Serviço Público Federal Universidade Federal do Pará Instituto de Ciências Exatas e Naturais Faculdade de Química Curso de Licenciatura em Química

Disciplina: Elementos de Geologia e Mineralogia Prof(a): Valéria

RESUMO

MINERAIS
Aluno: Benedito do Carmo Rodrigues da silva MAT: 09055004301

(Belém/2011)

O estudo dos minerais constitui o objeto da mineralogia. Neste contexto. sendo em extremos comuns substâncias que em condições geológicas distintas cristalizam em formas diferentes. em estado puro ou quase puro. e um dos elementos determinantes na sua classificação. Embora em sentido restrito o petróleo. portanto da conjugação da composição química e da estrutura cristalina que é definido um mineral. Também são excluídas as substâncias. Cada mineral é classificado e denominado não apenas com base na sua composição química. mas também na estrutura cristalina dos materiais que o compõem. geralmente a maioria dos compostos orgânicos é excluída. é a determinação da sua estrutura cristalina (ou ausência dela). bem como o tipo de rochas de que poderá fazer parte. mesmo que idênticas em composição e estrutura a algum mineral. Na natureza existem 14 arranjos básicos tridimensionais de partículas (neste caso átomos ou moléculas. não são verdadeiros cristais por não possuírem uma malha com repetição espacial uniforme). produzidas pela atividade humana (como por exemplos os betões ou os diamantes artificiais). já que esse fator determina a parte com a composição química. contudo. entenda-se). a generalidade das propriedades do material e fornece indicações claras sobre os processos e ambientes geológicos que estiveram na sua origem. para . Os minerais variam na sua composição desde elementos químicos.  Estrutura cristalina. a grafite e o diamante). os quais. estrutura cristalina significa o arranjo espacial de longo alcance em que se encontram os átomos ou moléculas no mineral.Introdução Mineral é um corpo natural sólido e cristalino formado em resultado da interação de processos físico-químicos em ambientes geológicos. e sais simples a silicatos complexos com milhares de formas conhecidas. designados por redes de Bravais. Em resultado dessa distinção. o gás natural e outros compostos orgânicos formados em ambientes geológicos sejam minerais. Estrutura cristalina de um cristal de sal (NaCl). que permitem descrever todos os cristais até agora encontrados (as exceções conhecidas são os quase cristais de Shechtman. Note-se a ordenação dos átomos. É. agrupados em 7 sistemas de cristalização distintos. materiais com a mesma composição química podem constituir minerais totalmente distintos em resultado de meras diferenças estruturais na forma como os seus átomos ou moléculas se arranjam espacialmente (como por exemplo. Um dos pilares fundamentais do estudo dos minerais.

origem geológica e aspecto mineral dado pela sua origem. a galena. ocorrência e características macroscópicas. não cristalino. de material vítreo. isto é. mas estruturas cristalinas diferentes. e a periclase. Se for verdade que existem rochas compostas por um único mineral. uma substância deve ser um sólido e ter uma estrutura cristalina definida. não são materiais cristalinos. enquanto outros ocorrem de forma muito restrita. sendo nesse caso conhecidos como polimorfos do mesmo composto. a instituição de referência na aprovação da classificação e nomenclatura internacional dos minerais. como o quartzo. o qual é derivado do carbono. Similarmente. um sulfeto de chumbo. Por exemplo. em proporções variadas. todos eles reconhecidos e classificados de acordo com a International Mineralogical Association (IMA). mas a mesma estrutura cristalina. originando isomorfos. uma rocha é uma mistura complexa de um ou diversos minerais. enquanto o diamante é o mais duro dos minerais. e muitos são conhecidos somente por . na generalidade dos casos. alguns minerais têm composições químicas diferentes. Embora na linguagem comum por vezes os termos mineral e rocha sejam utilizados de forma quase sinônima. Mais de metade dos mais de 4000 minerais reconhecidos são tão raros que foram encontrados somente num punhado das amostras. Alguns minerais. dois ou mais minerais podem ter a mesma composição química. De fora ficam materiais como a obsidiana ou o âmbar. a mica ou o talco apresentam uma vasta distribuição geográfica e petrológica. que embora tenham caráter homogêneo. Apesar de composições químicas radicalmente diferentes. um composto de magnésio e oxigênio. todos estes minerais compartilham da mesma estrutura cristalina cúbica.  Minerais e rochas. Um exemplo é dado pela halite. Substâncias semelhantes a minerais que não satisfazem estritamente a definição. Para ser classificado como um "verdadeiro" mineral. aqueles que determinam a classificação desta variam muito. é importante manter uma distinção clara entre ambos. Os minerais específicos numa rocha. a pirite e a marcassite são ambos constituídos por sulfeto de ferro. Deve também ser uma substância homogênea natural com uma composição química definida. que podem ser significativas ou mesmo dominantes. a grafite é tão branda que é utilizada como lubrificante. É preciso não perder de vista que um mineral é um composto químico com uma determinada composição química e uma estrutura cristalina definida. As estruturas cristalinas determinam de forma preponderante as propriedades físicas de um mineral: apesar do diamante e grafite terem a mesma composição. como atrás foi apontado.não falar da similaridade de cristalização por parte de substâncias com composição química totalmente diversa. um composto de sódio e cloro em tudo similar ao vulgar sal de cozinha. incluindo frequentemente frações. Estão atualmente catalogados mais de 4 000 minerais. são por vezes classificados como mineralóides. De fato. ou seja. embora sejam totalmente distintos em aspecto físico e propriedades.

