Resources Laboratory. GRAÇA. Banco Ativo de Germoplasma de Frutíferas do Instituto Agronômico (IAC).. VIEIRA. J. IDE. de A. Brasília. 1997. In: WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS. C.. p. Maryland. 1999. 2005. Species of Psidium. 125-134. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. n. 452. F. NL. p. C. Anais.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 3 USDA – ARS. p. Acta Horticulturae. Effect of shading cattley guava stock plant (Psidium cattleyanum Sabine ) on propagation by cuttings. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.. The Hague. Anais..pl?10034>.

.

1998. Sinonímias: Annona macrocarpa Barb. araticum liso. araticum do cerrado. RIBEIRO et al. Foto: José Felipe Ribeiro. NOME CIENTÍFICO: Annona crassiflora Mart. 64 . Frutos de Annona crassiflora Mart. 2000) (Figura 1). cabeça-de-negro. Figura 1.. marolo.. 1998). pinha do cerrado. araticum panã. araticum cortiça (ALMEIDA et al.. panã. bruto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 ARATICUM José Teodoro de Melo NOMES COMUNS: Araticum. cabeça-de-pinha.. Rodr. Rodr (Almeida et al. Annona rodriguesii Barb.

em geral trímeros (3 sépalas e 3 pétalas) carnosos.. livres entre si (raramente soldados) apocárpicos. dispostos espiraladamente. hemicíclicas. Semente caracteristicamente com endosperma ruminado. como em Xilopia). 2kg de peso. Essa família possui 132 gêneros e cerca de 2300 espécies sendo a mais diversificada e próspera família da primitiva ordem Magnoniales. Segundo Mendonça et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 4 Annonaceae. a) Detalhe das flores e da casca de araticum (Foto: José Felipe Ribeiro. Duguetia St. com perianto diferenciado em cálice e corola.. com tronco geralmente tortuoso de 20 a 30cm de diâmetro. essa família está representada no bioma cerrado por 45 espécies. Hil e Rollinia St. 1998) (Figuras 1 e 2). Fruto apocárpico baciforme (raramente seco capsular e com frutículo separado. destacando pelo seu potencial frutífero os gêneros Annona L. hermafroditas. com um a muitos óvulos. sementes numerosas. DESCRIÇÃO Árvore de 4 a 8m de altura. Estames muito numerosos. com folhas inteiras de disposição alterna dística. elípticas e marrom escuras (ALMEIDA et al. oval arredondado. Hil. As principais características da família. b) Aspecto do fruto e da polpa de araticum (Foto: José Antônio da Silva). grandes ou pequenas. folhas alternas simples. externamente marrom claro com polpa creme amarelada firme. com pétalas engrossadas e carnosas (LORENZI. a) b) FIGURA 2. Ovário súpero com carpelos muito numerosos dispostos em geral espiraladamente. sem estípulas. 1998). segundo Joly (1975) são: plantas lenhosas (árvores ou arbustos). flores axilares. diclamídeas. revestido por casca áspera e corticosa. As flores são isoladas ou reunidas em inflorescências. (1998). Fruto com cerca de 15cm de diâmetro. 65 .

1999). Mato Grosso do Sul. 2000).. A espécie não ocorre nos cerrados de Rondônia. cerrado denso. 2000) e em São Paulo (DURIGAN et al. ASPECTOS ECOLÓGICOS Planta decídua. Produz anualmente grande quantidade de sementes dispersas por animais (LORENZI. sendo encontrado em Minas Gerais. principalmente de terrenos elevados. Distribuição geográfica de araticum (Fonte: Ratter et al. Tocantins. Pará. Mato Grosso. heliófita. Piauí. 2000). cerrado típico... 1998). o araticum é encontrado nas seguintes fisionomias: cerradão. No bioma cerrado. Amazonas. típica do cerrado. cerrado ralo e campo rupestre (RIBEIRO et al. Amapá. Goiás. Distrito Federal.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A distribuição geográfica é bastante ampla (Figura 3). 2000). no Paraná (RATTER et al. Maranhão e.. FIGURA 3. Roraima e Ceará (RATTER et al. A densidade do araticum varia de acordo com a região 66 . Bahia.. em remanescentes.

50 indivíduos /ha em um cerrado sensu stricto em Paraopeba.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 e a fitofisionomia (ALMEIDA et al. (2003). Rizzini (1971) sugeriu que as sementes não germinavam em condições naturais devido ao longo período seco na região (5 a 6 meses). pode se inferir que há grande variabilidade genética no ambiente de ocorrência natural. 1998).. Ribeiro et al. O crescimento dos frutos inicia em novembro e a maturação ocorre de fevereiro a abril. portanto ser conservada em condições de banco de germoplasma – semente. A semente apresenta comportamento ortodoxo. decorrente de uma estruturação genética em nível populacional. com pequenas variações. uma significativa parcela da variabilidade genética total encontra-se entre as populações locais. forma e volume) e na polpa (cor. As sementes de araticum apresentam profunda dormência e pode levar até cerca de 200 dias para iniciarem a germinação. a exposição à temperatura de –20oC pode resultar em desenvolvimento de dormência secundária.. Melo (1993). Minas Gerais. Minas Gerais e 16.. Um bom exemplo é a área do Exército existente no município de Formosa-GO. Rizzini (1973) confirmou a profunda dormência e sugeriu que ela poderia estar ligada à imaturidade do embrião. observaram em populações naturais de araticum um valor significativo para o coeficiente de endogamia total. estando as diferenças interpopulacionais associadas. mesmo em condições de viveiro. visto que ela faz com que a semente germine somente após nove meses. Telles et al. período propicio para a sobrevivência das plântulas (OLIVEIRA. devido ao tipo de dormência apresentado pelas mesmas. A dormência parece ter papel fundamental no estabelecimento da espécie no cerrado. consistência e sabor). podendo o botão floral surgir antes das novas folhas (Ribeiro et al. estudando o efeito do ácido giberélico nas sementes.à posição geográfica 67 . (2000). A queda das folhas ocorre em setembro e. 1998). ou seja. A floração ocorre entre setembro e novembro. verificou que a dormência se deve à falta de giberelinas e conseguiu germinação aos 36 dias após a semeadura. RECURSOS GENÉTICOS Ainda existem áreas onde são encontradas populações de araticum que podem ser usadas para coleta de germoplasma. De acordo com Ribeiro et al.. logo em seguida. que ocorre após a frutificação. Entretanto.. sendo as populações constituídas por indivíduos com grau de coancestria acima da média. onde a Embrapa Cerrados tem realizado expedições de coleta e ao mesmo tempo marcado várias matrizes. 2000). no início da próxima estação chuvosa. podendo. possivelmente. Como conseqüência. Devido a essa dificuldade. dependendo da região.1 indivíduos /ha em Prudente de Morais. a julgar pela variabilidade fenotípica encontrada nos frutos (peso. (1985) registraram 40 indivíduos/ha em um cerrado no Distrito Federal. o surgimento de novas folhas.

deve-se durante coleta. o araticum apresentou baixo teor de vitamina C. VALOR NUTRICIONAL Comparando o valor nutricional do araticum com o da manga. 2000).... segundo os autores. porém maior do que algumas frutas cultivadas como banana d’água e maçã argentina. priorizar o maior número possível de populações e não o maior número de indivíduos dentro de poucas populações. (1987) encontraram maiores valores de hidratos de carbono. geléias. Silva et al. sendo os frutos comercializados em feiras de bairro. não é sintetizado pelo organismo humano e deve ser ingerido através da dieta (AGOSTINI et al. com predominância do beta-caroteno. que variaram entre 70 e 253 retinol equivalente por 100g de polpa (AGOSTINI et al. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO O uso mais importante da espécie é como frutífera (RIBEIRO et al. Os frutos são muito apreciados pela sua polpa doce e de sabor característico (FERREIRA. devido à presença do ácido linolênico (Tabela 2). sucos. iogurtes ou sorvetes (ALMEIDA et al.e 1996). (1994) verificaram que os frutos já são explorados por pequenas indústrias de doces. De acordo com Almeida et al. 1998). A polpa apresenta nove carotenóides.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 das populações. 1995). sorvetes e outros produtos alimentícios. a infusão das folhas e das sementes pulverizadas é usada no combate à diarréia e como indutor da menstruação e as sementes pulverizadas misturadas com óleo são empregadas contra parasitas do couro cabeludo. Comparado com outras frutas do cerrado. (1998). que é o principal carotenóide pró-vitamina A.. cálcio e fósforo. O araticum. para preservar o máximo de variabilidade genética. se comparado com outras frutas. licores. 1973) que pode ser consumida ao natural ou sob a forma de doces. ou seja. A exploração da espécie é feita basicamente por extrativismo. Os lipídeos da polpa são especialmente interessantes para o consumo in natura. pode ser considerado uma boa fonte de lipídeos e de fibras dietéticas (Tabela 1). tortas. Almeida et al. por vendedores ambulantes e em algumas frutarias. Além disso. que é um ácido graxo essencial. Deste modo. citando vários autores. Os araticuns procedentes de diferentes populações nativas no sul de Minas Gerais apresentaram teores satisfatórios de pró-vitamina A. 68 . a polpa de araticum é uma boa fonte de ferro e de pró-vitamina A. Entretanto.

2. 4Agostini et al. o processamento do licor extrai e conserva apenas 6 a 14% dos carotenóides totais presentes na polpa.03.451.671.5 4. com proteção da luz. o licor conserva apenas 4% (AGOSTINI et al.5 18. sorvetes. sendo consumido ao natural pela população local ou utilizado para o preparo caseiro de geléias.5 10.2 Composição Cálcio (mg/100g) Ferro (mg/100g) Vitamina A (RE/100g) Vitamina C (mg/100g) Vitamina B1 (mg/100g) Vitamina B2 (mg/100g) Niacina (mg/100g) Tanino (mg/100g) Capítulo 4 Teor 52. A geléia conserva 55% da vitamina C presente na polpa in natura. 1995.01. 5 Almeida e Agostini-Costa.01. é mais intensa do que a degradação dos carotenóides.81.2.04-0.3. 69 . seguida de fervura em fogo brando durante trinta minutos.3 0. 1996. 1996).6-3. O licor de araticum é obtido pela infusão da polpa em álcool de cereais por vinte dias e adição de calda de açúcar a 54oBrix (ALMEIDA. licores e refrescos.3.2 0..5 70-2534 8. principalmente outras Annonaceas.31. 2Franco (1992). 3Agostini et al.31.3-12. Licores processados e estocados por 60 dias em frascos transparentes apresentam maiores perdas relativas de carotenóides em relação aos licores processados e estocados em frascos âmbar.73.9-19.2-21.2. 1987).7-2. 2005 TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA O araticum apresenta boa produção de polpa e facilidade de uso em despolpadeiras já existentes para outras frutas.5 1.01.07-0.101. que é mais instável do que os carotenóides.3. tanto na geléia quanto no licor.24 24. 3.2 2453 Fonte: 1ENDEF (1981).21.01. A degradação da vitamina C. A geléia de araticum processada conforme costumes regionais característicos é preparada pela adição de açúcar e de água na polpa. Composição Proteína bruta (%) Lipídios (%) Glicídios (%) Fibras (%) Energia (cal/100g) Sólidos solúveis totais – SST (oBrix) pH Magnésio (mg/100g) Fósforo (mg/100g) Teor 0. A geléia recém processada conserva 75% dos carotenóides presentes na polpa in natura e 59% do potencial pró-vitamina A.4-1.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TABELA 1.6-2. Composição da polpa de araticum.3 52-871. 1996). a atividade pró-vitamina A permanece estável durante o período de estocagem da geléia refrigerada por 90 dias. Geralmente é comercializado em feiras e beiras de estrada. Após o processamento..8-5.5 24.. doces. O processamento da geléia de araticum apresenta perdas menores de carotenóides e de vitamina C do que o processamento do licor da mesma fruta (AGOSTINI et al.2 0.2 0.

pois favorece a hidrólise do óleo além de dificultar a sua extração. A polpa apresenta um pequeno potencial oleífero. extração por prensa contínua.6 49. Possui coloração amarelada atraente. 70 . existe uma similaridade entre os óleos da polpa de araticum e de oliva.7 76. Isto se deve a presença de alcalóides.. apresentou um rendimento de 95%.2 Fonte : 1Almeida e Agostini-Costa.2 18. cuja eliminação provavelmente não resultaria em um produto economicamente competitivo no mercado.6 Óleo da semente --0.4 3. Composição em ácidos graxos (%) do óleo da polpa e da semente de araticum Ácidos graxos Láurico Mirístico Miristoleico Palmítico Palmitoleico Esteárico Oleico Linoleico Linolênico Araquídico Não identificado Saturados Monoinsaturados Poliinsaturados Óleo da polpa 2. O processo de extração com solvente. 1995). o que permite. A torta resultante da extração do óleo não deve ser empregada no preparo de rações para alimentação animal. 1995).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 A semente de araticum contém um teor relativamente elevado de óleo (45% com base no peso seco). A eliminação destes compostos pode ser experimentada pelo refino ou extração com prensas contínuas (AGOSTINI et al.1 traços 8. Entretanto.2 0. provavelmente pela presença de terpenos.2 14. 360 mg/100g de fósforo.1 0. comparado com a semente. o alto teor de minerais (4. 1995.9 0.5 0. TABELA 2.8 0. O aroma do óleo é característico e agradável.5 33. 2 Agostini et al. O alto teor de umidade constitui um dos principais obstáculos à sua exploração industrial.2 76. 6% de nitrogênio total) pode estimular a sua utilização como adubo orgânico (AGOSTINI et al. A composição (Tabela 2) e as características físico-químicas mostram que é possível produzir um óleo de boa qualidade.2 4. em escala semipiloto.9 1.6 49. inclusive.2 0.5 1.7 0. com grande potencial para o mercado de óleos finos. 2005.8 35.8% de cinzas.0 1.3 5. mas a presença de alcalóides precisa ser melhor estudada.3 4. Entretanto.1 9.

2000). 30 g de K2O. Os frutos podem ser coletados no chão. Para aumentar o crescimento inicial e a sobrevivência das plantas.0 g de N. desde que sejam mantidas as proporções acima recomendadas.2 g de uréia.3 g de P2O5 e 1. a 2. 1987). O produtor Jorge Razuk (comunicação pessoal) de Padre Bernardo. na safra de 2000. 71 . a aplicação de 1 kg de esterco de gado bem curtido. O espaçamento para o plantio deve ser entre 5 x 5 m a 7 x 7 m. se necessário. o que corresponde. produtor de Itararé. O araticunzeiro requer solos profundos. respectivamente. As sementes devem ser cobertas com uma camada de material que possa reter água. A sementeira consiste de um canteiro de cerca de 1m de largura e comprimento variável coberto por uma camada de areia de 10cm de espessura. podem.. como vermiculita ou pó de serra curtido. seguida por repicagem em sacos plásticos (SILVA et al. devem apresentar sinais de abertura na casca (ALMEIDA et al. porém alguns produtores dão algumas informações. a 300 g de superfosfato simples e 50g de cloreto de potássio.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 sobretudo quanto ao teor de ácido oléico. não exige solos de alta fertilidade e tolera bem os solos ácidos da região do Cerrado. Mas a presença de aproximadamente 3% de ácido linolênico no óleo da polpa de araticum representa uma diferença marcante do ponto de vista tecnológico e de conservação (AGOSTINI et al. GO. ou de 45 cm de diâmetro por 75 cm de profundidade quando feitas mecanicamente. porém são altamente perecíveis. 5. que corresponde.0 g de cloreto de potássio aos 20. bem drenados.1 g de superfosfato triplo e 2. 1995). 2. pode se aplicar 20g de FTE-BR-12. As covas devem ser corrigidas com 150g de calcário dolomítico e adubadas com 60 g P2O5. De acordo com Solano Antônio Bento Filho (comunicação pessoal). recomenda-se o coroamento das plantas e a roçagem entre as fileiras e. o preço. o combate a formigas (MELO et al. quando abertas manualmente.. neste caso. IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Os dados de produtividade e preço de araticum não são oficialmente disponíveis. por exemplo. por exemplo. SP. ainda. distante cerca de 9 km de Brasília. mas. colocando 3 a 4 sementes (RIBEIRO et al. Além desses cuidados de adubação.2 g de K2O. também. recomenda-se uma adubação de cobertura com 1. Pode-se usar outras fontes de nutrientes.. Recomenda-se. 2000). ser coletados na árvore (de vez).. 40 e 60 dias após o plantio. A semeadura direta no saco plástico também deve seguir as recomendações acima. por cova. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Recomenda-se a formação de mudas por semeadura em sementeiras.1994). As mudas devem ser plantadas no campo no início da época chuvosa em covas de 60 x 60 x 60 cm. chegou a cinco reais por fruto. Como fonte de micronutrientes.

p. B. CONSIDERAÇÕES FINAIS O araticum apresenta algumas peculiaridades que podem ser consideradas como fatores positivos para que se torne uma fruteira cultivada. Campinas. n. já dispõe de razoável conhecimento gerado pelas pesquisas. p. H. M. Frutas Nativas do cerrado: caracterização físico-química e fonte potencial de nutrientes.. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos cerrados: araticum.. 67-71. c) os frutos e as sementes são muito atacados por broca-do-fruto (Cerconota anonella) e da semente (Bephratelloides pomorum). VE. AGOSTINI-COSTA. T. S. v. F. Caracas. da.000 frutos /ha em plantios como o de Itararé. (No prelo). M. ALMEIDA. M. 1996. sendo vendido em feiras e sacolões. de.1. e) apresenta boa produção de polpa e facilidade de uso em despolpadeiras já existentes para outras frutas. principalmente sobre a produção de mudas. ALMEIDA.. ed. Entre esses pontos. A. Entre as necessidades de pesquisa. S. b) já dispõe de mercado. ampl. J. T. CECCHI. Cerrado: espécies vegetais úteis.. S. 2. v. principalmente Annonaceas. ALMEIDA. D. sorvetes e outros produtos alimentícios. n.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 vende a produção para Brasília e Anápolis em caixas com 18 a 22 unidades por 8 a 10 reais na fazenda. 2005. baru. 237-241. d) embora seja espécie nativa. RIBEIRO. Planaltina: 72 . podemos destacar os seguintes pontos: a) os frutos são altamente perecíveis. Algumas estimativas de produtividade. J. 1995. S. S. de. Caracterização química da polpa e do óleo de marolo. Archivos Latinoamericanos de Nutricion. Ciência e Tecnologia de Alimentos. T. 16. BARRERA-ARELLANO. Composição de carotenóides no marolo in natura e em produtos de preparo caseiro. P. RIBEIRO. rev. SANO. T. c) os frutos já são explorados por pequenas indústrias de doces. com anos de alta e de baixa produtividade. b) produção irregular. H. 45. AGOSTINI. 1998. GODOY. podemos destacar: a) o tamanho e as características físicas do fruto atraem o consumidor. Brasília: Embrapa Cerrados. H. SP. F. 464 p. P. podendo dificultar a comercialização. PROENÇA. o que pode dificultar a produção de mudas em grande escala. J. considerando 10 frutos por árvore. C. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. atingem 400 frutos/ha em área nativa do cerrado e 2. cagaita e jatobá. 3. CECCHI. SILVA.. d) as sementes possuem alto grau de dormência. P. E. ainda que seja local. In: CERRADO: ambiente e flora.. S.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINI. S.

Hoehnea. Estudo Nacional de Despesa Familiar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. Planaltina. NOGUEIRA.. WALTER. G. ALMEIDA. 5. RIBEIRO. C. BACIC. n. São Paulo. In: SANO. S. S. de. Frutos comestíveis do Distrito Federal – III. Produção de mudas e plantio de araticum.). H. S. R. ed. M. M. Nova Odessa: Plantarum. E. Rio de Janeiro. 21). mangaba. 26. F. 1993. In: CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO.. DF. São Paulo: Atheneu. 760 p. DIAS.. Cerrado: ambiente e flora. 2. S. B. T. T. M. J. p.. 9 ed. 2. Distribuição de espécies lenhosas da fitofisionomia cerrado sentido restrito. In: SANO. P. 7. MELO. 1987. F. RATTER. G.). C.. Planaltina: EMBRAPACPAC.. 2 v. Inventário florístico na Estação Ecológica de Assis. 169-192. 307 p. SILVA JUNIOR. JOLY. Tabela de composição química dos alimentos. 1998... v. 1973. A. nos estados 73 . DF: Embrapa Cerrados. LORENZI.. B. A. G. n. M. Anais. 2. 26). de. ed. marolo e mamãozinho. SIQUEIRA. p. E. Brasília. 1998. J. Flora vascular do cerrado. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil.. J. FILGUEIRAS. Cerrado. 1993. C. M. 1998. A. 1992. Documentos.).. 149-172. 83 p. REZENDE. M.. S. SILVA. FRANCO. 2 p. jun. IBGE. Botânica: introdução à taxonomia vegetal. C. Tabela de composição de alimentos. MENDONÇA. 289-556. B. 20. T. 2. MELO. 22-25. P. M. Efeito do ácido giberélico-GA3 sobre a germinação de sementes de araticum (Annona crasssflora Mart.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil EMBRAPA-CPAC. OLIVEIRA. A. SALVIANO. de (Ed. T. 1975. A. P. SP. 1981. de (Ed. 777 p.. V. (EMBRAPA-CPAC. v. M. A.. ed. B. da. A. (Embrapa Cerrados. D. Recomendações técnicas. São Paulo: Nacional: Edusp. P. v.. 1999. Curitiba. J. da. Capítulo 4 DURIGAN. T. S. p. p. 2.. FERREIRA. 2000. ALMEIDA. São Paulo: Sociedade Brasileira de Silvicultura. J. FELFILI. J. BRIDGEWATER. Fenologia e biologia reprodutiva das espécies de cerrado. FRANCO. Piqui. Cerrado: ambiente e flora.

D. F. C. L.. J. 1985. F. L. 363.. SILVA. de. 117-123.. 52 p. v. Blucher: EDUSP. T. 131-142. ANDRADE. C. [Anais. 2000. 2. RIBEIRO. v. V. BA. São Paulo. C.. RIZZINI. E. p. DIAS.). T. A. S. Jaboticabal: FUNEP. C. 78. de. p. p. RATTER. da. Salvador. B. SCALOPPI JUNIOR. DF: EMBRAPA-CPAC. RIBEIRO. R.]. SILVA. BATMANIAN. J. São Paulo: E. v. Estudo preliminar da distribuição das espécies lenhosas da fitofisionomia Cerrado sentido restrito nos estados compreendidos pelo bioma Cerrado. Salvador: UFBA: SBB. (Serie frutas nativas. Brasília: EMBRAPA-SPI. 2000. n.. Planaltina.. Boletim do Herbário Ezechias Paulo Heringer. SILVA. JUNQUEIRA.. J.. J. RIBEIRO. RIZZINI. N. London. 24. 61-64. Aspectos ecológicos da regeneração em algumas plantas do cerrado. 5. 5-43. B. J. 74 . A. M.. Resumos.. Dormancy in seeds of Annona crassiflora Mart.. 1994. BRIDGEWATER. n. Brasília. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTANICA. FONSECA. J.. jul. F. DF. Fitossociologia de tipos fitofisionômicos do Cerrado em Planaltina-DF. G. 1971. 12).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 4 compreendidos no bioma cerrado. R. da. 1973. São Paulo. BRITO. A.. A. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO. Journal of Experimental Botany. 3. p. 1998. Revista Brasileira de Botânica. M. T. E. T. 49. 8. J. SILVA. Araticum (Annona crassiflora Mart. p. J. M. Frutas nativas dos cerrados.. 1998. 1971.

.

Minas Gerais e Distrito Federal. Figura 1. Galhos com frutos imaturos de baru (Dipteryx alata Vog). O nome comum varia com o local. Cumaruna alata (Vogel) Kuntze (MISSOURI BOTANICAL GARDEN. 76 .. Sinonímias: Coumarouna alata (Vogel) Taub. (Foto: S.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 BARU Sueli Matiko Sano Márcia Aparecida de Brito José Felipe Ribeiro NOME COMUM. barujo. Sano). Tocantins. 2005).M. coco-feijão ou cumaru no Mato Grosso. cumbaru em São Paulo. Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. NOME CIENTÍFICO: Dipteryx alata Vog. sendo mais conhecido como baru (Figura 1) nos estados de Goiás.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 5 Esta espécie pertence à família Leguminosae. de 6 a 11 m de diâmetro. deixando reentrâncias de cor creme (Figura 2c). são mais difundidas nas regiões temperadas (BARROSO. com cerca de 18. As plantas lenhosas deste grupo são mais representadas nas regiões tropicais. agrupadas em três subfamílias com características florais bastante distintas: Caesalpinoideae.000 espécies. O formato da copa varia de alongada (Figura 2a) a arredondada. Mimosoideae e Faboideae. enquanto as herbáceas. de cor cinza-claro (Figura 2b) ou creme.000 espécies. 1991). apresenta placas de formato irregular descamantes. A casca do tronco é lisa. com estrias transversais. de ampla distribuição. DESCRIÇÃO Árvore com altura média de 15 m. a) 77 . Nesta última subfamília. incluise o gênero Dipteryx. que possuem características mais avançadas. com aproximadamente 482 gêneros e 12. podendo alcançar mais de 25 m.

elípticas..O.5 cm de largura e massa de 14 a 43 g. com cálice persistente. 1998). pecioladas. constatou-se poliembrionia (MELHEM. alternos ou subopostos. As flores são hermafroditas com aproximadamente 0. longo-ungüiculadas. ascendentes. nervura mediana plana na fase ventral.5 cm de largura. com mancha carmim. linear. ovais. compostas pinadas. de cor marron não apresentando mudança de cor quando maduro (Figura 1). O número de folíolos é de 7 a 12. Paes). ápice obtuso a abrupto-acuminado. A inflorescência do tipo panícula é formada na parte terminal dos ramos e nas axilas das folhas superiores. levemente achatado. 78 . anteras rimosas. com diminutas pontuações translúcidas. b) Tronco acinzentado com estrias e placas descamantes deixando (c) reentrâncias de cor creme.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 b) c) Figura 2.)(Foto: N.5 a 4. de cor mais escura que o mesocarpo fibroso (MELHEM. breve-estipitado. alvo. corola papilionácea. curtopediceladas. subsésseis ou com pecíolo de até 2 mm de comprimento. emarginado. cartáceo. unilocular. com um só óvulo parietal inserido próximo ao ápice (ALMEIDA et al. ovóide. vexilo suborbicular. a) Árvore adulta de baru (Dipteryx alata Vog. O fruto é do tipo drupa.. cálice petalóide. Possui cerca de 3 a 6 cm de comprimento e de 1. brácteas valvares com pontuações translúcidas. truncada ou subcordada. alva. base desigual arredondada. ciliados. com três dentes diminutos e dois maiores. 1974). 1998). O endocarpo é lenhoso (Figura 3a). Apresenta uma única semente por fruto. com 4 a 13 cm de comprimento e 2 a 6. 1974). As folhas são alternas. O limbo é oblongo ou raramente suborbicular.8 cm de comprimento. O ovário é súpero. marrom-claro. bracteada. caducas antes de ântese. mas. com 10 estames subiguais. exceto as folhas primordiais. simulando um vexilo. com cerca de 200 a 1000 flores. igualmente salientes nas duas faces (Almeida et al. nervuras secundárias numerosas. sem estípulas e ráquis alada que originou o nome da espécie (alata). monadelfos. oblongos. alas e carenas livres.

1988. 1975). com registros de coleta de frutos no Estado de São Paulo (Siqueira et al. (Foto: C. alcançando o Paraguai. 1993) e Bolívia (JARDIM et al. nas áreas de transição entre Cerrado e Mata Estacional ou Mata de Galeria e no Cerrado sentido restrito. A distribuição é ampla no Brasil.6 g. Altas densidades foram observadas nas Matas e no Cerradão (HAASE e HIROOKA. dentro do bioma Cerrado. b) Fruto comido pelo gado apresentando endocarpo duro e sementes com fissuras no tegumento.. da polpa e do caroço (Foto: J. Rondônia e Tocantins (Figura 4). 1998. A cor brilhante do tegumento varia de marrom amarelada ou avermelhada a quase preto. FELFILI et al. 2002). 1993). Silva).9 a 1. Ocorre também em países vizinhos. BRITO. mas. Cherne). Pará. a largura de 0. no complexo do Pantanal. de média fertilidade (RATTER et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 A semente elipsóide apresenta dimensão e massa variadas. a) Sementes do baru e aspecto geral do fruto cortado. nas formações florestais Cerradão e Mata. em geral. o comprimento varia de 1 a 2. 2003). A.. 1978). de textura areno-argilosos (FILGUEIRAS e SILVA. Minas Gerais. Peru (BRAKO e ZARUCCHI.3 cm e a massa de 0. Mato Grosso. A espécie ocorre preferencialmente nos solos bem drenados. Mato Grosso do Sul.. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Ocorre no bioma Cerrado. nos Estados de Goiás. a) b) Figura 3. algumas apresentam fissuras transversais mostrando a cor branca a creme dos cotilédones (Figura 3b).6 cm. sua densidade é baixa no Cerrado (ARAÚJO e HARIDASAN. 2004). Maranhão. 79 .9 a 1..

. ASPECTOS ECOLÓGICOS O barueiro apresenta frutos maduros durante a estação seca no Cerrado. 2000)... 2000). sendo uma espécie importante para alimentação de aves. em 84 localidades entre 316 levantamentos no bioma Cerrado. A dispersão dos frutos é barocórica (por gravidade) e também zoocórica. Os bovinos ingerem o fruto inteiro e eliminam o caroço. Os caroços ou frutos com mesocarpo consumido parcialmente são encontrados no local de pouso.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 Figura 4. quanto nas áreas onde permanecem para 80 . Neste ultimo caso os morcegos retiram os frutos das árvores e levam para pouso de alimentação deixando cair no caminho (MACEDO et al. (Fonte: RATTER et al. quirópteros.) no Cerrado sentido restrito. Distribuição geográfica do barueiro (Dipteryx alata Vog. 2000). primatas e roedores nessa época (MACEDO et al. como a mangueira. tanto sob árvores.

32 gêneros e 34 espécies (DAMASCENO. 1998) e em área de transição Cerrado Denso e Mata Estacional para adultos (23 indivíduos/ha). e a análise de forragem mostrou maior conteúdo de nutrientes na braquiária sob barueiro do que nas outras áreas (OLIVEIRA. onde sua distribuição espacial foi agrupada (BRITO. Neste caso. mostrou que muitas plantas jovens ocorrem próximas à árvore-mãe até o final da estação chuvosa.. A floração ocorre de novembro a fevereiro. 2004). os barueiros adultos da vegetação nativa original são mantidos na pastagem. mas não foi observado indivíduos jovens no final da estação seca. provavelmente associado à maior sobrevivência da planta nos anos de alta produção de frutos (BRITO. entre as quais foram observadas cinco famílias. durante o período das chuvas. Melhem (1972) observou que na semeadura de frutos inteiros houve proliferação de microrganismos que prejudicaram a germinação de sementes em solos ricos em matéria orgânica.3 indivíduos/ha foi relatada para Cerrado sobre murunduns (OLIVEIRA-FILHO e MARTINS. que se alimentam das sementes e também enterram em pontos estratégicos (MACEDO et al. formigas e pequenos besouros se alimentam do mesocarpo. As folhas novas são emitidas após o início das chuvas. Os consumidores do mesocarpo de baru podem facilitar a germinação e o estabelecimento das plântulas. de roçar os arbustos da pastagem. A sua ocorrência no Cerrado sentido restrito na maioria das vezes é rara ou ocasional. 1998) e roedores como a cotia (Dasyprocta variga). Em pastagem cultivada. incluindo os humanos. As flores de baru são visitadas por muitas abelhas. Altos valores de densidade foram também observados em Mata Semidecídua (88 indivíduos/ha) (HAASE e HIROOKA. sendo mais predadores que dispersores. indicando recrutamento episódico. algumas árvores adultas e juvenis permanecem 81 . principalmente as frutificadas. Outros consumidores são a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) (Pinho. excepcionalmente em outras épocas. Em várias locais da região do Cerrado. enquanto cupins. devido a sua importância para sombra e alimentação para o gado ou por ser uma árvore de madeira dura. 2004). 1998) sendo as mais representativas Apidae (70%) e Andrenidae (12%).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 ruminar (malhador ou maromba). 1999). consomem tanto o mesocarpo como as sementes. GO. ou da maior permanência do gado debaixo dessa espécie do que do pequizeiro. A população nesta área apresentou indivíduos de classes de altura e de diâmetro descontínuas. mas densidade de 143. mas a identificação do polinizador efetivo não foi realizada. mas. Plantas adultas perdem as folhas no final da estação seca. Já os primatas. eventualmente. pois. não ficou esclarecido se o efeito foi direto do barueiro. A causa da mortalidade das plântulas pode ser devido ao consumo das folhagens ou pisoteio pelo gado. 1991). e com crescimento concomitante dos ramos. O estudo de Brito (2004) nas pastagens em Pirenópolis. ou também pelo manejo adotado. protegendo-se do sol ou consumindo a fruta. 2000). os solos sob barueiro apresentaram teores de nitrogênio e matéria orgânica superiores aos solos sob pequizeiro e braquiária.

Os poucos dados existentes sobre a periodicidade da oferta de frutos do baru têm mostrado que a produção é irregular (Sano e Vivaldi. mas nem todas as árvores frutificam anualmente. 2004). Essa irregularidade na produção anual compromete a oferta do produto no mercado. 1999.. 2004). 1994) e os maduros nos meses de julho a outubro em vários municípios de Goiás (Sano et al. ou. devido a menor oferta de flores de outras espécies vegetais nas pastagens como considerou Damasceno (1998). e o clima pode ser um dos fatores que afetam a produção. a região de Pirenópolis (GO). pela maior disponibilidade de polinizadores.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 com suas folhas. F. apresentou alta produção de frutos nos anos de 1998 e 2000 e reduzida em 1999. Desciduidade do barueiro na frutificação (Foto: J. 82 . Esse período ocorre a partir de julho até outubro. Brito (2004) observou maior produção de frutos de baru nas pastagens em relação à vegetação natural. 1996. A maturação fisiológica da semente ocorre com o início da queda dos frutos e das folhas (NOGUEIRA e DAVID. As árvores que apresentaram alta produção de frutos em 1994 tiveram sua produção reduzida no ano seguinte. Conhecida pelo uso extrativo do baru. 1996). Frutos ainda verdes foram coletados em setembro (TOGASHI e SCARBIERI. Esses autores observaram maior número de árvores com alta produção de frutos em 1994 em relação ao ano seguinte. Isso pode ocorrer devido a menor competição por recursos. enquanto dos indivíduos que apresentaram baixa produção em 1994. água e nutrientes. Os frutos maduros são encontrados quando a árvore está praticamente sem folhas (Figura 5). Brito. nas pastagens. 2004). quando choveu pouco (BRITO. Figura 5. 2001 e 2002. Ribeiro). varia com o ano e local. Brito. como luz. 1993). A produção de frutos por planta pode chegar a 5000 unidades. apenas um deles se destacou com alta produção no ano seguinte (SANO e VIVALDI.

estão localizados em Cianorte. GO (L. O primeiro experimento de teste de progênies e procedências encontra-se no campo experimental do Instituto Florestal do Estado de São Paulo (SIQUEIRA et al.. principalmente nos estados de Tocantins e Mato Grosso. comunicação pessoal). CARVALHO e FELFILI. 1998) e Goiânia1. em Jaboticabal. além de Maranhão. Mata Estacional e as áreas de transição são ambientes que ocupam proporcionalmente as menores áreas no bioma Cerrado. são as áreas mais visadas para a atividade agropecuária. em Brasilândia. 20/06/2005 83 ... mas. Como essas fitofisionomias ocorrem em geral em solos mais férteis e profundos. em Pederneiras (SIQUEIRA et al. Essa espécie encontra-se muito ameaçada. 1994. Minas Gerais (OLIVEIRA. pois o Cerradão. SP (AGUIAR et al. No momento. nas Estações Experimentais do Estado de São Paulo. Lázaro Chaves. dos plantios realizados entre a década de 1970-80. Há necessidade urgente de coleta. 1992). de Minas Gerais. 2000). MG (OLIVEIRA. mas com plantio de apenas uma muda por matriz. de Goiás. UNESP. as maiores fontes de germoplasma estão nas áreas florestais e em algumas pastagens no Cerrado. 1994). Mogi-Mirim (TOLEDO FILHO e PARENTE 1982). A biologia reprodutiva desta espécie é pouco conhecida. a maioria em fase juvenil. O desmatamento para atividade agropecuária pode ser o fator de maior impacto para a erosão genética dessa espécie. na Universidade Federal de Lavras. Cerrado Denso. O barueiro também pode ser encontrado em áreas de alta declividade. nesses locais. GO. 1993) com plantas adultas (Tabela 1). 1982 e 1993) e na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. Não há registro de 1Comunicação pessoal de Dr. Esses materiais conservados ex situ são originários dos Estados de Mato Grosso do Sul. de Goiás e de São Paulo. seguida de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (Tabela 1). devido à redução do ambiente de ocorrência. 1998) e na Universidade Federal de Goiás. da Univ. faz-se a retirada seletiva de madeira. no Distrito Federal (SANO et al... protegidas pela lei. 1988). Distrito Federal (SANO et al. A coleta mais abrangente foi realizada no Estado de Goiás. na Embrapa Cerrados. através de e-mail. 1998. três outras instituições possuem amostras menores. Fed.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil CONSERVAÇÃO GENÉTICA Capítulo 5 Variabilidade e erosão genética. Os plantios mais recentes. Em fase juvenil. Os mais antigos experimentos estão localizados em Casa Blanca (TOLEDO FILHO.. Todos estes materiais carecem de caracterização molecular do DNA. Chaves. Conservação de germoplasma. Pará e Rondônia que estão no limite do bioma. assim não há como avaliar se devido a alguma característica biológica particular essa espécie esteja sujeita à erosão genética. Há possibilidade de obter sementes de árvores cultivadas. PARRON et al. PR (CARVALHO. 1994).

SP Planaltina. 1998. torna-se escura. A polpa (mesocarpo) pode ser consumida in natura. DF Três Lagoas. bombons (Figura 6) e panetone com boa aceitação. 1998 L. paçoca. MS Brasília. sendo consumida torrada como aperitivo ou em inúmeras receitas (ALMEIDA. Apresenta variação na textura. MS Icém..N. 1991 Brasilândia. Para consumo da polpa. MG Jequitaí. MS 25 22 Campo Grande. cajuzinho. de doce a amargo. A. Tem sabor adocicado. TABELA 1. 1987 Dez. MG Brasilândia. pode conter tanino que afeta o sabor e a digestibilidade da polpa. MG Capinópolis. 1999) na mistura ou barra de cereais. rapadurinhas. GO Oliveira.. Locais de plantio e origem de Dipteryx alata Vog. SP Formosa. devendo ser 84 . amendoim ou nozes em qualquer receita destes produtos (MOTTA. DF Referências Siqueira et al. 1993 Siqueira et al. aparentando chocolate. quando utilizada para massa de bolo. no sabor. 1994 Mês/Ano de implantação Set. MG Estado de Goiás 16 25 17 25 5 2 25 25 16 151 16 17 26 25 20 20 20 20 20 1 1986 Out. 1993 Sano et al. SP Pederneiras. de farináceo a pastoso.. Local Pederneiras. A amêndoa in natura não é recomendada para consumo. O sabor da amêndoa é agradável. 1993 Siqueira et al. SP Pederneiras. devem-se selecionar frutos maduros. Chaves* 1996 Jan. GO Paracatu. 1998 USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO Alimentação humana.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 coleta de germoplasma nos Estados de Mato Grosso e Tocantins para plantio em instituições de pesquisa ou ensino. ALMEIDA et al. MG Goiânia. Essa amêndoa é substituta de castanha de caju. entre outras... 1990) na forma de pé-demoleque. conservados ex situ. 1980 Número Local de Número de de Origem Progênies Matrizes Aquidauana.

1g/cm3). 1982). Forragem. sendo usada para estacas. caibros. o óleo e a farinha. A madeira é de alta densidade (1. moirões. elevada resistência ao apodrecimento..F. Bolo e bombons com amêndoas de baru (Foto: J. A exploração comercial de amêndoas de baru é sustentado no extrativismo. Madeira. 1992). com alta durabilidade. É resistente a fungos e cupins (CAVALCANTE et al. rica em proteínas e minerais. e pode ser oferecido para consumo durante o ano todo. A polpa é fonte complementar de calorias para os animais em pastagens naturais ou degradadas. o leite. Pode ser extraído da amêndoa. mas seu papel é de qualidade inferior (ANDRADE e CARVALHO. A celulose da madeira tem maior resistência à tração e ao esticamento que a de eucalipto (Eucaliptus grandis). e os menos procurados pelo gado possuem mais tanino. Figura 6. É comum observar preferência do gado a algumas árvores nas pastagens. mas. Ribeiro). 1996). existe variação no teor de tanino entre árvores.1994) ou cozida.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 torrada para reduzir os fatores antinutricionais como o inibidor de tripsina (TOGASHI e SCARBIERI. Tem potencial para expandir a comercialização pela facilidade no transporte e armazenamento. sendo consumida pelo gado quando os frutos caem no final da estação seca. 85 .. no Estado de São Paulo (MUCCI et al. postes. não contém agrotóxico. bem como para a fabricação de carrocerias e implementos agrícolas (LORENZI. apresentou vida média no campo inferior a nove anos. compacta. e também são usadas para produzir bebidas alcoólicas. Nos frutos maduros. como licor cremoso ou não. dormentes e construção civil (vigas. As folhas novas também servem de forragem para o gado. batentes. tábuas e tacos para assoalhos). 1992).

que solicitou patente em 2002. sendo isolado o beta-farneseno. mas difere na composição dos ácidos graxos (VALLILO et al. VALOR NUTRICIONAL A polpa é. é semelhante ao óleo de amendoim (TAKEMOTO et al. O óleo das sementes tem cerca de 80% de insaturação (VALLILO et al. índices de iodo e refração. seguida de proteínas (29.. com bom crescimento. 1990). A composição de ácidos graxos obtidos pelos três autores são muito similares para sementes de origens diferentes. composta de carboidratos (amido. Do fruto. O óleo extraído da semente é empregado como anti-reumático (FERREIRA.. essa espécie é indicada para a recuperação de áreas degradadas (HERINGER. como pode ser observado na Tabela 2. 1966).2%). de folhagem verde-escura a verde-clara. Pode ser usada no paisagismo. e apresenta propriedades sudoríferas. Outra substância que inibe a formação de melanina foi isolada a partir do extrato etanólico dessa planta pela empresa Ichimaru Pharcos Inc. tônicas e reguladoras da menstruação (CORRÊA. Não foi divulgada a parte da qual foi obtida essa substância com potencial para a indústria farmacêutica. É recomendado para o consumo humano por conter ácido graxo essencial (ácido linoléico). mas é suscetível à oxidação devido ao alto grau de insaturação. fibra.. BARROS.. fornece boa sombra durante a primeira metade da estação seca. 2001). Esse óleo possui altos teores de ácido oléico e linoléico de grande utilização na indústria alimentícia e farmacêutica (TAKEMOTO et al. 2001) tendo predominância dos ácidos graxos oléico e linoléico (Tabela 3). foram extraídos três triterpenos pentacíclicos: lupeol. baixa exigência de adubação e de manutenção. O valor calórico da polpa (310 Kcal) é menor que a amêndoa (561 Kcal). 2001). Nesse aspecto e em tocoferóis. Pela alta produção de massa foliar. foram extraídas substâncias farmacológicas (FONTELES et al.. a infusão da casca do tronco é usada na cura de dores na coluna.3%). Paisagismo e Recuperação de áreas degradadas.1988). TAKEMOTO et al. Por ser uma árvore de copa larga. 1990).. 1988). 38%. 20. na sua maioria. 29. 1994. enquanto a amêndoa contém mais lipídios (40. 86 . 1980. 1978). devido a maior proporção de lipídios e proteínas na última (VALLILO et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 Medicinal. Esse óleo é semelhante ao óleo de oliva pelo grau de insaturação... mas é brevemente caducifólia no final da estação seca.5% e açúcar.2%)..6%) e carboidratos (27. TOGASHI e SCARBIERI. que apresenta ação inibidora sobre atividades mediadas por acetilcolina em animais (MATOS et al. 1990). Na medicina caseira. ausência de ácido com anel ciclopropênico e baixa acidez (VALLILO et al. 1982). 1931). 1990.. Desse material. lupen-3-ona e betulina (KAPLAN et al.

89 Semente 29.82 Behênico 2.28 11.32 5. obtidos por diferentes autores.22 44.40 Outros 4.50 1.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 TABELA 2.59 3.33 3. enquanto a semente apresentou teores bastante altos de ácido glutâmico e relativamente baixos de ácido aspártico e ausência de cisteína (Tabela 4). Togashi e Scarbieri (1994) observaram 87 .27 19. Componente Proteína* Lipídios neutros* Fibra total* Solúvel Insolúvel Amido* Açúcares totais* Glicose ** Sacarose** Substâncias voláteis** Resíduo mineral fixo ** Valor calórico. tirosina e triptofano.0 50. Äcidos graxos Vallilo et al. Comparação da composição em ácidos graxos do óleo da semente de Dipteryx alata Vog.23 1.40 3.4 7. TABELA 3.93 31.80 2..30 28.12 Gadoléico Lignocérico Linoléico 30.1 28.7 309.71 20.análise não realizada Valores (%) Togashi e Scarbieri (1994) 1.09 7.10 0.17 Palmítico 7.94 14.4 2. Kcal** Polpa 5.04 4.19 5.6 - A composição de aminoácidos da polpa apresentou teor bastante alto de prolina e baixos teores de metionina.7 2.85 560.16 Takemoto et al.01 20.20 38.6 5.99 7.7 Linolênico Oléico 50. ** Vallilo et al.12 Esteárico 3.53 7. (1990) Araquídico 0.70 2.4 29. (2001) 1.59 40.07 2.45 23.73 Fonte: *Togashi e Scarbieri (1994). Composição centesimal (g/100 g) da polpa e da semente de Dipteryx alata Vog. 1990.94 .

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 que as sementes torradas tiveram alguns aminoácidos reduzidos.84 3. A polpa e a semente apresentaram nutrientes essenciais.95 0.92 4.25 Crua 7. isoleucina (7%). Composição em aminoácidos (g/16 g N) da polpa e da semente crua e torrada de Dipteryx alata Vog. Mg.64 7.87 2. o de cobre na polpa e os outros foram similares. ferro.34 3. Cu e Zn mais elevados para as sementes coletadas no Estado de Goiás.04 1. P.47 2.67 0.95 2.63 UTI/ mg da amostra.91 2.06 8.47 19.20 2.15 5. seguido de fósforo (Tabela 5).65 0.46 4. Verifica-se que Takemoto et al. triptofano (27%).50 0 2. sendo o teor de manganês mais elevado na semente.38 4. potássio.74 4.79 2. histidina (7%). manganês e zinco.20 3. serina (4%) e arginina (3.03 2.17 0. Aminoácidos Ácido aspático Ácido glutâmico Alanina Arginina 1/2 cistina Fenilalanina Glicina Histidina Isoleucina Leucina Lisina Metionina Prolina Serina Tirosina Treonina Triptofano Valina Polpa 10. tirosina (10%).67 6.84 4.41 17. cálcio e magnésio apresentaram valores mais altos na semente do que na polpa.80 1.84 0.18 3.11 3.00 7. (2001) obtiveram valores de Ca.6 para 0.26 4.04 4. como a lisina (26%).17 3.49 Semente Torrada 7.30 3.91 2.3%).98 1.56 19.79 7. e o teor de cálcio variou de 82 a 140 mg por 100 g da semente.53 Fonte: Togashi e Scarbieri (1994).35 0.26 0 4.99 0 4. assim como o teor do inibidor de tripsina de 38.37 2. Constatou-se a presença de micronutrientes essenciais cobre. e os valores de Fe e Mn foram mais baixos em sementes coletadas em São Paulo por 88 .20 3.53 3. com alto teor de potássio. TABELA 4.10 3.10 2. Os macronutrientes essenciais fósforo.

já foram projetados equipamentos manual (Figura 7) e elétrico para essa finalidade2.2* 3. embora esses resultados não sejam comparáveis por terem sido realizados em condições distintas Tabela 5.08* 140** 178** 358** 827** 4. 2001 TECNOLOGIA PÓS-COLHEITA A coleta de frutos é feita durante o período seco.74* 5. a foice e machado são usadas para quebra do fruto.14* 1. Teores de minerais (mg/100 g) da polpa e da semente de D.9* 82. Nutrientes Cálcio (Ca) Magnésio (Mg) Fósforo (P) Potássio (K) Sódio (Na) Ferro (Fe) Manganês (Mn) Zinco (Zn) Cobre (Cu) Polpa 75.08* 3... Para obter a semente (amêndoa) é necessário quebrar o endocarpo duro que a protege. GO.30* 5.9** 4. Ferramentas como a marreta. 2 proprietário rural de Padre Bernardo. na sombra. 1990. 89 .94* 3. Para o consumo humano. (1990). O uso de polpa deve passar por uma escolha criteriosa de árvores que produzam frutos com baixo conteúdo de tanino.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 Vallilo et al. Entretanto.2* 572* 1. A forma mais adequada para conservação desse material tem sido manter distância das paredes e do chão.04* 1.54* Semente 82* 143* 317* 911* 3.24** 4. para evitar umidade e ataque de animais. por meio de faca. **Takemoto et al. e colocados em sacos de 45 kg para transporte e posterior armazenamento em local arejado.1** 1. alata Vog.45** Fonte: *Vallilo et al.84* 1. o processamento da polpa (mesocarpo) é feito manualmente.35* 9. após lavagem do fruto.

o óleo é retirado das amêndoas torradas. Este processamento industrial é realizado pelas empresas particulares. Sementes aparentemente sadias apresentaram fungos prejudiciais (Phomopsis sp. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Não há disponibilidade de sementes selecionadas. trituradas até tornar uma massa esfarelada e depois cozidas na água com uma pitada de sal (ALMEIDA. Sano). 1997). C. 90 . A qualidade da muda depende da habilidade do viveirista na seleção da matriz. constituída de proteínas e fibras. Sementes para produção de mudas são de frutos coletados de árvores nativas do bioma Cerrado. e a farinha é usada na merenda escolar no Estado de Goiás.) para germinação e patogênicos (Cylindrocladium clavatum) para a plântula (SANTOS et al. projetado por J. M. Artesanalmente. 1998).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 Figura 7. o trabalho é compensado pela qualidade do produto e seus derivados. Apesar do baixo rendimento e da dificuldade na extração da amendôa. Madeira (Foto: S. Da amêndoa do baru é extraído a frio o óleo através de equipamento de prensagem e a massa restante é usada para a fabricação da farinha. Equipamento manual para quebra de frutos de baru. A amêndoa representa apenas 5% da massa em relação ao fruto.

a sobrevivência foi acima de 80% sob diferentes espaçamentos. O plantio de mudas de baru no campo tem sido bem sucedido. SP. do solo. de várzea drenada (PARRON et al. No laboratório. as procedências de Mato Grosso do Sul apresentaram sobrevivência acima de 90%. ocorre a partir de 7 (CORRÊA et al. A adição de 100 mg fósforo/kg e 60 mg de magnésio/kg de solo aumentou a produção de matéria seca do caule. Na série de plantios em Pederneiras. Foram utilizados também espaçamentos de 2 x 2 m (TOLEDO FILHO e PARENTE. e Brasília. 1999).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 A germinação de sementes isoladas acontece aos 5 dias. 2000) a 13 dias (Nogueira e Vaz. e de 80% em solo Gleissolo Haplico. 1982) e 91 . como os dados de sobrevivência de barueiro plantada por meio de semeadura ou de mudas não foram realizadas no mesmo ano. a semeadura direta é uma opção a ser avaliada. Há pouca informação sobre adubação para formação de mudas. em Latossolo escuro. respectivamente (SIQUEIRA et al.. plantio e manutenção. O espaçamento entre árvores deve ser de acordo com a finalidade do plantio. (1992) sugeriram plantio para fins florestais. mas. 2000). No Distrito Federal. 1992). e a adição de 60 mg de N/kg de solo diminuiu a relação entre matéria seca da raiz e parte aérea (Melo.5 t/ha de calcário foi prejudicial ao seu crescimento (ULHÔA. Fonseca et al. alcançando o pico em 10 dias (MELHEM. 1997). textura arenosa (AGUIAR et al. 1974. em vários locais. A emergência das plântulas. enquanto as de Três Lagoas. do número de folhas e área foliar. pois reduz o custo com a mão de obra e transporte de material. em Latossolo Vermelho.. 1993). com altas taxas de sobrevivência.. fósforo e magnésio e também alta luminosidade. SP. textura arenosa. foi atribuída à qualidade de tratos culturais. (1993) que sugerem maior densidade de semeadura e não recomendam essa prática. Aguiar et al. O rígido endocarpo que envolve a semente é uma barreira física que retarda o processo germinativo. 1975). MS. 1993. ocorreu em cerca de 40 a 60 dias (FILGUEIRAS e SILVA. dentro do fruto. em Latossolo Vermelho Amarelo. textura argilosa (dados não publicados). 1999).5 m com a realização do desbaste aos dez anos. pois obtiveram 66 % de sobrevivência. DF foram de 70% e 80%. 1994) quando enterradas a 2 ou 3 cm de profundidade sob luz plena. Observações de que há maior produção de frutos na pastagem do que na área natural (Brito. para o bom desenvolvimento de mudas de baru são essenciais os nutrientes. A semeadura direta foi realizada por Siqueira et al. Não houve resposta a adição de cálcio (MELO. Em Jaboticabal. espaçamento de 3 x 1.. Essa diferença na sobrevivência. DF. o índice de sobrevivência também foi acima de 95% em Planaltina. BOTEZELLI et al. Mas. A germinação de sementes. 2004) indicam que as plantas para produção de frutos devem ter espaçamento amplo. 2000).. a taxa é alta podendo alcançar mais de 95% de germinação. e a adição correspondente a 4. A produção de mudas. ainda não foi adequadamente testada ou publicada.. cujos plantios foram em anos diferentes.

2000). a semente de baru crua foi comercializada por R$16. A amêndoa torrada é comercializada em feiras. o molho pesto. como licor (Baruzetto). Outros produtos como. Colinas do Sul.. O combate à formigas nos primeiros anos.embrapa. podendo atender a restaurantes e ao mercado externo.. bolos e licores.br/ no ícone produtos.00 (garrafa). GO. A amêndoa tem sido utilizada na composição de cereais matinais na forma de barras.00 a R$3. com possibilidade de crescimento em conjunto com a expansão da indústria do ecoturismo. DF. Campo Grande. Alto Paraíso. GO e Mateiros. capinas manuais para coroamento e roçada mecânica nos anos seguintes apresentaram resultados satisfatórios (TOLEDO FILHO. produção do ano e os processos de industrialização. embora a oferta encontre-se restrita a algumas cidades próximas à área de produção como Pirenópolis. e trufa de baru. barra de cereais e biscoito integral de baru (unidade de 100g) são comercializadosa R$25. com preço no atacado de R$ 14. correspondendo à uma tonelada. como tem sido observado em Pirenópolis. 92 . Dados de produção de frutos para esses plantios não estão disponíveis..00 e R$3. e vem sendo usado na elaboração do pesto (molho italiano para massas). Diorama. O plantio em sistemas agroflorestais também pode trazer vários benefícios. IMPORTÂNCIA SOCIO-ECONÔMICA Dados oficiais sobre a produção e comercialização dos produtos provenientes do extrativismo de baru não existem. como o melhor aproveitamento do espaço e menor incidência de pragas. TO. Em Pirenópolis. GO. 1985). GO. MS. 1994) e recuperação de área degradada (Parron et al. dependendo da região e da produção.00 (cestinha com 10 unidades).00/kg. além de Goiânia. R$2. grande consumidor de nozes. A demanda por produtos oriundos de espécies nativas e de sabor exótico 3 Informações sobre empresas que comercializam este e outros produtos do Cerrado na região podem ser encontrados no http://cerradobrasil. Esses preços variam com as lojas comerciais. GO e Brasília. É um mercado com muito potencial. 1993). O preço de comercialização é muito variável. enquanto plantios de 5 x 5 m foram realizados para fins de produção de frutos (SANO et al. GO. R$9. DF. ou em lojas de produtos naturais. varia de R$2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 3 x 3 m (SIQUEIRA et al. Formosa. Produtos derivados da semente de baru.cpac. respectivamente. bombons.00. GO. a semente de baru torrada (100 g) são encontrados nas lojas de produtos naturais por R$6. até o momento. como torragem e salgamento3. Neste local foi comercializada 400 sacas de 45kg de fruto.50.00 (vidro). O preço da amêndoa torrada. sendo o trato cultural adotado na maioria dos experimentos. A amêndoa de baru como substituto das nozes é alternativa interessante. GO. em Brasília.00. em embalagens de 50 g.

além do carvão feito de endocarpo. incluindo os custos com coleta (mão-de-obra. a queda de folhas. a exploração extrativa do fruto pode complementar a renda familiar através da comercialização da amêndoa e seus subprodutos. quando associado com outras árvores. A curto prazo. Pode ser explorado como um produto que favorece a conservação da biodiversidade.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 é crescente tanto no mercado interno quanto externo. torna-se imprescindível o estudo da cadeia de comercialização. e a necessidade de uso de substâncias que retardam a oxidação dos óleos. supermercados. a facilidade no transporte e armazenamento dos frutos e a qualidade do produto. Há necessidade de organização dos extrativistas. rica em nitrogênio e cálcio. que possuem raízes menos profundas. bem como o seu manejo e a implantação de seu cultivo. Como alimento. sendo classificado como uma espécie chave. a produção não atende à essa demanda. com a pastagem ou com a produção de grãos. possibilitando a expansão do mercado atual. lipídios insaturados. Esta estratégia deverá contemplar a organização da produção. Os aspectos negativos para o comércio são a irregularidade na produção de frutos. promove a manutenção da matéria orgânica e nutrientes no solo. fibras e minerais essenciais. que podem ser comercializados ou consumidos ao longo do tempo. 93 . a amêndoa é rica em proteínas. O fruto amadurece na época seca e alimenta várias espécies da fauna do Cerrado. podendo usar principalmente os frutos. devido ao volume pequeno comercializado informalmente em vários locais da região do Cerrado. É fundamental a avaliação da oferta sazonal de frutos pela natureza. ornamental e usada na medicina. Além disso. processamento e transporte. pois possui alta taxa de germinação de sementes e de estabelecimento de mudas. é necessário avaliar os preços no varejo. Assim. Além disso. quando manejado adequadamente. informações de Wanderley de Castro (Agrotec) relatam o interesse de importadores europeus na obtenção de grandes quantidades de sementes de baru. madeira durável. O barueiro é espécie promissora para cultivo. visando o planejamento de uma estratégia de produção e comercialização de seus produtos. entre outros aspectos. os proprietários podem obter vantagens com o plantio em sistemas agroflorestais. através dos canais convencionais de comercialização. Para a avaliação da importância dessas atividades na geração de emprego e renda na agricultura familiar. a curto prazo. A médio prazo. beneficiamento. beneficiando espécies. embalagem dos produtos e campanha de divulgação. como feiras livres. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os aspectos positivos para que os produtos de baru sejam ampliados na cadeia de comercialização em escala regional. equipamentos). Entretanto. fruto comestível. na grandeza de toneladas. tempo. são a alta produtividade. A longo prazo. bem como a aceitação do produto. centros de abastecimentos.

