Revista de Administração Municipal - MUNICÍPIOS - IBAM

ÍNDICE
ARTIGOS E REPORTAGEM ฀/฀ARTICLES AND REPORTAGE

EXPEDIENTE
A Revista de Administração Municipal – MUNICÍPIOS é uma publicação do Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM, de periodicidade trimestral, indexada à Qualis CAPES Internacional, depositada na Reserva Legal da Biblioteca Nacional e no Centro Brasileiro do ISSN, IBICT sob o n.° ISSN 0034-7604. Registro Civil de Pessoas Jurídicas n.° 2.215. Editores Heraldo da Costa Reis – Editor Técnico Sandra Mager – Produção Gráica Ana Kelly de Jesus – Apoio Editorial Conselho Editorial Ana Maria Brasileiro (UNI FEM/ONU /Washington/Estados Unidos), Celina Vargas do Amaral Peixoto (FGV/Rio de Janeiro/RJ), Emir Simão Sader (CLACSO /Buenos Aires/ ARGENTIN A), Fabrício Ricardo de Limas Tomio (UFPr/Curitiba/PR), Jorge Wilheim (Consultor em urbanismo, São Paulo/ SP ), Paulo du Pin Calmon (UNB/CEAG/Brasília/DF) e Rubem César Fernandes (VIVA RIO/Rio de Janeiro/RJ). Conselho Técnico Alexandre Santos, Heraldo da Costa Reis e Marlene Fernandes. Esta publicação consta do indexador internacional Lilacs – América Latina e Caribe e nas seguintes páginas: • FEA/USP - Departamento de Administração • FGV - Biblioteca Mário Henrique Simonsen • UNB - Biblioteca Machado de Assis • Biblioteca Nacional • Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia Catálogo Coletivo Nacional (CCN) • Association of Research Libraries • Latin Americanist Research Resources Project • Institut des Hautes Études de l’Amérique Latine - Centre de Recherche et de Documentation sur l’Amérique Latine • Facultad de Ciencias Juridicas y Politicas - Universidad Central de Venezuela • HACER - Hispanic American Center for Economic Research ASSINATURAS Tel.: (21) 2536-9711/ 2536-9712 • revista@ibam.org.br Valor da assinatura anual: R$ 48,00 Tiragem: 2 mil exemplares REDAÇÃO Coordenação Editorial Edição 1 – Comunicação & Serviços Ltda. • Telefax: (21) 2462-1933 Jornalista responsável: Mauricio S. Lima (MTb 20.776) Jornalismo: Ana Cristina Soares Revisora gramatical: Lucíola M. Brasil Programação visual: Virgilio Pinheiro Foto de Capa: sxc.hu DEPARTAMENTO COMERCIAL Contato: (21) 2462-1933 Os artigos reletem a opinião de seus autores. É permitida a sua reprodução desde que citada a fonte. IBAM – Edifício Diogo Lordello de Mello Largo IBAM, 1 – Humaitá – Rio de Janeiro, RJ CEP 22271-070 Tel.: (21) 2536-9797 www.ibam.org.br Conselho de Administração Edson de Oliveira Nunes (Presidente), Edgar Flexa Ribeiro, Edvaldo Brito, Henrique Brandão Cavalcanti, João Pessoa de Albuquerque, Luiz Antonio Santini, Maria Terezinha Saraiva, Mayr Godoy, Paulo Alcântara Gomes e Tito Bruno Bandeira Ryff Conselho Fiscal Aguinaldo Helcio Guimarães, Paulo Reis Vieira Roberto Guimarães Boclin (Suplente) Superintendência Geral Paulo Timm REPRESENTAÇÕES São Paulo Avenida Ceci, 2081 • Planalto Paulista, São Paulo • SP • CEP 04065-004 • Tel/Fax: (11) 5583-3388 • Ibamsp@ibam.org.br Santa Catarina Rua Sete de Setembro, 483 - sl. 01 - Edifício Ipiranga - Centro - Blumenau - SC - CEP 89010-201 • Tel/Fax: (47) 3041-6262 • Ibamsc@ibam.org.br

05 O ICMS Ecológico no Brasil, um Instrumento Econômico de Política Ambiental Aplicado aos Municípios / The ICMS Ecological in Brazil, an Instrument of Economic Environment Policy Applied to Municipalities
Vanessa Marcela Nascimento, Hans Michael Van Bellen Christiano Coelho, Marcelo Nascimento

17 Tributos imobiliários: carga tributária / Real state tax: tributary burden
José Rildo de Medeiros Guedes

37 O nepotismo sob a ótica da Súmula Vinculante nº 13 do STF: críticas e proposições / Nepotism in the view of the binding precedent of the Supreme Court No. 13: criticisms
Alice Barroso de Antonio

54 Plano diretor do Campus Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro: planejamento físico-territorial e identidade em um espaço para o ensino / Territorial planning and identity in a space for educational practices
Leo Name, Priscylla Freiria Valladares

74 Avaliação do Potencial de Reciclagem na Cidade de Cuiabá (MT) / Preliminary assessment of potential for recycling in the city of Cuiabá (MT)
Roberto Naime Eduardo Figueiredo Abreu, Sérgio Carvalho

PARECERES E JURISPRUDÊNCIA / REPORTS AND JURISPRUDENCE

82 Princípio da segurança jurídica e a decadência da prerrogativa da Administração de anular seus próprios atos 87 Reestruturação financeira do SAAE
SEÇÕES / SECTIONS

52฀– FINANÇAS MUNICIPAIS / MUNICIPAL FINANCES 89฀– EM FOCO / HIGHLIGHTING 90 – PERGUNTE AO IBAM / ASK TO IBAM
ERRATA
Na edição anterior número 276 mencionamos o artigo “Tributos imobiliários: carga tributária” no editorial, no entanto, o mesmo não foi publicado.

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Abril/Setembro

Revista de Administração Municipal - MUNICÍPIOS - IBAM

PLANO DIRETOR

Plano diretor do Campus Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro: planejamento físicoterritorial e identidade em um espaço para o ensino
Leo Name Arquiteto e urbanista, doutor em Geografia (UFRJ), professor adjunto do Departamento de Geografia da PUC/Rio e professor substituto do Departamento de Urbanismo da UFF leoname@terra.com.br Priscylla Freiria Valladares Arquiteta e urbanista, mestranda em Engenharia Urbana (Poli-UFRJ) e assistente de Coordenação do Instituto Terrazul pfreiria@gmail.com

RESUMO
Este artigo tem por objetivo apresentar as principais questões relacionadas à elaboração e ao conteúdo do “Plano Diretor do Campus Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PD-ISERJ)”. Tendo em vista ordenamento físico-territorial do Campus, o referido plano diretor objetiva resgatar a identidade (social e espacial) do educador profissional e a missão de “laboratório pedagógico” que é inerente ao projeto original do Campus, sob influência do ideário do movimento que ficou conhecido como “Escola Nova”. Para isso, o plano diretor define objetivos e diretrizes que claramente nos próximos anos irão guiar as ações projetuais de arquitetura (inclusive projetos de restauração) e paisagismo. Palavras-chave: plano diretor, ISERJ, identidade, planejamento físico-territorial.