nomeadamente a intensidade. não mostrando sua verdadeira cor. entre outros. isto é observável sem necessidade de equipamento sofisticado (por vezes designadas. Eis alguns exemplos: Jadeíte — esverdeado. é característico dos minerais fibrosos. Na maioria das vezes.alguns pequenos cristais. Ceroso — brilho nãometálico que lembra o da cera (é exemplo a variscita). Pondere-se a diferença de abundância entre o quartzo e o diamante. Os brilhos são em geral agrupados em: metálico e não metálico ou vulgar. refração ou reflexão da luz pelas superfícies frescas de fratura do mineral (ou as faces dos seus cristais ou as superfícies de clivagem). essas propriedades. e a utilização de tabelas adequadas. O brilho depende da absorção. sendo característico dos minerais transparentes ou translúcidos. o brilho de um mineral pode ser descrito como: • Brilhos não-metálicos: Acetinado — brilho não metálico que faz lembrar o brilho do cetim. a fluorite. Adamantino — brilho não metálico que. Cassiterita — verde a castanho. de estudos de óptica ao microscópio petrográfico ou por difração de raios X ou de nêutrons. o corindo. pelas suas características. ou vulgar.  Propriedades físicas dos minerais. A origem da cor nos minerais está principalmente ligada à presença de íons metálicos. ou quando um elevado grau de ambiguidade persiste. Dentro das grandes classes atrás apontadas. se assemelha ao do diamante (são exemplos a pirargirita e a cerussita. São as seguintes as propriedades físicas macroscópicas.  Cor. As propriedades físicas mais óbvias e mais facilmente comparáveis são as mais utilizadas na identificação de um mineral. são suficientes para uma correta identificação. Pirita — amarelo-ouro. Em outros casos. Pode variar devido a impurezas existentes em minerais como o quartzo. por essa razão. por propriedades de campo). Augita — verde escuro a preto. sendo certo que este último nem é dos minerais mais raros. a identificação é realizada a partir da análise química. As propriedades físicas dos minerais resultam da sua composição química e das suas características estruturais. quando não é semelhante aos dos metais. Diz-se que o brilho é não metálico. O brilho é avaliado à vista desarmada e descrito em termos comparativos utilizando um conjunto de termos padronizados. É uma característica extremamente importante dos minerais. Resinoso — brilhonão metálico que lembra o observado nas superfícies de fratura das resinas (é . Quando tal não é possível. Nacarado — brilho nãometálico semelhante ao das pérolas (é exemplo a caulinita).  Brilho. a calcite e a turmalina. fenômenos de transferência de carga e efeitos da radiação ionizante. a superfície do mineral pode estar alterada. como no caso de muitos isomorfos similares.

O traço de um mineral fornece uma importante característica para sua identificação. É a forma como muitos minerais se quebram seguindo planos relacionados com a estrutura molecular interna. Minerais com fratura conchoidal. . Gipsita. a fluorita. perfeita. Calcita. Feldspato. determinantes na sua identificação. mas não tão intenso. Apatita. Corindon. O estilo de fraturação é um elemento importante na identificação do mineral. Ela reflete a força de ligação dos átomos. • Brilhos metálicos: Metálico — brilho que se assemelha ao dos metais. a gipsita (gesso) e o talco deixam um traço branco. Refere-se à maneira pela qual um mineral se parte. paralelos às possíveis faces do cristal que formariam. opala. que consta dos seguintes minerais de referência (ordenados por dureza crescente): Talco. é a escala de Mohs. Submetálico — brilho que faz lembrar o dos metais. como na bornita. sendo característica de minerais opacos como a galena.  Traço (ou risca).  Dureza. Vítreo — brilho não-metálico que lembra o do vidro (são exemplos. a granada e a estaurolita deixam. A clorite. A escala de dureza mais frequentemente utilizada. como nas micas.  Clivagem. A clivagem é descrita em cinco modalidades: desde pobre. já que permite diferenciar materiais com cores e brilhos similares. íons ou moléculas que formam a estrutura. comumente. Quartzo. são: quartzo. Expressa a resistência de um mineral à abrasão ou ao risco. calcedônia. apatita. sendo característico dos minerais quase opacos como a cromita. zircão. exceto quando ela é controlada pelas propriedades de clivagem e partição. Diamante. um traço castanho avermelhado. Fluorita. enquanto o zircão. moderada.  Fratura. Alguns minerais apresentam estilos de fraturação muito característicos. apesar da variação da dureza nela não ser gradativa ou proporcional. Topázio.exemplo a monazita). ilmenita. a halita e a aragonita). por exemplo. e proeminente. A cor do traço de um mineral pode ser observada quando uma louça ou porcelana branca é riscada. Os tipos de clivagem são descritos pelo número e direção dos planos de clivagem. a calcopirita e a pirita.

