A Utopia do Sétimo Homem

O Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci

Utopia significa sonho humano de um mundo melhor, busca de um lugar perfeito onde reina a felicidade. Tudo que acontece no mundo exterior é puro pretexto para nos conduzir ao mundo interno, o reino de Manas ou da mente, onde tudo está, tudo é real e tudo tem significado e sentido definitivo e eterno. O contrário, como já dissemos, é puro pretexto e ilusão. Nosso relacionamento com o mundo, em todas as fases evolutivas, sempre foi conflituoso, contraditório, crítico e reflexivo, efeito das dificuldades biológicas e psicológicas, inquietações, medos, angústias, dúvidas e incertezas. É o processo natural de desilusão. Impossibilitados de romper esses limites, barreiras, para nós instransponíveis, apelamos para a adaptação, mecanismo maravilhoso da mente humana que nos faz suportar as mais terríveis provas do tempo presente e ainda nos projeta para as inúmeras possibilidades do tempo futuro.

No âmago do Espírito existe uma “mônada”, o princípio inteligente, uma centelha divina que vibra como marca microcósmica da Criação. Na mente humana essa mônada se manifesta como um enorme vazio existencial, acomodado no plano biológico, porém insaciável no plano psicológico. Em nosso íntimo esse vazio vibra na forma de uma insatisfação permanente, como se fosse um compromisso eterno com a nossa transformação. É a utopia da Perfeição, a busca do modelo ideal e infalível que enxergamos no Criador. Essa é a utopia do Sétimo Homem. Em todas as épocas construímos ou aderimos a utopias que despertaram em nós o interesse por uma vida diferente, promissora, contrária aos problemas das sociedades em que nos agrupamos e as limitações próprias do meio em que nascemos e nos desenvolvemos.

Na pré-história desenvolvemos a utopia da caverna permanente, refúgio ideal para a proteção do corpo, para saciar a fome, aquecer o frio e nos abrigar dos perigos da vida selvagem e da hostilidade da natureza, que naquela época nos parecia caótica. A cavernas se sucediam umas às outras porque a necessidade de sobrevivência, limitada pela

inteligência primitiva e visão estreita de mundo, nos impelia ao nomadismo, numa caminhada interminável, de incerteza, em busca de uma caverna definitiva, da qual não seríamos mais expulsos.

Com o advento do fogo e da agricultura , essa utopia da caverna se ampliou para a busca do domínio territorial , símbolo milenar da riqueza alimentar e da realização social.

Nas primeiras civilizações das culturas teológicas, sobretudo no Egito, surgiu a utopia do tempo eterno e da imortalidade, reflexo do horror que tínhamos da morte do corpo e do fim da existência. As pirâmides de Gizé, símbolos exteriores dessa imortalidade era, na realidade esotérica, a metáfora da mente, cujas câmaras do tempo passado, presente e futuro, guardam os mais profundos sonhos de realização O culto aos mortos, as cerimônias funerárias, os túmulos monumentais, tudo isso representa psicologicamente a busca de respostas para os enigmas da morte. Ainda não aprendemos a driblar fisicamente a morte, mas desenvolvemos experiências psicológicas, aprendendo a aceitar os limites físicos e crer na possibilidade da existência de mundos metafísicos. Foi também nesse longo período da Antiguidade que, inspirados no espantoso avanço mental dos egípcios, que Moisés acreditou na utopia de Canaã, a terra prometida, atravessou o deserto da incerteza e conduziu seu povo para o caminho da lei e da fidelidade ao Deus Único. Essa utopia tinha como fundamento o Decálogo, dez princípios do mundo moral perfeito da cultura judaica.

Na Índia, decepcionado pelo choque dos extremos de luxo e miséria, o jovem príncipe Gautama Sidarta, o Budha, construiu a utopia do Nirvana, o supremo estado de consciência, cujo acesso seria possível pelos nove degraus da meditação e do controle do desejo. Esvaziar a mente, fugir da ilusão e entregar-se ao poder da vontade era o caminho para o mundo feliz, sem dores e decepções. Na mesma Índia, Krishna, o sábio e provável autor dos Vedas, já havia cantado nesses célebres poemas a epopéia da Criação Divina e do tempo interminável.

Na Pérsia, Zoroastro elaborou uma das primeiras utopias da regeneração, contida no Zend-Avesta, o paraíso que foi construído após uma longa batalha entre o Bem e o Mal, lugar reservado aos justos e escolhidos.

Os filósofos Lao-tsé e Confúcio, na China, criaram a utopia da Honestidade e da Paciência, poderosos sustentáculos da civilização indestrutível.

Na Grécia antiga, reduto de inúmeros filósofos e estadistas, onde imperava a razão e o pragmatismo, onde Deus se chamava Logos Spermátikos, Sócrates desafiou o sistema e a morte, falando da Pneuma, ou a possibilidade da Alma e do Mundo da Idéias, e Platão, seu discípulo mais querido, escreveu na “República” a utopia do Estado perfeito, a polis ideal.

Em Roma, provavelmente pela primeira vez, aparece a utopia de um Estado Mundial. O domínio do mundo, motivado pela ideal de força e honra, foram idealizados primeiramente no Marenostrum, o espaço geográfico conhecido e desejado na época de Cartago e, posteriormente, na política da Pax Romana, e representado na figura do Imperium, simbolizado politicamente por César. O estado Mundial Romano só não foi viabilizado por causa das limitações tecnológicas da época e, pelas contradições inevitáveis do sistema militar-escravista. Para contrapor essa pretensão do

supremo poder material, surge no próprio seio da dominação romana, de forma desconcertante, a utopia da igualdade e do amor ao próximo, idealizada pelo Cristianismo. Nela um simples o rabino judeu, filho de carpinteiro, propunha a conquista do Reino de Deus, onde o braço poderoso de César jamais alcançaria. O Reino não era desse mundo e recomendava o sacrifício da própria vida, caso a idéia da imortalidade fosse colocada em xeque. Os martírios, projetados para supervalorizar a crueldade do materialismo romano, tiveram efeito contrário na mente dos expectadores dos famosos circos. O ataque dos leões e as chamas que fulminavam os corpos despertavam na mente popular o remorso, a atração e a simpatia pela Boa Nova. Roma sucumbiu.

Na Idade Média, no universo do feudalismo, ganha força a utopia do Céu, contra instabilidade das bárbaras e a opressão do senhorio, o terror das pestes e epidemias, bem como as superstições tenebrosas do fim do mundo, do inferno e do Reino de Satanás. Santo Agostinho descreve esse lugar como a Cidade de Deus, idéia que também fascina o monge Tomaso Campanella. Na Península Arábica, o profeta Mohamed unifica o seu povo através da utopia do Islã, um Estado teocrático e expansionista.

Na Renascença as utopias se multiplicam nas mãos geniais de Thomas Morus, de pintores e arquitetos italianos e holandeses. Em pleno capitalismo mercantil, no auge da Era das Navegações e Descobrimentos, a utopia se volta para o Novo Mundo.

Nos séculos 17 e 18, na Inglaterra e na França, ao criticar os desequilíbrios da sociedade de estamentos e o Estado Absolutista, os filósofos iluministas criam a utopia da Razão.

No século 19, por efeito dos desequilíbrios da Revolução Industrial, surge a utopia socialista de igualdade e harmonia, nas famosas colônias e falanstérios.

Em pleno século XX o nazi-fascismo reviveu a antiga utopia espartana da eugenia através de regimes totalitários cruéis e belicistas.

E no mundo contemporâneo, depois de uma intensa onda de destruição ambiental e aniquilamento humano das duas guerras mundiais, volta à tona a utopia da Paz e da Harmonia, antigos sonhos que agora voltam a povoar a mente humana, ainda inquieta e em busca da sua caverna permanente. São sonhos alimentados pela atuação pacifista do Mahatma Gandhi, com a utopia da Não Violência; do pastor Martin Luther King e Nelson Mandela, pela igualdade racial, pela utopia da contra-cultura dos jovens hippies do mundo inteiro, dos inúmeros conspiradores da Era de Aquário e milhões de militantes do verde e da Ecologia. A caverna não é mais um lugar físico, mas a ânsia pela perfeição é mesma, agora rumo aos ilimitados confins da consciência. É a utopia do Homem do Futuro.

Postado por Dalmo Duque dos Santos às 7:35 PM

desde sempre. Tudo isso é o Reino da Vida. em todos os lugares e mundos. que existe dentro e fora de nós. iniciamos imediatamente o processo de gestão de nossas existências. emoções. trazemos gravados em nossa memória espiritual os sinais das nossas origens divinas. Somos microcosmos de uma realidade macro-cósmica. Passamos a administrar os rumos que tomam as nossas vidas. simultaneamente. Muitos enigmas ainda terão que ser decifrados. as pulsações. os compassos. Por isso sempre queremos mudar as que estão prontas e acabadas e resolver os problemas que estão. Carregamos em nós todos os seus elementos vitais: a energia. o filho de Zeus e Alemena. que rege as coisas e alimenta todas as necessidades. tentando acalmar o turbilhão de inquietações íntimas e também exteriores. dominar consciências. Não é por outro motivo que todos somos. Somos pequenas consciências. vontades. sempre em busca das coisas que consideramos inexplicáveis e incompreensíveis. compreender e depois colocar em prática. a todo instante. Temos como metas compromissos inadiáveis. cuja realização representa as equações das coisas que precisamos entender. através das leis que regulam a Natureza. direcionar destinos alheios e contrariar a ordem natural. escolhas. o tempo. todas as dinâmicas e rítmicas que acontecem nos múltiplos esteios da Criação. semelhantes aos Doze Trabalhos do célebre herói da mitologia grega. os ciclos. Como Hércules. solucionados. É ela quem reina e comanda a Vida. pensamentos. em todos os planos e dimensões que formam o Infinito. Nada escapa à sua Onisciência e Onipresença. Enfim. queremos engolir toda a água dos oceanos e respirar toda a poeira . Queremos ser deuses. criadas à imagem e semelhança de uma Consciência Maior.O Ser e a Consciência A Consciência é o governo do Universo. decisões e finalmente as tramas do destino. impulsionados pela necessidade de dominar e controlar as inúmeras forças que se movimentam ao nosso redor. Em nós existe. Quando passamos a perceber essa verdade em nós. em pleno funcionamento. Não é por outra causa também que estamos constantemente insatisfeitos. Vivemos incomodados numa perturbação física e psíquica. circunstâncias.

A persistência da insatisfação cria uma dinâmica de crises sucessivas. significados. Quem ingressa nessa primeira fase já está abandonando a alienação instintiva. Esse tem sido o nosso dilema central. 4º momento – a consciência projeta a realidade. o drama de todas as consciências. significações é o esforço empreendido para definir e conceituar a as coisas que estão ao nosso redor. Não são todas as mentes que possuem capacidade crítica para realizar questionamentos. a bússola que vem nos guiando desde as mais rudes experiências dos reinos físicos até o nosso recente ingresso no reino psíquico. esquecendo-nos de que perigoso não é morrer e sim existir. Ainda assim. Se estivermos satisfeitos. gerando incongruências. a história de todas as criaturas e dos eternos mistérios da Criação. Ocorreu a mudança de pensamento e também de sentimentos. porém fugindo sempre da necessidade de governar a nós mesmos. continuamos a nossa busca até que a compreensão seja plena. e sim queima as etapas de um complexo processo de percepção da realidade: 1º momento – a consciência critica a realidade. fazer comparações. As emoções se manifestam em forma de sentimentos. que é o nosso encontro ou mergulho definitivo na Consciência Divina. 2º momento – a consciência apreende a realidade. As reflexões são transformadas em códigos abstratos e estes precisam ser comparados de forma analógica com a realidade exterior. insaciáveis. em incontáveis experiências nos pacientes laboratórios da Natureza. Esse tem sido o nosso “ser ou não ser”. Essa comparação têm implicações emocionais. até que surja uma nova crise. ela não dá saltos. 3º momento – a consciência significa a realidade. E ainda assim continuamos entediados. talvez seja apenas um dos inúmeros estágios desse grande percurso. A idealidade foi transformada em realidade. Essa apreensão é a busca da verdade através da reflexão sobre os questionamentos. De posse de conceitos e definições nos voltamos novamente para o mundo interior. Ela não é mero efeito do acaso existencial. querendo governar o mundo. 5º momento – a consciência compreende a realidade. A compreensão plena só acontece quando cessa a insatisfação e conseqüentemente a busca. 6º momento – a consciência age sobre a realidade. 7º momento – a consciência transforma a realidade. O real não é compatível com o ideal. Se insatisfeitos. mas o produto de uma longa jornada evolutiva pela qual passam os seres vivos. Ela é o meio que certamente nos conduzirá ao fim. E a parcela de consciência humana. Ocorre a mudança de pensamento. nos acomodamos em situação de conforto emocional e desinteresse intelectual. estabelecer nexo sobre as coisas. A mudança de pensamento vêm acompanhada de emoções e sentimentos em vias de transformação. Os signos. É a formação do pensamento. na escala infinita da Consciência Divina. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 7:25 PM . As emoções decorrentes são harmoniosas. dando os primeiros passos na intuição e penetrando na caverna do mundo interior. Mas a consciência que herdamos do Criador tem sido a ferramenta principal das nossas tarefas.cósmica que se espalhada pelo espaço.

A História e o destino A sincronia do tempo biológico (existência) com o tempo psicológico (consciência) .

O rei Euristeu representa a sua Consciência e o Dever com os compromissos e responsabilidades assumidas na préexistência. No meio da sua aterradora amnésia. terdes vivido bastante. Cada uma das 12 tarefas foi sendo cumprida por Hércules de acordo com as circunstâncias. Desde muito cedo aprendeu as artes marciais. Há quem viveu muito e não viveu. “filho” de Deus. o Programa Existencial da individualidade. a segunda esposa do herói. Incapaz de recobrar a tranqüilidade de espírito. Héracles consultou o oráculo de Apolo em Delfos. Imagineis então nunca chegardes ao ponto para o qual vos dirigíeis? Haverá caminho que não tenha fim?” – Michel de Montaigne Hércules era filho de Zeus e Alemena. o herói venceu Hades – rei dos mortos – e se tornou imortal. Ao finalizar com êxito esta tarefa. o que agravava seus débitos diante das novas tarefas. Hera não estava disposta a perder e no momento culminante do triunfo de Hércules lhe provocou um ataque de loucura. pois depende de vós. . Meditais obre isso enquanto o podeis fazer. que era tirar Cerbero dos infernos. Sua utilidade não reside na duração e sim no emprego que lhe dais. mas somente conseguiu impedir que Hércules se convertesse em rei de Tirinto retardando sua vinda ao mundo até que nasceu outro menino que herdou o trono. Hera enviou duas serpentes ao seu berço. mas o bebê as estrangulou. Ninguém podia se opor à lança nem à flecha de Hércules. Ela seduziu Djanira. mas na condição de um escravo. esposa de Zeus tentou frustrar o seu nascimento. conveniências e limites da sua força física e moral. Finalmente Hércules defrontou-se com o 12º trabalho. Hera simboliza o destino. numa verdadeira trama existencial. a perfeição relativa. A deusa Hera. em outras teve grandes dificuldades e as cumpriu através de artifícios ardilosos. Transpondo esse relato mitológico para a esfera da interpretação objetiva podemos ter uma compreensão mais significativa do mito: Hércules simboliza o Ser Consciente. e não do número de anos. a sua constante busca do tempo futuro e ao mesmo tempo a raiz dos nossos compromissos como o passado. Eram tarefas simples e complexas que se articulavam entre si e aos destinos de outras pessoas. que também era um lutador sobressalente. ela é completa. o herói matou a esposa e os filhos. decepcionava-se porque via novamente diante de si algo semelhante ao que não havia concluído satisfatoriamente. Algumas ele cumpriu corretamente e com relativa facilidade. Então revoltava-se e cometia novos erros. criado simples e ignorante. depois de cometer esse crime espantoso. a rainha de Tirinto. Quando pensava que havia cumprido totalmente um trabalho. Precocemente se manifestou a natureza semi-divina de Hércules. Este lhe respondeu que fosse a Tirinto e acatasse as ordens do rei Euristeu.“Qualquer que seja a duração de vossa vida. o cão de três cabeças. O herói obedeceu e o monarca lhe encomendou uma série de tarefas ou trabalhos. que o envenenou acreditando que lhe dava um remédio. Hercules nasceu. o karma e o imperativo da lei de Ação e Reação. Mas Hércules ainda tinha que viver parte da vida e sofreu novos ataques de Hera.

em média. ela tem muito mais a ver com o futuro e com os fatos que atualmente afetam bem de perto as nossas vidas. composta pelas as provas (obstáculos. dura entre 70 e 80 anos. Em cada fase do nosso tempo pessoal diário acontecem pequenos fatos corriqueiros. a tomar um dos caminhos que se abrem aos nossos olhos. Ele é a exteriorização da Bússola Eterna da Consciência. limitada pelo cérebro. ora em atividade psicológica. São nos múltiplos dias que entendemos as coisas importantes da existência e assim sucessivamente. coisas. O Dia-e-Noite é a síntese e a transição do tempo absoluto do corpo biológico existencial para o tempo relativo da consciência e da eternidade. Mas a História é muito mais do que o relato de acontecimentos. Nossas existências se resumem num mecanismo constante de fazer escolhas e tomar decisões. produto de ações e reações geradas pelas atitudes humanas. Existe na Natureza Divina uma relação proporcional entre o Macrocosmos e o microcosmos. Enquanto o primeiro funciona no tempo absoluto. a outra marca a sua introspecção no plano subjetivo da mente. As experiências que realizamos nos segundos e minutos são simulações e treinamentos para unidades maiores e sucessivas do tempo existencial e vivencial. o suficiente para a realização de experiências necessárias ao nosso padrão moral e de inteligência. delimitados pelo ciclo biológico do corpo e pelas circunstâncias sociais nas quais nos envolvemos. horas. de 24 horas divididas também em quatros momentos nos quais ora estamos em atividade biológica. No grande tempo de longa duração da História cada um de nós possui um fragmento pessoal de realidade. O Relógio Existencial possui quatro momentos que coincidem perfeitamente com as fases do ciclo biológico do corpo. Na verdade. Toda escolha gera uma experiência e esta desencadeia em nós um irreversível processo de transformação mental. o relógio existencial e a bússola consciencial se interpenetram e formam um terceiro marcador. lugares e pessoas que viveram no passado. Um marca a extroversão do ser no plano objetivo.Os 12 trabalhos representam a História e o jogo das circunstâncias no dia-a-dia e o uso do Livre arbítrio. Assim como o Ser humano é o micro e o Criador é o Macro. em sentido horário. seduções) e expiações (resgates de dívidas). É no Dia-e-Noite que realizamos as experiências fundamentais para o desenvolvimento mais amplo da mente em seus três campos vivenciais – o Pensamento. da consciência e da Vida. medido pelos dias. mas. muito significativos para a mente maior. o corpo físico é o micro e o Universo e o Macro. agir e sentir as experiências e cada uma dessas operações se desenvolvem na medida que o corpo também amplia a sua manifestação no meio ambiente. como contata-se na relação natural entre a semente e a Árvore . que causam grandes desgastes emocionais. O tempo existencial a ser equacionado varia de pessoa para pessoa. mesmo que seja a opção do recuo ou opção da fuga. medida nos graus do tempo relativo. a Ação e o Sentimento. um tempo individual e um cenário para atuação. Diante dos fatos somos forçados a escolher. seja em vigília. São nas diversas existências que compreendemos as coisas essenciais da vivência ou da Eternidade. mas também os fatos essenciais. Um define o status-quo da encarnação biológica e a outra aponta o rumo da ressurreição psicológica. que é o ciclo Dia-e-Noite. a segunda funciona no sentido inverso da introspecção. como tomar um copo de água. seja durante o sono. . Esses fatos nos estimulam a pensar. sem limites. até as mais complexas. até o limite da morte física. encadeados em tramas individuais e coletivas. a síntese da evolução espiritual humana. Ela é uma sucessão lógica de acontecimentos no tempo e no espaço. anos. No tempo de uma existência na carne. importantes para a pequena mente existencial. podemos dizer também que o dia está para a Existência assim como a existência está para a Eternidade. São nos inúmeros minutos que aprendemos e realizamos as coisas importantes do dia. desde a mais simples.

as escolhas ainda são muito afetadas pelas provas e expiações. participando com o nosso tempo individual. o presente não será fantasia nem o futuro será visto como ideologia. Leis como a de Ação e Reação e a de Evolução. Nele estamos construindo parcialmente o nosso Eu. porque estamos conscientes da situação e operamos com a mente maior. experiências negativas antigas que nos prendem à condição estacionária da erraticidade. daí os distúrbios mentais que o aprisionam temporariamente como efeito dos abusos. como também repetir experiências para reaprender com os fracassos. Tudo indica que existimos num campo universal de atuação onde estamos sujeitos a leis que fogem do nosso controle individual. parcial e confuso. então. Em mundos mais perfeitos sua manifestação provavelmente se amplia porque o Ser age sempre no sentido do bem estar da coletividade. ainda assim. Não podemos avançar em determinadas linhas de opção porque criamos obstáculos de ação que somente podem ser ultrapassados quando dali forem removidos os entulhos gerados pelos nossos gestos de destruição. O tempo será apenas uma sensação realizadora. ainda estamos atrelados a um Destino. diante das crises existenciais. Quando nos livrarmos desses limites teremos uma sensação real de liberdade.mesmo quando não aceitamos as conseqüências da escolha que fizemos. sempre nos colocamos e nos sentimos divididos entre a probabilidade e a fatalidade. que o livre-arbítrio é uma faculdade proporcional ao grau de maturidade do Ser. que é a Vida Integral. mas. Na Terra ele ainda é o veículo do egoísmo e do personalismo. uma situação de expectativa e ansiedade na qual o Ser já foi atingido pela necessidade de mudança. só para citar as mais conhecidas. Mas. sem memória objetiva. Aqui se vê claramente o limite entre o livre-arbítrio e o determinismo. Poderemos recuar e desviar dos nossos caminhos. o País e a Humanidade. cometer erros. Alguns autores chegam mesmo a especular que o livre-arbítrio se torna uma faculdade desnecessária quando o Ser se integra perfeitamente na harmonia universal e passa a cooperar em graus cada vez mais complexos da Criação Divina. a nossa História. que é um caminho ideal. estamos entre a liberdade e o limite. sem interferência incômoda do passado e sem o medo do futuro. naturalmente sofre as limitações necessárias a manutenção da ordem geral. a Cidade. por causa multiplicidade de existências e personalidades. mas já fomos afetados inevitavelmente pela mudança. entre a relatividade do tempo metafísico e o absolutismo do tempo físico e biológico. estabelecem limites em nossas escolhas. onde podemos tanto fazer escolhas. Na erraticidade escolhemos com clareza e convicção. A primeira somente deixará de ser um ideal quando o segundo deixar de ser real. Dessa forma. O passado não será mais nostalgia. mas ainda não compreendeu o que se passa com ele e fica adiando ou planejando uma nova experiência. ele está limitado e restrito a determinadas ações. Quando tudo . interagindo com a Família. sem ansiedade. Por isso. teremos que suportar a sedução das circunstâncias ou o imperativo das reações “cármicas”. Em nosso caso. Enfim. num plano mais amplo. São naturalmente entulhos mentais. É isso que se chama “erraticidade”. em mundos materiais imperfeitos. sem angústia. Na sua fase humana e individualista. possuímos o livre-arbítrio. restrito. mas a lógica desse limite está numa ordem maior que impede que as nossas decisões causem desequilíbrios além dos parâmetros da normalidade. mas na maioria dos casos. Entendemos. Seremos “atraídos” e “empurrados” para situações onde as escolhas e decisões sofrem as influências naturais dos acontecimentos. podemos até ficar estacionados numa determinada situação. Quando encarnados. Isso parece absurdo. incompleto. estamos ainda mergulhados no plano da Existência. estaremos operando subjetivamente com a mente reduzida. Ainda não possuímos maturidade emocional e inteligência suficientes para fugirmos desse destino e exercer com plenitude o livre-arbítrio.

da Fatalidade para a Probabilidade. a chave da passagem das Existências para a Vida. nem mentir pra si mesmo. já solucionamos o problema objetivo da imortalidade. tem uma razão de ser. “Não adianta fingir. Essa questão é bem fácil de entender. gasto pelo uso retórico. para os quais basta aplicar o raciocínio. Esse enigma de Tomé já foi solucionado por diversos pesquisadores da alma. a regra é a seguinte: temos que aprender a ser felizes nas situações de infelicidade. da alienação para a Consciência. podemos permanecer por longos períodos tentando solucionar problemas do mundo fenomenal. passamos a olhar o que se passa ao nosso redor. mas não puderam ir muito além disso.isso for superado estaremos passando das múltiplas existências para a Vida única. Essa é.. mas que continua tendo seu significado de verdade filosófica. têm o seu próprio caminho a percorrer. uma sensação de vazio de compreensão emocional. mas nem sempre é fácil de compreender: se fôssemos transportados a mundo onde a felicidade plena é uma realidade coletiva não suportaríamos tal situação por causa da interferência dos conflitos íntimos que ainda não foram solucionamos e que ainda nos causa a instabilidade emocional. no começo ficamos nos debatendo. Ainda não possuímos maturidade suficiente para sermos felizes. de forma análoga.. É como aprender a respirar dentro da água. Nem tudo que entendemos objetivamente com o intelecto repercute com clareza no mundo íntimo da subjetividade e que é o verdadeiro universo da experiência. Mas isso ainda deixa um vácuo. mesmo porque as filosofias espiritualistas explicam tais questões com muita didática e objetividade. outra coisa é a prática. paramos de tentar respirar bruscamente. Isso é o que os Seres Superiores chamam de Felicidade ou Plenitude. que também flutua na perfeição relativa ou potencial de perfectibilidade. nos contorcendo em forma de desespero. mas a compreensão depende do mergulho psicológico no enigma. da História para o Destino. finalmente. Mas ainda falta compreender o enigma de Nicodemos. É um conceito tão antigo que hoje soa aos ouvidos mais exigentes como um “chavão”. Com o tempo vamos aumentando os períodos nos quais prendemos a respiração e nos quais exercitamos a calma e a paciência. Uma coisa é a teoria. relativa e parcial. uma realidade comum nos mundos mais perfeitos e que na Terra é inconstante e só ocorre em alguns momentos. Para atingirmos a felicidade integral temos que nos adaptar gradualmente através do desmonte dos conflitos e dos efeitos emocionais negativos que eles nos causam. que já “estão desde sempre solucionados por Deus”. ficamos mais calmos. que é fenômeno da morte do Espírito. No aspecto teórico entendemos perfeitamente o problema do ser. O contato teórico com essas verdade básicas são os primeiros passos para entender o problema. Como já dissemos. Depois vamos percebendo que não é possível lutar contra a natureza. Pensamos que é fácil viver num mundo feliz quando ainda não nos sentimos felizes. do Reino Animal Biológico para o Reino Hominal Psicológico. do destino e da dor. Em resumo. Mas a nossa atual felicidade. mas já vislumbramos por alguns segundos a paisagem que nos parecia hostil e para a qual nem abríamos os olhos. Como diz a música. agonizados. Esse enigma os mestres também decifraram. tem a ver com o nosso estado de espírito. pois o mundo interior de cada um deles é diferente do nosso. Já entendemos o fenômeno da morte biológica. através da ciência e da tecnologia sensitiva do entendimento das leis naturais. . Mas resta o problema da compreensão. Mas o processo natural é bem diferente e altamente dialético. um “clichê”.” Podemos até estacionar para discutir milhares de aspectos que as nossas doutrina oferecem sobre a Vida e o Universo. da Encarnação para a Ressurreição. do Reino de César para o Reino de Deus e. não conseguimos respirar. Deixaram pistas das suas experiências pessoais. aflitos. mas para eles mesmos. não para nós. essa é uma temática que podemos entender facilmente.

um homem tem que se tornar mulher.A verdadeira inteligência não é o raciocínio. não aceitam as conseqüências de suas decisões e agravam ainda mais os efeitos das suas ações. Segundo as escolas espiritualistas clássicas a predominância do mal em nosso planeta é devido à concentração de seres rebeldes e reincidentes no erro. Deve-se sempre agir no oposto. que são os caminhos mais acessíveis para praticarmos o Amor. mas da sabedoria em recuar com um passo para traz e depois dar muitos passos para frente. através dos resgates de dívidas cármicas. para desarmar os mais fortes que os perseguem. Todos que já passaram por essas experiências na vida humana afirmam que a mansuetude é o gesto humilde e também inteligente de desarmar a agressividade do outro. e o progresso. em atitude de resignação. O limite do livre-arbítrio é a nossa capacidade de distinguir o Bem e o mal. no Amor. que não aceitam seus choques de retorno e não se conformam como fracasso de suas provas e revoltados com as expiações que sofrem na Terra. que é a Lei universal mais ampla e superior. usam a razão acreditando estarem seguros em suas decisões para mergulharem em grandes fracassos. Daí vem a descrença e a desconfiança na nossa capacidade de mudar a realidade interior e o mundo que nos cerca. Pior ainda. pois é a fase de defesa e sobrevivência no meio hostil . sóciopatas. talvez seja esse o segredo do livre-arbítrio. é saber esperar o momento certo. As responsabilidades e os choques de retorno geralmente nos levam a duas atitudes e caminhos: estagnação. Não se trata de conformismo. simulando estarem mortos. Portanto. cuja regra universal é “A Semeadura é livre. ainda muito distante nós. a maioria em situação de provas e expiações. essas ações são úteis no despertamento para o Bem e para a regeneração. covardia ou burrice. O Bem e a perfeição aparecem lentamente. típicas das nossas imperfeições. pois esta é uma inteligência típica do . Muitas vezes pessoas pouco inteligentes do ponto de vista racional fazem escolhas certas usando a intuição. Por isso é necessário persistir para aprender a humildade.Mas quase sempre temos a falsa impressão de que a Lei do Amor é utópica. pela violência e brutalidade. As ações maléficas de alta destruição acontecem pela afinidade e conúbio psíquico de seres muito inteligentes. mas a capacidade de fazer escolhas. Durante a nossa evolução em mundos inferiores a maioria das nossas experiências se realiza no campo do mal e da imperfeição. O ódio e a revolta são as principais marcas do mal. como ser semelhante ao outro. Já algumas pessoas tidas como inteligentes freqüentemente desprezam a intuição. com exemplificaram Jesus em sua época e o Mahatma Gandhi nos tempos modernos. porém. a mansuetude e o perdão. A arte da escolha. mas a colheita é obrigatória”. por exemplo. quando passamos a ter percepção de nós mesmos. Na vida selvagem encontramos exemplos belíssimos de humildade e sabedoria quando pequenos animais se humilham. o que é normal até certo ponto. Todos esses conceitos superiores logo caem por terra quando caímos nas contradições do dia-a-dia. das suas possibilidades e dos seus limites. no plano coletivo. por causa dos nossos hábitos e instintos animais. Para neutralizar essa força maléfica não podemos jamais agir dentro do seu campo de ação e sempre fugir de ações de conivência direta ou indireta com essas atividades. A humildade é a ciência da confiança no tempo e na Justiça Divina. de sentimentos doentes. Quando ultrapassamos esse limite esbarramos na lei de causa e efeito (ação e reação) e temos que assumir responsabilidades pelos nossos atos. pelo orgulho ferido e a revolta. que em mundos como a Terra torna-se ideologia de grupos organizados em atividade criminosas e que fazem da vingança uma lei. pela humildade e a resignação. a evolução espiritual do ser humano é impulsionada pelo livre-arbítrio. Mesmo assim. Disso surgiu provavelmente o mito de Satã (anjos caídos). É o momento crítico em que.

sexo feminino. Como já foi ensinado por um sábio espiritual: “A obediência é o consentimento da razão, a resignação é o consentimento do coração”. Para as pessoas experientes nesse terreno o perdão é capacidade de esquecer as coisas más que nos atingem, até que possamos entender o que realmente está acontecendo, bem como as razões de quem praticou esse mal. Quem não esquece o mal não consegue perdoar nem progredir. Muitas vezes as pessoas que nos fizeram mal mudam e nós não mudamos, persistindo na idéia ódio e vingança. Não podemos ficar estáticos achando que o tempo congelou para satisfazer os nossos caprichos. Podemos ficar estacionados por algum tempo, em compasso de espera, mas sempre almejando e planejando alguma mudança no futuro.

Postado por Dalmo Duque dos Santos às 7:10 PM

A Consciência e a Verdade

“Aos quinze anos, minha inteligência se consagrava ao estudo. Aos trinta, mantinha-me firme. Aos quarenta, não tinha dúvidas. Aos cinqüenta, conhecia os decretos o Céu. Aos sessenta, o meu ouvido era um órgão obediente para a recepção da verdade. Aos setenta, podia fazer o que me desejasse o coração sem transgredir o que era justo”. – Confúcio (Kongtzeu)

Duas coisas predominam e todo o Universo: a Consciência – que é Deus e os seres criados à sua imagem e semelhança; e a Lei, que é a vontade de Deus governando os seres e a Natureza. A Lei significa a ordem, o equilíbrio, a harmonia. A Consciência significa inteligência, pensamento, ação, emoção, realização, auto-controle, responsabilidade e convivência. O contrário da Lei é o caos, o mal, a escuridão, o medo e a ignorância, a incerteza, a insegurança e o sofrimento. O contrário da Consciência é a alienação e a loucura. Quando a Lei e a Consciência não se chocam e andam juntas significam sempre o Bem, a Luz, a fé, a confiança, a sabedoria, a resignação, a tranqüilidade, a confiança e a felicidade. A união da Lei com a Consciência resulta no conhecimento gradual da Verdade. Quando conhecemos a Verdade a nossa vida se transforma incessantemente. A Verdade total ainda está bem longe do nosso alcance: ainda não temos maturidade para conhecê-la como um todo. Por isso vamos conhecendo-a em partes. Se conhecêssemos a Verdade de uma só vez entraríamos em desequilíbrio. Por isso, assim como as crianças que aprendem a andar por si próprias, vamos dando passos lentos, até adquirirmos segurança para pisarmos nesse terreno, para nós ainda tão assustador e inseguro. Em várias épocas Deus permitiu a manifestação na Terra, e em muitos outros mundos físicos, de seres sábios para mostrar a Verdade aos homens. Mostraram muitas coisas verdadeiras, mas não puderam mostrar tudo por completo.

Krishna e Buda na Índia, Zoroastro na Pérsia, Lao-tsé , Fo-Hi e Confúcio (Kong-Teseu) na China, Sócrates na Grécia, Moisés e Jesus na Palestina. Todos eram legisladores morais e ampliadores da Consciência humana. Todos eles falavam da Lei e da necessidade de praticarmos essa lei desenvolvendo a Consciência. Krishna e Buda ensinavam: amem os seres da Natureza e controlem os desejos; Moisés alertava: respeitem a Deus não matando e não roubando; Os mestres da China recomendavam: Cultivem a paciência e a bondade; Zoroastro explicava a importância do livre-arbítrio falando da luta constante entre o Bem e o mal; Sócrates refletia: sei que nada sei e recomendava: conhece-te a ti mesmo; Jesus pedia: sejam humildes, perdoem seus inimigos. Este, como o último grande sábio que se manifestou em nosso planeta, tinha plena consciência de sua responsabilidade e do momento histórico que estava inaugurando para a Humanidade: “Não pensei que vim destruir a lei ou destruir os profetas; eu não vim destruí-los, mas dar-lhes cumprimento; porque eu vos digo que o céu e a Terra passarão antes que tudo o que está na Lei não seja cumprido perfeitamente, até um único jota e um só ponto”. Quando falavam da Consciência esses sábios convidavam todos para conhecer as maravilhas do nosso mundo interior, que uns chamavam de Nirvana, de Plenitude ou ainda o Reino de Deus. Uma Consciência é a prova viva da existência de Deus, sua própria imagem e semelhança. A Consciência não pode jamais ignorar a Lei ou fugir de si mesmo agredindo sua natureza espiritual divina. A Lei diz que somos todos iguais em Espírito, na origem, na raiz, que é a nossa Consciência. Somos diferentes no pensar, no agir e no sentir porque temos a liberdade de escolha dos caminhos que vamos percorrer. Mas somos iguais naquilo que queremos atingir como finalidade. Nossas diferenças nunca devem servir de motivos de conflitos e de violência. Pelo contrário, as diferenças existem para que pratiquemos a lei da convivência, conhecendo a Verdade única do Amor Universal. Por Isso Jesus ensinava: aquele que se humilhar será exaltado, ou seja, aquele que respeitar a simplicidade e a ignorância do seu semelhante será sempre maior porque ficará com a consciência limpa e com o coração leve. Na sua enorme experiência espiritual, Jesus dizia: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque meu jugo é suave e um fardo leve. Quem tem a consciência limpa pelo senso de justiça e o coração leve pela humildade jamais sofre diante das dificuldades e da provas da Vida. Jesus já conhecia plenamente essa realidade do mundo interior e ensinava: Sejam inteligentes como as serpentes e simples como as pombas. A serpente é a necessidade de sobrevivência do corpo e a pomba a salvação da alma. A humildade é o segredo para estarmos sempre quites com a Lei e paz com a nossa Consciência. Já o orgulho é a rebeldia, o egoísmo, a causa da manifestação de todos os nossos defeitos morais. Esses defeitos nos afastam da Lei, escurecem a nossa Consciência, nos tornam infelizes e derrotados. A humildade não é covardia. É preciso muita coragem e disposição para ser humilde. O orgulho é sim uma covardia, porque incentiva o ser humano a mentir para si mesmo. Quem é mais covarde: aquele se enfrenta ou aquele foge de si próprio? A Ciência humana desconhece as origens da consciência. Opinam muitos pesquisadores especulando que ela é produto da transformação dos organismos, vendo nisso somente o fenômeno visível e exterior. Não conseguem, portanto, estabelecer uma correta e clara relação de causa e efeito. Sabem que ela existe, pois carregam dentro de si mesmo essa prova viva, mas, contraditoriamente, não têm como prova-la objetivamente, segundo os paradigmas científicos que cultuam. Tanto a Consciência como a Mente continuam sendo considerados nas academias materialistas como uma crença. Até mesmo as clássicas experiências e teorias do Dr. Sigmund Freud são incluídas

neste rol. No entanto ela aí está, seja como crença, seja como fato objetivo o u subjetivo, servindo sempre como referência no esforço que fazemos para compreender e aceitar a realidade. Como percebemos, este é o assunto que mais incomoda e fascina aqueles que sentem a necessidade de explicar as coisas e, por isso, está presente em todas a atividades nas quais os ser humano estão envolvido. É só conferirmos nos dicionários para constatar a enorme incidência de conceitos e circunstâncias em que a palavra “consciência” aparece como base nas definições filosóficas. Mas uma coisa é certa: é indiscutível ela é a principal porta de acesso à Verdade, que todos nós buscamos ansiosamente. Trata-se de um termômetro e ao mesmo tempo uma bússola que utilizamos para navegar no imenso oceano do Desconhecido.

Postado por Dalmo Duque dos Santos às 9:20 AM

O Ser e o Tempo

“Mas de onde se origina ele? Por onde e para onde passa quando se mede? De onde se origina ele senão do futuro? Por onde caminha senão pelo presente? Para onde se dirige senão para o passado? Portanto, nasce naquilo que ainda não existe, atravessando aquilo que carece de dimensão para ir para aquilo que já não existe” – Santo Agostinho

A Natureza possui como marca essencial os seus ritmos, que dão vida aos fenômenos e significado para eventos. É assim que as coisas acontecem, cada qual a seu modo e com suas características próprias: na pulsação cósmica, nas estações, períodos climáticos, nas marés, nos ventos, nas perturbações telúricas, fisiológicas e sociais, nos ciclos de reprodução, migrações, etc. No aspecto humano, os ritmos tomam significados mais complexos , como os ciclos biológicos e psíquicos. Na maioria desses ritmos encontramos a presença inexorável e enigmática do tempo. Somente os seres humanos mais evoluídos possuem a faculdade da consciência, isto a percepção de si mesmos e da realidade em que vivem. Isso acontece quando, através das inteligências, superamos os instintos e passamos a agir na solução de problemas fazendo escolhas. Sabemos que existimos e que somos parte de um sistema de vida social de

contato físico. causada pela busca de alívio e finalmente a realização. matematicamente. e o coletivo. independência. por exemplo. uma espécie de suicídio da consciência. lazer. de causas e efeitos. desde os pequenos deslizes até os erros mais graves e de conseqüências drásticas. prestígio. Exatamente por termos a liberdade de escolher. Isso significa que tudo é possível. Quando fazemos essa escolha de ignorar os fatos. etc. transformando o tempo integral em períodos específicos fragmentados: tempo pessoal e tempo social : trabalho. o todo.muitas articulações. Geralmente. sono. os acidentes da Natureza são precedidos de incidentes provocados pela imaturidade humana. É por isso que a alienação deliberada é uma violência. aceitação. A fuga é uma opção e não uma regra. estamos provocando voluntariamente a nossa alienação. sendo raros os casos em que o ser o faz espontaneamente. o individual e o coletivo. portanto. incluindo na vida psíquica. um fenômeno histórico. A transição entre o Instinto e a Consciência é que marca essas experiências recheadas de tensões e sofrimentos. as estações do ano. mas pagamos um alto preço por essas decisões. e também a recusa que muitas vezes fazemos em tomar ciência das coisas que estão acontecendo. Se o alívio não for possível. até que tenhamos maturidade para enfrentar a situação. as luas. fazendo com que a nossa percepção e atuação sejam sempre em dois aspectos distintos: o individual. como os fenômenos físicos naturais: clima. status. e tem um tempo a ser equacionado. sexo. mesmo porque muitas fugas são atitudes que agravam os efeitos dos erros cometidos anteriormente. amor. Em muitas ocasiões as fugas funcionam como alternativas temporárias. loucos e impedidos de liberdade de ação e raciocínio. voluntariado. pois toda ação tem uma reação correspondente. Quase sempre o despertar da consciência é doloroso. O inverso de tudo isso é a alienação. Temos necessidades fundamentais e que precisam ser satisfeitas em nossos campos de percepção (psicológicas) e de atuação (biológicas e sociais): alimentação. um início. o dia e noite. na família e na sociedade. pois é a soma desse dois aspectos da percepção da realidade. a relação que fazemos entre o presente. o que é de certa forma uma violação da consciência. não na duração. nesses casos. Isso acontece através da percepção do outro e do tempo ou duração das coisas. Isso também nos leva a refletir por que essas primeiras lições ocorrem em mundos imperfeitos e geralmente sob circunstâncias contraditórias. realização. Já o ser humano vai além disso e passa a observar o tempo de forma abstrata. Tudo passa por um processo histórico. Ao fazer essa relação de si mesmo com o mundo ao seu redor. um crime contra a Natureza e a Criação Divina. de acordo com a suas necessidades. Tais necessidades geram uma tensão permanente. nos frustramos. Temos a liberdade de agir dessa forma. e também o tempo relativo. nas circunstâncias em nos que sentimos ameaçados na satisfação das nossas necessidades. Mas elas não podem persistir como situação permanente. um meio e um fim. que é a condição natural dos animais irracionais. repouso. em partes. em todos os planos da vida. quase sempre gerados pelas tentativas vãs de burlarmos a realidade ou fugir de nós mesmos. o passado e o futuro. Os animais só percebem o tempo através de coisas concretas. Essa é a causa dos sofrimentos humanos. que é a nossa identidade social. etc. lançamos mão do recurso das fugas e partimos para os ataques em diversos graus de comprometimento. dependendo de quem e como observa. reconhecimento social. é possível fazer o mesmo com o tempo. Não é coincidência ou por “imperfeição da matéria” que vemos ao nosso redor milhares de seres alienados mentalmente. e também de abusar da escolha. ou seja. é ainda o tempo histórico. Tudo isso é o tempo absoluto. A consciência é. o nosso EU e a nossa personalidade. mas tudo tem uma conseqüência inevitável. Assim como há a possibilidade de intervir na Natureza. vendo inclusive a possibilidade de interferir. em função da produção de recursos. o ser percebe o funcionamento das coisas e da sua própria constituição orgânica e psíquica. pois . afeição. e se amplia na medida em que o ser amadurece pelas experiências. obrigações sociais. mas na distribuição da sua utilidade.

quando sofrem um amadurecimento forçado. Então. É uma alternativa possível. mas. a busca de Verdade é uma forma de desenvolvimento da consciência. em alguns momentos. a negação imortalidade e da vida espiritual futura. Deus é uma Verdade integral da qual temos apenas noções e intuições. Assim também são as fugas que. mas para os seres humanos ela ainda é parcial. A Verdade é uma só. O mal existe de forma intensa em nosso meio. conservam-se sem o sabor essencial.isso afeta o processo natural de evolução do ser. São frutos ainda verdes e insensíveis. se mostram aparentemente transformados e preparados para satisfazer o apetite da Verdade. integral. que acontece quando entramos num processo de conflito entre o EU exterior e o EU interior. o ser é envolvido em situações fora do seu controle. mas ainda imaturos. caracterizando até um certo determinismo. não são afetadas pelas revelações. Nesses pontos é que ocorrem as revelações. encontramos pontos de equilíbrio. predomina em nosso psiquismo e conseqüentemente retorna para o ambiente em que vivemos. numa caverna escura. O círculo é vicioso. sonho que segundo ele foi tão real quanto estar participando de um filme simultaneamente como ator e espectador. A causa principal dessa tendência é a ignorância das leis universais e o materialismo. O Bem e o Mal “O mal não merece comentário em tempo algum” . Outros já um pouco mais interessados. ela é. o que vulgarmente se chama de “armadilhas do destino”. antes de tudo. Nossa relação com a Natureza e com o Universo é semelhante: só entendemos na medida que a informações encontram um eco. Esse é o motivo pelo qual. o momento propício para serem reveladas. Esse bloqueio do ponto de . numa determinada altura. filosófica e também científica. Einstein deixou um testemunho escrito de que sua teoria da relatividade e compreensão da mecânica do Universo foi produto de um sonho. ora para as coisas do exterior. Mas o despertar da consciência ocorre somente quando começamos a dialogar com o nosso “Eu”. pois muitas outras ainda permanecerão ocultas e fora da nossa percepção comum. As demais portas somente serão abertas na medida em que formos compreendendo algumas verdades. Mas revelação não ocorre somente no campo religioso. pois atingiram o limite imposto pela Evolução. as primeiras que conseguimos visualizar. pois a nossa realidade cotidiana ainda é muito influenciada pela negatividade. como se fosse um parto de compreensão. Se houver persistência. Isto é a expiação. Iniciamos o diálogo com perguntas de auto-reconhecimento . por dentro. fragmentada em pequenas verdades.Quem sou Eu? De onde vim? Para onde vou? – e que são as chaves que abrem as primeiras portas da consciência. sozinho. Esse conhecido tema de reflexão é repleto de verdade. mesmo tendo contato direto com os fenômenos. mas alavancas que concretizam uma transformação que já havia sido iniciada antes. Esse diálogo é como entrar pela primeira vez. numa luta dialética constante na qual. forçando-o a atuar de forma consciente diante dos problemas. Uma analogia bem simples para entender isso são os objetos que são introduzidos por acidente ou são implantados num corpo com a intenção de corrigir uma falha orgânica. A revelação mística que transformou o jovem o príncipe Sidarta Gautama num velho Budha é a mesma que transformou o jovem Newton num ícone da Física moderna. por serem estranhos ao conjunto. Para vencer o medo da escuridão temos que adquirir confiança em nós mesmos e procurar um “EU” até então desconhecido que vivia apartado da nossa realidade. ou seja. já não são mais aceitas. muitas pessoas. mas quando repercute em nosso íntimo geralmente encontra pouco eco. mas. As revelações não são a causa das mudanças que se operam em nós. O momento propício é a nossa maturidade intelectual e emocional. Ora estamos voltados para as coisas do mundo interior. podem naturalmente ser rejeitados e repelidos. uma realidade que ainda não temos capacidade de compreender em sua totalidade.

o mal ainda existirá por algum tempo. Quando não conseguimos essa mudança de forma imediata. ninguém progride sem demonstrar equilíbrio diante das coisas contraditórias. dando a impressão inversa de que o Bem é uma utopia. Os renascimentos traumáticos e as existências tumultuadas ainda serão comuns. Nesses lugares se faz o bem por espontaneidade e não por necessidade de recuperar o tempo perdido ou pelo resgate de faltas. nas inúmeras experiências. muitas vezes fora de cogitação. mesmo que o indivíduo não acredite nessa possibilidade de renascimento carnal. cheias de vida e de futuro . de sentimentos e de atitudes. É nas situações confusas e desesperadoras que a mente humana adquire experiência real. Uma enorme sensação de insatisfação passa a ocupar o mundo íntimo dessas pessoas e suas cogitações sobre o tempo e as conquistas mudam totalmente de rumo. supera limites. Isso faz parte do jogo evolutivo. Portanto. Mesmo aqueles seres maus e intransigentes são marcados por essa insatisfação. onde predomina o mal. frustram-se. este é o real significado da categoria do nosso planeta. o Bem não é apenas poesia ou ficção. Esse também é o motivo provável pelo qual muitas pessoas boas. que trabalham em sentido contrário. uma equação existencial para ser solucionada num curto espaço de tempo. mas não mais como fator evolutivo essencial. de regeneração. Estamos numa fase de transição para uma categoria supero. ainda assim entramos em processo íntimo de mudança. isto é. de experiências. pode até ter valor como aprendizagem. portanto de inúmeras possibilidade de se realizar o Bem. mas um algo mais. entre os espiritualistas. Então. o que fazer para evitar essa predisposição que temos em valorizar mais as coisas negativas do que as positivas? Como mudar essa crença de que o mal é sempre mais forte do que o bem? Estaríamos sendo incoerentes e hipócritas. É desse desvio do ponto de vista que surgem conceitos como “os fins justificam os meios”. Do contrário. fica mais inteligente e finalmente se transforma no reduto de poderosas forças morais. no planeta Terra. Essa substituição acontece silenciosamente nos bastidores da consciência individual. Como dizia o filósofo estóico Epicteto. quase sempre contraditórias e confusas. um campo de provas. caso elas decidam realmente mergulhar em i próprias. simples ou marcantes. mas não será mais predominante. Somente a maturidade espiritual. adquirida pelas múltiplas existências. num mundo hostil como a Terra.vista espiritual impede o entendimento da diferença entre existir e viver e restringe a perspectiva humana aos seus limites objetivos e biológicos. mas sempre funcionando como suporte secundário de leis superiores. de ampliação do grau de consciência. mesmo porque o mal sempre nos causa uma incômoda dinâmica de insatisfação e infelicidade. Já o mal é uma possibilidade momentânea de estagnação. feridos pelo espinho constante da consciência. Uma existência de apenas 70 anos deixa de ser uma simples fonte de satisfação de prazeres da carne e dos vícios mentais e torna-se um veículo de realizações para despertar de novos desafios íntimos. A negação da vivência psicológica e da subjetividade espiritual enfatiza o mal na sua experiência. ele é o recurso natural no qual o Ser realiza escolhas e toma decisões nas situações de prova. é que desperta o senso de justiça e a substituição gradual do mal pelo Bem. ou seja. a prática do Bem gera mudanças em nosso mundo interior e no ambiente em que vivemos. que nosso planeta é um típico mundo de expiações e provas. Aliás. Tudo bem! Mas também existe a possibilidade de se praticar o bem. Fazer o bem em mundos superiores é fácil e até redundante. Por isso se diz que Deus escreve certo por linhas tortas. de tentativas. mas diminuirão na medida que haja uma expansão do conhecimento superior e da consciência espiritualizada. Ele é uma realidade que está ligada às forças naturais de transformação que impulsionam os seres e as coisas rumo à perfeição. Essa possibilidade de fazer o bem num campo onde predomina o mal é uma prerrogativa do livre-arbítrio. Sendo uma força de transformação. nas quais o ser adquire novas formas de pensamento. inteligentes. negativas ou positivas. ao negarmos o mal e cultivarmos poeticamente o bem? É senso comum. O livre arbítrio passa a ser utilizado com maior grau de responsabilidade e as pessoas começam a perceber que trazem consigo não somente o instinto de sobrevivência biológica. O mal ainda predomina. pelas forças retrógradas.

apagados. A Humanidade vem se transformando desde os primórdios da pré-História. o que sobra depois delas é o desencanto. como a capa de um velho livro cujas folhas foram arrancadas. morrem ainda jovens e repentinamente. auto-destruição. a não ser que queiram. Epitáfio gravado no túmulo. pois reaparecerá. Afirmam os sábios que é preciso saber chorar e tirar proveito reflexivo das lágrimas.promissor. que engana e agrava os sentimentos e emoções e só faz aumentar a insatisfação e sofrimento por estarmos numa condição espiritual inferior. escrito pelo próprio Franklin. Na maioria das vezes só conseguimos reverter positivamente essa situação quando sofremos e derramamos lágrimas de reflexão. com se fosse um prazer emocional que nos faz suportar as situações difíceis. Muitos desses casos são pessoas que passam por experiências íntimas imperceptíveis aos olhos alheios e que atingem um grau de transformação suficiente numa existência. inveja. se forma um círculo vicioso. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 9:16 AM A Vida e as existências “Aqui repousa. por questões pessoais ou de auxílio ao próximo. o corpo de Benjamin Franklin. Mas por isso o obra não ficará perdida. impressor. como ele acreditava. Estamos vivendo uma época de crises e mudanças rápidas em todos os setores sociais. Do contrário. comentários maldosos. os caracteres que nos diferencia das raças primatas que deram origem à espécie humana em nosso planeta. Daí vem o pessimismo. em nova e melhor edição. cedemos aos impulsos inferiores: pensamentos negativos. fracasso e a estagnação. revista e corrigida pelo autor”. . a revolta. Aqui também. Não estando conscientes dessa situação de mudança íntima. Assim evoluímos. não necessitando mais conviver em ambientes atrasados e maléficos. Mas é um prazer egoísta e solitário. geralmente procuramos uma mudança que possa alterar esse estado desagradável e que nos causa sentimentos negativos. entregue aos vermes. a descrença no Bem e a supervalorização do mal. a sensação de impotência. e cujo título e douração. geralmente. quando fomos adquirindo. gradualmente. E continua em franca transformação. etc. Estando infelizes e insatisfeitos.

E não foi apenas uma simples impressão de quem viveu num momento de transição. a Vida e a Felicidade. mas ainda não conseguimos superar a observação dos aspectos parciais dos nossos interesses particulares. usamos as experiências existenciais. tudo acontecendo em períodos de tempo tão curtos. As mudanças de ponto de vista serão constantes. a Vida ou as nossas existências? Ao que tudo indica. Uma outra idéia que ajuda a compreender melhor essa diferença entre “existir e viver” é a concepção que temos de felicidade. são estados de espírito que exigem uma grande soma de experiências em todos os sentidos. Dos momentos felizes que experimentamos nas existências tiramos nossos pontos de vista sobre a felicidade. A Vida e a Verdade são coisas idênticas. Se fôssemos lançados num mundo feliz nos sentiríamos como peixes fora da água tentando respirar num ambiente que os nossos sentidos não conseguem assimilar. até que cesse a relatividade da nossa compreensão das coisas. Se pudéssemos mergulhar na felicidade integral também sofreríamos um impacto inimaginável. chocante. provocando o desencadeamento de uma sucessão de rápidos acontecimentos.Nunca a História registrou tantas descobertas tecnológicas. talvez uma segunda morte. o ser humano ainda não adquiriu maturidade suficiente para compreender a Vida e por isso treina essa compreensão através das múltiplas existências. tantas modificações de crenças e hábitos. Daí dá para entender porque ainda não temos maturidade intelectual e emocional para suportar toda a carga de realismo que caracteriza a Vida e a Verdade. Quando passamos por experiências desse tipo ficamos profundamente traumatizados. enquanto a consciência permanecia estática e pasma. sejam de curto prazo. como nos séculos anteriores. imagine se fôssemos mergulhados integralmente na Realidade Total. observando como as coisas surgiam e desapareciam. as existências também se sucedem até que não haja mais necessidade de repetir experiências pelas quais já assimilamos sua essência. A Verdade. Seria um desastre colossal. compreender a Vida se não conseguimos assimilar a lógica e a funcionalidade das pequenas engrenagens e tramas das nossas existências. sobretudo àquelas que se referem a nós mesmos? Como . tal é a carga de realidade que ela provoca em nosso mundo íntimo. sendo necessário que haja muitos pré-requisitos para que as coisas sejam integralmente compreendidas. O Século XX passou rapidamente sob os nossos olhares e tal foi a velocidade das mudanças que nele ocorreram que ainda não demos conta de que a maioria nós nasceu e viveu no intervalo de tempo secular mais curto já ocorrido na cultura ocidental. impossível. portanto. como as que vem ocorrendo nas últimas décadas. todos sentimos que o tempo veio se acelerando numa velocidade espiral. sejam através de prazos mais longos como as existências programadas. Este é o choque existencial de todos aqueles que cultuam a idéia da Imortalidade e sofrem as imposições do tempo biológico. Quando observamos a Vida o fazemos sempre de maneira deformada. é impossível atingir a Felicidade se ainda carregamos deficiências nos sentimentos e emoções. impactante. para a Vida. É impossível atingirmos a Verdade se possuímos alguma deficiência de conhecimento racional e emocional. fragmentada pelas limitações dos nossos cinco sentidos. uma situação de êxtase que para nós seria traumático e ao mesmo tempo desolador. através de fatos cotidianos. Para compreendermos a Verdade total usamos a ferramenta do ponto de vista. Se em pequenas situações realistas sofremos abalos dolorosos. Na verdade. Mas o que realmente vem mudando. A sensação geral é a de que nossos corpos foram envelhecendo. se não assimilamos o que é a Imortalidade? Como compreender a Verdade se ainda não nos sentimos à vontade para encarar situações verdadeiras que nos deixam atordoados. Todo mundo tem um problema existencial de referência principal para ser equacionado e cuja chave de resolução só pode ser aplicada numa experiência real. Como compreender a Vida se não compreendemos que a morte é uma transformação. Para a maioria dos seres humanos a Vida não passa de uma diversidade de pontos de vista e estamos bem distante daquilo que se chama de realidade total e integral. que se esvai indiferente pelas veredas dos dias e das horas aparentemente perdidas.

o começo. não é somente o corpo que morre e volta na condição de energia para o fluido universal do qual foi extraído. do tudo ou nada. São as eternas escolhas e conseqüentes decisões que sempre temos de tomar por conta própria. se somos ou não somos. que é o Eterno. simplesmente. É o mundo das causas. a Vida funciona sem as limitações do tempo. semelhante a uma criança que se apega egoisticamente a um brinquedo. Temos medo de perder a individualidade que adquirimos recentemente. de soluções para as nossas constantes crises vivenciais. de dar um passo para o incerto. Por isso renascemos da carne e do Espírito. Nosso problema é a questão evolutiva. de corrermos o risco. O abismo é tremendamente assustador e sua escuridão representa para uns o infinito. cuja pluralidade cósmica é visível aos olhos nus. Portanto. o que sempre foi e sempre será. para outros. no plano Absoluto ou Divino da Criação. Nesse momento ninguém pode fazer nada por nós. o nada e o fim. de certa forma. num constante movimento de descobertas e realizações. nascendo. para que aprenda a reconhecer em si a próprio a Imortalidade da qual é dotado.compreender a Felicidade se ainda temos dificuldade de aceitar a felicidade alheia e de partilhar a nossa com os outros? Realmente. como disse Jesus no seu misterioso e inesquecível encontro como sacerdote fariseu Nicodemos. Passar da existência para a Vida é saltar por cima desse abismo com a total confiança de que vamos encontrar aquilo que procuramos. num plano absoluto da Criação. Parafraseando Edgard Armond. um sábio instrutor espiritual contemporâneo. estamos sempre existindo. elétrons e neutrons. logo perguntamos se vamos continuar sendo aquilo que somos hoje. são múltiplas e por isso sua experiências são constantemente delimitadas e reguladas pelo tempo. se inicia nos Reinos Naturais dos planos densos da matéria e continua nos planos das energias sutis. vida e morte. É nesse salto no escuro. o nosso Ego. impulsionados por uma Lei maior que nos direciona ao encontro do Criador de nossas vidas. A principal marca existencial da espécie humana sempre foi a busca da auto-realização. Quando vislumbramos por alguns instantes as possibilidades do Infinito e do Eterno . pois esta é uma experiência exclusiva que coloca em prova a nossa individualidade diante da Criação. Ainda não temos consciência plena do significado da Vida e das nossas existências. porque estes já estão solucionados desde sempre por Deus. também sofre a transformação da morte e renasce na sua própria natureza interior. em condições que ainda desconhecemos. como as criaturas. é correr o risco de saltar no escuro. mas que deduzimos ser um efeito espiritual das experiências que realizamos . nascimento. atributo dado pelo Criador às suas criaturas para que um dia elas se reintegrem definitivamente na harmonia do Universo e da Criação. a Vida é única e imutável. É o mundo dos efeitos. Já as existências. Assim como tudo que é material se dissolve no oceano universal de átomos. que descobriremos se Deus existe ou não existe. Seja nos mundos espirituais ou nos mundos materiais. por acaso os seres também não serão dissolvidos no oceano da consciência divina? Diante da dúvida do ser e do não ser. num plano relativo da Criação. como Deus.” Sendo uma só e sem interrupções. Por isso permanecemos divididos entre o ser e o não ser. Somos essencialmente insatisfeitos porque ainda estamos em processo de formação espiritual. O Ser. de autoreconhecimento. que é o efêmero. A maioria dos seres humanos ainda caminha em torno de um abismo. no plano relativo da manifestação. uma dúvida também gerada pelo Ego e que sempre nos convida a recuar para o conforto do cordão umbilical. morrendo e renascendo para a Vida Eterna. que nos impede de saltar dos limites das nossas existências para o terreno ilimitado da Vida. “Não vivemos para solucionar os problemas do Universo. existe desde sempre. quase sempre nos voltamos para o aspecto mais instintivo do nosso “Eu” e ali permanecemos isolados. Esse percurso existencial. o meio e o fim. A nossa trajetória tem sido também a da transformação individual e adaptação no espaço e no tempo. o desenvolvimento do eu individual. O que muda é o viver e o existir. numa espécie de autismo espiritual.

visão e audição) sabemos que ainda nos falta algo mais. de apenas alguns meses. desde os primeiros lampejos da razão até o domínio completo das suas mais sofisticadas potencialidades. dormimos no Reino Mineral. ao desenvolvermos as cinco inteligências básicas (cinestésico-corporal. real. mas continuamos essencialmente incompletos e insatisfeitos. a espécie humana se posiciona fisiologicamente como o meio. para solucionar problemas do mundo exterior. que substitui a competição e estimula a cooperação e a harmonia com os outros seres. espacial. O gênero humano seria então uma condição mutante entre os planos material e o espiritual. as três vivências básicas da nossa mente ( pensamento. Daí a nossa busca atual pelo aperfeiçoamento das duas inteligências pessoais: a Interpessoal. Este percurso de incontáveis milênios representa o admirável processo de verticalização do corpo existencial (o físico e o espiritual). sempre à procura da plenitude da vida e da felicidade. Neste mesmo processo. de milhões de anos. promovendo a harmonia do “Eu real” com o “Eu ideal”. o mundo interno é um universo desconhecido e extremamente ameaçador. Nossa evolução espiritual vem acontecendo de maneira simultânea à espécie orgânica humana que nos abriga. Olhar para si mesmo pode parecer apenas uma fórmula filosófica.hoje e no passado. e redirecioná-lo para o mundo interior. e animal). paladar. o sexto e sétimo sentidos. Foram milênios de luta para superarmos inúmeros obstáculos e acumularmos uma grande soma de conhecimentos. O despertar desse longo sono acontece exatamente quando nos tornamos humanos. Em cada uma dessas fases desenvolvemos um modelo humano ideal a ser atingido. mineral. evoluindo gradualmente em várias etapas de aprendizagem. ar. também sabemos que nos falta um complemento que integra todas elas e que nos torna mais aptos a compreender e solucionar os problemas do mundo interior. fomos também precedidos por inúmeras experiências orgânicas. água e fogo) com os três reinos (vegetal. podemos definir a trajetória humana como a caminhada do Homem em busca de si mesmo. verbal e musical). Assim como superamos os nossos ancestrais símios. e a Intrapessoal. mas não é uma tarefa simples e mecânica. do Espírito. permitidas pela combinação setenária dos quatro elementos (terra. que é a consciência. Para nós que ainda estamos mergulhados na infância espiritual. Isso vem acontecendo através de sucessivas crises. do nosso universo interior e que nos planos físicos se manifestam através de dores e choques das mais diversas formas de vicissitudes. olfato. uma transição entre a condição animal e o Espírito. lógico-matemática. Ao adquirirmos os cinco sentidos básicos do mundo material (tato. num processo de aprendizagem para reverter o olhar direcionado para o mundo exterior. uma transição das nossas experiências no mundo exterior dos reinos elementais da matéria densa. Que outro sentido teria então a recomendação do “Sede perfeitos” ? Poderíamos atingir a perfeição existindo uma só vez? O Teatro do Ir e Vir Numa visão mais ampla da Vida. Semelhante ao processo de gestação humana. Trata-se de um território de . Nessa longa jornada. até que ocorra a sua futura superação. agora se integram no seu funcionamento de experiências práticas com as experiências emocionais e intelectuais. Simultaneamente. das aparências. muitas vezes violenta. antes isoladas e em conflito entre si . o último elo que nos liga ao reino materiais. que elimina as reações defensivas da luta da personalidade com a individualidade. ação e sentimento). sonhamos no Reino Vegetal e finalmente acordamos no Reino Animal. que é o fim. causando a transformação. do “Conhece-te a ti mesmo”. para o mundo interior do Reino de Deus. que é o elo de ligação com o mundo espiritual. em nossa gestação anímica. Para atingirmos esse grau de avanço e complexidade existencial tivemos que passar por inúmeras provas e reprovas que só a pluralidade das existências pode explicar.

Para suportar essa situação de impasse. entrelaçadas pelas tramas do enredo da peça na qual ingressamos e na qual outros atores também estarão atuando em seus respectivos personagens. a qual não se pode enganar por muito tempo. geralmente motivado por algum dano factual. Essa é a regra básica do jogo. Tudo isto compõe o interessante e progressivo jogo de circunstâncias entre a realização e frustração. é a gota d’água. Tudo aquilo do qual sempre estamos fugindo ou sabemos que certamente teremos de enfrentar um dia. Ela é o principal agente regulador do equilíbrio da Vida e que. poder ou submissão. Nesse jogo natural da transformação dolorosa dos pontos fracos em pontos fortes. Se superarmos os obstáculos. sofrido numa circunstância aparentemente casual. cuja tentação ilusória sempre se apresenta como uma possibilidade de fuga. É do veneno que se extrai o seu antídoto. quase sempre usamos máscaras e simulações que nos protegem das situações constrangedoras que geralmente revelam o que somos na realidade. até chegarmos no epílogo do drama ou da comédia que pedimos para atuar. Nas nossas farsantes encenações fugimos aqui. a nossa doença existencial. destaque ou o anonimato. tramas dos atos. que serão computadas em nosso destino. em cada ato. que é o palco da nossa atuação parcial. A consciência da memória objetiva é suspensa para a realização do teste de atuação. Não foi por acaso que os gregos associaram essas realidades com a arte teatral e à sua riquíssima mitologia. para que ocorra uma soma de impressões parciais ou fragmentos de verdades de cada um rumo à compreensão total e única da Verdade. no qual atualmente entramos pela livre escolha. É assim que. as dúvidas. É no mundo exterior que nos iludimos com as máscaras. cortamos caminho ali. Essa é a grande lição da Natureza. seja pelo prazer ou pela busca de alívio de um sofrimento insuportável. amor e ódio. o personagem que escolhemos é testado no campo das competências. porém somos avisados de que. pela qual somos constantemente envolvidos e seduzidos. medo e coragem. A sedução. em nosso caso. saúde ou doença. sobretudo o dano factual que vamos sofrer. existe um limite de memória. Daí o motivo pelo qual quase sempre estamos com os interesses voltados para o mundo exterior. os traumas. dos fenômenos e das sensações. alegria e tristeza. mas também podemos interpretar com seriedade os mais variados papéis. portanto teatral da Vida. e que tais provas só terão validade no próprio campo de atuação. Os teóricos da literatura também nunca deixaram de observar em seus estudos como os dramaturgos e comediantes combinam os elementos de suas tramas estabelecem o enredo de suas obras. não mais lembraremos objetivamente dessas escolhas feitas fora da situação de teste. Antes de entrarmos em cena escolhemos as provas a que seremos submetidos. as incertezas. . O palco ou campo de prova possui toda uma fenomenologia cenográfica composta de imagens aparentes. Ela se apresenta em várias situações de teste nas quais temos que remover os obstáculos do percurso. dá o tom no qual teremos que nos harmonizar na prova existencial: a riqueza ou a pobreza. os seres devem interagir entre si nas existências. é sempre útil e necessária como perpetuação das oportunidades e ferramenta de avaliação educativa. O dono é a peça fundamental para que ingressemos da trama na qual estaremos inevitavelmente envolvidos. a mesma que atrai a abelha para a magia das cores e o perfume da flor. Se esse interesse pelo mundo exterior é o nosso vício. treinando para a realidade total que ainda não temos coragem de enfrentar. mas acolá ela nos cerca e cobra o que lhe é de direito. É no epílogo que realizamos as escolhas essenciais. predomina sempre a idéia de Ilusão. dinâmica ou tédio. ele também é a nossa possibilidade de cura. no enredo central das nossas existências.aridez subjetiva onde enxergamos somente os incômodos problemas existenciais. mais cedo ou mais tarde: os medos. que terão que ser solucionados. imposto pelo esquecimento provisório. manifesta-se como característica marcante das nossas histórias pessoais a Lei da Polaridade. fica escondido em nosso mundo interno a espera de atitudes e de decisões. Nos cenários compostos de aparências e tramas situacionais. Para compreender a Vida na sua dimensão integral. Cada existência é um auto-espetáculo no qual encarnamos um personagem que traz sempre na sua bagagem o conjunto de provas a que deve ser submetido. ao adentrarmos no palco.

Paralisados pelo medo e pela dúvida. à espera da difícil atitude de dar o primeiro passo na direção que nos apontam. em planos de espera. no qual somos bruscamente deslocados da cômoda posição de expectadores. dotado de um programa existencial mais adequado aos novos testes. como se isso fosse uma coisa banal e corriqueira. O que acaba é a nossa atuação num determinado ato. surgiram no cenário carnal essas figuras incomuns. Esta foi a mais longa das experiências que realizamos. analisando o que foi feito. assim que observamos alguma situação favorável. grosso modo. Se fracassarmos. A Descoberta do Reino Mas qual seria o significado de tudo isso que acabamos de refletir sobre as existências. Mas a peça continua. Em todas as etapas da evolução humana. seres comuns? Diríamos que é simplesmente reverter o nosso olhar do mundo exterior para o mundo interior. nos bastidores. Exercem sobre nós um fascínio e um encanto que ultrapassam os limites da perplexidade. não acontece no intervalo da noite para o dia. sentados espiritualmente. o autêntico significado da ressurreição da alma. interpretando papéis extremamente contraditórios aos olhos da perspectiva mediana. logo se destacam como modelos irresistíveis de imitação. cujo tempo fora previamente estabelecido. Ficamos temporariamente de fora. a Verdade e a Felicidade? Qual o sentido dessas diferenças. solicitamos ao Supremo Roteirista da Vida um novo personagem. Nicodemos estava sendo duplamente iniciado no conhecimento da Imortalidade da alma. somente depois de compreendermos essa primeira verdade é que tocam no assunto da “morte” do espírito. um retorno ou efeito natural dos impulsos precipitados nos excessos cometidos durante a interpretação do papel. Ao ouvir de Jesus que renascemos da carne e do Espírito. Eles são seres dotados de um conhecimento extraordinário e sempre agem numa direção contrária a da maioria dos atores. porém estáticos ou oscilantes. na realidade. quase imperceptíveis para nós. ao ensinarem os primeiros segredos do mundo oculto da individualidade. Para quem ainda não distingue o “Eu” dos limites orgânicos. de bom ou de ruim. Ao entrarem em cena. Quando ouvem falar pela primeira vez dessa nova realidade a maioria dos seres humanos logo pensam na morte. já que seus exemplos são sempre representações vivas do tempo futuro. nas épocas cruciais de grandes transformações. de como deveríamos ser. em pé. que são atraídos para suas magníficas atuações sobre os problemas do Ser e do Destino. créditos indispensáveis na lenta composição da nossa felicidade. E. que é. a morte é única possibilidade de ingressarmos ou sermos recusados no tempo futuro. Não é por outro motivo que os grandes Mestres do Espírito. Primeiro removem das nossas mentes o receio da morte do corpo. tem-se a impressão de que trata-se de uma simples mudança no direcionamento dos nossos interesses e das atitudes. É necessário que uma infinidade de existências se sucedam no tempo biológico para que o ser humano possa realizar a mais importante de todas as descobertas. nem sempre confiamos nos convites que eles nos fazem para que os sigamos pelos caminhos misteriosos de um novo “estado de coisas” de que tanto falam. para um incômodo posicionamento. do ser ideal. pois as cenas vão se desenrolando. a principal preocupação daqueles que ainda são governados pelas sensações do corpo físico. pelo . e que será novamente colocado em cena. o percurso entre a realidade aparente do mundo exterior e a realidade essencial do mundo interior. No entanto. sentimos de imediato o choque da Desilusão. atores especiais. mostrando que ela é apenas o fim da existência e não da Vida. sempre revelam antes a idéia primordial de Imortalidade. e também planejando como poderemos reentrar em cena para corrigir as falhas de interpretação cometidas nos atos passados. E falando assim.ganhamos em nossa consciência valiosos aplausos ou pontos na experiência da vida. sempre com o impulso da sabedoria e experiência dos grandes Mestres do mundo oculto. a Vida. e novos atores vão ingressando em novos atos existenciais.

que é o estado eterno da ressurreição. como se a nossa cabeça estivesse sempre voltada para o alto. se revelando progressivamente em nosso mundo íntimo. É bem possível que a Ressurreição nunca cesse. As existências e renascimentos são os meios naturais para se atingir a finalidade essencial da Vida. pela ressurreição. em novo corpo. e a sua conseqüente ressurreição. que pode e deve ser repetida. então. pelas provas e expiações. Fevereiro 21. O percurso entre uma existência e outra é sempre delimitado pela morte e o conseqüente renascimento. . É nessa nova experiência existencial. “vindo a nós”. como uma antena que sintoniza as vibrações dos mundos superiores. Como bem observou o educador Huberto Rohden. Ao mergulharmos na carne ingressamos em um novo ato existencial no qual vamos atuar e experimentar as lições vivenciais. que assume a forma de uma cruz quando abrimos os braços. num infinito processo de descobertas das maravilhas do Reino. a perceber melhor a diferença entre a existência e a Vida. 2008 A Verticalização da Consciência O chamado pecado original que nos acompanha como herança de Adão é o conflito da razão com o instinto. essa força inspiradora que mais tarde será transformada definitivamente em intuição. Esse corpo vertical. que é Deus. Enquanto os corpos dos animais irracionais permanecem horizontais. Passamos. Essa é a Verdade situada sabiamente por Jesus e por muitos outros mestres entre o Caminho e a Vida. que despertamos ou ressurgimos para a Vida.renascimento exterior. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 8:42 AM Quinta-feira. que é a morte do Espírito. já o percurso entre a perspectiva do mundo exterior para o mundo interior será sempre uma crise existencial. e na imortalidade do Espírito. o sexto sentido. torna-se o símbolo vivo do sacrifício. renascimento interior. da renúncia e do amor ao próximo. o homem é o único animal cuja espinha dorsal é natural e permanentemente vertical. entre o efêmero e o Eterno. o existir e o viver. quantas vezes for necessária. Tudo indica que na caminhada evolutiva os renascimentos cessem à medida que diminui para nós a necessidade de atuações existenciais de aprendizagem. o nosso corpo obedece o impulso da evolução e se levanta para captar novas experiências de racionalidade e espiritualidade. ligados ao mundo físico. da lei da gravidade.

e dos quais herdamos as experiências mais significativas que resultaram naquilo que somos hoje e naquilo que podemos ser num futuro não muito distante. passou pelo Homo Neandertal ou Sapiens (150 mil AC) até chegar no estágio biológico atual. constantemente preocupados em satisfazer a fome”. nos faz agora caçadores de nós mesmos. o descobridor da agricultura e da domesticação de animais e construtor das primeiras aldeias. Mas que homem é esse? Seria um tipo especial e definitivo? Acreditamos que não seja um modelo definitivo. É a raça adâmica ( de Adão). mas um modelo adequado ao nosso tempo histórico. A mitologia greco-romana é um exemplo dessa tentativa de explicar racionalmente o mundo e seus mistérios através de símbolos e analogias. O mundo é mágico e o politeísmo religioso e suas magias marcam essa fase anímica. O Homem Tribal: Esse Adão era gregário. que habitas as cavernas. que nos fez caçadores das coisas do mundo físico e material. e continuar a nossa caminhada para deixar nascer em nós o Homem do Futuro.C. que luta para sobreviver em nosso ser. A crença religiosa passa a ser objeto de dominação política (Estados teocráticos) e o misticismo é formalizado como prática ritual . Essa é a equação existencial que temos que solucionar para superar o Homem do Passado. Mostra as etapas evolutivas. das coisas do mundo íntimo e espiritual. com Sócrates. Então. descobridora do fogo e dos primeiros instrumentos de transformação da natureza. “Uma era de pequenos grupos esparsos e nômades de hominídeos.Ainda sofremos muito a interferência instintiva. O Homem Teológico: É o homem das civilizações históricas e teocráticas do Crescente Fértil : Egito. Palestina e Mesopotâmia ( a partir de 3. a busca constante da satisfação das nossas necessidades mais fundamentais. do período paleolítico. O homem quer entender como funciona o seu ser e porque somente ele tem consciência de si mesmo. O Homem Racional : É a expressão do individualismo greco-romano. surgido cerca de 35 mil anos A. vagueando em áreas relativamente extensas. O Homem Metafísico: Nessa era pré-científica. É a chamada proto –história. Platão e Aristóteles será o resultado mais aperfeiçoado desse esforço.500 AC). em cada qual predominou ou manifestou-se um protótipo mental característico. Tudo que não pode ser explicado pela razão é da esfera do sobrenatural. sedentário. o homem do Renascimento também sente a necessidade de retomar sua trajetória voltando na fase que . na qual o homem manifesta sua curiosidade pelo fenômenos naturais e passa a ter com eles um relacionamento místico. A magia e o sobrenatural passam a ser conhecimento de domínio de especialistas ou sacerdotes. Deu seus primeiros passos no Homo Erectus (500 mil AC). inclusive a religião. A Filosofia. Essa busca. logo após a Idade Média e do retrocesso ao tempo teológico imposto pela Igreja. Era princípio da sociedade organizada (entre 9 e 7 mil AC). está entre o mundo das aldeias tribais e as primeiras civilizações do IV milênio AC. Aqui o homem racionaliza todos os seus hábitos pessoais e sociais. Numa perspectiva antropológica essa transformação da consciência humana.ou seja. do ponto vista antropológico teríamos esses oitos tipos culturais: O Homem Biológico: É o Homo Sapiens Sapiens ou Homem de Cro-Magnon. O Homem Anímico: Esse Adão já está pré-civilizado.

Despertar da intuição e das aspirações do tempo futuro. Preocupação com a sobrevivência da alma e o medo da morte. com a publicação de O Livro dos Espíritos. cuja influência cultural não se restringe à cultura material . mas também às experiências pré-encarnatórias: O Primeiro Ser . Não reconhece os sentimentos e emoções. É nessa fase que surge os preparativos para a fase que estamos vivendo hoje. Predomínio dos instintos e dos desejos. e por isso mesmo liberto da ganga das supertições.Religiosidade natural exterior e mágica. a técnica e a atitude. Pensar é existir e o sentido dessa existência por ser encontrado na experiência empírica. cuja razão se fecha nas categorias decorrentes da experiência sensorial. no início do século XX. será síntese do Homem do Futuro. A harmonia da mediunidade com a psicologia.havia estacionado com a queda de Roma. que retorna às dimensões espirituais antigas. Vive o tempo imediato e presente. O Homem Positivo: É o homem da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. · Reminiscência: O que estou sentindo? .Domínio da inteligência espacial e lingüística. Inaugurava-se a “Era do Espírito” que seria complementada com a revolução psicanalítica de Sigmund Freud. O Homem Psicológico: Segundo Herculano Pires. A prática pré-científica chega à fase científica. · 1ª fase do tornar-se Pessoa: Bloqueio e recusa à comunicação. do misticismo dogmático e do pensamento mágico”. Tendência a alienação. em 1857. · Reminiscência atual: Por que estou assim? O Segundo Ser – TEOLÓGICO . Preocupação com a sobrevivência do corpo e busca de entendimento do mundo fenomenal exterior. enriquecido com as provas científicas. Trata-se de uma verdadeira ampliação do conceito do homem. Newton e Bacon. A razão tomas rumos científicos nos séculos XVI e XVII com Descartes. · 2ª fase: Início da comunicação e do desejo de mudança. até chegar na psicologia humanista de Carl Rogers. O Homem-psi corresponde a um novo conceito de razão e da mente que surge uma nova dimensão com a descoberta da percepção extra-sensorial. Essa fase nasceu da explosão dos fenômenos mediúnicos e com a Codificação do Espiritismo. essas etapas evolutivas seriam marcadas pelos protótipos. O Iluminismo filosófico e o positivismo científico dão novas direções para a mente humana. entre o fenômeno e o comportamento. na prática pré-científica. Mas ponto de vista espiritual. trata-se de “um ser potencialmente tridimensional.BIOLÓGICO · Domínio da inteligência cinestésico-corporal. Religiosidade ritualística exterior. onde as experiências podem ser comprovadas pela tecnologia.

O domínio da inteligência intrapessoal e dos conhecimentos tecno-científicos dos fenômenos metafísicos interiores. · 4ª fase: Contextualização dos sentimentos. Autoaceitação. A Razão supera e inibe a emoção. Busca de harmonia entre a física e metafísica. Conflito interior entre a religiosidade e a racionalidade.O domínio da inteligência interpessoal e dos conhecimentos tecno-científico dos fenômenos físicos exteriores. solidariedade social. A crise existencial e a busca filosófica do sentido existencial exterior. A percepção da realidade extra-física e do sexto sentido.METAFÍSICO . Despertar da consciência integral.Domínio da inteligência musical. A plenitude vivencial. · Reminiscência: Qual é o ponto essencial da mudança? .PSICOLÓGICO . · 6ª fase: Aceitação e experimentação mais imediata dos sentimentos. · 3ª fase: Aceitação reduzida de sentimentos. Maturação da consciência integral.Domínio da inteligência e da consciência integral. Harmonia entre a física e metafísica. · Reminiscência: Por onde posso começar a mudar a situação? O SÉTIMO SER – CÓSMICO E INTEGRAL .Domínio das inteligências lógico-matemática. · 5ª fase: Diálogo mais livre e desbloqueio da comunicação. Religiosidade narcísica e antropomórfica. disposição espontânea de diálogo e de comunicação.O Terceiro Ser – RACIONAL . · Reminiscência: Que razões me levaram a este estado? O Quinto Ser – POSITIVO . · Reminiscência: Que conseqüências tais sentimentos estão gerando em mim? O Sexto Ser . · 7ª fase: Confiança total na transformação pessoal. Crise existencial e a busca da realidade existencial interior. Religiosidade mística e sobrenatural. Crise existencial (afirmação e negação da mente) e a busca sistemática de soluções lógicas e psicológicas. Funcionamento da consciência integral e tendência a plenitude existencial. Religiosidade natural interior e mística. Religiosidade interior voltada para soluções exteriores. Tendência de equilíbrio razão e emoção. · Reminiscência: Qual a origem desse sentimento? O Quarto Ser .

não sofreu em si mudanças na sua fenomenologia. manifestou-se no homem da cavernas. estamos passando por uma crise existencial que marca em nós a mudança de percepção do mundo exterior para o mundo interior. depois. as chaves que abrem gradualmente as portas do universo interior. Já passamos por esse abalo quando. que nos causa um impacto em todo o nosso conjunto vivencial: na mente. cortar e. Com novos e sempre incômodos valores. agora encontramos um pedaço de pão. Primeiro descobríamos um pedaço de pão e. Esse impacto é também semelhante ao que sofre as crianças quando saem do universo concreto e descobrem o mundo abstrato durante o processo de alfabetização. pensamos em guardar para os próximos dias . que lhe dão os rumos de existência. . sensações e sentidos físicos sofrem um abalo estrutural no qual estávamos acomodados e passam a exigir de nós uma reestruturação para uma nova acomodação. racional e economicamente. ela é em sim uma forma de inteligência pessoal.A verticalização do corpo humano coincide com o despertar das faculdades psíquicas. Ela também vai marcar a transição mental do mundo sensorial para o mundo extra-sensorial. Sendo cada vez mais um tipo de habilidade espiritual. É fato inegável. Quando sofremos este abalo vivencial na descoberta da razão tivemos que fazer uma troca de valores materiais por valores morais. Ela quase sempre foi o recurso pelo qual os Espíritos Superiores puderam interferir em nosso planeta para garantir a evolução da sociedade humana. ainda sozinho. torna-se uma bússola existencial para que o homem aos supere os instintos e domine a intuição. tanto na sua manifestação natural como seu caráter de prova. descobrimos um outro pedaço de pão e. nos clãs e tribos da proto história. em todos os tempos. Essa descoberta do mundo interno foi sendo feita de maneira gradual e sempre esteve relacionada ao nosso grau de consciência nas vivências do mundo físico e. olhamos para todos os lados. A mediunidade como instrumento e extensão mental. são elas que permitem ao homem a sintonia com os planos superiores da vida. ainda no mundo animal. Foi assim que aprendemos a dominar a natureza e seus elementos e tem sido assim até nos mais avançados laboratórios do mundo contemporâneo. Mas não podemos deixar de concluir é que essa faculdade. fomos progredindo lentamente na descoberta desse mundo interno. do mundo exterior e físico para o mundo interior e espiritual. queremos comê-lo de uma só vez. embora mal conhecida nos tempos remotos. pela operação instintiva saciamos imediatamente a nossa fome. A mediunidade. O que caracteriza essa crise é essa descoberta. o dividimos em um número de pedaços igual ao número de dias que demoraríamos para encontrar outro pedaço de pão. a consciência nos força a olhar novamente para todos os lados e enxergar que outros seres estão sem o pão. ou repartir aquele pedaço com os que não tem nenhum? Nas duas primeiras opções ainda estamos vendo pela ótica racional do mundo exterior. mas estamos sendo incomodados por um novo fator: a consciência. Aí está a crise: comer tudo num dia só. Nossas percepções. ao grau de mediunidade. administraríamos a necessidade de saciar a fome. onde sempre se realiza o estreito contato entre os gênios desencarnados inspirando os gênios encarnados nas descobertas fundamentais das ciências e das artes. nos círculos sacerdotais fechados das sociedades teológicas até ser “derramada na carne” das camadas populares. A história da mediunidade é vasta e ficaríamos paginas e páginas citando seus inúmeros exemplos nos registros de todos os povos. descobrimos a razão. é o instrumento principal de que dispomos para desenvolver as características do Homem do Futuro. como garantia de uso aberto e de livre acesso ao Mundo Superior. no perispírito e também no corpo físico. em muitos casos. comer um pedaço a cada dia.

como reagiríamos naquela situação. um aprofundamento da simpatia. então os enigmas são decifrados. Geralmente. aceitar e compreender o mundo íntimo do outro. inter e intrapessoais. Quando odiamos um semelhante o nosso mundo fica cada vez mais fechado em nós e aberto. as portas se abrem. voltando para nós a mesma carga energética negativa. como muita propriedade.enquanto que na última já vislumbramos o mundo interior. outros seres humanos. Com eles estabelecemos julgamentos nos quais usamos como referência. diferentes do cálculo ou da agilidade física. Quando entramos. Passamos usar instrumentos cognitivos espirituais. Essa era a missão de Jesus. Foi exatamente por isso que Ele disse. Quando operamos além do instinto e da razão geralmente lidamos com outros instrumentos cognitivos. O nosso mundo íntimo está fechado desde que fomos criados. Esses instrumentos se caracterizam pelos valores morais. que era o Caminho. mas recíproco: um precisa e o outro dispõe. todas elas representam do fim da nossa atual crise existencial. quando desprezamos os fatores instintivo e racional. nos colocamos sempre no lugar do outro e tentamos imaginar. dentro de nós. sem sofrimentos ou traumas. exteriorizado para o grosseiro mundo material. em questão de segundos. nossas cabeças ficam um pouco confusas com esses exemplos. Essa forma de inteligência é chamada de empatia. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 1:53 PM O Homem Biológico da Pré-História . Já quando o amamos vai se tornando cada vez mais interiorizado e a mesma lei se manifesta de forma mais suave e branda. é um mistério. a Verdade e a Vida e que ninguém iria ao Pai senão por ele. pois se estivesse conosco talvez já teríamos perdido pela indiferença ou pela ferrugem do egoísmo. todas elas revelam a chave do Reino de Deus. Quanto maior a nossa capacidade de empatia. os mistérios são revelados e. para comparação. Como sabemos. Jesus contava uma parábola. nele se manifesta com mais dureza e rigor a lei de ação e reação. maior será a nossa capacidade de penetrar em nosso mundo interior. Ele veio “demonstrar” com exemplos o que outros mestres tinham apenas “mostrado” com teorias esse percurso da descoberta do mundo interior. Primeiro dava o exemplo. para espantar a confusão e aquietar o nosso ser . isso é proposital na sabedoria da Criação. que é a felicidade. negativos e positivos que aprendemos culturalmente. nessas operações. uma porta cuja chave e segredo sempre está com o nosso semelhante e nunca conosco. porque não é um sentimento unilateral. A melhor forma de tentar penetrar e compreender em nosso mundo íntimo é tentar respeitar. sentimos uma sensação diferente e muitíssimo agradável. Isso é o Reino de Deus. Repartir o pão com o outro é uma operação que supera a vivência racional e atinge a vivência emocional e interior.

“corpos pouco consistentes”. comendo desse fruto. O trecho do Gênese. adquirimos a inteligência racional. talvez nas regiões dos continentes perdidos da Lemúria e da Atlântida[1]. sobretudo quando de braços abertos e olhar para o infinito. juntamente com a transformação dos nossos corpos. Ela fala abertamente. Esse primeiro protótipo de Adão seria caracterizado pela constituição astral e semi-astral. E disse: Eis aí Adão feito um de nós. É possível. sim. Como uma obra de arte da Natureza e da arquitetura da Criação. Olhando para o passado. sobretudo nos termos que contém o grifo. Jeová Eloim: Eis aí. No seu desenho estético. vamos entender que. motivados pelos instintos animalescos da sobrevivência física. e a consciencial. finalmente adaptado ao nosso meio. esotérico. que este tenha sido o momento em que. ela possui um significado simbólico. Vamos encontrá-lo. agora. já bastante materializada. (Ele disse.” – Gênese. para quem tem olhos de ver. expressa sua angústia existencial e o inevitável grito de socorro às forças divinas . da transição do Reino Animal para o Reino Hominal ou da Consciência quando. o homem foi como um de nós para o conhecimento do bem e do mal. comerá dela e viverá eternamente. O Senhor Deus também fez para Adão e sua mulher vestiduras de peles com que os cobriu. Impeçamos. agora ele pode estender a mão e tomar da árvore da vida. período no qual os laços entre o Espírito e a carne eram ainda estreitos. as primeiras lições do Reino foram dadas na infância da Humanidade. o corpo humano reflete na sua estética fisiológica toda a sua trilha espiritual percorrida nesses milênios de história. que vai muito além das suas magníficas e bem projetadas funções orgânicas. agora ele pode estender a mão e tomar da árvore do bem e do mal.“21. e que em vão busca-se nas escavações arqueológicas terrestres. que também tome o seu fruto e que. é bastante sugestivo para fazermos uma leitura tranqüila e sensata da simbologia do texto mosaico. que ele deite à árvore da vida. 22. fora da Terra – ad hoc – tenham se constituído a primeira raça-matriz da espécie humana. sabemos o bem e o mal. viva eternamente. já numa terceira ou quarta fase. em nosso planeta. para fazermos escolhas e tomarmos decisões. até que fosse possível o surgimento o modelo ideal. daí o predomínio dos centros de força baixos (chacras básico e genésico). para a solução de problemas. o livre-arbítrio. como vem sendo tratado pela tradição esotérica e mais recentemente revelada pelas comunicações mediúnicas espíritas. Seria esse também o Elo Perdido da cadeia evolutiva. pois. em mundos apropriados.

Nos atlantes dos últimos tempos. degeneraram e levaram à destruição do continente. Desde que se estabeleceram como povos constituídos neste vasto continente. Em “Os Exilados da Capela”[2]. que se situa muito mais para dentro da cabeça. Das outras sub-raças. A cabeça do perispírito ainda estava um tanto para fora. que os possuíam de secáão ovalada. dinâmicos. mas grandes possibilidades de distinguir e dar nome às coisas que viam e ao mesmo tempo agir sobre elas. no crâneo. eram homens de elevada estatura. o Cristo Planetário. que impôs-se a providência da separação de grandes massas humanas . que foi necessário que ali descessem vários Missionários do Alto para intervir no sentido de harmonizar e dar diretrizes mais justas e construtivas às suas atividades sociais. anteriormente. sob os nomes de Numú e Juno e como faria. entretanto. nos homens atuais coincide no etéreo e no denso. Foi a sub-raça que desenvolveu os rudimentos da linguagem e da memória. tinham cabelo solto e negro. separado como nos animais. Esta é a nossa característica essencial. de pele vermelha-escura ou amarela. esses dois “pontos” já se haviam aproximado. Esse “ponto” dos atlantes. que passaram a aplicar ao serviço dessas ambições inglórias. o que indicava que ainda não havia integração perfeita. na sela turca. como Khrisna e Budha e na Palestina como Jesus. de secção redonda. uma longa trajetória. quando habitavam a Poseidônia. o emblema da dor sacrificial que representa o compromisso supremo no qual o Espírito deve superar a carne. projetada no tempo existencial de muitas encarnações. e excessivamente orgulhosos. Iniciaram os governos organizados e adquiriram experiências sobre administração. na Lemúria. após os afundamentos anteriores. e na raiz do nariz havia um “ponto” que no homem atual corresponde à origem do corpo etéreo (não confundir com a glândula hipófise. Nos corpos primitivos. dando a eles plena visão física e desenvolvimento dos sentidos. Por outro lado desenvolveram faculdades psíquicas notáveis para sua época. Segundo consta de algumas revelações mediúnicas ali encarnou duas vezes. mais tarde. eplo mesmo motivo da degradação moral. imberbes. formando assim os padrões e modelos da civilização pré-histórica que chegam até o nosso conhecimento atual. e nisto diferiam dos homens que vieram mais tarde. perfeitamente integrados no conjunto psico-físico e essa separação dava aos atlantes uma capacidade singular de penetração nos mundos etéreos. iniciaram a construção de um poderoso império onde. e. bem como de nações separadas e de governos autônomos. e permitiu que desenvolvessem amplos poderes psíquicos que. suas orelhas eram situadas bem mais para trás e para cima. com a testa muito recuada. alentados. É o início da verticalização da consciência. de Edgard Armond encontramos a confirmação dessa verticalização consciencial explicada pela adaptação do perispírito ao corpo físico e vice-versa: “Os atlantes primitivos da 4ª Raça-Mãe. Porém triunfaram forças inferiores e a tal ponto se generalizaram os desentendimento entre os diferentes povos. como já o tinha feito. altivos. que vieram em seguida. Os atlantes eram homens fortes. em relação ao corpo físico. de zero a noventa graus. os Travlatis desenvolveram o animismo e o respeito aos pais e familiares. conhecimentos anteriormente esboçados e interrompidos na Lemúria por causa do afundamento desse continente. a postura crucial oscila nos graus inferiores da escala e não alcança a posição ereta em função do peso horizontal da influência animal. sob os nomes de Anfion e Antúlio. sem demora predominaram a rivalidade intestina e as ambições mais desmedidas de poderio e de dominação. porém. por fim. na India. Nesse continente a primeira sub-raça – romahals – possuía pouca percepção e pequeno desenvolvimento de sentimentos em geral.superiores tomando a forma escultural de uma cruz. de tal forma se desenvolveram suas dissensões.

lamentavelmente degeneraram comprometendo sua evolução. ao Norte da Europa. Lavrou entre eles tão terrível corrupção psíquica que. A descrição mediúnica. e que confiança merece a vida de um pobre cego? Eu via o homem. Luz – luz – muita luz. o sentimento e a sensação. repleto de metáforas. a identidade.mormente entre romahals. E perguntava a mim mesmo: São. nos seus Diálogos entre Timeu e Crítias. turanianos. Os arquivos da história humana não oferecem aos investigadores dos nossos dias documentação esclarecedoras e positiva desse acontecimento. pelos sacerdotes egípcios de Sais. refluindo parte deles para o Norte do continente de onde uma parte passou à Ásia. como aliás também sucede e ainda mais acentuadamente. porém minha alma não podia esquecer aquele algo indefinível.” Realmente. homens que participavam alguma coisa do homem. 200 anos antes. a vontade e a luz. que tinha como que adivinhado nos animais superiores. situado. de orgulho e de violência Assim. e via nele a tendência para a conservação. a luz e o instinto – depurações e . pela ponta ocidental do Alaska. assinalou extraordinários progressos no campo das atividades materiais conquanto semelhantemente ao que já sucedera no Oriente. porventura. localizando-se principalmente na China e outra parte alcançou o Continente Hiperbóreo. o sentimento. porventura. Segundo Platão. a vontade e o impulso. no seu tradicional estilo simbólico. Meu espírito estava cego. ocorreu novo e tremendo cataclismo: a Atlântida também submergiu. como já vimos. em relação à Lemúria. e via nele o sentimento.muitíssima luz! Porém a luz reside em Deus. nas regiões árticas. como conseqüência. é uma descrição da nossa lenta evolução anímica: “ (. mongóis e travlatis. o tempo do seu transcurso milenário. e por isso é que esses fatos tão importantes e interessantes para o conhecimento da vida planetária. o impulso e o instinto. essa história foi revelada ao ateniense Sólon. Ainda sobre as manifestações das primeiras raças em nosso planeta. que a transmitiu oralmente aos seus discípulos gregos. acudiu fugitivamente à minha alma a idéia de que podia ser a unidade. o limite de sua depuração.. via o vegetal. que nessa época apresentavam magníficas condições de vida para os seres humanos. Eu tinha visto. afirmando inclusive que ali reinava a paz entre os dez monarcas descendentes de Posidon e que o continente sucumbiu por uma catástrofe “natural”. já modificada ou transformada? E. até mesmo o relato do filósofo grego Platão (428-347 aC) enfatiza o aspecto lendário. e via vegetais como minerais e minerais como vegetais e vegetais como animais.) Donde havia saído o homem? Qual tinha sido o princípio da sua formação e de seu desenvolvimento? Veio diretamente do pensamento de Deus ou levantou-se do pó por uma série de transformações sucessivas? Meu espírito não o tinha visto. ao pensar que os três caracteres distintivos da natureza humana poderiam confundir-se em sua raiz. E perguntava a mim mesmo: O sentimento e a vontade e a luz são criações independentes e primitivas ou são uma criação única. e via nele a sensação. No seio da grande massa que permaneceu na Atlântida. as sociedades desses povos tinham se deixado dominar pelos instintos inferiores e pela prática de atos condenáveis. a sensação depurada e transformada – a vontade. Semitas e Akádios. formada pelas outras três sub-raças Toltecas. o impulso depurado e transformado? Serão. vejamos como o Espírito de João Evangelista[3] descreve o aparecimento da espécie humana na Terra. estão capitulados no setor das lendas. via o animal.

salvou-se pela solidariedade do grupo. . O governo tomou a si o problema de manter a ordem . ao Homo Erectus. sono.transformações daquela tendência para a conservação iniciada no organismo vegetal? Ignoro. não posso não me atrevo a sabê-lo. Eram seres ainda muito rudes. Evidentemente foi assim que o homem. mais sensível e curioso do que o anterior. mesmo no estágio da caça. observador da Natureza. Minha alma nada sabe acerca do princípio e do nascimento do homem”. Para ele o Universo era um ambiente de magia. na natureza. Era o princípio de religiosidade e da arte. abrigo. presas e couros impenetráveis. e mesmo depois de estabelecido o Estado. ainda bastante horizontal. O tipo Anímico (do Homo Habilis. de 3 milhões de anos). acumulando as experiências que vão culminar na descoberta da agricultura. É de todo improvável que as primeiras criaturas vivessem em famílias isoladas. Em regra. assim também as funções básicas da organização social se resumem na provisão econômica e na sobrevivência biológica. não quero. através de raças-padrão e várias sub-raças. No aspecto sociológico ocorre a lenta transformação do clã em direção a um tipo de organização mais complexa e necessária aos novos tempos[4]: “Assim como as necessidades básicas do homem são a fome e o amor. porque a inferioridade” do homem quanto aos órgão de defesa teria deixado tais famílias entregues à voracidade das feras. E o tipo Tribal (do Homo Sapiens de 100 mil anos ao Homo Sapiens-Sapies de 37 mil anos). Até que o Estado se tornasse a fonte central e permanente da ordem. não sei. fascinado pelos fenômenos exteriores. o clã perdeu sua posição na subestrutura da sociedade. Às instituições que objetivam o bem-estar material e a ordem política. de 2 milhões de anos. Quando as relações econômicas e a dominação política substituíram o parentesco como princípio de organização social. o clã tomou a si a delicada tarefa de regular as relações entre os sexos e as gerações. aprendeu a fazer o fogo e a render homenagem às forças naturais. de 1 milhão anos). cuja finalidade era a satisfação impulsiva das necessidades básicas: alimentação. a sociedade sempre acrescenta instituições cujo fim é a perpetuação da espécie. porque Deus pôs um véu entre o seu segredo e os olhos do meu espírito. os organismos mais pobremente dotados de defesa individual vivem em grupos. da indústria e do comércio de trocas naturais. Sua marca defensiva era a brutalidade e o egoísmo levado ao extremo. de inteligência e hábitos grosseiros. da pecuária. Nessa primeira etapa da constante transformação físico-anímica. e tiram da ação conjunta os meios de sobreviver num mundo enxameante de garras. e a família assumiu a tarefa de reorganizar a indústria e assegurar a perpetuidade da raça”. mais humano e ereto. surgiram na Terra três protótipos sociais humanos básicos. uma transição entre os primatas e os humanos . que marca a fase de transformação biológica e mental entre o Homo Sapiens e o Homo Faber atual. sexo. povoado de espíritos que animavam todas as coisas. uma caudal de crianças é tão necessária como a continuidade do alimento. o governo essencial da humanidade continuou radicado na mais profunda de todas as instituições históricas – a família. embaixo foi suplantado pela família e pelo alto Estado. cada qual realizando as primeiras descobertas da sua individualidade: O tipo Humanóide (Australopithecus.

a maioria dessas tecnologias foi criada para funcionar como extensões mecânicas do corpo humano. Todas elas estiveram ligadas aos processos produtivos e sempre impulsionadas pela Lei do Trabalho. Na perspectiva materialista. num longo período de 1 milhão de anos as espécies humanóides e humanas das quais descendemos realizaram nesse campo poucas conquistas significativas. viveremos no completo ócio? Outra impressão paradoxal. Questionam eles: se não houver mais problemas a serem solucionados. As inteligências subjetivas (interpessoal e intrapessoal). que é a inteligência. isto é. é a de que quanto mais dispomos de informações. entrarão nos próximos séculos num processo irreversível de esgotamento. foram diminuindo entre uma e outra: Revolução do Fogo (100 mil aC) e a Revolução Agrícola (10 mil aC): 90 mil anos Revolução Agrícola e a Revolução Industrial (1760 dC): 12 mil anos Revolução Industrial e a Revolução da Macro-Informática (1950): 216 anos Macro Informática e a Micro-Informática Digital (1976): 26 anos Micro. basicamente as doenças psicossomáticas e vícios do consumismo. Outra curiosidade é que os intervalos de tempo entre essas descobertas eram imensos inicialmente e. Os problemas da objetividade social humana. dos impulsos elétricos do cérebro. Segundo o filósofo italiano Pietro Ubaldi. as soluções de todos os problemas estariam apenas nesse campo tecnológico refletido pelos paradigmas cérebro. na medida que foram despontando novas necessidades sociais e novas inteligências. também darão novos rumos para as inteligências objetivas. muito comum diante dessas mudanças. Segundo as pesquisas da Antropologia. Lembrando as teorias de Marshal Mcluhan[5]. e as revoluções tecnológicas contemporâneas da mecanização industrial e a informática. As descobertas serão cada vez mais rápidas e as soluções cada vez mais práticas. menos domínio temos sobre o conhecimento. que mudaram os rumos da nossa experiência social: o domínio do fogo e a agricultura. nos tempos pré-históricos. Esses mecanismos são efeitos das inteligências voltadas para o mundo bidimensional da matéria e para as comodidades exteriores da experiência humana. esquecendo-se que os problemas de ordem subjetiva estão apenas começando a dar os primeiros sinais de um longo caminho a ser percorrido. Diante de tanta sabedoria disponível nunca nos sentimos tão ignorantes. ligadas às inteligências objetivas do Homem.Informática e a Revolução Biogenética (1980): 4 anos Isso mostra que as conquistas tecnológicas. vão desaparecer e já causam certa preocupação nas cabeças filosóficas quanto às questões do trabalho e da sobrevivência. nos próximos milênios . invertendo o seu percurso racional para o caminho emocional. O conhecimento e suas expressões no campo das artes e da ciências sofrerão profundas transformações nas suas estruturas e manifestações. pela verticalização ou interiorização. bem como a sua principal ferramenta de ação.Na transformação evolutiva da espécie humana encontramos como fator essencial a conquista crescente e vertical da consciência.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós. até mesmo uns invernos. A claridade que buscam não será mais revelada pelos sentidos físicos ou pela razão. cada véu de neblina nas florestas escuras. a claridade só será atingida através da leitura emocional. sobrará par chorar sobre os túmulos. O homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. o censor mais imediato e acessível para navegarmos no ainda desconhecido oceano universal do Espírito. os primeiros seres humanos da Nova Idade Cósmica. Minha palavra é como as estrelas . com a mesma certeza com nossos irmãos brancos podem confiar na alternação das estações do ano. Como os morcegos e golfinhos. o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos. mas sim sua inimiga. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. e depois de exauri-la.elas não empalidecem". a antena básica. pois estas já atingiram os seus limites. Mas não podes. A vista de suas cidades é um tormento para os olhos do homem vermelho. abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. sem remorsos de consciência. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. Se eu me decidir a aceitar. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Como podes comprar ou vender o céu. os homens morreriam de solidão espiritual porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho da água e o próprio cheiro do vento. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. O grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e sua benevolência. Como podes então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre o nosso tempo. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias. Deixa para trás o túmulo dos seus pais. Ele é Deus da humanidade inteira. homens. Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. pela crescente sensibilidade entuitivo-sensitiva. O grande chefe em Washington pode confiar no que o chefe Seatle diz. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. purificado pela chuva do meiodia e com aroma de pinho. pela transformação gradual dos sentimentos. que o podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra. O ar é precioso para o homem vermelho.surgirão novos paradigmas do universo mental e que só poderão ser compreendidos e sintetizados pela faculdade da intuição. Esquece a sepultura dos antepassados e o direito dos filhos. Mais algumas horas. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem da primavera ou o tinir das asas de insetos. cujas chaves abrirão as portas do Sexto e do Sétimo Sentidos e todas a suas conseqüências naturais. Cada folha reluzente. captado pela mente. todas as praias arenosas. Porém. Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Nada respeita. Esta será a pedra fundamental. matamos apenas para sustentar nossa própria vida. Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira.O nosso Deus é o mesmo Deus! . o calor da terra? Tal idéia é-nos estranha. ainda mergulhados no microcosmo de Ego. um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. ele vai embora. De uma coisa sabemos que o homem branco talvez venha um dia a descobrir: . E depois da derrota passam o tempo em ócio. árvores. Rouba a terra dos seus filhos. e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques. Tudo que fere a terra fere também os filhos da terra. A terra não é sua irmã. Não tem grande importância onde passaremos nossos últimos dias . serão extensões da intuição. Um exemplo: assim como a visão bidimensional é um fenômeno físico captado pelo cérebro.Julgas. os índios. Os nossos filhos viram seus pais serem humilhados na derrota.animais. a supervisão multidimensional será um fenômeno metafísico. e que nos permitirão fazer a leitura desses novos ambientes.eles não são muitos. Todas as demais faculdades despertadas por essas novas experiências. E quer bem igualmente ao homem . talvez. Para ele um torrão de terra é igual a outro. imporei uma condição. Porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar . ingressarão nesse universo praticamente cegos e se guiarão nessa escuridão espiritual pelos sinais do próprio esforço que emitirem. pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. CARTA DO CHEFE INDÍGENA SEATLE "O grande chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. Tudo está relacionado entre si. e envenenam seu corpo com alimentos doces e bebidas ardentes. Mas talvez isso seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Como um moribundo ele é insensível ao seu cheiro. Talvez por se um selvagem que nada entende. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo. vamos pensar em tua oferta. pois sabemos que se não o fizermos. Isto é gentil de sua parte. cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo.

o teu poder. A sua espinha dorsal. vertical. No homem o cérebro tem a função específica de captar as vibrações sutis do mundo superior. Depois do último homem ter partido e a sua lembrança não passar de uma nuvem a pairar acima das pradarias. o cérebro tem uma função diferente da dos nervos da coluna vertebral. Protege-a como nós a protegíamos. Talvez compreenderíamos se conhecêssemos com que sonha o homem branco.conserva-a para teus filhos e ama a todos. que escapam à antena nérvea vegetal ou animal. o cérebro. Porque essa total ereção da coluna vertebral rumo às alturas? Porque. porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. as ondas cósmicas do Infinito. O homem branco também vai desaparecer talvez mais depressa talvez mais depressa do que as outras raças. os nervos da medula espinal. Esta terra é querida por Ele. quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã. mas em sentido inverso à do homem. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. o cérebro não é simplesmente a continuação da medula espinal. forma ângulo reto com plano horizontal da Terra.vermelho como ao branco. vão em sentido contrário. no homem. voltada para as regiões infinitas da luz cósmica. para o Presidente Franklin Pierce. sufocado nos teus próprios dejetos! Depois de abatido o último bisonte e domados todos os cavalos selvagens. está com a parte superior da sua antena sensível. A verdadeira grandeza do homem não está na zona material (sentidos).onde ficarão então os sertões? Terão acabado. o único de andar ereto. seus órgãos de reprodução. que correm de polo a polo. nem do mental (intelecto). Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. Continua poluindo tua própria cama. Lá talvez possamos viver os últimos dias conforme desejamos. quando as matas misteriosas federem à gente. donde tira a sua nutrição mediante a “boca” das raízes. na fase de transição do período-mental (sensitivo-intelectivo) para a fase espiritual . porque o mineral se acha no ínfimo grau de evolução. do Estado de Washington. o homem. acham-se voltados em sentido contrário. Se te vendermos nossa terra. o fim da vida e o começo da luta para sobreviver. depois de o governo ter dado a entender que pretendia comprar o território da tribo). se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno. Restará o adeus à andorinha da torre e à caça. Só o corpo humano. A terra é amada por Ele. é para garantir as reservas que nos prometeste. E com toda tua força. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. ama-a como nós a amávamos. em 1855. completando o círculo entre a vertical invertida e a vertical ereta. o pleni-oposto à planta e o semi-oposto ao animal. Por esta razão. temos de escolher o nosso próprio caminho. da tribo Duwamish. mas sim do espiritual (razão). como acontece no bruto. O animal tem a coluna vertebral paralela ao plano horizontal da terra. A planta tem atitude vertical. enquanto os seus órgãos sexuais. porque está com a cabeça voltada para a Terra. porque a sua antena perceptora. O mineral não tem atitude certa. dos Estados Unidos. leva sete vezes mais tempo do que qualquer animal. é dominada pelas forças telúricas. Mas nós somos selvagens. a sua atitude é neutra. e hás de morrer uma noite. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. Se consentirmos. as flores e sementes. entre todos os seres vivos da natureza. E as águias? Terão ido embora. No homem. e todo o teu coração . SEGREDO DO CORPO HUMANO VERTICAL “O homem é. como já vimos." Carta do Cacique Seatle. e quando as colinas escarpadas se encherem de mulheres a tagarelar . E causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. E por serem ocultos. razão porque a evolução do corpo humano. a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias. de finalidade apenas telúrica.

porque necessita do solo para sua subsistência. Dia virá em que nos desprenderemos totalmente da gravitação material da terra. o dorsal e o cervical. a serpente rastejante do homem físico-mental. cada uma das quais capta determinadas vibrações. A cruz. locomovendo-se livremente de cá para lá. sujeita como está pela lei da gravitação – essa barra é. O homem. em longínquos horizontes. quando a serpente havia induzido o homem a comer do “fruto do conhecimento”. Quando. além de locomover seu corpo como o animal. não estava ainda em condições de se erguer verticalmente rumo ao Infinito. o lúcifer ou “porta-luz” do intelecto começou a vislumbrar. mas não o consegue totalmente. isto é. pela parte inferior. como acontece com as pessoas nas quais a razão cósmica prevalece sobre o intelecto telúrico. demandando as alturas. a nossa antena vertebral ainda está ligada à terra. O Cristo da Razão salvará o homem do lúcifer do intelecto! Mas esse Cristo não teria vindo se o lúcifer não lhe preparasse os caminhos. expressão da vida eterna. será “erguida às alturas”. será salvo das mordeduras da “serpente rastejante”. isto é. atingiu maior libertação pelo intelecto. porém. no seu estágio físico-mental. Entre o cocxis e a medula oblongada. que une a coluna vertebral ao cérebro. e a serpente foi condenada a “rastejar sobre o seu ventre e comer do pó da terra” – expressão simbólica para dizer que a inteligência. Lemos no Gênesis que. O simbolismo da verdade acima exposta aparece na figura da cruz: combinação da horizontal e da vertical. do homem cósmico. o despontar da Razão. A barra horizontal sem tronco vertical ficaria rente à terra. tenta emancipar-se da gravitação terrestre. e como aconteceu com o Cristo quando se transfigurou. Mas quando essa horizontal se unir a vertical e por ela for sustentada acima da lei da gravidade material – quando a Razão divina sublimar o intelecto humano – então essa mesma “serpente rastejante” presa ao solo. terminando no cocxis. mas tinha de nutrir-se das substâncias e energias telúricas. aponta para as baixadas terrestres. Entretanto. e máxima pela razão. acima da qual não poderia elevar-se por forças próprias. o homem. daquilo que os sentidos e o intelecto podem perceber e conceber no plano horizontal da presente evolução. e quem olhar com fé para essa “serpente sublimada”. e a coluna vertebral do homem em vésperas de racionalização espiritual ergueu às alturas a sua parte mais sensível. Por ora. do homem completo. Quando a razão atingir o apogeu da sua evolução. ou fixação a um determinado lugar. A planta . a saber: o sacro. dominará ela totalmente o corpo e o homem será emancipado da lei da gravitação. mas não a derrotou plenamente. essa “serpente ígnea” (1) que mordia e matava o homem quando viajor no deserto da sua evolução físico-mental.(racional) sentiu dentro de si a necessidade de erguer a sua antena nérvea cerebral às alturas. conforme a sua capacidade. procurou erguer gradualmente a sua antena heliotrópica. O animal. . foi ele expulso do Édem. O mineral está totalmente dominado pela lei da gravitação. até hoje não se completou essa evolução racional iniciada há muitos milênios. quebrou parcialmente a lei da gravitação. o lombar. a serpente. enquanto a parte oposta da coluna vertebral. a “luz do mundo”. existem mais quatro outros centros nérveos de função peculiar. De fato. rasteja ao solo e nutre-se do “pó da terra”. por assim dizer. anterior ao advento da razão. quando ressuscitou e quando ascendeu aos céus.

[2] Capítulo XV. muito parecidos ainda com os símios. cujo tronco representa a vertical e os braços são a horizontal. por outro lado. na “serpente sublimada” do Cristo. ou “ardente” – ou seja. o primeiro rei dos atlantes. in “Roma e o Evangelho”. aludindo ao episódio do deserto da península arábica. Quem os solve é a Razão. O homem do Édem foi tentado por um “seraph”. o Lógos. o intelecto espiritualizado pela razão. Amigó y Pellícer. e enquanto não cravar os olhos. é tentado e mordido pela “serpente ígnea” do intelecto. souberam compreender devidamente. No topo da “árvore da vida” está o cérebro – mas a sua evolução cósmica está apenas no princípio. nem. o Cristo. mas souber unir o poder do seu lúcifer intelectual com o poder do seu Cristo racional. simbolizado em seu poderio político pela mitologia grega carregando o mundo sobre os ombros. Seus habitantes eram homens escuros. Diante do homem da Era Atômica se abrem ilimitadas possibilidades de evolução ascensional – suposto que ele não se estabilize no horizontalismo das suas conquistas intelectuais. Lúcifer e Logos – Ed. mas que não pode solver. como também “fogo”. abandone as conquistas da física pelos anseios da metafísica. não encontrará redenção dos dolorosos problemas creados pela serpente rastejante do intelecto – esse intelecto cuja função peculiar é crear os problemas da vida. “serpente ígnea”. Alvorada (1) Relebramos que “seraph” (plural: seraphim). para que a nossa carne se fizesse Lógos. idêntico a lúcifer ou serpente. Huberto Rohden. nos dá a chave para o maior mistério da evolução telúrico-cósmica do homem. FEB Editora . [1] Segundo Armond. nem a ciência evolucionista. peludos. março de 1871. na sua “Iniciação Espírita” o contimente da Lemúria desapareceu sob as águas 700 mil anos antes do alvorecer da Idade Terciária. em hebraico quer dizer “serpente”. chave que nem a teologia eclesiástica.J. cheios de fé e confiança. de braços longos. depois de expulso do Édem da sua inconsciência primitiva. O fato de ter o divino Lógos realizado a redenção do seu Jesus humano. Editora Aliança. Já o nome Atlântida refere-se a Atlas. esse grandioso símbolo horizontal-vertical é por si só o mais estupendo poema de filosofia cósmica e mística que já se tenha escrito no mundo: o Lógos que se fez carne.O fato de o Cristo se comparar com aquela erguida às alturas . organizado por D. O homem do deserto desta vida terrestre.. O próprio corpo humano lembra uma cruz. [3] Espanha. O homem no deserto foi mordido pelos “seraph(im)”. robustos.

ainda hoje predominante. e dos rios Azul e Amarelo. São sociedades organizadas pelo impulso político de governos teocráticos. da organização social. a base ideológica de todas as peças do sistema: do Estado. do Tigre e do Eufrates brotam as civilizações da Mesopotâmia. das relações sócioeconômicas. das ciências e das artes. ele passa o dia a reuni-los. Os historiadores marxistas definiram esse sistema como um “modo de produção asiático”. Esse perfil teológico também é reflexo da aceleração vertical da espinha espíritodorsal que sofremos desde as rústicas experiências da pré-história.. (. Do período glacial. a divisão de classes.) Onde está esse homem hoje? Dormindo. E destruirá o mal. Editora Cultrix. mas que será brevemente substituída pela sexta e posteriormente por uma sétima.. – Testamento de Ptah-hotep. as categorias profissionais. é o produto mental de uma quinta raça. 2880 aC. Mas. vendo o fator econômico como o principal motor dessas civilizações. Será considerado o pastor de todos os homens. Suprirá a semente da herança.[4] Will Durant . este anuncia os primeiros passos da verticalização espiritual. o trabalho.Nossa Herança Oriental –Record [5] Os meios de comunicação como extensões do Homem. Ele lhes discernirá o caráter da primeira geração. que será a síntese de todas as anteriores. a religião e a teologia eram as forças predominantes. do Ganges nasce a Índia. pois estão de coração febril. Quando seus rebanhos são poucos. as artes e as ciências. primeiro-ministro do faraó na Quinta Dianstia. o seu poder é invisível. no qual a espécie humana . Mal nenhum existirá em seu coração. a China. por acaso? Atenção. onde a religião influencia a tudo e a todos: o poder. O Homem Teológico é o primeiro anúncio profético do Homem Espiritual do futuro. Do Nilo surge o Egito. culturalmente falando. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 1:27 PM O Homem Teológico da Antigüidade Oriental O Faraó Ikhenaton “Ele erreceferá a chama. Segundo a tradição esotérica a quinta raça foi gerada das matrizes arianas. Enquanto o Homem Biológico anunciava o início da postura física vertical. fonte das primeiras civilizações que apareceram nas margens dos grandes rios.

de homens-deuses. A competição pela força vai aos poucos sendo substituída pela inteligência. Para administrar a desigualdade e impor a autoridade comum. É um confronto inevitável no qual raramente houve acordos e cooperação entre as forças em choque. às vezes deixavam o cadáver em casa e . Os primitivos maravilhavam-se diante dos fantasmas que viam durante o sono e aterrorizavam-se quando lhes apareciam a imagem de parentes e amigos mortos. Os Estados devem ser sempre sustentados por um aparato teocrático-sacerdotal. Sidartha Gautama (Budha) funcionam nesses tempos remotos como modelos avançados de equilíbrio emocional e inteligência. no cenário natural é idêntica quando aplicada nos papéis sociais – forte e fraco. de medo que viessem perseguí-los. para o bem ou para mal. Os monarcas da Mesopotâmia e os faraós egípcios são exemplos típicos dessa nova fase da Humanidade. e à misteriosa influência dos corpos celestes sobre a Terra e o homem. etc. o sentir e o agir. Personalidades intrigantes como Zoroastro. Suas idéias vão de encontro às necessidades do povo. A sociedade humana não comportava mais as estruturas do comunismo primitivo. Enterravam os mortos a fim de que não voltassem à Terra. figuras um tanto estranhas ao contexto para subverterem a ordem e dar um novo rumo às coisas. Eram tempos em que a emoção ofuscava a razão. cuja magia serviu para manipular. A lei de ação de reação que ocorre no plano da física é a mesma que regula o uso da violência e a prática da solidariedade. A morte. em momento marcantes. sempre em busca do equilíbrio entre o pensar. surge a idéia do Estado-pessoa. com eles enterravam seus pertences e víveres. as escassas riquezas de sobrevivência. Essa percepção aguçada que eles possuem sobre as leis da Natureza e do Universo logo se transformam em tratados filosóficos ou motivos de exemplificação vivencial. sem conflito com o outro. uma instituição política cuja abstração só pode ser compreendida quando simbolizada numa figura humana incomum. claro e escuro. masculino e feminino. esse medo do desconhecido[1]: “Medo da morte. Moisés e os profetas hebreus também marcam esse período servindo ao mesmo tempo de modelo de ruptura da cultura politeísta e estabelecimento do monoteísmo como a grande tendência religiosa do futuro. perto e longe. O clero é um estamento essencial para o exercício da manipulação político-ideológica.poderia ter sido extinta se não tivesse dominado a tecnologia do fogo. é um momento em que a energia vital que move todos os seres para a evolução desperta em nós um forte egocentrismo e não há mais possibilidade de dividir. cujas figuras eram erguidas ao altar da sacralização e se apoiavam em poderosos dogmas e superstições mitológicas. Esses homens possuem um grau de consciência que lhes permitem distinguir o ser humano da Natureza e essa distinção se dá pela moral. por outro lado surgem. admiração diante da causa das coisas e dos acontecimentos ininteligíveis. A religião organizada serve como suporte político e a ideologia como importante fator de controle social. o bem e mal. Eles observam que a Natureza é regida por leis imutáveis e que essas mesmas leis se manifestam nos seres humanos e nos grupos através do comportamento e da moral. Essa imagem humana viva é necessária para que cessem as crises de poder e se estabeleça uma nova ordem social. até os primeiros tempos pré-históricos. foi adquirindo significados ritualísticos. mas geralmente colidem com os interesses políticos vigentes. São legisladores e pedagogos que estabelecem novos paradigmas de comportamento e tudo o que fazem servem como impulso para grandes transformações. Admiração e mistério ligavamse em especial ao sexo e aos sonhos. Todas essas grandes inteligências buscam despertar nos homens comuns a idéia de que somos seres divinos e imortais. Se por um lado a maioria dos religiosos se prestam ao papel de servos do poder. esperança de auxílio divino e gratidão pelo bom que acontece. tudo isso contribui para gerar a fé religiosa. A lei da polaridade que define a atuação dos elementos contrários – positivo e negativo. antes vista como um acontecimento natural. ocorre uma considerável elevação do eixo dorsal. pequeno e grande.

. consolou os fracos explorados pelos fortes e tornou-se agente através do qual a religião nutriu a arte e deu auxílio sobrenatural à precária estrutura da moralidade humana. alguém do grupo . mas neste terreno ainda patinamos sem sair do lugar. que é a essência da religião primitiva. até que passaram a constituir uma classe especial apta a conduzir as cerimônias religiosas. como o estadista se utiliza dos impulsos e costumes da humanidade. para preservar sua posição diante do povo crédulo. a mágica gerou a ciência. apenas utilizou-se dela. agiu como repositório e veículo da herança cultural da raça. Ai animismo. se não fosse assim. Progredimos em muitos aspectos e situações da vida. Frazer demonstrou como as glórias da ciência se radicam nos absurdos da mágica. a religião não emerge da invenção. Na Pré-história. Tal animismo constitui a poesia da religião. (. Por meio da inspiração. da fraqueza do homem na Terra. no raio.) O filósofo aceita resignado e de bom grado esta humana necessidade do auxílio ou conforto sobrenatural. a religião veio antes da filosofia. diz um dos Upanishads da antiga Índia. o sacerdote mágico influenciava os espíritos ou deuses e os adaptava aos propósitos humanos. Se o sacerdote não aparecesse. Disso saiu o médico. quando éramos nômades. “porque pode acontecer que a alma não encontre meio de voltar ao corpo”. e até nos tempos modernos o sacerdote se vem alternando com o guerreiro na dominação e disciplina do homem comum. Porque. Gradualmente os sacerdotes foram suplantando o homem comum em conhecimento e habilidade. O sacerdote não criou a religião. pensava a antiga filosofia. em alguns lugares o corpo era retirado por um buraco aberto na parede e conduzido rapidamente. O meio pessoal de conceber objetos e eventos precedeu o impessoal e abstrato. mas todas as coisas tinham alma. a fim de colocá-las a serviço de seus propósitos.. tolerando a superstição e monopolizando certas formas de conhecimento.” A verdade é que nunca aceitamos o fato da morte biológica. o poder dos sacerdotes passou a ser tão grande quanto o do Estado. mas deu aos povos rudimentos da educação. ‘Não desperteis ninguém abruptamente’.) Havendo concebido um mundo de espíritos.mudavam-se. mas da persistente admiração. o povo o inventaria. cuja natureza e propósitos ignorava. Tais experiências convenceram o homem primitivo de que cada criatura possuía uma alma. o homem primitivo procurou propiciá-los. como a mágica falhasse muito. por três vezes. o mundo externo não era insensível ou morto. da insegurança.. no sono ou na morte. Outro filho da mágica foi o sacerdote. Em todas épocas desenvolvemos formas de fuga e adaptação para encarar o fenômeno que põe fim às nossas existências. ou vida secreta dentro de si. a natureza seria incompreensível. do medo. o metalurgista e o astrônomo. o químico. no movimento do Sol. ocultasse as causas naturais e tudo atribuísse ao milagre. assim como o animismo criou a poesia. O sacerdote causou males. ao redor da casa. murmúrio das árvores. da Judéia e da Idade Média constituem os melhores exemplos. para captar-lhes a benevolência. E como esse conhecimento e essa habilidade pareciam aos primitivos amais valiosa de todas as coisas. do transe ou da prece esotérica. Lentamente os meios naturais predominaram. A História do Egito. ou da chicana sacerdotal. mas intensamente vivo. Não só o Homem.” “(. embora o mágico.. que é a essência dos primeiros rituais. a qual se separava do corpo na doença. e consola-se observando que. foi adicionada a mágica. e a religião da poesia. para que o espírito esquecesse a entrada e nunca viesse assombrá-la. o mágico esforçou-se por descobrir causas naturais.

sendo substituído pelo seu filho Amenotep IV – ou Ikhnaton. Essa inversão de percurso veio acompanhada de um medo irracional pelo desconhecido. que antes causava expectativa e choque. com o advento da industrialização e da sociedade de massas. Dali seguíamos numa caminhada para o futuro. quando a sociedade humana torna-se sedentária. IKHNATON. descoberto em Tell-el-Amarna. mudou o sentido da nossa caminhada para o tempo futuro.. A sedentarização da sociedade humano. A morte súbita. Percebemos que com eles morriam também algumas coisas que nos diziam respeito: a memória. sucessor de Tutmés III. nos hospitais e velórios públicos. deram um novo significado para a morte de membros do grupo. As lembranças e a saudade talvez serão mais brandas se não tivermos contato muito íntimo com os defuntos. juntamente com a lavoura e com os animais domésticos. quando as tragédias que antes causavam escândalos e impactos são reduzidas a notícias repetitivas dos meios de comunicação. É uma forma de mantê-la distante do ambiente doméstico. um rosto de poética expressão feminina. As sepulturas domésticas passam então a ter proporções de necrópoles quando a urbanização passa a ser o meio social comum. para cultivar a memória dos que se foram. estatura delgada: um Shelley no trono. Como entender e aceitar a nossa morte se temos como parâmetro somente a morte do outros? As fugas que empreendemos para adaptar-nos a essa situação contraditória são visíveis nas representações macabras da arte fúnebre gótica da Idade Média. que era algum lugar onde encontrássemos alimento e abrigo. pretensamente destinado aos deus. Um busto desse rei. e obtida pela necessidade de cuidar das coisas necessárias à sobrevivência que estavam ao nosso redor. começou a revoltar-se contra a religião de Amon e as práticas dos sacerdotes. Amenotep III. A idéia de futuro ainda não nos preocupava pois era o somente o dia seguinte e a sensação de segurança era conseguir que o estômago ficasse cheio. ocorre uma banalização da morte. mostra um perfil de incrível delicadeza. O jovem imperador. advinda com a agricultura e da pecuária. a lembrança simbólica de quando estava vivo. Na Idade Contemporânea. Mas à medida que a Consciência foi se verticalizando. Mas a racionalização da vida social e do espaço geográfico novamente transformam os defuntos em objetos incômodos. as experiências e os sentimentos. morreu depois de vida de grande ostentação. O defunto que surgia durante a caminhada não representava nenhum incômodo senão por rápidos e indiferentes olhares de incompreensão e alguns segundos de dúvidas sem respostas que logo abandonávamos juntamente com o cadáver. os defuntos passaram ser objetos de intranqüilidade. Grandes olhos sonhadores. o sangue . Como se vê. Mal subiu ao poder. juntamente com os restos das coisas que comemos e da fogueira que acendemos para nos aquecer. crânio malformado. cuja vida era um modelo de fidelidade comjugal. no erotismo barroco da Idade Moderna. Eles agora também precisam ficar por perto.morria e o defunto simplesmente ficava para trás. O apodrecimento do cadáver é uma situação incômoda que será solucionada pelo sepultamento na terra e o túmulo vai representar a sua memória. agora pode ser prolongada ou abreviada pela ciência médica. Dessa forma somos menos atingidos quando alguém morre. não progredimos quase nada. representado pela morte do outro. deslocando-a do mundo exterior e geológico para o nosso mundo interior e psicológico. No grande tem[plo da Carnak havia um grande harém. pequeno e restrito. Essa relação sagrada que estabelecemos com a morte. mas na realiodade destinao aos sacerdotes. não aprovou aquela sagrada prostituição. O REI HERÉTICO DO EGITO “No ano 1380 aC.

Amenotep III. escreveu cantos apaixonados. Com audácia de poeta. era mais poeta do que filósofo. passou a Ikhnaton. e admitiu no povo uma capacidade de compreensão do novo credo que não existia. ‘Mais perversidade há nas palavras dos sacerdotes’. A raspagem nos monumentos das sílabas A-mon no nome de seu pai. bem como o uso que faziam do oráculo de Amon para manter o obscurantismo e a corrupção. enquanto as crianças brincavam aos pés do trono. Cem ofícios e profissões parasitários das velhas crenças murmuravam em segredo contra o herético. em vez de Amenotep. Não temos elementos para afirmar que adotasse essa idéia da Síria. era muito avançado para os tempos. Ikhnaton hesitou. e apesar de pela lei estar autorizado a gerar um herdeiro em outra esposa. ministros e generais não escondiam seu ódio ao rei. As conquistas dos faraós no Oriente estavam sendo roubadas pelos hititas e outras tribos guerreiras.recorrendo a velhos hinos e poemas monoteísticos publicados no reinado precedente. pois. No próprio palácio. Amon-Ra.) Mas a reforma de Ikhnaton. ele permitia que os artistas o representassem andando de carro pelas ruas. Não estava ele deixando o Império cair aos pedaços? Enquanto isso o jovem poeta vivia na simplicidade e na confiança. ‘Mais perversas são elas do que as que Amenotep II ouviu. Como Akbar na Índia 30 séculos depois. ‘do que em quantas ouvi até o ano IV’ (do seu reinado). vinha. ou que Aton fosse uma simples forma de Adônis. (Sob o governo de Amonotep III os arquitetos Suti e Hot inscreveram um hino monotéista ao sol sobre uma estela que atualmente se encontra no Museu Britânico. Ikhnaton abominava a indecorosa riqueza dos templos..’ O reinado de Ikhnaton foi um interlúdio de ternura na epopéia de poder no Egito. porém. o seu monoteísmo naturalista. e chegou a fazê-lo mudar de nome. nas cerimônias públicas Nefertite sentava-se ao seu lado. Despejou e fastou a opulenta classe dos sacerdotes e proibiu a adoração das velhas divindades. pareceu ao povo a maior das impiedades. (.’ Seu espírito jovem voltou-se contra a sordidez em que a religião e o povo haviam caído. Ikhnaton viu-se sem dinheiro e sem . Ikhnaton não avaliou devidamente a força e a pertinácia dos sacerdotes. Era costume antigo no Egito dirigir-se ao deus sol. sonhou o Absoluto e tentou destruir de um golpe toda a velha estrutura religiosa do povo. e.) Sobreveio o caos na administração interna. e às ocultas o povo persistia na adoração dos antigos e inumeráveis deuses. o novo deus ocupava a alma do rei. Súbito chegam notícias da Síria. disse ele. com Shelley ao anunciar aos bispos de Oxford a demissão de Jeová. a cuja voz o rei se rejubila’ e para o juramento usava desta fórmula: ‘Como meu coração é feliz na Rainha e seus filhos. e a traficância sacerdotal dos amuletos e rezas. (.. não somente como ao maior deus. Uma pequenina obra de arte chegou até nós e mostra-nos Ikhnaton abraçando a rainha. mas simplesmente como o deus do Egito). os governadores nomeados pelos governos egípcios clamavam pela imediata remessa de reforços. lançou seus compromissos ao vento e corajosamente anunciou que todos aqueles deuses e cerimônias não passavam de vulgar idolatria e o deus era um só: Aton. Qualquer que seja a sua origem. Tinha sete filhas e nenhum filho. preferiu ser fiel a Nefertite. a fonte do calor e da luz. e. Ikhnaton viu a divindade no sol. Nos bastidores os sacerdotes começaram a conspirar. pegando-lhe a mão. Ikhnaton falava da esposa como ‘Senhora da Felicidade’. e rezavam pela sua queda. Tivesse ele mais maturidade de espírito. recreando-se alegre em companhia da esposa e das crianças. com o significado de ‘Aton está satisfeito. não forçaria a transição... ofender gravemente as velhas superstições politeístas de raízes profundas no povo. e falava sobretudo ao intelecto. Ikhnaton..dos carneiros sacrificados a Amon ofendia-lhe o olfato. provocaram-lhe náuseas. bem como o crescente mercenarismo hierárquico da vida egípcia. porque nada era tão importante par os egípcios como a adoração dos ancestrais.

chegam as primeiras levas migratórias das tribos arianas. na qual o Homem vai perceber o sentido original das coisas e de si mesmo.C. não tem pés. escravos dos outros porque eram escravos de si mesmos. Idem. Os primeiros gregos acreditavam. Pois Deus não possui uma cabeça ligada ao tronco. . ele é só espírito.A Nossa Herança Oriental. Através dela vai estabelecer-se a relação dialética entre o ser e o objeto de sua observação.. senso de dignidade e não valorizavam o livrearbítrio. Platão e Apolonio de Tiana “Não podemos aproximar-nos de Deus a ponto de alcançá-lo com a nossa vista e tocá-lo com nossas mãos.” Will Durant . a lançar por todo o universo a rápida faísca dos pensamentos. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 1:06 PM O Homem Racional Greco-Romano Zenon.História da Civilização . Todas as colônias se revoltaram e todas as forças do Egito se puseram contra ele. diferença esta que fez dos gregos seres humanos diferentes dos egípcios e mesopotâmios. seria rompida quando os povos da Antiguidade atingissem o seu zênite existencial. nem joelhos. portanto. que não eram pessoas comuns e que descendiam dos deuses.. Sócrates.Editora Record Will Durant. faleceu de desgosto diante do fracasso da sua obra e da indignidade da sua raça. na quinta raça. Este é o momento em que a Ásia será substituída pela Europa como centro da Civilização. homens livres e autônomos. Ao .Empédocles O percurso do Homem Biológico ao Homem Teológico caracterizou-se inicialmente pela descoberta do próprio corpo e uma profunda integração mágica com a Natureza.. e os homens “bárbaros”. porque não possuíam auto-estima.Nossa Herança Oriental. Para eles o mundo estava dividido entre os helenos. nem partes peludas. A partir do século XX a. in Elementos da Civilização. na expectativa de sua queda. Não. até que esses traços de comportamento recebessem um tratamento místico e fossem transformados em rituais dogmáticos das práticas sacerdotais. a descoberta da psiquê. Métodos da Religião. e de seus ombros não pendem dois braços como se fossem galhos. quando o pêndulo do tempo humano marca a decadência do Oriente e a lenta ascensão histórica do Ocidente. especificamente a Grécia.” . Estava Ikhnaton nos seus 30 anos quando em 1632 aC. Essa fase entre a infância da Humanidade até o início da sua adolescência. sagrado e inefável espírito. 2. que será a depositária da maioria dos conhecimentos e experiências das civilizações das raças atlantes (civilização creto-micêncica). Pitágoras. O cenário dessa mudança é a Península Balcânica.amigos. Ali vai acontecer uma das mais fascinantes transformações da natureza humana.

está a sua semelhança com Deus.julgar os erros da humanidade e decidir o destino dos homens. medindo a tudo e a todos pela régua do ponto de vista antropológico. ética. do longínquo século XX. cinismo. desde a antiguidade. filantropia. É por isso que na mitologia grega encontramos todas as referências possíveis e imagináveis da cultura humana atual. que é a virtude (aretê) essencial. na moral. antes de Cristo. geometria. Zeus. e dos ricos contra o poder político dos pobres. para eles . retórica. escolheu o justo Deucalião e sua virtuosa esposa Pirra para garantir a perpetuação da Humanidade. epicurismo. Essa é a forma como essa civilização observa o mundo e as coisas. filosofia. pela exuberante energia dos gregos. comédia. ceticismo. tragédia. A última leva migratória veio com a força destruidora dos dórios. plutocracia. Não há nada na civilização grega que não ilumine a nossa. iniciada pelo arrasamento das cidades. poesia. Conta a historiografia que os aqueus. política. se o cristianismo potencializou os nossos valores. as revoluções dos pobres contra o poder econômico dos ricos. democracia: todas são palavras gregas para designar formas de cultura raramente originadas. os eólios e algum tempo depois os jônios. mais confiável e menos suspeita. a base social mais antiga da grande Hélade. cuja índole guerreira provocou a primeira dispersão dos povos gregos pelo Mediterrâneo. tirania. um grande espetáculo natural. os pelágios.. entre o individualismo e o comunismo. com dificuldade encontramos algo secular em nossa cultura que não tenha vindo da Grécia. física. dando origem ao Genos. refletida no olhar sobre si mesmo. O universo geográfico da Grécia continua. música. Para eles. agnosticismo. o pai de todos os deuses. a brilhante e turbulenta vida da antiga Hélade. Escolas.” Nos agitados tempos de ocupação migratória da Península Balcânica. penetraram na região que seria o novo centro mundo através de uma integração pacífica com os povos autóctones. para o bem ou para o mal. longe dos perigos do litoral.. aritmética. estoicismo. biologia. como que a nos dar uma lição. cujos defeitos e virtudes teciam as tramas do destino humano. até mesmo os deuses do Olympo eram homens. a medida mais verdadeira é a razão. a emancipação da mulher e a limitação da família. cosméticos. um dos filhos de Deucalião. sentimentos e emoções. de Péricles. que na sua imagem. dando origem à civilização creto-micênica. Todos os problemas que hoje nos preocupam – o desflorestamento e a erosão do solo. mas quase sempre amadurecidas. Se o judaísmo deu início à nossa ética e à preocupação com às nossas origens e o destino. o conservantismo dos estabelecidos e o experimentalismo dos deslocados. as corrupções da política e as perversões da conduta. Se o Homem é a medida de todas as coisas. teologia. idealismo. entre o Oriente e o Ocidente – todos esses problemas agitaram. Os gregos são descendentes de Heleno. Essa primeira diáspora. as guerras de classes e de nações e continentes. anatomia. Mais tarde eles absorveram admiravelmente importantes elementos culturais da lendária sociedade da Ilha de Creta. história. se espalharam por toda aquela complexa e atraente paisagem. o Pater Famílias. o homem descobriu que era Homem. as lutas entre a democracia e a ditadura. no helenismo está toda a síntese do nosso pensamento [1] “Excetuando a maquinaria. Esses pequenos núcleos familiares dirigidos por um chefe clânico. ginásios. tornando-se o eixo fundamental da civilização helênica. o conflito entre a religião e a ciência e o enfraquecimento dos esteios sobrenaturais da moralidade. uma trama de acidentes físicos que ainda seduz os olhos de qualquer viajante A parte continental exibe um suntuoso relevo de montanhas e . higiene. até o século V. empurrou as gentes para a vida rural. terapia. na música e no governo.

que é o seu isolamento natural e que influiu profundamente na formação psicológica desses povos. motivado pela contemplação das coisas que poderiam estar sempre além das montanhas. e outra física e materialista. Essa grande mudança da ótica mítica para a ótica racionalista é até hoje um grande enigma para os historiadores humanos e algumas dúvidas permanecem no ar: por que os somente os gregos conseguiram romper esse limite? Como esse tipo humano descobriu a especulação filosófica e interessou-se pela investigação científica? Que tipo de experiência deu a pensadores como Zenon a afirmarem que “a razão é a suprema conquista do homem. Tal isolamento impôs a eles um caráter introspectivo. incluindo as desaparecidas Lemúria e Atlântida. frátrias. destinada ao cultos dos imortais deuses e heróis do Olimpo. o antigo Genos entra então em processo de agonia social. A vitória do individualismo das aristocracias. As conseqüentes lutas entre o coletivismo e o individualismo. espalhando o helenismo por todo o Mediterrâneo. Em Esparta. pela posse da riqueza agrária. Na parte insular. tiveram que inibir os abusos da escravidão por dívidas. protegidos por abismos de pedras. na transição do período homérico para o arcaico. mas foi responsável pelo desenvolvimento de fronteiras culturais. A primeira foi produto do contato de sábios gregos com o conhecimento sacerdotal de antigas civilizações. incluindo a humanização de Zeus e sua corte. Sólon e Clístenes. influenciada pela tradição iniciática orientalista. vai transformando gradualmente o núcleo gentílico em tribos. foi um momento crítico na evolução da consciência humana. a segunda diáspora. colado a elas. por exemplo. a postura reflexiva do homem litorâneo e a solidão do morador insular estão as origens da filosofia e do individualismo da cultura grega. através da transformação da mentalidade mito-poética para a mentalidade sistêmico-teorizante. Elas eram compostas pela parte alta. Estabeleceu-se nesse momento uma divisão de caminhos na busca da verdade: uma vereda metafísica e espiritualista. faz explodir no mundo grego uma nova dispersão. Conceitos de exclusividade social ou cidadania pela linhagem de nascimento deram origem a curiosos mecanismos de defesa ou “anticorpos políticos” dessas cidades. no período pré-homérico. anticorpo que bania pelo exílio de dez anos os inimigos do regime de liberdade participativa. é uma semente do Logos Spermatikos. pontos de encontro e negócios dos mortais. ou Razão Seminal. encontra-se um litoral totalmente recortado por inúmeras baías e enseadas. O isolamento natural não inibiu totalmente o contato com o mundo exterior. através do conceito conservador da propriedade privada. O toque final dessa trama entre a geologia e a psicologia foi dado pela inevitável de solidão que sentem os habitantes das ilhas gregas e que os tornam perpetuamente insatisfeitos consigo mesmos. vilas. o mar foi curiosamente pulverizado por incontável número de pequenas ilhas. fundada na escola racionalista ocidental. que surgiu o Homem Lógico-Racional. As pólis serão povoadas pelos cidadãos.vales quase impenetráveis. já a segunda teria suas origens num curioso perfil rebelde e anti-religioso das tribos arianas que se espalharam na Europa. para garantir a ordem. mais rígidas e resistentes do que os limites geográficos. bem como a sensação de infinito que vem do horizonte azul marinho do Egeu. Na misteriosa combinação entre a introspecção do habitante dos vales e montanhas. o mito de Licurgo e a xenofobia afastavam a indisciplina e os vírus dos costumes estrangeiros. Foi nesse cenário. que criou e governa o mundo”? Entre os séculos VII e VI aC. da Ágora e o Asty. causada pelo aumento da população. as célebres cidades-Estado. e a parte baixa. da Acrópole. A ruptura com o universo mágico e a racionalização das coisas divinas. o regime de maioria da demos e o ostracismo. a quem Aristóteles denominou apropriadamente “animais políticos” ou “zoopolitycon”. Foi dessa mistura de elementos das três áreas físicas dessa parte do sul da Europa que nasceu a principal marca geográfica da Grécia. . Em Atenas legisladores como Drácon. até que essas últimas se constituam na pólis.

Esparta. a partir do século V. Atenas. Gália e principalmente o Egito. Ao fim de cada dia faziam exame de consciência para verificar se haviam cometido erros.). como nos relata Will Durant [2]: “Para os estudantes em geral Pitágoras estabelecia um regime que quase transformava a escola em mosteiro. Os membros prestavam juramento de lealdade tanto para com o Mestre como de uns para com os outros. entretanto. se mostrarem carrancudos’. Um dos primeiros exemplos dessas iniciativas. pois ‘todo homem deve organizar sua vida de modo a que lhe dêem crédito sem haver necessidade de juramentos’. que morreram bravamente no desfiladeiro das Termóphilas. (.imitado mais tarde por tantos outros . tornou-se uma necessidade existencial entre eles quebrar o isolamento e viajar em busca de conhecimentos incomuns em outros núcleos iniciáticos na Europa e fora dela. Nào podiam jurar pelos deuses. Suas viagens em busca do saber estrangeiro abrangeu lugares considerados importantes centros do saber no mundo antigo: a Arábia.foi Pitágoras de Samos (580-500 a. A tradição é unânime em afirmar que enquanto viviam na comunidade pitagórica adotavam a comunhão de bens. e a água recomendada – o que seria uma perigosa prescrição na baixa Itália de hoje. lutando durante uma semana com mais de dois mil soldados persas. ‘não se entregando jamais ao riso. de Delfos. logicamente fizeram história o modelo aristocrático-militar de Esparta e o modelo democrático-civil de Atenas. cujo nome possuía um significado especial: “porta-voz do oráculo Pítio.C. Síria. Já a segunda nos deu homens de grande força mental reflexiva e artística. sem. mas podiam orar em altares não maculados pelo sangue. Não podiam comer carne.. onde homens e mulheres eram tratados em regime de igualdade sexual e rigor absoluto no trato pedagógico.. Esparta nos deu homens admiráveis como o general Leônidas e os seus 300 soldados. . A Escola Iniciática Pitagórica A tradição esotérica que chegou até nós pelo Ocidente veio. dotados de uma coragem existencial psicológica e metafísica. De volta à Grécia. contra si mesmo. . O vinho era proibido.No período clássico. ovos ou favas. porém pobres de imaginação. mais flexível aos novos habitantes. fundando ali uma das mais famosas escolas iniciáticas. Eram obrigados a vestir-se com simplicidade e portar-se modestamente. que soube morrer com uma espantosa serenidade. encerrando com heroísmo ímpar. Índia. surgiu dos descendentes dos eólios e jônios e foi enriquecida pela heterogeneidade. Fenícia. depois de três décadas de excursões. onde aperfeiçoou-se em astronomia e geometria. A primeira deu à Humanidade homens fortes de corpo e dotados de uma coragem existencial biológica e física insuperável. Caldéia. Mais do que um costume. quais os deveres negligenciados e quais as boas ações praticadas. sempre fechada e exclusivista. Atenas nos deu homens incomparáveis como Sócrates. através da colonização do Mediterrâneo.) Os membros da escola não tinham permissão para matar animais. estabeleceu-se em Crotona. agredir seus semelhantes ou destruir uma árvore plantada. Não podiam ofertar vítimas em sacrifício. em grande parte. das cerca de 160 pólis espalhadas nos Balcãs e dezenas de outras. uma luta que travara durante toda sua existência. foi fundada pelos descendentes dos guerreiros dórios e permaneceu estacionada na homogeneidade social. através de sábios gregos.

aliás. Tendo. e esoterici. cujo centro é a Terra (para o o observador). ‘confiou ele os seus Comentários. assim como suas fontes contemporâneas. philosophia – amor da sabedoria. feito mais do que qualquer outro homem para estabelecer a ciência na Europa.. seguia esses regulamentos com o maior rigor do que qualquer aluno. é uma esfera viva. A Terra. astronomia e música. e que deu ao mundo o nome de kosmos’. ao que parece. E ela. O novo discípulo deveria manter durante os cinco primeiros anos o ‘silêncio pitagórico’. ou sabedoria. a não ser que fosse um ótimo comediante. Quatro matérias formavam o currículo: geometria.’ A iniciação para a sociedade pitagórica exigia. Percebemos isso claramente quando ele fala da disciplina iniciática e das idéias pitagóricas sobre evolução espiritual e também quando confunde a lei da reencarnação com a crença na metempsicose. com essas contribuições à matemática e à astronomia. do oeste para o leste. Pitágoras passou à filosofia. nem mesmo contra um escravo. além da purificação do corpo pela abstinência e pelo domínio de si próprio. inverno e equatorial. A palavra em si é ao que parece uma de suas criações. que o Mestre jamais tomou vinho durante o dia. (Este ‘ver”. que nunca sua mão se ergueu contra alguém.O próprio Pitágoras. ‘foi a primeira pessoa que atribuiu forma redonda à Terra. (. A Terra também é uma esfera. empenhado na pesca de homens’. a purificação do espírito pelo estudo científico. à galhofa ou à tagarelice. Pitágoras. e denominou a seu sistema de busca de conhecimentos. filósofo e pitagórico eram sinônimo.) Os estudantes eram divididos em exoterici. A metempsicose sempre foi usada no Oriente como forma de terrorismo mítico-sacerdotal para com as massas ignorantes.) O universo. ou lhe ser permitido ‘ver’ Pitágoras. não o fez.. entre alua e o sol. todo o universo. com tocante respeito. Timão de Atenas imaginou-o ‘um prestigitador de sermões solenes. A Damo. que podia ter vendido esses discursos por muito dinheiro.” O historiador que escreveu essas linhas sobre Pitágoras. que nunca cedia ao riso. diz Diógenes Laércio. pois considerava a obediência às ordens do pai mais valiosa do que o ouro – embora fosse mulher. adotando os vegetais como sobremesa. Essa confusão de conceitos pode ter sido utilizada de forma proposital na escola de Pitágoras. Rejeitou ele o termo sophia. antártica. embora admiravelmente eruditos. que se alimentava quase só de pão e mel. ou membros internos. que podiam facilmente cotejar sua filosofia com sua vida real. ou praticado o amor (sexo fútil). como os planetas. como pretensioso. que sua túnica mantinha-se sempre alva e imaculada e que nunca se soube que ele de houvesse excedido na mesa. para . ou outro corpo. ou alunos externos. aceitar os ensinamentos sem perguntas ou objeções – antes de ser considerado membro definitivo. Seu método de vida conquistou tal respeito e autoridade entre os discípulos que nenhum ousava queixar-se daquela ditadura pedagógica e o autus epha (ipse dixt – (“ele o disse”) tornou-se a fórmula por eles adotada como ponto final em quase todos os campos do comportamento ou da teoria. No século VI aC. os eclipses da lua são causados pela posição da Terra. se divide em cinco zonas – ártica. significa beber as lições diretamente dos lábios do Mestre. A lua torna-se ora mais ou menos invisível conforme sua parte iluminada pelo sol se ache mais ou menos voltada para a Terra. mas entre os seus mais dedicados adeptos achavam-se sua esposa Teano e sua filha Damo. aritmética. diz Diógenes Laércio.. girando. Conta-se. diz Pitágoras. recomendando-lhe que não os divulgasse a ninguém fora de casa. Estes tinham direito à sabedoria secreta e pessoal do Mestre. não possuíam a maturidade da dimensão espiritual para avaliar o caráter e o aspecto esotérico da obra do grande Mestre grego.

respeita a ti mesmo. e assim como podem ser conquistadas. O sentido centralizava-se no coração. XVII. ou talvez maravilhasse. XVIII. Homenageia. a luxúria. V. a razão só ao homem pertence e é imortal. em seguida é algo mau. X. afirmando Ter reconhecido em seus uivos a voz de um amigo morto. então. e prepará-los para a transição entre o conhecimento exotérico (externo e aparente) ao esotérico (interno e real). o que te dá vergonha. haurida no Egito e no Oriente Próximo entregou-se aos mais livres devaneios. XXI. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons. em seguida regressa à Terra e penetra em outro corpo. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos. VIII. E. XXIII. Mesmo assim. . Primeiro a gula. XIII. Aproveita seus discursos suaves. acreditava ele. como manda a lei. A alma. os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito. XIV. Pitágoras divertia-se. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões. nem o rejeita de modo precipitado. Portanto. e reconheceu num templo de Argos. Ouvindo o ganir de um cão espancado. IX. depois. escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso. primeiro. XIX. Não faz junto com outros. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte. seu adeptos contando-lhes que nas precedentes encarnações ele fora. XII. a intuição e razão. nem sozinho. não aceita cegamente o que ouves. VII.” OS VERSOS DE OURO DE PITÁGORAS I. Entre os outros. XX. a armadura que havia usado na existência anterior. A seguir. dividia-se em três partes: sentido. E que as coisas boas do mundo são incertas. conceito ainda hoje complexo para espíritos imaturos. e a todos os membros da tua família. correu-lhe em socorro. agora é algo bom. intuição e razão. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras. III. sobretudo. O que as pessoas pensam e dizem varia muito. XI. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro. VI. seja qual for. podem ser perdidas. numa cadeia de transmigração que só termina com uma existência perfeitamente virtuosa. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente. Porque o poder é limitado pela necessidade. cheios de bondade e luz. dizia lembrar-se nitidamente de suas aventuras no cerco de Tróia. Mas lembra sempre um fato. IV. XVI. reverencia o juramento que fizeste.testar os novos alunos sobre a receptividade da idéia de reencarnação. Honra em seguida a teus pais. e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos. Honra em primeiro lugar os deuses imortais. e a raiva. XV. Depois da morte a alma passa por um período de purgação no Hades. II. o de que a morte virá a todos. o herói Euforbo. Sentido e intuição encontram-se tanto nos animais como nos homens. XXII. depois a preguiça. uma cortesã e. Depois os heróis ilustres. Durant nos dá curiosas informações sobre ele: “Nesse ponto a mística de Pitágoras. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível. no cérebro.

LXI. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado. e que não te causará arrependimento. e decide antes de fazê-las. Cumpre fielmente. XXXIII. Verás então. para que não cometas ações tolas. Não age movido pela cobiça ou avareza. Porém. Deste modo não desejarás o que não deves desejar. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna. Evita todas as coisas que causarão inveja. XLII. Quando fizeres de tudo isso um hábito. XXVIII. Pergunta: "Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?" XLIV. XXVII. com sofrimentos intermináveis. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia. alegra-te pelos acertos. XXXI. XXXII. aprende o que for necessário saber. Não deixa que ninguém. nem compreendem que o bem deles está ao seu lado. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças. LX. Não faze nada que sejas incapaz de entender. XXXIX. com palavras ou atos. XXXV. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas. em todas as ocasiões. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde. LI. Os seres humanos andam em círculos. o exercício necessário e também repouso à tua mente. Como são infelizes! Não vêem. mas foge dela! . Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses. XLIX. retrocede suavemente e arma-te de paciência. XXX. discretamente. XL. LVIII. XLVI. que os lança para cima e para baixo sem que percebam. LVI. para lá e para cá. Pratica integralmente todas estas recomendações. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos. e nada neste mundo será desconhecido de ti. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados. XXV. LIV. XXXVIII. XLVII. o que te digo agora. tua vida será feliz. LIX. voluntariamente e por sua livre escolha. Trata. Mas se forem ditas falsidades. que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas. Pensa e delibera antes de agir. Acostuma-te a uma vida decente e pura. Medita bem nelas. sem luxúria. E não comete exageros. Este é o peso do destino que cega a humanidade. XXXVII. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres. XLVIII.XXIV. a desunião fatal entre eles. XXVI. Porque são acompanhados por uma companheira sombria. Tu deves amá-las de todo o coração. Mas dá a ele alimento com moderação. Não esquece de modo algum a saúde do corpo. XXXVI. L. XLIII. LIII. XXIX. nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti. Recrimina-te pelos teus erros. Ao deitares. e aquilo que os contém. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens. LVII. XXXIV. de nunca despertar desarmonia. de acordo com a Justiça. XLV. XLI. deste modo. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente. e os mantém em unidade. LV. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina. LII.

LXIX.LXII. livra a todos eles de sofrimentos tão grandes. porque os homens pertencem a uma raça divina. LXV. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar. LXVIII. mas ampliaram também nessa fase o hábito da reflexão. Os Versos de Ouro de Pitágoras. LXXI. tu não deves ter medo. terás a plenitude e não mais morrerás. “ Nossa Herança Clássica”. dezembro de 2002. LXVI. LXIV. Rowe traduzida em português por Carlos Cardoso Avelino – revista Planeta. Record. Avalia bem todas as coisas. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos. Oh Deus nosso Pai. quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter. da sistematização do conhecimento. Os protótipos que ali apareceram não só fizeram importantes descobertas nesse terreno vivencial. Se ela comunicar a ti os teus segredos. [1] Will Durant: “Nossa Herança Clássica”. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 12:53 PM A Verdade de Sócrates A Morte de Sócrates. colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo. Porém. [2] Will Durant. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles. bem como seus principais modelos de ética e . Versão de 1707 por N. Hierocles de Alexandria. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia. Serás imortal e divino. Assim. por David É certo que o mundo grego foi o mais importante cenário do desenvolvimento da consciência racional. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma. LXX. LXIII. LXVII. LXXII. capítulo VII.

Protágoras. enquanto te recusas a dar explicações a quem quer que seja ou a declarar tua opinião sobre qualquer assunto. Aristóteles ou Marco Aurélio – misturava as duas correntes. numa tentativa de devassar a informulável complexidade da vida.comportamento. não podiam conceber a idéia de que o verdadeiro conhecimento é sempre uma experiência pessoal intransferível e que só pode ser compartilhado em alguns aspectos e não na sua integralidade: “Por Zeus. lei que haveria de marcar a diferença principal entre a ciência e a mitologia. ao visitar o mercado de Atenas. Certa vez. tanto no terreno filosófico como no governamental. através de Anaximandro. mas proíbe-me de dar à luz. Essa síntese está presente no importante conceito de Moira ou Destino.. da magia dos persas e do ocultismo dos hindus vai manifestar-se na Península Balcânica na forma de uma cosmogonia inquieta. Esta nasceu com Pitágoras. como Hípias. até Épicuro e Lucrécio. De quando em quando algum espírito – Sócrates. Religião. Heráclito. não saberás responder-me enquanto tu mesmo não declarares o que pensas da justiça. e prosseguiu. Que os gregos.” Os discípulos de Sócrates. Era uma dupla arte de fazer parir e criar: “É muito justa a queixa constantemente lançada contra mim de que faço perguntas aos outros e sou incapaz de respondê-las. Sócrates constatou com simplicidade e lucidez: “Como são numerosas as coisas de que . Seu hábito de responder uma pergunta fazendo outra pergunta irritava os que.) Duas correntes atravessavam paralelas a história da filosofia grega: uma naturalista. o quanto pudemos averiguar. ciência e filosofia formam ali uma unidade.. tão superior ao imprevisível arbítrio pessoal. interrogando e confundindo a todos. a outra mística.. Os homens tornaram-se livres quando reconheceram que estavam sujeitos à lei. A síntese da enigmática sabedoria sacerdotal egípcia. porque não é bastante que te rias dos outros.” Sua coragem de lidar serenamente com os dilemas existenciais foi resultado. (. que representou para os gregos uma lei universal. um só universo em conjunto. característica do pensamento grego. da ciência dos caldeus.” Sócrates era filho de uma parteira com um escultor. inconformista e investigativa. Mas mesmo nesses homens a força dominante. Perdeu o medo de viver porque fez uma opção de buscar e ter somente o que era essencial. nunca assumindo a postura de sábio ou mestre. Sócrates. não de teorias. a naturalista teve o seu primeiro representante em Tales. constitui o segredo de suas realizações e de sua importância na história. grávidos de idéias e conceitos ainda mal formulados. Seu estilo decepcionava aqueles que buscavam nele respostas prontas e modelos acabados de filosofia. um princípio que conduz a tudo e a todos: “ . Hipócrates e Demócrito. Essas habilidades dos seus pais dariam ao mais polêmico de todos os filósofos a marca única de um constante facilitador da sabedoria.. A razão está em que o deus me obriga a ser parteiro. mas de experiências reais e cotidianas. mitologia. passavam por um doloroso trabalho de parto e conseqüentemente tinham que aperfeiçoar suas concepções até que elas atingissem uma estrutura segura de sobrevivência. foram os primeiros a atingir essa compreensão e essa liberdade. e vai através de Parmênides. Platão e Cleanto até Plotino e São Paulo. tanto quanto entre o despotismo e a democracia. era o amor e a busca da razão.ali estava a idéia da lei. Xenófanes.

mesmo que simbolicamente. E vós. Senti em minha alma. com a diferença que se assumiu como tal e desenvolveu uma incômoda. em comparação com as tuas. Ter-me-ia conservado preso a seus pés até a velhice. inconveniente até mesmo para ser eliminado. a opção de fuga. Era um homem grego comum nos hábitos culturais. Era ao mesmo tempo a ordem e o caos. a harmonia e o desequilíbrio. Fedro. muitas vezes desconcertante: “Foi ele. até os fragmentos de tuas palavras. contra os ferozes espartanos. pois Sócrates era a própria expressão e o espelho da torturante contradição humana. só trazia benefícios ao interlocutor. entretanto. Mas como matar alguém que não teme a morte e zomba dos incrédulos até os últimos instantes da existência? José Américo da Motta Pessanha[3] nos conta como foi esse histórico confronto final entre a Tradição e a Verdade e como foram os inesquecíveis os últimos momentos de Sócrates entre os mortais: . Aristodemo. Seu exílio pelo ostracismo poderia despertar no povo o desejo de buscar novos ares e esvaziar a indústria e o comércio local.. Agáton.. não produzem o mínimo efeito em nosso espírito.. Mas sua franqueza e total despreocupação com os interesses menos dignos o colocava sempre em perigo. o ser e o não ser. mas de um caráter e de uma autenticidade rara e notável. todos vós haveis experimentado a mesma loucura e a mesma paixão pela filosofia.. escreveu Platão. o mais sábio. Quem conversava com Sócrates sofria o impacto de quem nunca se viu num espelho.a maior das ânsias. Pausânias. Erixímaco. o belo e volúvel Alcebíades deixa transparecer que sofrera um dano irreversível: “Quando ouvimos qualquer outro homem falar. Ao contrário do covarde e fanfarrão Demóstenes. auto. nos defeitos e nas aparências. que ao estrear num batalha e ouvir os primeiros gritos de combate. ainda que seja tido como hábil dialético. em qualquer circunstância ou sobre qualquer assunto. Sócrates era um eterno problema para os atenienses. fome e toda sorte de necessidades. Então. ou em meu coração. Naquele instante tinha início o despertar da consciência. o condenaram à morte. e não é necessário dizer que Sócrates também. passando frio. Xenofonte afirmava que o contato pessoal com o filósofo era um prazer inigualável e que tal conversa.E estou certo de que se não tivesse tapado os ouvidos e fugido à sua voz de sereia.aceitação. assombram e arrebatam as almas de todos os homens. Ao relatar sua experiência com Sócrates. vós todos .eu não preciso”. Sua prisão poderia ser uma prova de que o Estado era um erro e a democracia um equívoco. inclusive. Perdeu o medo da morte lutando como hoplita na Guerra do Peloponeso.. o mais justo e o melhor de todos os homens que conheci”. com algo à altura do seu veneno filosófico: a cicuta. pois sua sabedoria era como concupiscência sugerida pela Serpente. Sócrates destacou-se bravamente nas batalhas de Potidéia e Délio. um perigo que ameaçava sempre as bases frágeis da cultura mitológica e da tradição policiada pelo stablishment. mais violenta na ingênua mocidade do que a picada das serpentes – a ânsia da filosofia. A lista de inimigos foi tão grande e gratuita como a dos seus inimigos. Deram-lhe. Sócrates.. suas palavras. ainda que de segunda mão e imperfeitamente transmitidos.. para os outros. Sua ousadia em “corromper” as mentes juvenis e “subverter” os costumes políticos só poderia ser punida. mas Sócrates se recusou. sim. a razão e o contra-senso. mulheres e crianças que as ouvem. realmente. um caminho sem retorno que poderia ser experimentado pelo prazer ou pela revolta.” Para alguns. largou seus equipamentos fugiu horrorizado. Sócrates era a cura e para outros a doença.. pois não gostaria de fugir de si mesmo. Aristófanes.

então morrer é um ganho maravilhoso.o setuagenário Sócrates despede-se. Sócrates lamentando-se. ninguém o sabe. Imperturbável. pois. Sócrates toma o vaso que lhe é oferecido de um só gole bebendo todo o veneno.. ou então. Mas ele ainda os anima: ‘Não. assim seja’. Dirige-se a um dos amigos presentes. o herói mitológico ateniense. trazendo os filhos para a despedida. nem os amigos consegue convencê-lo a abdicar de sua consciência. lembrando-lhe que deviam um sacrifício ao deus Asclépio..‘Não foi por falta de discursos que fui condenado. nem mesmo em retribuição a uma injustiça recebida. O mestre não se perturba: ‘Em boa hora. Mas porque respeitava a lei não quisera fugir da prisão. Sócrates permanece sereno. uma transmigração da alma do lugar onde nos encontramos para outro lugar.. vós para a vida. um dos amigos avisa Sócrates: ‘Amanhã terás de morrer’. sobre o Minotauro. Como acontece todos os anos. tranquilo. (. se assim desejarem os deuses. Xantipa. Ninguém. preferira a morte a declarar-se culpado. Na véspera de sua chegada. Entra a mulher de Sócrates. se a morte é como uma passagem daqui para outro lugar. e se verdade como se diz. E morre. um navio oficial havia sido enviado ao santuário de Delos para comemorar a vitória de Teseu. Quanto a esta. enceto o deus”. Finalmente chega o carcereiro com a cicuta. Porque não traíra sua consciência. coisas que estais habituados a escutar de outros acusados’. sem cometer injustiças. Se a morte é a extinção de todo o sentimento e assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê. porque ele corre mais depressa que a morte’. apenas pode ser uma destas duas coisas: ‘Ou aquele que morre é reduzido ao nada e não tem mais qualquer consciência. Quem de nós segue o melhor rumo.. Os amigos soluçam. A execução da pena teve de ser adiada por trinta dias. imaginar maior bem? Apoiado nessas hipóteses – as únicas existentes a respeito de um fato que não permite certezas racionais .” . Sustenta-o uma certeza: mais difícil do que evitar a morte é ‘evitar o mal. Ao sentir os primeiros efeitos da cicuta. conforme ao que se diz. Suas últimas palavras ainda um testemunho dessa dupla fidelidade: a si mesmo e aos compromissos assumidos. Suplicam-lhe que aceite a fuga que os amigos haviam preparado. tudo deve terminar com palavras de bom argúrio: permanecei. fazendo e dizendo uma porção de coisas que considero indignas de mim. senhores juízes. (. o terrível monstro que habitava o labirinto de Creta e se alimentava de carne humana. mas por falta de audácia e porque não quis que ouvísseis o que para vós teria sido mais agradável. a morte é uma mudança.) Mas o barco está prestes a retornar de Delos. Aquele que sempre indagara sobre o significado das palavras e dos valores que regiam a conduta humana e investigara o sentido dos costumes e das leis que governavam a cidade buscava a consciência nas ações e nas afirmativas. de seus concidadãos: ‘Mas eis a hora de partirmos. Sócrates recusa e explica: a única coisa que importa é viver honestamente. mas não pretendia se subtrair às normas estabelecidas e às exigências dos preceitos e das instituições sociais e políticos. gemendo. serenos e fortes’. Sócrates se deita. nenhum condenado podia ser executado.) Por outro lado. Enquanto o navio não regressasse de sua missão sagrada. amigos. pode-se. que todos os mortos aí se reúnem. eu para a morte. mesmo em sonho.

já avançado em anos. “se somos filósofos . Aos 16 anos Apolônio adotou as rigorosas regras da irmandade pitagórica. invejoso de sua superioridade e de seu crédito. a calúnia. haver ressuscitado uma rapariga que morrera.César e Cristo – APOLÔNIO DE TIANA Não há datas precisas sobre a vida de Apolônio. que ele repartiu com os parentes. implorou aos sace5rdotes que abandonassem o sacrifício de animais. onde visitou os Bramanes.” Pregando a reencarnação. a Cítia. um dos cidadãos mais ricos de Tiana. Distribuiu sua fortuna pelos parente e na maior pobreza peregrinou pela Pérsia. Conforme alguns cálculos. a Índia.” Will Durant . Cedo demonstrou ter grande memória. Seus seguidores afirmavam que Apolônio lhes aparecera depois da morte e subira ao céu corporalmente. Querido em toda parte pela suavidade de seu caráter. Perguntado por um que presente queria receber. O mundo mediterrâneo vivia cheio de mágicos. cujos preceitos seguiu rigorosamente até a morte. à carne. expulsar demônios. deixou uma fortuna considerável. a Itália e a Espanha. longe de lhe guardar ressentimentos. Conhecia e amava a literatura grega e professava uma moralidade simples e alta.. Ásia Ocidental. Mas Apolônio era mais filósofo do que mago. Exortou-os a evitar a inimizade. oráculos. ficando apenas com uma pequena parte porque dizia: o sábio deve saber contentar-se com pouco. não podemos odiar o nosso semelhante”. Egito. adorou o sol. a Grécia. India.O RETRATO DE UM MAGO Os magos haviam espalhado sua arte pelo Oriente e dado um nome novo à velha impostura. Um deles. e passou cinco anos em completo silêncio. o ciúme. renunciando ao casamento. veio espontaneamente a Roma explicar-se perante Domiciano. Grécia e Itália.C. o ódio. santos e intérpretes científicos dos sonhos (. No princípio do século III Filostrato descreveu em sua Vida de Apolônio de Tiana um homem deste tipo. disse Filostrato. foi preso. respondeu: “Pão e passas. “Às vezes”. Apolônio jamais se abalou e. Seu pai. por toda parte ensinando a sabedoria.. fazedores de milagres. alguns dos quais o acompanharam em sua viagens. dos brâmanes e dos ascetas egípcios. “Apolônio discutia o comunitarismo e ensinava que os homens devem ajudar-se uns aos outros. o Egito. tornouse seu detrator e mortal inimigo e não cessou de contra ele espalhar calúnias. que lhe acompanhavam os passos a fim de ouvi-lo. aceitou os deuses e ensinou que havia atrás deles uma deidade única e suprema. Viajou muito para se instruir: percorreu a Assíria. Pedia aos deuses “para lhe darem pouco e não lhe permitissem desejar nada”. e uma inteligência notável e mostrou grande aplicação ao estudo. mas escapou. Eufrates. A tradição. De todas as filosofias que estudou adotou a de Pitágoras. Assimilou o saber dos magos. na Ásia menor. teria nascido dois ou três anos antes de Jesus Cristo e morrido aos noventa e seis anos. Morreu mais ou menos em 98 d. A tradição passou a atribuir-lhe muitos milagres: atravessar portas fechadas. Nasceu em Tiana. astrólogos ascetas. visando perdê-lo. pelos fins do primeiro século. Visitou templos de todos os credos.. mas apenas conseguiu aviltar-se. lamentava-o por sua fraqueza e procurou . cidade grega da Capadócia. pedia aos homens que não matassem nenhum ser vivo e não comessem carne. honrado por sua virtudes e recrutando numerosos discípulos. entender todas as línguas. entretanto. A vida de abnegação e piedade de Apolônio levou seus seguidores a considerá-lo como filho de um deus – embora ele se dissesse apenas filho de Apolônio.) Ao lado desses charlatães havia milhares de pregadores sinceros.” Acusado de sedição e feitiçaria.

Encaremos agora Apolônio de outro ponto de vista. os menos fanáticos nele apenas viram um filósofo. pois não se considerou filho de Júpiter. alguns o tomaram por um santo. nele havia o filósofo. Seu prestígio ainda era aumentado por sua austeridade de hábitos. não podendo negar os fatos. Sua filosofia trescalava a suavidade de seus hábitos e de seu caráter. em sua vida não há qualquer alusão ao que se passava na Judéia. mansuetude. do maravilhoso e permitindo separar o possível do impossível. como alguns pretendiam que fosse. expulsar os demônios e de se transportar instantaneamente de um a outro lugar. São as duas opiniões que prevaleceram na Igreja. escreveu aos éforos: . e se debatia contra a invasão do cristianismo nascente. a visão à distância. caráter benevolente e reputação de saber. Damis. pretenderam que operasse prodígios pela assistência do demônio. Posto que contemporâneo do Cristo. podemos perfeitamente nos dar conta de vários fatos atribuídos a Apolônio de Tiana.. demonstrando a possibilidade de certos efeitos. o poder de ler o pensamento. o dom de curar. desinteresse. à feitiçaria. então. bem como suas relações com os homens. e quis transformá-lo num deus. entre outras coisas.) Incontestavelmente os antigos conheciam o magnetismo.sempre retribuir-lhe o mal com o bem. o depositário de sua filosofia e deixou sobre ele a maior parte das informações que possuímos. O paganismo soltava. como se vêem numerosos exemplos entre os árabes. conheciam as várias categorias de Espíritos. envoltório corporal dos Espíritos. sem pensar que isso implicava na confissão dos mesmos prodígios e fazer de Satã o rival de Deus. até hoje relegados ao domínio do fantástico. Conheciam igualmente o sonambulismo e a segunda vista. (. simplicidade. Misturando idéias cristãs a idéias pagãs. os médiuns curadores.. (. etc.) Os personagens dessa natureza são muito apreciados muito diversamente: cada um os julga conforme suas opiniões.. nem à impostura.. Poucos filósofos gozaram em vida de maior popularidade.. que chamavam deuses. Deixamos aos que tiverem feito um estudo sério e completo desta ciência o cuidado de fazer a distinção entre o possível e o impossível. os quais aproveitaram seus conselhos. a ele se ligou com uma fidelidade a toda prova. Com o auxílio de tais dados e do conhecimento do perispírito. Apolônio de Tiana devia dar pasto à controvérsia. auditivos. Tendo censurado os lacedemônios degenerados e efeminados. que para aquele tempo o converte num ser quase sobrenatural. uns o declararam louco e impostor.) Os fenômenos espíritas. o que lhes será fácil. Dizemos de vários fatos. os seus últimos lampejos. É por isso que ele serve para distinguir a verdade do erro. até conforme seus interesses. Ao lado do médium. inspirados. etc. o sábio. Entre os cristãos que o julgaram posteriormente. jovem assírio. que são fenômenos psicológicos naturais. deviam existir entre eles como em nossos dias. falantes. Atribuíram-lhe. Pode-se julgá-lo por algumas de suas máximas. suas crenças e. Esta é a opinião mais razoável e o único título que ele jamais aceitou. de sua simplicidade em tudo. pela dificuldade de distinguir entre os prodígios divinos e os diabólicos. Sua prova encontramo-la em certas pinturas egípcias. (. que ele conheceu em Nínive. foi-lhe companheiro assíduo nas viagens. videntes. Ao contrário. porque alguns há cuja impossibilidade é demonstrada pelo Espiritismo.. Mais que qualquer outro.. pela época em que viveu e pela natureza de suas faculdades. outros. magnéticos e sonambúlicos hoje lançam uma luz nova sobre os fatos atribuídos a esse personagem. parece que dele não ouviu falar porque. sem recorrer à magia. a presciência.

pois acabas de te enriquecer. sofre numerosos males e é escrava de todas as necessidades da condição humana. um dos mais hábeis flautistas mandou seus alunos aos maus tocadores de flauta para lhes ensinar como não se devia tocar.” Interrogando Apolônio.” . e lhes disse: “Todos que aqui estamos. eu os sábios sejam pobres. saúde! Os verdadeiros homens não cometem faltas. quis ouvir o vosso conselho sobre a maneira de o erguer na estima dos homens. for castigado. e. Consultaram Apolônio quanto à forma de responder. disse Apolônio. e disse: “Meu amigo. Sabeis agora. como não se deve reinar: vossos predecessores vo-lo ensinaram. mas eu creio que é a mentira. Vespasiano. fez uma preleção aos prisioneiros. no domínio de Domiciano. perguntou-lhe o Cônsul romano Telesino: “Quando vos aproximais do altar.“Apolônio aos Éforos. cabe reconhecê-las.” Estando preso em Roma. eu te lamento. digo: “ó deuses! Dai-me o que me é devido. “Como não as teríamos? responderam eles. que as leis sejam respeitadas. mas por meios honestos. punir-me-ão e não poderei fazer censuras aos deuses se.” Numa carta a Eufrates: “Perguntei aos ricos se não tinham preocupações. que vos acabo de citar. que os outros se enriqueçam. do contrário os deuses pôr-me-ão no número dos maus. – Um dia. aproximando-me do altar. Reflitamos agora sobre a maneira de bem reinar.” Conversando com Apolônio sobre a maneira de governar quando fosse imperador. que me acontecerá se houver mentido? O imperador crê que é a franqueza que merece ferros. que o induziu a acusar a Nerva. ligada a um corpo perecível. qual a vossa prece? – Peço aos deuses que reine a justiça. Se estiver no número dos justos. obterei mais do que pedi. não sendo bom. disse-lhe Vespasiano: “Vendo o império aviltado pelos tiranos. mas para que se soubesse quando se não deve escrever. Nossa alma.E de onde vem as vossas preocupações? – De nossas riquezas”.” Tendo os Lacedemônios recebido do imperador uma carta de censura. Eufrates. achamo-nos presos durante isso que se chama vida. lembrando-lhes a coragem e a resignação. se as cometem. Este veio à assembléia e lhe disse apenas isto: “Se Palamédio inventou a escrita não apenas para que pusesse escrever. porque peço tudo isso numa só palavra. vacilavam entre conjurar a sua cólera ou responder com arrogância. respondeu a um emissário de Domiciano. mas só aos homens de coração. a fim de conseguir a liberdade. – Que! pedindo tantas coisas pensais em ser exaltado? – Sem dívida.” Na sua prisão. se fui posto a ferros por haver dito a verdade a Domiciano.

E como os meus concidadãos e os meus parentes se enganaram a meu respeito? Ah! este erro me é doloroso. Domiciano foi assaltado por Clemente cerca de meio dia. é preciso adquirir a divina sabedoria e. É de admirar? Vós mesmos. Continuou a falar. que. junto aos xistos. lançou para o chão um olhar de espanto. Se os tagarelas sofressem o que fazem sofrer aos outros. como ninguém nasce. as mesmas paixões. de malignidade. Ao contrário. todo o fausto da realeza. de ódio. Eis o de que gostam os deuses. Os próprios ímpios podem fazer sacrifícios. Mas ele jamais aceitará paga pelo que ensina. em discursos mentirosos. Apolônio os via em Éfeso. no mesmo dia .. todos os homens ímpios e injustos? O templo é um velhacouto de ladrões” Aos que se julgam sábios: “Dizei-vos meus discípulos? Então acrescentai que ficais sempre em casa. então. quer nascidos gregos.) Depois de minuciosa descrição do assassinato de Domiciano. como quando se fala pensando noutra coisa. a não ser aparentemente. pois que todos descendem de Deus e são de uma mesma natureza. ao contrário. De repente baixou um pouco a voz. deu três ou quatro passos à frente e exclamou: “Fere o tirano! Fere!” Dir-se-ia que visse não a . Se a medicina é a mais divina das artes. enfim. estais no rol dos homens livres.Ao mesmo: “Os homens mais sábios são os mais breves em seus discursos. meus irmãos. por mais que necessite. em minha pátria. homens. o que se chama morrer é a passagem da substância à essência”. jamais ides às termas. estai livres de paixões. quer bárbaros. como se tomado se súbito pavor. igualmente. não comeis carne. Como um ser poderia ser são.” Outra a Valério: “Ninguém morre. sou um desconhecido. fazem crer que vivem de um modo. no mesmo momento. os desodeiros. nalguns lugares até me tomam por um deus. quando a parte mais importante está doente?” Outra aos platônicos: “Se oferecem dinheiro a Apolônio e são aparentemente estimáveis. Sei que é belo considerar toda a terra como sua pátria e todos os homens como irmãos e amigos. não matais os animais.” (. Mas quantas censuras não vos podem ser feitas como vizinhos da deusa noite e dia? Não é do vosso meio que saem os trapaceiros. acrescenta Filostrato: “Enquanto tais fatos se passaram em Roma. não falariam tanto. a passagem da essência à substância. Com efeito. como quem perde o fio do discurso. Apolônio dissertava nos jardins. Depois calou-se. todos são. de inveja. de calúnia. quando vivem de modo totalmente oposto. eis o que se chama nascer. para lhes ser agradável? Se não me engano. por pouco que precise.. Aos sacrificadores do Olimpo: “Os deuses não necessitam de sacrifício. de ressentimento. igualmente. Não ides fazer como os que. sois irreprocháveis. bem vejo que ainda não estais convencidos de que eu seja superior a muitos homens pela palavra e pelos hábitos. prestar serviços aos que o merecem. a não ser em aparência.” Ao seu irmão Hestieu: “Em toda parte sou olhado como um homem divino.” Aos efésios do templo de Diana: “Conservastes todos os ritos dos sacrifícios. Como banqueteadores e convivas alegres. os mercadores de escravos.” Outra a Críton: “Disse Pitágoras que a medicina é a mais divina das artes. é necessário que o médico se ocupe da alma ao mesmo tempo que do corpo. mas a linguagem não tinha força ordinária. ele não terá dificuldade em aceitar. tanto quanto possível. Que fazer. porque todos têm.

Seria impiedade apresentá-lo como um rival do Cristo! Mas. Apolônio sustentou a imortalidade da alma e ensinou que é certo aquilo que se diz a respeito. como se num acesso de demência: estava meio adormecido e banhado de suor. semelhante a um corredor veloz que transpõe a barreira. mensageiros trouxeram a boa nova e testemunharam em favor da ciência de Apolônio. Desejavam vivamente que ele tivesse dito a verdade. porém. Dizia ele: “Eis que há dez meses rogo a Apolônio me revele a verdade sobre a imortalidade da alma. mas o fato em toda a sua realidade. tão obscuros quanto ele.” Os efésios pensaram que Apolônio houvesse perdido o juízo. efésios. e seus apóstolos. Enfim. Isto faz pular de alegria o duplo desses homens e o quádruplo e o povo inteiro. pois. o sacrifício que deveis oferecer aos deuses por esta ocasião. “Eu te acredito”.” – parece que veio só para mim: quer ensinar-me aquilo que me recusa a crer. como um homem que buscasse ver o desfecho de um acontecimento duvidoso. ver-se-á que condena as formas supersticiosas e lhes dá terrível golpe. disse Apolônio. é a revolução produzida no mundo inteiro pela doutrina que ele. “Não me admiro”. por que tentar penetrar esses mistérios? (.. a maior parte de suas discussões era em torno de sua alma. Apolônio parou. exclamou: “Tende bom ânimo. enquanto que a de Apolônio morreu com ele. não me apareceu.. Escutai. como se vê. e isto é uma felicidade que preferíamos a todos os bens da Terra. Quanto a mim. escuta a nossa discussão e recita melodiosos cantos sobre a alma”. pregaram. De repente pulou. substituindo-as por idéias mais sãs.. quando me interrompi. em breve.) Que é que faltava a Apolônio para ser um Cristo? Muito pouco. Enquanto entre os vivos. Mas eis que o saberá. mas ele está tão morto que minhas preces são vãs.imagem do fato num espelho. não é vossa. a notícia se espalha e milhares de cidadãos acreditam.) Assim termina Filostrato a descrição de sua vida: “Mesmo depois de desaparecido. mas da Providência. Os efésios – pois Éfeso em peso ouvia o discurso de Apolônio – foram tomados de espanto. Não é agradável a Deus que estabeleçamos um paralelo entre ele e o Cristo. como este teria pago com vida aquilo que teriam chamado sua impiedade. Se tivesse falado ao tempo de Sócrates. Os efésios ficam incrédulos. Respondeu ele: “Vocês não vêem o sábio Apolônio? Está em nosso meio. se prestarmos atenção a respeito do que disse sobre o culto pagão. Havia então em Tiana um certo número de jovens entusiastas de sua filosofia. Os camaradas perguntaram-lhe o que tinha. Mas na época em que viveu as crenças . tomada de desprezo pela rude e triste escravidão que sofreu. escutai os cantos divinos que me faz ouvir: “A alma é imortal. Quando o corpo está esgotado. “pois não o vemos. a alma se atira e se precipita nos espaços etéreos.” (.” A notícia chegará aqui[4]. vou lhes render graças pelo que vi”. nem mesmo para provar que é imortal.. Um deles não podia admitir que fosse imortal. podeis adiar até que souberdes do fato. hoje? Por Minerva! Acaba de ser morto agora mesmo. O tirano foi morto hoje. O que prova a incontestável superioridade deste é a divindade de sua missão. Que digo. – “Onde está ele?” perguntaram os outros. todos os detalhes eram perfeitamente conforme aos que os deuses tinham mostrado no dia do discurso aos efésios. “que ainda não me acreditem: a própria Roma inteira ainda não o sabe. mas que temiam que algum perigo adviesse de tal discurso. Mas que vos importam essas coisas! Conhecê-las-ei quando não mais viverdes. obscuro. gritou ele.” Cinco dias depois falou do mesmo assunto com os companheiros e adormeceu no mesmo local da discussão.

Editora Nova Cultural. pois. 10. Podia ser escutado pelos pagãos e não o foi pelos judeus. na filosofia.” – Leonardo Da Vinci Sob a influência da civilização greco-romana o Homem atingiu um grau mediano de verticalização do seu corpo espiritual. e “ Eurípedes Barsanulfo. certos. Segundo depoimento de vários alunos do Colégio Allan Kardec. Cena da Inquisição e Jan Huss “Oxalá. [4] Fenômenos semelhantes foram registrados em Sacramento. Record. talvez tivesse sido esta a sua missão. de Corina Novelino (IDE). podemos afirmar que demos uma grande passo na longa conquista de virtudes rumo ao nosso Reino Interior.Os Pensadores. Mas a herança biológica e o comportamento teológico ainda falavam alto na sua natureza íntima .vol. de Jorge Rizzini (Correio Fraterno).. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 12:11 PM O Homem Metafísico da Renascença Bruno. Ver os livros “Eurípedes. nas ciências.Eurípedes também se deslocava em “bi-corporeidade” para fazer atendimentos médicos e até partos em locais distantes da cidade. outubro de 1862. [3] “Sócrates”. ANO V . “ Nossa Herança Clássica”. O Apóstolo da Caridade”. com oito meses de antecedência. às quais serviu de transição.” (Allan Kardec– Revista Espírita. dizendo que ele serviu de traço de união entre o paganismo e o cristianismo. capítulo VII. Eurípedes relatou. Isso se deu através das mais sublimes experiências do conhecimento racional.fosse capaz de revelar a natureza do Homem como descrevo a sua figura. Enquanto dava aulas. os detalhes da assinatura do Tratado de Versalhes. para receberem com menos dificuldade as idéias cristãs. uma graduação que poderíamos classificar. provavelmente um contemporâneo de Jesus. nas artes e na organização política dos helenos.o Homem e a Missão”.. de 45 graus da sua consciência potencial. [2] Will Durant. Minas Gerais quando o professor Eurípedes Barsanulfo entrava em transe mediúnico em plena sala de aula. Entre a recuada época de Sócrates e o tempo de Apolônio de Tiana.. Sob tal aspecto.Edicel) [1] Will Durant: “Nossa Herança Clássica”. grosso modo. em cujo meio viveu.pagãs já haviam feito época e ele foi ouvido. Julgamo-nos. em outubro de 1918. em 1919. Por sua moral preparou os pagãos.

Agora a sociedade ocidental ficaria longos séculos sob a tutela da Igreja Católica. Quem não se lembra da semelhança entre os deuses gregos e os seus similares na mitologia romana? Quem não compara as tricas forenses de Demóstenes e Ésquines com acusações públicas entre Cícero e Catilina? É claro que a civilização romana optou pelo pragmatismo e por uma supremacia mais forte do Estado sobre o indivíduo. mas Roma também deu ao mundo personagens com Sêneca. a guerra e o imperialismo. visando a preservação da família romana. Ovídio. o ideólogo principal da Igreja Católica Apostólica Romana. mas como objetos de autenticação do novo instituto do sacerdócio oficial. Seus estadistas são até hoje os melhores modelos de exemplar integridade e eficiência ou então de vergonhosa corrupção e incompetência no trato com a “coisa pública”. Nessa civilização o Homem conheceu o seu ponto alto. o primeiro papa de uma igreja que ele nunca conheceu quando vivo. O choque do sistema escravista romano com o humanismo cristão teve o resultado que todos nós conhecemos: o lento declínio da civilização e o recuo inevitável à vida feudal. o senado romano apressou-se a pesquisar como os gregos tinham solucionado o problema no tempo dos famosos legisladores atenienses. os fundadores de Roma são descendentes de Enéas. Pedro. O espírito cooperativo do genos e do pather familias também teve seus dias gloriosos na simplicidade da vida rural romana. que saiu de Tróia para refazer a vida na península que os gregos chamavam de Magna Grécia. Roma caiu. tornou-se São Pedro. na Itália. mas também a sua mais curiosa expressão de decadência. Roma tornou-se uma poderosa máquina de guerra e de escravidão. do carisma cristão com o espetáculo estético das cerimônias romanas. na medida em que cultivava o modelo cultural grego. Horácio. Como disse um dos evangelistas. A Roma cristã transfigurou-se numa instituição religiosa totalitária e dogmática. Aristóteles ou Platão. Roma não dava um passo sem antes consultar a sabedoria e a tradição gregas. mas. O orgulho romano era o reflexo mais autêntico da préadolescência da Humanidade e tal característica manifestou-se na violência insensata contra Jesus e os mártires cristãos. Segundo a lenda. a ponto de comprometer a ordem estabelecida com tanto esforço nos séculos anteriores. algo tão inteligente e avançado. mas perdeu a própria alma caminhando inevitavelmente para a decadência. Roma não poderia suportar uma ideologia vinda das camadas baixas da população. As cartas de Paulo para as comunidades cristãs passaram a ser vistas. cuja simplicidade de conceitos e coragem dos mártires conquistaram as massas desorientadas logo sofreu o golpe da cooptação institucional. Roma conquistou o mundo. Foi assim que a figura humilde do apóstolo Pedro foi transformada na arrogante imagem do Pontifex Máximus. mas a sua religião e seu corpo clerical permaneceram quase que intactos. cujo comportamento pacífico e diferenciado era visto como uma afronta aos seus valores agressivos e impiedosos. Mas cristianismo primitivo. Quando a plebe iniciou suas revoltas em busca de direitos sociais. A experiência política sacerdotal romana apropriou-se da filosofia de Jesus e das idéias eclesiásticas dos seus primeiros seguidores para estruturar um novo modelo de clero e de religião. A idéia era a fusão. cuja função era substituir o antigo Estado no controle social e domar as . depois de morto. numa estrutura de dogmas. Isso inibiu ali o surgimento de talentos raros como Sócrates.Tácito.e os próprios gregos deram início aos abusos e limites dessa razão cujo ápice seria expressada na civilização romana. O toque final desse perverso sincretismo[1] seria dado pelos costumes e rituais das tribos bárbaras que iam sendo convertidas ao novo sistema de crenças. não como fonte de ensinamentos. Paulo também foi transformado em São Paulo. Os melhores preceptores dos filhos da aristocracia patrícia eram os pedagogos escravos helenos. Um dos lances mais interessantes da sua queda seria o choque com o advento do Cristianismo. a parte oriental da Itália. Virgílio. a organização política fez um percurso bem mais rápido e inquieto: da monarquia para o Estado republicano e deste para o Império. Quintiliano e Tito Lívio.

assume agora ares de entidade de grande importância.canta como Homero. Leonardo da Vinci busca decifrar os enigmas da perfeição humana. Jan Huss e Giordano Bruno perdem suas existências. agora transformado e mais experiente. Os duzentos anos em que se empreenderam as Cruzadas foi o ponto de apoio para o surgimento de uma nova mentalidade que iria quebrar o isolamento da Europa. Shakspeare desvenda o psiquismo nos conflitos dos seus célebres personagens consigo mesmos. As inteligências brilhantes desapareceram por um longo período de cativeiro rural e cederam espaço para as mentes mais perversas e medíocres. Mesmo assim. na chamada Idade Média. daria ao mundo ocidental um novo tipo humano. cujos protótipos encontramos mais tarde em figuras geniais da Ranascença. como as do Homem Biológico e do Homem Teológico. Guttemberg e Aldo Manúzio enchem os olhos humanos de cultura e conhecimento com suas . uma dos mais empolgantes momentos da trajetória humana. A inteligência integral está acuada. pensar poderia ser fatal. contaminadas pelas heresias e pela infidelidade. As lembranças mais significativas do Homem Lógico-racional foram depositadas nos livros e estes se tornaram segredos guardados a setes chaves nos mosteiros medievais. o mundo ocidental estava isolado por dois inimigos bem definidos: um inimigo externo. e um inimigo interno. projetado nas ameaças políticas e ideológicas das civilizações bizantina e muçulmana. Michelângelo. É o Homem Metafísico. mas salvam suas vidas em nome da liberdade de consciência. protegidas por um grande sistema político-sacerdotal. pela peste. Se a Itália havia sido cenário da morte da Razão ela também seria o palco da volta à carne e do ressurgimento de um novo ser. O Homem Lógico-racional não existe mais e dele só restaram lembranças e algumas experiências que foram incorporadas na prática social. projetado na figura mitológica de Satã.a quem Erasmo de Roterdã deu a honra de aprender português para ler seus texto no original . liberto dos dogmas e dos pesadelos da razão. El Grecco e Caravaggio deixam-se levar pela intuição e pintam as mais belas expressões da nossa imagem e semelhança com Deus. havia riscos gravíssimos para a integridade física e psicológica. pois era vista como a responsável pela situação de castigos e punições que Deus havia estabelecido na Terra. Mas as crises também são impiedosas e não toleram a rotina do tempo e a mesmice do comportamento humano. Satã passa a ter um papel de grande destaque no enredo histórico das misérias humanas. trazendo consigo o acréscimo das marcas do universo mágico pré-histórico e o misticismo teológico das primeiras civilizações. A Inquisição e o Tribunal do Santo Ofício foram criados nos moldes totalitários romanos exatamente para funcionar como anticorpos políticos desse universo obscuro. Luís de Camões . Ele será a figura central do episódio do Pecado Original e este a base de toda a estrutura de manipulação e escravização da consciência humana. O Demônio. Rafael de Sânzio. De simples figurante no cenário da mitologia celeste. antes uma mera faceta neutra da personalidade humana. comandado pela cultura pragmática dos judeus e logo assimilada pelo desejo de prosperidade da pequena burguesia. quando conveniente. que assumia todas as culpas das desgraças naturais e conseqüências nefastas dos atos humanos. pelas guerras e também pela força expansionista do capitalismo nascente. Para as pessoas de talento e imaginação fértil não há outra alternativa senão ingressar nas lides do sacerdócio para fugir da marginalização. esses conhecimentos eram criminosamente adulterados pelos copistas engajados na nova ordem teocêntrica. O comércio. Viver nesse momento histórico era perigoso. o renascimento e ao mesmo tempo a ressurreição do Homem Racional. Este é o ser típico da longa transição do feudalismo para o capitalismo. a inquietação dos luzitanos em diminuir as distâncias geográficas do planeta. tanto no imaginário popular quanto na teologia da classe sacerdotal. O feudalismo foi sendo corroído pela fome. causadas pelas idéias pecaminosas. Apenas algumas mentes privilegiadas tinham acesso a essas preciosidades e. Nessa época.feras bárbaras que buscavam refúgio nas terras mais prósperas do Ocidente. A razão estava sob vigilância policial constante.

e o sensorium commune serve à alma como o capitão ao seu senhor. Todos eles e muitos outros. como este: “O homem foi chamado pelos antigos de um mundo menor. a perspectiva racional foi enriquecida pela visão metafísica e pela possibilidade de acesso. e o músculo ao nervo. quanto nos ensaios registrados em manuscritos. a articulação dos ossos obedece ao tendão. ainda que restrito. bem como e seu fascínio tecnológico e estético pela nossa máquina física. Muitos pagaram esse preço com a própria existência. Dentre todos. e o tendão ao músculo. causariam profundas mudanças no meio em que viveram. aos mistérios do mundo oculto. Assim. Através de ousadas incursões teóricas feitas por esses gênios da Renascença. esse corpo da Terra é o mesmo. e de fato o termo é corretamente aplicado. a grandeza e a perfeição do Cosmos. como se devessem testemunhar a imortalidade que traziam estampada em suas obras. deslumbrados. também o corpo da terra tem o seu oceano. aquele que buscava a verdade sob os mais diversos aspectos e caminhava em mão dupla: aquilo que não podia compreender através da pesquisa transformava-se em expressão artística e vice-versa. Eles eram os seres de transição do Homem Metafísico da Idade Moderna para o Homem Positivo da Era Contemporânea. Galileu. podem ser admirados tanto nos quadros. com seus músculos. Foi desse momento emblemático da História humana que mais tarde sairiam os mais importantes conceitos de ética e liberdade delineados pelos filósofos iluministas. O MONGE E O CIENTISTA .letras impressas em livros. e a faculdade de receber impressões serve como seu padrão de referência. Leonardo da Vinci foi talvez o mais inquieto. pela mente. Sua visão metafísica do ser humano. É claro que esse preço foi pago pela ousadia e pela inteligência de alguns poucos que possuíam. e o sensorium commune é a sede da alma. Miguel de Servet estuda ávidamente a máquina do corpo humano. cada qual no seu campo de conhecimento e de atuação social. a memória seu monitor. que também sobe e desce a cada seis horas com a respiração do mundo. Kepler . E como o homem tem dentro de si ossos como sustentáculo e estrutura para a carne. da mesma forma o oceano enche o corpo da Terra com um número infinito de veios d’água”. Isaac Newton observam. com o próprio sangue. Como da dita poça de sangue vêm as veias que espalham suas ramificações pelo corpo humano. ar e fogo. numa sociedade ainda obscura e profundamente desigual. além da matéria densa. no tocante ao problema do ensino e da aprendizagem. e como o homem tem dentro de si uma poça de sangue com a qual os pulmões quando ele respira se expandem e contraem. as características do mundo do futuro. também o mundo tem a s rochas que são os sustentáculos da Terra. vendo-se que o homem é composto de terra . e o nervo ao sensorium commune. avançando mais alguns graus na verticalização da consciência. Em outro trecho Leonardo já revela sua inequívoca intuição sobre o papel do cérebro e sua função de instrumento de comando. de todas as atividades orgânicas: “Os tendões. água. por conseguinte. servem aos nervos como os soldados servem aos seus chefes. Comênius preocupa-se com os mistérios que rondam o universo da infância. e os nervos servem ao sensorium commune[2] como os chefes a seus capitães.

Mocenigo explicou que agira “compelido por sua consciência e por ordem do seu confessor”.. Mocenigo perguntou a seu confessor se devia denunciar Bruno à Inquisição... na qual Deus vive e reina por todos os séculos. Assim . Em 1576.. o jovem monge perturbava seus superiores com objeções. a fim de que possais alcançar esse fim e essa dignidade que não se conseguem pelo saber nem pelo esforço. durante algum tempo. por essa conduta. apressou Bruno a deixar Frankfurt e. depois da ordenação.. Quem haveria de engrandecer a Deus e repensar a divindade em termos dignos daquelas inúmeras e imperturbáveis galáxias? Giordano Bruno tentou. Desvencilhou-se de seu hábito monástico. confessou mais tarde que nem toda a neve do Cáucaso poderia extinguir sua excitação. a Encarnação e a Transubstanciação.. O progresso do discípulo era lento.. que renegar a Trindade. melhor espelho para colocar diante dos olhos humanos que a estupidez ou o asno. perguntas e teorias. avareza e . Recebeu a ordenação sacerdotal em 1572. e este se indagava se seu professor lhe estava ocultando algum conhecimento mágico-esotérico. e há alguma ligação sutil entre o despertar do desejo e o despertar da inteligência. Além disso. nada é mais eficaz para tragar-nos no abismo do Tártaro (inferno) do que as especulações racionais ou filosóficas que . Batizado com o nome de Felipo. para irdes do bom para o melhor. a macularem a Terra com a sua hipocrisia. Mocenigo notificou os inquisidores e. Procurai. embora gostasse mais do catolicismo. atravessando os Alpes. Informou os inquisidores de que Bruno era contrário a todas as religiões. adotou novamente o nome de batismo e procurou segurança e quietude como professor de uma escola para rapazes em Noli.. eu digo.“Copérnico ampliara o mundo.) A Inquisição havia muito declarara Bruno um fora-da-lei que deveria ser preso na primeira oportunidade. perto de Gênova. ao 17 anos. amadurecem no intelecto humano desenvolvido. então uma perambulação de 16 anos. procurai. o sacerdote aconselhou-o a esperar até haver arrancado de seu professor pormenores mais preciosos. entremente assustava-se com as heresias que o loquaz e incauto filósofo lhe expunha. Iniciou. não há. Mocenigo obedeceu ao conselho. durante as quais seu corpo irrequieto como que acompanhava as vacilações de seu espírito: “Não há. mas Veneza gozava a fama de proteger tais foragidos e desafiar os inquisidores. ingressou no mosteiro dos dominicanos. obtereis a graça na Igreja militante e a glória na igreja triunfante... Amém. subitamente. 25 quilômetros a leste de Nápoles. Como poderia haver três pessoas em um só Deus? Como poderia um padre. todos vós que sois homens. pois. ou que demonstre mais claramente o dever do homem que. mudou-o para Giordano quando. vós vos virdes escritos no livro da vida. (.. Se. ocultou-se em Roma. mas as dúvidas continuaram a agitá-lo secretamente.” (.. e vós que já sois. dirigiu-se para a Itália. fugiu do mosteiro e. que acusara Cristo e os Apóstolos de terem ludibriado o povo com supostos milagres. porém pela descrença.procura a recompensa do juízo final. em Veneza. por maiores que sejam. no outono de 1591. que dissera que todos os padres eram asnos. o sexo fervia-lhe no sangue. Por outro lado. Mocenigo deu-lhe aposentos e recebeu dele lições de mnemônica. ser asnos. nascidas da razão. após servir 11 anos como monge. mas quando Bruno anunciou sua intenção de regressar a Frankfurt. estudai. em 23 de maio de 1592. foi formalmente censurado por seus superiores. por um processo qualquer transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus Cristo? Duas vezes. Bruno viu-se encarcerado na prisão do Santo Ofício.) Inevitavelmente. Nasceu em Nola..

então residente em Roma. que a religião deveria ser substituída pela filosofia. que pronunciais a minha sentença. na presença de uma multidão moralista. a língua presa. este declarou aos seus juízes: “Talvez vós. quando vi. Bruno.Começa a Idade da Razão. quando o veredicto foi lido a Bruno. a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate. que a estou recebendo”. com sete cabeças e dez chifres (. ainda impenitente. Estava com 52 anos. Transportou-me o anjo. e. foi que se embebedaram os que habitam na terra. em espírito. Passou-se um ano até que Bruno foi levado perante o tribunal romano. Objetiva. uma estátua. No dia 19 de fevereiro ( de 1600). e.” [2] Expressão criada por Leonardo para definir o local exato onde se encontravam todos os sentidos. 2001. embora não houvesse ainda atingido o número das mulheres de Salomão”.má vida. Rio de Janeiro.. Bruno foi transferido imediatamente para uma prisão celular. Editora Record [1] Diversos pensadores espiritualistas identificam esse momento histórico no capítulo 17 do Apocalipse: “Vejo um dos sete anjos que têm sete taças e falou comigo. Erigiu-se-lhe. Will Durant. estejais mais atemorizados do eu. satisfizera suas paixões em todas as oportunidades que tivera.) Então eu via mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. contara-lhe Bruno acrescentou – que “as damas lhe agradaram bastante. besta repleta de nomes de blasfêmia. Citado por Sherwin B. foi amarrado a uma estaca de ferra sobre uma pira na Piazza Campo de Fiore e queimado vivo. por meio de uma subscrição proveniente de todas as partes do mundo. com quem se prostituíram muitos reis da terra. o corpo nu. Segundo Caspar Scioppius. dizendo:Vem. admirei-me com grande espanto. mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas. antes e depois dos interrogatórios.. Nuland em “Leonardo da Vinci”. que a indulgência para com os “prazeres carnais” não era pecado e que ele. Fazia parte do procedimento da Inquisição deixar o prisioneiro meditar na prisão durante longos períodos. no mesmo local. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 11:43 AM O Homem Positivo da Era Científica . em 1889. um erudito alemão recém-convertido ao catolicismo e. em dezembro de 1593. com o vinho da sua devassidão.

” – Allan Kardec A velocidade dos tempos modernos e a competição capitalista trouxeram de volta o individualismo greco-romano. Estava em jogo . Dessas duas rupturas que destruíram o Antigo Regime (as monarquias absolutas. eles surgem dos laboratórios e dos gabinetes dispostos a varrer os escombros da demolição iniciada por Voltaire e os subversivos da ilustração. a injusta e desequilibrada sociedade dos três estamentos: o clero. Os iluministas ainda possuíam fortes traços metafísicos e viviam em permanente estado de conflito entre a Utopia e a Razão. o mercantilismo e o sistema colonial) surge o novo tipo humano. Como a França era a mais influente vitrine do absolutismo. A França e a Inglaterra serão os dois principais modelos de Estados Modernos. A Igreja reage e retrocede ainda mais no dogmatismo dizendo que o Papa é o único representante da Divindade e que. geralmente deslumbrado com a grandeza do universo. a salvação da alma. o motor econômico impulsionador da sociedade burguesa e responsável pela consolidação do capitalismo. A burguesia venceu sua batalha racional e dela nasceria o Homem Positivo. que pretendem inverter à força essa perversa relação social. cultos e racionalizados ao extremo. . Niestzche vai além e diz que Deus está morto. Marx demonstra que a História é um jogo dialético de classes sociais dominantes e dominadas.“Toda efeito tem uma causa. a Revolução Industrial. um ser em fuga. Está instalada a confusão entre a fé e a razão. fecham a Bíblia nas páginas iniciais da Gênese Mosaica e afirmam que Adão nunca existiu e que somos produtos de uma evolução seletiva da qual Deus foi apenas um espectador. Tudo estava a favor da devastação revolucionária: povo faminto e insatisfeito. tanto no seu sentido crítico como no seu aspecto prático. idéias muito explosivas. os estamentos sociais. As diferenças não estavam apenas nas anomalias dos privilégios sociais. empunhando a marreta da pesquisa científica e da lógica de causa e efeito. armas acessíveis e. o trabalho e a prosperidade seriam fortes indícios de que Deus estaria escolhendo os seus eleitos modernos. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. o demolidor de tradições místico-religiosas. É uma inimizade antiga na qual o clero. Segundo a mais antiga tradição dos cristãos protestantes. por exercer o status de estamento superior. havia acumulado vantagens e ódios massacrando inúmeras inteligências independentes. Após os anos explosivos da Bastilha e da expansão napoleônica surge um século bastante diferente dos anteriores e muito marcante para as décadas futuras: o século 19 foi o século perigoso. Não foi coincidência que dessas duas civilizações tenham brotado os dois mais significativos eventos da modernidade. Primeiro. Como personagens do Apocalipse. do materialismo. O segundo evento foi a Revolução Francesa. cujo papel era trazer de volta ao chão os pés do Homem Metafísico. Os monarcas absolutistas governavam sentados sobre um barril de pólvora que poderia explodir a qualquer instante: No século XVIII cerca de 98% da população francesa vivia submetida aos caprichos de uma minoria de 2%. o século da Ciência. mas claramente nos dados numéricos da população. da sede de lucros e do reconhecimento social de uma classe que há muito vinha sendo desprezada pela nobreza. Desde a Renascença seus filósofos vieram conspirando silenciosamente contra os resquícios do universo feudo-clerical. Os pragmáticos inventores e suas máquinas geniais surgiram da necessidade de maior produção. a nobreza e o “resto” (burguesia e povo). entre o sonho aristocrático a dura realidade capitalista burguesa. portanto. protótipos positivos. Darwin e Spencer. inclusive. do desencanto e do absinto. sobretudo. ou seja. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito. os efeitos da revolução seriam catastróficos em toda Europa. bem como no mundo colonial. o movimento político da burguesia contra o autoritarismo do Antigo Regime. Os socialistas utópicos são substituídos pelos científicos. é um ser infalível e acima dos homens comuns.

sem envolvimento emocional. Uma invasão organizada de inteligências invisíveis lançariam no cenário dessa guerra um fato novo. cujas explicações continuavam obscuras. Rosma pode ser tomado como um exemplo do fenômeno da transcendência humana. ficaram estupefatas com os fatos ocorridos inicialmente na residência dos Fox. Sua Igreja Positivista era a síntese patética dessa fusão horrorosa entre o ceticismo e crença vazia das tradições dogmáticas. a guerra de idéias entre a fé a razão prosseguia indiferente aos acontecimentos. mas o médium. Espíritos de “defuntos” estavam fazendo denúncias de crimes. numa família metodista. o indivíduo humano que se tornou capaz de servir de intermediário entre seres . Rosma. Tudo tinha uma razão de ser e merecia uma explicação científica. A diferença era apenas no colorido das paixões. O filósofo J. do seu passado. Entre 1815 e 1850. tanto as mentes viciadas nas supertições e misticismos quanto aquelas protegidas pelo ceticismo. Daí a necessidade da postura rígida. fria. e dar indicações de sua passagem ocasional pela residência em que foi morto. Essa polarização da arrogância clerical e do orgulho dos filósofos e cientistas materialistas era a razão de ser do Homem Positivo. do Paráclito. morto e emparedado num porão da casa para onde os Fox haviam se mudado. Sir Arthur Conan Doyle na sua “History of Spiritualism” relata que. Não encontramos mais em Hydesville. mas caiu na própria armadilha que armara para iludir religiosos falsos e falsos cientistas. nacionalismo e reação conservadora. Sua vida era uma investigação contínua. nem o oráculo ou o pagé. Antes a ciência e o seu objeto de investigação se confundiam e acabavam confundindo o observador dos fenômenos. que serão encontrados mais tarde. do Espírito da Verdade. ao comunicar-se em Hydesville. Por que só então o espírito humano amadureceu o suficiente. através da mediunidade das irmãs Fox. bem como das condições dessa morte e dos indícios existentes no subsolo. o profeta bíblico. como o assassinato de Charles B. Agora ela se separa do objeto e o pesquisador tenta estar o mais neutro possível. Auguste Comte tentou sobreviver a esse caos ideológico. Rosma pode falar do seu estado. sem possibilidade de equilíbrio: dogmas de fé versus dogmas de ciência. As questões sagradas e sobrenaturais do universo transcendente devem ser filtradas e trazidas para a esfera banal e natural da realidade do mundo imanente. ou seja. Nas primeiras décadas do século XIX as batalhas entre a fé a e razão serão de provocações inconseqüentes. um paradoxo insofismável. do Congresso de Viena até ao início da segunda metade do século. Os eventos de Hydesville dariam um novo rumo a esse acontecimento. que assinala o aparecimento da mediunidade positiva. O que é o sobrenatural? O que significam o oculto e o esotérico? Eram meras hipóteses e estas precisavam ser submetidas ao teste positivo da ciência.Mas a razão preparou um revide à altura desses abusos e deseja que a agonia da religião seja levada ao extremo da asfixia. porém. Herculano Pires [1] interpreta esse período histórico como uma revolução no relacionamento e entre a espécie humana e a natureza: “Somente na era moderna. mas ao que tudo indica elas serão mais agressivas e contundentes na medida que o tempo avança para o futuro incerto. Antes que explodissem os conflitos de 1848 e que se estenderiam até duas grandes guerras mundiais do século seguinte. possa se cumprir. no terreno político internacional. Eram posturas extremistas. Mas no terreno ideológico havia uma efervescência constante nas disputas entre o socialismo e liberalismo. essa compreensão irá se tornar efetiva. cética. Assim aceito. uma família cujo chefe era um tranqüilo praticante metodista. É por isso que o espírito de Charles Rosma. predominou uma relativa calmaria em relação aos tumultuados anos anteriores. mas como o espírito de um homem. porém as elites continuam atentas. não é mais tomado como demônio ou deus. incessante. para que a promessa do Consolador. As massas estão confusas. calculista.

no geral. antes envolvida pela febre do magnetismo. De mascate. Os espíritos são consciências inteligentes cujo comportamento procurava demonstrar sua sobrevivência após a morte do corpo. Já não estamos mais no plano místico e misterioso do mediunismo. travavam diálogo aberto e reflexivo com aquilo que consideravam seus gênios protetores. mas continua humano no plano espiritual. As batidas nas mesas funcionavam como telegramas vindos do Além. passa a espírito. Desde o século XV havia um impasse a ser solucionado e a equação do problema estava centralizado num debate entre a afirmação e a negação da mente. a discussão entre céticos e místicos tornara-se totalmente inútil e roubava a cena para outra discussões mais imediatas: o que são e quem são esses espíritos? Como e onde eles vivem? Quais as leis que regulam suas manifestações? Porque eles se manifestam agora com tanta intensidade? Os Homens Positivos estavam acuados: ou mentiam para si mesmos e negavam que tudo aquilo não existia ou então cairiam em si e direcionavam toda sua bagagem científica para explicar tais fenômenos. afinal o Conde Cagliostro havia sido a última vítima desses abusos em conluio com os Estados absolutistas.” Anos antes. . transcende sua condição material humana. numa comunidade protestante da Costa Leste. como se comportariam os Homens Positivos da Ciência materialista? O Homem Racional greco-romano havia atingido 45 graus na escala da consciência e os seus sucessores Metafísicos da Renascença e do Iluminismo talvez tenham avançado alguns pontos. na qual comunicavam-se por meios de raps em mesas girantes. Em Paris. profetizando o destino trágicos dos convidados. almas de índios pele-vermelha tomavam de assalto os corpos de mulheres e meninas shakers. finalmente. O cérebro reinava com todo o aparato acadêmico da poderosa Biologia darwiniana enquanto a mente permanecia estática no terreno da utopia e da ficção. como os antigos oráculos. Rosma.espirituais e carnais. mas esse confronto com clero talvez tenha provocado um recuo aos 45 graus. racional. morto na casinha de Hydesville. O que estava acontecendo? O mundo estava virando e ficando de cabeça para baixo? Os tempos eram chegados? Como ficaria a luta entre a fé a razão se a essência desse novo paradigma era um misto dessas duas coisas aparentemente antagônicas? Como reagiriam os remanescentes do Homem Metafísico? E os Homens Teológicos do mundo clerical? E . Eles falavam com os Espíritos e estes tinham uma antiga fama de saber o passado e o futuro com a mesma habilidade. o mascate. Gente famosa como a escritora George Sand e o grande Victor Hugo participavam dessas reuniões sem o mínimo constrangimento e delas tiravam proveito diferenciado. desenhar e refletir sobre organismo mental humano. iniciada nesses mistérios. para fazer profecias sobre essa invasão de seres invisíveis no mundo inteiro. os fenômenos iniciados nos Estados Unidos em 1848 e espalhados pelo mundo levantavam um outro problema que deslocava as discussões sobre esse assunto para um outro nível de investigação e debates. Portanto. e como espírito se comunica. Na Europa eles começaram atirando pedras em transeuntes nas ruas e depois passaram a imitar as reuniões das meninas Fox. Aquilo que o célebre Jacques Cazotte fazia nos círculos festivos da aristocracia. agora era feito por qualquer grupo de pessoas sentadas em torno de mesa. ambos da mesma natureza. Quem se arriscaria? E o prestígio acadêmico? E a perseguição clerical? Quem estava disposto a correr esses riscos? É claro que a Igreja já não era mais a mesma que não haveria uma fogueira inquisitorial a queimar o corpo. Nem Bérgson nem Freud haviam entrado em cena para definir. da mediunidade positiva. O desenvolvimento das ciências já deveria ter acelerado esse processo de auto-consciência. o assunto virou coqueluche e alvo da futilidade das reuniões sociais. com a ajuda de Madame de Girardin. No entanto. Mas. graças à mediunidade das meninas Fox. havia acontecido uma estagnação. mas no plano científico.

Estava na posição dos incrédulos de nossos dias. Alexander Aksakof. Um dia encontrei-me com o Sr. Cesare Lombrozo. Este raciocínio é lógico.Mas o clero ainda mantinha grande influência sobre as instituições culturais que davam empregos a maioria dos pesquisadores. Todos eles já haviam superado a marca dos 45 graus e queriam avançar muito além dos seus limites pessoais. O fluido magnético. que é uma espécie de eletricidade. assunto este que levava tão a sério. quando a magnetizam. mas fazem-na falar. . que podemos fazer girar e andar à vontade. Interrogam-na e ele responde. Queriam amadurecer o fruto de um conhecimento que perseguiam há séculos e que só agora estavam compreendendo a sua devida importância. Nas suas “Obras Póstumas” ele relata como foi a sua iniciação ao “Espiritismo”. do que a própria profissão que havia escolhido para ganhar a vida. pode muito bem atuar sobre os corpos inertes e fazê-los mover-se”. Não estavam mais satisfeitos com suas características positivas e buscavam uma nova pedra filosofal que se delineava nos seus projetos íntimos para o futuro. Puissegur. Até lá. só para citar os mais celebrados. Pouco tempo depois. Disse-me ele: “Sabe o senhor da singular propriedade que acabam de descobrir no magnetismo? Parece que não são unicamente os indivíduos que se magnetizam. A lista começava por conhecidos magnetizadores como Anton Mesmer.H. não há dúvida”. que negam porque apenas presenciam um fato que não compreendem. nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Os relatos publicados pelos jornais sobre as experiências feitas em Nantes. parecia-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa puramente material. não é um fato que não me parece radicalmente impossível. e percorria uma grande constelação de gênios acadêmicos: Willian Crookes. Muito antes que a grande maioria desses nomes citados se interessasse pelos estranhos fenômenos dos raps e das “mesas-girantes” Rivail já demonstra ser neste assunto um expert. não podiam deixar dúvida quanto à realidade do fenômeno. um pedagogo francês nascido em Lyon e educado no instituto de Yverdon. esses nomes citados deram um importante passo em suas vidas porque perceberam que o que estava em jogo não eram suas reputações mas suas consciências. que me disse: “O fato é bem mais extraordinário. “Mas. ignorando a causa e a lei do fenômeno. e quando me provarem que a mesa tem cérebro para pensar. mas também as mesas. Fortier. palavra nova que ele criou especialmente para conceituar essa nova visão de mundo surgida a partir de fenômenos aparentemente sobrenaturais: “Foi em 1854 que ouvi falar pela primeira vez das mesas girantes. Sir Oliver Lodge. respondi-lhe. mas não recuaram diante dos fatos e das evidências que tinham pela frente. Denizard Rivail. como mais tarde outros o fizeram. em rigor. Fortier. Ernesto Bozzano. em Marselha e algumas outras cidades. Du Potet. ou mais. Rivail era mais que um pedagogo: dominava os mais influentes idiomas e as principais atividades científicas do seu tempo. permita-me que considere isso um conto para fazernos dormir em pé. na Suíça. Eu aceitava a possibilidade do movimento por uma força mecânica. Mas nenhum deles teve um amadurecimento tão rápido com o Professor L. retruquei eu. já é uma outra questão. Charles Richet. Não somente fazem girar a mesa. Enquanto algumas personalidades tidas como gênios das Ciências deram provas de imaturidade emocional e despreparo ideológico. Camille Flamarion. Só acreditarei vendo. custasse o que custasse.” – É extraordinário. Muitos deles não desenvolveram vínculos filosóficos com o Neo-espiritualismo e o Espiritismo. sob os cuidados de Jean-Henri Pestalozzi.” “Isto. mas. Alguns nomes tiveram essa ousadia de enfrentar o anátema clerical e deram provas públicas de amor incondicional à Verdade. tornei-me a encontrar-me com o Sr. magnetizador que eu conhecia desde longo tempo.

(...) No ano seguinte, no início de 1855, encontrei o Sr. Carlotti, meu amigo há 25 anos, que me falou desses fenômenos por cerca de uma hora com o entusiasmo que lhe despertavam todas as idéias novas. O Sr. Carlotti era corso, de natureza ardente e enérgica. Eu sempre havia apreciado nele as qualidades que distinguem uma grande e bela alma , mas desconfiava da sua exaltação. Foi o primeiro a falar-me da intervenção dos Espíritos e contou-me tantas coisas surpreendentes que, em vez de me convencer, aumentou minhas dúvidas. “Um dia serás um dos nossos”, disseme. Ao que respondi: “Não digo que não. Veremos mais tarde.”

Algum tempo depois, em maio de 1858, eu estava em casa da sonâbula Sra. Roger, com O Sr. Fortier, seu magnetizador. Ali encontrei o Sr. Pântier e a Sra Plainemaison, que me falaram sobre aqueles fenômenos a que se referia o Sr. Carlotti, mas em outro tom. O Sr. Pântier era um funcionário público de meia idade, homem muito instruído, sério, frio e calmo. Sua linguagem pausada, isenta de quaisquer entusiasmos, causou-me viva impressão e, quando me convidou para assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, à rua GrandeBatelière, nº 18, aceitei pressuroso. O encontro foi marcado para uma terça-feira, às 8 horas da noite.

Ali, pela primeira vez, fui testemunha do fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não era possível haver mais dúvidas. Presenciei igualmente alguns ensaios, bastante imperfeitos, da escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas idéias ainda não estavam definidas, mas ali estava um fato que devia ter uma causa. Entrevi, debaixo da aparente futilidade e da espécie de diversão que faziam com aqueles fenômenos, algo sério e como que a revelação de uma nova lei que prometi a mim mesmo investigar a fundo.

Dentro de pouco tempo surgiu-me a ocasião de observar mais atentamente do que houvera podido fazê-lo antes. Numa das reuniões da Sra Plainemaison conheci a família Baudin, que morava então à Rua Rochechouart. O Sr. Baudin convidou-me para assistir às sessões semanais que se realizavam em sua casa e às quais passei a ser, desde então, muito assíduo.

Estas reuniões eram muito freqüentadas; além dos assistentes habituais, admitiam sem dificuldades quem quer que o pedisse. Os dois médiuns eram as Srtas. Baudin, que escreviam numa ardósia com o auxílio da cesta, chamada pião, descrita no “Livro dos Médiuns”. Este método, que exige o concurso de duas pessoas, exclui qualquer possibilidade de participação das idéias do médium. Assim presenciei comunicações seguidas de respostas dadas a questões propostas, às vezes mesmo a perguntas feitas mentalmente, que faziam entrever, de modo evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.

Os assuntos tratados eram, geralmente, frívolos. Ocupavam-se principalmente de tudo o que se referia à vida material, ao futuro, em suma, a nada de verdadeiramente importante. A curiosidade e o entretenimento eram o principal móvel dos assistentes. O Espírito que habitualmente se manifestava dava o nome de Zéphir, que estava perfeitamente de acordo com seu caráter e o da reunião. Todavia, era muito bom, e declarara-se protetor da família. Se muitas vezes sabia fazer rir, dava, quando necessário, bons conselhos e fazia uso, oportunamente, do dito mordaz e espirituoso. Em pouco travamos relações, dando-me ele, constantemente provas de grande simpatia. Não era um Espírito muito adiantado, porém, mais tarde, assistido por Espíritos superiores, ajudou-me nas minhas primeiras obras. Depois disseme que ia reencarnar e nunca mais ouvi falar dele.

Foi ali que fiz meus primeiros estudos sérios sobre Espiritismo, mais pelas observações que pelas revelações. Apliquei à nova ciência, como sempre fizera, o método da experimentação. Jamais utilizei teorias preconcebidas; observava atentamente, comparava e deduzia as conseqüências. Através dos efeitos procurava chegar às causas pela dedução e o encadeamento lógico dos fatos, só admitindo uma conclusão como válida quando esta conseguia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que sempre procedi em meus trabalhos anteriores desde a idade de 24 a 26 anos. Compreendi, logo à primeira vista, importância da pesquisa que iria fazer. Vislumbrei naqueles fenômenos a chave do problema do passado e do futuro da Humanidade, tão confuso e tão controvertido, a solução daquilo que eu havia buscado toda a minha vida. Era, em suma, uma revolução total nas idéias e nas crenças existentes. Era preciso, pois, agir com circunspecção, não levianamente. Ser positivo, não idealista, para não me deixar levar por ilusões.”

A HISTÓRIA DE KATIE KING

“Trinta anos se passaram, desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que, fora dos nossos conhecimentos científicos, existe uma força posta em atividade, por uma inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa.” - Willian Crookes, membro da Sociedade Real de Londres, em relatório no Congresso da Associação Britânica, em 1898.

“Os fenômenos de materialização constituem as mais altas e irrefragáveis demonstrações da imortalidade. Surgir um ser defunto diante dos espectadores com uma forma corpórea, conversar, caminhar, escrever e desaparecer, quer instantaneamente, quer gradativamente, sob as vistas dos observadores, é decerto o mais empolgante e o mais singular dos espetáculos. Isso, para um incrédulo, ultrapassa os limites da verossimelhança e provas físicas irrefutáveis se fazem necessárias, para que o fenômeno não seja lançado à conta de alucinação”.

“Às 7 horas e 23 minutos da noite, o Sr. Crookes conduziu a Srta. Cook para o gabinete escuro, onde ela se deitou no chão, com a cabeça sobre um travesseiro. Às 7 horas e 28 minutos, Katie falou pela primeira vez e às 7 horas e 30 minutos mostrou-se fora da cortina e em toda a sua estatura. Estava vestida de branco de mangas curtas e o pescoço nu. Trazia soltos os seus longos cabelos castanhos –claros, de tom dourado, a lhe caírem em cachos dos dois lados da cabeça e pelas costas até à cintura. Também trazia um longo véu branco que apenas uma ou duas vezes abaixou sobre o rosto, durante a sessão.

O médium trajava um vestido de merinó azul-claro. Durante quase toda a sessão, Katie se conservou em pé diante dos assistentes. Corrida que fora a cortina do gabinete, todos viam distintamente o médium adormecido, com o rosto coberto por um xale vermelho, para preservá-lo da luz. Não deixara a posição que havia tomado desde o começo da sessão, que transcorreu a uma luz que espalhava viva claridade. Katie falou da sua próxima partida e aceitou um ramo de flores que o Sr. Tapp lhe trouxera, assim como um apanhado de lírios que o Sr. Crookes lhe ofereceu. Pediu ao Sr. Tapp que desmanchasse o ramo e colocasse diante dela as flores, no chão. Sentou-se, então, à moda turca e pediu que todos fizessem o mesmo, ao seu derredor. Distribuiu as flores, fazendo com algumas um raminho, que atou com uma fita azul.

Escreveu cartas de adeuses a alguns de seus amigos, pondo-lhes assinatura: Annie Owen Morgan, dizendo que fora este o seu verdadeiro nome na vida terrena. Escreveu também uma carta ao seu médium e escolheu um botão de rosa para lhe ser entregue como presente de despedida. Pegou de uma tesoura, cortou uma mecha de seus cabelos e ofereceu certa porção destes a cada um. Enfiou depois o braço no do Sr. Crookes e deu volta à sala apertando a mão de todos, um por um. Sentou-se de novo, cortou vários pedaços do seu vestido e do seu véu, presenteando com eles os assistentes. Como fossem visíveis os grandes buracos que lhe ficaram nas vestes e estando ela sentada entre o Sr. Crookes e o Sr. Tapp, alguém lhe perguntou se poderia reparar aqueles estragos, como já o fizera em outras ocasiões. Ela então expôs à luz a parte cortada, bateu em cima com uma das mãos e imediatamente aquela parte do vestido se tornou tão perfeita como era antes. Os que lhe estavam próximos examinaram e tocaram, com sua permissão, a fazenda e afirmam que não mais havia nem buraco, nem costura, nem a aposição de qualquer remendo onde um momento antes tinham visto rasgões do diâmetro de muitas polegadas.

Transmitiu a seguir suas últimas instruções ao Sr. Crookes e aos outros amigos sobre como deviam proceder com relação às manifestações ulteriores, que prometera, como o auxílio do seu médium. Essas instruções foram cuidadosamente anotadas e entregues ao Sr. Crookes. Parecendo então fatigada, Katie dizia com tristeza que precisava ir-se embora, que a sua força decaía. Reiterou muito afetuosamente seus adeuses a todos e todos lhe agradeceram as maravilhosas manifestações que lhes havia proporcionado.

Dirigindo a seus amigos um último olhar, grave e pensativo, desceu a cortina e tornou-se invisível. Ouviram-na despertar o médium, que lhe pediu, banhada em lágrimas, que se demorasse mais um pouco. Katie, porém, lhe respondeu: “Minha querida, não posso. Está cumprida a minha missão. Deus te abençoe!” E todos ouviram o som do seu beijo de despedida no médium. Logo depois, a Srta. Cook vinha ter com os presentes, inteiramente esgotada e profundamente consternada.

Vê-se assim quanto a moça, rebelde a princípio, se afeiçoara à sua amiga invisível. Katie dizia que dali em diante não mais poderia falar nem mostrar-se; que, realizando, por três anos, aquelas manifestações físicas, passara vida bem penosa, para expiar suas faltas; que decidira elevar-se a um grau mais alto da vida espiritual; que só a longos intervalos poderia corresponder-se por escrito como seu médium, mas que este poderia vê-la sempre, por meio da lucidez magnética.”

Gabriel Dellane. A Alma é Imortal.. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB Editora

[1] “ O Espírito e o tempo ”. Editora Pensamento.

Postado por Dalmo Duque dos Santos às 11:14 AM

O Homem Psicológico do 3º Milênio

Muitos deles. esses seres buscam imediatamente o refúgio na humildade e na humilhação. Trata-se de um controle obtido por esforços repetitivos. com a mesma simplicidade com que os mais antigos faziam. Não podiam mais resistir ao impulso da transformação que movimenta o mundo interior dos seres. para outros. que era vinha sendo tratada com muito rigor. que é “uma concessão da razão”. Ou submeter-me a ela. Porém. embora não demonstrassem. essa auto-admiração. Para fazer essas concessões é necessário ter muita coragem e disposição para vencer o mundo vencendo a si mesmo. O Narciso que traziam dentro de si há muito já agonizava e dava os últimos suspiros no esforço derradeiro de sobrevivência.A não-violência é o primeiro artigo de fé. e a humilhação é a resignação. não merecia o desprezo que normalmente damos aos nossos defeitos nem a bajulação que damos às nossas possíveis virtudes. Se a presa animal se paralisa bruscamente para frustrar o ataque do predador. basta uma. o ser humano atual pode trabalhar essa mudança de forma mais inteligente e prática. livre dos exageros do ascetismo hipócrita ou das metodologias complexas da auto-ajuda. Mesmo assim. Como bem explicou e exemplificou Santo Agostinho. Para eles esses são antídotos tão naturais e infalíveis como qualquer mecanismo de defesa adotado pelas formas vivas mais primitivas até as mais sofisticadas.” – Mohandas Gandhi. Humildade e humilhação não significam senão uma aparente anulação de si mesmo. ou incorrer no risco de que o furor do povo irrompesse ao ouvir a verdade de meus lábios. Na verdade todos esses seres experimentaram uma intensa luta interior entre o ego e a personalidade. Essas vitórias se dão através do amadurecimento gradual da consciência. já tratavam essa tendência pessoal de forma mais harmônica. isto porque os seus protótipos se destacaram pelo alto espírito de altruísmo e desprendimento dos interesses materiais. até que se transforme numa reação natural e não mais planejada. o ser humano brando e pacífico geralmente desarma o seu agressor adotando uma inesperada forma de reação ao gesto agressivo e contundente: o amor e o perdão. Ou submeter-me a um sistema que considero um mal irreparável para o meu país. Para uns são necessárias muitas existências para que ocorra a transformação essencial. Como nos ensinou um sábio Espírito. fenômeno psicológico cuja duração depende da potencialidade de maturação do ser. Ao perceberem alguma reação ou atitude que lembra o comportamento egoísta. . O excessivo culto ao Eu e indiferença párea com a espiritualidade são os novos vírus mentais que o afastam da experiência transcendental. Mas tive de fazer a escolha. “ que é uma concessão do coração”. Obviamente com um senso auto-crítico muito mais aguçado. com uma aceitação tão convicta que pareciam ter completo domínio sobre o problema. E também o último artigo de meu credo. Os grandes inimigos do ser humano da Era Digital é o narcisismo e o niilismo. é assim que um defeito se transforma numa virtude. O advento do sexto ser já é visto equivocadamente como a realização plena da Humanidade. ainda identificavam em si mesmos alguns resquícios da presença do grande inimigo da evolução espiritual humana: o egoísmo. Para desenvolver essa habilidade intrapessoal é necessário muito esforço para impedir que o Ego se manifeste antes da personalidade. humildade é obediência. geralmente numa situação altamente contraditória e de prova.

condição que lhe permitia a manifestação de diversos tipos de percepção extra-sensorial ou habilidades mediúnicas. a tecnologia mediúnica também veio sofrendo transformações desde os tempos primitivos. Trata-se. que se mostra pelos fatos públicos e notórios.Jesus viveu numa época em que o racionalismo greco-romano ainda era a marca dominante da civilização ocidental. como foi e vem sendo cansativamente . como se essa questão fosse exclusivamente um problema de guerra entre o darwinismo ortodoxo e o cristianismo fundamentalista. portando dons sensitivos. tenha um comportamento semelhante aos supersticiosos membros de uma sociedade tribal. reflexo da evolução espiritual? Mesmo em casos de prova. e sim caso a caso. como Francisco de Assis. revelando que alguns seres mais avançados poderiam realizar tais experiências em outros mundos. Isso mostra que a evolução da consciência humana não seguiu rigidamente uma linearidade histórica obrigatória. encontramos vários protótipos desse Homem Psicológico. cujas posturas limitadas distorcem o debate para rumos ideológicos. uma faculdade mental ou cerebral. Mas o que é a sensibilidade metafísica senão uma tecnologia mental. Mesmo tendo nascido e vivido numa sociedade teocrática e reforçada pelo monoteísmo. Admitir a mediunidade é o equivalente a admitir que somos essencialmente iguais aos mais selvagens e primitivos seres humanos do passado. não se trata um conhecimento que vem sendo utilizado como ferramentas de atuações múltiplas como a pesquisa científica. que existe. No mundo contemporâneo. Dos apóstolos de Jesus. o advento do microcomputador certamente seria a estrela da apoteoso tecnológica pois este seria o perfeito substituto do cérebro. Já entramos na Era Digital e a informática segue na sua missão de impor-se como peça essencial da inteligência artificial. para o exercício da arte e ajuda ao próximo? Muitos filósofos da pós-modernidade. Esquecem os pretensiosos cientistas que . João Evangelista já possuía tal perfil psicológico. celebraram os sinais do futuro como sinônimo da tecnologia cibernética. É uma discussão é tão inútil e infantil quanto o debate entre criacionistas e evolucionistas. também dotados dessa faculdade de percepção extra-sensorial. ele manifestava características do Homem Psicológico que começa surgir no Terceiro Milênio e. Se a roda era uma extensão dos pés e inúmeros outros equipamentos exerceriam o papel dos braços e dos olhos. Sua teoria de que as máquinas são extensões do corpo humano ganhou mais força ainda quando a micro-eletrônica deu seus primeiros passos nas décadas de 1950 e 1970. as de um Sétimo Ser. tal como a tecnologia material. A mediunidade mágica e totêmica evoluiu para as profecias oraculares até chegar à fase atual na qual suas manifestações representam uma enorme diversidade de características. Encontramos outros seres nessa condição em plena Idade Média. Como discutir e debater de forma inteligente esse assunto se os fenômenos psíquicos são dogmaticamente rejeitados pela chamada comunidade científica? No cerne de problema está a mediunidade. sobretudo porque ainda permanece no ar e no calor dos debates científicos a diferença entre o cérebro e a mente. Para os membros da aristocracia acadêmica é inadmissível que um ser civilizado como o homem da Era Digital. não importa. sobretudo o canadense Marshall McLuhan[1]. em determinados momentos. para a cura de males físicos e psicológicos. A extensão tecnológica do cérebro não se encontra nos equipamentos de tecnologia material e sim nas possibilidades energéticas e nas habilidades psíquicas dos médiuns. mas que ainda não consegue ser digerida ideologicamente pelo orgulhoso homem contemporâneo. de acordo com o grau de inteligência e sensibilidade do seu portador. cujas experiências já haviam ultrapassado os limites humanos conhecidos não só naquela época como também ainda hoje. Há dúvidas quanto a isso. especificamente no século XX. em que seres ainda atrasados são portadores provisório dessa faculdade.

Começai por deixar de negá-la e vos aparecerá. que não deveis confundir com o Eu exterior. obra lida e elogiada por Einstein. Tendes olhado bastante fora de vós. promover a troca de idéias pela intuição e telepatia. para compreenderdes o mistério que existe nas coisas. que é a razão. Purificai-vos moralmente. O grande conceito que a ciência afirmou (embora de forma incompleta e com erradas conseqüências). só então. Em a “Grande Síntese”[2]. o vosso pensamento a seguir esta nova ordem de idéias e. de uma faculdade inerente a todos os seres humanos cuja potencialidade só depende de treinamento e uso adequado. sem conseguir encontrar-lhes as origens: instintos. deveis saber descer ao mistério que está dentro de vós. mesmo. de forma sutil. Os que absolutamente não sentem estas coisas. pressentimentos. No primeiro caso a sensibilidade funciona como meio e fim. que procura emergir e relevar-se. Deste modo. a inteligência espiritual (Sua Voz) que inspirou o autor Pietro Ubaldi assim se expressa quando fala do futuro da mediunidade e das possibilidades humanas nesse terreno da tecnologia mental: “Não vos atemorizeis esta incompreensível intuição. a personalidade expande-se e atua-se a grande finalidade da vida. verificareis surgirem em vós sentidos novos. consciência exterior clara e consciência latente. aquela outra psique exterior e de superfície. agora.Assim. irresistivelmente. imite na latente os produtos assimilados através do movimento da vida: destilações de valores. Os dois pólos do ser. afinai a sensibilidade do instrumento. todas as maiores afirmações de vossa personalidade. esta consciência clara expande-se no contínuo fluxo da vida. semelhante à transmissão digital. fiquem de lado. pois a . desde já. porque tão-só como esta psique interior. voltem. tendem para a fusão. tendências. automatismos. que está na profundeza das coisas. por estas permutas incessantes. Ela tanto pode ser utilizada grosseiramente como uma enxada no uso da terra. aquele Eu que é filho da matéria e com a matéria morre. por via de uma fatal maturação que está próxima. Aí nascem. que sois vós mesmos. aprofunda-se em busca daquela outra consciência interior latente. nesse dia o homem terá vencido a morte. repulsões. deveis resolver o problema de vós mesmos. que constituirão os instintos do futuro.pesquisado e ensinado pelos pesquisadores do Além. assimila. para os fins da vida prática. Teremos ocasião de aprofundar mais esta questão.” A grande maioria dos protótipos psicológicos são dotados de habilidades sensitivas naturais. no segundo ela não é necessariamente essencial. a envolver-se na lama de suas baixas aspirações e não procurem o conhecimento. Somente entre semelhantes é possível haver comunicação e. Acostumais. O novo instrumento de pesquisa que deveis desenvolver e que está naturalmente se desenvolvendo é. que dela é o prelúdio. como pode. a evolução não é uma quimera. podereis ver. Quando a consciência latente houver ficado clara e o Eu conhecer-se todo a si mesmo. e tereis resolvido os outros problemas. Ali encontrareis o vosso Eu verdadeiro e eterno. Olhais aturdidos para tantas coisas que afloram de uma vossa consciência mais profunda. Deixeis de lado. uma faculdade de visão direta que não mais do que aquela intuição de que vos tenho falado. Somente esta é a estrada que leva ao conhecimento do absoluto. e. é que esta psique mais profunda se manifestará por força da lei natural da evolução. uma percepção anímica. A consciência clara experimenta. Os estudos das ciências psíquicas é o mais importante do que hoje podeis fazer. de fato. Este é prêmio concedido somente a quem o tenha duramente merecido. explícitas ou implícitas. os que não estão maduros. Este Eu exterior. como ainda fazem os feiticeiros tribais. atrações. se souberdes transferir o centro de vossa personalidade para essas estratificações profundas. Isto não o ignorais totalmente. e impulsiona vosso sistema nervoso para uma sensibilidade sempre mais apurada. vossa consciência latente.

O mundo realmente estava acabando e poucas foram as vozes serenas que se arriscaram a dar opiniões sobre o que estava acontecendo ser correr o risco de serem acusados de falsa profecia e de . uma sociedade diferente daquela que vinha sendo desenvolvida há séculos e que está dando os seus últimos suspiros no planeta. As aristocracias da força e dos privilégios. É. Para o pastor protestante Martin Luther King. para as fugas e auto-destruição porque já alcançamos a capacidade da auto-ajuda e do conforto do autoequilíbrio. uma sucessão de guerras e revoluções no jogo da Guerra Fria das superpotências. um raro Avatar. Gandhi ainda é o Homem do Futuro. o conduzia irresistivelmente para a exemplificação de suas idéias já que o seu grande inimigo não era o ceticismo. para os budistas. por exemplo. Mas como atingir esse grau de maturidade? Quando e em que época humanidade terá entre seus membros e presente nas suas diversas culturas essas características de um novo ser? Certamente essa mudança também ocorrerá no meio ambiente: um novo ser humano viverá em um novo mundo. mas a própria existência do planeta tal a irresponsabilidade no uso dos recurso naturais e na disputa armamentista. mas a violência. o excesso de crença e de ideologia. um Iluminado. É o caso. sem dúvida. O sonho de paz e amor dos hippies foi sendo massacrado pela ambição desmedida dos jovens yuppies.habilidade pessoal dispensa o contato e o uso da fenomenologia. para os espíritas. antes da globalização. isto é. pois o problema era exatamente o contrário. Gandhi é tornou-se unanimidade entre todas religiões e filosofias humanistas e que pregam a tolerância. ele era um exemplo de heroísmo bíblico à altura de um Abraão ou de um Moisés. Nas últimas décadas do século XX pairava entre nós a dúvida e a incerteza sobre o futuro da humanidade. daí a sua opção estratégica por um aspecto que ele mais se impressionou com o cristianismo: o constante exemplo de tranqüilidade e mansuetude de Jesus. um clima de apocalipse. Nesse caso o fenômeno mediúnico tornou-se dispensável. para os hinduístas. não há mais clima para as guerras e para violência porque já aprendemos o caminho da aceitação e solidariedade. Vivíamos naqueles terríveis anos de medo e ansiedade. um Espírito Superior cujas dissertações poderiam constar em qualquer um dos capítulo do Evangelho de Allan Kardec ou nas respostas e comentários de “O Livro dos Espíritos”. tanto pelas suas características incomuns como pela sua repercussão mundial. o caso de dimensão psicológica que mais chama a atenção em nosso tempo. Seu sexto sentido. bem como a gana capitalista colocaram em risco não só o meio ambiente . para os católicos um caso típico de Santidade. cuja inteligência intuitiva dispensava qualquer artifício mediúnico exterior que pudesse entrar em conflito com a sua proposta de humildade e naturalidade absolutas. o orgulho e a arrogância. Seu brutal assassinato é outra prova de como o seu modo de vida e de ver as coisas causavam repugnância e ódio ao Homem Biológico que ainda insistimos em conservar em nosso íntimo. que seguiu seus passos com fé e coerência. que dominaram nos primeiros milênios da experiência humana já esgotaram suas possibilidades de satisfazer as necessidades sociais e desafios que se apresentam no próximo milênio. Não existe mais espaço para as desigualdades porque já foi apontado o rumo do respeito pelas diferenças. O grau de consciência do Mahatma revelou uma curiosa inter-relação de identidade de conceitos. Gandhi é o próprio paradoxo: ele é a religião e a filosofia de vida que almejamos e ao mesmo tempo a negação da religião e da filosofia que praticamos. não há mais a necessidade das tragédias existenciais familiares. Nos anos 70 e 80 não víamos no horizonte senão a escura perspectiva da degeneração e de uma catástrofe nuclear. sempre muito aguçado. a liberdade sexual e as experiências aparentemente inofensivas do psicodelismo resultaram na devastação causada pela cocaína e pela AIDS. da dor e da morte do corpo porque pá estamos desvendando os segredos técnicos e genéticos e diverso conhecimentos que nos conduzem em caminho seguros e satisfatórios no campo da saúde e do destino. do Mahatma Gandhi. já não há mais justificativa para os tormentos pessoais. tornando-o uma prova viva da universalidade ou do caráter cósmico que orienta a experiência humana.

Morin. os homens negros. nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Gandhi.Cem anos depois. Cem anos depois. liberdade e a busca da felicidade. no cinema e nas séries da TV. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. mas um começo. Há luz no fim do túnel e vida intensa para ser vivida nos próximos mil anos. Assimov. Rogers. todos reaparecem nas estantes. eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Mas cem anos depois. De certo modo. utópicos socialistas e visionários do século XIX. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Rohden e muitos outros . Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Em vez de honrar esta obrigação sagrada. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. sim. Este ano de 1963 não é um fim. Einstein. o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra.espírito de seita ou dos gurus. um grande americano. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Cem anos depois. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. o Negro ainda não é livre. . Tagore. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência. Assim nós viemos trocar este cheque. um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. as ficções científicas e também as utopias brotam nos jardins da esperança. Cem anos atrás. terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre. Velhos autores da antiguidade clássica e da renascença. como também os homens brancos. se misturam num grande diversidade de conhecimentos e experiências e fazem o papel dos antigos profetas bíblicos. um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes". Assim. da possibilidade do vir a ser. a América deu para o povo negro um cheque sem fundo. I HAVE DREAM! (Eu tenho um sonho!) "Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. King. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Esses que esperam que o Negro agora estará contente. Eles dão notícias de uma época distante. Huxley. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. do tempo relativo. Verne. Por isso são compreensivelmente devorados pelos famintos do alimento futuro. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Mac-Luhan. assinou a Proclamação de Emancipação. Esta nota era uma promessa que todos os homens. Nesses momentos de insegurança e de falta de rumos. Nem tudo está perdido. na qual estamos sob sua simbólica sombra. o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material.

que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. mas pelo conteúdo de seu caráter. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Nós não podemos caminhar só.Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. que transpira com o calor de opressão. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. voltem para a Geórgia. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial.nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos. para muitos de nossos irmãos brancos. sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. não. Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. voltem para a Carolina do Sul. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. até mesmo no estado de Mississipi. que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. como comprovamos pela presença deles aqui hoje. Eu tenho um sonho hoje! . Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. "Quando vocês estarão satisfeitos?" Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. voltem para o Alabama. será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu ainda tenho um sonho. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. um estado que transpira com o calor da injustiça. E como nós caminhamos. Você são o veteranos do sofrimento. voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte. Voltem para o Mississippi. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas. não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele. Nós não podemos retroceder. voltem para Louisiana. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença . vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. meus amigos. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Eu digo a você hoje. No processo de conquistar nosso legítimo direito. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos. pesados com a fadiga da viagem. Não se deixe caiar no vale de desespero. nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

eu te canto... Este será o dia.28/08/1963) UM NOVO MUNDO UMA NOVA PESSOA Nosso mundo está em uma tumultuada agonia. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. rezar juntos. Agradeço ao Deus todo-poderoso. ouviu o sino da liberdade. Por outro lado. e quem sabe nós seremos um dia livre.) do nascimento de um novo ser humano. . Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. capaz de viver nessa nova era. quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. quando nós permitimos o sino da liberdade soar. E quando isto acontecer. Terra onde meus pais morreram. nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus. nós somos livres afinal. Meu país. lutar juntos. para ir encarcerar juntos. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. isto tem que se tornar verdadeiro. com seus racistas malignos.) nas aflições do nascimento de uma nova era (. Esta é nossa esperança. doce terra de liberdade. poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: "Livre afinal. terra do orgulho dos peregrinos. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Mas não é só isso. e todas as colinas e montanhas virão abaixo. no Alabama. livre afinal.. protestantes e católicos. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. agonia sem parto.. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos. o desmoronamento de governos e de instituições podem ser as dores de um mundo em trabalhos de parto (. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Em todas as montanhas. com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação. de qualquer lado da montanha. o terrorismo. a confusão. homens pretos e homens brancos. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. judeus e gentios. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.Eu tenho um sonho que um dia. este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado. em todo estado e em toda cidade. ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação. Isto bem pode ser a desintegração precedente à destruição de nossa cultura pelo suicídio de um holocausto nuclear. (Discurso de Martin Luther King . Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. defender liberdade juntos.

Como essa partícula “sabe” o que está acontecendo à sua partícula gêmea? Existe no universo um misterioso e desconcertante vínculo de comunicação. A busca por uma unidade material (moléculas. elas são aumentadas e ampliadas pelas conexões do sistema. Isto nos inquieta e nos deixa incertos. poderiam ser separadas. mais coerente. A solidez de nosso mundo desapareceu.nesse mundo transformado. O velho paradigma não serve mais. É uma nova forma de ser. Toda nossa percepção da realidade se desvaneceu em irrealidade. tempo e espaço desaparecem como conceitos absolutos ou como conceitos significantes. matéria. inúmeras micro-partículas) do universo foi infrutífera.o spin da outra muda instantaneamente.sugeriram um universo interconectado em cada evento está em conexão com todos os outros. . utiliza 20% do oxigênio disponível. Estas ampliam os desvios e permitem o desenvolvimento de informação nova e de novas formas. mais ordenado e complexo. Bell –1964 a 1972 .S. Nosso mundo era diferente de qualquer coisa que tivéssemos imaginado. com apenas 2% do corpo. Não existe solidez nele. As perturbações atingem um ponto tal que o sistema –químico ou humano – é conduzido a um estado alterado. Estamos diante não de uma. A ciência – pedra angular da nossa era tecnológica. Partículas gêmeas. Se elas são grandes. Ela não existia. mas é uma descrição maravilhosamente complexa do processo recíproco de causa e efeito através do qual o universo está criando a si próprio! Fritzjof Capra e Gary Zucav demonstram a convergência entre a física racional e teórica do ocidente e o esoterismo pragmático oriental.não é mais simplesmente um sistema linear de causa e efeito. Se elas são pequenas ele as dissipa. Nesse novo paradigma. com o mesmo spin. As pesquisas de J. Existem apenas oscilações. A epistemologia de Murayama demonstrou eu os sistemas vivos só podem ser entendidos através do reconhecimento do fato de que existem interações recíprocas de causa e efeito. mas de várias mudanças inevitáveis de paradigmas. As partículas eram padrões de energia oscilante. núcleos do átomo. Os velhos padrões se desvaneceram. O prêmio Nobel em química Prigogine provou que quanto mais complexa a estrutura –química ou humana – mais energia ela despende para manter a complexidade. Se o spin de uma dessas partículas é alterado. átomos. Um sistema complexo é instável e nele ocorrem flutuações ou “perturbações”. O cérebro humano. novo.

como a temos conhecido – matéria. Assemelha-se a uma grande “idéia”. Outras potencialidades humanas. Potencializar a pessoa é colocar em movimento um processo que pode revolucionar a família. Como indicou um grande cientista. de forças transcendentais é também conhecido. Aspy. Fenômenos paranormais. o Estado. como a telepatia. potencializar a pessoa. e que o nosso intelecto não consciente é capaz de realizar proezas como controlar uma única célula selecionada entre trilhões de células do corpo. do que a que resulta do exercício de poder sobre a pessoa. Será um mundo mais natural. tanto animada quanto inanimada. Roebuck e Tauch mostraram que. Barbara Brown demonstra em seu trabalho sobre biofeedback que a mente é uma entidade maior do que o cérebro. mais produtividade. o universo não se parece mais com uma grande máquina. delonga data conhecidas. O poder da meditação.Esta mudança não é uma mudança gradual. “Quanto mais complexo um sistema. . precognição têm sido suficientemente testados e aceitos por associações científicas. liberar o indivíduo para uma escolha mais autônoma. têm recebido uma nova apreciação. com vários fatores operando ao mesmo tempo para forçar a alteração. é súbita. A teoria holográfica de Karl Pribam etá alterando não apenas a nossa compreensão do como percebemos – e talvez mesmo criemos – a realidade. A realidade. Estamos diante de uma mudança paradigmática. Explorará e desenvolverá as riquezas e capacidades da mente e do espírito humano. Produzirá indivíduos que serão mais integrados e plenos. a organização. Estamos frente a uma realidade misteriosa de energias oscilantes que operam formas bizarras. É uma realidade de uma interconexão quase que mística . tempo e espaço – não existe mais de nenhuma forma fundamental. Um novo mundo Este novo mundo será mais humano e humanitário. mais criatividade. com um renovado amor e respeito pela natureza. Energias curadoras. a instituição. a aprendizagem e a mudança e comportamento ocorrem num ritmo acelerado. Facilitar a expressão de sentimento. maior o seu potencial para a auto-transcendência: sus partes cooperam para reorganizá-lo. mas partes de uma medicina holística. Segundo Ferguson. o maior de nossos recursos. mas desconsideradas. dado o clima psicológico adequado. uma relação que participa cada entidade. não são mais motivo de escárnio. a escola. clarividência. que operam consciente ou inconscientemente. resulta em mais aprendizagem. Será um mundo que valorizará a pessoa individual.

. Parece que precisamos ver o indivíduo primariamente como uma pessoa que está continuamente se transformando. de uma forma integrada. a energia curadora. Libertará a criatividade. suas capacidades. à medida que os indivíduos sentirem o seu poder. o sentimento. Não gostam de viver em um mundo compartimentalizado – corpo e mente. igualmente inaceitável e a que são igualmente avessos. ao invés da exploração delas e da natureza. naturalmente. todos. Esta relação fundamenta a construção de comunidades em uma escala humana. Vêem que poder sobre os outros é simplesmente uma outra forma de conquista. Eles já estão nascendo. como um fluxo de energia. experienciando o pensamento. Esta pessoa tem um potencial inimaginado. Os jovens na mente e no espírito. um novo ser. intelecto e sentimento. A vida rígida. A idéia de “conquista da natureza” é um conceito a que são avessos. em constante processo de transformação. Sua tecnologia objetivará o engrandecimento das pessoas.Desenvolverá uma ciência mais complexa e humana. Este é o novo mundo em direção ao qual estamos inevitavelmente nos movendo: uma nova realidade. empenham-se no sentido de uma totalidade de vida. Vivem numa relação confortável com a natureza. indivíduo e grupo. Quem será capaz de viver neste mundo completamente estranho e novo? Uma nova geração de conspiradores. saúde e doença. Em lugar disso. Os jovens de corpo se juntarão a pessoas mais velhas que absorveram os conceitos em transformação. sadio e insano. não atrai mais. está ganhando tanto uma nova consciência de sua força e poder quanto o reconhecimento de uma única coisa constante na vida é o processo de mudança. O objetivo delas é potencializar a cada individuo. sua liberdade. estática. uma transformação. Estas pessoas vivem a vida como um processo. Experienciam sua relação com os outros como parte de sua relação com a natureza. uma nova ciência. um parentesco responsável. trabalho e divertimento. o seu flexível modo de lidar com problemas comuns. Um novo ser e suas qualidades Nosso conceito de pessoa está diante de uma drástica mudança. Não todos. baseada em conceitos novos e menos rígidos. compartilhar o poder em empreendimentos comuns. ciência e senso comum. uma pessoa transcendente.

no seu sentido mais amplo. Suspeitam de pessoas que “ajudam” profissionalmente. por exemplo. Rejeitam a hipocrisia. Sofrerão o desdenho. com experiências de meditação ou místicas. um mundo que a mente. Sobreviverão estas novas pessoas? A taxa de mortalidade infantil entre aqueles que são acentuadamente diferentes de sua cultura. Querem encontrar um significado e objeto na vida que transcenda ao indivíduo. sobre suas relações sexuais. a novas idéias e conceitos e a um recentemente descoberto mundo de sentimentos. ávidas para serem úteis quando a necessidade é real. a mentira e a conversa dúbia de nossa cultura. mesmo que desobedeçam abertamente a leis que consideram injustas. um respeito pela integridade de cada pessoa. um mundo sem uma base sólida. suave. Têm uma antipatia por qualquer instituição altamente estruturada.Estes indivíduos são fundamentalmente indiferentes a posses materiais. em vez de manterem uma vida reservada ou dupla. Têm uma confiança em sua experiência e uma profunda descrença pela autoridade externa. inflexível. não avaliativo. Elas estarão à vontade em mundo que consiste somente de energia em vibração. mas de nenhuma forma isto lhes é necessário. sem dúvida. confortos recompensas. uma crença de que a comunicação harmoniosa entre indivíduos pode ser facilitada. as perseguições e a marginalização. Suas vidas são construídas sobre uma filosofia consistente – uma confiança básica na natureza construtiva do organismo humano. Vejo estas pessoas valorizarem a comunicação como meio de dizerem as coisas como elas são. muita oposição. Encontrarão. Estão conscientes e são influenciados pelos ritmos mais amplos do universo. Estão familiarizados com os estados alterados de consciência. a novos modos de ser. Fazem seus próprios julgamentos morais. por que nunca serão bons conformistas e uma constante ameaça a pessoas raivosas e amedrontadas. e seu questionamento é de uma natureza essencialmente espiritual. burocrática. Dinheiro e símbolos de status material não são o objetivo deles. que carregam em si o fermento de uma revolução do estilo de vida. Podem viver em abundância. Acreditam que a instituição deve existir para as pessoas. não moralista. Serão desajustadas em . tem sido alta. tanto está consciente como cria a nova realidade. São abertas à experiência. São interessadas pelos outros. e não o inverso. São abertos. com a energia psíquica. Elas serão capazes de viver as várias mudanças paradigmáticas. um reconhecimento de que a experiência de comunidade íntima é essencial a uma boa vida. um mundo em processo de mudança. o escárnio. a raiva . uma crença na idéia de que a liberdade de escolha é essencial para uma vida plena. Seu interesse é um interesse. São pessoas que buscam. Têm uma abertura para o mundo – tanto interior como exterior. Terão que lutar contra a opressão.

em julgamento por ter pregado ao seu povo a “não cooperação”. amiudado e frágil homem da Ásia. para lhe tocar na veste ou lhe beijar os pés. são os jejuns para o mundo interior. faces vincadas de responsabilidade. Gandhi persuadiu sua mulher a viver com ele como irmã. depois. maçãs do rosto salientes. que quando tinha de dirigir-se às grandes assistências falava de uma cadeira erguida no ar. pernas e braços finos. Gandhi aconselhava seus seguidores a impedirem. orelhas enormes. frutas. e desejava . Gandhi foi na mocidade um advogado rico.Sumus Editorial) O RETRATO DE UM SANTO “Imaginai o mais feio. Quatro horas por dia ele trabalha na sua grosseira roca de fiar – khaddar – esperando com o exemplo persuadir a Índia ao retorno a esse simples instrumento. a morte de seu pai veio surpreendê-lo nos braços do amor. Desde 1920 esse tecelão seminu é o chefe espiritual e político de 320 milhões de indianos. que o corpo se envenenasse com os ácidos produzidos pela auto consumação. às vezes passava semanas sem comer. com apaixonado remorso. com um clister diário durante o tempo do jejum. “ Ele sente que o espírito se esclarece. Quando os muçulmanos e hindus começaram a matar-se uns aos outros com teológico entusiasmo. Os ventos da mudança científica. Gandhi ficou sem comer durante três semanas. que o intercurso se limitasse ao exigido pela reprodução. Ao mesmo tempo que jejuava até alcançar o êxtase. Levou o ascetismo ao campo sexual. as coisas sem importância somem e as fundamentais – às vezes a verdadeira Alma do Mundo – emergem de Maya como o Everest dentre as nuvens. uma compreensão da unidade espiritual do universo.Texto resumido e adaptado de “ Em busca da Vida”. e sua mulher. Sua infância será uma um tempo de provação e de sofrimento. As enormes perturbações da sociedade moderna forçarão uma transformação para uma ordem nova e mais coerente. para o Brahmacharia que lhe haviam pregado na juventude – absoluta abstenção de todo o desejo sensual. e a . Quando aparece em público. Ou então imaginai-o sentado num tapetinho num quarto desnudado de sua Satyagrahashram – Escola dos Buscadores da Verdade – em Ahmedabad: as pernas ossudas cruzas à maneira iogue. para comovê-los. como Tolstoi. depois de alguma hesitação. apenas uma vez na vida provou carne. solas para cima. a multidão o envolve. Voltou-se. pois podem conviver comas fantásticas mudanças quem estão em perspectiva. mãos ocupadas numa roca. social e cultural estão soprando fortemente. (Carl Rogers –1981. ervas. Dorme no chão nu. sem dar nenhuma atenção aos seus apelos de paz. cabelo grisalho à escovinha. diante de um juiz inglês na Índia. Suas únicas posses consistem em três panos grosseiros – dois na arca e um na cama. Vive de nozes. E nessa ordem parece crescer uma nova visão de mundo. “O que os olhos são para o mundo exterior. Mas elas dispõem de um importante elemento que nutrirá sua força. leite de cabra. boca ampla e sem dentes. seguiu-lhe o exemplo. Também ele na mocidade se entregara aos prazeres sexuais. nariz grande. arroz . bondosos olhinhos pardos. com cara e carne de bronze. que é a sintonia com o futuro. cérebro ativo em responder a todas as perguntas. em vez de comprar produtos têxteis das fábricas inglesas que arruinaram a velha tecelagem indiana. a relação de um renovado amor pela natureza. mas deu aos pobres tudo quanto tinha. vestido com uma tanga. Tornou-se tão fraco e franzino com tantos jejuns e privações.muitos aspectos. por todas as pessoas.

Teve matrimônio contratado e realizado aos 12 anos com Kasturbai. mas honrava os propósitos. se continuarmos a nos reproduzir a despeito da situação em que nos vemos. sem nenhuma dedução de despesas.. como lhe batizara o povo da Índia. Embora não pronuncie o nome do Cristo. deu quase tudo quanto possuía para aos pobres e entregou o rsto à família. todas as dissensões cessaram. pelo desinteresse.. comeu carne.) Quando o amor bateu à porta da Índia. A carne o repugnou. é o seu verdadeiro nome. e quando um dos seus ofensores foi preso.) A Índia duvidava dos meios. em nenhuma resistiu ou retaliou.. e unanimemente passou a reverenciá-lo. Quando compreendeu que a necessidade básica da Índia era a restrição da natalidade.. durante a riqueza e a pobreza. (. Enquanto a Índia não se tornar uma nação livre (. Desde São Francisco de Assis não sabemos na História de vida mais assinalada pela bondade.) Não mês resta sombra de dúvida de que as pessoas casadas. e Mohandas voltou à religião. adotou as teorias de Malthus e Tolstoi: “Será justo que nós.) Ao apelo de Gandhi a Índia intumesceu-se para novas grandezas. de família de casta vaisia e da seita Jain e praticou o princípio ahimsa de jamais fazer o mal a um ser vivo.) não temos o direito de ter filhos (. Por esse motivo Mahatma. Dele disse Tagore: “Gandhi se detenha à porta das cabanas de milhares de miseráveis. Quem como ele sentiu que todos os indianos são do seu próprio sangue e da sua própria carne? (. se desejam fazer o bem ao país e querem ver a Índia transformada numa nação de homens fortes e belos. Gandhi age como se em tudo seguisse os preceitos do Sermão da Montanha. recusou a acusá-lo.. Mohandas se tornou ateu. e preferiu cair com esses princípios a subir com os opostos. mandou para o inimigo faminto todo o dinheiro arrecadado. e embora não aceitasse o Gandhi estadista. como acontecera antes. essa porta se abriu – escancarou-se. Fazia-se uma verdade viva. e para tornar clara a sua repulsa pela religião. Gandhi jamais demonstrou rancor ou ressentimento. vestido como um deles. esposa que lhe permaneceu fiel através de todas as suas aventuras. tomava em seu coração o Gandhi santo. porém herético em matéria financeira. as prisões e o Brahmacharia. Mohandas Karamchandi Gandhi nasceu em 1869. Vai a crédito dos seus oponentes o fato de terem pago a perpétua cortesia de Gandhi com moeda igual: o governo enviou-o à prisão da maneira mais delicada e exculpatória. Gandhi aceitou o conselho de “pagar o mal com o bem e amar os inimigos” como a mais alta expressão do idealismo humano. pela simplicidade e pelo perdão aos inimigos.” Notabilizam-no ainda qualidades estranhamente semelhantes às do fundador do cristianismo. o Sermão da Montanha “foi incontinenti ao meu coração na primeira leitura”.. Logo depois do maior choque entre muçulmanos e hindus. Três vezes foi atacado pela multidão e espancado gravemente. No primeiro ano leu 80 livros sobre o cristianismo.. que conhecemos a situação.. Seu pai foi um administrador capaz. devem praticar o controle sexual e pelo necessário suspender a procriação. Aos 18 anos prestou exames para a universidade e foi a Londres estudar leis. quando os muçulmanos de Moplah chacinaram centenas de hindus inermes e ofereceram os seus prepúcios à Alá.. (. perdeu o posto por excesso de honestidade. Falava-lhes na língua deles. Gandhi reuniu em toda a Índia fundos para socorrê-la e sem falta de uma anna.. Anima rapaz. nos velhos tempos em que Buda proclamou a . diz ele. produzamos filhos? Apenas multiplicaremos o número dos escravos e débeis.partir desse dia. sobreveio a fome nessa mesma população. tanto o desagradaram as adúlteras galantarias de certos deuses hindus. e não mera citação de livros.

e também a mais potente. Ganhou importância a cada dia.Nossa Herança Oriental. sem arrogância e com a devida humildade. 4. 5. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo f ato de ninguém a ver. 3.História da Civilização .não depende do número.a força do espírito . As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas incoerências assim como há na natureza uma unidade que permeia as aparentes diversidades. A minha vida é um Todo indivisível. ou melhor. Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Minha devoção à verdade empurrou-me para a política. O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado. 11. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando. como as duas cades de um pequeno disco de metal liso e sem incisões. e a verdade. 8. Quem poderá dizer qual é a certa? A não-violência é o meio. que há no mundo. 6.” (Will Durant . depende do grau de firmeza. que a minha mensagem e os meus métodos são válidos. o fim. e todos os meus atos convergem uns nos outros. em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto. Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas. A verdade tornou-se meu único objetivo. e posso dizer. Satyagraha e Ahimsa são como duas faces da mesma medalha.verdade da solidariedade e compaixão entre as criatura vivas. sem a mínima hesitação. 9. mas em ser coerente com a verdade. a substância de qualquer moral. para todo o mundo. 12. e também com toda a humildade que. não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política. Creio poder afirmar. 7. O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. A Verdade. 2. . O amor é a força mais abstrata. e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade. Satyagraha . 10. em sua essência. Editora Record) O PENSAMENTO VIVO DE GANDHI 1. A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema.

Não quer absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor. a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a regeneração daquele mesmo império. mas um empenho. toda a pressão não justificada a compromete. A não-violência. e só o sofrimento. Creio que a não-violência é infinitamente superior à violência. a não-violência deve nascer do espírito. a mentira a esvazia. 19.13. É o sofrimento. as forças mais ativas de que o mundo dispõe. O ahimsa (amor) não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal. O método da não-violência pode parecer demorado. O Amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los.. Só podemos vencer o adversário com o amor. 26. pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra. 14. 22. a gula e a luxúria ofuscam-na. o orgulho devora-a. a cólera foge dela. com todo o ânimo. . 18. A única maneira de castigar quem se ama é sofrer em seu lugar. A verdade e a não-violência são. e que o perdão é bem mais viril que o castigo. . O ahimsa não é coisa tão fácil. muito demorado. tendo como base esta lei. contra o tirano. 16. 25. 15. a tal ponto que muitas vezes fui obrigado a descuidar o meu trabalho. A riqueza não pode consegui-Ia. inclusive a quem faz o mal. nunca com o ódio. Pelo contrário. em fazer o bem a todos.mas em plano moral. significa sofrimento consciente. São como duas faces da mesma medalha. 23. 21. Assim um só indivíduo. Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. É mais fácil dançar sobre uma corda que sobre o fio da ahimsa. mas eu estou convencido de que é o mais rápido. A não-violência. 17. Não-violência não quer dizer renúncia a toda forma de luta contra o mal. pelo menos como eu a concebo. a própria religião. A minha natural inclinação para cuidar dos doentes transformou-se aos poucos em paixão. É um movimento bem mais ativo que outros e exige o uso das armas. . talvez. é uma luta ainda mais ativa e real que a própria lei do talião . 27.. Para tornar-se verdadeira força. Não existe outro modo de purificar o mundo. que abre no homem a compreensão interior. A não-violência é a mais alta qualidade de oração. em sua concepção dinâmica. mas também um estado positivo que consiste em amar. 24. 20. A não-violência não pode ser definida como um método passivo ou inativo.

mas em silêncio. Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio. a capacidade de fazer qualquer coisa. falam pouco. 32. Se bem entendi. consigo. Aqueles que têm um grande autocontrole. A civilização. e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos. Cultivo a paciência e a mansidão e. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências tomando tônicos ou outros remédios. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Mas quando a ira me assalta. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Que livro melhor . é esta a lição central do cristianismo. ao cabo. 29. 31. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri. Repare na natureza: trabalha continuamente. Aprendi. a única suprema lição: controlar a ira. 36. Aquele que não é capaz de governar a si mesmo. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua. todavia. mas na vontade de espontânea limitação das necessidades. É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. O que eu não dou é campo à ira. 35. ou que estão totalmente absortos no trabalho. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. 34. A seguir precisei de tempo para escrever. sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela não-violência. 33. 30.28. no sentido real da palavra. Após meio século de experiência. Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo. E aumenta a capacidade de servir. e vingar-se-á completamente de uma tal violação de suas leis. seu valor espiritual. A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Não é que eu não me ire ou perca o controle. obtém. Só essa espontânea limitação acarreta a felicidade e a verdadeira satisfação. de uma maneira geral. não será capaz de governar os outros. limito-me a controlá-la. Palavra e ação juntas não andam bem. não consiste na multiplicação. graças a uma amarga experiência. 37. A Natureza é inexorável. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia. A verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão.

que o livro da humanidade?

38. Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas esteja tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade possível.

39. Nada mais longe do meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras. Mas afirmo, com todo respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientemente seguir, e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa. (...) Um aprendizado acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada. A minha religião proíbe-me de diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil, na necessidade de assimilar e viver a vida. 40. Ler e escrever, de per si, não são educação. Eu iniciaria a educação da criança, portanto, ensinando-lhe um trabalho manual útil, e colocando-a em grau de produzir desde o momento em que começa sua educação. Desse modo todas as escolas poderiam tornar-se auto-suficientes, com a condição de o Estado comprar os manufaturados. Acredito que um tal sistema educativo permitira o mais alto desenvolvimento da mente e da alma. É preciso, porém, que o trabalho manual não seja ensinado apenas mecanicamente, como se faz hoje, mas cientificamente, isto é, a criança deveria saber o porquê e o como de cada operação. Os olhos, os ouvidos e a língua vêm antes da mão. Ler vem antes de escrever e desenhar antes de traçar as letras do alfabeto. Se seguirmos este método, a compreensão das crianças terá oportunidade de se desenvolver melhor do que quando é freada iniciando a instrução pelo alfabeto.

41. Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é "tabu".

42. A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência.

43. Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão.

44. Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã.

45. As divergências de opinião não devem significar hostilidade. Se fosse assim, minha mulher e eu deveríamos ser inimigos figadais. Não conheço duas pessoas no mundo que não tenham tido divergências de opinião. Como seguidor da Gita (Bhagavad Gita), sempre procurei nutrir pelos que discordam de mim o mesmo afeto que nutro pelos que me são mais queridos e vizinhos.

46. Continuarei confessando os erros cometidos. O único tirano que aceito neste mundo é a "silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de encontrar-me numa minoria tão desesperadora.

47. Nas questões de consciência a lei da maioria não conta.

48. Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza.

49. Acredito na essencial unidade do homem, e, portanto na unidade de tudo o que vive. Por conseguinte, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida.

50. Minha missão não se esgota na fraternidade entre os indianos. A minha missão não está simplesmente na libertação da Índia, embora ela absorva, em prática, toda a minha vida e todo o meu tempo. Por meio da libertação da Índia espero atuar e desenvolver a missão da fraternidade dos homens.O meu patriotismo não é exclusivo. Engloba tudo. Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio na miséria ou na exploração de outras nações. O patriotismo que eu concebo não vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o maior bem e a paz de toda a humanidade.

51. A mulher deve deixar de se considerar o objeto da concupiscência do homem. O remédio está em suas mãos mais que nas mãos do homem.

52. Uma vida sem religião é como um barco sem leme.

53. A fé - um sexto sentido - transcende o intelecto sem contradizê-lo.

54. A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva.

55. Somente podemos sentir deus destacando-nos dos sentidos.

56. O que eu quero alcançar, o ideal que sempre almejei com sofreguidão (...) é conseguir o meu pleno desenvolvimento, ver Deus face-a-face, conseguir a libertação do Eu.

57. Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma.

58. A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível... A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura.

59. O Jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera e compensadora.

60. O Jejum é uma arma potente. Nem todos podem usá-la.

Simples resistência física não significa aptidão para jejum. O Jejum não tem absolutamente sentido sem fé em Deus.

61. Para mim nada mais purificador e fortificante que um jejum.

62. Os meus adversários serão obrigados a reconhecer que tenho razão. A verdade triunfará. . . Até agora todos os meus jejuns foram maravilhosos: não digo em sentido material, mas por aquilo que acontece dentro de mim. É uma paz celestial.

63. Jejum para purificar a si mesmo e aos outros é uma antiga regra que durará enquanto o homem acreditar em Deus.

64. Tenho profunda fé no método de jejum particular e público. . . Sofrer mesmo até a morte, e, portanto mesmo mediante um jejum perpétuo, e a arma extrema do satyagrahi. É o último dever que podemos cumprir. O Jejum faz parte de meu ser, como acontece, em maior ou menor escala, com todos os que procuraram a verdade. Eu estou fazendo uma experiência de ahimsa em vasta escala, uma experiência talvez até hoje desconhecida pela história.

65. Quem quer levar uma vida pura deve estar sempre pronto para o sacrifício.

66. O dever do sacrifício não nos obriga a abandonar o mundo e a retirar-nos para uma floresta, e sim a estar sempre prontos a sacrificar-nos pelos outros.

67. Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos.

68. Os louvores do mundo não me agradam; pelo contrário, muitas vezes me entristecem.

69. Quando ouço gritar Mahatma Gandhi Ki jai, cada som desta frase me transpassa o coração como se fosse uma flecha. Se pensasse, embora por um só instante, que tais gritos podem merecer-me o swaraj; conseguiria aceitar o meu sofrimento. Mas quando constato que as pessoas perdem tempo e gastam energias em aclamações vãs, e passam ao longo quando se trata de trabalho, gostaria que, em vez de gritarem meu nome, me acendessem uma pira fúnebre, na qual eu pudesse subir para apagar uma vez por todas o fogo que arde o coração.

70. Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias.

71. Sei por experiência que a castidade é fácil para quem é senhor de si mesmo.

72. O brahmacharya é o controle dos sentidos no pensamento, nas palavras, e na ação. . . O que a ele aspira não deixará nunca de ter consciência de suas faltas, não deixará nunca de perseguir as paixões que se aninham ainda nos ângulos escuros de seu coração, e lutará sem trégua pela total libertação.

" Se o homem só perceberá que é desumano obedecer leis que são injustas. 80 . O espírito mente dormente no bruto." Não violência "Gandhi continua o que o Buddha começou. a tirania de nenhum homem o escravizará". 77. a tarefa de criar condições espirituais diferentes no mundo. a palavra castidade é entendida em sentido limitado demais. Gandhi dedica-se a transformar condições existenciais" . Quando o espírito se dispersa. o corpo inteiro. Só uma Índia livre pode adorar o Deus verdadeiro. sou mais apto a servir à Índia e ela tem prioridade de direitos aos meus serviços. Em Buddha o espírito é o jogo do amor isto é. ciente da sua presença viva no santuário do meu coração. Acolhê-la-ia com alegria.A única maneira de castigar quem se ama é sofrer em seu lugar. Experimentem. como todas as outras regras. não poderá nunca constituir ameaça para o mundo. poder-se-á dizer que possuo a não-violência do corajoso. nas palavras e nas ações. Esta idéia de castidade é incompleta e falsa. . ou quase impossível conservar castidade. Mas o meu patriotismo não é exclusivo. 78. corno um homem vencido. Trabalho pela libertação da Índia porque o meu Swadeshi me ensina que. não tem por meta apenas não fazer mal a ninguém. A bala de meu assassino poderia pôr fim à minha vida. pois e parte da verdade. A libertação da Índia. Pensa-se que a castidade é o domínio das paixões animalescas. O motivo desta falsa opinião e que freqüentemente. deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono. Vivo pela libertação da índia e morreria por ela. A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos como uma toda a família humana. Por vezes pensa-se que e muito difícil. 79.a força do espírito". e ele não sabe nenhuma lei mas o de poder físico. cedo ou tarde. Se me matarem e eu com uma oração nos lábios pelo meu assassino e com o pensamento em Deus.73. A dignidade de homem requer obediência a uma lei mais alta . tendo nascido e herdado sua cultura. 74. 75. mas alimenta maus pensamentos faz um esforço vão. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra. então. deve ser observado nos pensamentos. e só então. a irreligião. como eu a concebo. Possuo a não-violência do corajoso? Só a morte dirá. mas fazer bem a todos no verdadeiro sentido da palavra. Lemos na Gita e a experiência confirma-no-lo todos os dias que quem domina o próprio corpo. 76. O brahmacharya. Não desejo morrer pela paralisação progressiva das minhas faculdades. A força de um homem e de um povo está na não-violência. o segue na perdição.Albert Schweitzer "Não violência é a lei de nossa espécie como violência é a lei do bruto.

culmina naquilo que poderíamos denominar. [2] Editora Lake. 1950. quando relatadas. como outras faculdades que abandonamos no passado. Budha. [1] “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem”. Abel. Raríssimas experiências foram descritas e. porém são apenas os primeiros passos do ingresso no Reino de Deus. através da integração irreversível das três vivências da mente: o Pensamento. mas também nas inúmeras possibilidades de existências em outros orbes dos Cosmos. Tal experiência não se limita naturalmente ao planeta Terra. nesta mesma etapa. a Ação e o Sentimento. Cultrix. Nisso concentra-se a lógica da diversidade de mundos – as muitas moradas da Casa do Pai – e a pluralidade das existências. Tradução de Mário Corboli. "Para autodefesa. eu restabeleceria a cultura espiritual. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 10:36 AM O Homem Cósmico Integral Juno. Khrisna. de “Sétimo Sentido” ou “Superconsciente”. O domínio gradual dessas novas faculdades. de noventa graus. São os últimos degraus da Escada de Jacó. Os cinco sentidos físicos. seus protagonistas não têm outra alternativa senão apelar para a linguagem dos símbolos e parábolas. É quando se dá a conclusão da verticalização da consciência. 6ª edição. São os Mestres do Espírito e da Consciência que. serão gradualmente substituídos por outras percepções mais sutis. voltam aos mundos baixos para realizarem uma dupla função: . O melhor e autodefesa mais duradoura é auto-purificação ". a síntese dos seis protótipos anteriores."Não pode haver nenhuma paz dentro sem verdadeiro conhecimento". Zoroastro e Jesus O Homem Integral é o Sétimo Ser. iniciadas pelo sexto sentido. que é a percepção extrasensorial. Nele certamente atingiremos a plenitude da Consciência. São Paulo. São Paulo. Antúlio. dentro dos limites humanos. cuja dimensões e estado de coisas fogem da nossa compreensão atual. 1964. em diversos graus de evolução. típicas de mundos superiores e angélicos. também grosso modo.

“Cristo em você. o desenvolvimento de semelhante divindade em nós é apenas uma questão de evolução. Annie Besant escreveu em 1912 um ensaio sobre esses “Irmãos mais Velhos da Humanidade”[1] e a eles assim se refere: “Há uma etapa . não tem mais nada a realizar. O Nome do Cristo. Nesse ponto direcionam seus olhares para todos os lados possíveis em busca das referências que vão lhes reativar a memória espiritual. e conseqüentemente para os britânicos. Krishna. Ele é Mitra. A palavra sempre trouxe consigo a conotação de um estado: “o sagrado”. sendo cristãos. então. para as montanhas onde habitam os Homens Perfeitos da nossa raça. qualquer que seja o nome. Todos os filhos dos homens podem fazer o que um Filho do Homem já fez. e cada religião cumpre sua missão com maior ou menor eficiência. que. uma vez atravessada. conforme a claridade com que ilumina e a precisão com que ensina o caminho pelo qual ele pode ser alcançado. Ele torna-se perfeito. animava a toda poderosa civilização romana. erguer nosso olhos e nossos corações. Ao mergulharem na carne realizam as etapas de existência para qual escolheram como meio e logo tomam o rumo da finalidade para qual vieram. Ele não pertence a uma única religião. bem como os modelos de conduta que possam solucionar suas equações iniciais sobre o jogo da vida e da morte. imediatamente anterior à meta do esforço humano. provar para si mesmo. Todos devem atingir esse estado: “Olhai dentro de ti. agora encarnada na cultura anglo-saxônica. a esperança da glória”. não colocavam em prática o estatuto moral dessa civilização. todos os credos têm nele sua justificação. mas sempre simboliza o Homem que se tornou perfeito. um sentimento de orgulho e rejeição remanescente dos tempos em que essa coletividade. pois todos concluem com o tempo a peregrinação secular. a experiência do Mahatma Gandhi foi típica daqueles seres que estão em transição para a condição sobre-humana. As divergências entre os ingleses e o cristianismo eram antigas. em contemplação constantemente renovada. sua carreira humana terminou. o homem. conseqüentemente. mas. Assim como aquele que deseja tornar-se músico. mais 80 livros sobre o Cristianismo. o que eles são nós seremos. é o pensamento do mestre Cristão. designa mais um estado do que o nome de um homem. tu és Buda”. no longo percurso da evolução. o conceito é o mesmo. mesmo sob o disfarce da modernidade industrial. enquanto homem. e vemos neles a garantia do nosso próprio triunfo.adorar a Deus e se auto-reconhecerem no mundo interior dos semelhantes e ao mesmo tempo auxiliá-los na complexa e dolorosa descoberta de si mesmos. não está limitado por um único credo. Decidiu. mas só foi despertar para o seu fim principal quando leu o Sermão da Montanha e. deveríamos nós. farta de mestres e avatares. na evolução humana. deveria ouvir as obras-primas dessa arte e mergulhar nas melodias dos grandes mestres da música. ele é o ideal pelo qual se esforçam todas as crenças. Os homens. como um código moral pode ser exemplificado até às ultimas conseqüências. Gandhi queria entender porque os ingleses. O que nós somos eles já foram. “Até que o Cristo surja em ti”. O contato com as bem-aventuranças repercutiu como um . filhos da humanidade. Osíris. Buda ou Cristo. nação ou família humana. o mais prefeito ideal. atribuído ao Homem Perfeito pelos cristãos. Gandhi foi iniciado nas escolas espiritualistas da sua cultura milenar. e aquele que especialmente no Ocidente está conectado a esse nome é um dos “Filhos de Deus”. atingem o estado de Cristo.” Como vimos. em todo lugar ele é o mais nobre. As grandes religiões dão nomes diferentes a esse Homem Perfeito. Todas as religiões o proclamam. A arrogância imperialista e a idéia da escravidão ainda estavam muito presentes no psiquismo dos aristocratas ingleses. que atingiram o objetivo final da humanidade.

Ainda jovem. Nesses instantes Gandhi esquecia de si próprio e dizia para si mesmo coisas que no conceito comum eram consideradas estúpidas: “Tenho que abrir mão daquilo que não é essencial. em pleno século XX. atraído pelos milhões espelhos humanos que desfilavam diante de seus olhos. o Filho do Homem? Por que seu nascimento simples numa manjedoura e sua morte humilhante como criminoso sentenciado a pena de morte. ainda adormecida pelas leis do mundo físico e tal foi o efeito que ele saiu pelo mundo em busca de si mesmo. a chave da busca pela compreensão do seu universo metafísico e do vácuo que trazia na alma solitária e deslocada do mundo exterior. penetrando nas mais diferentes culturas e seduzindo os mais diversos segmentos filosóficos e religiosos do mundo antigo e atual? De onde vem a idéia de que Jesus é Deus ou filho de Deus? Porque Jesus é chamado de Redentor. conotações tão emblemáticas? . uma imagem distanciada da realidade e que só poderia ser compreendida pelos rituais exteriores da sacralização. típicas dos mitos santificados. Gandhi não compreendia por que os ingleses não praticavam os ensinamentos do Cristo. como especulam outros tantos? Afinal. como ele mesmo se denominava. como reflexos incômodos dos sofrimentos causados pela miséria e pela injustiça social. quem é Jesus Cristo? Por que essa figura da história judaica tomou a forma cultural de uma entidade universal. “O Sermão da Montanha foi incontinenti ao meu coração na primeira leitura”. Mestre dos Mestres. As existências do Mestre Jesus Jesus encarnou-se somente uma vez em nosso planeta. o Verbo que se fez carne ou. Ou então. de poderoso sentido místico e sobrenatural? Por que a Cruz e a crucificação assumiram. Salvador. entender e aplicar em si próprio as idéias do Evangelho como uma arma ideológica contra violência e a injustiça. no passar dos séculos. Príncipe da Paz. Era uma nova e moderna batalha entre Cristo e Roma.raio devastador na alma do jovem advogado indiano. que tira pecados do mundo. Messias. coisas perfeitamente dispensáveis e que a grande maioria das pessoas pobres não podem ter acesso”. ou reencarnou-se em diversas épocas. disse Gandhi. personalidade humana ideal e ao mesmo tempo expressão mais acessível da Divindade? Porque sua experiência existencial tornou-se um forte referencial de crença e comportamento. descobrindo que ali estava o caminho que tanto procurava desde a mais tenra juventude. Cordeiro de Deus. bem como sua crucificação criaram no imaginário humano uma forte simbologia de um evento cósmico presidido por forças sobre-humanas. como muitos dogmatizam. É por isso que Will Durant viu nele o retrato de um “santo”. ao ser agredido por um soldado durante uma manifestação: “Ele atingiu o meu corpo e não o meu espírito”. Decidiu então ler.

foi sempre envolvida em mistérios. aquela que foi herdada tradição espiritualista mística e esotérica e. porém muito complexas se nos determos nos significados espirituais que elas ocultam. de fuga. sua força era seu intelecto. também aquela interpretação filosófica. de deturpação. de agressão e de maldade. fáceis de responder pelo entusiasmo verbal e místico. um poeta. agindo como Verbos de Deus.Espíritos Superiores) e a Primeira Ordem (Primeira Classe – Espíritos Puros) Jesus é de alta hierarquia. como referência de vida. mas alimenta em nós o fascínio. cerimoniais.São perguntas intrigantes. símbolos. acomodados ou comprometidos. É uma revolução tão autêntica que não só promove transformações. imaturos ou maduros. crentes ou descrentes. essas tradições e crenças que cultivamos e o que pensa essa filosofia que compartilhamos? Na escala dos Espíritos[2]. bem como sua personalidade mística e sua autoridade espiritual. o respeito e reconhecimento que temos por essa entidade que mudou os rumos da experiência humana em nosso planeta e hoje. efeito da mentalidade dos adeptos e militantes. Estes negam seus milagres e curas. idéias. dogmas. empreendem forças contrárias. Espíritos da Esfera Crística. de fanatismo. um filósofo. Essa opinião não é. ou seja. inúmeros mecanismos de esforço mental para compreender e aceitar o conteúdo revolucionário dos seus ensinamentos. rituais. sacrificam-se e salvam humanidades dos mundos que lhes debaixo da misericordiosa proteção. enfim. um consenso sobre as revelações messiânicas. por outro lado. A própria personalidade de Jesus. Em nossa opinião. criadores de mundos. de alienação. mais realista e mais compatível com o nosso atual estágio evolutivo. O que dizem. um ativista político e social. exceto no valor dos ensinamentos. sua força se desdobra em múltiplas habilidades. Por isso são chamados de Espíritos salvadores. mas também provoca uma enorme resistência nas almas que ainda não conseguem aceitar e vivenciar essa transformação da consciência. se confunde com o próprio sentido de Humanidade. na tradição mística antiga. redentores e messias”. então. . pela ótica humana. enigmas. de negação. Caracterizam-se pela sua essencial natureza e capacidade de amar. de acordo com as doutrinas e concepções de cada segmento filosófico-religioso. à categoria dos Amadores ou Salvadores de humanidades[3]: “Os destinados à criação da Formas e dos Tipos de todas as manifestações fenomênicas. de rebeldia. intelectuais e emocionais. Tantas vezes quantas necessárias. a mentalidade científica dos tempos modernos e pós-modernos. Para as correntes materialistas Jesus foi um simples homem. a visão mais atraente de Jesus é. Para manter tal resistência. por um lado. mais ou menos avançados. Para as correntes espiritualistas ele se desdobra em múltiplas personalidades. entre a Segunda Ordem (segunda classe . pois pertence. por exemplo.

mas sua identidade espiritual não se restringiu a essa existência na Palestina. faz parte de uma comunidade angélica de 70 entidades que comandam os sistemas solares da Via Láctea. de regeneração da Humanidade. pois se assim fosse seria difícil crer e aceitar sua riquíssima sabedoria. responsável pela evolução e redenção de bilhões de espíritos. incluindo o nosso. ora promovidos. o Governador Planetário. guardadas as diferenças naturais de ambiente e de cultura. manifestou-se como Anfion de Oruzuma[6] e Antúlio de Maha-Ethel( O Vidente das Portas do Céu). em outros mundos. divisora de águas da redenção. isto é. um Avatar. pela semelhança de manifestações. tiveram finalidades renovadoras na mentalidade humana. denominado Sírius. próprios da natureza humana. considerado o Cristo Planetário. onde evoluiu de forma semelhante aos seres humanos de todos os demais sistemas.Jesus é reconhecido por praticamente todas as religiões e filosofias humanistas como um Mestre dos mestres. Não foi criado perfeito e sim conquistou sua perfeição através de experiências encarnatórias e de sacrifícios pessoais empreendidos na eliminação de vícios e defeitos morais. Suas prováveis encarnações em diversas épocas e regiões do nosso planeta. a ruptura da marca planetária predominante. teve certamente a marca resolutiva histórica. e também oferecendo suas existências carnais para imprimir nos corações humanos a idéia real da Vida e as verdades espirituais redentoras. ora retidos nos círculos cármicos das reencarnações restauradoras. trabalho educativo realizado pacientemente através dos milênios e da realização de inúmeras experiências de maturação espiritual. também na extinta e lendária na Atlântida. Sua experiência histórica como Jesus foi única. o mesmo espírito que animou Jesus na Palestina já havia se manifestado em épocas mais remotas em civilizações ainda desconhecidas pela ciência humana. mas sua última existência. o Logos. efeito do choque conceitual entre a matéria e o Espírito. Isto pode ser constatado na escolha do Cordeiro como símbolo de humildade e sua conseqüente imolação. um Iluminado. Diversas outras revelações falam que o Espírito que animou a personalidade de Jesus. O sacrifício e a renúncia total dos interesses pessoais reforçaram essa marca de redenção. de provas e expiações. na Ìndia viveu as personalidades de Krisna e revelou-se na transformação do príncipe Gautama Sidarta em Budha. Segundo as tradições esotéricas vindas do Oriente. é proveniente de um outro sistema solar. nas experiências humanas e a elevação para uma etapa posterior. como forma de romper os laços de animalidade e egoísmo que aprisionavam o ser humano aos grilhões da matéria. o grande Manvantara (Grande . Essa revolução na mentalidade humana veio sendo realizada em fases menores através da abolição gradual da animalidade e o despertar da consciência. Segundo essas mesmas tradições este Espírito. produto de incalculáveis experiências adquiridas em outras existências. No extinto continente da Lemúria ele teria encarnado nas figuras de Numú[4] ( o Divino Pastor) e Juno[5] (O Mago das Tormentas). na sua existência na Palestina. como Jesus. e gravadas na sua vasta memória espiritual. Algumas revelações apontam a entidade que hoje conhecemos como Jesus como o condutor supremo da nossa Humanidade. entidade sideral acima das limitações humanas e modelo de perfeição e perfectibilidade na escala e na evolução espiritual.

Os Querubins que criaram essa nebulosa. E a cada um deles foi designado um ou vários planetas para conduzir. os pais e familiares que tiveram influência direta nos períodos de infância e juventude. Redentor de humanidades”. Messias quer dizer o Salvador. venerável da Fraternidade dos Essênios. líderes natos. deram a ela a denominação de Cordeiro de Deus (Agnus Dei). Além de algumas inteligências aqui já apontadas como Seus enviados do sistema Sírius. Muitos deles ficaram conhecidos nas esferas espirituais como uma influente fraternidade de inteligências.Plano Evolutivo ou Pensamento Exterior de Deus). a serviço do Cristo. que é a compreensão das verdades ocultas. que aparece entre os braços do Messias. os membros das . sempre em busca de orientação e motivações para suas vidas ainda sem rumos definidos. bem como de planetas superiores dos nossos sistemas solar. até a organização e formação prévias de núcleos familiares e institucionais que serviriam de cenáculos das tramas vivencias desencadeadoras dos fatos e repercussões espirituais deles decorrentes. variando de acordo com o grau de evolução. geralmente exiladas voluntariamente em missões transformadoras. Estes certamente poderiam dar uma significado espiritual mais acessível à obra de evolução das almas que seriam envolvidas nas tramas educativas que se configuraram nas suas existências. Espíritos evoluídos são essencialmente dinâmicos e caracterizados pela constante transformação pessoal interior. supomos. passam a influir no ambiente externo. orbes ainda bastante materializados. Em conhecida obra mediúnica. que tomou a forma de um cordeiro. também o acompanharam nas experiências terrestres. seres de visão ampla sobre si mesmos e sobre a Natureza. conhecimento e responsabilidade. Nas altas esferas espirituais. Nas esferas carnais são raridades. tais revelações funcionam como meios de reflexão para uma finalidade única. foi encarregado de povoar de almas e vida física o nosso sistema planetário. O Cristo jamais atuou sozinho no exercício da suas funções e na realização das missões redentoras que ocorreram em nosso planeta. em maioria. Hilarion de Monte Nebo[7]. o Cristo. até que seus Setenta Filhos espirituais chegassem à condição de guias de humanidades. principalmente sobre as individualidades imaturas que os cercam. As revelações dizem que os Espíritos que conviveram com Ele no sistema Sírius e provavelmente nas suas intervenções em Capela. eles são seres comuns. atua hoje na atmosfera astral de planetas primitivos. reais ou simbólicas. informa que o “Pai Sírio. destinados a receber as almas que serão banidas da Terra nos primeiros séculos deste milênio. Sublime Executor das Leis Divinas. portanto. Daí vem a tradição messiânica de que o Cristo escolhido para guiar o sistema é chamado Sírio (Constelação Cão Maior) e simbolizado por um cordeiro. Verdadeiras ou não.[8] Atuaram em todos os campos necessários. vieram também os profetas e precursores que anunciaram e exemplificaram suas vindas. desde a organização das colônias pré-encarnatórias. denominada “Peregrinos do Sacrifício”. Cristo significa o Ungido pela Eterna Potência. Como reflexo dessas mudanças internas. composto por cerca de mais de 40 bilhões de galáxias. Essa mesma “casta espiritual”. não poderia um Espírito da categoria de Jesus deixar de lado a colaboração de outros espíritos. São.

A serviço de corruptos sacerdotes atlantes. mas baseada em experiência própria. Íris retornaria na figura mundana de Maria de Magdala. Pitágoras. a superação irreversível do instinto pela intuição e do determinismo pelo livre arbítrio. em épocas definidas e favoráveis às mudanças. Gandhi. a espécie humana. Juntamente com o indeciso e fanático discípulo. Zoroastro. Nos próximos milênios. cuja queda moral deu-se pela excessiva vaidade feminina e ilusões da beleza física. Moisés. já superou as marcas históricas de cinco protótipos antropológicos. falando a mesmo língua universal do amor ao próximo e da lei de causa e efeito. que significa simplesmente evitar o fracasso existencial. Nessa mesma trama também esteve envolvida a belíssima jovem Íris. É a conquista inevitável o sexto sentido e da inteligência integral. Encarnaram. após a transição definitiva dos seus caracteres individuais. observando o projeto educativo do Cristo. Francisco de Assis. incluindo os que fracassam nas tarefas anteriores. Fo-Hi. reafirmado na célebre advertência do “Sede perfeitos!”. . Sócrates. que é a “transformação”. Allan Kardec. da renascença e do advento do capitalismo. provavelmente já conhecia Jesus de outras existências. o Homem Racional. Esses missionários funcionam como protótipos evolutivos. a verticalização da coluna vertebral será definitivamente substituída pela verticalização da consciência através do Homem Psicológico e posteriormente pelo Homem Cósmico. serviu como instrumento de traição. Em diversas épocas também encarnaram-se na Terra inúmeros missionários e mensageiros Seus. de quem passou pelos problemas e superou seus próprios obstáculos. Platão. Mas se deixarmos um pouco de lado esse fator “revelação” e nos atermos no fator essencial. Martin Luther King. em compasso de espera.instituições que lhe ampararam nas atividades preparatórias e finalmente os discípulos mais próximos. Sabe-se que ao longo de mais de um milhão de anos. jamais poderia ser realizado e concluído numa única existência e sim no desenrolar paciente dos séculos letivos das múltiplas encarnações. Paulo de Tarso. Abel. em suas respectivas culturas e contextos. Confúcio. da antiguidade oriental. jamais foi teórica ou de natureza mágica. Hermes. seres em intensa transformação que impulsionam os que ainda permanecem indecisos. cedendo ao fanatismo religioso. desvendando as múltiplas nuances de conhecimento contidas na sua obra redentora: Rama. pela transmigração de almas. Ambos venceram-se a si mesmos após suas tragédias pessoais e se transformaram em valiosos exemplos de redenção humana e transformação moral. da préhistória. Lao-tsé. Sua proposta de salvação. todos. o Homem Teológico. como o próprio Cristo. dentre os sete a que está destinada esta coletividade planetária: o Homem Biológico. semelhante a Judas Iscariotes. por exemplo. teria participado da trama que condenaria à morte o profeta Antúlio de Maha-Ethel. o padrão ideal de humanidade veio sendo desenvolvido através da construção de protótipos raciais predominantes e reforçados genética e socialmente por modelos já evoluídos em outros orbes. Também não faltaram em todas essas missões os desafetos. o Homem Metafísico. que a precipitou na prostituição. principalmente aquela em que. Tal projeto evolutivo. e o Homem Positivo da era científica industrial. da antiguidade greco-romana. Apolônio. Sua fala sempre foi precedida de exemplos vivos. ligados a Ele por irresistível lei cósmica de atração e necessidade de reabilitação. e não uma condenação eterna. vamos perceber que no plano evolutivo do planeta Terra. Orfeu.

Muitos desses líderes opositores. o pessimismo. Não há como compreender a ressurreição sem que haja a consciência pelas provas da encarnação. na condição consciente (e não de quatro. brevemente serão banidos para ambientes mais afins com as suas características. a descrença na progressão mental e a supervalorização negativa da culpa. reprimem suas potencialidades emocionais. a violência. Os braços abertos. por direito de livre arbítrio. se recusam a evoluir e superar seus limites morais. coletividade de espíritos rebeldes que. a fé e o otimismo. que no corpo é caracterizado pela flexão dos joelhos e da cabeça. o instinto. É impossível compreender o todo que representa a Vida sem que haja compreensão das suas partes. estimulando a exacerbação dos instintos. nada mais são do que a verticalização da consciência. tornando-se. para a conquista da liberdade. A luta entre o Bem e Mal. Já o alvo dos seus adversários sempre foi a fraqueza humana. significando psicologicamente que ele está em pé. do Mal. se afastam da luz. da violência e da hipocrisia. A experiência de Maria Madalena e de Tomé. Outros tantos ainda resistem e tentam minar as bases da redenção. O potencial ressurreicional só se realiza através do risco carnal. mas. em gestos de humilhação provacional. combinada com o sofrimento moral. desencadeando. a matéria e o espírito. não foi apenas uma constatação material da . ou seja. bem como inúmeros de seus seguidores desviados já foram reconduzidos para as sendas da luz. o desequilíbrio sobre as almas ainda frágeis e indecisas no campo das escolhas morais. se envolvem sombras de revolta. segundo as revelações antigas e mais recentes. só a experiência da morte pode despertar o espírito para a Vida. em postura de súplica ou de glorificação. o adiamento da progressão. Este sempre foi o alvo educativo de Jesus: a busca da fortaleza mental. na condição horizontal da animalidade). é a batalha entre o instinto e a razão. através da humildade e da resignação. do “Logos”. a dialética espiritual entre o velho e o novo. caracterizada pelos tormentos e pela escravidão. destinado aos sofrimentos próprios do ambiente hostil externo e dores morais internas. a intuição e a evolução. de “Lúcifer”. o renovado o ressurgido. a libertação do círculo vicioso das paixões e das doenças. diante de fracassos das provas existenciais. ou seja. do erro e da estagnação. e na mente. forma o conjunto de circunstâncias propícias para o despertar da consciência. pela flexibilidade do caráter emocional e dos sentimentos. do qual surge o diferente. porém extremamente sensível pela vulnerabilidade metafísica. Daí a necessidade da inteligência emocional. a fuga das provas. o comodismo e a revolta formam a situação propícia para a estagnação. veio sendo acompanhado por inúmeros colaboradores e também por opositores. O episódio da Ressurreição do Cristo também adquiriu grande força simbólica por que não somente comprovou a imortalidade. O alvo de Jesus e dos seus discípulos. Apegam-se excessivamente à inteligência racional. antecessores e posteriores. Já a intransigência. o materialismo. foi sempre a vicissitude humana. pelo arrependimento. A dor gerada pelos sentidos físicos. a crueldade. ao olhar e tocar respectivamente nas chagas abertas de Jesus. significando as atitudes de humildade e de exaltação espiritual.Seu projeto redentor do Bem. presente na condição existencial e limitada pela fragilidade física do corpo. entre Lúcifer e Logos. típicas das escolhas cruciais da existência. pela influência do egoísmo e orgulho. Esses. Até mesmo o formato ereto e vertical do corpo humano é representado biologicamente por uma cruz. que é a superação moral das provas existenciais. valiosos aliados e cooperadores nos projetos de reeducação espiritual. pelo impacto da sua aparição perispiritual. mas principalmente porque ela representa a finalidade máxima da encarnação. que são as existências.

que veio sendo desenvolvido durante os milênios. cujo acesso está sempre no coração do outro. Madalena representava o poder do arrependimento e Tomé o perigo e os riscos do ceticismo. gravada no âmago do espírito. povo que vivia ao Sul do nervoso Himalaia. Na sua Escola Planetária da Vida. No decorrer dos milênios esses conceitos vieram alterando gradualmente os costumes e a legislação humana. O retorno deliberado seria um suicídio espiritual. em apenas três anos. um jugo por demais pesado e o fardo insuportável da consciência violada. Essa interconexão didática entre as experiências horizontais e verticais na mente humana é a forma mais simples de reconhecer e respeitar as diferenças e limitações individuais. de quem estava sendo iniciado em novas verdades. tal projeto educativo foi denominado “O Reino” (Malkuth). e transformará o planeta Terra em campo livre de regeneração e não mais de provas e expiações. da qual não há mais possibilidade de retorno. como exemplificador do amor universal. e para mentalidade adulta (andragógica). que não podia ser revelado compulsoriamente.” “Na Palestina veio Jesus. no ponto mais alto da revelação eternizada. Assim se processou a tarefa pública de Jesus. porém contempla a todos que nele vivem e que geralmente não tinham acesso a essas verdades. em forma de complicados testemunhos. respeitando individualmente os momentos favoráveis à maturação e auto-superação. Essa iniciação representa o ingresso da individualidade na porta estreita da Consciência. É uma Boa Nova exatamente porque revela tudo que existe no Cosmos. Por isso. para salvá-los. naquele tempo. O BUDA. JESUS. sempre foi uma experiência de construtivismo e de inclusão. punitivas e compulsórias. em situações reais e críticas. a fraternidade dos homens e a paternidade de Deus. já o material andragógico era sua abordagem pessoal. horizontal) e mergulharem na experiência vivencial (ação e emoção.” . mas a aquisição irreversível de responsabilidades morais gravíssimas. durante qual. nos evangelhos pela figuras simbólicas de Satã e do Inferno e confirmado na Codificação Espírita. O Reino ou estado de coisas é o conjunto de Leis que regem o Universo e que atingem direta ou indiretamente a natureza do espírito. o Evangelho. pela Lei do Progresso. um estado de coisas ou de espírito.sobrevivência da alma.O CRISTO “Rezam as crônicas que. o espírito santificado de Buda declarou que habitaria mais uma vez entre os homens. convidados por Jesus a vivenciar essa difícil e fatídica lição ressurreicional. do semelhante. como forma educativa. Isto foi apontado nas inúmeras escrituras antigas. vertical). nas quais os alunos eram desafiados a superar a compreensão intelectual (pensamento. conforme o enunciado fundamental do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. A quem muito estava sendo dado. Tal projeto estava ao mesmo tempo voltado para mentalidade infantil (pedagógica). ambos superados pela mudança atitudinal de dois Espíritos corajosos. também muito seria exigido. implantou definitivamente seu projeto educativo. o afrontamento da própria Lei de Deus[9]. e que desceria entre os Sakias. O material didático-pedagógico utilizado pelo Mestre eram as parábolas. segundo suas capacidades pessoais. nas altas esferas onde se assentam os regente do mundo. SIDARTHA.

cuja estrela vimos no Oriente? (. indagando de uns e de outros: ‘Onde está o Messias Salvador do Mundo. na profundidade dos espaços siderais. assim que tomara conhecimento da conjunção planetária fora do comum. por fim. armado com seis dentes. as regiões dos mundos inferiores onde o sol não penetra.) e uma tarde (. à cata de algum nascimento sobrenatural (como constava das profecias) e um desses espiões viu quando os três viajante orientais. Tu és Ele. que só uma vez se abre em miríades de anos mas que.” “Herodes . Tu és a flor da nossa árvore humana. Como é de regra quando encarnam budas. acompanhados de seus serviçais. sobre a qual se via um elefante branco. puros e imaculados. virgem hebréia de família sacerdotal. ou melhor dito. como é de regra. as linhas das plantas dos pés. chamado Azita – A Glória Negra – cujos ouvidos estavam já fechados para o mundo mas bem abertos para as harmonias dos céus. as forças das terras foram vencidas. foi Myrian. Tocou o chão sete vezes com a cabeça dizendo: ‘Eu te adoro. E os pastores rústicos. a doce linha curva da swástica.. Ouviu os devas cantarem em honra do menino e foi ao palácio render-lhe homenagem.) Mas quando. eles descem protegidos por devas. nas encostas dos montes próximos.“Nessa Noite. Vejo a luz rosada.. e nascem sem máculas. finalmente. para todo o mundo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”. os trinta e dois signos sagrados e os oitenta sinais menores. Maya. mais uma vez. e ouviram o coro inaudível dos Espíritos clamando. tanto no corpo físico como no espiritual e. sonhou que uma estrela do céu. viram os clarões luminosos que desciam do céu. de seis raios e de rosada. este já estava crescido (dez meses e meio). a natureza toda estava emocionada e havia no ar um rumor de vozes que dizia: ‘Os mortos que volvem à vida e os vivos que baixam ao túmulo. sem nódoas líquidas.. Consultaram seus pergaminhos. suas anotações. fizeram sobre o Menino as verificações próprias das circunstâncias. dotado de ciência maravilhosa. uma vez aberta. filha de Joaquim e Ana. enrodilhados nos seus mantos. E assim . ali . uma visão (pois era dotada de aprimoradas faculdades psíquicas) durante o qual um anjo a visitou e a saudou como predestinada a Gerar o Messias esperado. do Governador Planetário. beneficiados de incrível lucidez..” “E grandes festas houve e dentre os peregrinos que chegaram veio um santo homem de cabelos brancos. se convenceram de que.... e foi uma cena comovente aquela em que esses altos iniciados se viram na presença do Senhor do Mundo. E também .) estando Myriam sozinha em das dependências do templo (.. as vibrações celestiais desceram sobre Belém e envolveram a casa humilde onde o menino-Luz estava nascendo.. (. enche o mundo com seu perfume. numa dessas noites fria e estreladas do inverno palestino quando. esposa do rei Sudhodana. o vaso carnal escolhido e já compromissado desde antes de sua encarnação na Terra. disseram que a rainha teria um filho divino. foram conduzidos à presença do Menino. dos sakias. se completava a conjunção insólita.) adormeceu e teve um sonho. que se levantem e escutem: chegou Buda. se o desejasse. E os velhos augures. que sempre estivera preocupado com as profecias.. atravessou o espaço qual brilhante meteoro e penetrou em seu seio.” “Para a encarnação do anjo planetário. espalhara seus espiões por toda a parte. consultados..” “Quando Maya despertou. em Belém.” “Até que enfim. de pérola. realmente. São iluminadas por um esplendor de infinita claridade que ultrapassa a glória dos devas. do lado direito.. sem manchas de mucosidades ou de sangue. que seria útil a todos os homens e governaria o mundo. entraram na cidade.

já integrado na unidade da Criação Divina. vestindo o traje amarelo dos mendigos e ali viveu imerso em profundas meditações dia após dia. enquanto os animais da selva. já utilizava como força irresistível do seu grande amor pelos homens. Prosternaram-se. na Fenícia e dos Montes Moab e Nebo na Judéia. após isso. esclarecendo os ouvintes como se fosse uma autoridade sapiente. estava isento de tais provações. de tristeza. Espírito da Esfera Crística. seu espírito costumava. enquanto ia recapitulando. cada vez se mais alheiava mais das suntuosidades que o cercavam e dos companheiros fúteis que o rodeavam. assumiu a responsabilidade de sustentação do lar no trabalho da carpintaria.. então.. enchendo o ar em redor. de um ou de outro modo. (. então. proferidas por mulheres lindas.” “Quando Jesus ia ao Templo local. aos poucos o conhecimento das verdades eternas. Como espírito de elevadíssima condição (pois era um Serafim do Sétimo Céu de Amadores). Nesses santuários. recolheu-se para debaixo da árvore Bodhi. as suas paixões. pelo que lhe agradava aos sentidos ou às ambições e ele. veio Mara. o Divino Mestre sentia-se tomado de compaixão e fluidos magnéticos irradiavam dele em grandes ondas..) E o príncipe foi dali para as terras de Rajaghria. operava curas e fenômenos incomuns e. produzindo rumores fortes como trovões. o Egoísmo . às vezes.” “Afora os primeiros tempos de Nazareth. Ao deparar com o sofrimento humano em qualquer de suas formas. Por isso resolveu seguir o seu destino entregando-se à salvação dos homens.. intervinha. ou ainda grande aparato.) Todavia começou a sofrer de longos períodos de alheiamento. guiados sempre por essênios terapeutas que conheciam o País a fundo. perante Ele e o glorificaram. imprevistamente. padecia com o sofrimento dos homens e nem sempre podiam esconder as próprias lágrimas. Sidartha. Vieram os pecados capitais. o príncipe das trevas. oferecendo-lhe poderes imensos no céu e na Terra. que encurvou seus ramos para abrigá-lo melhor. retiram-se para suas longínquas terras”. Nesse período fazia frequentes visitas aos santuários essênios do Monte Carmelo e do Monte Tabor. quando caiu a noite. para o tentar com todos os poderes do mal. como narra a lenda. o Divino Enviado. o seu desalento. para que o mundo não se salvasse. sua delicada sensibilidade foi resguardada e pode ele desenvolver aos poucos sua extraordinária capacidade espiritual que. E. noite após noite. em meditações demoradas (. fizeram-lhe ofertas úteis de recursos próprios e necessários à vida material e.) E daí por diante era sempre assim: mostravam-lhe as coisas da superfície exterior. certo dia. maiores e mais numerosas eram as circunstâncias em que tais fatos se sucediam. por isso. nas cerimônias públicas do culto. Neste local. achegaram-se em torno dele para protegerem a sua meditação. do Monte Hermon. com todo o poder que possuía.” “E o príncipe compreendeu que a vida era uma ilusão e que a miséria e a fraqueza e a dor dominavam no mundo e que nem mesmo ele. se exteriorizarse e. esquecendo-se até mesmo de esmolar para comer. que se deu no ano 23 quando. e todos os demônios que combatem a sabedoria e a luz vieram em seguida. (. via sempre mais fundo.) Desde criança. Então.estava encarnado o Messias Planetário. o coração humano com as suas fraquezas. mais ou menos próximos de Nazareth. ora fazendo alarido. a juventude de Jesus transcorreu normalmente em sua casa até a morte de José. muitas vezes só com sua presença. “Aos 8 anos o rei indicou-lhe preceptores mas o menino mostrou saber tudo o quanto ensinavam e mais ainda. as suas dores. refugiando-se em si mesmo. “ “Durante muitos meses viveu ali abstraído do mundo. enchendo de assombro e respeito a todos quantos os presenciavam. ora como cantigas suaves... à medida que seus poderes psíquicos se foram exteriorizando com o crescimento. muito antes do início de sua vida pública. (...

explicando: Meu pai este é o costume da nossa raça. não lutando. E então Buda saiu para fora e veio para Kapilavastu. Satanás. e dirigiu-se ao banco do pregador. Então. hora em que o assassino oculta seu punhal e o ladrão abandona sua presa e passam todos os terrores da alma. para não tropeçares nalguma pedra. porque está próximo o reino dos céus.. teve fome.)Levantou-se Ele. pois. aproximando-se. respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem. Injustiça e todos os Senhores do Inferno com seus cortejos e manhas. vivem e morrem. colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus. que engendram os desejos. desde a planície das paixões até os altos cumes da virtude onde estava agora. para receber o Buda. Depois veio o Ódio. fugir do giro da Roda. a Concupiscência. Por Esse tempo. e a visão das esferas celestiais formando um só todo. Viu também os efeitos e as causas e compreendeu a lei do Karma. cobriu-se com o talit – manto ou véu de orações . “ “Jesus acompanhado de sua Mãe. bem como sua fama de profeta. o Orgulho. medidas de tempo que ninguém alcança calcular e durante as quais os universos nascem. segundo Lucas) ao deserto. Então. teu Deus. como também viu a evolução de todas as coisas. o deixou o diabo. lhe disse: Se és filho de Deus. E.” Mateus relata: “3. não errando. os Budas. mas de toda a palavra que procede da boca de Deus. Jesus . adorarás. (. atraindo grande número de discípulos. Daí por diante. cada vez mais encurvados e os tentadores ficavam todos do lado de fora. manda que estas pedras se transformem em pães. Com isto.Frio. que lhe pôs ante os olhos os maiores e mais tentadores gozos do mundo. tomou o rolo de pergaminho das . mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se. porque está escrito. já então. sua pátria. cumpriu o rito e compareceu à sinagoga local onde chegara. foi Jesus levado pelo Espírito (cheio do Espírito Santo. Eles te sustentarão nas suas mão. a Ignorância. teu Deus. notícia de sua presença na cidade. clareando tudo e se espelhando no orvalho que cobria as folhas verdes. prostrado. e só a ele darás culto. Então o diabo levou à Cidade Santa. como salvador do mundo. sua esposa e a todos os seus súditos no reino que por direito lhe pertencia. veio vindo aos poucos. E quando a aurora surgiu e a luz veio vindo. assim. Mas a árvore protegia o santo com os seus ramos. para ser tentado pelo diabo. E na madrugada conheceu o segredo da Dor e da Ilusão que gera com auxílio dos sentidos. 4. depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites. me adorares. porém. rompam-se os laços da carne e possa o indivíduo. formando os Calpas e Mahacalpas. a pálida Dúvida. e o giro do evos. e eis que vieram anjos e o serviram. porque o solitário. Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto. dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão. uma grande alegria e uma paz desceu sobre todas as coisas. passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos. 13. Jesus lhe ordenou: retira-te. E desde então passou a ensinar sua doutrina a seu pai. dos reinos da Natureza e de todos os seres que sofrem os males da existência. e viu como se pode iluminar os Desejos e a Ilusão não buscando. em veste de mendigo causou grande cólera a seu pai Sudodhana ao qual porém ele disse.. seus parentes e discípulos. Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem. naquela noite.” “E grandes festas se prepararam em Kapilavastu.. pregando sua doutrina pelos lugares por onde passava. mas quando este chegou sozinho a pé. e quando passou de meia noite o Mestre viu todas as suas 550 encarnações anteriores quando viajou. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor. A seguir. o demônio do Prazer. com serpentes enroladas em torno do peito. o tentador. nem causando danos e suportando com paciência e resignação todos os males até que se esgote o efeito do Karma. e Kama. 1 a 11. porta-voz da sensualidade. atira-te abaixo. a fim de que João o batizasse. se transformara em Buda e a salvação do mundo estava assegurada para todos os que seguissem seus ensinos. porque está escrito: Ao Senhor.

abriu-o na passagem de Isaías. (. 60.) Os acompanhantes cantavam hinos e aleluias em honra de Jesus. Editora Aliança. para que entrasse na cidade montando. clamando: Hosana! Eis o nosso rei messias! O filho de Davi! Dançavam à frente do cortejo. anunciar aos cativos sua libertação. agitando ramos. Ele também foi se aproximando de Jerusalém (. 75. sacrificial. e. Jesus se deteve e pediu a dois de seus discípulos que fossem adiante e lhe trouxessem um jumento. como. que tratava do advento do Messias e que dizia: ‘O espírito do Senhor está sobre mim e me ungiu para que anuncie a boa nova aos pobres. verticalizando todas as funções de sua vida horizontal.. em sinal de alegria.) Hoje está se cumprindo esta escritura que acabais de ouvir’. conforme estava predito nas Escrituras (.) Ao aproximar-se da cidade. a multidão se dispersou desiludida. ao retornar o edifício..” ( Adaptado e comparado com fragmentos de textos de Edgard Armond in “ Religiões e Filosofias” e “O Redentor”. com uma só palavra ou um só gesto. está trilhando o “caminho estreito” e procurando “entrar . após aguardar longo tempo. 30.. aliás. no caso e Paulo de Tarso. ao invés de ler o texto referido. rumo ao ângulo reto de 90 graus. está “carregando a sua cruz”. também esperavam que naquele momento Jesus declarasse a libertação de Israel. 15.) O LOGOS SE FEZ CARNE E A CARNE SE FARÁ LOGOS “Quando o homem passa do plano material para o plano espiritual. “duro é recalcitrar contra o aguilhão”. elas sempre existem internamente: não há conversão repentina”. sem prejuízo desta. essa verticalização da sua vida não se dá repentinamente – natura non facit saltus – diziam os antigos – realiza-se através de numerosas etapas sucessivas... indicam suficientemente essa conversão paulatina. Jesus desceu do jumento. libertar os oprimidos e apregoar o tempo das graças e dos galardões do Senhor’. doloroso. Mas nada disso aconteceu. penetrou no Templo em silêncio e. já marcado. que haviam arrancado do arvoredo no caminho.. como seria obrigatório. derrubasse o reinado de Hanan e o poderia dos invasores romanos. Mesmo do caso que essas diversas etapas ascensionais. representadas num diagrama por meio de linhas ascendentes rumo à vertical completa: 0. por exemplo.. as próprias palavras do texto sacro. como que dizendo e deixando bem claro que Ele era o ungido ao qual as Escrituras se referiam. 45. Entretanto. Assim foram até ao Templo onde a multidão esperava que houvesse algum acontecimento extraordinário e que Jesus. para curar os de coração aflito. inaugurando seu reinado de Messias nacional.mãos do servente e.) Formou-se o tumulto e Jesus retirou-se sem mais palavras. dar vista aos cegos. 90..” (. na sua ingenuidade. embora o passo final do movimento ascensional produza nos espectadores essa impressão. entra a sua consciência individual na zona da consciência universal. "Como a Páscoa se aproximava. Durante esse período que medeia entre a horizontal e a vertical está o homem empenhado num processo de ascensão difícil. não sejam verificáveis externamente.

compreendida espiritualmente pela razão. tem de atravessar o deserto árido da disciplina. ontem sacrificialmente bom. O fim supremo do Cristianismo não consiste em fazer o homem bom. De qualquer etapa da jornada ascensional da moral volitiva pode o homem voltar atrás. passar a ser hoje um homem jubilosamente bom? Como pode ser fácil hoje o que era difícil ontem? Como pode a amarga medicina do dever converter-se na doce iguaria do querer? Como posso amar a lei. é tristonhamente bom – ao passo que o homem espiritual é radiantemente bom. quando até agora só cumpria a lei por temor? . Pode o homem moralmente bom – tristemente virtuoso. imperada pela vontade. porquanto este faz com jubilosa leveza e espontaneidade o que aquele faz com dificuldade. Ser bom é. ignorando ainda o suave optativo do querer. mas fazê-lo perfeito: “Sede perfeitos. enquanto esse ser-bom coincide integralmente com o ser feliz. A moral desse homem é simplesmente volitiva... Ignora ainda o “jugo suave e o peso leve” do querer espontâneo. mas não um gênio espiritual. Como pode um homem. do serbom. lei básica de todos os seres. antes de entrar na terra promissão. depois de ter sido realmente feliz. porque a felicidade não é senão a voz do instinto de conservação. um cristão. gemendo sob o pesado fardo da sua obrigação moral. infelizmente bom – deixar de ser bom. porém não racional. Sente ele o imperativo categórico do dever.pela porta apertada. está usando de “violência para tomar de assalto o reino de Deus”. e ainda não um saboroso manjar. uma medicina amarga. O homem moral. É um talento moral. Aquele é tristificado – este é cristificado. mas não é ainda um sábio ou sapiente.. porque nele o ser-bom é perfeitamente idêntico a ser-feliz – e ninguém pode querer apostatar da sua perfeita felicidade. nesse período. para ele. mas não um homem perfeito. A virtude do homem volitivamente moral não pode deixar de ter algo lúgubre e triste. Esse homem é virtuoso. nesse período. não pode apostatar do seu plano superior. Vive no período da lei e do temor. decair e recair para planos inferiores.. mas das alturas da ética racional não há regresso nem recaída para planos inferiores. racionalmente ético. O homem moral é um homem bom. Só o homem sapiente. que é o homem perfeito. assim como perfeito é o vosso Pai que estai no céus!” Podem sistemas altruístas e intelectualistas produzir um homem bom – mas só a experiência direta do Cristo é que pode produzir um homem perfeito. apostar. Mas. Deixou o Egito da velha escravidão do homem profano. mas ainda não entrou na atmosfera do evangelho do amor. mas. aqui atingimos a zona do grande mistério!. ou auto-realizado sem nenhum perigo nem possibilidade de relapso ou perdição. O homem bom é um querente ou um crente – o homem perfeito é um sapiente. mas não um homem crístico. uma vez que ninguém pode desejar ser infeliz. O homem jubilosamente bom e irrevogavelmente salvo.

verdade e santidade”. entre o homem tristemente virtuoso e o homem jubilosamente místico.. mas também as suas virtudes e virtuosidades de outrora. O homem remido jogou fora a sua velha colcha de retalhos. o homem da moral volitiva e tristonha morreu. amarga medicina –Beatriz. deve ter havido alguma profunda transformação biológica do homem.. só Beatriz é que pode guiar o homem. entre a morte e a vida. daí por diante. mas um novo remido. Para que os nervos obtusos e irreceptivos ou semi-receptivos do homem comum respondam ao silencioso desafio das sutilíssimas ondas de altíssima freqüência do mundo divino. vestindo-se da túnica nupcial do “renascimento pelo espírito”. que serviam de veículo à moral difícil. O sapiente vive num outro clima que o querente e o crente.É inegável que entre esse ontem e esse hoje.. Entre o talento moral e o gênio espiritual. há um profundo abismo. O gênio espiritual não é uma simples continuação do talento moral. o lauto festim da alma redenta de todas as irredenções anteriores. “Se o grão de trigo não morrer. com a mesma freqüência deficiente. entre a inexperiência e a experiência. não! É um “novo homem” um “renascido pelo espírito”. a “beatificadora”. cruzou uma fronteira. Virgílio simboliza moral. entre o dever e do sacrifício e o querer do amor. uma vez que essa modificação na zona ética e espiritual é inexplicável sem uma correspondente transmutação no plano físico e biológico. Como realizar essa transformação biológica do veículo nérveo” como dar à nossa antena receptora uma nova capacidade essencialmente superior? Como processar essa estranha alquimia de transmutação de elementos vis em ouro de lei?. mas é. O homem crístico não é apenas um homem remendado. feito em justiça. para tanger a sua música divina e vibrar a sinfonia da sua jubilosa facilidade e felicidade.” Evidentemente. entre o difícil e o fácil. devem esses nervos passar por um misterioso processo de aguçamento ou refinamento. desconhecido ao homem profano e irridento. houve um novo fiat creador. significa o gênio espiritual. a virtude difícil. Quem “transborda de júbilo em todas as suas atribulações”. que se despojou totalmente do “homem velho” que anda ao sabor das suas concupiscências. o remido. O gênio cósmico do Cristo e do homem crístico necessita de um instrumento adequado para poder exercer a sua atividade... ultrapassou não só os seus vícios. e se revestiu do “homem novo. não é “roupa velha com remendo novo”. possam reagir. invadiu um mundo incógnito onde todas as amarguras são suaves. Assim é o homem crístico. uma alvorada virgem e inédita. de alto a baixo. Pode Virgílio conduzir o homem do inferno até as extremidades fronteiras do purgatório – mas. todas as trevas são luminosas e a própria morte se converteu num alvorada da vida eterna. que surgiu das trevas da noite. uma “nova creatura do Cristo”. à altíssima vibração da espiritualidade fácil. Ora.. o renascido. não é crível que os mesmos nervos de baixa freqüência vibratória. transpôs um abismo. o mesmo que medeia entre o querer e crer e o saber. todos os pesos são leves. até ao coração do paraíso. para que o homem da espiritualidade racional e jubilosa pudesse nascer. entre o homem bom e o homem perfeito. a santidade fácil. .

. A serpente rastejante do Intelecto tem de servir à serpente sublimada da Razão. por mais que a inteligência iluda o homem com pseudo-redenções. harmonizadas com a Razão. de linha intelectual. redenta. e continua irridento. mas o exercício de condições objetivas para o despertamento conciencial. de lhe ir no encalço. exigindo ser por ele servida. abandona o Cristo redentor. ainda não cristificada. A inteligência que serve ao Cristo é crística. trata-se de uma apologia e resgate do aspecto iniciático das verdades . O mistério anônimo da transformação biológica realizada pelo homem radiantemente bom. Enquanto a humanidade não atender ao convite de Lógos. de linha andragógica. e. Sua finalidade não é o proselitismo de nenhuma corrente filosófica ou religiosa específica e de seus dogmas. quando a vanguarda compete à Razão. aparecem e executam a ordem do Cristo. e. em vez de lhe seguir no encalço. recusou-se a obedecer à ordem do Lógos[10]. “Vade retro. Já escolas iniciáticas. se assim fizer...Não é possível revelar em letra de forma tão grande mistério. satanizado. porém. é anti-crística. Outras inteligências. A inteligência que se recusa a servir ao Cristo. os anjos. retira-se. servindo espontânea e jubilosamente. satana!” – replica o Lógos. Lúcifer e Logos – Fundação Alvorada PROGRAMAS DOS ENCONTROS DE INICIAÇÃO E APROFUNDAMENTO ELABORADOS A PARTIR DOS TEXTOS Em busca do Sétimo Ser – Iniciação Consciencial Este curso. que só a experiência pessoal aliada a uma intensa disciplina pode outorgar. não é apenas transmissão de conteúdo teórico-intelectual. porém. A serpente rastejante do Intelecto tem de servir à serpente sublimada da Razão.. satanizado pelo orgulho. adere ao partido do Lúcifer anti-crístico. querendo ser servida em vez de servir e tentando redimir o homem pelo conforto material. forma de encontros. não temem a abordagem aprofundada e emocional.” Huberto Rohden. pela magia mental ou pelo poder político. O grosso da humanidade dos nossos dias. irridenta. não conseguem obter resultados práticos nessa área porque se restringem aos conteúdos racionais e superficiais da conduta humana. servindo e adorando a Deus somente – não haverá redenção. por isso mesmo atingem resultados mais duradouros. Lúcifer. Vai na minha retaguarda. Muito pelo contrário. serão curadas por esta a s mordeduras daquela. As escolas comuns.

que é sempre ação e atitude. visto que o Universo não tem idéias. Quando nos expressamos nossos sentimentos. gostar. Os sentidos são divinos porque . Pensar é errar. A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. guardaremos a mensagem para refletir por que pensamos e agimos diferente. Ponto de Partida “Sentir é criar. Ver.Não criticar nem condenar o que ouvirmos. A parte prática que adotamos é uma adaptação das idéias da psicologia humanista. e largamente utilizadas por inúmeras entidades de ajuda humanitária. abordando os temas sempre em dos aspectos: A) FALAR O QUE PENSAMOS ( Exteriorização da fala): após a exposição teórica. Sentir é compreender. . o essencial das aulas ou reuniões é proporcionar o autoconhecimento. Como tratamos da Consciência. Mas o que é sentir? Ter opiniões não é sentir. Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente. Deus é por toda gente. palpar – são os únicos mandamentos da lei de Deus. O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma. Todas as nossas opiniões são dos outros. gostar. .Ouvir e respeitar as opiniões dos outros participantes. acontece uma discussão teórica e objetiva sobre o tema proposto.Falar de nossa própria experiência. cheirar. e por isso sentir é compreender. nas incursões que fazemos no pensamento e nas experiências dos seus mestres criadores. Sentir é pensar sem idéias. Só se pode fazer sentir o que se sente. sem teorizar.essenciais que todas elas possuem e que provocam a evolução e ampliação da consciência humana. Nas antecâmaras do sentimento é proibido ser explícito. olhando para dentro do nosso ser. todas as crenças e concepções foram aqui contempladas. desenvolvidas nas práticas terapêuticas de Grupos de Encontro. ouvir. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. De forma geral. O que se sente não se pode comunicar. na qual podemos expressar nossos sentimentos e emoções ou apenas ouvir. e não somente o estudo lógico-racional e teórico dos temas.Mesmo que não concordemos com o que ouvimos. Para tanto é necessário o uso das duas inteligências emocionais (intra e interpessoal). Ser outra pessoa é de grande utilidade metafísica. . Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. B) FALAR O QUE SENTIMOS (Interiorização da fala): uma reflexão vivencial e subjetiva. é muito importante observar o seguinte: . Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. respeitar não quer dizer concordar. Só se pode comunicar o valor do que se sente.

Por isso agir é trair o nosso pensamento..Rohden b) Pesquisa Externa: Grupos ou Duplas farão entrevistas perguntando sobre as virtudes e os defeitos das pessoas (Transparência 8). in “ O Eu profundo e outros Eus” SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA OS ENCONTROS CONSCIÊNCIA E VERDADE – Conceituação e Contextualização a) Dissertação escrita ou oral: Quem sou eu? Como me vejo? b) Verbalização: os participantes trocam suas dissertações e apresentam uns aos outros.. Agir é descrer..Rogers b) Verbalização: A morte é o fim? Como eu vivenciaria esse processo? Como me ligo a Deus? O HOMEM RACIONAL – A Crise Existencial e a Busca Filosófica a) Verbalização: Ação e Reação: Quem semeia vento.são a nossa relação com o Universo.. O HOMEM TEOLÓGICO – O medo de existir e morrer / Síndrome do pânico a) Texto e Reflexão: Vivendo o Processo de Morrer . reflexões paradoxais. logo. Pensar é errar. Exposição oral dos resultados. e a nossa relação com o Universo Deus. Fernando Pessoa . b) Conclusão e exposição de todos: Preencher o cartaz: Penso. A Quebra de barreiras . O HOMEM BIOLÓGICO – O despertar da Consciência a) Texto e Reflexão: O segredo do corpo vertical . O HOMEM METAFÍSICO – A Busca de Soluções e os Trabalhos de Hércules a) Pesquisa interna ou externa: Você possui algum preconceito? b) Verbalização: À noite todos o gatos são pardos? O HOMEM POSITIVO – Do saber para o fazer. logo existo. colhe tempestade? Conhecimento gera ética e responsabilidade? Grupo responde questões sobre o filme “A Inteligência Artificial”. Ajo. logo. Sinto. Só sentir é crença e verdade. Nada existe fora de nossas sensações.

mas quem apanha não esquece? .Sofrer é um castigo. 3ª e 4ª semanas Em que contexto estou inserido? Qual tem sido o significado e o sentido de minha existência? .Consigo perdoar? c) Música “Saudosa maloca”: Verbalização: Deus ajuda a quem madruga? Deus dá o frio conforme o cobertor? O que significa madrugar? E o cobertor? O SÉTIMO SER – A plenitude a) Texto e Reflexão: Os Versos de Ouro de Pitágoras b) Baseando-se no texto os participantes preenchem o perfil (cartaz com contorno humano) do 7º Ser c) Verbalização: Hoje sou melhor do que ontem? d) Avaliação final AUTO-AVALIAÇÕES I.Quem bate não esquece. b) Verbalização: Como Gandhi responderia essas questões: . injustiça ou aprimoramento? . PROJETO EXISTENCIAL Olhando ao meu redor: 2ª . PONTA PÉ INICIAL – 1ª e 2ª semanas Quem sou Eu? Como me vejo? II.a) Verbalização: Tenho um projeto de vida? Dia a dia estamos mudando? Mudando para melhor? Que virtudes gostaria de conquistar? b) Música: “Caçador de Mim” c) Todos refletem sobre a música “Saudosa maloca”: Deus ajuda a quem madruga? Deus dá o frio conforme o cobertor? O que significa madrugar? E o cobertor? O HOMEM PSICOLÓGICO – O Encontro consigo mesmo a) Leitura: O retrato de um santo (Will Durant descreve Gandhi).

Meu destino já está traçado e definido? Ou posso muda-lo? O que significa para mim o momento presente? O passado interfere no meu momento atual? De que forma? Como vejo e o que espero do meu futuro? Possuo uma utopia ? Quais são meus sonhos? Encarando a realidade: 5ª . AUTO-CONHECIMENTO – Genérico – 8ª semana Acho que o conhecimento de mim mesmo (a) é a chave do meu melhoramento pessoal? .Não . em profundidade suficiente.Superficialmente Já me preocupei em descobrir os porquês de minhas principais manifestações impulsivas no terreno das emoções? .Não .Sem idéia formada Acredito ser conhecedor de mim mesmo (a). podendo assim identificar os meus próprios impulsos? .Sim .Raramente .Sim . 6ª e 7ª semanas · Quais os meus principais problemas? Quais são as limitações que me impedem de progredir no terreno da transformação pessoal? · Que tipo de reação tenho quando sou questionado sobre meus defeitos e limitações? · Quais as causas dessas limitações e quais as soluções? · Preciso de ajuda? Que tipo de ajuda? Quem pode me ajudar? · Qual é a prioridade para realizar uma mudança em minha existência? · Qual o primeiro passo a ser dado? III.Não .Sim .

AUTO-CONHECIMENTO – Vícios e maus hábitos – 9ª semana Sinto-me irresistivelmente condicionado a algum vício ou mau hábito? Sofro as conseqüências maléficas que os mesmos provocam? Já tentei libertar-me voluntariamente de algum desses vícios e hábitos? Analisando como comecei neles.Não .Reajo com indiferença .Sim .Sim – Não .Sinto-me inquieto (a) . sentimentos fortes que não consigo dominar? . concluo: Foi por livre desejo? Foi por sugestão de alguém? Quando tentado a experimentar algum dos vícios sociais. a minha imaginação articulando sensações que me satisfaçam ao alimentá-las? .Deprimido .Indiferente .Indiferente Já tentei relacionar meus principais defeitos? . por vezes.Fico com pena .Não vejo razões para o fazer Diante de algum erro ou falha minha.Pratico auto-punição Fico triste ao constatar no seu íntimo. cedo facilmente? Percebo.Sim .Sem experiência Como reajo quando sinto que ofendi alguém? .Não .Não Acho que me se sentiria mais satisfeito e alegre compreendendo e controlando melhor as minhas reações desagradáveis? -Sim .Não . como me sinto? .Procuro corrigir-me Já sofri alguma dor profunda ou passei por período de doença que tenha feito mudar meus hábitos ou corrigir algum defeito? .Sim . por vezes.Indiferente IV.Peço desculpas .Refletir sobre mim mesmo (a) e auto-analisar-me é difícil? .

pelos males causados a alguém . descreverei os meus motivos.conscientemente .Já pensei que esse tipo de imaginação me predispõe a cometê-las? Tenho dificuldades em afastar da mente os devaneios e os pensamentos ligados a prazeres viciosos? Já cheguei a compreender a necessidade de eliminar os vícios e hábitos negativos? Acho que poderei com o próprio esforço deles se libertar? V.Persistente Entendo que as paixões excessivas são ruins pelas conseqüências mentais que provocam? E que somos consciências . AUTO-CONHECIMENTO – Limites e obstáculos – 10ª semana Já refleti sobre os limites e defeitos que se acham mais acentuadamente incrustados em meu íntimo? Já identifiquei particularmente algum. como consigo identificá-los? . que constitua verdadeiro empecilho? Qual é? Acho que muitos dos meus limites e defeitos não foram ainda conscientemente identificados? Quando algum limite ou defeito meu são manifestados.procuro redimir-me Já pensei se quero mesmo combater e superar os meus limites e defeitos? Em caso afirmativo. além desses? · Diante de uma atitude ou reação errada cometida por mim mesmo. como me sinto? .Nulo .triste .por outro meio. Entendo que as “quedas” são oportunidades valiosas para o progresso anterior? Lembra-me de alguma situação que confirma esse entendimento? Como considero o esforço próprio que tenho desenvolvido para vencer minhas más tendências? .pelos males causados a mim próprio .Razoável .Fraco . dentre outros limites.com auto-punição – indiferente .

O que sinto diante dessas situações(expressando-me sempre na 1ª Pessoa do Singular) Meu mal humor modifica minha existência? Minha irritação soluciona algum problema? Quando ajudo alguém faço alguma exigência? Numa discussão sempre ajo com serenidade? Consigo cultivar o silêncio interior ? Quando observo alguém com algum desequilíbrio costumo colocar-me no lugar dele? Comentar coisas ruins pode me trazer algum resultado positivo? Diante de uma situação de escuridão consigo acender sua luz? Quem é consciente é pau para toda obra? Minha consciência está relacionada à minha disponibilidade? Minhas dores me trazem algum benefício? Meu sofrimento já promoveu algum progresso em minha existência? Já tive oportunidade de comprovar que o pessimismo é um equívoco? Quando me arrependo sinto que dei o primeiro passo para uma mudança interior? Consigo perceber que uma lei natural me impulsiona a mudar e progredir sempre? Sinto a necessidade de conquistar definitivamente uma paz interior? . escritos ou verbalizados oralmente.integradas a um corpo biológico-mental? Que conclusão eu tiro das respostas que dei sobre mim mesmo (a) ? Temas semanais desenvolvidos durante os encontros.

uma oportunidade de aprofundamento das experiências anteriores. Agora partimos para um estágio de autoconhecimento ainda mais introspectivo no sentido de reflexão. Para tanto.Para mim Deus é algo que está dentro ou fora do seu íntimo? Qual seria a finalidade da minha existência e da minha vida? Consigo ser desprendido. AVALIAÇÃO DOS ENCONTROS – 11ª semana · Na minha opinião os encontros: .Satisfizeram minhas expectativas . Nos grupos onde já identifica-se maior grau de maturidade e compreensão dos temas . propomos temas diferentes mantendo as mesmas regras de participação da fase anterior.Frustraram minhas expectativas . de coisas materiais e de relacionamento com pessoas? Como lido com o problema da escolha entre o bem e o mal? VII.Foram além das minhas expectativas. · Os encontros acrescentaram algo mais na minha experiência de vida? O que? · Mudei de opinião e sentimentos em relação a conceitos apresentados durante os encontros? Quais? · Quais assuntos não consegui entender e/ou compreender plenamente? · Quais assuntos não tiveram tempo suficiente para serem aprofundados? · Minhas sugestões para este e outros encontros são: · Gostaria de dar continuidade ao meu processo de auto-avaliação e crescimento interior? PROPOSTA DE CONTINUIDADE DOS ENCONTROS Aprofundamento Consciencial A finalidade desse dessa segunda fase dos encontros é proporcionar em 20 reuniões – que podem ser recicladas quantas vezes for necessária . quando somente identificamos os obstáculos que bloqueiam a nossa transformação pessoal. porém mais aberto e exteriorizado no sentido da comunicação das nossas experiências.

1. CONHECIMENTO / Como tenho utilizado o conhecimento que adquiro? Eles têm mudado minha realidade? 2. CIÚME / Sinto confiança em relação às pessoas com quem convivo? Respeito a liberdade e a intimidade do meu parceiro? Deixo-me levar pela imaginação doentia? . é muito importante observar o seguinte: .Ouvir e respeitar as opiniões dos outros participantes. sem teorizar. Quando nos expressamos nossos sentimentos.Não criticar nem condenar o que ouvirmos. ORGULHO / Como reajo diante de uma humilhação? Contrario-me por pequenos motivos? Diante de uma crítica reajo negativamente com justificativas? Gosto de ser o centro das atenções? Menosprezo e debocho do outro nas contendas? 06. acontece uma discussão teórica e objetiva sobre o tema proposto. respeitar não quer dizer concordar. olhando para dentro do nosso ser. . guardaremos a mensagem para refletir por que pensamos e agimos diferente.Falar de nossa própria experiência. CORAGEM / Como tenho lidado com os meus medos e inseguranças? Quando recuo diante de provas me sinto covarde? Sinto pena de mim mesmo ou fico indignado? Como posso reverter o medo em atitude de coragem? 04. na qual podemos expressar nossos sentimentos e emoções ou apenas ouvir. VAIDADE / Reconheço quando sou culpado de alguma falha de que me apontam? Procuro realçar qualidades que acho que possuo? Sou tolerante com as pessoas que estão em posições mais simples e humildes? 08. B) FALAR O QUE SENTIMOS (Interiorização da fala): uma reflexão vivencial e subjetiva.Mesmo que não concordemos com o que ouvimos. .podemos dispensar o primeiro item (A): A) FALAR O QUE PENSAMOS ( Exteriorização da fala): após a exposição teórica. . A TENTAÇÃO – FALSO PRAZER / Quando sou tentado a experimentar algum vício cedo facilmente? Minha vontade é fraca a ponto de não poder testá-la? Aceito desafios? 05. VERDADE / O que significa para mim a Verdade? Estou preparado para conhecê-la? Quais são as verdades que conheço e que acredito? Respeito a verdade do outro? 03.

NEGLIGÊNCIA / Descuido facilmente das minhas obrigações? Faço corpo mole nas situações que exigem atitude? Deixo para depois o que deve ser feito agora? Fujo de pensamentos que lembram os obstáculos a serem removidos? 18. PERSONALISMO / Gosto de fazer prevalecer meus pontos de vista/ Valorizo a experiência do outro? Boicoto idéias e projetos que não fui convidado a participar? Me sinto ofendido quando minha idéias são rejeitadas? 14. IMPACIÊNCIA / Demonstro inquietação e aborrecimento quando tenho que esperar ou agir na ocasião certa? Sofro quando anseio por algo? Questiono se sou merecedor das coisas que anseio com intranqüilidade? 17. entro em desânimo e desisto ou procuro refletir nas causas do fracasso? 20. OCIOSIDADE / Como compreendo a Lei do Trabalho? O trabalho é um mal necessário? O ócio é inútil ou pode ser criativo? 19. REMINISCÊNCIAS e TENDÊNCIAS/ O passado interfere em minha vida atual de forma negativa? Existe algo em mim que precisa do passado que me impede de avançar para o futuro? . VINGANÇA / Como controlo minhas emoções de ódio? Cedo ao impulso do revide ou procuro refletir no meu desequilíbrio momentâneo? Sinto prazer ou vergonha quando desejo vingança? 12. INTOLERÂNCIA / Aceito os defeitos dos outros ou reajo com indignação? Sou crítico e severo nas cobranças? Lembro de aplicar a mesma medida em mim quando julgo e condeno os outros? 16. AVAREZA / Dou muita importância a pertences e ao dinheiro? Fico desequilibrado quando sofro prejuízos materiais? 10. PERSISTÊNCIA/ Diante dos mal resultados. ÓDIO / Alimento antipatias? Cultivo pensamento de crueldade contra os que me agridem ou humilham? Sinto vontade de ofender com palavras agressivas? 11.09. AGRESSIVIDADE / Como são minhas reações agressivas? Tenho rancor e repentes de cólera? Sou inclinado a atos violentos? 13. MALEDISCÊNCIA / Como me comporto diante de uma informação maldosa? Que tipo de satisfação posso sentir quando emito uma calúnia? 15.

deixando seu filho órfão de sete anos. As submersões começaram e seguiram desde a região noroeste para o sudeste”. [5] Combatia a escravidão. filho de um lavrador chamado Esnek e de uma pastora de antílopes chamada Adhala. “Na cidade de Supradeva veio Juno à vida física. FEB Editora. Universo e Vida. A Criação. a antropofagia e o bárbaro comércio de carne salgada de crianças. Áureo. Ambos faleceram em uma epidemia. Depois de sua morte.[1] “Os Mestres”. os Lógos são entidades espirituais acima dos limites humanos.500 anos tomou novamente matéria carnal ( como Antúlio) na capital do país de Dyaus (Atlântida). FEB Editora. despertando instintos nos animais. e A Caminho da Luz. [9] Questão 621 de O Livro dos Espíritos.” [6] “O grande espírito Luz tomou matéria carnal na Atlântida quando fazia mais de meio ciclo (+ anos de l2. Esses seres penetram na esfera do Pensamento Criativo Divino e exteriorizam sua vontade no plano material. Ramatis. dono de um barco de carga. já plenamente integradas à Consciência Divina. o tomou a seus cuidados e fez dele um experiente e hábil marinheiro. Ver também Os Exilados da Capela e O Redentor( A Tradição Messiânica). Vestha. de Emmanuel. foi posto a pique e ali morreu junto com sua esposa cega. Postado por Dalmo Duque dos Santos às 9:49 AM . Rosália Luque Alvarez. [4] Casou-se com a princesa lêmure (antiga companheira Vestha) difundindo as verdades divinas deturpadas por sacerdotes corruptos. Na Enseada dos Pinheiros (País de Envodaro) onde Juno ancorava seu barco. [7] Origens da Civilização Adâmica. Editora Aliança. [3] Iniciação Espírita – Aula 1 – Edgard Armond e outros autores. Um marinheiro. Depois de 3. amigo de seu pai. Editora Pensamento. teve lugar outro afundamento parcial do continente atlante. Editora Pensamento. [2] O Livro dos Espíritos. itens 100 a 113. Editora Freitas Bastos. Passados 25 anos de sua morte. ocorreu o primeiro afundamento parcial daquele continente.500) que existia humanidade naquele continente. seu natural veículo energético. [8] Mensagens do Astral. Escala Espírita. idéias e sentimentos nos seres humanos e plasmando formas. através do Sol. do mesmo autor e editora. [10] Segundo a tradição esotérica .

Assinar: Postagens (Atom) Síntese da Evolução Anímica • ▼ 2008 (15) o ▼ Fevereiro (15) A Utopia do Sétimo Homem O Ser e a Consciência A História e o destino A Consciência e a Verdade O Ser e o Tempo A Vida e as existências A Verticalização da Consciência O Homem Biológico da Pré-História O Homem Teológico da Antigüidade Oriental .

O Homem Racional Greco-Romano A Verdade de Sócrates O Homem Metafísico da Renascença O Homem Positivo da Era Científica O Homem Psicológico do 3º Milênio O Homem Cósmico Integral .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful