You are on page 1of 3

CIN I – Mário Talaia

1

TERRA QUENTE Cientistas acumulam provas de que o clima do planeta está a mudar (através de aquecimento) por causa do efeito estufa. Alertam para as mudanças que podem ocorrer, como a elevação do nível dos mares. Há mais de um século o homem vem sujando a atmosfera. Carros, fábricas e fogos libertam para a atmosfera 5,5 biliões de toneladas anuais de dióxido de carbono, mais uma quantidade incalculável de outros poluentes, que elevam progressivamente a temperatura da Terra e podem gerar mudanças climáticas sem precedentes. Trata-se do efeito de estufa, a propriedade que determinados gases têm de “aprisionar” o calor do Sol na atmosfera, impedindo que ele escape para o espaço depois de reflectido pela Terra. Em condições normais, esses gases ajudam a manter a temperatura do planeta na média actual de 15 ºC. Libertados em quantidades acima de limites ainda não determinados com precisão, esses gases poluentes podem provocar catástrofes. "Já está na hora de enfrentarmos com seriedade esse problema", alertou o climatologista americano James Hansen, chefe do Instituto de Estudos Espaciais Goddard da NASA. Há evidências muito fortes de que o efeito de estufa está em curso. De acordo com estudos desenvolvidos, esse autor, afirma que a temperatura do ar aumentou, com registo simultâneo de “maiores” ondas de calor. Se for mantida essa tendência, nos próximos cinquenta anos o

planeta terá um aquecimento de 4 a 5 ºC, o que causaria o degelo das calotes polares, elevação do nível dos mares e inundação de cidades litorais. Mas a verdade é que “são tantos os factores que fazem rodar a engrenagem do clima no planeta que é impossível isolar um deles e apontar como o culpado de um determinado fenómeno”. Os gases que se acumulam na atmosfera como resultado da actividade industrial e do crescimento urbano - dióxido de carbono (CO2), principalmente, mas também metano (CH4), óxido nitroso (N2O), ozono (O3) e clorofluorcarbonos (CFCs) são transparentes à luz visível como o vidro de uma estufa, permitindo que os raios do Sol aqueçam a superfície terrestre. Quando a Terra devolve o calor em excesso, não é mais sob a forma de pequeno comprimento de onda, mas de radiação infravermelha. Como os gases poluentes absorvem a radiação, uma parte do calor que deveria ser eliminada fica na atmosfera. Esse aquecimento ainda não foi percebido porque, além de muito pequeno, se confunde com as variações de temperaturas regionais. As florestas libertam para a atmosfera metano e óxido nitroso, absorvidos em parte por elas mesmas. Mas, embora funcionem como um filtro, recebendo de volta, através da fotossíntese, uma parte do dióxido de carbono que ajudaram a produzir, elas não têm o maior peso no fenómeno de limpeza da atmosfera. Esse papel cabe aos oceanos, que absorvem grandes quantidades desse gás. Actualmente, o CO2 da atmosfera aumentou para 350
Efeito de Estufa

CIN I – Mário Talaia

2

partes por milhão e em 2050 calculase que chegue a insuportáveis 500 a 700 ppm. Mas não é apenas esse gás que causa estragos na atmosfera. Os clorofluorcarbonos (CFCs), gases usados em sprays, aparelhos de refrigeração e embalagens plásticas, são duplamente prejudiciais. Quando atingem a baixa atmosfera, eles contribuem para o efeito de estufa. Acima de 15 km de altitude, destroem a camada de ozono que protege a Terra dos raios ultravioleta. O metano gerado pela decomposição de matéria orgânica em aterros, depósitos de lixo, arrozais inundados e pela queima de madeira, também tem a sua parcela de culpa. Além do metano, existe o óxido nitroso, que tem como fonte principal o nitrogénio, mas também é resultado da queima de carvão e petróleo. Segundo cientistas, as consequências do efeito de estufa não serão iguais em todo o planeta. Nos trópicos, o aumento da temperatura ficará em torno de 1 a 2 ºC, enquanto nas regiões polares será de 6 a 8 ºC. O aquecimento dos mares polares modifica o sistema de correntes marítimas que influencia indirectamente o clima. O ar a temperaturas mais altas provoca maior evaporação da água do mar, mais nuvens e aumento geral das chuvas. Mas, como o regime de ventos também será alterado, as chuvas poderão ser mais intensas em áreas hoje desérticas. Por outro lado, acredita-se que lugares hoje férteis, sofreriam com a falta de água. Se uma parte das calotes polares derretesse