. ZARUCCHI. 1988. 1992. 7-12. A polpa que serve de complemento alimentar do gado na seca. 188p. ALMEIDA. 188 p. (EMBRAPA-CPAC. G. J. PROENÇA. RJ. B. roedores. 1992. S. 1. 1996. S. Brasília. v. 9-18. US. Revista do Instituto Florestal. Trabalho apresentado no 2º Congresso Nacional sobre Essências Nativas. E. 2. ARAÚJO. fazem o uso sustentável desta espécie uma das mais importantes para a conservação da biodiversidade do Cerrado. 464 p. P. C. 570-572. v. Univ. Cerrado: aproveitamento alimentar. de. M. VALERI. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos Cerrados: araticum. Cerne. v. BOTEZELLI. L. L. os frutos consumidos por vários animais silvestres. cagaita e jatobá. A... M. Seropédica. J. v. M. macacos. Viçosa: UFV Impr. p. Floresta e Ambiente. 4. como morcegos. 6. J. ed. araras e as flores visitadas por várias espécies de abelhas. 3. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. em Jaboticabal .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 o plantio do baru em áreas a serem recuperadas como reservas legais e áreas de proteção permanente de alta declividade ou ao longo das matas que margeam rios e córregos. MALAVASI. Sistemática de angiospermas do Brasil. DAVIDE. baru. S. Documentos. 1998. L. G. 35-45. HARIDASAN. J. RIBEIRO. CARVALHO. S. 1075-4089. Catalogue of the flowering plants and gymnosperms of 94 . C. New York. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 1998. BARROSO. Características dos frutos e sementes de quatro procedências de baru. 1991.. Cerrado: espécies vegetais úteis. M. Lavras. ALMEIDA. R. pt. M. S. p. da. 12. n. 28-35. BARROS. de. A. ISMAEL. Brasil Florestal. J. J. ate a idade de 20anos. M. Planaltina: EMBRAPACPAC. 26).. Produção de celulose e de papel kraft da madeira de baru (Dipteryx alata Vog). A comparison of the nutritional status of two forest communities on mesotrophic and distrophic soils in Central Brazil. 19. F. de. Efeitos do espaçamento no desenvolvimento de Dipteryx alata Vog.. M. SILVA. 1982. n. p. MG. ALMEIDA. 1990. de. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. Brasília.. M. v. ALHO.. B. G. 2000. P. D. p. A. de.SP. favorece a sua conservação e a manutenção de outras espécies associadas ou que a usam como alimento. p. A. J. São Paulo. Communications in Soil Science and Plant Analysis. V. F. C. Flora medicinal do Distrito Federal.. 2. BRAKO.. 377 p. Dipteryx alata Vogel (baru). P. RIBEIRO. ANDRADE. I. 50. SANO. de. 2. v. n.

1931. M. 45. 2000. 2. 1998. FELFILI. 61. 33-39. Dicionário de plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. n. Brasília.. Brasília. 22. SILVA JUNIOR. Informe Agropecuário. Colombo: EMBRAPA-CNPF.. C.2. Porto Alegre. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA UnB. 1975. A. A.II.. CAVALCANTE. 1998. C. Goiás. R. R. 40. 103-112. CORRÊA. DF. M. n.. NOGUEIRA.. Faboideae). C. CARVALHO.. Abelhas (Hymenoptera: Apoidea) visitantes das inflorescências da sucupira-branca Pterodon emarginatus Vogel (Leguminosae: Papilionoideae) e do baru Dipteryx alata Vogel (Leguminosae: Papilionoideae) em área de cerrado em Brasilândia de Minas. São Paulo.. DAMASCENO.) nos Cerrados do estado de Goiás. US.) Macbr. 6. Estudo preliminar do Baru (Leg. nos cerrados de Minas Gerais. M. J. E. de. Algumas propriedades farmacológicas de extratos de plantas do Nordeste 95 . Brasília: SPI. P. Composição florística e fitossociologia do Cerrado sentido restrito no município de Agua Boa-MT. (baru) em área de transição Cerrado Denso/Mata Estacional. GADELHA. de uso popular. E. n. 1383-1389. p. M. ROCHA. Acta Botanica Brasilica. G. F. p. G. . Anais. jul. Plantas portadoras de substâncias medicamentosas. Saint Louis. Tese (doutorado) – Universidade de Brasília. V. J. E. CORRÊA. H. B. M. BRITO. 1982. p. MUSCCI. M. n. p. T. G. Espécies florestais brasileiras: recomendações silviculturais... Monographs in Systematic Botany from the Missouri Botanical Garden. Lavras. v. T. 16. ALENCAR. R.. n. 2004.16 A. 1. MONTAGNA. e Dipterix alata Vog. F. Fitossociologia e Ecologia de população de Dipteryx alata Vog. CARVALHO. Silvicultura em São Paulo. p. Pesquisa Agropecuária Tropical. SOUZA. LOPEZ. A. Goiânia. v. Brasil Florestal. Brasília. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. v. T. 6. M. potencialidades e uso da madeira. FILGUEIRAS. sob quatro níveis de sombreamento. Durabilidade natural de madeiras em contacto com o solo . R. Comportamento das plântulas de Apuleia leiocarpa (VOG. M. 1993. FERREIRA. E./dez. M. M. de S. 2002. R. S. Belo Horizonte. 1980. N. 17-23.. p.. J. MG. n. SILVA. M. V. v. A. MATOS. G. 126 p. C. 2. Pirenópolis. v. NAVES. Tese (Mestrado) . S. 1994. FONTELES. 4. 19-23. v. Germinação de sementes e emergência de plântulas de baru (Dipteryx alata Vog. 30. V.. 65 p.Universidade Federal de Lavras. FELFILI. 40 p. G. 1998. v. P. P. Brasília: UnB. 1-1286.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 Peru. E.

. Structure.51. da. 1-2... 18. H. 96 . T. LORENZI. F. GOTTLIEB. Fisiologia do desenvolvimento de Dipteryx alata Vog. MELHEM. Corumbá: Embrapa Pantanal.. 2000. Os desafios do novo milênio. 420. MAGALHÃES. M. 38.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil brasileiro.. P. São Paulo. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo. M. HAASE.n. 1974. p. Nova Odessa: Plantarum. A entrada de água na semente de Dipteryx alata Vog.. quando cultivadas no cerrado de Brasília de sementes procedentes de outras regiões fitogeográficas brasileiras. p. Hoehnea. Estudos da dispersão de cinco espécies-chave em um capão do pantanal do Poconé.). GILBERT. L. v.. Flora. 1992. FIGUEIREDO. p. 29. J. A. São Paulo. Não paginada.: s.. O. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 56-57. 2004. MENDES. 4. R. 1978]. 2003. 1-2. F. S. Suplemento. R. 29. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE BOTANICA. p. Guía de los árboles y arbustos del bosque seco chiquitano. FUENTES. R. MACEDO. 141-147. KILLEEN T. 193. v.cpap. R. Diponível em: <http://www. n. 18. MELHEM.br/agencia/congresso/macedo. 113-121. SILVA. 1998. [2000?]. E. C. A.]. Influência da profundidade de semeadura e da luminosidade na germinação de sementes de baru (Dipteryx alata Vog. Brasília. 352 p. I. Manaus. GUIMARÃES. Acta Amazônica. B.: contribuição ao seu estudo. Acesso em: 23 nov. HERINGER. Brasília/Goiânia. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 4. In: SIMPÓSIO SOBRE RECURSOS NATURAIS E SOCIOECONÔMICOS DO PANTANAL. N. Capítulo 5 FONSECA. A. A. J. JARDIM.. 1988. p. CRAVEIRO. C. Anais da Academia Brasileira de Ciências e Letras. Mato Grosso.. Y. A. v.. S. Bolívia.. A. [Brasília/Goiânia: Sociedade Botânica do Brasil. A. composition and small litter dynamics of a semi-deciduous forest in Mato Grosso. T.pdf>. Resumos. p. MATTOS. n. 324 p. Constituintes químicos e propriedades farmacológicas de Dipteryx alata Vog. 1972. Corumbá.l. n. 33-48. 3. Manaus. v. Brazil. S. 653-659. FONTELES. CONGRESSO BRASILEIRO DE BOTÂNICA. [S. E. da.derivados do lupeol em Dipteryx alata. 1994. Acta Amazônica. C. Comportamento de algumas espécies euxiloforas. M.. SILVA. KAPLAN. M. S.. n. A. 349-350. 1988. HIROOKA. v. Rio de Janeiro. S. 2.. J. 1966. FERREIRA. A. T. 2. v. P. C. J. p.embrapa. A química de leguminosas brasileiras .. 1978. E.

v. G. MUCCI. Aspectos ecológicos e comportamentais da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) na localidade de Pirizal. 2005. E. (Org. 2. 1998. DAVID. 97 . A. In: CONGRESSO FLORESTAL PANAMERICANO. L. E. Respostas de mudas de espécies arbóreas do cerrado a nutrientes em latossolo vermelho escuro... 558-563. 5. CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO. 48. MARTINS. F. jul. OLIVEIRA FILHO. F.. 77 p.. mobot. Planaltina. Curitiba: Sociedade Brasileira de Silvicultura: Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais. Anais. 2. 3. E. 1.Universidade Federal de Lavras. Durabilidade natural de madeiras em contato com o solo IV. p. Disponível em: <http://mobot. 1998. Revegetação de uma área degradada no Córrego Sarandi.html>. Variação genética entre e dentro de procedências de baru (Dipteryx alata Vog. Edinburgh Journal of Botany.. PINHO. v. M. Dissertação (Mestrado) . pt. Cuiabá. 80 p. Lavras. 1992. Curitiba. 1. p. R. Maturação de sementes de Dipteryx alata Vog. PR. Anais.. DF. T. Brazil. MISSOURI BOTANICAL GARDEN. C. v. J.). A. NOGUEIRA. C. 2000. CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO. VAZ. MOTTA. Curitiba.. p. Brasília.. MG. 1993. 1993. RIBEIRO. e Caryocar brasiliense Camb.. Influência de árvores das espécies nativas Dipteryx alata Vog. 88-102. v. C. PARRON. B. M. G. município de Nossa Senhora do Livramento. Edinburgh. no sistema solo-planta em pastagem de Brachiaria decumbens Stapf no cerrado. Pantanal de Poconé. 1999. 429-431. T. 1993.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 MELO. 7. p.). Acesso em: 21 jul. In: CONGRESSO FLORESTAL PANAMERICANO. p. 1993. T. PR. Tese (Doutorado) – Departamento de Ecologia..org/W3T/Search/vast. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso.. MONTAGNA.. 1999. São Paulo. OLIVEIRA. 178 p. OLIVEIRA. S. Brasília: FUNATURA. de. W3 Tropicos. 1999. 763. N. 4. A.. C. 104 p. v. Influência da profundidade de semeadura na germinação e desenvolvimento inicial de Dipteryx alata Vog. A. n. L. L. F. Brasília. Departamento de Engenharia Florestal. 7. GB. LOPEZ. 1991... Curitiba: Sociedade Brasileira de Silvicultura: Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais. A comparative study of five cerrado áreas in southern Mato Grosso. Brasília. 307-332. Projeto Vagafogo de educação continuada. NOGUEIRA. J. Boletim do Herbário Ezechias Paulo Heringer. M. MARTINEZ. 2. Revista do Instituto Florestal. R. Universidade de Brasília. A. R.

n. 113. n. Campinas. 513-518. 34. L. Programas 98 . São Paulo. C. V. 1. da. M. v. 217-218. E. 4. J. M.. M. G.. 5. Revista Brasileira de Sementes. 1978. TOGASHI. CHARCHAR. 14... 1982. 1997. J. R. Caracterização química parcial do fruto do baru (Dipteryx alata Vog. n.. v. p. BRIDGEWATER. MORAES.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 5 RATTER. A. M. 2. n. SANO. C. R. RIBEIRO.. 1996.. VIVALDI. Campos do Jordão. GARBELOTTI. 135-139. Observations on forests of some mesotrophic soils in Central Brazil. J. RATTER. v. 231-243. TOLEDO FILHO. B. 2. Conservação dos recursos genéticos ex situ do Cumbaru (Dipteryx alata) Vog . B. M. Brasília. J. C. S. SPEHAR. J. SANTOS. Forest 96: resumos. Teste de progênies de baru. S. MURGEL. 2000. M. SIQUEIRA. p. Brasília. jatobá e mangaba. L. 1. 19. 1985. R.. R. 16. M. R. I. L. São Paulo. 1993.TAVARES. 1994. NOGUEIRA. MG. 60. A. São Paulo. Teste de progênie e procedência do cumbaru (Dipteryx alata) Vog. D. C.Leguminosae. 4. R.. E. p.117. Y. Composição química da semente e do óleo de baru (Dipteryx alata Vog.. Competição de espécies arbóreas de cerrado. 1982. KAGEYAMA.. n. VIVALDI. 1. Revista Brasileira de Botânica.. 4 p. São Paulo. Estado de Goiás. Estudo preliminar da distribuição das espécies lenhosas da fitofisionomia Cerrado sentido restrito nos estados compreendidos pelo Bioma Cerrado. S. SIQUEIRA. Y. A. de. 85-95. v. M.. C. A. M. B. J. 5. Boletim do Herbário Ezechias Paulo Heringer. d’ A. SGARBIERI. Curitiba.. M. v. A.).. 2001. SILVA.. C. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. v. MONTGOMERY. G. L. p. C.. AUEDPIMENTEL. P. L. de F. J. 1. A. Revista do Instituto Adolfo Lutz.. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Planaltina: EMBRAPA-CPAC.. F. ASKEW. M. Belo Horizonte. DIAS.) nativo do Município de Pirenópolis. 5-43.). PR. FAIAD. 1999. Silvicultura em São Paulo. NOGUEIRA. Revista do Instituto Florestal. SP.. Anais do Congresso Nacional sobre Essências Nativas. TAKEMOTO. v. 1994. P.. S. v... Brasília. M. F. J. A. Fungos associados as sementes de baru (Dipteryx alata Vog. p. p. J. (EMBRAPACPAC. SANO S. FONSECA. M. F. 36. Diversidade morfológica de frutos e sementes de baru (Dipteryx alata Vog. 74) SANO. n. p. KAGEYAMA. F. J. 2. SANO. RIBEIRO. OKADA.. D.). da. Belo Horizonte: BIOSFERA. SILVA.) no seu habitat. V. 47-58. C. p. W. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE ECOSSISTEMAS FLORESTAIS.. GIFFORD. n. M. J. S. Pesquisa em andamento.. Produção de baru (Dipteryx alata Vog. 1996. Pesquisa Agropecuária Brasileira. T. P...

61-70. p. P. 948-956. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. Lavras. 1985. 1997. S. v. Não paginado. L..e resumos. V. TOLEDO FILHO. . D. 1982. M. 1990. 2. TOLEDO FILHO. Silvicultura em São Paulo. Competição de espécies arbóreas de cerrado. n.). Revista do Instituto Florestal. Boletim Técnico do Instituto Florestal. 16-A. D. M. Essências indígenas sombreadas. n. V. Composição química da polpa e da semente do fruto do cumbaru (Dipteryx alata Vog. São Paulo.Caracterização do óleo e da semente. Curitiba: Sociedade Botânica do Brasil: Associação Internacional de Anatomistas da Madeira.. PARENTE. I. p. 1988. M. AUED. São Paulo. fruta-de-lobo (Solanum lycocarpum St. 42. Efeito da calagem e adubação fosfatada no crescimento inicial e nutrição de plantas de baru (Dipteryx alata Vog. Hill).. VALLILO. v. R. ULHÔA. Hill) e tingui (Magonia pubescens St.) . TAVARES. 2. 115-125. p.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 100 .

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 6

BURITI
Renata C. Martins Paulo Santelli Tarciso S. Filgueiras

Figura 1. Mauritia flexuosa L.f. Foto: R.C.Martins NOMES COMUNS: Em tupi-guarani buriti quer dizer dembyriti – palmeira que emite líquido (Figura 1), sendo conhecido pelos índios como um indicador potencial da presença de água. Nome que sofreu poucas modificações até chegar ao termo atual: buriti. Há ainda quem o conheça por miriti, carandá-guaçú, carandaí-guaçú, muriti, palmeira-buriti, palmeira-dos-brejos, mariti, bariti, meriti. Também designada como árvore da vida, servindo como fonte de sustento para antigas tribos indígenas, sendo assim até os dias atuais em muitas regiões do Brasil. O topônimo buriti é extremamente comum em todo o Brasil. No Distrito Federal, Kirkbride e Filgueiras (1993) registram a ocorrência de 16 topônimos com esse nome, incluindo, dentre outros, córregos, fazendas e chácaras. O Palácio do Governador do Distrito Federal é chamado de “Palácio do Buriti”, como também a praça situada em frente ao Palácio. Nessa praça, um único exemplar de buriti (alusão ao poema “Buriti solitário”, do poeta Cruz e Souza) ornamenta o local. 102

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 6

NOME CIENTÍFICO E SINONÍMIA. Mauritia flexuosa L.f. A espécie é freqüentemente citada na literatura como Mauritia vinifera Mart. Entretanto, Henderson (1995) considera este nome sinônimo de M.flexuosa, assim como Barbosa Rodrigues (1898). Segundo esses autores, as variações constatadas entre as plantas representadas por esses dois binômios formam um contínuo, sendo impossível separá-las, consistentemente, em grupos distintos, dignos de reconhecimento taxonômico formal. FAMÍLIA ARECACEAE C. H. Schultz-Schultzenstein, Naturliches System des Pflansenreichs 317. 1832 (nome alternativo conservado). PALMAE Jussieu, Genera Plantarum 37. 1789 (nome conservado). As palmeiras são plantas monocotiledôneas de distribuição principalmente nos trópicos e subtrópicos úmidos e uma das poucas do grupo com hábito arborescente. A família tem aproximadamente 189 gêneros e 3000 espécies (UHL e DRANSFIELD, 1999). Henderson et al., (1995) estimam a presença de 67 gêneros e 550 espécies para a América; no Brasil ainda são escassas as coleções e estudos em populações nativas. Os primeiros estudos sobre as palmeiras do Brasil são de Martius (1882) na célebre Flora Brasiliensis. De igual importância para o conhecimento das palmeiras brasileiras são os estudos de J. Barbosa Rodrigues (1903), sintetizados na obra Sertum Palmarum Brasiliensium. As palmeiras ocorrem naturalmente em diferentes ambientes, são cultivadas em jardins, canteiros e nas avenidas das cidades. Fornecem alimento para diversos animais, como macacos, tucanos, papagaios, muitos mamíferos, peixes e insetos, representando para muitos o principal alimento de suas dietas. Para as culturas indígenas na Amazônia as palmeiras são consideradas as plantas mais importantes (Henderson et al., 1995); na região do Cerrado não é muito diferente, indígenas, kalungas e brancos também fazem uso dos produtos das palmeiras nas suas diversas formas: construção, alimentação, artesanato, rituais e medicina (MARTINS et al., 2003 a; NASCIMENTO et al., 2003). DESCRIÇÃO O Gênero Mauritia está representado por palmeiras muito grandes, solitárias ou raramente em grupos e contém duas espécies (HENDERSON et al., 1995); Mauritia carana A.Wallace, que ocorre nos estados do Amazonas e Roraima (LORENZI et al., 2004; HENDERSON et al., 1995) e Mauritia flexuosa, amplamente distribuída na América do Sul. Mauritia flexuosa L.f. Planta dióica, inerme ou armada com pequenos acúleos nos folíolos, 2-25m alt. Estipe solitária, aérea. Folhas cerca de 14 por indivíduo com aproximadamente 3,5m de comprimento, costopalmadas. Pecíolo 0,6-2,8m de comprimento. Brácteas pedunculares numerosas, tubulares, dísticas, envolvendo 103

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 6

todo pedúnculo, 8-12cm comprimento. Inflorescência ramificada em primeira ordem (27-35 ramificações), interfoliar, 2,5-3,7m comprimento. Pedúnculo cerca de 29 cm de comprimento. Ráquilas estaminadas 47-56; Flores estaminadas amarelas a laranjadas, naviculares a fusiformes, assimétricas, sésseis, 0,9-1,1x0,35-0,5cm; sépalas unidas, formando tubo com três lóbulos apicais; pétalas 3, lanceoladas; estames 6, unidos na base, três longos, três curtos; filetes espessos e curtos; anteras alongadas, basifixas, deiscência lateral; pistilódio diminuto ou ausente. Ráquilas pistiladas 45-47, sustentando 3-8 flores pistiladas, solitárias e aos pares. Flores pistiladas creme-amareladas, naviculares, assimétricas, sésseis; sépalas unidas, formando um tubo com três lóbulos apicais distintos; pétalas unidas na base, lanceoladas, margem inteira, ápice acuminado, espesso; estigmas 3. Frutos marrom-avermelhados, oblongo-globosos, 5x4cm; epicarpo coberto com escamas sobrepostas (Figura 2); mesocarpo carnoso; endocarpo não diferenciado; sementes 1 (MARTINS, 2000). HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Habita veredas e matas de galeria, em locais inundados e nascentes. Amplamente distribuída na América do Sul (inclusive nos Andes), especialmente na região amazônica da Colômbia, Venezuela, Guianas, Trinidad e Tobago, Equador, Peru e Bolívia. No Brasil ocorre nos seguintes Estados: AM, BA, DF, MG, GO, CE, MA, MS, MT, PA, PI, SP, TO (REITZ, 1974; HENDERSON et al., 1991, 1995; LORENZI et al., 2004). Freqüente em baixas altitudes, nas margens de rios, córregos, lagos, lagoas e margeando nascentes; usualmente forma densas populações em áreas inundadas ou úmidas, veredas e matas de galeria. É considerada a palmeira mais abundante do país (LORENZI et al., 2004).

Figura 2. Frutos marrons avermelhados, cobertos com escamas sobrepostas. Foto: Tânia da S. Agostini-Costa. 104

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil ASPECTOS ECOLÓGICOS

Capítulo 6

Fenologia. O buriti é uma espécie dióica. As plântulas são de crescimento lento e os indivíduos levam muitos anos para atingir a maturidade sexual, reprodutiva. Quase nada se sabe sobre a proporção de plantas femininas em relação às masculinas na natureza. Entretanto, contagens preliminares efetuadas pelos autores no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais, sugerem que as plantas masculinas são em número maior que as femininas. Na região do Cerrado, o buriti floresce nos meses de março a maio, mas apresenta frutos durante quase todo ano. O buritizeiro ocorre naturalmente com maior freqüência em áreas inundadas, sendo comum encontrar 60 a 70 buritizeiros femininos e 75 a 85 buritizeiros masculinos por hectare (CYMERYS et al., 2005). Prada (1994) estudou a espécie na Estação Biológica de Águas Emendadas, Distrito Federal, relacionando a produção de frutos com a ocorrência de frugívoros associados à dispersão dos mesmos. Segundo Prada (1994), a espécie representa um importante fornecedor de alimento para a fauna, principalmente pela grande oferta de frutos durante quase todo ano. Importância ambiental. Presentes nas veredas e matas de galeria, os buritis são indicadores ecológicos da presença de água na superfície, como também de solos mal drenados e encharcados. São freqüentemente associados com a existência de nascentes e poços d´água. As populações de M. flexuosa (Buriti) têm sofrido forte pressão antrópica no Cerrado, devido à expansão das lavouras de monocultura e agropecuária, com a destruição de nascentes e veredas. Todas as espécies nativas, e aqui se incluem as palmeiras, estão inseridas em um contexto ecológico, cada qual em seu ambiente de origem, com suas funções e importância em seu ecossistema específico, relacionadas com o ambiente e a fauna da região. A procedência dos produtos do extrativismo precisa ser conhecida, a fim de que sejam respeitadas às regras botânicas e ecológicas do desenvolvimento sustentável. O buriti é, normalmente, coletado por profissionais “apanhadores” (PALLET, 2002). É fundamental que a coleta respeite o meio ambiente. Pela lei brasileira, é necessário que haja comprovação de manejo, através da apresentação de um plano de exploração – “plano de manejo” – junto ao IBAMA, o organismo nacional que controla a exploração sustentável destes recursos. O respeito às novas regras de biopropriedade é firmado através de termos de compromisso para com os proprietários tradicionais do recurso natural. Estes proprietários devem garantir a implantação de regras de acesso à biodiversidade e as modalidades de uma distribuição justa das vantagens esperadas de sua exploração (PALLET, 2002).

105

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil RECURSOS GENÉTICOS

Capítulo 6

Trata-se de uma espécie que foi incipientemente domesticada na época de contato (CLEMENT, 2001). A erosão genética ocorre à medida que as populações naturais desaparecem, sem que se obtenham amostras de sua variabilidade. Como se trata de uma espécie de ampla distribuição, espera-se que existam grandes variações, tanto no aspecto morfológico, quanto anatômico, fisiológico e de estrutura genética. O fato de a espécie ser dióica (plantas de sexos separados), torna a variabilidade dentro da população ainda mais plausível. Neste contexto, a conservação in situ e ex situ torna-se prioritária. USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO O buriti é uma das palmeiras mais utilizadas pelas comunidades humanas em todos os locais onde ocorre. É item importantíssimo na dieta de muitos grupos indígenas e de muitas comunidades rurais (MARTINS et al., 2003 a, b; NASCIMENTO et al., 2003; ALMEIDA et al., 1998; BORGTOFT PEDERSEN e BALSLEV citado por HENDERSON, 1995). A polpa macia e alaranjada do fruto é ingerida in natura, ou como farinha, após secagem. Com ela também se fabricam doces e geléias (Figura 3); o óleo extraído da polpa é usado na culinária ou na medicina popular (ALMEIDA et al., 1998), contra picadas de insetos. Este óleo comestível, com características organolépticas de sabor e aroma agradáveis, qualificado por um alto teor de carotenóides próvitamina A, pode vir a ter um variado número de aplicações para a indústria de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos.

Figura 3: Raspa da polpa e doce do fruto de buriti. Foto: Projeto Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado (CMBBC). 106

Vinho e amido são extraídos da seiva dos estipes (BORGTOFT PEDERSEN e BALSLEV e GALEANO citado por HENDERSON. caixas e brinquedos de pecíolo de buriti. 1998).. ALMEIDA et al. Kalunga Mercado Justo.C. casas e canoas. As folhas são usadas na cobertura de ranchos. GO. Acredita-se que M. podendo ser cultivado no paisagismo (Lorenzi et al. A forma de exploração é o extrativismo e ainda não são conhecidos plantios comerciais de buriti.. A parte esponjosa do pecíolo (medula) é usada na confecção de artesanatos diversos e papel. 2001). Da medula do tronco obtém-se uma fécula amilácea (DE LOS HEROS e BUENO ZARATE citado por HENDERSON. 1995. 2004). As folhas novas são usadas na confecção de cordas. O Buriti é bastante ornamental. 1931).. sofás.flexuosa é uma espécie promissora para agrofloresta. como também para a fabricação de camas. portas e até paredes (Figuras 4-8).Martins. Foto: R. vassouras. Cavalcante. esteiras e outros itens de artesanatos. redes. Figura 4: Mesa. 107 . Da árvore cortada pode-se obter uma seiva que é transformada em mel e este em açúcar com uma concentração de cerca 92% de sacarose (MIRANDA et al. bancos. bolsas. Da amêndoa extraí-se um carburante líquido que é ainda pouco utilizado.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 O fruto possui uma semente ovóide de consistência dura e amêndoa comestível (CORREA. Os pecíolos (talo ou braço) são usados na construção de canoas e casas e para confecção de rolhas e esteiras. 1995). jiraus.

C. Alto Paraíso. Tom das Ervas. 108 .C.Martins. GO. GO.Martins. Foto: R. Figura 6: Vassoura de folha (“palha”) de buriti. Foto: R. Guarani.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 Figura 5: Biombo de buriti.

MG.C. 109 .Martins.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 Figura 7: Caixas e esteiras fabricadas com pecíolo e epiderme de pecíolo (“capa” do pecíolo). Figura 8: Parede de casa com pecíolo de buriti. Urucuia.Damasco. Foto: R. Urucuia. MG. Foto: G.

1984. A cenoura. BARRERA-ARELLANO et al..551 Niacina (mg/100g) Acidez (% ácido cítrico) 1.232 0.0 Fonte : Barrera-Arellano et al. 1998). equivalente por 100g de polpa). o buriti é uma boa fonte de ferro.891 Vitamina B1 (mg/100g) Energia (cal/100g) 1152-1451 Vitamina B2 mg/100g) pH 3..952 Cálcio (mg/100g) Lipídios (%) 2.52 Ferro (mg/100g) Açúcares redutores (%) 4. O potencial vitamínico do buriti é reflexo do elevado teor de beta-caroteno presente (AGOSTINI-COSTA et al. Composição da polpa de buriti maduro Descrição Teor Descrição Proteína bruta (%) 2.651-442 6. sugerindo sua possível utilização em programas de intervenção para combater a deficiência de vitamina A (MARIATH et al.52 Vitamina C (mg/100g) Fibra (%) 5. 1995. 1989).032 0.5 Esteárico 1. 1996). RODRIGUEZ-AMAYA..371 Fósforo (mg/100g) Açúcares não redutores 1 0. 1996.002 15.071 Tanino (mg/100g) Fonte: 1Souza et al. principalmente beta-caroteno (AGOSTINI-COSTA et al. ALMEIDA. 2Franco.71 1421 . 3Rodriguez-Amaya. O doce de buriti foi empregado com sucesso na reversão de quadros clínicos de xeroftalmia em crianças entre 4 e 12 anos. de óleo e de fibras. tradicionalmente conhecida como uma das principais fontes de pró-vitamina A na dieta. O óleo é rico em ácidos graxos monoinsaturados.87 Pró-vitamina A (RE/100g) (%) 1 Amido (%) 4. Tabela 1.3 Linolênico 1.7 Saturados 21.4903 01-212 0. Composição do óleo da polpa de buriti Ácido graxo Teor (%) Palmítico 19. principalmente ácido oléico (Tabela 2). de cálcio.. que se deve ao elevado teor de carotenóides.491-10.621-5... 1995.61-1582 0.490 retinol.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil VALOR NUTRICIONAL Capítulo 6 O buriti é uma das fontes vegetais mais ricas em pró-vitamina A (frutos do Piauí apresentaram 6. apresenta valores entre 620 e 800 RE/100g. 1994.8 Oleico 73. 110 Teor 121. mas o principal apelo é a sua coloração laranja-avermelhada.7 Linoleico 2. Além do potencial pró-vitamina A.671-2. 1992.3 Monoinstaurados 73. Tabela 2.7 Polinsaturados 4. 1994.

Os frutos são sensíveis à injúria de resfriamento e..181 microgramas/g. sucos e outros. fazem do óleo de buriti uma das maiores fontes de pró-vitamina A (18. O processamento da polpa foi feito com adição de açúcar. houve perda visível da cor (GARCÍA e REÁTEGUI. sem fervura. este valor. As escamas dos frutos do buriti se soltam durante o amadurecimento. 1994). em grande quantidade. somando 69% dos carotenóides totais. sorvetes.6). doces. significativamente. esteja reduzindo. O óleo de buriti possui muitos usos. até o amolecimento da polpa.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Capítulo 6 Um fruto de buriti contém aproximadamente 12 g de escamas. Os frutos do buriti possuem alta susceptibilidade à injúria de impacto e conseqüente propensão à ocorrência de rachaduras ou descolamento em sua casca durante o seu armazenamento e transporte. O alto teor de isômeros cis do beta-caroteno (43% do conteúdo total de beta-caroteno).339 retinol equivalente por 100 g). Mantidos sob umidade relativa elevada e com baixa transpiração os frutos de buriti duram cerca de três vezes mais do que quando armazenados sob umidades mais baixas (80 a 90%) (SANTELLI. sem dúvida. temperatura 90oC e adição de conservantes (1000 ppm de sorbato de potássio. foi o pigmento predominante. até a separação do óleo. A polpa de buriti pode ser empregada como matéria prima para a obtenção de produtos acabados como geléias. 1984). sem fervura. após este período. 10 g de endocarpo e 21 g de amêndoa (ALMEIDA e SILVA. ainda que a presença de isômeros cis. por 4 a 5 horas. Com a tecnologia de métodos combinados para a conservação da polpa. 2005). com uma média de 1. apresentam sinais de injúria pelo frio e não amadurecem mesmo quando recolocados a temperatura ambiente. Por outro lado os frutos do buriti têm uma baixa susceptibilidade a injúrias de amassamento durante o seu armazenamento e transporte caso estejam ainda firmes com coloração da casca marrom clara (SANTELLI. obtiveram-se resultados satisfatórios. 9 g de polpa fresca. Durante o amadurecimento do fruto ocorre um aumento do teor de açúcares totais e decréscimo no conteúdo de amido da polpa (SOUZA et al. O óleo de buriti extraído por prensagem (expeller) a partir de frutos esterilizados procedentes do Maranhão. assim como a 111 .. 2005). Estes elevados teores. à temperatura ambiente. 2005). 100 ppm de bissulfito de sódio e ácido cítrico pH 3. porém custa caro. safra 1993. que é recolhido e aproveitado para fritura (SYMERYS et al. 2002) devido à degradação de carotenóides. apresentou nove carotenóides. A cor da polpa se manteve inalterada durante o tratamento. O beta-caroteno. A extração caseira do óleo é feita por imersão dos frutos em água e aquecimento em fogo. quando armazenados a temperatura de 8ºC. A polpa raspada é aquecida em água. o tempo de vida útil foi de 42 dias.

2001). logo após a queda. mantido constantemente úmido. Sementes guardadas durante uma semana em temperatura de 5 ºC tiveram uma taxa de germinação de 95% (MIRANDA et al. em temperatura ambiente. As sementes de buriti apresentam dormência que pode ser quebrada por tratamento com temperatura de 30 a 40 ºC. 1994). provavelmente foi conseqüência do processo térmico de esterilização que antecedeu o transporte dos frutos (AGOSTINI et al. Foto 8. 112 . a taxa de germinação se reduz para 55%. Muda de buriti. têm sua viabilidade reduzida à medida que a umidade é perdida..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 presença do epóxido mutatocromo (5. 2001) (Figura 8). Foto: Projeto Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado (CMBBC). A emergência das plântulas se dá entre 3 e 4 meses após a semeadura. Desta maneira seu poder germinativo é de 100%.8-epóxido beta-caroteno). 2001). reprodutiva.. em sacos de plástico selados.. à temperatura de 20 ºC (SPERA et al. INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO As sementes do buriti podem ser classificadas como recalcitrantes. As sementes devem ser coletadas diretamente no chão. por um período de 15 dias. são de crescimento lento e os indivíduos levam muitos anos para atingir a maturidade sexual. e devem ser semeadas imediatamente em solo arenoso. Quando são colhidas e posteriormente desidratadas. Desta maneira a emergência ocorre mais rapidamente (SPERA et al. Após 30 dias da coleta. Sementes de buriti mantêm a viabilidade quando armazenadas no escuro por um período de quatro meses e meio..

113 . quando estas. é possível obter 384 litros de óleo da polpa por hectare. as sementes são. Em um hectare manejado podem ser produzidas de 2. A muda precisa de água. então.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 Segundo Paula-Fernandes (2001). estima-se que uma palmeira de buriti produz de 1 a 9 cachos e. Foto: Projeto Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado (CMBBC). Uma palmeira de buriti produz de 40 a 360 quilos de fruto. Considerando uma média de 64 palmeiras femininas por hectare e uma produção média de 200 quilos de frutos. após o despolpamento. O viveiro deve ser molhado.5 a 23 toneladas de fruto por ano. de 600 a 1200 frutos (Figura 9). de luz e de adubo orgânico para se desenvolver. Com base em levantamentos no Acre. 2005). As sementes começam a germinar em 24 dias e o brotamento ocorre com 42 dias. pelo menos. são colocadas de molho em água por pelo menos doze dias e secas ao sol por um dia.. A produção de frutos pode levar entre 7 e 8 anos. Figura 9: Cacho de buriti. duas vezes ao dia. A produção das palmeiras declina somente após 40 a 60 anos (CYMERYS et al. enterradas em areia com dois centímetros de profundidade. a taxa de germinação das sementes pode ser aumentada. cada cacho.

tendo como conseqüência á perda de água.00.00. 2005). 20 frutos custavam R$ 0. Provavelmente em função da primazia da lavoura e pecuária. a utilização dos recursos vegetais representa uma atividade de importância econômica secundária (HOMMA. percebe-se que. Figura 10: Vereda depois de queimada e buritis mortos.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Capítulo 6 A despeito da importância que o extrativismo desempenha na formação econômico-social do Cerrado. na maioria das atividades extrativistas. Entretanto.C. morte de buritis e comprometimento das novas gerações da espécie (Figura 10). não existem dados suficientes sobre a utilização do buriti para uma análise da economia extrativa da espécie.50 (CYMERYS et al. o quilo da polpa atingiu R$ 8.Martins. praticamente inexistem informações na literatura. Mesmo estando presente em Áreas de Proteção de Permanente (APP). 114 . identifica-se na região CentroOeste a comercialização de produtos originados das folhas para o artesanato e dos frutos. É freqüente observar lavouras e queimadas próximo as veredas. segundo o Código Florestal Brasileiro.. o Buriti destaca-se por sua significativa oferta de produtos e importância ambiental. Em 2004. CONSIDERAÇÕES FINAIS Dentre as plantas úteis presentes no Bioma Cerrado. para alimentação e cosmética. 100 ml do óleo foram vendidos por R$ 5. No estudo da oferta de produtos do buriti. Foto: R.00. em Belém. as veredas estão sendo ameaçadas devido à ocupação irracional desses ambientes. 1993). Recentemente o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) reconheceu alguns produtos derivados do pecíolo do buriti passíveis de patenteamento. e um paneiro com 15 frutos custou R$ 1. Entre 1997 e 1998.

c) ausência de dados sobre práticas culturais e dificuldade de adaptação ao cultivo. foram citados: a) dificuldade de propagação assexuada. foi constatada a presença de um único exemplar de M. f) boa resistência dos frutos ao transporte e ao armazenamento. SILVA. e) ausência de padrões de qualidade e de técnicas de processamento do fruto. organizações não governamentais. A. Além disso. com elevada densidade no ambiente Cerrado. S. g) grande importância social e ambiental. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA. Segundo a avaliação dos especialistas durante o seminário. P. e) tolerância a pragas e doenças. de importância econômica atual ou potencial. flexuosa. empresas e outros segmentos a fim de identificar espécies da flora da região centro-oeste. Butia capitata (coquinho. um dos mais importantes herbários do Brasil. Em recente levantamento realizado no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. formam um grupo de plantas muito pouco coletadas e depositadas em herbários. coco-cabeçudo) é outra palmeira incluída como prioritária neste seminário. dois no herbário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e um no herbário da Universidade de Brasília (UB) (MARTINS. 2000). . Em junho de 2005 a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) organizou o 1º seminário regional: plantas do futuro região centro-oeste.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 As palmeiras. em geral. para uso direto e ou para ampliar a utilização comercial. destacando as seguintes características: a) multiplicidade de usos. d) exigência de água. b) tempo elevado para o início da produção de frutos. 38 p. Entre os grupos de espécies considerados estão as de interesse alimentício. com alta produtividade de frutos aproveitáveis e extensão da safra. O Buriti foi escolhido como uma das espécies prioritárias no grupo das alimentícias. Entre os principais fatores que limitam a exploração da espécie. 1994. O objetivo geral deste seminário foi reunir participantes da comunidade científica. b) excelente valor nutricional. c) bons resultados para propagação natural e dispersão de sementes. Planaltina. No Distrito Federal. 115 . d) elevada freqüência de adultos produtivos. juntamente com outras espécies. apenas três exemplares da espécie estavam depositados em herbário. que é susceptível à oxidação e à perda do valor nutricional. estudos sobre a biologia da espécie e ecologia das veredas subsidiariam o manejo e uso sustentável. até o ano 2000. o buriti é uma espécie de grande importância para a Região Centro-Oeste do Brasil. Sendo os produtos do Buriti obtidos exclusivamente por extrativismo. a conscientização da importância das Veredas e Matas de Galeria é fato decisório para qualquer política de conservação e uso dos recursos vegetais. em Brasília. J. mesmo sendo considerada uma espécie prioritária para a região do Centro-Oeste. DF: EMBRAPA–CPAC. Piqui e Buriti: importância alimentar para a população dos Cerrados.

S. Recursos genéticos e melhoramento . Rio de Janeiro: Atheneu. ed. F. C. CORREA. HENDERSON. Sertum Palmarum Brasiliensium.. T. R. MEDINA. v. A. Anais. F. 7. G. 1903. 307 p. 1991. p. C. R. REÁTEGUI. SCARIOT.. T. L. S. n. M. SOARES. Determinação de carotenóides no óleo da polpa de buriti. G. Melhoramento de espécies nativas = Improvement of native species. “Aguaje” com aplicación de métodos de factores combinados. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. 181-187. M. 9.. 1995. ARELLANO BARRERA. BARBOSA-RODRIGUES. M. P.]. BARRERA ARELLANO. 1992. D.. Brasil.. S. C. M. The palms of the Amazon... Relation des palmiers Nouveaux du Brésil. New York Botanical Garden. ou. H. Cerrado: espécies vegetais úteis. DF: EMBRAPA–CPAC.. CECCHI. 1995. In: IFT ANNUAL MEETING. VALADARES-INGLIS.]. MT: Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso . A. BERNAL.. GARCÍA. 1.n. Pará. O. Belém. 1998.). P. 2 vol. Buriti – Mauritia flexuosa L. v. Anahein. T. Flora de Palmeiras de Marajó. 1931. BERNAL. 2.. New York: Oxford University Press. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTOS. Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica. 59 – 68. Tabela de composição química dos alimentos. Planaltina. BECK. 423-441. G. F. 2001. In: SHANLEY.. Belém: CIFOR: Imazon. SANO. Botânica..). 2002..plantas. 1995. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. Conservación de pulpa de Mauritia flexuosa L. C. São Paulo. (Ed. 1994.. M. C. 199-221. E. PAULA-FERNADES. n. HENDERSON.. A. (Ed. A. 14. PA. 1995. In: NASS..Fundação MT. SP. Characterization and carotenoid composition of buriti pulp oil. HENDERSON.. A. Facsímile de: Bruxelles: Imp. Revista Amazónica de Investigación Alimentaria. P.. Book of abstracts.. PROENÇA. Typ. CLEMENT. J. GALEANO. São Paulo: [s. R. p. VALOIS. E. F. Dicionário de plantas úteis do Brasil. L. E. Veuve Monnom. HENDERSON. J.. Field guide to the palms of the 116 . R. N. Rondonópolis. M. Anahein: [s. C.. p. I. Field guide to the palms of America. RIBEIRO. CYMERYS.. AGOSTINI. p.. RIGAMONTE-AZEVEDO. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi . SOARES. D. H.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 ALMEIDA. 1989. S. M. 2005. FRANCO. G. S. 194-194. GALEANO. MELO. p.. AGOSTINI. A.

. J. Colóquio SYAL. [S.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 6 Americas. Desafios da Botânica no novo milênio: inventário. 2002.n]. REUNIÃO DE BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA.. RABELO. G. Belém: Sociedade Botânica do Brasil: MPEG: UFRA: Embrapa Amazônia Oriental.Universidade de Brasília. Perspectivas de valorização dos frutos amazônicos obtidos por extrativismo. 1995. Belém. N. 2003. MARIATH. A família Arecaceae no Distrito Federal (Brasil).. 2003b. E.. 2004. T. H. Belém. SOUZA. S. Dissertação (Mestrado) . LORENZI. C. T.. Brasília. 49. M. sistematização e conservação da diversidade vegetal: anais. von. Lancaster. R. C.. p.. S. H.. ALMEIDA. 5. Flora do Entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PNGSV) com Potencial Extrativista. 3. p. Cirad Flhor. 1-64. Nova Odessa. Princeton: Princeton Univ. 351 p. D. FILGUEIRAS. LIMA. pls. von. il. Belém: Sociedade Botânica do Brasil: MPEG: UFRA: Embrapa Amazônia Oriental. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÃNICA. n. M. 117 . P. P. MARTIUS. Não paginado. FILGUEIRAS. R. As Palmeiras da Região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PNGSV): uso e sustentabilidade no cerrado. T. 1993. C. 3. US. P. H. MARTIUS. de.. MARTINS. il. 20. S. BUENO. L.. RIBEIRO. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. BARBOSA. v. R. J. MEDEIROS-COSTA. C. p. R. 54. 107p. 3. S. R. pars 2. Vitamin A activity of buriti (Mauritia vinifera Mart) and its effectiveness in the treatment and prevention of xerophthalmia. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia. In: Flora Brasiliensis. Brasil. M. New York.. In: Flora Brasiliensis. 1989. 2003. v. 461583. C.. pars 2. MARTINS. Montpellier. v. 416 p. ALMEIDA. de A. P. 1882. Disponível em: <www. J. C.. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas.l: s. C. S. CERQUEIRA. P. REUNIÃO DE BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA. SANTOS. SP: Instituto Plantarum. Press.n].. 849-853. Não paginado. F. American Journal of Clinical Nutrition.. M. 54. I. MARTINS. A. p. 1-74. 120 p. L. C. Índice de topônimos do Distrito Federal. M. Contributions from The New York Botanical Garden. T. 254-460. 2001... FERREIRA.. MIRANDA. P. São Paulo. 2000. PALLET. Manaus: INPA. v. Desafios da Botânica no novo milênio: inventário. [S. E.l: s. KIRKBRIDE. 2003a. 3. S. C. US. F. sistematização e conservação da diversidade vegetal: anais. Frutos de palmeiras da Amazônia. S. 1881. FILGUEIRAS.

N. Genera Palmarum. F. 1994. N. Dissertação (Mestrado) Universidade de Brasília. SPERA. Palmeiras. e Mauritia vinifera Mart. GUEDES. Journal of Food Composition and Analysis. M. D. Z. B. DRANSFIELD. p.. Capítulo 6 PAULA-FERNANDES. v. ORIÁ. il. F. p. B. G. Pesquisa Agropecuária Brasileira.) Becc. HOLANDA. Brasília. 1974.. de L. R. Guilda de frugívoros associada com o buriti (Mauritia flexuosa: Palmae) numa vereda no Brasil Central. SANTELLI. J. W. 1996. Quebra de dormência. de. L. 1999. 36. Dissertação (Mestrado). 118 . Universidade de Brasília. REITZ. 72p. 196-230. M. v. R. PRADA. J.. do C. P. P. 9. 207 f. v.pdf>. Não paginado. F. M. N... SOUZA. n. 1567-1572. (Arecaceae) no Vale do Acre/Brasil. M. Brasília. H. UHL. San Diego. Amadurecimento natural e artificial do buriti. Manaus. 2001. P. Tese (Doutorado) – Fundação Universidade do Amazonas. 1984. Lawrence. viabilidade e conservação de sementes de buriti (Mauritia flexuosa). Acesso em: ago. CUNHA. TEIXEIRA. Brasília. R.org.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil cendotec. p. 19. 2005. Assessment of the provitamin A contents of foods – the Brazilian experience. 12.br/prosper/publicacoes/perspect. RODRIGUEZ-AMAYA. B. 2001. MAIA. Estratégias de produção de sementes e estabelecimento de plântulas de Mauritia flexuosa L.f. Fisiologia pós-colheita de frutos das palmeiras Syagrus oleracea (Mart. Kansas: Allen Press. 891-896.. 2005.. Brasília. SC: Herbário Barbosa Rodrigues. A. US. In: FLORA Ilustrada Catarinense. Itajaí. Pesquisa Agropecuária Brasileira.

.

1858). conforme relatado por Rizzini (1970).. adotando o binômio Eugenia dysenterica DC.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 CAGAITA Lázaro José Chaves Mariana Pires de Campos Telles NOME CIENTÍFICO E SINONÍMIA: Eugenia dysenterica DC. Figura 1. Esta propriedade se manifesta. Possui ainda como sinonímia o termo Myrthus dysentericus M.. quando “de vez”. 1979).) Berg. fato conhecido da população da região.) com cagaitas maduras. no fruto maduro e em início de fermentação. o fruto pode ser consumido em quantidade sem provocar desconforto. Diversos relatos atestam que. Tanto o nome vulgar quanto o nome científico da espécie se referem à propriedade laxativa de seu fruto. Posteriormente Kiaerskou (1893) submergiu o gênero Stenocalyx Berg em Eugenia Mich. Ramos de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC. 120 . principalmente. A árvore da cagaita (Figura 1) ou cagaiteira era mais conhecida como Stenocalyx dysentericus (DC. (CRUZ. nome empregado na usual Flora Brasiliensis (Berg.

Cryptorhizoideae. tribo Eugeniinae. A família é representada no Cerrado por 14 gêneros. ocupando praticamente todas os tipos fitofisionômicos do Cerrado (FERREIRA. podem-se encontrar cerca de 50 espécies. 1971). opostas-cruzadas. glabras ou quase glabras nas duas faces. Somente um levantamento cuidadoso das espécies. sendo considerada uma das 10 famílias mais representativas desse bioma. com uma casca suberosa e fendada bem característica.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 7 A cagaiteira pertence à família Myrtaceae. com 211 espécies. de ovaladas a elípticas. Eugeniinae e Pimentinae. Myrtoideae. que apresentam hábitos que variam desde ervas até árvores. 121 . A sistemática das Myrtaceae é um problema difícil de solucionar. 1991). Dentro do gênero Eugenia.. A família Myrtaceae compreende cerca de 3. com cálice de quatro lacínios ovados e ciliados (Figura 2b). que contribuem com cerca de 51% da sua riqueza florística. O nome da família vem do termo grego myrtos que quer dizer perfume. Seus estames são muito exertos e claros. decíduas durante o florescimento (Figura 2a). suculentas. Seus frutos são bagas globosas. Aemenoideae e Myrcioideae. MENDONÇA et al. Poucas espécies ocorrem nas regiões temperadas. de cor amarelo clara e de sabor agradável a levemente ácido (Figuras 1 e 3). 1972. Plinioideae. Suas flores vistosas formam panículas fasciculadas e são brancas. Suas sementes são elipsóides e achatadas (RIZZINI. delicadas com quatro pétalas. aliado a estudos de biossistemática. DESCRIÇÃO A cagaiteira é uma árvore de altura mediana (4m a 10m) de tronco e ramos tortuosos. subordinadas a cerca de 100 gêneros. que apresentam dois centros principais de diversidade. com folhas novas membranáceas e folhas adultas coriáceas. as Myrtaceae estão divididas em três tribos: Myrciinae. em cada região.500 espécies. seis subfamílias: Eugenioideae. Segundo a maioria dos autores. subfamília Eugenioideae. poderá esclarecer e delimitar os taxa (BARROSO. 1998). a América tropical e a Austrália.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 b) a) Figura 2. Foto R. Naves. Eugenia dysenterica DC. J. Ramo de cagaiteira com frutos verdes e “de vez” (Foto: L. Chaves). 122 . árvore (a) e galho florido (b). Figura 3. V.

5 indivíduos por hectare na primeira formação e de 15. Mato Grosso. A densidade média de plantas foi de 60. A cagaita ocorreu em apenas dez áreas (20%). Tocantins.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 Figura 4. 2003) HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A espécie E. Ocorre preferencialmente em formações de cerradão e cerrado stricto sensu com solo profundo e bem drenado. Bahia. 2003). BRITO et al. Pará. Piaui e Goiás.5 indivíduos por hectare na segunda. Mato Grosso do Sul. Distribuição natural da cagateira em 110 localidades entre 376 levantamentos realizados no Bioma Cerrado (Fonte: Ratter et al. Naves (1999) realizou um levantamento de algumas espécies frutíferas nativas em 50 áreas de Cerrado pouco antropizadas do estado de Goiás. dysenterica ocorre naturalmente nos Estados de São Paulo. não 123 . além do Distrito Federal (CORRÊA. a cagaita ocorreu em Latossolos e Cambissolos cascalhentos. 1984. sendo quatro de cerradão e seis de cerrado stricto sensu. Quanto ao tipo de solo. mostrando maior densidade no cerradão. Minas Gerais. Maranhão. sendo seis áreas de cerradão e 44 de cerrado stricto sensu..

em uma das áreas foram encontrados 162 indivíduos em um hectare. mostrando a formação de subpopulações densas da espécie. todo o processo de floração e frutificação se dá com ausência total de chuvas.58 g. 1998). com ocorrência em 110 localidades de 376 levantadas.7 g. mudando a coloração geral da planta à distância. é rápida e as folhas novas avermelhadas começam a brotar. mesmo em áreas preservadas (CHAVES e NAVES. com média de 6.1 m a 11. A distribuição espacial das plantas de cagaita se dá preferencialmente em agregados. ela já perdeu toda a sua folhagem. Litossolos e Latossolos Roxos. Houve uma tendência das plantas apresentarem maior altura e diâmetro de copa em áreas de pastagem em comparação com áreas pouco antropizadas. sendo que a planta utiliza-se de reservas acumuladas e água buscada do subsolo.7. à menor competição por luz nas áreas abertas. 1974). com média de 12. Ratter et al.9 g a 41. A floração. 124 . Já no vale do Araguaia e no nordeste de Goiás a espécie apresenta distribuição mais contínua. 29. O número de sementes por fruto variou de 1 a 6. ou seja. A frutificação é abundante e os frutos são consumidos por vários animais silvestres e domésticos. Em alguns anos. enquanto o peso médio da semente ficou em 1. com variação de 0. Em um trabalho de caracterização de frutos e árvores de cagaita de dez populações da região sudeste de Goiás. Ribeiro (1991) caracterizou o padrão de frutificação da cagaiteira como curto. uma vez que carrega o fruto para se alimentar em pontos diferentes da planta mãe. dando um efeito altamente ornamental à planta. Distribuição e estrutura das populações. com o fruto não permanecendo na árvore por mais de 14 a 16 semanas. O morcego é um importante dispersor de sementes. com subpopulações geograficamente descontínuas. podem ser percorridas grandes extensões sem que seja observada a ocorrência da espécie. No trabalho de Naves (1999).3% de ocorrência nas localidades inventariadas (Figura 4). Mesmo na área core do Cerrado. (2003) apresentam um mapa de distribuição da espécie. como é o caso da região sudoeste de Goiás (Figura 4).0 m na altura de plantas adultas. (2001) encontraram uma variação de 4.9 g. A floração branca é abundante e ocorre com a planta totalmente desprovida de folhas. provavelmente. provavelmente. O peso de um fruto variou de 2. porém.5 m.07 g a 3. A maior freqüência da floração da cagaiteira ocorre no mês de agosto (Heringer e Ferreira. Os frutos crescem rapidamente em atmosfera ainda seca e caem maduros no fim de setembro e início de outubro.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 ocorrendo em Areias Quartzosas.31 g. Silva et al. além de apresentar casca espessa e suberosa. ASPECTOS ECOLÓGICOS Fenologia. porque na época de incidência de queimadas. A planta possui grande resistência ao fogo. com média de 1. Este fato se deve.

em geral. Oga et al. 2001). TRINDADE e CHAVES.). 2005).. ZUCCHI et al. a emergência das plântulas teve início na terceira semana e atingiu seu ponto máximo até a décima semana. sem qualquer tratamento. visando a conservação da viabilidade destas. com autocorrelação espacial elevada em menores distâncias (TELLES et al.. com base em dados de cruzamentos controlados.R. Estimativas de taxa aparente de fecundação cruzada. ZUCCHI et al. Em um estudo envolvendo 112 progênies de 10 subpopulações 125 . enquanto que com microssatélites a taxa estimada foi de 100% (ZUCCHI et al.6% (φST = 0.. Em um estudo com populações do nordeste do Goiás utilizando marcador RAPD. ocorre uma floração muito intensa das plantas por um período relativamente curto de tempo (PROENÇA e GIBBS.269. se conservadas em sacos de plástico à temperatura ambiente (22ºC). 1991). 2003. têm mostrado uma estruturação espacial da variabilidade genética.086) para a proporção da variabilidade entre subpopulações (TRINDADE e CHAVES..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 Alguns trabalhos sobre estrutura genética da cagaiteira.). que esta espécie deve apresentar um sistema de reprodução predominantemente por alogamia. 2005). Embora os resultados obtidos não tivessem sugerido a existência de nenhuma forma de autoincompatibilidade. ou seja. (2003) encontraram valores ainda maiores para a proporção da variabilidade entre populações. 2000. FST = 0. Eugenia dysenterica apresenta polinização por abelhas (incluindo Bombus spp. tais como Eugenia dysenterica. Um certo grau de autogamia em espécies auto compatíveis pode ser conseguido por um comportamento oportunista dos polinizadores em espécies com estratégias de florescimento em massa. com grande diferença entre populações.. 2003). com uso de marcadores moleculares e enzimáticos. Em todos os casos foi detectada uma forte correlação entre distâncias geográficas e distâncias genéticas. 2003). (1992) reportaram que as sementes escarificadas têm melhor germinação quando plantadas entre 1 e 2 cm de profundidade. valor considerado alto para espécies tropicais (TELLES. coerentemente com o modelo microevolutivo de isolamento por distância (TELLES et al. os autores concluíram. Biologia reprodutiva e germinação. seguindo um padrão de floração denominado “big bang”.. com as flores se abrindo pela manhã e se mantendo abertas por um dia. Os estudos com sementes de cagaita têm mostrado. confirmam a predominância de alogamia na espécie. foi encontrado um valor de 8. mostraram que o poder germinativo decresce de 98% para 52% em 50 dias. medida por marcadores microssatélites (RST = 0. Estudo sobre armazenamento de sementes de cagaita. TELLES et al. Com isoenzimas foi estimada uma taxa de 83. utilizando diferentes marcadores. uma alta taxa de germinação.. 2003). com 15% de germinação após 300 dias (FARIAS NETO et al. O poder germinativo permanece inalterado pelo mesmo período se armazenadas em câmara fria e úmida (10ºC e 60% de U. Nestas condições. Estudos com isoenzimas revelaram uma proporção de 15.5% (TELLES et al. 2001. 1994).4% da variabilidade genética entre subpopulações do sudeste de Goiás.250).

Só mais recentemente. como por exemplo. Souza et al. propício para a agricultura mecanizada.5%. é comum que indivíduos da espécie sejam mantidos em meio à pastagem. portanto. estas áreas são preferidas para atividades pecuárias. Apesar do grande sucesso atual da agricultura no Cerrado e de sua incontestável contribuição para o desenvolvimento da região. em condições relativamente boas de conservação. que mede a proporção da variabilidade entre subpopulações (VENCOVSKY e CROSSA. O manejo adequado de reservas para fins de manutenção de biodiversidade. certamente. Acredita-se que poucas subpopulações da espécie estejam preservadas em reservas públicas.2% a 92. com variação de 86. 2003) o número de subpopulações requerido para manter um tamanho efetivo adequado supera uma centena. Por razões de altitude. 2003. na conservação in situ. A cagaiteira. A simples preservação em áreas de proteção integral. tipo de solo e topografia. decorrentes do desmatamento indiscriminado. em geral. é uma das espécies que tem sofrido acentuada erosão genética. a única forma de se manterem tamanhos efetivos adequados. prolongando-se até 160 dias. seria contar com as reservas legais das propriedades particulares.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 de cagaiteira. precisa ser melhor entendido. alguma atenção está sendo dada ao problema da erosão genética e da perda de biodiversidade. ZUCCHI et al. Com os valores de FST estimados para a espécie (TELLES et al. Assim sendo. 1999). em termos de recursos naturais. no Parque Estadual de Terra Ronca – GO e no Parque Nacional Grande Sertão Veredas – MG. O fruto é muito apreciado pelos animais. ser encontradas in situ nas regiões do vale do Araguaia e nordeste do estado. sem qualquer tratameto. Em áreas de pecuária.. tende a provocar uma modificação da fitofisionomia do Cerrado 126 . que os consomem logo que caem ao solo. incluindo o manejo do fogo. o custo ambiental desta atividade tem sido muito elevado. O tamanho efetivo de uma população estruturada em subpopulações é função direta do número de subpopulações conservadas e função inversa do valor de FST de Wright. Em Goiás. no Parque Nacional de Brasília – DF. Isto decorreu. de que o Cerrado era pobre em recursos vegetais e que. ainda.6% com início aos 18 dias após a semeadura. da visão dos agricultores e até dos técnicos vindos de outras regiões. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade e erosão genética. que são menos impactantes para a espécie em comparação com as culturas anuais. a substituição da vegetação nativa por espécies cultivadas não traria nenhuma perda. grandes populações da espécie podem. principalmente.3% entre subpopulações. (2001) verificaram uma emergência média de 80. formando copas volumosas que fornecem sombra para o gado.. com 75 sementes por matriz. As árvores nestas condições apresentam um grande desenvolvimento. uma vez que seu ambiente de ocorrência é. Silva (1999) obteve uma taxa de emergência média de 89.

com polinização livre. Na Universidade Federal de Goiás. ainda. o que pode prejudicar a sobrevivência de muitas espécies dependentes de luz. A coleção está implantada em esquema de progênies. Além da caracterização genética das populações de origem por marcadores moleculares e enzimáticos. Pelo fato da semente não tolerar armazenamento por longos períodos (Farias Neto et al. UFG. A opção de conservação in vitro está ainda por ser estudada. pretende-se utilizar a coleção como pomar de sementes. com implantação a campo a partir de janeiro de 1998 (Figura 5). foi implantada uma coleção in vivo a partir de coletas de sementes iniciadas em 1996. A representatividade de amostras de sementes para fins de formação de coleções ex situ obedece ao mesmo princípio exposto por Vencovsky e Crossa (1999) para populações naturais. o que corresponde a uma seleção apenas de gametas femininos. Após a avaliação produtiva. J. Figura 5. a coleção já foi avaliada quanto ao tamanho efetivo e caracteres morfológicos de desenvolvimento (AGUIAR. selecionando-se as melhores matrizes entre e dentro de progênies. mesmo que para isso seja restrita a amostragem dentro de populações. Levando-se em conta os valores de FST estimados em pesquisas já realizadas. com quatro repetições e uma planta por parcela.. Goiânia. A conservação ex situ da espécie é. Chaves). 127 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 no sentido de formações mais fechadas. Algumas plantas já entraram no estágio reprodutivo. (Foto: L. incipiente. 1991) a opção atual seria a manutenção in vivo. pode-se recomendar um esforço na amostragem do maior número possível de subpopulações. Aguiar (2004) fornece uma fórmula para determinação do tamanho efetivo de coleções estruturadas em progênies e subpopulações. Coleção de germoplasma ex situ de cagaiteira. Conservação de germoplasma. em Goiânia. 2004). no estado de Goiás.

000 frutos por árvore (ALMEIDA et al.4mg/100g). principalmente ácido palmítico (24%). 1992. vitamina B2 (0. 50% de ácidos graxos monoinsaturados. ALMEIDA. podendo ser a sua casca utilizada em curtumes.9 mg/100g) e ferro (3. 2003). como o limoneno e o alfatujeno. a produção de frutos é alta. 1987). O óleo essencial das folhas. não se conhecendo qualquer iniciativa de plantio organizado. Além disso. portanto. cálcio (172. 1998). 1974). chegando até mais de 2. e 22% de poliinsaturados. O extrato etanólico das folhas apresenta atividade moluscocida contra o Biomphalaria glabrata. 2000). quanto para industrialização. na forma de sorvetes.. O óleo da polpa da cagaita apresenta. O efeito laxativo do fruto maduro e o caráter perecível do mesmo podem ser apontados como a causa principal desta pequena utilização. tanto para consumo in natura. isto é. principalmente ácido linolênico (12%). rico em sesquiterpenos. os derivados do fruto verdes ou de vez. sugerindo potencial de controle da esquistossomose (BEZERRA et al. magnésio (62. A utilização do fruto in natura pelas populações locais é relativamente pequena. a partir de populações naturais da espécie. existindo relatos do seu uso para o tratamento da diabete e icterícia. como o beta-cariofileno e o alfa-humuleno. ser utilizados imediatamente. que é um ácido graxo essencial. doces. aproximadamente. principalmente ácido oléico (36%). ALMEIDA. devendo.7%) conferem à cagaita boas qualidades gustativas (OLIVEIRA JÚNIOR et al. 2002). seus frutos têm qualidades laxativas (HERINGER e FERREIRA. apresenta atividade antifúngica (COSTA et al. VALOR NUTRICIONAL A cagaita é um fruto suculento. geléias e licores possuem um alto 128 . Os frutos “de vez” são mais adequados para o transporte e comercialização.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO Capítulo 7 A importância principal do aproveitamento da cagaiteira se dá pelo potencial alimentício de seus frutos. 1998. uma vez que os frutos maduros são altamente perecíveis. Toda a produção de frutos utilizada se dá de forma extrativista. sendo considerado uma boa fonte de vitamina C (18–72mg/100g). e em monoterpenos. Suas folhas têm propriedades antidiarréicas. O teor de sólidos solúveis totais ou Brix (8. TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA De maneira geral. 28% de ácidos graxos saturados.. não é sintetizado pelo organismo e precisa ser ingerido pela dieta (FRANCO. No entanto. BRITO et al. em comparação com algumas outras espécies frutíferas do Cerrado... a cagaiteira é uma planta ornamental e melífera e presta-se à extração de cortiça.9 mg/100g)..2%) e acidez titulável (0. Silva (1999) observou que os frutos da cagaiteira apresentam características físicas que indicam a possibilidade de sua exploração. 1997.8mg/100g).

(2001). Entretanto. Neste caso. No norte de Minas. Em experimento realizado por Souza et al.. Como a produção de sementes da espécie se dá no final de setembro e no início de outubro. Em boas condições de solo e em ambientes abertos. diferentes misturas podem ser utilizadas. é possível o transplantio para o campo na mesma estação chuvosa (janeiro a março). uma resposta linear no desenvolvimento das plântulas em função do volume de substrato do tubete. (2003). vem sendo comercializada a polpa de cagaita obtida de frutos verdes para aproveitamento na merenda escolar na forma de sucos. em comparação com outras espécies do Cerrado (SILVA. são apresentados por Brito et al. havendo já um razoável acúmulo de dados experimentais sobre produção de mudas. O espaçamento definitivo a campo é função do diâmetro da copa da planta adulta. podem ser já encontrados em estabelecimentos especializados em produtos regionais. Alguns destes produtos são produzidos de forma artesanal e comercializados em feiras ou em quiosques. como o pequi e a mangaba. por exemplo. em embalagens maiores. a altura média de plantas foi de apenas 1. mesmo sem irrigação. (1997) e Brito et al. Por isso. em plantios exclusivos. ainda. a semeadura deve ser realizada. no máximo. Este comércio. as plantas já estariam bem estabelecidas a campo por ocasião da estação seca seguinte. Maiores detalhes sobre a produção de mudas via sexuada.68 m. além de outros textos especializados. a planta chega a apresentar diâmetro de copa de cerca de 8m. A semente possui característica recalcitrante e não tolera armazenamento por longos períodos sem perda de germinação e vigor (FARIAS NETO et al. algumas semanas após a colheita dos frutos. com perdas menores. na proporção 1:1:2 propiciou um bom desenvolvimento das plântulas. terriço de mata e vermiculita. para o plantio no início da estação chuvosa seguinte. Esta característica permite a semeadura direta em embalagens plásticas ou tubetes. Quanto ao substrato para formação de mudas. Isto levaria à recomendação de espaçamentos entre plantas acima de 5 m. (2003). tratamentos pós-colheita e industrialização da cagaita podem ser encontradas em Siqueira et al. Outra alternativa seria a manutenção da muda em viveiro. quatro anos após o 129 . INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO A propagação da cagaiteira via sementes é relativamente simples. desde que garantida alguma irrigação de manutenção na primeira estação seca. 1991). a mistura solo. Em um experimento instalado na Universidade Federal de Goiás. A percentagem de germinação é alta e a emergência é relativamente rápida.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 potencial de utilização. é ainda pouco significativo em comparação com outros produtos da flora regional. o desenvolvimento da cagaiteira é muito lento e a ocupação do espaço definitivo demanda muitos anos. 1999). Verificou-se. Na forma de sorvetes e picolés. bem como possibilidades de propagação assexuada. entretanto. Recomendações sobre colheita.

IMPORTÂNCIA SÓCIO–ECONÔMICA Estimativas de receita bruta para a exploração comercial de cagaita. pode-se concluir que tal forma de exploração adequa-se perfeitamente ao sistema de agricultura familiar. Como a maior parte das despesas no processo seria decorrente de mão de obra. contudo. ou mais). que o mercado para este tipo de produto é ainda bastante restrito. desde que se disponha de áreas com ocorrência natural da espécie. convivendo perfeitamente bem com gramíneas dos gêneros Brachiaria e Andropogon e produzindo em abundância.250 frutos por planta. Outras espécies frutíferas nativas poderiam também ser incorporadas ao sistema.38 m por ano (AGUIAR. como ocorreu com o palmito de guariroba (Syagrus oleracea Becc).00 por unidade de 250g. alta tolerância a estresses hídricos. facilidade de produção de mudas 130 . Assim.250. intercalando-se culturas anuais nos primeiros anos e pastagem a partir do quarto ou quinto ano. Como fatores favoráveis podem ser destacados: produção elevada e relativamente estável no decorrer dos anos. A maior restrição. bióticos e ao fogo. Quanto aos plantios em sistema agrícola. o que poderá facilitar o cultivo em sistemas silvipastoris.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 transplantio para o campo. por exemplo. Há que se levar em conta. 2004). neste caso. com aproveitamento de 75% e uma densidade de 30 plantas/ha. baseada na venda de geléia. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cagaiteira é uma das espécies do Cerrado com bom potencial para o aproveitamento em sistemas de produção agrícola. por exemplo. como o baru e o pequi. Em inúmeras situações podem ser observadas plantas remanescentes do Cerrado nativo em pastagens plantadas. seria o longo tempo para o início de produção e a baixa produtividade de plantas jovens. Este valor pressupõe uma produção média de 1. potencial do fruto para produtos processados. Um sistema que poderia se tornar sustentável em longo prazo seria o plantio da cagaiteira em espaçamentos maiores (10m x 10m. qualquer programa de fomento a tal atividade teria de ser acompanhado de incentivos à demanda a fim de evitar queda de preços por excesso de demanda. edáficos. com incremento médio de 0. não se dispõe de dados para embasar estimativas seguras de receita. Com esta idade as plantas seriam pouco danificadas pelos animais. boa convivência com pastagens. em condições naturais e um valor de venda do produto a R$ 3. levam a valores de R$ 2. 2003).. permitindo a adaptação a diferentes ambientes e emprego na recuperação de áreas degradadas. que também convivem bem com pastagens cultivadas. além de fornecerem sombra para o gado.00 por hectare explorado (BRITO et al.

F. Molluscocidal activity against B. baru.. Frutas nativas do cerrado: caracterização físico-química e fonte potencial de nutrientes. RIBEIRO. 1998. A. B. v. 2. H. alta densidade. S. J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. BRITO. L.. Sistemática de angiospermas do Brasil. V. P.. Cagaita. pouca tradição de uso pela população.. 74-86. P.. ALMEIDA. H. Planaltina: EMBRAPA-CERRADOS. SANTOS. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos cerrados: araticum. Goiânia. A. colheita trabalhosa e desenvolvimento inicial lento das plantas oriundas de sementes. B. CHAVES. S. LIAO.. C.. FERRI. Documentos. o que favorece a exploração de populações nativas. p.. Piracicaba. R. tais como: grande sensibilidade e perecibilidade do fruto. FERNANDES. Dicionário das plantas úteis do Brasil. 376 p.. RIBEIRO. M. 2004. SILVA. IT. v. R. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 1998. 1984.) Cerrado: ambiente e flora. Alguns fatores restritivos precisam ser superados para permitir o uso racional da espécie em sistemas produtivos. p.. B. SALES. P. S. P. SP.. NAVES. ALMEIDA.. A. M. M. prioritariamente nas áreas de melhoramento genético. PAULA. 2002. A. C. B. J. ALMEIDA. SILVA. H. glabrata of Brazilian cerrado medicinal plants.. R. em geral. E.. COSTA. V. M. BEZERRA. (EMBRAPA-CPAC. L. M. Biologia e manejo. N. Anais: “recursos geneticos vegetais”. p. 1926-1978. S. Piracicaba: ESALQ. E. I. BEATRIZ. N. 73.. Univ. P. F. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. cagaita e jatobá. CORRÊA. 1991. (Ed. S. D. 2003. 83 p. FERREIRA. P... F. M. 247-285. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. In: SANO. J. Antifungal activity of volatile constituents of 131 .. A. propagação e tecnologias de colheita e processamento do fruto.. A.. D.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 por sementes e de estabelecimento no campo. C. A. SANTOS. Departamento de Genética. 15.. Fitoterapia. L. J. D.. O Cerrado do Brasil: Uma fonte potencial de recursos genéticos. In: ENCONTRO SOBRE TEMAS DE GENETICA E MELHORAMENTO. produção concentrada no tempo.. S.428-430. Milano. Emprego de parâmetros moleculares e quantitativos na conservação e melhoramento de Eugenia dysenterica DC. H. C. BARROSO.Universidade Federal de Goiás. 80 p. FERREIRA. 186 f. Tese (Doutorado) . T. P. 1987. B. B. H. de forma sustentável. A. J. B. FERRI. p. PEREIRA. OLIVEIRA. 26). PEREIRA. M. O. Nos locais de ocorrência natural a espécie possui. C. 1998. V. SILVA. G. A maior parte destes problemas poderá ser superada com ações coordenadas de pesquisa. J. Viçosa: UFV Impr. H.

São Paulo. 2. Revista Brasileira de Fruticultura. Informação. 2000.. A. RATTER. de folhas e de frutos de cagaita (Eugenia dysenterica DC. Armazenamento de sementes de cagaita (Eugenia dysenterica DC). M. de. P. Goiânia... v. 132 . C.. Distribuição das espécies lenhosas da fitofisionomia Cerrado sentido restrito nos estados compreendidos pelo bioma Cerrado. B. Espécies frutíferas nativas dos cerrados de Goiás: caracterização e influências do clima e dos solos. G.. p. WALTER. S.. M. Influência da profundiade de semeadura e luminosidade na germinação de sementes de cagaita (Eugenia dysenterica). 111–117. E. P. Lausanne. 1991. V. MENDONÇA. J. GOMIDE. FELFILI. 20-21. TRINDADE. FRANCO. REZENDE. J. C. Frutos comestíveis nativos do Distrito Federal: gabirobas.. C. GB. VILELA. São Paulo: Livraria Atheneu Editora. M. M. BRIDGEWATER.. Dicionário das plantas úteis do Brasil. M. 4. Tabela de composição química de alimentos. M. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. Rio de Janeiro: SBCS. Cruz Das Almas. L. M. F. OGA. v.). P. R. 5. 13.. A. E. Anais.. BORGES.. S. 26. p. BA. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1976. 126. DF. v. F. Recife: Sociedade Botânica do Brasil. M. B. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. E. J. R. R. 634-639. L. Informações preliminares acerca da floração precoce de vinte espécies arbóreas do cerrado do Planalto Central.. globalização. L. A.. T.. S.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 Eugenia dysenterica leaf oil. LEANDRO.. P... A. p.. 1972. S.. n. G. OLIVEIRA JUNIOR. p. n. SILVA. OLIVEIRA. Revista do Instituto Florestal.. p. PROENÇA. T. 1994. J. V. v.. pitangas e araçás. REIS. B. CRUZ. 206 f. 2000.. New Phytologist. de (Ed. SILVA. Cambridge. B. FONSECA. HERINGER . 1999. p.. (Doutorado). E. G. p. 1997. V. p. T. 1974. Cerrado. FERREIRA. Flora vascular do cerrado. SILVA.. da. 2. Rio de Janeiro. 590 p. J. C. Mossoró. FONSECA. Universidade Federal de Goiás. Tese. F. Boletim do Herbário Ezechias Paulo Heringer. DIAS. Suíça. D. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO.) no sudeste de Goiás. 1997. FARIAS NETO. NOGUEIRA. NAVES. E. FERREIRA. 55-62. 1992. M. 213-224. R. RIBEIRO. L. 72. Brasília. v. 1992. p. In: SANO. 5. Caracterização química do solo. E. 289-556.. G. Cerrado: ambiente e flora. 1979. RJ. Journal of Ethnopharmacology. S. A. C. C. J. A. B. NAVES. SILVA JUNIOR.. 11-15. FILGUEIRAS. W. E. P. n. Reproductive biology of eight sympatric Myrtaceae from Central Brazil. 230 p. uso do solo: anais. J. GIBBS. RN.. ALMEIDA. 1998. C. MENDONCA. Brasilia. J. R. M. 5-43. 343-354. A. S.. 25.

2.. [Programa e resumos]. F. p. São Paulo: Edgard Blucher: Edusp. F. 2001. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO. Germany. Fenologia de espécies lenhosas do Cerrado. R. Processamento de geléia.. v. 107-153. 1387-1394. Goiânia: Universidade Federal de Goiás. M. 89-95.. P. CHAVES. 2003. v.) da região Sudeste do Estado de Goiás. Dissertação 133 .. n. F. G. Pesquisa Agropecuária Tropical. C. 2. G. NAVES. 1991. J.]. 1970. p. Cruz das Almas. 2001. 381-402. Conservation Genetics. R. M. p. S. Genetic diversity and population structure of Eugenia dysenterica DC. M. C. P. SILVEIRA.Universidade Federal de Goiás. VALVA. R. SILVA. R. Estrutura genética de populações naturais de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC) do nordeste de Goiás. DINIZ FILHO. D. T. R. R. v. 99 f. V. J. A... COELHO.. J. J. F. 36... Brasil. L. BA. 2001. 1971. CHAVES. C. QUEIROZ.. BORGES. D. M. SOUZA.. Brasília. M. NAVES. D. TELLES. Emergência e crescimento de cagaita (Eugenia dysenterica DC. SIQUEIRA. Caracterização de frutos e árvores de cagaita (Eugenia dysenterica DC. T. 1. Revista Brasileira de Biologia. 2001. A. 31. Revista Brasileira de Fruticultura. 11. CHAVES. M. (“cagaiteira” – Myrtaceae) in Central Brazil: spatial analysis and implications for conservation and management. 4. RIZZINI. CARNEIRO. A. Brasil.. Brasilia.. 1971. doce de corte e pastoso e néctar de cagaita.. B.. Dissertação (Mestrado) . v. S.) em finçaõ do tipo e do volume de substratos.) no sudeste do estado de Goiás.. TELLES. M. M. S. SILVA.. GERALDINI. (Myrtaceae). 1. n. n. 30. E. S. RJ. I. Caracterização de subpopulações de cagaita (“Eugenia dysenterica” DC. R. P. G. p. Rio de Janeiro. M. RIZZINI. L. São Paulo... M. J. 1997. 685-695. GO. W. Brasilia: UnB. J. L. V. Brasil. In:ENCONTRO DE BOTÂNICOS DO CENTRO-OESTE. A. J. 40. Efeito tegumentar na germinação de Eugenia dysenterica DC. C. Divergência entre subpopulações de cagaiteira (Eugenia dysenterica) em resposta a padrões edáficos e distribuição espacial. F. I. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1991. 330-334. FERRI. F. A flora do cerrado: análise florística das savanas centrais. TRINDADE.. G. J. Goiânia. v. COELHO. Heidelberg... SILVA. A. p.Universidade Federal de Goiás. 23. L. 112 p.) do sudeste de Goiás. [Anais. 129 f. M. C. TELLES. 2000. Dissertação (Mestrado) . Diversidade genética e estrutura populacional de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC. C. TORRES. p. Editado por M. Goiania. DINIZ FILHO. 1999. CHAVES. M. K. S.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 7 RIBEIRO. LEANDRO. Goiânia.. p.

G. Genetics and Molecular Biology. p. S. P. VENCOVSKY. GIÚDICE.. R. In: BORÉM.. 335-354. 1999. 134 . J. 4.. A. CHAVES. BRONDANI. v. Viçosa: Editora UFV. Capítulo 7 VENCOVSKY. COELHO.. M. In the Brasilian Cerrado utilizing SSR markers. n.. p. R.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil (Mestrado) . P. J. N. J.. A. I. L. 26. B. V. S. 2003. Genetic structure and gene flow in Eugenia dysenterica DC. Plant breeding in the turn of the millennium. 449-457.. ZUCCHI.Universidade Federal de Goiás. PINHEIRO. M. SAKIYAMA. CROSSA. R. SP. Ribeirão Preto. Measures of representativeness. Goiânia..

.

que. é inevitável a comparação com a espécie cultivada e as informações biológicas disponíveis para a mesma. Pseudofrutos de Anacardium othonianum em três estágios de desenvolvimento. 136 . em função do maior acumulo de informações. 1Embora sejam tratadas apenas as espécies de Cajus do Cerrado. Foto: Sueli Sano. e que serão descritos no item a seguir1.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 CAJUS DO CERRADO Tânia da Silveira Agostini-Costa Juliana Pereira Faria Ronaldo Veloso Naves Roberto Fontes Vieira NOMES COMUNS: O nome caju é oriundo da palavra indígena “acaiu”. em tupi. Figura 1. Uma variedade de nomes populares ou comuns tem sido atribuída aos pequenos pedúnculos de cajus procedentes de quatro espécies do gênero Anacardium que se encontram distribuídas no bioma cerrado. quer dizer “noz que se produz”.

arbustos e subarbustos rústicos. parvifolium e o A. de tamanho bem menor do que o caju produzido no Nordeste pela única espécie comercial. othonianum. excelsum. Foto: Ronaldo Naves. o A. como o A. Pequenos pedúnculos de A. o A. respeitando assim a opinião de grande parte de acadêmicos e pesquisadores que trabalham com esta entidade biológica na Região Centro-Oeste do Brasil. occidentale e o A. nanum. Figura 2. são pouco conhecidas e pouco consumidas. o A. o A. é o principal cajueiro de importância econômica para esta região. humile. o A. Estudos futuros mais aprofundados na área de botânica poderão esclarecer melhor as dúvidas com relação à autenticidade ou não da espécie. spruceanum. Othon Xavier de Brito Machado. fruticosum são árvores de pequeno a médio porte e ocorrem. neste capítulo ele será tratado como espécie. microsepalum. Anacardium othonianum Rizzini. também conhecido como cajuí. embora muito apreciadas pela população regional. primeiro botânico a descrever um cajueiro arbóreo do cerrado (RIZZINI. As espécies típicas do Brasil Central. típicos de clima tropical. Algumas espécies arbóreas de elevado porte. que serão especialmente tratadas neste capítulo. distingue-se das demais espécies na região Central do Brasil pelo porte arbóreo. As espécies nativas na região Centro-Oeste. também conhecido como caju-de-árvore-docerrado. 1969) (Figura 2). no Nordeste brasileiro. 137 . conhecidos como caju-de-árvore-do-cerrado. occidentale.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 NOME CIENTÍFICO E SINONÍMIAS BOTÂNICAS: Segundo Michell e Mori (1987) o gênero Anacardium é composto por 10 espécies de árvores. corymbosum e o A. ocorrem em floresta tropical. giganteum. Seu nome é uma homenagem ao Dr. occidentale L. principalmente. O A. Embora o Anacardium othonianum Rizzini tenha sido classificado por Michell e Mori (1987) como um ecotipo do A. apresentam porte arbustivo ou subarbustivo e produzem um pseudofruto aromático. como o A. cajuzinho e cajuí.

a Rhoeae. othonianum Rizzini (Figura 3) apresenta porte arbóreo. A tribo Spondiadeae inclui 17 gêneros de distribuição tropical. O fruto é um aquênio. Hilaire. 1973. na Amazônia. apresenta porte subarbustivo.60 m. pumilum St. cajudo-cerrado. caju-mirim. Monodynamus humilis Pohl. Sinonímias botânicas para esta espécie são A. Almeida et al. 138 . a tribo Anacardiaceae é formada por 8 gêneros. Mitchell e Mori. e as hermafroditas no fim. 1969). 1946. 1999). PAULA e HERINGER. Anacardum nanum St.1987).1987.1987). foi observada a presença de plantas adultas com altura variando entre 0. cajuzinho-do-mato e caju-anão. 1978). na Guiana Francesa.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 Anacardium humile St. A espécie apresenta tronco com 1-2 m de altura e 20-40 cm de diâmetro. pedicelos 2-3 mm. subterraneum Liais (Mitchell e Mori. são glabras e apresentam pecíolos 4-8 mm. pumila Walpers (Mitchell e Mori. conhecido como cajuí. caju-do-campo. Panículas amplas medem 15-25 cm x 15-20 cm. A.1987). Hilaire. conhecido como cajuzinho e caju-rasteiro. DESCRIÇÃO O A. com média de 2. como as fruteiras do gênero Spondias L. cujo pedúnculo se desenvolve em pseudofruto. apresentam base subcordata. 2001). Anacardium corymbosum Barbosa Rodrigues. A combinação do fruto (castanha) e do pseudofruto constitui o “duplo fruto” característico do gênero. a maior tribo. No cerrado goiano. As flores dos cajueiros são hermafroditas e unissexuais.1987). é formada por 40 gêneros de distribuição cosmopolita. sendo que as masculinas aparecem no início da floração. Sinonímia botânica para esta espécie é A. a tribo Semecarpeae é representada por 5 gêneros distribuídos nas regiões tropicais do oriente. como os gêneros Astronium Jacquin e Rhus L. com altura entre 3 e 6 m (RIZZINI. Silva et al. a tribo Dobineae está formada por apenas 2 gêneros distribuídos na Ásia tropical.. As folhas coriáceas medem 12-17 cm x 8-11 cm.90 m e 7. FAMÍLIA A família Anacardiaceae compreende 74 gêneros e 600 espécies tropicais e subtropicais. A. no Brasil Central e no Nordeste brasileiro (MITCHELL e MORI. e o gênero Mangifera L.75 m (NAVES. 1969). O gênero Anacardium envolve 10 espécies que são nativas no Panamá. que inclui fruteiras tropicais como o gênero Anacardium L. Frutos 15-20 mm x 12-15 mm (RIZZINI. 1998. distribuídas em 5 tribos. cajuzinho-do-cerrado. que tem forma variada e cor indo de amarela a vermelha (FERREIRA. apresenta porte arbustivo (Hoehne. Hilaire. apresenta-se como uma espécie subarbustiva. endêmica da região sub-central do estado do Mato Grosso (MITCHELL e MORI. humile Martius.. também conhecido como cajurasteiro e cajuzinho.

medindo entre 15 e 18 m (a anatomia comparativa da madeira demonstra que este sistema é um tronco subterrâneo e não uma raiz). othonianum Rizz. sendo um ou raramente dois estames de maior comprimento (6-7. A planta e detalhe das folhas e inflorescências de A. apresentam base geralmente atenuada e assimétrica.3-2. Folhas 139 . ramificado ou não. 1987). flores bissexuadas. Acima do solo o pecíolo é rígido.5 mm).5 cm. O A. 1990). cinza ou marrom escuro.7 cm pode ser verde. LOPES NARANJO. apresentando rígidas ramificações ascendentes (MITCHELL e MORI.0-4. com antera normal. Apresenta 5-9 estames. humile St.2 mm. com tronco subterrâneo de 35-65 cm de diâmetro.3 x 1.6 mm) do que os demais (24. 1987. são glabras nas duas superfícies e geralmente apresentam pecíolos até 15 mm. nanum St. Inflorescências pubescentes medem 9-27 cm x 6-24 cm.0-1. Hipocarpo piriforme medindo 1-3 x 1-2 cm pode ser vermelho ou amarelo e suculento quando maduro.3-9. pedicelos 2. O A. quando madura (MITCHELL e MORI. Drupa sub-reniforme medindo 1. Hilaire é um subarbusto medindo 30 a 150 cm de altura. As folhas coriáceas medem 9-27.5 cm x 3. Hilaire é um subarbusto que pode medir entre 30 e 150 cm de altura. pedúnculo 1-14 cm. Foto: Ronaldo Naves. com ramificações laterais mais frágeis. Apresenta o tronco ereto com sistema radicular perenial e muito profundo.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 Figura 3.

marrom escura na maturidade.. 12-30 x 7-22 cm.. 1998). habita regiões de campo e cerrado (MITCHELL e MORI. Distrito Federal.0 cm. base geralmente auriculata e assimétrica. Ocorre na região de Santa Cruz na Bolívia. sendo um de maior tamanho (6-10mm) em relação aos demais (2-5mm). Inflorescências vilosas. sendo encontrada 140 . vilosas abaxialmente. glabras a puberulosas adaxialmente. corymbosum não pode ser separado. Distrito Federal e região Sul. Inflorescências vilosas. Entretanto..5 cm x 4-13 cm.. 2003). corymbosum. é um subarbusto que pode medir entre 50 e 150 cm. 1987. 1987). 1998). HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA O principal centro de diversidade do gênero Anacardium é a região Amazônica. O A. 1998). também. quando florido. Central e Oeste de Minas Gerais (MITCHELL e MORI. MENDONÇA et al. a de maior dispersão.5-20. Folhas 4. antera normal (MITCHELL e MORI. O A. corymbosum é facilmente identificado através da antera globular de seus pequenos estames (4-6 estaminóides).5-5. occidentale está no Nordeste brasileiro. Flores bissexuadas. 1987). corola cilíndrica. 2-3 mm de diâmetro. MENDONÇA et al. Esta espécie é a única do gênero que é cultivada. 3-4 mm de diâmetro.0 cm coriaceas. se espalha por uma área enorme dos cerrados entre os estados de Goiás. O A. Rod. O A. 1987). sendo um maior (4. nanum.1987.3 cm x 2. espécie de caju-rasteiro endêmico no Estado do Mato Grosso.. 10. pecíolo ausente. Hipocarpo obcônico a piriforme 2. com um centro secundário de diversidade nos cerrados (Planalto Central) (PAIVA et al. corola cilíndrica. além de ser. também.. com certeza. corymbosum Barb. glabras a puberosas adaxialmente. atingindo. MITCHELL e MORI. Flores bissexuadas.2-10. 1986. pubescentes a vilosas abaxialmente. base geralmente auriculata e assimétrica.52 x 1-1.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 frequentemente sésseis. onde pode ser encontrado em diversos ecossistemas. região oriental do Paraguai e.5-4. Mato Grosso e Minas Gerais. nanum (caju-rasteiro) habita o campo sujo e cerrado. coriáceas. 16-22 x 6-15 cm. othonianum (caju-de-árvore-do-cerrado) habita o campo sujo e o cerradão (Mendonça et al.7 cm. O A. no Brasil. geralmente congestionadas. pedúnculo 1-4 cm. Possui 6-8 estames. o Sudeste de Rondônia e o Sul do Paraná (RIBEIRO et al. vermelho.5 x 2. apresenta tronco subterrâneo e ramificações ascendentes rígidas. Está distribuído entre a região central de Goiás. 1998). de espécies estéreis de A. A maior diversidade de A. humile (caju-do-campo) habita o cerrado e o campo rupestre (MENDONÇA et al.5 mm) do que os demais (1-2mm) (MITCHELL e MORI. pedúnculo 0. o A.0 cm. drupa sub-reniforme 1. densamente congestionadas. O A.5-18.

os frutos são consumidos por mamíferos (MITCHELL e MORI. Floresce entre junho e outubro. 2003).5-6. SANTOS. arbustos e árvores baixas dos cerrados do Brasil Central. faz com que tenha elevado potencial para exploração.5). muitas vezes associados aos solos com maiores declividades. por apresentar raízes profundas (freatófitas) e por ser subterrânea a maior parte da biomassa caulinar. 96% da área plantada no país encontra-se no Nordeste (A. além de apresentar maiores áreas basais do tronco com a diminuição da saturação de alumínio. enquanto que a cagaita (Eugenia dysenterica D. 2004. 1998). othonianum ocorre de forma significativa em solos concrecionários e ocorre em maior densidade com o aumento da acidez do solo. especialmente nos estados do Ceará. othonianum (caju-de-árvore-do-cerrado) ocorreu em 19 delas. os frutos. o araticum (Annona crassiflora Mart.C. verificou que o A.) em 46 das áreas de observação. Do ponto de vista ecológico. está entre as espécies melhor protegidas contra a seca e o fogo (LOPES NARANJO e ESPINOZA de PERNIA.) em 37 e o pequi (Caryocar brasiliense Camb. occidentale). 1996). bastante atacadas por fungos (FERREIRA. O mesmo autor observou que o A. Esta é uma espécie bastante produtiva. em altitudes acima de 790m (NAVES. porém. O A. Por estas mesmas características. em maiores densidades. Tolera bem os períodos de secas e os solos pobres (pH 4. 1999)... 1987. normalmente. humile está em vantagem competitiva em relação à maioria dos subarbustos. 1998). MENDONÇA et al. othonianum (caju-de-árvore-do-cerrado) foi encontrado em altitudes entre 380m e 1100m. 1973). 141 .. Apresenta acima de 80 flores por inflorescência e uma relação aproximada de 4:1 entre flores masculinas e hermafroditas (RIBEIRO et al. ASPECTOS ECOLÓGICOS O A.. Apesar do potencial para o cultivo do cajueiro em grande parte do território brasileiro. pesam entre 5 e 10g e são colhidos entre setembro e outubro a partir do segundo ou terceiro ano. humile (caju-do-campo) florescem entre os meses de julho e setembro e são polinizados por abelhas e por borboletas. humile desenvolve-se formando espaços entre esta espécie e outras espécies que se desenvolvem ao seu redor. Os arbustos de A.0ha de cerrado pouco antropizado em Goiás. A preferência desta espécie por ambientes concrecionários. o A. a mangaba (Hancornia speciosa Gomez) em 32. As flores são polinizadas por abelhas e vespas (MENDONÇA et al. preservação e manejo de grandes áreas do cerrado.. 1986). suas sementes germinam com facilidade. suas folhas apresentam-se. Naves (1999). 1990). 2003). os extratos aquosos de caules e folhas desta espécie sugerem a presença de agentes alelopáticos (PERIOTTO. ocorrendo. Entretanto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 praticamente em todo o mundo tropical (Paiva et al. estudando 50 áreas de 1.) ocorreu em 10. entre 200 e 600 por planta. Piauí e Rio Grande do Norte (RAMOS et al.

Os frutos são consumidos por pássaros e por mamíferos da região. O A. reduzindo as populações e. O cajueiro.. A planta apresenta uma aparente fase de repouso vegetativo de janeiro a abril. também. pela disponibilidade de água e de radiação solar. e 56 de outras 142 . cuja periodicidade pode manifestar-se em diferentes níveis de intensidade de fluxo foliar. humile (MITCHELL e MORI. além da perda de variabilidade é. O crescimento e o desenvolvimento do A. O cajueiro caracteriza-se por apresentar crescimento intermitente.. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade e erosão genética. 2000).. normalmente. 1987). 2003). Os impactos ambientais são imensuráveis e. observada a partir de junho e. logo após o período de maiores precipitações pluviais. causadas pela atividade humana. pouco expressiva. Floresce de junho a outubro e a frutificação começa em outubro. a atividade de conservação de germoplasma tem custo elevado (PAIVA et al. necessita de grandes amostras para representar a variabilidade contida nas populações naturais. também. As perdas da variabilidade genética. Esse impacto é de difícil avaliação monetária (PAIVA et al. A devastação da flora natural na região nordeste e centro-oeste trouxe graves conseqüências ao cajueiro. principalmente. com ocorrência restrita no estado do Mato Grosso. como espécie predominantemente alógama. às destruições de habitats naturais de populações de plantas. comuns nesse período do ano (ALMEIDA et al. Uma renovação vegetativa de grande intensidade é. que coincide com o período de maior concentração de chuvas. sendo 565 da espécie cultivada Anacardium ocidentale L. preocupante o desaparecimento de espécies animais que dependem de seus frutos para sobreviverem. A outra renovação vegetativa. Esse fato destaca a importância da pesquisa e dos procedimentos voltados à conservação dos recursos genéticos no ecossistema tropical. Por este motivo. pertencente à Embrapa Agroindústria Tropical. O início do florescimento da espécie geralmente coincide com o final da estação chuvosa (OLIVEIRA e LIMA. localizado no município de Pacajus. 2002). occidentale são influenciados. A coleção de germoplasma de caju consta de 621 acessos. É freqüente a associação desta espécie com o A. mas é bastante abundante nesta região. litoral leste do Estado do Ceará. Conservação de germoplasma. 1987). nanum floresce entre os meses de maio a agosto e é polinizado por abelhas e borboletas (MITCHELL e MORI.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 O A. a exemplo de outras fruteiras. são expressivas e se devem. O banco de germoplasma de cajueiro (BAG-cajueiro) é mantido no campo experimental de Pacajus. corymbosum é uma espécie endêmica. a 55 Km de Fortaleza. principalmente. com alto grau de heterozigose. 2003). após as chuvas esparsas. sua variabilidade. ocorre frequentemente em novembro. consequentemente.

KUBO et al. duas vezes ao dia por 28 dias) no tratamento de ratos diabéticos. ou como fonte de genes para o melhoramento genético do cajueiro cultivado. verrugas e manchas da pele (Ribeiro et al. como o ácido anacárdico... humile apresenta sabor ácido.. provendo uma melhora em praticamente todos os parâmetros avaliados. via oral. 1994). doces geléias e compotas. o cardol e o cardanol. A resina da castanha é tradicionalmente usada para queimar calos. A.. 1991. isolantes e vernizes..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 espécies do gênero.. doces. 1986. Por fermentação. humile. sorvetes e pratos salgados). além de compreenderem propriedades antimicrobianas (HIMEJIMA e KUBO. A atividade hipoglicemiante da entrecasca de A. humile também é aproveitada para a produção da amêndoa. 2004). O líquido da casca da castanha de caju (LCC) é muito empregado na indústria química para a produção de polímeros que são utilizados na produção de matérias plásticas. apresentandose como inibidores de enzimas medicinalmente importantes (KUBO et al. 1996).. As propriedades biológicas dos ácidos anacárdicos têm merecido atenção especial nos últimos anos. que é o pseudofruto ou pedúnculo (Figura 4). depois de descascada e torrada (BRASIL. 1998) e antitumor (ITOKAWA et al. Em Goiás fabricam-se as famosas “passas” de caju. othonianum Rizz. Uma maior atenção a coleta e conservação das populações de Anacardium da região centro-oeste deve ser dada.. 143 . a castanha do A. 1994b). humile e Anacardium sp. KUBO et al. Na região Centro-Oeste. Na medicina tradicional.. 1993). 1987. Santos. humile em reduzir a hiperglicemia em ratos aloxânicos. o chá da casca e das folhas do A. 2003). USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO O A. O pseudofruto do A. fornece uma espécie de vinho ou aguardente (RIBEIRO et al. é constituído principalmente por compostos fenólicos. humile é empregado em gargarejos para combater infecções de garganta e diarréias. 1986. originadas da região do cerrado.. microcarpum Ducke. administrada sob as formas de extrato aquoso e liofilizado (175 mg/Kg. 2002). A coleção se apresenta com a maioria dos acessos oriundos do Estado do Ceará (70%). A parte carnosa do caju. estando identificadas como A. sendo largamente consumido ao natural ou mesmo sob a forma de sucos. Os resultados obtidos demonstraram a eficácia do efeito de ambas as formulações de A. A. RAMOS et al. anticoagulante (WANG et al.. o que merece atenção para futuramente não comprometer a representatividade do germoplasma conservado (PAIVA et al. SHOBBA et al. occidentale L é a única espécie do gênero que é cultivada. em função de sua exploração extrativista para consumo local. KUBO et al. foi avaliada por Urzêda (2003). Este óleo representa cerca de 25% do peso da castanha de caju.. A raiz é empregada como purgativa. 1994a. as demais são exploradas por extrativismo. 1987. é muito apreciada no Brasil para consumo in natura e/ou processado (bebidas.

O elevado teor de açúcar e sólidos solúveis totais.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 Figura 4. dependendo da espécie ou variedade. DF. ainda. com repercussão na doçura destes pequenos pedúnculos. 2005).6 mg/100g) (FRANCO. em maior ou menor grau. O pedúnculo apresenta. principalmente taninos. Cajus do cerrado (Anacardium spp. 1992). 2002.) comercializados no Ceasa. vitamina B1 (15-58 micrograma/ 100g).. pequenos teores de pró-vitamina A (16-42 retinol equivalente/100g) (RODRIGUEZ-AMAYA. 2004).. 2004).5-2.. ocidentale é consumido não só pelas qualidades gustativas. 2004). Também é boa fonte de fibras dietéticas. principalmente. safra de 2005. 144 . R$3. vitamina B2 (46-60 micrograma/100g) e niacina (0. É rico em compostos fenólicos. Os ácidos anacárdicos são lipídeos fenólicos que estão presentes em pequenas concentrações e foram associados a um potencial antioxidante dos pedúnculos (AGOSTINI-COSTA et al. ao elevado teor de vitamina C (153-261 mg/100g) (SOUZA FILHO et al. relacionado.. mas também pelo seu alto valor nutritivo. 1996). que conferem adstringência ao pedúnculo. O pedúnculo de A. aparentemente é responsável pela boa aceitação sensorial (AGOSTINI-COSTA et al. Foto: Sueli Sano. tanto solúveis (22%) quanto insolúveis (78%) (LIMA et al. VALOR NUTRICIONAL O valor nutritivo dos pedúnculos ou pseudofrutos produzidos pelas espécies de cajueiros nativos da região Centro-Oeste ainda não foi determinado.00 por litro. Pequenos pedúnculos de “cajuzinhos” ou “cajuís” encontrados na região Nordeste do Brasil são popularmente referidos como de excelente sabor e livre de adstringência.

vitamina B2 (560 micrograma/100g).. Na fração oleosa.html) disponibiliza informações sobre os mais variados tipos de processamentos envolvendo a amêndoa e o pedúnculo do caju. 2005). occidentale para consumo in natura são colhidos após o desenvolvimento completo. néctar. favorece a ação de fungos. podem reduzir a viabilidade do pólen. ainda. Os pedúnculos são acondicionados em bandejas de isopor envolvidas com filme plástico PVC flexível e autoaderente. com textura firme e coloração típica. rapadura.5 mg/100g). produtos cristalizados. ameixa de caju. fósforo (575 mg/100g) e ferro (5.5%) (Lima et al. visando alternativas de aproveitamento no campo e na indústria.. 2000).. elevados teores de vitamina B1 (1000 micrograma/100g).br/index2.. ameixa-de-caju e compota de caju. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO O pesquisador Nei Peixoto e colaboradores.. SOUZA FILHO et al. humile que receberam doses menores de calcáreo responderam melhor. geléia e outros (LIMA et al. verificaram que plantas de A. 2005). da Universidade Estadual de Goiás (UEG). 1996). occidentale (RAMOS et al.embrapa. As amêndoas apresentam. índices abaixo de 50%. occidentale (PAIVA et al.3%) e linoléico (21. 2004). 145 . Umidade relativa. O transporte é feito em uma única camada em caixas apropriadas revestidas por uma camada de espuma. em crescimento. TECNOLOGIA PÓS-COLHEITA A rápida deterioração do pedúnculo de caju é um problema que exige grande atenção.000 mm de chuva por ano.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 As amêndoas de A. 1992) . O armazenamento é feito à 5oC e umidade relativa entre 85% e 90% por 10-15 dias (MOURA et al. predominam os ácidos graxos oléico (60. pois a umidade elevada favorece doenças fúngicas. doces. É importante um período seco nas fases de florescimento e frutificação. associada às elevadas temperaturas.6%). bebidas fermentadas. Umidade muito alta. Precipitação. Seguem algumas informações disponíveis para o A. sucos. As práticas culturais para as espécies de cajueiros nativos na região CentroOeste ainda não foram determinadas. tais como cajuína. O cajueiro tolera uma ampla faixa de precipitação entre 500 mm e 4. O Centro de Informações sobre a Fruticultura Tropical da Embrapa Agroindústria Tropical (http://www.ceinfo. 2004. por períodos prolongados durante a floração.5%) e em lipídeos (46. ocidentale são ricas em proteínas (24. 2004). 2003. SOUZA FILHO et al.cnpat. Os pedúnculos de A. do que doses maiores (SANTOS. Para os cajus silvestres da região Centro-Oeste podemos recomendar principalmente o processamento do cajucristalizado.6 mg/100g) (FRANCO. prejudicando sobremaneira o florescimento. que podem ser adaptados a partir de recomendações feitas para o A. vitamina PP ou niacina (4.

no tamanho e na coloração do pedúnculo. dos frutos e dos pedúnculos. a) Por sementes: a principal vantagem das plantas propagadas por sementes é seu maior vigor e sua maior longevidade. Hymenoptera).. As principais pragas do período vegetativo (chuvas) incluem os insetos desfolhadores: Lagarta-saia-justa (Cicinnus calliius Schaus. Saúvas (Atta spp. Coleóptera). Entretanto. a implementação do sistema de produção irrigada favorece o aumento da produtividade. Broca-do-tronco (Marshallius anacardii Lima.. Traça-das-castanhas (Anacampsis sp. Lagarta-verde-do-cajueiro (Cerodirphia rubripes Draudt. Lepidoptera)..) Sacc. Lepidoptera). Percevejos-dos-frutos. Bicho-mineiro-do-cajueiro (Phyllocnistis sp. Entretanto.. Mané-magro ou bicho-pau (Stiphra robusta Leitão. Coleóptera). A principal doença do cajueiro no Brasil é a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides (Penz. e Maubl. Lagarta-de-fogo (Megalopyge lanata Stoll-Cramer. Doenças. Thysanoptera). Lepidoptera). Cochonilha-branca-farinha (Homóptera: Diaspididae). Lepidoptera). o cajueiro necessita de insolação intensa. Lepidóptera). b) Propagação vegetativa: reproduz exatamente as características genéticas de qualquer planta individual. garantindo uniformidade da planta. Bezouro-vermelho (Crimissa cruralis Stall. várias espécies (Hemíptera e Heteroptera). Irrigação. Homoptera). ocorre desuniformidade na produção da planta. Lagarta-ligadora (Stenoma sp. Coleóptera). o oidio (Oidium anacardii Noack). Detalhes sobre cada uma das pragas e a forma de controle podem ser encontrados em Ramos et al. Para que ocorra a frutificação. Várias pragas atacam o cajueiro no período de frutificação e algumas são consideradas mais prejudiciais à cultura: Broca-das-pontas (Anthistarcha binoculares Meyrick. Broca-dos-ramos (Apate spp. Lepidoptera).). Serrador ou serra-pau (Oncideres spp. A maioria dos pomares de cajueiro (A. occidentale) foi implantada sob regime de sequeiro.. Propagação. Pragas. Ortoptera). (1996). Lepdoptera). a ampliação do período de colheita e a melhoria da qualidade da castanha e do pedúnculo. 146 . Coleoptera). Pulgão-das-inflorescências (Aphis gossypii Glover. no peso da castanha. Tripes-da-cinta-vermelha (Selenothrips rubrocinctus Giard.). Lepidoptera). Coleoptera).).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 Insolação. Lagartavéu-de-noiva (Thagona sp. Homoptera). O processo de propagação vegetativa mais usado para o cajueiro é a enxertia por garfagem em fenda lateral ou por borbulhia em placa..) Griff. As principais pragas que atacam as mudas no viveiro são as larvas de duas mosquinhas (Diptera: Cecidomyidae): a) Larva-do-broto-terminal e b) Verruga-das-folhas (Contarinia sp. Mosca-branca (Aleurodicus cocois Curtis. Outras pragas não possuem período definido de ataque: Broca da raiz (Marshallius bondari Rosado-Neto. Lepidoptera). Outras doenças incluem a resinose (Lasiodiplodia theobromae (Pat. Lagarta-dos-cafezais (Eacles imperialis magnifica Walker. distribuída uniformemente sobre a copa.

que inclui um mercado específico para os pequenos tomates orgânicos. Para enriquecimento da alimentação local. gerando renda e fixando o homem no campo. Detalhes sobre cada uma das doenças e a forma de controle podem ser obtidos em Ramos et al. Paraúna. as espécies nativas de Anacardium na região Centro-Oeste apresentam elevada densidade no ambiente de ocorrência e potencial para consórcio com pastagens. “passas”.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 o mofo-preto (Diploidium anacardiacearum Bat. Segundo consenso entre especialistas presentes no Seminário Plantas do Futuro. o aroma peculiar e a qualidade nutricional fazem do caju uma das frutas de maior potencial para a exploração sustentada nas diferentes regiões do Brasil. Faina. Estes pequenos pseudofrutos são muito bem aceitos pela população regional. doces. Algumas cidades turísticas de Goiás. industriais e comerciais. é uma fonte rica em vitamina C. no entanto. notadamente nas regiões mais pobres do Centro-Oeste brasileiro. compotas e outras formas que valorizem o seu formato e o seu tamanho reduzido. Alexânia e Goianésia. 147 . Embora os cajus do cerrado ainda não sejam comercializados no Ceasa de Goiás.00/litro na safra de 2005 (Figura 4). Quatro espécies de cajueiros nativos na região Centro-Oeste do Brasil produzem pequenos pedúnculos ou pseudofrutos. sucos e outros. A apresentação de novas formas para a comercialização dos cajus do cerrado é um desafio. a presença de vendedores ambulantes às margens de algumas rodovias. podendo incluir cajus desidratados. Da mesma forma. Goiás. O potencial do Anacardium othonianum Rizzini destaca-se entre as demais espécies. verifica-se. principalmente próximo às cidades de Goiás. fibras e antioxidantes. 2005. e Cav. a exploração sustentada de espécies nativas de cajus do cerrado também poderá render alternativas para a melhoria da qualidade de vida do homem do campo. assim como precocidade de produção. Apresentam facilidade de propagação e estabelecimento pós-plantio. em virtude do grande número de empregos gerados nas atividades agrícolas. realizado em Brasília. Caldas Novas e Piracanjuba comercializam subprodutos de cajus do cerrado. A abertura de mercados específicos também poderá incluir a comercialização destes pequenos pedúnculos in natura. (1996). como Pirenópolis.) e a deterioração fúngica da amêndoa. INFORMAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS Cajus do cerrado in natura foram comercializados no Ceasa do Distrito Federal por um custo de R$3. seguindo o exemplo da comercialização de tomates. CONSIDERAÇÕES FINAIS A aparência exótica. especialmente o pseudofruto na forma de doces em compota. A agroindústria do caju tem um grande impacto sócio-econômico na região Nordeste do Brasil. cajus cristalizados. que os consome in natura ou na forma de compotas.

PAIVA. MARTINS JUNIOR.. LIMA. S. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINI COSTA. Filogenia molecular em Anacardium (Anacardiaceae) utilização do gene da subunidade pequena do RNA ribossômico (SSU rRNA). JALES. Brasília. amoreiras e cajus. In: Centro de Informações sobre a Fruticultura Tropical.embrapa.. Brasília. 221-228. Ciência Rural. Cerrado. G. LIMA. 267-278. AGUIAR. A.. 140 p. W. F. M. v. 4. V. S.. J. RS. Tanino em pedúnculos de caju: efeito de algumas variações genéticas e climáticas. a conservação.. LIMA. 2004. 464 p. Teores de ácido anacárdico em pedúnculos de cajueiro A. 2002. Consultado em: jun. T. Da mesma forma. O. Santa Maria.Universidade Federal do Ceará. V. M. já enriquecer a dieta da população regional.. a valorização do formato e do tamanho reduzido dos pedúnculos para a obtenção de produtos diferenciados.br/index2. como compotas e cajus desidratados. p. Estas são iniciativas importantes para favorecer produção e a divulgação comercial das espécies nativas. GARRUTTI. ALMEIDA. M. 2. C. T. D. occidentale disponíveis no Nordeste do Brasil. DF. Alimentos regionais brasileiros. a caracterização e a seleção de acessos mais produtivos e resistentes desta espécie. v. microcarpum e em oito clones de A.. que muito mais podem colaborar para a diversificação alimentar da população brasileira. Fortaleza. 9 ed. K. 32. O Brasil no mercado internacional de amêndoas de caju. E. G. 2002. 2002. PADILHA.. J. 34. PAIVA. n. M. J. Cerrado: espécies vegetais úteis. Tabela de composição química dos alimentos.html>. B. 2. p. F. M. Santa Maria.. 78 p. FERREIRA. o que ainda não é conhecido. A. até então. 148 . ALMEIDA.. B. E. araçás.ceinfo. Ministério da Saúde. A.. 307 p. PROENÇA.. Frutos comestíveis nativos do DF (II): gabirobas. DF: EMBRAPA–CPAC. n. Boletim CEPPA. além de. com produção de pedúnculos que tenham sabor agradável e boa aceitação pelo consumidor são consideradas demandas urgentes. C. S. 5. Rio de Janeiro: Atheneu. 1998. AGUIAR. Disponível em: <http://www.. R. Dissertação (Mestrado em Bioquímica) . 1992. 25-29. J. P. RIBEIRO. F. v. B. 1973. Planaltina. SANO. G. S. Fenologia comparativa de dois clones enxertados de cajueiro anão em condições de irrigação. CABRAL.. v. 2002. FRANCO..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 A coleta. 2005. ALMEIDA. bem como a caracterização do valor nutricional dos cajus do cerrado. S. CUNHA. n. Economia e Gestão. LIMA..cnpat. B. J. J. 20. AGOSTINI COSTA. M. RS. J. Ciência Rural. BRASIL. S. A. J. p.

H. H. HOEHNE. O. VIEIRA. 1. v.. R. Antibacterial agents from the cashew Anacardium occidentale (Anacardiaceae) nut shell oil. YAMAGIWA. Tyrosinase inhibitors from Anacardium occidentale fruits. 76.. p. Y. TAKEYA. LIMA. SAKAMOTO. 22. J. C. I. OCHI. J. V. KUBO. S. C. 4. 1994a. p. In: SANO. SILVA. Journal of Natural Products.. ESPINOZA DE PERNIA.. WALTER.. Frutas indígenas. p.. v. The cashew and its relatives (Anacardium: Anacardiaceae). 1998. M.. MORI. M. ITOKAWA.. 57. p. Merida. 1987. 418-421. H. 47. 88 p. Avaliação respiratória de clones de cajueiro anão precoce (Anacardium occidentale L.. New York. Journal of Agricultural and Food Chemistry. n. v. F. Cerrado ambiente e flora. D.. Tokyo. p. Antitumor principles from Ginkgo biloba L. J. A.. 1990. 1946.. v. DF: EMBRAPA-CPAC. NAKAHARA. M. LIMA. v. 1994b.. p. v.. 16-20. 2004.. (Anacardiaceae. W. Easton. L. Chemical and Pharmaceutical Bulletin. Proceedings of the Interamerican Society for Tropical Horticulture. v. E. p. P.. REZENDE. 35. I. S. R. p. 289-306... A. Easton.. KINST-HORI. G. p. Mexico. MENDONÇA. 1991. I. 55-77. E.) armazenados sob diferentes camadas de PVC. Revista Forestal Venezolana.. ASAKAWA. 149 . KUBO.. 4. YOKOKAWA. US. 34. C. LOPEZ NARANJO..).. n. KAMIKAWA. 1987. US. São Paulo: Instituto de Botânica. SILVA. E. C. Obtenção e caracterização dos principais produtos do caju. K. N. K. 63. KOMATSU. N. M. 1012-1015. F. NOGUEIRA. B. M. Campeche. MOURA. GARCIA.. J. P. OHASHI. Antitumor agents from the cashew (Annacardium occidentale) apple juice. KIM. Memoirs of the New York Botanical Garden.. Anatomía y ecología de los orgános subterráneos de Anacardium humile St. FIGUEIREDO. n. LEPOITTEVIN. 39. M. A. A.. K. S. T. v. HIRAKAMA. R. ARAÚJO. Y.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 HIMEJIMA. FELFILE. S. v. Journal of Agricultural and Food Chemistry.. US. MITCHELL. Y. Journal of Natural Products. US. Cincinnati. Chemistry Letters.. H. p. n.. C. S. I. 1993. 1. KUBO. I. Planaltina.. P. J. Cincinnati. ALVES.. NAYA. Prostaglandin syntetase inhibitors from the African medicinal plant Ozoroa mucronata. S.. Naturally occurring antiacne agents. KOMATSU. Tokyo. MUROI. M. KUBO. K. C. A. (Ed. KUBO. Y. R. S.. 30. T. T. Flora vascular do cerrado. 133-144. Hill. SILVA JUNIOR. KUBO. I. Boletim CEPPA. P. p. v. 545551. P. J.. 57... S. FILGUEIRAS.. ALMEIDA. TOTSUKA. Y. 42. 1101-1104. 9-17. 1987.

L.. Brasilia. D. 9. NAVES. J. Brasil Florestal. 239-244. Rio De Janeiro. 43 p. (EMBRAPA-SPI. 2. (EMBRAPA-CNPAT.. v. p. 5 p.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. E. p. R. São Carlos. I. PROENÇA. 1986.. R. Produção e qualidade de pedúnculos de clones de cajueiro anão precoce sob cultivo irrigado. V. P. n. BARROS.. 1998. C. 33-39. E. ALMEIDA. FILGUEIRAS. E. p.. Espécies novas de árvores do Planalto Central Brasileiro. P. J. A. CORREA. C. de M. Cruz Das Almas. 1986. PARENTE. 34). G. 19). OLIVEIRA. de. FREIRE. A. F. RAMOS. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Carlos. ALVES.. CRISOSTOMO.. v. MOSCA.. conservação. E. A. C. PAULA... J.. C. S. Potencial frutífero de algumas espécies frutíferas nativas do cerrados. Documentos. F. v. F. RJ.. 206 p. PINTO.. R. L. Comunicado técnico.. F. H. BLEICHER. FROTA. 537-540. A. Brasília. 1969. PAIVA. 1978. de. Coleção plantar. L. P. M. V. PAIVA. ALVES. 41.. RIBEIRO. A cultura do cajú. Hil. F. de.. A. Capítulo 8 MOURA. R. Anais da Academia Brasileira de Ciências. Brasília: EMBRAPA-DDT: CNPq. Efeito alelopático de Andira humilis e de Anacardium humilie na germinação e no crescimento de Latuca sativa e de Raphanus sativus. CAVALCANTI. 35. n. DF. L. J..CNPAT. J.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Anais. R. F. F. Influência da irrigação e da localização da inflorescência sobre a expressão do sexo em cajueiro anão-precoce. N. 2000. M. 1999. BA. H. 8. MELO. A. 9. PESSOA. Com vistas a sua forma e às bolsas olíferas.. de.. Recursos Genéticos do cajueiro: coleta. R. Espécies frutíferas nativas dos cerrados de Goiás: caracterização e influências do clima e dos solos. p. HERINGER. 93 p. Estudo anatômico do fruto de Anacardium curatellifolium St.. Fortaleza: EMBRAPA . 2003. 2001. J. 150 . 1751-1758. J. S. V. DF. CARDOSO. Brasília: EMBRAPA-SPI. E. 52 p. v. PERIOTTO. 2003. H. J. Fortaleza: EMBRAPACNPAT. LIMA. de C.. V. de O. S. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Goiás. p. INNECCO. 491-500. BARROS. C. J. MOURA. caracterização e utilização. E. T. H. J. 1996. E.. P. H. Revista Brasileira de Fruticultura. Características físicas de pedúnculos de cajueiro para comercialização in natura. C. E. Q. (EMBRAPA-CNPAT. CRISOSTOMO. Brasília... il. 2003. 65). Goiânia. BARROS. RIZZINI. OLIVEIRA. L. M.. P. v. R..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil 143-145. 3. M. R. 23.

