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OMAR DANIEL

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Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, para obtenção do título de 'RFWRU 6FLHQWLDH.

VIÇOSA MINAS GERAIS - BRASIL FEVEREIRO – 2000

OMAR DANIEL

'(),1,d­2 '( ,1',&$'25(6 '( 6867(17$%,/,'$'( 3$5$ 6,67(0$6 $*52)/25(67$,6

Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, para obtenção do título de 'RFWRU 6FLHQWLDH.

APROVADA: 29 de novembro de 1999.

Prof. Elias Silva (Conselheiro)

Prof. Rasmo Garcia (Conselheiro)

Prof. Ivo Jucksch

Prof. Carlos Alberto Moraes Passos

Prof. Laércio Couto (Orientador)

À minha esposa, Glauce. Ao meu filho, Leonardo. Aos meus pais, Pedro e Lídia. Aos meus irmãos, Homero e Marlene.

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Ao prof. Laércio Couto, pela confiança e orientação; aos conselheiros Elias Silva (DEF/UFV) e Rasmo Garcia (DZO/UFV); e aos componentes da banca, Carlos Alberto Moraes Passos (DEF/UFMT) e Ivo Jucksch (DPS/UFV). Aos professores das disciplinas cursadas: Elias Silva, Carlos Antônio A. S. Ribeiro, Helio Garcia Leite, José Mauro Gomes, Laércio Couto, Ricardo Seixas Brites e Agostinho Lopes de Souza. À Universidade Federal de Viçosa, ao Departamento de Engenharia Florestal e à Coordenação do Curso de Pós-Graduação, pela oportunidade. À CAPES/PICDT, pela concessão da bolsa de estudos. À Companhia Mineira de Metais, à sua gerência e aos seus técnicos, pela disponibilização de dados para o estudo de caso. À Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e ao Departamento de Ciências Agrárias, pela liberação. Ao amigo Antonio Carlos Tadeu Vitorino, pelas contribuições. A todos os funcionários do DEF/UFV e da Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Ciência Florestal.

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OMAR DANIEL, filho de Pedro Daniel e Lídia Sanches Daniel, nasceu em 27 de agosto de 1960, em Barbosa, Estado de São Paulo. Em 1978, concluiu o Curso de Técnico em Agropecuária no Centro de Educação Rural de Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Em junho de 1983, bacharelou-se em Engenharia Florestal, pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em dezembro do mesmo ano concluiu o Curso de Especialização em Manejo de Florestas Tropicais, pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Em março de 1984, ingressou como docente do Curso de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, por meio de concurso público. Em 1988, obteve o título de Mestre em Ciência Florestal, pela Universidade Federal de Viçosa. Em 1990, transferiu-se como docente para o Curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde permanece até a presente data. Em março de 1997, foi liberado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para iniciar o Curso de Doutorado em Ciência Florestal na Universidade Federal de Viçosa, tendo defendido tese em 29/11/1999.

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Página EXTRATO .................................................................................................. ABSTRACT ................................................................................................ INTRODUÇÃO........................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................ ALTERNATIVA A UM MÉTODO PARA DETERMINAÇÃO DE UM ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE......................................................... 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS: INDICADORES BIOFÍSICOS ................................................................... 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 4. CONCLUSÕES....................................................................................... 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... PROPOSTA DE UM CONJUNTO MÍNIMO DE INDICADORES BIOFÍSICOS PARA O MONITORAMENTO DA SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS................................... 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... v vii ix 1 4

5 6 8 11 17

20 21 23 29 36 36

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Página

2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 4. CONCLUSÕES....................................................................................... 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS: INDICADORES SOCIOECONÔMICOS .................................................. 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 4. CONCLUSÕES....................................................................................... 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... PROPOSTA DE UM CONJUNTO MÍNIMO DE INDICADORES SOCIOECONÔMICOS PARA O MONITORAMENTO DA SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS .............. 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 4. CONCLUSÕES....................................................................................... 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... APLICAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE MONITORAMENTO DA SUSTENTABILIDADE A UM SISTEMA AGRISSILVIPASTORIL...... 1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 2. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................... 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 3.1. Comparação entre dois métodos de geração de índices de sustentabilidade.......................................................................................... 3.2. Aplicação da proposta de geração de um índice de sustentabilidade em um sistema agrissilpastoril .............................................. 3.3. Simulação realizada a partir dos dados atuais do sistema agrissilvipastoril da CMM........................................................................... 3.4. A aplicação dos gráficos tipo radar .................................................. 3.5. A qualificação dos índices de sustentabilidade ................................ 4. CONCLUSÕES....................................................................................... 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... RESUMO E CONCLUSÕES...................................................................... APÊNDICE ................................................................................................

43 46 51 52

55 56 59 64 70 70

74 75 77 80 85 85

88 89 91 92 92 95 100 102 104 105 106 108 110

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(;75$72

DANIEL, Omar, D.S., Universidade Federal de Viçosa, fevereiro de 2000. 'HILQLomR GH LQGLFDGRUHV GH VXVWHQWDELOLGDGH SDUD VLVWHPDV DJURIORUHVWDLV. Orientador: Laércio Couto. Conselheiros: Elias Silva e Rasmo Garcia.

Este estudo foi desenvolvido basicamente em duas etapas, tendo a primeira o objetivo de definir grupos de indicadores de sustentabilidade biofísica e socioeconômica para sistemas agroflorestais. Esta metodologia contemplou os seguintes passos: a) definição do sistema; b) identificação de categorias significativas de indicadores; c) identificação de elementos significativos em cada categoria; d) identificação e seleção de descritores para os indicadores; e) definição e obtenção de indicadores; e f) análise dos indicadores. Como resultado, foi obtido um elevado número de indicadores, que foram submetidos a critérios específicos para redução a dois grupos mínimos, para avaliação da sustentabilidade biofísica e socioeconômica. Na outra etapa, foi realizado um estudo de caso, considerando um sistema agrissilvipastoril, com o objetivo principal de testar a aplicabilidade da metodologia anterior. Este sistema consiste no cultivo do gênero (XFDO\SWXV, consorciado com arroz no primeiro ano, soja no segundo, semeadura de braquiária no terceiro e criação de bovinos de engorda a

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partir do quarto ano, com o abate e a reposição dos animais feitos bianualmente. Coletaram-se dados para atender às exigências dos indicadores biofísicos e socioeconômicos definidos na primeira etapa. Os valores dos indicadores, dispostos nos raios de gráficos tipo radar, geraram áreas que passaram a representar índices de sustentabilidade (IS). Também, foram realizadas simulações visando obter os IS para a idade final prevista para o ciclo do sistema. A aplicação desta metodologia resultou na proposição de 57 indicadores de sustentabilidade biofísica e 48 de sustentabilidade socioeconômica. Além disto, foram obtidos os valores reais de 5,64 e 24,24 para os IS biofísica e socioeconômica para o quinto ano do sistema, e os valores simulados de 9,61 e 90,17 para o final do ciclo, no 11o ano. Esta tese é composta de seis artigos, nos quais constam as conclusões de cada um. Porém, de forma resumida, podem ser citadas as seguintes conclusões: a) o uso dos grupos de indicadores obtidos mostra-se viável, em função da facilidade de aplicação, do baixo custo com levantamentos de campo e análises laboratoriais e da rápida obtenção dos resultados; b) o uso do gráfico tipo radar permite a geração de IS biofísica e socioeconômica; c) o IS obtido por meio dos procedimentos metodológicos utilizados é bastante sensível às alterações nos indicadores; e d) quando foram comparados os valores padronizados dos indicadores, por meio do desvio-padrão, com os valores não-padronizados, concluiu-se pela superioridade destes nos cálculos dos IS e no monitoramento da sustentabilidade.

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DANIEL, Omar, D.S., Universidade Federal de Viçosa, February, 2000. 'HILQLWLRQ RI VXVWDLQDELOLW\ LQGLFDWRUV IRU DJURIRUHVWU\ V\VWHPV. Adviser: Laércio Couto. Committee Members: Elias Silva and Rasmo Garcia.

This study was developed basically in two stages. The first had the objective of defining groups of biophysical and socio-economical sustainability indicators for agroforestry systems. This methodology contemplates the following steps: a) system definition; b) identification of significant categories of indicators; c) identification of significant elements in each category; d) identification and selection of descriptors for the indicators; e) definition and acquisition of indicators; f) indicators analysis. So, was obtained a high number of indicators, which were submitted to specific approaches for reduction to two minimum sets for evaluation of the biophysical and socio-economical sustainability. In the other stage a case study was carried out using an agrossilvipastoral system, with the main objective of testing the application of the previous methodology. This system consists on (XFDO\SWXV intercropping with rice in the first year, soybean in the second year, sowing of %UDTXLDULD EUL]DQWKD in the third year, and catle raising from the fourth year, with the killing and replacement of the animals done bi-annually. Data were collected to attend

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demands of the biophysical and socioeconomical indicators defined in the first stage. The values of the indicators, disposed in the rays of radar type graphic, generated areas that represent sustainability indexes. Simulations were also achieved seeking to obtain anticipated sustainability indexes for the final age for the system cycle. The application of this methodology resulted in the proposition of 57 biophysical and 48 socio-economical indicators of sustainability. Besides, was obtained the real values of 5,64 and 24,24 for the biophysicaI and socioeconomical indexes for the 5th year of the system, and the simulated values of 9,61 and 90,17 for the end of the cycle, in the 11st year. This thesis is composed of six articles with individualized conclusions. However, in a summarized way, the following conclusions can be mentioned: a) the use of the sets of indicators obtained is viable, in function of the application easiness, of the low cost with field surveys and laboratory analysis, and of the quick obtaining of the results; b) the use of the radar type graphic allows the generation of biophysical and socioeconomical sustainability indexes; d) when value of the indicators standardized by means of the standard deviation were compared with not standardized values, it is concluded by the superiority of these last ones in the calculations of the sustainability indexes and in its monitoring.

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,1752'8d­2

Em várias partes do mundo, muitas comunidades têm como meta encontrar uma nova síntese que equilibre a sabedoria da natureza e as instituições humanas, as tecnologias e os estilos de vida (Chiras, 1992, citado por HREN et al., 1995), empreendendo projetos para reciclagem de resíduos, melhoria da eficiência no uso de energia e restauração e conservação de paisagens. Naturalmente, essas iniciativas isoladamente não podem tornar uma comunidade sustentável. Porém, em conjunto, elas podem auxiliar a atingir essa meta. Somente iniciativas dessa natureza não bastam, tendo em vista que a primeira necessidade humana é a alimentar e que em todo o mundo a disponibilidade de alimentos não é igual para as diferentes comunidades. IWLA (1998) cita uma estimativa da população mundial de 9 bilhões de pessoas nos próximos 50 anos. Para alimentar essas pessoas, serão necessários incrementos da ordem de 30% da produção agrícola dos Estados Unidos da América, 300% da África, 80% da América Latina e 70% da Ásia. A produção total de alimentos é suficiente para uma população atual de aproximadamente 6 bilhões de pessoas, em função da evolução tecnológica na agricultura e do uso intensivo de fertilizantes e defensivos químicos derivados de petróleo. Entretanto, o suprimento necessário de alimentos é insuficiente para milhões de pessoas, em diversas regiões do mundo, tendo em vista as diferenças nas necessidades individuais e nas riquezas de recursos naturais regionais, tanto 1

quanto na disponibilidade e no uso de tecnologias agrícolas. Essas disparidades podem aumentar no futuro, pois a UHYROXomR YHUGH, que triplicou a produção de alimentos nos últimos 40 anos, poderá não se repetir (HINRICHSEN, 1997). Com a finalidade de reduzir a escassez de alimentos no futuro, HINRICHSEN (1997) relatou algumas estratégias possíveis para ampliar a produção agrícola, além do planejamento familiar: agricultura sustentável em solos tropicais; promoção da agricultura urbana; desenvolvimento de novos cultivares de grãos altamente produtivos; e manejo de recursos para prevenir poluição e degradação. Segundo a quase totalidade da literatura que trata de temas relacionados com a preocupação em perenizar de maneira saudável a vida na Terra, a humanidade deve se adaptar a uma nova conjuntura, que tem como base o desenvolvimento sustentável. Especificamente no campo do desenvolvimento da agricultura sustentável, Harwood (1990), citado por SANDS e PODMORE (1997), exemplificou ações gerais que se subordinam à sustentabilidade: a) incrementar a produtividade, salvaguardando a capacidade inerente do solo por meio da manutenção da matéria orgânica, das rotações de culturas e da ciclagem de nutrientes; b) prevenir/minimizar a degradação ambiental, protegendo águas superficiais e subterrâneas ou eliminando o uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos; c) assegurar a capacidade para sobreviver indefinidamente, minimizando as perdas de solo, reduzindo o uso de energia proveniente de combustível fóssil e mantendo a diversidade genética, a rentabilidade e a estrutura das comunidades. A mudança de comportamento da humanidade para assumir essas e outras atitudes conservacionistas tem sido a meta atual de grande parte dos estudiosos do desenvolvimento sustentável, incluindo governos e organizações não-governamentais em todo o mundo. Nesse contexto enquadram-se os sistemas agroflorestais (SAF), que prometem auxiliar os produtores rurais a aumentar a produtividade, a lucratividade e a sustentabilidade da produção de suas terras (MacDICKEN e VERGARA, 1990).

2

Embora os SAF não possam ser descritos como sistemas naturais, eles são mais semelhantes a estes que os monocultivos, por darem ênfase à biodiversidade e à conservação de recursos. Além disto, apresentam um enfoque interdisciplinar que requer a combinação de fatores sociais, ecológicos e econômicos (ANDERSON e SINCLAIR, 1993), enquadrando-se no conceito de desenvolvimento sustentável defendido por WCED (1987). Entretanto, existem muitas críticas e dúvidas às propaladas vantagens dos SAF, justificando-se pela escassez de resultados que comprovem a sua eficiência em comparação com sistemas agrícolas tradicionais. A comparação entre estes sistemas só tem validade se for monitorada ao longo do tempo, pois a base da sustentabilidade apresenta caráter intergeracional. Esse monitoramento pode ser feito com base nos indicadores de sustentabilidade, visando consumir o mínimo possível de tempo, recursos financeiros e trabalho (HREN et al., 1995). Para CURRENT et al. (1995), levando-se em conta a escassez de informações, monitorar sistemas agroflorestais, particularmente do ponto de vista ambiental, pode ser útil na adoção destes sistemas de uso da terra. Diante do exposto, desenvolveu-se este estudo com os objetivos de: a) propor indicadores de sustentabilidade para sistemas agroflorestais, considerando os componentes ambiental, social e econômico; b) aplicar tais indicadores em um estudo de caso de sistema agroflorestal em desenvolvimento, com a finalidade de testar e aperfeiçoar a metodologia proposta; c) testar a aplicabilidade de uma metodologia para geração de um índice de sustentabilidade; e d) desenvolver metodologia de avaliação de sustentabilidade aplicável em qualquer modelo de SAF, de maneira rápida e econômica, com o mínimo de técnicas e métodos de maior sofisticação e sem necessidade de alta especialização de mão-de-obra técnica. A edição dos artigos a seguir foi baseada nas normas da Revista Árvore, com adaptações às normas vigentes no Conselho de Pós-Graduação da Universidade Federal de Viçosa.

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5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6

ANDERSON, L.S., SINCLAIR, F.L. Ecological interactions in agroforestry systems. )RUHVWU\ $EVWUDFWV, Wallingford, v.54, n.6, p.489-523, 1993. CURRENT, D., LUTZ, E., SCHERR, S. &RVWV EHQHILWV DQG IDUPHU DGRSWLRQ RI DJURIRUHVWU\: lessons form Project Expensive in Central America and Caribbean. Washington: World Bank, 1995. 4p. (Environment DepartmentWorld Bank. Dissemination Notes, 33). HINRICHSEN, D. :LQQLQJ WKH IRRG UDFH. Baltmore: Johns Hopkins University School of Public Health, 1997. 7p. (Population Reports, v.25, n.4) HREN, B.J., BARTOLOMEO, N., SIGNER, M. 0RQLWRULQJ VXVWDLQDELOLW\ LQ \RXU FRPPXQLW\. Gaithersburg: IWLA, 1995. 20p. IWLA - Izaak Walton League of America. Food supply: averting a global food supply crisis. 6XVWDLQDELOLW\ &RPPXQLFDWRU, Gaithersburg, v.1, n.2, 1998. não-paginado. MacDICKEN, K.G., VERGARA, N.T. $JURIRUHVWU\: classification and management. New York: John Wiley & Sons, 1990. 382p. SANDS, G.R., PODMORE, T.H. 'HYHORSPHQW RI QD HQYLURQPHQWDO VXVWDLQDELOLW\ LQGH[ IRU LUULJDWHG DJULFXOWXUDO V\VWHPV. Colorado: Colorado State University, 1997. 11p. WCED - World Commission on Environment and Development. 2XU FRPPRQ IXWXUH. Oxford: Oxford University Press, 1987. 400p.

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$/7(51$7,9$ $ 80 0e72'2 3$5$ '(7(50,1$d­2 '( 80 Ë1',&( '( 6867(17$%,/,'$'( RESUMO - A sustentabilidade das atividades em geral pode estar baseada em relações ambientais, econômicas e sociais, em diversos níveis de abrangência geográfica. Um dos meios de avaliá-la é a sintetização de indicadores representativos desses três componentes em índices, o que facilita a sua interpretação. Esta sintetização pode ser feita por meio da disposição dos valores dos indicadores nos raios de um gráfico tipo radar, calculando-se a área formada pelo maior polígono resultante, o que gera um índice de sustentabilidade. O objetivo deste trabalho foi a adaptação de um método de cálculo alternativo ao já existente na literatura, mais simples e rápido, com a finalidade de reduzir custos operacionais e gerar procedimentos metodológicos que possam ser utilizados por usuários pouco especializados. Considerando a redução do volume de cálculos, a menor complexidade de compreensão dos passos intermediários e a maior facilidade de aplicação do método alternativo para obtenção de um índice de sustentabilidade, concluiu-se que este é mais adequado para atingir a meta de se gerar metodologia de avaliação cada vez mais simplificada. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e índice de sustentabilidade

$/7(51$7,9( 72 $ 0(7+2' )25 '(7(50,1$7,21 2) $1 ,1'(; 2) 6867$,1$%,/,7<

ABSTRACT - The sustainability of the activities in general can be based on environmental, economic and social relationships, in several levels of geographical inclusion. One of the methods of evaluating it is the synthetization of representatives indicators of these three components in indexes, facilitating their interpretation. This synthetesis can be made by means of the plotting the indicators in the rays of a graphic type radar. The area composed by the largest resulting polygon is computed, generating a sustainability index. The objective of 5

this work is the develop an alternative method to found in the literature, with the purpose of reducing operational costs and which can be used by not so specialized users. Considering the reduction of the volume of calculations, the facility to understand the intermediary steps, and the facility of application of this alternative method to obtain the sustainability index, it was concluded that this is more adequated to reach the goal of generating a more simplified evaluation methodology. Key words: Sustainable development, sustainability indicators, sustainability index.  ,1752'8d­2

Um dos temas atuais mais debatidos e estudados nos meios governamentais, acadêmicos e científicos é o desenvolvimento sustentável. Seu conceito tornou-se público em 1972, após as reuniões da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre meio ambiente, realizadas em Estocolmo (IWLA, 1997). Entretanto, somente em 1987 a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU (WCED) emitiu a primeira definição concisa (WCED, 1987): "É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades". Embora esse conceito não seja ideal, ele apresenta o mérito de estimular a integração e a eqüidade inter e intrageracional, tendo sido rapidamente compreendido e adotado pela comunidade em geral. Temas antes tratados de forma isolada, como a desflorestação mundial, a superpopulação, a exaustão da camada de ozônio e outros, passaram a ser considerados inter-relacionados nos debates políticos e intelectuais. Outras definições do termo foram elaboradas e publicadas por Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998).

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Concomitantemente, surgiu o termo sustentabilidade, que conta com vários exemplos de definições: LIVERMAN et al. (1988), BRKLACICH et al. (1991), DOVERS e HANDMER (1993), MOORE e JOHNSON (1994) e BARTUSKA et al. (1998). Entretanto, o conceito de Conway (1986), citado por FAETH (1994), apresenta-se de forma simples e resumida, porém, é suficiente para a interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações". Pode-se, então, entender desenvolvimento sustentável como sendo o promotor da sustentabilidade (IWLA, 1997). Ambos os conceitos estão envolvidos por relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS, 1985; SENANAYAKE, 1991; SAP, 1997). A avaliação da sustentabilidade, em todas as suas relações, é necessária para determinar o grau de compromisso que o promotor ou executor de uma atividade, que envolve o consumo de bens renováveis ou não, tem com as gerações futuras. Esta avaliação depende de diversos níveis de informações, que podem ser classificadas em forma de pirâmide. Na sua base estão os dados nãoprocessados, de pouco valor para as tomadas de decisão, enquanto no nível mais alto estão os índices, tal como o índice de preço ao consumidor, que são os resultados da combinação de diferentes indicadores. (HAMMOND et al., 1995; MANNIS, 1996). BERTOLLO (1998), após ampla revisão de literatura, listou exemplos de indicadores de sustentabilidade ambiental, enquanto no campo socioeconômico podem ser consultados os trabalhos de DOBBS e COLE (1992), ALTIERI S. (1994), UN (1995), CURRENT et al. (1996) e SCHERR (1995). Para produzir índices de sustentabilidade com a finalidade de monitorar os padrões de sustentabilidade em ecossistemas naturais e também para aqueles alterados pelo homem, ULGIATI e BROWN (1998) propuseram analisar fluxos de energia. Embora as fórmulas finais propostas pelos autores sejam simples, nem sempre a obtenção de seus componentes o é. Uma alternativa tem sido a elaboração de gráficos tipo radar, que representem toda a coleção de indicadores medidos em um sistema. CALORIO (1997) produziu metodologia para cálculo de um índice de sustentabilidade a partir 7

desses gráficos. Segundo LIGHTFOOT et al. (1993), esse tipo de diagrama produz informações visuais que são úteis para comparar sistemas ao longo do tempo e do espaço. Com a finalidade de reduzir custos operacionais e gerar procedimentos metodológicos que possam ser utilizados por usuários pouco especializados, este trabalho teve como objetivo a adaptação de um método de cálculo alternativo ao de CALORIO (1997), mais simples e rápido, a ser aplicado ao gráfico tipo radar, visando gerar um índice de sustentabilidade (IS).  0$7(5,$/ ( 0e72'26 A metodologia para obtenção de um índice de sustentabilidade a partir do gráfico tipo radar, sugerida neste trabalho, é uma alternativa à proposta de CALORIO (1997). De posse dos valores dos indicadores selecionados para avaliar a sustentabilidade de uma atividade, CALORIO (1997) recomenda os seguintes passos, cujas variáveis estão indicadas na Figura 1: a) transformação dos valores dos indicadores: visa padronizar os valores dos indicadores para vpn, conforme descrito abaixo, eliminando os efeitos de escala e de unidade de medida, uma vez que representam indicadores diferentes, o que assegura que cada um deles tenha o mesmo peso relativo na determinação do índice (DOUGLAS, 1990; TORRES, 1990):

vp n =
em que

5 + (x n − x ) S

(1)

vpn = valor do indicador n padronizado; xn = valor original do indicador n;

x = valor médio de todos os indicadores;
S = desvio-padrão para todos os indicadores; e 5 = constante acrescentada por CALORIO (1997).

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Figura 1 - Gráfico tipo radar, utilizado para gerar um índice de sustentabilidade (IS), segundo CALORIO (1997): In - indicadores, α - ângulo formado entre as linhas de comprimento de dois indicadores adjacentes, vpn - valor padronizado do indicador e Sn - área do triângulo n.

b) obtenção do ângulo formado entre dois indicadores adjacentes: 360 π (2)* α= × N 180 em que

α = ângulo formado entre dois indicadores, em radianos;
N = número total de indicadores; e

π

180

= fator de transformação de graus em radianos, se a rotina para cálculo do coseno no passo seguinte (c) o exigir.

* - esta fórmula substitui a de CALORIO (1997), cuja justificativa está em Resultados e Discussão.

c) cálculo da área de cada triângulo identificado no gráfico (Sn), a partir do valor padronizado de dois indicadores adjacentes e do ângulo definido no passo anterior (b): c.1. obtenção do lado desconhecido do triângulo:

dn =

(vp ) + (vp )
2 n n +1

2

− 2 × (vp n × vp n +1 ) × cos α

(3)

9

em que dn = lado desconhecido do triângulo; vpn e vpn+1 = valores padronizados dos indicadores n e n+1; e

α = ângulo formado entre dois indicadores.
c.2. cálculo do semiperímetro do triângulo:

pn =
em que

vp n + vp n +1 + d n 2

(4)

pn = semiperímetro do triângulo n;e vpn, vpn+1 e dn = lados do triângulo. c.3. cálculo da área do triângulo:

Sn = p n (p n − vp n ) × (p n − vp n+1 ) × (p n − d n )
d) cálculo do índice de sustentabilidade:

(5)

IS = ∑ Sn
n =1

N

(6)

A alternativa proposta substituiu o passo F, utilizado anteriormente para obtenção da área de cada triângulo (Sn) identificado no gráfico (Figura 2), resumindo os cálculos aos seguintes procedimentos: c - cálculo da área de cada triângulo identificado no gráfico, a partir do valor padronizado de dois indicadores adjacentes e do ângulo definido no passo anterior (b): c.1. obtenção do ângulo β :

β = 180 − 90 − α
c.2. cálculo da área do triângulo**:

(7)

Sn =

( vp

n

× hn ) 2
(9), então

(8)

sendo h n = cos β × vpn +1

Sn =

( vp

n

× cos β × vpn+1 ) 2

(10)

** todas as variáveis descritas encontram-se relacionadas na Figura 1, sendo intuitivas as suas definições.

10

Figura 2 - Gráfico tipo radar (proposta alternativa), utilizado para gerar um índice de sustentabilidade (IS): In - indicadores, hn - altura do triângulo formado pela interface entre dois indicadores, α - ângulo formado entre as linhas de comprimento de dois indicadores adjacentes, β - ângulo formado entre a linha de altura hn e a linha de comprimento do indicador In+1, vpn - valor padronizado do indicador e Sn - área do triângulo n. 

5(68/7$'26 ( ',6&866­2

O resultado final, ou seja, o valor do índice de sustentabilidade (IS), foi o mesmo tanto para o método proposto neste trabalho, denominado DOWHUQDWLYR, quanto para o de CALORIO (1997), denominado RULJLQDO (Quadro 1). No entanto, é importante ressaltar que a fórmula (2) do presente estudo substituiu a fórmula   apresentada na página 51 de CALORIO (1997), em  (n − 1) × (π 180)  função de esta ter gerado inconsistência nos resultados da simulação, pois, caso contrário, o IS calculado por meio das fórmulas de CALORIO (1997) seria de 4,00 e não de 4,39, que é o valor correto.
 360 

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Quadro 1 - Índice de sustentabilidade (IS) para cinco indicadores hipotéticos, gerado tanto por meio do método alternativo quanto pelo método de CALORIO (1997), após a correção da fórmula
Dimensão do indicador (tamanho do raio) 15 10 12 1 11

Indicador (I) 1 2 3 4 5 IS

Dimensão padronizada (vp) 2,17 1,10 1,53 -0,81 1,32

Área (S) 1,14 0,80 0,59 0,51 1,36 4,39

Essa inconsistência torna-se óbvia, já que em um gráfico tipo radar, em que o ângulo entre os raios é o mesmo, tal raio não pode ser determinado pelo quociente entre 360 e (n-1), mas sim entre 360 e n. Um simples exemplo elimina qualquer dúvida a esse respeito: o ângulo entre quatro raios é 90o e não 120o, como sugere a fórmula de CALORIO (1997); além disto, o autor usa (π/180) multiplicando o denominador para transformar o ângulo em radianos, enquanto deveria estar multiplicando (360/n), para que os radianos resultantes, quando transformados em graus, dessem o mesmo resultado. Apesar dos resultados equivalentes, o método alternativo apresentou vantagens sobre o método original, como: a) o volume de cálculos, em função da quantidade de passos e fórmulas utilizadas, foi reduzido pela metade, conforme se depreende da comparação entre os Quadros 2 e 3; b) as fórmulas básicas da geometria foram utilizadas para o cálculo das áreas dos triângulos Sn (Figura 2), o que facilitou a compreensão das operações intermediárias, especialmente no que se refere à mudança da obtenção do semiperímetro pela simples altura do triângulo;

12

Quadro 2 - Fórmulas utilizadas em planilha eletrônica para o cálculo do índice de sustentabilidade (IS) para cinco indicadores hipotéticos, por meio do método alternativo
Indicador (I) Linhas
1

Dimensão do indicador B
15

Dimensão padronizada (vp) Colunas C
=(5+(B1MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($ B$1:$B$5) =(5+(B2MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($ B$1:$B$5) =(5+(B3MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($ B$1:$B$5) =(5+(B4MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($ B$1:$B$5) =(5+(B5MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($ B$1:$B$5)

Área (S) D
=(ABS(C1)*COS(RADIANOS($B$7))* ABS(C2))/2 =(ABS(C2)*COS(RADIANOS($B$7))* ABS(C3))/2 =(ABS(C3)*COS(RADIANOS($B$7))* ABS(C4))/2 =(ABS(C4)*COS(RADIANOS($B$7))* ABS(C5))/2 =(ABS(C5)*COS(RADIANOS($B$7))* ABS(C1))/2 =SOMA(D1:D5)

A
1

2

2

10

3

3

12

4

4

1

5 6 7 8

5 IS

11

α
β

=360/A5 =180-90-B7

c) as probabilidades de erros de cálculos diminuíram, especialmente as provenientes da estruturação das fórmulas dentro da planilha de cálculos; d) os cálculos são mais simples, resultando em maior facilidade de compreensão geral do sistema de obtenção do IS.

Além das alterações nas fórmulas de cálculo dos triângulos Sn, foi necessário o uso do módulo ( ) de vp na fórmula (10), para gerar apenas os valores absolutos das dimensões padronizadas dos indicadores, pois quando existem poucos números extremos dentro dos cálculos da padronização podem surgir resultados negativos. Para o gráfico isto não provocou alterações na forma do polígono do IS, porém, evitou a subestimação do seu valor.

13

Quadro 3 - Fórmulas utilizadas em planilha eletrônica para o cálculo do índice de sustentabilidade (IS), para cinco indicadores hipotéticos, por meio do método U de CALORIO (1997)
Indicador (I) Dimensão do Indicador Lado Desconhecido do Triângulo (d) Colunas linhas
1

Dimensão Padronizada (vp)

Semiperímetro

Área (S)

A
1

B
15

C
=(5+(B1MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) =(5+(B2MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) =(5+(B3MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) =(5+(B4MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) =(5+(B5MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5)

D
=RAIZ(C1^2+C2^22*(C1*C2)*COS(RADIANOS($B$7))) =RAIZ(C1^2+C2^22*(C2*C3)*COS(RADIANOS($B$7))) =RAIZ(C1^2+C2^22*(C3*C4)*COS(RADIANOS($B$7))) =RAIZ(C1^2+C2^22*(C4*C5)*COS(RADIANOS($B$7))) =RAIZ(C1^2+C2^22*(C5*C1)*COS(RADIANOS($B$7)))

E
=(C1+C2+D1)/2

F
=RAIZ(E1*(E1-C1)*(E1-C2)*(E1-D1))

2

2

10

=(C2+C3+D2)/2

=RAIZ(E1*(E2-C2)*(E2-C3)*(E2-D2))

14

3

3

12

=(C3+C4+D3)/2

=RAIZ(E1*(E3-C3)*(E3-C4)*(E3-D3))

4

4

1

=(C4+C5+D4)/2

=RAIZ(E1*(E4-C4)*(E4-C5)*(E4-D4))

5 6 7

5 IS

11

=(C5+C1+D5)/2

=RAIZ(E1*(E5-C5)*(E5-C1)*(E5-D5))

α

=360/A5

=SOMA(F1:F5)

14

Deve ficar claro que o IS foi obtido a partir dos valores padronizados dos indicadores, segundo a fórmula (1). Tal fato permite eliminar os efeitos de escala e de unidade de medida (DOUGLAS, 1990; TORRES, 1990) e, ainda, obter um gráfico interpretável, que é útil em comparações de monitoramento ao longo do tempo. Nesse ponto é importante ressaltar que CALORIO (1997) acrescentou a constante 5 à fórmula de Z, provavelmente com a finalidade de evitar valores padronizados iguais a zero, quando o valor de um indicador fosse igual à média de todos. Poderia ter sido utilizada qualquer constante. A diferença para a fórmula original é que, embora a variância continue sendo igual a 1, a média passa a ser diferente de zero. O usuário deve apenas considerar que a constante utilizada deve ser sempre a mesma em um processo de monitoramento ou de comparação, tendo em vista que esta constante altera a escada do IS. Nas simulações feitas na planilha eletrônica de cálculos, verificou-se que, sem o artifício da padronização, a existência de valores originais de indicadores elevados e outros baixos pode fazer com que os pontos do diagrama referentes a estes últimos tornem-se praticamente ilegíveis. Na Figura 3 tem-se um exemplo deste caso, em que (a) apresenta os extremos 1 e 150, podendo-se notar que os quatro triângulos formados entre I1 e I2, I2 e I3, I3 e I4 tornaram-se invisíveis. Este problema foi contornado com o uso da padronização dos valores dos indicadores, conforme se observa em (b). Outro fato importante a ser registrado é que neste trabalho foi utilizado o desvio-padrão populacional (DESVPADP, nos Quadros 2 e 3). Tal procedimento foi realizado, pois, em geral, no processo de avaliação da sustentabilidade, é feita uma seleção prévia de indicadores que passam a ser considerados ideais e suficientes, os quais são todos utilizados, ou seja, os cálculos são baseados em uma população de indicadores. Pelo fato de no método estudado serem utilizadas fórmulas para padronização dos indicadores, as quais incluem a aplicação do desvio-padrão, é possível que esta metodologia apresente problemas se for usada em monitoramento.

15

Figura 3 - Gráfico tipo radar utilizado para gerar um índice de sustentabilidade (IS), demonstrando a dificuldade de interpretação visual na presença de valores com amplos extremos (a) e a sua correção por meio da padronização (b).

Portanto, são sugeridas avaliações mais detalhadas em observações sucessivas, analisando a influência da padronização aqui descrita sobre as alterações nos indicadores ao longo do tempo. Suspeita-se que as alterações em alguns deles, porém nenhum especificamente, possam resultar em efeitos contrários ao que se espera no índice de sustentabilidade (IS), ou seja, o aumento em um dado indicador, do qual se espera influência no aumento do IS, pode na verdade reduzi-lo, e vice-versa. Enquanto isto não é analisado, o método deve ser recomendado apenas para avaliações pontuais. Considerando a redução do volume de cálculos, a menor complexidade de compreensão dos passos intermediários e a maior facilidade de aplicação do método alternativo para obtenção de um índice de sustentabilidade, concluiu-se que este método é mais adequado para atingir o objetivo de gerar metodologia de avaliação cada vez mais simplificada, em comparação com as sugestões de CALORIO (1997).

16 

5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6

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19

6867(17$%,/,'$'( (0 6,67(0$6 $*52)/25(67$,6 ,1',&$'25(6 %,2)Ë6,&26 RESUMO - Atualmente, o direcionamento dos sistemas produtivos com vistas ao desenvolvimento sustentável, tem alcançado relevância mundial. Neste contexto, dentro das atividades agropecuárias destacam-se os sistemas agroflorestais (SAF), que são tidos como alternativas sustentáveis aos sistemas intensivos de produção agrícola. Entretanto, é necessário definir indicadores que possam monitorar esta sustentabilidade. O objetivo deste trabalho foi definir um rol de indicadores biofísicos adaptáveis aos diversos modelos de SAF, sustentado por recomendações de especialistas e por ampla revisão de literatura. Dentre as conclusões obtidas, destacam-se: a) de um total de 117 indicadores de sustentabilidade definidos, a categoria base de recursos do próprio sistema comportou o maior número, seguida das atividades operacionais e dos recursos externos ao sistema; e b) respectivamente para as três categorias citadas, a primeira concentrou o maior número de indicadores nos elementos solo, flora e fauna, a segunda no elemento manejo técnico e a terceira nos elementos flora, fauna, energia e água. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável e indicadores de sustentabilidade.

6867$,1$%,/,7< ,1 $*52)25(675< 6<67(06 %,23+<6,&$/ ,1',&$7256 ABSTRACT - Presently, sustainable development has become increasingly relevant for the area of productive systems, especially for the agroforestry systems (AF), which are seen as sustainable alternatives to the intensive system of agricultural production however, it is necessary to define indicators for monitoring such sustainability. The objective of this work was to define a set of biophysical indicators adaptable to the various SAF models, supported by recommendations of experts and extensive literature. These are some of the most important conclusions reached: a) out of 117 sustainability indicators defined, the 20

category natural resource base presented the highest number of indicators, followed by operational activities and external resources; and b) for the three categories cited, the first one ranked highest in number of indicators in the elements soil, flora and fauna, the second in technical management and the third in flora, fauna, energy and water. Key words: Sustainable development, sustainability indicators. 

,1752'8d­2

Inúmeras são as definições de sustentabilidade encontradas na literatura especializada (LIVERMAN et al., 1988; BRKLACICH et al., 1991; DOVERS e HANDMER, 1993; MOORE e JOHNSON, 1994; BARTUSKA et al., 1998), embora o conceito de Conway (1986), citado por FAETH (1994), seja suficiente para a interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando esta encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações". Dessa forma, tomando como base o conceito de desenvolvimento sustentável emitido por WCED (1987), o qual conecta as ações atuais promovidas sobre a base de recursos à capacidade de manutenção das necessidades das gerações futuras, pode-se dizer que este tipo de desenvolvimento é capaz de promover a sustentabilidade (IWLA, 1997). Tanto uma definição quanto a outra estão envolvidas por relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS, 1985; SENANAYAKE, 1991; SAP, 1997). Outras definições de desenvolvimento sustentável foram elaboradas e publicadas por Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992), por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998), as quais, de modo geral, pregam a integração e a eqüidade inter e intrageracional. A sustentabilidade, portanto, é um conceito que pode ser aplicado a qualquer atividade desenvolvida pelo homem, e sua avaliação recebe diferentes enfoques, dependendo do nível de estudo e do ambiente em questão, se urbano 21

(LINARES e SELIGMAN, 1992) ou rural. Especificamente relacionado com a agricultura, que é o principal suporte da sustentabilidade, pode-se classificar seu ambiente nos seguintes níveis: global, nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de sistema de produção (CAMINO V. e MÜLLER, 1993), sendo este último também denominado agroecossistema (ALTIERI, 1987). É vasta a literatura relacionada à avaliação da sustentabilidade desenvolvida em nível de propriedade ou acima, com menos exemplos para ecossistemas e agroecossistemas, de modo a verificar em que grau um sistema de produção de soja, milho, feijão ou árvore contribui para um desenvolvimento sustentável. As diferentes práticas agrícolas atuais abrangem desde os modelos alternativos, considerados sustentáveis (PASCHOAL, 1995), até os modelos intensivos de produção, que comportam inúmeras externalidades negativas, contrastando com o sucesso na produtividade e no suprimento de alimentos para a humanidade (SHIKI, 1995). Dentre os modelos alternativos, ou tecnologias agroecológicas sustentáveis, destacam-se o uso de leguminosas, o controle biológico, a manutenção da diversidade e os sistemas agroflorestais (SAF). Estas tecnologias são capazes de criar agroecossistemas produtivos menos dependentes de recursos externos a eles (KAIMOWITZ, 1996), estando baseadas em princípios e processos que satisfazem requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991), combinando tanto elementos do conhecimento tradicional, quanto da ciência moderna (ALTIERI, 1991). Os sistemas agroflorestais, especificamente, preenchem muitos requisitos da sustentabilidade, por incluírem árvores no sistema de produção agropecuária, por utilizarem recursos existentes e práticas de manejo que otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços (TORQUEBIAU, 1989). No entanto, embora os sistemas agroflorestais apresentem vantagens que superam as desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995), estas últimas têm gerado dificuldades na sua adoção, como é o caso do maior uso de mão-de-obra em alguns sistemas (CAVENESS e KURTZ, 22

1993), ou o insucesso na produção de madeira, em outros (CURRENT et al., 1996). Há necessidade, portanto, de dispor de metodologia para avaliar os níveis de sustentabilidade de sistemas agroflorestais, o que permite a identificação da sua verdadeira vocação como agroecossistemas sustentáveis. Um dos meios mais utilizados para atingir esta meta é o uso de indicadores biofísicos e socioeconômicos, envolvendo tanto o sistema em análise quanto outros, sejam agrícolas ou não (AVILA, 1989). Assim, o objetivo deste estudo foi a produção de um amplo rol de indicadores biofísicos potenciais, que possam abranger os sistemas agrissilviculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris (terminologia proposta por DANIEL et al., 1999) e, tanto quanto possível, ser adaptáveis às diversas estruturas de sistema de produção encontradas no campo.  0$7(5,$/ ( 0e72'26

Será descrita a metodologia utilizada para definição de indicadores de sustentabilidade para sistemas agroflorestais, considerando apenas aqueles correspondentes aos componentes biofísicos, embora os mesmos procedimentos sejam aplicáveis também aos fatores socioeconômicos. O trabalho foi baseado no roteiro proposto por CAMINO V. e MÜLLER (1993), para sistemas produtivos em geral (Figura 1). Segundo DE CAMINO e MÜLLER (1996), as fases deste roteiro ou estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade podem ser assim descritas, com a complementar visão de outros autores: 1) 'HILQLomR GR VLVWHPD HP DQiOLVH: pode estar baseado em três níveis, segundo YURJEVIC (1996), ou seja, nas perspectivas global, nacional e regional ou local, podendo ainda ser acrescentado o nível de propriedade, de sistemas na propriedade, de ecossistema e de sistema de produção, de acordo com CAMINO V. e MÜLLER (1993), dependendo dos interesses na avaliação.

23

Definição do sistema Identificação de categorias significativas Identificação de elementos significativos em cada categoria Identificação e seleção de descritores Definição e obtenção de indicadores Análise de indicadores Procedimentos de monitoramento
Figura 1 - Sugestão de estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade para sistemas em geral, segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993).

2) ,GHQWLILFDomR GH FDWHJRULDV VLJQLILFDWLYDV: uma categoria é um aspecto do sistema, o qual deve ser significativo do ponto de vista da sustentabilidade. Segundo AVILA (1989), TORQUEBIAU (1989) e CAMINO V. e MÜLLER (1993), para qualquer sistema e em qualquer nível de organização ou agregação, podem ser utilizadas as seguintes categorias: a) UHFXUVRV HQGyJHQRV: é a base de recursos do sistema, e os indicadores desta categoria devem evidenciar se o sistema afeta ou melhora a base de recursos; b) RSHUDomR GR VLVWHPD: são as atividades necessárias à H[HTLELOLGDGH do sistema, e os indicadores desta categoria devem mostrar se o seu manejo e desempenho são compatíveis com as exigências da sustentabilidade; c) UHFXUVRV H[yJHQRV: recursos de outros sistemas, de entrada ou saída, que podem ser afetados pelo sistema sob estudo; e d) RSHUDomR GRV VLVWHPDV H[yJHQRV: atividades exógenas necessárias à exeqüibilidade do sistema.

24

3) ,GHQWLILFDomR GH HOHPHQWRV VLJQLILFDWLYRV HP FDGD FDWHJRULD: um elemento é uma parte de uma categoria, significativa do ponto de vista da sustentabilidade. Exceto o elemento "energia", identificado na Figura 2 e que está sendo proposto neste trabalho, todos os elementos de recursos endógenos ou exógenos foram citados por AVILA (1989) e WEBER (1990), enquanto aqueles relacionados à operação dos sistemas foram propostos por AVILA (1989) e ampliados por CAMINO V. e MÜLLER (1993). 4) ,GHQWLILFDomR H VHOHomR GH GHVFULWRUHVGHILQLomR H REWHQomR GH LQGLFDGRUHV: a) 'HVFULWRUHV: descritores são características significativas de um elemento, os quais estão subordinados aos principais atributos de sustentabilidade de um sistema e ao seu nível de agregação. Assim, tais descritores podem ser diferentes mesmo entre sistemas similares.

6LVWHPD &DWHJRULDV 5HFXUVRV HQGyJHQRV 2SHUDomR GR VLVWHPD Elementos -Água -Minerais -Solo -Luz -Flora -Fauna -Ar -Energia -Recursos culturais -Áreas únicas -Manejo técnico -Rendimento técnico -Manejo e rendimento socioeconômico -Água -Minerais -Solo -Luz -Flora -Fauna -Ar -Energia -Recursos culturais -Áreas únicas -Manejo técnico -Rendimento técnico -Manejo e rendimento socioeconômico 5HFXUVRV H[yJHQRV 2SHUDomR GH VLVWHPDV H[yJHQRV

Figura 2 - Sugestão de estrutura para definição de um grupo de indicadores de sustentabilidade para um sistema específico, modificado de CAMINO V. e MÜLLER (1993).

25

b) ,QGLFDGRUHV: indicador é uma medida do efeito da operação do sistema sobre o descritor (TORQUEBIAU, 1989). Isto significa que se um dado descritor recebeu influência positiva da operação do sistema, este tende a ser sustentável, e vice-versa. Para cada descritor relevante, deve-se definir pelo menos um indicador. c) ,GHQWLILFDomR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV: o desenvolvimento do grupo de descritores e indicadores para sistemas agroflorestais foi baseado na estrutura metodológica demonstrada na Figura 3, que é auto-explicativa. Para facilitar a execução da fase 3 desta figura, aplicou-se a estrutura conceitual observada na Figura 4. 5) $QiOLVH GH LQGLFDGRUHV: esta fase pode ser subdividida em: a) significado do indicador; b) o que, como, onde e quando medir; c) insumos QHFHVViULRV para o cálculo; d) limitações do indicador; e) valores-limites do indicador; e f) apresentação e interpretação dos resultados. 6) 3URFHGLPHQWRV GH PRQLWRUDPHQWR: estes procedimentos podem ser descritos para cada indicador selecionado ou para todo o conjunto.

5HYLVmR WHyULFD UHODFLRQDGD DR VLVWHPD  Ecologia Meio ambiente  Sustentabilidade  Outros 

,GHQWLILFDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV SDUD R VLVWHPD HP HVWXGR  $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV  Diretrizes para os indicadores  Características do sistema (VWXGRV JHUDLV VREUH DV FDUDFWHUtVWLFDV GR VLVWHPD  Biofísicas Culturais  Sociais  Econômicas

'HILQLomR GH GLUHWUL]HV SDUD D VHOHomR GH LQGLFDGRUHV 

6HOHomR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV PDLV VLJQLILFDWLYRV

Figura 3 - Estrutura metodológica para o desenvolvimento de descritores e indicadores, modificada de BERTOLLO (1998).

26

Sistemas agroflorestais Componentes biofísicos DESCRITORES/ INDICADORES Abióticos Sistemas Ar Água Solo Terres- Aquátres ticos Bióticos 



- Sistema agrissilvicultural, sistema agrissilvipastoril e sistema silvipastoril. - Envolve os compartimentos flora, fauna e microorganismos.

Figura 4 - Estrutura conceitual para o desenvolvimento de descritores e indicadores biofísicos, modificada de BERTOLLO (1998).

No presente estudo executou-se a metodologia descrita, com algumas adaptações, procedendo-se da seguinte forma: a) Os itens de 1 a 3 foram executados integralmente, com exceção dos recursos culturais, manejo e rendimento socioeconômico (Figura 2), que serão tratados separadamente em outra oportunidade, em função do volume de informações. b) O passo 4 é o mais importante neste trabalho, pois é ele que concentra a maioria das operações (Figura 3) para definição dos indicadores, assim detalhadas: i) (QIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV: monitorar o desempenho dos fatores biofísicos, possibilitando intervenções para a elevação dos níveis de sustentabilidade ambiental. Para chegar à conclusão de que isto seria possível, foi realizada ampla revisão de literatura, considerando todos os aspectos dos sistemas agroflorestais e as possibilidades de monitoramento dos indicadores. ii) $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV: nesta fase de geração do maior número possível de indicadores, foram consideradas as peculiaridades dos sistemas agroflorestais, principalmente levando em conta os componentes do sistema, ou seja, animais, culturas agrícolas e florestais, e a sua composição no tempo e no espaço. Também, foram definidas as diretrizes a partir das quais foram selecionados os indicadores 27

de sustentabilidade ambiental, tendo como base BERTOLLO (1998), que realizou uma significativa revisão sobre o tema, resultando nas seguintes características essenciais para escolha de um indicador: relevante para os objetivos e as metas do problema; relevante para a orientação e o planejamento global do projeto/pesquisa; relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da área em questão; capaz de fornecer um quadro representativo das condições, em função de sua correlação com outros parâmetros do sistema; apropriado para a escala espacial da área em consideração; sensível às alterações temporais e espaciais; cientificamente confiável; mensurável e de aplicação prática; apoiado por dados de alta qualidade; relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social ou econômica; orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e dos envolvidos diretamente; claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão; e relevante para os propósitos dos administradores ambientais. Um potencial indicador foi selecionado para participar da relação final, desde que se relacionasse com pelo menos uma das diretrizes citadas. iii) 6HOHomR GR JUXSR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV PDLV VLJQLILFDWLYRV, esta etapa foi subdividida em duas fases: 1. 5HYLVmR GH OLWHUDWXUD: foram localizados descritores e indicadores significativos relacionados ao tema, o que permitiu uma primeira aproximação dos resultados, com o auxílio da parte correspondente aos componentes biofísicos, na estrutura conceitual indicada na Figura 4. 2. &RQVXOWD D HVSHFLDOLVWDV: uma equipe de sete pessoas ligadas a sistemas agroflorestais e meio ambiente teve a oportunidade de revisar e ampliar a lista de descritores e indicadores gerados a partir da revisão de literatura. Na seleção deste grupo, foram realizadas visitas a três sistemas agroflorestais em desenvolvimento, visando registrar impressões a respeito das características que poderiam se enquadrar nas diretrizes citadas no item (b-ii), ou que seriam úteis na definição dos indicadores mais significativos. 28 

5(68/7$'26 ( ',6&866­2

Como resultado principal da aplicação da metodologia proposta, obtiveram-se os indicadores listados no Quadro 1. Considerando as recomendações de CAMINO V. e MÜLLER (1993), de que o número de indicadores não deve ser exaustivo e eles devem referir-se apenas às categorias e aos elementos mais significativos, os resultados apresentam-se muito amplos. No entanto, este número elevado de indicadores engloba grande parte do que é possível avaliar em termos de sustentabilidade de sistemas agroflorestais. Sobre este rol, o usuário tem oportunidade de escolher apenas os itens que, segundo critérios específicos determinados de acordo com suas próprias necessidades, sejam suficientes para a avaliação da sustentabilidade de um dado empreendimento agroflorestal. Embora extensa, a quantidade de resultados constantes no Quadro 1 não representa a totalidade da matriz de indicadores, posto que esta é inimaginável física e operacionalmente (CAMINO V. e MÜLLER, 1993). Em uma outra fase do desenvolvimento de indicadores biofísicos para sistemas agroflorestais, deverão ser acrescentadas novas diretrizes ou critérios, para selecionar um número mínimo essencial. Segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993), que trataram de sistemas genéricos, a quantidade ideal de indicadores de sustentabilidade encontra-se entre 6 e 8, porém TORQUEBIAU (1989), trabalhando com sustentabilidade para pomares domésticos (KRPHJDUGHQV), obteve 24 indicadores. No Quadro 1, pode-se notar a ausência da categoria operação de sistemas exógenos, que faz parte da estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade (Figura 2). A supressão desta categoria justifica-se pelo nível de agregação para o qual se aplica este trabalho, ou seja, em nível de sistema de produção. Neste caso, entendeu-se que os sistemas exógenos pertencentes ao mesmo proprietário do sistema em análise deveriam estar passando pelo mesmo processo de avaliação da sustentabilidade, já que não faria sentido monitorar apenas uma atividade na mesma propriedade.

29

Quadro 1 - Conjunto de indicadores biofísicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais
Categoria Recursos Endógenos Elemento Descritor Água Status Indicador Construção de diques para controle de enchentes (sim/não) Nível médio de eutrofização dos reservatórios (Ca + Mg por ml) Precipitação Interceptação: Precipitação em nível do sub-bosque (mm) Nível médio anual de turbidez dos reservatórios e, ou, cursos d'água (TU- 7XUELGH] 8QLW) Conservação Terraceamento (sim/não) Preparo mecanizado intensivo (sim/não) Estimativa da perda de sedimentos via escorrimento superficial (t ha.ano-1) Plantio direto (sim/não) Área erodida dentro do perímetro de implantação do sistema (%) Microclima Umidade do solo (%) Temperatura do solo (ºC) Qualidade química Capacidade de troca catiônica (mmolc.dm3) Teor de matéria orgânica (%) Nível de acidez (pH) Estimativa da perda de macronutrientes via escorrimento superficial (kg ha.ano-1) Estimativa da perda de macronutrientes via exportação (kg ha.ano-1) Estimativa da perda de macronutrientes via erosão e lixiviação (kg ha.ano-1) Incremento do estoque de macronutrientes (kg ha.ano-1) Estimativa da população da mesofauna (no de indivíduos Qualidade biológica por dm2, até 10 cm de profundidade) Estimativa da população da macrofauna (no de indivíduos por m2, até 20 cm de profundidade) Profundidade da camada de restrição ao desenvolvimento Qualidade física radicular (cm) Índice médio de compactação (densidade aparente, g.dm3) Capacidade de campo (%) Aplicação de agrotóxicos com conhecido poder residual Contaminantes prolongado no solo e com facilidade de lixiviação (sim/não) Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes bioacumuladores nocivos (sim/não) Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes bioacumuladores nocivos (sim/não) Radiação Temperatura no sub-bosque (oC) Interceptação: razão radiação fotossinteticamente ativa acima do dossel/ao nível do solo Reprodução das espécies exóticas fora do seu habitat Reprodução natural (sim/não) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do sistema (sim/não) Diversidade No total de componentes No de componentes gerados por propagação assexuada No de componentes gerados por meio de sementes nãomelhoradas No de componentes gerados por meio de sementes melhoradas (cultivares, variedades, híbridos) SAF 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123

Solo

123 123 123 123 123 123 123 123 123

Luz

Flora

Continua... 30

Quadro 1, Cont.
Categoria Elemento Indicador N de espécies consumidoras primárias No de espécies raras nativas que compõem o sistema Destruição da vegetação nativa existente no sistema, em Alteração de função do manejo de algum componente animal em regime habitats aberto (sim/não) No de componentes arbóreos que apresentam regeneração Dinâmica natural suficiente para ser manejada Aplicação prática dos conceitos de sucessão vegetal (consciente ou não) na implantação e condução do sistema (sim/não) Uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da capacidade de sítio para cada componente vegetal, valorizando a ciclagem de nutrientes e o aproveitamento da luz (sim/não) Freqüência anual de incidência de pragas em nível de dano Pragas e doenças econômico à vegetação Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo dano econômico à vegetação No de componentes vegetais utilizados em todo o ciclo do Estrutura sistema No de espécies vegetais nativas No de espécies vegetais exóticas Fisionomia semelhante ao ecossistema original (sim/não) No de espécies herbáceas leguminosas ou gramíneas Mutualismo fixadoras de nitrogênio No de espécies arbóreas leguminosas fixadoras de nitrogênio No espécies associadas com micorrizas Reprodução das espécies exóticas fora do seu habitat Reprodução natural (sim/não) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do sistema (sim/não) Diversidade No total de componentes No de componentes melhorados geneticamente Cadeia trófica No de espécies predadoras que compõem o sistema Espécies raras No de espécies raras nativas que compõem o sistema Vida silvestre O sistema possibilita abrigo à fauna silvestre (sim/não) Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo Parasitos e doenças dano econômico aos componentes animais Freqüência anual de incidência de parasitos com efetivo dano econômico aos componentes animais Bioacumulação: aplicação de agrotóxicos com conhecido Contaminantes poder de acumulação na cadeia trófica (sim/não) No de componentes animais (vertebrados e invertebrados) Estrutura utilizados em todo o ciclo do sistema No de espécies animais domésticas No de espécies animais silvestres No de espécies animais nativas No de espécies animais exóticas Fisionomia semelhante ao ecossistema original (sim/não) Presença de poluentes que alteram a visibilidade com Status grande freqüência (sim/não) Presença de poluentes que geram odores desagradáveis com grande freqüência e causam incômodo aos animais e ao homem (sim/não) Presença de poluentes que provocam irritações oculares com grande freqüência (sim/não)
o

Descritor Cadeia trófica Espécies raras

SAF 23 123 123 123 123

123

123 123 123 123 123 123 123 123 123 23 23 23 23 23 23 123 23 23 123 23 23 23 23 23 23 123 123 123

Fauna

Ar

Continua...

31

Quadro 1, Cont.
Indicador Presença de partículas em suspensão que geram notável deposição com grande freqüência e causam incômodo aos animais e ao homem (sim/não) Alterações benéficas nas oscilações das variáveis climáticas Microclima (temperatura, umidade, ventos,...) (sim/não) Consumo de madeira para energia, proveniente de áreas Energia Consumo nativas manejadas ou plantadas (st ha.ano-1) Consumo de resíduos orgânicos como combustível (t ha.ano-1) Proporção de consumo entre energia elétrica própria e adquirida de terceiros (%) Proporção entre áreas de produção e áreas de proteção Áreas únicas Áreas de proteção ambiental Quantidade de resíduos orgânicos inaproveitados de forma Operação do Manejo Resíduos direta no sistema (partes de plantas, excreções animais, técnico sistema vísceras,...), em t ha.ano-1 Quantidade de resíduos inorgânicos (embalagens em geral,...), em t ha.ano-1 Reciclagem de embalagens de forma direta ou indireta(sim/não) Correto armazenamento de embalagens de produtos tóxicos (sim/não) Produção de CO2 via combustão de derivados de petróleo (sim/não) Produção de CO2 via queimadas (sim/não) Produção de CO2 via fogo controlado utilizado como sistema de manejo (sim/não) Uso de recursos na- Uso de combustíveis fósseis (sim/não) turais nãoAplicação intensiva de fertilizantes químicos (sim/não) renováveis Matéria orgânica No de espécies vegetais caducifólias ou subcaducifólias Prática da adubação verde (sim/não) Prática da incorporação de resíduos (sim/não) Prática da compostagem (sim/não) Prática da humificação (sim/não) No de limpezas químicas, realizadas via equipamentos Práticas culturais terrestres No de limpezas químicas, realizadas via aérea No de limpezas mecanizadas No de limpezas manuais Colheita e manejo Corte totalmente mecanizado (sim/não) Baldeio mecanizado com passagem sobre resíduos florestal florestais (sim/não) Permanência de cascas e galhos sobre o solo (sim/não) No de desbastes No de desbastes totalmente mecanizados No de desramas No de desramas totalmente mecanizadas No de árvores desramadas por ha Estimativa do volume da biomassa de consumo arbórea Rendimento Vegetais cultivados (volume ha.ano-1) Estimativa do peso da biomassa de consumo não-arbórea Técnico (t ha.ano-1) Animais manejados Estimativa do peso (t ha.ano-1) Recursos Água Status Barramento de cursos d'água (sim/não) Nível médio anual de turbidez dos cursos d'água, a jusante Exógenos da área do sistema Alterações no volume de água dos mananciais (sim/não) Categoria Elemento Descritor SAF 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 23 123 123 123

Continua... 32

Quadro 1, Cont.
Categoria Elemento Descritor Indicador Alterações nas oscilações anuais dos níveis de água dos mananciais (sim/não) Terraceamento suficiente nas áreas vizinhas ao sistema (sim/não) Erradicação de espécies raras para implantar o sistema (sim/não) Proporção de alteração da vegetação original que o sistema exige para sua implantação Problemas fitossanitários para os componentes nativos da circunvizinhança do sistema, em função dos componentes vegetais do sistema (sim/não) Impedimento do fluxo de propágulos vegetais (genes) entre habitats que se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não) Proporção de madeira para energia coletada dentro e fora do sistema Alteração da cadeia trófica, se os predadores escaparem para o ambiente natural Problemas fitossanitários para os componentes nativos da circunvizinhança do sistema, em função dos componentes animais do próprio sistema (sim/não) Impedimento do fluxo de animais (genes) entre habitats que se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não) Geração de qualquer tipo de poluição do ar por parte de sistemas exógenos vizinhos ao sistema em análise, que sejam fornecedores deste (sim/não) Existência de quaisquer prejuízos às áreas de proteção exógenas, em função da necessidade do cumprimento de compromissos com o sistema em análise (sim/não) SAF 123 123 123 123 123

Solo Flora

Conservação Espécies raras Alteração de habitats

123 123 23 123 123 123

Árvores em geral Fauna Cadeia trófica Alteração de habitats

Ar

Status

Áreas únicas Áreas de proteção
1

123

Sistemas agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas silvipastoris.

Os sistemas exógenos não-pertencentes ao mesmo proprietário, mas que se relacionam com este, também foram excluídos, pois apresentam características próprias, a maioria difícil de ser alterada apenas em função das necessidades de sustentabilidade ambiental de um sistema estranho que se encontra em avaliação, o que faria com que o tomador de decisão tivesse pouca ou nenhuma influência sobre seus indicadores. Também, não constaram deste trabalho os indicadores pertencentes aos elementos recursos culturais, manejo socioeconômico e rendimento socioeconômico, os quais estão sendo motivo de um estudo específico. No Quadro 2, está a quantificação dos indicadores relacionados no Quadro 1, no qual se observa que foram encontrados 117 indicadores biofísicos 33

Quadro 2 - Quantificação dos indicadores biofísicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais (SAF)
No de Indicadores por SAF Sistemas Sistemas Sistemas AgrissilviculAgrissilvipasSilvipastoris turais toris 4 4 4 22 22 22 2 2 2 20 21 21 2 16 16 5 5 5 3 3 3 1 1 1 59 74 74 26 26 26 2 3 3 28 29 29 4 4 4 1 1 1 4 4 4 2 3 3 1 1 1 1 1 1 13 14 14 100 117 117 No de Indicadores por Elemento 4 22 2 21 16 5 3 1 74 26 3 29 4 1 4 3 1 1 14 117

Categoria

Elementos

Água Solo Luz Flora Recursos endógenos Fauna Ar Energia Áreas únicas Subtotal Manejo técnico Operação do sistema Rendimento técnico Subtotal Água Solo Flora Recursos exógenos Fauna Ar Áreas únicas Subtotal Total

de sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os sistemas que apresentam o componente animal, e 100 para os sistemas que apresentam apenas os componentes agrícola e florestal. A utilização de atividade de criação de animais no sistema agroflorestal resultou no acréscimo de 17 indicadores. Este incremento para os sistemas com componente pastoril se deve ao aumento da complexidade das relações ecológicas entre os componentes e à necessidade de monitorá-las, pois nestes casos, dos 17 indicadores a mais, 14 estão especificamente correlacionados com o elemento fauna. Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificouse que 63,2, 24,8 e 12,0% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos endógenos, operação do sistema e recursos exógenos. O maior peso dos recursos endógenos já era esperado, tendo em vista ser esta categoria a base dos recursos disponíveis para a produção do sistema.

34

Dentro da categoria recursos endógenos, a maioria dos indicadores obtidos está relacionada com os elementos solo (29,7%), flora (28,4%) e fauna (21,6%). TORQUEBIAU (1989), quando estudou a sustentabilidade para um sistema agroflorestal específico, os pomares domésticos (KRPHJDUGHQV), obteve maior concentração de indicadores no elemento solo. Quanto aos outros dois elementos, é natural que sejam proporcionalmente mais representados, pois no compartimento biofísico da avaliação o trabalho é concentrado nos fatores ambientais e, neste caso, estes dois elementos são os principais componentes do meio ambiente. Na categoria operação do sistema, o elemento manejo técnico comportou 89,6% dos indicadores, comparado com o rendimento técnico, pois a tendência dos entrevistados e da literatura em geral é dar ênfase aos trabalhos de manejo das culturas envolvidas nos sistemas agroflorestais como sendo atividades geradoras de impacto ao componente biofísico. O rendimento técnico é, portanto, apenas a conseqüência deste manejo. Para a categoria recursos exógenos, foi selecionado o maior número de indicadores biofísicos entre os elementos flora, fauna e água. Tais elementos são parte essencial do meio ambiente, e mesmo pertencendo a sistemas exógenos, sejam eles dentro da mesma unidade de produção ou distantes, são capazes de afetar o sistema em avaliação, de forma direta ou indireta. Nota-se, no entanto, que o elemento energia não foi considerado, tendo em vista sua pequena influência nas tomadas de decisão relacionadas com qualquer sistema em análise, especialmente se o recurso exógeno em questão pertencer a outra propriedade ou a outro proprietário. É importante ressaltar que os números citados não refletem o peso dos indicadores obtidos sobre a sustentabilidade do sistema, pois neste trabalho os objetivos foram a obtenção e a divulgação de um amplo rol de indicadores biofísicos, com condições para serem aplicados em qualquer composição agroflorestal, dando suporte aos tomadores de decisão quando da implantação do monitoramento ambiental.

35

Para uma fase mais detalhada, deve-se trabalhar na geração de um número mínimo de indicadores significativos (conforme recomendam DE CAMINO e MÜLLER, 1996) para os sistemas agrissilviculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris. Tal fato não impedirá que os profissionais envolvidos na área de monitoramento ambiental de atividades agroflorestais disponham do rol aqui apresentado (Quadro 1) e que, com seus conhecimentos técnicos natos, possam selecionar e até mesmo incluir aqueles indicadores que melhor se adaptem às suas condições específicas de monitoramento.  &21&/86®(6

Pelos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que: 1) A categoria recursos endógenos comporta o maior número de indicadores no componente biofísico, seguida de longe pelas operações do sistema e dos recursos exógenos. 2) A maior concentração de indicadores sugeridos na categoria recursos endógenos encontra-se nos elementos solo, flora e fauna. 3) O elemento manejo técnico apresentou maior abundância de indicadores na categoria operação do sistema. 4) Os elementos flora, fauna, energia e água apresentaram o maior número de opções de indicadores ao tomador de decisões na categoria recursos exógenos. 5) A metodologia aplicada identificou a necessidade de maior número de indicadores de sustentabilidade, quando foram analisados os sistemas agroflorestais com o componente animal.  5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6 ALTIERI, M.A. $JURHFRORJ\: the scientific basis of alternative agriculture. Boulder: Westview Press, 1987. 285p. ALTIERI, M.A. ¿Por que estudiar la agricultura tradicional" $JURHFRORJtD \ 'HVDUUROOR, Santiago, v.1, n.1, p.16-24, 1991. ANDERSON, L.S., SINCLAIR, F.L. Ecological interactions in agroforestry systems. )RUHVWU\ $EVWUDFWV, Wallingford, v.54, n.6, p.489-523, 1993. 36

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3523267$ '( 80 &21-8172 0Ë1,02 '( ,1',&$'25(6 %,2)Ë6,&26 3$5$ 2 021,725$0(172 '$ 6867(17$%,/,'$'( (0 6,67(0$6 $*52)/25(67$,6 RESUMO - Em função de os sistemas agroflorestais serem considerados uma alternativa sustentável aos sistemas intensivos de produção e da escassez de trabalhos que considerem a avaliação da sustentabilidade destes sistemas, foram propostos alguns critérios de seleção que foram aplicados a propostas de indicadores já existentes na literatura. O objetivo deste trabalho foi a proposição de um conjunto mínimo de indicadores que possam atender à demanda de monitoramento da sustentabilidade ambiental de sistemas agroflorestais, com ou sem o componente animal. As principais conclusões foram: a categoria recursos endógenos comportou o maior número de indicadores no componente biofísico; a maior concentração de indicadores na categoria recursos endógenos encontra-se nos elementos fauna, flora e solo; o elemento manejo técnico apresentou maior abundância de indicadores na categoria operação do sistema; todos os elementos da categoria recursos exógenos apresentaram praticamente o mesmo número de indicadores; o componente animal dos sistemas agroflorestais exige maior número de indicadores; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de observações diretas e apenas uma minoria necessita de análises laboratoriais; a maioria dos indicadores sugeridos é de aplicação rápida e pouco onerosa; os sistemas agroflorestais sem o componente animal são mais fáceis e menos onerosos de ser monitorados. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e sistemas agroflorestais. 352326$/ 2) $ 0,1,080 6(7 2) %,23+<6,&$/ ,1',&$7256 )25 021,725,1* 7+( 6867$,1$%,/,7< ,1 $*52)25(675< 6<67(06 ABSTRACT - In function of the agroforestry systems are considered as a sustainable alternative to the intensive production systems, and of the shortage of works that consider the evaluation of the sustainability of these systems, in this 40

work intended some selection approaches that were already applied the proposals of indicators existent in the literature. The objective went to proposition of a minimum number of indicators that can assist the demand of monitoring of the environmental sustainability of agroforestry systems, with or without the animal component. The conclusions were: the category endogenous resources behaved the largest number of indicators in the biophysical component; the largest concentration of indicators in the category endogenous resources meets in the elements fauna, flora and soil; the element technical management presented larger abundance of indicators in the category operation of the system; all the elements of the category exogenous resources presented practically the same number of indicators; the animal component of the agroforestry systems demands larger number of indicators; most of the suggested indicators just depends on direct observations and a minority just needs laboratorial analyses; most of the suggested indicators is of fast and of not very onerous application; the agroforestry systems without the animal component is easier and less onerous for monitoring. Key words: Sustainable development, sustainability indicators, agroforestry systems. 