antes sendo dela geralmente independente: o diamante. se um mineral tem peso específico 3. Mede a coesão de um mineral. medida pela relação direta entre a massa e o volume do mineral. Peso específico (ou densidade relativa). É a medição direta da densidade mássica. utilizando uma linguagem padronizada: • • • • • • Quebradiço ou frágil – o mineral parte-se ou é pulverizado com facilidade. como o manganês. o mineral deve ser pesado imerso em água e ao ar. pode ser transformado em lâminas. Ocorre em os poucos minerais que devido à sua natureza ferromagnética são atraídos por um ímã. voltando à sua forma original quando o forçamento cessa.  Tenacidade. O processo utiliza a balança de Jolly. A tenacidade não reflete necessariamente a dureza. mas tenacidade relativamente baixa. Os exemplos mais comuns são a magnetite. Maleável – o mineral. Assim. por impacto. Dúctil – o mineral pode ser estirado para formar fios. dobrado ou esmagado. o níquel e o titânio. por exemplo. a referência inicial da balança ou calibragem em zero. É a relação do peso de um mineral quando comparado com o peso de igual volume de água. aplicando a seguinte fórmula: Onde é o peso do mineral fora da água. a pirrotite e outros com elevado teor de metais que podem ser magnetizados após aquecimento. e o peso do mineral dentro da água.  Sistema cristalino. voltar à sua forma original. já que quebra facilmente se submetido a um impacto. Séctil – o mineral pode ser cortado por uma lâmina de aço. a resistência a ser quebrado.  Magnetismo. tal significa que ele pesa três vezes mais que igual volume de água. Para isto. ou seja. no entanto. possui dureza muito elevada (é o termo mais alto da escala de Mohs). Elástico – o mineral pode ser curvado. A tenacidade dos minerais é expressa em termos qualitativos. Densidade. Flexível – o mineral pode ser curvado sem.0 determinada pelo processo descrito. por exemplo. .

O grupo dos carbonatos é composto de minerais contendo o ânion (CO3)2. sulfetos. sendo compostos principalmente por silício e oxigênio. Algumas vezes o cristal é tão simétrico e perfeito nas suas faces que coloca em dúvida a sua origem natural. selenatos. Os sulfatos mais comuns são a anidrita (sulfato de cálcio). como por exemplo. isto é regiões onde a dissolução e a precipitação dos carbonatos conduziu à formação de cavernas com estalactites e estalagmites. pois ela reflete a organização cristalina da estrutura dos minerais e dá boas indicações sobre o sistema de cristalização do mineral.e inclui a calcite e a aragonita (carbonatos de cálcio). o ferro e o cálcio. Porém. O grupo dos silicatos é de longe o maior grupo de minerais. as olivinas. Nesta classe incluem-se também os minerais de cromatos. Também ocorrem em sistemas de veios hidrotermais sob a forma de minerais constituintes da ganga associada a minérios de sulfetos. as piroxenas. teluratos e tungstatos. com a adição de cátions como o magnésio. pelo que a maioria dos cristais apenas desenvolve algumas de suas faces. Os carbonatos são geralmente depositados em ambientes marinhos pouco profundos. Os carbonatos encontram-se também em rochas formadas por evaporação de águas pouco profundas (os evaporitos. a celestita (sulfato de estrôncio) e o gesso (sulfato hidratado de cálcio). • Carbonatos.A forma do cristal é muito importante na identificação do mineral. Os sulfatos formam-se geralmente em ambientes evaporíticos. • Silicatos. A classe dos carbonatos inclui ainda os minerais de boratos e nitratos. . • Sulfatos. em mares tropicais e subtropicais. o quartzo. onde águas de alta salinidade são lentamente evaporadas.  Classificação química dos minerais. a dolomita (carbonato de magnésio e cálcio) e a siderita (carbonato de ferro). os existentes no Great Salt Lake. • Halóides. Alguns dos mais importantes silicatos constituintes de rochas comuns são os feldspatos. Os minerais podem ser classificados de acordo com sua composição química e são listados abaixo na ordem aproximada de abundância na crusta terrestre. Utah) e em ambientes de karst. os cristais perfeitos são muito raros. como por exemplo. permitindo a formação de sulfatos e de halóides na interface entre a água e o sedimento. molibdatos. Todos os sulfatos contêm o ânion sulfato na forma SO42-. as granadas e as micas. com águas límpidas e quentes.

ou seja. Esta classe inclui os minerais de fosfatos. Os halóides. são encontrados geralmente em ambientes evaporíticos. bismuto. como produtos de oxidação de outros minerais situados na zona de alteração cerca da superfície ou ainda como minerais acessórios das rochas ígneas da crusta e do manto. • Elementos nativos. arsenietos. nitritos e carbetos (que geralmente são só encontrados em alguns raros meteoritos). nas margens do Mar Morto). O grupo dos fosfatos inclui todos os minerais com uma unidade tetraédrica de AO4 onde A pode ser fósforo. tais como lagos do tipo playa e mares fechados (por exemplo. um componente comum do manto) e o gelo (de água. incluindo-se entre os mais comuns a calcopirita (sulfeto de cobre e ferro) e a galena (sulfeto de chumbo). • Sulfetos. O fosfato mais comum é a apatite. fosfinos (hidretos de fósforo). Ocorrem geralmente como precipitados em depósitos sitos próximo da superfície. grafite e enxofre). os bismutinetos e ainda os sulfossais. óxido de hidrogênio). O grupo dos elementos nativos inclui os metais e amálgamas intermetálicas (como as de ouro. prata e cobre). incluindo a fluorite. A classe dos sulfetos também inclui os minerais de selenetos. a espinela (óxido de alumínio e magnésio. antimônio. • Minerais dietéticos. encontrado nos dentes e nos ossos de muitos animais. São também incluídos nesta classe os minerais de hidróxidos. cloretos e iodetos. a qual constitui um importante mineralóide. Muitos sulfetos são também economicamente importantes como minérios metálicos. como o eletrum (uma liga natural de ouro e prata). arsênio ou vanádio. como os sulfatos. . Este grupo inclui também ligas naturais. • Fosfatos. semi-metais e não-metais (antimônio. antimonetos. a halite (sal comum) e o sal amoníaco (cloreto de amônio).O grupo dos halóides é constituído pelos minerais que formam os sais naturais. vanadatos. arseniatos e antimonatos. Os óxidos mais comuns incluem a hematite (óxido de ferro). teluretos. Os óxidos constituem um dos grupos mais importantes de minerais por formarem minérios dos quais podem ser extraídos metais. • Óxidos. Incluem os minerais de fluoretos.

entre os humanos. incluindo aqueles que devem fazer parte da boa nutrição humana. Entre os animais. ou geofagia. o magnésio e o cobre. na forma elementar ou mineral. os minerais podem ser adicionados à dieta em separado dos alimentos. o cálcio. e também de forma inadvertida. como o acontece com suplementos à base de carbonato de cálcio ou de sais ferrosos. Entre os herbívoros é importante a pica. o ferro. Alguns destes aditivos provêm de fontes naturais. para o carbonato de cálcio. como os depósitos de conchas. A geofagia humana também é corrente em algumas sociedades rurais e como distúrbio alimentar. Em alternativa. . o zinco. Os minerais dietéticos podem ser constituintes naturais do alimento ou propositadamente adicionados. Entre estes minerais inclui-se o sal de cozinha e compostos contendo nutrientes e oligoelementos como o potássio. uma fração importante de minerais dietéticos é ingerida acidentalmente por ingestão de poeiras. ao alimento. isto é a ingestão acidental de poeiras e materiais do solo em conjunto com a dieta normal. sob a forma de suplementos. particularmente entre crianças.Designam-se por minerais dietéticos os compostos inorgânicos necessários à vida.

1904-1983. Viktor. v. Ver. Leinz... Decifrando a Terra / organizadores: Wilson Teixeira. – São Paulo : Companhia Editora Nacional. – São Paulo : Oficina de Textos. 2ª Reimpressão. Geologia geral / Viktor leinz. 2000.Bibliografia TEIXEIRA. 2003. Wilson.1) . [etal. – 14. Ed. – (Biblioteca universitária. 2003. Série 3.]. Sérgio Estanislau do Amaral... Ciências puras .