J. SILVA JUNIOR. ALVES. v. 9. Ipameri pesquisa o caju-do-campo. E. T. DURLEY. FILGUEIRAS. 1755-1757. Aspectos da colheita. Journal of Food Composition and Analysis. SILVA. Universidade Estadual de Goiás. SHOBHA. Disponível em: <http://www. US. C. 1352-1355. 57. M. S. D. T.. B.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 8 RODRIGUEZ-AMAYA. MILLER-WIDEMAN. JUNQUEIRA. US. A. 178 p. M. Inhibition of soybean lipoxygenase-1 by anacardic acids cardols and cardanols. ANDRADE. 1996. 12. 62. O. v. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia) . p.. D. WANG. M.. Avaliação da atividade hipoglicemiante de Anacardium humile em ratos induzidos por aloxana. Fortaleza: EPACE. A. 2005. Journal of Natural Products. B. GIRARD. D. 196-230. In: JORNAL DO CERRADO.. R. SILVA. A. A. Inhibitory activity of unsaturated fatty acids and anacardic acids toward soluble tissue factor-factor VIIa complex. P. SOUZA FILHO. F. Assessment of the provitamin A contents of foods – the Brazilian experience. T. H. Cincinnati. Cincinnati.). Frutas do cerrado. R. KASTEN. US.. L.. 1994. RAVINDRANATH. Consultado em: jun. 2001. R. V. RAMADOSS. p. 2003. Consultado em: 16 jun. N. C.Universidade de Ribeirão Preto. URZEDA. 151 .. pós-colheita e transformação industrial do pedúnculo do caju (Anacardium occidentale L. Journal of Natural Products. S. SANTOS. B. ARAGÃO.ueg. 1998. p..ceinfo... San Diego. M. A. embrapa... C. V. v. 2004. (Boletim de pesquisa. Brasília: Embrapa informação tecnológica.PDF>. Ribeirão Preto. 1994. R. 23).. A. Estudo físico e físico-químico de clones de cajueiros anão precoce. Disponível em: <http://www. M.br/noticias_ 2004-09-16_05. F. A. S. J.cnpat.htm>. n.. 149 p.br/pdf/processos/cajucolheitaprocessamento. LACHANCE. M. R. 2005. PAIVA.

.

.

Bailey.H. elegantissima (Chabaud) Becc. B. capitata var. butiá. Sinonímias botânicas: Butia nehrlingiana L. capitata var. B. capitata var. Martins. capitata var. eucapitata Herter. capitata. B.Rodr. Nome científico. alicuri. coco-coronata. cabeçudo. aricuri. Martins Paulo Santelli Tarciso S. ouricuri.. nicuri. Butia capitata (Mart. coquinho. Foto: R.) Becc. capitata subsp. lilaceiflora (Chabaud) Becc. butiá-dapraia.) Becc. erythrospatha (Chabaud) B. C.) Becc var. Figura 1. Butia capitata (Mart. Butia capitata (Mart.) Becc. coquinho-azedo. pulposa (Barb.. B. Filgueiras NOMES COMUNS: Coco-cabeçudo.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 9 COCO-CABEÇUDO Renata C. 154 . coco-babão (Figura 1).

suculento. B.. artesanato. verde-azulada.b). peixes e insetos. macia. 1979). papagaios. (1995) estimam a presença 67 gêneros e 550 espécies para a América. Na região do Cerrado não é muito diferente. de 1 a 4 m de altura. entretanto muitas espécies estão se tornando raras na região do Cerrado devido a ocupação desordenada (HENDERSON et al. Genera Plantarum 37.. H. lenhoso. MARTINS et al.. são cultivadas em jardins. sintetizados na obra Sertum Palmarum Brasiliensium. HENDERSON. representando para muitos o principal alimento de suas dietas.. 1995. mesocarpo carnoso. De igual importância para o conhecimento das palmeiras brasileiras são os estudos de J. Estipe solitária. rituais e medicina (MARTINS et al. epicarpo liso. Palmeiras ocorrem naturalmente em diferentes ambientes. Fruto ovóide. No Brasil ainda são escassas as coleções e estudos em populações nativas. oleaginoso e nutritivo (CORREA. 2004). Inflorescência ramificada em primeira ordem. ocorrendo principalmente no sul da América do Sul.2-2.5 x 1. Para a região do Cerrado são citadas B. aromático. O gênero contém oito espécies (Glassman.2 cm. muitos mamíferos. 2003 a. de sabor adocicado. fortemente arqueada. Para as culturas indígenas na Amazônia as palmeiras são consideradas as plantas mais importantes (HENDERSON. 1995). aérea. Indígenas.. endocarpo duro. semente 1. 1931. Schultz-Schultzenstein. 1. A família tem aproximadamente 189 gêneros e 3000 espécies (UHL e DRANSFIELD. LORENZI et al. canteiros e nas avenidas das cidades.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 9 ARECACEAE C. como macacos. amarelado. Butia capitata é uma planta monóica. Fornecem alimento para diversos animais. Naturliches System des Pflansenreichs 317. 1995). PALMAE Jussieu.archeri. 1999). coberta pelos resquícios das bainhas foliares. tucanos. kalungas e brancos também fazem uso dos produtos das palmeiras nas suas diversas formas: construção. 1832 (nome alternativo conservado). 1789 (nome conservado). cerca de 1m compr. Folha pinada. 155 . As palmeiras são plantas monocotiledôneas de distribuição principalmente tropical e subtropical e uma das poucas do grupo com hábito arborescente..Barbosa Rodrigues (1903). amarelo ou alaranjado (Figura 2). HENDERSON et al.capitata e B. Os primeiros estudos sobre as palmeiras do Brasil são de Martius (1882) na Flora Brasiliensis. tecido interno branco. extremamente variáveis e pouco estudadas. 1995. com até 2m compr. Pecíolo com pequenos dentes nas margens. fibroso. cresce em áreas abertas no Brasil. alimentação. DESCRIÇÃO Butia é um gênero subtropical.purpurascens (HENDERSON et al.8-3. 2003a).

as populações naturais dessa espécie servem de abrigo e proteção para a fauna. especialmente do Cerrado. Butia capitata é cultivada em parques e jardins (Bailey 1936 apud Henderson et al. o manejo adequado dessas plantas representa a possibilidade de uso contínuo de suas diferentes partes. ou seja. Observações de campo indicam que a distribuição de Butia capitata é do tipo agregado. Apresenta características ornamentais notáveis. ocorrendo nos Estados da Bahia. sem que sejam preservados os indivíduos que representam esta variabilidade. cujas sementes demoram longo tempo para germinar. Os frutos são fontes de alimento para muitos animais da fauna nativa brasileira. fontes de alimentos para vários animais nativos ou introduzidos. como o gado. Como se trata. sendo raros os exemplares depositados nos herbários. que possuem populações nativas vão sendo devastadas. Frutos maduros ocorrem de novembro a maio. frutos e estipes velhas e mortas. também. ele representa a obtenção de renda para adquirir outros produtos não disponíveis diretamente da natureza. 1998). com produção de uma a seis infrutescências/planta. com grande potencial para uso no paisagismo de regiões tropicais e subtropicais. de uma espécie com distribuição relativamente ampla. As folhas são. ASPECTOS ECOLÓGICOS Trata-se de uma planta com frutos duros. A floração ocorre no período de primavera e verão. Em certos locais. O coco-cabeçudo faz parte da paisagem do Cerrado e da cultura de certas populações humanas dentro da região do Cerrado. Apresenta distribuição relativamente ampla. Na época da safra.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Capítulo 9 Cerrado (“sertões”) e campos. Onde ocorrem grandes populações do coco-cabeçudo. especificamente.. é elo importante da corrente econômica que mantém populações rurais isoladas ou marginalizadas pela sociedade de consumo. espera-se 156 . Quando ocorrem em grande número. RECURSOS GENÉTICOS A erosão genética desta espécie ocorre na mesma medida em que as áreas. As plântulas crescem lentamente e as plantas levam entre oito e dez anos para atingir a maturidade sexual. 2004). Alimentam-se de seus frutos especialmente os roedores e os pássaros. reprodutiva. 1995). com pico em novembro e dezembro. o aproveitamento de suas folhas. com pico em fevereiro. Muitas aves constroem ninhos entre suas folhas. A oferta de frutos ocorre por sete meses (Rosa et al.. geralmente em terrenos arenosos (LORENZI et al. Goiás e Minas Gerais. De um modo geral as palmeiras são pouco coletadas.. em cerrados e cerradões.

. 2003b). os frutos (Figura 1) são processados para a produção de polpa congelada. FUNATURA. 2003a. MARTINS et al... É comum a infusão dos frutos na cachaça para dar gosto especial à mesma. de qualquer forma. 2003. MARTINS et al. USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO Esta espécie possui potenciais ecológicos. 2003a. 2002). 2003. pertencentes aos povos dos cerrados e sertões. fornecem fibras finas e resistentes. ornamentais e industriais escassamente explorados (Pedron et al. a conservação in situ e ex situ faz-se prioritária. MARTINS et al. Frutos de coco-cabeçudo amarelo e vermelho. capitata). sorvetes e geléias. Foto: Roberto Fontes Vieira.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 9 que existam grandes variações nos aspectos morfológicos. 2003b. No norte de Minas Gerais. 157 . 2002). As informações relatadas são de domínio público. cestos. na cobertura de ranchos. conhecidos como coquinho-azedo (Butia capitata var. com aceitação no mercado regional (FUNATURA. Desta maneira.. Empregadas também na fabricação de cordas e estofados (ALMEIDA e MARTINS. 2004). fisiológicos e de estrutura genética. comercializados em feira livre na região de Montes Claros. MARTINS et al. anatômicos. da polpa se fazem licor e compotas (ALMEIDA e MARTINS. Folhas (“palha”): usada na fabricação de vassouras.. Figura 2. Frutos: o mesocarpo (polpa) pode ser consumido in natura ou nas formas de sucos.

A taxa de germinação é significativamente melhorada pela remoção do endocarpo da semente. endocarpos e número e peso de sementes de butiá. com sementes mais pesadas. FUNATURA. O rótulo da polpa congelada de coquinho.1 Cálcio (%) 40.8 Lipídeos (%) 2.6%).7 Fonte: Informação disponível em rótulo da polpa congelada de coquinho azedo comercializada. as sementes de maior peso foram encontradas nos endocarpos que continham duas unidades. 1998). Os valores de correlação indicam a possibilidade de se realizar a coleta de frutos maiores com o objetivo de selecionar endocarpos maiores. 2005). com predominância de ácidos graxos de cadeia curta.. A atividade pró-vitamina A da polpa é de 347 retinóis equivalentes/100g de polpa. Um quilograma de frutos contém cerca de 96 unidades. VALOR NUTRICIONAL A polpa do coquinho apresenta apenas 0.6 Carboidrato (%) 4.0%). a polpa do coquinho destaca-se como uma boa fonte de vitamina C e pró-vitamina A (FARIA et al. o cáprico e o láurico (GROMPONE. que representa 58% dos carotenóides totais. O farelo resultante da extração do óleo serve como ração para aves. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Sementes germinam com dificuldade. Do ponto de vista nutricional. com sementes mais leves e em maior número. A germinação à 40oC foi superior em relação à germinação à 34oC (BROSCHAT.9 mg/100g).0 Sódio (%) 9.8 Fibra (%) 4. MARTINS et al. 2003. Existem variações biométricas entre peso e tamanho de frutos. 1985). 2002) A forma de exploração é por extrativismo. comercializada na região de Montes Claros. O principal carotenóide da polpa amarela do coquinho é o beta-caroteno (1.7% de óleo. A semente apresenta 43.5% de óleo. informa composição segundo a Tabela 1. 2003a. com predominância dos ácidos graxos palmítico (31. oléico (32.3 Vitamina C (%) 136. Composição da polpa de coquinho.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 9 Sementes: extrai-se dela óleo comestível de uso culinário.0 Fósforo (%) 80. embora o tempo de germinação não tenha sido alterado. na 158 . o diâmetro do fruto é um indicador adequado para a coleta de endocarpos maiores. MG. Não são realizados plantios comerciais. como o caprílico. podendo levar até três anos. mas em menor número. Energia (Kcal) 46. Tabela 1. porcos e outros animais domésticos (ALMEIDA e MARTINS.1 Proteína (%) 0. ou endocarpos menores..7%) e linoleico (24.

dentre outras. Os frutos são atacados pela larva do coleóptero Bruchimae com conseqüente perda de peso da semente. 2004). Os frutos são coletados principalmente por jovens e mulheres. Entre os principais fatores que limitam a exploração da espécie. f) boa resistência dos frutos ao transporte e ao armazenamento. 2004). entretanto quando é para comercializar ou fazer óleo e sabão. remédios e “madeira”. e) tolerância a pragas e doenças. com alta produtividade de frutos aproveitáveis. INFORMAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS Palmeiras como o coco-cabeçudo (Butia capitata) e o buriti (Mauritia flexuosa). destacando as seguintes características: a) multiplicidade de usos. ou não atende às exigências do mercado regional que demanda qualidade relacionada com a aparência e cuidados sanitários. Estas áreas estão cada vez mais raras. Assim como outras palmeiras. CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo o Seminário Plantas do Futuro realizado em Brasília (2005). Embora a maioria da produção extrativista esteja direcionada para o consumo próprio. provavelmente como mecanismo de defesa contra os predadores (BERTOLAZZI et al. Entretanto este mercado ou é apenas local. palmeiras como coco-cabeçudo e buriti sempre fizeram parte de uma pauta orientada para o mercado. são geradoras de renda. 2005). b) ausência de dados sobre práticas culturais. a Butia capitata é uma espécie de importância para a Região Centro-Oeste do Brasil. Butia capitata parece susceptível à infestação pelo pulgão Cerataphis brasiliensis (CHAPIN e GERMAIN. g) grande importância social e ambiental.. sempre foram plantas que tiveram destaque como fontes de alimento local e regional e. e) elevada freqüência de adultos produtivos. c) ausência de padrões de qualidade para o processamento do fruto. O processamento é artesanal e normalmente é realizado pelas mulheres. foram citados: a) dificuldade de propagação por semente e assexuada. 159 . Considerando os produtos de Butia capitata como fonte geradora de renda. práticas sustentáveis devem ser adotadas para a continuidade das populações. os homens participam da coleta e ajudam no processamento. sem que se tenha realizado estudos sobre a biologia. que produz alfa-pineno e limoneno.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 9 tentativa de se obter melhor desempenho no processo de germinação (PEDRON et al.. óleos comestíveis. gerando pouca demanda. além da renda externa pela comercialização de alguns produtos. Nas áreas onde ocorrem palmeirais de Butia capitata percebe-se uma importante relação etnobotânica estabelecida. ecologia e fitoquímica da espécie. Os frutos fornecem. b) elevada densidade no ambiente de ocorrência. alimentos ricos. também.

H. F. BARBOSA-RODRIGUES. Facsímile de: Bruxelles: Imp. Potencial extrativista de plantas medicinais e frutas do projeto do assentamento São Francisco. Alexandria. Campinas. 91p. In: SIMPÓSIO LATINO AMERICANO DE CIÊNCIA DE ALIMENTOS. [S. A. LORENZI. L. HortTechnology. ROSSATO. New York: Oxford University Press. Sertum Palmarum Brasiliensium = Relation des palmiers Nouveaux du Brésil. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. H. p.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Capítulo 9 ALMEIDA. v. v. MEDEIROS-COSTA. CHAPIN. M. A. S. 2005.. K.. Relatório técnico FUNATURA/Fundação Pró Natureza. G.. In: SALÃO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA... J. p. A re-evaluation of the genus Butia with a description of a new species. A new aphid of palms for the Cote Varoise. HENDERSON. Campinas: UNICAMP: SBCTA. 16. A. 2 vol. L. New Jersey: Princeton University Press. 6. 2004. M. P. 586-587.. R. 2003. M. C. P. 1903. J. BROSCHAT. US.. GALEANO. M. A. 117-120. 41-45. SANTOS. LIMA. 160 . Paris. Revue Francaise des Corps Gras. FUNATURA/Fundação Pró-Natureza. 3. n. The palms of the Amazon. p. Brasília. Endocarp removal enhances Butia capitata (Mart. Porto Alegre. A. p. de. p.]. Anais.n.. Plano de desenvolvimento sustentável do entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas/MG. E. 2005... 65-79.. 34 p.. R. R.) Becc. BRASCIANI. 1931. Principes. Veuve Monnom. M. SOUDA. VIEIRA. C. [Anais…]. FNMA/PROBIO. 1995. GERMAIN. S. Miami. FARIA. S. BERNAL. (pindo palm) seed germination. Typ.. BERTOLAZZI. T.C. 466. L. 23. 32. 2002. 4. Formoso. 13. SERAFINI. J.. 1985. A. Dicionário de plantas úteis do Brasil. S. GLASSMAN. 1 CD-ROM. CERQUEIRA. MG. FEIRA UFRGS. 351 p. v. e MARTINS. T. 1989. 362-363. HENDERSON.l: s.P. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura: Imprensa Nacional. J. Composição química de sementes da espécie Butia capitata atacada pela larva de coleóptero. 2005. 2004. n. F. 8. 1998.. Determinação de carotenóides em coquinho (Butia capitata).. Fruit flesh and kernel oil from two Uruguayan palm trees. AGOSTINI-COSTA. H. v. PHMRevue-Horticole. Field guide to the palms of the Americas. 1979. Brasília. 1995. L.. CORREA. GROMPONE.

C. Kansas: Allen Press. REIS. Flora brasiliensis. Lawrence. odorata (Palmae) na restinga do município de Laguna. pt. Desafios da botânica no novo milênio. As Palmeiras da Região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PNGSV): uso e sustentabilidade no cerrado. 161 . FERREIRA. p... MARTIUS. p.. F. 54. São Paulo. Belém.. 54. Coqueiro-cabeçudo: Palmeira do Sertão. 2. P.S. 3.. von.23. REUNIÃO DE BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA. Ciência Hoje. ALMEIDA. ALMEIDA. PEDRON. W. S. Revista Brasileira de Botânica. P. 3. RS. Genera Palmarum. 2003. da A. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. 1 CD ROM.. Flora brasiliensis. 2004. Belém: Sociedade Botânica do Brasil: Universidade Federal Rural da Amazônia: Museu Emílio Goeldi: Embrapa Amazônia Oriental. sistematização e conservação da diversidade vegetal: [resumos]. 21. MARTINS. 2003. S. P. 2. n. 3. [New York: Verlag e Cramer]. 2004.. 3. Parâmetros biométricos de fruto. 1999. B. Biologia reprodutiva de Butia capitata (Martius) Beccari var. T.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 9 T. Flora do Entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (PNGSV) com Potencial Extrativista. sistematização e conservação da diversidade vegetal: [resumos]. CASTELLANI. de.. N. C. MENEZES. 1882.. C. PEREIRA. C. REUNIÃO DE BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA. SC. 1881. FILGUEIRAS. N. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. v. F. J. Ciência Rural. 461-583.. FILGUEIRAS. v. 416 p. 2003a. p. E. v.A. ROSA. 3. J. F. Nova Odessa. Desafios da botânica no novo milênio. SP: Instituto Plantarum. DRANSFIELD. Belém. P. p. 8.. S. T. n 137. R. 1998. R. L. 34. 585-586.. Belém: Sociedade Botânica do Brasil: Universidade Federal Rural da Amazônia: Museu Emílio Goeldi: Embrapa Amazônia Oriental. v.. P. 1998. von. endocarpo e semente de butiazeiro. MARTINS. MARTIUS. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. S. [New York: Verlag e Cramer]. MENEZES. 254-460. L. v. pt.. A. T. UHL. Santa Maria. T. 1 CD ROM. SP. 2003b.

.

.

Berg NOME CIENTÍFICO E SINONÍMIAS: Campomanesia adamantium O. guariroba. Berg. Berg. C. Rodr.. guavira (Figura 1). 2005). resinosa Barb. C. desertorum O.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 GABIROBA Amanda Caldas Porto Ana Paula Soares Machado Gulias NOMES COMUNS: gabiroba. cambessedeana var. Campomanesia cambessedeana Berg. ex Chodat e Hassl. Figura 1. C. Berg (MISSOURI BOTANICAL GARDEN – W3TROPICOS . C. caerulescens O. Psidium campestre Cambess. paraguayensis Barb. ex Chodat e Hassl. C. lancifolia Barb. 164 . Berg.. glabra O.. Rodr. Rodr. vaccinioides O. Berg. Berg Sinonímias botânicas: Psidium adamantium Cambessèdes. pyriformis Mattos. C. guabiroba. Rodr. obscura O. C. C. caerulea O. glareophila Barb. ex Chodat e Hassl. Berg. Campomanesia adamantium O. C.. C. C. guabiroba-do-campo.

Este é o caso da jaboticaba (Myrciaria cauliflora (Mart. mas diversas outras espécies apresentam potencial semelhante. do cambuci (Campomanesia phaea (O. Flores axilares isoladas. levemente avermelhadas quando novas. 2005).) (CASTRO e LORENZZI. ovário ínfero. oblongas com face ventral pruinosa e dorsal amarelada. 1999). 2005). androceu com muitos estames. especialmente no cerrado. embora dependam de domesticação ou sejam comercializadas apenas em pequena escala. Do ponto de vista taxonômico é uma das famílias mais complexas. base obtusa. Folhas opostas. conchiformes. Nas áreas abertas. Myrtaceae representa uma das maiores famílias da flora brasileira. da guabiroba (Campomanesia spp. ganham importância os gêneros Psidium e Campomanesia (CASTRO e LORENZZI. placentação axial. pedicelos glabros. rimosas. 2005). coriáceas. produção de papel. Entre as fruteiras quatro gêneros se destacam como os mais importantes de interesse econômico – Feijoa. da flora brasileira. inteiras com pontuações translúcidas.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 10 A Gabiroba pertence a família Myrtaceae. devido sua aromaticidade (Judd. anteras pequenas. sépalas triangulares. estigma 165 . tanto do pelo número de espécies e pela escassez de estudos taxonômicos quanto pela utilização de alguns caracteres crípticos (como o ti´po de embrião) na delitação de grandes grupos(SOUZA e LORENZZI. ramos amarelados. Eugenia. podendo também ser utilizada como planta ornamental e matéria-prima para a fabricação de produtos de limpeza e aromatizante. do araçá (Psidium cattleyanum Sabine) e da cereja-nacional (Eugenia cerasiflora Miq.).3 m até 2 m de altura. Berg) Landrum). da pitangueira (Eugenia uniflora L. pétalas ovais. que são cultivadas para a obtenção de madeira.). Berg).. membranáceas. As Myrtaceae aparecem entre as famílias mais comuns na maioria das formações vegetais. A família inclui cerca de 130 gêneros e 4000 espécies com distribuição predominantemente pantropical e subtropical. pentâmeras. simples.). ápice agudo. da cabeludinha (Plinia glomerata (O. 2000) A espécie frutífera mais estudada e difundida é a goiabeira (Psidium guajava L. ciliadas. 2005).) O. DESCRIÇÃO Subarbustos ou arbustos de 0. Myrciaria e Psidium (MANICA et al. dialipétalas. 2005). com 23 gêneros e aproximadamente 1000 espécies (SOUZA e LORENZZI. concentrada na região neotropical e Austrália (SOUZA e LORENZZI. Berg) Amshoff). Economicamente o gênero Eucalyptus destaca-se com suas diversas espécies de crescimento rápido. agudas. brancas. quando adultas.

0 a 2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 captado. chegando às regiões adjacentes da Argentina. Bahia. seis lóculos. Mato Grosso. 1990) A planta é polinizada por abelhas do gênero Bombus (ALMEIDA. É uma planta de ampla distribuição. 1972). 2001) e mata ciliar (DURIGAN e NOQUEIRA. sendo uma espécie importante para a reposição de mata ciliar (DURIGAN e NOGUEIRA. do Mato Grosso (Herbário da UFMT). e do Rio de Janeiro (RB Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro). o que contribui para o aumento da produção de gabiroba (ALMEIDA. Tocantins. Em um levantamento feito nos herbários do Distrito Federal (UB . totalizando 60 exsicatas.5 cm de diâmetro. podendo ser encontrada nos estados de São Paulo.. 2000. Sementes pequenas. discóides. reniformes. 2002).). ASPECTOS ECOLÓGICOS A gabiroba é uma planta caducifólia. embora seja comum encontrar grande quantidade de outros insetos visitando suas flores. Frutifica de setembro a novembro (SILVA et al. Distrito Federal. do Paraguai (LEGRAND e KLEIN. por um curto período de tempo (ALMEIDA et al. 2001).Herbário da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia). principalmente para os gêneros Anastrepha. Mato Grosso do Sul. com pico em setembro. parte austral de Minas Gerais até a Santa Catarina. bacáceo. et al. CEN . de agosto a novembro. 1990).Herbário da Universidade de Brasília. Goiás. Fruto globoso. baseado nestes dados obteve-se a distribuição geográfica da Campomanesia adamantium (Figura 2). 1977) e do Paraná (LANDRUM. Seu florescimento ocorre de modo bem intenso. 1986). HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A gabiroba ocorre no cerrado. A A. campo sujo (Silva et al. sororcula é a espécie de mosca-das-frutas mais freqüente no estado de Goiás e pode ser considerada praga potencial desta frutífera (FELIPE et al. 2000). pardas (FERREIRA. 1998). cerradão. com grande potencial para criação e multiplicação de inimigos naturais dessas moscas. Espécie final de sucessão (secundária tardia ou clímax) e suporta inundação. 166 . poupa amarelada quando madura. Os frutos de gabiroba são repositórios naturais de moscas-das-frutas nos Cerrados do estado de Goiás. 2..

sorvetes. Planta considerada medicinal. 167 . sendo importante para o pasto apícola. sendo suas cascas e suas folhas usadas sob a forma de chás (FERREIRA. Além disso. totalizando 60 exsicatas. USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO Os frutos são utilizados na alimentação in natura. Mapa de distribuição geográfica de Campomanesia adamantium O. Berg. 1972). São utilizados também como matériaprima para a fabricação de licor e vinho. na forma de sucos. a planta é melífera. doces. geléias. pudins e pavês.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 Figura 2. possui propriedades antidiarréicas. feito a partir do levantamento em quatro herbários.

7 mg de vitamina C. TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA O prcessamento é de modo semelhante ao da Cagaita (Eugenia dysenterica DC.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 É explorada através do extrativismo e.3 mg (FRANCO. 2001.C (mg) 33 (Kcal. Apesar de não ser considerado um alimento rico em Ferro como o Fígado com 12.2 (mg) 29 (mcg) 30 (mg) 0. sugere-se processamento ou congelamento rápido (ALMEIDA. cultivada em pequenos pomares familiares. sendo uma fonte de renda para muitas famílias (REIS.10 mg. são cortados ao meio e retiradas as sementes.06 mg e a sardinha 1. no fruto da Gabiroba é extremamente benéfica.2 mg. a gabiroba contém valores apreciáveis de Ferro 3. Apresenta mais ferro que alimentos como os peixes a pescada por exemplo contém 1.) 64 (g) 1. que é 30 mg (FRANCO. 168 .0 (g) 13. também. 2005). A associação da vitamina C com o ferro. 1998). 1998). A polpa deve ser macerada e espremida na peneira sobre um vasilhame de boca larga. Valor Nutricional da Gabiroba (Campomanesia adamantium O.) Os frutos depois de lavados e escorridos. B2 Vit.9 (g) 0.8 (mg) 38 (mg) 3.04 Fonte: ENDEF (1981). 1999)(Tabela 1). Na peneira ficam retidas as casca e sementes e no vasilhame o suco que pode ser imediatamente utilizado ou acondicionada em sacos plásticos e conservado em refrigeração. VALOR NUTRICIONAL O fruto da gabiroba apesar de não ser uma das principais fontes de vitamina C.5 Lipídio Cálcio Vit. Berg) Carboidrato Retinol equivalente Proteína Energia Fósforo Niacina (mg) 0. Como eles possuem mais de 90% de suco e têm película muito delicada. apresenta quantidade razoável (33 mg) de acido ascórbico. como o caju que contém 219. B1 (mg) 0.6 (g) 1.04 Ferro Fibra Vit. ALMEIDA. podem ser conservados em refrigeração. Assim. já que a presença da vitamina C melhora a absorção do ferro. (BRASIL. Valor próximo do apresentado pela laranja Bahia. Tabela 1. O transporte dos frutos maduros requer cuidado. 1999). que é de 47 mg e maior quantidade de Vitamina C recomendada pela FAO/OMS para ingestão diária adulto.

A formação de mudas é feita em sacos plásticos com 2 a 3 sementes por saco. 2001). recomenda a maceração e o despolpamento dos frutos sobre peneira. Devido à curta viabilidade das sementes. 2001).da – fruta.0) através de adição de hidróxido de amônio a 25 %. Berg atacada pela mosca – da . Carmona (1994) recomenda a fermentação da mucilagem que as recobre por dois a três dias. a partir do 1º ou 2º ano após o plantio (SILVA et al. Anastrepha sororcula e Ceratitis capitata. 169 . o inseto causa grandes danos a agricultura mundial (Felipe et al.. Um dos problemas da Gabiroba é a falta de resistência a pragas e doenças. Anastrepha fraterculus. 2003). deve-se coloca-las para germinar imediatamente após a colheita (ÁVIDOS e FERREIRA.fruta. Foi observada produtividade de 30 a 100 frutos por planta. A época de coleta é de setembro a novembro. por exemplo. A gabiroba é hospedeira natural da mosca – da – fruta. 2001). na proporção de 1ml do composto para 100 ml de frutos macerados durante 48 horas. O processo obtido no trabalho de Carmona foi desenvolvido com o meio de fermentação apresentando pH próximo ao neutro (6.. 2004). Campomanesia adamantium O.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Capítulo 10 Cada fruto possui de 6 a 8 sementes. são espécies de mosca . Para a extração das sementes do fruto. Figura 3. 2002). Os frutos danificados apresentam geralmente uma mancha circular marrom e ocorre o apodrecimento junto a área da picada (Figura 3) (CORSATO. Macedo (1998). Foi observada taxa de germinação de 65% em um período de 40 a 60 dias (SILVA et al. com profundidade de semeadura de 2 cm (SILVA et al. a lavagem das sementes em água corrente e a secagem à sombra.

30. são promovidos cursos de culinária que ensinam a fazer pratos e doces com a fruta.. J. dança. O. P. uma caixa com frutos de gabiroba é comprada pela pequena empresa de sorvetes e picolés de frutas nativas do cerrado. Além disso. Esporte e Lazer. promove todo ano no mês de novembro. Sabor do Cerrado. V. R. É importante que se faça a coleta de germoplasma. pouca tolerância a pragas e doenças e baixa resistência ao transporte e armazenamento. palestras que abordam temas ambientais e sociais. 2004). O festival envolve concurso para eleger o melhor “Guaviral” da Região. As crianças participam ativamente do evento. grande disponibilidade de sementes. época de frutificação da espécie. 2. p.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Capítulo 10 No estado do Goiás. F. grande variabilidade genética. A escolha da fruta como nome do festival surgiu da necessidade de conservação dos recursos naturais. depois da coleta. devido ao seu sabor aromático e adocicado. Mato Grosso do Sul. com o intuito de resgatar a cultura e história da comunidade. precocidade para o início da produção. Influencia das abelhas (Apis melífera) na polinização da Gabiroba (Campomanesia spp. apresentações musicais. Pesquisa Agropecuária Tropical. todo ano. n. ainda existente. 2005).. grande aceitação no mercado. XIMENES. antes do festival. A. freqüência e distribuição no ambiente de ocorrência. teatro. a Gabiroba é uma espécie que tem boas perspectivas de produção comercial no bioma Cerrado devido a sua grande densidade. apresenta pequena extensão da safra. O evento é organizado por representantes do comércio local e do sindicato rural. NAVES. Porém. em parceria com a Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Estado de Cultura. realizado em Brasília em 2005. cujo tema é a Guavira. o Festival da Guavira (Campomanesia sp. Os proprietários rurais e a população local estão aderindo cada vez mais ao cultivo da fruta devido ao incentivo. exposições de artes plásticas e praça de alimentação com comidas típicas e os mais diversos produtos derivados da Guavira.). M. principalmente.). GO. 25-28. tornando esse plantio uma fonte de renda para muitas famílias (REIS. devido à substituição do Cerrado por pastagens. visando a conservação da espécie e a seleção de populações mais resistentes à pragas e doenças. 2000. além do desenvolvimento de técnicas mais eficientes de propagação assexuada e de padrões de qualidade para o processamento pós-colheita. grande extensão de período produtivo da planta. ao transporte e armazenamento. A comunidade da cidade de Bonito. promovem um concurso de redação. v. Apresenta facilidade de propagação natural. e. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA. 170 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo o Seminário Plantas do Futuro. ao custo de R$ 30. através das escolas que.00 (Lima. Goiânia.

Belém.com. M. 1. IBGE (Rio de Janeiro. 2001. 16. v. FERREIRA. Alimentos regionais brasileiros.. 168. B. Frutos dos Cerrados – preservação gera muitos frutos. DF.). BRASIL. BRANDÃO. CAMPBELL.: Sinauer Associates. PROENÇA. Disponível em: <http://www. ed. 15. Revista Brasileira de Sementes. E. NAVES. L. Disponível em: <http://www.bdt..S. SANO. 260-261. 2005. REZENDE.F. 17. Acesso em: 17 ago. Brasília. Reposição de mata ciliar: orientações básicas. M. S. VELOSO.. de P.br/ ciliar/sp/tabela>. RJ).br/textos/2005/05/guavira_-_tradi. V.. de. Planaltina. B. R. 171 .htm>. FERREIRA.br/bio15/frutos. F. Ocorrência de Mosca-das-Frutas (Díptera. 1980. D. Disponível em: <http://www. NOGUEIRA. S. Flora apícola de Cerrado. v. Sunderland.. Informe Agropecuário.: gabirobas. n. Cerrado. (Myrtaceae) nos Cerrados do estado de Goiás. F.biotecnologia. G. Ministério da Saúde. DURIGAN. Cerrado. GRANVILLE. 1972. p. JUDD. 6. Plant systematics: a phylogenetic approach. B. RIBEIRO. 17. FERREIRA. p. M. V.. CASTRO. S.. Belo Horizonte. 61. Frutos comestíveis nativos do cerrado em Minas Gerais. Acesso em: 09 maio 2005. M. p. p. F. F. 2002. Acesso em: 10 maio 2005. Anais. H. v. Informe Agropecuário. 31-33... 464 p. Frutos comestíveis nativos do D. PARENTE. 9-18. A. S. LORENZI. A. B. n. D. B. (Estudo Nacional da Despesa Familiar. Banco de Dados Tropical – Mata Ciliar. 5-7. p. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. v. FELIPE. 11-16. 2002. Belém: SBF.. G. R. V. D.. PA. S.. n. p. V. Tephritoidea) em Gabiroba.pdf>. DF: EMBRAPA-CPAC. Guavira: tradição do Cerrado Sul-Mato-Grossense. A. L. U.. 1998. P. Brasília. FERREIRA.. E.fotograma. T.. Extração química de sementes de Gabiroba (Campomanesia adamantium Camb. 4 n.. Belo Horizonte..fat. J. 2.com. 2005. 321-323. v. Brasília. L. Campomanesia cambessedeana Berg. J. Tabelas de composição de alimentos. 1994. T. KELLOGG. W. C..espécies vegetais úteis. C. STEVENS.org. p.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 ALMEIDA. Nova Odessa.3). SP: Instituto Plantarum. 1999. P. FERREIRA. 18. Rio de Janeiro. M. 1991. CARMONA. 1981. da R. S. C. P. pitangas e araçás. ÁVIDOS. Botânica sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira.

I.mobot. S.. Festival da Guavira – valorizar a cultura é a noção prioridade. KLEIN. Disponível em: <http:// www. Porto Alegre: Cinco Continentes. L. 1977.asp?iArea=5>.tur.br/paginas/acoes01.. ICUMA. L. Legrandia. Disponível em: <http://mobot.. Frutas do Cerrado. R. Acesso em: 17 ago. Planaltina. J. 374 p.. SC: MIRT. LEGRAND. T.24horasnews. Myrrhinium. Monograph. S. C. S. R. D.. 178 p. JUNQUEIRA. 2005. M.MALAVOLTA. ALMEIDA. In: SANO. M. A. M. E. propagação e desenvolvimento inicial de espécies do Cerrado. 2005. J. A. O. Acesso em: 6 set. C. SILVEIRA. MACEDO. Campomanesia. V.ambiental. A. Tropicos. Blepharocalyx.. 172 . Coleta.. CALDAS. Pimenta. New York: The New York Botanical Garden. org>. M. R. L.. I. JUNQUEIRA. M. TORRES. N. Disponível em: <http://www. p. V.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 10 LANDRUM. (Flora Neotropica.. 2004. SILVA. 178 p. Fruticultura tropical 6: goiaba. D. SILVA. Acesso em: 6 jul. R. E. A. T. Frutas do Cerrado viram picolés e sorvetes. A. SALVADOR. T. DF: EMBRAPA-CPAC... P.com.br/index. S. Flora ilustrada catararinense: Mirtáceas.. 195-243. LIMA.. B. MISSOURI BOTANICAL GARDEN. SILVA. 45).php?mat=108446>. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. p. 2000. 2001. 1998. 1986. Acca. L. ANDRADE. J. and Luma (Myrtaceae). MOREIRA. Cerrado: ambiente e flora. G. Itajaí. 2005. 219-330. MANICA.. N. REIS.

.

brevipetiolata N. jatobá-capão. jitaé. Hymenaea stigonocarpa var.. pubescens Benth. Jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart. Foto: Tânia Agostini-Costa. ex Hayne).. Hymenaea stigonocarpa var. olfersiana (Hayne). Sinonímias: Hymenaea stigonocarpa var. NOME CIENTÍFICO: Hymenaea stigonocarpa Mart. 1988) (Figura 1). jutaí. Hymenaea stigonocarpa var. stigonocarpa (MISSOURI BOTANICAL GARDEN. jatobá-da-serra. 2005). jatobá-de-cascafina . 174 .jatobeira.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 JATOBÁ-DO-CERRADO Juliana Pereira Faria Sueli Matiko Sano Tânia da Silveira Agostini-Costa NOME COMUM: Jatobá. jatobá-decaatinga. Figura 1. jutaicica (ALMEIDA et al. jataí-de-piauí. ex Hayne. jatobá-do-cerrado. F. jataí-do-campo.

e o jatobá-da-mata (Hymenaea stilbocarpa Mart. A subfamília Faboideae. olfersiana (Hayne) Kuntze.). pertencem à subfamília Caesalpinoideae. FIDELIS e GODOY. Também são de grande importância econômica pela produção de alimentos. arredondada (HERINGER & FERREIRA. também. sendo que Leguminosae é a família mais bem representada na composição e na estrutura da comunidade vegetal presente neste bioma (MENDONÇA et al.). Folhas são alternas. 2005). com as quais fixam nitrogênio da atmosfera. ápice obtuso.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 11 Esta espécie pertence à família Fabaceae.600 espécies de ampla distribuição pelo mundo. Esta família divide-se em três subfamílias botânicas com características distintas. No bioma cerrado estão distribuídos 101 gêneros.500 espécies de ampla distribuição geográfica..F. uma característica ecológica de extrema importância. folíolos subsésseis. A espécie de maior porte. o Ingá (Inga sp. base assimétrica. Uma característica da família é apresentar fruto tipo legume. no cerradão e nos campos. 2003). courbaril. stigonocarpa var. bifolioladas. com estípulas caducas. 2003). A subfamília Mimosoideae é constituída por 60 gêneros e aproximadamente 2. H. apresentando ampla distribuição geográfica.). limbo ovadoreniforme com glândulas. Grande parte das espécies desta família apresenta simbiose de suas raízes com bactérias do gênero Rhizobium. A subfamília Caesalpinoideae é constituída por 152 gêneros e aproximadamente 2. Esta característica parece ser responsável pelo predomínio da família Leguminosae no Cerrado (KOES et al. 1975). bracteada. O jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart. ocorre nas matas de galeria e é mais empregada para exploração da madeira (MENDONÇA et al. pubescens Kunth. que ocorre nas matas secas do Planalto Central. H. cerca de 13 cm de comprimento e 3 cm de largura. 1998. 777 espécies e 143 variedades. 1994. entre outras. Inflorescência cimeira terminal. 1998. brevipetiolata N. incluindo espécies como a soja (Glycine max).000 espécies e mais de 650 gêneros.: H. que é uma das maiores famílias botânicas. FIDELIS e GODOY. São aproximadamente 18. exemplo. é constituída por 430 gêneros e aproximadamente 12. podendo chegar até 30 flores. também conhecida como Papilionoideae. É considerada a subfamília mais evoluída dentre as leguminosas e.. Mattos. DESCRIÇÃO Árvore de até 10 m de altura com casca do tronco áspera. Várias espécies descritas foram consideradas como variedades do Hymenaea stigonocarpa Mart. também conhecido como vagem (há exceções). stigonocarpa var.800 espécies distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais.. stigonocarpa var. H. também conhecida como Leguminosae. que ocorre no cerrado. a de maior importância econômica. SILVA JÚNIOR. Flores 175 . o feijão (phaeseolus vulgaris) e a ervilha (Pisum sativum).

Maranhão.. 1998). sendo que os frutos maduros podem ser encontrados a partir de julho.. A densidade da madeira é de 0. 176 . campo sujo e mata ciliar.) é uma planta com 4 a 6 metros de altura. ovário súpero. Por todo o cerrado do Brasil Central encontra-se H. cerrado sentido restrito. stigonocarpa ocorre no cerradão. bem menor do que os outros. 10 estames. envolve 3 a 6 sementes de cerca de 2 cm de diâmetro. Mato Grosso.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 com cerca de 2 a 3.. cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. com disco nectarífero.. um estigma. campo cerrado. com frutos de comprimento entre 6 a 20 cm e diâmetro entre 4 a 8 cm (SILVA et al. de cor castanho-avermelhado brilhante quando maduro. textura média de 160μ.5 cm. (RIBEIRO et al. superfície sem brilho e áspera ao tato. globóides ou achatados. a densidade foi menor do que no Distrito Federal. oblongóide. 1998. 2004).) possui 8 a 10 metros de altura. Tocantins (ALMEIDA et al. 1996 apud ALMEIDA et al. No Estado de São Paulo. 1998). 1994). O jatobá-da-mata (Hymenaea stilbocarpa Mart. Piauí. tanto em cerradão (8 indivíduos/ha) em Luís Antônio (PEREIRA-SILVEIRA et al.. simples. A espécie de maior porte. Bahia. 1976). Nos levantamentos fitossociológicos no Distrito Federal. Ceará. grã direita. Fruto tipo legume indeiscente. um estilete. desde o Piauí até São Paulo (RIZZINI & MORS. corola alva. alcançando o ápice entre dezembro e março. H. A frutificação ocorre entre os meses de abril e julho (ALMEIDA et al. A espécie H. madeira dura ao corte. 1998). O jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa Mart.. ASPECTOS ECOLÓGICOS A floração ocorre de outubro a abril. Minas Gerais. Pará. ocorre nas matas de galeria (MENDONÇA et al. arvoreta do cerrado. de cor castanho-avermelhadas. que deixam de funcionar nas folhas adultas (PAIVA & ISAIAS. Distrito Federal. foram registrados cerca de 18 indivíduos/ha em cerradão distrófico. Mato Grosso do Sul. Apresenta nectários extraflorais em folhas não completamente expandidas. São Paulo. 1988). SILVA JÚNIOR. actinomorfa com 5 pétalas.. Goiás. sendo mais encontrada em terreno seco..1985) e 5 indivíduos/ha em cerrado sentido restrito de interflúvio (FONSECA & SILVA JÚNIOR. cheiro e gosto indistintos (LIMA & MARCATI. courbaril. cerne de coloração marromavermelhada. muitas vezes de pouca fertilidade (Andersen & Andersen. stigonocarpa Mart. Hymenaea stilbocarpa Hayne é própria das matas secas do Planalto Central. que produz frutos com comprimento entre 6 e 18 cm e diâmetro entre 3 a 6 cm. unilocular. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA É uma espécie tropical.975 g/cm3 possui alburno largo em torno de 6 cm. O endocarpo de cor creme é farináceo. 2001). É encontrado nos Estados de Amazonas. 2005).

sob condições de laboratório. também... a densidade foi de 15 indivíduos/ha (SILVA JÚNIOR. stilbocarpa.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 2004). 1998). no crescimento de mudas.357 para o índice de Shannon (BRANDÃO et al. stigonocarpa apresentaram alta mortalidade na mata. courbaril var. no cerrado sentido restrito 8 indivíduos/ha (FELFILI et al. 2002). resultado semelhante a espécies endêmicas. quando envoltas em papel. Estes autores observaram que 20% da diversidade genética total foi devido a diferenças entre populações e 80% devido à diferença entre indivíduos dentro de populações. em ambas as faces da lâmina foliar. 2003).. em casa de vegetação. A germinação das sementes com tegumento. polinizada por morcegos. stigonocarpa e H. Suganuma & Ciampi (2001) observaram um elevado polimorfismo. Gibbs et al. Amazônia e Mata Atlântica. 50 indivíduos/ha (OLIVEIRA FILHO. na região de Cuiabá. stilbocarpa. 2002). (1966) já tinham observado que a espécie do cerrado apresenta estômatos. 177 . em Planaltina. a espécie do cerrado H. MT. courbaril var. escarificadas mecanicamente. Além da velocidade de germinação. 2003). a taxa de germinação no laboratório (86 %) também foi superior à casa de vegetação (53%) (CARVALHO et al.876 a 5. que a espécie da mata fecha os estômatos mais cedo do que a espécie do cerrado. A taxa de sobrevivência das mudas é alta. ocorre a partir de 5 dias (BOTELHO et al. esta apresentou crescimento inicial maior na parte aérea. entre indivíduos do Cerrado. Verificaram. com fecundação cruzada e polinização por animais.. 2000).. como no cerrado sentido restrito (1 indivíduo/ha) em Santa Rita do Passa Quatro. Comparações entre as espécies vicariantes H. as sementes germinaram a partir de 35 dias (CARVALHO et al. stigonocarpa e H. e no município de Água Boa. que possui estômatos apenas na face inferior. (1999) verificoram mecanismo de controle zigótico para evitar autofecundação desta espécie. stigonocarpa apresentou taxa de crescimento relativo na parte subterrânea maior do que a espécie da Mata H. MT. 1984 apud ALMEIDA et al. Ambas apresentaram comprimento total e massa seca semelhantes (DECHOUM et al.. Verificaram que mudas de H. stilbocarpa mostraram que. 1998). 2000) e 88 % após 10 anos de plantio (SANO & FONSECA. obtendo-se 96% em área degradada (PARRON et al..881 e entre 0. A semeadura direta. Válio et al. Esses autores estudaram o estabelecimento dessas espécies na mata ciliar e no cerrado. mas.. Em Paraopeba. realizado em Latossolo Vermelho de textura argilosa. stilbocarpa (Pereira. stigonocarpa variaram de 4. endogamia e uma alta diversidade genética em Hymenaea spp. 1984). courbaril var. O crescimento em altura do é lento. 2003a). Os níveis de diversidade genética intrapopulacional estimados através da análise de variância molecular de quatro populações de H. com sementes escarificadas. em menor quantidade e em tamanho dobrado em relação à espécie H. também foi bem sucedida para H. não tendo alcançado 2 m de altura aos 10 anos de plantio. courbaril estabeleceu-se em ambos os ambientes. 2003). MG.301 e 0. mas H.

RECURSOS GENÉTICOS A análise genética de populações de Hymenaea spp. como o trigo. são conservadas com facilidade em bancos de germoplasma convencionais a -20oC (19 acessos estão conservados no Laboratório de Sementes da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia).. As sementes de jatobá são ortodoxas e. a farinha precisa ser triturada no pilão ou no liquidificador e peneirada (ALMEIDA. 178 . a aceleração do processo de germinação e feita por escarificação mecânica da semente com lixa. é muito apreciada pela população rural. mostraram que a progênie que teve maior crescimento em altura. GO. e de ramificações (SANO & FONSECA. apresentou maior diâmetro de caule. o milho e a mandioca.. uma operação manual lenta.1990). quando comparada às farinhas tradicionais. 2003. baixo teor protéico e razoável teor mineral. alcançandose taxas de germinações iguais ou superiores a 80% (SALOMÃO et al. bolos e biscoitos. através de microssatélites apresentou alto coeficiente de endogamia.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 DF (SANO & FONSECA. 2003a). por isso. A farinha (Figura 2) é de alto valor energético. também. a polpa farinácea da fruta ainda apresenta uso muito restrito. 2003b). Esses autores observaram dano no crescimento em altura e formação de brotações laterais devido ao fogo. e o estudo está sendo ampliado para maior número de indivíduos nos vários biomas para nortear os programas de coleta e conservação in situ e ex situ (SUGANUMA & CIAMPI. Como apresentam dormência física.. implantadas na Embrapa Cerrados em 1991. sendo que não houve formação de botões florais nesse período. Plantios de progênies meias-irmãs de sete matrizes localizados em Formosa. Para a produção dos pães. pode ser obtida raspando-se as sementes com faca. ALMEIDA et al. que ingere a polpa ao natural ou sob a forma de mingau. 2001). SALOMÃO et al.1998. USOS E FORMA DE EXPLORAÇÃO Para uso alimentar. 2005). Porém.

O uso medicinal está associado ao líquido vinoso extraído do tronco. são usados para queimadura. DF. “copal do Brasil” (RIZZINI & MORS.1979). sob a forma de chá e de melado. e a casca do caule. A resina.1991). 1982). Hymenaea stilbocarpa Mart. 1976). podendo ser empregada no curtimento (RIZZINI & MORS. São extraídas da casca tintas de cor gango-avermelhada. 1980). utilizadas na tintura de algodão (Mirandola Filho & Mirandola.. a casca é empregada contra cistites e prostatites (FERREIRA. é usado para o tratamento de úlcera estomacal (Hirschmann & Arias. como vermífuga. Foto: Sueli Sano. 1976). tosse e como depurativo (Barros. consideradas como alguns dos melhores copais (resinas viscosas) utilizadas na indústria de vernizes (Tropical. Farinha de Jatobá comercializada no Ceasa. entre elas a Jutacicia. Da casca do tronco são retiradas as resinas. 1976).. sob a forma de chá. em maiores doses. possui elevados teores de tanino.. que parece ter propriedades reconstituintes e tônicas para o organismo (RIZZINI & MORS. 1990). 179 . Também é utilizada como tônica e.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 Figura 2.

sendo empregada em cercas. nas outras leguminosas. 2002) para crianças de 2-5 anos. principalmente.36 mg/100g de massa seca). destacandose. É difícil trabalhar pela dureza de seu cerne. Os óleos vegetais e as amêndoas são considerados as principais fontes de tocoferóis. não oleaginoso. a atividade inibidora de tripsina foi baixa (5. cujos valores podem variar entre 7-120 mg/100g (MACHLIN.1%) e de proteínas (6. o magnésio (125 mg/100 g). Foi encontrado alto teor de tanino (2987 mg/100g. mas. Os outros minerais encontrados foram o fósforo (96 mg/ 100g de massa seca). riboflavina ou vitamina B2 (40mcg/ 100g) e niacina ou vitamina PP (0. Segundo Franco (1992) o jatobá possui. cujos resultados são apresentados a seguir. Essa diferença no teor de proteína pode ser explicada pelo fato da parte comestível do jatobá ser o endocarpo. alto conteúdo de açúcares (34. em se tratando de um fruto farináceo. Já o valor de ácido ascórbico ou vitamina C (8. 1991). Segundo a autora. A espessa casca lisa ainda pode ser utilizada na confecção de leves canoas (ubás) (HERINGER & FERREIRA. vigas.2 %).6 %). impedindo a penetração de pregos. tiamina ou vitamina B1 (40mcg/100g). O material apresentou baixo teor de lipídios (4%). quando comparada com as necessidades de aminoácidos sugerida pela FAO (FAO-WHO.5 mg/100g) pode ser considerado baixo. 180 . O teor de tocoferóis totais (15. a parte utilizada é a semente. esteios. o teor de proteínas da farinha de jatobá apresentou diferença marcante em relação à maioria das outras leguminosas. A proteína da farinha de jatobá apresentou deficiência em vários aminoácidos. o zinco (1.4 %).4 UTI/mg) e de pouca significância em termos nutricionais (Almeida. enquanto que. A digestibilidade in vitro da proteína de jatobá foi considerada baixa. determinado por Silva (1997). muito pesada. foi bastante significativo. 1976). VALOR NUTRICIONAL A caracterização química e centesimal da farinha do jatobá-do-cerrado foi realizado por Silva (1997). RIZZINI & MORS. dura e imputrescível quando abrigada. O teor de minerais foi elevado para o potássio (1121 mg/100 g). tonéis. 1998).5 mg/100g). A exploração do jatobá como farinha alimentar ou para outros usos é realizada através do extrativismo. ou vitamina E.28 %) e de fibra insolúvel (36. 1978. o ferro (1. se comparado com outras frutas.2 mg/100g de massa seca) e o sódio (7 mg/100g de massa seca). postes. mas o cálcio (134 mg/100 g) foi inferior ao teor encontrado em ambas. porém semelhante aos níveis de digestibilidade das leguminosas cruas. também. expresso em equivalentes de catequina). mas a digestibilidade in vitro foi semelhante (60 %).7 mg/100g). no entanto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 A madeira do jatobá é de excelente qualidade. amido (3. pró-vitamina A (30 mcg/100g). mais do que solúvel (12. que supera o valor encontrado no feijão (22 mg/kg) e na soja (26 mg/kg). especialmente alfa-tocoferol e gama-tocoferol. ainda.

recomenda-se semear diretamente nas covas preparadas no campo. Mg.) foram considerados aceitáveis nas formulações elaboradas com jatobá: amido de mandioca na proporção 15:85. De um modo geral. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO A propagação é feita por sementes. O biscoito formulado com farinha mista de trigo e jatobá. a farinha de jatobá parece apresentar bom potencial de utilização para enriquecimento de produtos de panificação com fibra alimentar. Aphanopeltis bauhinae. Asteromella ovata. As sementes que estiverem em bom estado fisiológico absorverão quantidade apreciável de água em algumas horas.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Capítulo 11 Os “snacks” produzidos com farinha mista de jatobá (Hymenaea stigonocarpa Mart. é preferível semear em recipientes com terra adubada para depois transplantar a muda para o campo (ANDERSEN & ANDERSEN. 1988). courbaril var. Dictyosporium hymenearum. recomenda-se escarificar (lixar) com abrasivo (lima. Futuras pesquisas envolvendo a formulação de outros produtos de panificação poderão permitir uma suplementação tão ou mais eficiente de farinhas panificáveis com farinha de jatobá (SILVA. 1986). Foram constatados os seguintes patógenos nas folhas: Handersonia hymenaea. A H. Biscoitos elaborados a partir de farinha de trigo suplementada com níveis de 10. N. Como o envoltório (testa) da semente é duro. O jatobá-do-cerrado pode ser atacado pelas cigarrinhas dos ramos. por esse motivo. HERINGER & FERREIRA. antes de colocá-la de molho para apressar seu entumescimento e favorecer sua germinação (CARNEIRO et al. Andersen & Andersen. 20 e 25% de farinha de jatobá resultaram em produtos com bom teor de fibra alimentar e foram considerados aceitáveis por consumidores potenciais do produto. quando elas começam o processo de germinação (Heringer & Ferreira. As covas com as dimensões de 30 x 30 x 30 cm devem ser abertas com 10 a 15 dias de antecedência ao plantio.1975. al. 15. As sementes também podem ser destruídas no solo pelos cupins. pelas larvas de lepidóptero e de coleópteros. A sementeira pode ser feita em caixotes. e açúcar mascavo apresentou boa aceitação em testes de consumidores. stilbocarpa apresentou baixo requerimento nutricional para o P. O transplante das mudas deve ser feito com 8 cm de altura. Entretanto.1998). K e S e alta susceptibilidade à toxidez para B e Zn (DUBOC et. 1997).. sendo. lixa). que atacam frutos e sementes durante o período de amadurecimento. para incluir o jatobá no pomar. Camosporium handersonoides. 1975). Em silvicultura. utilizado como formulação básica para fins de otimização de biscoito com níveis suplementares de fibra (SILVA. na proporção de 9:1. começando a germinar em pouco mais de uma semana. pelos coleópteros serradores e pelas lagartas das folhas. Johansonia anadelpha e 181 . 1988.1996). Ca.

sendo mais adocicado e de cor amarelado. A farinha do jatobá-do-cerrado (H. M. rico em carboidratos. S. verificouse a comercialização de três unidades de jatobá in natura por R$ 1. ou bandeja. e a farinha é comercializada nas feiras. stigonocarpa) destacam-se por apresentar aroma suave. 2002). P. In: SANO. Frutas nativas do cerrado: caracterização físico-química e fonte potencial de nutrientes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na alimentação. sabor adocicado e coloração mais clara. Por apresentar um bom potencial alimentar. fibras e minerais. P. aroma e valor nutricional do fruto farináceo não estão devidamente caracterizados por espécie ou variedade. Cerrado: ambiente e flora. cuja variedade de cores.). que sobrevive em tecidos como ramos.. Observações não sistemáticas apontam o longo período juvenil da espécie e a ocorrência de brocas nos frutos como alguns dos principais problemas que limitam a exploração comercial da espécie H. S. bolos e biscoitos. são encontradas diferentes cores. p. facilidade de estabelecimento pós-plantio. os frutos da espécie do cerrado (H. por semente e assexuada. Planaltina. folhas e sementes (CHARCHAR et al. stigonocarpa. O jatobá é um hospedeiro natural de Phomopsis sp. S. é importante que seja feita uma avaliação e seleção das plantas mais produtivas. sabores. ALMEIDA. por R$ 2. dependendo da origem. São várias as espécies de Hymenaea. o jatobá apresenta-se como um fruto farináceo.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 Plenotrichella penseae (HERINGER & FERREIRA.00. a exploração econômica por extrativismo ou por cultivo pode ser viável. No Ceasa-DF. facilidade de propagação. (Ed. enquanto pacote de 300g de farinha de jatobá foi comercializada por R$ 5. 1975). 182 . aromas e qualidades de farinha. Para que o uso e a produção comercial sejam sustentados. No entanto. stigonocarpa) possui aroma suave.. como excelente complemento alimentar para esportistas.00. contendo aproximadamente 350g. que facilitam o transporte e o armazenamento. com forte potencial para o enriquecimento da farinha tradicional na fabricação de pães. DF: EMBRAPA-CPAC. agosto de 2005. 1998.50. Como existem várias espécies de Hymenaea distribuídas pelo país. resistentes e com capacidade de frutificação precoce. alta freqüência de adultos produtivos e frutos resistentes. O jatobá apresenta alta freqüência de distribuição no cerrado. com melhor aceitação pelo consumidor. IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA O jatobá in natura pode ser encontrado à venda nas beiras de estrada. 247-285. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA.

C. D. SILVA. J. P. 2000. 183 . J. N. DECHOUM... v. In: MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS. 1982.). L. 1990. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina. Anápolis. n. D. Disponível em: <http://www. var. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos Cerrados: araticum. FERREIRA. R. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTANICA. stilbocarpa (Hayne) Leeet Lang. Suplemento.. A. L. D.. CARNEIRO. ALMEIDA. 461. Acesso em: jun. 50. L. G. Planaltina..dcf. A. 144-152. SÁ. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal. S.. S. BRANDÃO. F. J. M. 1986. M. MALAVASI. B. 37. (jatoba) e Hymenaea stigonocarpa Mar... SANO. M. MIRANDA.. P. J. A. Planaltina.. sementes. M. S. R. SANTOS. PROENÇA. Aspectos do crescimento inicial e do estabelecimento de plântulas das espécies Hymenaea courbaril var stilbocarpa (Hayne) Lee & Lang. 12. p. BUCKERIDGE. R. 1. CARVALHO. p. n.. G. F.. [Goiânia: s. A. 2003].]. O. 187-189. 2005. P. Diversidade e Estrutura Genética em Populações de Hymenaea stigonocarpa Mart. M. A. DF: EMBRAPA-CPAC. H. 2003. S. 161.. v. 296. DUBOC. S.. Cerne. RIBEIRO. DF: EMBRAPA–CERRADOS. As fruteiras silvestres brasileiras. M. LOVATO. J. do. R. 2. BOTELHO..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 ALMEIDA.n. n. LEMOS FILHO. E. 2002. Brasil Florestal. Nota preliminar sobre germinação e capacidade de nodulação de leguminosas arbóreas nativas nos cerrados. P.Fabaceae. 22.br/cerne/>. C. DÖBEREINER. M.. 1. Rio de Janeiro: Globo. DAVIDE. M. J. ANDERSEN. J... J. Flora medicinal do Distrito Federal. T. Ocorrência de Phomopsis sp em jatobá no Distrito Federal. N. A. Ouro Preto. v. RIBEIRO. C. 35-45. Londrina. D.. VENTURIM. BARROS. ANJOS. MG. Recife: SBB.. ex. A. F. M. Resumos. R. Lavras.. S. P. Brasilia. Aspectos morfológicos de frutos.. Revista Brasileira de Sementes. 1996. J. ex Hayne (LeguminosaeCaesalpinioideae) jatobá-do-cerrado. baru. p. 1. P. OLIVEIRA. P. MONTORO. p. M. 1986. 2. Ouro Preto: Universidade Federal de Ouro Preto: Sociedade Botânica do Brasil. ANDERSEN. p. de. (jatobado-cerrado) (Leguminosae-Caesalpinioideae). DF: EMBRAPA-CPAC. S. CHARCHAR... ACEDO.. Germinação e biometria Hymenaea stigonocarpa Mart. MUZZI.. J. ed.. DAVIDE. M.ufla. 2003. cagaita e jatobá.. E. 15. plântulas e mudas de jatobá-do-cerrado (Hymenaea stignococarpa Mart. DF. M. A. Nutritição do jatobá (Hymenaea courbaril L. M. Hayne (jatobá-do-cerrado). PEDERSOLI. 1988. [Anais. p... S. v. R. 2002.ex Hayne) .. S. FILHO. MELO. VALE. 1988. S.. M. Brasília.

Porto Alegre. B. 1994. DF.htm#TopOfPage. 1991. Roma: FAO/WHO. p. Brasília. p. 2004. Disponível em: <http://mobot. FOREST 94: volume de resumos. 18. Disponível em: http://www. 1991. E. Informe agropecuário.. M. C. MARCATI. E. Acta Botânica Brasílica. Composição florística e fitossociológia do Cerrado sentido restrito no município de Agua Boa-MT. Rio de Janeiro: BIOSFERA. HERINGER.. v. p. Vegetais tintoriais do Brasil Central. FERREIRA. M. LIMA. Estudo florístico e fitossociológico em um cerrado na Chapada dos Guimarães. M. 1980.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 11 FAO / WHO (FOOD SND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS / WORLD HEALTH ORGANIZATION). 7. M. BIANCHI.Caesalpinoideae). 27. P. C. Porto Alegre. 16. v. MIRANDOLA. MACHLIN. A. J.org/ docrep/004/Y2809E/y2809e0h. de uso popular nos cerrados de Minas Gerais. A. 1. 1. Acesso em: 25 jul. GIBBS.. n. Árvores úteis da região geo-econômica do DF: jatobá. 1984. A. S. Plantas portadoras de substâncias medicamentos. HIRSCHMANN. p. J. G. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS AMBIENTAIS SOBRE ECOSSISTEMAS FLORESTAIS. Handbook of vitamins. R. NOGUEIRA. Brazil. New York: Marcel Dekker. p. 1992. 2005. 99-144. 29. 19-29.fao. n.. v. Dissertação 184 . E. 51-52. M. Limerick. SILVA JÚNIOR. v. 159-172. 1999. v. 1923. A survey of medicinal plants of Minas Gerais. Post-Zygotic control of selfing in Hymenaea stigonocarpa (Leguminosae . Journal of Ethnopharmacology. n. Belo Horizonte. p. 3.. org/cgi-bin/search_vast>.mobot. p. L. OLIVEIRA FILHO. M. G. 27-32. MIRANDOLA FILHO. Tropicos. E.. Cerrado. A. 8. S. T. 72-78.. v. Porto Alegre. ARIAS. 1994.. 103-112. S. de. 6. M. FERREIRA. Human vitamin and mineral requirements. C. L. 160. Vitamin E. A. (Jatobá do Cerrado-Leguminosae). Anatomia de Hymenaea stigonocarpa MART.. 1975. MISSOURI BOTANICAL GARDEN. o gênero Hymenaea. n. Consultado em 10/11/2005. 1990. Chicago. In: MACHLIN. P. P. J. SILVA JUNIOR. T. FRANCO. Fitossociologia e similaridade florística entre trechos de Cerrado sentido restrito em interflúvio e em vale no Jardim Botânico de Brasília. ed. FONSECA. p. Acta Botanica Brasílica. M. International Journal of Plant Sciences.OLIVEIRA. São Paulo: Atheneu. Tabela de composição química dos alimentos. P. 2002. 1. N. 133 f. R. FELFILI. a bat-pollinated tree of the Brazilian Cerrados. J. MT: uma análise de gradientes. Goiânia: Líder. B. 2002..

DF. E. R. Caracterização química e nutricional da farinha de jatobá (Hymenaea stigonocarpa Mart. J. 8. SILVA. F. 27. 1976. S. E. SANTOS. T. 2003a.. S. SILVA JÚNIOR. R. Planaltina. Revista Brasileira de Botânica. Y. 131-142. SILVA. FONSECA. CHANG.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas. SILVA.. J. 2003b. 2. 2004 RIBEIRO. SILVA. Plantio de quatro espécies leguminosas arbóreas em uma área de cerrado no Distrito Federal. Frutas do 185 .. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento. n. v. ANDRADE. 158 p.. L. Rodriguésia. Taxa de sobrevivência e frutificação de espécies nativas do Cerrado. Fitossociologia de tipos fisionômicos do Cerrado em Planaltina-DF. 279 p. v. 20 p. 28. R. K. MORS. 1998.. v. T. E. L. C. DF: Embrapa Cerrados. Rio de Janeiro. M. 1998. 88-102. 1976.. FONSECA. v. S. 41. C. 110). L. 137-193. Dissertação (Mestrado) – Departamento de Ecologia.. p. Brasília: Rede de Sementes do Cerrado. C. N. p. Universidade de Brasília. Contribuição ao conhecimento das floras Nordestinas. V..): desenvolvimento e otimização de produtos através de testes sensoriais afetivos. HARDT. G. J.. dos. 83). RIZZINI. 14 p. Brasil. M. JUNQUEIRA. 2005. SILVA. J. Capítulo 11 PARRON. Estabelecimento de progênies de jatobá (Hymenaea spp) em plantios puros no cerrado. SILVA. p. L. São Paulo. M. P. BATMANIAN. Florística e fitossociologia dos estratos arbustivo e arbóreo de um remanescente de cerradão em uma Unidade de Conservação do Estado de São Paulo. SANO. Planaltina. Brasília. P. Tese (Doutorado) – UNICAMP. F. J. PEREIRA. n. n. Ciência e Tecnologia de Alimentos. L. T. São Paulo: EPU. F. Revegetação de uma área degradada no Córrego Sarandi. 533-544. 3. C. D. PEREIRA-SILVEIRA. 5. 18. A. SANO. M.. (Embrapa Cerrados. MARTINEZ. Campinas. C. M. KAGEYAMA. M. DF: Embrapa Cerrados. E. J. Boletim do Herbario Ezechias Paulo Heringer.. B. Y. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento. Campinas. M. 2000.. B. v. 25-34. n. R. E. W. Utilização da farinha de jatobá (Hymenaea stigonocarpa Mart. p. 68 p. 1. Brasília. Campinas. 1985. RJ.. Planaltina. F. L. São Paulo. Botânica econômica brasileira. S. L. RIBEIRO. (Embrapa Cerrados. p. RIZZINI.) na elaboração de biscoitos tipo cookie e avaliação de aceitação por testes sensoriais afetivos univariados e multivariados . M. C.. Revista Brasileira de Botânica.. 100 árvores do cerrado: guia de campo. 1997.

. P. M. 178 p.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Cerrado. Suplemento. Washington: National Academy of Sciences. 2001. 1979. v.. TROPICAL legumes: resources for the future.:s. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. Trabalho apresentado no 2o.. Simpósio sobre Cerrado. 261-276. Programa e resumos. 2001. em condições de cerrado. Anais da Academia Brasileira de Ciências. Análise genética populacional de Jatobá (Hymenaea spp Leguminosaea) utilizando microssatélites. p. 1966. F. Capítulo 11 SUGANUMA. 2001. na estação seca. Seção resumos. M.. CIAMPI. Goiânia. In: ENCONTRO LATINOAMERICANO DE BIOTECNOLOGIA VEGETAL: REDBIO. 186 . RJ.]. MARQUES. 148. Y. 4. Rio de Janeiro. E. dez. 1965. e Hymenaea stilbocarpa Hayne. p.n. V. Estudo comparativo do balanço d’agua de Hymenaea stigonocarpa Mart. 38. A. MORAES. VALIO. Rio de Janeiro.l. I.. CAVALCANTE. [S.

.

mangabeira-do-norte. mangabeira. 188 . Figura 1. mangabeira-docerrado. NOME CIENTÍFICO: Hancornia speciosa Gomes. Foto: Ailton Vitor Pereira. Galho de mangabeira-do-cerrado (Hancornia speciosa Gomes). fruta-de-doente (Figura 1).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 MANGABA Ailton Vitor Pereira Elainy Botelho Carvalho Pereira Josué Francisco da Silva Júnior Dijalma Barbosa da Silva NOME COMUM: manbaga. Família: Apocynaceae.

alternas e opostas. com 2 a 10 m de altura. Mangabeira-do-cerrado: folhas. sendo que as mangabeiras do Cerrado possuem de 4 a 6 m de altura e de diâmetro da copa (SILVA et al. 2001). As folhas são simples. 2001).. frutos e sementes. ocorrendo até 10 flores por ápice. Bolívia.. 2000). e copa ampla. estendendo-se pela Costa Atlântica desde o Amapá e o Pará. Fotos: Ailton Vitor Pereira. podendo chegar até 15 m. flores. Os frutos são do tipo baga. 1998). em forma de campânula alongada (tubular). Peru e Venezuela (LEDERMAN et al. até o Espírito Santo... brancas. amarelados ou esverdeados. formato e cores variados. de tamanho. nos tabuleiros costeiros e nas baixadas litorâneas do Nordeste. são pilosas ou glabras e curto-pecioladas. A ampla dispersão comprova a eficiência reprodutiva natural e a capacidade de 189 . A inflorescência é do tipo dicásio ou cimeira terminal com 1 a 7 flores (ALMEIDA et al. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A mangabeira é uma fruteira nativa de várias regiões e ecossistemas do Brasil. por toda a região de Cerrado do Brasil Central até o Pantanal. com peso variando de 5 a 50 g no Nordeste (AGUIAR FILHO et al. ocorrendo também em países vizinhos como Paraguai.. conforme ilustrado nas Figuras 1 e 2. de forma e tamanho variado. às vezes mais espalhada que alta (LEDERMAN et al. Figura 2.. 1998) e de 30 a 260 g no Cerrado (SILVA et al. com pigmentação vermelha ou sem pigmentação. 2000).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil DESCRIÇÃO Capítulo 12 A mangabeira é uma árvore de porte médio. As flores são hermafroditas. elipsoidais ou arredondados. normalmente.

Na região de Belém (PA). com colheita entre janeiro e março (AGUIAR FILHO et al. No ápice dos ramos das plantas adultas surgem brotações contendo flores e folhas novas. vegetando e produzindo normalmente em latitudes de 20° Sul (clima frio durante o inverno) até 10° Norte (clima quente o ano todo). No cerrado. sujeitos a longos períodos de estiagem (áreas de Cerrado e semi-áridas do Nordeste). em março e de setembro a novembro (MANICA. A espécie é um importante componente dos ecossistemas onde ocorre. sendo uma no início da estação chuvosa (abril/maio). arenosos ou areno-argilosos. com padrão de distribuição agregado (ALMEIDA et al. aves e insetos). ou por meio de podas de formação ou de produção. mas apenas uma safra de frutos por ano. 2003). sendo a exploração comercial e sustentada dos frutos praticada pelas populações locais. desde o nível do mar (clima mais quente) até altitudes de 1500 m no Planalto Central (clima mais ameno com período de inverno seco). 1998). a mangabeira apresenta duas floradas por ano. no período de outubro a dezembro (SILVA et al. A casca do fruto é muito fina e pouco resistente ao manuseio e ao transporte. a colheita também ocorre em duas épocas. fato que leva a tendência de maior floração e maior produção de frutos em plantas mais ramificadas naturalmente. as mangabeiras ocorrem principalmente nas encostas pedregosas. e apenas alguns frutos temporões fora dessa época. pedregosos. a expansão dessa exploração está limitada pelas grandes distâncias entre os locais de coleta dos frutos e os centros urbanos de comercialização e pela delicadeza do fruto que amolece rapidamente após a maturação. ocorrendo em 32 das 50 áreas amostradas. 2002). trocando a folhagem durante o período mais seco do ano.. com colheita entre julho e setembro.. 2001). A planta resiste ao fogo que constitui fator seletivo da vegetação nessas regiões. principalmente do cerrado e do litoral nordestino. O seu padrão natural de distribuição agregado facilita o extrativismo. e a outra no período seco (outubro/dezembro). pobres e ácidos. Na região do Cerrado ocorre uma florada pequena em junho e outra grande em novembro. acidentados. Como a mangabeira tem maior 190 . Esse padrão de distribuição também foi constatado em levantamento feito por Naves (1999). servindo de alimento para as populações locais e para a fauna (macacos e micos. formando populações descontínuas no espaço. ASPECTOS ECOLÓGICOS. 1998). Essa descontinuidade tende a aumentar com a fragmentação das reservas pela ocupação agrícola.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 adaptação da espécie a diversos ambientes. A planta é semidecídua ou decídua. podendo alterar a viabilidade das populações ao longo prazo (CHAVES e MOURA. Nos Tabuleiros Costeiros e baixada litorânea do Nordeste. No entanto. FENOLÓGICOS E IMPORTÂNCIA AMBIENTAL A mangabeira ocorre naturalmente em solos marginais para fins agrícolas. no qual a mangabeira foi a espécie frutífera mais freqüente. em formações abertas.

De acordo com Monachino (1945) são aceitas as seis variedades botânicas citadas abaixo. Segundo Chaves e Moura (2003). Esses autores concluíram que: “a) o aumento da freqüência de polinizadores 191 . Arg. speciosa var. A variedade gardneri também possui folhas glabras. estando presentes em todo o Estado de Goiás. portanto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 ocorrência natural em ambientes marginais para a agricultura. • H. speciosa var. Ambas apresentam pecíolos de 3 a 5 mm de comprimento e limbo foliar de 6 a 12 cm de comprimento e 3 a 6 cm de largura. pubescens (Nees et Martius) Müell. A variedade speciosa tem folhas glabras. exigindo genótipos diferentes da espécie e polinizadores específicos para que ocorra a fecundação cruzada e a produção de frutos (DARRAULT e SCHLINDWEIN. speciosa • H. sua única espécie é Hancornia speciosa Gomes. • H. folhas miúdas com pecíolo mais longo. com pecíolo de 9 a 15 mm de comprimento e limbo foliar com até 6 cm de comprimento e 2 cm de largura.) Müell. Arg. Rizzo e Ferreira (1990) verificaram a existência de três variedades botânicas da espécie: H. frutos menores e com manchas avermelhadas típicas. speciosa var. levando à hipótese de hibridação entre as variedades que apresentam florescimento simultâneo. No entanto. na divisa entre o nordeste de Goiás e a Bahia existem plantas com características intermediárias. H. • H. speciosa var. e está presente na divisa com a Bahia. A variedade speciosa também ocorre na Costa Atlântica do Brasil. e é bastante diferente das demais quanto ao porte da planta e seu aspecto geral. estudos mais aprofundados devem ser realizados acerca da origem e ocorrência dessas variedades no país e sua participação na formação das populações nativas. DC. maximiliani A. gardneri (A. speciosa var. • H. frutos maiores e de coloração verde predominante. DC. pubescens e H. o Piauí e o Maranhão. por isso. speciosa Gomes (variedade típica) ou H. A mangabeira é auto-incompatível e. enquanto a pubescens tem folhas pilosas. quando maduros. speciosa var. speciosa var. a conservação e o enriquecimento dessas áreas com mangabeiras poderia representar uma boa alternativa para a valorização desses ambientes e a sua exploração racional e sustentada pelas populações locais que dependem deles para sobreviver. lundii A. speciosa var. speciosa var. O gênero Hancornia é considerado monotípico e. cuyabensis Malme • H. gardneri. 2003). speciosa. DC. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade e erosão genética. Em estudo das mangabeiras dos Estados de Goiás e Tocantins. com base em caracteres morfológicos. uma planta alógama. apresentando ramos finos e pendentes.

Bahia. (2) sítios de nidificação para abelhas. b) os polinizadores da mangabeira são de diferentes grupos taxonômicos. onde a vegetação nativa vem sendo devastada para o estabelecimento de lavouras ou pastagens. Atualmente. existem coleções de mangabeiras. coco. e) para o incremento da produção de mangabas é necessário que cultivos dessa planta sejam estabelecidos em locais que sustentem populações fortes de polinizadores. a erosão genética está ocorrendo mais nos planaltos mecanizáveis. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. na forma de coleções de plantas vivas mantidas ex situ ou através de conservação in situ. além de áreas de conservação in situ mantidas pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (BARREIRO NETO. Lázaro José Chaves. conservação. plantas hospedeiras para lagartas e locais de acasalamento e nidificação. speciosa compartilhou visitantes florais com pelo menos 32 espécies de plantas (DARRAULT e SCHLINDWEIN 2002). Noventa progênies de meio-irmãos oriundas dessas matrizes foram plantadas no campo no último trimestre de 2005. No litoral nordestino. o germoplasma de mangabeira deve ser conservado in vivo. c) cada espécie de polinizador tem uma demanda ambiental particular. H. Conservação de germoplasma. há um Banco de Germoplasma mantido na Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba. 2003). De acordo com informação pessoal do Professor Dr. 2003. f) é favorável que a plantação esteja inserida em uma matriz de vegetação natural com alta heterogeneidade ambiental e elevada diversidade de plantas que forneçam: (1) alimento para os polinizadores adultos em períodos em que a mangabeira não estiver florida. É importante considerar que a coleta de germoplasma deve ser bem planejada para permitir o plantio rápido das sementes antes da perda de sua viabilidade. como Sphingidae. (3) fontes de alimento para larvas (pólen para larvas de abelhas e folhas para larvas de borboletas e esfingídeos) e (4) recursos florais. outro Banco encontra-se em fase de implantação na Universidade Federal de Goiás. para manutenção de Euglossini. tendo sido coletadas sementes de mais de 100 matrizes distribuídas nos estados de Goiás. Entretanto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 leva a uma taxa de frutificação mais alta. SILVA JUNIOR. como alimento para a prole e os adultos. em áreas de preservação permanente ou reservas. nas áreas acidentadas as mangabeiras nativas estão mais preservadas e menos ameaçadas. Devido às sementes recalcitrantes e às dificuldades de micropropagação e conservação in vitro. frutos maiores e com mais sementes. por exemplo. mantidas ex situ na Embrapa Cerrados e na Universidade Federal de Alagoas. torna-se necessário e urgente o trabalho de coleta. Em função do interesse pelo seu cultivo e melhoramento e devido ao risco de erosão genética. bem como haver local adequado para o plantio 192 . como perfumes e resinas. avaliação e intercâmbio de germoplasma da espécie. Tocantins. d) considerando apenas os recursos florais utilizados pelos esfingídeos. a erosão genética é grande por causa da expansão imobiliária e das lavouras de cana-de-açúcar. abelhas (Euglossini). Hesperiidae e Nymphalidae (Heliconius). entre outras. Na região de cerrado.

1992) a 60. As coleções de clones selecionados diretamente da natureza servirão de base para o melhoramento da espécie. como as de outras fruteiras conhecidas. as características físico-mecânicas (índice de retenção de plasticidade . A polpa dos frutos pode ser armazenada congelada. No entanto. A enxertia apresenta pegamento superior a 90% e é o único método viável de clonagem da mangabeira..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 das sementes coletadas. pois elimina a segregação genética e permite a fixação de caracteres agronômicos desejáveis em qualquer etapa do melhoramento. o fruto pode ser aproveitado para a fabricação de geléia. ainda predomina o extrativismo. os frutos maduros são muito apreciados in natura pelas populações locais. o que pode onerar a vulcanização. mas já começam aparecer os primeiros pequenos pomares cultivados com fins comerciais no litoral nordestino e no Brasil Central. doce. Representa um atalho no melhoramento de espécies perenes. podendo ser consumida mais livremente nas dietas de baixa caloria. picolé. dureza Shore e deformação permanente) conferem à borracha da mangabeira boas características tecnológicas. Porém. A coleta pode ser feita por meio de sementes ou através de garfos ou hastes para a enxertia (por garfagem ou borbulhia de placa com janela aberta). a polpa da mangaba é pouco calórica.. há necessidade de 193 . sorvete.IRP. porque contém alto teor de goma que estende as propriedades funcionais. Segundo Narain e Ferreira (2003). Quanto à exploração.5 calorias (FRANCO. ligação. 1990). Medicinal – na medicina popular. retenção de sabor e aroma e inibição da formação de cristal. Laticífero/borracha – A planta é laticífera e sua borracha tem potencial de uso. Os autores destacam a alta resiliência (resistência à abrasão) da borracha da mangabeira resultante do seu baixo teor de nitrogênio protéico. e utilizada no preparo de suco. o chá da folha é usado para cólica menstrual (RIZZO et al. 1990). Estudos sobre a conservação in vitro ou em forma de criopreservação são fundamentais. Além de saborosa. considerando a vulnerabilidade e demanda de espaço das coleções vivas. Entretanto. geléia e licor. o melhor aproveitamento da fruta é na fabricação de sorvete. e os valores encontrados (> 80) indicam boa qualidade da borracha da mangabeira. pois é pequeno e ácido. 1998). em função da boa aceitação da fruta e sua polpa no mercado. o decoto da raiz é usado junto com o quiabinho (Manihot tripartita) para tratar luxações e hipertensão (HIRSCHMANN e ARIAS. até o momento. pois cada 100 g possui de 47. De acordo com Wisniewski e Melo (1982). USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO Alimentar – Devido ao sabor característico e agradável. ela apresenta cura retardada.4 calorias (ALMEIDA et al. O índice de retenção da plasticidade refere-se à resistência da borracha à degradação térmica.

52 0. o elevado teor de ácidos graxos poliinsaturados enriquece o potencial nutricional da fruta.4 7.44 33.2.574 43-601. A associação do ferro com a vitamina C. O teor de taninos.85-18.65-6. diminuindo o valor nutricional da dieta.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 pesquisas para melhorar as propriedades da borracha da mangabeira (PINHEIRO.2.91. que são considerados essenciais para o organismo humano.814 Fontes: 1Parente et al. oléico (12%).83 0.91 6. estão sendo associados ao potencial antioxidante destes alimentos e à prevenção do desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas.51. estes ácidos graxos são representados pelo ácido linoléico e. Tabela 1.5-18.3-1. Entretanto. VALOR NUTRICIONAL A polpa de mangaba pode ser considerada uma boa fonte de ferro. Composição Proteína bruta (%) Lipídios (%) Glicídios (%) Fibras (%) Energia (cal/100g) Sólidos solúveis totais – SST (oBrix) SST/Brix Sódio (mg/100g) Manganês (mg/100g) Cobre (mg/100g) Teor 0. (1985).01. presentes em alimentos como o chá verde.4-13. o chá preto. especialmente.3-1. mas. Na polpa da mangaba.31. que são compostos fenólicos polimerizados de natureza química bastante variada.81. pelo ácido linolênico. Os compostos tânicos estão associados à adstringência de algumas frutas como a banana. A natureza química dos taninos e dos demais compostos fenólicos da mangaba ainda não foi estudada.4 17. linoleico (18%) e linolênico (8%).02 2.33-4. que são ricos em ácido palmítico (29%).4 0. a mangaba apresenta pequenos teores de lipídios (0.294 0. quando presentes em quantidades excessivas. zinco e vitamina C (Tabela 1).3-71. Composição da polpa de mangaba. a vitamina C aumenta a absorção de ferro pelo organismo. 3Ferreira et al. Segundo Almeida (1998). também é considerado elevado.44 2.2.2.042 0. O teor de lipídios presentes na polpa da mangaba é insuficiente para a extração comercial dos mesmos.64-1.02 2.04 Composição Cálcio (mg/100g) Ferro (mg/100g) Fósforo (mg/100g) Zinco (mg/100g) Vitamina C (mg/100g) Vitamina B1 (mg/100g) Vitamina B2 (mg/100g) Niacina (mg/100g) Tanino (%) Pectina (%) Teor 3. os taninos podem ser responsáveis pela complexação de proteínas e minerais. é uma característica importante na composição da fruta. (1996).3-3.4 0. o caju. 2003). Estes compostos fenólicos.04 0.45-41. 4Almeida (1998). 194 . manganês. ou ácido ascórbico. a uva e o vinho.61.65-12.042 0. ou seja. a goiaba e o caqui.2.5%). 2Franco (1992).4 8.7-1. uma vez que esta vitamina aumenta a biodisponibilidade de ferro.43 0.

O resfriamento em câmara fria por algumas horas é importante para que as frutas fiquem mais firmes e suportem melhor a lavagem. logo em seguida. De acordo com a mesma autora. Em Goiânia (GO) e Uberlândia (MG) existem sorveterias que processam polpas de frutas do cerrado. sorvetes e da polpa congelada. • • Pesagem. geléias e refrigerantes são poucos difundidos e praticamente desconhecidos da maioria dos consumidores. Feita em despolpadeiras de aço inox. Caso apresentem sujeiras aparentes. durante 20 segundos. deve envolver as seguintes etapas: • Pré-seleção. devendo-se adotar as seguintes estratégias: (1) visitar fornecedores para verificar o ambiente da colheita e o uso de agrotóxicos. Pré-lavagem e lavagem. com capacidade para 500 kg/hora Refinamento. as frutas recebem um banho de chuveirinho na própria caixa e depois são imersas em água com hipoclorito de sódio a 5 ou 10 ppm. são lavadas para retirada de resíduos e do excesso de cloro. compotas. ou seja. devido à escassez da matéria prima existente no mercado (LEDERMAN e BEZERRA. inclusive de mangaba. o processamento da polpa congelada de mangaba. (7) examinar se não apresentam pragas. Pasteurização. (6) fazer o teste sensorial. 2003). (5) só receber se não apresentar descascamentos em 90% das frutas. da cor. (3) recomendar e/ou fornecer rolos de papel apropriados para forrar caixas. da textura. e é resfriada. Segundo Aragão (2003). (4) só receber frutas selecionadas quanto ao estágio de maturação (semi-maduras ou maduras no ponto). Em seguida. Processo semelhante a despolpa. a avaliação da aparência. desenvolvido em uma determinada empresa modelo. do odor e do sabor das frutas. Promove o cálculo do rendimento dos frutos.8 a 1 mm) para se obter uma polpa menos fibrosa e com melhor aparência. sendo utilizada quase que exclusivamente na fabricação de sucos concentrados. durante 10 minutos. utilizando peneira com orifícios menores (0. em parte. A polpa da mangaba é aquecida a 80 °C. para eliminar a maioria das 195 • • • .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Capítulo 12 O aproveitamento da mangaba pelas indústrias de processamento é o próprio reflexo da situação em que se encontra o seu cultivo. Prevê a retirada das frutas verdes e impróprias ao aproveitamento. Outros derivados como doces. (2) solicitar o acondicionamento em caixas ou baldes higienizados. Despolpa. o processamento da polpa congelada de mangaba tem início no momento aquisição da matéria-prima.

salmonela ausente em 25 g (ausente). com 7 a 8 mm de diâmetro. • • • Embora tenha boa qualidade. peso da polpa. local de armazenamento. pois facilitariam o processamento da polpa e aumentariam o seu mercado (Aragão.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil formas de microorganismos. ao envasar. quantidade de polpas produzidas. peso da fruta. bolores e leveduras (UFC/g) < 10 (≤ 103). A criação de um produto de limpeza adequado seria uma contribuição importante. açúcares totais = 5.4 g por 100 sementes (LEDERMAN et al. data. É feito em sacos plásticos.6 °Brix (≥ 8. Pecuária e Abastecimento (indicados entre parênteses): sólidos solúveis = 16. soda cáustica líquida. com capacidade para 10 polpas de 100g.55 (≥ 0. teste sensorial. • Capítulo 12 Envasamento. teor de sólidos solúveis totais. bem como a criação de variedades com menor teor de látex no fruto maduro.70).03/g. apresentou rendimento de 85 a 90% e os seguintes resultados físicoquímicos e microbiológicos. que enche 1500 embalagens plásticas de 100 g de polpa por hora. porém. Os dados de produção são anotados numa planilha. 2000) até 40 g por 100 sementes (SILVA et al. Vários produtos foram experimentados. tendo validade de um ano. As embalagens são esterilizadas durante o seu processo de fabricação e. sem sucesso. coliforme fecal < 0. A despolpa das 196 . As polpas são colocadas em bandejas de forma adequada e congeladas a – 20 °C (sem flutuações de temperatura.0). INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Sementes. para evitar a cristalização e a depreciação da qualidade).47 (≤ 10). 2001). São achatadas e discóides. Armazenamento. Congelamento. 2003). cloro e detergente neutro.. constando lote. que são acondicionados em caixas plásticas na câmara de armazenamento. em relação aos padrões fixados pelo Ministério da Agricultura. a uma temperatura de – 18 °C. cor castanho-clara (Figura 2) e peso médio de 18. Controles e análises. O método tradicional que usa óleo vegetal e bucha foi o mais eficiente. acidez (% de ácido cítrico) = 1. a lavagem das tubulações do pasteurizador é difícil. para a retirada do látex: ácido nítrico.. a polpa de mangaba possui um pouco de látex que dificulta a limpeza das máquinas e dos equipamentos. A polpa de mangaba da empresa modelo. A polpa pasteurizada cai no tanque da envasadora automática. avaliada neste estudo. a polpa passa por uma lâmpada germicida que reforça o processo de higienização.

. devido ao longo período seco (abril a setembro). e devem ser semeadas imediatamente ou até dois dias após a sua extração do fruto. Embora mais caros. Os sacos plásticos podem ser de tamanhos variados.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 sementes consiste numa leve maceração com água corrente em peneiras. 18 x 25 cm (Aguiar Filho et al. As mudas são produzidas em sacos de 20 x 30 cm em um ano. de preferência.. Na Região Nordeste. 1998). Na Região de Cerrado. seguindo as condições naturais em que a mangabeira ocorre. entretanto. com a menor condutividade elétrica possível (< 1. os adubos de liberação lenta são recomendados devido à alta porosidade. o substrato pode ser o solo arenoso ou. a areia grossa de rio não peneirada. as quais podem ser produzidas em sacos de 12 x 18 cm (VIEIRA NETO. até a remoção da mucilagem. em temperatura próxima a 10°C (PARENTE et al. sobre folhas de papel absorvente. Como são recalcitrantes. 1988). na dose de 6 g por litro de substrato. com quatro ou seis meses de idade. os tubetes são utilizados para a produção de mudas pés-francos. as sementes de mangaba não podem ser secas. 2000). As formulações devem ser completas em macro e em micronutrientes e devem ter liberação lenta em período equivalente ao de permanência das mudas no viveiro. 2003). em função do tipo de muda e do tempo de permanência no viveiro. permeabilidade e capacidade de lixiviação dos substratos. Mudas.. Como recipientes. para facilitar a semeadura. 14 x 16 cm. 2003). 2001). de um dia para o outro. para que o plantio ocorra no início da estação chuvosa (PEREIRA e PEREIRA. Depois de despolpadas.5 mS/cm). finas e secas (PEREIRA e PEREIRA. a mangabeira produz duas safras por ano e as condições climáticas são favoráveis ao plantio de mudas. 2003). as sementes ainda ficam um pouco pegajosas e. Para mudas em tubetes. de seis meses ou mais (PEREIRA e PEREIRA. 197 . 2003).. Caso a semeadura não seja imediata. 18 x 25 cm ou 9 x 29 cm (Lederman et al. o substrato deve ser à base de casca decomposta de árvore ou fibra de coco. são utilizados tubetes ou sacos de plástico (Figura 3a. a safra é anual. Devido ao tamanho reduzido (19 cm de altura. Para mudas em sacos plásticos. São oriundas de sementes (pés-francos) e podem ser enxertadas por borbulhia ou garfagem (PEREIRA et al. associados às regas freqüentes. adubada com 10% (em volume) de esterco bovino bem curtido mais o adubo de liberação lenta na dose de 3 g por litro de substrato. 5 cm de diâmetro interno e capacidade para 280 cm3 de substrato). as sementes despolpadas podem ser embaladas em sacos de plástico e armazenadas durante um mês na gaveta inferior da geladeira. ou à base de solo arenoso (com menos de 15% de argila).b). A adubação deve ser feita com adubo de liberação lenta (osmocote ou similares). que tem efeito prejudicial na germinação. e misturadas com areia ou vermiculita. podem ser submetidas a uma leve secagem superficial à sombra. 2002.

Plantio. porém. dois ou mais clones diferentes e compatíveis devem ser plantados de modo intercalado. AGUIAR FILHO et al. no caso de mudas enxertadas. O cultivo de apenas um clone requer o plantio intercalado de plantas pés-francos como fontes de pólen. para que possam fornecer pólen uns aos outros. O plantio deve ser feito na época chuvosa. Fotos de Ailton Vitor Pereira.. de preferência em solos 198 (e) . 1997. produzidas em sacos plásticos (a) e em tubetes (b). Mudas de mangabeira oriundas de sementes. os espaçamentos de plantio podem variar de 5 a 7 metros entre plantas (BEZERRA et al. Com base no diâmetro das copas das mangabeiras adultas e na exigência de luz para seu desenvolvimento e frutificação. A fecundação cruzada é essencial para a frutificação e ocorre normalmente nas mangabeiras nativas e nos plantios feitos com mudas oriundas de sementes (pés-francos). f).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 (a) (b) (c) (d) (f) Figura 3. VIEIRA NETO 2001). 1998. Mudas enxertadas por borbulhia (c. d) e por garfagem (e..

10 mg de zinco. ARAÚJO e FRANCO. Adubação. de manganês e de cobre. 1995. Deve-se evitar o uso de esterco na cova de plantio ou limitá-lo. A adubação química de plantio deve ser proporcional ao volume da cova e. e 1 mg de boro para cada litro de solo. 2003). 50%. 200 mg de potássio. no máximo. Pereira e Pereira (2003) sugerem a adição de. (a) (b) (c) 199 . Entretanto.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 de textura arenosa a média. 2000. a 40%. Calagem. no máximo. em se tratando de solos de textura média. para evitar a podridão-de-raízes e a morte das mudas. a 10% do volume da cova. Como a mangaba é bastante tolerante a solos ácidos. PEREIRA e PEREIRA. 300 mg de fósforo. no máximo. a calagem não visa à correção da acidez. no máximo. Em solos arenosos. em covas com dimensões mínimas de 30 cm x 30 cm x 30 cm e capacidade para 27 litros de solo (Figura 4). Estudos já realizados em solos ou substratos arenosos ou francoarenosos (pobres e ácidos) mostraram efeitos prejudiciais da calagem na dose de 2 t/ha ou superior (VIEIRA NETO. mas apenas ao fornecimento de cálcio e de magnésio para as plantas. os autores limitam essas doses a. há necessidade de estudos de nutrição e adubação de formação e produção do mangabal em diferentes condições de solo e clima. bastando apenas à elevação da saturação por bases a 30% ou.

b). percevejo e moscas-das-frutas (AGUIAR FILHO et al.d. secos. praguejados e doentes (VIEIRA NETO. Consistem no tutoramento das plantas no primeiro ou segundo ano. 200 . VIEIRA NETO. os cupins subterrâneos. no seu habitat deve ser visto com cautela. PEREIRA e PEREIRA.f).4 m a 0. as cochonilhas e as lagartas que atacam as folhas e brocam os frutos (Figura 5). Pragas e doenças. eliminando os ramos laterais mais rasteiros até a altura de 0. As principais pragas são as formigas cortadeiras. 2006. 2003). Por se tratar de uma espécie frutífera de fecundação cruzada e dependente de insetos polinizadores. Quando a planta atingir em torno de 1. 2000. os pulgões. 1998. Plantio de mudas de mangabeira: tubetes (a. dando prioridade às práticas de controle cultural e biológico. três ramos bem distribuídos serão seccionados para a formação da copa. Fotos de Ailton Vitor Pereira Tratos culturais. quebrados. 2003). 2006). sendo necessária a poda de formação a partir dos 8 a 12 meses de idade. 2001. deve-se fazer uma poda de limpeza.. Segundo este autor. LEDERMAN et al.. sacos plásticos (c. a mangabeira emite grande número de brotações nas partes mais baixas do caule.e. o broto apical do ramo principal deve ser cortado para reduzir o crescimento vertical da planta e estimular a emissão de brotações laterais. o controle de pragas e doenças em plantações adultas de mangabeira deve ser uma tarefa difícil e objeto de pesquisas futuras. A mangabeira tem sido bastante atacada por pragas e doenças e o seu cultivo em monocultura. no controle de plantas daninhas e nas podas de formação e produção (VIEIRA NETO. MICHEREFF FILHO e MICHEREFF.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 (f) (e) Figura 4. abelha arapuá.5 m.5 m de altura. Após a poda. eliminando e queimando ramos rasteiros. Depois da frutificação e antes do período chuvoso. em larga escala.

no Planalto Central do Brasil.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 (a) Pulgões (b) (c) (a.f) (e) (f) (g) Broca dos frutos (g.h. 201 .c) (d) Cochonilhas (d.b. Pragas e danos constatados em mangabeiras.i) (h) (i) (j) Lagarta (j) (l) (m) Dano causado por acaro Dano causado branco (l) tripes (m) por Figura 5.e.

No Distrito Federal.. freqüentemente. 2003). • Antracnose . a doença ocorre em plantas jovens e adultas. Pecuária e Abastecimento. 1998) e ocorre em sementeira e viveiro de mudas.A doença ocorre na base do tronco de plantas jovens e adultas e seu agente causal não está bem definido. no tecido lesado. o que dificulta o seu cultivo.b) e até de plantas adultas. atacando folhas. brotações novas. flores e frutos (Figura 6). (Charchar et al. 1994).f). mas não existem produtos registrados para a espécie no Ministério da Agricultura. • Fuligem – Causada pelo fungo Meliola hancorniae Batista e Perez (BEZERRA et al. é a doença mais importante da mangabeira Litoral Nordestino (VIEIRA NETO. foi encontrado nos tecidos lesados e acredita-se que a sua penetração ocorra nos ferimentos provocados por animais..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 Embora a mangabeira seja uma fruteira ainda pouco cultivada. 1996) que tem como anamorfo ou forma imperfeita a Pseudocercospora sp.. o fungo Botryodiplodia theobromae Pat. 1970) . (FURLANETTO et al. mancha-púrpura ou mancha foliar – Causada pelo fungo Mycosphaerella discophora Syd. macrospora (Batista e Perez. é uma doença muito importante que causa a morte de mudas (Figura 6a. encontram-se os fungos Botryodiplodia theobromae Pat. várias doenças (resumidas a seguir) foram relatadas por Junqueira et al.O agente causal da doença não está bem esclarecido. • Podridão de raízes – Causada pelos fungos Cylindrocladium clavatum Hodges e May (Junqueira et al. 1996) e Fusarium solani (Mart) Sacc. fogo. implementos agrícolas ou durante as podas e as desbrotas.ocorre em folhas de mangabeiras adultas no Planalto Central e pode provocar a queda de folhas maduras: • Morte descendente ou seca de ramos . para algumas delas o controle químico mostrou-se eficiente. Segundo os autores. e Scherenk. e Phomopsis sp. (2006) e requerem controle. cuja forma imperfeita ou anamorfa corresponde a Colletotrichum gloeosporioides Penz.) Spauld. 202 .e. • Cancro . var. • Mancha parda.Causada pelo fungo Sclerotium rolfsii Sacc. é a principal doença foliar da mangabeira no Planalto Central e ataca mudas e plantas adultas (Figura 6d. pragas..Causada pelo fungo Glomerella cingulata (Ston. Em alguns casos. 2001) e ocorre em mudas e plantas adultas. • Podridão aquosa.. podridão do colo ou murcha . (Aguiar Filho et al.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 12

(a)

(b)

Podridão da raiz principal ou xilopódio (a) e morte das mudas (b)

(c) (e) (d) Mancha parda, mancha-púrpura ou mancha foliar em diferentes estádios de desenvolvimento (c,d,e)

203

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 12

(a) (b) Antracnose em folhas (a), flores (b) e frutos (c)

(c)

Figura 6. Sintomas das principais doenças da mangabeira. Fotos de Ailton Vitor Pereira. Irrigação. Estudo conduzido na Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, não comprovou a vantagem da irrigação na formação do mangabal, mostrando ser uma planta tolerante ao déficit hídrico estacional da região. Colheita. Os frutos são climatéricos e têm melhor sabor e menor teor de látex quando maduros, sendo preferidos para o consumo in natura. Porém, é difícil estabelecer o ponto de colheita. Não há sinais ou mudanças muito marcantes e visíveis nos frutos, como ocorre na maioria das fruteiras, e o trabalho exige experiência dos coletores. Nas mangabas do nordeste os sinais são mais evidentes do que naquelas do cerrado, pois quando maduras ou semimaduras (de vez) apresentam manchas avermelhadas, consistência levemente macia ou macia e coloração mais amarelada (AROLA, 1982). Em geral, as mangabas do cerrado são bem maiores do que as do nordeste e não apresentam manchas avermelhadas nos frutos maduros. Os frutos imaturos são verdes e firmes, enquanto os maduros são verde-amarelados e macios ou moles quando totalmente maduros. A pequena diferença na tonalidade entre os frutos maduros e imaturos exige maior perícia dos coletores. Embora os frutos maduros sejam preferidos para o consumo in natura, eles se desprendem facilmente da árvore e a sua queda ao chão os danifica e suja, comprometendo sua qualidade e vida pós-colheita, dificultando seu processamento e aproveitamento. Portanto, há necessidade de pesquisas para seleção de cultivares com casca mais resistente e maior vida pós-colheita, maior persistência na árvore após a maturação, sinais mais visíveis do ponto ideal de colheita e menor teor de látex no fruto maduro, de modo a facilitar a colheita, o transporte, a comercialização e o processamento e aproveitamento pelas indústrias. Potencial de produção. Na região Nordeste do Brasil, as mangabeiras oriundas de sementes iniciam o florescimento e a frutificação entre o terceiro e o quinto ano depois do plantio (VIEIRA NETO, 2001), sendo que Aguiar Filho et al. (1998) constataram que apenas 20% das plantas oriundas de sementes frutificaram 204

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 12

até o quarto ano. Comportamento semelhante tem sido observado nas mangabeiras plantadas na região do Cerrado. O surgimento das inflorescências nas ponteiras dos ramos indica que o potencial de florescimento e frutificação da mangabeira depende do número de ramos. Daí, a necessidade de pesquisas com podas para aumentar o número de ramos. Na região do Cerrado, também prevalece a atividade extrativista, registrandose apenas um plantio comercial com 800 plantas adultas, até o momento. A produção das mangabeiras nativas do Cerrado é variável: até 188 frutos/planta (REZENDE et al., 2002) e de 100 a 400 frutos/planta (SILVA et al., 2001). Recentemente, na Embrapa Cerrados, foram avaliadas matrizes com até 2200 frutos numa única safra, pesando até 120 g/fruto e contendo até 40 sementes/fruto (Figura 7). Nos Tabuleiros Costeiros e na Baixada Litorânea do Nordeste, também predomina a atividade extrativista, mas já começam a surgir os primeiros plantios desta fruteira, sendo o potencial de produção estimado em 10 a 12 t/ha, a partir do quinto ano depois do plantio (VIEIRA NETO, 2001) e de 100 kg/planta/ano ou 20 t/ha/ano, estabilizando a produção após o décimo ano (AGUIAR FILHO et al., 1998). Esses números evidenciam o potencial de produção da espécie, ainda pouco explorado pela pesquisa.

Figura 7. Mangabeira do Cerrado, no Distrito Federal, com produção de 2200 frutos graúdos por safra anual. Foto de Ailton Vitor Pereira. 205

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA

Capítulo 12

A mangaba é uma fruta muito apreciada e, durante o período de safra, faz parte da dieta das pessoas do campo e da cidade, sendo o seu consumo mais difundido na região Nordeste do Brasil. A sua exploração extrativista está associada aos pequenos agricultores e constitui fonte de renda para a família. Como a oferta do produto é insuficiente para atender a demanda, cujo potencial real ainda não é conhecido, deduz-se que o seu cultivo em pomares caseiros poderia contribuir para ampliar a renda familiar e gerar mais empregos. Segundo Aragão (2003), a polpa de mangaba de uma empresa em Sergipe é comercializada de três formas: venda direta ao consumidor na própria fábrica; venda ao consumidor através de entrega em domicílio, lanchonetes, residências, hospitais, hotéis, etc.; venda na rede de supermercados através de distribuidora. A polpa de mangaba é a que apresenta maior vendagem na empresa (19,7%), praticamente igual a de cajá (19,5%), sendo ambas muito mais vendidas do que as demais: ameixa (9,0%); graviola (8,5%); goiaba (7,1%); acerola (5,9%); manga (5,1); maracujá (4,9%); umbu (4,7%); cacau (3,6%); caju (2,7%); açaí (2,2%); abacaxi (1,5%); cupuaçu (1,3%); pitanga (1,3%); jenipapo (0,8%); morango (0,7%); tamarindo (0,7%); mamão (0,2%) e umbu-cajá (0,2%). Segundo Lederman e Bezerra (2003), a comercialização da mangaba no Nordeste é direcionada para as Centrais de Abastecimentos (CEASAs), as grandes redes de supermercados, as indústrias de processamento da polpa e as feiras e os mercados públicos, sendo que nem os estados maiores produtores, como Sergipe, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte dispõem dessas informações, mas apenas algumas centrais de abastecimento. Segundo os autores, o Censo Agropecuário realizado pelo IBGE, em 1996, registrou a produção nacional de 1.492 t de mangaba, com um valor de R$ 448.172,00. Essa produção deve se referir aos Estados do Nordeste, pois na região de Cerrado a produção é comercializada nas margens de estradas e não tem sido mensurada. Segundo os autores, a quantidade de mangaba comercializada na Ceasa – Recife e os preços praticados no período de 1993 a 2002 são apresentados na Tabela 1. A produção de frutos variou de ano para ano, mas não se observou tendência de queda ou crescimento da oferta que variou de 322 a 590 t/ano. Os preços médios caíram nos últimos três anos para valores abaixo de R$1,00/ kg, o que pode ser atribuído mais ao fator de correção aplicado para efeito de atualização dos valores, do que ao aumento na oferta de frutos (Lederman e Bezerra, 2003).

206

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 12

Tabela 1. Frutos de mangaba comercializados na CEASA do Recife e preços praticados de 1993 a 2002. Ano 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Quantidade (t) 558,0 423,0 400,5 367,0 355,3 553,0 523,0 431,1 590,0 322,1 Preço* (R$) 1,13 1,27 1,53 1,35 1,46 1,18 1,02 0,83 0,75 0,67

Fonte: Companhia de Abastecimento e Armazéns Gerais de Pernambuco - Dados apresentados por Lederman e Bezerra (2003). * Preços corrigidos pelo IGP DI (Fundação Getúlio Vargas). No Cerrado, a mangaba é apreciada pela população rural, mas pouco conhecida e comercializada nos centros urbanos, restringindo-se ao comércio na beira das estradas. Mais recentemente, três sorveterias foram instaladas na região, em Goiânia (GO), Brasília (DF) e Uberlândia (MG), as quais compram polpa de frutas nativas do cerrado, inclusive de mangaba. Já se constatou até a demanda nordestina por polpa de mangaba do cerrado, na entressafra do nordeste, onde a mangaba é mais conhecida, apreciada e consumida no meio rural e nas cidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante o Seminário Plantas do Futuro – Região Centro-Oeste, realizado em Brasília, em junho de 2005, com base em dezenas critérios utilizados na avaliação, a mangabeira foi listada entre as espécies prioritárias para exploração e pesquisa, sendo destacados os seguintes aspectos: Pontos que estimulam a exploração da cultura: • Grande aceitação e consumo da fruta e da polpa no Nordeste. Porém, no Cerrado, é menos consumida, provavelmente por falta de divulgação e oferta; • Polpa pouco calórica: 47 a 60 calorias/100 g; • Alto potencial de produção de frutos: > 100 kg/planta ou > 10 t/ha/ano; • Alta variabilidade genética para melhoramento; 207

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 12

• A clonagem por enxertia permite grande atalho no melhoramento genético da espécie; • Das espécies frutíferas do Cerrado, o pequi e a mangaba são as mais estudadas, sendo que a mangaba já foi objeto de um simpósio em dezembro de 2003 (Embrapa, 2003), sendo as publicações compiladas numa base de dados em CD-Rom (Embrapa, 2003), em livro (Silva Júnior e Lédo, 2006) e uma série de publicações técnicas e científicas referenciadas no final deste capítulo; Interesses ambientais e comerciais favorecem seu cultivo ou extrativismo sustentável; • Já existem alguns plantios pioneiros no Cerrado e no Nordeste; • A espécie pode ser cultivada em solos marginais (acidentados, arenosos, pedregosos). Pontos que limitam a exploração da cultura: • Fruto altamente perecível (vida curta pós-colheita, maturação rápida e amolecimento, casca delicada e frágil e comestível, queda no chão provoca danos e sujeira); • Ponto de colheita difícil de determinar; • Látex na polpa dificulta a limpeza das máquinas de beneficiamento; • Uma safra rápida por ano e alternância de produção (no Cerrado); • Muitas pragas e doenças, ainda sem controle efetivo em pomares. Ações e pesquisas prioritárias: • Coleta, conservação, avaliação e intercâmbio de germoplasma; • Melhoramento - avaliação e seleção de clones com casca mais resistente e cor mais atraente, frutos com ponto de colheita bem definido, frutos mais persistentes na árvore, frutos mais firmes e com vida mais longa, frutos maduros com menos látex na polpa; • Adubação e nutrição mineral; • Podas de formação e produção; • Estudos de polinização para aumentar a produção de frutos; • Controle de pragas e doenças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR FILHO, S. P.; BOSCO, J.; ARAÚJO, I. A. de. A mangabeira (Hancornia speciosa): domesticação e técnicas de cultivo. João Pessoa: EMEPA-PB, 1998, 26 p. (EMEPA-PB. Documentos, 24). ALMEIDA, S. P.; PROENÇA, C. E. B.; SANO, S. M.; RIBEIRO, J. F. Cerrado: 208

MOURA... 2000.. Aracaju. DARRAULT. 118 f. Documento. Aracaju... 2003. p. riqueza e relação com plantas esfingófilas. 24). 2003. J. Aracaju. (IPA. Isolamento e caracterização da goma da mangaba (Hancornia speciosa Gomes). J. J. de. 2003. SE. 2003. M. Esfingídeos (Lepidoptera. C. G. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – Universidade Federal da Paraíba.. R. v. 2003. F. E. F. 1. F. CD-ROM. AROLA. SP.. A. Recursos genéticos da mangabeira no bioma cerrado. BEZERRA. C. Anais. N.. 1998. I. 1. Polinização de Hancornia speciosa (Apocynaceae) In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. n. CHAVES. Revista brasileira de Zoologia. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. R. O. SCHLINDWEIN.. 1... Capítulo 12 ARAGÃO. A. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. FRANCO. de O. Recomendações para o cultivo de fruteiras tropicais. R. Nordeste do Brasil: abundância. 2. 2003. Anais. PEDROSA.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil espécies vegetais úteis. 1997. 209 . Anais. DARRAULT. 1. DANTAS. L. MOURA. BARREIRO NETO. I. LEDERMAN. São Paulo. Resposta da mangabeira (Hancornia speciosa) à calagem e níveis de adubação mineral. 446. SE. SE. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. D. C. O. 2000. P. SCHLINDWEIN. Fortaleza-CE. ARAÚJO. p. 2002. Comercialização e industrialização da mangaba em pequenas empresas: a experiência da Pomar Polpas e Frutas. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. 429-443... 19.. Recife: IPA. CD-ROM.. Anais. Fortaleza: Sociedade Brasileira de Fruticultura. C. Resumos. CDROM. de. F. A... CD-ROM. João Pessoa. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 64 p. Aracaju. 2003. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. M. Sphingidae) no Tabuleiro Paraibano. 2003. SE. Recursos genéticos para o melhoramento da mangabeira no Estado da Paraíba. de C. 464 p. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros.. M. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros.. 1982. E. 16. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.

MONACHINO. 307 p.. 354. NARAIN. A survey of medicinal plants of Minas Gerais. Mangaba (Hancornia speciosa Gomes). v. FURLANETTO. P. PEREIRA.. J. C. E. JUNQUEIRA. 283. J. Brasilia. Aracaju. SE.. M. G. 2003. Rio de Janeiro: Atheneu. 1945. H. 2002. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BOTÂNICA.. C. mangaba.. 11. F. C. Tucumán. 159-172. T. HIRSCHMANN. E. 2003. ESPÍNDOLA.. p. P. 35 p. Aracaju. B. 19.. Situação atual e perspectivas da cultura da mangaba no Brasil. I. Brazil. 210 . Tecnologia de alimentos aplicada à mangaba.. T. SILVA. Anais. J. Principais doenças da mangabeira. A. CD-ROM. BOSCO.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 FERREIRA. Q. C. J. PEREIRA. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. silvestres e exóticas 2: técnicas de produção e mercado – feijão. J. BEZERRA. A. I. MANICA.. CHARCHAR. 541 p. 1990. F. G. N. FRANCO. v. A revision of Hancornia (Apocynaceae).. Frutas nativas.. R. D. Fitopatologia Brasileira. ARIAS. M. Nova Friburgo: Sociedade Botânica do Brasil. 29. 2000. 1.. 2003. SILVA. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. Resumos. N. FERREIRA. V. I. AGUIAR FILHO. 1996.. fruta-pão. DIANESE. ed. LEDERMAN. Lausanne. Journal of Ethnopharmacology. Nova Friburgo. 7.. 1. 2003. G. 1992.. 1994. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA.. Anais. SILVA JUNIOR. p.. Porto Alegre: Cinco Continentes. Pseudocercospora species on living leaves of cerrado plants.. d’A.. J. L. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. LEDERMAN. 098. CD-ROM. SE. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. V. 9. v.. E. jaca. p. resumo n. p. Lilloa. 19-48. lichia. A. S. 1. da S. A. J. 1996. Aracaju. BEZERRA. 2003. RJ.. E. S... Jaboticabal: FUNEP. figo-da-índia.. SANTOS. F. Estudo de plantas nativas e cultivadas de plantas cultivadas de mangabeiras no Litoral Paraibano. Suplemento.. Tabela de composição química dos alimentos. E.

E... N. B. MOURA. F. Lavras.. Anais. A.. 1. 2. V. C. v. E. B. V. V.. T. Anais... J.. PEREIRA. de F. A. Ciência e Cultura. 211 . N. 2002. T.Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos. C. J. B.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil SE. CHAVES. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. BORGO. J.. Aracaju. R. B. Produção de mudas de mangabeira. (Embrapa Cerrados. N. PEREIRA. 2003. A. 37. 1 CD-ROM.. 2003. V. 1. FIALHO. MACHADO. p. Anais. 2000. CHARCHAR. R. 1. 27 p. Propagação assexuada da mangabeira. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. P. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. SE. Suplemento. 184 p. PEREIRA. Goiânia. PEREIRA. 2000. PEREIRA. C. F. CD-ROM... W. E.. J. 2001. L. A. A. V.. B.. PEREIRA. PEREIRA. V. 2003. Documentos. de. D. M. J. São Paulo. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Lavras. CD-ROM. E. Espécies frutíferas nativas dos cerrados de Goiás: caracterização e influências do clima e dos solos. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. A. 206 p. Planaltina: Embrapa Cerrados.. 2003... SILVA. V. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. O látex e a borracha da mangabeira. da. (Embrapa Cerrados. BERNARDES. Anais. 18). 1999. PEREIRA.. SALVIANO. E. jul. 95-98. 2003. C. CD-ROM. T. A. 3 p... Propagação sexuada da mangabeira. PACHECO.. NAVES. Aracaju. V. 2003. T.. Propagação e domesticação de plantas nativas do cerrado com potencial econômico. n. Características físico-químicas de frutos de mangaba (Hancornia speciosa Gomes) do cerrado da região do Distrito Federal. R. JUNQUEIRA. V. 19. Brasília... 2003. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. C. MELO.. A. 1. v. OLIVEIRA. JUNQUEIRA. PINHEIRO.. Universidade Federal de Goiás. 1985. d`A. Capítulo 12 NAVES. A. Recomendações Técnicas. JUNQUEIRA. SE. L. E. PEREIRA. 65). Efeitos do fósforo e zinco na nutrição e crescimento de mudas de mamoeiro e mangabeira. B. Planaltina: Embrapa Cerrados. (Tese de Doutorado) . R. Horticultura Brasileira. N. REZENDE. SE. PARENTE. C. Enxertia de mudas de mangabeira.. de. T. Aracaju. A. B. V. V. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros.. n. PEREIRA.. CD-ROM.

RIZZO. J. R. J. 20 p. VIEIRA NETO. 1.. Caracterização de ambientes com alta densidade e ocorrência natural de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes). F. MONTEIRO. VIEIRA NETO. 1998. R. v. p. JUNQUEIRA.. Anais. D. J... C.. PR. Hancornia G.. Aracaju. A. SE. 1. D. CD-ROM.. F. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. Recursos genéticos da mangabeira nos Tabuleiros Costeiros e Baixada Litorânea do Nordeste do Brasil. Curitiba. Crescimento inicial e sobrevivência de 212 .. N.. D. FERREIRA. v. R. Belém. Anais. (Embrapa Tabuleiros Costeiros. VIEIRA NETO.1. A. CD-ROM. RIZZO. Utilização de plantas medicinais em Goiânia. R. da. 1990. M. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. L. H. SILVA JUNIOR. T. 2003. 2001. 2002. V. Circular Técnica. no estado de Goiás. BITENCOURT. 1995. Anais. Brasília: Sociedade Botânica do Brasil. Recomendações técnicas para o cultivo da mangabeira. Efeito da adubação e calagem no desenvolvimento de mangabeiras. 691707. 17. v. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. p. D.. 36. S. 2. PR.. A. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. Aracaju: EMBRAPA-EMDAGRO. 179 p.. 1990. 20. M. Revista Brasileira de Fruticultura. (EMBRAPA-EMDAGRO... 2003. 1985. Curitiba. D. Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura. R. 2001. Efeito de diferentes substratos na formação de mudas de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes). Aracaju. Manejo fitotécnico no cultivo da mangabeira. SILVA. R. R. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE A CULTURA DA MANGABA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. D... 2003.. ANDRADE.. 36. da. 1985. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. B. J. 265-271.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 T. VIEIRA NETO. 2002. VIEIRA NETO.. SILVA. 363-368. Anais. M. Cruz das Almas. FERNANDES.. p. SE. 3. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. Brasília: Sociedade Botânica do Brasil. 2003. Pesquisa em Andamento). D. 1 CD-ROM. n. G. Anais. Frutas do cerrado. 20). 5 p..

(EMBRAPA-CPATU. Belém: EMBRAPA-CPATU. em diferentes substratos. Itabuna. F. C.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 12 mangabeiras (Hancornia speciosa Gomes). Boletim Técnico). Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura. 173-180. Belém. Anais. Borrachas naturais brasileiras III. 1982. R. p.v. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Comportamento da mangabeira sob diferentes substratos. 213 . R. 17. 2002... M. 59 p. P. WINIEWSKI. 2000. Agrotrópica. 1 CD-ROM. Mangabeira. 12. VIEIRA NETO. em adubação de fundação. A. VIEGAS. A. 2002... MELO.. D. 3. n.

.

.

setacea. maracujá-de-boi e maracujá-do-cerrado. setacea.: maracujá-sururuca. maracujá-decinco-pernas. setacea.C. conhecida popularmente como maracujá-do-sono. No entanto. cincinnata Mast.: maracujá-mochila. b) P. cincinnata é a mais utilizada por ser encontrada com maior freqüência em diferentes tipos fisionômicos e se propagar mais facilmente do que a P. mas a P. serrato-digitata Linn. Flores e frutos de P. maracujá-tubarão. têm sido: a) P. maracujá-de-boi. em caráter extrativista. maracujá-de-boi e maracujá-do-sono. Figura 1. 216 . a P. maracujá-devaqueiro. as espécies mais usadas. Agostini-Costa Luis Carlos Bernacci NOMES CIENTÍFICOS E NOMES COMUNS: Existem várias espécies de Passiflora no Cerrado e pelo menos cinco recebem o nome popular de “Maracujá-do-cerrado”. será dada mais ênfase para a P.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 MARACUJÁ-DO-CERRADO Marcelo Fideles Braga Nilton Tadeu Vilela Junqueira Fabio Gellape Faleiro Tania S. maracujá-sururuca. setacea D.: maracujá-de-cobra. Dessa forma. Destas. setacea (Figura 1) apresenta o maior potencial econômico. c) P.

a P. constatou-se. mas a cor amarelo-alaranjada de seus frutos e a casca macia. doces. parte da região Nordeste e Sudeste.nitida. serrato-digitata e a P. Todas vêm sendo utilizadas para consumo ao natural. medicamentos ou como ornamental. Destas. enquanto permanecerem na planta. na forma de sucos. (2004). ou maracujá-suspiro. Norte. serrato-digitata e a P. setacea. também denominada de maracujá-doce (Figura 2a). A domesticação dessa espécie tem sido dificultada pelo baixo índice de germinação de suas sementes. no presente artigo. Sendo assim. os tornam muito atraentes para pássaros e mamíferos e. alata. A P. Seus frutos também são muito apreciados pelos humanos. a P. foi a única que sofreu processo de domesticação a partir de 1970 e. portanto. setacea. entre as espécies de passifloras silvestres do Cerrado. Destas. cincinnata. geléias. a P. Dessa forma. ocorre em toda a região Centro-Oeste. dar-se-á mais ênfase a estas três espécies. alata. É uma espécie de potencial para o melhoramento e para porta-enxerto dos maracujás comerciais pelo fato de ser rústica e resistente a várias doenças. não sendo. hoje. dessa forma. a P. conforme relatado por Junqueira et al. a existência de mais de 40 espécies do gênero Passiflora vegetando em estado silvestre no Cerrado e nas áreas de transição. seu uso de forma extrativista fica muito limitado devido à forte competição entre o homem e os animais silvestres. nitida (Figura 2b). quadrangularis. ainda em caráter extrativista. 217 . a P. São espécies muito produtivas e seus frutos têm as cascas rígidas que continuam verdes ou verde amarelados quando os frutos amadurecem. quando maduros. atraentes para animais silvestres. as mais utilizadas. seus frutos podem ser encontrados facilmente em supermercados e verdurões.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 Em levantamentos que vêm sendo conduzidos na Embrapa Cerrados. a P. as mais conhecidas são a Passiflora cincinnata. até o momento. (2006) e Chaves et al. têm sido a P.

o gênero Passiflora. sendo que o maior centro de diversidade genética deste gênero localiza-se no Centro-Norte do Brasil (OLIVEIRA et al. O número de espécies no Brasil é de 111 a 150. 1994.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 a) b) Figura 2. BERNACCI et al. com cerca de 400 espécies americanas (BRAGA e JUNQUEIRA. SOUZA e MELETTI. 218 . flavicarpa e P. também. o de maior expressividade. 1994. b) Passiflora nitida HBK ou maracujá suspiro. recebe. SOUZA e MELETTI. edulis ocupam mais de 90 % da área cultivada com maracujá no mundo. África e Sudeste Asiático. FAMÍLIA As espécies de maracujá pertencem á família Passifloraceae. O maracujazeiro-azedo ou maracujá amarelo é a espécie mais cultivada no Brasil e pertence à espécie Passiflora edulis Simmonds. também. que é composta por 19 gêneros. 1997. 2005). Estima-se que juntas. A segunda espécie mais cultivada no Brasil é a Passiflora alata Curtis ou maracujá-doce. sendo. A espécie Passiflora edulis. flavicarpa Degener. OLIVEIRA et al. Por ter frutos amarelos.. denominação de P. a) Passiflora alata Curtis ou maracujá-doce.. 1997. 1997). o maracujá-roxo. as espécies P. 2000. CERVI. conhecida como maracujá-roxo. edulis f. edulis Simmonds f. que inclui. é muito cultivada na Austrália..

mas existem variedades com flores rosa. esta espécie trepadeira apresenta grande variabilidade quanto ao tamanho e formato do fruto (Figura 3a). Também denominada de maracujá-do-cerrado. Geralmente é comercializado em feiras livres de algumas cidades do interior da Bahia. Seus frutos pesam de 30 a 250 gramas e permanecem com a casca verde ou ligeiramente amarelada quando maduros. o abacaxi e a banana. DESCRIÇÃO Passiflora cincinnata Mast. maracujá-mochila. flavicarpa) e a produção comercial de suco dessa fruta ultrapassa a produção de outras frutas tropicais populares. Os frutos possuem polpa bastante ácida e com coloração variando de amarelo-claro a creme. edulis f. Minas Gerais e Goiás. fato que pode torná-lo muito interessante para os programas de melhoramento do maracujá-azedo comercial. Sinônimo de P. o mamão. 4b e 4c). Podem ser utilizados para a confecção de doces (Figura 7a). 219 . visando à obtenção de frutos em períodos de entressafra e eliminar o problema da sazonalidade na indústria e no mercado. geléias e sucos. lilás e branca (Figuras 4a. É uma espécie resistente à antracnose. maracujátubarão e maracujá-de-vaqueiro. As flores são ornamentais. como a manga. corumbaensis (CERVI.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 O Brasil é o principal exportador do suco de maracujá-azedo (P. 1997). Sua safra coincide com o período de entressafra do maracujá amarelo comercial. tolera bem a seca e ao fogo e tem boa conservação após a colheita. quando maduro (Figura 3b). geralmente roxa-escuras.

Passiflora cincinnata Mast.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 a) b) Figura 3. b) Fruto maduro e flor roxo-escuro.: a) variação no formato e no tamanho de frutos. 220 .

Flores lilás (a). vigorosa. 1997). os frutos exibem aroma intenso e 221 . Quando maduros. resistente à seca.. com até 7 cm de comprimento por 4 cm em diâmetro e pesam de 30 a 125 gramas. branca (b) e azul-claro (c) de P. maracujá-de-boi e maracujá-do-sono. (CERVI. é uma espécie trepadeira. Passiflora setacea DC. Possuem casca verde-claro com listras verde-escuro em sentido longitudinal (Figura 5a). Sinônimo P. sururuca Vell.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 a) b) c) Figura 4. Também denominada de maracujá-sururuca. Os frutos são ovalados ou oblongos. cincinnata.

confecção de sorvetes. bastante resistente a doenças causadas 222 . Segundo informações prestadas por pessoas usuárias. em Minas Gerais e Goiás. a) b) Figura 5. b) frutos maduros. os frutos da P. o nome popular de maracujá-do-sono. A P. A polpa torna-se suculenta e adquire coloração amarelo-claro ou creme (Figura 5a). doces e suco. setacea é uma espécie rústica. geléias. Passiflora setacea: a) folhas e frutos.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 agradável e suas cascas continuam rígidas e adquirem coloração verde-amarelada (Figura 5b). têm propriedades soníferas. Os frutos são muito apreciados para o consumo ao natural. setacea. quando maduros. razão pela qual recebe também.

223 . corona com cílios longos de cor violeta escuro (Figura 6a) e abrem pela manhã. causada pelo vírus CABMV e/ou PWV.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 por patógenos do solo. (2004). Geralmente são arredondados ou ligeiramente ovalados (Figura 6a e 6b). sendo necessário um estudo de aceitação por parte dos consumidores e atacadistas. Também conhecida como maracujá-de-cobra. essa espécie já vem sendo utilizada como fonte de resistência a doenças no programa de melhoramento do maracujazeiro-azedo da Embrapa Cerrados. bem como a algumas doenças da parte aérea da planta. (2004) e Braga et al. digitata. maracujá-de-cinco-pernas. No Distrito Federal. P. além de apresentar tolerância à virose do endurecimento do fruto. A principal limitação ao seu cultivo em escala comercial tem sido as dificuldades encontradas para propaga-la por sementes ou por estaquia. serrata. 1997). maracujá-de-boi. conforme relatado por Chaves et al. verrugose e septoriose. pesam em torno de 40 a 130 gramas e medem de 4 a 6 cm de diâmetro. Os mercados maiores desconhecem essa espécie. Estas características desejáveis fazem com que a P. flavicarpa) gerando híbridos férteis. durante o período de entressafra do maracujá-azedo comercial. há uma grande demanda por doces e sorvetes produzidos a partir de frutos dessa espécie. Por ser compatível e cruzar facilmente com o maracujá-azedo comercial (P. como a antracnose. fato que a torna importante para os programas de melhoramento. sépalas e pétalas arroxeadas. cearensis Barbosa Rodrigues (CERVI. palmata Lodd. São bastante uniformes quanto ao formato e ao tamanho. a colheita de frutos dessa espécie ocorre de setembro a outubro. Passiflora serrato-digitata Linn. setacea seja a espécie prioritária em estudos com passifloras silvestres do Cerrado. Possuem polpa de coloração creme-amarelada quando maduros (Figura 6b). Suas flores são esverdeadas por fora. cincinnata. edulis f. Por outro lado.. P. Pode também ser utilizada como porta-enxerto para a espécie comercial. ou seja. P. no mercado de Brasília. Sinônimo de P. essa espécie trepadeira apresenta frutos muito parecidos com os da P.

Tocantins e Bahia. Por ser mais rústica e mais produtiva do que a P. 224 . Flores e frutos (a) e frutos maduros (b) de Passiflora serrato-digitata. cincinnata. cincinnata.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 a) b) Figura 6. a P. Mato Grosso. os frutos de ambas as espécies são misturados durante a comercialização. mas seus frutos são comercializados e utilizados da mesma forma que os da P. serratodigitata é preferida para cultivos em quintais nos estados de Goiás. Em muitos casos.

podem produzir até 15 kg de frutos/ planta/ano em condições de cultivo. após desmatamentos ou queimadas. Campo sujo. Esta espécie ocorre em baixa densidade nos tipos fisionômicos compostos por vegetação primária. Passiflora serrato-digitata Linn. Brasilândia. MG. o que a torna tolerante às queimadas e à seca. com dois anos de idade. abremse pela manhã e são polinizadas por insetos. No Distrito Federal. ASPECTOS ECOLÓGICOS A P. Propaga-se por brotos emitidos a partir de raízes ou caules subterrâneos. principalmente a partir de brotações de 225 . capoeiras. MG. apesar de suas folhas serem apreciadas por bovinos. MG. de Pirapora (MG) e no Distrito Federal. Geralmente.). Bahia. cada uma tem seu tipo fitofisionômico preferido. em bordas de Cerradão ou em Matas ciliares. cujas plantas. principalmente pela mamangava (Xyllocopa spp. Arinos. A taxa de germinação das sementes ocorre na faixa dos 3%. o Cerrado e a Caatinga e o Cerrado e a Amazônia úmida. cincinnata floresce de janeiro a abril e os frutos amadurecem de setembro a novembro. As flores são decorativas (Figura 7b). Noroeste do Estado e região do Alto Paranaíba). se torna altamente susceptível ao fungo Fusarium solani. No entanto. Pirapora. ao Norte e Noroeste do Estado de Mato Grosso e nas divisas deste Estado com o Pará e Tocantins. Por outro lado. Passiflora setacea DC. Nos Municípios de João Pinheiro (MG). MG). É amplamente distribuída na região Centro-Oeste. Há acessos muito produtivos e de frutos grandes. Mato Grosso. Esta espécie pode ser encontrada em vegetação tipo Cerrado stricto sensu.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA As três espécies de maracujazeiro ocorrem no Bioma Cerrado e em áreas de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica. essa espécie pode surgir em densidades de até 60 plantas/ha. algumas populações descobertas em 1990. A produção por planta é muito variável de acordo com a procedência do acesso. MG. as plantas sobrevivem por muito tempo. aparece após as queimadas e em áreas em fase inicial de revegetação natural ou artificial. em Goiás. Campo limpo. Em seu ambiente natural. na Caatinga e em áreas de transição entre Caatinga e Cerrado. sobrevivem até hoje. Pode ser encontrada em estado silvestre na Amazônia e nas áreas de transição entre o cerrado e a Floresta amazônica e em áreas de Cerradão. Seu habitat preferido são as áreas em fase de revegetação natural. não suporta inundações por mais de 60 dias e. Nordeste e em Minas Gerais (Norte. Passiflora cincinnata Mast. João Pinheiro. nestas condições. essa espécie pode ser encontrada ao longo de valas naturais com nascentes temporárias que secam a partir de agosto. quando retiradas de frutos já amarelados. também denominadas de juquira (capoeira rala que surge nas áreas de matas ou cerrado abandonadas após o desmatamento). Pode ser encontrada nas regiões de cerrado próximo à bacia do Rio São Francisco (Montes Claros. Nestas áreas.

as plantas dessa espécie ocorrem em baixa densidade. No Distrito Federal os frutos podem ser colhidos de setembro a outubro. Em condições de cultivo no Distrito Federal. as flores são visitadas por morcegos e mariposas que. Quando caem. mas são susceptíveis à virose do endurecimento de fruto. serrato-digitata floresce de janeiro a maio e suas flores abrem pela manhã e os frutos podem ser colhidos de maio a julho. mas perde folhas durante períodos frios prolongados. no Distrito Federal. suas folhas são muito apreciadas por bovinos. ocorrem plantas na natureza com mais de 14 anos de idade. o maracujazeirocomercial (P. Ainda não há dados sobre a produção dessa espécie em condições de cultivo. atuam como os principais agentes polinizadores. resistente à seca. vigorosa. Os frutos. verrugose e septoriose. Francisco Duarte. flavicarpa) interrompe a fase de florescimento por exigir mais de 11 horas de luz. A P. A planta é muito vigorosa e apresenta boa resistência a doenças da parte aérea como a bacteriose. vegetando em ótimas condições e com boa produção de frutos. são predados por roedores. Os principais polinizadores são as mamangavas do gênero Xyllocopa. Produz flores brancas com até 8 cm de diâmetro (Figura 1) que abrem as 19:00 horas e permanecem abertas até as 8:00 horas da manhã seguinte. A P. A taxa de germinação das sementes geralmente é muito baixa. Durante a noite. a causa das dificuldades de propagação e de utilização da espécie como portaenxerto para o maracujazeiro comercial. Seus frutos são muito apreciados por morcegos e primatas que são os principais agentes dispersores da espécie. As sementes retiradas de frutos bem maduros têm taxa de germinação em torno de 80%.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 raízes/caules subterrâneos. As três espécies de maracujá-do-cerrado são fontes de alimentos e abrigos 226 . edulis f. Em seu habitat natural. Em seu habitat natural. Pesquisador da Embrapa Cerrados. época em que o comprimento do dia é inferior a 11 horas. floresce intensamente no período de junho a agosto. ou seja. Neste período. os frutos são devorados por roedores que fazem a dispersão da espécie. setacea é uma espécie trepadeira. pelo fato de conterem mais de 23% de proteína e apresentarem boa digestibilidade (Dr. esta espécie pode produzir até 24 kg de frutos por planta/ano. com menos de duas plantas/ha e não toleram queimadas. Seus frutos quando maduros são ácidos e permanecem com a casca verde ou verde amarelada. sendo esta. a P. setacea se comporta como uma planta de dias curtos. Os frutos permanecem com a casca verde quando maduros e possuem a polpa cor cremeamarelada. e não são atacados pela mosca-das-frutas e outras pragas. mas não atraem pássaros e outros animais enquanto permanecem na planta. O período da antese a colheita está em tono de 55 a 60 dias. mas suas plantas são perenes e. Nas condições do Distrito Federal. Comunicação Pessoal). quando caem da planta. provavelmente. antracnose.

Existem alguns acessos no BAG do Instituto Agronômico de Campinas (SP) e Cruz das Almas (BA) e três acessos de P. como planta ornamental (Figura 7). conforme preconizado por Braga et al. Há riscos. de introgressão de genes da espécie comercial P. roedores. primatas e insetos. que pode variar de amarelo -claro a creme. ao formato dos frutos e à cor das flores e da polpa. a P. auto-incompatíveis e possuem grande variabilidade entre populações quanto ao vigor. também. 2004. um de P. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO As três espécies podem ser utilizadas para consumo ao natural. ser utilizadas em áreas de reservas legal ou permanente e para enriquecimento de áreas degradadas ou não. também. desde que essas áreas não sejam visitadas por bovinos e por outros animais herbívoros de grande porte. geléias e sucos e. RECURSOS GENÉTICOS As três espécies são alógamas. Chaves et al. cincinnata e a P. cincinnata na coleção de trabalho da Embrapa Cerrados. As plantas podem servir como porta-enxerto para o maracujá-azedo comercial. também. 227 . devido à expansão de plantios comerciais próximo ao habitat natural destas espécies. As três espécies ocorrem com bastante freqüência em seus habitats naturais e. Destas. flavicarpa. há disponibilidade de germoplasma.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 para muitos animais selvagens como morcegos. mas coletas e conservação são necessários para se obterem maiores conhecimentos sobre estas espécies. setacea parecem ser as mais ameaçadas pelos desmatamentos. 2006. serrato-digitata e seis de P. portanto. confecção de doces. setacea. edulis f. Poderão. 2004 e Junqueira et al.

De fácil obtenção e cultivo. sendo. cincinnata: doces de frutos encontrados em feiras e mercados de beiras de rodovias de Goiás e Bahia (a). utilizado na medicina popular e cosmética. As folhas de diversas espécies de maracujá são reconhecidas como fontes potenciais de 228 . P. o maracujá apresenta potencial de utilização diversificado. também.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 a) b) Figura 7. potencial ornamental (b).

as sementes perdem rapidamente o poder germinativo. TECNOLOGIA PÓS-COLHEITA Os frutos da P. semeadas. Bahia. Em alguns casos. Os frutos são muito aromáticos.. Na espécie P.6 mg/100g) (FRANCO. mas ainda não há resultados definitivos. Após este período. serratodigitata. A partir desse período começam a murchar e podem ser infectados pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. a orientina e a vicenina (DHAWAN et al. Os frutos devem ser. A P. devem ser. plantas de P. vitamina B2 (100 μg/100g).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 compostos fenólicos e de outros fitoquímicos bioativos. podendo permanecer em ótimo estado por mais de 20 dias após a colheita. no máximo. INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Coleta e preparo das sementes. 2004). as sementes são colocadas para secar sobre papel absorvente por. em condições ambientais. vitamina PP (1. Depois de certificar-se que os frutos estejam mesmo maduros. Os frutos da P. Geralmente são utilizados para confecção de doces. imediatamente. pois. depois de secas. setacea ainda não foi vista em condições de cultivo. apanhados no chão. Não há informações sobre métodos de conservação de sementes destas espécies. cladosporiose e outros (Junqueira et al. serrato-digitata cultivada em quintais e jardins. 2005). edulis f. produtivas e vigorosas. A maioria dos frutos comercializados em feiras e pequenos mercados da região é obtida de forma extrativista. 1992). cincinnata e P. setacea vem despertando interesse de pesquisadores por apresentarem propriedades soníferas. flavicarpa) pode ser considerada uma boa fonte de vitamina B1 (150 μg/100g). doces. geléias e sorvetes. A polpa de maracujá-azedo (P. setacea são mais sensíveis e permanecem em boas condições até uma semana depois de colhidos no chão. sucos. Em seguida. 229 . Nos estados de Tocantins. Goiás e Distrito Federal é comum encontrar P. as sementes devem ser lavadas e passadas em uma peneira fina ou em liquidificador adaptado para a retirada da mucilagem que as envolve. geralmente. As sementes devem ser retiradas de frutos de plantas sadias. certamente por ser uma espécie de fácil propagação por sementes. cincinnata também são mantidas em cercas e roçados para produção de frutos. baseadas em conhecimentos populares.5mg/100g) e ferro (1. foram identificados a serratina. glicosídeos e alguns flavonóides. VALOR NUTRICIONAL Não há informações sobre o valor nutricional de frutos das espécies mencionadas como maracujá-do-cerrado. serrato-digitata têm boa resistência póscolheita. preferencialmente. 24 horas. podendo apresentar até 20 ºBrix e pesam de 30 a 126 gramas. causador de antracnose. como a vitexina. mas a P.

Acredita-se que o pH ideal para o cultivo destas três espécies esteja entre 5. da fórmula NPK 4-14-8. por planta em fase produção. 20 litros de esterco-de-gado curtido. O plantio em campo deve ser efetuado quando as mudas atingirem 30 a 40 cm em altura. O espaçamento entre linhas deve ser de. Depois de cheios. 2. Utilizam-se espaldeiras verticais de 1. O período necessário para a germinação vai variar com a temperatura da época. com dimensões de 15 a 20cm de comprimento por 12 a 20 cm em diâmetro de boca. mensalmente. pois estas três espécies não desenvolvem bem em solo com pH alto.2 a 5. As regas devem ser diárias até a germinação das sementes. Cada saco de plástico ou recipiente deve receber em torno de 4 sementes. entre as plantas. 100 gramas de NPK . As adubações podem ser feitas aplicando-se. O substrato deve conter uma mistura de 20 litros de areia de rio. Depois. aproximadamente. Nesta mistura devem ser adicionados 600 gramas do adubo NPK (4-14-8)+ Zinco. fórmula 10-10-10. Preparo do solo para o plantio definitivo. Durante o crescimento. A condução das mudas pode ser feita seguindo-se o modelo adotado para o maracujazeiro-azedo comercial. deve ser de 3 a 5 metros. O substrato para as covas deve ser composto de 3 a 5 litros de esterco-degado curtido ou 2 a 4 litros de esterco-de-galinha poedeira e 200 gramas por cova. no mínimo. Após o semeio. no máximo. 60 litros de terra normal livre de sementes de plantas daninhas e com 30 a 40% de argila. Quanto mais alta a temperatura. durante o período das chuvas. mais rápida será a germinação. mas pode levar de 30 a 120 dias. deve-se efetuar uma análise do solo. Caso seja um solo arenoso. passando pelo topo das estacas. Depois de bem misturado.20 metros de altura. o substrato deve ser colocado em sacos de plástico preto apropriados para mudas. não é necessário colocar a areia de rio. colocar uma camada terra peneirada de. As três espécies apresentam boa tolerância a pragas 230 . com um fio de arame galvanizado n. Após a germinação.80 a 2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 Preparo do substrato para o semeio. Antes do plantio. O preparo do solo deve ser feito conforme o recomendado para o maracujá comum. pois as plantas dessas espécies não toleram solo encharcado e morrem.5 metros e.8. o broto terminal deve ser cortado para forçar a brotação lateral. o substrato deve ser bem molhado e colocado em ambiente a sol aberto ou protegido por sombrite com. deve-se tomar o cuidado para não encharcar o substrato. As colheitas deverão ser iniciadas entre 12 a 15 meses depois do plantio. os brotos laterais devem ser retirados até a planta atingir o fio de arame. 50% de sombra. Doenças e pragas. 1 cm de espessura sobre as sementes. As covas devem ter dimensões de 30 a 40 cm de profundidade x 30 a 40 cm de largura e comprimento. 12 esticado.

setacea têm maior potencial por apresentarem melhor aparência. As demais espécies não mostram sintomas aparentes. os frutos de P. Quanto à periodicidade de oferta. mas sem causar prejuízos.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 e doenças. geralmente. são ofertados de agosto a novembro. MG.00 por kg. INFORMAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS Por serem rústicas. setacea e da P. vaquinhas e lagartas em plantas adultas. geralmente. Nenhuma dessas espécies tolera solo encharcado e inundações por períodos prolongados. O doce é muito saboroso. João Pinheiro. enquanto os P. MG. mesmo quando as plantas estão próximas de plantios comerciais de maracujazeiro-azedo. cincinnata. serrato-digitata pode ser infectada pelo vírus do endurecimento do fruto e mostrar sintomas de mosaico leve ou ligeiro amarelecimento foliar. MG. que causam danos quando as plantas ainda estão pequenas. As principais pragas observadas nestas espécies têm sido as formigas cortadeiras e as lagartas. setacea. Não foram observados. ainda. É comum encontrar percevejos. para colocá-los em mercados maiores é necessário um trabalho de divulgação e de marketing. Nas plantas adultas. A P. cincinnata misturados com os de P. serem mais aromáticos e mais saborosos. para os frutos de P. não têm sido verificados ataques expressivos de pragas ou doenças. Quanto à aceitação pelo consumidor. adquirir grande importância social e ambiental por gerar emprego e renda em áreas marginais para a agricultura convencional e dispensar o uso de defensivos agrícolas. No entanto. Manejo de pragas e doenças. e Chapada Diamantina. Nas feiras livres da cidade de Barreiras. num futuro próximo. por apresentar rusticidade. os frutos da P. tolerantes a pragas e doenças e por apresentarem boa produtividade. e Montes Claros. resistência à seca. serrato-digitata são vendidos ao preço de R$3. setacea tem despertado grande interesse por parte da comunidade científica. Por outro lado. Frutos. Preços similares são praticados nos municípios de Pirapora. às pragas e às doenças em campo. como é feito com qualquer outra fruta. de bela aparência e normalmente é vendido no varejo por R$ 8. estas espécies poderão. são comercializados em feiras livres e em pequenos mercados de beira de estradas. mas sem causar danos.00 a R$ 10. BA. serrato-digitata podem ser ofertados de maio a novembro. floração em períodos de entressafra do maracujá 231 . ataques de pragas ou doenças que possam comprometer a produtividade e a qualidade dos frutos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Entre as três espécies descritas. a P.00 a R$5. frutos da P.00 a barra de 500 gramas. BA. geléias e doces dos frutos destas três espécies. produtos processados podem ser ofertados em qualquer época do ano. Elas podem ser controladas por catação manual durante as visitas ao plantio.

Estudo do gênero Passiflora L. RESENDE. de. flavicarpa comercial x P. Limitações como as dificuldades para propagá-las por semente ou por estacas e a baixa produtividade de frutos na natureza. V. n.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 comercial. C. subgênero Passiflora. 1997. M. 1 ed. T.. A. flavicarpa.. v. Maracujá: germoplasma e melhoramento genético. pouco se conhece sobre sua fenologia.. 2000. v. F. MELETTI. Passifloraceae do Brasil. 120-123. p. Planaltina. FIALHO. D. Além disso. R. Braga. (Org. L. T. M. F. também confere a esta espécie grande interesse para utilização de seus frutos em aplicações fitofarmacêuticas. Revista Brasileira de Fruticultura.. In: Fábio G. CHAVES. portanto. N. SC. Nilton T.M. I. L. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERNACCI. se conhece muito pouco ou nada sobre elas. N. JUNQUEIRA. Jaboticabal: Sociedade Brasileira de Fruticultura. J. JUNQUEIRA. V. de. seus possíveis efeitos terapêuticos. G. 2005. MANICA.. F. A. Espécies de maracujá: caracterização e conservação da biodiversidade. A. PEREIRA. p. A. SOARES-SCOTT. Somente as coletas e a manutenção destas em Bancos de germoplasma podem contribuir para preservá-las e para se obter maiores conhecimentos sobre seus potenciais agronômicos e farmacológicos. CERVI. V. V. PEIXOTO. setacea. J.). É uma espécie pouco estudada e. 2004. edulis f.flavicarpa) em estacas herbáceas enraizadas de passifloras silvestres.. É importante ressaltar que no Cerrado e em áreas de transição existem várias espécies de passifloras que nunca foram estudadas e. Belo Horizonte. são necessárias pesquisas agronômicas e farmacológicas. Madrid: Fontqueria XLV. T. 92 p. 18. DF: Embrapa Cerrados. por esta razão. G.. V. Florianópolis. Faleiro.. N. A.. T. fizeram com que os humanos as deixassem de lado.. CABRAL. 2004. Para tal. Junqueira. M. características nutricionais e seu comportamento sobre condições de cultivo. T. Marcelo F. N. A. SOUSA. 1. 2004. V.. PASSOS. boa produtividade e frutos bem aceitos no mercado para consumo ao natural e/ou processado.. o que a torna importante para os programas de melhoramento genético. R. 232 .R. 21. bem como estudos sobre sua variabilidade genética.. p. JUNQUEIRA. Esta espécie também é compatível em cruzamentos com P. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. BRAGA.D.. FALEIRO. em relação a distúrbios do sono segundo informações de populares.. 26.. ALMEIDA. BRAGA. JUNQUEIRA.. 559 -586. Informe Agropecuário. da S. Potencial de outras espécies do gênero Passiflora. 72-75. I. Enxertia de maracujazeiro-azedo (Passiflora edulis f. Cruz Das Almas. A. Desempenho agronômico de um clone de maracujazeiro azedo propagado por estaquia e enxertia em estacas enraizadas de um híbrido F1 de Passiflora edulis f. M.M. Anais .. C. C.

CENTURION. R. A. KRAHL. D. 2004. Reação de doenças e produtividade de um clone de maracujazeiro-azedo propagado por estaquia e enxertia em estacas de passiflora silvestre. BORGES. M. P.. Tabela de composição química dos alimentos. 179 p. O. Maracujá: espécies. SHARMA. R. D..da C.. 2004. Jaboticabal: Sociedade Brasileira de Fruticultura.). K. J. S. N. 1997. I. Maracujá: produção e mercado.. M. Vitória da Conquista: UESB. 18. M. 1994. 1992. DHAWAN.. cultivo. L. A. L.. A. A. R. 2004. MELETTI. ed. SOUZA. M. D. PEIXOTO. G. Anais . M. J. T. K. 27-28. B. 8. ANDRADE. Passiflora: a review update. variedades. T. Lausanne.. NAKAMURA.. v.. S. (Ed. BRAGA. 1–23. M. A.. F. p.. Florianópolis.. Piracicaba: FEALQ. São Paulo: Atheneu.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 13 DHAWAN. LAGE. B. J. Aspectos gerais do melhoramento do maracujazeiro. JUNQUEIRA. C. MAURO... 94. de. Journal of Ethnopharmacology. p. A. V. In: SÃO JOSÉ. SILVA. S.. 233 . OLIVEIRA. FRANCO. SC. L. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. de. C.

.

.

murici-rasteiro.) DC). orelha-de-burro. 2001). NOME CIENTÍFICO: Byrsonima verbascifolia (L. muricipequeno. Figura 1. F. 236 . Ribeiro. muriciaçu.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 MURICI Graziella Garritano Camila Lopes Jorge Ana Paula Soares Machado Gulias NOMES COMUNS: Orelha-de-veado. Foto: Projeto CNBBC cedidas por J. murici-casendo. murici-da-mata (CORRÊA. murici-guaçu (CAMARGOS et al. murici-branco.) DC. Frutos imaturos de Murici (Byrsonima verbascifolia (L. murici-dechapada. murici-grande. embirici. murici-de-tabuleiro. muricizão (SILVA JÚNIOR. Sinonímia: Malpighia verbascifolia L.. 2005). douradinha-falsa. 1984) (Figura1).

237 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 14 A família Malpighiaceae possui 66 gêneros e 1200 espécies (Judd. coriáceas. retidoma de cor cinza-claro. 2005).) C. 2005). 2005). A família é facilmente reconhecida pela presença de nectários extraflorais dispostos aos pares na base das sépalas da quase totalidade das espécies (CASTRO. pilosas em ambas as faces. como é o caso do Banisteriopsis caapi (Spruce ex Griseb. Figura 2. No Brasil ocorrem 38 gêneros e aproximadamente 300 espécies (CASTRO. Estípulas intrapeciolares ou axilares.) DC. Algumas espécies de Malpighiaceae possuem folhas referidas como alucinógenas. utilizadas em rituais de caráter religioso (CASTRO. As Malpighiaceae possuem grande potencial ornamental. 1999). Ribeiro. 2005). 1999). simples. ainda pouco exploradas do ponto de vista econômico (CASTRO.Morton. ainda subutilizado. Do ponto de vista econômico destaca-se a acerola ou cereja-das-antilhas (Malpighia glabra). Foto: Projeto CNBBC cedidas por J. 2005). DESCRIÇÃO Árvore ou arbusto hermafrodita.) também possui frutos comestíveis. obovatas a suborbiculares. O murici (Byrsonima spp. medindo de 4 a 6 m.V. com fissuras descontínuas e sinuosas que formam placas irregulares (SILVA JÚNIOR. opostas. nativa da América Central e já bastante popular no Brasil. Folhas de 14-20 cm de comprimento por 6-12 cm de largura. tronco freqüentemente tortuoso com diâmetro de até 17 cm. F. existindo diversas espécies nativas do Brasil. Byrsonima verbascifolia (L. O Gênero Byrsonima possui 150 espécies (JUDD. Copa com ramos terminais de crescimento nodular (Figura 2).

Figura 3. desiguais. principalmente no Cerrado sensu stricto e Campos Cerrados.) DC. também. Bahia.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 Inflorescência racemo terminal (Figura 3). Inflorescência de Byrsonima verbascifolia (L. amarela.5 cm de diâmetro. drupa globosa. ungüiculadas. glabra. zigomorfas. Goiás. 238 . filetes unidos na base. Fruto de até 2 cm de diâmetro. uma a três por fruto. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A espécie tem ampla distribuição nos cerrados brasileiros (RATTER & DARGIE. amarelo na maturação. de polpa suculenta e adocicada. 5 pétalas. corola amarela ou alaranjada após polinização. Foto: Projeto CNBBC cedidas por J. 1992). Ribeiro.5 cm de diâmetro. livres. F. mesocarpo carnoso. dispostas em espigas alongadas. 5 sépalas com 4 pares de glândulas na base. São Paulo. Ocorre no Distrito Federal e nos Estados do Mato Grosso. anteras rimosas. na Mata Atlântica. Flores com cerca de 1. 10 estames. Mato Grosso do Sul. Minas Gerais. pediceladas. Tocantins e Paraíba (Figura 4). Semente de até 0.

dentre as quais pode se destacar: Cerconata achatina Zeller. Adaptado a solos com presença de alumínio. A frutificação ocorre entre outubro e fevereiro em áreas de cerrado1 (SILVA JUNIOR. verbascifolia esteve ricamente presente no cerrado de encosta da vegetação do Estado do Tocantins. ASPECTOS ECOLÓGICOS Árvore “sempre verde” de densidade variável. UB (Universidade de Brasília). Gonioterma indecora Zeller. 2005) e a partir de dezembro observa-se a maturação dos frutos na região Centro Sul (LORENZI. Em um estudo realizado por Fielder et al. Os principais vetores de polinização são abelhas de médio e grande porte dos gêneros: Centris. abelhas pequenas dos gêneros TrigonaI. que protegem as gemas apicais. pois apresenta folhas densamente pilosas agrupadas no ápice dos ramos. B. causando lesões marrons circulares de formato irregular. Foram amostradas 89 exsicatas. nas regiões de cerrado. São freqüentes. Augochloropsis. verbascifolia a ocorrência de vassoura-de-bruxa. Epicharis e Bombus. porém caem facilmente e são alvos de predadores (Almeida et al. sendo que a presença de frutos maduros se dá por um período de dois meses. RB (Jardim Botânico do Rio de Janeiro). Paratetrapedia e outros (BARROS. G. 2002). 2002). sendo que. também. 2005). 1998). (2004) sobre os efeitos de incêndios florestais na estrutura e composição florística de uma área de cerrado sensu stricto foi constatado que a espécie foi uma das primeiras a florir logo após as queimadas.. há aumento dessa taxa (SILVA JÚNIOR. quando imersas em ácido giberélico (2g/l por 24 horas). A floração ocorre entre agosto e dezembro em áreas de cerrado (SILVA JÚNIOR. que danifica as flores e impede a formação dos frutos. Tetragona. A produção de frutos é alta e irregular. 239 . 2005). não foi observada em B. A planta é parasitada por cerca de 21 espécies de larvas de lepidóptera. A dispersão das sementes é feita por aves e por outros animais (SILVA JÚNIOR. Apis. Dianese et al. Em um levantamento fitossociológico realizado pelo SEINF/SEPLAN (2005)..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 Os dados utilizados para a elaboração do mapa foram obtidos em levantamentos nos herbários: CEN (Embrapa/ Cenargen). verbascifolia. responsáveis pela coleta de pólen e óleo. 1992). 2005) e entre agosto e novembro na região Centro Sul (LORENZI. Diferentemente de outras espécies. (1998) observaram que a frutificação ocorre geralmente de outubro a fevereiro. exquisita Duckworth e Timocratica melanocosta Becker (Oecophoridae) 1Almeida et al. A taxa de germinação é de 3%. dependendo da fitofisionomia e da região. UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). (1995) encontraram o fungo Phyllosticta associado em folhas de B.. Henriques (1993) verificou crescimento vegetativo nessa espécie de 10 a 20 cm de distância entre caules. o murici suporta bem o clima do cerrado.

por apresentarem pequenas quantidades de pêlos na superfície foliar. caninius Druce (Lycaenidae). 240 .. a predação ocorre. al. para tratamento de água e esgoto (SILVA. Mapa de distribuição da Byrsonima verbascifolia (L. aglutinando-os por precipitação no meio. Assim. possuem a capacidade de adsorver metais dissolvidos em água. em comparação com as folhas jovens.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 (ANDRADE et. é de grande utilidade como floculante. Os taninos (grupo químico de compostos poliidroxifenólicos). 1999).) DC. Figura 4. em folhas maduras da planta. De acordo com Southwood (1986). que são naturalmente encontrados em árvores de B. verbascifolia. 1999). na maioria das vezes. Em um estudo feito por Diniz & Morais (2002) observou-se que as flores e os botões florais foram predados por Thecla ca.

2 A espécie apresentou poder calorífico superior acima da média e pode ser considerada como uma das prioritárias para uso. (1996) que ocorrem com ampla distribuição no Brasil Central. usado para aromatizar bebidas regionais.. sendo. plantio e manejo energético do cerrado (Fellfili et al. a casca é antidiarréica. 2002). carboidrato e vitamina C (Tabela 1). sucos. a laranja-pêra e o limão. É tóxico em doses elevadas. geléias. Apresenta maior teor de vitamina C do que o brócolis. O fruto agridoce é comestível e muito apreciado pelas comunidades rurais.. Contém 15 a 20% de tanino (Brandão. além de facilitar a polinização cruzada. 2002). 1991). quando ingeridos com açúcar. também. Na medicina popular. esporadicamente. 2002). Os frutos. Da semente é extraído um óleo utilizado pela indústria alimentícia e farmacêutica (Faria et al. A madeira é acetinada. O murici vem sendo explorado de forma extrativista em agrupamentos nativos (SOUZA et al.. a absorção do ferro é potencializada pela presença dessa vitamina. A casca.. é indicada para serviços de marcenaria de luxo. por ser adstringente. lenha e carvão2. 2004) e está entre as 18 espécies listadas por Ratter et al. artefatos e algodão. emético e diurético.. sendo seu teor comparável ao da couvemanteiga (92 mg). ser empregada como ornamental (GAVILANE et al. para esse fim. 2003) e. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO Árvore melífera. 1998) podendo. pavês e sorvetes. pois. A espécie possui potencial forrageiro (ALMEIDA et al. fornecem um laxante brando. A associação do ferro e da vitamina C é benéfica. O ramo com folhas é anti-sifilítico. sendo citada por Barros (1992) como cleistogâmica e de elevado índice de compatibilidade o que. 1991). favorece a variabilidade genética dentro das populações. antigamente era muito utilizada para curtir o couro. febrífuga e adstringente. é cultivado em pomares domésticos (LORENZI. Devido às pequenas dimensões disponíveis. Uma boa estratégia para a preservação da espécie seria a conservação in situ por meio de Unidades de Conservação. a laranja-bahia. O fruto destaca-se como fonte de ferro. VALOR NUTRICIONAL O murici é uma boa fonte de energia por apresentar alto teor de gordura (Ministério da Saúde. também. segundo Franco (1999). fibra. no fabrico de doces. celulose. pudins. brilhante e possui coloração de amarela a avermelhada. além de serem utilizados para combater tosse e bronquite.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil RECURSOS GENÉTICOS Capítulo 14 A espécie apresenta taxa de autogamia. bem como para a extração de corante preto usado no tingimento de tecidos. 241 . licores.

2005). Produção. logo que colhidas. em piçarras. Solos. verbascifolia se desenvolve bem em solos areno-argilosos. Realizada nos meses de dezembro a abril (CAMTA. mas já foram encontrados exemplares vegetando normalmente em solos arenosos e muito argilosos e. que pode ser imediatamente utilizado ou acondicionado em sacos plásticos e conservado na forma de polpa congelada (ALMEIDA. raramente. 1983.04 0. em canteiros a pleno sol. B2 Vit.. a produtividade alcançada nesses plantios chega a ser muito boa. 2005).4 (g) 1. 1983). passando pela peneira sobre o vasilhame de boca larga (bacia ou balde plástico). 2001). 242 Niacina Retinol fósforo Lipídio Cálcio Vit. 1998). até mesmo.C fibra . 1994).. 1983). macerá-los e espremê-los. contendo substrato arenoso. preferindo aqueles que possuem uma boa drenagem (GOMES. Clima. TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA O processamento caseiro é feito após a lavagem. Com as mãos. O número de sementes por saco de polietileno varia de 4 a 5 e a profundidade da semeadura é de 3 cm (Silva et al. em média. dessa forma. 1999. Espaçamento. ficando em torno de 4. 15 kg de frutos por ano. Como cada planta pode produzir. A produção de sementes é de 1200-3000/kg (SILVA et al.91. possuindo uma pluviosidade mínima de aproximadamente 600 mm.4 Fonte: ENDEF.214. trazendo um retorno razoável para aqueles produtores que queiram introduzir a cultura em suas terras (GOMES.4 (g) 2.21.200 kg de frutos por hectare por ano . cerca de 280 plantas / ha (GOMES. No entanto. Valor nutricional do Murici. por mudas. resultando. Colheita. A B. 1981. Carboidrato equivalente Capítulo 14 Proteína Energia (Kcal) 61-66 (g) 0. com ventilação constante (GOMES. Franco.3 (g) 11.2 (mg) (mg) (mg) (mcg) (mg) (mg) (mg) 192 17 7 0. As sementes devem ser colocadas. sabe-se que a planta não tolera solos encharcados. Deve ser quente e úmido. EMATER/ RO. O recomendado em plantios racionais é de 6 X 6 m. A brotação ocorre de 4 a 8 semanas. deixando os frutos escorrendo. 1983).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Tabela 1.02 84 33 (mg) 0. B1 Ferro Vit. ou diretamente em embalagens individuais com substrato organo-arenoso. Feito por sementes e. INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO Plantio. Na peneira ficam retidas as cascas e as sementes e no vasilhame o suco.

ANDRADE. A espécie pode ser uma alternativa rentável e ecologicamente desejável para o uso. J. além da geração de renda extra. C. E. mel e do seu uso medicinal. CR. o que. Cerrado: aproveitamento alimentar. S. Planaltina.. P. manejo e conservação do solo em áreas assentadas. as plantas de B.. viabilizando e proporcionando às famílias assentadas alternativas para a produção de alimentos. MORAIS. S.. no uso.00 (Comunicação pessoal obtida com Felipe Ribeiro – Embrapa.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA. M. 1998. Seu rendimento por hectare chega a R$ 13. B.. 2003).. além de baratear os custos de produção. 464 p. tornam o murici uma fruta de consumo seguro. PROENÇA.500. San Jose. De acordo com um estudo feito por Gomes (1983). Pode ser usada como planta ornamental e. 47. por meio da venda de produtos semiprocessados (Souza et al. S. Cerrado: espécies vegetais úteis. é rico em vitamina C e tem sabor e cheiro característico. 243 . o manejo e a conservação do solo. (2003). verbascifolia estão livres da utilização de defensivos agrícolas. R. evidenciando-se seu alto potencial para o cultivo no solo do litoral do Ceará. C. P. Richness and abundance of caterpilars on Byrsonima (Malpighiaceae) species in an area of cerrado vegetation in central Brazil. RIBEIRO. Planaltina. IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA A caixa do murici é comercializada no valor de R$ 25. DF: EMBRAPACPAC. móveis. DINIZ. não requerendo grandes cuidados nos tratos culturais. v. C. 4. 1999. Revista de Biologia Tropical. muitas delas comuns desde tempos bastante antigos. Tratos culturais. Por se tratar de uma espécie de múltiplas funções. por meio de produção de corantes.00. F. foi comprovada a elevada taxa de sobrevivência e a notável adaptabilidade do murici em neossolo quartzarênico (solos arenosos). O fruto possui a casca e a polpa de um amarelo intenso. I. alimentos in natura. CONSIDERAÇÕES FINAIS O homem regional aprendeu a dar ao fruto do murici variadas utilidades. DF: EMBRAPA-CPAC. SANO. 188 p. também. H. É uma espécie de elevado potencial econômico e de fácil cultivo. ALMEIDA. apresenta potencial para geração de renda para as famílias da região Centro-Oeste. VAN DEN BERG. n. 1998. I. 2005).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 Em um trabalho realizado por Souza et al. no que diz respeito às contaminações por parte desses defensivos..

52. 168. DINIZ. R. n. H. Maracay. INÁCIO.. 2005. p. 2005. SP: Instituto Plantarum. CAMARGOS. Acesso em: 17 out. estratégias reprodutivas e polinização de espécies simpátricas do gênero Byrsonima Rich (Malpighiaceae). Ministério da Saúde. A Phyllosticta species on leaves of Byrsonima verbascifolia collected at Estação Ecológica das Águas Emendadas.com.br/especiais/frutasnobrasil/murici. Fenologia da floração. C. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. amazon. A. Acesso em: 18 out. n.. Dispersão de plantas lenhosas do cerrado . M. ago. 1995. FARIA. G. Catálogo de árvores do Brasil. G. A. CAMTA – Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu. Disponível em: <http://www. C.futuro. BIBLIOTECA VIRTUAL DO ESTUDANTE BRASILEIRO.. M. IONASHIRO. EMATER-RO. 173. S. Revista Brasileira Biologia.. 541-542. Comunicação e Educação. L. supl. OLIVEIRA. MEGUERDITCHAN. M.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 BARROS. A. Disponível em: <http://www. Belo Horizonte. ANTONIOSI 244 . v. de. I. 1984. p. DIANESE. V. 33-35. LORENZZI.br/Murici. Brasília. BRANDÃO.II . 2. 2002. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. D. p. SANCHEZ. 2.MURICI. 115-119. Brasília: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis. Nova Odessa. Brasília. Disponível em: <http://www. 1992. 2005. CZARNESKI. BRANDÃO. 38-46. 17. CUNHA. Botânica sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira. Alimentos regionais brasileiros. I. p 354-357. n. Belo Horizonte. de S. E. M. M. v. p. LELES. C.br/camta/>. H. 846 p. 312-313. Local pattern of hosts plant utilization by lepdoptera in the cerrado vegetation. 16. de.emater-rondonia. P.. V. Informe Agropecuário.. DF. Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia .germinação e desenvolvimento. Murici.. v. BRASIL. ZUPPA. mar. J. CASTRO. ago. 2005. 21).html>.. Plantas produtoras de tanino nos cerrados mineiros. Brasília. Laboratório de Produtos Florestais. 1992. (Série F. v. 2. 2001. T./abr. CORADIN. 15. v. 2002. ed. RJ... A. 20. n. I.. DF: IBDF. CORRÊA. DF. 2. T. p. VE. Rio de Janeiro. O. H. MORAES.. H. htm>. Fitopatologia Brasileira. R. 342-353.bibvirt. p. Informe Agropecuário. J.com. M. M. v. 1991. n. C.usp. Acesso em: 17 ago. Entomotrópica.

v. São Paulo. 61. 21-28.. (Editores Técnicos) Cerrado: ecologia e caracterização. 1. Plantas da formação do cerrado com possibilidade para ser empregadas como ornamentais em Minas Gerais. Belo Horizonte. Edinburgh J. 6. Acesso em: maio 2006. CAMARGO. A. A. 446 p.. Estudo nacional da despesa familiar .scielo. 100 p..scielo.. C. J. 28. REZENDE. In: AGUIAR. CAMPBELL. jan. H. C. 1992. Revista Árvore. 384 p. AZEVEDO. STEVENS. v..J. H. . Acesso em: abr.T. 1993. J. 1981. do.. B. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. p. 27. N. 9. 2006. Estudo da estabilidade térmica de óleos e gorduras vegetais por TG/ DTG e DTA. 235-250. JUDD. Belo Horizonte. n. P. C. Bot..M. Organização de estrutura das comunidades vegetais de cerrado em um gradiente topográfico no Brasil Central. SP: Instituto Plantarum.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 FILHO. (2004). A. SP: Nobel. B. Frutos comestíveis nativos do cerrado em Minas Gerais. Nova Odessa. 2004. G. Fruticultura brasileira. F./fev. Informe Agropecuário. R. de. p.php?script=sci_arttext&pid=S0100-676 22004000100017&lng=en&nrm=iso>. I. 2002.br/scielo. P. RIBEIRO. ed. 9-18. Viçosa. Marília. SP: Editora Atheneu. DARGIE. de S. São Paulo. SP. C. Tese (Doutorado) . 15. 168. 2. R. v.. v. ed. 137 p. LORENZI.M. 11. RATTER. ed . Tabela de composição química dos alimentos. 268-271. FRANCO.C. Disponível em: <http://www. São Paulo. 245 . 1983. BRANDÃO. A. V. N. HENRIQUES. 2. 2002. M. 1999.S. An analysis of the floristics composition of 36 cerrado areas in Brazil. M..A. E. IBGE. J. CARDOSO. 307 p.. GAVILANE. p. S. MG.F.Universidade de Campinas. FERREIRA. Potencial econômico da bioiversidade do Cerrado: Estádio atual e possibilidade de manejo sustentável dos recursos da flora.br/scielo. Plant systematics: a phylogenetic approach. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. M. U. 1999. Rio de Janeiro.. R. SP. S. Campinas. – Planaltina.ENDEF: tabelas de composição dos alimentos. Sunderland. n. N. Informe Agropecuário. A. L. 1991. Efeitos de incêndios florestais na estrutura e composição florística de uma área de cerrado “sensu stricto” na Fazenda Água Limpa – DF. p. BORGES FILHO. 249p. n. D. 1980. C. VALE. Eclética Química. L..177-217. T. FIELDER. v. W. KELLOGG. Disponível em: <http://www. de.: Sinauer Associates.php?script=sci_arttext&pid=S0100-4670200200010001 0&lng=pt&nrm=iso>. FELFILI. v. p. GOMES. P. 49. DF: Embrapa Cerrados.

A. SILVA. JUNQUEIRA.br/dma/areas_protegidas/ site/lajeado/EIA-RIMA_CRVPEL/RIMA/Capitulo10_3_diag_flora. C. 1994. Frutas do Cerrado. C. T. S. S.A. 1986. 278 p. Edinburgh. 53. 166 p. T.. B. 2003. SILVA. 153-180.. 15. Estudo da tratabilidade físico-química com uso de taninos vegetais em água de abastecimento e esgoto. R. 1-22. da. Analysis of the floristic composition of the Brazilian cerrado vegetation II: Comparison of the woody vegetation of 98 areas. D. da. J.seplan. M. ATKINSON.gov. Brasília. Insects and the plant surface. da. 2001. L. J. R. DF: EMBRAPA-SPI. p. 2.F. 2005. DF: Embrapa Informação Tecnológica. J. JUNQUEIRA. Edinburgh Journal of Botany. de. N. SOUTHWOOD.. V. p. de. T. SILVA.pdf>. F. R.. N. D. Planaltina. DF: EMBRAPA-CPAC. 246 . SEINF/SEPLAN.1996. J. ANDRADE. Brasília. L. DF: Ed. 178 p. 2005. Acessado em: 17 ago. BA. Manejo de neossolo quartzarênico e seu potencial de cultivo com murici (Byrsonima crassifolia) em assentamentos de reforma agrária do litoral do Ceará. T. R.. Tese (Mestrado) Fundação Oswaldo Cruz. Rede de Sementes do Cerrado. ANDRADE.. SOUZA. BRIDGEWATER. M./ dez. jul. SILVA. L. 1999. (Eds). RJ. M. J. v. B. In: JUNIPER.. n. SILVA JÚNIOR. SILVA.to. RIMA – Centro de Recepção de Visitantes do Parque Estadual de Lajeado. v. Cruz das Almas. F. Magistra. da.. J. Escola Nacional de Saúde Pública. B..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 14 RATTER. Frutas nativas dos Cerrados. V. RIBEIRO. A. Rio de Janeiro. J. R. Brasília. Plant surfaces and insects – an overview. 100 árvores do Cerrado: guia de campo. Baltimore: Edward Arnold. Disponível em: <http://www. SILVA. R. SILVA. da. E. S. 88 p. SOWTHWOOD.

.

piquiá-bravo. pequerim. 1972. brasiliense.. 2002) (Figura 1).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 PEQUI Paulo Sérgio Nascimento Lopes Ailton Vitor Pereira Elainy Botelho Carvalho Pereira Ernane Ronie Martins Rogério Carvalho Fernandes NOMES COMUNS: Piqui (MT). devido à grande semelhança no uso e exploração dessas espécies.. pequiá. suari. apesar de que muitas informações são adequadas às outras duas. mostrando o mesocarpo externo e a polpa comestível em 5 caroços. NOME CIENTÍFICO E SINONÍMIA: Caryocar brasiliense Camb. a primeira espécie é considerada a mais importante do ponto de vista sócio-econômico. MENDONÇA et al. coriaceum Wittm e C. 2005). neste trabalho. Fruto de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb. Figura 1. será abordada somente a espécie C. Nos cerrados brasileiros são encontradas três espécies: Caryocar brasiliense Camb. 248 . C. Contudo. Foto: Paulo Sergio Nascimento Lopes. grão-de-cavalo. pequi (MG. cuneatum Wittm. Portanto. sendo as outras duas restritas a algumas áreas dessa região (BARRADAS. piquiá (Lorenzi. em função de sua maior ocorrência. pequiá-pedra.) cortado transversalmente. SP). amêndoa-de-espinho.

com porte retilíneo e mais alto. a) Caryocar brasiliense com porte por volta de 5 metros. 249 . e Anthodiscus G. Fotos: Paulo Sergio Nascimento Lopes. em áreas de pastagem e em plena frutificação.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 15 A família Caryocaraceae possui apenas dois gêneros: Caryocar L. O caule possui casca espessa e os ramos são grossos e angulosos. DESCRIÇÃO O Caryocar brasiliense é uma árvore que pode atingir acima de 10 m de altura (Figura 2) ou ter porte pequeno por causa da baixa fertilidade do solo ou de fatores genéticos (Figura 3). em torno de 15 metros. b) Caryocar coriaceum na Floresta Nacional do Araripe. Mey. a) b) Figura 2.

5. As inflorescências são racemos terminais. 1998.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 3. O epicarpo é fino. enquanto o mesocarpo mais ou menos espesso. Foto b: Nilton Tadeu Vilela Junqueira As folhas são opostas. verde ou arroxeado. muito rico em óleo e com forte odor característico. de coloração que varia do branco ao amarelo e ao alaranjado (Figuras 1. Porém. e por agulhas da mesma estrutura (BARRADAS. podendo atingir até seis. estreitamente compactas (Figuras 9 e 11). 7 e 8). 6.. O fruto é uma drupa. amarelado (Figura 6.. Os pirênios são envolvidos por tecido carnoso (polpa comestível). 7 e 8). 250 . ALMEIDA et al. O endocarpo tem textura pétrea e é recoberto por fibras esclerificadas. BARROSO et al. Foto a: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. As flores são hermafroditas com cinco sépalas de coloração verde-avermelhada e cinco pétalas de coloração amarela clara. Pequizeiro anão florido (a) e frutificado (b) oriundos da Região Sul de Minas Gerais. trifolioladas e pubescentes. 7 e 8). 5. contendo de um a quatro caroços (putâmens ou pirênios) (Figuras 1. contendo de dez a trinta flores (Figura 4). já foram observados caroços sem espinho (Figuras 9 e 10). 1972. 1999). 6.

251 . Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. Pequizeiro: flores e inflorescências.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 4.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 5. polpudos e saborosos da região de Canarana – MT. bonitos. Pequis graúdos. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. 252 .

polpudos e saborosos da região de São Miguel do Araguaia . Frutos com 3 e 4 caroços. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. Pequis graúdos. Foto: Paulo Sergio Nascimento Lopes. Figura 7.GO.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 6. polpa comestível e putâmens ou pirênios ou caroços. bonitos. mostrando o mesocarpo externo. Frutos de pequizeiro cortados transversalmente. 253 .

Rio de Janeiro. Minas Gerais. Piauí. sílico-argiloso e bem drenado (ANDERSEN e ANDERSEN. Mato Grosso do Sul. a espécie apresenta grande plasticidade. 1998). 1973. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA O pequizeiro é nativo em cerradão distrófico e mesotrófico. RIBEIRO et al. São Paulo. Paraná. Mato Grosso.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 a b Figura 8. Goiás. e também no Paraguai (PRANCE e SILVA. em solo profundo. 254 . C. Foto d: Paulo Sergio Nascimento Lopes. Segundo Naves (1999). cerrado denso... Bahia. Tocantins.. 1994. RIZZO. clima subtropical ou tipicamente tropical. aos diversos tipos de solos e de condições de crescimento ocorrentes na região de cerrado. Foto a: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. com estação seca bem definida. Pernambuco. 1981. SILVA et al. brasiliense se distribui pelos estados do Ceará. Variações na cor e número de caroços por fruto e na espessura da casca do fruto. Ocorre em regiões de boa luminosidade e de menor fertilidade natural do solo (SILVA. se adaptando. cerrado stricto sensu e cerrado ralo (ALMEIDA et al. 1993). Maranhão. Distrito Federal. com facilidade. 1994). 1988). Pará.

Caroços de pequi com endocarpo com espinhos (esquerda) e sem espinhos (direita). encontrados na região de Montes Claros. Caroços de pequi com espinho (esquerda) e sem espinho (direita). Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. MG. Foto: Paulo Sérgio Nascimento Lopes. 255 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 9. Figura 10. encontrados na região de Canarana – MT.

Foto: Paulo Sérgio Nascimento Lopes. Esse ramo da ecologia estuda as causas e as manifestações dos fenômenos de floração. 1976). As observações fisiológicas permitem prever a época de reprodução das árvores. denominadas fenofases (FOURNIER. ASPECTOS ECOLÓGICOS Fenologia. durante o período de junho de 1983 a maio de 1985. mostrando a semente e o endocarpo aculeado. suas causas bióticas e abióticas e da inter-relação entre fases caracterizadas por esses eventos numa mesma e em diferentes espécies (LIETH. Caroço ou Putâmen cortado transversalmente. Os resultados encontram-se a seguir: 256 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 11. Fenologia é o estudo da ocorrência de eventos biológicos repetitivos. 1974). frutificação e de queda e brotamento de folhas nas plantas. deciduidade e outras características importantes para o manejo da flora (FOURNIER. 1976). seu ciclo de crescimento vegetativo. Gribel (1986) estudou a fenologia de pequizeiros na região do Distrito Federal.

100. Na região de Cerrado. 1985. O pequizeiro é uma planta autocompatível. Os frutos iniciam a maturação em meados de novembro. No cerrado do Distrito Federal. 43. em julho e agosto. MOURA. refletindo maiores índices de valor de importância. Simultaneamente ou logo após a queda das folhas ocorre a brotação das folhas novas e de botões. provavelmente. demonstrando que além de ocorrer em maior densidade e freqüência. alcançando a maturidade 3 a 4 meses após a floração. 143 até 180 indivíduos/ha (MEDEIROS. 1985. também foram feitos outros estudos. pois. Normalmente cada ramo emite de dois a três pares de folhas com uma inflorescência terminal. cajueiro. enquanto que na estação chuvosa as atividades morfogênicas aparentemente cessam. Pode ocorrer a formação de botões florais temporãs entre março e maio. 1983. sendo a distribuição de freqüência para densidade de plantas por área mais uniforme quando comparada com outras frutíferas nativas do cerrado (araticum. constatou-se a ocorrência do pequizeiro em 92% dos locais estudados e a densidade média de 30 plantas por hectare. podendo ocorrer uma eventual produção temporã.. podendo estender-se até início das chuvas. Os botões florais se abrem cerca de um mês ou um mês e meio após a emissão da inflorescências. Por sua vez. 1995). SCARANO e HAY. mangabeira e cagaiteira).5010 m2/ha) e relativa (50. As folhas continuam seu desenvolvimento até o início da estação chuvosa. o pequizeiro floresce ao final da estação seca. RIBEIRO et al. Geralmente. Densidade e estrutura de populações. produz maior quantidade de frutos por fecundação cruzada. Araújo (1994). 1999).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil • Capítulo 15 • • • A maioria dos eventos fenológicos do pequizeiro ocorre durante a estação seca. a floração e a frutificação são mais precoces ao norte e mais tardias ao sul. porém. A queda de folhas começa no início da estação seca. Em estudo amplo realizado em 50 áreas. Isso demonstra uma distribuição espacial mais contínua e uniforme do pequizeiro no bioma cerrado (NAVES. abrangendo 34 municípios goianos.50%) superiores as outras fruteiras citadas acima. intensificando-se no mês de junho ou julho. também apresenta maior área basal. tendo sido observadas pelo menos cinco espécies de morcego envolvidas na sua polinização (GRIBEL. 1993). exceto o desenvolvimento e maturação dos frutos. no Norte de Minas Gerais. encontrando valores bastante distintos de densidade: 15. com um valor médio ponderado para 257 . Essa variação. 1983. Esse autor relata que o pequizeiro possui dominância absoluta (0. prolongando-se até o início de fevereiro. MEIRELHES e LUIZ. está associada ao tipo fitofisionômico onde foram levantadas as densidades. menos abundante. observou a ocorrência de 48 a 67 indivíduos de pequizeiro por hectare (ha) em áreas menos alteradas. em Cerrado sentido restrito o pequizeiro apresenta densidades superiores e maiores índices de valor de importância dessas áreas.

se feita de forma adequada. Germinação. porém. no enriquecimento de áreas do cerrado. A arara canindé (Ara ararauna) consegue romper o endocarpo e predar as sementes. 2002. SOUZA. entre 20 a 30%.. A ema (Rhea americana) pode efetuar a dispersão dos propágulos a longa distância. da ação humana com a grande devastação do cerrado. 1986. na recuperação de áreas degradadas e na arborização de pastagens. BERNARDES et al. Predação e dispersão. Quanto à germinação em condições naturais. pela gralha (Cyanocorax cristatellus) e pela cotia (Dasyprocta sp). PEREIRA et al. com inclusão social e sem colocar em risco o ecossistema Cerrado. isso ocorre numa taxa muito baixa em função da dormência das sementes e. as saúvas. DOMBROSKI et al. Taxa de sobrevivência. 2000. LOPES et al.. paca (Melo. já foi constatado por alguns autores que as sementes do pequizeiro são capazes de regenerar novas plantas em solos de cerrado (LABORIAU et al. não apenas proibindo o seu corte. estendendo a emergência das plântulas de 60 dias até um ano (HERINGER. Importância ambiental.. representa uma excelente alternativa para o combate à degeneração das áreas de Cerrado que ainda resistem aos impactos antrópicos A exploração sustentada dos pequizeiros nativos tem grande potencial.. SILVA et al. 1963. Segundo os autores acima.. A dispersão a curta distância pode ser efetuada por sinzoocoria. 1987. coleta predatória dos frutos para consumo e comercialização. 1972). Também são citados como dispersores o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) (Gribel. 1991. MIRANDA.. por si só já traz benefícios. O pequi apresenta uma baixa e lenta taxa de germinação. OLIVEIRA et al. 1972). são necessários estudos para reduzir os impactos do extrativismo e propor formas de plantio e manejo que privilegiem o aumento da oferta de frutos. 2004. SÁ e CARVALHO et al. mas preservando a vegetação ao seu redor. com a preservação do Cerrado. 1994.. 2002. et al.. 2002a. trabalhos mais recentes indicam que a causa da dormência está associada ao envoltório da semente (endocarpo) e a problemas internos do embrião (MELO. A possibilidade de se utilizar o pequizeiro em sistemas agroflorestais. PEREIRA et al.. 1970. MELO e GONÇALVES. e inibição da ação dos agentes dispersores da espécie.. Porém.. sendo que esta espécie frequentemente enterra os putâmens. BARRADAS. as dificuldades enfrentadas na germinação das sementes de pequizeiro decorrem do processo de dormência que é bastante complexo e ainda não totalmente elucidado. provavelmente. PEREIRA et al. 2001.. et al. Entretanto. 1987. por endozoocoria. que são capazes de carregar caroços e sementes e o gado bovino que come os caroços e expele as sementes após a ruminação (BARRADAS. 1998. sendo de no máximo 60%. 1986). 1987). 2004). As sementes também são predadas por larvas de lepidópteros do gênero Carmenta família Sesiidae (GRIBEL. o rato-do-campo.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 estas de 63 árvores por hectare. A preservação do pequi. 2001). ARAÚJO. preá. 1994. 258 .. PEREIRA et al. 2003).

diminuindo ou exterminando as populações de espécies polinizadoras e dispersoras. Souza e Martins (2004). somado ao extrativismo intenso. d) pressão da atividade agrícola sobre o hábitat. para o plantio de pastagens. Tais fatores de risco podem ser ponderados e constituir um índice cuja magnitude representa o maior ou menor risco de erosão genética de uma espécie (GUARINO. genes únicos. de 05/03/1987 . Conservação de germoplasma. número de alelos por loco polimórfico e porcentagem de locos polimórficos). in situ e ex situ.. c) extensão e grau de uso do hábitat e da espécie. um valor mínimo para coleta de germoplasma de pelo menos 82 indivíduos (matrizes). LOPES et al. a estradas principais e a projetos de desenvolvimento. com caroço grande e polpa espessa) e o desmatamento de áreas de Cerrado. Quando ocorre a extinção de populações de uma determinada espécie. por meio da estimação efetiva de tamanho populacional. além de sua eventual severidade. A exploração extrativista. etc. 1995. similares ou superiores aos da maioria das espécies tropicais. que 259 . culturas anuais. principalmente os de maior valor econômico. reflorestamentos. Melo Júnior (2003) encontrou no pequizeiro elevados índices de diversidade (heterozigosidade. O autor sugere. com coleta intensiva dos frutos prejudicando a regeneração natural do pequizeiro. os principais fatores de risco de erosão genética são o extrativismo predatório (coleta de quase todos os frutos. e f) distância ao maior centro populacional. também são eliminados (ARAÚJO. não existe metodologia para a seleção e quantificação dos fatores de risco de erosão genética. O corte. e) disponibilidade de terras agricultáveis. Embora tenha o corte proibido (Portaria Nº 54. A alta diversidade encontrada evidencia o grande potencial da espécie para conservação e futuros programas de melhoramento. sendo necessários trabalhos que visem a sua conservação. e o uso do Cerrado como principal área de expansão agrícola do país são as principais causas da erosão genética dessa espécie.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil RECURSOS GENÉTICOS Capítulo 15 Variabilidade e erosão genética. b) propensão a incêndios. 2003. Identificou-se também que a variabilidade dentro das populações é maior do que a variabilidade entre populações (MELO JÚNIOR. Para o pequizeiro. que são a reserva adaptativa da espécie diante das mudanças ambientais.IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal). a fiscalização deficitária não impede que o pequizeiro ainda seja uma das muitas espécies a “tombar” ante a devastação do Cerrado. os quais prejudicam a regeneração natural e a dispersão dos genótipos. MARTINS. 2004). em seu trabalho de erosão genética em Dimorphandra mollis considerou os seguintes fatores de risco: a) distribuição do táxon. reversibilidade e duração. para garantir a manutenção da variabilidade genética das sementes. Para o pequizeiro. 2000). A quantificação dos riscos de erosão genética de uma espécie se baseia na atribuição de notas à existência ou inexistência de um fator de risco. 2000).

1982). aliado à preocupação com a conservação dessa espécie. ALMEIDA e SILVA. a possibilidade da perda de plantas com frutos de alto valor nutricional. é usado na fabricação de carvão siderúrgico e nas construções civil. além de contribuir com melhorias na oferta e na qualidade do produto. sendo que para o pequizeiro têm sido desenvolvidos trabalhos.. impede a regeneração natural da espécie. A conservação será ex situ. Desta forma. ALMEIDA e SILVA. Embrapa Cerrados. o que tem estimulado o seu estudo como cultura comercial (DOMBROSKI.. oriundos de 11 populações do norte e do sul de Minas Gerais. 2002) . usadas pelas tecelãs. BARBOSA e AMANTE. necessitando. 1998. Faculdades Federais Integradas de Diamantina . com madeira bastante resistente e elevado poder calorífico. rural e naval (LABORIAU. pode ser utilizada para a fabricação de sabão. ainda na fase inicial. principalmente aqueles com características superiores. A identificação e coleta de genótipos de pequizeiro são essenciais para sua conservação. em uma área de 1 ha no Campo do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais. 1997). maior teor de óleo e maior espessura e rendimento de polpa. de pesquisa em métodos tecnológicos adequados. enquanto o caule. e na regularização do fluxo menstrual (SIQUEIRA.FAFEID. são obtidas tinturas. no tratamento de gripes. 1973. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO É uma espécie vegetal da qual se pode obter diversos produtos. está em fase de implantação.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 coleta quase todos frutos de pequizeiro. segundo alguns autores (ALMEIDA et al. permitindo assim selecionar materiais com diferentes épocas de maturação. em Montes Claros. com 55 genótipos propagados assexuadamente. As suas raízes são utilizadas para preparação de cavernantes de pequenas embarcações. além de resistência a pragas e doenças (LOPES et al. 1994). justifica a realização de procedimentos que visem à identificação e propagação de genótipos de pequizeiro. Um banco de germoplasma para a espécie. Das folhas. As folhas têm uso medicinal. CORRÊA. ração animal e tinturaria. além de substâncias com propriedades contra o sarcoma 180. etc. A “casca” do fruto (epicarpo + mesocarpo externo). 1994). Agência Goiana de Desenvolvimento Rural e Fundiário – AGENCIARURAL e Universidade Federal de Goiás – UFG. bronquites e doenças do fígado. BARRADAS. que são ricas em taninos. econômico. tipo de câncer de pele (OLIVEIRA et al.. Os genótipos foram selecionados por suas características agronomicamente superiores como produtividade e qualidade dos frutos. 1984. 2004). 1966. Processada em farinha. para instalação de coleções em instituições tais como Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG/Campus Regional de Montes Claros. Estudos de conservação genética ainda são escassos em espécies do Cerrado. a casca do fruto apresenta teores consideráveis de fibra 260 . porém. Minas Gerais. 1970.

Goiás. sabonete e cremes) e na tradição popular para tratar problemas respiratórios (PEIXOTO. distritos e municípios de algumas regiões do País. 1994. 1973. ALMEIDA e SILVA. citada por ARAÚJO. Contudo.. o que sugere potencial para uso como alimento funcional. 2001). Foto: J. MG. Para essa finalidade. respectivamente.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 alimentar (39. tem sido ressaltado o potencial da espécie para uso em recuperação de áreas degradadas. A “castanha” (semente). Mato Grosso. caracterizada por uma pressão para obtenção da produtividade imediata que leva ao seu aniquilamento a médio e longo prazo (HOMMA. EMBRAPA-CPAC. 2002). é comestível e utilizada na fabricação de paçoca e óleo branco (POZO. 1995) (Figura 12). et al. o principal produto do pequizeiro é a polpa (mesocarpo interno) que fica aderida ao caroço utilizado principalmente na culinária regional. Projeto Plantas do Futuro. predominantemente. 1993). Polpa em conserva e farofa de pequi comercializados em mercados de Goiânia. e de Montes Claros. na fabricação de licores. nos Estados de Minas Gerais.97%). 1987. 1994). 1997). O mesocarpo interno contém óleos que são utilizados como condimentos. 2005. Isso ocorre devido aos preços altos alcançados pelo fruto e por ser esta atividade a única fonte de renda das comunidades. arborização de pastagens ou mesmo para o enriquecimento de áreas onde a sua ocorrência é natural (SILVA. taninos e saponinas (BARBOSA e AMANTE. Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal (Blumenschein e Caldas. Outra opção interessante que também tem sido levantada é o seu cultivo em sistemas 261 . GO. A forma predominante de exploração do pequizeiro é a coleta extrativista (POZO. Philippe Bucher. na indústria de lubrificantes e de cosméticos (sabão. Recentemente. são necessários estudos qualitativos mais avançados quanto à determinação de carboidratos totais. 1997). Figura 12.

presentes em menores quantidades.11 e 15.2 a 6. Já na amêndoa.94 e 39. etc) e plantas cultivadas (jaborandi. proteínas. coquinho azedo. cagaita. respectivamente. FRANCO. numa avaliação preliminar. 1998. Segundo informações pessoais do Dr.7 a 20. 5. (2001). RODRIGUEZ.. Os teores de carotenóides totais variaram entre 6. marolo. o seu monocultivo em larga escala no Cerrado parece arriscado e insustentável. rufão.8 a 28. violaxantina. tem limitado o crescimento e a produção de um pequeno pomar em monocultivo do pequizeiro instalado na Embrapa Cerrados.75 a 11. em função das várias pragas e doenças que atacam essa frutífera. 1960. valores acima da laranja.97% (BARBOSA e AMANTE. com exceção do monocultivo.7% e o de proteína de 9.0%. carboidratos totais e fibra alimentar de. porém. Segundo estes autores. RODRIGUES et al. o teor de gordura variou de 23. 2004). respectivamente. VILELA. mesmo sendo destituídos de atividade pró-vitamina A. Entretanto. numa avaliação preliminar. Ailton Vitor Pereira. utilizando separação cromatográfica. goiaba. A polpa de pequi apresenta teores de lipídeo e proteína que variam de 20 a 27% e 2. os principais carotenóides presentes na polpa do pequi parecem desempenhar importante função antioxidante. contribui para o enriquecimento da alimentação e a diversificação das atividades dos produtores rurais. VALOR NUTRICIONAL A “casca” do fruto do pequizeiro. sendo o valor máximo superior ao suco de limão (FRANCO..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 agroflorestais com outras plantas nativas (favela. 1982. SANO e ALMEIDA. mangaba.41 mg de carotenóides totais por 100g de polpa crua e cozida. A literatura apresenta teores elevados de carotenóides totais para o pequizeiro. A cenoura apresenta valores pró-vitamina A entre 620 e 800 RE/100g. são importantes porque. e luteína) não possuem atividade pró-vitamina A.76. et al.34 mg por 100g.9 a 105 mg/100 g de vitamina C. 2004). apresenta valores de lipídios. iniciativas que visem ao plantio desta espécie. em função do grau de maturação dos frutos (OLIVEIRA et al.. zeaxantina. encontraram valores médios de 23. etc). 1998. apesar de serem bastante variáveis. haja vista a grande variedade de usos do pequizeiro. (2001). 1998. trabalhando com pequis procedentes de MS. processada em farinha. Ramos et al. a ocorrência de pragas e doenças. O cultivo do pequizeiro em grande escala também tem sido lembrado. além de preservar e disseminar a espécie. banana d’água e maçã argentina.54. Alguns autores apontam o fruto do pequizeiro como fonte potencial de vitamina A (CARVALHO e BURGUER. porém AzevedoMeleiro e Rodriguez-Amaya (2004) e Ramos et al. 1. A polpa de pequi contém de 70.. 262 . 50. os carotenóides pró-vitamínicos. respectivamente. plantas cítricas. verificaram que os principais carotenóides presentes na polpa do pequi (anteraxantina. Contudo. forneceram valores pró-vitamina A entre 54 e 500 RE/100g. 1982.3% (VILELA. RODRIGUES et al. abacaxi. 2002). 2004).

citados por ALMEIDA et al. Quanto aos minerais. sendo que.. podendo ser considerado boa fonte de ferro. pois a água já se evaporou. OLIVEIRA. ainda.030 mg de vitamina B1. O procedimento para a produção artesanal do óleo no Norte de Minas foi sistematizado por Pozo (1997). sobra da fritura. constituindo uma fonte rica em calorias (RODRIGUES et al. • A gordura que fica sobre a água é recolhida e levada ao fogo para ser aquecida. 0. respeitando as normas e limites de aditivos. • A maceração é feita manualmente com o pilão ou com um rodo de madeira. É necessário mexer a gordura constantemente para que não ocorra a ebulição e derramamento da mesma.1 mg de sódio (HIANE et al. A sua produção é baseada nas técnicas de fabricação de outros tipos de conservas (palmito.387 mg de niacina (FRANCO. podendo ser considerado uma boa fonte de vitamina B2. que em geral é realizado nas horas em que a temperatura ambiente é mais baixa. e também os possíveis espinhos que possam estar presentes. A conserva de pequi (Figura 12) é outra forma de processamento que ultimamente tem ganhado destaque nas regiões produtoras. A principal forma de processamento do pequi é a extração do óleo dos frutos. objetivando eliminar a água que ainda contém. concomitantemente. são colocados em uma gamela para dar início ao processo de maceração.. 1982). a lavagem com água e o branqueamento em seguida. 0. após o resfriamento. TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Processamento. 1. 1992.. azeitona.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 2004. et al. 2004). 2004). sendo inclusive exportada para fora do país nesta condição. A polpa e a amêndoa do pequi contêm 267. a polpa está adequada para ser embalada em potes de vidro. sendo efetuado da seguinte maneira: • O processo se inicia colocando os caroços para cozinhar por 40 minutos. ou seja. • Este processo termina depois que é obtido o óleo de coloração avermelhada.463 mg de vitamina B2.9 e 317 Kcal/100 g. etc). • Depois de resfriados.6 mg de ferro. adicionando pequenas quantidades de água gelada para observar o exato momento em que a atividade deve ser finalizada. Em 100 gramas de polpa de pequi encontram-se. 1998). • O armazenamento é feito em garrafas escuras ou em barris pequenos. A salmoura da conserva deve ser 263 . Inicialmente. a gordura liberada fica sobrenadando. onde pode ficar por até dois anos sem estragar. faz-se a despolpa manual. 0. respectivamente. e 2.. realizando movimentos de vai e vem e. • O óleo é coado com um pano para tirar a massa escura. que não emite estalos ou bolhas.4 mg de Cobre. cem gramas de polpa de pequi apresentam 0.

machucados e excessivamente maduros. eliminando-se os frutos verdes. bolos. três dias após a queda natural. licor e conserva. Foram avaliados seus efeitos nos aspectos nutritivos da polpa de pequi (teor de proteínas. Transporte. respectivamente. βcaroteno. (1997). A “casca” do fruto (mesocarpo + epicarpo) também pode ser aproveitada para alimentação animal e para compostagem. • Visando à exportação. • O xarope é preparado pela dissolução de açúcar em água previamente fervida. Oliveira et al. é comum embalar os caroços em sacos plásticos e proceder o seu congelamento em seguida (POZO. com capacidade entre 80 e 200 caixas de pequi. a polpa também pode ser usada como matéria prima na confecção de doces. licopeno e vitamina A). a infusão deve ser mantida em repouso por um período mínimo necessário para a extração do aroma. sendo o extrato alcoólico então adicionado ao xarope. exceto nos teores de vitamina A que foram maiores nos frutos coletados no chão. juntamente com o álcool. 1997). farinhas. e dela também pode se extrair o óleo. mantendo o pH ajustado em torno de 3. • O licor produzido.. lipídeos.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 preparada antes. é filtrado por gravidade. (2004) testaram dois tipos de congelamento. Em geral. Outra forma de se processar o pequi é por meio da fabricação do licor. com posterior armazenamento em freezer e o segundo feito diretamente em freezer. com capacidade para 12 a 15 dúzias ou para 15 a 18 dúzias de frutos. conforme descrito por Teixeira et al. Após a colheita.0 (TEIXEIRA et al. Armazenamento. os caroços só resistem nos frutos por quatro dias. 1997). que pode ser utilizado na alimentação ou na fabricação de cosméticos. sucos e sorvetes. Informações mais detalhadas sobre a conserva de pequi podem ser obtidas na publicação elaborada por Pereira et al. após decantação e maturação. em nitrogênio líquido. O transporte é realizado em caixas de madeira tipo K ou em caixas plásticas. Para a sua conservação. e armazenados em nitrogênio líquido e depois no freezer. a safra é transportada em caminhonetas e caminhões. 264 . carotenóides totais. sabão artesanal. Além de servir para fabricação de óleo. • Higienização dos frutos. A castanha (semente) pode ser consumida tostada ou na forma de paçoca. (2004): • Seleção dos frutos de acordo com o grau de maturação e o aspecto geral. temperos na forma líquida ou em tabletes. foi desenvolvido o licor transparente após a retirada de pigmentos orgânicos por técnicas desenvolvidas no CETEC (Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais). o primeiro feito na época da coleta. cosméticos. Os tipos de congelamento não influenciaram nas características avaliadas. • Descascamento e acondicionamento dos caroços em recipientes apropriados. Ainda é muito utilizado o transporte em sacos telados que também comportam de 15 a 18 dúzias de frutos. com a adição de conservantes. respectivamente (POZO. 2004).

265 . isto é. Formação de mudas.. os caroços são secos à sombra. de modo a manter úmido o leito da sementeira. atraso na produção decorrente do longo período de juvenilidade. de 10 a 15 cm de espessura. Entretanto. desuniformidade do pomar e excesso de vigor. o que provavelmente gerará desuniformidade no comportamento dos enxertos. 1996. Em resposta a essas dificuldades. “O método de despolpa mais utilizado consiste em deixar os caroços em recipiente ou lona à sombra durante uma a duas semanas até o apodrecimento da polpa. A semeadura deve ser feita em sementeira a pleno sol. que dificultam os tratos culturais e a colheita (FACHINELLO et al. o lado menos dilatado e próximo ao orifício do caroço. sendo que os portaenxertos são obtidos de sementes de várias árvores. porém. em lugar ventilado. Na ausência de chuvas as regas devem ser feitas diariamente ou conforme a necessidade. (2002a). Os caroços devem ser semeados com a ponta para baixo. a propagação vegetativa. por até uma semana.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO Capítulo 15 Disponibilidade de sementes. HARTMMAN et al. a camada de caroços deve ser inferior a 30 cm para não causar superaquecimento e dano às sementes. não existem plantas matrizes selecionadas para a produção de sementes. As baixas taxas e velocidades de germinação dificultam a instalação de pomares oriundos de sementes e. Feita a despolpa. Nesse processo de apodrecimento da polpa. então. até o momento. a propagação sexuada em espécies de polinização cruzada nem sempre é aconselhável. removida com jato d´água. A tecnologia para a produção de mudas enxertadas foi desenvolvida por Pereira et al. para um perfeito alinhamento de caule e raiz (Figura 13). com o uso da enxertia. durante o período de germinação.. sobre o qual os caroços são semeados com folga de 2 a 3 cm entre si e cobertos por uma camada de 1 cm de espessura de vermiculita fina ou pó-de-serra bem curtido. devido à segregação das características desejáveis já fixadas em determinadas matrizes. além disso. tem-se mostrado promissora. 2002). contendo o leito de areia grossa ou média de rio. sendo descrita a seguir. que é. requer a formação de mudas por sementes para obtenção dos porta-enxertos.

No viveiro. Para facilitar a drenagem do excesso de água que pode causar podridão-de-raízes e morte de mudas.020 mm de espessura. caso contrário serão totalmente sombreadas e abafadas pelas mudas mais vigorosas que possuem folíolos grandes e efeito guarda-chuva. espaçadas 60 a 80 cm entre si. ocupando a ponta dos canteiros. ou constituindo canteiros isolados.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 13. durante a sua condução. Para maior aproveitamento do viveiro. O substrato é adubado com 20% a 30% 266 . no fundo e outra no quarto inferior dos sacos. A utilização do subsolo (terra-de-barranco) contribui para a menor incidência de plantas daninhas e de microrganismos que causam doenças. uma por recipiente. devem ser feitas mais duas fileiras de furos de 0. Fotos: Ailton Vitor Pereira. as mudas menores devem ser apartadas das maiores. evitando-se aqueles muito argilosos ou arenosos. de preferência. para que as mudas não fiquem muito abafadas (Figura 14b). os canteiros com quatro ou mais fileiras podem dificultar a realização da enxertia nas plantas das fileiras centrais. para se obter uma textura mais adequada. devem ser utilizados solos de textura média.5 a 0. Depois de germinadas (Figura 14a).7 cm de diâmetro. Semeadura correta do caroço com a ponta para baixo (a) gera plântulas normais com perfeito alinhamento da raiz com o caule (b). as plântulas com até 5 cm de altura são transplantadas ou repicadas para os sacos plásticos. Como substrato para enchimento dos recipientes. respectivamente. Solos argilosos ou muito argilosos podem ser misturados com areia grossa de rio nas proporções de 2 : 1 ou 1 : 1 (em volume). os recipientes devem ser dispostos em canteiros compostos de fileiras duplas justapostas.5 L de substrato. com capacidade para 3. Como as mudas permanecem no viveiro por um ou dois anos. com boa drenagem e aeração. os recipientes indicados são os sacos plásticos de 20 x 30 cm e 0. Além disso.

não devendo incorporar calcário e adubos químicos.) e a podridão-de-raízes (causada pelo encharcamento prolongado do solo e pelo fungo Cylindrocladium clavatum)”. b) na frente: mudas de pequi em sacos plásticos arranjados em fileiras duplas. as mudas a pleno sol crescem mais rápido e atingem o ponto de enxertia mais cedo. Verifica-se. a) Sementeira com leito de areia. a) b) Figura 14.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 (em volume) de esterco de gado bem curtido. podendo ser reduzidas ou espaçadas depois dessa fase. evitando o encharcamento. folhas (formigas cortadeiras. camada de vermiculita cobrindo os caroços e plântulas no estádio ideal para o transplante ou repicagem. Devem ser diárias nos dias secos e mais quentes e reduzidas ou espaçadas nos dias nublados e mais frescos. na dose de 50 a 100 mg de N/saco/mês.). Entre as doenças. o mal-do-cipó que ataca folhas e caules (causado pelo fungo Phomopsis sp. porém. Dependendo do desenvolvimento das mudas. visando melhorar o estado vegetativo e a soltura da casca dos porta-enxertos. atacando raízes (cupins subterrâneos). pelas observações de campo. Diversas pragas foram constatadas. As regas devem ser diárias durante a germinação e depois da repicagem das mudas até seu perfeito estabelecimento. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. 267 . destacam-se em importância a ferrugem foliar (causada pelo fungo Cerotelium sp. a incidência de podridão-das-raízes e a morte das mudas. lagartas de várias espécies e pulgões) e caules (broca do caule). a necessidade de controle das regas e da utilização de substratos e recipientes que permitam a drenagem do excesso de água de chuva ou de irrigação. podem ser feitas adubações nitrogenadas em cobertura. O viveiro pode ser instalado a pleno sol ou com até 50% de sombra feita com tela sombrite ou bambu e palha.

machucar ou sujar o interior da placa. podendo atingir até 90 % é a borbulhia de placa sem lenho e com janela aberta (PEREIRA et al. em seguida. principalmente durante a estação chuvosa (primavera e verão). deixando apenas 1 cm de sua base para facilitar a inserção e a fixação da placa do enxerto que fica exposta (janela aberta) e. retira-se a placa com o corte longitudinal do canivete em direção ao pé da haste. quebrar. • Para possibilitar a borbulhia. a partir do lado maior da placa.. fazendo-se a poda prévia de ramos com diâmetro inferior a 5 cm. demarca-se a placa com dimensões ligeiramente inferiores àquelas da janela demarcada no cavalo a enxertar. O tipo de enxertia que tem proporcionado a melhor taxa de pegamento. riscando a haste com a ponta do canivete até encostá-la na madeira (um risco longitudinal de cada lado da borbulha para definir a largura da placa e outro transversal 1.5 a 2 cm abaixo da borbulha). A janela é riscada com canivete. • Feita a abertura da janela em U invertido. incluindo toda a placa demarcada e um pouco de lenho junto. sem envergar. O método de enxertia por borbulhia de placa com janela aberta descrito por Pereira et al. segurando sua extremidade (cerca de 1 cm) com a ponta dos dedos polegar e indicador. • As borbulhas são extraídas de hastes com casca verde ou marrom. Primeiramente.c). da base para a ponta da haste.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Enxertia. o que ocorre em plantas em bom estado vegetativo (sadias. envoltas em forma de rocambole por sacos de aniagem ou de algodão. bem hidratadas e nutridas). • As hastes porta-borbulhas devem ser colhidas. apara-se a extremidade de 1 cm segurada pelos dedos e a placa é inserida na janela e amarrada com a fita (Figura 15 a). é amarrada com fita plástica.5 a 3 cm acima da borbulha. no dia de sua utilização e mantidas em local fresco e sombreado. Essa pequena porção de lenho é destacada com o canivete. o caule dos cavalos e as hastes porta-borbulhas da planta-matriz devem estar soltando bem a casca do lenho. que surgem naturalmente nos pequizeiros adultos ou podem ser induzidos. A seguir. iniciando 2. (2002a) consiste no seguinte: • “Deve ser feita em cavalos com diâmetro do caule acima de 0. • As placas contendo uma borbulha cada são retiradas. Finalmente.7 cm (semelhante ao de um lápis comum) e deve ser feita pelo menos entre 5 e 10 cm acima do solo. mas não encharcados) para conservar a umidade e assegurar a viabilidade dos enxertos. oriundas de ramos vigorosos do ano. a casca é removida. 2002a. de preferência. mas é aberta somente depois da retirada da placa.b. limpos e umedecidos em água (molhados e torcidos. uma a uma. podendo-se manter as mudas a pleno sol ou com até 50% de sombra. Essa seqüência de operações é importante para 268 .

A verificação do pegamento e a abertura dos enxertos de borbulhia são feitas quatro semanas depois da enxertia. a decapitação dos cavalos logo abaixo do segundo nó de gemas situado acima do enxerto pego. Enxertia por borbulhia em muda de pequizeiro: a) abertura da janela. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. inserção da placa e amarrilho do enxerto. bem como sua exposição prolongada ao sol. prontas para o plantio no campo. em seguida. evitando sujar ou soprar as superfícies internas da janela e da placa. a b c d Figura 15.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 • • o pegamento dos enxertos e deve ser feita mais rápido possível. realizando-se. b) decapitação do cavalo e brotação do enxerto. c. Para o desenvolvimento dos enxertos. para induzir sua brotação e desenvolvimento (Figura 15b e c). durante a fase de viveiro e depois do plantio da muda no campo”. d) Mudas enxertadas. há necessidade de desbrotas periódicas para eliminação de ramos ladrões (não originados do enxerto). 269 .

sob condições de casa de nebulização e sem o uso de reguladores de crescimento. (2003) obteve-se uma taxa máxima de enraizamento de 25%.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Estaquia. utilizando estacas herbáceas apicais. Estacas apicais enraizadas de pequizeiro: a) foto de Paulo Sergio Nascimento Lopes. b) foto de Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. Outra forma de se propagar o pequizeiro é por meio da estaquia. Plantio. Figura 16. Em estudos realizados por Fernandes et al. devendo-se evitar o plantio em áreas sujeitas a inundação. Em condições semelhantes. para que as plantas 270 . solos rasos e salinos. O pequizeiro se adapta melhor em solos com boa drenagem. Pereira et al. O plantio é feito no início a meados do período chuvoso. 2003 obtiveram apenas 10% de sucesso no enraizamento das estacas (Figura 16).

o espaçamento possa ser reduzido para 4 ou 5 m entre plantas. atacando raízes (cupins subterrâneos). S2) adubação na cova como em S1 + adubações em cobertura com N e K2O. os autores não avaliaram o crescimento do pequizeiro sem qualquer adubação sem adubação na cova de plantio. à baixa demanda da planta que apresenta crescimento inicial lento e a sua rusticidade e adaptação aos solos pobres e ácidos de cerrado. (2002) observaram que houve resposta positiva quando se utilizaram dois turnos de rega de uma hora por semana. a alogamia deve ser favorecida pelo plantio intercalado de clones diferentes. Embora o pequizeiro seja auto-compatível (GRIBEL e HAY. zinco (2 g). Os autores não observaram diferenças significativas no crescimento vegetativo até os 30 meses de idade.005 g). geralmente.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 tenham bom desenvolvimento inicial e não sofram estresse hídrico. provavelmente. O plantio realizado fora desta época necessita de irrigação (SILVA et al. em função de problemas fitossanitários. caules (broca-do-caule – Figura 17). Quanto o efeito da irrigação. Em geral. a broca-do-fruto (Figuras 18) é a praga com maior potencial de dano econômico. necessitando de controle principalmente na fase de viveiro e plantios jovens (Pereira et al. lagartas de várias espécies (Figura 19) e pulgões). Porém. folhas (formigas cortadeiras.. boro (0. sendo de difícil controle. (2002) testaram três sistemas de adubação no plantio do pequizeiro: S1) adubação apenas na cova (40 cm x 40 cm x 40 cm) com calcário dolomítico (100 g). 271 . realizando-se somente a abertura de covas na dimensão de 40 cm x 40 cm x 40 cm. Salviano et al. S (30 g). cobre (1 g). Salviano et al. (2001) é de pelo menos 8 m entre pequizeiros oriundos de sementes. o que pode ser atribuído ao efeito residual da adubação da cova de plantio. Pragas e Doenças. Em plantas adultas. parceladas em três vezes durante a estação chuvosa. nas doses de 10 kg/ha no primeiro ano e 20 kg/ha no segundo ano. não é recomendado o desmatamento e o preparo do solo. O espaçamento de plantio sugerido por Silva et al. a enxertia promove a produção precoce e a redução do porte da planta. manganês (1 g). K2O (5 g). totalizando cerca de 120 litros por planta por semana. sendo que as plantas irrigadas cresceram 28% a mais do que as não irrigadas. S3) adubação na cova e em cobertura como em S2 + calagem na área toda com calcário dolomítico para elevar a saturação por bases a 50% + adubação corretiva da área toda com fósforo e potássio para elevar os teores no solo para 10 mg/dm3 e 80 mg/dm3. Porém. 2001). pois. Não existem produtos químicos registrados para o pequizeiro no Ministério da Agricultura. ao se plantar mudas enxertadas. no caso da utilização de mudas enxertadas. 1993). Diversas pragas foram constatadas. respectivamente. espera-se que os produtos utilizados para o controle de pragas semelhantes noutras culturas sejam eficazes no pequizeiro. Pecuária e Abastecimento. 2002a). P2O5 (50 g). mas.25 g) e molibdênio (0.

b).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 17. 272 . casulo feito em parte da folha enrolada (c). Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. e adulto montado com alfinete (d). Broca do caule do pequizeiro: lagarta e danos causados (a.

Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. 273 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 a b c d Figura 18. Broca-do-fruto do pequizeiro: frutos e caroços brocados (a. pupas e casulo (c). fruto e caroços brocados. casulo e adultos fêmea à esquerda e macho à direita (d).b). presença de lagartas vivas.

. Para as demais doenças do pequizeiro. mas. 2001). Mini-lagarta do broto apical: danifica tecidos tenros dos brotos e folhas novas. 2002).. causada pelo encharcamento prolongado do solo e pelo fungo Cylindrocladium clavatum.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 Figura 19. a antracnose foliar (Figura 22). a ferrugem foliar (Figura 21d). plantas jovens e adultas. são relatadas as seguintes: a podridão-de-raízes (Figura 20). Pecuária e Abastecimento. 274 . espera-se que os produtos utilizados para o controle dos respectivos patógenos noutras culturas sejam eficazes no pequizeiro. não existem produtos químicos registrados no Ministério da Agricultura. causada pelo fungo Cerotelium giacometti. (Silva et al. o mal-do-cipó (Figura 21a. causada pelo fungo Colletrotrichum acutatum (ANJOS et al. associada aos fungos Botryodiplodia teobromae e Phomopsis sp. e é causado pelos fungos Cerotelium giacometti e Phomopsis sp. comprometendo o crescimento das mudas e plantas jovens. e a mancha foliar de causa ainda desconhecida (Figura 23). b e c) que ataca folhas e caules de mudas. a podridão-do-fruto. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira Entre as doenças.. a morte descendente de árvores. A incidência de podridão de raízes pode ser minimizada evitando-se o excesso de regas mudas e a utilização de solos muito argilosos para enchimento dos sacos plásticos que devem ter perfurações no fundo e na lateral para permitir a drenagem da água de irrigação ou de chuva. causada pelo fungo Botryodiplodia teobromae.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

Figura 20. Morte das mudas de pequizeiro por podridão-de-raízes. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira.

Figura 21. Mal-do-cipó: sintomas nas folhas de mudas (a), no caule de mudas (b) e nos ramos da árvore (c). Sintomas da ferrugem foliar em mudas de pequizeiro (d). Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. 275

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

Figura 22. Sintomas da antracnose em folhas de pequizeiro. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira.

Figura 23. Evolução dos sintomas da mancha foliar em mudas de pequizeiro. Fotos: Ailton Vitor Pereira e Elainy Botelho Carvalho Pereira. Colheita. Os frutos devem ser colhidos maduros, logo depois da sua queda no chão, procedendo-se à eliminação dos caroços danificados por praga (broca do fruto), doença (podridão-do-fruto) e animais (Pereira et al., 2002a). A coleta do fruto imaturo na árvore (colheita de vara) é uma prática ainda realizada pelos extrativistas estimulados pelos altos preços dos frutos no início da safra. Com tal prática, porém, corre-se o risco de cortar frutos que não tenham alcançado a maturação, podendo levar a alterações na sua composição química. 276

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

Oliveira et al. (2004) verificaram que os frutos de pequizeiro coletados na árvore apresentam aspectos nutricionais inferiores aos frutos coletados após a queda natural. Produtividade. O pequizeiro tem uma vida útil em torno de 50 anos e, normalmente, quando propagado por sementes, inicia a produção a partir do 8º ano de vida. O período de produção é variável, dependendo de cada região, em média 50 dias (POZO, 1997). A produção média é de 500 a 2000 frutos por planta (Silva et al., 2001), entretanto, no Norte de Minas Gerais, os estudos têm indicado uma produção média em torno de 154 frutos por planta (ARAÚJO, 1994). O fruto do pequizeiro é uma drupa, contendo de um a seis caroços ou putâmens no seu interior, sendo em média 1,51 putâmens/fruto. A massa do fruto fresco normalmente varia de 100 a 300 gramas podendo atingir até 384,45 g, sendo a massa média da casca, do caroço, da polpa e da amêndoa de, respectivamente, 94,77 g, 18,10 g, 7,26 g e 1,75 g (SILVA et al., 2001; LOPES et al., 2002; NAVES et al., 2004). As medidas dos frutos são bastante variáveis, em torno de 6 a 14 cm para o comprimento e de 6 a 20 cm para o diâmetro (SILVA et al., 2001). Alguns pequizeiros nativos já identificados na região de São Miguel do Araguaia (GO) e de Canarana (MT) produzem frutos e caroços muito grandes e de polpa muito espessa, colorida e saborosa. Os frutos pesam até 1 kg ou mais, os caroços até 200 g e a polpa mede de 0,5 a 1,0 cm de espessura. IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Importância social. Durante a safra de verão do pequi, a colheita e a comercialização mobilizam 50% da população rural e representam 54,7% da renda anual desses trabalhadores (POZO, 1997; ALENCAR, 2000). A renda obtida com a venda do pequi, além de contribuir com as despesas diárias da família, serve para cobrir gastos relacionados com as lavouras e representa um considerável reforço na economia do agricultor familiar (POZO, 1997). A qualidade da alimentação regional melhora com o consumo do pequi, devido ao valor nutricional, especialmente associado ao valor calórico e ao teor de vitamina A, e à facilidade de aquisição, devido à boa oferta e aos baixos custos. Tal é a sua importância no norte de Minas Gerais, que o pequi é conhecido como a “carne dos pobres” e foi apelidado de “esteio do sertão” (RIBEIRO, 2000). Custo. Uma dúzia de caroços de pequi, no início e no final da safra, é vendida a R$ 4,00, sendo que no pico da safra cai para R$ 0,50 centavos. Um litro de óleo de pequi, na época da safra, é vendido por R$ 4,00, podendo chegar até R$ 10,00 ou R$ 13,00 na entressafra (POZO, 1997). Locais de venda. Os responsáveis pela comercialização do pequi são, muitas vezes, os próprios extrativistas que vendem diretamente ao consumidor às margens das estradas ou a atacadistas que, por sua vez, os revendem aos 277

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

consumidores, varejistas, indústrias ou até mesmo a outros atacadistas (Figura 24) que alcançam mercados mais distantes (POZO, 1997). Em outras situações, pessoas são contratadas por atacadistas que pagam a fazendeiros pelo fruto no pé (“vende o cerrado”) e, em seguida, procedem à colheita de uma vez só (colheita na vara). Esta situação tem gerado conflito, pois assim o proprietário rural impede a colheita dos frutos pelo extrativista que anteriormente tinha acesso livre às áreas de cerrado. Normalmente, os principais pontos de venda encontram-se nos mercados municipais e nas CEASAs. Outra opção de venda é por ambulantes em semáforos, no centro das cidades, em pontos de grande movimento, próximos a supermercados e verdurões, etc (POZO, 1997).

Figura 24. Frutos de pequi sendo comercializados à margem da estrada. Foto: Paulo Sérgio Nascimento Lopes. 278

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

Aceitação pelo consumidor. O pequi in natura costuma enfrentar rejeição por uma parcela da população urbana, em grande parte, devido ao forte odor dos frutos. Entretanto, o pequi é parte da integração do sertanejo com o meio natural em que vive e do qual depende para garantir sua reprodução social, sendo considerado um alimento forte, que tem “sustança”, que é sadio, é natural, portador da “força da terra” e que dá energia para o trabalho (RIBEIRO, 2000). Periodicidade da oferta. A oferta concentra-se no período de safra (DezFev), porém, através de técnicas de armazenamento e da sazonalidade de produção (plantas precoces e tardias), este período pode ser aumentado. Em anos de floração extemporânea, pode ocorrer uma pequena safra nos meses de junho a agosto. No Norte de Minas Gerais, a oferta de pequi é diretamente influenciada pelo preço do fruto e inversamente influenciada pelo valor do salário mínimo e pela produção de mandioca. Quando o salário ganho por trabalhadores rurais é insuficiente ou quando a produção de mandioca dos pequenos produtores familiares diminui, estes complementam sua renda com a venda do pequi, reforçando a importância econômica desta frutífera para as populações rurais (Pozo, 1997). Potencial de renda. O potencial de renda é elevado por que, além da venda do fruto in natura durante a safra, há possibilidade de processamento do mesmo para produção de conserva, óleo, licor, doces, condimentos, etc., com agregação de valor e obtenção de renda na entressafra. Segundo Pozo (1997), o pequi contribui com 17,73% da renda anual dos produtores familiares e com 49,83% da renda anual dos varejistas. O atacadista regional consegue renda média de R$ 25.990,00 nos três meses de safra, enquanto que o atacadista regional-estadual, que comercializa o pequi em Minas Gerais e em outros estados, como Goiás, alcança renda média de R$ 66.450,00 em um período médio de 2,25 meses. CONSIDERAÇÕES FINAIS A preservação do pequi, se feita de forma adequada, não apenas proibindo o seu corte, mas preservando a vegetação ao seu redor, por si só já traz benefícios, com a preservação do Cerrado. A possibilidade de se utilizar o pequizeiro em sistemas agroflorestais, no enriquecimento de áreas do cerrado, na recuperação de áreas degradadas e na arborização de pastagens, representa uma excelente alternativa para o combate à degeneração das áreas de Cerrado que ainda resistem aos impactos antrópicos. A exploração sustentada dos pequizeiros nativos tem grande potencial, porém, são necessários estudos para reduzir os impactos do extrativismo e propor formas de plantio e manejo que privilegiem o aumento da oferta de frutos, com inclusão social e sem colocar em risco o ecossistema Cerrado. 279

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Capítulo 15

ANJOS, J. R. N.; CHARCHAR, M. J. d´A; KIMOTO, A. K. Ocorrência de antracnose causada por /Colletrotrichum acutatum/ em pequizeiro no Distrito Federal. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2002. (Embrapa Cerrados. Documentos, 61). ANJOS, J. R. N.; CHARCHAR, M. J. d´A; KIMOTO, A. K. Ocorrência de antracnose causada por /Colletrotrichum acutatum/ em pequizeiro no Distrito Federal. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 27, n. 1, p. 96-98, 2002. ALENCAR, G. Pequizeiros enfrentam riscos de extinção. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 13 fev. 2000. p. 07. ALMEIDA, S. P. de; PROENÇA, C. E. B.; SANO, S. M.; RIBEIRO, J. P. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1998. 464 p. ALMEIDA, S. P. de; SILVA, J. A. Piqui e Buriti: Importância alimentar para a população dos cerrados. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1994. 38 p. (EMBRAPACPAC. Documentos, 54). ANDERSEN, O.; ANDERSEN, V. U. As frutas silvestres brasileiras. Rio de Janeiro: Globo, 1988. 203 p. ARAÚJO, F. D. de. The ecology, ethnobotany and management of Caryocar brasiliense Camb. around Montes Claros, MG, Brasil. 1994. 175 p. Tese (Doutorado) - University of Oxford, Oxford. ARAÚJO, M. A. R. Conservação da biodiversidade de MG: em busca de uma estratégia para o século XXI. Belo Horizonte: UNICENTRO Newton Paiva, 2000. 36 p. AZEVEDO-MELEIRO, C. H.; RODRIGUEZ-AMAYA, D. B. Confirmation of the identity of the carotenoids of tropical fruits by HPLC-DAD and HPLC-MS. Journal of Food Composition and Analysis, San Diego, US, v. 17, p. 385-396, 2004. BARBOSA, R. C. M. V.; AMANTE, E. R. Farinha da Casca de Pequi (Caryocar brasiliense). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 17., 2002, Belém, PA. Anais... Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 2002. 1 CD-ROM. BARRADAS, M. M. Informações sobre floração, frutificação e dispersão do piqui Caryocar brasiliense Camb. (Caryocaraceae). Ciência e Cultura, São Paulo, SP, v. 24, n. 11, p. 1063-1068, 1972. BARRADAS, M. M. Morfologia do fruto e da semente de Caryocar brasiliense (piqui), em várias fases do desenvolvimento. Revista de Biologia, La Habana, CU, v. 9, n. 1-4, p. 69-95, 1973.

280

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

BARROSO, G. M.; MORIM, M. P.; PEIXOTO, A. L.; ICHASO, C. L. F. Frutos e sementes: morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôneas. Viçosa: UFV, 1999. 443 p. BERNARDES, T. G.; NAVES, R. V.; REZENDE, C. F. A.; BORGES, J. D.; CHAVES, L. J. Propagação sexuada do pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.) estimulada pelo ácido giberélico. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 17., 2002, Belém. Anais... Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 2002. 1 CDRom. BLUMENSCHEIN, A.; CALDAS, R. A. Projeto de domesticação de plantas do Cerrado e sua incorporação a sistemas produtivos regionais. Goiânia: UFG, 1995. 91 p. CARVALHO, M. C.; BURGER, O. N. Contribuição ao estudo do pequi de Brasília. Brasília: SPS, 1960. 15 p. (Coleção estudo e pesquisa alimentar, 50). CORRÊA, M. P. Dicionário de plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: IBDF, 1984. v. 6. DOMBROSKI, J. L. D. Estudos sobre a propagação do pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.). 1997. 72 p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras, Lavras. DOMBROSKI, J. L. D.; PAIVA, R.; CAMARGO, I. P. de. Efeito de escarificação sobre a germinação de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.). Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, BA, v. 20, n. 1, p. 7-14, 1998. FACHINELLO, J. C.; HOFFMANN, A.; NACHTIGAL, J. C.; KERSTEN, E.; FORTES, G. R. de L. Propagação de plantas frutíferas de clima temperado. Lavras: FAEPE, UFLA, 1996. 192 p. FERNANDES, R. C.; LOPES, P. S. N.; GONÇALVES, W. S.; VIEIRA, F. de A.; MAGALHAES, G. M. F. Enraizamento de estacas de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.) sob diferentes doses de AIB. In: SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA UFMG, 12., 2003, Belo Horizonte, MG. Resumos... Belo Horizonte: UFMG, 2003. 1 CD-ROM. FOURNIER, L. A. El dendrofenograma, una representacióngráfica del comportamiento fenológico de los árboles. Turrialba: Revista Interamericana de Ciencias Agricolas, San Jose, CR, v. 26, n. 1, 1976. FRANCO, G. Composição química dos alimentos e valor energético. 6 ed. In: NUTRIÇÃO: texto básico e tabela de composição química de alimentos. Rio de Janeiro: ATHENEU, 1982. p. 180-193.

281

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

GRIBEL, R. Ecologia da polinização e da dispersão de Caryocar brasiliense Camb. (Caryocaraceae) na região do Distrito Federal. 1986. 109 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade de Brasília, Brasília. GRIBEL, R.; HAY, J. D. Pollination ecology of Caryocar brasiliense (Caryocaraceae) in Central Brazil cerrado vegetation. Journal of Tropical Ecology, Cambridge, GB, v. 9, p. 199-211, 1993. GUARINO, L. Assessing the threat of genetic erosion. In: GURINO, L. et al. (Ed.). Collecting plants genetic diversity: technical guidelines. Rome: IPGRI-IUCNFAO, 1995. p. 67-69. HARTMANN, H. T.; KESTER, D. E.; DAVIES, J. R.; GENEVE, F. T. Plant propagation: principles and practices. 7. ed. Upper Saddler River: Prentice Hall, 2002. 880 p. HERINGER, E. P. Pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.). Brasil Florestal, Brasilia, DF, v. 1, p. 28-31, 1970. HOMMA, A. K. O. Extrativismo vegetal na Amazônia: limites e oportunidade. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1993. 201 p. LABORIAU, L. G. Sobre a formação de novos biologistas de plantas no Brasil. Biológico, São Paulo, SP, v. 32, n. 6, p. 113-121, 1966. LABORIAU, L. G.; VÁLIO, I. F. M.; SALGADO-LABORIAU, M. L.; HANDRO, W. Nota sobre a germinação de sementes de plantas de cerrados, em condições naturais. Revista Brasileira de Biologia, v. 23, n. 3, p. 227-237, 1963. LIETH, H. Phenology and seasonality modelling. New York: Springer-Verlag, 1974. 444 p. LOPES, P. S. N.; MARTINS, E. R.; OLIVEIRA, M. N. S. de; ALVES, J. da S.; FERNANDES, R. C.; GONÇALVES, W. S. Seleção de acessos de pequizeiro (Caryocar brasiliense) para constituição de banco de germoplasma. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 18., 2004, Florianópolis, SC. Anais... Florianópolis: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 2004. 1 CD-ROM. LOPES, P. S. N.; OLIVEIRA, M. N. S. de; SIMÕES, M. M. O.; OLIVEIRA, M. R. de; GUSMÃO, E.; VIANNA, M. de O. P.; PACHECO, M. V.; VIEIRA, F. de A.; FONSECA JÚNIOR, E. M. da; RIBEIRO, L. M. Biometria dos frutos de pequizeiro colhidos na safra e entressafra no Norte de Minas Gerais. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 25.; REUNIÃO NORDESTINA DE BOTÂNICA, 53., 2002, Recife. Resumos. Recife: Editora Universitária UFPE, 2002. p. 81-81. LOPES, P. S. N.; SOUZA, J. C. de; REIS, P. R.; OLIVEIRA, J. M.; ROCHA, I. D. F. Caracterização do ataque da broca dos frutos do pequizeiro. Revista Brasileira Fruticultura, Cruz das Almas, BA, v. 25, n. 3, p. 540-543, dez. 2003. 282

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil

Capítulo 15

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. v. 1. 4, 368p. MARTINS, E. R. Conservação da poaia (Psychotria ipecacuanha): coleta, ecogeografia, variabilidade genética, e caracterização reprodutiva. 2000. 109 p. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro. MEDEIROS, R. A. Comparação de algumas espécies acumuladoras e não acumuladoras de alumínio nativas do cerrado. 1983. 94 p. Tese (Mestrado) Universidade de Brasília, Brasília. MEIRELHES, M. L.; LUIZ, A. J. B. Padrões espaciais de árvores de um cerrado de Brasília, DF. Revista Brasileira de Botânica, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 185-189, dez. 1995. MELO, J. T. de. Fatores relacionados com a dormência de sementes de pequi (Caryocar brasiliense Camb.). 1987. 92 p. Dissertação (Mestrado) - Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz - ESALQ, Piracicaba. MELO, J. T.; GONÇALVES, A. N. Inibidores de germinação no fruto e em sementes de pequi. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1991. 11 p. (EMBRAPA-CPAC. Boletim de pesquisa, 34). MELO JÚNIOR, A. F. Variabilidade genética em populações naturais de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb.), caracterizado por meio de isoenzimas. 2003. 82 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Lavras, Lavras. MENDONÇA, R. C. de; FELFILI, J. M.; WALTER, B. M. T.; SILVA JÚNIOR, M. C. da; REZENDE, A. V.; FILGUEIRA, T. S.; NOGUEIRA, P. E. Flora vascular do bioma Cerrado. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/ recursosnaturais/levantamento/floravascular.pdf.>. Acesso em: jul. 2005. MIRANDA, J. de S.; SILVA, H.; MATOS, M. A. de O. Emergência e vigor de sementes de pequi submetidas a pré-tratamentos mecânicos e térmicos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 9., Campinas, 1987. Anais... Campinas: Sociedade Brasileira de Fruticultura. 1987. p. 647-651. MOURA, L. C. Associação interespecífica em um estudo fitossociológico de cerrado sensu strictu (Brasília-DF). 1983. 149 p. Tese (Mestrado) - universidade de Brasília, Brasília. NAVES, R.V. Espécies frutíferas nativas dos Cerrados de Goiás: caracterização e influência do clima e dos solos. 1999. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia.

283

D. 2002. T. 15 p. Viabilidade de sementes e emergência de plântulas de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb. JUNQUEIRA. PEREIRA. V. Arquivos do Instituto Biológico. B. 2004. Estádio de maturação dos frutos e fatores relacionados aos aspectos nutritivos da polpa de pequi (Caryocar brasiliense Camb. E. O. Planaltina. B. C. PEIXOTO. 284 . VERA. A. A. V.. GILBERT. B.. Planaltina: Embrapa Cerrados.) sob diferentes níveis de escarificação dos caroços. P. FIALHO. OLIVEIRA.. E.. V. JUNQUEIRA. Suplemento. J. 18. P.. T. S.. da. 17.. (Embrapa Cerrados. M.. S. V. 19. 2002a. DIAS. Caracterização física de frutos do pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb. 195226. de F. R. E. de. B... n.. B. 25 p. C. SIMÕES. 1973. E. 1 CDRom. G. M. 2002.. A. Horticultura Brasileira. PEREIRA.. 2002c. PEREIRA. Boletim de pesquisa. N. GIORGI. JUNQUEIRA. v. 2. M. S. 2004. SP. PEREIRA. 1. Plantas oleaginosas arbóreas.. DF: Embrapa Cerrados. J. 26. N. 51). MORS. Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura. Enxertia de mudas de pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb. 37. J. PA. p. S. N. V. Anais. COELHO. de. M. RIBEIRO. R. PA. FAVORITO. Florianópolis: SBF. 1 CDROM. 1 CD-ROM. Viçosa. Avaliação de métodos de enxertia de mudas de pequizeiro. FIALHO.. 1 CD-Rom. 25-27. PEREIRA.. 2001. V. Propagação e domesticação de plantas nativas do cerrado com potencial econômico. ENCONTRO REGIONAL DE BOTÂNICOS DE MG. Anais. OLIVEIRA. GUIMARÃES. N. S. Belém. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.. L.. BARROS. v. LOPES. Belém: Sociedade Brasileira de Fruticultura.Isolamento e identificação de algumas substâncias: atividade biológica sobre o sarcoma 180.. B. DOMBROSKI.. L. F... jul.. SAMPAIO. de F.) e mangabeira (Hancornia speciosa Gomes)... In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Viçosa: UFV. R.. P. 2004. São Paulo. MG.). J. E. Brasília. R. B. W. 1970. Anais.. N. B.. FONSECA. M. Caryocar brasiliense . SOUZA... In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Enxertia de mudas de pequizeiro. O. C.. 55.. M.) no Estado de Goiás.. 2004. C. V. T. SC.. 2002. Belém. C. T. FIALHO. BA e ES.. S. OLIVEIRA. C.. PEREIRA.. PEREIRA. Florianópolis. A. A. n. GUSMÃO. A.. 17. N. M. de F. V. JUNQUEIRA. de F. 1 CD-CROM. p...Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 NAVES.. W. V. Anais. PEREIRA. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. A. C. R. A. E. R. PEREIRA. 2002b. São Paulo: Nobel.