com o calor, o nível do mar subiria pelo menos 100 cm, inundando ilhas e áreas costeiras baixas (Holanda e Bangladesh sumiriam do mapa, bem como cidades como Miami, Rio de Janeiro ou parte de Nova York). “Estamos a alterar o meio ambiente muito mais depressa do que podemos prever as consequências”. Os ecossistemas estão a mudar (observase um acelerar da extinção de grande número de espécies de plantas e animais, além de provocar o aparecimento de novas pragas e o aumento dos insectos). Há, por isso, consequências do efeito de estufa sobre a vida vegetal e animal. Insectos como a mosca tsétsé, que leva à doença do sono, e só vive na região central da África, poderão invadir outros países. Poderá levar cinquenta, cem ou mais anos, porém, aproxima-se a época em que os combustíveis fósseis – como o petróleo, o carvão e o gás natural – terão de ser definitivamente substituídos por outras formas de energia que não contribuam para o efeito de estufa. O homem procura dinamizar a utilização de fontes renováveis de energia. FIM DA NATUREZA! O mais assustador na nova natureza que o homem está construindo é sua imprevisibilidade pois o aquecimento da Terra provocado pelo efeito de estufa acaba com a regularidade do mundo natural. Mas a natureza, dura para sempre. Ela se move com infinita lentidão pelos muitos períodos de sua história.

Efeito de Estufa

CIN I – Mário Talaia

3

Nas últimas três décadas, por exemplo, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera aumentou mais de 10 %. O dióxido de carbono, um subproduto da queima de combustíveis fósseis, aprisiona radiação infravermelha que de outro modo seria reflectida de volta para o espaço. A temperatura média global aumentou. A queima de combustíveis fósseis não é a única causa do aumento de dióxido de carbono na atmosfera. Os fogos da floresta também remetem nuvens de dióxido de carbono para a atmosfera. O desbaste de florestas também provoca desequilíbrio. A concentração de metano na atmosfera está a aumentar ao ritmo de 1 % ao ano. Estamos a alterar substancialmente a atmosfera terrestre e a vida na Terra. Quando o dióxido de carbono (ou a combinação equivalente de dióxido de carbono e outros gases de estufa) for dobrada em relação aos níveis pré Revolução Industrial, a temperatura média global do ar aumentará, de 1,5 a 5,5 ºC. Esta situação pode extinguir vida animal ou vegetal. O QUE A CIÊNCIA SABE (E O QUE A CIÊNCIA NÃO SABE) SOBRE O CLIMA O equilíbrio do clima pode ser abalado pela acção humana? Se pode, quanto? Nesse caso, o que fazer? Os cientistas acordaram os países para o perigo de um super aquecimento do planeta provocado pela acção humana. A concentração

de dióxido de carbono no ar tem vindo a crescer e isso poderá implicar numa elevação da temperatura. O aumento da concentração de dióxido de carbono agrava ainda mais o chamado efeito de estufa (a concentração de certos gases na atmosfera) que impede a dissipação do calor que vem da Terra. Existe uma certa “histeria” em torno do efeito de estufa, como se ele tivesse sido inventado anteontem, ou como se os mares fossem entrar em ebulição depois de amanhã. Na verdade, ele acontece há biliões de anos, impede o planeta de se tornar uma “pedra congelada”. Determinar a relação que há entre a emissão de CO2 e o clima na Terra é muito difícil mas, mesmo assim, vários investigadores começaram, no fim da década 80, a associá-lo a um futuro mais quente. Paira no ar um certo cepticismo: a catástrofe virá ou não virá? Nos anos 80, criou-se um organismo internacional, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), reunindo especialistas com o aval da ONU e da Organização Meteorológica Mundial. O IPCC consolidou todas as informações científicas disponíveis num relatório publicado em 1990, onde se afirmava que a temperatura média aumentaria 0,3 ºC por década nos próximos 100 anos, se nada mudasse. Mas quanto deveria aumentar a concentração de CO2 para que o clima mudasse realmente? Como interagem os diversos gases?

Efeito de Estufa