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O PROFISSIONAL DE SAÚDE E O PLANEJAMENTO FAMILIAR NA ADOLESCÊNCIA Juliana Heckler Mühlbauer1 Akemi Marcela Fukui2 RESUMO

Planejamento familiar é uma importante atividade de saúde, que tem como objetivo proporcionar aos adolescentes informações e meios necessários para que possam decidir de forma livre e consciente o melhor método para prevenir a gravidez indesejada bem como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). A gravidez na adolescência ocorre frequentemente de modo inesperado, podendo estar relacionada à desinformação sobre o uso dos métodos anticoncepcionais. Esta pesquisa tem como objetivo resgatar e valorizar o planejamento familiar para o ser humano e os profissionais de saúde. É necessário estar alerta para a realidade das relações sexuais precoces e para a necessidade de um maior envolvimento de profissionais da saúde na orientação de uso dos métodos contraceptivos garantindo qualidade de vida aos adolescentes.

PALAVRAS CHAVE: adolescência, anticoncepção, planejamento familiar, gravidez, Doença
Sexualmente Transmissível - DST.

ABSTRACT
Familiar planning is an important health activity, that have purpose to provide for adolescents information and resources necessary to decide on a free and conscious way, the better method to prevent undesired pregnancy, just like Sexual Transmissible Illness (STI) and AIDS. Adolescent pregnancy frequently occurs on unexpected manner. It can be related to lack information about use of contraception methods. This article was based on literary review and electronic search. This study has as objective to ransom and to valorize familiar planning for human people and health professionals. Is necessary to stay alert to the reality precocity of sexual activity and necessity of a higher involvement of health professionals on orientation of contraception methods use, to guarantee life quality to adolescents.

KEY WORDS: Adolescence, contraception, familiar planning, pregnancy, Sexual Transmissible Illness - STI. INTRODUÇÃO O descuido do planejamento familiar na adolescência ocorre nos setores de saúde pela visível falta de preparo, desconhecimento e a existência de uma assistência mecanicista prestada ao cliente, sem levar em consideração o contexto em que se está inserido. Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde - OMS (2006), no mundo todo, anualmente, 14 a 15 milhões de adolescentes com idade compreendida
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Graduanda do Curso de Enfermagem - Uniandrade Especialista em Enfermagem, docente Uniandrade

Estes nascimentos correspondem a 10% de todos os nascimentos mundiais. Estes dados demonstram que a anticoncepção é um tema muito importante. como também atitude humana e sensibilidade ao atuar com os adolescentes nas ações de orientação sobre o planejamento familiar. para atender de forma preventiva e educativa é preciso sensibilizar os adolescentes antes de uma gravidez indesejada.entre 15 a 19 anos tornam-se mães prematuramente. de 10 a 20% das adolescentes têm filhos antes dos 18 anos de idade. cerca de 30% realizam abortamento. considerando a relevância social conferida pela ocorrência de gravidez nessa faixa etária e pela possibilidade de exposição às doenças sexualmente transmissíveis DST e AIDS – (OMS.000 adolescentes nas idades entre 15 a 19 anos é de 71 nascimentos. A escolha do tema ressurgiu da necessidade de resgatar e valorizar o ser humano. assegurando a prevenção da gravidez indesejada e das DST/AIDS (FEBRASGO. os jovens. econômicos e culturais trazem conseqüências como a redução do tempo de vivência da infância. expondo-se a gravidez não planejada (SAITO e SILVA. decorrente de fatores sociais. iniciam a vida sexual sem se proteger. 2001). dos quais foram selecionados os mais relevantes utilizando como ferramenta a biblioteca e repositório de artigos eletrônicos. No Brasil. necessário que os profissionais de saúde demonstrem não somente o aprimoramento técnico científico. O único caminho que pode abrir esta possibilidade é a educação sexual. A metodologia escolhida foi o estudo retrospectivo de revisão de pesquisas e artigos publicados no período de 1996 a 2006. sensibilizar os profissionais de saúde para a necessidade de se discutir a sexualidade como elemento constitutivo da pessoa humana. especialmente na adolescência. Destas. A incidência de nascimento para cada 1. Segundo Noronha. na maioria das vezes. O conhecimento sobre os métodos contraceptivos e os riscos advindos de relações sexuais desprotegidas é fundamental para que os adolescentes possam vivenciar o sexo de maneira adequada e saudável. É. 2001). 2006). Lopes e Montgomery (1993). salientando que a escolha dos métodos de planejamento familiar citados . Com o início da atividade sexual precoce. portanto. O desconhecimento e a inadequação na utilização de métodos contraceptivos por parte dos adolescentes.

. caracterizada por transformações biopsicossociais. Os motivos pelos quais as adolescentes engravidam são diversos. da educação e também pela maioria da população em idade reprodutiva. o início cada vez mais precoce de experiências sexuais e a insegurança do adolescente em utilizar métodos contraceptivos como as camisinhas. Destaca-se também que a idade não deve constituir restrição ao uso de qualquer método anticoncepcional na adolescência depois da menarca. falta de acesso a serviços específicos para atender essa faixa etária. 2001).SUS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A adolescência. A menarca mais precoce vem expondo a adolescente aos riscos de uma gravidez em idades também precoce e vários estudos referem que a média de idade da menarca no Brasil está em torno de 12 a 13 anos de idade (SAITO e SILVA. definida como o período etário compreendido entre 10 e 19 anos completos pela OMS (2006) e de 12 a 18 anos pela Lei número 8. contudo. A Organização Mundial de Saúde (2006) considera a sexualidade na adolescência importante.069 do Estatuto da criança e do adolescente (Ministério da saúde 2002). injetáveis e DIU (HALBE. receberem ou buscarem informações acerca da contracepção (HALBE. é uma fase do desenvolvimento que marca a passagem da infância à vida adulta. fatores sociais. torna os adolescentes vulneráveis aos mesmos riscos aos quais muitos adultos estão expostos. Os diferentes métodos contraceptivos são conhecidos pelos profissionais de saúde. Destacamse a falta de informação. pílula. a eficácia e a utilização correta nem sempre é explorada. Porém. e os profissionais da saúde devem estar preparados para respeitar a autonomia de livre escolha e oferecer informações e acompanhamento adequado. 2000). os quais têm iniciado cada vez mais precocemente as atividades sexuais sem. lhes garantido assistência de qualidade. Marcada também por especificidades emocionais e comportamentais que se refletem na saúde sexual e reprodutiva. 2000).na pesquisa foi determinada em função de sua disponibilidade no Sistema Único de Saúde . principalmente com os adolescentes. determinadas por fatores genéticos e ambientais.

sua eficácia e os riscos decorrentes. É necessário que os profissionais da saúde tenham conhecimento sobre o assunto e se disponham a um aconselhamento amplo. antes de discutir as opções contraceptivas. O diálogo de aconselhamento entre os membros da área de saúde e o adolescente deve ser estruturado para auxiliar o adolescente a tomar a decisão que foi por ele informada para suas circunstâncias particulares. dependendo das circunstâncias individuais. É fundamental comparar riscos e benefícios para cada adolescente. ressaltando a importância dos métodos de contracepção não apenas em relação à gravidez indesejada. conveniência. . crenças religiosas. Reservando-lhes sempre o direito de escolha. risco de DST e AIDS. se utilizadas consistente e corretamente. Uma vez que a decisão é tomada para se proteger. Conforme a OMS (2004). deve ser dada ao adolescente a oportunidade de expressar suas necessidade e de decidir livremente se quer se proteger contra a gravidez ou necessita de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e AIDS.Linhares (2004) entende que o adolescente que procura aconselhamento quanto à anticoncepção deseja saber o método a escolher. prevenirem DST e AIDS. serviços de saúde disponíveis. Quando a atividade sexual não é freqüente ou se é realizada com diversos parceiros. deve-se priorizar o uso da camisinha. mas também em relação à DST e AIDS. tolerância aos efeitos colaterais. atitudes do parceiro e outros fatores que influenciem a decisão e escolha do método a ser utilizado (POLDEN 2002). irão prevenir a gravidez e. habilidade e se habituar ao método. custo. honesto. assim como o acompanhamento clínico-ginecológico referente ao método elegido. Quando a adolescente procura o serviço de saúde para obter um método contraceptivo. investigando-se seu grau de motivação. Toda essa atenção deve ser dada. Para o Ministério da Saúde (2002). ela deve ser tratada de maneira personalizada. a assistência em anticoncepção pressupõe oferta de todas as alternativas de métodos contraceptivos. Quando seleciona um método cada adolescente deve considerar a natureza de seu relacionamento e seu comportamento sexual em relação à freqüência ou intercurso. a participação do parceiro e o grau de cuidado que terá com o método. claro. os adolescentes sexualmente ativos devem ser apresentados às opções que. pois é nessa faixa etária que há os maiores índices de falha e de descontinuidade e na escolha do método. eficácia do método.

No entanto. e ocasionalmente a anticoncepção de emergência (FEBRASGO 2004). com metodologia que motive mudanças de atividade e comportamento. podendo ainda ser associado ao espermaticida (FEBRASGO 2004). A qualidade dessa atenção pressupõe: • Boa comunicação. Ênfase na parte educativa. com linguagem simples e sem julgamento moral ou valorativo. Disponibilidade e constante de insumos. contraceptivos hormonais orais e injetáveis (métodos hormonais) e dispositivo intra-uterino – DIU (método mecânico). os mesmos métodos que se utiliza para o adulto podem ser indicados para o adolescente. Profissionais qualificados para as especificidades do atendimento. . um serviço de orientação em saúde sexual e reprodutiva para adolescentes deve estar preparado para entender e atender a essas especificidades. na adolescente nulípara. por serem distribuídos nas unidades de saúde são a camisinha masculina e feminina (métodos de barreira). porém deve ser ressaltado o cuidado com a sua adequada utilização afim de que sua eficácia não seja comprometida. A anticoncepção hormonal constitui no método de escolha na adolescência. Destaca-se a importância do uso do preservativo. • • • Facilidade de acesso aos serviços. Privacidade no atendimento. principalmente os anticoncepcionais orais de baixa dosagem. podem ser usados ainda os injetáveis. Os métodos de contracepção de mais fácil acesso e que não possuem custo. • • • Confidencialidade das informações. levando-se em consideração a necessidade de dupla proteção. É desaconselhável o uso do dispositivo intra-uterino. Os métodos de barreira também são indicados. mesmo na vigência de outro método. em grupo. proporcionando aos e às adolescentes o direito a uma atenção eficaz e de qualidade. para aquelas que tiveram filhos é uma boa opção (FEBRASGO 2004).Segundo o MS. • Atendimento para ambos os sexos. assim que ocorra a primeira menarca. Para Aldrighi (2004).

nem sempre os adolescentes recebem ou buscam orientações sobre contracepção. Menke Rivoire e Passos (1997) alertam para a necessidade de os profissionais de saúde terem conhecimento e se disponham a um aconselhamento amplo e claro. na maioria das vezes a vida sexual dos adolescentes é exposta a riscos de gravidez indesejada. mas também afirmam que a. As dúvidas dos adolescentes devem ser sanadas de maneira clara e objetiva pelos profissionais de saúde. OMS (2006) afirma que a sexualidade na adolescência é importante. mas também para a prevenção de DST e AIDS. garantindo assistência de qualidade. ressaltando a importância dos métodos de contracepção não apenas voltado para a gravidez indesejada. e que os profissionais de saúde devem estar preparados para oferecer informações e orientações sobre métodos anticoncepcionais e fazer acompanhamento adequado. além do exame físico. estimular a comunicação com os profissionais formando o atendimento de qualidade respeitadas as dúvidas sobre planejamento e sexualidade. Para Noronha. Os/as adolescentes são o centro de interesse na entrevista. Freitas. A avaliação integral e da adolescente incluirá a avaliação psicossocial. Lopes e Montgomery (1993). possibilitando a educação sexual antes da primeira relação sexual. DST e AIDS. os profissionais de saúde precisam ter conhecimento amplo sobre métodos contraceptivos na adolescência. quando na unidade ou na região se registra aumento de gestação nesta faixa etária. . Devem ser apresentados todos os métodos contraceptivos. e devem ser maleáveis para acolher os jovens. • • DISCUSSÃO Saito e Silva (2001) alertam não apenas para o início da atividade sexual dos jovens que tem ocorrido cada vez mais precocemente. Além disso. Os pais ou familiares só estarão presentes se ele ou ela permitir ou solicitar.• Atenção especial às faixas etárias mais precoces (10 a 14 anos). o que o levará a utilizar os anticoncepcionais de forma efetiva. é preciso sensibilizar os adolescentes. para que o adolescente possa fazer a melhor escolha de acordo com sua necessidade. De acordo com o relato dos autores.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS SOCIEDADES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Paulo. planejamento familiar e sexualidade evidenciam a necessidade de abordagem clara e livre de preconceitos. O profissional de saúde que assiste aos adolescentes deve estimular a discussão dos aspectos da sexualidade e a prevenção das DST e AIDS. Mesmo que o adolescente não mantenha relações sexuais. Manual de Orientação Saúde da Adolescente. sem prejuízo de valor. PETTA. 2001). CONSIDERAÇÕES FINAIS Os estudos sobre adolescência. “O uso de contraceptivos mostra uma atitude positiva frente à sexualidade. fica clara a necessidade de que o governo e os profissionais adotem estratégias que possam garantir o desenvolvimento adequado como ser humano. que envolve profissionais de saúde e adolescentes. Faz-se necessária a implementação de estratégias que permitam aos adolescentes conscientizar-se sobre a importância que envolve a saúde sexual e reprodutiva. REFERÊNCIAS ALDRIGHI. O adolescente que percebe que participou da escolha e da decisão de usar um método anticoncepcional terá maior chance de utilizá-lo regularmente e de forma eficaz. Cientes de que a atividade sexual desprotegida não pode comprometer a qualidade de vida dos adolescentes. São .. proporcionando uma adolescência saudável.A. deve-se ouvir o que ele pensa a respeito da sexualidade e orienta-lo em suas dúvidas. 2004. J.consciente dos riscos e da importância de proteção contra gravidez indesejada. Ponto 2004. DST e AIDS. FEBRASGO . mas também um grau de maturidade e auto-estima próprios de quem projeta o futuro negociando com o presente as suas decisões” (RAMOS. Anticoncepção: Manual de Orientação. C. M.

Brasília (DF). Assistência em Planejamento Familiar. 2000. R. Vol III. MONTGOMERY. M.. NORONHA. Dificuldades no acesso à contracepção. Tratado de Ginecologia. Department of Reproductive Health and Research. 2002. W. 3ª ed. POLDEN. Tocoginecologia Psicossomática.. E. 2007. RIVOIRE. Porto Alegre: Artes Médicas. Revinter. Ponto. 3ª ed. Vol.FEBRASGO – FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS SOCIEDADES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. 1ª ed. 1997. PASSOS. São Paulo. MENKE. Tratado de Ginecologia.int/child-adolescenthealth/New_Publications/ADH/ISBN_92_4_159144_7. HALBE. LINHARES.. G.. Área Técnica de Saúde da mulher. Disponível em http://www. I. Contraception: Issues in Adolescent Health and Development. WHO (World Health Organization).29: 29-31. F. Almed. I. DST/AIDS: Manual de Orientação. Rio de Janeiro. Atheneu. I. RAMOS. São Paulo. Rotinas em Ginecologia. V. P. M. FREITAS. Fisioterapia em Ginecologia e Obstetrícia. L. São Paulo. 2004.4ª ed. São Paulo. 2001.. São Paulo. Rocca.. SAITO. de . E. Acesso em 28 jan. M.who. 2004. Sexualidade e Planejamento Familiar 2001. Ministério da Saúde. P. T. Santos 2002. Secretaria de Políticas da Saúde. LOPES.pdf. Adolescência: prevenção e risco. C. SILVA. 1993. W. 2001. Manual Técnico. H. H. D. M. Geneva..

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