Influência do ambiente na fisiologia animal

A comunidade científica mundial tem alertado os governantes e a população sobre as mudanças climáticas e seus impactos negativos sobre o bem-estar humano e dos animais. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) num documento intitulado: Mudanças climáticas 2001: impactos, adaptação e vulnerabilidade; afirmou-se que todas as regiões vão ser afetadas pelos efeitos negativos do aquecimento global, como já era de se esperar, esses efeitos serão mais marcantes em países pobres e subdesenvolvidos (PEREIRA, 2005).

O clima é um fator determinante na produção animal, principalmente devido a interação animal x ambiente. Segundo Neiva et al. (2004) esta interação deve ser considerada para se buscar maior eficiência na exploração animal. O clima pode interagir com os animais alterando suas respostas fisiológicas, comportamentais e produtivas.

Altas temperaturas causam uma insatisfação fisiológica que obrigam os animais a reagirem na tentativa de restabelecer a homeotermia: diminuem o consumo de alimento, diminuem o metabolismo e aumentam vasodilatação periférica favorecendo a dissipação de calor na forma sensível (condução, convecção e radiação). Só que para restabelecer a homeotermia, há um gasto de energia. Ou seja, a energia que seria usada para reprodução e produção é usada para acabar com o estresse térmico, diminuindo assim, o desenvolvimento e produção animal.

Figura 1: Esquema de reações a altas temperaturas

tendo os machos freqüência respiratória menor do que as fêmeas tanto no inverno quanto no verão. Tabela 1: Médias da temperatura retal (ºC). O conhecimento dessas alterações fisiológicas entre sexo é fundamental na adequação do sistema de produção oferecendo assim. freqüência respiratória (mov/min) e temperatura da superfície corporal (ºC) antes (manhã) e após (tarde) o estresse calórico. (2006) encontraram diferenças entre sexo para freqüência respiratória no turno vespertino quando trabalharam com bovinos cruzados. Ferreira et al. raça. Fonte: Ferreira et al. O animal começa alterar sua fisiologia quando o ganho de calor do ambiente mais o calor metabólico são maiores que a perda de calor na forma sensível. através da sudorese e respiração. conhecido como gradiente térmico. Essas diferenças fisiológicas. um ambiente confortável aos animais de acordo suas . desde que a umidade relativa do ar esteja entre 60 a 75%. no verão (VER) e no inverno (INV). Há uma carência na literatura de dados fisiológicos de machos e fêmeas em função do ambiente. de bovinos ½ Gir x ½ Holandês. em função do sexo. dependem muito da espécie. idade e estado reprodutivo. a perda de calor é maior na forma latente. (2005) Por sua vez.Os ruminantes para manterem sua homeotermia. requerem a existência de um equilíbrio entre o ganho e a perda de calor com o ambiente. Quando isso acontece. (2005) trabalhando com bovinos da raça Sindi no semi-árido não encontraram diferenças fisiológicas entre machos e fêmeas. Silva et al. tamanho.

36to + 41. para a relação com o desempenho do animal (KELLY e BOND. levando em consideração o efeito combinado da radiação solar . em ºC to = temperatura do ponto de orvalho.especificações físicas.36 (constante adimensional) 41.direta e indireta . Para avaliação e adequação do conforto térmico de instalações são utilizados alguns índices de conforto térmico (índice de temperatura e umidade (ITU) e índice de temperatura de globo e umidade (ITGU)).5 Onde: . Índices de temperatura e umidade (ITU): Este índice leva em consideração pesos para temperaturas dos termômetros de bulbo seco e bulbo úmido. em ºC 0. fisiológicas e comportamentais. A equação que descreve o BGHI é: ITGU = Tg + 0. Os valores do índice podem ser calculados a partir da temperatura de bulbo seco mais uma medida de umidade: THI = ts + 0. Por isso.36 Tpo + 41. inclusive ovinos e caprinos. mais pesquisas deveriam ser feitas com várias espécies de animais. podendo desta forma superestimar o estresse dos animais com elevada rusticidade.2 (constante adimensional) Hahn (1985) coloca que: ITU < 70 = normal 71 até 78 = crítico 79 até 83 = perigo ITU > 83 = emergência Índice de temperatura de globo e umidade (ITGU): Buffington et al.2 Onde: ts = temperatura do bulbo seco. que inicialmente foram formulados e usados para bovinos de alta produção e carga genética.e a velocidade do vento. 1971). ou a temperatura do ponto de orvalho. (1981) desenvolveram o índice do globo negro e umidade como uma alternativa à equação do ITU. para adequar estes índices e estimar corretamente se o animal está ou não em ambiente confortável.

chegando à conclusão de que o ITGU é mais eficiente como indicador de conforto animal do que o ITU. . quando estes ficam expostos à radiação solar direta e indireta. por tudo posto acima. Os autores citados compararam o ITGU e o ITU. alertando o produtor e/ou técnico que é hora de realizar alguma providência: retirar os animais dessa área e/ou modificá-la. relativamente à radiação solar direta. Sendo. ºC. Possibilitam ter um diagnóstico real de desconforto térmico. °C. o que favorecerá os animais a demonstrar toda sua potencialidade genética e produtiva. fica mais fácil de corrigi-lo e proporcionar mais conforto e bem-estar. Tendo o conhecimento dos seus efeitos sobre a fisiologia e comportamento. À sombra. recomendável para indicar condições de estresse intenso. A National Weater Service .Tg = temperatura do termômetro de globo negro. O ITGU parece ser um indicador mais exato do conforto dos animais do que ITU. Tpo = temperatura do ponto de orvalho.EUA citado por Baêta (1985) coloca: ITGU até 74 = conforto 74 até 78 = alerta 79 até 84 = perigo ITGU > 84 = emergência Estes índices auxiliam na correção do ambiente que não se encontra de acordo as especificações da espécie. Portanto. fica evidente a importância do clima na sobrevivência dos seres vivos. ambos os índices apresentaram valores de mesma magnitude.