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Manoel Bomfim e a obra América Latina : dialética passado e presente
José Maria de Oliveira Silva Universidade Federal de Sergipe A Sergipe. Ao pedaço de terra em que nasci (M.Bomfim)

1. Introdução O objetivo deste trabalho sobre o livro América Latina de Manoel Bomfim, publicado originalmente a 100 anos, é procurar refletir sobre alguns aspectos presentes em sua exposição histórico-sociológica. Quando surgiu, o texto causou uma certa estranheza no meio intelectual do Rio de Janeiro, sobretudo, devido às duras críticas de Silvio Romero. Filho de pai quase analfabeto, Manoel Bomfim nasceu em 1868 em Aracaju e após ter estudado medicina na Bahia, termina seu curso no Rio. Ele pertence a uma geração de intelectuais sergipanos que deixam sua marca na cultura do período. As ciências sociais e humanas – antropologia, sociologia, psicologia – estavam em formação e alguns ensaístas interrogavam sobre as causas do atraso latinoamericano e brasileiro em especial. A sociologia dava os primeiros passos no país através de Silvio Romero, Fausto Cardoso, Euclides da Cunha, Paulo Egídio, Lívio de Castro, buscando nas ciências naturais (biologia) a legitimidade do conhecimento científico. Sob a influência do evolucionismo e

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da sociologia biológica a preocupação dominante era com o estabelecimento de uma teoria geral que viesse salvar o país. As teorias racistas, positivistas e darwinistas sociais afirmavam a incapacidade do povo (ex-escravos, mestiços, índios) para alcançar a civilização. Manoel Bomfim é um dos primeiros a questionar esse pensamento, admitindo que não era a formação social do povo que impedia o progresso da América, mas os males de origem, isto é, o modelo de colonização deste Continente e o conservantismo das classes dirigentes que impediam as mudanças necessárias. O processo de atraso existente seria ultrapassado com a educação das massas trabalhadoras. Dividi minha exposição em 5 partes, além da introdução. A primeira relata sobre o que é a obra apresentando um conjunto de temas sobre os interesses e a perspectiva de análise de Bomfim sobre a dominação européia e americana, na segunda parte discuto a metodologia destacando a metáfora do parasitismo como central no livro. Na terceira a polêmica com Silvio Romero. Na quarta as propostas do escritor sobre a utopia educacional. Na quinta e última apresento as considerações finais. A intenção é recapitular, ainda que de maneira breve, sem entrar em detalhes o conjunto de temas do livro, como também, o momento de surgimento da obra, as tensões provocadas pelas teorias racistas e a metáfora do parasitismo

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como paradigma de análise da realidade social, política, constituem os eixos centrais desta apresentação. 2. O que é a obra A América Latina? O livro nasce do espírito de um escritor jovem, apaixonado pelo país. Não foi algo intempestivo, pois o trabalho intelectual durou 9 anos de estudos, tendo terminado entre 1902-1903 em Paris. Nessa cidade ele se instala com uma bolsa do governo do Rio de Janeiro para fazer um curso de psicologia experimental na Sorbonne com Alfredo Binet e George Dumas. Ao mesmo tempo recolhe uma série de anotações sobre a América. Diante da opinião corrente nos jornais de que o continente latino-americano era povoado por milhões de preguiçosos, mestiços degenerados, bulhentos e bárbaros, vivendo em ricos territórios, de grande extensão, mas sujeitas a crises políticas constantes, com governos desonestos, é que o ensaísta retoma a sua reflexão sobre as relações entre a Europa e a América Latina. Essa opinião hegemônica difundia-se entre governos, economistas, sociólogos, jornalistas europeus, afirmava que cabia aos países adiantados realizar a missão civilizadora implantando o progresso entre os povos julgados “mais” ou “menos” aptos, “evoluídos” ou “esclarecidos”.

viajantes e exploradores estrangeiros do século XIX. Ainda que a identificação da causa intelectual até certo ponto não fosse verdadeira.4 Ao contestar tais visões e os preconceitos racistas sobre o povo e a nação americanos. não era de se estranhar que mesmo alguns intelectuais de tendências socialistas como Euclides da Cunha e Lima Barreto se sentissem envergonhados quando o Brasil era comparado no estrangeiro com uma República dos Caudilhos da América Hispânica. pois desconhecia o ensaísta sergipano a grande curiosidade e as contribuições de naturalistas. com um povo ingovernável tinham uma dupla causa: uma causa intelectual. . os preconceitos e a condenação do povo latinoamericano traziam para o presente a fala e a imagem de antigo colonizador: os que nasciam na América continuavam a serem vistos como inferiores. racial e culturalmente. e uma causa interesseira visando a conquista do território. preconceituosas sobre a América Latina. o livro aparecia aos olhos de jacobinos e nacionalistas locais como uma resposta ao conceito de estrangeiro sobre nós (1) Segundo Bomfim as idéias sobre o continente americano bárbaro e atrasado. fruto do desconhecimento da realidade histórica latino-americana. Nesse contexto de difusão de imagens negativas.

