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O OZONO Um “buraco” na camada de ozono sobre a Antárctida, maior que toda a América do Sul, ameaça o clima do planeta. Tudo indica que o culpado é um produto usado em sprays, geladeiras e embalagens para sanduíches. Apesar das advertências dos cientistas, pouco se faz para acabar com esse grave perigo. A camada de ozono que envolve a Terra como um escudo protector contra os perigosos raios ultravioleta do Sol diminuiu de 3-7%. Mas isso é uma insignificância comparado com o verdadeiro rombo que acontece sobre a Antárctida. Ali, no mês de Setembro, quase metade da concentração de ozono é misteriosamente “sugada” da atmosfera. O fenómeno cíclico deixa a descoberta uma área de 3 milhões de quilómetros quadrados, maior do que toda a América do Sul, ou 15% da superfície do planeta. Sem o filtro protector do ozono, os “adoradores” do Sol ficarão expostos directamente a radiação ultravioleta média, no período das 10 às 14 horas. É a radiação mais perigosa para a saúde conforme advertem os dermatologistas. Calcula a Academia de Ciências dos Estados Unidos que uma diminuição de 1% da camada de ozono pode causar 10 mil novos casos de câncer de pele por ano só entre os americanos. As piores consequências da diminuição da camada de ozono serão sentidas no clima do planeta. Teme-se que a diminuição da concentração de

ozono, na camada de ozono, possa contribuir para um futuro aquecimento da Terra, quando parte da calote polar derreter, causando inundações no planeta. Os cientistas chamam a essa catástrofe de efeito de estufa. Quanto mais os cientistas investigam a causa da diminuição de ozono na atmosfera, mais certos estão de que o homem, ou melhor, um composto químico chamado clorofluorcarbono, produzido pelo homem, está por trás desse desastre. Não deixa de ser uma ironia. Quando foi criado pelos químicos da General Motors em 1928, o clorofluorcarbono ou CFC, iniciais dos três elementos que o compõem, parecia a maravilha das maravilhas. Podia ser usado com segurança como spray em insecticidas, produtos de limpeza e tinta, sem o risco de reagir com o conteúdo das latas. Até o início da década de 70, o uso do CFC (também conhecido como Freon, marca do produto fabricado pela Du Pont) cresceu sem barreiras. Dos sprays, passou para os circuitos de refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar – condicionado. Depois, tornou-se um dos elementos das formas de plástico poroso usadas para embalar sanduíches, comida congelada e ovos, além de servir como solvente na indústria electrónica. Não havia por que imaginar que uma matéria-prima tão útil pudesse ser também perigosa. O primeiro alarme foi accionado em 1974 pelos químicos americanos Sherwood Roland e Mario Molina. Embora inofensivo na Terra, o CFC
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podia ser um veneno na atmosfera. Suas moléculas passavam intactas pela Troposfera — a faixa de ar que vai da superfície até cerca de 10 km de altitude, onde ocorrem todas as mudanças de clima do planeta — para desembocar na Estratosfera. Aqui, os raios ultravioleta (do Sol) quebram as moléculas de CFC e libertam átomos do gás cloro. Assim, uma molécula formada por três átomos de oxigénio (O3) reagiria com o cloro (Cl), formando monóxido de cloro (ClO) e oxigénio (O2). A cadeia de reacções químicas não ficaria por aqui. O monóxido de cloro combinando-se com o oxigénio deixa novamente livres os átomos de cloro para reagir com o ozono. Os cientistas que gostam de fazer contas, no computador, calculam que, por causa desse efeito em cascata, cada átomo de cloro destrói 100 mil moléculas de ozono da atmosfera. Eles ainda alertam para um detalhe importante, o CFC tem uma vida útil de pelo menos 75 anos. Em 1978, os americanos trataram de banir o CFC da maior parte dos aerossóis (a excepção foram os remédios, como as “bombinhas” para asmáticos). Naquela época, os Estados Unidos usavam 470 mil toneladas de CFC em aerossóis e 350 mil em outros produtos. Em 1979, a Du Pont (uma das maiores fabricantes mundiais de CFC) divulgou um comunicado, no qual dizia que todos os dados relativos à diminuição da camada de ozono eram apenas projecções de

