A UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA NOS TRIBUNAIS

O Instituto da União Estável é tratado no Título III, do Livro IV [Do Direito de Família] do Código Civil, pelos artigos 1.723 a 1.727, que dispõem, entre outras coisas, sobre o reconhecimento dessa entidade familiar, bem como da união estável entre o homem e a mulher. O art. 1.723 estatui que se configura a união estável convivência pública dos companheiros, de forma contínua e duradoura, com o propósito de virem a constituir família. Portanto, o legislador deixou claro que são quatro os requisitos essenciais para que se configure a união estável, na forma estatuída pelo art. 1.723, do Código Civil, a saber: a) que a união seja entre homem e mulher; b) que seja pública a convivência dos companheiros; c) que a convivência seja contínua e duradoura; d) que a união seja entre homem e mulher. O certo é que os tribunais já vêm enfrentando o questionamento no que diz respeito aos requisitos contidos nesse artigo. Tais requisitos são ou não imprescindíveis para que se reconheça a união estável, na forma aí estatuída?

A Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul respondeu a essa pergunta ao julgar a Apelação Cível nº 70012836755, em 21 de dezembro de 2005, na qual foi Relatora a Desa. Maria Berenice Dias, que entendeu serem dispensáveis os seguintes requisitos, para a comprovação da união estável, como se vê pela ementa que transcreve abaixo:

“APELAÇÃO CÍVEL. UNIÃO HOMOAFETIVA. RECONHECIMENTO. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA IGUALDADE. É de ser reconhecida judicialmente a união homoafetiva mantida entre duas mulheres de forma pública e ininterrupta pelo período de 16 anos. A homossexualidade é um fato social que se perpetua através dos séculos, não mais podendo o Judiciário se olvidar de emprestar a tutela jurisdicional a uniões que, enlaçadas pelo afeto, assumem feição de família. A união pelo amor é que caracteriza a entidade familiar e não apenas a diversidade de sexos. É o afeto a mais pura exteriorização do ser e do viver, de forma que a marginalização das relações homoafetivas constitui afronta aos direitos humanos por ser forma de privação do direito à vida, violando os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade. Negado provimento ao apelo”.

APLICAÇÃO DOS PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS DA DIGNIDADE HUMANA E DA IGUALDADE. além da analogia e dos princípios gerais do direito. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 1. DIREITO SUCESSÓRIO. da igualdade. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. contínua. Constitui união estável a relação fática entre duas mulheres. Assim. julgado em 9 de maio de 2003)”. impositivo que seja reconhecida a existência de uma união estável. duradoura e estabelecida com o objetivo de constituir verdadeira família. Sétima Câmara Cível. que se encontra devidamente regulamentada. configurada na convivência pública. Embargos Infringentes nº 70003967676. opera-se a partilha dos bens segundo o regime da comunhão parcial. “UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA. Incontrovertida a convivência duradoura. cujos julgamentos constituem-se em precedentes de vanguarda. definida a natureza do convívio. VISÃO ABRANGENTE DAS ENTIDADES FAMILIARES. A omissão do constituinte e do legislador em reconhecer efeitos jurídicos às uniões homoafetivas impõe que a Justiça colmate a lacuna legal fazendo uso da analogia. no seu entender.723. afastada a declaração de vacância da herança. Relator: Desª Maria Berenice Dias. Superados os preconceitos que afetam ditas realidades. pública e contínua entre parceiros do mesmo sexo. Embargos infringentes acolhidos por maioria (TJRS. observados os deveres de lealdade. REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL.725 E 1. . aplicam-se os princípios constitucionais da dignidade da pessoa. UNIÃO ESTÁVEL. além da contemporânea modelagem das entidades familiares em sistema aberto argamassado em regras de inclusão. Apelação Cível nº 70005488812. como se vê abaixo: “RELAÇÃO HOMOERÓTICA. Apelações desprovidas (TJRS. assegurando ao companheiro sobrevivente a totalidade do acervo hereditário. do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO. respeito e mútua assistência. 4º Grupo Cível. a Relatora transcreveu duas ementas de acórdãos análogos. ANALOGIA.658 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. O elo afetivo que identifica as entidades familiares impõe seja feita analogia com a união estável. Relator: José Carlos Teixeira Giorgis. ANALOGIA.No corpo do referido acórdão. julgado em 25/06/2003)”. PARTILHA DE BENS. 1. REGRAS DE INCLUSÃO.

o jurista Miguel Reale deixou claro.Esse. Por outro lado. Daí poder-se dizer que as decisões que acolhem o pedido de reconhecimento da união estável homossexual. quais sejam. não era o entendimento de Miguel Reale. para o reconhecimento da união estável como entidade familiar. dos quatro requisitos essenciais exigidos pelo art. que esse tipo de união estável deveria estar no Código Civil. a) união estável entre o homem e a mulher. Depois. que mudem primeiro a Constituição. no entanto. o Código Civil poderá cuidar da matéria”. como 3/5 dos votos do Congresso Nacional. 1. à margem do matrimônio”. Paulo. contrariando o que dispõe a respeito o Código Civil. ainda terá um longo caminho a ser trilhado até que a jurisprudência veja sedimentada essa posição favorável. estabelecendo a união estável entre o homem e a mulher “que legisladores apressadamente confundiram com o concubinato.723 do Código Civil. “se querem estender esse direito aos homossexuais. depois da necessária mudança daConstituição de 1988. b) com o objetivo de constituição de família. caso o Congresso Nacional não venha a decidir-se pela alteração da Carta Magna para permitir o que foi vetado em 1988. BIBLIOGRAFIA: http://pedrolusocarvalho. jurista e professor daUniversidade de S. disse que a pretendida união estável entre homossexuais é matéria que só pode ser discutida depois de alterada a Constituição do país. Lembrou que a Constituição de 1988 criou uma novidade. que em aula inaugural da Faculdade de Direito de Guarulhos. que. dois deles não foram levados em conta nos julgamentos supra. união irregular. Reafirmou Reale nessa ocasião. SP. Como referi. como se viu.com .blogspot.

 %#$ 2-.   04 .8 :.7./402 /02. .1..43899:390 0 /4 08. :89.0 #0.47.0. /0.03/4 :84 /.4397.42 .3074 84-70../:7.430.3..109../.109. 07. 5-.039705.079/./.3.0  6:0 80 03.:3./.94708 ..8 039/.4 6:0 80. .2039. 1.0.H3. :34 089E..  2-. 089H3.4/485472.0390 .   42884 /4 ..0  . 0.748317303908.4 /0 ..4 6:0 /0391.8 250 6:0 .425./47 02 70.430.20390 70:. ././08 1..0703. .4.880:7..43974.708 250 80.3. 70. .. 109.3. .0748/4 20824 804  25489..2.07 010948 :7J/. /0.. .3/4 .748 3173039083     7:54J. /0 :2.4/0     .4./0 /4 .90 . . /..    &  $% '   %'  #%  $&$$ #     3.7.42.439J3:..07./4:7.4 .4 070/9E74  . 949.7.48 8 :308 424..43. :34 089E.89./.

3.57088.394 3407.403903/20394/0:0#0./4708 .43././0/0$ !.424 ..880 34039.48 424880:.42 4 .1724: #0.0574108847 /.8  6:0 2:/02 572074 .0 03970 424880:. 43899:4  . /0548 /0 ./.74: :2.702 /4 2. 2:07 6:0 08.-00.907.&3. :34 089E.J8  02-74: 6:0 .:.94  :34 770:./0  089./. 4./.078/. :34 089E.::7.431:3/7. 570903//. 43899:4 /4 5.9F7.84  6:0  80 6:0702 08903/07 0880 /7094 ..2 .:-3.97234  #0. . 6:0 8O 54/0 807 /8. 34.8 F 2.0 03970 4 4202 0 .:/./0/07094/0 :.03/4 .7:48  $!  /880 6:0 .0 :789.43899:4 /0 .:9/.20390 .0 3088..7   2.:4 6:002.

808 6:0 .5072974 6:014.  .7/.80/48504..4948 /4 4370884.8 80..43899:4/0       . . 088.79  /4 O/4 .74  . :0 #0./4 .0 03970 4 4202 0 .4/./0./48 02 .424 80 .234.. :7857:/H3.  !47 4:974 .43.430.84 4 4370884 .8 /0. /48 ...907.3.  .  6:. 5484 1.4 /0 .  /0548/.20394 /..54/07E.2:/.0 424880:.4397. 089.7.7.3./.2.79. 907E :2434 ..9F 6:0 . :34 089E..3/.088E7.439.43.0  ./7 8050.424 039/.0 ...J 54/07 80 /07 6:0 .07.30.:  6:0 0880 954 /0 :34 089E.09./4  4 :789..42 4 4-09.3/4 4 6:0 /850 ./402    #  995. 807 97.2 0.20394 /. 348 :.7  /48 /008 34 147. 80/2039.2 .974 706:894808803.0.7. :34 089E.0 /0.03.. 2:07.5. 4 70.430./.402 4 50//4 /0 70.0 /04: .  5.203948 8:57.. 7085094 4 O/4 .9F7.:/.43899:4 /0 1.34. 0548 4O/4.2.7 34O/4 . :34 089E.47E./0 1...   42470107 /486:.2J.

.

50/74:84.42 .7..4 -48549 ..