A sociologia de Bagehot que terá continuidade em Herbert Spencer (1820-1903) e Luduwig Gumplowicz (1838-1909). Terceiro idéia que continua ao longo de todo livro. a sua critica ideológica contra os preconceitos comuns na imprensa européia sobre as Repúblicas latino-americanas. do darwinismo social. Desde meados do século XIX o movimento pela unidade americana não obtém sucesso a nível governamental. a inspiração para pesquisar o assunto teria vindo do escrito inglês.5 Na sua introdução Bomfim relata que apesar de seu livro nada ter a ver com a obra Física e Política (1872) de Walter Bagehot. Iniciarei pela unidade da América Latina. a análise das teorias raciais do ponto de vista científico e ideológico. o questionamento e descrédito da Doutrina Monroe como protetora dos interesses latino-americanos. A primeira parte do livro . de maneira sistemática. constitui-se na primeira formulação. Segundo. o autor inglês procurava demonstrar as relações entre o progresso social e as idéias de seleção e competição entre os povos. baseada nas teorias da evolução biológica. A Argentina através da imprensa vangloriava possuir cerca da metade dos recursos econômicos da América do Sul e sentiase européia e não americana se aproximava cada vez mais . Através de sua noção de física social ou ciência natural da política.A Europa e a América Latina – possui três grandes eixos: primeiro.

Do mesmo modo o pequeno território era impeditivo para o Chile. Alemanha). O escritor cubano José Martí é um exemplo. Bomfim e Marti são exemplos de intelectuais que manifestam contra as representações ideológicas do imperialismo sobre o povo americano e preocupações de que as Repúblicas latino-americanas não estavam seguras em sua Soberania Nacional. estabelecidos na América do Norte. “incapazes de ação”. Alguns escritores bem conhecidos como Alejandro Bunge e José Ingenieros defendiam a hegemonia de seu país diante dos dois maiores rivais com os argumentos de que clima e a raça eram impedimentos para o Brasil se tornar hegemônico. “inúteis verbosos”. ao mesmo tempo em que. de Nova York que tratava os cubanos. Isto porque. evidentemente. denunciava as opiniões e preconceitos do Jornal americano The Manufaturer. Espanha. mas. como um “povo de vagabundos míseros ou pigmeus imorais”. Ambos. o imperialismo tomava conta . “povo efeminado” (2). Itália. incentivada pelos investimentos ingleses não pensava em qualquer política de unidade com os outros países sul-americanos. em estabelecer a hegemonia no continente.6 dos países europeus (França. Na mesma época. É possível estabelecer semelhanças entre o discurso do ensaísta sergipano com outros americanistas que discutem os problemas do continente e as possibilidades desses países se constituírem como nações republicanas.

sendo no ano seguinte proposto pelo presidente Cleveland o Zollverein (uma espécie de Alca) ao Brasil. o polvo capital (linguagem do autor sergipano) através do senador Frye apresentava no Congresso americano um projeto para a criação da União Aduaneira. De certa maneira. O interesse econômico e financeiro era penetrar no mercado brasileiro. do ponto de vista econômico.7 da África. Com isso. a rivalidade com a Argentina e o domínio hegemônico inglês empurrou o Brasil para uma maior aproximação e aliança com o governo americano que se efetiva com a instalação do governo de Floriano Peixoto. O capital americano foi favorecido nas questões tarifárias e obteve outras concessões . nas intervenções em Porto Rico e Caribe. em 1886. resultou em dividendos econômicos. a Venezuela é pressionada pela Alemanha em reparação de dívidas atrasadas. Na mesma época. por exemplo. em 1893. superar a concorrência com os ingleses e dominar as relações econômicas e comerciais. da Ásia e a Doutrina Monroe se mostrava inoperante ante a política do big stick (grande porrete) de Roosevelt e suas investidas nos negócios internos de Cuba. quando da Revolta da Armada. Ainda. os Estados Unidos já eram o maior comprador dos produtos brasileiros. a possibilidade de intervenção em outros países americanos se tornou algo concreto. O apoio político ao governo de Floriano. Desde a década de 1870.

apesar dos grandes investimentos britânicos na região e da oposição de socialistas. jacobinos. Sentimento de unidade que era criticado por autores como Euclides da Cunha e Eduardo Prado. a Doutrina Monroe toma corpo nas discussões políticas. a expropriação das companhias. nacionalistas. republicanos que pregavam a luta contra o capital estrangeiro e. Outro fato. De um lado. portanto. estabelecendo ao longo do texto oposição e rupturas com o movimento imperialista e a ideologia racista. a subordinação da política externa americana e. de outro ao identificar as intenções hegemônicas do capital americano. sob a chefia de Joaquim Nabuco. Por isso.8 importantes que permitiram a ampliação de suas atividades no país. anarquistas. Como outros intelectuais antiamericanistas não tinha ilusão sobre o que já era uma idéia corrente na sociedade latino-americana. da Doutrina Monroe e do pan-americanismo aos interesses das grandes corporações econômicas e financeiras. que aproxima ainda mais o Brasil da América do Norte foi a inauguração da Embaixada em Washington em 1902. desde fins do século XIX. entre outros. . Tendo surgido no meio dessas discussões o livro retoma de maneira romântica o ideal de solidariedade da América Latina. Desse modo. no seu livro ao questionar o slogan da Doutrina Monroe como ele estava sendo implantado na América. muitas vezes.

o qual tinha acabado de publicar o volume.. amigos por mais de 20 anos.. se mostra sintonizado com outro nacionalismo defensivo preocupado com as questões sociais e políticas. No novo regime.do Norte” (3). (e acrescentava).. Como nacionalista e socialista.. Por que Ufano de meu país narrando as suas belezas. Afasta-se do cargo em maio de 1894 com a Revolta da Armada. atua ao lado do jornalista Alcindo Guanabara no Correio do Povo..9 afirmava: “A América para os Americanos. escreve uma série de livros – sendo o mais importante Através do Brasil – na área de literatura e de ensino. Bomfim defende na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a tese Das Nefrites ocupando a seguir o posto de médico da Polícia do Estado de Rio de Janeiro. É importante observar que nesse contexto nacionalista radical um dos melhores amigos de Bomfim foi Olavo Bilac.. sem romper a sua relação com Bilac. do qual Bilac fazia parte. e. sentimental. traduzido logo para o francês. um nacionalismo romântico. de orgulho do passado. Bomfim se diferencia daquele. 3) Método e teoria: a metáfora do parasitismo social Um ano após o início da República. Havia. mais tarde. nesse tempo. pois. no Jornal . Afonso Celso. ao lado de Coelho Neto. mais exacerbado.. Com ele.

Para a sociologia positivista. herdeira de Comte. que ele discute na Segunda Parte.10 República de oposição a Prudente de Moraes. Ele ficaria durante algum tempo na direção do Pedagogium. História da América (4) descobre na metáfora de parasitismo o elemento chave para explicar a exploração metropolitana dos povos americanos. O sistema parasitário dependia do trabalho desumano do escravo. a biologia devia fornecer o ponto de partida necessário para as especulações sociais. considerado pelos senhores uma simples máquina para atender as suas ambições e as do clero parasita. A matriz biológica – parasitismo orgânico / parasitismo social . Em abril de 1899. sujeita a leis determinadas. Os fenômenos sociais seriam passíveis de serem estudados como . Através desse imaginário as intenções do Autor eram expor o alcance da teoria do parasitismo com base nos fatos e deduções. quando apresenta o seu parecer para o Conselho Superior de Instrução Pública sobre o compêndio de Rocha Pombo. as relações conflituosas e o antagonismo entre as classes: dominantes e exploradores do trabalho alheio (parasitas) e trabalhadores (parasitados) estabelecidas pela colonização latino-americana.é empregada ao comparar a sociedade a um organismo vivo. Através do parasitismo organizase na colônia a divisão social. órgão impulsor e centralizador das reformas educacionais da instrução nacional.

de maneira objetiva. observando os “fatos” como dependentes de “leis”. a visão “impessoal”. a sociologia para se constituir devia romper com as noções do senso comum (como as pré-noções de Bacon ou as ideologias) e proceder como o físico e o astrônomo na investigação empírica. Além disso. De uma maneira geral. a neutralidade “fria”. a nova ciência social devia procurar o principio de causalidade – a causa determinante – entre os fatos antecedentes mostrando que um fenômeno social é causa de outro.11 se fossem naturais. era possível estabelecer relações constantes. desprezando a introspecção na interpretação dos fenômenos sociais. . Resistente a essas posições repetia Nietzche afirmando que escreveu a América Latina com “sangue nas veias”. como diz. a escrita “impassível”. observando-os de fora. como coisas. qualificadas como “leis”. recorrendo ao princípio da indução para sua justificação lógica. não havendo oposição entre as ciências naturais e as ciências sociais. Em conseqüência. Desse modo. o distanciamento do pesquisador. essas premissas são negadas pelo Autor sergipano. Na verdade. Apesar de destacar a necessidade das leis na investigação dos fatos não admitia. A ordem lógica do método sociológico positivista irá conceber os fatos sociais. com esse tipo de raciocínio concebia-se a sociedade como uma “realidade á parte”.

em grande parte. e conceber a a mestiçagem entre as raças. do darwinismo social. onde a sociologia biológica se desenvolvia com mais vigor que na França. relacionando-a com o avanço do imperialismo. Autor que Luckás. Enquanto que os europeus representavam a civilização. As idéias de seleção natural. Um dos temas centrais de seu livro é a crítica a ideologia do darwinismo social. sobrevivência dos mais capazes e o darwinismo social condenavam povos. como a responsável pela situação de atraso e decadência e dos . o darwinismo social já suplantara junto aos intelectuais outras doutrinas em voga. nestes cem anos. Na Alemanha. O argumento evolucionista – de que a humanidade alcança o progresso por meio da seleção e competição entre os povos – procurou estabelecer gradações entre as espécies humanas. do racismo imperialista. para a sociologia alemã.12 Certamente o silêncio sobre a obra. filosofia dominante no meio intelectual europeu e brasileiro. tornando a corrente mais importante. de suas posições ideológicas na contramão da sociologia positivista. nesse momento. decorre. o símbolo mais visível da animalidade eram os negros. mais tarde. Durkheim lembrava num artigo a grande influência de Gumplowicz. irá criticar na sua obra sobre a filosofia e a sociologia alemã (El asalto a la razón) por retirar da sociologia as categorias econômicas e as classes sociais.

Eis o que é. universalmente admitido (5). natural o processo de massacre e exploração das populações ditas atrasadas através de quaisquer meios violentos (balas. como inevitáveis e indestrutíveis. O mesmo L. sem dúvida. nem aliança. nem tratado. significativo da concepção de mundo dominante na política exterior dos Estados Segundo o escritor Com essas idéias. fuzis. e aos seus interesses. nem dever moral. Gumplowicz. uns quanto os outros como hordas de selvagens. nem lei. não os retêm nenhuma lei moral. de casebres. etc). é reinterpretado por Euclides da Cunha no seu livro clássico Os Sertões a partir da premissa do conflito social como luta entre as raças. doenças. e o mais forte não conhece nem direito. soldados. destruição de plantações. quando espera servir utilmente a sua causa. escravidão. o darwinismo social vulgarizava a crença no conflito como motor do progresso (além do desdém pelas massas e a democracia liberal) expondo a visão de que era legítimo. . incêndio leis. só os embarga o medo que lhes inspira o mais forte. quando o cita na epigrafe através de um recorte extremamente alemão: Os Estados procedem. com objetivo de enriquecimento comercial da burguesia e dos seus países. E problematizado por Bomfim. a desigualdade. alcoolismo.13 opressão. noção que utilizará em parte. a exploração como leis da natureza. que fazia escola na Alemanha como representante típico do Darwinismo social.

é introduzida no ambiente brasileiro através. o que se observa nos . Para Tobias. sobretudo. com um terço de brancos e a maioria de negros e mulatos estavam condenados ao fracasso. que não acreditava no ensino da sociologia como ciência. das idéias de Gobineau. os interesses da classe dominante no momento de crise da ordem social escravista. Nomes como Tobias Barreto. afirmava que os países de raça mestiça entre os quais o Brasil. quase simultaneamente crença desigualdade das raças. para Silvio Romero (Obra filosófica) já eram aplicadas ou serviam de inspiração. tomando forma em meados do século XIX.14 No que centro do projeto em imperialista vários países. Por outro lado. Martins Junior e Livio de Castro acompanhavam as idéias do darwinismo. do direito à moral e à sociologia. partir de 1880. que para Bomfim estavam sendo deturpadas no campo social. Arthur Orlando. e da a ideologia na darwinista. Clóvis Bevilácqua. Este era um dos escritores mais vendidos nas livrarias do Rio de Janeiro até os anos 20. a menos que fossem dominados por uma mão de ferro. Lapouge e Le Bon. A apologética da superioridade das raças encontraria novas justificativas e articulações para a sua expansão devido à grande presença numérica de negros e mestiços na sociedade brasileira e por traduzir. no plano ideológico e político. para o estudo em várias áreas: da história à lingüística. as concepções de Darwin.

a burguesia vê na luta econômica um reflexo da luta no mundo animal (7). “vagabundos”. dá-se também com os povos. de ocupar postos como deputado. em que os conflitos internos e externos aumentam. e. Com isso. a analogia com o organismo biológico foi o mecanismo utilizado pelos conservadores para transferir a responsabilidade da sociedade para o indivíduo. por ser considerado um ser “viciado” moralmente. eram comuns os argumentos racistas manifestos de maneira cínica ou disfarçada cientificamente. delegado de polícia. em uma sociedade competitiva como a da época. irá restringir na América Latina as possibilidades de igualdade social e de ampliação de direitos de cidadania às classes populares. juiz de paz. jurado. “bandidos”. Do dizia. promotor. senador. Nas condições históricas do país.15 indivíduos. outros (6). . assim como na Europa. mestiços) a “ladrões”. através da filosofia do laissez-faire traduzida na sobrevivência do mais apto irá excluir pela sociedade os que são considerados não saudáveis. O Estado constitucional liberal com base nas leis que sustentavam o racismo institucional associava as raças tidas como inferiores (antigos escravos. Apropriando-se dessa concepção de mundo. o darwinismo social. quer considerados em si mesmos quer comparados uns com os ponto de vista político. Impedido pela lei imperial. “mendigos”. de passado escravocrata.

ao afirmar a necessidade de um Brasil mais branco. vontade. e imaginação. a submissão da vontade. De outra parte. sentimentos. . Qualidades devem analisadas sem perder de vista as condições de sujeição. O espírito de cada povo é diferenciado dependente da inteligência. braços descarnados.16 bispo. pernas finas. Como ideólogo de um povo em formação e homogêneo. como defeitos que do caráter ser (qualidades psicológicas negativas) apareciam ao lado da afetividade. Bomfim analisa as características psicológicas negativas e positivas dos negros. mãos calejadas. como uma “besta de carga”. o ex-escravo ingressou na nova sociedade encurralado pelos preconceitos e aparatos legais. e brancos. as elites no seu discurso de branqueamento excluíamno da sociedade como elemento “anti-social” e “atrasado”. coragem nas revoltas dos Palmares e nos quilombos. E de maneira violenta. apesar das mudanças históricas e das diferenças individuais. muitas vezes da apresentados dedicação. Nessa avaliação do caráter nacional lembra que o negro foi um cativo e martirizado durante a escravidão. entre outros. e ainda coberto de vermes (8). identificando o caráter nacional com a alma do povo que permanece invariável. o homem negro será visto como um ser que corrompia a cidade. índios. A docilidade servil. por ter o seu corpo vitimado de doenças. demonstrando bravura.

é pós-colonial. ambos aspectos negativos corrigidos pela educação. como também pelo lado negativo a indolência e o desinteresse. Perspectiva que o leva a contestar os grupos dominantes. Com isso. seria alvo da ira de Silvio Romero (sine ira ac studio. ele estava convencido de que somente através da educação do indivíduo analfabeto (cerca de 80% da população). A polêmica com Silvio Romero . indiferentes à dor física e à morte. ainda que herdeiro de Darwin e Spencer. o antagonismo mas ao refletindo capitalismo de em maneira curso. Obviamente quando se atenta para essas situações se percebe que o discurso de Bomfim na América Latina. Nesse momento. seria possível transformar o país de maneira democrática e vencer o atraso sócio-econômico. que tiveram papel decisivo na formação do país no início do período colonial. são vistos pela sua coragem e amor a liberdade. especialmente imperialista. diz Romero na sua crítica) 4. defender um novo tipo de nacionalismo defensivo (antiimperialista) no interior da tradição americana e uma nova perspectiva sociológica anti-racista que integrasse o homem negro e as classes subalternas na sociedade.17 Os índios. de tendências romântica evolucionistas.

seguidores de Auguste Comte e defensores do governo autoritário a população não estava preparada para participar politicamente devido ao analfabetismo.como Bomfim -. Quando o livro foi lançado. radicado no Rio de Janeiro . O ideal de nação civilizada.. parasitismo social e evolução é escrita na tentativa de afirmar uma tese central: a de que as sociedades latino-americanas não são refratárias ao progresso e a civilização. Para ele: (Bomfim) fala mal da escravidão e da religião.18 A obra América Latina: males de origem. Entre os positivistas mais ortodoxos. Há no livro um anacronismo permanente.) desconhece a época.) Hoje é moda e espécie de revanche dos mestiços contra os europeus. para as elites brasileiras estava no desenvolvimento alcançado pela França. dedicou-lhe imediatamente uma série de 25 artigos hostis. da tradição (. ..Análise do livro de igual título do dr. de 1906. do conservantismo. Sylvio Romero. Manoel Bomfim.. Julga da época do absolutismo com as idéias de hoje (. Nas suas anotações de leitura assinala alguns pontos que depois seriam objeto de reflexão posterior no livro. depois reunidos no volume América Latina . Inglaterra ou os Estados Unidos. Considerando esses pontos é indiscutível que no seu aspecto político as idéias positivistas interessavam às classes dirigentes. ao atraso do meio social e a inferioridade racial. desde o século XIX..

América Latina como Além de rejeitar a base científica. aproximava Bomfim de Silvio Romero. estendendo a todas as classes e as nações peninsulares.19 Anotam impropérios contra eles e cantam loas por índios. ele tinha exagerado o emprego do fenômeno do parasitismo. a propagandista de um “socialismo Etnografia. Desse modo. a defesa da Doutrina Monroe e. a Economia. embora para Romero como também para Tobias a miscigenação se constituísse em fator de atraso. a crítica. qualifica o Autor de bastardo”. . em Romero. ainda. A seu ver. as divergências e proximidades entre ambos expunham com mais clareza a luta ideológica e científica do período. respondendo somente com uma carta à Revista Kosmos. Compartilhava com ele (ainda que com certas restrições) do mesmo arcabouço teórico que estava na moda. a História. O objetivo de entender. da educação popular como via do progresso do país. Bomfim recusa polemizar com ele. por fim. as teses sobre a desigualdade das raças. entre estas: o emprego das noções de parasitismo biológico e parasitismo social pelas ciências sociais. negros e mulatos (9). a idéia ainda não corrente no país de que somos um povo miscigenado. a sociologia biológica e a concepção de que a nova ciência (sociologia) devia caminhar para ser uma ciência autônoma. Aproximava-os. através de leis sociais científicas o passado e o presente do país. como também da América.

chamando-o de simples Manoelzinho. de maneira inversa. respiração. não havia diferenças entre o progresso orgânico (resultado do esforço de todos os órgãos na luta pela vida) e o progresso social (conseqüência da divisão do trabalho).. a sociedade civilizada apresentava órgãos específicos e a divisão do trabalho como norma. dependente do meio e de sua evolução no tempo. Mestrinho do Pedagogium. Em seu áspero estilo de polêmica. como também o próprio Autor do livro. o escritor sergipano distanciava-se do darwinismo de Spencer de que cabia a raça branca dos países mais avançados comandar o processo de civilização dos países considerados incultos e primitivos. No entanto. Em princípio. O diminutivo sugere pequenez autoral e mediocridade: ali estaria nada mais que a opinião de um homem comum. circulação – são realizadas por um único órgão. Uma sociedade atrasada podia ser comparada a um animal inferior em que suas funções fundamentais – digestão. . um qualquer.20 Bomfim utilizava a análise biológica para interpretar a sociedade como um organismo vivo sujeita a determinadas leis categóricas. Segundo esse modelo de análise. enquanto que. tomado de empréstimo de Spencer. o atraso social era devido a falta de divisão de funções que afetava todo e qualquer país. Romero desqualificou totalmente os argumentos.

“filósofos do massacre”. Não cabe dúvida que configura importante manifestação daquele radicalismo. o polemista findou. . Ao mesmo tempo. afirmava que o povo brasileiro era altamente medíocre. do selvagem tupi e do português aventureiro. inclusive. Romero se empenha em defender o pensamento racista acompanhando as idéias de Le Bon de que as raças eram diferentes. mais progressistas ou menos progressistas. até sem querer. entretanto. um efetivo lugar político para o homem comum. que a nação para cumprir o seu papel na história da civilização devia separar-se da raça negra. que propunha para o novo regime a construção de um projeto de civilização mais do que ele estava efetivamente implantando. Para Bomfim. Pessimista em relação à miscigenação. autores racistas como Le Bon não passavam de “teoristas da exploração”. desde a escolha temática (enfim. “sociólogos do egoísmo”. Concepções que o colocam como representante típico do darwinismo social e da nova ofensiva capitalista mundial.21 Descontado esse preconceito contra o homem comum. o Brasil até ombreava nos males!) com ao as demais repúblicas crítico de americanas diagnóstico problemas dotados de uma gênese histórica (10). acertando numa aproximação: Bomfim era um representante privilegiado do radicalismo republicano no Brasil do começo do século XX.

prendia. de maneira excessiva no emprego do parasitismo escrevia: O Estado era parasita das colônias. Ainda.22 Escrito no auge da nova fase do imperialismo. do ponto de vista ideológico apresentava certas afinidades com as interpretações marxistas sobre a luta de classes. segundo alguns. no entanto. mostra o conflito social (a luta de classes) se instaurar na colônia a partir das relações de trabalho entre parasita x parasitado (senhor x escravo. com a visão do Estado. criava privilégios. e parasita do Estado. interpretado como órgão repressor e instrumento das classes dirigentes (parasitas do Estado) constituindo-se desde o período colonial um poder estranho às necessidades da Nação e odiado pelo povo. coagia. que lhe garantiam a posse da presa – a ventosa e os colchetes do parasita. cobrava. por causa do emprego das analogias estabelecidas no campo da biologia. a linguagem do autor radicalizando determinadas posições contra a ordem mundial capitalista não pode ser assimilado pela posteridade. nas colônias. Com a nobreza sucedia a mesma cousa: ou parasitava sobre o trabalho escravo. E. armada com aparelhos de opressão. a Igreja parasita direta das colônias. Segundo Bomfim. defendia-os. matava. O emprego metafórico ou mesmo conceitual do parasitismo (a luta entre parasitas e parasitados). ou parasitava nas . Isto porque. explorador e explorado). sobretudo. uma simples máquina de perceber tributos.

É importante destacar. monopólios. a visão sobre a natureza da colonização ibérica como diferente da colonização inglesa da América do Norte (colônias de povoamento). cobrou dízimos da produção e exerceu o fisco em toda a sua extensão. no tráfico dos negros. algo que será reinterpretado mais profundamente por Caio Prado. proibiu a instalação de manufaturas.23 sinecuras e pensões. com a única finalidade de engordar os colonos espanhóis e portugueses (12). no comércio privilegiado. A tradição reinante era de que o trabalho era algo infame. não se criou na colônia uma população agrícola interessada e educada no trabalho. A burguesia parasitava nos monopólios. a colonização portuguesa. Aqui o Estado colonial motivado pelo parasitismo integral estabeleceu os exclusivos mercantis. Os milhões de negros eram conduzidos à morte. Uma visão que Romero não aceita. No aspecto social e moral em virtude das condições de escravidão. . dizia. mas uma massa popular que vivia como o selvagem.(11) As duas passagens acima explicitam a linguagem metafórica do Autor demonstrando como o parasitismo social é visto como a causa originária dos males que tomou conta do Estado e se espalhou por toda a sociedade com a colonização metropolitana. A plebe parasitava nos adros das Igrejas ou nos pátios dos fidalgos. com apoio do clero. pois. privilégios.

ele concebe o processo de construção da nação republicana fundado na matriz republicana – Escola. o pessimismo predominante entre vários intelectuais com a idéia de que as raças eram civilizáveis. Nação – com . segundo alguns. portanto. A Defesa da Educação Popular Na sua trajetória como intelectual e escritor Manoel Bomfim se projeta como um defensor da educação popular.24 tinha sido singularmente branda quando comparada com a de outros países. Povo. 5. pelos jornais cariocas cujos donos eram portugueses. A parte final de sua obra América Latina (resumo e conclusão) ou mesmo no seu último trabalho Cultura e Educação do povo brasileiro. Afastava. de crítico do colonialismo exploratório da metrópole. o Autor de América Latina logo foi identificado como escritor lusófobo. Escritor de livros de psicologia e de educação pensava o povo com as características psicológicas e históricas resultantes da miscigenação das três raças. e participação como deputado federal. Visto sob aquele ângulo. a publicação de livros escolares. razão pela qual teria sido boicotado. expressam o seu compromisso com a utopia da educação popular (alfabetização). No momento em que as classes dirigentes evocavam a política de branqueamento da sociedade.

Bomfim concebe a educação como utopia dos problemas nacionais ao defender uma campanha massiva através da imprensa. eliminado o papel da raça que não tinha nada a ver com o progresso e civilização do país. a escola assumia grande importância para a construção do povo. Diz ele fazendo apologia da educação quase no final do livro: Parecerá anacrônico. Com esta construção. mas é indispensável. Um exemplo do pouco interesse do governo pela questão está na parte final do livro na sua comparação sobre o quanto se gastava com o pagamento da dívida externa no orçamento de 1903 e os investimentos destinados a educação. não há propaganda mais urgente (.. Desse modo. da nação e dos direitos de cidadania. revistas. acreditando que a educação poderia salvar a América. Ela aparecia no discurso pedagógico como fundamento de .25 objetivo de integrar as classes trabalhadoras cada vez mais periféricas. círculos de estudos. bibliotecas e mesmo universidades populares (onde citava a obra recente de G. e não cessar em quanto a idéia não tiver realização (13) O principal obstáculo estava no conservadorismo político e na mentalidade aristocrática das elites políticas brasileiras que se mostravam contrárias à difusão do ensino com o auxílio do governo federal. Seailles – Educação ou revolução). neste momento da história ocidental vir a fazer a apologia da instrução..) É mister retomar a propaganda. Será anacrônico.

pensava que era um dever do Estado republicano ensinar a ler e a escrever a todos os analfabetos. os mendigos. não permitia a intervenção da União na criação de escolas primárias. República e Liberdade. A Constituição Republicana excluía os analfabetos (cerca de 80%) do voto. no em que se de unem mudar setores liberais e conservadores sentido conservando com exclusão de setores populares do acesso aos bens sociais. Cabia ao novo regime. a prática tradicional da política brasileira e mesmo de alguns países latino-americanos na construção do Estado Nacional. No entanto. A mesma Constituição atrelada ao princípio federativo imposto pelos Estados mais fortes. assim como as mulheres. os militares não graduados e os religiosos. Em síntese.26 valores como: Democracia. civilizado e regenerar a sociedade doente e reduzida à miséria. O sistema eleitoral era uma fraude num país em que somente 10% da população tinha direito ao voto. O governo federal tinha a responsabilidade pelo curso secundário e superior e pela instrução no Distrito Federal. educado. que era de responsabilidade dos Estados. permitiu que as elites agrárias e industriais tutelassem de maneira autoritária a economia e a sociedade por meio de políticas altamente comprometidas com seus interesses de classe. A . formar através do ensino um outro povo.

27 percentagem de analfabetos no Brasil continuou elevada no período. Mesmo os que admitiam o progresso via educação. 6. refletindo o que já ocorria em outros países em termos educacionais.4% na Argentina. O projeto ilustrado de salvar a América via educação das massas não se adequava aos planos vitoriosos da burguesia no poder a quem interessava um povo um pouquinho instruído e sob a hegemonia da razão capitalista. na Suíça com 99. Portugal com 73.7% e a India com 92.7%.7%.95% e na Suécia com 97%.4 % e a Itália com 48. como a Rússia com 70%.3% no México.5% (14). com alto grau de analfabetismo. muito pouco fizeram para mudar o quadro de analfabetismo no país. Considerações finais Manoel Bomfim morre em 1932. Durante um longo tempo foi interpretado como escritor esquecido e ao mesmo . como a Espanha com 58. países onde o grau de alfabetização já era alto. o analfabetismo na América Latina variava entre 54.98% de alfabetizados. como na Dinamarca com 99. Na Europa encontramos países. na mesma época. Diante de tal situação o país estava distante de realizar aquele sonho. taxas mais elevadas na Guatemala 92. No final do século XIX.2%. Outras regiões podiam ser comparadas com o Brasil na percentagem de analfabetos. o Egito com 92. e. 75. E.

A polêmica com Silvio Romero de extrema importância para compreensão do deslocamento intelectual e cultural. ajuda a pensar que o seu discurso contra as teorias racistas e resistência à cultura dos europeus difundia-se na contra-mão do avanço do darwinismo social no país e dificilmente teria penetrado no campo intelectual brasileiro. ao conceber a história de maneira dialética – pensar o passado a partir das questões do presente – introduziu problemas fundamentais. naquele momento brasileiro. Em suma. Entendemos que o silêncio de sua obra decorreu do seu radicalismo republicano que colocava em xeque as bases de dominação da classe dominante. Alguns analistas viram como causa para o silêncio de seu nome a linguagem metafórica da ciência biológica. apenas pela literatura de Lima Barreto. . e os interesses de liberais e conservadores. postura crítica igualada. Nuançando a dimensão biológica da metáfora do parasitismo o seu pensamento contribuía para a superação do argumento político. a rejeição das teorias racistas de base biológica (cada raça vista como uma espécie zoológica). antropológico e histórico das hierarquias raciais. o antiimperialismo. entre outros. outros apontaram a defesa da instrução popular e seu conteúdo utópico.28 tempo como precursor de idéias e movimentos no âmbito da cultura nacional. a hegemonia do pensamento racista. como a educação popular.

Outros analistas Flora Sussekind e Roberto Ventura na obra História e Dependência resultado de um artigo que tinha por título : Uma teoria biológica da mais valia? Afirmam que a metáfora biológica parasitismo utilizada pelo escritor para interpretar a formação colonial brasileira era. o radicalismo ideológico de Bomfim não pode ser assimilado pela posteridade por causa do emprego de analogias estabelecidas no campo da biologia. este livro antecipa no campo da linguagem posições diferentes que mais tarde serão defendidas pelo estruturalismo de Lévi-Straus e por Jakobson. Com relação à esta interpretação acreditamos que outros momentos da sua Isto vida poderiam ao esclarecer a seu matriz posicionamento. O que era novo. sobretudo. Thomas Skidmore e outros consideram o escritor sergipano como um pensador além do seu tempo. entretanto. Na sua ideologia. porque. Esta é uma idéia que não se deve descartar totalmente. utilizar . estudo do símbolo do pensamento e na linguagem. Dante Moreira Leite.29 Mais recentemente. Segundo Wilson Martins. ao mesmo tempo. o escritor sergipano com o emprego da teoria do parasitismo (a luta entre parasitas e parasitados) pode comparado à análise de Marx sobre a luta de classes. quando se avalia sua obra dos anos 20 Pensar e Dizer. distante da posição de Romero. crítico literário. uma ideologia nova e uma linguagem velha.

do Brasil na América em que discute a questão racial e a psicologia das três raças formadoras do povo brasileiro.30 evolucionista. sobretudo. percebe-se nele um leitor do escritor sergipano. Como este. Bomfim considera a solidariedade entre os povos o mecanismo de superação dos conflitos no campo político. Mais recentemente. Nesses livros em que analisa as identidades do povo brasileiro. em toda sua obra acadêmica destaca a influência de Darwin e de Lucrécio (De Rerum Natura) para a sua formação cultural. Sérgio Buarque e Oliveira Vianna. Mário de Andrade que no final dos anos 20 escreve sobre a psicologia e o folclore em duas obras marcantes – Macunaíma e Pequenos Ensaios sobre a Música Brasileira. Como também na opinião de Antonio Candido. por exemplo. Nos anos da Primeira Guerra quando critica a filosofia da luta de classes em Marx e a sociologia darwinista se aproximará do anarquismo de Kropotkin. em um pequeno artigo cita-o como o grande pensador do contra ao compará-lo com pensadores como Gilberto Freyre. a quem cita com grande reverência. Como precursor de movimentos no interior da cultura nacional encontramos pistas da sua importância quando se lê. . Manoel Bomfim foi injustamente esquecido pela intelectualidade brasileira porque se apoiava em analogias biológicas ou porque incomodou com o seu radicalismo republicano.

a formação de uma consciência latino-americana: A América Latina o que não é Europa. analisando os argumentos antropológicos do Autor na sua obra de 1905. aos discursos. norte-americano. a utopia da educação popular deixava de ter a importância que intelectuais como Manoel Bomfim e outros idealizam nos primeiros anos da República para dar lugar. Pensamento este que se constitui desde o século XIX em oposição ao velho colonialismo e. NOTAS .31 Do mesmo modo. mais tarde. anglo-saxão. a obra A América Latina depois de tantas interpretações significativas? Essas várias imagens do Autor e da obra confirmam a dificuldade de compreensão de seu discurso e da continuidade de muitas idéias na atualidade. portanto. como mostrou Alfredo Bosi analisando o radicalismo de um grupo de intelectuais brasileiros. Como repensar. Por outro lado. Nas raízes dessa forma de pensar está presente. um objeto. que. Darcy Ribeiro irá considerar o escritor sergipano como pensador original e fundador da antropologia do Brasil e dos brasileiros (15). como diz Gramsci transformaram o povo nação em um instrumento. degradando-o (16). projetos e interesses conservadores dos grandes demagogos. aos novos imperialismos.

O parasitismo social e evolução. Roberto F. Agradeço ao professor Marcos Silva. Simon. 2. 6. SILVA. Observações sobre a biologización de la sociologia (primeira parte). Letras Fieras. Rio de Janeiro. Lois scientifiques du développement des nations dans leurs rapports avec les príncipes de la seléction naturelle et de l`hérédite. 5. Vindicación de Cuba. Rocha. Ensaios de Sociologia e Literatura. MENZIES. A América Latina. p. Álvaro. As anotações a lápis de Romero estão na obra de Walter Bagehot. 1905. 4. L. Garnier. Parecer. Ideologia Genética. 1901. Rio de Janeiro. 10. 1900. BOMFIM. 8. (seleción y prólogo). da USP. José Maria de Oliveira. 1873 (acervo BMED). Rio de Janeiro.Males de Origem. Laemmert. Letras Cubanas. A América Latina. 9. Da Educação à Revolução.4. n. 1921. Ed. 3. ROMERO. 1985. 7. José. In: A Política no Brasil ou o nacionalismo radical. Rio de Janeiro. Baillière.52-57 (1889). Revista . pp. 1986. Compêndio de História da América.1. G. Paris. Manoel. In: RETAMAR. BOMFIM. p. La Habama. Dissertação de Mestrado defendida na FFLCH da USP em abril de 1991.32 1. Radicalismo republicano em Manoel Bomfim. BOMILCAR. POMBO. Silvio. pp. MARTI. 1905. pelos comentários nos dois parágrafos. Garnier.1. Sociológica. Leite Ribeiro & Maurílio.VII-XXVII. Idem. Ano 1.

pp. Antonio. 1976. Revista do Brasil.48-59.2-84. São Paulo. EBY. 14. O Ressurgimento. 12.399. 16. História da Educação Moderna. Frederick. Idem. 13. BOMFIM. 1962. Darcy. BOMFIM. Martins Fontes. idem p. Manoel Bomfim. Manoel. RIBEIRO. M.121-122. antropólogo.33 11. n. Rio de Janeiro. Obras Escolhidas. p.603-604. 15. Rio de Janeiro. pp. GRAMSCI. Secretaria da Ciência e Cultura da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro.208 e 98. A América Latina. A América Latina. Ano 1. . ibidem pp. pp.290. Editora Globo. idem.

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