730

A PRODUÇÃO DO ESPAÇO DA CIDADE: O LAGO IGAPÓ NO CONTEXTO DE LONDRINA-PR Carlos Alexandre de BORTOLO Mestrando em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina, Rua Delaine Negro, 55 apt 304 Bl Júlio Ribeiro - Bairro Alto da Colina Londrina-PR, Cep: 86055-680 bortologeo@yahoo.com.br Tânia Maria FRESCA Professora Dr(a) do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina, Av. Garibaldi Deliberador, 231 apt 31 – Jardim Cláudia, Londrina-PR, Cep: 86050-280 tania_geografia@yahoo.com.br Resumo O trabalho apresenta algumas idéias e elementos para refletir acerca da produção do espaço da cidade. Utilizando como exemplo a cidade de Londrina-PR. As discussões aqui apresentadas relacionam com a produção dos espaços da cidade, aquela da produção e reprodução das relações sociais num determinado tempo e espaço e seus principais agentes produtores. Observamos também a cidade como um produto/mercadoria para compreender como se processa as inúmeras formas de valorização do solo urbano. E como exemplo da produção do espaço urbano trazemos o Lago Igapó em Londrina-PR que se apresenta como uma área de lazer e que os espaços em seu entorno encontram-se valorizados devido as diversas formas de produção, ocupação e apropriação do espaço do Lago Igapó e suas adjacências. Como se processou e processa toda a ocupação das áreas e os principais processos de valorização pelas novas formas de morar nos condomínios sejam eles horizontais ou verticais. Palavras-chave: Espaço urbano, Cidade, Agentes produtores, Lago Igapó, LondrinaPR.

THE PRODUCTION OF SPACE CITY: LAGO IGAPÓ IN THE LONDRINAPR CONTEXT. Abstract The paper presents some ideas and elements to reflect concerning the production of city space. Using as example the city of Londrina-PR. The quarrels presented here relate to the production of city spaces, that the production and reproduction of social relations in a given time and space and its main producers. We also observed the city as a product / commodity to understand how it handles the many forms of recovery of urban land. And as an example of production of urban space bring Lago Igapó in Londrina-PR which presents itself as a leisure area and the spaces around them are valued because of the different forms of production, ownership and occupancy of the area of Lago Igapó
I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP

731

and its neighborhoods. How you handle and process all employment areas and key recovery processes for new ways to live in the condos they are horizontal or vertical. Key words: Urban Space, City, producers agents, Lago Igapó, Londrina-PR. INTRODUÇÃO Este trabalho surgiu de alguns questionamentos sobre como ocorrem os processos que dão forma ao espaço e como se dá a organização do espaço urbano, para isso foi preciso partir do pressuposto que a maneira como este espaço está estruturado atualmente é fruto de todo um processo histórico, político e social que modela as cidades e lhes dão características únicas. Com estes processos ocorrendo de forma simultânea, como as mudanças e permanências no espaço, processos estes que ocorrem simultaneamente, com a permanência de obras (no sentido proposto por Lefebvre e, conjuntamente, como um objeto técnico, na definição de Milton Santos) de um tempo pretérito como os centros velhos das grandes cidades cujas construções adquirem novos usos devido a nova organização do espaço, e monumentos com uma nova forma e um novo tipo de uso do espaço que representam a dinâmica do tempo presente. Buscaremos neste estudo tecer idéias acerca da diferentes formas de produção da cidade e seus principais agentes produtores. O espaço, sendo este ocupado, definido e redefinido de forma desigual “a partir da necessidade de realização de determinada ação, seja de produzir, consumir, habitar ou viver. Iremos com isso, observar a cidade como um elemento de produção, um produto/mercadoria. Desta forma, observando que o espaço urbano capitalista é fragmentado, articulado, reflexo, condicionante social, cheio de símbolos e campo de lutas, como afirma Correa (2002), entenderemos que ele deve ser empreendido como um produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo e engendradas por agentes que produzem e consomem o espaço. Tais agentes sociais são concretos e suas ações são complexas, sendo estas ações derivadas da dinâmica de acumulação de capital, e das necessidades multáveis da reprodução das relações de produção. Para com isso, pensar o espaço do Lago Igapó na cidade de Londrina-PR como um elemento diferenciador no processo de produção da cidade. Observando que o processo de expansão físico-territorial da cidade de Londrina e as áreas de maior valorização se encontram nesta área. O Lago Igapó, a implantação do Catuaí Shopping Center e as políticas que implementam e facilitam o acesso a tais áreas fazem com que
I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP

A partir deste ponto. cidadão.06) “Uma das principais características do espaço urbano da cidade é que cada parte mantém relações espaciais com as demais áreas da cidade. do ponto do território onde se está (SANTOS. preço) independentes de sua própria condição. para melhor ou para pior em função das diferenças de acessibilidade (tempo. Daí a busca de se entender a produção deste espaço na cidade de Londrina-PR e como se evidencia tal processo. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . 2002). Este conjunto de relações se dá com o exterior. em larga proporção. a mesma formação e até o mesmo salário têm valor diferente segundo o lugar onde vivem. 1987 p. este. é o principal espaço onde ocorre os conflitos sociais (CORREA. também sendo evidenciado os maiores números de investimentos de capital e mais. A cidade deve ser encarado como um conjunto complexo: é. Seu valor vai mudando incessantemente. Milton Santos nos mostra a importância da localização no espaço intra-urbano quando escreve: Cada homem vale pelo lugar onde está: o seu valor como produtor. Essa ligação ocorre através do deslocamento de idéias. A PRODUÇÃO DA CIDADE E SEUS AGENTES PRODUTORES O interesse maior em conhecer e estudar aspectos relevantes sobre a cidade se deriva do fato de ser um lugar onde está à maior parcela da população. Pessoas com as mesmas virtualidades. Sendo neste lócus que ocorre a disputa entre as classes sociais. simultaneamente. depende de sua localização no território. uma engrenagem num outro conjunto afirma Beaujeu-Garnier (1997). com uma intensidade muito variável”. Para Correa (2002 p. freqüência. consumidor. econômica) e também um intermediário.81). As oportunidades não são as mesmas.732 elas se tornem as mais valorizadas da cidade. social. Por isso a possibilidade de ser mais ou menos cidadão depende. a localização do indivíduo e sua acessibilidade ao centro de bens e serviços da cidade. a disputa pelas melhores localizações. ela própria. informação e pessoas. observamos uma questão primordial para a apreensão do espaço urbano. existe e tem uma (estrutura espacial. os dois aspectos reagem um sobre o outro de múltiplas maneiras.

O espaço é ocupado. extensão e volume. que ocorre diferencialmente no tempo e no lugar e que ganha materialidade por meio do território (SANTOS. deixam aí suas marcas. realidade concreta e estrutura invisível. meio e produto da realização da sociedade humana em toda a sua multiplicidade (SANTOS. consumir. como por exemplo. simultaneamente. Cada sociedade acaba produzindo seu espaço e as forças produtivas não conduzem somente à produção de coisas. e nesse I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . 2002). p. Esses diversos elementos que compõem a existência comum do espaço levam os homens a inscreverem-se no espaço. definido e redefinido de forma desigual “a partir da necessidade de realização de determinada ação. mas àquilo que contém as coisas. Portanto. ocupar um lugar no espaço urbano (considerando-se que. ligações através de avenidas. a cidade aparece como mercadoria apropriada diferentemente pelos cidadãos. Harvey coloca que [. afirma Lefebvre: “Social e politicamente. de outro tem uma dimensão real e concreta como lugar de realização da vida humana. Reproduzido ao longo de um processo histórico ininterrupto de constituição da humanidade do homem. certamente como tudo. 1980).. Ao produzir sua existência. continuamente. então há uma disputa pelas melhores localizações. 1969. este espaço é. Geralmente nas cidades brasileiras os terrenos mais caros se localizam próximo ao centro ou com um acesso direto a ele.] “o processo social de determinação do salário é parcialmente modificado por mudanças na localização das oportunidades de emprego (por categorias) comparadas com mudanças em oportunidades residenciais (por tipo)” (HARVEY. Se de um lado o espaço é um conceito abstrato. Lugar onde se manifesta a vida. o espaço é condição. Assim. Todos os terrenos têm graus de acessibilidade diferentes entre si. sustentado na prática do consumo. 1994). habitar ou viver” (CARLOS.. as estratégias de classe (inconscientes ou conscientes) visam à segregação” (LEFEBVRE. geralmente é aquela que possui as melhores amenidades e uma boa acessibilidade ao centro de bens e serviços. Essa apropriação se refere às formas mais amplas da vida na cidade.90). a sociedade reproduz. distância e relação. A melhor localização. seja de produzir. consiste em participar do consumo. 2002). 1975). esse lugar já possui um sentido e significado). Essa acessibilidade é fruto de um trabalho socialmente produzido. Portanto.733 Ratificando o papel da localização. este é também o plano da reprodução. Uma vez que a vida na cidade é orientada por um processo de produção que se completa com as relações de mercado. o espaço. quer dizer o espaço (LEFEBVRE.

como de disciplinas que integram recortes analíticos que possibilitam o estudo da estruturação da cidade. A disposição espacial das pessoas na cidade obedece à determinação de classes.. o qual direciona esse processo sob a perspectiva de uma economia política da urbanização compreendida conjuntamente com uma economia política da cidade. o da acumulação do capital e da realização da vida humana. 01). participantes ativos na construção social de nossas espacialidades (SOJA. em determinado espaço e tempo.. A dimensão espacial das nossas vidas nunca foi de maior relevância prática e política como é hoje. entre outras. momentos diferenciados da reprodução geral da sociedade. A urbanização contemporânea articula-se às dinâmicas do modo capitalista de produção. p. de forma que os lugares ordenam-se representando em forma e conteúdo a situação sócio-econômica dos grupos que os ocupam. [. nesse sentido o ato de produzir a vida é também um ato de produzir a produção do espaço.734 contexto se coloca a cidade como o lócus privilegiado das lutas de classe. como o da dominação política. Portanto. e sempre fomos. inexoravelmente. As inúmeras transformações ocorridas na cidade em razão de determinações de ordem socioeconômica.. intrinsecamente seres espaciais. Destarte.] Nós estamos se tornando cada vez mais conscientes que somos. tendo em vista que a produção do espaço urbano sob tais perspectivas os envolvem com os meios que o caracterizam o ambiente construído. Por conta disso. estética. 1996. Esse referencial analítico do espaço urbano no qual nos fundamentamos teoricamente está embasado aqui na idéia de Carlos (2004) de que a análise espacial da I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP .. também se tornando meios de consumo urbano. Tem sido tema de interesse de diversos pesquisadores. a estruturação dos espaços urbanos e os objetos que os constituem não podem ser tomados. E Carlos (2009) diz ainda que. a noção de produção está articulada. ambiental. a análise do processo de produção do espaço urbano requer a justaposição de vários níveis da realidade. Soja (1996) afirma que . àquela de reprodução das relações sociais lato sensu. nem analisados. como simples objetos estruturantes da base material. pois o motor do processo é determinado pelo conflito decorrente das contradições inerentes às diferentes necessidades e pontos de vista de uma sociedade de classe. lazer.

[. ele deve ser produzido para que possa aparecer no mercado como mercadoria. A autora inclui ainda as possibilidades como sendo constitutivas do ser humano. o que significa dizer que. Carlos (2009) nos apresenta que a noção de produção do espaço apresentada na obra de Marx e de Lefebvre. Colocando assim. não permitindo análises fragmentadas ou dicotômicas.735 cidade. aquela de reprodução das relações sociais num determinado tempo e espaço. de um lado.. pode ser pensada. mas também o conjunto dos processos e relações sociais. a realização de um pensamento de que a noção de produção se remete a “produção do próprio homem”. 2009). sendo esta capacidade criadora de obras” (CARLOS. social e histórica. ao produzir sua vida. Destarte. Para essa autora. esses conteúdos devem se entrelaçar. formar e produzir pelo próprio trabalho e sua atividade. a noção de produção do espaço traz implícita a idéia de atividade como ação transformadora da sociedade. as condições de vida da sociedade em seus múltiplos aspectos. no que se refere ao processo de produção. de outro. 2004). A cidade. Esse pensamento não concebe apenas a produção material. a noção de produção deve estar articulada inexoravelmente. apenas no plano explicativo. Na vida urbana.] “É fundamental do ser humano o ato de criar. para a especulação. por seu conteúdo físico e. especificamente. envolvendo um conjunto de elementos. Isto é. na medida em que as relações sociais se materializam num território material e concreto. modificando a natureza e impondo uma dinâmica que é. produção/reprodução das relações sociais em todas as suas dimensões. a noção de produção deve referir-se a produção do homem. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . O ESPAÇO DA CIDADE COMO PRODUTO/MERCADORIA O processo de produção do espaço contém como pressuposto a natureza. Mas pode também ser direcionado. a sociedade produz/reproduz um espaço enquanto prática (CARLOS. Para este solo ser consumido. fundados na atividade humana produtora e transformadora. tem uma dimensão filosófica. revela a indissociabilidade entre espaço e sociedade.. por seu conteúdo social. em essência. Visto isso. ou seja. o solo pode ser consumido em atividades produtivas ou para a habitação. por lapso de tempo. fundamentada no pensamento lefebvriano. visto a complementaridade entre as dinâmicas e processos que os constituem.

1989). Temos que lembrar. e engendradas por agentes que produzem e consomem espaço. Deste modo. circulações de decisões.11). entram em cena. 2002. resultado de ações acumuladas no tempo. O espaço urbano capitalista . mais-valia. Este é fortemente dividido em áreas residenciais I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . vários agentes que de maneira complexa e distintas vão provocando constantemente um processo de reorganização espacial. na medida em que orientam o tipo de classes que ocupará uma ou outra parcela do espaço. que uma das características fundamentais do processo de produção da cidade é a produção de um bem. cheio de símbolos e campo de lutas – é um produto social. e se tratando de um produto social. ocorre de um modo menos visível como por exemplo.736 Sposito (1990) nos apresenta que o mercado é importante porque condiciona (pela oferta e pela demanda) as razões da apropriação dos lotes urbanos por parte de consumidores e investidores. Essa organização espacial da cidade capitalista se da pelo conjunto de diferentes usos da terra. articulado. salários e juros Correa (2002). São agentes sociais concretos. o espaço se apresenta como um produto social em constante processo de reprodução que se da mediante a reprodução das relações sociais. O autor apresenta esse espaço como um elemento fragmentado. investimentos de capital. via divisão social do trabalho (CORREA. monopolizam e criam o espaço urbano das cidades. mantendo cada uma das partes relações diversas umas com as outras. e não um mercado invisível ou processos aleatórios atuando sobre um espaço abstrato (CORREA. porque não existe a capacidade de cada um destes produzir individualmente o solo. Estas relações devem ser caracterizadas não apenas de formas visíveis como os meios de transporte. seus deslocamentos etc. p. E não distante dessa discussão temos uma terceira situação que é o espaço da cidade capitalista como reflexo social. condicionante social. Correa (2002) nos faz entender como se processa a produção da cidade e como ela é produzida e também quais são os agentes encontrados.é fragmentado. Destarte. através de diferentes formas de usos que ao mesmo tempo deve ser empreendido de maneira articulada. reflexo. Neste momento de nossas discussões devemos evidenciar que os promotores imobiliários planejam. mas sim. fruto do processo social de trabalho enquanto processo de valorização.

O processo de reprodução espacial na cidade se realiza na articulação de três níveis: o político (que se revela na gestão política do espaço). do processo de internacionalização do capital na contemporaneidade. o econômico (que produz o espaço como condição e produto da acumulação) e o social (que nos coloca diante das contradições geradas na prática socioespacial como plano da reprodução da vida). ele passa a ser profundamente desigual. ao consumo e à habitação. 1991). Estes agentes sociais são concretos e suas ações são complexas. específico das sociedades urbanas dirigidas e dominadas por relações de produção capitalista. Correa (2002) ainda nos apresenta que o espaço urbano sendo ele reflexo social e fragmentado. 2001) e funcional do ponto de vista socioeconômico. a renovação de infraestruturas de mobilidade e a construção de espaços e equipamentos seletivos voltados aos negócios. Um espaço próprio à fase atual do capitalismo vem sendo produzido. e das necessidades multáveis da reprodução das relações de produção (CORREA. A emergência da cidade-mercadoria sinaliza um novo patamar no processo de mercantilização do espaço. Dizendo isso. Tendo as formas espaciais papel importante na reprodução das condições de produção e destas relações de produção.737 segregadas. observamos nas atuais circunstâncias que a atuação dos diversos grupos produtores do espaço urbano (CORREA. produto do desenvolvimento do mundo da mercadoria. resultado de ações acumuladas através do tempo e engendradas por agentes que produzem e consomem o espaço. 2002). articulado. reflexo. conseqüentemente. condicionante social. como condição de reprodução do capital e dominação do Estado. observamos em curso a predominância da cidade. 2002) denotam a primazia pela produção de uma cidade enquanto mercadoria (CARLOS. Por outro lado. levando assim a refletir a complexa estrutura social em classes. Tais processos estão imbricados nos processos históricos de acumulação do capital no urbano. cheio de símbolos e campo de lutas. ambas esvaziadas do sentido da vida I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . entendemos que ele deve ser empreendido como um produto social. sendo estas ações derivadas da dinâmica de acumulação de capital. com a adaptação técnica do território. Desta forma. A articulação desses níveis se efetiva pela mediação do Estado. observando que o espaço urbano capitalista é fragmentado. que organiza as relações sociais (e de produção) por meio da reprodução do espaço. e com isso o condicionamento social presente neste espaço é visível. contraditório no que tange à realização do “direito à cidade” (LEFEBVRE. No entanto.

para assegurar as condições mínimas de reprodução da força de trabalho ou quando as pressões dos “de baixo” se tornam irresistíveis. damos uma maior atenção ao papel desempenhado pelo Estado. como pretende os modelos neoclássico-liberais.738 humana (CARLOS. não há dúvida de que no cenário capitalista ele expressa o seu interesse. Entre interesses sociais de cunho coletivo e interesses econômicos de natureza individual e privada. pois. regulador. da revolução tecnológica em curso e de rearranjos na gestão pública. empreendedor e planejador nos diferentes momentos de sua atuação na questão de produzir o espaço. provendo as áreas de interesse do capital e das classes dominantes de benefícios que são negados às demais classes da sociedade. Embora ele também não deva ser concebido apenas como mero instrumento político. como querem certas teorias marxistas ortodoxas. 2004). Vários são os responsáveis pela evolução da estrutura urbana no tempo. Daí é de se esperar que a ação pública venha contribuir efetivamente para a construção diferenciada do espaço. e sem descuidar da ação exercida por outros agentes modeladores do espaço. Com essas rápidas transformações provocadas pela globalização econômica permite-se questionar como será a geografia resultante do processo de reorganização do capital. uma participação neutra no contexto urbano. fazendo concessões apenas quando estas se evidenciam necessárias. presenciamos uma relação desigual e combinada de contraposição entre o público e privado na cidade. sendo este um dos agentes mais importantes e complexos de se entender quando se trata de tecer análises acerca da produção da cidade. Deste modo. produtor. Em função das necessidades da reprodução e acumulação capitalista. Com isso o Estado se apresenta como gestor. O mesmo ira intervir de inúmeras maneiras. O Estado não tem. o papel do Estado no campo econômico tem sido o de garantir condições à reprodução do capital. prevalece o último. ou seja. o papel do Estado na atuação de produção dos espaços da cidade deve ser encarado em diversos momentos e situações. Analisálos de forma detalhada seria tarefa por demais complexa e por esta razão. A gestão pública pode ser entendida como a situação em que o Estado assume seu papel de gestor e articulador de políticas públicas por meio de instâncias políticoadministrativas. Apesar de se constituir em agente distinto do capital. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . ou como uma instituição estabelecida pelo capital.

enfim. Em outros termos. como forma de valorização do capital. Nesse sentido. os agentes financeiros. segundo os quais o acesso à terra urbana ocorre fundamentalmente pela via do mercado – definidor dos preços – através dos mecanismos clássicos da lei da oferta e da procura. Ainda que não se constitua num bem produzido. o preço da terra urbana não decorreria de sua oferta. sensível as mudanças observadas no campo financeiro (RANGEL. uma demanda especulativa que em última instância. antes de mais nada. é que o que determina o comportamento do preço da terra. Em outras palavras. os investidores finais. estão envolvidos vários agentes.739 Na produção do espaço urbano e na circulação da mercadoria “moradia”. portanto. Por outras palavras Rangel (2005) [. Ribeiro (2003) sustenta que. no Brasil e no presente de seu desenvolvimento. decorre da procura ou da demanda capitalista por solo. a questão da terra. Através de um capital de circulação. o preço que a terra urbana adquire.. p. emergiu essencialmente como uma questão financeira.146). o preço da terra urbana não pode ser regulado pela lei da oferta. para compor a demanda total. isto é. De acordo com Ribeiro (2003) à medida que não é um bem produzido.] a terra não se redistribui. o agente incorporador viabiliza o acesso à propriedade fundiária e equaciona a questão da solvabilidade. E tal resposta a este valorização está ligada devido a demanda de terra para fins de cultivo ou construção. intervindo no mercado. por não estar submetida à lei do valor. o capital construtor. da renda diferencial II e da renda absoluta – mais sim pelo que propus de quarta renda. e é cara não apenas por motivos convencionais – capitalização da renda diferencial I. subdivide-se. porque se tornou proibitivamente cara. a terra urbana adquire um preço. É justamente a demanda variada por solo. já que não há lei que regule sua oferta. um problema financeiro.. mas sim da demanda representada por agentes econômicos que têm nesse bem não-produzido o suporte e a condição de realização do capital. cada qual envolvido em circuitos específicos de valorização. 2005. Rangel (2005) fala na questão da produção imobiliária para fins da construção. 2005). este é. que determina uma hierarquia de preços fundiários. como o proprietário fundiário. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . a de expectativa de valorização (RANGEL. não submetido à lei do valor. o incorporador. Em geral a terra tornou-se caríssima no Brasil afirma Rangel (2005). Tecendo considerações críticas a respeito dos pressupostos da economia neoclássica. constrangimentos que estão na base do atraso das forças produtivas do setor construtivo.

Trava-se. como exige o direito. o lago permanecia bastante descuidado e com pouco uso público efetivo. Logo depois da construção da barragem o espaço em questão sofreu um processo de desvalorização. O LAGO IGAPÓ E A CIDADE EM EXPANSÃO O Lago Igapó foi inaugurado como atividade comemorativa do Jubileu de Prata em (10 de Dezembro de 1959) na cidade de Londrina. passagens de caminhões pesados. que os clássicos não estudaram. uma disputa dos agentes capitalistas pelos terrenos localizados em áreas dotadas de maior quantidade de trabalho incorporado. geradoras de sobrelucros de localização” (RIBEIRO. monopolizáveis. ela faz do título imobiliário um ativo imobiliário. principalmente pela abertura da via de acesso que foi o prolongamento da Rua Senador Souza Naves. que se materializa. p. por exemplo. Asari e Tuma (1978) apresentam que desde sua inauguração. A decisão de localizar determinado empreendimento implica em “internalizar” os efeitos úteis de aglomeração. Tanto assim que nas suas margens havia a presença de curtumes. O Lago Igapó e toda a área do entorno ficará literalmente as moscas até que o prefeito Dalton Paranaguá (1969 a 1973) procurou desenvolver um projeto de revitalização. 2003. de exploração da força de trabalho – como no tempo destinado à produção da própria casa. portanto. porque também ela se valoriza. Isso significava que tal terreno teria sido implantado em uma área I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . Nas palavras de Ribeiro. e que se aplica inclusive à terra que não é utilizada. “o sentido econômico desta decisão é a busca de controle de certas condições da produção não-reprodutíveis. Aos poucos foram sendo dotadas de infraestrutura as áreas do Lago Igapó. nas obras de infraestrutura. o que reforça a convicção do papel que deve ser exercido pelo Estado no sentido da ampliação das oportunidades de acesso aos benefícios urbanos e promoção da justiça social. sendo reservado um terreno em torno da margem norte do lago para área de lazer público. portanto. etc. A dinâmica da produção do espaço urbano no Brasil realimenta um permanente processo de exclusão e segregação e. como as ações e as obrigações e objetivamente para a capitalização da terra pela via da compra e venda. 45). Mais ainda. objetivo dos agentes econômicos. de forma secundária. contaminação da agricultura.740 Esta é uma renda peculiar afirma Rangel (2005).

Era mister eliminar os focos de contaminação e poluição que se localizavam nas favelas e fundos de vale. sn). filas. iniciaram as primeiras ocupações e também a chamar a atenção da população da cidade. sempre encharcados Asari e Tuma (1978). Outro elemento importante para compreender o descuido vivido pelas áreas do lago após alguns anos de sua inauguração era na construção e seu entorno um lixão que hoje nesta área se encontra o atual Conjunto Jerumenha. dissera “Isso aqui é muito bonito”. chupando sorvete ou andavam de pedalinho (FRAZÃO. o espaço projetado e construído fica anos abandonado sem todos os equipamentos que foram prometidos. e sua permanência na cidade fora I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . 2009. se encontrava abandonado neste período. este ficou relativamente abandonado. p. logo após sua inauguração. a prefeitura começava a dotar a área do lago com inúmeras infraestruturas que buscavam na prática do lazer utilizar o Lago. que previa uma “revolução urbana”.. visto o quase que total abandono desta área. transformando em áreas de lazer para a população. O Lago Igapó que em sua inauguração foi considerado o sonho e o presente do Jubileu de Prata do município. O plano incluía o saneamento dos locais que serviam de criadouros de mosquitos e caramujos. O Jornalista Marcelo Frazão do Jornal de londrina em sua reportagem em julho de 2009 apresentou-nos que mesmo com a necessidade ainda muito grande da demanda de uma melhor urbanização e provimento de infraestrutura na área do Lago Igapó as pessoas iam ao lago nos fim de semana.] carros. outros preferem esperar a sombra das árvores. Acrescentou ainda [. Desta forma.. O paisagista queria produzir muito mais que um cartão postal como o Lago Igapó é visto nos dias atuais. O projeto de urbanização do lago nos anos de 1970 visou melhorar a saúde da população e a qualidade de vida naquele momento. e até estacionamento já se encontravam lotados e isso se tornava costumeiro. No decorrer dos anos de 1960 e findar de 1970. Pois faltava infraestrutura e as condições gerais para a população não eram boas. da necessidade de áreas de lazer propostos pelo prefeito Antônio Fernandes Sobrinho. O paisagista Roberto Burle Marx em visita a Londrina na sua chegada as margens do Lago.741 distante da então malha urbana efetivamente ocupada. Todo o discurso de embelezamento. Uns correm logo para a água (poluída). Tal projeto fora projetado e planejado por Roberto Burle Marx.

cresce e se desenvolve juntamente ao processo de expansão e crescimento da malha urbana da cidade de Londrina nos idos das décadas de 1960 e 1970 se tornando um espaço interno e uno ao tecido urbano da cidade de Londrina. Os vazios urbanos. projeto pensado e desenhado para cada setor da sociedade londrinense.500 metros. observa-se que o Lago Igapó nunca tinha concentrado tantas pessoas anteriormente como na entrega das obras de saneamento e urbanização. Tal crescimento neste ultimo sentido se deu em maior extensão devido à construção dos “cinco conjuntos” habitacionais na Zona Norte da cidade de Londrina. não saíram do papel. mais que deixou marcas expressivas. Com isso. Estavam presentes o Prefeito José Richa. Deste modo. ao analisar esta área da cidade de Londrina é possível compreender que a cidade é produzida e reproduzida através das ações de diferentes agentes que atuam no decorrer da história. Burle Marx queria um projeto para criança. Burle Marx já pensara em inúmeras idéias para valorizar tal área da cidade. vereadores e representantes de classe.67 vezes mais que a ultima década. Luiz (1991) afirma que entre as décadas de 1970 e 1980 ocorreu uma considerável expansão urbana na cidade. A população da cidade compareceu em peso para comemorar estas obras. Mas com o passar dos anos fica evidente que a maior parte das obras propostas no projeto elaborado na década de 1970 por Burle Marx. atingindo 57. o vice prefeito Manoel Barros de Azevedo. Ficou bem claro que uma das principais preocupações do paisagista era de formatar espaços que fossem não apenas belos jardins. o espaço do Lago Igapó evolui. Mas não se demorou muito com essa crescente expansão da malha urbana de Londrina para que ocorresse o alastramento de loteamentos imobiliários. o extremo sul da cidade de Londrina possuía apenas alguns bairros que se apresentavam com ocupações definidas: o Ouro Branco. não eram anteriormente ocupados devido a falta de acesso da malha viária e pelos obstáculos naturais que ali se apresentavam. secretários municipais.9 km de área urbanizada. Parque das Indústrias e o Jardim Piza. Deve ficar claro que o autor apresenta que a maior extensão de crescimento ocorreu nos sentidos leste-oeste com 11. além de autoridades estaduais e federais. Até o final da década de 1960 I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . jovem e adulto. Oliveira (1986) afirma que até o final da década de 1970.000 metros e no sentido norte-sul tendo crescimento de 13. aumentando assim 1.742 apenas de uma semana. Com isso. O espaço do lago foi ganhando aos poucos áreas que caracterizavam como um espaço de uso público e praticas esportivas e de lazer para a população de Londrina.

caracterizando assim. Itatiaia II. os loteamentos São Jorge e Nikko eram os mais antigos e com as maiores taxas de ocupação. e os Conjuntos Habitacionais. a área urbana da cidade de Londrina mais que duplicou. apenas 83.743 (OLIVEIRA. Mediterrâneo. Cristo rei e Santos Paulo. Mas o autor ainda nos diz que [. Colonial II. Tais disputas se pautam em regras do jogo do capitalismo. 1986).. este seria o “São Jorge” que para o momento tinha o formato de chácaras para descanso. apenas ocorrera a expansão da área física motivada principalmente pelo lançamento de novos loteamentos. Dentre essas ocupações. Conjuntos das Flores. porém sem haver a necessidade de uma ocupação de todos os lotes. Esperança. Três Marcos e Residencial Igapó II.. Bourbon. é assemelhada ao capital. Verificava-se que apenas 5 dos loteamentos existentes naquele período possuíam mais de 5 edificações. p. pois eram os mais próximos a malha urbana da época (OLIVEIRA.. cerca de 84% da oferta de lotes nos períodos de 1970 até meados da década de 1980 são representados por lotes sem nenhuma ocupação. a qual por isso e só por isso proporciona renda e em conseqüência.. tendo isso como uma estratégia do poder público local para resolver o problema da habitação e I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . Fresca (2002) observa que entre os anos de 1970 e 1980 foram entregues a população mais de 32 conjuntos habitacionais em toda a cidade de Londrina. é lógico que o solo urbano seja disputado por inúmeras formas de uso. Tucano II. Nikko. que se fundamenta na propriedade privada do solo. ou seja. Acapulco. uma intensa especulação de terras. lançados pela Cohab-Ld – Companhia de habitação de Londrina. PML – Prefeitura Municipal de Londrina e Inocoop. 1986. Singer (1982) aborda que sendo a cidade uma imensa concentração de gente exercendo as mais diferentes atividades. Em estudo realizado por Nakagawara e Ziober (1984) referente aos índices de ocupação das áreas da zona sul da cidade de Londrina.25). 1986) apresenta que havia apenas um loteamento na zona sul da cidade.] (OLIVEIRA.] após a década de 1970 até meados da década de 1980 verificou-se a instalação de 17 loteamentos: Colonial I.Instituições de Orientação ás cooperativas habitacionais do Paraná[. A partir de 1970 até os anos de 1985. 1986) podendo-se verificar que apenas 3 loteamentos apresentam mais de 10% de seus lotes com edificação.93% das edificações estavam agrupadas em 5 loteamentos (OLIVEIRA. Alcântara. Del Rei.

em meados dos anos de 1980 o Lago Igapó vai se tornando aos poucos um espaço público de lazer mais visitado e melhor visto. No ano de 1984 pode ser observado que tal espaço com incentivos da prefeitura. p. Deste modo. com 740 casas e sucessivamente vieram o Parigot de Souza I e II com 1. 2002. 1991). Mas a partir dos anos de 1980 Fresca (2002) afirma que Deram início a construções de núcleos maiores na cidade de londrina. Vivi Xavier e Luz de Sá com 1000 unidades habitacionais cada um. Até certo momento a Cohab- Ld e a INOCOOP construíram conjuntos habitacionais menores afirma Fresca (2002) ocupando espaços menores na malha urbana da cidade. mesmo já com o traçado das ruas bem definidos (LUIZ. podendo-se dizer que até por completo. todos estes localizados na zona norte da malha urbana (FRESCA. 2002). Aquiles Stenghel. Apresentando o crescimento demográfico acelerado devido o resultado da continuidade do processo migratório imposto pelas mudanças e transformações na estrutura econômica de produção. a evolução no processo de expansão urbana ocorrera principalmente na face voltada ao Lago (vertente sul). o espaço do Lago Igapó em meados dos anos de 1980 e 1990 passa a ser mais freqüentado. observa-se que a mesma continua ganhando números sejam eles qualitativos ou quantitativos (FRESCA. Semíramis Bairros Braga com 817.744 moradia mediante a construção e entrega dos mesmos. Nos anos de 1980 analisando a expansão urbana de Londrina. Iate Clube e empresários locais buscou realizar atividades para atrair a população até as margens do Lago. E é neste ano que começa a ficar mais clara a crescente urbanização em direção ao Lago Igapó. Desta forma. a população é atraída devido aos eventos promovidos.170 unidades. iniciando pelo Milton Gavetti. 248). Alterações e implantações de vias de acesso. melhoras na infraestrutura das áreas são apontadas como o principal papel para que tal área se tornasse atrativa e deixasse de ser I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . o mesmo ainda é considerado como a melhor opção de lazer para a população Londrinense. restando à vertente nordeste vários lotes de terras. João Paz com 814. Realizando atividades como competição de Caiaques patrocinados por uma empresa que vendiam instrumentos esportivos Hermes Macedo que realizava uma exposição náutica no espaço do Iate Clube. Apesar do lago ainda não estar totalmente despoluído.

Como elementos atrativos.. a face indelével da produção do espaço urbano na década de 1980 (FRESCA. atuando diretamente na transformação do espaço urbano londrinense. p. enquanto o Shopping Center era planejado. Favorecidos pelas alterações econômicas em nível nacional. que faz a ligação com o sul do Estado e de fácil acesso à BR 369. às margens da BR-369 em Londrina. à época. fórum e câmara municipal (FRESCA. nos idos de 1980. de responsabilidade da Construtora Khouri e do grupo J. para a localização do shopping center. para Fresca (2002) não era mais visto apenas como símbolo de modernidade. mas como “área de investimentos na qual a reprodução do capital estava bastante viável. Rua Paranaguá e Rua Belo Horizonte – onde.] a atuação dos promotores imobiliários criou bairros residenciais verticalizados para a classe alta nas proximidades da área central – no quadrilátero formado pela Avenida Higienópolis. que liga quase todo o norte do Paraná com o Estado de São Paulo. em área de uso rural -. representadas pelos sucessivos planos econômicos. No que diz respeito ao Catuaí Shopping Center. assumia grande dimensão. p.. Esse processo. A verticalização foi. Simultaneamente. encontrava-se o preço mais elevado por m2 da cidade.248).745 vislumbrada como uma área abandonada. FRESCA (2002) considera que: [. p. tem-se nas proximidades do I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . a construção civil teve momentos favoráveis à acumulação capitalista” (FRESCA.249). a forte verticalização que já estava em andamento. estar junto às principais vias de circulação tanto local como regional – às margens da PR 445. Outra área preferencial de atuação na década de 1990 para construção de edifícios de elevadíssimo status social foram os vazios urbanos presentes na margem esquerda do Lago Igapó I.262). nas proximidades do Centro Administrativo – prefeitura.] a escolha do local para implantação do mesmo. sendo esta denominação usada para este espaço até então.. seguiu critérios bastante conhecidos como estar relativamente afastado da área de maior densidade de ocupação urbana – recaindo a escolha na porção sudoeste onde o terreno adquirido constituía-se. 2002.. Em 22 de Novembro de 1990 foi inaugurado o Catuaí Shopping Center. 2002. sem dúvida. Observando alguns anos anteriormente a construção do Catuaí Shopping Center. ainda. 2002. Rua Goiás. Alves Veríssimo. no final do período em tela e início dos anos 1990. [.

dentre todos estes elementos que nos são apresentados podemos então compreender um pouco melhor o direcionamento da expansão físico-territorial da cidade de Londrina no sentido da porção sudoeste da cidade. Um elemento que também deve ser lembrado é a procura por residenciais que apresentem homogeneidade social. Com isso. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . tal empreendimento fica caracterizado como uma nova centralidade da cidade e passa a concorrer com os demais subcentros que surgem na cidade com o crescimento e sua expansão da malha urbana de Londrina. haja visto a grande procura de se morar em condomínios. aclarar as principais idéias acerca do mercado imobiliário para comercialização e a produção dessa área na cidade de Londrina juntamente do espaço do Lago Igapó como uma amenidade a cidade de Londrina. todas utilizavam da visão do Lago Igapó como espaço natural de Lazer. Num momento anterior ou ao longo da construção do mesmo – retratando mais uma vez a especulação imobiliária. mas sim ocorre também nos condomínios horizontais ou loteamentos fechados. Outro elemento importante para falar sobre os empreendimentos construídos nesta área da cidade é o apelo a natureza utilizado pelas construtoras. A natureza neste caso se encontra “midiatizada” pois serve como um elemento a mais para se comercializar tais empreendimentos e chamar a atenção ao mercado consumidor. Com isso. p. 257). resultante da atuação constante dos agentes produtores do espaço urbano. loteadoras etc. E com isso. um local que possibilita a maximização da reprodução capitalista. o Campus da Universidade Estadual de Londrina – UEL – e o Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR – que congregam elevado número de pessoas com deslocamento facilitado para este empreendimento (FRESCA. A implantação deste shopping acabou por se tornar um fator atrativo à expansão da área urbana na porção sudoeste da cidade. E tal processo não é exclusivo apenas em condomínios verticais. 2002. implicando em forte valorização das terras no seu entorno – que foram em grande parte adquiridas por construtoras. ocorre uma forte alteração nos níveis de expansão e crescimento para determinados setores da cidade de Londrina. uma amenidade presente nas proximidades dos edifícios. sendo este. A cidade consiste em um espaço dinâmico. Com isso.746 mesmo.

devemos refletir após a apresentação de algumas idéias e elementos acerca desse tema. simultaneamente. de forma que os lugares ordenam-se representando em forma e conteúdo a situação sócio-econômica dos grupos que os ocupam. o quão é valoroso discutir a problemática da produção do espaço urbano nas cidades brasileiras. se apresenta pelo conjunto de diferentes usos da terra. como o da dominação política. Pensar o Lago Igapó hoje é pensar em morar bem e um bom empreendimento para investir. Um elemento importante a ser lembrado é a construção do Catuaí Shopping Center nas proximidades do lago e os inúmeros benefícios oferecidos pelo poder público local para viabilizar e facilitar o acesso a tais áreas. a análise do processo de produção do espaço urbano requer a justaposição de vários níveis da realidade. de exploração da força de trabalho. o espaço do Lago Igapó e todo o seu entorno devemos evidenciar as inúmeras formas de produção do espaço urbano da cidade e refletir acerca dos principais agentes que produzem e reproduzem estas áreas. ela própria. momentos diferenciados da reprodução geral da sociedade. Buscamos neste trabalho. existe e tem uma estrutura espacial. A organização espacial da cidade capitalista. Destarte. compreender a dinâmica da produção do espaço urbano no Brasil que realimenta um permanente processo de exclusão e segregação e. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . entram em cena. social e econômica.747 CONSIDERAÇÕES FINAIS No que tange a produção do espaço urbano. de forma secundária. Destarte. vários agentes que de maneira complexa e distintas vão provocando constantemente um processo de reorganização espacial. a cidade deve aparecer como uma mercadoria apropriada diferentemente pelos cidadãos. A disposição espacial das pessoas que ocupam a cidade obedece à determinação de classes. para entendermos e analisarmos a produção da cidade de Londrina e com isso. Portanto. o da acumulação do capital e da realização da vida humana na cidade em questão. analisar o espaço do Lago Igapó em Londrina e compreender o processo de expansão físico-territorial da cidade e a valorização das áreas adjacentes ao Lago Igapó no decorrer dos anos após sua implantação. Portanto. deste modo. apresentar que a cidade deve ser encarado como um conjunto complexo: ela é. E com isso. e se tratando de um produto social.

D. A cidade. F. 1989. São Paulo: Labur Edições. 1997. 2009. H. 1978. CARLOS. HARVEY. p. 2001. R. 1969. LEFEBVRE. p. A. O espaço urbano. CARLOS. In: Folha de Londrina. 291. São Paulo: Ática. A. presença de uma relação desigual e combinada de contraposição entre o público e privado. Documento consulta. seja de produzir. 2007 [2004]. 10. A. econômicos e institucionais do município de Londrina. A. 1991. Os espaços do Lago Igapó. LEFEBVRE. F. _____ Espaço e tempo: complexidade e desafios do pensar e do fazer geografia. FRESCA. A. O espaço é ocupado. T. São Paulo: Contexto. Paris: Anthropos. 1975. CARLOS. A (re)produção do espaço urbano. CARLOS. M. II. H. Mudanças recentes na expansão físico-territorial de Londrina. R. REFERÊNCIAS ASARI. São Paulo: Moraes. TUMA. n. A. L. Geografia. M. Sn.1. 27-34. A. LEFEBVRE. O espaço urbano: novos escritos sobre a cidade. Londrina. Espaço-tempo na metrópole: a fragmentação da vida cotidiana.. A. M. FRAZÃO. Londrina: PML. A rede urbana. Barcelona: Ediciones Península. 1980.123. 1994. São Paulo: Hucitec. Ed Bertrand. p. L. F. habitar ou simplesmente viver. F. definido e redefinido de forma desigual a partir da necessidade de realização de determinada ação. A. Geografia urbana. é sim em função das necessidades da reprodução e acumulação capitalista. físicos. p. CORRÊA.748 Desta forma. F. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP . Ática. H. São Paulo: Ed. consumir. Aspectos históricos. o espaço urbano. CARLOS. A. São Paulo: Contexto. A justiça social e a cidade. São Paulo: USP. 1997. CORRÊA. Ademadan. 73-90. BEAUJEU-GARNIER. La survie du capitalisme : la re-production des rapports de production. In. Da “geografia abstrata” à “geografia concreta”. 26/07/2009. 2001-2002. J. Espaço y política: el derecho a la ciudad. O direito à cidade. v. 2002.

Obras reunidas 1914-1994.C.5. (Org. n. 2005. Porto Alegre. Monografia (Bacharelado em Geografia) – Universidade Estadual de Londrina/UEL. São Paulo: Hucitec. ZIOBER. Rio de Janeiro: Contraponto. (1970-1981). SPOSITO. A evolução urbana de Londrina-PR no período de 1957 a 1980 através de fotointerpretação. A. W. A. Reforma urbana e gestão democrática: promessas de desafios do estatuto da cidade. CARDOSO. São Paulo: Edusp.A. 1982. 2003. 1984 anais. Questões e metodologia sobre o uso do solo urbano em Londrina. L. NAKAGAWARA. E. SANTOS. Londrina. Y. E.S. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1996. p. 1990. RIBEIRO. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP .R. A. SINGER. A produção capitalista da casa (e da cidade) no Brasil industrial. 2002. P. . CARDOSO.749 LUIZ.C. 21-36. Rio de Janeiro: Revan. L. SANTOS. A natureza do espaço. In: RIBEIRO. J. M. D. O uso do solo urbano na economia capitalista. E. 1991. M. SOJA. M. N. Metamorfoses do espaço habitado. Geografias pós modernas: a reafirmação do espaço na teoria social crítica.). São Paulo: Alfa Omega.Q. OLIVEIRA.L. A vida nas cidades. São Paulo: Contexto. 1987. In: ENCONTRO NACIONAL DE GEÓGRAFOS.. Monografia (Bacharelado em Geografia) – Universidade Estadual de Londrina/UEL. Plano diretor de gestão democrática da cidade. 1986.Q. A ocupação do espaço urbano de Londrina na presença do Estado – o iapar e seu espaço criado.. Londrina. In: MARICATO.L. RANGEL.RS. I.