M. PEREIRA. Florianópolis. monograph. Flora do Estado de Goiás: plano de coleção. (Manual técnico). VERA. Caracterização físico-química da amêndoa e polpa do pequi (Caryocar brasiliense Camb. Florianópolis: SBF./jun.. G. PRANCE. 62 p.. SC. V. (Embrapa Cerrados. da. A... M. J. F. G. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. J. 1 CD-ROM. A. (Coleção rizzo.. V. RODRIGUES. 1). E. PEREIRA. C. J. C. 2. 2000. 1973. São Paulo. L. 2004. A. B. SC.. AFFIN. R. RAMOS. RIZZO. D. A. Revista Brasileira de Botânica. v. B. Pequi: produção de mudas.. A. Relatório técnico anual). D. SILVA. RIBEIRO. H. Fitossociologia de tipos fisionômicos do Cerrado em Planaltina-DF. R. 2000. 1997. RIBEIRO. Recomendações técnicas. F. S. 1994. 12). 18. B. V. DF: Embrapa Cerrados. p. 2004.. M. J. CEPPA. M. Pequi. Anais.. SILVA. J.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Curitiba. P. F. ROLIM. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. Florianópolis: Sociedade Brasileira de Fruticultura. 1985. p. J. Goiânia: UFG. New York: HAFNER. E. E. C. Planaltina.. J. M. VILAS BOAS. Conserva de Pequi. (Flora Neotrópica. 2001.. Caryocaraceae. 1981. M. FELFILI. A... 131-142. SILVA.. 1). 1 CD-ROM.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 PEREIRA. B. GOMES. N. E. N. SILVA. Levantamento da biodiversidade do bioma cerrado: um estudo para promover sua conservação em Alto Paraíso de Goiás-GO. A.. Lavras. B. SILVEIRA. C. V. 23-32. SALVIANO. o rei do cerrado: roendo o fruto sertanejo por todos os lados. UMAKI. U. SILVA. 8. Anais. POZO. O. Efeito do cozimento convencional sobre os carotenóides pró-vitamínicos “A” da polpa do piqui (Caryocar brasiliense). A.) produzidas nas regiões Norte e Sul de Minas Gerais. 2004.. J. TORRES. 1997. PROENÇA. 19... PEREIRA. PINTO. M. Florianópolis.. (Embrapa Cerrados. HIANE. B. SOUSASILVA. jan. n. F.... Embrapa Cerrados. de. JUNQUEIRA. RAMOS FILHO.. L. C. V. L. n. 22 p. Goiânia: UFG. 2004. PAULA.. GOMES. da concentração de ácido giberélico e da planta matriz na germinação de pequi. 18. 1. F. RIBEIRO. M.. V. F. 75 p. A. C.. J. M. R. C. 100 p. C. 285 . S.. 2 p. Efeitos do tempo de imersão. BATMANIAN.. T. D. n. O pequi (Caryocar brasiliense): uma alternativa para o desenvolvimento sustentável do cerrado no norte de Minas Gerais. PEREIRA. F. O. J. Belo Horizonte: Rede Cerrado/REDE/CAANM/Campo Vale.. v. T. C. A. I. M.

8.. da.. RAMOS. PA. Planaltina: EMBRAPACPAC. V. 178 p.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. n. Belém: SBF. J... SOUZA. de. R. 18. O. D. p. A.. 1985. J..). Comparação de onze variedades de manga em Visconde do Rio Branco. Plantas do cerrado na medicina popular. A. Belém.. Fortaleza: SBF. 2004. 8. J. da. SILVA. J. ANDRADE. F. P. D. 1982. SILVA. p. 1998. SALVIANO. 2002.. 1989. T. J. Florianópolis: Sociedade Brasileira de Fruticultura. D. 286 . M. L. M. G. São Paulo. G. BORGES. 1 CD-ROM. SIQUEIRA. P. 1985. 1994. n. ALMEIDA. MG.. 17.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 SÁ e CARVALHO. C. A. R. J. de. A. L. J. P. M. 2. SC. Fortaleza.. L.. 36. S. 1993. M. Anais. N. 1989.. R. BORGES. SCARANO.. 106. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Propagação sexuada de pequizeiro: influência do ambiente e dos tratamentos sobre a emergência de plântulas. MARQUES. Resumos. R. Spectrum (São Paulo): Jornal Brasileiro de Ciências. 1 CD-ROM. GUERRA. NASCIMENTO. A. M. de. V. visando o consumo ao natural e à elaboração de geléias. p. da.. B. R... n.). J. Curitiba: Sociedade Botânica do Brasil. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Viçosa. Revista Ceres. PINHEIRO. A. 10. Curitiba. V. SILVA. L. Anais. SILVA. A. L. 2001. RS. CARNEIRO. Cerrado: ambiente e flora. Frutas nativas dos cerrados. SOUSA. S.. PINHEIRO. SOUSA. R.) em Uberaba. 1994. 2004. PR. D. Viçosa. B. 31. SP. J. 312318. P. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. I.. R. Minas Gerais. Avaliação de dezessete variedades de mangueiras (Mangifera indica L. S. V. MG. SILVA. J.. C. BRAGA FILHO. 2002. Resumos. C. A. GOMES. Brasília: EMBRAPA. A. Viçosa. SILVA.. Efeito de diferentes tratamentos na germinação do pequi (Caryocar brasiliense Camb.. 178. v. Avaliação Agronômica do Pequizeiro (Caryocar brasiliense Camb. SIQUEIRA. CHAVES. HAY... V. GOMES. v. Relações solo-vegetação como instrumento para o manejo da vegetação do cerrado no Triângulo Mineiro. H. Porto Alegre. J. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. 136 p. F. D. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA. B. 461-478. F. 1. ANDRADE.. SANO. Acta Botanica Brasilica. R. 1984. J. C.. D. de. JUNQUEIRA.. v. T. da. CÔRTES. C. JUNQUEIRA.. Frutas do Cerrado. R. 166 p. N. F. Estrutura de populações de Caryocar brasiliense no Cerrado. Florianópolis. 368 p. 41-44. G. J... p.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 15 SOUZA. genéticas e de valores nutricionais de frutos. G. de. L. Industrialização do Pequi (Caryocar brasiliense Camb). TAUER.. 2004. TEIXEIRA. (Caryocaraceae): fenológicas. Variações naturais de Caryocar brasiliense Camb. v. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.. 88 p. C. Análise de risco de erosão genética de populações de fava-d’anta (Dimorphandra mollis Benth. 1998. R. Revista Brasileira de Plantas Medicinais. p. Florianópolis: SBF. F. Lavras. Resumos. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. 18. SP.. 42-47. 2004. E. SOUZA. MG. Florianópolis. 287 . MARTINS.. A. VILELA. G.. 1 CD-ROM. n. G. J. do C.. 3. SC. R. R.) no norte de Minas Gerais. 2004. E. A. GONÇALVES. Botucatú. 6.

.

.

Agostini-Costa Nilton T. NOME CIENTÍFICO: Eugenia klotzchiana Berg. pereira-do-campo (Figura 1). Foto José Antônio da Silva. FIGURA 1. Junqueira NOMES COMUNS: Pêra-do-campo. cabacinha-do-campo. 290 . Aspecto externo de frutos da pereira-do-cerrado. V.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 PÊRA-DO-CERRADO Juliana Pereira Faria Tânia S.

Segundo Silva et al. menos ácidos. Almeida et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 16 Mirtaceae. aromática e ácida com duas a quatro sementes (Figura 1). Sob condições de cultivo. Na região dos cerrados ocorrem cerca de 200 a 250 espécies (PROENÇA. pesam entre 60 e 90 gramas. aromáticos e de sabor agradável (Figura 3). as plantas com 12 anos de idade podem atingir até três metros de altura (Figura 2).T. Suas flores são brancas e aromáticas. Por outro lado. em pequena escala.000 espécies. DESCRIÇÃO Em seu ambiente natural. (2001). os frutos colhidos de plantas localizadas no extremo sul do Estado de Minas Gerais são menores. (1998) relatam que. os frutos maduros apresentam seis a dez centímetros de comprimento por quatro a sete centímetros de diâmetro. N. a planta tem porte arbustivo de até um metro de altura. 291 . As plantas das populações encontradas no Distrito Federal produzem frutos maiores. (comunicação pessoal) o sabor varia conforme a distribuição geográfica da espécie. Cada planta produz de seis a 18 frutos em ambiente natural. mole. destacando-se frutíferas como a goiabeira (Psidium guajava) e a pitangueira (Eugenia uniflora). Segundo Andersen e Andersen (1989). Esta é uma das maiores famílias da América do Sul e Central. No entanto.V. polpa branca. ocorrendo na região neotropical e subtropical. os frutos têm sabor agradável e de aroma muito intenso. possuem casca amarela. muito ácidos e não muito aromáticos. com cerca de 3. 1993). segundo Junqueira. houve produção de sete a dez frutos por planta.

com três metros de altura. Foto: Nilton Junqueira. Pereira-do-cerrado. 292 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 FIGURA 1. na Embrapa Cerrados. DF.

ocorrendo em regiões de cerrado restrito. Cada quilograma de sementes contém cerca de 330 unidades. essa espécie vegeta e frutifica muito bem em áreas com geadas freqüentes nos meses de junho e julho. de distribuição geográfica bastante restrita (ALMEIDA et al. Foto: Nilton Junqueira. é espécie quase rara.. 293 .Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 FIGURA 3. 1991. 1989). Apesar de vegetar socialmente. ASPECTOS ECOLÓGICOS A maturação dos frutos ocorre de outubro a dezembro. Mato Grosso do Sul (ALMEIDA et al. Mato Grosso. HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A pêra-do-cerrado é uma planta de clima tropical e se adapta melhor aos solos drenados e permeáveis. No Sul do Estado de Minas Gerais.. 1998). Ocorre em Goiás.. As sementes recém-coletadas apresentam taxa de germinação em torno de 90% no período de 40 a 60 dias (SILVA et al. campo sujo e campo limpo. no Distrito Federal. Exemplares de frutos menores comercializados no Sul do Estado de Minas Gerais. cerrado ralo. em Minas Gerais e no Sudoeste da Bahia. ANDERSEN e ANDERSEN. 1998.

VALOR NUTRICIONAL E TECNOLOGIA PÓS-COLHEITA Não foram encontradas informações substancias sobre o valor nutricional dos frutos. O material vegetativo e reprodutivo pode ser conservado in vitro ou em condições criogênicas (Salomão et al. 1989. SILVA et al. Não existe correlação entre distância genética e geográfica. 2003). conseqüentemente.1998). RECURSOS GENÉTICOS A grande variabilidade interpopulacional verificada (tamanho e acidez do fruto. 1999). tornando a espécie mais frágil à seleção natural e levando-a a escassez em campo. 1999).. Além disso. os locos portadores de menores efeitos. ainda não existem pomares comerciais..1986). a 25º C e umidade relativa de 90 a 95%. uma vez que a variabilidade genética entre os indivíduos da espécie independe de sua coleta. O período para atingir essa taxa de germinação foi muito irregular. à menor diversidade genética (RODRIGUES. A variabilidade genética intrapopulacional é menor quando comparada à interpolulacional. podem ser fixados. portanto. a marginalidade na distribuição geográfica levaria à redução do fluxo gênico e.. sob o ponto de vista adaptativo. Assim. 294 . o que inviabiliza sua conservação em câmara fria. embora não exista registro de bancos de germoplasma para esta espécie. segundo Robinson (1998). sugerindo uma restrição dessa espécie ao fluxo gênico e uma alta taxa de endogamia (RODRIGUES. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO A pêra-do-cerrado é empregada para o consumo in natura e como matériaprima para produção de doces.. que variaram entre 1% e 3% (BORGO et al. As sementes das espécies de Eugenia nativas no Cerrado brasileiro são recalcitrantes. A variação genética encontrada entre os indivíduos das diferentes áreas de coleta é muito alta. klotzschiana é uma espécie com alta taxa de endogamia e restrição ao·fluxo gênico o que. Machado et al. tamanho das folhas e porte da planta) sugere que E.(1986) relatam taxa de germinação de 69% sob luz. A literatura relata apenas os teores de proteína da polpa. geléias e sucos (ANDERSEN e ANDERSEN.. Apesar da bela aparência do fruto e de sua durabilidade em pós-colheita. variando de 31 dias a 142 dias e. Algumas plantas podem ser encontradas em quintais ou em jardins como plantas ornamentais. resulta em forte desequilíbrio na fixação de alelos de uma espécie. O extrativismo é a principal forma de exploração. 2001). Existe uma grande variabilidade de germoplasmas disponíveis para coleta. não apresentam dormência aparente.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 ALMEIDA et al.

Tratos culturais. podendo permanecer em bom estado por até sete dias em temperatura ambiente. Sua comercialização. Foto: Nilton Junqueira. O enviveiramento das mudas recém-nascidas pode ser feito diretamente no terreno ou em recipientes apropriados. adubação com esterco curtido mais 100g de superfosfato (ANDERSEN e ANDERSEN. mas acredita-se que a embalagem em bandejas de poliestireno (Figura 4). empregando 10 kg de esterco curtido e 100 g de NPK 10:10:10. FIGURA 4. O plantio em pomar deve obedecer a um espaçamento de 3 x 3 m e covas de 50 x 50 cm. com capacidade para quatro a seis frutos. Manter as coroas limpas e adubar anualmente. em caráter extrativista. Combater sistematicamente as formigas-cortadeiras 295 . seria a ideal. Observar possíveis sintomas de deficiência mineral. Embalagem de frutos em bandeja de poliestireno. INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO Instalação da cultura.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 A pêra-do-cerrado tem boa duração após a colheita. normalmente é feita em sacolas de plástico telado (Figura 3). 1989). Plantar as sementes em sementeira ou em recipiente com terra fertilizada.

adquirem cor marrom-escura e aumentam de tamanho. ataca muitas espécies dos gêneros Eugenia e Psidium (ANDERSEN e ANDERSEN. Ataca principalmente os frutos. Os sintomas iniciam-se com pequenas lesões marrom-claras na casca que. tornando-o imprestável para o consumo. FIGURA 5. Em condições de umidade elevada. podendo atingir até 2 cm de diâmetro. às vezes. Causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides Penz.. Essa doença pode ocorrer com freqüência durante o período chuvoso que coincide com o período de maturação dos frutos em habitat natural (JUNQUEIRA et al. provocando manchas escuras na casca e apodrecimento. Doenças • Antracnose. forma assexuada de Glomerella cingulata (Ston. 296 .). Fruto sadio e fruto atacado pela antracnose (Colletotrichum gloeosporioides Penz. é a principal doença da pêra-do-cerrado. Sobre o tecido lesado. 1989). coalescendo (Figura 4).) Spauld. contendo conídios de Colletotrichum gloeosporioides. 2003). e Scherenk.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 e cupins e aplicar iscas envenenadas para prevenir o ataque das moscas-das-frutas. mais tarde. pode surgir uma massa densa amarelo-alaranjada. A ferrugem causada pelo fungo Puccinia sp. Foto: Nilton Junqueira. as lesões podem ocupar toda a superfície do fruto e atingir a polpa. se aprofundam.

profundas em até 1mm. Fruto sadio e fruto atacado pela podridão branca causada por Cylindrocladium sp. Às vezes os tecidos sob as manchas ou lesões ficam moles. 2003).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil • Capítulo 16 Podridão Branca. as lesões aumentam de tamanho. Foto: Nilton Junqueira. surge uma massa micelial branca (Figura 5) com estruturas e conídios típicos de Cylindrocladium sp. Causada pelo fungo Phloeosporella sp. coalescendo e formando uma grande mancha sobre a casca. podendo atingir até 1cm de diâmetro. • Mancha parda. e marrons púrpuras na face abaxial ou inferior (Figura 297 . de pequenas lesões marrom-claras. com tamanhos variados e com bordas bem definidas. na casca dos frutos. às vezes. Os sintomas são caracterizados pelo aparecimento de lesões circulares com até 1 cm de diâmetro.. um fungo do solo muito comum no Cerrado. essa doença ataca as folhas. Os sintomas da doença são.. inicialmente. circulares. É causada por Cylindrocladium sp. marrom-escuras na face adaxial ou superior das folhas. FIGURA 6. A infecção ocorre devido à proximidade dos frutos com o solo. caracterizados pelo aparecimento. Com o tempo. Os frutos atacados tornam-se imprestáveis para consumo (JUNQUEIRA et al. Mais tarde.. sobre o tecido lesado.

. Ocorre com bastante freqüência nas folhas mais velhas de pereiras-do-cerrado cultivadas ou silvestres. Foto: Nilton Junqueira. Sob condições de alta umidade. ocupando área considerável da superfície foliar (JUNQUEIRA et al. No centro das lesões podem ser observadas pontuações claras contendo estruturas típicas do fungo (JUNQUEIRA et al. 2003).. FIGURA 7. • Mancha de alga. Não chega a provocar queda de folhas. as manchas se coalescem. 2003).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 6). as lesões podem coalescer e provocar a queda da folha. Mancha parda causada por Phloeosporella sp. mas pode reduzir a taxa de fotossíntese. É causada pela alga Cephaleuros mycoidea. Às vezes. 298 . Os sintomas são caracterizados por manchas amareladas com aspecto ferruginoso e pulverulento com até 01 cm de diâmetro (Figura 6).

em seu habitat natural. Estes só devem ser estabelecidos após a obtenção de algum conhecimento sobre o desenvolvimento epidêmico dessas doenças. Foto: Nilton Junqueira. 2003). IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Muito apreciada pelo formato e aparência. • Controle de doenças. diversificando e enriquecendo a dieta da população rural. na forma de doces. Por se tratar de doenças de uma planta não cultivada. e as doenças podem atacar de forma severa. geléias e sucos.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 FIGURA 8. esse equilíbrio pode ser rompido. também. mas sob condições de cultivo.). 299 . entre a mangabeira e a podridão de raízes (Cylindrocladium clavatum) e entre a mangabeira e a mancha foliar (JUNQUEIRA et al. provocando prejuízos expressivos. Mancha-de-alga em folhas de pereira-do-cerrado. Geralmente. não se conhecem ainda métodos de controle. as plantas estão em equilíbrio com seus parasitas e patógenos. Casos similares já vêm sendo observados entre o pequizeiro e o mal-do-cipó (Phomopsis sp.. a pêra-do-cerrado é consumida in natura e.

BA.. SANTIAGO. Brasília. A. M. JUNQUEIRA. Segundo consenso entre especialistas presentes no Seminário Plantas do Futuro. R.. Brasília: SBB. MACHADO. V. ROBINSON. T.. W. Revista Brasileira de Fruticultura. 70). T.. ainda não conhecido. p. Patógenos associados à pera-do-cerrado (Eugenia klostzchiana Berg) no distrito Federal. 8.. J.. 228p. ANDERSEN. D. 2005. H. W.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil CONSIDERAÇÕES FINAIS Capítulo 16 A pêra-do-cerrado (Eugenia klotzchiana Berg) é uma fruta de bela aparência e de boa duração pós-colheita. 1988. LIMA. PARENTE. DF. 8. 59. O. MACHADO. S. 1988. Cruz das Almas. PROENÇA. Fruticultura). 59–62. 1986. Característica físico-químicas de frutos de sete espécies fruteiras nativas do cerrado da Região Geoeconômica do Distrito Federal. Para que seja possível a exploração econômica sustentada desta espécie.... DF: EMBRAPA-CPAC. Cerrado: espécies vegetais úteis. V. v.. é preciso que haja uma avaliação e seleção de populações ou variedades que apresentem características comerciais. DF. V. Rio de Janeiro: Globo. 2. p. p. N. L. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. a caracterização do valor nutricional da fruta. a freqüência de distribuição da espécie. S. 1986. 187-189. 1998. M. S. BORGO. Fitopatologia Brasileira. 1993. 300 .. F. D. s277. J. p. Anais. Farnham: The British Crop Protection Council.. M. M. realizado em Brasília. a espécie apresenta facilidade de propagação por semente e estabelecimento pós-plantio. B. SILVA. 1993. J. Myrtaceae da região dos cerrados. T. 2. 8. A. CNPq. Symposium Proceedings. Programas e resumos. SANO. P. Informações sobre germinação e características físicas das sementes de fruteiras nativas do Distrito Federal. de R.. PARENTE. também é importante para favorecer a divulgação comercial da mesma. As técnicas de produção de mudas e de tratos culturais precisam ser avaliadas. RIBEIRO. assim como precocidade de produção. As frutas silvestres brasileiras. Por outro lado. V. v. Brasília. da. L. 1986. resistência a doenças e produção de frutos com melhor sabor (maior doçura e menor acidez).. JUNQUEIRA. B. a densidade no ambiente de ocorrência e a freqüência de adultos produtivos são baixas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA. ANDERSEN.. P. 2003. (Coleção do Agricultor. T. DF. Planaltina. Managing pesticide waste and packaging. n. PROENÇA. C. EMBRAPA. In: ENCONTRO DE BOTÂNICOS DO CENTRO-OESTE. como boa produtividade. Brasília. Brasília: Sociedade Brasileira de Fruticultura.. EMBRAPA.. 30. 203 p. p. (BCPC. limitando a disponibilidade de frutos para o consumo.

1998. T. SILVA. D. N. A. 39. Dissertação (Mestrado) . Proceedings… [S.Universidade Federal de Goiânia. ANDRADE. Canterbury. Avaliação da variabilidade genética em Eugenia Klotzschiana utilizando-se marcadores moleculares RAPD. M.. J.l: s. UK. Frutas do Cerrado. J. 2001.. V. 1999. R..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 16 In: SYMPOSIUM HELD AT THE UNIVERSITY OF KENT. B. L. color. il. SILVA..n].. Brasília: Embrapa Informação tecnológica. RODRIGUES. L. Goiânia. A. p. 1998. JUNQUEIRA. 301 . 178 p.

.

.

.. jago. ygualti. 2005. francês (genipayer. genipapo. Genipa americana L. xahua. guaitil. 304 . janipaba. holandês (taproepa. lluale. Genipa grandifolia Pers. Figura 1. da Silva Wetzel NOMES COMUNS. xagua. espanhol (huito.. Genipa caruto Kunth. jagua. (Cortesia Roberto Fontes Vieira) NOME CIENTÍFICO: Genipa americana L. janapabeiro. (1759). GENIPA. yaguayagua. maluco. wito. yoale. tapoeripa) e até Chinês (keou tsu. 2005) e G. cafecillo denta. tejoruco.. Genipa pubescens DC. caruto fo. 1996). mandipa). Tiñe-dientes. tou kio tse) (CORRÊA. mayagua. inglês (genipap.. tapaculo. tejoroso. Genipa excelsa Krause. 1978. carnuto (Kunth) Schum.. jagua blanca. Genipa barbata Presl.. caruto rebalsero. (GENIPA. nandipáguazú. shagua.. nane. e P. Genipa humilis Vell. yaguare). principalmente nos idiomas: português (jenipapo.. jenipá. Sinonímias: Gardenia genipa Sw. Genipa americana var. jenipapeiro. irayol. bigrande. yaguá.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 JENIPAPO Dijalma Barbosa da Silva Antonieta Nassif Salomão Paulo Cezar Lemos de Carvalho Maria Magaly V.. (VILLACHICA et al. jagua de montana. jagua negra.. guayatil blanco. Genipa americana var. totumilho. grandifolia Chodat e Hassl. Ruiz e Pav.. jagua azul. (Figura 1) recebe várias denominações populares. carcarutoto. genipa. VILLACHICA et al. oblongifolia R. A espécie Genipa americana L. Genipa oblongifolia. huitu. guaricha... caruto. gigualti. 1996). jenipapinho. bois de fer). marmaladebox).

com diâmetro de até 60cm. VILLACHICA et al. branca amarelada. LORENZI. copa arredondada e densa (Figura 2A). ocorrem em inflorescências subcimosas. discoides. 2005. posteriormente. Na região do cerrado a planta atinge porte menor (6 a 8m). 1996. tubular-cilíndrico e sem lóbulos (Figuras 3 A e B). O tronco é cilíndrico. elipsoides. reto. terminais ou subterminais e liberam fragrância suave. As sementes pesam em média 5g/100 unidades (SILVA et al. O cálice é verde. uma das maiores famílias de angiospermas. pesando de 90 a 180g. com casca lisa. A corola é tubular. com 5 lóbulos amplamente estendidos.2cm de comprimento. característica da espécie. 305 . cinzento-esverdeada com manchas de cor cinza mais claras (Figura 2C). apresentando em média 120 a 160 sementes por fruto. que pesam de 200 a 500g (Figura 3C). 1996. glabras com margem lisa (Figura 2B). fina e enrugada contendo de 50 a 80 sementes por fruto. composta por aproximadamente 500 gêneros e 7. 2001).000 espécies (JOLY.5g/100 unidades (CORRÊA... Produz de 200 a 1000 frutos por planta com 6 a 10 cm de comprimento por 4 a 7cm de diâmetro. Folhas simples. opostas e pecioladas com lâmina verde brilhante de 8 a 30cm de comprimento por 3 a 17cm de largura. obovadas ou elípticas. Os frutos são bagas globosas de 10 a 15cm de comprimento por 7 a 9cm de diâmetro de cor parda.5mm de comprimento por 7mm de largura são fibrosas e achatadas. 1983)..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil FAMÍLIA Capítulo 17 O jenipapo é uma planta dicotiledônea pertencente à família Rubiaceae. 1978. membranosa. de 1. espessa. GENIPA. SOUZA et al. 1992). e escuras após a secagem (Figura 3D).. As sementes de 8. pesando em torno de 8. casca. DESCRIÇÃO Planta de porte arbóreo atingindo de 6 a 25m de altura. As flores brancas quando novas e amareladas.

Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 Figuras 2A-C. Fotos cortesia Cláudio Bezerra. Detalhe das folhas. Detalhe do tronco. 2C. 2A. 2B. Planta adulta de jenipapo em estação chuvosa. 306 .

500 mm/ano e temperaturas de 23º a 28ºC. 3C. Mas. podendo 307 . 3D.50 em regiões com precipitações de 1. Salomão) HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Revisando vários autores. Botões florais. com pH 6. (1996) e Lorenzi (1992) informam que a planta ocorre preferencialmente em áreas úmidas das florestas pluviais e semidecíduas. Corrêa (1978). Villachica et al. 3A. tem sido encontrado em zonas litorâneas de clima tropical úmido e subtropical. Frutos (Cortesia Cláudio Bezerra (3A.300 a 1. 3B. resistente à seca e de fácil adaptação a vários tipos de climas e solos. 3B e 3C)).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 Figuras 3 A-D. em solos franco-arenosos a argilo-silicosos. não tem sido encontrado nas zonas semi-áridas do interior da região nordeste.0 a 6. Flores abertas. Prudente (2002) relata que o jenipapo por ser uma planta rústica. Sementes (Cortesia Antonieta N.

Em estudo de anatomia comparada de Genipa americana L. Peru. com ântese diurna.. Em condições naturais a germinação é lenta e do tipo faneroepígea (os cotilédones são fotossintetizantes na plântula.7 hectares.9% aparentadas. sistema reprodutivo. Maranhão. Sergipe e São Paulo (CORRÊA. que ocorre de fevereiro a julho e outra que se caracteriza principalmente pela queda de folhas (Figura 4a) e inicio de brotação (CRESTANA. raramente mais que dois por hectare. No Brasil. SP. de pouca atividade vegetal. a partir de eletroforese de isoenzimas. Sebbenn (1997). México. em uma mata ciliar da Estação Ecológica de Moji-Guacu. Corrêa (1978) cita que o jenipapo é uma espécie não gregária. sendo 61. SP. situadas na mata ciliar do Rio Mogi Guaçu. existe divergências entre autores. Neste ciclo reprodutivo 81. Mato Grosso. Paraíba. e se reproduz por alogamia.7% entre não aparentados e 19..Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 ser encontrada tanto no interior da mata primária como nas formações secundárias. (2001) citam que na região do cerrado. ASPECTOS ECOLÓGICOS O jenipapo é uma planta semidecídua. Pará.1993). verificando que a espécie apresenta dioicia. quando os frutos encontram-se em fase de amadurecimento (Figuras 4 A. B e C) é possível observar a 308 . distribuição genética espacial. O ciclo fenológico tem duração aproximada de um ano. Machado (2000) observou que a folha de sol apresenta cutícula e parênquima paliçádico mais desenvolvidos que a de sombra. Provavelmente. ocorre desde o norte. o jenipapo ocorre principalmente em áreas de mata seca. Argentina. Rio de Janeiro. Segundo Prudente (2002). a espécie é originária da região noroeste de América do Sul e encontra-se distribuída desde a Florida. Piauí. Equador. 1978). Espírito Santo. Minas Gerais. cerradão e mata de galeria. No ápice da estação seca. Bahia.americana L. Uma.. estudando a estrutura genética.. americana L é de 24. apesar de morfologicamente diferentes do primeiro par de folhas). apresentando indivíduos esparsos. Ceará. Rio Grande do Norte. Distrito Federal. Amazonas. maior espessura da lâmina e maior teor de tanino. Ilhas do Caribe até o Paraguai. encontrou uma alta taxa de heterozigose entre os indivíduos revelando-se como uma espécie com potencial para a conservação in situ. 2005). fluxo gênico e o tamanho efetivo populacional de duas populações naturais de Genipa americana L. Esta estimativa também mostrou que a área mínima viável para a conservação in situ da população de G. até os estados de Alagoas. com duas fases bem marcadas. maior número de estômatos. polinizada por abelhas grandes: Bombus morio e Epicharis rustica flava.6% das plântulas foram geradas por cruzamento. heliófita e caducifólia. A estimativa do tamanho efetivo populacional mostrou que a melhor estratégia para a coleta de sementes é a partir de um número maior de matrizes distribuídas aleatoriamente na população. em relação ao centro de origem do jenipapo. bem como. sendo melitófila. próximo a Guiana e Marajó. Bolívia e Brasil (GENIPA. Pernambuco. América Central. Silva et al. Crestana (1993) avaliou o comportamento reprodutivo de G.

No hemisfério norte.. constatando que pelo fato do jenipapo ser uma planta heliófita.. 4A.. vasta distribuição geográfica e crescimento rápido. durante o desenvolvimento das mesmas (SUGAHARA. 2001). a planta contribui com a oferta de alimentos para a fauna silvestre. Fotos cortesia Cláudio Bezerra Devido a sua rusticidade.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 planta totalmente despida de folhas. a planta frutifica de março a abril (GENIPA. capivara e pássaros diversos. Árvore sem folhas durante a estação seca. Em plantio não experimental realizado no Distrito Federal as plantas iniciaram a frutificação aos cinco anos após o plantio. Além da exploração comercial. no cerrado de setembro a dezembro (SILVA. podendo-se constatar uma predominância da quantidade de açúcares livres sobre a quantidade de proteínas totais. devido a grande variabilidade genética desta espécie. 1996). adaptação a vários tipos de clima e solo. 4B. o jenipapo apresenta grande potencial para sua utilização em atividades agro-florestais econômicas e ecológicas. Frutos em desenvolvimento. Fruto de vez (esq) e fruto maduro (dir). dentre estes: cotia. A influência da saturação hídrica do solo e do sombreamento no crescimento de plantas jovens de espécies de matas ribeirinhas do estado de São Paulo foi estudada por Andrade (2001). Porém. Figuras 4 A-C. Souza et al (1996) relata que na região amazônica as plantas oriundas de sementes iniciam a fase de produção após oito a dez anos do plantio. observa-se a presença de frutos durante todo ano. As sementes apresentaram-se completamente maduras aos 14 meses após a antese. 2005) na região amazônica de outubro a abril (SOUZA et al. 4C. 2003). seletiva 309 . semidecídua.

) em pequenas propriedades no município de Manacapuru.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 hidrófita. após dois anos do plantio em consórcios de espécies arbóreas em roças de mandioca (Manihot esculenta Crantz) e abacaxi (Ananas comosus (L. algumas áreas da região foram devastadas com grande redução de sua biodiversidade e consequentemente. dispersos em 9 instituições da América Latina. apresentando uma boa cobertura de folhagem e controle da erosão. 2000). a região passou a contribuir com grande parte da produção de grãos e a abrigar um número representativo do rebanho bovino do país. Porém.. 2005). muitas espécies de ocorrência local sofreram grandes perdas genéticas. de ocorrência em áreas com florestas abertas e de vegetação secundária de várzeas situadas em locais temporários ou permanentemente inundadas.21m após 18 meses do plantio. Apesar de ter sua ocorrência em áreas não preferenciais para a agricultura e protegidas por leis. era considerada como marginal para a produção agrícola. esta região foi inserida no contexto de produção de alimentos e energia. Conservação de germoplasma. a região centrooeste. a construção de estradas e a adoção de uma política de interiorização e de integração nacional. Suas sementes armazenadas na água mantiveram viabilidade por mais que 180 dias. O Diretório de Coleções de Germoplasma da América Latina e Caribe (KNUDSEN. a viabilidade decresceu substancialmente. americana L. se constitui numa espécie com potencial para reflorestamento em áreas degradadas. causadas pela atividade humana predatória e irresponsável. em plantios de recuperação de cinco fragmentos degradados de Mata de Galeria. o jenipapo também tem sofrido perdas de variabilidade genética.) Merr. no estado do Amazonas. A grande variabilidade genética evidenciada pela forma dos frutos. A planta possui um efeito restaurador do ambiente. consta o registro de apenas 2 acessos conservados pela 310 . Como conseqüência. Quando armazenadas no solo. Assim. até o momento não se conhece a dimensão desta perda que pode ser amenizada pela ampla distribuição geográfica da espécie. registra a conservação a campo de apenas 11 acessos de G. Mota (1997) observou uma taxa de sobrevivência média de 66%.35m para mudas de jenipapo. no Distrito Federal. Até meados do século passado. RECURSOS GENÉTICOS Variabilidade genética. resistindo ao fogo e ao ataque de cupins. e altura de 2.. além de se mostrar tolerante a sombra e a inundações temporárias (GENIPA. A partir dos anos 60. Souza (2002). com a transferência da capital federal para Brasília. espessura da polpa e constituintes químicos denota o grande potencial para uso em trabalhos de melhoramento de plantas. observou que mudas de jenipapo apresentaram 94% de sobrevivência com uma altura de 2. As mais altas taxas de crescimento da planta foram obtidas sob intensidades luminosas variando entre 35% e 72% de luz. O jenipapo apresentou frutos maduros durante o período chuvoso (dezembro até março) os quais podem flutuar na água. de uma pequena atividade agrícola de subsistência e criação extensiva de gado. sendo que no Brasil.

é de importância vital a realização de expedições de coleta. USOS E FORMAS DE EXPLORAÇÃO O nome jenipapo vem do Tupi-guarani. que possa fornecer material genético para programas de melhoramento. não se tem registrado nenhum Banco Ativo de Germoplasma ou coleção de plantas da espécie. isolada pela primeira vez em 1960 (Estrella. 1995. 2005). três coleções de fruteiras tropicais foram instaladas em 1995/1996: uma na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. em áreas de proteção ambiental. e as demais em duas propriedades rurais no município de São Felipe-BA. com prejuízos... 1975. Apesar de ser usado a milhares de anos pelos índios. a introdução de novas espécies no meio rural constitui uma fonte alternativa de renda para o agricultor. de nhandipab = jandipap.. 1998). 1991). Em suas considerações finais.. só recentemente. que significa fruto que serve para pintar (Figura 5A). mas torna-se preta em contato com o ar (PRANCE. (2002). De acordo com Carvalho et al. 311 . estimula a conscientização de sua importância junto às comunidades envolvidas. pois. não raro irreversíveis. além de favorecer a conservação desses genótipos.. Com base nisso. A criação e a manutenção a campo de coleções de fruteiras perenes são dispendiosas. Devido à expansão da fronteira agrícola na região e a construção de grandes lagos para usinas hidroelétricas. vêm sendo conservadas. Cerca de 30 espécies. cientistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV) investigam as propriedades do pigmento azul natural extraído do jenipapo (CIÊNCIA. citado por SILVA et al. contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de sua família.. O envolvimento do agricultor neste processo é uma ação estrategicamente importante. A casca do tronco tem sido usada tradicionalmente pelos índios quando se pintam de negro e empregada na tintura de tecidos e utensílios domésticos (Mirandola. denominada genipina. em Cruz das Almas. Os principais usos são: Tintorial.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária e Desenvolvimento Agrário (EBDA). Até o momento. a presença de técnicos em visitas às coleções mantidas pelo produtor rural constitui um estímulo para a comunidade envolvida no processo de conservação. citado por Silva et al. a muitas espécies. 1975. Essa substância corante é solúvel na água e no álcool. citado por SILVA et al. particularmente as nativas. os autores destacam que a conservação de germoplasma de fruteiras tropicais em parceria com o agricultor é segura e apresenta custos relativamente baixos. DF. 1998). 1998). dentre estas Genipa americana L. sendo comum a indisponibilidade de recursos financeiros para esta finalidade. A casca e os frutos verdes (Figura 5B) contêm substância corante violeta ou azul-escuro (PRANCE. a conservação de germoplasma de fruteiras tropicais é uma ação importante no tocante à prevenção da erosão genética decorrente de diversas atividades agrícolas que perturbam os ecossistemas. em roças de alguns grupos indígenas e em áreas urbanas como o caso de Brasília. A espécie vem sendo conservada em pomares mistos de propriedades rurais.

. genipina. Ueda et al. SILVA et al. O jenipapo raramente é consumido tal como se encontra na natureza. flexível e fácil de trabalhar é utilizada em marcenaria.A. Folhas e frutos são consumidos pelo gado. Medicinal. tamanco. podendo ter ação bactericida e germicida (provavelmente devido a seu conteúdo de fenol). Aromático. B. sorvetes e refrescos. sais de cálcio e ferro e vitaminas B1. 2005). Os princípios ativos são manita. observaram que a genipina extraída dos frutos e folhas do jenipapo promoveu redução de tumores em cultura de células cancerígenas. para pacu. bastante atrativo para peixes. hidropisia. taninos. O fruto verde tem propriedades adstringentes. A casca. principalmente. Pigmento azul-violeta em frutos verdes de jenipapo (Cortesia Cláudio Bezerra) Alimentar. O fruto maduro presta-se para compotas. A polpa dos frutos é usada pelos indígenas como repelente de insetos. Forrageiro. por isso. rica em tanino se utiliza para curtir couro. além de combater a anemia e o inchaço do fígado e do baço. A casca em infusão é emprega no tratamento de gonorréia. doenças venéreas. construções rurais e para a produção de lenha e carvão. doces cristalizados. A raiz se usa como purgativo e a casca no tratamento de úlceras de origem escorbútica. 1992). B2 e C (VIEIRA. e. Quando maduros os frutos exalam odor característico da espécie. É servido passado na frigideira com manteiga e depois adoçado com bastante açúcar e pó de canela. se colocado em infusão de álcool. (1991). No Brasil se utiliza os frutos como diurético e digestivo e contra enterite. fabricação de cabo de machado.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 Figuras 5A-B. Das flores muito aromáticas se extraem óleos essenciais. Às flores se atribui propriedades tônicas e febrífugas e a goma que exuda do tronco se usa contra as enfermidades oftálmicas em forma de colírio (GENIPA. asma e anemia. Índios pintados com pigmento extraído de jenipapo (Cortesia Leide R. 2001). tem-se um vinho também muito apreciado (GOMES. Andrade). A madeira dura. são usados como isca de pesca. 1982. 312 . Pescaria.. se submetido à fermentação. cafeína.. Madeireiro. prepara-se dias depois um saboroso licor. antiinflamatórias e anti-anêmicas. M. acído tartárico.

2ª edição. Valor energético e composição química (por 100g de substância alimentar) de frutos de jenipapo. e vitamina C (teor > 9mg/100g) (Tabela 1).30 Carboidratos (g) 25. principalmente em roças de alguns grupos indígenas.50 Vitamina. Valor energético e composição química Teores Valor energético (kcal) 113 Proteína (g) 5. B2 (mcg) 0. Figuras 6A-B. Frutos maduros. VALOR NUTRICIONAL Dentre as fruteiras nativas da região Centro Oeste o jenipapo é destacado como fonte de proteína (teor > 5g/100g).70 Fibra (g) 9. ferro (teor > 2.00 Ferro (mg) 3.20 Lipídios (g) 0. tem sido utilizado como espécie promissora em modelos de recuperação de áreas degradadas em ambientes de mata ciliar. 313 . fibra (teor > 3g/100g).00 Fósforo (mg) 58. os frutos de jenipapo (Figuras 6 A e B) são administrados às crianças como suplementação da deficiência de ferro.00 Niacina (mcg) 0.60 Retinol (mcg) 30. Tradicionalmente. B. Frutos maduros partidos (Cortesia Cláudio Bezerra) Tabela 1. C (mcg) 33. citada por Brasil.04 Vitamina.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 O jenipapo tem sido explorado de forma extrativista e cultivado em pequena escala em diferentes regiões.00 Fonte: ENDEF – Tabela de composição de alimentos.1mg/ 100g). A.04 Vitamina. B1 (mcg) 0. (2002). O cultivo ocorre em pequenos pomares.40 Cálcio (mg) 40. 1981. Sugere-se que produtos a base de jenipapo façam parte da composição da merenda escolar. Por suportar longos períodos sob condições de alagamento. na zona rural da região do cerrado onde a planta ocorre.

86% para frutos sob refrigeração. atingindo aos 28 dias póscolheita os valores de 24.. a absorção de açúcar contribui para melhoria das características organolépticas. mostrando ser uma temperatura adequada para a conservação do jenipapo. e 20. Do ponto de vista econômico. estágio mais avançado no amadurecimento. O jenipapo perde grande quantidade de água durante o armazenamento. Os frutos são bastante resistentes ao transporte. refletida pela menor firmeza da polpa. (1998) observou que a refrigeração dos frutos a 10ºC retarda acentuadamente as alterações físico-químicas características do amadurecimento.40% de perda de peso para frutos mantidos em condições ambientais.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil TECNOLOGIA E PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA Capítulo 17 Os frutos maduros devem ser colhidos quando atingem o máximo de tamanho e se destacam da planta naturalmente (Figura 7). e até os 28 dias de armazenamento para os frutos sob refrigeração. Os frutos mantidos à temperatura ambiente apresentaram ao final do período de armazenamento. Figura 7. Andrade (2001). por promover aumento de peso da ordem de 23%. relata que a desidratação osmótica de frutos de jenipapo com o uso de açúcar é um processo viável. e aumento do valor energético do fruto. tanto em condições ambientais quanto sob refrigeração. Silva et al. Embora indesejável do ponto de vista tecnológico. pode-se ressaltar o baixo custo do agente osmótico e a possibilidade de reutilização do mesmo. ocorreu um aumento no teor de sólidos solúveis totais até os 14 dias de armazenamento para os frutos mantidos em condições ambientais. Concomitantemente à perda de peso. Fruto maduro caído naturalmente (Cortesia Cláudio Bezerra) 314 .

Segundo Silva et al. 315 . destacando a falta de variedades e mudas selecionadas e pacote de tecnologias para o cultivo (espaçamento. informam a existência das seguintes variedades de jenipapo: jenipapo-pequeno. Um quilograma de sementes contém aproximadamente 14. devem ser plantadas diretamente em sacos de polietileno. pode-se esperar uma germinação média de 75% aos 25 – 30 dias após a semeadura (SILVA et al. A muda deve ser plantada no início da estação chuvosa em covas de 40 x 40 x 40 cm no espaçamento de 6 x 6m (Figuras 8 A e B). onde se destaca o uso de reduzidas quantidades de adubos orgânicos e calcário. adubação. (2001). médio e grande. as sementes logo após beneficiamento. ainda existem várias limitações de natureza técnico-científicas. na profundidade de 2cm. citado por Silva et al. que desestimula a sua exploração comercial. através de enxertia pelo método de garfagem lateral ou garfagem inglesa simples. 2002. manejo e tratos culturais). jenipapo macho (variedade andrógena).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil INFORMAÇÕES SOBRE O CULTIVO Capítulo 17 De acordo com Prudente (2001). citados por Prudente (2001). 1976. 2001). Não foram encontradas informações sobre cultivos comerciais. 2001.. (2001). jenipapo semperflorens (que produz frutos o ano todo). O jenipapeiro adapta-se muito bem ao clima tropical. mas não é aconselhável o seu plantio onde o inverno for rigoroso e onde ocorram geadas (XAVIER e XAVIER. não existindo restrições quanto a altas temperaturas. Embora explorado de forma extrativista.280 unidades (LORENZI. jenipapo com caroço.. apresentou índices de pegamento de 100% e início da produção de frutos no período de dois a três anos após o plantio. irrigação. MOTA. 1996).. Barros (1966) e Xavier e Xavier (1979). calagem. vale ressaltar que em plantios planejados devem ser escolhidos genótipos com frutos maiores e com polpa espessa. apenas plantios em sistemas agro-florestais e em áreas degradadas (ANDRADE. Cada planta adulta pode produzir entre 400 a 600 frutos/ano (SOUZA. jenipapo sem caroço. o jenipapo. 1998). 1997). quando comparadas com as recomendações de adubação das fruteiras comerciais. jenipapo fêmea e caruto-Schum (citado na literatura como variedade e como espécie). Para a formação de mudas.. 1992). Sugestões para composição do substrato para formação de mudas e adubação de cova para plantios realizados no cerrado são apresentadas por Silva et al. em viveiro a céu aberto. Nesta condição. apesar do potencial econômico e social do jenipapo e da grande demanda de mercado. em estudos preliminares realizados na Embrapa Cerrados. SOUZA.

(2003). 1997). B.25 % do sal de tetrazólio durante duas horas de exposição (NASCIMENTO. as sementes de jenipapo apresentam comportamento intermediário no armazenamento. basta a sua imersão em água a 65º C. 30°C e 35°C e os substratos vermiculita e solo apresentam condições adequadas para a germinação das sementes (Figura 9).Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 Figuras 8 A-B. indica que a temperatura ótima para germinação das sementes extraídas de frutos imaturos e de frutos maduros encontra-se na faixa de 22°C a 31°C. enquanto que aquelas armazenadas a 5º C e 15º C apresentaram 316 . suportando a dessecação em teores de umidade próximos a 10% e não toleram o congelamento. Sugahara. De acordo com Carvalho et al. por 5 e 10 minutos. (Cortesia Cláudio Bezerra) Estudos sobre geminação e conservação de sementes. (2000) as temperaturas constantes de 25°C. (1994) recomendam que para quebrar a dormência. Para a identificação rápida da viabilidade recomenda-se a combinação de pré-condicionamento a 30ºc por 24 horas. Muda recém plantada. al. Salomão e Mundim (2001) trabalhando com lotes de sementes com 11% de umidade verificaram que após um ano de armazenamento à temperatura de 10º C. (2000). Muda em crescimento/desenvolvimento. das sementes. as sementes apresentaram 90% de germinação. A. na concentração de 0. Silva et. enquanto. A temperatura mínima de 16°C e as máximas entre 34°C a 37°C e as temperaturas alternadas com temperatura alta (35°C) inibe a germinação. Segundo Andrade et al.

e Cif. que a partir de 6 meses de armazenamento houve perda de vigor das sementes independente da procedência. Meliola melanochylae Hansf.. Sementes em processo de germinação (Cortesia Antonieta N. Ischnaspis longirostris Sing. 2001). Prodedddatoma Moreiarae Bondar e P.7% após 38 meses de armazenamento. Phyllosticta sp. à temperatura de 10°C e o conteúdo de água de 7% foi a combinação que proporcionou a melhor condição para a conservação da viabilidade das sementes. Os resultados indicaram também. Deslandesia paulensis (Rehm) Bat. Sugahara (2003) observou que a embalagem de vidro. Pseudaonidia trilobitiformis Green.2005) e pelos insetos Alacanochiton Marquesii Hemp.. Sphaceloma genipae Bitanc. (2005). A espécie é atacada pelos fungos Cercospora genipae Rangel. Machado.. temperatura e conteúdo de umidade... As mudas em viveiro podem ter seu desenvolvimento comprometido pela presença do fungo Fusarium oxysporum (SALOMÃO. 1978). spermophaga Costa Lima (CORRÊA. Mancha de Phyllosticta. (em sementes) e por Antracnose (BANCO. Figura 9. Santos et al.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 85% de poder germinativo. 317 . s/d citado por Prudente (2001) constatou a ocorrência de cochonilhas (Pinnaspi) em frutos verde e de mosca das frutas (Anastrepha fraterculous Wied. resultando numa porcentagem de germinação de 72. Salomão) Pragas e doenças.. e propagados in vitro com sucesso. podem ser conservados em nitrogênio líquido (-150 a -196º C). 2004). Howardia biclavis Comst.) em frutos maduros caídos no chão. citam que eixos embrionários de Genipa americana L. São raros os registros sobre a ocorrência de pragas e doenças no jenipapo (Prudente. Durante o armazenamento as sementes apresentaram declínio na quantidade de açúcares e proteína.

40%.0 e 2. citado por Silva et al. 2005). AQUI. Desta maneira. licor. Além disso.. a um preço variável de R$10. principalmente. assegurando ganhos financeiros para incalculável número de famílias. sugere que os frutos de jenipapo. apresenta larga distribuição em quase todo território brasileiro se constituindo numa espécie com potencial para cultivo comercial e uso em sistemas agro-florestais.. no Acre foram os primeiros a fazer um contrato com esta empresa. graças a seu potencial para processamento. cujo preço da dose de licor varia de R$2. pigmento. Teriam recebido US$ 150 mil por seu trabalho no fornecimento de urucum. bem como seus derivados têm sido normalmente comercializados em feiras livres das cidades próximas ao local de ocorrência. 750ml e 1000ml. 2005) tem sido comercializado no Brasil em recipientes de 300ml. em condições comerciais. doce cristalizado e compota. do Mato Grosso do Sul. e teor de vitamina C entre 1. Considerado como bebida nobre na Europa no século 19 (A ÁGUA. 2001). Uma empresa do ramo de cosméticos sediada em Rio Branco (AC) vem negociando com comunidades indígenas a extração do pigmento azul do jenipapo bem como o fornecimento e o processamento do urucum para aplicação na formulação de cosméticos. 1998. os frutos de jenipapo são bastante utilizados na fabricação de alimentos para consumo humano. por garantir centenas de empregos no mercado informal e renda para centenas de famílias de baixa renda (PRUDENTE. resistente à seca e de fácil adaptação a vários tipos de climas e solos.50 a R$5.. não somente como fonte de alimento. Os produtos feitos base de jenipapo possuem grande aceitação popular e são bastante demandados no mercado interno e externo. mas. 2005). Os frutos de jenipapos. 500ml.00. De acordo com Prudente (2001). Por ser uma planta rústica.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil IMPORTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA Capítulo 17 Na indústria caseira. Wong 1995..00 a R$20. principalmente para as crianças. sorvete. Na região do nordeste é um produto essencial durante as festas juninas.. Já os índios Guarani-Kayowa.. O produto também é comercializado através da internet e exportado para alguns países como Portugal e África do Sul (DESTAQUES.. madeira ou medicamento. devem apresentar teores de sólidos solúveis entre 18 e 20º Brix. Seja como alimento.0mg de ácido ascórbico/100g..20 e 0. CONSIDERAÇÕES FINAIS O jenipapo é uma planta da qual quase tudo é aproveitado. apesar do potencial 318 . doce em calda.00. Não foram encontradas informações oficiais sobre a produção e a comercialização de frutos e produtos derivados do jenipapo. teriam obtido US$ 51 mil dólares na extração do azul do jenipapo (AMAZÔNIA. refresco. na forma de suco.. Os índios Yawanawa. vinho. 2005. devido ao alto teor de ferro pode ser utilizado no enriquecimento da alimentação regional e na prevenção desta deficiência. acidez total titulável entre 0. até mesmo a exploração extrativista é de inegável importância para a economia das regiões produtoras.

CARVALHO. P. BANCO de dados . F.asp>. W. 35.. 2001. Disponível em: <http://icewall2. n. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura. 62 p. ANDRADE.. Sensibilidade de sementes de jenipapo (Genipa americana L. que possa fornecer material genético para programas de melhoramento. 2001. AQUI Salvador. A. p. 2002. Disponível em: <http://www.correiodabahia. Ministério da Saúde. 93. 133 p. p. 1. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. 53-56. T. S. 2005.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 econômico e social do jenipapo e da grande demanda de mercado. M. 2005. PEREIRA. J. A. M. Apesar da grande variabilidade genética da espécie. n. Acesso em: 22 jun. destacando a falta de variedades e mudas selecionadas e pacote de tecnologias para o cultivo. Revista Brasileira de Fruticultura. C. Alimentos regionais brasileiros. F. v. NASCIMENTO.. Disponível em: <www.com. 2000.xml>. SOUZA. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília: Ministério da Saúde. 2005. Doce tradição. sugerindo a realização imediata de expedições de coleta de germoplasma. P. O. CARVALHO.plantas hospedeiras . Acesso em: 16 ago. Brasília. E. J. 3. AMAZÔNIA legal – economia e extrativismo. SP. R.caipirinha. com. C..ficha de planta hospedeira. C.... substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal.). 2005. ANDRADE. W. A.Universidade Federal de São Carlos. 609-615. N.amazonialegal. SOARES FILHO. CRUZ. C. Cruz das Almas.br/textos/ economia/Economia_Extrativismo_Vegetal. S.Universidade Federal de Pernambuco. ainda existem várias limitações de natureza técnico-científicas. RITZINGER.asp?link=not000094012. A.br/informacoes. que desestimula a sua exploração comercial. BRASIL. PE. BA. 22. DF. A.cenargen.br:84/micweb/michtml/fgbd02. J. Desidratação osmótica do jenipapo (Genípa americana L. S. Influência da saturação hídrica do solo e do sombreamento no crescimento de plantas jovens de espécies de matas ribeirinhas. Acesso em: 22 ago. p. br/2004/06/11/noticia. RAMOS. 2000. L.htm>. Dissertação (Mestrado) . CARVALHO.com. São Carlos. Acesso em: 22 ago.) ao dessecamento e ao congelamento.html>. Disponível em: <www. v. 319 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A ÁGUA ardente. Tese (Doutorado) . Recife. S.embrapa. ANDRADE.. não se tem registrado nenhum Banco Ativo de Germoplasma ou coleção de plantas. U.

Genipa americana L. DESTAQUES do interior. 1983. Conservação de germoplasma de fruteiras tropicais com a participação do agricultor. 1978. 1992.pdf->. 2002. v.html>. MOTA. 222 p. Nova Odessa. 164 p. R. jsp?id=19858>. 2005. Dissertação (Mestrado) . v. H. O. 570. F.mx/conocimento/infoespecies/arboles/doctos/61-rubia5m.br/revista/ agroind_baixo. Desenvolvimento inicial de espécies arbóreas em sistemas agro-florestais no município de Manacapuru . Disponível em: <www. B. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. 320 . Rio Claro. A. p. Cruz das Almas. 330 p. W. M. Revista Brasileira de Fruticultura. N. 2005. 1997. Acesso em: 22 ago. MIRANDOLA. 515-519.Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. In: FRUTICULTURA Brasileira.). São Paulo: Nobel. RJ. CORREA. 4. M. NASCIMENTO. SP. Acesso em: 18 jun. 24.br/Detalhe.rj. 12.). A. Dissertação (Mestrado) . 1. Rio de Janeiro. S. P. (rubiaceae) na estação ecológica de Moji-guaç-u. 1993.Universidade Federal do Rio de Janeiro. A. n. Jaboticabal. KNUDSEN. p. Dissertação (Mestrado) . comportamento germinativo e avaliação de técnicas para o teste de tetrazólio em sementes de jenipapo (genipa americana L.anatomia foliar comparada. Acesso em: 16 ago.org. Directorio de colecciones de germoplasma en America Latina y el Caribe. Biologia da reprodução de Genipa americana L. Caracterização morfo-anatômica. 91 p. H. . MIRANDOLA. 2000. B. 95 p.gov. O. Manaus.Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. (Ed. p. M. 102 p. S. C. S. SP: Editora Plantarum.AM. LORENZI. N. CIÊNCIA hoje: azul e natural. GENÍPA americana. O jenipapeiro.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 A. Vegetais tintoriais do Brasil Central. 302. 1997. Tese (Doutorado) . SP. p.Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. 1991. Botânica: introdução à taxonomia vegetal. Disponível em: <www. ed. Rio de Janeiro: IBDF.gov. 6. Goiânia: Ed.emater. JOLY. S. Roma: IPGRI.jornaldaciencia. ed. P. MACHADO. estado de São Paulo. M. BA. GOMES. 278-281.. 1978. Disponível em: <http://www. S. 2000. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Líder. CRESTANA. 2005.conabio. São Paulo: Editora Nacional. AM. do S.

In: VIEIRA NETO.. Anais.. MUNDIM. VIEITES.. V.. SALOMÂO.. S. A. R. C. Frutíferas potenciais para os tabuleiros costeiros e baixadas litorâneas. Piracicaba. A. N. p. Londrina: IAPAR. R.) Comparative storage biology of tropical tree seeds.. SOUZA.. 2002.. p. SALOMÃO. 561-562. SILVA..). 2001.. Universidade de São Paulo. 3. 321 .. C. 25 p. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS GENÉTICOS DE FRUTAS E HORTALIÇAS. SALOMÂO. 1998 SILVA. CRUZ. I. Salvador. A. M.. 55.. Resumos e palestras . MUNDIM. ANDRADE. SP. N. p. E. N.. Fruteiras da Amazônia. Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe. Scientia Agrícola. 178 p. A. A. Rome: IPGRI. SOUZA. 204 p.. K. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. Brasília: EMBRAPA-SPI: Manaus: EMBRAPA-CPAA. BA. 1994... Desiccation. J. A. M. Dissertação (Mestrado) . L. p. N. SILVA. D. storage and germination of Genipa americana seeds. L. THOMSEN. Resumos. C. Dissertação (Mestrado) . M. C. SILVA. 2004. M. L. n. SOUZA. 1. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. I. CANTO. G. A. Brasília.. JOKER. A. R. V.. Salvador: SBF. C. B. Frutas do cerrado. LIMA. 135). p. L. P. R.Universidade de Brasília. NUNES. 1081-1082. p. Documentos. 89114. R. R. C.. A. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. 2005. (Ed. Caracterização química e física do jenipapo (Genipa americana L) armazenado.. JUNQUEIRA. 107 p.Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. 2005. 1996. 2001. M. D. Jenipapo. In: SIMPOSIO DE RECURSOS GENETICOS PARA A AMERICA LATINA E CARIBESIRGEALC. Criopreservação de germoplasma de Dipteryx alata. LIMA. Influencia da procedência de sementes de jenipapo sobre a manutenção da viabilidade em diferentes condições de armazenamento. SEBBENN. 13. P. L. C. Pelotas. R. SILVA. A. 1997. espécies frutíferas do cerrado. 263 – 269. 1. L. v. 2002. T.. RS. SANTOS. Tratamentos pré-germinativos para superar a dormência de sementes de jenipapo (Genipa americana). N.. A. D. 29-34. A. In: SACANDÉ. Genipa americana e Hancornia speciosa. M.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 PRUDENTE. (Ed. A. (Embrapa Clima Temperado. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros. MATOS. M. 2001. D. 149-153. Londrina.. Estrutura genética de subpopulações de Genipa americana L. DULLO. E. 1994... (Rubiaceae) a partir de isoenzimas.. C. R. C. Estabelecimento e crescimento inicial de espécies florestais em plantios de recuperação de matas de galeria do Distrito Federal. Piracicaba.

Journal of Natural Products. C. CARVALHO. UEDA. 322 . 2.Frutas Nativas da Região Centro-Oeste do Brasil Capítulo 17 SUGAHARA. Rio Claro. v.. Tese (Doutorado) .. Y. Production of anti-tumor-promoting iridoid glucosides in Genipa americana and its cell culture. São Paulo: Agronômica Ceres. H. Cincinnati. 1992. 54. Maturação fisiológica. Lima: Tratado de Cooperacion Amazônica. L. DÍAS. V. SP. VILLACHICA. condições de armazenamento e germinação de sementes de Genipa americana L. J. C. H. ed. VIEIRA.. 152-156. MÜLLER. E.Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. p... 1991. ALMANZA. 159 p. S. Fototerapia da Amazônia: manual de plantas medicinais (a farmácia de Deus). 1996. IWAHASHI. H. 6. S. S. U. 347 p. TOKUDA.. Secretaria Pro-Tempore. Y. M. 2003. n. p. 1677-1680. Frutales y hortalizas promisorios de la amazônia.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful