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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP Instituto de Ciências Biológicas – ICB Curso de Farmácia

EPIDEMIOLOGIA E SAÚDE PÚBLICA

Alexandre Palaro Braga

RA: A382AJ-8

Ana Elvira Racco

RA: A7132F-2

Fábio Pereira Júnior

RA: A633AE-0

Jefferson Scherrer

RA: A605HJ-8

José Felipe Colturato Bonelli

RA: A51127-0

Márcio Borges

RA: A60679-3

Ohana Lavitola

RA: A611JA-9

Thaís Dosvaldo de Freitas

RA: 375348-4

Campus Araraquara

2011

Alexandre Palaro Braga

RA: A382AJ-8

Ana Elvira Racco

RA: A7132F-2

Fábio Pereira Júnior

RA: A633AE-0

Jefferson Scherrer

RA: A605HJ-8

José Felipe Colturato Bonelli

RA: A51127-0

Márcio Borges

RA: A60679-3

Ohana Lavitola

RA: A611JA-9

Thaís Dosvaldo de Freitas

RA: 375348-4

EPIDEMIOLOGIA E SAÚDE PÚBLICA

Trabalho a ser apresentado para a disciplina de Epidemiologia e Saúde Pública. Sob orientação da professora:

Profª. Drª. Vilma Bernadete Barreira.

Campus Araraquara

2011

RESUMO

O presente trabalho tem o objetivo de aprofundamento da matéria Epidemiologia e Saúde Pública, do curso de farmácia da UNIP. Estabelecendo desta forma, um grupo de alunos que se dividiram para a feição do mesmo. Tratando desde o princípio dos caracteres da disciplina, fazendo sua introdução: esclarecendo a forma que originou a disciplina assim como seu histórico e seus respectivos desenvolvimentos. A estrutura dos órgãos de saúde pública bem como os conceitos de saúde-doença, epidemias e formas de tratamentos disponíveis no país. Este trabalho busca apenas elencar e fazer um breve resumo de toda a matéria dada durante o 2º semestre letivo de 2011.

ABSTRACT

The present work aims at deepening the tax Epidemiology and Public Health Programs, the pharmacy course of UNIP. Thus establishing a group of students who have split for the same feature. Since the characters from the principle of discipline, making his introduction: clarifying the way that led to the discipline as well as their historical and their developments. The structure of the public health organizations, as well as a concept for health-illness, epidemics and forms of treatments available in this country. This work search only shows and do a brief resume of all themes discussed during the 2th. semester of 2011.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

5

1

- CONCEITO DE EPIDEMIOLOGIA E BASES

5

2

- CONCEITO

DE

SAÚDE

13

3

– PROCESSO ENDÊMICO:

18

4

- VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

21

5.

INTRODUÇÃO

A SAÚDE PÚBLICA

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6. MODELOS DE SISTEMAS DE SAÚDE E O DESENVOLVIMENTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO

38

7 - SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

41

8 - SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – LEIS

45

9 - CONFERÊNCIAS NACIONAIS DE SAÚDE

46

10

– SAÚDE DA FAMÍLIA E O PROGRAMA DE AGENTES

COMUNITÁRIOS:

54

11 – EQUIPE DE SAÚDE NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA:

55

12 – NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA (NSF)

61

13- PROGRAMA DE SAÚDE PÚBLICA:

63

14

– PROGRAMAS DE SAÚDE NO BRASIL

78

15. O SISTEMA DE SAÚDE SUPLEMENTAR NO BRASIL

87

REFERÊNCIAS:

92

5

INTRODUÇÃO

1 - CONCEITO DE EPIDEMIOLOGIA E BASES HISTÓRICAS.

A Epidemiologia é a ciência que estuda os padrões da ocorrência de doenças em populações humanas e os fatores determinantes destes padrões. A epidemiologia aborda o processo saúde-doença em grupos de pessoas que podem variar de pequenos grupos até populações inteiras. O fato de a epidemiologia, por muitas vezes, estudar morbidade, mortalidade ou agravos à saúde, deve-se às limitações metodológicas da definição de saúde. Segundo o dicionário “Aurélio”, “SAÚDE” significa conservação da vida, robustez, vigor, estado em que se é sadio ou são, disposição do organismo, moral ou mental. Segundo Almeida Filho, saúde vem do latim “salutis” que origina também, desde salvar (livrar do perigo, afastar o risco), até saudar (desejar saúde) e são; de “sânus” se originam sanidade e sanitário. Enfim, saúde é salvação, conservação da vida. Suas aplicações variam desde a descrição das condições de saúde da população, da investigação dos fatores determinantes de doenças, da avaliação do impacto das ações para alterar a situação de saúde até a avaliação da utilização dos serviços de saúde, incluindo custos de assistência. Dessa forma, a epidemiologia contribui para o melhor entendimento da saúde da população, partindo do conhecimento dos fatores que a determinam e provendo subsídios para a prevenção das doenças.

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BASES HISTÓRICAS

A primeira medicina do coletivo é a Medicina Veterinária. A Academia de

Medicina de Paris organiza-se a partir da Ordem Real para que os médicos estudassem a epidemia que periodicamente dizimava o rebanho ovino, com graves perdas para a nascente indústria têxtil francesa. No âmbito político, o século XVII testemunha o aparecimento do Estado moderno. Especificam-se os conceitos de Estado, Governo, Nação e Povo. O Estado, o povo como elemento produtivo, e o exército, precisam não apenas do número, mas também da disciplina e da saúde. Estas são as bases da "aritmética política" de William Petty (1623-1697) e dos levantamentos pioneiros da "Estatística Médica de John Graunt (1620-1674). Diferentes tipos de intervenção estatal sobre a questão da saúde das populações ocorreram no período. Na Inglaterra, o "movimento hospitalista" e o assistencialismo antecedem uma medicina da força de trabalho já parcialmente sustentada pelo Estado em áreas urbanas. Na França, com a Revolução de 1789, implanta-se uma "medicina urbana" a fim de sanear os espaços das

cidades, disciplinando a localização de cemitérios e hospitais, arejando as ruas e construções públicas e isolando áreas "miasmáticas". Na Alemanha, Johann Peter Franck (1745-1821) sistematiza as propostas de uma "Política Médica", baseada em medidas de controle e vigilância das doenças, sob a responsabilidade do Estado, junto com a imposição de regras de higiene individual para o povo. Em 1825, P.C. Alexandre Louis (1787-1872) publica em Paris um estudo estatístico de 1960 casos de tuberculose. Médico e matemático, Louis é também o percussor da avaliação de eficácia dos tratamentos clínicos utilizando os métodos da Estatística. A abordagem de doenças pelo "método numérico" influencia o desenvolvimento dos primeiros estudos de morbidade na Inglaterra e nos Estados Unidos, origem da Saúde Pública.

A Revolução Industrial e sua economia política trazem o fato e a idéia da

força de trabalho. A formação de um proletariado urbano, submetido a intensos níveis de exploração. O desgaste da classe trabalhadora deteriora

profundamente as suas condições de saúde, conforme mostra Friedrich Engels em seu "As Condições da Classe Trabalhadora na Inglaterra em 1844", talvez

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o primeiro texto analítico da epidemiologia crítica. Um dos socialismos passa a interpretar a política como medicina da sociedade e a medicina como prática política. Desde então, o termo Medicina Social, proposto por Guerin em 1838, serve para designar genericamente modos de tomar coletivamente a questão da saúde. Mas o projeto original da Medicina Social morre nas barricadas da Comuna de Paris de 1848. Os estudos de John Snow (1813 - 1858), considerado o pai da Epidemiologia, iniciado no contexto da Medicina Social, identificou a cadeia de transmissão do Vibrio cholerea, o responsável pela Cólera. A descoberta dos microorganismos causadores de doença representa um inegável fortalecimento da medicina organicista. O conhecimento básico sobre as doenças transmissíveis cresce muito rapidamente, monopolizando o avanço do conhecimento epidemiológico, dirigindo-o para os processos de transmissão ou controle das epidemias então prevalentes. Data dessa época o ensino dos primeiros conhecimentos sobre doenças em populações nos programas de saúde pública, e sua incipiente Epidemiologia, como uma “medicina social”. Em 1839, William Farr criou um registro anual de mortalidade e morbidade para a Inglaterra e País de Gales, marca a institucionalização da Estatística Médica. A versão britânica da Medicina Social desliza por uma vertente técnica, constituindo a chamada Saúde Pública. O conhecimento básico sobre as doenças transmissíveis cresce muito rapidamente, monopolizando o avanço do conhecimento epidemiológico, dirigindo-o para os processos de transmissão ou controle das epidemias então prevalentes. Data dessa época o ensino dos primeiros conhecimentos sobre distribuição de doenças em populações nos programas de saúde pública. Na década de 30, o avanço tecnológico da prática médica determina uma redução do seu alcance social. A fragmentação do cuidado médico conduz à especialização, à ênfase em procedimentos complementares, a uma elevação de custos e finalmente à capitalização da assistência à saúde. A crise das sociedades capitalistas ocidentais revel uma incapacidade do sistema econômico monopolista em prover condições mínimas de vida e saúde para a totalidade das suas populações.

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A organização dos exércitos para a Segunda Guerra Mundial levanta a questão da saúde física e mental dos combates, e representa uma demanda concreta para o desenvolvimento de métodos mais eficiente para medi-la, resultando na possibilidade de sua aplicação a populações civis. Essa fase, que coincide com um pós-guerra associado à intensa expansão do sistema econômico capitalista, caracteriza-se pela realização de grandes inquéritos epidemiológicos, principalmente a respeito de doenças não-infecciosas. A partir daí, a Epidemiologia impõe-se aos programas de ensino médico e de saúde como um dos setores da pesquisa médico-social mais dinâmico e frutífero. Novos modelos teóricos são propostos para dar conta dos impasses sofridos pela teoria unicausalista de doença, aperfeiçoando o paradigma da História Natural das Doenças. Nessa época, década de 50, programas de pesquisa departamentos de Epidemiologia experimentam novos desenhos de pesquisa. No início dos anos 60, a pesquisa epidemiológica experimenta a mais profunda transformação da sua curta história, com a introdução da computação eletrônica. À ampliação dos bancos de dados, soma-se à potencialidade de criação de técnicas analíticas com especificações inimagináveis no tempo da análise mecânica de dados. Há também um forte movimento de sistematização do conhecimento epidemiológico produzido, talvez melhor exemplificado pela obra de John Cassel (1915-1977) no sentido da integração dos modelos biológicos e sociológicos em uma teoria compreensiva da doença, unificada pelo "toque" da Epidemiologia. A tendência à matematização da Epidemiologia recebe um reforço considerável na década seguinte. Modelos matemáticos de distribuição de inúmeras doenças são então propostos. O campo da Epidemiologia encontra, assim, identidade provisória, justificando a consolidação da sua autonomia enquanto disciplina. Nos países do Terceiro Mundo, a incorporação do conhecimento epidemiológico vem se fazendo de modo cada vez mais acelerado. Os programas da UAM no México, do CEAS no Equador e alguns centros de pós- graduação no Brasil são exemplos, na América Latina, dessa busca de uma Epidemiologia de acordo com os princípios teóricos da Medicina Social e mais adequada à realidade desses países. No momento atual, a Epidemiologia

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inegavelmente retoca o seu reconhecimento enquanto campo científico. Simultaneamente, busca o estabelecimento do objeto epidemiológico, à medida que amplia o seu âmbito de ação e institucionaliza-se como prática de pesquisa.

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MARCOS DA HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA Evolução até o século XIX:

Hipócrates: há 2.500 anos, analisava as doenças em bases racionais, como produto da relação do indivíduo com o ambiente. O clima, a maneira de viver, os hábitos de comer e de beber deveriam ser levados em conta ao analisar as doenças. Teoria miasmática: consideravam que as doenças eram causadas por certos odores venenosos, gases ou resíduos nocivos, que se originavam na atmosfera ou a partir do solo. Essas substâncias seriam posteriormente arrastadas pelo vento até a um possível indivíduo, que acabaria por adoecer. Primórdios da quantificação dos problemas de saúde, mediante a quantificação dos dados de mortalidade. John Graunt (1620-1674): tratado sobre as tabela mortuária em Londres. Mortalidade por sexo e região: quantos óbitos ocorriam em relação ao total da população. “Pai da demografia e das estatísticas vitais”.

Século XIX

Europa como centro das ciências- Revolução industrial e deslocamento das populações para as cidades e a ocorrência das epidemias de cólera, febre tifóide e febre amarela. Os estudiosos se dividiam entre a teoria dos miasmas e teoria dos germes.

Pierre Louis: introduziu o método estatístico na contagem dos eventos, revelou a letalidade da pneumonia em relação à época em que era iniciado o tratamento por sangria. Louis Villermé: investigou a pobreza, as condições de trabalho e suas repercussões sobre a saúde e a estreita relação entre situação socioeconômica e mortalidade. (saúde dos trabalhadores das indústrias de algodão, lã e seda). William Farr: trabalhou 40 anos no Escritório Geral de registros da Inglaterra: classificação das doenças ,descrição das leis das epidemias. Possibilitou o acesso dos estudiosos a um manancial de informações. As crianças não chegavam à idade de 5 anos; a idade média do óbito nas classes

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altas era de 36 anos, trabalhadores do comércio 22 anos e da indústria 16 anos.

John Snow: investigações sobre epidemia de cólera. O consumo de água poluída como responsável pelos episódios da doença e traçar os princípios de prevenção e controle de novos surtos válidos ainda hoje. Pai da “epidemiologia de campo”: coleta planejada de dados. Louis Pasteur: “pai da bacteriologia”. Bases biológicas para o estudo das doenças infecciosas, identificou e isolou numerosas bactérias. Estudo da fermentação da cerveja e do leite, investigação das bactérias patogênicas e dos meios de destruí-las ou impedir sua multiplicação e os princípios da “pasteurização”. Seguem-se inúmeras pesquisas (Robert Koch), abandona-se a teoria dos miasmas com a descoberta dos agentes causadores das doenças.

Primeira metade do século XX Influência da microbiologia: estudos concentrados no laboratório, os demais ramos da medicina eram subordinados a este conhecimento. A formação do sanitarista centrava-se no laboratório. Base de dados para a moderna epidemiologia. Estatísticas vitais:

informações sobre nascimentos, óbitos, informações sobre morbidade a partir dos dados oficiais e sem as quais não seria possível as investigações etiológicas.

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Segunda metade do século XX

Mudanças das doenças prevalentes de infecciosas para as doenças crônicas e degenerativas como causa de mortalidade e morbidade.

A determinação das condições de saúde da população (inquéritos de

morbidade e de mortalidade). A busca sistemática de fatores antecedentes ao aparecimento das

doenças, que possam ser rotulados como agentes ou fatores de risco.

A avaliação da utilidade e da segurança das intervenções propostas

para alterar a incidência ou a evolução da doença, através de estudos controlados.

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2 - CONCEITO DE SAÚDE

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. Saúde é a resultante das condições de alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra, acesso à serviços de saúde, resultado de formas de organização social de produção, as quais podem gerar profundas desigualdades no níveis de saúde (8a. Conferência Nacional de Saúde).

HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA

A história natural da doença tem sua origem no trabalho de Leavell e Clark (1976), no qual a história natural da doença é entendida como "todas as inter-relações do agente, do hospedeiro e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte". Neste primeiro paradigma estabelecem-se dois períodos, o pré-patogênico e o patogênico, que caracterizam a história natural da doença. Além deste paradigma, os autores elaboraram um segundo, onde traçam os níveis de prevenção primária, secundária e terciária. O período pré- patogênico é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável á instalação da doença. Envolve as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio- econômicos e culturais que permitem a existência desses fatores.

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O período da patogênese se inicia com as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura. Conhecido como níveis de Leavell, o conceito de níveis de prevenção relata que as atividades dos médicos e de outros profissionais da saúde têm o objetivo da prevenção. A prevenção primária consiste na proteção da saúde e específica; a proteção secundária no diagnóstico pré-sistemático e o tratamento e a prevenção terciária a limitação da incapacidade para doença sintomática.

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Notificação e Controle de Doenças.

Todos os aspectos apontados neste documento indicam que a elaboração de uma lista nacional de doenças notificáveis deve ser bastante cuidadosa e restritiva, em obediência aos critérios estritos e definidos como de relevância nacional e de efetiva utilização das informações coletadas. Esse último aspecto vincula-se, por sua vez, ao pressuposto de que os órgãos encarregados da vigilância epidemiológica - no caso do nível central do Ministério da Saúde - esteja capacitado para responder adequadamente às notificações recebidas e de promover os ajustes no sistema, segundo necessidades oportunamente identificadas. As seguintes recomendações devem ser levadas em consideração:

Os Estados e Municípios devem discutir a inclusão de outras doenças e agravos à lista nacional, visando ao fortalecimento dos sistemas locais de vigilância epidemiológica para o enfrentamento dos problemas de saúde, de acordo com o quadro epidemiológico em cada uma dessas esferas de governo.

A notificação e investigação de qualquer caso e/ou surto deve, obrigatoriamente, obedecer a definição de caso de cada agravo publicado no Guia de Vigilância Epidemiológica do CENEPI/FNS/MS, ou das atualizações emanadas das coordenações de áreas específicas do Ministério da Saúde.

Todo e qualquer surto de doença ou ocorrência de agravo inusitado, independentemente de constar na lista de doença de notificação compulsória, deve obrigatoriamente ser notificado ao Ministério da Saúde e investigado.

A substituição da notificação compulsória por outro sistema de informações considerado mais sensível para a vigilância epidemiológica nacional não deve ser feita abruptamente. É indispensável que os dois sistemas sejam mantidos em funcionamento, simultaneamente, durante o período de tempo necessário a se estabelecer parâmetros de correlação entre ambos, para

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fins de comparabilidade. Neste sentido, as séries históricas das doenças excluídas da atual lista de notificação compulsória devem ser publicadas no Informe Epidemiológico do SUS, destacando-se este procedimento e quais as formas de registro que serão adotados, visando evitar falsas interpretações dos dados.

Nas situações em que o conhecimento da ocorrência de casos destina-se, primordialmente, ao planejamento do suprimento de insumos (medicamentos, diagnóstico, etc.) as informações devem ser obtidas mediante a consolidação de dados de registro da produção de serviços.

O estabelecimento de uma lista de doenças de notificação pressupõe a utilização sistemática dos dados para orientar medidas de intervenção. Nesse sentido, é requerida a capacitação técnico-operacional dos órgãos responsáveis pela vigilância epidemiológica, em todos os níveis, para o processamento, análise e disseminação de informações decorrentes da notificação.

Para que as recomendações feitas possam ser implementadas, é necessário que os dirigentes da área de epidemiologia, das três esferas de governo, envidem esforços no sentido de alocar recursos financeiros e habilitar recursos humanos para o desencadeamento das ações de vigilância epidemiológica, seja através da notificação compulsória, seja através dos demais métodos propostos.

É importante reiterar que o fato de não estar na LBDNC não pressupõe a desativação dos outros métodos epidemiológicos de monitoramento e investigação das doenças porventura excluídas.

É fundamental o estreitamento da articulação entre as instâncias de epidemiologia e as instâncias de assistência à saúde, nas três esferas de governo, com vistas a obter sinalização do SIH/SUS, de qualquer ocorrência das doenças de notificação compulsória, assim como de qualquer doença de investigação epidemiológica. Pode-se iniciar a discussão do processo de sinalização com as 35 doenças apresentadas no texto acima.

A articulação mencionada no item anterior pode também discutir a possibilidade de estipular Índices de Valorização de Resultados-IVR,

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durante o processo de habilitação dos municípios na NOB-96, contemplando os municípios com melhores sistemas de vigilância epidemiológica, indo-se além da obrigatoriedade de apresentação dos sistemas de informações epidemiológicas, visando ao estímulo ao desenvolvimento da VE. Outra alternativa é que o próprio CENEPI avalie, dentro da disponibilidade orçamentária, a possibilidade de privilegiar esses municípios na sua programação.

De acordo com as normas de procedimentos de vigilância epidemiológica, todos os casos suspeitos das doenças de notificação compulsória devem ser investigados.

O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica compreende, além da lista das doenças de notificação compulsória, numerosos outros sistemas de informação que podem e devem ser trabalhados no sentido de melhorar a qualidade das atividades de VE em nosso país. Entre outros destacamos: o sistema do Programa Nacional de Imunizações; os sistemas dos programas de controle de endemias; o sistema de monitoramento de doenças ou agravos selecionados; o sistema sentinela para doenças emergentes; e o acompanhamento da situação de saúde em áreas sentinelas.

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3 – PROCESSO ENDÊMICO:

ENDEMIA - É a ocorrência de determinada doença que acomete sistematicamente populações em espaços característicos e determinados, no decorrer de um longo período, (temporalmente ilimitada), e que mantém uma de incidência relativamente constante, permitindo variações cíclicas e sazonais.

EPIDEMIA – É a ocorrência em uma comunidade ou região de casos de natureza semelhante, claramente excessiva em relação ao esperado. O conceito operativo usado na epidemiologia é: uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença, ultrapassando valores do limiar epidêmico preestabelecido para aquela circunstância e doença. Devemos tomar cuidado com o uso do conceito de epidemia lato-sensu que seria a ocorrência de doença em grande número de pessoas ao mesmo tempo.

PANDEMIA - caracterizada por uma epidemia com larga distribuição geográfica, atingindo mais de um país ou de um continente. Um exemplo típico deste evento é a epidemia de AIDS que atinge todos os continentes.

SURTO - é a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados – Alguns autores denominam surto epidêmico, ou surto, a ocorrência de uma doença ou fenômeno restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, creches, grupos reunidos em uma festa, um quarteirão, uma favela, um bairro etc.

Indicadores de Morbidade: A morbidade é freqüentemente estudada segundo quatro indicadores básicos: a incidência, a prevalência, a taxa de ataque e a distribuição proporcional.

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INCIDÊNCIA: A incidência de uma doença, em um determinado local e

período, são o número de casos novos da doença que iniciaram no mesmo local e período. Traz a idéia de intensidade com que acontece uma doença numa população, mede a freqüência ou probabilidade de ocorrência de casos novos de doença na população. Alta incidência significa alto risco coletivo de adoecer. Coeficiente de = nº de casos novos de determinada doença em um dado local

e período x 10 n Incidência População do mesmo local e período

PREVALÊNCIA: prevalecer significa ser mais, preponderar, predominar. A prevalência indica qualidade do que prevalece, prevalência implica em acontecer e permanecer existindo num momento considerado. Portanto, a prevalência é o número total de casos de uma doença, existentes num determinado local e período. Coeficiente de = nº de casos existentes (novos + ant.) em dado local/momento/período x10n Prevalência População do mesmo local e período O coeficiente de prevalência é mais utilizado para doenças crônicas de longa duração. Ex:

hanseníase, tuberculose, AIDS, tracoma ou diabetes. Casos prevalentes são os que estão sendo tratados (casos antigos), mais aqueles que foram descobertos ou diagnosticados (casos novos). A prevalência, como idéia de

acúmulo, de estoque, indica a força com que subsiste a doença na população.

A prevalência pode ser pontual ou no período (lápsica):

Prevalência pontual (instantânea ou prevalência momentânea) é medida pela freqüência da doença ou pelo seu coeficiente em um ponto definido no tempo, seja o dia, a semana, o mês ou o ano. No intervalo de tempo definido da prevalência pontual, os casos prevalentes excluem aqueles que evoluíram para cura, para óbito ou que migraram.

Prevalência num período de tempo ou lápsica abrange um lapso de tempo mais ou menos longo e que não concentra a informação em um dado ponto desse intervalo. Na prevalência lápsica estão incluídos todos os casos prevalentes, inclusive os que curaram, morreram e emigraram.

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TAXA DE ATAQUE: é também um indicador muito usado onde o construímos. É o coeficiente ou taxa de incidência de uma determinada doença para um grupo de pessoas expostas ao mesmo risco limitadas a uma área bem definida. É muito útil para investigar e analisar surtos de doenças ou agravos à saúde em locais fechados. Taxa de ataque = Nº de casos de uma determinada doença num dado local e período x 100 População exposta ao risco

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4 - VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Conceito de vigilância epidemiológico, segundo a Lei 8.080:

“conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.”

Este conceito está em consonância com os princípios do SUS, que prevê a integralidade preventivo-assistencial das ações de saúde, e a conseqüente eliminação da dicotomia tradicional entre essas duas áreas, que tanto dificultava as ações de vigilância. Além disso, a descentralização das responsabilidades e funções do sistema de saúde implicou no redirecionamento das atividades de vigilância epidemiológica para o nível local. Dessa forma, a orientação atual para o desenvolvimento do SNVE estabelece, como prioridade, o fortalecimento de sistemas municipais de vigilância epidemiológica, dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os problemas de saúde próprios de suas respectivas áreas de abrangência.

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DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA

1. Botulismo

2. Carbúnculo ou “antraz”

3. Cólera

4. Coqueluche

5. Dengue

6. Difteria

7. Doença de Chagas (casos agudos)

8. Doença Meningocócica e outras Meningites

9. Esquistossomose (em área não endêmica)

10. Febre Amarela

11. Febre Maculosa

12. Febre Tifóide

13. Hanseníase

14. Hantaviroses

15. Hepatite B

16. Hepatite C

17. Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em gestantes e

crianças expostas ao meio de transmissão vertical

18. Leishmaniose Tegumentar Americana

19. Leishmaniose Visceral

20. Leptospirose

21. Malária (em área não endêmica)

22. Meningite por Haemophilus influenzae

23. Peste

24. Poliomielite

25. Paralisia Flácida Aguda

26. Raiva Humana

27. Rubéola

28. Síndrome da Rubéola Congênita

29. Sarampo

30. Sífilis Congênita

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32. Tétano

33. Tularemia

34. Tuberculose

35. Varíola

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5. INTRODUÇÃO A SAÚDE PÚBLICA.

Quando a Organização Mundial de Saúde conceituou saúde como "o mais completo estado de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças", certamente não estava propondo um critério classificatório, mas uma direção. Já a idéia de doença é mais imediatista, sempre impondo, ao mesmo tempo, certas competências operacionais e algum tipo de explicação. Historicamente, ela é muito anterior à concepção de saúde, estando presente, de diferentes formas, em todas as organizações sociais conhecidas. Remetendo a questão da identificação e classificação da doença e dos doentes a um saber técnico, que pressupõe divisão de trabalho e transferência de poder. Os processos saúde-doença podem ser reconhecidos, a partir da posição do observador e aparecem, segundo cada posição, como alteração celular, sofrimento ou problema de saúde pública. As políticas de Saúde Pública nascem do interesse dos Estados Nacionais na regulamentação das condições de trabalho e de uso do espaço urbano, através da introdução de legislações específicas e mecanismos de controle social efetivos, capazes de assegurar melhores condições de vida aos trabalhadores, ainda que contrariando alguns proprietários, mas no interesse do capitalismo em seu conjunto.Teve início também a aplicação de métodos estatísticos para contabilizar as mortes e identificar diferenças de risco de morrer entre lugares e grupos sociais, contribuindo para o debate que marcou o período, sobre a importância da determinação ambiental ou social. O projeto da saúde pública moderna nasceu então, no início do século passado, como um componente estratégico do processo de controle social sobre as condições de reprodução dos grupos sociais, direcionado ao saneamento do ambiente urbano e mudanças nos padrões culturais do proletariado, através de práticas normativas e educativas

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Conferências, plataformas e declarações internacionais.

Constituição Federal 1988 Art 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Conferências de Saúde

dos vários segmentos sociais,

para avaliara situação de saúde e propor diretrizes para

a formulação de políticas de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por este ou pelo Conselho de Saúde.”

representação “

Local onde tem amplas discussões, propostas aprovadas pode se tornar lei; Conferências Municipais, Estaduais e Nacionais.

Instituídas em 1937, até o momento foram realizadas 13 conferências; 8ª Conferencia Nacional de Saúde representa um marco no sistema de saúde brasileiro e na organização social do país; Podem ser divididas em 5 momentos:

Sanitarismo clássico (1ª e 2ª -1941 a 1962) Transição (3ª e 4ª -1963 a 1974) Modernização conservadora e planejamento estatal (5ª a 7ª -1975 a 1985) Reforma sanitária (8ª e 9ª -1986 a 1992) Consolidação do SUS (10ª a 12ª -1996 a 2003).

Síntese histórica da saúde da humanidade.

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Durante muito tempo, houve a teoria mística sobre a doença, que os antepassados julgavam como um fenômeno sobrenatural, ou seja, ela estava além da sua compreensão do mundo, superada posteriormente pela teoria de que a doença era um fato decorrente das alterações ambientais no meio físico e concreto que o homem vivia. Em seguida, surge a teoria dos miasmas (gazes), que vai predominar por mais tempo ainda. Com a urbanização e estratificação social, o poder de diagnosticar, controlar e explicar as doenças ficou concentrado em um segmento social urbano, os sacerdotes, sempre vinculados aos grupos dominantes. A capacidade de mediar as atenções de deuses e humanos passou a ser monopolizada por estes atores sociais, e o modo mágico de lidar com as doenças foi suplantado pelo modelo místico, ou religioso, que se tornou hegemônico. A doença passou a ser vista como pecado, resultado da desobediência a códigos de condutas prescritos pelos deuses e vigiados pelos sacerdotes, sendo atribuído ao enfermo a responsabilidade, individual ou coletiva, por seus sofrimentos. Nas comunidades tradicionais de coletores e caçadores, a ocorrência de doenças era explicada de modo compatível com sua visão de mundo, pela influência de demônios e outras forças sobrenaturais, que conviviam com os homens e podiam ser por eles invocados ou controlados, desde que fossem utilizados os meios adequados. Este modo de entender a saúde e a doença tinha sua racionalidade na observação cuidadosa dos fenômenos, na concepção da doença enquanto fenômeno natural, e portanto passível de explicação teórica, e na transmissão do conhecimento em condições capazes de assegurar um certo controle sobre a competência dos praticantes. Durante o século XIV teve início uma pandemia de peste que devastou a Europa, eliminando mais de um quarto da população, desorganizando o processo social e trazendo outras concepções sobre saúde e doença. No Ocidente criou-se então toda uma cultura centrada no horror e na convivência com a morte, impondo-se as idéias de culpa e de pecado. Judeus e mulheres acusadas de feitiçaria foram massacrados, enquanto todas as diferentes práticas médicas se mostravam absolutamente ineficazes.

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Desvinculada da concepção religiosa hegemônica e desenvolvida a partir da acumulação de observações empíricas, a prática da quarentena, dirigida ao isolamento de pessoas e lugares sadios se impôs, como uma forma

de defesa coletiva, capaz de se sobrepor aos interesses e direitos individuais.

Nos séculos seguintes, a perda de credibilidade de todas as formas de

medicina possibilitou uma onda de especulações, práticas alternativas e também a volta à observação dos fenômenos como fonte de conhecimentos mais úteis que aqueles possibilitados pelas velhas doutrinas.

O Renascimento cultural e científico possibilitou uma maior

compreensão da constituição do corpo humano, estudado detalhadamente por médicos e artistas, e as doenças, como os outros fenômenos, passaram a ser

atribuídas a causas naturais.

Os grandes avanços na física mecânica e na compreensão da

composição química da matéria resultaram na representação do corpo humano como uma máquina, passível de defeitos em seu funcionamento, e que, quando compreendidos, poderiam ser corrigidos. A partir da metade do século XVIII, importantes transformações passaram a ocorrer na Europa, com impactos notáveis sobre as condições de vida e saúde. A urbanização acelerada e a industrialização são com freqüência os processos mais destacados, tanto por seus impactos sobre as condições de produtividade como nas condições de trabalho e qualidade de vida da classe trabalhadora. Mais uma vez na história do Ocidente ocorreu incremento, por um período prolongado, na mortalidade, compensada apenas, em termos populacionais, por taxas altíssimas de natalidade. Desnutrição, alcoolismo, doenças mentais e violência atingiam pesadamente a nova classe de trabalhadores urbanos. Doenças conhecidas, como a febre tifóide, e outras novas, importadas das colônias, como a cólera, passaram a ser transmitidas de modo ampliado, para o conjunto da população, pelos precários sistemas coletivos urbanos de distribuição de água, causando epidemias letais, sempre acompanhadas de pânico. Levando, aqueles que podiam, a abandonar as cidades, que passaram a ser identificadas como locais insalubres.

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Os hospitais públicos, onde principalmente os indigentes eram internados, particularmente precisavam ser evitados, e a mortalidade nas maternidades fazia do parto uma situação de alto risco. A prática médica era mais prejudicial que eficaz.

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Principais conferências, plataformas e declarações internacionais relacionadas à promoção da saúde (Alma-Ata e Otawa).

Principais Conferências Internacionais da OMS desde a década de 1970.

1977 − "Saúde Para Todos no Ano 2000". 30ª Assembleia Mundial da Saúde

1978 − Declaração de Alma-Ata (ex-URSS) − Saúde Para Todos no Ano 2000

(Conferência Internacional sobre Cuidados de Saúde Primários)

1986 − Carta de Ottawa (Canadá) − Promoção da Saúde nos Países

Industrializados (1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

1988 − Declaração de Adelaide (Austrália) − Promoção da Saúde e Políticas

Públicas Saudáveis (2ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

1991 − Declaração de Sundsvall (Suécia) − Promoção da Saúde e Ambientes

Favoráveis à Saúde (3ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

1997 − Declaração de Jacarta (Indonésia) − Promoção da Saúde no Século

XXI (4ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

2000 − Declaração do México − Promoção da Saúde: Rumo a Maior Equidade

(5ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

2005 − Carta de Bangcoc (Tailândia) − Promoção da Saúde num Mundo

Globalizado (6ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde)

Na Declaração de Alma-Ata (DAA) assume-se a saúde como um direito humano fundamental. Atingir o mais alto nível de saúde em todas as nações corresponderia a mais importante meta social a nível mundial. Para atingi-la é necessária a ação conjunta de sectores para além do da saúde, como é o caso do social e do econômico. O contexto mundial, em termos de saúde, é o de profundas desigualdades não só entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, como também entre regiões de um mesmo país. A saúde dos povos resulta dum conjunto de interdependências e reciprocidades: a paz mundial, o desenvolvimento socioeconômico e a qualidade de vida são apenas alguns dos fatores de contribuem para um elevado nível de saúde. Do mesmo modo, a saúde das populações é de

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decisiva importância para o progresso social e econômico, para a obtenção e manutenção da paz mundial e da qualidade de vida das comunidades.

A DAA entende o envolvimento e participação das populações como um

direito e um dever das mesmas, a serem exercidos individual e/ou coletivamente, influenciando o planeamento e prestação dos cuidados de saúde.

O desafio proposto pela DAA apresenta-se sob a forma da seguinte Meta:

que “todos os povos, até ao ano 2000, atinjam um nível de saúde que lhes permita um vida saudável e economicamente produtiva”. Para tal, apela-se à responsabilidade de governos, organizações supra-nacionais e comunidade internacional por forma a implementarem ou colaborarem na implementação dos Cuidados de Saúde Primários, entendidos como elemento chave na obtenção da “Saúde para Todos”.

Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são definidos na DAA como os

cuidados essenciais de saúde, prestados mediante o uso de métodos e técnicas práticos, cientificamente fundamentados e aceitáveis socialmente. Correspondem ao primeiro nível de contacto com o sistema de saúde do país,

e devem estar associados a sistemas de referência integrados e funcionais por forma a garantirem o acesso a cuidados de saúde por todos os cidadãos, principalmente aos mais necessitados. Com efeito, os CSP dever-se-ão pautar pela acessibilidade universal, equidade e justiça social.

Pelo fato dos CSP serem prestados de modo continuado e próximo das

populações, constitui-se como um pilar de segurança e autoconfiança das mesmas. Esta confiança sairá reforçada se se verificar a participação e envolvimento das comunidades no planeamento, gestão e prestação dos cuidados, sendo que para participar é fundamental que haja um investimento na educação dos indivíduos (aquisição de capacidade de participação).

Os CSP deverão ser integrados num sistema nacional de saúde, que por sua vez deverá atender à real situação do país e recursos de que dispõe

(económicos, sociais, políticos, culturais

de forma que este seja sustentável

ao longo dos tempos. Por conseguinte, os CSP, e sistema de saúde como um todo, são uma dependência e reflexo do nível de desenvolvimento de cada

nação.

),

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Os CSP procurarão responder às principais necessidades e problemas de

saúde das populações, prestando serviços de proteção da saúde (ou prevenção da doença), cura e reabilitação. Para tal, disporá de equipes multi e interdisciplinares: médicos, enfermeiras, parteiras, auxiliares, agentes comunitários e praticantes tradicionais, todos com formação apropriada ao tipo

de cuidados que prestam.

Como áreas prioritárias de intervenção, os CSP teriam: a educação para a

saúde; a nutrição apropriada; a qualidade da água e saneamento básico; os cuidados de saúde materno-infantil (o que inclui o planeamento familiar); a

imunização (dirigida às principais doenças endêmicas); a prevenção e controlo de doenças endêmicas; o tratamento de doenças e lesões comuns; e o fornecimento de medicamentos essenciais.

Na criação dos CSP, os governos têm um papel decisivo, competindo-lhes: a

elaboração de políticas, estratégias e planos de ação; a coordenação dos vários sectores implícitos e interessados; mobilização e gestão racional dos recursos do país.

A DAA também apela ao “espírito de comunidade e serviço” entre as nações

pois a “saúde do povo de qualquer país interessa e beneficia diretamente todos

os outros países”.

A DAA encerra as suas recomendações e intenções com a convicção de que

a Meta “Saúde para Todos no Ano 2000” se concretizaria se houvesse

empenhamento, comprometimento e vontade política de todas as nações, associada a um melhor uso dos recursos mundiais, designadamente com fins pacíficos, de progresso e desenvolvimento socioeconômico. Salienta-se o papel fundamental dos CSP para a concretização desta audaciosa meta.

Na Saúde Pública, como em qualquer outra dimensão da sociedade, uma mudança ocorre sob a forma de processo, na continuidade de modificações que geram outras, até que a realidade se transforme ou remodele. Assim, o documento resultante duma Conferência Internacional não é, em si mesmo, o que gera novas práticas, um ponto finito e definido no tempo e

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no espaço, que determina reorientações no pensamento e exercício dos governos, das instituições, dos profissionais, dos cidadãos. Com efeito, a DAA reflete uma mentalidade sua contemporânea, vindo a reforçá-la pelo consenso de várias nações do globo, que gerou ações concretas e permitiram aquisições responsáveis por importantes ganhos em saúde.

No que se refere à aplicação dos conteúdos da DAA, Portugal esteve na vanguarda. Em 1971, pela “Lei de Gonçalves Ferreira” foram criados os primeiros Centros de Saúde (por reconfiguração das antigas Caixas de Previdência). Em 1976, pela nova Constituição da República Portuguesa, já era reconhecido que “Todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover” (artigo 64º). Em 1979, logo a seguir à DAA, pela lei da “Lei da Saúde” − “Lei Arnault” − foi criado o Serviço Nacional de Saúde (integrando CSP e cuidados hospitalares, com sistema funcional de referência de doentes entre os diferentes níveis de prestação), tendo sido Portugal um dos primeiros países da Europa a fazê-lo. Com efeito, os CSP foram essenciais para intervir nas necessidades e problemas de saúde de maior magnitude, vulnerabilidade e transcendência social da população portuguesa. A saúde materno-infantil era uma das áreas mais preocupantes, com taxas de mortalidade tão elevadas como nos países menos desenvolvidos do mundo. Estes indicadores melhoram tão significativamente nas últimas décadas ao ponto de, atualmente na Europa, apenas a Suécia ter este indicador de saúde mais favorável do que o nosso país. Tal se tornou possível através de medidas como o planejamento familiar e controlo da natalidade, a vigilância da grávida e puérpera, os partos passarem a serem assistidos por profissionais de saúde treinados, realização da vacinação das grávidas e crianças, existência de consultas de vigilância do crescimento da criança, visitas domiciliárias, etc. Do mesmo modo, o controlo das doenças infecto-contagiosas já tinha um longo caminho percorrido no nosso país. Desde 1949 que havia obrigatoriedade na declaração de algumas doenças (como por exemplo, a

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tuberculose, a lepra ou a sífilis), e cuja notificação conduzia a medidas de

controlo de infecção como isolamento de indivíduos, o tratamento, o rastreio na comunidade. Havia também já serviços públicos dirigidos a algumas doenças na comunidade (como por exemplo os sanatórios para os tuberculosos) e até medidas nacionais para imunização pela vacinação (o primeiro Plano Nacional de Vacinação é de 1965), dirigida a doenças altamente incidentes na época (poliomielite, difteria, varíola, tétano e tosse convulsa). Porém, os CSP, pela proximidade e assistência continuada aumentaram grandemente a efetividade destas ações de diagnóstico precoce, vacinação, fornecimento de medicamentos, entre outros. As ações no âmbito da educação para a saúde foram também decisivas, designadamente no que se refere a higiene (pessoal, habitacional, laboral, pública) e alimentação (conduzindo a um melhor estado nutricional dos indivíduos). Tudo isto não pode ser descontextualizado de melhorias mais amplas ocorridas em Portugal nas décadas de 70 e 80 - a alfabetização dos cidadãos,

o aumento dos rendimentos das famílias, a melhoramento das infra-estruturas

públicas como o abastecimento de água de boa qualidade e a rede de esgotos,

o investimentos em vias de comunicação e transportes, entre outros. Se, em abono da verdade, as maiores conquistas em saúde se devem à melhoria das condições de higiene, do estado nutricional e disponibilidade de água de boa qualidade… estes mesmos fatores estão inseridos e são indissociáveis dum cenário de progresso e desenvolvimento socioeconômico que eclodiu no nosso país com a queda do regime fascista. A Carta de Ottawa é a carta de intenções resultante da 1ª Conferência Internacional sobre a Promoção de Saúde. Seguiram-se, desde então, várias outras Conferências sobre Promoção, mas nenhuma com o relevo e inovação associados a esta. A Conferência de Ottawa emerge dum novo movimento de Saúde Pública a nível mundial, como resposta e reação às crescentes expectativas de saúde e bem-estar, particularmente nos países mais industrializados. Como é óbvio, tais expectativas e exigências só se tornaram possíveis porque ocorreram melhorias significativas no estado de saúde das populações destes países, que puseram em prática as recomendações de DAA e

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sucessivas atualizações geradas pelo debate na Assembléia Mundial de Saúde, ao abrigo na Meta major “Saúde para Todos”. “A Carta de Ottawa (CO) começa por definir o que é Promoção da Saúde, já que o conceito de “promoção” surgiu como algo “de novo” no léxico e na prática da Saúde Pública: ”… é o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e

social, o indivíduo ou o grupo devem estar aptos a identificar e realizar as suas aspirações, satisfazer as suas necessidades e a modificar ou adaptar-se ao meio.”

Assim, com a CO: reconhece-se capacidade nos cidadãos de intervirem no

sentido de obterem mais saúde; visa-se a sua capacitação para que essa intervenção se dê de modo apropriado; entende-se como direito e dever essa

auto-afirmação, esperando-se que sejam pró-ativos e empreendedores na criação de mudanças (em si e no meio envolvente). A este reforço de poder – “empowerment” - está associada também inerente a responsabilidade pelas ações e opções dos cidadãos, bem como na contribuição para o melhoramento dos serviços das instituições e equipas prestadoras.

A CO reassume o que a OMS entende serem os pré-requisitos para a Saúde:

paz, habitação, educação, alimentação, recursos econômicos, ecossistema estável, recursos sustentáveis, justiça social, equidade.

Postula que a saúde é um bem a advogar pois condiciona a paz no mundo, o

desenvolvimento socioeconômico dos países, o desenvolvimento pessoal e qualidade de vida dos cidadãos. Do mesmo modo, o nível de saúde é determinado por múltiplos fatores (políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, comportamentais, biológicos…). Advogar em prol da saúde é tornar favorável a conjuntura destes fatores. Para a completa realização do potencial de saúde dos indivíduos e possibilidade de controlo dos seus fatores determinantes, há que capacitar os cidadãos, muni-los de instrumentos que lhes permitam controlar os seus destinos (agindo sobre si e sobre o meio em que está inserido). A capacitação ocorre mediante a criação de meios favoráveis como o suporte social e financeiro, o acesso à informação, sistemas que reforcem a participação

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pública, oportunidades e recursos que permitam a aprendizagem estilos de

vida e opções saudáveis (literacia em saúde) bem como a sua concretização.

A promoção da saúde implica a mediação de ações coordenadas entre

sectores, com articulação de esforços entre parceiros: governos, sectores além da saúde (social, econômico…), organizações não governamentais, voluntários, autarquias, empresas, comunicação social, comunidade em geral. Nesta mediação, os profissionais (em especial do sector social e saúde) têm particular importância e responsabilidade.

Segundo a CO, intervir no âmbito da promoção corresponde a construir

políticas saudáveis. Para que estas sejam criadas, há que envolver os decisores de todos os setores sendo fundamental a identificação de obstáculos

e a apresentação de medidas concretas no sentido de “facilitar” a tomada de

decisão. Essas políticas podem implicar o recurso a legislação, medidas fiscais,

mudanças organizacionais, entre outros instrumentos.

Na CO repete-se a advertência relativa à imperiosa necessidade de ajustar

as ações de promoção da saúde às necessidades e recursos do país ou região em questão. Realça-se ainda a equidade, continuando a ser fulcral a luta pela

redução das desigualdades entre indivíduos e populações.

Quanto aos Serviços de Saúde, estes deverão ser reorientados. Assim, para

além da prestação de cuidados preventivos, curativos e de reabilitação, estes deverão remodelar-se e realizar cada vez mais ações de promoção da saúde.

Deverão ainda investir na investigação e na educação e formação dos seus profissionais.

Com a CO, a saúde vem a ser entendida como um recurso para a vida e que

deve ser defendido e potenciado em todos os contextos da vida: “onde se aprende, onde se trabalha, onde se brinca, onde se ama”. Esta é ainda vista sob o ponto de vista holístico, ecológico, como um todo que abarca a

globalidade das necessidades do indivíduo.

Mais uma vez, esta carta de intenções apela às nações subscritoras da CA e

a outras organizações internacionais para prestarem apoio na implementação

das estratégias e programas (entre si e noutros países). Conclui ainda com a mensagem de que meta “Saúde para Todos no Ano 2000” implica a união e envolvimento de todos no cumprimento dos valores que informam a Carta.

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Do mesmo modo, a CO não encerra em si mesma a gênese dum novo

paradigma de saúde pública. É antes um documento que o representa e simboliza distintamente. Refletindo a mentalidade vigente (principalmente nos países industrializados), vem reforçar o movimento que lhe subjaz, conduzindo

a práticas e ações concretas que permitiram significativos ganhos em saúde. Antes de mais, com a CO, começam a ser mais frequente e fluentemente usados termos como fatores determinantes, que se definem como fatores que alteram a probabilidade de ocorrência de doença ou morte evitável ou prematura. São fatores de risco se aumentam essa probabilidade ou são fatores de proteção se a baixam. Distinguem-se, ainda, os fatores determinantes segundo a sua natureza: endógenos (genoma e características individuais); ligados aos estilos de vida; ambientai; ligados aos serviços de saúde. No que se refere aos estilos de vida saudáveis (ou ambiente comportamental), citam-se como exemplos o tipo de alimentação, o exercício

físico/sedentarismo, os hábitos tabagísticos, alcoólicos e outras dependências,

o comportamento perante o stress, os comportamentos sexuais de risco, etc.

Com efeito, são os determinantes que mais podem influenciar a incidência, prevalência, mortalidade e incapacidade associada a doenças que atualmente mais “pesam” na nossa sociedade (obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, HIV/SIDA, acidentes de viação, doença mental,

neoplasias…). Como exemplos de medidas promotoras de saúde temos a lei do tabaco, plano nacional de controlo da diabetes mellitus, a plataforma contra a obesidade, o programa nacional de luta contra a SIDA, plano oncológico nacional, etc. Quanto ao ambiente, entende-se que este corresponde a “tudo o que envolve

o Homem no decurso da sua existência e que com ele interfere”. O enfoque vai

para o ambiente biofísico e como exemplos de promoção de saúde temos intervenções enquadradas no plano nacional de acção ambiente e saúde, na rede de cidades saudáveis, nos programas dirigidos relativas à saúde, higiene

e segurança no trabalho ou nas escolas, etc.

Os serviços de saúde e sua reorientação, ou reforma, são um desafio não só

em Portugal mas na maioria dos países. Questões como a acessibilidade, a equidade, a sustentabilidade e financiamento, a cobertura e controlo da

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utilização dos serviços, o investimento em medidas de promoção em saúde, investigação e formação dos seus profissionais… são de grande e premente atualidade. A reforma dos centros de saúde, a reconfiguração dos serviços de saúde pública, a contratualização de prestação de cuidados com as instituições hospitalares, projetos de saúde centrada no cidadão (associada a novas tecnologias de informação), entre outros, são exemplos mais recentes (e em curso) de atuação a este nível. Ao se reconhecer a capacidade de intervenção dos indivíduos na determinação da sua saúde e do coletivo, espera-se um papel ativo na concretização e controlo dos fatores de risco e de proteção da saúde. Só assim se dará seguimento e concretização a programas e projetos de promoção e educação para a saúde (emanadas pelos governos e instituições), surtindo efetiva mudança de mentalidades e estilos de vida, com proteção do meio ambiente, adequação das condições de trabalho, de habitação, etc. A título coletivo, são fundamentais os movimentos de cidadania − associações de utentes e doentes, voluntários, fundações, organizações não governamentais − cada vez mais considerados e incluídos na dinâmica dos serviços de saúde (e outros sectores), na elaboração de políticas de saúde e no exercício das instituições.

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6. MODELOS DE SISTEMAS DE SAÚDE E O DESENVOLVIMENTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL.

Exercendo sua atribuição de apoiar um sistema de saúde democrático, integral e equânime, entende que a concretização desta ação, no Brasil, é direcionada ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste sentido, a missão da Opas no Brasil, um país de extensão continental e com um sistema de saúde em processo de permanente construção, requer um exercício contínuo da gestão do conhecimento, que permita a troca de experiências e a reflexão crítica e criativa sobre ações inovadoras, visando a melhoria de políticas e serviços públicos de saúde. Assim, o Projeto de Desenvolvimento de Sistemas e Serviços de Saúde/Opas apresenta a Série Técnica como uma das atividades de gestão do conhecimento, necessária à construção e à consolidação deste sistema de saúde. Esta Série Técnica se propõe divulgar documentos analíticos, relatórios de reuniões e seminários, pesquisas e estudos originais que fortaleçam o debate de questões relevantes, buscando destacar processos de formulação e implementação de políticas públicas para a melhoria da qualidade da atenção à saúde individual e coletiva, a redução de desigualdades e o alcance da eqüidade. Partindo do pressuposto de que a concepção de Modelo de Atenção adotada pode determinar a incorporação ou não de diferentes práticas de saúde, realizou-se um estudo sobre a visão dos(as) alunos(as) do Curso de Especialização em Gestão de Sistema e Serviços de Saúde em Goiás 2002 sobre o Modelo de Atenção à Saúde Desejável. Este capítulo apresenta e discute os resultados dessa atividade sobre as inquietudes, interesses e prioridades de profissionais com relação ao Modelo de Atenção à Saúde Desejável realizada pelos (as) alunos(as) na disciplina Modelo de Atenção e Formulação de Políticas. A visão desses(as) alunos(as) é relevante porque, sendo eles (as) profissionais que estão à frente da gestão de programas, projetos e unidades de diferentes tipos e níveis de serviços do SUS

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municipais e estaduais, são, também, os responsáveis por buscar resolver e atender às necessidades de saúde da população em Goiás. O tema Modelo de Atenção tem sido debatido e constitui objeto de vários estudos. (CECÍLIO, 1997; SILVA Jr, 1998; TEIXEIRA, PAIM, VILASBÔAS, 1998; REIS, 1999; CARVALHO, CAMPOS, 2000). Observa-se, na literatura citada, a utilização de diversas terminologias: modelo assistencial; modelo tecno- assistencial; modelo de atenção. Para adentrar o terreno dessa discussão, faz- se necessário iniciar com algumas distinções. Paim (1993) considera que pelo menos três visões ou concepções podem ser identificadas na definição de modelos assistenciais ou de atenção à saúde, sendo a primeira visão relacionada à organização, gestão e planejamento de serviços; outra concepção mais ampla, que reconhece( ) certas intermediações entre o técnico e o político, ou seja, uma tradução para um Projeto de Atenção à Saúde de princípios éticos, jurídicos, organizacionais, clínicos, socioculturais e da leitura de uma determinada conjuntura epidemiológica e de um certo desenho de aspirações e desejos sobre o viver saudável.

E há, ainda, uma terceira que diz respeito à combinação de tecnologias, materiais e não-materiais, utilizadas nos processos de trabalho em saúde. (PAIM, 1993) Teixeira, PAIM e VILAS-BÔAS (1998) utilizam o termo modelos assistenciais concebidos como formas de organização tecnológica do processo de prestação de serviços de saúde. Evidenciam que no sistema de saúde brasileiro coexistem diversas propostas de organização. Ainda que o reordenamento da prestação de serviços seja necessário e os autores que assumem essa tarefa estejam contribuindo para a

operacionalização de diversos modelos alternativos em desenvolvimento nos municípios brasileiros, destacam-se para fins de delineamento desse estudo concepções de Mehry et al (1991) citado por Silva Jr (1998, p.32): “Ao se falar de modelo assistencial estamos falando tanto de organização da produção de serviços a partir de um determinado arranjo de saberes da área, quanto de projetos de construção de ações sociais específicas, como estratégia política

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modelos assistenciais estão sempre se apoiando em uma dimensão assistencial e em uma tecnológica para expressar-se como projeto de política, articulado a determinadas forças e disputas sociais, damos preferência a uma denominação de modelos tecnoassistenciais, pois achamos que deste modo estamos expondo as dimensões chaves que o compõem como projeto político.” Ao explicitar a dimensão sócio-política, os autores resgatam a importância que se deve atribuir à mobilização e ao envolvimento de todos e todas na construção dos modelos alternativos que pretendem concretizar o ideário do Sistema Único de Saúde (SUS), preocupação esta que se encontra ausente nas discussões realizadas sobre Modelo de Atenção. Predomina a visão relacionada à organização, gestão e planejamento de serviços, sendo que esta “racionalização dos serviços” desconsidera, muitas vezes, a visão ou visões das pessoas que implementam ou executam as propostas. Modelos de Sistemas de Saúde: análise comparada entre países – EUA, Canadá, Japão, Cuba e Espanha. Síntese histórica da saúde com destaque na evolução do sistema de saúde no Brasil: História das políticas de saúde no Brasil.

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7 - SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Ele abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país.

Amparado por um conceito ampliado de saúde, o SUS foi criado, em 1988 pela Constituição Federal Brasileira, para ser o sistema de saúde dos mais de 180 milhões de brasileiros. Além de oferecer consultas, exames e internações, o Sistema também promove campanhas de vacinação e ações de prevenção e de vigilância sanitária – como fiscalização de alimentos e registro de medicamentos –, atingindo, assim, a vida de cada um dos brasileiros.

Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros, bancos de sangue, além de fundações e institutos de pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil. Através do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, internações e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS da esfera municipal, estadual e federal, sejam públicas ou privadas, contratadas pelo gestor público de saúde.

O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal.

O Sistema Único de Saúde tem como meta tornar-se um importante mecanismo de promoção da eqüidade no atendimento das necessidades de saúde da população, ofertando serviços com qualidade adequados às necessidades, independente do poder aquisitivo do cidadão. O SUS se propõe a promover a saúde, priorizando as ações preventivas,

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democratizando as informações relevantes para que a população conheça seus direitos e os riscos à sua saúde. O controle da ocorrência de doenças, seu aumento e propagação - Vigilância Epidemiológica são algumas das responsabilidades de atenção do SUS, assim como o controle da qualidade de remédios, de exames, de alimentos, higiene e adequação de instalações que atendem ao público, onde atua a Vigilância Sanitária.

O setor privado participa do SUS de forma complementar, por meio de

contratos e convênios de prestação de serviço ao Estado quando as unidades públicas de assistência à saúde não são suficientes para garantir o atendimento a toda a população de uma determinada região.

Reforma Sanitária

O final da década de 80 no Brasil foi marcado por movimentos sociais

pela redemocratização do país e pela melhoria das condições da saúde da população. Em 1985 foi criada a Nova República, através da eleição indireta de um presidente não militar desde 1964. Paralelamente a este acontecimento, o movimento sanitarista brasileiro cresceu e ganhou representatividade através dos profissionais de saúde, usuários, políticos e lideranças populares, na luta pela reestruturação do nosso sistema de saúde. O marco deste movimento ocorreu em 1986, durante a VIII Conferência Nacional de Saúde em Brasília, cujas propostas foram defendidas na Assembléia Nacional Constituinte criada em 1987. A Nova Constituição Brasileira, promulgada em 1988, incorporou grande parte destas idéias e garantiu o direito à saúde para todo cidadão, transformando-a num dever do Estado, através da criação de um sistema de acesso universal e igualitário, com ações voltadas para sua promoção, proteção e recuperação. (Brasil, 1988; Capítulo II; Pereira et al, 2003).

Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), houve uma melhora significativa no perfil epidemiológico do país, com redução nos índices de mortalidade infantil, principal indicador mundial de desenvolvimento social, enquanto que na saúde bucal houve uma redução no índice de cáries entre crianças aos 12 anos de idade (OMS-FDI; Narvai et al ,1999; Brasil, 1988; Viana e Dal Poz, 1999). Porém, apesar do avanço na prevenção e controle da

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cárie entre crianças, a situação da saúde bucal dos adolescentes, adultos e idosos no Brasil ainda é considerada como uma das piores do mundo. Os

problemas

gengivais

e

as

dificuldades

para

conseguir

atendimento

odontológico

ainda

persistem

(Brasil

Sorridente,

2004;

12° Conferência

Nacional

de

Saúde,

2006).

Na tentativa de melhorar o panorama da saúde no país e dando continuidade ao processo de reforma sanitária, o Ministério da Saúde criou em 1994 o Programa Saúde da Família, visando ampliar o acesso à saúde através de uma política de inclusão social. Baseado na experiência bem sucedida do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), lançado em 1991, que já utilizava a família como unidade de ação e cujos resultados foram significativos na redução dos índices de mortalidade infantil, o PSF foi introduzido com a finalidade de reafirmar os princípios básicos do SUS. A proposta foi a reorganização das práticas convencionais de atenção básica, antes voltadas para a doença, substituindo-as por ações de vigilância e promoção da saúde (MS, 2000, Viana et al,2000). A Promoção da Saúde tem como princípios a atenção aos seus fatores condicionantes e determinantes, a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, a participação popular nas decisões, priorizando a vulnerabilidade e o risco de adoecimento de determinada comunidade e a união dos diversos setores da sociedade nas ações (Medronho, 2009). Tendo como base operacional a Unidade de Saúde da Família, inicialmente era formada por um médico generalista ou médico da família, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde.

Para atender a grande demanda por serviços de saúde bucal da população e cumprindo o princípio constitucional da Integralidade da Atenção, as equipes de saúde bucal foram incluídas no PSF em 2000, através da Portaria 1.444 do Ministério da Saúde, com o objetivo de reorganizar as ações e visando ampliar o acesso a este tipo de serviço. As práticas odontológicas em saúde bucal coletiva, antes focadas na dor e na doença através de ações isoladas dentro de consultórios, foram substituídas

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por ações de proteção e vigilância à saúde (Diretrizes da Política de Saúde Bucal, MS, 2004; Pereira et al., 2003). Apesar de algumas falhas que ainda persistem, o SUS brasileiro é apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como exemplo para os demais países em desenvolvimento. O Programa de controle da AIDS, Saúde da Mulher e do Idoso são apenas alguns dos exemplos. O Brasil foi um dos pioneiros na quebra de patentes de medicamentos contra a AIDS, tuberculose e malária, cujo custo elevado inviabilizava a ajuda humanitária aos países africanos dizimados por estas doenças. Estes e outros programas relevantes serão apresentados aqui, numa próxima publicação.

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8 - SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – LEIS.

O Sistema Único de Saúde - SUS - foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis n.º 8080/90 e nº 8.142/90, Leis Orgânicas da Saúde, com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto.

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9 - CONFERÊNCIAS NACIONAIS DE SAÚDE

As conferências nacionais de Saúde são espaços destinados a analisar os avanços e retrocessos do SUS e a propor diretrizes para a formulação das políticas de saúde. Elas contam com a participação de representantes de

diversos segmentos da sociedade e, atualmente, são realizadas a cada quatro anos. A última edição do evento, a 13º Conferência Nacional de Saúde, foi realizada em novembro de 2007. A próxima está prevista para ocorrer em

2011.

Conferências estaduais e municipais antecedem a Conferência Nacional e são realizadas em todo o país. Elas tratam dos mesmos temas já previstos para a etapa nacional e servem para discutir e aprovar propostas prévias que contribuam com as políticas de saúde e que serão levadas, posteriormente, para discussão mais ampla durante a Conferência Nacional. Sobre as conferências nacionais já realizadas:

8ª Conferência Nacional de Saúde A 8ª CNS foi o grande marco nas histórias das conferências de saúde no Brasil. Foi a primeira vez que a população participou das discussões da conferência. Suas propostas foram contempladas tanto no texto da Constituição Federal/1988 como nas leis orgânicas da saúde, nº. 8.080/90 e nº. 8.142/90. Participaram dessa conferência mais de 4.000 delegados, impulsionados pelo movimento da Reforma Sanitária, e propuseram a criação de uma ação institucional correspondente ao conceito ampliado de saúde, que envolve promoção, proteção e recuperação

9ª Conferência Nacional de Saúde

Em 1992, a 9ª CNS indicou o caminho da descentralização, municipalização e participação social, descentralizando e democratizando o conhecimento. A partir dessa conferência as administrações que se seguiram no Ministério da Saúde atuaram na mesma direção, formulando soluções e adotando providências sobre gestão municipal, criação de comissões intergestores bipartite, em nível estadual, e tripartite, em nível federal

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10ª Conferência Nacional de Saúde

Na 10ª CNS, o principal assunto abordado foi a questão da construção de modelo de atenção à saúde. Nesse mesmo ano de 1996 foi criada a NOB 96 - Norma de Operação Básica do SUS. Na 10ª CNS os mecanismos de participação já estavam consolidados

11ª Conferência Nacional de Saúde

A 11ª CNS, que ocorreu no ano 2000, destaca o processo de implementação do SUS com as dificuldades e propostas para sua efetivação, afirmando que "a efetivação do SUS só é possível com controle social" (Brasil, 2001), além disso, foi a primeira conferência que apareceu o tema da humanização na atenção à saúde.

12ª Conferência Nacional de Saúde

A 12ª CNS ocorreu em um momento importante para a saúde pública brasileira. Foi antecipada em um ano, para que suas propostas norteassem as ações de governo no período de 2003-2007. Teve uma importante participação da população, tanto nas etapas municipais, estaduais, quanto na nacional. Com o objetivo principal de reafirmar o direito à saúde, os principais temas foram divididos em eixos temáticos: direito à saúde; a seguridade social e a saúde; a intersetorialidade das ações de saúde; as três esferas de governo e a construção do SUS; a organização da atenção à saúde; controle social e gestão participativa; o trabalho na saúde; ciência e tecnologia e a saúde; o financiamento da saúde; e comunicação e informação em saúde

13ª Conferência Nacional de Saúde

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A 13º Conferência Nacional de Saúde, realizada em novembro de 2007,

em Brasília (DF), teve como tema central “Saúde e Qualidade de Vida: Políticas de Estado e Desenvolvimento”, com os seguintes eixos temáticos:

Desafios para a efetivação do direito humano à saúde no Século XXI:

Estado, Sociedade e Padrões de Desenvolvimento

Políticas

públicas

para a

saúde e qualidade de

vida: o

Seguridade Social e o Pacto pela Saúde

SUS

na

A participação da sociedade na efetivação do direito humano à saúde

Cada um dos temas foi discutido em mesa-redonda e contou com a participação de quatro expositores e um debatedor, que coordenou as

discussões entre delegados e convidados. A estrutura instalada para a 13ª Conferência Nacional de Saúde mobilizou milhares de pessoas em todo o país (CAP10) SAUDE DA FAMILIA E PROGRAMA DE AGENTES COMUNITARIOS (PACS) E (PSF)

A origem do Programa Saúde da Família ou PSF no Brasil, conhecido

hoje como "Estratégia da Saúde da Família", por não se tratar mais apenas de um "programa", teve início, em 1994 como um dos programas propostos pelo governo federal aos municípios para implementar a atenção primária. A Estratégia de Saúde da Família visa a reversão do modelo assistencial vigente, onde predomina o atendimento emergencial ao doente, na maioria das vezes em grandes hospitais. A família passa a ser o objeto de atenção, no ambiente em que vive, permitindo uma compreensão ampliada do processo saúde/doença. O programa inclui ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes. No âmbito da reorganização dos serviços de saúde, a estratégia da saúde da família vai ao encontro dos debates e análises referentes ao processo de mudança do paradigma que orienta o modelo de atenção à saúde vigente e que vem sendo enfrentada, desde a década de 1970, pelo conjunto de atores e sujeitos sociais comprometidos com um novo modelo que valorize as ações de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção integral às pessoas. Estes pressupostos, tidos como capazes de produzir um impacto positivo na

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orientação do novo modelo e na superação do anterior, calcado na supervalorização das práticas da assistência curativa, especializada e hospitalar, e que induz ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos e, sobretudo, na fragmentação do cuidado, encontra, em relação aos recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS), um outro desafio. Tema também recorrente nos debates sobre a reforma sanitária brasileira, verifica-se que, ao longo do tempo, tem sido unânime o reconhecimento acerca da importância de se criar um "novo modo de fazer saúde". No Brasil a origem do PSF remonta criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em 1991, como parte do processo de reforma do setor da saúde, desde a Constituição, com intenção de aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde. Em 1994 o Ministério da Saúde, lançou o PSF como política nacional de atenção básica, com caráter organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas focais. Percebendo a expansão do Programa Saúde da Família que se consolidou como estratégia prioritária para a reaorganização da Atenção Básica no Brasil, o governo emitiu a Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, onde ficava estabelecido que o PSF é a estratégia prioritária do Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica — que tem como um dos seus fundamentos possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade, reafirmando os princípios básicos do SUS: universalização, equidade, descentralização, integralidade e participação da comunidade - mediante o cadastramento e a vinculação dos usuários. Como conseqüência de um processo de des_hospitalização e humanização do Sistema Único de Saúde, o programa tem como ponto positivo a valorização dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar . A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias,

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localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. De acordo com a Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, além das características do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica ficou definido as características do processo de trabalho da Saúde da Família:

Manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos e utilizar, de forma sistemática, os dados para a análise da situação de saúde considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território; Definição precisa do território de atuação, mapeamento e reconhecimento da área adstrita, que compreenda o segmento populacional determinado, com atualização contínua; Diagnóstico, programação e implementação das atividades segundo critérios de risco à saúde, priorizando solução dos problemas de saúde mais freqüentes; Prática do cuidado familiar ampliado, efetivada por meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias que visa propor intervenções que influenciem os processos de saúde doença dos indivíduos, das famílias e da própria comunidade; Trabalho interdisciplinar e em equipe, integrando áreas técnicas e profissionais de diferentes formações; Promoção e desenvolvimento de ações intersetoriais, buscando parcerias e integrando projetos sociais e setores afins, voltados para a promoção da saúde, de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão municipal; Valorização dos diversos saberes e práticas na perspectiva de uma abordagem integral e resolutiva, possibilitando a criação de vínculos de confiança com ética, compromisso e respeito; Promoção e estímulo à participação da comunidade no controle social, no planejamento, na execução e na avaliação das ações; e Acompanhamento e avaliação sistemática das ações implementadas, visando à readequação do processo de trabalho.

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Baseado nesta mesma portaria foi estabelecido que para a implantação das Equipes de Saúde da Família deva existir (entre outros quesitos) uma equipe multiprofissional responsável por, no máximo, 4.000 habitantes, sendo que a média recomendada é de 3.000. A equipe básica é composta por no mínimo: médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem (ou técnico de enfermagem) e Agentes Comunitários de Saúde (em número máximo de 1 ACS para cada 400 pessoas no urbano e 1 ACS para cada 280 pessoas no rural). Todos os integrtantes devem ter jornada de trabalho de 40 horas semanais, e é função da Administração Municipal: "assegurar o cumprimento de horário integral – jornada de 40 horas semanais – de todos os profissionais nas equipes de saúde da família, de saúde bucal e de agentes comunitários de saúde, com exceção daqueles que devem dedicar ao menos 32 horas de sua carga horária para atividades na equipe de SF e até 8 horas do total de sua carga horária para atividades de residência multiprofissional e/ou de medicina de família e de comunidade, ou trabalho em hospitais de pequeno porte, conforme regulamentação específica da Política Nacional dos Hospitais de Pequeno Porte" . Inúmeras cidades brasileiras contratam outros profissionais como farmacêuticos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, etc. As atribuições dos profissionais pertencentes à Equipe ficaram estabelecidos também pela Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, podendo ser complementadas pela gestão local. Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos, inclusive aqueles relativos ao trabalho, e da atualização contínua dessas informações, priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local; Realizar o cuidado em saúde da população adscrita, prioritariamente no âmbito da unidade de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outros), quando necessário; Realizar ações de atenção integral conforme a necessidade de saúde da população local, bem como as previstas nas prioridades e protocolos da gestão local;

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Garantir a integralidade da atenção por meio da realização de ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e curativas; e da garantia de atendimento da demanda espontânea, da realização das ações programáticas e de vigilância à saúde; Realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de notificação compulsória e de outros agravos e situações de importância local; Realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as ações, proporcionando atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo; Responsabilizar-se pela população adscrita, mantendo a coordenação do cuidado mesmo quando esta necessita de atenção em outros serviços do sistema de saúde; Participar das atividades de planejamento e avaliação das ações da equipe, a partir da utilização dos dados disponíveis; Promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o controle social; Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais com a equipe, sob coordenação da SMS; Garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas nacionais de informação na Atenção Básica; Participar das atividades de educação permanente; e Realizar outras ações e atividades a serem definidas de acordo com as prioridades locais. Agente Comunitário de Saúde (ACS) mora na comunidade e está vinculado à USF que atende a comunidade. Ele faz parte do time da Saúde da Família! Quem é o agente comunitário? È alguém que se destaca na comunidade, pela capacidade de se comunicar com as pessoas, pela liderança natural que exerce. O ACS funciona como elo entre o programa e a comunidade. Está em contato permanente com as famílias, o que facilita o trabalho de vigilância e promoção da saúde, realizado por toda a equipe. É também um elo cultural, que dá mais força ao trabalho educativo, ao unir dois universos culturais distintos: o do saber científico e o do saber popular. O seu trabalho é feito nos domicílios de sua área de abrangência. As atribuições específicas do ACS são as seguintes:

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1. Realizar mapeamento de sua área;

2. Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro;

3. Identificar indivíduos e famílias expostos a situações de risco;

4. Identificar área de risco;

5. Orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde,

encaminhando-as e até agendando consultas, exames e atendimento odontólogico, quando necessário;

6. Realizar ações e atividades, no nível de suas competências, na áreas

prioritárias da Atenção Básicas;

7. Realizar, por meio da visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as

famílias sob sua responsabilidade;

8. Estar sempre bem informado, e informar aos demais membros da equipe,

sobre a situação das família acompanhadas, particularmente aquelas em

situações de risco;

9. Desenvolver ações de educação e vigilância à saúde, com ênfase na

promoção da saúde e na prevenção de doenças; 10. Promover a educação e a mobilização comunitária, visando desenvolver

ações coletivas de saneamento e melhoria do meio ambiente, entre outras;

11. Traduzir para a ESF a dinâmica social

Agentes Comunitários de Saúde O Programa de Agentes Comunitários de Saúde é hoje considerado parte da Saúde da Família. Nos municípios onde há somente o PACS, este pode ser considerado um programa de transição para a Saúde da Família. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são acompanhadas e orientadas por um enfermeiro/supervisor lotado em uma unidade básica de saúde.

Os agentes comunitários de saúde podem ser encontrados em duas situações distintas em relação à rede do SUS: a) ligados a uma unidade básica de saúde ainda não organizada na lógica da Saúde da Família;e b) ligados a uma unidade básica de Saúde da Família como membro da equipe multiprofissional. Atualmente, encontram-se em atividade no país 204 mil ACS, estando presentes tanto em comunidades rurais e periferias urbanas quanto em municípios altamente urbanizados e industrializados.

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10 – SAÚDE DA FAMÍLIA E O PROGRAMA DE AGENTES COMUNITÁRIOS:

O Programa de Saúde da Família é a estratégia definida pelo Ministério de Saúde (MS) para oferecer uma atenção básica mais resolutiva e humanizada no país.

A Atenção básica é um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É a porta de entrada do sistema de saúde e se articula com os outros níveis de atenção.

O Programa Saúde da Família é operacionalizado mediante equipes compostas por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde (ACS), baseados em uma unidade básica de saúde (UBS).

Cada equipe é responsável pelo acompanhamento de cerca de 1000 famílias num território definido dentro da área de abrangência da Unidade Básica de Saúde a que pertence. Cada UBS pode conter até oito Equipes de Saúde da Família.

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11 – EQUIPE DE SAÚDE NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA:

Atribuições dos membros da Equipe de Saúde da Família As atribuições dos profissionais pertencentes à Equipe ficaram estabelecidos também pela Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, podendo ser complementadas pela gestão local.

Atribuições comuns a todos os Profissionais que integram as equipes:

1. Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação

da equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos, inclusive aqueles relativos ao trabalho, e da atualização contínua dessas

informações, priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local;

2. Realizar o cuidado em saúde da população adscrita, prioritariamente no

âmbito da unidade de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários

(escolas, associações, entre outros), quando necessário;

3. Realizar ações de atenção integral conforme a necessidade de saúde da

população local, bem como as previstas nas prioridades e protocolos da gestão

local;

4. Garantir a integralidade da atenção por meio da realização de ações de

promoção da saúde, prevenção de agravos e curativas; e da garantia de atendimento da demanda espontânea, da realização das ações programáticas

e

de vigilância à saúde;

5.

Realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de notificação

compulsória e de outros agravos e situações de importância local;

6. Realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as

ações, proporcionando atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo;

7. Responsabilizar-se pela população adscrita, mantendo a coordenação do

cuidado mesmo quando esta necessita de atenção em outros serviços do

sistema de saúde;

8. Participar das atividades de planejamento e avaliação das ações da equipe,

a partir da utilização dos dados disponíveis;

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9. Promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar

o controle social;

10. Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar

ações intersetoriais com a equipe, sob coordenação da SMS;

11. Garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas nacionais de

informação na Atenção Básica;

12. Participar das atividades de educação permanente; e

13. Realizar outras ações e atividades a serem definidas de acordo com as

prioridades locais.

Do Enfermeiro do Programa Agentes Comunitários de Saúde:

1. Planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;

2. Supervisionar, coordenar e realizar atividades de qualificação e educação

permanente dos ACS, com vistas ao desempenho de suas funções;

3. Facilitar a relação entre os profissionais da Unidade Básica de Saúde e ACS,

contribuindo para a organização da demanda referenciada; 4.Realizar consultas e procedimentos de enfermagem na Unidade Básica de

Saúde e, quando necessário, no domicílio e na comunidade;

5. Solicitar exames complementares e prescrever medicações, conforme

protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão;

6. Organizar e coordenar grupos específicos de indivíduos e famílias em

situação de risco da área de atuação dos ACS; e

7. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da UBS.

Do Enfermeiro:

1. Realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de

agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e famílias na USF e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações etc), em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, idade adulta e

terceira idade;durante o tempo e frequencia necessarios de acordo com as necessidades de cada paciente;

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2. Conforme protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo

Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) aprova a Resolução n.º 195, de 18/02/97, observadas as disposições legais da profissão, realizar consulta de enfermagem, solicitar exames complementares, etc;

3. Planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;

4. Supervisionar, coordenar e realizar atividades de educação permanente dos

ACS e da equipe de enfermagem;

5. Contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do Auxiliar

de Enfermagem, ACD e THD; e

6. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF.

7. Planejar, gerenciar, coordenar, executar e avaliar a USF.

Do Médico:

1. Realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de

agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e famílias em todas as fases do desenvolvimento humano: infância,

adolescência, idade adulta e terceira idade;

2. Realizar consultas clínicas e procedimentos na USF e, quando indicado ou

necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações etc);

3. Realizar atividades de demanda espontânea e programada em clínica

médica, pediatria, ginecoobstetrícia, cirurgias ambulatoriais, pequenas

urgências clínico-cirúrgicas e procedimentos para fins de diagnósticos;

4. Encaminhar, quando necessário, usuários a serviços de média e alta

complexidade, respeitando fluxos de referência e contrareferência locais, mantendo sua responsabilidade pelo acompanhamento do plano terapêutico do

usuário, proposto pela referência;

5. Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a

responsabilização pelo acompanhamento do usuário;

6. Contribuir e participar das atividades de Educação Permanente dos ACS,

Auxiliares de Enfermagem, ACD e THD; e

7. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF.

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Do Auxiliar e do Técnico de Enfermagem:

1. Participar das atividades de assistência básica realizando procedimentos

regulamentados no exercício de sua profissão na USF e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,

associações etc);

2. Realizar ações de educação em saúde a grupos específicos e a famílias em

situação de risco, conforme planejamento da equipe; e

3. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF. Do Cirurgião Dentista:

1. Realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o

planejamento e a programação em saúde bucal;

2. Realizar os procedimentos clínicos da Atenção Básica em saúde bucal,

incluindo atendimento das urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais;

3. Realizar a atenção integral em saúde bucal (promoção e proteção da saúde,

prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da

saúde) individual e coletiva a todas as famílias, a indivíduos e a grupos específicos, de acordo com planejamento local, com resolubilidade;

4. Encaminhar e orientar usuários, quando necessário, a outros níveis de

assistência, mantendo sua responsabilização pelo acompanhamento do

usuário e o segmento do tratamento; 5.Coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças bucais;

6. Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com

os demais membros da Equipe de Saúde da Família, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar.

7. Contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do THD,

ACD e ESF;

8. Realizar supervisão técnica do THD e ACD; e

9. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF.

Do Técnico em Higiene Dental (THD):

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1. Realizar a atenção integral em saúde bucal (promoção, prevenção,

assistência e reabilitação) individual e coletiva a todas as famílias, a indivíduos e a grupos específicos, segundo programação e de acordo com suas competências técnicas e legais;

2. Coordenar e realizar a manutenção e a conservação dos equipamentos

odontológicos;

3. Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com

os demais membros da equipe de Saúde da Família, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar.

4. Apoiar as atividades dos ACD e dos ACS nas ações de prevenção e

promoção da saúde bucal; e

5. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF.

Do auxiliar de Consultório Dentário (ACD):

1. Realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias,

grupos e indivíduos, mediante planejamento local e protocolos de atenção à

saúde;

2. Proceder à desinfecção e à esterilização de materiais e instrumentos

utilizados;

3. Preparar e organizar instrumental e materiais necessários;

4. Instrumentalizar e auxiliar o cirurgião dentista e/ou o THD nos procedimentos

clínicos;

5. Cuidar da manutenção e conservação dos equipamentos odontológicos;

6. Organizar a agenda clínica;

7. Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com

os demais membros da equipe de saúde da família, buscando aproximar e

integrar ações de saúde de forma multidisciplinar; e

8. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado

funcionamento da USF.

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Atribuições específicas do Agente Comunitário de Saúde Agente Comunitário de Saúde (ACS) mora na comunidade e está vinculado à USF que atende a comunidade. Ele faz parte do time da Saúde da Família! Quem é o agente comunitário? È alguém que se destaca na comunidade, pela capacidade de se comunicar com as pessoas, pela liderança natural que exerce. O ACS funciona como elo entre o programa e a comunidade. Está em contato permanente com as famílias, o que facilita o

trabalho de vigilância e promoção da saúde, realizado por toda a equipe. É também um elo cultural, que dá mais força ao trabalho educativo, ao unir dois universos culturais distintos: o do saber científico e o do saber popular. O seu trabalho é feito nos domicílios de sua área de abrangência. As atribuições específicas do ACS são as seguintes:

1. Realizar mapeamento de sua área;

2. Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro;

3. Identificar indivíduos e famílias expostos a situações de risco;

4. Identificar área de risco;

5. Orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde,

encaminhando-as e até agendando consultas, exames e atendimento odontólogico, quando necessário;

6. Realizar ações e atividades, no nível de suas competências, na áreas

prioritárias da Atenção Básicas;

7. Realizar, por meio da visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as

famílias sob sua responsabilidade;

8. Estar sempre bem informado, e informar aos demais membros da equipe,

sobre a situação das família acompanhadas, particularmente aquelas em

situações de risco;

9. Desenvolver ações de educação e vigilância à saúde, com ênfase na

promoção da saúde e na prevenção de doenças; 10. Promover a educação e a mobilização comunitária, visando desenvolver ações coletivas de saneamento e melhoria do meio ambiente, entre outras; 11. Traduzir para a ESF a dinâmica social da comunidade, suas necessidades, potencialidades e limites;

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12 – NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA (NSF)

Você sabe o que é o NASF?

O NASF (Núcleos de Apoio à Saúde da Família) é uma iniciativa do Governo Federal para ampliar o número de profissionais às equipes do PSF (Programa Saúde da Família). Os núcleos reunirão profissionais das mais variadas áreas de saúde, como médicos (ginecologistas, pediatras e psiquiatras), professores de Educação Física, nutricionistas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Esses profissionais atuarão em parceria e em conjunto com as equipes da Saúde da Família.

A proposta de criação de núcleos multiprofissionais para dar apoio às equipes mínimas da estratégia de saúde da família, principal ação de atenção básica do Ministério da Saúde, há muito vinha sendo discutida. O desenvolvimento dos estudos em atenção básica e o fomento de novas políticas públicas, como a criação da Política das Práticas Integrativas e Complementares (Portaria GM 971/2006) acabou por proporcionar a criação dos tão aguardados Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF.

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Núcleo de Apoio à Saúde da Família - NASF

Ação: Ampliação do acesso da população Brasileira à Atenção Básica por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF Para quem: Para toda População Brasileira.

Produto: Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF Implantados Para que serve: Ampliar a abrangência e o escopo das ações de Atenção Básica, bem como sua resolubilidade, apoiando a inserção da estratégia Saúde da Família na rede de serviços e o processo de territorialização e regionalização a partir da Atenção Básica. O NASF, constituídos por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, devem atuar em parceria com os profissionais das Equipes de Saúde da Família - ESF, compartilhando as práticas em saúde nos territórios das ESF. A portaria 154 republicada em 4 de março de 2008, cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) para os quais foram definidos duas modalidades:

• Tipo I, vinculado no mínimo a 8 Equipes Saúde da Família - ESF e no máximo

a 20 Equipes Saúde da Família – ESF. Este núcleo é composto por ao menos 5 profissionais de uma lista definida na portaria citada.

• Tipo II, vinculado no mínimo a 03 Equipes Saúde da Família – ESF, composto

por ao menos 3 profissionais de uma lista definida na portaria. A qualificação e implantação dos NASF estão descritas na Portaria 154 de 04 de março de 2008.

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13- PROGRAMA DE SAÚDE PÚBLICA:

SAMU 192 :

Introdução. O Ministério da Saúde, através da Portaria nº 1864/GM , em setembro de 2003, iniciou a implantação do componente móvel de urgência com a criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU-192.

O SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência é um serviço de saúde, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde e as Secretarias Municipais de Saúde do Estado

macrorregionalmente.

organizadas

É responsável pelo componente Regulação dos Atendimentos de Urgência, pelo Atendimento Móvel de Urgência da Região e pelas transferências de pacientes graves da região.

Faz parte do sistema regionalizado e hierarquizado, capaz de atender, dentro da região de abrangência, todo enfermo, ferido ou parturiente em situação de urgência ou emergência, e transportá-los com segurança e acompanhamento de profissionais da saúde até o nível hospitalar do sistema.

Além disto intermedia, através da central de regulação médica das urgências, as transferências inter-hospitalares de pacientes graves, promovendo a ativação das equipes apropriadas e a transferência do paciente.

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Objetivos do SAMU:

Assegurar a escuta médica permanente para as urgências, através da Central de Regulação Médica das Urgências, utilizando número exclusivo e gratuito; Operacionalizar o sistema regionalizado e hierarquizado de saúde, no que concerne às urgências, equilibrando a distribuição da demanda de urgência e proporcionando resposta adequada e adaptada às necessidades do cidadão, através de orientação ou pelo envio de equipes, visando atingir todos os municípios da região de abrangência; Realizar a coordenação, a regulação e a supervisão médica, direta ou à distância, de todos os atendimentos pré-hospitalares; Realizar o atendimento médico pré-hospitalar de urgência, tanto em casos de traumas como em situações clínicas, prestando os cuidados médicos de urgência apropriados ao estado de saúde do cidadão e, quando se fizer necessário, transportá-lo com segurança e com o acompanhamento de profissionais do sistema até o ambulatório ou hospital; Promover a união dos meios médicos próprios do SAMU ao dos serviços de salvamento e resgate do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária, da Defesa Civil ou das Forças Armadas quando se fizer necessário; Regular e organizar as transferências inter-hospitalares de pacientes graves internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito macrorregional e estadual, ativando equipes apropriadas para as transferências de pacientes; Participar dos planos de organização de socorros em caso de desastres ou eventos com múltiplas vítimas, tipo acidente aéreo, ferroviário, inundações, terremotos, explosões, intoxicações coletivas, acidentes químicos ou de radiações ionizantes, e demais situações de catástrofes; Manter, diariamente, informação atualizada dos recursos disponíveis para o atendimento às urgências; Prover banco de dados e estatísticas atualizados no que diz respeito a atendimentos de urgência, a dados médicos e a dados de situações de crise e de transferência inter-hospitalar de pacientes graves, bem como de dados administrativos;

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Realizar relatórios mensais e anuais sobre os atendimentos de urgência, transferências inter-hospitalares de pacientes graves e recursos disponíveis na rede de saúde para o atendimento às urgências; Servir de fonte de pesquisa e extensão a instituições de ensino; Identificar, através do banco de dados da Central de Regulação, ações que precisam ser desencadeadas dentro da própria área da saúde e de outros setores, como trânsito, planejamento urbano, educação dentre outros. Participar da educação sanitária, proporcionando cursos de primeiros socorros à comunidade, e de suporte básico de vida aos serviços e organizações que atuam em urgências; Estabelecer regras para o funcionamento das centrais regionais. A Equipe:

Todas as equipes trabalham em sistema de plantão, com cobertura por 24 horas, todos os dias da semana, excetuando-se a equipe aérea, onde somente são realizados vôos diurnos.

Equipe da central de regulação

Médicos reguladores

Técnicos auxiliares de regulação médica

Controladores de Frota e Rádio-operadores

Equipe

das

Unidades

de

Tratamento

Intensivo

Móvel

(UTIM)

Médico

Enfermeiro

 

Motorista-socorrista

 

Equipe do Helicóptero de Suporte Avançado PRF-SAMU

Médico (SAMU)

Enfermeiro (SAMU)

Piloto (PRF)

Técnico de Operações Especiais (PRF)

66

Equipes das Unidades Móveis de Suporte Básico

Técnico de Enfermagem

Motorista-socorrista

Equipe do Helicóptero de Suporte Avançado ARCANJO I

Médico (SAMU)

Enfermeiro (SAMU)

Piloto (Corpo de Bombeiros)

Operador de Vôo (Corpo de Bombeiros)

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Os tipos de unidades e as intervenções:

Unidades de Suporte Básico de Vida do SAMU Cada Unidade Móvel de Suporte Básico tem, além de material de consumo onde inclui-se medicações, no mínimo: rede de oxigênio, prancha longa de madeira para imobilização da coluna, colares cervicais, cilindro de O2, talas de imobilização de fraturas e ressuscitador manual adulto e infantil (ambu). UTI móveis do SAMU Cada Unidade de Tratamento Intensivo Móvel (UTIM) tem, além de material de consumo, no mínimo: uma incubadora para transporte, um aspirador cirúrgico para ambulância, um respirador a volume, um monitor multiparâmetros, um oxímetro digital e bomba de infusão para seringas, além

de todo o material para imobilização e medicamentos de cuidados intensivos.

Helicóptero de Suporte Avançado de Vida PRF-SAMU O Helicóptero de Suporte Avançado de Vida PRF-SAMU, viabilizado através de um convênio entre a Polícia Rodoviária Federal e o SAMU tem, além de material de consumo, no mínimo: um aspirador cirúrgico, um

respirador a volume, um monitor multiparâmetros, um oxímetro digital e bomba de infusão para seringas, além de todo o material para imobilização e medicamentos de cuidados intensivos.

Os

casos clínicos de urgência:

O SAMU atua nos casos clínicos através da central de regulação médica

de

urgências, servindo de escuta permanente para todos os casos clínicos de

urgência, através do número telefônico 192.

O Médico regulador, além de poder orientar o cidadão que necessita de atendimento, pode ativar equipes do programa de saúde da família para o

atendimento domiciliar e, dependendo da gravidade avaliada, enviar equipes móveis de suporte básico de vida ou de Unidades de Tratamento Intensivo

Móveis

Móveis).

(UTI

A atuação nos casos de urgência clínica no âmbito pré-hospitalar visa:

A redução

terapêutico;

do

número

de

mortes

em

função

do

retardo

diagnóstico

e

68

A redução do número de pacientes com seqüelas decorrentes de atendimento tardio, atendimento parcial e/ou inadequado;

A agilização da disponibilidade de recursos colocados à disposição do

paciente;

A racionalização dos recursos para atendimento ao paciente, evitando

desperdício decorrente do uso inadequado de meios, duplicação de atendimentos, retardo do tratamento com conseqüente aparecimento de seqüelas, que aumentam o custo social; Orientação para utilização de outros meios que não apenas as emergências hospitalares. Otimização do uso de ambulâncias hospitalares e ambulatoriais (básicas);

Disponibilização de equipes treinadas e UTIs móveis para o correto transporte

de pacientes graves entre os hospitais.

Transferência inter-hospitalares de pacientes Graves:

Como atividade secundária, o SAMU intermedia, para os pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através da central de regulação médica das urgências, as transferências inter-hospitalares de

pacientes graves. Analisa as necessidades do paciente, confere sua recepção, promove a ativação das equipes apropriadas e a transferência do paciente em condições de suporte avançado de vida, evitando a interrupção de seu suporte hemodinâmico, ventilatório e medicamentoso.

A transferência de pacientes graves internados por planos, seguros e

convênios de saúde são de responsabilidade dos referidos planos, seguros e

convênios e, nas situações urgentes, uma regulamentação do Conselho de Saúde Suplementar (CONSU número 13) ampara o cidadão nesta situação.

O SAMU é responsável pelo atendimento de urgência e assume, através

da regulação, os casos onde haja a caracterização de quadro urgente grave

que necessite o atendimento em um hospital de referência, garantindo, para isto, através da autoridade sanitária do médico regulador, que a situação de urgência seja esclarecida e/ou resolvida no Hospital de Referência, onde utiliza inclusive do conceito de "vaga zero" quando necessário. A Portaria Ministerial 2048 em seu capítulo II coloca como uma das atividades gestoras da regulação

de urgência: "decidir os destinos hospitalares não aceitando a inexistência de

leitos vagos como argumento para não direcionar os pacientes para a melhor

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hierarquia disponível em termos de serviços de atenção de urgências, ou seja, garantir o atendimento nas urgências, mesmo nas situações em que inexistam leitos vagos para a internação de pacientes (a chamada "vaga zero" para internação). Deverá decidir o destino do paciente baseado na planilha de hierarquias pactuada e disponível para a região e nas informações periodicamente atualizadas; sobre as condições de atendimento nos serviços de urgência, exercendo as prerrogativas de sua autoridade para alocar os pacientes dentro do sistema regional, comunicando sua decisão aos médicos assistentes das portas de urgência". Nas situações em que há necessidade de transferência entre UTIs, mas que não está caracterizada uma urgência, a busca de leito deve ser sempre realizada pelo médico assistente do hospital de origem e, após obtenção disto, entrando em contato com a Regulação Médica do SAMU e solicitando a execução do transporte especializado. Após esta solicitação, feita pelo médico assistente, caberá ao SAMU confirmar o leito e proceder ao transporte do paciente grave, direcionando a unidade móvel mais adaptada à situação. Nos casos em que for necessária a remoção com cuidados em UTI Móvel, o médico assistente deverá passar o caso ao médico da UTI Móvel, juntamente com a ficha de transferência detalhada. A responsabilidade, a partir deste momento, é do médico da Unidade Móvel, encerrando-se quando da passagem do caso ao médico da unidade receptora. Nos casos em que for necessária a remoção com cuidados de enfermagem, que possam ser realizados em Unidade de Suporte Básico de Vida, a responsabilidade do médico assistente acabará apenas após a recepção do paciente/vítima pelo médico do hospital/unidade de destino. Após regulação/julgamento do médico regulador, caracterizado que o caso necessite apenas remoção simples, social, não havendo urgência que justifique o envio de um recurso maior, este transporte permanece como responsabilidade dos municípios. Farmácia popular do Brasil:

Introdução: É um Programa do Governo Federal a Farmácia Popular criado em 2004 com a intenção de atender os anseios da população e ampliar o acesso a medicamentos essenciais.

70

O programa tem o intuito de fornecer a população em geral os

medicamentos essenciais para a vida do cidadão. Os medicamentos são vendidos por meio de Farmácias próprias a preço de custo e constam na lista, por enquanto, 107 itens para as doenças mais comuns da nossa gente. Entre eles estão: analgésicos, anti-hipertensivos, medicamentos para diabetes, colesterol, gastrite, pressão alta, etc. No Brasil já são 515 Farmácias Populares próprias em 405 municípios, perfazendo uma média de 950 mil atendimentos por mês. Com implemento por meio da parceria do Ministério da Saúde, FioCruz, os Estados e Municípios e também instituições filantrópicas. Conforme o Ministério da Saúde o investimento somam até agora o montante de R$ 325 milhões.

O programa funciona com a atuação da Fundação Oswaldo Cruz

(FioCruz), sendo o órgão do Ministério da Saúde e organizadora do programa, adquirindo os medicamentos de laboratórios farmacêuticos oficiais públicos e também, do setor privado. Esses medicamentos produzidos dos laboratórios são adquiridos nos pregões realizados pela fundação. Uma da mais importantes iniciativas do programa, é a parceria com as farmácias privadas – Aqui tem Farmácia Popular – que oferece os três tipos de medicamentos mais importantes para: diabetes, hipertensão e anticoncepcionais – fornecidos por laboratórios particulares. Esta iniciativa foi criada em 2006 e oferece medicamento subsidiado, ou seja o Governo para a conta, em até 90% pelo Governo Federal e o cidadão paga somente os restante 10% do valor de referência. Nesta iniciativa são 6.450 mil empresas credenciadas, perfazendo um total de 1,6 milhão de atendimentos por mês, em média. A meta do Governo é chegar até 2011 com mais de 20 mil parcerias. Com essa intenção, os recursos repassados às empresa, para essas parcerias do programa, subiram de R$ 42,96 em 2006 para R$ 310,53 milhões em 2008. Exigências:

O usuário devera apresentar receita medica valida, em caso de diabetes e hipertensão a validade da receita é de 06 meses, e para receitas de anticoncepcionais a validade é de 01 ano. Para o efetuamento da compra o titular deverá estar munido de documento CPF.

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Programa nacional de controle da Dengue:

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue. Em nosso país, as condições socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti possibilitaram a dispersão do vetor desde sua reintrodução em 1976 e o avanço da doença. Essa reintrodução não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente empregados no combate às doenças transmitidas por vetores em nosso país e no continente. Programas essencialmente centrados no combate químico, com baixíssima ou mesmo nenhuma participação da comunidade, sem integração intersetorial e com pequena utilização do instrumental epidemiológico mostraram-se incapazes de conter um vetor com altíssima capacidade de adaptação ao novo ambiente criado pela urbanização acelerada e pelos novos hábitos. Nos primeiros seis meses deste ano, 84.535 pessoas tiveram dengue, enquanto que, em 2003, as notificações chegaram a 299.764. Saiba qual é a situação atual da dengue no Brasil e o que tem sido feito para sua erradicação.

NOVAS AÇÕES

O controle proposto pelo Programa Nacional de Controle da Dengue trouxe mudanças efetivas em relação aos modelos anteriores. Veja o que tem

sido

essencialmente no âmbito coletivo e exige um esforço de toda a sociedade. Por

isso,

PNCD:

prioritário.

é

O

controle

da

transmissão

do

vírus

da

o

dengue

se

prioritário

para

1. a elaboração de programas permanentes, uma vez que não existe nenhuma evidência técnica de que a erradicação do mosquito seja possível, a curto prazo;

2.

o

desenvolvimento

de

campanhas

de

informação

e

mobilização

das

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pessoas, de maneira a se criar o envolvimento da sociedade na manutenção do ambiente doméstico livre de potenciais criadouros do vetor;

3. fortalecimento da vigilância epidemiológica e entomológica para ampliar a

capacidade de predição e de detecção precoce de surtos da doença;

4. melhoria da qualidade do trabalho de campo de combate ao vetor;

5. integração das ações de controle da dengue na atenção básica, com a

mobilização dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Programas de Saúde da Família (PSF);

6. utilização de instrumentos legais que facilitem o trabalho do poder público na

eliminação de criadouros em imóveis comerciais, casas abandonadas etc;

7. atuação multissetorial por meio do fomento à destinação adequada de

resíduos sólidos e a utilização de recursos seguros para armazenagem de

água;

8. desenvolvimento de instrumentos mais eficazes de acompanhamento e

supervisão das ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, estados e

municípios.

PROGRAMA NACIONAL

Com as dificuldades enfrentadas nas diversas tentativas de erradicação da doença, a idéia é garantir uma forte campanha de mobilização social, em 2002 o objetivo passa a ser a redução do dano causado pela doença. A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.

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Em nosso país, as condições socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti possibilitaram a dispersão do vetor desde sua reintrodução em 1976 e o avanço da doença. Essa reintrodução não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente empregados no combate às doenças transmitidas por vetores. Programas com baixíssima ou mesmo nenhuma participação da comunidade, sem integração intersetorial e com pequena utilização do instrumental epidemiológico mostraram-se incapazes de conter um vetor com altíssima capacidade de adaptação ao novo ambiente criado pela urbanização acelerada e pelos novos hábitos. Em 1996, o Ministério da Saúde decidiu rever sua estratégia e propôs o Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa). Ao longo do processo de implantação desse programa observou-se a inviabilidade técnica de erradicação do mosquito a curto e médio prazos. O PEAa, mesmo não atingindo seus objetivos, teve méritos ao propor a necessidade de atuação multissetorial e prever um modelo descentralizado de combate à doença, com a participação das três esferas de governo: Federal, Estadual e Municipal. A implantação do PEAa resultou em um fortalecimento das ações de combate ao vetor, com um significativo aumento dos recursos utilizados para essas atividades, mas ainda com as ações de prevenção centradas quase que exclusivamente nas atividades de campo de combate ao Aedes aegypti. Essa estratégia, comum aos programas de controle de doenças transmitidas por vetor em todo o mundo, mostrou-se absolutamente incapaz de responder à complexidade epidemiológica da dengue. Os resultados obtidos no Brasil e o próprio panorama internacional, onde inexistem evidências da viabilidade de uma política de erradicação do vetor, a curto prazo, levaram o Ministério da Saúde a fazer uma nova avaliação dos avanços e das limitações, com o objetivo de estabelecer um novo programa que incorporasse elementos como a mobilização social e a participação comunitária, indispensáveis para responder de forma adequada a um vetor altamente domiciliado. Diante da tendência de aumento da incidência verificada no final da década de 90 e da introdução de um novo sorotipo (Dengue 3) que prenunciava um elevado risco de epidemias de dengue e de aumento nos casos de Febre Hemorrágica de Dengue (FHD), o Ministério da Saúde, com a

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parceria da Organização Pan-Americana de Saúde, realizou um Seminário Internacional, em junho de 2001, para avaliar as diversas experiências bem sucedidas no controle da doença e elaborar um Plano de Intensificação das Ações de Controle da Dengue (PIACD). A introdução do sorotipo 3 e sua rápida disseminação para oito estados, em apenas três meses, evidenciou a facilidade para a circulação de novos sorotipos ou cepas do vírus com as multidões que se deslocam diariamente. Estes eventos ressaltaram a possibilidade de ocorrência de novas epidemias de dengue e de FHD. Neste cenário epidemiológico, tornou-se imperioso que o conjunto de ações que vinham sendo realizadas e outras a serem implantadas fossem intensificadas, permitindo um melhor enfrentamento do problema e a redução do impacto da dengue no Brasil. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde implantou em 2002 o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD). Muito embora outras causas tenham influenciado, considera-se que as ações do PNCD, desenvolvidas em parceria com Estados e Municípios, tenham contribuído na redução de 73,3% dos casos da doença no primeiro semestre de 2004 em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde mostram que, nos primeiros seis meses de 2004, 84.535 pessoas tiveram dengue, enquanto que, em 2003, as notificações chegaram a 299.764. Cartão nacional de saúde:

A implantação do Cartão Nacional de Saúde está prevista desde a Norma Operacional Básica do SUS de 1996. No entanto, a complexidade e o ineditismo do projeto fizeram com que somente em 1999 ele fosse iniciado. O processo de implantação em curso, considerado como projeto piloto, abrange 44 municípios brasileiros e atinge todas as regiões do País, alcançando cerca de 13 milhões de usuários dos SUS. O projeto é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do projeto Reforço à Reorganização do SUS (Reforsus). A contratação da solução de informática

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Para contratar a solução de informática do Cartão, o Ministério da Saúde realizou uma licitação internacional, dividida em três lotes, da qual saíram vencedoras as empresas Hypercom e Procomp, cujos contratos abrangem:

Equipamentos - No âmbito federal - Aquisição de todos os equipamentos necessários ao armazenamento de cadastros e dos dados captados durante os atendimentos realizados pelos serviços de saúde que integram o SUS em todo o País; - No âmbito estadual - Aquisição de 27 conjuntos de equipamentos necessários ao armazenamento de cadastros e dos dados captados durante os atendimentos realizados pelos serviços de saúde que integram o SUS em cada estado; - No âmbito municipal - Aquisição de 44 conjuntos de equipamentos necessários ao armazenamento dos cadastros e dos dados dos atendimentos realizados nas unidades de saúde de cada um dos municípios do projeto piloto. Além disto, foram também contratados o desenvolvimento e a aquisição de 10 mil equipamentos terminais, destinados à captação das informações nas unidades de saúde que integram o SUS nesses municípios. Treinamento A licitação incluiu a aquisição de serviços de treinamento dos recursos humanos responsáveis pela operação do sistema, sejam eles operadores das bases de dados e rede, sejam eles responsáveis pela alimentação do sistema nas unidades de saúde. Cerca de 35 mil pessoas estão sendo capacitadas. Aquisição e desenvolvimento de software O conjunto de software contratado junto às empresas vencedoras do processo licitatório compreende o aplicativo do terminal de atendimento, os aplicativos de gestão municipal, regional, estadual e federal e os gerenciadores de rede. Cartões magnéticos Um total de 14 milhões de cartões magnéticos foi contratado para distribuição entre os usuários e profissionais do SUS nos municípios do projeto piloto. Está garantida uma reserva técnica de, pelo menos, um milhão de unidades, destinada à reposição de cartões por um período de dois anos. Manutenção e assistência técnica

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O processo licitatório, e os contratos dele decorrente, inclui a prestação de

serviços de distribuição, instalação, apoio, operação e manutenção do sistema. Esta manutenção está assegurada por um período de dois anos após a implantação do sistema.

A

implantação do Projeto Piloto

O

acompanhamento da implantação do projeto Cartão Nacional de Saúde

tem sido feito pela equipe do projeto no Ministério da Saúde e pelos interlocutores responsáveis pelo projeto no âmbito dos estados e municípios. Para tanto, o Ministério da Saúde constituiu equipes de trabalho nas áreas de:

saúde e informação, treinamento, tecnologia e desenvolvimento, cadastramento e infra-estrutura, além da área de administração do projeto. No âmbito municipal foram constituídos os Núcleos de Implantação Local, coordenados pela Secretaria Municipal de Saúde, com participação de representante designado pela Secretaria Estadual de Saúde. O monitoramento e supervisão da implantação do projeto está sendo feito por uma instituição especialmente contratada com tal finalidade, a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Dentre suas atribuições, destacam-se:

- supervisionar a distribuição dos cartões aos usuários;

- supervisionar o fornecimento de equipamentos em conformidade com o

especificado na licitação;

- supervisionar, certificar e acompanhar, representando o Ministério da

Saúde, testes de conformidade de produtos, testes de interoperabilidade e testes funcionais;

- supervisionar a implantação e ativação do sistema Cartão; - supervisionar os serviços relativos ao treinamento de pessoal operacional e de suporte;

- monitorar o cumprimento dos prazos contratuais. As atividades de avaliação do projeto, também previstas no edital de licitação, deverão ser realizadas pela Organização Panamericana de Saúde (Opas). O assunto tem sido objeto de uma negociação específica com o Ministério da Saúde, com vistas à formatação da metodologia de avaliação a ser utilizada.

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Portarias:

PRT-940

Regulamenta o Sistema Cartão Nacional de Saúde (Sistema Cartão).

MS/GM Abril de 2011

 

Dispõe acerca do preenchimento do número

PRT-763 MS/SE do Cartão Nacional de Saúde do usuário no

Julho de 2011

registro dos procedimentos ambulatorias e hospitalares.

PRT-16

Estabelece regras para a integração de sistemas de informação da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) com o Sistema Cartão Nacional de Saúde.

MS/SGEP Agosto de

2011

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14 – PROGRAMAS DE SAÚDE NO BRASIL

Programa de doação de órgãos:

O número de doadores de órgãos no Brasil cresce cada dia e, com ele, o índice de transplantes realizados no país. Atualmente, o programa público nacional de transplantes de órgãos e tecidos é um dos maiores do mundo. Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação da morte encefálica. Neste quadro, não há mais funções vitais e a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem ajuda de aparelhos. O processo de retirada dos órgãos pode ser acompanhado por um médico de confiança da família. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados enquanto há circulação sangüínea para irrigá-los. Mas se o coração parar, somente as córneas poderão ser aproveitadas. Quando um doador efetivo é reconhecido, as centrais de transplantes

das secretarias estaduais de saúde são comunicadas. Apenas elas têm acesso aos cadastros técnicos de pessoas que estão na fila. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade com o doador. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a ser beneficiado. As centrais controlam todo o processo, coibindo o comércio ilegal de órgãos. Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada de órgãos Para ser doador é preciso:

• Ter identificação e registro hospitalar;

• Ter a causa do coma estabelecida e conhecida;

• Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central; • Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;

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• Submeter o paciente a exame complementar que demonstre morte encefálica,

caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral;

• Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma,

quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo

que com dificuldade ou um pouco debilitadas. Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do

paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante. Humaniza SUS:

O que é?

Lançada em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH) busca colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar. A PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de poder, trabalho e afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a autonomia e a corresponsabilidade dos profissionais de saúde em seu trabalho e dos usuários no cuidado de si. Vinculada à Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, no Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (DAPES), a PNH conta com um núcleo técnico sediado em Brasília – DF e equipes regionais de apoiadores que se articulam às secretarias estaduais e municipais de saúde. A partir desta articulação se constroem, de forma compartilhada, planos de ação para promover e disseminar inovações em saúde. Com a análise dos problemas e dificuldades em cada serviço de saúde e tomando por referência experiências bem-sucedidas de humanização, a PNH tem sido experimentada em todo o país. Existe um SUS que dá certo, e dele partem as orientações da PNH, traduzidas em seu método, princípios, diretrizes e dispositivos.

O HumanizaSUS aposta em inovações em saúde, como:

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- Valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores;

- Fomento da autonomia e do protagonismo desses sujeitos e dos coletivos;

- Aumento do grau de co-responsabilidade na produção de saúde e de sujeitos;

- Estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão;

- Mapeamento e interação com as demandas sociais, coletivas e subjetivas de saúde;

- Defesa de um SUS que reconhece a diversidade do povo brasileiro e a todos oferece a mesma atenção à saúde, sem distinção de idade, etnia, origem, gênero e orientação sexual;

- Mudança nos modelos de atenção e gestão em sua indissociabilidade, tendo

como foco as necessidades dos cidadãos, a produção de saúde e o próprio processo de trabalho em saúde, valorizando os trabalhadores e as relações

sociais no trabalho;

- Proposta de um trabalho coletivo para que o SUS seja mais acolhedor, mais ágil e mais resolutivo;

- Compromisso com a qualificação da ambiência, melhorando as condições de trabalho e de atendimento;

- Compromisso com a articulação dos processos de formação com os serviços e práticas de saúde;

- Luta por um SUS mais humano, porque construído com a participação de

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todos e comprometido com a qualidade dos seus serviços e com a saúde integral para todos e qualquer um.” Princípios

Transversalidade

A Política Nacional de Humanização deve se fazer presente e estar inserida em todas as políticas e programas do SUS. A PNH busca transformar as relações de trabalho a partir da ampliação do grau de contato e da comunicação entre as pessoas e grupos, tirando-os do isolamento e das relações de poder hierarquizadas. Transversalizar é reconhecer que as diferentes especialidades e práticas de saúde podem conversar com a experiência daquele que é assistido. Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma mais corresponsável.

• Indissociabilidade entre atenção e gestão As decisões da gestão interferem diretamente na atenção à saúde. Por isso, trabalhadores e usuários devem buscar conhecer como funciona a gestão dos serviços e da rede de saúde, assim como participar ativamente do processo de tomada de decisão nas organizações de saúde e nas ações de saúde coletiva. Ao mesmo tempo, o cuidado e a assistência em saúde não se restringem às responsabilidades da equipe de saúde. O usuário e sua rede sócio-familiar devem também se corresponsabilizar pelo cuidado de si nos tratamentos, assumindo posição protagonista com relação a sua saúde e a daqueles que lhes são caros.

• Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos

Qualquer mudança na gestão e atenção é mais concreta se construída com a ampliação da autonomia e vontade das pessoas envolvidas, que compartilham responsabilidades. Os usuários não são só pacientes, os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um. Um SUS humanizado reconhece cada

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pessoa como legítima cidadã de direitos e valoriza e incentiva sua atuação na produção de saúde. Método:

O HumanizaSUS, aposta na INCLUSÃO de trabalhadores, usuários e gestores na produção e gestão do cuidado e dos processos de trabalho. A comunicação entre esses três atores do SUS provoca movimentos de perturbação e inquietação que a PNH considera o “motor” de mudanças e que também precisam ser incluídos como recursos para a produção de saúde. Humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho.

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Mas incluir como?

As rodas de conversa, o incentivo às redes e movimentos sociais e a gestão dos conflitos gerados pela inclusão das diferenças são ferramentas experimentadas nos serviços de saúde a partir das orientações da PNH. Incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças no serviço de saúde. Incluir usuários e suas redes sócio-familiares nos processos de cuidado é um poderoso recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si. Objetivos:

O HumanizaSUS, aposta na INCLUSÃO de trabalhadores, usuários e gestores na produção e gestão do cuidado e dos processos de trabalho. A comunicação entre esses três atores do SUS provoca movimentos de perturbação e inquietação que a PNH considera o “motor” de mudanças e que também precisam ser incluídos como recursos para a produção de saúde. Humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho.

Mas incluir como?

As rodas de conversa, o incentivo às redes e movimentos sociais e a gestão dos conflitos gerados pela inclusão das diferenças são ferramentas experimentadas nos serviços de saúde a partir das orientações da PNH. Incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças no serviço de saúde. Incluir usuários e suas redes sócio-familiares nos processos de cuidado é um poderoso recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si.

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QualiSUS :

O Sistema Único de Saúde (SUS) completa 15 anos com histórico de

investimentos em excelência em saúde e ampliação do acesso da população à atenção básica. Podemos citar avanços como a vacinação em massa de crianças e idosos em todo o País e a realização de transplantes pela rede pública de assistência à saúde, procedimentos assegurados à população a partir da Constituição de 1988. Mas ainda há conquistas a serem alcançadas, como a garantia de atendimento de qualidade aos usuários do SUS, principalmente nas emergências dos hospitais públicos. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), revela que as filas nas emergências dos hospitais, o longo tempo de espera para a realização de exames e cirurgias e a incapacidade das unidades de saúde de acolherem os

pacientes são queixas freqüentes entre os usuários do SUS. De acordo com a pesquisa, concluída no final de 2003, mais de 90% da população brasileira é usuária de alguma forma do SUS.

O resultado da pesquisa serviu de parâmetro para a elaboração do

QualiSUS, um conjunto de mudanças que visa proporcionar maior conforto para o usuário, atendimento de acordo com o grau de risco, atenção mais efetiva pelos profissionais de saúde e menor tempo de permanência no hospital. Em conseqüência, o QualiSUS contribui para salvar um maior número de vidas, com a redução dos danos à saúde, além de assegurar a satisfação por parte da população com o atendimento recebido nos hospitais da rede pública? é o respeito ao direito de cidadania. Projetos do QualiSUS:

Qualificação do atendimento nas Unidades de Urgência/Emergência Qualificação da Atenção Básica Qualificação e acesso à assistência ambulatorial e hospitalar de Média Complexidade. Política de Humanização da Atenção e da Gestão no SUS

Programa de controle do tabagismo e outros fatores de risco de câncer (INCA):

O INCA coordena e executa, em âmbito nacional, o Programa de

Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer visando à

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prevenção de doenças na população através de ações que estimulem a

adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis e que contribuam para

a redução

relacionadas

As ações do Programa são desenvolvidas em parceria pelas três instâncias governamentais - federal, estadual e municipal - para capacitar e apoiar os 5.561 municípios brasileiros e abrangem as áreas da educação, legislação e economia.

doenças tabaco- país.

da

incidência

e

mortalidade

no

por

câncer

e

Conheça

as

estratégias

de

programa

de

controle

do

tabagismo.

Educação

As ações educativas dividem-se em pontuais e contínuas.

As ações pontuais envolvem campanhas (Dia Mundial sem Tabaco, Dia Nacional de Combate ao Fumo e Dia Nacional de Combate ao Câncer), que

têm como perspectiva comum a sensibilização e informação da comunidade e

as lideranças em geral sobre o assunto, bem como a divulgação através da

mídia e a realização de eventos como congressos, seminários e outros para chamar a atenção de profissionais de saúde sobre o tema. As ações contínuas objetivam manter um fluxo contínuo de informações sobre prevenção do câncer, tanto em relação ao tabagismo como aos demais

fatores de risco de câncer. Considera-se que culturas e hábitos são passíveis de mudança somente a longo prazo. Portanto, essas ações utilizam canais para alcançar a comunidade de forma contínua e dentro da realidade de sua rotina. Dessa forma, através da realização de atividades sistematizadas em subprogramas dirigidos aos ambientes de trabalho, escolas e às unidades de saúde, o tema é inserido nas rotinas desses ambientes. Outro passo importante nesse processo implica no desenvolvimento de ações que apóiem o fumante que queira parar de fumar. Desta forma, o Módulo Ajudando seu Paciente a Deixar de Fumar surge com o objetivo de capacitar profissionais de saúde para que possam apoiar de forma efetiva os fumantes

da comunidade no processo de cessação de fumar. Legislação

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As ações legislativas envolvem o apoio técnico a processos e projetos de lei, o monitoramento da legislação e a informação sobre os malefícios do tabaco e outros fatores de risco de câncer aos membros do Congresso Nacional. Outra ação importante tem sido a divulgação das leis de controle do fumo na comunidade assim como a identificação e articulação de mecanismos que possibilitem a fiscalização e o cumprimento das mesmas.

Economia Em 1996 foi realizado um estudo econômico para apurar dados sobre produção, preços, publicidade, consumo e arrecadação sobre o tabaco e seus derivados no Brasil. O estudo também visou elaborar um modelo econométrico que envolvesse as diversas variáveis do consumo e uma avaliação da relação custo/benefício do tabaco e de seus derivados para o país. Esses dados têm servido de subsídio às decisões governamentais nas áreas de saúde, legislação e na própria área econômica, visando à redução do consumo de produtos fumígenos. A sensibilização e mobilização de diversos setores da sociedade para a busca de culturas alternativas para substituir o plantio do tabaco são atividades fundamentais para que os esforços nessa área sejam coroados de sucesso. É importante se ter uma legislação forte, sobretudo no que tange as políticas tributária e agrícola. Daí, a necessidade deste Programa estar articulado com outros setores do governo, constituindo-se em um programa amplo, ou seja, um programa de Estado.

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15. O SISTEMA DE SAÚDE SUPLEMENTAR NO BRASIL

No início do século XX, o controle dos sistemas de saúde em várias sociedades ocidentais estava a cargo da profissão médica. Após a 2ª Guerra Mundial, os governos nacionais se encarregaram da provisão dos serviços de saúde de suas populações numa disputa constante pelo controle do sistema de saúde entre profissionais (principalmente médicos), companhias de seguro e o Estado. Particularmente nos anos 80, com objetivo de maior equidade e economia de recursos, os governos introduziram uma gama de mecanismos regulatórios e financeiros para melhorar o acesso aos serviços de saúde e de contenção de custos. Nesta busca de um trade-off entre acesso versus eficiência foram introduzidos nos sistemas de saúde, vários mecanismos de planejamento ou de regulação de mercado. De uma situação em que a provisão era feita direta por instituições governamentais para o estabelecimento de contratos entre provedores e compradores, parcela significante de recursos foi destinada ao estabelecimento dos instrumentos de contratualização; nos países que optaram por dar incentivo aos serviços que fossem mais eficientes em termos econômicos, tiveram de ser desenvolvidos melhores indicadores de qualidade e de resultado da assistência à saúde, no sentido de se evitar que fosse dada uma ênfase excessiva à redução de custos em detrimento do bem-estar dos pacientes. Assim, passar de uma situação de financiamento público e provisão privada não significa necessariamente um menor esforço regulatório. Dadas as características da assistência à saúde de ser um bem social, adquire maior importância o papel regulador do Estado no setor. No nível organizacional, o papel do empresariado é de modernizar e racionalizar as instituições no sentido de aumentar a sua eficiência, entendida como aumento dos lucros, expansão de mercado e em algumas situações, melhorar a qualidade de produtos e serviços para o consumidor. A regulamentação dos planos de seguros-saúde no Brasil, no final dos anos 90, emerge em um contexto marcado por uma vertente eminentemente

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econômica e outra de cunho assistencial. De um lado, as profundas reformas no mercado de seguros anunciam a necessidade de normatizar a denominada assistência médica suplementar. As proposições para a desregulamentação do sistema nacional de seguros apoiavam-se em previsões de previdência complementar e reprivatização dos seguros de acidente do trabalho. Expressam-se como fatos representativos dessa política a quebra do monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil e a abertura para o capital e empresas estrangeiras do setor. Pelo lado da assistência, cresciam as denúncias dos consumidores e de suas entidades de representação sobre negação de atendimento aos clientes cobertos por planos privados de saúde e a elevação exorbitante dos preços dos prêmios. Adicionalmente, as entidades médicas passam a se posicionar contra o controle da utilização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, as políticas de credenciamento da prestação de serviços e os valores de remuneração praticados pelas operadoras de planos de seguro-saúde. Como marco significativo no âmbito das ações do Poder Executivo, para regular as atividades da assistência médica suplementar no país, ressalta-se a iniciativa do Ministério da Saúde, em 1996, de enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei referente ao ressarcimento ao SUS dos gastos dos beneficiários de planos privados. Ainda em 1996, foi criada na Câmara dos Deputados uma Comissão Especial para estudar a regulamentação dos planos de saúde e propor um projeto de lei sobre o assunto. MONTONE (2003) identifica três períodos de instituição do marco regulatório da saúde suplementar no Brasil até a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar:

a) Em 1997, é montado um grupo interministerial específico sobre o tema (com representantes do Ministério da Saúde, da Justiça e da Fazenda). Sob as pressões dos diversos interesses das diversas modalidades empresariais que atuam no mercado, consumidores, entidades médicas, técnicos dos Ministérios envolvidos, instalou-se uma disputa inter- ministerial pela institucionalização de regulamentação dos planos privados de assistência à saúde e em setembro do mesmo ano, por iniciativa do Poder Executivo, é finalmente enviado projeto de lei para apreciação pelo Congresso Nacional, o que viria a se constituir na Lei nº

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9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos privados de assistência à saúde. Por esse modelo, a regulação do setor seria operada pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) do Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde teria o papel de assessoramento.

b) Esta etapa é caracterizada pelo debate no Senado Federal e edição da Medida Provisória (MP) Nº 1.665/98, alterando substancialmente a Lei nº 9.656 no que diz respeito a cobertura assistencial. O Plano Referência, (plano com cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padrão de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necessária a internação hospitalar, das doenças listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, da Organização Mundial de Saúde), instituído pela Lei nº 9.656/98, passa a ser o único modelo de plano aprovado para comercialização; é criada a Câmara de Saúde Suplementar, órgão consultivo com participação de entidades representantes de operadoras, consumidores e governo e a definição da regulamentação passa a ser dividida nos aspectos econômico- financeiros e assistenciais entre o Ministério da Fazenda (SUSEP) e o Ministério da Saúde (mediante o recém-criado Departamento de Saúde Suplementar no âmbito da Secretaria de Assistência à Saúde), respectivamente. A MP passa então a ser reeditada quase que mensalmente até agosto de 2001 com o número 2.177-44.

c) O terceiro, que contempla o atual estágio do marco regulatório, dá-se com a unificação legal das competências sobre a situação nos aspectos econômico-financeiros e assistenciais em um único órgão regulador, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), autarquia federal criada pela Lei nº 9.961 de janeiro de 2000.

A ANS foi criada no âmbito do Ministério da Saúde e a ele vinculada, mantendo a regulação na esfera da saúde, porém na figura de Agência

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Reguladora com sua condição diferenciada: maior poder de atuação; autonomia administrativa e financeira – expressa por uma arrecadação própria; decisões tomadas em Diretoria Colegiada; dirigentes com mandato definido em lei e, por último, com o poder legal concedido às agências reguladoras para a efetivação das suas resoluções. A atuação da Agência é regida por um Contrato de Gestão, negociado entre seu Diretor-Presidente e o Ministro da Saúde, e aprovado pelo Conselho de Saúde Suplementar (integrado pelo Ministro-Chefe da Casa Civil, que o preside, e os Ministros das seguintes pastas: Saúde, Fazenda, Justiça e Planejamento, Orçamento e Gestão). O Contrato de Gestão estabelece os parâmetros para a administração interna da ANS e os indicadores da avaliação de ser desempenho. O descumprimento injustificado do Contrato de Gestão implica a dispensa do seu Diretor-Presidente, pelo Presidente da República, mediante solicitação do Ministro da Saúde. O modelo institucional de agência autônoma emerge no contexto da reforma do Estado brasileiro, expresso no Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado, elaborado em 1995 pelo então Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE), voltada para as atividades então definidas como exclusivas do Estado, não delegáveis, que envolvem regulação, segurança e arrecadação de imposto. Este plano teve como fatores principais para sua implementação as privatizações das empresas estatais e o desenho de novas funções regulatórias dos serviços de utilidade pública privatizados. No âmbito da redefinição da burocracia estatal, as mudanças se dirigiam a promover nos instituições relacionadas com as atividades exclusivas do Estado, um grau de isolamento das influências dos agentes políticos e econômicos vinculados aos grupos de interesse de cada setor, ou seja, conformar nessas estruturas de governo o que NUNES (1997:34) conceituou como “insulamento burocrático” em uma das gramáticas políticas do Brasil:

“uma estratégia para contornar o clientelismo, através da criação de ilhas de racionalidade e de especialização técnica”. Diferentemente das outras agências reguladoras, como a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), criadas no

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processo de privatização e quebra do monopólio estatal (parcial ou total) das atividades nesses setores da economia e de diversificação e estímulo à competição nesses mercados, a ANS surge para regular as atividades de um setor já exercido pela iniciativa privada, não monopolista, para correção de desequilíbrios econômico-financeiros das empresas e na relação entre as operadoras de planos e seguros de saúde e os consumidores, sobretudo no que se refere a seleção adversa e a assimetria de informações.

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