INTRODUÇÃO O presente artigo objetiva apresentar algumas questões relativas ao Plano Diretor do Campus do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PD-ISERJ). Com aproximadamente 37.000 m2 e localizado à Rua Mariz e Barros, 273, no bairro da Tijuca, cidade do Rio de Janeiro, trata-se de um bem tom-

bado pelos órgãos de patrimônio estadual e municipal. O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) decretou tombamento do campus em 1965, enquanto o tombamento da Secretaria Extraordinária de Promoção, Defesa, Desenvolvimento e Revitalização do Patrimônio e da Memória Histórico-Cultural da Cidade do Rio de Janeiro (Sedrepahc) é mais recente, de 2001, contemplando

suas edificações originais. Exigido por estes órgãos, que há tempos vinham percebendo sua necessidade, o PD-ISERJ foi concluído em março de 2009 por equipe do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM),1 que executou o trabalho por assessoria técnica doada à Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a mantenedora do ISERJ.2 O PD-ISERJ é o instrumen-

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apontou para a definição de diretrizes e de ações visando à retomada do campus como laboratório pedagógico. Dito de outro modo: se não projeta espaços exteriores nem edificações. o PD-ISERJ é o norteador principal justamente destes projetos e obras.4 em 1986. com certeza são. O que. Trata-se de valoroso exemplo arquitetônico do movimento denominado “neocolonial”:3 Sua edificação hoje referida como “Edifício Principal”. que obteve grande audiência à época. Para isso. Essa função fora desejada desde seu projeto e construção. quando foi ocupado o expressivo conjunto de edifícios construído a partir do projeto dos arquitetos José Cortez e Ângelo Bruhns. o que lhe daria um caráter mais explícito de norma. possa de fato ser vislumbrado. o mais expressivo capital simbólico do Instituto de Educação. Nesse sentido. Ele é um documento elaborado por meio de um profícuo diálogo com os variados setores da instituição. foi intensificado por uma influência midiática externa: quando a Rede Globo exibiu a minissérie Anos Dourados. por isso. de unidade e de legibilidade – preocupando-se com circulação livre de obstáculos em todas as áreas do Campus. a mantenedora (Faetec) e os órgãos de patrimônio (Inepac e Sedrepahc). por outro é instrumento norteador de qualquer intervenção física futura. caracterizando-se como documento essencial para a gestão e a tomada de decisões pelas instituições direta ou indiretamente vinculadas a este espaço. de modo que seu conjunto. por sua vinculação a uma instituição. e implantadas em espaço relativamente reduzido. mais ainda no exercício das suas atividades. Por fim. assim como seus anexos (Anexo do Teatro e Anexo do Ginásio). Marco da televisão brasileira.Revista de Administração Municipal . exibidos os desafios considerados no Plano Diretor no que diz respeito à escala do Campus como um todo. por conta de estreita vinculação com o ideário da Escola Nova – o que será esclarecido ao longo do artigo. inclusive visando à valorização do conjunto tombado) e claramente determina o quanto e onde se pode construir. condiciona que quaisquer projetos ou intervenções nas áreas de arquitetura (inclusive restauro) ou de paisagismo obrigatoriamente o tenham como referência. o PD-ISERJ alimenta futuras intervenções paisagísticas (consideradas prioritárias. delimita duas áreas que poderão abrigar atividades que necessitem ser transferidas e novas edificações para futuras demandas. à época da fase de diagnóstico do Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 .MUNICÍPIOS . serão elencadas as principais propostas do Plano Diretor do Instituto Superior de Educação (PD-ISERJ). Em seguida. o PD-ISERJ indica diretrizes de acessibilidade. que se desdobram em várias diretrizes e ações. junto com a imagem da normalista. não é apresentado em forma de lei (como no caso dos planos diretores municipais exigidos pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Cidade). CARACTERIZAÇÃO DA REDE FÍSICA DO CAMPUS ISERJ A ESCOLA NOVA E A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE E DE UM LABORATÓRIO PEDAGÓGICO Ainda chamando-se simplesmente Escola Normal. será apresentada a rede física do Campus e o espaço construído correlacionado ao histórico do Movimento dos Pioneiros da Escola Nova. o processo de pesquisa de documentação e de levantamentos de campo. a minissérie contribuiu para a projeção da to básico de ordenamento do espaço físico do Campus ISERJ e de orientação para a preservação do patrimônio tombado. Se por um lado o PD-ISERJ.IBAM PLANO DIRETOR PD-ISERJ. por explicitar desejos. É um importante instrumento que orienta as práticas projetuais e administrativas no Campus ISERJ desde o momento de sua conclusão. Em outras palavras. com muitas edificações de extrema diversidade tipológica e arquitetônica. o Instituto de Educação passou a funcionar no atual campus em 1930. vencedores de concurso público organizado pela Prefeitura dois anos antes. seguindo-se a apresentação dos desafios na escala das edificações. que em anos anteriores havia se instalado de forma provisória e até mesmo improvisada em edifícios preexistentes da então capital federal. Primeiramente. não seria exagero dizer. conflitos e expectativas em relação ao espaço em foco. pactuadas por todos. Neste sentido. Além disso. O PD-ISERJ também define os respectivos critérios de ocupação a serem considerados nestas áreas. seja por ser valor comumente reconhecido por professores e funcionários seja pela cristalização de sua imagem junto aos habitantes da cidade do Rio de Janeiro e até mesmo do restante do país. de modo a permitir que seja estimado o potencial construtivo máximo do Campus. o Instituto de Educação se tornou ainda mais notório.Nº 277 55 . mesmo que não tenha sido concebido para ser um plano que defina explicitamente projetos e obras. deve ser entendido como o resultado de um pacto social que.

seja pela inadequação do uso em relação às atividades fim do Campus ou à tipologia da edificação. Tal filosofia de educação possuiu clara dimensão espacial. a excelência construtiva. A Figura 3 é colagem de fotos de algumas de suas principais edificações. também esclarecida pelo subsequente Quadro I. deveriam ser locus para a prática e para a experimentação voltadas ao ensino.Revista de Administração Municipal . mesmo que por diferentes tipologias arquitetônicas. a identidade do educador profissional e a missão da formação de professores. Dessa forma. Isto é. ficaram ainda mais conhecidos o até hoje famoso uniforme das normalistas e as formas e as instalações de sua arquitetura (Figura 1). e que até hoje define. Alguns desses edifícios mantiveram a destinação educacional e Figura 1 Imagens da minissérie Anos Dourados. por serem acréscimos ou elementos contrastantes em relação ao conjunto. seja por sua baixa qualidade construtiva. ecoando os ideais em voga que. Ao longo dos anos. dois anos após sua ocupação. O ano de 1930. a maioria das vezes instaladas em quaisquer edificações não planejadas para o uso educativo.Nº 277 Abril/Setembro . da ocupação do Edifício Principal e seus anexos.MUNICÍPIOS . marco da história da educação no Brasil. o que torna o percurso externo por todo o espaço e a contemplação do seu acervo arquitetônico e paisagístico praticamente impossível. é marcante na história bra- 56 Ano 57 . Esta dimensão espacial do “laboratório pedagógico” foi o que em grande medida definiu. As instalações originais expressam clara preocupação em se ter uma arquitetura de excelência voltada especificamente ao ensino. são edificações precárias. na defesa de que suas edificações e espaços exteriores deveriam configurar um “laboratório pedagógico”. e. concretizada por meio dos muitos Institutos de Educação implantados Brasil afora. O intuito é se distanciar ao máximo do ensino religioso e do modelo das salas-auditório ocupadas por alunos passivos.IBAM imagem da instituição – inclusive de sua função primordial de formação de professores. particularmente. Outros. Soma-se a tudo isto certo descuido dos espaços exteriores e sua compartimentação por meio de muros. porém. Fonte: Captura do DVD original da minissérie. que tinha como principal locação o Campus ISERJ. o Campus ISERJ foi ocupado por uma série de novos edifícios5 – a Figura 2 apresenta a rede física do Campus. de grades e de variados tipos de limites físicos. norteariam o chamado “Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova”. em 1932.

Nº 277 57 . Justamente por isso. pois boatos contavam que tropas da “revolução” se instalariam em qualquer edificação vazia que encontrassem.IBAM PLANO DIRETOR Quadro I: Síntese da Caracterização das Ediicações do Campus ISERJ Fonte: PD-ISERJ sileira. e conformou um embate interno de uma geração de intelectuais de visões ideológicas distintas. Eles colocavam em lados opostos a Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 . a década foi marcada por diversos fatos. que se estenderiam por muitos anos.MUNICÍPIOS . o edifício precisou ser ocupado às pressas. Foi nesse momento que o movimento armado. liderado por forças políticas dos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. como a Semana de Arte Moderna (1922). o Movimento dos 18 do Forte (1922).Revista de Administração Municipal . conduziu a tomada do poder por Getúlio Vargas. A década anterior assentara o terreno para situações de conflito dessa natureza. Como apontado por Lopes (2003). a Revolta Tenentista (1924) e a Coluna Prestes (1924 a 1927).

os intelectuais da Escola Nova uniram saberes tão distintos quanto o jurídico e o médico e concepções tanto de esquerda quanto de direita no projeto coletivo de uma nova forma de educar. na área da educação. inserindo-o no processo “civilizatório” e fazendo-o rumar para uma feição mais “universal”. visavam moldar nova identidade nacional que pudesse levar o país à “modernidade” cada vez mais almejada. dos muitos movimentos intelectuais que.Nº 277 Abril/Setembro . na primeira metade do século XX. ao lado daqueles que desejavam este “novo” e “moderno”. Também foram três dos principais nomes – no total de 26 signatários – que em 1932 assinaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. procuravam libertar certo Brasil tradicional e rural de seus inerentes arcaísmos. Os renovadores eram os representantes. Anísio Teixeira e Lourenço Filho foram três dos muitos intelectuais que. “industrial” e “urbana”. Fernando de Azevedo. “moderna”. Eclodiam 58 Ano 57 .MUNICÍPIOS . Chamados também de “renovadores”.IBAM (continuação do Quadro I) manutenção da ordem e da tradição e a opção pelo novo e pelo moderno.Revista de Administração Municipal .

E. 2006).Nº 277 59 . estéticos. educacionais e arquitetônicos do período. Psicologia e Estatística aplicadas ao ensino. Acreditava-se também que a criança deveria ser nela inserida não por mera iniciativa da família que quisesse lhe conceder mais erudição. planejados para tal fim.MUNICÍPIOS . a transformação também deveria se realizar por boa forma dos espaços.8 o edifício do Rio de Janeiro tinha como meta uma mudança do habitus pedagógico: seu currículo previa 16 anos de estudo – o aluno entraria no jardim de infância e sairia da escola professor. que deveria ter seu monopólio retirado das instituições católicas. mas sim a escola. cuja meta era o progresso contínuo e da qual necessariamente seriam retirados os elementos do passado colonial. laica. Nunes (1998) aponta que para esta geração a universidade não era o local exclusivo nem muito menos o mais importante da formação intelectual. Espaços exteriores e Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 .IBAM PLANO DIRETOR (continuação do Quadro I) várias idealizações para uma nova identidade nacional para o país. somadas ao ensino da arte em aulas de desenho e de pintura nas chamadas salas-ambientes (Figura 4). mas como desejo de um Estado que pensava um futuro melhor para o país a partir de cidadãos livres e mais preparados.Revista de Administração Municipal . eram preenchidos por todas as conquistas da ciência do século XIX. Nesse sentido. e também do seu aparelhamento tecnológico. tendo como locus de atuação o Instituto de Educação – modelo que não se restringiu somente ao Rio de Janeiro –. os educadores ao mesmo tempo defendiam um ideário de nação cuja espinha dorsal seria justamente a educação pública. particularmente os equipamentos e os saberes da Biologia. por meio da educação (Almeida Filho.7 Toda esta filosofia da educação se materializa nos espaços do Instituto de Educação carioca. Mesmo que imbuídos de algum nível de eurocentrismo. A despeito de sua expressão arquitetônica. cujos currículos e instalações. obrigatória. inclusive no que diz respeito à nova construção identitária.6 por terem a esmagadora maioria de seus alicerces políticos e teóricos na Europa e/ou nos Estados Unidos. em clara contraposição ao ensino religioso. que representa claramente os conflitos de diferentes ideários políticos. a figura do educador profissional surge como a do executor de missão renovadora da sociedade brasileira. gratuita e igual para todos. A renovação nacional se daria. que serviu de modelo para outros do país. para além dessa excelência na formação de professores cidadãos.

intelectuais e sociais que serão parte do currículo e do cotidiano do aluno (Azevedo. artificial e verbal. 1999. e. a identidade do educador profissional idealizada pela Escola Nova se realiza por intermédio do contato constante com outros educadores profissionais e com os alunos nos espaços escolares. por um lado. A 60 Ano 57 . Nesse sentido. sempre em contraposição à forma de ensino notadamente religioso e/ou em espaços improvisados anteriormente ministrada no Brasil colonial e do Império. Tal nova identidade se alinha à idealização de uma também nova e moderna identidade nacional que se assenta sobre desejos de modernização e progresso. Fonte: PD-ISERJ. Necessariamente tratam de relações de poder. a tradução física de um ideário.Revista de Administração Municipal . 173-175). definidas. da identidade social do educador profissional brasileiro. não há existência concreta ou material das identidades. semelhanças ou igualdades. Ao mesmo tempo.Nº 277 Abril/Setembro . construídos como os do Instituto de Educação do Rio de Janeiro eram. apenas se definem em relação a outras iden- tidades. mas elas podem muito bem ser percebidas. p. simbólica mas nem por isso desprovida de força e permanência. mas muito mais fortemente da sociedade brasileira como um todo. tanto no sentido do aprimoramento pessoal e intransferível. Teixeira. Evidentemente.IBAM Figura 2 Rede Física do Campus ISERJ. 1997 [1935]).9 Em nome da educação nova. buscadas e combatidas. tanto no diálogo quanto no conflito. no espaço construído especialmente para as novas escolas. que levam a caracterizações e hierarquizações. de atividades manuais. por meio de interações variadas e de valorizações ou desvalorizações mútuas (Haesbaert. 1930. rejeita-se a instrução abstrata. e apela-se à participação efetiva da criança.1994): dá-se no encontro e no embate com o Outro. condicionantes para a gradativa construção. 167172. por outro. Têm relação também com uma indissociável busca por reconhecimento que somente se faz frente à alteridade (Taylor.MUNICÍPIOS . p. a partir da inserção.

tendo ao fundo o Anexo do Ginásio. do Edifício Principal. seus espaços internos e externos. a escola seria um grande laboratório pedagógico e. tanto social quanto espacial. tanto a conduta e a ação individuais Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 . é perceptível no desejo de organização territorial do Campus. traduzido pelo Plano Diretor. ela se construiu pelo referente simbólico central que eram os Institutos de Educação sob o controle de um projeto de renovação. construção irregular e de baixo padrão construtivo sobre colunata de edifício principal. por sua vez apoiada em dois espaços em escalas distintas: por um lado. Fonte: Centro de Memória Institucional do ISERJ /IBAM. certo movimento de reconstrução identitária. para isso. é possível se afirmar que a identidade social do educador profissional também foi construída como uma identidade espacial. sobretudo professores. se à época da Escola Nova a figura do educador profissional se estruturava a partir da invenção do novo e da projeção do futuro. vista dos fundos do Pavilhão Anísio Teixeira. por outro. se direcionou à transformação da nação. vista da entrada da Vila Machado Bastos. Nossa observação de campo e as entrevistas com diversos funcionários. Figura 3 De cima para baixo e da esquerda para a direita: a fachada principal à Rua Mariz e Barros. esta mesma identidade. Do mesmo modo.Revista de Administração Municipal . tornaram claro que boa parte desta sensação de crise tem estreita relação com o precário estado de conservação das edificações do Campus. se apresenta hoje no ISERJ. tanto como apego ao passado quanto como necessidade cada vez mais legítima e eminente de (re)construção de uma tradição. seus espaços externos e internos – onde se devem cultivar tanto o pensamento individual quanto o trabalho em cooperação. passeios nas cidades das escolas mais urbanas – o ensino que prepara o cidadão para a democracia não se dá somente em espaços fechados.Nº 277 61 . Diante de quadro tão contundentemente espacial. Mas. havendo adaptações de acordo com o contexto físico da localização das escolas: pesca em escolas litorâneas. vida ao ar livre é também parte do ensino. as identidades se apresentam com mais clareza justamente nos momentos em que se encontram ameaçadas ou em crise. seja por falta de manutenção seja por intervenções físicas consideradas equivocadas (inclusive novas edificações e edículas).MUNICÍPIOS . agricultura em escolas rurais. influenciando e auxiliando o Estado no desenvolvimento de seu território e povo. que abriga o Refeitório. área de recreação junto ao edifício da Pré-Escola. edifício da Manutenção.IBAM PLANO DIRETOR quanto os esportes coletivos – deveriam ser preparados e utilizados para tal fim. Em outras palavras. Arquibancada. Pois como argumenta Hall (2006 [1992]).

Em outras palavras. nem mesmo dos seus espaços circun- No primeiro plano. espaços construídos e não-construídos. ataques e boicotes externos ao curso normal (hoje tendo sido elevado ao nível de graduação. Jacobs (2007 [1961]) argumenta que a existência em si de um espaço livre – um parque. materiais e objetos de química Fonte: CPDOC/FGV. Por um lado. Ou seja. conflitos interinstitucionais. Pior ainda. mas ao mesmo tempo com sua abertura de vagas em vestibular paralisadas) e excessivo contingente de alunos são alguns dos muitos fatores que têm ocasionado efeitos considerados catastróficos. em geral.IBAM Figura 4 Getúlio Vargas em visita a laboratório no Instituto de Educação (1934) espaço.Revista de Administração Municipal . o estado atual dos espaços é efeito de processos que solapam a identidade do educador profissional: pouco investimento em educação ao longo de décadas na escala nacional. ao passo que o movimento de ordenamento e revalorização espacial do Campus pela oportunidade do PD-ISERJ traz embutido o desejo de ordenamento e de revalorização dessa identidade. o resultado da disposição em momentos distintos de mais e mais edificações neste ambiente um tanto apertado. a experiência destes espaços naturaliza a ideia de eminente extinção do educador profissional. DESAFIOS A VENCER: SEGMENTAÇÃO DOS ESPAÇOS EXTERIORES E SUA CONFIGURAÇÃO COMO ESPAÇOS RESIDUAIS O Campus ISERJ é conformado tanto por edificações quanto por espaços livres. a convivência cotidiana com o crescente abandono. o mau uso e a deterioração dos espaços contribui para a sensação também de abandono e de deterioração desta identidade. como suspiros de luz e de ventilação que garantiam a qualidade para a oferta de atividades ao ar livre exigidas pelo ideário da Escola Nova. Por outro lado. uma área de lazer ou qualquer outro espaço exterior onde circulem pessoas – não garante a sua vitalidade e o seu uso. Na concepção original do projeto. vivido e percebido como deteriorado.Nº 277 Abril/Setembro . os espaços exteriores são. os espaços exteriores foram conscientemente projetados e posicionados de forma a entremear os edifícios. Arquivo Anísio Teixeira. visivelmente. Esses “vazios” são jardins e áreas esportivas e de recreação que. é entendido tanto como causa quanto efeito do enfraquecimento da identidade do educador profissional. para a época moderníssimos. por “cheios” e “vazios”. têm pouco uso e se encontram em estado de conservação muito ruim. Atualmente. o 62 Ano 57 . Esta conformação ofertava áreas de iluminação e de respiro por todo o Campus. uma praça. baixo repasse de verbas especificamente ao ISERJ na escala estadual. uma normalista está diante dos.MUNICÍPIOS .

intrínseco à concepção de ensino. da forma como hoje se apresenta. Pode-se dizer que o Campus possui tal complexidade: a riqueza espacial se apresenta desde a variedade tipológica das edificações e a diversidade na utilização. o Edifício Principal. somada à disposição aleatória dos edifícios ao longo do tempo e ao uso fracionado dos espaços. e não simplesmente formados a partir dos resíduos deixados pelas configurações dos espaços fechados. a autora afirma que a delimitação espacial é fator preponderante: os espaços exteriores são e devem ser conformados pelos edifícios. para um resquício deteriorado e subutilizado entre as edificações.IBAM PLANO DIRETOR que a despeito de no processo de expansão do Campus do Instituto de Educação ter havido em alguma medida a busca por oferecimento de edifícios de qualidade voltados especificamente para a educação. Entre outros inúmeros problemas.Revista de Administração Municipal . Os espaços e suas atividades são “voltados para dentro”. Ele atua como polarizador dos usos e da legibilidade do espaço. alguns edifícios acrescidos ao longo do tempo foram dispostos e construídos sem que houvesse preocupação com a integração dos mesmos entre si e com os vazios por eles formados. No Campus ISERJ. o Campus ISERJ é ilegível como unidade. a utilização de cada uma das edificações se dá quase sempre de forma autônoma e segmentada. pelas muitas atividades existentes no Campus. Entretanto. Por fim. inacessível a qualquer pessoa que queira conhecê-lo por inteiro. Tais questões revelam também um gravíssimo problema de acessibilidade no Campus ISERJ: a impossibilidade de um percurso de forma fluida e contínua pelos espaços exteriores é inerente a qualquer usuário. que distribui quase todos os fluxos para o exterior10 (Figura 5). observando-se sua relação ou não com as deteriorações encontradas. mais uma vez. a farta utilização de muros e de grades cria fronteiras e descontinuidades visuais. sobretudo no que diz respeito ao atendimento dos programas arquitetônicos refletidos na configuração e disposição dos compartimentos. Além disso. sendo reconhecido por todos como o elemento de destaque. sendo inerentes ao cotidiano dos segmentos escolares que vivem encastelados em seus pequenos fragmentos do Campus. muitas visando ao atendimento de setores ou de atividades específicas.MUNICÍPIOS . chama atenção a concentração da recreação em espaços utilizados quase sempre apenas por um segmento específico do alunado. Além disso. esse elemento é. algo particularmente preocupante em se tratando de um bem tombado. O resultado final do levantamento gerou plantas esquemáticas que apresentam os usos e as atividades em cada compartimento dantes. para atuar como referência no espaço. educadores) e a exclusão (de determinados espaços a determinados grupos) naturalizadas. Pode-se afirmar Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 . com hierarquia superior aos demais. MAIS DESAFIOS A VENCER: OS COMPARTIMENTOS INTERNOS TAMBÉM DETERIORADOS E SEGMENTADOS Durante o processo de trabalho foram realizados levantamentos minuciosos nos compartimentos das edificações do Campus. Desse modo. Avaliou-se sua equidade e a necessidade de ações projetuais referentes à manutenção e à recuperação física. a circulação se dá primordialmente por dentro do Edifício Principal. hoje. que se refere a um elemento espacial central ou. sem a menor preocupação com a conectividade com os demais espaços. São o resultado de ações descontínuas e não planejadas. impossibilitando um percurso contínuo nos espaços exteriores. As atividades foram avaliadas na sua forma de ocupação do espaço. o que de fato propicia a circulação de uma rica multiplicidade de usuários. Por fim. faixas etárias. Um segundo elemento considerado por Jacobs é a centralidade. visível na maioria dos espaços exteriores e que de fato serve como referência de localização para quem está dentro ou nas proximidades do Campus. mais precisamente.Nº 277 63 . havendo também a segmentação do uso no cotidiano. A fragmentação dos espaços promove a segregação (de atividades. o Campus se apresenta. Um dos elementos valorizados pela autora é a complexidade dos espaços. Dito de forma sintética: Os espaços exteriores são espaços residuais. como uma fragmentada e desconexa “colcha de retalhos” (Figura 6). objetivando observar seu estado de conservação e o uso e as atividades exercidas. referindo-se à diversidade de usos e de pessoas que confeririam diversidade de horários e de propósitos para sua utilização. a diversidade de usos não se expressa tão claramente nos espaços não construídos por conta da distribuição dos fluxos no Campus: como consequência do bloqueio de determinados acessos à rua e do fechamento de alguns portões internos. Pode-se concluir que ao longo do tempo o estatuto das áreas exteriores passou de um valor inestimável.

resultando na redução de espaços de ensino para o alunado – ao passo que. são utilizadas como disfarce para infiltrações de toda ordem. Fonte: PD-ISERJ. o que é. a segregação. o contingente de alunos aumentou enormemente. Foi percebido. de cada edificação e o grau de conservação de cada um deles. Outro fator importante: os compartimentos em pior estado de conservação eram aqueles localizados justamente em acréscimos. sobretudo pintura de paredes e tetos. sobretudo no Edifício Principal. espaços compartimentados de forma inadequada. que inclusive conformam risco ao patrimônio e à segurança dos usuários. Juntam-se a tudo isto problemas graves de patologia da construção. UM LABORATÓRIO PEDAGÓGICO A RECONSTRUIR: RESUMO DAS PRINCIPAIS PROPOSTAS DO PD-ISERJ As seções anteriores apontaram o fato de que desde sua implantação original.Nº 277 Abril/Setembro . além de tecnicamente ineficiente. desperdício de verba pública.12 Percebe-se. que a deterioração. Sobretudo no Edifício Principal. no desenrolar histórico. que se tornaram “escritórios” e deixaram de exercer suas funções originais. como o principal deles. Por fim. que as obras executadas ano a ano.Revista de Administração Municipal . em 1930.IBAM Figura 5 Acessos e Fluxos Atuais do Campus ISERJ. a depredação é o resultado de desmembramento ou de compartimentação de salas e da instalação de atividades que por sua natureza depredam o espaço em que se localizam e ajudam a promover o sucateamento do espaço físico. 64 Ano 57 .MUNICÍPIOS .11 Os levantamentos apontaram vários problemas. viu-se um movimento de utilização “privativa” do espaço de salas de aulas e salas ambientes. sem nehum tipo de planejamento. as ações voluntárias ou involuntárias de exclusão espacial e o encastelamento de setores e atividades se repetem no espaço interno das edificações. a fragmentação. portanto. ou naqueles que mudaram de uso sem a adaptação apropriada.

Além disso. reforçaram e enriqueceram a premissa do laboratório pedagógico. pecaram por não preverem a boa integração entre espaços e edificações. Há. pelo cercamento inapropriado de frações por muros. a qualidade dos componentes físicos do Campus ISERJ foi comprometida por uma série de ações: há novas edificações e. No que diz respeito ao programa arquitetônico. a manutenção dos espaços internos e externos é deficiente. grande compartimentação dos espaços exteriores.Nº 277 65 . por funcionários. o Campus ISERJ foi concebido para o cumprimento pleno da atividade de ensino e. Fonte: PD-ISERJ. refletindo o ideário da Escola Nova em voga.Revista de Administração Municipal . sobretudo. portões trancados ou outros limites físicos. e o acúmulo de anos de deterioração e de má gestão dos espaços.IBAM PLANO DIRETOR Figura 6 Espaços Residuais Atuais do Campus ISERJ. movimento de fragmentação e (auto-) segregação espacial de usos e atividades – o que se repete internamente. e é ainda valorizado por educadores. nos compartimentos dos edifícios. Entretanto. pontual e descontínua. portanto. A situação atual do Campus ISERJ.MUNICÍPIOS . grades. em sua maioria mantiveram a preocupação na excelência de espaços voltados para a educação. da missão da formação de professores no exercício do educador profissional. que se mantém na memória coletiva por intermédio da icônica figura da normalista. Os edifícios e as áreas livres originais foram projetados e implantados especificamente para o ensino. também. Ou seja. é resultante do conflito entre a excelência arquitetônica e paisagística intrínseca aos seus espaços físicos projetados de modo a promover práticas. por alunos e por pais. por exemplo. mais especificamente. no que diz respeito a sua relação com o espaço exterior. e atingir objetivos específicos no campo da educação. anexos inadequados – de tipologia e de qualidade construtiva precária. A ocupação gradativa do Campus contou com edificações com variedade de estilos e tipologias arquitetônicas. Ao longo dos anos. o que afeta Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 .

por meio de estudos fundiários e de ações jurídicas (integração de posse) e administrativas (cancelamento de cessão) para a ocupação gradativa das edificações liberadas. Convém esclarecer que de maneira alguma a ideia central deste pensamento é a de um determinismo arquitetônico. conferindo-lhes unidade e legibilidade.Nº 277 Abril/Setembro . Elas receberão atividades indicadas pelo Plano Diretor como passíveis de transferência. ao longo do tempo produziram determinados padrões de sociabilidade e de uso no espaço (e dificultaram ou impediram outros). Por isso. maior aproveitamento do espaço. embelezamento. Serão também direcionados esforços para a promoção da acessibilidade. SETORIZAÇÃO DO CAMPUS E PROJETO DE PAISAGISMO. O resultado atual parece corroborar para o distanciamento do Campus ISERJ de suas funções originais e até hoje valorizadas. 66 Ano 57 .MUNICÍPIOS . conforme representação cartográfica da Figura 7 e a descrição subsequente: a) Área de Estruturação e Integração dos Espaços – formada pelo conjunto de espaços ao ar livre. com posterior requalificação pelo ordenamento e ampliação de vagas para estacionamento. Esta relação entre ordenamento territorial e recuperação da identidade não está sendo aqui entendida apenas pelas características físicas e ontológicas que o espaço do Campus possa ter (seja por meio de sua conformação atual ou da resultante de intervenções físicas a serem elencadas pelo Plano Diretor) para necessariamente causar efeitos perceptivos (visuais. Há. Isto é. isto é. culturais e até mesmo aleatórias. com diretrizes específicas para cada uma delas. Busca-se. Qualificação e Ordenamento dos Espaços do Campus ISERJ”. portanto. a ilusão de previamente se determinar. da integração com o patrimônio edificado e do embelezamento paisagístico. definiu-se como objetivo fundamental do Plano Diretor a retomada do caráter de laboratório pedagógico do Campus ISERJ. as preocupações do PD-ISERJ se direcionaram ao que “[n]a arquitetura importa. a serem parcial ou integralmente atingidas pelo projeto de paisagismo. uma se- torização de áreas.13 O Plano delimita. a valorização do conjunto edificado tombado e a ligação eficiente entre as edificações. contribuindo para uma ampliação de seus usos sob determinados pressupostos.Revista de Administração Municipal . QUALIFICAÇÃO E ORDENAMENTO DOS ESPAÇOS Diante da definição do objetivo fundamental. e como interagimos no espaço” (Netto. ele ainda possui as diversidades arquitetônica e paisagística necessárias a esta finalidade e a notória excelência de seus educadores: o alcance deste objetivo dependeria em princípio em se focar em diretrizes. sua finalidade original. como base espacial para o projeto. b) Área para Transferência de Atividades – onde se direcionarão ações para aproveitamento de áreas ociosas e/ ou subutilizadas destinadas à construção de uma ou de mais edificações novas. estéticos) e até mesmo psicológicos sobre seus usuários. um ou mais comportamentos em relação ao mesmo. Devem promover a fluidez espacial. além de boas condições de acessibilidade ao conjunto do bem cultural. o PD-ISERJ definiu como ação estratégica a execução e a implantação do que nomeou como “Projeto de Paisagismo. deseja-se suprimir tais configurações constatadas como negativas e valorizar e reproduzir as que se julgar mais positivas. porque são próprios a este tipo de intervenção. 2006). portanto. políticas. c) Área de Reserva para Atividades Futuras – corresponde à área da Vila Machado Bastos e do estacionamento utilizado por funcionários do ISERJ. tem efeitos sobre o que fazemos. por meio do espaço. mas sim o inverso: constatou-se que determinados padrões espaciais em concomitância com demais ações institucionais. a valorização da identidade do educador profissional. graus diferenciados de planejamento e de imprevisibilidade que não se repelem ou se excluem. Foram definidas diretrizes para ações projetuais no Campus. Foi pactuado que devolver ao Campus seu caráter de laboratório pedagógico é meta viável para o futuro. O objetivo foi promover a integração dos espaços exteriores e das edificações. Ao se definirem objetivos e diretrizes. Desse modo. assim. Mesmo deteriorado. unidade e legibilidade.IBAM diretamente o exercício do ensino e. Nela serão direcionadas ações jurídico-administrativas para a investigação e a regularização fundiárias. estratégias e ações voltados especificamente para sua requalificação. Nela deverão ser direcionadas ações para a conversão da atual fragmentação e compartimentação em espaços residuais para integrados e com acessibilidade.

d) Área Compartilhada – corresponde à área do Campus ISERJ onde se localiza o Colégio Estadual Antônio Prado Junior. visando à definição comum de estratégias para utilização e desejável integração de espaços. foram descritos os tipos de inadequação que esclarecessem a necessidade de remoção – o Quadro II esclarece esse aspecto.Revista de Administração Municipal .Nº 277 67 . mudanças de uso e transferências de atividades.MUNICÍPIOS . 14 No que diz respeito às sugestões para remoção.IBAM PLANO DIRETOR Quadro II Síntese das Remoções Sugeridas Fonte: PD-ISERJ possíveis remoções de edificações e anexos indevidos e construção de novos edifícios. Pelo projeto. ganham destaque no texto do PD-ISERJ. Nela deverão ser direcionados esforços imediatos para a abertura ao diálogo e à negociação entre esta instituição e o ISERJ. usos e atividades. em acordo com os setores da instituição Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 . as ações relacionadas a remoções de edificações existentes. Quanto às transferências de atividades e à construção de novas edificações.

Em outras palavras. reforçando sua unidade pela melhoria de sua legibilidade. e. respeitando-se critérios de ocupação estabelecidos pelo PD-ISERJ. também. segundo. PROJETOS DE INFRAESTRUTURA E DE ARQUITETURA Ainda no que diz respeito à escala do Campus como um 68 Ano 57 . prover os espaços exteriores de circuitos formados por fluxos contínuos que. sobretudo. representados cartograficamente nas Figuras 9 e 10 e sintetizados nos Quadro III e IV. com os órgãos de patrimônios.MUNICÍPIOS . determinou-se que novas edificações a serem construídas no Campus ISERJ devam estar localizadas somente na Área para Transferência de Atividades ou na Área de Reserva para Atividades Futuras. visando a um melhor rendimento pedagógico. a remoção. em conjunto. garantindo o percurso livre de obstáculos e o acesso às principais edificações. à redução de intervenções físicas nos compartimentos de edificações voltadas ao ensino que venham a comprometer o bem tombado.Nº 277 Abril/Setembro . possibilitem o vislumbre de toda a diversida- de arquitetônica e paisagística do Campus. inclusive em novas edificações. terceiro.15 Outro elemento de destaque no escopo do projeto é a provisão do Campus de rotas acessíveis (Figura 8) que percorram os principais espaços do Campus.IBAM Quadro III: Síntese das Propostas para a Área para Transferência de Atividades Fonte: PD-ISERJ e. realocar as atividades.Revista de Administração Municipal . a transferência de atividades e as mudanças de uso e atividade têm tripla função: melhorar a qualidade da ambiência do Campus com a intervenção físico-territorial o que tem estreita relação com o resgate de sua capacidade em ser um laboratório pedagógico e valorizar a identidade do educador profissional.

Indicações para Projeto de Paisagismo. O objetivo é a articulação das instalações individuais das edifiFigura 7 cações com as áreas externas do Campus e a rede pública. o PD-ISERJ exige a execução de projetos de infraestrutura.Revista de Administração Municipal . único e para todo o Campus.Nº 277 69 .MUNICÍPIOS . projeto para sistema elétrico do Campus. Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 . quando necessário.IBAM PLANO DIRETOR Quadro IV: Síntese das Propostas para a Área de Reserva para Atividades Futuras Fonte: PD-ISERJ todo. Qualiicação e Ordenamento. São eles: projeto para sistema hidrossanitário do Cam- pus. sistema de condicionamento de ar de grande porte. Fonte: PD-ISERJ.

Revista de Administração Municipal . o PD -ISERJ exige a execução de projetos de arquitetura específicos para cada uma das edificações existentes no Campus (desconsiderando-se. dentre outros fatores. provisória ou ineficiente. hidrossanitária e de condicionamento de ar. estética. explicar a meta de se recuperar a função de laboratório e expor ao visitante a intrínseca história da Escola Nova. por edificação.MUNICÍPIOS . o ensino médio e o normal superior.IBAM Figura 8 Rotas Acessíveis e Acessos do Campus ISERJ. por isso. Cumpre esclarecer que as intervenções podem se relacionar com o conteúdo pedagógico tão valorizado pelo PD-ISERJ: o documento sugere. aquelas que sugere serem removidas). no intuito de se conseguir a melhor gestão e a devida manutenção dos seus espaços. Estes projetos de arquitetura. Fonte: PD-ISERJ.Nº 277 Abril/Setembro . além da educação infantil e fundamental. que não resolve os problemas da edificação na maioria dos casos e. a previsão de orçamento global para a solução de problemas de cada uma das edificações. visam à identificação e à solução de todos os problemas de ordem estrutural. pior ainda. Além disso. A finalidade é o entendimento da necessidade específica de intervenção em relação à valorização do bem como um todo. Isto é particularmente interessante pelo fato de o ISERJ possuir hoje. O que se quer é evitar a ação pontual. quanto das maneiras que se pode intervir em bens culturais tombados para a instalação de redes tão complexas. que durante as obras sejam realizadas visitas guiadas a qualquer interessado. por fim. é claro. cursos de ensino técnico e profissionalizante. É relevante apontar que os cursos 70 Ano 57 . No que diz respeito à escala das edificações. infraestrutural. a instalação de novos sistemas infraestruturais é importante mecanismo para a compreensão tanto do funcionamento das redes elétrica. gera desperdícios de orçamento. a indicação de problemas de arquitetura (inclusive de restauro) e.

não se restringiram apenas a dar melhor qualidade estética aos espaços. representado pela paisagem formada pelas edificações e espaços exteriores. identidade e missão está-se protegendo de forma efetiva o patrimônio. gera topofilias e topofobias. Ambos são. Mais especificamente. relaciona-se com conteúdos emocionais e com disputas político-institucionais sobre o território. documental e de objetos ligados ao ensino. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Plano Diretor do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PD-ISERJ) foi encerrado em março de 2009. foi explorado o aspecto da relação entre intervenção físico-territorial com o patrimônio e a identidade socioespacial. Ao longo deste artigo. se o objetivo principal do PD-ISERJ foi o da recuperação do Campus como laboratório pedagógico. dada a sua natureza.IBAM PLANO DIRETOR Não há dúvida de que ao se resgatar estas função. seja o material. técnicos são de maior interesse da Faetec. por ser um conjunto de diretrizes Figura 9: Critérios de Ocupação para a Área de Transferência de Atividades do Campus ISERJ. nem à recuperação e ao restauro dos mesmos. Por isso mesmo. atualizando-se a filosofia da Escola Nova para o contexto atual. representado por sua própria missão (formação de professores). o melhor futuro. tanto na escala do Campus quanto na das edificações e seus compartimentos. o mobiliário ou o acervo bibliográfico. a meta exige entender que a ação projetual é algo mais amplo: produz significados. é instrumento de cumprimento (ou não) de expectativas. Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 .Revista de Administração Municipal .Nº 277 71 . necessariamente enseja a transformação. que resgate a ainda tão valorizada missão de formar professores e o significado de laboratório pedagógico do Campus. ainda que inúmeras disputas e conflitos ocorram por conta deste fato. de fato. as edificações isoladamente. Ordenar o espaço a partir do conceito de laboratório pedagógico é uma maneira de dar unidade a todas estas modalidades de ensino presentes no Campus. seja o imaterial. fatores importantíssimos e direta ou indiretamente contemplados pelo Plano Diretor em vários níveis. No entanto. com a expectativa de que este espaço tão importante para a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil volte gradativamente a cumprir sua função educadora. Fonte: PD-ISERJ.MUNICÍPIOS . portanto social. é preciso afirmar que o PD-ISERJ. com seus valores específicos. tentando explicitar que as intervenções sugeridas pelo PD-ISERJ.

que define estratégias que visem ao maior atendimento possível de anseios e seja ao menos um caminho bem definido a se seguir. gabinetes médicos e odontológicos. 4 Dirigida por Denis Carvalho e com texto de Gilberto Braga. materializado por um documento. Fonte: PD-ISERJ. ver Name (2009) e Wallerstein (2002). torna a utopia mais possível. Luis Felipe Pacheco (uso de energia elétrica). como os laboratórios de química. não deixava de utilizar toda a linguagem do classicismo eurocêntrico.MUNICÍPIOS . Alan Crosland. vale frisar que a escolha de um edifício com estas características não foi fruto meramente do gosto de uma banca avaliadora: no edital do concurso público foi exigido que os projetos apresentados adotassem o “estilo colonial brasileiro”. 6 Para se entender a inerência do eurocentrismo. além disso. de projeções futuras e ideais de várias pessoas – todas elas com receios. que o conceito de patrimônio relaciona-se diretamente com o conceito de identidade: ambos só existem plenamente quando reconhecidos. Mas não por isso o PD-ISERJ deve ser entendido como algo messiânico nem muito menos desprovido de eficácia. 1930). São feitas de encontros e de desencontros. o estilo neocolonial. que diariamente invadiam as telas de televisão de todo o país. 7 A busca pela aplicação pedagógica das inovações técnico-científicas era tamanha que os educadores Venâncio Filho (1930) e Serrano (1930).Revista de Administração Municipal . 2 Tal doação foi contrapartida firmada através de instrumento assinado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) e a Globo Comunicação e Participações S. Neste sentido. angústias. não apenas na perspectiva de cuidar melhor e mais de perto da saúde do alunado como também para serem difusores de saberes sobre higiene (Clark. que permeia praticamente toda a história da arquitetura ocidental desde o Renascimento (Summerson. Foram consultores: Andréa Pitanguy (resíduos sólidos). mas até hoje inerente a saberes. 8 O edifício funde tanto o estilo neocolonial de uma suposta identidade brasileira moderna e progressista e os mais modernos espaços da prática científica. Felippe de Rosenburg (marketing cultural). 5 Uma síntese visual do histórico foi produzida em um vídeo que se tornou anexo digital do documento final do PD-ISERJ e está disponível no YouTube: http://www. que repassou o valor da proposta para a execução do serviço. a ideia de uma nação brasileira. Cumpre esclarecer que a disposição da Rede Globo em dispor a verba necessária para a realização do Plano Diretor está diretamente relacionada à importância que a minissérie e o Instituto têm para a história da dramaturgia produzida pela emissora. Critérios de Ocupação para a Área de Reserva para Atividades Futuras do Campus ISERJ. mas é o que há de mais natural na existência. 1927). 9 Ressalta-se. NOTAS 1 A equipe era formada por Leo Name (coordenação técnica) e Priscylla Freiria Valladares. M. Por sua vez.A. Karin Segala (resíduos sólidos). Ter um pacto. Graça Neves (gestão). um pouco de voluntarismo e um pouco de acaso – o que parece assustador. de biologia e de física (introduzidos no país na década de 1910). EUA. 1994 [1980]). Muitas cenas foram gravadas dentro do Campus e. Luciana Hamada (conforto ambiental) e Ronaldo Daumerie (patologia da construção).. de uma só vez. desde os primeiros Institutos de Educação. desse modo. e apenas três anos após a produção do primeiro filme falado – O cantor de jazz (The Jazz Singer. à tipologia da pedagogia jesuítica que extraía dos conventos a disposição de quatro corredores formando um claustro e a divisão disciplinar e metódica de compartimentos uniformemente distribuídos ao longo desses corredores. inspirando-se na “arquitetura tradicional brasileira”. algo expressivo da colonialidade do poder. notadamente perceptível na adoção de três ordens distintas. absorvidos e transmitidos 72 Ano 57 . Um plano diretor tenta dar conta.Nº 277 Abril/Setembro . ensinos e formas de produção cultural. Também eram instalados. tão desejoso em expressar um ideal brasileiro. uma em cada pavimento. tem como qualquer plano diretor físico-territorial certo caráter utópico. feito poucas vezes conseguido por um bem arquitetônico tombado.youtube. 35 anos após a invenção do cinematógrafo.com/ watch?v=eFBFf03ZjqM. 3 O neocolonial a esta época era estilo utilizado com intenção clara: seu objetivo era revelar.IBAM Figura 10 para inúmeras ações projetuais. na abertura da minissérie eram exibidas imagens das fachadas e demais detalhes arquitetônicos do Edifício Principal. a partir de diversas manifestações artísticas. tendo como estagiários Felipe Miranda e Vinicius Philot (alunos da EAU-UFF). As realizações no tempo e no espaço se dão de forma fragmentada e descontínua. debatiam no Boletim de Educação Pública a pertinência do uso pedagógico do cinema e o direcionamento de gastos para a aquisição de filmes e de maquinário específico para as escolas. a minissérie tinha sua narrativa localizada na década de 1950 e sua protagonista era uma normalista do Instituto (vivida pela atriz Malu Mader). além de desejos de realização e felicidade. o que no fundo é parte do desejo de todo arquiteto-urbanista e de todo educador.

Jane. Oscar. Orlando José. For this. Boletim de Educação Pública. de modo a assegurar a excelência do projeto e a divulgação do próprio Campus ISERJ para a sociedade. Manifestações da cultura no espaço. nº. Boletim de Educação Pública.com/watch?v=hky1sDDxAFM. Boletim de Educação Pública. nº. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932: memória e imagens do manifesto nos livros didáticos de História da Educação. Paris: Aubier. In: ROSENDAHL. 185-201. Multiculturalisme. identidad. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. ISERJ.htm?infoid=20&sid=12. Keywords: master plan. 2. Stuart. abril de 2006. “médio” e “ruim”. Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação. São Paulo: Martins Fontes. 13 O PD-ISERJ sugere que o Projeto de Paisagismo. Arquivo consultado em 20 de junho de 2009. n. Ano 1.youtube. 79. A identidade cultural na pós-modernidade. nº 2. Uberlândia. 2. Disponível na INTERNET via http://publique. vol. 2. atividades administrativo-pedagógicas (coordenações de ensino. Lisboa: Edições 70. Charles. Ano 1. abril-junho de 1930. RESUMEN Ordenación del territorio y identidad en un espacio para la enseñanza Este artículo tiene como objetivo presentar las principales cuestiones relacionadas con la preparación del“Plano Diretor do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PDISERJ)”.com/watch?v=3q3flOHAtOY e http:// www. 2006 [1992]. O eurocentrismo está em toda parte: sobre orientalismos.vitruvius.com. 11 Os usos foram organizados em cinco tipos de atividades – atividades pedagógicas (aulas em salas do tipo auditório). Jonathas. 2003. HAESBAERT. 2007 [1961].br/arquitextos/arq000/esp397. iluminação externa. In view of a territorial planning of the campus. p. que põe em risco de desabamento um refeitório de péssima qualidade construtiva erguido sobre a marquise de um alpendre. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Tese de Doutorado). Ciência social para o século XXI. p. “semicrítico” e “aceitável” – que também por cores definiram novas plantas esquemáticas por edificação. 2009. CULLEN. 216-221. Clarice. ocidentalismos e outras imprecisões geográficas. áreas verdes. que inclusive se tornou anexo digital do próprio Plano Diretor e pode ser acessado no YouTube: http://www. Ano 1. nº.rdc. sinalização. A socialização da escola. Anísio.Revista de Administração Municipal . Arquitextos. Qualificação e Ordenamento dos Espaços do Campus ISERJ seja objeto de concurso público de projetos. p. NAME. São Paulo: Martins Fontes. O cinema educativo no Districto Federal. GeoPUC. Zeny & CORRÊA. cozinhas. Boletim de Educação Pública. sendo preenchidas fichas de levantamento que. texto especial 397. atividades pedagógicas (aulas em salas ambientes. A paisagem urbana. parede. 14 Outras ações que o PD-ISERJ definiu para serem cumpridas pelo Projeto de Paisagismo. En vista de la planificación física de la ISERJ Campusterritorial.MUNICÍPIOS . forma espacial valorizada pela concepção de laboratório pedagógico da proposta original do Campus). Clínicas escolares. 12 Dois exemplos de riscos à edificação e aos usuários: um abalo na estrutura do térreo do Edifício Principal. 1994 [1992]. 1999.1. abril-junho de 1930. Ano 1. 15 A equipe do IBAM preparou um vídeo de forte conteúdo didático. salas de serviço de orientação. por sua vez. Rio de Janeiro. que também receberam representação gráfica esquemática por cor. estacionamentos e circulação interna. Palabras clave: plan maestro. Rio de Janeiro: Editora Revan. p. Identidades territoriais. 6. the master plan sets goals and guidelines that in next few years will guide the architectural and landscape design actions (including restoration projects). Educação para a democracia.puc-rio. ISERJ. Já o estado de conservação foi avaliado a partir de cinco elementos: piso. Para ello. Também sugere que o concurso seja organizado por instituição idônea e de notório saber comprovado. em vias de desabamento sobre o pátio interno chamado de Cafua. memória e silêncio sobre a Escola de Professores do Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932-1939). NUNES. teto. Arquivo consultado em 20 de junho de 2009. esquadrias e instalações elétricas aparentes nos níveis bom. 169-190. O cinema e as sciencias physicas. identity. TEIXEIRA. salas de pesquisa e outros ambientes de trabalho que complementam a atividade de ensino) e atividades de apoio (banheiros. Disponível na INTERNET via http://www. p. regular e ruim. de AZEVEDO. John. diretrizes e propostas. under the influence of the ideology of the so called “Nova Escola” movement. nº. VENANCIO FILHO. Morte e vida de grandes cidades. Vinicius. p. A linguagem clássica da arquitetura. LOPES. 2.IBAM PLANO DIRETOR pelas comunidades que neles se espelham (ou até mesmo se contrapõem): o tombamento. JACOBS. 1. Qualificação e Ordenamento dos Espaços têm como escopo acessos. Eles foram realizados como procedimento metodológico à etapa do diagnóstico e definição de propostas para o PD-ISERJ e estão disponíveis no YouTube através dos seguintes endereços: http://www. WALLERSTEIN. this master plan aims to revive the (social and spatial) identity of “Brazilian professional educator” and the mission of “pedagogical laboratory” that is inherent in the original design of the campus. Historiografia comparada da escola nova: algumas questões. Sonia Maria de Castro Nogueira.youtube. 1997 [1935]. SERRANO. geraram plantas esquemáticas que utilizavam cores distintas para “bom”. IBAM. tendo como bases seus condicionantes. O efeito da arquitetura: impactos sociais. Roberto Lobato. SUMMERSON. refeitórios. abril-junho de 1930. Immanuel. receberam pontuações que compuseram o que chamamos de “graus de conservação” – “crítico”. atividades administrativas.com/ watch?v=stVcEVD4I-g REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de ALMEIDA FILHO. 2006. Gordon. In: O fim do mundo como o concebemos. PDISERJ trata de definir los objetivos y directrices que en los próximos años va a guiar las acciones de diseño arquitectónico(incluyendo los proyectos de restauración) y el paisajismo. ao longo do processo. ABSTRACT Territorial planning and identity in a space for educational practices This paper aims to present the main issues related to the preparation and content of the “Plano Diretor do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PDISERJ)”. NETTO. 1996 [1971]. Revista do Departamento de Geografia da PUC-Rio. Revista da Faculdade de Educação. HALL. 205-221. abril-junho de 1930. 167-184.br/geopuc/cgi/cgilua.exe/sys/start.asp. jan-jun 1998. Rogério. é uma forma de preservação e reprodução da(s) identidade(s) relacionada(s) ao bem. e o guardacorpo de uma sala de professores. Rio de Janeiro: EdUERJ. 10 Tal situação é percebida claramente pela realização de dois vídeos utilizando o processo da visão serial definido por Cullen (1996 [1971]). este Plan Director pretenderescatar la identidad (social y espacial) del educador profesional brasileño y la misión de “laboratorio de enseñanza” que es inherente en el diseño original de la escuela bajo la influencia de las ideas del movimiento que se conoció como Escola Nova. Leo. A oficina de mestres do Distrito Federal: História. 24. vol. Tais adjetivos. planificación física y territorial. Abril/Setembro Plano Diretor Ano 57 .Nº 277 73 . Eurocentrismo e seus avatares. portanto. 2009. territorial planning. Rio de Janeiro: DP&A Editora. Plano Diretor do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (PD-ISERJ). econômicos e ambientais de diferentes configurações de quarteirão. 202-215. Francisco. 1994 [1980]). CLARK. 2002.youtube. Rio de Janeiro. Fernando. TAYLOR. vestiários e depósitos). vol.

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