Eureka 27

CONTEÚDO

AOS LEITORES 2

XVIII OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL 3
Enunciados e resultado brasileiro

XIX OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL 11
Enunciados e resultado brasileiro


ARTIGOS

JOGOS E FEIJOADA NO SÃO PAULO´S 13
Emanuel Carneiro

SUBSTITUIÇÕES ENVOLVENDO NÚMEROS COMPLEXOS 17
Diego Veloso Uchôa

INTEGRAIS DISCRETAS 25
Eduardo Poço

PRODUTOS NOTÁVEIS 32
Onofre Campos

OLIMPÍADAS AO REDOR DO MUNDO 38

COMO É QUE FAZ 48

SOLUÇÕES DE PROBLEMAS PROPOSTOS 50

PROBLEMAS PROPOSTOS 58

AGENDA OLÍMPICA 61

COORDENADORES REGIONAIS 62





Sociedade Brasileira de Matemática
EUREKA! N°27, 2008
2
AOS LEITORES



É com grande alegria que comemoramos em 2008 os 10 anos da Revista
EUREKA! e transmitimos aos leitores a nossa satisfação pela acolhida recebida
neste período. Durante estes 10 anos de existência temos procurado atender ao
leitor mais exigente, apresentando uma publicação específica que além de
fornecer material atualizado e de alto nível acadêmico, tem tornado o estudo da
matemática olímpica muito mais interessante e acessível a professores e jovens
olímpicos de todo o Brasil.

Neste número especial da revista apresentamos quatro artigos, cujos
autores são todos ex-olímpicos de grande destaque, além de um bom número de
novos problemas propostos por nossos leitores, que estão cada vez mais
inspirados. Agradecemos também a valiosa ajuda dos alunos que trabalharam na
revisão deste número da Eureka!: Álvaro Lopes Pedroso, Ana Luísa de Almeida
Losnak, Custódio Moreira Brasileiro Silva, Elder Massahiro Yoshida, Guilherme
Phillippe Figueiredo Hanon Guy Lima Rossi, Henrique Pondé de Oliveira Pinto,
Illan Feiman Halpern, Marco Antonio Lopes Pedroso, Rafael Horimoto de
Freitas, Renan Henrique Finder, Talita Alessandra da Silva, Thiago Saksanian
Hallak e Thiago da Silva Pinheiro, e particularmente ao Prof. Carlos Yuzo Shine,
que coordenou a revisão e que foi responsável pela seção “Como é que faz” deste
número.

Continuaremos contando com o entusiasmo e a colaboração dos nossos
leitores para que a EUREKA! continue sendo um instrumento útil à formação
matemática e à preparação olímpica do nosso público. Esperamos que gostem
deste número. Divirtam-se!




Os editores







Sociedade Brasileira de Matemática
EUREKA! N°27, 2008
3
XVIII OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL
Enunciados e Resultado Brasileiro


A XVIII Olimpíada de Matemática do Cone Sul foi realizada na cidade
de Atlântida, Uruguai no mês de junho de 2007. A equipe brasileira foi liderada
pelos professores Yuri Gomes Lima e Samuel Barbosa Feitosa, ambos da cidade
de Fortaleza – CE.


RESULTADOS DA EQUIPE BRASILEIRA

BRA1 Renan Henrique Finder Medalha de Ouro
BRA2 Marcelo Tadeu de Sá Oliveira Sales Medalha de Prata
BRA3 Grazielly Muniz da Cunha Medalha de Prata
BRA4 Thiago Ribeiro Ramos Medalha de Prata


PRIMEIRO DIA

PROBLEMA 1
Achar todos os pares de inteiros (x, y) que satisfazem

3 2
2 . x y x y xy xy + + = +

SOLUÇÃO DE MARCELO TADEU DE SÁ OLIVEIRA SALES (SALVADOR – BA)
De
3 2
2 x y x y xy xy + + = + temos:
3 2 2 2
2 ( 1 2 ) | x y x xy xy y x x y y y y x y + − − = − ⇒ + − − = − ⇒
2 3 3
2 ( 2 1 ) | xy xy y x y x y x xy x x y x + − − = ⇒ + − − = ⇒
Então | x y e | y x com exceção de x = 0 ou y = 0. Nesses dois casos temos que
ambos têm que ser 0. Assim (x, y) = (0, 0) é a nossa primeira solução. Se | x y
então x y ≤ (eu já desconsiderei x = 0 e y = 0) e se | y x então , y x ≤ daí
. x y = Assim temos dois casos:
Primeiro caso: x = y
Substituindo temos
4 2 3
2 2 . x x x x + = + Como 0 x ≠ e 0 y ≠ então podemos
simplificar. Assim,
3 2
2 2 x x x + = + e daí | 2 x , então { 2, 1,1, 2}. x∈ − − Desses
valores, o único que não admite solução é x = – 2 então para esse caso
( , ) ( 1, 1);(1,1);(2, 2). x y = − −
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4
Segundo caso: x = – y.
Substituindo temos
4 2 3
2 . x x x − = − +
Como 0 x ≠ temos
4 2 3 2
2 1 2 x x x x x − = − + ⇔ − = − + e daí
2 8
2
x
− ±
= que não
é inteiro, então não há solução para esse caso.
Assim as soluções são ( , ) ( 1, 1);(0, 0);(1,1) x y = − − e (2, 2).

PROBLEMA 2
Considere 100 inteiros positivos tais que sua soma é igual ao seu produto.
Determinar a quantidade mínima de números 1 que podem existir entre os 100
inteiros.

SOLUÇÃO DE RENAN HENRIQUE FINDER (JOINVILLE – SC)
Seja K o número de 1´s que aparecem. Sejam
1 2 100
, ... a a a os números, com
1 2
... 1.
K
a a a = = = =
1 2 100 1 2 100
... ... a a a a a a + + + =
1 100 1 2 100
... ...
K K K
K a a a a a
+ + +
+ + + =
Vamos minimizar
1 2 100 1 2 100
... ... .
K K K K
a a a a a a
+ + + +
− − − − Para isso, suponha
2.
j
a ≥
Note que
1 100 1 100 1 1 100 1
... ... ... ... 2 ... ... 2 ...
K j K j K j j K
a a a a a a a a a a a
+ + − + +
− − − − − ≥ − − −
1 1 100 1 100 1 1 1 100
... ... ... 2 ... ... 2
j j K j j K j j
a a a a a a a a a a a
− + + + − +
− − − − ⇔ − ≥ − ⇔
1 1 1 100
... ... ( 2) 2,
K j j j j
a a a a a a
+ − +
− ≥ − o que ocorre de fato. Então, a diferença é
mínima quando
1 2 100
... 2.
K K
a a a
+ +
= = = = Logo,
100 100
1 2 100 1 100
... ... 2 2 (100 ) 0 2 200
K K
K K K
K a a a a a K K
− −
+ + +
= − − − ≥ − ⋅ − ⇒ ≥ − + ⇒
100
2 200 .
K
K

≤ − Se 93 200 107 K K ≤ − ≤ e
100 7
2 2 128,
K −
≥ = o que obriga
94. K ≥ Note que há um exemplo para K = 95:
1 2 45
... 1 a a a = = = =
96 95
2 a a = =
98 99 100
3 a a a = = =
A soma é 195 2 2 3 3 95 4 9 108 + ⋅ + ⋅ = + + = e o produto é
2 3
2 3 108. ⋅ = Resta o
caso K = 94, isto é, o caso 94 . a b c d e f abcdef + + + + + + = Supondo , 3, a b ≥
minimizemos . abcdef a b c d e f − − − − − − Temos
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3 3 ( 3) 3, abcdef a b c d e f bcdef b c d e f a bcdef a − − − − − − ≥ − − − − − − ⇔ − ≥ −
o que ocorre. Além disso,
2 2 ( 2) 2, abcdef a b c d e f abcde a b c d e abcde f f − − − − − − ≥ − − − − − − ⇔ − ≥ −
o que ocorre, pois 1, f ≠ logo 2. f ≥
Concluímos que a expressão é mínima se a = 3 e f = 2. Analogamente, ela é
mínima quando b = 3 e c = d = e = 2. Então,
2 4
3 2 4 2 3 2 144 14 130 94. abcdef a b c d e f − − − − − − ≥ − ⋅ − ⋅ = − = >
Então, é impossível 94 abcdef a b c d e f − − − − − − = se duas das variáveis
forem 3 ≥ . Já se só uma for 3 ≥ (digamos que a, teremos b = c = d = e = f = 2,
logo
5
2 10 94 31 104, a a a − − = ⇒ = absurdo, pois 31 | 104. / Se todas as variáveis
forem iguais a 2, obtemos também 31 104 31 2 104, a = ⇒ ⋅ = absurdo. Então
K = 95 é o máximo que podemos obter.

PROBLEMA 3
Seja ABC um triângulo com todos os seus ângulos agudos, de alturas AD, BE e
CF (com D em BC, E em AC e F em AB). Seja M o ponto médio do segmento
BC. A circunferência circunscrita ao triângulo AEF corta a reta AM em A e X. A
reta AM corta a reta CF em Y. Seja Z o ponto de encontro entre as retas AD e BX.
Demonstrar que as retas YZ e BC são paralelas.


SOLUÇÃO DA BANCA
Observemos que AFHE é inscritível, pois 90 . AEH AFH ∠ = ∠ = °
Daí que 90 . AXH ∠ = °
Seja A´ um ponto sobre a semireta AM tal que AM = MA´. O quadrilátero ABA´C
é um paralelogramo, onde

´ ´ A BH A BC CBH ∠ = ∠ + ∠
(90 ) ACB ACB = ∠ + ° − ∠
90 = °
´ , A XH = ∠
Ou seja que o quadrilátero BHXA´ é inscritível. Alem disso BHCA´ também é
inscritível já que

´ (180 ) 180 . BHC BAC BAC BAC ∠ + ∠ = ° − ∠ + ∠ = °

Desta forma os pontos B, H, X, C são concíclicos, onde
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´ XBM XBC XAC BAM ∠ = ∠ = ∠ = ∠ (1)

Seja . T AB XH = ∩ Notemos que H também é o ortocentro do triângulo ATY,
uma vez que TY AY ⊥ e . YF AT ⊥ Daí que , AH TY ⊥ então // . TY BC
Se provamos que , Z TY ∈ o problema estará terminado. Seja então ´ . Z AD TY = ∩
Vamos mostrar que ´. Z Z = Agora, ´ 90 HZ Y HXY ∠ = ∠ = ° então HXYZ´ é
inscritível, e portanto,

´ XZ Y XHY FAX BAM ∠ = ∠ = ∠ − ∠ (2)

Das relações (1) e (2) segue-se que ´ , XZ Y XBM ∠ = ∠ ou seja, que os pontos B, Z´
e X são colineares. Porém então ´ Z AD BX Z ∈ ∩ = e assim ´ Z Z = , como
queríamos.
B
A
E
F
H
X
Y
D M
Z
C

PROBLEMA 4
Considere um tabuleiro 2007 2007. × São pintadas algumas casas do tabuleiro.
Dizemos que o tabuleiro é charrua se nenhuma linha está totalmente pintada e
nenhuma coluna está totalmente pintada.

a) Qual é o número máximo k de casas pintadas que um tabuleiro charrua pode
ter?
b) Para tal número k, calcular o número de tabuleiros charruas distintos que
existem.



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SOLUÇÃO DE GRAZIELLY MUNIZ DA CUNHA (FORTALEZA – CE)
a) Note que todas as colunas têm que ter no máximo 2006 casas pintadas. Como
são 2007 colunas então o número de casas pintadas é no máximo
2007 2006, × número que é atingido pintando todas as casas, exceto uma
diagonal, como na figura abaixo
2007
2007

b) como para k no máximo iremos pintar 2006 casas em cada coluna, então temos
que escolher qual casa ficará sem ser pintada. E note que não podemos ter duas
casas sem serem pintadas em uma mesma linha, pois se não terá uma linha que
ficará toda preenchida. Logo para a primeira coluna poderemos escolher qualquer
uma das 2007 casas para não ser pintada, na segunda coluna podemos escolher
qualquer uma de 2006 casas, pois não podemos escolher uma casa que esteja na
mesma linha qua a que foi escolhida na primeira coluna, na terceira coluna temos
2005 escolhas, na quarta 2004 escolhas e assim sucessivamente, logo são
2007 2006 2005... 2007! × × = maneiras de escolher, logo são 2007! tabuleiros
charruas distintos, com o número k.


PROBLEMA 5
Seja ABCDE um pentágono convexo que satisfaz as seguintes condições:
• Existe uma circunferência Γ tangente a cada um de seus lados.
• As medidas de todos os seus lados são números inteiros.
• Ao menos um dos lados do pentágono mede 1.
• O lado AB mede 2.
Seja P o ponto de tangência de Γ com o lado AB.

a) Determinar as medidas dos segmentos AP e BP.
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b) Dar um exemplo de um pentágono que satisfaz as condições estabelecidas.

SOLUÇÃO DE RENAN HENRIQUE FINDER (JOINVILLE – SC)
a) Sejam Q, R, S e T os pontos de tangência de Γ em BC, CD, DE e EA,
respectivamente, como a seguir:
E
D
C B Q
R P
S T
A

Seja AP = x. Temos:
AB = 2 ⇒ BP = 2 – x
QB = BP ⇒ QB = 2 – x
QC = BC – QB = BC – 2 + x
CR = QC ⇒ CR = BC – 2 + x
DR = CD – CR = CD – BC + 2 – x
DS = DR ⇒ DS = CD – BC + 2 – x
ES = DE – DS = DE – C D + BC – 2 + x
ET = ES ⇒ ET = DE – CD + BC – 2 + x
AE = AT + TE = x + DE – CD + BC – 2 + x ⇒ 2x = AE – DE + CD – BC
*
2
+
+ ∈Z
Como 2 2 4, x AB x < = ⇒ < pode-se ter 2 3, 2 2 x x = = ou 2 1. x = O item b)
mostra uma configuração para
3
2
x = e o caso
1
2
x = é obviamente análogo
(troque A por B e C por E). Resta ver o que acontece se x = 1.
Temos 1 1. AT AE = ⇒ > Então 2, AE ≥ porque AE∈Z. Como 1, ET AE = −
vale que e 1. ET ET ∈ ≥ Z
Assim, 1, SE ≥ pois . SE TE = Desse modo, 2. DE SE DE > ⇒ ≥ Como
DS DE SE = − tem-se 1, DS ≥ mas então 1 1. DR DC ≥ ⇒ > Logo 2, DC ≥ uma
vez que . DC∈Z Mas então 1, CR ≥ já que . CR DC DR DC DS = − = − ∈Z E
também 1 CQ ≥ e , CQ∈Z já que . RC QC = Deste modo, 1. BC CQ BC > ⇒ > E
1. AB AP > = Então todos os lados são maiores que 1: absurdo.
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Obs. No desenho do item b), de fato
3
,
2
AP = pois
1 3
1
2 2 2
w
AP x = + = + = (o
ponto P bissecta o segmento de medida w pois esse segmento é o lado de um
hexágono regular). Por outro lado, na verdade já provamos que só podíamos ter
3
2
AP = ou
1
.
2
AP = Isso mostra que
3
2
AP = e
1
2
BP = é uma possibilidade (e
que, analogamente,
3
2
BP = e
1
2
AP = também é).

b) Tome um hexágono regular de lado 1, seu incírculo Γ, dois de seus lados não
opostos e não adjacentes e os prolongue. Seja A a intersecção obtida. O
pentágono ABCDE é o fecho convexo da união dos pontos do hexágono e do
ponto A, como a seguir:
A
C D
B E
P
w
x
z
y
120° 120°

Note que o triângulo de lados x e y, com vértice em A, tem dois ângulos de
180 120 60 , ° − ° = ° logo é eqüilátero, e de lado 1 (seu terceiro lado é lado do
hexágono L)! Como w e z são lados do hexágono, w = x = y = z = 1. Então:
• ABCDE é circunscrível
• BC = CD = DE = 1
• AB = EA = w + x = y + z = 1 + 1 = 2
Todos os lados são inteiros, como queríamos.

PROBLEMA 6
Demonstrar que, para cada inteiro positivo n, existe um inteiro positivo k tal que a
representação decimal de cada um dos números k, 2k,..., nk contém todos os
dígitos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.

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10
SOLUÇÃO DE MARCELO TADEU DE SÁ OLIVEIRA SALES (SALVADOR – BA)
Lema: Para todo , n existe
*
k
+
∈Z tal que nk contém todos os dígitos 0, 1, 2, ..., 9,
onde
*
. n
+
∈Z
Demonstração: Ao fatorarmos n temos que n é da forma 2 5
a b
q ⋅ ⋅ onde q é o
produto dos outros fatores primos de n. Seja c = máx (a, b).
Vou mostrar que para 10
c
n q = ⋅ o lema é válido. Temos que 2 5
a b
q ⋅ ⋅ é divisor
de 10 ,
c
q ⋅ e por Bézout existe um x tal que
1
10 10 (mod 10 )
c c c
qx
+
⋅ ≡ ⋅ , pois
( ,10) 1 mdc q =
Assim, se multiplicarmos 10
c
qx ⋅ por 2, 3, ..., 9 ele dará restos 2 10 ,..., 9 10
c c
⋅ ⋅ ,
ou seja, aparecerem os dígitos que nós quisermos na base decimal. Considere
2 8
10 ( 2 10 3 10 ... 9 10 )
c p p p
qx qx qx qx + ⋅ + ⋅ + + ⋅ onde x é o número tal que
1
10 10 (mod 10 )
c c c
qx
+
⋅ ≡ ⋅ e p é um inteiro tal que 10 9 10 .
p c
qx > ⋅ ⋅
Então k
2 8
10( 2 10 3 10 ... 9 10 )
p p p
x x x x = + ⋅ ⋅ + ⋅ ⋅ + + ⋅ ⋅ satisfaz as nossas condições
pois ao multiplicarmos k por 10
c
q ⋅ temos o seguinte:
Em 10
c
q x ⋅ ⋅ vai aparecer um dígito 1 porque
1
10 10 (mod10 ).
c c c
q x
+
⋅ ⋅ ≡ Em
10 2
c p
q x
+
⋅ ⋅ vai aparecer um dígito 2.
Em
8
10 9
c p
q x
+
⋅ ⋅ vai aparecer um dígito 9 e eu multipliquei tudo por 10 para
aparecer o 0. Assim k é o que queríamos.
Agora vou terminar o problema por indução
Casos iniciais 1 n → = e 1234567890 k =
n = 2 e
1234567890617283945
ou 6172839450
k =

Passo indutivo → suponha que até n é verdadeira então existe um k tal que k, 2k,
3k,...,nk têm todos os dígitos 0,1,...,9. Observe que se multiplicarmos k por
10
/
para
*
+
∈ / Z continua sendo verdade para , 2 , caso, . k k nk
Pelo lema, temos que existe um r tal que (n + 1)r tem todos os dígitos 0,1,...,9.
Assim, fazendo 10 s k r = +
/
, onde / é um inteiro tal que 10 ( 1) , n r > +
/
esse s
satisfaz as condições do enunciado para 1 até (n + 1) pois de 1 até n teremos que
, 2 ,..., s s ns terão todos os dígitos porque 10 ,...,10 k nk
/ /
têm (e porque / é grande o
suficiente para que 10 ). nr <
/

E para n + 1 temos que ( 1) 10 n r + <
/
terá todos os dígitos. Assim s satisfaz as
condições. Portanto para todo n inteiro positivo existe tal inteiro k.


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EUREKA! N°27, 2008
11
XIX OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL
Enunciados e Resultado Brasileiro


A XIX Olimpíada de Matemática do Cone Sul foi realizada na cidade de
Temuco, Chile no mês de maio de 2008. A equipe brasileira foi liderada pelos
professores Cícero Thiago Magalhães e Bruno Holanda, ambos da cidade de
Fortaleza – CE.


RESULTADOS DA EQUIPE BRASILEIRA

BRA1 Gustavo Lisbôa Empinotti Medalha de Bronze
BRA2 Marcelo Tadeu de Sá Oliveira Sales Medalha de Prata
BRA3 Matheus Araújo Marins Medalha de Bronze
BRA4 Matheus Secco Torres da Silva Medalha de Prata


PRIMEIRO DIA

PROBLEMA 1
Defina I(n) como o resultado de inverter os números de um algarismo. Por
exemplo, (123) 321, I = etc. Calcule todos os inteiros 1 10000 n ≤ ≤ tais que
( ) .
2
n
I n
(
=
(
(


PROBLEMA 2
Seja ABC um triângulo, P um ponto em seu interior e X, Y e Z pontos em BC, AC
e AB respectivamente tais que . PZB PXC PYA ∠ = ∠ = ∠ Considere os pontos U,
W e V sobre BC, AC e AB (ou seus prolongamentos, se necessário) tais que PV =
2PY; PU = 2PX e PW = 2PZ. Sabendo que a área de XYZ é 1, calcule a área de
UVW.

PROBLEMA 3
Dois amigos A e B devem resolver a seguinte adivinha: cada um deles recebe um
número do conjunto {1, 2, ..., 250} mas não vê o número que o outro recebeu. O
objetivo é que cada amigo descubra o número do outro. O procedimento que
devem seguir é anunciar, por turnos, números inteiros positivos não
necessariamente distintos: primeiro A diz um número, em seguida B diz um
número, depois novamente A, etc., de modo que a soma de todos os números
Sociedade Brasileira de Matemática
EUREKA! N°27, 2008
12
anunciados seja 20. Demonstrar que existe uma estratégia de modo que, através
de um acordo prévio A e B possam atingir o objetivo, sem importar quais
números cada um receba no começo da adivinha.


SEGUNDO DIA

PROBLEMA 4
Qual é o maior número de casas que se pode colorir num tabuleiro 7 × 7 de
maneira que todo subtabuleiro 2 × 2 tenha no máximo 2 casas coloridas?

PROBLEMA 5
Seja ABC um triângulo isósceles de base AB. Uma semicircunferência C com
centro no segmento AB e tangente aos lados iguais AC e BC. Considera-se uma
reta tangente a C que corta os segmentos AC e BC em D e E, respectivamente.
Suponha que as retas perpendiculares a AC e BC, traçadas respectivamente por D
e E, se cortam em P interior ao triângulo ABC. Seja Q o pé da perpendicular à
reta AB que passa por P. Demonstrar que
1
.
2
PQ AB
CP AC
= ⋅

PROBLEMA 6
Dizemos que um número é capicua se ao inverter a ordem de seus algarismos
obtivermos o mesmo número. Achar todos os números que tem pelo menos um
múltiplo não-nulo que seja capicua.














Sociedade Brasileira de Matemática
EUREKA! N°27, 2008
13
JOGOS E FEIJOADA NO SÃO PAULO´S
Emanuel A. S. Carneiro

♦ Nível Iniciante


Bem próximo ao Robert Lee Moore hall, sede do Departamento de
Matemática da Universidade do Texas em Austin, fica o celebrado restaurante
brasileiro São Paulo´s. Comida muito boa (definitivamente a melhor feijoada da
cidade), além do velho e bom guaraná Antártica são apenas alguns dos fatores
que nos levam (a comunidade brasileira aqui em Austin) a almoçar regularmente
no São Paulo´s.
Certo dia eu estava a almoçar com dois professores do departamento e
algo me fez lembrar dos meus tempos de olimpíada de Matemática. Fernando
Rodriguez-Villegas, argentino, professor na área de teoria dos números e Tamás
Hausel, húngaro, que trabalha nas áreas de geometria algébrica e topologia.
Enquanto saboreávamos as nossas feijoadas (eu e o Tamás, o Fernando no bobó
de camarão), conversávamos sobre jogos matemáticos. Dr. Rodriguez-Villegas,
um matemático extraordinário e super simpático, que além de fazer pesquisa do
mais alto nível em teoria dos números é bastante interessado em jogos e puzzles
matemáticos, nos explicava tópicos do curso que estava a ensinar nesse semestre
(Math, Puzzles and Computers) além de outras idéias de jogos que ele próprio
havia inventado.
Entre as torres de Hanói, Nim, Resta um, e coisas do tipo escritas em
guardanapos do São Paulo´s, Tamás lembrou-se de algo e me perguntou:

– Emanuel, você conhece o jogo do “15 out of 3” (15 de 3)?
Respondi que não. Ele então me deu a formulação do jogo:

– (O jogo 15 out of 3) os números de 1 a 9 estão sobre a mesa. Dois jogadores
alternadamente escolhem números para si (sem repetição) e ganha quem primeiro
completar 15 somando três de seus números.
(sugiro agora que os leitores joguem um pouquinho antes de prosseguir e
“desvendar” o mistério).
Pensei comigo mesmo: “Hummm... isso não me parece estranho...”. Eu disse:
– Bem, minha intuição me leva a crer que o primeiro jogador está em melhor
situação para negociar do que o segundo, pois vai receber mais números ao
final...

Tomás foi adiante e disse:
Sociedade Brasileira de Matemática
EUREKA! N°27, 2008
14
– Sim, você está correto. Vamos jogar! Você começa, escolha o seu primeiro
número.

– Está bem. Eu escolho o 5.
Nesse momento ele parou e me olhou curioso. – “Por que você escolheu o 5?”
perguntou. Eu disse:

– Não sei exatamente o que é, mas algo me faz lembrar um quadrado mágico, e
como o 5 sempre está no meio, achei que tinha mais chances de ganhar...

– Sua intuição mais uma vez está correta. Muito bem. Naturalmente, você deve
saber qua a menos de rotações e reflexões a configuração do quadrado mágico é
única. Por que a gente não desenha um quadrado mágico 3 × 3 aqui e tenta jogar
olhando para ele?

Após um minuto tentando lembrar como se faz um quadrado mágico,
desenhamos no guardanapo:

6 7 2
1 5 9
8 3 4

Quando vi os números na mesa matei a charada. Um quadrado mágico de 3 × 3
como visto acima é uma disposição dos números 1, 2, 3, ..., 9, sem repetição, de
modo que cada linha, coluna ou diagonal some a mesma quantidade. Nesse caso a
soma comum será 15 e o que vemos acima são todas as maneiras possíveis de se
escrever 15 como soma de 3 números:

15 = 9 + 1 + 5 = 9 + 2 + 4 = 8 + 1 + 6 = 8 + 2 + 5 =
= 8 + 3 + 4 = 7 + 2 + 6 = 7 + 3 + 5 = 6 + 5 + 4.

Se pensarmos então que o primeiro jogador marca X sobre os números do
quadrado mágico e o segundo marca O, o objetivo do jogo passa a ser completar
uma linha, coluna ou diagonal com seus símbolos. O jogo 15 out of 3 que ele me
propôs nada mais é do que uma formulação equivalente, belíssima e engenhosa,
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15
do milenar jogo da velha (em inglês “tic-tac-toe”). Fiquei pasmo, havia ganho o
meu dia. Por alguns momentos não consegui parar de pensar na beleza e no poder
da matemática, presente até nos mínimos detalhes da nossa vida. Senti-me
orgulhoso de poder ser um pesquisador que tenta compreender essa ciência e
pequenos fatos como esse me fazem, a cada dia, ter mais consciência de que ela é
muito maior do que nós.

Observamos: A história acima se passou no dia 02 de maio de 2007. Fiquei com o
guardanapo como recordação. O jogo 15 out of 3 é um belo exemplo para se
mostrar como uma pessoa que sabe matemática realmente pode levar vantagem
sobre uma pessoa menos interessada pelo assunto. Todos sabemos que o jogo da
velha não admite estratégia vencedora, mas mesmo assim o professor Tamás
Hausel jogava o 15 out of 3 com seus alunos e ganhava na maioria das vezes.
Naturalmente, ele sempre tinha seu quadrado mágico para consultas. Até que um
dia ele esqueceu-se do quadrado mágico em casa e foi derrotado por uma aluna.


Guardanapo da discussão no São Paulo´s

No verso do guardanapo acima, há outras discussões também belíssimas sobre as
torres de Hanói e versões relacionadas (de formas mais engenhosas do que a
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16
analogia acima) inventadas pelo Dr. Rodríguez-Villegas. Ele ainda está buscando
a melhor formulação para seu jogo para poder patenteá-lo e disponibilizá-lo ao
público em geral. Isso então vai ficar para uma outra história.

PROBLEMA 1: Prove que em um quadrado mágico 3 × 3, como foi descrito acima:
(a) a soma comum deve ser 15.
(b) o número do centro deve ser 5.

PROBLEMA 2: Usando o problema anterior, prove que só existe um quadrado
mágico 3 × 3 (a menos de rotações e reflexões). Verifique também que não há
estratégia vencedora para o jogo da velha, em outras palavras, se os dois
jogadores jogam certo, sempre dá empate.
















REFERÊNCIAS:

[1] Para ver outras discussões sobre jogos e invariantes, há outras listas em minha página
pessoal: http://www.math.utexas.edu/users/ecarneiro na seção math olympiads.
[2] Para mais informações sobre os trabalhos e o curso (Math, Puzzles and Computers) do
Dr. Rodriguez-Villegas sua página pessoal é www.math.utexas.edu/users/villegas/S07.
Um dos jogos que ele criou está descrito no paper: Rodriguez Villegas, F.; Sadun, L.:
Voloch, J.F. Blet: a mathematical puzzle. Amer. Math. Monthly 109 (2002), no. 8, 729-
740.
[3] URL: página pessoal do Dr. Hausel é http://www.math.utexas.edu/users/hausel

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EUREKA! N°27, 2008
17
SUBSTITUIÇÕES ENVOLVENDO NÚMEROS COMPLEXOS
Diego Veloso Uchôa

♦ Nível Avançado


É bastante útil em problemas de olimpíada onde temos igualdades ou
queremos encontrar um valor de um somatório fazermos substituições por
números complexos aliada a outras ferramentas. Para alguns problemas que
possuam equações com funções seno e co-seno é importante saber a fórmula de
Euler que escreve um número complexo na forma polar o que simplifica quando
fazemos multiplicações ou somatórios.
Um número complexo pode se escrever na sua forma trigonométrica
(cos sen ) i ρ θ θ + ou na sua forma polar
θ
ρ
i
e ⋅ de onde temos que
cos sen
i
i e
θ
θ θ + = (Fórmula de Euler).
Segundo essa equação podemos fazer
α θ =
ou
α θ − =
, de onde
temos:
cos sen
i
e i
α
α α = + (I)
cos sen
i
e i
α
α α

= − (II)
Somando I com II, temos:
2
cos
α α
α
i i
e e

+
=
Subtraindo I de II, temos:
sen
2
i i
e e
i
α α
α


=
Segundo a fórmula de Euler podemos verificar imediatamente a fórmula de De
Moivre:
Para todo n natural temos que ( ) cos sen cos( ) sen( )
n
i n i n α α α α + = + .
No seguinte problema da OIMU, quais idéias imediatas poderíamos ter sem
conhecer a fórmula de Euler?

PROBLEMA 1: (OIMU – 2001)
Calcule:


=
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
|
.
|

\
| −
|
.
|

\
|
|
.
|

\
|
1
cos
) 1 (
cos ...
2
cos cos
n
n
n
n
n
n n
π π π π


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18
SOLUÇÃO: Seja
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
|
.
|

\
| −
|
.
|

\
|
|
.
|

\
|
=
n
n
n
n
n n
P
n
π π π π
cos
) 1 (
cos ...
2
cos cos
, observe
de imediato que se 2 n k = então
2
0
k
P = pois
0
2
cos = |
.
|

\
|
π
k
k
. Portanto
considere 2 1 n k = + então


(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
+
+
|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+
=
+
1 2
) 1 2 (
cos
1 2
2
cos ...
1 2
2
cos
1 2
cos
1 2
k
k
k
k
k k
P
k
π π π π

Observe que
2 1
cos cos
2 1 2 1
i k i
k k
π π
+ − | | | |
= − ⇒
| |
+ +
\ . \ .


1
2
1 2
) 1 (
1 2
cos ...
1 2
2
cos
1 2
cos
+
+
− ⋅
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+
=
k
k
k
k
k k
P
π π π
,

Considere

(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+

|
.
|

\
|
+
|
.
|

\
|
+
= +
1 2
cos
1 2
) 1 (
cos ...
1 2
2
cos
1 2
cos 1 2
~
k
k
k
k
k k
P k
π π π π

Fazendo
2 1
i
k
w e
π
+
= então
j
j j j
w
w w w
k
j
2
1
2 1 2
cos
2
+
=
+
= |
.
|

\
|
+

π
portanto
2 4 2
~
2 1
2
1 1 1
... .
2 2 2
k
k
k
w w w
P
w w w
+
( | || | | |
+ + +
=
( | | |
( \ .\ . \ . ¸ ¸
Faça então a seguinte multiplicação no
numerador e no denominador

2 4 2 3 2 1
~
2 1
2 3 2 1
1 1 1 ( 1)( 1)...( 1)
... ,
2 2 2 ( 1)( 1)...( 1)
k k
k
k k
w w w w w w
P
w w w w w w

+

| || | | || | + + + + + +
=
| | | |
+ + +
\ .\ . \ .\ .

agrupando no numerador os termos tais que

j k j j j k k j k j
w w w w w w w
2 1 2 2 2 2 1 2 1 2 2 1 2 2
) 1 ( ) 1 )( 1 (
− + − + + − +
+ = + + + = + + , já que
1
1 2
− =
+ k
w , com j variando de 1 até k. Agrupando agora os termos do
denominador podemos ver que
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19
2 2 1 4 2 3 2
~
2 1
2 2 2 1 1
1 ( )( )...( )
,
2 ( )( )...( )
k k k
k
k k k k k
w w w w w w
P
w w w w w w
− −
+
− +
+ + +
=
+ + +
e usando que 1
1 2
− =
+ k
w
podemos simplificar a expressão para
2 2 4 4 2 2
~
2 1
1 2 2
1 ( )( )...( )
.
2 ( )( )...( )
k k
k
k k k
w w w w w w
P
w w w w w w
− − −
+
− − −
− − −
=
− + − − +
Agora, olhando para o
numerador, podemos escolher os termos ) (
2 2 j j
w w

− tais que 2 j k > que são
m termos (para algum m) e substituí-los por
2 1 2 (2 1 2 )
( 1)( )
k j k j
w w
+ + − + −
− − de forma
que o numerador e o denominador serão iguais a menos de um sinal (e do fator
k
2 ), i.e,
k
m
k
m
k k
k k
k
k P
w w w w w w
w w w w w w
P
2
1
) 1 ( ) 1 (
) )...( )( (
) )...( )( (
2
1
1 2
~
2 2 1
2 2 1
1 2
~
− = ⇒ −
+ − − + −
+ − − + −
= +
− − −
− − −
+
Portanto temos que
2
~
1 1 1
2 1
2 1
2
1 1
( 1) ( 1) ( 1) ,
2 4
k k k
k
k
k k
P P
+ + +
+
+
| |
= − = − = −
|
\ .
e então
como 0
n
P = para todo n par,
2 1
1 0 1
1 1 1
1 ...
4 4 16
k
n k
n k k
P P
∞ ∞ ∞
+
= = =
| |
= = − − = − + − +
|
\ .
∑ ∑ ∑
(soma de P.G infinita), e assim
1
1 4
.
1
5
1
4
n
n
P

=

= = −
+


Observação: Esse problema pede para demonstrarmos um resultado relacionado
aos polinômios de Chebyshev do segundo tipo.

PROBLEMA 2: (OBM – U 2001)
Seja
senx e x f
x
⋅ =

) (
. Calcule
(2001)
(0) f . (Denotamos por
( )
( )
n
f x a
derivada de ordem n no ponto x; assim,
(2) ''
( ) ( ) f x f x = ).
SOLUÇÃO: = ⋅ =

senx e x f
x
) (
i
e e
e
ix ix
x
2



⋅ ⇒ − =
+ − −
i
e
i
e
x i x i
2 2
) 1 ( ) 1 (
após
n

derivações teremos
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20

( ) ( 1) ( 1)
1
( ) ( 1) ( 1 )
2
n n x i n i x
f x i e i e
i
− − +
(
= − ⋅ − − − ⋅
¸ ¸
; para n = 2001 e x = 0, temos
que
(2001) 2001 2001
1
(0) ( 1) ( 1 )
2
f i i
i
(
= − − − −
¸ ¸
sendo que
4 4
( 1) ( ( 1)) 4. i i − = − + = −
Assim
( ) ( )
500
500 500
(2001) 4 4 1000
1 4
(0) ( 1) ( 1) ( ( 1)) ( 1 ) (2 ) 2 .
2 2
f i i i i i
i i
(
= − ⋅ − − − + ⋅ − − = =
(
¸ ¸
Ou
tro caminho possível para a solução desse problema seria: após 4 derivações de f
perceber um ciclo e assim calcular
(2001)
(0) f , método esse mais trabalhoso do que
o apresentado.

PROBLEMA 3: (IMO – 1963)

Prove que
2
1
7
3
cos
7
2
cos
7
cos = |
.
|

\
|
+ |
.
|

\
|
− |
.
|

\
| π π π


SOLUÇÃO: Fazendo 7
π
i
e w=
o problema se torna equivalente a demonstrar que:

⇔ =
+
+
+

+
⇔ =
+
+
+

+
− − −
1
1 1 1
2
1
2 2 2
3
6
2
4 2 3 3 2 2 1
w
w
w
w
w
w w w w w w w


0 1 ) 1 ( ) ( ) (
2 3 4 5 6 3 6 5 2 4
= + − + − + − ⇔ = + + + − + w w w w w w w w w w w w
.
Veja que isso é a soma dos termos de uma P.G cujo primeiro termo é 1 e a razão
é
w −
.
Somando a P.G:
0
1
1 1
1
1 ) (
7
=
− −

=
− −
− −
=
w w
w
S
PG
. Lembre que
7
7
1
i
w e w
π
= ⇒ = −
e portanto a igualdade é realmente verdadeira.

O seguinte resultado (muito conhecido) tem por objetivo mostrar a
importância dos números complexos em problemas de alto grau de dificuldade e
que aparentemente não têm nenhuma conexão com números complexos.

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21
PROBLEMA 4: Prove que
6
1
2
1
2
π
=


= n
n


SOLUÇÃO: Sabemos que para
2
0
π
< < x
a desigualdade
x x senx tan < <
é
verdadeira. De onde segue que
x
x
x
2
2
2
cot 1
1
cot + < <
. Agora fazendo
1 2 +
=
m
k
x
π
com
m k ,..., 2 , 1 =
e somando de
1 = k
até
m k =
nós obtemos

(i)
∑ ∑ ∑
= = =
+
+ ≤
+

+
m
k
m
k
m
k
m
k
m
k
m
m
k
1
2
1
2 2
2
1
2
1 2
cot
1 ) 1 2 (
1 2
cot
π
π
π


Observe que essa inequação está próxima da desejada, a idéia agora é tentar
mostrar que quando m → ∞ o termo central fica “imprensado” entre dois limites
que convergem para um mesmo valor.
Para isso vamos usar um truque que usa números complexos. Pela lei de De
Moivre e usando binômio de Newton temos :
0
cos( ) ( ) (cos ) (cot( ) ) cot ( )
n
n n n n k n k
k
n
nt isen nt t sent sen t t i sen t i t
k

=
| |
+ = + = + = ⋅ ⋅
|
\ .


Fazendo 2 1 n m = + e igualando as partes imaginárias, temos:

2 2 1
2 1
2 1 2 1
((2 1) )
(cot ) (cot ) ... ( 1)
1 3
m m m
m
m m
sen m t
t t
sen t

+
+ + | | | | +
= − + + −
| |
\ . \ .
. (*)
Agora podemos tratar essa igualdade por meio de um polinômio
1
2 1 2 1
( ) ... ( 1)
1 3
m m m
m
m m
P x x x

+ + | | | |
= − + + −
| |
\ . \ .

Substituindo
1 2 +
=
m
k
t
π
em (*) para 1 k m ≤ ≤ nos dá
0 )
1 2
(cot
2
=
+ m
k
P
m
π
,
pois sen (2 1) 0
2 1
k
m
m
π | |
+ =
|
+
\ .
e sen 0.
2 1
k
m
π | |

|
+
\ .
Então,
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m k
m
k
x
k
,..., 1 ,
1 2
cot
2
=
+
=
π
são as “m” raízes de
m
P
cuja soma é
3
) 1 2 (
1
1 2
3
1 2
1 2
cot
1
2

=
|
|
.
|

\
| +
|
|
.
|

\
| +
=
+

=
m m
m
m
m
k
m
k
π
(ii)
De (i) e (ii) segue
3
) 1 2 ( 1 ) 1 2 (
3
) 1 2 (
1
2 2
2

+ ≤
+



=
m m
m
k
m m m
m
k
π

Multiplicando essas desigualdades por
2
2
) 1 2 ( + m
π
e fazendo m →∞ chegamos
ao resultado desejado.

Exercícios para treinamento:

PROBLEMA 5: (IME 1990/1991)
Prove que
(2 1)
sen
1 2
cos( ) cos(2 ) ... cos( )
2
2sen
2
n
n
θ
θ θ θ
θ
+ | |
|
\ .
+ + + + =
| |
|
\ .

PROBLEMA 6: (IME-2000/2001) Dois números complexos são ortogonais se suas
representações gráficas forem perpendiculares entre si. Prove que dois números
complexos
1
Z e
2
Z são ortogonais se e somente se:
0
2
1 2
1
= ⋅ + ⋅ Z Z Z Z

PROBLEMA 7: Prove que
1
sen cot
2
n
k
k
n n
π π
=
| | | |
=
| |
\ . \ .



PROBLEMA 8: Prove a identidade trigonométrica:
( )
1
1
cos ( ) cos ( 2 ) .
2
n
n
n
k
n
n k
k
θ θ
=
| |
= −
|
\ .


PROBLEMA 9: (IME – 2005/2006)
Sejam as somas 0
S
e
1
S
definidas por
Sociedade Brasileira de Matemática
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23
] 3 / [ 3 9 6 3 0
0
...
n
n n n n n
C C C C C S + + + + + =

1 ] 3 / ) 1 [( 3 10 7 4 1
1
...
+ −
+ + + + + =
n
n n n n n
C C C C C S

Calcule os valores de 0
S
e
1
S
em função de n, sabendo que [r] representa o maior
inteiro menor ou igual ao número r.

PROBLEMA 10: (Putnam 1970)
Prove que a série de potências de ) cos(bx e
ax
⋅ (com a e b positivos) ou não tem
nenhum coeficiente zero ou possui infinitos zeros.

PROBLEMA 11: Ache uma fórmula geral para:
1
0
2
( 1) cos .
n
k
k
k
n
π

=
| |
+
|
\ .



PROBLEMA 12: (OBM – Nível U 2004)

Calcule o valor de
0
1
.
(3 1)(3 2)(3 3)
k
k k k

=
+ + +


PROBLEMA 13: (IMO 1974) Prove que o número
3
1
2 1
2
2 1
n
k
K
n
k
=
+ | |

|
+
\ .

não é divisível
por 5 para qualquer inteiro
0 ≥ n
.
PROBLEMA 14: Calcule o valor de
2(mod3)
.
k
n
k

| |
|
\ .



PROBLEMA 15: (IMC 99) Atiramos um dado (com faces de número 1, 2,..., 6) n
vezes. Qual é a probabilidades de que a soma dos valores obtidos seja múltiplo de
5? Admita que as faces sejam igualmente prováveis.
Dica: Use a função
2 3 4 5 6
( ) .
6
n
x x x x x x
f x
| | + + + + +
=
|
\ .

PROBLEMA 16: Mostre que dados n pontos no círculo unitário sempre existe um
outro ponto no círculo unitário tal que o produto de suas distâncias aos n pontos
dados é maior ou igual a 2.

PROBLEMA 17: (OBM – Nível U 2007)
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24
Dados números reais
1 2
, ,...,
n
a a a não todos nulos, encontre o (menor) período da
função
1
( ) cos( ).
n
k
k
f x a kx
=
=


PROBLEMA 18: (Miklós Schweitzer-1956)
Ache o mínimo de { }
2
1 , 1 z z máx + + se z percorre todos os números
complexos.

PROBLEMA 19: (IMO – 1995)
Seja p um primo ímpar. Ache o número de subconjuntos A de { } p 2 ,..., 2 , 1 tais
que
a) A tem exatamente p elementos
b) A soma de todos elementos de A é divisível por p
Dica: Use o polinômio
2 2
( , ) (1 )(1 )...(1 ).
p
f x y xy x y x y = + + +




BIBLIOGRAFIA

[1] E. Lozansky. C. Rousseau, Wining Solutions, Springer Velrlag, New York, 1996.
[2] Contests in Higher Mathematics, Hungary 1949–1961: in memoriam Miklós
Schweitzer, eds.: G. Szász, L. Gehér, I. Kovács and L. Pintér, Akadémiai Kiadó,
Budapest, 1968.
[3] URL: http://www.ime.eb.br (Site do Instituto Militar de Engenharia)
[4] URL : http://www.obm.org.br (Site da Olimpíada Brasileira de Matemática)







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25
INTEGRAIS DISCRETAS
Eduardo Poço
♦ Nível Avançado


Integral discreta: dizemos que ( ) F n é integral discreta de ( ) f n se e somente se:

( 1) ( ) ( ) F n F n f n + − = , para n inteiro (a princípio).

Da mesma forma, dizemos que ( ) f n é a derivada discreta de ( ) F n .
Notação: ( ) ( )
n
f n F n =



Utilidade: conhecida a integral discreta ( ) F n da função ( ) f n , temos condições de
fazer o somatório:
( ) ( 1) ( )
b
k a
f k F b F a
=
= + −

, a e b inteiros

A integral discreta transforma uma soma em soma telescópica.
Sabendo de algumas propriedades, é possível trabalhar dinamicamente com
integrais discretas para obter fórmulas novas a partir de outras conhecidas. Aqui,
não queremos provar que uma função dada é integral discreta de outra, pois essa
verificação é simples. Queremos obter ferramentas que nos possibilitem ACHAR
integrais discretas de forma rápida, para no final poder calcular o valor de um
somatório que tenha surgido de algum problema. Em alguns casos, é suficiente
saber a “cara” da integral discreta (ou seja, se é um polinômio, exponencial etc).

Algumas integrais discretas (o exercício de verificação é simples):

n
c cn =

. ! !
n
n n n =


1
n n
n
q
q
q
=


( ) log log 1 !
n
a a
n n = −


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26
cos
2
sen
2sen
2
n
k
kn
kn
k
| |
− −
|
\ .
=
| |
|
\ .


sen
2
cos
2sen
2
n
k
kn
kn
k
| |

|
\ .
=
| |
|
\ .


( )
2
sen 2 1
sen
2 4sen1
n
n n
n

= −


( )
2
sen 2 1
cos
2 4sen1
n
n n
n

= +


1
n
n n
k k
| | | |
=
| |
+
\ . \ .


1
n
n k n k
n n
+ + | | | |
=
| |

\ . \ .




Propriedades

1) Assim como integrais contínuas (as primitivas), existem várias integrais
discretas para uma dada função, e todas elas diferem por uma constante.

Exemplo: 2
n
e 2 1
n
+ são integrais discretas de ( ) 2
n
f n = . Verifique pela
definição!

2) Integração discreta é uma transformação linear:

| | . ( ) . ( ) ( ) ( )
n n n
a f n b g n a f n b g n + = +
∑ ∑ ∑
, para constantes a e b.

A igualdade nos fornece uma integral discreta para a função do lado esquerdo,
lembre-se que podemos somar constantes do lado direito e continuar com uma
integral discreta.

3) Integral discreta do produto (por partes): sendo ( ) ( )
n
f n F n =

e
( ) ( )
n
g n G n =

, então:
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27
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( 1)
n n
F n g n F n G n f n G n = − +
∑ ∑


Exemplo: Calcule sen
n
n n

e
2
sen
n
n n

, comparando com o cálculo de
sen x xdx

e
2
sen x xdx



4) Sendo ( , ) f x n uma função das variáveis x e n, derivável na variável x, então:

( , ) ( , )
n n
f x n f x n
x x
∂ ∂
=
∂ ∂
∑ ∑


Podemos usar a própria variável n, se a função tiver derivada nessa variável:

( ) ( )
n n
d d
f n f n
dn dn
=
∑ ∑


Exemplo: Calcule
n
n
nx

, com x uma constante em relação a n.

5) Seguindo um caminho análogo, temos que:

( )
( , ) ( , )
n n
f x n dx f x n dx Cn
| |
= +
|
\ .
∑ ∑
∫ ∫


Para alguma constante C. Essa constante é encontrada através de valores iniciais
conhecidos das funções.

Exemplo: Prove que
0 1
1
1
( 1)
ln 2
1
k n n
k
x
dx
k x
+
=


= +





Aplicação: Soma de potências consecutivas.

Seja a seguinte função:
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1
( ) 1 2 ...
n
m m m m
m
k
S n k n
=
= = + + +



Há uma fórmula recursiva em que podemos calcular ( )
m
S n a partir de valores
anteriores (tente prová-la como exercício):

1
1
0
1
( 1) ( ) ( 1) 1 ( )
m
m
m k
k
m
m S n n S n
k

+
=
+ | |
+ = + − −
|
\ .



O problema dessa fórmula é a praticidade: precisamos de todas as funções
anteriores, e ainda assim faremos um trabalho algébrico grande. Com integrais
discretas, conseguimos obter ( )
m
S n a partir de
1
( )
m
S n

apenas com um trabalho
aritmético.
Inicialmente, se queremos ( )
m
S n , queremos sua integral discreta
n
m
n

. Usando
a propriedade que nos permite trocar a integral discreta com a contínua
(escolhendo a própria variável n como variável de integração contínua):

( )
1 1
n n
m m
n dn n dn Cn
− −
| |
= +
|
\ .
∑ ∑
∫ ∫


A integral contínua pode ser realizada sem problemas:

1
m n n
m
n
n dn Cn
m

| |
= +
|
\ .
∑ ∑



Renomeando a constante a ser encontrada:

1
n n
m m
n m n dn Cn

| |
= +
|
\ .
∑ ∑



Essa constante pode ser encontrada pela diferença entre integrais discretas
quando 0 n = , fornecendo o oposto da soma dos outros coeficientes já obtidos
pela integração contínua. Resumindo:

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29
Se
1 1 2
1 2 1
...
n
m m m
m m
n a n a n a n a n
− −

= + + + +

, então:

1 2
1 2 1
...
n
m m m
m m
n b n b n b n b n
+
+
= + + + +


Com
1 k k
m
b a
k

= , para 1, 2,..., 1 k m = + , e
1
0
1
m
k
k
b b
+
=
= −

.

Alguns valores:

1
n
n =


2
2 2
n
n n
n = −


3 2
2
3 2 6
n
n n n
n = − +


4 3 2
3
4 2 4
n
n n n
n = − +


5 4 3
4
5 2 3 30
n
n n n n
n = − + −



Aplicação: Soma de potências multiplicadas por progressão geométrica
Agora procuraremos
n
m n
n x

, com x uma constante em relação a n. Observe:
( )
1 1
ln ln
n n n n
m n m n m n m n m n
d
n x mn x n x x m n x x n x
dn
− −
= + = +
∑ ∑ ∑ ∑

Das formas iniciais de
n
m n
n x

, encontramos uma função da forma:
( )
1 1 2 2
1 2 2 1
...
n
m n n m m
m m
n x x a n a n a n a n
− − −
− −
= + + + +


com as constantes
k
a sendo funções de x, mas não dependendo de n. É natural
procurar uma integral discreta com a seguinte forma:

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( )
1 2
1 2 1
...
n
m n n m m
m m
n x x b n b n b n b n


= + + + +


Essa forma pode ser encontrada, e os coeficientes satisfazem
1 k k
m
b a
k

= ,
1, 2,..., i m = e
0
1
1
m
k
k
x
b b
x
=
=


.
Alguns valores:
( )
( ) ( )
( )
1
2 2
1
1
1 1
n n n n
n
n x nx x
nx x n x
x x
+
− −
= = − − (
¸ ¸
− −

, 1 x ≠
( ) 2 2 2
n
n n
n n = −


( )
2 2
2 2 4 6
n
n n
n n n = − +


( )
3 3 2
2 2 6 18 26
n
n n
n n n n = − + −


( )
4 4 3 2
2 2 8 36 104 150
n
n n
n n n n n = − + − +



Problemas

1- Calcule as seguintes integrais discretas:

a)
2
3
n
n
n
| |
|
\ .

e)
2 ( 1)
( 1)!
n n
n
n

+



b) 3
2
n
n
n | |
|
\ .

f)
2
1
n
n n +



c)
1
( 2) !
n
n n +

g)
1
1
n
n n + +



d)
2
2
n
n | |
|
\ .

h)
1
cos cos( 1)
n
n n +



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31
2- Calcule:
2
1
sen
lim
n
n
k
k
n
→∞
=



3- Calcule
4
1
3
1
.2
lim
.2
n
k
k
n
n
n
k
k
k
=
→∞
=




4- Calcule
1
1
1
lim
m n
m
k
m
n
n
k
m
n
+
=
→∞

+

, com m inteiro positivo.

5- Prove que
( )
2 3
2
1 1
2 1 1
n
n n
n
h
n
n n
∞ ∞
= =
+
=
+
∑ ∑
, sendo
1
1
n
n
k
h
k
=
=

.

6- Ache a derivada (contínua) da função gama ( ) n Γ para n inteiro positivo,
sabendo que '(1) γ Γ = − , a constante de Euler (um valor conhecido) e (1) 1 Γ = . A
função gama satisfaz ( 1) ( ) x x x Γ + = Γ , para todo x real, assim ( ) ( 1)! n n Γ = −
para n inteiro positivo.

7- (OBM2002) O diâmetro de um conjunto S R ⊂ é definido como sendo
( ) max( ) min( ) D S S S = − . O conjunto vazio, por definição, tem diâmetro igual a
zero. Calcule a soma dos diâmetros de todos os subconjuntos de { } 1, 2, 3,..., A n = ,
em função de n.





REFERÊNCIAS:

[1] Uma referência sobre somatórios e algumas considerações históricas sobre o
raciocínio humano e implementação de algoritmos em computadores: “A = B”,
Marko Petkovsek, Herbert S. Wilf, Doron Zeilberger.


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PRODUTOS NOTÁVEIS
Uma lista de problemas
Onofre Campos
♦ Nível Iniciante

1. Se x é um número real tal que tal que
1
5, x
x
+ = determine o valor de
2
2
1
. x
x
+
Solução: Elevando ambos os membros da equação
1
5 x
x
+ = ao quadrado,
obtemos:
2
2
1 1
2 25, x x
x x
+ ⋅ + =
e daí,
2
2
1
23. x
x
+ =

2. Fatore a expressão
3 2
5 5. E x x x = − − +

Solução: Temos
3 2
5 5 E x x x = − − +

2
( 5) ( 5) x x x = − − −

2
( 5)( 1) x x = − −
( 5)( 1)( 1). x x x = − − +
3. Simplifique a expressão
2 2 2
.
( )( ) ( )( ) ( )( )
x y z
A
x y x z y z y x z x z y
= + +
− − − − − −


Solução: Note que podemos escrever a expressão acima da seguinte forma:
2 2 2
.
( )( ) ( )( ) ( )( )
x y z
A
x y x z x y y z x z y z
= − +
− − − − − −

Assim, reduzindo a expressão ao mesmo denominador comum vem:
2 2 2
( ) ( ) ( )
.
( )( )( )
x y z y x z z x y
A
x y y z x z
− − − + −
=
− − −

Por outro lado, desenvolvendo o denominador, obtemos:
2
( )( )( ) ( )( ) x y y z x z xy xz y yz x z − − − = − − + −
2 2 2
x y xyz x z xz = − − +
2 2 2
xy y z xyz yz − + + −
2 2 2
( ) ( ) ( ). x y z y x z z x y = − − − + −
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33
Portanto:
2 2 2
2 2 2
( ) ( ) ( )
1.
( ) ( ) ( )
x y z y x z z x y
A
x y z y x z z x y
− − − + −
= =
− − − + −


4. Se 0, x y z + + = mostre que
3 3 3
3 . x y z xyz + + =

Solução: Observe que
3 3 3 3
0 ( ) 3( )( )( ). x y z x y z x y y z x z = + + = + + + + + +
Como , x y z y z x + = − + = − e , x z y + = − então:
3 3 3 3 3 3
3( )( )( ) 0 3 . x y z y x y x y z xyz + + + − − − = ⇒ + + =

5. Calcule o valor da expressão
3 3 3
(2004) (1003) (1001)
.
2004 1003 1001
S
| | − −
=
|
⋅ ⋅
\ .


Solução: Vamos tomar x = 1003 e y = 1001. Dessa forma, a expressão S se reduz
a:
3 3 3
( )
.
( )
x y x y
S
xy x y
+ − −
=
+

Mas, como sabemos,
3 3 2 2 3
( ) 3 3 . x y x x y xy y + = + + +
Dessa forma, obtemos:
2 2
3 3 3 ( )
3.
( ) ( )
x y xy xy x y
S
xy x y xy x y
+ +
= = =
+ +


6. Sabendo que x, y e z são reais satisfazendo xyz = 1, calcule o valor da
expressão:
1 1 1
.
1 1 1
A
x xy y yz z xz
= + +
+ + + + + +

Solução: Como xyz = 1, então 0, x ≠ 0 y ≠ e 0. z ≠
Assim,

1
(1 ) (1 ) 1
z x
A
z x xy x y yz z xz
= + +
+ + + + + +

1
1
z x
z xz xyz x xy xyz z xz
= + +
+ + + + + +

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34
1
1 1 1
z x
z xz x xy z xz
= + +
+ + + + + +
1
1 1 1
z xz
z xz z xz z xz
= + +
+ + + + + +

1
1
z xz
z xz
+ +
=
+ +
1. =
7. Se ab = 1 e
2 2
3, a b + = determine
2 2
2 2
2.
a b
b a
+ +
Solução: Temos:
2 2 4 2 2 4
2 2 2 2
2
2
a b a a b b
b a a b
+ +
+ + =
2 2 2
2
( )
( )
a b
ab
+
= 9. =

8. Prove que se 1
x y z
a b c
+ + = e 0,
a b c
x y z
+ + = então
2 2 2
2 2 2
1.
x y z
a b c
+ + =
Solução: Elevando a equação 1
x y z
a b c
+ + = ao quadrado, obtemos:
2 2 2
2 2 2
2 1,
x y z x y y z x z
a b c a b b c a c
| |
+ + + + + =
|
\ .

ou seja,
2 2 2
2 2 2
2 1.
x y z xyc xzb yza
a b c abc
+ + | |
+ + + =
|
\ .

Por outro lado, da equação 0,
a b c
x y z
+ + = temos 0. xyc xzb yza + + = Logo,
2 2 2
2 2 2
1.
x y z
a b c
+ + =
9. Se a, b e c são três números distintos e satisfazem as equações:
3
3
3
0
0
0,
a pa q
b pb q
c pc q
¦ + + =
¦
+ + =
´
¦
+ + =
¹

calcule a + b + c.

Solução: Multiplicando a segunda equação por – 1 e somando com a primeira,
obtemos:
3 3
( ) 0, a b p a b − + − =
ou ainda,

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35
2 2
( )( ) ( ) 0, a b a ab b p a b − + + + − =
2 2
( )( ) 0. a b a ab b p − + + + =
Como 0, a b − ≠ pois os números são distintos, obtemos:
2 2
0. (*) a ab b p + + + =
Analogamente, multiplicando a terceira equação por – 1 e somando com a
primeira equação, obtemos:
2 2
0. (**) a ac c p + + + =
Agora, multiplicando (**) por –1 e somando com (*), obtemos:
2 2
0, ab ac b c − + − =
( ) ( )( ) 0, a b c b c b c − + − + =
( )( ) 0. b c a b c − + + =
Daí, como 0, b c − ≠ segue que a + b + c = 0.

10. Sejam a, b e c números reais distintos e não nulos. Se a + b + c = 0, mostre
que
9.
a b b c c a c a b
c a b a b b c c a
− − − | || |
+ + + + =
| |
− − −
\ .\ .

Solução: Façamos , e .
a b b c c a
x y z
c a b
− − −
= = =
Assim, devemos provar que
1 1 1
( ) 9, x y z
x y z
| |
+ + + + =
|
\ .

ou seja,
9,
x y z x y z x y z
x y z
+ + + + + +
+ + =
ou ainda,
1 1 1 9
y z x z x y
x y z
+ + +
+ + + + + = 6.
y z x z x y
x y z
+ + +
⇒ + + =
Mas,
x y a b b c b
z c a c a
+ − − | || |
= +
| |

\ .\ .
2 2
a ab bc c b
ac c a
− + −
= ⋅

2 2
( ) ( ) a c b a c b
ac c a
− − −
= ⋅

( )( ) ( ) a c a c b a c b
ac c a
− + − −
= ⋅


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( )( ) a c a c b b
ac c a
− + −
= ⋅

( ) b b b
ac
− −
= −
2
2
.
b
ac
=
Analogamente, concluímos que
2
2 y z c
x ab
+
= e
2
2
.
x z a
y bc
+
= Logo, pelo exercício
4, segue que
2 2 2
2 2 2 y z x z x y a b c
x y z bc ac ab
+ + +
+ + = + +
3 3 3
2
a b c
abc
| | + +
=
|
\ .
3
2
abc
abc
| |
= ⋅
|
\ .
6, =
como queríamos provar.

Exercícios Propostos

1. Fatore a expressão
4 2
1. S x x = + +
2. Determine a expressão que deve ser multiplicada por
3 3
2 2 x x + para
obtermos
2
2 ( 4). x x +
3. Calcule o valor da expressão
2 2
2 2 2 2 2 2
3 2 3 2
( 1) ( 1) ( 1) ( 1)
.
( 1) ( 1)
x x x x x x
S
x x
| | | | + − + + + +
= ⋅
| |
− +
\ . \ .

4. Se
2 2
3 , x y xy + = calcule 1 1 .
x y
y x
| |
| |
+ +
| |
\ .
\ .

5. Simplifique
( ) ( ) ( )
2
2
2 2 2 2 2 2
. x y z xy yz xz x y z x y z + + + + + − + + + +
6. Fatore as seguintes expressões:
(a)
3 2
5 3 9; x x x + + −
(b)
3 3 3
( ) ( ) ( ) ; x y z x z y y z x − − − + −
(c)
2 2
( 3)( 4) 12; x x x x + + + + −
(d)
4 4
4 ; x y +
(e)
3 3 3
( ) ( ) ( ) ; x y y z z x − + − + −
(f)
3 3 3 3
( ) ; x y z x y z + + − − −
(g)
3 3 3
( 2 3 ) ( 2 3 ) ( 2 3 ) . a b c b c a c a b + − + + − + + −

7. Simplifique as expressões:
(a)
2 4 8
1 1 1 1 1
;
1 1 1 1 1 x x x x x
− − − −
− + − − −

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(b)
1 1 1
;
( )( ) ( )( ) ( )( ) x y x z y x y z z x z y
+ +
− − − − − −

(c)
2 2 3 2 2 3 2 2 3
3 3 3
( ) ( ) ( )
.
( ) ( ) ( )
x y y z z x
x y y z z x
− + − + −
− + − + −

8. Prove que se 0,
x y z
y z z x x y
+ + =
− − −
então
2 2 2
0.
( ) ( ) ( )
x y z
y z z x x y
+ + =
− − −

9. Para que os valores de a∈N a expressão
4
4 a + é um número primo?
10. Prove que se a + b + c = 0 então
5 5 5 3 3 3 2 2 2
.
5 3 2
a b c a b c a b c + + + + + +
= ⋅
11. Mostre que
7 7 7 2 2 2
( ) 7 ( )( ) . a b a b ab a b a ab b + − − = + + +
12. Prove que se a + b + c = 0, então
7 7 7 5 5 5 2 2 2
.
7 5 2
a b c a b c a b c + + + + + +
= ⋅
13. Se a, b e c são reais não nulos que satisfazem a + b + c = 0, calcule
3 3 3 2 4 4 4
5 5 5 2
( ) ( )
.
( )
a b c a b c
a b c
+ + + +
+ +

14. Prove que se x, y e z são racionais distintos então a expressão
2 2 2
1 1 1
( ) ( ) ( ) y z z x x y
+ +
− − −

é um quadrado perfeito.
15. Fatore
3 3 3 3
8( ) ( ) ( ) ( ) . x y z x y y z x z + + − + − + − +











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38
OLIMPÍADAS AO REDOR DO MUNDO

Þ Apresentamos, como sempre, questões que não são encontradas
facilmente na Internet. Divirtam-se e enviem as suas soluções.
Continuamos à disposição na OBM para aqueles que estiverem
interessados na solução de algum problema particular. Para tanto, basta contactar
a OBM, através de carta ou e-mail.
Bruno Holanda
Carlos Augusto David Ribeiro



ÞÞÞ

Primeiramente vamos aos problemas propostos deste número

224.(Balcânica Junior - 2007) Seja a um real positivo tal que
3
6( 1). a a = + Prove
que a equação
2 2
6 0 x ax a + + − = não possui solução real.

225.(Bulgária - 2007) Ache todos os inteiros positivos x, y tais que o número
2 2
( )( ) x y y x + + é a quinta potência de um primo.

226.(Inglaterra - 2007) Seja ABC um triângulo acutãngulo com AB AC > e
60 . BAC ∠ = ° Seja O o circuncentro e H o ortocentro. A reta OH encontra AB
em P e AC em Q. Prove que PO = HQ.

227.(Austria - 2007) Sejam
0 1 669
0 , ,..., 1 x x x < < reais distintos. Mostre que
existem , {0,1,..., 669} i j ∈ para os quais
1
0 ( ) .
2007
i j j i
x x x x < − <
228.(Bulgária - 2008) Para cada inteiro positivo n, seja ( ) n τ a quantidade de
divisores de n maiores que 2008. Defina 0
n
a = se ( ) n τ é par e 1
n
a = caso
contrário. O número
1 2
0, ... ...
n
a a a α = é racional?

229.(Bielorrússia - 2001) No losango ABCD, 60 . A ∠ = °
Os pontos F, H, e G estão sobre os segmentos AD, DC e AC de modo que DFGH
é um paralelogramo. Prove que FBH é um triângulo eqüilátero.
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39
230.(Rússia - 2007) Sejam a, b, c números reais. Prove que pelo menos uma das três
equações
2
( ) ( ) 0, x a b x b c + − + − =
2
( ) ( ) 0, x b c x c a + − + − =
2
( ) ( ) 0, x c a x a b + − + − =
possui solução real.

231.(Bulgária - 2007) No triângulo , ABC ∆ com 60 , ACB ∠ = ° sejam
1
AA e
1
BB
1 1
( , ) A BC B AC ∈ ∈ as bissetrizes de BAC ∠ e . ABC ∠ A reta
1 1
AB encontra o
circuncírculo do triângulo ABC ∆ nos pontos
2
A e
2
. B
(a) Sejam O e I o circuncentro e o incentro do ABC ∆ , respectivamente,
prove que OI é paralelo a
1 1
AB .
(b) Se R é o ponto médio do arco AB, não contendo o ponto C, P e Q são
os pontos médios de
1 1
AB e
2 2
A B , respectivamente, prove que RP = RQ.

232.(Romênia - 2007) Encontre todos os conjuntos A de pelo menos dois inteiros
positivos, tais que para quaisquer dois elementos distintos , x y A ∈ tenhamos
.
( , )
x y
A
mdc x y
+
∈ Aqui mdc(x, y) denota o máximo divisor comum de x e y.

233.(Romênia - 2007) Determine todas as progressões aritméticas infinitas de
inteiros positivos, com a seguinte propriedade: existe , N ∈N tal que para
qualquer primo p, p > N, o p-ésimo termo da seqüência também é primo.

234.(Bulgária - 2007) O incírculo do triângulo acutângulo ABC ∆ toca os lados AB,
BC e CA nos pontos P, Q e R respectivamente. O ortocentro H do triângulo
ABC ∆ está sobre o segmento QR.
(a) Prove que . PH QR ⊥
(b) Sejam I e O o incentro e o circuncentro do ABC ∆ , respectivamente,
e N o ponto comum entre o lado AB e ex-incírculo relativo a este lado.
Prove que os pontos I, O e N são colineares.

235.(Olimpíada Checa e Eslovaca – 2007) Se x, y, z são números reais no intervalo (–1,
1) satisfazendo xy + yz + zx = 1, mostrre que:
2 2 2 2
3
6 (1 )(1 )(1 ) 1 ( ) . x y z x y z − − − ≤ + + +
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40
236.(Romênia – 2007) Um conjunto de pontos no plano é livre se não existe
triângulo eqüilátero cujos vértices estão entre os pontos do conjunto. Mostre que
qualquer conjunto de n pontos no plano contém um subconjunto livre com pelo
menos n pontos.

SOLUÇÃO DE PROBLEMAS PROPOSTOS NOS NÚMEROS ANTERIORES:

211. (Baltic Way – 2004) Uma seqüência a
1
, a
2
, ... de números reais não-negativos
satisfaz, para n = 1, 2, ..., as seguintes condições:

(a) a
n
+ a
2n
≥ 3n.
(b) ) 1 ( 2
1
+ ≤ +
+
n a n a
n n
.
(i) Prove que a
n
≥ n para todo n = 1, 2, ...
(ii) Dê exemplo de uma tal seqüência.

SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA)
(i) Utilizando a desigualdade das médias, temos:
1 1
2
1
2 ) 1 ( 2
1 1 1
+ ≤ ⇒ + + ≤ + ⇒
+ +
≤ + ≤ +
+ + + n n n n
n
n n
a a n a n a
n a
n a n a
Supondo válido que k a a
n k n
+ ≤
+
, temos que:
1 1
1
+ + ≤ + ≤
+ + +
k a a a
n k n k n

E como a desigualdade vale para 1 = k , fica provado por indução que
k a a
n k n
+ ≤
+
, k ∀ ∈N .
Em particular, para n k = , temos:
n a a a n a a
n n n n n
+ ≤ + ⇒ + ≤ 2
2 2

Finalmente, como n a a
n n
3
2
≥ + , temos:
n a n a n a a a n
n n n n n
≥ ⇒ ≥ ⇒ + ≤ + ≤ 2 2 2 3
2

(ii) Uma seqüência que satisfaz as condições é 1 + = n a
n
. De fato, temos:
(1) n n n n a a
n n
3 2 3 1 2 1
2
≥ + = + + + = +
(2) ) 1 ( 2 ) 1 ( 2 ) 1 )( 1 ( 2 ) 1 ( 2 2 2
1
+ ≤ + = + + = + = + = +
+
n a n a n n n n n a
n n n


212. (Baltic Way – 2004) Seja P um polinômio com coeficientes não-negativos. Prove
que se P(1/x)P(x) ≥ 1 para x = 1, então tal desigualdade se verifica para todo real
positivo x.

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41
SOLUÇÃO DE GELLY WHESLEY (FORTALEZA – CE)
Para 0 x > temos ( ) 0. P x >
Da condição dada, temos
2
( (1)) 1. P ≥
Agora, denote
1
0 1
( ) ... .
n n
n
P x a x a x a

= + + +
Então:
( )
1
1
0 1 0 1
1 1 1
( ) ... ...
n n
n n
n n
P x P a x a x a a a a
x x x


| |
| | | | | |
= + + + ⋅ + + +
|
| | |
|
\ . \ . \ .
\ .

≥ (Por Cauchy-Schwarz)
2
1 0 1
0 1
1
...
n n
n n
n n
a a
a x a x a a
x x


| |
⋅ + ⋅ + + ⋅ =
|
|
\ .
2 2
0 1
( ... ) ( (1)) 1.
n
a a a P + + + = ≥

213. (Baltic Way – 2004) Ache todos os conjuntos X, consistindo de ao menos dois
inteiros positivos, tais que para todos m, n ∈ X, com n > m, exista um elemento k
de X tal que n = mk
2
.

SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA)
Suponha que o número 1 . X ∈ Logo, seja 1 com , > ∈ p X p , temos que deve
existir X k ∈ , tal que
2
k p = , isto é, p é quadrado perfeito. Obviamente,
1 > k e com raciocínio análogo, concluímos que k também deve ser quadrado
perfeito e sua raiz quadrada deve pertencer a X . Ou seja, estendendo o
raciocínio, todas as potências de p da forma
n
p
2
1
, com n∈N também devem
pertencer a X , o que é impossível, dado que
1
2n
p ∉N para algum valor de n .
Logo, X ∉ 1 .
Vamos então tentar montar o conjunto X . Para tal, vamos supor, inicialmente
que X possua somente dois elementos
1
p e
2
p , com 1
1 2
> > p p . Desta
forma, temos que deve existir X k ∈ , tal que
2
1 2
k p p = . Obviamente,
2
p k <
e, portanto, a única alternativa é
1
p k = e, portanto,
3
1 2
p p = . De fato, todo
conjunto { }
3
, n n X = , com N n ∈ e 1 > n , satisfaz as condições do problema e
somente tais conjuntos de dois elementos satisfazem, conforme verificado.
Vamos então supor que o conjunto X tenha mais do que dois elementos, isto é,
{ }
r
p p p p p X ,..., , , ,
4 3 2 1
= , com N p p
r
∈ ,...,
1
. Suponha, sem perda de
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42
generalidade, que 1 ...
1 2 3 1
> > > > > >

p p p p p
r r
. Com um raciocínio
análogo ao parágrafo anterior, concluímos que
3
1 2
p p = . Seguindo o raciocínio,
temos que:
(1)
2
1 1 3
k p p =
(2)
2
2
3
1 3
k p p =
onde X k k ∈
2 1
, .
Obviamente, temos que
3 1
p k < ,
3 2
p k < e
2 1
k k ≠ . Portanto, como
3
p é o
terceiro menor elemento do conjunto, só restam as possibilidades
¹
´
¦
=
=
3
1 2
1 1
p k
p k
ou
¹
´
¦
=
=
1 2
3
1 1
p k
p k
. Porém, no primeiro caso, temos que
2
3
1 3
p p p = = : absurdo! Já no
segundo caso, temos que:
(1)
7
1
2 3
1 1 3
) ( p p p p = =
(2)
5
1
2
1
3
1 3
p p p p = =
Portanto, temos que 1 ou 0
1 1
7
1
5
1
= = ⇒ = p p p p . Absurdo!
Logo, não é possível que o conjunto X possua mais de 2 elementos. E assim,
todos os conjuntos que satisfazem o enunciado são:
{ }
3
, n n X = , com n∈N e 1 > n .

223. (Bielorússia – 2005) Seja H o ponto de interseção das alturas BB
1
e CC
1
do
triângulo acutângulo ABC. Seja / uma reta passando por A, tal que . AC ⊥ /
Prove que as retas BC, B
1
C
1
e / possuem um ponto em comum se e somente se
H for o ponto médio de BB
1
.











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43
SOLUÇÃO DE DAVI LOPES ALVES DE MEDEIROS (FORTALEZA – CE)
A
M
C
1

B
1

B
/
C
P

Seja P o ponto de interseção de BC e / . É suficiente mostrarmos que
1 1
, , B C P
são colineares
1
. BM MB ⇔ =
i)
1
, , C M C colineares ⇒ por Menelaus no
1 1
1
1 1
: 1,
CB AC BM
BAB
AC C B MB
∆ ⋅ ⋅ = (I)
ii)
1
BB AC ⊥ e
1
// AC BB ⊥ ⇒ / / e daí
1
, ACP BCB ∆ ∆ ∼ donde
1
1
AB PB
BC CB
= (II) e
1
PC CB
AC CB
= (III)
iii)
1
, P B e
1
C são colineares
1 1
1 1
1
AB C B PC
PB CB AC
⇔ ⋅ ⋅ = (IV)
Multiplicando (I) e (IV) membro a membro, temos que
1
, P B e
1
C são colineares
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
1 1
CB AC AB C B AB BM PC BM PC
AC C B MB PB CB AC MB AC PB
| |
⇔ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = ⇔ ⋅ =
|
\ .
(V)
Mas de (II) :
1 1
AB CB
PB BC
= e multiplicando este resultado por (III)
1 1
1
1
AB CB PC CB
AC PB CB CB
⋅ = ⋅ = (*)
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44
Substituindo (*) em (V), temos que
1 1
, , P B C são colineares
1
1
1 .
BM
BM MB
MB
⇔ = ⇔ = c.q.d.

224. (Bielorússia – 2005) Ache todas as funções f : N → N satisfazendo

) ( ) ( )) ( ( n f m f n f n m f + = + − ,
para todos m, n ∈ N.

SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA)
Primeiramente, seja k ∈N. Fazendo k n m = = , temos:
) ( 2 )) ( ( ) ( ) ( )) ( ( k f k f f k f k f k f k k f = ⇒ + = + − , k ∀ ∈N
Em seguida, façamos 0 = m e ) (k f n = , temos:
) ( 2 ) 0 ( )) ( 2 ) ( ( )) ( ( ) 0 ( ))) ( ( ) ( ( k f f k f k f f k f f f k f f k f f + = + − ⇒ + = + −
0 ) 0 ( ) ( 2 ) 0 ( )) ( ( = ⇒ + = ⇒ f k f f k f f
Agora, seja x∈N, tal que ) 1 ( f x = . Tomando 1 + = k m e 1 = n , temos:
) 1 ( ) ( + + = + k f x x k f , k ∀ ∈N
Seja t ∈N , com 1 ≥ t . Substituindo sucessivamente na equação anterior k por
) 1 ( ) ( − + − j x j t , com t j ≤ ≤ 1 , temos:
) 1 ) 1 (( ) ( + − + = x t f x tx f
) 2 ) 2 (( ) 1 ) 1 (( + − + = + − x t f x x t f
) 3 ) 3 (( ) 2 ) 2 (( + − + = + − x t f x x t f
.
) ) (( ) 1 ) 1 (( j x j t f x j x j t f + − + = − + + −
.
) 1 ( ) 2 2 ( − + + = − + t x f x t x f
) ( ) 1 ( t f x t x f + = − +

Somando as equações anteriores, temos:
) ( ) ( t f tx tx f + = , t ∀ ∈N
Com este resultado em mãos, vamos provar, por indução, que kx k f = ) ( ,
k ∀ ∈N . De fato, temos:
(1) Se 0 = k , temos kx f k f = = = 0 ) 0 ( ) (
(2) Se 1 = k , temos kx x f k f = = = ) 1 ( ) (
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45
(3) Se tx t f = ) ( , para t ∈N , temos:
( 1 ) ( ) ( 1) ( ( )) (( ) ) ( 1) ( 1) f t x x f t x tx t x f f t i x f t i x t x f t − + = + = + = + ⇒ − + = + = + + +
2 ( 1 ) ( 1) ( 1) f t x t x f t ⇒ − + = + + +
x t t f x t t f x t ) 1 ( ) 1 ( ) 1 ( 2 ) 1 ( ) 1 ( + = + ⇒ + = + + + ⇒
Portanto, nos resta descobrir quais os valores possíveis para ) 1 ( f x = . Para isso,
vamos utilizar o último resultado encontrado na relação inicial proposta no
problema, para 0 ≠ n :
2
) ( )) ( ( nx nx mx x nx n m n f n m f + − = + − = + −
nx mx n f m f + = + ) ( ) (
2 2 2
0
2 2 ou
2
x
mx nx nx mx nx nx nx x x
x
= ¦
¦
⇒ − + = + ⇒ = ⇒ = ⇒
´
¦
=
¹

Logo, as funções possíveis são: 0 ) ( = y f e y y f 2 ) ( = . É fácil ver que ambas
satisfazem as condições e, portanto, são todas as funções procuradas.
227. (Bulgária – 2005) Ivo escreve todos os inteiros de 1 a 100 (inclusive) em cartas
e dá algumas delas para Iana. Sabe-se que para quaisquer duas destas cartas, uma
de Ivo e outra de Iana, a soma dos números não está com Ivo e o produto não está
com Iana. Determine o número de cartas de Iana sabendo que a carta 13 está com
Ivo.

SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA)
Primeiramente, notamos que a carta de número 1 deve estar com Iana. De fato, se
a carta 1 estivesse com Ivo, para qualquer carta y de Iana, o produto dos
números também estaria com Iana, contradizendo a hipótese. Isso implica que ou
a carta 1 pertence a Iana ou Iana não possui cartas, o que não é verdade por
hipótese. Sendo assim, Iana possui a carta 1 e, dada qualquer carta x de Ivo,
temos que Iana deverá possuir a carta 1 + x .
Continuando o raciocínio, temos que Iana também deverá possui as cartas
1 2 + x , 1 3 + x , ..., 1 + kx , com 1 100 kx + ≤ e k ∈N.
Além disso, Iana também deve possuir a carta 1 − x , pois caso contrário, Iana
deveria possui a carta x x = + − 1 1 , o que não é verdade. E logo, Iana também
deve possuir as cartas 1 2 − x , ..., 1 − kx , com 1 100 kx − ≤ e k ∈N.
Assim, sabendo que Ivo possui a carta de número 13, já sabemos que Iana possui
as cartas:
92 , 90 , 79 , 77 , 66 , 64 , 53 , 51 , 40 , 38 , 27 , 25 , 14 , 12 , 1
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46
Notemos agora que a carta número 2 deve pertencer à Iana. De fato, se a carta
pertencesse a Ivo, teríamos pelo raciocínio anterior que Iana deveria possuir todas
as cartas ímpares, o que não é possível, já que Ivo possui a carta número 13.
Como a carta 2 pertence a Iana e a carta 13 pertence a Ivo, temos que a carta
26 deve pertencer a Ivo e, conseqüentemente, a carta 52 também. Portanto, até
o momento, temos:
Ivo: 52 , 26 , 13
Iana: 92 , 90 , 79 , 77 , 66 , 64 , 53 , 51 , 40 , 38 , 27 , 25 , 14 , 12 , 2 , 1
Novamente, temos que a carta 3 deve pertencer a Iana, pois caso pertencesse a
Ivo, a carta 6 3 2 = × também pertenceria a Ivo, assim como a carta 12 6 2 = × , o
que não é verdade. Analogamente, a carta 4 também pertence a Iana, pois se
pertencesse a Ivo, também pertenceria a Ivo a carta 12 4 3 = × . Isso implica que as
cartas 39 e 78 pertencem a Ivo. Portanto, até o momento:
Ivo: 78 , 52 , 39 , 26 , 13
Iana: 92 , 90 , 79 , 77 , 66 , 64 , 53 , 51 , 40 , 38 , 27 , 25 , 14 , 12 , 4 , 3 , 2 , 1
Se Ivo possuísse o número 5, também deveria possuir o número 10 5 2 = × e
assim, deveria possuir o número 40 10 4 = × , o que não é verdade. Logo Iana
possui o número 5.
Já os números 6 e 7 também não podem estar com Ivo, pois neste caso, os
números 12 6 2 = × e 14 7 2 = × não poderiam estar com Iana, o que não acontece.
Logo, Iana também possui os números 6 e 7 .
Assim, até o momento:
Ivo: 78 , 52 , 39 , 26 , 13
Iana: 92 , 90 , 79 , 77 , 66 , 64 , 53 , 51 , 40 , 38 , 27 , 25 , 14 , 12 , 7 , 6 , 5 , 4 , 3 , 2 , 1
Analogamente, temos que se 11 e 10 , 9 , 8 pertencessem a Ivo, 40 8 5 = × ,
27 9 3 = × , 40 10 4 = × e 77 11 7 = × também deveriam pertencer a Ivo, o que não
é verdade. Logo, 11 e 10 , 9 , 8 também pertencem a Iana.
Neste momento, temos que:
Ivo: 78 , 52 , 39 , 26 , 13
Iana: 92 , 90 , 79 , 77 , 66 , 64 , 53 , 51 , 40 , 38 , 27 , 25 , 14 , 12 , 11 , 10 , 9 , 8 , 7 , 6 , 5 , 4 , 3 , 2 , 1
Agora notamos que Ivo possui todos os múltiplos de 13 menores que 100.
Todos os demais números menores que 100 devem então ter a forma t k + 13 ,
com , k t ∈N e 13 0 < < t . Como Iana possui todos os números t ∈N com
13 0 < < t , temos que todos os número menores que 100 que não são múltiplos
de 13 devem pertencer a Iana, pois k 13 pertence a Ivo e a soma não pode
pertencer a Ivo.
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47
Logo, Ivo possui apenas 7 números e Iana possui os 93 restantes.

230. (Eslovênia – 2005) Denote por I o incentro do triângulo ABC. Sabe-se que AC +
AI = BC. Encontre a razão entre as medidas do ângulos ∠BAC e ∠CBA.

SOLUÇÃO DE RAFAEL ALVES DA PONTE (FORTALEZA – CE)
Denote por I o incentro do triângulo ABC. Sabe-se que AC + AI = BC. Encontre a
razão entre as medidas dos ângulos BAC ∠ e . CBA ∠

C
B
A
I
β
θ
θ
α
α

Construa ´ AI em AC
,¸¸,
de modo que ´ AI AI = , conforme a figura acima.
Sejam ´ BAI IAC α ∠ = ∠ = e . IBA IBC θ ∠ = ∠ = Note que ´ BI C ∆ é isósceles,
e sendo ´ , I BA β ∠ = ´ BI A ∠ mede 2 β θ + e, pelo teorema do ângulo externo,
2 2 , BAC β θ ∠ = + donde vem α β θ = + [*]. Veja que ´ 180 , I AI α ∠ = ° − e
visto que ´ I BI α ∠ = (por [*]), ´ I BIA é inscritível. Como as cordas AI e ´ AI
são congruentes, , β θ = daí
2 2 2 2 2 2
BAC
BAC CBA
CBA
α θ α θ

= ⇔ = ⋅ ⇔ ∠ = ∠ ⇔ =










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48
COMO É QUE FAZ?

PROBLEMA PROPOSTO POR WILSON CARLOS DA SILVA RAMOS (BELÉM – PA)
Dado um triângulo ABC com incentro I, considere uma reta variável l passando
por I que intersecta o lado AB em P, o lado AC em N e a reta suporte do lado BC
em M. Prove que o valor de
AB AC BC
PA PB NA NC MB MC
+ −
⋅ ⋅ ⋅
independe da escolha de l.
SOLUÇÃO:
Suponha, sem perda de generalidade, que B está entre M e C.
β/2
A
B C
N
P
M
I
α/2
α/2
θ
β/2
γ/2
γ/2
ε
φ

Primeiro, note que
PB PA PB PA
PB PA
PB PA
AB 1 1
+ =

+
=

,
NC NA NC NA
NC NA
NC NA
AC 1 1
+ =

+
=

e
MC MB MC MB
MB MC
MC MB
BC 1 1
− =


=

, de
modo que queremos provar que
MC MB NC NA PB PA
1 1 1 1 1 1
+ − + + +
não depende da reta l.
Isso é um trabalho para a lei dos senos! De fato, nos triângulos AIP e AIN, e
lembrando que, sendo r o inraio de ABC,
2
sen
α
r
AI = ,
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49
( )
( )
θ
θ
θ θ
α α
α
sen
sen sen
1
sen sen
2 2
2
r PA
AI AP
+
= ⇔
+
= e
( )
( )
θ
θ
θ θ
α α
α
sen
sen sen
1
sen sen
2 2
2
r NA
AI NA

= ⇔

=
Somando
PA
1
e
NA
1
, obtemos
( ) ( ) ( )
θ
θ θ
α α α
sen
sen sen sen
1 1
2 2 2
r NA PA
− + +
= +
Utilizando a fórmula de Prostaférese ( ) ( )
2 2
cos sen 2 sen sen
y x y x
y x
− +
= + ,
( ) ( ) ( ) ( )
( )
r r r NA PA
α
θ
θ
θ
θ θ θ θ
α α
α α α α
α
sen
sen
cos sen 2 sen
sen
2
cos
2
sen 2 sen
1 1
2 2
2 2 2 2
2
= =
|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
| − − +
|
|
.
|

\
| − + +
= +
Sorte grande! Esse valor não depende da escolha de l, já que r e α só dependem
do triângulo ABC. Podemos concluir, analogamente, que
r MC NC
γ sen 1 1
= +
também não depende de l.
Já o caso de
MB PB
1 1
− , como era de se esperar, é um pouquinho diferente, mas
só um pouquinho: pela lei dos senos nos triângulos MIB e PIB,
( )
( )
φ
φ
φ
φ
β β
β
sen
sen sen
1
sen
sen
2 2
2
r MB
BI MB

= ⇔

= e
( )
( )
φ
φ
φ
φ
β β
β
sen
sen sen
1
sen
sen
2 2
2
r PB
BI PB
+
= ⇔
+
=
Note a mudança de sinal de
2
α
θ − para φ
β

2
: “destrocando” o sinal, obtemos
( )
φ
φ
β β
sen
sen sen
1
2 2
r MB

= − e aí podemos trabalhar como nos demais casos, obtendo
r PB MB
β sen 1 1
= + −
A soma pedida é, então, igual a
r
γ β α sen sen sen + +
, que não depende de l.
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50
SOLUÇÕES DE PROBLEMAS PROPOSTOS
Publicamos aqui algumas das respostas enviadas por nossos leitores.

110) Um conjunto finito de inteiros positivos é chamado de Conjunto DS se cada
elemento divide a soma dos elementos do conjunto.
Prove que todo conjunto finito de inteiros positivos é subconjunto de algum
conjunto DS.

SOLUÇÃO DE ZOROASTRO AZAMBUJA NETO (RIO DE JANEIRO – RJ)
Basta provar que, para todo n inteiro positivo, existe um conjunto DS que contém
{1,2,...,n}. Para 3 n ≤ , isso segue do fato de {1,2,3} ser um conjunto DS.
Vamos mostrar, por indução em n, que, para todo 3 n ≥ , existe um conjunto DS,
1 2 ( )
{ , ,..., },
n k n
X a a a = com
j
a j = para 1 . j n ≤ ≤ Note que a soma dos seus
elementos
( )
1
k n
n j
j
S a
=
=

é par (pois
2
2 2 | ).
n n
a X S = ∈ ⇒
Dado 3 n ≥ e um conjunto
n
X como acima, podemos tomar
1 2 3 ( )
( 1)( 2) ( 1)( 2) ( 1)( 2)
1, 2, 3,..., , 1, , ,...,
2 2 2
n k n
n n n n n n
X n n a a a
+
+ + + + + + ¦ ¹
= +
´ `
¹ )
A soma de seus elementos é
( )
1 1
2
1
( 1)( 2) ( 1)( 2) ( 1)( 2)
1 2 ... ( 1) ( )
2 2 2
( 1)( 2)
, pois 1.
2
k n
n j n
j
n
n n n n n n
S n n a S a
n n
S a
+
=
+ + + + + +
= + + + + + + = + − =
+ +
= ⋅ =

Como
n
S é par,
1 n
S
+
é múltiplo de n + 1. Como
n
S é múltiplo de
j
a para todo j,
1
( 1)( 2)
2
n n
n n
S S
+
+ +
= ⋅ é múltiplo de
( 1)( 2)
2
j
n n
a
+ +
⋅ para todo j, e logo
1 n
X
+
é um conjunto DS.

111) Prove que existem infinitos múltiplos de 7 na seqüência ( )
n
a abaixo:
1 1
1999, ( ), 2
n n
a a a p n n

= = + ∀ ≥ , onde p(n) é o menor primo que divide n.




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51
SOLUÇÃO DE JOSÉ DE ALMEIDA PANTERA (RIO DE JANEIRO – RJ)
Seja N um número da forma 510510 2 3 5 7 11 13 17 , r r = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ onde r é um
inteiro positivo. Temos então ( 2) 2, p N + = ( 3) 3, p N + = ( 4) 2, p N + =
( 5) 5, p N + = ( 6) 2, p N + = ( 7) 7, p N + = ( 8) 2, p N + = ( 9) 3, p N + =
( 10) 2, p N + = ( 11) 11, p N + = ( 12) 2, p N + = ( 13) 13, p N + =
( 14) 2, p N + = ( 15) 3, p N + = ( 16) 2, p N + = e ( 17) 17. p N + = Assim,
2 1 3 1
2(mod7), 5(mod7),
N N N N
a a a a
+ + + +
≡ + ≡ +
4 1
(mod7),
N N
a a
+ +

5 1
5(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
6 1
(mod7),
N N
a a
+ +

7 1
(mod7),
N N
a a
+ +

8 1
2(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
9 1
5(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
10 1
(mod7),
N N
a a
+ +

11 1
4(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
12 1
6(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
13 1
5(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
14 1
(mod7),
N N
a a
+ +

15 1
3(mod7),
N N
a a
+ +
≡ +
16 1
5(mod7)
N N
a a
+ +
≡ + e
17 1
1(mod7),
N N
a a
+ +
≡ + e portanto sempre há um múltiplo de 7 em
1 2 3 11 12 15 17
{ , , , , , , },
N N N N N N N
a a a a a a a
+ + + + + + +
pois
1
,
N
a
+ 2
,
N
a
+ 3
,
N
a
+ 11
,
N
a
+ 12
,
N
a
+

15
,
N
a
+ 17 N
a
+
percorrem todas as classes de congruência módulo 7.
112) Determine todos os inteiros positivos n tais que existe uma matriz n × n com
todas as entradas pertencentes a { –1, 0, 1} tal que os 2n números obtidos como
somas dos elementos de suas linhas e de suas colunas são todos distintos.

SOLUÇÃO DE ASDRÚBAL PAFÚNCIO SANTOS (BOTUCATU – SP)
Vamos mostrar que existe uma matriz como no enunciado se e somente se n é
par. Se n é par, digamos n = 2k, podemos construir uma matriz
1 , 2
( )
ij i j k
A a
≤ ≤
=
com 1
ij
a = se 1 , , 1
ij
i j k a ≤ ≤ = − se 1 , 2 , 1
ij
k i j k a + ≤ ≤ = se i k ≤ e
, j k i ≥ + 0
ij
a = se i k ≤ e 1 , 1
ij
k j k i a + ≤ < + = − se 1, i k j k ≥ + ≤ e
, j k i + > e 0
ij
a = se 1 i k ≥ + e . j k i + ≤ É fácil ver que os 2n números obtidos
como somas dos elementos das linhas e das colunas de A é
{ , 1, 2,...,1, 0, 1,..., ( 2), ( 1)}. n n n n n − − − − − − −
Suponha agora que exista uma matriz
1 ,
( )
ij i j n
A a
≤ ≤
= como no enunciado, com
{ 1, 0,1}, , .
ij
a i j n ∈ − ∀ ≤ Claramente permutar linhas ou colunas não altera as
propriedades do enunciado. Como há 2 1 n + elementos em
{ , ( 1),..., 1, 0,1,..., 1, }, n n n n − − − − − um desses elementos, digamos c, não é
valor da soma dos elementos de nenhuma linha ou coluna de A. Podemos supor
(trocando o sinal de todos os elementos de A, se necessário) que esse elemento c
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52
que falta é menor ou igual a 0. Podemos supor (permutando linhas e colunas, se
necessário) que os valores 1, 2,..., n – 1, n são obtidos como somas dos elementos
das primeiras k linhas e das primeiras n – k colunas de A, para certo . k n ≤ Sejam
1
1
,
ij
i k
j n k
x a
≤ ≤
≤ ≤ −
=

1
,
ij
i k
n k j n
y a
≤ ≤
− < ≤
=



1
ij
k i n
j n k
z a
< ≤
≤ ≤ −
=

e

.
ij
k i n
n k j n
w a
< ≤
− < ≤
=

Temos então
( 1)
1 2 ... ( ) ( ) 2 ,
2
n n
n x y x z x y z
+
= + + + = + + + = + + e
( 1)
2
n n
c
+
− − =
( ) ( ) 2 . z w y w w y z = + + + = + + Portanto,
2
2 2 ( 1) , x w n n c n − = + + ≥ pois
, c n ≥ − e, como claramente temos ( ) x k n k ≤ − e ( ), 4 ( ) w k n k k n k ≥ − − − ≥
2 2 2 2
2 2 0 4 4 ( 2 ) , x w n n kn k n k ≥ − ≥ ⇒ ≥ − + = − donde 2 0, n k − = e
portanto n é par. Note que, nesse caso, o elemento c que falta deve ser
necessariamente igual a –n (ou n, se for positivo).

114) Sabendo que 0 sen x sen y sen z sen w + + + = e
cos cos cos cos 0, x y z w + + + = mostre que
2003 2003 2003 2003
0. sen x sen y sen z sen w + + + =

SOLUÇÃO BASEADA NAS SOLUÇÕES ENVIADAS POR SAMUEL LILÓ ABDALLA E
DOUGLAS RIBEIRO SILVA
De cos cos cos cos 0 x y z w + + + = e sen sen sen sen 0, x y z w + + + =
obtemos
(cos sen ) (cos sen ) (cos sen ) (cos sen ) 0.
ix iy iz iw
e e e e x i x y i y z i z w i w + + + = + + + + + + + =
Vamos supor sem perda de generalidade 0 2 . x y z w π ≤ ≤ ≤ ≤ < Temos
y x π − ≤ e , w z π − ≤ senão os quatro números complexos , ,
ix iy iz
e e e e
iw
e
pertenceriam a um mesmo semicírculo do círculo unitário, e sua soma não
poderia ser 0. Temos (cos cos ) (sen sen )
ix iy
e e x y i x y + = + + + =
2
2cos cos 2cos .
2 2 2 2
x y
i
y x x y x y y x
sen i e
+ | |
|
\ .
− | + + | − | | | | | | | |
= + =
| | | | |
\ . \ . \ . \ . \ .

Analogamente,
2
2cos .
2
w z
i
iz iw
w z
e e e
+ | |
|
\ .
− | |
+ =
|
\ .

Como
( )
,
ix iy iz iw
e e e e + = − + obtemos
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53
2 2
2cos 2cos .
2 2
x y w z
i i
y x w z
e e
+ + | | | |
| |
\ . \ .
− − | | | |
= −
| |
\ . \ .
Temos ainda 0
2 2
y x π −
≤ ≤ e
0
2 2
w z π −
≤ ≤ , donde cos 0
2
y x − | |

|
\ .
e cos 0.
2
w z − | |

|
\ .
Temos agora dois
casos:
i) cos 0.
2
y x − | |
=
|
\ .
Nesse caso, devemos ter também cos 0,
2
w z − | |
=
|
\ .
e,
portanto , y x w z π − = − = sen sen y x = − e sen sen , w z = − donde segue
imediatamente o resultado.
ii) cos 0.
2
y x − | |
>
|
\ .
Nesse caso, devemos ter cos cos 0
2 2
w z y x − − | | | |
= >
| |
\ . \ .
e
2 2
,
x y w z
i
e e
+ + | | | |
| |
\ . \ .
= − donde
2 2
w z x y
π
+ +
= + e .
2 2
w z y x − −
= Somando,
obtemos w y π = + e, substraindo, obtemos . z x π = + Assim, senw seny = − e
senz senx = − , donde segue o resultado, como antes.

116) Seja ABC um triângulo e sejam X, Y e Z as reflexões de A, B e C em
relação às retas BC, CA e AB, respectivamente. Prove que x, y e z são colineares
se e somente se cos cos cos 3 8. A B C ⋅ ⋅ = −

SOLUÇÃO ENVIADA POR DOUGLAS RIBEIRO SILVA COM CONTRIBUIÇÕES DE CARLOS
EDDY ESAGUY NEHAB E MARCIO COHEN
Construam o triângulo ABC e as reflexões X, Y e Z de seus vértices A, B e C.
Se, dados U, V, W no plano, (UVW) denota a área (orientada) do triângulo UVW,
temos S(XYZ) = [S(ABC) + S(CBX) + S(ACY) + S(BAZ)] – S(AZY) – S(BXZ) –
S(CYX). (*) Ver nota abaixo.
Temos S(ABC) = S(CBX) = S(ACY) = S(BAZ), por construção.
As áreas de AZY, BXZ e CYX podem ser somadas ou subtraídas, dependendo de
os ângulos
ˆ ˆ
3 , 3 YAZ A ZBX B = = e
ˆ
3 XCY C = (onde A, B e C denotam
os ângulos internos do triângulo ABC) serem maiores ou menores que 180 graus.
Valerá a igualdade se usarmos as expressões S(AZY) = bc · sen(3A)/2, S(BXZ) =
ac · sen(3B)/3 e S(CYX) = ab · sen(3C)/2.
Então a relação passa a ser S(XYZ) = 4S(ABC) – bc · sen(3A)/2 – ac · sen(3B)/3 –
ab · sen(3C)/2.
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54
Agora substituímos sen(3θ ) = – 4·(sen(θ ))
3
+ 3 · sen(θ ) para θ = A, B, C e
substituímos também bc/2 ac/2 e ab/2 respectivamente por S(ABC)/senA,
S(ABC)/senB e S(ABC)/senC, devido à fórmula de área em função dos lados e do
ângulo para o triângulo original.
Fazendo as devidas substituições acima, simplificamos os senos e basta trocar
(sen(θ ))
2
por 1 – (cos(θ ))
2
para θ = A, B, C para chegar em S(XYZ) = S(ABC) ·
[7 – 4((cosA)
2
+ (cosB)
2
+ (cosC)
2
)].
Para que os três pontos estejam alinhados, a área do triângulo XYZ deve ser igual
a zero, donde 7 – 4((cosA)
2
+ (cosB)
2
+ (cosC)
2
) = 0
Façamos z = (cosA)
2
+ (cosB)
2
+ (cosC)
2
Dai, como cos2x = 2(cosx)
2
– 1 temos
z = (1 + cos2A)/2 + (1+cos2B)/2 + (cosC)
2
= 1 + (cos(2A) +cos(2B))/2 +
(cosC)
2
.
Mas cos(2A) + cos(2B) = 2cos(A + B)cos(A – B) = –2cosC cos(A – B).
Substituindo em z:
z = 1 – cosC [cos(A – B) – cosC] = 1 – cosC [cos(A – B) + cos(A + B)]. Daí
temos:
z = 1 – cosC. [2cosA.cosB] = 1 – 2cosA.cosB.cosC.
Substituindo este z na expressão anterior, chegamos na desejada expressão do
enunciado:
0 = 7 – 4 ((cosA)
2
+ (cosB)
2
+ (cosC)
2
) = 7 – 4 (1 – 2cosA.cosB.cosC) =
3+8cosA.cosB.cosC.
Logo, chegamos na esperada relação cosA·cosB·cosC = –3/8.
Nota: A igualdade(*) pode ser mostrada por meio de algumas figuras,
considerando alguns casos, mas daremos a seguir uma prova algébrica dela. A
área (orientada) de um triângulo UVW no plano
2
R é igual à metade do
determinante det (V – U , W– U) da matriz cujas linhas coincidem com os vetores
V – U e W – U. Se identificarmos cada vetor
2
( , ) x y ∈R com
3
( , , 0) , x y ∈R o
produto vetorial (V – U) × (W– U) é igual ao vetor (0,0, det (V – U, W – U)) =
(0,0, 2 S (UVW)).
Basta provar então que (Y – X) × (Z – X) = (B – A) × (C – A) + (B – C) × (X – C) +
(C – A) × (Y – A) + (A – B) × (Z – B) – (Z – A) × (Y – A) – (X – B) × (Z – B) –
(Y – C) × (X – C), mas o lado direito é igual a
(B – A) × (C – A) + (B – Y) × (X – C) + × (C – Z) × (Y – A) + (A – X) × (Z – B),
que, desenvolvendo (e usando a desigualdade U × V = – V × U, para quaisquer U,
V), é igual a B × C – B × A – A × C + B × X – B × C – Y × X + Y × C + C × Y –
C × A – Z × Y + Z × A + A × Z – A × B – X × Z + X × B = – Y × X – Z × Y – X × Z
= Y × Z – Y × X – X × Z = (Y – X) × (Z – X).

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55
117) Sejam r e s duas retas reversas (i.e., não contidas num mesmo plano) e A,
B, C, D,
` ` ` `
, , , A B C D pontos tais que
` ` ` `
, , , , , , , , A B A B r C D C D s ∈ ∈
` `
AB AB = e
``
. CD CD = Prove que os tetraedros ABCD e
` ` ``
ABCD têm o mesmo volume.

SOLUÇÃO DE DOUGLAS RIBEIRO SILVA (RECIFE - PE)
Note que o que o problema pede é equivalente demonstrar que o volume do
tetraedro só depende da medida de duas arestas reversas e da distância entre
as retas-suporte dessas duas arestas. Na figura que segue, as arestas
reversas são AB e CD. A distância entre as retas suporte é EF.

O volume do tetraedro será calculado a partir da área da base ABC e a altura
relativa a D

V = (Área (ABC) · HD)/3

Note que a área de ABC pode ser definida como AB · EC/2, pois como EC está no
mesmo plano de EF e EF é perpendicular a AB, EC também é (Teorema das 3
perpendiculares).

V = ((AB · EC/2) · HD)/3

Conservando a área do triangulo retangulo EFC temos: EF · FC/2 = EC · FG/2.
Logo
FG = EF · FC/EC
Pela semelhança dos triangulos FGC e DHC tiramos o valor de HD:

HD/CD = FG/FC Logo HD = FG · CD/FC = (EF · FC/EC) · (CD/FC)

Logo HD = EF · CD/EC

Finalizando, temos que V = (AB · EC/2) · (EF · CD/EC)/3
Logo V = AB · CD · EF/6
Assim, provamos que o volume de um tetraedro não depende da posição dos
segmentos AB e CD nas suas retas-suporte, mas sim, unicamente dos tamanhos
dos segmentos e da distância entre as retas-suporte dos mesmos.

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56
D
F
G
H
A
E
B
C


118) Considere a seqüência
1
( )
n n
a

dada por
1
1 a = e
1
2 9
, 1.
3 9
n
n
n
a
a n
a
+
+
= ∀ ≥
+

Prove que ( )
n
a converge e calcule o seu limite.

SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA)
Primeiramente, iremos provar que
3
3 1+
>
n
a , para todo n∈N, utilizando
indução. De fato:
(1)
3
3 1
1
1
+
> = a
(2) Supondo
3
3 1+
>
n
a , temos 3 2 3 1 + > +
n
a . Portanto:
3
3 1
)
3 2
1
(
3
1
1 )
3 1
1
(
3
1
1
9 3
9 2
1
+
=
+
− >
+
− =
+
+
=
+
n n
n
n
a a
a
a
Em seguida, provaremos que, se
3
3 1+
>
n
a , temos que
n n
a a <
+1
. De fato:
3 ) 1 3 ( 3 1 3
3
3 1
2
> − ⇒ > − ⇒
+
>
n n n
a a a
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57
Portanto,
0
9 3
) 1 3 ( 3
9 3
9 2
2
1
<
+
− −
= −
+
+
= −
+
n
n
n
n
n
n n
a
a
a
a
a
a a
Logo, ) (
n
a é uma seqüência estritamente decrescente limitada inferiormente por
3
3 1+
, o que garante sua convergência. Vamos mostrar agora que
3
3 1
lim
+
=
n
a . Seja
1
lim lim .
n n
x a a
+
= =
Temos então
1
2 9 2 9
lim lim ,
3 9 3 9
n
n
n
a x
x a
a x
+
+ +
= = =
+ +
donde
2
9 6 2 0. x x − − = Como 0, x ≥ devemos ter
3 27 1 3
.
9 3
x
+ +
= =

Obs: a solução acima é bastante artificial. Ela é construída já se sabendo de
antemão qual o provável limite da seqüência. Este provável limite é obtido
facilmente fazendo x a a
n n
= =
+1
e resolvendo a equação
3
3 1
9 3
9 2 +
= ⇒
+
+
= x
x
x
x , pois 0. x ≥

Continuamos aguardando as soluções dos problemas a seguir:

113)
1 2 3
, , ,... a a a formam uma seqüência de inteiros positivos menores que 2007
tais que
m n
m n
a a
a
+
+
é inteiro, para quaisquer inteiros positivos m, n.
Prove que a seqüência (a
n
) é periódica a partir de um certo ponto.

115) Suponha que ABC é um triângulo com lados inteiros a, b e c com
´
60 BCA = ° e ( , ) ( , ) ( , ) 1. mdc a b mdc a c mdc b c = = = Prove que
1(mod6) c ≡ .





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58
PROBLEMAS PROPOSTOS
Convidamos o leitor a enviar soluções dos problemas propostos e sugestões de novos
problemas para próximos números.

119. Mostre que não existem inteiros positivos a e b tais que tais que
(36 )(36 ) a b b a + + seja uma potência de 2.

120. Sejam a, b, c números reais e soma
n
S definida como ,
n n n
n
S a b c = + + para
qualquer n inteiro não negativo, Sabe-se que
1
2, S =
2
6 S = e
3
14, S = mostre que
2
1 1
8
n n n
S S S
− +
− ⋅ = para todo inteiro n > 1.

121. Na figura abaixo o lado do quadrado vale 4, obter o valor da altura h para que
a área da região 1 seja igual a área da região 2.

h
4
4 4
4
1
2

122. Dado um triângulo ABC tal que AB AC a b = = + e BC a = , traça-se uma
ceviana partindo de B determinando em AC um ponto D tal que DA a = e
DC b = . Sabendo que
´
10 ABD = ° , determine os ângulos internos desse triângulo.

123. Determine todas as funções : * * f → N N tais que
2 2 3 2 2
2 ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) , f m n f m f n f m f n + = + para quaisquer , * m n∈N distintos.
Obs. * {1, 2, 3,...} = N é o conjunto dos inteiros positivos.

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59
124. Considere a seqüência
1
( )
n n
a

definida por
1 2 3 4
1 a a a a = = = = e
2
1 3 2
4
, 5.
n n n
n
n
a a a
a n
a
− − −

+
= ∀ ≥
Prove que
n
a é um inteiro positivo, para todo inteiro positivo n.

125. Considere dois naturais 2 m ≥ e 2, n ≥ e as seqüências
0 1 2
( , , ,..., ), {0,1}.
mn i
a a a a a ∈
As seqüências de tipo m satisfazem as condições:
• 0,
k k m
a a
+
= para todo k;
• Se
1
1
k k
a a
+
= então m divide k
As seqüências de tipo n são definidas analogamente. Prove que existem tantas
seqüências do tipo m quanto do tipo n.

126. As circunferências , 0 5,
i
i Γ ≤ ≤ são tangentes a uma circunferência Γ nos
pontos
i
A . Além disso,
i
Γ é tangente a
1 i +
Γ para 0 5 i ≤ ≤ e
5
Γ é tangente a
0
. Γ
Prove que
0 3 1 4 2 5
, , A A A A A A são concorrentes.

127. Determine todos os inteiros positivos k tais que existem inteiros positivos x,
y, z com
2 2 2
.
x y z
k
xyz
+ +
=
128. Barango Joe era um sapo de mútiplos talentos que habitava a Terra das
Chances Diminutas, localizada no alto de uma montanha.
Após sua maioridade, Barango Joe decidiu tentar a vida no Reino das Grandes
Oportunidades, localizado no cume da montanha vizinha.
Para isso, ele atravessaria a extensa ponte de madeira por cima do Desfiladeiro da
Morte. Entretanto, a ponte era guardada pela Esfinge Vegas, exímia jogadora que
sempre desafiava os viajantes para algum jogo. O viajante vitorioso tinha a
passagem franqueada; e o perdedor era lançado ao abismo.
Assim chegando à cabeceira da ponte, Barango Joe foi desafiado a uma partida de
“Pachang” jogo que lembra o “Black Jack” ou “Vinte e um”, mas é jogado por 2
oponentes da seguinte maneira:
Os jogadores, designados por “banca” e “apostador”, utilizam um dado gerador
de números aleatórios reais uniformemente distribuídos no intervalo [0,1]
Inicialmente, a banca sorteia um número X. Se não estiver satisfeita com o
número obtido, pode descartá-lo e então sortear um novo número. Este
procedimento pode ser executado 2 vezes, Isto é, pode haver até 3 sorteios na
definição do número X da banca.
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60
Então, o apostador sorteia quantos números forem necessários até que a soma de
seus números ultrapasse o número X da banca. Neste momento, se esta soma for
inferior a 1, o apostador ganha; caso contrário, perde.

Ou seja, para ganhar, o apostador precisa “chegar mais próximo” de 1 que a
banca, sem no entanto “estourar o limite” de 1.

Após explicar as regras do Pachang, a Esfinge Vegas deu uma opção ao sapo:
- Você prefere ser a banca ou o apostador?
O que o Barango Joe deveria responder?

Obs. Utilize lápis, papel, e uma calculadora científica simples.

129. Um coelho está numa rua infinita dividida em quadrados numerados pelos
inteiros, e começa no quadrado 0. Se num dado momento ele está no quadrado k,
ele escolhe, com probabilidade
1
2
, pular para o quadrado k + 2 ou, também com
probabilidade
1
2
, pular para o quadrado k – 1. Ele continua esse processo
indefinidamante. Dado m∈Z , determine a probabilidade de, em algum momento,
o coelho pisar no quadrado m.



Problema 119 proposto por Adriano Carneiro, problemas 120 e 121 proposto por Samuel
Liló Abdalla, de Sorocaba – SP, problema 122 proposto por Renan Lima Novais, do Rio de
Janeiro – RJ, problema 123 proposto por Wilson Carlos da Silva Ramos, de Belém – PA,
problemas 124, 125, 126 e 127 propostos por Anderson Torres, de São Paulo – SP, problema
128 proposto por Rogério Ponce da Silva, do Rio de Janeiro – RJ, problema 129 proposto
por Nicolau Corção Saldanha e Zoroastro Azambuja Neto, do Rio de Janeiro – RJ.


Agradecemos também o envio das soluções e a colaboração de:
Gelly Whesley Fortaleza – CE
Evandro A. dos Santos Campinas – SP
Davi Lopes Alves de Medeiros Fortaleza – CE
Rafael Alves da Ponte Fortaleza – CE
André Felipe M da Silva Rio de Janeiro – RJ
Carlos Alberto da Silva Victor Nilópolis – RJ


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AGENDA OLÍMPICA

XXX OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA

NÍVEIS 1, 2 e 3
Primeira Fase – Sábado, 14 de junho de 2008
Segunda Fase – Sábado, 13 de setembro de 2008
Terceira Fase – Sábado, 25 de outubro de 2007 (níveis 1, 2 e 3)
Domingo, 26 de outubro de 2008 (níveis 2 e 3 - segundo dia de prova).

NÍVEL UNIVERSITÁRIO
Primeira Fase – Sábado, 13 de setembro de 2008
Segunda Fase – Sábado, 25 e Domingo, 26 de outubro de 2008


XIV OLIMPÍADA DE MAIO
10 de maio de 2008

XIX OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL
Temuco – Chile
18 a 23 de junho de 2008

XLIX OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA
10 a 22 de julho de 2008
Madri – Espanha

XIV OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA UNIVERSITÁRIA
25 a 31 de julho de 2008
Blagoevgrad, Bulgária



XXIII OLIMPÍADA IBEROAMERICANA DE MATEMÁTICA
18 a 28 de setembro de 2008
Salvador, Bahia – Brasil


XI OLIMPÍADA IBEROAMERICANA DE MATEMÁTICA UNIVERSITÁRIA


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COORDENADORES REGIONAIS

Alberto Hassen Raad (UFJF) Juiz de Fora – MG
Américo López Gálvez (USP) Ribeirão Preto – SP
Amarísio da Silva Araújo (UFV) Viçosa – MG
Andreia Goldani FACOS Osório – RS
Antonio Carlos Nogueira (UFU) Uberlândia – MG
Ali Tahzibi (USP) São Carlos – SP
Benedito Tadeu Vasconcelos Freire (UFRN) Natal – RN
Carlos Alexandre Ribeiro Martins (Univ. Tec. Fed. de Paraná) Pato Branco - PR
Carmen Vieira Mathias (UNIFRA) Santa María – RS
Claus Haetinger (UNIVATES) Lajeado – RS
Cleonor Crescêncio das Neves (Inst. de Tec. e Educ. Galileo da Amazônia) Manaus – AM
Cláudio de Lima Vidal (UNESP) S.J. do Rio Preto – SP
Denice Fontana Nisxota Menegais (UNIPAMPA) Bagé – RS
Edson Roberto Abe (Colégio Objetivo de Campinas) Campinas – SP
Élio Mega (Faculdade Etapa) São Paulo – SP
Eudes Antonio da Costa (Univ. Federal do Tocantins) Arraias – TO
Fábio Brochero Martínez (UFMG) Belo Horizonte – MG
Florêncio Ferreira Guimarães Filho (UFES) Vitória – ES
Francinildo Nobre Ferreira (UFSJ) São João del Rei – MG
Genildo Alves Marinho (Centro Educacional Leonardo Da Vinci) Taguatingua – DF
Ivanilde Fernandes Saad (UC. Dom Bosco) Campo Grande– MS
Jacqueline Rojas Arancibia (UFPB)) João Pessoa – PB
Janice T. Reichert (UNOCHAPECÓ) Chapecó – SC
João Benício de Melo Neto (UFPI) Teresina – PI
João Francisco Melo Libonati (Grupo Educacional Ideal) Belém – PA
José Luiz Rosas Pinho (UFSC) Florianópolis – SC
José Vieira Alves (UFPB) Campina Grande – PB
José William Costa (Instituto Pueri Domus) Santo André – SP
Krerley Oliveira (UFAL) Maceió – AL
Licio Hernandes Bezerra (UFSC) Florianópolis – SC
Luciano G. Monteiro de Castro (Sistema Elite de Ensino) Rio de Janeiro – RJ
Luzinalva Miranda de Amorim (UFBA) Salvador – BA
Mário Rocha Retamoso (UFRG) Rio Grande – RS
Marcelo Rufino de Oliveira (Grupo Educacional Ideal) Belém – PA
Marcelo Mendes (Colégio Farias Brito, Pré-vestibular) Fortaleza – CE
Newman Simões (Cursinho CLQ Objetivo) Piracicaba – SP
Nivaldo Costa Muniz (UFMA) São Luis – MA
Osvaldo Germano do Rocio (U. Estadual de Maringá) Maringá – PR
Raul Cintra de Negreiros Ribeiro (Colégio Anglo) Atibaia – SP
Ronaldo Alves Garcia (UFGO) Goiânia – GO
Rogério da Silva Ignácio (Col. Aplic. da UFPE) Recife – PE
Reginaldo de Lima Pereira (Escola Técnica Federal de Roraima) Boa Vista – RR
Reinaldo Gen Ichiro Arakaki (UNIFESP) SJ dos Campos – SP
Ricardo Amorim (Centro Educacional Logos) Nova Iguaçu – RJ
Sérgio Cláudio Ramos (IM-UFRGS) Porto Alegre – RS
Seme Gebara Neto (UFMG) Belo Horizonte – MG
Tadeu Ferreira Gomes (UEBA) Juazeiro – BA
Tomás Menéndez Rodrigues (U. Federal de Rondônia) Porto Velho – RO
Valdenberg Araújo da Silva (U. Federal de Sergipe) São Cristovão – SE
Vânia Cristina Silva Rodrigues (U. Metodista de SP) S.B. do Campo – SP
Wagner Pereira Lopes (CEFET – GO) Jataí – GO

Sociedade Brasileira de Matemática

AOS LEITORES

É com grande alegria que comemoramos em 2008 os 10 anos da Revista EUREKA! e transmitimos aos leitores a nossa satisfação pela acolhida recebida neste período. Durante estes 10 anos de existência temos procurado atender ao leitor mais exigente, apresentando uma publicação específica que além de fornecer material atualizado e de alto nível acadêmico, tem tornado o estudo da matemática olímpica muito mais interessante e acessível a professores e jovens olímpicos de todo o Brasil. Neste número especial da revista apresentamos quatro artigos, cujos autores são todos ex-olímpicos de grande destaque, além de um bom número de novos problemas propostos por nossos leitores, que estão cada vez mais inspirados. Agradecemos também a valiosa ajuda dos alunos que trabalharam na revisão deste número da Eureka!: Álvaro Lopes Pedroso, Ana Luísa de Almeida Losnak, Custódio Moreira Brasileiro Silva, Elder Massahiro Yoshida, Guilherme Phillippe Figueiredo Hanon Guy Lima Rossi, Henrique Pondé de Oliveira Pinto, Illan Feiman Halpern, Marco Antonio Lopes Pedroso, Rafael Horimoto de Freitas, Renan Henrique Finder, Talita Alessandra da Silva, Thiago Saksanian Hallak e Thiago da Silva Pinheiro, e particularmente ao Prof. Carlos Yuzo Shine, que coordenou a revisão e que foi responsável pela seção “Como é que faz” deste número. Continuaremos contando com o entusiasmo e a colaboração dos nossos leitores para que a EUREKA! continue sendo um instrumento útil à formação matemática e à preparação olímpica do nosso público. Esperamos que gostem deste número. Divirtam-se!

Os editores

EUREKA! N°27, 2008

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Sociedade Brasileira de Matemática

XVIII OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL
Enunciados e Resultado Brasileiro
A XVIII Olimpíada de Matemática do Cone Sul foi realizada na cidade de Atlântida, Uruguai no mês de junho de 2007. A equipe brasileira foi liderada pelos professores Yuri Gomes Lima e Samuel Barbosa Feitosa, ambos da cidade de Fortaleza – CE.
RESULTADOS DA EQUIPE BRASILEIRA BRA1 BRA2 BRA3 BRA4 Renan Henrique Finder Marcelo Tadeu de Sá Oliveira Sales Grazielly Muniz da Cunha Thiago Ribeiro Ramos Medalha de Ouro Medalha de Prata Medalha de Prata Medalha de Prata

PRIMEIRO DIA PROBLEMA 1

Achar todos os pares de inteiros (x, y) que satisfazem
x 3 y + x + y = xy + 2 xy 2 .
SOLUÇÃO DE MARCELO TADEU DE SÁ OLIVEIRA SALES (SALVADOR – BA)

De x 3 y + x + y = xy + 2 xy 2 temos:
x 3 y + x − xy − 2 xy 2 = − y ⇒ x( x 2 y + 1 − y − 2 y 2 ) = − y ⇒ x | y xy + 2 xy 2 − y − x 3 y = x ⇒ y ( x + 2 xy − 1 − x3 ) = x ⇒ y | x Então x | y e y | x com exceção de x = 0 ou y = 0. Nesses dois casos temos que ambos têm que ser 0. Assim (x, y) = (0, 0) é a nossa primeira solução. Se x | y então x ≤ y (eu já desconsiderei x = 0 e y = 0) e se y | x então y ≤ x , daí

x = y . Assim temos dois casos: Primeiro caso: x = y Substituindo temos x 4 + 2 x = x 2 + 2 x 3 . Como x ≠ 0 e y ≠ 0 então podemos
simplificar. Assim, x 3 + 2 = x + 2 x 2 e daí x | 2 , então x ∈{−2, −1,1, 2}. Desses valores, o único que não admite solução é x = – 2 então para esse caso ( x, y ) = (−1, −1);(1,1);(2, 2).
EUREKA! N°27, 2008

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.a100 (a j − 2) ≥ a j − 2. = a100 = 2..Sociedade Brasileira de Matemática Segundo caso: x = – y. K = aK +1aK + 2 .. y ) = (−1. a1 + a2 + . Assim as soluções são ( x..a100 − aK +1 − aK + 2 − .. isto é..a j .. = aK = 1. Note que há um exemplo para K = 95: a1 = a2 = .a j −1a j +1 .1) e (2.a100 − 2 − aK +1 − . Resta o caso K = 94.(1... = a45 = 1 a96 = a95 = 2 a98 = a99 = a100 = 3 A soma é 195 + 2 ⋅ 2 + 3 ⋅ 3 = 95 + 4 + 9 = 108 e o produto é 22 ⋅ 33 = 108. − a100 .a100 K + aK +1 + .a j −1a j +1 . + a100 = a1a2 ... Substituindo temos − x 4 = − x 2 + 2 x 3 .a j ..a100 − aK +1 − . Para isso.... o caso a + b + c + d + e + f + 94 = abcdef . −1).... − a100 ⇔ aK +1 . − a100 ≥ 2aK .... −a j −1 − a j +1 − . Então....... 2008 4 ... Se K ≤ 93 200 − K ≤ 107 e 2100 − K ≥ 27 = 128... a diferença é mínima quando aK +1 = aK + 2 = .. suponha a j ≥ 2..a100 Vamos minimizar aK +1aK + 2 . Determinar a quantidade mínima de números 1 que podem existir entre os 100 inteiros.... então não há solução para esse caso. − a j − ... Logo.0). SOLUÇÃO DE RENAN HENRIQUE FINDER (JOINVILLE – SC) Seja K o número de 1´s que aparecem.....a100 − 2 ⇔ aK +1.. o que ocorre de fato. Temos EUREKA! N°27. com a1 = a2 = .a100 os números.. + a100 = aK +1aK + 2 ..a100 − aK +1 − .. minimizemos abcdef − a − b − c − d − e − f . Note que aK +1 .. a2 ... Supondo a.. 2).a100 − a j ≥ 2aK +1 .(0. Como x ≠ 0 temos − x 4 = − x 2 + 2 x 3 ⇔ − x 2 = −1 + 2 x e daí x = é inteiro. PROBLEMA 2 −2 ± 8 que não 2 Considere 100 inteiros positivos tais que sua soma é igual ao seu produto. o que obriga K ≥ 94..a j −1a j +1. − a100 ≥ 2100− K − 2 ⋅ (100 − K ) ⇒ 0 ≥ 2100− K − 200 + K ⇒ 2100 − K ≤ 200 − K . Sejam a1 .. b ≥ 3.

Analogamente. obtemos também 31a = 104 ⇒ 31 ⋅ 2 = 104. E em AC e F em AB). Seja Z o ponto de encontro entre as retas AD e BX. Ou seja que o quadrilátero BHXA´ é inscritível.Sociedade Brasileira de Matemática abcdef − a − b − c − d − e − f ≥ 3bcdef − 3 − b − c − d − e − f ⇔ ( a − 3)bcdef ≥ a − 3. absurdo. Seja A´ um ponto sobre a semireta AM tal que AM = MA´. BE e CF (com D em BC. pois 31 / 104. PROBLEMA 3 Seja ABC um triângulo com todos os seus ângulos agudos. logo f ≥ 2. pois f ≠ 1. é impossível abcdef − a − b − c − d − e − f = 94 se duas das variáveis forem ≥ 3 . o que ocorre. Se todas as variáveis forem iguais a 2. O quadrilátero ABA´C é um paralelogramo. Já se só uma for ≥ 3 (digamos que a. Daí que ∠AXH = 90°. Então K = 95 é o máximo que podemos obter. abcdef − a − b − c − d − e − f ≥ 32 24 − 4 ⋅ 2 − 3 ⋅ 2 = 144 − 14 = 130 > 94. Concluímos que a expressão é mínima se a = 3 e f = 2. logo | 25 a − 10 − a = 94 ⇒ 31a = 104. Alem disso BHCA´ também é inscritível já que ∠BHC + ∠BA´C = (180° − ∠BAC ) + ∠BAC = 180°. SOLUÇÃO DA BANCA Observemos que AFHE é inscritível. Então. 2008 5 . de alturas AD. pois ∠AEH = ∠AFH = 90°. A circunferência circunscrita ao triângulo AEF corta a reta AM em A e X. teremos b = c = d = e = f = 2. H. o que ocorre. Além disso. Então. abcdef − a − b − c − d − e − f ≥ 2abcde − a − b − c − d − e − 2 ⇔ abcde( f − 2) ≥ f − 2. onde EUREKA! N°27. C são concíclicos. onde ∠A´BH = ∠A´BC + ∠CBH = ∠ACB + (90° − ∠ACB) = 90° = ∠A´ XH . Desta forma os pontos B. ela é mínima quando b = 3 e c = d = e = 2. Seja M o ponto médio do segmento BC. Demonstrar que as retas YZ e BC são paralelas. A reta AM corta a reta CF em Y. absurdo. X.

a) Qual é o número máximo k de casas pintadas que um tabuleiro charrua pode ter? b) Para tal número k. São pintadas algumas casas do tabuleiro. ou seja. o problema estará terminado. Agora. Daí que AH ⊥ TY . como queríamos.Sociedade Brasileira de Matemática ∠XBM = ∠XBC = ∠XA´C = ∠BAM (1) Seja T = AB ∩ XH . Porém então Z ´∈ AD ∩ BX = Z e assim Z = Z ´ . 2008 6 . Se provamos que Z ∈ TY . ∠HZ ´Y = ∠HXY = 90° então HXYZ´ é inscritível. então TY // BC. ∠XZ ´Y = ∠XHY = ∠FAX − ∠BAM (2) Das relações (1) e (2) segue-se que ∠XZ ´Y = ∠XBM . que os pontos B. Dizemos que o tabuleiro é charrua se nenhuma linha está totalmente pintada e nenhuma coluna está totalmente pintada. uma vez que TY ⊥ AY e YF ⊥ AT . Vamos mostrar que Z = Z ´. EUREKA! N°27. calcular o número de tabuleiros charruas distintos que existem. Z´ e X são colineares. A E F H Z B PROBLEMA 4 X Y D M C Considere um tabuleiro 2007 × 2007. Notemos que H também é o ortocentro do triângulo ATY. e portanto. Seja então Z ´= AD ∩ TY .

• As medidas de todos os seus lados são números inteiros. 2008 7 . EUREKA! N°27. E note que não podemos ter duas casas sem serem pintadas em uma mesma linha. pois não podemos escolher uma casa que esteja na mesma linha qua a que foi escolhida na primeira coluna. a) Determinar as medidas dos segmentos AP e BP. • O lado AB mede 2. logo são 2007 × 2006 × 2005. na terceira coluna temos 2005 escolhas. logo são 2007! tabuleiros charruas distintos..Sociedade Brasileira de Matemática SOLUÇÃO DE GRAZIELLY MUNIZ DA CUNHA (FORTALEZA – CE) a) Note que todas as colunas têm que ter no máximo 2006 casas pintadas. Logo para a primeira coluna poderemos escolher qualquer uma das 2007 casas para não ser pintada. na quarta 2004 escolhas e assim sucessivamente.. • Ao menos um dos lados do pentágono mede 1. com o número k. número que é atingido pintando todas as casas. Como são 2007 colunas então o número de casas pintadas é no máximo 2007 × 2006. Seja P o ponto de tangência de Γ com o lado AB. como na figura abaixo 2007 2007 b) como para k no máximo iremos pintar 2006 casas em cada coluna. então temos que escolher qual casa ficará sem ser pintada. na segunda coluna podemos escolher qualquer uma de 2006 casas. PROBLEMA 5 Seja ABCDE um pentágono convexo que satisfaz as seguintes condições: • Existe uma circunferência Γ tangente a cada um de seus lados. pois se não terá uma linha que ficará toda preenchida. = 2007! maneiras de escolher. exceto uma diagonal.

CD. DE e EA. R. E também CQ ≥ 1 e CQ ∈ . Mas então CR ≥ 1. Temos: AB = 2 ⇒ BP = 2 – x QB = BP ⇒ QB = 2 – x QC = BC – QB = BC – 2 + x CR = QC ⇒ CR = BC – 2 + x DR = CD – CR = CD – BC + 2 – x DS = DR ⇒ DS = CD – BC + 2 – x ES = DE – DS = DE – C D + BC – 2 + x ET = ES ⇒ ET = DE – CD + BC – 2 + x AE = AT + TE = x + DE – CD + BC – 2 + x ⇒ 2x = AE – DE + CD – BC +2 ∈ * + Como x < AB = 2 ⇒ 2 x < 4. E AB > AP = 1. Como DS = DE − SE tem-se DS ≥ 1. já que RC = QC. já que CR = DC − DR = DC − DS ∈ . 2008 8 . Então AE ≥ 2. SOLUÇÃO DE RENAN HENRIQUE FINDER (JOINVILLE – SC) a) Sejam Q.Sociedade Brasileira de Matemática b) Dar um exemplo de um pentágono que satisfaz as condições estabelecidas. Deste modo. vale que ET ∈ e ET ≥ 1. Logo DC ≥ 2. SE ≥ 1. EUREKA! N°27. mas então DR ≥ 1 ⇒ DC > 1. Então todos os lados são maiores que 1: absurdo. Resta ver o que acontece se x = 1. respectivamente. pode-se ter 2 x = 3. BC > CQ ⇒ BC > 1. DE > SE ⇒ DE ≥ 2. 2 x = 2 ou 2 x = 1. Desse modo. Como ET = AE − 1. uma vez que DC ∈ . Temos AT = 1 ⇒ AE > 1. O item b) 3 1 e o caso x = é obviamente análogo mostra uma configuração para x = 2 2 (troque A por B e C por E). S e T os pontos de tangência de Γ em BC. Assim. pois SE = TE. porque AE ∈ . como a seguir: E S D R P T A C Q B Seja AP = x.

No desenho do item b). pois AP = x + = 1 + = (o 2 2 2 2 ponto P bissecta o segmento de medida w pois esse segmento é o lado de um hexágono regular).Sociedade Brasileira de Matemática 3 1 3 w Obs. seu incírculo Γ . 7.. Isso mostra que AP = e BP = é uma possibilidade (e 2 2 2 2 3 1 que. para cada inteiro positivo n. 5. Então: • ABCDE é circunscrível • BC = CD = DE = 1 • AB = EA = w + x = y + z = 1 + 1 = 2 Todos os lados são inteiros. e de lado 1 (seu terceiro lado é lado do hexágono L )! Como w e z são lados do hexágono. 6. analogamente.. O pentágono ABCDE é o fecho convexo da união dos pontos do hexágono e do ponto A. Por outro lado. na verdade já provamos que só podíamos ter 3 1 3 1 AP = ou AP = . 1. como queríamos.. 2. 9. 2 2 b) Tome um hexágono regular de lado 1.. como a seguir: C D B P w 120° 120° z E x A y Note que o triângulo de lados x e y. logo é eqüilátero. dois de seus lados não opostos e não adjacentes e os prolongue. 8. 3. 4. nk contém todos os dígitos 0. BP = e AP = também é). Seja A a intersecção obtida. com vértice em A. de fato AP = . PROBLEMA 6 Demonstrar que. w = x = y = z = 1. EUREKA! N°27. existe um inteiro positivo k tal que a representação decimal de cada um dos números k. 2008 9 . 2k. tem dois ângulos de 180° − 120° = 60°.

Agora vou terminar o problema por indução Casos iniciais → n = 1 e k = 1234567890 k = 1234567890617283945 n=2e ou 6172839450 Passo indutivo → suponha que até n é verdadeira então existe um k tal que k.... + 9qx ⋅ 108 p ) onde x é o número tal que 10c ⋅ qx ≡ 10c (mod⋅ 10c +1 ) e p é um inteiro tal que 10 p > 9 ⋅ 10c ⋅ qx. 9. fazendo s = 10 k + r . 2k. * Pelo lema..... E para n + 1 temos que (n + 1)r < 10 terá todos os dígitos. Seja c = máx (a. 3k.. aparecerem os dígitos que nós quisermos na base decimal. Então k = 10( x + 2 ⋅ 10 p ⋅ x + 3 ⋅ 102 p ⋅ x + .10) = 1 Assim. 2k ..1.. Assim k é o que queríamos..1.... Temos que 2a ⋅ 5b ⋅ q é divisor de 10c ⋅ q. Portanto para todo n inteiro positivo existe tal inteiro k... Assim. . temos que existe um r tal que (n + 1)r tem todos os dígitos 0. EUREKA! N°27. Vou mostrar que para n = 10c ⋅ q o lema é válido. onde é um inteiro tal que 10 > (n + 1)r .. existe k ∈ onde n ∈ * + * + tal que nk contém todos os dígitos 0..... nk . 2. pois mdc(q.. 1.9. caso. ou seja. esse s satisfaz as condições do enunciado para 1 até (n + 1) pois de 1 até n teremos que s.. e por Bézout existe um x tal que 10c ⋅ qx ≡ 10c (mod⋅ 10c +1 ) . 3... ..nk têm todos os dígitos 0. Demonstração: Ao fatorarmos n temos que n é da forma 2a ⋅ 5b ⋅ q onde q é o produto dos outros fatores primos de n. 2 s.. Em 10c + p ⋅ q ⋅ 2 x vai aparecer um dígito 2.... + 9 ⋅ 108 p ⋅ x) satisfaz as nossas condições pois ao multiplicarmos k por 10c ⋅ q temos o seguinte: Em 10c ⋅ q ⋅ x vai aparecer um dígito 1 porque 10c ⋅ q ⋅ x ≡ 10c (mod10c +1 ). 2008 10 . Assim s satisfaz as condições.. Considere 10c (qx + 2 ⋅ 10 p qx + 3qx ⋅ 102 p + . b). Observe que se multiplicarmos k por 10 para ∈ + continua sendo verdade para k . Em 10c +8 p ⋅ q ⋅ 9 x vai aparecer um dígito 9 e eu multipliquei tudo por 10 para aparecer o 0. se multiplicarmos 10c ⋅ qx por 2. . 9 ele dará restos 2 ⋅ 10c .9.Sociedade Brasileira de Matemática SOLUÇÃO DE MARCELO TADEU DE SÁ OLIVEIRA SALES (SALVADOR – BA) Lema: Para todo n.... ns terão todos os dígitos porque 10 k .10 nk têm (e porque é grande o suficiente para que nr < 10 ).9 ⋅ 10c .

Sabendo que a área de XYZ é 1. Por exemplo. O objetivo é que cada amigo descubra o número do outro. PROBLEMA 3 Dois amigos A e B devem resolver a seguinte adivinha: cada um deles recebe um número do conjunto {1. ambos da cidade de Fortaleza – CE. A equipe brasileira foi liderada pelos professores Cícero Thiago Magalhães e Bruno Holanda. Y e Z pontos em BC. PU = 2PX e PW = 2PZ.. em seguida B diz um número.. RESULTADOS DA EQUIPE BRASILEIRA BRA1 BRA2 BRA3 BRA4 Gustavo Lisbôa Empinotti Marcelo Tadeu de Sá Oliveira Sales Matheus Araújo Marins Matheus Secco Torres da Silva Medalha de Bronze Medalha de Prata Medalha de Bronze Medalha de Prata PRIMEIRO DIA PROBLEMA 1 Defina I(n) como o resultado de inverter os números de um algarismo. Considere os pontos U. Chile no mês de maio de 2008.. . P um ponto em seu interior e X. AC e AB (ou seus prolongamentos. etc. Calcule todos os inteiros 1 ≤ n ≤ 10000 tais que n I (n) =   . W e V sobre BC. números inteiros positivos não necessariamente distintos: primeiro A diz um número. depois novamente A. 2 PROBLEMA 2 Seja ABC um triângulo. por turnos. AC e AB respectivamente tais que ∠PZB = ∠PXC = ∠PYA. 2. 2008 11 .. I (123) = 321. etc. calcule a área de UVW. de modo que a soma de todos os números EUREKA! N°27. O procedimento que devem seguir é anunciar. 250} mas não vê o número que o outro recebeu.Sociedade Brasileira de Matemática XIX OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL Enunciados e Resultado Brasileiro A XIX Olimpíada de Matemática do Cone Sul foi realizada na cidade de Temuco. se necessário) tais que PV = 2PY.

Demonstrar que = ⋅ .Sociedade Brasileira de Matemática anunciados seja 20. sem importar quais números cada um receba no começo da adivinha. EUREKA! N°27. se cortam em P interior ao triângulo ABC. Achar todos os números que tem pelo menos um múltiplo não-nulo que seja capicua. traçadas respectivamente por D e E. Demonstrar que existe uma estratégia de modo que. Suponha que as retas perpendiculares a AC e BC. SEGUNDO DIA PROBLEMA 4 Qual é o maior número de casas que se pode colorir num tabuleiro 7 × 7 de maneira que todo subtabuleiro 2 × 2 tenha no máximo 2 casas coloridas? PROBLEMA 5 Seja ABC um triângulo isósceles de base AB. Uma semicircunferência C com centro no segmento AB e tangente aos lados iguais AC e BC. CP 2 AC PROBLEMA 6 Dizemos que um número é capicua se ao inverter a ordem de seus algarismos obtivermos o mesmo número. respectivamente. 2008 12 . Considera-se uma reta tangente a C que corta os segmentos AC e BC em D e E. através de um acordo prévio A e B possam atingir o objetivo. Seja Q o pé da perpendicular à PQ 1 AB reta AB que passa por P.

. e coisas do tipo escritas em guardanapos do São Paulo´s.Sociedade Brasileira de Matemática JOGOS E FEIJOADA NO SÃO PAULO´S Emanuel A.. conversávamos sobre jogos matemáticos. fica o celebrado restaurante brasileiro São Paulo´s. S.. você conhece o jogo do “15 out of 3” (15 de 3)? Respondi que não. Enquanto saboreávamos as nossas feijoadas (eu e o Tamás. pois vai receber mais números ao final. que trabalha nas áreas de geometria algébrica e topologia. professor na área de teoria dos números e Tamás Hausel. Puzzles and Computers) além de outras idéias de jogos que ele próprio havia inventado. húngaro.. Dr. Fernando Rodriguez-Villegas. nos explicava tópicos do curso que estava a ensinar nesse semestre (Math. Entre as torres de Hanói. Ele então me deu a formulação do jogo: – (O jogo 15 out of 3) os números de 1 a 9 estão sobre a mesa. Carneiro ♦ Nível Iniciante Bem próximo ao Robert Lee Moore hall. minha intuição me leva a crer que o primeiro jogador está em melhor situação para negociar do que o segundo. Nim. além do velho e bom guaraná Antártica são apenas alguns dos fatores que nos levam (a comunidade brasileira aqui em Austin) a almoçar regularmente no São Paulo´s.”. o Fernando no bobó de camarão). sede do Departamento de Matemática da Universidade do Texas em Austin. argentino. Certo dia eu estava a almoçar com dois professores do departamento e algo me fez lembrar dos meus tempos de olimpíada de Matemática.. Rodriguez-Villegas. um matemático extraordinário e super simpático.. Tomás foi adiante e disse: EUREKA! N°27. 2008 13 . que além de fazer pesquisa do mais alto nível em teoria dos números é bastante interessado em jogos e puzzles matemáticos. Pensei comigo mesmo: “Hummm. Tamás lembrou-se de algo e me perguntou: – Emanuel. Dois jogadores alternadamente escolhem números para si (sem repetição) e ganha quem primeiro completar 15 somando três de seus números. Eu disse: – Bem. (sugiro agora que os leitores joguem um pouquinho antes de prosseguir e “desvendar” o mistério). Comida muito boa (definitivamente a melhor feijoada da cidade). Resta um. isso não me parece estranho.

desenhamos no guardanapo: 6 1 8 7 5 3 2 9 4 Quando vi os números na mesa matei a charada... achei que tinha mais chances de ganhar. Naturalmente. EUREKA! N°27. de modo que cada linha. mas algo me faz lembrar um quadrado mágico. coluna ou diagonal com seus símbolos. O jogo 15 out of 3 que ele me propôs nada mais é do que uma formulação equivalente. Se pensarmos então que o primeiro jogador marca X sobre os números do quadrado mágico e o segundo marca O.. belíssima e engenhosa. 2008 14 . Por que a gente não desenha um quadrado mágico 3 × 3 aqui e tenta jogar olhando para ele? Após um minuto tentando lembrar como se faz um quadrado mágico. 2. sem repetição. . 3. o objetivo do jogo passa a ser completar uma linha. – Sua intuição mais uma vez está correta. você deve saber qua a menos de rotações e reflexões a configuração do quadrado mágico é única. Eu escolho o 5. escolha o seu primeiro número. Muito bem.. Eu disse: – Não sei exatamente o que é. Vamos jogar! Você começa. – “Por que você escolheu o 5?” perguntou. 9. e como o 5 sempre está no meio.Sociedade Brasileira de Matemática – Sim.. Nesse caso a soma comum será 15 e o que vemos acima são todas as maneiras possíveis de se escrever 15 como soma de 3 números: 15 = 9 + 1 + 5 = 9 + 2 + 4 = 8 + 1 + 6 = 8 + 2 + 5 = = 8 + 3 + 4 = 7 + 2 + 6 = 7 + 3 + 5 = 6 + 5 + 4. Nesse momento ele parou e me olhou curioso. Um quadrado mágico de 3 × 3 como visto acima é uma disposição dos números 1. você está correto. – Está bem. coluna ou diagonal some a mesma quantidade.

Fiquei com o guardanapo como recordação. O jogo 15 out of 3 é um belo exemplo para se mostrar como uma pessoa que sabe matemática realmente pode levar vantagem sobre uma pessoa menos interessada pelo assunto. ele sempre tinha seu quadrado mágico para consultas. há outras discussões também belíssimas sobre as torres de Hanói e versões relacionadas (de formas mais engenhosas do que a EUREKA! N°27. Senti-me orgulhoso de poder ser um pesquisador que tenta compreender essa ciência e pequenos fatos como esse me fazem. Guardanapo da discussão no São Paulo´s No verso do guardanapo acima. Fiquei pasmo. Naturalmente. presente até nos mínimos detalhes da nossa vida.Sociedade Brasileira de Matemática do milenar jogo da velha (em inglês “tic-tac-toe”). a cada dia. mas mesmo assim o professor Tamás Hausel jogava o 15 out of 3 com seus alunos e ganhava na maioria das vezes. Até que um dia ele esqueceu-se do quadrado mágico em casa e foi derrotado por uma aluna. Por alguns momentos não consegui parar de pensar na beleza e no poder da matemática. 2008 15 . havia ganho o meu dia. Todos sabemos que o jogo da velha não admite estratégia vencedora. ter mais consciência de que ela é muito maior do que nós. Observamos: A história acima se passou no dia 02 de maio de 2007.

edu/users/villegas/S07. Rodriguez-Villegas sua página pessoal é www. J. Isso então vai ficar para uma outra história. Ele ainda está buscando a melhor formulação para seu jogo para poder patenteá-lo e disponibilizá-lo ao público em geral. L. Sadun. PROBLEMA 1: Prove que em um quadrado mágico 3 × 3. 2008 16 . 729740. Monthly 109 (2002).edu/users/ecarneiro na seção math olympiads. Amer. Hausel é http://www.: Voloch. F. 8. como foi descrito acima: (a) a soma comum deve ser 15.utexas. Math.utexas. Blet: a mathematical puzzle. Um dos jogos que ele criou está descrito no paper: Rodriguez Villegas. REFERÊNCIAS: [1] Para ver outras discussões sobre jogos e invariantes. prove que só existe um quadrado mágico 3 × 3 (a menos de rotações e reflexões).. Puzzles and Computers) do Dr. [3] URL: página pessoal do Dr.edu/users/hausel EUREKA! N°27.F.Sociedade Brasileira de Matemática analogia acima) inventadas pelo Dr. em outras palavras. [2] Para mais informações sobre os trabalhos e o curso (Math. Verifique também que não há estratégia vencedora para o jogo da velha. Rodríguez-Villegas.math.math.math. se os dois jogadores jogam certo. (b) o número do centro deve ser 5.utexas. há outras listas em minha página pessoal: http://www. no. sempre dá empate. PROBLEMA 2: Usando o problema anterior.

de onde temos: eiα = cos α + isenα (I) e −iα = cos α − isenα (II) Somando I com II. Segundo essa equação podemos fazer θ = α ou θ = −α . temos: cos α = Subtraindo I de II. Um número complexo pode se escrever na sua forma trigonométrica ρ (cosθ + isenθ ) ou na sua forma polar ρ ⋅ e iθ de onde temos que cos θ + isenθ = eiθ (Fórmula de Euler). No seguinte problema da OIMU.. 2008 17 . cos   n   nπ    cos    n  EUREKA! N°27. Para alguns problemas que possuam equações com funções seno e co-seno é importante saber a fórmula de Euler que escreve um número complexo na forma polar o que simplifica quando fazemos multiplicações ou somatórios.Sociedade Brasileira de Matemática SUBSTITUIÇÕES ENVOLVENDO NÚMEROS COMPLEXOS Diego Veloso Uchôa ♦ Nível Avançado É bastante útil em problemas de olimpíada onde temos igualdades ou queremos encontrar um valor de um somatório fazermos substituições por números complexos aliada a outras ferramentas. temos: e iα + e − iα 2 eiα − e −iα 2i Segundo a fórmula de Euler podemos verificar imediatamente a fórmula de De Moivre: senα = Para todo n natural temos que ( cos α + isenα ) = cos(nα ) + isen(nα ) .. quais idéias imediatas poderíamos ter sem conhecer a fórmula de Euler? n PROBLEMA 1: (OIMU – 2001) Calcule: ∑ cos n  cos    n =1 ∞   π   2π n   (n − 1)π .

.  2k + 1    2k + 1   2k + 1  2 Considere ~   π   2π   (k − 1)π   kπ  P 2 k +1 = cos  cos .. observe n   n    n  n    k  π  = 0 .. já que w 2 k +1 = −1 ...  . 2   k  3 2 k −1 + 1)   2 w  2 w   2w  ( w + 1)( w + 1).. Agrupando agora os termos do denominador podemos ver que EUREKA! N°27... 2008 18 . cos  cos  . Portanto de imediato que se n = 2k então P2 k = 0 pois cos  2k  SOLUÇÃO: Seja considere n = 2k + 1 então   π   2π   2kπ   (2k + 1)π P2 k +1 = cos  cos .( w2 k −1 + 1)  P 2 k +1 =  . Faça então a seguinte multiplicação no  2   k   2 w  2 w   2 w     numerador e no denominador ~  w2 + 1  w4 + 1   w2 k + 1  ( w + 1)( w3 + 1)...Sociedade Brasileira de Matemática   π   2π   (n − 1)π   nπ  Pn = cos  cos .. cos  ⋅ (−1) . cos  cos  2 k + 1   2k + 1   2k + 1   2k + 1   i   2k + 1 − i  Observe que cos  π  = − cos  π ⇒  2k + 1   2k + 1     P2 k +1   π   2π   kπ  k +1 = cos  cos .( w agrupando no numerador os termos tais que ( w 2 j + 1)( w 2 k +1−2 j + 1) = ( w 2 k +1 + w 2 k +1− 2 j + w 2 j + 1) = w 2 j + w 2 k +1− 2 j .. ... com j variando de 1 até k. cos  cos   2 k + 1   2k + 1     2 k + 1   2k + 1  j −j π w2 j + 1 i  w +w  j π= = portanto Fazendo w = e 2 k +1 então cos 2 2w j  2k + 1  ~  w2 + 1  w4 + 1   w2 k + 1   P 2 k +1 =  ...

.Sociedade Brasileira de Matemática 1 ( w2 + w2 k −1 )( w4 + w2 k −3 ). 2k (− w−1 + w)( w2 − w−2 ).( w2 k + w) . P 2 k +1 ~ ~ 1 (− w −1 + w)( w 2 − w −2 ). Calcule f (2001) (0) . 2008 19 .. assim.( w2 k − w−2 k ) ..(− w + w ) 2 Portanto temos que P2 k +1 = (−1) como Pn = 0 para todo n par. k +1  1  k +1 1 = (−1) k +1 k ..(− w− k + wk ) Agora..G infinita).. podemos escolher os termos ( w − w ) tais que 2 j > k que são m termos (para algum m) e substituí-los por (−1)( w2 k +1+ 2 j − w− (2 k +1− 2 j ) ) de forma que o numerador e o denominador serão iguais a menos de um sinal (e do fator 2 k ). 2k ( w2 k + w)( w2 + w2 k −1 )... (soma de P.. e assim 4 4 16 k =1  ∞ k ∑P = −1 4 =− ...( wk +1 + wk ) podemos simplificar a expressão para P 2 k +1 = ~ e usando que w 2 k +1 = −1 P 2 k +1 = ~ 1 ( w2 − w−2 )( w4 − w−4 ).. por f ( n ) ( x) a SOLUÇÃO: f ( x) = e − x ⋅ senx = e − x ⋅ e ix − e − ix e (i −1) x e − ( i +1) x = − ⇒ após n 2i 2i 2i derivações teremos EUREKA! N°27.e.. olhando para o 2j −2 j numerador.(− w − k + w k ) 1 = k (−1) m ⇒ P 2 k +1 = (−1) m k −1 2 −2 −k k 2 (− w + w)( w − w ). 1 5 1+ 4 Observação: Esse problema pede para demonstrarmos um resultado relacionado aos polinômios de Chebyshev do segundo tipo. f (2) ( x) = f '' ( x) ). (Denotamos derivada de ordem n no ponto x. PROBLEMA 2: (OBM – U 2001) −x Seja f ( x) = e ⋅ senx . e então  P 2 k +1  = (−1) 2k 2 4   ~ 2 ∑ n =1 ∞ n =1 ∞ Pn = n ∑ k =0 ∞ P2 k +1 = ∑ 1 1  1 −  −  = −1 + − + .. i.

Lembre que w = e 7 ⇒ w7 = −1 − w −1 − w −1 e portanto a igualdade é realmente verdadeira.Sociedade Brasileira de Matemática 1  (i − 1) n ⋅ e x (i −1) − ( −1 − i ) n ⋅ e − ( i +1) x  . temos  2i  1 que f (2001) (0) =  (i − 1) 2001 − (−1 − i ) 2001  sendo que (i − 1) 4 = (−(i + 1)) 4 = −4. para n = 2001 e x = 0. Somando a P. Ou  2i   2i  tro caminho possível para a solução desse problema seria: após 4 derivações de f perceber um ciclo e assim calcular f (2001) (0) . O seguinte resultado (muito conhecido) tem por objetivo mostrar a importância dos números complexos em problemas de alto grau de dificuldade e que aparentemente não têm nenhuma conexão com números complexos.G: S PG = π i (− w) 7 − 1 1−1 = = 0 . f (2001) (0) = ( ) ( ) PROBLEMA 3: (IMO – 1963) Prove que cos  3π  1  2π  π   + cos  =  − cos  7  2  7  7 SOLUÇÃO: Fazendo w = e 7 o problema se torna equivalente a demonstrar que: i π w + w −1 w 2 + w −2 w 3 + w −3 1 w2 + 1 w4 + 1 w6 + 1 − + = ⇔ − + =1⇔ w 2 2 2 2 w2 w3 ( w 4 + w 2 ) − ( w 5 + w) + ( w 6 + 1) = w 3 ⇔ w 6 − w 5 + w 4 − w 3 + w 2 − w + 1 = 0 .  2i  f ( n ) ( x) = Assim 500 500 1 4500 (i − 1) 4 ⋅ (i − 1) − (−(i + 1)) 4 ⋅ ( −1 − i )  = (2i ) = 21000.G cujo primeiro termo é 1 e a razão é − w. EUREKA! N°27. método esse mais trabalhoso do que o apresentado. 2008 20 . Veja que isso é a soma dos termos de uma P.

temos: ∑ k  ⋅ i   k =0 n  n k ⋅ cot n−k (t )  2m + 1 sen((2m + 1)t )  2m + 1 2 m 2 m −1 m =  (cot t ) −   (cot t ) + .Sociedade Brasileira de Matemática 1 π2 PROBLEMA 4: Prove que ∑ 2 = 6 n =1 n ∞ SOLUÇÃO: Sabemos que para 0 < x < π 2 a desigualdade senx < x < tan x é 2 verdadeira. 2008 21 .. (*) 2 m +1 1  3  sen t   Agora podemos tratar essa igualdade por meio de um polinômio  2m + 1 m  2m + 1 m −1 m Pm ( x) =  x −  x + . m e somando de k = 1 até k = m nós obtemos 2m + 1 2 (i) ∑ cot k =1 m 1 < 1 + cot 2 x . em (*) para 1 ≤ k ≤ m nos dá Pm (cot 2m + 1 2m + 1 kπ    kπ  e sen   ≠ 0. + (−1) ...  2m + 1  Então.. De onde segue que cot x < x= kπ com k = 1... Para isso vamos usar um truque que usa números complexos. Pela lei de De Moivre e usando binômio de Newton temos : cos(nt ) + isen(nt ) = (cos t + sent )n = sennt (cot(t ) + i)n = sennt Fazendo n = 2m + 1 e igualando as partes imaginárias.2. a idéia agora é tentar mostrar que quando m → ∞ o termo central fica “imprensado” entre dois limites que convergem para um mesmo valor.. Agora fazendo x2 kπ (2m + 1) 2 ≤ 2m + 1 π2 m 1 kπ ≤ m + ∑ cot 2 ∑ k2 2m + 1 k =1 k =1 m Observe que essa inequação está próxima da desejada. + (−1) 1  3    Substituindo t = pois sen  (2m + 1) =0 2m + 1   kπ kπ 2 )=0.. EUREKA! N°27.

Sociedade Brasileira de Matemática

kπ , k = 1,..., m são as “m” raízes de Pm cuja soma é 2m + 1  2m + 1   3  m(2m − 1)  m kπ  2 = cot ∑ 2m + 1  2m + 1 = 3 (ii) k =1   1     x k = cot 2
De (i) e (ii) segue

m(2m − 1) (2m + 1) 2 ≤ 3 π2
Multiplicando essas desigualdades por ao resultado desejado. Exercícios para treinamento:

∑k
k =1

m

1
2

≤ m+

m(2m − 1) 3

π2
(2m + 1) 2

e fazendo m → ∞ chegamos

 (2n + 1)θ  sen   1 2   Prove que + cos(θ ) + cos(2θ ) + ... + cos(nθ ) = 2 θ  2sen   2 PROBLEMA 6: (IME-2000/2001) Dois números complexos são ortogonais se suas representações gráficas forem perpendiculares entre si. Prove que dois números complexos Z1 e Z 2 são ortogonais se e somente se:

PROBLEMA 5: (IME 1990/1991)

Z1 ⋅ Z 2 + Z 1 ⋅ Z 2 = 0
PROBLEMA 7: Prove que

∑ sen  
k =1

n

 kπ  π   = cot   n   2n 

PROBLEMA 8: Prove a identidade trigonométrica:

cos n (θ ) =
PROBLEMA 9: (IME – 2005/2006)

1 2n

∑  k  cos ( (n − 2k )θ ).  
k =1

n

n

Sejam as somas S 0 e S1 definidas por
EUREKA! N°27, 2008

22

Sociedade Brasileira de Matemática
0 3 6 9 3 S 0 = C n + C n + C n + C n + ... + C n [ n / 3] 1 4 7 10 3 S1 = C n + C n + C n + C n + ... + C n [( n −1) / 3]+1

Calcule os valores de S 0 e S1 em função de n, sabendo que [r] representa o maior inteiro menor ou igual ao número r.
PROBLEMA 10: (Putnam 1970)

Prove que a série de potências de e ⋅ cos(bx) (com a e b positivos) ou não tem nenhum coeficiente zero ou possui infinitos zeros.
ax

PROBLEMA 11: Ache uma fórmula geral para:

∑ (k + 1) cos  
k =0

n −1

 2 kπ n

 . 

PROBLEMA 12: (OBM – Nível U 2004)

Calcule o valor de

∑ (3k + 1)(3k + 2)(3k + 3) .
k =0

1

PROBLEMA 13: (IMO 1974) Prove que o número

por 5 para qualquer inteiro n ≥ 0 .
PROBLEMA 14: Calcule o valor de

∑  2k + 1 ⋅ 2  
K =1

n

 2n + 1 

3k

não é divisível

n  . k ≡ 2(mod3)  k 

PROBLEMA 15: (IMC 99) Atiramos um dado (com faces de número 1, 2,..., 6) n

vezes. Qual é a probabilidades de que a soma dos valores obtidos seja múltiplo de 5? Admita que as faces sejam igualmente prováveis. Dica: Use a função

 x + x 2 + x3 + x 4 + x5 + x 6  f ( x) =   . 6   PROBLEMA 16: Mostre que dados n pontos no círculo unitário sempre existe um outro ponto no círculo unitário tal que o produto de suas distâncias aos n pontos dados é maior ou igual a 2.
PROBLEMA 17: (OBM – Nível U 2007)

n

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Sociedade Brasileira de Matemática

Dados números reais a1 , a2 ,..., an não todos nulos, encontre o (menor) período da função

f ( x) = ∑ ak cos(kx).
k =1

n

PROBLEMA 18: (Miklós Schweitzer-1956)

Ache o mínimo de máx 1 + z , 1 + z 2 complexos.
PROBLEMA 19: (IMO – 1995)

{

} se z percorre todos os números

Seja p um primo ímpar. Ache o número de subconjuntos A de { ,2,...,2 p} tais 1 que a) A tem exatamente p elementos b) A soma de todos elementos de A é divisível por p Dica: Use o polinômio f ( x, y ) = (1 + xy )(1 + x 2 y )...(1 + x 2 p y ).

BIBLIOGRAFIA [1] E. Lozansky. C. Rousseau, Wining Solutions, Springer Velrlag, New York, 1996. [2] Contests in Higher Mathematics, Hungary 1949–1961: in memoriam Miklós Schweitzer, eds.: G. Szász, L. Gehér, I. Kovács and L. Pintér, Akadémiai Kiadó, Budapest, 1968. [3] URL: http://www.ime.eb.br (Site do Instituto Militar de Engenharia)

[4] URL : http://www.obm.org.br (Site da Olimpíada Brasileira de Matemática)

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Aqui. para n inteiro (a princípio). é suficiente saber a “cara” da integral discreta (ou seja. Sabendo de algumas propriedades. pois essa verificação é simples. Em alguns casos. dizemos que f (n) é a derivada discreta de F (n) . temos condições de fazer o somatório: ∑ f (k ) = F (b + 1) − F (a) . Algumas integrais discretas (o exercício de verificação é simples): ∑ c = cn n ∑ n. exponencial etc). 2008 25 . para no final poder calcular o valor de um somatório que tenha surgido de algum problema. se é um polinômio. a e b inteiros k =a b A integral discreta transforma uma soma em soma telescópica.Sociedade Brasileira de Matemática INTEGRAIS DISCRETAS ♦ Nível Avançado Eduardo Poço Integral discreta: dizemos que F (n) é integral discreta de f (n) se e somente se: F ( n + 1) − F ( n) = f (n) . não queremos provar que uma função dada é integral discreta de outra.n! = n! n ∑q n n = qn q −1 ∑ log n a n = log a ( n − 1)! EUREKA! N°27. é possível trabalhar dinamicamente com integrais discretas para obter fórmulas novas a partir de outras conhecidas. Da mesma forma. Notação: ∑ f ( n) = F ( n) n Utilidade: conhecida a integral discreta F (n) da função f (n) . Queremos obter ferramentas que nos possibilitem ACHAR integrais discretas de forma rápida.

existem várias integrais discretas para uma dada função. A igualdade nos fornece uma integral discreta para a função do lado esquerdo.g (n)] = a∑ f (n) + b∑ g (n) . e todas elas diferem por uma constante. f (n) + b. 2008 n 26 . lembre-se que podemos somar constantes do lado direito e continuar com uma integral discreta. 3) Integral discreta do produto (por partes): sendo n n n ∑ f ( n) = F ( n) e n ∑ g (n) = G(n) .Sociedade Brasileira de Matemática k  − cos  kn −  2  ∑ sen kn = k  2sen   2 n n sen ( 2n − 1) ∑ sen 2 n = 2 − 4sen1 n n sen ( 2n − 1) ∑ cos2 n = 2 + 4sen1 n n  n  ∑  k  =  k + 1     n n + k  n + k  ∑ n  =  n −1      n k  sen  kn −  2 ∑ cos kn =   k   2sen   2 n Propriedades 1) Assim como integrais contínuas (as primitivas). então: EUREKA! N°27. para constantes a e b. Verifique pela definição! 2) Integração discreta é uma transformação linear: ∑ [ a. Exemplo: 2n e 2n + 1 são integrais discretas de f (n) = 2n .

com x uma constante em relação a n. 2008 27 . Exemplo: Prove que (−1) k +1 xn dx = ln 2 + ∫ ∑ k x −1 k =1 −1 n 0 Aplicação: Soma de potências consecutivas. n)dx ) = ∫  ∑ f ( x. temos que: ∑ ( ∫ f ( x. comparando com o cálculo de ∫ x sen xdx e ∫ x sen xdx 4) Sendo f ( x. n ) ∑ ∂x ∂x n Podemos usar a própria variável n. 5) Seguindo um caminho análogo.Sociedade Brasileira de Matemática ∑ F (n) g (n) = F (n)G(n) − ∑ f (n)G(n + 1) Exemplo: Calcule n n ∑ n sen n e ∑ n 2 n n 2 sen n . então: ∂ ∂ n f ( x. Essa constante é encontrada através de valores iniciais conhecidos das funções. n ) = ∑ f ( x. Seja a seguinte função: EUREKA! N°27. n) dx + Cn   n  n  Para alguma constante C. se a função tiver derivada nessa variável: ∑ dn f (n) = dn ∑ f (n) Exemplo: Calcule n d d n ∑ nx n n . derivável na variável x. n) uma função das variáveis x e n.

Inicialmente. fornecendo o oposto da soma dos outros coeficientes já obtidos pela integração contínua. se queremos S m ( n) .. conseguimos obter S m (n) a partir de S m −1 ( n) apenas com um trabalho aritmético. Usando a propriedade que nos permite trocar a integral discreta com a contínua (escolhendo a própria variável n como variável de integração contínua): ∑(∫ n n m −1  n  dn = ∫  ∑ n m −1 dn + Cn   ) A integral contínua pode ser realizada sem problemas: nm  n  ∑ m = ∫  ∑ nm−1 dn + Cn   n Renomeando a constante a ser encontrada: ∑n n m  n  = m ∫  ∑ n m −1 dn + Cn   Essa constante pode ser encontrada pela diferença entre integrais discretas quando n = 0 . Resumindo: EUREKA! N°27. e ainda assim faremos um trabalho algébrico grande.. 2008 28 .Sociedade Brasileira de Matemática S m (n) = ∑ k m = 1m + 2m + . queremos sua integral discreta ∑n n m . + n m k =1 n Há uma fórmula recursiva em que podemos calcular S m (n) a partir de valores anteriores (tente prová-la como exercício): m −1 m + 1   (m + 1) S m (n) = (n + 1) m +1 − 1 − ∑   S k ( n) k =0  k  O problema dessa fórmula é a praticidade: precisamos de todas as funções anteriores. Com integrais discretas.

. + b2 n 2 + b1n m +1 m ak −1 . encontramos uma função da forma: ∑n n m −1 n x = x n ( am −1n m −1 + am − 2 n m − 2 + ... Observe: n n d n m n n n x = ∑ ( mn m −1 x n + n m x n ln x ) = m∑ n m −1 x n + ln x∑ n m x n ∑ dn Das formas iniciais de ∑n m x n .. com x uma constante em relação a n. para k = 1. 2008 29 . É natural procurar uma integral discreta com a seguinte forma: EUREKA! N°27. + a2 n 2 + a1n ) com as constantes ak sendo funções de x.Sociedade Brasileira de Matemática Se n ∑n m n m −1 = am n m + am −1n m −1 + ... m + 1 . então: ∑n = bm +1n m +1 + bm n m + . 2. e b0 = −∑ bk . mas não dependendo de n.. k k =1 Com bk = Alguns valores: ∑1 = n n2 n − 2 2 n n3 n 2 n n2 = − + ∑ 3 2 6 4 n n n3 n 2 n3 = − + ∑ 4 2 4 5 4 n n n n3 n ∑ n4 = 5 − 2 + 3 − 30 n ∑n = n Aplicação: Soma de potências multiplicadas por progressão geométrica Agora procuraremos ∑n n n m x n ... + a2 n 2 + a1n ..

Calcule as seguintes integrais discretas: a) ∑n n 2 n    3 n    2 1 e) ∑ n n 2n (n − 1) (n + 1)! 1 +n 1 n +1 + n 1 b) ∑3 n n n f) ∑n ∑ n n 2 c) ∑ (n + 2)n! n g) n d) ∑    2 2 h) ∑ cos n cos(n + 1) EUREKA! N°27..Sociedade Brasileira de Matemática ∑n n m x n = x n ( bm n m + bm −1n m −1 + ... + b2 n 2 + b1n ) m ak −1 . e os coeficientes satisfazem bk = i = 1... 1 − x k =1 Alguns valores: n ( n − 1) x n +1 − nx n = x n  x − 1 n − x  . m e b0 = x m ∑ bk . 2.. 2008 30 . x ≠ 1 n ) ∑ nx = 2 2 (  ( x − 1) ( x − 1)  ∑ n2 ∑n n n n n n = 2n ( n − 2 ) 2 2 n = 2 n ( n 2 − 4n + 6 ) n ∑n 2 3 = 2n ( n3 − 6n 2 + 18n − 26 ) ∑n 4 2n = 2n ( n 4 − 8n3 + 36n 2 − 104n + 150 ) Problemas 1. k Essa forma pode ser encontrada.

. a constante de Euler (um valor conhecido) e Γ(1) = 1 . REFERÊNCIAS: [1] Uma referência sobre somatórios e algumas considerações históricas sobre o raciocínio humano e implementação de algoritmos em computadores: “A = B”. Wilf. 2.Calcule lim k =1 n →∞ n ∑k k =1 4 . 2008 31 . para todo x real. com m inteiro positivo. sendo hn = ∑ .(OBM2002) O diâmetro de um conjunto S ⊂ R é definido como sendo D( S ) = max( S ) − min( S ) .Ache a derivada (contínua) da função gama Γ( n) para n inteiro positivo.. tem diâmetro igual a zero. sabendo que Γ '(1) = −γ . Herbert S. Calcule a soma dos diâmetros de todos os subconjuntos de A = {1. Marko Petkovsek. O conjunto vazio. n} .. em função de n. Doron Zeilberger.2 3 n m 4.2k n ∑ k . por definição. n 1 1 .Prove que ∑ n =1 ∞ 2n + 1 (n 2 + n) 2 hn = ∑ 6.. A função gama satisfaz Γ( x + 1) = x Γ( x) .3. 7.Calcule lim ∑k k =1 − n m +1 m +1 n →∞ nm . EUREKA! N°27. assim Γ(n) = ( n − 1)! para n inteiro positivo.Calcule: lim ∑ n sen 2 k n →∞ n k =1 n 3. 3 k =1 k n =1 n ∞ 5.Sociedade Brasileira de Matemática 2.

3. x x 1 e daí. ( x − y )( y − z )( x − z ) Por outro lado. Simplifique a expressão A= x2 y2 z2 + + . obtemos: ( x − y )( y − z )( x − z ) = ( xy − xz − y 2 + yz )( x − z ) A= = x 2 y − xyz − x 2 z + xz 2 − xy 2 + y 2 z + xyz − yz 2 = x 2 ( y − z ) − y 2 ( x − z ) + z 2 ( x − y ). ( x − y )( x − z ) ( x − y )( y − z ) ( x − z )( y − z ) Assim. desenvolvendo o denominador. 2008 32 . x 2 + 2 = 23. Solução: Temos E = x3 − 5 x 2 − x + 5 = x 2 ( x − 5) − ( x − 5) = ( x − 5)( x 2 − 1) = ( x − 5)( x − 1)( x + 1). ( x − y )( x − z ) ( y − z )( y − x) ( z − x)( z − y ) Solução: Note que podemos escrever a expressão acima da seguinte forma: x2 y2 z2 − + . Fatore a expressão E = x3 − 5 x 2 − x + 5. x x 1 Solução: Elevando ambos os membros da equação x + = 5 ao quadrado. x obtemos: 1 1 x 2 + 2 x ⋅ + 2 = 25. Se x é um número real tal que tal que x + 2. EUREKA! N°27. reduzindo a expressão ao mesmo denominador comum vem: x2 ( y − z) − y 2 ( x − z) + z 2 ( x − y) A= . determine o valor de x 2 + 2 .Sociedade Brasileira de Matemática PRODUTOS NOTÁVEIS ♦ Nível Iniciante Uma lista de problemas Onofre Campos 1 1 = 5. x 1.

xy ( x + y ) Mas. 5. Calcule o valor da expressão  (2004)3 − (1003)3 − (1001)3  S = . mostre que x 3 + y 3 + z 3 = 3 xyz. Dessa forma. Se x + y + z = 0. 2004 ⋅ 1003 ⋅1001   Solução: Vamos tomar x = 1003 e y = 1001. calcule o valor da expressão: 1 1 1 . então: x 3 + y 3 + z 3 + 3(− y )(− x)(− y ) = 0 ⇒ x 3 + y 3 + z 3 = 3 xyz. xy ( x + y ) xy ( x + y ) 6. x ( y − z) − y 2 ( x − z) + z 2 ( x − y) 4. Assim. y ≠ 0 e z ≠ 0. y e z são reais satisfazendo xyz = 1. como sabemos.Sociedade Brasileira de Matemática Portanto: x2 ( y − z) − y 2 ( x − z) + z 2 ( x − y) A= 2 = 1. ( x + y )3 = x 3 + 3 x 2 y + 3xy 2 + y 3 . Sabendo que x. Solução: Observe que 0 = ( x + y + z )3 = x3 + y 3 + z 3 + 3( x + y )( y + z )( x + z ). z x 1 A= + + z (1 + x + xy ) x(1 + y + yz ) 1 + z + xz z x 1 = + + z + xz + xyz x + xy + xyz 1 + z + xz A= EUREKA! N°27. Como x + y = − z . + + 1 + x + xy 1 + y + yz 1 + z + xz Solução: Como xyz = 1. então x ≠ 0. obtemos: 3 x 2 y + 3 xy 2 3xy ( x + y ) S= = = 3. y + z = − x e x + z = − y. Dessa forma. 2008 33 . a expressão S se reduz a: S= ( x + y )3 − x 3 − y 3 .

Sociedade Brasileira de Matemática z xz 1 z x 1 + + = + + 1 + z + xz 1 + x + xy 1 + z + xz 1 + z + xz 1 + z + xz 1 + z + xz 1 + z + xz = 1. Prove que se x2 y 2 z 2 + + = 1. a2 b2 c2 abc   a b c Por outro lado. Logo. Solução: Multiplicando a segunda equação por – 1 e somando com a primeira. obtemos: a b c 2 2 x y z2 x y y z x z + 2 + 2 + 2 + +  = 1. a b c x y z a b c x y z Solução: Elevando a equação + + = 1 ao quadrado. x2 y 2 z 2  xyc + xzb + yza  + + + 2  = 1. = 1 + z + xz a2 b2 7. temos xyc + xzb + yza = 0. Se ab = 1 e a 2 + b 2 = 3. determine 2 + 2 + 2. a 2 b2 c2 9. b a Solução: Temos: a2 b2 a 4 + 2a 2 b 2 + b 4 (a 2 + b 2 ) 2 + 2 +2= = = 9. x y z 8. 2008 34 . ou ainda. EUREKA! N°27. calcule a + b + c. b e c são três números distintos e satisfazem as equações: a 3 + pa + q = 0  3 b + pb + q = 0  3 c + pc + q = 0. 2 a b c a b b c a c ou seja. obtemos: a 3 − b3 + p (a − b) = 0. Se a. b2 a a 2b2 ( ab) 2 = x y z x2 y 2 z 2 a b c + + =1 e + + = 0. então 2 + 2 + 2 = 1. da equação + + = 0.

como b − c ≠ 0. (b − c)(a + b + c) = 0. 2008 35 . multiplicando (**) por –1 e somando com (*). x y z ou seja. (**) Agora. Como a − b ≠ 0. x y z x y z Mas. (a − b)(a 2 + ab + b 2 + p) = 0. devemos provar que 1 1 1 ( x + y + z )  + +  = 9. y+z x+z x+ y y+z x+z x+ y 1+ +1+ +1+ =9 ⇒ + + = 6. multiplicando a terceira equação por – 1 e somando com a primeira equação. Sejam a.Sociedade Brasileira de Matemática (a − b)(a 2 + ab + b 2 ) + p (a − b) = 0. (*) Analogamente. b e c números reais distintos e não nulos. x+ y+z x+ y+z x+ y+ z + + = 9. segue que a + b + c = 0. obtemos: a 2 + ab + b 2 + p = 0. 10. Se a + b + c = 0. mostre que a b   a − b b − c c − a  c + + + +    = 9. obtemos: a 2 + ac + c 2 + p = 0. a b  a − b b − c c − a   c a −b b−c c−a Solução: Façamos x = . pois os números são distintos. obtemos: ab − ac + b 2 − c 2 = 0. a (b − c) + (b − c)(b + c) = 0. x + y  a − b b − c  b  a 2 − ab + bc − c 2 b ⋅ = +  = ac c−a z a  c − a   c = (a − c)(a + c) − b( a − c) b ( a 2 − c 2 ) − b( a − c ) b = ⋅ ⋅ ac c−a ac c−a EUREKA! N°27. c a b Assim. Daí. y= e z= . x y z ou ainda.

ac c−a ac ac y + z 2c 2 x + z 2a 2 Analogamente. (b) ( x − y ) z 3 − ( x − z ) y 3 + ( y − z ) x 3 . Se x 2 + y 2 = 3 xy. (d) x 4 + 4 y 4 . calcule  1 +  1 +  . Simplifique 2 2 (x 2 + y 2 + z 2 + xy + yz + xz ) − ( x + y + z ) ( x 2 + y 2 + z 2 ) . 2008 36 . 2 4 1 − x 1 + x 1 − x 1 − x 1 − x8 EUREKA! N°27. 7. (c) ( x 2 + x + 3)( x 2 + x + 4) − 12. 2. Simplifique as expressões: 1 1 1 1 1 (a) − − − − . Exercícios Propostos 1. Determine a expressão que deve ser multiplicada por x 3 2 + 2 3 x para obtermos 2 x( x 2 + 4). y  x  5. pelo exercício e = y bc x ab 4. (e) ( x − y )3 + ( y − z )3 + ( z − x)3 . x y z bc ac ab abc  abc    = como queríamos provar. (f) ( x + y + z )3 − x3 − y 3 − z 3 . (g) (a + 2b − 3c)3 + (b + 2c − 3a )3 + (c + 2a − 3b)3 . Logo. Calcule o valor da expressão  ( x + 1) 2 ( x 2 − x + 1) 2   ( x + 1) 2 ( x 2 + x + 1) 2  S =  ⋅  . Fatore a expressão S = x 4 + x 2 + 1. concluímos que = . ( x 3 − 1) 2 ( x 3 + 1) 2      x  y 4. Fatore as seguintes expressões: (a) x 3 + 5 x 2 + 3 x − 9.Sociedade Brasileira de Matemática (a − c)(a + c − b) b (−b − b)b 2b 2 ⋅ =− = . 3. 2 2 6. segue que  a 3 + b3 + c 3  y + z x + z x + y 2a 2 2b 2 2c 2  3abc  + + = + + = 2  = 2⋅  = 6.

2008 37 . b e c são reais não nulos que satisfazem a + b + c = 0. (a 5 + b5 + c5 ) 2 14. ( y − z ) 2 ( z − x)2 ( x − y )2 9. 7 5 2 13. então 8. Prove que se y−z z−x x− y x y z + + = 0. Prove que se a + b + c = 0. Prove que se a + b + c = 0 então a 5 + b5 + c 5 a 3 + b3 + c3 a 2 + b 2 + c 2 = ⋅ . Se a. 15. EUREKA! N°27. + + ( x − y )( x − z ) ( y − x)( y − z ) ( z − x)( z − y ) ( x 2 − y 2 )3 + ( y 2 − z 2 )3 + ( z 2 − x 2 ) 3 .Sociedade Brasileira de Matemática (b) (c) 1 1 1 . ( x − y )3 + ( y − z )3 + ( z − x )3 x y z + + = 0. 5 3 2 11. Para que os valores de a ∈ a expressão a 4 + 4 é um número primo? 10. calcule (a 3 + b3 + c3 ) 2 (a 4 + b 4 + c 4 ) . Mostre que (a + b)7 − a 7 − b7 = 7 ab( a + b)( a 2 + ab + b 2 ) 2 . Fatore 8( x + y + z )3 − ( x + y )3 − ( y + z )3 − ( x + z )3 . então a 7 + b 7 + c 7 a 5 + b5 + c 5 a 2 + b 2 + c 2 = ⋅ . Prove que se x. 12. y e z são racionais distintos então a expressão 1 1 1 + + 2 2 ( y − z) ( z − x) ( x − y )2 é um quadrado perfeito.

an . Seja O o circuncentro e H o ortocentro. x1 .. questões que não são encontradas facilmente na Internet. Mostre que existem i. Defina an = 0 se τ (n) é par e an = 1 caso contrário. x669 < 1 reais distintos..(Austria 226. y tais que o número ( x 2 + y )( y 2 + x) é a quinta potência de um primo.(Bulgária .... Os pontos F.(Bulgária - 1 . A reta OH encontra AB em P e AC em Q.2007) Seja a um real positivo tal que a = 6( a + 1).(Inglaterra 2007) Seja ABC um triângulo acutãngulo com AB > AC e 2007) Sejam 0 < x0 . ∠BAC = 60°. H. ∠A = 60°.2001) No losango ABCD. Prove que FBH é um triângulo eqüilátero.(Bielorrússia . basta contactar a OBM. através de carta ou e-mail. DC e AC de modo que DFGH é um paralelogramo. 225.. seja τ (n) a quantidade de divisores de n maiores que 2008. e G estão sobre os segmentos AD.. Continuamos à disposição na OBM para aqueles que estiverem interessados na solução de algum problema particular. a1a2 .. 2007 2008) Para cada inteiro positivo n.. Prove que PO = HQ. Divirtam-se e enviem as suas soluções. Para tanto.. 227... Prove 3 que a equação x 2 + ax + a 2 − 6 = 0 não possui solução real. O número α = 0. 669} para os quais 0 < xi x j ( x j − xi ) < 228. é racional? 229. j ∈ {0. como sempre. EUREKA! N°27. Bruno Holanda Carlos Augusto David Ribeiro Primeiramente vamos aos problemas propostos deste número 224.1.Sociedade Brasileira de Matemática OLIMPÍADAS AO REDOR DO MUNDO Apresentamos.(Balcânica Junior .2007) Ache todos os inteiros positivos x. 2008 38 .

235. Prove que pelo menos uma das três equações x 2 + (a − b) x + (b − c) = 0.2007) No triângulo (b) Se R é o ponto médio do arco AB. mostrre que: 6 3 (1 − x 2 )(1 − y 2 )(1 − z 2 ) ≤ 1 + ( x + y + z ) 2 .2007) Sejam a. mdc( x. Q e R respectivamente. tal que para qualquer primo p. não contendo o ponto C. Prove que os pontos I. y) denota o máximo divisor comum de x e y. (a) Prove que PH ⊥ QR.(Rússia .2007) O incírculo do triângulo acutângulo ∆ABC toca os lados AB. y ) 233. 2008 39 . (b) Sejam I e O o incentro e o circuncentro do ∆ABC . O e N são colineares. y ∈ A tenhamos x+ y ∈ A. A reta A1 B1 encontra o circuncírculo do triângulo ∆ABC nos pontos A2 e B2 . (a) Sejam O e I o circuncentro e o incentro do ∆ABC . com ∠ACB = 60°. sejam AA1 e BB1 ( A1 ∈ BC .(Olimpíada Checa e Eslovaca – 2007) Se x. x 2 + (c − a) x + (a − b) = 0.(Bulgária . BC e CA nos pontos P. O ortocentro H do triângulo ∆ABC está sobre o segmento QR.(Bulgária . prove que RP = RQ. o p-ésimo termo da seqüência também é primo. respectivamente. 231. tais que para quaisquer dois elementos distintos x.(Romênia .2007) Encontre todos os conjuntos A de pelo menos dois inteiros positivos. ∆ABC . possui solução real.(Romênia . respectivamente. x 2 + (b − c) x + (c − a) = 0. c números reais. EUREKA! N°27. Aqui mdc(x. e N o ponto comum entre o lado AB e ex-incírculo relativo a este lado. 232. prove que OI é paralelo a A1 B1 . P e Q são os pontos médios de A1 B1 e A2 B2 . b.2007) Determine todas as progressões aritméticas infinitas de inteiros positivos. com a seguinte propriedade: existe N ∈ . z são números reais no intervalo (–1.Sociedade Brasileira de Matemática 230. respectivamente. 1) satisfazendo xy + yz + zx = 1. p > N. B1 ∈ AC ) as bissetrizes de ∠BAC e ∠ABC. y. 234.

. temos: a 2 n ≤ a n + n ⇒ a n + a 2 n ≤ 2a n + n Finalmente. (Baltic Way – 2004) Seja P um polinômio com coeficientes não-negativos. temos: 3n ≤ a n + a 2 n ≤ 2a n + n ⇒ 2a n ≥ 2n ⇒ a n ≥ n (ii) Uma seqüência que satisfaz as condições é a n = n + 1 . temos: an + n + 1 ⇒ a n +1 + n ≤ a n + n + 1 ⇒ a n +1 ≤ a n + 1 2 Supondo válido que a n + k ≤ a n + k . SOLUÇÃO DE PROBLEMAS PROPOSTOS NOS NÚMEROS ANTERIORES: 211. . (ii) Dê exemplo de uma tal seqüência. as seguintes condições: (a) an + a2n ≥ 3n.. (Baltic Way – 2004) Uma seqüência a1. 2008 40 . de números reais não-negativos satisfaz.. 2. então tal desigualdade se verifica para todo real positivo x. para n = 1. Mostre que qualquer conjunto de n pontos no plano contém um subconjunto livre com pelo menos n pontos. (b) a n +1 + n ≤ 2 a n (n + 1) .(Romênia – 2007) Um conjunto de pontos no plano é livre se não existe triângulo eqüilátero cujos vértices estão entre os pontos do conjunto... . como a n + a 2 n ≥ 3n . fica provado por indução que a n + k ≤ a n + k .. temos que: a n + k +1 ≤ a n + k + 1 ≤ a n + k + 1 E como a desigualdade vale para k = 1 . SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA) (i) Utilizando a desigualdade das médias. (i) Prove que an ≥ n para todo n = 1. De fato.. Em particular. para k = n . a2. EUREKA! N°27. ∀k ∈ . Prove que se P(1/x)P(x) ≥ 1 para x = 1. 2. temos: (1) a n + a 2 n = n + 1 + 2n + 1 = 3n + 2 ≥ 3n a n +1 + n ≤ 2 a n (n + 1) ≤ 2 (2) an+1 + n = 2n + 2 = 2(n + 1) = 2 (n + 1)(n + 1) = 2 an (n + 1) ≤ 2 an (n + 1) 212.Sociedade Brasileira de Matemática 236..

seja p ∈ X . temos que deve existir k ∈ X . + an . + an ) = ( P(1)) ≥ 1. com n ∈ também devem pertencer a X . + an ⋅ an  =   x  xn −1  n  2 2 (a0 + a1 + . p 2 . p3 ... Agora. n 3 . com p > 1 . p 2 = p1 . 2008 3 { } 41 . conforme verificado. p r } . De fato. + an ) ⋅  a0   + a1    x  x  x  ≥ (Por Cauchy-Schwarz) n n −1  + . todo conjunto X = n. 213. tal que p 2 = p1 k 2 . consistindo de ao menos dois 2 inteiros positivos. estendendo o raciocínio. com n ∈ N e n > 1 . Então:  1 1 1 P ( x) P   = ( a0 x n + a1 x n −1 + . Da condição dada. Logo. com n > m.Sociedade Brasileira de Matemática SOLUÇÃO DE GELLY WHESLEY (FORTALEZA – CE) Para x > 0 temos P ( x) > 0... sem perda de EUREKA! N°27. 1 ∉ X . portanto. Vamos então supor que o conjunto X tenha mais do que dois elementos. Ou seja. X = {p1 . temos que deve existir k ∈ X .. denote P ( x) = a0 x n + a1 x n −1 + . com p1 . satisfaz as condições do problema e somente tais conjuntos de dois elementos satisfazem. o que é impossível. k > 1 e com raciocínio análogo. Desta forma... portanto. Vamos então tentar montar o conjunto X . isto é... todas as potências de p da forma p 1 1 2n . dado que p 2n ∉ para algum valor de n . SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA) Suponha que o número 1∈ X .. (Baltic Way – 2004) Ache todos os conjuntos X.. p 4 . Obviamente. p é quadrado perfeito. p r ∈ N . exista um elemento k de X tal que n = mk2. k < p 2 e. n ∈ X. Logo. + an     a0  a1 ⋅ a0 x n + ⋅ a1 x n −1 + . vamos supor. tal que p = k 2 ... a única alternativa é k = p1 e.. Para tal.. tais que para todos m. Suponha.... Obviamente. temos ( P (1)) 2 ≥ 1. concluímos que k também deve ser quadrado perfeito e sua raiz quadrada deve pertencer a X . inicialmente que X possua somente dois elementos p 1 e p 2 . isto é. com p 2 > p1 > 1 .

Sociedade Brasileira de Matemática generalidade. 2008 42 . temos que: (1) p3 = p1 ( p1 ) 2 = p1 (2) p3 = p1 p1 = p1 3 2 5 5 7 3 7 Portanto. B1C1 e possuem um ponto em comum se e somente se H for o ponto médio de BB1. { } 223. com n ∈ e n > 1 . só restam as possibilidades  k1 = p1 k 2 = p1 3 ou k1 = p13 3 .. no primeiro caso. Portanto. todos os conjuntos que satisfazem o enunciado são: X = n. não é possível que o conjunto X possua mais de 2 elementos. k 2 ∈ X . temos que p1 = p1 ⇒ p1 = 0 ou p1 = 1 . triângulo acutângulo ABC. Obviamente. Seguindo o raciocínio. Com um raciocínio 3 análogo ao parágrafo anterior. concluímos que p 2 = p1 . EUREKA! N°27. temos que k1 < p 3 . temos que: (1) p3 = p1 k1 3 2 2 (2) p3 = p1 k 2 onde k1 . Absurdo! Logo. > p 3 > p 2 > p1 > 1 . tal que ⊥ AC. E assim. temos que p3 = p1 = p 2 : absurdo! Já no  k 2 = p1 segundo caso. Porém. k 2 < p 3 e k1 ≠ k 2 . como p3 é o terceiro menor elemento do conjunto.. Seja Prove que as retas BC. que p r > p r −1 > . n 3 . (Bielorússia – 2005) Seja H o ponto de interseção das alturas BB1 e CC1 do uma reta passando por A.

C1 colineares ⇒ por Menelaus no ∆BAB1 : e daí CB1 AC1 BM ⋅ ⋅ = 1. C1 . (I) AC C1 B MB1 donde BB1 ⊥ AC e ⊥ AC ⇒ // BB1 PB AB1 PC CB = (II) e = (III) BC CB1 AC CB1 ∆ACP ∼ ∆BCB1 . iii) P. P C .Sociedade Brasileira de Matemática SOLUÇÃO DE DAVI LOPES ALVES DE MEDEIROS (FORTALEZA – CE) A B1 M C B P C1 Seja P o ponto de interseção de BC e são colineares ⇔ BM = MB1. 2008 43 . M . i) ii) . B1 e C1 são colineares ⇔ PC AB1 C1 B ⋅ ⋅ = 1 (IV) PB CB1 AC1 Multiplicando (I) e (IV) membro a membro. B1 e C1 são colineares ⇔ CB1 AC1 BM PC AB1 C1 B BM  PC AB1  ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ =1⇔ ⋅   = 1 (V) AC C1 B MB1 PB CB1 AC1 MB1  AC PB  Mas de (II) : AB1 CB1 = e multiplicando este resultado por (III) PB BC PC AB1 CB CB1 ⋅ = ⋅ = 1 (*) AC PB CB1 CB EUREKA! N°27. temos que P. É suficiente mostrarmos que B1 .

seja k ∈ . B1 . temos f (k ) = f (1) = x = kx EUREKA! N°27. por indução. c. Tomando m = k + 1 e n = 1 . temos que P. ∀k ∈ Em seguida. temos f (k ) = f (0) = 0 = kx (2) Se k = 1 . Substituindo sucessivamente na equação anterior k por (t − j ) x + ( j − 1) . ∀k ∈ Seja t ∈ . SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA) Primeiramente. ∀t ∈ Com este resultado em mãos. com t ≥ 1 .Sociedade Brasileira de Matemática Substituindo (*) em (V). temos: (1) Se k = 0 . temos: f (k − k + f (k )) = f (k ) + f (k ) ⇒ f ( f (k )) = 2 f (k ) . para todos m. com 1 ≤ j ≤ t . vamos provar. que f (k ) = kx . De fato. MB1 224. temos: f (k + x) = x + f (k + 1) . C1 são colineares ⇔ BM = 1 ⇔ BM = MB1. temos: f (− f (k ) + f ( f (k ))) = f (0) + f ( f (k )) ⇒ f (− f (k ) + 2 f (k )) = f (0) + 2 f (k ) ⇒ f ( f (k )) = f (0) + 2 f (k ) ⇒ f (0) = 0 Agora. n ∈ N. ∀k ∈ . (Bielorússia – 2005) Ache todas as funções f : N → N satisfazendo f (m − n + f (n)) = f (m) + f (n) .d. seja x ∈ . 2008 44 . temos: f (tx) = x + f ((t − 1) x + 1) f ((t − 1) x + 1) = x + f ((t − 2) x + 2) f ((t − 2) x + 2) = x + f ((t − 3) x + 3) f ((t − j + 1) x + j − 1) = x + f ((t − j ) x + j ) f (2 x + t − 2) = x + f ( x + t − 1) f ( x + t − 1) = x + f (t ) Somando as equações anteriores. façamos m = 0 e n = f (k ) . Fazendo m = n = k .q. temos: f (tx) = tx + f (t ) . tal que x = f (1) .

Assim. 51. com kx − 1 ≤ 100 e k ∈ . kx − 1 . portanto. as funções possíveis são: f ( y ) = 0 e f ( y ) = 2 y . Iana também deve possuir as cartas 2 x − 1 . 3 x + 1 . 90. 38. 12. com kx + 1 ≤ 100 e k ∈ . 53. Continuando o raciocínio. para qualquer carta y de Iana. se a carta 1 estivesse com Ivo. 40. kx + 1 . Além disso. para n ≠ 0 : f (m − n + f (n)) = (m − n + nx) x = mx − nx + nx 2 f (m) + f (n) = mx + nx x = 0  ⇒ mx − nx + nx = mx + nx ⇒ nx = 2nx ⇒ x = 2 x ⇒ ou x = 2  2 2 2 Logo. De fato. vamos utilizar o último resultado encontrado na relação inicial proposta no problema. Iana deveria possui a carta x − 1 + 1 = x . E logo. 79.. . são todas as funções procuradas. sabendo que Ivo possui a carta de número 13 . temos que Iana deverá possuir a carta x + 1 . Determine o número de cartas de Iana sabendo que a carta 13 está com Ivo. Iana também deve possuir a carta x − 1 . o produto dos números também estaria com Iana. temos: f (t − 1 + x) = x + f (t ) = x + tx = (t + 1) x ⇒ f ( f (t − i + x)) = f ((t + i) x) = (t + 1) x + f (t + 1) ⇒ 2 f (t − 1 + x) = (t + 1) x + f (t + 1) ⇒ (t + 1) x + f (t + 1) = 2(t + 1) x ⇒ f (t + 1) = (t + 1) x Portanto.. o que não é verdade por hipótese. pois caso contrário. 14. 227. para t ∈ . 25. (Bulgária – 2005) Ivo escreve todos os inteiros de 1 a 100 (inclusive) em cartas e dá algumas delas para Iana. dada qualquer carta x de Ivo. 66. . Para isso. Sendo assim. É fácil ver que ambas satisfazem as condições e. 92 EUREKA! N°27. 64.. o que não é verdade. SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA) Primeiramente. contradizendo a hipótese. 27. uma de Ivo e outra de Iana. 77. nos resta descobrir quais os valores possíveis para x = f (1) .Sociedade Brasileira de Matemática (3) Se f (t ) = tx . a soma dos números não está com Ivo e o produto não está com Iana. temos que Iana também deverá possui as cartas 2 x + 1 . notamos que a carta de número 1 deve estar com Iana. Iana possui a carta 1 e. Sabe-se que para quaisquer duas destas cartas. já sabemos que Iana possui as cartas: 1... 2008 45 .. Isso implica que ou a carta 1 pertence a Iana ou Iana não possui cartas.

temos que se 8.Sociedade Brasileira de Matemática Notemos agora que a carta número 2 deve pertencer à Iana. 9. 26. pois se pertencesse a Ivo. 40. 25. Isso implica que as cartas 39 e 78 pertencem a Ivo. 2. 2. 26. pois caso pertencesse a Ivo. t ∈ e 0 < t < 13 . Logo. 90. já que Ivo possui a carta número 13 . 79. 52. Iana também possui os números 6 e 7 . 6. 90. deveria possuir o número 40 = 10 × 4 . 2. 92 Analogamente. 7. 25. Logo Iana possui o número 5. 8. 40. 39. 6. 77. pois neste caso. Como a carta 2 pertence a Iana e a carta 13 pertence a Ivo. 12. 52 Iana: 1. 4. 9. 90. 77. também deveria possuir o número 10 = 5 × 2 e assim. 9. 64. Todos os demais números menores que 100 devem então ter a forma 13k + t . temos que a carta 26 deve pertencer a Ivo e. 78 Iana: 1. 92 Agora notamos que Ivo possui todos os múltiplos de 13 menores que 100 . 51. a carta 6 = 3 × 2 também pertenceria a Ivo. 2008 46 . 92 Se Ivo possuísse o número 5 . 5. 14. assim como a carta 12 = 6 × 2 . 10 e 11 também pertencem a Iana. 2. os números 12 = 6 × 2 e 14 = 7 × 2 não poderiam estar com Iana. 5. 51. 79. Já os números 6 e 7 também não podem estar com Ivo. Logo. teríamos pelo raciocínio anterior que Iana deveria possuir todas as cartas ímpares. 25. 14. 78 Iana: 1. 10. 39. 12. De fato. 25. 78 Iana: 1. 27 = 9 × 3 . se a carta pertencesse a Ivo. 64. até o momento. 7. 26. 77. o que não é verdade. 52. 38. 51. 39. com k . 53. 40. 27. Assim. 3. 12. 51. 66. 11. temos: Ivo: 13. 64. o que não acontece. Portanto. Como Iana possui todos os números t ∈ com 0 < t < 13 . 79. 8. o que não é verdade. o que não é verdade. 3. a carta 52 também. Portanto. também pertenceria a Ivo a carta 12 = 4 × 3 . 40. 27. 53. Analogamente. 77. 4. 40 = 8 × 5 . 66. 3. 64. 52. temos que a carta 3 deve pertencer a Iana. 38. 4. temos que todos os número menores que 100 que não são múltiplos de 13 devem pertencer a Iana. 66. a carta 4 também pertence a Iana. até o momento: Ivo: 13. até o momento: Ivo: 13. 12. 10 e 11 pertencessem a Ivo. temos que: Ivo: 13. 14. 92 Novamente. 38. 14. 53. 90. 27. EUREKA! N°27. o que não é possível. 66. 26. conseqüentemente. 38. 53. 40 = 10 × 4 e 77 = 11 × 7 também deveriam pertencer a Ivo. 79. Neste momento. pois 13k pertence a Ivo e a soma não pode pertencer a Ivo. 27.

conforme a figura acima. e sendo ∠I ´BA = β . ∠BI ´ A mede β + 2θ e. Encontre a razão entre as medidas dos ângulos ∠BAC e ∠CBA. Veja que ∠I ´ AI = 180° − α . 2008 47 . ∠BAC = 2β + 2θ . β = θ . Sabe-se que AC + AI = BC.Sociedade Brasileira de Matemática Logo. (Eslovênia – 2005) Denote por I o incentro do triângulo ABC. Ivo possui apenas 7 números e Iana possui os 93 restantes. SOLUÇÃO DE RAFAEL ALVES DA PONTE (FORTALEZA – CE) Denote por I o incentro do triângulo ABC. Note que ∆BI ´C é isósceles. I ´BIA é inscritível. Sejam ∠BAI ´= ∠IAC = α e ∠IBA = ∠IBC = θ . Como as cordas AI e AI ´ são congruentes. pelo teorema do ângulo externo. e visto que ∠I ´BI = α (por [*]). daí α = 2θ ⇔ 2α = 2 ⋅ 2θ ⇔ ∠BAC = 2∠CBA ⇔ ∠BAC =2 ∠CBA EUREKA! N°27. Encontre a razão entre as medidas do ângulos ∠BAC e ∠CBA. Sabe-se que AC + AI = BC. I´ A α α β θ I θ B C Construa AI ´ em AC de modo que AI = AI ´ . donde vem α = β + θ [*]. 230.

+ − PA⋅ PB NA⋅ NC MB ⋅ MC Suponha. considere uma reta variável l passando por I que intersecta o lado AB em P. o lado AC em N e a reta suporte do lado BC em M. note que = + PA ⋅ PB PA ⋅ PB PA PB AC NA + NC 1 1 = + = NA ⋅ NC NA ⋅ NC NA NC modo que queremos provar que e BC MC − MB 1 1 = . que B está entre M e C. nos triângulos AIP e AIN.Sociedade Brasileira de Matemática COMO É QUE FAZ? PROBLEMA PROPOSTO POR WILSON CARLOS DA SILVA RAMOS (BELÉM – PA) Dado um triângulo ABC com incentro I. 2008 48 . A α/2 α/2 θ φ β/2 β/2 B I N ε γ/2 γ/2 C P M AB PA + PB 1 1 = . e r . sendo r o inraio de ABC. Isso é um trabalho para a lei dos senos! De fato. Prove que o valor de SOLUÇÃO: AB AC BC independe da escolha de l. sem perda de generalidade. de = − MB ⋅ MC MB ⋅ MC MB MC 1 1 1 1 1 1 + + + − + PA PB NA NC MB MC não depende da reta l. Primeiro. AI = sen α 2 EUREKA! N°27. lembrando que.

x− y 2 ( ) ( ) sen β sen β + φ PB BI 1 2 2 = ⇔ = sen φ sen β + φ PB r sen φ 2 ( ) ( ) Note a mudança de sinal de θ − α 2 para β 2 − φ : “destrocando” o sinal. obtendo − 1 1 sen β + = MB PB r sen α + sen β + sen γ A soma pedida é. sen β sen β − φ MB BI 1 2 2 e = ⇔ = sen φ sen β − φ MB r sen φ 2 ( ) ( ). analogamente. então. igual a . Podemos concluir. obtemos − sen β sen φ − 1 2 = MB r sen φ ( β 2 ) e aí podemos trabalhar como nos demais casos. obtemos PA NA sen α (sen (θ + α ) + sen (θ − α )) 1 1 2 2 2 + = PA NA r sen θ Utilizando a fórmula de Prostaférese sen x + sen y = 2 sen x + y cos 2   (θ + α ) + (θ − α )   (θ + α ) − (θ − α )  2 2  2 2   senα  2sen 2   cos  senα (2senθ cosα ) 2 2 1 1 senα      2 2 + = = = PA NA r senθ r senθ r Sorte grande! Esse valor não depende da escolha de l.Sociedade Brasileira de Matemática sen α sen (θ + α ) AP AI 1 2 2 e = ⇔ = PA r sen θ sen θ sen (θ + α ) 2 sen α sen (θ − α ) NA AI 1 2 2 = ⇔ = NA r sen θ sen θ sen (θ − α ) 2 Somando 1 1 e . como era de se esperar. 2008 49 . 1 1 − . mas Já o caso de PB MB só um pouquinho: pela lei dos senos nos triângulos MIB e PIB. que não depende de l. r EUREKA! N°27. é um pouquinho diferente. já que r e α só dependem do triângulo ABC. que 1 1 sen γ + = NC MC r também não depende de l.

. por indução em n. conjunto n≥3 um Xn como acima.. 2008 50 ... que. SOLUÇÃO DE ZOROASTRO AZAMBUJA NETO (RIO DE JANEIRO – RJ) Basta provar que. existe um conjunto DS. Para n ≤ 3 .2.3. ∀n ≥ 2 . com a j = j para 1 ≤ j ≤ n..3} ser um conjunto DS. ak ( n )  2 2 2   A soma de seus elementos é Sn+1 = 1+ 2 + . n + 1.n}.. a3 . Vamos mostrar.. podemos tomar (n + 1)(n + 2) (n + 1)(n + 2) (n + 1)(n + 2)   X n +1 = 1. Note que a soma dos seus elementos S n = Dado k (n) j =1 ∑a e j é par (pois a2 = 2 ∈ X n ⇒ 2 | S n ). 2. 2 Como S n é par... 111) Prove que existem infinitos múltiplos de 7 na seqüência (an ) abaixo: a1 = 1999.. para todo n ≥ 3 .. ak ( n ) }.. onde p(n) é o menor primo que divide n.. a2 . a2 . Prove que todo conjunto finito de inteiros positivos é subconjunto de algum conjunto DS. existe um conjunto DS que contém {1. para todo n inteiro positivo..Sociedade Brasileira de Matemática SOLUÇÕES DE PROBLEMAS PROPOSTOS Publicamos aqui algumas das respostas enviadas por nossos leitores. isso segue do fato de {1. n..2. 110) Um conjunto finito de inteiros positivos é chamado de Conjunto DS se cada elemento divide a soma dos elementos do conjunto. Como S n é múltiplo de a j para todo j. an = an −1 + p(n). S n +1 é múltiplo de n + 1.. S n +1 = (n + 1)(n + 2) (n + 1)(n + 2) ⋅ a j para todo j. EUREKA! N°27. pois a1 = 1.. X n = {a1 . + n + (n +1) + = (n +1)(n + 2) k (n) (n +1)(n + 2) (n +1)(n + 2) ∑aj = 2 + 2 (Sn − a1) = 2 j =2 (n +1)(n + 2) ⋅ Sn .. e logo ⋅ S n é múltiplo de 2 2 X n +1 é um conjunto DS.

n − 2. −(n − 1)}. SOLUÇÃO DE ASDRÚBAL PAFÚNCIO SANTOS (BOTUCATU – SP) Vamos mostrar que existe uma matriz como no enunciado se e somente se n é par. aN +12 ≡ aN +1 + 6(mod 7). aN +17 percorrem todas as classes de congruência módulo 7. p ( N + 3) = 3. Claramente permutar linhas ou colunas não altera as 2n + 1 elementos em propriedades do enunciado. aN +16 ≡ aN +1 + 5(mod 7) e aN +17 ≡ aN +1 + 1(mod 7). n − 1. aN +15 ≡ aN +1 + 3(mod 7). podemos construir uma matriz A = ( aij )1≤i ... aN +15 . 0. digamos c. j ≤ n como no enunciado.Sociedade Brasileira de Matemática Seja N um número da forma 510510r = 2 ⋅ 3 ⋅ 5 ⋅ 7 ⋅11 ⋅13 ⋅17 ⋅ r . aN +13 ≡ aN +1 + 5(mod 7). 0. p( N + 16) = 2. não é valor da soma dos elementos de nenhuma linha ou coluna de A. um desses elementos. 2008 51 . aij = −1 se k + 1 ≤ i. aN +12 . aij = 0 se i ≤ k e k + 1 ≤ j < k + i. p( N + 7) = 7. 1} tal que os 2n números obtidos como somas dos elementos de suas linhas e de suas colunas são todos distintos. aN +15 . aN +14 ≡ aN +1 (mod 7). aij = 1 se i ≤ k e j ≥ k + i. j ≤ k . j ≤ 2 k com aij = 1 se 1 ≤ i. SOLUÇÃO DE JOSÉ DE ALMEIDA PANTERA (RIO DE JANEIRO – RJ) p( N + 5) = 5. se necessário) que esse elemento c EUREKA! N°27. j ≤ n.. aij = −1 se i ≥ k + 1. aN +9 ≡ aN +1 + 5(mod 7). Assim. p( N + 11) = 11. p( N + 9) = 3.... n − 1. 112) Determine todos os inteiros positivos n tais que existe uma matriz n × n com todas as entradas pertencentes a { –1.1}. p( N + 8) = 2. p( N + 14) = 2. e p( N + 17) = 17. j ≤ 2k . aN + 7 ≡ aN +1 (mod 7). aN +8 ≡ aN +1 + 2(mod 7)... Podemos supor (trocando o sinal de todos os elementos de A.. aN +11 . p( N + 12) = 2. Se n é par. p( N + 13) = 13. com aij ∈ {−1. aN +5 ≡ aN +1 + 5(mod 7). n}. digamos n = 2k. aN + 6 ≡ aN +1 (mod 7). Como há {− n... aN +11 ≡ aN +1 + 4(mod 7). aN +10 ≡ aN +1 (mod 7).. aN +3 . aN +12 . Temos então p ( N + 2) = 2. p( N + 15) = 3... aN +11 .1. p( N + 6) = 2.. aN + 2 .1. 0. aN + 2 ≡ aN +1 + 2(mod 7). Suponha agora que exista uma matriz A = (aij )1≤i . e portanto sempre há um múltiplo de 7 em {aN +1 . p ( N + 4) = 2. −1. pois aN +1 . aN + 2 . e aij = 0 se i ≥ k + 1 e j + k ≤ i. −1. onde r é um inteiro positivo. −(n − 1). −(n − 2). j ≤ k como somas dos elementos das linhas e das colunas de A e é j + k > i. É fácil ver que os 2n números obtidos {n. p( N + 10) = 2.. aN +17 }. aN +3 ≡ aN +1 + 5(mod 7). 0. aN + 4 ≡ aN +1 (mod 7). ∀i. aN +3 .

Temos então 1≤i ≤ k 1≤ j ≤ n − k ∑ 1≤i ≤ k n−k < j ≤n ∑ k <i ≤ n 1≤ j ≤ n − k ∑ k <i ≤ n n−k < j ≤n ∑ n(n + 1) n(n + 1) = 1 + 2 + . n – 1. 4k (n − k ) ≥ donde n − 2k = 0. pois c ≥ − n.Sociedade Brasileira de Matemática que falta é menor ou igual a 0. como claramente temos x ≤ k (n − k ) e w ≥ −k (n − k ). y = aij . o elemento c que falta deve ser necessariamente igual a –n (ou n. e. eiy . para certo k ≤ n.. e sua soma não poderia ser 0. Sejam x= aij . EUREKA! N°27. Note que. 2.. obtemos iz iw  w+ z   2  . 2 x − 2 w = n(n + 1) + c ≥ n 2 . z= aij e w = aij .. Vamos supor sem perda de generalidade 0 ≤ x ≤ y ≤ z ≤ w < 2π . se for positivo). senão os quatro números complexos eix . + n = ( x + y ) + ( x + z ) = 2 x + y + z .  w − z  i  Analogamente. se necessário) que os valores 1. mostre que sen 2003 x + sen 2003 y + sen 2003 z + sen 2003 w = 0.. e portanto n é par. eiz e eiw pertenceriam a um mesmo semicírculo do círculo unitário. e − −c = 2 2 = ( z + w) + ( y + w) = 2w + y + z... SOLUÇÃO BASEADA NAS SOLUÇÕES ENVIADAS POR SAMUEL LILÓ ABDALLA E DOUGLAS RIBEIRO SILVA De cos x + cos y + cos z + cos w = 0 obtemos e sen x + sen y + sen z + sen w = 0. n são obtidos como somas dos elementos das primeiras k linhas e das primeiras n – k colunas de A. e + e = 2 cos  e  2  Como eix + eiy = − ( eiz + eiw ) . Podemos supor (permutando linhas e colunas. Portanto. 114) Sabendo que sen x + sen y + sen z + sen w = 0 e cos x + cos y + cos z + cos w = 0. nesse caso. Temos eix + eiy = (cos x + cos y ) + i (senx + seny ) =  y − x   x+ y  x + y   y − x  i  = 2 cos    sen   + i cos    = 2 cos  e  2   2   2   2   x+ y   2  . 2008 52 . ≥ 2 x − 2 w ≥ n 2 ⇒ 0 ≥ n 2 − 4kn + 4k 2 = (n − 2k ) 2 . eix + eiy + eiz + eiw = (cos x + isenx) + (cos y + iseny) + (cos z + isenz) + (cos w+ isenw) = 0. Temos y − x ≤ π e w − z ≤ π .

obtemos z = x + π . donde 116) Seja ABC um triângulo e sejam X. BXZ e CYX podem ser somadas ou subtraídas. y e z são colineares se e somente se cos A ⋅ cos B ⋅ cos C = − 3 8. e. seny = −senx e senw = −senz . donde segue o resultado. Temos S(ABC) = S(CBX) = S(ACY) = S(BAZ). ii) cos  w− z y − x w+ z x+ y = = +π e . W no plano. B e C em relação às retas BC. Assim. Nesse caso. Nesse caso. S(BXZ) = ac · sen(3B)/3 e S(CYX) = ab · sen(3C)/2. dados U. B e C. Prove que x. donde cos   ≥ 0 e cos   ≥ 0. senw = − seny e senz = − senx . temos S(XYZ) = [S(ABC) + S(CBX) + S(ACY) + S(BAZ)] – S(AZY) – S(BXZ) – S(CYX). devemos ter também cos   = 0. substraindo.Sociedade Brasileira de Matemática y−x π  y − x  i 2   w − z  i 2      ≤ e 2 cos  . Então a relação passa a ser S(XYZ) = 4S(ABC) – bc · sen(3A)/2 – ac · sen(3B)/3 – ab · sen(3C)/2. 2 2 2 2 obtemos w = y + π e. por construção. CA e AB.  2   2  portanto y − x = w − z = π . ZBX = 3B e XCY = 3C (onde A. Valerá a igualdade se usarmos as expressões S(AZY) = bc · sen(3A)/2. As áreas de AZY. EUREKA! N°27. Y e Z as reflexões de A. devemos ter cos   = cos  >0e  2   2   2  imediatamente o resultado. Temos ainda 0 ≤ = −2 cos  e e 2 2  2   2  w− z π  y−x  w− z  ≤ 0≤ . (UVW) denota a área (orientada) do triângulo UVW. e  x+ y  i   2  = −e  w+ z     2  . respectivamente. como antes. dependendo de ˆ ˆ ˆ os ângulos YAZ = 3 A. 2008 53 . Somando. Temos agora dois 2 2  2   2  casos: i) cos   x+ y   w+ z   y−x  w− z   = 0. Y e Z de seus vértices A. B e C denotam os ângulos internos do triângulo ABC) serem maiores ou menores que 180 graus. donde segue  y−x  w− z   y−x  > 0. Se. SOLUÇÃO ENVIADA POR DOUGLAS RIBEIRO SILVA COM CONTRIBUIÇÕES DE CARLOS EDDY ESAGUY NEHAB E MARCIO COHEN Construam o triângulo ABC e as reflexões X. V. (*) Ver nota abaixo.

Para que os três pontos estejam alinhados. W – U)) = (0. C e substituímos também bc/2 ac/2 e ab/2 respectivamente por S(ABC)/senA.cosC. [2cosA. EUREKA! N°27.cosC) = 3+8cosA. A 2 é igual à metade do área (orientada) de um triângulo UVW no plano determinante det (V – U . é igual a B × C – B × A – A × C + B × X – B × C – Y × X + Y × C + C × Y – C×A–Z×Y+Z×A+A×Z–A×B–X×Z+X×B=–Y×X–Z×Y– X×Z = Y × Z – Y × X – X × Z = (Y – X) × (Z – X). para quaisquer U.0. 0) ∈ 3 . chegamos na desejada expressão do enunciado: 0 = 7 – 4 ((cosA)2 + (cosB)2 + (cosC)2) = 7 – 4 (1 – 2cosA. y ) ∈ 2 com ( x. Mas cos(2A) + cos(2B) = 2cos(A + B)cos(A – B) = –2cosC cos(A – B). det (V – U. Nota: A igualdade(*) pode ser mostrada por meio de algumas figuras.cosC. W– U) da matriz cujas linhas coincidem com os vetores V – U e W – U. C para chegar em S(XYZ) = S(ABC) · [7 – 4((cosA)2 + (cosB)2 + (cosC)2)].cosB. simplificamos os senos e basta trocar (sen(θ ))2 por 1 – (cos(θ ))2 para θ = A. Substituindo em z: z = 1 – cosC [cos(A – B) – cosC] = 1 – cosC [cos(A – B) + cos(A + B)]. que.cosB. considerando alguns casos. Basta provar então que (Y – X) × (Z – X) = (B – A) × (C – A) + (B – C) × (X – C) + (C – A) × (Y – A) + (A – B) × (Z – B) – (Z – A) × (Y – A) – (X – B) × (Z – B) – (Y – C) × (X – C). S(ABC)/senB e S(ABC)/senC. Se identificarmos cada vetor ( x. 2 S (UVW)). 2008 54 . donde 7 – 4((cosA)2 + (cosB)2 + (cosC)2) = 0 Façamos z = (cosA)2 + (cosB)2 + (cosC)2 Dai. B. a área do triângulo XYZ deve ser igual a zero. Substituindo este z na expressão anterior. Daí temos: z = 1 – cosC. o produto vetorial (V – U) × (W– U) é igual ao vetor (0. Logo. devido à fórmula de área em função dos lados e do ângulo para o triângulo original. Fazendo as devidas substituições acima.cosB] = 1 – 2cosA.0. mas daremos a seguir uma prova algébrica dela. V). y. desenvolvendo (e usando a desigualdade U × V = – V × U. chegamos na esperada relação cosA·cosB·cosC = –3/8. como cos2x = 2(cosx)2 – 1 temos z = (1 + cos2A)/2 + (1+cos2B)/2 + (cosC)2 = 1 + (cos(2A) +cos(2B))/2 + (cosC)2.Sociedade Brasileira de Matemática Agora substituímos sen(3θ ) = – 4·(sen(θ )) 3 + 3 · sen(θ ) para θ = A. mas o lado direito é igual a (B – A) × (C – A) + (B – Y) × (X – C) + × (C – Z) × (Y – A) + (A – X) × (Z – B). B.cosB.

mas sim. D.PE) Note que o que o problema pede é equivalente demonstrar que o volume do tetraedro só depende da medida de duas arestas reversas e da distância entre as retas-suporte dessas duas arestas. A. Na figura que segue. C . D ∈ s.. C. B ∈ r . A distância entre as retas suporte é EF. provamos que o volume de um tetraedro não depende da posição dos segmentos AB e CD nas suas retas-suporte. 2008 55 . não contidas num mesmo plano) e A. unicamente dos tamanhos dos segmentos e da distância entre as retas-suporte dos mesmos. Logo FG = EF · FC/EC Pela semelhança dos triangulos FGC e DHC tiramos o valor de HD: HD/CD = FG/FC Logo HD = FG · CD/FC = (EF · FC/EC) · (CD/FC) Logo HD = EF · CD/EC Finalizando. B. Prove que os tetraedros ABCD e ABC D têm o mesmo volume. pois como EC está no mesmo plano de EF e EF é perpendicular a AB. EUREKA! N°27.e. D pontos tais que A. C . as arestas reversas são AB e CD.Sociedade Brasileira de Matemática 117) Sejam r e s duas retas reversas (i. SOLUÇÃO DE DOUGLAS RIBEIRO SILVA (RECIFE . V = ((AB · EC/2) · HD)/3 Conservando a área do triangulo retangulo EFC temos: EF · FC/2 = EC · FG/2. B. C . AB = AB e CD = C D. A. temos que V = (AB · EC/2) · (EF · CD/EC)/3 Logo V = AB · CD · EF/6 Assim. D. O volume do tetraedro será calculado a partir da área da base ABC e a altura relativa a D V = (Área (ABC) · HD)/3 Note que a área de ABC pode ser definida como AB · EC/2. B. EC também é (Teorema das 3 perpendiculares).

De fato: 1+ 3 . Portanto: 3 2 + 9a n 1 1 1 1 1+ 3 = 1− ( a n +1 = ) > 1− ( )= 3 2+ 3 3 3 + 9a n 3 1 + 3a n (1) a1 = 1 > Em seguida. temos que a n +1 < a n . para todo n ∈ . utilizando 3 1+ 3 3 1+ 3 (2) Supondo a n > . SOLUÇÃO DE ESTILLAC LINS MACIEL BORGES FILHO (BELÉM – PA) C H G 2 + 9an .Sociedade Brasileira de Matemática D F A E B 118) Considere a seqüência (an ) n ≥1 dada por a1 = 1 e an +1 = Prove que (an ) converge e calcule o seu limite. 2008 . 3 + 9an Primeiramente. De fato: 3 an > 1+ 3 ⇒ 3a n − 1 > 3 ⇒ (3a n − 1) 2 > 3 3 56 EUREKA! N°27. provaremos que. ∀n ≥ 1. iremos provar que a n > indução. se a n > 1+ 3 . temos 1 + 3a n > 2 + 3 .

. n. donde 9 x 2 − 6 x − 2 = 0. Este provável limite é obtido e resolvendo a equação facilmente fazendo a n +1 = a n = x x= 2 + 9x 1+ 3 ⇒x= . devemos ter 3 + 9an 3 + 9 x x= 3 + 27 1 + 3 = . 115) Suponha que ABC é um triângulo com lados inteiros a. am + n Prove que a seqüência (an) é periódica a partir de um certo ponto. c) = 1. Seja Temos então lim a n = 3 x = lim an +1 = lim 2 + 9an 2 + 9 x = . Prove que EUREKA! N°27. 3 + 9x 3 Continuamos aguardando as soluções dos problemas a seguir: 113) a1 .Sociedade Brasileira de Matemática Portanto. b) = mdc(a. 2008 57 . (a n ) é uma seqüência estritamente decrescente limitada inferiormente por 1+ 3 . pois x ≥ 0. formam uma seqüência de inteiros positivos menores que 2007 tais que am + an é inteiro. 2 + 9a n 3 − (3a n − 1) 2 − an = <0 a n +1 − a n = 3 + 9a n 3 + 9a n Logo. a2 . b e c com BCA = 60° e c ≡ 1(mod 6) .. 9 3 Obs: a solução acima é bastante artificial. para quaisquer inteiros positivos m. Vamos mostrar agora que 3 1+ 3 x = lim an = lim an +1. Como x ≥ 0. c) = mdc(b. Ela é construída já se sabendo de antemão qual o provável limite da seqüência. a3 .. o que garante sua convergência. mdc(a. .

determine os ângulos internos desse triângulo. traça-se uma ceviana partindo de B determinando em AC um ponto D tal que DA = a e DC = b . 121. Sabe-se que S1 = 2. para quaisquer m. 120. 4 1 4 h 2 4 4 122. * = {1. EUREKA! N°27. Dado um triângulo ABC tal que AB = AC = a + b e BC = a . b. Na figura abaixo o lado do quadrado vale 4. Obs. Mostre que não existem inteiros positivos a e b tais que tais que (36a + b)(36b + a) seja uma potência de 2.. c números reais e soma Sn definida como S n = a n + b n + c n . Sabendo que ABD = 10° .. 123. 2008 58 . 2. 119.3. n ∈ * distintos..Sociedade Brasileira de Matemática PROBLEMAS PROPOSTOS Convidamos o leitor a enviar soluções dos problemas propostos e sugestões de novos problemas para próximos números. 2 Determine 2 3 2 todas as 2 funções f : *→ * tais que 2 f (m + n ) = f (m) f (n) + f (m) f (n) . Sejam a.} é o conjunto dos inteiros positivos. para qualquer n inteiro não negativo. S2 = 6 e S3 = 14. mostre que 2 Sn − S n −1 ⋅ S n +1 = 8 para todo inteiro n > 1. obter o valor da altura h para que a área da região 1 seja igual a área da região 2.

a2 . ai ∈ {0. As circunferências Γi .1] Inicialmente. Prove que an é um inteiro positivo. localizada no alto de uma montanha. Entretanto. Assim chegando à cabeceira da ponte. a ponte era guardada pela Esfinge Vegas. mas é jogado por 2 oponentes da seguinte maneira: Os jogadores. e as seqüências As seqüências de tipo m satisfazem as condições: • ak ak + m = 0. ele atravessaria a extensa ponte de madeira por cima do Desfiladeiro da Morte.1}. amn ). Após sua maioridade.. pode descartá-lo e então sortear um novo número.Sociedade Brasileira de Matemática 124. Prove que existem tantas seqüências do tipo m quanto do tipo n. Barango Joe foi desafiado a uma partida de “Pachang” jogo que lembra o “Black Jack” ou “Vinte e um”. m≥2 e n ≥ 2. Barango Joe decidiu tentar a vida no Reino das Grandes Oportunidades. 126. exímia jogadora que sempre desafiava os viajantes para algum jogo. e o perdedor era lançado ao abismo. 0 ≤ i ≤ 5. Além disso. 2008 59 . • Se ak ak +1 = 1 então m divide k As seqüências de tipo n são definidas analogamente. designados por “banca” e “apostador”. a1 . ∀n ≥ 5.. xyz 128. para todo inteiro positivo n. EUREKA! N°27. 125. a banca sorteia um número X. Prove que A0 A3 . Isto é. localizado no cume da montanha vizinha. O viajante vitorioso tinha a passagem franqueada. y. Para isso.. Este procedimento pode ser executado 2 vezes. Considere dois naturais ( a0 . A2 A5 são concorrentes. A1 A4 . pode haver até 3 sorteios na definição do número X da banca. z com x2 + y2 + z 2 = k. 127. Γi é tangente a Γi +1 para 0 ≤ i ≤ 5 e Γ5 é tangente a Γ 0 . são tangentes a uma circunferência Γ nos pontos Ai . an = Considere 2 an −1an −3 + an − 2 a seqüência ( an ) n ≥1 definida por a1 = a2 = a3 = a4 = 1 e an − 4 .. utilizam um dado gerador de números aleatórios reais uniformemente distribuídos no intervalo [0. para todo k. Determine todos os inteiros positivos k tais que existem inteiros positivos x. Se não estiver satisfeita com o número obtido. Barango Joe era um sapo de mútiplos talentos que habitava a Terra das Chances Diminutas.

com probabilidade probabilidade 1 . papel. Neste momento. caso contrário. Após explicar as regras do Pachang. em algum momento. pular para o quadrado k – 1. e uma calculadora científica simples. a Esfinge Vegas deu uma opção ao sapo: . determine a probabilidade de. Dado m ∈ . Ele continua esse processo 2 indefinidamante. sem no entanto “estourar o limite” de 1. de Belém – PA. se esta soma for inferior a 1. Ou seja. o coelho pisar no quadrado m. Utilize lápis. Agradecemos também o envio das soluções e a colaboração de: Gelly Whesley Evandro A. ele escolhe. Um coelho está numa rua infinita dividida em quadrados numerados pelos inteiros. Se num dado momento ele está no quadrado k. problema 129 proposto por Nicolau Corção Saldanha e Zoroastro Azambuja Neto. perde.Você prefere ser a banca ou o apostador? O que o Barango Joe deveria responder? Obs. o apostador sorteia quantos números forem necessários até que a soma de seus números ultrapasse o número X da banca. Problema 119 proposto por Adriano Carneiro. e começa no quadrado 0. problema 122 proposto por Renan Lima Novais. o apostador ganha. problema 128 proposto por Rogério Ponce da Silva. também com 2 1 . problemas 124. para ganhar. 126 e 127 propostos por Anderson Torres. do Rio de Janeiro – RJ. do Rio de Janeiro – RJ. dos Santos Davi Lopes Alves de Medeiros Rafael Alves da Ponte André Felipe M da Silva Carlos Alberto da Silva Victor Fortaleza – CE Campinas – SP Fortaleza – CE Fortaleza – CE Rio de Janeiro – RJ Nilópolis – RJ EUREKA! N°27. problema 123 proposto por Wilson Carlos da Silva Ramos. 125. 2008 60 . o apostador precisa “chegar mais próximo” de 1 que a banca. pular para o quadrado k + 2 ou. 129. de São Paulo – SP. problemas 120 e 121 proposto por Samuel Liló Abdalla.Sociedade Brasileira de Matemática Então. de Sorocaba – SP. do Rio de Janeiro – RJ.

Sociedade Brasileira de Matemática AGENDA OLÍMPICA XXX OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA NÍVEIS 1. 25 e Domingo. 2 e 3 Primeira Fase – Sábado. 25 de outubro de 2007 (níveis 1. NÍVEL UNIVERSITÁRIO Primeira Fase – Sábado.segundo dia de prova). 26 de outubro de 2008 (níveis 2 e 3 . 14 de junho de 2008 Segunda Fase – Sábado. Bulgária ♦ XXIII OLIMPÍADA IBEROAMERICANA DE MATEMÁTICA 18 a 28 de setembro de 2008 Salvador. 13 de setembro de 2008 Terceira Fase – Sábado. 2008 61 . 13 de setembro de 2008 Segunda Fase – Sábado. 26 de outubro de 2008 ♦ XIV OLIMPÍADA DE MAIO 10 de maio de 2008 ♦ XIX OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DO CONE SUL Temuco – Chile 18 a 23 de junho de 2008 ♦ XLIX OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA 10 a 22 de julho de 2008 Madri – Espanha ♦ XIV OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA UNIVERSITÁRIA 25 a 31 de julho de 2008 Blagoevgrad. 2 e 3) Domingo. Bahia – Brasil ♦ XI OLIMPÍADA IBEROAMERICANA DE MATEMÁTICA UNIVERSITÁRIA EUREKA! N°27.

Federal do Tocantins) (UFMG) (UFES) (UFSJ) (Centro Educacional Leonardo Da Vinci) (UC. Dom Bosco) (UFPB)) (UNOCHAPECÓ) (UFPI) (Grupo Educacional Ideal) (UFSC) (UFPB) (Instituto Pueri Domus) (UFAL) (UFSC) (Sistema Elite de Ensino) (UFBA) (UFRG) (Grupo Educacional Ideal) (Colégio Farias Brito. de Tec.B. Metodista de SP) (CEFET – GO) Juiz de Fora – MG Ribeirão Preto – SP Viçosa – MG Osório – RS Uberlândia – MG São Carlos – SP Natal – RN Pato Branco .PR Santa María – RS Lajeado – RS Manaus – AM S. e Educ. Monteiro de Castro Luzinalva Miranda de Amorim Mário Rocha Retamoso Marcelo Rufino de Oliveira Marcelo Mendes Newman Simões Nivaldo Costa Muniz Osvaldo Germano do Rocio Raul Cintra de Negreiros Ribeiro Ronaldo Alves Garcia Rogério da Silva Ignácio Reginaldo de Lima Pereira Reinaldo Gen Ichiro Arakaki Ricardo Amorim Sérgio Cláudio Ramos Seme Gebara Neto Tadeu Ferreira Gomes Tomás Menéndez Rodrigues Valdenberg Araújo da Silva Vânia Cristina Silva Rodrigues Wagner Pereira Lopes (UFJF) (USP) (UFV) FACOS (UFU) (USP) (UFRN) (Univ. do Campo – SP Jataí – GO EUREKA! N°27. de Paraná) (UNIFRA) (UNIVATES) (Inst.Sociedade Brasileira de Matemática COORDENADORES REGIONAIS Alberto Hassen Raad Américo López Gálvez Amarísio da Silva Araújo Andreia Goldani Antonio Carlos Nogueira Ali Tahzibi Benedito Tadeu Vasconcelos Freire Carlos Alexandre Ribeiro Martins Carmen Vieira Mathias Claus Haetinger Cleonor Crescêncio das Neves Cláudio de Lima Vidal Denice Fontana Nisxota Menegais Edson Roberto Abe Élio Mega Eudes Antonio da Costa Fábio Brochero Martínez Florêncio Ferreira Guimarães Filho Francinildo Nobre Ferreira Genildo Alves Marinho Ivanilde Fernandes Saad Jacqueline Rojas Arancibia Janice T. Reichert João Benício de Melo Neto João Francisco Melo Libonati José Luiz Rosas Pinho José Vieira Alves José William Costa Krerley Oliveira Licio Hernandes Bezerra Luciano G. do Rio Preto – SP Bagé – RS Campinas – SP São Paulo – SP Arraias – TO Belo Horizonte – MG Vitória – ES São João del Rei – MG Taguatingua – DF Campo Grande– MS João Pessoa – PB Chapecó – SC Teresina – PI Belém – PA Florianópolis – SC Campina Grande – PB Santo André – SP Maceió – AL Florianópolis – SC Rio de Janeiro – RJ Salvador – BA Rio Grande – RS Belém – PA Fortaleza – CE Piracicaba – SP São Luis – MA Maringá – PR Atibaia – SP Goiânia – GO Recife – PE Boa Vista – RR SJ dos Campos – SP Nova Iguaçu – RJ Porto Alegre – RS Belo Horizonte – MG Juazeiro – BA Porto Velho – RO São Cristovão – SE S. 2008 62 . Estadual de Maringá) (Colégio Anglo) (UFGO) (Col. Aplic. da UFPE) (Escola Técnica Federal de Roraima) (UNIFESP) (Centro Educacional Logos) (IM-UFRGS) (UFMG) (UEBA) (U. Tec. Federal de Sergipe) (U.J. Federal de Rondônia) (U. Fed. Pré-vestibular) (Cursinho CLQ Objetivo) (UFMA) (U. Galileo da Amazônia) (UNESP) (UNIPAMPA) (Colégio Objetivo de Campinas) (Faculdade Etapa) (Univ.

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