,1752'8d­2

Sustentabilidade encontra-se definida de diversas formas na literatura, pelo fato de, em geral, os autores a relacionarem diretamente com o objeto de seus estudos. Uma delas, a de Conway (1986), citado por FAETH (1994), é simples e genérica, por isto mesmo adaptável a diversas situações: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações". Isto significa dizer que a sustentabilidade, que é promovida por ações amplas no âmbito do desenvolvimento sustentável (IWLA, 1997), é a capacidade de um sistema manter ou melhorar o estoque de capital, seja ele o manufaturado 41

ou o natural, de uma geração para outra (DE CAMINO e MÜLLER, 1996) e também intragerações (BARTUSKA et al., 1998). Na interpretação de

FRANKLIN (1995), sustentabilidade refere-se à manutenção do potencial do sistema para produzir a mesma quantidade e qualidade de bens e serviços perpetuamente. Alguns aspectos essenciais do desenvolvimento agrícola, subordinados à sustentabilidade, podem ser caracterizados pelos seguintes temas (SANDS e PODMORE, 1997): incremento da produtividade, salvaguardando a produtividade inerente do solo, por meio da manutenção da matéria orgânica, das rotações de culturas e da ciclagem de nutrientes; da prevenção/minimização da degradação ambiental, protegendo águas superficiais e subterrâneas ou eliminando o uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos; assegurar a capacidade para sobreviver indefinidamente, minimizando as perdas de solo, reduzindo o uso de energia proveniente de combustível fóssil; manter a diversidade genética; e manter a rentabilidade e a estrutura das comunidades. No desenvolvimento sustentável, três fatores resumem a capacidade de sustentabilidade dos sistemas e envolvem os temas citados por SANDS e PODMORE (1997), além de: o econômico, o social e o ambiental (BENSIMÓN, 1991; SAP, 1997). Esta capacidade de ser sustentável pode ser avaliada em qualquer atividade humana, estando relacionada ao ambiente em estudo, seja urbano ou rural. Sua avaliação, para o caso da agricultura, que é considerada o principal suporte da sustentabilidade, pode ser operada nos níveis: global, nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de agroecossistema (CAMINO V. e MÜLLER, 1993). Por não contemplarem os princípios básicos da sustentabilidade, os atuais modelos intensivos de produção primária são considerados não-sustentáveis. Dentre os modelos alternativos sustentáveis e de princípios agroecológicos, destacam-se os sistemas agroflorestais (SAF). Esta tecnologia, dentre outras, segundo KAIMOWITZ (1996), gera um agroecossistema produtivo menos dependente de recursos externos, além de satisfazer requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991). Segundo TORQUEBIAU (1989), o 42

atendimento de muitos desses requisitos ocorre em função do uso de recursos endógenos e de práticas de manejo que otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços. Vários autores, ao fazerem paralelos entre os SAF e os sistemas agrícolas tradicionais, citam que as suas vantagens superam as desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995). Entretanto, há controvérsias quanto às afirmações de que os SAF em geral sejam realmente sustentáveis (MacDICKEN e VERGARA, 1990). Estes autores citam outras fontes que afirmam que nem todas as combinações de árvores e cultivos agrícolas ou animais alcançam os objetivos da sustentabilidade, do incremento na produção e dos benefícios para a pobreza rural. Tal fato induz à necessidade de dispor de procedimentos metodológicos para avaliar os níveis de sustentabilidade dos sistemas agroflorestais. O uso de indicadores biofísicos (DANIEL et al., 1999a) e socioeconômicos (DANIEL, 1999) é atualmente a metodologia mais utilizada para avaliar a sustentabilidade de sistemas de produção em geral, pois fornecem um simples meio de explicá-la e de aumentar a consciência pública para a necessidade de mudanças de comportamento diante do desenvolvimento (HART, 1995). Portanto, desenvolveu-se este estudo, cujo objetivo foi a seleção de um grupo mínimo de indicadores biofísicos que possam ser úteis na avaliação e no monitoramento da sustentabilidade de sistemas agroflorestais  0$7(5,$/ ( 0e72'26

Neste trabalho, a metodologia utilizada para definição de indicadores de sustentabilidade para SAF considera o componente biofísico, também denominado ambiental. Para a aplicação da proposta, foram usados os indicadores genéricos possíveis de ser utilizados em SAF, produzidos por DANIEL et al. (1999a). Os

43

autores listaram 117 indicadores, visando oferecer ampla possibilidade de adaptação desses indicadores às diversas variações de SAF atualmente existentes. De modo a atender ao objetivo deste trabalho, que foi a geração de um conjunto mínimo de indicadores biofísicos de sustentabilidade para SAF, foram aplicados à lista de indicadores de DANIEL et al. (1999a) os critérios de seleção listados e explicitados no Quadro 1. As características de 1 a 13 são as mesmas aplicadas por DANIEL et al. (1999a), para selecionar os 117 indicadores citados em seu trabalho. Tais características, com algumas modificações, foram extraídas de BERTOLLO (1998). Para redução dos indicadores listados por DANIEL et al. (1999a), foram acrescentadas as características de 14 a 19, tendo como balizamento uma 20ª característica, que foi a manutenção de no mínimo um indicador para cada descritor definido pelos autores. Esta 20ª característica não consta do Quadro 1, porque foi considerada específica para este trabalho, ou seja, como estes critérios e características fazem parte de uma proposta aberta de critérios de seleção de indicadores de sustentabilidade para qualquer sistema, outros usuários poderão desejar excluir algum descritor. Assim, a retirada dessa última característica confere flexibilidade à proposta. Os critérios utilizados no Quadro 1 foram os mesmos aplicados nos trabalhos do 7KH 6WDWH (QYLURQPHQWDO *RDOV DQG ,QGLFDWRUV 3URMHFW (SEGIP, 1995) da Universidade da Flórida, que os divide em dois tipos básicos: a) critérios essenciais: critérios que um indicador deve atender (relevância, representatividade, escala apropriada, qualidade dos dados, mensurabilidade, importância, suporte de decisões, e ambigüidade); e b) critérios preferenciais: critérios que um indicador pode atender (sensibilidade, resultabilidade, custo, integrabilidade, compreensibilidade, previsibilidade ou tendência). Portanto, neste trabalho, os indicadores listados por DANIEL et al. (1999a) que não tenham atendido a um ou mais dos critérios preferenciais não necessariamente foram excluídos. 44

Quadro 1 - Características e critérios de indicadores de sustentabilidade para sistemas em geral
Critérios de Seleção Previsibilidade ou tendência X X X

Qualidade dos dados

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Relevante para os objetivos e metas do problema Relevante para a orientação e o planejamento global do projeto/pesquisa

X X

Relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da X área em questão Fornecer um quadro representativo das condições, devido à sua correlação com outros parâmetros do sistema Apropriado para a escala espacial da área em consideração Sensível a pequenas alterações temporais e espaciais Cientificamente confiável Mensurável e de aplicação prática Apoiado por dados de alta qualidade Relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social ou econômica Orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e dos envolvidos diretamente Claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão Relevante aos propósitos dos administradores ambientais Permitir alguma análise de tendência ao longo de um determinado período, ou fornecer subsídios para isto Dispensar especialização técnico-científica elevada para ser aplicado, sendo simples e claro para o público em geral Apresentar baixo custo de aplicação, relativo ao produtor Para este trabalho, os indicadores devem ser primários, ou seja, deverão reportar diretamente as alterações nos compartimentos ambiental e socioeconômico, em termos de algo que seja valioso para as pessoas; deve comunicar o status de um atributo, sem necessidade de interpretação técnica extensa Não ser ambíguo ou redundante Incorporar indiretamente, outros indicadores (ex: o uso do ƒyh‡v‚ qv…r‡‚ÃrÃpˆy‡v‰‚Àtv€‚ como indicadores dispensa o uso do indicador ƒ…rƒh…‚Àrphv“hq‚Ãv‡r†v‰‚) X X X X X X X X X X X X

17

X

18 19

45

Custo

Características dos indicadores

Compreensibilidade

Suporte de decisões

Representatividade

Escola apropriada

Mensurabilidade

Resultabilidade

Integrabilidade

Ambigüidade

Sensibilidade

Importância

Relevância 

5(68/7$'26 ( ',6&866­2

No Quadro 2, são apresentados os indicadores selecionados como sendo úteis para a avaliação e o monitoramento da sustentabilidade de SAF, no compartimento biofísico. Tais indicadores encontram-se distribuídos em descritores, elementos e categorias, segundo a recomendação de CAMINO V. e MÜLLER (1993), estrutura esta que também foi utilizada por DANIEL et al. (1999a). Embora na metodologia deste trabalho tenha sido aplicado um argumento de seleção dos indicadores a partir de DANIEL et al. (1999a), que determinaram a manutenção de pelo menos um indicador para cada descritor, houve duas exceções: a) o descritor “radiação”, pertencente ao elemento "luz", foi considerado pouco importante para a avaliação da sustentabilidade, tendo em vista que sua qualidade e quantidade são fixas, independente do sistema produtivo utilizado, e que seu aproveitamento depende de planejamento prévio; e b) o descritor "mutualismo" pertencente ao elemento "flora", cujos indicadores são atendidos de forma indireta por meio dos indicadores do descritor "uso de recursos naturais não-renováveis", ou seja, o melhor aproveitamento de um implica redução dos níveis dos outros, e vice-versa. Esta exclusão foi feita para o caso em questão, no qual procura-se oferecer um grupo mínimo de indicadores ideais, o que não significa que para SAF específicos os avaliadores não possam adaptar-se a um ou outro dos descritores citados. Vale a pena citar mais uma alteração significativa no conjunto de indicadores sugeridos por DANIEL et al. (1999a), em função do objetivo deste trabalho. Os quatro indicadores pertencentes ao descritor "status" do elemento "ar" foram agrupados em um único, a "produção de poluentes" de modo geral, simplificando e reduzindo a avaliação. O mesmo foi feito com os dois indicadores anteriormente relacionados com "limpezas químicas", agrupados em um único. No Quadro 2, pode-se notar a ausência da categoria operação de sistemas exógenos, que faz parte da estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade, cuja justificativa encontra-se em DANIEL et al. (1999a).

46

Quadro 2 - Conjunto mínimo de indicadores biofísicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais
Categoria Recursos Endógenos Elemento Água Descritor Status Precipitação Solo Conservação (Número do indicador) Indicador (1) Nível médio de eutrofização dos reservatórios e, ou, cursos d'água (Ca + Mg por ml) (2) Nível médio anual de turbidez dos reservatórios (TUUˆ…ivqr“ÃVv‡) (3) Terraceamento (sim/não) (4) Plantio direto de culturas agrícolas e cultivo mínimo de culturas florestais (sim/não) Qualidade química (5) Capacidade de troca catiônica (cmolc.dm3) (6) Teor de matéria orgânica (%) Qualidade física Contaminantes (7) Profundidade da camada de restrição ao desenvolvimento radicular (cm) (8) Aplicação de agrotóxicos com conhecido poder residual prolongado no solo e com facilidade de lixiviação (sim/não) (9) Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes bioacumuladores nocivos (sim/não) Flora Reprodução Diversidade Cadeia trófica Alteração de habitats (10) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do sistema (sim/não) (11) No total de componentes da flora, utilizados em todo o ciclo do sistema (12) No de espécies consumidoras primárias (13) Destruição da vegetação nativa existente no sistema, em função do manejo de algum componente animal em regime aberto (sim/não) (14) Uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da capacidade de sítio para cada componente vegetal, valorizando a ciclagem de nutrientes e o aproveitamento da luz (sim/não) (15) Freqüência anual de incidência de pragas em nível de dano econômico à vegetação (16) Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo dano econômico à vegetação Estrutura (17) No de espécies florestais nativas (18) N de espécies florestais exóticas Fauna Reprodução Cadeia trófica Espécies raras Vida silvestre Parasitos e doenças Contaminantes Estrutura e Diversidade (19) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do sistema (sim/não) (20) No de espécies predadoras que compõem o sistema (21) N de espécies raras nativas que compõem o sistema (22) O sistema possibilita abrigo à fauna silvestre (sim/não) (23) Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo dano econômico aos componentes animais (24) Bioacumulação: aplicação de agrotóxicos com conhecido poder de acumulação na cadeia trófica (sim/não) (25) No de componentes animais (vertebrados e invertebrados) utilizados em todo o ciclo do sistema (26) No de espécies animais domésticas (27) N de espécies animais silvestres (28) N de espécies animais nativas (29) No de espécies animais exóticas
o o o o

SAF 123 123 123 123 123 123 123 123 123

123 123 23 123

Dinâmica

123

Pragas e doenças

123 123 123 123 23 23 23 123 23 123 23 23 23 23 23

Continua... 47

Quadro 2, Cont.
Categoria Elemento Ar Descritor Status (Número do indicador) Indicador (30) Produção de poluentes que alteram a visibilidade, que geram odores desagradáveis, que provocam irritações oculares ou que geram notável deposição, causando incômodo aos animais e ao homem (sim/não) (31) Consumo de madeira para energia, proveniente de áreas nativas manejadas ou plantadas (st ha.ano-1) (32) Proporção entre áreas de produção e áreas de proteção ambiental (33) Reciclagem de embalagens, de forma direta ou indireta (sim/não) (34) Correto armazenamento de embalagens de produtos tóxicos (sim/não) (35) Produção de CO2 via queimadas (sim/não) Uso de recursos na (36) Uso de combustíveis fósseis (sim/não) SAF 123

Energia Áreas únicas Operação do Sistema Manejo técnico

Consumo Áreas de proteção Resíduos

123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123

turais não-renováveis (37) Aplicação intensiva de fertilizantes químicos (sim/não) Matéria orgânica (38) N de espécies vegetais caducifólias ou subcaducifólias (39) Prática da incorporação de resíduos (sim/não) (40) Prática da compostagem (sim/não) Práticas culturais (41) No de limpezas químicas (42) N de limpezas mecanizadas pós-plantio (43) N de limpezas manuais Colheita e manejo Florestal (44) Corte semi-mecanizado ou mecanizado (sim/não) (45) No de desbastes totalmente mecanizados (46) No de desramas manuais (47) Proporção entre o n de árvores desramadas e o n total de árvores Rendimento Técnico Vegetais Cultivados (48) Estimativa do volume da biomassa arbórea (volume ha.ano-1 ÷ 10) (49) Estimativa do peso da biomassa vegetal não arbórea efetivamente colhida (t ha.ano-1) Animais manejados Recursos Exógenos Água Solo Flora Status Conservação Alteração de habitats (50) Estimativa do peso animal (t ha.ano-1) (51) Nível médio anual de turbidez dos cursos d'água, a jusante da área do sistema (52) Terraceamento suficiente nas áreas vizinhas ao sistema (sim/não) (53) Impedimento do fluxo de propágulos vegetais (genes) entre habitats que se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não) (54) Alteração da cadeia trófica, se os predadores escaparem para o ambiente natural (sim/não) (55) Impedimento do fluxo de animais (genes) entre habitats que se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não) (56) Geração de qualquer tipo de poluição do ar por parte de sistemas exógenos vizinhos ao sistema em análise, que sejam fornecedores deste (sim/não) (57) Existência de quaisquer prejuízos às áreas de proteção exógenas, em função da necessidade do cumprimento de compromissos com o sistema em análise (sim/não)
o o o o o

123 123 123 23 123 123 123

Fauna

Cadeia trófica Alteração de habitats

23 123 123

Ar

Status

Áreas únicas

Áreas de proteção

123

1

Sistemas agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas silvipastoris. Terminologia sugerida por DANIEL et al. (1999b).

48

O Quadro 3 apresenta a quantificação dos indicadores listados no Quadro 2, onde se observa que foram encontrados 57 indicadores biofísicos de sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os sistemas que apresentam o componente animal e 45 para os sistemas que apresentam apenas os componentes agrícola e florestal. A utilização de atividade de criação de animais no sistema agroflorestal resultou no acréscimo de 12 indicadores. Este incremento para os sistemas com componente pastoril se deve ao aumento da complexidade das relações ecológicas entre os componentes e à necessidade de monitorá-las, pois, nestes casos, dos 12 indicadores a mais, dez estão especificamente correlacionados com o elemento fauna. Embora os valores obtidos sejam bastante reduzidos em relação aos originais de DANIEL et al. (1999a), ainda superam em muito as sugestões de outros autores. TORQUEBIAU (1989) obteve 24 indicadores, enquanto CAMINO V. e MÜLLER (1993) recomendam entre 6 e 8.

Quadro 3 - Quantificação dos indicadores biofísicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais (SAF)
No de Indicadores por SAF Sistemas Sistemas Sistemas AgrissilviculAgrissilvipasSilvipastoris turais toris 2 2 2 7 7 7 8 9 9 2 11 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 22 32 32 15 15 15 2 3 3 17 18 18 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 6 7 7 45 57 57 No de Indicadores por Elemento 2 7 9 11 1 1 1 32 15 3 18 1 1 1 2 1 1 7 57

Categoria

Elementos

Água Solo Flora Fauna Recursos endógenos Ar Energia Áreas únicas Subtotal Manejo técnico Operação do sistema endógeno Rendimento técnico Subtotal Água Solo Flora Recursos exógenos Fauna Ar Áreas únicas Subtotal Total

49

Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificouse que 56,1, 31,6 e 12,3% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos endógenos, operação do sistema e recursos exógenos. O maior peso dos recursos endógenos já era esperado, tendo em vista ser esta categoria a base dos recursos disponíveis para a produção do sistema. Ao comparar a categoria recursos endógenos com o número total dos indicadores, verifica-se que ela representa 56,1% dos indicadores obtidos e que a maioria está relacionada com os elementos fauna (19,3%), flora (15,8%) e solo (12,3%), o que é natural, tendo em vista que estes são importantes representantes do compartimento ambiental em qualquer ecossistema. Fazendo o mesmo tipo de comparação com a categoria operação do sistema, tem-se que o elemento manejo técnico comportou 26,3% do total de indicadores, enquanto para o rendimento técnico a proporção foi de 5,3%. Com relação à comparação dessa categoria com o total (31,6%), já era esperado que ela não superasse a categoria recursos endógenos (56,1%), pois estes caracterizam o próprio sistema de produção e são a fonte de todas as influências sobre os fatores biofísicos. Analisando os números dentro da categoria operação do sistema, concluise pela superioridade dos indicadores para manejo técnico (83,3%), em relação ao rendimento técnico (16,7%), já que o rendimento é apenas a conseqüência do manejo (DANIEL et al., 1999a). A categoria recursos exógenos apresentou poucos indicadores, em função de sua menor intensidade, porém, sua atuação não é menos importante no sistema endógeno, devendo-se ressaltar que todos os elementos tiveram praticamente o mesmo número de indicadores. No Quadro 4, encontra-se o número de indicadores resultantes, distribuídos por SAF e por modo de avaliação dos indicadores. Embora extensa, se comparada às recomendações dos autores citados, a quantidade de indicadores constantes no Quadro 3 não é exaustiva, e também não inclui altos custos no processo de avaliação, pois a maioria deles é obtida por meio de avaliação direta, sejam eles por simples respostas (sim/não), como é o caso do "terraceamento", ou por observação direta, como o "número total de componentes". 50

Quadro 4 - Quantidade de indicadores biofísicos distribuídos por sistema e por modo de avaliação
Sistemas Agrissilviculturais 23 13 6 3 45 Agrissilvipastoris 25 22 6 4 57 Silvipastoris 25 22 6 4 57

Modo de avaliação dos indicadores Verificação direta Laboratório Resposta binária (sim/não) Observação direta Instrumental Campo Total

Dos indicadores que necessitam de alguma análise laboratorial, apenas seis deles exigem o uso de instrumentos e, normalmente, dependem de alguma estrutura mais sofisticada. No entanto, três deles encontram-se relacionados com o elemento "solo", e, destes, dois fazem parte das análises de rotina dos laboratórios pertinentes (ind. no de 5 a 7) e um depende apenas de rápida avaliação LQ ORFR (ind. no 7). Os três restantes, pertencentes ao elemento "água", também podem ser analisados em laboratórios que operam com análises de água ou análises químicas em geral, facilmente localizados e com rotinas já definidas. Os resultados demonstram que é possível utilizar uma relação de indicadores que seja abrangente e de rápida aplicação, viável para representar a sustentabilidade de um sistema, sem que se torne exaustiva e onerosa. Pode-se, também, observar que os SAF que não apresentam o componente pastoril são mais fáceis e menos dispendiosos de ser monitorados, por necessitarem de menos indicadores para avaliar a sustentabilidade ambiental.  &21&/86®(6

Neste trabalho, concluiu-se que: a categoria recursos endógenos comportou o maior número de indicadores no componente biofísico; a maior concentração de indicadores sugeridos na categoria recursos endógenos se deu 51

nos elementos fauna, flora e solo; o elemento manejo técnico apresentou maior abundância de indicadores na categoria operação do sistema; todos os elementos da categoria recursos exógenos apresentaram praticamente o mesmo número de indicadores; o componente animal dos sistemas agroflorestais é visto como gerador da necessidade de acréscimo na quantidade de indicadores; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de observações diretas, e apenas uma minoria necessita de análises laboratoriais; a maioria dos indicadores sugeridos é de aplicação rápida e pouco onerosa; os sistemas agroflorestais sem o componente animal são mais fáceis e menos onerosos de ser monitorados.  5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6 ALTIERI, M.A. ¿Por que estudiar la agricultura tradicional? $JURHFRORJtD \ 'HVDUUROOR, Santiago, v.1, n.1, p.16-24, 1991. ANDERSON, L.S., SINCLAIR, F.L. Ecological interactions in agroforestry systems. )RUHVWU\ $EVWUDFWV, Wallingford, v.54, n.6, p.489-523, 1993. BARTUSKA, T.J., KAZIMEE, B.A., OWEN, M.S. Defining sustainability. In: &RPPXQLW\ VXVWDLQDELOLW\: a comprehensive urban regenerative process/a proposal for Pullman Washington, USA. Washington: School of Architecture/Washington State University, 1998. não paginado. BENSIMÓN, C.L. Analisis de sostenibilidad de un plan de manejo forestal: caso Palcazu, Peru. 5HYLVWD )RUHVWDO GHO 3HUX, Lima, v.18, n.2, p.83-99, 1991. BERTOLLO, P. Assessing ecosystem health in governed landscapes: a framework for developing core indicators. (FRV\VWHP +HDOWK, v.4, n.1, p.3351, 1998. CAMINO V., R., MÜLLER, S. 6RVWHQLELOLGDG GH OD DJULFXOWXUD \ ORV UHFXUVRV QDWXUDOHV EDVHV SDUD HVWDEOHFHU LQGLFDGRUHV. San José: Instituto Interamericano de Cooperación para la Agricultura/Projeto IICA/GTZ, 1993. 134p. (Serie Documentos de Programas/IICA, 38) COUTO, L. O estado da arte de sistemas agroflorestais no Brasil. In: CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, 6, 1990, Campos do Jordão. $QDLV Campos do Jordão: SBS/SBEF, 1990. p.94-98.

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54

6867(17$%,/,'$'( (0 6,67(0$6 $*52)/25(67$,6 ,1',&$'25(6 62&,2(&21Ð0,&26 RESUMO - É ampla a discussão que envolve a importância do enquadramento das atividades de produção em geral ao conceito de desenvolvimento sustentável. Dentre as atividades agropecuárias, os sistemas agroflorestais (SAF) têm sido considerados como sustentáveis, apresentando-se como alternativas aos sistemas intensivos de produção. Para monitorar a sustentabilidade de atividades agropecuárias em geral, incluindo os SAF, diferentes autores enfatizam os indicadores biofísicos, em detrimento dos socioeconômicos. Com o objetivo de definir um rol de indicadores socioeconômicos adaptáveis aos diversos modelos de SAF, desenvolveu-se um estudo consolidado por recomendações de especialistas e ampla revisão de literatura. Portanto, concluiu-se que: as categorias relacionadas com a operação dos sistemas comportaram o maior número de indicadores no componente socioeconômico, com maior concentração nas operações endógenas ao sistema, seguidas de longe pelos recursos endógenos e exógenos; o maior número de indicadores sugeridos na categoria operação do sistema se deu nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento básico e análise econômica; na categoria operação de sistemas exógenos, determinou-se o maior número de indicadores para os descritores comercialização e infra-estrutura rural; e, praticamente, não houve diferença entre o número de indicadores obtidos para os sistemas agroflorestais com e sem o componente animal. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade, indicadores socioeconômicos e sistemas agroflorestais.

6867$,1$%,/,7< ,1 $*52)25(675< 6<67(06 62&,2 (&2120,&$/ ,1',&$7256 ABSTRACT - Is wide the discussion involving the importance of the adjustment of the production activities in general, to the concept of sustainable development. Among the agricultural activities, the agroforestry systems have been considered 55

as sustainable, coming as alternatives to the intensive systems of production. To monitor the sustainability of agricultural activities, including AF, differents authors emphasizes the biophysical indicators, in detriment of the socioeconomical indicators. Seeking to define defining a list of socio-economical indicators that can be adapted to the several models of AF a study was developed, consolidated by specialists recommendations and wide literature review. The conclusions were: the categorie operation of the systems had the largest number of indicators in the component socioeconômico, with larger concentration in the endogenous operations of the system, followed for a long distance by the endogenous and exogenous resources; the largest number of indicators suggested in the category operation of the system meets in the descritores health and nutrition, employments, habitation and sanity and economic analysis; in the category operation of exogenous systems, they were certain larger number of indicators for the descriptors commercialization and rural infrastructure; practically there was not difference among the number of indicators obtained for the agroforestry systems agroflorestais with and without the animal component. Key words: Sustainable development, sustainability indicators, socio-economical indicators, agroforestry systems. 

,1752'8d­2

Dentre as inúmeras definições de sustentabilidade encontradas na literatura especializada (LIVERMAN et al., 1988; BRKLACICH et al., 1991; DOVERS e HANDMER, 1993; MOORE e JOHNSON, 1994; BARTUSKA et al., 1998), a de Conway (1986), citado por FAETH (1994), é suficiente para a interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações".

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Assim, para manter a sustentabilidade de um sistema, quando este sofre alterações na sua base de recursos, são necessários mudanças de atitudes e o direcionamento de ações por parte das gerações atuais, com a finalidade de suprir, em nível razoável, as necessidades das gerações futuras. Este pensamento está implícito no conceito de desenvolvimento sustentável emitido por WCED (1987), podendo-se concluir, então, que este tipo de desenvolvimento é aquele capaz de promover a sustentabilidade (IWLA, 1997). Tanto as definições de sustentabilidade quanto de desenvolvimento sustentável estão baseadas em relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS, 1985; SENANAYAKE, 1991; SAP, 1997). Outras definições de desenvolvimento sustentável foram elaboradas e publicadas por Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998), as quais, de modo geral, pregam a integração e a eqüidade inter e intrageracional. Sustentabilidade, portanto, é um conceito que pode ser aplicado a qualquer atividade desenvolvida pelo homem, e sua avaliação recebe diferentes enfoques, dependendo do nível de estudo e do ambiente em questão, se urbano (LINARES e SELIGMAN, 1992) ou rural. Especificamente relacionado com a agricultura, que é o principal suporte da sustentabilidade, pode-se classificar seu ambiente nos seguintes níveis: global, nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de sistema de produção (CAMINO V. e MÜLLER, 1993), sendo este último também denominado agroecossistema (ALTIERI, 1987). As diferentes práticas agrícolas atuais abrangem desde os modelos alternativos, como agricultura orgânica, biodinâmica, biológica, natural e outras, consideradas sustentáveis (PASCHOAL, 1995), até os modelos intensivos de produção, que comportam inúmeras externalidades negativas, contrastando com o sucesso na produtividade e no suprimento de alimentos para a humanidade (SHIKI, 1995). Dentre os modelos alternativos, ou tecnologias agroecológicas sustentáveis, destacam-se os sistemas agroflorestais. Estas tecnologias são capazes de criar agroecossistemas produtivos menos dependentes de recursos externos a eles (KAIMOWITZ, 1996) e estão baseadas em princípios e processos 57

que satisfazem requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991), combinando tanto elementos do conhecimento tradicional, quanto da ciência moderna (ALTIERI, 1991). Os muitos requisitos da sustentabilidade, preenchidos pelos sistemas agroflorestais, estão em função da inclusão de árvores no sistema de produção; do uso de recursos existentes; do uso de práticas de manejo que otimizam a produção combinada; e da geração de numerosos serviços (TORQUEBIAU, 1989). No entanto, embora os sistemas agroflorestais apresentem vantagens que superam suas desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995), estas últimas têm gerado dificuldades na adoção desta tecnologia, como é o caso de maior uso de mão-de-obra em alguns sistemas (CAVENESS e KURTZ, 1993), ou o insucesso na produção de madeira, em outros (CURRENT et al., 1996). Há necessidade, portanto, de dispor de metodologia para avaliar os níveis de sustentabilidade de sistemas agroflorestais, o que permite a identificação da sua verdadeira vocação como agroecossistemas sustentáveis. Um dos meios mais utilizados para atingir esta meta é o uso de indicadores biofísicos e socioeconômicos, que envolvem tanto o sistema em análise quanto outros, sejam agrícolas ou não (AVILA, 1989). Em nível de ecossistemas e agroecossistemas, a literatura relacionada à avaliação da sustentabilidade não dispõe de tantos trabalhos quanto nos níveis global, nacional, regional e de propriedade. A dificuldade é maior com relação aos compartimentos social e econômico, sendo a sustentabilidade ambiental a que conta com maior esforço de pesquisa, o que justifica ainda mais a elaboração de trabalhos desta natureza. Em concordância com o exposto, o objetivo deste estudo foi a produção de um amplo rol de indicadores socioeconômicos potenciais, que possam abranger os sistemas agrissilviculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris (terminologia proposta por DANIEL et al., 1999b) e, tanto quanto possível, ser adaptáveis às diversas estruturas de sistema de produção encontradas no campo.

58 

0$7(5,$/ ( 0e72'26

A metodologia utilizada para definição de indicadores de sustentabilidade para sistemas agroflorestais considerou apenas aqueles correspondentes aos componentes socioeconômicos, embora os mesmos procedimentos sejam aplicáveis também aos fatores biofísicos (DANIEL et al., 1999a). O trabalho foi baseado no roteiro proposto por CAMINO V. e MÜLLER (1993), para sistemas produtivos em geral (Figura 1). Segundo DE CAMINO e MÜLLER (1996), as fases desse roteiro, ou estrutura, para definição de indicadores de sustentabilidade podem ser assim descritas, com a complementar visão de outros autores: 1) 'HILQLomR GR VLVWHPD HP DQiOLVH: pode estar baseado em três níveis, segundo YURJEVIK (1996), ou seja, nas perspectivas global, nacional e regional ou local, podendo ser acrescentado o nível de propriedade, de sistemas na propriedade, de ecossistema e de sistema de produção, de acordo com CAMINO V. e MÜLLER (1993), dependendo dos interesses na avaliação.

Definição do sistema Identificação de categorias significativas Identificação de elementos significativos em cada categoria Identificação e seleção de descritores Definição e obtenção de indicadores Análise de indicadores Procedimentos de monitoramento
Figura 1 - Sugestão de estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade para sistemas em geral, segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993).

59

2) ,GHQWLILFDomR GH FDWHJRULDV VLJQLILFDWLYDV: uma categoria é um aspecto do sistema, o que deve ser significativo do ponto de vista da sustentabilidade. Segundo AVILA (1989), TORQUEBIAU (1989) e CAMINO V. e MÜLLER (1993), para qualquer sistema e em qualquer nível de organização ou agregação, podem ser utilizadas as seguintes categorias: a) UHFXUVRV HQGyJHQRV: é a base de recursos do sistema, e os indicadores desta categoria devem indicar se o sistema afeta ou melhora a base de recursos; b) RSHUDomR GR VLVWHPD: são as atividades necessárias à H[HTLELOLGDGH do sistema, e os indicadores desta categoria devem mostrar se o manejo e o seu desempenho são compatíveis com as exigências da sustentabilidade; c) UHFXUVRV H[yJHQRV: recursos de outros sistemas, de entrada ou saída, que podem ser afetados pelo sistema sob estudo; e d) RSHUDomR GRV VLVWHPDV H[yJHQRV: atividades exógenas necessárias à exeqüibilidade do sistema. 3) ,GHQWLILFDomR GH HOHPHQWRV VLJQLILFDWLYRV HP FDGD FDWHJRULD: um elemento é uma parte de uma categoria, significativa do ponto de vista da sustentabilidade. Exceto o elemento "energia", identificado na Figura 2 e que está sendo proposto neste trabalho, todos os elementos de recursos endógenos ou exógenos foram citados por AVILA (1989) e WEBER (1990), enquanto aqueles relacionados à operação dos sistemas foram propostos por AVILA (1989) e ampliados por CAMINO V. e MÜLLER (1993). 4) ,GHQWLILFDomR H VHOHomR GH GHVFULWRUHV'HILQLomR H REWHQomR GH LQGLFDGRUHV: a) 'HVFULWRUHV: descritores são características significativas de um elemento, os quais estão subordinados aos principais atributos de sustentabilidade de um sistema e ao seu nível de agregação. Assim, tais descritores podem ser diferentes mesmo entre sistemas similares. b) ,QGLFDGRUHV: indicador é uma medida do efeito da operação do sistema sobre o descritor TORQUEBIAU (1989). Isto significa que se um dado descritor recebeu influência positiva da operação do sistema, este tende a ser sustentável, e vice-versa. Para cada descritor relevante, deve-se definir pelo menos um indicador. 60

6LVWHPD &DWHJRULDV 5HFXUVRV HQGyJHQRV 2SHUDomR GR VLVWHPD Elementos -Água -Minerais -Solo -Luz -Flora -Fauna -Ar -Energia -Recursos culturais -Áreas únicas -Manejo técnico -Rendimento técnico -Manejo e rendimento socioeconômico -Água -Minerais -Solo -Luz -Flora -Fauna -Ar -Energia -Recursos culturais -Áreas únicas -Manejo técnico -Rendimento técnico -Manejo e rendimento socioeconômico 5HFXUVRV H[yJHQRV 2SHUDomR GH VLVWHPDV H[yJHQRV

Figura 2 - Sugestão de estrutura para definição de um grupo de indicadores de sustentabilidade para um sistema específico, modificado de CAMINO V. e MÜLLER (1993).

c) ,GHQWLILFDomR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV: o desenvolvimento do grupo de descritores e indicadores para sistemas agroflorestais foi baseado na estrutura metodológica demonstrada na Figura 3, que é auto-explicativa. Para facilitar a execução da fase 3 desta figura, aplicou-se a estrutura conceitual observada na Figura 4. 5) $QiOLVH GH LQGLFDGRUHV esta fase pode ser subdividida em: a) significado do indicador; b) o que, como, onde e quando medir; c) insumos QHFHVViULRV para o cálculo; d) limitações do indicador; e) valores limites do indicador; e f) apresentação e interpretação dos resultados. 6) 3URFHGLPHQWRV GH PRQLWRUDPHQWR: estes procedimentos podem ser descritos para cada indicador selecionado ou para todo o conjunto. No presente estudo executou-se a metodologia descrita, com algumas adaptações, procedendo-se da seguinte forma:

61

5HYLVmR WHyULFD UHODFLRQDGD DR VLVWHPD  Ecologia Meio ambiente  Sustentabilidade  Outros 

,GHQWLILFDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV SDUD R VLVWHPD HP HVWXGR  $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV  Diretrizes para os indicadores  Características do sistema (VWXGRV JHUDLV VREUH DV FDUDFWHUtVWLFDV GR VLVWHPD  Biofísicas Culturais  Sociais  Econômicas

'HILQLomR GH GLUHWUL]HV SDUD D VHOHomR GH LQGLFDGRUHV 

6HOHomR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV PDLV VLJQLILFDWLYRV

Figura 3 - Estrutura metodológica para o desenvolvimento de descritores e indicadores, modificada de BERTOLLO (1998).

Sistemas Agroflorestais Sistemas agroflorestais

Componentes socioeconômicos e culturais
Técnicos Saúde

Sistemas 

- Sistema agrissilvicultural, sistema agrissilvipastoril e sistema silvipastoril.

Figura 4 - Estrutura conceitual para o desenvolvimento de descritores e indicadores socioeconômicos, modificada de BERTOLLO (1998).

a) Os itens 1 e 2 foram executados integralmente, e no item 3 foram trabalhados apenas os elementos: recursos culturais; manejo e rendimento socioeconômico (Figura 2). Os outros elementos, que envolvem o compartimento biofísico, foram tratados separadamente por DANIEL et al. (1999a).

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Políticos e institucionais

Sociais e culturais Econômicos e comerciais

DESCRITORES/ INDICADORES

b) O passo 4 é o mais importante neste trabalho, pois é ele que concentra a maioria das operações (Figura 3) para definição dos indicadores, assim detalhadas: i) (QIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV: monitorar o desempenho dos fatores sociais e econômicos, possibilitando intervenções para a elevação dos níveis de sustentabilidade socioeconômica. Para chegar à conclusão de que isto seria possível, foi realizada ampla revisão de literatura, considerando todos os aspectos dos sistemas agroflorestais e as possibilidades de monitoramento dos indicadores. ii) $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV: nesta fase de geração do maior número possível de indicadores, foram consideradas as peculiaridades dos sistemas agroflorestais, principalmente levando em conta os componentes do sistema, ou seja, animais, culturas agrícolas e florestais, e a sua composição no tempo e no espaço. Também, foram definidas as diretrizes a partir das quais foram selecionados os indicadores de sustentabilidade socioeconômica, tendo como base BERTOLLO (1998), que realizou uma significativa revisão sobre o tema, resultando nas seguintes características essenciais para escolha de um indicador: relevante para os objetivos e as metas do problema; relevante para a orientação e o planejamento global do projeto/pesquisa; relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da área em questão; capaz de fornecer um quadro representativo das condições, em função de sua correlação com outros parâmetros do sistema; apropriado para a escala espacial da área em consideração; sensível às alterações temporais e espaciais; cientificamente confiável; mensurável e de aplicação prática; apoiado por dados de alta qualidade; relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social ou econômica; orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e dos envolvidos diretamente; claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão; relevante para os propósitos dos administradores ambientais. Um potencial indicador foi selecionado para

63

participar da relação final desde que se relacionasse com pelo menos uma das diretrizes citadas. iii) 6HOHomR GR JUXSR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV PDLV VLJQLILFDWLYRV, que foi subdividida em duas fases: 1. 5HYLVmR GH OLWHUDWXUD: foram localizados descritores e indicadores significativos relacionados ao tema, o que permitiu uma primeira aproximação dos resultados, com auxílio da parte correspondente aos componentes socioeconômicos, na estrutura conceitual indicada na Figura 4; e 2. &RQVXOWD D HVSHFLDOLVWDV: uma equipe de sete pessoas ligadas a sistemas agroflorestais e meio ambiente tiver a oportunidade de revisar e ampliar a lista de descritores e indicadores gerados a partir da revisão de literatura. Na seleção deste grupo, foram realizadas visitas a três sistemas agroflorestais em desenvolvimento, visando registrar impressões a respeito das características que poderiam se enquadrar nas diretrizes citadas no item (b-ii), ou que seriam úteis na definição dos indicadores mais significativos.  5(68/7$'26 ( ',6&866­2

Como resultado principal da aplicação da metodologia proposta, obtiveram-se os indicadores listados no Quadro 1. Considerando as recomendações de CAMINO V. e MÜLLER (1993), de que o número de indicadores não deve ser exaustivo e eles devem referir-se apenas às categorias e aos elementos mais significativos, os resultados apresentam-se muito amplos. No entanto, este número elevado de indicadores engloba grande parte do que é possível avaliar em termos de sustentabilidade de sistemas agroflorestais. Sobre este rol, o usuário tem a oportunidade de escolher apenas alguns itens que, segundo critérios específicos, determinados de acordo com suas próprias necessidades, sejam suficientes para a avaliação da sustentabilidade de um dado empreendimento agroflorestal. Embora extensa, a quantidade de resultados constantes no 64

Quadro 1 não representa a totalidade da matriz de indicadores, posto que esta é inimaginável física e operacionalmente (CAMINO V. e MÜLLER, 1993). Em uma outra fase do desenvolvimento de indicadores socioeconômicos para sistemas agroflorestais, deverão ser acrescentadas novas diretrizes ou critérios, para selecionar um número mínimo essencial. Segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993), que trataram de sistemas genéricos, a quantidade ideal de indicadores de sustentabilidade encontra-se entre 6 e 8, porém, TORQUEBIAU (1989), que trabalhou com sustentabilidade para pomares domésticos (KRPHJDUGHQV), obteve 24 indicadores. Nota-se, no Quadro 1, que não constaram deste trabalho indicadores pertencentes ao elementos água, minerais, solo, flora, fauna, ar, energia, áreas únicas, manejo técnico e rendimento técnico, os quais foram motivo de um estudo específico, no qual foram tratados os indicadores biofísicos

(DANIEL et al., 1999a). É importante ressaltar que, com os indicadores socioeconômicos, foram utilizadas as quatro categorias constantes na Figura 2, o que não ocorreu com os indicadores biofísicos de DANIEL et al. (1999a). Enquanto naquele caso os autores justificaram que a operação de sistemas exógenos poderia ser suprimida da análise, para este trabalho o uso desta categoria foi viável, tendo em vista as características intrínsecas da sustentabilidade socioeconômica, pois esta apresenta íntimo relacionamento externo, como a comercialização e infraestrutura rural. No Quadro 2, observa-se que foram encontrados 65 indicadores socioeconômicos de sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os sistemas que apresentam o componente animal, e 63 para os sistemas que apresentam apenas os componentes agrícola e florestal. A utilização de atividade de criação de animais no sistema agroflorestal resultou no acréscimo de apenas dois indicadores. Foi pequeno o incremento de indicadores socieconômicos para os sistemas agrissilvipastoris e para os silvipastoris, em relação aos sistemas que não possuem o componente animal. Este baixo incremento justifica-se pelo fato 65

Quadro 1 - Conjunto de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais
Categoria Recursos endógenos Elemento Recursos culturais Descritor Patrimônio arqueológico Indicador Implantação do projeto em área contendo sítio ou vestígios arqueológicos (sim/não) Preservação das áreas arqueológicas (sim/não) Exposição do material arqueológico à visitação pública (no de visitantes por ano) Preservação de templos, cemitérios ou outras áreas consideradas sagradas (sim/não) Ocorrências médicas anuais - proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema Ocorrências anuais de intoxicação por agrotóxicos proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema (%) Pessoas com características de desnutrição - proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema Número de refeições diárias das pessoas ligadas ao sistema Os produtores aceitaram bem o sistema e pretendem manter-se na atividade (sim/não) Transformação dos produtos para comercialização (sim/não) Quantidade total de produtos animais extraídos em t.ha-1 Quantidade total de madeira extraída em m3.ha-1 Quantidade total depro dutos alimentares extraídos em t.ha-1 Existência de um eficiente sistema de administração, compatível com o nível de atividade do sistema (sim/não) Os produtores acreditam que recebem os mesmos benefícios que receberiam de outra atividade agropecuária tradicional na região (sim/não) Redução de insumos externos (agrotóxicos, fertilizantes, produtos veterinários, sementes, embalagens, ...), comparando-se com sistemas alternativos tradicionais (sim/não) No médio de postos de trabalho oferecidos anualmente No médio de postos de trabalho fixos durante todo o ano Os direitos previdenciários são garantidos (sim/não) Salário mensal médio dos trabalhadores diretamente ligados ao campo (exceto técnicos) As base da mão-de-obra é familiar (sim/não) Proporção entre sexos na mão-de-obra, ou seja, a relação entre o no de trabalhadores do sexo feminino e masculino Proporção da mão-de-obra infantil e juvenil, ou seja, a relação entre o no de trabalhadores infantis e juvenis (até 14 anos) e os trabalhadores de mais idade Acesso à educação das pessoas interessadas e dependentes do sistema (sim/não) No de analfabetos dependentes do sistema Proporção entre o no de crianças de até 14 anos fora da escola e o no delas na escola No de trabalhadores que habitam em construções de alvenaria No de trabalhadores que habitam em construções de madeira serrada No de trabalhadores que habitam em construções rústicas No de trabalhadores que habitam em residências abastecidas com energia elétrica SAF 123 123 123 123 123 123

Patrimônio religioso Operação do sistema Manejo e rendimento socioeconômico Saúde e nutrição

123 123 123 123 23 123 12 123

Aceitabilidade Agregação de valor Produtividade dos componentes animais Produtividade dos componentes vegetais Administração

Eqüidade

123

Economia de recursos

123

Empregos

123 123 123 123 123 123

123

Educação

123 123 123 123 123 123 123

Habitação e saneamento básico

Continua... 66

Quadro 1, Cont.
Categoria Elemento Descritor Indicador Proporção de residências aparelhadas com fossas sépticas e ligadas a sistema de esgotos Proporção de residências com abastecimento de água proveniente de fonte de boa qualidade, ou seja, tratada, de mananciais não poluídos ou de poços tecnicamente construídos Os produtores são proprietários (sim/não) Os produtores são parceiros (sim/não) Os produtores são arrendatários (sim/não) Valor presente líquido (VPL) Taxa interna de retorno (TIR) Razão benefício/custo (B/C) Período de reembolso (no de anos para que os benefícios excedam os custos) Valor médio da jornada de trabalho Trabalho investido para o componente arbóreo (no de diárias utilizadas em ha por ano) Capital investido para o componente arbóreo (ha por ano) Retorno do trabalho (razão entre o valor dos produtos obtidos e o número de jornadas de trabalho consumidas no empreendimento, em valor por dia) A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio arqueológico dos sistemas exógenos envolvidos (sim/não) A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio religioso dos sistemas exógenos envolvidos (sim/não) Participação das pessoas em eventos culturais importantes para elas, fora da sua circunvizinhança (sim/não) Freqüência média familiar de participação em eventos culturais Disponibilidade para livre visitação a outras pessoas, e vice-versa (sim/não) Há mercado para os produtos do sistema (sim/não) A comercialização é direta ao consumidor (sim/não) O mercado para os produtos é local (sim/não) O mercado para os produtos é regional (sim/não) O mercado para os produtos é internacional (sim/não) Relação entre a quantidade de produtos comercializados por meio do sistema de escambo e o sistema monetário Valorização dos produtos em função de terem origem em um sistema dito sustentável (sim/não) Produção, transformação e comercialização cooperadas (sim/não) Uso de técnicas de divulgação dos produtos do sistema (sim/não) Existem linhas de crédito específicas para os SAF (sim/não) Inexistência de linhas de crédito específicas mas as agências de crédito financiam os SAF (sim/não) Proporção entre contrapartida financeira e créditos obtidos em agências Há disponibilidade de crédito para produtores não proprietários (sim/não) Existência de infra-estrutura de armazenamento acessível e suficiente, dentro do sistema ou à sua disposição (sim/não) Acesso a entrepostos comerciais (sim/não) Existência de infra-estrutura de abate dos animais produzidos, acessível e suficiente, dentro do sistema ou à sua disposição (sim/não) As estradas de acesso à propriedade e ao sistema são transitáveis durante todo o ano (sim/não) SAF 123 123

Relações de propriedade

Análise econômica:

123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123

Recursos exógenos

Recursos culturais

Patrimônio arqueológico

123

Patrimônio religioso Viabilidade cultural

123 123

123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123 123

Operação de sistemas exógenos

Manejo e rendimento socioeconômico

Comercialização

Agregação de valor

Disponibilidade de crédito

Infra-estrutura rural

123 23

123

1

Sistemas Agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas silvipastoris.

