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de Toledo
reverência a seus dias santos. E, até as décadas de 50 ou 60, seus representantes eram figuras inevitáveis nas cerimônias públicas. "Estiveram presentes autoridades civis, militares e eclesiásticas", informava a imprensa, ao noticiar um desfile de 7 de setembro, uma recepção a visitante estrangeiro, uma posse de presidente, governador ou prefeito. Uma inauguração não estaria completa sem a bênção do recinto por parte do padre ou do bispo. Ao recuo católico, nas décadas que se seguiram, corresponde o avanço dos evangélicos. Hoje eles são namorados por políticos, contam com nutridas bancadarnoCongresso e nas assembleias e, talvez mais importante do que rodo, dominam como nenhuma outra instituição a arte de ocupar espaços na TV. Pode não estar longe o dia em que desbancarão os católicos, ou se equipararão a eles, como sócios preferenciais do estado "laico".
Alternativa 3

laico e religioso
ada feriado religioso, como o de Nossa Senhora Aparecida, ocorrido na semana passada, põe em xeque o caráter lai~ do estado brasileiro. Fiéa claro que não é tão laico assim. Urge matizar o suposto laicismo. Seguemse quatro alternativas: 1 O estado brasileiro é uma entidade laica que tem o catolicismo COliJO religião oficial.

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veda à União, estados e municípios "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-Ios, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de de, pendência ou aliança, ressalvada, na Afirma o preâmbulo da Constituição que ,ela é forma da.lei, a colaboração de interesse promulgada "sob a proteção de Deus". E evidência público". O artigo é em geral consideratão ambígua, do como indicação maior do desejável da laicidade impregnada de religião distanciamento entre o estado e as relitão cordial, tão malemolente, tão brasileira giões. O estado garante-lhes o funcionamento, mas não se envolve com elas. AlternatIva 1 A Constituição assegura a liEis no entanto que o estado faculta o ensino reliberdade de consciência e de crença (art. 5°, VI), gioso nas escolas públicas (art. 210), reconhece donde decorre que o estado se manterá neutro efeitos civis no casamento religioso (art. 226) e, diante das várias religiões. ,É a boa doutrina., parte na contramão da proibição de subvenções, estainseparável do triunfo das liberdades e "dosdireitos belece que recursos públicos podem ser direciohumanos sobre o caráter teocrático das antigas monados para escolas confessionais (art. 213) e, sonarquias ou de certos estados contemporaneos. No brerodo, concede isenção de impostos a ''templos entanto, só a religião católica mantém sobre o cade qualquer culto".

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2 - O estado brasileiro é uma entidade laica que tem o catolicismo (por enquanto) como religião oficial. 3 O estado brasileiro é uma entidade laica imbuída da missão de prestigiar, sustentar e enriquecer as religiões.

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4 - O estadobrasileiroé uma entidadelaica

- O artigo

19 da Constituição

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constituída sob a proteção de Deus. Se ola leitor Ia escolheu uma delas, errou. Todas estão certas, como se passará a demonstrar.

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lendário do país controle suficiente para impor feriados nacionais. Judeus, muçulmanos, budistas, umbandistas e outras minorias carecem de tal poder. Os evangélicos, a quem já não é lá tão própria a qualificação de ''minoria'', ou bem têm de escolher um fim de semana on bem pegar carona num feriado católico (como o de Corpus Christi) para realizar suas maciças "marchas para Jesus". Outro sintoma da predominancia católica é a presença de símbolos dessa religião em recintoS públicos, a começar pelos mais importantes deles, os plenários da camara dos Deputados, do Senado e do Supremo 1hõunal Federal, todos eles decorados com cmcifixos na mais vistoSa das respectivas paredes. AltemaliYa 2 - O poder do catolicismo já foi muito maior, no entanto. Havia mais feriados em
154 119 DEOunJBRO. 2011 I wja

Alternativa 4

- Afirma

o preâmbulo da Cons-

tituição que os "representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte", etc., etc., a promulgam "sob a proteção de Deus". Ponto a favor da neutralidade é que não se especifica se o Deus em questão é o dos cristãos,

o dos judeus ou o dos muçulmanos.Primeiro
ponto contra é que, se é um só o "Deus" mencionado, ficam de fora as religiões politeístas - das

africanas, afro-brasileiras e indígenas ao budismo, ao taoismo e ao hinduísmo. Segundo .ponto contra é a discriminação dos ateus e agnósticos. Mas o principal não é isso. O principal é a evidência.,logo de saída, no texto constirocional, da laitão ambígua., cidade impregnada de religião tão cordial, tão malemolente, tão brasileira.

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