computador baseadas em meras suposições. No entanto, enquanto trabalhavam nas madrugadas gélidas do pólo sul, cientistas do Instituto Britânico de Pesquisas Antárcticas descobriram acidentalmente que a concentração de ozono sobre a região não só era muito mais baixa do que em qualquer lugar da Terra, como também vinha diminuindo a cada ano, desde 1977. Devido ao lobby dos fabricantes de CFC, não havia certeza absoluta de que o gás era o principal culpado. Afinal, o que se convencionou chamar camada de ozono é uma faixa de 30 km de espessura, a partir de 15 km acima da superfície terrestre, de um gás tão rarefeito que, se fosse comprimido a pressão e temperatura normais da Terra, formaria uma casquinha de apenas três milímetros. É impossível prever com exactidão o que acontece no seu interior. Ali, qualquer intromissão de gases quase tão perigosos como o CFC (ou como metano, dióxido de carbono, óxido nítrico) provoca mudanças. Descobriu-se, por exemplo, que o bromo um gás utilizado em extintores de incêndio, produz uma substância chamada halónio, cujo poder de destruição é dez vezes maior que o do CFC. Controlar a produção de CFC no mundo não é fácil. Enquanto na atmosfera o ozono protege a Terra dos raios ultravioleta (do Sol), na superfície é um poluente prejudicial, principalmente para as plantas. O ozono “mau” nasce de uma reacção da luz solar com o dióxido de nitrogénio das descargas dos
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automóveis. Nesse jogo entram também os hidrocarbonetos não destruídos no processo de queima do óleo combustível pelas indústrias. Esse ozono pode ser levado pelos ventos a centenas de milhares de quilómetros de distância. Quanto maior a quantidade de ozono na baixa atmosfera, maior também a perda agrícola. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam prejuízos enormes dos plantadores de soja, trigo, algodão e amendoim. O ozono inibe a fotossíntese, produzindo lesões nas folhas. Nos animais, provoca irritação e secagem das mucosas do aparelho respiratório, além de envelhecimento precoce. Testes já mostraram que, em maiores concentrações, o ozono destrói proteínas e enzimas. Na Estratosfera o ozono actua no papel de herói Em altitudes elevadas, na estratosfera, o ozono forma um escudo que filtra a perigosa radiação ultravioleta emitida pelo Sol protegendo a vida na Terra. O “buraco” na camada de ozono sobre a Antárctida é provocado pelo clorofluorcarbono, ou CFC, um gás usado em aerossóis e refrigeradores, que reage com os átomos de oxigénio e destrói a molécula de ozono. A exposição dos seres humanos a esses raios pode afectar as defesas imunológicas do organismo e acelerar o aparecimento de doenças infecciosas.

Ao nível do mar o ozono é gás tóxico O ozono em baixa altitude passa de protector a ameaçador. Isso acontece porque ele é extremamente reactivo, ou seja, seus átomos de oxigénio ligam-se facilmente a outras substâncias. Por exemplo, nos animais o estrago começa nas mucosas das vias respiratórias. TAPA “BURACO”! Quando os gases clorofluorcarbonos, os CFCs, foram inventados, em 1928, era impossível prever que eles causariam danos ecológicos. Eles sobem a uma altura de cerca de 30 km e entram em reacção com o ozono da atmosfera. Só nos anos 70 desconfiou-se que esse processo afectaria o meio ambiente. Hoje não há dúvida: a camada de ozono que protege o planeta dos raios ultravioleta do sol está sendo destruída. Está-se a tornar mais fina (para a concentração “típica”). No dia 16 de Setembro de 1987, 27 países assinaram o Protocolo de Montreal para Protecção da camada de ozono. Comprometeram-se a eliminar o CFC usado em refrigeradores, ar condicionado, sprays e outros produtos nocivos à atmosfera. A emissão diminuiu, felizmente. Mas nem por isso o “buraco” na camada de ozono, concentrado sobre a Antárctida, parece ter diminuído.

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