67

Quadro 2 - Quantificação dos indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais (SAF)
No de Indicadores por SAF Categoria Elementos Sistemas Agrissilviculturais 4 38 5 16 63

No de Sistemas Indicadores Sistemas AgrissilvipasSilvipastoris por Elemento toris 4 39 5 17 65 4 38 5 17 64 4 39 5 17 65

Recursos endógenos Operação do sistema Recursos exógenos Operação de sistemas exógenos

Recursos culturais Manejo e rendimento socioeconômico Recursos culturais Manejo e rendimento socioeconômico Total

de os descritores para o compartimento socioeconômico da sustentabilidade, pela sua própria natureza, relacionarem-se com qualquer SAF, independente de sua estrutura. Os dois indicadores a menos foram: quantidade anual de produtos animais extraídos e existência de infra-estrutura de abate. Estes, pertencentes aos descritores produtividade dos componentes animais e infra-estrutura rural, respectivamente, são muito específicos da atividade de criação. Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificouse que 6,2, 60,0, 7,7 e 26,1% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos endógenos, operação do sistema, recursos exógenos e operação dos sistemas exógenos. O menor peso referente aos recursos, sejam eles endógenos ou exógenos, já era esperado, pois esta categoria conta com o elemento recursos culturais, que em geral são poucos, comparados com a necessidade de rendimento do sistema. O maior número de indicadores nas categorias operação dos sistemas, sejam estas endógenas (60,0%) ou exógenas (26,1%), também já era previsto, uma vez que os indicadores sociais e econômicos estão bastante relacionados com os

68

elementos que compõem estas categorias, e menos com as categorias de recursos. Tais elementos possuem descritores extremamente específicos, como a saúde e nutrição, a agregação de valor, a produtividade, a administração e outros relacionados no Quadro 1. Mas enquanto nos indicadores biofísicos, conforme observado por DANIEL et al. (1999a), há dificuldades de determinar aqueles relacionados à operação dos sistemas exógenos, para os indicadores socioeconômicos a sua representação atingiu 26,1%. Tal fato é explicado por meio do conjunto de descritores obtidos nesta categoria (Quadro 1), os quais são formados pela comercialização, agregação de valor, disponibilidade de crédito e pela infraestrutura rural disponível. Estes descritores e seus indicadores, em sua maioria, são específicos de sistemas externos ao sistema sob análise ou até mesmo à propriedade e não podem ser subestimados em uma avaliação de sustentabilidade socioeconômica. No trabalho pioneiro de TORQUEBIAU (1989), que estudou a sustentabilidade para um sistema agroflorestal específico, os pomares domésticos (KRPHJDUGHQV), foi identificado que a maior concentração de indicadores também foi determinada para a categoria operação do sistema, com 77,8%, e o restante deles para a operação de sistemas exógenos (22,2%). É importante ressaltar que os números citados não refletem o peso dos indicadores obtidos sobre a sustentabilidade do sistema, pois neste trabalho os objetivos foram a obtenção e a divulgação de um amplo rol de indicadores socioeconômicos, com condições para ser aplicados em qualquer composição agroflorestal, dando suporte aos tomadores de decisão quando da implantação do monitoramento ambiental. Para uma fase mais detalhada, deve-se trabalhar na geração de um número mínimo de indicadores significativos (conforme recomendam

DE CAMINO e MÜLLER, 1996) para os sistemas agrissilviculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris, o que não impedirá que os profissionais envolvidos na área de monitoramento socioeconômico de atividades agroflorestais disponham do rol aqui apresentado (Quadro 1), e que com seus conhecimentos técnicos 69

natos possam selecionar e até mesmo incluir aqueles indicadores que melhor se adaptem às suas condições específicas de monitoramento.  &21&/86®(6

Pelos resultados obtidos, concluiu-se que: a categoria operação dos sistemas comporta o maior número de indicadores no componente socioeconômico, com maior concentração nas operações endógenas ao sistema, seguidas de longe pelos recursos endógenos e exógenos; o maior número de indicadores sugeridos na categoria operação do sistema encontra-se nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento básico e análise econômica; na categoria operação de sistemas exógenos, foi determinado o maior número de indicadores para os descritores comercialização e infra-estrutura rural; e praticamente não houve diferença entre o número de indicadores obtidos para os sistemas agroflorestais, com e sem o componente animal.  5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6 ALTIERI, M.A. $JURHFRORJ\: the scientific basis of alternative agriculture. Boulder: Westview Press, 1987. 285p. ALTIERI, M.A. ¿Por que estudiar la agricultura tradicional? $JURHFRORJtD \ 'HVDUUROOR, Santiago, v.1, n.1, p.16-24, 1991. ANDERSON, L.S., SINCLAIR, F.L. Ecological interactions in agroforestry systems. )RUHVWU\ $EVWUDFWV, Wallingford, v.54, n.6, p.489-523, 1993. AVILA, M. Sustainability and agroforestry. In: HUXLEY, P.A. (Ed.). 9LHZSRLQWV DQG LVVXHV RQ DJURIRUHVWU\ DQG VXVWDLQDELOLW\. Nairobi, Kenya: ICRAF, 1989. 9p. paginação irregular. BARTUSKA, T.J., KAZIMEE, B.A., OWEN, M.S. Defining sustainability. In: &RPPXQLW\ VXVWDLQDELOLW\: a comprehensive urban regenerative process/a proposal for Pullman Washington, USA. Washington: School of Architecture/Washington State University, 1998. não-paginado.

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73

3523267$ '( 80 &21-8172 0Ë1,02 '( ,1',&$'25(6 62&,2(&21Ð0,&26 3$5$ 2 021,725$0(172 '$ 6867(17$%,/,'$'( (0 6,67(0$6 $*52)/25(67$,6 RESUMO - Embora os sistemas agroflorestais sejam considerados sustentáveis e, portanto, tidos como alternativas aos sistemas de produção intensivos, a escassez de trabalhos que consideram a avaliação da sustentabilidade desses sistemas permite que sejam geradas controvérsias a este respeito. Tomando como base uma lista de indicadores já existentes na literatura, foram propostos alguns critérios de seleção, visando obter um conjunto mínimo de indicadores que possam atender à demanda de monitoramento da sustentabilidade socioeconômica de sistemas agroflorestais em geral. As principais conclusões obtidas foram: a categoria operação do sistema comportou o maior número de indicadores; a maior concentração de indicadores sugeridos nesta categoria encontrou-se nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento, análise econômica, comercialização e infra-estrutura rural; a avaliação da sustentabilidade socioeconômica baseada nos indicadores propostos valoriza o aspecto de eqüidade intrageracional; a inclusão de descritores relacionados à operação de sistemas exógenos é essencial para avaliar a sustentabilidade de um sistema; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de observações diretas e de entrevistas, e apenas uma minoria necessita de cálculos mais detalhados ou de histórico preciso; e a maioria dos indicadores sugeridos é de aplicação rápida e pouco onerosa. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e sistemas agroflorestais. 352326$/ 2) $ 0,1,080 6(7 2) 62&,2(&2120,&$/ ,1',&$7256 )25 021,725,1* 7+( 6867$,1$%,/,7< ,1 $*52)25(675< 6<67(06 ABSTRACT - The agroforestry systems are considered sustainable and because this are had as alternative to the intensive production systems. However, there are controversies regarding this affirmative one, what becomes worse with the 74

shortage of works that consider the evaluation of the sustainability of these systems. Being taken as base a list of indicators already existent in the literature, intended some selection approaches, with the objective of proposing a minimum set of indicators that for assist the demand of monitoring of the socio-economical sustainability of agroforestry systems in general. The main conclusions were: the category operation of the system behaved the largest number of indicators; the largest concentration of indicators obtained in this category met in the descritores health and nutrition, employments, habitation and sanitation, economic analysis, commercialization and rural infrastructure; the evaluation of socio-economical sustainability based on the proposed indicators values the aspect of justness intragenerational; the descriptors inclusion related to the operation of exogenous systems is essential to evaluate the sustainability of a system; most of the suggested indicators just depends on direct observations and interviews, and a minority just needs more detailed calculations or of accurate historical; most of the suggested indicators is of fast and not very onerous application. Key words: Sustainable development, sustainability indicators, agroforestry systems. 

,1752'8d­2

Dentre as inúmeras definições de sustentabilidade, cujas referências podem ser encontradas em DANIEL (1999) e DANIEL et al. (1999a), a de Conway (1986), citado por FAETH (1994), é adaptável a diversas situações: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações". FRANKLIN (1995) é mais específico e deixa claro que esta produtividade está relacionada a bens e serviços, produzidos perpetuamente. No desenvolvimento sustentável, três fatores resumem a capacidade de um sistema ser sustentável: o econômico, o social e o ambiental (BENSIMÓN, 1991; SAP, 1997). Essa capacidade de ser sustentável é o que se denomina 75

sustentabilidade, e pode ser avaliada em qualquer atividade humana, estando sempre relacionada ao ambiente em estudo, seja urbano ou rural. Especificamente na agricultura, a sustentabilidade pode ser avaliada nos níveis global, nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de agroecossistema (CAMINO V. e MÜLLER, 1993). Embora nas atividades de produção primária haja muita polêmica sobre o que é sustentável ou não, de modo geral, consideram-se não-sustentáveis os modelos intensivos de produção, consumidores de grandes quantidades de insumos não-renováveis ou poluentes do meio ambiente e exigentes em operações de preparo do solo e maquinaria. Como alternativa, dispõe-se dos sistemas agroflorestais (SAF), os quais são considerados tecnologias sustentáveis. Essa tecnologia, dentre outras, segundo KAIMOWITZ (1996), gera um agroecossistema produtivo menos dependente de recursos externos, além de satisfazer requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991). Segundo TORQUEBIAU (1989), o atendimento de muitos destes requisitos ocorre em função do uso de recursos endógenos e de práticas de manejo que otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços. Vários autores, ao fazerem paralelos entre os SAF e os sistemas agrícolas tradicionais, citam que as suas vantagens superam as desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995). Entretanto, há controvérsias quanto às afirmações de que os SAF, em geral, sejam realmente sustentáveis (MacDICKEN e VERGARA, 1990). Estes autores citam outras fontes, que afirmam que nem todas as combinações de árvores e cultivos agrícolas ou animais alcançam os objetivos da sustentabilidade, do incremento na produção e dos benefícios para a pobreza rural. Tal fato induz à necessidade de dispor de procedimentos metodológicos para avaliar os níveis de sustentabilidade dos sistemas agroflorestais. O uso de indicadores biofísicos (DANIEL et al., 1999a) e socioeconômicos (DANIEL 1999) é atualmente a metodologia mais utilizada para avaliar a sustentabilidade de sistemas de produção em geral, pois fornece um simples 76

meio de explicá-la e de aumentar a consciência pública para a necessidade de mudanças de comportamento diante do desenvolvimento (HART, 1995). Portanto, desenvolveu-se este estudo, cujo objetivo foi a seleção de um grupo mínimo de indicadores socioeconômicos que possam ser úteis na avaliação e no monitoramento da sustentabilidade de sistemas agroflorestais  0$7(5,$/ ( 0e72'26

Neste trabalho, a metodologia utilizada para a definição de indicadores de sustentabilidade para SAF considera o componente socioeconômico. Para aplicação da proposta, foram utilizados os indicadores genéricos para SAF, citados por DANIEL (1999). Este autor listou 65 indicadores, visando oferecer ampla possibilidade de adaptação desses indicadores às diversas variações de SAF atualmente existentes. De modo a atender ao objetivo deste trabalho, que é a geração de um conjunto mínimo de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para SAF, foram aplicados à lista de indicadores de DANIEL (1999) os critérios de seleção listados e explicitados no Quadro 1. As características de 1 a 13 já foram aplicadas por DANIEL (1999), para selecionar os 65 indicadores citados em seu trabalho. Tais características, com algumas modificações, foram extraídas de BERTOLLO (1998). Para redução dos indicadores listados por DANIEL (1999), foram acrescentadas as características de 14 a 19, tendo como balizamento uma 20a característica, que foi a manutenção de no mínimo um indicador para cada descritor definido pelo autor. A 20a característica não consta do Quadro 1, porque foi considerada específica para este trabalho, ou seja, como estes critérios e características fazem parte de uma proposta aberta de critérios de seleção de indicadores de sustentabilidade para qualquer sistema, outros usuários poderão desejar excluir algum descritor. Assim, a retirada desta última característica confere flexibilidade à proposta.

77

Quadro 1 - Características e critérios de indicadores de sustentabilidade para sistemas em geral
Critérios de Seleção Previsibilidade ou tendência X X X

Qualidade dos dados

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Relevante para os objetivos e metas do problema Relevante para a orientação e o planejamento global do projeto/pesquisa

X X

Relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da X área em questão Fornecer um quadro representativo das condições, devido à sua correlação com outros parâmetros do sistema Apropriado para a escala espacial da área em consideração Sensível a pequenas alterações temporais e espaciais Cientificamente confiável Mensurável e de aplicação prática Apoiado por dados de alta qualidade Relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social ou econômica Orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e dos envolvidos diretamente Claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão Relevante aos propósitos dos administradores ambientais Permitir alguma análise de tendência ao longo de um determinado período, ou fornecer subsídios para isto Dispensar especialização técnico-científica elevada para ser aplicado, sendo simples e claro para o público em geral Apresentar baixo custo de aplicação, relativo ao produtor Para este trabalho, os indicadores devem ser primários, ou seja, deverão reportar diretamente as alterações nos compartimentos ambiental e socioeconômico, em termos de algo que seja valioso para as pessoas; deve comunicar o status de um atributo, sem necessidade de interpretação técnica extensa Não ser ambíguo ou redundante Incorporar indiretamente, outros indicadores (ex: o uso do ƒyh‡v‚ qv…r‡‚ÃrÃpˆy‡v‰‚Àtv€‚ como indicadores dispensa o uso do indicador ƒ…rƒh…‚Àrphv“hq‚Ãv‡r†v‰‚) X X X X X X X X X X X X

17

X

18 19

78

Custo

Características dos indicadores

Compreensibilidade

Suporte de decisões

Representatividade

Escola apropriada

Mensurabilidade

Resultabilidade

Integrabilidade

Ambigüidade

Sensibilidade

Importância

Relevância

Os critérios utilizados no Quadro 1 foram os mesmos aplicados nos trabalhos do 7KH 6WDWH (QYLURQPHQWDO *RDOV DQG ,QGLFDWRUV 3URMHFW (SEGIP, 1995) da Universidade da Flórida, que os divide em dois tipos básicos: a) critérios essenciais: critérios que um indicador deve atender (relevância, representatividade, escala apropriada, qualidade dos dados, mensurabilidade, importância, suporte de decisões, ambigüidade); e b) critérios preferenciais: critérios que um indicador pode atender (sensibilidade, resultabilidade, custo, integrabilidade, compreensibilidade, previsibilidade ou tendência) Portanto, neste trabalho, é possível verificar a permanência de indicadores listados por DANIEL (1999), mesmo que não tenham atendido a um ou mais dos critérios preferenciais As listagens dos indicadores encontram-se estruturadas segundo recomendação de CAMINO V. e MÜLLER (1993), estrutura esta que também foi utilizada por DANIEL (1999). Vale a pena citar duas fusões de indicadores realizadas sobre a proposta de DANIEL (1999), visando a simplificação, em função do objetivo deste trabalho: a) os dois indicadores pertencentes ao descritor "empregos" do elemento "manejo e rendimento socioeconômico", relacionados com o número de postos de trabalho, foram agrupados em um único, a "proporção entre o número médio de postos de trabalho fixos e o número médio de postos de trabalho oferecidos anualmente"; e b) os três indicadores pertencentes ao descritor "habitação e saneamento básico" do mesmo elemento anterior, relacionados com o número de trabalhadores e as suas habitações, foram agrupados em "proporção entre o número de trabalhadores que habitam em construções de boa qualidade, de alvenaria ou madeira, e aqueles que habitam em tipos piores".

79 

5(68/7$'26 ( ',6&866­2

No Quadro 2, estão apresentados os indicadores mínimos selecionados para a avaliação e o monitoramento da sustentabilidade de SAF, no compartimento socioeconômico, obtido pela aplicação dos critérios constantes no Quadro 1 sobre a lista elaborada por DANIEL (1999). DANIEL (1999) apresenta 65 indicadores socieconômicos de sustentabilidade, que foram reduzidos para 48 (Quadro 3), sendo a mesma quantidade para os sistemas agrissilvipastoris, 46 para os sistemas agrissilviculturais e 47 para os silvipastoris. Verificou-se que 4,2, 61,4, 8,3 e 27,1% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos endógenos, operação do sistema, recursos exógenos e operação dos sistemas exógenos. Nota-se maior peso na categoria operações do sistema, tanto endógenos quanto exógenos. Tal fato já era de se esperar, tendo em vista que os aspectos relacionados à economia, como agregação de valor, produtividade, mecanismos de comercialização, além daqueles relacionados à sociologia, como infra-estrutura, eqüidade, saúde e nutrição e empregos, fazem parte exclusivamente das categorias operacionais. A menor representação de indicadores para a categoria recursos, sejam endógenos ou exógenos, não significa determinação de menor importância a estes aspectos na vida das pessoas envolvidas no sistema produtivo. Cada grupo familiar ou comunidade valoriza a seu modo tais aspectos, tornando-se difícil a inclusão de indicadores que capturem comportamentos específicos, o que elevaria muito o número de itens a ser avaliados em um estudo de sustentabilidade. Outro motivo para esta baixa representatividade é de natureza conjuntural. Dentro das categorias propostas para avaliação, citadas em DANIEL (1999), apenas os recursos culturais enquadram-se nos indicadores socioeconômicos, e as demais estão relacionadas aos indicadores biofísicos, já tratados por DANIEL et al. (1999a).

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Quadro 2 - Conjunto mínimo de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais
Categoria Recursos endógenos Elemento1 Recursos culturais Descritor Patrimônio arqueológico Patrimônio religioso Operação do sistema Manejo e rendimento socioeconômico Saúde e nutrição (Número do indicador) Indicador (1) Exposição do material arqueológico à visitação pública (no de visitantes por ano) (2) Preservação de templos, cemitérios ou outras áreas consideradas sagradas (sim/não) (3) Ocorrências anuais de intoxicação por agrotóxicos - proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema (4) Pessoas com características de desnutrição proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema (5) Número de refeições diárias das pessoas ligadas ao sistema (6) Os produtores aceitaram bem o sistema e pretendem manter-se na atividade (sim/não) (7) Transformação dos produtos para comercialização (sim/não) (8) Quantidade anual de produtos animais extraídos em t por ha por ano (9) Quantidade anual de madeira produzida em st por ha por ano (10) Quantidade anual de produtos agrócolas extraídos em t por ha por ano (11) Existência de um eficiente sistema de administração, compatível com o nível de atividade do sistema (sim/não) (12) Os produtores acreditam que recebem os mesmos benefícios que receberiam de outra atividade agropecuária tradicional na região (sim/não) (13) Redução de insumos externos (agrotóxicos, fertilizantes, produtos veterinários, sementes, embalagens, ...), comparando-se com sistemas alternativos tradicionais (sim/não) (14) Proporção entre o no médio de postos de trabalho fixos e o no médio de postos de trabalho oferecidos anualmente, exceto técnicos (15) Os direitos previdenciários são garantidos (sim/não) (16) Salário mensal médio dos trabalhadores diretamente ligados ao campo (exceto técnicos) (17) As base da mão-de-obra é familiar (sim/não) (18) Proporção entre sexos na mão-de-obra, ou seja, a relação entre o no de trabalhadores do sexo feminino e masculino (19) Proporção da mão-de-obra infantil e juvenil, ou seja, a relação entre o no de trabalhadores infantis e juvenis (até 14 anos) e os trabalhadores de mais idade (20) Acesso à educação das pessoas interessadas e dependentes do sistema (sim/não) (21) Proporção entre o no de crianças de até 14 anos fora da escola e o no delas na escola (22) Proporção entre o no de trabalhadores que habitam em construções de boa qualidade, de alvenaria ou madeira, e aqueles que habitam em outros tipos mais rústicos (23) Proporção de residências aparelhadas com fossas sépticas e ligadas a sistema de esgotos (24) Proporção de residências com abastecimento de água proveniente de fonte de boa Qualidade, ou seja, tratada, de mananciais não poluídos ou de poços tecnicamente construídos SAF 123 123 123

123

123 123 123 23 123 12 123

Aceitabilidade Agregação de valor Produtividade dos componentes animais Produtividade dos componentes vegetais

Administração

Eqüidade

123

Economia de recursos

123

Empregos

123 123

123 123 123

123

Educação

123 123 123

Habitação e saneamento básico

123 123

Continua... 81

Quadro 2, Cont.
Categoria Elemento1 Descritor Relações de propriedade Análise econômica: (Número do indicador) Indicador SAF 123 123 123 123 123 123 123

Recursos exógenos

Recursos culturais

Operação de sistemas exógenos

Manejo e rendimento socioeconômico

(25) Os produtores são proprietários (sim/não) (26) valor presente líquido (VPL) (27) taxa interna de retorno (TIR) (28) razão benefício/custo (B/C) (29) Período de reembolso (no de anos para que os benefícios excedam os custos) (30) Trabalho investido para o componente arbóreo (no de diárias utilizadas em ha por ano) (31) Retorno do trabalho (razão entre o valor dos produtos obtidos e o número de diárias consumidas no empreendimento, em valor por dia) Patrimônio arqueológico (32) A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio arqueológico dos sistemas exógenos envolvidos (sim/não) Patrimônio religioso (33) A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio religioso dos sistemas exógenos envolvidos (sim/não) Viabilidade cultural (34) Freqüência média familiar de participação em eventos culturais, de lazer e educacionais (35) Disponibilidade para livre visitação a outras pessoas, e vice-versa, em função da disponibilidade de tempo (sim/não) (36) Há mercado para os produtos do sistema Comercialização (sim/não) (37) A comercialização é direta ao consumidor (sim/não) (38) O mercado para os produtos atinge abrangência além do local (sim/não) (39) Relação entre a quantidade de produtos comercializados por meio do sistema de escambo e o sistema monetário Agregação de valor (40) Valorização dos produtos em função de terem origem em um sistema dito sustentável (sim/não) (41) Produção, transformação e comercialização cooperadas (sim/não) (42) Uso de técnicas de divulgação dos produtos do sistema (sim/não) Disponibilidade de crédito (43) Existência de linhas de crédito específicas para os SAF (sim/não) (44) Há disponibilidade de crédito para produtores não proprietários (sim/não) (45) Existência de infra-estrutura de armazenamento Infra-estrutura rural acessível e suficiente, dentro do sistema ou à sua disposição (sim/não) (46) Acesso a entrepostos comerciais (sim/não) (47) Existência de infra-estrutura de abate dos animais produzidos, acessível e suficiente, dentro do sistema ou à sua disposição (sim/não) (48) As estradas de acesso à propriedade e ao sistema são transitáveis durante todo o ano (sim/não)

123

123

123 123

123 123 123 123

123 123 123 123 123 123

123 23

123

1

2

Este quadro apresenta apenas um elemento por categoria, pelo fato de os outros elementos pertencerem aos componentes biofísicos, não abordados neste trabalho. Sistemas Agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas silvipastoris. Terminologia sugerida por DANIEL et al. (1999b).

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Quadro 3 - Quantificação dos indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para sistemas agroflorestais (SAF)
No de Indicadores por SAF Categoria Elementos
1

Sistemas Agrissilviculturais 2 28 4 12 46

No de Sistemas Indicadores Sistemas Agrissilvipaspor Elemento Silvipastoris toris 2 29 4 13 48 2 28 4 13 47 2 29 4 13 48

Recursos endógenos Operação do sistema endógeno Recursos exógenos Operação de sistemas exógenos
1

Recursos culturais Manejo e rendimento socioeconômico Recursos culturais Manejo e rendimento socioeconômico Total

Este quadro apresenta apenas um elemento por categoria, pelo fato de os outros elementos pertencerem aos componentes biofísicos, não abordados neste trabalho.

Observa-se, também, a grande importância dada ao elemento manejo e rendimento socioeconômico, dentro da categoria operação dos sistemas endógenos, por meio de um número maior de indicadores, no que se refere a descritores relacionados diretamente ao homem, como: saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento básico. Isto reforça o caráter intrageracional nos conceitos de desenvolvimento sustentável, exemplificados por Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998). Nos debates a respeito de desenvolvimento sustentável, há uma tendência de valorizar o caráter intergeracional, pensando somente nas conseqüências das ações presentes sobre as gerações futuras. A proposta mínima de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade, listada no Quadro 2, vai além, contemplando o presente, por meio da valorização das condições de vida para a atual geração envolvida no sistema de produção, sem se esquecer do passado, como por exemplo os vestígios arqueológicos.

83

Um aspecto que deve ser observado é a quantidade de indicadores obtidos (Quadro 3). Embora tenha havido redução dos 65 originais listados por DANIEL (1999) para 48 após a aplicação dos critérios expostos no Quadro 1, estes ainda superam em muito as sugestões de outros autores. TORQUEBIAU (1989) obteve 24 indicadores entre biofísicos e socioeconômicos, enquanto CAMINO V. e MÜLLER (1993) recomendam que o número máximo oscile entre 6 e 8. Embora extensa, se comparada às recomendações da literatura, a quantidade de indicadores constantes no Quadro 3 não é exaustiva e também não inclui altos custos no processo de avaliação, pois eles são obtidos ou por meio de entrevistas aos produtores e trabalhadores, o que pode inclusive ser feito por amostragem, ou por meio de cálculos, os quais podem ser assessorados por técnicos das empresas de extensão, para o caso de o sistema não ter condições de manter uma equipe técnica própria. São os cálculos do descritor análise econômica os que demandam mais especialização por parte dos avaliadores, particularmente o valor presente líquido, a taxa interna de retorno e a razão benefício/custo. No entanto, eles são essenciais para determinar a viabilidade econômico-financeira do empreendimento, oferecendo oportunidade para tomadas de decisões que possam modificar a tendência do rendimento financeiro proporcionado até o momento da avaliação, com vistas ao futuro. Porém, muitas vezes, a comunidade envolvida nos sistemas de produção agrícola não tem condições de oferecer os dados necessários para a estruturação do fluxo de caixa, ou não possuem condições financeiras para a execução de uma análise econômica, ou simplesmente esta questão não tem importância no seu cotidiano, pois, muitas vezes, são obrigados a continuar a viver no campo, na mesma atividade, independente de auferirem lucro sobre ela. Nesta situação, o avaliador pode optar por utilizar os outros indicadores do descritor "análise econômica": o período de reembolso, o valor da jornada de trabalho, o trabalho investido e o retorno do trabalho, os quais não dependem da existência de um registro periódico e são tão precisos e organizados quanto os indicadores econômicos tradicionais. 84

Aspectos relevantes na operação de sistemas exógenos também foram detectados (Quadro 2), ou seja, a comercialização, a agregação de valor, a disponibilidade de crédito e a infra-estrutura rural. Sem que estes itens estejam minimamente atendidos, em qualquer investimento na atividade rural, dificilmente o empreendimento se sustentará permanentemente. Entretanto, o descritor "disponibilidade de crédito" nem sempre deverá ser incluído na avaliação de sustentabilidade, já que, em alguns casos, o empreendedor não utiliza o sistema de financiamentos externos para exercer sua atividade. Os resultados demonstram que é possível utilizar uma relação de indicadores que seja abrangente e de rápida aplicação, viável para representar a sustentabilidade de um sistema, sem que se torne exaustiva e onerosa.  &21&/86®(6

Pelos resultados obtidos neste trabalho, concluiu-se que: a categoria operação do sistema, seja endógeno ou exógeno, comportou o maior número de indicadores; a maior concentração de indicadores sugeridos na categoria operação do sistema se deu nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamento e análise econômica, comercialização e infra-estrutura rural; a avaliação de sustentabilidade socioeconômica baseada nos indicadores propostos valoriza o aspecto de eqüidade intrageracional; a inclusão de descritores relacionados à operação de sistemas exógenos é essencial para avaliar a sustentabilidade de um sistema; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de observações diretas e entrevistas, e apenas uma minoria necessita de cálculos mais detalhados ou de histórico preciso; e a maioria dos indicadores sugeridos é de aplicação rápida e pouco onerosa.  5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6 ALTIERI, M.A. ¿Por que estudiar la agricultura tradicional? $JURHFRORJtD \ 'HVDUUROOR, Santiago, v.1, n.1, p.16-24, 1991. 85

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86

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$3/,&$d­2 '( 80$ 3523267$ '( 021,725$0(172 '$ 6867(17$%,/,'$'( $ 80 6,67(0$ $*5,66,/9,3$6725,/ RESUMO - A sustentabilidade de sistemas de produção é um tema atual, inserido no amplo conceito de desenvolvimento sustentável, que visa assegurar a manutenção dos níveis de produtividade, em conjunto com a conservação ambiental, a justiça social e rentabilidade econômica. Por meio da aplicação de uma listagem de 57 indicadores biofísicos e 48 socioeconômicos a um sistema agrissilvipastoril implantado na região noroeste do Estado de Minas Gerais, desenvolveu-se este estudo, cujos objetivos foram: aplicar e testar propostas de monitoramento da sustentabilidade ambiental e socioeconômica e simular possíveis alterações nos indicadores. As principais conclusões obtidas foram: a) o uso dos valores dos indicadores sem nenhuma transformação, para o cálculo dos índices de sustentabilidade, foi mais adequado ao monitoramento do que os indicadores padronizados pelo desvio-padrão; b) o sistema proposto de avaliação da sustentabilidade gera índices que podem ser aplicados no gerenciamento da sustentabilidade dos sistemas agroflorestais; c) os gráficos tipo radar mostraram-se como boa opção para apresentação dos indicadores e índices de sustentabilidade de forma didática; e d) pode-se considerar que o nível de sustentabilidade ambiental e socioeconômica do SAF analisado é intermediário. Palavras-chave: Sustentabilidade ambiental, sustentabilidade socioeconômica e sistemas agroflorestais.

$33/,&$7,21 2) $ 352326$/ 2) 6867$,1$%,/,7< 021,725,1* 72 $ $*526,/923$6725$/ 6<67(0 ABSTRACT - The sustainability of individual production systems is a current theme, inserted in the wide concept of sustainable development, that has the objective of assuring the maintenance of the productivity levels, together with the environmental conservation, the social justice and economic profitability. By means of the application of a list of 57 biophysical and 48 socioeconomical

88

indicators, to a agrosilvopastoral system introduced in the northwest area of Minas Gerais State, this study was developed, with the objectives of to apply and to test proposal of environmental and socioeconomical monitoring, and to simulate possible alterations in the indicators. The main conclusions were: a) the use of the values of the indicators without any transformation, for the calculation of the sustainability indexes was more adapted to the monitoring than the indicators standardized by the standard deviation; b) the proposed system of evaluation of the sustainability generates indexes that can be applied in the management of the sustainability of the agroforestry systems; c) the graphic radar type is a good option for presentation of the indicators and indexes of sustentabilidade in a didactic way; d) can be considered that the level of environmental and socioeconomical sustainability of analyzed SAF are intermediary. Key words: Environmental sustainability, socioeconomical sustainability, agroforestry systems. 

,1752'8d­2

A sustentabilidade de um sistema de produção, de forma simples e resumida, pode ser conceituada como sendo a capacidade de um sistema em manter sua produtividade, quando esta se encontra sujeita a intenso esforço ou alterações (Conway, 1986, citado por FAETH, 1994). Portanto, manter ou elevar os níveis de sustentabilidade, abrangendo desde o nível local até o global, deve ser a principal meta dos gerenciadores de sistemas produtivos de qualquer natureza, procurando incluir suas atividades particulares dentro da idéia geral de desenvolvimento sustentável. Os principais sistemas de produção são os que envolvem a produção de alimentos e as alterações ambientais. Dentre aqueles considerados sustentáveis, encontram-se os sistemas agroflorestais (SAF), que preenchem muitos requisitos da sustentabilidade, por incluírem árvores no sistema de produção 89

agropecuário, por utilizarem recursos existentes e práticas de manejo que otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços (TORQUEBIAU, 1989). Há, no entanto, dúvidas a respeito da sustentabilidade dos sistemas agroflorestais. Segundo MacDICKEN e VERGARA (1990), a afirmação de que a adoção de sistemas agroflorestais pode gerar benefícios para as populações rurais está mais relacionada à intenção dos programas com base em tais sistemas, do que realmente a uma descrição precisa do que os SAF podem alcançar. Os autores, por várias razões, consideram que a sustentabilidade ao longo do tempo é muito difícil de ser monitorada e avaliada. Embora sejam abundantes as referências bibliográficas relacionadas ao tema sustentabilidade, considerando muitas áreas da produção, são raras as propostas apresentadas e que podem dar suporte ao monitoramento da sustentabilidade em SAF. São de AVILA (1989) e TORQUEBIAU (1989) as primeiras tentativas nesse sentido, entretanto, sem maiores aprofundamentos. Um trabalho mais amplo, com base em metodologia sugerida por CAMINO V. e MÜLLER (1993) e BERTOLLO (1998), foi desenvolvido por DANIEL et al. (1999b, c), que propuseram uma relação de indicadores para ser utilizados no monitoramento de SAF em geral, considerando tanto a sustentabilidade ambiental, quanto a socioeconômica. Para facilitar e tornar mais rápidos e econômicos os estudos de monitoramento, DANIEL (1999b, c) propôs também um número mínimo de indicadores necessários para o acompanhamento da evolução dos sistemas. Um dos SAF de maior sucesso no Brasil, envolvendo o gênero (XFDO\SWXV, é aquele conduzido pela Companhia Mineira de Metais (CMM). Esse sistema apresentou viabilidade técnica e econômica nos estudos conduzidos por DUBÈ (1999). Aplicar e testar as propostas de monitoramento da sustentabilidade ambiental e socioeconômica de DANIEL (1999b, c) em um sistema agrissilvipastoril e simular possíveis alterações nos indicadores são os objetivos deste trabalho. 90 

0$7(5,$/ ( 0e72'26

Para aplicação da metodologia de monitoramento da sustentabilidade, foram utilizadas informações obtidas junto à Companhia Mineira de Metais (CMM). O sistema que serviu de base para este trabalho foi implantado na Fazenda Riacho, de propriedade da CMM, localizada na região noroeste do Estado de Minas Gerais, Brasil, município de Vazante, situada em zona de cerrado. Toda a caracterização edafoclimática da região onde se encontra a fazenda, bem como dos sistemas agroflorestais desenvolvidos pela CMM, incluindo os híbridos de eucalipto utilizados, foi descrita por DUBÈ (1999). Os dados foram obtidos a partir de visitas LQ ORFR, entrevistas e consultas aos arquivos da CMM, especificamente relacionados ao sistema agrissilvipastoril implantado no ano de 1994, que abrange uma superfície de 300 ha. Em linhas gerais, esse sistema é assim caracterizado: no primeiro ano, após as operações de desmatamento e limpeza de área, é realizado o plantio de clones híbridos de (XFDO\SWXV spp, em cujas entrelinhas cultiva-se arroz; no segundo cultiva-se soja; no terceiro é semeada a %UDFKLDULD EUL]DQWKD; e a partir do quarto ano o sistema recebe bovinos de engorda, que são abatidos e substituídos em intervalos bienais. No momento da coleta de dados, o sistema encontrava-se no quinto ano de desenvolvimento, prevendo-se uma rotação de 11 anos para a madeira, destinada para energia (60%) e serraria (40%). O sistema selecionado para a análise apresenta viabilidade técnica e econômica considerando um ciclo de 11 anos, com possibilidades de redução para oito anos, segundo as avaliações de DUBÈ (1999). Os indicadores biofísicos (ambientais) e socioeconômicos utilizados foram propostos por DANIEL (1999b, c). O primeiro grupo abrange 57 indicadores e o segundo, 48, devendo-se ressaltar que para este trabalho foram utilizados, respectivamente, apenas 46 e 41 indicadores. A redução do número de indicadores, com relação à proposta feita por DANIEL (1999b, c), deve-se à não-aplicabilidade de alguns deles às condições 91

do sistema agrissilvipastoril analisado. Devem ser citados como exemplo os indicadores biofísicos: indicador 51 - nível médio anual de turbidez dos cursos d'água, a jusante da área do sistema (não há mananciais de água superficiais no entorno do sistema); e indicador 54 - alteração da cadeia trófica, se os predadores escaparem para o ambiente natural (não são utilizados predadores no sistema).  5(68/7$'26 ( ',6&866­2  &RPSDUDomR HQWUH VXVWHQWDELOLGDGH GRLV PpWRGRV GH JHUDomR GH tQGLFHV GH

O sistema de monitoramento da sustentabilidade utilizado para o estudo do caso da Companhia Mineira de Metais (CMM), apresentado neste trabalho, gera um índice de sustentabilidade (IS) que é proveniente do cálculo da área de um gráfico tipo radar (a discussão sobre o gráfico encontra-se no item 3.4.), originalmente utilizado por CALORIO (1997). Para o cálculo dessa área (IS), CALORIO (1997) utilizou a padronização dos valores dos indicadores, acompanhando a metodologia proposta por DOUGLAS (1990) e TORRES (1990), quando trabalharam com classificação de propriedades rurais por meio de análise multivariada. Esses autores justificaram que a padronização foi utilizada para reduzir o efeito de escala de cada um dos indicadores. Os detalhes da geração do IS, incluindo algumas sugestões de melhoria no procedimento citado por CALORIO (1997), foram publicados por DANIEL et al. (1999b). Procurando avaliar a aplicabilidade do sistema gráfico para o cálculo do IS, foram realizadas simulações, tanto com os indicadores padronizados (CALORIO, 1997, modificado por DANIEL et al., 1999b), quanto nãopadronizados (DANIEL et al., 1999b, sem a fórmula de padronização). Para isso, foram selecionados, aleatoriamente, apenas dez indicadores biofísicos e dez socioeconômicos. Em seguida, foram desenvolvidos os cálculos do IS, com e sem padronização, em três situações: a) para as condições reais das observações feitas no sistema da CMM, no quinto ano de existência do SAF 92

(monitoramento atual); b) para condições simuladas sobre o mesmo sistema, considerando os aumentos ou o estacionamento dos valores dos indicadores (monitoramento 2≥); c) para condições simuladas sobre o mesmo sistema, considerando a diminuição ou o estacionamento dos valores dos indicadores (monitoramento 2≤). Os valores alterados para cada monitoramento e os respectivos IS encontram-se nos Quadros 1 e 2. A análise dos resultados apresentados nos Quadros 1 e 2 deixa claro a impossibilidade do uso em monitoramento do IS calculado a partir de indicadores padronizados. Tanto para a sustentabilidade biofísica, quanto para a socioeconômica, o IS padronizado produziu resultados inversos ao esperado, ou seja, quando foram aumentados os indicadores (monitoramento 2), o IS foi reduzido, e quando foram diminuídos (monitoramento 3), o IS foi aumentado. Tal fato é explicado porque, para a padronização, é utilizada a fórmula (1), descrita a seguir, que contém como redutor da dispersão entre os indicadores o desvio-padrão.

vp n =
em que

5 + (x n − x ) S

(1)

vpn = valor do indicador n padronizado; xn = valor original do indicador n;

x = valor médio de todos os indicadores;
S = desvio-padrão para todos os indicadores; e 5 = constante acrescentada por CALORIO (1997). Assim, quando são aumentados ou diminuídos os valores dos indicadores, particularmente daqueles que naturalmente apresentam dimensões maiores, como é o caso do volume de madeira por hectare, aumenta-se concomitantemente o S. Como S é denominador na fórmula (1), há uma redução geral dos indicadores, reduzindo, portanto, o IS. Isto é o que realmente se espera da fórmula, e é justamente o que a impede de ser eficiente no monitoramento. Ao aplicar a mesma idéia em monitoramento, o resultado não pode ocorrer dessa forma. O que se espera é que o aumento dos valores dos 93

indicadores resulte diretamente em aumento no IS, e o inverso para quando os valores diminuem. Foi o que aconteceu com as simulações 1 e 2, nos Quadros 1 e 2, quando foram utilizadas as dimensões não-padronizadas (normais) dos indicadores. O IS normal acompanhou o aumento ou a redução dos valores de tais indicadores.

Quadro 1 - Simulação de monitoramento da sustentabilidade biofísica de um sistema agrissilvipastoril implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG, alterando-se os valores de dez indicadores referentes à lista proposta por DANIEL (1999b)
Monitoramentos Número do Indicador Alterado 5 11 18 29 32 35 43 44 48 55 IS(b) normal IS(b) padronizado Atual 1 7,30 5,00 -7,00 -1,00 -2,80 0 4,00 1,00 8,83 0 5,64 15,76 2 (≥) 8,00 6,00 -8,00 -2,00 -3,00 1,00 6,00 1,00 12,00 1,00 7,02 10,65 Simulados* 3 (≤) 6,00 4,00 -5,00 0 -1,00 0 2,00 0 8,83 0 5,05 22,21

* simulados com valores maiores ou iguais (≥), ou menores ou iguais (≤), aos atuais.

Outra observação detectada foi a pouca sensibilidade do método da padronização, para o caso de a mudança nos indicadores ser muito pequena. Pode acontecer de o IS não acompanhar as alterações, em função da diluição provocada pelo uso do desvio-padrão como padronizador. Com o uso do IS normal, isto não acontece. 94

Quadro 2 - Simulação de monitoramento da sustentabilidade socioeconômica de um sistema agrissilvipastoril implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG, alterando-se os valores de dez indicadores, referentes à lista proposta por DANIEL (1999c)
Monitoramentos Número do Indicador Alterado 4 6 9 14 27 30 31 38 42 47 IS(s) normal IS(s) padronizado Atual 1 0 1,00 8,83 0,80 1,81 2,82 13,96 1,00 1,00 1,00 24,24 3,95 2 (≥) 0,05 1,00 12,00 1,00 5,00 3,00 20,00 1,00 1,00 1,00 31,59 3,29 Simulados* 3 (≤) 0 0 8,83 0,60 0,50 2,00 10,00 0 0 0 18,25 4,11

* simulados com valores maiores ou iguais (≥), ou menores ou iguais (≤), aos atuais.

Esses resultados deixam claro a adequação do IS normal, o que desautoriza a aplicação do IS padronizado no monitoramento da sustentabilidade.  $SOLFDomR GD SURSRVWD GH JHUDomR GH XP tQGLFH GH VXVWHQWDELOLGDGH HP XP VLVWHPD DJULVVLOSDVWRULO Esta etapa do trabalho representa a aplicação prática das propostas de DANIEL (1999b, c), relacionadas às listas de indicadores biofísicos e socioeconômicos, e foi desenvolvida utilizando indicadores não-padronizados, conforme já foi detalhado no item anterior (3.1.). Os dados obtidos da CMM foram inseridos em uma planilha eletrônica de cálculos, previamente programada (publicada por DANIEL, 1999a - anexos), cujos valores de indicadores e os respectivos índices de sustentabilidade biofísica [IS(b)] e socioeconômica [IS(s)] encontram-se nos Quadros 3 e 4. 95

Quadro 3 - Valores dos indicadores propostos por DANIEL (1999b) e do índice de sustentabilidade biofísica de um sistema agrissilvipastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG
Característica Especial de Medição2 {-} {-} sim[1]/não[0] original cmolc.dm-3 original original sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] original original sim[0]/não[1] sim[1]/não[0] {-} {-} original {-} sim[0]/não[1] {-} original sim[1]/não[0] {-} sim[0]/não[1] original original original original {-} Característica Especial de Medição2 sim[0]/não[1] (st ha.ano-1) ÷10 {-} sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] original sim[1]/não[0] original {-} {-} original sim[0]/não[1] {-} original original (volume ha.ano-1)÷10 original original {-} sim[1]/não[0] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1] sim[0]/não[1]

Número do Indicador1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
1 2

Dimensão do Indicador nsa3 nsa nsa nsa 7,30 3,30 nsa 1,00 1,00 1,00 5,00 1,00 1,00 1,00 0 0 0 -7,00 1,00 0 0 0 0 1,00 1,00 1,00 0 0 -1,00

Número do Indicador1 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57

Dimensão do Indicador 1,00 nsa -2,80 0 1,00 0 0 0 0 1,00 nsa -1,00 0 4,00 1,00 nsa 2,00 1,00 8,83 2,90 0,15 nsa nsa 1,00 nsa 0 1,00 1,00 5,64

IS(b) [considerando todos os indicadores aplicáveis] =

3

referente à tabela original de DANIEL (1999b); transformações dos valores originais de alguns indicadores, visando a redução do efeito de dispersão; valor correspondente a respostas sim/não; sinal do indicador; e não se aplica às condições do sistema em análise.

96

Quadro 4 - Valores dos indicadores propostos por DANIEL (1999c) e do índice de sustentabilidade socioeconômica de um sistema agrissilvipastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG
Característica Especial de Medição2 Original sim[1]/não[0] {-} {-} original sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] original (st.ha.ano ) ÷10 original sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] original sim[1]/não[0] salário médio ÷100 original original {-} sim[1]/não[0] original original original original
-1

Número do Indicador1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
1 2

Dimensão do Indicador nsa3 nsa 0 0 3,00 1,00 1,00 0,15 8,83 2,90 1,00 1,00 1,00 0,80 1,00 3,00 nsa 0 0 1,00 0 1,00 1,00 1,00

Número do Indicador1 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48

Característica Especial de Medição2 sim[1]/não[0] original original original {-} original original sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] original sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] original sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0] sim[1]/não[0]

Dimensão do Indicador 1,00 -17,99 1,81 0,89 -5,00 2,82 13,96 nsa nsa 20,00 1,00 1,00 0 1,00 nsa 0 0 1,00 0 0 1,00 nsa 1,00 1,00 24,24

IS(s) [considerando todos os indicadores aplicáveis] =

3

referente à tabela original de DANIEL (1999c); transformações dos valores originais de alguns indicadores, visando a redução do efeito de dispersão; valor correspondente a respostas sim/não; sinal do indicador; e não se aplica às condições do sistema em análise.

97

Nesses mesmos quadros, encontram-se as colunas de dados denominadas “característica especial de medição”, que tem extrema importância para o correto uso da metodologia, cujo conteúdo é assim definido: sinal negativo {-}: utilizado quando o aumento ou a redução no valor absoluto do indicador, deve provocar efeito inverso no IS. Utilizando o indicador 15 como exemplo, a “freqüência anual de incidência de pragas em nível de dano econômico à vegetação”, verifica-se claramente que o aumento na incidência de pragas deve representar uma queda no IS, o que não ocorreria sem o sinal negativo; sim[0]/não[1]: embora nas listas originais propostas por DANIEL (1999b, c) as respostas a alguns indicadores sejam sim/não, no momento de inserir na planilha de cálculos eles devem ser convertidos a números 0 ou 1. Conforme pode-se observar no Quadro 3, nem sempre é atribuído o mesmo número a uma resposta (ex: indicadores 13 e 14). Isto foi feito para que seja dado valor zero, representando um aspecto ruim de um dado indicador, e valor um para aspecto bom. Um exemplo, utilizando os indicadores 13 e 14: Œ 13: “destruição da vegetação nativa existente no sistema, em função do manejo de algum componente animal em regime aberto (sim[0]/não[1])”. Se a resposta for sim, é um aspecto negativo, resultando em redução do IS(b), e vice-versa; Œ 14: “uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da capacidade de sítio para cada componente vegetal, valorizando a ciclagem de nutrientes e o aproveitamento da luz (sim[1]/não[0])”. Se a resposta for sim, é um aspecto positivo, resultando no aumento do IS(b), e vice-versa. ÷10 ou por 100: como foi abolido o uso de indicadores padronizados em monitoramento, há necessidade de reduzir a dimensão de alguns indicadores, para evitar deformação excessiva nos gráficos tipo radar (a discussão sobre o gráfico encontra-se no item 3.4.), e diluição da importância de indicadores de valores de menores dimensões; 98

-

cmolc.dm-3: embora seja comum o uso da unidade mmolc.dm-3 para a “capacidade de troca catiônica”, cmolc.dm-3 trabalha com valores dez vezes menores, gerando os mesmos efeitos citados no item anterior;

-

original: quando as unidades dos indicadores são as mesmas propostas nas listas originais de DANIEL (1999b, c).

É importante registrar que essas “características especiais de medição” são aquelas propostas pelos autores, as quais originaram um resultado satisfatório. Entretanto, se o usuário da metodologia achar por bem alterá-las, de modo a adaptá-las a condições específicas, ou até mesmo a outros sistemas de produção, que não os SAF, ele pode fazê-lo, desde que de forma coerente. Neste caso, o usuário deve se lembrar que, para que os diversos monitoramentos sejam comparáveis entre si, há necessidade de que sejam utilizados sempre os mesmos indicadores e características especiais de medição que foram aplicados desde a primeira vez. Outro fator de extrema importância para que os IS resultantes das análises de sustentabilidade sejam confiáveis é a rigorosa padronização da coleta de dados. Podem ser citadas como exemplos as amostragens de solo, das quais são obtidos os valores de CTC e o teor de matéria orgânica (indicadores biofísicos 5 e 6). As amostras com padrões distintos de coleta, análise e unidades podem causar sérias distorções nos IS. Os Quadros 3 e 4 indicam também os valores de IS(b) = 5,67 e IS(s) = 24,73. Esses são os índices de sustentabilidade ambiental e socioeconômica do SAF da CMM, implantado em 1994. Tendo em vista que é a primeira vez que é gerado um índice de sustentabilidade para o SAF com as características iguais ao CMM, não há parâmetros para colocar os valores obtidos em qualquer escala de qualidade, ou seja, se o resultado é alto, médio ou baixo, por exemplo. Os IS atuais são comparáveis entre os próximos monitoramentos dentro do próprio sistema, ou entre IS obtidos de sistemas semelhantes.

99

Com as informações disponíveis no momento, não é possível dizer se o SAF da CMM é mais ou menos sustentável, considerando a amplitude encerrada no conceito, porque não há termo de comparação relativa. Espera-se que, em virtude da facilidade e dos baixos custos (DANIEL 199b) para aplicação do sistema de monitoramento e geração do IS aqui apresentados, em alguns anos comecem a surgir os termos de comparação necessários para obtenção da escala de qualidade, com base na qual se possa qualificar a sustentabilidade dos SAF.  6LPXODomR UHDOL]DGD D SDUWLU DJULVVLOYLSDVWRULO GD &00 GRV GDGRV DWXDLV GR VLVWHPD

Embora não se disponha de informações reais para a aplicação de dados seqüenciais de monitoramentos da sustentabilidade, foi feita uma simulação, cujos dados, acredita-se, sejam coerentes e possíveis de ser aplicados na prática. A intenção foi produzir algum parâmetro de comparação entre IS. Os dados dos Quadros 3 e 4 serviram de monitoramento atual (1) para ser comparados com o monitoramento 2 (Quadros 5 e 6), o qual foi simulado para o 11o ano, ano em que está previsto o final do ciclo. Nesses quadros estão destacados os indicadores que foram alterados, os quais, resumidamente, são assim definidos, de acordo com a ordem que aparecem: Quadro 5 – CTC; matéria orgânica; número de componentes; número de espécies consumidoras; abrigo à fauna; número de componentes animais; proporção de áreas de proteção ambiental; reciclagem de embalagens; mecanização do corte; volume de madeira; e peso animal; e Quadro 6 – peso animal; proporção de postos de trabalho fixos; proporção de trabalhadores do sexo feminino; valor presente líquido; taxa interna de retorno; razão benefício/custo; período de reembolso; e participação das famílias em eventos culturais, educativos e de lazer. Nota-se, pelos resultados referentes à sustentabilidade biofísica (Quadros 3 e 5), a grande sensibilidade do índice de sustentabilidade [IS(b)] em capturar a 100

variação das mudanças nos indicadores. Este passou de 5,64 para 9,61, correspondendo a uma evolução de 1,7 vez, enquanto a média dos valores aumentou 1,5 vez. Utilizando o mesmo raciocínio para a sustentabilidade socioeconômica (Quadros 5 e 6), verifica-se que o índice de sustentabilidade [IS(s)] evoluiu 3,7 vezes, enquanto a média dos valores aumentou 2,3 vezes.

Quadro 5 - Valores simulados dos indicadores propostos por DANIEL (1999b) e do índice de sustentabilidade biofísica de um sistema agrissilvipastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG
Número do Indicador1 1 2 3 4   7 8 9 10   13 14 15 16 17 18 19
1 2

Dimensão do Indicador Nsa2 Nsa Nsa Nsa   nsa 1,00 1,00 1,00   1,00 1,00 0 0 0 -7,00 1,00

Número do Indicador1 20 21  23 24  26 27 28 29 30 31   34 35 36 37 38

Dimensão do Indicador 0 0  0 1,00  1,00 0 0 -1,00 1,00 nsa   1,00 0 0 0 0

Número do Indicador1 39 40 41 42 43  45 46 47  49  51 52 53 54  56 57

Dimensão do Indicador 1,00 nsa -1,00 0 4,00  nsa 2,00 1,00  2,90  nsa nsa 1,00 nsa  1,00 1,00 9,61

IS(b) [considerando todos os indicadores aplicáveis] =
referente à tabela original de DANIEL (1999b); e não se aplica às condições do sistema em análise.

101

Quadro 6 - Valores simulados dos indicadores propostos por DANIEL (1999c) e do índice de sustentabilidade socioeconômica de um sistema agrissilvipastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais, município de Vazante-MG
Número do indicador1 1 2 3 4 5 6 7  9 10 11 12 13  15 16
1 2

Dimensão do Número do Dimensão do Número do indicador indicador1 indicador indicador1 nsa2 17 nsa 33 nsa    0 19 0 35 0 20 1,00 36 3,00 21 1,00 37 1,00 22 1,00 38 1,00 23 1,00 39 24 1,00 40  8,83 25 1,00 41 2,90 42   1,00 43   1,00 44   1,00 45   30 2,82 46  1,00 31 13,96 47 3,00 32 nsa 48 IS(s) [considerando todos os indicadores aplicáveis] =

Dimensão do indicador nsa  1,00 1,00 0 1,00 nsa 0 0 1,00 0 0 1,00 nsa 1,00 1,00 90,17

referente à tabela original de DANIEL (1999c); e não se aplica às condições do sistema em análise. 

$ DSOLFDomR GRV JUiILFRV WLSR UDGDU Os gráficos tipo radar, sugeridos por CALORIO (1997) e DANIEL et al. (1999b), relacionados aos índices de sustentabilidade biofísica [IS(b)] e socieconômica [IS(s)] do sistema agrissilvicultural em análise encontram-se na Figura 1. Cada raio dos gráficos representa um indicador, cujos valores, unidos, formam a área central representativa dos IS(b) (Figura 1a (Figura 1c e 1d). e 1b) e IS(s)

102 

             

 

   

         

   

    

           

             

 

   

         

   

    

          

a 
     

b 
                 

          

        

     

          

          

       

 

   

 

 

c

d

Figura 1 - Gráficos tipo radar, mostrando: as áreas que representam o índice de sustentabilidade biofísica (a e b) e socioeconômica (c e d), reais para o quinto ano do sistema agrissilvipastoril (a e c), e as simulações para o 11o ano (b e d).

Uma sugestão de aplicação desses gráficos é a possibilidade de acompanhar as alterações dos indicadores para mais ou para menos, em um processo de monitoramento. Naturalmente que tais figuras devem ser impressas em maiores dimensões, para que as variações se tornem mais visíveis; caso contrário as mudanças ficarão claras somente para os maiores valores. Outra sugestão de uso é a impressão dos gráficos em transparências, utilizando a mesma escala entre IS da mesma natureza, o que permite a sua sobreposição. Esta forma de aplicação propicia melhor idéia do aumento ou redução da área envolvida pelos indicadores. 103

Os IS são uma generalização dos valores individuais dos indicadores de sustentabilidade, dando idéia de conjunto. Portanto, pode ocorrer a necessidade de avaliar individualmente as alterações em cada indicador. Neste caso, além do uso dos próprios valores numéricos, pode-se dispor, com os gráficos, de uma opção mais didática de apresentação e verificação das mudanças na sustentabilidade, o que permite a tomada de ações individuais para levar os IS aos níveis desejados.  $ TXDOLILFDomR GRV tQGLFHV GH VXVWHQWDELOLGDGH Está claro que atualmente não é possível enquadrar os índices de sustentabilidade (IS) em escalas de qualidade comparativas para diferentes sistemas agroflorestais, em função da ausência de termos de comparação. No entanto, com os dados deste trabalho já é possível fazer alguma inferência sobre uma escala de qualidade, referente à metodologia sugerida. Fazendo uma avaliação geral das condições ambientais e socioeconômicas do sistema agrissilvipastoril analisado, com base nos valores dos índices (IS) obtidos, incluindo as visitas LQ ORFR pode-se dizer que os IS encontram-se no máximo em um nível intermediário. Isso se for suposta uma escala caracterizada por três níveis crescentes de qualidade (sustentabilidade inadequada, intermediária e suficiente). Assim, para o monitoramento do quinto ano, o IS(b) = 5,64 e o IS(s) =24,24, e no 11o ano, o IS(b) = 9,61 e o IS(s) = 90,17, podem ser considerados valores representativos de bom nível de sustentabilidade ambiental e socioeconômica. Dois aspectos devem ser considerados ao acatar essa sugestão de escala e de classificação do SAF analisado: a) por ser a primeira vez que essa metodologia de avaliação da sustentabilidade é aplicada, os valores servem apenas de guias, que poderão ser modificados em novos estudos de caso; e b) qualquer escala que seja usada para classificar a sustentabilidade de SAF deve estar

104

relacionada com sistemas específicos, ou seja, a escala gerada para um sistema poderá não servir para outro. Vale a pena, também, fazer um comentário sobre o SAF em avaliação, que tem como componente arbóreo o eucalipto. Há muitas críticas ao uso deste gênero vegetal em reflorestamentos (COUTO et al., 1998). As proposições e discussões feitas neste trabalho não as levam em consideração e nem entram no mérito das polêmicas, tendo em mente ser inevitável o uso dessa espécie arbórea na produção de madeira para diversos fins, em função da sua precocidade e qualidade dos produtos finais.  &21&/86®(6

As análises realizadas entre os métodos de obtenção dos índices de sustentabilidade, tanto biofísica quanto socioeconômica, demonstraram a inviabilidade da realização dos cálculos a partir da padronização dos indicadores por meio do desvio-padrão, no que se refere a aplicações comparativas entre diversas etapas de monitoramento. Os resultados comprovam que o uso dos indicadores sem nenhuma transformação, para o cálculo dos índices de sustentabilidade, é uma metodologia adequada para monitorar as mudanças de valores ao longo do tempo. Com relação à exeqüibilidade, o sistema de avaliação da sustentabilidade proposto pode ser considerado pouco oneroso e de rápida e fácil aplicação, gerando índices que podem ser aplicados no gerenciamento da sustentabilidade dos sistemas agroflorestais. Os gráficos tipo radar mostraram-se como boa opção para apresentação dos indicadores e índices de sustentabilidade de forma didática. Embora em primeira aproximação, em função da falta de parâmetros de comparação com outros sistemas, pode-se considerar que o nível de sustentabilidade ambiental e socioeconômica do SAF analisado é intermediário.

105 

5()(5Ç1&,$6 %,%/,2*5È),&$6

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106

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107

5(6802 ( &21&/86®(6

Este estudo foi desenvolvido basicamente em duas etapas, sendo a primeira constituída da aplicação de parte da metodologia proposta por CAMINO V. e MÜLLER (1993), complementada por BERTOLLO (1998), com o objetivo de definir grupos de indicadores de sustentabilidade biofísica e socioeconômica para sistemas agroflorestais. Em resumo, esta metodologia contempla os seguintes passos: a) definição do sistema; b) identificação de categorias significativas de indicadores; c) identificação de elementos significativos em cada categoria; d) identificação e seleção de descritores para os indicadores; e) definição e obtenção de indicadores; f) análise dos indicadores; e g) procedimentos de monitoramento, devendo-se ressaltar que esta última etapa não foi objeto desta tese. A metodologia utilizada resultou na obtenção de um elevado número de indicadores, os quais foram submetidos a critérios específicos para redução a dois grupos mínimos, para avaliação da sustentabilidade biofísica e socioeconômica. Na outra etapa, foi realizado um estudo de caso, considerando um sistema agrissilvipastoril implantado na região noroeste do Estado de Minas Gerais. Este sistema consiste no cultivo do gênero (XFDO\SWXV, consorciado com arroz no primeiro ano, soja no segundo, semeadura de braquiária no terceiro e criação de bovinos de engorda a partir do quarto ano, com o abate e a reposição 108

dos animais feita bianualmente. Coletaram-se dados para atender às exigências dos indicadores biofísicos e socioeconômicos definidos na primeira etapa. Os valores dos indicadores, dispostos nos raios de gráficos tipo radar, geraram áreas que passaram a representar índices de sustentabilidade (IS). Também, foram realizadas simulações para obter os IS para a idade final prevista para o ciclo do sistema. A aplicação desta metodologia resultou na proposição de 57 indicadores de sustentabilidade biofísica e 48 de sustentabilidade socioeconômica. Além disto, foram obtidos os valores reais de 5,64 e 24,24 para os IS biofísica e socioeconômica para o quinto ano do sistema e os valores simulados de 9,61 e 90,17 para o final do ciclo, no 11o ano. Esta tese é composta de seis artigos, nos quais constam as conclusões de cada um. De forma resumida, podem ser citadas as seguintes conclusões: a) o uso dos grupos de indicadores obtidos é viável, em função da facilidade de aplicação, do baixo custo com levantamentos de campo e análises laboratoriais e da rápida obtenção dos resultados; b) o uso do gráfico tipo radar permite a geração de IS biofísica e socioeconômica; c) o IS obtido por meio da metodologia utilizada é bastante sensível às alterações nos indicadores; e d) quando foram comparados os valores padronizados dos indicadores, por meio do desvio-padrão, com os valores não-padronizados, concluiu-se pela superioridade destes nos cálculos dos IS e no monitoramento da sustentabilidade.

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$3Ç1',&(

110

$3Ç1',&(

Quadro 1A - Relação de pesquisadores e técnicos que contribuíram com a seleção de indicadores de sustentabilidade
Pesquisadores/Técnicos Instituição/Empresa

Carlos Alberto Moraes Passos, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Mato Grosso Elias Silva, Engenheiro Florestal Ivo Jucksch, Engenheiro-Agrônomo Laércio Couto, Engenheiro Florestal Omar Daniel, Engenheiro Florestal Rasmo Garcia, Zootecnista Vicente de Paula Silveira, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Viçosa Universidade Federal de Viçosa Universidade Federal de Viçosa Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Universidade Federal de Viçosa Companhia Mineira de Metais

Quadro 2A - Modelo de estrutura e cálculos na planílha eletrônica, para geração do índice de sustentabilidade biofísica [IS(b)]
No Indicador Linhas A 1 1 B Nível médio de eutrofização dos reservatórios e, ou, cursos d'água Nível médio anual de turbidez dos reservatórios Célula preenchida com o indicador correspondente
Idem B3

Indicador

Dimensão do Indicador Colunas C nsa1

Área

D =SE(ÉNÚM(C1);(C1*COS(RADIANOS(90(360/CONT.VALORES($A$1:$A$57))))*(SE (ÉNÚM(A2);C2;$C$1)))/2;"-") Célula preenchida, copiando/colando o conteúdo da célula D1 na planilha eletrônica

2

2

nsa Célula preenchida com o valor correspondente
Idem C3

3

3

Idem D2  

Idem D2

57

57

Existência de quaisquer prejuízos às áreas de proteção exógenas, em função da necessidade do cumprimento de compromissos com o sistema em análise

1,00

Idem D2

IS(b) =
1

=SOMA(D1:D57)

utilizado quando o indicador não se aplica às condições do sistema em análise.

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Quadro 3A - Modelo de estrutura e cálculos na planílha eletrônica, para geração do índice de sustentabilidade socioeconômica [IS(s)]
No Indicador Linhas A 1 1 B Exposição do material arqueológico à visitação pública Preservação de templos, cemitérios ou outras áreas consideradas sagradas Célula preenchida com o indicador correspondente
Idem B3

Indicador

Dimensão do Indicador Colunas C 0,00

Área

D =SE(ÉNÚM(C1);(C1*COS(RADIANOS(90(360/CONT.VALORES($A$1:$A$57))))*(SE (ÉNÚM(A2);C2;$C$1)))/2;"-") Célula preenchida, copiando/colando o conteúdo da célula D1 na planilha eletrônica

2

2

0,00 Célula preenchida com o valor correspondente
Idem C3

3

3

Idem D2  

Idem D2

48

48

As estradas de acesso à propriedade e ao sistema são transitáveis durante todo o ano

1,00 IS(s) =

Idem D2 =SOMA(D1:D48)

1

utilizado quando o indicador não se aplica às condições do sistema em análise.

Figura 1A - Localização da Fazenda Riacho, município de Vazante-MG, de propriedade da Companhia Mineira de Metais, onde está implantado o sistema agrissilvipastoril utilizado no estudo de caso.

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